Universidade Federal de Minas Gerais Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional Departamento de Fisioterapia Orientadora: Ana Maria

Chagas Sette Câmara Co-orientadora: Luciana Souza d’Ávila

DISTÚRBIOS MUSCULOESQUELÉTICOS EM FISIOTERAPEUTAS: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Erodiana Freitas Naves Rafael Henrique Pereira de Mello Belo Horizonte 2008/1

Universidade Federal de Minas Gerais Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional Departamento de Fisioterapia Orientadora: Ana Maria Chagas Sette Câmara Co-orientadora: Luciana Souza d’Ávila

DISTÚRBIOS MUSCULOESQUELÉTICOS EM FISIOTERAPEUTAS: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Monografia apresentada ao Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais, realizado como parte do currículo obrigatório do curso de Fisioterapia. Orientadora: Ana Maria Chagas Sette Câmara Coorientadora: Luciana Souza d’Ávila

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SUMÁRIO

LISTA DE ILUSTRAÇÕES ............................................................................................ 4 ABREVIAÇÕES .............................................................................................................. 5 RESUMO ......................................................................................................................... 6 1. INTRODUÇÃO............................................................................................................ 7 2. AS LER/DORT E O FISIOTERAPEUTA................................................................. 10 2.1. Histórico da abordagem das LER/DORT ..................................................... 10 2.2. O conceito de LER/DORT .............................................................................. 13 2.3. O Fisioterapeuta e a DORT............................................................................ 19 3. METODOLOGIA....................................................................................................... 22 4. RESULTADOS .......................................................................................................... 24 5. DISCUSSÃO .............................................................................................................. 32 6. CONCLUSÃO............................................................................................................ 36 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 38

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Tabela 1: Dados Gerais dos Estudos Selecionados.......................................24 Tabela 2: Proporção de respondentes nos estudos analisados, número de respondentes segundo o sexo e proporção de presença de DORT entre os respondentes....................................................................26 Tabela 3:Regiões anatômicas mais acometidas entre os estudos analisados...................................................................................... 27

Tabela 4: Fatores de risco associados a DORT.............................................30 Gráfico 1: Comparação entre as três regiões mais acometidas por distúrbios músculo-esqueléticos em fisioterapeutas.......................................28 Gráfico 2: Fatores de Risco Relacionados ao Aparecimento de Distúrbios Músculo-esqueléticos Relacionados ao Trabalho em Fisioterapeutas ...............................................................................31

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A.E.ABREVIAÇÕES CTD – Cumulative Trauma Disorders DORT – Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho EUA – Estados Unidos da América INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social L.R – Light Amplification by Stimulated Radiation LER – Lesões por Esforço Repetitivo OCD – Occupacional Cervicobrachial Disorder OOI – Occupacional Overuse Injury RSI – Repetitive Strain Injuries SUS – Sistema Único de saúde 5 .S.

A análise dos estudos evidencia a associação entre a prática do fisioterapeuta e o surgimento de DORT. trabalhar em uma mesma posição. A maioria dos estudos demonstrou que a região mais acometida dentre os fisioterapeutas foi a coluna lombar. Na prática do fisioterapeuta existem posturas e posicionamentos que são potencialmente geradores de DORT. para que a prática do fisioterapeuta possa ser menos lesiva ao profissional. com início ainda na graduação. realizar terapia manual e movimentação repetitiva. dentre as mais citadas estão: o ato de transferir pacientes dependentes. conferindo um alto risco principalmente à coluna vertebral. Destaca-se a necessidade de elaboração de alternativas preventivas. seguida da coluna cervical e da combinação punho/dedos. Foram encontrados 8 estudos transversais.RESUMO O objetivo deste trabalho foi conhecer os principais achados na literatura. na língua portuguesa ou inglesa. principalmente do polegar. 6 . com data de publicação entre 1995 e 2008. relativos aos locais mais acometidos e principais causas dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho (DORT) em fisioterapeutas.

podem ser incluídos aqueles que estão. sendo alguns mais amplos e outros menos abrangentes. indivíduos que exercem atividades não remuneradas. 2004). qualquer que seja sua forma de inserção no mercado de trabalho nos setores formais ou informais da economia. aposentadoria ou desemprego (WÜNSCH FILHO. em ajuda aos familiares no trabalho diário. os autônomos. Segundo Wünsch Filho (2004). 7 . Para o autor. Assumindo-se esse conceito de forma tão ampla. em ajuda a membro da família que tenha uma atividade econômica. sobram poucos indivíduos na população fora dessa categoria genérica: talvez as crianças e os incapazes congênitos física e mentalmente. avulso ou agrícola. INTRODUÇÃO O presente trabalho busca realizar uma revisão dos principais achados relacionados à saúde ocupacional dos fisioterapeutas descritos na literatura. Há na literatura diversos conceitos de trabalho e de trabalhador.1. todos que exercem trabalho doméstico. afastados do mercado de trabalho por doença. ou que trabalhe como aprendiz ou estagiário também estão dentro dessa classificação. mesmo tomando-se as crianças como referência. os servidores públicos. trabalhador é todo homem ou mulher que exerce atividades para sustento próprio e de seus dependentes. e os proprietários de micro e pequenas unidades de produção também devem ser classificados como trabalhadores. Serão focalizados os distúrbios músculo-esqueléticos e suas implicações no trabalho dessa categoria profissional. muitas. Mas. Além deles. Ainda. definitiva ou temporariamente.

a insuficiência de trabalho. não permitindo o seu funcionamento em estados 8 . a totalidade do trabalho coletivo que vende sua força de trabalho como mercadoria em troca de salário. ainda que em pequena escala. as organizações produtivas. Para Alves & Antunes (2004). Segundo o autor. os pequenos empresários. na gestão e no sistema de mando do capital. Dele nascem a tecnologia.não deixariam de ser classificadas como trabalhadoras (WÜNSCH FILHO. 2004). trabalhador compreende a totalidade dos assalariados. A saúde é a condição principal para a existência do trabalho. Essa classificação não se restringe aos trabalhadores manuais diretos. De acordo com Langoski (2001). homens e mulheres que vivem da venda da sua força de trabalho. os sistemas de troca que constituem os mercados. Os autores excluem da classe trabalhadora moderna os gestores do capital. É um dos poucos fatores essenciais na criação de recursos e de desenvolvimento das sociedades. incorporando também a totalidade do trabalho social. Ele se encontra no âmago da possibilidade de satisfação de necessidades humanas. em última instância. assim como o reflexo da sua realização dentro de limites adequados (LANGOSKI. torna o corpo e a mente indolentes. os recursos que possibilitam a vida individual e coletiva. Estão excluídos também aqueles que vivem de juros e da especulação. 2001). a pequena burguesia urbana e rural que é proprietária e detentora. dos meios de sua produção. pelo papel central que exercem no controle. das mais básicas às mais sofisticadas. o trabalho é a linha mestra da atividade humana e da dinâmica produtiva.

