Guião de leitura do conto “Arroz do Céu” de José Rodrigues Miguéis, Gente da Terceira Classe Ao longo dos passeios de Nova

York, por sobre as estações e galerias do subway, abrem-se grandes respiradouros gradeados por onde cai de tudo: o sol e a chuva, o luar e a neve, luvas, lunetas e botões, papelada. chewing gum, tacões de sapatos de mulheres que ficam entalados, e até dinheiro. Às vezes, lá no fundo, no lixo acumulado ou em poças de água estagnada, brilham moedas de níquel e mesmo de prata. Os garotos ajoelham de nariz colado às grades, tentando lobrigar tesouros na obscuridade donde sopra um hálito húmido e oleoso e o cheiro dos freios queimados. Fazem prodígios de habilidade e obstinação para pescar as moedas perdidas. Alguns têm êxito nisso, mas depois engalfinham-se em disputas tremendas sobre a posse e a partilha do tesouro: nunca se sabe quem foi que viu primeiro. Outros, quando a colheita promete, chegam a arriscar nisso algum capital: juntam as posses, e entram dois, é quanto basta, no subway; uma vez lá dentro. trepam sub-repticiamente aos respiradouros, o que é uma difícil operação de acrobacia, para colher aquele dinheiro-de-ninguém, enquanto um ou mais camaradas vigilantes os vão guiando cá de fora. Também os há que entram sem pagar, por entre as pernas da freguesia e agachando-se por baixo dos torniquetes. O limpa-vias trabalhava há muitos anos no subway, sempre de olhos no chão. Uma toupeira, um rato dos canos. Picava papéis na ponta de um pau com um prego, e metia-os no saco. Varria milhões de pontas de cigarros, na maioria quase intactos, de fumadores impacientes, raspava das plataformas o chewing gum odioso, limpava as latrinas, espalhava desinfectantes, ajudava a pôr graxa nas calhas, polvilhava as vias de um pó branco e misterioso, e todas as vezes que o camarada da lanterna soltava um apito estrídulo – lá vem o comboio! – ele encolhia-se contra a parede negra, onde escorriam águas de infiltração, na estreita passagem de serviço. Até já tinha ajudado a recolher pedaços de cadáveres, de gente que se atirava para debaixo dos trens, e a transportar os corpos exangues de velhos que de repente se lembravam de morrer de ataque cardíaco, nas horas de maior ajuntamento, uns e outros perturbando o horário e provocando a curiosidade casual e momentânea dos passageiros apressados. Sempre de olhos no chão, bisonho e calado, como quem nada espera do Alto, e não esperava. A vida dele vinha toda do chão imundo e viscoso. Nem sequer olhava a lívida claridade que resvala dos respiradouros para o negrume interior, onde tremeluzem lâmpadas eléctricas, entre as pilastras inumeráveis daquela floresta subterrânea metalizada: nunca lhos tinham mandado limpar. Eram provavelmente o domínio exclusivo de operários especializados, membros de outro sindicato, que ele não conhecia. Nem talvez soubesse que existiam os respiradouros. Era estrangeiro, imigrante, como tanta gente. não brincara nem vadiara na voragem empolgante das ruas da grande cidade, e vivia perfeitamente resignado à sua obscuridade. Devia aquele emprego a um camarada que era membro dum clube onde mandavam homens de peso, mas ele de política não entendia nada, nem fazia perguntas. Como tinha nascido na Lituânia, ou talvez na Estónia, só falava em monossílabos; e, debaixo da pátina oleosa e negra que o ar do subway nela imprimira com o tempo. a sua face era incolor e a raça indistinta. Antes disso tinha trabalhado em escavações, um «toupeira». Este emprego era muito melhor, embora também fosse subterrâneo. E não tinha que falar o inglês, que mal entendia. Ora, à esquina de certa rua, no Uptown, há uma igreja, a de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, a todo o comprimento de cuja fachada barroca e cinzenta os respiradouros do subway formam uma longa plataforma de aço arrendado. Os casamentos são frequentes, ali, por ser chique a paróquia e imponente a igreja. O arroz chove às cabazadas em cima dos

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noivos, à saída da cerimónia, num grande estrago de alegria. Metade dele some-se logo pelas grelhas dos respiradouros, outra parte fica espalhada nas placas de cimento do passeio. Depois dos casamentos, o sacristão ou porteiro da igreja, de cigarro ao canto da boca, varre o arroz para dentro das grades, por comodidade. Provavelmente é irlandês, o arroz não lhe interessa, nem se ocupa de pombos: pombos é lá com os italianos, que, apesar de se dizerem católicos, são uma espécie de pagãos. O que se derramou no pavimento da rua, lá fica: é com os varredores municipais. Volta e meia há casório, sobretudo no bom tempo, ou aos domingos. E um desperdício de arroz, não sei donde vem o costume: talvez seja um prenúncio votivo de abundância, ou um símbolo do «crescei e multiplicai-vos» (como arroz). A gente pára a olhar, e tem vontade de perguntar: «A como está hoje o arroz de primeira cá na freguesia?» Aquela chuva de grãos atravessa as grades, resvala no plano inclinado do respiradouro, e, se não adere à sujidade pegajosa ou ao chewing gum (o bairro é pouco dado a mastigar o chicle), ressalta para dentro do subterrâneo, numa estreita passagem de serviço vedada aos passageiros. A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como ia agora por ali com mais frequência, notou que a coisa se repetia. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz? Intrigado, ergueu os olhos pela primeira vez para o Alto, e avistou a vaga luz de masmorra que escorria da parede. Mas o respiradouro, se bem me compreendem, obliquava como uma chaminé, e a grade, ela própria, ficava-lhe invisível do interior. Era dali, com certeza, que caía o arroz, como as moedas, a poeira, a água da chuva e o resto. O limpa-vias encolheu os ombros, sem entender. Desconhecia os ritos e as elegâncias. No casamento dele não tinha havido arroz de qualidade nenhuma, nem cru, nem doce, nem de galinha. Até que um dia, depois de olhar em roda, não andasse alguém a espiá-lo, abaixou-se, ajuntou os bagos com a mão, num montículo, e encheu com eles um bolso do macaco. Chegado a casa, a mulher cruzou as mãos de assombro: alvo, carolino, de primeira! Dias depois, sempre sozinho, varreu o arroz para dentro de um cartucho que apanhara abandonado num cesto de lixo da estação, e levou-o para casa. Pobres, aquela fartura de arroz enchia-lhes a barriga, a ele, à patroa e aos seis ou sete filhos. Ela habituou-se, e às vezes dizia-lhe: «Vê lá se hoje há arroz, acabou-se-nos o que tínhamos em casa.» Confiada naquele remedeio de vida! O limpa-vias nunca perguntou donde é que chovia tanto grão, sobretudo no bom tempo, pelo Verão, e aos domingos, que até parecia uma colheita regular. Embrulhava-o num jornal ou metia-o num cartucho, e assim o levava à família. Ignorando que lá em cima era a Igreja de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, e como tal de bom-tom, não sabia a que atribuir o fenómeno. Pelo lado da raiz, no subway, os palácios, os casebres e os templos não se distinguem. E foi assim que aquela chuva benéfica, de arroz polido, carolino, de primeira, acabou por lhe dar a noção concreta de uma Providência. O arroz vinha do Céu, como a chuva, a neve, o sol e o raio. Deus, no Alto, pensava no limpa-vias, tão pobre e calado, e mandava-lhe aquele maná para encher a barriga aos filhos. Sem ele ter pedido nada. Guardou segredo – é mau contar os prodígios com que a graça divina nos favorece. Resignou-se a ser o objecto da vontade misericordiosa do Senhor. E começou a rezar-lhe fervorosamente, à noite, o que nunca fizera: ao lado da mulher. Arroz do Céu...

