No¸c˜oes (b´asicas) de Topologia Geral, espa¸cos m´etricos

,
espa¸cos normados e espa¸cos com produto interno
Andr´e Arbex Hallack
Mar¸co/2007
Introdu¸c˜ao
O presente texto surgiu para dar suporte a um Semin´ario (de mesmo nome) oferecido pelo
Departamento de Matem´atica da Universidade Federal de Juiz de Fora no Ver˜ao/2000 e tendo
como principal objetivo fornecer algumas no¸c˜oes b´asicas (elementares) de Topologia, tanto
de espa¸cos topol´ogicos em geral como a topologia de espa¸cos m´etricos, espa¸cos normados e
espa¸cos com produto interno, procurando fornecer aos participantes uma vis˜ao global de todos
esses tipos de espa¸co, a ser utilizada (ao menos como referˆencia) em estudos mais avan¸cados
na Matem´atica.
Originalmente visando atender aos alunos do Bacharelado em Matem´atica, o Semin´ario
pˆode ser bem aproveitado tamb´em por outros que tinham objetivos relacionados com o acima
citado.
Os pr´e-requisitos b´asicos para seguir o texto s˜ao no¸c˜oes de Teoria dos Conjuntos e
´
Algebra
Linear. Embora n˜ao sendo absolutamente necess´ario, tamb´em ´e bom que se tenha tido algum
contato com a topologia usual da Reta (conjuntos abertos, fechados, compactos, etc. em IR -
conte´ udo geralmente visto em um primeiro curso de An´alise), bem como no¸c˜oes de convergˆencia
de seq¨ uˆencias e s´eries num´ericas.
O primeiro cap´ıtulo trata de no¸c˜oes de Topologia Geral. Seguem-se cap´ıtulos sobre espa¸cos
m´etricos, espa¸cos normados e espa¸cos com produto interno. Ao final do texto, foram acrescen-
tados (a t´ıtulo de informa¸c˜ao adicional) trˆes apˆendices, tratando da Topologia Produto (sobre
produtos cartesianos de espa¸cos topol´ogicos), bases em espa¸cos vetoriais e sobre o espa¸co IR
n
.
Andr´e Arbex Hallack
i
´
Indice
Introdu¸c˜ao i
1 Topologia Geral 1
1.1 Espa¸cos topol´ogicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Base para uma topologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.3 Subespa¸cos topol´ogicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.4 Conjuntos fechados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.5 Interior, vizinhan¸cas, fecho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.6 Espa¸cos de Hausdorff . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.7 Seq¨ uˆencias em espa¸cos topol´ogicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.8 Fun¸c˜oes cont´ınuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.9 Homeomorfismos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.10 Conexidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.11 Compacidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2 Espa¸cos m´etricos 23
2.1 Espa¸cos m´etricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.2 Bolas, esferas e conjuntos limitados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.3 A Topologia M´etrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.4 Seq¨ uˆencias em espa¸cos m´etricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.5 Fun¸c˜oes cont´ınuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.6 Continuidade uniforme . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
2.7 Compacidade em espa¸cos m´etricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
iii
2.8 M´etricas equivalentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3 Espa¸cos normados 39
3.1 Espa¸cos normados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.2 A topologia da norma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.3 Espa¸cos de Banach . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.4 S´eries . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.5 Transforma¸c˜oes lineares em espa¸cos normados . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4 Espa¸cos com produto interno 51
4.1 Produto interno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
4.2 Norma a partir de um produto interno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
4.3 Espa¸cos de Hilbert . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4.4 Ortogonalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
4.5 O Teorema de Representa¸c˜ao de Riesz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
A Introdu¸c˜ao `a Topologia Produto 57
B Sobre bases em espa¸cos vetoriais 63
C O espa¸co IR
n
67
Referˆencias 75
Cap´ıtulo 1
Topologia Geral
Nosso principal objetivo neste primeiro cap´ıtulo ´e trabalhar com o conceito geral de espa¸co
topol´ogico e no¸c˜oes de convergˆencia (de seq¨ uˆencias), continuidade de fun¸c˜oes, conexidade e
compacidade neste contexto.
1.1 Espa¸cos topol´ogicos
Defini¸c˜ao 1.1. Uma TOPOLOGIA sobre um conjunto X ´e uma cole¸c˜ao τ de subconjuntos
de X ( τ ⊂ P(X) ) satisfazendo `as seguintes propriedades:
A.1) φ e X est˜ao em τ.
A.2) A uni˜ao dos elementos de qualquer subcole¸c˜ao de τ est´a em τ.
A.3) A interse¸c˜ao dos elementos de qualquer subcole¸c˜ao finita de τ est´a em τ.
Um conjunto X munido de uma topologia τ (fixada) ´e chamado ESPAC¸O TOPOL
´
OGICO.
Neste caso, dizemos que um subconjunto A ⊂ X ´e um conjunto ABERTO do espa¸co topol´ogico
X se, e somente se, A ∈ τ.
Exemplos:
A) Topologia Discreta:
Seja X um conjunto qualquer. A cole¸c˜ao τ = P(X) de todos os subconjuntos de X ´e
uma topologia sobre X, conhecida como TOPOLOGIA DISCRETA.
Qualquer subconjunto de X ´e aberto na Topologia Discreta.
1
2 CAP
´
ITULO 1
B) Topologia Ca´otica:
Seja X um conjunto qualquer. A cole¸c˜ao τ = { φ , X} ´e uma topologia sobre X,
conhecida como TOPOLOGIA CA
´
OTICA.
Os conjuntos φ e X s˜ao os ´ unicos abertos de X na Topologia Ca´otica.
C) Seja X = {a, b, c, d}
τ
d
= P(X) ´e a Topologia Discreta sobre X.
τ
c
= { φ , X} ´e a Topologia Ca´otica sobre X.
τ
1
= { φ , {a} , {b} , {a, b} , X} ´e uma topologia sobre X.
τ
2
= { φ , {a, b} , {c, d} , X} ´e uma topologia sobre X.
τ
3
= { φ , {a} , {b} , {a, b} , {c, d} , X} n˜ao ´e uma topologia sobre X.
τ
4
= { φ , {a} , {b} , {a, b} , {c, d} , {a, c, d} , {b, c, d} , X} ´e uma topologia sobre X.
D) Topologia Usual da Reta:
Consideremos o conjunto IR dos n´ umeros reais.
A cole¸c˜ao τ dada por: τ = {A ⊂ IR; ∀ a ∈ A, ∃ > 0 com (a −, a +) ⊂ A} ´e uma
topologia sobre IR (mostre), conhecida como a Topologia Usual da Reta.
Os abertos de IR, na Topologia Usual, s˜ao os subconjuntos A ⊂ IR tais que: todos os
seus pontos s˜ao centros de intervalos abertos inteiramente contidos em A.
E) Topologia Usual do Plano Complexo (ou do IR
2
):
Consideremos o conjunto C = {z = x +iy ; x, y ∈ IR} dos n´ umeros complexos.
A cole¸c˜ao τ dada por: τ = {A ⊂ C; ∀ a ∈ A, ∃ > 0 com D

(a) ⊂ A} ´e uma topologia
(Usual) sobre C. D

(a) = {z ∈ C; |z −a| < } ´e o disco aberto de centro a e raio > 0.
Os abertos de C, na Topologia Usual, s˜ao os subconjuntos A ⊂ C tais que: cada um
de seus pontos ´e centro de um disco aberto inteiramente contido em A:
Topologia Geral 3
Comparando topologias:
Sejam τ e τ

duas topologias sobre um conjunto X. Se τ ⊂ τ

ent˜ao dizemos que a
topologia τ

´e MAIS FORTE (ou MAIOR ou MAIS FINA) que τ, ou equivalentemente, que
a topologia τ ´e MAIS FRACA (ou MENOR ou MAIS GROSSA) que τ

. (Exemplos)
Exerc´ıcios:
1) Determine todas as topologias poss´ıveis sobre o conjunto X = {a, b, c} .
2) Seja X um conjunto qualquer. Seja τ
f
a cole¸c˜ao dos subconjuntos U ⊂ X tais que
X\U ´e finito ou U = φ :
τ
f
= { U ⊂ X ; X\U ´e finito} ∪ { φ }
(a) Mostre que τ
f
´e uma topologia sobre o conjunto X (´e chamada a Topologia do Comple-
mento Finito).
(b) O que podemos dizer de τ
f
se X ´e um conjunto finito?
3) Seja X um espa¸co topol´ogico. Seja A ⊂ X tal que para cada x ∈ A existe um
conjunto aberto U
x
com x ∈ U
x
⊂ A. Mostre que A ´e aberto em X.
1.2 Base para uma topologia
Defini¸c˜ao 1.2. Seja X um conjunto qualquer. Uma cole¸c˜ao B de subconjuntos de X ´e uma
BASE PARA UMA TOPOLOGIA SOBRE X se, e somente se, as duas condi¸c˜oes abaixo s˜ao
satisfeitas:
1) Para cada x ∈ X, existe pelo menos um conjunto B ∈ B tal que x ∈ B.
2) Se x pertence `a interse¸c˜ao de dois conjuntos B
1
, B
2
∈ B ent˜ao existe um conjunto
B
3
∈ B tal que x ∈ B
3
⊂ B
1
∩ B
2
.
O termo BASE se justifica pois se B ´e base para uma topologia sobre X podemos construir
a partir de B uma topologia τ
B
sobre X (chamada TOPOLOGIA GERADA POR B), dada
por:
τ
B
= { U ⊂ X ; ∀ x ∈ U, ∃ B ∈ B com x ∈ B ⊂ U }
´
E imediato que B ⊂ τ
B
(os conjuntos B ∈ B s˜ao chamados ABERTOS B
´
ASICOS)
4 CAP
´
ITULO 1
Exemplos:
A) A cole¸c˜ao B = {I ⊂ IR ; I ´e intervalo aberto } ´e uma base para a Topologia Usual
da Reta, ou seja, ´e uma base para uma topologia em IR e a topologia gerada por B ´e a
Topologia Usual da Reta (verifique).
B) Seja X = {f : IR → IR} o conjunto de todas as fun¸c˜oes de IR em IR (tamb´em de-
notado por IR
IR
). Dados um conjunto finito F = {x
1
, x
2
, . . . , x
n
} ⊂ IR e uma cole¸c˜ao
de n abertos U = {U
1
, U
2
, . . . , U
n
} (na Topologia Usual da Reta), considere o conjunto
B
F, U
= { f ∈ X ; f(x
i
) ∈ U
i
∀ i = 1, 2, . . . , n} .
A cole¸c˜ao B = { B
F, U
; F e U como acima (variando)} ´e uma base para uma topologia
sobre X (mostre).
Exerc´ıcios:
1) Se B ´e uma base para uma topologia sobre X, mostre que τ
B
definida anteriormente
´e de fato uma topologia sobre X.
2) Sejam X um conjunto e B uma base para uma topologia τ
B
sobre X. Mostre que
τ
B
´e a cole¸c˜ao de todas as uni˜oes de elementos de B.
1.3 Subespa¸cos topol´ogicos
Defini¸c˜ao 1.3. Seja X um espa¸co topol´ogico, munido de uma topologia τ.
Se Y ´e um subconjunto de X, podemos ent˜ao construir uma topologia natural sobre Y ,
a partir da topologia τ: τ
Y
= {Y ∩ A ; A ∈ τ} ´e uma topologia sobre Y (mostrar),
chamada TOPOLOGIA DE SUBESPAC¸O e o espa¸co topol´ogico (Y, τ
Y
) ´e dito SUBESPAC¸O
(TOPOL
´
OGICO) do espa¸co topol´ogico (X, τ).
Os abertos do subespa¸co Y ⊂ X consistem portanto de todas as interse¸c˜oes de Y com os
abertos de X. (Exemplos)
1.4 Conjuntos fechados
Defini¸c˜ao 1.4. Um subconjunto F de um espa¸co topol´ogico X ´e dito ser FECHADO se, e
somente se, o conjunto A = X\F ´e aberto.
Topologia Geral 5
Teorema 1.5. Seja X um espa¸co topol´ogico. Ent˜ao as seguintes condi¸c˜oes s˜ao satisfeitas:
F.1) φ e X s˜ao fechados.
F.2) Interse¸c˜oes arbitr´arias de conjuntos fechados s˜ao conjuntos fechados.
F.3) Uni˜oes finitas de conjuntos fechados s˜ao conjuntos fechados.
Exerc´ıcios:
1) Prove o Teorema 1.5 acima.
2) Mostre que se A ´e aberto em X (i. ´e, A ´e aberto do espa¸co topol´ogico X) e F ´e fechado
em X ent˜ao A\F ´e aberto em X e F\A ´e fechado em X.
1.5 Interior, vizinhan¸cas, fecho
Defini¸c˜ao 1.6. (Interior) Dado um subconjunto B de um espa¸co topol´ogico X, definimos o
INTERIOR de B ( int B) como a uni˜ao de todos os conjuntos abertos contidos em B.
Teorema 1.7. Seja X um espa¸co topol´ogico. S˜ao conseq¨ uˆencias imediatas da defini¸ c˜ao de
interior de um conjunto (mostre):
a) int B ⊂ B ∀ B ⊂ X.
b) int B ´e aberto ∀ B ⊂ X.
c) B ´e aberto
B⊂X
⇐⇒ B = int B.
d) A ⊂ B ⇒ int A ⊂ int B ∀ A, B ⊂ X.
e) int (A ∩ B) = int A ∩ int B ∀ A, B ⊂ X.
Exerc´ıcio: Mostre que, ∀ A, B ⊂ X (espa¸co topol´ogico), int (A ∪ B) ⊃ int A ∪ int B.
Dˆe um exemplo em que esta inclus˜ao n˜ao se reduz `a igualdade.
Defini¸c˜ao 1.8. (Vizinhan¸ca) Seja X um espa¸co topol´ogico. Um subconjunto V ⊂ X ´e uma
VIZINHANC¸A de um ponto x ∈ X se, e somente se, existe um aberto A tal que x ∈ A ⊂ V .
6 CAP
´
ITULO 1
Teorema 1.9. Seja X um espa¸co topol´ogico. S˜ao conseq¨ uˆencias imediatas da defini¸c˜ao de
vizinhan¸ca (mostre):
a) V ´e vizinhan¸ca de x ∈ X ⇔ x ∈ int V
b) A ´e aberto
A⊂X
⇐⇒ A ´e vizinhan¸ca de cada um de seus pontos.
Exerc´ıcios:
1) Mostre que a interse¸c˜ao de duas vizinhan¸cas de um ponto ´e uma vizinhan¸ca deste ponto.
2) Sejam τ ⊂ τ

duas topologias sobre um conjunto X.
Mostre que se V ´e uma vizinhan¸ca de um ponto x ∈ X na topologia mais fraca τ ent˜ao
V ´e uma vizinhan¸ca de X na topologia mais forte τ

.
Mostre atrav´es de um exemplo que a rec´ıproca da afirma¸c˜ao acima n˜ao ´e verdadeira.
Defini¸c˜ao 1.10. (Base de vizinhan¸cas de um ponto)
Dado x ∈ X (espa¸co topol´ogico), uma cole¸c˜ao B
x
de vizinhan¸cas de x ´e dita ser uma
BASE DE VIZINHANC¸AS DE x se, e somente se, para cada vizinhan¸ca V de x ´e poss´ıvel
obter uma vizinhan¸ca B ∈ B
x
tal que B ⊂ V .
Os elementos B ∈ B
x
s˜ao chamados VIZINHANC¸AS B
´
ASICAS DE x.
Exerc´ıcios:
1) Seja B uma base para uma topologia τ
B
sobre um espa¸co X (ver Se¸c˜ao 1.2). Dado
x ∈ X, mostre que a cole¸c˜ao B
x
= {B ∈ B ; x ∈ B} ´e uma base de vizinhan¸cas de x.
2) Mostre que B
x
= { (x −, x + ) ; > 0 }, intervalos abertos centrados em um ponto
x ∈ IR , formam uma base de vizinhan¸cas de x na Topologia Usual da Reta.
3) Seja X = {f : IR → IR} . Considerando o Exemplo B da Se¸c˜ao 1.2, mostre que
B
O
= { V
F,
= {f ∈ X ; |f(x)| < ∀ x ∈ F } F (finito) ⊂ IR , > 0 } ´e uma base de vizi-
nhan¸cas da fun¸c˜ao nula O : IR → IR na topologia considerada.
Defini¸c˜ao 1.11. (Fecho)
Seja X um espa¸co topol´ogico. Dado um subconjunto B ⊂ X, definimos o FECHO DE B
(
¯
B ou cl
X
B ou cl B) como a interse¸c˜ao de todos os conjuntos fechados que contˆem B.
Topologia Geral 7
Teorema 1.12. Seja X um espa¸co topol´ogico. S˜ao conseq¨ uˆencias imediatas da defini¸c˜ao de
fecho de um conjunto (mostre):
a) B ⊂ cl B ∀ B ⊂ X.
b) cl B ´e fechado ∀ B ⊂ X.
c) B ´e fechado
B⊂X
⇐⇒ B = cl B.
d) A ⊂ B ⇒ cl A ⊂ cl B ∀ A, B ⊂ X.
e) cl (A ∪ B) = cl A ∪ cl B ∀ A, B ⊂ X.
Teorema 1.13. Seja X um espa¸co topol´ogico. Dados B ⊂ X e x ∈ X, temos:
x ∈ cl B se, e somente se, toda vizinhan¸ca de x intersecta o conjunto B.
Prova:
Exerc´ıcios:
1) Considere o conjunto X = {a, b, c, d, e} e a seguinte topologia sobre X:
τ = { φ , X, {a} , {a, b} , {a, c, d} , {a, b, c, d} , {a, b, e} } .
(a) Obtenha todas as vizinhan¸cas do ponto c.
(b) Qual a “menor” base de vizinhan¸cas do ponto a ?
(c) Obtenha o fecho do subconjunto {b, c} ⊂ X .
(d) Obtenha o interior do subconjunto {a, b, c} ⊂ X .
(e) Se A = {a, c, e}, qual ´e a topologia relativa (de subespa¸co) de A ?
8 CAP
´
ITULO 1
2) Mostre por um contra-exemplo que podemos ter int ( cl A) = cl ( int A).
3) Considere B ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Mostre que X\ cl B = int (X\B) e que
X\ int B = cl (X\B).
4) Seja Y ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Mostre que { Y ∩ F ; F ´e fechado em X } ´e a
cole¸c˜ao dos conjuntos fechados do subespa¸co topol´ogico Y ⊂ X.
5) Sejam B ⊂ Y ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Mostre que cl
Y
B = Y ∩ cl
X
B.
Obs.: cl
Y
B ´e o fecho de B no espa¸co Y (subespa¸co topol´ogico de X)
cl
X
B ´e o fecho de B no espa¸co X.
(Sugest˜ao: use o exerc´ıcio anterior)
6) Mostre que A ⊂ X (espa¸co topol´ogico) ´e aberto se, e somente se, A ∩ cl (X\A) = φ .
7) Mostre que se A, B ⊂ X (espa¸co topol´ogico), ent˜ao cl (A ∩ B) ⊂ ( cl A ∩ cl B).
Dˆe um exemplo em que esta inclus˜ao n˜ao se reduz `a igualdade.
8) Se um aberto A cont´em pontos do fecho de B, ent˜ao A cont´em pontos de B (mostre).
9) (Pontos de acumula¸c˜ao) Seja B ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Um ponto x ∈ X ´e
dito PONTO DE ACUMULAC¸
˜
AO DE B se, e somente se, toda vizinhan¸ca de x intersecta
B\ {x} . Denotamos por B

o conjunto dos pontos de acumula¸c˜ao de B.
Mostre que cl B = B ∪ B

∀ B ⊂ X. Podemos garantir que B

´e sempre fechado?
Caso a resposta seja SIM, prove. Se n˜ao, apresente um contra-exemplo.
10) (Fronteira) Seja B ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Definimos a FRONTEIRA DE B
(e escrevemos fr B ou ∂B) como o conjunto:
fr B = cl B ∩ cl (X\B)
(a) Mostre que int B ∩ fr B = φ
(b) Mostre que fr B = φ ⇔ B ´e aberto e fechado.
(c) Mostre que A ´e aberto ⇔ fr A = ( cl A)\A.
(d) Mostre que se A ´e aberto ent˜ao sua fronteira possui interior vazio.
(e) Dˆe exemplo de um conjunto B, que n˜ao seja vazio nem o espa¸co todo, cuja fronteira
seja um conjunto aberto.
(f) Mostre que se F ´e fechado ent˜ao sua fronteira tem interior vazio.
11) (Densidade) Um subconjunto B ⊂ X (espa¸co topol´ogico) ´e DENSO EM X se, e
somente se, cl
X
B = X.
Um espa¸co topol´ogico ´e dito SEPAR
´
AVEL se possuir um subconjunto enumer´avel denso.
Topologia Geral 9
Sejam B ⊂ Y ⊂ X (espa¸co topol´ogico). B ´e denso em Y se, e somente se, B ´e denso no
subespa¸co Y (com a topologia de subespa¸co), isto ´e, se, e somente se, cl
Y
B = Y .
Se B ⊂ Y ⊂ X (espa¸co topol´ogico), mostre que B ´e denso em Y se, e somente se,
Y ⊂ cl
X
B.
12) Mostre que se A ´e aberto em X (espa¸co topol´ogico) e D ⊂ X ´e denso em X ent˜ao
A ∩ D ´e denso em A.
13) Um subconjunto H de um espa¸co topol´ogico X ´e chamado “NOWHERE DENSE”
(ou “RARO”) quando int ( cl
X
H) = φ .
Prove: Se H ´e um subconjunto “nowhere dense” de X, ent˜ao X\( cl
X
H) ´e denso em X.
14) Para cada n = 0, 1, 2, 3, . . . , seja A
n
= { n, n + 1, n + 2, . . .}. Consideremos em
X = { 0, 1, 2, 3, . . .} a topologia τ = { φ , A
n
; n = 0, 1, 2, 3, . . .}.
(a) Determine os subconjuntos fechados de (X, τ).
(b) Determine o fecho dos conjuntos { 8, 12, 36} e { 2n ; n ∈ X}.
(c) Determine quais os subconjuntos de X que s˜ao densos em X.
1.6 Espa¸cos de Hausdorff
Defini¸c˜ao 1.14. Um espa¸co topol´ogico X ´e dito ser um ESPAC¸O DE HAUSDORFF se, e
somente se, para cada par de pontos distintos x, y ∈ X ´e poss´ıvel obter abertos disjuntos
U e V tais que x ∈ U e y ∈ V .
Um espa¸co de Hausdorff ´e tamb´em chamado SEPARADO, ou T
2
.
Teorema 1.15. Todo conjunto unit´ario em um espa¸co de Hausdorff ´e fechado.
Prova:
Corol´ario 1. Todo conjunto finito em um espa¸co de Hausdorff ´e fechado.
(Exemplos)
10 CAP
´
ITULO 1
Exerc´ıcios:
1) (Alguns axiomas de separa¸c˜ao) Consideremos as classifica¸c˜oes abaixo:
T
0
: Um espa¸co topol´ogico X ´e dito ser T
0
(ou a topologia de X ´e dita T
0
) se, e somente se,
dados dois pontos distintos x, y ∈ X (x = y), existe um aberto contendo um destes pontos e
n˜ao contendo o outro.
T
1
: Um espa¸co topol´ogico X ´e dito ser T
1
se, e somente se, dados dois pontos distintos
x, y ∈ X (x = y), existem abertos U e V tais que x ∈ U, y ∈ V, x ∈ V e y ∈ U.
T
2
: Um espa¸co topol´ogico X ´e dito ser T
2
(ou Hausdorff) se, e somente se, dados dois
pontos distintos x, y ∈ X (x = y), existem abertos disjuntos U e V tais que x ∈ U e
y ∈ V .
Obs.: Existem outros axiomas de separa¸c˜ao (T
3
, T
3
1/2
, T
4
, . . .)
(a)
´
E ´obvio que todo espa¸co T
2
´e T
1
e todo espa¸co T
1
´e T
0
. Por´em nem todo espa¸co T
0
´e T
1
e nem todo espa¸co T
1
´e T
2
(caso contr´ario n˜ao faria sentido definir espa¸cos de tipos diferentes!)
Dˆe um exemplo de um espa¸co que n˜ao ´e T
0
.
Dˆe um exemplo de um espa¸co que ´e T
0
mas n˜ao ´e T
1
.
Dˆe um exemplo de um espa¸co que ´e T
1
mas n˜ao ´e T
2
(Sugest˜ao: mostre que qualquer
conjunto infinito com a Topologia do Complemento Finito - ver exerc´ıcios da Se¸c˜ao 1.1 - ´e T
1
mas n˜ao ´e T
2
).
(b) Mostre que um espa¸co topol´ogico ´e T
1
se, e somente se, todo subconjunto unit´ario ´e
fechado.
2) Sejam τ ⊂ τ

duas topologias sobre um conjunto X (τ

mais forte que τ).
Que tipo de resultado podemos inferir sobre essas topologias com rela¸c˜ao aos axiomas de
separa¸c˜ao T
0
, T
1
e T
2
?
O que podemos concluir sobre as “chances” de uma topologia atender `as condi¸c˜oes T
0
, T
1
ou T
2
, no que diz respeito `a sua “for¸ca”?
1.7 Seq¨ uˆencias em espa¸cos topol´ogicos
Defini¸c˜ao 1.16. Sejam X um espa¸co topol´ogico e (x
n
) ⊂ X uma seq¨ uˆencia em X.
Um ponto x ∈ X ´e LIMITE da seq¨ uˆencia (x
n
) (equivalentemente dizemos que (x
n
)
converge para x e escrevemos x
n
→ x) se, e somente se, para cada vizinhan¸ca V de x ´e
poss´ıvel obter um ´ındice n
0
∈ IN tal que n > n
0
⇒ x
n
∈ V .
Topologia Geral 11
Observa¸c˜ao:
´
E interessante notar a importˆancia da topologia no conceito de convergˆencia
de seq¨ uˆencias, ou melhor, dada uma seq¨ uˆencia (x
n
) em um espa¸co topol´ogico X, a con-
vergˆencia ou n˜ao de (x
n
) para um ponto x ∈ X depende fortemente da topologia
considerada sobre X. Por este motivo, `as vezes ´e conveniente explicitarmos qual topolo-
gia est´a sendo considerada, principalmente quando o problema puder envolver mais de uma
topologia sobre um mesmo conjunto X.
Exemplo:
Exerc´ıcio:
Sejam X um espa¸co topol´ogico e (x
n
) uma seq¨ uˆencia em X.
(a) Dado x ∈ X, fixe uma base B
x
de vizinhan¸cas de x e mostre que x
n
→ x se, e
somente se, para cada vizinhan¸ca b´asica V ∈ B
x
de x ´e poss´ıvel obter um ´ındice n
0
∈ IN
tal que n > n
0
⇒ x
n
∈ V . (Veja: base de vizinhan¸cas de um ponto, Se¸c˜ao 1.5)
Obs.: Moral da est´oria: podemos verificar (e at´e definir) convergˆencia de seq¨ uˆencias
utilizando vizinhan¸cas b´asicas.
12 CAP
´
ITULO 1
(b) Consideremos a Topologia Usual da Reta IR. Utilizando a parte (a) anterior e o fato de
que os intervalos abertos centrados em um ponto da reta constituem uma base de vizinhan¸cas
desse ponto, conclua que (na Topologia Usual) uma seq¨ uˆencia (x
n
) ⊂ IR converge para
um ponto x ∈ IR se, e somente se, dado > 0, existe um ´ındice n
0
∈ IN tal que
n > n
0
⇒ |x
n
−x| < .
Obs.: A caracteriza¸c˜ao de convergˆencia obtida acima em (b) (e utilizada como defini¸c˜ao
quando ´e fixada a Topologia Usual da Reta) ´e um caso particular da defini¸c˜ao 1.16!
Teorema 1.17. Se X ´e um espa¸co de Hausdorff ent˜ao toda seq¨ uˆencia convergente em X
converge para um ´ unico limite.
Teorema 1.18. Sejam X um conjunto e τ ⊂ τ

