Resenha: O feminismo negro como perspectiva

Por Jorge Luis da C. Silva

colocar em discussão seu projeto de sociedade exigindo reconhecimento de sua identidade social. A partir deste momento, foram criadas as primeiras correntes do feminismo negro, o qual tinha em vista organizar politicamente o segmento, além de centralizar o debate na articulação das categorias de raça, gênero e classe na que operam da ideologicamente construção

Data do início do período colonial as primeiras ações do movimento de mulheres negras no Brasil, as quais eram as responsáveis por conduzir e liderar os atos de resistência do período escravocrata. A partir da segunda metade do século XX, apesar de estar mais bem articulado, este movimento encontrou no bojo das discussões feministas diversas limitações, pois não tinham autonomia para a inclusão de sua pauta política nesses espaços, uma vez que o movimento feminista considerava essa categoria homogênea e ignorava assim, as diferenças intra-gênero. Mesmo passadas algumas décadas, embora com menos intensidade, ainda é comum anular a existência da mulher negra como um segmento com identidade social. Na década de 70, surgem movimentos socais pautados na igualdade étnica, como o Movimento Negro Unificado (MNU), nos quais as mulheres segregações também devido às enfrentavam constantes

realidade da mulher negra. Apesar dos avanços conquistados sob a perspectiva do feminismo negro, a conjuntura atual não é favorável, visto que ainda se faz presente o racismo e machismo na organização social. A projeto de sociedade em disputa pelo feminismo negro promoveu uma discussão qualificada no que tange à realidade da população negra, a estratificação social e a relações de gênero. Para constituir esse debate político-social, Estado, das faz-se relações necessário de poder, apreender o processo de organização do ideologia, opressões simbólicas, entre outros temas fundamentais. A mulher negra desempenha ações interventoras políticas e produzem conteúdo no campo das relações raciais e de gênero, mas a realidade social a qual está inserida e submetida tende a excluí-la destes campos de atuação. Por conseguinte, houve um processo de

discussões machistas. Foi, entretanto, no seio do movimento negro que as mulheres tiveram a oportunidade de

desmobilização,

o

qual

gerou

um

afastamento e desqualificou a discussão articulada entre raça, gênero e classe dentro de organizações tradicionais do movimento negro. Evidencia-se, então, a necessidade de recompor os debates sobre gênero, raça e classe, como categorias sociais estruturantes, e desmantelar o aparelhamento ideológico fundamentado nas políticas públicas, na formação do Estado, nas representações simbólicas e etc. Pois acredita-se que esta seria uma via para a reconstrução da disputa por um projeto de sociedade com inclusão e reconhecimento da identidade social desse segmento.

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