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Ministério da Educação

Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica

Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás

Gerência Educacional da Área Tecnológica II

Coordenação da Área de Geomática

CURSO SUPERIOR DE TÉCNOLOGIA EM:

• SENSORIAMENTO REMOTO

• AGRIMENSURA.

DISCIPLINA: GEOCIÊNCIAS

PROFESSOR: Ms. DOMINGOS SÁVIO DE QUEIROZ

GOIANIA - 2008

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I. INTRODUÇÃO E CONCEITOS

I.1. INTRODUÇÃO:

Ao longo da história o solo tem sido um elemento bastante familiar ao homem, que
dele sempre dependeu para satisfazer as suas necessidades básicas de locomoção, abrigo e
alimentação. Assim, os conceitos de solo são quase tão variados quanto às atividades
humanas que nele se desenvolvem e, sem dúvida, cada indivíduo tem uma concepção mais
identificada com suas próprias atividades e interesse, mas, quase sempre, muito pouco
relacionada com o conhecimento da natureza do próprio solo. (Moniz).
Antes de abordarmos com detalhes as múltiplas fases da Ciência do Solo, convém
considerar de uma maneira mais ampla e crítica ao mesmo tempo, este corpo natural que é
o solo.

O conceito vulgar, de o solo ser a capa mais superficial do Globo Terrestre, é tão
antiga como a própria humanidade. As múltiplas guerras existentes desde os tempos idos,
sempre visaram as suas conquista, pois é dele que os povos tiraram a sua subsistência e
onde sempre temos vivido.
A importância de seu estudo está intrínseca a várias especialidades, como as
diversas engenharias, a geologia, aos botânicos, aos ambientalistas etc.
Muitas foram às opiniões surgidas sobre o comportamento do solo. A que considera
como mero sustentáculo das plantas é uma das muitas que aparecem quando o homem
começou a interessar-se pelos problemas de fertilidade. Filósofos, químicos, alquimistas,
físicos e geólogos, todos prestaram a sua colaboração neste estudo complexo, procurando

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explicar os numerosos segredos do comportamento do solo em relação ao desenvolvimento
das plantas, mas nenhum deles o apreciou como um corpo independente.
O solo tem sido estudado e interpretado diferentemente à medida que os
conhecimentos, sobre tão complexo problema, evoluem. O conceito estritamente científico,
no entanto, surgido somente a poucos decênios atrás, tem provocado uma multiplicidade de
interpretações e com isso um número muito grande de definições discordantes. Isto
naturalmente decorre da complexidade da própria ciência, visto requerer profundos
conhecimentos que abrangem desde a gênese do solo até o mecanismo da alimentação
vegetal, estendendo-se por vasto campo científico, que vai desde a Geologia até a Biologia
(Vieira).
O homem depende do solo, e, até certo ponto, bons solos dependem do homem e do
uso que deles faz. Solo é substância natural em que crescem os vegetais. O homem desfruta
e utiliza estes vegetais, quer por causa de sua beleza, que por sua capacidade para fornecer-
lhe e a seus animais domésticos fibras e alimentos.
O apogeu e o declínio das civilizações estão ligados em função de suas relações e
manuseio do solo e seus recursos naturais.

No caso do nosso curso, temos como perspectivas levam-los ao conhecimento de


conceitos e noções sobre o solo e o seu melhor aproveitamento e manejo, buscando desde o
conceito propriamente dito sobre o solo, perpassando por alguns pontos básicos como,
formação, perfil e características do solo, a sua classificação, sua fertilidade as noções de
degradação e conservação, a coleta para análise de fertilidade e sua capacidade de uso, o
aproveitamento de áreas encharcadas através do emprego de conhecimentos sobre a
drenagem, a climatologia, enfim, tomar posse dos conceitos e noções que nos possibilite o
melhor conhecimento sobre este Organismo Vivo. (Queiroz, Domingos).

I.2. CONCEITOS.

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1. Segundo Brady, nem sempre as características comuns da natureza são bem
compreendidos ou apreciados. Para muitos, o solo representa estas características. Podem
ser encontradas quase em toda parte e tem aparentemente acompanhado sempre o homem.
Por causa disto, a maioria das pessoas nuca se deu ao trabalho de verificar o que é solo,
suas origens e quais são as suas propriedades básicas. Talvez não tenha sido possível
observar como o solo é diferente num lugar, quando comparado a outro. Certamente,
poucos sabem as razões destas diferenças.
Vários são as definições de solos, está ligado ao interesse e objetivo do olhar de
quem define. Por exemplo, para alguns o “Solo” é tido como a superfície inconsolidada
que recobre as rochas e mantém a vida animal e vegetal da terra. O conceito popular de
“Solo” é de ser a capa mais superficial do Globo Terrestre, é tão antiga como a própria
humanidade.
Para a dona-de-casa, seria a terra que agarra à sola do sapato do seu marido e filhos
e que suja o assoalho de sua casa, ou a poeira que ela precisa espanar e varrer
constantemente, que não lhe dá descanso e causa também problemas.
Para um viajante, é a poeira que lhe fere os olhos e dificulta a visão.
Para o engenheiro de minas, é uma camada de detritos a cobrir as rochas e
minerais que ele busca, é um transtorno a ser removido.
Para o engenheiro construtor, é o material sobre o qual tem que erguer o seu
edifício, mais firme ou menos firme, exigindo menores ou maiores cuidados no
estaqueamento.
Para o nosso objetivo “Solo” é a junção desses elementos e podem nos ajudar a
compreender sua conceituação, como:
. Camada de material não consolidado (solto), assentado sobre a rocha.
. Esse material é constituído de minerais e matéria orgânica (m.o).
. Nos espaços deixados pelas partículas de minerais e matéria orgânica, chamados
poros, ficam a água e o ar.
. A parte mineral é formada de argila, limo, areias, seixos e pedras.
. Pode ter sido originado de rocha sobre a qual se assenta ou então ter outra origem
(ter vindo de outros lugares).
. A matéria orgânica é formada por organismos vivos ou morta e seu restos ou
dejeções.
. Esse material está, geralmente, distribuído em camadas constituindo os perfis.
. Apresenta extremas variações no que concerne a:

-Profundidade
-Cor
-Composição
-Textura
-Estrutura, etc.

. É a região ou o material ou o ambiente que a planta explora ou usa para germinar,


crescer, produzir frutos, multiplicar e perpetuar-se.

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I. FORMAÇÃO E PERFÍL DO SOLO.

II. 1. FATORES E FORMAÇÃO DO SOLO


.

Solo é a superfície inconsolidade que recobre as rochas e mantém a vida animal e


vegetal da Terra. É constituído de camadas que diferem pela natureza física, química,
mineralógica e biológica, que se desenvolvem com o tempo sob a influência do clima e da
própria atividade biológica. Essas camadas, resultantes de um conjunto de fenômenos, são

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objetos de estudo das ciências denominadas de Edafologia, Agrogeologia, Pedologia ou
Ciência do Solo.
Na formação da matéria prima do solo, os materiais que tiveram o seu
enfraquecimento inicial pelos agentes físicos do entemperismo, sofrem transformações
químicas relativamente profundas. Entretanto, o começo real da gênese do solo só se dá
quando for possível o acúmulo de matéria orgânica, tanto dentro como sobre a capa
superficial. Dizem Lyon e Buckman: “Não pode formar-se um verdadeiro solo sem a
presença e destruição de matéria orgânica. A simples alteração física e química das rochas
não deve confundir-se com a formação do solo, de modo então, que os processos
pedogenéticos são de natureza direta e indiretamente biológica”. É, pois quando aos
elementos grosseiros, acumulados pela ação dos fatores intempéricos, se juntam elementos
coloidais, favorecendo assim a instalação dos organismos vivos, que se dá a formação do
verdadeiro solo. Ele é, portanto a resultante do trabalho que ao dispersar os produtos de
destruição das rochas, formam, o que no conceito de Wiegner é o “sistema coloidal
heterogêneo”. O solo juntamente com a atmosfera e a água constitui a base fundamental em
que se apóia a produção das plantas cultivadas ou da vegetação espontânea, se bem que
algumas podem desenvolver-se em soluções nutritivas.

O aparecimento dos primeiros microorganismos se deve, em parte, a movimentação


da água através do material mineral, favorecendo assim a continuação dos processos de
intemperização. A umidade do solo, bem como o conteúdo coloidal mantém a atividade
microbiana, pois é principalmente na fina película coloidal que envolve as partículas do
solo que vive os microorganismos. Dela retiram seus alimentos e aí depositam seus
detritos. É nesta fase que os processos primários são em parte substituídos pelos complexos
processos bioquímicos e biocolóides, reduzindo assim a ação destrutiva do intemperismo e
iniciando a formação do verdadeiro solo.

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A formação do solo segue um verdadeiro ciclo no qual o sistema solo aparece como
um dos estados de aparente equilíbrio. Este ciclo evolutivo é constituído por fases distintas,
no qual a primeira corresponde a formação da matéria bruta – a massa do solo – e a
segunda, a conversão deste material no verdadeiro solo. Na primeira fase temos os
processos de intemperização: desintegração, decomposição e recomposição das rochas e
minerais, onde há liberação de energia, muitas das quais exotérmicas; e na segunda, com o
aparecimento da vida, a pedogênese, ou a formação do solo.
Do exposto, deduzimos ser o aparecimento dos microorganismos o ponto de partida
para que o material, até então inerte, adquira propriedades fortemente dinâmicas,
representadas por um conjunto de reações que constituem um processo natural evolutivo.
Dependendo do material, temos a formação de duas frações coloidais: uma de origem
mineral e outra orgânica, constituindo um conjunto complexo, no qual as fases líquidas,
sólidas e gasosas reagem entre si, mantendo-se em equilíbrio com o meio ambiente.
A fase sólida é representada por duas frações, uma mineral e outra orgânica. A
mineral – partículas de dimensões variadas – constitui o resultado da decomposição das
rochas e minerais pelos agentes intempéricos; e a orgânica, formada por detritos de origem
animal e vegetal decomposto, em vários estágios de decomposição ou mesmo pelos
próprios organismos vivos.
A fase líquida é formada pela água do solo que se movimenta ou pára entre as
partículas sólidas.
Finalmente a fase gasosa, que como a água, ocupa os poros, ou seja, os espaços
entre as partículas sólidas.

II. 2. GÊNESE DO SOLO.

O solo nada mais é do que a resultante da ação conjunta dos agentes intempérico
sobre restos minerais depositados e enriquecidos de detritos orgânicos. É, portanto, um
processo natural de acumulação e evolução dos sedimentos minerais, aos quais se vão
juntando lenta e progressivamente restos e produtos orgânicos, pois a sua formação tem
início no momento em que as rochas entram em contato com o meio ambiente e começam a
sofrer transformações. Com uma intensidade que é função do meio, a rocha e seus minerais
são submetidos à ação dos agentes do meio, a rocha e seus minerais são submetidos á ação
dos agentes do intemperismo, tocha esta às vezes inicialmente compacta que se transforma
lentamente em fragmentos cada vez menores, os quais vão se acumular nas encostas,
baixadas ou mesmo sobre o próprio material de origem. É sobre este material geológico
alterado, denominado de material parental, que se desenvolve o verdadeiro solo, resultante
da ação das forças pedogenéticas.
Na formação do solo, a sua matéria prima tem origem da transformação de ordem
física e química operada nas rochas da litosfera. Os materiais primitivos sofrem
inicialmente, processos de hidratação e hidrólise, originando produtos secundários e
conforme o processo evolui, há desaparecimento de quase todos os minerais primários,
ficando somente em substituição, sesquióxidos e silicatos mais ou menos hidratados de
formação secundária, os quais, se recristalizados, originam argilas fortemente coloidais.

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Não sabemos até que ponto prossegue os processos geológicos de destruição,
transporte e deposição dos materiais alterados pelo intemperismo, pois os mesmos
continuam através dos processos pedogenéticos, criando condições ao desenvolvimento da
vida orgânica.
Um solo verdadeiro não pode se formar sem que haja no material, a presença e
decomposição da matéria orgânica. A simples alteração física e química da rocha não deve
confundir-se com solo, o que deixa claro, serem todos os processos de sua formação, de
natureza direta ou indiretamente biológica. Ele é então um corpo natural, com
características próprias e marcantes, diferentes do material de origem. É como diz Vieira
citando Lyon e Buckman “a parte superior da litosfera alterada e biologicamente
modelada”.
O seu aparecimento começa, na realidade, quando aos detritos mecânicos
acumulados se juntam substâncias coloidais, favorecendo assim a instalação e fixação dos
organismos vivos. É necessário o aparecimento da matéria orgânica, proveniente da vida
animal e vegetal da superfície terrestre, para que a massa mineral passe a funcionar como
solo. Sem isto, qualquer rocha finalmente pulverizada poderia ser tida como solo, mas na
realidade ai as plantas não se desenvolvem normalmente.
Não há, como conseguinte, uma nítida separação entre a geologia e a pedologia,
pois os processos genéticos caminham sem solução de continuidade através dos processos
pedogenéticos, daí se considerar a formação do solo em duas fases: a gênese pertencente a
geologia, que estuda a destruição das rochas, transporte e a deposição dos materiais
alterados; e a pedogênese, da alçada da ciência do solo ou pedologia, que engloba os
conhecimentos referentes aos fatores e as reações que contribuem para a transformação da
matéria mineral, resultante dos processos genéticos, em solo e sua posterior evolução.

As características que diferem a massa mineral do verdadeiro solo são adquiridas


lentamente à medida que os processos evoluem e as propriedades altamente dinâmicas do
solo se fazem sentir gradativamente após lento e persistente trabalho da natureza.
A água, pela movimentação através à massa mineral, mantém a continuidade dos
processos intempéricos e favorece o aparecimento dos microorganismos, o marco inicial de
formação do solo.

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II. 3. AGENTES FORMADORES DO SOLO.

Para Vieira a gênese do solo em última análise é uma conseqüência da ação da


biosfera sobre os produtos da intemperização. Na evolução do processo que envolve a
formação do sistema solo, outros fatores além da biosfera ai estão presentes e tem
contribuído para a formação do solo.
Dizia Dokuchaev que o solo aparece como conseqüência da ação combinada e
influência recíproca do material parental, dos vegetais e animais, do clima, da idade e da
topografia. Estes fatores foram chamados por ele de agentes formadores do solo. Assim:

Solo = f (clima, biosfera, Rocha matriz, relevo e tempo).

O que significa ser a formação do solo resultante da ação combinada desses fatores,
os quais podem agir intensa e concomitantemente.

Modernamente é admitido ser o solo um produto da ação conjugada do clima e da


biosfera, sobre a rocha matriz, de acordo com o relevo em determinado tempo. É admitido
que no processo de formação do solo, os fatores envolvidos são aqueles tidos como fontes
de energia e reagentes, enquanto os agentes passivos são representados pelos constituintes
que servem como fonte de material e por alguma condição ambiental lhes diz respeito. São
aqueles que oferecem resistência ou abrasam os desenvolvimentos normais da ação do
clima e da biosfera. Os agentes ativos são: o clima e a biosfera; e os agentes passivos: a
rocha matriz e o relevo.
A intensidade dos agentes formadores do solo sobre o material primitivo se faz com
maior ou menor intensidade em um curto ou longo espaço de tempo, característica esta que
é função de cada fator. Assim nos solos jovens ou imaturos, o tempo não foi suficiente para
que o perfil tenha atingido a sua maturidade genética. Já para os solos maduros esta
condição foi alcançada devido a ação dos fatores de formação terem se feito sentir por um
longo período de ação. É necessário também considerar a intensidade destes agentes
formadores, bem como conhecer o tempo e o histórico de sua atuação.

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II. 4. NOMENCLATURA DOS HORIZONTES.