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5. 8. mulher. 4. latrinas. 2. b) pouco satisfeita pois já comia muito arroz. b) de cor amarela e a raça oriental. c) num cartucho de papel. A família do limpa-vias ficou: a) pouco satisfeita pois não gostava de arroz. 6. resolve a seguinte ficha para verificar se o compreendeste bem. 6. O limpa-vias costumava levar o arroz para casa: a) no boné. 5. Pelos respiradouros do metropolitano caía arroz proveniente de: a)um mercado abastecedor da cidade. 4. A história passa-se em Nova Iorque. 1962) TESTE DE COMPREENSÃO ORAL DO CONTO "ARROZ DO CÉU" DE JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS Depois de teres ouvido o conto. latas. Nos respiradouros caem: a) peúgas. a sua face era: a) incolor e a raça indistinta. O limpa-vias é originário da: a) Alabama ou Alasca. 3 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . b) uma igreja de fachada barroca. c) Ucrânia ou Geórgia. d) de raça cigana. Lisboa. O limpa-vias é um homem que varre as ruas da cidade. 1971. b) luvas. b) Polónia ou Letónia. A primeira vez que o limpa-vias viu o arroz. botões. 7. pp. Editorial Estúdios Cor. A família do limpa-vias é composta por ele. Selecciona a melhor opção das apresentadas: 1. c) de cor negra e a raça africana. O arroz que o limpa-vias apanha vem de um armazém de arroz. papeladas. 3.O Céu do limpa-vias é a rua que os outros pisam. b) num balde. d) no bolso. O limpa-vias nasceu nos EUA. 3. Para o limpa-vias o arroz é uma dádiva do Céu. pastilha elástica. c) botões. apanhou-o e levou-o para casa. O limpa-vias costuma apanhar o arroz e leva-o para casa para a família comer. A. c) um armazém de arroz. d) Estónia ou Lituânia 2. c) satisfeita. 3 filhos e uma avó. d) luvas. Indica se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas CORRIGINDO AS FALSAS: 1. B. Devido ao seu trabalho. dinheiro. 67-71 (1ª ed. óculos. pois assim não passava fome. neve. in Gente da Terceira Classe. sapatos.

d) insatisfeita. Identifico a família do limpa-vias. preenche a seguinte grelha: Localizo a acção no espaço. ESTRUTURA / ACÇÃO 1. Segmentos do texto INTRODUÇÃO (Acontecimento s principais Assunto conclusão 4 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . Para saberes se compreendeste bem o conto "Arroz do Céu". C. Caracterizo o limpavias quanto à sua origem. I. O conto “Arroz do Céu” pode ser dividido em cinco partes. desenvolvimento (ponto culminante) e (desenlace). Conheço os momentos principais da acção do conto.2. Delimita cada uma dessas partes e distingue o assunto de cada uma delas. Parágrafos do texto Assunto 1. porque só comia arroz. Conheço a profissão do limpa-vias.Delimita as seguintes partes da narrativa : introdução (ou situação inicial).

2.1. “chão imundo e viscoso” . “símbolo do “crescei e multiplicai-vos” . 3. “trabalho”. “enchia-lhes a barriga”. No início do conto é feita a localização espacial da acção. “cerimónias”.1. Contudo. “imponente igreja”. “mundo abastado”. pobreza”. “lívida claridade”. “negrume interior” 5 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . “sustento”. Que estratégias utilizam os garotos para alcançar o que se encontra lá em baixo? ESPAÇO 3. o arroz não tem a mesma importância para estas duas partes da cidade. “obscuridade”. Faz corresponder as seguintes expressões ao subway e ao Uptown. “chuva benéfica”. tendo em conta o significado que o arroz tem em cada um desses espaços. “arroz carolino. Por que razão é que os garotos dedicam tanto tempo aos respiradores? 2. “prenúncio votivo de abundância”. “desperdício”. Os respiradouros por onde cai o arroz são o elemento de ligação entre o subway e o Uptown. ” maná”. de primeira”.-situação inicial: o dia-a-dia de um limpa-vias ) DESENVOLVIMEN TO (acontecimento inesperado: -mudança na vida familiar) CONCLUSÃO (situação final) 1. “grande estrago de alegria”. Indica-a.

