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III Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação Recife - PE, 27-30 de Julho de 2010

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USO DE IMAGEM SRTM (SHUTTLE RADAR TOPOGRAPHY


MISSION) PARA O MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO NA
MICROBACIA DO AÇUDE TAPEROÁ II, PARAÍBA, BRASIL
SAULO ROBERTO DE OLIVEIRA VITAL
THYAGO DE ALMEIDA SILVEIRA
HELOÍSA MARIA QUIRINO DE ALENCAR
BRUNO FERREIRA

Universidade Federal de Pernambuco - UFPE


Centro de Filosofia e Ciências Humanas - CFCH
Departamento de Ciências Geográficas, Recife, PE
{srovital, thyago.silveira, brunge2005, heloísaquirino}@gmail.com

RESUMO - Os dados SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) como base para o mapeamento
geomorfológico compreende uma importante ferramenta para a distinção das diferentes unidades de
relevo e setores da paisagem. Considerando esta nova alternativa, pretende-se demonstrar neste trabalho a
importância do uso destes dados como importante ferramenta empregada para o mapeamento
geomorfológico e distinção das diferentes unidades do relevo na Microbacia do Açude Taperoá II,
Paraíba, Brasil. Para isso, os dados foram tratados do software ArcGis 9.2, disponível do Departamento
de Ciências Geográficas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), tendo como produto final o
mapa geomorfológico preliminar da bacia. Este produto final possibilitou a caracterização
geomorfológica da área a partir do reconhecimento de suas unidades principais.

ABSTRACT - The SRTM data (Shuttle Radar Topography Mission) like base for geomorphologic
mapping comprises an important tool for the distinction of the different relief units of prominence and
sectors of the landscape. In front of this new alternative, pretend to show in this work the importance of
use these data as an important tool used for geomorphologic mapping and distinction of different relief
units in Taperoá II watershed, Paraiba, Brazil. For this end, the data were treated in the ArcGis 9.2
software, disposable by Department of Science Geographical of UFPE (Federal University of
Pernambuco), taking as final product the preliminary geomorphologic map of washbasin. This final
product enabled the geomorphologic characterization of area from the recognition of their principal units.

1 INTRODUÇÃO (Modelos Digitais de Elevação) obtidos através do radar


SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) criado com o
A partir da década de 80, a utilização de objetivo de obter informações altimétricas da superfície
ferramentas computacionais para a análise e modelagem terrestre gerando uma base para estudos espaciais
espacial passou a ser uma tendência seguida por inúmeros diversos.
pesquisadores no Brasil e no Mundo. Antes disso, nos O Radar SRTM foi lançado em fevereiro de 2000 a
Estados Unidos e na Inglaterra imprimiam-se as primeiras bordo do ônibus espacial Endeavour. Durante 11 dias
tentativas de produção de softwares aplicados a esta obteve dados de altimetria estereoscópica de 80% da
análise. De acordo com Câmara et al., (2005, p.2) “Os superfície terrestre, gerando imagens com resolução
primeiros Sistemas de Informação Geográfica surgiram na espacial (nos dados fontes) de um arco segundo para os
década de 60, no Canadá, como parte de um programa Estados Unidos e três arcos segundo para o restante do
governamental para criar um inventário de Recursos mundo e com uma amplitude de grade 30 metros para o
Naturais”. Alguns anos depois, na década de 80, passou- (SRTM 1) e 90 metros para o (SRTM 3), projetados para
se o momento onde esta tecnologia iniciou um período de uma acuaria vertical e horizontal absoluta de 16 e 20
acelerado crescimento durando até os dias atuais. metros, respectivamente, com 90% de confiança
Com este advento a obtenção de imagens orbitais (Medeiros et al., 2009).
com alto grau de detalhe e precisão tem se tornado cada Os dados derivados do radar SRTM tem um vasto
vez mais comum. Um exemplo a ser citado são os MDE campo de aplicação e utilidade para as ciências da Terra.