Chama-se perfil do solo a secção vertical que, partindo da superfície aprofunda-se


até onde chega à ação do intemperismo, mostrando, na maioria das vezes, uma série de
camadas dispostas horizontalmente denominadas horizontes. O termo camada, não é
empregado aqui no sentido geológico, isto é, cuja formação se deva à sedimentação, mas,
como conseqüência da intensidade da vida do solo, da desintegração, assim como de
transformações físicas e químicas nele operadas. Por conseguinte o perfil representa o
resultado da influência dos vários fatores que concorrem para a formação do solo,
refletindo assim o histórico de sua evolução. Assim, os horizontes são zonas do solo,
aproximadamente paralelas, que possuem propriedades resultantes dos efeitos combinados
dos processos genéticos.
As características que podem ser levadas em conta para diferenciação dos
horizontes dependem do estado de conhecimento do momento, sendo usados critérios como
a textura, cor, consistência, estrutura, atividade biológica, tipo de superfície dos agregados,
etc. Em casos especiais podem ser utilizadas também características não visíveis como as
obtidas por análise físicas, químicas e mineralógicas.
A designação dos horizontes está baseada no grau de desvio ou de diferenciação
com relação ao material parental, com base a posição que ocupa no perfil e ao processo que
originou suas principais características.
O perfil no qual a Ciência do Solo se baseia é formado de vários horizontes
desenvolvidos como conseqüência da movimentação de substâncias, cuja intensidade é
variável com as condições onde se forma o próprio solo.
A natureza e o número de horizontes variam grandemente nas diferentes unidades
de solo. Por isso, com a finalidade de apresentar todos os horizontes que possam ocorrer
em um perfil, adotaremos o perfil hipotético à semelhança da planta hipotética usada pelos
botânicos para demonstrar formas possíveis. Esse perfil, na realidade, pode não existir na
natureza, mas terá a finalidade de servir para demonstrar quase todos os horizontes que
podem ocorrer em um corte vertical que vai da superfície à rocha inalterada. Os solos
encontrados geralmente não possuem todos esses horizontes bem caracterizados,
entretanto, pelo menos possuem parte deles.
Na caracterização morfológica de um perfil é usada nomenclatura especial, na qual
as letras maiúsculas servem para caracterizar os horizontes típicos e as mesmas letras com
índices numéricos para as subdivisões de cada um. Assim, as letras A, B e C representam
os principais horizontes do solo. Enquanto que os horizontes A e B caracterizam o
verdadeiro solo (SOLUM), o horizonte C refere-se ao material originário alterado pela ação
do intemperismo e finalmente a letra R, que segue abaixo, correspondente à rocha
inalterada.

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FIGURA – PERFÍL HIPOTÉTICO DO SOLO.

O – Horizonte orgânico dos solos minerais. Encontra-se, segundo o Soll Survey


Manual:

1) Formação ou em formação na parte superior dos solos minerais;


2) Dominado por matéria orgânica fresca ou parcialmente decomposta; e.
3) Contendo mais que 30% de matéria orgânica quando a fração mineral possui
mais de 50% de argila ou mais de 20% de matéria orgânica quando a fração mineral não for
argilosa.

. O horizonte O pode estar dividido em:

O1 – horizonte constituído de folhas soltas e resíduos orgânicos diversos não


alterados, chamadas de liteira, serapilheira ou L.
O2 – horizontes formados por restos orgânicos em decomposição ou já totalmente
decompostos, podendo encontrar-se dividido em duas camadas. A superior, onde o resíduo
encontra-se em decomposição, denomina-se de camada de fermentação ou F (forna) e a
seguinte de camada de humificação ou simplesmente H.
Horizontes minerais – Os horizontes minerais contêm menos de 30% de matéria
orgânica quando a matéria mineral apresentar mais de 50% de argila ou menos de 29% de
matéria orgânica se a fração mineral não possuir argila. Conteúdos intermediários de argila
requerem quantidades proporcionais de matéria orgânica.

Horizonte A – O horizonte A é um horizonte mineral que consiste de:


a) Acumulação de matéria orgânica em ou adjacente à superfície;
b) Que tenha perdido argila, ferro ou alumínio, dando como resultado
concentrações de quartzo e outros minerais resistentes. É um horizonte do solo da máxima

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atividade biológica e que está mais sujeito às variações de temperatura e umidade. Está
dividido em:
A1 – Horizonte com alto teor de matéria orgânica profusamente misturada com
matéria mineral, usualmente de coloração escura. Esta é a primeira divisão do verdadeiro
solo, enquanto que os anteriores são somente camadas de acumulação de restos orgânicos.
É o horizonte do solo de máxima atividade biológica e que está mais sujeito às variações de
temperatura e umidade.
A2 – Horizonte geralmente de coloração mais clara que o A1 em virtude da
diminuição do conteúdo de matéria orgânica com a profundidade e perda de argilas
minerais, de ferro e de alumínio.
A3 – Horizonte de transição entre o A e o B, com características mais próximas do
A.
A/B – Horizonte transicional entre o A e o B que tem sua parte superior dominada
por propriedades do B, e onde as duas partes não podem ser separadas convenientemente
em A1 e B1. Estes horizontes combinados são geralmente pouco espessos.
A e B – Horizonte que deveria ser classificada como A2, mas que não o é por
incluir partes, com menos de 50% do volume que seria classificado como B.
AC – Horizonte transicional entre o A e o C e que possui propriedades subordinadas
tanto ao A como ao C, mas que não está dominado nem por uma nem por outra.

Horizonte B – (Este horizonte está caracterizado por a) apresentar concentração


iluvial de argila, sesquióxido de ferro e alumínio ou de húmus, só, ou combinados; b) por
uma concentração residual de sesquióxidos e/ou de argila que foram formados por outros
meios que não por soluções e remoções de carbonatos ou sais mais solúveis; c) por
revestimentos de sesquióxidos proporcionando cores mais visíveis que os horizontes supra
e subjacentes em alguns sequuns, porém sem aparente iluviação de ferro; d) por um
desenvolvimento estrutural diferente do A e C.
É evidente que o horizonte B assim definido abranja os horizontes diagnóssticos
argilico, nátrico, agrico e espódico. Inclui também os horizontes óxico, câmbico e vários
tipos de pans (surraipas).
O horizonte B caracterizado, portanto pelo acúmulo de argila, ferro ou alumínio,
com algo de matéria, orgânica, é denominado de horizonte de acúmulo.
O horizonte B acha-se dividido em:
B1 – Horizonte transicional entre o A e o B, onde as características dominantes são
as do horizonte B.
B2 – Horizonte de máxima acumulação de argilas silicatadas minerais ou de ferro e
matéria orgânica que migram das camadas superiores.
B3 – Horizonte intermediário entre o B e o C.
B e A – Qualquer horizonte que seja classificado como B em mais de 50% de seu
volume e que inclua parte classificada como A2.

Horizonte C – É a camada de material inconsolidado com pouca influência de


organismos e presume-se seja de composição química, física e mineralógica similar às do
material superior onde se desenvolveu o solo. Chama-se material parental.

Rocha R – Representa a rocha inalterada, que pode ser ou não a rocha matriz do
solo acima desenvolvido.

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Observem a foto que mostra o perfil do SOLO, demonstrando os seus horizontes.

II. 5. FORMAÇÃO DO PERFÍL DO SOLO.

Os solos são corpos naturais resultantes da decomposição e recomposição de


partículas minerais e de substâncias orgânicas. Esta decomposição se dá paralelamente, isto
é, enquanto os organismos agem de modo intenso na destruição dos restos vegetais e
animais, as forças do intemperismo provocam, muito embora com menor velocidade, a
decomposição das partículas minerais e a formação de novos compostos.
A primeira fase do processo de formação do solo é decorrente da ação congregada
do intemperismo sobre a superfície da rocha e mineral da crosta terrestre. Com a
continuidade dos processos intempéricos, a rocha viva vai sendo pouco a pouco
modificada, perdendo a sua capacidade primitiva, originando zonas de decomposição, cuja
espessura variável aumenta lenta e progressivamente. Enquanto os agentes naturais
estendem seus efeitos a profundidades sempre crescentes, uma parte da zona decomposta
que se encontra mais sujeita aos efeitos do meio ambiente é transportada e depositada mais
adiante. É dessa maneira que se origina por influência dos agentes físicos e químicos do
intemperismo uma verdadeira crosta de intemperização, que fica no local ou é transportada
e que é o ponto de partida para o desenvolvimento do solo.
As rochas podem sofrer desintegração, sem haver modificação de sua constituição
química. A rocha consolidada rompe-se em pequenos fragmentos por efeito de diversos
fatores, como a ação da diferença diuturna de temperatura, do diferente coeficiente de
expansão, da ação das raízes das plantas quando tentam expandir-se em espaços diminutos,
etc., fragmentos estes que estão sujeitos aos efeitos do transporte. Além do mais, a rocha
pode perder também grãos minerais ao ser dissolvido, pela água, o cimento que os mantém

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unidos. Por conseguinte, a decomposição química das partículas minerais se faz como
conseqüência da ação dissolvente da água e por intermédio de reações entre as substâncias
nelas dissolvidas e em suspensão, como por exemplo, o anidrido carbônico, o oxigênio,
álcalis e ácidos orgânicos. Algumas dessas reações chegam a processar-se a profundidade
de 10m ou mais, o que vem demonstrar a sua importância na formação da crosta de
intemperização e, por conseguinte nos processos de formação do solo.
Antes do aparecimento da vida orgânica sobre a terra, as rochas e minerais já eram
submetidos a esses processos destrutivos. Não havendo manto vegetal, encontrando-se, por
conseguinte, desprotegida a superfície do Globo, os processos erosivos transportavam
constantemente as partículas intemperizadas, trazendo como conseqüência uma penetração
progressiva dos agentes naturais na crosta em erosão. Após a formação dessa matéria prima
de origem mineral, as transformações locais, sejam decorrentes da decomposição “in situ”
da rocha matriz ou de depósitos de materiais erodidos e transportados, constituem
fenômenos que recebe a designação geral de PEDOGÊNESE, a qual subentende o
desenvolvimento do perfil com suas camadas mais ou menos distintas, denominadas de
horizontes.
No período de formação e evolução do solo, esta zona de intemperização,
denominada de REGOLITO, já possui condições para a subsistência de certas espécies
animais e vegetais, capazes de subsistirem à natureza inóspita do solo ainda em fase inicial
do seu desenvolvimento. É aí que começa o efeito decisivo dos seres vivos na sua
formação, muito embora de início, compreendam as simples ações de uma microfauna e
microflora reduzida. O aparecimento desses elementos rudimentares da biosfera constitui o
marco de partida para a criação do solo, não só contribuindo para ativar as ações físicas e
químicas da intemperização dos minerais, mas, particularmente para confirmar a lei natural
que a cada ação – processo destrutivo das rochas – corresponde uma ação – a formação do
solo. Os primeiros organismos a aparecerem são os liquens, que podem viver sobre a rocha
viva, a seguir aparecem os fungos, algas e bactérias. Nessa oportunidade a movimentação
da água e do ar através do perfil, mantém a continuidade dos processos intempéricos,
concorrendo para a desintegração progressiva da rocha primitiva e formação de suas argilas
minerais – a fração ativa do solo. Com o passar dos tempos, as ações conjugadas dos
fatores formativos do solo, intensificam os processos biológicos criando pouco a pouco
condições favoráveis ao aparecimento das plantas herbáceas, matas de raízes
dominantemente superficiais, às quais associam-se posteriormente vegetais de exigências
maiores, até o aparecimento de bosques e florestas. Como conseqüência da sucessão de
tipos vegetais sobre a matéria mineral, há aparecimento de restos orgânicos que pela
decomposição originam produtos residuais, bem como produtos intermediários, que irão
tornar a matéria coloidal orgânica do solo – HUMUS.
Na parte mais superficial da litosfera, seja ela formada pelo transporte de partículas
oriundas da circunvizinhança ou da bacia hidrográfica ou pela intemperização “in situ” da
rocha subjacente, tem lugar fenômenos de migração de partículas e de compostos químicos
que irão se depositar mais abaixo na chamada zona de acúmulo.Não havendo erosão capaz
de retardar ou impedir esses fenômenos naturais, a evolução da zona de intemperização
continua normalmente, culminando com a formação do perfil modal.

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II. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS.

III. 1. COMPOSIÇÃO VOLUMÉTRICA

O solo é formado por:

A - Uma parte cheia 50%


. Matéria mineral
. Matéria orgânica

B – Uma parte vazia – poros 50%


. Poros pequenos ou microporos
. Poros grandes ou macroporos

A parte cheia, formada pela matéria orgânica e matéria mineral, ocupa mais ou
menos 50% do volume do solo. Por entre as partículas minerais (pedras, seixos, areias,
limo e argila) e a matéria orgânica ficam vazios; são os poros que ocupam
aproximadamente 50% do volume.
Pode-se dizer, apenas para efeito de orientação, que a parte mineral do solo ocupa
mais ou menos 45% do volume, a matéria orgânica 5%, a água 25% e o ar 25%. A parte
mineral tem sua origem nas rochas e é formada por partículas de vários tamanhos. A argila
é a menor delas (tem menos de 0,002 milímetros de diâmetro); além de ser a menor é
também a mais ativa. As outras partículas minerais são praticamente inertes, isto é, não tem
capacidade de fornecer, embora tenham os nutrientes às plantas. É dessas partículas, as
argilas, que a planta retira, através da solução do solo, o fósforo, potássio, cálcio, enxofre,
manganês, magnésio, zinco, ferro, boro, molibdênio, cobre e cloro. O nitrogênio 13º
nutriente, é orgânico, não é constituinte das argilas.

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A matéria orgânica, formada por resíduos vegetais e animais, às vezes já
decompostos e incorporados; são ramos, frutos, folhas, flores; são animais, de vários
tamanhos e formas, mortos e às vezes já apodrecidos e incorporados.
Normalmente a quantidade de matéria orgânica diminui à medida que se aprofunda
no solo; o subsolo quase não tem matéria orgânica e ela, praticamente, inexiste no material
original ou na rocha bruta.
O enriquecimento do solo em matéria orgânica se dá de cima para baixo. A
quantidade de matéria orgânica é variável; nas turfeiras chega a 70% ou mais; nos solos de
mata a 6 ou 7%; nos terrenos muito cultivados baixa a 2 ou 3%.
A matéria orgânica torna o solo poroso, fofo, solto, escuro, fresco, cheiroso; ela
retém a umidade, forma galerias e enriquece o solo em nutrientes, muito especialmente o
nitrogênio.
A matéria orgânica dá vitalidade aos solos.
Os poros – 50% do volume do solo – estão cheios de água e de ar, formando a
atmosfera e a água ou solução do solo.
Mais ou menos 25% dos poros é ocupado pelo ar e 25% pela água. Nos solos de
baixada, de brejo, ou depois das chuvas (quando o solo está bem molhado) a água preenche
grande parte dos poros. Nos solos de encosta, nos períodos de seca, quando os solos têm
pouca água os poros estão quase todos ocupados pelo ar.

Esse é o mecanismo: quando a água entra, expulsa o ar; quando sai, cede lugar ao
ar.
A água do solo ou solução do solo é mais rica em sais; ela se encontra em
permanente movimento. Por ocasião de uma chuva ela caminha descendente (para baixo) e
lateralmente. Quando para de chover, além dos movimentos para baixo e laterais, ela se
movimenta ascendentemente (evaporação e transpiração).
A água é um constituinte essencial de todas as células; entra nas suas composições
em quantidades variáveis; na semente do amendoim com 3%, e na melancia, pepino,
chuchu, alface com mais de 90% ou 95%.
Ela existe sempre em maiores quantidades nos órgãos jovens e também nas plantas
novas.
A água é absorvida pelas raízes e expelida pela transpiração através das folhas; é
também evaporada diretamente do solo. A planta precisa retirar grandes quantidades de

16
água do solo para “fazer” os seus tecidos; normalmente as plantas precisam retirar do solo
de 300 a 1.000 litros de água (solução do solo) para cada quilo de matéria seca que forma
(algumas hortaliças precisam 2.500 litros ou mais para formar um quilo de matéria seca);
um cafeeiro pode retirar do solo e posteriormente lançar (transpirar) para a atmosfera 15 ou
20 litros de água por dia, nas regiões quentes de São Paulo – (dias quentes solos úmidos,
etc.).
A planta retira a água, onde estão dissolvidos os nutrientes, fixa-os, e expele-a na
transpiração, pelos estômatos foliares.
Há, no solo, um limite ideal de água para as plantas. Água em demasia pode ser tão
prejudicial quanto a sua falta. A planta precisa de água, mas precisa também de ar. Num
solo alagado, em que os poros estão tomados pela água, a planta morre asfixiada (afogada);
as raízes apodrecem e a planta morre.

Existem no solo três tipos de água:

- Água higroscópica
- Água capilar
- Água gravitacional

A água higroscópica encontra-se fortemente presa às partículas do solo; sua


quantidade é pequena e não é aproveitada pela planta (a planta não consegue retira-la).
Grande parte dela encontra-se sob a forma de vapor d’água. A água capilar é a aproveitada
pelas plantas; distribui-se pelos poros (onde se encontra solta ou levemente presa às
partículas do solo).

17
A água gravitacional, ou, ainda, água supérflua, existe, principalmente, depois das
chuvas saturando o solo e se perde por gravidade.

Imaginemos um vaso com terra, colocado por muitas horas no sol. Nessa terra só
tem (praticamente), água higroscópica. Se colocarmos água em excesso (além daquela que
a terra pode reter) ela sairá por baixo. É o excesso, a água de gravidade ou supérflua.
Depois de alguns minutos, toda a água de gravidade terá saído, ficando o solo úmido. Aí
estarão a água higroscópica (que já se encontrava na terra) e mais a água capilar.
A água aproveitada pela planta é a água capilar. Quando ela existe em quantidades
muito pequenas ou inexiste, a planta murcha.

O ar do solo é importante tanto para a respiração das plantas como para


microorganismos aí existentes.
Quando se analisa a aeração ou arejamento, é preciso considerar:
_ quantidade de ar
_ possibilidade de renovação ou troca (permuta) com a atmosfera exterior.

