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Escola Secundária Doutor Jorge Augusto Correia, Tavira

Diário de leitura de Os Maias

Tavira, 17 de março de 2020

E lá vai o quarto dia de quarentena. A verdade é só


uma, e ela é: eu detestava aquela escola, mas, agora,
devido às circunstâncias, dava tudo para lá estar
novamente e este filme real não dar azo à indústria
cinematográfica fazer um documentário sobre o vírus
Covid-19 daqui a uns anos. Porque, realmente, tudo o
que se está a passar é deveras um filme.

O dia hoje foi chuvoso e de uma ventania severa que até a minha persiana
queria levar. Vi um pouco de televisão, comi até o meu estômago pedir que
parasse e refastelei-me na minha cama a ler.

O que leio é tão bem conhecido, ou deveria sê-lo, pelos portugueses como a
paixão é pelos apaixonados. E é assim que começa, saborosamente, o capítulo X
deste livro Os Maias, de Eça de Queirós, com uma paixão já consumada entre
Carlos da Maia e a Condessa de Gouvarinho. Porém, este já se vai cansando da
donzela de cabelo cor de brasa, porque ela mostra-se “o homem da relação”,
como Eça a descreve mais adiante no capítulo, soando extraordinariamente
sexista. Carlos vai perdendo interesse pela Condessa por esta se tornar obsessiva
e louca de amores por ele, enquanto ele já sente desabrochar sentimentos por
outra mulher.

Este capítulo, que comecei a ler ontem, centra-se num hipódromo,


transbordando de camaradagem de requinte. Percebe-se as diferentes realidades
sociais da época devido à detalhada descrição que Eça faz das roupas e dos
hábitos de cada um. É neste episódio que Carlos revê amigos de longa data, ganha
12 libras numa aposta e procura Dâmaso que lhe prometera uma visita aos Olivais,
onde este pretendia conhecer a Madame Gomes.

Disciplina: Português Professora: Ana Cristina Matias


Escola Secundária Doutor Jorge Augusto Correia, Tavira

Das personagens, a que mais achei interesse foi a D. Maria. Uma mulher que
era a única a sentar-se junto aos homens, destemida e com uma personalidade
risonha e gozona, que Carlos apreciava. D. Maria vai mais tarde perceber,
astutamente, o clima de paixão entre Carlos e a Condessa, acabando por
questionar Carlos que não lhe adianta muito. É uma mulher digna de
reconhecimento.

O capítulo acaba depois de Carlos receber uma carta da “esposa” de Castro


Gomes, pedindo que vá tratar “uma pessoa de família”. Pobre homem
apaixonado...se soubesses que ela é tua irmã.

Bom, “querido diário”, vou continuar a não fazer nada nestas quatro
paredes.

Jéssica Cruz, 11.º C2

Edição:

Disciplina: Português Professora: Ana Cristina Matias