Para conhecer a produção científica sobre saúde do fisioterapeuta. o que exige abordagens específicas. por exemplo. é um profissional que trabalha muitas vezes em situações de sobrecarga e a preocupação com sua saúde tem sido evidenciada na literatura nos últimos anos. O fisioterapeuta. Em decorrência disso.de maior vitalidade. particularmente com o desenvolvimento do conhecimento sobre as Lesões por Esforços Repetitivos (LER)/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Entre essas desordens. as músculo-esqueléticas vêm ganhando cada vez mais destaque na área da Saúde do Trabalhador. torna-se necessário fazer um breve histórico do desenvolvimento da Saúde do Trabalhador e das diversas abordagens da relação saúde-trabalho. 9 . As desordens surgem em diversas regiões do corpo e em vários níveis de intensidade. Cada profissão traz riscos e exigências diferentes. o excesso de trabalho leva à ruptura do equilíbrio do corpo e da mente. fazendo surgir circunstância favorável ao desenvolvimento da doença física e/ou psíquica. pode-se dizer que o aparecimento de disfunções músculo-esqueléticas tem grande relação com a duração e intensidade das atividades exercidas durante o tempo de trabalho. A partir disso. diversas disfunções podem ocorrer. Por outro lado.

sem direito a férias e convivendo com um regime de semiescravidão. não passaram sem deixar suas marcas nos trabalhadores de cada época. AS LER/DORT E O FISIOTERAPEUTA 2. no início do século XIX. sempre preocupadas em dar o máximo de si e em não cometer erros. de uma nova concepção produtivista. a relação do comportamento das pessoas frente ao trabalho. é marcado pela corrente de 10 . Segundo Reis (2001). O surgimento. acompanhando a evolução do mundo do trabalho. Um trabalhador chega a ter uma jornada de trabalho de 16 a 18 horas diária. Essas transformações. notadamente no início do século XX. quando a revolução industrial passa a valorizar o produto final mais que o trabalho humano. Histórico da abordagem das LER/DORT Na área da Psicologia.1. poderiam ser uma das causas da lesão (LANGOSKI. para entender o que acontece com o trabalhador nos dias atuais. O trabalho passou por diversas transformações relacionadas às mudanças sociais e econômicas que atingiram o mundo.2. 2001). nos Estados Unidos. visto que assim como ocorreram alterações na forma de trabalhar. também foram se alterando as patologias e as conseqüências relacionadas às mesmas. A tensão e o esforço excessivo de pessoas com perfil independente e perfeccionista. retornar à Inglaterra. A própria forma de abordar tais patologias se modificou. entretanto. contribui efetivamente para o desenvolvimento das LER/DORT.

ele inovou com o processo do fordismo. na sua empresa “Ford Motor Company”. a partir daí. O trabalhador. 11 . absorveu aspectos do taylorismo. cuja preocupação está nas questões científicas. 2001). O grau de isolamento e a cobrança da produtividade transformam o trabalhador em individualista e egoísta (REIS. Este movimento. Posteriormente. Consistia em organizar a linha de montagem de cada fábrica para produzir mais. que. os transportes. torna-se extremamente especializado em uma determinada tarefa e alienado ao resto do processo de produção. Criava-se a máquina. evitando o desperdício de tempo. 2001). suprimindo gestos desnecessários e comportamentos supérfluos no interior do processo produtivo. o taylorismo. Com essas medidas. também chamado de administração científica visa à racionalização da produção. em julho de 1949 (REIS. economizando mão-de-obra. que a ergonomia viria a preconizar a partir da segunda metade do século XX. a formação da mão-de-obra. levando a uma total distorção dos princípios de “adaptação do homem ao trabalho”. quando se iniciou o princípio da “adaptação do trabalho às características humanas”. O desenvolvimento da ergonomia acentuou-se durante a Segunda Guerra Mundial. O norte-americano Henry Ford foi o primeiro a pôr em prática. a fim de possibilitar o aumento da produtividade no trabalho.pensamento passou a ser designada taylorismo. procurandose posteriormente o trabalhador ideal para aquela função. o posto de trabalho e a tarefa. acontece a explosão das doenças ocupacionais nunca antes vistas. controlando melhor as fontes de matéria-prima e de energia. mais precisamente com seu nascimento oficial. Todas essas inovações dão início à indesejada “robotização” do trabalhador.

2001). Apesar de a ergonomia ser recente como ciência. a observação de princípios ergonômicos é fundamental na prevenção dos distúrbios relacionados com as atividades profissionais. Essa Lei confere à direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) a responsabilidade de coordenar a política de saúde do trabalhador.080/90). físicas e de percepção aplicáveis em produtos. 2004). assim como visa à recuperação e reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho” (WÜNSCH FILHO. proteção e de recuperação da saúde. a concepção de saúde do trabalhador como pensamento e movimento de atuação tem suas origens junto aos metalúrgicos do ABC paulista que esboçavam um modelo de sociedade salarial e que formavam a liderança sindical no início da década de 1980 (WÜNSCH FILHO.tecnológicas. Segundo Reis (2001). observa-se grandes mudanças na relação trabalho\trabalhador nos países considerados desenvolvidos (REIS. quando o próprio conceito de ergonomia diz que ela procura melhorar as condições de trabalho. a lei define a saúde dos trabalhadores como “um conjunto de atividades que se destina. 2004). que devem ser desencadeadas no âmbito do SUS (WÜNSCH FILHO. No Brasil. de promoção. apenas meio século. através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária. 2004). 12 . à promoção e proteção dos trabalhadores. bem como de reabilitação dos trabalhadores submetidos a riscos e agravos advindos das condições de trabalho. equipamentos e postos de trabalho. dando conforto e segurança ao trabalhador. E ainda de relacionar as atividades de vigilância. A base legal da saúde do trabalhador se encontra na Lei Orgânica da Saúde (Lei No 8.

revelaram que as doenças do sistema músculo-esquelético constituíram a principal causa de atendimento (56. Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Dados de janeiro a julho de 1997 de nove serviços ambulatoriais de saúde do trabalhador. MG.7%). O Núcleo de Referência em Doenças Ocupacionais da Previdência Social de Belo Horizonte. seguidas das doenças do sistema nervoso e órgãos do sentido (20. Segundo Langoski (2001). 2.1%) e transtornos mentais (2. lesões em geral (6.0%).7% dos atendimentos ambulatoriais referiamse a casos de LER (WÜNSCH FILHO. foram inicialmente relatadas no país entre digitadores e programadores. ou de acordo com a denominação atual.2. registrou que 60. As Lesões por Esforços Repetitivos (LER). multiplicaram-se durante os anos 90 e atingem hoje indiscriminadamente trabalhadores de vários ramos de atividade (WÜNSCH FILHO.0%). na Austrália. doenças do aparelho respiratório (3. localizados na capital e em outros quatro municípios do Estado de São Paulo (UEHARA. inicialmente adotou-se 13 . no seu relatório anual de 1993.8%). 1999). doenças de pele (2. Dados com origem em alguns serviços de saúde no país têm detectado a importância da LER. O conceito de LER/DORT Observa-se que o conceito e abordagem da LER/DORT varia entre os diversos países. 2004).0%).As doenças músculo-esqueléticas que começaram a ser detectadas de forma inespecífica durante a segunda metade da década de 1970 tornam-se predominantes no conjunto das doenças relacionadas ao trabalho. 2004).

