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Revista de Pesquisa Aplicada à Engenharia, Vol. 1, No. 1, 2008 © Copyright 2008 PET-ENC.

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A INFLUÊNCIA DA CURA COM MISTURA SOLTA NO PREPARO DO KRAFTTERRA PARA A PRODUÇÃO DE BLOCOS DE TERRA COMPACTADA
Fernando Luis Campanella1 & Márcio Albuquerque Buson2 & Rosa Maria Sposto3

RESUMO: A produção de Blocos de Terra Compactada - BTC com a incorporação de fibras longas de papel Kraft proveniente da reciclagem de sacos de cimento vem sendo estudada em uma pesquisa de doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília.Um dos objetivos desta pesquisa é o estudo da redução da quantidade de cimento e o uso de solo com percentual de argila mais elevado ao comumente utilizado na produção do BTC. Este tem como base uma incorporação mais eficiente das fibras da polpa de celulose ao solo com conseqüente melhora no desempenho final do BTC após a secagem, à semelhança do que ocorre com os adobes com a incorporação de palha ou estrume curtido de gado. Os blocos e os tijolos prensados de solo estabilizado com cimento, popularmente conhecidos e comercialmente designados de solo-cimento vêm sendo largamente utilizados em construções pelo Brasil. Seu processo de fabricação é simples e muito semelhante em todo o mundo. Misturam-se as quantidades e proporções adequadas de solo arenoso, cimento e água e logo em seguida a etapa de mistura procede-se à compactação em máquinas manuais ou hidráulicas. Entretanto, um estudo sobre dosagem de solo melhorado com cimento feito por Pitta e Nascimento (1983) indica que se a mistura úmida “solo + cimento” for deixada solta por algum tempo antes de ser prensada, o solo – principalmente o mais fino – tem suas características de granulometria transformadas, produzindo melhores condições de compactação e influenciando nas propriedades físico-mecânicas finais do BTC. O presente estudo apresenta a comparação entre o desempenho de BTC de kraftterra com e sem o período de cura com a mistura solta. Palavras-chave: kraftterra; cura com mistura solta; reciclagem. ABSTRACT: The production of compressed earth blocks – CEB with addition of long kraft paper fiber, originated from recycled bags of cement is being studied in a PhD research at the department of architecture and urbanism at the University of Brasilia, Brazil. One of the goals of this research is to reduce the amount of cement used in the production of CEB, and also to use a soil with a greater percentage of clay in that process. This process is based in a more efficient incorporation of the cellulose pulp fibers to the soil, leading to a best performance of the “CEB”, similar to what occurs with “raw bricks” with addition of straw or cattle manure. This bricks and blocks widely know and commercially named as soil-cement has been widely used in constructions throughout Brazil. Its fabrication process is really simple and

with and without a period of cure before compression. a study about dosage of soil-cement made by Pitta and Nascimento (1983) shows that if the humid mix of soil and cement is left for some time without compression (cure process). 2 . having influence in CEB physic-mechanical properties. Keywords: Kraftterra. resulting in better characteristics for compressing process. cement and water is mixed. Adequate proportion of soil. recycling.very similar around the world. the soil – specially the thinner soil – has it’s granulometry transformed. and then compressed either by manual or hydraulic machines. Thus . However. this paper shows the comparison of performance between CEB made with kraftterra. soil curing process.

