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TRANSFORMADAS DE FOURIER

I. Sinais Periódicos e as Séries de Fourier

O capítulo anterior mostrou como os sinais periódicos, tanto no tempo contínuo como no
discreto, podem ser representados através de séries de exponenciais complexas. Foram
determinadas as expressões das séries bem como as suas propriedades. No caso dos sinais a
tempo contínuo, foram apresentadas as condições de convergência da Série de Fourier.

As semelhanças e as diferenças entre as séries foram também apresentadas, tendo ficado


claro que no caso a tempo contínuo a série possui um número infinito de termos, por existirem
infinitos múltiplos da freqüência fundamental, e no caso a tempo discreto a série possui
somente N termos, porque o número de freqüências é limitado. No caso discreto, sendo N o
período do sinal, existem somente N freqüências distintas, visto que a cada 2π que são
somados a freqüência se repete.

Este capítulo é voltado à apresentação das Transformadas de Fourier.

II. Sinais Aperiódicos e as Transformadas de Fourier

Quando sinais aperiódicos estão em consideração, as séries de Fourier não mais podem ser
utilizadas para a representação dos mesmos. Para estes casos, desenvolveram-se as
Transformadas de Fourier – tanto para sinais a tempo contínuo como para aqueles a tempo
discreto. Quando sinais de duração finita no tempo discreto são considerados, mais uma
possibilidade existe de representação – é a Transformada Discreta de Fourier, que será vista
após as outras duas.

Para compreender as Transformadas de Fourier, supõe-se a função em consideração como


sendo a parte não nula de uma função periódica cujo período fosse infinito. Dois exemplos são
apresentados a seguir, um referente ao tempo contínuo e o outro ao tempo discreto.

Exemplos 01

φ Função pulso obtida a partir de uma onda quadrada no tempo contínuo

Considere-se a onda quadrada no tempo contínuo dada por:

⎧ T T
A; n < t < (n + 1)
⎪⎪ 2 2
f(t) = ⎨
⎪0 ; (n + 1) < t < (n + 2) T
T
⎪⎩ 2 2

Esta onda tem período T e durante metadade dele vale A e na outra metade vale zero.
Suponha-se que T/2 é igual a τ. Quando o período é T, a freqüência fundamental é dada por
ω0 conforme a expressão a seguir.


ω0 =
T

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A onda pode ser representada, sob forma gráfica, por:

f(t)

A
… …

τ T t

No caso da figura anterior, T é o dobro de τ, porque é a representação da onda quadrada


original que será modificada a seguir.

Suponha-se, agora, que o período T será aumentado, mas que τ será mantido. Ou seja, a
onda continuará valendo A na primeira parte do período e zero na segunda. A freqüência
fundamental continuará a ser calculada pela expressão anterior, mas o T será maior e,
conseqüentemente, a freqüência fundamental menor. A nova representação gráfica é:

f(t)

A

τ T t

À medida que T crescer, com τ fixo, a onda vai se aproximando de um pulso de largura τ e
altura A, que começa em t = 0. Quando T se tornar infinito, a função será representada de
forma gráfica por:

f(t)

A

τ t

Nesta situação, freqüência fundamental será nula e não mais será possível representar a
função por uma Série de Fourier visto que o intervalo de freqüência é nulo. Recorre-se, então,
à Transformada de Fourier, que trabalha não com série de exponenciais mas com uma integral
de exponencial, na qual a freqüência é varrida como uma função contínua e não mais por
múltiplos da freqüência fundamental.

φ Função pulso obtida a partir de uma onda quadrada no tempo discreto

Considere-se a onda quadra de período N0 = 4, na qual durante 2 amostras o sinal vale A e


nas outras 2 vale zero. A onda é mostrada na figura a seguir e, para ela, a freqüência
fundamental é dada por:


ω0 =
4

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f(k)

A
… …

Suponha-se que o período da onda será aumentado para N0 = 8, mas que somente as
mesmas duas primeiras amostras serão iguais a A, as demais 6 serão nulas. Ela é mostrada
no gráfico que segue e a nova freqüência fundamental é:


ω0 =
8
f(k)

A
… …

Observe-se que a segunda freqüência fundamental é menor do que a primeira. Se as duas


funções periódicas fossem representadas por Séries de Fourier, cada uma das séries teria as
freqüências das exponeciais crescendo com intervalos de freqüências diferentes, sendo o
segundo menor do que o primeiro.

Se o período N0 continuasse crescendo, mantidas somente as duas amostras não nulas


originais, no limite seria obtida a função pulso de largura 2 amostras e altura A, como
apresentado na figura que segue.

f(k)

A
… …

Quando esta última situação ocorresse, a freqüência fundamental estaria reduzida a zero e
não seria mais possível representar a função através de uma série de exponenciais visto que o
intervalo da freqüência seria zero. Como no caso a tempo contínuo, recorre-se à Transformada
de Fourier, que utiliza uma integral de exponenciais onde a freqüência é varrida de forma
contínua e não mais a soma de exponenciais em múltiplos da freqüência fundamental. ƒ

Estes dois exemplos serviram para ilustrar as passagens de funções periódicas para
aperiódicas e o que acontece com as freqüências fundamentais, que seriam as bases para o
cálculo das múltiplas para a expansão em série. Observe-se que, ainda que haja diferença na
natureza dos sinais (tempos contínuo e discreto), o conceito aplicado foi o mesmo nos dois
casos. Criou-se uma função aperiódica a partir de um período de uma função periódica.

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φ Transformada de Fourier para sinais a tempo contínuo

A Transformada de Fourier para sinais a tempo contínuo é utilizada para representar sinais
aperiódicos.

φ Transformada de Fourier para sinais a tempo discreto

A Transformada de Fourier para sinais a tempo discreto é utilizada para representar sinais
aperiódicos.

Nos dois casos, tempos contínuo e discreto, a função aperiódica é vista como uma função
periódica para a qual o período tende a infinito.

III. Transformada de Fourier para Sinais no Tempo Contínuo

Considere-se um sinal f(t) definido como:

⎧⎪qualquer ; t < Ta
f(t) = ⎨ (1)
⎪⎩ 0 ; t > Ta

Esta é uma função aperiódica. Suponha-se que se quer construir, a partir dela, uma função
fp(t), periódica de período T, que deve ser maior do que 2 Ta, naturalmente. Repete-se a
função a cada T instantes de tempo, utilizando f(t) e preenchendo com 0, em cada período, o
tempo que falta para completar o período.

Para a nova função, fp(t), pode-se calcular a Série de Fourier visto ser ela periódica. A Série
de Fourier foi determinada no capítulo anterior e é representada por:

∞ jkω0t ∞ jk(2π / T0 )t
fp(t) = ∑ apk e = ∑ apk e (2.a)
k = −∞ k = −∞

1 − jkω0t 1 − jk(2π / T0 )t
apk = ∫ fp(t)e dt = ∫ fp(t)e dt (2.b)
T T T T

Nas expressões (2a.&b) a letra p designa a função e os correpondentes coeficientes espectrais


na função periódica criada. Considerando o período inteiro para cálculo o intervalo [-T/2, T/2],
a expressão (2.b) pode ser reescrita como:

1 T − jkω0t 1 T − jk(2π / T0 )t
apk = ∫ 2 fp(t)e dt = ∫ 2 fp(t)e dt (3)
T −T 2 T −T 2

Mas f(t) é nula fora do intervalo [-Ta, Ta], logo, pode-se escrever:

1 T − jkω0t 1 T − jk(2π / T0 )t
apk = ∫ T2 f(t)e dt = ∫ T2 f(t)e dt (4)
T −
2 T −
2

A expressão (4) pode ser escrita porque a contribuição ao integrando só é não nula no
intervalo [-Ta, Ta]. Ao substitutir-se fp(t) por f(t), não se está acrescentando área ao
integrando. A expressão (4) pode ser modificada para:

T − jkω0t T
T apk = ∫ T2 f(t)e dt = ∫ T2 f(t)e− jωt dt = ∫−∞∞ f(t)e− jωt dt = T ak (5)
− −
2 2

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Na expressão (5):

˜ Os limites de integração foram trocados para -∞ e ∞ porque a função f(t) é nula para
|t| > Ta.
˜ ω entrou em lugar de k ω0.

Defina-se:

F( jω) = ∫−∞∞ f(t)e− jωt dt = T ak (6.a)

F(jω) é o envelope da função que contém os coeficientes da Série de Fourier, que são a sua
amostragem nos valores k ω0. Assim, pode-se escrever:

1 1
ak = F( jω) ω=kω = F( jkω0 ) (7)
T 0 T

Substitua-se (7) em (2.a) para se obter:

∞ 1 jkω t 1 ∞ jkω t ω ∞ jkω t 1 ∞ jkω t


fp(t) = ∑ F(jkω0 ) e 0 = ∑ F(jkω0 ) e 0 = 0 ∑ F(jkω0 ) e 0 = ∑ ω0 F(jkω0 ) e 0
k = −∞ T T k = −∞ 2π k = −∞ 2π k = −∞
(8)

Suponha-se que T Æ ∞. Quando isto acontecer, fp(t) Æ f(t) e ω0 Æ 0. Assim, o somatório em


kω0 transforma-se em integral em dω. A expressão (8) pode, então, ser reescrita para
representar f(t) quando T Æ ∞:

1 ∞ jωt
f(t) = ∫ F( jω) e dω (9.a)
2π − ∞

onde F(jω) é dado por (6.a).