Subway Uptown ↓ ↓ Símbolo do mundo ao mundo ao qual o Limpa-vias pertence vias não pertence qual o LimpaSímbolo do ↓ ↓ O LIMPA-VIAS RECOLHE O ABASTADO QUE OUTROS DESPERDIÇAM DESPERDIÇA MUNDO QUE SÃO DOIS MUNDOS QUE SE TOCAM. por tradução do inglês window.CONCLUSÃO: A acção deste conto passa-se em Nova Iorque. porque além do seu significado comum (Abre a janela para arejar a casa). O mesmo se passa com o vocábulo rato (o animal e o periférico de entrada que envia informação para o computador). os estrangeirismos mais significativos são os anglicismos e os galicismos. e dentro da cidade são apresentados dois espaços distintos. 6 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . EMPRÉSTIMOS São elementos lexicais que podem ser internos a uma língua ou estrangeirismos adoptados por essa língua. software. Os estrangeirismos são palavras que a língua não conseguiu adaptar: marketing. A palavra janela é um empréstimo da própria língua. croissant… Na língua portuguesa. ballet. passou a designar também uma área do ecrã do computador. MAS NUNCA SE MISTURAM. palavras inglesas e francesas.

Hoje. inscrevendo-as no quadro que se segue: PERSONAGENS PRINCIPAIS PERSONAGENS SECUNDÁRIAS PERSONAGENS FIGURANTES PERSONAGENS TIPO 7 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . b) Amanhã vou fazer um ____________ de rotina para ficar mais descansada. check up. O staff da minha empresa é muito competente. O meu passatempo preferido é fazer natação.1. AS PERSONAGENS 1. Repara no seguinte exemplo: O meu hobby preferido é fazer natação. e) A loja de discos tem pouco _________ . check in a) O António fez ____________ no jogo de cartas. performance. skinhead. c) No jornal. g) Os actores de Hollywood normalmente são perseguidos pelos ________________. 3. stock. Este produto tem um bom slogan. 2. Tendo em conta este exemplo. 2. a Luísa foi a um casting. Identifica-o e diz qual o seu significado. d) Tenho que chegar ao aeroporto duas horas mais cedo para fazer o ____________. O estrangeirismo foi substituído por uma palavra portuguesa.Empréstim Empréstim os os subway subway Uptown Uptown football football Futebol Futebol Adaptou-se Adaptou-se ao nosso ao nosso idioma idioma software software Manteve a Manteve a forma forma 1. bluff. Completa as seguintes frases com as palavras que te são dadas: Paparazzi. Faz o levantamento das personagens do conto. informaram que dois jovens foram incomodados por um indivíduo que pertencia a um grupo______________ . reescreve as seguintes frases: a) b) c) d) Tens que utilizar uma password para aceder ao programa. f) Adorei a ____________ do actor principal da peça de teatro. No conto “Arroz do céu” surge ainda outro estrangeirismo.

identifica o modo de caracterização presente na expressão acima referida: Caracterização Directa As personagens são caracterizadas directamente. quando as suas características são apresentadas explicitamente pelo narrador. Isto significa que… a) O Limpa-vias gostava de andar dentro dos canos. recorrendo a factos e / ou atitudes. “raça indistinta”. são normalmente adjuvantes ou oponentes da personagem principal.2. É o herói. b) O Limpa-vias passava muito tempo no subterrâneo. 3. um rato dos canos”. 3. cujas acções têm importância para o desenrolar dos acontecimentos. 3. O seu comportamento não o individualiza. O retrato é traçado. 2. “sempre de olhos no chão”. Transforma-o de modo a obteres uma comparação.Personagens mais importantes. Identifica o recurso estilístico presente na expressão acima mencionada. . “só falava em monossílabos”. cujas acções não têm tanta importância para o desenrolar dos acontecimentos. personagens que estão presentes mas não intervêm nos acontecimentos da história: têm como único objectivo ilustrar o ambiente e o espaço social. Na primeira apresentação da personagem principal é aqui feita. “bisonho e calado”. “resignado” 8 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . c) O Limpa-vias era peludo e cheirava mal. “patina oleosa e negra”.1. cultural. principalmente o psicológico e o social. 3. utilizando as seguintes expressões do conto: “estrangeiro”. Para caracterizar o Limpa-vias. Personagens menos importantes. “face incolor”. modificando / alterando de alguma forma a situação inicial da história. dado que o objectivo é expressar as qualidades e/ou defeitos do conjunto a que pertence. A Caracterização Indirecta é inferida pelo leitor a partir dos actos. “imigrante”. por outras personagens ou por elas próprias. 4. De acordo com a informação que se segue. o narrador utiliza a expressão “uma toupeira. ficamos a saber: a sua profissão o local onde é exercida o trabalho diário do limpavias.… Personagem que pretende caracterizar um grupo social ou profissional. atitudes e comportamentos da personagem ao longo da acção. Caracteriza o limpa-vias.1. “pobre”.

agressivo… . Ao longo do conto. normalmente. é o leitor que tem de inferir a qualidade de pobreza em relação a uma personagem que mora numa rua estreita. sentimentos. culto. tolerante. perspicaz. teimoso. temperamento.. normalmente. realizada através de adjectivos como rico. 5. 6. nível cultural… . assim.1 O Limpa-vias desconhecia… 5. .Quando é realizada de forma indirecta.Retrato físico Retrato psicológico Condição social Indicação de particularidades como altura. quando todas as outras já haviam desistido .Indicação de particularidades como hábitos. sem sol e com as casas em ruína... o Limpa-vias mostra desconhecer algumas das utilidades do arroz. é. 5.. desempregado… .A caracterização psicológica feita de forma directa.. acordo com o modelo. Completa o esquema com a evolução das suas reacções relativamente ao A primeira vez de  ignorou-o porque considerou-o lixo arroz. pobre.A caracterização social feita de forma directa. estatuto económico.Indicação de particularidades como profissão.Quando é realizada de forma indirecta é ao leitor que cabe a atribuição das qualidades de corajosa a uma personagem que é apresentada a salvar sozinha a sua casa em chamas. mas o facto de a personagem ser apresentada a carregar grandes pesos indica uma constituição física robusta. porque . ……………………………………….1. realizada através de adjectivos como sensato. dandonos. uma característica física de forma indirecta.É geralmente feita de forma directa. Atenta nos 7º. O desconhecimento destes aspectos levou o Limpa-vias à mudança: quer a nível das atitudes perante o concreto. Apontando as razões para o desconhecimento dos aspectos apresentados. relacionamento com os outros… .2. quer a nível das suas crenças. desfavorecido. o que ficava por cima da galeria 6. obstinado. é. 8º e 9º parágrafos e preenche o quadro: 5. Assinalando tudo o que o Limpa-vias desconhecia.2 porque… . estatura.. Um 9 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis dia  ……………………………………… porque A partir desse dia  ……………………………. Vezes seguintes  …………………………… porque ………………………………………. ………………………………………. cor dos olhos.1. 5..