que produz fibra longa de alta resistência física. Estas especificações exigem uma celulose sulfato de alta resistência. o crescimento populacional dos grandes centros urbanos e a diversificação do consumo de bens e serviços. Isto porque terra. considerando-se o seu volume e a massa acumulados (Ângulo. Barbosa (2002) comenta que os tijolos prensados de terra crua são uma forma “moderna” de uso da terra como material de construção. que utilizam as fibras do bambu. tratamento ou beneficiamento. culturais e ambientais. econômicos. capaz de garantir excelente entrelaçamento. A Indústria da Construção Civil gera atualmente uma grande quantidade de resíduos sólidos. quer sejam cooperativas ou auto-construtores. O Brasil possui alguns fabricantes de papel kraft. de fibra longa.1. que devem considerar aspectos técnicos. Ramires teve a idéia de criar uma prensa manual para fabricação de tijolos. os quais em sua grande maioria não são reaproveitados ou reciclados. A importância do aproveitamento de resíduos para a produção de componentes para habitações – sejam estas de interesse social ou não – deve-se basicamente à possibilidade de desenvolvimento de materiais de boa qualidade e baixo custo a partir de subprodutos industriais. material milenar. que é geralmente empregada pura. disponíveis localmente. o papel kraft. Esta ficou mundialmente conhecida como prensa CINVA-RAM. tem excelentes propriedades físicas e mecânicas. Entre os mais sérios problemas da atualidade enfrentados pela gestão ambiental podem ser destacados o impacto do ambiente construído provocado principalmente pela grande geração de resíduos sólidos da Indústria da Construção Civil – ICC – e o seu posterior descarte na natureza. Esse papel é fabricado seguindo as especificações rígidas exigidas pelos fabricantes e usuários de sacos multifoliados. o advento de novas tecnologias. quando o pesquisador colombiano G. o saco. Dentre esses materiais provenientes das construções podemos ressaltar a presença do papel kraft oriundo dos sacos de cimento. de modo a oferecer um produto de boa qualidade e que seja econômico-sustentável. O Brasil apresenta um grande desafio na área social. constituído por material com tão boas características físicas e mecânicas. visando à melhoria das propriedades técnicas. o que proporciona um enorme impacto ambiental pelo fato desse entulho de obra ser em grande parte descartado na natureza sem qualquer aproveitamento. Após a utilização do cimento. A pesquisa de doutorado que vem sendo realizada tem como hipótese que é possível o desenvolvimento de componentes econômico-sustentáveis de terra crua com a incorporação de papel kraft reciclado de sacos de cimento para a produção de blocos de terra compactada – BTC – para a vedação vertical. um enorme déficit habitacional. sendo o primeiro 3 . 2001). a participação da comunidade científica dá-se especialmente no desenvolvimento de alternativas tecnológicas. porém. como a Empresa Itapajé (Maranhão) e a Empresa Portela (Pernambuco). sociais. A fibra dessas embalagens. econômicas e de sustentabilidade. estrutural ou não. para produzir um dos melhores sacos multifoliados do mundo. da espécie Bambusa vulgaris. quando comparado com alguns componentes tradicionalmente utilizados na construção de habitações. através da investigação de suas potencialidades. Há. Faz-se necessário ampliar o conhecimento de alternativas para a habitação de interesse social destinadas aos agentes da construção. acaba não sendo aceito pelas empresas de reciclagem de papel por se encontrar “contaminado” pelo cimento. potencial de seu aproveitamento na produção de novos componentes construtivos. só passou a ser utilizada na forma comprimida por equipamentos na década de 1950. de habitações de interesse social. No enfrentamento dessa questão. INTRODUÇÃO Com a intensa industrialização. os resíduos se transformaram em graves problemas urbanos com um gerenciamento oneroso e complexo.

No Brasil. Essas variáveis visam. um estudo sobre dosagem de solo melhorado com cimento feito por Pitta e Nascimento (1983) indica que se a mistura úmida “solo + cimento” for deixada solta por algum tempo antes de ser compactada. nesse processo. para se obterem resistências adequadas. ecologicamente mais correto e com uma incorporação mais eficiente às fibras da polpa de celulose com conseqüente melhora no desempenho final após a secagem. não tem capacidade adequada para a pressão da terra. a Associação Brasileira de Cimento Portland realizou muitos trabalhos com o que se chamou solo-cimento. No Distrito Federal. Tratando-se de um novo compósito o seu processo de preparo deve ser intensamente estudado e avaliado. cimento e água. Para os blocos e tijolos prensados de solo estabilizado com cimento. com dosagem ou traço (em volume) de 1:8. ao se utilizar uma mistura com um solo bastante argiloso e com baixo teor de cimento os corpos de prova apresentaram grande fragilidade e baixíssima resistência já ao serem transportados. Foram comparadas as médias dos valores máximos da tensão de ruptura à compressão simples das várias amostras estudadas. produzindo melhores condições de compactação e influenciando nas propriedades físico-mecânicas finais. Entretanto. obtém-se valores entre 11 e 15% em volume para o teor de cimento na mistura. Assim. No entanto. Dentre as análises de caracterização do novo compósito previstas na referida pesquisa de doutorado têm-se as variáveis de estudo da “redução e/ou eliminação do estabilizante cimento” e o “uso de um solo com percentual de argila mais elevado ao comumente utilizado na produção do BTC”. a análise de um material resistente. 3. moldando três tijolos ao mesmo tempo. 4 .nome o do organismo de habitação popular do Chile onde Ramires trabalhava. ao mesmo tempo. o solo – principalmente os mais finos – tem suas características de granulometria transformadas. para a produção de tijolos prensados de solo estabilizado com cimento usualmente são utilizados solos arenosos. Com essas proporções. o que é muito elevado. o equipamento. 10. Logo em seguida procede-se a compactação da mistura em máquinas manuais ou hidráulicas. o processo de fabricação é simples e muito semelhante em todo o mundo. Tais teores de ligante passam a pesar significativamente nos custos do material. OBJETIVO Análise comparativa do desempenho entre amostras de kraftterra com o processo de preparo contendo um período de cura com a mistura solta e outras amostras sem esse período. BTC ou tijolos de solo-cimento. METODOLOGIA Para a confecção dos corpos-de-prova foram utilizados os procedimentos descritos na NBR 12024 (Solo-cimento – Moldagem e cura de corpos-de-prova cilíndricos). Foi inclusive desenvolvida uma prensa para fabricação de tijolos de solocimento com apoio do Banco Nacional de Habitação. A norma recomenda que logo após a moldagem os corpos-de-prova devem ser colocados numa câmara úmida à temperatura aproximada de 23ºC e umidade relativa do ar não inferior a 95%. usam-se taxas de cimento (em volume) de 8. Já se constatou traço de 1:6. o que não refletia a situação mínima esperada. semelhante às câmaras úmidas utilizadas para a cura de concreto. Misturam-se as quantidades e proporções adequadas de solo arenoso. mas com alguns ajustes para melhor adequação ao estudo proposto. de custo final mais barato. sendo uma parte de cimento para oito partes de solo (em volume). 2. 12 e até mesmo 15 %. Contudo.

