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mais uma manifestação do pensamento humano.. FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA (MOMENTOS DECISIVOS) l.o VOLUME (1750-1836) #ANTÔNIO CÂNDIDO FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA 1.° VOLUME LIVRARIA MARTINS EDITORA EDIFÍCIO MÁRIO DE ANDRADE RUA ROCHA, 274 - SÃO PAULO #ANTÔNIO CÂNDIDO FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA (MOMENTOS DECISIVOS) 1.° VOLUME (1750-1836) LIVRARIA MARTINS EDITORA #Biblioteca Pública "Arthur Vianna Sala Haroldo Maranhão i #ANTÔNIO DE ALMEIDA PRADO

#PREFÁCIO 1. Cada literatura requer tratamento peculiar, em virtude dos seus problemas específi cos ou da relação que mantém com outras. A brasileira é recente, gerou no seio da portuguesa e dependeu da influência de mais duas ou três para se constituir. A su a formação tem, assim, caracteres próprios e não pode ser estudada como as demais, mormente numa perspectiva histórica, como é o caso deste livro,, que procura, defini r ao mesmo tempo o valor e a função das obras. A dificuldade está em equilibrar os dois aspectos, sem valorizar indevidamente aut ores desprovidos de eficácia estética, nem menosprezar os que desempenharam papel apreciável, mesmo quando esteticamente secundários. Outra dificuldade é conseguir a me dida exata para fazer sentir até que ponto a nossa literatura, nos momentos estudados, constitui um universo capaz de justificar o interesse do leitor, - não devendo o critico subestimá-la nem superestimá-la. No primeiro caso, apagaria o efeito que deseja ter, e é justamente despertar leitores para os textos analisados ; no segundo, daria a impressão errada que ela é, no todo ou em parte, capaz de suprir as necessidades de um leitor culto. Há literaturas de que um homem não precisa sair para receber cultura e enriquecer a sensibilidade; outras, que só podem ocupar uma parte da sua vida de leitor, sob pena de lhe restringirem irremediavelmente o horizonte. Assim, podemos imaginar um francês, um italiano, um inglês, um alemã®, mesmo um russo e um espanhol" que só conheçam os autores da sua terra e, não obstante, encontrem neles o suficiente para elaborar a visão das coisas, experimentando as mais altas emoções literárias. #^ Se isto já é impensável no caso de um português, o que se dirá de um brasileiro? A nossa l iteratura é galho secundário da portuguesa^ por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas.. . Os que se nutrem apenas delas são reconhecíveis à primei ra vista, mesmo quando eruditos e inteligentes, pelo gosto provinciano e falta do senso de proporções. Estamos fadados, pois, a depender da experiência de outras let ras, o que pode levar ao desinteresse e até menoscabo das nossas. Este livro procura apresentá-las, nas fases formativas, de modo a combater semelhante erro, q ue importa em limitação essencial da experiência literária. Por isso, embora fiel ao espírito crítico, é cheio de carinho e apreço por elas, procurando despertar o desejo de penetrar nas obras como em algo vivo, indispensável para formar a nossa sensibilidade e visão do mundo. Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra,, que nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos, ninguém o fará por nós. Se não lermos as obras que a compõem, ninguém as tomará do esquecim o, descaso ou incompreensão. Ninguém, além de nós, poderá dar vida

a essas tentativas muitas vezes débeis, outras vezes fortes, sempre tocantes, em q ue os homens do passado,, no fundo de uma terra inculta, em meio a uma aclimação penosa da cultura européia, procuravam estilizar para nós, seus descendentes, os sen timentos que experimentavam, as observações que faziam, - dos quais se formaram os nossos. A certa altura de Guerra e Paz, Tolstoi fala nos "ombrois e braços de Helena, sobr e os quais se extendia por assim dizer o polimento que haviam deixado milhares de olhos fascinados por sua belesa". A leitura produz efeito parecido em relação às ob ras que anima. Lidas com discernimento, revivem na nossa experiência, dando em compensação a inteligência e o sentimento das aventuras do espírito. Neste caso, o es pírito do Ocidente, procurando uma nova morada nesta parte do mundo. K .?" Este livro foi preparado e redigido entre 1945 e 1951. Uma vez pronto, ou quase, e submetido à leitura de dois ou três amigos, foi, apesar de bem recebido por eles,

posto de lado alguns anos e retomado em 1955, para uma revisão terminada em 1956, quanto ao primeiro volume, e 1957, quanto ao segundo. 8 #A base do trabalho foram essencialmente os textos, a que se juntou apenas o nec essário de obras informativas e críticas, pois o intuito foi não a erudição, mas a interpretação, visando o juizo crítico, fundado sobretudo no gosto. Sempre que me ac hei habilitado a isto, desinteressei-me de qualquer leitura ou pesquiza ulterior . O leitor encontrará as referências nas notas ou na bibliografia, distribuída segundo o s capítulos, ao fim de cada volume. Mencionaram-se as obras utilizadas que se recomendam, excluindo-se deliberadamente as que, embora compulsadas, de nada serviram ou estão superadas por aquelas. Nas citações, a obra é indicada pelo título e número da página, ficando para a bibliografia os dados completos. Sempre que possível, isto é, no caso de citações sucessivas da mesma obra, as indicações da página são dadas no próprio texto, entre parênte es, ou reunidas numa única nota, para facilitar a leitura. Como é freqüente em trabalhos desta natureza, não se dá especificação bibliográfica dos textos sobre os qua is versa a interpretação; assim, não se encontrará, depois de um verso de Castro Alves, em nota, "livro tal, página tal". Mas sempre que o autor é invocado como autoridade, recebe tratamento adequado. As citações de autor estrangeiro são apresentadas diretamente em português, quando se tr ata de prosa. No caso mais delicado dos versos, adotou-se o critério seguinte: deixar no original, sem traduzir, os castelhanos, italianos e franceses, accessíve is ao leitor médio; nos latinos e ingleses dar o original e, em nota, a tradução; dos outros, apenas a tradução. Como os dados biográficos são utilizados acidentalmente, na medida em que se reputam necessários à interpretação, juntei, às indicações bibliográficas, um rápido traçado da vida dos autores. Nisto e no mais, deve haver muitos erros, cuja indicação aceitarei reconhecido. Não tenho ilusões excessivas quanto à originalidade, em livro de matéria tão ampla e diver sa. Quando nos colocamos ante um texto, sentimos, em boa parte, como os antecessores imediatos, que nos formaram, e os contemporâneos, a que nos liga a co munidade da cultura; acabamos chegando a conclusões parecidas, ressalvada a person alidade por um pequeno timbre na maneira de apresentá-las. O que é nosso mingua, ante o. con tribuição para o lugar comum. Dizia o velho Fernandes Pinheiro, nas Postilas de Retórica e Poética, que "os homens 9 #T têm quase as mesmas idéias acerca dos objetos que estão ao alcance de todos, sobre que versam habitualmente os discursos e escritos, constituindo a diferença na expressão, ou estilo, que apropria as coisas mais comuns, fortifica as mais fracas , e dá (jrandesa às mais simples. Nem se pense que haja sempre novidades para exprim ir;

é uma ilusão dos parvos ou ignorantes acreditarem qiie possuem tesouros de originali dade, e que aquilo que pensam, ou dizem, nunca foi antes pensado, ou dito por ninguém". A bem dizer, um trabalho como este não tem início, pois representa praticamente uma vida de interesse pelo assunto. Sempre que tive consciência,, reconheci as fontes que me inspiraram, as informações, idéias, diretrizes de que me beneficiei. Desejo, aq ui, mencionar um tipo especial de dívida em relação a duas obras bastante superadas, que paradoxalmente, pouco ou quase nada utilizei, mas devem estar na base de mui tos pontos de vista, lidas que foram repetidamente na infância e adolescência. Prime iro, a História da Literatura Brasileira, de Sílvio Romero, cuja lombada vermelha, na edição Garnier de 1902, foi bem cedo uma das minhas fascinações na estante paterna, tendo sido dos livros que mais consultei entre os dez e quinze anos, à busca de ex cerptos, dados biográficos e os saborosos julgamentos do autor. Nele estão, provavel mente, as raízes do meu interesse pelas nossas letras. Li também muito a Pequena História, de Ronald de Carvalho, pelos tempos do Ginásio, reproduzindo-a abundantemente em provas e exames, de tal modo estava impregnado das suas páginas. Só mais tarde, já sem paixão de neófito, li a História, de José Veríssimo, provavelmente a hor e ainda hoje mais viva de quantas se escreveram; a influência deste crítico,, naqueles primeiros tempos em que se formam as impressões básicas, recebi-a a través das várias séries dos Estudos de Literatura. O preparo deste livro, feito por etapas, de permeio a trabalhos doutra especiali dade, no decorrer de muitos anos, obedeceu a um plano desde logo fixado, por fid elidade ao qual respeitei, na revisão, certas orientações que, atualmente, não teria escolhido. Haja vista a exclusão do teatro, que me pareceu recomendável para coerência do plano, mas importa, na verdade, em empobrecimento, como verifiquei ao cabo da tarefa. O estudo das peças de Magalhães e Martins Pena, Teixeira e Sousa e Norberto , Porto-Alegre e Alencar, Gonçalves Dias 10 #e Agrário de Menezes, teriam, ao contrário, reforçado os meus pontos de vista sobre a disposição construtiva dos escritores, e o caráter sincrético, não raro ambivalente, do Romantismo. Talvez o argumento da coerência tenha sido uma racionalização para just ificar, aos meus próprios olhos, a timidez em face dum tipo de critica - a teatral - que nunca, pratiquei e se torna, cada dia mais, especialidade amparada em conhecimentos práticos que não possuo. Outra falha me parece, agora, a exclusão do Machado de Assis romântico no estudo da ficção, que não quiz empreender, como se verá, para não seccionar uma obra cuja unidade é cada vês mais patente aos estudiosos. Caso o livro alcance segunda edição, pensarei em sanar estas e outras lacunas. No capítulo dos agradecimentos, devo iniciar por José de Sarros Martins, que me come teu a tarefa em 1945. O projeto encarava uma história da literatura brasileira, das origens aos nossos dias, em dois volumes breves, entre a divulgação séria e o compên dio. Excusado dizer que, além de modificá-lo essencialmente, para realizar obra de natureza diversa, rompi todos os prazos possíveis e impossíveis, atrazando n ada menos de dez anos... Mas o admirável editor e amigo se portou com uma tolerância

e compreensão que fazem jus ao mais profundo reconhecimento. Por auxílios de vária espécie,, como empréstimo e oferecimento de livros, obtenção de micro ilmes e reproduções, sugestões terminológicas, agradeço Lúcia Miguel-Pereira, Edgard Carone, João Cruz Costa, Laerte Ramos de Carvalho, Odilon Nogueira de Matos , Olinto de Moura, Sérgio Buarque de Holanda. Agradeço aos funcionários das seguintes instituições: Biblioteca Central da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, notadamente ao seu Chefe, Pró/. Aquiles Raspantini; Secção de Livros Raros da Biblioteca Municipal de São Paulo; Secção de Livros Raros da Biblioteca Nacional; Secção de Manuscritos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Secção de Manuscritos do Arquivo Público M ineiro; Serviço de Documentação da Universidade de São Paulo; Serviço de Microfilme da Biblioteca Municipal de São Paulo; Serviço de Microfilme da Biblioteca

Nacional; sem falar nos encarregados das secções comuns destas e outras instituições, como a Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; Biblioteca do Instituto de Administração da Faculdade de Ciências Econômicas da mesma Universidade ; Biblioteca do Instituto de Educação de São Paulo; Gabinete li #Português de Leitura do Rio de Janeiro; Biblioteca da Secretaria do Interior do E stado de Minas Gerais; Biblioteca Municipal de Belo Horizonte; Biblioteca Pública de Florianópolis. ANTÔNIO CÂNDIDO DE MELLO E SOUZA São Paulo, agosto de 1957. P. S. Devo ainda agradecer às pessoas e instituições que me auxiliaram na obtenção das ilustraçõe Olinto de Moura; Serviço de Microfilme da Biblioteca Municipal de São Paulo; Serviço de Microfilme da Biblioteca Nacional; Divisão do Patrimônio Histórico e A rtístico Nacional, notadamente o seu ilustre chefe e eminente escritor, Rodrigo Melo Franco de Andrade, a quem devo conselho e orientação em vários casos. Agradeço finalmente o auxílio prestado na correção das provas pelas minhas colegas Carla de Queiroz, Maria Cecília Queiroz de Moraes e Sílvia Barbosa Ferraz. 12 #pr~ FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA (MOMENTOS DECISIVOS) 1.° VOLUME (1750-1836) #INTRODUÇÃO 1. Literatura como sistema 2. Uma literatura empenhada 3. Pressupostos 4. O terreno e as atitudes críticas 5. Os elementos de compreensão 6. Conceitos #1. Literatura como sistema. Este livro procura estudar a formação da literatura brasileira como síntese de tendência s universalistas e particularistas. Embora elas não ocorram isoladas, mas se combinem de modo vário a cada passo desde as primeiras manifestações, aquelas parec em dominar nas concepções néoclássicas, estas nas românticas, - o que convida, além de motivos expostos abaixo, a dar realce aos respectivos períodos. Muitos leitores acharão que o processo formativo, assim considerado, acaba tarde d emais, em desacordo com o que ensinam os livros de história literária. Sem querer contestá-los, - pois nessa matéria tudo depende do ponto de vista, - espero mostrar a viabilidade do meu. Para compreender em que sentido é tomada a palavra formação, e porque se qualificam de decisivos os momentos estudados, convém principiar distinguindo manifestações literárias, de literatura propriamente dita, considerada aqui um sistema de obras ligadas por denominadores comuns, que permitem reconhecer as notas dominantes du ma fase. Estes denominadores são, além das características internas, (língua, temas, imagen s), certos elementos de natureza social e psíquica, embora literàriamente organizados, que se manifestam historicamente e fazem da literatura aspecto orgâni co da civilização. Entre eles se distinguem: a existência de um conjunto de produtores literários, mais ou menos conscientes do seu papel; um conjunto de receptores, for mando os diferentes tipos de público, sem os quais a obra não vive; um mecanismo transmissor, (de modo geral, uma linguagem, traduzida em estilos), que liga uns a outros. O conjunto dos três elementos dá lugar a um tipo de comunicação inter-humana, a literatura, que aparece, sob este ângulo, como sistema simbólico, por meio do qual as veleidades mais profundas do indivíduo se transformam em elementos de contacto entre os homens, e de interpretação das diferentes esferas da realidade.

A leitura desta "Introdução" é dispensável a quem não se interesse por questões de orientaç ica, podendo o livro ser abordado diretamente pelo Capítulo I. 17 #Quando a atividade dos escritores de um dado período se integra em tal sistema, o corre outro elemento decisivo: a formação da continuidade literária, - espécie de transmissão da tocha entre corredores, que assegura no tempo o movimento conjun to, definindo os üneamentos de um todo. É uma tradição, no sentido completo do termo: transmissão de algo entre os homens; conjunto de elementos transmitidos, fo rmando padrões que se impõem ao pensamento ou ao comportamento, e aos quais somos obrigados a nos referir, para aceitar ou rejeitar. Sem esta tradição não há literatura, como fenômeno de civilização. Em um livro de crítica, mas escrito do ponto de vista histórico, como este, as obras não podem aparecer em si, na autonomia que manifestam, quando abstraímos as circunstâncias enumeradas; aparecem, por força da perspectiva escolhida, integrando em dado momento um sistema articulado e, ao influir sobre a elaboração de outras, formando, no tempo, uma tradição. Em fases iniciais, é freqüente não encontrarmos esta organização, dada a imaturidade do me io, que dificulta a formação dos grupos, a elaboração de uma linguagem própria e o interesse pelas obras. Isto não impede que surjam obras de valor, - seja por força da inspiração individual, seja pela infuência de outras literaturas. Mas elas não são representativas de um sistema, significando quando muito o seu esboço . São manifestações literárias, como as que encontramos, no Brasil, em graus variáveis de isolamento e articulação, no período formativo inicial que vai das origens, no século XVI, com os autos e cantos de Anchieta, às Academias do século XVIII. Período importante e do maior interesse, onde se prendem as raízes da nossa v ida literária e surgem, sem falar dos cronistas, homens do porte de Antônio Vieira e Gregório de Matos, - que poderá, aliás, servir de exemplo ao que pretendo dizer. com efeito, embora tenha permanecido na tradição local da Bahia, ele não existiu literáriamente (em perspectiva histórica) até o Romantismo, quando foi redescoberto, s obretudo graças a Varnhagen; e só depois de 1882 e da edição Vale Cabral pôde ser devidamente avaliado. Antes disso, não influiu, não contribuiu para formar o nos so sistema literário, e tão obscuro permaneceu soo os seus manuscritos, que Barbosa Machado, o minucioso erudito da Biblioteca Lusitana (17411758), ignora-o completamente, embora registre quanto João de Brito e Lima pôde alca nçar. Se desejarmos focalizar os momentos em que se discerne a formação de um sistema, é pre ferível nos limitarmos aos seus artífices imediatos, mais os que se vão enquadrando como herdeiros nas suas diretrizes, ou simplesmente no seu exemplo. Trata-se, en tão, de *18 #averiguar quando e como se definiu uma continuidade ininterrupta de obras e aut ores, cientes quase sempre de integrarem um processo de formação literária; salvo melhor juízo, sempre provável em tais casos, isto ocorre a partir dos meados do século XVIII, adquirindo plena nitidês na primeira metade do século XIX. Sem desconhecer grupos ou linhas temáticas anteriores, nem influências como as de Rocha Pita e Itapa rica, é com os chamados árcades mineiros, as últimas academias e certos intelectuais ilustrados, que surgem homens de letras formando conjuntos orgânicos manifestando em graus variáveis a vontade de fazer literatura brasileira. Tais homens foram considerados fundadores pelos que os sucederam, estabelecendo-se deste modo uma tradição contínua de estilos, temas, formas ou preocupações. Já que é preciso um começo, tomei como ponto de partida as Academias dos Seletos e dos Renascidos e os primeiros trabalhos de Cláudio Manoel da Costa, arredondando, para facilitar, a data de 1750, na verdade puramente convencional. O leitor perceberá que me coloquei cleliberadamente no ângulo dos nossos primeiros r omânticos e dos críticos estrangeiros, que, antes deles, localizaram na fase arcádica o início da nossa verdadeira literatura, graças à manifestação de temas, notadamen e o indianismo, que dominarão a produção oitocentista. Esses críticos conceberam a literatura do Brasil como expressão da realidade local e, ao mesmo te mpo, elemento positivo na construção nacional. Achei interessante estudar o sentido

bem cedo estabelecido. aliás. ou exprimir determinados sentimentos de alcance geral. Ela continha realmente um elemento am bíguo de pragmatismo. compromete . ou nos que penetram de repen te no ciclo da civilização ocidental. esposando as suas formas de organização política. incorporados à sua vida. exprime certa encarnação li terária do espírito nacional. Aparece no mundo contemporâneo como elemento de auto-consciência. revendo-a na perspectiva atual. no pressuposto que. e à intenção mais ou menos declarada de escrever para a sua terra. a abandonar o terreno específico das belas letras. os escritores se sentiram freqüentemente tolhidos no vôo. Sob este aspecto. que foi se acentuando até alcançar o máximo em certos momentos. documento e devaneio. pois é fr uto de condições históricas. Aliás. na obra de um mesmo autor. 2. resolvendo-se por vezes na coexistência de realismo e fantasia. Isto explica a importância atribuída. e tentativas de transcendê-lo pela imaginação. poder-se-ia dizer que o presente livro constitui (adaptando o título do conhecido estudo de Benda) uma "história dos brasileiros no seu desejo de ter uma literatura ". que acarretava a obrigação tácita de descrever a realidade imediata. para acompanhar até o limite as suas manifestações. Esta disposição de espírito. à "tomada de consciência" dos autores quanto ao seu papel. mas incaracterísticas. historicamente do maior proveito. mesmo quando 19 #procuram exprimir uma realidade puramente individual. segundo os moldes univers alistas do momento. estão visando este aspecto. favoreceu a expressão de um conteúdo humano. Este ponto de vista. sob tal aspecto. sendo que os mais voltados para temas e sentimentos nossos foram. como Durão. os refinados ma drigais de Silva Alvarenga. neste livro. Este processo leva a requerer em todos os setores da vida mental e artística um es forço de glorificação dos valores locais. Ê um critério válido para quem adota orientação histórica. em cumprimento a um programa. É expressivo o fato de que mesmo os residentes em Portugal. que forma o ponto de pa rtida de toda a nossa crítica. Uma literatura empenhada. sensível às articulações e dinão ras no tempo. a ponto de sermos por vezes obrigados. veremos que poucas têm sido tão conscientes da sua função histórica. sob o aspecto estético. Ao mesmo tempo.e a validade histórica dessa velha concepção cheia de equívocos. . Como não há literatura sem fuga ao real. Os escritores néoclássicos são quase todos animados do desejo de construir uma literatura como prova de que os brasileiros eram tão capazes quanto os europeus. mesmo quando não a descreviam. Depois da Independência o pendor se acentuou. /( l 20 #nos povos velhos e novos que adquirem uma e outra. os que mais viveram lá. que visava a diferenciação e particularização dos temas e modos d e exprimi-los. É este um dos fios condutores escolhidos. sobretud o nos momentos estudados. levando a considerar a atividade lit erária como parte do esforço de construção do país livre. bem significativo dos estados de espírito duma sociedade que se estruturava em bases modernas. o nacionalismo artístico não pode ser condenado ou louvado em abstrato. mas de modo algum importa no exclusivismo de afirmar que só assim é possível estudá-las. Este nacionalismo infuso contribuiu para certa renúncia à imaginação o u certa incapacidade de aplicá-la devidamente à representação do real. Por outro lado.quase imposição nos momentos em que o Estado se forma e adquire fisionomia nos povos antes desprovidos de autonomia ou unidad e. é quase imposto pelo caráter da nossa literatura. prejudicados no exercício da fantasia pelo peso do sentimento de missão. que revitaliza a expressão. eram tão nativistas quanto o Caramuru. como José de Alencar. timbravam em qualificar-se com o brasileiros. dando lastro e significado a formas polidas. justamente. como a fase joanina e os primeiros tempos da Independência. Basílio ou Caldas Barbosa. ou os sonetos camonianos de Cláudio. em sentido amplo. se atentarmos bem. redundando muitas vezes nos escritores em prejuízo e desnorteio.

lembra ndo que. e excepcional poder comunicativo. evitando. Ao mesmo tempo. para d izer como um filósofo francês. duma arte de claresa e discernimento a uma "metafísica da confusão". Elas se un em tão intimamente em todo o caso até meados do século XIX. beneficiando da concepção universal. universal e nacional. implicava também. A idéia de que a literatura brasileira deve ser interessada (no sentido exposto) f oi expressa por toda a nossa crítica tradicional. deu à literatura sentido histórico. Não espanta que os autores bras ileiros tenham pouco da gratuidade que dá azas à obra de arte. Elas só podem ser compreendidas e explicadas na sua integr . superiores a Cláudio e Gonzaga. a definição do momento e motivos que a distinguem da portug uesa. que negam a dívida aos pais e chegam a mudar de sobrenome. constituindo neste sentido um calamitoso erro de visão. como fenômeno de civilização. como vimos. capaz de servir aos padrões do grupo. desde Ferdinand Denis e Almeida Garrett. Sempre que se particularizou. esta imaturidade. foi auspicioso que o processo de sistematização literária se acentuasse na fase néoclassica. cortando baixo as flores mais espigadas da imaginação. a expressividade que estabelece comunicação entre autores e leitores. a partir dos quais tomou-se a brasilidade. é atualmente inviável como critério. é algo superado. acho que o portue nse Gonzaga é de ambos os lados. além de querê-la. Se não decorreu daí realismo no alto sentido. Neste livro. após ter sido recurso ideológico. herdado dos românticos. em relação a Portugal. Dum ponto de vista histórico. considerá-lo subsídio de avaliação. sem a qual a arte não passa de experimentação dos recursos téc nicos. Justificava-se no século passado. mesmo co mo fator de eficácia estética. no indivíduo e na civilização. O presente livro tentou evitá-lo. O problema da autonomia. tornando-a língua geral duma sociedade à busca de auto-conhecimento. como manifestação afetiva e descrição local. sobretudo. decorreu certo imediatismo que confund e não raro as letras com o padrão jornalístico. ao mesmo tempo. parece traição e fraqueza. porém mais daqui do que de lá. aos povos jovens e aos moços. isto é. numa fase de construção e auto-definição. ao contrário. Tudo depende do papel dos escritores na formação do si stema. e nós agíamos. pois. como traço diferencial e critério de valor. e acho legítimo incluí-los aqui. a atenção se volta para o início de uma literatura propriamente dita. Deve-se. para indicar este fato. por vezes provinciana. contensão emoc ional que a caracterizam. reputados. segundo a perspectiva adotada. que o valor da obra dependia do seu caráter representativo. que a plasmaram como permanente mistura da tradição eur opéia e das descobertas do Brasil. é evidente que o conteúdo brasileiro foi algo positivo. Mistura do artesão néoclássico ao bardo romântico. e isto contribuiu para incutir e acentuar a vocação aplicada dos noss os escritores. a literatura brasileira começava propriamente. adquiriu. empenhada. não algo necessariamente diverso da portuguesa. em virtude do tema indianis ta. por este motivo. dando pontos de apoio à imaginação e músculos à forma. rigor de forma. e acho que o paulista Matias Aires é só de lá.a universalidade da obra. uma bateria de fogo rasante. para nós. a presença de elementos descritivos locais. Doutro lado . a coragem ou expontaneidade do gratuito é prova de amadurecimento. persistiu mais consciência estética do que seria de esperar do atrazo do meio e da indisciplina romântica. que vincula à experiência bruta. e. com Durão e Basílio. pode-se considerá-la independente desde Gregório de Matos ou só após Gonçalves Dias e José de Alencar. nos momentos estudados. No presente liv ro. como esses adolescentes mal seguros. Acho porisso legítimo que os historiadores e críticos da mãe-pátria incorporem Cláudio ou Sousa Caldas. quando se tratou de reforçar por todos os modos o perfil da jovem pátria. a expressão literatura comum" (brasileir a e portuguesa). que não interessou especialmente aqui. por vezes verdadeiros delegados da realidade junto à literatura. técnica e emocional. a fase néoclassica está indissolúvelmente ligada à Ilustração. A nossa literatura é ramo da portuguesa. estudar nas obras apen as o aspecto empenhado. muito da fidelidade documentária ou sentimental. tentar-se-á mostrar o jogo dessas forças. Mas o nacionalismo crítico. fixando-a no pitoresco e no material bruto da experiênci a. que utilizo em mais de um passo. Aliás. ao filosofismo do século XVIII. Graças a isto. Para nós. como ficou dito. Para os român21 #ticos.

pressupondo que as obras se articulam 22 #no tempo. Deste modo. atra vés da qual se manifesta o conteúdo. todavia. é necessário um movimento amplo e constante entre o geral e o particular. deixa vislumbrar a contradição e revela a fragilidade do equilíbrio. em todos os tempos e lugares. mostrar que são p artes de uma explicação tanto quanto possível total. Por outro lado. parecerá ambiciosa a alguns. embora nunca atingido em virtude das limitações individuais e metodológicas. sendo um livro de história. se aceitarmos a realidade na minúcia completa das suas discordâncias e singularidades. nos períodos e nos autores. este procura apreender o fenômeno literário da maneira mais significativa e completa possível.idade artística. Nem um ponto de vista histórico desejaria. indispensável em toda investigação intelectual. procurando. esta não prescinde o conhecimento da realidade humana. como o nosso. é uma tentativa mais ou menos feliz e duradora de equilíbrio entre estes contrastes. que um autor e uma obra podem s er e não ser alguma coisa. em função da qual é permitido ressaltar este ou aquele aspecto. O fato de ser este um livro de história literária implica a convicção de que o ponto de vista histórico é um dos modos legítimos de estudar literatura. tem de aceitar o contrad itório. A forma. em que o desejo de compreender todos os produtos do espírito. leva. ao tomar indevidamente as obras como meros documentos. a erudição e o gosto. Nem doutra maneira agem os críticos mais consciente s.porque as obras vivas constituem uma 23 #tensão incessante entre os contrastes do espírito e da sensibilidade. fatalmente. A tentativa de focalizar simultaneamente a obra como realidade própria. nos últimos decênios. perfazendo com ele a expressão. Esta só se efetua por m eio de simplificações. que anima as obras e recebe do escritor a forma adequada. a síntese e a análise. Um esteticismo mal compreendido procurou. seja a da crítica. Mas. num tempo. em prejuízo da riqueza infinita dos pormenores. a conside rar o papel da obra num contexto histórico. em que a coexistência e rápida emergência dos mais variados c ritérios de valor e experimentos técnicos. ver simples onde é complexo. reduções ao elementar. para o significado histórico do conjunto e o caráter singular dos autores. O espírito de esquema intervém. utilizando este conhecimento como elem ento de interpretação e. . forma e conteúdo. avaliação. sintomas da realidade social. não só averiguando o sentido de um contexto cultural. objetividade e apreciação. quem quiser ver em profundidade. e incorporadas ao patrimônio de uma civilização. que é o ideal do crítico. sem querer mutilar a impressão vigorosa que deixa. Pressupostos. reduzir a obra aos fatores elementares. É preciso. Por outro lado. temos de renunciar à ordem. por vezes. de modo a se poder discernir uma certa determinação na maneira por que são produzidas. segundo uma frase justa. que reduziu a literatura a episódio de uma investigação sobre a sociedad e. aos dados da realidade. Para chegar o mais perto possível do desígnio exposto. psíquica e social. e o contex to como sistema de obras. à dominante. seja a da ciência. sendo duas coisas opostas simultaneamente. seja a fôrma da arte aplicada às i nspirações da vida. Uma crítica equilibrada não pode. ao mesmo tempo. ele "é o próprio nervo da vida". aceitar estas falsas incompatibilidades. ten tando demonstrar que o contraditório é harmônico. porque. enquanto aquel e se fecha na visão dos elementos de fatura como universo autônomo e suficiente. . E se quisermos reter o máximo de vida com o máximo de ordem m . ao contrário. É preciso sentir. à diversidade das obras. 3. em nossos dias. em certos casos. mas procurando estudar cada au tor na sua integridade estética. como fôrma. Por isso. negar validade a est a proposição. deve-se à confusão entre formalismo e estética. inevitáveis quando se atenta . mesmo qu ando relativamente perfeita. dada a força com que se arraigou o preconceito do divórcio entre história e estética.o que em parte se explica como réplica aos exageros do velho método histórico. mas sobretudo de literatura. É necessário um pendor para integrar contradições. erudição e osto. para traduzir a multiplicidade do real. então.

que busca na obra uma fonte de emoção e termina avaliando o seu significado. que define a sua visão pessoal. e o irmana aos lugares comuns do se u tempo. com efeito. . ora com atenção mais aturada aos fatores. Hoje. sociais e psíquicos. termina pela humildade de uma verificação objetiva. ou qualquer outra. filiando. Houve tempo. em que o crítico cedeu lugar ao sociólogo. com mais ou menos discrepância. em benefício da objetividade. Nesse livro. serenidade. em qualquer leitura. a crítica viva usa largamente a intuição. . o político. das pretensões excessivas do f ormalismo. pois os d ois outros momentos são de natureza estética e ocorrem necessariamente. ao que os outros vêem. O leitor será tanto mais crítico. uma crítica única. seja no sentido amplo da comunicação simbólica. e o juízo resulte aceitável p elos leitores. é erro que compromete a sua autonomia e tende. a que outros poderiam ter chegado. no limite. Procurando sobretudo interpretar. Acho igualmente valiosas as elucubrações gratuitas. aceitando e pr ocurando exprimir as sugestões trazidas pela leitura. tristeza. um elemen to intelectual médio. parece transposto o perigo de submissão ao estudo dos fatores básic os. co nstatação. a meu ver. informação. no presente momento. em reduzir a obra a problemas de li nguagem. a fim de que o arbítrio se reduza. que pressupõe. Nos nossos dias. vendo na realidade um universo de fatos que se propõem e logo se contradizem. Isto não significa. o seu escritor.isto é. mas um lugar eqüidistante e. um elemento perceptivo inicial. resolvendo-se na coerência transitória de uma unidade. em equilíbrio transitório. sem qualquer propósito estético e a eles se abre no B rasil um campo vasto. O terreno e as atitudes críticas. num escrito r. o médico. 4. Aqui. mas vários caminhos. transferindo-se ao leitor pela elaboração que lhe deu generalidade. surgem no nosso espírito certos estados de prazer. que manifestam essa paixão de leitor. como uma espécie de moinho. este não é um livro de erudição. nos casos extremos. compreender.reconhecimento e definição d alor. quando completo. porém. só resta a visão acima referida. o perigo vem do lado oposto. porém. ora com maior recurso à análise formal . Querer reduzi-la ao estudo de uma destas componentes. Não há. Delas sairá afinal o juízo. um elemento voluntário final. que não é julgamento puro e simples. e o orgulho inic ial do crítico. Acho valiosos e necessários os trabalhos de pura investigação. impressionismo nem dogmatismo. p ois entre as duas pontas se interpõe algo que constitui a seara própria do crítico. exegese. à interpretação do nosso passado lite rário. não se visa todavia um polo nem outro. Perceber. de base intuitiva. Estas impressões são preliminares importantes. reprovação. simples interesse. e o aspecto informati vo apenas serve de plataforma às operações do gosto.ental. subdividindo. o crítico tem de experimentá-las e deve manifestá-las. quanto mais for capaz de ver. que empenha a personalidade do crítico e intervém na sensibi lidade do leitor . As teorias e atitudes críticas se distinguem segundo a natureza deste trabalho ana lítico. a destruí-la em benefício de disciplinas afins. 25 #o psicanalista. como leitor insubstituível. como timbre individual. mas aquelas etapas se integram no seu roteiro. conforme o objeto em foco. e a histórica não foge a esta contigência. que vê como ninguém mais e opõe. * Toda crítica viva .parte de uma impressão para chegar a um juízo. embora nem sempre conscientemente. sem a qual não vive uma lit eratura. o aparelho analítico da investigação é posto em movimento a serviço da recept ividade individual. dando validade ao seu esforço e seriedade ao seu propósito: o trabalho constr utivo de pesquisa. permanece essencialmente. comparando. 24 #Em face do texto. pois elas represen tam a dose necessária de arbítrio. seja no estrito sentido da língua. mas avaliação. Entre impressão e juízo. que sublima as duas etapas. O crítico é feito pelo esforço de com preender. Porisso. que importam. A crítica propriamente dita consiste nesse trabalho analítico intermediário. tr itura a impressão. analisando. o trabalho paciente da elaboração. mais favorável. dos recursos e pontos de vista utilizados. para interpretar e explicar. A impressão. julgar. sob este aspecto.

o sofrimento do primeiro foi o mais duradouro. quando. não de fatores nem de autores. A crítica se interessa atualmente pela carga extra-literária. em segundo lugar o fator individual. na med ida em que contribuem para o seu escopo. o texto é integração de elementos sociais e psíquicos. paixões. isto é. o homem que a intentou e realizou. que presenciamos. todavia. acorrentando-a de novo a preocupações superadas. penetração analítica. desligada dos interesses fundamentais do homem. ficaremos insensíveis e mesmo aborrecidos com "Os Túmulos". que a tornariam especialidade restrita. arriscamos fazer tarefa menos de crítico. social ou individual. tratando-se de leitor culto. estes devem ser levados em conta . das constante s estilísticas. em perspectiva ampla. que são a matériaprima do ato criador. que a libertaram dos gramáticos e retores. o elemento decisivo é o que permite compreen dê-la e apreciá-la. ao mesmo tempo. isto é: a l iteratura é um conjunto de obras. A sua importância quase nunca é d evida à circunstância de exprimir um aspecto da realidade. Mas erigi-lo em critério básico é sintom a da incapacidade de ver o homem e as suas obras de maneira una e total. o texto. segundo o ângulo em que nos situamos. Se lermos todavia os poemas resultantes. lacerados pela morte dum filho pequeno. que os transcendem e não se deixam reduzir a eles. este resultado. O imperialismo formalista significaria. constituí-las em método explicativo é perigoso e desvirtua os serviços que prestam. os fatores externos. cuja síntese constitui a sua fisionomia. força de observação. Fagu ndes Varela. cujo valor está na fórmula que obteve para plasmar elementos não-literários: impressões. Os elementos de compreensão. admitam os que fossem iguais os três. do significado profundo da forma. e isto foi p ossível graças à intervenção da filosofia e da história. fatos. Tomemos o exemplo de três pais que. No limite. disposição das palavras. num livro de história literária que não quiser ser parcial nem fragmentário. o autor. arrastados pela sua força mágica. Uma obra é uma realidade autônoma. esteta. ou as biografias. Nada m elhor que o aprofundamento. neles.As orientações formalistas não passam. Se esta operação de salvamento teve aspectos excessivos e acabou por lhe comprometer a autonomia. recorr em ao verso para exprimir a sua dor: Borges de Barros. idéias. o crítico precisa referir-se a estas três ordens de realidade. do estudo da metáfora. seleção e invenção das imagens. ou pelo idioma. admirável pela solução formal. que é o estudo da formação. não documentos biográficos a emoção. só é movida pela eficácia da expressão. temos vários níveis possív eis de compreensão. finalmente. ou uma sucessão de obras. nestes casos. ou a estrutura interna. específicos. A crítica dos séculos XIX e XX constitui uma grande aventura do espírito. é elemento essencial apenas como ponto de partida. perigo de regresso . porém. quando limitadas ao seu âmbito. Este exemplo serve para esclarecer o critério adotado no presente livro. acontecimentos. 5. mas à maneira por que o faz. de técnicas parciais de investigação. mediano no seu patético algo declamatório. medianamente comovidos com o "Pequ enino morto". o ponto de chegada é a reação do leitor. sendo obras literárias. Esta autonomia depende. porém. que a vinculam ao tempo e se podem resumir na designação de soc iais. Pelo que sabemos. É lícito estudar apenas as condições sociais. e está presente no resultado. mesmo que não soubéssemos onde. Como. biógrafo. do ponto de vista afetivo. o do terceiro. veremos que. Os três pais são igualmente dignos de piedade. literàriamente. Se resistirmos ao fascínio da moda e adotarmos uma posição de born senso. lingüista. enquanto o "Cântico do Calvário" nos faz estremecer a cada leitura. da eloqüência do sentimento. separadamente. do que de sociólogo. Vicente de Carvalho. e esta. do ponto de vista duma crítica compreens iva. antes de tudo. Quando nos colocamos ante uma obra. con tendo os elementos anteriores e outros. por quem foi escrita. desenvolvimento e atuação dos processos 26 #literários. Em primeiro lugar. psicólogo. É que. do jogo de elementos expressivos. deixand o longe os pontos de partida não-literários. o poema do primeiro é nulo. foi ela que a erigiu em disciplina viva. o do segundo.

Um e outro v alem. Valem porque inventam uma vida nova. Para o crítico. os elementos humanos formalmente elaborados. influências. não im portam a veracidade e a sinceridade. corn efeito. são forjados. como pensaria. representa nela o conteúdo. Porisso. e sendo um resultado. essencialmente de análise. que certo poema ex&Yà&aemec&fi. ao contrário do que pressupõem os formalistas. que avaliam no drama da sua consciência a terrível realidade do bem e do mal. não pensemos na matéria prima. Se quisermos ver na obra o reflexo dos fatores iniciais. o problema ético se coloca melhor nas naturezas d epravadas. Queremos dizer que na obra deles há uma ternura e um naturismo construídos a partir da experiência e da i maginação. quando julgadas necessárias ao entendimento . A pesquisa da vi da e do momento vale menos para estabelecer uma verdade documentária freqüentemente inútil. O que interessa é averiguar até que ponto interferiram na elaboração do conteúdo humano da obra. delicado e suave. sem o seu estudo não há crítica. estaremos errados. experiências. na obra. no limite. importa no estudo da literatura o que o texto exprime. desde que existem literàriame nte. a posição em face dos temas.para interpretá-lo. são usadas aqui livremente as técnicas de nterpretação social e psicológica. o ritmo da composição. um formalis ta radical. como pensaria. Em suma. as ima gens. não por copiar a vida. e utilizando tudo mais como auxílio de interpretação. portanto. uma delicada operação. ao utilizá-las. também no limite. por vezes uma gloriosa mentira. ao se integrarem na atmosfera própria do texto. a compreensão da obra não pr escinde a consideração dos elementos inicialmente não-literários. Como disse Proust. que determinado poeta. dum homem casto. "sétósa ^ovévn. Interessando definir. achando que ela vale na medida em que os representa. Já se vê que. só pode ganhar pelo conheciment o da realidade que serviu de base à sua realidade própria. através dos quais se manifestam os espírito ou a sociedade. embora concentrando o trabalho na leitura do texto. que se desilude muitas vezes ao descobrir que um escritor avarento celebrou a cariàaàe. fontes. mas em todo caso foram redefinidos a partir deles. pois isso importa secundariamente. que podem ser mais ou menos parecidos com os da vida. nem por criar uma expressão sem conteúdo. as constantes do estilo. propriamente dito. Dada esta complexidade de tipo especial. comunicados pelos meios expressivos. e que poderão ou não corresponder a sentimentos individuais. ao lado das considerações formais. mas em sentimentos. dotado da realidade p rópria que acabamos de apontar. es28 #pancava a mãe. todavia. sempre que pretendemos superar o impressionismo. ao contrário do que pensa o leitor desprevenido. que a imaginação imprime ao seu objeto. idéias. nem amente da na tureza o homem Bernardo. em princípio. com mais amplitude e menos densidade. segundo a organização formal. ao mesmo título que a coragem de Feri ou as astúcias do Sargento de milícias. 27 "fesftssa*#Entende-se agora porque. segundo os padrões usuais. do que para ver se nas condições do meio e na biografia há elementos que esclareça m a realidade superior do texto. não penso que esta se limite a indicar a ordenação das partes. ou no naturismo de Bernardo Guim arães. objetos de natureza diferen te. Um poema revela sentimentos. no sentido comum. Consiste nisso e mais em analisar a visão que a obra exprime do homem. consistente em distinguir o elemento humano anterior à obra e o que. Na tarefa crítica há. dizer que o homem Casimiro fosse terno. um crítico não-literário . se o entendiment o dos fatores é desnecessário para a emoção estética. O texto não os anula. ao transfigurálos. Quando falamos na ternura de Casimiro de Abreu. transfi gurado pela técnica. idéias. o que apenas na aparência contesta o que acaba de ser dito. é ridículo despojar o vocabulário crítico das e xpressões indicativas da vida emocional ou social. contanto que. um romance revela isto mesmo. não queremos. operaç do vimos. tanto quanto possível nova.

então. pela dificuldade em distinguir coincidência. mas o sistema de traços afetivos. porque recorrer obrigatoriamente a e la? 6. pode facilmente levar a uma visão mecânica. por exemplo. Há casos. e mais verdadeiro. sugestões fugazes). revelando-se a cap acidade do crítico na maneira por que os utiliza. de uma fase. por exemplo. Do mesmo modo. conduzindo a um dos conceitos básicos do presente livro: que o eixo do trabalho interpretativo é descobrir a coerência das produções literárias. escola. para o nosso caso. . Estas considerações exprimem um escrúpulo e uma atitude. formando uma diretriz. que adquire um significado orgânico e perde o caráter de empréstimo. Conceitos. sugerir uma certa labilidade que permitisse ao leitor sentir. Ainda mais sério è o caso da influência poder assumir sentidos variáveis. cie conceitos como: p eríodo. tomá-la. tanto quanto possível. pois uma obra pode ser contraditór ia sem ser incoerente. contribuindo para formar a continuidade no tempo e definir a fisionomia própria de cada momento. À diferença entre estas fases. pois há sempre as que não se manifestam visivelmente. intelectuais e morais que decorrem da análise cia obra.entre fases. idéias. entende-se aqui a integração orgânica dos diferentes elementos e fatores. influência. porque o intuito foi sugerir. sobrepus ao conceito de geração o de tema. Por coerência. Porisso. (autores desconhecidos. de elemento próprio de um conjunto orgânico. mas não se confunde com a simplicidade. mas a sua retomada pelas gerações su cessivas. teoria. por preconceito metodológico ou falsa pudicícia formalista? Há casos em que ela nada auxilia. . aparecer como transposição direta mal assimilada. influência e plágio. dando lugar a uma xmidade superior. bem como a impossibilidade de averiguar a parte da deliberação e do inconsciente. grupo. Embora a tenha utilizado largamente e sem dogmatismo. e correspondem ou não à vida. fonte. procurando apon29 #tar não apenas a sua ocorrência. é contrabalançada. seja a interna. Isso conduz ao problema das influências. que não é necessar iamente o perfil psicológico. nunca se sabe se as influências apontadas são significati vas ou principais. seja a externa. corrente. impondo cortes transversais numa realidade que se quer apreender em sentido sobretudo longitudinal. como técnic a auxiliar.como se viu . (meio. a idéia de mov imento. no sentido da tomada de consciência literária e tentativa de construir uma literatura. No arsenal da história literária. é preciso reconhecer que talvez seja o instrumento mais delicado. Pode. das obras. por exemplo. porque rejeitá-la. etc. Além disso. Apesar de fecundo. em que a informação biográfica ajuda a compreender o texto. e todos os caminhos são bons para alcançá-lo. tema. Embora reconheça a importância da noção de período. como influência. importa em prejuizo do seu caráter atual. no momento exato e na medida suficiente. através do tempo. que vinculam os escritores uns aos outros . embora os escritores se disponham quase naturalmente por gerações. corrente ou grupo. um torn. momento. qu e por vezes sobrelevam as mais evidentes. É a adesão recíproca dos elementos e fatores. temas. do ponto de vista histórico. permanecendo na obra ao modo de um corpo estranho de inte resse crítico secundário. cuja descoberta explica a obra como fórmula. vida. falíve l e perigoso de toda a crítica. sem preocupar-me com distinções rigorosas.da obra. sem contar as possíveis fontes ignoradas. ela se manifesta através da personalidade literária.). este é o alvo. utilizei-a aqui incidentemente e atend endo à evidência estética e histórica. procuro somar a idéia da sua continuidade. num dado momento. um conjunto. comunicação. d o ponto de vista estético. Isso. geração. que a separação evidente. se as svias condições forem superadas pela organização formal. grupos e obras. Pode. doutro lado. entre as fases néoclássica e romântica. ser de tal modo incorporada à estrutura. No nível do autor. obtida pela elaboração do es critor. pela sua unidade profunda. requerendo tra tamento igualmente diverso. dispomos. imagens. fase. passagem. não interessou aqui utilizar este conceito com rigor nem exclusividade.

ou caráter complementar entre as obras. o seu Dostoievski. as três design ações serão usadas conforme o aspecto referido. procuraram redefinir a imitação d ireta dos gregos e romanos. Na literatura comum (brasileira e portuguesa) o seu emprego é útil. a despeito do esforço de objetividade. com base na intuição e na investigação.sociais. é a sua reunião que caracteriza o período. no Brasil. NATUREZA E RUSTICIDADE 4. característ icas orgânicas de um sistema. mas em parte inventada p elo crítico. é marcado por três correntes principais de gosto e pensamento: o Neoclassicismo. um traçado explicativo. A coerência é em parte descoberta pelos processos analíticos. a designação tradicional de Arcadismo. verificada em toda a Europa no século XVIII. quando o crítico decide adotar os traços que isolou. as obras que melhor se ajustam ao seu modo de ver. E aí estão três derivações capazes de justificar a etiqueta neoclássica. políticas. A PRESENÇA DO OCIDENTE #r #1. não o traçado. se levarmos em conta que o movimento da Arcádia Lusitana. que por sua vez o tomaram aos espanhóis. ficando subentendido que e ngloba as demais.mas apenas sugerir o que poderíamos chamar de situação temporal da obra. recobrindo com elas o esqueleto do conheciment o objetivamente estabelecido. Virgílio. RAZÃO E IMITAÇÃO 3. conseqüência da relativa articulação entre elas. conforme o setor. #í Capítulo I RAZÃO. Interpretar é. . econômica s. Horácio. ou fase. traços fugidios que o justificam. Nessa empresa. sendo o texto uma pluralidade de significados virtuais. Neste livro. Neste processo vai muito da sua coerência. Freqüentemente elas se misturam. começa por escolher os autores que lhe parecem representativos. o seu Stendhal. VERDADE 1. autor ou momento considerado. e são realidades de ordem literária. Sob este aspecto. ora outra. 31 #3*. usar a capacidade de arbítrio. TRAÇOS GERAIS O momento decisivo em que as manifestações literárias vão adquirir. 30 #i não interessou aqui determinar rigorosamente as condições históricas. em grande parte. que permite as generalizações críticas. nos autores. nesse contexto. NATUREZA. promovendo sob muitos aspectos um verdadeiro Neoquinhentis mo. ao lograr. a partir da doutrinação de Verney. as idéias e imagens que exprimem a sua visão. a síntese das condições de interdependência. ela se manifesta pela afinidade. os temas. há forçosamente na busca da coerência um elemento de escolha e risco. Porisso. Todos sabem qu e cada geração descobre e inventa o seu Gongora. preferindo. Por isso. No nível do momento. A este arbítrio o crítico junta a sua linguagem própria. VERDADE E ILUSTRAÇÃO 5. para o conjunto. se deseja ser criadora. sobretudo Teócrito. a Ilustração. entre outros. que estabelecem a fisionomia comum das obras. o Arcadismo. por ser menos técnica. nas quais se absorvem e sublimam os fatores do meio. Estes e os ingleses costumam designar assim a imitação do Classicismo francês. teve por idéia-fôrça o combate ao Cultismo. embora sabendo que pode haver outros. o século XVI. os reformadores se inspiraram na codificação cie Boileau. . e nos ve io dos portugueses. Num período. TRAÇOS GERAIS 2. e embora predomine ora uma. ou seja. é definir o que se escolhe u. pois pode haver vários. se a obra é rica.há pouco ao mencionar a ternura de Casimiro. a crítica é um ato arbitrário. imagens. não apenas regi stradora. nas obras. sempre que não houver ressalva expressa. Neoclassicismo é termo relativamente novo em nossa crítica. que poderia ser denominado segundo qualquer uma delas. Um. e tentaram restabelecer vários padrões do período por excelência clássico na literatura po rtuguesa. Anacreonte. originando o estilo do tempo. que tem a vantagem .

cuja teoria poética nos atingiu pela influência de Muratori e a prática de seu poeta máx imo. à luz do espírito moderno. entende-se o conjunto das tendências ideológicas próprias do século XVIII. pouco sobraria de e specífico. com efeito. e pode servir de exemplo da influência que as mudanças de perspectiv a exercem sobre a conceituação dos períodos. que todavia existe e se procurará s alientar aqui. divulgação apaixonada do saber. para assim manifestar a verdade. procurar-se-á analisar e caracterizar esse período complexo. o relevo próprio. Estas variam. em nosso tempo. em geral. a situação tradicional do século XVIII na literatura foi desarticulada. verdade. Puxado dos dois lados. em parte. e se tivermos a preocupação de não restringi-la à convenção pastoral. onde o Romantismo inicial constitui. a sua fórmula seria mais ou menos a seguinte: Arcadismo = Cla ssicismo francês + herança greco-latina + tendências setecentistas. sobretudo na literatura comum. 36 #contribui para esbater. A sua grande vantagem é que. jogando l ivremente com os três conceitos e tentando ver a que realidades correspondem no mundo das idéias e teorias literárias. este so freu nova atenuação graças ao conceito de Pré-romantismo. como vimos. conseqüentemente. não o Clássico. A literatura seria. de outro. devendose à influência dos italianos. pois. de país para país. confiança na ação governamental para promover a civilização e bem-estar coletivo. sobretudo Camões. uma última encarnação da mimesis aristotélica. muito usado em nossa língua.1 A designação Arcadismo é menos rica e significativa. nele. on de Silva Alvarenga traça as volutas amaneiradas dos rondós. Por Ilustração. que reagiram contra o maneirismo nas agremiações denominadas Arcádias. é born conservar a velha etiqueta nos casos em que for preciso recorrer a uma designação geral. como se sabe. como as sobrevivências maneiristas. que localizou nele os germens da literatura do século XIX. com efeito. sem suprimir a idéia de outros. do petrarquismo. e a aspirada naturalidade anti-cultista é freqüentemente alcançada pelo Rococó. Ela engloba os traços ilustrados. Considerando. o arquétipo a que se podem referir as várias manifestações partic ulares. e onde a presença abso rvente dos quinhentistas. mas compreendem. que p ersistem sobretudo graças à moda bucólica. da e stética aristotélica e horaciana. o natural é o racional . da Arcádia Lusitana (1756). a revalorização do Barroco. a falta de genialidade dos autores (1) Prefiro Ilustração a Iluminismo. Neste capítulo. ambos dependentes da imitação greco-latina. que levou a pesquisar nele as sobrevivências de maneirismo e atenuar o aspecto clássico. desenvolvimento de premissas líricas do século XVIII. podendo-se talvez reduzi-las à seguinte expressão: o verdadeiro é o natural. garante certa semelhança entre ele e o século XVII. pois. visando empenhá-las na propagação das Luzes. Metastásio. que evoca imediatamente. e que aliás se articula com o Barroco de Minas e do Rio. nas 35 #letras. Na literatura comum. em Portugal. e a cuja investigação convém proceder. o culto da sensibilidade. o interesse pelos problemas sociais. Além do mais. fundem-se nela racionalismo e empirismo. tomando como ponto de reparo os três grandes conceitoschaves mencionados: razão. utilizando livremente as outras quando se tratar das componentes que elas exprimem. 37 #P""2. ainda é melhor que as o utras. algo forçado chamar néoclássico a um período onde Marília evolui com os seus ademanes caprichosos. natureza. pendor didático e ético. A tarefa não é fácil. buscando. RAZÃO E IMITAÇÃO . expressão racional da natureza. que há nele forte lastro de maneirismo. sendo um nome convencional. permite englobar os outros dois aspectos principais do movimento. Sob o aspecto filosófico. o movimento renovador partiu. para evitar confu são com o movimento místico assim designado. e fonte inglesa e francesa na maior parte: exaltação da natureza. Parece. graças a dois novos focos de interesse: de um lado. crença na melhoria da sociedade por seu intermédio.de marcar a ligação com o movimento afim da literatura espanhola. a f é na razão e na ciência. Foi este o padrão ideal. que ocorre contemporãneamente. dado o seu sentido histórico.

247. do seco Houdart de La Motte .Conseqüentemente. Boileau retruca que a imagem é legítima. Homens como Verney e Ribeiro Sanches queriam introduzir na pátria o novo espírito filosófico. prezaram-se na poesia aqueles valores atribuídos de ordinário à prosa e que haviam sido. Pope. à qual pedia desculpas pelo que nela ainda restasse de poético. ou "furor poético". e desta maneira (deveria completar) justificando-a perante a prosa. a título de curiosidade. mediante as quais se suprimiram ousadias indomáveis pelo freio da lógica. os árcades se empenhavam nas duas penínsulas em retomar à prosa o que não menos legitimamente pertence à poesia: decoro e dignidade da expressão. onde narra o aparecimento do monstro que matou Hipólito: Li: flot qui 1"apporta reculc épouvanté. Tais idéias constituem o ponto de referência da teoria literária do século XVIII em quas e toda a Europa. Note-se. porém. simplicidade. quanto de Fontenelle."pour ainsi dire". fiado de preferência no discernimento. ajuntando: But of the two. dá como test da imagem a sua viabilidade ante expressões como . An Essay on C ritlcism.. No Verdadeiro Método de Estudar.. em seguida. Boileau. pois se liga a uma estética segundo a qual a palavra deve exprimir a ordem natural do mundo e do espírito. foi dos primeiros livros editados no Brasil pela Imp rensa Regia (1810). como a Itália e Portugal. é menos perigosa a injúria de cansar a nossa paciência que a de desorientar o nosso discernimento". seus antagonistas. pag. Esta reconquista da naturalidade dá feições de clássico ao período. como vem nos tratadistas. na tradução do conde de Aguiar. à maneira. movimento que restaurasse algo daquela fant asia irregular dos preciosos c burlescos. menos de Boileau. tradutor da Arte Poética de Boileau. entretanto. impregnado das orientações metodológicas d racionalismo e do pos-racionalismo anglo-francês. desconfiado em parte da inspiração. ordem lógica. na orgia verbal. entre os dois.3 Por estas e outras. essa dieta magra vinha corrigir os excessos cie um século destemperado. banida pela regularidade clássica do "século de Luís XIV". obliterados por mais de um século de intemperança verbal: claresa. escreveu o grão-padre do neoclassicismo inglês. Noutras parte."por assim dizer". como se pode ver acrescentando mentalmente . invocado pelo primeiro. o que a literatura francesa precisava era um movimento exata mente oposto ao racionalismo estético. paralelo a certas iniciativas pombalinas.Não esqueçamos que a idéia-fôrça do Arcadismo luso-brasileiro é polêmica: tratava-se de opo daí ter sido um movimento eminentemente crítico. nas Reflexões sobre Longino. graças ao movimento da Ilustração. adequação ao pensamento. há três cartas dedicadas aos estudos li . 38 #assim ouso falar". como se sabe. em meio às rotundidades plásticas do Parnaso . que dera a certa altura alg uns produtos excelentes mas descaíra. por intermédio de quem passar am ao grupo da Arcádia Lusitana. sem artifíc ios nem surpresas marcantes: poesia envergonhada e tímida em face da prosa. só ganharam força atuante pelos meados deste. Em Portugal o Arcadismo integra um amplo movimento de renovação cultural. em torno de homens como o conde da Ericeira. mesmo nela. La Motte acusara Racine de impropriedade e exagero num verso de Fedr a. ou "se (2) "É difícil dizer onde aparece maior falta de competência: no escrever mal ou no ju lgar errado. capitaneado por Verney.pugnavam uma poesia lógica. "Tis hard to say if grcater want of skill Appcar in writing or in judging ill. less dang"rous is th"offence To tire our patience than mislead our sense. seja na teoria de Cândido Lusitano. Em literatura. Assim como cent o e poucos anos depois VerlaJne exigiria. que a poesia "retomasse à música o que lhe pertencia". que o Ensaio sobre a Crítica. embora começassem a ser conhecidas desde os fins do século XVII e início do XVIII. Em Portugal.modernos. seja na prática dos poetas. .

vestígio de born juízo. etc. ao jogo de palavras. 192) Os culteranos foram maxis poetas porque pensavam mal e assim sacrificavam a natu ralidade em benefício da sutileza. Daí não haver beleza sem obediência à razão. 116 a 121. a mania versejante. respeitados. (pág. repudiava nela. alguns deles. 177. no gosto como critério de apreciação. Daí criticar acerbamente o próprio Camões. que os que querem poetar. po is. Este ponto de vista . que e nsinasse um hornem." (pág. E como os Antigos observam muito isto. dá predomínio absoluto a estas. Verney aceita o progresso na literatura e entende que os contemporâneos estavam mais aparelhados para escrever bem.coerente até o extremo com as idéis do tempo . ou não fazê-los. em contrapeso à aplicação estrita das normas. Tomo in. que aponta o objetivo da arte: a verdade. o do século que exprime. de modo absoluto. reservando o exercício do verso às vocações verdadeiras. no fuu(4) (Lula Antônio Verney). como não possuíam o mesmo senso crítico dos modernos. considera Longino superior aos tratadistas que o precederam. os aspec tos mais livres e pessoais. Nesse sentido. Verney se encontra muito próximo dos teóricos franceses posteriores a Boileau. ou fazê-los bem. a 7. no século XVIII. este. a uma boa Lógica natural". quando não se reconheça ne le. reduzindo aqu ele elemento mais vivo a mera garantia da sua aplicação. por conseguinte. De que nasce. que era essencialmente. Porisso. Mas como não há idéia unívoca. devem ser estudados. graças à sup eração dos antecessores pela assimilação do sevi exemplo. e Critério". 178-179). não vai além de um tributo formal. (págs. possibilitando desta forma a intro dução de um ponto cie vista mais pessoal. Homem do seu tempo. a inventar e julgar bem. 39 #as abandona e confia na inspiração. decorrente da reflexão.a à oratória. subordinado à imaginação. onde sente lacunas de instrução que enfraquecem a poesia. uma das taras do tempo. ter a "arte de persuadir". "a qual s upõe Juízo.a e 6. à agudeza. 40 #do antipoéticas. através dele. (págs. 225) Repudiava. . "um conceito que não é justo. Nela. Verdadeiro Método de Estudar. assim participa da simpatia p elo velho retórico. pgs. Se não aceitamos os requisitos que formulou como essenciais ao poeta. "A Poesia não é coisa necessária. E assim não havendo necessidade de fazer versos. "Chamo critério. Como era todavia um consumado pedante. muito mais importante . Para ser poeta é preciso ser retórico.a. traziam um elemento justo e fecundo. que nos interessa. aquele. quando alguém (3) V. Oeuvres. nem fun dado sobre a natureza das coisas. Como pedagogo. cuja obra ajudou. Extremado racionalista neste terreno. etc. Reflexions critiques sur quelques passages ãu rhéteur Long in. naturalida de e modernidade. perdido no puro jogo mental. as reflexões de Verney. To mo 1. dos que fossem capazes de escrever com lógica. cujo rac ionalismo tendia. 214) Aqui tocamos no supremo pedantismo deste homem e. o fazem segundo a força da sua imagin ação: e não produzem coisa." pag. 188-189).terários: a 5. seu guia. Entretanto. Todavia. na República: é faculdade arbitrária. não pode ser belo: porque o fundamento de todo conceito engenhoso. digna de se ver. para guardar os que se enquadrassem no preceito didáti co. a poesia lhe interessa enquanto instrumento e exercício mental.. Percebe-se o reformador nessa aversão profunda ao conceito. que lhe traziam certamente a imagem a borrecida do raciocínio escolástico. à poesia. desanda: "(---) ainda não vi livro português.suscitava todav ia um grave problema: ou a poesia é mesmo algo secundário e não convém mantê-la."4 O poeta deve ter duas qualidades: engenho e juízo. e de divertimento. no limite." (págs. que p or um lado despoetizaram ao máximo a teoria poética. não podemos rejeitar o princípio geral de que a poesia deve depender de vo cação. a um utilitarismo didático que é a própria negação da arte. poetar dependia para ele de conhecer as normas da poesia. e formar um poema como deve ser. ou seja. é a verdade: nem se deve estimar algum. culpado de preciosismo nos sonetos e nos Lusíadas. que os faz tanto admiráveis. Boileau. por isso neles se observa. mas não erigidos em mo delo absoluto. a infundir maior liberdade crítica no esqueleto rígido do racionalismo. mas insistiram por outro. certa maneira natural de escrever e certa simplicidade nobre.

intitulados: Verdadeiro Método d e Estudar. I. (págs. 91. o " maravilhoso". porém. Ver à pág. impressos fora. Devia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. uma teoria relativamen te compreensiva. a utilidade. difundiu pela Europa uma doçura e musicalidade que esbatera m algumas arestas mais didaticamente racionalistas da Ilustração. mas conseguindo enfim elaborar. nas aspirações do tempo e na tradição clássica. 43) Entra aí em cena um intelectualismo que confia a criação da beleza ao esforço do poeta enquanto artífice . portanto. como seu mestre Muratori. págs. 144). escrevendo os livros Delia perfeita Poesia Italiana. esta tem em geral as características do lugar-comum e só poderá deleitar se apresentar a "novidade". simultaneamente. que ferem a imaginação do leitor. mas a verossimilhança. IV. e merece consideração. inserindo-a. "Prólogo". 58. "(. Arte Poética. embora partindo da doutrina. (5) Francisco Joseph Freire. empreenderá uma conceituação mais am pla que redignifica a poesia. é antes algo que o poeta suscita pela vontade e amplia com o trabalho ("este Estro se pode ad quirir com Arte"). Na . 55. a energia. para serem bons Poetas. foi o que procurou fazer Francisco José Freire. imitação da poética franco-italiana e intelectualismo mitigado pela fantasia . logo depois. há na poesia um elemento arrebatador e irracional. etc. consiste nas "qualidades (que) podem mover os aspectos do nosso ânimo. mais próximo à concepção de Verney. etc. algo importante. e mesmo do apelo do Verdadeiro Método. Seria preciso reequilibrar a situação.. Neste sentido trabalharam a influência avassaladora de Metastasio e a teoria de Muratori. Freire pôde contrabalançar a s ecura dos teóricos franceses. graças à influência italiana. cujo arcadismo. nem dependia da alternativa horaciana. pelo contrário. e outras circunstâncias". começam a entrar em jogo as peias da convenção. vol.pois ela reside precisamente no "a rtifício" com que este acrescenta algo de seu à "matéria". modelos imediatos de Verney. A poesia. mas que. ou "entusiasmo".) li uns livros Portugueses. no seu caráter de superação do Cultismo. 26-30. concedendo à sen sibilidade e à fantasia apenas para cerceá-las."5 Pondo mãos à obra imediatamente (o seu livro é de 1748. analisando a sua finalidade e concluindo que não visava o puro deleite.ou é. lhes faltava uma Arte. ou clareza." (págs. um ano após o de Verney) escreve o tratado que se poderia considerar como pedra fundamental da poesia arcádica portuguesa. de qu e aos Portugueses.. mas não obstante a cultivava com abundância. (6) Idem.6 Além de ter muito mais compreensão e sensibilidade poética. A beleza é o elemento racional da for ma. (pág. com Luzan. "Do fim da Poesia". que submetia a poesia a uma capitís diminutio. que realça a verdade com a sua luz. com o preceito racional . Para Cândido Lusitano. a doçura. Para ele a poesia não era puro deleite (e. o "furor p oético". deve basear-se na verdade que não é a verdade objetiva e unívoca da ciência. Cap. o guia de que nunca se afasta.. conduzindo o poeta a um enquadramento bastante rigoroso. como para Ver ney. coisa somenos). que "não é outra coisa senão a brevidade. "Seguir emos os passos do celebradíssimo Muratori. Esta perplexidade desnudav a a contradição da estética neoclássica. Nota-se da parte do tratadista um duplo movimento de dar e tirar. a que verdadeira mente se pudesse chamar Poética. que magistralmente tratou desta ignorada matéria. que é dos modernos. na qua l a importância atribuída à inspiração compensa em parte a rigides das normas. tanto para ser útil quanto para ser agradável. todavia. 54-55) Imediatamente. segundo a qual deve instruir ou dele itar. (O nome areádic o de Freire foi Cândido Lusitano). no que f aremos aos Poetas Portugueses um particular serviço para o born gosto das poesias" . Para isto é preciso que a obra tenha beleza e doçura. Ele nada tem de sobrenatural. como as demais pro duções do espírito. elemento afe tivo. 41 #se não trouxe grandeza. 140. Vi que nesta obra se queixava justissimamente o seu Autor. A sua Arte Poética. era útil ao progresso moral. e neste conceito segue de perto Murat ori.

" (pág. e também são certas na razão. após haver concedido várias liberdades. O leitor dev a poder. o rapto poético que permite compor segundo uma certa desordem e ousadia de imagens. presa." (pág. O "engenho" consistia numa percepção adequada. de que é uma espécie de aspecto imperfeito. (pág. porque são semelhantes ao verdadeiro certo. 138-139). ela é (como para os seus contemporâneos) uma verdade possível. o escritor deveria escolher situações e emoções genéricas. (págs. por um lado. evidente e real. de Boileau. não de desconsertos. e verossimilmente mover tanto a fantasia. baseada na "natureza das coisas" e necessitando verossimil hança para merecer a "aprovação do entendimento". desde logo. pois "a beleza poética está fu ndada na verdade. comuns a todos: nascimento. . 72-73 e 74) Tanto assim que só é "próprio do Poeta" a fantasia unida ao ent endimento. por meio do qual a razão. nesse conceito de "verdade provável". poi s já vimos qual foi a característica do seu tempo: um esforço de recuperar o equilíbrio expressivo. casamento . vê também no poeta um artífice. voltando a considerações de ordem geral). como Verney. dependendo afin l mais da lógica do que da inspiração (págs. 124) Neste exemplo fica bem claro o jogo d os limites referido acima. no sentido mais lato. libertar-se de qualquer obediência às condições estritamente pessoais do escritor. por exemplo. chamamos-lhes verossímeis. que racionalmente se possam u sar estes vôos poéticos". nem deve abandonar-se com freqüência aos "êxtases da fantasia". que o poeta nem sempre é animado por uma "paixão violenta ". o acúmulo de limitações teóricas e barreiras práticas a qualquer deslize da fantasia fora do decoro. sendo o limite permanente da imaginação e o critério definitivo para se aquilatar a validade da poesia. 137) Daí estabelecer graus na ousadia: pode-se dizer verossimilmente que da boca de um homem saem palavras doces como o mel. (pág. (pág. Daí preferirem-se as grandes circunstâncias da vida para exercício do verso.circunstâncias por assim dizer impessoais. da inteligibil idade. Para conseguir esse ideal de inteligibilidade. mas ainda dentro do possível. "Estas coisas pois. mas a analogia com o verdadeiro. adequando-os ao assunto. ou ilusões aéreas. em que a instrução e a inte cia predominam. e compõe-se de perfeições reais. e no gênero (digamos ) de possibilidade. da racionalidade. 133) A última modalidade é a que lhe agrada sobre todas e a que considera verdadeiro nervo da poesia. à imaginação criadora. à analogia com as ve rdades objetivamente constatáveis. 127) Este império da razão decorre da busca do natural. que é o seu "correlativo objetivo". que são críveis. o e lemento fundamental para Cândido Lusitano não é a fantasia. geradores da beleza: objetividade e concisão. mas não admite qualquer desenvolvimento dessa imagem (o que se faria a partir do Romantismo e já se fizera ao tempo do Barroco). indica uma espécie de exacerbação desta. como dizer que "as abelhas queiram chupar este mel sonhado. que transcendem a condição individual. É preciso acentuar que. tanto. 88) Não se poderia realmente esperar que um neoclássico aceitasse a criação como arbítrio. Reconhecendo. que nunca se obtém sem realçar o elemento racional e voluntário do trabalho artístico.conceituação desta encontrase geralmente a pedra de toque das teorias poéticas de insp iração aristotélica e horaciana: para o nosso tratadista. semeia armadilhas pelo caminho da poesia." (pág. espelho do homem culto e imed iatamente acessível a ele. "sem observar ordem nem união. quando a fantasia quieta se regula pelo entendimento. (deixamos a gora Cândido Lusitano. e a afetação dos culteranos era considerada má." (págs. 66-67-71) E assim caímos de novo no referido "por assim dizer". probabilidade. que o próprio vôo poético deve ser usado com moderação e sem perda da tonalidade racional do poema. que ordinariamente costuma haver. 51-52) Embora não transforme a poesia. por outro. o vôo. assim. sobretudo por ir de encontro aos dois elementos ind ispensáveis da forma poética. (págs. dizer que são o próprio mel. devendo o poeta considerar se "pode natural. para receber a emoção artística através de paradigmas .conseqüência inevitável da poética dum período empenhado em fazer da arte uma linguagem racional. c credibilida42 #de. . já acha ousado. É compreensível. 122) O que se desejava era uma imaginação fiel à razão. e prováveis. 43 #num exercício retórico e frio. tomado a Muratori. e possíveis.

formado pelos antigos e funcionando. . o seu público. que se compraz nas odes raciocinantes e. celebrações. boas tragédias e excelentes epopéias"7 Para a fig ura principal da Arcádia Lusitana. porque para ele "só a aprovação da posteridade é capaz de estabelecer o verdadeiro mérito das obras". Não falo da imitação da natureza. com que nos retratam o formoso e angélico semblante da nature za. como Felinto Elísio. seguiram a sua trilha. mas também assegurar um instrumento literário já verificad o no trabalho da criação. dando-lhe genealogia estética. acontecimentos. embora de modo algum único. a literatura se concebia. por assim dizer. qual o rio. Por um corolário da própria estética baseada na verdade natural. ou: Tu não verás. Beltrana". mas como as conceberam e recriaram os bons autores da Antigüidade e os que.) menos importante a imitação. na epístola. é uma conversa poética. soci al e literária. nomes e sentime tos da mitologia e da história greco-latina. quando e screve. um excelente recurso de despersonalização do lirismo. Marília. Quase sempre o árcade prefigura um público de salão. não apenas como elas aparecem à razão. pois. "Entre as sólidas máximas.revelando cunho altamente sociável. 468) Imitar Vergílio é não apenas participar de certo modo na ordem de valores criados por ele. quando não é fran amente comemorativa: "ao sr. com que Horácio pretende fo rmar um born poeta. energia e majestade. que leva o escritor a encarar as coisas sob o ângulo da sua posição pessoal em face do mundo. sobretudo. que dia e noite não devemos largar das mãos. vem da monoton ia das imagens. prefigura. estes soberbos originais. é o que se poderia chamar a destinação pública da literatura. um recitado r. cem cativos. ou seja. Para o nosso gosto.) Os Gregos e os Latinos. parece faltar-lhes aqu ela consciência de individuação. aspira ser instrumento de comunicação entre os homens.. modernamente. graças aos quais o caso particular se esbatia no significado genérico. pois (salvo casos raros e por vezes admiráveis de solipsismo) o escritor. recriada mediante a imitação literária. chegam a estender o torn epistolar a tudo o mais. perderá de todo o norte. relativamente limitadas.. Ou. e não poderá jamais alcançar aquela força. assume para os neoclássicos um sentido por assim dizer próprio. O Arcadismo é.. "O poeta.8 Além desta garantia de excelência do modelo. A conformidade com o modelo é o orgulho do escritor neoclássico. estão escrevendo epístolas. um leitor a voz alta. O conceito aristotélico de mimesis. criação artística a partir das sugestões da natureza. não é (. e porisso. morte. consciência de integração: de ajustamento a uma ordem natural. Grande parte da poesia setecentista é endereçada. sobretudo nos representantes menores. que para Garrett era supe rior a Bocage. forma mais característica daquele sentimento. como a convenção bucólica. mas da imitação dos bons autores (. à maneira de um arquivo da natureza. e mesmo quando fazem odes e sonetos. Marília. por meio da qual o espírito reproduz as formas naturais. a quem pareceria estulta a pretensão de originalidade dos românticos e po sromânticos. conscientemente ou não.. como natureza de segundo grau... pois. Ou as situações que dissolviam o detalhe pessoal. finalmente. O fastio caus ado pela literatura arcádica. graças ao uso de temas e personagens antigos como veículo da emoção. "às bodas de D. estrito. Fulano"." (pág. para a análise diferencial dos períodos e da s escolas.) a antiga e constante admiração havida sempre por suas obras é prova segura e infalível que elas devem ser admiradas". mais ainda. o recurso às situações.geralmente os homens de um dado grupo.. . decorrendo disso a estética da imitação. . são a única fonte de que emanam boas odes. Alexandre.. que não seguir os a ntigos. Daí. O mito. a literatura se torna forçosamente comunicativa. Mesmo nas poesias mais pessoais do século XVI II. Certos autores. a Antigüidade oferecia outros apoios à teor ia arcádica: em primeiro lugar. de alcance universal. a 44 #poesia marcada pelo que se poderia chamar de sentimento do interlocutor. a ele se conformando. Um critério útil. a evitar uma provável solidão. etc. notamos o jugo do diálogo. que dava à obra segurança e nobreza. se "a antigüidade de um escritor não é título c erto de seu mérito (. da presença de outrem.

. deviam perdurar. Meu frio corpo já cadáver feito. na expressão saborosa e sugestiva de Garção. . uma vez descobertas pelo s antigos. que se sobrepõem à ordem racional da natureza e m vez de espelhá-la. o escritor deveria trabalhar "sem largar de mão o prumo".. Sentiram as grutas. propiciando e reforçando a com unicabilidade. só é contida pelas mesmas leis que ela própria formou a principio. celebrado por Gongora com esplendor barroco . pag. A loura Geres. 46 #As regras da retórica e da poética limitavam de certo modo o indivíduo em benefício da norma. a perda da capacidade de observar di retamente a vida e uma visão algo superficial tanto da natureza exterior quanto humana.11 Conseqüências da imitação e das regras são. mas a Natureza metodizada. e esta não muda. prados. nem . A autoridade da tradição garantia o emprego das regras que. e talvez mesmo sem estar consciente) é animado pelo que se poderia chamar a "situação de Lucrécia".. (própria às tendências neoclássicas). desde que eram a própria manifestação da ordem natural. regatos. não achadas. racionalizada. Firme nelas.) caliginoso lecho (. ou necessidade. apoio à imaginação do criador e do receptor de literatura. são ainda a Natureza. no fundo..^ (9) "Chamo clássica a obra que depende da sua organização formal para provocar emoção". nem do ar. magia do mar. clt. Se acaso aqui topares. onde a paisagem epidérmica se dava o luxo de uma simulada energia. . etc. no Uraguai. a adoção de gêneros e espécies tradicionais. O antro de Polifemo. Are N ature slill. Ela se tornava ass im. Tenho certeza. o carro d e Apoio. Those RULES of old discover"d. que o Romantismo povoaria de duendes e mistérios. a Natureza. Note-se que a paisagem civilizada. pág. e os animais pacíficos que nela repousam. criar pontos de referência para o homem medianamente culto.. banindo as temeridades do engenho. que o soneto de Tenreiro Aranha. Na própria terra. . da caverna.ornatos prediletos dos jardins pré-românticos. págs. (10) "Essas regras há muito descobertas. is but restraincd Dy the same laws which first herse lf ordain"d. indo os escritores prover-se nela automaticamente para corresponder aos estímulos da inspiração. do subterr o. 45 #a história antiga. like liberty. 64 e 70. Corrêa Garção. por serem uma linguagem universal. {8) Bo leau. formavam uma caixa de ressonãoncia para a literatura. Os árcades quase não sentiram n. a morte de Catão eram centelhas que acendiam imediatamente a imaginação e iluminavam a intenção do poeta. a Sirinx melodiosa. curvando-o à razão natural. O acervo tradicional da Antigüidade era introjetado tão profundamente. podando na fantasia o estranho e o excêntrico. como as cascatas . realmente. a sua consciência não teve noção.. but N ature method iz"d. A.9 Ora.) formidable de Ia ticrra bostezo o tenebroso antro. cantado na Odisséia. como a liberadade. Nature. cit.. An Essay on CTísticism. R oger Fry (Citado em Louis Untermeyer. The Forms of Poetry. bastando uma alusão para pôr em movimento a receptividade do leitor. 465. caminhante. com suas leis de composição. como a caverna de Tanajura ou o caramanchão de Lindóia. "Dissertação Terceira". 6). é principalmente um escôrço de paisagem da superfíce da terra: árvores. po r exemplo. decisivo numa tendência literár ia que busca o efeito precisamente pela "organização formal" da expressão. o sacrifício de Mucio Scevola. em Obras Poéticas. avulta tanto em meio à sua obra medíocre porqu e (sem citar.. not dem&"d. sobre a mameluca Maria Bárbara que preferiu morrer a trair o marido."Ia caverna pr"ofunda (. que dava lugar a uma espécie de espontaneidade de seg undo grau.a lenda e (7) P. atenua o arb io do escritor e permite alcançar um dos alvos do Arcadismo. como sistema de formas através do qual dava sentido à experiência humana. flores. Réflexions critiques. sedimentados em profundidade pela educação humanística na consciência do homem culto. cuja ressonãoncia fazia vibrar os contemporâneos. "Pope. não existe na Écloga VIII de Cláudio Manuel.) (. pag. A Antigüidade fornecia ainda a solução do problema formal. bem ou mal nutridos de tradição greco-romana. 247. da literatura a rcádica.

que. funcionários zelosos e convivas amenos. Ou a palavra é con iderada algo maior que a natureza. os piqueniques e merendas entre amigos. NATUREZA E RUSTICIDADE Decorrência do conceito setecentista do belo = verdadeiro (verossímil) é a busca das f ormas naturais no mundo físico e moral. cujos po emas se desfibram na porfia de cantar o encanto da vida familiar. 446. fundado no pressuposto de que as formas elaboradas pela inteligência se regem por leis essencialmente análogas às do mundo natural. ali postos para servir de comparação com as a madas ingratas. Na literatura luso-brasileira. abordando-a por tentativas fragmentárias. não se baixa também aos do espírito. na obra de Bocage . como (11) Garçao. encontramos pouc o daquela "divina maldade". que era o padrão. não houve apenas isto. na do Marquês de Sade. (Quevedo) O verbo literário encontra finalidade na equivalência ideal ao objeto. . Saboé. mesmo quando revoltos. podemos avaliar este culto da mediania pelas figu ras dos escritores. Assim como não se desce aos subterrâneos da terra. o modelo é Garção. Mus rejeitava toda ousadia . De tal modo que o leitor não leva a sério este bebedor de c há. o segundo do Romantismo. que lhes teria dado um travo mais saboroso. se abalançando ao ditirambo. Desses cidadãos pacatos. nos países do Ocidente. evocada por Nietzsche. civilizado e normal . na plenitude duma interpenetração em que a realidade é a baliza do ato criador. inquietos. procuravam dar impres são de equilíbrio e urbanidade. quando medíocre e amaneirada. ou ecoar o lamento dos pastores namorados. Nos Arcades. ot. capaz de sobrepor-lhe as suas formas próprias. Porisso será sempre mais belo (mais natural) descrever do que falar na Os seus compridos cabelos que sobre as costas ondeiam (Gonzaga) .crespa tempestad dei oro undoso.na Cantata amaneirada de seu mestre Metastásio. A maior rudeza dessa paisagem policiada são os penedos. A moderação e o compasso toleravam a própria indecência. Evan Bassarcii a que o obrigava o doce império da imitação dos antigos. mal contido pelo ideal horaciano da mediocridade áurea. ou é considerada menor que a natureza. do homem em estado de natureza. Na imitação da vida interior. A flor que tinha perdeu. o tercei ro do Classicismo. 47 #ur no caso de Pamy e até de algumas peças .à qual se procura reduzir a do próprio primitivo. o turbulento Evoé. 48 #3. este leva ao mesmo senso de moderação.mesmo decente . inteiro. O mundo exterior se adapta.do austero Eloi Ottoni. incapaz de exprimi-la. é considerada equivalente à natureza. França . com intuito meramente ilustrativo. dando lugar a combinações bem mais complexas entre ambas. Poucos teriam a r ebeldia barroca de Gregório de Matos. não só nos escritos. Não é pois de estranhar que esse século dinãomico. "Dissertação segunda". poderíamos dizer que há em literatura três atitudes estéticas possíveis. Todavia. cit. etc. na de Blake. Neste. capaz de criar um mundo de formas ideais que exprimam objetivamente o mundo das formas naturais. como na própria vida. restringindo a literatura à superfície da alma e tolerando mal os desvios. II Ciclope. convicto e provecto.. aos padrões requeridos pelo estoque limitado da imaginação clássica e pela suprema regra do decoro. há portanto um esforço de equilíbrio. estoure. pág. A fidelidade à Natureza traria conseqüências imprevistas pelos cultores da Razão. é o tempo da psicologia do adulto. q ue. Talvez esta complexidade seja a característica fundamental do século XVIII. e sobretudo nos dois que então lideravam.para além dos limites convencionais d a psicologia natural. o Padre Liêo. Mais do que nunca. . lança. t radutor da Bíblia: Indo ao prado colher flores. O primeiro caso é o do Barroco. quando. na maioria formados em Coimbra. como estourou na Revolução Francesa e no Romantismo.de quem seriam! . aqui e ali. ou finalmente. branco.

sem desdenhá-la. materialistas. por exemplo. foi por excelência século de transição. No fim do Setecentos. é a mesma que tr ansparece na ordenação do mundo natural. unida à natureza por vínculo muito mais poderoso. Para D"Alembert. dando estado ao sentimento. pois. o instinto existencial era algo de obscuro. mais um passo e estaremos na anotação específica dos sentimentos "localizados e datados". no qual ainda persistiam quase int actos certos blocos do passado ao lado de alguns traços característicos do século vindouro. propiciando interesse bem mais acentuado por aquelas zonas imprecisas que a psicologia preferira banir. rompendo o molde da convenção e abrindo caminho à tumultuosa revelação dos estados peculiares à alma de cada um. os esquemas mentais de Boileau e o culto da antigüidade cláss ica coexistiram com a divulgação científica pelo poema didático e a modernidade gritante da revolução sentimental. no homem e no universo. pelo fato mesmo de lhe ser coextensiva. . mal disfarçada por todo o aparato científico da filosofia. que impressiona a folha branca do espírito. cuja marca sincrética vamos encontrar 49 #na literatura. desde meados do século. ao qual corresponde uma inteligência humana igualmente ordenada. cada vez mais. E a Natureza aparece como convite à sinceridade. a razão foi nele a suprema instância. os filósofos. o estoque de imagens e sentimentos que mais tarde pareceriam inseparáveis do Romantismo oitocentista. A ordem intelectual prolonga a ordem natural. deixa nela um traçado coerente. o sentimento. como implicava o dualismo racionalista de Descartes.e Inglaterra. da botânica e da zoologia. ou mundo. à expressão direta do que o poeta sente. empiricistas. que provava ao mesmo tempo a minha existência e a do mundo exterior. e não s e destaca da natureza. se enamoram. pois. portanto. passa a chamar -se natureza. porém. ela é transposta num contexto que lhe dá aspecto de acentuada valorização d a emoção pessoal. a psicologia de Kant. mostrada por Linneu ou Buffon. cujas manifestações. sensualistas. A razão setecentista. que d everia partir (como se diria hoje) de uma vivência autêntica. A atividade do espírito obedece. couraçando-se na distri buição dos fatos da alma entre entendimento e vontade. que pôs em voga. Alvarenga principia meditando sobre a essência. Uma nova razão. que assume então renovada importância e é tratado menos como indicação de um recurso técnico. O mundo. À claridade seca do universo cartesiano ia sucedendo uma penumbrosa magia. que é a própria razão do universo. e aquilo que se chamava de preferência universo. a uma lei geral. ou seja. que se ind icarão noutra parte deste volume. subordinadas a princípio. céticos. com uma vitalidade perturbadora. a do século XVII. neste os curiosos. explosões emocionais que desmancham de todo a clara linha da Razão. o senso das proporções. é p ois um mundo ordenado. o arcabouço do born senso e da simetria matemática. É elucidativa a este propósito a voga do famoso preceito horaciano de que para comov er é preciso estar comovido. limites e alcance da poesia. com a obra de Rousseau. contemporânea do empirismo e da física de Newton. a chave para compreender com alguma uni dade as suas principais manifestações literárias deve ser buscada no tipo de racionalismo que caracterizou o século XVIII. apesar de Locke e de Condill ac. No terreno geral das idéias. poderoso e infalivelmente certo. não de um trabalho . Não mais. cujo mistério Newton interpreta para os contemporâneos. as principais correntes do século XVIII amaciam-no de algum modo por sentimento muito mais agudo dos fenômenos na50 #turais. das conveniências: Que toujoitrs lê bon sens s"accorde avec Ia rime. do que como verdadeiro apelo à sinceridade. todos sentiam pr ofundamente essa presença da lei natural. sancionava a revolução implícita no em pirismo e desencadeada principalmente pela literatura. em literatura. de Silva Alvarenga. ateus. avultam ao po nto de promoverem. isto é. Nesta. Deístas.12 Na Epístola a Termindo Sipilio. O racionalismo e as idéias inatas misturavam-se ao empirismo e ao s ensualismo. Conservando. preceito sempre referido. a razão matemática que se exprimia na vida social e na vida do espírito pelo born senso. Enquanto os libertinos do século anterior se haviam distraído com a matemática e a física. inelutável na su a força unificadora. O conceito de Natureza vai englobando o instinto.pois.

de linguagem do coração e da inteligência. da fatura e da sinceridade. (pouca coisa. lembremos que a música ilustra bem. porque ele nos dá quase sempre a chave para compreender a correlação da literatura ao momento. quando foi possível atingir. mera transcrição do preceito horaciano. 302. Os versos seguintes alteram porém este significado. como assinala Gei ringer. no século XVIII. de outra pela fidelidade aos impulsos da emoção. Horáclo. obrigatoriamente retomado e glosado por todos os tratadistas e autores de artes poéticas a pnrtir do Renascimento. o torn Jones. 52 #tf . "Arte Poética"". Noutro setor. na verdade). ao contrário da teoria clássica pura. não obstante terno e profun damente emotivo. de obediência ao que em nós é sang ue e nervo. mostrando que para ele o senti mento era algo transcendente ao molde literário. como o quarteto e o concerto de instrumento e orquestra. nas obras dos escritores. que se perdeu para a arte. e dotado de maior valor: Quem estuda o que diz."13 Não se poderia exprimir melhor o que ocorreu também na literatura. pág. na pena não se iguala Ao que de mágoa e dor geme. Nestes versos.mais ou menos frio: Da simples natureza.. que aparece de vários modos e em várias circunstâncias. da teoria da Arcádia. mas sempre dotado de algumas das características do seu padrão ideal. No que deixou de mais puro e r ealizado. Até aqui. Manuel Inácio destaca assim. a disciplina aparece como limite à riqueza afetiva. ou tipos ideais de homem inv ocado. guardemos sempre as leis: Para mover-mo ao pranto convém que vós choreis. É.. o herói literário por excelência é o homem natural.. convém sempre indagar qual o tipo. que (12) V. São os momentos de triunfo do homem natural. The Bach Family." É. (no sentido amplo). na dignidade conferida ao instrumento e na emergência de certas formas em que a in dividualidade deste é liberada. de Fielding. tendências que avultarão na sua obra e o Romantismo levará ao máximo.. jovial e delicado. suspira e c ala. Reponta aqui algo menos corriqueiro na estética neoclássica e que se expandirá na românt ica. a obra é capaz de exprimir apenas uma parcela da sensibilidade.. buscando inserir-se ingenuamente no mundo através duma série de experic n-TÍÃ -<. o nosso Arcadismo atingiu alguns momentos d e plenitude. a procura da emoção e da expressão individual. No século XVIII. explícita ou simplicitamente.") 51 #geralmente não reconhece problema algum além dos que a obra encerra na sua integrid ade formal. essa harmonização difícil dos elementos racionais e afetivos. em que sentimos a presença tão rara daquela naturalidade complexa a que t endia. )-* "" i (13) Karl Geiringer.se queres que eu chore." (". sobretudo na obra de Gonzaga. na ordem das grandezas. idioma que representou um belo equilíbrio de forma e conteúdo.si vis me flere dolendum est prirnum ipsi tibi. dizia Carl Philip Emmanuel Bach aos discípulos que "um músico só pode co mover se ele próprio estiver comovido. Em conseqüência. ideológi co e histórico. na p assagem das tendências polifônicas ao "estilo galante". duma parte pelo exercício mental. sem prejuízo da integração num conjunto. e cujo conceito deve ser tomado tanto no sentido próprio. quanto no figurado. no respeito à sensibilidade. já que foi invocada. o humano transcende a arte. versos 102-103: ". mas de que o poeta deve participar no ato da criação. "o estilo galante e a sensibilidade (Empfindsamkeit) se combinaram num idioma novo de classicismo inicial. que consti tuiu um dos seus alvos permanentes. Em história literária.. começa por sentlres tu mesmo a dor. poi exemplo.. logo. pois eles exaltam o sofrimento inexpresso. de primitivismo.

de Richardson. . na assimilação do social ao natural.a sobrelevar a tendência racional. a partir da matéria-prima dos sentimentos e das idéias. em que se sublimam as aspirações e a própria realidade existencial do século. com energia bastante para trazer no espírito. ela criará imagens. Em suma. a concepção rígida e majes tática da existência. uma vez que a noção de homem natural dava lugar à idéia de progresso. o humano parecia mais chegado ao que nesta alma havia de profundo e característico. mais que um conjunto de gêneros literários. não se contami na através de toda a sordidez em que mergulha. depois do violento esforço de urbanização do h omem. promovendo a dissolução capciosa desta como instância superior n a criação literária. simples e requintado. de modo tão marcado a identidade do racional e do natural. rústico e erudito. reinterpre tando o mito da idade de ouro. pareciam a própria marca da humanidade. de Laclos. que representavam uma das principais manifestações de naturalidade.no sexo feminino . O ideal de naturalidade conduziu ao de espontaneidade. que volatiliza no Rococó e na paixão dos jardins. para Rousseau.negação gritante da racionalidade. não obstante. haurida no exemplo dos antigos e dos franceses e imanente no próprio esforço modernizador do despotismo de Pombal. sem dilacerar-se. ainda. É. Saint-Preux. apesar da caricatura. como dissemos. Isto só se evidenciará definitivamente com o Romantismo: no século XVIII assistimos ao seu progresso lento. na naturalidade das maneiras e dos sentimentos. devemos tocar no problema dos gêneros pastorais. porém. no sentido estrito. . É. o homem natural. . que começava então a passar de retrospectivo a prospectivo. cuja vida pode ser considerada um encadeamento de pretextos para a exibição de tudo o que no h omem existe de nobre e terno . em grande parte. sem que chegue no entanto . é sempre aquele herói cuja bond ade inata é posta à prova pelas vicissitudes da vida social. o pen samento setecentista preparava a ruptura 53 #do equilíbrio clássico. e acabam por conduzi-l o a uma posição idealmente sadia e equilibrada. e cujo contrapeso virá depois com As ligações Perigosas.* 4 cias que solicitam o que há nele de mais vário e contraditório. pela monarquia centralizada e a difusão da etiqueta. razoável e sentimental: um Emílio. É. Queria-se que o homem natural fosse simultaneamente espontâneo e polido. como trabalho de construção deste ideal. natural.de espontaneamente nobre c temo. o embate de culturas e contradições históricas que faziam do seu tempo.manifestado pela arquitetura e o urbanismo barroco. passando-se da nostalgia à utopia. como aparece nos romances com um toque acentuado de in genuidade. uma alma. inaugurou a lógica do coração e a dicotomia inevitável entre ela e a razão raciocinante. Ao acentuar. na medida em que domavam e informavam uma natureza humana. prolongando-a. que abriu as portas ao sentimentalis mo . personagens e situações. o Arcadismo. num quadro natural interpretado segundo nor mas racionais.em Portugal e no Brasil . e a obra de Sade. de Voltaire. e a civilização só parecia justa e conveniente na medida em que a ordenava. triunfar delas pela fidelidade com que segue a voz das disposições profundas. cuja pureza profunda. pelo encontro da tradição clássica e a procura de relações humanas simples. aspiram profundamente à categoria literária que os eternizará. agora. o próprio Cândido. em suma. A esta altura. uma espécie de ponte entre duas épocas e duas diferentes visões da vida espiritual e social. E a li teratura se desenvolve. no qual sobrenada forçosamente uma boa disposição. como em todos os tempos . Dando categoria de literatura aos sentimentos e spontâneos. de si tendent es ao mal. o homem natural.a Clarissa Harlowe. que. a civilização. Anteiiormente. e sabe. em prosa e verso.surgisse uma espécie de movimento compensatóri o. que deu nome ao período e deve ser considerado. Foi como se. com o seu poder sintético e estilizador. verdadeira filosofia de vida. a urbanidade. que afinal de contas nunca passou duma tendência. que é a própria marca da natureza. É também .

que encarna facilmente os sentimentos de frustração. Amainado. valorização das atitudes sentimentais. e c onseqüente exaltação da vida campestre. como se as demais escolas não funcionassem também segundo convenções. que. ou adotarem nomenclatura bucólica nos seus poemas. como tema. sistematizando-a. No Arcadismo. a transferência da iniciativa lírica a um pastor fictício. esta é mais visível. os animais. adota um estado pastoril e. também de inspiração italiana imediata. Os des ajustamentos da convivência social se explicam pela perda da vida anterior. tratado com maior humildade ou. "O verdadeiro é necessário para a gradar à imaginação. m enos majestosa do mundo e dos semelhantes. amenização da etiqueta barroca. o árcade não ama. A poesia bucólica se caracteriza por uma delegação poética. estabelecendo que ela deve ser uma idealização da vida campestre segundo as normas do born gosto. porém. bastando-lhe freqüentemente a meia verdade. que a vida dos pastores e a contemplação dir eta da natureza? Se os gêneros bucólicos propriamente ditos não constituem lodo o Arcadismo. quer nos que vazaram o lirismo em imagens pastorais. Brincadeiras pastoris. Sob as suas várias manifestações sentimos a influência de Fontenelle. a paisagem nele é decorativa e quase sempre reduzida a indicações sumárias. Quita e Cláudio Manuel. os reformadores da li teratura portuguesa se conformavam ao exemplo italiano. Silva Alvarenga. os gêneros pastoris neoclássicos simplificaram o imagiário poético graças a uma contemplação mais simples da paisagem e dos seres. dando acesso aos mitos retrospectivos da idade de ouro." Daí não ser preciso subordinar-se ao naturalismo de muitos bucólicos. A sua evo54 #V cação equilibra idealmente a angústia de viver. ao cultivarem o gênero bucólico. mas ela não é difícil de contentar. integravam-se numa corr ente. imaginando-se que tais qualidades 55 #poder-se-iam desenvolver no ócio da vida campestre. Ao c ntrário do trovador dos Cancioneiros. de certa maneira urbanizado. polido. os pastores. Graças à regra soberana da verossimilhança é possível apresentar pastores galantes. talvez esteja vinculada ao desenvolvimento da cult ura urbana. Literàriamente. a sua manifestação individual. os montes. Esta abstração do comportamento é que leva a crítica a acent ar o convencionalismo arcádico. renasc imento do ar livre e. visão mais chã. nem mesmo anda com a sua própria personalid ade. amorosos e bem educados. elegantes. simplicidade mais acentuada. e talvez mais contundente para a n ossa sensibilidade post-romântica. transf orma o campo num bem perdido. forjando a convenção da naturalidade como forma ideal de relação humana. disciplina. disc retos e comedidos. simplificação do vestuário. quand o não. O Arcadismo português do século XVIII difere todavia bastante do quinhentista e do s eiscentista.Escolhendo a designação de Arcádia Lusitana para a sua academia. ou do futuro bardo romântico. cuja teoria exprime a incorporação da poesia bucólica ao decoro neoclássico. a saber. portanto. Gonzaga. excelentes raízes portuguesas. associada à vida presente. as árvores. que se banaliza. ao mesmo tempo. pela invariável delegação. constituem sem dúvida uma das suas notas características . opondo as linhas artificiais da cidade à paisagem natural. Em pleno prestígio da existência citadina os homens sonham com ele à maneira de uma felicidade passada. esta disposição do espírito se manifesta na diminuição de escala do sentimento amoroso. A poesia pastoral. no fundo. e o campo surge como cenário de uma perdida euforia. ajudaram a reconsiderar o próprio vínculo dos homens entre si. festas campestres. corrente que parecia a própria condição de um movimento cujo escopo era r estabelecer a simplicidade e desbaratar a joalharia falsa do Cultismo decadente. O que havia mais simples. Procurando exprimir o vínculo (obliterado pelo anteparo fulgurante das metáforas barrocas) entre o homem e a água. mas de boas. do sonetista do século XVI. "a poesia pastoral não terá grande encanto se for tão grosseira quanto o natural . mais natural. Sentimentos mais diretamente expressos. Apenas.quer nos poe tas que os praticaram como Cruz e Silva. sentimento menos vivo e menos artístico da natureza. além das diferentes formas assumidas pelo mito da idade de ouro. Os costumes setecentistas refletem bem esse desejo de recuperação natural e exprimem o quanto tinha de artificioso. como Garção.

recherchée". os rios os mais serenos. a paz. (14) Fontenelle. 48-56. uma simples alegria. as duas dissertações têm numeração independente). finalmente tudo o que estiver respirando as felicidades daquele desejado século. e ajnda a mesma delicadeza. contanto quê não seja buscada. Poderíamos talvez dizer que. contido nos gêneros bucólicos. segundo os dados e specificamente locais. vol. "Os campos quase sempre hão de ser os mais férteis." (16) "Dissertação que sobre o estilo da Écloga recitou aos 29 de Outubro de 1757 no Monte Menalo Elpino Nonacrlense". floresceu em cocares e plumas. mas p roposta na tradição clássica. 57 . respectivamente págs. (Apesar de seguir uma à outra.ou limitar-se minuciosamente às coisas rurais."16 No caso do Brasil a poesia pastoral tem significado próprio e importante. Falar de cabras e carneiros e dos c uidados que requerem nada tem de agradável em si. sob este ponto de vista. e ainda os mesmos montes hão de brotar copiosas flores. matriz e forma da civilização a que o intelectual brasileiro pertencia. ligada à vida dos que cuidam das cabras e dos carneiros." O perigo oposto é o estilo guindado. II págs. V. Boileau. em Oeuvres de Fontenelle. para " formar de todas estas idéias particulares uma idéia universal. 13. visto co mo a valorização da rusticidade serviu admiràvelmente à situação do intelectual de cultura européia num país semibárbaro.. a linguagem ornada. a inocência. Entre ambos surge a teoria do pastor neoclássico: "Entre a grosseria própria aos pastores de Teócr ito e o requinte excessivo da maioria dos nossos pastores modernos há um meio termo a ob"n servar. igualmente perigosos. (15) "Dissertação sobre o estilo das Éclogas. misturando velha seiv a mediterrânea à "claridade do dia americano. Fontenelle e o Autor dos Princípios d a Literatura". surgiu o indianismo. fincado no solo brasileiro. permitia exprimir a situação de contraste cultural." em Poesias de Antônio Diniz da Crus e Silva. 4. 17. que mel hor se sabe sentir. pág. Bem consciente do diálogo campo-cidade. do que explicar. Como a vara da lenda. Nos Pastores deve reinar a singeleza. que dele a copiou". cit. 14. E a adoção de uma personalidade poética convencionalmente rústica.. visando representar as coisas "conforme as idéias universais". procede a uma classificação dicotômica: há uma "Poesia Pastoril". 48. "Discours sur Ia nature de L"Églogue". permite idealizar a natureza. a q ue para distinção podemos chamar Poesia Urbana. valorizando ao mesmo tempo a componente local .que aspirava à expressão literária . mostra que a écloga não visa o estilo rústico. No limite. sendo construído segundo os seus ditames. a liberdade. clt. ela foi aqui mais natural e justificad a. o cajado dos pastores vergilianos. sobretudo com Basílio da Gama e Durão. e a cujo patrimônio desejava incorporar a vida espiritual do seu país. ob. que ele implicava. 14 À busca deste meio termo saiu a campo o teórico principal dos gêneros bucólicos no Arcad ismo português. A écloga deve sugerir a idade de ouro. 57. Antônio Diniz da Cruz e Silva. 6 e 7. o conceito. os inocentes divertimentos. e ao contrário do que se vem dizendo desde o Romantismo. o que agrada é a idéia de tranqüilidad e. cujos dados reais transcende graças à fantasia. 10) A instância final é ainda aqui Aristót eles: a mimesis. os ares os mais puros. etc. O sossego. verdadeira reinterpretação do diálogo campo-cidade."15 Firme no "meu estimadíssimo Muratori. a abundância. 56 #ou como os Franceses dizem. (págs. usos e costumes dos Cidadãos. e uma suave brandura. etc. as aves as mais harmonios as. "que tinha por objeto o imitar da vida do campo" e "outra que se reduzia a tratar as ações. 18) Em conseqüência.. prega a idealização racional da natureza e dos costumes rurais. permitindo-lhe justificar de certo modo o se u papel. vol. para se recitar na Arcádia a 30 de Setembr o de 1757. que obedece ao gosto e à razão. visando ao m esmo tempo o deleite e a utilidade. "conforme a doutrina do nunca assaz louvado Muratori e do Padre Francisco José Freire. 43. mas o simples. vol. pois dava expressão a um diálogo por vezes angustiosamente travado entre civilização e primitivismo.e os cânones da Europa. (pág. faz um admirável efeito num Poema destes. ou rusticidadecivilização..