φ Expressões da Transformada de Fourier para sinais aperiódicos no tempo contínuo

Com as expressões (6.a) e (9.a), define-se o par Transformada de Fourier da função


aperiódica f(t).

Expressões da Transformada de Fourier de um sinal aperiódico no tempo contínuo

As expressões que seguem são chamadas de par da Transformada de Fourier. A Transformada


de Fourier ou integral de Fourier ou equação de análise:

F( jω) = ∫−∞∞ f(t)e− jωt dt (6.a)

A Transformada Inversa ou equação de síntese:

1 ∞ jω t
f(t) = ∫ F( jω) e dω (9.a)
2π − ∞

São utilizadas as seguintes representações para a Transformada e sua Inversa:

F( jω) = F [ f(t) ] (6.b)

f(t) = F -1 [ F(jω) ] (9.b)


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Observe-se que quando se estudam Transformadas de Laplace e Transformadas Z, elas
também são caracterizadas por pares – as transformadas e as transformadas inversas.

Como estão em consideração os sinais no tempo contínuo, faz-se um paralelo com a


Transformada de Laplace, cujo par é:

F(s) = ∫−∞∞ f(t) e-st dt (10.a)

1 σ + j∞
f(t) = ∫ F(s) est ds (10.b)
j2π σ − j∞

As expressões (10.a&b) são, respectivamente, a Transformada de Laplace e a Transformada


Inversa da função f(t). Nelas, a variável s é:

s = σ + jω (10.c)

Se, nas expressões (10.a&b), em s a parte real for tornada nula, chega-se às expressões da
Transformada de Fourier (6.a) e (9.a). A prova desta afirmativa é deixada como problema.

Examinem-se as expressões da Transformada de Fourier do sinal aperiódico f(t) e considere-


se o sinal fp(t), periódico e gerado a partir do sinal original. Os coeficientes da Série de Fourier
de fp(t) podem ser obtidos amostrando de forma igualmente espaçada a Transformada de
Fourier de f(t).

φ Convergência da Transformada de Fourier para sinais aperiódicos no tempo contínuo

Assim como nos casos da Transformada Z e da Série de Fourier, precisam ser determinadas as
condições de convergência da Transformada de Fourier para sinais aperiódicos no tempo
contínuo. O estabelecimento da Transformada de Fourier se deu para sinais aperiódicos de
duração limitada, f(t); t ∈ [-Ta, Ta], e nula fora dele. Mas é possível estender a aplicabilidade
da Transformada de Fourier a outros tipos de sinais aperiódicos, desde que atendidas as
condições de convergência.

Para estabelecer as condições de convergência, será usada a condição de a energia do erro


(entre a função e sua representação a partir da Transformada de Fourier) ser nula. Observe-se
que a energia do erro foi o mesmo critério usado para estabelecer a convergência da Série de
Fourier dos sinais periódicos no tempo contínuo.

Considere-se o par da Transformada de Fourier estabelecido anteriormente:

F( jω) = ∫−∞∞ f(t)e− jωt dt (6.a)

1 ∞ jω t
f(t) = ∫ F( jω) e dω (9.a)
2π − ∞

Suponha-se, porém, que ao calcular a Transformada Inversa não se chegue a f(t), mas a uma
outra função fa(t) que a aproxima:

1 ∞ jωt
fa(t) = ∫ F( jω) e dω (11)
2π − ∞

Deseja-se estabelecer sob que condições fa(t) e f(t) são iguais.

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Suponha-se, inicialmente, que f(t) tem energia finita; sob esta circunstância, f(t) é
absolutamente integrável e (6.a) converge. A condição de energia finita, conforme
apresentada no capítulo anterior, é:

∞ 2
∫− ∞ f(t) dt < ∞ (12)

Defina-se o erro entre as funções fa(t) e f(t):

ε(t) = fa(t) − f(t) (13)

Quando (12) for verificada, é possível demonstrar que:

∞ 2
∫− ∞ ε(t) dt < ∞ (14)

E, sendo assim, fa(t) pode divergir de f(t) em alguns pontos, mas como no caso da Série de
Fourier, não existe diferença de energia entre elas.

Continuando o paralelo com a Série de Fourier, existe um conjunto alternativo de três


condições suficientes para que uma função possua uma Transformada de Fourier. São elas:

˜ A função f(t) é absolutamente integrável, traduzida pela expressão:


∫− ∞ f(t) dt < ∞ (15)

˜ Em qualquer intervalo finito de tempo o número de variações da função é limitado, ou


seja, o número de máximos e mínimos da função em um período é finito.

˜ Em qualquer intervalo finito de tempo o número de descontinuidades é limitado e cada


uma das desconitunidades é finita.

Observe-se que as condições são equivalentes às condições de Dirichlet, determinadas para a


Série de Fourier.

A seguir, as Transformadas de Fourier de algumas funções especiais serão apresentadas,


utilizando a mesma metodologia de estudo das outras transformadas.

φ Transformada de Fourier da função impulso unitário no tempo contínuo

Considere-se, inicialmente, a função impulso unitário no tempo contínuo, aplicada na origem:


⎪ 0;t ≠ 0
⎪⎪
δ(t) = ⎨ ∞ ; t = 0 (16)
⎪+ ∞
⎪ ∫ δ(t) dt = 1
⎪⎩ - ∞

Aplique-se a expressão da Transformada de Fourier quando a função for o impulso (16):

Δ( jω) = F [ δ(t) ] = ∫−∞∞ δ(t) e − jωt dt = 1 (17)

Caso se fosse desenhar os diagramas de módulo e fase de Δ(jω), o diagrama de módulo seria
igual a 1 para todo o espectro, denotando que todas as freqüências contribuem com igual peso
para a composição do sinal.

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Considere-se o impulso deslocado de τ unidades de tempo e aplique-se a Transformada de
Fourier:


⎪ 0;t ≠ τ
⎪⎪
δ(t - τ) = ⎨ ∞ ; t = τ (18)
⎪+ ∞
⎪ ∫ δ(t - τ) dt = 1
⎪⎩ - ∞

Δd( jω) = F [ δ(t - τ) ] = ∫−∞∞ δ(t − τ) e − jωt dt = 1 e − jωτ (19)

Observe-se que nenhum dos resultados encontrados é uma surpresa visto que resultados
análogos foram encontrados para as Transformadas de Laplace e Z.

φ Transformada de Fourier da função pulso unitário no tempo contínuo

A Transformada de Fourier do degrau não é computada, diretamente, porque ela não é


absolutamente integrável, violando pois uma das condições. Em seu lugar, determina-se a
Transformada de Fourier do pulso unitário, que pode ser visto como a diferença entre duas
funções degrau unitário. Uma alternativa existe para o cálculo da Transformada de Fourier do
degrau unitário, caso seja permitido expressar Transformadas de Fourier com impulsos na
freqüência. Esta alternativa será mostrada mais adiante.

Defina-se o pulso unitário:

⎧⎪1 ; t < Ta
p(t) = ⎨ (20)
⎪⎩0 ; t > Ta

Aplica-se a Transformada à expressão (20) para se obter:

2 senωTa
P(jω) = F [ p(t) ] = ∫−∞∞ p(t) e - jωt dt = ∫-TTa e - jωt dt = (21)
a ω

A última parte da expressão (21) é designada função amostra (sampling function) ou função
sinc (sinc function).

Definição 1: Função amostra (sampling function) ou função sinc (sinc function)

A função amostra é a Transformada de Fourier da função pulso unitário de largura 2 Ta,


centrada na origem, e é dada por:

2 senωTa
P(jω) = F [ p(t) ] = ∫−∞∞ p(t) e- jωt dt = ∫-TTa e- jωt dt = (21)
a ω
ƒ

A função tem a forma do gráfico da figura 1, ainda que os valores não correspondam devido
aos fatores de escala, visto que o gráfico foi traçado para a forma normalizada:

⎧ 1 ; x =0

f(x) = ⎨ sen x (21.norm)
⎪⎩ x ; x ≠0

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8 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
Figura 1 – Função amostra ou sinc – de http://mathworld.wolfram.com/SincFunction.html

Calculem-se alguns pontos importantes dela:

˜ ω=0

d(sen ωTa)
dω T cos ωTa
P(j0) = 2 =2 a = 2 Ta (21.a)
d(ω) 1 ω =0
dω ω =0

Assim, este é o valor de seu maior máximo, o que ocorre na freqüência ω = 0.

˜ ω tal que a função passa pelo primeiro ponto nulo

sen ωTa = 0 (21.b)

Como ω = 0 é um ponto de máximo, deve-se procurar o ponto em que o arco vale ± π.

π
ωTa = ± π ∴ ω= ± (21.c)
Ta

Como o gráfico da função amostra é simétrico, esta é a razão pela qual aparece ±.

˜ Outros pontos especiais

Os outros pontos especiais são máximos e mínimos (que acontecem em múltiplos ímpares de
π/2) e pontos nulos (que acontecem em múltiplos de π).