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A quantidade de ar está na dependência da porosidade e quantidade de água; a
possibilidade de renovação depende da textura, da estrutura e do grau de compactação. A
renovação do ar do solo evita uma concentração exagerada de carbono (que é prejudicial) e
permite manter um nível ideal de oxigênio.
O ar do solo apresenta algumas diferenças do ar da atmosfera exterior.
Normalmente, tem:

_ maior quantidade de carbono


_ menor porcentagem de oxigênio
_ maior porcentagem de umidade.

III. 2. TEXTURA

A parte mineral do solo é constituída por partículas de várias formas e tamanhos.


São as pedras, os cascalhos, os seixos, areias, limo e argila. São originárias de rochas e
estão passando por processos de desintegração, tornando-se cada vez menores. Estas
partículas, para efeito de estudos, podem ser separadas em grupos, de acordo com o seu
tamanho; são as frações do solo. O estudo das frações do solo constitui a granulometria.

Existem várias classificações para as partículas; talvez a mais usada seja a de


Atterberg, descrita a seguir:

LOTES DIÂMETRO DAS PARTÌCULAS em Milímetros

Cascalho >2

Areia 2 -0,2
grossa

Areia 0,2 - 0,02


fina

Limo 0,02 - 0,002

Argila < 0,002

19
OBS:
De acordo com a textura um solo pode ser definido de acordo com o percentual de
partícula variável, denominada de classes:

- Solo argiloso, quando tem mais de 40% de argila;


- Solo limoso, quando tem mais de Solo 45% de limo;
- Solo arenoso, quando tem mais de 50% de areia.

A textura do solo corresponde à


proporção existente no solo de partículas
minerais de diferentes tamanhos, com
dimensões inferiores a 2 mm (terra fina):
areia (entre 2 e 0.02 mm), limo (entre 0.02 e
0.002 mm) e argila (menor que 0.002 mm). De
acordo com essa proporção, o solo pode ser
classificado em diferentes classes.

Além dessas três classes principais, existem o que se chama de classes secundárias,
como: muito argiloso, areno-argiloso, limo-argiloso, areno-barrento, etc.
Os solos arenosos são também denominados solos leves e os argilosos solos
pesados (os termos leves e pesado não se referem ao peso do solo, mas, à facilidade com
que são trabalhados).
Os solos arenosos são permeáveis e soltos; mais sujeitos ao arrastamento pelo vento
e pela água; mais facilmente levados pelas águas de infiltração; queima maior quantidade
de matéria orgânica (devido a uma maior aeração); normalmente não se encharcam; podem
ser desde altamente férteis a extremamente pobres.
Os poros são grandes (são pouco porosos, mas muito permeáveis), favorecendo o
movimento do ar e da água. Exige cuidados especiais, sobretudo no manejo da matéria
orgânica (muito importante para estes solos) e no controle a erosão. Devem-se evitar as
queimadas e os excessos de lavras (arações e gradagens); evitar cultivar as glebas muito
caídas; fazer as rotações de culturas.
Os solos argilosos são pesados, liguentos, agarram-se aos implementos agrícolas,
encharcam-se facilmente e quando secam ficam duros e racham muito. As maiorias dos
seus poros são pequenas (microporos) e por isso são muito porosos (50% ou mais), pouco
permeáveis, mal drenados, pouco arejados, empedram muito.
Os solos argilosos são mais frios (porque retêm mais umidade); neles as raízes
desenvolvem-se menos e irregularmente.
Os solos limosos ou barrentos apresentam condições médias entre os argilosos e os
arenosos.
A textura é uma característica do solo que não pode ser alterada (um solo arenoso
será arenoso, não poderá ser transformado em solo argiloso); ela depende, em grande parte
da rocha original e dos processos de formação do solo.
A textura está diretamente vinculada a uma série de outras características do solo,
principalmente à permeabilidade, coesão, porosidade e estrutura, e é de grande importância

20
no estudo do manejo dos solos. A cada dia que passa ganha maior destaque no estudo dos
solos. É, sobretudo na superfície das partículas minerais mais finas (argilas principalmente)
que se processam o fenômeno fundamental da nutrição vegetal.

III. 3. ESTRUTURA.

É o arranjo das partículas minerais no perfil do solo; é à disposição das partículas


em agregados. A estrutura proporcionará um bom arejamento e fácil movimento da água,
com reflexos positivos na vida vegetal.
Um solo de mata, com perfil virgem ou natural apresenta uma estrutura original,
não alterada. À medida que se cultiva (ara, gradeia, planta) a estrutura é alterada ou
destruída.
A estrutura está diretamente ligada à textura e à quantidade de matéria orgânica; a
matéria orgânica “granula” as partículas minerais.
Um perfil, normalmente, apresenta agregados de diversas formas, principalmente
em horizontes diferentes.
Os agregados podem ser distribuídos em quatro tipos principais, conforme a sua
forma:

a) Laminar, quando tem a forma achatada, formando folhas, lâminas ou placas.


É também chamada de lamelar ou estrutura em placa. As lâminas são mais largas que altas.
b) Prismática ou colunar, quando os agregados formam colunas, mais altas que
largas.
c) Em forma de blocos, formando cubos, em que a largura e a altura são mais
ou menos iguais.
d) Granular ou grumos, quando os agregados tomam formas mais ou menos
arredondadas.

A estrutura não é como a textura, uma característica imutável; ela pode ser alterada, e
deve ser, quando, não sendo boa, cria dificuldades para o desenvolvimento das plantas.
Quando um solo está muito solto, pulverizado, desagregado (solos arenosos), deve-se
aplicar matéria orgânica. Ela aglutinará (agrupará) as partículas. Quando a estrutura estiver
excessivamente adensada e compactada, comum nos solos muito argilosos, deve-se usar
uma série de artifícios, dos quais podemos citar:

- Drenagem e irrigação alternadas, forçando contrações e expansões


sucessivas que provocam trincas, rachaduras e desagregações;
- Desagregação mecânica;
. Na superfície, através de arações, gradagens, escarificações, etc.;
. No subsolo, pelas arações profundas ou pela subsolagem.
- Calagem, para que o cálcio incorporado ao solo, em quantidades
adequadas provoque a granulação da argila (a matéria orgânica também faz isso);
- Rotação de culturas, usando plantas que tenham sistemas radiculares
diferentes, em profundidade e tipo.

21
O movimento freqüente de máquinas e implementos muito pesado tende a tornar o
solo muito compacto; as arações feitas sempre a uma mesma profundidade podem dar
origem ao que se chama “piso de arado”, região ou camada do solo endurecida e
impermeável que dificulta o movimento do ar e da água e o desenvolvimento das raízes.

OBS: Quadro demonstrando a relação entre Textura e Estrutura, ou seja, Tipo de Solo
e Características e os métodos para o melhoramento.

Tipos de solos mais comuns e tratamentos

Tipo de solo Caracteísticas Métodos de melhoramento


Arenoso · Estrutura pobre · Juntar regularmente matérias
· Fertilidade pobre orgânicas e fertilizantes
· Não retém a água · Utilizar adubo verde
· Juntar solo das térmitas
· Praticar o mínimo de lavoura
Limoso · Estrutura pobre · Juntar matéria orgânica
(Lamacento) grosseiras
Argiloso · Endurece secando · Juntar matérias orgânicas,
composto e gesso*
· Retém demasiada água
Subsolo · A camada de subsolo é · Cultivar plantas com raízes
ácido tóxica para algumas plantas pouco profundas (legumes)
· Aplicar calcário em pó (depois dos
resultados da análise do solo) e
estrume
Areno- · Mistura de areia, · Manter a fertilidade do solo,
limoso sedimento e argila. aplicando periodicamente fertilizante
e composto.

III. 4. – POROSIDADE.

A porosidade refere-se à quantidade de poros; não deve ser confundida com


permeabilidade.
No solo, o espaço poroso é a porção ocupada pelo ar e pela água.
A porosidade é função do tamanho e do arranjo das partículas no corpo do solo.
Os solos em que predominam as partículas pequenas, argilas, são sempre mais
porosos que aqueles em que predominam as partículas grandes, as areias.
Os solos que tem sua partículas minerais distribuídas em agregados, normalmente são
mais porosos que aqueles que as tem soltas (desagregadas).
Um solo tem sua porosidade aumentada à medida que aumenta o seu teor de matéria
orgânica; ela tem a propriedade de juntar as partículas formando aglomerados ou
agregados.
Os solos arenosos de superfície têm uma porosidade que varia de 35 a 50%, enquanto
que nos solos argilosos ela varia de 40 a 60%. À medida que se aprofunda, que a

22
quantidade de matéria orgânica diminui, que os horizontes se tornam mais adensados, a
porosidade diminui.
Podem-se distinguir, no solo, dois tipos de poros: os macroporos e os microporos. Os
macroporos são os poros grandes e os microporos os poros pequenos.
Nos poros grandes, a água e o ar movimentam-se mais facilmente. Num solo, há
predominância de água nos microporos e de ar nos macroporos.
Os solos que tem grande quantidade de macroporos, como os arenosos, são pouco
porosos e muito permeáveis; dificilmente se encharcam, e, secam com rapidez; são bastante
arejados e laváveis muito sujeitos à erosão, facilmente trabalháveis ( aração, gradeação,
etc.).
Os solos que tem grande quantidade de microporos, como os argilosos, são muito
porosos, mas pouco permeáveis; encharca-se com facilidade; são mais úmidos e frios;
demoram mais para secar e quando secam, racham-se muito e ficam duros e empedrados;
são mais difíceis de serem trabalhados (agarra-se aos implementos); são mais resistentes à
erosão.

III. 5. – PERMEABILIDADE.

É a maior ou menor capacidade que um solo apresenta em deixar passar água e ar.

A permeabilidade está diretamente ligada à textura e estrutura. Nos solos arenosos,


em que predominam as partículas de areia, com grande quantidade de poros grandes, a
permeabilidade é grande, ou seja, é rápida, ao passo que ela é pequena ou lenta nos solos
argilosos e compactos. A permeabilidade é uma característica muito importante; basta
lembrar o fato de que é preciso que haja uma troca constante e rápida entre o ar do solo e o
ar da atmosfera exterior.
No seio do solo, as raízes e outros organismos respiram abundantemente, retirando o
oxigênio e desprendendo o carbono; esse ar vai se tornando “viciado” ou venenoso, por ser
rico em gás carbônico, até um ponto em que a vida se torna impossível e cessa. Para que
isso não aconteça é preciso que haja troca, que haja facilidade no movimento do ar, saindo
o ar carregado de carbono e entrando o ar rico em oxigênio. O mesmo acontece com a

23
água, que deve encontrar condições de livre movimentação, penetrando com facilidade e
deslocando-se em todas as direções conforme as necessidades.
É verdade, também, que os solos permeáveis são mais laváveis (a água carreia para
longe das raízes os nutrientes) e neles a matéria orgânica é queimada mais rapidamente.
A permeabilidade, normalmente, não é a mesma em todos os horizontes do solo; ela,
geralmente, é menor no subsolo; por isso, é comum encontrar-se solos em que a
permeabilidade e rápida no solo (horizonte A) e moderado ou lento no subsolo (horizonte
B).
Pode acontecer de existir ou formar-se, no solo (superfície) ou no subsolo, camadas
impermeáveis; na superfície são conhecidas como “camadas envidradas” e são removidas
ou destruídas pela escarificação, aração, gradeação, etc.; no subsolo são quebradas ou
rompidas pela subsolagem ou arações profundas.

III. 6. – DENSIDADE.

Densidade das partículas sólidas

O peso do solo pode ser expresso em densidade de suas partículas sólidas (minerais e
orgânicas).
Densidade é o peso de um centímetro cúbico de partículas do solo; assim, se um
centímetro cúbico de partículas do solo pesa 2.6 gramas diz-se que a sua densidade é de
2.6.

Densidade relativa ou volumétrica.

Já vimos que, normalmente, o solo tem 50% em volume de partículas minerais e


orgânicas e 50% de poros (espaços). Na densidade relativa, toma-se um centímetro cúbico
de solo (parte sólida e poros) e calcula-se o seu peso em gramas; tem-se assim a densidade
relativa desse solo.

DENSIDADE POROSIDADE
APARENTE

1 a 1,2 55 a 62%

1,2 a 1,4 46 a 54%

1,4 a 1,6 40 a 46%

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1,6 a 1,8 40%
A diferença entre a densidade das partículas sólidas e a densidade relativa ou
volumétrica é que, na primeira considera-se só a parte sólida (1 centímetro cúbico de
partículas sólidas) ao passo que, na segunda considera-se também a parte vazia ou poros,
que representa 50% do volume do solo.
A densidade é extremamente variável, uma vez que os minerais constituintes do solo
apresentam pesos diferentes (existem minerais mais leves e minerais mais pesados); o teor
de matéria orgânica varia de solo para solo e num mesmo solo, de acordo com a
profundidade (a matéria orgânica é mais leve que os minerais).
No caso da densidade volumétrica, tem grande importância à textura e a estrutura do
solo; os solos argilosos são menos pesados; pode-se dizer que os solos argilosos
apresentam uma densidade aparente que gira em torno de 1,0 a 1,5 ao passo que um
arenoso gira em torno de 1,5 a 1,8. Solo muito compacto (pouco porosos) pode apresentar
densidade relativa superior a 2,0.
Normalmente, à medida que se aprofunda no solo a densidade aumenta.
Para efeito de orientação, pode-se dizer que um hectare (10.000 metros quadrados) de
solo, na sua camada arável (15 – 17,5cm) pesa de 10 a 12 mil quilos.

III. 7. – COR.

Existem solos das mais variadas cores; solos amarelos, solos pretos, vermelho-claros
e vermelho-escuros, cinzas; existem até solos com manchas de várias cores (mosqueados).
Os solos, normalmente, apresentam-se com cores próximas do pardo; são mais
escuros na superfície e vão clareando à medida que se aprofundam.
O que dá cor aos solos?
Existe um número muito grande de “coisas” que influem na cor do solo; dentre elas,
podemos destacar:

- A matéria mineral;

25
- A matéria orgânica;

Foto: Deixa o solo mais escuro

- A água;

26
- Figura da esquerda-solo descuidado, desequilibrado
figura da direita - solo protegido, em equilíbrio.

- O ferro (óxidos de ferro).

Apresenta características bem aproximadas da rocha matriz, com solo raso, com variação
nas diferentes paredes da trincheira, com textura granulométrica maiores e textura arenosa.
Visualmente, foram identificados os horizontes A e C. O horizonte A apresenta matéria orgânica
em decomposição e em decorrência disso, sua cor era cinza escuro; e o horizonte C, rocha em
decomposição, mas ainda fortemente coesa com coloração alaranjada/ amarelada, pela presença
de óxido de ferro hidratado (goethita).

A matéria mineral, que normalmente tem a mesma cor da rocha de origem, confere
cor ao solo. Em geral, o solo é da cor do material de que é originado. Esta cor é

27
influenciada e alterada pelas presenças, maiores ou menores, de matéria orgânica, água e
óxidos de ferro.
Assim, os solos que tem origem em rochas claras terão matéria mineral clara, com
tendência a dar solos claros, mas que podem ser influenciados pelos outros fatores; podem
ser escurecidos pela água ou pela matéria orgânica.

Os solos provenientes de rochas escuras são normalmente escuros.

A matéria orgânica tem a propriedade de escurecer os solos. O solo é tanto mais


escuro quanto mais matéria orgânica tenha. À medida que a quantidade de matéria orgânica
vai diminuindo num solo ele vai se tornando mais claro. Geralmente os horizontes mais
profundos de um solo são mais claro que os superficiais; isto porque, os horizontes mais
profundos não têm, ou tem matéria orgânica em menores quantidades.
A água também exerce grande influência na coloração dos solos; quanto maior a
quantidade de água mais escuro o solo. Um mesmo solo é mais escuro depois das chuvas; é
mais escuro nas baixadas que nas áreas altas porque aí, nas partes altas, o solo é mais
drenado.
O ferro (óxido de ferro) é responsável pelas cores vermelha e amarela e, às vezes por
cores escuras.

III. 8. – PROFUNDIDADE EFETIVA

Entende-se por profundidade efetiva de um solo a região até onde as raízes das
plantas podem alcançar no sentido vertical.

A profundidade efetiva pode ser verificada de várias maneiras:

a) Abertura de trincheira (vala);


b) Perfuração ou tradagem;
c) Observações em barrancos (de cortes de estradas de ferro e rodagem).