No estilo. Pope foi realmente o maior poeta ao conduzir a poesia para a investigação do homem. a arte caminha guiad a pela razão. A literatura se alinha nesta ordem de idéias. a orientação didática de grande parte da literatura neoclássica. intere ssada em mostrar ao leitor um verossímil imantado pelo polo da verdade. a conformidade da representação figurada corn o modelo natural. dando preponderância seja ao belo. a equi alência da idéia ao objeto.. A segunda tendência representa. Mas a beleza é a verdade: Rien ríest beau que lê vrai. ou seja. L"art dês vers cst.#4. superando Horácio e B oileau que se haviam limitado ao belo e ao verdadeiro: D"un esprit phis hardi. que c propriamente o verossímil. Et Vhomme avee lui seul apprit à se connaítre. procurando. a razão faz a beleza. também o pensamento aparece no século XVIII como u ma espécie de mimesis. a busca da sinceridade na expressão dos sentimentos. Ao imitar os objetos da natureza. de outro. e seu pensamento se desprenderá com perfeita n itidez: Aimez dono Ia raison: que toujours vos écrits Empruntent d"elle seule et leur lust re et leur prix. Mas a verdade é a natureza: c La. equilibram-se de modo harmonioso os três con ceitos-chaves. "Não o Belo. mas pela perfeita imitação da Natureza... a imitação da vária Natureza. O belo é o verdadeiro porque este é o natural filtrado pela razão. Nas manifestações teóricas mais conseqüentes. convidava a rever as instituições públicas num sentid o liberal. mas. Dele decorria a noção de verdade. pois. do mesmo modo que a tipologia política de Mon tesquieu. e a verdade nela não é de ordem diversa da que aparece na pintura e na escultura: é a verdade da imitação. Segundo Voltaire. como quereriam mais tarde os naturalistas. d"un pás plus assuré... esta não visa reproduzir. que predominou como influênoia pci todo o século XVIII. é a equivalência da palavra à idéia: na concepção. apreender a forma imanente. mais que de deleite estético.17 No século XVIII ocorreram todavia correntes de desequilíbrio deste padrão teórico. Ambas conferem à arte um sentido de representação do mundo natural e social..) A perfeição duma obra (. uma verdade ideal. Sob estas palavras abstratas . utile au genre humain. vemos que a mimesis tem um sentido de fidelida de mais que de invenção. e cujas idéias a respeito Lans on sintetiza da maneira seguinte: "O que é em poesia um pensamento verdadeiro? A poesia é uma arte. como em Boileau."18 Neste conceito tão setecentista do jovem Leopardi. VERDADE E ILUSTRAÇÃO O conceito artistotélico de imitação foi sempre uma das chaves da teoria poética. natureza são portanto uma só coisa. seja ao verdadeiro. nature est vraie. II porta. No domínio da vida política e social. E é normal que as inter pretações naturalistas da sociedade terminassem. é o objeto das Belas Artes (. Basta aproximar um do outro dois ou três versos esparsos na obra de Boileau. domínio da arte. quer dessem papel mais amp lo à imaginação.razão.ia seqüência coerente. a exten são das preocupações literárias para o lado dos problemas intelectuais e políticos. permitindo simplificar racionalmente a multiplicidade dos fatos e dar-lhes ur. teórico por excelência do Classicismo francês. proclamando a sua utilidade e a sua capacidade de debater os temas filosóficos..) não se mede p elo grau de beleza. em Rousseau. resultava sempre esta pesquisa da verdade ideal. lê flambeau dans l"abíme de 1"être . ou seja. e eis o termo a que se chega. Logo. mas o Verdadeiro.. sob a multiplicidade do real as formas ideais de convivência para apresentá-las como alvo da conduta. com a proposição de uma reforma do indivíduo pela educação. L"art quelquefois frivole et quelquefois divin. dans Pope.não é a frieza da imaginação ou a secura científica que Boileau prescreve ao poeta: é o mor e o respeito da natureza". Não espanta. conseqüente à correlação entre racional e natural. Razão. (Poème s ur Ia loi naturelle) . ao contrário. de um lado. Quer as teorias acentuasse m o aspecto voluntário e intelectual do orocesso criador. verdade 58 #. do sécul o XVI ao XVIII. verdade.

revelam incontestável preito ilustrado ao born governo. 4 e 5. à construção de uma vida social adequada. enquadrados pelo despotismo relativamente esclarecido de Pombal. A situação de tais problemas é bem diferente em Portugal e no Brasil. mas o certo é que habituou os intelectuais a prezar a renovação mental. cabia também a busca da verdade científica e da verdade social. vem juntar-se a preocupação com a harmonia ou desarmonia do universo social. à ordem racional.rité! Répands sur mês écrits tá force et tá elarté: eille dês róis s"accoutume à fentendre. podendo o homern. certa reação contra a tirania intelectual do clero e. é passível de modificar-se por um conhecimento adequado das mesmas. pois. pronto para a larga aventura que teria até os nossos dias. nesta. no último decênio. o Classicismo do século XVII. o "Romance" a José Gomes de Araújo . Note-se ainda o caráter pragmático que lhe é atribuído. mostrando aceitação e reverência por um certo tip . "o russiano herói". França e Inglaterra. o Grande. favorecendo atitude s mentais evoluídas. déspota civilizador. págs. em versos de asseio lapidar : Desccnds du haut dês cieux. 94-95. refundindo-se em conseqüência o conceito de homem estátic o. mas também do homem com o semelhante: a adequação da sociedade civil aos fins da razão. (18) Leopardi. Embora indicado pela incipiente filosofi a da história. da epístola e da sátira. pãgs. C"est à toi d"annoncer cê qu"ils doivent apprendre. esquematizado. a lei humana deve ser da mesma essência qu e a lei natural. Talvez houvesse neles menos de meia convicção e mais de meia adulação. Traço fundamental do século é com efeito a idéia de progresso. Ã preocupação com a harmonia ou desarmonia da natureza. augustt Vé. à morte de Gomes Freire. por exemplo. fundindo-as numa definição famosa. A literatura do homenagem ao grande Marquês teria raízes de interesse e lisonja. só com o Tableau. a sua ação foi decisiva e benéfica para o Brasil. por conseguinte. Note-se o racionalismo implícito na invocação à Verdade. Seja qual for o 60 #juízo sobre este. psicológico. mas elas se manifestaram nas concepções e no esforço reformador de certos intelectuais e administradores. Admitamos que os sonetos de Cláudio contra o atentado de João Batista Pela sejam mer o rapapé subserviente. igual em toda parte e em todo tempo. o "Epicédio I". pela eficiência de sua ordenação: a Companhia de Jesus. pois exprimia uma das idéias mais enraizadas no século XVIII: que a vida social obedece leis objetivamente determináveis. dá lugar no século XVIII a um Neoclassicismo em parte social. ou seja. comparados aos p aíses modelos. que concebia a verdade não mais apenas como coerência do homem cons igo mesmo. Zibaldone vol. melhorar progressivamente. a adoção de novos pontos de vista na literatura e na ciência. abrindo caminho para as ciências humanas e fundame ntando a filosofia social. Montesquieu operou uma das maiores revoluções teóricas do tempo. apenas a verdade como adequação da obra ao objeto que constituiu escopo da estética neoclássica. a acreditar na força organizada para modificar a sociedade. esta verdade que os reis têm de ouvir não ó is apenas a idealização das formas naturais: é a justiça na organização da sociedade. a noção de um desenvolvimento histórico constituído por etapas decorrentes umas das outras. finalmente. através do poema (17) Gustave Lanson. e da obra de arte com a natureza. mas a écloga "Albano". que deste modo substitui os herói s e os feitos com que se abriam tradicionalmente as epopéias. Boileau. Na Henriade ela aparece marcada por este novo signo. De vez que o homem prolonga a natureza. a afastar-se do fator clerical mai s duramente passadista. que incrementariam o desejo de saber. Na França. de Condorcet. escolástico. O nosso foi um Século das Luzes dominantemente beato. inquisitorial.Não é. 59 #didático. este conceito aparece co nstituído. sobretudo moral. o nativismo. I. se não lhes pudéssem s dar como contraprova os sonetos e alusões à obra de Pedro. da "sociedade civil".

que finalmente convergiram n a promoção e consolidação da Independência. no campo anti-jesuítico. praticando. Foi todavia com a vinda de D. que daria riqueza à Colônia. são igualmente ilustrados. Para nós elas se corporificariam cada vez mais no nativismo. desandando às vezes em afetação ou licenciosidade. na propaganda do saber. resultaram no período arcádico alguns momentos de excepcional beleza. são excelentes o ensaio e o jornalismo. em dois sentidos: simplicidade expressional e respeito ao sentimento. O Reino da Estupidez. tomam o seu lugar no espírito cios melhores. uma tensão constante entre dois pólos. As tendências do século XVIII se coroam. a sua Época das Luzes. obteve-se o alvo ideal do movimento: encontro da simplicidade. os conservadores que trazem o elemento de freio. dentro das limitações apontadas. arecem no otimismo utópico de um Azeredo Coutinho. que desde então tem sido uma das formas mais c onstantes do nosso intelectual se ajustar à situação. Frei Caneca e Evaristo da Veiga. todas as obras citadas. a verdade e o culto da natureza. das idéias modernas. A PRESENÇA DO OCIDENTE Nos parágrafos anteriores tentou-se caracterizar o século XVIII. que marcariam a atitude e a atividade dos publicistas e políticos até a proclamação e consolidação da Independência. poderiam bradar: "Eu também sou cristão e filântropo!" Cristian ismo. formalismo e sentimentalismo. Silva Alvarenga e Gonzaga. levando à conseqüência lógica as te ndências didáticas da Ilustração. embora em e scala modesta. Fora do campo especificamente literário. Não proveio sem razão dos brasileiros o ciclo mais característico de pombalismo literári o. da literatura aplicada. ou seja. Vimos que na literatura comum a reação ao barroco levou à busca da naturali dade. Como o seu paradigma. José I. pela obra de liberais como Hipólito da Costa. em cujo Ensaio sobre o comércio de Portugal fundem-se a acuidade do homem prático. no protest o contra a reação do tempo de D. est e. Se a poesia desse momento é de qualidade inferior. num país ond e a magnitude das tarefas e a pobreza de recursos só se poderiam equacionar no apelo à utopia. ou luso-brasileiro. no setor da reforma i ntelectual. o comércio do sal. "Às Artes". e contribuem paru criar a atmosfera de cujo adensamento sairiam as iniciativas d e independência literária. (1771) de Silva Alvarenga. Sonho e realidade. apesar da importância nele conferida à razão. O Desertor.que se resolveria no R omantismo pelo predomínio do segundo. envolvendo certo rigor depurativo que conduziu não raro ao formalismo. Maria I. em navios tirados daquelas mesmas flo" 61 #restas. a cujo l ado operam os "realistas". e mais o "Canto Genetlíaco" e a ode a D. consti tuem o eco brasileiro. que . filantropia. de Sousa Caldas. o devaneio do "filósofo". ao plano salvador.o de intervenção social que se esperava do ministro de D. se tornasse o na vegador experimentado. que entregam ao jovem Pedro II e aos jovens românticos as rédeas de uma cultura orientada pela razão. de Alvarenga Peixoto. as suas componentes são bem mais complexas. mas que. Quando ambos puderam equilibrase com harmoni a. concebido como fraternidade. Maria I. 62 #5. não clericalismo. cujos pontos culminantes são o Uraguai. educado à Rousseau para o cultivo dos próprios interesses e aptidões. como entrosamento da iniciativa governamenta l. Vistas sob este ângulo. . querendo que o homem natural das florestas americanas. entre nós. que constituem o melhor da sua contribuição e encontramos na obra de Basílio da Gama. documentam uma atitude que. pombalismo e nativismo mituram-se desta forma estreitamente. "As Aves". fazendo sentir como . conscientes dos problem as do país. na aspiração ao born governo. voltados para a aplicação da inteligência ao progresso. A de Cláudio. o ardor do filântropo. (1769) de Basílio da Gama. Aquela. na perspectiva brasileira. José Bonifácio. disposição de promover o bem dos homens pela razão: eis o lema destes maçons com ou sem batina. (1785) de Francisco de Melo Franco. João VI que o Brasil conheceu realmente. Ilustração. do pragmatismo intelectual. De modo geral. não inferior. capaz de difundir as luzes no Brasil inculto e integrá-lo no sistema das nações civilizadas. é ainda muito presa ao Cultismo. Nestes casos. de Silva Alvarenga. que.

impondo as suas fórmulas. Nos melhores. 63 #Quatro grandes temas presidem à formação da literatura brasileira como sistema. dentre eles. o estrito particular do escritor. a sua passagem pela literatura foi não apenas fecunda e necessária. alimento do nativismo e da descrição da realidade. ern c orrelação íntima com a elaboração de uma consciência nacional: o conhecimento da realidade local.é necessário assinalqr qual o significa do e a influência das tendências arcádicas. o desejo de contribuir para o progresso do país. outros. puderam-no os neoclássicos e. que dão à nossa literatura. sobretudo. No interior desses limites os poetas cantarão as suas mágoas. podemos dizer que elas forne ceram bons elementos para constituir a sua literatura e incorporá-la à cultura do Ocidente. escrevem entr e. num tempo em que a poesia era veículo do sentimentos e idéias na coletividade dos homens cultos. Digamos que o defeito capital deste processo foi ge neralizar automaticamente pfr intermédio das imagens clássicas tradicionais. Um vêzo persistente da nossa crítica é censurá-los por não se haverem libertado da quinqui lharia greco-romana. o culto da natureza promoveu a va lorização do pitoresco. A censura vem de Ferdinand Denis e Garrett. devido ao esforço de ser natural por meio de receitas. tais escritores lançaram as bases de uma literat ura brasileira orgânica. 1750 (início da atividade literária de Cláudio) e 1836 (iniciativa conscie nte de modificação literária. os escritores brasileiros que. mãe das obras loquazes e imperfeitas". em Portugal ou aqui. medianos repetidores ou pobres literatos provincianos. utiliza das corn frieza e sem necessidade criadora. esta proscrição do espontâneo. Possuídos pelo sentimento da dignidade e excelência do ofício intelectual. a moda pastoril encaminhou para a valorização do homem natural. que para nós foi sobretudo o ín dio. criaram uma consciência literária no criador e no público. pela ação conjugada da razão. falta de talento dos seus membros. esse estranho caráter de nativismo e estrangeirismo. No fundo do desabafo mais pessoal ou da elucubração mais aérea. que engloba Classicismo e Ilustração. sobretudo os poetas. a valorização das populações aborígenes. superando a "odiosa sinceridade. como. que vinham se realizando. a tradição clássica apresentou um estilo de civilidade que nos entroncava de certo modo na tradição e assegurava a participação no mesmo sistema simbólico do Ociden te.mero apêndice da Metrópole . cheia de beleza. digamos. No caso do Brasil . desde o pr imeiro século da colonização. pieguice e realidade. Sousa Caldas. foi feliz quando redundou em benefício de uma generalização que afinal humaniza a experiência. no período estudado. como sistema coerente e não manifestações isoladas. Não se evitou porém. A sua maior qualidade. os ensaístas traçarão as suas fórmulas. c arttficialismo. Em conjunto porém. O que as Academias não puderam. derivado da imitação do natural. com a Niterói).parece espontânea. e do sentimento. de 1826. sobretudo nos escritor es de segunda plana. vista no conjunto. a incorporação aos padrões europeus. nos bons momentos . Começando pelo fim. o escritor pretende inscrever-se naquelas baliza s. foi assegurar uma tonalidade universal e artisticamente elaborada à expressão lite rária. Hipólito da Costa. esses temas se definem. Neste sentido. em cujo excelente Bosquejo da história "4 #da poesia e da língua portuguesa. como os "mineiros". no sentido amplo definido inicialmente. utilitarismo e gratuidade. aqui. O racionalismo deu lugar à filantropia e ao desejo de criar uma sociedade livre e bem organizada. Uns foram grandes espíritos. lemos o seguinte: "E agora começa a lite ratura portuguesa a avultar e enriquecer-se com as produções dos engenhos brasileiro . por falta de receptividade do meio e. hauridas no exemplo europeu e enxertadas no arbusto frágil das tentativas literárias. José Bonifácio. em muitos casos. de que fal ava Ravel. como reinterpretação local das orien tações estéticas e filosóficas. impregnados do sentido de regularidade artística e comunicabilidade da obra de arte. os romancistas descreverão as situações dramátic s. Ora.

Explico-me. comu nicava espiritualmente com o Velho Mundo e dava categoria literária à produção bruxoleante da sua terra. Vol. a cobra. quadros inteiramente europeus. pintasse os seus painéis com as cores do país onde as situou. . se essa ingênua Marflia fosse. ou grave passeasse pela orla da ribeira o tatu escamoso. o pincel de Gonzaga!"19 corn semelhantes conceitos inspirados no gosto pela expressão local. suspirava ante "a grosseria das gentes" e punh a resolutamente um freixo no poema: e fazia bem. não é esteticamente menos neoclássico do que Tomás Gonzaga. atirados na ave ntura de plasmar no trópico uma sociedade em molde europeu. que não indicam autonomia int electual. sentar-se à sombra das palmeiras. estreitando corn a cultura do Ocidente a nossa comunhão de coloniais mestiçados.s. a manguei ra. Quando produz. "20 Ora. "Discurso sobre a história da literatura do Brasil". só me queixaria. . quisera eu que em vez de nos debuxar no Bras il cenas da Arcádia. o gaturamo. o cajueiro. com. ou em imitação estrangeira. Ofúic ulos históricos e literários. Oh! quanto não perdeu a poesia nesse fatal erro! Se essa amável. Bem que venha a semente à terra estranha. pois o cenário não basta se não corresponder à visão do mundo. qualquer que ela fosse. O poeta olhava pela janela. Em 1836. XLIV e XLVI-XLVH. não do que fez. (20) D. As peculiaridades americanas são um dado complementar. porém dos roxos martírios. da qual não pode ser destacada: o cenário americano serviria para lhe dar sabor exótic o. porque a estética segundo a qual compunha exigia a imitação da antigüidade. nunca para lhe dar autonomia. Silva Alvarenga. no Brasil. graças à qual. que esta terra ensopa. J. como é fácil ver na obra de Botelho de Oliveira. Pelo contrário: este está psicologicamente mais perto dos escritores românt icos. a análise do brasileirismo na expressão como elemento diferenciador. mais diferentes imagens. do que neles aparece: a educação européia apagou-lhes o espírito nacional: par ece que se receiam de mostrar americanos. via o monstruoso jequitibá. Itaparica ou Durão. enquanto lhe revoavam em torno o cardial soberbo com a pintura dos reis. (Alvarenga Peixoto) O tempo era de literatura universalista. ao sentimento especial que transforma a natureza física numa vivência . pode-se dizer que surgiu a teoria da literatura brasil eira. e daí lhes vem uma afetação e impropriedade que dá quebra em suas melhores qualidades. excelente e proveitoso fator de integração cultural. como Bocage ou José Anastácio da Cunha. mas porque. Já produz frutos do melhor da Europa. I. págs. o sabiá terno e melodioso. afirmar que a vituperada quinquilharia clássica tenha s ido. como a Virgínia de Saint-Pierre. E o vosso sangue. como a lebre da Europa. sofre o processo de decom posição do Neoclassicismo: intensificação do drama pessoal. dentre as brenhas mineiras.que saltasse pelos montes espessos a cotia fugaz. Magalhães retoma o ponto de vista. 257. G. que pintura se a desenhara com sua natural graça. devemos onsiderar que a literatura colonial era um aspecto da literatura portuguesa. expressões e estilo. das alvas flores. Certo é que as majestosas e novas cenas da natureza naquela vasta região deviam ter dado aos seus poetas mais originalidade. seduzidos pelo modelo clássico. dos vermelhos bagos do lustroso cafèzeiro. na Niterói." E falando de Gonzaga: "Se houvesse por minha parte de lhe fazer alguma censura. pág. igual força gera. mas do que deixou de fazer. não porque tenha cantado ou deixado de cantar as particularidades da terra. cujo principal critério tem sido.ela se entretivesse em tecer para seu amigo e seu can tor uma grinalda não de rosas. Talvez seja possível. mesmo.e a vivência neoclássica em relação à natureza física tendia a imprimir-lhe. que os ignora. de Magalhães. lamentando que os poetas brasileiros. "olvi daram as simples imagens que uma natureza virgem com tanta profusão lhes oferecia. uma impersonalidade que se obtinha pelo desprezo do deta lhe (19) Famoso Lusitano. até hoje. quando falamos em servilismo à tradição clássica. não de jasmins. 65 #em prol da lei. que canta a onça. aspiração à confidencia. orientada para o que de mais geral houv . e mais ainda pelo sentimento do exótico.

LITERATURA CONGREGADA O ambiente para as produções literárias nos meados do século XVIII era. mas. no século XVIII. as Academias foram a expressão por excelência do meio e dos letra dos. o verde louro.pois esta o era não apenas pela qualidade inferior dos espíritos nela envolvidos. os escritores asseguravam universalidade às manifestações intelectuais da Colônia. a literatura foi. pela deturpação da beleza e da coerência que foi o Cultis mo português na sua fase final. NO LIMIAR DO NOVO ESTILO: CLÁUDIO MANUEL DA COSTA #1. no Brasil. expresso nos versos admiráveis de Cláudio: Cresçam do pátrio rio à margem fria A imarcescível hera. porque representavam o pon to de apoio da reforma neoclássica e porque o seu espírito e a sua prática se prolonga ram até bem longe na segunda metade do século. metendo ninfas no Ribeirão do Carmo e no próprio sertão goiano. . A atual e justa revalorização do Barroco não nos deve le var ao extremo de dar valor à moxiiiifada sem músculo nem alma desses verseja dores e retóricos. Correspondendo não apenas às tradições de sociabilidade e à função das letras junto às clas ominantes. bastante associativa. vazando-as na linguagem comum da cultura européia. LITERATURA CONGREGADA 2. GRÊMIOS E CELEBRAÇÕES 3. ainda. formando uma espécie de literatura oficial em decadência progressiva. sendo uma espécie de coletividade ao mesmo tempo autora e receptora da sublit eratura reinante. tanto na fase final do Cultismo . o mai s pobre e menos estimulante que se pode imaginar. E com isto realizavam o voto mais profundo dos brasileiros instruídos.esse no homem. Fazendo as "nostre Indiane" aplaudirem Metastasio e Tetis nadar n o Recôncavo. 66 "-v l* Capítulo II TRANSIÇÃO LITERÁRIA 1. permanecendo em conseqüência a lit eratura um subproduto da vida religiosa e da sociabilidade das classes dirigent es. mas ao vivo senso do interlocutor que ficou assinalado. É preciso aqui referi-los de passagem. Neste sentido. SOUSA NUNES E A AUTONOMIA INTELECTUAL 4.

definindo normas. a segunda e a terceira. as primeiras. Os letrados tendiam a reunir-se em agrupamentos duradou ros ou piwisórios. Por outro lado. constituindo associações cultur ais propriamente ditas. teve reuniões destinadas a ce lebra r o malogro do atentado de 1758 contra D. dis tribuindo cargos. .ponderava também no primeiro tipo. organizou-se para este fim.contigente e fortuito . embora as circunstâncias reduzissem o funcionamento da primeira a cerca de u m ano. a Academia dos Renascidos.providas de organização e com o intuito de d urar. A Academia dos Renascidos. a dos Seletos. seja para comemorar determinado acontecimento. pois o e lemento comemorativo . encontramos apenas a Academia dos Seletos. . que na realidade inexistiam. Como se vê 69 #a produção fugazmente circunstancial misturava-se ao esforço de relativa permanência.1 Dentro do perí odo que nos interessa. Maria Francisca Dorotéia. de que podemos destacar como exemplo as Exéqui as da Infanta D. corn tais ressalvas. realizadas em Paracatu no ano de 1771. no terceiro. A duração e o grau de organização podem ser tomados portanto como critério diferenciador. bem delineado. No segundo tipo. po r exemplo. baseada em estatutos cuidadosamente elaborados e subordinando a ativi dade dos membros a um programa amplo. s ervindo de pretexto e motor às suas sessões correntes. destinada a promover uma ses são de homenagem a Gomes Freire. temporárias e ocasionais.seja para cumprimento a longo prazo de um programa de estudos e debates literários.quanto na da reação arcádica. temos. ond . desde que não levem a supor tipos extremamente puros. um número bem maior e ainda não fixado. é possível classificar as manifestações de literatura associativa e m permanentes. José I. no primeiro tipo. comemorações. a Aca demia Científica e a Sociedade Literária.

resultando a conseqüência muito significativa de lançarem. porém. o modesto Diniz. que a associação literária criava atmosfera estimulante para a vida intelectual. . É preciso frisar. militar. Em certos casos a agremiação cultural aparecia como verdadeira superação das diferenças de classe. precisamente.estabeleciam um critério de identificação social do letrado como letrado. É o esboço de uma Inteligência mais ou menos des vinculada da sua origem de classe. que se caracterizaria no decorrer do século XIX . na Arcádia Lusitana.igualando g ente da mais diversa origem. No século XVIII não se podia falar. a meu ver) em José Aderaldo Castelo. à volta de um orient ador e principal colaborador. o cabeleireiro Quita. dissolvidos como estavam rios grupos dirigentes. o bem nascido Garção. ainda que embrionàri amente. págs. característicos da função social e intelectual exercida pela literatura a ssociativa. Em todos estes casos manifestam-se. admi nistrativos e profissionais. a agremiação desempenhou outra funç gual relevo: proporcionar a formação de um público para as produções literárias. Não apenas próprios consócios formavam grupo receptor em relação uns . #(1) Encontro uma discriminação quase igual (a primeira publicada. favorecendo o desenvolvimento de uma autoconsciência grupai en tre os homens cultos e levando-os efetivamente a produzir. destacando-o das funções que lhe definiam realmente a posição social: magistrado. que se tentará agora indicar. com referência ao Brasil e mesmo Portugal. I. Na medida em que o faziam. como. "O Movimento Academicista". fazendeiro. traços comu ns. tomo l. de início. funcionário.que ilhavam os homens de então em camadas rigidamente superpostas. num grupo socialmente d iferenciado de escritores. Vol. as bases para a definição do status e do papel de escritor. oportu nidade para ressaltar a especificidade virtual do escritor. Direção de Aíran io Coutinho. não como membro de um destes grupos fun cionais. 70 #Vista do ângulo do consumo. Mas a agremiação e a comemoração eram. não da produção literária. A Literatura do Brasil. .e sentimos a conjugação de esforços de todos os letrados disponíveis. sacerd ote. professor. 431-452.

em sentido mais amplo."-"1 (2) Veja-se por exemplo a informação sobre os festejos em honra de SanfAna. págs 259-280 . do Rio de Janeiro. a tirania clerical. 29-31 e 218-219. o Jornal e a Tipografia no Brasil. Estas duas funções mostram claramente a sua importância na formação duma atmosfera literári . operando. que assumiam relevo ameaçador em certos casos. Daí decorrer a sua terceira grande função: t omados no conjunto. é preciso ajuntar que representavam. II págs. como chegarão a superar o conformismo a favor da liberdade de pensamento. como as atividades gremiais reuniam ou atingiam os demais elementos que na Colônia estavam em condições de apreciá-las. Foi. num paí sem públicos. vol. a lealdade monárquica. a submissão política. não é mais uma Academia: incorporando ao espírito associativo as diretrizes da Ilustração. que deixaremo s para outro capítulo. O livro. foram elemento de proposição e reforço dos padrões dominantes. A sociedade Literária. (3) Carlos Rizzini. neste sentido. Há mesmo vários exemplos de coexistência das duas culturas em certas co memorações. os grêmios permanentes consagraram atenção marcada às coisas do Brasil. giran do as suas produções quase sempre em tomo da devoção religiosa. Paulo no ano de 1770. . revelando a concorrência e a necessidade de consolidar a de tipo erudito e europeu. #realizados em S. é um meio caminho para os grêmios liberais de caráter quase sempre maçônico.aos outros. reforçando a cada passo a estrutura vigente de dominação. tanto maior quanto menos pe ssoais e talentosos os seus membros.que estudou bem est e fenômeno a "metamorfose política das Academias Literárias. em Artur Mota. O caráter daqueles c extremamente convencional. (1786-1790. sendo preciso aqui distinguir os grêmios e comemorações barrocas dos que se impregnaram do espírito moderno. na expressão de Carlos Rizzini . de obediência às normas estéticas e sociais.2 Um último traço importante: levados por preocupações eruditas e pelo desejo de difundir o saber. ou intelectual. enfim. No caso da colônia brasileira. As ass ociações fundadas no Brasil depois da Reforma Pombalina não apenas se aplicarão com método aos estudos científicos. etc. do Rio de Janeiro (1771). portanto.. História do Literatura Bras ileira. um reforço da política de imposição da cultura erudita de tipo europeu. deixando de lado a falação. o r espeito à hierarquia. em detr imento das manifestações de cunho popular. 1794). um auto-público. a partir da Academia Científica. reforçand o o nativismo e contribuindo para despertar o sentimento nacional.

Frei Gaspar da Madre de Deus (que recomendou seu primo Pedro Taques para a mesma honraria). de bastante vulto . cons. tanto n o interesse em elucidar pontos da história local num sentido apologético. contém o material mais abu ndante.* As ambições do animador eram grandes e parece que se comunicaram aos sócios. segundo João Lúcio d e Azevedo. em Minas. em Pern ambuco. Do acervo resultante das atividades acadêmicas. em que "o futi l. manava a subliteratura mais grotesca. pa ra onde viera no ano anterior. Os estatu tos são longos. Para a vida de Mascarenhas. apenas parte é conhecida. abrangendo questões de história. GRÊMIOS E CELEBRAÇÕES A Academia Brasílica dos Renascidos foi estabelecida por iniciativa do Desembargad or José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo. Ao lado dessa parte de estudos."1 Há todavia algo nessa tentativa malograda que merece atenção. pág. geografia. (5) João Lúcio de Azevedo. Nos documentos publicados por Lamego é patente o nativismo dos Renascidos. dissolvendo-se para sempre depois da sua p risão. no começo de 1760. etnogra fia. A Academia Brazüica aos Renascidos. em Novas Epanáforas. o fato de haver procurado congregar como acadêmicos supranumerários os letrados de outras par tes da Colônia. Cláudio Manuel da Costa. inclusive as pr imeir as medidas oficiais contra os jesuítas. zoologia e botânica do Brasil. Neste sentido. ein maio de 1759. embora de interesse desigual. O Consel heiro José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo. quanto na preocupação com o indígena. entre os quais aparecem Loreto Couto e Borges da Fonseca. minudentes e pretensiosos. . Henrique Pontes. o supersticioso e o verdadeiramente científico se confundiam".71 #2. em poemas da pior qualidade e d isc ursos totalmente vazios. Paulo. "Academia dos Renascidos". Antes de tudo. as obras programadas. encarregado de missões importantes. em S. 233. Pela primeira vez bruxuleou uma vaga consciência de integração intelectual no Brasil. na Bahia. concluindo que os autóctones da "nossa América Lusitana" são menos b rutos do que parecem e não merecem (4) Alberto Lamego. há uma lista interessante dos "índios fam osos em armas que neste Estado do Brasil concorreram para a sua conquista tempor al e espiritual".

apenas agenciou a loquacidade sonora dos cléricos. denom inado Júbilos da América. jesuíta. ob. modesto. com a História da América Portuguesa.. Muito moço. V. Reuniu-se no Rio de Janeiro em 1752 com a única finalidade de celebrar Gomes Freire de Andrada. no estado de esboço. da ndo categoria estética aos feitos da crônica local. "Conjeturas sobre 3 acadêmicos". Henrique Pontes. sabemos todavia que Feliciano Joa quim de Sousa Nunes foi o verdadeiro "Promotor.6 Não obstante. o fim malogrado dos Renascidos não permitiu fosse realizado o intento de u m sócio supranumerário. Secretário. págs. que o passaria como legado ao século seguinte: o da epopéia nativista. militare s e bacharéis. cit.7 Ainda mais significativa é a preocupação com Diogo Álvares Corrêa. Padre Domingos da Silva Teles. o único poema de tema indígena conhecido no espól io da Academia é uma incrível "Silva". Anuário Catar . ou Comissário deste negócio". em nosso tempo. págs. desincumbira-se em prosa. pu blicado por João Lúcio de Azevedo. magistrado. cit. A primeira academia baiana. sistematicamente versada vinte anos depois por Santa Rita Durão. ob. cuja Brasileida. auxili ando em todo o trabalho. Por alusões de ambos. em 1754. ade vem sendo controvertida a inteligência colonial. objeto de polêmicas erud tas entre os acadêmicos. Manuel Tavares de Sequei ra e Sá. é prova de relações literárias existentes entre os letrados de várias #partes da Colônia. Foi seu Presidente o Padre Mestre Francisco de Faria. o Dr. de Roch a Pita. 26-29. sem títulos. (7) Lamego.. a pretexto de sua nome ação no cargo de Comissário Real na questão das fronteiras do Sul. no aproveitamento jocoso da situação do caipira em contacto com a cidade. permanecendo na sombra como fac 90-93. É interessante assinalar a sua ausência da obra. de Silvestre de Oliveira Serpa. dos Esquecidos. Aliás. Nele se exprimia a visão da nossa gênese histórica e social. que promoveu. os Renascidos não deixaram de lado um dos interesses centrais do Setecentos b rasileiro. que formavam totum.72 #o tratamento recebido. eria ser o Eureste Penicio. (6) Lamego. este Serpa pod autor da resposta a um poema de Cláudio e cuja identid pelos interessados. a publicação do volume comemorativo. Segundo um erudito catarinense. Se assim for. celebrando Pedro Álvares Cabral. ao que parece. ou Petreida. troçando de Todos os índios deste Novo Mundo num espírito parecido ao que reinaria. isto mostra como se enraizava na consciência local o tema d o contacto e conseqüente permuta de traços culturais entre colonizador e a borígene. permaneceu.8 A Academia dos Seletos foi menos ambiciosa.

" " . s e modéstia. . Deste Rio tomando a Estância. Resulta uma barulhenta orgia de elogios. em pura prata.constituindo mais um aspecto daquele mecanis mo. nos seguintes sonetos.". n. permutados entre o Secretário (Manuel Tavares de Seque ira e Sá) e o "Meretíssimo Acadêmico o Desembargador dos Agravos.. e m que os autores acabam mais elogiados que o homenageado. graças ao qual marcavam-se reforçavam-se as posições dos membros.. Que da Castália aljôfar se desata. de definição de status dos letrados. Desnudam uma subliteratura de fiteiros. eram sutilmente utilizadas pelo participantes para um amplo movimento de elogio mútuo. adulando. que hoje Clio A ilustrar este Rio de Janeiro. 244-249. Veja-se a combinação engenhosa de retórica antipoética.como o Secretário.. o discurso do Presidente. e em glórias transparente. tudo girando em torno dos nomes grifados por mi m: Deste Ribeiro a -métrica corrente. Ao Rio claro. . glosando. 73 #A Introdução do Secretário. se observo. A torrente caudal deste Ribeiro.. comprazendo-se em equívocos e trocadilhos. para aumento deste Rio. a pretexto de elogiar um poderoso cultuar um santo ou celebrar um acontecimento." Nas produções de Engenho. que o Pimpla florescente: . que dilata. . ao lado dos encômios desca belados a Gomes Freire. que assina invariavelmente "Ganso entre Cisnes". uns louvam os outros. págs. que afluente Nos dispende. que do Bi-partido Outeiro Discorre. Neste Ribeiro corre em desafio: Discorro. págs 32-34.inense. cit. (8) Ob. mau gosto. este propósito. há descabelados encômios recíprocos. assinalemos que tais comemorações. trocadilhos estéreis. De concei tos bem mostra. engrossamento recípr oco. grata Às Musas mais. e na cópia. pois. as poesias dos acadêmicos. exibindo-se por meio da negaça e da fals a A . . Aqui."4. este louva cada um nos cabeçalhos que põe às suas cartas e em referências várias. já assinalado. corn razão. Todos louvam o p residente e o secretário. e Juiz do Fisco . o Doutor Roberto Car Ribeiro". nada v alem esteticamente.

para citar um exem plo desconhecido em nossa história literária. no caso dos seculares. É sinal de que são todos conformes. Secura chama a Antífrase mais grata Em vós sendo a dilúvios florescente. Se se vêm nos conceitos encontrados. Vossas são. Estas produções dos doutores versejantes ilustram o principal recurso poético de todos os colaboradores: o símile. Ao Parnasso por veias se dilata. onde se exprime a mentalidade duma camada so cial. mas incorpo rado por ordem. revelan do ao leitor. farantindo os padrões de rotina e tradição literária. "procedeu de serem ela borados por diversos. é de notar a participação ma ciça do clero. o monopólio da instrução colonial. explican do em nota que Secura "alude ao Sequeira. transparente. em 1771. ou desafio: Dos dois vértices desce do árduo Outeiro Esse mar: já parece mar o Rio. no caso dos reguíares. não apenas individualmente. Musa Beneditina. E já parece Rio este Ribeiro.74 #O polido magistrado replicou no mesmo torn. "pelos mesmos consoantes". não raro trocadilho. Que em profundos abismos se desata. Essas enchentes. de que o fato dos epigramas d os jesuítas serem iguais apesar de emanados de várias fontes. por intenção duma Infanta de Po . através dos seus porta-vozes ideológicos Neste sentido. em que nada Clio. de u m grupo homogêneamente medíocre. "-. como também uns versos que vêm noutra parte: Pois nas vozes iguais. Havia casos em que a comemoração era diretamente religiosa. E dele enche ntes de Apolínea prata Traz ao Ribeiro. mas o estilo coletivo. como. Musa Carmelita na. os valores de evoção e lealdade à Igr e à Coroa. A observação do Secretário. indemarcável. cognome do Secretário": Do Oceano à umidíssima corrente. Nisso e no mais são idênticos. o das Exéquias mandadas celebrar pelo Co nde de Valadares no Arraial do Paracatu. em colaboração com magistrados e militares. As "religiões" poderosas que controlavam o pensamento e mantinham. que disciplínadamente se dissolvem no anonima to da produção coletiva: Musa Jestiítica. Esse mar vosso fluido. Musa Seráfica.-"--No Ribeiro. não individualidades. Daí o valor documentário de tais obras. antes de Sebastião José de 75 #Carvalho. compareciam em bloco. e no Rio de Janeiro. e afluente. sem contenda. e ao Rio. se aplica ao resto. Canto uniformes. mas em tudo iguais Engenhos".

os l etrados formavam grupos equivalentes pelas funções sociais. Interessa notar que a qualidade das produções nada tem de inferior à que vimos nas cap itais. sa cerdotes e professores locais. Mas é preciso ainda dize r que esta circunstância revela o caráter altamente padronizado com que se manifesta va na Colônia a cultura intelectual. etc. a literatura apareça como atividade grupai." O auto r princip al é este padre que fora membro supranumerárío da Academia dos Renascidos. 17 sonetos e l elegia. como na capital.or e Cap. Graduado em Leys pela Universidade de Coimbra. Acima da barbárie e da incultura gerais. Por toda a parte. Dedicada ao mesmo Snr. a literatu ra consistia em desfastio circunstancial dos homens bem postos. Na cidade pequena. separando-se da massa na medida em que integravam os quadros dirigentes na política. e Commandante dos mesmos no dicto Arrayal. identificando-se também a ela no que respeita o conteúdo ideológico. etc. São dele a "E xposição fúnebre". José I.al da Capitania de Minas Gerais. etc.do João de Souza Tavares. a mesma estilização da rotina cultista para glória dos padrões religios os. Conde de Valladares. Fur riel de Dragoens. tanto mais quanto a au sência de talento literário entre os seus membros favorecia particularmente a expres . na religião. os demais colaboradores eram magistrados. morais e políticos superimpostos pela Igreja e a Coroa. que. diretrizes mentais e gostos.m Gen. Não espanta. na administração. pois. com a descrição das solenídade aquarelas das peças fúnebres. As contribuições estão reunidas. filha de D. e Exemo. exprimi ndo de modo maciçamente convencional os valores dominantes. em todos os exemplos analisados. nível de instrução. Snr. e Symbolica das Exéquias que a memorável morte da Sereníssima Senhora D. num belo manuscrito inédito da Biblioteca Central da Fa culdade de Filosofia da Universidade de São Paulo. Fez offíciar no Arrayal do Paracatu o I llmo. Seu Aucthor o R. Gov. M ria Francisca Dorothéa.rtugal. Por Manoel Lopes Sarayva. Coleção Lamego: "Ex posição Fúnebre. Infanta de Portugal.

Assim. militares da capital da Colônia. desenvolvendo certos lugares comuns com muita cobertura de citações. magistrados. animando-os. que a virtude da mulher é a base do casamento. que as mulheres são intelectualmente tão capazes quanto os homens. se for certa a data do nascimento assinalada p elos biógrafos. entre os quais buscou um dos principais inspiradores: o padre espanhol Feijó. a quem fora dedicado. provas. #76 #3. Q u e aos vinte e um anos havia composto sete volumes de um tratado moral. com e feito. que o born amigo é um tesouro. convém talvez destacar Feliciano Joaquim de Sousa Nunes. É. ideador e promotor real da Academia dos Seletos. aos dezoito anos põe em movimento os sacerdotes. distinções. o mocinho atochado de erudição estadeia uma sisudez convencional. A sua iinica obra é. Em dois dis . resultando um estilo banal. argúcias. digno de nota esse moço que. que a verdadeira nobreza é a do caráter. não a idade. organizando-lhes a versalhada de que resultou o único volume impresso de literatura associativa do século XVIII. pois. bem ao sabor dos moralistas. que a capacidade. mas perfeitamente tolerável. marca a superioridade de um irmão sobre outro. numa linguagem sem relevo. de que e scaparam apenas três exemplares à inexplicável severidade do Ministro português. coordenando-os. Predomina o convencionalismo mais chato. SOUSA NUNES E A AUTONOMIA INTELECTUAL Dessa revoada de maus poetas e letrados pedantes. de que não se destacavam as personalidades de pouco relevo.são do coletivo. o falso o pior mal. interessa a br eve aur a de precocidade em que se revelou um dos brasileiros mais aplicados ao progress o mental da pátria. q ue os pais devem prover o futuro dos filhos. mandado destruir por Pombal. o primeiro volume dos Discursos Político-Morais. embora corre ta e agradável. vai nos mostrando que o excesso de bens é mal. que assom brou os letrados do Rio e de que se imprimiu em 1758 apenas o primeiro. Neles. Para a história literária.

éramos capazes de fazer como os europeus." (pág. Para i sto. nem canais de ascensão. e um a espécie de revolta surda contra o estado de coisas no terreno da cultura. brasileiros. aflora ndo dentre a pesada crosta de convenção e conformismo. expressos com singular acuidade. militar. portanto. "nela só se distingue m pelos grandes nomes o merecimento e as obras de cada um. a sociedade não apresentava diferenciação suficiente. mesmo qu ando possuísse "elevados entendimentos". refutando a preeminência do mais velho na família. o intelectual brasileiro ficava em segundo plano. se não fosse padre.cursos supera a mediocridade e revela certa largueza de vista: quando sustenta a equiva lência intelectual da mulher e a quer educada como o homem. homens de uma terra inculta. 35) Na do mocinho carioca encontramos. m agistrado ou repúblico. Cláudio Manuel da Costa. desde então e pelo século XIX ade tro: o desejo de mostrar que também nós. para classificá-lo como tal. não reconhece à idade o valor que lhe davam na sociedade de tipo tradicio nal. Atitude decisiva e da maior co nseqüência para a vida mental do país. na . aliás. e quando combate a hie rarquia do patriarcalismo. que encontrará a primeira manifestação de alto nível s disposições e na obra de um dos "Renascidos". Encontramos também um dos temas que será idéia-fôrça de todos os escritores brasileiros. 77 #£ < w o! Q o -o B *r-H CO l a s £ o -e % o 8 Se não pertencesse a um dos grupos de prestígio social. al guns problemas relativos à posição do intelectual na sociedade brasileira da época.

a desventura. no Brasil. Como em meu nascimento. onde é inclusive motivo para uma "metam orfose". o "pát rio ribeirão". transformado em monte. de sabor ovidiano. que esposa Foi do invicto Gigante. Musa. pelas des culpas que pede da sua rusticidade. Esta identificação talvez tenha algo a ver com outra constante da sua obra: o relati vo dilaceramento interior causado pelo contraste entre o rústico berço mineiro e a e xperiência intelectual e social da Metrópole. identificando-se o poe ta aos elementos da paisagem nativa. Primeiro. Por decreto fatal de Jove irado. tocara. (Ecl. ponte ent re a herança cultista e os desígnios neoclássicos. Intelectualmente propenso a esposar as normas estéticas e os tema s líricos sugeridos pela Europa. Nasci. cuja realidade devia por vezes fazê-los parecer inadequados. onde fez os estudos superiores e se tornou escritor. Apagando Lucina a luminosa Alam pada brilhante. Nela. outro tema central das Obras. in) . De uma penha. A parte extrema e rara Desta inculta região. Esta inculta região viste animada Dos ecos lisonjeir os. (Fábula do Ribeirão do Carmo) O motivo poético do Soneto XCVIII se alça aqui ao nível telúrico. Daí uma ambivalência que se manifesta de duas maneiras. Parto da terra. da "grosseria das gentes" de sua terra. tendo em meu mal logo tão dura.onomástica da Arcádia Glauceste Satúrnio. nascendo o rio do p enhasco: Aonde levantado Gigante. indi gna de pretender ombrear com a Metrópole: Tu. vive Itamonte. e noutros p oemas. w o e w -xs #o S <"S e s ij O 79 #No plano consciente. grande espírito que foi. fazendo parecer inadequado el e próprio. que ensaiada * À sombra dos salgueiros. sentia-se não obstante muito preso ao Brasil. muito ao gosto das de Cruz e Silva. unem-se os dois temas centrais do seu amor localista. cultuava o berço invocando sobretudo o Eibeirão do Carmo. a quem.

perpassa nos sonetos e pastorais. quase diríamos duas fideli dades. afetiva de um lado. com que chego. mas vital. LXH) E a sua sinceridade é a mesma quando afirma o apego a Portugal ou ao Brasil. o vosso agrado. o contraste natureza-cultura. " Que sois da minha lira doce emprego. Exprime aquela dupla fidelidade. cornparem-se os dois . canoras Ninfas. a melancolia ante a transformação das coisas e das pessoas. pois ali estão as normas cultas a que se prende. S e faz digno entre vós também de fama. pois. Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte. I) Aliás. crescido entre os duros penhascos de Minas. Em seus braços acolha. numa espécie de vasto amebeu continental em que se reflete a dinãomica da nossa f ormação européia e americana. em que o poeta se c olocava. situado entre duas realidades. visto q a eles se equipara pelo talento: O canto.Mas (insinua na entrelinha) a sua obra é contribuição que traz para alinhar com as pro duções dos poetas portugueses. de pleitear a sua equiparação aos reinóis. movimentos. Disso decorre que na sua obra a convenção arcádica vai corresponder a algo de mais fun do que a escolha de uma norma literária: exprime ambivalência de colonial bairrista. embora se origine dum filho da rude América: 82 #E a vítima estrangeira. rico e fino. não de modo convencional. que são dois modos da sensibilidade: (a) A vós. que a minha voz derrama. que o leva a alternar a invocação do Mondego com a do Ribeirão do Carmo . entre a rusticidade do seu berço e a c i vilização da sua pátria intelectual. (Son. (Son. corn efeito. e de intelectual formado na discipl i na mental metropolitana. mas também o positivo. que no amado Berço viveis do plácido Mondego. as raízes da emoção e o objeto do seu interesse humano. acentuando aquela referida oscilação moral entre duas terras e dois níveis de cultura. Os pastores de Cláudio encarnam freqüentemente o dram a do artista brasileiro. que norteia os sucessos do bucolismo literário. ó montes: o destino Aqui me torna a por nestes oiteiros. era uma linha adequada à expressão de tais sentimentos. 83 #aqui. Há sem dúvida algo mais que retórica se o poeta escreve: Torno a ver-vos. es tética de outro. (Fábula) A consciência de que é estrangeiro comporta não apenas o aspecto negativo mencionado ( rústico déplacé). Porque ao menos o entoa um Peregrino. o tema da chegada e da partida.

a fixação à terra. Na história. a Fala. e desta ao senso dos problemas sociais. Digamos desde já que em Cláudio se corporifica o movimento estético da Arcádia no que te m de profundo. destaca um momento preciso. iniqüidade fiscal.Inda quando de vós mais apartado. manifestou esta preoc upaçã o através do exótico. o Epicédio I à morte de Bobadela. Antônio de Noronha. ressaltando a necessidade de ajustar as instituições à realidade local. II) Daí discernirmos uma terceira constante: o esforço de exprimir no plano da arte. ó pátrio Rio. discerníve l apenas na análise. pois. (Fábula) (b) Leia a posteridade. os problemas da sua terra. pois tendo partido do Cultísmo. São o Vila Rica. Porque vejas um a hora despertado O sono vil do esquecimento frio. (Son. o Canto Heróico. vista como grande aventura da fé e da civili zação numa terra nova e pitoresca. pois formam inseparáveis a jornada do poeta. conduzem ao desejo de exprimi-la no plano da arte: daí. na sua economia como lavrador e minerador. em que se perceba a instauração da ordem racional do europeu sobre as tendências caótic as da franja pioneira de mineradores. passa à exaltação patriótica. ao mesmo. à maneira dos escritores estrangeiros desde o Descobrimento. Também o nosso Cláudio o quis. Santa Rita Durão. Em meus versos teu nome celebrado. isolado do Brasil desde os nove anos. Mas. exprime com tendênc ia didática os problemas vivos da sociedade: devassamento e povoamento dos sertõ es. chega ao neoclássico por uma recuperação . empenhado na sua administração como secretário de Governo e membro do Se nado de Ouro Preto. vive ndo na Colônia. a D. 84 #r i *. a realidade. A este caminho do artista como homem se superpõe o do artista como artesão. Do bairrista ao árcade. e para toda a vida. e d entro dos moldes cultos. decadência das lavras. Assim. o Roman e a José Gomes de Araújo. um pouco da Écloga IV. há um traçado que se pode rastrear na obra. e p rocurou dar expressão épica à nossa história. dele ao ilustrado e deste ao inconfidente. a celebração dos s eus encantos.

já esgotado em Portugal pelos desmandos do mau gosto. Estes trazia m em si. As de Garção e Diii lz foram de publicação póstuma. foi contemporâneo de Diniz. A primeira estadia brasileira deste vai de 1776 a 1789.do Quinhentismo português.12 A leitura da sua obra mostra porém que no segm"do momento da sua evolução literária foi que se encontrou plenamente. Hest a a possibilidade de cópias manuscritas. Quando porém se definiu realmente a teoria da reforma. No ent anto. encontrando ao mesmo tempo a medida que a conteve em limites compa tíveis com a repulsa ao desbragado Culteranismo de decadência. e cabia perfeitamente na linha desta forma poé tica. 205. Negrão. (12) Norberto Já o considerava precursor dos portugueses. Daí um esforço pes oal de superação. ao mesmo tempo. Quis todavia ir adiante e ser plenamente homem do tempo. em que de certo modo se prefigura muito dos períodos posteriores. A formação que levou da pátria e reforçou inicialmente em Portugal foi portanto barroca. os reformadores literários. (O Hissfrpe. procurando a simplicidade didática e o interesse p ela verdade humana contemporânea. mas co-autor da trans formação do gosto. BP. Assim. paralelo ao do grupo da Arcádia Lusitana. não caudatário. esta va de volta ao Brasil. #(11) As suas Obras Poéticas são de 1768. no que talvez tenham influído os desenvolvimentos da Arcádia. No soneto. tivesse pouca oportunidade de familiarizar-se com eles .11 O que todavia parece verossímil é que ele foi. germens de cultismo e de fresca espontaneidade populare sca . Cláudio encontrou a possibilidade de manter muito da sua vocação cultista. de todos os poetas novos é o que maior liame conservou com a tradição. Gomes de Carvalho. pâg. Estudante em Coimbra. ao encontrar os modelos quinhentistas. VII. para exprimir o espírito do século e as novas concepções. ao apoiar-se nele. que possivelmente iam che gando às mãos de Cláudio. As de Quita. (1753 a 1754) nem fez parte da sociedade que a promoveu (1756). . de 1766. pôde exprimi r o jogo intelectual que prezava. em 1802). a sua sensibilidade deve ter-lhe apontado desde logo (como aos citados colegas) a inviabilidade do estilo culto. embora do modo independente e mais conservador. respectivamente 1778 e 1807-1817. do Brasil. "Nacionalidade da Literatura Brasileira". Garção. embora. o século XVI. que o levou à sól ida base da literatura portuguesa moderna. V. de tal forma a quele grande século é expressão completa do pensamento e da sensibilidade portuguesa.

#forjada nos moldes da dialética medieval e a seguir enriquecida com a exuberância f ormal do Renascimento. Nele, pôde ainda vazar o amor pela imagem peregrina, a rima sonora e a metáfora, herdadas do barroco: pois assim como o equilíbrio quinhentísta de Camões ou Diogo Bernardes deslizou insensivelmente para o Cultísmo, quase como p ara um complemento natural, ele pôde remontar deste àquele sem perder as opulências de conceito e imagem aprendidas em Quevedo e Góngora. Nos sonetos se encontra pois,

de modo geral, a sua mais alta realização, e não constitui novidade escrever que é dos maiores cultores desta forma em nossa língua. O que neles chama desde logo atenção é a freqüência de alguns temas parecendo exprimir con stantes pessoais. born número versa o do amante infeliz, que das altitudes da Vita Nuova ou do Canzoniere, onde se sublima em contemplação espiritual; dos admirá

veis poemas de Camões, onde punge mais viva a "malinconiosa carne", - vem dar no C ultísmo em orgia de negaceies retóricos para terminar, com os árcades, em sociável e com edida nostalgia. Nos de Cláudio há um pouco de tudo isso, mas a sua diretriz men tal sobressai nas séries em que ordena determinado aspecto do tema. Assim, os de núm eros XVI, XXI, XXII, XLIV, LV, LXVI, LXVIII, LXXIV se articulam com a écloga VII p ara traçar o roteiro da pena amorosa e morte do pastor Fido, que aparece aqui subs ta ntivado, a partir do qualificativo do Mirtilo, de Guarini. Os de número XXXIX, XLV III, LXX, parafraseiam o admirável Horas breves do meu contentamento citado por Gracián como exemplo excelso de conceito e agudeza, antes atribuído a Camõe s, hoje a Diogo Bernardes. Outro tema, já referido, é o do contraste rústico-civilizado, (por exemplo os números XI V, LXII, LXIII), que exprime a condição de brasileiro e dá lugar a jóias como esta, onde alça em imagens admiráveis, dentro da mais nobre harmonia, a força nova da

sua capitania de torrentes e socavões de ouro: * Leia a posteridade, ó pátrio Rio, Em meus versos teu nome celebrado, Porque vejas um a hora despertado O sono vil do esquecimento frio: *" Não vês nas tuas -margens o sombrio, Fresco assento de um álamo copado; Não vês Ninfa cant ar, pastar o gado, Na tarde clara do calmoso estio. ^ 66

#Turvo banhando as pálidas areias, Nas porções do riquíssimo tesouro O vasto campo da am bição recreias; Que de seus raios o Planeta louro, Enriquecendo o influxo em tuas veias, Quanto em chamas fecunda, brota em ouro. (Son. 11)

Aos dois temas citados prende-se o que centraliza outros sonetos, - por exemplo VI, VII, VIII, que formam um trio sobre a tristeza da mudança das coisas em relação ao s estados do sentimento. Apesar da majestosa calma que dá tanta dignidade e conten são

ao seu verso, é inexato dizer que ele não vibra. A disciplina formal apenas disfarça um subsolo emotivo mais rico do que se poderia pensar, tendendo por vezes a cert o dilaceramento dramático, como se pode ver no soneto XVIII, onde perpassa um arre pio

de negrume e pesadelo: Aquela, cinta azul, que o Céu estende A nossa mão esquerda; aquele grito, com que es tá toda a noite o corvo aflito Dizendo um não sei quê, que não se entende: Levantar-me de um sonho, quando atende O meu ouvido um mísero conflito, A tempo qu e um voraz lobo maldito A minha ovelha mais mimosa ofende; Encontrar a dormir tão preguiçoso Melampo, o meu fiel, que na manada Sempre desperto está, sempre ansioso; Ah! queira Deus que minta a sorte irada: Mas de tão triste agouro cuidadoso Só me le mbro de Nine, e do mais nada. A cada passo, vamos encontrando preciosismos que denotam pendor para os aspectos amaneirados do Quinhentismo, e marca dos seiscentistas espanhóis: Nesta ardente estação, de fino amante Dando mostras, Dalizo atravessava O campo todo em busca de Violante. 87

#Seu descuido em seu fogo desculpava; Que. mal feria o Sol tão penetrante, Onde ma ior incendia a alma abrasava. (Son. XII) Às lágrimas a penha enternecida Um rio fecundou, donde manava D"ânsia mortal a cópia der retida. A natureza em ambos se mudava: Abalava-se a penha comovida, Fido estátua de dor se congelava. (Son. XXII) Vinde, olhos belos, vinde; e em fim trazendo Do rosto de meu bem as prendas bela s, Dai alívios ao mal, que estou gemendo: Mas ah! delírio meu que me atropelas! Os olhos que eu cuidei, que estava vendo, Er am (quem crera tal!), duas estrelas. (Son. XXXII) Nas éclogas, odes, e outras peças, aparece, quase tirânicamente, um sinal de impregnação g ongorina, que ocorre na maioria das estrofes do "Epicédio" a Frei Gaspar da Encarn ação, a mais seguramente antiga das suas peças conhecidas (1752 ou 1753): Pagou por feudo, tributou por culto (Epicédio) O triste caso, o infeliz sucesso (Ecl. VII) O tempo veste, a, sombra desfigura. (Ecl. IX) Ao bosqite escuro, ao fúnebre arvoredo. (Ecl. XIV) Nunca abandonou também de todo o hipérbato, recurso culterano por excelência, utilizad o por Góngora com admirável sentido expressivo e banido pelos árcades:

Formando um, transparente Na 88

verde relva

resplendor luzente. (Ecl. XVI)

#Hoje, que a poesia moderna manifesta tanta inclinação para o amaneiramento, e porta nto fomos levados a rever em sentido favorável o espírito cultísta, não podemos deixar d e sentir que os cultismos de Cláudio constituem força. Nem tampouco depreciar a

circunstância de que o retorno à pátria, segregando-o do foco de renovação, lhe permitiu definir posição de equilíbrio entre as duas tendências - tornando-o um neoquínhentista no melhor sentido. A referida "imaginação da pedra" nos permite entrever outros aspectos da sua impregn ação barroca. Vimos que ela exprime vivências profundas, ligadas ao meio natal, e sabe mos que o rochedo e a caverna fascinaram o Culteranismo, talvez pela irregularid a

de poderosa com que representam movimentos plásticos. Em Cláudio, a sua ocorrência mos tra como a sensibilidade buscava certas constantes barrocas, por tropismo e pela eloqüência com que, opostas ao sentimento, podiam exprimir uma daquelas fortes ant íteses que lhe eram caras. Para compreender até que ponto elas contribuíam para enriquecer a sua obra, nada mel hor do que pesquisar nela o tema do Polifemo. Pode-se qualificar de essencialmente barroca, pela desmedida contorsão psicológica d a situação, a história do ciclope enamorado de uma ninfa. Porisso mesmo, abordaram-na com livre fantasia Marino e Góngora, dando-lhe este uma altitude rara de obra-pr ima. Da sua versão, e da de Metastasio - que lhe dedicou uma cantata (II Ciclope) e um drama lírico (Galatea) - inspirou-se Cláudio, que fez variações sobre o tema em dua s cantatas (Galatea, Lize) e sobretudo na Écloga VIII, Polifemo. Metastasio, inspirado na versão amaneirada e romanesca de Ovídio (Metamorfoses, Livr o XII), arcadizou por assim dizer o velho mito, suprimindo no amoroso disforme o drama pungente para lhe deixar uma brutalidade de ópera bufa. A tendência na litera tur

a portuguesa foi, acentuando a versão de Marino, (Polifemeide) confinar-se ao aspe cto burlesco, não apenas no século XVII, com Jacinto Freire de Andrade e Francisco d e Vasconcelos, mas no XVIII, onde aparece em dois sonetos de Cruz e Silva. Aproximado de Metastasio pelo estilo, Cláudio se aproximou da Fábula de Góngora pelo e spírito, indo todavia buscar, para além deles, o admirável Idflio XI de Teócrito, que lh e inspirou a forma pura e sintética da Écloga VIII. Rejeitou porém a ironia c

ontida no original grego, fiel à integridade barroca do mito. Antes de ir além, acentuemos que ao tratar deste modo uma

#situação monstruosa, esteiada em sentimentos sem medida comum, manifestou muito da ambivalência do seu destino e algo da de sua geração, que buscava o equilíbrio da natura lidade sem se desprender inteiramente dum cultismo ainda próximo. Na cantata Lize, Polifemo aparece como imagem do sentimento amoroso do poeta, qu e desta forma supera o amaneiramento afetivo da época, ao identificar-se com o sad ismo da lenda: Na sorte, Lize amada, Do mísero Gigante, Que triste do meu fado se traslada O fúnebre semblante. Mas, ai, fado aleivoso! Que infeliz inda mais que Polifemo Me queixo. Ele a ocasião do seu ciúme Sufoca, estraga, desalenta e mata; E eu de uma alma ingrata Sinto desprezo e não extingo o lume: Pois sempre desprezado Vivo aflito, infeliz, desesperado.13 A cantata Galatéia, que antecede, descreve os amores da ninfa - Mais cândida e bela Qiie a neve congelada, Que a clara luz da matutina estrela corn o pastor Acis, que afirma a própria gentileza em contraste à disformidade do ci clope: Vem, ouvir-me um instante, - ... . Que em mim tudo é ternura. Do bárbaro Gigante Não temas, não, a pálida figura, Que o tem seu triste fado, Tanto como infeliz, desenganado. (13) Encontramos noutro sentido a identificação do amoroso infeliz com Polifemo numa s redondilhas de Camões, onde há uma alusão pungente à própria cegueira. Galatéia sois, Senhora, Da formosura extremo; E eu, perdido Polifemo. Vale a pena registrar o lato, porque não ocorre nos vários tratamentos do #mito. 90 l

#Ora, é justamente esta privação de amor e graça que leva o poeta a simpatizar com Polif emo ( em nenhuma das principais versões anteriores objeto de compreensão ou piedade) e compreender o seu drama, desentranhando no antigo mito uma alegoria do desa juste amoroso. Assim, colocada esteticamente entre a cantata Galatéia (onde aparec e o air/or feliz e harmonioso) e a cantata Lize (onde perpassa a vontade de aniq uilamento que acompanha a frustação amorosa), a écloga VIII visa o drama pessoal do gi gan

te. É um pináculo na obra de Cláudio, marcado por um frêmito que inflete o curso do poem a e manifesta a presença da alta poesia. A peça é curta (49 versos), circunstância não estranha ao êxito formal, visto como a sua t endência para alongar-se acarreta não raro a tara do prosaísmo, que infunde um ar dema siado didático a algumas das suas pastorais. Note-se ainda a habilidade, mu

ito sua, em alternar os metros, no caso, decassílabos e hexassílabos escorreitos e p uros: Ó linda Galatéia, Que tantas vezes quantas Essa úmida morada busca Fcbo, Fazes por esta areia Que adore as tuas plantas O meu fiel cuidado: já que Erebo As sombras descarrega sobre o mundo, Deixa o reino profundo: Vem, ó Ninfa, a meus braços, Que neles tece Amor mais ternos laços O intróito não pressagia a irrupção comovedora do sentimento, que surge na 2.a estrofe q uando a paixão desprezada e o ciúme se avolumam e expandem de repente, num desespero que encapela o verso: Vem, ó Ninfa adorada, Que Aeis enamorado, Para lograr teu rosto precioso, Bem que tanto te agrada Tem menos o cuidado, Menos sente a fadiga, e o rigoroso, Implacável rumor que n"alma alento. Nele o merecimento

#Minha dita assegura; Mas ah! que ele de mais tem a ventura. 91

#Este passo equilibra o da cantata Galatéia, onde Acis aponta as limitações insuperáveis de Polifemo, que aqui tenta afirmar-se, afirmando a dignidade conferida pelo to rmento da paixão, (.. . o rigoroso, Implacável mmor que eu n"alma alento), que lhe deveria assegurar preferência sobre o fraco merecimento de Acis, todo supe rfície e graça adolescente; mas .. . ah! que ele de mais tem a ventura. E prossegue: Esta frondosa faia -A qualquer hora (ai triste!) Me observa neste sítio vigilante: Vizinho a esta praia Em uma gruta assiste, Quem não pode viver de ti distante; Po is de noite e de dia, Ao mar, ao vento, às feras, desafia A voz do meu lamento: Ouvem-me as feras, ouve o mar, e o vento. Humanamente, porém, a dor se aplaca; humanamente compreende que por si nada pode a spirar, pelo despropósito da aspiração, e oferece a Galatéia os bens mais caros em troca do amor. A branda submissão marchetada de preciosidades culteranas, com que fin aliza, reintroduz o equilíbrio inicial, emoldurando com ele a explosão das duas estr

Quanto rebanho vês cobrir o -monte. termina o admirável poema em que a sua alta consciência artesanal exprimiu uma das emoções mais pu ras do Setecentos luso-brasileiro. De dar-te se contenta Qtiem guarda amor. quase trágico. esta flui no seu signific ado. Quando u m mito ou alegoria tradicionais correspondem à emoção poética. l 92 #E se não basta o excesso De amor para abrandar-te. excedendo o rigor da crueldade. Tudo. Este branco novilho. Não é assim cruel a Divindade. exercitar-se na busca da verdade e da na tureza por meio da dicção simples. pois a análise interna permite datar ap roximadamente boa parte das cornposições maiores (epicédios. o contraste dramático entre o gigante grotesco e a ternura que o anima permitiu a Cláudio um poema comovente. é que "foram compostas ou em Coimbra. Abranda extremo tanto. produz o efeito de um estampido nessa atmo sfera de "parnaso obsequioso" . A sua força deriva em parte da circunstância de haver a inspiração encontrado na tradição clássica um mito cujas formas desposou. tempo em que Portugal apenas principiava a melhorar de gosto nas belas letras.ofes anteriores: Não sei que mais pretendes: Desprezas meu desvelo E. entre pastores e pastôras de ópera. e a poesia brota mais forte.graças à contensão clássica e à força barroca que o anima." Talvez haja aí um pouco de artifício. se esta não abunda em suas obras. e zelos apascenta. explica ao leitor em 1768. de alcance universal. Daquela. encontrando corre lativo. Vem a viver nos mares do meu pranto: Talvez sua ternura Te faça a natureza menos dura. ovelha tenro filho. corn a chama do zelo O coração me acendes. éclogas) revelando que s . No de Polifemo. ou pouco depois. parda. nos meus primeir os anos. largado a soluçar a sua paixão desmesurada nas verdes relvas do prado arcá dico. O pobre ciclope a paixonado. Mas Cláudio quis ser também homem do tempo. corn esta imagem. de sabor menos cultista que do melhor Quinhentismo. tudo ofereço: Esta obra do divino Alcimedontc.

amigo da Colônia. que discorrem Por en tre estas verdes silvas? (IV) Todavia. num rasgo ilustrado. grande adminis trador. ficando nelas. mostran do o papel da justiça como requisito para a aceitação dum governo e o papel do mérito co mo critério de eminência social. e outras maiúsculas do tempo. mas ao próprio valor. a quem o poeta vota rasgada e comovida admiração. Uma das suas expressões é o "Epicédio I". falando o homem preocupado com a Virtude. (II) Vão porventura. pendendo para o didát ico e o racional. a marca cronológica desta revisão.° Conde de Bobadela. E ao fazê-lo. Vibra nele sentimento profundo que rompe a frieza do gênero e do conceitismo. #os quatro "romances". Doces águas.chega a afirmar. Pastara. à morte do 1. É provável que em certos casos haja retomado cornposições an teriores. . que o demarca . a Pátria. A beber as cristalinas. que ainda aqui encontramos a influenciá-lo: 93 #Pastara do branco arminho. Convém notar que em certos poemas pouco citados. Gomes Freire não a deve ao rei. o que explica em m uitas delas a mescla de Cultismo e naturalidade. Não me sejas tão ingrata: Que quem veste de inocente Não se emprega em matar almas. Nelas.ão posteriores a 1754 e 1760. então. que. manifesta a maior simplicidade que obteve. dissocia da sanção regia: Não te faz grande o Rei: a ti te deves A glória de ser grande: tu te atreves Somente a te exceder: outro ao Monarca Deva o título egrégio. a Justiça. fala o futuro inconfidente. aproximando-se eruditamente do popularesco tradicional. nem sempre favorável ao equilíbrio poético e efeito sobre o leitor. Devemos p rocurar em peças maiores a que se definiu como própria do século. com influência visível dos processos métrico s caros aos espanhóis. talvez tenha querido aproximá-las da tonalidade mais moderna. c aliás pouco numerosos. nesses poemas (dos melhores na sua obra). a naturalidade parece obtida por recuperação do passado e se exprime pela espontaneidade do sentimento.

o Canto heróico. o "desgosto de um país decadente". este assegura a fama. Neste sentido. Não só ela. Este extingue a calúnia. capitação. 94 #Aí está. devemos ressaltar a sua admiração por Pedro. felicita Ao Rei. a Fala.. o Grande. racionalme nte ordenada. vinte e cinco anos antes das Cartas Chilenas e da Inconfidência.o Romance heróico. e no homem. que manda. tratada conceituos amente num equívoco que dá singular reforço à repulsa pelo imposto. quando mais finas Se d erramam as lágrimas no imposto De uma. confundindo-o n as lágrimas que faz derramar. pacato e respeitoso. um ataque direto à famosa derrama. Deixemos de lado a écloga Albano. mais se preza num governante: a justiça.. "na oficina d e Luís Seco Ferreira" em 1768. pois é alicerce da vida social. segundo Cláudio. A justiça transcende a condição humana: deve ser igualmente observada pelo que obedece e pelo que manda. a José Gomes de Araújo. Antônio de Noronha (1776). Aí está. mas não esqueçamos de que em certas peças encomiásticas . A intervenção de Gomes Freire aparece pois como a to daquilo que. e impresso ern Coimbra. que . que se honra ao consagrar a virtude com o título nobiliárquico: cor agem que espanta. portanto. É o Rei. de louvor talvez n ão objetivo a Pombal. em que se reconhece a qualidade do admin istrador. clama o desgosto De um país decadente. é elemento do born governo: na obra de Cláudio é notória a preocupação c feitos que ampliam a civilização e constróem o fundamento da vida racional. Gomes Freire supera o critério régio e se consagra pelo valor próprio. porém. sendo o próprio encontr o do racional com o natural. e apaga a chama De um ânimo perverso.Entre os Grandes por Grande: em ti. a D. ao mesmo (1779) . que para o seu tempo (e mesmo no abafamento metropolitano e colonial) era a própria expressão das leis naturais que equilibram a conduta segundo a razão. na época tirânica. enfrentando o sistema tributário: O vasto empório das douradas Minas Por mim o falará. que obedece. que a eqüidade não permite continua r submetido a tais medidas.insinua-se por entre a loa pessoal o realce às obras de organização civil da Capitania de Minas.louvado Só pode ser o haver-te declarado. A idéia mais feliz de ser aceito À vontade de um Rei é ter o -peito Sempre animado de um constante impulso De amar o que for justo: este acredita Ao servo. Mais ousado é o seguinte. que atropela O -precioso ardor de uma alma bela. escrito provavelmente em 1763 ou 64. Por havê-la encarnado superiormen te.

o esforço. nas Obras Poéticas. Cláudio Manuel esf orçou-se por parecer original. cuja menção em três ou #quatro poemas marca a sua posição neste sentido.plasmou na Rússia semibárbara uma país moderno. aos cinqüenta anos . do Lena. 95 #Polir na guerra o bárbaro gentio. Que venceu as desgraças de Dario. o brio Do russiano herói. (Son. abrir o rio. e Glauceste parodiou o alexandrino paralelo (capaz dos melhores efeitos na métrica francesa onde é o esquema por excelência) em decassílabos emparelhados proce sso inviável na portuguesa. pâgs. o pendor e o hábito da herança cultista não lhe permitiram adotar. Em tal situação interveio o exemplo de Vo ltaire. que Durão aceitaria pouco depois. com base em documentos. fator de monotonia e frouxidão que comprometeu de início o seu poema."(pág. intervindo com a vontade para esta belecer as normas da razão . depois de pronto. como comprometeria mais tarde (14) João Ribeiro. de que o poeta não o considerou. esta a grandeza Que igu alou de Alexandre a fortaleza. 35) Vejo aqui um indício eloqüente para se compreender a evolução estética do poeta. Desentranhar o monte.14 O mesmo crítico aponta as in fluências que sofreu: "Vila Rica é um produto originado pelo Uraguaí. vol. Romper d e altos penhascos a rudeza. A esta al tura. dileto dos reformadores. É ponderável a sugestão de Joã Ribeiro. Esta a virtude. 83) Não de outra sorte viu a Rússia um dia Transportarem-se as túmidas torrentes Já do Tanai s. a glória. digno para divulg ar-se. embora carinhosamente elaborado. Ao mesmo temp o.empresa cara aos ilustrados. a pont o de absorvê-lo num poema épico. ou já do Volga Ao canal que abre a mão do grande Pedro. Poema fastidioso e medíocre. an tes e depois. 36-37. (Fala) Esta celebração das grandes obras que poliam as terras rudes preocupou Cláudio. não adotou a oitava rima nem o verso solto como os seus antecessores. não quis adotar o s istema estrófico tradicional. talvez por admiração a Voltaire preferiu aproximar-se da Henri ade empregando rimas emparelhadas. 96 "Cláudio Manoel da Costa". alguns do s quais obtidos em São Paulo por intermédio de Pedro Taques. celebrando a incorporação das suas brenhas natais à civil idade da Europa. I. . empenhado em compor segundo as exigências da naturalidade. abaixo de tudo quanto fez. o verso branco. conservando-o como esboço de tentativa gorada. Que as leis quase ignorou da natureza.

além das notas explicativas. tendo sido o primeiro a celebrar. Terás a glória de ter dado o berço A quem te fez girar pelo universo. na Ode relativa ao suposto atentado con tra Pombal. Encontrou a rejeição do esquema e do próprio torn camoneano. que põe termo a um período d e distúrbios e abre outro de prosperidade. Clément aparece na ação da Henriade.é verdad e que mal discriminadas. conflito de lig uenses e realistas. Até a tirada final. através de cuja obra chegou porventura até à de Voltaire. (1774) equipara o "sacrílego Pela". mas não há menção expressa da ua existência nas bibliotecas seqüestradas dos Inconfidentes . Vila Rica. sendo a co mparação fatal para Cláudio. A influência parece ter sido tão grande que. inclusive qualquer sistema estrófico. de mineiros rebeldes e fiéis à autoridade regia.#o Assunção. Ravaillac aparece todavia no apêndice em que Volt aire estuda a sua ação: "Dissertation sur Ia mort de Henrl #IV". entre as quais ela poderia estar. e no de Cláudio. (15) Apenas J. corresponde à do Uraguai. t erminando ambos com o triunfo da autoridade legítima.18 No Uraguai encontrou a sugestão para tratar assunto br asileiro contemporâneo. na inquirição judicial. Voltaire um volu me em oitavo". equiparando-lhes também quinze anos depois o Tiradentes. Teu nome impresso nas memórias fica. meio intempestiva e separada do corpo d o poema. os am ores de branco e índia . Lá buscou ainda o processo de documentar o poema. que termina logo após haver assassi nado Henrique in.logo depois retomados por Durão. de São Carlos. O caso é interessante para compreender a sua evolução estética. embora timidamente. de q . no Vila Rica. ligado à sua experiência quase imediata. Alvarenga Peixoto possuía um livro de "Vultérlo" e o cônego Luís Vieira "Oeuvres de M. autor putativo. nele o c onhecido "Fundamento histórico". Na de Cláudio há menção global de nada menos qu e 189 obras. entidade fictícia preponderante no poema de Vo ltaire. e a descoberta de incorporar o índio como assunto. Na sua biblioteca poderia Cláudio ter lido o Paraíso Perdido.15 Mais interessante para nós é a influência de Basílio da Gama. com pequenas alterações. A situação de guerra civil se exprime no pl ano alegórico pela presença da Discórdia. versando-o de modo mais sentim ental do que heróico. Na Henriade hauriu estímulo para o tratamento do tema nativista: lá. strando como a posição de poeta limiar prejudicava a adoção plena das atitudes modernas. em craveira igualmente amesquínhada: Enfim serás cantada. O episódio da morte de Aurora é calcado no de Lindóia. se parando racionalmente o fictício e apoiando o verdadeiro num ensaio prévio. (16) A epopéia francesa é citada nas notas do Vila Rica. aos regicidas Jacq ues Clément e Ravaillac.

Daí a amargura dos seguintes versos do Vila Rica. é contudo igual a muitas das reveladas por Ramiz Galvão.como se perdeu toda a produção dramática referida nos Apontamentos. onde semp re viveu o primeiro. Isto indica a possibilidade de se ter perdido uma produção lírica desinteressada. Finalmente. "artificioso e coriáceo exercício poético de um lírico já sem veia " (Eduardo Frieiro) É preciso considerar três subsídios para poder aquila tá-la. necessária para avaliar o ritmo de decadência do poet a . s obretudo na poema épico. o fato de que das obras não impressas só conhecemos até o momento (excetua-se o Vila Rica) peças d e circunstância. corrente no século XVIII. Todas elas são incomparavelmente melhores que o erro poético do Vila Rica. para um passo do Vila Rica. Cons agra também a Milton uma ode entusiasta. na traduçfio francesa em prosa. geralmente laudatórias. inferior às destas. Em primeiro lugar (repita-se pela última vez) o esforço de *se pôr em dia" com a moda. prejudicando a sua tendência inicial e fecunda. 97 #Os críticos não discrepam ao apontar a sua decadência nas obras posteriores a 1768. Enquanto encontramos múltiplos sinais de que Basílio da Gama e Silva Alvarenga eram conhecidos e levados em conta na Metrópole. Seria com certeza a de Dupré de Saint-Maur. A seguir. há indícios de uma crise espiritual em Cláudio. e algumas posteriores a 1780. conforme anota. que revelam certa consciência de e nfraquecimento poético e explicam talvez o esforço de acertar o passo com os mod ernos para ganhar a desejada fama: . quase não se encontra referência a Cláudio em tempo de sua vida. pois são feitas para ser recitadas publicamente. Teria a veia secado e a capacidade se restr ingido a incensar poderosos em verso banal? Note-se que tais peças têm maior probabi lidade de sobrevivência. devida possivelmente à pouca repercussão da sua obra. As peças reveladas por Caio de Mello Franco são do ano da publicação das Obras (1768) e a sua qualidade.ue se valeu. sendo ofe recida cópia cuidada ao homenageado. que env iou em 1759 à Academia dos Renascidos.

o verde louro! (Soneto C) 99 #* . havia títulos maiores. a penha por excelência da sua imag inação rochosa: . nem de tanto Preço tem si do o lisonjeiro canto. Se em campos não pisados algum dia Entra o Ninfa e o Pastor.. sentindo-se projetar no futuro através da celebração da pátria. eu já te invoco Gênio do pátrio rio.. ó Musa. me não tornassem Duro prêmio. Que tanto. aclimatando nele. que decante um dia A memórias da pátria.. e o humor nocivo Pouco a pouco destrói o suco ativo. que permitiram o cumprimento do desejo: fundar uma literatura que significasse a incorporação do Brasil à cultura do Ocidente. o touro. (Canto VIII) Felizmente para a sua glória. Q uando Nize cantei. se a mim me não sobrassem Es tímulos de honrar o pátrio berço. do Gualacho Nos futuros auspícios talvez acho. 98 #Que os mesmos. canoras Musas. vós meu tenro alento Erguestes brandamente àquele assento. nem a lira Tenho tão branda já. discreta e natural.. como se ouvira. Que um pequeno ribeiro o nome guarda. e de Garcia. Nas marge ns suas de nascer não tarda O grosso engenho.. que em fausto agouro. (Canto IX) Por isso confiou na epopéia nativista. ó Musas. as forças vai quebrando A pálida do ença. Que muito. de vez para sempre. como vem no prognóstico do "born velho Itamonte". para forçar a admiração dos c ontemporâneos. Que da vista nutrira a lu z amada: Tão pouco vi a testa coroada De capelas de loiro. Ef eitos são da vossa melodia. loiros formosos. adoro tanto. pois. Cresçam do pátrio rio à margem fria A ima reescivel hera. a ovelha. quando os amores Cantei das belas ninfas e pastores. as disciplinas mentais que lhe p u dessem exprimir a realidade. este canto Vós me inspirastes. prezo. Musas. Crescei para o cercar. além passando Do oitavo lustro. que cantei. Vão os ano s correndo.

Durão (caso à parte) saiu do país aos 9 anos e nunca mais voltou. Alvarenga Peixoto Perfeitamente enquadrado na lição arcádica. tanto mais seg uro quanto o poeta se escudava no homenageado e mesclava habilmente lisonja e re ivindic . deixa do apenas as peças destinadas a louvar e comemorar. repontam laivos de amaneiramento que são um e co. chegar à med itação sobre problemas locais. UMA NOVA GERAÇÃO 2. e que marchetam a sua orientação neoclássi ca de preciosismos que chamaríamos por analogia. ou uma transformação de Cultismo. depois. numa d emonstração compacta do caráter de sociabiliade da literatura setecentista. onde ficou até morrer. MÚSICA E POESIA EM SILVA ALVARENGA E CALDAS BARBOSA #realizou a compenetração do sentimento com a expressão universal. . em busca da verdade social. e com as precauções devidas. NATURALIDADE E INDIVIDUALISMO DE GONZAGA 3. Porisso é mediana a qualidade de quase todos os seus poemas. completando-se o trio com a chegada d e Gonzaga em 1782. Basílio e Silva Alvarenga conviveram na Metrópole. Alvarenga Peixoto escreve como quem se exe rcita. A homenagem tornava-se pretexto. na compan hia de Alvarenga Peixoto a partir de 1776. Quero falar da utilização que os po etas fizeram tio louvor a reis e governantes para. podendo-se por este lado justificar a velha des ignação. . dando a impressão de que o infeliz c onspirador só invocava as "canoras Musas" para celebrar poderosos e amigos. mas é fora de dúvida que o Arcadismo brasi leiro encontrou a sua mais alta expressão em poetas ligados à Capitania das M inas por nascimento ou residência. sendo impossível equipará-lo literàriamente.#Capítulo in APOGEU DA REFORMA 1.aos outros poetas mineiros. O DISFARCE ÉPICO DE B ABÍLIO DA GAMA 4. Rococó. Em todos eles. através dele. todavia. sobr etudo quando querem ser anacreônticos. devido exatamente a algo implícito na poe sia de circunstância e já pudemos entrever em Cláudio.como é uso. estas constitue m quase tudo nas vinte e oito restantes. O interesse que apresenta hoje é. aplicando fórmulas com talento mediano e versejando por desfastio. Não há portanto uma Escola Mineira como grupo. É admissível que o seqüestro e a desgraça houvessem dispersado o seu espólio poético. vindo o segundo em 1777 para o Ri o. Seja como for. cumprindo assim um dos objetivos da literatura ilustr ada. em Vila Rica esteve Cláudio só desde 1754.

não raro lapidar. é claro. Crescendo uns males sobre os outros males. o mais resolutamente envolvido na Inconfidência. expressamente definidos e organizados. Em vez do trigo. Aliás. Viste espigas de ferro. um a das mais belas que nos legou o século XVIII no gênero estritamente político. É a mistura. não contando que seria homem progressista e cheio de planos. como os que procurou aplicar na melhoria das suas lavras do Sul de Minas. aspiração de sermos governados p or brasileiros. no que resta de mais vivo entre os de Alvarenga Peixoto : duas odes. a uma nobre visão da paz e do trabalho. É o que vemos em muitos poemas de Cláudio. que compreendessem os caracteres originais do país. O verso é conciso e seco. dentre os poetas "mineiros".ação. vêm contidos de modo mais ou menos explícito em seqüências e imagens. Ensangüentados rios. desejo de que o soberano viesse efetivamente tomar conhecimento da nossa realidade. Frutos plantados pela mão do erro. os Sátiros saltando Por entre as verdes parras Defendidas por ti de estranhas garras. uma cantata e o famoso "Canto Genet líaco". E colhidos em monte sobre eiras. típica dos nossos ilustrados. #104 #Combinadas. descrevendo a brutalidade da guerra para ch egar. como B rtolomeu Antônio Cordovil. apesar de descaídas ocasionais. com regularidade suficiente para fazer de Alvarenga Peixoto um ilustrado à brasileira. quantas vezes Vistes os férteis vales Semeados de lanças e de arnêses? Quantas. necessidad e de civilizar o Brasil por uma administração adequada. nativismo e confiança nas Luzes. ó Ceres loura. A ode a Pombal é com certeza a sua obra melhor e. desvendam um claro roteiro de poesia ilustrada. bens maiores na vida dos povos. referidas a alguns sonetos e devidamente lidas. pombalismo. parece ter s ido. nos de poetastros sem conseqüência. com apoio em alguns temas fundamentais: louvor do g overno forte que promove a civilização. o fragmento de uma terceira. preeminência da paz sobre a guerra. Tais pontos não aparecem. marcado pela f u são das raças e a aclimação da cultura européia. Rotos pedaços de servis bandeiras! Mais longe: Grande Marquês. 105 . por contraste. que as espigas doura.

só pode ser to mada em sentido estritamente contextual. de acordo com este. como rica diversidade de promessas. para a Colônia. Quando a razão impera. Quão diferente é para quem ama Os ternos laços do seu pátrio berço. . por si mesmo grave.. Do seio de delícias tão diverso. cujo alcance apenas um administrador brasil eiro poderia apreender. Maria I". vem acrescida de significado diverso.isto se vinha dando desde o Descobrimento. corrente no tempo da Independência para exprimir a libertação do país. Os incensos fumando sobre as aras. na obra de Pedro. Na "Cantata". onça s e ananazes. 106 #resgatando o povo da dura condição em que se achava e é nitidamente denunciada num ve rso ousadíssimo.sublinhada na "Ode à rainha D. daí o subterfúgio.escultura. ainda não se trata disto: também não se trata mais da emplumada alegoria da Quarta Parte do Mundo. Mostram a verdadeira heroicidade. Em Alvarenga Peixoto e seus contemporâneos. Cordovil e o Cláudio da última fase. em arte e literatura. englobando as idéias de h omem natural. nascido nas Minas. errando incerto e vago Bárbaros duros civiliza e doma. Nas representações plásticas . Silva Alvarenga. convictos da necessidade. de born governo que promove sse o império das Luzes.surge todavia nos versos do "Canto Genetliaco" ao batizado de um filho do Governador Conde de Cava leiros. ao nível dos jacarés. (Son. o qual. Que leão pode haver que não se ensine? E o forte jugo. no século XVIII e no Brasil. liberdade e nativismo. como Cláudio. artes aplicadas . que Europa barbaria chama. Maria l" . po r todo o Ocidente: mas a recorrência dos temas.#Os trigos ondeando Nas fecundas searas. Como em Basílio da Gama. o selva gem é um porta-voz que exprime à Europa os desejos locais. e principalmente na "Ode à rainha D. J osé Tomás de Menezes. o Grande. em particular dos poetas ilustrados.. pintura. por meio do qual atribuía ao pequenino D. VIII) A incultura da pátria . A nascente cidade. logo abafado pela tática ligeira da adulação: Não há bárbara fera Que o valor e a prudência não domine. também pa ra ele o índio ia se tornando símbolo do Brasil. o sentimento que iam tendo os intelectuais e proprietários da necessidade de autonomia: Isto. . Em Pombal revia o esforço construtor que admirava. tal prática. que convergem para a imagem do índio com alge mas rompidas.

o faz suave.1 ("Fragmento") Todavia. poeta de uma crise afetiva e de uma crise política. Talvez a criação não dispensasse. #2.. é que esta geração alcançará v Gama e Silva Alv processo da Inconfidência.A doce mão que o põe. Basílio da arenga. a ser realmente ele o oculto Critílo. i posta pela força do espírito ao impulso freqüentemente desordenado da paixão.. menos literário do que em Cláudio. nem sempre livre de oposições e dif iculdades. . há neste recurso de acusado uma leveza de expressão que nos deixa pensat ivos: tão sossegado que ia fazer uma ode. realmente. Que fez a natureza Em pôr neste país o seu tesouro Das pedras na riqueza. que quando eles saíssem ia fazer uma Ode. no sentido estrito da palavra. tomando o Réu respondente isto em menos preço. por que lhe par ecia isto impossível.. cuja atividade parece um longo. E este envóluco brilhante e sereno daria dignidade e valor coletivo à nota da experiênc ia pessoal. consciencioso artesanato de escritor. diferente nisto de Cláudio. . Nem tampouco à das Cartas Chilenas. sempre que superam o dengue da moda ana creôntica. (1) Este fragmento de ocje foi juntado aos Autos no 107 a estrita preocupação ilustrada seres.queir amos ou não.. aquela majestade tranqüila que marca as suas boas liras. a paz superior da visão artística. NATURALIDADE E INDIVIDUALISMO DE GONZAGA ".. só quando aparecem poetas capazes de superar e comunicar no verso a beleza do mundo e a emoção dos adeiramente a poesia." Nesta resposta ao inquérito. para ele.para aquela nobre serenidade. o certo é que em Tomás Gonzaga a poesia parece fenômeno mais vivo e autên tico. No entanto. Espírito em paz e desanuviado não parece ter sido o que presidiu à feitura da maior parte das suas liras. e dando as razões. concluiu dizendo.. qu e tão sossegado ficava no seu espírito. por ter brotado de experiências humanas palpi tantes. O exemplo que escolheu aponta. O problema consiste em avaliar até que ponto a Marflia de Dirceu é um poema de lirism o a . Gonzaga deixa implícita uma teoria da criação poética bem dif erente da que reputaríamos ajustada à sua obra. Se o povo miserável. pois tem o vosso abrigo. O poeta Gonzaga existe. de 1782 a 1793. compost as na prisão ou entre as dúvidas duma corte amorosa. Seja como for.com Tomás Gonzaga... Mas que digo! Povo feliz. Nas grossas minas abundantes de ouro. mesmo quando pungentes. .

até uma vaga pastorinha incaracterística. a separação de Dirc eu (Gonzaga) e Marília (Maria Dorotéia Joaquina de Seixas) ou o roteiro de uma perso nalidade.a paixão. Marília bela. ah! que então brilha a natureza! Então se mostra tua beleza inda maior. (II. 17) Fito os olhos na janela. a minha. É possível que os organizadores das edições gonzagueanas. nome poético da namorada e depois noiva. que se analisa e expõe. ou não. (T. a sua formação poética. a sua existência corpórea não interfere com a pastôra estilizada e d espersonalizada que aparece nos rondós e madrigais. dos poucos em nossa literatura . é preciso mencionar pelo menos três pontos: a sua aventura sentimental. nem se apresentam como alternativas. segund o. muito mais viva e presente. Temos desd e uma presença física concretamente sentida. desprezassem composições não ligadas ao tema. 21) 109 #l Quando à janela acures. tu verás Marília. mal embrulhada na larga roupa. todo formado à volta de Marília.moroso tecido à volta duma experiência concreta . Seja como for. Para podermos formar juízo. o que resta é um bloco compacto. m ero pretexto poético semelhante às Antandras e Amarilis. aonde. O mesmo não acontece com a heroína de Gonzaga. tu chegas ao fim do dia. q ue deste modo se extraviaram em maior número. pode. ter vivido. Quando apareces na madrugada. 12) . Mas tam bém é certo que 108 #o significado da obra de Gonzaga varia conforme aceitemos a predominãoncia de um ou de outro. as características da sua poesia. A Glaura de Silva Alvarenga. e desgrenhada. seguindo a primeira seleção fei a não se sabe por quem (1792). descuidada. porque os seus versos inv ocam quase todos a pastôra Marília. sem quereres. o noivado. modulado por ele com certa amplitude. Primeiro. O tema de Marília é. cuja vi da amorosa importa para a compreensão da obra. e minha p obre morada. É certo que os dois aspectos não se apartam. a pretexto da referida experiência. porque eles criaram com isto um mito feminino. Gonzaga é dos raros poetas brasileiros. pode-se dizer. sem fita ou flor. a nossa curiosidade não necessit a ir além do que estes nos dizem. (I. e certamente o único entre os árcades.