a frase que caracteriza o arroz. neste excerto. Recorda a frase “Sempre de olhos no chão (…) como quem nada espera do Alto e não espera.1.2.1. Qual o recurso estilístico presente na frase que sublinhaste? Completa a frase que se segue: O arroz é descrito de uma forma muito sugestiva. 4. c) o sonho do Limpa-vias era ter muitas pérolas. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria.2. 9.2. realçando o que ambos têm em comum: a brancura e o brilho. c) …as estrelas estão demasiado longe. Indica-as. e sentiu os bagos a estalarlhe debaixo das botifarras.3. b) …as pérolas são mais raras e muito valiosas. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz?” 8. com um aro na boca.1. Justifica a utilização de maiúscula na palavra Alto.2. velas. 4.4. O arroz é ______________ a pérolas. b) o Limpa-vias encontrava colares de pérolas desfeitos junto com o arroz. Guardou segredo. outra. 10 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . notou que a coisa se repetia. “A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão. A evolução do Limpa-vias teve outras consequências. estrelas. A comparação entre as pérolas e o arroz significa que… a) para o Limpa-vias o arroz era tão raro e tão valioso como pérolas. é de ordem material. Que podemos concluir relativamente à fé do Limpa-vias? 7.2. o limpa-vias não fez caso.” 7. Tudo isto brilha intensamente no escuro. 9.7. espiritual. O narrador compara o arroz a pérolas e não a lâmpadas. Indica uma e outra. Completa as frases com palavras tuas. 7. Mas como ia agora por ali com mais frequência. varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico. Se pensares um pouco existem outras coisas igualmente brilhantes: lâmpadas. 4. pois… Resignou-se à vontade de Deus porque… Começou a rezar-lhe para … 8. 7.1. O “arroz do céu” teve duas consequências na vida do limpa-vias: uma. Comprova com elementos do texto que a importância do arroz conduziu o Limpa-vias a uma mudança relativamente à sua fé. trata-se de uma _______________. velas ou estrelas porque… a) …as lâmpadas e as velas são pouco brilhantes. Esta mudança implicou ainda outras atitudes. Sublinha.

de primeira! A importância que ganhou na subsistência da família e a sua origem possivelmente ……………………. de alimento dado pelos deuses. Assim. polido e brilhava. 10. Texto lacunar Primeiro. Relê-os atentamente e. Completa o texto com palavras / expressões retiradas do quadro 2.10. …………………..……. imagem que o Limpa-vias tem do arroz também muda ao longo da acção. mas começa a destacar-se porque era ………………………………….…. passou a ser um …………. preenchendo o esquema. Depois.…: alvo. 11 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . Campo lexical ------------------------------------------------------------------ ------------------------ RELIGIÃ O ------------------------ ------------------------ ------------------------ Ao seleccionares as palavras e ao agrupá-las em volta do conceito de religião. carolino. seguidamente.…. quadro 2 divina / limpo lixo / maná alimento de qualidade 11. ao contrário dos detritos..…………….…. trata-se de um -----------------------conjunto de palavras que se podem associar à volta de uma ideia. deulhe uma imagem de …………………………………………. Como deves ter reparado. …….1. -----------------------acabaste de criar um campo lexical. Como podes ver. escreve nos espaços vazios as palavras ou expressões ligadas à religião. o arroz foi visto como ……………………………….. conceito ou realidade.. isto é.. os últimos parágrafos do conto têm várias expressões com significado religioso.

( sono. Estados Unidos da América Emigrante ▼ pessoa que emigra. Faz corresponder as seguintes palavras de modo a obteres pares de palavras parónimas. assassínio ) PARÓNIMAS compriment o descrição assassino querer elegível eminente revelar estrato SIGNIFICADO SENTIDOS INSTRUIR-SE / ASSIMILAR HOMICIDA / HOMICÍDIO MOSTRAR / INSURGIR VIR À SUPERFÍCIE / MERGULHAR MEDIDA / SAUDAÇÃO DESCREVER / DISCRETO PERÍODO DE ACÇÃO POLÍTICA / ORDEM FUGIR / APODERAR-SE QUE NÃO SE PODE LER / SER VONTADE DE DORMIR / SONHAR PRESTES A ACONTECER / ELEVADO ACREDITAR / PRETENDER ILUMINAR / ELEVAR QUE PODE SER ELEITO MORRER / APARENTAR CAMADA / ALGO EXTRAÍDO. cumprimento. apreender. ilegível. parecer. rebelar. incidente. extrato largura. mandado. que para se estabelecer Estónia ou Lituânia ← Palavras parónimas são palavras semelhantes a nível fónico e a nível gráfico. crer.Imigrante ▼ pessoa que imigra: que vem estabelecer-se deixa o seu país num país que não é o seu. iminente. evadir. noutro. ascender. SEPARADO ACONTECIMENTO CASUAL GRAVE / ACONTECIMENTO CASUAL SEM GRAVIDADE PARÓNIMAS sonho SIGNIFICADO mandato perecer aprender imergir invadir acender acidente 12 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . emergir. 1. mas que não são equivalentes a nível do significado ( têm grafia e som semelhantes e são passíveis de confusão dada essa semelhança). discrição.