duas topologias sobre X (τ

mais forte do
que τ). Se (x
n
) ⊂ X ´e tal que x
n
τ

→ x ∈ X ent˜ao x
n
τ
→ x.
Teorema 1.19. Sejam X um espa¸co topol´ogico e B ⊂ X um subconjunto de X. Se existe
uma seq¨ uˆencia (x
n
) em B (x
n
∈ B ∀ n) que converge para um ponto x ∈ X, ent˜ao x ∈ cl B.
Observa¸c˜ao: A rec´ıproca do teorema acima n˜ao ´e verdadeira em geral.
´
E poss´ıvel obter um espa¸co topol´ogico X, um subconjunto B ⊂ X e um ponto x ∈ X
tais que x ∈ cl B mas n˜ao existe nenhuma seq¨ uˆencia (x
n
) ⊂ B convergindo para x.
O contra-exemplo a seguir ilustra essa situa¸c˜ao.
Contra-exemplo:
Topologia Geral 13
Apesar de existirem (e muitos) espa¸cos onde, devido a suas topologias, a rec´ıproca do
Teorema 1.19 ´e verdadeira (por exemplo: IR e C com suas Topologias Usuais), n˜ao podemos
em geral, `a luz da observa¸c˜ao e do contra-exemplo acima, caracterizar (nem definir portanto)
o fecho de um conjunto B como o conjunto dos limites de seq¨ uˆencias em B.
Por esta inadequa¸c˜ao das seq¨ uˆencias na caracteriza¸c˜ao do fecho surgem novos con-
ceitos, de FILTROS e NETS (generaliza¸c˜ao de seq¨ uˆencias) que ajudam a contornar o problema
acima.
Exerc´ıcios:
1) Prove o Teorema 1.17
2) Prove o Teorema 1.18
3) Prove o Teorema 1.19
4) Seja X um espa¸co topol´ogico onde n˜ao ´e v´alida a rec´ıproca do Teorema 1.19, isto ´e,
existem um subconjunto B ⊂ X e um ponto x ∈ X tais que x ∈ cl B mas n˜ao existe
nenhuma seq¨ uˆencia (x
n
) ⊂ B convergindo para x.
Para cada D ⊂ X , definimos o conjunto D = {x ∈ X ; ∃ (x
n
) ⊂ D com limx
n
= x}
(D ´e o conjunto dos limites de seq¨ uˆencias em D).
Usando o conjunto B acima, prove que o conjunto D nem sempre ´e fechado (seu comple-
mentar n˜ao ´e aberto) e conclua que n˜ao podemos definir os conjuntos fechados de X como os
conjuntos F tais que F = F (isto ´e, os conjuntos que s˜ao iguais ao conjunto dos limites de
suas seq¨ uˆencias).
5) Um espa¸co topol´ogico X satisfaz ao 1
o
AXIOMA DA ENUMERABILIDADE quando
cada ponto de X possui uma base de vizinhan¸cas enumer´avel.
(a) Sendo X um espa¸co topol´ogico que satisfaz ao 1
o
Axioma da Enumerabilidade, mostre
que cada x ∈ X possui uma base enumer´avel de vizinhan¸cas “encaixadas”:
B
x
= { V
1
⊃ V
2
⊃ V
3
⊃ . . . ⊃ V
n
⊃ . . .}
(b) Se X ´e um espa¸co topol´ogico que satisfaz ao 1
o
Axioma da Enumerabilidade, mostre
que em X vale a rec´ıproca do Teorema 1.19, ou seja, se um ponto x pertence ao fecho cl B
de um conjunto B ⊂ X, ent˜ao existe uma seq¨ uˆencia (x
n
) em B tal que x
n
→ x. A partir
da´ı, conclua que neste tipo de espa¸co podemos definir o fecho de um conjunto de uma nova
maneira (defina).
(c) Mostre que a reta IR e o plano complexo C (IR
2
) com suas Topologias Usuais s˜ao
espa¸cos topol´ogicos que satisfazem ao 1
o
Axioma da Enumerabilidade (no estudo de An´alise
na Reta e An´alise no IR
n
, onde s˜ao consideradas as Topologias Usuais, podemos caracterizar
e portanto definir o fecho de um conjunto atrav´es de seq¨ uˆencias).
14 CAP
´
ITULO 1
1.8 Fun¸c˜oes cont´ınuas
Defini¸c˜ao 1.20. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. Uma fun¸c˜ao f : X → Y ´e dita ser
CONT
´
INUA se, e somente se, para cada subconjunto A aberto de Y , sua imagem inversa
f
−1
(A) ´e um aberto de X.
(Exemplos)
Teorema 1.21. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos e f : X → Y . Ent˜ao, s˜ao equivalentes:
(1) f ´e cont´ınua.
(2) Para todo conjunto F fechado em Y , f
−1
(F) ´e fechado em X.
(3) Para todo subconjunto B ⊂ X, tem-se f( cl B) ⊂ cl (f(B)).
(4) Para todo subconjunto D ⊂ Y , tem-se f
−1
( int D) ⊂ int (f
−1
(D)) .
Prova: Exerc´ıcio
Observa¸c˜ao:
´
E importante notar que, dados dois espa¸cos topol´ogicos X e Y e uma fun¸c˜ao
f : X → Y , a continuidade de f depende das topologias consideradas sobre X e Y .
Este fato enfatiza a natureza topol´ogica do conceito de continuidade.
Teorema 1.22. Sejam X, Y e Z espa¸cos topol´ogicos. Temos:
(a) (Fun¸c˜ao constante) Se f : X → Y “leva” todo X em um ´ unico ponto y
0
∈ Y ent˜ao
f ´e cont´ınua.
(b) (Inclus˜ao) Se B ⊂ X ´e subespa¸co de X, ent˜ao a fun¸c˜ao de inclus˜ao j : B → X, dada
por j(x) = x ∀ x ∈ B, ´e cont´ınua.
(c) (Composi¸c˜ao) Se f : X → Y e g : Y → Z s˜ao cont´ınuas ent˜ao a aplica¸c˜ao composta
g ◦ f : X → Z ´e cont´ınua.
(d) (Restringindo o dom´ınio) Se f : X → Y ´e cont´ınua e B ⊂ X ´e um subespa¸co de X,
ent˜ao a restri¸c˜ao f |
B
: B → Y ´e cont´ınua.
(e) (Restringindo ou estendendo o contra-dom´ınio) Seja f : X → Y cont´ınua. Se Z ⊂ Y
´e um subespa¸co de Y tal que f(X) ⊂ Z ent˜ao a fun¸c˜ao g : X → Z dada por g(x) = f(x)
para todo x ∈ X ´e cont´ınua. Se Z ´e um espa¸co tal que Y ⊂ Z ´e subespa¸co de Z ent˜ao a
fun¸c˜ao h : X → Z dada por h(x) = f(x) para todo x ∈ X ´e cont´ınua.
Prova: Exerc´ıcio.
Topologia Geral 15
Defini¸c˜ao 1.23. (Continuidade em um ponto) Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. A aplica¸ c˜ao
f : X → Y ´e dita CONT
´
INUA NO PONTO x
0
∈ X se, e somente se, para cada vizinhan¸ca
V de f(x
0
) em Y ´e poss´ıvel obter uma vizinhan¸ca U de x
0
em X tal que f(U) ⊂ V .
Teorema 1.24. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. A aplica¸c˜ao f : X → Y ´e cont´ınua se, e
somente se, f ´e cont´ınua em todo ponto de X.
Prova: Exerc´ıcio
Exerc´ıcios:
1) Seja X = A ∪ B um espa¸co topol´ogico, com A e B fechados em X.
Sejam f : A → Y e g : B → Y cont´ınuas, de modo que f(x) = g(x) ∀ x ∈ A ∩ B.
Mostre que ´e poss´ıvel combinar f e g para construir uma fun¸c˜ao cont´ınua h : X → Y
pondo h(x) = f(x) se x ∈ A e h(x) = g(x) se x ∈ B.
2) Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos, Y de Hausdorff e f, g : X → Y cont´ınuas em
a ∈ X. Mostre que se f(a) = g(a) ent˜ao existe uma vizinhan¸ca V de a em X tal que
x, y ∈ V ⇒ f(x) = g(y).
3) Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos e f : X → Y .
(a) Dado x
0
∈ X, fixe uma base B
x
0
de vizinhan¸cas de x
0
e uma base B
f(x
0
)
de
vizinhan¸cas de f(x
0
). Mostre que f ´e cont´ınua em x
0
se, e somente se, para cada vizinhan¸ca
b´asica V ∈ B
f(x
0
)
de f(x
0
) ´e poss´ıvel obter uma vizinhan¸ca b´asica U ∈ B
x
0
de x
0
tal que
f(U) ⊂ V .
Obs.: Moral da est´oria: podemos verificar (e at´e definir) continuidade de uma fun¸c˜ao
num ponto utilizando vizinhan¸cas b´asicas.
(b) Sabendo que os intervalos abertos centrados em um ponto x ∈ IR constituem uma base
de vizinhan¸cas desse ponto na Topologia Usual da Reta, mostre que uma fun¸c˜ao f : IR → IR
´e cont´ınua em x
0
∈ IR (considerando a Topologia Usual) se, e somente se, dado > 0 ´e
poss´ıvel obter um δ > 0 tal que |x −x
0
| < δ ⇒ |f(x) −f(x
0
)| < .
Obs.: A caracteriza¸c˜ao obtida acima em (b) (e utilizada como defini¸c˜ao quando ´e fixada
a Topologia Usual da Reta) ´e um caso particular da defini¸c˜ao 1.23!
16 CAP
´
ITULO 1
Teorema 1.25. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. Se a fun¸c˜ao f : X → Y ´e cont´ınua em
x
0
∈ X ent˜ao, para toda seq¨ uˆencia (x
n
) ⊂ X tal que x
n
→ x
0
, temos que f(x
n
) → f(x
0
)
em Y .
Prova:
Observa¸c˜ao: A rec´ıproca do teorema acima n˜ao ´e verdadeira em geral.
Assim, da mesma forma que no caso do fecho, as seq¨ uˆencias mostram-se inadequadas
para a caracteriza¸c˜ao da continuidade, no caso geral (vale ressaltar que existem casos - por
exemplo IR e C com suas Topologias Usuais - nos quais vale a rec´ıproca do teorema acima e
portanto tal caracteriza¸c˜ao ´e poss´ıvel).
Exerc´ıcio: Mostre que se X ´e um espa¸co topol´ogico que satisfaz ao 1
o
Axioma da Enu-
merabilidade (ou seja, cada ponto de X possui uma base de vizinhan¸cas enumer´avel), ent˜ao
vale a rec´ıproca do teorema acima e neste caso podemos caracterizar a continuidade atrav´es
de seq¨ uˆencias.
1.9 Homeomorfismos
Defini¸c˜ao 1.26. Consideremos uma bije¸c˜ao f : X → Y entre dois espa¸cos topol´ogicos X
e Y . Dizemos que f ´e um HOMEOMORFISMO se, e somente se, f e sua fun¸c˜ao inversa
f
−1
: Y → X s˜ao cont´ınuas. Dois espa¸cos topol´ogicos s˜ao ditos HOMEOMORFOS se existir
um homeomorfismo entre ambos.
Defini¸c˜ao 1.27. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos. Uma aplica¸c˜ao f : X → Y ´e dita
ABERTA se, e somente se, para todo A ⊂ X aberto em X tem-se f(A) ⊂ Y aberto em Y .
f : X → Y ´e dita FECHADA se, e somente se, para todo F ⊂ X fechado em X tem-se
f(F) ⊂ Y fechado em Y .
Topologia Geral 17
Observa¸c˜ao:
Se X e Y s˜ao espa¸cos topol´ogicos homeomorfos, por um homeomorfismo f : X → Y , ent˜ao
´e imediato que se A ⊂ X ´e aberto ent˜ao f(A) ⊂ Y ´e aberto (f ´e uma aplica¸c˜ao aberta),
se F ⊂ X ´e fechado ent˜ao f(F) ⊂ Y ´e fechado (f ´e uma aplica¸c˜ao fechada).
´
E imediato
tamb´em que f
−1
´e uma aplica¸c˜ao aberta e fechada.
Assim, se dois espa¸cos topol´ogicos X e Y s˜ao homeomorfos, podemos dizer que ambos s˜ao
INDISTINGU
´
IVEIS DO PONTO DE VISTA TOPOL
´
OGICO.
1.10 Conexidade
Defini¸c˜ao 1.28. (Cis˜ao) Uma CIS
˜
AO de um espa¸co topol´ogico X ´e uma decomposi¸ c˜ao
X = A ∪ B onde A ∩ B = φ e os conjuntos A e B s˜ao ambos abertos em X.
Observa¸c˜ao: Todo espa¸co topol´ogico X admite a cis˜ao trivial X = X ∪ φ .
Defini¸c˜ao 1.29. (Conexos) Um espa¸co topol´ogico X ´e dito CONEXO se, e somente se, ele
n˜ao admite outra cis˜ao al´em da cis˜ao trivial.
Observa¸c˜ao:
´
E imediato que um espa¸co topol´ogico ´e conexo se, e somente se, os ´ unicos
subconjuntos de X que s˜ao simultaneamente abertos e fechados em X s˜ao o conjunto vazio φ
e o pr´oprio espa¸co X.
O pr´oximo teorema ´e ´ util na caracteriza¸c˜ao de cis˜ao de um subespa¸co topol´ogico:
Teorema 1.30. Seja Y ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Y = A ∪ B, com A ∩ B = φ , ´e uma
cis˜ao do subespa¸co Y ⊂ X se, e somente se, cl A ∩ B = φ = A ∩ cl B, onde os fechos s˜ao
considerados no espa¸co X.
Prova: Exerc´ıcio.
Lema 1.31. Seja X = A ∪ B uma cis˜ao do espa¸co topol´ogico X. Seja Y ⊂ X. Se Y ´e
conexo (e n˜ ao-vazio) ent˜ao ou Y ⊂ A ou Y ⊂ B.
Prova:
18 CAP
´
ITULO 1
Teorema 1.32. A uni˜ao de uma cole¸c˜ao de conjuntos conexos com pelo menos um ponto em
comum ´e conexa.
Prova:
Teorema 1.33. Se A ⊂ X ´e conexo e A ⊂ B ⊂ cl A ent˜ao B ´e conexo.
Prova:
Corol´ario 1. Se A ´e conexo e B ´e formado a partir de A adicionando-se alguns ou todos os
pontos de seu fecho ent˜ao B ´e conexo.
Exerc´ıcios:
1) Seja { A
n
} uma seq¨ uˆencia de subconjuntos conexos de um espa¸co topol´ogico X, tais
que A
n
∩ A
n+1
= φ para todo n. Mostre que a uni˜ao
¸
A
n
´e conexa.
2) Seja { A
α
} uma cole¸c˜ao de subconjuntos conexos de um espa¸co topol´ogico X. Seja
A ⊂ X conexo. Mostre que se A ∩ A
α
= φ para todo α, ent˜ao a uni˜ao A ∪ (
¸
A
n
) ´e
conexa.
3) (Teorema da Alfˆandega) Seja A ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Mostre que se C ⊂ X ´e
conexo, C ∩ A = φ e C ∩ (X\A) = φ ent˜ao C ∩ fr A = φ .
Topologia Geral 19
Teorema 1.34. A imagem de um espa¸co conexo por uma aplica¸c˜ao cont´ınua ´e conexa.
Prova:
Nota: O teorema acima garante que se um espa¸co topol´ogico conexo X ´e homeomorfo a
um espa¸co Y , ent˜ao Y ´e conexo, ou melhor, a conexidade ´e uma invariante topol´ogica. Por
este motivo, diz-se tamb´em que a conexidade ´e uma PROPRIEDADE TOPOL
´
OGICA.
Exerc´ıcios:
1) Uma aplica¸c˜ao f : X → Y ´e dita LOCALMENTE CONSTANTE se, e somente se,
para todo x ∈ X existe uma vizinhan¸ca V de x onde f ´e constante.
Mostre que se f : X → Y ´e localmente constante e X ´e conexo ent˜ao f ´e constante.
2) (Teorema do Valor Intermedi´ario):
(a) Prove que todo subconjunto conexo de IR (na Topologia Usual) ´e um intervalo.
(b) Sejam X conexo e f : X → IR (Topologia Usual) cont´ınua. Mostre que f tem a
PROPRIEDADE DO VALOR INTERMEDI
´
ARIO, isto ´e, se existem x
1
, x
2
∈ X tais que
f(x
1
) = a < b = f(x
2
) ent˜ao, dado c entre a e b (a < c < b) existe x ∈ X tal que f(x) = c.
3) Seja A ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Dado a ∈ A, definimos a COMPONENTE CONEXA
C
a
DE a como a reuni˜ao de todos os subconjuntos conexos de A que contˆem a.
(a) Mostre que C
a
´e o maior subconjunto conexo de A contendo o ponto a.
(b) Seja h : X → Y um homeomorfismo. Mostre que se C
x
´e a componente conexa do
ponto x em X ent˜ao D
y
= h(C
x
) ´e a componente conexa de y = h(x) em Y .
Obs.: A letra (b) anterior mostra que um homeomorfismo h : X → Y estabelece uma
bije¸c˜ao entre as componentes conexas de X e as componentes conexas de Y .
20 CAP
´
ITULO 1
1.11 Compacidade
Defini¸c˜ao 1.35. (Cobertura) Uma cole¸c˜ao A de subconjuntos de um espa¸co topol´ogico X ´e
dita uma COBERTURA de X se, e somente se, a uni˜ao dos elementos de A ´e igual a X.
´
E
chamada uma COBERTURA ABERTA se os elementos de A s˜ao abertos em X.
Defini¸c˜ao 1.36. (Compactos) Um espa¸co topol´ogico X ´e dito COMPACTO se, e somente
se, toda cobertura aberta de X admite uma subcobertura finita, isto ´e, cont´em uma subcole¸c˜ao
finita que tamb´em cobre X.
Teorema 1.37. Seja Y ⊂ X (espa¸co topol´ogico). Y ´e compacto se, e somente se, toda
cobertura aberta de Y por abertos em X admite uma subcobertura finita.
Prova: Exerc´ıcio.
Teorema 1.38. Todo subconjunto fechado de um espa¸co compacto ´e compacto.
Prova:
Teorema 1.39. Todo subconjunto compacto de um espa¸co de Hausdorff ´e fechado.
Prova:
Topologia Geral 21
Teorema 1.40. A imagem de um espa¸co compacto por uma aplica¸c˜ao cont´ınua ´e tamb´em um
compacto.
Prova:
Nota: O teorema acima garante que a compacidade ´e uma invariante topol´ogica.
Exerc´ıcios:
1) Mostre que todo espa¸co discreto (Topologia Discreta) e compacto ´e finito.
2) Sejam τ e τ

duas topologias sobre um conjunto X.
Qual a rela¸c˜ao entre a compacidade de X sob uma dessas topologias e a outra, se τ ⊂ τ

?
Mostre que se X ´e compacto e Hausdorff em ambas as topologias ent˜ao τ = τ

ou elas
n˜ao s˜ao compar´aveis.
3) Mostre que se f : X → Y ´e cont´ınua, X ´e compacto e Y ´e Hausdorff, ent˜ao f ´e uma
aplica¸c˜ao fechada (i. ´e, f leva conjuntos fechados de X em conjuntos fechados de Y ).
4) Sejam A e B subconjuntos compactos e disjuntos de um espa¸co de Hausdorff X.
Mostre que existem abertos disjuntos U e V contendo A e B respectivamente.
22 CAP
´
ITULO 1
Cap´ıtulo 2
Espa¸cos m´etricos
Neste segundo cap´ıtulo introduzimos o conceito de espa¸co m´etrico e surgir˜ao natural-
mente as topologias induzidas por m´etricas. Estudamos ent˜ao no¸c˜oes de convergˆencia (de
seq¨ uˆencias), continuidade (de fun¸c˜oes) e compacidade em espa¸cos m´etricos, al´em de con-
tinuidade uniforme e m´etricas equivalentes.
2.1 Espa¸cos m´etricos
Defini¸c˜ao 2.1. Uma M
´
ETRICA sobre um conjunto X ´e uma fun¸c˜ao d : X × X → IR que
associa a cada par ordenado de elementos x, y ∈ X um n´ umero real d(x, y) chamado a
distˆancia de x a y, de modo que se tenha, para todos x, y, z ∈ X:
d.1) d(x, x) = 0
d.2) Se x = y ent˜ao d(x, y) > 0
d.3) d(x, y) = d(y, x) (Simetria)
d.4) d(x, z) ≤ d(x, y) + d(y, z) (Desigualdade Triangular)
Um conjunto X munido de uma m´etrica d (fixada) ´e chamado ESPAC¸O M
´
ETRICO.
Exemplos:
A) M´etrica Discreta:
Seja X um conjunto qualquer. d : X ×X → IR dada por

d(x, x) = 0
d(x, y) = 1 se x = y
´e uma m´etrica em X, conhecida como M
´
ETRICA DISCRETA.
23
24 CAP
´
ITULO 2
B) M´etrica Usual da Reta:
Consideremos o conjunto IR dos n´ umeros reais.
d : IR ×IR → IR dada por d(x, y) = |x −y| ´e uma m´etrica em IR.
C) Algumas m´etricas no Plano Complexo (ou no IR
2
):
Consideremos o conjunto C = { z = x +iy ; x, y ∈ IR} dos n´ umeros complexos e defi-
namos d
e
, d
s
, d
m
: C ×C → IR pondo, para todos a = a
1
+ia
2
, b = b
1
+ ib
2
∈ C :
d
e
(a, b) = |a −b| = |(a
1
−b
1
) +i(a
2
−b
2
)| =

(a
1
−b
1
)
2
+ (a
2
−b
2
)
2
d
s
(a, b) = |a
1
−b
1
| +|a
2
−b
2
|
d
m
(a, b) = max {|a
1
−b
1
| , |a
2
−b
2
|}
Todas as trˆes fun¸c˜oes acima s˜ao m´etricas sobre C.
d
e
´e conhecida como M´etrica Euclidiana.
d
s
´e conhecida como M´etrica da Soma.
d
m
´e conhecida como M´etrica do M´aximo.
D) Subespa¸co m´etrico - m´etrica induzida:
Seja (X, d) um espa¸co m´etrico. Se Y ´e um subconjunto de X podemos induzir uma
m´etrica natural em Y , a partir da m´etrica d:
d
Y
= d |
Y ×Y
: Y ×Y → IR ´e uma m´etrica em Y (induzida em Y por d)
O espa¸co m´etrico (Y, d
Y
) ´e dito SUBESPAC¸ O (M
´
ETRICO) do espa¸co m´etrico (X, d).
Assim, todo subconjunto de um espa¸co m´etrico pode ser considerado, de modo natural,
como um espa¸co m´etrico.
E) M´etrica do sup:
Seja X um conjunto arbitr´ario. Uma fun¸c˜ao real f : X → IR diz-se LIMITADA quando
existe uma constante k = k
f
> 0 tal que |f(x)| ≤ k para todo x ∈ X.
Seja B(X; IR) o conjunto das fun¸c˜oes limitadas f : X → IR.
Definimos uma m´etrica d em B(X; IR) pondo, para todas f, g ∈ B(X; IR):
d(f, g) = sup
x∈X
|f(x) −g(x)|
Exerc´ıcio: Verifique que d acima est´a bem definida e que ´e uma m´etrica em B(X; IR).
Espa¸cos m´etricos 25
Exerc´ıcios:
1) Mostre que as fun¸c˜oes dadas nos exemplos s˜ao realmente m´etricas.
2) Seja d : X ×X → IR uma m´etrica em X. Mostre que α(x, y) =

d(x, y),
β(x, y) =
d(x, y)
1 +d(x, y)
e γ(x, y) = min {1, d(x, y)} tamb´em s˜ao m´etricas em X.
2.2 Bolas, esferas e conjuntos limitados
Defini¸c˜ao 2.2. Sejam a um ponto num espa¸co m´etrico X e r > 0 um n´ umero real. Definimos:
(i) BOLA ABERTA de centro a e raio r: B(a; r) = { x ∈ X ; d(x, a) < r}
(ii) BOLA FECHADA de centro a e raio r: B[a; r] = { x ∈ X ; d(x, a) ≤ r}
(iii) ESFERA de centro a e raio r: S[a; r] = { x ∈ X ; d(x, a) = r}
Observa¸c˜ao: Seja Y ⊂ X um subespa¸co m´etrico do espa¸co m´etrico (X, d). Denotando
por B
Y
(a; r) a bola aberta de centro a ∈ Y e raio r na m´etrica d
Y
induzida em Y por d,
temos: B
Y
(a; r) = B(a; r) ∩ Y , onde B(a; r) ´e a bola aberta de centro a e raio r em (X, d).
Tamb´em temos que B
Y
[a; r] = B[a; r] ∩ Y e S
Y
[a; r] = S[a; r] ∩ Y .
(Exemplos)
Defini¸c˜ao 2.3. Um subconjunto B ⊂ X de um espa¸co m´etrico X ´e dito LIMITADO quando
existe uma constante c > 0 tal que d(x, y) ≤ c quaisquer que sejam x, y ∈ B.
Se B = φ e B ⊂ (X, d) ´e um conjunto limitado, podemos definir o DI
ˆ
AMETRO de B
como
diam(B) = sup { d(x, y) ; x, y ∈ B}
Observa¸c˜ao: Os conceitos acima definidos dependem da m´etrica d tomada em X.
(Exemplos)
26 CAP
´
ITULO 2
2.3 A Topologia M´etrica
Seja X = (X, d) um espa¸co m´etrico. Existe uma topologia natural sobre X, constru-
´ıda a partir da m´etrica d da seguinte forma:
τ = { A ⊂ X ; ∀ a ∈ A, ∃ > 0 com B(a; ) ⊂ A}
De fato, τ ´e uma topologia sobre X (exerc´ıcio), dita a TOPOLOGIA INDUZIDA PELA
M
´
ETRICA d.
Assim, todo espa¸co m´etrico X = (X, d) pode ser considerado como um espa¸co topol´ogico
X = (X, τ) , onde a topologia τ ´e a topologia induzida pela m´etrica d, da forma acima descrita.
Proposi¸c˜ao 2.4. Sejam (X, d) um espa¸co m´etrico e τ a topologia induzida pela m´etrica d
sobre X. Temos:
(i) Para todo a ∈ X, a cole¸c˜ao B
a
= {B(a; ), > 0, ∈ IR} das bolas abertas de centro
a ´e uma base de vizinhan¸cas de a na topologia τ.
(ii) Para todo a ∈ X e todo r > 0, r ∈ IR, B(a; r) ∈ τ, isto ´e, B(a; r) ´e aberto.
(iii) (X, τ) ´e espa¸co de Hausdorff.
Prova: Exerc´ıcio.
Defini¸c˜ao 2.5. Seja (X, τ) um espa¸co topol´ogico. A topologia τ ´e dita METRIZ
´
AVEL se,
e somente se, existe uma m´etrica d em X tal que τ ´e a topologia induzida pela m´etrica d
sobre X.
Exemplos:
A) M´etrica e Topologia Discretas:
Seja X um conjunto munido da M´etrica Discreta d : X ×X → IR, dada por

d(x, x) = 0
d(x, y) = 1 se x = y
A topologia induzida por d sobre X ´e exatamente a Topologia Discreta τ = P(X).
B) M´etrica e Topologia Usuais da Reta:
Consideremos o conjunto IR dos n´ umeros reais, com a M´etrica Usual d : IR × IR → IR
dada por d(x, y) = |x −y| , quaisquer que sejam x, y ∈ IR.
A topologia induzida por d sobre IR ´e exatamente a Topologia Usual da Reta.
Espa¸cos m´etricos 27
C) Topologia Usual do Plano Complexo:
Consideremos o conjunto C dos n´ umeros complexos.
A Topologia Usual do Plano Complexo ´e metriz´avel, pois ´e a topologia induzida pela
M´etrica Euclidiana d
e
: C ×C → IR dada por d
e
(a, b) = |a −b| ∀ a, b ∈ C.
Nota: Veremos mais tarde que as m´etricas d
s
(da Soma) e d
m
(do M´aximo) tamb´em
induzem sobre C a Topologia Usual.
D) Topologias n˜ao-metriz´aveis:
Pela Proposi¸c˜ao 2.4, topologias que n˜ao sejam Hausdorff constituem exemplos de topologias
n˜ao-metriz´aveis. Assim, temos por exemplo:
(i) Se X ´e um conjunto com mais de um elemento e τ = { φ , X} a Topologia Ca´otica
sobre X, temos que τ n˜ao ´e metriz´avel.
(ii) Se X = {a, b, c, d} e τ = { φ , {a} , {b} , {a, b} , X} ent˜ao τ n˜ao ´e metriz´avel.
Nota: Conv´em observar que existem topologias (importantes) que s˜ao Hausdorff e n˜ao-
metriz´aveis. Por exemplo, as topologias Fraca (w) e Fraca-Estrela (w

) estudadas na An´alise
Funcional s˜ao em geral topologias Hausdorff e n˜ao-metriz´aveis.
Exerc´ıcios:
1) Seja A um subconjunto de um espa¸co m´etrico (X, d).
Sabemos que a restri¸c˜ao de d a A ×A ´e uma m´etrica em A (subespa¸co m´etrico de X), a
qual denotaremos por d
A
.
A m´etrica d
A
induz uma topologia sobre A, a qual denotaremos por τ
d
A
.
Por “outro” lado, d induz uma topologia sobre X, que chamaremos τ e A pode ser visto
como subespa¸co topol´ogico de X, com uma topologia τ
A
dada pelas interse¸c˜oes de A com os
abertos de τ.
Mostre que τ
d
A
= τ
A
, ou seja, a topologia de A como subespa¸co m´etrico de X ´e a mesma
topologia de A como subespa¸co topol´ogico de X:
2) Um subconjunto D ⊂ X (espa¸co topol´ogico) ´e dito DISCRETO quando todos os seus
pontos s˜ao isolados, isto ´e, nenhum ponto de D est´a em D

, ou melhor ainda, para todo a ∈ D,
existe uma vizinhan¸ca V de a tal que V ∩ D = {a}.
Mostre que todo espa¸co m´etrico finito ´e discreto.
28 CAP
´
ITULO 2
3) Seja D um subconjunto discreto de um espa¸co m´etrico (X, d). Obtenha para cada
x ∈ D uma bola aberta B
x
= B(x; r
x
) em X tal que x, y ∈ D, x = y ⇒ B
x
∩ B
y
= φ .
4) Sejam (X, d) um espa¸co m´etrico e A ⊂ X. Mostre que se A ´e limitado ent˜ao seu fecho
cl A tamb´em ´e limitado.
5) Dˆe exemplo de um conjunto limitado A em um espa¸co m´etrico (X, d) tal que n˜ao
existam x
0
, y
0
∈ A com d(x
0
, y
0
) = diamA.
6) Seja (X, d) um espa¸co m´etrico. Mostre que as bolas fechadas e as esferas s˜ao conjuntos
fechados em X.
7) Seja A ⊂ X (espa¸co m´etrico). Para todo > 0, seja B(A; ) =
¸
a∈A
B(a; ).
Mostre que cl A =
¸
>0
B(A; ).
2.4 Seq¨ uˆencias em espa¸cos m´etricos
Defini¸c˜ao 2.6. Sejam (X, d) um espa¸co m´etrico e (x
n
) ⊂ X uma seq¨ uˆencia em X.
Um ponto x ∈ X ´e LIMITE da seq¨ uˆencia (x
n
) se, e somente se, x
n
→ x na topologia
induzida por d sobre X.
Teorema 2.7. Sejam (X, d) um espa¸co m´etrico e (x
n
) ⊂ X uma seq¨ uˆencia em X.
Um ponto x ∈ X ´e limite de (x
n
) (ou seja, x
n
→ x) se, e somente se, para cada > 0
dado, ´e poss´ıvel obter n
0
∈ IN tal que n > n
0
⇒ d(x
n
, x) < .
Prova:
Obs.: Note que a convergˆencia de uma seq¨ uˆencia em um espa¸co m´etrico depende da
topologia induzida pela m´etrica.
Espa¸cos m´etricos 29
Teorema 2.8. Sejam (X, d) um espa¸co m´etrico e (x
n
) ⊂ X uma seq¨ uˆencia em X. Temos:
(a) (x
n
) n˜ao pode convergir para dois limites diferentes (unicidade do limite).
(b) Toda seq¨ uˆencia convergente ´e limitada (o conjunto de seus termos ´e limitado).
(c) Se limx
n
= a ent˜ao toda subseq¨ uˆencia de (x
n
) converge para a.
Teorema 2.9. Sejam X um espa¸co m´etrico e B ⊂ X . Temos que x ∈ cl B (x ∈ X) se, e
somente se, existe uma seq¨ uˆencia (x
n
) em B (x
n
∈ B ∀ n) tal que x
n
→ x.
Obs.: O Teorema 2.9 mostra que, em espa¸cos m´etricos, as seq¨ uˆencias s˜ao adequadas
para caracterizar o fecho de um conjunto (o que n˜ao ocorre em espa¸cos topol´ogicos em geral).
Exerc´ıcios:
1) Seja (X, d) um espa¸co m´etrico. Mostre que se existirem seq¨ uˆencias (x
k
) e (y
k
) em
X com limx
k
= a, limy
k
= b e d(y
k
, a) < r < d(x
k
, b) para todo k ∈ IN ent˜ao d(a, b) = r.
2) Seja X um espa¸co m´etrico. Se (x
k
) ´e uma seq¨ uˆencia em X tal que x
k
→ b ∈ B(a; r)
(a, b ∈ X, r > 0), ent˜ao mostre que existe k
0
∈ IN tal que k > k
0
⇒ x
k
∈ B(a; r).
3) (Um espa¸co de fun¸c˜oes)
Sejam X um conjunto qualquer e (M, d
M
) um espa¸co m´etrico.
Uma fun¸c˜ao f : X → M ´e dita LIMITADA quando sua imagem f(X) ´e um subconjunto
limitado de M.
Consideremos o conjunto B(X; M) das fun¸c˜oes f : X → M limitadas.
Dadas f, g ∈ B(X; M), consideremos d(f, g) = sup
x∈X
d
M
(f(x), g(x)).
Mostre que d est´a bem definida e ´e uma m´etrica em B(X; M) (chamada de M´etrica do
sup ou M´etrica da Convergˆencia Uniforme).
4) (Seq¨ uˆencias de fun¸c˜oes - Convergˆencias Pontual e Uniforme)
Consideremos seq¨ uˆencias de aplica¸c˜oes f
n
: X → M onde n ∈ IN, X ´e um conjunto qualquer
e (M, d
M
) ´e um espa¸co m´etrico. Consideremos dois tipos de convergˆencia:
(i) Diz-se que (f
n
) converge PONTUALMENTE (ou simplesmente) para uma aplica¸c˜ao
f : X → M quando, para cada x ∈ X, f
n
(x) → f(x) em M, isto ´e, dados x ∈ X e > 0, ´e
poss´ıvel obter um´ındice n
0
∈ IN (dependendo de x e ) tal que n > n
0
⇒ d
M
(f
n
(x), f(x)) < .
(ii) Diz-se que (f
n
) converge UNIFORMEMENTE para uma aplica¸c˜ao f : X → M
quando, dado > 0, ´e poss´ıvel obter um ´ındice n
0
∈ IN (dependendo apenas de ) tal que
n > n
0
⇒ d
M
(f
n
(x), f(x)) < , para todo x ∈ X.
30 CAP
´
ITULO 2
(a) Mostre que a seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes f
n
: IR → IR dadas por f
n
(x) =
x
n
para todo
n ∈ IN converge pontualmente, mas n˜ao uniformemente para a fun¸c˜ao constante igual a zero.
(b) Mostre que a convergˆencia no espa¸co m´etrico B(X; M) com a topologia induzida pela
M´etrica do sup (veja no exerc´ıcio anterior) ´e uma convergˆencia uniforme.
Defini¸c˜ao 2.10. Uma seq¨ uˆencia (x
n
) num espa¸co m´etrico (X, d) chama-se uma SEQ
¨
U
ˆ
ENCIA
DE CAUCHY quando, para cada > 0 dado, ´e poss´ıvel obter um ´ındice n
0
∈ IN tal que
m, n > n
0
⇒ d(x
m
, x
n
) < .
Proposi¸c˜ao 2.11. Em um espa¸co m´etrico, toda seq¨ uˆencia convergente ´e de Cauchy.
Prova: Exerc´ıcio.
Defini¸c˜ao 2.12. Diz-se que um espa¸co m´etrico X ´e COMPLETO quando toda seq¨ uˆencia de
Cauchy em X ´e convergente.
Exemplos:
Exerc´ıcios:
1) Mostre que num espa¸co m´etrico X, toda seq¨ uˆencia de Cauchy ´e limitada.
2) Mostre que uma seq¨ uˆencia de Cauchy que possui uma subseq¨ uˆencia convergente ´e con-
vergente (para o mesmo limite da subseq¨ uˆencia).
3) Mostre que um espa¸co m´etrico (X, d) ´e completo se, e somente se, para toda seq¨ uˆencia
“decrescente” F
1
⊃ F
2
⊃ F
3
⊃ . . . de subconjuntos fechados n˜ao-vazios F
n
⊂ X com
lim
n→∞
diam(F
n
) = 0 existe um ponto a ∈ X tal que

¸
n=1
F
n
= { a}.
(Teorema de Baire) Mostre que se (X, d) ´e um espa¸co completo e F =

¸
n=1
F
n
onde cada
F
n
´e fechado e tem interior vazio ent˜ao int F = φ .
(Corol´ario) Mostre que se (X, d) ´e um espa¸co completo e X =

¸
n=1
F
n
onde cada F
n
´e
fechado ent˜ao existe pelo menos um F
n
0
tal que int F
n
0
= φ .
Obs.: O Teorema de Baire d´a origem a uma s´erie de importantes resultados, alguns dos quais
veremos no pr´oximo cap´ıtulo.
Espa¸cos m´etricos 31
2.5 Fun¸c˜oes cont´ınuas
Ao analisarmos a continuidade de fun¸c˜oes que envolvem espa¸cos m´etricos consideraremos
(como no caso das seq¨ uˆencias) as topologias induzidas pelas m´etricas dos mesmos.
Temos ent˜ao:
Proposi¸c˜ao 2.13. Sejam X e Y espa¸cos m´etricos (com m´etricas d
X
e d
Y
respectivamente).
A aplica¸c˜ao f : X → Y ´e cont´ınua no ponto x
0
∈ X se, e somente se, para cada > 0
dado, ´e poss´ıvel obter um δ > 0 tal que d
X
(x, x
0
) < δ ⇒ d
Y
(f(x), f(x
0
)) < .
Proposi¸c˜ao 2.14. Sejam X e Y espa¸cos m´etricos (com m´etricas d
X
e d
Y
respectivamente).
A aplica¸c˜ao f : W ⊂ X → Y , cujo dom´ınio ´e o subespa¸co m´etrico W ⊂ X, ´e cont´ınua no
ponto x
0
∈ W se, e somente se, para cada > 0 dado, ´e poss´ıvel obter um δ > 0 tal que
x ∈ W, d
X
(x, x
0
) < δ ⇒ d
Y
(f(x), f(x
0
)) < .
Nota: Conv´em observar que a continuidade de fun¸c˜oes que envolvem espa¸cos m´etricos
depende das topologias induzidas pelas m´etricas.
No primeiro cap´ıtulo vimos que, em espa¸cos topol´ogicos em geral, seq¨ uˆencias s˜ao inade-
quadas para caracterizar a continuidade de uma fun¸c˜ao. O teorema a seguir nos garante a
possibilidade de tal caracteriza¸c˜ao (de continuidade via seq¨ uˆencias) se o dom´ınio da fun¸c˜ao for
um espa¸co m´etrico:
Teorema 2.15. Sejam X um espa¸co m´etrico e Y um espa¸co topol´ogico. Uma fun¸ c˜ao
f : X → Y ´e cont´ınua em x
0
∈ X se, e somente se, para toda seq¨ uˆencia (x
n
) ⊂ X
com x
n
→ x
0
temos que f(x
n
) → f(x
0
) em Y .
Prova:
Defini¸c˜ao 2.16. Sejam (X, d
X
) e (Y, d
Y
) espa¸cos m´etricos e f : X → Y .
Dizemos que f ´e uma aplica¸c˜ao LIPSCHITZIANA quando existe uma constante c > 0
(chamada CONSTANTE DE LIPSCHITZ) tal que d
Y
(f(x), f(y)) ≤ c · d
X
(x, y) quaisquer
que sejam x, y ∈ X.
32 CAP
´
ITULO 2
Alguns casos particulares recebem denomina¸c˜ao pr´opria:
f ´e uma CONTRAC¸
˜
AO FRACA quando d
Y
(f(x), f(y)) ≤ d
X
(x, y) ∀ x, y ∈ X.
f ´e uma IMERS
˜
AO ISOM
´
ETRICA (neste caso dizemos que f preserva distˆancias) quando
d
Y
(f(x), f(y)) = d
X
(x, y) ∀ x, y ∈ X.
f ´e dita uma ISOMETRIA quando for uma imers˜ao isom´etrica sobrejetora.
f ´e uma CONTRAC¸
˜
AO quando existe uma constante c, com 0 ≤ c < 1, tal que para todos
x, y ∈ X temos d
Y
(f(x), f(y)) ≤ c · d
X
(x, y) .
Observa¸c˜ao: As defini¸c˜oes acima dependem das m´etricas consideradas.
Exerc´ıcios:
1) Sejam X, Y espa¸cos m´etricos. Mostre que se f : W ⊂ X → Y ´e cont´ınua em a ∈ W
e f(a) ∈ B
Y
[b; r] (b ∈ Y ) ent˜ao ´e poss´ıvel obter um δ > 0 tal que x ∈ W, d
X
(x, a) < δ ⇒
f(x) ∈ B
Y
[b; r].
2) Sejam f, g : M → N cont´ınuas, M, N espa¸cos m´etricos.
Dado a ∈ M, suponha que toda bola de centro a contenha um ponto x tal que f(x) = g(x).
Conclua que f(a) = g(a).
Use este fato para mostrar que se f, g : M → N s˜ao cont´ınuas e f = g em um
subconjunto D ⊂ M, D denso em M, ent˜ao f = g em todo espa¸co M.
3) (Limites)
Sejam X, Y espa¸cos m´etricos, A ⊂ X, a ∈ A