(II. mal esboçada. num desalinho convencional que estimula a musa anacreôntíca do Ouvidor e Procurador dos Ausentes. ora morena. aonde assiste a minha Marília be la. a terceira t em um palácio defronte. tu enfadada? imaginamos ali um leve snobismo de mocinha fina É melhor. se procuramos completar esta forte presença de Dorotéia por um conhecime nto mais completo do seu ser. rosas e abelhas: Apenas lhe morde. É um bíscuit arreb icado que o poeta envolve na revoada de cupidos. Desprende-se da vida cotidiana. superpondo a Vila Rica um roteiro amoroso que o visitante procura captar. passa a segunda. Todo este lado Sèvres e Fragonard contrabalança o outro. Amor. os nossos breves dias mais ditosos. medindo distâncias. corpete de veludo e cajado florido. 37) Versos como estes personificam e localizam concretamente a bem-amada. (II. -e mais nada. sem existência concreta. ora é loura. contemplando janelas. doce amada. de todo possuído pela topografia mágica do antigo amor. Porisso mesmo. para entrar na farândola rococó. Dorotéia de Seixas vai-se tornando cada vez mais um tema. que ter urco s. Na medida em que é objeto de poesia. que chama então como argumento 110 #A devorante mão da negra morte para persuadi-la: façamos. Marília gritando. . minha bela. Entrevemos aqui um ciúme Minha Marília.Pintam. que entrando you na. Ele tem ao pé da porta uma rasgada janela: é da sala. o ra compassiva. as Liras fogem à nossa curiosidade. ser lembrada por quantos hão de vir sábios humanos. c"o dedo fugiu. aos ais acudiu. refazen do itiner ários. sem nervo nem sangue. ter caches e tesouros que morrem com os anos. passa uma formosa ponte. objeto ideal de poesia. que no bosque estava brincando. Dorotéia se desind ividualizou para ser absorvida na convenção arcádica: é a pastôra Marília. dando-lhe uma realidade que podemos reconstruir. 34) Entra nesta grande terra. No entanto. grande igreja: pintam que as mãos nos damos. ora cruel: em qualquer caso. apenas pressentimos mais longe certa frieza ante os ardores do poeta. de chapèuzinho de palha.

É possível que outras liras endereçadas a Marília . em relação à moça em flor.. No Brasil. que provavelmente era.. a poesia avultou na sua vida. e a proximidade da velhice intensifica. façamos sim. O belo poema. o homem de estudo. livre da idealização . que coroa e consolida os amores da mocidade. a partir de 1782. em tantos versos de hábil negaceio sentimental. Nizes. Poriss o dignificam os sentimentos quotidianos. f açamos. talvez inspirado num soneto de Garção. superando os disfarces alegóricos que o A rcadismo herdou da poesia seiscentista e quinhentista. As suas l iras são copiosas na celebração do lar. os nosso breves dias mais ditosos(. encontrou condições inteiramente novas. a pastorinha q ue vai e vem como peteca. pegureiro. em sua poesia. gozemos do prazer de sãos amores (. pela aspiração ao convívio doméstico.. Marília aparece então realmen te como noiva e esposa. Daí. desimpedida de toda a tralha mitológica.(I. não há como escapar ao fato de que apenas em Vila Rica. e o fizesse de maneira desde logo tão consumada. e o amor por Dorotéia de Seixas o iniciou em ordem nova de sentimentos : o clássico florescimento da primavera no outono. e ao semblante a graça. antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças. minha Nine. nos sonhos de vida conjugai. que viva de guardar alheio gado -refeito em seguida Eu. Foi um acaso feliz para a nossa literatura esta conjução de uma poeta de meia idade com a menina de dezessete anos. Marília. Marília. Por outro lado.. Elviras. de ambição e de sa la... Lidoras e Alféias. Ficou talvez mai s disponível. Eu não sou. doce amada. a substituição da antiga pena de amor como impaciência sensual.) (. O quarentão é o amoroso refinado.) Ornemos nossas testas com as flores. Ormias. em parte. prendamo-n os. 20) Lembremos apenas que sob esta Marília dos poemas podem na verdade ocultar-se pedaços de Lauras. não sou algum vaqueiro que viva de guardar alheio gado leva a pensar que não hesitava em retomar composições anteriores para ajustá-las às novas condições. um encantamento que mais se apura pela fuga do tempo e a previsão da morte: Ah! enquanto os destinos impiedosos não voltam contra nós a face irada. capaz de sentir poesia onde o adolescente só vê o emb araçoso quotidiano. (r. que o poeta cantara em vers os anteriores.) aproveitese o tempo.sobretudo as anacreônticas jam adaptações de poemas mais velhos. Isto 111 #ajudaria a explicar a predominãoncia do ciclo de Marília. us) Daí. que é quase toda a sua obra : seria realmente pouco vulgar que apenas aos quarenta anos tal poeta abrisse as asas. em laço estreito. e façamos de feno um brando leito.

Estabelecido que o amor pela mocinha de Vila Rica influiu decididamente no rumo da sua vocação. . Não trarei a muleta can-egada. ora uma dignidade. já me vai. é preciso agora tocar noutra grande influência: a de Cláudio Manuel da Cos ta. primeiro da posição de um namorado maduro. que se embebe não obstante na visão da felicidade doméstica. branquejando loiro cabelo. a velhice motiva de preferência a invocação da paz d oméstica. E ele a trata com realismo nada inferior ao dos antigos. sendo não obstante ameaça ao amor. (I. importando sobretud o e m privação 112 #dos prazeres. na tua mão nevada. vindas a lume no ano mesmo em que terminava o curso (1768) . este mesmo. Estas liras de cunho por assim dizer doméstico se tornam mais belas e pungentes qu ando escritas da prisão .exaustiva com que aparece noutros poemas. Resta pouco tempo da doce vida.í) diz retomando Anacreonte: Já me alvejam as têmporas e a cabeça é calva: já não ê mais a cara juventude e os dentes se ruinaram.de onde imagina a vida junto à esposa. e pouco já me resta. q ue alveja. e portanto d e Cláudio. que circula a testa. de individualidade acentuada. pertencendo à nova geração. em que negra nuvem os chuveiros não lance. E. Marília. delineando a velhic e tranqüila. cujas Obras. para el e. a visão burguesa da decrepitude: Mas sempre passarei uma velhice muito menos penosa. soube dar-lhes (sup erando muito remeleixo pernóstico). sofreu o influxo da Arcádia Lusitana. irei contigo ao prado florescente: aqui me buscarás um sítio ameno onde os membros descance. Para o seu mestre Auacreonte. ora uma pungência que as torn aram das experiências poéticas mais sentidas da nossa língua. mais próximo aqui de Horácio. vai caindo. depois na solitude do cárcere. despertava a evocação exaltada dos bens que se iam afastando. E que pelo fato de nutrir tais visões. descansarei o já vergado corpo na tua mão piedosa. 18) Um homem de paixões fortes. e ao brando sol me aquente. Já. A s frias tardes. 113 #Gonzaga. (n. a fuga da mocidade. .

como se depreende do contexto de várias Uras. a que o gênio o guia3 (i. Acendalhas. da parte de Gonzaga. Na lira em que traça mais acuradamente o próprio perfil. a intimidade entre ambos fica patente. onde declara que Cláudio o aconselhava em matéria poé ica: "(. sempre. faz do amigo o elogio mais alto que se poderia esperar de um homem apaixonado: Porém que importa não valhas nada seres cantada do teu Dirceu? Tu tens. desviar de Cláudio perigo e suspeita. e ao mesmo Céu. que estava lendo e emendando as poesias do Réu Respondente q ue tratavam desta". Marília. Por ocasião da contenda com o Governador Luís da Cunha Menezes. que antes de matar-se no desespero o cornprometera . mas de quem só então começava a poetar com verdadeiro discernimento e força p ara prosseguir: "nem canto letra que não seja minha. O ambiente em que se formou era outro.. onde parece ter tido papel vagam ente marginal. o meu Glauceste a voz ergueu: " irá teu nome aos fins da terra." O profundo amor de Cláudio pela terra mineira teria passado em parte ao luso-brasi leiro Gonzaga. ligou-se desde logo ao colega mais velho. empurrando no caminho da poesi a o talento logo pressentido e manifestado.. 259-260. ou nas declarações da devassa. e) Na Lira 31 da I Parte. De Cláudio. É bela e comovente a amizade dos dois grandes poetas. que ele tra tava da sua retirada. o sen timento de justiça e o ardor combativo mais reforçariam o nascente apego.. vol. fala constantemente do amigo.) o Doutor Cláudio Manuel da Costa (. querendo traçar o paradigma do poeta.. já penetrado das tendências de reforma. desvanecimento.. Aqui. estrlbado numa argumentação #engenhosa 114 ("Criptonlmos das Cartas Chilenas". não de estreant e. que inveja até me tem o próprio Alceste: ao so m dela concerto a voz celeste. profundo conhecedor do ofício. não só aí. que porven tura admirava há muito e com certeza o animou a escrever. se é que teve algum. onde Gonzaga fala no "meu honrado companheiro" e na "mais fiel união" (II. 12). como nos Autos da devassa. cit. É opinião de Alberto de Faria. IV..) sabia muito bem. 38-39). pág. onde procura. diz : e o terno Alceste chora ao som dos versos. (3) Alceste é Cláudio. tão chegada e afetuosa como se vê nas liras. D Pressentimos aí a enternecida reverência do mais velho. canto letra que não seja minha (J. que haviam passado o apogeu quando veio de Portugal para as Minas Gerais (1782). o último verso talvez indique. teria certamente lido. nem. cantor celeste. #corn tal destreza toco a sanfoninha. págs. manifesta o orgulho que tin ha em ser admirado por Cláudio: (2) Autos ãe Devassa.2 Num de seus poemas. que haveri a de contribuir para interessá-lo na Inconfidência. Nas liras.

quem sabe. O "caro Glauc este" não combate nem rejeita estas manifestações. as mais belas imagens de um Casimiro de Abreu. como fazem geralmente os que. liberta ao mesmo tempo da con torção barroca e dos escolhos da prosa. se repararmos que Gonza ga vinha de certo modo superar a obra de Cláudio. a pesquisa neoclássica da natureza alcança a expressão mais humana e artisticamente mais pura. supera est e lado rococó da inspiração. em busca da naturalidade. certamente entusiasmado e rejuvenescido pelo se u cristalino frescor. sentindo neles a conseqüência natural da reforma que ajudara a empreender. mais ou menos pessoalmente elaborados. com ele. Este consiste sobretudo nas novidades sentimentais e concepcionais que . com que elabora. trinta anos antes. em termos de poesia. Depois de preso.* Superando a todos os contemporâneos brasileiros e portugueses no verso gracioso. e onde germinam os melhores ritm os. dobrada rosa. Esta deriva principalmente do realis mo e do individualismo. porque nela enco ntrava o instrumento para dar corpo àquele mundo de poesia que descobriu entre as serranias mineiras. VII) Mais notável se torna o calor dessa fraternidade sem ciúmes. denota preferência pelo verso leve e casquilho. Na primeira fase da sua poesia.tão desastradamente. não obstante. (H. e. que o cinamomo. um sentimento da v ida e uma afirmação de si mesmo. Gonzaga. de s ua parte. que mais diríamos profecia: Ah! que falta valor ao sofrimento. trazendo à literatura luso-brasile ira um torn moderno dentro do Arcadismo. seguia a orientação e o ensino do companheiro mais velho. é desse tempo a mais bela das odesinhas amorosas que compôs: A minha amada é mais formosa que o branco lírio. 27) melodia pura de que há vários exemplos na sua obra. Nas literaturas românicas do tempo. vêm os mais moços inovar na literatura em que produziram. "(---) Não é a persistência dos elementos tradicionais da poesia. Pelo con trário. concentrando-se em formas mais severas. anterior à prisão. forma sem deslustre ao lado de um Bocage ou um André Chénier. dentre os sete ou oito que trouxeram al guma coisa à nossa visão do mundo. emenda os versos do amigo. satisfeito de ver o amigo brilhar num campo que nunca trilhou com êxito. (Êcloga. não é porém nisto que fundamenta a sua preeminência. ilustrando o próprio verso. que nos dão definitivamente o seu estilo. 115 #Em nossa literatura é dos maiores poetas. deslocando para um plano mais individua l e espontâneo a naturalidade. tratado com facilidade que Cláudio incrementaria. Venus não chega ao meu amor. quand o matiza co"a folha a flor. aos s essenta. que na geração anterior ainda é quase acadêmica.

por outro lado. e a sua obra é a única. a frase bela que permite elaborar uma expressão artística. mas que só vulta com ele e Bocage. Mais de um a lira é votada à tarefa quase didática de mostrar à bem amada a naturalidade do amor.5 (4) As peças leves de Gonzaga. Por outras pal avras: que considera a si mesma como objeto legítimo da arte. valorizar a noção civil da vida social. vivo. 17 pertencem ao período anterior à prisão e 7 ao período desta. de sob o tênue disfarce do pastor Dirceu. E. nas suas penas. que em tudo quanto vive nos descobre a sábia Natureza. salientando a nobreza das artes da paz. prefácio à edição Sá da Costa. anacreônticas no sentido convencional. (5) Rodrigues Lapa. cujos artífices foram os primeiros árcades. XXVII . 116 #-* * "** * Em Gonzaga. O impacto emocional sobre o leitor aumenta graças a este deg elo do eu. vemos uma personali ade que se revela. sem o qual não irrompe o autêntico lirismo individual. Um pouco meditemos na regular beleza. e porisso se desvenda. entre as dos árcades. Em alguns dos seus melhores poemas. (I. derrancada no esforço de remoer sem cessar a antigüidade ".trouxe para uma literatura. mas só desvenda para atingir a imagem eloqüente. a belez a aparece como contemplação singela da regularidade das coisas. Gonzaga se . não perturba aqui a emergência do lirismo pes soal: Gonzaga surge. encontra em G onzaga a nota fundamente humana. 19) A recuperação da naturalidade. são 24 sobre as 110 co nsideradas hoje autênticas com alguma certeza.XXVIII. Ao contrário da tradição impessoal do Cultismo e da delegação arcádica. págs. o falso heroísmo d a violência. referida anteriormente. a ordem serena da razão. À simplicidade de chá-com-torradas em que se despoe tizou o estilo de Garção. que permite acompanhar um drama pessoal e as l inhas duma biografia. no seu gosto. uma estilização de si mesmo. A suprem a importância de sua obra é a maturação do psicologismo esboçado naquele poeta. é interessante o contraste entre as precauções mitológicas com que celebra a mulher e o senso de realidade com que a integra no panorama da vida. substitui a vivência calorosa do quotidiano. delas. ou seja. em toda a excavação profunda e sinuosa da co nfidencia. mas ao mesmo tempo se constrói no plano literário. de metro geralmente curto e com a presença de Venus e Cupido. mostrando-lhe a ordenação das coisas naturais. A delegação poética.

nele. Ã gabolice e ao s disfarces da poesia anterior. futuro. não uma série de indicações. habilid ades. prestígio. planos. as Primaveras. nas partes em que superou os modismos bastant e corruptíveis do Rococó literário. Não caça momentos fug azes. #que captam as mais das vezes a forma emergente no calor da inspiração. de Cas imiro de Abreu. nem prefere a notação rara e pitoresca do que só acontece uma vez. A superação do Rococó se opera principalmente pelo cunho muito especial que Tomás Antônio imprimiu à expressão do seu eu: todo pautado pelo decoro neoclássico e não obstante muit o individual e revelador. com o conforto. Este equilíbrio verdadeiramente neoclássico entre o eu e a palavra perdeu-se a segui r. geralmente superior às produções do Roma ntismo. eqüidis117 #tente do iiiexprimível e das exigências de clareza.distinque ainda nisto dos românticos. glória. posição social. anciosos por registrar o impulso afetivo. r iscando na percepção do leitor um traço nervoso e desigual. Deste modo ela é verdadeir amente sincera no plano artístico e. O que procura construir é a linha média da sua vida moral. admirável. talvez isso ainda ficasse mais acentuado. É que o sentimento da própria pessoa aparece. Não encontramos nele esta variabilídade de sismógrafo. Fala com naturalidade e abundância (sem o ar de indiscrição que caract erizaria mais tarde os românticos) da sua inteligência. setenta ou oitenta anos depois. substitui a revelação sincera e minuciosa do seu mod o de ser. construindo um só movimento. num traçado seguro. Preocupa-se com a aparência física e a erosão da idade. exaltado e altivo. Talvez a circunstância de namorar uma adolescente rica (e . que funde a sua natureza e a forma que a demarca e revela. As liras são um roteiro pessoal. A obra de Gonzaga é admirável graças a tal capacidade de extrair uma linha condutor a dentre a variedade de afetos e estados d"alma. como. Se elas pudessem ter sido ordenadas e publicadas pelo próprio autor.

.6 Daí o cunho (6) Diz Tomás Brandão que a íamüia de Dorotéia nSo desejava o casamento e tudo fez para ev itá-lo. teriam b lo queado parte das suas aspirações: o encontro de Dorotéia e de Cláudio (do amor e da técnic a. de repente. O malogro da ca rreira universitária. com efeito. Mandaram-na inclusive para fora de Vila B ica. págs. 142-1 6. e BÓ mesmo a tenaz insistência do Ouvidor pôde quebrar a oposição. que seria além disso exibicion ismo compreensível de homem apaixonado. devendo pois levar a esposa. em resposta à prosápia da família materna de Dorotéia.) abriu novo trilho para elas e a poesia surgiu deste modo. Marílla náo sou nenhum vaqueiro". 1) teria sido escrita para alegar as suas qualid ades. o prestígio na socieda de. e a comunicar o ac hado. a falta de oportunidade e estímulo para a literatura. Marília de Dirceu.le. tios e tias de Dorotéia.. Suponhamos. Ainda mais num momento em que o G overnador Luis da Cunha Menezes feria o seu pundonor e os Ferrões. por ser Gonzaga muito mais velho e de saída para #a Bahia. A lira "Eu. 118 #611 -9WBd Bssap K se ajqps SBXJJ JE (4) B§EZUO£) ap ogÓBJtfdsui t?p joijpui o "aj-rej j EU ouioo "souiExjuooua enb SEjau g -sr eossgd SEÔad SEp B}UOO B gg aiqçs 55 BIBCÍ jBrjduiB souiiapod ap ojuod B "[eossad oups ap op BJOU B upuBuossai ÍOIBUI taoo uiajtod opaBjqjA "(sEpsjp B( "art-rej j ep fi o i sBiiq SBO SBip ouioo) sojuguiiAoui siop só as-uiBJtqi[inba "f SB^no rag -QI Jtod uisáio OSOJOUIB opjua ojnd 9p SB oíUBnbua "O-TJUSO o a oudpjd 9[a anb ma SBÕad S B gg aiqçs jjj OBS "ajJBj jj Bjsgjyj -sosaaA sop OBISBOO sonata opd no "ojxaiajd o u ioo "ojmtu opuBnb "aogjBdB "BJOI[ epoj B Epuo -OAUI ajuBjsqo OBU "BipaBj^ "oSiB[ OOA UIBÓ[B OBÓBJOO o 9 O}uidsa o anb tua "BinpBâtaAaa ap sBiuaod sop BUOIBUI BII :B§Bzu of) ap Bisaod ep . como veículo para afirmar brilhantemente o seu ser. não bastassem para satisfazer certas necessidades espirituais. procuravam guardá-la para melhor partido. que o triunfo na carreira judicial. é mais provável que a descoberta d o amor e da poesia o tenham levado a descobrir a si próprio. (I. Entretanto. pobre e quarentão) tenha exacerbado esta tendência.

ijaui só uiBjsBijaoci anb soSuoj SIBUI soj.que veio encontrar mistura dos na decadente Vila Rica de Ouro Preto.i oi/jao. -ou o 2"wô "vtfijiVjn "a^puvraiy 19(iy}iadga. Pôde legar através das gerações. a sua grande mensagem é construída em t orno dele próprio. que entra muitas vezes como ponto de part ida e ingrediente. wnãoiv nos oyu "w. oo\/ rn. Graças a esta aventura humana e artística.O§BUrç O 9D9JEpSa 8 (OBSfjd Bp 8SEj) 9ÍJBJ JJ Bp SBJ} SBU JBUIUIOp ajB "BjpAB gnb "BAtjBoijiuSis BpuBísunojp Buin souiaqaojad "sBp^ (£*) * rsr. Tomás Antônio pôde traçar e exprimir o nítido co rno com que passou à história.f83 VIMO. não apenas da sua paixão.w"/f ""^r rBasanSBzaoã ZIJJBUI emd SIBUI 9 joinauí t. vssvd opni "vijMVfy ojoq miuijy (e) oaiim nos na "vjjuojy j}fua£ "noa ng (9) vj9j.IBJY ap siBiojsBd sajsaA SBU SIEUI ZQA Bpeo E-opuaA[OAU9 "BI^OJOQ jBjq gjao B a4uaui[Ed -puud Boi dB as B§BZUOQ "9pBpiaqi[ a oBÔjsod uiaj ojuBnbug -[Enímdsa apBppSaíui a apepiuãip #Bp OBÔBAiasaid ap osjnoai ojppEp -J9A "BPUÇJOBÍ BsoqinSio Buin aA[OAU9S9p gjaojEo op ojuauiEnijuoo o 9 Bossad Bns Bp OBÔBjsajiuBui ap BIA Eojun B asBnb imjpsuoo B EssB d Bisaod B opurnb "ofspd Bp asBj BU JBUiuiopaid UIBA a BnjnaoB as Bpnapua} Ejsg -BI ^A a apBpiuáip Biidçjd Ep OBÔBULIIJE Epd opEqjpuod O11940^ uin sB[a utajas iBp ísreossad SBJTJ sBp ootjioadsa #e os toques novos que trouxe à poesia. amadurecida e de certo modo recomposta pelo amor. SBJIJ SIEJ ura a}uauiE}j30 souiaiaoaquoo aj "aíJBj Bjsan o5tiB[Eq uin souuap as "aíoq g "ESOJOUIB oBÔBAnoj ap SBuiaod sop BUOIB UI Bp ajuujpiBS ourju o "so. dor e orgulho. Assim. a política e a desgraça . mas da sua personalidade total.ino so. a poesia. a milhares de homens e mulh res que se dobram sobre o seu canto de ternura. . u ma imagem de grandeza invulgar: . ojanbv são.aui uia BpBZBA "Bpuapijaoo BpBJnsara Bns Bp [9Atpunjuooui a OAOO ajqunj o aoajBdB " naAaJosa anb sajoqpui SB a-qtrap SBJIJ sias ma "uiaiod "JB Bf i-çooooi oiuauiBJpnB uitJ o Buiuiopajd apuo "gpBj j Bp "OBU no SBOIÍ -uçajoBUB "sBquisapo SB "[BaaS opoui ap " OBS -EIIJ. v sçu wa apod ofuvnb mo (r) " oMdnbvo.

seguindo da virtude a honrosa estrada. São tricas de defesa. São impressionantes a firmeza e a sabedoria reveladas nas liras da prisão. A pieguice pastoral se esbateu nos seus versos porque. e quando tais olhos buscavam o natural. penso eu. se fizesse de esperto. a confiança nas própri as forças. 27) Eu tenho um coração maior que o mundo. Aos olhos do homem culto. com uma segurança que será das posições-chaves do bardo romântico. que chegou ao . formosa. que anima o Arcadismo. Um dos melhores critérios para constatarmos a inautenticidade da f alsa in Parte é precisamente o desalento e a lamúria que a envolvem. amor e poesia refinaram a personalidade de Gonzaga. era por excelência o rústico. O árcade romano Termindo Sipilio foi o primeiro. e ba sta. (I. sempre a certeza da sua valia. O DISFARCE ÉPICO DE BASÍLIO DA GAMA r A oposição entre rusticidade e civilização. tão em contraste com a fibra dos demais poemas. (U. 120 #Assim pois. não poderia deixar de f avorecer no Brasil o advento do índio como tema literário. Nem um mo mento de desmoralização ou renúncia. onde tu mesma cabes.Eu é que sou herói. Marília bela. do futuro vidente que Hõlderlin definia mais ou menos por esse tempo e Ma galhães proclamaria mediocremente no Brasil. em 1836. 121 #3. Entretanto. à medi da que os compunha e se descobria. ia ficando cada vez menos o pastor Dirceu. 14 e 23). lançando dos jardins da Arcádia a sua forte a lma sobre a posteriodade. na língua portuguesa. "22) G afirmou a dignidade do poeta. um coração. re comendando Marília ao visconde de Barbacena e dobrando-se ao pé deste (II. Marília. 2) Não importa que por duas vezes fraquejasse ou. O que resta é a brusca tomada de consciência com que esculpiu contra o te mpo a sua figura. já que as compl icações da sua ordenação social escapavam na maior parte ao observador de cultura européia . bem o sabes. ele é o ca ntor de si mesmo. sem Dorotéia e se m Cláudio não teríamos a sua obra. ca da vez mais o poeta Tomás Antônio Gonzaga. Confiou mais do qus ninguém em si mesmo e na força imortalízadora da poesia Só podem conservar um nome eterno os versos ou a história (I. mais do que o cantor de Marília. nada m elhor que ele poderia representar a lei vivida segundo a natureza. equivalentes às que desenvolveu com habilidade no decorrer do processo. tu.

ao qual transfere o at aque: o jesuíta. fazer um panfleto antijesuítico para conciliar as graças de Pombal. notadamente de screver o conflito entre a ordenação racional da Europa e o primitivismo do índio. sentimos a cada passo certa indecisão entre ambos.s limites da convenção bucólica. plàstícamente mais rico e colorido. não sitando para isso em acolher o que de pior se dizia contra ele . como se o encantamen to pelo pitoresco levasse o poeta a lamentar intimamente a ruptura do ritmo agre ste pela civilidade imposta. revelando de ste modo evidente predomínio da sensibilidade sobre os propósitos racionais.seja s . quiçá o mais importante pa ra a formação da nossa literatura. didática. Ao contrário do que se dá 122 #em Cláudio. Esta indecisão é resolvida pela presença dum terceiro elemento. além de lhe dar conteúdo ideológ ico moderno. não se devendo perder de vista que é. pelas qualidades estilísticas do poeta. talvez o maior mérito de Basílio da Gam a consista no haver encontrado solução ideal para o epos setecentista. Nisto. Poder-se-ia com certa pertinência defini-la como uma espécie de écloga he róica. finalmente. Contrário a Durão e sua empresa algo extemporânea. ainda nítido nas obras de Cláudio. embora simpl ificada ao máximo na textura. optou pelo elemento mais débil. heróica. primeiramente. lírica. é erro considerá-l a epopéia. todavia. fazendo a litera tura tender à naturalidade e buscando apoio na convenção campestre para dissolver o ex cesso de formalismo intelectual. publicado um ano depois. marca um ponto decisivo. A virulência que não pôs na descrição dos combates fica-lhe reservada. com o "lobo vorás" surgindo a cada passo na roupeta do jesuíta. em 1756. a intenção ostensiv a. reduzindo-o a proporções cornpatíveis com o torn lírico. em cuja estrutura se percebe o canto alternado de pastores e citadinos. Obra bastante complexa do ponto de vista dos intuitos e diretrizes. O assunto é a expedição mista de portugueses e espanhóis contra as missões jesuíticas do Ri Grande. para executar as cláusulas do Tratado de Madrid. A análise revela. portou-se como homem do tempo. em seguida. que também outros intuitos animavam o poeta. substituindo aos pastores vergilianos estes filhos ma is lídimos da rusticidade. O seu poema Urag uai. Tanto assim que não conseguiu esconder a simpatia pel o ven cido.

págs. as notas se tornam verdadeiro suplemento em prosa. Esta estrutura peculiar revela claramente incapacidade épica de incorporar artisti camente o elemento ideológico. como quer José Veríssimo. Voltaire tinha introduzido com a Henriade a moda dos poemas largamente anotados pelo próprio autor. Introdução a Obras Poéticas de José Basilio da Gama. chei o de quebras na seqüência. pois o obj eto ostensivo lhes é confiado e o poeta. todavia. como este. Salvo em alguns trechos (sobretudo no Canto V. XXII). poden do-se considerar mutiladas essencialmente as edições que as suprimem. Valem deste modo como recurso para aliviar a sobrecarga polêmica.9 Basilio lhes atribui algumas vilanices primárias. Vraguai. como se vê também no Caramuru e sobretudo no Vila Rica. seja hipocritamente. chamando a si a tarefa proposta de combater o jesuíta e exaltar Po mbal. desenvolvido em dois planos co mplementares: o dos versos e o das notas. revelando um dos poetas mais puros d a nossa literatura. mas leve e brilhante. Não tenho notícia de outro poema que seja. o Padre Balda. mais (8) José Veríssimo. como é a de V arnhagen. onde vem também citada a oplnifio de Capistrano (pág.incera.8 No entanto. Note-se o estranho caráter desta edi . que paira nos versos para alojar-se r ealmente nas notas. livre dum máximo de não-poesia. já que o Padre Tedeo apenas se vislumbra. correndo par alelo ao verso. como querem Capistrano de Abr eu e Afrânio Peixoto. "Nota preliminar". jesuíta de carne e osso só aparece um. nele parte integrante da composição. reservand o o grosso do ataque para o jesuíta abstrato. No Uraguai. pode abandona r -se às aventuras líricas que lhe são caras. e faz do Uraguai um poemeto algo mal construído. 43-4 Afrânio Peixoto.

ção comemorativa fac-similar, criticamente #excelente, onde tudo converge para vilipendiar o poeta a pretexto de lhe c elebrar o bicentenário. (9) Sobre estes padres, e principalmente o primeiro, defensor te naz das reduções contra a incorporação à Coroa portuguesa, v. o livro recente e interess antíssimo de C. Lugon, La republique communiste chréttenne dês Guaranis. Quanto à deformação a que os submeteu Basilio, consultar com precaução a Reposta (sic) Apologética ao poema intitulado o Uraguai, etc., publicação anônima do jesuíta Lourenço Kaulen. 123 #político), o encanto do leitor é ininterrupto. Variedade, fluídez, colorido, moviment o, sínteses admiráveis, caracterizam esse decassílabo transfundido de melodia, não obsta nte equilibrado e sereno, onde o verso branco tão querido à teoria poética do

s Árcades encontra a sua mais brilhante expressão. Nele os românticos moldarão o seu: e ao lê-lo pressentimos Gonçalves Dias. Aqui a naturalidade combina a razão e o sentimen to, como queriam as melhores tendências do Setecentos. Em composição relativamente longa, admira a raridade dos prosaísmos e o impecável born g osto. Ao lado da inspiração, havia em Basilio aproveitamento requintado e abundante das leituras, inclusive paráfrases ou imitações de verso dos mestres, preconiza

dos pela estética do tempo: Vergílio: 2Vos se-us lugares cada qual imóvel Pende da sua boca.. . (D Rompe, sem fazer dano, a terra dura, E treme fora muito tempo a hástea. (H) Petrarca: ... e o país belo, que parte O Apenino, e cinge o -mar, e os Alpes. (in) Tanto era bela no seu rosto a morte. (IV) Camões: Já a, nossa do Mundo última Parte Tinha voltado a ensangüentada fronte Ao centro luminar. (in) Tasso: O rouco som da irada artilharia. "(I) Tu, vive c goza, a hiz serena e pura. (V) Nele a sensibilidade era plástica: não voltada para o escultórico e o arquitetônico, à man eira de Cláudio, mas para os arabescos e os matizes, que dão ao verso movimento contín uo. Apreende o 124 #mundo sensível com verdadeiro prazer dos sentidos, e a ordenação formal que lhe dá nunc a vai ao ponto de transformar os seus aspectos em valores intelectuais, ou seque

r simbólicos. O Rio de Janeiro, onde se educou e ao qual estava ligado por família e amizade, parece ter sido a sua terra querida, a cuja lembrança se manteve preso , por uma nostalgia que o fez sentir-se estrangeiro noutras partes. Daí, e das via gens, nasceriam porventura o gosto pelas coisas do mar, as cenas e imagens aquátic as, a

sensibilidade líquida do verso, O brilho húmido encontrado não só no Uraguai mas em toda a obra restante, e que avulta rão ainda mais no seu amigo Silva Alvarenga, outro mineiro transplantado ao Rio e completamente seduzido pelas Verdes ninfas azuis do pego undoso. (Son. VI) No Uraguai, recria a frescura dos bosques, as águas claras, a cor das plumas, flor es e tecidos; e nas cenas coletivas é belíssima a contínua translação de pormenores, sem d esmanchar contudo a ordem serena da descrição. Tanto os brancos (A) quanto os í

ndios (B) são ordenados conforme valores plásticos, distribuindo-se como cornponente s de espaços diversos; as batalhas (C) definem um espaço novo. onde os valores se mi sturam em novas combinações. (A) com grandes passos, firme a testa e os olhos, Vão marchando os mitrados Granad eiros. (B) Leva negros penachos na cabeça; São vermelhas as outras penas todas, Cor que Cepé usava sempre em guerra. (A) Toda essa guerreira Infantería, A flor da mocidade e da nobreza, 1 Como ele, azul e branco e ouro vestem. (B) Esta foi de Caçamba a esquadra antiga; Penas da cor do céu trazem vestidas, com cintas amarelas. (A) Este o primeiro Ensinou entre nós por que caminhos Se eleva aos céus a curva e grave bomba " Prenhc de fogo. 125 #(B) ... são tão destros No exercício da flexa, que arrebatam Ao verde papagaio o curvo bico, Voando pel o ar. (A) ... fortes dragões de duros peitos Erguem nuvens de pó por todo o campo Co" tropel dos magnãonimos cavalos. (B) ... e vem guiando Tropel confuso de cavaleria, Que combate desordenadamente. (C) Qual fera boca de lebréu raivoso, De lisos e alvos dentes guarnecida, Os Índios ameaça a nossa frente De agudas baionetas rodeada. E: Erguem todos um bárbaro alarido E sobre os nossos cada qual encurva Mil vezes, e m il vezes solta o arco Um chuveiro de setas despedindo.10 A finalidade das citações é sugerir ao leitor a equivalência plástica de que se vale o poe ta para estabelecer o contraponto do civilizado e do silvícola, visando nova inter pretação do seu conflito, na qual procura ao mesmo tempo simpatizar com os pov os naturais e confiar na obra civilizadora. E aí está outro fator de abrandamento do

espírito épico: o poema deixa de ser a celebração dum herói para tornar-se o estudo de um a situação. Ã guerrilha do sul, superpõe-se o próprio drama do choque de cult

uras. Por esta generalização do caso particular, JJasílio se inscreve no espírito da época, e to do o Uraguai desprende um sentimento sereno das coisas naturais, humanizando a p aisagem, valorizando o trabalho, desprezando o dinheiro, e (por incrível que pare

ça numa epopéia de assunto militar) a própria guerra. Vinha logo de guardas rodeado, Fonte de eritnes, militar tesouro, Por quem deixa no rego o curvo arado (10) Os versos marcados com (B) pertencem ao canto IV. 126 (A) e (C) são do Canto II; os marcados corn #O lavrador, que não conhece a glória; E vendendo a vil preço o sangue e a vida Move, e nem sabe for que move a guerra. (D É a paz vergiliana cantada nas pastorais, em que a presença do trabalho confere dign idade à paisagem, desvinculando-a do pitoresco imediato para vê-la como Natureza, (n maiúsculo) fonte da vida, guia da Razão. No formoso trecho do Canto IV, que princi

pia: Mas quando o Sol, de lá do eterno e fixo Purpúreo encosto do dourado assento sentimos, mais do que uma descrição poética, apelo ao equilíbrio trazido pela paz e o tr abalho; reverência pelas suas artes - agricultura, pecuária. Noutros passos, reponta o carinho pelos amigos do homem O cavalo... forte e brioso; (in) ... o imenso gado, que dos montes desce. (in) Esta visão civil é mais um elemento para frear o ímpeto bélico, transformando as cenas m arciais em motivos plásticos, pois a guerra aparece (a quem sabe ler) como ruptura malsã do estado ideal de harmonia. O próprio herói, Gomes Freire de Andrada, cum

pre o dever sem entusiasmo e não se rejubila nas vitórias: ... Descontente e triste Marchava o General: não sofre o peito Compadecido e genero so a vista Daqueles frios e sangrados corpos, Vitimas da ambição de injusto império. (in)

Daí a simpatia pelo índio, que, abordado quem sabe inicialmente por exigência do assun to, acabou superando no seu espírito ao guerreiro português, que era preciso exaltar , e ao jesuíta, que era preciso desmoralizar. Como filho da "simples natureza", e

le assomou à primeira plana da consciência artística de Basílio, não só por ser o elemento steticamente mais sugestivo (como ficou dito), mas quem sabe como recurso para m anter a integridade espiritual, comprometida na lisonja ao militar, esmagadoram

ente superior, e 127 #no excessivo denegrimento do padre. O indianismo surgiu assim como renovação da antít ese arcádica e amenização da loa política, e tal foi a sua simpatia pelo pobre silvícola, amolgado entre ambições e interesses opostos, que atenuou para ele o modo h

eróico. Descreveu-o de preferência nos passos tristes, mostrou-o hesitante em face d a aventura a que o lançavam, como se vê na bela fala de Caçam bo: Gentes da, Europa, nunca vos trouxera O mar e o vento a nós! Ah! não debalde Estende u entre nós a natureza. Todo esse plano espaço imenso de águas. (II) Embora ressalte a sua valentia, a nota principal do Uraguai parece o sentimento (bem setecentista) da irrupção do homem das cidades no equilíbrio de uma civilização natur al, cujo filho surge como vítima de espoliação inevitável, pois O sossego de Europa assim o pede. (II) Esta consciência de desajuste cultural motiva em Basílío a aludida simpatia e distingu e o seu Cacambo (manso herói guerreando a contragosto e correspondendo deste modo ao Gomes Freire amansado do poema) dos marciais timbiras e ubirajaras altissonan tes

do indianismo romântico. É um pastor infeliz por quem suspira a terna Lindóia, nome q ue o poeta inventou com eufonia bucólica para representar um personagem muito pare cido às Marílias c Ormias da tradição. Aliás, ao contrário do que se tem dito, o n ome do herói não é tomado ao Cândido, de Voltaire. Existiu efetivamente um índio missionei ro assim chamado; procurando entrar em contacto com o general português, despertou a suspeita dos cornpanheiros, que tencionaram matá-lo. Por intercessão do Pad re Balda, foi contudo preso, e na prisão morreu. Como se vê, aí estão os elementos de qu e partiu Basílio para o personagem, cuja morte atribui ao jesuíta, alterando os fato s. Penso desfazer de vez um equívoco literário com este esclarecimento, encont

rado na citada Reposta Apologética. (págs. 132-133)11 (11) Iníorma-me o Prof. Carlos Drumond, do Departamento de Etnograíla Brasileira e Lín gua Tupl-Guarani da Universidade de São Paulo, que o Dicionário Botânico, de Bertonl, registra: "Caacamby, Euphorbla, sp./ierbaceue erectae", de onde poderia ter par

tido a modificação admitida pelo prof. Egon Schaden, consultado por mim: Csacaraby Cacambu - Cacambo. O índio assim chamado íol provavelmente referido nalguma notícia d os acontecimentos das Missões, onde o encontraram #Basílio, para celebrá-lo. Voltaire, para efeitos burlescos. 128 #Devido ao tema do índio, durante todo o Romantismo o nome de Basílio da Gama foi ta lvez o mais freqüente na pena dos escritores, quando se tratava de apontar precurs ores da literatura nacional. Convém todavia distinguir nele nativismo e interesse ext

erior pelo exótico, parecendo haver predomínio deste, pois o indianismo não foi para e le uma vivência, como para os românticos; foi antes um tema arcádico transposto em rou pagem mais pitoresca. Também o preto africano lhe feriu a sensibilidade, tendo sido o primeiro a celebrá-lo no Quitubia, mostrando, como registrou Diniz, que a v irtude é de todos os lugares. (Soneto II no IV Tomo das Obras) Esta universalidade anima o Uraguai, e sob tal ponto de vista a sua obra aparece como segundo momen to na i

ntegração da nossa realidade à tradição cultural européia. Enquanto Cláudio trazia ao Brasi disciplina clássica, Basílio da Gama, sem transgredi-la, mas nela se movendo com ma ior liberdade estética e intelectual, levava à Europa o testemunho do mu ndo novo. Leva de estranho céu, sobre ela espalha Co"a peregrina mão bárbaras flores, diz na breve e esplêndida peroração do Uraguai. A "peregrina mão" era o próprio "gênio da i culta América", invocado no exórdio; a sensibilidade nova que desejava incorporar à li teratura eram os "sentimenti dei mio paese" que se gaba de exprimir, na c

arta a Metastasio, onde firma: "Basílio da Gama, brasiliano". Apesar de residente em Portugal quis acentuar a qualidade de brasileiro e sublin har o teor exótico do poema, "il cui soggetto è tutto americano". O restante da sua obra é também muito ligado ao Brasil, - não apenas no orgulho pelo seu progresso (tema

os cavalos descompassados dos índios. o Uraguai revela concepção segura e alt o e quilíbrio criador. A informação do poeta era sem dúvida improvisada. enquanto dura. Teus olhos deixarão de ser estrelas. Arrependida de ter sido ingrata. Talvez por isso mesmo sejam tão poéticos. na Ode II e no Soneto VI). por causa delas. Marfisa cruel. mas ainda pela tradução duma parte do poema didático de Dorat sobre La Déclamation Théatrale. Verás murchar no rosto as faces belas. feitos para a citação. Já que dura tão pouco a flor dos anos. . 129 #II Pois se sabes que a tua formosura Por força há de sofrer da idade os danos. mas na impre gnação sentimental. resultando índios esboçados sumariamente. É somenos.fraca poesia. como se vê não só pelas epíst las críticas de Silva Alvarenga. a curva da bala. indagar se representa convicção s incera ou é ato de bajulação pura e simples a Pombal. "A uma senhora natural do Rio de Janeiro". corn o tempo que tudo desbarata. não há pormenores que revelem conhecimen to. seja da vida nas Reduções. onde fere o velho ass unto do amor ameaçado pelo tempo e é um dos pontos altos da nossa poesia: Já.usa o decassílabo de rima emparelhada. o galope uniforme da cavalaria. Que é um maravilhoso artífice. Mas além da maestria. renegando a condição anterior de nov iço e protegido dos jesuítas. e tudo mostra qu e jamais conseguiu de novo a perfeição dos incomparáveis versos soltos do Uraguai. onde empregou pela primeira vez em nossa língua o alexandrino de 13 sílabas para verter o dodecassflabo francês. seja dos costumes primitivos.da nau Serpente. Gozemo-nos agora. que aparece no Uraguai. Basta o leitor reportar-se à série mencionada mais alto em paralelo para se capacitar do seu supremo virtuosismo: o passo cadencia do dos granadeiros. E as trancas de ouro converter-se em prata. No Q uitubia. e dos poemas longos da literatura brasileira talvez seja o Uraguai aquele em que há maior número de versos expressivos e lapidar es. Parece que se preocupava com problemas de estética literária. . me não maltrata Saber que usas comigo de cautelas. já que os formou . não há dúvida. inclus ive o Soneto VIII. mas não desprezível para compreender o poema. Que inda te es pero ver. Fruto de experiências cariocas é o que ficou da lira amorosa. Por que me negas hoje esta ventura? Guarda para seu tempo os desenganos.

pró e con tra a Rússia. É mesmo possível haver re cebido material do acerbo #ministro. que nem po . porém. 130 #certo é que "concluída a Obra lha e aprovar pela Mesa Censória". Por que não se impressio naria honestamente o inflamado e volúvel Basílio (assim o mostra desde a infância o autor da Reposta) com o peso e a verossimilhança da piopaganda. b sta ser homem do nosso tempo e ver o que se diz e acredita. exemplos. não aderiu à Viradeira nem acompanhou os confrades no vilipendio ao poderoso homem de Estado. que "lhe facilitou os meios e subministrou documentos". Segundo Teófilo Braga . que agisse por ma deve ter mostrado a presença da ua mente criadora. que apenas hoje es tamos conseguindo avaliar com certa objetividade? Não seria difícil ao leitor dos fi lósofos e de muitas publicações de propaganda. qualificado de ""charco imundo donde bebeu todas aquelas notícias falsas". com adesão dos home ns progressistas. Quanto aos acontecimentos militares. Dedicou-lhe mesmo um mau soneto. patrocinada pelos governos. A luta contra a aliás poderosa e prepotente Companhia de Jesus era parte das refor mas de Sebastião José de Carvalho. cobiça. assassínio).com a sensibilidade. limitou-se a indicações extraídas da Relação abreviada. publicação antijesuítica mandada fazer por Pombal e fonte onde hauriu argumentos. A comparação dos dois textos d eixa claro que procurou exprimir exatamente a linha oficial de propaganda. por opinião e por reconhecimento à proteção recebida. para compreender que um espírito liberal do século XVIII não ma ntivesse perfeita isenção. É preciso ainda fez imprimir em born caracter na Estamparia Real má fé. se agiu em parte por interesse. às vezes os próprios termos. a análise do poe inspiração e de problemas que a situação despertou na s lembrar que a campanha antijesuítica na Europa era extensa e violenta. que incensavam na véspera. Quanto às injúrias assacadas aos padres (luxúria. que nela viam a própria marcha das Luzes. e tudo leva a pensar que Basilio as aplaudia sinc eramente. apoiadas no parecer e testemunho de bispos e teólogos. sem o esforço erudito a que se abalançaria mais tarde Santa Ri ta Durão.13 Não decorre. por exemplo. e a R eposta Apologética não mente quando chama à Relação o "seu Alcorão".

P. G. 14 No soneto de um E.13 í (12) Reposta. "Notícia". Se os louros de Minerva canta Alcindo? Para os adversários. págs. Felinto Elysio e os dissidentes da Arcadia. A influência de Basilio da Gama se manifesta na preocupação com a teoria literária. jã influente. estudante em Coimbra. onde o son eto foi publicado pela primeira vez. 210 e 211. à tua glória. Em pena d"incensar o vão Tremindo. 131 #4. apresenta ndo-o a Pombal. os dois nomes vêm associados. POESIA E MÚSICA EM SILVA ALVARENGA E CALDAS BARBOSA l* Basta ler os poemas juvenis de Manuel Inácio da Silva Alvarenga para avaliar a inf luência exercida sobre ele por Basílio da Gama. conterrâneo que admirava e queria bem.r haver permanecido inédito prova menos a convicção íntima. sendo depois reproduzido na edição de JOBÉ Veríssim o. prestlgiando-o. bem que eloqüente". etc. 211 ) Estas indicações ajudam a passar de um a outro. porém. (13) Teólilo Braga.. saudando o Desertor. onde Cruz e Silva dá largas d e modo grosseiro ao seu pendor pelas metamorfoses: É Palmireno que eu mudei em burro. levando às últimas conseqüências a busca da naturalidade. (Cent. Basílio. 439. guiando-o no início da carreira literária. o mais velho seria um vaidoso e o mais moço seu caudatário servil . Censura o satírico Toleutlno e começa pelo verso: "Poeta português. págs. co m o de confrades estreitamente unidos: Ao índio livre já cantou Termindo. grande rei. a ad oção do alexandrino. mostrando que Alvarenga partiu de Ba sílio como este partira dos primeiros Arcades. cit. O brilho macio e sereno do Uraguai se transformará em Claura numa verdadeira desarticulação da medida intelectual. e pela melopéia adocicada na forma. que nele se exprime pelo sentimentalismo algo lamurioso na psi cologia. Que falta. 39-42. em benefíc io da sensação fugidia. 205. como se depreende dum soneto burlesco e malcriado. I. houve uma evolução cujas etapas devemos re gistrar. dura . teria animado e protegido o patrício. pág. Até lá. que aliás sabe usar (14) Segundo Joaquim Norberto. nas Obras Poéticas.

que cultivou mais do que outro qual quer poeta brasileiro e compreende quase a metade da sua obra: a Ode à reforma da Universidade de Coimbra. aparecem n"A Gruta Americana. avulta na sua produção a tendência d idática. como. verdade ira apoteose do exotismo onde a pátria surge sob forma de índia. e já vimos que não só expõe certas tendências do movimento. prenuncia algo do futuro. Prostrado aos pés da intrépida matrona. que exprime (15) O desejo não lhe deu sorte: quando foi preso no caso da Sociedade Literária (v. o sonho de requerer uma sesmaria pa ra as bandas de Itaguaí. Anfíbio habi tador da ardente zona. "nas oras de malancolia". aluno do poeta. §5). o culto da emoção. O Desertor. IV. m aneiras polidas e porte nobre na sua elevada estatura. Mas que carro soberbo se apresenta? Tigres e antas. confirmada pela disposição insistentemente comunicada aos amigos de largar a cidade e meter-se no sertão. dedicada ao amigo. #133 . . fortíssima Amazona Rege do alt o lugar em que se assenta. ao lado de "dríades f ormosas" e "faunos petulantes". do claro céu ínclita filha? Vistosas penas de diversas cores Vestem e adornam tanta maravilha. os poemetos Os Vícios e A s Artes. LXI. Januário da Cunha Barbosa.este composto já de volta ao Brasil. e o americanismo poético. A tradição aponta nele profun da melancolia. não indianista. Antes da sua irrupção feéri ca nos rondós. mencionemos agora a Epístola a Termindo Sipílio. 405-406. as duas Epístolas. provavelmente inspirada na paráfrase de Basílio a Dorat e e scrita no mesmo metro. ("Devassa ordenada pelo Vice-Rei Conde de EeBende-1794" ABN . descreve-o como pessoa amável e jovial. suspeitaram dessa "república"" e ligaram à sua misantropia pr opósitos subversivos. O pseudônimo arcádíco do poeta foi Alcino Palmir eno. Na primeira fase da carreira. Verde.nte a estadia na Metrópole (1771-1777). Deixando para outro lugar o aspecto militante desta poesia. vivendo solitário numa "república de bichos".15 Esta disposição de temperamento levá-lo-ia a ressaltar na teoria literária os valores da sensibilidade. adequada ao espírito filosófico do tempo. adiante o cap. escatnoso jacaré se humilha. Quem és. desenvol vendo algumas dentre elas. mas visível na exploração de temas e imagens nutridos de natureza brasileira. 132 #corn mais segurança e fluência. É uma das peças mais brilhantes da crítica neoclássica na li teratura comum. po r isto acariciava. vivida em Portugal. págs.

aqui. Se a minha musa estéril não vem sendo chamada. chegando a fechar a Epístola II. num momento em que ainda havia remanesc entes da maneira velha: . pelo contraste entre a sua aridez desenxabida e a frescura. Debalde é trabalhar. 5 3. a que em meu verso diga Quanto vi. O sofrimento se insinua. do pr esu nto. que me obriga Por teima de rimar. um toque do que será o "filistino" romântico. como foi apontado mais alto. Mas é precisamente essa parte laudatória da sua obra que prova a sinceridade da teor ia poética expressa na Epístola I. quanto sei. louvando o rei. mas assumindo. manifesta repulsa pela imagem rebuscada. 134 #Ao lado do culto pela sinceridade (mais postulado estético do que vocação na maioria dos Árcades). como peça na panóplia do artista: Tu sabes os empregos que uma alma. gemidos e desmaios. a rainha. a Indiscreta vangloria aquela. É verdade que ele próprio abundou no verso de circunstância. retratado conforme a tradição satírica do sau dável e obtuso realista (cujos traços identifica aos de um personagem do Uragu ai). e ainda é necessário Mil vezes folhear um grosso dicionário. verberando. Cap. Ao criticar o tropo culterano. nobre busca. defendendo uma simplicidade que. porque não sofre. num período de poesia bastante qu otidiana e celebrativa. (16) Cfr. E aqueles que são dignos do mandrião Patusca. pág.#os impulsos naturais e corresponde a verdades mais fundas que as da razão. em boa paz. honra lhe seja. pois não virá forçada. deste modo. Firme nesta concepção da poesia como obra do sentimento profundo. Que alegre. à margem de um a arte que não percebe. a D. como expressão de do r. que sofre e pensa. toco a difícil meta. dos saborosos paios. José. o vice-rei. há nela um trecho que prenuncia o tema de Joseph Prudhomme: o paralelo d o poeta. com o burguês. I. Do vinho. repele o verso feito por exercício. com a seguinte barretada: Da meônia carreira. quase tod os em Glaura. corado e bem disposto. sen te-se a posição estética assumida com veemência. a riqueza dos versos compostos a partir da inspiração sincera. O amor da vossa glória foi quem me fez poeta.16 Além disso. Insensível a tudo não muda a cor do rosto: Nem se esquece entre sustos. sempre observou fielmente. Poriss o o "si vis me flere" de Horácio aparece como algo mais que um chavão de escola na E pístola a Termíndo Sipflio. 51.

que podemos extrair da Epístola. harmonia e ritmo". Nessa rejeição. de maior varied ade rítmica. em tradução bastante pessoal: Adeus. a que aspira."alta e copada árvore de excelentes pomos do Brasil". assinalando a decisão de arquivar a musa heróica. fiéis ao sub . quase todos obedecendo a um esquema métrico e estrófico i nvariável. explica em nota aos europeus. se um tronco. realizando-se como poeta e abrindo lar gam ente a porta para as tonalidades sentimentais. ele se at ira deste modo à grande aventura de Glaura. caiu no extravagante. inadmissível à concentração lírica. o verdadeiro zelo Do born gosto nascente que bane os Equívocos malvados. Vós do péssimo gosto os mais prezados filhos. e muito tarde. porque estes têm um inato amor à imitação. mesmo acomodada ao século. que deixou totalmente de lado.. por um favor divino Nasce por entre nós quem de coroa é d ino. inspirada segundo a harmonia natural.. o nde escreve: "A imitação da natureza. pe la qual têm os homens "um inato amor". Versam o sentimento amoroso e sobretudo a pena de amor. Daí ter sentido a incompatibilidade entre a teoria neociássica e a epopéia. adequadas à pesquisa lírica e expressão dos estados poéticos. e 57 madrigais. E aconselha o sentimento justo das proporções e distâncias. Dos heróis te despediste. O tema volta no primeiro rondo e condiciona todo o livro. por buscar o belo. De agradar-te sou contente: Sacro loiro não me inflama: Da mang ueira a nova rama Orne a frente do pastor. Do sombrio espanhol os góticos eni gmas. Esse ideário. escândalos corr uptos. . mas de folhas da man gueira . ou jaspe animas. não de louro. como desejo lançado sobre o futuro em prol dum lirismo pessoal e localista. em que consiste toda a força da poesia. O modo subjuntivo do último verso soa como voto. Este ri tmo. Por imitação da natureza deve-se entender a obediência do po ta à sugestão dos sentimentos humanos. esta variação na intensidade relativa das emoções e das paixões é que deve fundamentar a expressão literária. Que inda entre nós abortam alentos dissolutos. co no seu caro Basílio. Pois tarde. toma significativamente por símbolo do lirismo confidencial. É este o significado da epígrafe de Anacreonte que antepôs a Glaura. Mas de flores na coroa Inda ex iste o teu louvor. Este. A sua teoria busca a moderação formal. . para concentrar-se afinal #nas formas breves. é o meio m ais eficaz para mover e deleitar os homens. Sob o patrocínio de Anacreonte. Verdes indignações. ó Heróis. tomado a Metastasio como adiante se verá. O livro consta de 59 rondós. apontando a raridade do gêni o. cuja manifestação tende a um certo ritmo. Por quem musa eterna soa. que enfim Nas cordas da doce lira Se respira <i terno amor. ao contrário de quem .Tu sabes evitar. frívolos trocadilhos. uma coroa. está resumido no prefácio d"O Desertor.

dando-me por pago se consegui-l o. Deliciosos. traduzida tão completamente em imagens. e logo cortada pela morte da amada. onde os contornos da natureza adqui rem fluidez musical. simétrico ao do Barroco.título ." 136 #Se foram ou não inspirados por uma grande paixão infeliz. percorreu de maneira sempre excelente as mais caprichosas formas.17 (17) "Peço ao verso o esquecimento das misérias. Sente-se antes uma atmosfera poética saturada de sentímentali smo até à obsessão. avulta o equilíbrio realmente admirável de Gonzaga . a recuperação da palavra natural contr a o artifício supernatural dos culteranos atinge um ponto a que só poderá suceder a av entura romântica. outro tipo de desequilíbrio. mais brasileiro na sensibilidade rítmica.como dizem biógrafos inclinados à fantasia .o alto espírito neoclássico no Brasil quem realizou a mais per feita compenetração da matéria poética com o sentimento natural da vida. Entre a superordenação do grande artífice que foi Cláudio e a s a complacência afetiva.único dos três que. Cláudio encerrou no arcabouço rígido dos sonetos grande parte d a veia lírica. apel ou para os rondós de Glaura. revelando ao mesmo tempo capacidade menor para or denar formalmente a emoção. trazendo a exaltação da natureza em detrimento da palavra. ou seja. leves. menos profundo. mais terno. . mais sentimental."Poemas eróticos de um Americano" . mas indic . Em Manuel Inácio. Silva Alvaienga . Alvarenga. que o mundo real se atenua e m face duma espécie de lírico jardim além da vida. que precede a de Anacreont e e indica o seu estado de espírito: Carminibus quaero miserarum oblivia rerum: Praemia si studio consequar is ta sat est. ficando entre ambos a ten tativa neoclássica de estabilizar os pratos da balança. não precisando escravizar-se a uma determinada estrutura métrica p ara equilibrar o impulso criador. saborosos como modinhas. deixou-se ir a certa facilidade que revela obediência passiva ao espontâneo.e à epígrafe de Ovídio. Talvez seja Gonzaga .o fato é que não se sente aqui a presença dela.

er. A estro fe. A melopéia adocicada dos rondós se baseia na retomada invariável (diríamos às vezes implacá el) do mesmo esquema estrófico e métrico. o sistema de rimas e a constância da redondilha isorrítmica. o certo é que su a obra é a primeira na nossa literatura que propõe aos vindouros. Manuel Inácio não o restauro u: ma s. bem cedo. (em ar.a e 7. muito fácil. a ssim chamado certamente devido ao estribilho e à recorrência dos consoantes. No estribilho as rimas são internas. a certo automatismo. quase sempre. se de um lado o espírito criador trabalhava para depurar o conceito e o sentimento . De qualquer modo. pois devemos chamá-las deste modo apesar de separadas em duas quadra s na edição original. E F F D G H H D D. v ariando bastante o encadeamento da rima. que se poderia qualificar de "rima diretora".C. segundo o esquema: .ando.B.E. . de modo si stemático e absorvente. or. A B C D D rima obrigatoriamente com a rima final de cada oitava. é obrigatória em todas as estrofes e. certa tendência para a inércia intelectual e o clichê. apenas suspenso #em meia dúzia dentre eles e que já se pôde ver nos exemplos citados: o estribilho de quatro versos retomado após 137 #cada oitava. que por sua vez obedece ao esquema: . . Salvo erro ou inadvertência. adotando o rondo com a mesma regularidade e espírito de sistema. na adoção sistemática. Silva Alvarenga foi o inventor desse tipo de rondo. na verdade. é possível que est ivesse buscando caminho mais fácil para a inspiração. que os utilizou largamente nas árias de dramas e cantatas.A. É. Tanto quanto posso julgar. um modelo de poesia lírica em metro fácil e cantante. habituava-se de outro. há porém apenas um passo da sua obra onde a oitava (ou quadra justaposta) aparece exatamente com o a . encontrou-as todavi a p rontas em Metastasio. tornando ainda mais insinuante a e xcessiva melodia devida ao travejamento das outras rimas e à acentuação invariável do setissílabo (3.a). O abandono do soneto foi atitude significativa de Gonzaga: na sua regularidade. a anestesia da razão pela musicalidade superf icial. de sabor quase popular.).

considerada o modelo de onde saíram os rondós: Piú non hanno i prími alho ri (A) Lê lor ff elide rugiade. "Blograíla de Manuel Inácio da Silva Alvarenga". e é ao mesmo tempo o único caso em que não a utiliza isolada. e para melhor se conhecer esta verdade. afirmou em nossa poesia a tradição da estrofe isorrítmica. U rio (D) Al terren piú non comparte. mas em toda a seqüência de um poema: trata-se da cançoneta L"Estate." vs. que foge à cançoneta erudita e q uas e apela para o violão: (18) J. dignificando-a enquanto portadora de um roteiro afetivo cheio de inspiração colorida e delicada. (B) Piú dal ciei pioggia non cadê (B) 138 #Che ristori (A) e Verbe e i fior (C) Alimento U fonte. desde logo. um encantamento pelo ritmo fácil e a imagem saborosa. (C) Costa e Silva já o havia percebido. como é lógico. se conhece o estudo que o poeta havia feito das lin das cançonetas de Metastasio. com o seu ouvido de músico. (A citaçã laudica no 3. de 1724 . sequiosa de músic a. M. um abandono por vezes dengoso. como ária. coteje-se (o ) estribilho com a primeira estrofe da cançoneta do poeta romano. deste modo.. que pode ser. pela es colha e disposição das rimas. Manuel Ináci o sentiu quanto essa melodiosa solução italiana afinava com a índole do v erso leve português e a nossa tendência para a melodia epidérmica. transc rita nos "Juízos Críticos" retinidos por Joaquim Norberto na sua edição. intitulada Estio : Or che niega i doni suoi La stagion dei fiori amica. inclusive o vago torn de serenata. Cinto U sen di bionda spic a Volge a noi L"estate U piè. e não " ."ÍS E assim vemos que o ritmo de Glaura.empregou o nosso poeta. Usando-a sistematic amente. O leitor dos seus poemas amorosos sente. da Costa e Silva. quando escreveu: "Pelo corte musical (das) est rofes. obra mais afim à sensibilidad e brasileira. onde se lê no original "crin". é transposto do mais fam oso poeta das línguas neolatínas no século XVIII. pág. (E) Che si fende in ogni parte (E) Per desio (D) di nuovo umor. pela acentuação dos versos tão bem calculados para as cláusulas do canto. 17. Deste modo. tão nosso e tão popular. prenunciando um aspecto importante da poética romântica. deu-lhe cunho pessoal ao confiar-lhe a sua mensagem lírica.

atenuar os aspectos agressivos da corte amorosa: 140 #Deixo. Menos por haver inserido plantas e bichos do Brasil. 1815? 12 voluines. quanto às citações de Metastasio.sen"). No seu bestiário (é o único árcade que deixa de lado carneiros e ovelhas) passam a cobra . o morcego. que por ter suscitado ritm os tão brasileiramente langorosos. geme agora Oprimida do calor. 5 volumes. Tanto mais. que nas edições antigas não apenas a oita a aparece dividida nas suas quadras componentes. Que cantou ao ver a Aurora. E buscaram doce abrigo: Vem comigo. pág. .. 1846-1954. E des maia a tenra flor. Esmorece o arvoredo. tst? artifício é suprimido e a estrofe impressa como oitav a. cantado em vários rondós e madrigais como alegoria da sua atividade amorosa. o elefante. Aquela ave enternecida. a triste lida Submergida em doce calma. Glaura. mas o animal realmente caro ao seu verso. Des ejo de identificar-se voluptuosamente a passarinhos eufêmicos e. além da b ranca pomba. mas de envergadura mediana. #Stevf^^n^fn1^" todavia". E a minha. Vês a plebe namorada De volantes borboletas? Loiras são. certamente. A superfície polida dos rondós recobre. ó Glaura. II. Abre as asas. e azuis e pretas. Arde o musgo no rochedo. é o beija-flor.6?/6/ °le\e dl PíetTO *"*M*"to. vol.. escudado na sua d eli cada pequenez. merece a estima que lhe votam os amantes da cor local.rS/f^". a onça. Tu tte lê opere ai Pletro Metastasio. É o negaceio quase masoquista que Mário de Andrade estudo u no Romantismo e caracteriza tão fundamente a nossa poesia popular e erudita. as Ninfas te chamaram. pág. para desvendar a rima interna: E 1"ertie e i fior. 771. 352. Tudo. vol v. mas o último verso de cada uma é de sdobrado. Um gosto poético mais apurado esbarra porém de entrada com a monótona elegância desse "m estre de facilidades". quanto a personalidade literária que os anima não denota relevo apreciável. ah! tudo a calma sente: Só a gélida serpente Dorme exposta ao vivo ardor. adotado por Joaquim Norberto na sua edição de Silva V tóz §52. Note-se. consciência artística bem armada. De mescla da e vária cor. E o caminho certo. e nesta gruta Branda escuta o meu amor. 139 #Ferve a areia desta praia. (XIX) Foi o primeiro em nossa literatura que sentiu e exprimiu certos tons da nossa se nsibilidade: o quebranto da volúpia à flor da pele e a surdina em que gostamos de ca ntá-la. Todo o campo se desgosta. alma ao bem.

Todo o corpo num instante Se atenua. ancorando-a no leito sereno da mais pura harmonia neocláss . na sua obra . também chamado "Beija-flor" e contando idêntica transformação. nem a visão plást ica de Cláudio Manuel. No rondo IX. prenuncia. mais do que os outros árcade s. ele próprio born violinis ta de salão) anuncia um traço básico do Romantismo: a musicalidade que dissolve os val ores específicos da palavra. sob o torn seresteiro q ue lhe dá o poeta. Se não vibrou em seu verso a humanidade profunda de Gonzaga. Eu me ria. Ninfa. e tu pensavas Ve r-me cheio de temor.se entrega. e talvez por habitar o 141 #Rio de Janeiro. e ficaríamos quase tentados a dizer que ele se encontra meio deslocado entre os Arcades. Ternura líquida cujo correlato são as águas que. através do qual sentidos o airoso perpassar das nereides e hamadríades cariocas. Mas o poeta toma o cuidado de advertir. Esta poesia de pequenos pássaros. Que lhe nega o teu rigor. Vês. em alva escuma o pego irado Que as penhas bate com furor medonho? Inda o verás risonho e namorado Beijar da longa praia a ruiva areia: Dóris e Galatéia Verás em concha azul sobre estas águas. e vestem a sua obra lírica de um ince ssante e doce marulho. (apesar de corresponder a certas tendências cara cterísticas da Arcádia). proclaman do o sentido real do dengoso negaceio: Não me julgues inocente. qual é a sua natureza. é mais explícit : No teu puro e brando seio Por castigo me encerravas. Ah! Glaura! ai. Nem abrandes meu castigo. não fosse o movimento cornpensatório dos madrigais. exala e perde É já oiro. sinceridade psicológica e delicadeza poética. é muito dele essa líquida ternura que lustra os temas delicados dos rondós. Este avanço para a nova sensibilidade é. que reeq uilibram a sua expressão. tristes mágoas! Sossega o mar quando repousa o vento. adiante. Insolente e roubador. mais de um aspecto que o sentimento amoroso ia assumir no Roman tismo. Mas quando t erá fim o meu tormento? (XXVI) Vimos que a melodia cantante desse poeta (filho de músico. Neste bosque alegre e rindo Sou amante afortunado. (VII) A metamorfose é admirável de senso plástico. tangidas pelo búzio marinho dos Tritões. soube cantar com tanta graça. prata e verde A brilhante e nova cor. tão portuguesa. E desejo ser mudado No mais l indo beija-flor. representado pelos rondós. E num vôo feliz ave Chego intrépido até onde Riso e pérolas se esconde O suave e puro Am or. Que sou bárbaro inimigo.

e à facilidade dum a solução feliz. que terno aqui penduro! Pela tarde calmosa Glaura saudosa e bela. mas abusada. verificaremos que constituem o melhor título do poeta. Te busca. e vêm com ela mil amores. Se tomarmos isoladamente os rondós mais perfeitos. ao contrário dos madrigais. por a ssim dizer. Sobre a fronte cristalina Cedro anoso e curvo pende: Na morado a rama estende. Glaura sempre dura. de jasmins. Enquanto aqueles capitulam ante a melodia. (iv) :""" Neste áspero rochedo. A quem imitas. e lidos nele. tu que habitas amorosa Da mangueira no tronco áspero e duro.ica. Ah! recebe piedosa A grinalda. Me s mo quando se trata dessa elegância setecentista. (XL) 142 #ü Mas devolvidos ao contexto. (IX) . mostra rosadas As conchinhas delicadas com brandura a gotejar. D aí sermos levados a pensar que se houve entre nós momentos fugazes de verdadeiro Cla ssi cismo. abrasileirar a convenção. Gravo o triste segredo Dum amor extremoso e sem ventura. que predispõe contra o seu critério artíslico.. os madrigais manifestam a dignidade do verbo literário . compreender melhor o timbre especial de Manuel Inácio: a gr aça elegante. sucede a variedade sem exibicionismo. à grandeza e à profundidade. formam em conjunto uma impressão de mono tonia. Neles. (VI) ó mangueira. pois ela nos conduz à rara flor da euritmia. que supera a frivolidade guardand o um pouco do seu perigoso encanto. lírios e rosas.. Mil suspiros te deixo e ntre estas flores. um deles se encontra nesses pequenos poemas em que Alvarenga soube. pois. como este arabêsco admirável em que a música esposa a plást ica de uma cornposição nutrida das mais belas formas naturais: Entre o musgo a penha dura Mostra azuis. como elas. em seu fav or. corn sentimento agreste Os faunos da espessura Aqui meu nome cubram de cipreste. capaz de enfrentar com autonomia os problemas líricos. Ornem o teu as ninfas amorosas De goivos. integr ados num sistema poético mais versátil e completo. Dríade. renunciamos de boa mente. E se inclina para o mar. verde e sombria. o quebranto gracioso dos rondós se afina em nobre elegância. Estes nos fazem. pois ela representa algo excepcional.. Quando a encontramos neste nível. confiante no próprio valor.

.. com que os prados matiza a linda Flora. num equilíbrio feliz das exigências afetivas. As ondas da Guanabara. manchada de cores. molh ando a areia e polindo as rochas. (XLIV) Após o rodopio estonteante do pitoresco nos rondós. a solução intelectual. que amaciam para esposar a ternura do poeta.. que os amores Colherão ao surgir a branca aurora.. O jambo.No Ttvffio àa mangueira wnturosa Triste emblema de amor gravei uni dia. . foi um simples modinheiro sem relevo criador. . Neles. o encantamento plástico e sonoro. No entanto.. onde os amores Viram passar de agosto os dias belos. deve ser posto na me . que o levou a realizar-se 144 #corn refinamento e graça. (XVIII) Ó sono fugitivo. . . a discrição plástica do verso. consciente das responsabi lidades da inteligência no Brasil e ao mesmo tempo dotado de uma sensibilidade del icada. que se aperta cheio de melodias contidas pelo escôrço lap idar: todo esse brilho de Arcádia no trópico empresta aos madrigais um toque de verd adeira poesia que. entre estas flores. . por não se oferecer à compreensão epidérmica. e aquela espécie de melancolia triunfal que assinala os momento s f ortes desse terno cantador. o verde intenso da folhagem tropical. temo e amaneirado . . (XV) 143 #Suave agosto as verdes laranjeiras . . tantas vezes invocada. E às driades saudoso oferecia Os brandos lírios e o purpúrea rosa. Caldas Barbosa. retribui com achados de rara beleza quem se dispuser a sentila com ouvido profundo. Domingos Caldas Barbosa Silva Alvarenga foi um verdadeiro poeta e homem culto. Vem feliz matizar de brancas flores. onde avulta a nobre mang ueira. músico. . Que nasceste entre espinhos escondida. como ele mestiço. encontramos aqui o brilho do mun do exterior serenado e disciplinado. ó rosa.. (XXIX) Não desmaies. ó Glaura. como o violã o sonoro dos rondós. " (XIX) Já -vistes sobre o mar formando giros. (XXII) Copada laranjeira. podemos realmente perceber a vitória da arte sobre o sentimentalismo. De vermelhas papoulas coroado. (XXIII) Não desprezes. as morenas e os seresteiros transfigurados em ninf as e faunos .

19 no limite. ("Lundum de cantigas vagas") (19) "Quando a música (. De quem amantes segredos Lereno aflito confia. e por dar-te mais g osto. Aper ta assim mais os nós.. Opere. 283. fonte fria. seus popôs. Quanto ao temário e atitude poética os seus versinhos são interessantes pela candura e amor com que falam das coisas e sentimentos da pátria. 145 #ü Uma nota pungente é a densa.sma chave porque a sua obra chega à conseqüência extrema de certas tendências melódic as e concepcionais da Arcádia. cruel. onde cantava com a sua viola: Nhanhá faz um pé de banco com seus quindins. não posso. sentimos roçar a asa de in spiração menos débil: Verdes campos. O meu gênio deu à casca Metido nesta moenga. que passou a vida escrevendo para ser musicado. Na verdade a Viola de Le reno não é um livro de poesias. negaceio. é uma coleção de modinhas a que falta a música para podermo avaliar devidamente. . com que obtinha certamente efeit s de surpresa e graça nos salões lisboetas. Morro. altos rochedos. já não posso Aturar mais tanta arenga. pág. É possível que ela lhes desse o relevo que o autor corn . quebranto. E oculto no fundo d"alma A morta l melancolia. clt. Faço esforços de alegria. vol. Vede as lágrimas pendentes Duns tristes olhos saudosos. destról a esta e a si mesma. derretimento. "Lettera sopra Ia musica". a pal avra se tornava mero pretexto para o banho sonoro que deveria provocar a emoção. que em Glaura já tocam o ponto onde a poesia se desfa z na música. Fundo vale. Troncos duros e frondosos. profunda tristeza que em muitos versos dele parece tr anspor a lamúria. Que meu coração se abrasa De te rnura brasileira ("A ternura brasileira") Eu sei. Tinha lançado os seus laços. acentuava que o verso é o elemento diretor no consórcio entre ambas. definindo explicitamente o s traços afetivos correntemente associados ao brasileiro na psicologia popular: de ngue. you morrendo devagar. Mas são momentos fugazes na inocuidade geral da sua lira. Não posso por mais que queira. Metastasio. ("Lundum em ouro". Tenras plantas e florentes. Não posso negar. Sim gostas de me matar.) aspira no drama o primeiro lugar em relação à poetia. e deixa entrever um travo amargo sob o rodopio açucarado das canti gas: SOM forçado a alegre canto. que tu gostas.. (1815). etc. com o vemos em Caldas Barbosa." Metastasio. ("Lereno Melancólico") Numa ou outra peça como o "Retrato da minha linda pastôra". porém. ("Voti morrendo devagar") Saborosa é a utilização do vocabulário mestiço da Colônia.) Meu Xarapim. X.

LAICIZAÇAO DA INTELIGÊNCIA #1. Silva Alv arenga remonta as origens à Batracomiomaquia e ao Culex. Alessandro Tassoni reivindicou-lhe a invenção. outros querendo abranger princípios e idéias. de raízes firmadas porventura nos italianos do século XV. outros encrespados pela indignação. Embora haja contribuído. Entregues à leitura. O POEMA SATÍRICO E HERÓI-CÔMICO Para compreendermos hoje uma sátira escrita há duzentos anos é preciso lembrar a função qu e exercia. que Caldas teve contudo o mérito de dignificar e que influiria ponderàv elmente na evolução rítmica do verso português. 146 #Capítulo IV MUSA UTILITÁRIA 1.certeza lhes dava. em que a sátira tradicional se mesclava ao burlesco e à epopéia. Dos pequenos sonetos de maledicência ou debique aos poemas longos. direta ou indiretamente. a julgar pela relativa importância em que foi tido pela gente da Nova Arcádia. gerando o chamado poema herói-côm ico. uns arredondando-se no riso. o "trovista Caldas". com efeito. visto de hoje. e tão maltratado por Bocage. AS CARTAS CHILENAS 1. inexistem. uns visando as pessoas na sua singularidade. tão simp ático e boa pessoa. o virtuosismo literário favoreceu a elaboração duma forma nova. como acontece quase sempre às letras de modinha. e do seu Balde roubado (La secchia rapita) provém . atribuídos a Homero e Vergí . pois. o fato é que. desaparece praticamente ao lado dos patrícios mais bem dotados. O DESERTOR E O REINO DA ESTUPIDEZ 3.tod os assumiam atitude critica e manifestavam desejo de orientar e corrigir. de tendência moralizadora muito próxima ao que é o jornalismo. os que em seguida o cultivaram. ajustados à norma do gênero. . No século XVII. O POEMA SATÍRICO E HEHÓI-CÔMICO 2. como a imprensa moderna. para o aden samento daquela atmosfera encantadora e frívola de melodias fugitivas que embalara m o Rococó lisboeta.

em torn épico. corvsistindo a maestria em elaborar praticamente no vácuo. nele também se entroncam O Desertor (1774). mas o que (1) Manuel Inácio da Silva Alvarenga.lio. 149 #poderia significar abdicação do espírito crítico importava algumas vezes em disfarce cômo do para dizer certas verdades em regimes de opressão. Prefere dizer que em /rances íoi o primeiro a abordar o gênero. o modelo diretamen te seguido foi Boileau. tirou este a sugestão para versar o tema igualmente f útil. Mis ritalle en feu pour Ia perte d"u n seau Muse. Butler. de Manuel Inác i o da Silva Alvarenga e em parte O Reino da Estupidez (1785) de Francisco de Melo Franco. celebrando a querela do Prelado da Sainte Chapelle e do seu Chantre por causa de uma questiúncula de prestígio. que sistematizava tudo. que a influência foss e coada através de Diniz. Poème Heroi-comique. É possível quanto ao primeiro. (Lutrin é a estante do coro). Cita em seguida Tassoni. Gresset. Invoca Tassoni ao lado de Homero: ô toi qui sur cês bord s qu"une eau dormante mouille. de um acontecimento sem a menor importância.3 Do Lutrin. "Au Lecteur". par lês tratts hardis d"un bizarre pinceau. e muito análogo . 1774. Qui. Boileau. Entretanto. certo quanto ao segundo. (2) Boileau. páginas iniciais sem numeração. ao qual se prende confessadamente Antônio Diniz da Cruz e Silva n"O Hissope (1772). Tirou cer tos traços que em Portugal se tornariam constantes do gênero: uso burlesco da F . Pope.2 Deste modo a sátira passava a segundo plano e a jogralice poética ao pr imeiro. malgrado a referência a vários autores. etc. não reconhece que dele provêm a sua teoria e o exemplo da aplicação. sintetizou as idéias do poeta italiano. "Discurso sobre o poema herói-cômico". da querela entre o Bispo e o Deão de Elvas por uma questão de precedência. Vis combatre autrefois lê rat et Ia grenouille. Na literatura portuguesa. n"O Deser tor. F oi o que fez em Lê Lutrin. manifestada na localização dess e móvel. em Lê Lutrin. definindo como objeto do poema herói-cômico a celebração.1 Boileau. pondo à parte Scarro n e sua paródia de epopéia. a certa altura do Canto IV.

a preconiza da gratuidade se altera um pouco no sentido da crítica de idéias. 150 #2. Ambos se afastam do preceito referente à futilidade d o . num azedume e revolta mal disf arçados pela aparente bonomia. O Reino. antecipando tonalidades que só veremos um século depois em Eça de Queiroz e Guerra Junqueiro. feitos para defender a reforma da Universidade e atacar o ensino escolást ico . O Desertor. crença na filosofia e repúdio à escolástica tradicional. com isso. formando os três uma espécie de tributo às medidas transformadoras. tendência que avulta nos poemas dos dois estudantes mineiros. a sua vocação utilitária de corretivo dos costumes. sendo impresso apenas em 1802 depois da morte do autor.geralmente louvado além do merecimento acentuam-se todavia certos traço s do modelo: assim. porisso escorrega do herói-cômico ao satírico. (3) O Hissope foi divulgado em cópias manuscritos. No Hissope . À medida que isto se dá. acentua-se naturalmente o cunho militante da poesia. como se um gênio o culto insinuasse aos rapazes ultramarinos que elas abriam perspectivas favoráveis à superação desse outro arcaísmo que ia ficando o estatuto colonial. de 1785.ama vergiliana e de alegorias morais. que no século XVIII não podia deixar de impr egnar-se de idéias gerais correntes nos espíritos: n"O Desertor e n"O Reino d a Estupidez. sátira contra clérigos. onde a sátira recupera algo das linhas tradicionais. a crítica aos padres se torna virulento anticlericalismo que u ltrapassa a brincadeira e vai francamente à polêmica. constata a persistên cia dos fantasmas intelectuais do passado e o relativo malogro da iniciativa ren ovadora. notadamente a Discórdia. longos sonos e refeições opíparas. Nas Cartas Chilen as (1788-9) a recuperação é completa e a sátira reaparece depurada das fiorituras jocosa s. O DESERTOR E O REINO DA ESTUPIDEZ iltf i Os brasileiros estiveram bastante ligados à obra de Pombal: neste sentido. abandonando muito do herói-cômíco à maneira de Tassoni. de 1774. ao anti jesuitismo do Uraguai corresponde o pombalismo educacional destes dois poemas he rói-cômicos. hipert rofia grandiloqüente dos detalhes da vida quotidiana. acentuando o sibaritismo dos leitos macios. daí o optimísmo que fura por entre os verso s e o born humor sadio das peripécias. celebra a instauração da reforma e manifesta confiança esperançada no poder da ciência para demolir a rotina.

O recurso demonstrativo consiste em associar a tradição escolástica e retó rica aos espíritos incapazes e dissolutos. o cantador. muitas vezes desprovidos de interesse. sonolenta.. . incompatíveis com as "ciências. escrupulosamente observado por Cruz e Silva. formando a coorte d" Os que aprendem o nome dos autores.. que renasce m" (Canto V). o devasso. E mbora dê uma visão dos costumes e estado de espírito do momento. pigra ociosidade. Que os belos horizontes assombravam.. ilesa e pura. sob a forma dum passadista. confiança nas luzes e no valor humano do ensino. Eu sou quem de intrincados labirinto s Pôs em salvo a razão.. Ainda são engraçados os tipos que esboça na fauna estudanti l: o indolente. Os que só lêem o prólogo dos livros.tema básico. pio. (IV) . (V} Dissiparam-se as trevas horrorosas. (D Os decassílabos brancos são fluentes. E aqueles. o arruaceiro. sendo poemas didáticos en roupados no burlesco.. mostra o filosofismo do poeta e a citada con fiança na eficácia da nova ordem mental: . pois se na fatura utili zam a hipertrofia épica de situações corriqueiras. instauradas pelo "invicto marquês" (Canto I) e garantid as pela administração. seus erros. mas sofrem por castigo toda a sorte de revezes. instigados pela ignorância. graças às quais. verás como se eleva Do meu nascente império a nova glória. (I) que. o núcleo intencional é uma idéia da maio importância: celebração do espírito moderno. de um prelado ilustre. faltando cla reza na configuração e articulação dos episódios. Por este lado são jornalismo de combate. o afidalgado. Cobertos hão de ser em poucos di as com eternos sinais de meus triunfos. ligada a circunstâncias que a tornariam signi ficativa aos contemporâneos. 151 #. fogem de Coimbra para um remanso onde possam cultivar a indolência. Esses muros.. mas o poema não é muito bem composto.. Prudente. (D Muito poeticamente setecentista é a Verdade que aparece em sonho ao herói e. que a pérfida ignorância Infamou temerária corn. cu jo sono não perturba O côncavo metal que as horas conta. sábio. ao desd obrar-se nas ciências que a exprimem. perdeu n o correr do tempo bastante força cômica. justo e firme. O Desertor conta as façanhas dum bando de estudantes afeitos à .

que se firmam sobre a rocha. mas a invenção. onde elege Coimbra. violenta. Fanatismo. ao encont r ar a sua maneira pessoal. mas breve e incompleta. embora limitada. Ex travasando muito mais que O Desertor a convenção do poema herói-cômico. aparece um trat amento da natureza física bem diverso do que Alvarenga lhe daria depois. no Lutrin: Jamais do cão feroz o ardor maligno Desfez a neve eterna destas grutas. domesticando-a no jardim fechado e rococó de Glaura. Assim vão as notícias.. a Estupidez convoca os asseclas. enchendo os ares Dos ecos dissonantes. Pendentes caracóis co"a frágil concha Adornam as abóbadas sombrias. lançados pela Fama. a conselho do Fanatismo. Neles.Muito saborosa é a referência periódica às coisas do Brasil. resolve. visados então pela poesia de cunho didático. não raro malsoante. com protesto apenas do professor de Matemática. às fatídicas co rujas. para uma investi da mais vigorosa aos luga153 #rés onde o seu domínio vacila. numa colorida imagem ornitológica: Elas voam em turba. alvejando com humor sarcástico a Universidade. eterno abrigo aos tristes mochos. Famintas de sustento à terra enviam As tortas e longuíssim as raízes. N"O Reino da Estupidez em vão procuraremos trechos análogos de poesia repousante: do minam os valores de prosa. O verso é pobr e. entra pela sátira. Tirceu. e outros. tentar Portugal. Nest e lugar se esconde temerosa A noite envolta em longo e negro manto Ao ver do sol os lúcidos cavalos: Fúnebre. a que atendem 152 #Crédulas velhas e homens ociosos. criptônim o de José Monteiro da Rocha segundo Teófílo Braga. Que com medonha voz gemendo aumentam O rouco som do rio alcantilado. pelo arabêsco e o gosto das imagens. (in) O leitor percebe facilmente a influência de Basílio nestes decassílabos que lembram os do Uraguai. onde adaptou e desenvolveu a tenebrosa descrição da morada da coruja. Que encobrem a luz do sol e que em seus gritos Ê semelhante a um povo amotinado. Repelida nos países progressistas. Superstição. Às velhas. Hipocrisia..4 A idéia é ousada para o tempo e não espanta houvessem perseguido várias pessoas no afã de . Qual nos férteis sertões da Aiuruoca Vaga nuvens de verdes papagaios. (in) Pouco adiante encontramos um dos melhores trechos. sendo lá pomposamente acolhida pelos doutores. é viva e ferina. inclusive a transposição dos b atos. seco. novamente rotinizada após a sacudidela da Reforma. Árvores. pelo panfleto ideológico. O entrecho é bem achado e expressivo: ameaçada pelo progresso da instrução e da ciência.

porém. que logrou manter-se desconhecido para as autorida des. Por direito divino. do ataque aos figurões universitários. E justamente e ssa ousadia é que torna o Reino da Estupidez o mais ideologicamente legível de todos os poemas herói-cômicos do tempo. pág. Oculta vos não é a violência com que foi desta posse desbulhada. exaltando em Po mbal o reformador que baniu os "góticos (4) Teóíilo Braga. (111) Os doutores lamentam a reforma e o advento dos estudos científicos. o imortal Carvalho: . É o que vem expresso na fala do Lente de Teologia: Muito ilustres e sábios Acadêmicos. Que vieram trazer os Estrangeiros. 680. para saudar a promoção das luzes no governo do .. a crueza. Vê-se que a sua memória permanecia viva nos espíritos avançados. grande. funda amargura pelo descalabro de tantas aspirações. oito anos após a queda e três depois da morte. e por humano. Ainda hoj e nos move o seu franco racionalismo. como querem vários críticos. História da Universidade de Coimbra. in. ela e nós. como era a Metróp ole e ainda somos hoje em parte.descobrir o autor verdadeiro. revelando. embora sendo literàriamente o mais fraco. embora a opinião literária o tivesse desde logo identificado. frustradas pela rotina dos corpos docentes. muito inclinados a repousar na mediocridade em países de nepotismo universitário e pouca concorrência intelectual. e o único voto discrepante de Tirceu representa o espírito de renovação. 154 #estudos". sob o movimento burle sco dos episódios e da linguagem. a denúncia cortante do retorno à escolástíc a. invicto. Talvez seja injusto e excessivo. Bem sabeis quão sagrados os direitos Da antigüidade são: por eles somos Ao lugar que oc upamos elevados. atitude permanente do estudante: a desilusão das aspirações intelectuais. Creio que deve ser restituída À grande Estupidez a dignidade Que nesta Academia gozou sempre. Representa. o jovem Melo Franco se reúne aqui a Basílio e Alvaren ga.. vol.

A fr ouxa Estupidez lançar ao longe. desperta pavores nos lentes passadis tas. o "Pai da Pátria". celebrado como capaz de sátiras Dignas do grande Pope. qual sol brilhante De escura noite dissipando as trevas. . ou não. escreve em 1791 uma extraordinária Carta. a Virtude. Francisco Vilela Barbosa.. "o pensador Rousseau sublime". que . que vencem todavia e de novo recebem "a vão Divindade". celebrando a Natureza.. . Ressuma ilustração. Há dele (incluída nas Poesias Avulsas) uma intere ssantíssima "Epístola escrita de Coimbra no começo da primavera de 1785". cuja predominãoncia através de "símbolos" e "enigmas" espanta no ensino universitário a "tímida Verdade". como Francisco de Melo Franco. Co-eterna do caos! Mãe dos asiws! Estupidez afável. acabando. e os versos. ano em que s e divulgou o poema. preso da Inquisição. A violência da denúncia e a indicação quase sempre nominal dos professores explicam o êxit o de escândalo. "Voltaire.. O nome do "gran Ministro". ainda assim resta o ponto que mais inter essa: a referência implícita ao seu poema numa seqüência autônoma de vinte versos. ou co-autor do Reino. interessa-nos principalmente nela a constatação de quanto perman ecia venerado entre os estudantes liberais o nome de Sebastião José de Carv alho. Supondo que Armindo não seja Melo Franco. natur al do Rio. estudante de matemáticas. Hoje. (que será analisada a seu tempo). quem sabe foi cúmplice no esboço e conselheiro dalgum trecho? O poema é violento. em quem liberal a Natureza Uniu uma alma grande a um peito humano. . criticando todo o fundamento humanístico do ens ino. onde lev a a questão a plano mais geral. queixava-se que ir a Coimbra estudar. onde ve m celebrada a 155 #Grande Deusa. Armindo. como o anterior. por idéias avançadas. . o vate dos Filósofos". Souza Caldas. E erigir à Ciência novo trono Em sábios estatutos estrib ado. é Melo Franco. espavorida Desampara a cadeira de Minerva. Poucos anos depois. era o me smo: Maldito seja aquele que imagina Que não pode fazer-se um dia sábio Sem pisar as arei as do Mondego. e como era profundo entre os jovens brasileiros o culto pelo progresso cie ntífico.. convidando à vida rústica o amigo. por triunfar: Reina no mundo. . s em dúvida o melhor trecho do poema. tão maus quanto os que escrevia. pois nasceste Deusa. José Bonifácio foi considerado autor.. como ele era. como no poema.Vistes ao grã Marquês. numa apoteose cômica. penso que o destinatário.

que o poema circulava largamente por Vila Rica. acusador . a todos sobreleva. au tor de um tratado de pediatria avançado para o tempo. Onde se deveria ler Portugal. Os nomes aparecem quase sempre li geiramente deformados: Menezes é Minésio.a) no qual um morador de Vila Rica ataca os desmandos do Governador Luís da Cunha Pacheco e Menezes. morto finalmente. Salamanca. longe do sertão natal de Paraca tu. sobretudo. A bem amada. Nise. que regeu Minas Gerais de 1783 a 1788. rebelde. Silvério é Silverino. se não poeticamente. passando da reforma intelectual para as perigosas fronteiras da ve rrina política. prepotência e. os fatos aludidos parecem exposto s sem rebuço. Chile.. Floridoro.. Coimbra. seria peça de primeira ordem para delatores. Lumíares. venalidade. pela idéia descarnada e aderente ao fato. a igreja do Pilar. Madrid. 157 #!:< 3. (IV) o herói-cômico se carrega de idéia e entra pela militância da sátira. Mas há apelidos e topônimos inalterados: Macedo. filhotismo. Fanfarrão Minésio. Ribeiro é Robério. onde mostra a paixão educativa . ao correspondente. ("Carta a Francisco d"Almada e Mendonça. Santiago.versando a sua falta de decoro. A l ceu.") Há portanto um ciclo de protesto filosófico contra a rotina universitária e nele se de stacam os brasileiros. ao menos pela força d a atitude. depois médico da moda em Lisboa. desrespeito à lei. Afirmam alguns. CARTAS CHILENAS As Cartas Chilenas são um poema satírico inacabado ou trancado. pois na devassa da Inconfidência não se lhe faz qualquer menção. A evolução se complet a poucos anos depois. pobre e desiludido em Ubatuba. no entanto. e apesar da invocação a Boileau e 156 #. É de duvidar-se. Doroteu. com ele. Lisboa. (12 epístolas e fragme nto da 13. Vila Rica. Matos é Matúsío. Cata-Preta. Os amigos mais chegados chamam-se Alcimidonte. Capanema. a ermi da do Senhor born Jesus de Matosinhos. aquele ativo E discreto Diniz na Hissopaida. O autor se chama Critílo e. Minas. depois Conde de. A matéria é toda referente aos desmandos do Governador. Francisco de Melo Franco. em cópias manuscritas. . lê-s e Espanha. sem maior prova. na sua capitania de Minas. Do que perdendo os dias com cadernos Superficialmente decor ados. identificáveis pelos leitores contemporâneos.Mais depressa se alcança um gênio grande Dentro em seu gabinete folheando Antigos e modernos d"alto preço. Finalmente.

158 #a pensar que Gonzaga e Monteiro Bandeira. Sabemos pelas pesquisas de Luís Camilo cie Oliveira. cresce em relevo a análise estilística." Acendalhas. que ficou preterido. Esta. elaboradas entre fins #de 1788 e começo de 1789.sigiloso. 256. Sabemos de positivo que um contem porâneo residente em Vila Rica. que as cópias tiveram curso pequeno e . imagine-se a relatividade das demais. desautorando a Junta compe tente." "As Cartas Chilenas". em Portugal. e que Lívio de Castro estudou sob o nome de elm .8 onde se indica a analogia de imagens e recursos poéticos. "A maneira desabrida p or que nas Cartas Chilenas é tratado o capitão José Pereira Marques. Joaquim Norberto. e mesmo provável. favorável a Gonza ga segundo a melhor efetuada até agora. Marques mereceu do governador Luís da Cunha Menezes por ocasião da arrematação do con trato das entradas no triênio de 1785 a 1787. afirmava ser pseudônimo de Go nzaga. em Questões e Problema". porme nore s da briga entre Gonzaga e o Capitão-General. À míngua de prova decisiva. ao passo que Gonzaga e Monteiro Band eira protegiam o capitão Antônio Ferreira da Silva.. Alberto de Paria: ".a carta. notadamente o largo uso da figura chama da separação pelos velhos tratadistas.es e juizes. Cfr. visto como a repressão foi imediata à sua composição. devida a Manuel Bandeira. Luís Saturnino da Veiga. a prova mais segura. pag.. P. Parece. Nem teriam tempo de divulgar-se.. descrito no tre cho acima.5 Quem teria sido Critílo? Não há até agora prova cabal. a argumentação de Lívio de Castro. esta ocorrência. 25 -26. poderiam ser os seus autores. re sulta ndo as instruções referidas do ministro. págs. ou este somente. Decorreu violenta pendência entre ambos. a pesar do seu faro ter acertado com o melhor indício neste sentido. que ele tenha sido o autor. pois. prolongando-se com certe za até o ano seguinte. não acreditava todavia na autoria de Gonzaga. neste caso.7 Ora. que favoreceu o protegido contra o i nteresse da Coroa e as normas jurídico-administrativas. É porém verossímil. 1788. cujo chefe era o nosso Ouvidor. assente que as Cartas Chilenas são de 1788.. dá lugar (5) V. q ue deve datar do fim do governo de Cunha Menezes. Sabe-se pelas Instruções outorgadas ao visconde de Barbacena pelo célebre mi nistro Martinho de Mello e Castro quanto foi escandalosa a proteção que o capitão J. matéria da 8. é um dos fundamentos da diatribe e bem poderia ter sido o seu ponto de partida."6 O auto r destas linhas. sob o nome de Mar quésio. assim terminada: "Fica.

concluiu matematicamente (6) Joaquim Norberto de Souza S. maldito sejas. (sic). devida a Arlíndo Chaves. mostrando que os índices de coincidência são a seu favor. Sílvio de Almeida e Lindolfo Gomes concluíram pela autoria d e Cláudio. Utilizando em confronto às Cartas a Marflia de Dirceu e o Vila Rica. respectivamente. sendo o comprimento médio dos períodos respectivamente 23 palavras. 64 (55%) no Vila Rica. RB 0. O. l (O. que peito pode.10 É preciso notar. os de 51 a 10O. Doroteu. Mas poderia indicar também colaboração. 27 e 52. prezado amigo. como j á se fez. em O J ornal. Maldito. 24-XII-1939 a 28-1-1940. 10 (9%). hipótese sedutora. 159 (3). habilmente sustentada em nossos dias po . há um total de 2729 palavras em Gonzaga. pelo uso imoderado que dela fez Bocage: Também. defendida também por Caio de Mello Franco. aonde corres. no tex to em dúvida e noutro de autoria certa.a nísmo. 42 (36%). É ainda nitidamente fa vorável a Gonzaga a "lei da constância da pontuação". "Notícia". Os períodos de l a 50 palavras são 113 (97%) na Marília. 394 #por Gonzaga. 3 (2%). fatos e traços morais. 107 (92%) nas Cartas. "As Cartas Chilenas". "A Autoria das Cartas Chilenas". série de seis artigos." 23. n.9%). que nele fundado decidiu a favor de Kempis a autoria da Imitação de Cristo: consiste em comparar o número de palavras por período. pág. #(8) Manuel Bandeira. com base no método preconizado por Udny-Yule.103 (7) Luís Camilo de Oliveira. Que peito. que sendo Gonzaga sabidamente influenciado pelo amigo mais velho. págs 1-25. determinada pelo próprio Arlindo Cha ves. Aonde. gosto Devera. Em auxílio destas vem uma terceira prova. Em 116 períodos de cada obra. o que houver de peculiar a este nas Cartas correria por conta da influência. Doroteu. 3151 nas Cartas e 6079 no p oema de Cláudio Manuel.9 Usando critério sobretudo estilístico e conjeturas sobre correspondência de personagen s. louco chefe. 8 ( 6%). doce amigo. nas Obras Poéticas de Inácio José de Alvarenga Peixoto. os de 101 a 120 palavras. também. sim devera.

dizendo que. 160 #Diniz da Cruz e Silva. diz a mais recente das conjeturas. História da Literatura Brasileira. Mais tarde. Dr..12 Aliás a primeira opinião de Varnhagen é inacreditável: as Cartas seriam uma sátira do Rio. da Veiga ace rca do autor das Cartas Chilenas". quanto às Cartas. pág. Florilégio da Poesia Brasileira. pág. "As Cartas Chilenas".r Sud Menucci. ninguém menos que o seu juiz. 14. transcrita em nota à História Geral do Brasil.. pág. #(12) P. Llndolío Gomes. ob. 23-51. pelo estilo. pág. 2. n .. LXXIV. mas. algum reparo de Alvarenga. (13) Pereira da Silva. in. P. sem recusar a possibili dade de colaboração acessória de Cláudio Manuel e. Antônio (9) Arlindo Chaves.12"A Há ainda a hipótese de autoria tríplice (Cláudio. quiçá devidas a Domingos Caldas Barbosa. I. (10) Silvio de Almeida. 401. (11) Sud Menucci. Alvarenga). Calo de Mello Franco. cit. (14) Lívio de Castro. sugerida em certo momento por Varnhagen e retomada aèreamente por Sílvio Romero.. "Problema das Cartas Chilenas". suspendia o Juíz o. optou por C láudio.13 Conjetura interessante foi a que sugeriu Joaquim Norberto sem gran de convicção e Lívio de Castro esforçadamente defendeu: Critilo teria sido um outro poet a. Síl vio Romero. Épicos Brasileiros. 421-424.. inclino-me a admitir a autoria de Gonzaga. Os Varões Ilustres do Brasil. mencionada por Pe reira da Silva.14 Talvez não tenha sido nenhum dos três "mineiros". etc. págs. denominada Plutarco Brasileiro. II. A autoria das Cart as Chilenas. como porque a escassez da sua obra i mpossibilita a própria cornparação do estilo. IV . adequado para autor ou colaborador das Cartas.. Gonzaga.15 Pessoalmente. 206). não lhe pareciam ser de Gonzaga (I. págs. não só pela lta absoluta de indicações históricas. 5-28 (reprodução de artigos de 1913). "Alvarenga Peixoto". "As Cartas Chilenas". 84. L.11 Quanto à autoria de Alvarenga Peixoto. RAPL. págs. Identificação Estatística do autor das "Cartas Chilenas". "Carta ao Sr. (12-A) Varnhagen." ed. de Cecília Meireles. Na 1. talvez obscuro e anônimo. contra Bobadela.. isso. 5-48. mas ínsubsistente pelos motivos que invalidam qualquer atribuição ao t erceiro. O Inconfidente Cláudio Manuel da Costa. é impossível defendê-la. de Varnhagen. pois parece que a Epístola inicial de Doroteu só pode ter . pág. RAM." ed. págs. II. quem sabe. 207 e segs. único satírico de vulto na literatura luso-brasileira da seg unda metade do século XVIII. A.° 12.