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A profundidade é muito importante em agricultura; solos rasos oferecem sempre
muitos problemas. Limitam as culturas, ou seja, nem todas as culturas podem ser feitas
nesses solos; constituem problemas no estabelecimento de terraceamentos; na construção
de barragens; etc...
Existem plantas de sistemas radiculares profundos; alfata até 3 metros; nozes até 3,70
metros e plantas de sistema radicular bastante superficial; alface 0,20 metros; cebola 0,30
metros. Ao se estabelecer às culturas é necessário que se tenha idéia da profundidade
efetiva do solo e da extensão do sistema radicular da cultura, para não se incorrer em erros
desastrosos.
Inferiormente, o que limita a penetração das raízes e pode tornar um solo raso são:
- Rocha;
- Água;
- Camada impermeável e adensada.
No caso da rocha viva ser o empecilho, (limitar a profundidade do solo), nada se pode
fazer para aumentar essa profundidade; quando, entretanto, o obstáculo for a água ou
adensamentos (camadas endurecidas), às vezes pode-se remover esse obstáculo. O nível da
água pode ser abaixado através da drenagem; a camada adensada pode ser rompida pela
subsolagem.
III. 9. – REAÇÃO

Entende-se por reação do solo o seu maior ou menor grau de acidez ou alcalinidade,
isto é, as proporções em que entram os íons hidrogênio (H) e os íons oxidrilas (OH).
Os solos das regiões de altas precipitações, submetidas a intensas lavagens, são de um
modo geral ácidos. As águas que se infiltram lavam o perfil retirando as bases (potássio,
cálcio, sódio, magnésio) e liberando íons hidrogênio e íons alumínio, tornando-o um
ambiente difícil para o desenvolvimento das plantas.
Os solos de regiões áridas, com pequenas precipitações, evaporações intensas, são
quase sempre alcalinos, chegando, muitas vezes, a ter camadas de sais na superfície.
As reações extremas, ácidas de um lado e alcalinas (salinas) do outro, são igualmente
prejudiciais.

A reação do solo é medida em pH; p, que dizer potencial (quantidade), e, H quer dizer
íons hidrogênio (sinal de acidez); ela vai de 0 a 14, conforme o gráfico a seguir:

A acidez cresce de 7 para 0 e a alcalinidade (contrário de acidez) cresce de 7 para 14;


o ponto 7 é a neutralidade (não há acidez nem alcalinidade).

29
O pH dos solos minerais varia de 3,5 a 10,5; os solos turfosos podem ter pH menor
que 3,5; os solos salinos podem ter pH superior a 10,5. Os solos minerais de regiões áridas
o pH varia de 7 a 9.

As terras, de acordo com a sua reação, podem ser classificadas da seguinte maneira:

A acidez é mais importante que a alcalinidade, porque ela estende-se por áreas
agrícolas muitos maiores, principalmente no Brasil. Por isso merecerá maiores atenções.

III. 10. – DECLIVIDADE.

É a inclinação do terreno. O solo, levando-se em consideração a sua superfície, pode


ser plano ou inclinado, pouco inclinado ou bastante inclinado.

30
A declividade é muito importante em Conservação do Solo.
Quando se estuda a declividade deve-se levar em conta:
a- Grau de declividade, ou seja, o grau de inclinação ou caída;
b- O comprimento do declive, ou seja, a extensão da rampa ou do lançante;
c- A regularidade ou uniformidade, maior ou menor desse lançante.

A caída ou declive do terreno pode ser expressa em graus ou em porcentagem


(preferencialmente usa-se em porcentagem); assim, um terreno de declividade 1%, caí 1
metro em 100 metros de lançante; um de 3% caiu 3 metros em 100 metros de lançante; um
de 8% caiu 8 metros em 100 metros de lançante, e assim por diante.

Existem vários instrumentos para se tirar o declive; dentre eles:


. Nível de bolha ou pedreiro (trapézio, pé de galinha, etc.);
. Nível de borracha;
. Nível de precisão, etc.
Teremos oportunidade de descrevê-los quando estudarmos os cultivos em nível.
O comprimento ou extensão do lançante é o comprimento da descida, desde o seu
ponto mais alto (tôpo de encosta) até o seu final embaixo.

31
O declive constitui-se num dos fatores mais importantes no fenômeno da erosão,
como veremos quando tiveres oportunidade de conhecer o assunto.
O “Manual Brasileiro para Levantamento Conservacionista” distribui os declives por
classes e lhes atribui denominações.

Classes de Declive

Declive Classe Denominação


Em %
0–2 A Praticamente plano
3–5 B Declive suave
6 – 10 C Declive moderado
11 – 20 D Declive forte
21 – 40 E Declive íngreme
Mais de 40 F Muito íngreme

NOTEM:

As Características dos Solos do Brasil

32
Segundo Fernando Amaral, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Solos,
da Embrapa em abril de 2002 para a Revista Globo Rural, nos cerca de 8,5 milhões de
quilômetros quadrados que compõem o território brasileiro, há uma grande variedade de
solos, com as mais diferentes limitações. Somente 9% do território brasileiro apresentam
boa reserva de nutrientes, boa drenagem, propriedades físicas adequadas (estrutura, textura
e profundidade) e quantidade de água suficiente para promover a produção agrícola. A
maior parte das terras brasileiras, cerca de 84%, apresenta problemas de acidez.
Geralmente, trata-se de solos onde se observa uma concentração elevada de alumínio e, em
menor escala, de ferro e de manganês. Tais elementos prejudicam o desenvolvimento das
raízes da planta e inibem a absorção de alguns nutrientes.
A acidificação é um processo natural que ocorre nos solos que, sob ação das chuvas
e altas temperaturas, tornam-se deficientes, principalmente, dos elementos cálcio e
magnésio. Mas essa limitação pode ser corrigida com aplicação de corretivos específicos,
feita sob a supervisão de um engenheiro agrônomo, que levará sempre em conta a análise
da fertilidade e do grau de acidez desse solo.

Sais Minerais. Em cerca de 2% do nosso território, em áreas concentradas em


partes do litoral sul brasileiro, da região Nordeste e do Mato Grosso do Sul, encontramos
solos que apresentam elevada concentração de sais, principalmente o sódio. Sob essas
condições, as raízes encontram dificuldades para se desenvolver, já que a grande
concentração de sódio impede a boa absorção da água existente no solo e o
desbalanceamento geral de nutrientes. A correção dessas terras se faz por meio de
carreadores químicos (por exemplo, o gesso) e elevada quantidade de água para retirada do
sódio do sistema.

FIGURA: Solo de Cerrado.

Os solos mais representativos do Brasil são os latossolos, predominantes nos


cerrados, nos planaltos do Sudeste, nas chapadas do Centro-Oeste e nos derrames
basálticos da bacia do Paraná. São terras profundas, extremamente porosas, macias,
(friáveis que se desagregam com facilidade), permeáveis e apropriadas para mecanização
das lavouras.

33
Um pouco menos porosos, os latossolos compreendem também os terraços da
Amazônia Oriental, as chapadas sedimentares do Nordeste e os tabuleiros costeiros. Ao
todo, as áreas de latossolos correspondem a aproximadamente 39% das terras brasileiras.
De modo geral, apesar de suas excelentes condições físicas, os latossolos possuem baixa
fertilidade e precária capacidade de reter água, tornando-se vulneráveis aos veranicos e às
secas prolongadas.

Latossolos: Cambissolos

34
Latossolos: Amarelos
Sem Solução. As áreas que dispõem de pequeno volume para o desenvolvimento
radicular, os chamados solos rasos, representam apenas 7% do território brasileiro e se
encontram espalhados em várias regiões do país. Nesse tipo de solo, as plantas ficam
facilmente sujeitas à deficiência hídrica e ao tombamento. Infelizmente, não há como
corrigir o problema.

Finalmente, há solos que apresentam variação significativa do lençol freático,


resultando em ausência de oxigênio. Dependendo do caso, pode ocorrer saturação
(encharcamento) permanente ou por um período especifico do ano. A correção pode ser
feita por meio de práticas de engenharia, como a drenagem. Cerca de 16% do território
nacional possuem essas características.
O mapeamento de todos os solos do território brasileiro foi realizado em 1981 pela
equipe do Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos, da Embrapa.

III. CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS.

Para Vieira e Vieira (1983), a finalidade de qualquer classificação é ordenar os nossos


conhecimentos com relação a um objetivo, visando facilitar a memorização de todas as
propriedades do objeto, de maneira fácil e precisa. Para qualquer sistema de classificação o
grupamento de maior valor e que se adapta ao propósito do estudo, é aquele para o qual é
feito um maior número possível de afirmações precisas e mais importantes. Quanto maior o
número de características essenciais que se conheça de uma unidade, melhor definida ela
estará.
O estudo dos solos dentro de um sistema remonta a muitos séculos, pois muito antes
de nossa civilização o homem do campo já os classificava a seu modo, grupando-os em

35
classes cujo principal objetivo era a produtividade. Para isto tomava uma ou duas
características, dividindo-os em mais ou menos produtivos ou ricos e pobres.

Vários tipos de solos em função das suas características próprias (cor, textura,
porosidade, estrutura, teor de matéria orgânica), etc.

Podzólico Vermelho-Amarelo (anterior)


Argissolo Vermelho-Amarelo (classificação atual)

.
Latossolo Roxo (classif. Anterior)

Latossolo Vermelho férrico (classificação atual).

36
Latossolo Amarelo e Vermelho – Amarelo.

Argissolo Vermelho – Amarelo.

37
Vária têm sido as classificações apresentadas. A de Thaer que tinha por base a
textura dividiu os solos em: 1) argilosos; 2) silte-argilosos; e 3)arenosos. Trata-se de uma
classificação deficiente, pois nada diz sobre sua profundidade, suas propriedades química,
material originário, adaptabilidade das culturas, etc.

Em 1875, Fallou propôs que se classificassem os solos baseando-se nos materiais


que lhes deram origem (Classificação Petrográfica). Richthofen propôs a Classificação
Geológica aliada a Geográfica; Gedroiz sugeriu uma Classificação Química, dividindo-os
em: 1) saturados de bases e 2) não saturados de bases; Sigmond propôs uma classificação
baseada no processo químico de humificação e mineralização da matéria orgânica,
separando-os em: 1) orgânicos; 2) de composição mista; 3) minerais; além de outras como
a de Vilenski, de Mohr, Kubiena, para só citar estas.

Para Vieira e Vieira e para mim também, o melhor sistema de classificação de solos
é aquele que toma por base o perfil como sendo o resultado dos processos de formação,
conceito este do qual foi precursor Dokuchaev.

Nos Estados Unidos da América, Marbut foi o introdutor dos trabalhos


desenvolvidos pela escola Russa, principalmente os de Glinka sobre os novos conceitos
pedológicos, após haver compreendido o valor desse novo sistema de classificação.
Difundiu-se então rapidamente nos Estados da América, Inglaterra e Colônias a
classificação genético-natural e o desenvolvimento da Ciência do Solo tomou grande
impulso.
IV. 1. IMPORTÂNCIA DA CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS.

Segundo a maioria dos pesquisadores, dentre os quais Vieira em 1983, a


preocupação de uma utilização verdadeiramente racional da terra tem proporcionado, nos
últimos tempos, uma busca de metodologia adequada que expresse as possibilidades do
meio e que represente um aproveitamento equilibrado do ecossistema. Torna-se necessário
lembrar o fato de que o êxito da exploração da terra está no conhecimento de suas
possibilidades e da relação que existe entre ela e o meio ambiente. Utilizar a terra sem o
devido cuidado de uma técnica necessária para, se não manter, mas pelo menos,
proporcionar um equilíbrio capaz de possibilitar o seu uso por longo tempo, não é
concebível mais nos dias atuais, quando a tecnologia mostra o caminho e até apresenta
soluções aos problemas que possam surgir. O meio físico é, portanto, um complexo
resultante da interação de um conjunto de fatores naturais, de cuja compreensão e
conhecimento se necessita para manejá-lo de tal maneira que seja possível conservar ou
aumentar a sua potencialidade produtiva.
A compreensão dos fenômenos que regem a relação solo-planta tem sido uma
preocupação que se perde com os tempos dentro da história, a partir do momento em que o
homem se interessou pelo cultivo das plantas. A terra passou a ser encarada, desse modo,
principalmente como algo onde ele podia plantar a semente que, em condições favoráveis,
germinaria, cresceria e produziria alimentos ou uma coisa útil à sua vida. Dessa maneira foi
que surgiram as primeiras comunidades agrícolas, das quais não sabemos quais eram os
seus conceitos a respeito das coisas da natureza. No entanto, surgem evidências científicas
de desde o início da agricultura o homem aprendeu que determinadas terras eram mais

38
produtivas que outras e que algumas eram demasiadamente encharcadas, ou mesmo
arenosas ou endurecidas para suportar um cultivo normal.
Os mais antigos documentos, que se conhece, deixados pelas civilizações agrícolas,
demonstram que as terras eram utilizadas de acordo com a sua produtividade, o que implica
no conhecimento do solo como um meio de desenvolvimento das plantas. Na China, por
exemplo, a 6.500 anos AC. As suas terras foram divididas em nove classes, de acordo com
a produtividade, para que o tamanho das propriedades e o valor de seu imposto territorial
estivessem baseados na sua capacidade produtiva.
Centenas de anos após, grandes civilizações desenvolveram-se na Mesopotâmia,
Egito e Índia, onde a prosperidade desses povos foi devida a existência de solos ricos,
principalmente das planícies aluviais do Nilo, Eufrates, Tigre e Indo, onde a agricultura era
a atividade mais importante.
Na Grécia, 2.500 anos AC. Vários trabalhos fazem menção a fertilidade da terra,
entre os quais os de Heródoto, 2.000 anos Ac, Teofrasto, 300 anos AC, e outros, muito
contribuíram para legar-nos conhecimentos agrícolas da idade antiga. Entre os antigos
romanos vários escritores deixaram documentos que constituíram vasta literatura sobre
agricultura, trabalhos esses que até época relativamente recente, mantiveram uma posição
de destaque. Essa literatura foi condensada por Petrus Crescentius (1249) em um livro
intitulado “De Agriculture Vulgare”, que constitui, sem dúvida, um dos tratados sobre
agricultura mais popular de todos os tempos e cujo texto serviu de motivo a uma grande
série de tratados europeus dos séculos XVI e XVII.
Durante a Idade Média, um dos períodos mais obscuros da ciência, pouco ou
nenhum conhecimento foi adicionado ao que já se sabia.
Várias teorias surgiram para explicar os múltiplos comportamentos dos solos com
relação às plantas. A fisiológica de Mitscherlich talvez seja uma das mais antigas. Ela dizia
serem os solos um mero reservatório passivo de nutrientes às plantas, considerando,
portanto, o solo do ponto de vista estático, como um meio onde as plantas poderiam
desenvolver o seu sistema radicular e manter sua sustentação, onde os processos genéricos
não influenciavam em nada no montante do volume das colheitas.
No início do século XIX este conceito fisiológico, atribuído ao solo, foi relegado a
plano secundário com o aparecimento da Teoria Húmica de ª vom Thaer, que dizia serem
apenas as substâncias orgânicas responsáveis pela fertilidade dos solos. Este conceito,
embora hoje em dia seja tido em parte como verdadeiro, foi naquele tempo abandonado,
com o surgimento de Teoria Mineral de Justus von Liebig (1840). Com seus trabalhos
Liebig revolucionou as práticas agrícolas então dominantes, ao afirmar serem as
substâncias minerais os verdadeiros nutrientes que entravam no metabolismo vegetal. Esta
teoria foi rapidamente aceita e mais robustecida ficou com os trabalhos de Hunphrey Davy
que estabeleceu forte colaboração no sentido geológico e petrológico, fazendo uma relação
entre o solo e a rocha matriz, eliminando assim definitivamente a Teoria Causuística de
Mitscherlich.
Outros trabalhos importantes também surgiram como o de Carl Sprengel que disse
ser o solo resultante da decomposição climatérica das rochas, conceito este que foi
considerado também por Dokuchaev e Sibirtzev na Rússia, por Hilgard nos Estados
Unidos, por Ramann na Alemanha e por outros tidos como de igual importância.

39
A ciência do solo envolve várias áreas, tais como gênese (formação), química, física, fertilidade, ensino, uso, manejo e
conservação, biologia, classificação, levantamento, mineralogia, e morfologia; dentre outras. Devido a importância do solo, em
muitas universidades e institutos de pesquisa, este tema tem departamentos que se dedicam especificamente ao seu estudo.

A partir de 1917 o solo passou do ponto de vista estático ao conceito dinâmico,


quando os progressos realizados no domínio da química coloidal, levaram G. Wiegner a
defini-lo como um sistema dispersa que obedece a lei química dos dispersóides. Com este
conceito, o solo que antigamente era considerado como uma mistura mecânica de
fragmentos de minerais e rochas com a água e o ar, passou a ser um corpo dinâmico,
conceito hoje dominante nos meios científicos.
A contribuição científica dada por wiegner em seus estudos, posteriormente
desenvolvidos por P. Vagelar e F. Alten ressaltam o valor das análises físicas e químicas do
solo, e, por conseguinte da movimentação de seu soluto.

IV. 2. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS.

IV. 2.1. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GENÉTICO-NATURAL.

Neste sistema, segundo Vieira, os solos encontram-se divididos, de acordo com a


dominância de certos fatores de formação, em 3 ordens: 1) Ordem Zonal; 2) Ordem
Intrazonal; 3) Ordem Azonal.