que vem a ser um “distúrbio ocupacional funcional e/ou orgânico produzido pela fadiga neuromuscular devido a exercícios estáticos e/ou repetitividade dos movimentos de músculos dos braços e das mãos” (AOYAMA et al. A partir deste conceito. Pereira (1992) observa críticas na literatura especializada em relação ao termo adotado nos EUA devido à ausência da ênfase nessa denominação nas patologias associadas ao trabalho. definiram RSI como: doenças músculo-tendinosas dos membros superiores. Brownw et al. Bammer (1993) aponta que até o momento não existe um acordo em relação à terminologia. devido ao uso repetitivo ou pela manutenção de posturas contraídas. o termo Repetitive Trauma Disorders também é usado (KILBOM. bem como não existe uma padronização nas definições 14 . bainha dos tendões e músculos da extremidade superior (ARMSTRONG. que resultem em dor. marcando sua distinção em relação às demais propostas. 1991). 1995). apud ASSUNÇÃO.a denominação de “Occupacional Overuse Injury” (OOI). No Japão. Nos Estados Unidos da América (EUA) e Inglaterra. Cumulative Trauma Disorders (CTD) é usado para descrever um grupo de lesões e desordens do tecido mole que são precipitadas ou agravadas por atividades ocupacionais que incluem movimentos repetitivos. mudando em 1980 para a terminologia “Repetitive Strain Injuries” (RSI). foi adotada a terminologia “Occupacional Cervicobrachial Disorder” (OCD). 1995). tendões. extensões forçadas e posturas inadequadas. 1987). causadas pela sobrecarga de um grupo muscular particular. ombros e pescoço. Nos Estados Unidos. (apud ASSUNÇÃO. fadiga e declínio no desempenho profissional. São freqüentemente observadas nos nervos.

no entanto. há diferenças consideráveis na abordagem etiológica dessa doença. utilizava-se o termo LER para as patologias relacionadas ao trabalho. com ou sem degeneração de tecidos. nervos e fáscias. por longas e contínuas jornadas de trabalho levam a desordens neuromúsculo-tendinosas" (VERTHEIN. descritas nas Normas Técnicas de Avaliação da Incapacidade de 91. Padrão denominativo semelhante é verificado na Norma/93. Na Norma/91. ligamentos. porém não somente. isolada ou associadamente. na qual a LER é considerada como: “Afecções que podem acometer tendões. Ao analisar a LER quanto à sua conceituação e formas clínicas. 2004). o termo LER é definido como “lesões que atingem todos os segmentos dos membros superiores. atingindo principalmente. escápula e pescoço” e o processo de adoecimento relacionado imediatamente à requisição músculo-tendinosa das atividades realizadas pelos trabalhadores. Verifica-se. região escapular e pescoço. sinóvias. 93 e 97 do INSS/RJ. de 15 . Verthein (2001) verifica que embora haja semelhança no registro descritivo entre os documentos. músculos. que passaram a ser identificadas como DORT (GARCIA et. Diz o texto: "Movimentos repetitivos e/ou forçados. 2001). em ritmo muitas vezes imposto pela velocidade da própria máquina.dadas à essa doença. em geral. al. em postura nem sempre adequada às suas condições pessoais. até julho de 1997. o que foi modificado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) a partir da publicação de uma minuta para atualização da norma técnica sobre essas lesões. No Brasil. os membros superiores. que as definições mencionadas têm em comum a percepção de uma doença cujo aparecimento está associado à execução de movimentos e esforços repetitivos.

um dos principais problemas de saúde pública e os responsáveis por quase 90% dos afastamentos do trabalho. recusando a noção de que ocorrências de afecção neuro-musculo-tendinosa sejam provenientes das atividades dos trabalhadores (VERTHEIN.origem ocupacional. Esses são. cintura escapular e/ou membros superiores em decorrência do trabalho” (VERTHEIN. 2001). uso forçado de grupos musculares. por conseguinte. de forma combinada ou não. e manutenção de postura inadequada” (VERTHEIN. 2004). a denominação DORT abre espaço para a análise desse processo de adoecimento como um distúrbio de patologia inespecífica e caracterizado por sintoma de dor crônica. atualmente. acompanhando a tendência mundial de aumento da incidência desses distúrbios (GARCIA et. Embora não haja no Brasil controle do INSS sobre sua prevalência. É essencial entender os fatores que propiciaram o surgimento e o agravamento dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. o número de registros deve ser cerca de quatro vezes maior que os dados oficiais. a sigla DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) substitui a sigla LER. Na Norma/97. De acordo com essa norma DORT seria: “síndrome clínica. de uso repetitivo de grupos musculares. há a atitude dos trabalhadores 16 . 2001). 2001). decorrente. al. colocando em questão a noção de que um esforço repetitivo no trabalho possa produzir uma lesão corporal e. De acordo com a Secretaria de Saúde de Minas Gerais. caracterizada por dor crônica acompanhada ou não por alterações objetivas e que se manifesta principalmente no pescoço. alguns estudos registram que as DORT ocupam o primeiro lugar entre as doenças ocupacionais. pois além da sonegação de informações pelas empresas. No documento de 97.

contribui para que o paciente tenha receio em recorrer à assistência médica. Segundo Wünsch Filho (2004). que a mudança de denominação de LER para DORT marca a diferença conceitual entre lesão e distúrbio. 2004). traz mudanças radicais nos enunciados. como o próprio nome indica. que na medicina significa uma alteração orgânica. o que significa geralmente perda econômica e afastamento do círculo que lhe é habitual e no qual tem um papel definido socialmente (WÜNSCH FILHO. para um e outro conceito. ao introduzir o deslocamento conceitual de lesão para distúrbio. se desfaz na Norma/97. No caso da LER. no que se refere ao campo 17 . estaria diretamente relacionada a uma causa mórbida e de enfermidade. tanto de LER quanto de DORT. houvesse um desvio que depois de algum tempo voltasse ao estágio anterior. 2004). a não ser quando já se encontra com dificuldades de manter o ritmo de trabalho. Assim. não deixando margem de retorno ao estado orgânico inicial. Esse é um ponto chave da polêmica: a relação de determinação entre esforço repetitivo e lesão. Essa diferença que apaga e refaz o conceito. como se partindo da noção de equilíbrio. Somado a essa situação. devido a seqüelas. O distúrbio é uma perturbação ocorrida em uma situação de equilíbrio. A lesão. ao contrário da lesão. pode-se observar pelo exposto acima. estatisticamente definido. o paciente enfrenta a possibilidade de afastamento do trabalho. O estigma criado em torno da LER/DORT. que é permanente. Relação que. a lesão seria determinada pelo esforço repetitivo. al. o distúrbio apresenta para a compreensão clínica a característica de ser temporário. a princípio.de esconderem os sintomas por temerem perder o emprego (GARCIA et. que só aparece na Norma/91 e na Norma/93.

