Le Monde Diplomatique (Versão Portuguesa) 33_0312 (2.

841) Recorde norte-americano Segundo a UNICEF1, pelo menos 1,25 milhões de adolescentes engravidam por ano nos 28 países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Cerca de meio milhão destas adolescentes interrompem a sua gravidez, enquanto as restantes se tornam jovens mães. A França situa-se abaixo da média dos países da OCDE, pois apenas 4 por cento das mulheres de 20 anos tiveram um filho enquanto adolescentes (a média dos países da OCDE é de 7 por cento). Observam-se nítidas diferenças entre os “resultados” dos países anglo-saxãos, registando-se taxas muito elevadas de gravidezes adolescentes nos Estados Unidos (22 por cento), na Nova Zelândia (14 por cento) e no Reino Unido (13 por cento), enquanto a Suíça (2 por cento), os Países Baixos (3 por cento) e a Suécia (3 por cento) conseguem controlar muito melhor o fenómeno. Os Países Baixos têm uma das mais baixas taxas de gravidezes precoces do mundo: 8,1 por cada mil jovens com idades entre os 15 e 19 anos. Em contrapartida, os Estados Unidos apresentam os resultados mais elevados (93 por cento). Também não são negligenciáveis os valores registados no Reino Unido (62,6 por cento) e no Canadá (42,7 por cento). Ainda que não possa ser estabelecido um perfil típico e unívoco das jovens mães, os estudos realizados pelos sociólogos mostram, no seu conjunto, que o grau de inserção social é um factor preponderante. Não causa por isso espanto a constatação de que as mães menores de idade são muitas vezes originárias de meios populares. A monoparentalidade, a imigração, a residência em zona rural ou em bairros urbanos desfavorecidos, o abandono escolar ou o desemprego são variáveis socio-demográficas que aumentam o risco de gravidez entre esta população. Nos Estados Unidos, 80 por cento das jovens mães são provenientes de famílias pobres, que no entanto apenas representam 40 por cento da população adolescente. No Reino

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Unido, a maternidade precoce é 10 vezes superior entre os filhos dos operários não qualificados, quando comparada com a dos filhos de quadros médios e superiores. Em França, permanece por quantificar e cartografar a origem social das jovens mães. Os raros estudos qualitativos, como o de Charlotte Le Van, mostram que a gravidez adolescente não resulta apenas de um “acidente” ou de falta de informação, sendo muitas vezes desejada, de modo mais ou menos consciente, por raparigas em busca de reconhecimento social ou, simplesmente, de amor. Isto restringe os efeitos das políticas preventivas, pois “as raparigas oriundas dos meios sociais mais desfavorecidos são, por um lado, as que mais resistem a utilizar preservativos e, por outro, as que exprimem mais reticências relativamente à prática clínica”2.

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Innocenti Report Card, nº 3, UNICEF, Paris, Julho de 2001. Charlotte Le Van, Les grossesses à l’adolescence: normes sociales, réalités vécues, L’Harmattan, Paris, 1998.