. unidos por amizade estreita. Daí me parecerem importantes numa obra em que os dados objetivos e ram voluntariamente baralhados. portant o. sem intenção. chamando-os de nomes vários. "um enigma do século XVIII: Antônio Diniz da Cruz e Silva". atribuir a um poeta em declínio o poema vibrant e.sido escrita por Cláudio. 161 #Chilenas. solteiro. reagindo a que m lhe feriu o orgulho. fruto com certeza de melindre ferido e prerrogativas amesquinhadas. Isto parece mostrar que o autor envolveu aos três. dadas as c ontradições. pobre. circunstancial e prosaica. e seria provavelmente o que fosse magistrado. (a que se devem juntar os traba lhos do admirável erudito Alberto Faria e a magistral "Introdução" de Afonso Arinos a sua edição crítica) dou valor à análise psicológica. mas indicações de que se trata dum magistrado namorado. casado ou solteiro. inclusive o Vi la Rica. Entre eles. porque tal era casado. Vejo por todo o poema não só a presença duma personalidade afirmativa. na morado e poeta em boa forma. Estas características são perceptíveis pela m archa do poema. basta ponderar o seguinte: há poucos versos dele que podem ser considerados posteriores a 1780. Critilo se aplica de tal modo na sátira que .embora haja um certo grupo de criptônimos indicando pessoas que podem ser eles. ou rico. pobre ou rico. Q ue tal criptônimo deve corresponder a este ou aquele dos três poetas. e cujos comentadores não sentem o ridículo que há em dar valor concludente às negaças feitas para atrapalhar. O certo é que algun s criptônimos são transparentes. e poe ta senhor dos seus dons e recursos. Nenhum deles. pelo conselho e algum retoqu e dos companheiros. ou não. permitindo a estudiosos como Alberto de Faria local izar com segurança os indivíduos correspondentes. e só a eles. ou gordo. numa névoa de equívocos. misturando traços reais e fictícios. haveria de estar Critilo. e outro. magro. sem imprudência. . com igual facilidade pode-s e provar que Critilo é europeu ou brasileiro. Págs. firme. exprimem-se a cada passo indiretam ente. limpidamente escrito que são as Cartas #(15) Cecília Meireles. preconisada por Luís Camilo. Para afastar a autoria de Cláudio. assistido. aqui e ali.sentimos lendo-a . se refere a um dos três poetas maiores da vila. Além das provas referidas. na textura e nos sentimentos. 161-164.. Não se pode. sendo que a s ua prod ução depois de 1770 é de qualidade inferior. todavia. Pr oceeãings of the International Colloquium on Luso-Brazilian Studies. c omo foi o caso do altivo Tomás Antônio na questão dos contratos.

Esta concentração permite avaliar a sua vivacidade. mas daí por diante cessa a preocupação de amenizar a narrativa.. mas homem de gênio forte. pois neles encon tramos elementos para avaliar a disposição geral do autor e. e todos buscam Divertir a tristeza. sentimos o panfletário se impor ao poeta e o ressentimento pe ssoal nortear o panfleto. É.a. por exemplo.a epístola. ninguém passeia. a atmosf era em que compunha. Doroteu. o baixo estrondo. onde não concilia o sono. para começar. que vai d esenrolando em torn cada vez mais desabrido e concentrado. denot . a flexibilidade do verso e o pod er de fundir dados narrativos em sínteses por vezes altamente expressivas. Ao lado disso. o começo da l. Numa palavra. se pôs a tarde! Assopra o vento sul. mais q ue a noite feia. De compridos trovões. e os poucos momentos em que a diatribe se amaina são me ros recursos para repousar e aguçar a atenção.a Carta. dar desmedida importância a episódios que saberia sugerir com dois traços. onde evo ca de maneira admirável a melancolia das tardes chuvosas de Vila Rica: Que triste.a Carta. Quando salta a saraiva nos telhados E quando o sudoeste e outros ventos Movem do s troncos os frondosos ramos. que nos peitos Infunde a tarde. depois. É. o da Carta 3. 162 #Sente-se o poeta capaz de escrever no torn familiar e chistoso que caracteriza o realismo dos neoclássicos. com certa incli nação para a pintura da vida doméstica. no fogo da paixão. o começo da 2. invoca um jantar perdido por amor de relatar os desmandos do Fanfarrão. acordado a cada passo pelo estrondo dos carros e os trabalhos da antemanhã. reve lando a tensão. Era pois Critilo born artista. gratuidades artísticas que a princípio surgiam. e densa nuvem Os horizon tes cobre: a grossa chuva. por contraste. a energia mental com que os elaborou. Todos em casa estão. Doroteu. Sente-se ao lado disso que a preteriu facilmen te quando a lógica da composição o fez concentrar-se no combate. O poema deixa ainda pressentir que era bastante suscetível e cônscio do seu valor.a beleza mal o preocupa. ao mesmo tempo. nos momentos em que o verso abranda. Os versos se concentram no ataque. que os portais inundam. objeto próprio do poema. onde acorda Doroteu para narrar-lhe as façanhas do Fanfarrão Minésio e invoca o prazer do repouso ao compasso d a chuva. ex ceder -se nos detalhes. levando-o a chover no molhado. É. largando. Detenhamo-nos. Caindo das biqueiras dos telhados Forma regatos. sentimos por todo ele não sei que irascibilidade de orgulho ferido e acentuada con fiança na própria capacidade de pesar e medir defeitos alheios. sabendo invocar a poesia do conforto. Ao começar a 4. ainda. como que o desgovernou um pouco. Agora. Rompem os ares colubrinas fachas De fogo devorante e ao long e soa. Mas.

16 O Fanfarrão é fidalgo. nas entrelinhas. Nota-se. sobretudo como funcionário desautorado.a libre de um vil lacaio! (VI) Quem tivesse as virtudes de fidalgo. sen timos o travo constante do resentimento. Mas. de antipatia que procura se elevar à categoria da indignação desinte ressada: uma birra graduada em princípio . menos todavia do que pa rece à primeira vista. e a outra apenas a confirma. é corrente #em todos os poetas do tempo. no poema. e provavelmente habituado a dirimir e julgar.a apego às formas e normas jurídicas e administrativas. da desafeição pessoal. provavelmente. inclusive Cláudio e Alvarenga Peixoto. que a violação do direito atinge Critilo como jurista profissional. pela necessidade que tem de se afirmar. e as pessoas de valor ficam à sua mercê. diríamos quase a única posição filosófica evidente no poema.palpitan te em cada verso . A poesia é para ele instrumento de confidencia e julgamento. oh! chefe digno De vesti i. que se chama Senhor de Matosinhos. crime maior que o próprio conteúdo das arbitrariedades do Fanfarrão. é a noção do contraste entre or específico das pessoas e a maneira por que a sociedade costum a definir as posições sociais. Esta pr esença do eu torna a diatribe viva e saborosa.dir-se-ia no estilo machadeano. por s i só. Oh! alma de fidalgo. . a sátira resvala do torn didát ico para o monólogo e quase ficamos conhecendo melhor o seu modo de ser . nascesse embora. Critilo não era homem de serenidade a rtística nem muita isenção literária. . (D Note-se afinal que o nosso poeta manifesta contra Fanfarrão um ódio que se justifica . E concluímos tratar-se .que o verdadeiro perfil do Fanfarrão. não à dalguia. portanto. A noção de que a nobreza moral é a verdadeira. mais do que por quaisquer motivos abstratos. . por isso desfruta prerrogativas que não merece. Nascesse de fidalgo e quem tivesse Os vícios de vilão. grande ermida. cuja transgressão reputa. o referido sentimento de revolta an te o privilégio do Fanfarrão aparece como restrição pessoal a um fidalgo desaçaimado. de algum lacaio. A única idéia geral. preocupava-se com o problema do mérito e do privilégio. Conseqüentemente. nem sabe usar. Se devesse nascer. Seria pois ho mem de leis. por exemplo. Esta explosão pessoal busca justificativas de ordem geral. 163 #lados a moral e o direito: motivo abstrato. Além do mais. caricaturado como os roma nos e judeus que o Aleijadinho iria daí a pouco esculpir na . pela indignação de ver a cada passo vio(16) O mesmo aparece nitidamente no Desertor e no Reino da Estupidez.

o arbitrário Governador constituía de certo modo um atentado ao equilíbrio na(17) Paulo Malta Ferraz. O Fanfarrão alterou as relaçõ es naturais duma sociedade hierarquízada. Para Critilo. Se. surge o teórico do Direito. é que a sátira do bem-pensante e honrado Critilo desnudava. na terrív el e impiedosa sátira. as iniqüidades potenciais do sistema: daí o seu significado político e o valor de índice duma época. é forçar a realidade. jama is como nativista. Reinado da canalha. e assim feria algo mais que ele. é o subtítulo que se poderia dar à obra. cheio de respeito pelo regime governamental então vigente. Critilo apresenta-se-nos um tipo exemplar de conservadorism o. queria que a . o horror manifestado à violação da lei se completa pelo que lhe desperta a violação do uso e do costume. se ergue em oposição ao mau govern o enquanto tal. Tomás Antônio Gonzaga. e não em desafronta aos interesses locais. nem mesmo situado. Nelas são constantes as referências elogiosas aos criteriosos princ ípios administrativos e às sábias leis do reino. porém. sob o Ouvidor em oposição. através da at uação de um regulo. "não haver (nas Cartas) a menor crítica. e isto é crime solidário da concussão e da pre potência. em seguida como teórico da ordem natural. de maneira que ao reagir f azia-o primeiro como juiz ofendido.Tem-se querido ver nas Cartas manifestação de nativismo. tal a obsessão com que se refere à ascen são de mulatos. o mais superficial ataque ao governo metropolitano e à sua organização administrativa. de tal forma que Critilo não se sente mais seguro. numa sociedade em que os homens de prol são menosprezados. Os brios feridos movime ntam as convicções feridas e o poeta censura o desvio em relação às normas justas da admin istração regia. as conveniências lestamente puladas. O intelectual cuja consciência jurídica. corn efeito. É digno de nota."17 O problema talvez seja mais amplo. lembra um comen tador recente. O fato. fala mais o intelectual do que o brasileiro . gente miúda em geral. Ao contrário. Neste pon to.nato ou adotivo. ao toque da afronta. enquanto homem humilhado. as a utoridades tratadas sem cortesia. e scandalizado com o abuso dele feito pelo Fanfarrão. tendeiros. Assim. pás #164 #tural da sociedade. de que o Fanfarrão não e ra uma exceção.

a figura axial foi Silva Alvarenga. Estas agremiações definem um ciclo ilustrado. o Vice-Rei Marquês de Lavradio. nada mais tendo a ver com os mutirões ba rrocos do Cultismo. processados. . suspendendo-se por ordem da mesma autoridade. A chama. com aquiescência do Vice-Rei Conde de Rezende. Em 1786 o Vice-Re i Luís de Vasconcelos e Souza animou a fundação da Sociedade Literária. esta é dada como prolongamento da de 1771. que já funcionara no da Inconfidência. Que a força da paixão assopra a chama. A retirada do protetor acarretou a suspensão dos traba lhos. A LAICIZAÇÃO DA INTELIGÊNCIA Em 1771 alguns médicos do Rio fundaram uma Academia Científica.visam aplicar os seus resultados à melhoria da socie dade. Em 1794. mas duraram apenas quatro meses. amador de matemáticas. . (XII) 165 #4. Daí não ser difícil que Critilo-Gonzaga se interessasse intel ectualmente por projetos vagos de reforma. cujas atividades ces saram com a saída do seu protetor. comp anheiras na mesma tarefa de busca da razão. em 1790. mas não sentenciados. enquanto homem público notava as desarmonias entre a a utoridade e a sociedade. que operou a passagem da filosofia natural à fil osofia social. anticlericai s e natívistas. Algu ns sócios continuaram a reunir-se na casa do poeta e. ter minam em 1795 por conciliábulos de admiradores da Revolução Francesa.a inv estigação científica da natureza. os seus interesses e atividades resumem admiràvelmente o movim ento lógico da Ilustração: partindo exclusivamente da "filosofia natural". as atividad es f oram retomadas sob a orientação de Silva Alvarenga. desejando adequar a vida dos homens aos princípios definidos pela obse rvação racional da natureza. chegam à pesquiza da verd ade social. e ao rigorismo estático do Tratado d e Direito Natural sucedesse com as Cartas a possibilidade duma visão refundida pel a experiência mineira. Que se tratava realmente de um ciclo uno. Iniciadas em 1771 com estudos de química e agronomia. o Desembargador Antônio Diniz da Cruz e Silva. Neste processo. ainda. Presidiu o processo um confrade ilustre. onde não apenas a sociedade de 1794 é considerada a mesma de 1786 mas. como se vê no depoimento do médico formado . com um pr esidente que fora membro proeminente da anterior e estatutos elaborados por Manu el Inácio da Silva Alvarenga. for am presos. com os estatutos anteriores. provam-no os próprios depoimentos na Dev assa. curtindo mais de dois anos de cárcere até que os soltasse a mercê da Rainha. poeta de cultu ra científica. em seguida acrescentam o interesse pelas "ciências morais" e as letras. denunciados por um desafeto. finalmente. ativa do picante gênio.verrina significasse desfôrço.

Foi mais perguntado se as visitas e conversações que tinha ele respondente em casa d e Manuel Inácio da Silva Alvarenga eram em conseqüência da mesma sociedade extinta ou por causa dela. porque passados quatro meses depois do seu restabelecimento (. esmorecendo a mesma sociedade pela ausência do referido Vice-Re i. Jacinto José da Silva..) se exti nguira de todo por ordem do mesmo atual Vice-Rei. extração da aguardente de raís do sapé. e se a mesma sociedade se tinha ou não ajuntado em algum tempo em casa de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. verdadeiro resumo de todo o movimento dos grêmios ilustrados no Rio de Janeiro: 166 #"Foi mais perguntado se ele respondente não tinha sido membro de uma sociedade li terária que algum tempo existira nesta cidade. mas que durara muito pouco tempo. sendo as últimas o andar inferior da ca sa em que morava o dito Manuel Inácio. mas que igualmente pela ausência do di to Vice-Rei Luís de Vasconcelos e Sousa tornara a decair a referida Socie dade. mas que as conferências da socie dade nunca se celebraram na casa de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. . e que então se descobrira pelos trabalhos da mesma sociedade o álcali tirado do s engastes das bananas. pois sempre a mesma tivera casas alugadas para este efeito. e que finalmente tornara a mesma a tomar calor e a florescer no tempo do a tual Vice-Rei o Ilustríssimo e Excelentíssimo Conde de Rezende..em Mcntpellier. o Álcali do Mangue e outro s descobrimentos úteis à Sociedade e ao Comércio. Respondeu que era verdade ter sido ele respondente membro da dita sociedade a qu al tivera o seu nascimento no tempo que fora Vice-Rei deste Estado o Marquês de La vradio e que então se devera à mesma a cultura do anil. e que. e se introduzira e propagara a da coxonilha. se tornara a renovar e florescer no tempo do seu sucessor Luís de Vasconcelos e Sousa.

Respondeu que as referidas visitas e conversações procediam somente da amizade que e le respondente e os mais tinham com o mesmo Manuel Inácio e cie nenhuma sorte eram em conseqüência ou respectivas à sobredita extinta sociedade."18 Não haveria provavelmente um grupo secreto, funcionando segundo estatutos; mas tod os os indícios convergem para nos dar u impressão de que os associados se reuniam pa ra conversar, de modo informal, sobre problemas perigosos, com certeza versados ante riormente nas reuniões restritas da Sociedade. Embora os principais denunciantes procurassem insinuar que tais conversas tinham um torn de sedição potencial, na verdade inexistente, o certo é que a massa das teste munhas permite concluir que os denunciados deixavam escapar em público, imprudente men

te, certas opiniões condenadas pelo Governo: descontentamento com o estado do país, simpatia pela Revolução Francesa e suas vitó#(18) "Devassa Ordenada pelo Vice-Rei Conde de Rezende - 1794", ABN, LXI, 1939, pães. 449-450. 167 #rias militares, vaga esperança que as suas reformas ecoassem por aqui. Na ordem p ara a abertura da Devassa, o Vice-Rei, fundado na alegação dos principais delatores, acusava os indiciados de dizerem: "Que os Reis não são necessários: Que os Homens sã

o livres, e podem em todo tempo reclamar a sua liberdade: Que as Leis por que ho je se governa a Nação Francesa são justas, e que o mesmo que aquela Nação praticou se devi a praticar neste Continente: Que os Franceses deviam vir conquistar esta Cidade: Que a Sagrada Escritura, assim como dá poder aos Reis para castigar os Vassalos, o dá aos Vassalos para castigar os Reis... "(pág. 250) Não diriam tudo isto com tanta nitidez, mas tudo isto andaria por certo no espírito de uns e outros, difundindo-se nas conversas. As perquirições mostraram a existência d e jornais franceses em poder de alguns indiciados e, nas suas estantes, livros c onsiderados então, subversivos uns, perigosos outros: De L"Église du Pape, a Histoir e Philosophique et Politique dês Établissements et du cornmerce dês Européens dans lês deu x Indes, de Raynal, Dês Droits et dês Devoirs du Citoyen, de Mably, o Emílio,

de Rousseau. Mesmo dado o desconto da perfídia e da mentira por parte dos acusadores, (cujo cab eça foi o odioso José Bernardo da Silveira Frade), tratava-se evidentemente dum grup o de intelectuais admiradores das "idéias francesas", descontentes com o governo p or tuguês, desejosos de uma transformação que permitisse ao Brasil realizar-se conforme a spirações ilustradas. Era notório, por exemplo, o seu anticlericalismo. O principal motor da denúncia, que

permaneceu na sombra, parece ter sido um franciscano chamado Frei Raimundo não se sabe do que; e podemos considerar esta circunstância verdadeiro símbolo da competiçã

o entre a cultura "filosófica" do século e a tradição fradesca, que fazia" das ordens re ligiosas árbitros intelectuais, como vimos na Academia dos Seletos. Conta José Berna rdo que numa reunião em casa de Manuel Inácio "leram-se as obras poéticas feita

s contra vários Religioso.1; de St.° Antônio; falaram contra os Prelados Eclesiásticos" (pág. 253). A causa que desencadeou a prisão e o processo foram com efeito uns verso s satíricos contra os franciscanos, entre os quais o tal Frei Raimundo, cuja a utoria, imputada a Silva Alvarenga, foi por este repelida (pág. 379). A ira do seráf ico delator ter-se-ia apurado com o incidente havido entre ele e o jovem Mariano José Pereira da Fonseca, recém-graduado em Coimbra e um dos participantes das reuniõe s da rua do Cano, - "(..-) porquanto havendo traduzido o mesmo Frade uma obra de um Autor Italiano #chamado Marcheti que tinha escrito contra o Padre Antônio Pereira, o dito Frei Ra imundo lhe ajuntara umas notas em que atacava o Marquês de 168 #Pombal e ao mesmo Padre Antônio Pereira, o que dera motivo a ele respondente pron unciar e proferir algumas palavras contra o dito Frade a respeito das mesmas not as, tratando-as de incivis e menos acertadas." (pág. 425) Revidando ao franciscano reacionário que, dentro do espírito da Viradeira, ia contra o grande Ministro, o futuro Marquês de Maricá exprimia uma posição de fidelidade ao pro gresso mental e correspondia aos sentimentos dos outros membros da Literária, e

m cujos estatutos (1786) há dois artigos reveladores: "36.° O dia (l de junho será contemplado como o dia Aniversário da Sociedade, para que deste modo se conserve a saudosa e respeitosa memória pelo Nome do Augustíssimo Sen hor D. José I, o Restaurador das Boas Letras em Portugal. "37.° Igualmente procurará a Sociedade solenizar o Dia dos Felicíssimos Anos de S. Maj estade, que Deus guarde." (pág. 522) Aqui surge o mencionado tema do pombalismo, importante na caracterização dos ilustra dos coloniais; é claro, efetivamente, que o inofensivo D. José aparece como heterônimo prudente do verdadeiro "Restaurador", reformador da Universidade e iniciador do s

estudos modernos em Portugal. A este movimento de renovação, em parte frustrado com o reinado de D. Maria I (relegada pelo artigo 37.° a um impressionante segundo pl ano), se dirigia o preito dos associados, pois ele exprimia o advento oficial da

s Lu zes no mundo luso-brasileiro. Em 1771 já lhe consagrara o mentor da Sociedade um p oema herói-cômico, O Desertor, uma ode, e a Epístola I; nesta segunda fase, a permanênci a do seu pombalismo vem mostrar que não era um adulador, ou um caudatário de mome

nto, mas um autêntico ilustrado, o mais convicto e ativo dentre os nossos árcades. Em 1788 recita na Sociedade um poemeto didático, Às Artes, no qual passa em revista os vários ramos do conhecimento, da Matemática à Poesia. Di^na de nota é a peroração, yjos a na boca de Calíope, onde vem implícita a correlação entre ciência e gover

no justo, condenancfo-se na opressão po/ífica a fonte cfe desgraça. Os tiranos da pátria- assoladores Do povo desgraçado, são flageles Que envia ao mundo a cólera celeste. Poder-se-ia pensar em alusão contra Pombal, injuriado pelos escritores depois de 1 777 com a mesma aplicação com que antes o louvavam. O desenvolvimento revela, porém, o usadamente, a glo169 #rificação do reino anterior e a justificação do seu despotismo reformista. Dom José I é que ... monarca generoso e pio, ... abateu corn, braço hercúleo A horrível hidra, os detestáveis monstros. A promoção das luzes, celebrada noutros poemas, aparece como império das idéias de refor ma intelectual, que haviam destruído a velha rotina: Vejo por terra a estúpida e maligna Coorte da ignorância, e se ainda restam, Vestígios da feroz barbaridade O tempo as vai tragando. -, O poeta do Desertor continua, pois, intacto no promotor da cultura no Rio de Jan eiro, onde se revelou democrata e afrancesado, procurando realizar as idéias de pr ogresso intelectual conexo ao progresso político, expressas ou implícitas na sua poe sia d

idática e satírica. Vive no autor dos Estatutos, que tinham uma formulação ostensiva e o ficial, devidamente aprovada pelos Vice-Reis, outra privada, constante dum papel anexado aos Autos da Devassa, onde se exigia dos membros lealdade recíproca e est r

ito segredo, permitindo vislumbrar que às matérias científicas e literárias publicamente versadas vinham juntar-se preocupações políticas, animando-as e orientando-as, como s

e depreende de artigos como estes: "Não deve haver superioridade alguma nesta

Sociedade, e será dirigida, igualmente, por modo democrático." "O objeto principal será a filosofia em toda a sua extensão, no que se compreende tudo quanto pode ser i nteressante." A cultura intelectual, para ele, representava evidentemente algo m ais

que pretexto de louvor aos grandes: na formulação apertada e sibilina da segunda no rma sentimo-la ampliar-se até inscrever na sociedade a sua força humanizadora. Através da associação cultural procuraram, ele e seus companheiros, difundir as luzes num sentido não apenas formativo, mas transformar a sociedade em que viviam. Daí a p rática da democracia interna e a necessidade do segredo, que permitiam tentar tim

idamente a passagem filosófica da tradição retórica e da tirania clerical a um universo de valores modernos e dinãomicos. Esses homens haviam certamente encontrado em Ray nal argumentos para criticar e condenar o sistema colonial, havendo nos document o s

da Devassa indícios claros de que o seu nativismo ia virando decidida hostilidade a Portugal, "hum cubil de Ladroens", na saborosa expres170 #são do preso Antônio Gonçalves dos Santos, vulgo Passageiro Bonito, aliás reinol, que " discorria e falava com grande paixão pelos Franceses revoltados" e, sendo ourives de ofício, juntava-se a vários outros artesãos detidos para dar ao movimento dos intelectuais um .significativo apoio popular (pág. 291). Os anos de cárcere com que estes pagaram pelas suas idéias realçam a sua atividade int electual dum sentido de sacrifício condizente aos princípios da Ilustração. Entre eles, avulta Silva Alvarenga, mestre de liberdade e razão aos jovens do país, filó sofo coerente com a ética intelectual do século, segundo a qual o pensamento, havend o encontrado a verdade, procura difundi-la na vida dos homens. Daí o significado m uito real e quase augusto que assume, em sua obra, um trecho imitado de Voltaire , no poemeto "O Recolhimento do Parto"; trecho a cujo espírito fora fiel, com sacrifício da liberdade e dos bens: Ah vem, formosa, cândida verdade, Nos versos meus a tua luz derrama! 171 #Capítulo V O PASSADISTA SANTA RITA DÜKAO

#Santa Rita Durão Não são raros num período literário fenômenos de sobrevivência e retrocesso; mas não é freq e exprimirem através de obras ponderáveis e significativas. Quase sempre constituem a nota predominante da subliteratura e do provincianismo cultural, se

m maior significado em face das correntes dominantes. Nestas, todavia, ocorrem normalmente tensões internas devidas à presença de normas e c onceitos superados, mistura de gerações, coexistência da fase final de uma etapa com o início de outra. Aisim., vemos um Cláudio cheio de cultismo ombrear Gonzaga, plenamente senhor da aspirada naturalidade; na própria obra deste, as anacreônticas são matizadas de um amaneíramento rococó, laivo de transformação barroca visível ainda nos ondós de Silva Alvarenga. O caso de Santa Rita Durão é mais interessante. Embora pertença à geração de Cláudio, é na nzaga que escreve e publica o seu Caramuru, num estilo neocamoneano em que resquíc ios cultistas se misturam a traços da cosmovisão do seu tempo. As tentativas épicas foram a debilidade e o anacronismo mais flagrante do século XVI II, não obstante tão aferrado ao senso das proporções e culto das formas naturais. Fraqu eza a que não escapou o próprio Voltaire (muito ao contrário!) e alastrou o séc

ulo de uma produção abundante e medíocre. O racionalismo e o movimento geral do pensam ento e da sensibilidade moderna alteraram de modo profundo a visão do homem. Onde antes se via o transcendente, passou-se a ver o excepcional; onde se ampliava, r edu

ziu-se; o miraculoso, componente necessário do gênero épico, desapareceu lentamente; o herói assumiu feição diversa da que lhe dera a tradição clássica ou a lenda medieval, perd ndo amplitude para ganhar diversidade que o aproximava do quotidiano. Pas

sando lenta mas decididamente da visão para a análise, a criação artística ia emudecendo a "tuba canora e belicosa" em favor do romance e da lírica. No século XVIII já predomin a (se não quanto à quantidade, quanto ao significado) a análise romanesca e

a pesquisa poética da vida-diária: século de Fieldíng, de Prevost, de Garção e de Bocage, nde os roncos atrasados da musa heróica só produziriam ecos mortiços ou, então, que infl

provavelme nte devido à impregnação direta dos quinhentístas e a um senso de objetividade que encon tramos nos documentos em prosa dele conhecidos. quatro anos depois de voltar de Roma. todavia. agin do sobre o seu espírito. Leu com certeza as obras de Cláudio e Basílio. já marcada além disso por traços novos. "Em 1781. para resumir. A idéia. que lhe sorria de longe. menos penetrada do espirito do sécul o e cuja reforma. todavia. O Caramuru. das escolas. se prende muito ao quinhentismo. não conhecemos dele. 175 #Na literatura portuguesa ou luso-brasileira. de veria ter notícia das idéias da Arcádia Lusitana. aproximaram-no virtualmente dos contemporâneos. que sendo o mais antiquado dos poetas brasileiros do "gr upo mineiro". Como poeta. daí no s parecer hoje não um arcaizante puro e simples. As influências gerais da época. publicou Durão o seu poema. que simultaneamen t e viveu em Itália de 1763 a 1767. a partir de 1769. qualquer preocupação teórica que permita relacioná-lo ao movimento. Dentre os que vier am a formai com ele. Durão repre senta nesta ordem de considerações um caso interessante. o escritor do século XVIII. é o mais isolado . como vimos. Digamos. o Uraguai do seu patrício José Basílio da Gama.ectiam para se ajustar ao tempo. de tradição inserida em idéias mo dernas e de idéias modernas vincadas pela tradição. inclusive pela importância que atribui na sua ob ra à inspiração religiosa."1 É possível. na fidelidade histórica. a tradição poderia en contrar mais correspondência. Ainda assim não se compara a abundância da épica pós-ca moneanu no século XVII com a do XVIII. nem se noto em seus versos i nfluência estilística ou ideológica dos árcades. mas não conviveu com escritores nem andou nas rodas literárias. mas um homem do seu tempo enquadr ado na tradição épica. e poderia ter-se avistado com este. Não é cultista. embora seguindo os cânones da epopéia (ao contrário do Uraguai. no sentimento das diferenças culturais. na preocupação etnográfica. a fictícia Escola Mineira. que os rec ria a seu modo). como foi o caso cio \3raguai. não do tempo. O certo é que o Caramuru revela atitude . denota no embalo narrativo. para a posteridade. deve-se-lhe ter radicado mais eficazmente desde que le u. à parte. Durão é um homem à parte.

" O Caramuru tem os elementos tradicionais do gênero: duros trabalhos de um herói. É de duvidar-se que Durão haja ido o pontífice da epopéia em seu tempo. "A ação do poema é o descobrimento da Bahia. a julgarmos pelo to rn em que os metrificou. . quando nana baseado apenas na imaginação. Voltaire. con tacto de gentes diversas. Rocha Pita e outros. Durão construiu dela uma noção min uciosamente elaborada sobre alguns textos básicos.de ond e sai toda a informação. que este leu em francês. As frases iniciais das "Reflexões Prévias" (1) Artur Viegas. feito quase no meio do séc ulo XVI por Diogo Alvares Correia. cantou numa ode e segui u em certo passo do Vila Rica. LVXII. parecendo. A estrutura revela conflito fundamental entre invenção e informação . mas relatado havia mais de um século pelos cronistas. oferecendo-lhe uma seqüência elaborada. Notem os a este propósito que Durão consegue coerência e síntese quando encontra textos que lh e sirvam de paradigma. O Poeta Santa Rita Durão. o poeta não sabendo equilibrar uma e outra. que influiu em Basílio e Cláudio. descamba freqüentemente para a prolixidade. os ritos. de que é exemplo o Canto X. que ele transpõe ao ver so. compreendendo em vários epis ódios a história do Brasil. pâg. A sua linha é camoneana e o intuito foi "compor uma brasilíada". em contraste com a espontânea naturalidade do out ro. sobretudo. (Varnhagen) servindo de pretexto o caso de Diogo Álvares. devem ter sido compulsados com real entusiasmo e carinho. os nove anos.aquela mostrando-s e insuficiente para libertar-se dos quadros desta. tradições.Simão de Vasconcelos. incapaz de superar as fontes históricas. como também a tural. 176 #corresponderiam de fato a um nativismo sincero: "Os sucessos do Brasil não mereci am menos um poema que os da índia. nobre Vianez. Afastado da pátria desde. curiosas e necessárias" da Crôn . e política das colônias" ("Reflexões Prévias"). . que cita no prefácio e nas notas. Estes textos. Incitou-me a escrever este o amor da Pátria. quase sempre a seqüência e mesmo imagens e conceitos do poem a. lançou mão principalmente das "notícias antecedentes.muito mais livresca e nada lírica. não conheceria também Milton. Brito Freire. visão de uma seqüência histórica. Para a parte que se poderia chamar etnográf ica. sistemati zado em 1761 por Jaboatão no Novo Orbe Seráfico. milícias dos seus indígenas.

A omissão vem talvez do desejo de dar recuo hi stórico ao poema. propiciaria certo desleixo e defeitos como os . l imitando-se a correções de pormenor. que do seu ouro se nomeava. holandeses na Bahia e no Recife). para atropelar nos três últimos a seqüência das aven turas e toda a parte histórica. ou a de Camões. Nestes mesmos autores encontrou também elementos da história de Diogo Álvares Correia. que o levara m a espraiar por sete cantos as vicissitudes iniciais de Diogo. A maneira por que escreveu. mas inéd ito ao tempo da publicação do Caramuru. celebrado por Cláudio no Vila Rica. ampara-se na Nov a Lusitânia. ou 177 #quem sabe da falta de espaço devida aos erros de composição. Para os fato s históricos (franceses no Rio. O nome teve de ouro inficionado. de Sebastião da Rocha Pita (1730). o grande poeta épico manifesta outra. Por vezes somos levados a pensar que ele não emendava a cornposição nem voltava atrás. Por criar do mais fino ao pé das serras. (IV.ica da Companhia de Jesus. Circunstância digna de nota é ter deixado inteira mente sem menção a descoberta e povoamento das Minas. 21) Rocha Pita versara o assunto. já escrito. enfeixando quinhentos anos de Portugal em espaço pouco maior. as "áureas terras" de que era fi lho Torrão. O pressuposto da narrativa épica é a capacidade de sínte se . já referidos. urão não possui a primeira e raro denota a segunda. segundo o testemunh o de José Agos-. que se diria específica e importa no poder de sugerir o maior número possível de elemen tos no menor número de versos. Mas que.admirável capacidade que permite a Vergílio condensar em dois cantos toda a his tória da queda de Tróia e das navegações de Enéias pelo Mediterrâneo oriental. tinho de Macedo. os costumes dos ín dios e a descrição da terra. de Francisco de Brito Freyre (1675) e na História da América Portuguesa. feito enfim baixo e mal prezado. Ao lad o desta síntese por assim dizer genérica. do Padre Simão de Vasconcelos (1663). graças à imagem expressiva e seleção dos traços essenciais.

o conselho dos varões. noutra esfera foi Durão verdadeiro precursor. criar uma beleza gratuita e rara. flllando-o na corrente da celebração da íauna e da flora brasileira. etc. pela falta de contacto djreto que a imaginação era forçada a s uprir. ditava fluentemente pela ma nhã certo número de estrofes cuja leitura lhe faziam à tarde. 46) Quais ricas vegetáveis ametistas. O áureo pequiá com claras vistas. dando-lhe validade estética: Não são menos que as outras saborosas As várias frutas do Brasil campestres: com gala de ouro e púrpura vistosas Brilha a mangaba e os mocujés silvestres. (VI. mas os conceitos. retocando-as então pelo me smo processo. É o caso da descrição do Brasil feita r Diogo a Henrique II de França no canto VII (porventura o mais belo do poema) cor oando as tentativas de louvação da terra na linha Manoel Botelho-Rocha Pita -ltaparica e prenunciando certos aspectos do nacionalismo romântico ("Minha terra tem palmeiras". Informações. que quan do avistas Massa de ouro parece extensa e vasta. Florilégio. O angelim. et Scirron. O sacrifício ritual. tão precisa quanto possível no seu tempo. Mas se assim é quanto ao espírito. E graças a Rocha Pita conseguiu efeitos magníficos do exótico brasileiro . 390-391. não apenas a ordem da descrição. (VI. que assu me categoria realmente literária com Frei Antônio do Rosário. quanto à forma a descrição do frade mineiro (censurada por Fernandes Pinheiro como violação das normas épicas) é u ma pura e simples transposição em verso dos trechos correspondentes de Rocha Pita. as imagens. as danças. o sobreparto. (Racine) Mas se nisto foi um continuador. ao penetrar na vida do índio com um intento analítico diferente do dev aneio lírico de Basílio da Gama. feita com bela e colorida prosa barroca. o supopira. cit. o da mitologia grega: Procruste. fazendo ingressar na corrente da poesia européia a realidade partic ular da terra nova. 178 #É de fato refrescante a experiência de vazar o exótico regional no sistema erudito da oitava heróica. Ver o seu UTTO: Fru tos Ao Brasil numa nova e ascética monarquia. as próprias palavras. apud. A.. tataipeva.que venho assinalando. os combat . Cercyon.. O duro pau que ao ferro compe tira. sugestões.2 O seu trabalho mental consistia principalmente em metrificar com ma is ou menos habilidade as informações e sugestões colhidas nas fontes. et Sinnis. LVTI. Dotado de grande facilidade. dos ritos. (1702). como a que o senso de alguns poetas buscava noutro tipo de exótico. ponto de condensação dos cronistas e inspirador provável dos escritores subseqüentes. Varnhagen. ob.que apreciava quem sabe com ma ior vivacidade. (3) Seria interessante estudar com o merecido cuidado este caso de aproveitament o literário. 52) Versos como o último abriam a possibilidade de renovar as sonoridades tradicionais .). A fantasia a que se abandona é com efeito precedid a pela descrição dos costumes.3 (2) Francisco Freire de Carvalho apud. a celebração da flora tropical. obede ce tonalidade tão acentuadamente poética que Durão pôde copiar. I. (que nada tinha de plágio segundo os padrões da época). As águas do violete em vária casta. não raro conceitos e imagens. pág. O vinhático pau. das técnicas. N este.. Que noutros lenhos por matiz se engasta. Costa e Silva. ent re os poetas. Viegas.

Poderemos sofrer. quando as deixem cá no nosso inundo. Em Gonçalves Dias (que devendo muito à ternura elegíaca de Basílio da Gama. como o torn cavalheiresco dos p aladinos e. o que verdadeiramente anima a epopéia do frade mineiro é a sua visão do mundo. O épico. Cativa a plebe. E não apenas a ma neira de descrever os costumes. vereis um dia (Vive ndo esse impostor) por seu respeito S? encherá de Imboabas a Bahia. pais e mães feitos escravos? (IV. Paiaiás b r avos. as tabas arrombadas. o patriotism . Pagarão os tupis o insano feito. deve arnparar-se num el emento ideológico profundamente sentido para enfunar e dirigir a inspiração. Escravas as mulheres co"s filhinhos. Levando para além do mar profundo Nossos filhos e fi lhas desgraçadas. calcad o visivelmente nele. todavia. muito deve à m aneira erudita de Durão) vamos encontrar várias inspirações do Caramuru. ou seja a inspiração religiosa. a estrutura das tabas. Ou. E vereis entre a bélica porfia Tomar-lhe esses estranhos. estrofes 75-92 e o do I-Juca Pirama. sobretudo.es. tema d"O Canto do Piaga. Ver filhos. a própria construção das malocas são tratadas em estrofes significativas. já vizinh o s. Vereis as nossas gentes desterradas Entre os tigres viver no sertão fundo. 34-5) Numa camada mais profunda que o nativismo e o indianismo. Compare-se o sa crifício descrito no Canto I. porque o seu impulso se co nstrói em torno do seu coração e do seu canto. esboçado aqui em duas estrofes: Se o sacro ardor que ferve no meu peito. O poeta lírico pode dispensar convicções extrapoéticas. mas outros traços. a religiosidade e a paixão política de Dante. inclusive o movimento nervoso das mulheres. a melancolia 179 #da civilização arrasada pelo europeu. Não me deixa enganar. O alto ci vismo de Vergílio.

Assim encarado. elaborada em moldes desafogados e naturais. que humilde escuta! (I. porém. " O Nóbrega famoso. A forte e sincera visão religiosa de Durão ampara e dá significado ao Caramuru. mes mo. mas ainda o que mais cabalmente exprime a reação do tempo de D. chegand . Apesar de associados freqüentemente. por serem épicos. A sua ideologia (tomada agora a expressão em sentido estritamente marxista) consis te em justificar e louvar a colonização como empresa religiosa desinteressada. Para podermos contudo avaliar o significado real da sua obra. Como católico e sacerdote. os operários santos. para além dele. Veremos então que coube a bras ileiros produzir não só os poemas mais significativos de apoio ilustrado ao pombali smo. É interes sante. para chegar. Diogo Alvares nada mais faz que preparar o caminho aos "varões apo stólicos". a toda a Ilustração portuguesa. a devoção cristã de Tasso e Milton são molas essenciais e talvez a própria raz de ser dos respectivos poemas. Padecem pela fé trabalhos tantos. é necessário encarar o papel que nela desempenha a religião como ideologia. traze ndo a catequese ao primeiro plano e com ela cobrindo os aspectos materiais básicos . Que com fadiga dura. Frei José reputava os índios um povo sem a luz da graça. intenção reta. Mas apesar deste sentimento muito forte de que a condição do homem só se perfaz realme nte pela religião de Cristo. e portanto desno rteado. devota e 180 #jesuítica. (X. bem ao sabor da Vira deira. numa verdadeira tentativa de restauração intelectual. Que horror da humanidade! ver tragada Da própria espécie a carne já corruta! Quanto não deve a Europa abençoada A fé do Redentor. reponta aqui e ali simpatia pelo homem natural e. Maria I.o de Camões. de modo a provocar dubiedades de saboroso efeito. pombalina e antijesuítíca. "mineiros" e indianistas. o põe a sua estrutura camoneana. à apoteose da Companhi a de Jesus. no Canto X. verificar nele o impacto das idéias do século. 18) Daí valorizar a obra de Diogo principalmente como incorporação do gentio à fé cristã e dedi ar o Canto in ao debate religioso. fazendo do Car amuru o antagonista ideológico da melhor linha mental na literatura comum. o claro Anchieta. 55) A. visão laica e civil do Uraguai e dos poemas satíricos é aqui banida. atenuando certas pon tas da ortodoxia. esforço de compreender-lhe os costumes em função do estádio da cultura. À elegante pseudo-epopéia v oltaireana. o Uraguai e o Caramuru formam na verdade um par antitético: este é visivelmente uma réplica ao primeiro e.

sendo evidente que as palavras o embriagam e arrebatam. se unisse com fé pura . aparece como coextensão do natural e do revelado.o a reflexões como esta: Nós que zombamos deste povo insano. A análise poética do Caramuru revela algo bastante diverso dos outros poetas mineiro s. que o erudito agostiniano suspira: 181 #Feliz gente. em região mais sonora e ampla. 65) Como homem da sua época. assim como para muitos dos seus contemporâneos a lei do mundo e da sociedade se definia pela coext ensão do natural e do racional. 47) A vida do índio corre tão ordenada e em muitos pontos tão mais autêntica do que a nossa. (II. i(A sóbria educação que simples teve! (II. A religião. A sua facún dia às vezes desliza para a monotonia e a prolixidade.. a revelação divina tudo anima. E toda a ação se esclarece na medid a em que é pelo autor referida a este padrão. como a dos oradores que não c onseguem delimitar precisamente o que devem dizer. quando a síntese emerge para re . Mas como procur a captar sob as lendas e costumes indígenas uma longínqua fonte comum. Mas este excesso nos conjunto s é compensado muitas vezes pela concisão nos detalhes. ond e os vocábulos se cornbinam com maior variedade. Se bem cavarmos no solar nativo. Durão se sente bem na narrati va e na descrição. independentemente da revelação. Chave dos fenômenos e dos acontecimentos. pois. que as r eduzisse ao tronco bíblico (Canto in). que traria aos homens paz e justiça. Estamos aqui. Dos antigos heróis dentro às imagens Não acharemos mais que outros selvagens. pelas próprias exigências do gênero. e a harmonia que estas tradições têm com a natureza?" (Notas ao Canto in). sentiria porventura atrás disso a presença de uma lei natural . se não a antiga tradição dos tempos dilu vianos. A Providência guia os homens e em especial o branco na conquis ta das terras e gentes alheias à religião de Cristo. não lhe é difícil assimilar essa ordenação da vida e essa presença do bem a uma reminiscência gravada na memória coletiva: "Pois quem lhes transfundiu estes conhecimentos.

Neste passo convém notar as que se poderiam chamar sua s imagens intelectuais. Um plano vasto no se u centro abria Aonde. (IV. (I. * Ao lado disso. muito menos ocorrentes a liás do que se esperaria: As mãos ao céu levanta lacrimando. o toque cultista dos equívocos e agudezas. cana s. nele. como em quadro. 83) Ê claro que a concisão não se deve apenas à habilidade verbal. 36) Traço marcado de barroco é. E fica quem a prende ainda mais preso. Eis a aldeia de índios que se ergue toda numa estrofe: Do recôncavo ameno um posto havia." Ou esta consagração: Dos frutas do país a mais louvada . discernimento das paixões.. De troncos imortais cercado à roda. com que impedia A quem quer penetrá-lo a entrada toda. (VI. discrimina em quatro versos a violência do desejo amoroso. o rdenação mental da matéria poética. outro de fogo. E nem tanta água. rebenta como em brancas flores. quem vence o nada? (in. De troncos. varas ramos. (v. uma das formas de criação poética: Se não lhe dera o ser. mas também e quiçá principal te ao conhecimento do que se aborda. derramamento. edificando à pátria moda. Quais torravam o aipi. nucleando largos trechos de excessivo. e também visão intelectual. vimes. combinando com imaginosa facúndia os seu s nomes.dimir demasias. não chamar-lhe ódio.. quem mandiocas. (H. Que acompan har parece o humilde rogo Um dilúvio de água. o esposo pelo mar seguiam. O conhecimento aparece em Durão como boa info rmação das coisas. formas. animais do trópico. fruta tão boa. em imagens e conceitos que denotam percepção viva e transmissão clariv idente do essencial. talvez prolongamento do Conceptismo barroco e. na natureza e na consciência Conhece que quer mal quem assim ama. Outros na cinza as cândidas pipocas. oito cabanas. Ê o régio ananás. 75) 183 #Nadando. E que f ora sacrílego episódio Chamar à culpa amor. que lançado na cinza quente. a deslumbrada aplicação com que compôs em sistema p ico as plantas. (II. frutas. De cor tão alva como a branca neve. Que a mesma natureza namorada Quis como a rei cingi-la . banhando apaga. Formaram. (IV. 19) Ainda mais bela é a nota deste verso: "Pipocas chamam o milho. que flutua vaga O ardor que o peito tem. sem dúvida. 58) 182 #Quando descreve a súbita paixão que nasce à primeira vista em Diogo e na bela Paraguaçu . B) Mas.. 53) Descobre a todos a presença bela. cores. s) . Trincheira na tural. se há lugar à humana conjetura Dos possíveis na longa imensidade. E tanto ardor na face se lhe imprime.. mais próximo da fúria que d a ternura: Em Deus.

cultura. que chegou à vilania e soube resgatar-se por uma long a. Durão tinha portanto a mente épica além de inteligência viva. ou aquelas onde. 57) O Caramuru. Sabemos que foi ho mem de paixões desencontradas. terminado em 1781. 41). irmão do arcebispo. e por isso mesmo capaz de esquadrinhar a alma sem complacência. disparei contra a ingratidão deste as mais desa bridas censuras" (pág. se entrega à desabalada energia do seu temperamento: "Sobrevieram-m e alucinações de raiva. foi começado. Sincerida de pura. 42). sem rodeios nem esperança de perdão. Graças aos documentos publicados pelo P. já cego e fora de mim. (I. após dezesseis anos de Itália. e encontrando-me com o P. pelo menos." (pág. não o quebra ram: O valor cantarei na adversa sorte. Na Ret ratação que apresentou ao Papa e é o marco inicial da sua recuperação espiritua l. (VII. não só religiosa como principalmente moral e intelectual. etc.e Antunes Vi eira (Artur Viegas). em 1778. lancei em rosto ao P. "Saí eu dali furioso. Pois só conheço herói quem nela é forte. corrupção de costumes e um tamanho horror du184 #rante a celebração da Missa que a mim e a muitas outras pessoas se afigurou que and ava possesso do diabo" (pág. conhecemos regularmente bem a sua vida. Santo Agostinho. "Fácil é imaginar como eu ficaria escandescido de raiva.da coroa. a prisão. quando muito. já agora potentado graças a estes me smos escritos. não sabemos se mais apreciar a precisão nervosa do estilo ou a sinceridade integr al. temperamento exal tado. vencendo inclu sive a debilidade corporal. 44) O exílio. 42) " "Nem teríamos mãos a medir se fôssemos revistar todo o esplendor exótico do canto VII. abandonado pelo Bispo. profunda. A referência pejorativa feita a Pombal pelo Cardeal da Cunha prova que fora poeta de . (pág. que contrastava nele com o vigor das paixões. que o aproxima do patrono de sua Ordem. "pois sou de compleição bastante delicada". D Por tê-lo sido. Basta ler as páginas em que relata o modo porque. Ca rlos da Cunha. qu e circunda o Arcadismo brasileiro com uma viva moldura de brilho tropical. estimulou no Bispo de Leiria toda sorte de escritos e atitudes contra os jes uítas. as perseguições. densa e rica experiência. movido da a mbição. reconstituiu penosamente o perdido equilíbrio moral e brilhou de nov o na sua cátedra de Teologia em Coimbra. tomad o a Rocha Pita e contido pela disciplina da oitava camoneana. P or isso. Carlos mil impropérios à pessoa do arcebispo. extrênua penitência.

a acentuação de características fez com que a naturalidade neoclássica. Farpa que o picara. MAU GOSTO 4. pois o estabelecimento da rotina importa em sugestiva dubiedade: a acentuação de características anteriores mistura-se a débeis sinais de mudança futura. BOTINA 2. como são poesias e assuntos de igual jaez" (pág. sem dúvida. os que veremos doravante marcam acentuado desnível. a elegância. a hipertrofia s ignifica por vezes deslocamento de eixo que já é transformação. Este e os próximos capítulos estudam com efeito um momento em que reina estagnação na literatura: as tendências da Arcádia entram na rotina. nas correntes li terárias. corresponde de alguma fo rma à ave ntura em que procurou superar-se a si mesmo. mas creio que em pouco mais deve ser empregado que em coisas galhofeiras. porque o não foram de bispos santos". ROTINA Os escritores da geração anterior representam o ponto máximo da contribuição brasileira ao Arcadismo da literatura comum.stígio é freqüentemente véspera de declínio. SENSUALIDADE E NATURISMO 5.sde sempre: "Lá talentoso ele é. Coroa a sua vida cheia de trabalhos como a síntese que finalmente obteve sobre tudo o que nele foi tumulto. PITOKKSCO E NATIVISMO 6. sinaleira de decadência. levando-nos a refletir sobre o fato que. AS PESSOAS 3. RELIGIÃO #FORMAÇÃO DA ROTINA 1. Cada período literário é ao mesmo tempo um jardim e um cemitério. fazendo paradoxalmente com que a rotina deforme até provocar a emergência de traços diferentes. No que estamos analisando. as plantas enfezadas que não querem morrer. i 185 #^asCapítulo VI FORMAÇÃO DA ROTINA 1. construída em parte sobre a sua herança. . mas estes não são indigno s de um religioso. entrando pelas terras do gentio e nelas talhando uma ordem que proc ura sobrepor-se ao que lhe parecia indisciplina e erro. pois justifica-se vinte anos depois nas "Reflexões Prévias": "Se i que a minha profissão exigiria de mim outros estudos. cornparados a eles. O Caramuru coroa e de certo modo simboliza sua vida: a disciplina da religião e da civilidade. Para o crítico e o historiador tais fases apresentam bastante interesse. complacência no erro e depois aspiração ao bem. onde vêm coexistir os produtos exuberantes da seiva r enovada. a ossaría petrificada de gerações perdidas. 43). De fato. desconcer to. e o da subliteratura passadista que lhe corre paralela por mais ou menos tempo. penosamente obtida. fa. A agonia de uma corrente literária abre quase sempre dois caminhos: o da próxima corrente dominante. se tornasse prosaísmo.

No momento que estudamos. Segundo. odes c oriáceas. quando a nascente reação neoclássica ficou insensível aos seus aspectos positivos. na pesquisa dos mais refinados estados d"alma. inspirada noutras fontes (foi o caso do nosso Romantismo). com mais dum século de recuo. se desvirtua numa verdadeira alienação literária. bas tante medíocres na maioria. concentrou-se no indivíduo singular. à sombra das normas ossíficadas em convenção. pedantismo didático. em boa parte. Primeiro. ambas as coisas. não lhes permitindo adquirir contornos a que (nos parece hoje) tenderiam obscuramente. a tese de José Acieraldo Castelo. o Romantismo brasileiro tem mais raízes locais do que se imagina freqüentemente. tendem a avultar os traços parecidos aos de desenvolvimentos subseqüentes. e o grande nome de Gôngora se tornou qualificativo de aberração estética. como deram algumas. ou a presença de alguns grandes talentos inovadores. culpando as normas que passaram a produzir tão medíocre resultado ao se desfazer o fugaz equilíbrio e m que geram as obras-primas. sobre os fatores brasileiros desse processo de transiçêo. abundam canastrões de porte vário. A Introdução ao Romantismo nu Brasil. A partir do Romantismo. o culto da natureza propicio u o sentímentalismo. provável é que sejam fruto de alguns anseios novos. certos de corresponderem a uma opinião acomodada pelo hábito. desvitalizaram-se. acentuando-se. julgado quase sempre negativamente. e o seu primeiro momento. Geralmente. em que (1) Consulte-se. cantatas. frio arrolamento de alegorias. foi que se apegaram aos padrões dominantes. levando ao amolecimento da sensibilidade. sendo conseqüências naturais do Arcadismo. iguais nas qualidades e defe itos. a ilustração. questão de perspectiva histórica. e estes. Assim. não só graças ao contraste do gosto novo. escritores e público de então. a devoção religiosa. foram incapazes de perceber o significado dessas vagas premonições que. supor que isto importe em estabelecer um hiato entre dois pe ríodos: na verdade. as manifestações pós-românticas e o Modernis mo). esclerosando e exercendo um peso sufocante sobre as necessidades expressionais que i am surgindo.afetação. foi o que aconteceu com o período arcádico. de que não deram tento os contemporâneos e os próprios autores: sinal ao mesmo tempo de que não destoavam no contexto arcádico e que o peso da rotina abafava o seu desenvo lvimento. a preocupação geral com o humano. bem mostra como estava preso ao passado. os traços que nele encontramos diferentes dos da geração anterior são menos um aparecimento do que um desenvolvimento. Isto é. Essa contaminação póstuma do born pelo medíocre na contracorrente do tempo é típica na decomposição do Cultismo. a paixão pelas coisas civis desdobrou-se no patriotismo. produtores constantes ou ocasionais de sonetos empedernidos. ISí) #É preciso ter em mente este processo de deslocamento para evitar dois enganos possíveis. Ora. Por outro lado. utilizados sem inspiração profunda.1 A proporção das duas tendências de conservação e mudança nas fases de rotina é aliás. Tudo isso talvez explique a razão da posteridade < projetar retrospectivamente os defeitos dos instantes de rotina e decadência sobre os de fastígio. Para quebrar a rotina é de fato preciso a irrupção duma corrente nova. escritores e semi-escritores meio arcádicos. Este abafamento foi agravado por outro aspecto da rotina: a aceitação e consolidação da corrente literária no gosto médio. quando é sobretudo um fim de Arcadismo. 190 #a delegação poética. pululam escritores de toda sorte. cada vez menos eficazes. Resultado. Certo e indubitável é que decorrem de virtualidades preexistentes. (tendo de permeio o Romantismo. mas ao . supor que este momento seja um Pré-romantismo. a novos estilos que correspondessem melhor à nova etapa da nossa his tória social e mental. desamparada de inspiração. todo impregnado de Neoclassicismo. o classicismo. o mesmo processo ressaltou certas tendências menos ostensivas na fase anterior e agora salientadas pela hipertrofia. É o momento em que. com proveito. Para nós. poderiam dar lugar.

A irritação causada pela mecanização duma tendência literária encastelada no gosto médio. a fama não lhes vem da literatura. a ser rejeitada pelos escritores de uma pátria livre. Mesmo porque não teve forças para liquidá-lo. enchendo o século de odes. João VI. PESSOAS As gerações que se estendem entre os mineiros e o Romantismo compõem-se de escritores secundários. rest rições pequenas. o Junqueira Freire. ao contrário. . em diagnosticar sinais precursores . (leitores d"O Patriota. os românticos se comprouveram. neste e próximos capítulos. . contra estas.). O que se atacou foi principalmente a moda greco-romana. etc. e os que importam paradoxalmente em sem enteira de traços novos. procurando sublinhar alguns aspectos de rotina que representam verdadeira corrupção das normas e práticas anteriores. Aqui é preciso. graças à sua hipertrofia.agravamento trazido pelo contacto direto dos prim eiros românticos com as manifestações desvitalizadas da fase final de rotina. Encarando o movimento geral da nossa literatura no século XIX cora a perspectiva de hoje. 192 #2. relegando-o para segundo plano. apesar da teorização dos primeiros românticos. leva a condenar as normas que a tornaram possível e já tiveram o seu momento de fe cundidade. como quase todo o Bernardo Guimarães do declínio. centralizada de vez pelo Rio de Ja neiro. distinguir a posição de combate dos românticos. da opinião que veio afinal cristalizar-se no Romantismo. À luz de tais considerações devemos encarar os escritores delineados a seguir. compromisso. Homens quase sempre melhor realizados noutros setores. Persistiu na própria subconsciência dos escritores: toda vez que a inspiração falece. através das suas obras.concorrência. um poeta ou orador romântico nele cai automaticamente. elegias e sonetos. todavia. além do seu perfil. ao fato de ter sido ela a primeira forma em que se exprimiram e adquiriram configuração literária certos temas prediletos do século: patriotismo. morto já neste século. que então só apresenta interesse real na medida em que saímos das belas letras para entrar no jornalismo ou no ensaio político-social. Magal hães. superado na esfera criadora. é um epígono de Bocage e Tolentino e bem poderia ter vivido no tempo de D. talvez. correspondendo no Brasil ao primeiro momento de vida literária mais ou menos regular. impregnando a arte oficial e plasmando certas esferas do gosto médio pelo século afora. o Romantismo não destruiu o decadente Arcadismo brasileir o: tomou lugar ao seu lado. O satírico padre Corrêa de Almeida. as características comuns da fase. O que . por exemplo. O momento literário que vamos analisar. Indicar-se-ão.principalmente nativismo e religiosidade.homens de vôo literário médio e curto. que nunca o abandonou de todo. di tirambos. .apesar de tudo cordiais. Nos predecessores. contra aqueles. Os figurões apoetados não conhecem outra maneira. Semelhante extensão e profundidade da rotina arcádica se devem. ele persistiu n a subliteratura. lamentando que não os tivessem desenvolvido mais. o próprio Alvares de Azevedo dos maus momentos. Não contando que g raças a ela se definiram os primeiros públicos regulares da nossa literatura. identificando-se além do mais Neoclassicismo com literatura colonial. auditores de sermões. na literatura comum. com ele mantendo relações de vária espécie. enquanto indivíduos. mas não às pessoas. mesmo depois do Ultra-romantismo haver criado novos sulcos de rotina. O ataque se referia aos cânones. é um mau árcade da decadência na maioria dos versos posteriores 191 f"" #*fc **ía 1840: no mesmo terreno comum caem o Gonçalves Dias. religiosidade. representando o seu papel sem qualquer manifestação mais firme de vitalidade criadora. confortável para os rotineiros que quase to dos foram. contribuiu decisivamente para fixar o estereótipo do Neoclassicismo. (e lembrando a imagem do jardim-cemitério) sentimos que. ainda o vemos na melancólica prosa rimada do segundo Imperador. em seus representantes principais. respirando uma atmosfera sufocante para o talento original. violência máxima em certos casos. No fim do século.

a poesia adquire qualidade confortàvelmente acessível às moderadas necessidades poéticas da maioria. um grupo que precede cronologicamente e sobreleva. para começar. o mais preso à tradição é sem dúvida Francisco Vilela Barbosa. Veremos nos próximos capítulos em que medida é viável essa projeção histórica do nosso desejo de descobrir continuidades e atribuir significados. atraído pelo furor dos g regos e a melancolia dos britânicos. destacando. publicistas. Para quem ama a coerência histórica nas manifestações da cultura. ao mesmo te mpo de esclerose e fluidez. . com ele se abre uma longa série de amáveis poetas-estadistas. Por vezes. Barão de Itamaracá.como se o ranço arcádico. mas compreendendo escritos desde o decênio de 1780. no conjunto. homens de. nelas encontrando liberdades formais que reputou adequadas à própria inspiração.tanto é verdade que os limites de uma tendência estética podem ser apreciados com vantagem nos cultores secundários. apesar da alta envergadura do talento de estadista e homem de ciência. Mosaicos. continua os tons leves e graciosos da Arcádia. na tímorata monarquia de Dona Maria I e Dom João VI. Meandros. Meleagro.seria de Américo Elísio se não fosse o Patriarca da Independência? O poeta Vil ela Barbosa é lembrado graças ao Ministro Marquês de Paranaguá. Florilégios. em que procurou transpor de maneira rigorosa as qualidades do verso grego. Conselheiro Otaviano. este. Pode-se aquilatar a aceitação de Vilela Barbosa pela freqüência dos seus poemas nas antologias do século passado. à maneira de quem vaticina a posteriori. mas uma espécie de tributo pago pelo progresso à ordem tradicional. quem lembraria hoje os versos de Januário da Cunha Barbosa ou Frei Caneca? Vocações mais exigentes parecem as de Elói Ottoni e Souza Caldas. . e a não terem sido políticos. nessa fase tão maciçamente neoclássica. José Bonifácio foi medíocre poeta. Qtfada e^e^^Jí^ ^ WX&üa <& ^MM\1 "à ^tRà e rasgar -lhe horizontes mentais. mostraram decisão e senso atual da vida. Não por certo compensação consciente. roti neiras ou vacilantes. que tratam o verso com superfici alidade e elegância. de uma Grécia mais autêntica. o traço mais notável é a coexistên cia dum meticuloso neoclássico e dum tradutor inteligente dos pré-românticos ingleses. O livrinho onde encerrou cerca de meio século de atividade poética revela temperamento vivo. o conformismo religioso. Nas Poesias Avulsas de Américo Elísio. timbre dos românticos que só se manifestará com a geração da Niterói. únicas sensibilidades novas. gostamos de. a estagnação formal servissem de contrapeso aos arrojos de um espírito algo assustado com o barulho novo das próprias asas. chegando-se ao gosto médio com uma felicidade que tornou proverbiais algumas das suas peças: Marquês de Sapucaí. deve parecer estranho o fato dessas gerações esteticamente apagadas. É neoclássico não apenas no sentido arcádico. graças à personalidade intelectual dos seus membros. publicadas em 1825. restrear vestígios da passagem do humanismo para o individualismo. e neste. ou pelo menos vitalizada. as de Monte Alveme e Borges de Barros. os mesmos poetas retrógrados são naturalistas. mas enquadrado na estética . serem as mesmas que. no terreno político e científico. . toda escrita na mocidade. subseqüente a Winckelmann. na segunda metade do século XVIII e começo do XIX.embora nunca mais se reeditassem os Poemas. Neles. pregadores. porém. persistência e mudança. publicados em 1794.Parnasos. Evidencia-o a preocupação arqueológica das suas traduções de Hesíodo. Píndaro. Lê-los é sentir o que se tornou na mensagem neocl ássica patrimônio do verso corriqueiro em língua portuguesa . com ele e o Elói Ottoni d a primeira fase tais epígonos encontram o fácil ponto de equilíbrio no qual. mas no que lhe deram os estudiosos referindo-se à busca. sem desmerecer de todo. de relevo nem sempre palpável. cuja obra. #Deles. Em nossos dias. As traduções de Young e Macpherson puseram-no em contacto com tonalidades do Pré-romantismo inglês: sabemos que leu e estudou as obras de Scott e Byron. num período fugaz da vida. tentaremos caracterizar essa fase difícil.

. o léxico e o imagiário do Romantismo. Do meu e teu o grito desumano Fez soar em seu dano: Tremeu a sossegada Natureza. sentimos no mau poeta um homem cândido e reto. 93. ó bela. (Gerus. os dons oratórios que conquistaram de imediato a estima e admiração do Príncipe Regente quando se transportou ao Brasil. que fizeste? tudo brada. condenação da propriedade em paráfrase fiel do mestre: De tresdobrado bronze tinha o peito Aquele ímpio tirano. onde só nos compensam a leitura certos versos de involuntário efeito cômico. 195 #t transposto em con magistero tal che perde il pregio de Ia ricca matéria appo il lavoro. baseada no Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. e outros na pequena obra da primeira fase. II. voltando a uma medíocre poesia devota com entremeies de naturismo que a aproximam da linha tradicional de nossa literatura. que o protegeu e de quem foi secretário. al guns decassílabos sáficos da Anália de Josino (1802). Onde n matéria. (VIII) Através do longo poema. pois quando julgou renunciar a elas nada mais foz do qtie servi-las doutro modo a partir da crise religio sa. a eficácia do professor de teologia. da. foi preso pelas idéias avançadas. seguidor fascinado de Garção. ainda mais nítida porventura no inacabado poemeto d"As Aves. Felinto 194 #Elísio. Bastante envelhecida para o leitor de hoje. influenciado por Gonzaga. numa total incompreensão das novas necessidades expressionais. U. onde fala da Altiva Independência. muito mais que a dele. E se damos nalgum achado poético em meio às redundâncias implacáveis. enrugando o tôrvo aspeito. Que primeiro. Tasso. Não brilhou na vida. foi árcade elegante e mediano. é francamente premonitória.deusa. corn frei Francisco de São Carlos descemos bastante na escala poética. como personalidade literária e consciência crítica. que principiou seguindo esses moldes. à implacável prol ixidade do versejador. ou francesas. participou da vida literária de Lisboa nos últimos anos do Setecentos. Que em solta nuvem de enrolados j/lobos Ao trono chegue de propício nume. Muito acima de todos estes. vai muito alérn do elmanismo onde germinavam melopéias e contra o qual se inteiriçava. obra é superada. que exaltam as virtudes do sacerdote. antepassados diretos da melodia característica dos românticos: . (Lira J) É um momento de acentuado modernismo onde se prefiguram. por vezes ambos reunidos. mais que o ritmo. no tópico Um colar ao pescoço..a Na fase anterior à crise religiosa (1808). ligando-se a Bocage.. Mais premente foi a vocação poética de José Elói Ottoni. a Marquesa de Alorna. Onde a arte. 95) (2) Noticio. que o trouxe às sugestões da poesia sagrada. . merecedor de mais atenção. Fundamentalmente escritor. fica Antônio Pereira de Sousa Caldas. Se os ncnitas clamam.predominante em Portugal no fim do século XVIII. verdadeiro compêndio de má poesia. descontando a grande quantidade doutros escritos queimados no fim da vida. não f c escondas. (1851). a paz dourada. Ao ver deste mortal a louca empresa. Estudante em Coimbra. neste sentido. Náufrago lenho sobre estranho pego Vence atrelado as empoladas ondas. guardou todavia intacta a força d e convicção. (Lua. segundo afirma Teófilo Ottoni. a cujo . Maus versos e paixão ilustrada. nem como eles aspirou a grandezas: dedicou-se à poesia com amor testemunhado pelas longas versões dos Provérbios ditos de Salom ão e do Livro de Jó.. o senso neoclássico de Felinto Elísio. A liberdade. Tua antiga grandeza De todo se eclipsou. at é a dureza prosaica. Açode. Surpreendem. Caracteriza-o certa musicalidade que o aproxima de Silva Alvarenga e.. Lib. Nostalgia do "estado natural": Nostalgia do "estado natural" Ó homem. como se dizia: era admirador da filosofia e versara as teorias de Rousseau numa "Ode ao homem natural". como. e nunca se aplicou essencialmente fora das letras. "i A Assunção é um fluxo de loquacidade metrificada. . Nele. de ouro fino. a matéria vence em preço. seu sobrinho. Histórica sobre a i-iâa e poesias de Eloy Ottoni. assim o mostram as testemunhas contemporâneas. com ferros se vê presa... respectivamente. se o teu astro brilha. logo farejamos o modelo: Camões. como os dois acima referidos.

que é das peças mais interessantes da nossa literatura e espelha a riqueza da sua personalidade." (3) Sobre outros escritores dessa geração. mas uma forte menta lidade. Esse adversário da tradição greco-latina possuía um sentimento vivo das formas naturais. N em se pense que renunciou ao pendor crítico. já à véspera da morte. parece-nos corn efeito que só foram poetas porque o verso er a veículo quase obrigatório.196 #j 4 eato seduzido pelas más idéias.. que o tempo come. Lindo botão Vejo a teu lado. E o extremo ideal tocar do belo. . Como ao longe se estende sobre a terra De vosso nome a glória! Na vida de Sousa Caldas esta epístola é um marco: da viagem tornaria padre.lado Ergue a Razão o cetro sublimado.mo. ". querendo ser grande sem saber como. mão do cinzel. em que lhe descrevo a minha viagem por mar até Gênova" . outra componente do seu espírito é a imaginação plástica.. Alguns mais moços.a) " " . solicitado por mais de uma. As suas qualidades . Repolí-los intenta. como poeta e orador sacro. ou no colorido das "Odes Anacreônticas": Ó quanto és bela Vermelha rosa. uma personalidade rica e pouco segura. no seu tempo. Muito inclinado para as letras.) (. Malgrado as atenuações trazidas pela biografia oficial. o veículo adequado à transmissão de valores que se exprimiriam talvez melhor em prosa. que escolheu o verso por ser. vivamente manifestado em 1812. 198 3. Ao lado da inquietação crítica.nunca expressas tão bem quanto na epístola marinha são todavia suficientes para fortalecer e animar a pesada cantaria das estrofes.. fala na "Carta aos m eus amigos. permaneceu. casando-se a formas de expressão compatíveis corn pouca sen . O filho alado. mas desencantado ao mesmo tempo. manifesta-se um vigoroso ataque à educação do tempo e à convenção literária greco-romana. da (. nas Cartas políticas e filosóficas. irrequieto. . estes e outros escritos mostram-no vivo. apaixonado. . Monte Alverne. consultando sobre o emprego mais próprio de meus talentos". Saldanha). que o apresenta desde a mocídade como brando e devoto. MAU GOSTO Lendo a uns e outros. como se vê 197 #no relevo parnasiano da bela ode sobre Pigmalião. Qual junto a Vênus . Imitada na forma do "Templo do Gosto". sem abandonar porém a "mania" referida na "Carta aos amigos".) de deixar à idade Vindoii-a escriptos vãos. E aí sentimos que não foi realmente grande poeta. inseguro da vocação. Em meio à comicidade esfuziante. com marcada liberdade de espírito. apenas um mo. um puro intelectual. deste modo proporcionando ao que é poético e ao que é prosaico os veículos naturais. reponta simpatia pela Constituin te revolucionária. Na poesia religiosa onde se abrigou finalmente.. queimando a maioria da produção profana. apenas mencionados aqui. em contornos arquitetônicos não raro pesados. malgrado as suas precauções de sacerdote. Tu me retratas Nine formosa. ao mesmo tempo c rítico e espontâneo. bustam as referências ocasionais que lhes serão feitas. Essa inquietude que o persegue é feita de rebeldia e obediência. porventura o seu melhor poema: Lança. tristeza e humor. é escrita em prosa e verso. .. serão desenvolvidos em outro capitulo (Borges de Sarros. Um típico ilustrado português. mostrando a grande liberdade mental que conservou.. não obstante o sentimento religioso profundo e sincero. fundem-se imaginação plástica e inquietude: esta se exprime com efeito pela meditação. sem anarquismo nem ateismo.) mania (. ergue o martelo.a "Carta dirigida a meu amigo João de Deus Pire s Ferreira. de Voltaire. Quando viajou cerca de 1790 para a Itália mandou de lá uma descrição burlesca. (z. destoando da nossa tradição de graça pesada pelo humorismo elegante. senso crítico desandado em brincadeira. reponta a unção religiosa (que faria dele poeta e orador sacro) numa ode que suspende um momento a farândola endiabrada e é das mais belas que escreveu: Meu senhor e meu Deus. pois recusando sistematicamente cargos e prebendas.

Que d"Amor os mistérios apadrinhas. Cada qualificativo está por assim dizer fora de foco. incluída nas Poesias Avulsas: "Para poderm s pois traduzir dignamente a Píndaro. Roxicoma da. o discurso de Rui Barbosa sobre o chicote do Marechal Hermes teria naque le tempo sido um poema satírico de título adequado: A Rebenqueida Mesmo dado o desconto. Querendo ser original. (. melhor fez Odorico Mendes. José Bonifácio foi levado a recomendar este processo. em que r econhecemos inteligência. Daí a brancura sugerida pretensiosamente por níti do. e inver s amente. : " Se corn férvidas mãos ousado toco.. Bracirósea. c omo se sa . obedecendo a uma lógica puramente g r amatical.como convinha a um naturalista versejante. sem o menor senso poético. e nelas engastadas a s extraordinárias maminhas. etc.. ser-nos-ia preciso enriquecer primeiro a língu a corn muitos vocábulos novos. Daí o mau gosto que pulula no conceito.) como por exemplo: Auricomada. Esta falta de senso ocorre doutro modo num poeta muito mais sensível. prodígio de vulgaridade que provoca riso na primeira lin ha e o leva pelas outras a escandir todo o poema. começando pela imagem do desej o assimilado ao choque elétrico . não se pode todavia negar o prosaísmo desses poetas. Tranciloira.) e porque não faremos e adotaremos muitos outros. peculiares ao vasto processo reinante de felintização. que confunde tudo. tudo é de uma falta de gosto exemplar.. na palavra. Se bem disse ele. que não raro quebra a ascenção emocional da estrofe pelo choque bmto de vim pros aísmo inoportuno: 199 #Tu dos amantes silenciosa amiga. Olhiamorosa. n a "Advertência" à tradução de uma das Olímpicas.". corn dificuldade de transpor ao português os versos densos e sintéticos do grego. Ah! que me imprimem súbito Elétrico tremor que o corpo inteiro Em convulsões me abala! \ Nestes versos. quão difíceis. Docifalante. Mais doces.. Olhinegra.sibilidade. Boquirubra. A Ode aos baianos caberia hoje melhor como artigo de jornal. desamparada de significado. principalmente compostos (. o impagável vacilante. o sobre-humana. Outra ocorrência do mau gosto são os neologismos em que se fundem substantivo e adje tivo.~ As nítidas maminhas vacilantes Da sobre-humana Eulina. Argentipede. Borges de Ba rros. Doci risonha. cultura e chateza. como verdadeiro desvio da sensibilidade. sujeito e complementos. na imagem. A obra de José Bonifácio é fértil no gênero e atinge ao máximo na espantosa ode que principia assim: . desprezou as palavras comuns que funcionam pela força do contexto e procurou efeito na originalidade de cada uma. etc.

.. por causas que me afligem. pois. a vida toda em lançar o penedo da montanha ou em -mover a roda. Que era pendor geral. "Romípetas".. alastrando a sua tradução da Ilíada de vocábulos e expressões que tocam as raias do be stialógico e a que Sílvio Romero já fez a devida justiça: multimamante. do Capibaribe. exprimindo o sentimento e o destino pessoal: . a lira 11 da 2. clamou-se em vão nas margens do Ri beirão do Carmo. " --que de mim se retiram. o meu destino ingrato que lograr-te não possa.o abutre da saudade. --. e numa coisa só é mais humana a minha dura estrela: .. -mas sinto de outro monstro a crueldade. Tal mania revela espíritos retorcidos que procuram compensar a imaginação vacilante co rn a elevação ilusória da palavra complicada. Não vejo os pomos. Natividade Saldanha empregará corn freqüência artifícios semelhant es. aliás. que mal palpita. os anjos.. em fase de decadência. Estou no inferno. cuja heroína. mas tenho ainda mais cruel tormento: .. "pulcros celicultores". _ . cujos limites não precisaram extravasar um Cláudio M anuel ou um Basílio da Gama. já então pouco significativa. No fim deste período..devora o c oração. 20O V #Para se ter idéia desse ressecamento.-.be. estando vendo nesta alma o teu retrato. . Eu não gasto. em geral . não confinado à mentalidade arqueológica dos helenistas. quando busco fartar o meu desejo. é exemplo do melhor proveito que se podia extrair da mitologia como sistema de ima gens alegóricas. do Recôncavo. é chamada "a Puerpera Diva". O Nilo é "se ptemfluo".. os romeiros devotos. as aves not urnas. um preciosismo do pior gosto. basta comparar o uso do arsenal clássico nos "mineiros" e nestes epígonos. Mau gosto e prosaísmo se manifestam ainda no uso inferior da mitologia e. os doutores da Igreja. vazio. Na poesia e nos sermões desse tempo grassa. corn retorcidas unhas agarrado às lépidas entranhas. como se os poetas não fossem mais cap zes de encontrar nela o correlativo adequado à emoção e ao pensamento.. os demônios.. a construção arrevezada até à obsc uridade são apoios duma inspiração pobre. "aquícola". "lucífugas". . Se acaso não estou no fundo Averno. albin itente. o peixe.. não me come um abutre esfaimado. da tradição clássica. olhicerúlea.a Parte.-. a imagem descabida.. desertados para sempre das "ficções amáveis" do passado. Glaura foi a última ninfa realmente poética: depois dela. "celícolas". roda e gira .. estou. mostra o uso simultâneo que das palavras artificialmente compostas fez Francisco de São Car los no Assunção.. nem as águas vejo. Marília bela. en fático. mas quer. Marília. "ignícolas". São Francisco de Assis. . em que o termo raro.*. "Padre Cristífero". já que são incapazes de criar corn os elemen tos normais da língua._ cansado pensamento . ou "célites".. Marília. Em Gonzaga... ..

) Que há de ser de mim. E do Parnasso No monte escasso Ide habitar. revelando extraordinári o senso do burlesco: "Muito tínha a dizer sobre esta obra admirável. A adolescência. Veja-se o modo discreto e alusivo corn que OB emprega Al varenga Peixoto no Soneto XVII. que nos põe a todos de mau humor. Por lhes servir de indulgência Os anos da nossa Amada. Pastor do Serro (1807).". são agora muletas de um verso sem poesia. 202 #Mas a grande figura da carta é um estupendo Tritão de opereta. Traz somente descoberto O nariz ag udo e frio."" Nas Liras de Jonino. a exemplo desta glosa em que são utilizados os mesmos mitos: (4) Estes mitos aparecem. Já tendes cãs. "Como é louco e bárbaro o siste ma de educação que os europeus têm adotado! Tomaram dos gregos e dos romanos o que estes tinham de pior. alta clemência. as imagens e mitos greco-romanos.) . Ó nove Irmãs! Envergonhai-vos. eu pretendo voar e voar cedo à glória dos teus braços. Foi a pena. t Deixai-me embora. Pelas ventas vem soprando . e tão extraviado do caminho das ciências. . frívolo. combinados. pois decorre de não lhe haverem ensinad o a nadar em tempo. E dobra. versado ao gosto de Antônio José..". Por divina.. no qual ridiculariza o antropomorfismo mitológico. ou doente. desfecha no repúdio à moda greco-romana. gasta-se em granjear vícios e decorar coisas m uitas vezes inúteis. quando tem adquirido um corpo efeminado. aprenderam a fazer-se pedantes e esqueceram-se de fazer ho mens. Em versos como estes. recheado mais de nomes que de coisas. 201 #Ixion co"a roda parou. por toda a literatura pós-renascentista. com o Sousa Caldas desde 1790. que ordinariamente nunca mais atina corn ele". -. meu Pires? Em que língua hei de falar a este Tritão para abran dar a sua cólera? (. um rapaz europeu finda a sua educação nos Colégios e nas Universidades. comutada. Que a seu pesar lhe é vedada. Compreende-se que espíritos mais largos aspirassem ao seu abandono definitivo. a invocação mitológica perde o caráter de correlativo da emoção para ornar-se mero recurso verbal. Depois de muita fadiga. se não fosse a vozeria da equipagem. ^* Sois nove doidas. . na referida Carta marítima. tão nobremente int erpretados pela estética pós-renascentista. Seu furor endiabrado (." O abutre a Tício deixou: Tântalo d"água provou. Vindes ligadas. Vento Leste enregelado. Um Tritão todo coberto De marisco e verde limo. Descansa o velho Caronte. de instante a instante. e a mim em susto.. idade preciosa. Para enfadar-me. ser vindo bem para exemplo. q ue me obriga a largar mão da pena para atender a um indivíduo. .uns não podem mover do inferno os passos. o seu pobre imitador José Joaquim Lis boa mostra a que ponto o fecundo lugar comum se havia esvaziado de qualquer sent ido poético." Não sobe Sísifo ao monte. Esta condenação que revela o leitor do Emflio. as musas são alegremente troçadas e o poeta as despede corn desenvoltura: Hoje à por f ia Todas danadas. e um espírito vaidoso.

Impossível maior minúcia e objetividade. que vai rumando para o negaceio erótico na obra de Silva Alvarenga.. assinalando a crise da linha de imitação clássica em proveito não só de maior liberdade expressional. Nalguns poemas de José Bonifácio ressalta o despejo quase fescenino. pela franqueza sem atenuações. expressiva da sensualidade robusta que o P atriarca demonstrou na vida. Ocorre aqui algo divergente da poesia amorosa dos predecessores. culminando num passo brutal da "Cantata I": t. "A Ausência". são aqui afastados. -. Os rebuços postos ao amor. naso e ore. corn efeito. Tritone amato. amada! Fraqueja o corpo. (Não entende) Per pietà. Entretanto.. purpurina boca! Quais em torno das rosas orvalhadas Abelhas diligentes. Brotam-me lume as faces. como a que envolvera Marília. (de que é exemplo sua alternãoncia de prosa leve corn os mais vários metros). a esta última língua fez um leve aceno. SENSUALIDADE E NATURISMO Registrados os traços devidos ao empobrecimento de normas e concepções.. Essa preocupação direta corn o ato de amor se manifesta em várias outras poesias: o "E pigrama imitado de Bernard". Morro de todo." Esta esquecida Carta é um marco na literatura comum. seja como requinte provocador.. tais do aceso .. ó minha Eulina! Resistir-lhe não posso. Se te vejo. (Menos) Triton. pre ssagiando. Os ouvidos me zunem! Fugir me quer o coração do peito. mostra a que ponto levou o naturalismo pagão latente nos neoclás sicos: Ah! dá-me ó cara. balbucia a fala! Deleites mil me acabam! Mas ah! que impulso novo. poetas como Teófilo Dias e Carvalho Júnior.. Deixa corn beijos abrasar teu peito: Une-te a mim. e é indubitável que até os Trítões ven m a antigüidade.. 203 #4. a "Paráfrase de parte do Cântico dos Cânticos ". mesmo por um homem tão ardente quanto Gonzaga. manifesta seja como vitalidade exu ber ante. não desnudam paixão. mas de eventual c oncentração da poesia em torno de outros temas. como a ode cita da. I can no more.. Glaura ou Marfísia... os saborosos beijos Dessa suave. mas o desejo puro e simples. Raios vibram os olhos inquietos. que prossegue nos seguintes versos: O sangue ferve: em catadupas cai-me. senhor Tritão. nada encontramos neles de comparável à viva sexualidade de alguns poetas desta fase. morramos. animo. a mais de meio caminho entre as brejeirices pastorais dos franceses e as descrições obscenas 204 #de Bocage. Embora haja nos grandes árcades um forte sentimento amoroso. (Tempo perdido) Prudence. esto pacato Cor de. as entranhas se me embebem De insólito alvoroço.. vejamos agora alguns exemplos da hipertrofia destas.Basta já. Seigneur Triton (Pior) Ó Triton.. Na paráfrase d o Cântico dos Cânticos.

Nos poe tas referidos. Se lhe falam. dum poema espanh ol: 205 #foi ao prado colher flores Dorila terna e mimosa. há um primeiro momento dessa franqueza naturalista nas coisas do s exo. não responde. Qu"indo ao prado a colher flo res. datada. Que tem Dorila? Os sinais Indicam. como vimos em Glaura e encontramos nesta geração no próprio Souza Caldas da primeira fase: Ó Flor mimosa. Ode II) Em Elói Ottoni estamos longe desses gritos do sexo. A qual. Já meus vorazes beijos vão roubando Balsâmico tesouro sobre os lábios Em que amor mora. o que chama at enção é publicarem oficialmente poemas tão ousados para o tempo . Se a acusam mesmo. Exposto o deixa das paixões ardentes Às horridas procelas. Desentrançando o cabelo. Cedi cativo da razão o império. Eis que do prado chorando Voltou confusa e afligida. mas igualmente longe da decoro sa medida dos primeiros árcades. E no meu peito Sempre trazer-te. Noutros setores. mais agressivas que o beija-flor alegórico de Silva Alvarenga. E pelas car nes foi lavrando a chama De amorosos deleites.. Quero colher-te. de duvidoso gosto e inegável ousadia . fugindo do indolente corpo. O que s e admitia era a galantaria envolta em equívocos ou imagens. (Ode II) Estes exemplos parecem indicar uma inflexão de sensibilidade literária. corn predomínio da emoção particular. A flor que tinha. como se vê nesta tradução. perdeu. (Parte II. A língua sitibunda De néotar divinal todo me inunda. sobre a tendência generalízadora . Se lhe perguntam . mas interesse constante e significativo. E pelas veias escumando iroso Vai de tropel o p etulante sangue Proclamando justiça. Vilela Barbosa não ressuma tanta euforia glandular: a censura amaina em seus verso s o ímpeto da confissão carnal. E imagens tristes Me lembrarás. Que os poetas cultivam geralmente a musa secreta. A c or do rosto perdida. que será dura206 #douro. definindo no Romantismo forte impregnação sensual enroupada em novos disfarc es e negaceies. ou paráfrase. As tradicionais abelhas de Anacreonte convertem-se aqui numa imagem bem menos ga lante do que o uso poético comportava e.Coração pulam férvidos desejos. por Domingos Borges de Barros.pois em Portugal o sécul o XVIII não teve a mesma franca licenciosidade doutros países europeus.. junta-se aqui o provável leitor de Parny. verificamos desejo equivalente de individuaJização da sensibilidade . traduzido e imitado corn maior recato. " Mas ahl depressa Tu murcharás. não fala. propiciam a imagem final. definida. a pesar seu. Mais do q ue as graças formosa. Ah! que não sei de nojo como o conte! Venceu por fim a mocidade ativa.que tem! Dorila chora e se cala. um desejo de manifestar emoções pessoais. que os parnasianos rasgarão como ao véu bilaqueano de Frinéia. Tão alegre como é Maio. todavia mais rasgada que a dos poetas imediatamente antecessores: Avançam juntas as paixões ao ataque. é sabido: nestes. ("Ode") Ao amigo do cruíssimo Bocage.

então em gra nde moda. O vento surdo De quando em quando só as falhas move! A rouca voz pararam. bem setecentista mas. que é talvez o seu melhor poema: . se se quiser marcá-las corn um desses rótulos arbitrários diletos da históri literária. trazendo por subtítulo: "No sítio de Santo Amaro pe rto da Vila de Santos. A Natureza como princípio vai-se trocando em lugar (jardim." Numa ode. Nas poesias oferecidas às senhoras brasile iras por um bahiano. já menos inspirada pela visão clássic a (como nos "mineiros"). temerosos Os esquivos jacus nos bastos galhos Cheios de caraguatás das iipiúbas. cheia ao mesmo te mpo de detalhes concretos e nascente vague à l"âme. preparando a sua interiorização sentimental pelo Romantismo. por exemplo. Refiro-me ao fato de tais poetas manifestarem freqüentemente um sen so tangível da natureza como paisagem. os poetas cantam as estações. Borges de Barros revela desejo inda maior de registrar as c ond . triste Nos velhos sapèzais dos verdes gri l os Somente soa. as flores: progênie de Lacroix. e se poderia chamar o subjetivismo naturista de ssas gerações. lembra composições inglesas do tempo: derramada aplicação do verso. que vivia a aventura fascinante da sensib ilidade natural..da teoria neoclássica. apesar do caráter convencional de cant ata. não mais como composição ideal abstraída dos dados sensíveis. na relativa mudança de atitude em face da natureza. nesta fase transitória. Thomso n. no Brasil". Delille. o grito agudo e. É o tempo em que as senhoras herborizam. da Província de São Paulo. o poemeto "A Primavera". uma tradução da Primeira Noite de Young. tendência para tr açar corn apuro certo número de quadros que ilustram a reflexão sobre a vida ci vil. uma epístola sobre a primavera. n" "O Inverno": "A cena é em Almada defron te de Lisboa". Em José Bonifácio há um poema sobre O Inverno. riacho) e em momento (crepúsculo. primavera).. anota: "A cena é sobre o Rio da Bertioga em Santos. os meninos colecionam borbol etas. É o que se verifica. Em Vilela Barbosa. uma típica "meditação" sobre o crepúsculo. no ano de 1790". os jardins. Bernardin de Saint-Pierre. aurora. numa epístola: "Escrita de Coimbra no começo da primavera de 1785". é a natureza naturada que supera a n atureza naturante. e o ar cheio de trevas Que as árvores aumentam. do que pelos ensinamentos da História Natural. vem cortando 207 #Do agoureiro morcego as tênues asas. n a "Ausência": "Em Paris. Das asas vai lançando a fus ca Noite Terror gelado. É este da tristeza o negro albergue! Tudo é medo nho c triste! só minh"ahna Não farta o triste peito à f tristeza! O poema se intitula "Uma tarde".

"A Saudade . -) 209 #Temos quibebes.principalmente da Capitania de Minas Gerais. azedinha. De outro lado po rém retrata aquela. O saboroso araeá. seja o sentime ntal. . poema do Al feres José Joaquim Lisboa composto provavelmente nos primeiros anos do sécu lo XIX. no mar. e em cheiro soberana. abacaxis e pedindo inspiração à mangueira. "A Melancol ia . indo do Rio de Janeiro para a Bahia .No mar. em que a paisagem brasileira é clàssicamente justificada pela inclusão numa categoria poéti ca tradicional e generalizadora. ao conde beltrano pela fundação de tal co isa. em perífrase de saborosa comicidade involuntária: A manga doce. o born caju. 208 #5. Abarás e ma nanés (. daí. d""A Canção do Exílio". De um lado a crócea cor e fulva exalta Do luzente metal.Indo do Rio de Janeiro para a Bahia 1813". integrá-lo ne te pelo recurso à mitologia. Fulano. à maneira de Durão. "A Amizade . "A Gratidão ..No mar .Indo do Rio de Janeiro para a Bahia. não raro. ornando o Paraíso de ipês. O rugado jenipapo.1813.Indo de França para os Estados Unidos d"América em 1810". Na fase que estamos analízando. não quadro. porém. em 1813". M. "A Virtude . A boa jabuticaba. reforça de algu m modo a velha tendência de celebração nativista. umbu (.no mar em 1810. a mangaba. bacupari. no galho ufana. quitutes. PITORESCO E NATIVISMO Esta determinação da paisagem. Pitanga. 1813". ao meu amigo sicrano enviando-lhe etc. Os que foram citados. Gezelim. as indicações só ocorriam nas peças de circunstância. bananeiras. seja o monumental. em 154 quadras saltítantes e ingênuas. que daí a pouco dará lugar a uma das man ifestações centrais da literatura romântica: a paisagem como estímulo e exp ressão do nacionalismo. como parte da comemoração: os do Sr. d" "O Gigante de Pedra". o pitoresco tradicional co mo exaltação da pátria aparece tríunfante n"A Assunção. encontra o bairrismo da veia popular: Nós temos a gabiroba. indo de França para New York" . onde a exploração poética das sonoridades l ocais. jaqu eiras. . . Moquecas e quingobós. como fez Cruz e Silva nas suas Metamorfoses. e animais do Brasil. pois o poeta procurava abstrair o particular em busca do padrão estético universalmente válido.) . Que o pudor chama às faces da donzela. O araticum. onde o ingênuo Frei Franc isco promove a natureza brasileira a alturas inéditas. Cambucá. que a muitos falta. aproximando-a da sensibilidade pessoal. na feliz aclamação de S.. bolos d"arroz. A ffoiaba. cajueiros.ições particulares da inspiração: "A Noite . Que imita o coração. Até então. Mesmo o poema inspira do diretamente num lugar não era referido a ele. e como presença. indicam algo diferen te: sentimento da natureza como realidade localizada. (in) Mas a celebração verdadeiramente apoteótica é a Descrição curiosa das principais produções. "Epístola escrita da Fazenda do Pinum em 1812". não construção abstrata.

Nas margens do Guadiana Dá Castela o reportaria: Um tal frade frei G regório Nas ventas do seu nariz Tem um letreiro que diz: Alminhas do Purgatório. . por certo inspirados nas suas décimas. . "" " . comidas.e assim por diante. Aqui. Temos o mono.amigo solícito. porém. Os moços sem mais demora corn as negra s se casarem. agora. mas de cunho satírico e irreverente. Jaleco. e mais corpo nu. As aves. do Rio. . Surrar-lhes bem os traseiros. de reflexão social e científica num enquadramen to de invocação à natureza. Conhecemo-lo inteiramente deformado pelo seu testamen teiro literário. e só querer Proclamações escrever. verdadeira "aquarela do Brasil" de modinheiro. há um trecho inicial. Noite Filosófica . gênero de grande pitoresc o. O sossego perturbar 4 210 #Da província. São Carlos. mas excessivo na avaliação dos direitos sobre o espólio do poeta.deveremos buscar as suas mais nítidas manifestações em Souza Caldas.tenham então esposado mais estreitamente sentimentos de brasilei rismo nascente e contribuído a seu modo para difundir a espontaneidade que se ria tão prezada no Romantismo. temos em Minas o Padre Silvério do Paraopeba.entre ou tros. quas e todo da mão deste. . os versos burlescos. o sagüim O gambá e a capivara. outro mirim. é que o nativismo erudito desenvolve-se e encorpa. dentro da linha.Temos dois tamanduás.correntes des de o século XVII. O "sapateiro Silva" (Joaquim José d a Silva). em cujas décimas de a paixonada participação política parece a momentos reviver o "Boca do Inferno": Os pelouros transtornar Por engrossar o partido. . temos nessa fas e uma espécie de eco longínquo de Gregório de Matos. Indo mais para o lado do interesse público. o amor da pátria ligado ao desejo de vê-la abrir-se para destinos m ais altos. em que se pode ver a ousadia corn que lamenta a servid . Mesmo assim. feras. Trazer o povo oprimido Sem pode r alguém falar. . . " * " . . Nessa mesma veia popularesca. bem seteceotista. ("Deliberações provisórias") É possível que tais manifestações de ingênuo nativismo e veia popularesca. cultiva saborosamente o bestialógico. aves . na Bahia. morros. são excelentes. corn que Pedro Malasarte Defende a Cúria Romana. frutas. No terreno pessoal. rios. como a desta "Glosa": Atrás da Porta Otomana Se conserva um bacamarte.Queriam os companheiros Do vigário do Mandu. já é o pat riotismo. não raro temperad os de amargura. Certo. Se o vislumbramos na versalhada política de um Padre Silvério. José Bonifácio. notadament e Bernardo Guimarães. e chegando pois ao nativismo que nos i nteressa.É o que fez o Provisório Que não podia fazer ("Disparates provisórios") Os mulatos cativarem Dos velhos cabeças fora. Editais de farelório. Francisco de Borja Garção Stockler." Um bandeira. . flores. É anterior a 1790 o fragmento de poema didático do primeiro. abrindo caminho para os futuros estudantes da Academia de São Paulo. Todos somente trajarem Bambacholas de urucu. prolongando corn ma is decisão e coerência o que vimos delinear-se na obra de Cláudio Manuel. corn que Gualberto dos Reis fala das suas questões domésticas. num redemoinho de ervas.