Há falta de médicos habilitados tanto na rede pública como na rede privada. 2001). por meio de visita à empresa. tal como na DORT.como nos acidentes – ou a capacidade adaptativa do corpo. da intensidade e da duração (GARCÍA et. O próprio reconhecimento da doença é ainda contestado por 18 . Reconhece-se a dor como elemento imprescindível para sua detecção. estabelece-se que deve ser individualizado para cada um dos distúrbios. em um único evento ou crônica. As lesões agudas e crônicas apresentam-se de formas diferentes. o estresse biomecânico pode ser aplicado de duas maneiras: aguda. O tratamento não é simples nem normatizado.de construção das formações discursivas sobre o nexo da LER (VERTHEIN. é necessário definir o nexo por meio de anamnese ocupacional. Estresse agudo é abrupto. sendo o exame clínico o critério principal para caracterizá-lo. mas é mantida num nível suficiente para estimular a adaptação à demanda física do trabalho. sendo a reabilitação profissional extremamente difícil devido a possibilidades de reincidências. estresse biomecânico não é prejudicial. da localização. exame clínico. salvo se exceder a integridade do tecido . relatório do médico responsável pela assistência e estudo do posto de trabalho. Estresse crônico é menos firme. Quanto ao diagnóstico. al. Para caracterização de um quadro clínico de DORT. No entanto. 2004). A LER/DORT é considerada grave e invalidante. em um processo. Segundo McCoy (2002). muitas vezes de alto vigor. salientando a importância de obter informações a respeito do início. e está associada a acidentes e danos nos tecidos. atingindo a faixa etária de maior produtividade.

das patologias. por traumas e por doenças adquiridas. da Bioquímica. 2004). A relação de movimentos e posturas durante o trabalho dos 19 . da Cinesia e da Sinergia Funcional de órgãos e de sistemas do corpo humano. da Biofísica. Além disso. gerados por alterações genéticas.3. mais voltados para os quadros médicos clássicos e por isso. Romani (2001). 1997. a fisioterapia é a ciência da saúde que estuda. das Ciências Morfológicas. das Ciências Fisiológicas. da Biomecânica. manutenção de posturas estáticas e movimentos não fisiológicos de coluna vertebral e membros. Suas ações são fundamentadas em mecanismos terapêuticos próprios. como a força física dinâmica e estática. Além de especialistas. faltam serviços especializados em doenças ocupacionais no setor público em muitas regiões do país. 1999). afirma que a fisioterapia é uma profissão cujo exercício implica em exigências do sistema músculo-esquelético. resistentes em aceitar o nexo causal entre as situações de trabalho e os sintomas apresentados pelos trabalhadores. intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano. constata-se a tentativa por parte de alguns setores da sociedade. movimentos repetitivos de membros superiores. sistematizados pelos estudos da Biologia. previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais. RIO. 2. O Fisioterapeuta e a DORT Segundo Peres (2002). Esses movimentos e posturas são descritos na literatura corrente como fatores de risco para o desenvolvimento de DORT (INSS. em deslocar as causas da doença de seu eixo central associando-a a fatores humanos individuais (WÜNSCH FILHO.muitos profissionais.

é utilizado em situações de sobrecarga. principalmente em hospitais e clínicas de atendimento público. as microondas e o L. (2000). como as radiações eletromagnéticas por ondas curtas. seja pela realização inadequada de um movimento ou durante o trabalho com um paciente totalmente dependente (D’ÁVILA et al. 2002) Agentes físicos utilizados pelo fisioterapeuta como técnicas de tratamento também podem contribuir para o desenvolvimento de doenças relacionadas ao trabalho. 2001).R (Light Amplification by Stimulated Radiation). (1996). 20 .S. é afirmada por Bork et al. o chamado trabalho densificado. (PERES. O fisioterapeuta é um profissional que tem como principal instrumento de trabalho o seu próprio corpo. as condições ergonômicas são precárias o que proporciona a execução de tarefas de trabalho que induzem danos à sua própria condição física no atendimento a seus pacientes.A. De ocorrência comum. traduzido pelo alto número de pacientes atendidos durante a jornada. Holder et al. 2001).E. principalmente. o fisioterapeuta está exposto aos riscos biológicos (ROMANI. Mierzejewski & Kumar (1997). parece contribuir para a grande ocorrência de distúrbios músculo-esqueléticos nesses profissionais (ROMANI. na grande maioria dos ambientes de trabalho. (1999) e Cromie et al. 2005). muitas vezes. o qual. principalmente em membros superiores e coluna. Apesar da fisioterapia ser uma profissão cujo objetivo maior é promover a saúde do indivíduo. Nos ambientes hospitalares.fisioterapeutas com a gênese e a recorrência de sintomas.

O objetivo deste trabalho é fazer uma revisão dos principais achados na literatura relativos aos locais mais acometidos e principais causas de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho em fisioterapeutas. 21 .

estudos de revisão bibliográfica. A busca se estendeu durante todo o processo de montagem da revisão. escritos em português ou inglês. Occupational injury. Scielo e Portal CAPES. enfermeiros. ordenhadores. Para a discussão. DORT. Outras referências foram identificadas e buscadas nos bancos e bases de dados da internet. work-related musculoskeletal disorders. foi realizada uma segunda busca a partir da análise dos artigos e dissertações selecionados. que abordavam apenas uma região anatômica e aquelas que abordavam variados tipos de lesões em outros grupos profissionais. as palavras chave utilizadas foram: LER. Musculoskeletal injury. Durante a busca. Physical therapy. que teve início no segundo semestre de 2006 e se estendeu até o primeiro semestre de 2008. METODOLOGIA Para a produção desta revisão foi realizada a busca por publicações nos bancos e bases de dados: PubMed. como dentistas. Google Scholar. Foram incluídos artigos e dissertações relativos a distúrbios músculo-esqueléticos relacionados a diversos profissionais. 22 . PEDro. Foram excluídos da análise final. que abordaram distúrbios músculo-esqueléticos entre fisioterapeutas graduados e estudos epidemiológicos. distúrbios músculo-esqueléticos.3. repetitive strain. referências escritas em idiomas diferentes do português e inglês. Nesta revisão da literatura foram incluídas referências com data de publicação entre os anos de 1995 e 2008.