(a ´e ponto de acumula¸c˜ao de A) e
f : A → Y .
Dizemos que b ∈ Y ´e o limite de f(x) quando x tende para a e escrevemos b = lim
x→a
f(x)
quando, para cada > 0 dado, ´e poss´ıvel obter δ > 0 tal que x ∈ A\ { a} , d
X
(x, a) < δ ⇒
d
Y
(f(x), b) < .
(a) Mostre que se a ∈ A ∩ A

ent˜ao f : A → Y ´e cont´ınua em a se, e somente se,
f(a) = lim
x→a
f(x) .
(b) Mostre que b = lim
x→a
f(x) se, e somente se, para toda seq¨ uˆencia (x
n
) em A\ {a}
com x
n
→ a (em X) tem-se f(x
n
) → b (em Y ).
4) Sejam X e Y espa¸cos m´etricos. Se uma seq¨ uˆencia de aplica¸c˜oes f
n
: X → Y , cont´ınuas
no ponto a ∈ X, converge uniformemente (ver exerc´ıcio da se¸c˜ao anterior) para uma aplica¸c˜ao
f : X → Y , mostre que f ´e cont´ınua no ponto a.
Usando a parte acima, conclua que a seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes f
n
: [0, 1] → IR dadas por
f
n
(x) = x
n
n˜ao converge uniformemente para nenhuma f : [0, 1] → IR.
Espa¸cos m´etricos 33
5) Dˆe exemplo de uma aplica¸c˜ao f : X → Y entre espa¸cos m´etricos tais que:
(a) f ´e lipschitziana mas n˜ao ´e uma contra¸c˜ao fraca.
(b) f ´e contra¸c˜ao fraca mas n˜ao ´e imers˜ao isom´etrica nem contra¸c˜ao.
(c) f ´e imers˜ao isom´etrica mas n˜ao ´e isometria.
(d) f ´e isometria.
Dˆe (contra-)exemplos e mostre que as defini¸c˜oes em 2.16 dependem das m´etricas consideradas.
2.6 Continuidade uniforme
Defini¸c˜ao 2.17. Sejam X e Y espa¸cos m´etricos. Uma aplica¸c˜ao f : X → Y ´e dita ser
UNIFORMEMENTE CONT
´
INUA quando, para cada > 0 dado, existir δ > 0 tal que para
todos x, y ∈ X, d
X
(x, y) < δ ⇒ d
Y
(f(x), f(y)) < .
(Exemplos)
Proposi¸c˜ao 2.18. Sejam X e Y espa¸cos m´etricos. Uma aplica¸c˜ao f : X → Y ´e uni-
formemente cont´ınua se, e somente se, para todo par de seq¨ uˆencias (x
n
), (y
n
) em X tal que
d
X
(x
n
, y
n
) → 0 (na Topologia Usual da Reta) tem-se que d
Y
(f(x
n
), f(y
n
)) → 0 (tamb´em na
Topologia Usual da Reta).
Prova:
34 CAP
´
ITULO 2
Exemplo:
Observa¸c˜ao: O exemplo acima mostra que a continuidade uniforme n˜ao ´e uma no¸c˜ao
topol´ogica, pois depende das m´etricas envolvidas, e n˜ao apenas das topologias induzidas.
Exerc´ıcios:
1) Mostre que toda aplica¸c˜ao lipschitziana f : X → Y (X, Y espa¸cos m´etricos) ´e uni-
formemente cont´ınua.
2) Sejam X e Y espa¸cos m´etricos e f : X → Y .
Mostre que se f ´e uniformemente cont´ınua ent˜ao f transforma seq¨ uˆencias de Cauchy
(x
n
) ⊂ X em seq¨ uˆencias de Cauchy (f(x
n
)) ⊂ Y .
3) Seja f : A ⊂ X → Y (X, Y espa¸cos m´etricos). Mostre que se Y ´e completo e f
uniformemente cont´ınua ent˜ao, para todo a ∈ A

, existe lim
x→a
f(x).
4) Consideremos um espa¸co m´etrico X, munido de uma m´etrica d.
Dados a ∈ X e B ⊂ X, B n˜ao-vazio, definimos a DIST
ˆ
ANCIA DO PONTO a AO
CONJUNTO B como
d(a, B) = inf
x∈B
d(a, x)
Espa¸cos m´etricos 35
Dados A, B ⊂ X, A e B n˜ao-vazios, definimos a DIST
ˆ
ANCIA ENTRE OS SUBCONJUN-
TOS A E B como
d(A, B) = inf { d(a, b) ; a ∈ A, b ∈ B}
(a) Mostre que d(A, B) = d( cl A, cl B).
(b) Dado T ⊂ X, T = φ , mostre que a fun¸c˜ao f : X → IR dada por f(x) = d(x, T) ´e
uniformemente cont´ınua.
(c) Dˆe exemplos de um espa¸co m´etrico (X, d) e conjuntos n˜ao-vazios A e B em X tais
que A ∩ B = φ e d(A, B) = 0.
(d) Sejam A, B ⊂ X, A e B limitados e n˜ao-vazios.
Mostre que
diam(A ∪ B) ≤ diam(A) + diam(B) + d(A, B)
2.7 Compacidade em espa¸cos m´etricos
Teorema 2.19. Seja X um espa¸co m´etrico. S˜ao equivalentes:
1) X ´e compacto.
2) Todo subconjunto infinito de X possui um ponto de acumula¸c˜ao.
3) Toda seq¨ uˆencia em X possui uma subseq¨ uˆencia convergente (para um ponto de X).
Observa¸c˜ao: As afirmativas acima s˜ao equivalentes em K ⊂ X subconjunto (subespa¸co)
de um espa¸co m´etrico X.
Teorema 2.20. Se K ⊂ X (espa¸co m´etrico) ´e compacto, ent˜ao K ´e limitado e fechado.
Prova:
Observa¸c˜ao: A rec´ıproca do resultado acima n˜ao ´e verdadeira em geral, conforme ilustra
o contra-exemplo abaixo:
Contra-exemplo:
36 CAP
´
ITULO 2
Teorema 2.21. Sejam X e Y espa¸cos m´etricos. Se a aplica¸c˜ao f : X → Y ´e cont´ınua e o
espa¸co X ´e compacto, ent˜ao f ´e uniformemente cont´ınua.
Exerc´ıcios:
1) Mostre que, dada uma seq¨ uˆencia “decrescente” K
1
⊃ K
2
⊃ K
3
⊃ . . . ⊃ K
n
⊃ . . . de
compactos n˜ao-vazios em um espa¸co m´etrico X, sua interse¸c˜ao

¸
n=1
K
n
´e compacta e n˜ao-
vazia.
Mostre atrav´es de um exemplo que o resultado acima n˜ao ´e v´alido se tomarmos conjuntos
fechados ao inv´es de compactos.
2) Prove o Teorema 2.21.
2.8 M´etricas equivalentes
Defini¸c˜ao 2.22. Duas m´etricas d
1
e d
2
em um espa¸co X s˜ao ditas EQUIVALENTES
quando induzem a mesma topologia sobre X.
Teorema 2.23. Duas m´etricas d
1
e d
2
em um espa¸co X s˜ao equivalentes se, e somente
se, para toda bola aberta numa m´etrica (d
1
ou d
2
) ´e poss´ıvel obter uma bola aberta na outra
m´etrica, de mesmo centro e contida na primeira bola.
Prova:
Exemplo:
Espa¸cos m´etricos 37
Defini¸c˜ao 2.24. Diremos que duas m´etricas d
1
e d
2
em X s˜ao LIPSCHITZ-EQUIVALENTES
quando existirem constantes α > 0 e β > 0 tais que
α · d
1
(x, y) ≤ d
2
(x, y) ≤ β · d
1
(x, y) ∀ x, y ∈ X
Obs.1: Se duas m´etricas s˜ao lipschitz-equivalentes ent˜ao elas s˜ao equivalentes.
Exemplo:
Obs.2: A rec´ıproca da Obs.1 acima n˜ao ´e v´alida:
Contra-exemplo:
Exerc´ıcio: Sejam (M
1
, d
1
), (M
2
, d
2
), . . . , (M
n
, d
n
) espa¸cos m´etricos.
Consideremos o seu produto cartesiano
M = M
1
×M
2
×. . . ×M
n
= {x = (x
1
, . . . , x
n
) ; x
i
∈ M
i
, i = 1, . . . , n} .
Sejam d
e
, d
s
, d
m
m´etricas em M dadas por:
d
e
(x, y) =

d
1
(x
1
, y
1
)
2
+d
2
(x
2
, y
2
)
2
+. . . +d
n
(x
n
, y
n
)
2
d
s
(x, y) = d
1
(x
1
, y
1
) +d
2
(x
2
, y
2
) +. . . +d
n
(x
n
, y
n
)
d
m
(x, y) = max { d
1
(x
1
, y
1
), d
2
(x
2
, y
2
), . . . , d
n
(x
n
, y
n
)}
38 CAP
´
ITULO 2
(a) Mostre que estas trˆes m´etricas s˜ao lipschitz-equivalentes.
(b) Mostre que uma seq¨ uˆencia (x
k
) = (x
1k
, x
2k
, . . . , x
nk
) converge em M, considerando
qualquer uma das 3 m´etricas acima , para um ponto a = (a
1
, . . . , a
n
) ∈ M se, e somente se,
x
ik
→ a
i
∀ i = 1, 2, . . . , n.
(c) Para cada i = 1, . . . , n considere a aplica¸c˜ao proje¸c˜ao π
i
: M → M
i
dada por
π
i
(x) = x
i
. Mostre que cada proje¸c˜ao ´e cont´ınua.
(d) Seja f : X → M (X esp. m´etrico). Mostre que f ´e cont´ınua em a ∈ X se, e somente
se, cada uma de suas fun¸c˜oes coordenadas f
i
= π
i
◦ f : X → M
i
´e cont´ınua em a.
Cap´ıtulo 3
Espa¸cos normados
Iniciamos este cap´ıtulo com o conceito de Espa¸co Normado. Em seguida apresentamos a
m´etrica e a topologia naturais induzidas pela norma, bem como espa¸cos de Banach e s´eries.
Ao final, apresentamos um breve estudo de transforma¸c˜oes lineares em espa¸cos normados.
3.1 Espa¸cos normados
Defini¸c˜ao 3.1. Seja X um espa¸co vetorial sobre um corpo IK (IR ou C). Uma NORMA
em X ´e uma fun¸c˜ao : X → IR que associa a cada vetor x ∈ X um n´ umero real x
chamado a norma de x, de modo que sejam satisfeitas as seguintes condi¸c˜oes para quaisquer
x, y ∈ X, λ ∈ IK:
n.1) Se x = 0 ent˜ao x > 0
n.2) λ.x = |λ| . x
n.3) x +y ≤ x +y (Desigualdade Triangular)
Um espa¸co vetorial X munido de uma norma (fixada) ´e dito um ESPAC¸O NORMADO.
Exemplos:
A) Norma Usual da Reta:
A fun¸c˜ao m´odulo | | : IR → IR dada por |x| =

x se x ≥ 0
−x se x < 0
´e uma norma em IR.
B) Algumas normas no Plano Complexo (ou no IR
2
):
Consideremos o conjunto C dos n´ umeros complexos (ou ent˜ao IR
2
) como um espa¸co
39
40 CAP
´
ITULO 3
vetorial de dimens˜ao 2 sobre o corpo dos reais.
| | : C → IR (fun¸c˜ao m´odulo) dada por |a| =

a
2
1
+a
2
2
para todo a = a
1
+ia
2
∈ C ´e
uma norma em C, conhecida tamb´em como NORMA EUCLIDIANA.

s
: C → IR dada por a
s
= |a
1
| + |a
2
| para todo a = a
1
+ ia
2
∈ C ´e uma norma
em C, conhecida tamb´em como NORMA DA SOMA.

m
: C → IR dada por a
m
= max { |a
1
| , |a
2
| } para todo a = a
1
+ia
2
∈ C ´e uma
norma em C, conhecida tamb´em como NORMA DO M
´
AXIMO.
C) Norma do sup:
Consideremos o espa¸co (sobre IR) B(X; IR) das fun¸c˜oes limitadas f : X → IR.
Definimos uma norma

em B(X; IR) pondo, para toda f ∈ B(X; IR):
f

= sup
x∈X
|f(x)|
Exerc´ıcio: Mostre que

acima est´a bem definida e que ´e uma norma em B(X; IR).
D) Alguns espa¸cos de seq¨ uˆencias:
Seja

o espa¸co das seq¨ uˆencias limitadas em um corpo IK (IR ou C), isto ´e:


= {(x
n
) = (x
1
, x
2
, . . .) ; x
i
∈ IK ; (x
n
) limitada }


:

→ IR dada por (x
n
)

= sup
i∈IN
|x
i
| ´e uma norma em

.
Seja
1
o espa¸co das seq¨ uˆencias absolutamente som´aveis em um corpo IK (IR ou C):

1
=

(x
n
) = (x
1
, x
2
, . . .) ; x
i
∈ IK ;

¸
i=1
|x
i
| < +∞
¸

1
:
1
→ IR dada por (x
n
)
1
=

¸
i=1
|x
i
| ´e uma norma em
1
.
Seja
2
o espa¸co das seq¨ uˆencias quadrado som´aveis, em um corpo IK (IR ou C):

2
=

(x
n
) = (x
1
, x
2
, . . .) ; x
i
∈ IK ;

¸
i=1
|x
i
|
2
< +∞
¸

2
:
2
→ IR dada por (x
n
)
2
=


¸
i=1
|x
i
|
2

1/2
´e uma norma em
2
Espa¸cos normados 41
3.2 A topologia da norma
Construindo m´etricas a partir de normas:
Seja X = (X, ) um espa¸co vetorial normado. Podemos, a partir da norma ,
construir uma m´etrica d : X ×X → IR pondo, de modo natural:
d(x, y) = x −y ∀ x, y ∈ X
d ´e uma m´etrica em X (mostre), dita a M
´
ETRICA INDUZIDA PELA NORMA .
Portanto, todo espa¸co normado X = (X, ) pode ser considerado naturalmente como
um espa¸co m´etrico (X, d) onde a m´etrica d ´e a m´etrica induzida pela norma , da forma
acima descrita.
Defini¸c˜ao 3.2. Seja (X, d) um espa¸co m´etrico. Quando existir uma norma em X tal
que d ´e a m´etrica induzida pela norma , dizemos ent˜ao que A M
´
ETRICA d PROV
´
EM DA
NORMA .
Exemplos:
A) M´etrica e Norma Usuais da Reta:
Consideremos o conjunto IR dos n´ umeros reais, munido da Norma Usual | | : IR → IR
dada por
|x| =

x se x ≥ 0
−x se x < 0
A m´etrica induzida por | | ´e exatamente a M´etrica Usual da Reta.
B) No Plano Complexo C (ou no IR
2
):
Consideremos o espa¸ co C dos n´ umeros complexos (ou ent˜ao IR
2
), que ´e um espa¸co vetorial
de dimens˜ao 2 sobre o corpo dos reais.
A M´etrica Euclidiana (d
e
(a, b) = |a −b| ∀ a, b ∈ C) prov´em da Norma Euclidiana | |
(fun¸c˜ao m´odulo).
A M´etrica da Soma (d
s
(a, b) = |a
1
−b
1
| +|a
2
−b
2
| ∀a, b ∈ C) prov´em da Norma da
Soma
s
, dada por a
s
= |a
1
| +|a
2
| para todo a = a
1
+ia
2
∈ C .
A M´etrica do M´aximo (d
m
(a, b) = max { |a
1
−b
1
| , |a
2
−b
2
| } ∀a, b ∈ C) prov´em da
Norma do M´aximo
m
, dada por a
m
= max { |a
1
| , |a
2
| } para todo a = a
1
+ia
2
∈ C .
42 CAP
´
ITULO 3
C) M´etrica e Norma do sup:
Consideremos o espa¸co (sobre IR) B(X; IR) das fun¸c˜oes limitadas f : X → IR.
A M´etrica do sup ( d(f, g) = sup
x∈X
|f(x) −g(x)| ∀ f, g ∈ B(X; IR) ) prov´em da Norma
do sup

, dada por f

= sup
x∈X
|f(x)| para toda f ∈ B(X; IR).
D) Uma m´etrica que n˜ao prov´em de norma alguma:
Seja X um espa¸co vetorial com mais de um elemento, sobre IR ou C.
A M´etrica Discreta d : X ×X → IR, dada por

d(x, x) = 0
d(x, y) = 1 se x = y
n˜ao ´e proveniente de nenhuma norma em X (Exerc´ıcio).
Bolas, esferas e conjuntos limitados:
Seja X = (X, ) um espa¸co vetorial normado.
Dados a ∈ X e r > 0, r ∈ IR, definimos B(a; r) (bola aberta de centro a e raio r),
B[a; r] (bola fechada de centro a e raio r) e S[a; r] (esfera de centro a e raio r) atrav´es da
m´etrica d induzida pela norma .
Tamb´em usamos a m´etrica d para caracterizar os conjuntos limitados em X.
Exerc´ıcio: Mostre que um subconjunto Y ⊂ X (espa¸co normado) ´e limitado se, e somente
se, existe k > 0 tal que y ≤ k para todo y ∈ Y .
A topologia da norma:
Todo espa¸co vetorial normado X = (X, ) pode ser munido naturalmente da m´etrica
d induzida pela norma e conseq¨ uentemente da topologia induzida por esta m´etrica d.
Dizemos, de um modo mais breve, que essa topologia ´e induzida pela norma , ou que ´e a
TOPOLOGIA DA NORMA .
A partir da´ı todos os conceitos topol´ogicos estudados em espa¸cos topol´ogicos e m´etricos
s˜ao verificados nos espa¸cos normados, considerando-se a topologia e a m´etrica induzidas pela
norma.
Tamb´em as no¸c˜oes de continuidade uniforme, aplica¸c˜ao lipschitziana, contra¸c˜ao, etc. s˜ao
verificadas considerando-se a m´etrica induzida pela norma.
Espa¸cos normados 43
Defini¸c˜ao 3.3. Seja X um espa¸co vetorial. Duas normas
1
e
2
em X s˜ao ditas
EQUIVALENTES se, e somente se, elas induzem a mesma topologia sobre X.
Proposi¸c˜ao 3.4. Duas normas
1
e
2
em um espa¸co vetorial X s˜ao equivalentes se,
e somente se, existem constantes α > 0 e β > 0 tais que
α. x
1
≤ x
2
≤ β. x
1
∀ x ∈ X
Prova: Exerc´ıcio (Sugest˜ao: fa¸ca uso do Teorema 3.9, o qual veremos mais `a frente)
Exerc´ıcios:
1) Seja X um espa¸co normado. Mostre que se E ⊂ X ´e um subespa¸co vetorial de X e
E = X ent˜ao int E = φ .
2) Seja X = (X, ) um espa¸co normado.
(i) Mostre que x −y ≥ | x −y | para todos x, y ∈ X.
(ii) Usando o item anterior, mostre que se (x
n
) ´e uma seq¨ uˆencia em X tal que limx
n
= a ∈ X
ent˜ao limx
n
= a.
3) Seja X um espa¸co vetorial normado sobre um corpo IK (IR ou C).
(i) Mostre que as transla¸c˜oes T
a
: X → X, dadas por T
a
(x) = x + a (onde a ∈ X) s˜ao
homeomorfismos.
(ii) Mostre que as homotetias H
λ
: X → X, dadas por H
λ
(x) = λ.x (com 0 = λ ∈ IK) s˜ao
homeomorfismos.
(iii) Mostre que duas bolas abertas quaisquer em X s˜ao homeomorfas.
4) Seja X um espa¸co vetorial normado. Um subconjunto C ⊂ X ´e dito CONVEXO se,
e somente se, para todo par x, y ∈ C tem-se t.x + (1 − t).y ∈ C ∀ t ∈ [0, 1], ou seja, o
segmento [x, y] = { t.x + (1 −t).y ; t ∈ [0, 1] } est´a contido em C.
(i) Mostre que toda bola em X ´e convexa.
(ii) Mostre que a interse¸c˜ao arbitr´aria de conjuntos convexos ´e convexa.
(iii) Mostre que o fecho de um conjunto convexo ´e convexo.
5) Seja B ⊂ X (espa¸co normado). A ENVOLT
´
ORIA CONVEXA de B ´e a interse¸c˜ao
co (B) de todos os subconjuntos convexos de X que contˆem B.
Prove que co (B) ´e o conjunto de todas as combina¸c˜oes lineares α
1
.x
1
+. . . +α
n
.x
n
tais que
x
1
, . . . , x
n
∈ B, α
1
≥ 0, . . . , α
n
≥ 0 (α
1
, . . . , α
n
∈ IR) e α
1
+ . . . + α
n
= 1.
6) Seja B ⊂ X (espa¸co normado). A ENVOLT
´
ORIA CONVEXA FECHADA de B ´e a
interse¸c˜ao co (B) de todos os subconjuntos convexos fechados de X que contˆem B.
Mostre que co (B) = cl ( co (B)).
44 CAP
´
ITULO 3
3.3 Espa¸cos de Banach
Defini¸c˜ao 3.5. Um ESPAC¸O DE BANACH ´e um espa¸co vetorial normado completo (toda
seq¨ uˆencia de Cauchy ´e convergente) quando tomamos a m´etrica induzida pela norma.
Exemplos:
A) O espa¸co (IR, | |) ´e um espa¸co de Banach.
B) O espa¸co dos n´ umeros complexos C, munido de qualquer uma das normas | | (Eucli-
diana),
s
(da Soma) ou
m
(do M´aximo) ´e um espa¸co de Banach.
C) O espa¸co B(X; IR) das fun¸c˜oes limitadas f : X → IR, munido da norma do sup, ´e um
espa¸co de Banach.
D) Os espa¸cos (

,

), (
1
,
1
) e (
2
,
2
) s˜ao todos espa¸cos de Banach.
E) Um espa¸co vetorial normado que n˜ao ´e Banach:
Exerc´ıcio: Mostre que os espa¸cos dos exemplos de A) a D) s˜ao espa¸cos de Banach.
3.4 S´eries
Defini¸c˜ao 3.6. Uma s´erie

¸
i=1
x
i
em um espa¸co normado X = (X, ) ´e dita CON-
VERGENTE para um ponto x ∈ X se, e somente se, a seq¨ uˆencia de suas reduzidas
(s
n
) =

n
¸
i=1
x
i

convergir para x.
Defini¸c˜ao 3.7. Uma s´erie

¸
i=1
x
i
em um espa¸co normado X = (X, ) ´e dita NOR-
MALMENTE CONVERGENTE se, e somente se, a s´erie de n´ umeros reais

¸
i=1
x
i
for
convergente, isto ´e,

¸
i=1
x
i
< +∞ .
Espa¸cos normados 45
Exerc´ıcios:
1) Mostre que um espa¸co normado X ´e um espa¸co de Banach se, e somente se, toda s´erie
normalmente convergente for convergente.
2) (Teste M de Weierstrass) Seja
¸
f
n
uma s´erie de fun¸c˜oes no espa¸co B(X; IR) das
fun¸c˜oes limitadas f : X → IR. Mostre que se existir uma s´erie convergente
¸
c
n
de n´ umeros
reais c
n
≥ 0 e uma constante M tal que |f
n
(x)| ≤ M.c
n
para todos n ∈ IN e x ∈ X
ent˜ao a s´erie
¸
f
n
´e uniformemente convergente.
(Sugest˜ao: use o exerc´ıcio anterior e a norma do sup em B(X; IR))
3.5 Transforma¸c˜oes lineares em espa¸cos normados
Alguns exemplos interessantes:
A) Um operador linear que ´e injetivo mas n˜ao ´e sobrejetivo:
B) Um operador linear que ´e sobrejetivo mas n˜ao ´e injetivo:
C) Um funcional linear descont´ınuo:
46 CAP
´
ITULO 3
Defini¸c˜ao 3.8. (Transforma¸c˜oes lineares “limitadas”) Sejam X e Y espa¸cos normados. Uma
transforma¸c˜ao linear T : X → Y ´e dita LIMITADA se, e somente se, existir uma constante
c > 0 tal que T(x)
Y
≤ c. x
X
para todo x ∈ X.
Equivalentemente T : X → Y ´e limitada se, e somente se, existir uma constante c > 0
tal que T(x)
Y
≤ c para todo x ∈ X com x
X
≤ 1 (isto ´e, para todo x ∈ B[0; 1] - bola
fechada unit´aria de X), ou seja, T ´e limitada na bola unit´aria fechada - de centro 0 - de X
(Exerc´ıcio).
Denotaremos por L(X; Y ) o conjunto de todas as transforma¸c˜oes lineares limitadas de X
em Y e sempre consideraremos X = {0} .
´
E imediato que L(X; Y ) ´e um subespa¸co vetorial
do espa¸co vetorial de todas as transforma¸c˜oes lineares de X em Y , com as opera¸c˜oes usuais de
adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao escalar (mostre).
Teorema 3.9. Sejam X e Y espa¸cos vetoriais normados e T : X → Y uma transforma¸c˜ao
linear de X em Y . Ent˜ao as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:
1) T ´e cont´ınua.
2) T ´e cont´ınua em um ponto x
0
∈ X.
3) T ´e cont´ınua no ponto 0 (vetor nulo).
4) Existe c > 0 tal que Tx
Y
≤ c. x
X
para todo x ∈ X (T ´e limitada).
Prova:
Espa¸cos normados 47
A norma de uma transforma¸c˜ao linear:
J´a temos que L(X; Y ) ´e um espa¸co vetorial (subespa¸co do espa¸co de todas as trans-
forma¸c˜oes lineares de X em Y ).
Agora, dada T ∈ L(X; Y ) (T ´e limitada, ou seja, T ´e cont´ınua), defina
T = sup { Tx
Y
; x
X
≤ 1}
A fun¸c˜ao : L(X; Y ) → IR acima definida ´e uma norma em L(X; Y ) (Exerc´ıcio).
Observe que esta norma em L(X; Y ) depende das normas tomadas em X e Y .
Proposi¸c˜ao 3.10. Sejam X e Y espa¸cos normados e T ∈ L(X; Y ) . Ent˜ao:
T = sup { Tx ; x ≤ 1} = sup { Tx ; x = 1} =
= sup

Tx
x
; x = 0

= inf { c > 0 ; Tx ≤ c. x ∀x ∈ X }
Prova: Exerc´ıcio
Proposi¸c˜ao 3.11. (Propriedades Imediatas)
(i) Tx ≤ T . x ∀ x ∈ X ( T ∈ L(X; Y ) , com X e Y normados)
(ii) TU ≤ T . U ( T ∈ L(X; Y ), U ∈ L(W; X), com W, X e Y normados)
Prova: Exerc´ıcio
48 CAP
´
ITULO 3
Teorema 3.12. Sejam X e Y espa¸cos normados. Ent˜ao L(X; Y ) ´e espa¸co de Banach se (e
somente se) Y ´e um espa¸co de Banach.
Prova: Exerc´ıcio
Exerc´ıcio: Mostre que se X ´e um espa¸co de Banach e A ∈ L(X) (isto ´e, A : X → X ´e
linear e cont´ınua) ent˜ao a s´erie
e
A
=

¸
n=0
A
n
n!
= I + A +
A
2
2!
+
A
3
3!
+. . .
converge para um operador linear cont´ınuo e
A
: X → X (Sugest˜ao: Mostre que a s´erie acima
´e normalmente convergente).
Observa¸c˜ao: No caso particular X = IR
n
, este exerc´ıcio diz que podemos definir (e bem)
a exponencial de uma n × n matriz real atrav´es da s´erie acima (e o resultado ´e ainda uma
n ×n matriz real) !!!
Alguns resultados importantes (a t´ıtulo de informa¸c˜ao):
Teorema 3.13. (Princ´ıpio da Limita¸c˜ao Uniforme) Sejam X um espa¸co de Banach e Y um
espa¸co normado. Seja A uma fam´ılia de transforma¸c˜oes lineares cont´ınuas de X em Y , ou
seja, A ⊂ L(X; Y ) .
Se A ´e pontualmente limitada (para cada x ∈ X temos sup { Tx ; T ∈ A} < +∞)
ent˜ao A ´e uniformemente limitada (existe M > 0 tal que T ≤ M para toda T ∈ A).
Podemos demonstrar o Princ´ıpio da Limita¸c˜ao Uniforme “olhando” para os conjuntos
B
n
= { x ∈ X ; Tx ≤ n ∀ T ∈ A } e utilizando o Corol´ario do Teorema de Baire (veja nos
exerc´ıcios do cap´ıtulo sobre espa¸cos m´etricos) - Tente!
Teorema 3.14. (Teorema da Aplica¸c˜ao Aberta) Sejam X e Y espa¸cos de Banach. Se
T ∈ L(X; Y ) ´e sobrejetiva, ent˜ao T ´e aberta, ou seja, T(A) ´e aberto em Y para todo A
aberto em X.
Podemos demonstrar o Teorema da Aplica¸c˜ao Aberta utilizando o Teorema de Baire (veja
nos exerc´ıcios do cap´ıtulo sobre espa¸cos m´etricos).
Corol´ario 1. Se X e Y s˜ao espa¸cos de Banach e T ∈ L(X; Y ) ´e bijetiva, ent˜ao T
−1
´e
cont´ınua, isto ´e, T
−1
∈ L(Y ; X).
Prova: Exerc´ıcio
Espa¸cos normados 49
Exemplo (um pouco sobre funcionais lineares):
50 CAP
´
ITULO 3
Cap´ıtulo 4
Espa¸cos com produto interno
Neste cap´ıtulo introduzimos o conceito de Produto Interno, alguns exemplos e t´opicos
b´asicos relacionados, como a norma proveniente de um produto interno e ortogonalidade.
Apresentamos os espa¸cos de Hilbert e finalizamos citando o Teorema de Representa¸c˜ao de
Riesz.
4.1 Produto interno
Defini¸c˜ao 4.1. Seja X um espa¸co vetorial sobre um corpo IK (IR ou C). Um PRODUTO
INTERNO sobre X ´e uma fun¸c˜ao < , >: X × X → IK que associa a cada par ordenado de
vetores x, y ∈ X um escalar < x, y > chamado o produto interno de x por y, de modo
que sejam satisfeitas as seguintes condi¸c˜oes para quaisquer x, y, z ∈ X, λ ∈ IK:
p.i.1) < λ · x +y, z > = λ· < x, z > + < y, z >
p.i.2) < x, x > ≥ 0
p.i.3) < x, x > = 0 ⇒ x = 0
p.i.4) < x, y > = < y, x >
Obs.: < x, λy +z > = λ· < x, y > + < x, z >
51
52 CAP
´
ITULO 4
Exemplos:
A) Consideremos o conjunto C dos n´ umeros complexos (ou ent˜ao IR
2
) como um espa¸co
vetorial de dimens˜ao 2 sobre o corpo dos reais.
< , >: C ×C → IR dada por
< a
1
+ia
2
, b
1
+ ib
2
> = a
1
.b
1
+a
2
.b
2
∀ a = a
1
+ia
2
, b = b
1
+ ib
2
∈ C
´e um produto interno em C (equivale ao Produto Escalar no IR
2
).
B) Seja V o espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas definidas no intervalo [0, 1] e tomando valores
complexos:
V = { f : [0, 1] →C ; f ´e cont´ınua}
< , >: V ×V →C dada por
< f, g > =

1
0
f(x).g(x) dx ∀ f, g ∈ V
´e um produto interno em V .
C) Seja
2
o espa¸co das seq¨ uˆencias quadrado som´aveis, em um corpo IK (IR ou C):

2
=

(x
n
) = (x
1
, x
2
, . . .) ; x
i
∈ IK ;

¸
i=1
|x
i
|
2
< +∞
¸
< , >:
2
×
2
→ IK dada por
< (x
n
), (y
n
) > =

¸
i=1
x
i
.y
i
∀ (x
n
), (y
n
) ∈
2
´e um produto interno em
2
D) Seja C
per
[−π, π] o espa¸co vetorial das fun¸c˜oes de IR em IR, cont´ınuas e peri´odicas de
per´ıodo 2π.
< , >: C
per
[−π, π] ×C
per
[−π, π] → IR dada por
< f, g > =

π
−π
f(x).g(x) dx ∀ f, g ∈ C
per
[−π, π]
´e um produto interno em C
per
[−π, π].
Espa¸cos com produto interno 53
4.2 Norma a partir de um produto interno
Constru¸c˜ao:
Seja X um espa¸co vetorial munido de um produto interno < , >. A partir de < , >
construiremos uma fun¸c˜ao : X → IR, pondo
x = (< x, x >)
1/2
∀ x ∈ X
A seguir, um importante resultado referente `a fun¸c˜ao constru´ıda acima:
Teorema 4.2. Desigualdade de Cauchy-Bunyakowsky-Schwarz (CBS)
|< x, y >| ≤ x . y ∀ x, y ∈ X
Prova: Exerc´ıcio
A fun¸c˜ao : X → IR acima constru´ıda a partir do produto interno < , > ´e uma norma
em X (mostre). Neste caso, dizemos que a A NORMA PROV
´
EM DO PRODUTO
INTERNO < , >.
Exemplos:
A) A Norma Euclidiana | | : C → IR (fun¸c˜ao m´odulo) dada por
|a| =

a
2
1
+a
2
2
∀ a = a
1
+ ia
2
∈ C
prov´em do produto interno < , > dado por
< a
1
+ia
2
, b
1
+ ib
2
> = a
1
.b
1
+a
2
.b
2
∀ a = a
1
+ia
2
, b = b
1
+ ib
2
∈ C
B) A norma
2
:
2
→ IR dada por
(x
n
)
2
=


¸
i=1
|x
i
|
2

1/2
∀ (x
n
) ∈
2
prov´em do produto interno < , > dado por
< (x
n
), (y
n
) > =

¸
i=1
x
i
.y
i
∀ (x
n
), (y
n
) ∈
2
54 CAP
´
ITULO 4
C) Uma condi¸c˜ao necess´aria (e suficiente):
Proposi¸ c˜ao 4.3. Seja X um espa¸co vetorial. Se uma norma : X → IR prov´em
de um produto interno < , > em X, ent˜ao vale a IDENTIDADE DO PARALELO-
GRAMO:
x + y
2
+x −y
2
= 2.

x
2
+y
2

∀ x, y ∈ X
Prova: Exerc´ıcio
As normas do M´aximo
m
: C → IR e da Soma
s
: C → IR n˜ao provˆem de produto
interno algum em C.
A norma

:

→ IR n˜ao prov´em de produto interno algum em

.
A norma
1
:
1
→ IR n˜ao prov´em de produto interno algum em
1
.
Exerc´ıcio: Prove as afirma¸c˜oes acima, mostrando que nenhuma dessas normas satisfaz
`a Identidade do Paralelogramo.
4.3 Espa¸cos de Hilbert
Defini¸c˜ao 4.4. Um ESPAC¸O DE HILBERT X ´e um espa¸co vetorial com um produto interno
< , > tal que X ´e completo quando munido com a m´etrica d(x, y) = x −y , onde ´e a
norma que prov´em do produto interno < , >.
Exemplos:
A) O espa¸co C, munido do produto interno < a
1
+ ia
2
, b
1
+ ib
2
> = a
1
.b
1
+ a
2
.b
2
, ´e um
espa¸co de Hilbert.
B) O espa¸co
2
, munido do produto interno < (x
n
), (y
n
) > =

¸
i=1
x
i
.y
i
, ´e um espa¸co de
Hilbert.
Espa¸cos com produto interno 55
4.4 Ortogonalidade
Defini¸c˜ao 4.5. Seja X um espa¸co com produto interno < , >. Dois vetores x, y ∈ X s˜ao
ditos ORTOGONAIS quando < x, y > = 0 e escrevemos x ⊥ y.
Dizemos que um subconjunto S ⊂ X ´e um CONJUNTO ORTOGONAL quando os vetores
de S s˜ao dois a dois ortogonais.
Teorema 4.6. (“Teorema de Pit´agoras”) Sejam X um espa¸co com produto interno < , > e
seja a norma proveniente do produto interno < , >.
Se S ⊂ X ´e um conjunto ortogonal ent˜ao, dados x
1
, . . . , x
n
dois a dois distintos em S,
temos:
x
1
+x
2
+. . . +x
n