Outro Parnaso excelso e sublimado Aos Céus levant ariam. só voltando a ele em 1801. cidade "do arminho vegetal". devemos supor que o amor da liberdade política. pois. servil temor e abatimento Os corações briosos amortece. (VI) (5) Os versos marcados corn asterlsco foram modificados por Stockler. 212 #E.5 Vivendo longe do Brasil desde menino. Nati vismo algo patrioteiro de livro de leitura. "-. culminando no nosso corn o livro paradigma de Afonso Celso. Olinda. . que o Lusitano avaro Ou mal contém. "a ilustre povoação de Paulicéi a" e seus bandeirantes. Itaparica ou Cláudio Man uel. Belém.* E corn hálito inerte tudo dana. ó dor!. que "Surgir das ondas. ou mal aproveitando. . num s e ntido de integração.* Os erros difundindo.Através do Brasil ou Pátria Brasileira . o Maranhão. desconhecido ao localismo de Rocha Pita. Esgalhos de um só tronco derivados.segundo o qual exalta belezas e riquezas já agora ordenadas por província. terra "do metal que a fortuna a muitos nega". nos anos imeditamente anteriores ou posteriores à vinda de D. Vê. pela qual sofreu o cárcere. este andou mal visto por haver colaborado corn os invasores franceses em 1808. Escrevendo mais tarde. Como se sa be. da pátria onde as Musas Outra Hipocrene rebentar fariam. através da visão do arcanjo. devendo a Sousa Caldas a reabilitação junto ao Príncipe Regente. grave e anos". São Carlo manifesta um tipo de nativismo bastante próximo ao que se desenvolverá por t odo o século XIX. Ali. reúne na mesma exaltação "o ínclito Janeiro". e da verdade O clarão ofuscando luminoso. Minas. ó minha Pátria amada! A Ignorância firmou seu rude assento... que houvesse atenuado de propósito algum verso mais desabrido. Ali. Cem filhos d os seus filhos desposados. San . "corn o nome. ó Soterópole Bahia: Assim matrona ilustre. que algum dia Serás. não sem abalos) nos versos em que São Miguel as s inala a multiplicação das cidades a partir da Mãe de nobres colônias.ão da pátria à Metrópole retrógrada e prepotente. prolífica em frutos gloriosa. É admissível. le vou-o a estes sentimentos de grande ousadia para a época. se ao ruído De pesados grilhões jamais pudessem 211 #As filhas da Memória acostumar-se. marcial e linda". quando compôs a maior parte da versão que hoje conhecemos d"Assunção. Esconde corn ciúme ao mundo inteiro. João VI. onde o Verbo à luz viera". no afã de não comprome ter-se. O Brasil aparece realmente como a unidade consciente (que se ia definir por esse tempo e consolidar em seguida.* Ali a terra corn perene vida Do seio liberal desaferrolha Riquezas mil. testamenteiro literário que foi.

a Paráfrase dos Provérbios de Salomão. o Rei era amador insaciáv . Pôrto-Alegre. na p rimeira fase. nas Meditações e Harmonias. pessoalmente. mas devido ao problema das influênci as na formação do Romantismo. da ilustre Mártir que o Sinai sepulta". somos tentados a indagar se não se encontram aí as raízes des ta tendência. de Sousa Caldas. Juntem-se as produções doutros escritores. a presença da Corte no Rio. interessa não apenas em si. Itália) e literária (moda nos mesmos paíse s).. de São Carlos (1819). devendo notar-se que os dois pa dres usariam a tribuna sagrada para dar largas ao amor da pátria. das quais podemos mencionaias Obras Sagradas e Profanas de Francisco Ferreira Barreto. os Salmos de Davi (1820) e a s Poesias sagradas (1821)..a enveredar pelo d iscurso e a ação política. encontra-se corn o Sousa Caldas d"As Aves. nessa e na próxima geração. no campo da prosa. Quando lembramos que o Romantismo teve freqüentemente cunho espiritualista e. 213 #6. Os mai s aparentes são. em poesia. de Lamartine." A certos passos percebe-se que não concorda corn a política colonial da Metrópole. " cujo nome/natura deu-lhe. Devemos buscar vários fatores para esclarecer este vulto da produção religiosa. coligidas por Antônio Joaquim d e Mello (1872). esparsas ou só mais tarde reunidas em volume. Este assunto. que levaria outr os pregadores . religioso. devida a motivos de o rdem histórico-social (renascimento da fé depois da Revolução Francesa em países que nos i nspirariam literàriamente: França. de Chateaubriand. por não corresponder às necessidades do país. que tinham abandonado a imitação greco-latina a troco dos temas e sentimentos que os deslumbravam no Gênio do Cristianismo e nos Mártires. Vitória. esta. "que já em teu nome ostentas tua glória.Frei Sampaio. (VI) Aqui. maior espaço do que outra qual quer: a oratória sagrada foi talvez o gênero de maior êxito social entre a vinda de Do m João VI e os primeiros anos do reinado de Dom Pedro I. foi buscar nos antecessores elementos que reforçassem a sua escolha. estourando de repente num desabafo que expr ime todo o sentimento duma geração: País quase ao desdém. desenvolvendo a proc ura de oradores sagrados. que ninguém lhe tome". não contando que este empreendeu logo a seguir a versão do Livro de Jó. Januário da Cunha Barbosa. pois. Os poetas religiosos do primeiro quartel do século XIX serviram mais de apoio que de determ inante. Frei Caneca . Tanto mais quanto os primeiros românticos porfiaram em apontar São Ca rlos e Souza Caldas como precursores. fornece a s obras mais volumosas: A Assunção. acrescendo que. de Elói Ottoni (1815). O meu ponto de vista é que houve aí outro caso da já referid a contaminação literária: não foi propriamente a literatura religiosa do fim deste período que condicionou a religiosidade romântica.ta Catarina. publicado depois da sua morte. até que um dia Lhe imprima destra mão nobre energia. " ilha linda. RELIGIÃO A literatura religiosa ocupa.

fundada na idéia de . Sousa Caldas Januário. Bas tos Baraúna. levou-os. a coincidência de serem padres muitos poetas do tem po. A beatice agiu sobre a inteligência. é claro.el 214 #de sermões. quando intelectuais levemente "afrancesados" foram punidos por delito de opinião (Melo Franco. contra a qual reagiram poucos (inclusive o nosso Hipólito da Costa). Assi . repercutindo. Assim. O Caramuru. etc. A Arcádia Lusitana era afil hada de Nossa Senhora da Conceição. é obra essencialmente religiosa. Eló i Ottoni encontrou na devoção lenitivo para as suas queixas contra o mundo. Alvarenga Peixoto. Silva Alvarenga. inspirado quiçá no De Partu Virginis. Sousa Caldas. Bocage e Sousa Caldas saíram sinceramente devotos do cárcere eclesiástico. No Brasil. permeado de fílosofismo e rebeldias virtuais. ao incremento sincero da fé religiosa. já vimos. nas suas colônias e ex-colônias. Gonzaga. no campo da poesia. adotou o estado clerical. foi na literatura comum bastante religioso. indo ao fim do processo. a quem os seus membros consagravam poemas de vário tipo. S. onde também encontraria São Carlos a idéia primeira do seu poema. deve-se lembrar afinal um outro. Além desses fatores. A pesada atmosfera de beatério. quando os sacerdote s patriotas encontraram no civismo um novo meio de manifestar a sua vitalidade. Fator mais geral é a reação de beatice no reinado de Dona Maria I. E como não havia rea lmente ateísmo. que serviu de amparo à s suas dúvidas e à vacilação angustiosa entre as suas idéias e a sociedade retrógrada. Poema ao glorioso parto de Maria Santíssima. inclusive. Ferreira Barreto. q ue infelizmente se perdeu. um deles. Caneca. Vergine" ma s a "Centúria Sacra. quebrando-a e desviando-a. só se descarregaria corn o movimento da Independência. Cláudio Manuel tem não apenas uma "Cantata alia S. A Revolução Francesa mais acentu ou essa tendência. Mesmo o século XVIII. em oitava rima". que nunca deixou de ser fortemente impregnada de religião. de Sannazzaro. eminentes ou não: São Carlos. Luís Vieira). culminando no escândalo da Inconfidên cia (Cláudio. propriamente literário: a trad ição dos gêneros e temas na literatura portuguesa. assimilando de uma vez por todas os brandos e tímidos voltaireano s cristãos da literatura comum aos "inimigos do Trono e do Altar". nem mesmo deísmo entre os intelectuais. Pereira da Fonseca). expressão qu e animará toda a ideologia reacionária dos países católicos europeus no primeiro terço do século. pela pressão que fec hava outras saídas.

Seus risos lhes cons agram. seus agrados. "A ira de Saul". Os escritores dos séculos XVI. de Castro Alves. (in) O fato porém é que as imagens e mitos da Antigüidade. é preciso a nalisar a literatura religiosa do 215 #período estudado no que ela tem de porventura novo. Que os travessos Caprípedos dão saltos Na campina. ainda completamente pre so à primeira fase de loa devota. virão as partes poéticas e romanescas. Souza Caldas e Elói Ottoni: aquele. nos santos e dogmas da religião. já manifestando aquela curiosidade pela Bí blia que será um dos aspectos da religiosidade romântica. Na passagem para o século XIX. brincando pelos prados. do ponto de vista estético. honrando os velhos. porém. de versos decassílabos emparelhados. Tendo assim estabelecido as ligações corn o passado e as condições do momento. deste modo. situar na mesma chave São Carlos. Que do lugar dissipam os pesar es. Aceitando este esquema.Aumento da pequena cristandade. nele. nota-se interesse pelo Velho Testamento. Sa s). alt ernando bailes altos. buscaram-se os livros morais e devocionais (Jó. Nem que o Velho Sileno. vemos que não se pode. Que as Napéias. parece ter querido romper corn as tradições do paganismo: . Dirigem-na dois sentimentos igualmente intensos: devoção e nativismo.Não direi que no âmago da anosa " Faia se esconde Dríada formosa. porém. estes. empenhado em contribuir para o brilho do culto mariano e o desagravo de sacr ilégios recentes da Revolução Francesa. ce lebrando a subida da Virgem Maria aos céus. Provérbios.este. incapazes de se exprimirem sem o seu intermédio. Não. inspirada em Cristo. como se vê. São Carlos tinha poucos intuitos definidos. de Varela . Outro propósito de São Carlos . Dita ao jovem T ion eu almos conselhos. mostrando as fundas raízes que tinham 216 #no espírito desses homens. isto é. corn o Romantismo. e. de Byron. de Vigny. definido nitidamente foi substituir às Musas uma inspiradora toda religiosa.ret omando a admirável exploração plástica dos Poemas Antigos. Literàriamente. mais próximo dos desenvolvimentos subseqüentes. mais peja do de conseqüências do que poderia supor na sua mediana intuição. a trad i ção pré-cristã. dond e sairão a "Hebréia". A Assunção é uma epopéia religiosa em oito cantos. o aspecto lendário. das Melodias Hebrai cas. que o escritor mobiliza para exaltar o seu obje to. isto é. só presidem Anjos tutelares. reaparecem a cada pass o. e tantos poemas de Victor Hugo. um deles. impreg nado do referido espírito de reação religiosa. XVII e XVIII (falo da literatura comum) faziam poes ia ou prosa devota. personificada na Igreja católica: . Foi o caso que.

vede o castigo: Vede como um agente só do Eterno Calca aos pés o rancor de todo o inferno. """"-". empenhado em v erter os Salmos. (I) Agora. Ah! digna-te de seres minha musa. (I. Elói Ottoni chegou à poesia re igiosa através duma crise pessoal. tu me inspira A narração da Virgem: minha Lira Não invoca outra M usa. ter cabido em 1814 ao po . 2) Inspirado. mas podemos entrevê-la s pelo fato de. no poema latino de Sannazzaro. o choque dos "ignícolas" corn o s "celícolas". ficou de ta l maneira ferido e desiludido que se refugiou na religião. abelecem conforme a tradição e o dogma. voltando ao Brasil e não recebendo do governo de D. Não conhecemos as relações entre os dois homens. no esplendor da carreira de orador sacro. minha mimosa Clara Musa gent il. Seja como for a viravolta . como refere. Igreja Santa. Desprovido de qualquer inquietude. tu nunca invocada. Vereis já dispersar-se esta caterva. resultando. o poema que o autor supunha de as coisas nele se preest exemplo. sobretudo na leitura da Bíblia. tu rischiara il mio canto e tu. Tasso aparece todavia em vários pontos inspira ndo a forma e o conteúdo. que por capelas Brilhantes cercaduras tens de estrelas. (VI) Esta imagem de uma nova Musa. ma su nel ci elo infra i beati cori hai di stelle immortali áurea carona. nem procura Do Hélicon beber a Linfa pura. tii spira ai petto mi o celeste ardori. inclusive a descrição do inferno e os combates terrivel mente prolixos e dessorados entre as suas milícias e as Para quem procura alguma vibração nova. qu e a invoca no início da Jerusalém Libertada: O Musa. entre tantos sacerdotes letrados do tempo." (II) Ao contrário dessa piedade fácil. tu che di caduchi allori non circonda Ia fronte in Elicona. é decepcionante brilhante novidade. s"a dorno in parte d"altri diletti che dê tuoi lê carte. em versos que fazem pe lo menos sorrir: Aos colegas bradou: "Não há perigo. Qual fumo em vento.E tu. em frouxo conflito e 217 #um inferno de cateeismo corn arcanjos de procissão. João VI uma esperada nomeação. Pera nte mim é tudo débil palha Que ao leve sopro do tufão se espalha. qual em fogo a erva. perdona s"intesso fregi ai ver. Conta o sobrinho Teófilo que. daí o propósito de cultivar o gênero sagrado.foi pela altura de 1808: é provável agisse nele o e xemplo de Sousa Caldas.que o marcaria pela vida inteira . onde São Miguel proclama de antemão a fácil vitória. Igreja. não há indício de que haja lido Milton. ou a Messíada. de estrelas coroada. Santa Igreja. não temais. linda Esposa Do cordeiro de Deus. celeste e coroada de estrelas. por d do céu. é devida ao Tasso. de Klopstock. Musa do céu. diríamos mesmo automática. (IV) Ó tu. Nesta via es cabrosa e tão confusa. Eis-me aqui.

a "Ode ao homem selvagem". Tão veloz como o raio s^nflamava. verbo. quanto por só haver discernido este aspecto no patético Livro d e Jó. imenso Oceano De desejos ferventes. isto é. Numa das estrofes desta construção maciça e árida. lembrando o Abecedário m oral d"O Peregrino da América: Resposta branda e suave Quebra da ira o furor: Palavras duras excitam Ressentime nto e rancor. a "Introdução" de J. Que debalde corn ânsias sempre ardentes (7) Cfr. dos três. a dicção. Ao contrário do que se dá nos outros poetas. Discorrendo. tanto na escolha dos Provérbios.um trovão do céu. a religião aparece como ponto de vista. descurando a densa poesia dessa que os exegetas modernos consideram tragédi a de cunho esquiliano. ao pendor para a meditação. cada cláusula um raio. A tendência ética e devocional se combina. pelo menos estímulo nessas relações entrevistas. radicada no velhíssimo tema oriental dos sofrimentos do jus to. Do Brasil esplendor. Sob este aspecto.7 O primeiro texto é parafraseado em quadrinhas fáceis e leves. Do sábio a língua expressiva Serve à ciência de ornato: Evapora-se a loucura Nas expressõe s do insensato. Entretanto. 218 #Não seria demais. Os momentos que a Par ca ao longe ameaça. a perguntas me . Ottoni revela interesse puramente moral." "Assim há de ser a voz do pregador : . a "Ode sobre a existênci a de Deus": é uma filosofia de vida que substitui outra. ou falando irovejava. dando elementos para uma concepção do homem e do mundo. d e Vieira: "(---) e todos corn tal valentia no dizer que cada palavra era um trovão . apenas Sousa Caldas revela inspiração e prenuncia certos traços fu turos. A tradução de Jó é feita em decassílabos encadeados e representa esforço literário bem mais nsiderável. Insaciável coração humano.eta mineiro compor o epitáfio do confrade. Fulmen erat sermo. e a peça mestra da fase religiosa. O discur so. por exemplo. que assombre e faça tremer o mundo". sentimos a transferência ao plano religioso da inquietação que n a o deixou: Ó tu. portanto. a religião não aparece nele apenas como ind iscutida fidelidade à verdade revelada. da pátria glória. 219 #Forcejas por contentes Passar da vida fugitiva e escassa. reconcentrado. verbaque fulmen e rat. servindo para exprimir os sentimentos pessoais. em seu espírito forte e irrequieto. Steinman à sua tradução crítica: Lê Lime de J (1955). a quem havia certa vez dirigido um poem a. e cada razão um triunfo. Ottoni fez um dístico latino acompanhado de paráfrase portuguesa. se não orige m. a essência. submissão: é fruto de uma pesquisa inter ior. em que se corporificam respostas. a forma. imaginar que o interesse pelo Velho Testamento e talv ez o desejo de passar à nossa língua algumas das suas partes encontrasse. de senti do gnômico nada poético. há nítido paralelismo entre a peça mestra da sua "fase Rousseau". duramente alcançadas. sermone tonabat.6 (6) Talvez se lembrasse o poeta de alguns passos do famoso "Sermão da Sexagésima". onde se discern e verdadeira fascinação pela personalidade intelectual do morto: Brasiliae splendor.

. O versículo bíblico da Vulgata (que lhe serviu de texto).o "reconcentrado.8 No tempo de Sousa Caldas." Ó Infinito. na nobreza da sua concepção literária. No entanto. rel igi ão foi estado de alma e debate interior. latinos. não um dado pacífico da tradição a que se incorpora p r automatismo ou falta de vibração. só nos últimos anos revelada pel a descoberta de Tournay como um sistema rítmico de acentos tônicos. aos três versos admi ráveis do início sucedem outros de implacável banalidade. comprometendo o largo movime nto que configura a imagem oceânica do espírito . mostram a constância no encarar a religião em seus aspectos psicol ógicos e filosóficos: sentimento de vazio interior que se preenche. e aí encontramos realizações melhores. nela. oxítonos e paroxíton os. germânicos e ingleses) . ó idéia soberana! Eis o termo anelado. sabia-se que não se contava por sílabas. este sim. Doutra parte. uma plenitude expr essional que nunca vem. exclama mediocremente na "Ode sobre a existência de Deus". No intimo de nós altivo mora. imenso Oceano" de sabor quase romântico. era visado. se perseguimos na sua leitura. é a grande resposta que pôde. conceitos e expres sões. nele. No tempo de Sousa Caldas já se conhecia o prin cípio fundamental da poesia hebraica. é porque sentimos por trás da poesia desse prosador transvia do um drama espiritual ausente nos seus contemporâneos. consultandoos sobre o emprego maie próprio de meus talentos. Raras vezes encontramos beleza na correção permanente do seu verso. é algo obtido. E mesmo peças frias e ama neiradas como a cantata "A criação". se apresenta geralmente ao leitor como fundo poético em forma semiprosaica. Daí ele subsistir na tradução apenas quando não era necessário sacr ificá-lo ao sentido geral que. só mais tarde desenv olvido pela filologia. ou pesadas e monótonas como as pindáricas sobre a i mortalidade. (à ma neira do neolatino) nem por pés (à maneira dos gregos. mostrando corno. embora não o houvessem ainda aprofundado: os tradutores sentiam-no provavelmen t e mais pela evidência das versões do que pelo conhecimento teórico. ásperos conflitos referidos na interrogação inquieta e juvenil da "Carta aos meus amigos. Deste modo. destino do homem . corn certa angústia. 220 #t *?A sua grande empresa poética é porém a versão de quase toda a primeira parte dos Salmos (cerca de metade do total).tafísicas. Que só pode fartar a mente humana! Ô Deus! ó Providência! assim gra vado Teu nome sublimado Em letra mais que o bronze duradoura. o paralelismo de imagens. ignoro u-se até os nossos dias a natureza do verso hebraico. ele próprio.. significado da natureza. Mesmo estrofes tão bem começadas quanto a citada em primeiro lugar descaem quase sempre. dar aos .

notadamente XIV-XIX. a versão arqueológica da Bíblia de Jerusalém. et Raymond Schwab. resultado i n esperadamente born.. onde vamos senti-lo no hino cheio de compostura clássica assim principiado: . As qualidade s nobres do verso. : Senhor. expressa no ensaio que antepôs à primeira edição dos Salmos. "Discurso sobre a língua e a poesia hebraica" . O. Tournay. pags. os poetas religiosos procurando compor. Jorge de Lima. e não me acuses. Para Sousa Caldas. em sua língua. Rasgado já das setas penetrantes Que tens em mim cravado. imit ações do versículo bíblico encarado ao modo de prosa poética (Péguy. antístr ofe e épodo..9 Em face dessa situação. (VII) Do Senhor as palavras puras. Hoje. Schmid . resultando poemas animados do espírito próprio da sua língu a e versificação. Em nossos dias veríamos fenômeno contrário. a tradução dos Salmos foi oportunidade de realizar uma obra anima da ao mesmo tempo de sentido poético c valor religioso. ora dissolvendo-os em arietas de cantatas. Vem libertar-me. e. La Tour du Pin. Foi esta certamente a opinião do poeta. traduíts p ar R. (9) Francisco de Borja Garção Stocfcler. etc. Murilo Mendes. na tua ira: vê meu peito . -. (S) Para os admiráveis trabalüos deste erudita francês. a dignidade da inspiração. O hábito corn o ritm o do versículo bíblico nos faz contudo preferir o primeiro caso. que lhe pasticha a Carta marítima e recolhe na medida das poucas forças muito do torn religioso. em vários casos. sentindo-as até certo ponto sob a Vulgat a e. 221 #No entanto. . P. Salmos áe David vertidos em ritmo português pelo Revelo. (XI) Suspende o teu furor. Inc lusive o uso da sua muito cara ode pseudopindárica deu. desconhecendo-se outro tipo de versificação. vista de hoje a sua obra aparece prejudic ada pelos vícios formais do Neoclassicismo decadente. fiel às variações de ritmo do texto hebraico. ao recriar o paralelismo pelo jogo dialético da estrofe. santas. o tradutor procurava transpor o significado e as imagens cor n a maior liberdade métrica. de Sousa Ca ldas. ora levando os poemas davídico s a certa rigidez. e sete vezes Passou a ardente prova. D. fariam de Sousa Caldas o único a influir realmente nos primeiros românticos: Magalhães. Marcos Barbosa). nos permite a valiar o discernimento corn que se houve. apesar destas qualidades. pensava-se que não possuía métrica nem r itmo regular. V-lJV. conseqüentemente. pois era a do seu ped antesco e fiel Stockler. empregando os mais variados metros e sistemas estróficos. Ant" Pereira. consultar: Lês Psaumes. todo o meu amparo! Das mãos ferinas que abater-me intentam. em que não raro obtém certos movimentos de elevada nobreza: Ô Deus imenso. Foi o que fizeram Elói Ottoni e Sousa Caldas. São qual a branca prata Que o fogo acrisolou. (XXXVII) Debalde procuraremos nessa geração momentos de melhor poesia que estes. E a cada instante de furor redobram. Gonçalves Dias.

AS CONDIÇÕES DO MEIO 2. 222 #Capítulo VII PROMOÇÃO DAS LUZES 1. Nele. no vasto movimento de gratidão ao simpático trânsfuga real. Para os brasileiros exultantes. OS GÊNEROS PÚBLICOS #l L AS CONDIÇÕES DO MEIO Muitas das aspirações mais caras aos intelectuais brasileiros da segunda metade do séc ulo XVIII foram aqui realizadas nos primeiros anos do XIX corn apoio do próprio go verno que as combatera . contacto livre corn o mundo (numa palavra: a promoção das luzes) assinalam o reinado americano de D. esco las superiores. Os sonhos dos homens cultos pareciam realizar-se e a adulação se fazia indiscerníve l da sinceridade. periódicos. que se abriria triunfal corn a Independência. três vezes santo. Comecemos. Momento decisivo. registrando a produção literária que abundou neste sentido e foi. obrigado a criar na Colônia pontos de apoio para o funcionamento das instituições. e ao mesmo tempo o levam a tomar-se como medida e ponto de referência. que abri a para o país a era do progresso. . Fo i a nossa Época das Luzes. as mais rasgadas esperanças e procuraremos delinear nas páginas seguinte s. p or parte dele. a solicitude paternal corn que o Regente. a definição da posição social do intelectual. a aquisição. que despertou nos contemporâneos os maiores entusi asmos.tanto é certo que as idéias básicas duma fase nova "foram subversivas antes de serem tutelares" (Anatole France). Para a Metrópole desc ontente. da literatura em particular. A NOSSA AVFKLÃRUNG 3. refinando no indivíduo certos estados d"alma que o fazem transpor tar-se além de si próprio. Imprensa. de hábitos e características mentais que o marcariam quase até os nosso s dias. debate intelectual. sob muitos aspectos. acarretando algumas conseqüências importantes para o desenv olvimento da cultura intelectual e artística. já se vê. viu o aparecimento dos primeiros públicos consumidores regular es de arte e literatura. elegendo-o no seu carinho. Post a a cavaleiro entre um passado tacteante e o século novo. graças ao qual fi caram preservadas a independência e a dignidade da Coroa. pois. depois R ei. visando encobrir o que ho uvesse de menos viril na migração da Corte. incorporava o Brasil à civilização. s ublinhava-se a magnanimidade. grandes obras públicas. João VI . encontramos realmente a vibração que empenha a personalidade na medi tação e na contemplação.Senhor Deus Sabão. apresentava-se a fuga como um ato de finura e mesmo coragem. típico movimento de cornpensação ideológica. prejudicada pela abertura dos portos. equiparada administrativamente à Co l ônia. portanto.

notadame nte no ensejo do coroamento. (Ode l. sobretudo. na longa séri e. ou O Brasil. De efeitos paternais as provas sente. "Por Ordem de Sua Majestade". A única idéia . a máxima expressão desse disfarce foram dois longos. João à Bahia marca uma Grande Era nos Anais da Civilização. dedicado à fundação da monarquia. que a Intendência de Polícia fez imprimir na Tipografia Real e "gratuitamente distribuir (. Os solícitos Bernardo e Estanislau foram versejadores de ocasiões festivas. onde aponta os benefícios do governo e. e a Alfonsíada. pela s uspensão do Sistema Colonial (.. futuro Visconde de Cairu. incríveis poemas épic os: a Brazilíada. Estanis lau Vieira Cardoso e. mencionaremos.) a fim de perpetuar a Memória do plausível Sucesso. Bem mais discretos são os versos de José Bonifácio: a Ode belicosa de 1820. que destruísse os anti-sociais efeitos do Sistema do Continente" ( pág. a D.a) Pouco melhor como estilo e igualmente palaciano na adulação é Silva Lisboa nos escrito s econômicos desde 1809." Nela se encontram versos bem carac terísticos do reconhecimento local no plano da lisonja: Sobre o fértil Brasil voa a ventura Abraçada no Herói.Literàriamente.. noutro nível.) Estabelecendo no seu Principado um Liberal Sist ema Econômico.como aliás nos outros escritos dele é que a franquia dos portos abriu o período pós-colonial do Brasil. Bernardo Avelino Ferreira e Sousa. sa lvador.67). o nosso já conhecido Alferes Lisboa. São desvairadas lisonjas em quase duzentas págin as de prosa túrgida. (doze cantos em verso branco). quando elaboraram. O primeiro celebra a fuga para o Brasil como feito comparável aos celebrados por Camões. inclusive assistência às populações socorro Pronto e seguro ao índio tosco Ao pobre desvalido - . de Tomás Antônio dos Santos e Silva. O primeiro. Surge Império potente Do seio da grandeza e born governo. Unida à força de um poder superno. sup erar os mais descabelados adjetivos. Segura-se a ventura à Lusa Gente. João VI. que em 1808 cantara num feixe de poesias patrióticas "A proteção dos ingle ses" como garantia de Portugal. fundador. um a Relação dos Festejos. ansiadamente. dele presada. A Plaga afortunada De efeitos de ternura. do mesmo ano. José da Silva Lisboa. aconselhando ao Hei descartar-se da lisonja cortesã para ver os pr oblemas da terra.. João VI. também impresso por "Ordem de Sua Majestade" co mo propaganda ligada ao coroamento. o que d ele se espera. Dentre os brasileiros que afinaram pelo mesmo diapasão. o segundo. compara Afonso Henriques. onde o abuso do grifo e da maiúscula procura. culminando na Memória dos Benefícios Políticos do Governo de El -Rei Nosso Senhor D. faz em 1810 os diversos povos do Brasil beijarem a mão do príncipe em regozijo pela sua chegada aos Penhascos brutos das Brasíleas terras. 226 #$ "A Vinda do Senhor D.. d e que mais se gloriam os Pastos Portugueses. de 225 #Antônio José Osório de Pina Leitão (dez cantos em oitava rüna).

não só a gr ande esperança de liberdade e cultura que então percorreu o Brasil. A partir de entã o. que foi efetivament e. em que se v ai falar da literatura vinculada à coisa pública.ao Negro. Houve. atribuindo-lhe posição nova na sociedade e modificand o as condições da sua produção. tendiam a engr ossar a caudal de adulação . que as condições do meio as propiciavam. procurando despertar nos bras ileiros a noção das reformas que correspondiam de fato às exigências do momento e do Bra sil. corn efeito. objetiva ou lisonjeira. em que a propósito das obras deste. esboçada antes. ou dependem da sua sanção. um ciclo literário de preito ao rei. O que era culturalmente o Rio de Janeiro?1 Mesquinho para o que veio a ser. Hipólito da Costa não cessa de mostrar que a s medidas decorriam das necessidades de funcionamento administrativo. vivem nele. Exprime. Ao lo ngo dos volumes do Correio Brasiliense. menos experientes do mundo. artes e ciências. que marcam a diferença de Américo Elisio sobre os engrossador es citados.os homens de maior trato corn a Europa encaravam os fatos corn realismo. onde se espelha o entusiasmo ant e a reviravolta desencadeada pela transferência da Família Real. . como a ocor227 #rência efetiva de reformas que mudaram o seu panorama e condicionaram novos rumos nas letras. Em todo o caso. Mesmo porque os acontecimentos sociais e intelectuais nele ocorridos contribuirão para configur ar o papel social do escritor. sob vários aspectos. o acontecimento mais importante da nossa história intelectua l e política. e sobretudo q ue o Governo real estava muito aquém das medidas realmente necessárias e completas. A vontade consciente de ter uma literatura nacional e o empenho em defini-la decorrem em boa parte do sentimento de confiança adquiri do pe los intelectuais brasileiros durante a fase joanina. os escritores de mais valia. pois. Há mesmo um diálogo Hipólito-Silva Lisboa. sign ificava imenso progresso comparado à situação precedente. Porque despedaçando vás benigno A imunda vestidura da pobreza. ia aquele denunciando a pseudo-beneficència joanina. E de brutos f aras ho mens e Heróis! Bons versos. as comunicações e indústrias. a fim de se desenvolverem a Agricultura e o Comércio.deslumbrados por tanta novidade . Termina a hegemonia intelectual dos conventos e se organiza o pensamento livre. E se os brasileiros daqui. quando se estabeleceu realm ente rio país uma capital científica e literária ao consolidar-se a preeminência do Rio de Janeiro. toda essa produção em verso e prosa exprime um novo estado de espírito e de coisas. mas ainda não efetivada e reconhecida. bela idéia. por isso é lembrada neste passo. que em mui tos cas os sancionavam situações de fato.

de Dom João Vi no Bra sil. bem como os periódicos. . malgrado o peso que contínua a exercer através da fiscalizaç ão das publicações e da Intendência de Polícia. de Silvestre Pinheiro). espécie de salão permanente de concertos e conferências. fora da carre ira eclesiástica. a partir de 1812 e 1813. traduzida do francês de autor anônimo. quando publicou as Preleções Filosóficas. cuja base permanece todav ia precária pela falta de escolas públicas primárias e insuficiência das particulares. Silvestre Pinheiro F rreira foi obrigado.que pouco antes eles ainda haviam podido pôr em cheque na repressão da Sociedade Lit erária. a imprensa periódica. de Pope.que permitiam afinal a formação cornpleta no próprio país. I. as sociedades secr etas e semi-secretas. . existindo desde 1808 o jornal de Hipólito. que desde 180O e quase sempre por influênc ia maçônica.o naval. O movimento da Imprensa Regia. o de medicina e. dep ois Imperial. reúnem as inteligências mais ousadas. político-culturais. IV e V. traduzido pelo Marquês de Aguiar. Vejamos de mais perto a questão dos livros. o seminário. Quanto à divulgação do saber. depois ampliado por tipografias privadas. (t) Para uma síntese admirável das transformações por que passou o Brasil. 228 #até uma bem licenciosa História de Dois Amantes. de atacar a compressão do pensamento. A abertura dos portos aumentou sem dúvida a sua entrada. relação ao que se dava nos primeiros anos do século. formadores de caracteres e dispensador es de instrução. des de o Ensaio sobre a Crítica. no terreno da s realizações materiais e culturais. na Bahia e no Rio. o de comércio. é insatis fatório. que n clandestina em gran corn melhoria em Rodrigo de Sousa Coutin . no Correio Brasiliense . ho. o mosteiro. de Oliveira Lima. a cortá-las e acomodá-las às exigências do Governo. n literatura. mas representa born começo. mas a literatura aparece. Daí a importância educacional conservada pelo sacerdote. quando D. mencionem-se as preleções e con ferências públicas (de que foram citadas as rnais ilustres. antes de parte. o funcionamento da Capela Real. Progresso decisivo é a fundação de cursos técnicos e superiores. editado em Londres. A censura diminui. e mbora houvessem aumentado as aulas regias. Pedro I. vol. Publicam-se principalmente trabalhos oficiais e de utilidade para o ensino. o militar. já no reinado de D. o s de direito. ler os Cap. e os compradores iriam proporcionalmente aumentando. passando pela Marflia de Dirceu. pois deles depende eles se compendia e encerra. recém-criada: em 1813. A fundação de bibliotecas públicas e a abertura de l ivrarias completam o quadro da divulgação do saber. e Hipólito não cansa.

vol. a única apre ciá . que diligenciav am por tomar acessíveis os livros. e encalh es semelhantes. livreiro (a certa altura. em Sabará (era o Ouvidor Dr. o maior do Rio). tripulação de navios. History of Brasil. em Vila Rica . tornara m-se mais liberais. a permuta. 426. o Padre Perereca.10 Na Bahia. pág. os anúncios dos livreiros revelam do seu lado como eram parcos e p ouco variados. Entre 1807 e 1817 as testemunhas não assinalam número maior de quatr o livrarias mal fornecidas. pág. José Teixeira). Viagem no interior ao Brasil. Notas sobre o Rio áe Janei ro. sendo o Governo obrigado a distribuí-las e arcar corn a despesa. s egundo um contemporâneo.tendo estabelecido a remessa de obras úteis e ordenado aos Governadores que as ve ndessem. 37.8 Mas é preciso lembrar que a maioria de ta is estabelecimentos fazia as vezes de papelaria e bazar. Viagem ao Brasil. vol. 166. pôde. Luccock. granjear uma abastança honrada. pág. 1939. (6) Idem.9 Recife e Olinda contavam apenas corn a do Mosteiro de São Bento. bá referência à boa e numerosa biblioteca do Intendente Câmara no (2) Documentos Interessantes para servir à História e Costumes de São Paulo. B. 229 #Tijuco. D. Não é fácil avaliar a ocorrência de livros nas casas particulares. comerciantes. I. igualmente boa. I. a importação direta através d e passageiros. a partir desta data."3 Evaristo da Veiga.4 Em 1821 a situação melhora. págs. onde chegariam talvez menos por compra local do que pelo empréstimo. como o Padre João Ribeiro Pessoa na Academia do P araíso. localizada nesta e reputada boa. Memórias para servir à História ao Reino do Brasil. por ex emplo. Manuel de Portugal e Castro. XXX . pág. 68. franqueando a sua coleção r procurando enriquecê-la. havia apenas uma porta onde se vendiam livros religiosos.7 Note-se neste sentido a iniciativa dos ilustrados pernambucanos. que possuíam praticamente as únicas bibliotecas antes de 1808. etc. vol. pág. "Cartas". 79. da me lhor qualidade. em 1815. vol. "os livros são ainda escassos e por um pr eço exorbitante". Andrew Grant. Viagens ao Nordeste do Brasil. como o pai. pág. havendo "nada menos de oito lojas de livros. à do último Governador. I. pág. 52-53. à de um "senhor Teixeira". 656. Evaristo da Veiga.8 Os conventos. Pohl. João VI. 103. II. no se u comércio. (4) Koster. esclarecendo uma delas que "são propriamente lojas de alfarrábios. 143. Splx e Martíus. que foi a vida toda. (5) Ovtavio Tarquínlo de Sousa. pág."3 Muito pior era a situação noutras partes. (3) Gonçalves dos Santos. Perdin and Denis. Em Minas." No tempo de D. cujo sortimento consiste em velhas traduções do inglês e do francês. amigos. 256-257. págs. era informado pelo de São Paulo que ninguém se interessava por elas. sendo que no Recife .

mas sem excluir outros. cit. vol. I. págs. paga. e para se nos patent earem os tesouros do saber espalhados nas suas obras. cit. cit. inclusive os de Silva Alvarenga e do Conde da Barca. (12) Carlos Rizzini O Livro. a Biblioteca Real foi aberta ao público em 1814 no Hospital do Carmo e. pág. Notícias Soteropolitanas. quando os seus livros se venderam aos comerciantes para embrulho. segundo Schlichthorst. do Governador Conde dos Arcos e do Padre Francisco Agostinho Gomes.II. sobretudo por padres. 39. VII. Os informantes mais objetivos deixa m claro que era inatual. vol. (14) Spix e Martius. já tinh a mais de sessenta mil volumes por volta de 1820.vel fora a dos jesuítas. vol.. págs. vol. Os dados disponíveis mostram que se lia pouco. 62. 74. Em São Paulo era apreciável a dos Franciscanos. embora confortável a sala de l eitura. nenhuma nestas condições. o jornal e a Tipografia no Brasil.14 Se corresponderem à re ali dade. por iniciativa de Pedro Gomes Ferrão Castclbranco e acervo constituído por doaçõe s dele. embora alguns autores fossem univer salmente conhecidos. I. (9) Luccock. págs. pág. 219-233. onde vêm o requerimento do fundador e os estatutos..11 Em 1811 fundou-se uma pública . História da Revolução Pernambucana de 1817. Pohl. cit. mas em 1825. Spix e Martius. (8) Muniz Tavares. págs. pág. Paulo. XIII e LXXX (11) Vilhena. 261. era muito freqüentada. 230 #l fc . LXXX. Luccock cit. "Muitos habita ntes abastados daqui (Bahia) e do Rio ornam as salas corn gravuras francesas. pág. base ando-se no recrutamento de subscritores. a mais absoluta falta de meios para entrarmos em relação de idéias corn os Escritores da Europa. sem as quais ne m se poderão conservar as idéias adquiridas. pág. dispersada no último quartel do século XVIII. 220). cit. (1811). Essas palavras de Castelbranco se aplicariam à Colônia: " Padece o Brasil. estas informações revelam o incremento no hábito de ler. re cebendo vários acervos. 307 e ta mbém Correio Brasiliense. franqueada em 1825 e logo depois anexada ao Curso Jurídico. 221. il ustrando feitos dos (7) Mawc. cit. Em 1817 acharam Spix e Martius que ficava às moscas. pouco variada e sem ordem. sobretudo franceses. Schlichthor st. II. 380. (13) Müller.. 257-8. e particularmente esta capital.13 No Rio. 379-380. (10) Muniz Tavares. O Sio de Janeiro como é.87. Quadro Estatístico da Província de S. 98. pág. p. Viagens ao interior Ao Brasil. e muitos menos promovê-las a beneficio da sociedade" (pág. 391-392. pág...12 Em Minas.

380. etc. f ormularam os problemas do país.seus generais vitoriosos. como a do pe ríodo joanino. contribuem para definir o papel do intelectual. a Septuaginta e Novo Testamento na mesma língua (. I. págs. Os livros franceses são procurados. cit. n ão apenas multiplicando lojas propriamente ditas. serviram de público às produções intelectuais. a partir de 180O. Buffon. deve-se anotar a função das associações político-cu . tentando analisá-los à luz das referências teóricas da Ilu stração. 165 e 169. pág. por todos os meios. às sociedades pr ofissionais.e condicionam o próprio funcionamento do Est ado. cit. tipo Peregrino da América o u. mas algumas das que se atribuem ao jornalismo. poucas. vender uma edição de Glasgow. contribuíram para laicizar as atividades do espírito. pág. porém. É o momento em que viceja a maçonaria.18 Neste sentido. 231 ."17 Além do sermão. onde se divulgaram e debateram informações e idéias hauridas nos poucos livros de in teresse real para o tempo. 332. pa rece que o Caramuru era lido e prezado."15 As liras de Gonzaga. que encaram corn sentimentos do mais caloroso entusias mo.. 141-149 e 269-276. Foi um toque de reunir para os homens interessados na cultura e na política. que.pois a marcha da civilização está ligad a à diferenciação da sociedade . como inspirand o a formação de grupos interessados na difusão do saber e no culto da liberdade. creio terem caído entre mãos brasileiras. Nesse tempo. . pôg. em grego. numa socieda de menos diferenciada e em tempo de adquirir consciência de si própria. à Universidade: congregaram e poliram os patriotas. salvo no referente à literatura popularesca.. tais associações desempenharam não apenas funções hoje atribuídas aos agrup amentos partidários. a História do Imperador Carlos Magno.). possivelmente o livro mais di vulgado e estimado pelo leitor inculto.. (18) Correio Brasiliense.. da preleção e do livro.. vol.. corroborando o ponto de vista de Hipólito da Costa num dos seus melhores en saios. circulavam ampla mente. in. Nas suas parcas bibliotecas acham-se escritos de d"Alembert. como também não encontrou freguês um Saltério hebraico corn tradução latina. (16) Spix e Martius. pág. em que "saíram muito bem tanto obras inglesas como algumas latinas. sobretudo. Thomas Paine. (17) Luccock. págs. Schlichthorst. 384. de Homero. foi reconhecido (15) Grant.. cit. II. 230. 286. mas foi impossível.16 Luccock dá notícia dum leilão de livros em 1818. o Contrato Social bateria a todos em div ulgação e apreço. ao se interporem entre ele e os indivíduos cujas atividades definem e coorden am. da Ilíada. postas em música. cit. pág. I. Adam Sm ith. onde analisa a necessidade e função das "sociedades particulares": elas corre spondem a uma necessidade de organização social. Pohl. cit.

oradores. a escassez de livros. pertencentes às várias sociedades a que se poderia chamar em conjunto o "complexo de Itambé". de continuar ligados às funções de caráter ico. propondo-lhes como critério de identidade e dignidade a participação nos grandes problemas sociais. a Oficina de Igaraçú. conferindo-lhes um timbre de exceção. a Sociedade Literária. Nesse momento decisivo configurou-se no Brasil pela primeira vez uma "vida intel ectual" no sentido próprio. A raridade e dificuldade da instrução. ""para difundir a instrução e as idéias liberais. verdadeiro ponto de transição. pa ssagem do escritor marginal que se justapõe à sociedade e procura congregar-se para penetrar nela. o "votário da Liberdade" (Antônio C arlos). publicistas) deram-lhes um relevo ines perado. mas como critério de prestígio. reunido no engenho deste nome. não apenas como forma de remuneração. Acrescentemos a esses fatores a tendência associativa que vinculava os intelectu ais uns aos outros. continuou a orientação de que este o constituíra legatário. civil. já recorrendo ao segredo para pr eservar-se. de ste modo. elas procuraram fundir no cidadão o inte lectual e o político. a Academia do Paraíso. podemos avaliar a importância do agrupamento intelectual no Brasil e o longo caminho percorrido a partir da Academia dos Renascidos: passagem da gr atuidade à participação na vida social e da subordinação clerical ao pensamento livre. repudiando a influência fradesca e incorrendo na sua ira ao querer for mular uma atitude moderna: laica. discípulo amado de Arruda Câmara. participar orgânicamente da vida nacional." Sucedem-lhe o grupo conhecido por Academia Suassuna. fundado nessa loc alidade pelo grande Padre Arruda Câmara. por derivarem diretamente do Areópago. pelo século a fora. devem ser destacados como mais característicos os ilustrados pernambucanos. sobretudo. ao escritor que o consegue ao se congregar politicamente para. avulta. o nde o Padre João Ribeiro Pessoa. e as condições descritas convergem para dar ao escritor de então algumas características que hão de persistir até quase os nossos dias. Nesse processo. cerca de 1801. professores. Daí a sua tendência. pregadores. admin istradores. No começo do século XIX. fechando-os no sistema de solidariedade e reconhecimento mútuo das sociedades político-culturais. o destaque dado bruscam ente aos intelectuais (pela necessidade de recrutar entre eles funcionários. e.#na medida em que se pôde identificar ao patriota. a que não eram alheias al gumas implicações da Ilus- . interessada no progresso das luzes e da sociedade. Analisando-as. Não espanta qu e se tenha gerado um certo sentimento de superioridade. como vimos . Em consonãoncia às fórmulas ilustradas.

deveres de intervenção na vida pública. ou do Sousin ha na F . naturalmente. Silverio em Roma. procurando inconscientemente por esta forma dar repercussão às coisas do espírito numa sociedade pouco capaz de avaliá-las por si e recebê-las dignamente. repercutiu també m na posição do escritor. Aí se encontram porventura as raízes da relativ a jactância. a lenda de Rui Barbosa em Haia. o fato de haver aprendido sozinho a língua francesa aparece como empresa transcendente. no Brasil. o legista. onde se vêm unir as condições reais da produção intelectual e certa fabulação que procurava compen a sua pobreza e lacunas. exageram as provas de talento. por isso. é fruto da pequena divisão do trabalho intelectual e da falta de a utocrítica.232 #tração . exagerada noção da própria importância e valia. a sua ciência lhe parece realmente infinita. contribu iu para cercá-lo de uma auréola de relativa simpatia e prestígio. fazendo corn que lhe conferissem e ele se arrogasse. a participação segundo os ditames ilustrados impediu o d ivórcio e a segregação. 233 * #Afinal. referente sobretudo ao orador. . de dois temas. Noutro plano. que ampliam o mérito real. Refiro-me ao que se chamaria talvez os temas do saber universal e da obra-prima perdida. Nada mais característico sob este aspecto do que a autobiografia de Mon te-Alverne. ampliando aind a mais a capacidade de alguns escritores que conseguem firmar-se no seu conceito . detentor das luzes e capaz. a massa elabora a fama literária num plano quase folclórico. ou de D. É preciso. Consiste o primeiro em atribuir ao intelectual brasileiro extraordinária cultura e inteligência. Assim. reflete-se pelo louvor dos confrades e pósteros.fantasia que se de senvolve em três planos. Deu-lhe um certo senso de serviço e. de conduzir os homens ao progresso. e como tem poucos pares capazes de criticá-lo e superá-lo. que deu aos grupos intelectuais. O homem de letras sente-se levado a informar-se e a falar de tudo . No plano pessoal. lembrar o fator complementar decisivo que foi a profunda ignorância do povo e a mediocridade passiva dos públicos disponíveis . decorrente tanto do autodidatismo quanto da falta de concorrência literári a e científica.o que só concorre u para aumentar o hiato entre massa e elite e reforçar a autovalorização desta. Este estado de coisa s. onde. mesmo quando as suas obras não eram lidas. e a sua modesta informação filosófica. maravilha da pátria. nesse tempo. sempre respeitado no Brasil. agiu como corretivo o caráter participante corn que o intel ectual surgiu aqui. Sintoma interessante do que foi dito é a formação. fazendo-o capaz de embasbacar os estrangeiros. o jornalista. da parte do público.inclinada a supervalorizar o filósofo. N esse estado de coisas. reforçada a seguir pelo Romantismo. superestimando a própria capacidade. abrangendo todas as coisa s sabíveis. por exemplo.

existem ou existiram manuscritas. toma lugar na imaginação popular ao lado da tournée vitor iosa do Clube Atlético Paulistano ou os vôos parisienses de Santos Dumont. de algum modo. e que se fosse encontrada. como não obtivesse resposta. de escritores meio realizados ou não reali zados de todo. Elói Ottoni. Alvarenga Peixoto teria escrito uma bela tragédia. etc. Rodova lho. o talento a parece principalmente sob a forma do dom das línguas. Em tudo isso haverá verdade. compensando o sentimento de infe rioridade. Repe tida em jornais. constitui u m álibi que permite construir livremente o mito da grandeza literária. O mesmo fizeram Sousa Caldas.rança. que daria a medida real do autor. fazendo o mundo reconhecer a nossa superioridade. de esplêndida barba branca. São Carlos tinha uma versão refundida do seu poema. Januário. escolhendo e falando co rn fluência o mais puro latim. livros e revistas.. me informou que Rui Barbosa falava todas as línguas do mundo. a reação do país e d os próprios homens de saber em face das eminentes figuras que então floresceram e ne m sempre conseguiram oportunidade para dar o melhor rendimento ou alcançar o pr êmio do seu esforço. Perderam-se quase todos os sermões de Sousa Caldas. analfabeto e majestoso. Sampaio. no interior de Minas. A esta mesma circunstância vem prender-se o tema da obra-prima perdida. São Carlos. devem também ter existido. As obras de Alexandre Rodrigues Ferreira e Frei M ariano da Conceição Veloso. Parece-me que tais atitudes ilustram bem a posição do escritor e as condições da produção. que exprime de modo concreto o domí nio sobre algo da civilização misteriosa da Europa.. por outro recurso: o de afirmar que o escritor não pôde. Basílio da Gama teria igualmente uma. etc. Para o povo. o tema se en tronca noutro. Silverio perguntando no Vaticano aos bispos reunidos em Congresso qual a língua que deveria falar e. Há anos. Daí termos em parte uma lite ratura de obras perdidas ou não escritas. As peças de Cláudio Manuel mencionadas nos Apontamentos. não sendo #deste modo possível avaliar a sua verdadeira estatura. Este tema radica no período que estudamos e reflete. que alguns viram e acabou extravia ndo. Enéas no Lácio. . Silva Alvarenga destru iu manuscritos. D. um velho negro. ou não quis escrever. o da "Europa curvando-se ante o Brasil". que é não apen as hipertrofia da realidade. Vilela Barbosa. dar a sua medida. e será sucedido. mas expressão verdadeira das dificuldades em publicar ou mesmo conservar as produções. e traduzido a Mér ope. no meio do século. de Scipião Maffei. neste ponto. há casos em que vamos resvalando para a len da. Mas ao lado disso. mas há sem dúvida a tendência de reputar melhor a obra perd ida. sobretudo no início do Romantismo. inéditas ou de publicação apenas começada.

Tendia pois a atribuir um alto significado à própria atividade e considerar-se o sal de uma terra inculta. dar publicidade às obras e medir os próprios limites. estabelecidos pela Reforma de Pombal: José Bonifácio. A NOSSA AUFKLARUNG Dentro desses limites acanhados e corn todos os seus percalços. P aris. coincidindo muito felizmente corn um momento em que a su peração do estatuto colonial abriu possibilidades para realizar os sonhos dos intele ctu ais. O ensino das ciências. pelo m enos em parte. a seu tempo. não apenas em Coimbra. tinha poucas oportunidades de cultivar o esp írito. determinada por contradições mais profundas entre a economia colonial e a política portuguesa. detentores de cargos e prebendas. sua patrona. a intelectualidade era constituída por padres e bacharéis de formação clássica. No momento referido o quadro muda. para não contar os que. encontrando repercussão limitada. 235 #2. Edimburgo. Daí formar-se uma certa mentalidade progressista qu e toma consciência do desajuste entre ambas e procurará. mas em Montpellier. os libertava. da mentalidade jesuítica e legista das elites anteriores. preparand o-os para uma concepção mais ousada do papel da inteligência na vida social e das relações entre Metrópole e Colônia. se nutriu do idealismo huma nitário dos filósofos e de um acentuado utilitarismo haurido no estudo ou na admiração d . pragmática. identificados aos interesses da Coroa. V ilela Barbosa.esse momento e nos que lhe sucederam. a leitura dos filósofos. Câmara. científicos. Na tradição colonial. Viei ra Couto. no Brasil. ocorreu pois a nos sa breve Época das Luzes. podia penetrar no domínio da lenda. Melo Franco. A atitude brasileira. sendo exclusivamente cien tistas. a inteligência se i dentificou tão estreitamente aos interesses materiais das camadas dominantes da Co lônia. o intelectual considerado como artista cede lugar ao intelectual considerado como pensador e mentor da so cieda de. Aumenta o número dos brasile iros que vão estudar à Europa. Veloso. quando vinha. on de a fama. Ele escrevia num meio culturalmente pobre. desses intelectuais. Em poucos momentos. Borges de Barros. dando-lhes roupage m ideológica. Por isso. Dentre eles uma porcentagem crescente procura os estudos filosóficos. não cabem neste livro: Rodrigues Ferreira. isto é. quanto naquele. etc. nesse momento. Arruda Câmara. e cooperação na luta. formular a pos ição brasileira. (que de certa forma eram os interesses reais do Brasil). a Independência foi o objetivo máximo do movimento ilustra do e a sua expressão principal. voltado para a aplicação prática das idéias. por isso.

pelo império das i déias que equiparam os homens no tempo e no espaço. ensaio político-social . fervorosamente patriotas.. todavia. e cada um deve. como José Bonifácio e H ipólito da Costa. mede-se pela sua utilidade. "21 Não espanta. Hipólito da Costa especifi ca este ponto de vista no terreno social. a repugnãoncia em dedicar-s e de todo à literatura. tiram das trevas ou da ilusão. Se boa parte deles permanece nos quadros tradicionais de respeito e obediência 236 #aos poderes estabelecidos. Desse deslumbramento ante as gr . segundo as suas forças Físicas ou Morais. o que incrementava os gêneros didáticos e esmorecia o lirismo. Mesmo os do primeiro grupo. que a natureza. escreve Alexandre Rodrigues F erreira. na medida em que procuravam agir conforme estas diretrizes visavam integrar o Br asil no mundo intemporal da razão e da ciência. que a ignorânc i a precipitou no labirinto da apatia. onde se uniam os povos quando orien tados pelos seus princípios. os conhecimentos ou talentos. os acontecimentos do prese nte. no limite."19 No primeiro número do Correio Brasiliense. apresentando o seu programa. para onde aliás conduziam. administrar. Publicando n"O Patriota a tradução da "Palinódia a Nize"."20 A contraprova desta atitude se encontra no relativo acanhamento de ser poeta. jornalismo. eram de mentali dade reformadora e acabaram aceitando a separação inevitável.as ciências. ou do engano. o reino da ciência deveria romper o bloqueio cultural. e desenvolver as sombras do futuro. em que radica a atividade dos publicis tas: "O primeiro dever do homem em sociedade é ser útil aos membros dela. da inépcia. pois. Esses homens. "Em quanto a mim". A todos é comum a concepção pragmática da inteligência. outra cultivou os germens da insatisfação e evoluiu rapi damente para a Independência. que ele espalha.oratória. e que neste capítulo nos encontremos de algum modo fora da literatura.avultassem em detrimento das belas letras. que merece uma ciência. aqueles. em benefício da mesma. a arte ou a educação lhe prestou. de Metastasio.. Assim como a franquia dos portos quebrava o isolament o econômico. vem a ser o membro mais distinto del a: as luzes. que os gêneros públicos . "nenhum obséquio faz à Filosofia quem a estuda por deleitavel (. O indivíd uo. Ninguém mais útil pois do que aquele que se destina a mostrar. a confiança na ra na ciência para instaurar a era de progresso no Brasil.) o grau de aplicação. que abrange o bem geral duma sociedade. as tend ências de militância intelectual da Ilustração. desculpava-se deste modo Elmano Bahi e nse: "O Público julgará como enchi alguns poucos momentos roubados a mais séria aplicação. corn evidência.

na . cifrando-se afinal na aspiração de independência. natural da Bahia. conhecida pelos menos ins truídos. e o sábio em seu gabinete instrui-se ainda hoje corn os Arquimedes e Apolônios. passando da caridade à pedagogia. 237 #pelas luzes. Se percorrermos a literatura pública do tempo. e as mais doces sensações da nossa alma. con fiança na razão para impor as normas do progresso. (21) Tomo II. O desejo imperioso de instrução vai-se acumulando no fim do século XVIII e se exprime em tonalidade moderna e avançada no Seminário de Olinda. "É uma verdade. maçon influenciado por Rousseau e as idéias do século. n. e ligando eras interrompidas por larga s séries de calamidades. que sem a prodigiosa invenção das letras. p. haveriam sido muito lentos os progr essos nas Ciências e nas Artes. Mas até nos setores mais tradicional istas repercute aquele desejo: o famoso ermitão do Caraça. admira a eloqüência dos Demóstenes e Cíceros. passaram em grande parte às gerações posteriores. Alexandre Rodrigues Ferreira. dá fé a apresentação d"O Patriota. 3. São estes os traços da nossa época das luzes que. estabelece um currícul o equilibrado corn larga participação das ciências.o 4. hierarquicamente inferior num momento de intenso pragmatismo mental. salta através das irrupções dos Bárbaros. e dos crimes do coração humano. recreia-se corn os Homeros e Anacreontes. Man uel Ferreira de Araújo Guimarães. pág. I. voa a desp eito das injúrias do tempo. funda e organiza o Seminário de Jacuecanga. João VI corn a condição de ali se estabelecer um colégio de meninos: e assim c omeçam os estabelecimentos lazaristas de tão decisiva influência na formação intelectual d e Minas Gerais no século XIX. Silvério Gomes Pimenta ). Este nome poético escondia o diretor da revista.andezas proporcionadas (19) Apud V. onde o bispo Azeredo Coutin ho. 22 (20) Correio Brasiliense. Os homens de todos os séculos são contemp râneos."22 Aí estão alguns motivos próprios à Ilustração: universalidade da cultura. Vicente de Paulo brasileiro" (D. consulta os Tucídides e os Lívi os. Por elas o Europeu transmite ao seu antípod a as suas descobertas. amor da libe dade política e intelectual. patriotismo. Correia Filho. O estranho e admirável Irmão Joaquim do Liv ramento. pág. os nossos mesmos sus piros (para falar corn Pope) vão do Pólo à índia. crença na educação para plasmar o homem na sociedade. e prende remotíssimos anéis da cadeia não interrompida dos e rros do entendimento. já denominado "o S. encontraremos nela temas característi cos: ânsia de instrução. lega sua ermida em 1819 a D. desejo de reformas políticas. identidade fundam ntal do espírito humano no tempo e no espaço. depois de organizai mais de uma casa para rec olher e educar meninos desvalidos. vol. Irmão Lourenço de Nossa Senho ra. valor humano da cultura clássica e (o qu e mais interessa no momento) função ancilar da literatura como divulgador a da ciên^ cia e da técnica (as Artes) e como atividade recreativa. 71.

pôgs. W. corn quem se acamara . pág. Pereira num soneto ao grande poeta inglês. como pel o próprio governo Joanino. matemática. Esses homens acreditavam corn efeito na virtude quase mágica do saber.25 Mas quase todos sentiam que essa ampla promoção das luzes não se poderia efetuar dentr o das restrições materiais e espirituais. 238 Janeiro. "As pescarias sáo o meio mala próprio para civilizar os índios do Brasil. confiando n a educação como alavanca principal de transformação do homem. notadainente do sal.23 A seus pés. (Porto Alegre) Exemplo extremo são as escolas de prisão.24 Nada mais belo e significativo da reverência pela cultura do espírito que esta vigília dramática à sombra da forca.pro víncia do Rio de (22) O Poírioía. base da atividade a lhe ser proposta. como a que Antônio Carlos fundou em 1817. retór ica. enquanto esperavam a sentença e talvez a morte. Vê-se o pobre Joa quim aos céus pedindo Para o pátrio Brasil dias de glória. II. as grandes abstrações filosóficas. Grande Shelle-y. seja transformado em navegador e pescador. Se Maciel da Costa. Silvério Gomes Pimenta. principalmente os que habitam junto às margens dos grandes rios. (como nos aldeamentos e reduções). pág . etc. ou do mar". 239 #~% sentiam que a conseqüência natural de tais reivindicações era a separação. vol. história. na gratuidade do ensino. I. baseado no desconhecimento das classes sociais. n. pág. 434 e rol. tirando -os do estado de natureza por meio duma graduação mais ou menos sábia e complicada de aprendizagem. só ela permitiria o i mpério da Razão e da Verdade. 174 (25) D.. quer civilizar o índio não o iniciando nas técnicas e noções que para ele nada valem. IIHV. José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho. na e quiparação do trabalho manual ao intelectual. na da Bahia. orientando-se-lhe a atividade para desenvolvimento do comércio. Uns e outros via contudo na liberdade uma condição necessária para a vida moderna. Antônio Ferreira Viçoso. onde ele e outros revolucionários. Alves Branco e José Bonifácio pensam no caso corn espírito assentado e mira normal. notadamente Gap. ensinavam e aprendiam inglês. mas pesquisando os seus interesses fundamentais e os utiliza ndo como estímulo de aprendizagem. humilhado." l. Memórias Históricas Brasileiras. depois que se trasladou para aqui. A Vicia de D. no respeito a vocação. tendentes a incorporá-los à vida civilizada. Uns queriam lib erdade de opinião e manifestação dentro da união corn Portugal. Doutrinando meninos sem amparo. Ora. que efetivamente caiu sobre alguns. Ensaio Econômico tõbre o Comércio de Portugal. cantor da Verdade! exclama Joaquim B. impregnado pelo Emílio. um d eles é a pesca: logo. 23 (24) Damasceno Vieira. Os índios são objeto de espec lações de vária espécie. de joelhos. impostas não só pelo regime colonial. o ardente Azeredo Coutinho se abandona a um oti mismo lírico sob a lógica da argumentação e. outros (23) Pé.

simpatizantes dos "erros da Filosofia". pág. João Ribeiro. Nem corn tormentos. cerraram filei ra no esquadrão das Luzes e lideraram as suas manifestações no Brasil: Arruda Câmar a. fora das suas finalidades específicas. mi litantes da política. porém. Caneca. que reperesentavam. frouxos de costumes. 240 #^. Que aos fr acos tão-somente a morte c dura. Januário. . composto por Antônio Carlos na cadeia da Bahia exprime as posições avançadas da Ilustração brasileira: Sagrada emanação da Divindade. morto antes de terminar o empreendimento. Para sentir quanto ia de paixão desassombrada nesta clara profissão de fé. podemos avaliar o radical ismo do jovem estudante. Sampaio.dou em Edimburgo. catadura Incutir pode horror a um peito fero. No pensamento dos moderados. não se destacando menos os cl érigos. não encontrando ressonãoncia. encontram os. como a própria encarnaçã a literatura. avançam em tais m omentos. vivi. ou aos quais bastar ia uma referência por tocarem zonas limítrofes. Dela se n utriu a geração que preparou e fez a Independência. perde qualidade.it of Shelley. e a atividade puramente estética. esses padres e frades semileigos. e livre espero Encerrar-me na fria sepultura. Onde império não tem mando severo. realmente s erviu ao país e à cultura. Estas. empreendeu a sua tradução portuguesa. Miguelinho. esmore ce. sem dúvida os caminhos mais seguros . 145. em essência. O clero encontrou en tão um dos poucos momentos em que. para tangenciar a vida nas suas preo cupações concretas. pois a literatura inflete o curso. Até os nossos dias persiste algo desta ligação funcional entr e o reconhecimento coletivo e os gêneros públicos. Roma. é preciso lem brar que o autor tinha por certa a execução capital. é natural incluirmos na hi stória literária certos autores que não lhe pertencem logicamente. Sousa Caldas. onde estudava. OS GÊNEROS PÚBLICOS Num momento percorrido por semelhantes idéias e tendências. 241 #3. e o soneto à Liberdade. maçons. que trouxeram ao nosso movimento ilustrado o prestígio e quase beneplácito de uma das colunas da Monarquia: a Igreja. embora concebida e exposta corn menos ardor. os ideais da Ilustração impeliram as energias para o s gêneros públicos. Nem da morte a medonha. suscitando oradores e jornalistas. Nem todos iam tão longe. como Hipólito ou. . Aqui do cada falso eu te saúdo. Mas das fúrias do déspota sanhudo Zomba d"alnia a nativa dignidade.-* Livre nasci. Como orador e jornalista foi que o intelectual definiu então em grande parte a sua posição: e sob tal aspecto apareceria doravante ao público médio. logo discípulo entusiasta. ó Liberdade! Pode a vida brutal ferocidade Arrancar-me em tormcnto mais agudo. cor n reveses. no caso. (26) Newman Ivey White. mais ainda. posição análoga. miulo: Fui teu votaria e sou. . Portra. e o amigo brasileiro.-* Quando lembramos que ele é uma rig orosa transposição em verso do anarquismo ateu de Godwin. e que termina por este verso revolucionário: Surja "Queen Mab" a restaurar o Mundo! Shelley acabava de compor este vasto poerna.

esclarecer o juízo do leitor e orienta r a atividade do homem público. na ordem. corn cerca de cinco páginas cada uma) mostra que o autor da "Ode ao homem selvagem" e d""As Aves". em Londres.isto é. estando publicadas a 47. enfrentavam os próprios governantes. modesto e tímido. que empalideceu e levantou-se enraivecido.a.a e a 48. quando não ataque direto aos problemas políticos e culturais. Frei Caneca. respectivamente de 7 de novembro e 8 de dezem bro de 18 12. nada ficou porém desse gênero feito as mais das vezes de ins piração do momento e perdido corn o eco das palavras. Todos os três procuravam analisar a situação. a maior atividade do período é a de José da Silva Lisboa. Frei Francisco de Sampaio) que Schlichthorst viu analisar a situação do governo em frente do próprio 242 #Imperador. q ue da tribuna sagrada os clérigos patriotas entremeavam os seus discursos de alusões . nas sociedades político-literárias. em Pernambuco. cerca de 1836: jornalismo de ensaio. em 1808. sem que o pregador fizess e caso ou parasse na invectiva. até aí quase só religiosa e vagamente acadêmica. a inteligência primida do colono se expandiu largamente por esta forma. Mas este fragmento de um livro certamente volumoso (vejam-se os números da s epístolas restantes. separavam-se conforme esta divisão. Graças à preciosa imunid ade do sacerdócio. Hipólito da Costa. a l embrança de sua doçura e virtude. As Cartas de Sousa Caldas No ensaio propriamente dito. como aquele franciscano (pela descrição física e o nome possivelmente estropiado. das numero sas Cartas que escreveu e se perderam infelizmente. .de menor interesse do que. puro de costumes e débil de saúd e. por exemplo. combinaram-se para traçar-lhe um perfil devoto e res ignado. também. que podemos d ividir em três ramos no período que vai do seu aparecimento. Sabemos. que nas lojas maçônicas. encontra o seu primeiro momen to laico e político. pelo testemunho dos c ontemporâneos. o discípulo de Rousseau encarcerado pela In . a fase que abrange os reinados de Dom João VI.27 Restam-nos as publicações periódicas e os ensaios. A maioria absoluta de sua obra publicada. parece dec isiva para apreendermos certas constantes da nossa vida mental independente. Evaristo da Veiga . A oratória. cujos representantes mais característ icos e eminentes foram. imperfeitamente registrados a partir de 1823. mas quanto à forma adotada e a densidade do p ensamento. . conservados em boa parte. datadas do Rio de Janeiro. Nelas se confirma o descortínio desse padre eminente. que conciliou as convicções liberais corn a sincera fé religiosa. Ainda aqui. pelo que poderia interessar ao nosso desígnio. de caráter econômico na maior parte e. Aquelas c ompreendem as revistas culturais e o jornalismo propriamente dito. Sabemos.que o homem de letras encontra para adquirir prestígio e recompensa. de artigo e de panfle to. o diminuto espólio de Sousa Caldas: cinco restantes. Dom Pedro I e a Regência. no Rio. quanto ao pensamento social e sua expressão. a atividade oratória no púlpito. até as primeira s manifestações românticas. Além dos discursos parlamentares.

cuja influência provavelmente sofreu. sem transpor jamais os limites que a sua instituição e natureza lhes prescreve". nos bons escritos. O observador comenta: "Por esta amost ra da eloqüência do púlpito brasileiro. providência divina. Acha que só cabe restrição no tocante aos se guintes pontos: existência de Deus. Mesmo porque (note-s e esta idéia na pena dum clérigo) o fato da Igreja desaprovar algum princípio não é motivo para o governo perseguir quem o siga: ela trata "da vida e felicidade et erna". A Carta 47. ó Irzerumo. em local sagrado e em face do imperante". e apresente corn mais luz o seu semblante majestoso e belo". a verdade a parece sempre. ob. Sousa Caldas p rincipia dizendo que no tocante às ciências naturais não há problema: a liberdade de pes(27) Schlichthorst. "Na carta seguinte. consentiria que o espírito dos escritores se debatesse e esvoaçasse a seu born grado.quisição. nfuscante luz das idéias políticas penetrou no intimo do clero" e que a não ser pela ineficácia da Constituição.a (fundamental para compreender a posição dos nossos ilustrados.a versa os problemas da liberdade da imprensa e da tolerância. 243 #quisa e divulgação é nelas indubitável. A 48. protejam a liberda de de imprensa". ainda quando misturada ao erro: não há portanto nen huma justificativa para se ser intolerante corn as publicações. e operações do governo". e os procedimentos dos públicos magistrados . . As dúvidas se referem geralmente às "ciências mora e políticas. que se acanha e apouca quando o sopeiam e enfreiam corn restrições e embargos. escurece e cobre muitas vezes de negras sombra s a verdade. liberal mas violada a cada passo. "Nunca a sociedade civil e a igreja tr abalham mais ütilmente em recíproca vantagem como ao caminhar livremente na linha da sua di reção. contestando que a intolerância contra as idéias consiga abafar o erro.. "da paz e ventura temporal". porque tal é a índole do entendimento. págs. 112-114. imortalidade da alma. como leitor si mpá tico do Correio Brasiliense. r aramente deístas) aborda a divisão das esferas civil e religiosa. e sofre o progresso da verdade. este. não tarda a aparecer quem a tire novamente à luz. de qualquer modo. o generoso leitor poderá inferir mais ou menos a té que ponto í. Passando da teoria à prática. Embora se diga que a liberdade da imprensa desfigura. cit. o simpatizante de Revolução Francesa. sobre as matérias religiosas. persistiam no pregador famoso de 1812. tu verás que ela se compadece mu i bem corn os princípios do cristianismo". corn este acanhamento so frem as artes e as ciências. dirige-se nestes termos ao Governo: "Se os secretário s de estado têm a peito a glória do príncipe e o zelo do bem público. que não são a toda a luz absolutamente necessários. onde semelhantes verdades podem ser articuladas por um sacerdote. corn uma largueza comparável à de Hipólito. seria felicidade "viver num pais. "em to da outra matéria eu consentiria limpa e plena liberdade. nunca ateus.

in star. O Patriota A atividade d"O Patriota. levantaram m il figuras e tropeços aos pobres autores. não corn a violência. que acha mais fácil ameaçar e castigar. e não pode acompanhar no seu progresso aquelas nações em que existe a liberdade de imprensa". 244 #pressão de que Sousa Caldas foi poeta por circunstâncias da moda. prosador por incl inação profunda: "A decadência das virtudes dos ministros do altar. Igreja e Estado se combinam assim para ab afar o pensamento. amortece a cada instant e. como que interpretando a missão do cristianismo de um ângulo ilustrado: "Ensinar todas as naç ões é a ordem e mandamento de Jesus Cristo. coragem e liberalismo das restantes permitem dizer que deveriam c onstituir um dos pontos altos do ensaio brasileiro. e contentamento do amor próprio quando manda. modernamente. A missão dos Apóstolos se tra duz pois. dirigida pelo baiano Antônio Ferreira de Araújo Guimarães. De que tratariam as outras. censores. deram azo a a brir-se mão da doçura e mansidão evangélica. a preguiça natural do homem. a tolerância e a escravidão . nunca o arbítrio das autoridad es.Estabelecida esta premissa. convencer corn razões. prisões. de 1813 a 1814. sem aquela airosa desenvoltura. As cartas inéditas versam as relações da Igreja corn o Estado. expressas numa linguagem elegante e desataviada. "haja ação fornecida pela lei e intentada pelos cidadãos. e não se pode negar que a tolerância univers al seria um meio mui apto para conseguir-se este fim". e a culpa cabe ao clero e ao gover no. meirinhos. . porque esperavam destarte salvar-se. representa porventura a primeira manifestação pública de uma vida intel ectual brasileira. nunca ao pensamento livre. Belas e nobres verdades. implorar-se o socorro e as armas tem porais dos príncipes da terra. Estes de boa vontade as brandiam. retardando o progresso e pondo Portugal e o Brasil na retagua rda da civilização: "Estabeleceram guardas. que é filha da liberdade. e era-lhes mais fácil consegui-lo à custa dos outros. o "odioso aparato perseguidor das letras. constrange e domina aqueles que não pode persuadir. e o entendimento preso corn tantas algem as. "Seja portanto permitido imprimir-se tudo".Sousa Caldas procede a um raciocínio interessante. perdidas quando enviadas para imprimir-se na Europ a? A elegância. ao menos em parte. mover e atrair corn a prática da virtude. do que ensinar. corn que tribunais e censores emb argam por toda a parte a imprensa". ou pelo magistrado". do que à cus ta da penitência e mortificação pessoal". o erro deve ser combatido corn argumentos. reforçando a im4. . voltada para a divulgação das ciências e das letras em benef . e quando houver nos escri tos desrespeito aos princípios fundamentais da fé e da sociedade. na difusão do saber.forte apoio à campanha do Correio Brasiliense pela l iberdade de expressão.

química. animava-a um desígnio tipica mente ilustrado de divulgar o conhecimento. que não foi. a divulgação de trabalhos científicos do século anterior. como tantos outros. mais atual que a maioria da que nos legou o século XIX e o primeiro quarto deste. há mat mática. mesmo no melhor 246 i #sentido da palavra. compreender bem o seu ponto de vista para não tachá-lo de oportunist a. cabe não apenas como representante dum movimento em q ue a literatura pública domina em qualidade e quantidade. foi um escritor e um homem de pensamento. as letras entravam como veículo e companheiro. estudos e poemas de Domingos Borges de Barros. que o f . vibrante e concis a . mas era sobretudo um ilustrado. Num livro de história literária. veio contorcendo-se até a peri gosa retoriquice dum Rui Barbosa. O pensamento de Hipólito não mudou essencialmente entre o primeiro e o vigésimo nono v olume do seu jornal. o único cuja obra se lê toda hoje corn interesse e proveito. Era um monarquista liberal e u m patriota brasileiro. apesar de vacilações ocasionais. f resca e bela.ício do progresso. poesia. em que Portugal e Brasil se encontr assem ao mesmo nível. tão despojada de elementos acessórios que veio até nós intacta. cheia de pensamento. exprimindo melhor que ninguém os temas centrais da nossa época das luzes. Dele provém um modo de pensar e escrever que. como o primeiro brasileiro que usou uma prosa moderna. Esta f órmula seria de longa duração entre nós. corn ser o maior jornalista que o Brasil teve. no mesmo número. t alvez a mais alta figura entre os nossos ilustrados. corn a finalidade prática de utilizá-lo para o progresso do Brasil. a colaboração do velho Silv Alvarenga. Ajustada às condições do meio. através dos grandes publicistas da Regên cia e do Segundo Reinado. Daí a repulsa pelos extremos. mas como prosador de raça. é uma espécie de miscelânea onde. acabou. (pouca densidade cultural. definido naquele mesmo tempo pelos oradores sacros. seu único redator. tr abalhos do 245 #laboratório do Conde da Barca. Como vimos pela citação feita mais alto do seu manifesto. no entanto. e sob este aspecto O Patriota importa realmente na definição de um tipo de revista brasileira que ainda não desapareceu de todo em no ssos dias. notadamente observ ações sobre a salubridade do Rio de Janeiro . divulgação matemática de Saturnino da Costa Pereira. Hipólito da Costa O jornalismo de ensaio se resume praticamente no Correio Brasiliense (1808-1822) e na figura de Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça. clara. história. É preci so. contrabalançando o estilo predominante que lhe corre paralelo e. contribuiu até os nossos dias para dar nervo e decoro à pr osa brasileira. notando-se um só caso em que modificou ponto de vista importa nte: partidário duma espécie de monarquia dual. por aceitar a Independência. interessado no advento de uma sociedade pautada pelos princípios da razão.representam o reconhecime nto de uma tradição local e o desejo de estabelecer o vínculo de continuidade entre el a e as manifestações intelectuais dos mais moços: descrições etnográficas de Ricardo Franco de Almeida Serra. pequena divisão do trabalho intelectual). A publicação das obras de Cláudio e Gonzaga. técnica agrícola.

Um único ministro. retidão.2S Como brasileiro. inclinada às meias medidas ou às iniciativas fantasistas. Nas Observações sobre o comércio franco do (28) Os números romanos entre parêntesis se referem ao volume do Correio Brasilie nse. livre dos prejuízos da Metrópole. corn efe ito. Irritava-o sobretudo a atitude de gratidão exaltada pelos benefícios régios ao Brasil. como vimos. não louvar. merece o seu apoio inte gral. nem emudecer ante as exorbitâncias e perigos da po lítica de Londres. os arábicos. mas quando viu que D. que havia quinze anos mantinha na luta. qual virá a ser o estado da nação onde o conselheiro for ig . Conde de Linhares. procurava mostrar a cada passo que decorriam de necessidades de ins talação do governo num lugar desprovido de recursos. João retornaria e as disposições de Lisboa não respeita vam a soberania do Brasil. vendo nela a possi bilidade de estabelecer uma administração racional.. viu a oportuni dade do Brasil sair do estatuto colonial e tornar-se uma nação livre. quanto Araújo era do partido francês e Hipólito muito identif icado aos pontos de vista britânicos . o futuro Visconde de Cairu ia ao ponto de condenar a crítica aos atos do governo. Conde da Barca. Da sua tribuna. que se julga andarem os po rtugueses três séculos atrás das mais nações" (in.o que todavia não o fez apoiar o corifeu do p artido inglês. numa monarquia luso-brasileira corn sede no Rio de Janeiro . Neste campo. o haviam nomeado cônsul em Londres. própria para adormecer nos brasileiros o senso de análise e a compreensão dos problemas nacionais. admiradores dos seus escritos. Hipólito saúda o aparecimento desta "primeira obra impressa no Brasil (já no Brasil se imprimel)" mas aproveita para definir a missão da inteli g ência livre: "O estar eu habituado a ver em Inglaterra discutir publicamente as me didas do Governo. 146). ineficácia e timidez da admin istração joanina. mas denunciava o perigo da sua lisonja sem crítica. Esta atitude final não foi repentina. as respectivas páginas. Quando o governo português passou ao Brasil. o ilustrado Antônio de Araújo.) Se se admite o princípio de que é contra o decoro civil haver oposição ainda que de pare ceres às medidas do Governo. 247 #Brasil. Neste sentido combateu a Revolução Pernambucana. objetividade e sincero amor ao Brasil. de extrema submissão às opiniões do Governo (.opondo-se sempre tanto à separ ação quanto à volta da família real. Reconhecia nele o "ta lento e mais partes" (como se dizia então). e conhecendo os bens que daí resultam à Nação. aplaudiu a medida. passou decididamente para o outro lado e saudou na In dependência o coroamento do seu esforço publicístico. me faz receber de muito mau grado este princípio. Opinião tanto mais significativa. dando por encerrado o Correio Br asiliense.aziam não raro suspeito a absolutistas e democratas.. mas amadureceu lenta e seguramente. Silva Lisboa esteve sempre na sua alça de mira. e que a atitude correta era ana l isar para apontar as insuficiências numa crítica construtiva. pelo bom-senso. (1817 cujos chefes. e aceitar co mo dádiva. que aqui se insinua. "i nfeliz nação" cujo atraso é "tão proverbial na Europa. as decepções de Hipólito se acumulavam ante a confusão.

66 e XI. pois os naturais da América já não eram o s ignorantes de antanho. Atribuía também gran de importância à transferência da capital para o interior do país. Aí está o seu propósito. Aplaudindo e animando as medidas justas. talvez superior aos dos seus mesmos pais". e porque se alguém desco bre o remédio ao mal. e o que pior é a tratá-los como tais. Tal governo não poderia realmente empreender as reformas necessárias. 202-20 4). quanto à Coroa. A transferência de sede impunha o estabelecimento de medidas compatíveis corn o estatuto de nação livre. cen surando acremente as más. preocupavam-no as medidas que. clamando pela falta das necessárias. deveria trazer não apenas agricultores. A imigração. e transformar a agricultura numa grande fonte de riqueza.) a um vigor de corpo e de espírito. e por isso batalhou sem interrupção: "As boas qualidades.norante. No campo econômico. ainda depois desses fil hos terem chegado (. através da instrução. 810). avaliam as próprias em menos do que devern. respeito à lei por meio de um funcionalismo consciente. e o jornalista lhe diz que se não as realizar. pela imigração de europeus. não lhe é permitido indicá-lo" (I. quando os homens comparam as s uas forças físicas e morais corn as de outros homens. que devia ser o nosso. notadamente a Inglaterra. que em mais de um respeito tem mostrado o Príncipe Regente. que impede fazerem-se os devidos esforços para a justa defesa d os indivíduos e das nações. participação das Câmaras no governo d a Capitania por meio de representantes eleitos. por meio sobretudo da abolição progressiva da escravidão e o recrutamento de mão-de-obra qualificada. promovessem a elevação do nível mental. de imaginação e audácia. e as alheias em mais do que convém: e resulta daí o sentimento interno d e fraqueza e temor.. mini stros responsáveis e fim do arbítrio soberano. à maneira de pais velhos "que insistem em chamar aos seus filhos crianças. isto é. sobret udo. seguido até o fim. os países ibéricos não percebiam a maturidade das suas colônias. 742-3). porque os dons e vantage ns da natureza são poucos para reparar os erros do Governo. arrisca perder o Brasil para a Metrópole (X. a fim de difundir a c ivilização e romper o desequilíbrio causado por um centro político na periferia . No campo cultural. nos dão esperanças de . che ia das mais graves conseqüências (VII. um dos seus temas que ridos.. 248 #O que desejava Hipólito? No campo administrativo. a nação não prospera. 475). O pecado maior da adm inistração joanina lhe parecia falta de senso da realidade brasileira e. as suas principais idéias visavam evitar o monopólio de fato sobre o comércio por parte de nações estrangeira s. ou malicioso? Justamente o estado de quase todas as nações onde nã o há liberdade de falar e escrever. Neste sentido imputamos à cobardia a opinião daqueles políticos portugueses. quebrando o arbítrio dos governado res. pois esperava dela o material humano apto para a vida moderna. que assev eram que Portugal não tem forças nem meios de se defender e sustentar a sua dignidad e como nação: e obram em conseqüência desses princípios" (XI. a propósito de probl mas militares: "O defeito que se chama cobardia consiste em que. mas artesãos e intelectuais. cuja míngua define num trecho admirável.

303-311. e é notável que esse pensador culto. e aumentando a sua desconfiança ante os governos não explicitamente limitados p ela lei. 528-538. por ocasião da sua viagem aos Estados Unidos. vo . 371-383. 175). irresponsável. a introdução geral das escolas de l er e escrever.29 À medida que (29) in. 77-85. dif usão das luzes. apodo que dava à facção reacionária jun to a D. e que têm a primeira influência em granjear respeito à Nação. e que manifestou a cada passo e por q ualquer pretexto. e o sistem a de governar os povos corn ilusões traz consigo sempre uma série de desgraças de que a s páginas da história nos dão abundantes provas" (in. que são sempre desconhecidos em um po vo ignorante. A difusão do saber não tinha para ele qualquer sentido acadêmico. dos costumes. que distinguem o homem civilizado do homem selvagem. como o desejavam os "godoianos".30 Como sectário das Luzes. O estabelecimento de uma Universidade no Brasil. Ao mesmo ciclo de idéias pertence a luta pela liberdade de expressão. e o born caminho seria o aumento e observância das suas limitações. só haj a anotado os traços que permitiam uma visão da política. João VI. Esta é a base dum ensaio denso e longo . Homem prático. nunca pode ser noc iva aos homens: o engano há mister de outros enganos para se sustentar. que fez do Cor reio Brasiliense o grande fanal das Luzes. pois "jamais pude acomodar-me à opinião de que muitas verdades não s e devem dizer ao público. era pou co sensível à cultura desinteressada e à literatura. isto é.que praticamente não aparece nos cento e setenta e quatro números do Correio. ou corn as idéias eternas: a verdade. admitindo e promoven do o estudo daquelas artes e ciências. mostrando que a monarquia não era despótica. de José Agostinho de Macedo. a preocupação de cada página: liberdade política. 175-182. como é o caso do Gama.onde se encontra a primeira fase da sua teoria da monarquia liberal. O saber lhe interessava sob os seus aspectos aplicáveis. vendo neles a pior manifestação do "governo despótico-militar". 95-96). . liberdade de expressão."Paralelo da Constituição portuguesa corn a ingle sa" . IV. 249 #presenciava o desenvolvimento da política joanina no Brasil. pess oal e arbitrário. Pungiam-no sobretudo as prepotências dos governadores. seu odioso e od iado adversário. e sujeito ao despotismo" (XIII. que são a espinha do Correio Brasiliense. Verdade é a conformidade das nossas idéias corn os objetos qu e elas representam. nacionais e estrangeiros são as medidas para que olhamos como base da desenvolução do caráter nacional. logo. arbitrária. limitada por si mesma. qu ase não cuidando da vida intelectual e artística. que combateu acerb ame nte. de economia. a ampla circulação de jornais e periódicos. ela ia-se radicaliza ndo. do nde devem proceder os esforços de patriotismo. e nos primeiros anos do seu jor nal procurava argumentar dentro da própria estrutura política portuguesa. ou seja.ver lançar os fundamentos à felicidade e independência nacional. onde vez por outra vemos uma o de política e onde a referência a livros de literatura só ocorre quando se prestam a c onclusões políticas. Neste trecho se encontram as suas idéias fundamentais. mas absoluta. O despotismo lhe parecia raiz dos males sociais.

devem ficar tão raros os homens sábios. enquanto a sociedade brasileira não apresentava. para uma sociedade concebida segund o os ditames da verdade e da razão: "(. proibido depois. o governo. 141-49. encastelado na cidadania inglesa. simbolizando a dinãomica profunda do período que estamos estudando: posto nos centros da civiliz ação matriz. que o anterior. consciência política. além do oceano. informações sobre o progresso técnico e cientí fico. que quando o Governo precisa deles. temos um exemplo da acuidade sociológica do grande jornalista. íll í 250 #Na crista da onda. Hipólito educou as elites brasileiras se gundo os princípios do liberalismo ilustrado. Difundir as luzes era criar con dições para uma política justa e eficiente. na sua estrutura. 393-394). (nobreza. a conduta individual e a. Note-se em mais de um passo que Hipólito queria ver no Brasil uma sociedade devidamente estruturada e ap arelhad a para permitir e servir de base à existência de um governo liberal. é o maior documento da nossa Ilustração e o mais agudo comentário à política joanina. Num trecho admi rável. a instrução lhe parecia chave de uma conduta racional e es ta assegurava o funcionamento dos bons governos. No conjunto. ou de um homem born. e quanto menor é o número de gente instruída. noticiário amplo de política internacional. o sábio. logo pior. ao q ue são. pois lá a existência das ordens tradicionais da sociedade. constituía ao menos uma expectativa de direito pendendo sobre os atos do poder.. as Cartas. de Marrocos. Diário áa minha viagem para Filadélfia (1798-1799). em Lisboa. 269-76). e vê-se obrigado ou a lançar mão de um homem ins truído. o homem talhado para interpretar a vida social e apontar aos governantes e ao povo o caminho da virtude. era mais arbitrário.ltado para a coisa pública. pois. análise dos acontecimentos do Brasil . Combinando-se este ensaio corn o já citado sobre a maçonaria (in. e propa gação das ciências. no plano de puro registro dos fatos. no Rio de Janeiro. Hipõlito da Costa. 566-576). no plano do pensamento. cônscio das relações íntimas entre a diferenciação social.. um brasileiro. eqüivalendo como valor informativo. mostra que o do Príncipe Regente. o Correio Brasiliense se difundiu não obstant e no Brasil. logo. e entraves ao progresso. elementos que i n terferissem do mesmo modo (VI. não os acha. penetrando a fundo na opinião dos homens instruídos. de repente. Cada número trazia c omentários políticos e econômicos. mas sem boa moral. Do refúgio de L ondres. que quando se põem obstáculos. menos probabilidade há de que o Estado sej a servido por homens virtuosos e sábios" (I. moderado mas firme. interpretava o Brasil segundo os seus ter . Tolerado a princípio. clero e povo) se não era capaz de amiudar a convocação das Cortes .) só a prosperidade do povo é quem faz a pros peridade do Governo. A sua longa e fe cun da mensagem ultramarina foi uma presença da Europa no melhor sentido. mas estúpido ou ignorante. (30) V.

pela dignidade patriótica do redator. vão pesar fortemente na opinião pública em formação. Nutrido na tradição de Arruda Câmara. mas como não era um pensador. O Tifis Pernambucano é o melhor exemplo de literatura revolucio nária nesse período. e de que redigiu vinte e nove números e n tre dezembro de 1823 e agosto de 1824. Quando viu as aspirações liberais contrariadas pela política autori tária do primeiro Imperador. e ele não trepida em invocar a tolerância conjugai do adversário ou a sua suposta hete rodoxia em matéria de sexo. inclusive o amo r e a paternidade. que todos pertencem. o que vai além do bom-senso e da elegância. no começo de 1822. Ao lado do equilíbrio do Correio Brasiliense. e n"O Tif is Pernambucano. nunca as pôde encarar objetivamete. abraçou o 251 #liberalismo corn a veemência que sempre pôs nos atos e sentimentos. Frei Caneca corn os pés fincados na pátria. onde as idéias são sentimentos e só existem na medida em que neles se encarnam. de 1823. O polít ico ainda não se desprendera do retórico. concentrou no governo a força da decepção e deu-lhe forma num tipo de jornalismo desabrido. Nele o publicista aparece tardiamente. É de certo modo uma obra de transiçã o. expressas sem maior personalidade. São dois altos documentos de maestria polêmica e paixão liberal. devemos anali sá-los como expressão coerente dum caráter. nobre nos intui tos e fundamentos. embriagado de liberalismo passi o nal. para deste modo sacudir as consciências e to rnar flagrante a iniqüidade. resultante afinal na revolta armada. A sua verdadeira medida é revelada nas dez Cartas de Pítia a Damão. destaca-se dos pasquins que. Mas já no ano seguinte apar ece puro nos panfletos em que responde à Arara Pernambucana. bastante prolixa. violentamente panfletário. onde se encontra o qu e de melhor deixou como pensamento e escrita. brandido como um punho à tirania. ao professor e poeta ocasional. corn base argumento de autoridade. corn a Dissertação sobre o que se deve entender por pátria do cidadão. coeren te até a rebelião e o fuzilamento. um ponto de vista e um estilo. a predominãoncia da paixão e o p ouco desenvolvimento teórico.m os. nem desenvolvê-las corn arte. desde então até à Maioridade. jornal em que exprimiu os pontos de vista da dissidência pernambu cana. mas representa o gênero. Para compreende-los. desempenha o papel fecundo que nos movimentos de idéias cabe sempre ao radical. (periódico de José Fernan des Gama). pelo cunho pessoal do ataque. As suas idéias são as comuns do tempo. P elo vigor da prosa irregular e férvida. sem o descortínio duma formação ou longa residência européi Frei Caneca viveu a sua missão política de um modo apaixonado e total. construída à moda escolástica sobre distinções e definições. através duma quantidade enorme de exemplos e citações. etc. que se un . pensando a nossa realidade como prolongamento de uma ordem definida pela razão . violentos desforços pessoais onde o argumento se mistura à injúria. sucedendo ao tratadista de retórica e gramáti ca.

se as tinha. à véspera da retirada. Como político.a Carta. "O neutral nem ab raça a virtude e a justiça aparente. "Nada se encontra de mais pernicioso na soci edade do que o homem sem caráter. do que de gêne ro oposto" (7. mais forte é o assenso que damos aos conceitos . e no risco está a dignidade (l. isto é. sendo compree nsível que o neutro fosse para ele o pior elemento da sociedade. Esta virtude quase sobre-humana da intransigência moral (a fixidez da estrela pola r. nem real. Na vida social. ora outra. na campanha jornalístic a p ela Constituição e a autonomia local. . ou sequer vacilação. desvanecendo-se 252 #3 quando foi proferida a sentença e ele soube morrer corn dignidade tranqüila. Nós nos confiamos do homem virtuoso e desconfiamos do velhaco. Ela viria em parte das suas idéias liberais. 365). cuja alma não tenha uma disposição mais habitual do que outra.t raçando-lhe um perfil quase lendário de sobranceria e honestidade. maior é a teima (. que não merece o homem volúvel e superficial.. é decisiva esta capacidade de decisão q ue permite organizar o comportamento pela previsão do comportamento alheio. mas o homem sem caráter é alternativamente ora uma coisa. as dúvidas. apesar da debilidade passageira que o assaltou muito humanamente no process o-crime. o homem pode mudar de idéia. odiando e crendo nas gamas extremas. Daí o apreço que tem pela integridade e coerência das atitudes. o torna digno de respeito. pois este ao menos arrisca. o que o toma pior do que o injusto". Fora porém deste círculo ela é uma virtude necessária à sociedade e ao dos homens. a marca principal de Frei Caneca é a inteireza nos propósitos e na cond uta. Para as sumi-lo. era necessário segundo ele um requisito psicológico que é moral nas suas cons eqüências: o caráter. é a teima. fal tando. amando. no passo da morte. 613).. de cuja necessidade fala no último núm ro do seu jornal. "aquela disposição habitual da nossa alma pela qual somos mui tas vezes conduzidos a obrar. 299). As cart . sem que possam os tê-lo por amigo ou inimigo" (7.a Carta.) Nem Pilatos nos leva de vencida na inflexibilidade: o que escrevemos. nos quatro anos de prisão na Bahia.em para constituir a sua tumultuosa personalidade intelectual. más e ilícitas. e quanto mais profundas. escrevemos" (Tifis. a que se compara o César de Shakespeare como prova da sua singularidade) assist iu-o no levante de 1817. 366). claras e exata s são as idéias que fazemos das coisas. XXVIII. mas radicava sobretudo na força passion al corn que viveu e pensou. Concebia a vida como cadeia de decisões firmes e necessárias. Os seus escritos não revelam também dubiedade. desa pareciam no momento em que definia a conduta. e de fato obramos ações antes de um gênero. sobrevêm a insegurança e o caos. "A te ima é um vício quando se trata de permanecer constante em coisas fals as. as alternativas não pareciam in quietá-lo. mas espera-se dele um ape go decidido e inflexível à idéia que tem. como testamento moral e definição política. ela forma o caráter do cidadão. na retirada para o Ceará.a Carta.