Ele vai pedir dispensa do serviço nocturno.HÁ CERCA DE 1. de acordo com os sentidos presentes na coluna central. Escreve-se A BAIXO Exercícios: ______________ Bolívia está a Argentina. Portugal tem _______________ de 10 milhões de habitantes. Atenta nas frases seguintes e classifica as palavras sublinhadas: a) A mulher do Limpa-vias comprou uma saia linda. colectivos! O Zé tremeu todo de alto __________________. O patrão tratou-o _________________ de cão. Foi _________________ de três dias que ele reparou no arroz. Escreve-se CERCA DE 3. Escreve-se HÁ CERCA DE Exercícios: Falámos ___________________ tudo e mais alguma coisa. Foi um grande casamento: estavam lá ___________ 500 pessoas.1. rasgou as calças de alto a baixo. O vento deitou ________________ o coreto. d) O Limpa-vias arrumou o arroz na despensa. com o sentido de “mais ou menos” Ele recolheu cerca de um quilo de arroz. Escreve o significado correcto destas palavras. c) A sua mulher foi ao Banco pedir um empréstimo. ______________ os despedimentos A bola foi pelo cano ____________________. 4. 2. O que me dizes _________________ de irmos de Com o sentido de “a respeito de” O Limpa-vias falou acerca do arroz à mulher.1. 13 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . O Limpa-vias saía muito tarde do trabalho. Com o sentido de “intervalo de tempo” O Limpa-vias trabalha há cerca de 3 meses no subway. O seminário foi _______________ da pobreza. A CERCA DE – CERCA DE. a) quando se trata de uma expressão adverbial Quando o limpa-vias se baixou para apanhar o arroz. Escreve-se ABAIXO / ABAIXO DE a) quando se trata de um advérbio de lugar: O arroz cai pelos respiradores abaixo. O seu trabalho é _________________ de quê? Já não ando de metro ______________ de 6 meses.. ABAIXO – ABAIXO DE – A BAIXO 1. A toalha rasgou de cima __________________. Estive em Nova-York ______________ de um mês. b) quando se trata de uma interjeição: Abaixo o desperdício! c) quando se trata de uma locução prepositiva No subway estão 5 graus abaixo do Uptown. O Limpa-vias sentou-se num banco a descansar. Os seus pais deram-lhe cem euros. b) O Limpa-vias está sem dinheiro. Escreve-se ACERCA DE 2. Não sei nada _______________ disso.

A Mafia raptou uma testemunha: ela sabia ______________________. quando se trata de uma preposição seguida de um pronome indefinido. _________________ parece que não sei nada. já posso fazer um bom trabalho. __________ não me posso limitar a copiar o que encontrei. 2. “PORÉM”) O Limpa-vias trabalha. Escreve-se DISCRIMINAR: Com o sentido de diferenciar. Três alunos saíram da sala e os _________________ ficaram lá dentro. Naquele dia. Volta a arrumar o quarto ____________ como estava. Não corras ____________________ que ficas com dor de barriga. Estás a comer ________________________. Portugal e os _________________ países da Europa são muito procurados pelos emigrantes. contudo não ganha o suficiente para sustentar a família. Escreve-se DEMAIS: Com o sentido de “os outros”. _________________ o que reuni na Internet. Com o sentido de absolver de um crime / tirar a culpa. DEMAIS – DE MAIS 1. 14 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . Escreve-se COM TUDO: Exercícios: Tenho dinheiro e ________________ não sou feliz. _______________ não sei nadar. nem penses que vais sair! __________________ o que tens feito.metro? DISCRIMINAR . “os restantes” O Limpa-vias e os demais emigrantes vivem com muitas dificuldades. 2. Escreve-se CONTUDO: quando se trata da conjunção adversativa (tal como “MAS”. 2. bem mereces um descanso. Escreve-se DESCRIMINAR: CONTUDO – COM TUDO 1. especificar. Estudei bastante. Fiquei transtornada _______________ o que me contaste.DESCRIMINAR 1. Escreve-se DE MAIS: Exercícios: Isto é ______________________. Eu tive que discriminar todos os assuntos tratados na reunião. Com o sentido de “demasiado”. Os jurados descriminaram o réu. Estou cansada ______________ para te aturar. Há muita gente que discrimina os imigrantes. o Limpa-vias ficou tão feliz que se esqueceu do saco com tudo lá dentro! ___________________ isto desarrumado. “a mais” O Limpa-vias trabalha de mais. Nasci à beira-mar.

obedecendo a essa estrutura e introduzindo os elementos necessários. 2. ______________ encontrar arroz. ______________ te apressares. Escreve-se SENÃO: Exercícios: Perdes o comboio. A CARTA Querida mãe. com o sentido de “apenas”. Não tinham nada para comer. . introduzir outros assuntos e 15 guião apresentar argumento s.para tratar com algum pormenor o assunto principal.para saudar ou apresentar brevemente o objectivo da carta. . senão o Limpa-vias. a família não terá jantar. “excepto” Ninguém ligava àquele arroz.SENÃO 1.SE NÃO . passaria fome. Escreve-se SE NÃO: quando SE é uma conjunção e NÃO é um advérbio ( com o sentido de “caso não”. observa a estrutura da carta e rescreve a canção. ______________ arroz. querido pai. Acabaste de ouvir uma canção que se chama “POSTAL DOS CORREIOS”. __________________ percebes. se necessário. Não dizes ________________ asneiras. Se não tivesse encontrado o arroz. Então que tal? Nós andamos do jeito que Deus quer Entre dias que passam menos mal Em vem um que nos dá mais que fazer Mas falemos de coisas bem melhores A Laurinda faz vestidos por medida O rapaz estuda nos computadores Dizem que é um emprego com saída Cá chegou direitinha a encomenda Pelo "expresso" que parou na Piedade Pão de trigo e linguiça pra merenda Sempre dá para enganar a saudade 1. Não sei nadar ________________ de costas. diz. Espero que não demorem a mandar Novidade na volta do correio A ribeira corre bem ou vai secar? Como estão as oliveiras de "candeio"? Já não tenho mais assunto pra escrever Cumprimentos ao nosso pessoal Um abraço deste que tanto vos quer Sou capaz de ir aí pelo Natal para encerrar o assunto e fazer despedidas leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis .

com personagens. e.” 2. A gente pára a olhar. é fundamental a utilização das fórmulas de tratamento e dos registos de língua adequados ao destinatário e à situação 2. Redige a carta que o limpa-vias escreveu à mãe. resvala no plano inclinado do respiradouro. numa estreita passagem de serviço vedada aos passageiros.1. provavelmente. o Limpa-vias é imigrante em Nova Iorque. 2. É um desperdício de arroz.Além da necessidade de respeitar a estrutura da carta. ou aos domingos. O leitor e o autor habitam o mundo real. Lê o seguinte excerto: “Volta e meia há casório. se não adere à sujidade pegajosa ou ao chewing gum (o bairro é pouco dado a mastigar o chicle). Hoje. e tem vontade de perguntar: «A como está hoje o arroz de primeira cá na freguesia?» “Aquela chuva de grãos atravessa as grades. contando a sua nova vida em Nova York. É uma das três entidades da história. O NARRADOR Para se partilhar uma história é necessário contá-la. A função do autor é criar um mundo alternativo. ele resolveu escrever uma carta à mãe. A função do leitor é entender e interpretar a história. não sei donde vem o costume: talvez seja um prenúncio votivo de abundância. sobretudo no bom tempo. cenários e acontecimentos que formem a história. 1. Quem conta este excerto da história do Limpa-vias? a) O Limpa-vias O narrador b) O autor c) O sacristão d) Narrador participante / não participante O narrador pode contar a história de diferentes maneiras. sendo as outras o autor e o leitor. O narrador é uma entidade imaginária que conta a história. O seu país de origem é a Estónia ou a Lituânia e. 16 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . Completa o texto com o vocabulário que te é dado. ou um símbolo do «crescei e multiplicai-vos» (como arroz). ressalta para dentro do subterrâneo. Já o narrador existe no mundo da história (e apenas nele) e aparece de uma forma que o leitor possa compreendêlo. Como sabes. deixou lá alguns familiares.