φ Transformada de Fourier da função exponencial aplicada na origem

Considere-se a função exponencial:

⎧⎪ - at ; t > 0, a > 0
f(t) = ⎨e (22)
⎪⎩ 0; t < 0

Esta função vale 1 em t = 0 e 0 em t = ∞. A função é representada na figura 2.


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f(t)

Figura 2 – Função exponencial

Aplica-se a Transformada de Fourier à expressão (22) para se obter:


∞ - jωt ∞ -at - jωt ∞ -(a+ jω)t e-(a+ jω)t 1
F(jω) = F [ f(t) ] = ∫− ∞ f(t) e dt = ∫0 e e dt = ∫0 e dt = = ; a>0
− (a + jω) a + jω
0
(23)

Esta é a primeira função complexa que foi determinada – nos casos do impulso unitário na
origem e do pulso, as respectivas transformadas eram reais.

Examine-se a transformada através de seu módulo e de sua fase.

˜ Módulo

1 1
F( jω) = = (24)
a + jω (a)2 + (ω)2

Como o módulo é uma função par, a análise feita para ω > 0 será válida para ω < 0. Quando ω
for próximo de 0, o módulo valerá 1/a e este será seu maior valor. À medida que ω crescer, o
módulo diminuirá até chegar próximo de 0, quando ω tender a ∞. Derivando-se o módulo com
respeito a ω e igualando a 0, determina-se a expressão:

1
d F( jω) − 2ω
2 −ω
= = =0 (25.a)
dω 3 3
⎡ 2 2⎤ ⎡ 2 2⎤
⎢⎣ (a) + (ω) ⎥⎦ ⎢⎣ (a) + (ω) ⎥⎦

Assim, o módulo passa por seu máximo, como afirmado anteriormente, no ponto de ω = 0. No
ponto de máximo, o o valor do módulo é:

1 1
F( jω) = = (25.b)
a a

Um ponto interessante de ser observado é ω = a.

1 1 1 2
F( ja) = = = = (26)
a + ja (a)2 + (a)2 a 2 2a

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Assim, verifica-se que no ponto ω = a o módulo vale 70.7% de seu valor máximo. A expressão
(26) vale tanto para ω positivo quanto negativo, visto que o módulo é uma função par.

˜ Fase

ω
ΦF( jω) = − arctg (27)
a

Volte-se à expressão (23) para a análise da fase. A fase é uma função ímpar, logo a análise
deve ser feita para ω > 0 e ω < 0. Seja ω > 0, quando ω for próximo de 0, a fase será 0o, visto
que a parte imaginária será desprezível frente o valor de a. Aliás, por ser uma função ímpar,
tem que ser nula em 0. À medida que ω crescer, a parte imaginária crescerá enquanto a real é
constante, quando ω tender a ∞ a fase tenderá a -90o. Seja ω < 0, a análise para ω próxima de
0 é a mesma, mas assim que ω se tornar não nulo, o sinal de ω será negativo, invertendo o
sinal da tangente, e a fase será positiva. Quando o valor de ω tender a ∞ a fase tenderá a 90o.
Examinando o ponto ω = a, como foi feito no caso do módulo:

a
ΦF( jω) = − arctg = − arctg 1 = − 45o (28)
a

Quando ω for negativo, a expressão se torna:

-a
ΦF( jω) = − arctg = − arctg - 1 = 45o (29)
a

φ Transformada de Fourier da função exponencial simétrica ao eixo vertical

Considere-se a função exponencial:

- at
f(t) = e ; a>0 (30)

Esta é simétrica ao eixo vertical e vale 1 para t = 0 e tenderá a 0 para | t | Æ ∞. Ela é


representada na figura 3.

f(t)

Figura 3 – Função exponencial simétrica ao eixo vertical

Aplica-se a Transformada de Fourier à expressão (30) para se obter:

-a t
F(jω) = F [ f(t) ] = ∫−∞∞ f(t) e- jωt dt = ∫−∞∞ e e- jωt dt = ∫-0∞ eat e- jωt dt + ∫0∞e-at e- jωt dt (31)

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0 j∞
e(a- jω)t e − (a + jω)t 1 1 2a
F( jω) = ∫−0∞ e(a − jω)t dt + ∫0∞e − (a + jω)t dt = + = + =
(a - jω) (a + jω) a − jω − (a + jω) a2 + ω2
−∞ 0
(32)

Esta transformada é real e positiva, assim só é necessária a análise do módulo, visto que a
fase é 0 para ω ∈ (-∞, ∞).

O módulo terá seu máximo em ω = 0.

2a 2
F( j0) = = (33)
2 a
a

Quando ω cresce em módulo, o denominador cresce enquanto o numerador permanece fixo.


Assim, o módulo diminui com módulo de ω crescente. Quando ω tender a ∞, F(j∞) tenderá a 0.

φ Transformada de Fourier da função exponencial imaginária

Considere-se a função exponencial imaginária:

jω t
f(t) = e 0 (34)

Para determinar esta transformada, recorre-se a um artifício baseado na Transformada de


Fourier Inversa. Suponha-se que é conhecida a Transformada de Fourier de uma função g(t)
e que esta transformada é:

G( jω) = δ(ω − ω0 ) (35)

Para determinar a função g(t), utilize-se a expressão da Transformada Inversa:

1 ∞ jω t 1 ∞ jω t 1 jω0t
g(t) = ∫− ∞ G( jω) e dω = ∫− ∞ δ(ω − ω0 ) e dω = e (36)
2π 2π 2π

Observe-se que:

f(t) = 2π g(t) (37)

Assim, pode-se escrever:

F( jω) = 2π δ(ω − ω0 ) (38)

Este resultado é importante visto que a função (34), exponencial imaginária, é uma função
periódica de freqüência fundamental ω0.

Assim, percebe-se que a Transformada de Fourier de uma função periódica de freqüência


fundamental ω0 é um impulso de área 2π na respectiva freqüência. Sob forma gráfica, o
espectro é mostrado na figura 4.

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G(jω)

(2π)

ω0 t

Figura 4 – Transformada de Fourier da exponencial imaginária de freqüência fundamental ω0

φ Transformada de Fourier da função exponencial imaginária em um intervalo limitado

Considere-se a função exponencial imaginária no intervalo [-T, T]:

⎧ jω0t

f(t) = ⎨e ;− T ≤ t ≤ T (39)
⎪⎩ 0 ; t > T

Aplica-se a Transformada de Fourier à expressão (39) para se obter:

T
∞ - jωt T jω t - jωt - j(ω − ω0 )t e- j(ω − ω0 )t
F(jω) = F [ f(t) ] = ∫− ∞ f(t) e dt = ∫− T e 0 e dt = ∫−TT e dt = (40)
− j(ω − ω0 )
−T

T
e- j(ω − ω0 )t e- j(ω − ω0 )T − e- j(ω − ω0 )(− T ) e- j(ω − ω0 )T − e j(ω − ω0 )(T )
F(jω) = = = (41)
− j(ω − ω0 ) − j(ω − ω0 ) − j(ω − ω0 )
−T

e-j(ω − ω0 )T − e j(ω − ω0 )( T ) cos (ω - ω0 )T − j sen (ω - ω0 )T − cos (ω - ω0 )T − j sen (ω - ω0 )T


F(jω) = =
− j(ω − ω0 ) − j(ω − ω0 )
(42)

− j sen (ω - ω0 )T − j sen (ω - ω0 )T 2 sen (ω - ω0 )T


F(jω) = = (43)
− j(ω − ω0 ) (ω − ω0 )

Como nos casos das Transformadas de Laplace e Z, e no da Série de Fourier, as


Transformadas de Fourier possuem propriedades. A seguir são apresentadas algumas delas;
as provas das propriedades são deixadas como exercícios aos alunos.

φ Linearidade

Sejam dois pares Transformadas de Fourier:

f1(t) ↔ F1(jω) (44.a)


f2(t) ↔ F2(jω) (44.b)

Defina-se:

g(t) = α1 f1(t) + α2 f2(t) ; α1 e α2 constantes (45)

A Transformada de Fourier de g(t) é:

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13 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
G( jω) = α1 F1( jω) + α2 F2( jω) (46)

φ Deslocamento no tempo

Seja o par Transformada de Fourier:

f(t) ↔ F(jω) (47)

Defina-se:

g(t) = f(t − τ) (48)

A Transformada de Fourier de g(t) é:

G( jω) = e − jωτ F(jω) (49)

φ Deslocamento na freqüência

Seja o par Transformada de Fourier:

f(t) ↔ F(jω) (47)

Defina-se:

G( jω) = F( jω − jω0 ) (50)

A função g(t) é:

g(t) = e jω0t f(t) (51)

φ Derivação

Seja o par Transformada de Fourier:

f(t) ↔ F(jω) (47)

Defina-se:

df(t)
g(t) = (52)
dt

A Transformada de Fourier de g(t) é:

G( jω) = jω F(jω) (53)

φ Integração

Seja o par Transformada de Fourier:

f(t) ↔ F(jω) (47)

Defina-se:

g(t) = ∫−t ∞ f(τ) dτ (54)

APavani
14 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
A Transformada de Fourier de g(t) é:

1
G( jω) = F(jω) + π F(0) δ(ω) (55)

φ Convolução

Sejam dois pares Transformadas de Fourier:

f1(t) ↔ F1(jω) (44.a)


f2(t) ↔ F2(jω) (44.b)

Defina-se:

g(t) = f1(t) * f2(t) = ∫-t∞ f1(t − τ) f2(τ) dτ (56)

A Transformada de Fourier de g(t) é:

G( jω) = F1( jω) F2( jω) (57)

φ Conjugação

Seja o par Transformada de Fourier:

f(t) ↔ F(jω) (47)

Defina-se:

g(t) = f*(t) (58)

A Transformada de Fourier de g(t) é:

G( jω) = F*(-jω) (59)

φ Conjugação simétrica

Seja o par Transformada de Fourier da função real f(t):

f(t) ↔ F(jω) (47)

Neste caso verifica-se:

F(− jω) = F*(jω) (60)

A propriedade da integração permite determinar a Transformada de Fourier de um degrau


unitário (que será infinita em um ponto) a partir da Transformada de Fourier do impulso.
Relembre-se que o impulso é a derivada do degrau, logo o degrau é a integral do impulso.