ANEXAR TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS. DO LIVRO – MANUAL


DE MORFOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS. PG. 104,105.

40
Na Ordem Zonal estão incluídos solos que se apresentam bem amadurecidos e são
tidos como o reflexo da influência predominante das forças ativas do solo: o clima e a
biosfera. Os fatores climáticos exercem grandes influências na intemperização e
decomposição do material através da intensidade de variação e distribuição anual da
temperatura e umidade. A cobertura vegetal, por sua vez, determina o sentido da evolução,
pois a sua copa intercepta os raios solares e a intensidade dos fatores meteorológicos:
temperatura e umidade, que agem sobre o material parental.
Na Ordem Intrazonal são colocados solos que apresentam características
pedogenéticas mais ou menos desenvolvidas com reflexo de algum fator dominante local
como relevo e material originário sobre o efeito normal do clima e da vegetação.
A Ordem Azonal inclui solos jovens e conseqüentemente sem características
pedogenéticas desenvolvidas.
De acordo com os fatores dominantes de gênese temos:

a) ORDEM:

ZONAL – quando predominam os fatores ativos, isto é, o clima e a vegetação.

INTRAZONAL – quando predominam os fatores de resistência como: material


parental e topografia.

AZONAL – quando o fator tempo não foi suficiente para imprimir características
ao solo. Trata-se de solos jovens ou imaturos.
Grupando os solos de acordo com o clima, vegetação, posição topográfica,
material parental ou combinação deles, temos a:

b) SUBORDEM: aqui as características apresentadas podem ser verificadas a


olho nu na abertura do perfil, pois as categorias seguintes apresentam como características
diferenciais elementos inerentes do próprio perfil.
Grupando os solos de acordo com a espécie e seqüência de horizontes principais,
temos:

c) GRANDE GRUPO DE SOLOS – cada unidade desta categoria possui


horizontes A e B específicos.

d) ALTA FAMÍLIA – Adicionando às características do Grande Grupo os


horizontes indicativos intermediários, temos a alta Família.

e) BAIXA FAMÍLIA – Tomando-se por base a mineralogia do solo, isto é, o


tipo de argila, sua presença e quantidade, têm a alta a Baixa Família.

f) SÉRIE – Acrescentando-se aos componentes da Baixa Família os solos


originados do mesmo material parental, temos a Série. Mais importante que a formação
geológica é o caráter do material parental, pois podem encontrar-se solos compactos,
cristalinos, etc, verificando-se mais a sua composição mineralógica e como foi depositado e
formado.

41
Para fins de planejamento agrícola em pequenas áreas pode ser usada a FASE do
solo, que inclusive pode ser utilizada em qualquer categoria anteriormente referida.

g) FASE DO SOLO – As características da Fase do Solo são:

A1) A declividade do solo. Cada grau de declividade exige práticas conservacionistas


especial, tanto mais onerosa quanto mais íngreme for o solo e quando usado para cultura
anuais. Tornando-se o declive acentuado, sugerem-se pastagens ou apenas reflorestamento.
O declive também pode ser fator limitante para o uso de máquinas agrícolas.
B1) Presença de pedras ou seixos na superfície ou sub-superfícialmente, o que pode
determinar uma limitação para certas culturas e para a utilização de máquinas agrícolas.
C1) Grau de erosão – sendo a primeira camada do solo a mais rica em elementos
disponíveis às plantas em geral, a sua retirada pela erosão determina menor fertilidade,
exigindo tratos mais intensos, como rotação de culturas, adubação, etc.
D1) Grau de salinidade – que, acima de certo teor, pode tornar o solo inadequado, se
não para todas, pelo menos para algumas culturas.
Outras características tanto da fase como das categorias superiores ainda poderiam
ser mencionadas e comentadas.
Para cada uma das categorias se estabelece um perfil padrão e as variações
admitidas de suas características.

IV. 2.2. SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÕES TÉCNICAS.

Para Vieira 1975, existem outros sistemas de classificação dos que já apresentados,
que são chamados de Classificações Técnicas.
A Classificação Técnica agrupa indivíduos em uma ou mais categorias, tendo por
base características selecionadas, reação do indivíduo, reação entre indivíduos com um fim
especifica, visando à memorização e compreensão de todas as características observadas.
Inúmeras são as Classificações Técnicas possíveis de serem estabelecidas, entretanto,
citaremos somente algumas, para se ter uma idéia e uma melhor compreensão do assunto.
Assim: 1) Classificação tendo por base uma única propriedade; 2) Catena; 3)
Adaptabilidade a uma única cultura; 4) Capacidade de Uso da Terra; e 5) Sistema de
Capacidade de Uso da Terra para Levantamento de Solos.

IV. 2.2.1. CLASSIFICAÇÃO TENDO POR BASE UMA ÚNICA


PROPRIEDADE.

Sua finalidade é estudar a relação existente entre o solo e uma única característica
importante, como por exemplo o pH. Assim, os solos seriam grupados em classes de solos
ácidos, pouco ácidos e alcalinos. Nesta classificação é possível deduzir que a primeira
classe necessita de corretivos, a segunda pouco ou nada e a terceira dispensa esta prática
que torna-se mesmo até contra indicada.(Vieira, 1975.).

IV. 2.2.2. CATENA.

42
Esta classificação devida a MILNE compreende um agrupamento de Séries e Grandes
Grupos, diferentes de acordo com a seqüência topográfica, isto é, solo do alto, meio
encosta e de baixada.

IV. 2.2.3. ADAPTABILIDADE A UMA ÚNICA CULTURA.

A finalidade desta classificação é estudar o comportamento do solo em relação a uma


determinada cultura e isto é verificado através de experimentação.
Aqui entram em jogo todas as características conhecidas, não importando se os solos
são de mesma Série ou pertencem ao mesmo Grande Grupo. Ex: A cultura da batatinha se
desenvolve em solos ácidos por ser menos atacada pelas doenças. Torna-se necessário
verificar dentre estes solos os mais férteis por produzirem melhores resultados e entre estes
os de menor declive. (Vieira1975).

IV. 2.2.4. CAPACIDADE DE USO DA TERRA PARA FINS


CONSERVACIONISTAS.

Para Vieira, este tipo de classificação diz respeito ao problema conservacionista, onde
entre outras necessidades há a da defesa ou não contra a erosão e a drenagem. Apesar de
não fazer referências específicas aos fertilizantes que devem ser utilizados em determinadas
culturas anuais, esta classificação poderá indicar as que melhor se adapta aos solos, o modo
de cultivo, etc.
A Classificação para Capacidade de Uso, que utiliza 8 classes, divide as terras em
Próprias para Cultivos Anuais, que inclui as usadas sem práticas especiais, necessitando de
práticas simples, de práticas complexas e de uso restrito; w impróprias para Cultivos
Anuais, que abrangem as não adaptadas a culturas de ciclo curto, mas que servem para
pastagens, florestas ou mesmo para a vida selvática e recreação (classe VIII).
Primeiro foram estabelecidas as 8 classes e em segundo lugar foi convencionada uma
cor para indicar cada classe de terra no mapa. A cor indica, portanto, a qualidade da terra, a
sua aptidão a culturas intensivas, moderadas, etc., ou não e o grau geral de dificuldades e
riscos que está sujeita em seu uso direto sem avarias. É, por conseguinte, a cor um dos
símbolos que mostram as diversas classes, as quais são chamadas de Classe de Capacidade
de Uso.
Além das cores, as classes são representadas por números romanos, acrescidos de
índices correspondentes às suas diversas limitações. (fig. 13.1).

De acordo com a maior adaptabilidade, as terras apresentam-se.

1. Terras Próprias para Cultivos Anuais.


Classes I, II, III, IV.

2. Terras Impróprias para Cultivos Anuais.


Classes V, VI, VII, VIII.

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As classes I, II e III incluem as terras que estão capacitadas a um regular cultivo,
enquanto a classe IV, as que podem ser cultivadas ocasionalmente, isto é, de uma maneira
limitada.
As classes V, VI, VII abrangem as não adaptadas ao cultivo freqüente, a não ser
pastagens ou florestas. A classe VIII é reservada às que não servem para cultivos, pastos e
florestas, mas que em parte podem ser destinadas à vida selvagem, a recreação, etc.

IV. 2.2.4.1. Classes de Terra.

CLASSE 1 – Terra MUITO BOA sob todos os pontos de vista. É quase que
inteiramente plana e não facilmente lavada. Retém a água muita bem, é otimamente
provida de nutrientes. Esta classe pode ser diretamente usada e das mais variadas maneiras
que forem escolhidas. Naturalmente que devem ser administrados nutrientes de modo a
suprir as necessidades das plantas e manter as boas condições físicas existentes. As outras
classes são cultivadas com muito maior dificuldade e risco que a terra da classe I.
Serve, portanto, para cultivos permanentes, com produção e colheita de média a alta,
sem práticas especiais.
No mapa aparece com a cor VERDE.

CLASSE II – Terra BOA em determinados pontos, porém certas condições físicas


não a deixa ser tão boa como a da classe I. O declive pode apresentar-se acentuado,
fazendo escorrer a água da chuva a uma velocidade tal que arrasta consigo o solo. Certas
terras da classe II são naturalmente molhadas e por isso requerem drenagem. Outras não
possuem boa capacidade de retenção de água. Estas deficiências limitam o uso da terra ou
requerem alguma atenção especial cada ano. Mesmo uma simples área pode ter variações
desta classe.
Desde que a classe II apresente algo moderado, natural limitação de uso e tratamento
especial é necessária.
Aqui são facilmente aplicadas práticas simples de conservação, como cordões em
contorno, cobertura de proteção, manejo simples de água, rotação de culturas e uso de
fertilizantes.
Os solos desta classe requerem uma ou mais práticas especiais a fim de serem
permanentemente cultivados.
São fatores limitantes a susceptibilidade à erosão se cultivados, ocorrência de alguns
obstáculos físicos tais como pedras ou drenagem deficiente, baixa produtividade, o que
requer práticas especiais de melhoramento do solo, além de práticas comuns.

No mapa aparece com a cor AMARELA.

CLASSE III – Terra MODERADAMENTE BOA para cultivos. É mais limitada em


uso que a classe II pela razão de um ou mais aspectos naturais. Pode ser usada para
culturas, mas por causa de suas restrições naturais, necessita um tratamento intensivo sob
todos os aspectos. Pode ocorrer variação nesta classe, assim como acontece com a classe II.
Algumas terras da classe III apresentam declives moderados onde deve haver intenso
cuidado para controlar a erosão, se usados com culturas de rotação regular. Outra variação
desta classe é aquela que requer movimentação da água proveniente da pobreza de
drenagem que apresenta. Em algumas regiões desprovidas de água, como nas semi-áridas,

44
não existem classes I e II devido à natural escassez de umidade adquirida, apesar de pouca,
é bastante para brotar as culturas, muito embora requeira um cuidado muitíssimo especial.
Esta classe de terra necessita de medidas complexas ou intensas para que produza
boas colheitas.
As classes I, II e III abrangem todas as terras que podem ser recomendadas para
cultivos regulares.
Os fatores que limitam o uso desta aterram são pedras ou drenagem deficiente, baixa
produtividade, o que requer práticas especiais de melhoramento do solo, além das práticas
comuns. Estes fatores são idênticos aos da classe II, porém em grau mais acentuado.

Aparece no mapa com a cor VERMELHA.

CLASSE IV – Terra RELATIVAMENTE BOA para cultivos ocasionais, sob


cuidadosa administração, porém torna-se inconveniente para a produção regular de
culturas. Grande parte dela é inteiramente declivosa, o que a faz imprópria pelo perigo à
erosão que oferece.
Considerando de um modo geral, esta qualidade de terra pode ser cultivada de seis em
seis anos. Grandes áreas apresentam-se secas, com problema de irrigação, o que torna a
classe IV boa somente para a produção de pastagens. Em regra geral esta terra apresenta-se
boa para pastos e onde a queda pluviométrica torna-se regular, para floresta.
As terras desta classe não prestam para cultivos contínuos ou regulares, mas se
tornam apropriadas quando adequadamente protegidas.
Dos fatores limitantes temos a citar declive acentuado, erosão severa ou drenagem
deficiente, obstáculos físicos tais como pedras, baixos produtividade ou qualquer outra
condição que torne a terra imprópria ao cultivo regular.

No mapa aparece com a cor AZUL.

CLASSE V – É comumente plana e não está sujeita à erosão. Devido à umidade,


clima ou alguma obstrução como rocha aflorando, não é conveniente o seu cultivo. O solo é
profundo e a terra tem poucas limitações para o uso de pastos e floresta.
São, portanto terras que não se prestam ao cultivo regular e são ligeiramente
suscetíveis à danificação. Podem ser usadas para a produção de certos vegetais úteis e são
adaptadas a pastagem e florestas. A utilização destes solos pode ser feita sem emprego de
práticas ou medidas especiais.

No mapa aparece com a cor VERDE ESCURO.

CLASSE VI – Não utilizável para qualquer cultivo de ciclo curto e seu uso é
limitado, de algum modo, para pastagens e florestas por características tais como solo
pouco profundo ou declive acentuado. Quando a queda pluviométrica é favorável à
produção vegetal, as limitações de classe VI são provavelmente declives acentuados, solos
rasos ou excessivamente molhados que não pode ser corrigida pela drenagem, prática estas
que viria permitir ser usada em cultivos regulares.
Apresenta-se medianamente suscetível de danificação, necessitando de restrições
moderadas em seu uso com ou sem práticas especiais.

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Os fatores limitantes são a topografia ondulada ou acidentada, capacidade baixa de
armazenamento de água, umidade excessiva, salinidade ou alcalinidade média, sendo o
solo medianamente erodido e suscetível à erosão.

No mapa aparece com a cor ALARANJADA.

CLASSE VII – Não se apresenta somente incultivável, mas também severas


restrições contêm para o uso com pastagens; requer extremo cuidado para evitar a erosão.
Estes solos são altamente suscetíveis à danificação, necessitando de restrições severas
em seu uso com ou sem práticas especiais. Como fatores limitantes temos relevo, solo raso,
lençol freático superficial, solo severamente erodido e alto suscetibilidade à erosão.

No mapa aparece com a cor BRUNADA.

CLASSE VIII – É somente adaptada à vida selvagem, podendo, entretanto ser de


proveito para a recreação. Usualmente é árida ao extremo, escarpada, pedregosa, arenosa,
molhada ou severamente erodida.
Como exemplo tem; sopé de montes rochosos, dunas, argila litorânea, pântano, areia
pantanosa, etc.
São, portanto terras que não se prestam ao cultivo ou para a produção de qualquer
vegetal útil permanente, que possa ser usada na forma de campo ou floresta.

No mapa leva a cor ROXA.


IV. 2.2.4.2. DETERMINAÇÃO DAS CLASSES DE CAPACIDADE DE USO.

Segundo Vieira 1975, a determinação das classes de capacidade de uso da terra é


feita pelos aspectos físicos que apresentam e tornam os seus usos difíceis e arriscados. Há
terras que se apresentam sujeitas à erosão e ao empobrecimento, se não forem eficazmente
protegidas. Outras são naturalmente molhadas, de modo que a drenagem torna-se ou não
necessária para serem produzidas normalmente certas culturas. Existe ainda o caso de
regiões secas, onde o clima não favorece um acúmulo de umidade no solo necessária ao
desenvolvimento das plantas. Portanto, estas 3 espécies de limitações, dão origem a 3 sub-
classes dentro de cada uma das classes já vistas. Por exemplo: na terra da classe III, estas
sub-classes poderiam vir a surgir. Nela o uso é reservado embora esteja capacitada a um
cultivo regular. Sub-classes como terreno em declive, terreno molhado, terreno arenoso,
são freqüentemente encontradas em uma única área, estando adaptadas a diferentes culturas
e, portanto, devem ser manejadas de maneiras diversas.

V. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE CAPACIDADE DE USO DA


TERRA PARA LEVANTAMENTO DE SOLOS.

Dentre as múltiplas finalidades de um levantamento pedológico, com relação ao seu


aproveitamento racional, está a de determinar, tendo como base às características dos solos
relacionadas com o meio ambiente, qual o fator ou fatores limitantes na produção dos
cultivos. A interpretação da capacidade de uso dos solos é, portanto o objetivo final de

46
qualquer levantamento pedológico, pois fornece uma base concreta para a sua utilização e
proporciona meios de correlação com outros solos similares.
É evidente que quando os solos são mapeados e classificados, os dados obtidos neste
estudo permitem determinar a sua aptidão agrícola, possibilidades de práticas de manejo e
outras aplicações que contribuem para uma melhor utilização e conseqüentemente
melhoramento econômico-social da região em apreço.
Como base de interpretação vai utilizar o Sistema de Classificação de Uso da Terra
para levantamento de Reconhecimento de solos idealizados por BENEMA, BEEK E
CAMARGO, por se tratar de um sistema maleável, com altas possibilidades de adaptação
local.
Dentre os seis sistemas de manejo propostos pelos autores nos pareceu melhor a
adoção de somente dois, motivo porque para as condições da Amazônia os reagrupamos
em dois sistemas que passaremos a chamar de Sistema Primitivo de Agricultura e
Sistema Melhorados de Agricultura.