2
= x
1

2
+x
2

2
+ . . . +x
n

2
Prova: Exerc´ıcio
Proposi¸c˜ao 4.7. Se X ´e um espa¸co vetorial com produto interno, ent˜ao todo conjunto orto-
gonal de vetores n˜ao nulos em X ´e linearmente independente (LI)
Prova: Exerc´ıcio
4.5 O Teorema de Representa¸c˜ao de Riesz
Teorema 4.8. (Teorema de Representa¸c˜ao de Riesz) Seja X um espa¸co de Hilbert sobre um
corpo IK (IR ou C). Se L : X → IK ´e um funcional linear cont´ınuo (limitado) ent˜ao existe
um ´ unico vetor x
0
∈ X tal que L(x) = < x, x
0
> para todo x ∈ X. Mais ainda, temos
L = x
0
.
Prova: Exerc´ıcio
56 CAP
´
ITULO
Apˆendice A
Introdu¸c˜ao `a Topologia Produto
Este apˆendice tem por objetivo introduzir, de modo natural, uma topologia sobre o produto
cartesiano de espa¸cos topol´ogicos, conhecida como a Topologia Produto.
Considera¸c˜oes iniciais:
Sejam X um conjunto, Y um espa¸co topol´ogico e f : X → Y uma fun¸c˜ao de X em Y .
Se considerarmos uma topologia sobre X, ´e claro que quanto maior (ou mais forte) for esta
topologia, “maiores ser˜ao as chances” da fun¸c˜ao f ser cont´ınua. Equivalentemente, quanto
menor (ou mais fraca) for uma topologia sobre X, menores ser˜ao as chances da fun¸c˜ao f ser
cont´ınua. Surge ent˜ao uma interessante quest˜ao:
Qual a menor topologia sobre X para a qual a fun¸c˜ao f ´e cont´ınua ?
Tentando responder `a quest˜ao acima, chegamos naturalmente `a cole¸c˜ao
τ =
¸
f
−1
(A) ; A aberto em Y
¸
Exerc´ıcio: Mostre que a cole¸c˜ao τ acima ´e uma topologia sobre X tal que a fun¸c˜ao f ´e
cont´ınua e τ ´e menor (mais fraca) que qualquer topologia para a qual f seja cont´ınua
(τ ´e portanto a topologia procurada na quest˜ao acima).
Consideremos agora uma fam´ılia {τ
λ
}
λ∈L
de topologias sobre um conjunto X. Uma
quest˜ao interessante associada a esta situa¸c˜ao ´e a seguinte:
Qual a menor (mais fraca) topologia sobre o conjunto X que cont´em cada uma
das topologias τ
λ
, λ ∈ L ?
57
58 AP
ˆ
ENDICE A
Uma an´alise mais detalhada da situa¸c˜ao nos indica que a cole¸c˜ao
B = { A = A
λ
1
∩ A
λ
2
∩ . . . ∩ A
λ
n
; A
λ
i
∈ τ
λ
i
; λ
i
∈ L }
das interse¸c˜oes finitas de abertos das topologias dadas ´e base para a topologia procurada na
quest˜ao acima!
Exerc´ıcio: Mostre que a cole¸c˜ao B dada acima ´e base para uma topologia (τ
B
) sobre X
e que a topologia τ
B
, gerada por B , ´e a menor (mais fraca) topologia sobre X que cont´em
cada uma das topologias τ
λ
, λ ∈ L, ou seja, τ
λ
⊂ τ
B
∀λ ∈ L e se τ ´e uma topologia sobre
X com τ
λ
⊂ τ ∀λ ∈ L ent˜ao τ
B
⊂ τ.
Encerrando esta etapa de considera¸c˜oes iniciais, consideremos um conjunto X e uma fam´ılia
de fun¸c˜oes f
λ
: X → Y
λ
de X em espa¸cos topol´ogicos Y
λ
, λ ∈ L. Chegamos ent˜ao `a
generaliza¸c˜ao da primeira quest˜ao:
Qual a menor (mais fraca) topologia sobre o conjunto X para a qual todas as
fun¸c˜oes f
λ
, λ ∈ L, s˜ao cont´ınuas ?
Utilizando as considera¸c˜oes anteriores, podemos concluir (mostre) que a cole¸c˜ao
B =
¸
A = f
−1
λ
1
(A
λ
1
) ∩ f
−1
λ
2
(A
λ
2
) ∩ . . . ∩ f
−1
λ
n
(A
λ
n
) ; A
λ
i
aberto em Y
λ
i
; λ
i
∈ L
¸
das interse¸c˜oes finitas das imagens inversas pelas f
λ
de abertos dos espa¸cos correspondentes
Y
λ
´e base para a topologia procurada na quest˜ao acima.
Produtos cartesianos em geral:
Seja {X
λ
}
λ∈L
uma fam´ılia qualquer de conjuntos. O Produto Cartesiano (o qual definire-
mos mais tarde) desta fam´ılia de conjuntos ser´a denotado por
¸
λ∈L
X
λ
e identificado (infor-
malmente, a princ´ıpio) com o conjunto de todas as L-uplas (x
λ
)
λ∈L
de elementos da uni˜ao
¸
λ∈L
X
λ
tais que x
λ
∈ X
λ
para cada λ ∈ L.
Quando o conjunto L de ´ındices for claro (pelo contexto), denotaremos o produto simples-
mente por
¸
X
λ
e seu elemento geral por (x
λ
).
Se, em particular, tivermos um conjunto finito de ´ındices L = {1, 2, . . . , n} ent˜ao es-
creveremos X
1
×X
2
×. . . ×X
n
para denotar o produto cartesiano e um elemento arbitr´ ario
do produto ser´ a dado por (x
1
, x
2
, . . . , x
n
) onde cada x
i
∈ X
i
.
Introdu¸c˜ao `a Topologia Produto 59
Exemplo: Dados dois conjuntos X e Y , seu produto cartesiano X × Y (neste caso
L = {1, 2} , X
1
= X , X
2
= Y ) ´e o conjunto dos pares (x, y) tais que x ∈ X e y ∈ Y .
Exemplo: Se L = {1, 2, . . . , n} e ainda X
1
= X
2
= . . . = X
n
= IR ent˜ao o produto
cartesiano ´e o conjunto IR
n
= IR×IR×. . .×IR (n vezes) de todas as n-uplas (x
1
, x
2
, . . . , x
n
)
de n´ umeros reais.
Defini¸c˜ao A.1. (Produto Cartesiano) Seja {X
λ
}
λ∈L
uma fam´ılia qualquer de conjuntos. O
PRODUTO CARTESIANO desta fam´ılia de conjuntos, denotado por
¸
λ∈L
X
λ
, ´e o conjunto
de todas as fun¸c˜oes x : L →
¸
λ∈L
X
λ
tais que x(λ) = x
λ
∈ X
λ
para cada λ ∈ L.
Se, em particular, X
λ
= X para cada λ ∈ L ent˜ao o produto cartesiano
¸
X
λ
´e
simplesmente o conjunto X
L
de todas as L-uplas de elementos de X ou, equivalentemente,
´e o conjunto de todas as fun¸c˜oes f : L → X , uma vez que
¸
λ∈L
X
λ
= X.
Exemplo: Considerando L = IN e X
n
= IR para cada n ∈ IN temos que o produto
cartesiano IR
IN
corresponde ao conjunto de todas as fun¸c˜oes f : IN → IR , ou seja, todas as
seq¨ uˆencias (x
1
, x
2
, . . . , x
n
, . . .) de n´ umeros reais.
Exemplo: Considerando L = IR e X
λ
= IR para cada λ ∈ IR temos que o produto
cartesiano IR
IR
corresponde ao conjunto de todas as fun¸c˜oes f : IR → IR.
Defini¸c˜ao A.2. (Proje¸c˜oes) Consideremos uma fam´ılia {X
λ
}
λ∈L
de conjuntos e seu produto
cartesiano
¸
λ∈L
X
λ
. Para cada λ
0
∈ L existe uma fun¸c˜ao
π
λ
0
:
¸
λ∈L
X
λ
→ X
λ
0
que associa a cada (x
λ
)
λ∈L
do produto a sua λ
0
-´esima coordenada x
λ
0
. Esta fun¸c˜ao ´e
chamada a APLICAC¸
˜
AO PROJEC¸
˜
AO do produto cartesiano
¸
λ∈L
X
λ
sobre X
λ
0
ou simples-
mente λ
0
-´esima proje¸c˜ao.
Exemplo: Considerando L = {1, 2, . . . , n} , X
1
= X
2
= . . . = X
n
= IR e o produto
cartesiano IR
n
= IR×IR×. . .×IR (n vezes), temos ent˜ao n proje¸c˜oes π
1
, π
2
, . . . , π
n
: IR
n
→ IR
com π
i
(x
1
, x
2
, . . . , x
n
) = x
i
para cada i = 1, 2, . . . , n.
60 AP
ˆ
ENDICE A
A Topologia Produto:
Dados uma fam´ılia de conjuntos {X
λ
}
λ∈L
e o seu produto cartesiano
¸
λ∈L
X
λ
, existir´a
alguma topologia que seja natural sobre o produto cartesiano ?
Vimos que surgem naturalmente as chamadas proje¸c˜oes: π
λ
:
¸
λ∈L
X
λ
→ X
λ
e tamb´em
´e natural pedirmos que, se cada X
λ
for um espa¸co topol´ogico, cada proje¸c˜ao π
λ
seja
cont´ınua!
Defini¸c˜ao A.3. Consideremos uma fam´ılia {X
λ
}
λ∈L
de espa¸cos topol´ogicos e seu produto
cartesiano
¸
λ∈L
X
λ
.
A TOPOLOGIA PRODUTO ´e a menor (mais fraca) topologia sobre
¸
λ∈L
X
λ
tal que cada
uma das proje¸c˜oes π
λ
:
¸
λ∈L
X
λ
→ X
λ
´e cont´ınua.
Ora, j´a temos (nas considera¸c˜oes iniciais deste apˆendice) pronto um estudo mostrando que
a cole¸c˜ao
B =
¸
A = π
−1
λ
1
(A
λ
1
) ∩ π
−1
λ
2
(A
λ
2
) ∩ . . . ∩ π
−1
λ
n
(A
λ
n
) ; A
λ
i
aberto em X
λ
i
; λ
i
∈ L
¸
das interse¸c˜oes finitas das imagens inversas pelas proje¸c˜oes de abertos dos espa¸cos X
λ
, ´e
base para a topologia produto.
O que faremos agora ´e simplesmente tentar enxergar melhor o “jeit˜ao” destes abertos
b´asicos da topologia produto:
´
E f´acil ver que, dado um conjunto C ∈ X
λ
0
, temos
π
−1
λ
0
(C) =
¸
λ∈L
D
λ
, com D
λ
= X
λ
∀λ = λ
0
e D
λ
0
= C
Com o resultado acima, podemos finalmente concluir (mostre) que os abertos b´asicos da
topologia produto sobre
¸
λ∈L
X
λ
s˜ao da forma
A =
¸
λ∈L
A
λ
com A
λ
aberto em X
λ
e A
λ
= X
λ
para cada λ fora de um conjunto finito de
´ındices.
Introdu¸c˜ao `a Topologia Produto 61
Exemplo: Sejam L = IN e X
n
= IR (com a Topologia Usual) para cada n ∈ IN .
J´a sabemos que o produto cartesiano
¸
n∈IN
X
n
= IR
IN
corresponde ao conjunto de todas as
fun¸c˜oes f : IN → IR , ou seja, todas as seq¨ uˆencias (x
1
, x
2
, . . . , x
n
, . . .) (infinitas) de n´ umeros
reais.
Se tomarmos, por exemplo, os conjuntos abertos A
2
= (−3, 1) e A
3
= (0, 5) , temos que
A = IR × (−3, 1) × (0, 5) × IR × IR × IR × . . . ´e um aberto b´asico da topologia produto em
IR
IN
, pois A =
¸
n∈IN
A
n
com A
n
aberto em IR e A
n
= IR para cada n ∈ IN fora do
conjunto finito de ´ındices {2, 3} .
´
E imediato que o aberto b´asico A exibido acima ´e o conjunto de todas as seq¨ uˆencias
(x
1
, x
2
, . . . , x
n
, . . .) de n´ umeros reais, tais que x
2
∈ (−3, 1) e x
3
∈ (0, 5).
Exemplo: Sejam L = IR e X
λ
= IR (com a Topologia Usual) para cada λ ∈ IR . J´a
sabemos que o produto cartesiano
¸
λ∈IR
X
λ
= IR
IR
corresponde ao conjunto de todas as fun¸c˜oes
f : IR → IR.
Se tomarmos um > 0 , temos que, por exemplo, A =
¸
λ∈IR
A
λ
com A
λ
= IR para
todo λ =

7 e A

7
= (−, ) ´e um aberto b´asico da topologia produto em IR
IR
, pois
A =
¸
λ∈IR
A
λ
com A
λ
aberto em IR e A
λ
= IR para cada λ ∈ IR fora do conjunto finito de
´ındices
¸√
7
¸
.
Observemos que o aberto b´asico A exibido acima ´e o conjunto de todas as fun¸c˜oes
f : IR → IR tais que f(

7) ∈ (−, ).
Exerc´ıcios:
1) (Topologia Produto X Topologia de Caixa) Consideremos uma fam´ılia {X
λ
}
λ∈L
de
espa¸cos topol´ogicos e seu produto cartesiano
¸
λ∈L
X
λ
. Mostre que os conjuntos dados por
A =
¸
λ∈L
A
λ
, com A
λ
aberto em X
λ
formam uma base para uma topologia sobre o produto cartesiano acima. Esta topologia ´e
chamada TOPOLOGIA DE CAIXA.
Compare a Topologia de Caixa com a Topologia Produto.
Sob quais condi¸c˜oes podemos dizer que essas duas topologias coincidem ?
62 AP
ˆ
ENDICE A
2) (Topologia Produto e Tychonoff) Mostre que se o espa¸co
¸
λ∈L
X
λ
´e compacto (con-
siderando a Topologia Produto) ent˜ao cada X
λ
´e um espa¸co compacto.
A rec´ıproca deste resultado ´e o importante Teorema de Tychonoff (ver [3], cap. 5):
“Se cada X
λ
´e um espa¸co topol´ogico compacto, ent˜ao o produto cartesiano
¸
λ∈L
X
λ
(considerando a Topologia Produto) ´e compacto”.
O Teorema de Tychonoff ´e um dos motivos pelos quais a Topologia Produto ´e a mais natural
a ser definida sobre o produto cartesiano (repare que ela ´e definida como a menor topologia
tal que todas as proje¸c˜oes s˜ao cont´ınuas e isso “aumenta as chances” do produto ser compacto).
3) (Topologia Produto e convergˆencia pontual) Consideremos L = IR e X
λ
= IR (com
a Topologia Usual) para cada λ ∈ IR . J´a vimos que o produto cartesiano
¸
λ∈IR
X
λ
= IR
IR
corresponde ao conjunto de todas as fun¸c˜oes f : IR → IR.
Mostre que a convergˆencia neste espa¸co IR
IR
das fun¸c˜oes f : IR → IR, quando conside-
ramos a Topologia Produto, ´e a convergˆencia pontual (ver Cap´ıtulo 2 - Espa¸cos M´etricos),
ou seja, uma seq¨ uˆencia de fun¸c˜oes f
n
: IR → IR converge (na Topologia Produto) para uma
fun¸c˜ao f : IR → IR se, e somente se, para cada x ∈ IR fixado, tem-se f
n
(x) → f(x)
(convergˆencia pontual).
4) (Espa¸cos Vetoriais Topol´ogicos) Um ESPAC¸ O VETORIAL TOPOL
´
OGICO (EVT) ´e
um espa¸co vetorial X (sobre um corpo IK) munido de uma topologia tal que as opera¸c˜oes
de adi¸c˜ao de vetores: X × X → X e multiplica¸c˜ao escalar: IK × X → X s˜ao cont´ınuas
(considerando a Topologia Usual em IK e as Topologias Produto em X ×X e IK×X ).
Mostre que todo espa¸co normado ´e um EVT.
Apˆendice B
Sobre bases em espa¸cos vetoriais
Seja X um espa¸co vetorial sobre um corpo IK (IR ou C):
Defini¸c˜ao B.1. (Independˆencia linear) Um subconjunto E ⊂ X (E finito ou infinito)
´e LINEARMENTE INDEPENDENTE (LI) se, e somente se, para todo subconjunto finito
{e
1
, e
2
, . . . , e
n
} ⊂ E temos
c
1
e
1
+c
2
e
2
+. . . +c
n
e
n
= 0
c
i
∈ IK
¸
⇒ c
1
= c
2
= . . . = c
n
= 0
Defini¸c˜ao B.2. (Base de Hamel ou alg´ebrica) Uma BASE (DE HAMEL) em um espa¸co
vetorial X ´e um subconjunto LINEARMENTE INDEPENDENTE MAXIMAL de X.
Para esclarecer, B ´e base (de Hamel) de um espa¸co X quando B ´e o “maior” conjunto
LI que cont´em B. Isto ocorre se, e somente se, B ´e LI e, para cada x ∈ X\B, o conjunto
B ∪ {x} n˜ ao ´e LI.
Exemplo: O conjunto B = {1, x, x
2
, x
3
, . . .} ´e uma base (de Hamel) do espa¸co
X = {a
0
+a
1
x +a
2
x
2
+. . . +a
n
x
n
; a
i
∈ IR } , dos polinˆomios com coeficientes reais, pois
B ´e linearmente independente e B ∪ {p} n˜ao ´e LI, qualquer que seja p ∈ X\B.
Teorema B.3. Todo espa¸co vetorial possui base (de Hamel).
Obs.: A demonstra¸c˜ao faz uso do Lema de Zorn.
63
64 AP
ˆ
ENDICE B
Teorema B.4. Seja B um subconjunto LI de um espa¸co vetorial X = { 0} .
B ´e uma base (de Hamel) de X se, e somente se, todo vetor x ∈ X pode ser escrito como
x =
n
¸
i=1
α
i
e
i
= α
1
e
1

2
e
2
+. . . +α
n
e
n
, onde α
1
, . . . , α
n
∈ IK e {e
1
, . . . , e
n
} ⊂ B (ou
seja, todo vetor de X pode ser escrito como combina¸c˜ao linear de elementos de um subconjunto
FINITO de B).
Prova: (⇒) Sejam B base (de Hamel) de X e x ∈ X.
Podemos supor que x ∈ B (se x ∈ B j´a teremos x = 1.x ).
Ent˜ao B ∪ {x} n˜ao ´e LI (pois B ´e LI maximal) e portanto existem um subconjunto
finito {x, e
1
, e
2
, . . . , e
k
} ⊂ B ∪ {x} e escalares α
0
, α
1
, . . . , α
k
∈ IK tais que:
α
0
x +α
1
e
1
+. . . +α
k
e
k
= 0 e α
0
= 0 (pois B ´e LI e B ∪ {x} n˜ao ´e LI)
Logo:
x =


α
1
α
0

e
1
+


α
2
α
0

e
2
+ . . . +


α
k
α
0

e
k
Portanto todo x ∈ X pode ser escrito como combina¸c˜ao linear FINITA de elementos de B.
(⇐) B ´e LI. Para todo x ∈ X\B temos:
x = α
1
e
1
+ α
2
e
2
+. . . +α
k
e
k
α
1
, . . . , α
k
∈ IK
{e
1
, e
2
, . . . , e
k
} ⊂ B

⇒ B ∪ {x} n˜ao ´e LI.
Logo podemos concluir que B ´e LI maximal, ou seja, B ´e uma base (de Hamel) de X .
Obs.:
´
E atrav´es deste teorema que normalmente definimos base de um espa¸co vetorial em
nossos cursos de
´
Agebra Linear.
Exemplo: Seja X =

= { (x
n
) = (x
1
, x
2
, . . .) ; x
i
∈ IR ; (x
n
) ´e limitada } o espa¸co
das seq¨ uˆencias limitadas de n´ umeros reais com as opera¸c˜oes usuais de soma de vetores e
multiplica¸c˜ao escalar.
O subconjunto E = { (1, 0, 0, 0, . . .), (0, 1, 0, 0, . . .), (0, 0, 1, 0, . . .), . . .} ⊂

´e evidente-
mente LI, mas n˜ao ´e base (de Hamel) de

pois, por exemplo, x = (1, 1, 1, . . .) ∈

mas
x n˜ao pode ser escrito como combina¸c˜ao linear FINITA de elementos de E.
Sobre bases em espa¸cos vetoriais 65
O teorema a seguir ´e uma bela aplica¸c˜ao do Teorema de Baire (exerc´ıcio do cap´ıtulo 2 -
Espa¸cos M´etricos):
Teorema B.5. Seja X um espa¸co de Banach (espa¸co vetorial normado e completo - toda
seq¨ uˆencia de Cauchy ´e convergente - em rela¸c˜ao `a m´etrica induzida pela norma).
Se X tem dimens˜ao infinita ent˜ao toda base (de Hamel) de X ´e n˜ao-enumer´avel.
Prova: Suponhamos, por absurdo, que X tenha uma base (de Hamel) enumer´avel
B = {e
1
, e
2
, e
3
, . . .} (obs.: B ´e um conjunto infinito pois X tem dimens˜ao infinita).
Para todo n ∈ IN, seja F
n
= [e
1
, e
2
, . . . , e
n
] o subespa¸co de X gerado por {e
1
, e
2
, . . . , e
n
} .
Temos
X =

¸
n=1
F
n
Para todo n ∈ IN, temos:
F
n
tem dimens˜ao finita ⇒ F
n
´e subconjunto fechado de X (ver Lima [2], p. 239).
Como F
n
tem dimens˜ao finita e X tem dimens˜ao infinita, ´e imediato que F
n
´e subespa¸co
pr´oprio do espa¸co normado X, de onde podemos concluir que int F
n
= φ (exerc´ıcio de
espa¸cos normados).
Temos ent˜ao que X =

¸
n=1
F
n
com F
n
fechado e int F
n
= φ para todo n ∈ IN.
Como X ´e Banach (completo), segue do Teorema de Baire que int X = φ (contradi¸c˜ao).
Ent˜ao, obrigatoriamente, toda base (de Hamel) de X ´e n˜ao-enumer´avel.
Observa¸c˜ao: Sempre usamos o termo base de Hamel (ou alg´ebrica) para evitar confus˜ao
com o conceito de BASE DE HILBERT (ou geom´etrica), que ´e referente aos conjuntos ORTO-
NORMAIS MAXIMAIS em espa¸cos com produto interno.
66 AP
ˆ
ENDICE B
Apˆendice C
O espa¸co IR
n
O espa¸co vetorial IR
n
:
Consideremos o conjunto IR
n
= { x = (x
1
, x
2
, . . . , x
n
) ; x
i
∈ IR ; i = 1, 2, . . . , n } das n-
uplas de n´ umeros reais.
Dados x = (x
1
, x
2
, . . . , x
n
) , y = (y
1
, y
2
, . . . , y
n
) ∈ IR
n
e α ∈ IR, definimos:
x +y = (x
1
+y
1
, x
2
+ y
2
, . . . , x
n
+ y
n
)
α.x = (αx
1
, αx
2
, . . . , αx
n
)
Estas opera¸c˜oes fazem do IR
n
um espa¸co vetorial de dimens˜ao n sobre o corpo IR dos
n´ umeros reais.
Produto interno no espa¸co IR
n
:
Definimos o PRODUTO INTERNO CAN
ˆ
ONICO < , >: IR
n
×IR
n
→ IR pondo:
< x, y > = x
1
y
1
+ x
2
y
2
+. . . +x
n
y
n
∀ x = (x
1
, . . . , x
n
), y = (y
1
, . . . , y
n
) ∈ IR
n
Normas:
A partir do Produto Interno Canˆonico acima definido, constru´ımos a NORMA EUCLI-
DIANA : IR
n
→ IR pondo:
x =

< x, x > ∀ x ∈ IR
n
67
68 AP
ˆ
ENDICE C
Obs.: Outras duas normas se destacam no IR
n
:
A NORMA DO M
´
AXIMO
m
: IR
n
→ IR dada por
x
m
= max { |x
1
| , |x
2
| , . . . , |x
n
| } ∀ x = (x
1
, . . . , x
n
) ∈ IR
n
A NORMA DA SOMA
s
: IR
n
→ IR dada por
x
s
= |x
1
| +|x
2
| +. . . +|x
n
| ∀ x = (x
1
, . . . , x
n
) ∈ IR
n
´
E f´acil mostrar que estas duas normas n˜ao provˆem de produto interno algum no IR
n
.
Para todo x ∈ IR
n
temos:
x
m
≤ x ≤ x
s
≤ n. x
m
Portanto as normas Euclidiana, do M´aximo e da Soma s˜ao EQUIVALENTES.
Logo, as no¸c˜oes topol´ogicas (convergˆencia de seq¨ uˆencias, limites, continuidade, etc.) inde-
pendem de qual destas trˆes normas ´e considerada!
Conjuntos limitados:
´
E imediato que se duas normas
1
e
2
no IR
n
s˜ao equivalentes ent˜ao um conjunto
X ⊂ IR
n
´e limitado em rela¸c˜ao `a norma
1
se, e somente se, X ´e limitado em rela¸c˜ao `a
norma
2
.
Teorema C.1. Um conjunto X ⊂ IR
n
´e limitado (em rela¸c˜ao a qualquer norma equivalente
`a Norma do M´ aximo) se, e somente se, suas proje¸c˜oes X
1
= π
1
(X), . . . , X
n
= π
n
(X) s˜ao
conjuntos limitados em IR.
Seq¨ uˆencias no espa¸co IR
n
:
Uma seq¨ uˆencia (x
k
) no IR
n
equivale a n seq¨ uˆencias de n´ umeros reais, ou seja, para todo
k ∈ IN , x
k
=

x
(k)
1
, x
(k)
2
, . . . , x
(k)
n

, onde x
(k)
i
= π
i
(x
k
) = i-´esima coordenada de x
k
. Essas n
seq¨ uˆencias s˜ao ditas as seq¨ uˆenCIAS DAS COORDENADAS de (x
k
).
Teorema C.2. Uma seq¨ uˆencia (x
k
) no IR
n
converge (em rela¸c˜ao a qualquer norma equiv-
alente `a Norma do M´aximo) para o ponto a = (a
1
, a
2
, . . . , a
n
) se, e somente se, para cada
i = 1, 2, . . . , n tem-se limx
(k)
i
= a
i
, ou seja, cada coordenada de x
k
converge para a
coordenada correspondente de a.
Prova: Exerc´ıcio (use a Norma do M´aximo)
O espa¸co IR
n
69
Corol´ario 1. Dadas as seq¨ uˆencias convergentes (x
k
), (y
k
) no IR
n
e (α
k
) em IR, sejam
limx
k
= a, limy
k
= b e limα
k
= α. Ent˜ao:
(i) lim(x
k
+y
k
) = a +b
(ii) limα
k
.x
k
= α.a
(iii) lim < x
k
, y
k
> = < a, b >
A seguir dois importantes resultados, onde usamos o fato de IR
n
ter dimens˜ao finita:
Teorema C.3. (Bolzano-Weierstrass) Toda seq¨ uˆencia limitada (em rela¸c˜ao a qualquer norma
equivalente ` a Norma do M´aximo) em IR
n
possui uma subseq¨ uˆencia convergente.
Prova: Exerc´ıcio (Sugest˜ao: use o mesmo resultado em IR para as seq¨ uˆencias das coorde-
nadas, juntamente com o teorema anterior)
Teorema C.4. Duas normas quaisquer no espa¸co IR
n
s˜ao equivalentes.
Demonstra¸c˜ao:
Sejam
s
: IR
n
→ IR a Norma da Soma, dada por
x
s
= |x
1
| +|x
2
| +. . . +|x
n
| ∀ x = (x
1
, x
2
, . . . , x
n
) ∈ IR
n
e : IR
n
→ IR uma norma qualquer no IR
n
.
Temos:
(i) Por transitividade, se mostrarmos que
s
e s˜ao equivalentes, ent˜ao o teorema
estar´a demonstrado.
(ii) Para a Norma da Soma valem os trˆes teoremas anteriores, pois ela ´e equivalente `a
Norma do M´aximo.
Consideremos a Base Canˆonica β = {e
1
, e
2
, . . . , e
n
} do IR
n
.
Para todo vetor x = (x
1
, x
2
, . . . , x
n
) ∈ IR
n
, temos:
x = x
1
e
1
+. . . +x
n
e
n
≤ |x
1
| . e
1
+. . . |x
n
| . e
n
≤ b.(|x
1
| + . . . +|x
n
|) = b. x
s
onde b = max { e
1
, . . . , e
n
} (repare que este b est´a bem definido, pois tomamos o
m´aximo em um conjunto finito de n´ umeros reais).
Logo x ≤ b. x
s
para todo x ∈ IR
n
. (1)
70 AP
ˆ
ENDICE C
Resta mostrarmos que existe a > 0 tal que x
s
≤ a. x ∀x ∈ IR
n
.
De fato: se isto n˜ao ocorrer temos que para todo k ∈ IN ´e poss´ıvel obter um x
k
∈ IR
n
tal que x
k

s
> k. x
k
(pois k n˜ao serviria como tal a > 0 ).
Tomemos, para cada k ∈ IN, u
k
=
x
k
x
k

s
(note que a seq¨ uˆencia (u
k
) est´a bem definida,
pois x
k

s
> 0 ∀k )
Como u
k

s
= 1 para todo k (verifique), temos que (u
k
) ´e limitada em rela¸c˜ao `a Norma
da Soma.
Pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass, (u
k
) tem uma subseq¨ uˆencia (u
k
j
) convergente (na
Norma da soma) para um ponto u ∈ IR
n
.
Temos ent˜ao que

u
k
j

s
→ u
s
. Logo u
s
= 1 , o que significa que u = 0.
Agora, dado > 0, ´e poss´ıvel obter k
j
0
tal que

u
k
j
0
−u

s
<

2b
e
1
k
j
0
<

2
Logo
u ≤

u
k
j
0
−u

+

u
k
j
0

≤ b.

u
k
j
0
−u

s
+
1
k
j
0
.

u
k
j
0

s
< b.

2b
+

2
=
Assim u = 0 ⇒ u = 0 (contradi¸c˜ao!).
Ent˜ao, obrigatoriamente, existe a > 0 tal que x
s
≤ a. x ∀x ∈ IR
n
. (2)
Por (1) e (2),
s
e s˜ao equivalentes, qualquer que seja a norma no IR
n
.
Por transitividade, temos ent˜ao que duas normas quaisquer no IR
n
s˜ao equivalentes.
Obs.:
`
A luz deste ´ ultimo teorema, temos tamb´em que os teoremas anteriores s˜ao
v´alidos para qualquer norma considerada no IR
n
. Tamb´em temos que IR
n
´e Banach
em rela¸c˜ao `a qualquer norma considerada, ou seja, toda seq¨ uˆencia de Cauchy ´e convergente.
Continuidade:
A seguir, alguns resultados ´ uteis:
A) Toda transforma¸c˜ao linear A : IR
m
→ IR
n
´e lipschitziana (mostre), logo uniformemente
cont´ınua e portanto cont´ınua.
O espa¸co IR
n
71
B) Se ϕ : IR
m
×IR
n
→ IR
p
´e uma aplica¸c˜ao bilinear (linear em cada componente) ent˜ao ϕ
´e lipschitziana em cada parte limitada de IR
m
×IR
n
= IR
m+n
.
Portanto toda aplica¸c˜ao bilinear ´e cont´ınua.
Exemplos: multiplica¸c˜ao de n´ umeros reais ( ϕ(x, y) = x.y ); Produto Interno Canˆonico
( < x, y > = x
1
y
1
+. . . +x
n
y
n
); multiplica¸c˜ao de matrizes ( ϕ(A, B) = A.B )
C) As proje¸c˜oes π
i
: IR
m
→ IR , dadas por π
i
(x) = x
i
∀ x = (x
1
, x
2
, . . . , x
m
) ∈ IR
m
( i = 1, 2, . . . , m ), s˜ao lineares, logo lipschitzianas e portanto cont´ınuas.
A cada aplica¸c˜ao f : X ⊂ IR
m
→ IR
n
correspondem n fun¸c˜oes f
1
, f
2
, . . . , f
n
: X → IR
dadas por f
i
= π
i
◦f ( i = 1, . . . , n ), chamadas as FUNC¸
˜
OES COORDENADAS da aplica¸c˜ao
f.
Para todo x ∈ X temos f(x) = (f
1
(x), f
2
(x), . . . , f
n
(x)) .
Escrevemos f = (f
1
, f
2
, . . . , f
n
).
Teorema C.5. Uma aplica¸c˜ao f : X ⊂ IR
m
→ IR
n
´e cont´ınua no ponto a ∈ X se, e so-
mente se, cada uma das suas fun¸c˜oes coordenadas f
i
= π
i
◦f : X → IR ´e cont´ınua no ponto a.
Corol´ario 1. Dadas f : X → IR
m
e g : X → IR
n
, seja h = (f, g) : X → IR
m
× IR
n
dada por h(x) = (f(x), g(x)) . Ent˜ao h ´e cont´ınua se, e somente se, f e g s˜ao ambas cont´ınuas.
Uma conseq¨ uˆencia deste corol´ario: se f, g : X ⊂ IR
m
→ IR
n
e α : X → IR s˜ao cont´ınuas
ent˜ao s˜ao tamb´em cont´ınuas (f + g) : X → IR
n
dada por (f + g)(x) = f(x) + g(x) ,
(α.f) : X → IR
n
dada por (α.f)(x) = α(x).f(x) , < f, g > : X → IR dada por
< f, g > (x) = < f(x), g(x) >.
Obs.: Se, para obtermos f(x) (onde temos f : X ⊂ IR
m
→ IR
n
e f = (f
1
, f
2
, . . . , f
n
) ),
para cada fun¸c˜ao coordenada aplicada em x ( f
i
(x) ) submetemos as coordenadas do ponto
x = (x
1
, . . . , x
m
) a opera¸c˜oes definidas por fun¸c˜oes cont´ınuas, ent˜ao f ´e cont´ınua.
Exemplos: f(x, y) = (( sen x).y, x
2
y
3
, e
x
cos y) define uma fun¸c˜ao cont´ınua f : IR
2
→ IR
3
.
A fun¸c˜ao determinante det : M
n
(IR) → IR ´e cont´ınua.
72 AP
ˆ
ENDICE C
Compacidade:
Nosso principal objetivo agora ser´a mostrar que um subconjunto K ⊂ IR
n
´e compacto se,
e somente se, K ´e limitado e fechado. Os resultados a seguir ficam indicados como exerc´ıcios
e ir˜ao “preparar o terreno” para cumprirmos o objetivo acima.
Teorema C.6. Um subconjunto K ⊂ IR
n
´e limitado e fechado se, e somente se, toda
seq¨ uˆencia (x
k
) ⊂ K possui uma subseq¨ uˆencia convergente para um ponto de K.
Teorema C.7. (Propriedade de Cantor) Dada uma seq¨ uˆencia “decrescente” de conjuntos
limitados, fechados e n`ao-vazios K
1
⊃ K
2
⊃ . . . ⊃ K
i
⊃ . . . , sua interse¸c˜ao K =

¸
i=1
K
i
(limitada e fechada) n˜ao ´e vazia.
Lema C.8. Todo conjunto X ⊂ IR
n
´e separ´avel, isto ´e, possui um subconjunto enumer´ avel
E = {x
1
, x
2
, . . . , x
l
, . . .} ⊂ X, E denso em X.
Lema C.9. (Lindel¨of ) Seja X ⊂ IR
n
um conjunto arbitr´ario. Toda cobertura aberta
X ⊂
¸
A
λ
admite uma subcobertura enumer´avel.
Chegamos ent˜ao ao resultado que nos interessa:
Teorema C.10. Um conjunto K ⊂ IR
n
´e compacto se, e somente se, K ´e limitado e fechado.
Demonstra¸c˜ao:
(⇒) J´a feita no cap´ıtulo sobre espa¸cos m´etricos.
(⇐) Borel-Lebesgue:
Suponhamos que K seja limitado e fechado.
Seja K ⊂
¸
A
λ
uma cobertura aberta de K.
Pelo Lema de Lindel¨of, ela admite uma subcobertura enumer´avel
K ⊂

¸
i=1
A
λ
i
= A
λ
1
∪ A
λ
2
∪ . . .
Para cada i = 1, 2, 3, . . . ∈ IN ponha
K
i
= K
¸
(X\ (A
λ
1
∪ . . . ∪ A
λ
i
))
O espa¸co IR
n
73
K
i
⊂ K (limitado) ⇒ K
i
´e limitado.
A
λ
1
∪ . . . ∪ A
λ
i
´e aberto ⇒ X\ (A
λ
1
∪ . . . ∪ A
λ
i
) ´e fechado. Como K ´e fechado, temos
ent˜ao que K
i
´e fechado.
Assim, para todo i ∈ IN, K
i
´e limitado e fechado.
Observemos agora que K ⊃ K
1
⊃ K
2
⊃ K
3
⊃ . . . ⊃ K
i
⊃ . . .
Dado x ∈ K, existe λ
i
tal que x ∈ A
λ
i

