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PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTARÉM

PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO


Av. Dr. Anysio Chaves, no 1107 – Aeroporto Velho - CEP: 68040-420
Santarém-Pará

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA _____ VARA DA


SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SANTARÉM-PARÁ.

MUNICÍPIO DE SANTARÉM, pessoa jurídica de direito público interno,


devidamente inscrito no CNPJ/MF sob o nº 05.182.233/0001-76, com sede na Av. Dr.
Anísio Chaves, s/nº, Bairro do Aeroporto Velho, por meio dos seus procuradores ao final
subscritos, vem, perante Vossa Excelência, com fundamento nas Leis nº 7.347/85 e
8.429/92, propor a presente AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATOS DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA, em desfavor da Ex-Prefeita do município de Santarém, MARIA DO
CARMO MARTINS LIMA, inscrita no CPF/MF sob o nº 117.863.102-87, e portadora da
Carteira de Identidade, RG nº 47103665, com endereço institucional na cidade de Belém-
Pará, na Rua João Diogo, nº 100, Bairro: Cidade Velha, CEP: 66015-160, sede do Ministério
Público do Estado do Pará, onde exerce as funções de Promotora de Justiça da Capital, pelas
razões fáticas e jurídicas a seguir expendidas:

I - DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL:

O art. 109, I, da Constituição Federal de 1988, estabelece taxativamente a


competência da Justiça Federal, determinando que nas causas em que a União for
interessada na condição de autora, ré, assistente ou oponente, a Justiça Federal é a
competente para processar e julgar o feito, a saber:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I – as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou

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oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas


à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho.

Portanto, em face dos recursos do convênio que foram repassados ao Município


terem sido oriundos do Orçamento Geral da União, via Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, a mesma é parte interessada, sendo, destarte, legítima a competência da
Justiça Federal para processar e julgar o presente feito.

II - DA LEGITIMIDADE PASSIVA DA REQUERIDA:

A legitimidade passiva da Requerida, MARIA DO CARMO MARTINS LIMA,


se consubstancia no fato dela ter exercido o cargo de prefeita municipal de Santarém, de
2005 a 2012, período em que o convênio, objeto da presente demanda, foi pactuado (2007),
e cujo gerenciamento e aplicabilidade estavam sob a responsabilidade da mesma.

III - DOS FATOS:

O Gestor Público Municipal na atualidade, prefeito FRANCISCO NÉLIO


AGUIAR DA SILVA, se deparou recentemente com a ameaça de inscrição do CNPJ do
Município no CADIN, e, consequentemente, no CAUC/SIAFI, caso o mesmo não
recolhesse aos cofres públicos da União as obrigações relativas ao Convênio CRT/STM-
PA/Nº 10.003/2007, SIAFI N626559, celebrado entre o Município de Santarém e a
Superintendência Regional do INCRA no Estado do Pará, no valor total de R$
4.395.295,62 (quatro milhões, trezentos e noventa e cinco mil, duzentos e noventa e
cinco reais, e sessenta e dois centavos), que dizia respeito à construção de rede de
distribuição de energia elétrica na PA Corta Corda e PA Mojuí I e II, cuja prestação
de contas final foi aprovada com ressalvas, havendo, por conta disso, a reprovação
referente ao valor de R$ 157.277,68 (cento e cinquenta e sete mil, duzentos e setenta e
sete reais, e sessenta e oito centavos), que deveriam ser recolhidos pelo Município até o
dia 30 de novembro de 2019, de forma atualizada monetariamente desde 04/07/2008,
marco temporal o qual os recurso públicos foram transferidos de acordo com
impugnação realizada pela equipe técnica do Órgão Federal concedente (INCRA),

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consoante consta no Demonstrativo de Débito TCU (SEI nº 4860601), e guia de