1. Sistema Primitivo de Agricultura, bastante disseminado na região e que é


utilizado por pessoas sem capital, nível técnico baixo e com práticas tradicionais de
manejo; e.
2. Sistema Melhorado de Agricultura. Com grande perspectiva de utilização
em curto prazo e caracterizado por um nível técnico aceitável, possibilidades de orientação
e assistência técnica, capital médio suficiente para melhorar certas limitações das condições
agrícolas dos solos.

Estes sistemas representam o estado atual da agricultura. Um condicionado pela


deficiência de nutrientes no solo, cujo empobrecimento é progressivo devido aos cultivos
freqüentes e outro restringido pelos altos preços de fertilizantes e corretivos que chegam a
ser, muitas vezes, proibitivos a pequenos agricultores.

V.1 CONDIÇÕES AGRÍCOLAS DOS SOLOS.

Na descrição das condições agrícolas dos solos foi tomado como base um solo
hipotético, no qual a fertilidade natural é boa, não há deficiência de água ou de oxigênio,
não apresenta suscetibilidade à erosão e não tem impedimento ao uso de implemento
agrícola. É, portanto considerado o solo agrícola ideal, no qual qualquer planejamento de
uma agricultura racional obterá os mais altos rendimentos. Ressalta-se, entretanto, que
determinadas culturas, como, por exemplo, o arroz (Oriza sativa), adaptado ao excesso de
água e como a do algodão (Gossypium sp), condicionada a uma época seca no fim de seu
período vegetativo, tem o ótimo de seu desenvolvimento em condições bastante diferente
às do solo hipotético. Disto se deduz que as condições agrícolas reais das diferentes
unidades de solos são descritas como desvio ou limitações do solo ideal.
Para a interpretação das condições agrícolas dos solos, inicialmente são analisados os
cinco aspectos que estão em relação com uma ou mais propriedades do solo e do meio
ambiente, propriedades estas nas quais é feita uma avaliação em termos relacionados com o
desenvolvimento e produção das culturas. Assim sendo, como principais fatores limitantes
aparecem:

47
1. Deficiência de Fertilidade

a) Disponibilidade de macro e micronutrientes;


b) Presença ou ausência de substâncias tóxicas
c) Profundidade efetiva do solo e atividade biológica
d) Pedregosidade.

2. Deficiência de Água

a) Condições climáticas
b) Textura
c) Espécie de argila
d) Conteúdo de carbono
e) Profundidade efetiva do solo
f) Profundidade do lençol freático; e
g) Permeabilidade.

3. Excesso de Água (deficiência de Oxigênio)

a) Condições climáticas
b) Relevo local
c) Textura
d) Profundidade do lençol freático
e) Permeabilidade do solo e do subsolo; e
f) Riscos de inundação.

4. Suscetibilidade à Erosão

a) Condições climáticas;
b) Relevo;
c) Textura;
d) Profundidade efetiva do solo;
e) Permeabilidade;
f) Coerência do material; e;
g) Uso da terra e vegetação natural.

5 Impedimento ao Uso de Implementos Agrícolas (mecanização)

48
a) Relevo
b) Profundidade efetiva do solo
c) Condições de má drenagem
d) Presença de pedras
e) Presença de voçorocas
f) Textura.

V.2. GRAUS DE LIMITAÇÕES DOS SOLOS.

Sendo o solo agrícola descrito como desvio ou limitação do solo hipotético, é possível
utilizar, dentro das condições agrícolas, cinco graus de limitações, denominadas de: NULA,
LIGEIRA, MODERADA, FORTE e MUITO FORTE, que comportarão as definições a
seguir, nas quais foram introduzidas modificações adaptadas à região amazônica. (VIEIRA,
1975.).

1. Graus de limitações para fertilidade natural.

As limitações NULA e LIGEIRA apresentam-se provisoriamente reunidas, isto


motivado pelo relativamente pouco conhecimento das variações dos solos com teores
elevados de nutrientes e mesmo pela ausência de melhores dados que possibilitem
atualmente a sua separação.

NULA e LIGEIRA - Solos com altos níveis de nutrientes disponíveis para as plantas
e sem conter sais tóxicos, produzindo bons rendimentos durante vários anos. Solos com B
latossólico ou textural pertencentes a este grau devem apresentar mais do que 50% de
saturação de bases ou menos de 50% de saturação de alumínio e soma de bases trocáveis
maiores que 3,00 me/100 g de solo. Devem se apresentar praticamente livres de excesso de
sais e/ ou com condutividade elétrica menor que 4 mmhos/cm a 25°C

MODERADA – Solos nos quais as reservas de um ou mais nutrientes disponíveis às


plantas são limitadas. As condições de nutrientes permitem somente bons rendimentos de
culturas durante uns poucos primeiros anos, depois do que, com a continuação do uso
agrícola decrescem rapidamente. Estão incluídos neste grau solos que possam apresentar
sais tóxicos que não permitam o cultivo de plantas sensíveis e/ou condutividade elétrica
normalmente entre 4 e 8 mmhos/cm a 25°C.

FORTE – Solos nos qual um ou mais nutrientes disponíveis aparecem somente em


pequenas quantidades. Devido a esta condição somente permitem uma produção
razoavelmente boa para plantas adaptadas e durante os primeiros anos de cultivo.
Apresentam baixa soma de bases trocáveis.
Em uso adequado estes solos geralmente necessitam fertilização desde o princípio das
atividades agrícolas.

49
Estão incluídos neste grau solos com sais tóxicos que somente permitem o
crescimento de plantas tolerantes e/ou com condutividade elétrica de 8 a 15 mmhos/cm a
25ºC.

MUITO FORTE – Solos com um conteúdo de nutrientes muito restritos,


condicionando muito poucas possibilidades de utilização com agricultura, pastagem e
florestas. Também solos com sais tóxicos que permitem o crescimento somente de plantas
tolerantes e/ou com condutividade elétrica maior que 15 mmhos/cm a 25ºC.

1. Graus de limitações por deficiência de água.

São definidos em termos de escassez de água para a produção de plantas durante um


menor ou maior períodos do ciclo vegetativos.

NULA – Solos em que a deficiência de água disponível não limita o crescimento das
plantas ou o uso agrícola. Nestes estão incluídos:
a) Solos com drenagem livre em climas sem estação seca;
b) Solos com nível freático elevado em clima com estação seca.

LIGEIRA – Solos com pequena deficiência de água disponível durante um curto


período, o qual, porém condiciona parte do ciclo vegetativo das culturas. Pertencem a este
grau também:
a) Solos com drenagem interna livre que ocorrem somente em climas com curta
estação seca de no máximo 3 meses.

MODERADA – Solos que apresentam uma considerável deficiência de água


disponível às plantas durante um período um tanto prolongado e que coincide com a época
de crescimento da maioria das culturas. Nestes solos somente é possível o desenvolvimento
de plantas não muito exigentes de água. Pertencem a este grau:
a) Solos com drenagem interna livre que ocorrem somente em climas com um
período seco mais ou menos prolongado que vai de 3 a 7 meses.
b) Solos pouco profundos ou muito arenosos em climas com uma curta estação
seca.

FORTE – Solos que apresentam uma grande deficiência de água disponível durante
um período prolongado que coincide com o ciclo vegetativo da maioria das plantas
cultivadas. Somente se desenvolvem culturas muito bem adaptadas.
Os solos pertencentes a esta classe encontram-se somente em climas com período
seco prolongado, maior que 7 meses. Pertencem a este grau:
a) Quando os solos são pouco profundos ou muito arenosos podem ocorrer em
climas com estação seca com duração que irá de 3 a 7 meses.

50
2. Graus de limitações por excesso de água

Estão geralmente relacionados com as classes de drenagem natural e os riscos de


inundação

NULA – Solos que durante qualquer período do ano não apresentam problemas de
aeração causados pelo excesso de água. Normalmente apresentam-se de bem a
excessivamente drenados.

LIGEIRA – Solos nos quais as plantas que têm raízes sensíveis a certa deficiência de
ar, são prejudicadas durante a estação a estação chuvosa.
Normalmente são solos moderadamente drenados ou que apresentam riscos de
inundação ocasional.

MODERADA – Solos nos quais as plantas que tem raízes sensíveis a certa
deficiência de ar não se desenvolvem satisfatoriamente já que a aeração do solo é
prejudicada, em forma considerável, pelo excesso de água durante a época das chuvas.
Normalmente são solos imperfeitamente ou que apresentam riscos de inundação freqüente.

FORTE – Solos nos quais as plantas não adaptadas ao excesso de água somente
podem se desenvolver satisfatoriamente com o auxílio de drenagem artificial. Normalmente
apresentam-se mal drenados ou com riscos de inundação anuais curtas e médias.
MUITO FORTE – Solos nos quais, para o desenvolvimento das plantas não
adaptadas ao excesso de água, são necessários trabalhos intensivos e complexos de
drenagem, Normalmente são solos mal a muito mal drenados ou que apresentam riscos de
inundação anual longa ou permanecem inundados durante todo o ano.

3. Graus de limitações por suscetibilidade à erosão.

É considerada a erosão que ocorre em solos quando forem usados sem levar em
consideração a declividade e as condições protetoras ou medidas de controle aos fatores
erosivos.

NULA – Solos não suscetíveis à erosão. Tais solos com o uso agrícola prolongado
(10 a 20 anos) não apresentam erosão ou se ocorrer será pouco notada na maior parte da
área.
A camada superficial (horizonte A) não se encontra praticamente removida.

LIGEIRA – Solos que apresentam alguma suscetibilidade à erosão. Com o uso


agrícola prolongado (10 a 20 anos), parte do horizonte A pode ser removido até 25% do
original. Os solos deste grau apresentam propriedades físicas desfavoráveis à erosão e
geralmente ocorrem em declives suaves (3 a 8%), porém quando o clima e as propriedades
físicas são muito favoráveis à erosão, podem ocorrer também em declives inferiores a 3%.
Dentro desta limitação a erosão poderá ser facilmente controlada utilizando-se
práticas conservacionistas simples.

51
MODERADA – Solos moderadamente suscetíveis à erosão. Com o uso agrícola
prolongado (10 a 20 anos) podem ter de 25 a 75% de sua camada superficial (horizonte A)
removida. Em geral são solos de declives moderados (8 a 20%), porém quando as
propriedades físicas forem muito desfavoráveis à erosão podem apresentar declives
maiores ou quando o clima e as propriedades físicas forem favoráveis ocorrem também em
declives suaves (3 a 8%). É possível aparecer pequenas voçorocas.
O manejo para o controle à erosão deve ser intensivo.

FORTE – Solos fortemente suscetíveis à erosão. Com o uso agrícola prolongado (10 a
20 anos), tais solos perdem mais de 75% de sua camada superficial e também parte do
subsolo (horizonte B). Em geral apresentam declives fortes (de 20 a 40%), às vezes
superiores a 40%, quando as propriedades físicas são muito desfavoráveis à erosão e
declives mais suaves (8 a 20%) quando as propriedades físicas do solo são muito
favoráveis.
O controle à erosão exige práticas conservacionistas intensivas, difíceis e custosas.

MUITO FORTE – Este grau de limitação inclui declives muito fortes, superiores a
70%, podendo também incluir declives menores quando as propriedades físicas do solo são
extremamente desfavoráveis à erosão. Quando usados com agricultura estes solos serão
destruídos em poucos anos. É comum a presença de voçorocas profundas.
Proteção e controle à erosão normalmente não são possíveis.

4. Graus de limitações por impedimento ao uso de implementos agrícolas


(mecanização)

O presente grau de limitação possui influência sobre a produtividade dos solos sob
sistema de manejo melhorado.

NULA – Solos em que pode ser usado, sem dificuldade, durante o ano inteiro, todo
tipo de máquina agrícola. O rendimento do trator é superior a 90%. Normalmente são solos
de relevo plano ou com declives menores que 8% e que não apresentam nenhum outro
impedimento ao uso de mecanização.

LIGEIRA – Solos nos quais, durante parte do ano, na maior parte da área, pode ser
usada a maioria dos implementos agrícolas sem ou com pequena dificuldade. O
rendimento do trator vai de 60 a 90%.
Normalmente apresentam declives de 8 a 20% quando não há outros impedimentos
sérios. Inclui solos com ligeiro impedimento devido a rochosidade (2 a 10%), a
pedregosidade (0,05 a 1%), à textura, à drenagem natural e a pouca profundidade efetiva.

MODERADA – Solos nos quais, durante parte do ano, na maior parte da área,
somente podem ser usados tipos leves de implementos agrícolas. Geralmente os
implementos agrícolas são de tração animal. O rendimento do trator, quando usado, é
menor que 60%.

52
Normalmente apresentam declives de 20 a 40%, inclui solos com moderados
impedimentos devido a rochosidade (10 a 25%), a pedregosidade (1 a15%), à textura, à
drenagem natural e à pouca profundidade efetiva.

FORTE – Solos nos qual a maior parte da área somente pode ser cultivada com
implementos manuais.
Normalmente apresentam declives de 40 a 70% e incluem fortes impedimentos
devido a rochosidade (25 a 70%), a pedregosidade (15 a 40%), a drenagem natural e a
pouca profundidade efetiva.

MUITO FORTE – Solos que não devem ou somente com grandes dificuldades
poderão ser usadas para a agricultura. Não há possibilidade de uso de implemento agrícola.
Apresentam declives maiores que 70% ou impedimentos muito fortes devido a rochosidade
(maior que 70%), a pedregosidade (maior que 40%), reduzida profundidade efetiva,
incluindo aqui também aqueles permanentemente inundados.

V.3. POSSIBILIDADES DE MELHORAMENTO.

Para VIEIRA 1975, foram considerados cinco possibilidades ou graus de


melhoramento, que poderão, dentro da exigência de cada sistema, ser aplicadas com a
finalidade de eliminar parcial ou completamente as limitações impostas pelas condições
agrícolas do solo. São eles:
1 – Melhoramento simples com o qual a limitação é eliminada completamente.
1’ – Melhoramento simples com o qual a limitação é eliminada parcialmente.
2 – Melhoramento complexo com o qual a limitação é eliminada completamente.
2’ – Melhoramento complexo com o qual a limitação é eliminada parcialmente.
n – Sem possibilidade de melhoramento.

Os níveis 1 e 1’ podem ser utilizados sem emprego considerável de capital e alto


nível de conhecimento técnico.
Considerando o grau de limitação para cada condição agrícola dos solos poderá haver
possibilidades de melhoramento, dentro da viabilidade de cada área, como a seguir se
exemplifica. Assim:

a) Deficiência de Fertilidade

1’ – Uso de adubo orgânico


- Corretivos
- Emprego de compostos contendo macronutrientes.
2’ – Corretivos, adubos orgânicos e uso intensivo de compostos contendo macro e
micronutrientes
.
b) Deficiência de Água.
- Os solos da área (tratando-se de região com alta pluviosidade anual) em
estudo não apresentam limitações.

53
c) Excesso de Água.
1’ – Drenagem em valas.
- Desobstrução de drenos naturais

d) Susceptibilidade à Erosão
1 - Cobertura viva.

e) Impedimento ao uso de implementos agrícolas (mecanização).


n – Sem possibilidade de melhoramento devido às limitações existentes serem
ocasionadas pela presença de concreções lateriticas e pelo alto nível freático durante a
época de maior queda pluviométrica.

V.4. SISTEMA DE MANEJO PARA A AGRICULTURA.

V.4.1. Sistema de Manejo Primitivo.

Neste sistema o nível técnico é baixo e as práticas agrícolas dependem dos


conhecimentos tradicionais. Não há emprego de capital para o manejo do solo. A mão-de-
obra é restringida e quando utilizada é muito barata. O uso de implementos agrícolas
compreende somente instrumentos manuais. O rendimento dos cultivos depende das
propriedades físicas e químicas do solo.

1. Classe de Aptidão Agrícola


As classes de aptidão agrícola para este sistema primitivo são definidas em função
do grau de limitação das condições agrícolas e de suas possibilidades de melhoramentos.
As plantas são climaticamente adaptadas, considerando-se que o número de culturas
diminui gradualmente da Classe l para a Classe IV. As definições abrangem culturas de
ciclo curto e de ciclo longo.

CLASSE I – Aptidão BOA.

a) Solos sem limitações.


b) Solos em que certas condições agrícolas apresentam limitação ligeira, ou solos
nos quais, com melhoramentos simples efetivos (1 – eliminação completa), não apresentam
limitação. São apropriados para a produção de um grande número de culturas e
rendimentos altos poderão ser obtidos sem restrições impostas nas práticas de manejo.

CLASSE II - Aptidão REGULAR.