através de posições que favorecem o aparecimento de distúrbios musculoesqueléticos. que apesar de não ser o foco desta busca poderiam trazer informações importantes. 23 .farmacêuticos e bioquímicos. haja vista que todos têm sua base de trabalho associada à utilização de membros superiores.

ocorrida em algum período da carreira profissional. estudo de grande modificação do Grande relação de porte. Romani. define com disturbio postural. adapatado. É um estudo NORDIC sintomas de punhos/dedos transversal. com persistência de no mínimo 3 dias. West et al. Não informou a duração mínima para persistência dos sintomas nos últimos 12 meses. 2000 Australia Fisioterapeutas selecionados aleatóriamente. Aparecimento de algum sintoma no período de 12 meses.relacionad a ao trabalho. sem relato de dias de persistência dos sintomas Fisioterapeutas formados na universidade de IOWA de 1943 à 1993. Therapy Survey escolhidos de transversal e de se encontram entre forma intencional. para diminuir o aparecimento de DORT d’Ávila et al. disconforto ou inflamação. 24 . Profissão de risco para o aparecimento de DORT. contexto turco. na carreira profissional e nos últimos 12 meses Caracteriza a DORT como alguma lesão músculo-esquelética relacionada e ocorrida em algum período da prática profissional Utiliza a dor como referência. 2001 Brasil Questionários A maior parte dos auto-aplicaveis Tese de Mestrado acometidos por distúrbios Fisioterapeutas Occupational Estudo descritivo e músculo-esqueléticos graduados e Injuries in Physical analítico do tipo relaconados ao trabalho. Tabela 1 . Esse Therapy Survey estudo inclui assistentes de Questionnaire. relacionada ao trabalho. Questionnaire escolha intencional. Tese usados por de mestrado ROMANI. Não utliza a dor como referência sintomática para a DORT. Aparecimento de dor. Holder et al. Profissionais raramente procuram um médico. Todos os fisioterapeutas registrados no ano de 97/98 em Queensland. Esse estudo corrobora baseado nos para afirmar os achados da estudos de literaltura. Questionários Os fisioterapeutas desse auto-aplicaveis estudo foram mais ao Occupational médico do que os outros Injuries in Physical estudos da literatura. Fisioterapeutas NORDIC que trabalham em hospitais QUESTIONARIE tem maior prevalência de dor lombar do que aqueles que não trabalham. Salik et al. Peres. 2005 Brasil Estudo de Prevalência transversal. fisioterapia. foram encontrados 8 estudos passíveis de comparações e conclusões sobre o assunto (Tabela 1).Dados Gerais dos Estudos Selecionados Variáveis Autor do Estudo País do Estudo Conceito de DORT Tipo de amostra Tipo de estudo Instrumentos Achado mais importante Bork et al. pois Questionários realizam o auto-tratamento auto-aplicáveisou procuram colegas de modificação do profissão. mais acometidas e os traduzido e fatores de risco mais adapatado para o importantes. RESULTADOS Após a realização de uma busca ampla sobre o aparecimento de DORT em fisioterapeutas. Estudo de Prevalência transversal. das regiões CROMIE. registrados no estado de Victória e residentes na Australia. profissionais que trablaham traduzido e em hospitais. literatura. no mínimos de 3 dias de persistência dos sintomas nos últimos 12 meses. 2001 Australia Acometimento por dores com duração maior de 3 dias. Usam a metodologia do Bork et al com modificações de acordo com a realidade do estudo. moradores da região norte e central. da prevalência HOLDER e de DORT. 1996 Estados Unidos Aparecimento de dor. (polegares) com a realização da prática manual.4. Estudo de Prevalência transversal. 2004 Turquia Fisioterapeutas que trabalhassem com atendimento clínico e estivessem registrados na associação da categoria em Izmir na Turquia Fisioterapeutas que trabalham na rede hospitalar pública de Belo Horizonte Estudo de Prevalência transversal. Estudo de Prevalência transversal. 1 em cada 6 fisioterapeutas mudaram de área ou de Questionários profissão devido ao Faz parte de um auto-aplicáveisaparecimento de DORT. Não especifica tempo minimo de dor. Cromie et al. possuindo com referência A prevenção por parte dos fisioterapeutas não foi eficiente. Fator de risco mais importante: Flexão anterior com rotação de tronco de pé. 2002 Brasil Fisioterpeutas voluntários Estudo quantitativo Questionários epidemiológico auto-aplicados analítico do tipo baseado naquele transversal. 1999 Estados Unidos Fisioterapeutas e assistentes associados desde 1996 à American Physical Therapy Association. nos últimos 12 meses e em algum momento da vida profissionail ou estudantil. QUESTIONARIE. Questionários auto-aplicados. Questionários O aparecimento de lesões auto-aplicáveis relacionadas com o construído a partir trabalho tende a ocorrer no das opções início da carreira de disponíveis na fisioterapeuta. disconforto ou inflamação. Questionários auto-aplicados. Região mais acometida: cervical.

Os questionários aplicados variaram entre os estudos. Foi encontrado um predomínio no número de mulheres entre os sujeitos em todos os estudos.87%. na qual não foi citada a presença de não respondentes. SALIK et al. HOLDER. 25 . Observou-se que existe uma relutância dos próprios profissionais em realizar esse tipo de procedimento. Sendo assim. que preenchiam um questionário auto-aplicado. 1999) e outros ainda que apresentaram sintomas em algum momento desde o início da prática profissional (CROMIE et al. Alguns estudos utilizaram um limite de tempo para a presença da dor ou desconforto num prazo de 12 meses (ROMANI. et al. 2005. com uma média de 73. dado o tempo utilizado para o preenchimento do questionário. utiliza em seu estudo a presença de desconforto ou dor com duração de três dias ou mais durante a carreira e nos últimos 12 meses (Tabela 2). (2001). A forma de escolha de cada população variou entre: profissionais de um congresso. a taxa de resposta aos questionários variou de 52-100%. As referências apresentaram diferenças em relação ao conceito da DORT e a forma como ela foi abordada. D’ÁVILA et al. salientando que os estudos em que a taxa de resposta ao questionário foi próxima ou 100% são dissertações de mestrado.Todos os estudos analisados contaram com a participação de profissionais da fisioterapia. (1996) apresentou a menor diferença no número de respondentes entre homens e mulheres (48% homens e 52% mulheres). West et al. 2000. 2004). 1996.O estudo de Bork et al. 2001) outros um prazo de 24 meses (BORK. profissionais registrados na associação representativa ou ainda selecionados de modo intencional. e foram adaptados para atentar aos objetivos particulares. .