recolhimento da União (SEI nº 4860681).
Assim, o Município de Santarém, como forma de se manter com o CNPJ
desbloqueado e imune a qualquer tipo de constrição que pudesse inviabilizar a realização de
convênios e outras formas de captação de recursos, teve que abruptamente sangrar os seus
cofres e recolher junto à União Federal a vultosa quantia de R$ 290.491,87 (duzentos e
noventa mil, quatrocentos e noventa e um reais, e oitenta e sete centavos), caso contrário,
teria seu nome inscrito no CADIN, e, consequentemente, no CAUC/SIAFI.
Insta ressaltar, nessa mesma toada, que a reprovação ocorrida na prestação de
contas apresentada, se deu em decorrência da gestora à época não ter cumprido fielmente
com o que fora pactuado no citado Convênio, ao fazer alteração no projeto base, deixando
de realizar o que estava inicialmente pactuado e incluindo serviços que não constavam no
bojo do mesmo, o que veio acarretar em reprovação na utilização de parte dos recursos, nos
valores descritos alhures, segundo análise e parecer conclusivo emitido por servidores
lotados na sede do INCRA em Brasília, que apresentaram o Parecer Financeiro Conclusivo
da Prestação de Contas Final, por meio do Parecer 9778 (SEI nº 3927456), e encaminhado o
Ofício nº 40106/2019/SR(30)STA-G/SR(30)STA/INCRA-INCRA (SEI nº 3917974),
notificando a Prefeitura Municipal de Santarém das pendências que deveriam ser sanadas.
Como contraditório, foi apresentado pela Procuradoria Geral do Município um
Ofício, de nº 069/2019 – PGM, de 05 de agosto de 2019, que foi encaminhado para análise
dos setores técnicos do INCRA, que emitiu o OFÍCIO Nº 56831/2019/SR(05)BA-
D1/SR(05)BA-D/SR/(05)BA/INCRA-INCRA (SEI nº 4355386) e o PARECER Nº
15880/2019/DAC-2/DAC/DA/SEDE/INCRA (SEI nº 4726795), sendo, ao final, emitido um
DESPACHO DECISÓRIO do Órgão Federal de nº 10009/2019/SR(30)STA-
G/SR(30)STA/INCRA (SEI nº 4776924), cuja documentação comprobatória segue
integralmente acostada aos presentes autos.
Assim, resta claro, Excelência, que houve comprovadamente um ato de
improbidade administrativa da ex-gestora ora Requerida, que se descortina pela falha da
mesma na administração e aplicabilidade dos recursos totais recebidos, o que veio gerar
inclusive, por via de consequência, uma reprovação na prestação de contas dela, motivo pelo
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qual os pedidos devem ser julgados procedentes em seu todo, por questão da mais lídima
justiça.
Há que se considerar também a obrigatoriedade da mesma em devolver aos
cofres públicos municipais, de maneira atualizada, os valores de R$ 290.491,87 (duzentos e
noventa mil, quatrocentos e noventa e um reais, e oitenta e sete centavos), visto o Município
ter sido obrigado a recolhê-los de forma antecipada, para se manter em conformidade com
os princípios insculpidos no caput do art. 37, da CF/88, bem como para evitar que o seu
CNPJ ficasse bloqueado perante os órgãos de controle da Administração Pública Federal, o
que seria caótico para a gestão atual, no que tange a captação de convênios e recursos para
serem aplicados em benfeitorias, melhorando, desse modo, a estrutura da cidade, e,
principalmente, a qualidade de vida da população e do município como um todo.
Assim, fez-se imperativo o ajuizamento da presente ação, buscando o
ressarcimento aos cofres públicos dos valores devidos pela Requerida, visto que a mesma foi
a responsável direta e exclusiva para que se materializasse o dano ocorrido.

IV - DO DIREITO:
A legislação em vigor, esposada no art. 11 da lei de improbidade
administrativa, traz no seu bojo a tipificação exata dos atos de improbidade cometidos pela
Requerida, e que, por via de consequência, afrontam diretamente os Princípios da
Administração Pública, visto a mesma ter agido de maneira ineficiente na condução dos
procedimentos necessários ao cumprimento dos Convênios e Contratos de Repasse, ao
taxativamente estabelecer:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole
os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às
instituições, e notadamente:
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

Note-se que a Requerida atentou contra o princípio da eficiência, legalidade,


moralidade, dentre outros, por conta da sua omissão em não tomar as providências

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necessárias para a efetiva realização do convênio sob a baliza dos padrões exigidos, bem
como à prestação de contas dentro das conformidades esposadas no bojo do contrato
pactuado, o que veio acarretar ao Município uma série de consequências danosas, como
sangria inesperada nos seus cofres em quase trezentos mil reais, além do risco de inscrição
no CAUC, caso não efetuasse o pagamento em tempo hábil, fato este que impossibilitaria
que o ente público firmasse outros convênios e recebesse novos recursos, além de ferir o
princípio da eficiência, visto que muitas famílias e a população em si estariam deixando de
ser contempladas com obras que poderiam ser realizadas com essa monta que o gestor atual
se viu obrigado a ressarcir à União, estando, portanto, devidamente caracterizado o ato de
improbidade, merecendo, assim, a devida e necessária sanção punitiva em forma de
devolução de valores contra a responsável pelo evento danoso.