φ Transformada de Fourier da função degrau unitário na origem

Considere-se o impulso unitário, como definido anteriormente e aqui repetido por


conveniência. O impulso unitário é dado por (16):

APavani
15 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier

⎪ 0;t ≠ 0
⎪⎪
δ(t) = ⎨ ∞ ; t = 0 (16)
⎪+ ∞
⎪ ∫ δ(t) dt = 1
⎩⎪ - ∞

Cuja Transformada de Fourier é:

Δ( jω) = F [ δ(t) ] = ∫−∞∞ δ(t) e − jωt dt = 1 (17)

Relembre-se a relação que existe entre o impulso unitário e o degrau unitário:

t
u- 1 (t) = ∫ δ(τ)dτ (61)
− ∞

Aplicando a propriedade da integração:

1 1
U −1 ( jω) = Δ( jω) + π Δ(0) δ(ω) = + π δ(ω) (62)
jω jω

Assim, a transformada é impulsional.

IV . Transformada de Fourier para Sinais no Tempo Discreto

Os passos a serem seguidos na determinação da Transformada de Fourier para sinais no


tempo discreto são similares aos da seção III, quando foi tratado o caso do tempo contínuo.
Suponha-se uma função f(k) de duração finita, logo aperiódica.

⎧qualquer ; - Ka ≤ k ≤ Kb
f(k) = ⎨ (63)
⎩ 0 ; fora do intervalo

Em (63), Ka e Kb são inteiros.

Suponha-se, como ilustração que a função é representada de forma gráfica pela figura 5.

f(k)

… …

-Ka Kb k

Figura 5 – Função aperiódica no tempo discreto

Como no caso do tempo contínuo, uma função periódica é construída, utilizando f(k) e
escolhendo um período maior do que (Ka+Kb+1), que é o número de amostras de f(k). Seja a
função periódica de período K, fp(k), representada sob forma gráfica na figura 6.

APavani
16 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
fp(k)

… …

-K -Ka Kb K k

Figura 6 – Função periódica construída a partir da aperiódica no tempo discreto

Para a nova função, fp(k), pode-se calcular a Série de Fourier visto ser ela periódica. A Série
de Fourier foi determinada no capítulo anterior e é representada por:

jn(2π / K)k
fp(k) = ∑ apn e (64.a)
n =< K >

1 − jn(2π / K)k
apn = ∑ fp(k)e (64.b)
K k =< K >

Nas expressões (64a.&b), a letra p designa a função e os correpondentes coeficientes


espectrais na função periódica criada. Um período inteiro (K amostras) da função periódica
contém as (Ka+Kb+1) amostras de f(k), sendo as demais amostras zeros. Como (64.b) deve
ser calculada sobre um período inteiro, o somatório pode ser substituído em função de f(k),
devido aos zeros:

1 Kb − jn(2π / K)k 1 ∞ − jn(2π / K)k


apn = ∑ f(k)e = ∑ f(k)e = an (65)
K k = −Ka K k = −∞

Defina-se a função:

( )
F e jω =

∑ f(k)e
k = −∞
− jωk
(66.a)

Ou, sob a forma compacta, pode-se escrever:

( ) = F [ f(k) ]
F e jω (66.b)

Comparando (65) e (66.a), percebe-se que o somatório em (65) é a amostragem de (66.a)


nos pontos:


ω = n ω0 = n (67.a)
K

1 ω0
= (67.b)
K 2π

O expoente em (65) cresce com o contador n. A cada unidade de n o expoente aumenta ω0


unidades. A expressão (65) pode ser reescrita com a substituição de (66.a):

1
an = F(e jω ) (68)
K

APavani
17 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
Esta expressão pode ser levada à série, no lugar de apn = an, e 1/K pode ser substituído por
(67.b), dando origem a:

fp(k) = ∑
1
k =< K > K
( )
F e jω e jn(2π / K)k = ∑
ω0
k =< K > 2π
( )
F e jω e jn(2π / K)k =
1
( )
∑ ω0 F e
2π k =< K >

e jn(2π / K)k (69)

Esta função é periódica com período K amostras. Fazendo-se K aumentar até que K Æ ∞, a
freqüência ω0 Æ 0, o somatório em (69) transforma-se em integral e a função fp(k) passa a
ser a f(k) original. A expressão é então:

f(k) =
1
∫ Fe
2π 2π

( )
e jωk dω (70.a)

Assim, determina-se o par Transformada de Fourier para sinais a periódicos no tempo


discreto.

Expressões da Transformada de Fourier de um sinal aperiódico no tempo discreto

As expressões que seguem são chamadas de par da Transformada de Fourier. A Transformada


de Fourier ou equação de análise:

( )
F e jω =

∑ f(k)e
k = −∞
− jωk
(66.a)

A Transformada Inversa ou equação de síntese:

f(k) =
1

∫2π F e ( )

e jωk dω (70.a)

São utilizadas as seguintes representações para a Transformada e sua Inversa:

( ) = F [ f(k) ]
F e jω (66.b)

f(k) = F [ F (e ) ]
-1 jω
(70.b)
ƒ

Observa-se que a expressão (66.a) representa uma função periódica de ω, sendo o período 2π.
Esta é uma diferença frente ao caso contínuo, ou seja, no caso discreto a função se repete a
cada 2π, logo, o módulo e a fase se repetem.

Observe-se que quando se estudam Transformadas de Laplace, Transformadas Z e


Transformadas de Fourier para sinais no tempo contínuo, elas também são caracterizadas por
pares – as transformadas e as transformadas inversas.

Como estão em consideração os sinais no tempo discreto, faz-se um paralelo com a


Transformada de Z, cujo par é:


-k
F(z) = ∑ f(k) z (71.a)
k = −∞

1 k -1
f(k) = ∫ F(z) z dz (71.b)
j2π

APavani
18 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
As expressões (71.a&b) são, respectivamente, a Transformada de Z e a Transformada Z
Inversa da função f(k). Nelas, a variável z é uma variável complexa, representada na sua
forma polar por:

z = r e jω (71.c)

Se, nas expressões (71.a&b), em z o raio for tornado unitário, chega-se às expressões da
Transformada de Fourier (66.a) e (70.a). A prova desta afirmativa é deixada como problema.

Examinem-se as expressões da Transformada de Fourier do sinal aperiódico f(k) e considere-


se o sinal fp(k), periódico e gerado a partir do sinal original. Os coeficientes da Série de
Fourier de fp(k) podem ser obtidos amostrando de forma igualmente espaçada a
Transformada de Fourier de f(k).

φ Convergência da Transformada de Fourier para sinais aperiódicos no tempo discreto

Assim como nos casos da Transformada Z, da Série de Fourier e da Transformada de Fourier


para sinais no tempo contínuo, precisam ser determinadas as condições de convergência da
Transformada de Fourier para sinais aperiódicos no tempo discreto. O estabelecimento da
Transformada de Fourier se deu para sinais a aperiódicos de duração limitada, f(k); k ∈ [-Ka,
Kb], e nula fora dele. Mas é possível estender a aplicabilidade da Transformada de Fourier a
outros tipos de sinais aperiódicos, desde que atendidas as condições de convergência.

As condições de convergência são:

˜ A função f(k) é absolutamente somável, traduzida pela expressão:


∑ f(k) < ∞ (72)
k = −∞

ou

˜ A função f(k) tem energia finita, traduzida pela expressão:

∞ 2
∑ f(k) <∞ (73)
k = −∞

A seguir, as Transformadas de Fourier de algumas funções especiais serão apresentadas,


utilizando a mesma metodologia de estudo das outras transformadas.