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No caso específico da Geomorfologia os dados são Elevação (MDE) obtidos da imagem SRTM. Através da
utilizados como base cartográfica para levantamento de comparação entre esses dois modelos os autores
campo sendo capaz de auxiliar na delimitação automática comprovaram que o uso de imagens proveniente de radar
de bacias hidrográficas, extração de níveis hipsométricos, interferométrico são importantes na obtenção do fator
curvas de nível, criação de perfis topográficos etc. topográfico, além de mostrar-se uma alternativa prática e
viável ao minimizar custos e tempo na execução dos
trabalhos, além de apresentarem maior nível de
1.1 Uso de imagens SRTM na interpretação
detalhamento.
geomorfológica

De acordo com Novo (1988) “no âmbito da


Geografia, a Geomorfologia é campo que mais se tem
beneficiado da tecnologia de Sensoriamento Remoto”. A
partir desta nova tecnologia torna-se possível identificar e
visualizar os mais variados tipos de feições e fenômenos
geomorfológicos, assim como também identificar
processos.
O uso de dados SRTM para a interpretação
geomorfológica tem sido uma tendência bastante atual
seguida por diversos pesquisadores da Geomorfologia
Brasileira.
Lobão e Vale (2006) utilizaram-se do
MDT/SRTM/NASA para detalhamento geomorfológico
em ambiente semi-árido, onde foi possível elaborar perfis
topográficos que auxiliaram a interpretação
geomorfológica de inselbergues no município de
Itaberaba, periferia da região semi-árida baiana. Para
tanto, os produtos cartográficos gerados a partir da
informação SRTM, subsidiou a interpretação geológica e
geomorfológica da área, sendo comprovada como
eficiente ferramenta empregada para interpretações da
morfologia terrestre.
Esta tendência de aplicação de modelos SRTM
para a Geomorfologia também foi seguida por Silva e
Santos (2007). Ambos comprovaram a grande utilidade de
imagens de radar para a identificação dos padrões de
dissecação do relevo, ressaltando áreas de relevo
acidentado. E reafirmando ser uma das grandes vantagens
da utilização de imagens de Radar a ausência de nuvens, Figura 1 – Exemplo de aspecto da textura nas imagens
possibilitando assim a visualização mais exata e precisa SRTM sombreadas (shade-relief), indicando o grau de
das formas da terra. Silva e Santos (2007) reforçam que a dissecação. Fonte: Carvalho e Bayer (2008)
disponibilização de modelos SRTM tem trazido grandes
avanços para a Geomorfologia, pois a partir destes Grohmann e Riccomini (2008) fizeram um resgate
modelos têm-se obtido informações altimétricas e perfis teórico da evolução no uso destes dados, expondo uma
topográficos, dados fundamentais para a esta ciência. visão geral de aplicações de modelos de elevação SRTM
Além disso, concluíram que a utilização destas em análises geomorfológicas realizadas em território
informações melhoram significantemente o mapeamento brasileiro. Deste modo foram expostas diversas aplicações
para a escala 1:250.000 e, portanto, constituem-se como para o Brasil inteiro, evidenciando a potencialidade dessas
importante fonte de informações altimétricas. imagens para a compartimentação do relevo, interpretação
Outra importante aplicação deste produto é para a estrutural de áreas geologicamente complexas,
estimativa de perdas do solo, sobretudo no que concerne a reconhecimento de paleosuperfícies, influência tectônica
identificação de um dos fatores mais importantes da no relevo, identificação de feições de relevo sutis.
Equação Universal de Perdas do Solo (USLE) o fator O resultado de estudos valendo-se de informações
topográfico (LS) que considera a relação entre o de radares interferométricos mostra-se bastante
comprimento da encosta e sua declividade. De acordo satisfatórias, sobretudo quando empregadas para o
com Fornelos e Neves (2007) convencionalmente este mapeamento de feições geomorfológicas, pois permite
fator é gerado a partir do Modelo Número do Terreno reconhecer e estrutura dos modelados e identificar os
(MNT) obtido a partir da digitalização da hipsometria das principais processos denudacionais e agradacionais que
cartas topográficas ou através do Modelo Digital de operam no interior de uma bacia hidrográfica, além de