que detectaram.00% 30. como mostram os estudos epidemiológicos de Holder et al.00% 100.90% 98.00% Presença de DORT (%) 61.00% 24.00% 91. com prevalência de 33% de DORT em fisioterapeutas norteamericanos.00% 75.00% 69.00% 72.00% 70.00% 71. n (participantes do estudo) 1160 1000 824 130 412 156 205 300 % de respondentes entre os participantes 80.50% 85. pôde-se identificar 6 regiões: colunas lombar.00% 28.00% 22.50% 55.50% 18. Entre fisioterapeutas. Cromie et al. número de respondentes segundo o sexo e proporção de presença de DORT entre os respondentes.00% 85. Bork et al.Tabela 2 – Proporção de respondentes nos estudos analisados. (2000). (1996) identificaram 17 fatores associados ao trabalho para o desenvolvimento de DORT em fisioterapeutas e. ombro.00% 62.00% 78. As 3 regiões com menor freqüência foram quadril.00% Mulheres 52. A ocorrência acentuada desses distúrbios parece estar relacionada às cargas físicas e psíquicas às quais esses profissionais estão expostos no ambiente de trabalho (ROMANI. (2000). torácica e cervical. o local de ocorrência de DORT pode variar (Tabela 2).50% 15.50% 52. Em relação às regiões anatômicas de maior freqüência de acometimento.00% Bork et al Holder et al Cromie et al Romani West et al Peres Salik et al d’Ávila et al 1996 1999 2000 2001 2001 2002 2004 2005 Sendo assim. afirmaram que somente 16% dos profissionais de fisioterapia australianos fazem algum tipo de prevenção para DORT.50% 82.00% 62.00% 71.30% 67. 91% de DORT em algum momento de sua vida profissional. punho e dedos/polegar e cotovelo (Tabela 3). 2001). (1999).00% Autor do Estudo Respondentes 988 623 536 128 217 156 120 213 Homens 48. os fisioterapeutas estão incluídos entre os grupos de risco para DORT. e de Cromie et al. 26 . joelho e tornozelo.00% 59. entre profissionais australianos.

00% 14. Dentre as regiões mais acometidas.00% 55.90% 65. a qual apresentou maior prevalência em 7 dos 8 estudos selecionados.90% 14.00% 27.50%.00% 2005 d’Ávila et al *Vermelho (1ª).00% 23.70% 23. Azul (2ª).33% 18.60% 29.00% COTOVELOS 8.00% 18.94% 14.00% 19.10% 32.00% 30. Regiões do corpo mais afetadas Título do estudo .00% 34. com média de 45.00% 20.00% 36.00% 2. em relação às outras áreas acometidas. Segundo esse autor.56% 8.00% 10.50% PUNHO E DEDOS (POLEGAR) 29.00% 2001 West et al 33.97% 30. A relevância do acometimento da coluna lombar pode ser demonstrada.92%. com exceção apenas ao estudo realizado por Peres (2002). 27 .00% 9.00% 3. enquanto sua amostra é de 120 respondentes.00% 11. cabe destacar os distúrbios músculo-esqueléticos relacionados à coluna lombar (Gráfico 1). que considerou para o cálculo o número de respostas positivas para as regiões com distúrbios músculo-esqueléticos (n=261).00% 2001 Romani 41.28% 2002 Peres 26.Tabela 3 .60% 32.70% 13.00% 62.00% 2004 Salik et al 59.00% 13.Regiões anatômicas mais acometidas de acordo com os estudos analisados.70% 18.00% COLUNA CERVICAL 24. Verde (3ª) região mais acometida.00% 33.12% 51. Uma diferença nesse cálculo foi encontrada para o artigo de Salik (2004). no qual grande parte dos fisioterapeutas pesquisados utiliza técnicas manuais com grande esforço dos membros superiores e região alta da coluna vertebral.60% 23.00% a 65. pelo maior número de estudos que privilegiam a análise de fatores que levam ao aparecimento de DORT nesta região.50% COLUNA TORÁCICA 28. seu estudo obteve resultados diferentes que podem estar relacionados ao tipo de tratamento dispensado aos pacientes.00% 19.00% 6.50% 3. Todos os autores utilizaram para o cálculo da porcentagem o número de pessoas que responderam ao questionário. 1996 Bork et al 1999 Holder et al 2000 Cromie et al COLUNA LOMBAR 45.00% OMBROS 18. Os valores dos achados para a região lombar variaram de 26.00% 27.00% 17.00% 12.

70% 62.00% e 55.00% e 33.00% 29.00% 1 8.00% 33. variando entre 12. Sendo esses.00% 1 2.00% para coluna cervical e 18.28% 65.97% 41 .00% 26. Essas regiões apresentaram maiores variações entre os estudos em relação à ordem de acometimento.07% e 24. lesões lombares acontecem na faixa etária de 21-30 anos. 2004).00% 55.00% 30% 40% 50% 60% 70% COLUNA LOMBAR COLUNA CERVICAL PUNHO E DEDOS (POLEGAR) 28 .00% 20.90% 23.00% 59.00% d’Ávila et al Salik et al Peres West et al Romani 1 8.33% 33.33% para a combinação punho/dedos (polegar).00% 29. a segunda e terceira regiões respectivamente mais acometidas.00% 32.50% 1 8. Cromie (2000) acrescenta ainda a relutância desses jovens em pedir ajuda.50% 27. As lesões em fisioterapeutas em início de carreira podem estar associada a uma menor experiência e um menor conhecimento e habilidade nos primeiros anos de carreira (SALIK.00% 45. Gráfico 1 – Comparação entre as três regiões mais acometidas por distúrbios músculo-esqueléticos em fisioterapeutas 27.00% 51 . Outras duas regiões que apresentaram alto índice de acometimento foram a coluna cervical e a combinação punho/dedos (polegar) (Gráfico1).60% 1 9.69%.1 0% Cromie et al Holder et al Bork et al 0% 10% 20% 34. Metade desses jovens têm o primeiro episódio quando estudantes ou nos primeiros 5 anos de prática.60% 24. com médias de 30.Para Bork (1996).

distúrbios degenerativos. Segundo Cromie et al. coluna torácica e cotovelos são áreas também acometidas. Cabe destacar que o acometimento na região do joelho ocorre de forma mais comum entre profissionais do sexo masculino e aqueles que trabalham com crianças de até 12 anos (BORK et al. 2004. os sintomas de dor nos polegares entre os fisioterapeutas estão próximos dos 60% daqueles que usam técnicas manuais por mais de 20 horas por semana. al. SALIK. sendo os cotovelos responsáveis pela menor média de acometimento entre os três. Mas foram mencionados ainda espasmos musculares dolorosos. entorses. Os achados variaram entre os estudos. joelho e tornozelo. Algumas referências (ROMANI. 1996).É importante ressaltar que alguns estudos tratavam de forma separada o polegar (CROMIE et al. A relevância dessa observação está no fato de o polegar ser muito mais utilizado que os demais dedos na prática da terapia manual. (2000). 2000. Os dados referentes a membros inferiores não serão discutidos devido aos baixos índices de acometimento relativos a quadril. 2001) e outros consideraram apenas os dedos das mãos sem especificar. WEST et al.00% dos sintomas de DORT. porém com menor freqüência. tendinose e sinovite. 2001. contribuindo com menos de 10. comprometimento do disco intervertebral foram os achados comuns aos estudos. Ombros. A presença de tendinite. 1999) tratam os distúrbios de forma mais específica. estiramento ligamentar e muscular. HOLDER et. analisando o tipo de lesão que o profissional sofreu durante o período pesquisado.. mas alguns distúrbios foram comuns aos mesmos. 29 .