Solos em que certas condições agrícolas apresentam limitação ligeira ou moderada,


ou solos nos quais, com melhoramentos simples ou complexos não completamente efetivos
(1’ e 2’), são obtidas estas condições. Admite também solos que com melhoramento
complexo completamente efetivo (2 - eliminação completa) não apresentam limitação.

54
Boas safras poderão ser obtidas na maioria dos anos, porém as limitações existentes
são suficientes para reduzir o rendimento médio, a opção de culturas e as possibilidades de
uso das práticas de manejo.

CLASSE III - LIMITADA (restrita).

Solos em que certas condições agrícolas apresentam limitação moderada ou forte, ou


solos nos quais, com melhoramento simples ou complexo, não completamente efetivo (1’ e
2’), são obtidas estas condições.
As safras são seriamente reduzidas e a opção de culturas é muito restringida por uma
ou mais limitações que não podem ser removidas.

CLASSE IV - INAPTA.

As condições agrícolas apresentam uma ou mais limitações que não podem ser
removidas e são suficientemente fortes para tornar impossível uma agricultura econômica.
Existem culturas especializadas que podem se adaptar a estes solos, entretanto com
práticas especiais de manejo.

IV. a – Condições agrícolas do solo adequadas ao pastoreio extensivo.


IV. b – Sem utilização agropecuária.

Tomando-se por base o sistema aqui proposto, para efeito de exemplo, poderão ser
observados os Mapas de Aptidão Agrícola, nos dois sistemas, do Centro Pré-Profissional
Rural de Capitão Poço, Estado do Pará. De acordo com os solos encontrados na área em
estudo, foi estabelecida uma legenda de identificação, sendo empregada a letra C para
culturas de ciclo curto, a letra L para culturas de ciclo longo, as letras CL para culturas de
ciclo curto e longo, após os símbolos representativos das sub-classes, além de outros
símbolos conseqüentes como f ou deficiência de fertilidade, a ou deficiência de água, d ou
excesso de água, e ou suscetibilidade à erosão e m ou impedimento ao uso de implementos
agrícolas. Assim foram utilizadas, para os dois sistemas, as seguintes legendas:

IIfCL - REGULAR por deficiência de fertilidade, para culturas de ciclo


curto e longo

IIfdmC-IifdL - REGUALAR por deficiência de fertilidade, excesso de água e


impedimento ao uso de implementos agrícolas para culturas de ciclo curto.

IIIfCL - RESTRITA por deficiência de fertilidade para culturas de ciclo curto


e longo.

IIIdmC-IIIfdL - RESTRITA por deficiência de fertilidade, excesso de água e


impedimento ao uso de implementos agrícolas para culturas de ciclo curto – RESTRITA
por deficiência de fertilidade e excesso de água para culturas de ciclo curto.

IvmCL - INAPTA por impedimento ao uso de implementos agrícolas para


culturas de ciclo curto e longo.

55
VI. MODALIDADES DE LEVANTAMENTO DE SOLOS.

As modalidades de levantamentos usados no estudo de solo. São:

1. Levantamento Exploratório.
2. Levantamento de Reconhecimento
3. Levantamento de Reconhecimento Detalhado ou Semi-Detalhado.
4. Levantamento Detalhado Básico.

ESCANEAR DUAS FIGURAS. PG.369 E 370.

VI. 1 LEVANTAMENTO EXPLORATÓRIO.

Para o Levantamento Exploratório, as unidades de classificação, os seus limites são


inferidos por mapas e dados de relevo, geologia, vegetação, clima, fotografias aéreas, etc.,
que são completados com alguns percursos, nos quais são feitos estudos e descrições das
associações encontradas. Os limites das associações serão esquemáticos.
O principal propósito deste levantamento é o de seleção de regiões ou áreas muito
grandes para o estudo de suas possibilidades edáficas e naturais, bem como o de
proporcionar meios de comparação de áreas de solos a nível internacional ou mesmo mapas
esquemáticos dos continentes.
As escalas mais usualmente usadas são inferiores a 1:250. 000 e as observações no
campo, com ou sem fotointerpretação, inferiores a 1/100 hectares.

VI. 2 LEVANTAMENTOS DE RECONHECIMENTO.

O levantamento de Reconhecimento é aquele em que parte do limite das unidades foi


percorrido, fazendo-se a menção dos Grandes Grupos e Séries. Os caminhamentos serão de
acordo com as possibilidades locais e as observações do solo poderão estar distanciadas de
2 km, 5 km, até 15 km ou faixa de 2 a 45 observações por 100 hectares com
fotointerpretação.
As escalas mais usadas estão entre 1:75. 000 e 1:150. 000 e as unidades mais usuais
são o Grande Grupo, Sub-Grupo, Fases, Associações ou Complexos de solos.

VI. 3 LEVANTAMENTO DE RECONHECIMENTO DETALHADO OU


SEMI-DETALHADO.

O levantamento de Reconhecimento Detalhado é semelhante ao anterior, somente


acrescido de levantamento detalhado de áreas de real interesse agrícola.

56
A escala de publicação para este tipo de levantamento, usualmente está entre 1:25.
000 e1: 75.000 com intensidade de observações variáveis de acordo com o método usado.
Assim VINK (1963) estipulou entre 12 e 25/100 hectares, com fotointerpretação e 1 a 3 por
cada 100 hectares sem fotointerpretação. Pelo sistema tradicional as observações podem
chegar mesmo a cada 500 m.
As unidades utilizadas são geralmente fases de Grandes Grupos, Famílias, Séries,
Associações de Fases ou mesmo Complexos de Solos.

VI. 4 LEVANTAMENTO DETALHADO.

Quanto ao Levantamento Detalhado é aquele em que os limites anotados foram


obtidos através de observações na terra, em toda a extensão da área estudada.
O percurso transversal aos cursos de água deve estar distanciado até em 300 m, este
para o sistema de quadriculas.
Geralmente a escala de publicação deste tipo de estudo é de 1:10. 000 ou maior.
Segundo VINK a densidade de observações varia de 100 a 500 para cada 100 hectares.

VI. 5 UNIDADES CARTOGRAFICAS.

As unidades a identificar sempre são unidades taxonômicas e pertencem a um sistema


de classificação que serve para ordenar os nossos conhecimentos de maneira sistemática.
Assim temos as Ordens, Sub-ordens, Grandes Grupos, Sub-grupos, Família e Séries
segundo o Sistema Compreensivo ou as categorias de qualquer outro sistema. As unidades
taxonômicas na realidade não são mapeadas, mas sim os solos com características de um
determinado táxon ou classe de um sistema de classificação utilizado. Em nenhum caso
podemos esperar que uma unidade mapeada no campo corresponda cem por cento com o
conceito de unidade taxonômica. Sempre existirão dentro delas áreas que correspondem a
outros táxons. Estes os consideram como impurezas da unidade mapeada e não devem
alterar a utilidade imediata da predição sobre a área, ou seja, que devem manter-se a um
mínimo tal de modo a não influenciar na unidade mapeada.
Durante o mapeamento de solos, nós encontramos diante de determinados aspectos
fisiográficos que possuem limites visíveis e que irão possibilitar a delimitação de zonas de
solos mais ou menos homogêneos. Segundo o nível do estudo, estas unidades fisiográficas
serão mais ou menores e incluem uma ou várias unidades taxonômicas, servindo ao
propósito do mapeamento em muitos casos.
Na contenção e interpretação dos mapas de solos é necessário conhecer que existem
áreas que não podem ser mostradas, por seu tamanho, no mapa. Assim, segundo a escala de
publicações do mapa, diversas áreas de vários tamanhos desaparecerão. Segundo VINK a
área mínima de mapeamento está em torno de 0,25 cm² do mapa. Unidades menores que
esta área é difícil de serem manuseadas no que se referem à colocação da simbologia além

57
de complicar desnecessariamente a sua leitura. Assim, correspondendo a escala de
publicação do mapa a área mínima a ser mapeada será:

Área Mínima de Mapeamento


Km² ha
Escala de Publicação
1:2. 500. 000 250 25.000
1:1. 000. 000 40 4.000
1:750. 000 22,5 2.250
1:500. 000 10 1.000
1:250. 000 2,5 250
1:100. 000 0,4 40
1:25. 000 0,025 2,5
1:10. 000 0,004 0,4

As unidades de mapeamento podem estar divididas em

1. Unidades que consistem basicamente de uma única categoria taxonômica


(ex: grande grupo, família, série, etc.)
2. Unidades que agrupam táxons diferentes dentro de uma mesma categoria ou
são subdivisões dela (ex: associações, fases, etc.).

Para as unidades de mapeamento além do Grande Grupo, Série e Fase, podem ser
utilizadas as Associações de Solos, os complexos de Solos, os Grupos Indiferenciados e
alguns autores ainda consideram as Miscelâneas de Terra.

Associações.

As Associações compreendem duas ou mais unidades taxonômicas associadas


geograficamente em forma regular que não devem ser separadas cartograficamente devido
à escala utilizada. É de se esperar que ao utilizar uma escala maior possam ser
individualizadas em unidades de mapeamento.

Complexos

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Seu conceito é semelhante ao da Associação com a diferença de que a nenhuma
escala utilizada, podem os solos ser separados por constituírem unidades muito pequenas e
intimamente interligados.
Grupo Indiferenciado

Compreende diferentes solos que não estão associados geograficamente em forma


mais ou menos regular. Estão incluídos dois ou mais solos em uma mesma unidade devido
à existência de características importantes que os unem ou que não justificam a sua
separação.

Miscelânea de Terra

É uma unidade que se utiliza para representar áreas que não justificam o seu
mapeamento pelo caráter de não permitir um uso possível. Ex: Areias com rochas, areias
pantanosas, dunas, áreas escarpadas, etc.

VII. FERTILIDADE DOS SOLOS.

Para Raij (1991), solos férteis permitiram o desenvolvimento de civilizações e a


criação de riquezas em inúmeras regiões do mundo. Ainda hoje isso acontece, enquanto
ainda há terras férteis virgens a serem conquistadas.
Contudo o advento da agricultura científica ampliou as fronteiras e derrubou os
limites que a baixa fertilidade natural do solo impunha ao desenvolvimento da agricultura
em vastas regiões. Assim, muitas terras, outrora consideradas impróprias para cultivos,
podem ser hoje ocupadas com atividades agrícolas.
A pesquisa científica e tecnológica orientou o caminho para que uma agricultura,
baseada em grande parte no uso de corretivos da acidez e de fertilizantes minerais, passasse
a ocupar áreas antes improdutivas. Ao mesmo tempo, solos desgastados puderam ter sua
produtividade restaurada.
Na situação que encontramos no Brasil, a fertilidade do solo como foco de estudo no
nosso curso tem um papel muito importante, para nos orientar e fornecer embasamento
técnico para o uso racional de corretivos e fertilizantes, insumos vitais para o
desenvolvimento da agricultura.

1. Conceitos de Fertilidade do Solo.

Para Mello et al. (1983), não existe um acordo geral sobre o termo fertilidade do solo.
Alguns consideram que um solo fértil deve ter boas propriedades físicas e fornecer às
plantas os nutrientes que dele são absorvidos, em quantidades razoáveis e
convenientemente balanceados. Tal solo não deve conter substâncias ou elementos tóxicos
em quantidades que possam prejudicar o desenvolvimento dos vegetais e deve estar
localizado numa zona climática tal que fatores, como luz, temperatura, umidade, etc., não
sejam limitantes do crescimento.

59
Como descrito, é produtivo e fértil.
Alguns autores firmam o conceito de que a habilidade de um solo para fornecer
nutrientes às plantas, a presença de maiores ou menores quantidades de substâncias ou de
elementos tóxicos e suas propriedades físicas são suficientes para definir-lhe a fertilidade.
Segundo esse modo de apreciar o assunto, um solo rico em nutrientes essenciais, presentes
em quantidades convenientemente balanceadas, livre de materiais tóxicos em altos níveis é
um solo fértil, embora possa não ser produtivo.
De acordo com esta última concepção, as condições ambientais, como temperatura,
luz, luminosidade, aeração, etc., são ignoradas. Leva-se em conta apenas a capacidade
potencial do solo para produzir boas colheitas. Pode-se, então, definir das seguintes
maneiras um solo fértil e um solo produtivo.
Solo fértil é aquele que contém, em quantidades suficientes e balanceadas, todos os
nutrientes essenciais em formas assimiláveis. Deve estar razoavelmente livre de materiais
tóxicos e possuir propriedades físicas e químicas satisfatórias. Todos os solos férteis são
potencialmente produtivos.
Solo produtivo é aquele que, sendo fértil, se encontra localizado numa zona climática
capaz de proporcionar suficiente umidade, luz, calor, etc., para o bom desenvolvimento das
plantas nele cultivadas.
Vê-se, pois, que a grandeza da produção agrícola não depende apenas do solo, mas
também de outras condições importantes, como as ligadas ao ambiente, à planta e aos
tratamentos dados a ela.
Deve-se acrescentar que fertilidade do solo e produtividade são características
dinâmicas, podendo permanecer inalteradas, ser elevadas ou reduzidas.
Lembre-se, também, que é difícil separar os conceitos de fertilidade e de
produtividade, pois, quando se fala que um solo é fértil, pensa-se logo nas altas produções
nele obtidas. (Mello et al, 1983.).

2. Importância da Fertilidade do Solo.

O raio médio da Terra mede aproximadamente, 6370 km. Porém, as plantas retiram a
maior parte dos nutrientes que necessitam da camada superficial do solo, até a
profundidade de 20 cm.
Segundo Mello et al (1983), diz que, por outro lado, os oceanos ocupam 70,8% da
superfície do planeta. Descontando dos 29,2% restantes as áreas ocupadas por rios e lagos e
as que atualmente não são propícias à agricultura e à pastagem (desertos, florestas, regiões
muito acidentadas ou cobertas por geleiras, etc.), pode-se fazer uma idéia do valor do
estudo da fertilidade do solo e da necessidade de mantê-la no grau mais elevado possível: é
que desse “resíduo” do planeta dependem todas as formas de vidas terrestres, animais e
vegetais. E esse “resíduo” representa cerca de 1,33% da área do globo terrestre, segundo
cálculos feitos a partir dos dados de MIYASAKA et al, citados pela Sociedade Brasileira
de Ciência do Solo (1976).

Raij (1991), comentando sobre a Importância da Fertilidade do Solo, diz que não se
pode ignorar a importância de solos férteis. Em ambientes naturais, sem limitação de
chuvas, eles sustentam ecossistemas com florestas exuberantes, ricos em flora e fauna.
Quando usados para a agricultura, permitem a obtenção de colheitas fartas, sem uso de

60
fertilizantes, pelo menos enquanto a riqueza natural do solo em nutrientes para as plantas
persistir.
A agricultura moderna exige o uso de corretivos e fertilizantes em quantidades
adequadas, de forma a atender a critérios racionais, que permitam conciliar o resultado
econômico positivo com a preservação dos recursos naturais do solo e do meio ambiente e
com a elevação constante da produtividade das culturas.
Isso não pode ser conseguido com a adoção de práticas de manejo generalizadas,
ignorando as particularidades dos solos de diferentes locais. É preciso identificar os
problemas e as necessidades de cada caso.
A fertilidade do solo busca isso. Através da aplicação de seus conhecimentos chega-
se às melhores soluções possíveis. Isso porque ela congrega um conjunto de informações
decorrentes da pesquisa científica, suportada por uma enorme quantidade de experimentos
realizados em todo o mundo. A fertilidade do solo descreve a inter-relação entre fatores que
afetam os efeitos de corretivos e fertilizantes sobre solos e plantas cultivadas, organizando
os conhecimentos para uso na produção agrícola.

VIII. COLETA DE AMOSTRAS DE SOLOS.


Para o estudo do solo o mais importante no procedimento da amostragem para análise
é que esta seja a mais representativa do local a ser estudado. Para isto deverá ser feita uma
avaliação sumária da área, o que conduzirá a uma amostragem adequada do solo para o fim
a que será destinada a sua utilização. Lógico está que determinados procedimentos deverão
ser levados em conta de maneira que o local ou locais escolhidos apresentem um mínimo
de variação dentro das unidades de solos a serem amostradas e que realmente possam ser
consideradas como as ideais para representarem as suas propriedades físicas, químicas e
mineralógicas. Isto, entretanto, estará sujeito a variações que por sua vez estarão
condicionadas às modificações locais, mas devem oferecer base para o trabalho proposto.
Vieira et al, (1983).
Para a amostragem do solo o que primeiramente deverá ser conhecido é o fim, a que
ela de destina. Muitas amostragens são feitas com a finalidade de avaliar a fertilidade dos
solos para sua utilização com agricultura; outras se destinam a trabalhos de pesquisa, mas
tidos representam uma soma valiosa de dados que nos informarão muito das suas
propriedades e de sua inter-relação com as plantas.
Por conseguinte, a instrução para a amostragem deve estar baseada no tipo de
procedimento que envolverá não somente a utilização do solo, mas também a especificação
do tipo de amostragem com relação ao fim a que se destina.