com um aro na boca. Qualidades – “O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares” MODOS TEMPOS NÚMERO PESSOAS TEMPOS PRETÉRIT PRETÉRIT PRETÉRIT O O O MAIS IMPERFEIT PERFEIT QUE O O PERFEIT O eu eu eu estudava estudei estudara que eu estudasse FUTURO IMPERFEI TO eu estudarei se/quand o eu estudar Existem ainda as formas verbais não finitas: *Infinitiv o (pessoal e impessoa l) *gerúndi INDICATIVO CONJUNTIVO CONDICIONAL IMPERATIVO eu estudo que eu estude eu estudaria estuda / 17 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . não ________ caso. ou seja. ___________ que a coisa se repetia. Estes narradores narram a acção na ______________ pessoa. se for a personagem principal da história que conta é um narrador _______________. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. Assim. Pode contar uma história na qual não participa e nesse caso é um narrador ____________________. Acções – “Intrigado. ergueu os olhos pela primeira vez para o alto” 2. Se o narrador fosse o Limpa-vias as formas verbais passariam para a 1ª pessoa e estaríamos perante um narrador participante. não participante. o limpa-vias não fez caso. Mas como ia agora por ali com mais frequência. Mas como _________ agora por ali com mais frequência. Pode participar na história que está a narrar e nesse caso é um narrador _______________. VOCABULÁRIO NÃO PARTICIPANTE PARTICIPANTE 3ª PESSOA HETERODIEGÉTICO AUTODIEGÉTICO 1ª PESSOA 2. e sentiu os bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras. Este narrador narra a acção na _____________ pessoa. Identifica no excerto as oito formas verbais que te indicam que estamos na presença de um narrador heterodiegético. E _______________: donde é que viria tanto arroz?” CLASSE DOS VERBOS DEFINIÇÃO FLEXÃO MODOS PRESENT E Os verbos são palavras variáveis que exprimem: 1. “A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz?” 2. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. Se for apenas uma das personagens secundárias é um narrador ____________________. __________ com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico. varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico. e __________ os bagos a ___________ debaixo das botifarras.1. 1. com um aro na boca. Imagina então que o narrador é o Limpa-vias e transforma o texto. notou que a coisa se repetia. “A primeira vez que ________ aquele arroz derramado no chão.

2. e sentiu os bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras. Identifica a função dessas palavras. nas frases que escreveste. no pronominal. e assim o levava à família. Pronome pessoal: 18 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . 1.1. Rescreve o texto substituindo os pronomes pessoais pelas palavras que lhes correspondem. As formas verbais sublinhadas. seguinte excerto. EXº: amáreflexo. encontram-se na conjugação “A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão. EXº: lavarlo) se) VERBOS IRREGULARES: NÃO MANTÉM O RADICAL verbos verbos verbos verbos transitivos verbos intransitiv transitivo transitivos DIRECTOS E copulativ os s INDIRECTO INDIRECTOS os DIRECTO S S TPC: Copia o seguinte quadro no caderno diário e conjuga os verbos REPETIR e VARRER PRESENTE INDICATIV O CONJUNTIV O CONDICIO NAL IMPERATIV O PRETÉRITO IMPERFEITO PRETÉRITO PERFEITO PRETÉRITO MAIS QUE PERFEITO FUTURO IMPERFEITO CONJUGAÇÃO PRONOMINAL 1. o limpa-vias não fez caso.CONJUGAÇÃO SUBCLASSES estude o /estudem *particípi os / o estudai / passado estudem VERBOS REGULARES: MANTÉM O RADICAL 1ª CONJUGAÇÃO 2ª CONJUGAÇÃO 3ª CONJUGAÇÃO Verbos de tema em Verbos de tema em Verbos de tema em -i –a -e FORMAS ESPECIAIS DE CONJUGAÇÃO Conjugação Conjugação verbos defectivos Pronominal Pronominal Reflexa (Verbos que só se (Verbo conjugado (Verbo conjugado conjugam em algumas com pronome com pronome pessoas. varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico…” “Embrulhava-o num jornal ou metia-o num cartucho. EXº chover) pessoal.” 1.

ela nós vós eles. através de uma das três pessoas gramaticais. ela. No quadro que se segue encontram-se todas as formas do pronome pessoal e as funções sintácticas que podem desempenhar: Pronomes pessoais FUNÇÕES SINTÁCTICAS Número Pessoa SUJEITO eu tu ele. ou representa um nome anteriormente expresso. se COMPLEMENTO INDIRECTO mim. comigo ti. contigo ele. as. ao número. consigo nós. a. se nos vos os. lhe. ao género e à função. lhes. elas.O pronome pessoal refere-se aos participantes do discurso. Varia quanto à pessoa. consigo singular primeira segunda terceira primeira segunda terceira plural 19 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . si. si. elas COMPLEMENTO DIRECTO me te o. conosco vós. convosco eles.

colocando-os na coluna adequada. b) Ele picava papéis na ponta de um pau com um prego. os. SUJEITO COMPLEMENTO DIRECTO COMPLEMENTO INDIRECTO CONJUGAÇÃO PRONOMINAL ( transformações dos pronomes o. enquanto um ou mais camaradas vigilantes os vão guiando cá de fora. e encheu com eles um bolso do macaco. e metia-os no saco. Preenche o quadro com os pronomes pessoais que sublinhaste. d) Até que um dia. a. por entre as pernas da freguesia (. as ) 20 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis .2. num montículo. Sublinha os pronomes pessoais presentes nas seguintes frases: a) trepam sub-repticiamente aos respiradouros (…)para colher aquele dinheiro-deninguém. abaixou-se. Também os há que entram sem pagar.1.. consoante a sua função sintáctica. depois de olhar em roda. c) Nem sequer olhava a lívida claridade que resvala dos respiradouros (…) nunca lhos tinham mandado limpar. ajuntou os bagos com a mão.). 2. não andasse alguém a espiá-lo.