30 .00% 21. fazer uso de terapia manual.00% * * 51. Fatores de Risco Autores Transferir paciente dependente Trabalhar numa mesma posição Uso de terapia manual Movimentação Repetitiva Excesso de esforço com MMSS Carregar equipamentos pesados Rotação de pé Trabalhar cansado 27.As áreas anteriormente analisadas.20% * 1996 Bork et al 30.00% 35. constata-se quatro situações como sendo os principais fatores de risco para o aparecimento de DORT em fisioterapeutas.00% 11.00% 13.00% 19.20% 18. fazer uso de terapia manual e realizar movimentação repetitiva (Gráfico 2). Alguns fatores de risco são freqüentemente associados ao aparecimento dessas lesões.00% * 2001 West et al 14. Verde (3º). Rosa (4º) fator de risco mais comum * Fator de Risco não relacionado no estudo 7.00% 13.00% 58. rotação de tronco na posição ortostática e trabalhar cansado (Tabela 3).50% 16.00% 14.00% 2001 Romani 35.60% 9.40% 17. O que mostra que todas essas situações devem ser observadas dentro da prática clínica de forma especial.31% 40.Fatores de risco associados a DORT. Dentre muitas possibilidades. carregar equipamentos pesados. a saber: transferência de paciente dependente.00% 59.13% * 2005 d’Ávila et al Vermelho (1º).35% 44.00% 57.50% ³ 11. são decorrentes de posicionamentos e posturas assumidas pelos profissionais durante a prática da fisioterapia.00% * * 32.60% * 14.00% 25. trabalhar numa mesma posição.90% * 2004 Salik et al 52. sendo elas: transferência de paciente dependente.00% 12.00% 14. não ocorreu uma predominância significativa entre elas.30% * 2000 Cromie et al 37. e demonstradas como sendo mais ou menos acometidas.00% 15. excesso de esforço com membros superiores.60% 41. Em termos quantitativos.00% 1999 Holder et al 43.00% * 20. trabalhar numa mesma posição.10% 62.00% 50.80% 10.07% 51. Tabela 4 . Azul (2º). realizar movimentação repetitiva.70% 15.00% 25.00% 50.73% Por meio da análise dos estudos selecionados.60% 13. buscando prevenir o surgimento de DORT. algumas são mais comumente citadas como geradoras de DORT.80% 52.00% 58.50% 53.

00% 35.00% 18.0% 40.13% 13. E as estratégias reativas são aquelas usadas em resposta a lesão para tentar evitar o agravamento das mesmas através da utilização de outras técnicas ou outras partes do corpo. podendo ser um outro profissional ou estagiário.20% 20.31% 9.00% 58.00% 53.00% 15.0% 10. As maneiras foram categorizadas de três formas: estratégias de terceirização do trabalho.0% 50.00% 17. 31 .30% 15.00% 43.00% 41. preventivas e reativas.20% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% d’Ávila et al Salik et al West et al Romani Cromie et al Holder et al Bork et al 52.90% 50.80% 21.0% 40.70% West et al Romani Cromie et al Holder et al Bork et al 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Transferir paciente dependente Uso de terapia manual d’Ávila et al Salik et al West et al Romani Cromie et al Holder et al Bork et al 0% 10% 44. A estratégia preventiva tem como objetivo alterar a técnica ou o ambiente para evitar estresse físico.35% 14. foram analisadas as posturas dos profissionais durante a prática clínica.00% 59.0% 30. No trabalho de Cromie (2000).50% 14. As estratégias de terceirização seriam utilizar uma segunda pessoa para auxiliar na execução das condutas durante os atendimentos.07% 16.50% 51.60% 30.00% 52.Gráfico 2 – Fatores de Risco Relacionados ao Aparecimento de Distúrbios Músculo-esqueléticos Relacionados ao Trabalho em Fisioterapeutas d’Ávila et al Salik et al 35.0% 60. foram identificadas 10 maneiras advindas da literatura e da discussão com fisioterapeutas para minimizar ou evitar o aparecimento de DORT.60% 58.00% 50.40% 20% 30% 40% 50% 60% d’Ávila et al Salik et al West et al Romani Cromie et al Holder et al Bork et al 0.00% 37.0% Trabalhar numa mesma posição Movimentação Repetitiva No estudo realizado por Peres (2002).00% 27.

74%. australianos. O autor separa as regiões acometidas em membros superiores (incluindo cervical). além das cargas psicológicas relacionadas ao ambiente de trabalho. ordenhadores da grande Florianópolis apresentaram uma taxa de incidência de DORT de 84. joelhos. A realidade de atendimento. DISCUSSÃO Diante dos resultados apresentados e a partir do material teórico analisado. devido às técnicas utilizadas e posturas adotadas. Os estudos apresentaram uma grande diversidade cultural. pois foram incluídos fisioterapeutas turcos. de aprendizado e de questões relativas à saúde do trabalhador tem identidades muito distintas. avaliadas através do Nordic Questionare e através de um exame clínico. podemos verificar que também existe uma alta prevalência de DORT em outros profissionais. 32 . o que pode interferir nos resultados encontrados em algumas variáveis dos estudos. Quando comparamos estes achados com os observados em profissionais de outras categorias.5. com maior percentual de respostas para membros superiores. costas (inferior e superior) e membros inferiores (quadris/coxas. americanos e brasileiros. tornozelos/pés). Dentre os estudos analisados foi encontrada uma incidência de aproximadamente 60% de distúrbios músculo-esqueléticos relacionados ao trabalho em fisioterapeutas. pode-se afirmar que a profissão de fisioterapia trás consigo diversos fatores de risco para o aparecimento de lesões músculo-esqueléticas. Segundo Toneal (2004).

