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Fluxo de Informação e Liberdade de Culto: A Cultura Livre na Subversão das Estruturas Religiosas

Pasteur Eixo dos Santos

Com vistas aos movimentos mundiais que se agregam sob a bandeira da "Cultura Livre". Com vistas à coesão de princípios e formas de ação. Dado que estes movimentos e estes princípios tem norteado nossas atividades e nossos posicionamentos. Explicitamos, nesta, um primeiro rascunho do que vislumbramos como uma proposta de organizações ligadas à cultura livre. Transversal a uma série de outras iniciativas, tem como meta agregar e facilitar as manifestações, especialmente do ponto de vista administrativo e da legalidade de ações que hoje estão no limiar da criminalidade. A principal ferramenta que conseguimos tomar conhecimento é a de subverter as estruturas religiosas. Aqui no Brasil abrir uma igreja significa facilidades administrativas e benefícios fiscais. Além disso, a possibilidade de alegar liberdade de culto reforça as premissas da lei que nos permitem exercer as funções em que acreditamos. Assim, de modo a dar mais um passo nesta direção, esboçamos a seguir os princípios que, segundo nosso ponto de vista, seriam pertinentes a tais organizações. Na sequência, apontamos nossos objetivos de forma um pouco mais específica, tangimos por palavras o atual estado das coisas e finalizamos apontando alguns caminhos previstos. Devemos ressaltar que, segundo nosso entendimento, qualquer um é capacitado para abrir uma destas organizações, pois sua base é o cultivo de questões inerentes à natureza humana, competindo assim a todas as pessoas. Em resumo, este texto procura apresentar preceitos da nossa prática de cultura livre e uma forma ainda inexplorada e possivelmente vantajosa de se abordar a criação de coletivos que tratem destes assuntos. Eu, nós, que também talvez sejamos eles, queremos agradecer a vocês, que talvez sejam nós ou eles também.

Papo mole à parte. 4) Descentralização: de forma simplificada porém clara. mais rico. mas é uma orientação. por exemplo. mas aceitando as responsabilidades que tem sobre o que se propala e se oferece aos outros. estanca-se o desenvolvimento humano. trocamos as maçãs e ficamos com uma maçã cada. Em última instância. Do intercâmbio de idéias pré-existentes surgem as novas idéias e aplicações. quanto mais descentralizado. o livre compartilhamento de informação pode ser visto como decorrência da liberdade de expressão. Na medida do possível. como. Quando o fluxo de informação é bloqueado. nunca se sabe como algo pode ser utilizado dado a infinidade de pessoas. o objeto em si. diverso e robusto. Não pretendemos explorar tais meandros semânticos. livrando-se do fetichismo da autoria como direito de posse pelo que foi criado. O compartilhamento como princípio fortalece o direito fundamental do acesso à informação e as práticas colaborativas. O autor deve se posicionar como um servo. deve-se evitar a identificação direta. enquanto não houver conflito com o princípio detalhado no item 6. De forma recíproca. Mesmo que não se veja razão para compartilhar o que quer que seja. da necessidade de satisfazer a auto-imagem. trocamos as idéias e cada qual tem duas idéias. . verifica-se historicamente que quanto mais descentralização há.Princípios 1) Liberdade de Compartilhamento de Informação: se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã. mais a humanidade caminha a passos largos e alcança bem estar para parcelas mais significativas. Agora. 3) Despersonificação: utilização de pseudônimos e outros artifícios para desfazer-se dos percalços do ego. mas o ponto é que a liberdade de expressão e a liberdade de compartilhamento de informações estão intimamente relacionadas. 2) Desapego de Autoria ou Autor-Servo: embora a autoria possa e geralmente tenha sua importância. tal bloqueio é um homicídio ou mesmo genocídio. Compartilhar pode não ser um dever. devemos salientar o conteúdo. Vale ressaltar que a liberdade de expressão é decorrência do livre compartilhamento de informação. se você tem uma idéia e eu tenho uma idéia. como no caso das patentes de remédio na África. contextos e idéias em circulação.