-ia. ex: Ele não levou o livro para a aula. -íeis. nos. ou Z. -ás. o pronome + ia. Ele faz os trabalhos de casa. –ão). No entanto.Se a forma verbal terminar em M ou em ditongo nasal (õe. > Vi-o verbo + no. este cai e o pronome ganha um L. ex: Os alunos viram o filme. -á. -los. ex: Ele entregará a encomenda a tempo. Posso emprestar-to ( te o ) Encontraste a peça? Então dá-ma. ex: Vou ver o Luís. -emos. > Tu conta-las. -las. tomando a forma -lo. coloca-se entre o radi-cal do verbo e as terminações verbais (-ia. > O João põe-no na estante. -la. como o radical termina em «R». 2 . -la. sem sofrer alterações (tal como nalguns casos em que a frase está na forma interrogativa). los. (me a) 6 Substitui as expressões destacadas pelo pronome correspondente e faz as alterações necessárias: verbo + pronome + ei. nas verbo + pronome 4 – Quando a forma verbal estiver no modo condicional.Quando juntamos pronomes aos verbos. > Vou vê-lo. > Ele não o levou para a aula Já leste o livro todo?.Quando a forma verbal estiver no futuro. elas contraem-se formando uma só palavra (em qualquer tempo verbal). -eis. ex: Vi o filme. Tu contas histórias. complemento directo e indirecto. –iam). verbo + lo. -los. > Tu convidá-losias para a festa. ão). -nas. -las. S. -na -nos. -las. -íamos. ás. > Eles pedi-la-ão à mãe. ia. estas consoantes la. emos. este cai e o pronome ganha um L. las caem e o pronome pessoal passa a ser: -lo. No entanto. em R. _! ( formas contraíd as ) 21 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . ex: Já li o livro. o pronome vai para antes do verbo. há algumas regras que temos que ter em conta: 1 – Quando a forma verbal termina em vogal. 3 . ex: Eu levaria a bicicleta para a escola. iam. 5 . Eles pedirão a prenda à mãe. o pronome tomará as formas: -no. > Ele entregá-la-á a tempo. tomando a forma -lo. > Eu levá-la-ia para a escola. na. Tu convidarias os teus amigos para a festa. 6 – Se a frase estiver na negativa. íeis. ias. -ias. eis. á. > Já o leste todo? CASOS ESPECIAIS: Sempre que na frase se encontrem em contacto duas formas de pronome pessoal. > Ele fá-los. o pronome não sofre alterações.Quando a forma verbal termina em R. o pronome coloca-se entre o radical do verbo e as terminações verbais (-á. -la. -los. > Os alunos viram-no O João põe o livro na estante. como o radical termina íamos. ão.

Desenlace do conto “Arroz do Céu” O “arroz do céu” teve duas consequências na vida do limpa-vias: uma. espiritual. é de ordem material. outra. O limpa-vias contou tudo à mulher. Indica uma e outra. Aquele arroz mataria a fome à família e si próprio. ele pôs o arroz dentro do saco. A mulher pediu-lhe arroz. dando a entender que há um Céu para os ricos e D outro Céu (muito mais baixo) para os pobres. segundo o modelo: I O ALEGRIA UPTOWN SUBWAY M FOME S LUXO P O __________________________ A U _________________________ T __________________________ V 22 guião leitura Arroz do céu _________________________ de José Rodrigues Miguéis R REMEDEIO I O DESPERDÍCIO A RESIGNAÇÃO S S QUE OS .1. Ele levará o arroz para casa. D __________________________ O O CONSUMISMO M U N D O Preenche o esquema-síntese do conto OBSCURIDADE com palavras/expressões __________________________ L __________________________ D CARACTERIZEM. O Limpa-vias metia os papéis no saco. 1. Os colegas do Limpa-vias não viram o lixo no chão. O sacristão não varre o arroz quando acabam os casamentos. “O céu do limpavias é a rua que os outros pisam” M U ABUNDÂNCIA MUNDO DO LIMPA-VIAS N __________________________ A frase final é profundamente irónica.Os rapazes tiraram as moedas do respiradouro. OPONDO-OS. . O Limpa-vias vai arrumar o arroz na despensa.

Só então se narram os acontecimentos e. 1. fechada porque a ao desenvolvimento e conclusão. damos o sabemos a sorte final das personagens. trata-se de uma narrativa aberta. opinião ou parecer. Sendo assim. De acordo com a informação acima.1.NARRATIVA ABERTA VS NARRATIVA FECHADA História completa — Geralmente a história começa por preparar o leitor para o que se vai passar em algumas linhas iniciais (introdução). A história não é totalmente solucionada (não se conhecendo o final) ou permitindo ao leitor imaginar uma continuação ou um final. Narrativa fechada — A este tipo de narrativa nome È de com narrativa introdução. que termina a história (conclusão ou final). 23 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . 1. incompleto. até um ponto que sentimos como acabada. também em poucas linhas. através de Pode acontecer que o destino das personagens fique suspenso. Imagina a continuação da história. um finalmente. desenlace (desenvolvimento) sente. o leitor ( conclusão). uma narrativa fechada porque foi solucionada até história pormenor. podemos considerar que o conto “ARROZ DO CÉU” permite-nos imaginar uma continuação da história. escrevendo um desenlace para este conto de modo a torná-lo numa narrativa fechada.