Langoski (2001).35%.Massambani (2002) evidencia a presença de distúrbios músculoesqueléticos em farmacêuticos e bioquímicos.1985). demonstra a separação entre coluna cervical e pescoço. (apud MOLUMPHY.9%). encontrando a prevalência de 51. ao contrário do estudo de Régis Filho (2006) em que a porcentagem foi de 61.9%. pescoço e punho.7%). o que vai ao encontro da definição de DORT. Rugelj (2003). Os dois estudos concordam que as regiões de maior incidência de distúrbios são ombro. com taxa de aproximadamente 7% para coluna cervical.9%) e ombro (35. que dá destaque às desordens de membros superiores em detrimento dos membros inferiores. não relata a porcentagem de respondentes que apresentaram DORT. observa-se que existe grande relação na porcentagem de acometimento e nas áreas acometidas de DORT entre fisioterapeutas e outros profissionais. É interessante relatar que os achados de distúrbios em membros inferiores são considerados menos comuns em diversas profissões. que embora a taxa de acometimento de coluna lombar seja a mesma do pescoço. A coluna lombar é uma região com alta prevalência de acometimento na população em geral. ao analisar cirurgiões-dentistas. pescoço (42. relatou que 62% a 80% da população geral irão sofrer de um episódio de dor lombar alguma vez 33 . Essa semelhança mostra o quanto tais áreas são vulneráveis ao aparecimento de DORT. feita pelo INSS. É importante ressaltar. a análise dos dados apresentados pelo autor. A partir desses dados. principalmente se as técnicas e procedimentos não forem executados de maneira correta ou com sobrecarga. com predomínio de distúrbios na coluna lombar (42.

favorecendo assim o aparecimento de DORT. Para Cromie (2000). mostrando ainda que esse episódio tem grande probabilidade de ocorrer entre os 40 e 60 anos de idade. devido ao tempo prolongado de execução e repetitividade de seus movimentos. curvar-se. Os estudos fazem pouca correlação às possíveis causas de seu aparecimento. sendo os polegares os mais sobrecarregados. lombar e 34 . e que a faixa etária de 20-21 é a mais propensa ao aparecimento dessas dores. No estudo de Cromie (2000). segurar. pois em início de carreira os profissionais de fisioterapia provavelmente ainda não desenvolveram estratégias de adaptação das técnicas aprendidas e ainda relutam em pedir ajuda.na vida. a coluna cervical é uma região freqüentemente acometida. sendo possivelmente os principais fatores de risco para a presença de alterações. foi encontrada uma diferença em relação ao de BORK (1996). que geram uma maior sobrecarga na coluna lombar. mas pode-se inferir que a manutenção de postura de flexão anterior da região cervical possa ser a geradora. porém. O comprometimento da coluna lombar relaciona-se com o fato de mobilizar. essa região demonstra uma maior taxa de acometimento por DORT. empurrar e puxar pacientes. por serem a principal estrutura envolvida para a execução da técnica. Especificamente na região de punho/dedos (polegares). Em fisioterapeutas. a prática de terapia manual se mostrou um fator desencadeador de DORT. levantar. Assim como a coluna lombar. transportar. a prevalência de sintomas na coluna torácica. Nyland (2001) relata em seu estudo que universitários na graduação já são acometidos por dores lombares. Um fator agravante nesse contexto repleto de fatores de risco pode ser o tempo de experiência como fisioterapeuta.

relacionada ao baixo valor repassado pelos planos de saúde responsáveis pela maior demanda dos atendimentos.polegares a relação entre idade e DORT é inversamente proporcional. Apesar do número de fatores de risco no cotidiano de trabalho do fisioterapeuta. Selecionar técnicas que não irão agravar ou provocar o desconforto. 35 . podem ser transportadas à prática desse profissional. ou seja. (2005) a relação entre aumento de incidência de DORT e a não realização de atividade física regular. quanto menor a idade maior o risco de DORT. Para Bork (1996). como redução do número de pacientes atendidos. Foi encontrada por d’Ávila et al. outras estratégias também podem ser utilizadas. essa relação é diretamente proporcional. o conhecimento que possuí para benefício próprio. adequação das posturas adotadas visando à redução das sobrecargas articulares e musculares. Estratégias como a redução do número de atendimentos e de horas de trabalho. muitas vezes encontram resistência por parte dos fisioterapeutas. Além de exercícios físicos. não têm sido elaboradas estratégias para prevenção de DORT ou de agravamento do quadro. Evidencia-se também a permanência no posto de trabalho mesmo na presença da DORT. com aumento da prevalência de DORT com o aumento da idade. devido ao apelo financeiro. contribuí substancialmente para esse processo. o qual não utiliza. Recomendações que muitas vezes são indicadas aos pacientes. ou usar partes alternativas do corpo para administrar as técnicas de tratamento são outras possibilidades que o profissional tem para reduzir os riscos de DORT. A massificação dos atendimentos. na maioria das vezes.

Os fatores de risco mais comumente associados ao aparecimento de DORT nos fisioterapeutas são: transferir pacientes dependentes. e apesar da adoção dessas medidas. trabalhar muito tempo na mesma posição. CONCLUSÃO A revisão da literatura confirma a relação entre o aparecimento de DORT e o trabalho do fisioterapeuta. Um acesso ergonômico utilizando análise do trabalho seria 36 . quando esse é realizado de forma inadequada. salientando que. posturas desfavoráveis das articulações ou alta repetitividade. como fator isolado. Ficou evidenciado que as regiões anatômicas mais acometidas foram a coluna lombar e cervical e a combinação punho/dedos (principalmente polegares). para reduzir o nível das dores. por compressão mecânica. fazer uso de terapia manual na prática clínica e realizar uma movimentação repetitiva durante o trabalho. podem surgir distúrbios se o ambiente de trabalho não estiver devidamente ligado aos objetivos de tratamento com as formas corretas de execução. A prevenção é importante para evitar o aparecimento de DORT. o esforço excessivo se mostra mais importante que os efeitos deletérios de cada um.6. a DORT representa a conseqüência tardia do mau uso crônico de um delicado conjunto mecânico que são os membros superiores e regiões adjacentes. seja pelo uso da força excessiva. A educação dos fisioterapeutas para suas atividades de trabalho deve ser efetiva contrabalançando os efeitos do estresse ocupacional. Assim.

a responsabilidade de todos os profissionais dentro da empresa com o programa de prevenção deste problema. 2002).apropriado para orientar à educação e os cuidados da coluna vertebral desses profissionais da área da saúde (PERES. O caminho que se afigura mais viável na contenção da DORT. É importante ressaltar que o utilização de uma alternativa isolada de prevenção pode não ter o efeito esperado. A eficácia de um programa de prevenção para a DORT é adotada com base em algumas medidas de controle que devem ser implantadas e avaliadas com acompanhamento. tanto pelo seu compromisso com a produção. Outra forma de prevenção da DORT é a instauração da disciplina obrigatória de Ergonomia. essas são de difícil solução. é a aplicação rigorosa da Ergonomia nos processos de trabalho. Ressalta-se ainda. na graduação dos fisioterapeuta. 2004). sendo necessário realizar o maior número possível de estratégias para se evitar o aparecimento de DORT. como pela qualidade de vida daqueles que participam dessa produção (WÜNSCH FILHO. participação e compromisso de todos os trabalhadores envolvidos diretamente com a produção. no sentido de prevenção. 37 . pois após a instalação do quadro de DORT. para que estes estejam consciente das posturas adotadas e da melhor forma de execução das técnicas.

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