60 26. 4. onde foi possível controlar a ventilação e manter a umidade relativa do ar em torno de 50%.37 25.63 51 1. Os autores sugerem que a imersão em água dos corpos-de-prova deve ser eliminada das especificações no caso de solo melhorado com cimento. tomando-se como base o recomendado por Pitta e Nascimento (1983) em estudo técnico da ABCP sobre dosagem de solo melhorado com cimento. Para os dois tipos de amostras os resultados apresentaram os maiores valores de tensão de ruptura com os corposde-prova que haviam sido compactados com umidade próxima dos 26%. 6% de cimento e 6% de fibras de papel Kraft (em massa). Os períodos de análise ocorreram na época de seca em Brasília. com e sem o período de cura com a mistura solta seguindo os procedimentos da NBR 12023. ANÁLISE DOS RESULTADOS Os ensaios de compressão simples dos corpos-de-prova cilíndricos moldados com o kraftterra sem e com o período de cura com a mistura solta apresentaram os seguintes valores de tensão máxima de ruptura: Tabela 1: Tensão máxima de ruptura à compressão simples e umidade de compactação. ajustando-se os procedimentos para as amostras em questão. independentemente do tipo de solo a ser estabilizado. Também se procedeu à cura de alguns corpos-de-prova mantendo-os em um depósito fechado no laboratório. cerca de 5 pontos percentuais abaixo da umidade ótima de compactação. Em seguida.Optou-se por manter os corpos-de-prova durante o período de cura em uma câmara úmida com umidade relativa do ar controlada bem abaixo do recomendado na norma.99 50 1.64 49 1.50 25. Após o período de cura de 7 dias foram realizados ensaios de compressão simples seguindo os procedimentos descritos na NBR 12025. Os valores de umidade ótima de compactação das amostras variaram muito pouco ficando em torno dos 31%. Foram definidos os valores de umidade ótima das duas amostras de kraftterra. As misturas foram feitas com solo argiloso (cerca de 45% de argila). A compactação dos corpos-de-prova sem o período de cura com mistura solta foi feita logo após o preparo do compósito.48 25. Ou seja. Procedeu-se à realização de ensaios de compressão simples com os corpos-de-prova resultantes dos ensaios de compactação para definir qual seria o percentual ideal de umidade para o alcance do melhor desempenho quanto à compressão simples. Os sacos de cimento foram triturados com água em um liquidificador industrial e após a retirada do excesso de umidade foram misturados ao solo e ao cimento. No caso da mistura solta a mistura foi deixada à umidade ambiente por 24 horas antes de ser compactada. “SEM” O PERÍODO DE CURA COM MISTURA SOLTA Corpo de Prova Resistência máxima (Mpa) Umidade (%) 48 1. moldamos os corpos-de-prova de kraftterra com e sem o período de cura com mistura úmida solta com umidade o mais próximo possível dos 26%.60 5 . Essa câmara mantém uma umidade relativa do ar constante em torno dos 75% e temperatura por volta dos 25ºC. onde a umidade relativa do ar é baixa e relativamente constante e a amplitude térmica é grande ao longo dos dias.