(pois K ⊂

¸
i=1
A
λ
i
) ⇒ x ∈ K
i

Logo

¸
i=1
K
i
= φ .
Pela Propriedade de Cantor, podemos concluir que existe i
0
tal que K
i
0
= φ
Assim
φ = K
i
0
= K
¸

X\ (A
λ
1
∪ . . . ∪ A
λ
i
0
)

⇒ K ⊂ (A
λ
1
∪ . . . ∪ A
λ
i
0
)
Portanto toda cobertura aberta de K admite uma subcobertura finita, ou melhor, K ´e
compacto.
Conexidade por caminhos:
Um CAMINHO num conjunto X ⊂ IR
n
´e uma aplica¸c˜ao cont´ınua f : I → X definida
num intervalo I ⊂ IR.
Dizemos que os pontos a, b ∈ X PODEM SER LIGADOS POR UM CAMINHO EM X
quando existe um caminho f : I → X tal que a, b ∈ f(I)
Por exemplo, se X ´e convexo ent˜ao cada dois pontos a, b ∈ X podem ser ligados por um
caminho em X, a saber, o caminho retil´ıneo [a, b] = { t.a + (1 −t).b ; t ∈ [0, 1] }.
Se a, b ∈ X podem ser ligados por um caminho f : I → X ent˜ao existe um caminho
ϕ : [0, 1] → X tal que ϕ(0) = a e ϕ(1) = b.
Um conjunto X ⊂ IR
n
´e dito CONEXO POR CAMINHOS quando cada dois pontos
a, b ∈ X podem ser ligados por um caminho em X.
Por exemplo: todo conjunto convexo ´e conexo por caminhos.
74 AP
ˆ
ENDICE C
Teorema C.11. Todo conjunto conexo por caminhos ´e conexo.
Prova: Exerc´ıcio.
Obs.: Nem todo conjunto conexo ´e conexo por caminhos:
Exemplo: X = {(x, sen 1/x) ; x ∈ (0, +∞)} ∪ {(0, 0)} ⊂ IR
2
´e conexo mas n˜ao ´e conexo
por caminhos.
Isto n˜ao ocorre se o conjunto em quest˜ao for aberto:
Teorema C.12. Se A ⊂ IR
n
´e aberto e conexo ent˜ao A ´e conexo por caminhos.
Prova: Exerc´ıcio.
Referˆencias
[1] H
¨
onig, Chaim S., Aplica¸c˜oes da Topologia `a An´alise, Projeto Euclides, IMPA, Rio de
Janeiro, 1976
[2] Lima, Elon Lages, Espa¸cos M´etricos, Projeto Euclides, IMPA, Rio de Janeiro, 1983
[3] Munkres, James R., Topology - A First Course, Prentice-Hall Inc. , New Jersey, 1975
75

Introdu¸˜o ca

O presente texto surgiu para dar suporte a um Semin´rio (de mesmo nome) oferecido pelo a Departamento de Matem´tica da Universidade Federal de Juiz de Fora no Ver˜o/2000 e tendo a a como principal objetivo fornecer algumas no¸˜es b´sicas (elementares) de Topologia, tanto co a de espa¸os topol´gicos em geral como a topologia de espa¸os m´tricos, espa¸os normados e c o c e c espa¸os com produto interno, procurando fornecer aos participantes uma vis˜o global de todos c a esses tipos de espa¸o, a ser utilizada (ao menos como referˆncia) em estudos mais avan¸ados c e c na Matem´tica. a Originalmente visando atender aos alunos do Bacharelado em Matem´tica, o Semin´rio a a pˆde ser bem aproveitado tamb´m por outros que tinham objetivos relacionados com o acima o e citado. ´ Os pr´-requisitos b´sicos para seguir o texto s˜o no¸˜es de Teoria dos Conjuntos e Algebra e a a co Linear. Embora n˜o sendo absolutamente necess´rio, tamb´m ´ bom que se tenha tido algum a a e e contato com a topologia usual da Reta (conjuntos abertos, fechados, compactos, etc. em IR conte´do geralmente visto em um primeiro curso de An´lise), bem como no¸˜es de convergˆncia u a co e de seq¨ˆncias e s´ries num´ricas. ue e e O primeiro cap´ ıtulo trata de no¸˜es de Topologia Geral. Seguem-se cap´ co ıtulos sobre espa¸os c m´tricos, espa¸os normados e espa¸os com produto interno. Ao final do texto, foram acrescene c c tados (a t´ ıtulo de informa¸˜o adicional) trˆs apˆndices, tratando da Topologia Produto (sobre ca e e produtos cartesianos de espa¸os topol´gicos), bases em espa¸os vetoriais e sobre o espa¸o IRn . c o c c

Andr´ Arbex Hallack e

i

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 A Topologia M´trica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Seq¨ˆncias em espa¸os m´tricos . . . . . . . . .6 Continuidade uniforme . . . . . . . . . . vizinhan¸as. . . . . . . . . . . . . . . 1. . . . . . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . esferas e conjuntos limitados . . . . . . . . . . . . . . c 1. . . . . . . . . . . . . . c o 1. . .5 Fun¸˜es cont´ co ınuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Seq¨ˆncias em espa¸os topol´gicos . . . . . . .11 Compacidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 Conexidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c e 2. . . . . . . . . .4 Conjuntos fechados . . . . c o 1. .2 Bolas. . . . . . . . . . . . . 1. . . . . . . . . . .7 Compacidade em espa¸os m´tricos . . . . . . . . . . .´ Indice Introdu¸˜o ca 1 Topologia Geral 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ue c e 2. . . . . .3 Subespa¸os topol´gicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . e 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . 2. . .1 Espa¸os topol´gicos . . . . . 1.2 Base para uma topologia . . . . . . . .1 Espa¸os m´tricos . . . 2 Espa¸os m´tricos c e 2. . . . . . . . . . . . . c e iii i 1 1 3 4 4 5 9 10 14 16 17 20 23 23 25 26 28 31 33 35 . . ue c o 1. . . . . . . . . . . .9 Homeomorfismos . . . . . . . c 1. . . 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . fecho . . . . . . . . . . . .5 Interior. .8 Fun¸˜es cont´ co ınuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Espa¸os de Hausdorff . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . .8 M´tricas equivalentes . . . . .3 Espa¸os de Banach . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Ortogonalidade . . . . . .1 Espa¸os normados c . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 A topologia da norma 3. . . . . . . . . . . . . .1 Produto interno . . . . . . . . 4. . . ca A Introdu¸˜o ` Topologia Produto ca a B Sobre bases em espa¸os vetoriais c C O espa¸o IRn c Referˆncias e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . e 3 Espa¸os normados c 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 Transforma¸˜es lineares em espa¸os normados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 39 39 41 44 44 45 51 51 53 54 55 55 57 63 67 75 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . 4. . . . . . . . . . . . . . .2 Norma a partir de um produto interno . . . . . . . . . . . . .3 Espa¸os de Hilbert . . . . . . . . . . .4 S´ries . . . . c 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c 3. . . . e 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . co c 4 Espa¸os com produto interno c 4. . . .5 O Teorema de Representa¸˜o de Riesz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

dizemos que um subconjunto A ⊂ X ´ um conjunto ABERTO do espa¸o topol´gico e c o X se. 1. Exemplos: A) Topologia Discreta: Seja X um conjunto qualquer. ca ca a ´ Um conjunto X munido de uma topologia τ (fixada) ´ chamado ESPACO TOPOLOGICO. Uma TOPOLOGIA sobre um conjunto X ´ uma cole¸˜o τ de subconjuntos ca e ca de X ( τ ⊂ P(X) ) satisfazendo `s seguintes propriedades: a A.1. a A.1) φ e X est˜o em τ . conhecida como TOPOLOGIA DISCRETA. e 1 .1 Espa¸os topol´gicos c o Defini¸˜o 1. Qualquer subconjunto de X ´ aberto na Topologia Discreta. a ca a A. conexidade e o co e ue co compacidade neste contexto. A cole¸˜o τ = P(X) de todos os subconjuntos de X ´ ca e uma topologia sobre X. e somente se.Cap´ ıtulo 1 Topologia Geral Nosso principal objetivo neste primeiro cap´ ıtulo ´ trabalhar com o conceito geral de espa¸o e c topol´gico e no¸˜es de convergˆncia (de seq¨ˆncias). A ∈ τ .3) A interse¸˜o dos elementos de qualquer subcole¸˜o finita de τ est´ em τ .2) A uni˜o dos elementos de qualquer subcole¸˜o de τ est´ em τ . continuidade de fun¸˜es. e ¸ Neste caso.

{a. u A cole¸˜o τ dada por: τ = {A ⊂ IR. a + ) ⊂ A} ´ uma ca e topologia sobre IR (mostre). {b} . {a. ∀ a ∈ A. X} n˜o ´ uma topologia sobre X. a ´ o C) Seja X = {a. d} . {c. {a. e D) Topologia Usual da Reta: Consideremos o conjunto IR dos n´meros reais. {b. b} . a e τ4 = { φ . u A cole¸˜o τ dada por: τ = {A ⊂ C. na Topologia Usual. b} . c. c. ∃ > 0 com (a − .2 B) Topologia Ca´tica: o CAP´ ITULO 1 Seja X um conjunto qualquer. X} ´ uma topologia sobre X. x. d} . {a. X} ´ uma topologia sobre X. c. e o τ1 = { φ . {c. {c. {a} . d} . {a} . D (a) = {z ∈ C. e τc = { φ . e τ3 = { φ . A cole¸˜o τ = { φ . Os abertos de IR. b} . na Topologia Usual. |z − a| < } ´ o disco aberto de centro a e raio > 0. ca e ´ conhecida como TOPOLOGIA CAOTICA. X} ´ a Topologia Ca´tica sobre X. X} ´ uma topologia sobre X. {a. e τ2 = { φ . d} . b} . X} ´ uma topologia sobre X. y ∈ IR} dos n´meros complexos. Os conjuntos φ e X s˜o os unicos abertos de X na Topologia Ca´tica. conhecida como a Topologia Usual da Reta. {a} . ∃ > 0 com D (a) ⊂ A} ´ uma topologia ca e (Usual) sobre C. e Os abertos de C. {b} . d} . s˜o os subconjuntos A ⊂ C tais que: cada um a de seus pontos ´ centro de um disco aberto inteiramente contido em A: e . ∀ a ∈ A. b. s˜o os subconjuntos A ⊂ IR tais que: todos os a seus pontos s˜o centros de intervalos abertos inteiramente contidos em A. {b} . d} τd = P(X) ´ a Topologia Discreta sobre X. a E) Topologia Usual do Plano Complexo (ou do IR2 ): Consideremos o conjunto C = {z = x + iy .

b.2 Base para uma topologia Defini¸˜o 1.Topologia Geral Comparando topologias: 3 Sejam τ e τ duas topologias sobre um conjunto X. B2 ∈ B ent˜o existe um conjunto a ca a B3 ∈ B tal que x ∈ B3 ⊂ B1 ∩ B2 . c} . que e a topologia τ ´ MAIS FRACA (ou MENOR ou MAIS GROSSA) que τ .2. 2) Seja X um conjunto qualquer. Mostre que A ´ aberto em X. Seja τf a cole¸˜o dos subconjuntos U ⊂ X tais que ca X\U ´ finito ou U = φ : e τf = { U ⊂ X . Se τ ⊂ τ ent˜o dizemos que a a topologia τ ´ MAIS FORTE (ou MAIOR ou MAIS FINA) que τ . O termo BASE se justifica pois se B ´ base para uma topologia sobre X podemos construir e a partir de B uma topologia τB sobre X (chamada TOPOLOGIA GERADA POR B). as duas condi¸˜es abaixo s˜o co a satisfeitas: 1) Para cada x ∈ X. e 1. Uma cole¸˜o B de subconjuntos de X ´ uma ca ca e BASE PARA UMA TOPOLOGIA SOBRE X se. ∃ B ∈ B com x ∈ B ⊂ U } ´ ´ E imediato que B ⊂ τB (os conjuntos B ∈ B s˜o chamados ABERTOS BASICOS) a . 2) Se x pertence ` interse¸˜o de dois conjuntos B1 . X\U ´ finito} ∪ { φ } e (a) Mostre que τf ´ uma topologia sobre o conjunto X (´ chamada a Topologia do Complee e mento Finito). (b) O que podemos dizer de τf se X ´ um conjunto finito? e 3) Seja X um espa¸o topol´gico. ou equivalentemente. Seja A ⊂ X tal que para cada x ∈ A existe um c o conjunto aberto Ux com x ∈ Ux ⊂ A. existe pelo menos um conjunto B ∈ B tal que x ∈ B. (Exemplos) e Exerc´ ıcios: 1) Determine todas as topologias poss´ ıveis sobre o conjunto X = {a. Seja X um conjunto qualquer. e somente se. dada por: τB = { U ⊂ X . ∀ x ∈ U.

.4 Conjuntos fechados Defini¸˜o 1. . e ca o τB 1. . e a a partir da topologia τ : τY = {Y ∩ A . o conjunto A = X\F ´ aberto. . Seja X um espa¸o topol´gico. c o Os abertos do subespa¸o Y ⊂ X consistem portanto de todas as interse¸˜es de Y com os c co abertos de X. U . n} . e . F e U como acima (variando)} ´ uma base para uma topologia ca e sobre X (mostre). e chamada TOPOLOGIA DE SUBESPACO e o espa¸o topol´gico (Y. U = { f ∈ X . mostre que τB definida anteriormente e ´ de fato uma topologia sobre X. I ´ intervalo aberto } ´ uma base para a Topologia Usual ca e e da Reta. . ´ uma base para uma topologia em IR e a topologia gerada por B ´ a e e Topologia Usual da Reta (verifique). e 2) Sejam X um conjunto e B uma base para uma topologia τB sobre X. f (xi ) ∈ Ui ∀ i = 1. B) Seja X = {f : IR → IR} o conjunto de todas as fun¸˜es de IR em IR (tamb´m deco e IR notado por IR ).4. τ ). xn } ⊂ IR e uma cole¸˜o ca de n abertos U = {U1 . A cole¸˜o B = { B F. . ou seja. ca c o Se Y ´ um subconjunto de X. A ∈ τ } ´ uma topologia sobre Y (mostrar). 2. . . munido de uma topologia τ . Un } (na Topologia Usual da Reta). Um subconjunto F de um espa¸o topol´gico X ´ dito ser FECHADO se. podemos ent˜o construir uma topologia natural sobre Y . Mostre que ´ a cole¸˜o de todas as uni˜es de elementos de B. . . Dados um conjunto finito F = {x1 .3.3 Subespa¸os topol´gicos c o Defini¸˜o 1. (Exemplos) 1. . U2 .4 Exemplos: CAP´ ITULO 1 A) A cole¸˜o B = {I ⊂ IR . considere o conjunto BF. x2 . . Exerc´ ıcios: 1) Se B ´ uma base para uma topologia sobre X. τY ) ´ dito SUBESPACO ¸ c o e ¸ ´ (TOPOLOGICO) do espa¸o topol´gico (X. e ca c o e somente se.

Seja X um espa¸o topol´gico.5 Interior. ∀ A.3) Uni˜es finitas de conjuntos fechados s˜o conjuntos fechados. A ´ aberto do espa¸o topol´gico X) e F ´ fechado e e e c o e em X ent˜o A\F ´ aberto em X e F \A ´ fechado em X. b) int B ´ aberto e B⊂X c) B ´ aberto ⇐⇒ B = int B. Um subconjunto V ⊂ X ´ uma ca c c o e VIZINHANCA de um ponto x ∈ X se. ∀ A. (Interior) Dado um subconjunto B de um espa¸o topol´gico X. e a a a Defini¸˜o 1. definimos o ca c o INTERIOR de B ( int B) como a uni˜o de todos os conjuntos abertos contidos em B. Seja X um espa¸o topol´gico.7. B ⊂ X (espa¸o topol´gico). a F. e somente se. e d) A ⊂ B ⇒ int A ⊂ int B ∀ A.2) Interse¸˜es arbitr´rias de conjuntos fechados s˜o conjuntos fechados.5. ¸ . int (A ∪ B) ⊃ int A ∪ int B.1) φ e X s˜o fechados. B ⊂ X. co a a F. S˜o conseq¨ˆncias imediatas da defini¸˜o de c o a ue ca interior de um conjunto (mostre): a) int B ⊂ B ∀ B ⊂ X.8.6.5 acima. fecho c Defini¸˜o 1. 2) Mostre que se A ´ aberto em X (i. e) int (A ∩ B) = int A ∩ int B Exerc´ ıcio: Mostre que. existe um aberto A tal que x ∈ A ⊂ V . (Vizinhan¸a) Seja X um espa¸o topol´gico. a Teorema 1. o a 5 Exerc´ ıcios: 1) Prove o Teorema 1. a e e 1. c o Dˆ um exemplo em que esta inclus˜o n˜o se reduz ` igualdade. ∀ B ⊂ X. Ent˜o as seguintes condi¸˜es s˜o satisfeitas: c o a co a F. vizinhan¸as. B ⊂ X.Topologia Geral Teorema 1. ´.

|f (x)| < ∀ x ∈ F } F (finito) ⊂ IR .2). c ca Defini¸˜o 1.11. c ´ Os elementos B ∈ Bx s˜o chamados VIZINHANCAS BASICAS DE x. Mostre que se V ´ uma vizinhan¸a de um ponto x ∈ X na topologia mais fraca τ ent˜o e c a V ´ uma vizinhan¸a de X na topologia mais forte τ . definimos o FECHO DE B c o ¯ ou cl X B ou cl B) como a interse¸˜o de todos os conjuntos fechados que contˆm B. e e c A⊂X Exerc´ ıcios: 1) Mostre que a interse¸˜o de duas vizinhan¸as de um ponto ´ uma vizinhan¸a deste ponto.10. formam uma base de vizinhan¸as de x na Topologia Usual da Reta. uma cole¸˜o Bx de vizinhan¸as de x ´ dita ser uma c o ca c e BASE DE VIZINHANCAS DE x se.6 CAP´ ITULO 1 Teorema 1. mostre que ca BO = { VF. e c Mostre atrav´s de um exemplo que a rec´ e ıproca da afirma¸˜o acima n˜o ´ verdadeira. Dado um subconjunto B ⊂ X. > 0 }. e somente se. ca c e c 2) Sejam τ ⊂ τ duas topologias sobre um conjunto X. (Fecho) ca Seja X um espa¸o topol´gico. (B ca e .9. c 3) Seja X = {f : IR → IR} . ca a e Defini¸˜o 1. mostre que a cole¸˜o Bx = {B ∈ B . intervalos abertos centrados em um ponto x ∈ IR . x + ) .2. (Base de vizinhan¸as de um ponto) ca c Dado x ∈ X (espa¸o topol´gico). Dado c ca x ∈ X. para cada vizinhan¸a V de x ´ poss´vel ¸ c e ı obter uma vizinhan¸a B ∈ Bx tal que B ⊂ V . ca e c 2) Mostre que Bx = { (x − . Seja X um espa¸o topol´gico. > 0 } ´ uma base de vizie nhan¸as da fun¸˜o nula O : IR → IR na topologia considerada. x ∈ B} ´ uma base de vizinhan¸as de x. = {f ∈ X . S˜o conseq¨ˆncias imediatas da defini¸˜o de c o a ue ca vizinhan¸a (mostre): c a) V ´ vizinhan¸a de x ∈ X ⇔ x ∈ int V e c b) A ´ aberto ⇐⇒ A ´ vizinhan¸a de cada um de seus pontos. Considerando o Exemplo B da Se¸˜o 1. a ¸ Exerc´ ıcios: 1) Seja B uma base para uma topologia τB sobre um espa¸o X (ver Se¸˜o 1.

e d) A ⊂ B ⇒ cl A ⊂ cl B ∀ A. c. c. {a} . (a) Obtenha todas as vizinhan¸as do ponto c. d. c Prova: Exerc´ ıcios: 1) Considere o conjunto X = {a. toda vizinhan¸a de x intersecta o conjunto B. c} ⊂ X . c. b) cl B ´ fechado e B⊂X c) B ´ fechado ⇐⇒ B = cl B. c. b} . d} . {a. e} } . e} e a seguinte topologia sobre X: τ = { φ . X. d} . e}. c (b) Qual a “menor” base de vizinhan¸as do ponto a ? c (c) Obtenha o fecho do subconjunto {b. (e) Se A = {a. b. c} ⊂ X . temos: c o x ∈ cl B se. {a. qual ´ a topologia relativa (de subespa¸o) de A ? e c . Seja X um espa¸o topol´gico. Dados B ⊂ X e x ∈ X. b. {a. b. Seja X um espa¸o topol´gico. {a. e somente se. B ⊂ X. B ⊂ X. ∀ B ⊂ X.13.12. (d) Obtenha o interior do subconjunto {a. b.Topologia Geral 7 Teorema 1. e) cl (A ∪ B) = cl A ∪ cl B Teorema 1. S˜o conseq¨ˆncias imediatas da defini¸˜o de c o a ue ca fecho de um conjunto (mostre): a) B ⊂ cl B ∀ B ⊂ X. ∀ A.

4) Seja Y ⊂ X (espa¸o topol´gico). ent˜o A cont´m pontos de B (mostre). prove. e a a a 8) Se um aberto A cont´m pontos do fecho de B. Um ponto x ∈ X ´ ca c o e dito PONTO DE ACUMULACAO DE B se. Denotamos por B o conjunto dos pontos de acumula¸˜o de B. Mostre que cl Y B = Y ∩ cl X B. ca c o 5) Sejam B ⊂ Y ⊂ X (espa¸o topol´gico). Mostre que X\ cl B = int (X\B) e que c o X\ int B = cl (X\B). c o e a .8 CAP´ ITULO 1 2) Mostre por um contra-exemplo que podemos ter int ( cl A) = cl ( int A). Se n˜o. que n˜o seja vazio nem o espa¸o todo. ca Mostre que cl B = B ∪ B ∀ B ⊂ X. a 10) (Fronteira) Seja B ⊂ X (espa¸o topol´gico). toda vizinhan¸a de x intersecta ¸˜ c B\ {x} . e a e 9) (Pontos de acumula¸˜o) Seja B ⊂ X (espa¸o topol´gico). A ∩ cl (X\A) = φ . cuja fronteira e a c seja um conjunto aberto. e (c) Mostre que A ´ aberto ⇔ fr A = ( cl A)\A. e somente se. cl X B = X. ent˜o cl (A ∩ B) ⊂ ( cl A ∩ cl B).: cl Y B ´ o fecho de B no espa¸o Y (subespa¸o topol´gico de X) e c c o cl X B ´ o fecho de B no espa¸o X. e somente se. (f) Mostre que se F ´ fechado ent˜o sua fronteira tem interior vazio. Mostre que { Y ∩ F . ´ Um espa¸o topol´gico ´ dito SEPARAVEL se possuir um subconjunto enumer´vel denso. apresente um contra-exemplo. e a (e) Dˆ exemplo de um conjunto B. e a 11) (Densidade) Um subconjunto B ⊂ X (espa¸o topol´gico) ´ DENSO EM X se. c o a Dˆ um exemplo em que esta inclus˜o n˜o se reduz ` igualdade. c o Obs. e c (Sugest˜o: use o exerc´ anterior) a ıcio 6) Mostre que A ⊂ X (espa¸o topol´gico) ´ aberto se. c o e 7) Mostre que se A. 3) Considere B ⊂ X (espa¸o topol´gico). e c o e somente se. e (d) Mostre que se A ´ aberto ent˜o sua fronteira possui interior vazio. Podemos garantir que B ´ sempre fechado? e Caso a resposta seja SIM. Definimos a FRONTEIRA DE B c o (e escrevemos fr B ou ∂B) como o conjunto: fr B = cl B ∩ cl (X\B) (a) Mostre que int B ∩ fr B = φ (b) Mostre que fr B = φ ⇔ B ´ aberto e fechado. B ⊂ X (espa¸o topol´gico). F ´ fechado em X } ´ a c o e e cole¸˜o dos conjuntos fechados do subespa¸o topol´gico Y ⊂ X.

c e e Teorema 1.}.15. (c) Determine quais os subconjuntos de X que s˜o densos em X. 2. se. e ca c o e ¸ somente se. 3. a 1. An .Topologia Geral 9 Sejam B ⊂ Y ⊂ X (espa¸o topol´gico). .14. . Prove: Se H ´ um subconjunto “nowhere dense” de X. 2. e somente se. Todo conjunto finito em um espa¸o de Hausdorff ´ fechado. a c e (Exemplos) . (a) Determine os subconjuntos fechados de (X. ent˜o X\( cl X H) ´ denso em X. a c e Prova: Corol´rio 1. . . 1. 12. c c e Se B ⊂ Y ⊂ X (espa¸o topol´gico). . τ ). mostre que B ´ denso em Y se. 1. 12) Mostre que se A ´ aberto em X (espa¸o topol´gico) e D ⊂ X ´ denso em X ent˜o e c o e a A ∩ D ´ denso em A. para cada par de pontos distintos x. 3. . isto ´. . c o e Y ⊂ cl X B. 2. (b) Determine o fecho dos conjuntos { 8. y ∈ X ´ poss´ obter abertos disjuntos e ıvel U e V tais que x ∈ U e y ∈ V . .}. B ´ denso em Y se. seja An = { n. . Um espa¸o topol´gico X ´ dito ser um ESPACO DE HAUSDORFF se. e somente se. . e a e 14) Para cada n = 0.} a topologia τ = { φ . . Todo conjunto unit´rio em um espa¸o de Hausdorff ´ fechado. n ∈ X}. 1. n + 2. Consideremos em X = { 0. cl Y B = Y . n = 0. . e somente se. ou T2 . B ´ denso no c o e e subespa¸o Y (com a topologia de subespa¸o). . e 13) Um subconjunto H de um espa¸o topol´gico X ´ chamado “NOWHERE DENSE” c o e (ou “RARO”) quando int ( cl X H) = φ . 36} e { 2n . 3. n + 1. Um espa¸o de Hausdorff ´ tamb´m chamado SEPARADO.6 Espa¸os de Hausdorff c Defini¸˜o 1.

no que diz respeito ` sua “for¸a”? a c 1. e somente se.7 Seq¨ˆncias em espa¸os topol´gicos ue c o Defini¸˜o 1. e somente se. . existe um aberto contendo um destes pontos e n˜o contendo o outro. y ∈ X (x = y). existem abertos disjuntos U e V tais que x ∈ U e y ∈V. c o e e dados dois pontos distintos x. e c a e Dˆ um exemplo de um espa¸o que ´ T0 mas n˜o ´ T1 . Por´m nem todo espa¸o T0 ´ T1 c e c e e c e e nem todo espa¸o T1 ´ T2 (caso contr´rio n˜o faria sentido definir espa¸os de tipos diferentes!) c e a a c Dˆ um exemplo de um espa¸o que n˜o ´ T0 . a e (b) Mostre que um espa¸o topol´gico ´ T1 se. x ∈ V e y ∈ U . para cada vizinhan¸a V de x ´ c e poss´ obter um ´ndice n0 ∈ IN tal que n > n0 ⇒ xn ∈ V . Sejam X um espa¸o topol´gico e (xn ) ⊂ X uma seq¨ˆncia em X. T2 : Um espa¸o topol´gico X ´ dito ser T2 (ou Hausdorff) se. a T1 : Um espa¸o topol´gico X ´ dito ser T1 se. T4 . e somente se. 2) Sejam τ ⊂ τ duas topologias sobre um conjunto X (τ mais forte que τ ). . T1 e T2 ? ca O que podemos concluir sobre as “chances” de uma topologia atender `s condi¸˜es T0 .16. Que tipo de resultado podemos inferir sobre essas topologias com rela¸˜o aos axiomas de ca separa¸˜o T0 . . ca c o ue Um ponto x ∈ X ´ LIMITE da seq¨ˆncia (xn ) (equivalentemente dizemos que (xn ) e ue converge para x e escrevemos xn → x) se. y ∈ X (x = y).´ T1 ca e mas n˜o ´ T2 ). e c e a e Dˆ um exemplo de um espa¸o que ´ T1 mas n˜o ´ T2 (Sugest˜o: mostre que qualquer e c e a e a conjunto infinito com a Topologia do Complemento Finito . ıvel ı . Obs.ver exerc´ ıcios da Se¸˜o 1. T1 a co ou T2 . e somente se.1 . dados dois pontos distintos c o e x. existem abertos U e V tais que x ∈ U. e somente se.: Existem outros axiomas de separa¸˜o (T3 . T31/2 .) ca ´o (a) E ´bvio que todo espa¸o T2 ´ T1 e todo espa¸o T1 ´ T0 . y ∈ X (x = y).10 Exerc´ ıcios: 1) (Alguns axiomas de separa¸˜o) Consideremos as classifica¸˜es abaixo: ca co CAP´ ITULO 1 T0 : Um espa¸o topol´gico X ´ dito ser T0 (ou a topologia de X ´ dita T0 ) se. dados dois c o e pontos distintos x. y ∈ V. todo subconjunto unit´rio ´ c o e a e fechado.

(Veja: base de vizinhan¸as de um ponto. ou melhor. e c somente se.Topologia Geral 11 Observa¸˜o: E interessante notar a importˆncia da topologia no conceito de convergˆncia ca ´ a e de seq¨ˆncias. dada uma seq¨ˆncia (xn ) em um espa¸o topol´gico X. principalmente quando o problema puder envolver mais de uma a topologia sobre um mesmo conjunto X. Exemplo: Exerc´ ıcio: Sejam X um espa¸o topol´gico e (xn ) uma seq¨ˆncia em X. c a . fixe uma base Bx de vizinhan¸as de x e mostre que xn → x se. a conue ue c o vergˆncia ou n˜o de (xn ) para um ponto x ∈ X depende fortemente da topologia e a considerada sobre X. Se¸˜o 1. Por este motivo. `s vezes ´ conveniente explicitarmos qual topoloa e gia est´ sendo considerada.5) c ca Obs. c o ue (a) Dado x ∈ X. para cada vizinhan¸a b´sica V ∈ Bx de x ´ poss´ obter um ´ c a e ıvel ındice n0 ∈ IN tal que n > n0 ⇒ xn ∈ V .: Moral da est´ria: podemos verificar (e at´ definir) convergˆncia de seq¨ˆncias o e e ue utilizando vizinhan¸as b´sicas.

existe um ´ ındice n0 ∈ IN tal que n > n0 ⇒ |xn − x| < . dado > 0. Utilizando a parte (a) anterior e o fato de que os intervalos abertos centrados em um ponto da reta constituem uma base de vizinhan¸as c desse ponto.12 CAP´ ITULO 1 (b) Consideremos a Topologia Usual da Reta IR.18. Sejam X um espa¸o topol´gico e B ⊂ X um subconjunto de X. ca Contra-exemplo: . um subconjunto B ⊂ X e um ponto x ∈ X ıvel c o tais que x ∈ cl B mas n˜o existe nenhuma seq¨ˆncia (xn ) ⊂ B convergindo para x.16! e e ca Teorema 1. e a mais forte do Teorema 1. ent˜o x ∈ cl B. ´ Teorema 1. Se existe c o uma seq¨ˆncia (xn ) em B (xn ∈ B ∀ n) que converge para um ponto x ∈ X. ue a Observa¸˜o: A rec´ ca ıproca do teorema acima n˜o ´ verdadeira em geral. Obs. a ue O contra-exemplo a seguir ilustra essa situa¸˜o. Se X ´ um espa¸o de Hausdorff ent˜o toda seq¨ˆncia convergente em X e c a ue converge para um unico limite.: A caracteriza¸˜o de convergˆncia obtida acima em (b) (e utilizada como defini¸˜o ca e ca quando ´ fixada a Topologia Usual da Reta) ´ um caso particular da defini¸˜o 1.19. a e ´ E poss´ obter um espa¸o topol´gico X. conclua que (na Topologia Usual) uma seq¨ˆncia (xn ) ⊂ IR converge para ue um ponto x ∈ IR se. Se (xn ) ⊂ X ´ tal que xn → x ∈ X ent˜o xn → x. e somente se. Sejam X um conjunto e τ ⊂ τ duas topologias sobre X (τ τ τ que τ ).17.

Topologia Geral 13 Apesar de existirem (e muitos) espa¸os onde. e existem um subconjunto B ⊂ X e um ponto x ∈ X tais que x ∈ cl B mas n˜o existe a nenhuma seq¨ˆncia (xn ) ⊂ B convergindo para x.19 ´ verdadeira (por exemplo: IR e C com suas Topologias Usuais).17 2) Prove o Teorema 1. se um ponto x pertence ao fecho cl B de um conjunto B ⊂ X. caracterizar (nem definir portanto) a ca o fecho de um conjunto B como o conjunto dos limites de seq¨ˆncias em B. os conjuntos que s˜o iguais ao conjunto dos limites de e a suas seq¨ˆncias). n˜o podemos e a em geral. definimos o conjunto D = {x ∈ X . devido a suas topologias. ent˜o existe uma seq¨ˆncia (xn ) em B tal que xn → x. de FILTROS e NETS (generaliza¸˜o de seq¨ˆncias) que ajudam a contornar o problema ca ue acima. ue 5) Um espa¸o topol´gico X satisfaz ao 1o AXIOMA DA ENUMERABILIDADE quando c o cada ponto de X possui uma base de vizinhan¸as enumer´vel. mostre c o que cada x ∈ X possui uma base enumer´vel de vizinhan¸as “encaixadas”: a c Bx = { V1 ⊃ V2 ⊃ V3 ⊃ . a rec´ c ıproca do Teorema 1. ` luz da observa¸˜o e do contra-exemplo acima. (c) Mostre que a reta IR e o plano complexo C (IR2 ) com suas Topologias Usuais s˜o a o espa¸os topol´gicos que satisfazem ao 1 Axioma da Enumerabilidade (no estudo de An´lise c o a n na Reta e An´lise no IR . Exerc´ ıcios: 1) Prove o Teorema 1. Usando o conjunto B acima. . onde s˜o consideradas as Topologias Usuais. mostre e c o que em X vale a rec´ ıproca do Teorema 1. ∃ (xn ) ⊂ D com lim xn = x} e ue (D ´ o conjunto dos limites de seq¨ˆncias em D).18 3) Prove o Teorema 1. ou seja. e ue . c maneira (defina).19.} (b) Se X ´ um espa¸o topol´gico que satisfaz ao 1o Axioma da Enumerabilidade. . ⊃ Vn ⊃ . podemos caracterizar a a e portanto definir o fecho de um conjunto atrav´s de seq¨ˆncias). ue Por esta inadequa¸˜o das seq¨ˆncias na caracteriza¸˜o do fecho surgem novos conca ue ca ceitos. isto ´. c a o (a) Sendo X um espa¸o topol´gico que satisfaz ao 1 Axioma da Enumerabilidade. ue Para cada D ⊂ X . A partir a ue da´ conclua que neste tipo de espa¸o podemos definir o fecho de um conjunto de uma nova ı. prove que o conjunto D nem sempre ´ fechado (seu complee mentar n˜o ´ aberto) e conclua que n˜o podemos definir os conjuntos fechados de X como os a e a conjuntos F tais que F = F (isto ´.19 4) Seja X um espa¸o topol´gico onde n˜o ´ v´lida a rec´ c o a e a ıproca do Teorema 1.19. . .