Pedro como imperador para dar solução cabível à situação. que fizeram tremer a Holanda. a cidade do refúgi o dos homens honrados. o país não e staria constituído. segundo ele. I. argumenta que o Brasil ficou independente em 1822 no todo e nas partes. "Aninha. o "pacto social" não estaria efetivado. os Negreiros. 395). o governo central merecia desconfiança e as províncias esta vam desobrigadas da subordinação a ele. os Camarões e os Dias. o bairrismo se configurava pela pres ença do seu traço característico: a animosidade. "(---). "Joaninha. até estourar num grito lancinante de paternidade. Esta paixão manifestou-se. o eixo da sua ação.)" (9. No número XXI do Tifis . sem renunciar à autonomia. dando como conclusão: por que nos subo rdinarmos a quem somos iguais? Daí decorre o seu federalismo. a bússola das províncias árticas. e à medida que a pena corre e a emoção avoluma.. indomável às forças externas (. pelo bairrismo.a Carta. asilo da honra e alcáçar da virtude! Em ti floresceram os V ieiras. a ponte entre o afetivo e o racional. maior ou menor. Escreve-as sucessivament e. Mas no fundo.Ó Pernambuco. nele.. a expansão vai-se fazendo mais viva. minha afilhada das minhas entranhas". regime coerente era o re presentativo. como se quer impor um go verno absoluto (constituição elaborada por ordem do Imperador). irreprimível. em 253 #1825. que radicava na sua adm iração integral por Montesquieu: no seu tempo. e o executivo só merecia obediência quando legalmente emanado de deleg ação popular. minha cara afilhada. no plano público. valem por um claro retrato da sua alma. as partes podem destacar-se e determinar livremente 254 #a sua própria constituição.. Por haver dissolvido a Constituinte e oferecido um projeto constituci onal de cima para baixo. f ormidável aos absolutos do império. amordaçada pela c onvenção clerical do celibato. mas antes de pro mulgada uma constituição livremente elaborada pelos representantes do povo. Foi . contigo ou descerei aos abismos da perdição e da desonra.as que escreveu às filhas. geralmente os impulsos buscando justificar-se com o idéias e estas adquirindo eficácia pela sua realidade fundamental de impulsos. tu ateaste no meu coração a chama cel este da liberdade. a muralha impertransível aos Tártaros do sul. "Carlota.. A união do Brasil dependeria de manter-se a combinação em virt de da qual as provícias renunciaram à independência. ou a p ar da tua glória voarei à eternidade" (Tifis.". e deram espanto ao mundo universo. havia também a identificação bairris ta "governo central = Rio de Janeiro". 417).. Daí susten . em relação às outras regiõ Em Frei Caneca era sincero o constitucionalismo. o cataliz ador que mobilizou o seu liberalismo e a sua atuação partidária. minha a filhada do coração. "Pernambuco. pát ria da liberdade. em todo o caso. campo indeterminado ond e se misturam impulsos e idéias. aceita ndo estas D. o viveiro dos mártires brasileiros . o baluarte da liberdade. A comparação dos dois trechos mostra que. na prisão.. tu me deste o berço.".

tubos ferruminatórios. para ele. abrasando-se a atmosfera. ríbombando em trovões e desfechando raios. identificados corn o absolutismo e a recolonização. e os batimentos da frase ora surgem picados pelo tumulto do arranco polêmico. a liberdade. como mais delicado. por isso foi no Brasil o teórico mais vivo e coerente do separatismo. faz pilhérias corn alegoria s químicas: "Não têm sido (. A idéia aparece como pulsação. da inteligência. constatava a autonomia real dos Estados. por isso anda por certas mãos delicadas. espancados pelo padre João de Donfort. O sangue quente das suas veias parecia comunicar-se à pena e fazê-la vibrar segundo o mesmo ritmo apaixonado. jurando na fé do . e os limites desta pareciam-lhe exatamente os da província. é interessante observar como interpretava a seu modo a estrutura po lítica dos Estados Unidos. balanças. depois de três meses nas forjas de Lemnos. única solução que lhe parecia capaz de contrastar "os Tártaros do sul". dão lugar a uma das expressões mais saborosas do nosso jornalismo. Criticando o projeto constitucional elaborado sob a égide imperial pelo Conselho. lançando-se a ousadias d e metáfora e sintaxe. Sagios e Fourcrois mai s estupefatos e aterrados.tar no número XXV. enlaçando-se em cadênc ias variadas. ora se es praiam em compasso largo de ironia. chegando a dizer que éramos. sem referir do mesm o passo a correção operada pelos podêres da união. "se diria". diz que "o Brasil está sentenciado n o sinédrio do chumbismo a que receba a lei da fabulosa filha de Ulisses" (Lisboa). Bergmans. tágulas docemástícas. e por isso mais frágil. a Damão. 454) a liberdade se manifestava na autodeterminação inidividual e na autodeterminação coletiv a.) afortunados os projetos de constituição do Brasil. não deve de passar pela cupulação. na verdade. seguia à risca a opinião certa vez expendida por Antônio Carlos. um grupo de nações dif erentes. inclusive o pronome oblíquo inicial: "me parece". ainda os superava no estilo. liberalismo e bairrismo se fundiam sinceramente.que def inia sempre conforme Montesquieu: "aquela tranqüilidade de espírito que goza o cidadão .31 Neste sentido. os conceitos caem na p ágina como algo visceral. qu e expõe corn entusiasmo na 4. (Tifis. saiu corn muito caput mortuum. Para dizer que os recolonizadores estão ativos. (31) Nisto. da cul tura e da unidade de visão. fornalhas e escangalhando tudo. O do Severiano. ss$ #quando. vem um que pôs em cacos cupelas. É que. Nele. metido no laboratório da assembléia. querendo-se que os povos o abracem.. co rn a orientação principal de João Severiano Maciel da Costa. Cada palavra é vivida. nascida da opinião que tem cada um da sua segurança". de medo que o bismuto vitriscível dos debates da assembléia constituinte não re duza às escórias os metais superiores e inferiores daquela mistura. e tanto o seu riso quanto a sua cólera. Superior aos panfletários do tempo pela convergência do caráter.. O dos A ndradas. que o "Brasil tem todas as proporções para formar um estado federativo". poderoso e expressivo na sua relativa desordem. red imindo o lugar comum." Carta de Pitia. deixou os Stahlios. VI. onde porfiava em reconhecer um conjunto de repúblicas vol untariamente associadas. do que os frades do compadre Mateus. vivificando os torneios sediços. . ainda não havia sofrido a primeira tritu ração.

e alimárias da terra. Caçoando dos que lamentam a perda do velho brasão português. pela evocação de um dos mais belos passos da Bíblia. a ironia se carrega de violência. isto é. não divino.vai a e xtremos de irreverência. andou por aq ui pregando aos índios e de si deixou um sinal. . 38 7-388). No entanto. O "pesão de Sumé". do que o escudo que caiu do céu em Roma. como se diz. a D. do senado muito leal e heróico" (Tifis. que é a pegada do seu pé. XVIII. os bispos devem par ticipar na vida política. O poder é de fonte popular e natural. dinheiros e chagas de Portugal. Noutros lugares. e nos dias presentes as luzes mostram que eles são justos quando oriundos da vontade coletiva. nem finalmente do que a auriflama.s padrinhos. . antigos e modernos. que. Os cônegos fazem mal ao pro piciar o absolutismo corn as referências à divindade do mando. 18. pois eles próprios só fizeram isto até agora. "is to nada tinha conosco." Completou-se o tempo prescrito para "sermos pisados aos pés e servi rmos de pasto às aves dos montes. só era de peso para os portugueses. que manda embaixadas por mar e em vasos de junco sobre as águas. misturada a arroubos poéticos e a um nacionalismo plástico anál ogo ao que os modernistas utilizarão cem anos mais tarde. nesse trecho movimentado onde o Brasil se transfigura. serve de pretexto a uma irreverência que bordeja a incredulid ade. na Antropofagia. Se houvesse obrigação de trazer por armas alguma coisa sagrada ou sobrenatural." Estamos na ocasião de levarmo s os nossos presentes ao Senhor dos exércitos. A nossa terra é aquela de qu e fala o profeta Isaías. podemos escolher as armas que bem quisermos. orientando e esclarecendo. que desa 256 #pareceu depois que os reis da França usaram dela contra os Cristãos" (9. como ao atacar o farisaísmo polític o do Cabido de Olinda. depois de outros mais antigos." Não temos coisa alguma corn castelos . além dos rios da Etiópia".a Carta. e a sua conversão recen te ao liberalismo é suspeita. "Quando. no tempo de Numa Pompílio. o Padre Antônio Pereira de Figueiredo cons eguiu estabelecer a existência deste fato portentoso". ou no V e rde-amarelismo. em uma pedra do rio Jaboatão. Deus sancio na os governos independente da sua origem. Afonso Henriques. cap. "Assim é que devia de obrar o s .as chagas manifestadas na batalha de Ourique. o meu voto era que em campo vermelho tivéssem os um pé humano branco em memória do apóstolo S. nós s omos "aquele povo sensível. nem têm o direito de censurar nos párocos a abstenç ão política. como nos conta a crônica dos franciscanos. e eu fosse consultado sobre este objeto. terra "címbalo de asas. 539). dado o espírito cor n que é invocado aqui. Tome. dos Franceses. c o mo têm feito todos os povos da terra. (o milagre de Ourique). que nos leva a pensar imediatamente em Macunaíma. do que as flores de li s que caíram do céu. Este fato não é menos verdadeiro do que a aparição de Cristo no campo de Ourique.

que torna desgraçado o homem que lhe abriu entrada em sua alma" (Tifis. nem pela oração sai do corcunda.) os membros (da) junta.anto cabido de Olinda. intransigente e . do que o demônio mudo do Evangelho. a intriga e a calúnia correndo corn a rapidez do raio. injuriados às portas mesmo do cabido . Este ainda se rendia ao jejum e oração. 605). muito antes de setembro passado viu o santo cabido os inimigos da o rdem (. Ferreira Barreto. a fugir de gatinhas pelas ruas da Bahia. e o cabido? Caladinho. Àquele tempo. e o leite aos cord eiros!" (2. os cidadãos probos caluniados. sem rigor excessivo na averiguação dos fatos. é uma fúria. Viu o cabido a guerra civil abrir a lice.. trementes.. e o cabido? Caladinhoü! Oh! sempre infeliz rebanho! Desgraçadas ovelhas. vendido à corte. nem se decidia pelo Rio de Janeiro.) caluniarem (. Hipóli to. e que fez o cabido? Ficou caladinho. Os demagogos dos sediciosos. corn dizer que ela nem seguia Portugal. avultaria o estilo panfletário. 257 #e esperando a cada momento pelo seu degoladouro sobre os altares do interesse e da ambição. o marquês de Barbacena. no Brasil. Não poderíamos escolher disso exemplo melhor que o desse frade eminente. "O demôni o do corcundismo é de todos os espíritos das trevas o mais maligno e prejudicial aos filhos da razão e da lei. 601). XXVI. "moleque rabudo". As longas citações tentaram mostrá-lo na força da sua inteligência empenhada nas lutas soc iais. a guerra civil rota. 302-303) Ainda mais violentos são os ataques que lhe merecem os absolutistas e recolonizado res. culminando em ataques desta ordem: "Embora o degenerado baian o José da Silva Lisboa achincalhe as nossas profecias no seu nojento Rebate Brasil eiro. Viu os povos divididos entre o erro e a verdade. os corcundas. Não espanta pois que os partidários do outro lado recebam da sua pena os mais duros castigos: Muniz Tavares. o do corcundismo nem pelo jejum. a quem estes guardas estranhos mu gem duas vezes por hora. abria-se uma fase que ia durar mais de um quarto de século. quanto sabe agora das desta. mas que fez o Cabido? Nada. esgrimem as mesmas armas da calúnia contra a provisória atual. e apossando-se dos corações é mais tenaz e difícil de ser ex pelido...intenções daquela junta. mernbros d o legítimo e cidadãos de todas as classes presos. procurase corn toda energia o seu baque. que não pôde deixar o possesso pela eficácia dos Apóstolos. por quererem fundar uma República. levando os esta ndartes da revolta até o mais interior do bispado. não são os ladrados desse rabujento sabujo que destroem as nossas predições" (Tif is. onde a literatura pública seria dominante e. levantou-se um governo intruso. derrama-se o sangue precioso do irmão pe la mão do mesmo irmão. de quem traça um retrato satírico. sobre os quais tem várias páginas de pitoresco e violência. que ainda não tinham consumado seus planos. urdem nov as perturbações. XXVII. como convinha ao gênero. co nster nados. e o cabido? Caladinho. e só sabem extrair a substância ao gado.a Carta. nela. Foi a junta abaixo por esta ímproba facção. corn efeito. o cabido sabia tanto das verdadeiras . vacilantes sem saberem que estr ada seguir. e o cabido? Caladinho.

a prudência corn o desassombro. Evaristo da Vei ga pertence à segunda categoria: foi um herói das virtudes medianas. A aplic ação correta da constituição era a ordem." É preciso corn efeito afasta r dele a imputação de mediocridade: o seu equilibrado imeditatismo foi virtud e. e na monarqui a se encontrava corn todo o prestígio capaz de conservar inteiro o império americano . nem outro meio de instituir a pauta da razão em face dos movimentos irregulares da sociedade em mudança. curso livre aos energúmenos e aventureiros. Não via outra bús ola para a nação recém-criada. de cultura larga e variada. Sobretudo porque teve a rara capacidade de conciliar o equilíbrio corn a energia. um republicano paralisado pelo reconhecimento desta necessidade básica dum momento de crise. desde os necrológios contemporâneos. a expressão da sua crença na necessidade do "pacto social". germinada no Seminário de Olinda. (32) A sua atitude pode ser caracterizada pela expressão corn que desc e à arena da polêmica. um dos quais sintetiza deste modo a sua atitude política: "Seu amor à constituição e à monarquia era filho da su a convicção.sincero. poder orientar a opinião num período de q u ase república. a sua oportunidade. Há certos homens cuja força vem da singularidade. de paixão das luzes. no fundo. como foi o regencial. Invocam-na todos os q ue escreveram sobre ele. traduzindo-se pela famosa moderação."3" No apego à constituição foi realmente admirável: é o fundamento da sua atividade e das sua s convicções. e ninguém ju sti258 #fica melhor o dito de Leopardi. ele conhecia que no Brasil era mister liberdade moderada e na co nstituição do Estado se achava ela garantida. que não trepidou em derrubar o monarca no momento em que este pôs em pe rigo o funcionamento do governo representativo. na A cademia do Paraíso. em que a maioria se vê espelhada. aceitando o repto de um pasquim: "O Verdadeiro Patriota no . se destacam po r encarnarem as qualidades médias. O seu drama foi ser . e continuou não obstante apegad o ao princípio da monarquia. por omissão. justamente por não ter aparência alguma de heroísmo. outros. ao contrário. no Areópago de Itambé. bem pernambu cana. que adotou por princípio tático e se tornou palavra de ordem do movimento subseqüente ao Sete de Abril. e a presença de um sober ano hereditário lhe parecia favorecê-los: Evaristo aceitou pois a dinastia de B ragança. que era também mister força. que coroa a admirável linha.32 nele a vontade predominava sobre a sensibilidade e a intel igência. segundo o qual "a paciência é a mais heróica das virt udes. para conciliar a liberdade corn as exigências da ordem. e constitui uma das manifestações mais altas da Ilustração no Brasil. a unidade. como a um recurso de garantia constitucional. Evaristo da Veiga f. o progresso. num tempo de paixões desencontradas. Daí ser um monarqui sta de cabeça. quando os homens ponderados se metem nas e ncolhas e deixam.

corn a energia. transcrito em Coleção das di versas peças relativas à morte do ilustre brasileiro Evaristo Ferreira da Veiga. Nem outra coisa ressalta do artigo importante em que define o seu ponto de vista. ou melh r corn receio do que pode sobrevir. não recusaremos por ago ra o duelo. Nas citações de Evaristo. e só serve de excitar desconfianças. (33) N. 1199). que em política se deve lançar mão de todos os meios para s ustentar a causa de um partido. levaria o apego à ordem ao ponto de tornar-se um meticuloso reacio nário. monarquista por senso de dever. e abre entrada a todas as paixões ferozes e d estruidoras. da razão soberana preconizada pela Ilustração. Acred itar que a verdadeira moderação exclui a força (note-se que dizemos a verdadeira mode ração. da reflexão e de cálculos sisudos. Aí se encontra a sua filosofia da moderação.s chama a terreiro. ele é assim incompatível corn a permanência de qualquer forma de governo. que tinha tanta energia quanto e le. mais talento e menos pureza de caráter e convicções. AF é a sigla de Aurora Fl uminense. pàg. e quando se opera nos costumes e nas instituições uma re volução cujo complemento só pode ser obra do tempo. 287. que parece ter t . os segundos. não podemos dizer que. refugi ando-se no pedantismo arqueológico das traduções de Homero e Vergílio. considerar que a sua moderação é menos traço de temperamento (isto parente da tibieza) do que concepção de estratégia política. portanto. 259 #Pelo que vislumbramos do seu desacordo final corn Feijó. na atividade política. etc . e de que vale a pena reproduzir um trecho longo. como o estanho da prata ou a máscara do semblante) acre ditar que a verdadeira moderação exclui a força é supor que o estado repousado da alma. estão persuadidos de que a moderação é um indí io de fraqueza. mas indispensável para compreendê-lo: "Confundem alguns a violência. que consiste em nada querer emendar. ela explica a predileção pelos girondinos. e o leva a abater-se do espírito. e que desonram mil vezes a mais bela das causas. 1837. a da liberdade. d ilacerado ao ponto de retirar-se cornpletamente da política e mesmo do país. se tivesse vivido. o furor. de precipitar os homens em excessos c ondenáveis. Nada há de mais perigoso do que semelhante doutrina. linha estratégica num momento de crise. é para o homem um estado infeliz. em que se pode usar da inteligência sem perturbação. e que convém sair fora dos princípios para os fazer triunfar. o que julgamos muito absurdo para ser defendido seriamente" (AF. S. a perder os sentidos nobres e generosos: n esse caso a insânia seria preferível ao bom-senso. pois também há uma moderação hipócrita." AF. É necessário. à maneira de Bernardo Pereira de Vasconcelos. O seu destino seria talvez pa recido ao de Odorico Mendes. 418. porém esta falsa moderação é tão fácil de distinguir-se da outra. "Necrologia". Hi storicamente. O e xaltamento faz perder o lume da razão. e apesar de não termos fumos de valentão. n"O Jornal do Comércio.. 1763). pre sença verdadeira. referindo-se os primeiros algarismos ao número do jornal. etc. republicano íntimo. à p agina. 15. especialmente nos t empos de mudanças políticas.

e incutir terror nos homens pacíficos e moderados.° 42 completa o quadro. que procuravam desmoralizar o regime representativo e não tinham confiança no povo como fator de progresso social e político. ou a apologia destes no número 355. VT-íx-nst-teNetitio e ccrcueTiXítfieko corn ap eço um artigo do Farol Maranhense. dispos tos a modificar a própria estrutura social. que a publicidade abra a porta dos Conselhos nacionais. são mais p erigosos do que os absolutistas. No n. são uma espécie de talismã mágico corn que os Governos sabem a propósito fazer calar a o pinião pública. 59. são sempre girondinos. capaz de estabelecer o verdadeiro regime constitucional no Brasil. O essencial para ele era o advento da liberdade política. Simètricamente. 261 #Leis derivadas de uma sorte de consenso comum. E contudo as Revoluções são sempre filhas dos erros do Governo" (AF. O que pretende ela? Que gozemos melhor dos nossos direitos. os anticonstitucionais. que aceitam teoricamente os princípios liberais. çs&â^. como explica n o importante artigo já citado: "A Liberdade. através do "poder invisív el da opinião". Revolucionário. regidas por (34) Ve\a-se ^at ". mas acham meio de combatê-los na prática. diz bem. "2í5ü. E a v erdade é que se Evaristo condena os "demagogos". Estes.3"1 Como ele. agrada a quase todos os homens. nas crises. se estendia a ampl a franja de virulentos reacionários. que as sociedades sej am felizes e estáveis. "país talhado de molde para as reformas. e para as boas instituições". de que saíram os caramurus restauradores. Num excelente artigo do n. deslizam insenslvelmente para o centro à med ida que o processo político suscita à sua esquerda elementos mais avançados. compara os nossos liberais aos girondiuos. mediante a qual se poder ia realizar o comportamento humano baseado nos postulados da razão. onde não pod eriam avultar os democratas e republicanos sinceros. desmascara "os impostores. as suas mais fortes baterias se v o ltam contra os reacionários. embora sincera mente partidários de reformas radicais. os que.° 32 da Aurora. 76. Nem o assusta a pecha de radical ou subversivo.tjex&^a K5. e cujo predomínio teria acarr e tado porventura o esfacelamento do país.omado expressamente por modelos e cujo padrão fez predominar na primeira fase 260 #da Regência. 241). enquanto. por não estarmos ainda maduros. aplicada aos que procuram o prog resso para deste modo incompatibilizá-los. que debaixo do emprestado nom e de defensores do trono e do altar só defendem privados e miseráveis interesses" (A F. que a razão tenha todo o necessário desenvolvimento. e dê a co nhecer ao Povo o como se tratam os seus interesses: que a Autoridade receba de c . revestida das suas próprias cores. mas que esta se deve processar pela participação de todos. alegando inoportunidade e perigo das inovações. se lembr armos que à sua esquerda juntaram-se grupos de duvidoso aventureirismo. 313). "As palavras Revolução. mostrando que a boa organização política marcha lentamente e só poderá realizar-se se os cidadãos se compenetrarem de que não há uma casta investida da atividade políti ca. Não o podemos todavia censurar. à sua direita. ataca os falsos constitucionais.

Daí certa impressão. e imaginarmos a pena como algo orgânico ao escritor. . Necessário à vida. mas pálido. sem perder a clareza e o fio. que comenta e freqüentemente analisa à luz dos seus princípios. e quando o ardor da argumentação o empolga chega a ser muito extenso. seja formulando-as. como Frei Caneca. mormente os Estados Unidos. criticando as tendências cesaristas de Bolív ar. ele e os contemporâneos. de honrado caudatário intelectual. Manifesta simpatia pelas repúblicas do continente. seja dando um toque pessoal às scavam. nem um apaixonado. seja de jornais liberais do Brasil. mais do que eles. O seu período tende à largueza. foi. sem a qual não tem significado prático o amor da liberdade: confiança no povo. Não esquecia as mulheres. Nota-se bem a sua vocação específica de jornalista na despreocupação em expor as idéias que o norteiam. que nos fic aconteci influência n mais a fundo que bu a. abandonando poucas vezes o torn de serenidade. Todavia. . como Hipólito. carecendo apenas de "um a cultura mais apurada e maior sociabilidade" (AF. em c omparação a ambos. que combate a cada passo. de cujo progresso intelectual foi paladino. vendo n a s brasileiras "excelentes disposições para as belas-letras". falta-lhe. Junius. nas fontes. pregando a igualdade das oportunidades. O Farol Paulistano. e juízos sobre o que pertence à conveniência e provei to de todos. Ganilh. Rouüly. Daí a a opinião e o papel de mentor que desde logo assumiu. no segundo. sobrepujando as manobras da cúp ula. que o de Hipólito da Costa é um estilo encéf alo." (AF. atacando o militarismo e a cortesanice. No primeiro caso. jornalista no sentido moderno. direm os. fazendo par te do seu corpo e prolongando no contacto corn a página o ritmo da sua vida. Daunou. obje tivo e simples.seja de jornais e sobretudo publicistas estrangeiros: Benjamim Co nstant. 287. à maneira simbólica de Roland Barthes. os artigos de fundo são em boa parte transcrições. Como escritor é fácil e correto. . oferecia honestamente as fo ntes em que hauria as idéias. assinalava a fraternidade de pensamento. 120O). desprezando a riqueza e o lux o. o de Frei Caneca um estilo sangue. como era comum no tempo. Não é um pensador. Nos números da Aurora Fluminense deb alde procuraremos um ensaio: a sua produção é de artigos e notas. mostrando o artificialismo ridículo dos títu los do Império. 1326). odiando os privilégios.ada c idadão o tributo das suas reflexões. Nem lhe faltava a convicção básica.como O Cronista. que entrevia cada vez mais esclarecido pela inst rução e a imprensa. evocando idéias de serenidade e mediania. Jouy. cortado de subordinadas. 316. O Fa rol Maranhense. energia de sentimento e energia de pensamento. ligados aos mentos. Se retormarmos a imagem pro262 #posta mais alto. Destutt de Tracy. utilizando conscientemente o voto. Evaristo prezava as formas da austeridade republicana. No amor por ela. o de Evaristo um estilo linfa.

triunfam nesta idade. As quatro estrofes aba ixo citadas são de perfeita beleza. criada corn o leite das novas doutrinas. (AF. se cultivar. por isso que nos há de fazer melhores" (AF.não cansa de lembrar. "Recomendamos aos bons brasileiros a leitura de uns versos. Saud ou corn entusiasmo os rapazes que realizariam a Niterói pouco antes da sua morte. e pintam sentimentos de uma alma livre e patriota. F oi ele. (José Teodomiro Santos) ao aniversário do juramento da nos sa Constituição. e os seus corações livres de seduções. ao fundarem a literatura dos nov os tempos. e em meio às preocupações dominantes da política encontrava oportunidade para comentar na Aurora u ma peça ou um poema. que nos deve tomar mais felizes. O Brasil tem posto na sua Mocidad e as suas mais caras esperanças: é deles que aguarda essa revolução moral . que promete muito. ultimament e p ublicados. não primando pelo discernimento nos juízos. inclusive da literatura renovada.À história da literatura. Em 1832 deu o apoio do seu jornal às Poesias de Magalhães. corn a leitura dos modelos do gosto. 1334). 318. que viveu e contribuiu para divulgar. de J. o aperfeiçoamento intelectual. que a moral dos interesses não corrompeu a inda. um dos primeiros a proclamar a importância da juventude e as suas responsabilidades na construção da pátria.. Férreo grilhão. emoção nova e avassalador a que se propunha então como um dos esteios da arte. e têm grande propensã . Aos moços estavam cometidas gra ndes tarefas. contribuindo para definir uma das cons tantes do nacionalismo literário. o talento que lhe deu a natureza: os seus versos são cheios de fogo. augurando grandes feitos na literatura. . já havia traçado no ano anterior o papel que lhe cabia: "Idéias elevadas. Ah! não sofreram Como os adultos Árduos insultos. "É na juventude. O céu defenda . Não mais regresse Para o Brasil. É a musa nascente. corn ele. de S. os espíritos generosos e confiantes repetiriam corn os melhores augúrios: "os Brasileiros são comumente dotados de muito talento. mas nutridos de patriotismo. corn efeito. os abedais da instrução. que os esperam. que havemos p osto as nossas melhores esperanças. . T. seus discípulos sob este aspecto. Evaristo interessa principalmente devido ao tema da mocida de.como a que logo chamariam a si Magalhães e companheiros. Da antiga peste Filhos que deste 263 #: À luz já livres Do julgo vil. de que o Romantismo foi a expressão por excelência. e muito tocantes: Os teus filhinhos Recém-nascidos Dias floridos Já desde o berço Gozando estão. 147 . filhas da Filosofi a do Século. c usteando pelo menos em parte os estudos de dois deles na Europa: Porto Alegre e Torres Homem. Noticiando o aumento na freqüência dos cursos jurídicos em São Paulo. Desej ava uma literatura patriótica e um teatro nacional. 30) Versos tão maus quanto os dele. só anelam o bem da Pátria. de autor jovem. e ela vai perfeitamente correspondendo à expectação do Brasil" (AF. 607). Tão mau contágio Que ao Orço desce.

Lembrando que o Brasil começa nesse momento a existir como país. Conselheiro J. capaz de abrir novos . fundando uma s ociedade de cultura . excelente jornalista e péssimo poeta. Não se enganaram os jovens. ciências e artes como florão da pátria.o para tudo o que requer imaginação viva e feliz fantasia. 287. o povo e eu. (Porto Alegre) "o homem probo" (Magalhães). apr esenta certos indícios de renovação. corn a sua força inspiradora. 175-176. 120O). INDEPENDÊNCIA LITERÁRIA 5.35 Nesse livreiro gordo e honrado. 45. mais ou menos entre 1810 e 1835) podem dividir-se em duas famílias: uma. Pereira da Silva. Porto Alegre e Gonçalves Dias . em modulações Poéticas. reputava a própria atividade. O "VAGO N"ALMA" 4.reun indo sem 264 #critério estético os homem marcados pelo mesmo desejo de renovar intelectualmente a pátria. resta apenas desenvolver estas qualidades" (AF. qu e o admiravam arrebatadamente e nele saudaram não apenas "o puro". ao lado de Odorico. valendo ainda aqui a observação de que os maus poetas são freqüentemente bon s oradores e publicistas. #Capítulo VIII RESQUÍCIOS E PRENÜNCIOS 1. vínhamos da infância. etc. concentrado afinal em to rno da Independência. Seria ele. nenhum supera a mediania e quase todos são da maior me diocridade. se encarnou o movimento da juventude renovadora. II. M. um dos ornamentos literários da nossa pátria"). de que trataremos depois. Pregando a missão da mocidade. corn todos os arrebatamentos da juventude" (Braz Cubas). págs. O LIMBO #1. sentindo-se. que era preciso cultivar. Magalhães. protegendo os jovens estudiosos. levando a concentrar-se nas atividades de cunho pragmáti co uma inteligência ainda pouco numerosa para atender a muitos apelos. continua pur a e simplesmente a orientação dos neoclássicos decadentes e sob este aspecto não passa de episódio da rotinização já analisada. "Bosquejo da historia da poesia brasilei ra". a outra.Evaristo estabelece involuntariamente um vínculo sutil entre a sua atividade e a renovação literária que se anunciava. POESIA A REBOQUE 2. FRÉ-ROMANTISMO FRANCO-BRASILEIRO 3. POESIA A REBOQUE As obras puramente literárias da fase correspondente à atividade dos publicistas que acabamos de estudar (isto é. a "nova geração" formada na menoridade de D. que. c omo contribuição à sua grandeza. inclusive literária. modelo de virtudes públicas e privadas. (35) Joaquim Norberto de Sousa e Silva. Norberto o situa no limiar da "reforma da poesia". vol. Memórias do meu tempo. José Maria do Amaral. objeto do presente parágrafo. ("moço de extraordinários talentos. Dos escritores que a compõem. pág. considerando as letras. mas um dos primeiros representantes do sentimento na cional na literatura. Pedro II. responsável perante el "Éramos dois rapazes. Pereira da Silra. O sentimento dominante nesses homens foi o patriotismo. perceberemos que tal estado de coisas é talvez até certo ponto conseqüência da pouca divisão do trabalho. olhos postos no destino da pátria. na "nova escola". moça corn o país moço.

no soneto . na epístola. quase nunca percebemos toques pessoais. 269 #. portanto. Por essa a ltura. Natividade Saldanha. Pesa igualmente um terceiro motivo: o patriotismo desse período era extensão do civi smo setecentista. no período que nos ocupa. arraigado na Ilustração. a falta de poeta realmente superior. É natural. Não se perc be (excluído Magalhães) qualquer influência dos patrícios mais velhos . ao que o passado imediato apresentava de mais rigidament e característico. Graças a essa falta de personalidade. . foi. que afinal valem por contribuição. preocupação ce ntral. molde acabado e cômodo. Naquele tempo. Daí lhes veio corn certeza o gosto pela ode pindárica e a metamorfose . Domingos Martins. abafando porventura certos germens de novo lirismo. tendia para formas clássicas. o "votário da Liberdade" se abrasava no culto da Razão. exprimia-se pela retórica cívico-literária de inspiração latina. a Enciclopédia e ia "recita ndo pelas lojas maçônicas odes abomináveis ao Supremo Arquiteto do Universo.formas acessíveis pela extrema rotinização. co mo Gonçalves de Magalhães e Porto Alegre. de Garção.caminhos à expressão? Nessa fase. d as Luzes. tributário da Revolução Francesa e da idealizaçã etrospectiva de Roma. da rotina neoclássica. É interessante notar o acentuado pendor que mostram pela obra de Antônio Diniz da Cr uz e Silva. e da convenção literária. Alves Branco. Afonso da Maia lia Rousseau. vinculam-se integralmente ao passado. promoverem uma transformação de grande impo rtância. que a obra deles vá duplamente a reboque: da política. Diniz e Bocage. na sua obra.1 São tributários estritos. que hoje entrevemos na obr a de Silva Alvarenga ou Borges de Barros. Elói Ottoni e Sousa Caldas. acomodando-se perfeitamente na tradição arcádica. é verdade. ou melhor. embora trouxesse potencialmente muito do que seria mais tarde a dinãomica d o nacionalismo romântico. corn a sua obs essão de Brutos e Catões. Pesa mais o segundo motivo: o patriotismo pertencia a um tipo de sentimentos cuj a expressão já vinha consagrada e por assim dizer fixada na ode. no canto. fator de preservação neoclássica.H Assim. prefigurava a s ociedade regenerada segundo padrões elaborados no século anterior. pelo contrário. Causa não suficiente. como vim os em José Bonifácio." Não seriam piores que o poemas de Frei Caneca. da Virtude. Volney. reforçando a tradição e di spensando a pesquisa estética. q ue encerra em 1832 esse patriotismo retórico. um "sentir novo" a requerer "verso antigo". Evaristo da Veiga. vemo-lo amoldar-se a caminhos já tril hados. sendo. Por que motivos? Em primeiro lugar. vez por oxitra pressentimos a le itura de Cláudio. pois no período seguinte veremos poetas de segunda ordem. Odorico Mendes e o Gonçalves de Magalhães das Poesias. editados ao tempo em que muitos deles poetavam. cuja variedade de experiências era na verdade um compêndio poético aberto ao neófito. Helvetius. sem dis crepância ou personalismo. de menos compatível corn desenvolvimentos ulteriores. capaz de inovar.

Natividade Saldanha Natívidade Saldanha pode ser considerado paradigma de aluno literário. Poesias Sacras e Profanas. enquad rando de maneira que desejou ciclópica uma visão da história local através de Glauco. animal ou planta. num esforço ao mesmo tempo ridículo e comovedor. Merece nota a predileção demonstrada por esta. A sua o bra . 1825. Que ao céu corn mão soberba arremessara A flamígera Lemnos. Mencione-se ainda que Niterói é representado sob aspecto de índio.a que não faltam qualidades de elegância e por vezes energia . tra z ninfas. nessa hora em que ela ia deixar para sempre a supremacia p oética. Filiando o Brasil a um episódio da luta entre os Gigantes e os Deuses (Mimas. Nos braços maternais. coincidente corn a libertação nacional . emprestada por Cláudio Manuel. satúrnea prole. segundo o modelo de Diniz. ao Ttamonte e ao ribeirão do Carmo. seu pai.a natu reza do país viva e animada pelas entidades míticas. davam-lhe (1) 1819. forjadas na imaginação milenar do O cidente. salpicando De seu cérebro o Ossa.. #genealogia.constitui . Poesias Avulsas de Américo Elislo e Poesias Oferecidas às Senhoras Brasile iras por um Baiano. na Fábula. o Olimpo. Nunca se vira no Brasil tanto de sperdício de mitologia. de Sousa Cald as. onde Januário da Cunha Barbosa. Januário da Cunha Barbosa Pela via da metamorfose. monstros. para formar a Guanabara e suas montanhas. divindade marinha que tinha o dom da profecia. baseada invariavelmente na transfor mação de um ser humano em acidente da natureza. completando nesse apagar de velas a tarefa dos predecessores. nascido apenas. Tingiu de sangue as águas. filh o de Urano e da Terra. Assunção. simbolizando o refe rido desejo de inserir a nossa realidade na tradição para dignificá-la literàriamente: Cinge a fronte ao robusto. graças ao encontro da tradição clássica corn te dências indianistas embrionárias. Foi como se quises sem ver . 270 4*. gigante enorme. .. Similha o cobre lúcido. Januário continuava a tra dição de Cláudio e consagrava uma linha até hoje viva de representação hiperbólica da nossa realidade natural. incorporavam-no ao universo da mitologia greco-romana. como se desejassem sentir nela a mesma realidade significativa e estuan te. de São Carlos.nesse fim de Classicismo. ornado de ametista". aplicado na cóp ia fascinada e meticulosa dos modelos fornecidos pela grande geração arcádica. semideuses. definindo o "gigante pela própria natureza" do Hino. Ferido pelo ferro corn que Marte Vingo u de Jove a injúria em morte acerba. Quando Mimas. ocorreu em alguns deles verd adeira emergência de patriotismo literário. arra ncada Dos mares no furor de guerra ímpia.II 271 í% #Nas faces brilha moeidade imberbe. dentro do molde clássico mais estri to. É por exemplo o caso do péssimo poema Niterói . porque o sol as cresta. polido. Jazia Niterói. E a cor que as tinge. participou do famoso drama mítico). Cocar plumoso. E stilizando em alegoria o quadro natural do país. 1821-1822. o Otrís. altivo jovem.

quando se encaixa na forma poética verdadeiramente adequada. metamorfoses. dias penosos. d os quais tomou não apenas sugestões no modo heróico. morreu de amores. de rigoroso preceito. Onde encontram prazer os desditosos. Nas suas odes. E e m cuja escuridão medonha e feia Mágoa inspira do mocho o triste canto. Neste medonho abrigo sepultado. do suspiro. Que ouvis os meus lamentos dolorosos. habitação escura. que vence a moda e. pastores. Tu avessa ao prazer. Em feia cova. Não me negueis amiga sepultura. que delira. de angústia e desventura. Para a posteridade. inclusive a exclusão da mesa comum nas hospedarias norte-americanas. sempre pronto a mover-se c orn as sugestões da noite. (XVIII) A reflexão histórica nos leva a reputar sediços esta "luz febéia". Sobre a campa se leia: "Aqui. Então. para morrer cinco anos depois em Caracas. que amor anseia E a quem mágoa é prazer. M orreu de ingratidão. Meu dias findarão . O primida. De um triste. sentire mos no lugar comum certos traços de permanente encanto.porventura o conjunto mais ortodoxamente arcádico da nossa literatura. porventura o sen m elhor soneto: Noite. c corn ternura Recolhe os ais de uma alma. Recebe os ais de um triste. mas se suspendermos por um momento a sua força limitadora. Conso la um infeliz. Garção. pastor desventurado. mas na falsa graça anacreônt ica e na ternura pastoral de sonetos como este: Saudoso bosque. Josino está. o que é mais banal fica mais poético. à maneira dos sonoros e inflexíveis parna sianos que ainda hoje nos afligem. Negros ciprestes. rústica espessura. princi palmente quando se trata de peças tão realizadas como a seguinte. pesar encanto. corn a orto doxia dos momentos de decadência ou retardo. esta fixação nos faz t er menos indiferença pela familiaridade convencional corn que ela aparece. Natívidade Saldanha ficou todavia como autor patriótico das quat ro odes pindáricas sobre os heróis da Restauração pernambucana. contanto que pe rcam o sentido de experiência imediata para ganharem a transcendência conferida pela arte . funciona corn uma frescura de descoberta. do amor infeliz. cujo manto Rouba aos olhos mortais a luz febéia. montes escabrosos. cantatas. um tema const ante é a obsessão corn a morte. sen timos a cada passo o leitor de Cláudio. porque o geral é que melhor recebe as necessidades do nosso restrito particular. Serei corn m inha morte aforttinado. compassiva morte. quando lá andou exilado e de lá saiu tangido pelo preconceito. Bafejados da baca desventura. esta "escuridão medonha e feia". 272 #em cuja sociedade tolerante se acomodara melhor. que suspira. expira. esse pobre mocho fatigado por alguns séculos de ininterrupta indiscrição dos poetas. idílios." (XXXIV) Esta melancolia não parece apenas retórica: a vida trouxe várias humilhações ao filho natu ral do vigário Saldanha Marinho corn a parda Lourença da Cruz. sócia do pranto Que rompe do mortal a frágil teia. sonetos. que embrenhado na espessur a Suspirando saudoso arqucja. o seguidor fanático de Bocage e Diniz. Vem. verdadeiros pastiches da s que escreveu sobre as grandes figuras da história portuguesa o seu querido Di . Tendo por sócios machos carpidores. Nos seus versos. noite sombria. do pranto. considerada única certeza do homem.

51. mas que ainda assim co nstituiriam documentos significativos da Ilustração no Brasil. via nas tra dições indígenas da América a manifestação do espírito de liberdade. inclusive Alves Branco). tragédia em verso. e integra. pe ssoais e poéticos. "O maço n. Mais do que esses exercícios na forma poética que seria a mais desagradàvelmente conve ncional do tempo se não existisse o pavoroso ditírambo (e a que recorreram outros pa triotas. poema épico da Restauração Pernambucana. mas inteiramente estranhas à política. recorrendo-se a ela simplesmente por ser a forma estabelecida de exprimir as opiniões e marcar os momentos mais significativos da vida. 274 #Evarísto da Veiga Excluído Saldanha. a do bandeirismo corn relação ao bairr ismo político-econômico dos paulistas. onde permanece. mesmo. que a Polícia francesa considerou perigosamente subversiva e onde. Talvez pudéssemos. pág."2 (2) Relatório da Polícia de Calais.niz.° 2 contém a esias onde brilha um talento verdadeiro. Refiro-me principa lmente às recordações de infância. em Alberto Rangel. a A lpa. na linha do soneto de Basílio da Gama a Tupac Amara. o exaltado localismo manifestado no movimento intelectual e político. Poesia de ci . a " Elegia aos seus amigos comprometidos na revolução de 1824". Textos e Pretextos. que se vinha exprimindo literàriamente desde as Academias. chamá-las de apêndices. Como na expulsão dos flamengos estava envolvida a idéia de libertação do país. à Joaneida. bem como o esboço de uma tragédia sobre Atahualpa. às quais s e associou sempre a dos mulatos. nas suas muitas viagens. de q ue as sociedades do "complexo de Itambé" foram as células e as rebeliões de 1817 e 1824 a expressão máxima. dos manuscritos políticos. Descrevendo a catást rofe que precipitou do Trono o último soberano do Peru. Estes poemas duros e entusiásticos se incluem num ciclo de patriotismo pernambucan o. na maioria inacabados ou apenas esboçados. Francisco Rebelo. vamos encontrar versejadores em que a poesia aparece como autom atismo e mau hábito. a "Ode à morte de Napoleão Bonaparte". naquele m omento. em nossos dias. preferimos hoje a poesia propriamente política de Saldanha: alguns sonetos de resistência. a nota de doçura e tristeza dos sonetos transcritos mais alto. A evocação da guerra holandesa desempenhou então papel ideológico arecido ao que desempenharia. Saldanha. foi de ce rta forma o bardo desse patriotismo local. sem pusilanimidade. p ara compor o sentimento dominante dos ilustrados de então. pois havendo este cantado João Fe rnandes Vieira. a liberdade vem muito a propósito se unir na pena dos escritores ao amor da pátria. É realmente lamentável a perda. Henrique Dias e Antônio Felipe Camarão. o nosso poeta dispôs-se a corn#pletar corn os brasileiros natos a série dos chefes que pelejaram na mesma empres a: André Vidal de Negreiros. de que Frei Caneca era o principal teór ico. republicano. o autor invoca visivelment e sobre os Europeus estabelecidos na América a vingança das Castas indígenas. secretário do governo de Manuel de Carvalho Pais de Andrade na Confederação do Equador.

No solo d"oir o prenhe se recata Tosca. Por meio dele. (em estrofes metastasianas. os seus últimos poemas são de outubro e o primeiro número da Aurora Fluminense de 21 de dezembro de 1827. o naturalismo. . então. mal saídos do co nfinamento colonial.rcunstância. que (atente-se bem) abandonou as musas quando passou ao jornali smo e nele encontrou veículo consentâneo às suas necessidades de expressão. certo de estar poetando. a necessidade da indep endência como chave desse processo. Nele se compendiam algumas posições da nossa Época das Luzes: a confiança na grandeza do país. à medida que as tendência literárias se ossificam. (sobretudo a amizade). que contemplávamos deslumbrados "junto dos mares". metrificador ten az desde os treze anos. ou alvar engueanas. mas sublime a. Lê-los é experimentar a que ponto vai a força anuladora da rotina. mesmo em homens de talento. I gnora de todo o que havia de mais poético nas tendências literárias do tempo: o pendor meditativo. de dezenas de odes e sonetos exaltadamente patrióticos: Minha Pátria. dum esforço para transfundir nas nossas veias a virtude mágica daqueles "d ons". E aos lares teus a liberdade chama: Não. Das tuas serranias na aspereza. que do terreno material se refletiria no da cultura. alguma coisa do que o século XIX terá de mui . não tens que invejar maior ventura.sem ter n"alma qualquer vislumbre de poesia. do "mandrião Patusca". sobretud o a noção de que o nosso futuro dependia duma incorporação da tradição européia ao ritmo do vo mundo. . comemorativa em alto grau. Os dois irmãos sem par na redondeza. oh Brasil! tua grandeza Por léguas mil imensa se dilata 275 #Do Amazonas caudoso ao rico Prata. canta a pátria. o vers o passa a mero exercício. PRÉ-ROMANTISMO FRANCO-BRASILEIRO O parágrafo anterior descreve um estado de coisas que ainda é de certo modo prolonga mento do século XVIII. É difícil encontrar maior coleção de versos razoavelmente metrificados tão fora da poesia. corn efeito. a melancolia. dando lugar a verdadeiros equívocos. de que podemos tomar como exemplo represen tativo os duzentos e sessenta e três poemas de Evaristo da Veiga. celebra os sentimentos nobres. Ninguém ilustra melhor a hipótese de que os sentimentos cívicos contribuíam. A turbar a dulcíssima alegria De inocentes prazere s. cumprimenta os amigos. Que das artes. e como.à qual dedica aliás umas "Estâncias" que poderiam dar-se como paradigma do filistinismo. em confront o corn os sentimentos de um Natividade Saldanha ou um Borges de Barros: Da fusca região do escuro Averno. faz pilhérias. e Indústria os frutos ama: De teus filhos o amor mil bens te augura. nela encontrando forma adequada: Evaristo é o autor da le tra do nosso primeiro hino nacional. Natureza: Da antiga Europa os dons em ti derrama Junto dos mares a civil cultura. * 276 #2. Este procura analisar uma situação que lhe é cronologicamente par alela mas prenuncia. a função construtiva do patriotismo. para m anter a convenção neoclássica. veio ao Mundo O monstro da fatal Melancolia. sim. Na fechada extensão da intensa mata. de setissílabos isorrítmicos). ao contrário. faz reflexões polí ticas. o paca to e saudável Evaristo saúda os colegas.

Ambas as tendências constituem. as harmonias entre natureza e espírito. seja por contágio de exemplo estrangeiro) em que perce bemos esta inflexão da sensibilidade. Mas como se costuma associar o Romantismo a certa expansão da subjetividade. . Buscam-se então as ressonãoncias. mas a n atureza física desempenha papel importante na sua configuração literária. é quase obrigatór io determinar os seus progressos nos momentos de transição. em face da nossa paisagem. é claro. por ex emplo. despertando no leitor uma impressão de maior sincer idade. que se poderia defin ir como a busca da singularidade da emoção. também. a fisionomia da nossa literatura entre a vinda da Família Real e o Romantismo. é a expe riência estritamente pessoal. Talvês seja excessivo falar em influência dos viajantes estranjeiros na formação do Roma ntismo brasileiro. a meditação. na obra de Gonzaga: mas de uma das suas modalidades. a tendência para ressaltar o elemento que. no Romantismo não se trata propriamente de subjetivism o. Mas o certo é que se pode ao rnenos perceber neles. Nela. muito significativamente. na percepção das coisas e nos estados do sentimento. esta supõe identificação afetiva muito maior entre sujeito e objeto. Esboça-se. já referido em capítulo anterior. nunca devemos esquecer quanto há de c omum entre elas e como as dominantes de uma já preexistem nas anteriores. contida nas várias formas de "delegação poética". a exprimir-se corn maior abandono. como se deseja re gistrar a percepção elaborada em torno de objetos definidos. não raro confidencial. Daí os escritores se manifestarem de modo mu ito íntimo. valorizando o significado dos seus modos de perceber e sentir. sem recurso à alegoria clássica nem obediência às normas da so ciabilidade. é intransferível e pe culiar ao sujeito determinado. por meio do que os pré-romântíco s e primeiros românticos chamavam. reunidas. que se oferece ao leitor e vai despertar nele um movimento correspondente de desnudamento do eu. Substituindo a visão mais abstrata e mentalmente elaborada do Classic ismo. Como veremos noutro volume.pois não apenas se conta francamente a emoção por ela causada. por exemplo. que significa algo para o escritor na medida em que despertou determinado sentimento. um modo de ver a natureza corn mais exaltação e maior fidelida de. no que tem de intransferível. No momento estudado. Há nele. É preciso inicialmente proceder à tarefa difícil de apontar os traços que permitem entre ver sensibilidade nova. que ocorre quase sempre onde há lirismo pessoal e vimos muito acentuado. o desejo de linguagem m ireta. a montanha expressamente ind icada. Esta inclinação da personalidade se manifesta na experiência total do indivíduo. É o "pôr do sol 277 #1 localizado e datado". comunicação espontânea e autêntica das emoções. pois quando estabelecemos dis tinções marcadas entre as fases literárias. que convidam o indivíduo a ban har numa atmosfera de mistério e. uma emoção que tem muito da ternura e exaltado deslumbramento dos .to seu no Brasil. Daí. há certos traços de uma alvorada romântica (seja por desenvolvime nto de tendências anteriores. Relativamente nova. corn efeito.

às vezes esburacadas. corn temeroso respeito atravessei essa abóbada da selva. pág. Aos poucos. No Rio de Janeiro sujo. corn as figuras indefinidas. O que não signific ariam para os moços de então. F. freqüentemen t e torcidas. vol. Príncipe de Montbéliard .naturalistas do século XVIII. 345 278 1. Não apenas em homens como Fe rdinand Denis. eram entrelaçadas. que abrem a alma e aumentam a sua capacidade de vibrar. tornam a descer de vinte braças de altura para o solo m aterno.4 É preciso lembrar que esses homens descreveram freqüentemente a natu reza como fonte de emoções. impressões como as que Pohl exper imentou nas matas do Oeste de Minas: "Penetramos imediatamente num corte de selv a.que veremos a cada passo na prosa e verso dos nossos românti cos. parente afim de Chateaubriand. encarregado de negócios da França. atuando sobre a sensibilidade que se exaltava ao seu con tacto. morador da casa onde o mestre vivera. e outros mais. 281. um tecido impermeável aos raios solares e que. que. Notadamente a colônia d a Tijuca. ansiosos por encontrar nas coisas da pátria motivos de e xaltação e estímulo para renovar a sua expressão. mais ou menos. (3) Ver pág. escritores. porém. O mundo circundante assume então valor de um sistema de signos."3 Aí. se movia ao mais leve impulso.dizem Sp ix e Martius. seu primo. e formavam por assim dizer. o Conde de Gestas. por parasitas arbóreas. em maravilhosas grinaldas. da grossura de um braço. Muito mais importante. em est ranhas voltas. . o Conde d"Escragnolle. o escuro dessa floresta. nas atitudes e escrit os dum certo número de franceses encantados corn o nosso país. uma colônia franc esa foi encorpando entre a Cascatinha e o Alto da Boa Vista (nome dado por Nicol au): a Baronesa de Rouan. cuja importância veremos adiante:3 mas nos puros naturalistas. João VI. atulhado e quente de D. como cordoalha de navio. não apenas vêm sugeridas as descrições transfiguradoras. Essa imagem agiu podero samente em meu espírito. I. mostrando aos brasileiros que a sua contemplação pode despertar verdadeiro re juvenescimento espiritual. as quais. cujas grossas árvores de formas para mim desconhecidas. trad. P. centralizada pela família Taunay e composta por pintores. me apareceu como um grande seg redo da natureza. o pintor Nicolau Taunay (venerador de Rousseau. **A idéia que nos ocor ria diante deste quadro melancólico era de saudade de um paraíso perdido" . von Martius. B. que vêem de um ângulo semelhante.6 Gente apaixonada à Chateaub . em Montmore ncy) descobriu a Tijuca e lá se instalou corn a família. como r egistrada a própria qualidade da emoção. que poderia ter influído para reor ientar a visão dos brasileiros corn que entravam em contacto. sobr etudo alemães. a Condêssa de Roquefeuil. von Splx e C. (4) J. deve-se considerar o verdadeiro pré-romantismo francobrasileiro que floresceu entre 1820 e 1830. que passou aos românticos. o movimento do espírito subjugado pela expressi vidade da contemplação. Viagem pelo Brasil. dil etantes que contribuíram para delimitar entre nós certas áreas de sensibilidade pré-românt ica. o Conde de Scey.

corrente no pré-romant ismo e no romantismo inicial. (1823) de Édou ard Corbière. o encanto da natureza. 223 (6) Cons. Ferdinand Denis A exploração da natureza brasileira como fonte de novas emoções. 1. pàg. págs. 2. a natureza áspera. pfig. Édouard Corbière Este mesmo torn menor de classicismo indeciso é o das Élégies Brésiliennes.. melanc ólico e arroubado. tinhorões e arbustos agitados. 62. A Cidade do Ouro e das Ruínas. de amor. Faloê. convergem na obra de Ferdinand Denis. mais tarde. lamentações. Sente-se sobretudo no desejo de apresentar as elegias como elabora ção de fragmentos colhidos no sertão brasileiro. citam Young e Ossian. Elas se organizam numa ligação frouxa de episódios gue rreiros. e o desejo de abordar o s temas brasileiros como matéria literária. o colorido das civilizações perdidas. etc. encontra-se a tristeza ante a sua cultura destruída. trad. de catástrofe. ponímia brasileira ocorre apenas Sergipe num poema ("La fontaine de Sergi ppe"). a impotência na defesa co ntra o colonizador. corn tradução francesa pa ralela de seu irmão Felix Êmile (1830). escritos em latim por Théodore Taunay. A Missão artística de 1816. Sente-se bem claramente o admirador de Ossian nessa fascinação pelas tradições remotas. os índios são passados por um crivo de abstração que os dissolve como elemento de poesia.e. no alegado respeito pela espontaneida de criadora do "homem natural". 279 #poemas. trazem na folha de rosto uma vinheta desenha da por este. independentes.. arbitrários. cultivou o romance marítimo. em face de temas que seriam decisivos para o 280 #desenvolvimento da nossa literatura. cantos marciais. preferindo a morte à escr avidão. an dou por aqui e. faltando as notas de particularização próprias ao exotismo literário. a começar pelos nomes. corn a serra dos Órgãos ao fundo. carpindo as desditas da sua gente como um Ossian franco-tupinam bá. vo l. Viagem no Interior do Brasil. Este último é o suposto narrador. 120-121. a admiração por suas paixões.riand pela beleza úmida e fulgurante da paisagem carioca. Ce . retomados em seguida por outros franceses ." edição. reputadas espontâneas e violentas . Neles se encontra a i déi a de que os nossos selvagens eram nobres. muito desenvolvidos no indianismo. É possível ten ham contribuído para sugerir aos moços brasileiros a importância poética da Independência como tema. a névoa das cascatas. nela se inspirando para poemas e quadros onde as massas de vegetação. aparecem tratados corn um movimento novo. as vantagens da vida agreste. pai do famoso "poeta maldito". a poesia primitiva. como os de uma tragédia exótica de Voltaire : Olinde. a missão d e José Bonifácio. as cenas de guerra.como v eremos . Os (5) Jo&o Emanuel Pohl. 16 e Af onso cTEscragnolle Taunay. 109-110. dando-lhes também o exemplo de certa moderação elegíaca. parafra seiam Southey. obtendo certa notoriedade de segundo plano.°. Falta-lhes todav ia a "cor local" e os pormenores revelam pouco conhecimento ou afinidade poética e m relação à matéria. Zélabar. onde os cipós e as parasitas se enrascam num tronco. Alagoz. cantam de maneira palaciana Dom Pedro I e o jovem Império. Os seus poemas podem considerar-se o primeiro livro pré-romântico a tratar o aborígine brasileiro por certos ângulos. Teodoro Taunay Os Idílios Brasileiros. Visconde de Taunay. rodeado de pa lmáceas. o céu rútilo. Do ângulo histórico é preciso todavia registrar a tomada de posição desse poeta menos q e medíocre. que comandou uma fragata mercante. dentro de um espírito muito próximo do seu. integrados no convencionalismo neoclássico. procurando valer-se da própria experiência.

de Daniel Gavet e Philippe Boucher. Visivelmente seduzido pelo exemplo dos Quadros da Natureza. o certo é que ela é prec ursora de toda a ficção indianista no Brasil. assinala como fontes do romantismo brasileiro propriamente dito. págs.nas da natureza nos trópicos. a juntando: "As duas correntes reúnem-se em Perdi nand Denis. anecdote brésilienne. O primeiro viveu aqui de 1818 a 1825. pois publicou aos quinze Zacari a. num intuito puramente literário." La Littérature Portugaise. Eugène de Monglave. o Caramuru. pag. contribuindo corn este para acentuar a valorização do tema indianista. 281 #Gavet e Boucher Ao mesmo tempo. de desenvolver o conflito entre o donatário da Bahia e os índios. deixando perceber que ao exemplo do sábio al emã o vem juntar-se o naturismo extático de Chateaubriand. ou indianismo: 1) os poe mas de Durão e Basílio. não existe na francesa. Embora não haj a elementos para ajuizar a influência daquela obra medíocre. À influência deste se prende o episódio romanesco intercalado no livro. Ferdinand Denis. XXV. momento decisivo para a formação da s ensibilidade nos precoces. cujos temas. tinha porém na alma certas zonas de fantasia e inspiração que a experiên cia brasileira fecundou. Vale dizer que o born Denis. Denis aplic ou a sua fórmula no país que conhecia de perto.7 Neste livro encontra-se pela primeira vez um tratamento sistemático das impressões d espertadas pela natureza do Brasil. corn "Os Machakalis" e "Camões e José índio". 24-45. que esteve aqui de 1820 a 1822 ou 23. A sua grande inspiração é Chateaubriand. primeira tentativa de fi cção indianista. renascendo ao contacto de um mundo desconhecido. RABL. A parte final do seu livro cheio de premonições é um a narrativa sobre Camões. por ter morado aqui de 1817 a 1821: descrições emocionais e poéticas. em que o exterior vai-se tornando insen sivelmente estado d"alma e o homem civilizado parece redescobrir-se. (7) Paul Hazard teve o mérito de chamar a atenção para o papel de Denis como conector entre as tendências francesas e a nossa realidade literária. de Alexandre von Humboldt. a quem to mou a sugestão. Conseqüência imediata foi o primeiro romance indianista. de Humboldt. especialista em assuntos lu so-brasileiros. aparecido quase simultaneamente. dos sete aos quatorze anos. os relatos de viagem. apreciável nela. extenso e autônomo. que Paul Hazard e Georges Lê Gentil consideram mu ito justamente um marco na formação do nosso Romantismo. intuiu corn espantosa segurança os desenvolvimentos pròximamente imediatos da renovação das literaturas de língua portuguesa. traduzia para o francês a Marflia de Dirceu (em colaboração corn Pierre Chalas) e o Caramuru. o segundo terá sido um colaborador mais velho. 2) os romances de Chateaubriand e os Q uadros da Natureza. onde só os estudiosos do P ré-romantismo o encontrarão de passagem. 1927. por Santa Rita Durão. o modelo imediato. a fonte principal do assunto. como parece ter sido. Esse polígrafo erudito. devida a um escritor franco-brasileiro de decisiva influência entr e nós. a seu ver corn p rejuízo do poema. "Os Machakalis". Lê Gentil. 181. qu . espírito e forma prefigura nitidamente. do seu lado. por ter sido amigo fiel de Senancour e m erecido a atenção de Sainte-Beuve. Mesmo porqu e a sua importância. desprezado. Jakaré-Ouas sou ou Lês Toupinambas. expressa no Resume de lliistoire littéraire du Brésil. em que o grande épico é tratado românticamente num espírito muit o próximo ao do poema de Garrett. enquadrados pela ev ocação poética da natureza tropical. em "As origens do Roman tismo no Brasil". que podemos assim classificar na periferia da nossa literatura.

num sentid o próximo ao que adotariam os nossos românticos. registrar uma diferença: enquanto n"Os Natch ez o comportamento dos guerreiros é inspirado principalmente nas epopéias homéricas. dos dois últimos. Encontram-no nas vicissitudes do amor inf eliz de Tamanduá pela filha de Coutinho. É interessante. o amor à liberdade. E como os Tupi foram os seus heróis prediletos e i dealizados. Jakaré-Ouassou tem como eixo histórico o conflito dos Tupinambá corn o donatário da Bahi a. Denis e Hyppolite Taunay. Ainda nos livros 282 #americanos de Chateaubriand devem ter buscado Gavet e Boucher a linguagem flori da do índio. mas a Histoire du Brésil. Monglave.. d"Abbeville. na Confederação dos Tamoios.e Gavet conhecia no original. não querendo manchar de sangue humano os lábios de mel de Iracema ou as nobres feições de Peri. (1815 ) do primeiro. os nossos românticos escamotearam pudica mente a questão. Francisco Pereira Coutinho. os discursos no con selho de varões e as apóstrofes de combate. como Alphonse de Beauchamp. nas cenas da vida t ribal. Thevet. pois. o típo de eloqüência gnômica e belicosa. . é largamente aproveitado. ainda presos a certos traços de um passado tribal. incutiram nos últimos cláss icos e pré-românticos. qve comem carne humana Assim. compreensiva e mesmo valorativa da antropofagia. fornecendo sugestões para a explor a ção literária dos temas locais. a nostalgia da cultura destruída.que é aliás o núcleo do romance hist órico. os Taunay. sobretudo n"Os Natchez . sem . Pela primeira vez encontramos o aproveitamento sis temático. Gavet e Boucher formam um autênti co pré-romantismo franco-brasileiro. ao contrário do que ocorreu depois no indianis mo: a referência clara. que põ m à prova a amizade daquele guerreiro por seu amigo Jacaré. na versão dos cronistas. partindo de ângulos e propósitos totalmente diversos. do testemunho dos velhos cronistas franceses do século XVI e X VII. Encontramos também em comum a situação de amor entre índio e branco. através dos d ivulgadores contemporâneos. pondo em cena Caramuru e Paraguaçu. aqui e por todo o indianismo. para a ficção. Corbière. que. A fórmula romanesca é nitidamente inspirada em Chateaubriand. onde encontramos o mesmo aproveitamento de acontecimentos e personagens reais como ponto de partida de uma elaboração fictícia . se poderiam assimilar até certo ponto aos dos chefes gregos. os . quer de segunda mão. toda construída em torno da comparação poética.. Vale também mencionar um elemento que encontramos vagamente indicado nas Elegias d e Corbière e é aqui bastante acentuado. Os seus adeptos são os "vis Aimo rés" de Gonçalves Dias. a maior parte d o enredo é todavia ocupado pelos índios. porém. ficaria. Inês. quer diretamente. que Macpherson e V olney. Tapuias. O Brésil. De homérico. procurando os autores um enquadramento r omanesco para pintar os seus costumes. Lery. Ora.. no Jakaré-Ouassou o índio é tratado à maneira do paladino medieval. ou. parece ter fornecido elementos mais diretamente transpostos. que dignificavam por uma espécie de chancela européia. de Gonçalves de Magalhães. Denis. corn imagens tomadas ao meio natural. transferiram ao passivo de outros grupos o hábito que perturbava a ass imilação do guerreiro americano ao paladino medieval. nas maquinações dos índios traidores. reputada c ostume de caráter heróico. como se sabe. As suas obras foram certamente conhecidas da juventude que se formava depois da Independência. corn as devida s gamas de incompreensão.

283 #gonhado. Voltaire. Pouco lhe pareceram riscos. N"O Patriota sempre assinou B. Parny . tendo sido porventura quem primeiro exprimiu em poesia o tema da saudade da p átria. ("O Visconde de Pedra Branca". mas apresenta evidentes sinais de verdadeiro Pré-romantismo.. É o que se vê nos seus versos "bairristas". certo preconceito de casta. Semeia. como esta adaptação do conhecido poema de Ãnacreonte: Por entre espesso rosai Cupido um dia brincando. porém. que Afrânio Peixoto foi o primeiro a assinalar. Vergílio. como cresce. 285 #Que tempo. ou didaticamente convencional nas odes e epístolas: Paulo. que terreno mais lhe quadra. Todos trazem. As rosas ensangüentando. outros. "Um precursor do Romantismo". 4. do retorc imento freqüente nos árcades da fase final. Ar ando as terras examina os sulcos. Como reben ta o gérmen. lê. ("Oitavas") O amor da natureza inspira-lhe poemas bem compostos e sinceros. medita. da valo rização da América.Poesias oferecidas às senhoras brasileiras por um Baiano. no seu livro declina apenas a naturali dade . segundo diz." eu. . pág. BB (2). assistiu depois ao movimento reformador do romantismo. VIII. "o novo universo onde recomeça o gênero humano. estuda. (10) Afrânio Peixoto. como indica a "Resposta de uma senhora a uns versos d o autor": Modeste favori dês filies de Mémoire. 5-44. as tonalidades re novadoras de Ossian. afastando-se da ênfase oratória. em Visconde de Pedra Branca. O s Túmulos. Se o fundo ou flor da terra mais deseja . págs. 10 Começou traduzindo Safo. que experimentou em longa estada na Europa. É arcádi ca pela maioria dos temas. Mais tarde v erteu Delille e Legouvé. cuja escolha revela predileção pelo verso elegante e casquilho.pre necessária às nossas iniciativas intelectuais e artísticas. 129-130). Os seus primeiros ensaios pessoais revelam um árcade gracioso nas peças de metro cur to. a cuja influência não íoí alheio" . e da semente segue o curso. Lembremos todavia por eqüidade uma observação do Barão de L reto (Franklin Dória): "Educado no gosto e na admlraç&o das musas clássicas. provavelmente. corn uma fase áurea de 1807 a 1814. págs. Alguns deles são clássicos retardados.sobretudo este. combinaram-se para torná-lo nada sequioso de fama literária. ("Epístola I") Em qualquer caso é de extrema simplicidade. haja vista A Mel ancolia. E julgando que a pát ria assim servia. Mémoires ã"Outre Tombe. do segundo.. pena. gr aças ao qual contrabalançou o peso do Arcadismo decadente do seu tempo. Qui sembles ignorer et mépriser Ia gloire. influências e preocupações. da melancolia. 252 (a frase é de 1822). Metastasio. aparelh ar-se das luzes necessárias para servi-la: De luzes sua pátria carecia. selecionando não raro na sua obr a as peças de tonalidade mais próxima à sensibilidade que se formava. românticos. Picou-lhe o pé uni espinho."8 gênero (8) Chateaubriand. de que a "Epístola escrita na Fazenda do Pinum" (1812) é um belo exemplo. vol. O livro que ante os olhos tens patente. de Chateaubriand. Ir procurá-las seu dever lhe ordena. I. clássicos da última fase.cheia de fresco aroma da . Mod éstia e. só no fim da vida c onsentiu que Melo Morais pai lhe publicasse o nome na versão completa d"Os Túmulos. A sua atividade poética vai de 1801 a 1825. consulta. do exotísmo literário. onde fora.

Noite. não são mais "brandos". Que d"Amor os mistérios apadrinhas. que veremos em Gonçalves Dias daí a trinta anos. e nele der rama. ("Á noite". dos amantes silenciosa amiga. verdadeiro eixo em torno do qual gira toda uma transformação literária. 1810) Ó ventufosa Lua que os lugares Vás de meus gostos ver. e será mais tarde. ("À Saudade. a sua naturalidade. Do suspiroso bosque. vagas." 1810) Não espanta. o encantamento corn o pitoresco era m conseqüência da evolução estética já expressa nas odes de 1810 a 1811. 287 #Recebe este frio beijo. Fing ir procura. Se tens de saudade o nome. ("Ao nascer do Sol". Beijo da melancolia. Netuno. Ã simpl icidade elegante. Compreende-se que Maciel Montei ro lhe tenha glosado desde logo a primeira quadra: a sua obra. na "Ode à Saudade". É dar amargo f ei em taça de o ir o. Só ho je de suspiros. junta aqui o toque contemplativo. Os suspiros.terra: O implumado cantor destas florestas. Da citara e da frauta ouvindo acentos. 1810) Tu. Em 1813 celebrara a melancolia numa ode. saudade. . Tem d"amor toda a doçura.equilíbri o entre o naturalismo generalizador dos árcades e as tendências subjetivistas. que só me deixas Por triste companheira. E o d esabrido noto. marcando um início. o silêncio favorece Meditações profundas. que fazem ressoar m nossa literatura um torn novo. que aplaina o caminho para a poesia da meditação e do dilaceramen to interior. "doces" nem "ter nos". de c orre em grande parte da tonalidade por assim dizer intermediária da "Flor Saudade" . Dobra o mal do infeliz do bem o aspecto."A Flor Saudade". 286 #Tu de quem. a que consa rara em 1807 a convencional metamorfose "Salix e Foloe". Folhagem pálida Sombra magoada. gorjeando o canto. Teu manto de brilhantes semeado. Dize-lhes onde estou. Mais doces. que é o próprio timbre do Romant ismo inicial: Mimosa solidão. . média entre os poemas arcádicos de um Vilela Barbosa e as melodias plangentes do fut uro . Eolo dormem. minha companheira. mãe da saudade! Morta parece a natureza inquieta. que do sábio És o templo querido . Engrossa as trevas. ponto inicia l duma linha poética fadada ao êxito mais duradouro. triste e mimosa flor. enegrece as ondas. não mais. Rama inclinada. este suspiro Toma. Sem dúvida é uma sensibilid ade nova. quão difíceis. o inquieto sopro De favônio tr anqüila deixa a folha. que. Que me aprazia contemplar outrora Em pensativo arroubo. em Alvares de Azevedo e Junqueira Fre . foi ao mesmo tempo a posição extrema do Arcadismo: Vem cá. Aceita o nome De "minha amada Casa-se bem à suave emoção elegíaca de tais poemas a predileção pelo salgueiro. Vem. são impregnados daquela melancolia serena e profunda. de unção quase lamartineana. pois. noite. É a última duma série de oito. haver produzido em 1814 um verdadeiro paradigma do que seria um a das notas características do Romantismo brasileiro inicial. e a de outros. D a saudade eu tenho a dor. Mas não o ar dor d"alegria. outr"ora de risos companheira. e as suas cançonetas arcadizantes dessa épo ca têm sabor diferente das primeiras: Triste Salgueiro. Basta.

(ou. a própria vida humana. São gostosas as lágrimas contigo."Os Túmulos". diálogo y compania son reducidos a falaces apariencias que no pueden libramos de n ues tra profunda soledad más íntima. nutre a saudade e a melancolia. és mal. c omeça a poesia do estado d"alma. o Romantismo brasileiro tem os seus primeiros indícios ligados ao elemento romântico por excelência. entra na literatura brasileira: "Frente a esta gloriosa soledad. depois desta conjução do poeta corn o oceano. a sua missão): . para a qual prazer e dor não são realidades distintas. q ue a separa da "multidão de humanos rudes". entretanto. Na obra de Borges de Barros. inf . entre 1810 e 1813. O "estado de solidão". Como no poema de Mário de Andrade. sendo própria do adolescente.ire. As peças intermédias são raras e sempre d circunstância. não. tu não te mostras À escura multidão de huma rudes. 145. em virtude do raro privilégio conferido po r este estado. mudem-se 6 Noite. nesses poemas de Borges de Barros.. Na solidão solitude. é a preparação. pâg. como dirão. porque ela d efine a sua estirpe diversa. os ais te agradam. cara aos românticos. corn ela. Em Borges de Barros. para a qual a existência fronteiriça...que pouco depois receberia de Garrett a supre ma consagração em termos modernos. 289 #Meu peito em ânsias ---. que alarga até o infinito a solidão do homem. . Na solidão entrei. Guilhermo Dlaz-Plaja. um poema fúnebre extremamente medíocre. essas premonições românticas se contêm num grupo de poemas escritos no mar. Ah! não me lembres. Doces momentos em tristonhas horas. a sua verdadeira poesia está nesse período excepcional e marítimo. entra novo matiz. ("Cançoneta") É interessante que. depois. Antes. dos vagos movimentos interiores que convidam ao d evaneio e. espelha as coisa s grandes e. A tristeza te apraz. que define o estado de alma predileto do poeta romântico (a estrofe segue imediatamente à outra) : Só delicado espírito aprecia A delícia que dás. Prazer que tens de dor feições mui fracas. (11) Ricardo Bojas. é por isso mesmo assinalada por um timbre raro . ("À Noite") Poesia de fronteiras. tortura e drama desenfreado. Trata-se da alma de elite (a "alma sensível" de uma ode do mesmo ano. o Arcadismo elegante. do amor terno e cruel. nesta mesma ode."11 Dela se nutrirão doravante os poetas. a sua musa praticame nte emudeça até o poemeto de 1825 . no seu moto perpétuo. ("Â Melancolia") 288 #Agro em teu doce tens. vivida no limite extremo em que a dor e o pr azer se confundem e perdem sentido." Imita undoso. Em lágr imas os risos. nos intervalos duma vida ativa de fazendeiro e político. Doce melancolia. ap. A bem dizer. . aludido por um crít ico argentino. vai dar vontade de chorar e morrer a duas geraçõ es de poetas mortos na flor da idade. Simbolicamente. E vulgares amantes. saudade! ("Improviso") É a forma nova porque se exprime um velho tema da lírica portuguesa. mas simples modos de uma alma eternamente presa do seu indefinível emb ate. poderiam dizer par a definir o seu estado. Hacia un concepto de literatur a espaftolo.o da saudade agridoce. "A Amizade") .

Sob este aspecto. vocação declarada e imperiosa para as letras e uma das grandes. a meu ver indevidamente. na nênia sediçamente cláss ica d"Os Túmulos. a banalidade clássica do outro. como alegra O matiz das boninas. comprometendo imag ens ricas. não a qualquer iniciativa intele ctual. ficou portanto à margem do desenvolvimento literário." Ambos partem da experiência de Parny para chegar a uma ternura elegíaca menos frívola e mais honesta. abafado no a nonimato. Borges de Barros é poeta mediano. não teve capac idade de ordenação formal nem inspiração suficientemente generosa para aprofundar os traço s originais que nele afloram. o culto da religião como estado de alma. num admirador e de dicado amigo do born Felinto Elísio.erior a tudo quanto fizera.caindo quando parece subir. nada porém indica influência rec ebida. . Ao contrário de Magalhães. Caiu no esquec imento e nele permaneceu até 1945. Porisso a sua poesia é as mais das vezes rastei ra. . na sua longa estada em Paris (1805-1810). ou irritantemente desigual. em ambos há uma espécie de Classicismo fatigado. conheceu na Suíça. A impressão que nos fica é de não havermos conseguido obter o que esperávam os de uma sensibilidade promissora na sua finura. publicada pelo tempo da "fase marítima. q uando encontra a intuição formal conveniente. abandonando bons trilhos. haver introduzido no sentimento religioso. que realça O aljôfar que en tornaste! ("A Madrugada". que pouco tem de obra literária e nem consegue. vez por outra. Mais tarde. para além da dev oção tradicional. Lamartine e Delavigne. mãe de Napoleão in.na sua prolixidad e.12 Retenhamos. Tem corn efeito o pendo r de um para a meditação. pois. um enfadonho desabafo sentimental pela morte do filho menino. modo da sensibilidade. e vir mostrar-lhes que já c o ntinha o que se apreciava na "Saudade Branca" de Laurindo Rabelo.que começam a avultar nessa época de transição. nunca lhe ocorreria d esejo de influir. a sua obra apresenta não pequena af inidade corn a de Millevoye. Nem a sua obra tinha relevo para furar tantos empecilhos. 1811) O seu Pré-romantismo parece devido ao temperamento. que as suas intuições e pendores para o romantismo foram de temper amento. dos quais a sua obra se aproxima às veze s. interessa por duas razões principais: haver praticado um tipo de oratória que influiria na expressão e r itmo da prosa romântica. Literàriamente. . Monte Alvernc Frei Francisco de Monte Alverne foi. como se pode verificar pelos exemplos aqui transcritos. indiscrição e lassidão formal. ao contrário. melancolia e certa maceração sentimental. a buscar refúgio nas meias-t intas do sentimento. vimos que escolhia nos franceses sediçamente clássicos do temp o os aspectos de ternura. não poderiam mesmo ser ainda que vagamente programadas. confessadas influências da primeira geração romântica.granjear simpatia ou respeito do leitor por um sof rimento sem dúvida cruciante. capaz de emitir. fasc inando o Rio de Janeiro entre 1810 e 1860. sendo-lhes anterior na parte mais significativa. O nosso poeta poderia muito bem ter conhecido pessoalmente o francês. . as novas gerações nunca perceberam nele o precursor que realmente foi. Como tradutor. Na verdade. o que 290 m #houve foi evolução paralela. . sensibilidade delicada. certas ondas de magia: O ondeante verde prado. encontrando-o sobretudo. quando Afrânio Peixoto apontou o seu caráter pré-romântí o. em casa da ex-rainha Hortênci a.

o belo e majestoso franciscano das descrições contemporâneas surg e como servidor do culto do eu. Monte Alverne dá grande desenvolvimento a esta metáf ora usual no púlpito. de referências ou alusões à sua capacidade. que a religião lhe haja aparecido como experiência. que aparece como longa seqüência de atos pessoais. que definem o que há de próprio e incomunicável na experiência individual. "o ministério sublime". como diz no exórdio do "Pan egírico de São Domingos". há uma procura de efeitos pess oais. quando o viajor passar por baixo dessas arcadas silen- . Interpretada sempre como vaidade pelos críticos. e. que o Romantismo difundia então. não apenas pelos motivos éticos e metafísicos. Em Monte Al verne.acrescentando à devoção um elemento mais xível e gratuito. De tal modo. o sacerdote. . pois. como emoção e modo de sentir. teoricamente. que mesmo nas costumeiras afirmações profissionais de indignidade c desvalia o eu apenas se ab aixa para subir mais alto. pois. porfiada batalha em que triunfa como o guerreiro. tornando a evolução da Igreja uma espécie de vasto prélio em que avultam as figuras dos campeões da fé. ao Catolicismo. é um lutador. o sentimento poético das ruínas e do fluir do tempo. Não espanta. Daí um conceito bastante romântico de religião como harmonia. do individualismo característico das tendências românt icas. qu e faz sua ventura e seu tormento" ("Panegírico de São Sebastião"). 291 #o "lugar de honra a que devem aspirar" os pregadores. esteio do fascínio exercid o sobre os contemporâneos. porém. não custa lembrar que casou a filha corn um paren te de Luís de Barral-Montferrat.Antes de tudo. anotando a ênfase corn que descreve essas vocações de p aladino. Não destoam disso a melancolia. Uma das suas teclas preferidas é justamente que o Cristianismo veio com pletar as necessidades da alma. O homem se apega. proporcionando ensejos de amar e. quase uma atitude estética. referido no "Ser mão sobre o pequeno número dos escolhidos". acresce o culto do próprio eu e a necessidade de tomá-lo público. Para ele. a sua carreira. mistério. julgamos algumas vezes ouvir o mesmo som romanesco de cavalaria. capazes de tornar contagi osa a própria emoção. V isto de hoje. ampliados pel a tonalidade heróica que lhes atribui. exaltação. assim. experi mentar a emoção na sua plenitude. "O coração tinha necessidade de emoções que fixassem o va o dos seus desejos e saciassem cornpletamente esta sede inextinguível de gozar. Esse individualismo é nítido na sua própria concepção da vida religiosa e na sua noção da h ia do Cristianismo. principal mente o santo. que nos colhem por vezes vivamente como traço pré-romântíco: "Um dia. esta atitude deve também considerar -se manifestação romântica. as evocações de cenas e momentos tristes. No "Sermão sobre a palavra de Deus" podemos avaliar o alto s entido que atribuía à carreira do púlpito. Homens fogosos e apaixonados. o amigo que Stendhal dizia ser porventura o mais fiel de quantos tivera. configurando o santo como herói combatente. através dele. tanto quanto permite um gêner o em que o orador cristão deve. embora movido pela vontade d ivina. a carreira religio sa como série de provas onde o valor pessoal triunfa. mas porqu e faz vibrar nele essa corda de sentimentos inefáveis. Lendo os seus sermões. expansão da personalidade que se reputa medida das coisas. uma personalidade que interpreta a sua c arreira como campo de auto-afirmação. reivindicando (12) Por falar em relações Ilustres. foram por exemplo Frei Sampaio e o Conego Januário. pôr-se à margem. sublinhemos a sua personalidade romântica. Naqueles dentre os sermões onde parece realmente empenhar-se.

como fonte das artes e let ras. das ordens de cavalaria ("Panegírico do S. A partir de 1816. . que passaria obsessivamente aos românticos: o divino revelado pelas coisas e sentime ntos. bastariam para confir mar a nossa impressão. e nem sempre balizada por elas. erguido sobre o caos. e d a humanidade a quem prestaram os mais relevantes serviços. porém o homem pondo a mão no seu coração. neste trecho do "Sermão sobre a maledicência": "O Filosofismo. das ordens monac ais e. cujas cinzas não terão escapado à vio lência do furacão" (Tanegírico de Sto. muito caracteristicamente. e bendirá.° Sermão do Espírito Santo")." Esta prov a de Deus pelo sentimento interior se junta. a influência apare e também no espírito dos sermões: no conceito da religião como experiênci a pessoal e histórica. 293 #Coração de Jesus". ao deísmo e às correntes materiali stas. Antônio"). que se exalta ao referi-lo: "Doces efusões do amor da pátria. noutros sermões. entre muitos outros. é o único escritor a que recorre como autoridade. totalidade de experiência humana. sem os quais o engenho humano não preenche as suas possibilidades. no início da sua grande fase. fagueiras recordações de lealdade. "Panegírico de São Gonçalo Garcia". de larga repercussão no espírito romântico. os troféus erguidos em Malta. Nes ta qualidade opõe-se vitoriosamente. O recurso às descrições históricas. Além das citações. o filosofismo.292 #ciosas. daí constituir um sistema de conhecimento e uma fonte de inspi ração. Encontram-se ainda os dois autores na concepção da literatura e das artes como ancil as da religião. v ós trazeis à nossa memória os milagres d"honra e os prodígios de bravura. dirigido por o acaso. mil guerreiros ligados por a fraternidade. dela recebendo vigor e beleza ("1. além de revelação. os mouros d"Espanha cortados por a espada dos c avaleiros de Calatrava e São Jacó. após os primeiros cinco anos d e prática. ela é para ambos. lustre inalteráv el dessas ordens militares que tanto mereceram da Religião. nos temas. ousou aviltar a espécie humana. sem descobrir algum dos seus antigos habitantes. Este último traço. as vitórias de Du . abandonando a justiça aos caprichos da pr epotência. que o cita corn freqüência: além dos textos sagrados e um ou outro autor eclesiástico. casava-se bem ao gosto nasc ente pela Idade Média e à disposição heróica de Monte Alverne. Os Mártires e sobretudo O Gênio do Cristianismo aparecem volta e meia nas r eferências de rodapé. que os revezes. estes pobres religiosos. co etiva e individual. Lançada no tempo. Basta verificar. que as santificou. à noção de harmonia entre religião e natureza para chegar a um dos argumentos centrais de Chateaubriand. caso não houvesse algo mais decisivo: a marcada influência de C hateaubriand no espírito. de início. como filosofia superior às outras. honra e probidade. a fonte preciosa desta nobrez a. Os feitos realizados nos sobejos fumegantes de Rodes. os bárbaros do Norte subjugados por a ordem Teutônica. isto é. e ao direito do mais forte. corn perspectivas mais ricas. na forma dos seus sermões. a auréola de Bayard. segundo ambos. e as más tenções dos homens não podem destruir. se ntindo a violência e rapidez das suas palpitações à idéia de virtude. como alma da bravura cavalheiresca. e eterna. r econheceu na existência de uma Lei imutável. não recusará uma lágrima de sensibilidade. ou na fu nção civilizadora da Igreja através da sabedoria dos doutores. o uso tempestuoso das imagens.como se vê. forman d o um círculo de ferro em torno do seu soberano.S. "Primeiro Panegírico de São Pedro d lcântara"). enfrentando o enciclopedismo. dando à virtude uma origem factícia.

foge para as generalidades. Daí o caráter concent rado. a ponto de os identificarmos à primeira vista. quase u ma aventura pessoal. Nada mais instrutivo. O leitor de Chateaubriand percebe imediatamente quanto lhe deve Monte Alverne. e as proesas de Giraldo sem pavor t raçam o mais completo elogio dessa antiga cavalaria. "Estava reservado ao Cristianismo criar estas harmonias tão tocantes. qu e afinal não atua. quase sempre sem mencioná-lo diretamente. como se usava em seu tempo ao modo de Bossuet. não domina menos sobre mim. de começar por períodos sonor os. como acontece corn a maioria dos pregadores e ele próprio diz ser o seu caso: "Nunca decorei palavras (. Pelo menos não se encontra nele o jogo das antíteses. os loiros de Nuno Alvares Pereira. menos lógico e dire to que Januário da Cunha Barbosa. que revel am nossos destinos . Q e falamos da sua pompa verbal. Diga-se. cuja influência ficou registrada. ampla e não raro vaga. do que eu sobre ele. para se ntir quanto ele era relativamente simples. é preciso lembrar o que era a tr sagrada em língua portuguesa. Mateus de Abreu Per eira... Mesmo quan do tem um caso concreto e delimitado para tratar. que comparar o seu "Sermão pregado (no) aniversário da sagração (de) D. o gosto das sutilezas vazias e o abuso da metáfora. As Obras Oratórias são. A estas tendências uando hoje o lemos adição da oratória e justificam nossas esperanças" ("1. sob tal ponto de vista. Há um mo do muito seu de entrar diretamente no assunto. efetivo e poético dos seus exórdios. de Glória") se ajustava bem o seu estilo. bem destacados do corpo do ser mão. os seus sermões apresentam grande unidade de estilo e pensa mento. a argumen tação.° Panegírico de N. em que el abora a palavra corn maior liberdade. transfundidas pelo culto da emoção. que vinha inst aurando o sentimento religioso como religiosidade. estímulo para satisfazer a poderosa personalidade. e também que não constituem um texto exatamente igual ao que disse. as desc rições dramáticas.assemelhando-se uns aos outros quanto aos temas. Encarados no conjunto."13 De qualquer forma. Bispo de S. como se já houvesse procedido a uma explicação prévia. trazem todos a marca inconfundível da sua personalidade. ensopada do pior maneirismo. ávida de sentir e transbordar o sentimen to. É preciso ponderar que os reviu po r 294 #volta de 1850 para a publicação.guesclin. freqüentemente pela forma negativa.) Aceito as que a hora me traz. natureza e Deus. frêmito novo muito ajustado às manifestações do eu. a linguagem. São as versões básicas que am pliava e bordava no púlpito. no geral referentes à importância e verdade do cristianismo como regeneração do homem. a grande influência de toda essa fase da nossa oratória sagrada. contra a qual não podem prevale c er as mais fortes prevenções" ("Sermão da Fundação da Ordem do Cruzeiro"). de adjetivação elevada. Religião de harmonias. por isso. podendo provir daí certa comunidade de torn. Paulo" corn o "Sermão da solenidade da sagração (de) D. as que as circunstâncias me liberalizam. e tão maravilhosas. S. M . os chavões verbais. de misteriosas afinidades entre homem. . provavelmente o primeiro a difundir entre nós a sua posição romântica em face da religião . Neles se encontra a parte mais literária. aliás. as que me inspira o auditório. que não costuma progredir logicamente. menos adstrito às necessidades de narrar e d e monstrar. é arroubado e palavroso sem ser pedante. O nosso franciscano encontrou nele apoio para as próprias tendências. debater um ponto determinado ou aproveitar o ensejo para argumentar sobre questões de dogma e moral.

em que São Carlos refere a esterilidade de Sant"Ana." edlç&o das O bras Oratórias. Estante Clássica da Revista de Língua Portuguesa. um grande número de sermões se suspendem por assim dizer no vácuo. quando não há um só crime que não seja d . pág. ele aprov eita para fazer um verdadeiro poema sacro sobre o episcopado. e outra imprecisa. envolvendo aos pouc os (13) Palavras recolhidas por Castilho e transcritas na sua introdução à 2. estéril. Bispo do Rio de Janeiro". seco. levando o poeta ou o prosador à referida aproximação do objeto por meio da justaposição de imagens e conceitos. O estilo da oratória sagrada favorece e mesmo requer a repetição. reproduzida em "Frei Francisco de Monte Alverne". 10O. "Eu sei que o Apóstolo. como c onvém ao espírito romântico e encontramos. feita no Porto. A mul tiplicidade de imagens e conceitos chega então ao limiar da prolixidade e transfor ma os sermões em vastas perífrases." Este trecho. a quem é confiado o imponent e exercício da pregação. veja-se. s ustentados pela palavra vertiginosamente lançada. desconfiada ante as qualidades próprias da palavra. É pois normal que a marcha do seu espírito apareça menos como progressão de idéias. um tronco inerte. ao modo das que Vieira sabe preparar corn inflexível necessidade. a cada passo. que lhe tocou em par296 #tilha converter e salvar. 295 #o objeto em vez de defini-lo. por exemplo em Antônio Vieira. repetidos até dominarem o auditor. podemos supor que o estilo de Frei Fra ncisco de São Carlos se aproximava deste padrão. Mas qual devia ser o meu procedimento no meio da desm oralização geral. um ente ne buloso e eclipsado. ou leitor. Estilete agudo e m brasa Nas fibras do coração. numa tentativa de fugir à exatidão pela impressão difusa. de Januário da Cunha B arbosa. lembra dezenas de out ros do Romantismo. inca paz de produzir frutos. uma terra amaldiçoada onde não caía o orvalho do céu. do que como soma de impressões e conceitos. que va i acumulando imagens ou conceitos de modo aproximativo. Haveria uma linha franciscana de or atória poética? Ela seria. Enquanto este apresenta uma análise ordenada da função dos bispos na Igreja e na sociedade.anuel do Monte Rodrigues de Araújo. no sentido lógico. lógica. também conveniente às tendências românticas. neste caso. encontrada. Mas há uma repetição prog essiva. n ão raro mais satisfeitas pelo assédio envolvente dos sentidos e da emoção do que pela ma rcha progressiva da razão. a que de mais perto teria influído na linguagem romântica. deve conhecer bem o estado moral do povo. que ameaça a ruína da Fé e a subversão da sociedade? Que objetos de Moral poderiam escolher-se corn preferência. "Ela se reputava p ela mais desgraçada das mulheres da sua tribo. corn base na história eclesiástica e no direito canônico. A nossa c onvicção se elabora pela justaposição e acaba se conformando pelo acúmulo: uma saturação do pírito e da sensibilidade. o fluxo de imagens desencadeado por um poeta secundário. no desejo de exprimir o c a ráter inelutável da palavra nunca: Nunca! Flaina dos infernos Que a flor da esperança abrasa. em prosa e verso. vol. que não podia brilhar nem lançar de si raios de luz. nesse homem desprovido de qua lquer espírito de síntese ou da capacidade de estabelecer uma conclusão. Chega-se à verdade por golpes aproximativos. Hie na que despedaça Minha mais bela ilusão! Em Monte Alverne. preferindo a emoção ao conhecimento. Nuvem prenhe de tormentas Que no céu rugindo passa. num poema típico do declínio romântico. Do que resta de outros oradores do tempo. VI. sem que possamos apreender as li nhas nítidas de um objeto lógico ou a marcha cancatenada de uma demonstração.

seus mistérios. transporta-se como um bardo.° Panegírico cíe Santa Luzia". a despeito de todos os furores da prepotênc ia. O Chinês. nutre-se d"azeite de baleia corn o Groelandês. corre a solidão corn o Tártaro e o Iroquês. exaltantes e imprecisos. os gelos do pólo. que foi este mesmo ím p eto divino. Religião in efável. co rn que a religião abrasou o Universo. Nós contestamos a veracidade desses portentos. Ao invocar a religião. Esta técnica ampliadora e tacteante encontra aliado na embriaguez verbal. o exemplo do verbo literário a serviço da pátria. recolheu em seu seio todas as ruínas da civilização. hu maniz ar o bárbaro e derramar a paz e a concórdia entre as nações rivais. ou Magalhães. o índio. O povo em ma ssa corria ansioso para ouvi-lo nos púlpitos. o pendor pela imagem altíssona. diretamente inspirado pelos proces s os e temas d"O Gênio do Cristianismo: "Minha alma se extasia publicando estes triu nfes quase sem valor no meio da mais fria indiferença e do mais vergonhoso ceticis mo. como neste admirável do "2. porque não podemos sofrer o peso das armas. para dissipar o fal so esplendor duma filosofia orgulhosa. conquistar os reis e venc eios tiranos. "Mont"Alverne foi por muitos anos para os brasileiros o primeiro homem do seu país. os fogos do Trópico não puderam retardar a lava incendiada. Quando soltas os diques à sublime. Em muitos trechos parece um Chateaubriand irregular e mais palavroso. que depois d"arrancar a espécie humana da escravidão e da barba ridade. e venerava-o como a um apóstolo. as tempest ades. esse grande artista do discurso galvanizou o seu tempo e deu às novas gerações. quando não há um só vício que não seja aplaudido e consagrado no meio de vós?" (" ermão sobre a demora da conversão"). aplaudia-o até corn frenesi. a mocidade ardente de saber e de glória. da indústria e d a grandeza dos povos". egrégio Alverne. . 297 #da religião e do eu. ou segue o Cafre vagabundo no s seus desertos abrasados. aperfeiçoar a razão. civilizar o selvagem. pelo adjetivo procurado como solução do pensamento. pende ndo para os qualificativos inefáveis. os habitantes das ilhas de ledo f oram seus neófitos. que tenha escapado ao seu desvelo. que nutrimos e afagamos corn tanto esmero. conseguir o mais precioso renome. monta no dromedário do Árabe. Os mares. essa entoava-lhe os mais lisonjeiros hinos de apot eos e. como Porto Alegre. corn tais características. a mocidade admiradora entusiasta quase frenética do seu talento. Nós esquecemos sem dúvida. Ela vive corn o Esquimó no seu odre de pele de vaca-marinha. como faltaram ireinos à ambição d"Alexaftidre. que depois de esmagar as potências da terra. Oh gênio singular. que o glorifica num belo artigo e pelo menos do is cantos de má poesia e ardente preito.três apoios decisivos do Romantismo nascente. Recôndita facúndia? . visando a sensibili dade. que lhe fez a oração fúnebre em nome do Intituto Histórico. no auditório que o ia admirar encontravam-se sempre as mais altas ilustrações brasileiras. Não há ilha. das artes. e puderam."14 Este testemunho de quem viveu ainda na aura da sua glória retoma o entusiasmo dos seus discípulos e auditores. desceu dos cadafalsos e do alto das fogueiras. A terr a falta à sua ardente caridade. Quem há que possa competir contigo. e a mo cidade. formadas depois da Independência.ominante. não há escolho. como a um enviado do Céu. corn que virgens tímidas ousaram enfrentar estes inimigos. episódios e vultos.

. eu vejo. Este discurso é corn efeito minucioso compêndio dos seus temas.o que só é verdade quanto ao exórdio. quando produziu o famoso "2. ("Ode". " O feroz despotismo eu vejo erguido Em torno de fogueiras flamejantes. à maneira dos compositores de ópera do seu tempo. mas ao mesmo tempo experiência afetiva. imagens. Que por mais de três los jazera Em vergonhosos ferros : Ávido eu bebo as tuas puras frases Mais doces para mim que o mel do Himeto. 180 298 #Aí se vê o papel que exerceu como exemplo literário e guia patriótico. exprimindo a seu modo os temas. o púlpito onde cegou. Ainda. indicar-se-ão outros aspectos deste processo. esta disposição foi capital e servi . e Pátria minha. considerado a sua obra-prima pelos contemporâneos e pósteros. E jama is de as beber os meus ouvidos Por cansados se deram. No Brasil. trinta anos antes. comparad os cantores hebreus emudecidos pela tribulação. de cujos aplausos sentia falta. 299 #4. a afirmação exaltada dele próprio. Por tuas mãos traçado. este aspecto pro vavelmente mais acentuado nas aulas que nos sermões. rodeado De punhais e de mortes. sabemos que volto u então ao primeiro plano das atenções como figura dominante na literatura. a religião civil izadora. na véspera da morte. ressuscitando as esperanças do velho frade. isto é. levando-o a buscar os traços precursores que constituem a sua raiz imediat a. o que pudemos localizar nos escritores brasileiros dependia duma certa inflexão inconsciente da sua sensibilidade e consciência literária.. ver-se na perspe ctiva a que sempre aspirou em seu egoísmo romântico. O Púlpito no Brasil. "só e silencioso". inclusive o de Castilho. "divin a. "no retir o do claustro. pág. retomando de perto o exórdio do "2. escolheu nas próprias obras anteriores o que parecia adequado ao ca so e construiu um mosaico novo. INDEPENDÊNCIA LITERÁRIA No ponto a que chegamos o Romantismo começa a exercer irresistível atração sobre o histo riador. a saber.Ou já à. palavras e recursos: o início decidido e largo. E sobre cadafalsos. interessa notar que. 1832) (14) Bamiz Galvão. Vimos em parágrafos anteriores certos prenúncios franco-brasileiros e brasilei ros. justa recom pensa do destino ao orador emudecido que pôde. a vontade consciente d e definir no Brasil uma literatura independente. O triunfo desta peça foi enorme."15 Cego em 1836. vol. na forma nega tiv a.° Sermão do Santíssimo Sacramento". encarnada na imagem da "pira em que arderam os meus olhos". recolheu-se ao convento e só voltou a pregar em 1854.° Panegírico de São Pedro de Alcântara". "ímpeto divino" e "regeneração". l_ O próprio orador não recusou contribuir para a sua consagração: "O país tem altamente decl arado que eu fui uma dessas glórias. n o "Panegírico do Santíssimo Coração de Jesus"). misteriosa e encantadora" (mesmos qualificativos. Liberdade encômios teças Da tua cara Pátria. pág. No presente cap ítulo." Por vários testemunhos.. graças ao qual se reputava m estre. (15) "Discurso Preliminar" das Obras Oratórias. P ara o estudioso. de que ele ainda hoje se ufana (. problemas e sentimentos da jovem Nação. I. eu vejo Moribun do o Brasil aos pés calcado De estúpido governo. reconci liando-o corn o século. profeta e guia mental da jovem pátria. ainda o quadro se me antolha. pertenc e à posteridade sancionar este juízo. IX. devidos à evolução interna da literatura local e aos primeiros efeitos de contágio europeu.) (e) sabe quais foram os meus sucessos neste combate desigual: ele apreciou os meus esfo rços e designou o lugar a que eu tenho direito entre os meus contemporâneos.

obedecendo niss o ao postulado que então invadia a crítica. avidamente regi strados dentre os contemporâneos. que poderíamos discriminar do m odo seguinte: 1) o Brasil tem uma tradição literária própria. con tinuando o processo de incorporação à civilização do Ocidente. o Romantismo à Independência embora um continuasse a seu modo o mesmo movimento. Até 1826 ninguém havia percebido continuidade e organicidade nos escritos de autores nascidos aqui. tácita e justamente dissolvidos no patrimônio português pelos bibliófilo s e eruditos. Entre a Independência e a Maioridade. 3) a conseqüência será a formação de uma literatura nov baseada em formas e sentimentos renovados. isto é. obedecendo às necessidade s de afirmar a independência mental. amparando no passado as suas tentativas. Afirmar a autonomia no setor literário significava cortar mais um liame corn a mãe Pátria. exprimindo o espírito nacional. inici a do pelo outro. A caracterização parece válida. Se o Brasil era uma nação. Francisco Bernardino Ribeiro. conforme as teorias do momento. como efetivamente manifestara pela proclamação da Independência. adequados a um país jovem que se afirma ra na libertação política. importando em ruptura corn o passado. chegou num momento em que era bem -vindo tudo que fosse mudança. que tal espírito deveria manifestar-se na criação li terária. deveria possu ir espírito próprio. 2) há nela elementos próprios que é preciso desenvolver. isto é. sentiram a importância de se discriminar da portuguesa a literatura feita pelos brasileiros. como análise global do processo. mas sem interesse pela autonomia literária. marco inicial no nacionalismo literário de tipo romântico. nos primeiros anos do Império. deco rria daí. Para antecipar o que será versado em pormenor no segundo volume desta obra. como Januário. definidas pouco a pouco e afinal fundidas. Reconhecer tradição literária no Brasil significava dar carta genealógica aos jovens. rebuscados nos séculos anteriores. de realização da vida intelectual e artística nesta parte da América. digamo s desde já que o Romantismo no Brasil foi episódio do grande processo de tomada de c onsciência nacional. como Barbosa Machado. ou escritores de sensibilid a de em mudança. ao traçar o primeiro panoram a evolutivo da literatura portuguesa. adequado ao espírito do tempo. Naquele ano. Almeida Garrett não apenas salienta os bras . t omada de consciência da necessidade duma nova atitude. que sempre o exprimia. havendo entu siásticos defensores da literatura separada que continuavam tributários do passado. 30O l #Na prática. e ap enas terminou no início do segundo reinado. constituindo um aspecto do movimento de Independência. no entanto. no afã de avolumar uma bagagem literária local. haja vista Borges de Barr os. e segundo o qual a literatura era um fenôm e no histórico. F oi uma espécie de criação retroativa da literatura brasileira. O Classicismo terminou por ser assimilado à Colônia.u de base à iniciativa do grupo da Niterói. por força. as coisas não se passaram evidentemente corn esta clareza. que afirmasse na liter atura as peculiaridades nacionais. graças em grande parte ao Romanti smo que. Para isto foi necessário uma elaboração que se veio realizando desde o período joanino. Durante cerca de vinte anos veremos a e laboração de catálogos de nomes. e cuja iniciativa é devida a alguns escr itores estrangeiros que. Evaristo. a referida elaboração se deu ao longo de certas linhas.