49 MPa.50 MPa e os moldados com o kraftterra sem o período de cura com a mistura solta chegaram a uma média de 1.53 26.80 0. Os corpos-de-prova moldados com as amostras com o período de cura com mistura solta apresentaram uma resistência média à compressão de 1.93 54 1.40 0.20 0.60 MPa.000 6.60 0. Tensão de Compressão x Deformação Axial GC-K6-E6: GC-K6-E6: GC-K6-E6: GC-K6-E6: GC-K6-E6: GC-K6-E6: GC-K6-E6: GC-K6-E6: 6% 6% 6% 6% 6% 6% 6% 6% de kraft de kraft de kraft de kraft de kraft de kraft de kraft de kraft e 6% e 6% e 6% e 6% e 6% e 6% e 6% e 6% de cimento (CP-48) CURA de cimento (CP-49) CURA de cimento (CP-50) CURA de cimento (CP-51) CURA de cimento (CP-52) CURA de cimento (CP-53) CURA de cimento (CP-54) CURA de cimento (CP-55) CURA SEM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS SEM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS SEM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS SEM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS COM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS COM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS COM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS COM MISTURA SOLTA POR 24 HORAS 1.81 53 1.000 14. com média em torno dos 1.90 55 1.000 12.000 8.60 1.“COM” O PERÍODO DE CURA COM MISTURA SOLTA Corpo de Prova Resistência máxima (Mpa) Umidade (%) 52 1.00 0.37 a 1.50 MPa.20 ∆σ (ΜΠα) 1.000 10.80 Como pode ser visto no gráfico abaixo os valores de resistência à compressão simples variaram entre 1.40 1.51 26.000 2. 6 .000 ε (%) Figura 1: Tensão de Compressão x Deformação Axial.00 0.80 1.38 26.000 4.58 26.

com umidade relativa do ar de aproximadamente 50%. O ensaio de compactação também mostrou que o melhor desempenho do kraftterra quanto à resistência a compressão é obtido com uma mistura com umidade aproximada de 5 pontos percentuais abaixo da umidade ótima de compactação. CONCLUSÃO Os resultados apresentados mostram que a inclusão do procedimento de “cura com mistura solta” não influencia no desempenho do novo compósito kraftterra para a produção de blocos de terra compactada quanto à resistência à compressão simples.5 MPa para cerca de 3 MPa. pois a influência da quantidade de água ou percentual de umidade na mistura é bastante expressiva para a resistência final dos componentes construtivos. Esse dado é importante. principalmente quanto às condições de cura e preparação dos corpos-de-prova antes dos ensaios de ruptura.Cabe apresentar e ressaltar os valores médios de tensão máxima de ruptura obtidos com os corpos-de-prova curados fora da câmara úmida. 5. A média dos valores máximos de tensão de ruptura à compressão simples subiu mais de 100%. ou seja. Passou de 1. O trabalho apresentou informações sobre ajustes nos procedimentos recomendados em normas que justificam um estudo mais detalhado para a proposição de novos procedimentos ou atualizações nas referidas normas. em ambiente com a metade da umidade recomendada pela NBR-12024. 7 .

Associação Brasileira De Normas Técnicas – ABNT (1990): NBR 12025 – Solo-cimento: Ensaio de compressão simples de corpos-de-prova cilíndricos. E-mail: nanocampanella@hotmail. 70910-900. Márcio Rocha. . Brasília – DF.Biblioteca On Line. Brasil. Disponível na página eletrônica do SEBRAE. +55 61 3307-2450. 70910-900. Port (1983): Dosagem de solo melhorado com cimento por modificações físicas. Evento: IV Seminário Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na construção civil . Rio de Janeiro.Universidade de Brasília – ENC/FT/UnB. Belo horizonte – MG. Brasil. (2001): Desenvolvimento sustentável e a reciclagem de resíduos na construção civil.sebrae.com.br/. Anais do 44º Congresso Brasileiro de Concreto. Aurinilce A.com 2 1 Professor Msc. químicas e mecânicas do solo original.materiais reciclados e suas aplicações.Universidade de Brasília – ENC/FT/UnB. Matonne. Roberto.SP. Brasília – DF. Brasil. E-mail: mbuson@unb.. São Paulo . Rio de Janeiro. ENC/FT.ABCP. em http://www. Barbosa. Ali (2002): Blocos de Concreto de Terra: Uma Opção Interessante Para a Sustentabilidade da Construção. Zordan.Universidade de Brasília – TEC/FAU/UnB. ENC/FT.br Professor Dr. Sérgio.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ângulo. e Nascimento. . +55 61 3307-2301. Aluno de graduação em Engenharia Civil da Universidade de Brasília . Campus Universitário Darcy Ribeiro. Acesso em 05/2007. Normando Perazzo. Associação Brasileira De Normas Técnicas – ABNT (1992): NBR 12024 – Solo-cimento: Moldagem e cura de corpos-de-prova cilíndricos. Associação Brasileira De Normas Técnicas – ABNT (1992): NBR 12023 – Solo-cimento: Ensaio de compactação. Estudo Técnico ET-53 da Associação Brasileira de Cimento Portland . Rio de Janeiro. São Paulo. Campus Universitário Darcy Ribeiro ICC Norte Bloco A . Sérgio C. e John. E-mail: rmsposto@unb. CT206 . Brasília – DF. e Mesbah. 70910-900. +55 61 33072301.biblioteca. Vanderley M. Campus Universitário Darcy Ribeiro.br 3 8 . Pitta.IBRACON.FAU.