(b) (Inclus˜o) Se B ⊂ X ´ subespa¸o de X. Sejam X e Y espa¸os topol´gicos. Se Z ´ um espa¸o tal que Y ⊂ Z ´ subespa¸o de Z ent˜o a e ı e c e c a fun¸˜o h : X → Z dada por h(x) = f (x) para todo x ∈ X ´ cont´ ca e ınua.8 Fun¸˜es cont´ co ınuas Defini¸˜o 1. Se Z ⊂ Y ´ um subespa¸o de Y tal que f (X) ⊂ Z ent˜o a fun¸˜o g : X → Z dada por g(x) = f (x) e c a ca para todo x ∈ X ´ cont´nua. Prova: Exerc´ ıcio. e (Exemplos) Teorema 1. ent˜o a fun¸˜o de inclus˜o j : B → X. Temos: c o (a) (Fun¸˜o constante) Se f : X → Y “leva” todo X em um unico ponto y0 ∈ Y ent˜o ca ´ a f ´ cont´ e ınua. Este fato enfatiza a natureza topol´gica do conceito de continuidade. dados dois espa¸os topol´gicos X e Y e uma fun¸˜o ca ´ c o ca f : X → Y . sua imagem inversa f −1 (A) ´ um aberto de X. Y e Z espa¸os topol´gicos. tem-se f ( cl B) ⊂ cl (f (B)). o Teorema 1. Sejam X e Y espa¸os topol´gicos e f : X → Y . Uma fun¸˜o f : X → Y ´ dita ser ca c o ca e ´ CONTINUA se.20. dada a e c a ca a por j(x) = x ∀ x ∈ B.22. tem-se f −1 ( int D) ⊂ int (f −1 (D)) . (4) Para todo subconjunto D ⊂ Y . f −1 (F ) ´ fechado em X. e ı (d) (Restringindo o dom´nio) Se f : X → Y ´ cont´ ı e ınua e B ⊂ X ´ um subespa¸o de X. e somente se. e ı (2) Para todo conjunto F fechado em Y . e ı (c) (Composi¸˜o) Se f : X → Y e g : Y → Z s˜o cont´ ca a ınuas ent˜o a aplica¸˜o composta a ca g ◦ f : X → Z ´ cont´nua. e c ent˜o a restri¸˜o f |B : B → Y ´ cont´nua.14 CAP´ ITULO 1 1. Sejam X. a ca e ı (e) (Restringindo ou estendendo o contra-dom´ ınio) Seja f : X → Y cont´ ınua. Ent˜o. ´ cont´nua.21. e (3) Para todo subconjunto B ⊂ X. s˜o equivalentes: c o a a (1) f ´ cont´nua. para cada subconjunto A aberto de Y . Prova: Exerc´ ıcio Observa¸˜o: E importante notar que. . a continuidade de f depende das topologias consideradas sobre X e Y .

e somente se. y ∈ V ⇒ f (x) = g(y). c a (b) Sabendo que os intervalos abertos centrados em um ponto x ∈ IR constituem uma base de vizinhan¸as desse ponto na Topologia Usual da Reta. 3) Sejam X e Y espa¸os topol´gicos e f : X → Y .Topologia Geral 15 Defini¸˜o 1. fixe uma base Bx0 de vizinhan¸as de x0 e uma base Bf (x0 ) de c vizinhan¸as de f (x0 ). Obs. para cada vizinhan¸a e c V de f (x0 ) em Y ´ poss´vel obter uma vizinhan¸a U de x0 em X tal que f (U ) ⊂ V . dado > 0 ´ e poss´ obter um δ > 0 tal que |x − x0 | < δ ⇒ |f (x) − f (x0 )| < . A aplica¸˜o ca c o ca ´ f : X → Y ´ dita CONTINUA NO PONTO x0 ∈ X se.24. Mostre que ´ poss´ combinar f e g para construir uma fun¸˜o cont´ e ıvel ca ınua h : X → Y pondo h(x) = f (x) se x ∈ A e h(x) = g(x) se x ∈ B. mostre que uma fun¸˜o f : IR → IR c ca ´ cont´ e ınua em x0 ∈ IR (considerando a Topologia Usual) se. e somente se. Sejam X e Y espa¸os topol´gicos. (Continuidade em um ponto) Sejam X e Y espa¸os topol´gicos. c o (a) Dado x0 ∈ X. A aplica¸˜o f : X → Y ´ cont´ c o ca e ınua se. f ´ cont´nua em todo ponto de X. com A e B fechados em X. Y de Hausdorff e f. de modo que f (x) = g(x) ∀ x ∈ A ∩ B. para cada vizinhan¸a c b´sica V ∈ Bf (x0 ) de f (x0 ) ´ poss´ obter uma vizinhan¸a b´sica U ∈ Bx0 de x0 tal que a e ıvel c a f (U ) ⊂ V . e somente se.23! e ca . Mostre que f ´ cont´ c e ınua em x0 se. 2) Sejam X e Y espa¸os topol´gicos.: A caracteriza¸˜o obtida acima em (b) (e utilizada como defini¸˜o quando ´ fixada ca ca e a Topologia Usual da Reta) ´ um caso particular da defini¸˜o 1. e somente se. g : X → Y cont´ c o ınuas em a ∈ X. ıvel Obs.: Moral da est´ria: podemos verificar (e at´ definir) continuidade de uma fun¸˜o o e ca num ponto utilizando vizinhan¸as b´sicas. e ı c Teorema 1. c o Sejam f : A → Y e g : B → Y cont´ ınuas.23. e ı Prova: Exerc´ ıcio Exerc´ ıcios: 1) Seja X = A ∪ B um espa¸o topol´gico. Mostre que se f (a) = g(a) ent˜o existe uma vizinhan¸a V de a em X tal que a c x.

ent˜o c a a vale a rec´ ıproca do teorema acima e neste caso podemos caracterizar a continuidade atrav´s e de seq¨ˆncias. a e Assim.25. e somente se. f e sua fun¸˜o inversa e ca −1 f : Y → X s˜o cont´nuas. para todo A ⊂ X aberto em X tem-se f (A) ⊂ Y aberto em Y .26. temos que f (xn ) → f (x0 ) a ue em Y . f : X → Y ´ dita FECHADA se.9 Homeomorfismos Defini¸˜o 1.16 CAP´ ITULO 1 Teorema 1. no caso geral (vale ressaltar que existem casos . da mesma forma que no caso do fecho. Consideremos uma bije¸˜o f : X → Y entre dois espa¸os topol´gicos X ca ca c o e Y . Prova: Observa¸˜o: A rec´ ca ıproca do teorema acima n˜o ´ verdadeira em geral. para todo F ⊂ X fechado em X tem-se e f (F ) ⊂ Y fechado em Y . Defini¸˜o 1. Exerc´ ıcio: Mostre que se X ´ um espa¸o topol´gico que satisfaz ao 1o Axioma da Enue c o merabilidade (ou seja. Dois espa¸os topol´gicos s˜o ditos HOMEOMORFOS se existir a ı c o a um homeomorfismo entre ambos. ue 1. Se a fun¸˜o f : X → Y ´ cont´ c o ca e ınua em x0 ∈ X ent˜o. . Sejam X e Y espa¸os topol´gicos. Dizemos que f ´ um HOMEOMORFISMO se. e somente se. cada ponto de X possui uma base de vizinhan¸as enumer´vel). Sejam X e Y espa¸os topol´gicos. para toda seq¨ˆncia (xn ) ⊂ X tal que xn → x0 .27. Uma aplica¸˜o f : X → Y ´ dita ca c o ca e ABERTA se.nos quais vale a rec´ ıproca do teorema acima e portanto tal caracteriza¸˜o ´ poss´ ca e ıvel). e somente se.por ca exemplo IR e C com suas Topologias Usuais . as seq¨ˆncias mostram-se inadequadas ue para a caracteriza¸˜o da continuidade.

se dois espa¸os topol´gicos X e Y s˜o homeomorfos. E imediato e a e e ca tamb´m que f −1 ´ uma aplica¸˜o aberta e fechada. podemos dizer que ambos s˜o c o a a ´ INDISTINGU´ IVEIS DO PONTO DE VISTA TOPOLOGICO. e e a e e ca ´ se F ⊂ X ´ fechado ent˜o f (F ) ⊂ Y ´ fechado (f ´ uma aplica¸˜o fechada). Se Y ´ a c o e conexo (e n˜o-vazio) ent˜o ou Y ⊂ A ou Y ⊂ B. e somente se. e somente se.Topologia Geral Observa¸˜o: ca 17 Se X e Y s˜o espa¸os topol´gicos homeomorfos.30. o c O pr´ximo teorema ´ util na caracteriza¸˜o de cis˜o de um subespa¸o topol´gico: o e´ ca a c o Teorema 1. (Cis˜o) Uma CISAO de um espa¸o topol´gico X ´ uma decomposi¸˜o ca a c o e ca X = A ∪ B onde A ∩ B = φ e os conjuntos A e B s˜o ambos abertos em X. Y = A ∪ B.28. e e ca Assim. os unicos ca ´ c o e ´ subconjuntos de X que s˜o simultaneamente abertos e fechados em X s˜o o conjunto vazio φ a a e o pr´prio espa¸o X. a Observa¸˜o: Todo espa¸o topol´gico X admite a cis˜o trivial X = X ∪ φ . (Conexos) Um espa¸o topol´gico X ´ dito CONEXO se. ´ uma c o e cis˜o do subespa¸o Y ⊂ X se.29. com A ∩ B = φ . por um homeomorfismo f : X → Y .31. Lema 1. Seja Y ⊂ X (espa¸o topol´gico). ele ca c o e n˜o admite outra cis˜o al´m da cis˜o trivial. ent˜o a c o a ´ imediato que se A ⊂ X ´ aberto ent˜o f (A) ⊂ Y ´ aberto (f ´ uma aplica¸˜o aberta). 1. cl A ∩ B = φ = A ∩ cl B. ca c o a Defini¸˜o 1. e somente se. Seja Y ⊂ X. onde os fechos s˜o a c a considerados no espa¸o X. Seja X = A ∪ B uma cis˜o do espa¸o topol´gico X. a a e a Observa¸˜o: E imediato que um espa¸o topol´gico ´ conexo se. a a Prova: .10 Conexidade ˜ Defini¸˜o 1. c Prova: Exerc´ ıcio.

Mostre que se A ∩ Aα = φ para todo α. a e Exerc´ ıcios: 1) Seja { An } uma seq¨ˆncia de subconjuntos conexos de um espa¸o topol´gico X.33. e 2) Seja { Aα } uma cole¸˜o de subconjuntos conexos de um espa¸o topol´gico X. a . tais ue c o que An ∩ An+1 = φ para todo n. Seja ca c o A ⊂ X conexo. e Prova: Teorema 1. Mostre que se C ⊂ X ´ a c o e conexo. 3) (Teorema da Alfˆndega) Seja A ⊂ X (espa¸o topol´gico). A uni˜o de uma cole¸˜o de conjuntos conexos com pelo menos um ponto em a ca comum ´ conexa. Mostre que a uni˜o a An ´ conexa. Se A ´ conexo e B ´ formado a partir de A adicionando-se alguns ou todos os a e e pontos de seu fecho ent˜o B ´ conexo. e a e Prova: Corol´rio 1. ent˜o a uni˜o A ∪ ( An ) ´ a a e conexa.32. C ∩ A = φ e C ∩ (X\A) = φ ent˜o C ∩ fr A = φ .18 CAP´ ITULO 1 Teorema 1. Se A ⊂ X ´ conexo e A ⊂ B ⊂ cl A ent˜o B ´ conexo.

c e Mostre que se f : X → Y ´ localmente constante e X ´ conexo ent˜o f ´ constante. ou melhor. e 19 Prova: Nota: O teorema acima garante que se um espa¸o topol´gico conexo X ´ homeomorfo a c o e um espa¸o Y . Mostre que se Cx ´ a componente conexa do e ponto x em X ent˜o Dy = h(Cx ) ´ a componente conexa de y = h(x) em Y . Dado a ∈ A. dado c entre a e b (a < c < b) existe x ∈ X tal que f (x) = c. A imagem de um espa¸o conexo por uma aplica¸˜o cont´ c ca ınua ´ conexa. a e Obs. ca e para todo x ∈ X existe uma vizinhan¸a V de x onde f ´ constante. diz-se tamb´m que a conexidade ´ uma PROPRIEDADE TOPOLOGICA. a e (a) Mostre que Ca ´ o maior subconjunto conexo de A contendo o ponto a. Por c a e e o ´ este motivo. a conexidade ´ uma invariante topol´gica. e somente se. Mostre que f tem a ´ PROPRIEDADE DO VALOR INTERMEDIARIO. se existem x1 .34. definimos a COMPONENTE CONEXA c o Ca DE a como a reuni˜o de todos os subconjuntos conexos de A que contˆm a. ca .: A letra (b) anterior mostra que um homeomorfismo h : X → Y estabelece uma bije¸˜o entre as componentes conexas de X e as componentes conexas de Y . e (b) Sejam X conexo e f : X → IR (Topologia Usual) cont´ ınua. ent˜o Y ´ conexo. e e Exerc´ ıcios: 1) Uma aplica¸˜o f : X → Y ´ dita LOCALMENTE CONSTANTE se. e e a e 2) (Teorema do Valor Intermedi´rio): a (a) Prove que todo subconjunto conexo de IR (na Topologia Usual) ´ um intervalo.Topologia Geral Teorema 1. isto ´. a 3) Seja A ⊂ X (espa¸o topol´gico). e (b) Seja h : X → Y um homeomorfismo. x2 ∈ X tais que e f (x1 ) = a < b = f (x2 ) ent˜o.

e somente se. a uni˜o dos elementos de A ´ igual a X.38. toda cobertura aberta de X admite uma subcobertura finita. (Compactos) Um espa¸o topol´gico X ´ dito COMPACTO se. c e Prova: . Todo subconjunto compacto de um espa¸o de Hausdorff ´ fechado.39. isto ´. cont´m uma subcole¸˜o e e ca finita que tamb´m cobre X. Teorema 1.37. E a e chamada uma COBERTURA ABERTA se os elementos de A s˜o abertos em X. Todo subconjunto fechado de um espa¸o compacto ´ compacto. e somente ca c o e se. e Teorema 1. (Cobertura) Uma cole¸˜o A de subconjuntos de um espa¸o topol´gico X ´ ca ca c o e ´ dita uma COBERTURA de X se.36.11 Compacidade Defini¸˜o 1. e somente se. Y ´ compacto se. toda c o e cobertura aberta de Y por abertos em X admite uma subcobertura finita. c e Prova: Teorema 1. a Defini¸˜o 1. Seja Y ⊂ X (espa¸o topol´gico).35.20 CAP´ ITULO 1 1. Prova: Exerc´ ıcio.

Qual a rela¸˜o entre a compacidade de X sob uma dessas topologias e a outra. f leva conjuntos fechados de X em conjuntos fechados de Y ). c Mostre que existem abertos disjuntos U e V contendo A e B respectivamente. ´. a a a 3) Mostre que se f : X → Y ´ cont´ e ınua.Topologia Geral 21 Teorema 1. X ´ compacto e Y ´ Hausdorff. c e 2) Sejam τ e τ duas topologias sobre um conjunto X.40. ent˜o f ´ uma e e a e aplica¸˜o fechada (i. e o Exerc´ ıcios: 1) Mostre que todo espa¸o discreto (Topologia Discreta) e compacto ´ finito. se τ ⊂ τ ? ca Mostre que se X ´ compacto e Hausdorff em ambas as topologias ent˜o τ = τ ou elas e a n˜o s˜o compar´veis. Prova: Nota: O teorema acima garante que a compacidade ´ uma invariante topol´gica. A imagem de um espa¸o compacto por uma aplica¸˜o cont´ c ca ınua ´ tamb´m um e e compacto. . ca e 4) Sejam A e B subconjuntos compactos e disjuntos de um espa¸o de Hausdorff X.

22 CAP´ ITULO 1 .

1 Espa¸os m´tricos c e ´ Defini¸˜o 2. conhecida como METRICA DISCRETA. de modo que se tenha. x) (Simetria) d. z) ≤ d(x. d : X × X → IR dada por ´ ´ uma m´trica em X. x) = 0 d(x. Estudamos ent˜o no¸˜es de convergˆncia (de e a co e seq¨ˆncias). y.3) d(x. z) (Desigualdade Triangular) ´ Um conjunto X munido de uma m´trica d (fixada) ´ chamado ESPACO METRICO. continuidade (de fun¸˜es) e compacidade em espa¸os m´tricos. e 2. Uma METRICA sobre um conjunto X ´ uma fun¸˜o d : X × X → IR que ca e ca associa a cada par ordenado de elementos x.Cap´ ıtulo 2 Espa¸os m´tricos c e Neste segundo cap´ ıtulo introduzimos o conceito de espa¸o m´trico e surgir˜o naturalc e a mente as topologias induzidas por m´tricas. y) > 0 a d. para todos x. y) = d(y. x) = 0 d.1. y) + d(y.1) d(x. y) chamado a u distˆncia de x a y. y) = 1 se x = y .4) d(x.2) Se x = y ent˜o d(x. al´m de conue co c e e tinuidade uniforme e m´tricas equivalentes. z ∈ X: a d. e e 23 d(x. y ∈ X um n´mero real d(x. e e ¸ Exemplos: A) M´trica Discreta: e Seja X um conjunto qualquer.

c e como um espa¸o m´trico. b = b1 + ib2 ∈ C : de (a. y) = |x − y| ´ uma m´trica em IR. e e ds ´ conhecida como M´trica da Soma. e e CAP´ ITULO 2 C) Algumas m´tricas no Plano Complexo (ou no IR2 ): e Consideremos o conjunto C = { z = x + iy . c e e ¸ c e Assim. ds . IR) o conjunto das fun¸˜es limitadas f : X → IR. e e a D) Subespa¸o m´trico . e co a e de ´ conhecida como M´trica Euclidiana. para todos a = a1 + ia2 . a e e . u d : IR × IR → IR dada por d(x. |a2 − b2 |} Todas as trˆs fun¸˜es acima s˜o m´tricas sobre C. d). IR): e d(f. a partir da m´trica d: e e dY = d |Y ×Y : Y × Y → IR ´ uma m´trica em Y (induzida em Y por d) e e ´ O espa¸o m´trico (Y. IR) pondo. b) = |a1 − b1 | + |a2 − b2 | dm (a. g ∈ B(X. y ∈ IR} dos n´meros complexos e defiu namos de . co Definimos uma m´trica d em B(X. para todas f. e e dm ´ conhecida como M´trica do M´ximo. IR). Se Y ´ um subconjunto de X podemos induzir uma c e e m´trica natural em Y .m´trica induzida: c e e Seja (X. x. b) = |a − b| = |(a1 − b1 ) + i(a2 − b2 )| = ds (a. dY ) ´ dito SUBESPACO (METRICO) do espa¸o m´trico (X. Uma fun¸˜o real f : X → IR diz-se LIMITADA quando a ca existe uma constante k = kf > 0 tal que |f (x)| ≤ k para todo x ∈ X. todo subconjunto de um espa¸o m´trico pode ser considerado. b) = max {|a1 − b1 | . g) = sup |f (x) − g(x)| x∈X (a1 − b1 )2 + (a2 − b2 )2 Exerc´ ıcio: Verifique que d acima est´ bem definida e que ´ uma m´trica em B(X.24 B) M´trica Usual da Reta: e Consideremos o conjunto IR dos n´meros reais. c e E) M´trica do sup: e Seja X um conjunto arbitr´rio. d) um espa¸o m´trico. Seja B(X. de modo natural. dm : C × C → IR pondo.

y ∈ B} Observa¸˜o: Os conceitos acima definidos dependem da m´trica d tomada em X. d(x. y) = e β(x. ca e (Exemplos) . r) ´ a bola aberta de centro a e raio r em (X. r) = B(a. y) e γ(x. r] ∩ Y . e (Exemplos) Defini¸˜o 2. r) ∩ Y . ˆ Se B = φ e B ⊂ (X. a) = r} Observa¸˜o: Seja Y ⊂ X um subespa¸o m´trico do espa¸o m´trico (X.2 Bolas. y). r] = S[a. d(x. y ∈ B. onde B(a. x.Espa¸os m´tricos c e Exerc´ ıcios: 1) Mostre que as fun¸˜es dadas nos exemplos s˜o realmente m´tricas. co a e 2) Seja d : X × X → IR uma m´trica em X. Mostre que α(x. e a e 1 + d(x. podemos definir o DIAMETRO de B e como diam (B) = sup { d(x. a) < r} (ii) BOLA FECHADA de centro a e raio r: B [a. d) ´ um conjunto limitado. Um subconjunto B ⊂ X de um espa¸o m´trico X ´ dito LIMITADO quando ca c e e existe uma constante c > 0 tal que d(x. r] = B[a. 25 d(x. Denotando ca c e c e por BY (a. r] = { x ∈ X . y) . a) ≤ r} (iii) ESFERA de centro a e raio r: S[a. y)} tamb´m s˜o m´tricas em X.2. e temos: BY (a. esferas e conjuntos limitados Defini¸˜o 2. r] = { x ∈ X . d). r) = { x ∈ X . y) = d(x. r) a bola aberta de centro a ∈ Y e raio r na m´trica dY induzida em Y por d. y) 2. r] ∩ Y e SY [a. y) ≤ c quaisquer que sejam x. d(x. Sejam a um ponto num espa¸o m´trico X e r > 0 um n´mero real. Definimos: ca c e u (i) BOLA ABERTA de centro a e raio r: B(a. d(x. y) = min {1.3. e Tamb´m temos que BY [a. d).

e . isto ´. Seja (X. Temos: (i) Para todo a ∈ X. A topologia induzida por d sobre IR ´ exatamente a Topologia Usual da Reta. B(a.4. dita a TOPOLOGIA INDUZIDA PELA ´ METRICA d. d) pode ser considerado como um espa¸o topol´gico c e c o X = (X. > 0. τ ) . d) um espa¸o m´trico. ca c o e e somente se. da forma acima descrita. quaisquer que sejam x. B(a. Exemplos: A) M´trica e Topologia Discretas: e Seja X um conjunto munido da M´trica Discreta d : X × X → IR. r) ∈ τ. e c ∈ IR} das bolas abertas de centro (ii) Para todo a ∈ X e todo r > 0. ). Existe uma topologia natural sobre X. Sejam (X. ´ Defini¸˜o 2. e B) M´trica e Topologia Usuais da Reta: e Consideremos o conjunto IR dos n´meros reais. Assim.5. ∃ > 0 com B(a. ) ⊂ A} De fato. ca a ´ uma base de vizinhan¸as de a na topologia τ . r ∈ IR. existe uma m´trica d em X tal que τ ´ a topologia induzida pela m´trica d e e e sobre X. x) = 0 d(x. ∀ a ∈ A.3 A Topologia M´trica e Seja X = (X. r) ´ aberto.26 CAP´ ITULO 2 2. τ ) um espa¸o topol´gico. todo espa¸o m´trico X = (X. y) = 1 se x = y A topologia induzida por d sobre X ´ exatamente a Topologia Discreta τ = P(X). e c Prova: Exerc´ ıcio. A topologia τ ´ dita METRIZAVEL se. com a M´trica Usual d : IR × IR → IR u e dada por d(x. dada por e d(x. e e Proposi¸˜o 2. τ ) ´ espa¸o de Hausdorff. d) um espa¸o m´trico e τ a topologia induzida pela m´trica d ca c e e sobre X. a cole¸˜o Ba = {B(a. y ∈ IR. e e (iii) (X. τ ´ uma topologia sobre X (exerc´ e ıcio). construc e ´ a partir da m´trica d da seguinte forma: ıda e τ = { A ⊂ X . y) = |x − y| . onde a topologia τ ´ a topologia induzida pela m´trica d.

a ca e e c e qual denotaremos por dA . as topologias Fraca (w) e Fraca-Estrela (w ) estudadas na An´lise a a Funcional s˜o em geral topologias Hausdorff e n˜o-metriz´veis. ou melhor ainda. a topologia de A como subespa¸o m´trico de X ´ a mesma c e e topologia de A como subespa¸o topol´gico de X: c o 2) Um subconjunto D ⊂ X (espa¸o topol´gico) ´ dito DISCRETO quando todos os seus c o e pontos s˜o isolados. c e Sabemos que a restri¸˜o de d a A × A ´ uma m´trica em A (subespa¸o m´trico de X). que chamaremos τ e A pode ser visto como subespa¸o topol´gico de X. Assim. isto ´. com uma topologia τA dada pelas interse¸˜es de A com os c o co abertos de τ . pois ´ a topologia induzida pela e a e M´trica Euclidiana de : C × C → IR dada por de (a. d). nenhum ponto de D est´ em D . X} a Topologia Ca´tica e o sobre X. a a e a Nota: Conv´m observar que existem topologias (importantes) que s˜o Hausdorff e n˜oe a a ∗ metriz´veis. para todo a ∈ D. d} e τ = { φ . Por exemplo. A m´trica dA induz uma topologia sobre A. temos que τ n˜o ´ metriz´vel. ou seja. {a} . c e e . a a a Exerc´ ıcios: 1) Seja A um subconjunto de um espa¸o m´trico (X. a e a (ii) Se X = {a. {a.4. topologias que n˜o sejam Hausdorff constituem exemplos de topologias ca a n˜o-metriz´veis. X} ent˜o τ n˜o ´ metriz´vel. c. Mostre que τdA = τA .Espa¸os m´tricos c e 27 C) Topologia Usual do Plano Complexo: Consideremos o conjunto C dos n´meros complexos. D) Topologias n˜o-metriz´veis: a a Pela Proposi¸˜o 2. e Por “outro” lado. b. b} . temos por exemplo: a a (i) Se X ´ um conjunto com mais de um elemento e τ = { φ . a qual denotaremos por τdA . b ∈ C. u A Topologia Usual do Plano Complexo ´ metriz´vel. a e a existe uma vizinhan¸a V de a tal que V ∩ D = {a}. e Nota: Veremos mais tarde que as m´tricas ds (da Soma) e dm (do M´ximo) tamb´m e a e induzem sobre C a Topologia Usual. d induz uma topologia sobre X. b) = |a − b| ∀ a. c Mostre que todo espa¸o m´trico finito ´ discreto. {b} .

e ıvel Prova: >0 Obs.4 Seq¨ˆncias em espa¸os m´tricos ue c e Defini¸˜o 2. seja B(A. B(A. Sejam (X.6.: Note que a convergˆncia de uma seq¨ˆncia em um espa¸o m´trico depende da e ue c e topologia induzida pela m´trica. Obtenha para cada c e x ∈ D uma bola aberta Bx = B(x. para cada e dado. d) um espa¸o m´trico e A ⊂ X. Sejam (X.7. e somente se. x = y ⇒ Bx ∩ By = φ . ). 4) Sejam (X. ). d) tal que n˜o e c e a existam x0 . 7) Seja A ⊂ X (espa¸o m´trico). ´ poss´ obter n0 ∈ IN tal que n > n0 ⇒ d(xn . Para todo c e Mostre que cl A = >0 > 0. 2. d). d) um espa¸o m´trico e (xn ) ⊂ X uma seq¨ˆncia em X. c e ue Um ponto x ∈ X ´ limite de (xn ) (ou seja. e . y0 ∈ A com d(x0 . xn → x) se. Teorema 2. rx ) em X tal que x. Mostre que se A ´ limitado ent˜o seu fecho c e e a cl A tamb´m ´ limitado. Mostre que as bolas fechadas e as esferas s˜o conjuntos c e a fechados em X. ) = a∈A B(a. 6) Seja (X. xn → x na topologia e ue induzida por d sobre X. y0 ) = diam A. x) < . e e 5) Dˆ exemplo de um conjunto limitado A em um espa¸o m´trico (X. d) um espa¸o m´trico. ca c e ue Um ponto x ∈ X ´ LIMITE da seq¨ˆncia (xn ) se. e somente se. d) um espa¸o m´trico e (xn ) ⊂ X uma seq¨ˆncia em X. y ∈ D.28 CAP´ ITULO 2 3) Seja D um subconjunto discreto de um espa¸o m´trico (X.

Convergˆncias Pontual e Uniforme) ue co e Consideremos seq¨ˆncias de aplica¸˜es fn : X → M onde n ∈ IN. ue Obs. X ´ um conjunto qualquer ue co e e (M. d) um espa¸o m´trico e (xn ) ⊂ X uma seq¨ˆncia em X. g) = supx∈X dM (f (x). b) = r. em espa¸os m´tricos. a 2) Seja X um espa¸o m´trico. c e Uma fun¸˜o f : X → M ´ dita LIMITADA quando sua imagem f (X) ´ um subconjunto ca e e limitado de M . lim yk = b e d(yk . b ∈ X. e e 4) (Seq¨ˆncias de fun¸˜es . . g(x)). a) < r < d(xk .9. Temos: c e ue (a) (xn ) n˜o pode convergir para dois limites diferentes (unicidade do limite). ´ poss´ obter um ´ e ıvel ındice n0 ∈ IN (dependendo apenas de ) tal que n > n0 ⇒ dM (fn (x). dado > 0. r > 0). g ∈ B(X. fn (x) → f (x) em M . Mostre que d est´ bem definida e ´ uma m´trica em B(X. co Dadas f. r) c e e ue (a.Espa¸os m´tricos c e 29 Teorema 2. e c e somente se. Mostre que se existirem seq¨ˆncias (xk ) e (yk ) em c e ue X com lim xk = a. M ). d) um espa¸o m´trico. para todo x ∈ X.9 mostra que. Consideremos o conjunto B(X. a ue Teorema 2. a (b) Toda seq¨ˆncia convergente ´ limitada (o conjunto de seus termos ´ limitado). Sejam X um espa¸o m´trico e B ⊂ X .: O Teorema 2. dados x ∈ X e > 0.8. Temos que x ∈ cl B (x ∈ X) se. a c o Exerc´ ıcios: 1) Seja (X. b) para todo k ∈ IN ent˜o d(a. Se (xk ) ´ uma seq¨ˆncia em X tal que xk → b ∈ B(a. consideremos d(f. r). a 3) (Um espa¸o de fun¸˜es) c co Sejam X um conjunto qualquer e (M. ue e e (c) Se lim xn = a ent˜o toda subseq¨ˆncia de (xn ) converge para a. f (x)) < . ent˜o mostre que existe k0 ∈ IN tal que k > k0 ⇒ xk ∈ B(a. (ii) Diz-se que (fn ) converge UNIFORMEMENTE para uma aplica¸˜o f : X → M ca quando. Sejam (X. dM ) ´ um espa¸o m´trico. dM ) um espa¸o m´trico. M ) (chamada de M´trica do a e e e sup ou M´trica da Convergˆncia Uniforme). isto ´. as seq¨ˆncias s˜o adequadas c e ue a para caracterizar o fecho de um conjunto (o que n˜o ocorre em espa¸os topol´gicos em geral). Consideremos dois tipos de convergˆncia: e c e e (i) Diz-se que (fn ) converge PONTUALMENTE (ou simplesmente) para uma aplica¸˜o ca f : X → M quando. f (x)) < . para cada x ∈ X. existe uma seq¨ˆncia (xn ) em B (xn ∈ B ∀ n) tal que xn → x. M ) das fun¸˜es f : X → M limitadas. ´ e e poss´ obter um ´ ıvel ındice n0 ∈ IN (dependendo de x e ) tal que n > n0 ⇒ dM (fn (x).

toda seq¨ˆncia convergente ´ de Cauchy. Defini¸˜o 2. M ) com a topologia induzida pela e c e M´trica do sup (veja no exerc´ anterior) ´ uma convergˆncia uniforme. ´ poss´ obter um ´ e ıvel ındice n0 ∈ IN tal que m. d) ´ um espa¸o completo e X = a e c n=1 Fn onde cada Fn ´ e fechado ent˜o existe pelo menos um Fn0 tal que int Fn0 = φ .11. Uma seq¨ˆncia (xn ) num espa¸o m´trico (X.30 CAP´ ITULO 2 x (a) Mostre que a seq¨ˆncia de fun¸˜es fn : IR → IR dadas por fn (x) = ue co para todo n n ∈ IN converge pontualmente. a ca (b) Mostre que a convergˆncia no espa¸o m´trico B(X. Em um espa¸o m´trico. xn ) < . mas n˜o uniformemente para a fun¸˜o constante igual a zero. . de subconjuntos fechados n˜o-vazios Fn ⊂ X com a ∞ limn→∞ diam (Fn ) = 0 existe um ponto a ∈ X tal que n=1 Fn = { a}.: O Teorema de Baire d´ origem a uma s´rie de importantes resultados. e a ∞ (Corol´rio) Mostre que se (X. ue 3) Mostre que um espa¸o m´trico (X. . Diz-se que um espa¸o m´trico X ´ COMPLETO quando toda seq¨ˆncia de ca c e e ue Cauchy em X ´ convergente. . alguns dos quais a e veremos no pr´ximo cap´ o ıtulo. ∞ (Teorema de Baire) Mostre que se (X. a Obs. c e ue e 2) Mostre que uma seq¨ˆncia de Cauchy que possui uma subseq¨ˆncia convergente ´ conue ue e vergente (para o mesmo limite da subseq¨ˆncia).10. d) chama-se uma SEQUENCIA ca ue c e DE CAUCHY quando. para toda seq¨ˆncia c e e ue “decrescente” F1 ⊃ F2 ⊃ F3 ⊃ . ca c e ue e Prova: Exerc´ ıcio. n > n0 ⇒ d(xm . e ıcio e e ¨ˆ Defini¸˜o 2.12. Proposi¸˜o 2. d) ´ um espa¸o completo e F = e c n=1 Fn onde cada Fn ´ fechado e tem interior vazio ent˜o int F = φ . e somente se. para cada > 0 dado. d) ´ completo se. toda seq¨ˆncia de Cauchy ´ limitada. e Exemplos: Exerc´ ıcios: 1) Mostre que num espa¸o m´trico X.