φ Transformada de Fourier da função impulso unitário no tempo discreto

Considere-se, inicialmente, a função impulso unitário no tempo discreto, aplicada na origem:

⎧0 ; k ≠ 0
δ(k) = ⎨ (74)
⎩1 ; k = 0

Aplique-se a expressão da Transformada de Fourier quando a função for o impulso (74):

( )
Δ e jω = F [ δ(k) ] =

∑ f(k) e
k = −∞
− jωk
=

∑ δ(k) e
k = −∞
− jω k
=1 (75)

Caso se fosse desenhar os diagramas de módulo e fase de Δ(ejω), o diagrama de módulo seria
igual a 1 para todo o espectro, denotando que todas as freqüências contribuem com igual peso
para a composição do sinal. O diagrama de fase seria nulo para todas as freqüências visto que
a fase de um real positivo é nula.
APavani
19 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
Considere-se o impulso deslocado de ρ unidades de tempo e aplique-se a Transformada de
Fourier:

⎧0 ; k ≠ ρ
δ(k - ρ) = ⎨ (76)
⎩1 ; k = ρ

( )
Δd e jω = F [ δ(k - ρ) ] =

∑ f(k) e
k = −∞
− jω k
=

∑ δ(k − ρ) e
k = −∞
− jω k
= 1 e - jωρ (77)

Observe-se que nenhum dos resultados encontrados é uma surpresa visto que resultados
análogos foram encontrados para as Transformadas de Laplace, Z e de Fourier para sinais no
tempo contínuo.

φ Transformada de Fourier da função pulso unitário no tempo discreto

Considere-se a função pulso unitário no tempo discreto, centrada na origem (como no caso
contínuo visto anteriormente) e de duração (2N+1) amostras:

⎧ 1 ; −N≤k ≤N
p(k) = ⎨ (78)
⎩0 ; fora do intervalo

( )
P e jω = F [ p(k) ] =
N
∑1 e
k = −N
− jω k
= e jωN + e jω(N −1) + ... + e jω + e − jω0 + e − jω + ... + e − jω(N −1) + e − jωN

( )
P e jω = cos (ωN) + j sen (ωN) + cos [ω(N - 1)] + j sen [ω(N - 1)] + ... + cos (ω) + j sen (ω) + 1 +
cos (ω) − j sen (ω) + ... + cos [ω(N - 1)] − j sen [ω(N - 1)] + cos (ωN) − j sen (ωN)

( )
P e jω = 2 cos (ωN) + 2 cos [ω(N - 1)] + ... + 2 cos (ω) + 1 (79)

A Transformada de Fourier da função pulso unitário centrado na origem é, como no caso do


tempo contínuo, uma função real.

φ Transformada de Fourier da função exponencial/geométrica aplicada na origem

Considere-se a função exponencial:

⎧⎪ k
f(k) = ⎨a ; k ≥ 0, a < 1 (80)
⎪⎩ 0 ; k < 0

( ) ∞

k =0

F e jω = F [ f(k) ] = ∑ ak e − jωk = ∑ (ae − jω )k =
k =0
1
1 − ae − jω
=
1
[1 − a (cos ω)] + j a (sen ω)
(81)

A expressão (81), claramente, mostra que a Transformada de Fourier é periódica. Esta é a


primeira função complexa que foi determinada – nos casos do impulso unitário na origem e do
pulso, as respectivas transformadas eram reais. A expressão (80) colocou como restrição que
o módulo de a deve ser menor do que a unidade, mas não colcou restrições sobre seu sinal.

Examine-se a transformada através de seu módulo e de sua fase.

˜ Módulo
APavani
20 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
( )
F e jω =
1
[1 − a (cos ω)] + j a (sen ω)
=
1
(82)
[1 − a (cos ω)]2 + [a (sen ω)]2

A expressão (82) deve ser analisada para os 2 casos possíveis – a positivo e a negativo.

 a positivo

ω=0

( )
F e j0 =
1
=
1
1−a
(83.a)
[1 − a ]2

ω=π

( )
F e jπ =
1
=
1
1+a
(83.b)
[1 + a ]2

Observe-se que o valor do módulo em (83.a) é maior do que o de (83.b). Ressalte-se que
|a|<1, assim o módulo é positivo (como tem que ser!!) e o denominador de (83.a) é menor
devido à subtração.

ω = 2π

( )
F e j2π =
1
=
1
1−a
(83.c)
[1 − a ]2

A expressão (83.c) permite visualizar a periodicidade.

 a negativo

ω=0

( )
F e j0 =
1
2
=
1
1+ a
(84.a)
[1 + a ]

Observe-se que este valor corresponde, no caso de a positivo, ao da freqüência ω = π.

ω=π

( )
F e jπ =
1
=
1
1− a
(84.b)
[1 − a ]2

Observe-se que este valor corresponde, no caso de a positivo, ao da freqüência ω = 0.

˜ Fase

( )
ΦF e jω = − arctg
a (sen ω)
[1 − (a cos ω)]
(85)

APavani
21 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
A fase é uma função ímpar, logo a análise deve ser feita para ω > 0 e ω < 0. Seja ω > 0,
quando ω for próximo de 0, a fase será 0o, visto que a parte imaginária será desprezível frente
o valor de a. Aliás, por ser uma função ímpar, tem que ser nula em 0.

Como no caso do módulo, a função é periódica, o que é facilmente observável pelos seno e
cosseno na expressão. Ainda, como no caso do módulo, a diferença de sinal de a vai fazer com
que a fase seja diferente em cada uma das situações (a positivo e a negativo).

φ Transformada de Fourier da função exponencial imaginária

Considere-se a função exponencial imaginária:

jω k
f(k) = e 0 (86)

Esta função é periódica no tempo k. Quando foi estudada a exponencial imaginária no tempo
contínuo (com freqüência ω0), determinou-se que sua transformada era um impulso em ω =
ω0. Isto significava que somente aquela freqüência era necessária para representar o sinal,
visto que era a freqüência do sinal. O mesmo ocorre com a caso discreto, mas agora, existe a
periodicidade. A prova é deixada como exercício, a Transformada de Fourier da exponencial
imaginária é:

( )
F e jω = F [f(k)] =
k = −∞
∞ jω k - jωk
∑e 0 e

= ∑ 2π δ(ω - ω0 − 2πr)
r =∞
(87)

Como nos casos das Transformadas de Laplace, Z e de Fourier para sinais no tempo contínuo,
e no da Série de Fourier, as Transformadas de Fourier para os sinais a tempo discreto
possuem propriedades. A seguir são apresentadas algumas delas; as provas das propriedades
são deixadas como exercícios aos alunos.

φ Linearidade

Sejam dois pares Transformadas de Fourier:

( )
f1(k) ↔ F1 e jω (88.a)

f (k) ↔ F (e )
2 2

(88.b)

Defina-se:

g(k) = α1 f1(k) + α2 f2(k) ; α1 e α2 constantes (89)

A Transformada de Fourier de g(k) é:

( ) ( )
G e jω = α1 F1 e jω + α2 F2 e jω ( ) (90)

φ Periodicidade

Seja par Transformadas de Fourier:

( )
f(k) ↔ F e jω (91)

A Trasnformada de Fourier F(ejω) é sempre periódica de período 2π.

( ) (
F e jω = F e j(ω + 2π) ) (92)

APavani
22 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
φ Deslocamento no tempo

Seja o par Transformada de Fourier:

f(k) ↔ F e jω ( ) (91)

Defina-se:

g(k) = f(k − ρ) (93)

A Transformada de Fourier de g(k) é:

( )
G e jω = e− jωρ F e jω ( ) (94)

φ Deslocamento na freqüência

Seja o par Transformada de Fourier:

f(k) ↔ F e jω ( ) (91)

Defina-se:

( ) (
G e jω = F e
jω − jω0
) = F(e j(ω − ω0
) (95)

A função g(k) é:

jω k
g(k) = e 0 f(k) (96)

φ Diferença

Como estão em consideração os sinais no tempo discreto, não se pode tratar de operações de
derivação e de integração, como no caso contínuo. Assim, devem ser usados os seus
correspondentes no tempo discreto – a diferença e a acumulação.

Seja o par Transformada de Fourier:

f(k) ↔ F e jω ( ) (91)

Defina-se:

g(k) = f(k) − f(k − 1) (97)

A Transformada de Fourier de g(k) é:

( ) ( ) ( )
G e jω = 1 − e− jω F e jω (98)

Observe-se que este resultado é análogo ao das Transformadas Z dos respectivos sinais, ou
seja:

(
G(z) = 1 − z −1 F(z)) (99)

φ Acumulação
APavani
23 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
Seja o par Transformada de Fourier:

( )
f(k) ↔ F e jω (91)

Defina-se:

k
g(k) = ∑ f(r) (100)
r = −∞

Observe-se que, a partir de a partir de (100), é possível escrever:

f(k) = g(k) − g(k − 1) (101)

A Transformada de Fourier de g(k) é:

( )
G e jω =
1−e
1
− jω
( ) ( ) ∞
F e jω + π F e jω ∑ δ(ω − 2πn)
n = −∞
(102)

A demonstração da expressão da Transformada de Fourier da acumulação não é direta.