As amostras de solos que poderão ser feitas, de uma maneira geral, são:
a) Amostragem para caracterização analítica do perfil; e.
b) Amostragem para a avaliação de fertilidade de uma área.

1. AMOSTRAGEM PARA CARACTERIZAÇÃO ANALITICA DE PERFIS DE


SOLOS.

Uma vez descrito o perfil do solo procede-se a coleta de amostras dos horizontes ou
camadas que serão enviadas ao laboratório para análises físicas, químicas e mineralógicas.

61
Marcados os horizontes do perfil, procede-se à tomada de amostras que compreende
duas operações: a) Coleta da prova volumétrica; e b) Tomada de amostras para análises
gerais.
a) Coleta da Prova Volumétrica - a prova volumétrica tem por finalidade a
determinação da quantidade de água, ar e matéria sólida do solo em condições
naturais, bem como a densidade aparente ou peso específico aparente do solo.

Exemplo de extração de amostra.


Em cada horizonte é cravado este cilindro, com batidas firmes, para que haja um
mínimo de compressão lateral nas suas paredes internas. Retira-se o cilindro com o solo por
intermédio de uma faca ou espátula, obtendo-se assim uma prova estrutural do solo, que é
conduzida ao laboratório, hermeticamente fechada, onde após simples trabalho de pesagem
antes e depois da secagem a 105 – 110ºC obtém-se com certa precisão, a distribuição dos
componentes volumétricos do solo. (Vieira, 1983.).

b) Tomada de amostras para análises gerais – no decorrer da tomada de amostras


deverão ser evitadas as partes que não sejam típicas de cada horizonte, como é o caso das
faixas que constituem limites entre horizontes adjacentes e que não representam as
propriedades de nenhum deles de per si. Sempre que possível, a coleta de amostras deverá
atingir o horizonte C ou mesmo R. Os sacos para as amostras deverão comportar
aproximadamente 2 kg de terra e poderão ser de lona ou plástico.

A coleta deverá sempre ser feita dos horizontes inferiores para os superiores, por
horizontes ou camadas, de maneira que materiais que não a do horizonte em estudo, sejam
coletado como deste.
Ao ser fechado o saco procede-se a etiquetagem com o auxílio de etiquetas de
cartolina, em duas vias, uma no interior e outra amarrada à sua parte estrema.
Nas etiquetas correspondentes as amostras dos vários horizontes dos solos estudadas,
deverão constar:

62
Projeto ou Instituição.
Unidade de mapeamento.
N. do perfil.
Município, Estado.
Horizonte e profundidade.
Coletor.
Data.

2 AMOSTRAGEM PARA ANÁLISE DE FERTILIDADE.

Segundo a publicação da EMBRAPA – SOLOS, e, site eletrônico

Exemplo de retirada de amostras de um terreno de baixada ( amostra 1 ) e de


meia encosta ( amostra 2 ). As áreas dentro do circulo não devem ser amostradas.

Procedimento para coleta de amostra de solos

Segundo a publicação da EMBRAPA – SOLOS, em site eletrônico, uma boa análise


de solo depende da correta amostragem da área. Para tanto, recomenda-se seguir
rigorosamente as instruções abaixo:

Como retirar amostras de terra e identificá-las:

1 - Dividir a propriedade em áreas uniformes de até 10 hectares, para retirada de amostras.


Cada uma destas áreas deve ser uniforme quanto a cor, topografia textura e quanto as
adubações e calagens que recebeu. Áreas pequenas, diferentes da circunvizinha, não
deverão ser amostradas juntas.

2 - Cada uma das áreas escolhidas deverá ser percorrida em ziguezague, retirando-se, com
um trado, de 15 a 20 pontos diferentes, que deverão ser colocadas juntas em um balde

63
limpo. Na falta de trado poderá ser usado um tubo ou uma pá. Todas as amostras
individuais de uma mesma área uniforme deverão ser muito bem misturadas dentro do
balde, retirando-se uma amostra final de aproximadamente 200 g.

3 - As amostras devem ser retiradas da camada superficial do solo, até a profundidade de


20 cm, tendo antes o cuidado de limpar a superfície dos locais escolhidos, removendo as
folhas e outros detritos.

4 - Não retirar amostras de locais próximos a residência, galpões, estradas formigueiras,


depósito de adubo, etc. Não retirar amostra quando o terreno estiver encharcado.

3. FATORES DETERMINANTES DA TOMADAS DE AMOSTRAS.

Para Vieira 1983, ele comenta que vários são os fatores que vão determinar a
tomada de amostras de solos para análises. Entretanto, deverá ser evitada uma grande
variação de amostras que pode confundir ou dificultar o proprietário rural.

Entre os fatores a serem considerados na tomada de amostras no campo para a


análise do solo estão:

a) A decisão de como a área deverá ser selecionada para a amostragem. Ex.


qual o módulo a ser considerado para a subdivisão do campo em
pequenas parcelas.

b) O número de amostragens, a sua distribuição e a sua relação com o


tamanho da área a amostrar.

c) O tipo de ferramenta a ser utilizada;

d) A profundidade da amostragem;

e) O tamanho da amostra composta e se esta resulta de subdivisões de uma


grande amostra; e

f) O estado de umidade da área se está bastante úmida ou bastante seca.

IX. EROSÃO – PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DO SOLO.

INTRODUÇÃO.

Pode-se dizer que de todos os recursos naturais existentes no planeta, o solo é um


dos mais instáveis quando modificado, ou seja, quando sua camada protetora é retirada.

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Processos erosivos ocorrem de forma moderada em um solo coberto, sendo esta
erosão chamada de geológica ou normal.

Uma vez modificado, para cultivo ou desprovido de sua vegetação originária têm
início a erosão, capaz de remover mil vezes mais material do que se este mesmo solo
estivesse coberto. Por ano o Brasil perde aproximadamente 500 milhões de toneladas de
solos através da erosão.

O arraste de partículas constituintes do solo se dá pela ação de fatores naturais


como água, vento, ondas que são tipos de erosão, além da própria erosão geológica ou
normal que tem por finalidade nivelar a superfície terrestre..
(http://www.ambientebrasil.com.br/)

Provável que a degradação dos solos seja o problema mais urgente dos atuais
problemas É, uma área do tamanho da China e Índia tem sido erodida. Deste total, pode-se
dizer que nove globais. Desde 1945 1,2 bilhões de hectare milhões de hectares foram
totalmente danificados; em 300 milhões de hectares a agricultura está totalmente
prejudicada. A maior parte das áreas afetadas está em países que possuem uma
superpopulação em relação à capacidade de produção de alimentos.

IX. 1. CONCEITOS.

Segundo Vieira 1983, A erosão é um processo que traduz na desagregação,


transporte e deposição do solo, sub-solo e rocha em decomposição, pelas águas, ventos ou
geleiras.

É a desagregação, transporte e deposição dos materiais dos horizontes superficiais e


profundos do solo, provocando o seu rebaixamento. Pode-se perceber que a erosão inicia o
seu trabalho na parte superficial, aprofundando-se até encontrar a rocha viva. Também o
carreamento do sub-solo e da rocha em decomposição é incluído no fenômeno da erosão.

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Fig. Solo que apresenta sinais de erosão.

IX. 2. AGENTES.

O agente é aquele que realiza o trabalho; é quem desenvolve o processo da erosão; é


quem desagrega, transporta e deposita os materiais.

Os mais importantes agentes de erosão são:

a- Água
b- Ventos
c- Geleiras

Dependendo do clima (temperatura, precipitação, etc.) e da topografia, pode ocorrer


o trabalho de um ou de outro agente, ou de dois agentes simultaneamente.

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No Brasil, o agente mais “trabalhador” é a água, embora o vento já seja problema
em algumas regiões e com o passar dos anos vem intensificando sua ação; por isso mesmo
já deve merecer atenção da nossa parte.

IX. 3. FASES.

Qualquer que seja o agente, a erosão se processa em três fases, nem sempre muito
distintas uma das outras porque podem realizar-se concomitantemente.

1º Fase – Desagregação.

A desagregação constitui-se numa fase de choque, de impacto, de batida contra a


superfície do solo (superfície aqui não é tomada como solo superficial ou horizonte A). Na
erosão pela água fatores intensidade de precipitação, natureza do solo (textura, estrutura,
cultivo, etc.,) e a cobertura (quantidade e tipo) influem na intensidade da desagregação.

Esta fase é tão importante que é considerada, por alguns especialistas, como um tipo
de erosão.

No caso da erosão pelo vento, ele solta as partículas e estas vão batendo e atritando
contra outra, soltando-as.

Quando o agente é o gelo, a desagregação é realizada pelo escorregamento; o bloco


de gelo se atrita (raspa) sobre a superfície da terra e também rasga essa superfície como se
fosse um arado.

2º Fase – Transporte.

Depois de soltas, as partículas minerais e orgânicas são transportadas.

É preciso considerar, no transporte, o tamanho das partículas, a força do agente, a


topografia do terreno e a presença ou ausência de obstáculos (vegetação, pedras, etc.).

O transporte pode ser feito pelas geleiras, pelos ventos e pelas águas.

3º Fase – Deposição.

Para Galeti, 1973, a deposição ou assentamento, é a última fase do processo


erosivo, é a parada do material é o fim do transporte. Isto se verifica quando o agente perde
a sua força (diminui a velocidade ou o volume) ou então porque encontra um obstáculo que
o faça mudar, ao menos parcialmente, de direção, ou que lhe divida o volume (caso da
água), ou que lhe diminua a velocidade, ou ainda que se coloque à frente do material
transportado retardando o seu movimento ou mesmo forçando a sua parada. Assim, por
exemplo, a enxurrada vem descendo e trazendo partículas grossas, arrastadas ao nível do

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solo, partículas médias em suspensão e finas em solução; as partículas param tão logo
encontrem um obstáculo (uma pedra, um toco, uma árvore deitada uma moita de capim
ou...), ou então quando o declive se suaviza (se torna menor) no final do lançante, ou,
ainda, se por alguma razão, a água for dividida (dispersada); as partículas suspensas
depositam-se quando a água perde velocidade (elas só assentam quando a água perde a
velocidade). As partículas finas vão a grandes distâncias, sendo, muitas vezes,
transportadas aos lagos, mares ou oceanos.

IX. 4. TIPOS.

Continuando com Galeti 1973, diz que quando tratamos da sua formação, o solo é
produto da desintegração e decomposição de rochas pelo trabalho da água, temperatura, ar
organismos, etc. Esse processo é considerado como um tipo de erosão. É uma erosão
extremamente lenta; processada sobre a rocha, recebe o nome de erosão Geológica. É útil,
porque dela resulta a formação dos solos.

Nesse estudo, o que nos interessa é a erosão acelerada, nociva, realizada sobre o
solo, provocando o seu desgaste.

Levando-se em conta o agente, pode-se distribuir a erosão acelerada em:

a) Agente água provoca a erosão hídrica.

• Erosão hídrica pluvial;


• Erosão hídrica fluvial
• Erosão hídrica lacustre;
• Erosão hídrica marinha.

A erosão hídrica pluvial é aquela provocada pelas águas das chuvas; a fluvial é
provocada pelas águas dos rios; a lacustre pelas águas dos lagos (ondas, etc.); marinhas
pelas águas do mar.

b) Agente vento provoca a erosão eólica ou eólea.

c) Agente geleira provoca a erosão glacial.

Para o Brasil o tipo mais importante é o hídrico, ao daremos mais atenção.

Quanto à forma de desgastar o solo temos:

 Erosão laminar;
 Erosão em sulcos;
 Erosão subterrânea.

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Erosão laminar, em lençol ou superficial, quando se verifica na superfície; a
desagregação e deslocamento do material se processam superficialmente, sem se formar
sulcos. O agente desgasta por igual; retira uma lâmina na superfície.

Erosão em sulcos dá-se quando as águas concentram-se em determinados pontos,


formando espécies de calhas, ou drenos ou escoadouros, que vão se aprofundando e
alargando.

Erosão subterrânea verifica-se quando as águas que se infiltram perfil à dentro


encontram uma camada impermeável que não podem transpor; nesse cão elas correm
lateralmente sobre essa camada aflorando nas encostas, onde provocam solapadamentos,
desbarrancamentos com aberturas de sulcos ou valas. Ela se diferencia da erosão em sulcos
porque nela a água se infiltra no perfil, ao passo que na erosão em sulcos, embora o sulco
possa ser profundo, as vezes mais profundos que na erosão subterrânea, a água não se
infiltra, ela corre sobre o leito do sulco.

IX. 5. FATORES.

Ainda Galeti 1973, já vimos que para o Brasil o mais importante tipo de erosão é
aquele provocado pelas águas das chuvas.

As águas das chuvas, quando caem, se distribuem em três direções:

- uma parte se evapora;

- uma parte se infiltra;

- uma parte se escorre sobre a superfície do solo.

Uma parte da água se evapora da atmosfera, das folhas e dos ramos das plantas e da
superfície do solo; é o filete de infiltração. Uma parte se infiltra solo adentro; é o filete de
infiltração. Uma terceira parte, a sobra, se escorre sobre o solo em forma de enxurrada; é o
filete de escorrimento.

Quanto se evapora quanto se infiltra e quanto escorre? É muito difícil dizer;


depende de uma série de coisas, tais como cobertura vegetal, topografia, intensidade das
chuvas, tipo de solo, etc.

Figura: da direção tomada pelas águas das chuvas. Pg.52 (Conservação do Solo-
Reflorestamento e Clima.

Quanto maior a infiltração e evaporação, menor a quantidade de água que se


escorre; isto é fundamental no controle à erosão, porque ela é provocada, quase que
totalmente, pelas águas que se escorrem.

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As águas que não se evaporam e não conseguem se infiltrar, correm pela superfície
e provocam a desagregação e o transporte de materiais dos vários horizontes do solo. É a
erosão. A intensidade da erosão depende de várias coisas:

- Intensidade do agente (chuva);

- Topografia;

- Cobertura vegetal;

- Tipo e manejo do solo, etc.

Intensidade é o volume de água precipitada (caída) dividido pelo tempo; assim, uma
chuva de 20 mm em 60 minutos é menos intensa que uma chuva de 20 mm em 120
minutos; uma chuva de 20 mm em 60 minutos é mais intensa que uma chuva de 10 mm em
60 minutos.

I= onde I é a intensidade, V é o volume de água caída e T é o tempo. Quanto


maior for I, mais intensa (mais pesada) será a chuva, mais água se escorrerá e maior será a
erosão. A erosão depende diretamente do volume e da velocidade da enxurrada; à medida
que aumentam o volume e a velocidade, aumenta a capacidade de erodir ( partículas
maiores e maior quantidade de partículas).

Com relação à chuva, pode-se dizer ainda que chuvas mais esparsas provoquem
menor erosão, porque encontram o solo seco, com maior capacidade de infiltração e,
também, no começo da chuva, a erosão é menor, porque ele ainda não está saturado
(encharcado) e, à medida que o tempo passa o solo vai se saturando até não poder mais
absorver água, tendo esta, que correr superficialmente.

Outro fator que influencia diretamente e grandemente na erosão é a topografia do


terreno. O grau de declive influencia tanto na velocidade como no volume. Num terreno
com 1% de declive, a velocidade é pequena e, sendo pequena, demora mais sobre o solo e
ele tem mais tempo para absorvê-la. Num terreno de 20% de declive a água desce muito
depressa, dando pouco tempo para que o solo a absorva. Então, quanto maior a caída ou
grau de declive, maior é a velocidade e maior é o volume da enxurrada, dando, em
conseqüência, uma maior erosão. Com respeito a grau de declive, enxurrada e erosão pode-
se dizer.

• Quando o declive é quatro vezes maior (passa de 2% para *%, por


exemplo), a velocidade da enxurrada duplica;
• Quando a enxurrada dobra de velocidade, a sua capacidade de erodir (causar
erosão) fica multiplicada por quatro;
• Quando a velocidade da enxurrada dobra, ela é capaz de desagregar e
arrastar 32 vezes mais partículas (maior quantidade);
• Quando a velocidade da enxurrada dobra, ela é capaz de desagregar e
arrastar partículas 64 vezes maiores.

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Ainda no declive, outro elemento importante a considerar é o comprimento do
lançante. A velocidade e o volume da enxurrada aumentam à medida que aumenta o
lançante.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICA.

VIEIRA, L. S. Manual da Ciência do Solo. São Paulo, Ed. Agronômica Ceres, 1975

VIEIRA, L. S. & VIEIRA MARIA, N. F. Manual de Morfologia e Classificação de Solos.

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São Paulo, Ed. Agronômica Ceres, 1983.

GALETI, P. A. Conservação do Solo, Reflorestamento, Clima. 2. Ed. Campinas, Instituto


Campineiro de Ensino Agrícola, 1973.

WWW.embrapa.br

http://www.uesb.br/

http://www.ambientebrasil.com.br

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