Sejam X e Y espa¸os m´tricos (com m´tricas dX e dY respectivamente). ´ poss´vel obter um δ > 0 tal que dX (x. dY ) espa¸os m´tricos e f : X → Y . ca c e e A aplica¸˜o f : X → Y ´ cont´nua no ponto x0 ∈ X se. Uma fun¸˜o c e c o ca f : X → Y ´ cont´nua em x0 ∈ X se. ue e Temos ent˜o: a Proposi¸˜o 2. . para cada > 0 dado. y ∈ X. e ı Proposi¸˜o 2.5 Fun¸˜es cont´ co ınuas Ao analisarmos a continuidade de fun¸˜es que envolvem espa¸os m´tricos consideraremos co c e (como no caso das seq¨ˆncias) as topologias induzidas pelas m´tricas dos mesmos. Sejam X e Y espa¸os m´tricos (com m´tricas dX e dY respectivamente). Nota: Conv´m observar que a continuidade de fun¸˜es que envolvem espa¸os m´tricos e co c e depende das topologias induzidas pelas m´tricas. Prova: Defini¸˜o 2. ´ poss´ obter um δ > 0 tal que e ıvel x ∈ W. e No primeiro cap´ ıtulo vimos que. para cada > 0 ca e ı dado. ´ cont´ e c e e ınua no ponto x0 ∈ W se. ca c e e A aplica¸˜o f : W ⊂ X → Y .15. dX (x. ca c e Dizemos que f ´ uma aplica¸˜o LIPSCHITZIANA quando existe uma constante c > 0 e ca (chamada CONSTANTE DE LIPSCHITZ) tal que dY (f (x). cujo dom´ ca ınio ´ o subespa¸o m´trico W ⊂ X.Espa¸os m´tricos c e 31 2. e somente se. f (x0 )) < . em espa¸os topol´gicos em geral. e somente se. para toda seq¨ˆncia (xn ) ⊂ X e ı ue com xn → x0 temos que f (xn ) → f (x0 ) em Y . O teorema a seguir nos garante a ca possibilidade de tal caracteriza¸˜o (de continuidade via seq¨ˆncias) se o dom´ da fun¸˜o for ca ue ınio ca um espa¸o m´trico: c e Teorema 2. x0 ) < δ ⇒ dY (f (x). Sejam (X. Sejam X um espa¸o m´trico e Y um espa¸o topol´gico.14. x0 ) < δ ⇒ dY (f (x).16. f (y)) ≤ c · dX (x. y) quaisquer que sejam x.13. e somente se. f (x0 )) < . seq¨ˆncias s˜o inadec o ue a quadas para caracterizar a continuidade de uma fun¸˜o. dX ) e (Y.

c e Dado a ∈ M . N espa¸os m´tricos. Y espa¸os m´tricos. Conclua que f (a) = g(a). y ∈ X.32 CAP´ ITULO 2 Alguns casos particulares recebem denomina¸˜o pr´pria: ca o ˜ FRACA quando dY (f (x). ent˜o f = g em todo espa¸o M . f (y)) ≤ dX (x. e somente se. f (y)) ≤ c · dX (x. r] (b ∈ Y ) ent˜o ´ poss´ obter um δ > 0 tal que x ∈ W. Dizemos que b ∈ Y ´ o limite de f (x) quando x tende para a e escrevemos b = lim f (x) e x→a quando. cont´ c e ue co ınuas no ponto a ∈ X. M. suponha que toda bola de centro a contenha um ponto x tal que f (x) = g(x). y) ∀ x. f ´ uma CONTRACAO e ¸ ˜ ´ f ´ uma IMERSAO ISOMETRICA (neste caso dizemos que f preserva distˆncias) quando e a dY (f (x). ´ poss´ obter δ > 0 tal que x ∈ A\ { a} . x→a (b) Mostre que b = lim f (x) se. y) . a c 3) (Limites) Sejam X. a . mostre que f ´ cont´ e ınua no ponto a. 2) Sejam f. para toda seq¨ˆncia (xn ) em A\ {a} ue x→a com xn → a (em X) tem-se f (xn ) → b (em Y ). para cada dY (f (x). 1] → IR. tal que para todos e ¸˜ x. e somente se. converge uniformemente (ver exerc´ da se¸˜o anterior) para uma aplica¸˜o ıcio ca ca f : X → Y . f (a) = lim f (x) . y ∈ X temos dY (f (x). a) < δ ⇒ a e ıvel f (x) ∈ BY [b. r]. g : M → N cont´ ınuas. a) < δ ⇒ e ıvel (a) Mostre que se a ∈ A ∩ A ent˜o f : A → Y ´ cont´ a e ınua em a se. ca co e Exerc´ ıcios: 1) Sejam X. f (y)) = dX (x. Use este fato para mostrar que se f. Mostre que se f : W ⊂ X → Y ´ cont´ c e e ınua em a ∈ W e f (a) ∈ BY [b. Observa¸˜o: As defini¸˜es acima dependem das m´tricas consideradas. Usando a parte acima. > 0 dado. D denso em M . b) < . dX (x. y) ∀ x. 4) Sejam X e Y espa¸os m´tricos. g : M → N s˜o cont´ a ınuas e f = g em um subconjunto D ⊂ M . conclua que a seq¨ˆncia de fun¸˜es fn : [0. 1] → IR dadas por ue co n fn (x) = x n˜o converge uniformemente para nenhuma f : [0. Y espa¸os m´tricos. f ´ dita uma ISOMETRIA quando for uma imers˜o isom´trica sobrejetora. y ∈ X. A ⊂ X. dX (x. Se uma seq¨ˆncia de aplica¸˜es fn : X → Y . a ∈ A (a ´ ponto de acumula¸˜o de A) e c e e ca f :A→Y. e a e f ´ uma CONTRACAO quando existe uma constante c. com 0 ≤ c < 1.

Sejam X e Y espa¸os m´tricos. yn ) → 0 (na Topologia Usual da Reta) tem-se que dY (f (xn ). para cada > 0 dado. y ∈ X.18. e somente se. Prova: . (yn ) em X tal que ı ue dX (xn . f (yn )) → 0 (tamb´m na e Topologia Usual da Reta). e 33 Dˆ (contra-)exemplos e mostre que as defini¸˜es em 2. para todo par de seq¨ˆncias (xn ). Uma aplica¸˜o f : X → Y ´ unica c e ca e formemente cont´nua se.Espa¸os m´tricos c e 5) Dˆ exemplo de uma aplica¸˜o f : X → Y entre espa¸os m´tricos tais que: e ca c e (a) f ´ lipschitziana mas n˜o ´ uma contra¸˜o fraca. e a e ca (b) f ´ contra¸˜o fraca mas n˜o ´ imers˜o isom´trica nem contra¸˜o. Sejam X e Y espa¸os m´tricos.17. (Exemplos) Proposi¸˜o 2. y) < δ ⇒ dY (f (x).16 dependem das m´tricas consideradas. dX (x. e a e a e (d) f ´ isometria. e ca a e a e ca (c) f ´ imers˜o isom´trica mas n˜o ´ isometria. f (y)) < . Uma aplica¸˜o f : X → Y ´ dita ser ca c e ca e ´ UNIFORMEMENTE CONTINUA quando.6 Continuidade uniforme Defini¸˜o 2. existir δ > 0 tal que para todos x. e co e 2.

Mostre que se Y ´ completo e f c e e uniformemente cont´ ınua ent˜o. munido de uma m´trica d. o e a Exerc´ ıcios: 1) Mostre que toda aplica¸˜o lipschitziana f : X → Y (X. c e Mostre que se f ´ uniformemente cont´ e ınua ent˜o f transforma seq¨ˆncias de Cauchy a ue (xn ) ⊂ X em seq¨ˆncias de Cauchy (f (xn )) ⊂ Y . x) x∈B .34 Exemplo: CAP´ ITULO 2 Observa¸˜o: O exemplo acima mostra que a continuidade uniforme n˜o ´ uma no¸˜o ca a e ca topol´gica. Y espa¸os m´tricos) ´ unica c e e formemente cont´ ınua. Y espa¸os m´tricos). definimos a DISTANCIA DO PONTO a AO a CONJUNTO B como d(a. c e e ˆ Dados a ∈ X e B ⊂ X. B n˜o-vazio. 2) Sejam X e Y espa¸os m´tricos e f : X → Y . pois depende das m´tricas envolvidas. B) = inf d(a. ue 3) Seja f : A ⊂ X → Y (X. existe lim f (x). e n˜o apenas das topologias induzidas. a x→a 4) Consideremos um espa¸o m´trico X. para todo a ∈ A .

a Mostre que diam (A ∪ B) ≤ diam (A) + diam (B) + d(A. T = φ .19.20. B) = inf { d(a. b) . a ∈ A. mostre que a fun¸˜o f : X → IR dada por f (x) = d(x. d) e conjuntos n˜o-vazios A e B em X tais e c e a que A ∩ B = φ e d(A. Seja X um espa¸o m´trico. ue ue Observa¸˜o: As afirmativas acima s˜o equivalentes em K ⊂ X subconjunto (subespa¸o) ca a c de um espa¸o m´trico X. B ⊂ X. A e B limitados e n˜o-vazios. c e e a e Prova: Observa¸˜o: A rec´ ca ıproca do resultado acima n˜o ´ verdadeira em geral. (d) Sejam A. b ∈ B} (a) Mostre que d(A. B) = 0. Se K ⊂ X (espa¸o m´trico) ´ compacto.Espa¸os m´tricos c e 35 ˆ Dados A. conforme ilustra a e o contra-exemplo abaixo: Contra-exemplo: . e 2) Todo subconjunto infinito de X possui um ponto de acumula¸˜o. S˜o equivalentes: c e a 1) X ´ compacto. T ) ´ ca e uniformemente cont´ ınua. B ⊂ X. definimos a DISTANCIA ENTRE OS SUBCONJUNa TOS A E B como d(A. (b) Dado T ⊂ X.7 Compacidade em espa¸os m´tricos c e Teorema 2. ca 3) Toda seq¨ˆncia em X possui uma subseq¨ˆncia convergente (para um ponto de X). A e B n˜o-vazios. B) 2. (c) Dˆ exemplos de um espa¸o m´trico (X. B) = d( cl A. cl B). c e Teorema 2. ent˜o K ´ limitado e fechado.

Duas m´tricas d1 e d2 em um espa¸o X s˜o ditas EQUIVALENTES ca e c a quando induzem a mesma topologia sobre X. . e Prova: Exemplo: .36 CAP´ ITULO 2 Teorema 2.23. .8 M´tricas equivalentes e Defini¸˜o 2. Exerc´ ıcios: 1) Mostre que. ent˜o f ´ uniformemente cont´ c e a e ınua. 2.21. de ue ∞ compactos n˜o-vazios em um espa¸o m´trico X. e somente e c a se. sua interse¸˜o a c e ca n=1 Kn ´ compacta e n˜oe a vazia. Mostre atrav´s de um exemplo que o resultado acima n˜o ´ v´lido se tomarmos conjuntos e a e a fechados ao inv´s de compactos.21. para toda bola aberta numa m´trica (d1 ou d2 ) ´ poss´ obter uma bola aberta na outra e e ıvel m´trica. e 2) Prove o Teorema 2. de mesmo centro e contida na primeira bola. Se a aplica¸˜o f : X → Y ´ cont´ c e ca e ınua e o espa¸o X ´ compacto. .22. Teorema 2. dada uma seq¨ˆncia “decrescente” K1 ⊃ K2 ⊃ K3 ⊃ . Duas m´tricas d1 e d2 em um espa¸o X s˜o equivalentes se. . Sejam X e Y espa¸os m´tricos. ⊃ Kn ⊃ .

+ dn (xn . y1 )2 + d2 (x2 . . dn ) espa¸os m´tricos.24. yn )2 ds (x. . . y) ≤ β · d1 (x. y) ≤ d2 (x.1: Se duas m´tricas s˜o lipschitz-equivalentes ent˜o elas s˜o equivalentes. y) = max { d1 (x1 .1 acima n˜o ´ v´lida: a e a Contra-exemplo: Exerc´ ıcio: Sejam (M1 .Espa¸os m´tricos c e 37 Defini¸˜o 2. . y2 ). . xn ) . (M2 . . d2 (x2 . y ∈ X Obs. (Mn . . . y1 ) + d2 (x2 . . y2 ) + . n} . . y2 )2 + . y) = d1 (x1 . yn )} . . dn (xn . . . yn ) dm (x.2: A rec´ ıproca da Obs. . ds . . Sejam de . . i = 1. dm m´tricas em M dadas por: e de (x. × Mn = {x = (x1 . d2 ). + dn (xn . c e Consideremos o seu produto cartesiano M = M1 × M2 × . . d1 ). . . e a a a Exemplo: Obs. . y) ∀ x. y) = d1 (x1 . Diremos que duas m´tricas d1 e d2 em X s˜o LIPSCHITZ-EQUIVALENTES ca e a quando existirem constantes α > 0 e β > 0 tais que α · d1 (x. . y1 ). . xi ∈ Mi .

Mostre que f ´ cont´ e e ınua em a ∈ X se. e xik → ai ∀ i = 1. 2. e somente se. n considere a aplica¸˜o proje¸˜o πi : M → Mi ca ca πi (x) = xi . considerando ue qualquer uma das 3 m´tricas acima . . an ) ∈ M se. n. dada por (d) Seja f : X → M (X esp. . . Mostre que cada proje¸˜o ´ cont´ ca e ınua. . . e e a CAP´ ITULO 2 (b) Mostre que uma seq¨ˆncia (xk ) = (x1k . x2k . . m´trico). (c) Para cada i = 1. . . .38 (a) Mostre que estas trˆs m´tricas s˜o lipschitz-equivalentes. cada uma de suas fun¸˜es coordenadas fi = πi ◦ f : X → Mi ´ cont´ co e ınua em a. . para um ponto a = (a1 . . xnk ) converge em M . e somente se. . . . . . .

1 Espa¸os normados c Defini¸˜o 3.1.Cap´ ıtulo 3 Espa¸os normados c Iniciamos este cap´ ıtulo com o conceito de Espa¸o Normado. y ∈ X. Seja X um espa¸o vetorial sobre um corpo IK (IR ou C).x = |λ| . e ¸ x >0 Um espa¸o vetorial X munido de uma norma c Exemplos: A) Norma Usual da Reta: A fun¸˜o m´dulo | | : IR → IR dada por |x| = ca o x se x ≥ 0 ´ uma norma em IR. e c e Ao final. co c 3.2) λ. Em seguida apresentamos a c m´trica e a topologia naturais induzidas pela norma. λ ∈ IK: n. x n. Uma NORMA ca c em X ´ uma fun¸˜o e ca : X → IR que associa a cada vetor x ∈ X um n´mero real x u chamado a norma de x. de modo que sejam satisfeitas as seguintes condi¸˜es para quaisquer co x. bem como espa¸os de Banach e s´ries. apresentamos um breve estudo de transforma¸˜es lineares em espa¸os normados. e −x se x < 0 B) Algumas normas no Plano Complexo (ou no IR2 ): Consideremos o conjunto C dos n´meros complexos (ou ent˜o IR2 ) como um espa¸o u a c 39 .3) x + y ≤ x + y (Desigualdade Triangular) (fixada) ´ dito um ESPACO NORMADO.1) Se x = 0 ent˜o a n.

xi ∈ IK . para toda f ∈ B(X. e s : C → IR dada por a m = max { |a1 | . IR) pondo. . x2 . . IR) das fun¸˜es limitadas f : X → IR. a CAP´ ITULO 3 e | | : C → IR (fun¸˜o m´dulo) dada por |a| = a2 + a2 para todo a = a1 + ia2 ∈ C ´ ca o 2 1 uma norma em C. isto ´: c ue e ∞ = {(xn ) = (x1 . . Seja o espa¸o das seq¨ˆncias absolutamente som´veis em um corpo IK (IR ou C): c ue a ∞ 1 = (xn ) = (x1 . c co Definimos uma norma ∞ em B(X. x2 . x2 . Seja 2 o espa¸o das seq¨ˆncias quadrado som´veis. IR). . i=1 ∞ |xi | < +∞ 1 : 1 → IR dada por (xn ) 1 = i=1 |xi | ´ uma norma em e 1 . e m C) Norma do sup: Consideremos o espa¸o (sobre IR) B(X. e : C → IR dada por a s = |a1 | + |a2 | para todo a = a1 + ia2 ∈ C ´ uma norma e em C. .) . IR): f Exerc´ ıcio: Mostre que ∞ = sup |f (x)| x∈X ∞ acima est´ bem definida e que ´ uma norma em B(X.40 vetorial de dimens˜o 2 sobre o corpo dos reais. . . a e D) Alguns espa¸os de seq¨ˆncias: c ue Seja ∞ o espa¸o das seq¨ˆncias limitadas em um corpo IK (IR ou C). xi ∈ IK . conhecida tamb´m como NORMA EUCLIDIANA. i=1 ∞ 1/2 |xi |2 < +∞ 2 : 2 → IR dada por (xn ) 2 = i=1 |xi | 2 ´ uma norma em e 2 . conhecida tamb´m como NORMA DO MAXIMO.) . xi ∈ IK .) . (xn ) limitada } (xn ) ∞ ∞ : 1 ∞ → IR dada por = sup |xi | ´ uma norma em e i∈IN ∞ . em um corpo IK (IR ou C): c ue a ∞ 2 = (xn ) = (x1 . . |a2 | } para todo a = a1 + ia2 ∈ C ´ uma e ´ norma em C. conhecida tamb´m como NORMA DA SOMA. .

d) um espa¸o m´trico. a partir da norma c construir uma m´trica d : X × X → IR pondo. munido da Norma Usual | | : IR → IR u dada por x se x ≥ 0 |x| = −x se x < 0 A m´trica induzida por | | ´ exatamente a M´trica Usual da Reta. e e e B) No Plano Complexo C (ou no IR2 ): Consideremos o espa¸o C dos n´meros complexos (ou ent˜o IR2 ). ) um espa¸o vetorial normado. Podemos. y ∈ X . b) = |a − b| ∀ a. d) onde a m´trica d ´ a m´trica induzida pela norma c e e e e . da forma acima descrita. s . que ´ um espa¸o vetorial c u a e c de dimens˜o 2 sobre o corpo dos reais. b ∈ C) prov´m da Norma Euclidiana | | e e (fun¸˜o m´dulo). de modo natural: e d(x. Quando existir uma norma ca c e em X tal ´ ´ que d ´ a m´trica induzida pela norma e e . ca o A M´trica da Soma (ds (a. m . ) pode ser considerado naturalmente como c um espa¸o m´trico (X. b ∈ C) prov´m da Norma da e e Soma a s = |a1 | + |a2 | para todo a = a1 + ia2 ∈ C .Espa¸os normados c 41 3. todo espa¸o normado X = (X. Seja (X. dada por A M´trica do M´ximo (dm (a. b) = max { |a1 − b1 | . . ´ d ´ uma m´trica em X (mostre). b) = |a1 − b1 | + |a2 − b2 | ∀a. |a2 − b2 | } ∀a.2. dizemos ent˜o que A METRICA d PROVEM DA a NORMA .2 A topologia da norma Construindo m´tricas a partir de normas: e Seja X = (X. Defini¸˜o 3. Exemplos: A) M´trica e Norma Usuais da Reta: e Consideremos o conjunto IR dos n´meros reais. |a2 | } para todo a = a1 + ia2 ∈ C . dada por . a A M´trica Euclidiana (de (a. y) = x − y ∀ x. dita a METRICA INDUZIDA PELA NORMA e e Portanto. b ∈ C) prov´m da e a e Norma do M´ximo a a m = max { |a1 | .

42 CAP´ ITULO 3 C) M´trica e Norma do sup: e Consideremos o espa¸o (sobre IR) B(X. IR) das fun¸˜es limitadas f : X → IR. dada por f ∞ = sup |f (x)| para toda f ∈ B(X. definimos B(a. de um modo mais breve. existe k > 0 tal que y ≤ k para todo y ∈ Y . c A M´trica Discreta d : X × X → IR. g ∈ B(X. contra¸˜o. ou que ´ a e TOPOLOGIA DA NORMA . y) = 1 se x = y n˜o ´ proveniente de nenhuma norma em X (Exerc´ a e ıcio). ) um espa¸o vetorial normado. IR). B[a. aplica¸˜o lipschitziana. s˜o e co ca ca a verificadas considerando-se a m´trica induzida pela norma. Tamb´m as no¸˜es de continuidade uniforme. IR) ) prov´m da Norma e e x∈X do sup ∞ . A topologia da norma: Todo espa¸o vetorial normado X = (X. u e Dizemos. etc. g) = sup |f (x) − g(x)| ∀ f. e somente c e se. sobre IR ou C. e e Exerc´ ıcio: Mostre que um subconjunto Y ⊂ X (espa¸o normado) ´ limitado se. x) = 0 d(x. r) (bola aberta de centro a e raio r). e . que essa topologia ´ induzida pela norma e . r ∈ IR. dada por e d(x. esferas e conjuntos limitados: Seja X = (X. Tamb´m usamos a m´trica d para caracterizar os conjuntos limitados em X. c co A M´trica do sup ( d(f. Bolas. r] (esfera de centro a e raio r) atrav´s da e m´trica d induzida pela norma e . considerando-se a topologia e a m´trica induzidas pela a c e norma. c Dados a ∈ X e r > 0. r] (bola fechada de centro a e raio r) e S[a. ) pode ser munido naturalmente da m´trica c e d induzida pela norma e conseq¨entemente da topologia induzida por esta m´trica d. A partir da´ todos os conceitos topol´gicos estudados em espa¸os topol´gicos e m´tricos ı o c o e s˜o verificados nos espa¸os normados. x∈X D) Uma m´trica que n˜o prov´m de norma alguma: e a e Seja X um espa¸o vetorial com mais de um elemento.

a 2) Seja X = (X. . αn ≥ 0 (α1 . o qual veremos mais ` frente) a c a Exerc´ ıcios: 1) Seja X um espa¸o normado.9. y ∈ X.xn tais que e co x1 . xn ∈ B. . . ca a e (iii) Mostre que o fecho de um conjunto convexo ´ convexo. o segmento [x. ´ 6) Seja B ⊂ X (espa¸o normado). + αn = 1. . e ´ 5) Seja B ⊂ X (espa¸o normado). c (i) Mostre que as transla¸˜es Ta : X → X. . x 1 ≤ x 2 ≤ β. . mostre que se (xn ) ´ uma seq¨ˆncia em X tal que lim xn = a ∈ X e ue ent˜o lim xn = a . . a 3) Seja X um espa¸o vetorial normado sobre um corpo IK (IR ou C). A ENVOLTORIA CONVEXA FECHADA de B ´ a c e interse¸˜o co (B) de todos os subconjuntos convexos fechados de X que contˆm B. . ou seja.y ∈ C ∀ t ∈ [0.3. (ii) Usando o item anterior. Duas normas ca c a 1 e 2 em um espa¸o vetorial X s˜o equivalentes se. 1]. ) um espa¸o normado. dadas por Hλ (x) = λ. . Duas normas ca c a 1 e 2 em X s˜o ditas EQUIVALENTES se.Espa¸os normados c 43 Defini¸˜o 3. t ∈ [0. α1 ≥ 0. . Proposi¸˜o 3. e somente se. αn ∈ IR) e α1 + . . A ENVOLTORIA CONVEXA de B ´ a interse¸˜o c e ca co (B) de todos os subconjuntos convexos de X que contˆm B.x + (1 − t). . Seja X um espa¸o vetorial. y] = { t. (iii) Mostre que duas bolas abertas quaisquer em X s˜o homeomorfas. . . dadas por Ta (x) = x + a (onde a ∈ X) s˜o co a homeomorfismos. existem constantes α > 0 e β > 0 tais que α. 1] } est´ contido em C.x1 + . . Mostre que se E ⊂ X ´ um subespa¸o vetorial de X e c e c E = X ent˜o int E = φ . c e e somente se. ca e Mostre que co (B) = cl ( co (B)). e Prove que co (B) ´ o conjunto de todas as combina¸˜es lineares α1 . + αn . a (i) Mostre que toda bola em X ´ convexa. e (ii) Mostre que a interse¸˜o arbitr´ria de conjuntos convexos ´ convexa. . a 4) Seja X um espa¸o vetorial normado.x + (1 − t). para todo par x. Um subconjunto C ⊂ X ´ dito CONVEXO se.x (com 0 = λ ∈ IK) s˜o a homeomorfismos. c (i) Mostre que x − y ≥ | x − y | para todos x. e somente se. elas induzem a mesma topologia sobre X.4.y . (ii) Mostre que as homotetias Hλ : X → X. . y ∈ C tem-se t. x 1 ∀x∈X Prova: Exerc´ ıcio (Sugest˜o: fa¸a uso do Teorema 3.

a c E) Um espa¸o vetorial normado que n˜o ´ Banach: c a e Exerc´ ıcio: Mostre que os espa¸os dos exemplos de A) a D) s˜o espa¸os de Banach. .3 Espa¸os de Banach c Defini¸˜o 3. e i=1 xi < +∞ .4 S´ries e ∞ Defini¸˜o 3. C) O espa¸o B(X. e somente se. ue e e Exemplos: A) O espa¸o (IR. Uma s´rie ca e i=1 xi em um espa¸o normado X = (X.44 CAP´ ITULO 3 3. Um ESPACO DE BANACH ´ um espa¸o vetorial normado completo (toda ca ¸ e c seq¨ˆncia de Cauchy ´ convergente) quando tomamos a m´trica induzida pela norma. ∞ Defini¸˜o 3. ( 1. c a c 3. IR) das fun¸˜es limitadas f : X → IR. ∞ ). munido da norma do sup. c x ∈ X ) ´ dita CONe VERGENTE para um ponto n se. a seq¨ˆncia de suas reduzidas ue (sn ) = i=1 xi convergir para x. c D) Os espa¸os ( c ∞ . 2) s˜o todos espa¸os de Banach.6. munido de qualquer uma das normas | | (Euclic u diana). a e c s (da Soma) ou m (do M´ximo) ´ um espa¸o de Banach. ´ um c co e espa¸o de Banach. 1) e ( 2.7. Uma s´rie ca e i=1 xi em um espa¸o normado X = (X. | |) ´ um espa¸o de Banach. isto ´. c ) ´ dita NORe ∞ MALMENTE CONVERGENTE se.5. a s´rie de n´meros reais e u ∞ i=1 xi for convergente. c e c B) O espa¸o dos n´meros complexos C. e somente se.

toda s´rie c e c e normalmente convergente for convergente.5 Transforma¸˜es lineares em espa¸os normados co c Alguns exemplos interessantes: A) Um operador linear que ´ injetivo mas n˜o ´ sobrejetivo: e a e B) Um operador linear que ´ sobrejetivo mas n˜o ´ injetivo: e a e C) Um funcional linear descont´ ınuo: . IR) das e co c fun¸˜es limitadas f : X → IR.cn para todos n ∈ IN e x ∈ X ent˜o a s´rie a e fn ´ uniformemente convergente. e (Sugest˜o: use o exerc´ anterior e a norma do sup em B(X. 2) (Teste M de Weierstrass) Seja fn uma s´rie de fun¸˜es no espa¸o B(X. Mostre que se existir uma s´rie convergente co e cn de n´meros u reais cn ≥ 0 e uma constante M tal que |fn (x)| ≤ M. IR)) a ıcio 3.Espa¸os normados c Exerc´ ıcios: 45 1) Mostre que um espa¸o normado X ´ um espa¸o de Banach se. e somente se.

para todo x ∈ B[0. e somente se.bola e fechada unit´ria de X). Ent˜o as seguintes afirma¸˜es s˜o equivalentes: a co a 1) T ´ cont´ e ınua.8. 2) T ´ cont´ e ınua em um ponto x0 ∈ X. 3) T ´ cont´ e ınua no ponto 0 (vetor nulo). Equivalentemente T : X → Y ´ limitada se. Uma ca co c transforma¸˜o linear T : X → Y ´ dita LIMITADA se. existir uma constante ca e c > 0 tal que T (x) Y ≤ c. e Prova: . x X para todo x ∈ X. ou seja. ca ca Teorema 3. Denotaremos por L(X.de centro 0 . 4) Existe c > 0 tal que Tx Y ≤ c. existir uma constante c > 0 e tal que T (x) Y ≤ c para todo x ∈ X com x X ≤ 1 (isto ´. Y ) ´ um subespa¸o vetorial em Y e sempre consideraremos X = {0} . Y ) o conjunto de todas as transforma¸˜es lineares limitadas de X co ´ imediato que L(X. com as opera¸˜es usuais de c co co adi¸˜o e multiplica¸˜o escalar (mostre). e somente se. 1] . (Transforma¸˜es lineares “limitadas”) Sejam X e Y espa¸os normados.46 CAP´ ITULO 3 Defini¸˜o 3.de X a e a (Exerc´ ıcio).9. E e c do espa¸o vetorial de todas as transforma¸˜es lineares de X em Y . T ´ limitada na bola unit´ria fechada . x X para todo x ∈ X (T ´ limitada). Sejam X e Y espa¸os vetoriais normados e T : X → Y uma transforma¸˜o c ca linear de X em Y .

ou seja. Observe que esta norma em L(X. Y ) (Exerc´ e ıcio). Y ) (T ´ limitada. Proposi¸˜o 3. U ∀x∈X ( T ∈ L(X.10. defina T = sup { T x A fun¸˜o ca Y . x ∀x ∈ X } Proposi¸˜o 3. Y ). T ´ cont´ e e ınua). U ∈ L(W . com W . Y ) depende das normas tomadas em X e Y . x=0 x = sup Prova: Exerc´ ıcio = inf { c > 0 . Y ) ´ um espa¸o vetorial (subespa¸o do espa¸o de todas as transa e c c c forma¸˜es lineares de X em Y ). x X ≤ 1} : L(X. (Propriedades Imediatas) ca (i) (ii) Tx ≤ T .Espa¸os normados c 47 A norma de uma transforma¸˜o linear: ca J´ temos que L(X. Ent˜o: ca c a T = sup { T x . T x ≤ c. x TU ≤ T . Y ) . x = 1} = Tx .11. com X e Y normados) ( T ∈ L(X. Y ) . dada T ∈ L(X. X). co Agora. X e Y normados) Prova: Exerc´ ıcio . Y ) → IR acima definida ´ uma norma em L(X. x ≤ 1} = sup { T x . Sejam X e Y espa¸os normados e T ∈ L(X.

e c Prova: Exerc´ ıcio Exerc´ ıcio: Mostre que se X ´ um espa¸o de Banach e A ∈ L(X) (isto ´.14. T x ≤ n ∀ T ∈ A } e utilizando o Corol´rio do Teorema de Baire (veja nos a exerc´ ıcios do cap´ ıtulo sobre espa¸os m´tricos) . ent˜o T ´ aberta. T ∈ L(Y .12. Y ) ´ sobrejetiva. A : X → X ´ e c e e linear e cont´ ınua) ent˜o a s´rie a e ∞ e = n=0 A An A 2 A3 =I +A+ + + .13. e Observa¸˜o: No caso particular X = IRn . isto ´. Se A ´ pontualmente limitada (para cada x ∈ X temos sup { T x . Y ) . Podemos demonstrar o Teorema da Aplica¸˜o Aberta utilizando o Teorema de Baire (veja ca nos exerc´ ıcios do cap´ ıtulo sobre espa¸os m´tricos). Ent˜o L(X. Se ca c T ∈ L(X. T (A) ´ aberto em Y para todo A e a e e aberto em X.Tente! c e Teorema 3.48 CAP´ ITULO 3 Teorema 3. Se X e Y s˜o espa¸os de Banach e T ∈ L(X. Seja A uma fam´lia de transforma¸˜es lineares cont´ c ı co ınuas de X em Y . n! 2! 3! converge para um operador linear cont´ ınuo eA : X → X (Sugest˜o: Mostre que a s´rie acima a e ´ normalmente convergente). ou seja. T ∈ A} < +∞) e ent˜o A ´ uniformemente limitada (existe M > 0 tal que T ≤ M para toda T ∈ A). X). Sejam X e Y espa¸os normados. Y ) ´ espa¸o de Banach se (e c a e c somente se) Y ´ um espa¸o de Banach. Y ) ´ bijetiva. este exerc´ diz que podemos definir (e bem) ca ıcio a exponencial de uma n × n matriz real atrav´s da s´rie acima (e o resultado ´ ainda uma e e e n × n matriz real) !!! Alguns resultados importantes (a t´ ıtulo de informa¸˜o): ca Teorema 3. a e Podemos demonstrar o Princ´ ıpio da Limita¸˜o Uniforme “olhando” para os conjuntos ca Bn = { x ∈ X . e Prova: Exerc´ ıcio . A ⊂ L(X. ou seja. (Princ´pio da Limita¸˜o Uniforme) Sejam X um espa¸o de Banach e Y um ı ca c espa¸o normado. (Teorema da Aplica¸˜o Aberta) Sejam X e Y espa¸os de Banach.. ent˜o T −1 ´ a a c e a e −1 cont´ ınua.. c e Corol´rio 1.

Espa¸os normados c Exemplo (um pouco sobre funcionais lineares): 49 .

50 CAP´ ITULO 3 .

x > Obs. x > = 0 ⇒ x = 0 p. z > + < y. a Apresentamos os espa¸os de Hilbert e finalizamos citando o Teorema de Representa¸˜o de c ca Riesz. z > p. Um PRODUTO ca c INTERNO sobre X ´ uma fun¸˜o < .4) < x. Seja X um espa¸o vetorial sobre um corpo IK (IR ou C). x > ≥ 0 p. y ∈ X um escalar < x. y > chamado o produto interno de x por y. como a norma proveniente de um produto interno e ortogonalidade. z ∈ X. >: X × X → IK que associa a cada par ordenado de e ca vetores x.i. y. z > 51 .i.i.1.2) < x. z > = λ · < x.Cap´ ıtulo 4 Espa¸os com produto interno c Neste cap´ ıtulo introduzimos o conceito de Produto Interno.i. λy + z > = λ · < x.3) < x.1) < λ · x + y. alguns exemplos e t´picos o b´sicos relacionados. y > + < x. de modo que sejam satisfeitas as seguintes condi¸˜es para quaisquer x. λ ∈ IK: co p. y > = < y. 4.: < x.1 Produto interno Defini¸˜o 4.

. π] ´ um produto interno em C per [−π. g > = 0 f (x). xi ∈ IK . cont´ c co ınuas e peri´dicas de o per´ ıodo 2π.52 Exemplos: CAP´ ITULO 4 A) Consideremos o conjunto C dos n´meros complexos (ou ent˜o IR2 ) como um espa¸o u a c vetorial de dimens˜o 2 sobre o corpo dos reais. >: C × C → IR dada por < a1 + ia2 . f ´ cont´ e ınua} < . 1] → C . e . e C) Seja 2 o espa¸o das seq¨ˆncias quadrado som´veis. i=1 |xi |2 < +∞ < . b1 + ib2 > = a1 . g > = −π f (x). π] × C per [−π.g(x) dx ∀ f. g ∈ C per [−π.b2 ∀ a = a1 + ia2 . >: 2 × 2 → IK dada por ∞ < (xn ). (yn ) > = i=1 xi .g(x) dx ∀ f. >: C per [−π. x2 . 1] e tomando valores complexos: V = { f : [0. .b1 + a2 . b = b1 + ib2 ∈ C ´ um produto interno em C (equivale ao Produto Escalar no IR2 ). e B) Seja V o espa¸o das fun¸˜es cont´ c co ınuas definidas no intervalo [0. em um corpo IK (IR ou C): c ue a ∞ 2 = (xn ) = (x1 . π]. a < . π] → IR dada por π < f. (yn ) ∈ 2 ´ um produto interno em e 2 D) Seja C per [−π.) . < . .yi ∀ (xn ). π] o espa¸o vetorial das fun¸˜es de IR em IR. >: V × V → C dada por 1 < f. g ∈ V ´ um produto interno em V .

um importante resultado referente ` fun¸˜o constru´ acima: a ca ıda Teorema 4. y >| ≤ x . >. > dado por e < a1 + ia2 . b1 + ib2 > = a1 . >. > c construiremos uma fun¸˜o ca : X → IR. Desigualdade de Cauchy-Bunyakowsky-Schwarz (CBS) |< x. > ´ uma norma ıda e ´ em X (mostre). > dado por e ∞ < (xn ).b1 + a2 . Exemplos: A) A Norma Euclidiana | | : C → IR (fun¸˜o m´dulo) dada por ca o |a| = a2 + a2 1 2 ∀ a = a1 + ia2 ∈ C prov´m do produto interno < .b2 B) A norma 2 ∀ a = a1 + ia2 . x >)1/2 ∀x∈X A seguir. (yn ) ∈ 2 . b = b1 + ib2 ∈ C : 2 → IR dada por ∞ 1/2 (xn ) 2 = i=1 |xi | 2 ∀ (xn ) ∈ 2 prov´m do produto interno < .2. y ∈ X Prova: Exerc´ ıcio A fun¸˜o ca : X → IR acima constru´ a partir do produto interno < . (yn ) > = i=1 xi . y ∀ x. pondo x = (< x.Espa¸os com produto interno c 53 4. Neste caso.yi ∀ (xn ). A partir de < . dizemos que a A NORMA PROVEM DO PRODUTO INTERNO < .2 Norma a partir de um produto interno Constru¸˜o: ca Seja X um espa¸o vetorial munido de um produto interno < .