φ Convolução

Sejam dois pares Transformadas de Fourier:

( )
f1(k) ↔ F1 e jω (88.a)

f (k) ↔ F (e )
2 2

(88.b)

Defina-se:

k
g(k) = f1(k) * f2(k) = ∑ f1(k − ρ) f2(ρ) (103)
ρ = −∞

A Transformada de Fourier de g(k) é:

( ) ( ) ( )
G e jω = F1 e jω F2 e jω (104)

φ Conjugação

Seja o par Transformada de Fourier:

( )
f(k) ↔ F e jω (91)

Defina-se:

g(k) = f * (k) (105)

A Transformada de Fourier de g(k) é:

( )
G e jω = F* e-jω ( ) (106)

φ Conjugação simétrica

APavani
24 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
Seja o par Transformada de Fourier da função real f(k):

( )
f(k) ↔ F e jω (107)

Neste caso verifica-se:

( ) ( )
F e − jω = F * e j ω (108)

Como no caso dos sinais a tempo contínuo, em que a propriedade da integração permitia
determinar a Transformada de Fourier de um degrau unitário (que será infinita em um ponto)
a partir da Transformada de Fourier do impulso, o mesmo se dará no caso dos sinais a tempo
discreto. No caso destes últimos, a propriedade a ser usada é a acumulação.

Para que estes conceitos sejam compreendidos, é necessário que se relembrem relações
apresentadas no capítulo 1 e aqui repetidas por conveniência. Elas dizem respeito às relações
existentes entre as funções impulso e degrau unitários no tempo discreto.

As funções degrau e impulso unitários, no tempo discreto, são relacionadas através das
expressões:

k
u-1(k) = ∑ δ(r) (cap1.20)
r =-∞

δ(k) = u-1(k) − u−1(k − 1) (cap1.21)

A primeira (cap1.20) representa o degrau unitário como uma acumulação do impulso unitário
e a segunda o impulso unitário como uma diferença de degraus.

Observa-se que as funções pulso podem ser representadas como diferenças de degraus com
deslocamentos superiores a uma unidade de tempo.

φ Transformada de Fourier da função degrau unitário na origem

Considere-se o impulso unitário no tempo discreto, aplicada na origem:

⎧0 ; k ≠ 0
δ(k) = ⎨ (74)
⎩1 ; k = 0

Cuja Transformada de Fourier é:

( )
Δ e jω = F [ δ(k) ] =

∑ f(k) e
k = −∞
− jωk
=

∑ δ(k) e
k = −∞
− jω k
=1 (75)

Relembre-se a relação entre o impulso e o degrau dada por (cap1.20) e aplique-se a


propriedade da acumulação. Obtém-se, então, a Transformada de Fourier do degrau unitário
aplicado na origem.

( )
U − 1 e − jω =
1
1 − e − jω

+ ∑ π δ(ω + 2πr)
r = −∞
(109)

Assim, a transformada, como no caso contínuo, é impulsional.

Exemplo 02
APavani
25 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
φ Função composta por dois pulsos não unitários

Considere-se a função representada sob forma analítica por:

⎧15 ; 1 ≤ k ≤ 10 e 21 ≤ k ≤ 30
f(k) = ⎨
⎩ 0 ; fora dos intervalos

Observe-se que esta funcão ser composta por dois pulsos de largura 10 amostras, separados
por um conjunto de 10 amostras nulas. As amplitudes dos pulsos são 15. Serão dois
segmentos cujas transformadas deverão ser somadas (linearidade da Transformada de
Fourier). Além disto, a função não é simétrica com respeito à origem, como foi o caso do pulso
unitário de largura 2N+1 calculado anteriormente. Para que se aproveite o resultado anterior,
será necessário que se aplique a propriedade do deslocamento no tempo. Ainda, é importante
observar que a altura dos pulsos é 15, logo a propriedade da linearidade deverá ser aplicada
por duas razões – pela composição por dois segmentos de pulsos e também devido à
amplitude.

O resultado para um pulso unitário de lagura N e amplitude 1 foi calculado anteriormente e é


dado por:

( )
P e jω = 2 cos (ωN) + 2 cos [ω(N - 1)] + ... + 2 cos (ω) + 1

Quando a largura for 10 e a altura for 15, o resultado será:

( )
P e jω = 30 cos (10 ω) + 30 cos (9 ω) + ... + 30 cos (ω) + 15

A expressão anterior será a base para determinar as transformadas dos dois segmentos. O
primeiro será obtido dele através de um deslocamento de 11 unidades de tempo. Logo, sua
transformada será:

( )
P1 e jω = [30 cos (10 ω) + 30 cos (9 ω) + ... + 30 cos (ω) + 15] e -j11ω

O segundo será obtido dele através de um deslocamento de 21 unidades de tempo. Logo, sua
transformada será:

( )
P2 e jω = [30 cos (10 ω) + 30 cos (9 ω) + ... + 30 cos (ω) + 15] e -j21ω

Assim, a Transformada de Fourier da nova função será:

( ) (
P e jω = [30 cos (10 ω) + 30 cos (9 ω) + ... + 30 cos (ω) + 15] e -j11ω + e -j21ω )
ƒ

V. Transformada Discreta de Fourier

Como mencionado anteriormente, os sinais no tempo discreto de duração finita, além da


representação por Transformada de Fourier, podem ser também representados pela
Transformada Discreta de Fourier. A Trasnformada Discreta de Fourier é conhecida pela sigla
DFT – Discrete Fourier Transform.

A DFT se diferencia, fundamentalmente, da Transformada de Fourier dos sinais no tempo


discreto por ser calculada em função de intervalos discretos da freqüência. Ressalte-se que, no
caso da Transformada de Fourier dos sinais no tempo discreto, a freqüência ω ∈ R. Na DFT a
APavani
26 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
freqüência será calculada através de um contador (n ∈ Z) de intervalos de freqüência. Sob
este aspecto, ela guarda similaridade com a Série de Fourier, ainda que esta se aplique a
sinais periódicos.

A DFT é muito usada em filtragem e em processamento digital de sinais devido à existência de


métodos computacionais para o cálculo rápido da mesma, conhecidos pela sigla FFT – Fast
Fourier Transform.

Para a derivação da DFT, volta-se à Série de Fourier de sinais periódicos no tempo discreto,
usando como artifício a criação de uma função periódica com período igual à duração da
função (de duração finita) a qual se quer representar através da DFT. Observe-se que esta
mesma técnica foi utilizada no caso da Transformada de Fourier de uma sinal no tempo
discreto, quando, ao final, fazia-se o período tender a infinito.

No caso presente, mostra-se, depois, que a representação em série corresponde à DFT do


sinal que é igual ao período da função periódica.

φ Passos para conceituar a DFT

Para que se conceitue a DFT, serão utilizados alguns passos. Para simplificar a notação,
definam-se os símbolos:


−j
WK = e K (110.a)


−j nk
WKnk = e K (110.b)

˜ Passo 1 – Série de Fourier de um sinal periódico no tempo discreto

Considere-se um sinal periódico no tempo discreto:

fp(k) = fp(k + rK) (111)

A função em (111) é uma seqüência periódica de período K ∈ Z e de período fundamental K0 ∈


Z. Como estudado no capítulo anterior, ela pode ser representada por uma Série de Fourier:


jn k
K0
fp(k) = ∑ an e (112.a)
n =< K0 >

Expressão dos coeficientes, coeficientes de Fourier ou dos coeficientes espectrais de fp(k) é:


− jn k
1 K0
an = ∑ fp(k) e (112.b)
K0 k =< K0 >

Como as funções exponenciais imaginárias discretas são periódicas de período 2π, o número
de termos na série é finito e igual ao número de amostras que compõem o período
fundamental, logo, K0.

Para simplificar a notação, passe-se a representar o período fundamental por K e tomem-se os


somatórios de um período no intervalo [0, K-1]; use-se, também, a expressão (110.b) e as
fórmulas se transformam em:

APavani
27 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier

K −1 jn k K −1
fp(k) = ∑ an e K = ∑ an WK- kn (112.c)
n=0 n=0


1 K −1 − jn k 1 K −1
K kn
an = ∑ fp(k) e = ∑ fp(k)WK (112.d)
K k =0 K k =0

Com a finalidade de padronização à literatura sobre DFT, as seguintes modificações são


aplicadas às expressões (112.c&d):

an Æ Fp(n)

1/K Æ sai da expressão de an e vai para a expressão de fp(k)

Assim, as expressões se tornam:


1 K −1 jn k 1 K −1 - kn
fp(k) = ∑ Fp(n) e K = ∑ Fp(n) WK (112.e)
K n=0 K n=0


K −1 − jn k K −1
Fp(n) = ∑ fp(k) e K = ∑ fp(k) WKkn (112.f)
k =0 k =0

Este é o par de definição da Série de Fourier da função periódica com a nova notação. Guarde-
se, temporariamente, este resultado.

˜ Passo 2 – Transformada de Fourier de um sinal aperiódico no tempo discreto

Suponha-se, agora, a função aperiódica, no tempo discreto, igual a um período de fp(k).


Designe-se esta função f(k) e calcule-se a sua Transformada de Fourier, como feito
anteriormente neste capítulo. A única suposição é que esta transformada exista.

A Transformada é:

( )
F e jω =

∑ f(k)e
k = −∞
− jωk
(66.a)

A Transformada Inversa é:

f(k) =
1
∫ Fe
2π 2π

( )
e jωk dω (70.a)

˜ Passo 3 – Amostragem da Transformada de Fourier obtida no passo 2

Gere-se, a partir de (66.a), uma nova seqüência na freqüência discreta amostrando a


expressão em pontos:


ω= n (113)
K

Na seção anterior, mostrou-se que a Transformada de Fourier de um sinal aperiódico no


tempo discreto é periódica com período 2π. Assim, a nova seqüência na freqüência Fpa(n) será
periódica de período 2π.