ferindo os princípios aqui apresentados. E que existam-nos alguns (ou vários) nós mesmos. pois igrejas contam com benefícios administrativos e o custo para se abrir uma é baixíssimo. 7) Ecumenismo: Desde que não transgrida os preceitos agregados sob o nome de direitos humanos. mesmo anonimamente é necessário que se responsabillize pelas ações executadas e pelos conteúdos expostos.5) Diversidade: que existam os diferentes. 6) Responsabilidade pela Expressão: independente de ter ou não referência de autoria real. Que existam os que acham que deve haver controle central absoluto do fluxo de informações. 2) Facilitar a propagação de entidades que tratem do assunto. Objetivos Embora os objetivos possam também variar bastante de acordo com as pessoas e com as situações. Não há necessidade de se assumir autoria. toda e qualquer religião ou visão religiosa é válida. nenhuma crença é indesejável e muito talvez seja desejável. basta interpretar a simbologia e os preceitos sob uma ótica que permita a fusão da visão de mundo pessoal com o que apresenta a religião. a solução de subverter as estruturas religiosas nos possibilita ao menos atingir estes três objetivos: 1) Ampliar a liberdade de estabelecer trocas através da liberdade de culto: alegar liberdade de culto fortalece o conjunto de leis que possibilitam as atividades de troca de informações. No máximo. 3) Coerência: se nossos princípios mais valiosos estão nesta linha. . mas cultiva-se um contrato interno de minimizar danos que possam vir a ocorrer por eventuais falhas de expressão que porventura sejam interpretadas como preconceito ou juízo de valor equivocado. é mais do que válido que assumamos estas questões deliberadamente e na forma mais séria que nossa lei entende uma posição: a religiosa. do ponto de vista de uma organização de cultura livre. Em outras palavras e de forma resumida. Que existam inclusive quem não concorda com isso.

Na maioria dos casos. estas idéias estão ainda muito difusas e confusas. . Olho na Barriga do Futuro Acreditamos. Desta forma. O estudo das leis que dispõem sobre organizações religiosas e suas atividades. Estes coletivos têm-se interligado cada vez mais. coletividade. da cultura livre. Entende-se que mecanismos facilitadores e preventivos como os possibilitados pelas idéias aqui expostas são mais que bem vindos. crenças e orientações ideológicas. Para outros. mas minimizadas através da hipervalorização de idéias tais como competitividade. Esta exposição-proposta é dirigida a duas dificuldades diagnosticadas. encontramos dificuldades e forte oposição às atividades descentralizadoras.Estado das Coisas e Observações Finais No presente momento. de modo a beneficiar receptores sem prejuízo por parte dos doadores. dada a profusão de movimentos e a rapidez com que estas questões atingiram sua proporção atual. como comunidade e conjuntos de coletivos. na maioria das vezes sob a egrégora do movimento ambientalista. da cultura digital ou mesmo. naturalizando tais entraves a um ponto onde a informação por si só caracteriza-se como vantagem estratégica. e constituem temas de interesse para orientar trabalhos futuros com caráter prático. Em segundo lugar. porém. abordar o caráter livre da cultura e da informação significa tocar em uma incômoda verdade. foram não somente deixadas de lado até pouco. Em primeiro lugar. A natureza imaterial da informação determina que ela pode ser distribuída sem apropriação de recursos. Fato é que estruturas sociais e econômicas foram erguidas sobre barreiras e intermediários neste fluxo de informações. Apesar disso. entendimentos. temos vários coletivos tratando destes assuntos. orientando suas ações. Os princípios aqui enumerados surgem para muitos como uma premissa ética fundamental. mais recentemente. o planejamento financeiro detalhado ao menos de um período inicial de vida da organização e os trâmites processuais necessários para o registro de uma igreja são tópicos cujo tratamento foge ao escopo deste texto. são necessários para a resolução de problemas fundamentais da sociedade. que a viabilidade desta proposta é um assunto que merece atenção mais específica. o que os agregam e os movem são conjuntos de princípios. colaboração etc. estes movimentos têm dificuldades em desenvolver seus trabalhos pois as idéias de compartilhamento. propriedade e autoria. a prática da cultura livre é cotidianamente criminalizada.

folha. caso alguém queira saber a quantas estão estes andamentos.uol. Cris Scabello. Nina Paley. Terry Hancock.org) e Felipe Fonseca (metareciclagem. Seth Shulman. 2004: http://www.technologyreview. Assinada por Fabianne Balvedi (estudiolivre. Patents Kills.php?page=carta-pts-midias-livres http://www.com. 2009 http://www1. Renato Fabbri. Lourival Neto.php?arquivoId=8120 [4] In Africa.cc/freeculture. basta entrar em contato com as comunidades citadas em [3]. Lawrence Lessig.org): http://mutgamb.org/tiki-index. 2010.com/biomedicine/12348/ [5] Criar Igreja e se livrar de imposto custa R$ 418.youtube. Referências [1] Free Culture: The Nature and Future of Creativity.free-culture.pdf [2] Cópia não é Roubo. 2010: http://www.shtml .org/el-gallery_view.br/folha/brasil/ult96u659131.Esperamos realizar tais tramites em breve e.com/watch?v=H8JDEsfK6Qs [3] Carta Mídias Livres. Hélio Schwartsman.org/mutsaz/2010/Pozimi http://www.estudiolivre.estudiolivre. 2001: http://www. Jonathon Mann.