DA CARACTERIZAÇÃO DA PRÁTICA DE ATO DE IMPROBIDADE


ADMINISTRATIVA

O ato de improbidade administrativa praticado pela Requerida se materializou, à


luz do que estabelecem os incisos II e VI, do art. 11 da Lei de Improbidade, no momento
em que a mesma não cumpriu o cronograma de serviços esposado no bojo do contrato
existente, deixando de realizar o que estava previsto para incluir o que não constava no
projeto original, retardando e/ou deixando de praticar, destarte, os atos de ofício
inerentes à função pública, o que merece reprimenda por parte de V.Exa.
Nesse diapasão, o inciso VI do art. 11 da Lei nº 8.429/92 estabelece ser ato de
improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, o
gestor deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, a saber:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole
os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às
instituições, e notadamente:
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

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Cumpre ressaltar ainda, que no evento em questão, a ex-gestora incorreu em


outra falta grave, no que tange ao recolhimento obrigatório dos impostos devidos, inerentes
ao objeto do convênio pactuado, (o que inclusive deverá gerar futuros prejuízos aos cofres
da municipalidade), em virtude da mesma ter delegado a responsabilidade de retenção na
fonte à empresa executora da obra, de nome INDALMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO
LTDA, mas simplesmente não fiscalizou e ela não o fez, resultando em um débito atual de
R$ 124.012,29 (cento e vinte e quatro mil, doze reais e vinte e nove centavos), só de
impostos, e que se encontram pendentes de recolhimento, fato que, por certo, deverá
impactar novamente nas finanças do município, tratando-se, assim, de mais uma falha na
atuação da mesma, enquanto chefe do Poder Executivo local à época.
Por fim, resta cabalmente provado que a Requerida violou princípios basilares
da administração pública, insculpidos no art. 37, caput, da Constituição Federal de 88, bem
como cometeu atos de improbidade, à luz dos incisos II e VI, do art. 11, da Lei 8.429/92,
devendo, desse modo, ser condenada a restituir aos cofres públicos municipais, pela via
judicial, o montante atualizado de R$ 290.491,87 (duzentos e noventa mil, quatrocentos e
noventa e um reais, e oitenta e sete centavos), por conta da prestação de contas reprovada,
fato este que obrigou o gestor atual a sangrar abruptamente os cofres públicos, visando
promover de maneira compulsória o saneamento da dívida, sob pena de bloqueio do CNPJ
do Município de Santarém e inscrição no CADIN, CAUC e SIAFI, o que impossibilitaria a
pactuação de novos contratos e convênios, e, por via de consequência, iria implicar em
prejuízos imensuráveis à população como um todo.

V - DOS PEDIDOS:
Diante de todo o exposto e das fartas provas acostadas, propõe-se a presente Ação
Civil Pública, para requerer à Vossa Excelência:
a) A procedência da ação e dos pedidos em todos os seus termos, para
condenar a Requerida por ato de improbidade administrativa em face do Convênio
CRT/STM-PA/Nº 10.003/2007, SIAFI N626559, celebrado entre o Município de
Santarém e a Superintendência Regional do INCRA no Estado do Pará em 2007,
período em que a mesma era a Prefeita Municipal, e que dizia respeito à construção de
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rede de distribuição de energia elétrica na PA Corta Corda e PA Mojuí I e II, cuja


prestação de contas final foi aprovada com ressalvas, havendo, por conta disso, a
reprovação referente ao valor de R$ 290.491,87 (duzentos e noventa mil, quatrocentos
e noventa e um reais, e oitenta e sete centavos), que deverão ser ressarcidos por ela aos
cofres públicos municipais, visto já terem sido pagos de forma compulsória pela gestão
atual;
b) A notificação da União e do Ministério Público Federal para integrar o
pólo ativo da presente ação;
c) A citação da Requerida para, querendo, contestar a presente ACP, sob
pena de revelia e confissão;
d) A condenação da Requerida ao pagamento das custas e honorários
advocatícios e sucumbenciais;
e) a isenção de custas por parte do município Requerente, nos termos da
legislação em vigor.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em


especial a juntada de novos documentos, perícias, depoimento pessoal das partes e
testemunhas.

Dá-se à causa o valor de R$ 290.491,87 (duzentos e noventa mil, quatrocentos


e noventa e um reais, e oitenta e sete centavos).

Termos em que,
pede deferimento.
Santarém-PA, 30 de janeiro de 2020.

Arilson Miranda Batista Laudelino Horácio da Silva Filho


Procurador Geral do Município Procurador Jurídico do Município
DEC. 094/2017 – SEMGOF DEC. 195/2017 – SEMGOF