O que é a Osteoporose?

A osteoporose é uma doença óssea sistémica, que por si só não causa sintomas, caracterizada por uma densidade mineral óssea (DMO) diminuída e alterações da microarquitectura e da resistência que causam aumento da fragilidade óssea e, consequentemente, aumento do risco de fracturas. Se não for prevenida precocemente, ou se não for tratada, a perda de massa óssea vai aumentando progressivamente, de forma assintomática, sem manifestações, até à ocorrência de uma fractura. O que caracteriza as fracturas osteoporóticas é ocorrerem com um traumatismo mínimo, que não provocaria fractura dum osso normal. Também se chamam, por isso, fracturas de fragilidade. Uma vez que o número de mulheres em risco de desenvolver osteoporose pósmenopáusica aumenta à medida que a população vai envelhecendo, é fundamental identificar de forma precoce e exacta quais as que se encontram em risco de sofrer fracturas.

Sintomas da Osteoporose Habitualmente não ocorrem sintomas clínicos de osteoporose antes da ocorrência de uma fractura. os ossos tornam-se progressivamente mais frágeis sem que os indivíduos afectados o percebam. A osteoporose é considerada uma doença assintomática. portanto. nesta fase. as fracturas vertebrais não são diagnosticadas por não produzirem sintomas ou por os sintomas associados . De facto. podendo ocorrer múltiplas fracturas vertebrais e consequente aumento da morbilidade (i. . frequentemente (em aproximadamente dois terços dos casos). após a primeira fractura .e. o diagnóstico e o tratamento precoces da doença são. o risco de novas fracturas aumenta. durante a progressão da doença.dor na região dorsal ou lombar . fundamentais tendo em vista a prevenção das fracturas. muitas vezes não diagnosticada. Exceptuando os casos em que o doente efectua o rastreio da doença. a micro-estrutura interna do osso pode já ter sofrido uma grande destruição e a doença encontrar-se num estado bastante avançado.serem banais e inespecíficos. a ocorrência da primeira fractura osteoporótica é o primeiro sintoma sugestivo da doença. o diagnóstico só se realiza após a ocorrência de uma fractura: y y y y y y para muitas mulheres pós-menopáusicas. a ocorrência de fracturas osteoporóticas vertebrais é a complicação da osteoporose pós-menopáusica mais frequente e muitas vezes a mais precoce. das queixas e das perturbações associadas à doença) e da mortalidade.

quando não há uma patologia subjacente que justifique a sua ocorrência. e pode classificar-se num dos seguintes dois grupos: y y Osteoporose primária. em princípio. as células que se encontram envolvidas no ciclo normal renovação (designada por remodelação) do osso. A perda de substância óssea torna-se tão acentuada que mesmo as actividades quotidianas que implicam um esforço mínimo sobre os ossos podem provocar a sua fractura. Osteoporose secundária. Resulta. . da diminuição de estrogénios após a menopausa e/ou da aquisição insuficiente de massa óssea durante a fase de crescimento do indivíduo. pode ter múltiplas causas. a um distúrbio alimentar ou a medicação. ou seja.Causas da Osteoporose A osteoporose decorre de um desequilíbrio entre as células que produzem a substância óssea (fase que se designa por formação) e as células que destroem a substância óssea (reabsorção). quando a perda óssea é secundária a uma doença. A osteoporose. que pela definição operacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) é sinónimo de Densidade Mineral Óssea (DMO) diminuída.

é importante a intervenção precoce para prevenção da primeira fractura vertebral. a perda óssea diminui lenta e gradualmente até aos valores verificados antes da menopausa. as primeiras fracturas osteoporóticas numa mulher tendem a ocorrer nas vértebras ou nos punhos. Na mulher jovem.Osteoporose primária A causa principal da osteoporose primária é a deficiência de estrogénios (hormonas femininas). . saudável. Na osteoporose pós-menopáusica. ao mesmo tempo leve e resistente ao choque) que existe predominantemente nas vértebras e punhos. é importante a intervenção precoce para prevenção da primeira fractura vertebral. mantendo-se a massa óssea constante. a formação e a reabsorção ósseas estão em equilíbrio. Aquando da menopausa. Como a ocorrência duma fractura vertebral está associada a um aumento significativo do risco de novas fracturas e da morbilidade que lhes está associada. à osteoporose e às fracturas. Uma vez que as fracturas vertebrais são altamente preditivas do risco de fracturas futuras e da morbilidade associada. A diminuição de estrogénios circulantes promove a perda acelerada de osso das seguintes formas: y y Pelo aumento da reabsorção óssea Pela diminuição da formação de osso A perda de massa óssea é mais acentuada nos 3-6 anos após a menopausa. Por conseguinte. A perda óssea verificada nos primeiros anos após a menopausa tem a sua maior repercussão ao nível do osso trabecular (osso constituído por finas lamelas que se entrecruzam. por fim. Na mulher pós-menopáusica. afectando todo o esqueleto. a perda óssea acelerada deve-se à deficiência de estrogénios que ocorre na altura da menopausa e é agravada pela idade. pelo que se verifica perda da massa óssea e redução da resistência óssea conduzindo. Após a perda acelerada inicial. os ovários deixam de produzir estrogénio. a reabsorção óssea predomina. A deficiência de estrogénios é a causa mais importante de osteoporose na mulher pós-menopáusica. dando a este tipo de osso uma textura esponjosa.