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revelar-se como um importante instrumental de apoio na automática da microbacia no software ArcGis 9.2
execução do planejamento e gestão (Coelho, 2008). disponível no Departamento de Ciências Geográficas da
Outro importante estudo foi elaborado por Gastão UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Após a
e Maia (2010), onde os mesmos aplicaram estas imagens delimitação, foram extraídas as curvas de nível
para estudos de Geomorfologia e Sedimentologia, empregadas para construção do MDT (Modelo Digital do
auxiliando na identificação dos padrões de drenagem na Terreno).
região dos Lençóis Maranhenses. Como resultado Com isso, foi possível identificar a partir da
alcançou-se maior detalhamento da geomorfologia local e altitude e da eqüidistâncias das curvas de nível as
a compartimentação das unidades de relevo. Deste modo principais unidades morfológicas da microbacia do açude
foi possível identificar a presença de diferentes depósitos Taperoá.
sedimentares, tipos de relevo, lineamentos estruturais
desenvolvidos possivelmente por processos tectônicos. 3 RESULTADOS

2 METODOLOGIA Valendo-se desta metodologia foram identificadas


as seguintes unidades geomorfológicas para a Microbacia
2.1 Área de Estudo do Açude Taperoá:

A Microbacia do Açude Taperoá II está localizada • Cimeira: são os níveis acima de 800 metros
na Mesorregião da Borborema e Microrregião do Cariri de altitude com uma feição de topo crista e
Ocidental, abrangendo os municípios de Teixeira, desprovido de cobertura sedimentar e
Cacimbas, Desterro, Livramento e Taperoá. Sua área vegetação, encontrando-se dissecados pelos
compreende cerca de 500 Km2, situando-se entre as cursos d’água.
coordenadas geográficas 7º24’00’’ de latitude sul e • Encosta com cobertura coluvial: são áreas
43º9’00” de longitude oeste. de relevo ondulado que se situam na
transição entre encostas íngremes da serra e
o pedimento rochoso que as circundam.
• Encosta íngreme sem cobertura coluvial:
são áreas que circundam as superfícies de
cimeira das serras, com forte ondulação e
ausência de sedimentos de encosta.
• Encosta em avental de colúvio: encosta
suavizada por uma rampa de colúvio que
estão geralmente na meia encosta.
• Pedimento: são extensas áreas planas
formadas a partir da deposição em leque na
Figura II – Mapa de Localização da Microbacia do Açude saída de áreas montanhosas.
Taperoá II. • Pedimento com cobertura detrítica:
constitui-se por áreas moderadamente
Esta Microbacia faz parte da Sub-bacia do Rio planas circunscritas por maciços residuais,
Taperoá que, por sua vez, está inserida no contexto da constituindo setores de evacuação de
Bacia do Rio Paraíba, contida no Estado da Paraíba e sedimentos.
recebendo drenagens de toda a porção sul do Planalto da • Planície aluvial: corresponde a áreas baixas
Borborema, consistindo numa bacia com padrão de e planas que ocorrem ao longo de vales,
drenagem endorreica. Seu principal rio é a Paraíba que englobando as formas resultantes de
tem sua nascente no Planalto da Borborema e se estende deposição.
no sentido SW-NE, alcançando o Atlântico, formando • Lineamentos ou Maciços Residuais do tipo
importante estuário. É o mais extenso dos rios Inselberg e em crista: são corpos intrusivos
conseqüentes da Borborema Oriental. Além disso, recebe isolados, delimitados por encostas íngremes
pela margem esquerda afluentes importantes como o sob a influência, sobretudo do
Taperoá, o Paraibinha e o Gurinhém. O divisor de águas intemperismo físico. Os inselbergs ocorrem
entre sua bacia e a do rio Capibaribe desenvolve-se em extensas áreas do semi-árido brasileiro,
próximo à sua margem direita, estabelecendo o limite quase sempre elevando-se por sobre
com o Estado de Pernambuco. superfícies de aplainamento como bossas
graníticas encimadas por caos de blocos
2.2 Coleta e Processamento de Dados atestando o seu grau de evolução
morfogenética.
Para elaboração do mapa geomorfológico foram
extraídas informações de direção de fluxo, fluxo
acumulado e drenagem, utilizadas para a delimitação
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Figura IV – Mapa Geomorfológico da Microbacia do Açude Taperoá II.

