Troca de arquivos não afeta vendas de CDs, diz estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard

da Folha Online Um estudo conduzido por dois acadêmicos norte-americanos provavelmente não vai agradar a indústria fonográfica, que está tentando de todas as maneiras conter a chamada troca ilegal de arquivos pela internet. O trabalho, produzido por Felix Oberholzer-Gee, professor da Harvard Business School, e por Koleman Strumpf, da Universidade da Carolina do Norte, afirma que os programas para a troca de arquivos como o Kazaa, Morpheus e Edonkey provocam pouco impacto nas vendas de CDs. Segundo o site "The Register", os pesquisadores analisaram dados coletados durante 17 semanas diretamente das redes de trocas de arquivos. De acordo com o estudo, fatores como congestionamento da rede, duração dos downloads e feriados escolares foram levados em consideração. Eles também obtiveram informações oficiais sobre as vendas de CDs nos Estados Unidos. Os dados então foram comparados, e métodos estatísticos determinaram se a venda de um álbum cai à medida que ele é baixado da rede com mais freqüência. O resultado, segundo os professores, é que não existe uma conexão entre a quedas nas vendas e o download de arquivos. Sem prejuízo A lógica dos professores é que os internautas não iam mesmo comprar os discos baixados pela web, então as gravadoras não tiveram prejuízo. "A quantidade de downloads no período foi muito grande --cerca de 3 milhões de usuários trocaram 500 milhões de arquivos apenas na rede do Kazaa", diz o estudo. "Mas a maioria das pessoas que baixaram arquivos aparentemente são indivíduos que não iriam mesmo comprar o disco que foi copiado da rede." "Pela nossa amostra, a troca de arquivos não tem efeito significante nas vendas de um disco", informa o estudo. "No máximo, as redes de compartilhamento de arquivos podem explicar uma pequena fração da queda nas vendas." Os professores norte-americanos afirmam que, na pior das hipóteses, um disco precisa ser baixado cerca de 5.000 vezes para que um CD deixe de ser vendido nas lojas de música. Benefícios A teoria dos dois pesquisadores vai mais além: a troca de arquivos pode ter impedido uma queda ainda maior nas vendas de discos, que entre 2000 e 2002 foi de 139 milhões de unidades. O estudo sugere que, para 25% dos discos mais comercializados --ou seja, aqueles com vendas de acima de 600 mil cópias--, um disco a mais foi vendido para cada 150 downloads. Isso significa que os downloads prejudicam os álbuns menos populares, com vendas entre 36 mil cópias ou menos. No geral, dizem os professores, o efeito é benéfico, pois os lucros da indústria vêm dos discos mais vendidos. Para os professores, as vendas dos CDs caíram por outros motivos. Primeiro, afirmam os estudiosos, muitas pessoas trocaram os antigos LPs de vinil por CDs nos anos 90 e isso levou a uma explosão na

comercialização dos discos. Outras razões para uma queda nas vendas dos CDs são "condições macroeconômicas ruins, redução na quantidade de lançamentos de discos e a competição com novas formas de diversão, como os filmes em DVD e os videogames". "Filmes, programas e jogos são baixados com freqüência, mas essas indústrias continuaram a crescer mesmo com o surgimento das redes para troca de arquivos", notam os professores. Sites relacionados  Veja aqui a pesquisa completa sobre o impacto do download de músicas