APavani
28 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
⎛ j 2π n ⎞
( )
Fpa(n) = F e jω
ω=

n

= F⎜ e K ⎟



(114)
K ⎝ ⎠

Ao fazer-se esta amostragem, foram obtidos K coeficentes, periódicos e de período 2π.

˜ Passo 4 – Associem-se os coeficientes amostrados no passo 3 a uma Série de Fourier

Suponha-se que, com os coeficentes amostrados (114), vai ser construída uma Série de
Fourier:


1 K −1 j kn 1 K −1
K − kn
fpa(k) = ∑ Fpa(n)e = ∑ Fpa(n)WK (115)
K n=0 K n=0

Expresse-se a Transformada de Fourier de f(k), dada por (66.a), em função de um contador


m. É somente uma mudança de notação.

( )
F e jω =

∑ f(m)e
m = −∞
− jω m
(116)

Amostre-se (116) e substitua-se em (115):

⎡ -j

nm ⎤
1 K −1 ⎢ ∞ ⎥W− kn
fpa(k) = ∑ ∑ f(m) e K (117)
K n = 0 ⎢m = −∞ ⎥ K
⎢⎣ ⎥⎦

Trocando a ordem dos somatórios:

∞ ⎡ 1 K −1 -n(k - m) ⎤
fpa(k) = ∑ f(m) ⎢ ∑ WK ⎥ (118)
m = −∞ ⎣K n = 0 ⎦

Devido à ortogonalidade das funções, o somatório dentro dos colchetes é:

1 K −1 - n(k - m) ∞
∑ WK = ∑ δ(k − m + rK) (119)
K n=0 r = −∞

A passagem de (118) para (119) pode ser, facilmente, entendida se se observar que o
somatório no colchete é nulo sempre que k ≠ m e será não nulo sempre que o expoente for
um múltiplo inteiro de 2π. Logo:


(k − m) n = 2π r n (119.a)
K

k −m =rK (119.b)

Logo, haverá uma série infinita de valores (para todos os r inteiros) que satisfazem (119.b) e
que dão origem à expressão (119).

Substituido (119) em (118):

∞ ∞ ∞ ∞
fpa(k) = ∑ f(m) ∑ δ(k − m + rK) = ∑ ∑ f(m) δ(k − m + rK) (120)
m = −∞ r = −∞ r = −∞ m = −∞

APavani
29 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier

fpa(k) = ∑ f(k + rK) (121)
r = −∞

A expressão anterior pode ser interpretada como a convolução da função de duração finita f(k)
com o trem de impulsos:


fpa(k) = f(k) * ∑ δ(k + rK) (122)
r = −∞

A expressão (122) mostra que fpa(k) é uma função periódica de período K, visto que os
impulsos assim se repetem. Ao mesmo tempo, ela foi gerada a partir da amostragem do
espectro (Transformada de Fourier) da função periódica f(k), em um número arbitrário de
amostras, K, desejado para período da onda periódica a ser criada. A seguir é apresentado um
exemplo.

Exemplo 03

Suponha-se a função aperiódica apresentada no gráfico:

f(k)

… …

Determine-se a sua Transformada de Fourier e amostre-se a mesma com K = 3. Ao


determinar-se a função periódica cuja Série de Fourier é obtida com os coeficientes
amostrados, a função é a do gráfico a seguir.

f(k)

… …

Se a amostragem fosse com K = 4, a função seria:

f(k)

… …

Se a amostragem fosse com K = 2, a função seria:

APavani
30 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
f(k)

… …

Ainda que as amostragens da Transformada de Fourier sejam as mesmas, a nova função não
tem um período igual à f(k) original. ƒ

Supondo que a amostragem da Transformada de Fourier de f(k) tenha, no mínimo, o número


de amostras igual a K, então um período da fpa(k) reconstitui f(k), ou seja:

⎧fpa(k) ; 0 < k < K − 1


f(k) = ⎨ (123)
⎩ 0 ; caso contrário

Com esses passos dados, é possível passar ao conceito da Transformada Discreta de Fourier.

φ A definição da DFT

Seja uma função de duração finita f(k):

⎧qualquer ; 0 ≤ k ≤ K - 1
f(k) = ⎨ (124)
⎩ 0 ; fora do intervalo

Para alguns tipos de cálculo, quando K não for par, completa-se a seqüência com (M-N) zeros
até que se atinja um M par.

A esta seqüência, associe-se uma função periódica fp(k):


fp(k) = ∑ f(k + rK) (125)
r = −∞

A função f(k) pode ser recuperada de fp(k) através da extração de um período. A


Transformada Discreta de Fourier de f(k) é dada por:

K −1
Fp(n) = ∑ fp(k) WKkn (126.a)
k =0

E a Transformada Inversa é:

1 K −1 - kn
fp(k) = ∑ Fp(n) WK (126.b)
K n=0

Os valores de F(n) são os da amostragem da Transformada de Fourier de f(k), nos pontos de


freqüência dada por (113).

As expressões (126.a&b) foram estabelecidas para as funções periódicas; para as


correspondentes de duração finita, as expressões se transformam para:

APavani
31 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
⎧K − 1
⎪ ∑ f(k) WKkn ; 0 ≤ n ≤ K - 1
F(n) = ⎨k = 0 (127.a)
⎪⎩ 0 ; caso contrário

⎧ 1 K −1
⎪ ∑ F(n) WK-kn ; 0 ≤ k ≤ K - 1
f(k) = ⎨K n = 0 (127.b)
⎪⎩ 0 ; caso contrário

Como a função original é de duração finita (é nula antes de k = 0 e depois de k = K-1) e o


espectro será analisado só de 0 a 2π (implicando no intervalo n = 0 a n = K-1), simplificam-se
as expressões para gerar o par de DFT:

Expressões da Transformada Discreta de Fourier de um sinal de duração finita no


tempo discreto

As expressões que seguem são chamadas de par da Transformada Discreta de Fourier. A DFT
ou equação de análise:

K −1
F(n) = ∑ f(k) WKkn (127.a)
k =0

A Transformada Inversa ou equação de síntese:

1 K −1 -kn
f(k) = ∑ F(n) WK (127.b)
K n=0

São utilizadas as seguintes representações para a Transformada e sua Inversa:

F(n) = DFT [ f(k) ] (128.a)

f(k) = DFT -1 [ F(n) ] (128.b)


ƒ

Observe-se que o espectro é analisado no intervalo (0, 2π), mas se fosse calculado para
outros pontos fora deste intervalo, seria não nulo por refletir a periodicidade do espectro da
Transformada de Fourier do sinal aperiódico, da qual é amostragem. No que diz respeito à
f(k), fora no intervalo ela é nula.

φ Transformada de Fourier da função impulso unitário no tempo discreto

Considere-se a função impulso unitário no tempo discreto, aplicada na origem:

⎧0 ; k ≠ 0
δ(k) = ⎨ (74)
⎩1 ; k = 0

Para determinar uma DFT é necessário escolher o período da função periódica que tem a
função em consideração como período.

Escolha-se, inicialmente, K = 2.


1 1 -j kn 1
Δ(n) = DFT [ δ(k) ] = ∑ δ(k) W2kn = ∑ δ(k) e 2 = ∑ δ(k) e - jπkn = 1
k =0 k =0 k =0

APavani
32 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
Observe-se que a DFT do impulso unitário será 1 qualquer que seja o valor de n ∈ [ 0, 1 ].

Escolha-se, agora, K = 3.

2π 2π
2 2 -j kn 2 -j kn
Δ(n) = DFT [ δ(k) ] = ∑ δ(k) W3kn = ∑ δ(k) e 3 = ∑ δ(k) e 3 =1
k =0 k =0 k =0

Observe-se que a DFT do impulso unitário será 1 qualquer que seja o valor de n ∈ [ 0, 2 ].
Este resultado é igual ao primeiro. Do ponto de vista do cálculo, isto ocorre porque somente
em k = 0 o impulso é não nulo e sempre o mesmo termo do somatório é calculado; ele é
sempre igual a 1. Do ponto de vista do conceito de DFT, isto ocorre porque a Transformada de
Fourier do impulso unitário na origem é 1 para todo o espectro, logo, não faz diferença a
maneira como ela é amostrada.

Exemplos 04

φ Pulso unitário na origem

Considere-se a função pulso unitário no tempo discreto, aplicada na origem e com duas
amostras:

⎧ 1 ; k ∈ [0, 1]
p(k) = ⎨
⎩0 ; fora do intervalo

Inicialmente, calcula-se a DFT com K = 2.


1 1 -j kn 1
P(n) = DFT [ p(k) ] = ∑ p(k) W2kn = ∑ p(k) e 2 = ∑ p(k) e - jπkn = 1 + e - jπn
k =0 k =0 k =0

Observe-se que, neste caso, a DFT é complexa e depedente do ponto de freqüência que será
calculada. Determinem-se os pontos:

P(0) = 1 + 1 = 2

P(1) = 1 − 1 = 0

Calcule-se, agora, a DFT com K = 3.