Osteoporose secundária Quer no homem. quer na mulher. Hipogonadismo (défice de hormonas sexuais). Doenças crónicas sistémicas. Deficiências nutricionais. Doenças gastrintestinais. . a osteoporose e o aumento do risco de fracturas podem ocorrer omo consequência de diversas situações clínicas: y y y y y y y y y y Doenças genéticas. Doenças endócrinas (hormonais). Doenças hematológicas (doenças do sangue). tais como doença renal grave. Alcoolismo. Distúrbios alimentares. Doenças auto-imunes (como a artrite reumatóide).

a prevenção das fracturas que lhe estão associadas. o índice T descreve a diferença entre a massa óssea actual do indivíduo e a massa óssea da população de adultos jovens. Uma vez que a razão de ser da prevenção e do tratamento da osteoporose é. . metade de todas as mulheres pósmenopáusicas. pelo menos. individualmente. Podem também queixar-se de dificuldade em alcançar objectos situados a uma altura que antes alcançavam sem dificuldade. Os doentes em risco devem ser identificados e educados o mais precocemente possível para que possam ser tomadas medidas pró-activas de prevenção da doença. De acordo com a OMS. isoladamente. é designada índice T (T score). No entanto. mas também a presença/ausência doutros factores de risco para fracturas osteoporóticas. Valores superiores a -1 são considerados normais. As mulheres com osteoporose têm. a maioria das fracturas osteoporóticas ocorre em mulheres pós-menopáusicas com osteopenia (i. com uma DMO apenas moderadamente baixa) porque este é o grupo mais numeroso.5 DP. O grau de diminuição de massa óssea é determinado através dos valores da densidade mineral óssea (DMO)que mede a quantidade de mineral existente numa determinada numa determinada área de osso. Uma história clínica completa e alguns exames complementares adequados são imprescindíveis para uma avaliação correcta do risco de fractura. o risco de fractura mais elevado. História clínica Esta avaliação deve incluir questões sobre a história pessoal e familiar do doente e a identificação de factores de risco subjacentes. também chamada pico de massa óssea). diz-se que há osteoporose quando o índice T tiver valores inferiores a -2. expressa em número de "desvios-padrão" (DP). A DMO está relacionada com o risco de fractura por fragilidade óssea: y y y Uma DMO baixa é o factor que. Em termos mais simples. Quando se compara um valor da DMO dum determinado indivíduo com o valor médio da DMO de uma população de adultos jovens do mesmo sexo (valor que representa a massa óssea máxima. fundamentalmente.5 DP e osteopenia quando o índice T se situar entre -1 e 2. Os doentes podem referir dor crónica ou frequente na coluna vertebral (raquialgias) causada pela ocorrência de fracturas vertebrais ou pelas alterações posturais que delas decorrem.Diagnóstico da Osteoporose A definição adoptada pela OMS nas recomendações para o diagnóstico da osteoporose baseia-se na diminuição de massa óssea.e. mais pesa no risco de fractura do idoso e afecta. a decisão de prevenir/tratar a osteoporose num determinado indivíduo deve ter em conta não apenas o valor da DMO obtido pela osteodensitometria. a relação entre os dois valores.

A realização de radiografias convencionais pode identificar ou confirmar a existência de fracturas em mulheres com suspeita de fracturas osteoporóticas. elevada precisão e exactidão. capacidade de determinação da DMO numa grande diversidade de localizações e reduzida exposição a radiação. a fim de se estabelecer o diagnóstico de osteopenia ou de osteoporose. O de alta-energia penetra nos tecidos moles e é atenuado essencialmente pelo osso. como a clássica gibosidade (corcunda) na região dorsal superior. A medição da altura poderá detectar uma diminuição significativa em relação à altura que o indivíduo tinha na juventude (registada.DEXA). De entre as diversas técnicas disponíveis para a determinação da DMO. Ultrassonografia quantitativa (USQ). originando um sinal detectável mais forte. O diagnóstico identifica candidatos para efectuar a terapêutica. Determinação da Densidade Mineral Óssea (DMO) Os indivíduos identificados como tendo risco de desenvolver osteoporose devem efectuar a medição da DMO. Esta técnica recorre a dois feixes de raios X com diferentes níveis de energia: y y O de baixa-energia é atenuado essencialmente pelos tecidos moles produzindo apenas um pequeno sinal detectável.Exame físico O exame físico permitirá identificar eventuais sinais da existência de osteoporose. a radiografia é pouco fiável na avaliação da densidade óssea. da história familiar e da história prévia de fracturas. A DEXA é a técnica habitualmente preferida devido à sua ampla disponibilidade. no BI). embora a decisão de iniciar ou não a mesma esteja dependente de factores de risco adicionais. No entanto. . as mais frequentemente utilizadas são: y y y Absorciometria de raios-X de dupla energia (Dual Energy X-ray Absorptiometry . p. Exames laboratoriais e radiografias convencionais A realização de exames laboratoriais pode ser necessária para estabelecer o diagnóstico ou para excluir causas secundárias da perda óssea. as fracturas vertebrais podem também originar deformidades visíveis da coluna. Tomografia quantitativa computorizada (TQC).e. Por exemplo. pelo que é inadequada como meio de diagnóstico de osteopenia ou de osteoporose em mulheres sem fracturas.