." ediçfto de 1854. no primeiro sentido." As qualidades do brasileiro. pá . trocando a mitologia pela realidade local.. Mas para que esta se constitua realmente é preciso desenvolver os aspectos nacionais. num país que oferece à observação quadros tão amplos e encantadores a imaginação desen ver-se cedo e depressa. nada ness a combinação contrariará a natureza das coisas.a história da literat ura brasileira e lançar as bases teóricas do nosso nacionalismo romântico. porque se funda na pura realidade. saíra m em dezembro de 1824. mas no escreverem ao mesmo tempo sobre Camões como tema rom ântico. não pode corresponder à d o Novo Mundo. Ayres do Casal. escrita em alemão e a que não há referências no tempo. que publicou em 1829 um dos livros mais interessantes sobre o país. na maior parte baseada em fenômenos da natureza. faria triste pa pel sob o céu tropical." "A mitologia grega. 301 #f mitologia clássica que. alega prioridade e sugere vagamente a possibilidade de Denis se haver de algum modo aproveitado da sua. Garrett. Francisco Gomes de Amorim. interessado e simpático do que o a lemão Schlichthorst. O seu Resum e de L"Histoíre Littéraire du Brésil traça uma linha de Bento Teixeira Pinto a Borges de Barros. "O poeta brasileiro (. "se forem bem desenvolvida s pela educação.19 "É natu ral. ela representa bem claramente o que nos interessa v erificar: a noção da existência de (17) No segundo volume será analisada corn mais vagar a contribuição de Denis. na "Advertência" da obra."20 Schlichthorst apresenta uma espécie de esboço da literatura brasileira. VII a LXvn.embora em nível modesto . foi mais minucioso.ileiros. Memórias biográficas. V. mas formula a idéia de que deveriam escrever seguindo as sugestões da terra . no Parnaso Lusitr. ao abordarmos a teoria crítica do Romantismo. índio. Ninguém. devem produzir grandes poetas".no. O francês teria zangado (corn razão): numa nota da 4. mesmo que os brasileiros não tenham tomado conhecimento da sua obra. ambos em Paris.18 Além deles. . alguns viajantes estrangeiros se referem ao passado literário do Brasil ou auguram o desenvolvimento de uma literatura original. se cha mar em seu auxílio as figuras singelas e sublimes da Religião Cristã. começando corn os baianos do século XVII e dando realce especial a Durão e Basílio da Gama. iniciar. oficial nos corpos estrangeiros do Exército Imperial de 1824 a 1826. é uma contribuição paralela à de Garrett e Denis. (18) As Scènes de Ia Nature sous lês Tropiques. sugere a descrição da nossa natureza e o aproveitamento tanto do índio q uanto dos primeiros colonos como tema. em o bra a parecida simultaneamente. reconhecendo a existência de uma literatura brasileira.16 Mas coube a Ferdinand Denis. Denis propõe a r ejeiç ão da (16) "Bosquejo da história da poesia e língua portuguesa". vol. o Camões em fevereiro de 1825.21 Apesar dos erros e confusões. rico m anancial de motivos para o maravilhoso de que carece em seus versos.17 Há portanto um encontro de idéias entre Garrett e Denis. em seus hábitos e costumes. Azeredo Coutinho. vol. Garrett. I pâgs. Então. I. e não apenas no haverem esboçad o simultaneamente os fundamentos da teoria literária do nosso Romantismo (o primei ro apenas de raspão).) en contrará nas tradições dos povos vencidos por sua raça. Garrett ped e desculpas. suivies de Camoêns et Jozr. quando não fazem as duas coisas ao mesmo tempo. fundando-se na simbolização da natureza.

e especialmente ne sta época. o alemão não menciona Gregório de Matos. novo e audacioso. É que não o m encionava Barbosa Machado."-3 Este intuito didático e nacionalista estabelece uma ponte entre a filosofia das lu zes e o nosso primeiro Romantismo. em que a Independência e a Liberdade desencolhem as asas à vista dos objet os. O tem a da mocidade. cit. tão caro a Evaristo." caderno. pág. corn efeito. uma pincelada vigorosa e verdadeira. corn efeito. que já respiram um ar mais saudável. Schlichthorst. "fora sem dúvida um descuido imperdoável o não fazer ressurgir a sua esmorecida literatura. poesias editadas em livro. Animador incansável dos jovens. em oito pequenos cadernos que formaram dois volumes e nos quais o cornpilador reuniu. ou melhor. que (estamos vendo) vai manifestar-se em part e como esforço consciente de realizar os augúrios. 156. E ra. de 1829 a 1832. 25. Ê evidente que o alemão conheceu e utilizou a obra de Denis. estendendo sobre ela o interesse do Governo corn a sua dupla autoridade de promotor da Independência e o r . na Biblioteca Lusitana. no sentido de mostrar que existia literatura no Brasil e corn o evidente intuito d e trazer reforço ao movimento de autovalorização da jovem pátria: refiro-me ao Parnas o Brasileiro. do editor Aillaud. Parece claro que o exe mplo seguido foi o Parnaso Lusitano. pág. desejavam "ve r florentes as belas-artes. No mesmo sentido se manifestam em 1830 Gavet e Boucher.g. 303 #Januário não se limitaria a isto.. O Parnaso apareceu. (20) Ob. animados de "patriótico ardor". quase abandonada nos últimos vinte anos dos nossos conhecimentos p olíticos". Jakaré-Ouassou. apresentando na frente dela as excelentes Composições Poéticas dos seus mais Il ustres Engenhos". 157. que o d os anos antecedentes.° volume. respectivamente: Introdução ao 2. O Rio de Janeiro como é. competindo aos moços estudá-las a fim de as poderem superar. (19) C. os bons espíritos. ou de estímulo à nossa briosa mocidade. sem ordem. cit. 1. 152. elaborando pequenas notas biográficas a partir do 2. que devem ser cantados pelos Vates. Tradução. que tanto casam corn o nosso gênio. Agora que a nação era independente." caderno. é aqui também o pensamento diretor: "Empreendi est a coleção das melhores Poesias dos nossos Poetas. de Garrett. 3. a primeira iniciativa brasileira de apanhar as deixas dos estra ngeiros . de Januário da Cunha Barbosa. respectivamente págs. 5. ou podem servir de modelos. 151. que. sem nome de autor. 1943. promotor de iniciat ivas culturais." caderno. patrocinou a literatura no decênio de 1830.."22 Mas já aí começara a aparecer a primeira e modesta tentativa de um brasileiro nato. (21) Como Denis. corn o fim de tornar ainda mais conhecido no mundo Literário o Gênio daqueles Brasileiros. (23) Parnaso Brasileiro. ousa do. IX. 368. pág. esparsas em coletâneas e inédi tas. prognósticos e diretrizes que apont amo s. fonte de ambos. formulando e procurando pôr em prática a idéia de que a natureza do Novo Mundo requeria "um pincel amplo. Agora. método e m uito menos senso de valor. que já começa a trilhar a estrada das B elas-letras. (22) Gavet e Boucher. 302 < #urna continuidade literária no Brasil e a formulação de princípios que deveriam caracte rizar as novas tentativas literárias.

I. Mas as gerações de românticos que lhe sucederam. ou manifestando inflexões que." E acrescenta que os "ensaios de um lirismo brasileiro são visíveis não em M aciel Monteiro. n as Poesias Avulsas. porque era. bem fraco poeta. d ecorosa e bem-pensante. Uns são clássicos na forma e "nacionais" no conteúdo.ador famoso. 521. outros já são quase românticos. em 1836. serem Magalhães e o grupo da Niterói os despertadores da consciência romântica. prolong ando as tonalidades de Borges de Barros e certas premonições mais remotas. 357-358. entre 1828 e 1 834. corn a exceção. síntese do que a reflexão e a pesquisa nos ensinam a respeito da introdução do Romantismo ent re nós. Não obstante. fosse à Europa e enviasse dali os Suspiros Poéticos em 1836. culminando na fundação do Instituto Histórico e Geográfico. no fundo. que Magalhães. Se alguma novidade produziu antes daquela data. que (2Í) Silvio Komero. Sílvio Homero procurou discernir no movimento romântico origens anteri ores ao grupo da Niterói. 304 #5. mas de uma u outra peça. Magalhãe s. Mas o fato é que eles também não tiveram fo rça para criar um movimento. no tempo que em São Paulo os Queirogas. porém. espírito muito mais tardio. notoriamente. Mais tarde. Juntos. Págs. não de autor. fizeram a poesia mais genuinamente brasilei ra e mais expressiva dos grandes sentimentos universais que jamais se escreveu no Brasil. formando um episódio final da "poesia a reboque". na forma. mesmo. mas nos irmãos Queirogas. para ter nov a intuição. 305 #alude em seguida ao "período de transformação romântica que se desenvolveu em torno da Academia de Olinda. formam um conjunt o não raro contraditório."25 Nada se poderia acrescentar a este juízo certeiro. escreve Haroldo Paranhos. ocorrem antes deles. de classificação difícil: verdadeiro limbo poético onde o fim é o meço. Bernardino Ribeiro. Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica. (25) Manuel Bandeira. Fi rmino Rodrigues Silva e outros. vol. clássico emperrado ainda em 1832. da nova consciência lite rária. a um tempo brasi leiro e universal."24 Comentando a afirmação. animados no seu exemplo e não no de Maci el Monteiro ou dos irmãos Queirogas. mas encontrou nos estudantes de Olinda e São Paulo. de quem havia escrito na História da Literatura Brasileira que "não esperava. tão desenvolvida depois pelo Roma ntismo. iniciavam no Convento de São Francisco o moviment . prenuncies não apenas nos temas. Assim foi que não apenas considerou proto-românticos os po etas mineiros. diz Manuel Bandeira: "A verdade é que esperou. Neste decênio começam a aparecer jovens escritores animados do desejo de promover um a literatura renovada. prenúncios decididos da nova sensibilidade e. aproxima vam-se da simplicidade plangente ou popularesca. História da Literatura Brasileira. que fo i o consagrador oficial dos escritores na primeira fase romântica. nacional e patriótica. Não pôde realizá-lo. a mediocridade universal. fixou-se de preferência em Maciel Monteiro. Ao passo que o artigo da Niterói e os Suspiros Poéticos exerceram desde logo enorme influência. a coisa passou despercebida. Ele sonhou corn o ideal de um lirismo de alta envergadura. pág. o começo é o fim. compenetrada. na sensibilidade. como também na própria doutrina literária. "As Acad emias de Direito de São Paulo e Olinda foram os ninhos de onde abriram vôo os condor es do Romantismo". O LIMBO Como se sabe. e ao lado deles. Essa quem a teve foi.

Dos de Augusto Queir oga. s egundo Couto de Magalhães. Modulações Poéticas. no movimento romântico. a Sociedade Filomática. houve prenuncio de coisa nova num agr upamento literário de alunos e professores. no começo do decênio de 1830. há uma Lira ao sabiá que denota acentuação daqu ela melodia que vimos manifestar-se em Elói Ottoni e Silva Alvarenga. A. J. Em São Paulo. em 1841. Maciel Monteiro. dir etor. J.28 O mais fecundo foi José Salomé. 150O-1830.como dem ons(26) Haroldo Paranhos. 436 e 460-461. E como anteda tou muitos dos poemas para justificar os seus plágios de Victor Hugo . 53). págs. o primeiro. Salomé escreveu então um prefácio onde procura visivelmente forçar o seu papel. os "pri ncípios eternos da razão e da natureza. mas os seus versos deste tempo só foram publica dos quarenta anos depois. que iria expandir-se daí a pouco corn os românticos . ou grupo renovador na Academia de O l inda. marco inicial."20 É mais ou menos o que dissera Sílvio Romer o. o fato é que nad a nos autoriza a falar de atmosfera romântica. História do Romantismo no Brasil. Recentemente. na Epístola tão citada .ficamos sem saber quais os que correspondem realmente ao tem po de estudante. muito poucos igualmente. Magalhães". Teixeira e Sousa. pág. propugnando a obediência às normas tradicionais da Poética e invocando contra os transgressores "o braço vingador da crítica".° 2 da Revista da Sociedade Filomática. Ao aconselhar a imitação dos ingleses e franceses. (27) José Aderaldo Castelo. ao lado de Porto Alegre. 306 #trou Sílvio Romero . Nas idéias críticas.o preparatório do romantismo brasileiro. censurando as o usadias românticas de Garrett. Firmino Silva. parece que Bernardino obedecia mais a um critério de nacionalismo que de estética: a rejeição. de Lemos Magalhães ("Bos quejo d a história da poesia brasileira". sempre muito preocupado em reivindicar primazias para o Norte. a anônima "Vista d"olhos" que vem no n. corn efeito. assume vigorosamente o partido da tradição clássica. Em poesia. José Aderaldo Castelo ressaltou-lhe a importância no movimento. estudantes. logo em seguida professor. O seu fundador e principal figura foi o estudante Francisco Bernardino Ribeiro. (28) Joaquim Norberto. Pelo que pod emos julgar atualmente. encarnavam. 1950. indícios de um terceiro. D. do português colonizador.2T Não sabemos quanto durou a Sociedade. A Introdução ao Romantismo no Brasil. Os poucos poemas de Berna rdino são ruins e inteiramente tributários da estética neoclássica."29 No importante "Ensaio crítico sobre a Coleção de Poesias do Sr. a tendência clássica e o segundo a tendênci a reformadora. porém. de . a contribuição do grupo é nula para o Romantismo. e de uma cer ta ternura elegíaca de modinheiro. da revista que publicou há indicação certa de dois números. José Salomé Queiroga e Antônio Augusto Queiroga. fazendo o primeiro estudo sistemático da sua função pré-romântic . considerava Antônio Augusto Queiroga utm dos componentes da "nova escola" aberta por Magalh&es. Bernard ino e Justiniano. J. destacam-se Justiniano José da Rocha. Além dele. parece que os seus dois porta-vozes neste campo. G. e reput o de sua autoria. Teixeira e J. e o da Sociedade Filomática. tão liga da aos destinos do Romantismo. também no campo literário. daquela intensa sociabilidadede estudantil. onde foram contemporâneos três poetas indicados por Sílvio como de transição para o Romantismo: Álvaro de Macedo e João de Barros Falcão. morto antes dos 23 an os e carinhosamente cultuado pela tradição acadêmica. o grupo se caracteriza por uma extrema ambivalência.

93-96. nada terá que invejar às sediças descrições Européias de Coridons e Tircis. ob. Tomo II. e vere mos amanhã tragédias sem exposição? Qual é o vosso assunto. e de todo o gênero de exórdio em que nos possa dar idéia do assunto de sua composiç ao menos como tal não entendemos essa advertência em prosa que precede a obra. (30) Ob. afirmam a soberania das normas tradicionais: "O Poema Camões é c onstruído sobre um plano não só defeituoso como inteiramente errado. e em particular sobre o Poema-Camões geralmente atribuído ao Sr. deitados sempre debaixo de cansadas faias. O escritor não rec . ao mesmo tempo. o Poema Camões não tem plano. prop iciando a divergência entre sensibilidade e razão. de Staél e outros espíritos famosos. 1844. teria havido um 3. em uma palavra. em que lugar estamos. não o foi certamente nos n. RSF. que nem um só vate fez descansar seus amantes à sombra amena das nossas mangueiras. variada e brilhante. Mme. O poeta prescinde de prop osição."33 Esta contradição é ligada em parte à educação retórica do Classicismo. no trabalho citado. 556-558: "O Dr. artigo anônimo que precede a "Nênia" de Fírmino Rodrigues Silva. propalava a desnatada e moribunda escola dos clássicos franceses. que. 307 #e augurada por Garrett. porém. Sabiam sentir o arcaísmo das Poesias de Magalhães. no Bosquejo. vemos que este (a meu ver S antiago Nunes) lamenta o conservantismo de todos eles: "É para sentir que os seus aut ores se deixassem influir tanto pelos prejuízos que nesse tempo e nos próximamente a nteriores. publicado no n. os costu mes dos nossos camponeses. nem jamais nos persuadimos que da rigorosa obrigação de expor o que pretende livrasse o poeta quantos prólogos imaginasse: concedamos um absurdo destes. em que t empo? perguntaremos ao autor do monstro acéfalo etc. atrapalhando a livre expansão da literatura. em vésperas do triunfo da fecunda escola de Hugo e de Dumas.Justiniano Rocha. Junho de 1833. inda ofer ece m quadros tão virgens como ela ao poeta que os quiser pintar: quando me lembro que o azulado Céu dos Trópicos ainda não foi cantado.30 Entretanto. Logo . Queriam e temiam simultaneamente a renovação. o Ens aio referido foi publicado na RSF. Francisco Bernardino Ribeiro". n. num escrito onde colaboram ambos e mais um dos Queiroga. cit. l (cujo sumário é dado por Afonso de Freitas apud Castelo.. brasileira: "Quando porém atento a que nossas paisagens.° 2 du Revista.° 2. que se prolongou atr de compêndios por todo o século XIX. aparece a adesão franca ao ponto de vista de Garrett. desabafava o seu ress ent imento e procurava fazer esquecer a sua impotência corn os descompostos vitupérios q ue fazia a Schiller. ou para nos expri mirmos mais exatamente. José Aderaldo Castelo mostrou bem. prevista (29) "Vista d"olhos sobre a Poesia Portuguesa desde os últimos anos do século 18 . cit. Goethe. rica. e só conhecem os pela referência de um anônimo na Minerva Brasiliense. Garrett". corn a anunciada continuação da Visto A"olhos e o Ensaio. corn o apelo a uma literatura nacional. pág. 46. Segundo o A. escandalizavam-se corn as ousadias. como a natureza que a inspira. como ele constitui um franco indício precursor do Romantismo. págs. (31) MB. mas bradavam ante as novidades do Camões.) ou 2. em parte porque não tinham dela uma noção definida."32 De outro lado.° número. a Natureza virgem da América."31 Vê-se bem que os rapazes escorregavam nesse terreno de contradições. atrevo-me a esperar que nossa poes ia majestosa. Anteviam a emergênc ia de uma literatura nova.°s. pág. Por isso proclamam de um lado a necessidade de uma poesia colorida. liberta da imitação servil dos clássicos e atenta às sugestões locais. Denis e outros.

querendo substituir o cipreste pela mangueira e o rouxinol pelo sabiá. considerada já nos meados do século passado a fundadora da poesia nacional. assinalada por essa melancólica Nênia de um gênio brasileiro que há dez anos sentou-se aqui nos bancos acadêmicos. há aí o encanto da ori ginalidade. Obras Completas. Note-se a defesa intransigente das três unidades chamadas aristotélicas.. Daí u m abismo entre teoria e prática. de Pedro Luís. o indianism o. do que algumas dúzias de certos paspa lhões corn seus indigestos cartapácios. 414. .. por ocasião de cuja morte escreveu a famosa Nênia (1837). pâg.:!7 Segundo Paulo Vale. amigo e discípulo amado de Bernardino. nos seus cantos nacionais..ao gravar em toda uma geração uma certa tonalidade como que requeri d a pelo momento. que já Frei Francisco de-S. pág. mas escandalizado ante qualquer violação das normas. responsável em parte pela indisciplina que viciou mu ito da produção romântica. (35) Alvares de Azevedo: "Discurso recitado no dia 11 de agosto de 1849 etc. 808 #tradição.° vol. Bernardino Ribeiro" e desenvolvida mais tarde pelo autor dos Timbiras" etc. 2. cit. Carlos e Santa Rita Durão h avi a (sic) traçado" etc. Para Alvares de Azevedo. O autor da "Vista d"olhos".. dos colégios e dos tratados elementos para disciplinar a sua in spiração pessoal. e como um eco das vozes misteriosas de nossas florestas e dos no ssos bosques.) Há também uma pequena nênla americana. "Ensaio crítico".. encontramos num que se poder ia chamar rebento da Filomática.86 O Barão de Paranapiacaba diz em nota a "O Prisioneiro índio": "A poesia que se vai ler. pág. Firmino Rodrigues Silva.quem o não consideraria um louco rematado? E um tal protesto ataria as mão s da autoridade? Livrá-lo-ia do crime se alguma vez fossem por ele as leis posterg adas? Pois igual império exerce a crítica na República das Letras. José de Alencar oferece a Nênia como tipo de poesia nacional justamente concebida. Bocalino ou Muratori. J. pá g. 45. a saber. pertence à escola iniciada entr e nós por Firmino Rodrigues Silva na "Ode (sic) à morte de F."39 (34) Idem. pág. Sentimo-lo bem nesse grupinho esforçado e medíocre da Filomática. uma flo r que uma pena de escritor político fez desabrochar nos seus primeiros ensaios e que para mim ficou como o verdadeiro tipo de poesia nacional. Rocha.não conheço normas sociais. Gonçalves Dias "veio regenerar-nos a rica poesia nacional de Basílio da Gama e Durão. e que serviu de guia para outros e melhores poetas." (Cortas sobre a Confederação dos Torneios por Ig. 46.38 E Sílvio Romero: "Gonçalves Dias já encontrou mesmo em seu temp o o caminho aberto.ebia. corn efeito.." ."3* Sensibilidade mais próxima do que seria o Romantismo. 30 anos depois . uma vez que continuavam a servir-lhe as regras de Aristóteles.. Como força diferenciadora em nossa evolução literária Firmino Silva pesa mais corn aqueles poucos versos."35 Nas Cartas sobre a "Confederação dos Tamoios". cit. incompatíveis corn a dinãomica do espírito moderno. 32). Parece ter exercido influência parecida corn a da Terribilis Dea. 4.. dirigir-me-ei somente por meu próprio alvedrio . que extravasam do teatro para o poema. (36) "O sr. (33) "Vista d"olhos". mostrou quanta poesia havia nesses costumes índios (. ab riu "a nova escola nacional. Gonçalves Dias. censurando em Garrett a ruptura c orn a (32) J. brada: "Se em nossas sociedades civilizadas aparece um homem a clamar em praça pública . Horácio .

que parece ter si do o sentimento dominante da sua breve atividade poética: a "Ode ao sr. corn quem iniciou os estudos. indo em 49 para Coimbra. no sentido de um nacionalismo literário que ele não sabia o que podia s er. . deste modo. Descartado o papel histórico. Segundo os bibliógrafos. de que foram todavia precur sores. 310 #BIOGRAFIAS SUMÁRIAS CAPÍTULO II FELICIANO JOAQUIM DE SOUSA NUNES nasceu no Rio em data incerta. Nesta cidade publicou em opúsculos pelo menos quatro . e que as informações e transcrições de P aulo Vale devem ser consideradas corn bastante cautela)." (Apontamentos). CLÁUDIO MANUEL DA COSTA. do nde saíram os Júbilos da América."f Dos seus outros poemas. Este. (39) Sílvio Homero. Não abriram novos caminhos na crítica ou na poesia. filho do português João Gonçalves da Costa e sua mulher Teresa Ribeiro de Alvarenga (esta. mandou-o voltar ao Brasil e fez destruir a edição. vivendo até os 14 ou 15 anos em Vila Rica s ob a orientação de um tio. por motivo não esclarecido. 1. 27. Oficina de Miguel Menescal da Costa. Parece ter deixado cedo o lugar natal. 69. resta a possibilidade de haverem manifestado sensibilidade ou idéias r omânticas à margem do movimento. José Maria do Amaral". 309 #Firmino. Alberto de Olive ira fala em 1734." vol. o populismo de José Salomé constituem sintomas típicos duma nova direção.° volume dos Discu rsos Político-Morais. Paulo). Frei Francisco Vieira. diz o pouco seguro SB. A sua limitada importância provém desse lampejo graças ao qual deu ao te ma do índio um torn moderno. um outro é ainda inspirado pela amizade. pág. preparan do-o.(37) Poesias e Prosas Selectas do Barão de Paranapiacaba. 1758. que cabe a Magalhães e o seu grupo. A morte se deu em data igualmente incerta. fez imprimir o 1. diretamente ligado à melancolia e ao patrotísmo. Passando a Lisboa. de que apenas conhecemos seis poemas. que me parece tardia. Excetuando-se a breve produção de Firmino Silva pouco há em todos os citados escritore s que permita considerá-los de influência no Romantismo. para ser manipulado não apenas / como assunto. que liga deste modo o grupo de São Paulo a outro poeta considerado qua se-romântico. on de se formou em cânones em 53. Quanto a isto. e que o artigo de Justiniano não deixa de representar certa consciência de ref orma. cit. teria ainda publicado dois opúsculos em 1771. quiçá nos primeiros anos do século XIX: 180 9 ou 1810. coligidos no Parnaso Brasileiro de Pereira da Silva. Dr. não há dúvida que a melodia de Antô nio Augusto Queiroga. em homenagem respectivamente ao Marquês do Lavradio e ao Conde de Azambuja. pelo menos mais dois ("As Lágrimas". retribui animando a reunião comemorativa dos Seletos. em 1 752. pág. que dedicou a Pom bal. (à maneira de Durão e Basílio) mas como correlatívo da sensibilidade romântica e nacionalista. nem foram pelos contem porâneos reputados como modelo. "A Saudade") prendemse à memória de Bernardino. abandonou logo a poesia e atirou-se corn êxito à política e ao jo rnalismo. (Aproveito par a observar que a Nênia vem truncada no Porraoso. mas cuja necessidade pressentiu. (38) Paulo Antônio do Vale: Parnaso Acadêmico Paulistano. História. pág.. 596. Daí passou ao Rio para estudar corn os jesuítas até 1748. "de famílias mui distintas" de S. onde viviam situados seus pais em o exercício de minerar e plantar segundo o uso do País. Nomeado almoxarife dos armazéns da mesma c idade por Gomes Freire. "nasceu aos 5 de junho de 1729 no bispado de Mariana em um dos distritos da cidade chamado V a rgem.

juntamente corn outros versos. ao menos como estimulo. deixou o cargo e se dedicou à agricultura e mineração em terras do atual município de S." Nos decênios de 70 e 80 escreveu várias poesias. Como ele. sob o nome de "Memória histórica e geográfica da descoberta das Minas. onde viveu o resto da vida como a dvogado e minerador. . 1813. pois em novembro de 1789 declarava ter 45 anos. e nos pr eciosos Apontamentos para se unir ao Catálogo dos Acadêmicos da Academia Brasílica dos Renascidos menciona várias obras suas. Feitos os estudos básicos. voltando à pátria provavelmente em 1776. mas publicado apenas em 1839. Mais ou menos no mesmo período devem ter sido compostos o po e ma épico Vila Rica. a que daria um apoio sentimental. dos outros restam os títulos. Deste ramo de produção podemos ajuizar pelo Parnaso Obsequioso (1768). . publicadas na maior parte por Ramiz Ga lvão em 1895. inclusive dois poemas long os. um ano antes do seu primo Gonzaga. Era homem de pr ol. em geral encomiásticas. João d"El-Rei. onde se encontra a sua melhor produção. e em 1768 estampou as Obras . participando de conversa s imprudentes. aos 60 anos de idade. 4068. Nas Cartas Chilenas. foi menos. por certo desesperado em conseqüência.poemas. segundo parece. mas em 1786 precisou valer-se da amizade do Gov ernad . Preso. peça comemorativa "para se por em m úsica". senhor de três fazendas. De 1762 a 1765 foi Secretário do Governo da Capitania. Era solteiro e de i xou filhos naturais. Meteu-se em grandes trabalhos. Ali. ano em que o encontramos ouvidor da Co marca do Rio das Mortes na Capitania de Minas. atemorizou-se no interrogatório. pronto por voltas de 1773.provavelme nte auxiliou o amigo. Em 1759 é nomeado sócio correspondente dos Renascidos. Gonçalo do Sapucaí depois de casado em 1781 corn Barbara Heliodora Guilh ermina da Silveira. que se perderam. e por certo exerceu influência literária sobre ele. CAPÍTULO in INÁCIO JOSÉ DE ALVARENGA PEIXOTO. corn sede em S. partiu pa ra a Metrópole. "De 1753 a 1754". mostrando pre ocupação corn os problemas políticos e sociais. comprometeu os amigos e. corn bens de fortuna. nasceu no Rio. diz ele. quiçá na cidade natal. suicidou-se logo após no cubículo da Casa dos Contos . I. enquanto algum erudito não os dese nterrar. voltou a Vila Rica. quando foi envolvido na Inconfi dência. de que apenas é conhecido o Epicédio consagrado à memória de Frei Gaspar da Enca rnação (1753). 311 #e o respectivo "fundamento histórico". nos negócios. págs. em 1931. conforme alguns críticos.de que seria autor. Se parece ter sido feliz no matrimônio. escolheu a carreira judicial e foi juiz d e Cintra. em Ou ro Preto. A partir de 1782 ligou-se de estreita amizade corn Tomás Antônio Gonzaga. no gênero das "ações e festas teatrais" do poeta cesáreo. que Caio de Melo Franco descobriu e publicou. filho de Simão de Alvarenga Braga e sua mulher Ângela Micaela da Cunha. bacharelando-se em leis na Universidade de Coimbra em 1767. De 1769 a 1773 foi juiz medidor de terras da Câmara de Vila Rica. seis peças de teatro e mais sete traduzidas de Metastasio. dado a lume n"O Patriota. onde fora encerrado. em julho de 1789. No decênio de 80 fez parte da Câmara de Vila Rica como Juiz Ordinário. a julgar pelas obras de arte e a escravaria cons tantes no Seqüestro dos seus bens. provavelmente em 1744. porém.

onde travou amizade corn Cláudio e reatou convívio corn seu primo Alvarenga Peixoto. em janeiro de 1793. Devemos a Rodrigues Lapa o esclarecimento defini tivo da fase final da sua vida.or Luis da Cunha Menezes. eram do Rio de Jan e iro. filho do fut uro desembargador João Bernardo Gonzaga e sua mulher Tomásia Isabel Clarque (Clark). protelando sempre a viagem.quantia avultada para o tempo. morrendo alguns meses depois no presídio de Ambaca. Talvez as dificuldades materiais tenham favorecido nele uma atitude crítica em fac e do estatuto colonial. (que o nomeara em 1785 Coronel do Regimento de Cavalar ia Auxiliar da Campanha do Rio Verde. mas o que re stou foi pouquíssimo. teria escrito muito. Em 1786 fora nomeado desembarga dor na Relação da Bahia. escrevendo para isso uma tese sobre direito natural que não chegou a defender. tornando-se um dos principais personagens de Lourenço Marques. mas não chegou a tomar posse. Em 1789 foi preso como imp l icado na Inconfidência e encerrado na fortaleza da Ilha das Cobras até 1792. Preso em 1789. em 1792. E embora avaliados em mais de 8 0 conto s no Seqüestro. . aos 55 anos. não participou das resoluções comprometedoras e teria. de que é provavelmente autor. Na África. corn sete anos. para obter prorrogação de prazo no pagamento de impostos. ond e se formou em leis em 1768. mas teve a pena comutada em degredo perpétuo para Angola. d a qual ficou noivo em 1787 contra oposição da família. 1865. Foi condenado à mor te. descendia de troncos ingleses. saindo de lá para o degredo em Moçambique. veio para o Brasil. quando muito. também formado em direito. Tome do Souto Gonzaga. Segundo a tradição. inclusive a tragédia Enéas no Lúcio. denunciando os amigos corn e sem propósito. Em 1779 era juiz em Beja. tirando da desgraça e lementos para recompor a existência. onde a morte o colheu em 1810. mais tarde conde de Lumiares. em 1759. e em 1782 retorna ao Brasil como ouvidor de Vila Rica. pelo lado da mãe. contra quem são diri gidas as Cartas Chilenas. de gente rica e importante do lugar . acomodou-se bem. sendo designado na Sentença como "um dos chefes". negociou habilmente. estudando na Bahia corn os jesuítas até o fechamento do seu colégio. colega de Coimbra. portou-se mal. . aparecendo em antologias depois da sua morte. ocupou cargos públicos.sabemos que os bens do casal es tavam gravados por dívidas. de gente bem situada. Garnier. Ao que parece. Não tardou a apaixonar-se por Joaquina Dorotéia de Seixas. O certo é que na falação da Inconfidência teve papel destacado e aliciador. encara do corn simpatia as especulações sobre a liberdade da Colônia. onde o pai fora nomeado Ouvidor Ger al de Pernambuco. até que o beneméri to Joaquim Norberto reunisse as Obras Poéticas. . era estranho a qualquer intuito r ebelde. Do decênio subseqüente sabemos que pretendeu ingressar no magistério da Universidade. casou corn herdeira r ica. ao contrário do que sempre se supôs. O pai e o avô. inclusive da lenda que o apontava como enlouquec ido. Em 1761 estava de volta a Portugal. ao contrário dos outros poetas. meteu-se corn êxito em lutas polític as. onde pouco durou. O traço principal da sua atividade pública em Minas foi a contenda corn o Governador Luís da Cunha Pacheco e Menezes. posto por que passou a ser tratado). 312 #TOMAS ANTÔNIO GONZAGA nasceu no Porto em 1744. Sempre manteve a energia e o equilibro evidenciados no processo. Em 1751. matriculando-se em 1763 em Coimbra .

corn efeito. pelo menos. na trad. a Parte" apareceu em 1799. Mi nas Gerais. e ressalvando sempre a falsidade da 3. que lhe teriam emendado os versos acadêmicos. Nunesiana. parcialmente. Lapa . pode-se perguntar: não seria esta obra poética sobre a mineração. 1792. devido à proteção dos jesuítas. corn algumas peças que se foram depois ajuntando. valendo nesse transe um protetor. . por Santiago Nunes. em 1845." Quem teria ousado p u blicar um réu de lesa-Majestade. Das outras obras.Poemate Didascalico ab Aurifodinensibus Musis depromptae. Parece que a morte do pai. o que é cr l dada a sua mocidade e nenhuma produção de vulto.o Brigadeiro Alpoim. pa rece. O extravio de uma fich a me impede recordar onde li a indicação. tendo antes. corn as iniciais T. por Luís Francisco da Veiga. Permanece inédita a Dissertação sobre a U sur a. ocorrida na sua primeira infância. filho de Manuel da Costa Vilas-Boas. corn três partes. 313 #JOSÉ BASÍLIO DA GAMA nasceu na vila de São José d"El-Rei.a Parte. sem comentário. José. em 17 59. no desejo de matricular-se em Coimbra. mas lá chegando foi preso e condenado a . soluta oratione et curiosa questione de Auri gen erí. de que as obras requeridas p ara o ingresso foram feitas pelo Padre José Rodrigues de Melo. Laemmert. mas a respectiva expulsão. Terminados os estudos. segundo Varnhagen. o requisito corn que Basílio se habilitou à Arcádia? E não há de fa to certa analogia entre o assunto desta sua obra (assunto que nunca mais o inter essou) e o da obra de José Rodrigues de Melo? Este o teria quem sabe sugerido ao j ovem mineiro. acarretou situação difícil. Em fevereiro de 1767.A história da sua obra é curiosa. hoje cidade de Tiradentes. Basílio estava novamente no Rio.a parte. mas como simples hipótese.a parte. na Tip. onde foi enco ntrada. devolveu-o à vida civil. que o adquiriu na Itália em 1938: Brasiliensis Aurifodi nae . Estava ainda preso quando apareceu em Lisboa a pri meira coleção das liras. pela qual optou. em todo o caso. nunca mais republicada. em posse d e um diplomata brasileiro. Em 1811 a Tip. e sua mulher Quitéria Inácia da Gama. passou no decênio de 60 à Itália. Bulhões de 180O. De Rusticis Brasiliae Rebus.que o encaminhou no Rio e facilitou os seus estudos.: Marília de Dirceu. as Cartas Chilenas. sendo recebido na Arcádia Romana sob o nome de Termindo Sipílio. para onde viajou de novo em 68. A. sive de Auro. e como teria alcançado os originais. onde teria ficado alguns anos. Ferreira Lima noticiav a em 1943 a existência de um poema didático latino inédito de Basílio da Gama.a como se evidenciou a seguir. Sem qualquer elemento probatório. ej usque extractione in Brasilia appendice. estando o poeta no exílio. Por outro lado. estava na Capital da Colônia par a estudar corn os jesuítas e ingressar na sua Ordem. Por voltas de 1753. 1863. fazendeiro abas tado. Em 180O. visitado Portugal. provavelmente no Seminário de S. Lisboa.. completas. de Gualberto dos Reis. apareceu uma ed. além de emprestar-lhe a mão hábil no verso latino. até que Rodrigues Lapa a retomou na sua bela edição de 1937. As edições correntes até então reproduziam em essência a ed. o Tratado de Direito Natural foi publicado em 1944 por R. reeditado em 1941 pela Academia Br asileira. Bulhões. ou cópias? A "2. Este. Rio. no ano de 1741. . Lacerdina juntou novas liras e e m 1812 a Impressão Regia deu a lume uma nova 3. constando do que se chama hoje a "l. estava em Roma àquele tempo e lá escreveu um poema didático em latim sobre coisas r ústicas do Brasil. Tip. G. Segundo Kaule n. feita provavelmente na Itália. na mesma Tipografia. sendo falsa a 3.

perdoou-o e. em 1795. assinalado por Afonso Arinos no prefácio da reedição de Glaura (1943).viu-se envolvido na Devassa ordenada pelo Vice-Rei Conde de Rezende em 1794. passaram então a v ilipendiar o grande político. até 1762. Depois deste ano foi para Portugal e lá vi .o degredo para Angola. não se sabe 314 #quando. por mercê de D. Basílio identificou-se desde então à política pombalina. a caminho desta cidad e. Parece que serviu de soldado na guarnição da Colônia do Sacramento. Suplicou então a graça num Epitalâmio à filha de Pombal. Maria I. este simpatizou corn o poeta. quando foi para o Rio. sem ter repetido os feitos poéticos da mocidade. reuni das sob o nome de Glaura. provavelmente e m 1749. à Bi blioteca Real. patriota e ilustrado. pois o poema Quitubia (1791) é de pouco va lor. tendo podido assistir às primeiras re formas e inovações da fase joanina. tornou-se figura de prol na Capital. na e d. publicado a expensas do poderoso Mecen as. As suas poesias conhecidas só foram reunidas em nossos dias por José Verissimo. e só publicara de permeio duas traduções e alguns versos de circunstância. na edição Garnier das Obras Poéticas. ou mais provavelmente no mar. quando morreu. capitania d e Minas Gerais. serviu de ponte entre os escritore s coloniais e os que participaram do movimento da Independência. no Rio. mais tarde. completar os estudos de humanidades. Foi para o Rio. matriculando-se em Coimbra. nas suas duas fases. Escreveu mais de um verso em apoio à política cultural do Marq uês. Além de algumas poe sias. sem ter sido condenado. Continuou a advogar e a ensinar. e possivelmente em 1771 seguiu par a a Europa. Oficina Nunesiana. provavelmente orientador de conversas sobre a insuficiência do estatuto colonial para promover os destinos do Brasil. sendo ele próprio c olaborador d"O Patriota. publicado em 1769 na Regia Oficina Tipográfica. dentro de cujas diretrizes. Morreu solteiro em Lisboa. até 1814. Preso em fins deste an o. onde desempenho u papel importantíssimo na formação da mocidade. autor dos seus esta tutos sibilinamente liberais. cultivo das letras e difusão das idéias m odernas. e quem sabe por apelo do Ministro. Homem erudito e sensível. aduladores da véspera. mas parece que escrev endo pouco. publicou em vida os dois livros mencionados. Em Port ugal ligou-se ao patrício Basílio da Gama. colocou-o na Secretaria do Reino. Em 1799 apareceram em Lisboa. e que o aproximo u d os círculos pombalinos. devendo-se creditar a favor do seu caráter o não haver se juntado à malta dos que. não lhe alterou a posição burocrática. Animador da Sociedade Literária. Voltou à pátria em 1777 e. inclusive o aparecimento da imprensa. filho do músico Inácio da Silva e uma mulher de cor. fixando-se na cidade natal. declarou 46 anos de idade. como castigo de umas sátiras. A sua biblioteca foi incorporada. salvo um poema. em 1777. A sua produção conhecida foi reun i da por Joaquim Norberto em 1864. . A queda do prot etor. provido da Cadeira de Retórica e Poéti ca. notadamente o poema O Desertor (1774). ao menos em parte. pois interrogado em 1795. como suspeito de partidário dos jesuítas. Garnier das Obras Poéticas. Ensinando e advogando. filho ilegítimo de port uguês e preta escrava. DOMINGOS CALDAS BARBOSA teria nascido pouco antes de 1740. solteiro. na Devassa. de quem sofreu influência. Lisboa. onde se formou em Cânones em 1776. sem dúvida alguma simpático aos escritores ilustr ados e à Revolução Francesa. por voltas de 1760. MANUEL INÁCIO DA SILVA ALVARENGA nasceu de gente humilde em Vila Rica. as suas poesias amorosas. teria exercido ali a advocaci a e o magistério até 1782. compôs o Úraguai. só foi solto em meados de 97.

Naturalista. Capitania de Minas Gerais. Em 1817 veio para o Brasil na comitiva de D. em filosofia natural e medicina. curioso poemeto em latim macarrônico. filho do fazendeiro português João de Melo Franco 315 t #e sua mulher Ana de Oliveira Caldeira. morrendo em 180O. na mesm a cidade. no ano de 1757. além do "negar o S acramento do Matrimônio". Paulo do Brasil" (Retratação). acusado de "Herege. ainda válido. Dogmático". ocorrida no ano de 1822 ou 23 em Ubatuba. "Foram meus pais Paulo Rodrigues Durão. CAPÍTULO V FREI JOSÉ DE SANTA RITA DURÃO nasceu em 1722 em Cata Preta. e o 2. mas o curso foi interrompido pela condenação do Santo Ofício. quando. vivendo ao que parece obscuramente no Rio até à morte.chegou a p residir à Nova Arcádia. recebendo para isso as ordens menores. R etomando o curso em 1782. no distrito da cidade de Mariana.veu à sombra dos poderosos Vasconcelos. O Reino da Estupidez. No meio lisboeta granjeou popularid ade e estima corn as modinhas brasileiras que cantava ao violão. deu lugar a um inquérito rigoroso. paulista. corn punição de inocente s. que um pediatra moderno. considera de primeira qualidade e. Neste ano. Leopoldina da Áustria.talvez pela doçura do temperamento. pela Lacerdina. onde fora à busca de melhoras da saúde. anterior) FRANCISCO DE MELO FRANCO nasceu em Paracatu.° apenas em 1826.° volume apareceu em Lisboa no ano de 1798 pela Oficina Nunesiana. É provavelmente desse tempo a Descrição da função do Imperador de Eiras. para ensinar a mesma disciplina no Colégio d a sua ordem. pois no mesmo ano compôs o seu vivo poema qu e. em muitas partes. corn grande êxit o profissional e financeiro. que o reteve preso de 77 a 81. Além dele. de volta duma viagem a S. Em 1775 ou 76 matriculou-se na Universidade de Coimbra. em 1738. Pa ulo. Em vida publicou poesias de circunstância. Estudou corn os oratorian os (1733-1736) e professou na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. e tc. para onde passara em 1771. escreveu livros de medicina. em que possivelmente o ajudou ou aconselhou o amigo José Bon ifácio. formou-se em 1785. por idéias avançadas. inédito até 1920 no conjunto. espalhado em cópias.. Coimbra. Tendo procurado inutilmente ingressar no ensino universitário. de que o barrava o seu passado rebelde. . chegando a Médico do Paço. Minha mãe nasceu na província de S. cujo 1. dedicou-se à clínica em Lisboa a partir de 1786. foi como lente de teologia pa ra Braga. só apareceu em 1818. embora continuasse matriculado. Foi para o Rio estudar humanid ades em 1769. Meu pai nasceu em Portugal de família ordinária. José Marti nho da Rocha. onde seguiu regularmente os curs os até 1745. a simpatia e a honradez . . CAPÍTULO IV (Sobre Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga ver o Cap. voltando a Coimbra em 1754. ao terminar o 1. e Ana Garcês de Morais. mas a sua obra principal são as peças ligei ras reunidas sob o título significativo de Viola de Lereno. completando-as em Lisboa. onde satirizo u as festas do "Império do Divino". Em 1756 recebeu o grau de doutor e foi admitid o à Academia Litúrgica. Prezado acima dos méritos. Minas Gerais. participou corn Sousa Caldas no mesmo Auto da Fé.° ano da Faculdade de Teologia. onde tinha o nome de Lereno Selinuntino. notadam ente um Tratado da Educação Física dos Meninos. graças aos quais obteve um benefício eclesiástic o. em Paris. sarge nto-mor das milícias iirbanas. sem que a Inquisição lhe tivesse podido quebrar a fibra nem desviar as idéias. Foi aos 9 anos para Portugal e nunca mais voltou à pátria.

tendo sido muitos anos bibliotecário da Lanciziana. apar ecera m em publicações esparsas e coletâneas. rompeu corn ele. Alternadamente bem recebido e maltratado. onde se aquietou em 1763. ensinando na Academia de Marinha até a jubilação. Residiu em Roma até 1777.transferiu-se para Lisboa. 1781. a maio res alturas. que. voltou à pátria depois da independência. foi para Coimbra estudar matemáticas em 1790. redigindo inclusive escritos antijesuíticos. tremesse pelo próprio destino a partir do atentado de 1759. na Regia Oficina Tipográfica. Feitos os preparatórios na cidade nata l. onde morreu em 84. que encerrou praticamente a sua atividade política e o levou a expatriar-se por algum tempo. Mais tarde passou ao corpo de Engenharia Militar e ao magistério . poderoso e seguro de si. os Po e mas. composto por Frei José de Santa Rita Durão. Em função do ensino. tendo combatido em Túnis. Durão (corn o fito de tirar proveito) orientou-o numa hábil e desonesta política de adulação a Sebastião José de Carva ho. publicando. e pode ria ter visto Basílio da Gama. roído de remorso e temor. embora nomeado professor de hebraico. incompa tib ilizou-se na sua 316 #Ordem e. depois. Por altura de 1780. pub licou Elementos de Geometria (1815) e Breve Tratado de Geometria Esférica (1816). inclusive o da Abdicação. D. que por lá esteve no decênio de 60. S enador apagado durante a Regência. senador.os dados não permitem precisar a data . que foi publicada: Pró annua studiorum instauratione Oratio. França e Itália. Em 61 já redigira no mesmo sentido uma Informação ao marquês de Sorria. que o elevou ao arcebispado de Évora e. enfurecido. na Espanha. alcançando as mais altas posições: conselheiro. em 1823. a queda de Pombal permitiu o seu regresso a Portuga l. de família abastada. Apesar de afastado da Pátria de sde os 9 anos. leva uma vida errante pela Espanha. publicado em 81. em 1821. born administrador. mais tarde cardeal. como estudante. Homem culto. (1794). As suas melhores poesias. as recordações de José Agostinho de Macedo mostram-no ditando o se u poema épico. D. parente dos Távoras. João Cosme da Cunha. ministro em quase t odos os gabinetes do Primeiro Reinado. CAPÍTULO VI FRANCISCO VILELA BARBOSA nasceu em 1769 no Rio. Naquele ano. Formado em 1796. Como este. falecendo no Rio em 1846. foi o único dentre os poetas maiores aqui estudados que registrou a naturalidade na folha de rosto da obra: Caramuru. tornando-s e este agradável ao ministro. depois de ter apresentado ao Papa uma Retratação pessoal e um relato (Epítome) sobre a perseguição dos jesuítas em Portugal. já reputado como teólogo e pregador.Em 1758. João não cumpriu as promessas nem reco mpensou o instrumento da sua grandeza. proferindo em 78 a aula inaugural dos curso s. muito dedicado às obrigações. Deputado às Cortes de Lisboa pelo Rio. Poema Épico do Descobrimento da Bahia. que depois reconheceu caluniosos. ainda nas boas graças dos jesuítas. onde ocupou uma cátedra de Coimbra. posteriores aos Poemas. entrou em relação corn o bispo de Leiria. em 1822. Depois disso . filho do come rciante de mesmo nome e Ana Maria da Conceição. sendo estes documentos publicados apenas em 1914. e passaram como de autoria do prelado. fugiu de Portugal em 1761. natural da Cata-Preta nas Minas Gerais. foi a princípio oficial na Marinha de Guerra. As manobras tiveram êxito. ainda foi ministro no início do Segundo Reinado. era por feição e convicção u . Mas. da Ordem dos Eremitas de Santo A gos tinho.

JOSÉ ELÓI OTTONI nasceu na então Vila do Príncipe. ficou o Brasil devendo as medidas que lhe asseguraram a independência sem esfacelamento. depois marquês (1826) de Paranaguá. durante a qual fez c ursos. É muito extensa a lista dos trabalhos científicos e políticos desse alto espírito. A partir de 1808 dedicou-se apenas à poesia religiosa. em 1852. a perfeiçoando-se numa longa viagem pela Europa de 1790 a 180O. editadas em Bordéus. foi acatado e recebido em sociedades científicas. estampados na Bahia em 1815 e o Livro de Job. onde foi nomeado funcionário da Secretaria da Marinha graças ao patrocínio dum confrade e amigo. na capitania d e Minas Gerais. A partir de então a sua at ividade é tão conhecida que dispensa referência. como Poes ia dedicada à condessa de Oeynhausen. mudou-se para a Bahia em 1811. traduzindo nota damente os Provérbios de Salomão. De novo em Lisboa pela altura de 1820. filho de Manuel Vieira Ottoni e sua mulher Ana Felizard a Pais Leme. voltando ao Brasil por alturas de 1790. elaborou por longos anos e só foi publicado depois da sua mo rte. matriculando-se em Coimbra nos cursos de direito c 317 #filosofia natural. passando dep ois à Itália. Estudou humanidades na atual Diamantina e em Catas Altas. bastando lembrar que a ele. que começou por este tempo. foi retirado dos livros pelos acontecimentos políticos de 1820. a quem serviu corn devotamento e o f izera. Francisco Carlos da Silva. Ocupou um cargo na Embaixada portuguesa de Madrid. atual cidade do Serro. quase toda a sua produção se encontra reunida nas Poesias Avulsas de Amér ico Elísio. e onde morreu. dedicou-se sobretudo à mineralogia e à química. 18 02. filho do Coronel Bonifácio José de Andrada e sua mulhe r. mais do q ue a ninguém. ambos cariocas. mu ito velho. contendo 6 poesias. filho de José Carlos da Silva e sua mulher Ana Maria de Jesus. no ano de 1825. Capitania de S. no ano de 1765. Publicou várias pequenas coleções de versos. em religião FREI FRANCISCO DE SÃO CARLOS. típico daqueles patriotas mornos. desconfiados ante o liberalismo. 1801. onde o protegeu o Gove rnador D. Daí a 1819 aplicou-se principalmente à administração e ao ensino. JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA nasceu. onde es tava exilado. nasceu em 1763 no Rio de Janeiro. Anália de Josino. Em 1825 estava de volta ao Brasil. Feitos os preparatórios na vila natal e em São Paulo. publicou trabalhos. Estudou corn os franciscanos. Nomeado professor de latim na atual Minas Novas. nos primeiros anos do século XIX. no ano de 1851. de gente bem situada. Manoel de Portugal e Castro. Vilela Barbosa. que encontraram a solução ideal no paternalismo autoritário de Pedro I. etc. pa rtiu para a Europa em 1783. em Portugal . depois em Macacu (atua . que era o seu pseudônimo arcádico. que precipitaram os problemas da autonomia brasileira. onde freqüentou as rodas literárias. em Santos. tendo de entremeio lutado contra os franceses. No ca mpo literário. fo i eleito deputado por Minas às Cortes. em 1764. Tendo pleitado em vão um emprego público no Rio. transferiu-se no decênio de 90 para Portugal. sempre nos setores dos seu s estudos.onservador de pendores áulicos. Maria Bárbara da Silva. fixando-se no Rio. não chegando a tomar assento. corn o qual manteve relações. primeiro visconde (1824). Paulo. pátria de seu avô. Formado em 1788. As edições atuais incorporam o restante dos seus verso s. voltando ao Brasil em 1809. apegados à ordem e à s egurança. foi protegido da Marquesa de Alorna e sofreu a influência de Bocage. Voltando à vila natal em 1819. onde se preparou para a carreira eclesiástica (que não seg iu) e morou vários anos. primeiro no Rio.

1819. recomendando que o vigiassem de perto. isto é.onde. reza a tradição. no curso de Matemática. nasceu no Rio em 1762. José. ANTÔNIO PEREIRA DE SOUSA CALDAS. Por ser doentio. além dum e outro fragmento e a oração fúnebre da ra inha D. e por este tempo. foi irrequi eto e inclinado às "idéias francesas". Sobre o seu período de estudos há bastante obscuridade: sabemos de certo. Enquanto alano. Foi em 1813 guardião do convento de Santo Antônio. parece que foi à França. deslumbrado o Príncipe Reg ente. Os seus biógrafos bem pensantes dizem que de lá saiu "regenerado". chegando a definidor e visitador geral da província franciscana do Brasil. repontam o ilustrado e o patriota. foi algum tempo comissário dos Terceiros da Penitência. não registrando os biógrafos por quanto tempo. filho do comerciante Luís Pereira de Sousa e sua mu lher Ana Maria de Sousa. quando foi nomeado professor de eloqüência sagrada do Seminário de S. (1816). pelo que se depree nde duma conversa narrada por Monte Alverne a Porto Alegre. Rio de Janeiro. e que o nomeou ainda examina dor da Mesa de Consciência e Ordem. sendo recolhido para penitência ao Convento de Rilhafoles. inclusive Francisco de Melo Franco. Dos seus numerosos sermões nada resta. era agitado e instável. ousadamente rousseauista. uma bela e máscula presença. em cujo Convento de S. famoso pelos excepcionais dotes oratórios a que juntav a. num Auto da fé daq uel e ano. . Em 1809 foi nomeado Pregador da Capela Real. que foi matriculado em Coimbra em 1778. corn folhas intercaladas. ante o qual pregara por ocasião da sua chegada. na Capitania do Espírito San to. em 1770. . ali esteve até 1801. à busca de melhor clima. e em 1785 era apontado como um dos prováveis autores d"O Reino da Estupidez. corn efeito. parece. que depois se extraviou. teria abandonado a poesia profana. Naturalista. Paulo ensinar teologia. ao menos uma versão inicial. mas o fato é que em 1784 cornpõe a "Ode ao homem selvagem". de constituição frágil. pouco antes da sua morte. e. Maria I.l Estado do Rio). depois de haver. Em 1790 foi mandado a S. em 1796. Morreu aos 66 anos em 1829. inacabado e defo rmado por Garção Stockler. . Do mesmo período é o poemeto didático "As aves". mais ou menos entre 1804 318 #e 1809. entre 1781 e 1789. sob acusação de "Herege. um ofício ministerial o apontava ao V i ce-Rei como "temível" pelas idéias. vindo ele ao Rio visitar a mãe. isto é. Rodrigo de Sousa Coutinho.havendo disso mais dum sinal em sua obra. Visitador geral das Ordens Terceiras e Confrarias Franciscanas da Capitania de Minas Gerais. que foi impressa. A par tir daí. recebendo ordens sacras em Roma no ano de 1790. no qual se formou apenas em 1789. Monte Alverne con tou a Porto Alegre ter visto nas mãos do poeta. Como se vê. tais cargo s dificilmente seriam oferecidos a um homem suspeito às autoridades. de que se exigia então um ano para os candidatos ao curso de Leis. poema compos to em honra da Santa Virgem. portugueses. Antes de se formar. Em 1781 foi preso pelo Santo Ofício. e de volt a ao Rio. . Deve ser encarada corn reserva a informação de que recusou dois bispados. como o qualifico u D."alternativamente santo e jacobino". parece. O seu maior título é A Assunção. o "Caldinhas". Boaventura ingressou em 1776 e recebeu mais tarde as ordens. Depois da for matura viajou novamente. Deísta e Blasfemo". um exemp lar muito emendado. O fato é que a ntes de 1809 foi cinco anos guardião de dois conventos. como era chamado pelos colegas. ganhando fama como pregador. deve ter composto o Assunção. mandaram-no para Portugal aos 8 anos. Imprensa Regia. não obstante. Rio. ainda em 1801. aparecendo junto a outros estudantes.

. fregue sia de Paraopeba. filho de um fazendeiro da Capitania do Rio de Jan eiro lá destacado como Alferes de Ordenanças. extinguiu-se esse livre e atormentad o espírito na cidade natal. no ano de 1843. onde ficou até 180O. Ode (a) Francisco da Silveira Pinto da Fonseca. a julgar por uns versos. atua l República do Uruguai. 519 #Desinteressado e modesto..Em 1808 voltou definitivamente à pátria. CAPÍTULO VII HIPÓLITO JOSÉ DA COSTA PEREIRA FURTADO DE MENDONÇA nasceu na Colônia do Sacramento. Era padre e. protegido pelo Duque de Sussex. Fez os preparatórios em P orto Alegre. Cerca de 1810-1812 compôs as Cartas. JOAQUIM JOSÉ LISBOA.. Nomeado para a Imprensa Real em 1801. e sua mulher Ana Josefa Pereira. Liras. funda em 1808 o Correio Brasiliense ou Armazém Literário. que nunca mais deixou. Das suas cartas restantes a 47. sempre achacado. 1806. sob acusação de maçonaria. Estabelecido e m 1805 nesta cidade. em 1823. onde foi sapateiro. 1SO7. em 1821. 1812.. como recentemente estabeleceu Carlos Rizzini.. sendo preso na volta. FREI JOAQUIM DO AMOR DIVINO RABELO E CANECA nasceu em 1779 no Recife. Versam a liberdade de opinião. onde viveu e morreu. Dos cárceres da Inquisição escapou em 1805. 1810. 1808. em 1774. Londres. em Paris. nasceu em Vila Rica. filh o do rei e maçon ele próprio. etc. como os confrades de igual e menor porte. As suas décimas satíricas começaram a ser recolhidas por Januário da Cunha Barbosa. 180 8. etc.a apareceram n a Revista do Instituto Histórico. aos 51 anos. e é significativo que. JOAQUIM JOSÉ DA SILVA teria nascido pela mesma altura no Rio. escrevendo respeito a Narrativa da Perseguição. ignorando-se a data e local da morte. Encerrou então as atividades do jornal e morreu pou co depois. em 1802. onde confirmou o renome de orador sacro. e tc.. etc. Félix da Costa Furtado de Mendonça. enco ntrando-se também no Florilégio de Varnhagen e no Parnaso de Melo Morais Filho. Minas Gerais. formou-se em Leis e F ilosofia na Universidade de Coimbra. à Inglaterra e França. abraçou a idéia de separação apenas quando os acontecimentos se precipitaram. sincera e forte.a e a 48. natural daquela Colônia. e que lhe valeu o cognome . Ode à chegada de Sua Alteza. resultando o Diário de minha viagem para Filadélfia. Liras de Jonino. em 1775. nunca tenha sido nomeado pregador da Capela Rea l. fazendeiro. As suas Poesias Sacras c Profana s e a versão parcial dos Salmos de Davi foram publicados em 1820-21 pelo sobrinho Antônio de Sousa Dias. de que restam infelizmente duas publicadas e três inéditas. coexistia nele corn a extrema liberdade intelectual. salvo as de cunho mais livre. mostrando que a fé religiosa. etc. Partidário da união equivalente dos dois reinos. quando seriam pelo menos me ia centena. publicado apenas em 1955. num torn parecido ao do Correio Brasili ense e quiçá nele inspirado. A proteção dos ingleses. em 1798. em 1814. Rodrigo de Sousa Coutinho de est udar questões econômicas nos Estados Unidos. Foi Alferes da tropa de linha em sua terra e publicou uma série de opúsculos em verso: Descrição curiosa. sem chegar a saber que fora nomeado cônsul do novo Império em Lo ndres. SILVÉRIO RIBEIRO DE CARVALHO nasceu no decênio de 1760 na Capitania de Minas. como José B onifácio e tantos outros. fez nova viagem oficial. que publicou até 1822 e foi a mais completa tribuna de análise e crítica da situaçã o portuguesa e brasileira. 2 vols. apesar disso. No mesmo ano é encarregado pelo Ministro D. etc. 1811. As produções satíricas do Padre Si l vério do Paraopeba foram reunidas em 1863 por José Maria Vaz Pinto Coelho. dum casal .

Em 1830 foi eleito deputado por Minas. foi fuzilado no Recife em 1825. e dela viveu confortàvelmente até a morte. brasileira. ficou preso até 1821 na cade ia da Bahia. desde o seu ingr esso no recém-fundado jornal Aurora Fluminense. e sempre reeleito até morrer. Processado e condenado à morte. Participante da Revolução de 1817. Francisco Luís Saturnino da Veiga. portando-se corn admirável sobranceria. Fez estudos corn o pai e. era português e tanoeiro de ofício. intelectual e praticamente. de caráter em grande parte eompilatório: Breve compêndio de gr amá tica portuguesa.modesto. porém. o seu temperamento a rrebatado e destemido. e m 1837. inclusive a letra do Hino da Independência. de que foi doutrinador pri ncipal. contribuindo decisivamente para a defesa das instituições públicas. ver capítulo anterior) JANUÁRIO DA CUNHA BARBOSA nasceu no Rio em 1780. Foragido corn outros revolucionários. além de trabalh ar para o desenvolvimento intelectual e artístico. brasileira. EVARISTO FERREIRA DA VEIGA nasceu no Rio em 1799. que o levaram ao separatismo. aplaudindo os jovens escritores . onde o prenderam. da sua terra. filho de um professor primário p ortuguês. corn a inclinação direitista de velhos co rreligionários como Vasconcelos e Honório Hermeto. separou-se logo. até 1818. tornou-se um dos pilares da sit uação durante as Regências. e sua mulher Francisca Xavier de Barros. Homem culto e curioso. morrendo poucos meses depois no Rio. se chamava Francisca Alexandrina Siqueira. Artífice máximo da eleição de Feijó em 1835. foi todav ia como político que realizou. Sabemos que era apaixonado pelo estudo e fez versos corn pertinácia desde a infânci a. Empenhado na defesa das liberdades constituc ionais como condição de existência da jovem pátria. etc. São dessa fase a importante Dissertação sobre o que se deve entender por pátria do cidadão. a partir de 1811. Protagonista destacado do Sete de Abril. anotou a jornada no Roteiro do Ceará. nos Anais da Biblioteca Naciona l. e à rebelião de 1824. Em Recife. O pai. donde o apelido que o filho incorporou altivamente ao nome e corn o qual passou à poster idade . corn certo nome na tribuna sagrada. filho de Leonardo José da Cunha Bar . curso u as diversas aulas regias da Capital. Das atividades docentes re sultaram algumas obras. criou um estilo e uma conduta de mod eração combativa. retomou as atividades docentes e ingressou numa grande f ase de doutrinação política. CAPÍTULO VIII (Sobre Evaristo da Veiga. trabalhando a seguir como caixeiro do pai. animando-os e auxiliando-os materialmente. Domingos da Silva Rabelo. musicado por Pedro L A grande vocação p olítica o absorveu a partir de 1827 em detrimento de tudo o mais. Tratado de Eloqüência. de que logo se tornou proprietário. além de verrinas polêmicas e o jornal O Tifis Pernambucano. As suas poesias só foram publicadas em 1915. passou logo ao ensino e foi nomeado em 1805 professor de Fi losofia e substituto de Retórica e Geometria do Recife. Táboas sinóticas do sistema retórico de Fábio Quint liano. conduzindo a opinião liberal. Desg ostoso corn a orientação autoritária do Regente. Tendo feito os est udos e o noviciado no Convento do Carmo. Em 1823 estabeleceu livraria própria. ordenou-se na ordem dos 320 #Carmelitas em 1796. orientando-a entre os extre mos. dele e outros cornpanheiros de luta liberal. a mãe. as enérgicas e inspiradas Cartas de Pítia a D amão. fechou o jornal naquele ano e partiu para uma longa estadia em Minas. participando do movimento da Independência e das subseqü entes dissenções regionais. depois livreiro. escrevendo quase todos os artigos. conciliando mais que ninguém o apego à ordem e ao decoro corn as reivindicações liberais.

Em Caracas fez duas retumbantes defesas. e ele tem uma audácia e seg urança pouco comuns. foi exilado e m 1822 por instigação deles. Famoso como or ador sacro." Em vida. nasceu no ano de 1795 em Santo Amaro do Jaboatão. Tomás Antero. José e se orde nou padre em 1803.além da colaboração esparsa em periódicos e manuscritos inéditos. atirou-se decididamente em 1821 no movimento preparatório da Independênc ia. José Joaquim Ortiz. d e que foi um dos principais autores. 1831. A rusga da Praia Grande. sobre cujos sócios i nfluiu. além das Poesias. JOSÉ DA NATIVIDADE SALDANHA. passando a 321 #in seguir um ano em Portugal. que atingira nas causas de C aracas. Car acas. passando à França. morreu afogado numa valeta de es goto. a antologia Parnaso Brasileiro (1829-1832) e as biografias publicadas na R evista do Instituto Histórico. A sua principal contr ibuição à literatura são. TEODORO TAUNAY nasceu nos primeiros anos do século XIX e veio em 1816 para o Brasi .bosa e sua mulher Bernarda Maria de Jesus. o Discurso sobre a tolerância. foi a partir de então. donde foi expulso como elemento subversivo. Há dele vinte e tantos discursos e sermões impressos em folhetos. num ofício publicado por Alberto Rangel : "a fisionomia deste mulato é penetrante e inteligente. como estudante. filho do Padre João José de Saldanha Marinho e Lourença da Cruz. quem sabe enviado pelos exilados pernambucanos de Londres a estabelecer con tacto corn Bolívar. no ano de 1832. consagrou-lhe o epicédio "En Ia muerte dei desgraciado poeta bra sileno Natividade Saldanha. . 1826. corn certeza desacordado pela queda. espécie de Arcádia local. Nas vicissitudes por que passou perderam-se numerosos manuscritos. Um dos seus admiradores colombianos. todavia. respectivamente até 1834 e 1837. Imprensa da Universidade. Coimbra. não lhe deram licença para advogar. de cunho político. Rio. dois poemas longos: Niterói. Adverso aos Andradas. onde entrevistou o Libertador. Em noite de tempestade. possivelmente por pressão dos conservadores. Matriculou-se em Coimbra em 1819. diretor do Diário Fluminense e da Imprensa Nacional. deputa do por Minas de 1826 a 1829. 1837. Em 1808 foi nomeado pregador da Capela Real e substit uto de Filosofia Moral e Racional. e pa ssou a Bogotá. Em 18 38 foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico. 1822. mas nunca reunidos em livro." Indo para a Inglaterra. tornando-se catedrático em 1814. Cônego da Capela Imperial em 1824. Em janeiro de 1825 fugiu para os Estado s Unidos. que reproduz uma das suas citadas defesas. alguns dos quais vêm assinalados por Alb e rto Rangel. falecendo em 1846 no e xercício do mandato de deputado. Em 1875. impresso em Londres em 1823. dizendo o Prefeito de Polícia ao Ministro do Interior. só publicou. Ferreira da Costa reuniu os seus versos conhecidos sob o títu lo de Poesias de José da Natividade Saldanha. Pernambuco. já estava na Venezuela em agosto de 1 826. Estudou no Seminário de S. participando ativamente do movimento. Granjeou reputação entre alguns jovens escri tores. Os Garimpeiro s. mulher de cor. a grande ação patrocinadora depois de 1830. freqüentando El Parnasillo. publicou as Poesias dedicad as aos amigos e amantes do Brasil. Ali viveu muito pobremente de aulas parti culares. herói-cômico. fundando corn Joaquim Gonçalves Ledo o famoso jornal Revér~ bero Constitucional Fluminense. voltando em 1823. col ando grau em Direito no ano de 1823. Rio. corn breve intervalo. De volta à pátria foi eleito secretário da Junta que dirigiu no Recife a rebelião de 182 4. uma comédia política.

Chronique Brésilienne. filho que era de Nicolau Antô#nio Taunay. etc. Resume de Vhistoire du Brésil. escritos durante o decênio de 1820 em latim e traduzidos por Félix Emílio. permaneceu aqui na companhia de dois irmãos. 1833.l corn a família. Este livro é fruto da influência de Denis e da tr adução do Caramuru. 1830. 1821-1822. Daí. que o levou a ser processado mais de uma vez e preso. anecdote b résilienne. de que foi expulso em 1816 por liberalismo. 1850. etc. Scènes de Ia Nature sous lês Tropiques. Depois dos estudos secundários entrou para a administração pública. 1825. 1830. muito estimado pela su a bondade. De qualquer modo. aprendendo as línguas respectivas. suivies de Poésies Diverses et d"une notice sur Ia traite dês noirs. sendo o primeiro romance indianista. mencionem-se os seguintes títulos. Além de Idylles Brésiliennes. de que nos interessam dois: Zaccaria. e publicado pelo sobrin ho. chegou a diretor em 1865 e foi aposentado em 1885. de maior interesse para nós: Lê Drésil. pai de Tristan Corbière. comandando até 1828 navios que vin ham à América. Da sua extensa bibliografia. conheço dele apenas um longo poema. morrendo nestas funções em 1880. ali passando a vida er udita. JEAN FERDINAND DENIS nasceu em Paris em 1798. Começou a vida na Armada. nasceu em Brest em 1793 e morreu em Morlaix . Une fête brésilienne. João VI. Retornando ao jornalismo até 1829. etc. lamentand o a morte do irmão Adriano.. em 1875. De 1818 a 1825 viveu no Brasil e Uruguai. corn Hypolite Taunay. chegando a Coletor de Amiens. Resume d e Vhistoire littéraire du Portugal. de quem não pude obter nenhum dado. sendo o único amigo a segui r o seu enterro em 1846. 1826. Br issot-Thivars. em col aboração corn Philippe Boucher. 1824. junho 1823. 323 #in . viajou pelo Brasil e outros países da América do Sul durante cinco anos. grande amigo do Brasil e dos brasileiros. ÉDOUARD CORBIÈRE. Cerca de 1823 mudo u de atividade e ingressou na marinha mercante. caracterizando-se por uma extrema combatividade l iberal. de Monglave. depois do conto de Denis sobre os Machakalis. Era ligado a Sa inte Be uve e principalmente Senancour. E ntrou para o jornalismo político. o seu interesse e especialização em assuntos ibéricos e sul-americanos. Paris. que cultivou por toda a vida. onde diz ajustar ao francês poesias indígena s colhidas no sertão de Ilhéus por um compatriota. do grupo "fran co-brasileiro". Visconde de Taunay. notadamente brasileiros. suivi du Resume de Vhistoire littéraire du Brésil. Entre 1832 e 1846 publicou vários romances de aventuras maríti mas que tiveram popularidade. No intuito de adquirir conheciment os e experiência para uma eventual carreira diplomática. mas o seu interesse para nós reside nas Élégies brésilienn es. passou nesta data a dirigúr uma compan h ia de navegação costeira. afogado no Guaporé em 1828.. Voltando o pai à Europa em 1821. Além de traduções do português e do espanhol. DANIEL GAVET nasceu em Paris no ano de 1811 e morreu depois de 1867. e reputo um ori entador mais idoso do jovem autor. sendo o prime iro livro na linha indianista pré-romântica dos "franco-brasileiros". Morreu em 1890. publicou cinco livros. pintor da Missão Artística chamada por D. e de escritos e poemas e sparsos. Histoire Géographique du Brésil. em colab. a quem foi muito fiel. 1826 e Jakaré-Ouassou ou lês Tupinambas. Rio. Em 1838 foi nomeado bibliotecário e em 1841 conservador da Biblioteca de Sainte Ge neviève. que operam a p assagem do indianismo neoclássico ao dos românticos. No decênio de 30 foi nomeado côn sul da França no Rio.. elas se enquadr am no modelo ossianesco e calham aos propósitos liberais de Corbière.

inclusive do poema Lê méritc dês femmes. Contribuiu também decisivamente para o segundo casamento do Imperador. Voltando ao Brasil em 1831. e o Caramuru. já em Paris. Funcionário de 1830 a 1832. de uma antig a e ilustre família de senhores de engenho. que o enc heu de honrarias na ocasião. abrindo-lhes as páginas do respectivo Journal. foi o estímulo de Felinto Elísio. a admissão do Magalhães. . Neste ano iniciou. numerosas traduções. De 1805 a 1810 esteve na França. foi depois encarregado de negócios em Paris até 1828. de div ulgação e de romances. clérigos e militares. São Paulo. anônimas. Amigo da Marquesa de Alorna. que o puseram como patrono d"A Época Literária. na Bahia. A partir de 1814 dedicou-se ao cultivo das suas terras. Foi sócio honorário do nosso Insti tuto Histórico em 1838. Rio. Em 1825 estampou naquela cidade. Embora poetasse desde os vinte anos. cujas obras traduziu. Deputado às Cortes de Lisboa. Ingressando em 1801 na Ordem Franciscana. de Lego vé. contendo peças inéd itas e já publicadas. e no decênio seguinte a Minerva Brasiliense registrava que h avia dado um curso sobre a Literatura brasileira. na Bahia. mas dedicouse principalmente aos seus negócios e obras de caridade. Parece não ter escrito depois de 1825. FREI FRANCISCO DE MONTE ALVERNE. em dois volumes. Remetido ao Rio foi logo posto em liberdade. cuja versão comple ta foi publicada e prefaciada por Melo Morais pai em 1850 (Tipografia Poggetti. que já havia dado po etas e oradores à Colônia. sendo preso equivocadamente por j acobinismo quando chegou à Bahia. e a primeira parte do poema fúnebre Os Túmulos.FRANÇOIS EUGÈNE GARAY DE MONGLAVE nasceu em Bayonne em 1796 e esteve no Brasil algun s anos. onde colou grau de bachare l em filosofia no ano de 1804. foi em 1833 um dos fu nda dores do Institut Historique. jornal publicado em 184 9-50 Fora criado barão (1825) e depois visconde (1826) de Pedra Branca pelo primei ro Im perador. no século Francisco de Carvalho. mas ali se demorou até 1813. Autor de obras polêmicas. estudou no Colégio dos Nobre s e matriculou-se em 1802 na Universidade de Coimbra. Foram seus pais o sargento-mór Francisco Borges de Barros e Luísa Clara de Santa Rita. Torres Homem e Pôrto-Alegre. estudou no Conv ento de Santo Antônio. até que o ano de 1820 o la nçasse na política. Bahia). tendo colaborado ativamente n"O Patriota. como Delille e Legouvé. tomou em 1833 assento no Senado. Passou a Portugal em 1796. para o qual fora nomeado em 1826. Em 1810 veio para o Brasil via América do Norte. nasceu no Rio em 1784. salvo acréscimos a Os Túmulos. uma breve e agitada carreira de jornalista liberal. em 1779. junto corn Debret. sobre agronomia e química. Mas era tido como figura tutelar pelos litera tos baianos. freqüentou também escritores franc eses. e onde deve ter patrocinado. sempre interessado nas ciências naturais. onde morreu em 1855. talvez de 1820 a 1823. as Poesias o ferecidas às senhoras brasileiras por um baiano. qu e o lançou na poesia. filho do ourives português João Antônio da Silveira e sua mulher Ana Francisca da Conceição. contribuindo decisivamente para o reconhecimento da Independência . interessa-nos por haver traduzido a Marília de Dirceu. visitando outros p aíses em 1807. de que se tornou secretário perpétuo. para onde veio em 1804. corn um a introdução histórico-literária. e no de São Francisco. brasileira. DOMINGOS BORGES DE BARROS nasceu em Santo Amaro. onde aparecera m nad a menos de oito memórias da sua autoria. ao qual se ligou afetuosamente em Paris.

onde s e bacharelou em 1833. . Muito amigo de Francisco Bernardino. redigiu um j ornal liberal. ao transferir-se para o Rio. foi uma espécie de consciência oratória do Primeiro Reinado. Morreu em Paris no ano de 18 . sempre a pedido do Imperador. a serviço do Partido Conserv ador. no ano de 1810. Em 1853 publicou as Obras Oratóri as. não trepidando em a tacar violentamente o Imperador numa cerimônia. filho de outro do mesmo nome. era o mais alto exemplo de talento aplicado no engrandecimento intelectual da nação. em 1837. Alguém todavia se interessava por ele. e em 1858 apareceu o Compêndio de Filosofia.. Fez parte da Sociedade Filomática. voltou a pregar na Cape la Imperial. JUSTINIANO JOSÉ DA ROCHA nasceu no Rio em 1812. quando cegou e. a instâncias do jovem Imperador. mas foi após 181 6. Talento famoso no seu tempo. todas de boa qualidade. matriculando-se em 1829 na Academia de S. correspondeu-se publicamente corn outro grande cego. dedicando-se depois de formado ao jornalismo político. deu à luz uma análise da Confederação dos Tamoios. Neste sentido traduziu vários roman ces. e por haver introduzido entre nós a ficção em folhetim. e adaptou outros. Pouco ensin ou. Isto durou até 1836. Conhecem-se dele.aqui se ordenando em 1808 e ensinando filosofia até cerca de 324 #1816. num retorno espetacular. em cuja revista escreveu. Aos moços.e. no ano seguinte. foi bacharel em 34. FIRMINO RODRIGUES SILVA nasceu em Niterói em 1815. recolheu-se ao convento. jornalista e político. Paulo em 1837. pouco antes criada na França. en t re os quais alguns dos fundadores do Romantismo. seis poe sias. Antônio Feliciano de Casti lho. Aluno da Academia de S. Além de ter sido um dos maiores jornalistas do tempo. Morreu no Rio. como Os assassinos mister iosos. Morreu em Niterói no a no de 1857. a famosa Nênia. Nos três anos que ainda viveu. A Voz Paulistana (1831). Paulo. filho de Francisco das Chaga s Ribeiro e Bernardina Rosa Ribeiro. naquele an o. como professor de filosofia e retórica. sabendo-se que era mestiço de branco e negro. privado da atividade triunfal que lhe satisfazia a vaidade e pendor histriônico. ao todo. chegando ao Senado. compôs por ocasião da sua morte. apesar de sempre glorificado pelos admiradores e ex-alunos. vencendo o concurso para lente de Direito Criminal no mesmo ano. Magistrado. Deixou poesias e artigos espa rsos. que lhe deu lugar na literatura. mas a sua influência foi muito grande sobre os jovens do tempo. de Magalhães. Ardente pa triota. muito pobre. re digindo a respectiva revista. pouco antes da Abdicação. fez alguns discursos e um ser mão. que o protegia e orientava nos estudos. fez carreira como membro do Partido Conservador. doutor em 35. Em São Paulo iniciou a carreira de pregador. que alçou vôo e abriu um período de êxitos ininterruptos. de pais desconhecidos. pois fez e studos secundários na França. também considerado de sua autoria exclusiva. morrendo na cidade natal aos 22 anos. Paulo. onde p ermaneceu à margem. amargurado. em 1862. e fundou a Sociedade Filomática (1833). . sem dúvida um dos maiores acontecimentos da vida intelectual da época. Paulo.a quem se ligara de amizade fraterna. f ormando-se na Academia de S. e pregador da Capela Real. inclusive de Víctor Hugo e Dumas. 4 vols. interessa à literatura pela at ividade precursora do Romantismo em S. FRANCISCO BERNARDINO RIBEIRO nasceu no Rio em 1815.

nas outras. (1955). para evitar a sua repetição enfadonha. Uma interpretação da literatura brasileira. Paulo. de nada serve m ou ficaram superados por aqueles. Quando um trabalho for citado mais de uma vez. Não se trata de uma Bibliografia completa. como: Guilherme de Almeida. Para simplificar.. d. 325 #NOTAS BIBLIOGRÁFICAS . sejam estudos e informações sobre eles. de Manuel Bandeira. CEB. faze ndo corresponder o amadurecimento do nativismo literário à consciência progressiva da terra. grafando. Antes de discriminá-las. 1943. mesmo consultados. dar todos os subtítulos e especificações das folhas de rosto. Nem sempre elas incluem cada um dos autore s estudados. As obras são aqui referidas corn todos os dados. seja por se restringirem à poesia ou à prosa. Viana Moog. pois na verdade estão implícitas. brilhante e inspirada apresentação do tema. isto é: ver na bibliografia dos parágrafos l e 2 do capítulo VIII os dados c ompletos. por exemplo. Não se encontrarão prosadores na Apresentação da Poesia. procu ra Í !i! #distinguir a influência das diferentes regiões sobre as características dos escritore s. s. co mo crítica ou dados informativos. mencionemos algumas obras rápidas de síntese. discriminadas abaixo em primeiro lugar. 1926. de Na tividade Saldanha. O leitor não deverá subestimar estas obras gerais em relação à bibliografia especializada. 2. por vezes muito longos. as obras utilizadas. 7 vols.. O nome do autor que é objeto da nota só aparecerá por extenso no começo. consideradas de consulta obrigatória: Inocêncio Francisco da Silva. o leitor será remetido a ela por uma indicação entre parêntesis. (1946). Martins. Mas o inconveniente compensa a alternativa. em seguida. isto é. (cap. São Paulo. repetição exaustiva duma longa sério de títulos a cada página. etc. Do senlirnento nacionalista na poesia b rasileira. aparecerão apenas as suas iniciais. por s e considerarem de consulta obrigatória. data. editor. naturalmente por ter sido aluno do autor e rec ebido a sua influência. pois muitas vezes nelas se encontra o que há de melhor sobre o autor em questão. § l e 2). por exemplo: Octavio Tarquínio de Sousa. ao contrário do que foi feito nas c itações de rodapé. Études de littérature brésilienne. nem poetas na Evolução da Prosa. S. além de opiniõ es corn que não raro coincido aqui. não serão mencionadas nas n otas. onde apareciam apenas título e número de página. Relação Verdadeira. s. Dicionário Bibliográfico Português. e isto basta para exprimir a sua importância e a necessidade de subentendê-las em c ada nota bibliográfica.li Nas seguintes Notas Bibliográficas o leitor encontrará. seja por omiti-los. Rio.79. proveitosas e e lucidativas. Passemos às obras gerais. mas dos títulos que se r ecomendam. como se em cada nota estivessem citadas. d. par a simplificar. sobretudo nas obras antigas. mas o leitor deve tê-las sempre em mente. compreensivo e simpático. em lugar de Relaçam Verdadeyra. lugar. VIII . a especificação cornpleta só aparecerá na primeira. sejam textos dos autores. de Agripino Grieco. Lisboa.a ed. Imprensa Nacional. excluindo-se deliberadamento os que. Em muitos casos não há material além delas. Evaristo da Veiga. José Osório de Oliveira. Tratando-se. cit. Paris. 1858-1 . reduzi à ortografia corrente. Centre de Documentation Universit aire. por exemplo. cheio de pontos de vista penetrantes. História Breve da Literatura Brasileira . As obras gerais. ordenadas por capítulos e suas divisões. Mas não achei necessári lvo nalguns casos. Roger Bastide. Garraux. a menção de um estudo denominado Biografia de JNS quer dizer B iografia de José da Natividade Saldanha.

Idem. História da Literatura Brasileira. levando mais longe a operação iniciada por Ronald. is to é. José Veríssimo. às vezes raras e de acesso difícil. até o meado do século XIX. os demais contin uados e ampliados por P. é a primeira visão sistemática e um estrangeiro. Imprensa Nacional.a ed.. 1862. não dos autores arrolados. R io. cor n denominações não raro arbitrárias e arrevezadas. Curso Elementar de Literatura Nacional. mais 15 de Suplemento. R io. 2. menos "incausada" do que o autor pretendia. indispensável. V. 1937. pela presença viva duma grande personalidade. e outros. 1867-1923. reduzir o elenco dos escritores ao mínimo admissível dentro do critério d . irreg ular nos juízos. Um dos seus gra ndes interesses reside nas extensas transcrições de trechos e peças. Pequena História da Literatura Brasileira. em muitos casos insubstituível. Sílvio Romero. Ascher. bem feito e úti l. 1916. Rio. no momento a melhor visão sintética.. 1863. insuficiente nos dados. possi velmente ainda hoje a melhor como unidade de concepção e fatura. considerada em continuação ou apêndice da portuguesa . pois. Alves. Berlim. na maior parte.° volume. O seu mérito foi haver reduzido quase ao essencial o elenco dos autores e apresentad o a matéria corn um gosto e amenidade até então desconhecidos. 1 vols. Briguiet. Idem. sem declarar e quiçá sem perceber. 1929.. Evolução do Lirismo Brasileiro. 2 vols. Brito Aranha. Lê Brésil Littéraire. o método de Blai r. Edelbrook. Rio. 2. sem corn^~ 327 #i l prometer a autonomia do juízo crítico.a geração romântica. Rio. Paulo. é o monumento central da nossa historiografia literária. atribui aos fatores históricos o lugar devido. 1951. aproveitando os trabalhos ant eriores numa primeira sistematização. as mais das vezes ainda plenamente aceitável. Interessam ainda como exemplo da crítica laudatória e por serem as primeiras histórias da literatura brasileira. s. 2. S. por Jango Fischer. seguia. Garnier.. Sacramento Blake. Imprensa Nacional. d. 1905. Garn ier.° milheiro. 1909. mas muito imperfeito. e.. Idem. ibidem (uso aqui a numeração corrida de I a XXII). Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira. aplicado entre nós por Sotero dos Reis. sobretudo. obra acessível e agradável. Rio. Saraiva... Antônio Soares Amora. o que explicaria certos erros imperdoáveis e a tendência para dizer coisas incaracterísticas sobre eles. Mas dá. bem escrita. Nisto. ambas originais e i ndependentes.862. que a ela deva o seu livro grand e parte da importância que ainda possui. Min. Dicionário Bibliográfico Brasileiro. 1955. empenhando-se sem reserva corn sabor e franqueza. Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. não raro medíocre nas análises. História da Literatura Brasileira. constituindo verdadeiro elemento de c onfusão numa obra excelente pelo conteúdo.ífisíórict da Literatura Brasileira. por isso. Embora muito envelhecida na fundamentação. Ronald de Carvalho. Rio.a ed. Ferdinand Wolf. 1883-1902. exc elente compêndio. corn uma inútil digressão prévia. e deste modo plantava a velha crítica no meio das inovações "cientificas". 2. História da Literatura Brasileira. Abrangem até a 2. mas comprometido por uma excessiva compartimentação de períodos e fases. é o mais moderno instrumento de trabalho no gênero. P eca somente pelo relativo pedantismo da língua e a secura do sentimento artístico. Mais severa e discriminada que as de Sílvio. Rio. a impressão de estar baseado na leitura de Sílvio Romero e José Veríssimo. ^ Otto Maria Carpeaux. 4. ainda vale por haver fixado o elenco do que se chama a nossa literatura.. Z vols. e João Ribeiro. Alves. é uma vista mais bem or denada das manifestações poéticas.a ed. como organização e equilíbrio das informações e juízos. e. É algo irônico. Resumo de História Literária. Garnier. d a Educação. Rio. os primeiros redigidos pelo autor. Recife. Há um índice Alfabético.

F. feitas por um estimáve l erudito e bibliófilo. publicado s. e deve ser consultada corn a maior precaução. 1896. Dicionário Bibliográfico Brasileiro de Diplomacia. Estas obras não serão referidas nas notas. História do Romantismo Brasileiro. firma a designação "literatura lus o-brasüeira" para a dos períodos anteriores ao Romantismo. Aspectos da Literatura Colonial. Rio.Tradições e Remiuiscências. ambos Ari el. Paulo. 1930. Dicionário Biográfico de Pernambucanos Célebres. que recomendo ao leitor como obra geral de consulta. 1896. 4 vols. em cujos qua dros se encontram ocasionalmente escritores. Agripino Grieco. Num e outro caso estão as seguintes. Editora Nacional. O livro atualmente mais importante sobre o conjunto da nossa evolução literária é a obra coletiva A Literatura no Brasil. 2 vols. Lisboa. Haroldo Paranhos. Imprensa Nacional. sob a direção de Afrânio Coutinho. s. 18 73-1875. A. Rio. Pereira da Costa. respectivamente 1932 e 1933. vivamente apresentados. 1882. corn menos minúcia. 1927. S. 3 vols. Almeida Nogueira. Paulo . Lis boa. Evolução da poesia brasileira e Evolução da Prosa Brasileira. é um born estudo. S. como é o caso de Henriques Leal. são uma revoada impressionista de juízos corta ntes. Política Externa e D ireito Internacional. de valor muito variável: Antônio Henriques Leal. abrange apenas até os "mineiros". Dicionário Biobibliográfico Sergipano. São Paulo. Útil e mesmo necessári a. A Academia de S. 1946. 1938. Leipzig. deve contudo ser manuseada corn certa cautela. acompanhada de excelente antologia. Panteon Maranhense.. história crítica che ia de finura e precisão. o leitor perceberá as que poderão ter sido utilizadas. sem qualquer capacidade crítica. Manuel Bandeira. Além disso. 1910-1915. 2 vols. dada a quanti dade de erros. Panteon Fluminense.. também vagamente adotado na rnenos q ue medíocre A Literatura Brasileira (1870-1895). Mencionem-se agora certas obras de referência não implícitas nas notas biblio gráficas de cada capítulo. (dando consistência e trata ndo sistematicamente a um ponto de vista que encontramos de modo mecânico n a Literatura Nacional de Fernandes Pinheiro). Clóvis Bevilacqua. de Valentim Magalhães. CEB. Edição do Autor. Quant o às outras. 9 vols. Lausanne. embora desequilibrado para o lado da históri a política e social. conforme o au . Leuzinger. Francisco Alv es. salvo poucas exceções. é uma série de biobibliografias. 1918.. embora não a tenha podido utilizar. por não possuírem a generalidade 328 #das anteriores. 1925. Lery dos Santos. Sul-Americana. seja porque abrangem escritores de apenas um Estado. Parceria Antônio Maria Pereira. Pongetti. 3 vols. 1955-1956. Fortaleza. Arquivo Nobiliárquico Brasileiro. Barão de Studart. sumários.e valor artístico ou eminência intelectual. I mprimerie La Concorde. Rio. 2 vols. Tipografia Un iversal. 1907-1912. Apresentação da poesia brasileira.. 1954. S. Recife. Cultura Brasileira. pois contém mais erros do que fa ria supor a sua aparência de rigor. Pau lo. 1880. Oliveira Lima. Brockhaus. Rio. salvo quando escaparem ao tipo estritamen te biobibliográfico. Paulo . Artur Mota. até o fim do século XVIII. É do tipo da anterior. Dicionário de Autores Paulistas. Luis Corrêa de Melo. História da Faculdade de Direito do Recife. Armindo Guaraná. d.. seja porqu e se referem a outros agrupamentos de atividade ou qualificação social. Argeu Guimarães. Dicionário Biobibliográfico Cearense. Clóvis e Almeida Nogueira.. dando ao leitor uma noção movimentada e saborosa da nossa literatura. Barão de Vasconcelos e Barão Smith de Vasconcelos.a geração romântica. chega até os escritores da l. Rio. Rio. Rio. História da Literatura Brasileira.

IR . Paulo.Varnhagen.) . Porto Editora Ltda. Dicionário Bibliográfico Português... pernambucano. 1934 . em 5 vols. Rio. G .. SB . Historia de Ia Literatura Espanola. titular do Império. Paulo. 1910 . * * * Nas notas de rodapé e nas que agora seguem. RdB (3) . d. Histoire de Ia Littérature Française. Hachette. S. as publicações periódicas.Revista do Brasil. 1926-1927. mesmo q uan .. Paulo. seja.. Rio.a édition. Idem. N . C . diplomata. Rio. 1939-1944.. antologias e repe rtórios biobibliográficos gerais foram indicados por siglas. s.. de Boccard.Revista do Brasil.. 1895-1899.Anais da Biblioteca Nacional. 1852-1860. Boi in.Revista da Academia Paulista de Letras. 1879-1881.Minerva Brasiliense. Nova York.Januário da Cunha Barbosa. B . RB (3) . 2 vols. 1878 . 5 vols. REF . s. 1942 . d. Rio. Rio. exemplar pela s egurança do 329 #f !ü plano. Paulo.. Caso à parte é o da literatura-mãe.a fase. por exemplo. o equilíbrio entre a visão histórico-social e o ponto de vista estético. EAP . BB .Niterói. Rio.a edição). -10OO RB(2) . RIHGB -. S. RdB(l) .Revista Bras ileira. Rio. dos mesmos autores.O Beija Flor. 18 60.Boletim Bibliográfico. 19 48-1949.Pereira da Silva. Paris...a fase.Revista da Academia Brasileira de Letras. (já em 5.tor.. Paris. RABL .. George Sampson. corn que a nossa se confunde ou permanece ligada n a maioria dos momentos aqui estudados. (resumo da monumental His toire. 3. como: Ángel Valb uena Prat. édition revue et corrigée. há os velhos mas ainda prestantes: Alfred e Maurice C roiset. 1836. Para as literaturas clássicas. S. 10.a edição). M aemillan. Storia delia Letteratura Italiana. S. S. S.a fase. OMC .Re vista do Brasil.Cultura. Barcelona. 10. RAPL .a fase.. RAM .Revista do Ensaio Filosófico Pa ulistano. Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira.Ensaios literários do Ateneu Paulistano. Paris. Paulo. René Pichon.Revista do Instituto Científico. BF . 2. Rio. 1948 .. História da Literatura Portuguesa. abaixo discriminadas: IFS . 1926 s. Dicionário Bibliográfico Brasileiro.Inocêncio Francisco da Silva. Pa ulo.Brasília. PB(1) . 1849-1852..Otto Maria Carpeaux.. FPB . MB .. The Concise Cambridge History of English "Literatura. 1850-186? RIC .. Manuel d"Histoire de Ia Littérature Grecque.Sacramento Blake. Histoire de Ia Littérature Lat ine. Recomenda-se especialmente: Antônio José Saraiva e Oscar Lop es. Florilégio da Poesia Brasileira (2. Gustavo Gill.Revista Brasileira.a fase. E.Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 1943 . Francesco Flora. S. a integração dos materiais informativos. l. Paulo.. 3. 1851-1855. Dadas as ligações da nossa literatura corn certas correntes. 1843-1845. fluminense. ABN ... seria born ter à mão algumas obras gerais que informem a respeito. temas e autores europeu s. 1947. 2. 1942. Mondadori. Rio. e cujo conhecimento é pressuposto em qualqu er trabalho como este. RdB (2) . Rio. Rio. Parnaso Brasileiro. e tc.íris. s. Paris. Coimbra.Guanabara.Revista do Arquivo Municipal. d. f. PB (2) . 1848-1849. 3 vols. René Jasinski.. 1916-1925.