2π 2π 2π
2 2 -j kn 2 -j kn -j n
P(n) = DFT [ p(k) ] = ∑ p(k) W3kn = ∑ p(k) e 3 = ∑ p(k) e 3 =1+e 3
k =0 k =0 k =0

Observe-se que, neste caso, a DFT é complexa e depedente do ponto de freqüência que será
calculada. Determinem-se os pontos:

P(0) = 1 + 1 = 2

⎛ 2π ⎞ ⎛ 2π ⎞ 1 3 1 3
P(1) = 1 + cos ⎜ ⎟ + j sen ⎜ ⎟ =1− + j = +j = 1 e j 83.66 (fase em graus)
⎝ 3 ⎠ ⎝ 3 ⎠ 2 2 2 2

⎛ 4π ⎞ ⎛ 4π ⎞ 1 3 1 3
P(2) = 1 + cos ⎜ ⎟ + j sen ⎜ ⎟ =1− − j = −j = 1 e - j 83.66 (fase em graus)
⎝ 3 ⎠ ⎝ 3 ⎠ 2 2 2 2

Calcule-se, agora, a DFT com K = 4.


APavani
33 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
2π π π
3 3 -j kn 3 - j kn -j n
P(n) = DFT [ p(k) ] = ∑ p(k) W4kn = ∑ p(k) e 4 = ∑ p(k) e 2 =1+e 2
k =0 k =0 k =0

Observe-se que, neste caso, a DFT é complexa e depedente do ponto de freqüência que será
calculada. Determinem-se os pontos:

P(0) = 1 + 1 = 2

⎛π⎞ ⎛π⎞
P(1) = 1 + cos ⎜ ⎟ + j sen ⎜ ⎟ = 1 + 0 + j = 1 + j = 1 e j 45 (fase em graus)
2
⎝ ⎠ ⎝2⎠

P(2) = 1 + cos (π ) + j sen (π) = 1 − 1 = 0

⎛ 3π ⎞ ⎛ 3π ⎞ 1 3 1 3
P(3) = 1 + cos ⎜ ⎟ + j sen ⎜ ⎟ =1− + j = +j = 1 e j 83.66 (fase em graus)
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ 2 2 2 2

φ Segmento de rampa na origem

Considere-se a função no tempo discreto, aplicada na origem apresentada a seguir:

⎧ k ; k ∈ [0, 2]
f(k) = ⎨
⎩0 ; fora do intervalo

Calcule-se a DFT com K = 3.

2π 2π 2π 2π
2 2 -j kn 2 -j kn -j n -j n
F(n) = DFT [ f(k) ] = ∑ f(k) W3kn = ∑ p(k) e 3 = ∑ f(k) e 3 =0+e 3 +2e 3
k =0 k =0 k =0

Os pontos de freqüência são:

F(0) = 0 + 1 + 2 = 3

⎛ 2π ⎞ ⎛ 2π ⎞ 1 3 1 3
F(1) = 0 + cos ⎜ ⎟ + j sen ⎜ ⎟= − +j = − +j = 1 e j 96.34
⎝ 3 ⎠ ⎝ 3 ⎠ 2 2 2 2

⎛ 4π ⎞ ⎛ 4π ⎞ 1 3 1 3
F(2) = 0 + cos ⎜ ⎟ + j sen ⎜ ⎟= − −j = − −j = 1 e j 263.66
⎝ 3 ⎠ ⎝ 3 ⎠ 2 2 2 2
ƒ

V I. Exercícios Propostos

Os exercícios propostos têm o objetivo de fixar os conceitos e exercitar a manipulação das


expressões e relações entre as funções.

01. Prove as propriedades da Série de Fourier para sinais a tempo contínuo.

02. Prove a Relação de Parseval para sinais a tempo contínuo.

03. Prove as propriedades da Série de Fourier para sinais a tempo discreto.


APavani
34 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
04. Prove a Relação de Parseval para sinais a tempo discreto.

05. Prove que, se nas expressões da Transformada de Laplace (10.a&b), σ = 0, chega-se às


expressões da Transfomada de Fourier (6.a) e (9.a).

06. Demonstre as propriedades da Transformada de Fourier dos sinais no tempo contínuo.

07. Obtenha a Série de Fourier para sinais no tempo contínuo a partir da Transformada de
Fourier da exponencial imaginária.

08. Prove que, se nas expressões da Transformada Z (71.a&b), r = 1, chega-se às expressões


da Transfomada de Fourier (66.a) e (70.a).

09. Demonstre as propriedades da Transformada de Fourier dos sinais no tempo discreto.

10. No desenvolvimento da Transformada de Fourier dos sinais a tempo contínuo, uma das
funções para as quais se determinou a transformada foi o pulso unitário centrado na
origem. Para ela, determinou-se que a Transformada de Fourier é uma função real – é a
função amostragem ou sinc. Considere que a função a ser estudada é uma função pulso
unitário, mas que não está centrada na origem, que ela tem a mesma largura da anterior,
mas está à direita do zero, dada por:

⎧ 1 ; 0 < t < 2 Ta
p(t) = ⎨
⎩0 ; fora do intervalo

Determine a sua Transformada de Fourier fazendo todas as contas, como se as


Propriedades não fossem conhecidas. Compare o resultado com a do pulso unitário, de
mesma largura, centrado na origem.

11. No desenvolvimento da Transformada de Fourier dos sinais a tempo discreto, uma das
funções para as quais se determinou a transformada foi o pulso unitário centrado na
origem. Para ela, determinou-se que a Transformada de Fourier é uma função real.
Considere que a função a ser estudada é uma função pulso unitário, mas que não está
centrada na origem, que ela tem a mesma largura da anterior, mas está à direita do zero,
dada por:

⎧ 1 ; 0 ≤k ≤2N
p(k) = ⎨
⎩0 ; fora do intervalo

Determine a sua Transformada de Fourier fazendo todas as contas, como se as


Propriedades não fossem conhecidas. Compare o resultado com a do pulso unitário, de
mesma largura, centrado na origem.

V II. Agradecimento

Agradeço ao Eduardo Costa, aluno da disciplina em 2005.2, pela excelente revisão que fez
deste capítulo. Sem a contribuição dele, sem dúvida, estas notas seriam bem piores.

APavani
35 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
VIII. Referências

φ Alan V Oppenheim & Ronald W Schafer


Discrete-time Signal Processing
Prentice-Hall, USA, 1989

φ Alan V Oppenheim & Alan S Willsky, with S Hamid Nawab


Signals & Systems
2a edição, Prentice-Hall, USA, 1996

φ Nhan Levan
Systems & Signals
1a edição, Optimization Software, Inc, Publications Division, USA, 1983

φ Richard C Dorf & James A Svoboda


Introduction to Electric Circuits
5a edição, John Wiley, USA, 2001

φ Wolfram MathWorld
http://mathworld.wolfram.com/
Capturado em agosto de 2007

Apêndice 1 – Algumas Transformadas de Fourier de Sinais no Tempo


Contínuo

A seguir são apresentadas Transformadas de Fourier de alguns dos sinais mais usuais no
tempo contínuo.

φ Impulso unitário na origem

F [ δ(t) ] = 1 (A1.01)

φ Impulso unitário fora da origem

F [ δ(t − τ) ] = 1 e -jωτ (A1.02)

φ Pulso unitário centrado na origem

2 senωTa
F [ p(t) ] = (A1.03)
ω

φ Exponencial na origem

1
F ⎡ e- at ⎤ = ; a>0 (A1.04)
⎢⎣ ⎥⎦ a + jω

φ Exponencial imaginária

⎡ - jω0 t ⎤
F ⎢e ⎥ = 2π δ(ω - ω0 ) (A1.05)
⎣ ⎦

APavani
36 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier
φ Degrau unitário na origem

1 1
U −1 ( jω) = Δ( jω) + π Δ(0) δ(ω) = + π δ(ω) (A1.06)
jω jω

Apêndice 2 – Algumas Transformadas de Fourier de Sinais no Tempo Discreto

A seguir são apresentadas Transformadas de Fourier de alguns dos sinais mais usuais no
tempo discreto.

φ Impulso unitário na origem

F [ δ(k) ] = 1 (A2.01)

φ Impulso unitário fora da origem

F [ δ(k − ρ) ] = 1 e -jωρ (A2.02)

φ Pulso unitário centrado na origem

( )
P e jω = 2 cos (ωN) + 2 cos [ω(N - 1)] + ... + 2 cos (ω) + 1 (A2.03)

φ Exponencial/geométrica na origem

1 1
F [ ak ] = = (A2.04)
− jω [1 − a (cos ω)] + j a (sen ω)
1 − ae

φ Exponencial imaginária

⎡ jω k ⎤ ∞
F ⎢e 0 ⎥ = ∑ 2π δ(ω - ω0 − 2πr) (A2.05)
⎣ ⎦ r =∞

φ Degrau unitário na origem

( )
U − 1 e − jω =
1
1 − e − jω

+ ∑ π δ(ω + 2πr)
r = −∞
(A2.06)

APavani
37 Sinais & Sistemas – Transformadas de Fourier