CABEÇA ou PARÁGRAFO-GUIA . apresentadas por ordem decrescente de importância. Caracterizase pela actualidade. Neste parágrafo deverá ser dada resposta às seguintes perguntas essenciais: quem?. por vezes. situações pouco habituais.A NOTÍCIA Notícia . porquê? 3. Relata. LEAD. brevidade e interesse geral. É redigida na 3. no qual se resume o que aconteceu.estrutura e linguagem A notícia é um texto de carácter informativo do domínio da Comunicação Social.é habitual representar-se graficamente a notícia por esta pirâmide invertida. Características da linguagem da notícia 24 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis CORPO DA NOTÍCIA . CORPO DA NOTÍCIA . o quê?. não só captar a atenção do leitor. geralmente. onde se faz a descrição ANTETÍTULO TÍTULO SUBTÍTULO LEAD quem?  o quê? onde? quando? como?  porquê? consequências? etc… O esquema acima refere-se à técnica da pirâmide invertida . para chamar a atenção do leitor. deverá responder-se às perguntas: como?. Na prática. A notícia é encabeçada por um TÍTULO que deve ser muito preciso e expressivo.primeiro parágrafo. com o que é tratado no LEAD e pode ser acompanhado por um antetítulo ou por um subtítulo. Este título relaciona-se. quando? pormenorizada do que aconteceu. aparecem muitas notícias que não respeitam a estrutura atrás apresentada. objectividade.a pessoa. É a parte mais importante da notícia e o seu objectivo é. habitualmente.desenvolvimento da notícia. onde?. A estrutura da notícia Uma notícia bem estruturada deve ser constituída por: 1. mas ainda fornecer-lhe as informações fundamentais. As informações são. Nesta segunda parte. 2.

1. de primeira. a mulher e os filhos daí a pouco saberiam: aquela chuva de arroz polido. viu iluminarem-se os bagos. 25 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis . Todos os dias. nas suas mãos. levava um saco no bolso e apanhava. 1.recorrer prioritariamente ao nome e ao verbo. Mas. agora. um jornalista pouco experiente que. fervorosamente. não se apercebeu da chegada fatal do metropolitano das 17 horas. carolino. . trevas. se deu conta de um vulto na via. ajuda-o a escrever a notícia. concisa e acessível. um violento embate. repentinamente. A reforçar esta hipótese foi adiantado o facto de ter sido encontrado no local do sinistro arroz espalhado pelo chão assim como um saco com arroz na mão do sinistrado. utilizando vocabulário corrente e frases curtas. Partindo dos apontamentos do jovem jornalista. lhe mandava para encher a barriga dos filhos. os bagos pareciam ouro! Depois. evitando sobretudo os adjectivos valorativos. certo dia.ser simples. o limpa-vias vivia agora obcecado por aquele arroz que Deus. O limpa-vias que residia num dos subúrbios de Nova Iorque deixa a mulher e os sete filhos sem quaisquer recursos. Lê um possível desenlace para o conto Arroz do Céu: e Confiado naquele remedeio de vida. lá no Alto. ao local do sinistro. tem muitas dificuldades em redigir uma notícia bem estruturada. O condutor afirma ainda que o limpa-vias nem sequer se apercebeu da aproximação do veículo pois que não fez qualquer tentativa de fuga. travou de imediato mas não conseguiu evitar o embate. Eram 17 horas quando de repente o condutor do metropolitano John Smith. a lembrança da mulher e dos filhos à espera do arroz do céu.1. As circunstancias desta morte permanecem obscuras: as autoridades locais referem a possibilidade de o limpa-vias ter tropeçado e caído na linha aí permanecendo inconsciente. Ajoelhado no meio da via. O limpa-vias Antunius Juri de 43 anos de idade imigrante foi atropelado por um metropolitano tendo morte imediata. Um director de jornal enviou. uma sensação de entorpecimento. todo o arroz que encontrava.A linguagem a utilizar na notícia deverá respeitar os seguintes princípios: . clara. nunca mais os alegraria. Em casa. embora tenha recolhido todos os dados. só tendo olhos para os bagos alvos. embrenhado na recolha do arroz. sombras. Um limpa-vias sucumbiu ontem à tarde na linha do metro em Nova Iorque.

Estou cheio de saudades vossas e mal posso esperar pela hora de vos voltar a ver e a abraçar. o dinheiro é pouco e quase não chega para comer. O26 guião leitura Arroznum dos subúrbios de Nova Iorque deixa a mulher e os sete filhos sem limpa-vias que residia do céu de José Rodrigues Miguéis quaisquer recursos. Porto Editora ficha formativa da Professora Paula do Aido Almeida Manual: Oficina da língua 7. O limpa-vias Antunius Juri de 43 anos de idade imigrante foi atropelado por um metropolitano tendo morte imediata. Não sei bem o que se passa. Um grande abraço cheio de saudade O teu filho MORTE NA LINHA DO METRO Um limpa-vias sucumbiu ontem à tarde na linha do metro em Nova Iorque. Mas ultimamente temos tido uma ajuda vinda do Céu. O condutor afirma ainda que o limpa-vias nem sequer se apercebeu da aproximação do veículo pois que não fez qualquer tentativa de fuga. 19 de Novembro de 2006 Querida mãe. este ano temos arroz com fartura para a ceia de Natal.3. o jornalista também não pontuou o seu texto. mas infelizmente não temos dinheiro para a viagem. Ajuda-o novamente. estejas de perfeita saúde. A reforçar esta hipótese foi adiantado o facto de ter sido encontrado no local do sinistro arroz espalhado pelo chão assim como um saco com arroz na mão do sinistrado.1. Espero que. Ainda não entendo muito bem o inglês e sinto-me muito sozinho. A nossa vida por cá continua muito difícil. edições Asa Algumas soluções / sugestões: Nova Iorque. Tem caído muito arroz para dentro da estação de metro onde trabalho. Dá um título preciso e sugestivo à notícia. mas nem sempre posso escrever quando quero. Além disso.2. Bem sei que esperavas notícias minhas mais cedo. As circunstancias desta morte permanecem obscuras: as autoridades locais referem a possibilidade de o limpa-vias ter tropeçado e caído na linha aí permanecendo inconsciente. Este guião foi elaborado com base na seguinte bibliografia: Uma análise do conto “Arroz do Céu” Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos Ilustrações a partir da Escola Virtual. travou de imediato mas não conseguiu evitar o embate. quando receberes esta carta. Carla Marques e outros. . Pelo menos. se deu conta de um vulto na via. Eram 17 horas quando de repente o condutor do metropolitano John Smith. 1. Como reparaste. Tenho de terminar. mas acho que Deus não se esqueceu de nós… Gostávamos muito de ir passar o Natal convosco.