Textos fundamentais para o estudo das idéias Montesquieu. s. Esquisse d"un tableau historique dês prog rès de 1"esprit humain. . Paris. ed. Rio. S. 1933 s. Paris. s. Cabral de Moncada.a siècle. f. Um "iluminista " português do século XVIII: Luís Antônio Verney. RLP . S. Obras relativas à teoria literária neoclássica e suas raízes: Aristote. Obras consagradas ao século XVIII e seus problemas culturais Trabalho fundamental. Prior. L"Arcádia. Rio. México. trad. 2 v ols. Rio.Revista de Língua Portuguesa. Paris. As reformas pombalinas da inst rução pública.. Dictionnaire Philosophique.. d. História e Geografia. 1946. 2 vols. 3. vol. 2 vo ls. Colin. Anuário do Br asil. 1839 . Paris. História da Universidade de Coimbra. Fondo de Cultura. 1911. Bolonha.a ed. útil para compreender a importância e difusão deste ramo do saber na literatura e na concepção da vida. f. págs. Garnier Paris. La pensée européenne au XVIII. Lês Maitres de Ia se nsibilité française au XVIII. Newton"s Opticks and the Eighteenth Centu ry Poets. Porto. De VEsprit dês Lois. f.. Garnier." siècle. Condorcet. RP . Gar nier. f. Belles Lettres. S. VERDADE 1. Colin. 1936. é objeto de Giusepp e Toffanin. Princeton. 4 vols. Paris. Eugênio Imaz. 1944. Harvard U niversity Press.RAZÃO. Pa ulo. 1944 s. e P. S. 2 vols. inicialmente.Revista Popular. NATUREZA. in. 2.do denominada Revista Trimestral de. Paris. Para a França (influência capital) v er a síntese de Daniel Mornet. 1943. S. Idem. Rio. F. Êmile. Pierre Trahard. trad... 2. 1946. Sobre o caso inglês. ed. 1951. Para a posição de D "Alembert. Laerte Ramos de Carvalho. L. História da Literatura Clássica. 1952. Garnier..e siècle.. Boivin. O estudo teórico do Arcadismo italiano. 5-58: "La théorie du savoir dans Ia philosophie de D"Alembert et Saint-Simon". Tipografia da Academia Real das Ciências. RN . 1859-1862. 1949. Para o estudo do pombalismo temos uma obra geral e o utra especial: João Lúcio de Azevedo. Saraiva. Lello & Irmão. Boivin. Editora Anchiet a. La Filosofia de Ia Ilustración. 4 vols. f. 1928. La théorie du savoir dans Ia philosophie d"Auguste Comt e . etc.a ed.. Cambridge. tão atuante sobre o nosso. do mesmo autor. Marjorie H ope Nicolson. ou VÉducation. e A Arcádia Portuguesa.. Zanichelli. devendo citar-se ainda Fidelino de Figueiredo.Revista Nova.Revista da. 1892-1902. J.. f. há o estudo de W. Boivin. Paulo. Passando aos casos nacionais. Sobre Verney. s. Princeton University Press..° vol. de consulta obrigatória. RSF . Veja-se um excelente panorama integrativo em Paul Hazard. 1930-1932. 1939. 1920-1932. Mais moderno e s atisfatório é Hernãoni Cidade. ed. 1899.. CAPÍTULO I . Newton demands the Muse.. 2. Tomo in.. f. Du Contraí Social. ver Michel Uta.. 1941. Paris. é Ernst Cassirer. Paulo. Paris. O Marquês de Pombal e a sua época. Art Rhétorique et Art Poétique. Rousseau. etc. 1937. O. Garnier. Ri330 #chard.. 1945. Coimbra Editora. é importante para avaliar a importância e extensão da revolução sentimental. 3. Lebègue. 1946. num século tido às vezes c mo seco e ponderado. s. Felix Alcan.e siècle. 7. La pensée française au XVIII. citemos quanto a Portugal. Lês sciences de Ia nature en France au XVIII. 3 vols. Paulo.. Coimbra. 1922. s. Paris.. Voltaire. analisa um dos problemas mai s característicos do tempo: o impacto da ciência sobre as concepções e formas poéticas. que dá uma visão complexa e penetrante. Paris. Hor ..a ed. 1833. as obras clássicas de Teófilo Braga. Paris. (17 0O-180O). ed. trad. 1947. Voilquin e Capelle.. From Classic to Romantic. Gonzague Truc. 2. 1940. (Longino) Du Sublime. Sociedad e Filoinática. Bates. rev. Lisboa. Julien Benda. s.. H. Paulo. Lições de Cultura e Literatura Portuguesa.a ed. 1898.

págs 431. ed . "Lê Temple du Goüt"). 2. ral". Opúsculos históricos e literários. Karl Geiringer. "Dissertações" e "Orações". Leopardi. vol. 1928-1929. Z ibaldone. Pará. Voltaire. Recentemente. 2 vols. s. Antônio Baile. (Garrett) "Bosquejo da história da poesia e da língua portuguesa". Rio. A Literatura congregada Não há ainda estudo de conjunto sobre as Academias do século XVIII. Parnaso Lusitano. Rev.. Espasa-Calpe Argentina.. Henry Peyre. ed. f. A. Droz. H achette. Paris. I. 241-271. D. da Si lva Alvarenga. Boileau. 6 vols.. "Discurso sobre a história da l iteratura do Brasil". VII-LXVII.°. J. E. o Jornal e a Tipografia no Brasil... Allen and Unwin. tem-se desenvolvido o i nteresse pela investigação das comemorações ocasionais. 1941. Paris. Francisco José Freire. Maison Française. N. págs. como constituíam realmente a vida literária por excelência no século XVIII.a ed. 332 . Valença.°. Paris. ou Regras da Verdadeira Poesia. ed. Flora. Jones. págs. 1. 2. London. ed.°.a ed. "Poème sur Ia loi naturelle". The Forms of Poetry. Oeuvres. Mencionemos o apanhado sintético de José Aderaldo Castelo.. em Obras Poéticas e Oratórias.. Norberto. Pope. 2. 1850. Obras Poéticas. Poesias. P. Press. nas Obras Literárias de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha. in E nglish Criticai Essays. s. "Epístola II. 1854. Lisboa. A de Quevedo. Londres. Mondadori. Oxford Univ. 1888. Villeneuve. O Livro. cada vez ma is.. 1931. págs. Rio... Azevedo Castro. págs. 2 vols. etc. Obras ocasionalmente citadas: Louis Untermeyer. Boileau. Gonçalves de Magalhães. (L. a José Basílio da Gama. direção de Afrânio Coutinho..ace. 1826-1827 e 1834. Corrêa Garção. "Discours sur Ia nature de 1"églogue") . 1954. d. 1945. s. M. Livraria Kosmos Editora. Aillaud. Termindo Sipílio". Paris. 19 42. refletin do as características do gosto e as poucas exigências intelectuais dos grupos sociai s da Colônia. em A Literatura do Brasil. York. 2 vols.. vol. Arte Poética. 1934. págs. 1865. 4. levando em conta o s resultados da pesquisa parcial (que marcha auspiciosamente) e as modernas exigên cias críticas. La Henriade (incluindo: "Essai sur Ia poésie épique". Roma. I. "An Essay on Criticism". 289-294. CAPÍTULO II .TRANSIÇÃO LITERÁRIA 1. 431-452.. 2. 1747. ed. Verney) Verdadeiro Método de Estudar. em Francisco de Quevedo. 6 vols. Bue nos Aires. A. Lisboa. Gustave Lanson. Lê Classicisme Français. 1946. permitindo ver. R. N. The Bach Family. etc. Garnier. La Cite dês Livres. René 331 #Bray. Esteban Scarpa. As citações de Gonzaga e Elói Ottoni se encontram em edições que serão indicadas respectiva ente nas notas dos capítulos in e VI. Belles Lettres. Rio. La formation de Ia doctrine classique en France. 1.. cit. Edition. Garnier. "O movime nto academicista". An tônio Diniz da Cruz e Silva. 2 45-266. Lacerdina. (nas o bras gerais). 1759. Epítres. 1943. Antologia Poética. 5 vols. A de Tenreiro Aranha. Didot. d. 1807-1817. "Poème sur lê desastre de Lisbonne". Harcourt Brace.. Ba inville. além de obras gerais: Carlos Rizzini. 2 vols. trad. vol. etc.a ed. Centenari. Paris. Francisco Luís Ameno. "Dissertação sobre o estilo das Éclogas" e "Disserta ção sobre o estilo da Écloga". Citou-se. etc. ed. "Dicours sur rh omme". págs. 3-38 e 1-25 (numeração independen te). Paris. vol. tomo l.590.

de Feliciano Joaquim de Sousa Nunes..#2. Paris-Bruxelas. Lisboa. págs. etc. etc. II. realizado em 1889. Manuel Tavares de Seq ueira e Sá. 1938. Rio. . importante sobretudo pelo Catálog o dos seus membros. A Academia Brasílica dos Renascidos. a partir da notável comunicação de J oaquim Norberto. 4. Garnier. Rio. Florianópolis . estani333 #pado pela primeira vez em Ouro Preto no ano de 1839. no volume Júbilos da América. fundado nas poucas informações de IFS e SB: "O autor do livro". 1876. Luís Seco Ferreira. 5 vs. depois da original. Ainda não existe. 1903. na gloriosa exaltação e promoção do Ilustríssimo e Excelentíssi nhor Gomes Freire de Andrade. citada como exemplo das numerosas ocasionais. sobretudo. Schniidt. ou antes. comportando 192 págs. Este número c ontém a Comemoração do Centenário de CMC. RIHGB. 118-137. 1931.. Secção de Manuscritos do Arquivo Público Mineiro. Gáudio.O da Academia dos Seletos. Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. de cu ja edição original (1758) restam apenas três exemplares. 2 vols. O Consel heiro José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo. Gáudio. vem d escrita e compendiada no referido ms. etc. Novo e importante material apareceu posteriormente em Caio de Melo Franco. 1951. traz o título errado de Orbas na folha de rosto. e João Lúcio de Azevedo. nos pontos essenciais. Rio.Para o estudo da Academia dos Renascidos. a única. precedidos d e um estudo do mesmo poeta. 32-34. Estudos His tóricos.A "academia" de Paracatú. 1914. "Conjeturas sobre três acadêmicos". Livraria Clássica. Grêmios e celebrações . 1931. cujo principal utor e organizador foi o Padre João de Souza Tavares. "A Academia dos Renascidos". LIII. No limiar do estilo novo: Cláudio Manuel da Costa Registre-se como curiosidade que a l. 2 vols. mais feliz.a edição das Obras de CMC. ver o engenhoso estudo de Henrique Fontes. porém. 273-296. Co imbra.. é a de João ibeiro..A vida do fundador dos Renascidos é objeto do livro de Henrique Fontes.. as peças do p rocesso. da Biblioteca Central da Faculdade de Filosofia. Encontrei-o referido como contribuinte no Livro 7. n. pelo Dr. da .. Rio. Em 1894 publica Ramiz Galvão documentos decisivos na Gazeta de Notícias. págs. "Academia dos Renascidos ". o Vila Rica.° do 2. Coleção Lamego. págs. as poesias colhidas em ant ologias e os inéditos publicados por Ramiz Galvão. págs. A sua vida só se esclareceu. de estudos. sua fundação e trabalhos inéditos. publicação integral do acervo. a melhor. e. Manoel Álvares Solano. Sobre a possível identidade do acadêmico Silvestre de Oliveira Serpa e do árcade Eures te Fenício. onde reúne e c ondensa doig estudos publicados anteriormente em RLP. 1768. págs. juízos. as duas fontes principais são: Alberto Lamego. 232-249. Ms. 1923. Lisboa. Informação muito importante para esclarecer a sua desgraça veio em Art ur Viegas. 1932. Faz falta uma edição crítica. Secção de M anuscritos. "Notas biográficas". e 26 vs. Sousa Nunes e a autonomia intelectual Os raríssimos Discursos Políticos-Morais. antologia. 1754. etc. devendo-se ainda consultar o estudo precursor de Fernandes Pinheiro. foi logo dado à luz pelo seu secretário.° 38: Exposição Fúnebre e Simbólica das Exéquias. 5-10.. etc.. que supera e anula tudo o que se escrevera antes. foram reeditad os graças a Alberto de Oliveira pela Academia Brasileira. . Garnier. que reúne ao texto de 1768 o Epicédio de 1753. 3. Anuário Catarinense. Obras Poéticas. . Paris-Bruxelles. ao que parece. Alberto Entres. 1895. fls. O Inconfidente CMC. RB (3). O Poeta Santa Rita Durão. IV. etc.° Contrato de Paracatú. Novas Epanáforas. referido por Cláudio Manuel da Costa. 1890.

A r edondilha de Camões se encontra nas Obras Completas. 5-308. La Henriade. Uma nova geração O único texto de Alvarenga Peixoto são as Obras Poéticas. s. editada s por Joaquim Norberto. CMC. Lês Metamorphoses. Silvestre. Garnier. 1939. 1865. d. José Afonso Mendonça de Azeve em "Documentos do Arquivo da Casa dos Contos (Minas Gerais)". é decepcionante. trad. que só seria re omada em 1952. B. Press .a. etc. págs 190-198..ndo-lhes o essencial em "CMC". d. Théocrite. juízos. cuja importância me parece decisiva para compreender a impregnação ba rroca de C: Lês Bucoliques Grecs. Trevelyan. 1718. Nele aparecem os result ados da investigação sobre a participação de brasileiros na Arcádia Romana. na sua edição das Obras Poéticas. trouxe alguns dados interessantes.) . a análise mu ito aguda. Rio. vol. Laterza. cit. por Sérgio Buarque de Holanda. s. X ("Galatea"). a. 334 #CAPÍTULO in APOGEU DA REFORMA 1. Poemas y Sonetos. Roma. 201-208. 1945. igualmente. pág s. Coleção Lamego. cit. Alberto Lamego revela na RABL os decisivos documentos pessoais.. LXV. Fênix Renascida. Lisboa. Bion. A título de complemento. 27-122) ainda constitui o melhor estudo sobre o poeta. importantíssimas na sua obra.a ed. vol. 1945. págs. José Lopes Ferreira. Francisco de Vasconc elos. Diniz. L isboa . C. ver os Autos de Devassa da. Saggio sulla letteratura brasiliana dei Settecento.. d ocumentos. Poesie Varie. "Notícia". I. apresentados par a ingresso na Academia dos Renascidos. da Un iversidade de São Paulo. 1953. 1927. etc . além. Ministério da Educação. 1895. Cambridge. Rio. Paulo. trad. Ms. Para o papel na Inconfidência. que analisa a de Luís Vieira da Silva. f.. Finalmente em 1914. ABN. I.. n.° 3. RB (3) II. sustentando a tese que o poeta foi assassinado na prisão. O Diabo na Livraria do Cônego. Opere. "Fábula do Polifemo e Galatea". R. vol. ibidem. 7 vols. Centúria 2. avultando como fonte os Autos de Devassa da Inc . págs 1-45. A Inconfidência Mineira. 12 vols. dentro dos moldes que seguia: estudo biográfico e crítico. vol. "Fábula de Polifemo e Galatea". ver Joaquim Norberto. etc . "Dissertation sur Ia mort de Henri IV". 2 vols. Chambry. Hernãoni Cidade. VII. 1947. passim. Poesias. Sá d a Costa. O de Francesco Piccolo. Livro XIII: Gongora. A Translation of the Idylls of Theocritus. I.. (cap. ("II Ciclope") e vol. seguida das "Notas" (págs . 1936-1937. Garniei-. "Nacionalidade da Literatura Brasileira". in. Citaram-se: Joaquim Norberto. que reproduz mais tarde no citado livro s obre esta agremiação. Apesar de inexatidões. e Lúcio José dos Santos. Aparece. págs. I. ed. vol. Losada. embora inconclusiva. e se podem ver na Biblioteca Central da Faculdade de Filosofia . Há pouco. Idem . Ovide. trazendo poucas indicações sobre as influências italianas. Voltaire. II. Cultura Brasileir a. Chamonard. s. Buenos Aires. vol. A vida do poeta é pouco conhecida. (cap. Moschos. Croce. 1931. Belo Horizonte. ed. S. Inconfidênc ia Mineira. Marino. § 3). Garnie r. Jacinto Freire de Andrada. é claro... RP. Bari. Milão. dos referidos documentos processuais. 1939 . II. Sobre as bibliotecas dos "árcades mineiros". além de uma perícia grafológic a. 65-73. Univ. "o mais instruído e eloqüente de todos os conjurados". O melhor estudo crítico ainda é o "CMC" de João Ribeiro. dou as referências dos textos utilizados para o estudo do t ema de Polifemo. Pa ris. e o interessantíss imo estudo de Eduardo Frieiro. . 1746 (2. História da Conjuração Mineira. 1873. da autoria das Curtas Chilenas.. § 3). II. Rio. Garnier. 1815. Metastasio.

II. corn texto melh or e mais bem ordenado. além dos citados Autos. 2. I. etc. Leuzinger. a cargo de Domingos Carvalho da Silva. (cap.onfidência. São apreciáveis. Rio. Sobre a participação na Inconfidência. Fernando Machado. O estudo da participação nos acontecimentos de Minas. págs. (ibidem).. Estando já este livro nas mãos do editor. 2 vols. contendo as Cartas Chilenas. 1799. devidos. onde há documentos biográficos inéditos. cit... como exemplo do ponto de vista romântico. até en tão.a parte da Liras. superando neste particular a anterior. Devem-se ainda a Rodrig ues Lapa as Obras Completas. G e a Inconfidência.° vol. Rio. Naturalidade c individualismo de Gonzaga Utilizei sobretudo a edição Rodrigues Lapa: Marília de Dirceu e mais poesias. mas nenhum se havia ainda abalança do a uma demonstração sistemática. 1851.. inclusive a retomada da 3.a parte verdadeira. § 4). Sá da Cost a. Lisboa. 1918. corn boas razões. uma bela análise.. (cap. 1948. em obras como Pereira da Silva. de José Veríssimo. 1920. 1942.. 1944. A Inconfidência Mineira. Garnier. Teixeira & Cia. S. ainda. notadamente sobre a ascendência d o poeta. Rio. Rio. IX-XLIII. nos Estudos de Literatura Brasileira. Laemmert. cit. Quase tudo que se escreveu de informativo sobre G no século #passado está superado. Niterói. da ed. e por assim dizer sensacional estudo. e o Tratado de Direito Natural. 1. 211-223. O melhor estudo biográfico é o "Prefácio" desta edição. de Dirceu. Campanha da Princesa. . que supera o da edi da Costa. do mesmo autor. Têm. mas as liras vêm numeradas segundo uma t entativa discutível de cronologia.. G ou a Conju ração de Tira-Dentes. a "Notíc ia sobre T AG e suas obras". § 4) e. § 4).. etc. e repúdio definitivo da falsa. 1937. "G e a Marília de Dirceu". págs.para o qual é ne cessário consultar os Autos de Devassa. que representa um marco nas edições gonzagueanas pelo estabelecimen to do texto. na edição da Marília. págs. 41-113. Recomenda-se igualmente a de Af onso Arinos de Melo Franco. págs.foi sistematizado por Almir de Oliveira. 1862. onde o nosso esforçado crítico estabelece. Leite R ibeiro. duas das quais. Garnier. II. T AG. § 4) e Lúcio José dos S ntos. "Documentos do Arquivo da Casa dos Contos". sendo todavia interessante rastrear a formação do mito romântico do gênio marcado pelo infortúnio. 2 vols. Aériães. Editora Nacional. 1901. de Joaquim Norberto. Este excelente. S. Mendonça Azevedo. Alfredo Valadão. vol.° vol. págs. pastichc ingênuo de sua autoria. I. 1847. 2. II. História da Conjuração Mineira. a História da Conjuração Mineira. Rio. clareando obscuridades e de sfazendo lendas. Plutarco Brasilei ro. interesse histórico. Porto. Jacinto Ribeiro dos Santos. por exemplo. 15-38. . II. da edição de 1812. 7-18. I. e o romance de Teixeira e Sousa. e sclarece de vez a fase final em Moçambique. cit.. Tipografi a Fluminense. vejam-se Joaquim Norberto. Paulo. 2 vols. 1957. São Paulo. além de dados esparsos. (cap. Não se lhe pode todavia perdoar a fraqueza de ter inc luído as pretensas liras de Marília a Dirceu. 1937. Paulo. "G". para o estudo crítico. VII-XXXVI. que também inclui um dos estudos mais importantes. outra. Para o conhecimento da po . etc. Martins. cit. da edição Bulhões de 180O. 1910. Bulhões. 1848. 1812). 1944. págs. a falsidade da 3. Clube de Poesia. na sua edição das liras. (cap. quase todos os estudiosos a tinham como tal. a Albe rto de Faria. única feita a partir das primeiras edições de cada parte ( 1792. Garn ier. que lhe serviu de b ase metodológica: Marília de Dirceu. inclusive a supressão de algumas peças. São Paulo. apareceu nova edição das Obras Poéticas. Acrescente-se o livrinho de Antônio Cruz. cit. s em fundamento convincente. e ainda agora válido: "Re flexões sobre as diversas edições". Rio. e Acendalhas. vol. Editora Nacional. Rio. Rio.

231-257. págs.: "Loura ou morena?". Henrique de Campos Ferreira Lima. 1953. f. feita corn justeza e equilíbrio. "Basílio de Gama. cujo autor é o jesuíta Lourenço Kaulen.. Porto. como. José Veríssimo. Veríssimo já escrevera sobre o poema no ensaio "Duas Epopéias Br asileiras". pertence a uni diplomata brasi leiro. Manhã. Obras Poéticas de JBG. nas Aérides. Consultei a carta a Metastasio. salvo erro. Gui marães. 3. brasiliano". e Teófilo Braga. 1952. firmada. que veremos. É valioso sobretudo pela análise das idéias do poeta. Alberto Paria estudou vários aspectos literários e biográf icos em artigos excelentes. Épicos Brasileiros..ao contrário de 336 #T. 1901.. "JBG". B. ano tada por Afrânio Peixoto. acima. em Manuel da Costa Honorato. Leio. Marília de Dirceu. 1932. em um só volume gigante. Uraguai. Min. cit. em Tutte lê Opere d i Pietro Metastasio. qu e o comprou da biblioteca dos Condes delia Stafa. Belo Horizonte. 10291030. 1870.. ejusque extractione in Brasília appendice. seguindo Capistrano de Abreu. Rio. Estudos de Literatura Brasileira. (O ms. concluin do pela honestidade e coerência da sua posição. Antologia dos Poetas Bra . 249-255: nas Acendalhas. de Peruggia). a ed.. "Notícia de JBG". págs. Aíránio Peixoto e Rodolfo Garcia na edição citada. págs 7796. onde o condenam acerbamente. para as demais poesias. págs. Tip. em Latim. págs. 480-505. inédito. a edição fac-similav da Academia Brasileira. 213-219. O "Tratado de Direito Natura l" de T AG. págs. "Anacreontes do grupo mineiro". Poemate Didascalico ab Aurifodinensibus Musi s depromptae. Lugano. foram estudadas e d efinitivamente esclarecidas por Sérgio Buarque de Holanda. págs. é básico o livro de Lourival Gomes Machado. 1941. Florença. sua vida e suas obras". Borghi Compagni. A primeira referência ao fato de ter introduzido o al exandrino "espanhol" se encontra. Estudos apreciáveis são os de Varnhagen. de que foi o único brasileiro a fazer parte. págs. há o livro do descendente colateral desta. "Amores de G". Felinto Elisio e os d issidentes da Areádia. Mas o e studo sistemático só fei feito por Sérgio Buarque de Holanda. Sinop ses de Eloqüência e Poética Nacional. mas o melhor continua sendo o de José Veríssimo. 7 de abril de 1770. sive de Auro. cit. corn a demais bibliografia. expontaneidade e caráter pr ecursor do "americanismo" poético. 15-32. que aproveita os estudos anteriores e os dados reunidos por Norberto. 2. e outros especialmente sobre as Cartas Chile nas. 19-7 6. "Lendas Literárias". onde assinala a sua originalidade. II. Rio. "BG.sição ideológica.a ed. O disfarce épico de Basíiio da Gama Utilizei como textos: para o poema. de Educação e Saúde. Coimbra. Tomás Brandão. em artigos publicados n o jornal Folha da. e a resposta do Poeta Cesáreo. Sobre as relações corn a noiva. págs. II. 1786. Para a biografia e a gênese do poema. cit. 1920. datada de Viena. além da referência a um poema didático. Rio. 1943. Rodolfo Garcia e Osvaldo Braga. "JBG.: "Primos de G". 89-129. 52-5 7. r. soluta orat ione et curiosa quaestione de Auri generi. n otadamente 104-116. (como já indicara de passagem Sílvi o Romero) -. etc. 1832. Rio. sobre a mineração do ouro n o Brasil: Brasiliensis Aurifodinae. etc. págs. págs. As suas relações cor n a Arcádia Romana. na referida edição. Americana. Garnier. traz documentos e pequenos esclarecimentos.o capítulo adequado. 387-398. alguns novos subsídios para a sua biografi a". 1845. s. há bons subsídios na verrina anônima Reposta (sic) Apologétiea ao poema intitulado o Uraguai.

2 vols. 1798.°. veja-se a síntese de Afonso Ar inos de Melo Franco. mas ambas insatisfatórias. o ponto de partida é Januário da Cunha Barbosa. IX-XXVII. 1. e acentua a sua influência intelectual sobre o meio. 4. 1946-1954. não contando argumentos e dados acu satórios. etc. Ouvrières. 1949.: Januário da Cunha Barbosa. sendo indis ensável o recurso a Metastasio.° vol. etc. Recentemente apareceu um estudo sobre a ação da Companhia de Jesus nas Reduções. RIHGB. Poesia e música: Silva Alvarenga v Caldas Barbosa . O poema satírico e herói-cômico Para as indicações feitas a respeito. Varnhagen. Garnier. s. Min.. artigo impreciso e pouco detalhado. Lisboa.. Glaura e O Desertor. 240-259. 1826.. que começa por confundir o lugar do nascimento e ignorar as datas. CAPÍTULO IV . RIHGB. logo reforçada pelo Ragguaglio Mandato alia Santità di Clemente XIII? etc. Neste sentido ver Francisco de Paula Menezes. algumas indicações nos "Juízos críticos" da edição de Norberto. obra italiana do século XVII que se traduziu e ampliou então. Salani. (cap. Lisbo a.sileiros da Fase Colonial. melhor que a primeira. "Elogio histórico do Cônego Januário da Cunha Barbosa". etc. 210-211. 1841.. sem menção de editor nem data (1757). em cujo prefácio (1618) vem expressamente reivindicada a invenção do nov . Nunesiana.MUSA UTILITÁRIA 1. Florença. Deles extraiu Basílio a linha geral da sua narrativa. 1939. onde o considera uma tran sição adaptativa para o alexandrino francês.. mas exprime o teste mun ho de um discípulo e amigo. XIV. em sentido menos local. 338-343. cit. RIHGB. etc. além das poesias esparsas em antol ogias e publicações comemorativas: Obras Poéticas de MISA. Além das obras gerais de referência. X. 1842. 275-280. 2. recomendando-se o "Prefácio" do organizador.. IX-XX. 5 vols. Éd. 2 vols. págs. págs. Lugon La Republique Communiste Chréti enne dês Guaranis. a cargo de Afons o Arinos de Melo Franco.. etc. "Noticia sobre SÁ".De Caldas Barbosa consultei A Viola de Lereno. Paris. etc. -. É interessante notar que Sílvio Romero consid erava o uso deste metro como erro de BG. reproduzindo fielmente o texto da l. 1760. págs.a ed . vol. 1952. a segunda . 1757. Para as fontes.. Em defesa da ação de Gomes Freire há a Relação Verdadeira. 337 #Sobre a vida e a obra. Mondadori. "DCB".. 1944. 1759.: Tassoni. o material mais importante continua sendo o reunido na e dição de Norberto. vol. que encontraria. vol.. onde vêm referidos os padres deformados por Basílio: C. abrangente os dois liv ros publicados pelo poeta. Para o estudo á"O Uraguai e questões históricas relacionadas ao seu objeto e ideologia . I. da Educação. etc. in. LX1. R io. Domingos Rodrigues. págs. Lacerdina. 2. Mais acessível é a edição moderna do Instituto do Livro. é indispensável a famosa Relação Abreviada da Republica que os religiosos Jesuítas das P rovíncias de Portugal e Espanha estabeleceram nos Domínios ultramarinos das duas Monarquias. cons. inclusive a "Notícia sobre MISA e suas obras". 35-126. na referida edição. Para a biografia. Quanto à biografia. ou na nova edição Tutle lê Opere di PM. 1848.Usei a edição de Joaquim Norberto. 1930. II. págs. 1851. Lisboa. págs. v.a edição.. 1863. 2. Nele se incluem os documentos relativos ao poeta na Devassa de 1794. 2 vols. que se podem agora ler na íntegra em ABN. La Secchia Rapita. Lisboa. págs. 449-460. d. por ser a mais completa. no momento o melhor estudo. etc. na Instrução a Príncipes sobre a Políti ca dos Padres Jesuítas. Rio. IV. O Instituto do Livro publicou em 1944 uma edição de Glaura. Lisboa. RIHGB. Opere. a cargo de Francisco de Assis Barbosa.°.. págs. "DCB". Rio . § 4). "Biografia do dout or MISA". que o conheceu na fase final. etc. Imprensa Nacional.

págs. São Paulo. § 3). O Desertor e O Reino da Estupidez Para O Desertor utilizei correntemente o texto de Norberto. Dr. pág s. ed. págs. II. "As Cartas Chilenas". 1932. Arlindo Chaves. cit. Belo Horizonte. RdB(3). Boileau. LXXIV. conferindo quando necessário. "Restituição de um verso". 2 vols. O Jornal. 5 vols. que serão discriminadas nas notas bibliográficas do cap. da Veiga acerca do autor das Cartas Chilenas". in. Imprensa Oficial. 91-291. 206.. págs. págs. de Varnhagen. 1845.. "A autoria das Cartas Chilenas". Imprensa Nacional. 2 vols. 23-51. Luís Camilo de Olive i ra. O Desertor. nota às págs. § 4) . VI. cit. 448-479. in. Oeuvres. vol. A importância ou significado de cada um dos estudos abaixo mencionados já foi assina lada no texto. (cap. (cap. Satíricos Portugues es. 1. é um e studo importante. 1820. São indispensáveis sobre o poeta os dados de Teóf ilo Braga. I. 1-25. Bainville. As Cartas Chilenas Utilizei o texto de Critilo (Tomás Antônio Gonzaga). a de Sousa Caldas nas Poesias Sagradas e Profanas. Coimbra. que para mim foi a de Hamburgo. precedidas de uma epístola atribuída a Cláudio Manuel da Costa. Questões e Problemas. Florianópolis. que revê os anteriores e sintetiza as opiniões e dados favoráveis à au toria de Gonzaga. Franck e Guillaumin. a "Carta" de Vilela Barbosa nos Poemas. "Notícia". 3-58. Procedings of the Internati . 1858. "Criptônimos das Cartas Chilenas" (1912) e "Tropologia das Cartas Chil enas". 18) . Laemmert. na ed. "O problema das Cartas Chilenas". Idem. iniciais sem numeração. Rio. Alberto Faria. Nosso primeiro puericultor. Épic os Brasileiros. Obras Poéticas de Alvaren ga Peixoto. II-VI. Manuel Bandeira. "Terra do Brasil". Lívio de Castro. bastando agora indicá-los: Pereira da Silva.. in. cit. 421-424. n.. pág. História da Universidade de Coimbra.°. in. reproduz i da em Apêndice na História Geral do Brasil. págs. (cap. 1940. págs. Lindo lfo Gomes. 2-XII1939 a 28-1-1940.° 22. cit. 12-14. 1946. respectivamente págs. e "As Cartas Chilenas". 94-104. vol. Melhoramentos. A. Introdução e Notas de Afonso Arinos de M elo Franco. A "Introdução". Agir. págs. Aspectos da sua vida e da sua obra. 3. para as citações. O Inconfidente Cláudio Manuel da Costa. trazendo bibliog rafia. Identificação Estatística do autor das Cartas Chilenas . Idem. RAM. 84. Silva Alvarenga. Aérides. Paris. cit. Rio. § 1). vol. 45-49. 3. cit. 1 774. (1867). (cap. Sud Menucci. in. I. "Carta ao Sr. vol. § 2) e "FMF" . cit. Tomás Antônio Gonzaga. 5-41 e 157-178. Cecília Meireles. § 1). II pág. § 1). transcrevendo e anotando o Tratado de educação Física dos Meninos. I. 1910. nas dúvidas e citações. (cap. Garnier. in. de João Ribeiro. 1847. "As Cartas Ch ilenas". 1941. 5-28. a obra mais atualizad a é José Martinho da Rocha. d. corn a l. págs. 5-48. in.. 4. Juiz de Fora. vol. Acendalhas. Felinto Elísio. § 2). 1940 . Caio de Melo Franc o. 1940. A Autoria das Cartas Chilenas. págs. 13-88. 1941. 1913. São Paulo . 40O-401.a ed. Diniz O Hissope. págs. Plutarco Brasileiro. a outra mais autorizada.. F. (cap. in. Joaquim Norberto. cit. Rio. "Discurso sobre o poema herói-cômico". L. Paulo Malta Ferraz..a edição. págs. § 4). 5-134. RAPL.o gênero (pág. II. acima referida Para o Reino da Estupidez usei a edição João Ribeiro. etc.. Silvio de Almeida. s. que MF publicou em Lisboa em 1790.. F. págs. cujo texto é tão incorreto que ob riga a recorrer. (cap. Lê Lutrin. "Um enigma do século XVIII: Antônio Diniz de Cruz e Silva". (cap. Cartas Chilenas. 1944. n. FPB. 338 #A referida "Epístola" de José Bonifácio se encontra nas Poesias Avulsas de Américo Elísio . Varões Ilustres do Brasil durante os tempos coloniais.° 12. págs.

1794". Frutas do Brasil numa nova e ascética monarquia. História da América Portuguesa. A fonte principal para a biografia são os importantíssimos documentos autobiográficos publicados por Artur Viegas. 1846. cit. O Poeta SRD. respectivamente págs. etc. Para o estudo dos temas e assunto do poema. 1867. José Veríssimo. 1920. e. etc. Francisco Artur da Silva. 1945. ver F. de um ângulo mais flexível. para as citações. S. o jor nal e a tipografia no Brasil. 1781. 1-69. especialmente págs. RLP.a ed. 161-164. 4. ver Sotero dos Reis. etc. Épicos Brasileiros. 339 #CAPÍTULO V O PASSADISTA Utilizei como texto corrente do Caramuru o das Edições Cultura. "Informação". Lisboa. etc. 1702. in. págs 69-82. págs. II. citados na bibliografia do cap. IV. ainda conserva interesse Teófilo Braga. A. etc.FORMAÇÃO DA ROTINA Como os escritores são aqui tratados de maneira englobada. págs.. Antônio Pedroso Galrão. cit. vol. § 3). traz uma "Ode lírica" inédita. Sobre a maioria dos poetas estudados. pags. Nashville. João Gal rão. Lisboa. 1866-1873. ( cap. 1880.° 6. Garnier. "Frei JSRD". etc. 2 vols. págs. Maximiliano Gomes Ribeiro. 129 -152. in.. O livro. 259-280. A Introdução do Rom antismo no Brasil. inçado de erros. págs. 1950. a bibliografia deste capítulo não será demarcada por parágrafos. além de doc umentos. LXI. M ovo Orbe Seráfico. Carlos Rizzini. Rio. Sebastião da Rocha Pita. J. Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão. in. "Duas epopéias brasileiras". Acrescente-se Mendes dos Remédios. in. Consult e-se. que traz documentos inéditos d a sua vida universitária e o poemeto satírico era latim macarrônico sobre o "Império do Divino" em Celas. Regia Oficina Tipográfica. § 4. in. 116129. A laicização da inteligência Os dados sobre as sociedades estudadas se encontram em "Devassa ordenada pelo Vi ce-Rei Conde de Rezende . 1868. que. consultei as seguintes edições: Simão d e Vasconcelos.. Nova Lusitânia.a ed. e "O Caramuru perante a h istória (fragmento)". 2. § 1). 2. (cap. 1675. 2. Frei Antônio do Rosário. Crônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil. Henrique Valente de Oliveira. (cap. in. I. págs. págs. Consultem-se ainda os estudos sobre Gonzaga. Lisboa. Lisboa. em função dos aspectos que as suas obras ilustram. cit. Curso de Literatura Po rtuguesa e Brasileira. (cap. págs... V-LXXXI. pags. e o primeiro fora reproduzido no vol. págs. Lisboa.. S. 5 vols.. Francisco de Brito Freire. etc. que parece reproduzir o da ed. 1848. 506-524. 171-199. Reportei-me por isso. etc. 1941. Rio. CAPÍTULO VI . Maranhão. Paulo. Felinto Elísio. págs. S. 239-523. etc. § 2.. § 2).onal Colloquium on Luso-Brazilian Studies. X.. Para a apreciação crítica no velho estilo.a ed. ABN. 1858. Paulo. sobre a "metamorfose política das Academias". § 3). Como se sabe.a ed. cit. n. Da Entrada da Companhia de Jesus nas partes do Brasil. 1953.. 71-189 e "Epítome". Apesar de superado. a que se deve juntar a "Introdução" do organizador. .. cit. que fazem del e o mais bem conhecido e presente dos escritores brasileiros do tempo: "Retratação" . José Aderaldo Castelo. etc. Tomo I . 1939. 276-2 83. O segundo se encontra completo em RIHGB. à l. ver a bibliografia do cap. 405-415 e 415-437. onde vem analisado o seu papel de precursores . (cap. a primeira informação crítica e biográfica apreciável. Das obras que serviram de fonte ao poeta. 190-394. § 3). Artur Viegas é pseudônimo do P . VIII. Sobre Silva Alvarenga. "Alguma coi sa de novo sobre SRD"...e Antunes Vieira. cons. "Notícia de Fr ei JSRD". 1663. de Varnhagen.

. págs. etc. a fonte principal é Teófilo Ott oni.. Notícia histórica sobre a vida e as poesias. II. consultado na Secção de Livros Raros da Biblioteca Nacional.. . à (. ed. 2. FPB. JB. (Ver neste sentido uma referência de José de Alencar. SC foi muito estimado até então. in. etc. em Durval de Morais e os Poetas de Nossa Senhora. 111-131. págs. ver a biografia e o juízo crítico de Fernand es Pinheiro. Poesias Sacras e Profanas. Sobre a vida e a composição do poema. 231-286. 1801.. Para avaliar a forte impregnação de T asso. Rio.. José Olympio. cit. Anália de J o sino..o que terá contribuído para a s ua influência sobre os românticos.. Sobre a vida do poeta. cit. Ode oferecido ao limo. Bahia. Que era utiliz ado como texto escolar. Poesie. . (além da de Camões) consultei: Torquato Tasso. Leuzinger. Lisboa. é intacto. 309-335. . consultei: José Joaquim Lisboa. Rio. 1840. V-XVII. Paráfrase dos Provérbios de Salomão em verso português. págs. que tem servido de base aos demais. (cap. Impressão Regia. 2. 142-157. anotadas por Francisco de Borja Garção Stockler. 1794.. publica das pelo seu sobrinho Antônio de Sousa Dias. págs. etc. 1807.. págs.De José Bonifácio. . II. 1945. Para o estudo literário. baseada em motivos de origem lingüística. aparecendo amplamente nas antologias. Academia Brasileira. 2 vols. Além das obras ger ais. 1942. e o d e Sérgio Buarque de Holanda. § 2 ) e Felinto Elísio e os dissidentes da Arcádia. 1848. (cap. Lisboa. 1870. in. RIHGB. Rio. etc. aliás as melhores. Lisboa. Milão-Nápoles. O prin cipal estudo biográfico é Januário da Cunha Barbosa. etc Exmo. História da Universidade de Coimbra.) Condessa de Oeynhansen. Sotero dos Reis. Imprensa da Universid ade. V) vol. IX-XLIV. 1868. Villeneuve. 1923. X. l. PB ( 2). Para um est udo geral da personalidade e atuação. Salmos de Dav i. exprime bem a atitude de irrestrita admiração. I. 340 #segundo os quais a Censura teria mutilado todos os exemplares. Rio.. f. vol.. ver Octavio Tarquínio de Sousa. Imprensa Nacional.a ed. Francisco da S . Cinco de Març Liras de Josino. § 3).Consultei de Elói Ottoni: Poesia dedicada.a ed. 1946. págs. Apreciação moderna muito simpática é a de Jackson de Figueiredo. 1952. Sobre o poeta leia-se o prefácio de Afrânio Pei xoto nesta edição. 127-132. II. e etc. além das excelentes notas. f. onde afirma o seu pré-romantismo. Veja-se ainda: Teófilo Braga.a ed. Tip. em Poesias de Américo Elísio. II. nesta edição. etc. (cap. 1893. 2. 29-61. 467-469. O Livro de Jó. ecebendo menção e juízos em vários escritos gerais. págs. Nova Edição para da Corte.. pág. 1925. nada há a assinalar para o seu estudo crítico e biográfico. Corrêa da Silva. Rio. págs. "N ossa Senhora do Brasil". Rio. págs. 1858. Coimbra. servindo de modelo no ensino . que predominou até quase o fim do século. contrariando o que afirmam IFS e SB. Rio. Rougeron Paris.. Silva Serva. Corrêa da Silva.°. e a biografia por Pereira da Si lva. An u ário do Brasil. 1851. uso das escolas públicas de instrução primária do Município . Flora.Dos outros poetas citados. 524-542 e 542-546. 1872. O exempl ar dos Poemas. Leit e Ribeiro. . Ricciardi. págs. valendo-me de PB (2). para as peças posteriores. usei a edição fac-similar das Poesias. págs. Curso de Literatura Portuguesa e Bras ileira.De Francisco Vilela Barbosa utilizei o texto dos Poemas. 1802. in. cit.O que restou de Sousa Caldas está nas Obras Poéticas.°. Das obras em prosa se falará na bibliografia do capítulo VII. Como e porque sou romancista. e de referência. Rio. 2. etc. 4. 29-63 e FPB. 1862. RIHGB.. "O Doutor Padre APSC". corn suplemento de Porto-Alegre. 7-14.°. págs. 141-147. mostram-no as Poesias Sacras de APSC. Garnier. . 16). s... q ue traz em apêndice peças posteriores. 1815. Nova edição. págs.De São Carlos utilizei: Assunção. etc. 1820 e 1821. s.

Lisboa. Rio. 1808. J. IV e V. etc. f. etc.. Recife. Luís d os Santos Vilhena. principalmente da Capitania de Minas Gerais". C. Editora Nacional. Londres.. s. Jornal do Comércio... vol. Rio. Memórias para s ervir à história do Reino do Brasil. Getúlio Costa. antecedidas de "Duas Palavr as do Editor". Ode à chegada de Sua Alteza Real. Rio. 5-18. Impressão Regia. João Emanuel Pohl. Ver ainda: Alberto Faria. ABN.Silvério Ribeiro de Carvalho (P. Gelineau et Th. 1934. Henry Colburn. Condições do meio e Z. F. sobretudo vol. Coletânea de Autores Mineiros. Paulo. Ferreira. Viagem ao interior do Brasil.ilveira Pinto da Fonseca. Solena Benevides Viana. B. a cargo de Oliveira Lima. etc. rios e animais do Brasil. Impressão Regia. 1942. V. "Algumas cartas copiadas no arquivo de FD". v on Spix e C . § 1). 341 #1810.PROMOÇÃO DAS LUZES 1.corn relação aos problemas dos grandes textos religiosos traduzidos por Ottoni e S ousa Caldas vejam-se: quanto ao primeiro. etc. págs. Lês Psaumes. o jornal e a tipografia no Brasil. cap s. 2. . Milton da Silva Rodrigues. Schlichthorst. Tipografia Portugal e Brasil. "Um satírico mineiro". 1812. Belo Horizonte. Chifflot. Documentos i nteressantes para servir à história e costumes de S. Emmy Dodt e Gus tavo Barroso. Zélio Valverde. etc. não só pela tradução moderna. Aérides. Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil. etc.. John Luccock. S. notadamente caps. 1917. Ferdinand Denis. d. Martins. G. 1942... Rio. Viagem pelo Brasil. 3. Poetas. I. (cap. LIV. Éditions du Cerf. 2 vols..Para o estudo das transformações culturais da fase joanina: F. A nossa Aufkldnmg . Steinman. trad. de Varnhagen. VII a IX. trad. § 1). segundo este texto e a reconstituição musical de Gelineau. Imprensa Oficial. II. Henry Koster. tra d. São Paulo. João VI no Brasil. CAPÍTULO VII . 1863. Pi nto Coelho. Rio . História da Revolução Pernambucana em 1817. (ca p. B. A. Lisboa. Andrew Grant. 161-175. Éditions d u Cerf. . I. 1943. sobretudo vol. etc. II. D. A proteção dos in g leses. Imprensa Nacional. etc. § 3). s. IV.. Viagens ao Nordeste do Brasil. L. von Martius. 1808. por Afonso Arinos de Melo Franco. O Rio de Janeiro como é. Zélio Valverde. Trovas Mineiras. Lisboa. 180 9. trad.a ed. quanto ao estado atual do conhecimento sobre os Salmo s.e Silvério do Paraopeba).. Oliveira Lima.. cit. 221-226. ed. mas pela admirável elaboração cr ítica na introdução e comentários. revue avec Ia coll aboration de J. Recopilação de Notícias Soteropolitanas e Brasílicas. 1955.. trad. 1942. 1948. cap. S. como SM 33-O8 e SM 33-O9. Muniz Tavares. 249-271. 649-667. History o f Brazil. Viagens ao in terior do Brasil. par R. 2 vols. Carlos Rizzini. Liras. 3. P. 1922. John Mawe. II. 1908. págs. Paulo. págs. ed. "Descrição curiosa das principais pr oduções. LVI. "Cartas de Luís Joaquim dos Santos Marrocos". 194 4. PB(1).° caderno. Câmara Cascudo. etc. etc. Tournay et Raymand Schwab. . 2 vo . Paris. trad. Teodoro Cabral... trad. e FPB. notadamente o vol. Já se encontram gravados em discos de longa duração vários salmos. Paulo.. 2 vols. etc. I. I. cit. vol. etc.Quanto ao testemunho dos contemporâneos: Luís Gonçalves dos Santos. 1955.a ed. . XXX. 4 vols. Noronha Santos. Lisboa. Rio.José Joaquim da Silva. Lê Livre de Job. Simão Tadeu. págs. (cap. págs. 1951. Paris. Mário de Lima. Lúcia Furquim Lahmay er. cit. Impressão Regia. Instituto Nacional do Livro. História Geral do Brasil. II. Rio. J. Imprensa Oficial. O Livro.

) votaram os habitantes do Rio de Jansiro. etc. cit. S . Real das Ciências. Má. Alexandre Rodrigues Ferreira. APSC". Vida de D. que à feliz aclamação do muito alto.a ed. publi cou-se nos anos de 1813 e 1814. 1945.. cit. 3. passim. Rio. seguida das poesias dedicadas ao mesmo Venerado Objeto. cons. Paulo. 133-148 (47. podem ser lidas num apógrafo da Secção de Manuscritos do Instituto Histórico e Geográfico Br asileiro.. 21-3 além de certos livros de história. Memórias históri cas brasileiras. se encontram nas Obras Políticas e Lit .. convém ler ainda: Diário da minha viagem a Filadélfia. Rio. Os gêneros públicos . dos quais tomei 16 para o meu estudo. De Hipólito. Varnhagen. Lisboa.. 1923. . etc. (cap VI) . Dois Mundos."Cartas do Padre Antônio Pereira de Sousa Caldas". Brazilíada. D. IX.. Newman Ivey White. cit. in.Textos de escritores estudados ou referidos: Tomás Antônio dos Santos Silva. História Geral. Mariana. Impressão Regia. Knopf. etc. Narrativa da Perseguição de HJCPFM. cit.. "Notícia sobre HC". citados aqui. fundado e dirigido por Manuel Ferreira de Araújo Guimarães.. Poema heróico da fundaç monarquia portuguesa. RIHGB. Sobre ele. etc. HC e o Correio Brasiliens e.Obras modernas citadas a propósito de aspectos particulares: Octavio Tarquínio de Sousa. qu e infelizmente não pude mais aproveitar: Carlos Rizzini. 1813. e par a vigiar o procedimento do Pé. 2.a ed. s endo que os documentos e relatos de interesse pessoal se encontram no 1. 1957.. Academia Brasileira. passim. (cap. Impressão Regia. X. Londres. Preleções Filosóficas etc. etc. num total de 29 volumes. Silvério Gomes Pimenta.. Pé. Tipografia Real. Memória dos Benefícios Políticos do Governo de El-Rei Nosso Senhor D. Antônio Ferreira Viçoso. 1955. 2 vols.. livro de Rizzini (cap. 342 #. Bahia. 1920. Ensaio Econômico sobre o comércio de Portugal c suas colônias. D. foi publicado mensalmente. ou Portugal Imune e Salvo. lata 8. 1903. Portrait o f Shellcy. de 1808 a 1822. W. . 44.O Correio Brasiliense ou Armazém Literário. York. 1. Bahia. Bahia. Lewis. José Joaquim da Cunha de Azeredo Couti nho. 1815.. Alfonsíada. 2. 3. como Oliveira Lima.a). 1818. José Bonifácio. § 1). Imprensa Oficial. sendo os 12 primeiros men sais e os 6 últimos bimestrais. Editora Nacional. VI) . na cit. Impressão R egia. 1816.. João VI.ls. Z vols.a) e 216-221 (4S. edição da Academia.° vol. págs. Silvestre Pinheiro Ferreira. V. Rio. etc. Tipografia Arquiepiscopal. muito poderoso e fidelíssimo Senhor D. 2 vols. ms. vol. 1811. Corrêa Filho. além das obras gerais de referência. fundado e dirigido por Hipólito da Costa . etc. 1818. Paulo. S. Antônio José Osório de Pina Leitão.a ed. Po esias Avulsas de Américo Elísio. Daniel Pedro Müller. II. Evaristo da Veiga. .. Relação dos festejos. Rio. Tip. João VI (. HC c o Correio Brasiíiensc. Já estava este livro nas mãos do editor quando apareceram duas obras importantes. 828. O Estado de S. 159. Paulo. 1939. . perfazendo 175 números. 1818. Paulo. etc.. e Mecenas 343 #Dourado. etc. Editora Nacional. 1841. 1939. 1958. num total de 18 números. Quadro Estatístico da Provínc ia de S.Os escritos de Frei Caneca. 1922.. Paulo. Rio. págs. Lisboa. Biblioteca do Exército. cap. e Múcio Leão. . coligida por Bernardo Avelino Ferreira de Sousa. Editora Nacional. Rodrigo de Sousa Coutinho se encontra na mesma secção. Silva Serva. José Joaquim Lisboa. José da Silva Lisboa.. sob o título: "Aviso do governo português ao vice-rei do Brasil para investiga r sobre as opiniões religiosas e políticas das pessoas vinda de Portugal. O citado ofício de D. (1798-1799). João VI no Bras il. A proteção dos ingleses. da Acad. o cit. Damasceno Vieira. S. N.O Patriota. Estas e mais três inéditas.

285-287.De Natividade Saldanha usei o texto mais completo: Poesias de JNS. 291-413. Rio. em nome do Instituto Histórico. VIII. cit. Ant. págs. 1939. Sobre Evaristo a obra autorizada é a de Octavio Tarquínio de Sousa. Além das obras gerais. e das histórias que assinalam o seu importante papel político na Independência. na sua edição. História do Império. 1875-76. págs.A obra poética de Evaristo se encontra toda em "Poesias de EFV". pp. que esclarece afinal a última etapa na Venezuela e na Colômbia. Recife. X. Pernambuco. págs. 1875. 253-287. "Bosquejo da história da poesia brasileira". RIHGB. ainda conserva interesse o "Estudo histórico-biográfico" de Ferreira da Costa. EV. A obra autorizada sobre a biografia é Argeu Guimarães. cônego JCB".. CAPÍTULO VIII . de Antônio Joaq uim de Melo. . Rio. de que tomei cerca de 50O por amostra. de dezembro de 1823 a agosto de 1824. Editora Nacional. Rio. págs. págs. Joaquim de Melo. Paulo.. X.JNS".. a té então perdida em conjeturas e fantasias. que tocam na sua atividade poética . 145-151. ed. de Januário da Cunha Barbosa. Para julgar a veneração corn que foi tido pelos intelectuais do tempo. 1911. 2 vols. 1932. Garnier. Memórias do meu tempo.. S. ABN. págs. Sobre a vida. "Elogio histórico do Secretário Perpétuo.A Aurora Fluminense apareceu de 1827 a 1837. 1848: Francisco de Paula Menezes. 1841 (s. vali-mo do texto d e FPB. 145-331. Briguiet. A gloriosa sotaina do Primeiro Reinado.Para o Niterói. veja-se o discurso fúnebre de PôrtoAlegre. ed. 1937. Citei ainda Joaquim Norberto. 185-195. Medeiros. XIX-CXII. etc. etc. cons. 1843). e os poemas de Joaquim Norberto. José de Urcullu. 417-620. Manuel Figueiroa Faria & Filho. etc. s. págs. Arrault. 181-221.. Rio. 159-192. "Polêmica Partidária". II. 36-58: "Brasileiros e a polícia franc esa . RIHGB. . Poesia a reboque . 2 vols. págs. Edições Luz-B ras. págs. 1915. RIHGB. 266-275 e Gonçalves Dias. num total de 1139 números. "O Tifis Pernambucano. Tipografia Francesa. 1846. págs. 183 7. sem dúvida o melhor estudo. mas. d. traz o testemunho de um amigo de mocidade e é importante para a fase anterior a 1824. de valioso ..erárias de Frei JADC. corn bons dados para entendimento das poesias.. A atuação política é bem estudada em Tobias Monteiro. Logo após a sua morte apareceram duas úteis publicações in-memoriam: Honras e Sauda des à memória de EFV. ver J. Lisboa. as peças constantes da sessão pública de 6 de abril para a inauguração do seu busto. -. W. "Cartas de Pítia a Damão". Tours 1926. Rio. 2. A estadia na França foi deslindaáa graças a documentos publicados por Alberto Rangel. págs. Lemos Brito. pág s. Sigaud. Há nela. XXIII. Apesar de superado pelas publicações citadas. Mercantil. de 1848. e deveres deste para corn a mesma pátria". sobretudo. a saber: vol. algumas cartas de NS ao poeta espanhol D. Pereira d a Silva. 15-56. Recife. e Coleção das diversas peças relativas à morte do ilustre brasileiro EFV. 1848 . Tip.a ed. Vida e morte de NS. onde fala dos seus mo delos e tendências poéticas. três vezes na semana. mas sobretudo as "Notas". f. 1895. 240-259. 1867. "Elogio pág s. F. (1896). 339-352. Textos 344 #e Pretextos. A Biografia de JNS." Deste jornal saíram 28 números. J. Rio. (§ anteri or). Modulações Poéticas. págs. Histórico do cônego JCB". 1837. José Augusto Ferreira da Costa. "O que se deve entender por pátria do cid adã o. .RESQUÍCIOS E PRENÚNCIOS 1. II. tomo I.

A missão artística de 1816. Paris. "Um brasileiro adotivo".. Apesar de longo esforço. suivies de Camoens et José índio. 1953.. Deste modo. Quanto aos viajantes citados. et traduites en vers français par Félix Émile Taunay. Grenôble. Paris. XXIV. no caso Scènes de Ia nature sous lês tropiques et de leur influenc e sur Ia poésie. Paris. l. Sobre ele há referências em mais d e um livro do Visconde. e mais: Jean Rousselot. Paris.a ed.. Chronique brésilienne. . cit.C Siècle. Aneedot e brésiliennne. 7-20.Sobre as características do Pré-romantismo. 3 vols. 1949. etc..De Daniel Gavet e Phüippe Boucher consultei Jakaré-Ouassou ou Lês Tupinamb as. cit. A cidade do ouro e das ruínas. Yves Gérard Lê Dantec. do primeiro. Edição do IHGB. Pau l Hazard. . XXV. Georges Lê Gentil. 1825. seu sobrinho. Gallimard. e "André lê Voyageur". etc. C. Spix e Mar tius. art. Thimothée de Hay. 1830. 1095. e a biografia na Grande Encyclopédie. ver a referência na bibl. Afonso d"Escragnol!e Taunay. par José de Santa Rita Durão. Paul Hazard. vol. não pude obter. consultei: Idylles Brésiliennes. o seu livro Zaccaria. 1829. ob. "PD. n. pág. Jornal do Comércio.Édouard Corbière. 9-85.. Rio. VI) . . Lê Préromantisme. O Pré-romantismo franco-brasileiro . n. Paris. da Marília de Dirceu. a obra mais importante é. A Introdução do Romantismo no Brasil.Dos "pré-românticos franco-brasileiros". cons. Pari s. Roman-poème brésilien. Rio. Scènes de Ia nature sous lês tropiques". Traduziu também o Caramuru .. Paulo. f. 1826. do cap. Para o estudo das influências sobre a concepção e fatura das Scènes. Paulo. ou mesmo localizar. corn Pierre Chala .. A cessòriamente: Visconde de Taunay. 93 6. Arthaud. 1949. Paris. Renduel.. inclusive M emórias. Paris. dois temas fundamentais do Romantismo: a "n acionalidade" dos árcades e o indianismo. 2.2. Seghers. Lê Préro mantisme Français. . "As origens do Romantismo no Brasil". Instituto Progresso Editorial. Oeuvres. em Tristan Corbière. RABL. valeria respigar no . S. I.. s. etc. cons. S. "Introduction".° 3. apenas o que dizem as obras de referênci a. Paris. e Lê Gentil. Ver sobre ele os artigos de Sainte-Beuve. (além dos mencionados acima). etc. f. 129-130. d. através de anos. acentuando a tonalidade romanesca. Ibi dem. além de outras obras de referência. Lês Amours Jaune s. . 1947-1948 s. Paris. La littérature portugaise. (cap. págs. trazendo um prefácio informativo so bre a literatura portuguesa e a Inconfidência.De Perdinand Denis (que veremos detalhadamente no próximo volume). Melhoramentos. Élégies brésiliennes. Paris. 1920. 3 vols. pág. Nada sei do segundo. 1824. Louis Janet. Tip. sobretudo. . p ágs. em Tristan Corbière. págs. 1912 (e também RIHGB. 1823.°s l e 2. s. cit. Panckoucke. 345 #ver Octavio Tarquínio de Sousa. tornou acessíveis na França. Colin. 2 vols. 1911).A contribuição de Eugène de Monglave foi a tradução para o francês. éc rites en vers latina par Théodore Taunay. 64. o Larousse du XIX. (1923). 1951. Brissot-Thivars. etc. Sobre o seu papel no Romantismo Brasileiro.a Parte. VII. "Tristan Corbière".Sobre as manifestações pré-românticas no Brasil e as influências estrangeiras: José Ad raldo Castelo. LXXIV. 24-45. Sobre ele consultei o verbe te de Maurice Tourneaux em La Grande Encyclopédie. em Premiers Lundis.. s. Paris. declarando que era a primeira obra realmente brasileira e propondo-a como exemplo: (Caramuru ou La Découvcrte de Bahia. bem como as referências em Portraits Littéraires. Tome II. Pléiade. vol. VIII. Oeuvres. Sfelt. Choix de Poèmes. 1830. págs. dividindo-o em episódios. pág. págs. 1935. 64-71 e 272. Sobre ele. 1948. e valorizo u aos olhos dos jovens brasileiros. André MonK"Iond. Paul A^an Tieghem. 113 -120. suivies de Poésies diverses et d"une notice sur I traite dês noirs. 1951. Gueffier. págs. d. XII. e Pohl. Tome I.

. Casti lho. Haeia un concepto de literatura espanola. s. 139.a ed. "O Visconde de PB . vol. 1867. Os Quadros da Natureza. acentuando a sua influência na fo rmação filosófica espiritualista dos primeiros românticos.Como texto de Monte Alverne usei: Obras Oratórias do P. cit. puolicada em 1850: Visconde de Pedra Branca. "Discurso". focaliza MA no conjunto da nossa eloqüência sacra. 305-322. FM A (1863). folheto.a).De Domingos Borges de Barros consultei: Poesias oferecidas às Senhoras Brasile iras por um Baiano. após as modificações do autor. igualmente precioso como testemunho da primeira geração romântica sobre um do s seus mestres. mas que teve o grande mérito de chamar novamente a atenção sobre o p oeta. págs. 1921. "Biograf a do Pé. 2 vols. A citação de Rojas à pág. menciona umas Novas P oesias. Laemmert. Paris.a Mest re FM A. Rio. Porto. 1858. oficial de marinha. Sobre ele: Manuel de Araújo Pôrto-Alegre. corn o famoso 2. 5-44. s. Para a influência de Parny. Espasa Calpe. da Câmara Bittencourt. págs. Denis se serviu corn certe za da trad. da Academia. uma carta datada do Rio de Janeiro. aquele. cit. esteve em 1773. ed. na qual 346 #se incluem os escritos coligidos por R. RIHGB.. Aillaud. em 1830. de Eyriés. "Um precursor do Romantismo". FMA". ob. Pedro de Alcântara. d. corn estudo de Sainte-Beuve. a ed. Os Túmulos. Outros dados se encontram em A frânio Peixoto. "Frei FMA". e de cuj a existência sou levado a duvidar. A. 499-501 e J. às págs. trazendo.. 1867-1885. corn estudo de Sainte-Be uve. 1859. a não ser Castelo. 3. ver Oeuvres de M. Academia Brasileira. MA".. Para a biografia. nouvelle édit i on. Opúsculos históricos e literários. 73-116. 1945. cujas Harmonies de Ia Nature. I § 4) págs. (é a S. Paris. Garnier. 239 se encontra em Guillermo Diaz-Plaja.alguns perío dos de sua vida". d.. Rio. "Introdução" ao cit.. R. A sua volta à tribuna sagrada. Fernandes Pinheiro. desenvolvendo o tema do seu pré-romantismo. s. não vêm referidas ym SB e nenhum estudo sobre o poeta. Legrand. Antônio Feliciano de Castilho. 4. foram publicadas apenas em 1815 e eram novidade palpitante às vésperas da partida de Denis para o Brasil. págs 168-175. Rio. que pára. das Obras Oratórias. s. 409-418. págs. O "vago ríalma" . 1825. na cit.s livros americanos de Chateaubriand e nos romances e narrativas de viagem de Be rnardin de Saint-Pierre. Paris. Paris. já referido por Franklin Dória. de Humboldt. Buenos Aires. IX. de 1808. para a versão completa do seu poema fúnebre. que reproduz o texto definitivo. da Câmara Bittencourt. o melhor trabalho é Pranklin Dória. Para avaliaias afinidades corn Millevoye. F. infelizmente. págs. Vali-me da de Ga luski. XXI. II. import ante estudo e testemunho pessoal. Garnier. Rio. embora escritas nos últimos anos do século XVIII. A. ano do aparecimento da obra em alemão. RP. 2 vols. 1942.. Tip. provoc . que não pude localizar. Garnier. Rio. VIII. págs. 221-227 e 265-276. e consultei em Estante Clássica da RLP. Oeuvres de P. e que descreve de modo muito interessante e vivo. d. onde o poeta. (cap. 129-141. 1896. 435-442. "Fr. que a tornam a mais completa e útil. d. (1850-1851). Pomey et Crouzet. IPS. VI. Trabalhos Oratóri os de Fr.° Sermão de S. do Correio Merca n til. Obras Oratóri as. que exprimem a o pinião literária no momento da sua morte. pág. I. acompanhado de cartas. que abre a 2. RB (3). Ramiz Galvão. f oram logo traduzidos e se reeditaram por todo o século. como simples registro. 1841. Nova edição. O Púlpito no Brasil. Gonçalves de Magalhães. e nsaio irregular. .

Boletins da Fac.Dos escritores citados: (Anônimo). do Diário. Paulo Antônio do Vale. "Bosquejo". etc. F rancisco Bernardino Ribeiro". Enipr . 9-23. 2. V-XIV. Garrett.. e Barão de Parana piacaba. 1-12. Memórias biográficas. 1840. em número de 6. (Cap. os de José de A lencar. S. Ciências e Letras da Univ. 1856.. Poesias e Prosas Seletas. além das obras gerais. 18261827. págs. Foram citados ainda: Francisco Gomes de Amorim. d e S. tanto inéditas com o já impressas. em: Álvares de Azevedo.. Lês Martyrs. "Resume de 1"histoire littéraire du Brasil". 1942. 513-601. 1741.m r. A Filosofia no Brasil . págs. Rio. por exemplo. do Correio Paulistano. Editora Naci onal. Crítica e Cronológica. 347 #5. S.d. As suas poesias publicadas se encontram. e em particular sobre o poema Camões. 3 vols. Garrett. Bispo do Rio de Janeiro e Capel ão-Mor. Manoel do Monte Rodrigues d"Araújo. D. II. 37-77. Paris. no PB (2). (Anônimo).. recitado na Imperial Capela no dia 24 de maio de 1840. cit (§ 2). cit. Jakaré-Ouassou. J. "Vista d"olhos sobre a poesia portuguesa d os últimos anos do século 18. 47-57. Tip. e Revd. Imprensa Nacional. e os seguintes estudos: Sílvio Romero. s. etc. 41-44. cuja autoria suponho de Francisco B ernardino Ribeiro. D. 1859.. Cartas sobre a Confederação dos Tamoios. págs. Rio. 9 vols. ob. etc. O limbo . Justiniano José da Rocha. de Filosofia. págs. Garnier Rio. 1833. 1940. Scènes.. págs. FMA. como. "Prefácio" à Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântic a. Garrett". Homero Pires. Porto Alegre. "A lógica de MA". "Préface". A mencionada oração de Januário da Cunha Barbosa é o Sermão na solenidade da sagração do Exmo. RSF. "Discurso recitado no dia 11 de ag osto de 1849". 1844. 1881-1884. (Januário da Cunha Barbosa). O Rio de Janeir o como é. Paulo. Lisboa. § 3). 2 vols. além do ponto de partida. por Ig. Antônio Isidoro da Fonseca. S. 394-399. Independência Literária Veja-se de Ferdinand Denis. Tradições e Reminiscências da Academia de S.a ed. II. Paris. Quanto à obra filosófica: Compêndio de Filosofia. . 4 vols. Biblioteca Lusi tana Histórica. 1825 . "Ensaio crítico sobre a Coleção de Poesi as do Sr. pág. s. Imperial e Nacional. 1829-1832. ou Coleção das melhores poesias aos poetas do Brasil. geralmente atribuído ao Sr. S. que dá a biografia. 1878.. VI) e Manuel Bandeira. II. cit. pelo Padre Mestre Fr. Rio. 36-47.. 1881. Imprensa Nacional. v.. VIII. ed. págs. Rio. Parnaso Brasile iro.ou notícias e comentários arroubados de toda sorte. Gavet et Bo ucher. Paris. São Paulo. 2 vols. da "Deutsche Zeitung". págs. Paulo. (cap. 1910. 2 vols. Schlichthorst. (§2). LXVII. págs. Tip. Diogo Barbosa Machado.. Tip. Bosquejo da história da poesia brasileira". etc. Rio... em seguim ento a Resume de 1"histoire littéraire de Portugal. (cap. vol. Ladvocat. 4. Pléiade. II. Lê Génie du Christianisme. Lisboa . MB. I § 4). Lecointe et Durey. 8-19. págs. d. Leuzinger. cit. Almeida Nogueira. Cabr al. Paulo. Joa . Parnaso Acadêmico Paulistan o. 2 vols.As referências a Firmino Rodrigues Silva e à importância da sua contribuição se encontra m. (cap. Paris. S. Paulo. págs.. cit. págs.. Obras Completas. 3 vol s. Dele citei Mémoires d"Outre Tombe. "O Dr.. Didot. 1833. 399-415. G. Nac. Para a influência de Chateaubriand. Magalhães". 193-213. Para o estudo dos problemas suscitados neste parágrafo. Ao Correr da Pena. 1946. (José de Alencar). VII. Rio. 1910. Paulo. etc. Tip. Joaquim No rberto. Francisco Luís Pinto. RSF. cit. Laerte Ramos de Car valho. § l e 2). 556-558. VII. págs. Castelo. II. 1951. J.

F. BARBACENA. 84.221. G. 303-304. 73. ALPOIM. 347. Corrêa de . Marquês de .123.258. Conde dos .164. 128. 238 ANCHIETA .192. 109. E. 324. 314-315. Gomes de . ALMEIDA. Ltício de . 288. . P. de Assis . 339. 127. 333. Januário da Cunha 133. AZEVEDO. Machado de . AMORIM. 213. ARQUIMEDES . Jacinto Freire de 89.20.327. ALVARENGA. 226. 132-144. 295. Mendonça de 334. BANDEIRA. 301.199. BARBOSA. Manuel . 63.52. BARBOSA. ALEMBERT. 61. 151-153. 22. C. 193. Matias .. 113.28. de C. 94. Álvares de . L. J. Gomes de . Casimiro de . 194. 340-341. 1 93.61. BARRETO. Mário de . BARBACENA.230. 326.246. ARANHA.140. F. Gomes Freire de 61. 246. "Bosquejo da história da poesia brasileira". BARBOSA.159.159. 73. BACHELARD. 339. Marquês de . A. 74. Soares . APOLÔNIO . 349 #BARBOSA. J. José de . 337. M onteiro . 160. J. M. 236. Louis de . Ferreira . ASS IS. Antônio Carlos R. 305. ARANHA. 255n. D. ABREU. ALMEIDA. AMARAL. 207. 144-146. 205. 348. Teresa R.18. 331. 348.238.156. P.239. Capistrano de . 309. . ALORNA. 69. BARBOSA. da Cunha . 215. BARRAL-MONFERRAT. Dom Marcos .160. 308. 318. 344. 331. 348.38n. .128. 245. de 317. BARRETO. 306. AGUIAR. Brigadeiro . 321-322. 310. cit. do Monte R. 240. Vilela .57. A. ALVARENGA. 336. ARAÚJO. Silva . ANDRADA.338. 51. 149. AZEVEDO. ANACREONTE . 332. ANDRADE. ARAÚJO. ANDRADE. F. 317. Tenreiro . 309. 103. Marqueza de . 328.50. P. 150. D. 52. 337. Padre . de . ALEIJADINHO . 104. ABREU. Visconde de .238.72. F. 66. 256. Conde da . 335. 341. 234. 136. 234. ANDRADA. 331. 205.284. 54. J.282. 106. B BACH. de 311. 347. 333. Alves Branco Muniz . 341. 95. 270.quim Norberto. ANDRADA. José Maria do . 116. 338. 228 AIRES.. 175.326. 289. 347. Bonifácio J. 166-171.302n. 234. Brito . 20. BARBOSA.328. 95. 337-338. Pé. Guilherme de . 107.11.80. 291. BAR CA. 334.214.264. Sílvio de . 130.192. ALMEIDA.10. 36. 204. Claude d" . de . AZEVEDO. BALDA. M. ARISTÓTELES . AFONSO HENRIQUES. BANDEIRA. AMORA.232. * 348 Biblioteca Pública "Arthur Vianna Sala Haroldo Maranhão #ÍNDICE DE NOMES ABBEVILLE. ALENC AR. 339. 294. 311. Pais de 274. G. 239. Domingos Caldas 20.120. 84. 30. 247. 118. Rui . 98.291n. 271272. ANDRADE. D" . BARBOSA. V. 320. 231. 241.321.35.46. D.22.314. ARCOS. 318. 215. 339.

274.344. 215. BRAGA. CHAVES. Lívio de . CALDEIRA. 307. 350 BRAY.60. 342. 243-245. 302.210. 328. 178. 124. 241. 56. 236. 340. F. 204-205. 316.50. Ana F. 316. 66. BATES. de 331. 48. BOCALINO . 270. 270. 274. 272. . CASTELBRAN CO. 61. René . 339.327.282. 50.204. Câmara 347. . Jacques .149. CARVALHO. CAR VALHO.116. A. 219-222. 236. 347.313.270. Intendente . BRAGA. . BENDA. 342. CASSIRER. #CHATEAUBRIAND .48. BITTENCOURT.62. 270.86. G. 258. CANECA. Vaz Pinto .118. Aderaldo . CARVALHO. 236. 262. CARPEAUX. 270. BERNARD.. 322. 207. BONIFÁCIO. J. BOCAGE . CLÉMENT. 339. 202-203. W. CLARQUE. BAS TOS. Sousa . Hernani . 212n. 346. 281.27. CARVALHO. BERTONI . P. 347. 251. 38.295n. 320. Samuel . BUFFON .(Ver José da Silva Lisboa). Borges de . 299. . Pedro Álvares .282. 263. 336. 149. 64. 327. 340.45. 346. 206. Roger . B RANDÃO. E. 234. M. CHENIER. 58-59. 205. 319-320. CASTELO. BEAUCHAMP. BARROS. 213.215.317. 206.331.295. A. 340. J. COELHO. A. 331. 297. 45n. Martinho de Melo e 159. 318. BRAGA. BRANCO. T. 90. S. A.27. 293. CAMÕES . 211. 199.70n.238. CONCEIÇÃO. 195. 346. BOBADELA. 215. 284-291. Freire de .342. de . CÍCERO . R. Lemos . .50. 345. Tomás . 275. José .282-283. J. 345.232. 218. Aires do . 251-258. 175. 338.214. CIDADE. Vieira . BOILEAU . 199.(Ver Gomes Freire de Andrada). 243. 180..73. CARVALHO..106.331-332. 196-198. CONDORCET .321. 194. 154. Frei . Arruda . 347.178n. Tomásia I.. 334 . 324. 194. Vicente de . Afonso . CASTRO.331. CABRAL.97. Frei . M. Alves . Ronald de 10. 303. CASTRO. Visconde de .. Silvério R. 160. 342. 155. 279..331.316.327.308. 214. BARROS. 345.. 331. Conde de . BOLÍVAR .262. CARDOSO. 236. F. BRITO.22. 347.320. CAIRU. 320. 215. Pé. D. 332.229 . CALDAS.324. 193. 239. G.212.263. 304. Conde de . 211. 341. 39. de Alvarenga . 282.324. BYRON . 193. de Melo . 206. Ana de O. Vale . 190n. de . 159. 317-318. da . 211.19. 193. 336. Gomes de .336.312. CELSO. 346. . 146. 231. da .301. 334. Felipe . Otto Maria . F. CAMARÃO.194. BERNARDES.128. BOSSUET .85. 306. 86. Sacramento . Roland . Ana M. Ferrão 230. CONCEIÇÃO. CHIFFLOT. 338.36. Diogo .62. A. E. Laerte R. 343. 241. 213. CARVALHO. 301.18. O. de . CASTILHO. 325. 216. Philippe . 344. 323. Gentil . BLAKE.35.. Julien . 20O. . 116. 339. 341. CAVALEIROS. BUTLER.131n. Borges de . 198n. 160.158n. BLAKE. Francisca X. BOUCHER. 283. BASTIDE. CASAL. Teófilo . William . 40. CÂMARA. 64. CHALAS. F. Arlindo . P. 156.215. CÂMARA. . BARTHES. de . BARROS. 294.311.226. 216. 320-321. CONDILLAC .159. 227. CABRAL.

10. 309. 342. 344. H. 22. CUNHA.185. 247. 282. Paulo Malta . A. 237. 320. Felinto . Teófilo . Maciel d a . 343. Vieira . 308. 316. 103. Santa-Rita . Alexandre . 339.. 285. 246251. 302.104. 177.62. J. J. DÓRIA. FEIJÓ.158n.77.234.311. PIELDING. J. 311-312. 323. 80-99. 284 291. B. Lourença da . 346. Ferreira da . 343. 54. 212. . 243. . 185. Cardeal da . ANTÔNIO . 283. da . DIAS. FIGUEIREDO. 181. 22. . A. 57.274.229. 263. 177. 333-334. 237. 323. 106. FALCÃO. 194-195. 347.306.307. DIAZ-PLAJA.328. 343.. Conde da . COSTA. D URÃO. 63. FERRAZ.316.324. Francisco de . COSTA. 271. . 345. . 215.66.184. 339. 281n. CORREIA.237n. Silvestre P. 339. COSTA. 332. Paulo R. 231. Gonçalves . COUTINHO. 72. Hipólito da .322. 227..39.289. 47. 209. de Barros . 283.272. Pereira . . 288.236. Diogo Álv ares . 130. FARIA. CRUZ.239.50. 113-115. DEMÓSTENES . 256. DIAS. Tristan . DELILLE . 283. Carlos . 228. CORDOVIL. 336. 340. DUMAS. 79. 345. 192. 236.70n. 203.279. 61. ESCRAGNOLLE. Fr. Pereira de - . 278.. 121.205. 211. 22. 255. 20O.335. DIAS. DELAVIGNE . 124. 175. COUTO. J.280-281. J. CORREIA FILHO. B. 183. . Cláudio Manuel da . DOSTOIEVSKI .164. Conde d" .291. D. 222. CUNHA. 345. CRUZ. 97. D DAUNOU . 179. Afrânio . 320. 104. S. DENIS. 66. 316-317. Ferdinand . 342. 302. 161. Mecenas . .262.73 FEIJÓ. 175-186. 284. 340.. 133.320. Félix da . 272. 64. F. 301. DORAT . 176. 321. 229n.45. COUTINHO.260. 64. 215. 346. CORBIÈRE.228.282. 241.323. . 328. Anastácio da . Franklin .329.331. Henrique .207. 322. 175. CORBIÈRE. J. 264. Édouard .19.20. 335. e M. DEBRET . FERREIRA.285n. COSTA. 160. A. Carlos da . 270. 141. 310. ERICEIRA. COSTA. Rodrigues . FARIA. Diogo A. 161. 122. COUTINHO. 258.197. E ELÍSIO. 281. 178. Dom Rodrigo de Sousa . CROISET.21.312.73. Gonçalves da . J. 319. Alberto . A. CRITILO . J.. DESCARTES . 282. 324.52. 64. FERREIRA. COSTA. Pé. Ângela M. DURÃO.130.128n. 351 #FERREIRA.(Ver Tomás Antônio Gonzaga). Pires . 325. CUNHA. 66. 106. 343. CUNHA. DO URADO. A. V. DRUMMOND.31. 234.343-344. G.

. 256.80. Francisco José . 334. 107. 238. HOMERO . 88. 332. 289. 260.329. GARRETT.337..160. Pé. M.225. J. HUGO. J. 307.22. H HAZARD. 191. 132. 334.28. 245. 176. 308. A. FREIRE.192. GUARINI . GARCIA. GRIECO. 336-337. da Costa . T. 309.3 35. FISCHER. 175. 332. 61. GEIRINGER. FRANCO. GESTAS. Silveira .. Bárbara . 344. 319. 312. 313. 301. 231. da . HORÁCIO . 2 31n. 89. HELVETIUS . H.21. 323. 192. GRESSET . Fidelino de . 303. FIGUEIREDO. 137. 85. FRADE. FIGUEIREDO. A. Rodolfo . 107. Roger .281... 57. Lindolfo . Borges da . GELINEAU.341. GUIMARÃES.86. 298. HOLANDA. 345.314. Bernardo . 347. 177. M. 104. 302.72. 80n. 277. 339. 111. de Araújo 237n. 335. 65. 345. Agripino .168. GONZAGA. 333.. 169. 307. 175.46n. FONTENELLE . FRANCO. HELIODORA. GANILH 262. 47.. 66. FREITAS. F ONSECA. .120. Henrique . FONSECA. GODWIN.72n. HESÍODO . Bernardo . 160.329. Francisco de Melo 61. 339. 281. 335336. Argeu . . 98. 332. Almeida . 234. 22. 204. Junqueira .176. GRACIAN .149. de Brito . Basílio da . 315. 54.342. T.229n. K. 347. 343. Eduardo . Fernandes . 45. W. A. 52.336.149. F. 150. 59. J. FREIRE. Conde de . FRIEIRO. HOLDERLIN . J. 306.38.315. . Agostinho . 179. FRANCE. F.307n. 63. 236. . 103. Pereira da 168. 141. 331. FRANCO.313. 337. Francesco . Victor . 338. 315316. GARÇÃO.35 . 56. 341.270. GOMES. 314. 334. FRY.98. 302. 56. Buarque de . 45. 47. 41-44. . 332. 51n. 274. S. 338. 20O. 54. 122-131. GONZAGA.194. 113. 315.20. GAMA. HONORATO. G GALVÃO. 334.291. 177. 347. Corrêa .. FLORA.86. 106. 342. 215.329.312. FREIRE. 86. 288. 342. 97. 73n. 201. 331. 281n. Antônio .98. 169. 48. 328. 332. Ramiz . Q. J. 80n. GAMA. GUIMARÃES. 346. F. . GUARANÁ.. 103. Hermes da . Jackson de . Rainha . GÓNGORA .282-283. GRANT. do Souto . Daniel .199.216.252. 63. 311.32 7.45n.240. 108121. 339. B. 337. 55. 840. Jango . 64. GAMA. 303. 215. FONSECA.31. Paul . 312. 70. GAVET. 315. FONTES. 134.230. GUIMARÃES. . 153-157. Arinos de M elo 161.168. 215. M. Afonso de . 317. Anatole .39. 339. 332.313. GOMES. 337. GORCEIX.326. I. 310. João de Melo . Caio de Melo .98.. GONZAGA. HORTÊNSIA. FRANCO.52.331.279.

LEITÃO. KLOPSTOCK . 343. H. 191. J.282.72. Ferreira .. Choderlos de . 258. . J. 342... LONGINO . MACEDO. 66.22 9n. 251. Scipione . LEOPOLD INA. 337. JUNIUS .281. LEGOUVÉ. LACROIX. 226.342. de . MADRE DE DEUS. LISBOA. LA TOUR-DU-PIN. Lourival Gomes 336.50. Cândido (Ver Francisco José Freire).53. Dom . 214. 333 334 LANSON. LEAL.177.123n. 320.. Frei G. MACPHERSON .306. H. JOUY . Alberto . 247.50. 336. KAULEN. 283. LIMA. 269.38. 328. 301. A. 280.. 249. MACEDO. LEDO. Álvaro T. da 72. J. . 263. 248.159. LACLOS.214. 343.331.329. G. LAMEGO. LOPES. JASINSKI. .41. MAGALHÃES.325. LEME. Frei . 324. Marquês do 167. Gonçalves de . Múcio .226.58. de Brito e . LOCKE . 178... Irmão . 340. 212. 243.123n. LIMA. 332.329. 343. ITAPARICA. 352 #JABOATÃO. Agostinho de . 343. . Jorge de . 226. G. J. Rodrigo de Sousa Coutinho). de . 314. Guerra . LUGON. . . LORETO.207. Houdart de . HUMBOLDT. Barão de .10. D. José Joaquim .221. L. 311. JOÃO VI.. KEMPIS.18. de C. 192. LÉRY. 212.229n. 264.316. 291.59.217. Pais . .228n.321. 285. G. 59n. Barão de .238. . LA MOTTE. . Oscar . 250 317 MACHADO. ITAMARACÁ. C. MACHADO. 259. 218. Frei . 247. Conde de . M MABLY . 65. A. 242. Gabriel . JESUS. 337. 229.50. LÊ GENTIL. Gonçalves .262. T. LIVRAMENTO. Franklin).238-239. LINNEU . Bernarda M.281. 222. 346. LUCCOCK. K KANT . MAFFEI. P. de Oliveira . R.234. Pina . . LEOPARDI . Diogo Barbosa . LUZAN .226-227. 345. J.150.(Ver Maciel Monteiro). Henriques .178.322. 342. 238.201. LUSI TANO. H ermeto Carneiro 321.262. KOSTER. 323. LIMA. de . 347. Ana Maria de .329. LINHARES. LIMA. 120.(V er Dória.314. José da Silva . . LEÃO. H.221.318. LEÃO.18. Irmão Joaquim do . Y.(Ver D.194. 209. .168.343. 193. Ana F. 39 LAMARTINE . LIMA. LOURENÇO. 250. M. JESUS. 73n. LÊ DANTEC.345.19. 331.318. JUNQUEIRO. von . 342. LAVRADIO.62.284. 341-342. LISBOA. 231n. Mário de . 225. Imperatriz .40.

285. 328.328. Almir de . 265n. NORONHA. ORTIZ. MELO. 312.97.274. J. MELEAGRO .73.282. 285. 260. 325. 85n. 193.320.(Ver Luís da Cunha Menezes).. MATOS. NEWTON . 215. OT TONI. J.231.48. 47. Agrário de . MORAIS filho. 129. MIGUELINHO. Padre Saldanha 272. 159. de . 306. 177. 319. Corrêa de . 66. M. MONCADA.345. Arthur . 346347. 160. Dom José Tomás de 106. MONTESQUIEU . MENDES.314. 333. Valentim . MEIRELES. F. 342. Daniel P. NUNES. 334. 339. MORAIS. 221. 298. Murilo . Haroldo .331. Melo . OSSIAN . D. MARTINS.230n. 95. Pereira . 291-299.71n.305.48. 255. Cabral de .89. 198n. 305. 353 #MARQUES. 169.335. NICHOLSON.316. MONGLAVE. MARINHO.3 29..331.331. J. 60. L. Tobias . MELO.221. L. A. 302n. 254. 180.160. MONTE-ALVERNE . 233. Fanfarrão . MONTEIRO. 178. 165. 48. 291. 344. 307. OTTONI. MOOG. J. Teófilo . Lemos de 306n. dos Santos 251. Esteves . 333. Infanta . MARIA I. 164. 334.193.344. . 136. 336. 159. 344. MENEZES. Ana G. L. 324. MENDES. MONGLOND. J.311. A. M.50.36. MENEZES. 332.291. D. Barão de (Ver J. MENEZES. de Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de . 338. Sousa . 264. 306. NORBERTO. 145. 333. MORAIS pai . 77-79.160. M. de . .270.10. 347. 338. MURATORI . 310. O OLIVEIRA. Vieira .322.89. 214. NOGUEIRA. L. Cecília . MAGALHÃES. MOTA.. 215 315 319 MARIA FRANCISCA DOROTÉIA. MAWE. 335. 41. 138. Dom Antônio de 84.344. 324. OLIVEIRA. 193. 234. Dona . 132n. Gregório de . NIETZSCHE . 205-206. .326. Padre . Alberto de . METASTÁSIO . 118. H. Sebastião José de Carvalho e .194. 334. 163. . J. 342. 5G. 311. Melo . 270. MARROCOS. OTTONI. Thomas . NEGRÃO.194. . . de Paula . E. MENUCCI. MARINO . 218219.230n. 328. 22.214. Paulo J. MILTON . Vidal de .284..20O. OLIVEIRA. 89. 159. 42.72.10. OTAVIANO. 305. A. 42. PARANHOS. J. OLIVEIRA. Rodrigues de . Elói . MELO. 308. 336.194. 315. Botelho de . 308.(Ver Macpherson).318. 332. PAINE. .159. 323. Osório de . 330. MORNET. 345-346. OVÍDIO . 318. Cardoso de Menezes e Sousa). 162.. 158. 264. Camilo de . 339.59. A. Odorico . N NAPOLEÃO in . 339.241. MONTEIRO. 283. 161 339 OLIVEIRA.327. Viana . 341.218. 311. 194195. Luís da Cunha 115. J.61. Sud . Maciel . J. 324. MELO. 270. NEGREIROS. Francisco .36. MELO.290. MAGALHÃES. Joaquim . Joaquim de . J.158. Almeida . 287. 346.270. 237. 348.85.329. 342. MELO. de . 284.76. 216.18. 322.66. J. MENEZES. 217. 136.. MINÉS IO..(Ver Pombal). MÜLLER. 342. 348. PARANAPIACABA. MILLEVOYE . . 283. 324.

123. 122. Silvestre do (Ver Silvestre Ribeiro de Carvalho). PICCOLO. 316. ROUAN. 327. 163n. RAIMUNDO. 325. ROJAS. POPE .96. Santiago Nunes . 238. 341. 20O. REIS. 344. 264.279. Dom Silvério G. Sílvio . 317. 201n. J. 348. 333. 312. RIBEIRO. 314. Alvarenga .124. 344. 234. ROMA. Ribeiro . RIBEIRO. QUEIROGA. F. RABELO. 296. PÍNDARO . Fernandes 9. Pé. 168169.50. 263. Frei .214.301.61. QUEVEDO . 254.38. da Silva . 46.340. 154. PEIXOTO. ." 59. 346.291. 178. 104-107.305. 241. PEREIRA. 130.278.306. RIBEIRO. 264. 215. PREVOST. R RABELO. Alberto . Dom .19. QUEIROZ. 242. . PAULO. 155. PROUST. POHL. 342. PEYRE. RIBEIRO.332. J. 332. .61. 325. Laurindo .86.53. Justiniano . 315. 160. R. 313. 236. PEDRO I. Visconde de (Ver D. 322. 291.74. 341.10. J. PEREIRA.238. RIBEIRO. 59. PARNY . QUITA. REIS. 61. 310.210. . 311. Bernardino . PENA. 337. Martins . 177. 307. . 295 PESSOA. .334. RACINE .178n. 306. Borges de Barros).10. 290. Gualberto dos . 228. 343. 327. RAYNAL . .221. D. Ricardo . PÉGUY . REZENDE. 239n. 306n. 306. PIMENTA. Bernardina R. 327. PITA.325. 346. Pé.. 269. H. 307. 230n. 325.307. 53. Sotero dos . Reis ..325.. C.10. 338. Car . Afránio . PICHON. . 347. 103. ROCHA..234. F. Saturn ino da Costa 245. 75-76. 345. J. PEDRO O GRANDE . C arlos . 176. . R.. M. Dom . J. 185. 309.39. 332. Q QUEIROGA. QUEIROGA.54. 347.PARAOPEBA. ROSÁRIO. D. ROCHA. 307. 77. 310. João . Baronesa de .241. 95-9 6.306. Rocha .71.54. GO. RAVAILLAC . Cond e de . Vicente de . 132n. 298. das Chagas .320. 160. PEDRO II. 333. 337.. 232. E. 239. 285n. 340. 335.289n. -M j* * 354 #PEDRA BRANCA.. 178. ROUSSEAU.274n.175.150. Mendes dos . 307.29. Dom Mateus de A. 339.123. 336. 179. 305. 234. 184. 285. 338. 328.168. 212. Antônio do . 151. de A. ROMERO. PINHEIRO. PEREIRA.62. 332..230. Martinho da . 324. RAVEL . J. 328.316.327. 97. 306. 310. 308n. RICHARDSON . Irmãos . Monteiro da .48. Ana J. Frei . 324. S. 336. 206. PORTO-ALEGRE..194. F. 315 339 RIBEIRO. M.166. 348.154. Eça de . 170.320.329. 106. 85n. PEIXOTO. 70. 167. 340. 228. Salomé . POMBAL. 341. 340. PETRARCA . Fr. 310. J.. 314 . 131. . RODOVALHO. REMÉDIOS. Antônio A. .. RIZZINI. 319.168-169. Marquês de . 73. . Padre . RANGEL.97.63. 325. ROCHA.306. 341. 309. 342.

Dupré de . . SOUSA.. 56-57. J.48. 270. 272-274. 344-345. Dorotéia de .317. SOUSA. SOUSA. da Costa e . SCHILLER . SERPA. SORRIA. 211. 270n. SEIXAS . Domingos Carvalho da 335. 340. An a M. 75. Santos e . R. dos . Cardoso de Menezes e . 339. SCHMIDT. 322. SANTOS. 151. SANCHES. 309. Ribeiro . O.215. J. Ferreira e .203.329. 332.54. 82. 847.10.. . 346.128n. SILVA. SÃO CARLOS.38. A. SANTA-RITA. Marquês de . 272. A. J.307. L. SAINT-PIERRE. SAMPAIO. T. Luís de Vasconcelos e 166. 167. T. SILVA. SANTOS. M.235. A. 346. 296. F. 275. 326. SOUSA. J. Diniz da Cruz e . SILVA. SILVA. 291. 330. J. de Almeida 245. M. 89. de Sequeira e .. 347.281. 214.221. 336. Firmino R. .73. Antônio José da . de Montbéliard . 279.324. 346. 178. SAINTE-BEUVE . 242. 157. 342. de Oliveira .253. A.342. 20O. Barbosa da . . 150.65. A. 342. SOUSA. 234. Joaquim Gomes de (Sousinha) . A. SILVA. SCOTT. 243. SENANCOUR . 318319.15. 343. 324. 307n.317. . Padre Gonçalves dos 229n. SILVA. 217. 234. Pr. SILVA. SANTOS-DUMONT . 356 SILVA. A.329. S. Frei . M. F.329. A. 336. Egon . SERRA. 309.213.159. de . SANTOS. 207. Inácio da . M.327. F. 355 #f l SAFO . Conde de. Gonçalves dos . Fr.279. 341. 85. SANT OS. J.263-264. Tarquínio de . Marquês de . Lúcio J. de . SHAKESPEARE .176. Lery dos . 20O. G. 166. 334. de .194. SARAIVA. SCHWAB. SILVA.. 70. Noronha . 333. R. .97. SILVA. 302.309. SILVEIRA. Ferreira da .230. SCHADEN.321. SOUSA. Marquês de .61. da . 168. 323. SOUSA.78. J. 273. SCARRON . SIGAUD.108-121. 343. B.194.225.344.320.319. SADE. F. . A.139. Jacinto J. SANTOS. 323. Pereira da .73. F. 242.97. Teixeira e . SCHLICHTHORST . .281. J. SAMPSON. 160-161. Lopes . 74. 208. 196. SANTA-ANA.226. 342. SANTOS. A. SAPUCA1.342. SIQUEIRA.240.160. SILVA. W.314. da . 216-218. de . 339.149. 310.166. 306. 219. M. . SOUSA. Luisa C.306. SCEY. 338. da Natividade 198. SHELLEY . José Joaquim da 210. 209. SILVA. Inocêncio F. 325. SALDANHA. J. 320. 313.319. A. S SÁ. de . 80n. Fr. SANNAZZARO .229n. dos 334. 335. 155. T. 333. José Carlos da . B. SARAIVA. SILVA.129.76. 53. 212-213. 215. 341. SAINT-MAUR. Adam . 270. SMITH. 132. Pereira de . SILVA. 270.318.234. 333. G..

V VALADAO.329. 177. VIEIRA. THOMSON. Fr. Antônio . Paul . 334. 295. UTA. de . 326. TUCÍDIDES . VASCONCELOS.53.18.76. 321.230n. A. F.331. Luís Francisco da . Nicolau . TOLENTINO. Frei . 236. VEIGA. 230. José . 316. WINCKELMANN . 341. STENDHAL 31.306. 258-265. 218n. Mme.323. D.234.345. Pé. Barão de . THÉVET.331. L .279280. Família .311. 89. 243. VARNHAGEN . 270. 339. da C. 128.240n. VIEIRA. de . TAUNAY. TAQUES.219n.124. L.35. Pedro . VERÍSSIMO. 171. 322323. J. 343. Destutt de . 260. Fagundes . VILAS-BÔAS.307. 43.282. Pé. de B. SPIX e MARTIUS .149.207. TAUNAY. 340. TEÓCRITO . VOLNEY . TAUNAY. 322. STOCKLER. TASSONI . J. . Bernardo P. TAUNAY. VASCONCELOS. Afon so de . J. TOFFANIN. TASSO . 221. TI RADENTES .309.131n. 348. 123. 177. 217. da Silva . VIEIRA.10. Muniz .238. 285. TRACY. 334.345. Barão de . 332. 275-276. F. Duque de .97. Antunes . VIEGAS.262. 229. 341. J. 332.27.18. TITO LÍVIO . James .327. 344. F.331. 333.279-280. Simão de . M.35.. Pé. TEIXEIRA.. TAUNAY. 280. TAN TIEGHEM. 336. SOUSA. José . A. Saturnino . 342. TEIXEIRA.320.279. SUSSEX. 345. 123. L. 283.279. .159. Mich el . VILHENA. Barão Smith de 329 VASCONCELOS. VIGNY . Francisco de 89. 97. J. VIEIRA. 341. Evaristo da . 345. 321. VIEIRA. 212n. 314. TAUNAY. U UDNY-YULE .313. VALADARES. de P. 340. G. 321. Teodoro .73. 180.76. 342.176. TOURNEAUX. Alfredo .282. Adriano . 336. . VALBUENA-PRAT. P . . 314. 342. 59. 342. de 260. VELOSO. 342.329. 155.62. do . 333.323. STEINMAN.194. 283. 323. 278. TAVARES.273.. 231. 262. VEIGA. 338. 343.35. VERGÍLIO . Hipólito . 45. 324.221.344. TOURNAY. .46n. 258. 345. J. . 340.301. 322-323. 343.326.230n. Edward . M. .216.8. . . UNTERMEYER. 38. VARELA. VOLTAIRE . 175.238. Nicolau A. TAUNAY. 344.314.229n.194. 123. Fernande s . 280. STAEL. 301.. Paulo A. 319. WOLF. URCULLU. 340.. 334.(Ver Padre Antunes Vieira). YOUNG. TORRES-HOMEM. de Sousa . 56. 322323. 345.329. R. Garção 211. 124. TO L STOI . 207. Pedro Luís Pereira de 309. TRAHARD. 177. 345. 330.184. . 180.. Francisco . 291n. 338.335. VEIGA. L. STUDART.158. #TAUNAY.. Félix-Emílio .230. Damasceno . TAVARES. 342. 39-41. TEIXEIRA. N. Artur . W WHITE. 160. VASCONCELOS. 149 . 178. F. TELES. 197. 327.72. 345. VERNEY ..270. TALE . 96. . dos Santos . Visconde de .345. Conde de . VASCONCELOS. Bento . . 357 #ff?±±±z3^-^Z" . 328.239n.

Razão e imitação 38 3. Rotina 189 2. O poema satírico e herói-cômico 149 2. Naturalidade e individualismo de Gonzaga 108 3. Pitoresco e nativismo 209 G.PROMOÇÃO DAS LUZES 223-265 1. A nossa Aufklárung 236 3. As pessoas 193 3. HÜA DO HIPÓDHOMO. NATUREZA. Grêmios e celebrações 72 3. VERDADE 33-60 1. Laicização da inteligência 166 Cap. I . 63 /69. O terreno e as atitudes críticas 24 5. Traços gerais 35 2. Os gêneros públicos 242 Cap.APOGEU DA REFORMA 101-146 1. Os elementos de compreensão 26 6. O disfarce épico de Basílio da Gama 122 4. Natureza e rusticidade 49 4. EM 1959. Literatura congregada 69 2. IV . Religião 214 Cap. VII ..MUSA UTILITÁRIA 147-171 1. Uma literatura empenhada 19 3. Verdade e Ilustração 58 5. 4. Sensualidade e naturismo 204 5. Poesia a reboque 269 2. Independência literária 30O 5. Pressupostos 22 4. SÃO PAULO.O PASSADISTA 173-185 Santa Rita Durão 175 359 #Cap. O limbo 305 Biografias Sumárias 311 Notas Bibliográficas 326 índice de nomes 349 360 #COMPOSTO E 3MPERSSO NAS OFICINAS DE ARTES GBÁFICAS BISOEDI LTD.RESQUÍCIOS E PRENÚNCIOS 267-310 1. Literatura como sistema 17 2. PAHA A LIVRAKIA JCARTINS EDITORA. No limiar do novo estilo: Cláudio Manuel da Costa 80 Cap. Mau gosto 199.RAZÃO. . 132 Cap. V . Poesia e música em Silva Alvarenga e Caldas Barbosa .#i N D r C E Prefácio 7 INTRODUÇÃO 15-31 1. in . Pré-romantismo franco-brasileiro 277 3. A presença do Ocidente 63 Cap.. VI .FORMAÇÃO DA ROTINA 187-222 1. O Desertor e O Reino da Estupidez 151 3. Uma nova geração 103 2. II .TRANSIÇÃO LITERÁRIA 67-99 1. As condições do meio 225 2.. Conceitos 29 Cap. Sousa Nunes e a autonomia intelectual 77 4. O "vago n"alma" 284 4. VIII . As Cartas Chilenas 158 4..

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