Outro importante produto gerado através das CONCLUSÕES


informações de altimetria foram os perfis topográficos da
bacia. Foram extraídos dois perfis. Primeiramente no O uso de dados SRTM para o mapeamento
setor noroeste da área, ganha destaque um fotolineamento geomorfológico revela-se como importante ferramenta
do relevo, elaborado a partir de um desnível de superfícies empregada na identificação e espacialização prévia das
causado por movimentação tectônica de rochas unidades de relevo. Este produto final possibilitou a
neoproterozóicas em zona falhada. Esta quebra litológica caracterização geomorfológica da área a partir do
gerou um desnível de aproximadamente 50 metros, onde a reconhecimento de suas unidades principais. Além disso,
altitude média do vale do Rio Taperoá é de cerca de 600 os produtos gerados a partir destas imagens servem para
metros, enquanto o topo dessa área movimentada várias aplicações no campo desta ciência, além do
tectonicamente apresenta cerca de 650 metros. A ruptura mapeamento geomorfológico.
de declive no nível altimétrico entre 600 e 650 evidencia Vale ressaltar que as unidades aqui descritas fazem
este fenômeno. parte de um mapa preliminar, o qual necessita de
validação e averiguação em campo para sua posterior
utilização.

REFERÊNCIAS
Figura V – Perfil topográfico para o setor noroeste da
microbacia. CÂMARA, G. et al., (2000) Geoprocessamento: Teorias e
Aplicações. INPE (online: http://www.dpi.inpe.br/livro)
O outro perfil foi extraído para a extensa área plana da
bacia composta pela superfície pedimentar abaixo de 650 CARVALHO, T. M. e BAYER, M. (2008) Utilização dos
metros e para planície aluvial. produtos da “Shuttle Radar Topography Mission”
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p.35-41.

COELHO, A. L. N. (2008) Uso de dados SRTM como


Figura VI - Perfil topográfico representando os níveis de ferramenta de apoio ao mapeamento geomorfológico de
pedimento e da planície aluvial. bacia de médio-grande porte. Revista Geografia
Acadêmica, v.2, n.2, p.138-153.

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FORNELOS, L. F. e NEVES, S. M. A. S. (2007) Uso de
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Imagens de Radar Interferométrico (SRTM) na Estimativa
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n59/01 abril, 2007. p. 25-33

GASTÃO, F. G. C. e MAIA, L. P. (2010) O uso de dados


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GROHMANN, C. H. e RICCOMINI, C. (2008)


Aplicações dos modelos de elevação SRTM em
Geomorfologia. Revista Geografia Acadêmica, v.2, n.2,
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LOBÃO, J. S. B. e VALE, R. M. C. (2006) Aplicação do


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Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto, Aracaju,
SE. 6p.

MEDEIROS, L. C. FERREIRA, N. C. FERREIRA, L. G.


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Delimitação Automática de Bacias Hidrográficas. Revista
Brasileira de Cartografia n61/02, 2009. p. 138-151

NOVO, E. M. L. M. (1988) Sensoriamento Remoto:


Princípios e Aplicações. São Paulo: Edgard Blucher.
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geomorfológico do território brasileiro. Anais do XIII
Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto,
Florianópolis, Brasil, INPE, p.4261-4266.

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