reduzir o consumo de álcool (< 30 g por dia) . O exercício físico também contribui para aumentar a DMO durante o crescimento e minimizar a perda óssea numa idade mais avançada. No entanto. Alterações na dieta e no estilo de vida . a OMS reconhece que a melhor forma de lidar com a osteoporose é através da sua prevenção logo desde o nascimento e ao longo da vida. na mulher com valores do índice T (T-Score) da densidade mineral óssea (DMO) entre -1 e -2. a prevenção da osteoporose define-se como a forma de impedir a perda de massa óssea na mulher recentemente menopáusica e ainda sem osteoporose . as alterações são benéficas em qualquer idade. maiores os ganhos em DMO.aumentar a ingestão de cálcio. Quanto mais precocemente se adoptar um estilo de vida saudável. No entanto. num sentido mais lato.podem contribuir para prevenir a osteoporose e.ou seja. potencialmente. Algumas intervenções para maximizar e preservar a massa óssea têm múltiplos efeitos benéficos na saúde. .Prevenção da Osteoporose De acordo com a organização Mundial de Saúde (OMS). deixar de fumar.5 (osteopenia) e com risco aumentado de fractura. diminuir de forma significativa a taxa de ocorrência de fracturas.

Factores de risco para a osteoporose De acordo com Brown JP e Josse RG os factores de risco major (mais importantes) para a osteoporose são: y y y y y y y y y Idade superior a 65 anos Fractura vertebral anterior Fractura de fragilidade depois dos 40 anos História de fractura da anca num dos progenitores Terapêutica corticóide (cortisona) por via oral ou injectável com mais de 3 meses de duração Menopausa precoce (< 40 anos) Hipogonadismo (défice de hormonas sexuais) Hiperparatiroidismo primário Propensão para quedas aumentada Como factores de risco minor (menos importantes) para a osteoporose. os mesmo autores indicam: y y y y y y y y y y Artrite reumatóide História de hipertiroidismo clínico Terapêutica crónica com anti-epilépticos Baixo aporte de cálcio na dieta Tabagismo (fumador) Consumo excessivo de cafeína (> 2 chávenas por dia) Consumo excessivo de bebidas alcoólicas Baixo peso (índice de massa corporal menor do que 19 kg/m2) Perda de peso superior a 10% relativamente ao peso do indivíduo aos 25 anos Imobilização prolongada .

que exercem no osso uma acção semelhante à dos estrogénios. Existe actualmente uma grande diversidade de medicamentos úteis para a prevenção e tratamento da osteoporose pós-menopáusica (OPPM): y y Os bisfosfonatos. Factores de risco não alteráveis: y y y y y y y Idade avançada História de fractura em idade adulta História de fractura em parente de 1º grau Raça caucasiana Sexo feminino Demência Mau estado geral de saúde (não prevenível) Factores de risco alteráveis: y y y y y y y y y Fumador Baixo peso corporal Deficiência em estrogénios Reduzida ingestão de cálcio/vitamina D Alcoolismo Visão diminuída Quedas recorrentes Actividade física inadequada Mau estado geral de saúde (prevenível) O risco associado a estes factores de risco é aditivo. i. eles estão associados a um aumento do risco de fracturas independentemente desse efeito sobre a DMO. inibindo a reabsorção óssea. Embora alguns desses factores de risco contribuam para uma DMO baixa.Factores de risco para fracturas osteoporóticas A investigação clínica identificou diversos factores de risco para a ocorrência de fracturas osteoporóticas para além duma DMO reduzida. podendo ser administrados de forma intermitente. Os moduladores selectivos dos receptores de estrogénios (SERM's). que inibem a reabsorção óssea. .e quanto mais factores de risco um indivíduo tiver. portanto. uma intervenção atempada. maior o risco de vir a sofrer fracturas osteoporóticas. são os medicamentos mais utilizados. A identificação dos indivíduos com risco mais elevado de desenvolver osteoporose e fracturas permite o diagnóstico precoce e.

progesterona) cuja produção diminui na menopausa As calcitoninas. . a toma. que consiste na administração das hormonas sexuais femininas (estrogénios. de suplementos contendo estes nutrientes e o aumento do nível de actividade física complementam a terapêutica farmacológica. que inibem a reabsorção óssea. Outros medicamentos que actuam no osso e no metabolismo ósseo. sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. Conselho O tratamento de cada pessoa deve ser individualizado e conduzido por profissionais de saúde.y y y A terapêutica hormonal de substituição (THS). quando julgado necessário. Aconselhe-se por isso sempre com o seu médico ou outros profissionais de saúde que o acompanhem regularmente e siga rigorosamente as suas instruções. O aumento da ingestão de alimentos ricos em cálcio e vitamina D.