3. y ∈ X Prova: Exerc´ ıcio As normas do M´ximo a interno algum em C. >.yi . c ∞ B) O espa¸o c Hilbert. > em X.54 C) Uma condi¸˜o necess´ria (e suficiente): ca a CAP´ ITULO 4 Proposi¸˜o 4. > tal que X ´ completo quando munido com a m´trica d(x. A norma A norma ∞ 1 m : C → IR e da Soma s : C → IR n˜o provˆm de produto a e ∞ 1 : 1 ∞ → IR n˜o prov´m de produto interno algum em a e . onde e e ´a e norma que prov´m do produto interno < .3 Espa¸os de Hilbert c Defini¸˜o 4. e Exemplos: A) O espa¸o C. ´ um c e espa¸o de Hilbert. mostrando que nenhuma dessas normas satisfaz co a ` Identidade do Paralelogramo. munido do produto interno < (xn ). Um ESPACO DE HILBERT X ´ um espa¸o vetorial com um produto interno ca ¸ e c < . Se uma norma ca c : X → IR prov´m e de um produto interno < . ent˜o vale a IDENTIDADE DO PARALELOa GRAMO: x+y 2 + x−y 2 = 2. munido do produto interno < a1 + ia2 . ´ um espa¸o de e c .4. x 2 + y 2 ∀ x. b1 + ib2 > = a1 . . : → IR n˜o prov´m de produto interno algum em a e Exerc´ ıcio: Prove as afirma¸˜es acima.b1 + a2 . Seja X um espa¸o vetorial. 2 . 4.b2 . (yn ) > = i=1 xi . y) = x − y .

4 Ortogonalidade Defini¸˜o 4. . Se L : X → IK ´ um funcional linear cont´ e ınuo (limitado) ent˜o existe a um unico vetor x0 ∈ X tal que L(x) = < x.5. y ∈ X s˜o ca c a ditos ORTOGONAIS quando < x. xn dois a dois distintos em S.7. . temos ´ L = x0 .5 O Teorema de Representa¸˜o de Riesz ca Teorema 4. . >. Se X ´ um espa¸o vetorial com produto interno. . Prova: Exerc´ ıcio . Seja X um espa¸o com produto interno < . (Teorema de Representa¸˜o de Riesz) Seja X um espa¸o de Hilbert sobre um ca c corpo IK (IR ou C).8. (“Teorema de Pit´goras”) Sejam X um espa¸o com produto interno < . Mais ainda. x0 > para todo x ∈ X. + xn 2 = x1 2 + x2 2 + . Dois vetores x. a Teorema 4.Espa¸os com produto interno c 55 4. . y > = 0 e escrevemos x ⊥ y. ent˜o todo conjunto ortoca e c a gonal de vetores n˜o nulos em X ´ linearmente independente (LI) a e Prova: Exerc´ ıcio 4. Dizemos que um subconjunto S ⊂ X ´ um CONJUNTO ORTOGONAL quando os vetores e de S s˜o dois a dois ortogonais. e a temos: x1 + x2 + . + xn 2 Prova: Exerc´ ıcio Proposi¸˜o 4. dados x1 . . . Se S ⊂ X ´ um conjunto ortogonal ent˜o. > e a c seja a norma proveniente do produto interno < . >.6. .

56 CAP´ ITULO .

e a Consideremos agora uma fam´ ılia {τλ }λ∈L de topologias sobre um conjunto X. Surge ent˜o uma interessante quest˜o: a a Qual a menor topologia sobre X para a qual a fun¸˜o f ´ cont´ ca e ınua ? Tentando responder ` quest˜o acima.Apˆndice A e Introdu¸˜o ` Topologia Produto ca a Este apˆndice tem por objetivo introduzir. ´ claro que quanto maior (ou mais forte) for esta e topologia. menores ser˜o as chances da fun¸˜o f ser a ca cont´ ınua. quanto menor (ou mais fraca) for uma topologia sobre X. Uma quest˜o interessante associada a esta situa¸˜o ´ a seguinte: a ca e Qual a menor (mais fraca) topologia sobre o conjunto X que cont´m cada uma e das topologias τλ . uma topologia sobre o produto e cartesiano de espa¸os topol´gicos. conhecida como a Topologia Produto. A aberto em Y Exerc´ ıcio: Mostre que a cole¸˜o τ acima ´ uma topologia sobre X tal que a fun¸˜o f ´ ca e ca e cont´ ınua e τ ´ menor (mais fraca) que qualquer topologia para a qual f seja cont´ e ınua (τ ´ portanto a topologia procurada na quest˜o acima). c o Considera¸˜es iniciais: co Sejam X um conjunto. de modo natural. chegamos naturalmente ` cole¸˜o a a a ca τ= f −1 (A) . λ ∈ L ? 57 . c o ca Se considerarmos uma topologia sobre X. Equivalentemente. “maiores ser˜o as chances” da fun¸˜o f ser cont´ a ca ınua. Y um espa¸o topol´gico e f : X → Y uma fun¸˜o de X em Y .

Aλi ∈ τλi . a Encerrando esta etapa de considera¸˜es iniciais. . . ∩ Aλn . O Produto Cartesiano (o qual definireılia Xλ e identificado (informos mais tarde) desta fam´ de conjuntos ser´ denotado por ılia a λ∈L malmente. . denotaremos o produto simplesmente por Xλ e seu elemento geral por (xλ ). gerada por B . Chegamos ent˜o ` co c o a a generaliza¸˜o da primeira quest˜o: ca a Qual a menor (mais fraca) topologia sobre o conjunto X para a qual todas as fun¸˜es fλ . λi ∈ L } ˆ APENDICE A das interse¸˜es finitas de abertos das topologias dadas ´ base para a topologia procurada na co e quest˜o acima! a Exerc´ ıcio: Mostre que a cole¸˜o B dada acima ´ base para uma topologia (τB ) sobre X ca e e que a topologia τB . . n} ent˜o esa creveremos X1 × X2 × . Se. tivermos um conjunto finito de ´ ındices L = {1. podemos concluir (mostre) que a cole¸˜o co ca B= −1 −1 −1 A = fλ1 (Aλ1 ) ∩ fλ2 (Aλ2 ) ∩ . . . λ ∈ L.58 Uma an´lise mais detalhada da situa¸˜o nos indica que a cole¸˜o a ca ca B = { A = Aλ1 ∩ Aλ2 ∩ . 2. × Xn para denotar o produto cartesiano e um elemento arbitr´rio a do produto ser´ dado por (x1 . a . . a princ´ ıpio) com o conjunto de todas as L-uplas (xλ )λ∈L de elementos da uni˜o a Xλ tais que xλ ∈ Xλ para cada λ ∈ L. λi ∈ L das interse¸˜es finitas das imagens inversas pelas fλ de abertos dos espa¸os correspondentes co c Yλ ´ base para a topologia procurada na quest˜o acima. x2 . e a Produtos cartesianos em geral: Seja {Xλ }λ∈L uma fam´ qualquer de conjuntos. . λ ∈ L. . ou seja. . em particular. xn ) onde cada xi ∈ Xi . consideremos um conjunto X e uma fam´ co ılia de fun¸˜es fλ : X → Yλ de X em espa¸os topol´gicos Yλ . ∩ fλn (Aλn ) . . . τλ ⊂ τB ∀λ ∈ L e se τ ´ uma topologia sobre e X com τλ ⊂ τ ∀λ ∈ L ent˜o τB ⊂ τ . Aλi aberto em Yλi . λ ∈ L. ´ a menor (mais fraca) topologia sobre X que cont´m e e cada uma das topologias τλ . s˜o cont´ co a ınuas ? Utilizando as considera¸˜es anteriores. . . λ∈L Quando o conjunto L de ´ ındices for claro (pelo contexto).

O ca ılia PRODUTO CARTESIANO desta fam´ de conjuntos.×IR (n vezes). π2 . 2. n} .×IR (n vezes) de todas as n-uplas (x1 . . .1. . . x2 . todas as co seq¨ˆncias (x1 . . . n. = Xn = IR e o produto cartesiano IRn = IR×IR×. . . . . . . Xλ = X para cada λ ∈ L ent˜o o produto cartesiano a Xλ ´ e L simplesmente o conjunto X de todas as L-uplas de elementos de X ou. u Defini¸˜o A. e Exemplo: Se L = {1. . . (Proje¸˜es) Consideremos uma fam´ ca co ılia {Xλ }λ∈L de conjuntos e seu produto Xλ . = Xn = IR ent˜o o produto a n cartesiano ´ o conjunto IR = IR×IR×. (Produto Cartesiano) Seja {Xλ }λ∈L uma fam´ qualquer de conjuntos. e ca Exemplo: Considerando L = {1. . em particular. .Introdu¸˜o ` Topologia Produto ca a 59 Exemplo: Dados dois conjuntos X e Y . . n} e ainda X1 = X2 = . .2. ´ o conjunto e λ∈L de todas as fun¸˜es x : L → co λ∈L Xλ tais que x(λ) = xλ ∈ Xλ para cada λ ∈ L. temos ent˜o n proje¸˜es π1 . 2. xn ) e de n´meros reais. xn . uma vez que e co Xλ = X. X1 = X . . . . denotado por ılia Xλ . 2. ue u Exemplo: Considerando L = IR e Xλ = IR para cada λ ∈ IR temos que o produto cartesiano IRIR corresponde ao conjunto de todas as fun¸˜es f : IR → IR. . . λ∈L Exemplo: Considerando L = IN e Xn = IR para cada n ∈ IN temos que o produto cartesiano IRIN corresponde ao conjunto de todas as fun¸˜es f : IN → IR . . X1 = X2 = . . equivalentemente. . . co Defini¸˜o A. . x2 . Se. . πn : IRn → IR a co com πi (x1 . . . X2 = Y ) ´ o conjunto dos pares (x. Para cada λ0 ∈ L existe uma fun¸˜o ca cartesiano λ∈L πλ0 : λ∈L Xλ → Xλ0 que associa a cada (xλ )λ∈L do produto a sua λ0 -´sima coordenada xλ0 . . . . ou seja. . seu produto cartesiano X × Y (neste caso L = {1. ´ o conjunto de todas as fun¸˜es f : L → X . xn ) = xi para cada i = 1. Esta fun¸˜o ´ e ca e chamada a APLICACAO PROJECAO do produto cartesiano ¸˜ ¸˜ Xλ sobre Xλ0 ou simplesλ∈L mente λ0 -´sima proje¸˜o. . . . . y) tais que x ∈ X e y ∈ Y . 2} . x2 . .) de n´meros reais.

. se cada Xλ for um espa¸o topol´gico. existir´ a λ∈L alguma topologia que seja natural sobre o produto cartesiano ? Vimos que surgem naturalmente as chamadas proje¸˜es: πλ : co λ∈L Xλ → Xλ e tamb´m e ´ natural pedirmos que. Ora. j´ temos (nas considera¸˜es iniciais deste apˆndice) pronto um estudo mostrando que a co e a cole¸˜o ca B= −1 −1 −1 A = πλ1 (Aλ1 ) ∩ πλ2 (Aλ2 ) ∩ . ´ co co c e base para a topologia produto. ∩ πλn (Aλn ) . λi ∈ L das interse¸˜es finitas das imagens inversas pelas proje¸˜es de abertos dos espa¸os Xλ . Aλi aberto em Xλi . dado um conjunto C ∈ Xλ0 . cada proje¸˜o πλ seja e c o ca cont´ ınua! Defini¸˜o A.60 A Topologia Produto: Dados uma fam´ de conjuntos {Xλ }λ∈L e o seu produto cartesiano ılia ˆ APENDICE A Xλ . . temos −1 πλ0 (C) = λ∈L Dλ . . Consideremos uma fam´ ca ılia {Xλ }λ∈L de espa¸os topol´gicos e seu produto c o cartesiano Xλ . com Dλ = Xλ ∀λ = λ0 e Dλ0 = C Com o resultado acima. podemos finalmente concluir (mostre) que os abertos b´sicos da a topologia produto sobre Xλ s˜o da forma a λ∈L A= λ∈L Aλ com Aλ aberto em Xλ e Aλ = Xλ para cada λ fora de um conjunto finito de ´ ındices. λ∈L A TOPOLOGIA PRODUTO ´ a menor (mais fraca) topologia sobre e λ∈L Xλ tal que cada uma das proje¸˜es πλ : co λ∈L Xλ → Xλ ´ cont´ e ınua.3. O que faremos agora ´ simplesmente tentar enxergar melhor o “jeit˜o” destes abertos e a b´sicos da topologia produto: a ´ a E f´cil ver que.

. ). Se tomarmos. Sob quais condi¸˜es podemos dizer que essas duas topologias coincidem ? co . ´ um aberto b´sico da topologia produto em e a IN IR . com Aλ aberto em Xλ formam uma base para uma topologia sobre o produto cartesiano acima. tais que x2 ∈ (−3. todas as seq¨ˆncias (x1 . . Mostre que os conjuntos dados por λ∈L A= λ∈L Aλ . . J´ sabemos que o produto cartesiano a n∈IN 61 Xn = IRIN corresponde ao conjunto de todas as fun¸˜es f : IN → IR . . 5). . ) ´ um aberto b´sico da topologia produto em IRIR . temos que. . ou seja. 5) × IR × IR × IR × . os conjuntos abertos A2 = (−3. . 1) × (0. ´ E imediato que o aberto b´sico A exibido acima ´ o conjunto de todas as seq¨ˆncias a e ue (x1 . A = λ∈IR √ e a todo λ = 7 e A√7 = (− . pois Aλ com Aλ aberto em IR e Aλ = IR para cada λ ∈ IR fora do conjunto finito de A= λ∈IR √ ´ ındices 7 . Compare a Topologia de Caixa com a Topologia Produto. . por exemplo. xn . . Aλ com Aλ = IR para Se tomarmos um > 0 . u Exemplo: Sejam L = IR e Xλ = IR (com a Topologia Usual) para cada λ ∈ IR . . . xn .Introdu¸˜o ` Topologia Produto ca a Exemplo: Sejam L = IN e Xn = IR (com a Topologia Usual) para cada n ∈ IN . . J´ a IR Xλ = IR corresponde ao conjunto de todas as fun¸˜es co sabemos que o produto cartesiano λ∈IR f : IR → IR. pois A = An com An aberto em IR e An = IR para cada n ∈ IN fora do n∈IN conjunto finito de ´ ındices {2. . . 1) e x3 ∈ (0. x2 .) (infinitas) de n´meros co ue u reais. 5) .) de n´meros reais. 3} . . Esta topologia ´ e chamada TOPOLOGIA DE CAIXA. . exibido acima ´ o conjunto de todas as fun¸˜es e co Exerc´ ıcios: 1) (Topologia Produto X Topologia de Caixa) Consideremos uma fam´ ılia {Xλ }λ∈L de espa¸os topol´gicos e seu produto cartesiano c o Xλ . x2 . por exemplo. 1) e A3 = (0. Observemos que o aberto b´sico A a √ f : IR → IR tais que f ( 7) ∈ (− . temos que A = IR × (−3.

´ a convergˆncia pontual (ver Cap´ e e ıtulo 2 . e somente se.Espa¸os M´tricos). e ´ 4) (Espa¸os Vetoriais Topol´gicos) Um ESPACO VETORIAL TOPOLOGICO (EVT) ´ c o ¸ e um espa¸o vetorial X (sobre um corpo IK) munido de uma topologia tal que as opera¸˜es c co de adi¸˜o de vetores: X × X → X e multiplica¸˜o escalar: IK × X → X s˜o cont´ ca ca a ınuas (considerando a Topologia Usual em IK e as Topologias Produto em X × X e IK × X ). c e ou seja. para cada x ∈ IR fixado. Mostre que todo espa¸o normado ´ um EVT. quando considee c co ramos a Topologia Produto. a e c A rec´ ıproca deste resultado ´ o importante Teorema de Tychonoff (ver [3]. 5): e “Se cada Xλ ´ um espa¸o topol´gico compacto. J´ vimos que o produto cartesiano a Xλ = IRIR λ∈IR corresponde ao conjunto de todas as fun¸˜es f : IR → IR. uma seq¨ˆncia de fun¸˜es fn : IR → IR converge (na Topologia Produto) para uma ue co fun¸˜o f : IR → IR se. c e . e O Teorema de Tychonoff ´ um dos motivos pelos quais a Topologia Produto ´ a mais natural e e a ser definida sobre o produto cartesiano (repare que ela ´ definida como a menor topologia e tal que todas as proje¸˜es s˜o cont´ co a ınuas e isso “aumenta as chances” do produto ser compacto). co Mostre que a convergˆncia neste espa¸o IRIR das fun¸˜es f : IR → IR . ent˜o o produto cartesiano e c o a λ∈L Xλ (considerando a Topologia Produto) ´ compacto”. tem-se fn (x) → f (x) ca (convergˆncia pontual). cap. 3) (Topologia Produto e convergˆncia pontual) Consideremos L = IR e Xλ = IR (com e a Topologia Usual) para cada λ ∈ IR .62 2) (Topologia Produto e Tychonoff) Mostre que se o espa¸o c λ∈L ˆ APENDICE A Xλ ´ compacto (cone siderando a Topologia Produto) ent˜o cada Xλ ´ um espa¸o compacto.

para cada x ∈ X\B. . Todo espa¸o vetorial possui base (de Hamel). o conjunto e e B ∪ {x} n˜o ´ LI. pois o B ´ linearmente independente e B ∪ {p} n˜o ´ LI. ca 63 . + cn en = 0 ci ∈ IK ⇒ c1 = c2 = .Apˆndice B e Sobre bases em espa¸os vetoriais c Seja X um espa¸o vetorial sobre um corpo IK (IR ou C): c Defini¸˜o B.2. e a e Teorema B. B ´ base (de Hamel) de um espa¸o X quando B ´ o “maior” conjunto e c e LI que cont´m B. a e Exemplo: O conjunto B = {1. x3 . . = cn = 0 Defini¸˜o B. Isto ocorre se. B ´ LI e. . . . (Independˆncia linear) Um subconjunto E ⊂ X (E finito ou infinito) ca e ´ LINEARMENTE INDEPENDENTE (LI) se. . para todo subconjunto finito e {e1 . . . c Obs. .3. . . e2 . dos polinˆmios com coeficientes reais. qualquer que seja p ∈ X\B. e Para esclarecer. (Base de Hamel ou alg´brica) Uma BASE (DE HAMEL) em um espa¸o ca e c vetorial X ´ um subconjunto LINEARMENTE INDEPENDENTE MAXIMAL de X.: A demonstra¸˜o faz uso do Lema de Zorn. en } ⊂ E temos c1 e1 + c2 e2 + . e somente se. x2 . + an xn . ai ∈ IR } . .1.} ´ uma base (de Hamel) do espa¸o e c X = {a0 + a1 x + a2 x2 + . . e somente se. x.

e2 . αn ∈ IK e {e1 . 0. B ´ uma base (de Hamel) de X . . en } ⊂ B (ou seja. . .) . todo vetor de X pode ser escrito como combina¸˜o linear de elementos de um subconjunto ca FINITO de B). . . 0. . todo vetor x ∈ X pode ser escrito como e n x = i=1 αi ei = α1 e1 + α2 e2 + . ca O subconjunto E = { (1. x2 . (0. Podemos supor que x ∈ B (se x ∈ B j´ teremos x = 1. onde α1 . Prova: (⇒) Sejam B base (de Hamel) de X e x ∈ X.) ∈ ∞ mas a e x n˜o pode ser escrito como combina¸˜o linear FINITA de elementos de E. . + αn en . e e ´ Obs. 0. ca (⇐) B ´ LI. . . . 1. . c B ´ uma base (de Hamel) de X se. e1 .). . . + αk ek = 0 e α0 = 0 (pois B ´ LI e B ∪ {x} e Logo: x= − α1 α0 e1 + − α2 α0 e2 + . 1. 0.4. . 0. ek } ⊂ B ∪ {x} e escalares α0 . . . . .x ). αk ∈ IK tais que: α0 x + α1 e1 + . . mas n˜o ´ base (de Hamel) de ∞ pois. . 0. . . . ou seja. + αk ek   ⇒ B ∪ {x} n˜o ´ LI. . . . . . . αk ∈ IK   {e1 . Seja B um subconjunto LI de um espa¸o vetorial X = { 0} . .). . a e α1 . . (xn ) ´ limitada } o espa¸o e c das seq¨ˆncias limitadas de n´meros reais com as opera¸˜es usuais de soma de vetores e ue u co multiplica¸˜o escalar.: E atrav´s deste teorema que normalmente definimos base de um espa¸o vetorial em e c ´ nossos cursos de Agebra Linear. .64 ˆ APENDICE B Teorema B. .} ⊂ ∞ ´ evidentee mente LI. . ek } ⊂ B Logo podemos concluir que B ´ LI maximal. x = (1. e2 . 0. (0. Exemplo: Seja X = ∞ = { (xn ) = (x1 . . . . . e somente se. Para todo x ∈ X\B temos: e  x = α1 e1 + α2 e2 + . α1 . . . . . . por exemplo. . a Ent˜o B ∪ {x} n˜o ´ LI (pois B ´ LI maximal) e portanto existem um subconjunto a a e e finito {x. 1. . . a ca . . . + − αk α0 ek n˜o ´ LI) a e Portanto todo x ∈ X pode ser escrito como combina¸˜o linear FINITA de elementos de B. .). 1. xi ∈ IR .

de onde podemos concluir que int Fn = φ (exerc´ o c ıcio de espa¸os normados). c Temos X= n=1 ∞ Fn Para todo n ∈ IN. Como X ´ Banach (completo).: B ´ um conjunto infinito pois X tem dimens˜o infinita). obrigatoriamente. . e2 . c . 239). temos: Fn tem dimens˜o finita ⇒ Fn ´ subconjunto fechado de X (ver Lima [2]. ´ imediato que Fn ´ subespa¸o a a e e c pr´prio do espa¸o normado X. seja Fn = [e1 . . . .5. que X tenha uma base (de Hamel) enumer´vel a B = {e1 . .toda c c seq¨ˆncia de Cauchy ´ convergente . c ∞ Temos ent˜o que X = a n=1 Fn com Fn fechado e int Fn = φ para todo n ∈ IN. . . toda base (de Hamel) de X ´ n˜o-enumer´vel.} (obs. ue e ca a e Se X tem dimens˜o infinita ent˜o toda base (de Hamel) de X ´ n˜o-enumer´vel.em rela¸˜o ` m´trica induzida pela norma). p. en ] o subespa¸o de X gerado por {e1 . e2 . Seja X um espa¸o de Banach (espa¸o vetorial normado e completo . a e Como Fn tem dimens˜o finita e X tem dimens˜o infinita. . a a e a a Prova: Suponhamos. en } . e ca Ent˜o. que ´ referente aos conjuntos ORTOe e NORMAIS MAXIMAIS em espa¸os com produto interno. e2 . e3 . e a Para todo n ∈ IN. .Sobre bases em espa¸os vetoriais c 65 O teorema a seguir ´ uma bela aplica¸˜o do Teorema de Baire (exerc´ do cap´ e ca ıcio ıtulo 2 Espa¸os M´tricos): c e Teorema B. . . a e a a Observa¸˜o: Sempre usamos o termo base de Hamel (ou alg´brica) para evitar confus˜o ca e a com o conceito de BASE DE HILBERT (ou geom´trica). segue do Teorema de Baire que int X = φ (contradi¸˜o). por absurdo.

66

ˆ APENDICE B

Apˆndice C e O espa¸o IRn c
O espa¸o vetorial IRn : c Consideremos o conjunto IRn = { x = (x1 , x2 , . . . , xn ) ; xi ∈ IR ; i = 1, 2, . . . , n } das nuplas de n´meros reais. u Dados x = (x1 , x2 , . . . , xn ) , y = (y1 , y2 , . . . , yn ) ∈ IRn e α ∈ IR, definimos: x + y = (x1 + y1 , x2 + y2 , . . . , xn + yn ) α.x = (αx1 , αx2 , . . . , αxn ) Estas opera¸˜es fazem do IRn um espa¸o vetorial de dimens˜o n sobre o corpo IR dos co c a n´meros reais. u Produto interno no espa¸o IRn : c ˆ Definimos o PRODUTO INTERNO CANONICO < , >: IRn × IRn → IR pondo: < x, y > = x1 y1 + x2 y2 + . . . + xn yn ∀ x = (x1 , . . . , xn ), y = (y1 , . . . , yn ) ∈ IRn

Normas: A partir do Produto Interno Canˆnico acima definido, constru´ o ımos a NORMA EUCLIn DIANA : IR → IR pondo: x = √ < x, x > ∀ x ∈ IRn

67

68 Obs.: Outras duas normas se destacam no IRn : ´ A NORMA DO MAXIMO x
m m

ˆ APENDICE C

: IRn → IR dada por ∀ x = (x1 , . . . , xn ) ∈ IRn

= max { |x1 | , |x2 | , . . . , |xn | }
s

A NORMA DA SOMA x
s

: IRn → IR dada por ∀ x = (x1 , . . . , xn ) ∈ IRn

= |x1 | + |x2 | + . . . + |xn |

´ a E f´cil mostrar que estas duas normas n˜o provˆm de produto interno algum no IRn . a e Para todo x ∈ IRn temos: x
m

≤ x ≤ x

s

≤ n. x

m

Portanto as normas Euclidiana, do M´ximo e da Soma s˜o EQUIVALENTES. a a Logo, as no¸˜es topol´gicas (convergˆncia de seq¨ˆncias, limites, continuidade, etc.) indeco o e ue pendem de qual destas trˆs normas ´ considerada! e e

Conjuntos limitados: ´ E imediato que se duas normas 1 e n X ⊂ IR ´ limitado em rela¸˜o ` norma e ca a norma 2.
2 1

no IRn s˜o equivalentes ent˜o um conjunto a a se, e somente se, X ´ limitado em rela¸˜o ` e ca a

Teorema C.1. Um conjunto X ⊂ IRn ´ limitado (em rela¸˜o a qualquer norma equivalente e ca a ` Norma do M´ximo) se, e somente se, suas proje¸˜es X1 = π1 (X), . . . , Xn = πn (X) s˜o a co a conjuntos limitados em IR. Seq¨ˆncias no espa¸o IRn : ue c Uma seq¨ˆncia (xk ) no IRn equivale a n seq¨ˆncias de n´meros reais, ou seja, para todo ue ue u (k) (k) (k) (k) k ∈ IN , xk = x1 , x2 , . . . , xn , onde xi = πi (xk ) = i-´sima coordenada de xk . Essas n e seq¨ˆncias s˜o ditas as seq¨ˆnCIAS DAS COORDENADAS de (xk ). ue a ue Teorema C.2. Uma seq¨ˆncia (xk ) no IRn converge (em rela¸˜o a qualquer norma equivue ca alente ` Norma do M´ximo) para o ponto a = (a1 , a2 , . . . , an ) se, e somente se, para cada a a (k) i = 1, 2, . . . , n tem-se lim xi = ai , ou seja, cada coordenada de xk converge para a coordenada correspondente de a. Prova: Exerc´ (use a Norma do M´ximo) ıcio a

O espa¸o IRn c

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Corol´rio 1. Dadas as seq¨ˆncias convergentes (xk ), (yk ) no IRn e (αk ) em IR, sejam a ue lim xk = a, lim yk = b e lim αk = α. Ent˜o: a (i) lim(xk + yk ) = a + b (ii) lim αk .xk = α.a (iii) lim < xk , yk > = < a, b >

A seguir dois importantes resultados, onde usamos o fato de IRn ter dimens˜o finita: a Teorema C.3. (Bolzano-Weierstrass) Toda seq¨ˆncia limitada (em rela¸˜o a qualquer norma ue ca n equivalente a Norma do M´ximo) em IR possui uma subseq¨ˆncia convergente. ` a ue Prova: Exerc´ (Sugest˜o: use o mesmo resultado em IR para as seq¨ˆncias das coordeıcio a ue nadas, juntamente com o teorema anterior)

Teorema C.4. Duas normas quaisquer no espa¸o IRn s˜o equivalentes. c a

Demonstra¸˜o: ca Sejam
s

: IRn → IR a Norma da Soma, dada por x
s

= |x1 | + |x2 | + . . . + |xn |

∀ x = (x1 , x2 , . . . , xn ) ∈ IRn

e

: IRn → IR uma norma qualquer no IRn . Temos:

(i) Por transitividade, se mostrarmos que estar´ demonstrado. a

s

e

s˜o equivalentes, ent˜o o teorema a a

(ii) Para a Norma da Soma valem os trˆs teoremas anteriores, pois ela ´ equivalente ` e e a Norma do M´ximo. a Consideremos a Base Canˆnica β = {e1 , e2 , . . . , en } do IRn . o Para todo vetor x = (x1 , x2 , . . . , xn ) ∈ IRn , temos: x = x1 e1 + . . . + xn en ≤ |x1 | . e1 + . . . |xn | . en ≤ b.(|x1 | + . . . + |xn |) = b. x
s

onde b = max { e1 , . . . , en } (repare que este b est´ bem definido, pois tomamos o a m´ximo em um conjunto finito de n´meros reais). a u Logo x ≤ b. x
s

para todo x ∈ IRn . (1)

uk = pois xk s xk xk (note que a seq¨ˆncia (uk ) est´ bem definida. ukj0 − u Assim u = 0 ⇒ u = 0 (contradi¸˜o!). (2) no IRn .: A luz deste ultimo teorema. temos ent˜o que duas normas quaisquer no IRn s˜o equivalentes. ca + s 1 . toda seq¨ˆncia de Cauchy ´ convergente. ou seja. xk (pois k n˜o serviria como tal a > 0 ). ´ poss´ obter kj0 tal que e ıvel s < 2b e u ≤ ukj0 − u + ukj0 ≤ b. dado Logo > 0. existe a > 0 tal que a x s ≤ a. obrigatoriamente.70 Resta mostrarmos que existe a > 0 tal que x ≤ a. ˆ APENDICE C s De fato: se isto n˜o ocorrer temos que para todo k ∈ IN ´ poss´ obter um xk ∈ IRn a e ıvel tal que xk s > k. Temos ent˜o que a u kj s → u s . s e s˜o equivalentes. ukj0 − u 1 < kj0 2 Agora. = 1 para todo k (verifique). a Tomemos. ca a ue e Continuidade: A seguir. temos tamb´m que os teoremas anteriores s˜o ´ e a n n v´lidos para qualquer norma considerada no IR . ukj0 kj0 s < b. x ∀x ∈ IRn . Por (1) e (2). x ∀x ∈ IRn . Logo u s = 1 . ue a s > 0 ∀k ) uk s Como da Soma. para cada k ∈ IN. logo uniformemente ca e cont´ ınua e portanto cont´ ınua. a a ` Obs. (uk ) tem uma subseq¨ˆncia (ukj ) convergente (na ue n Norma da soma) para um ponto u ∈ IR . . 2b + 2 = Ent˜o. alguns resultados uteis: ´ A) Toda transforma¸˜o linear A : IRm → IRn ´ lipschitziana (mostre). qualquer que seja a norma a Por transitividade. temos que (uk ) ´ limitada em rela¸˜o ` Norma e ca a Pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass. o que significa que u = 0. Tamb´m temos que IR ´ Banach a e e em rela¸˜o ` qualquer norma considerada.

. . .f ) : X → IRn dada por (α. Ent˜o h ´ cont´ a e ınua se. x2 . . f e g s˜o ambas cont´nuas. . 2. . Portanto toda aplica¸˜o bilinear ´ cont´ ca e ınua. f2 . . logo lipschitzianas e portanto cont´ a ınuas. m ).y ). . . . Para todo x ∈ X temos f (x) = (f1 (x). .5. Obs. fn ) ). xm ) ∈ IRm co ( i = 1. s˜o lineares. cada uma das suas fun¸˜es coordenadas fi = πi ◦f : X → IR ´ cont´ co e ınua no ponto a. seja h = (f. . g(x)) . .f (x) . . . . g : X ⊂ IRm → IRn e α : X → IR s˜o cont´ ue a a ınuas ent˜o s˜o tamb´m cont´ a a e ınuas (f + g) : X → IRn dada por (f + g)(x) = f (x) + g(x) . . multiplica¸˜o de matrizes ( ϕ(A. Uma aplica¸˜o f : X ⊂ IRm → IRn ´ cont´ ca e ınua no ponto a ∈ X se. e somente se. (α. fn (x)) . f2 . . para obtermos f (x) (onde temos f : X ⊂ IRm → IRn e f = (f1 . Corol´rio 1. .f )(x) = α(x). fn : X → IR ca co dadas por fi = πi ◦f ( i = 1. ex cos y) define uma fun¸˜o cont´ ca ınua f : IR2 → IR3 . . g > (x) = < f (x). y) = (( sen x). ent˜o f ´ cont´ a e ınua. a ı Uma conseq¨ˆncia deste corol´rio: se f. + xn yn ). xm ) a opera¸˜es definidas por fun¸˜es cont´ co co ınuas. . . . . y) = x. . .y. Exemplos: multiplica¸˜o de n´meros reais ( ϕ(x. f2 (x). x2 y 3 . A cada aplica¸˜o f : X ⊂ IRm → IRn correspondem n fun¸˜es f1 . fn ). g(x) >. y > = x1 y1 + .O espa¸o IRn c 71 B) Se ϕ : IRm × IRn → IRp ´ uma aplica¸˜o bilinear (linear em cada componente) ent˜o ϕ e ca a m n m+n ´ lipschitziana em cada parte limitada de IR × IR = IR e . Dadas f : X → IRm e g : X → IRn . Exemplos: f (x. n ). Escrevemos f = (f1 . A fun¸˜o determinante det : Mn (IR) → IR ´ cont´ ca e ınua. . . . chamadas as FUNCOES COORDENADAS da aplica¸˜o ¸˜ ca f. < f. e somente se. dadas por πi (x) = xi ∀ x = (x1 .: Se. g) : X → IRm × IRn a dada por h(x) = (f (x). g > : X → IR dada por < f. . Teorema C. . . f2 . . para cada fun¸˜o coordenada aplicada em x ( fi (x) ) submetemos as coordenadas do ponto ca x = (x1 . B) = A. . Produto Interno Canˆnico ca u o ( < x.B ) ca C) As proje¸˜es πi : IRm → IR . .

9. Os resultados a seguir ficam indicados como exerc´ e ıcios e ir˜o “preparar o terreno” para cumprirmos o objetivo acima. . xl . . . e somente se. ela admite uma subcobertura enumer´vel o a ∞ K⊂ i=1 Aλi = Aλ1 ∪ Aλ2 ∪ . Pelo Lema de Lindel¨f.72 Compacidade: ˆ APENDICE C Nosso principal objetivo agora ser´ mostrar que um subconjunto K ⊂ IRn ´ compacto se. e e Demonstra¸˜o: ca (⇒) J´ feita no cap´ a ıtulo sobre espa¸os m´tricos. . .8. c e (⇐) Borel-Lebesgue: Suponhamos que K seja limitado e fechado. ue ue Teorema C. x2 . K ´ limitado e fechado. a Chegamos ent˜o ao resultado que nos interessa: a Teorema C. a e e somente se. ⊃ Ki ⊃ . 3. . Um conjunto K ⊂ IRn ´ compacto se.} ⊂ X. a Teorema C. Toda cobertura aberta o a X⊂ Aλ admite uma subcobertura enumer´vel. sua interse¸˜o K = a ca i=1 Ki (limitada e fechada) n˜o ´ vazia. . . a e Lema C. Lema C. possui um subconjunto enumer´vel e a e a E = {x1 . isto ´. . K ´ limitado e fechado. fechados e n`o-vazios K1 ⊃ K2 ⊃ . Seja K ⊂ Aλ uma cobertura aberta de K. toda e seq¨ˆncia (xk ) ⊂ K possui uma subseq¨ˆncia convergente para um ponto de K. Um subconjunto K ⊂ IRn ´ limitado e fechado se. . . . Para cada i = 1. Todo conjunto X ⊂ IRn ´ separ´vel.10.6. ∪ Aλi )) . 2. . . ∈ IN ponha Ki = K (X\ (Aλ1 ∪ . (Propriedade de Cantor) Dada uma seq¨ˆncia “decrescente” de conjuntos ue ∞ limitados. . e somente se. . . (Lindel¨f ) Seja X ⊂ IRn um conjunto arbitr´rio. .7. . E denso em X.

. Conexidade por caminhos: Um CAMINHO num conjunto X ⊂ IRn ´ uma aplica¸˜o cont´ e ca ınua f : I → X definida num intervalo I ⊂ IR. . e . ∞ Dado x ∈ K.O espa¸o IRn c Ki ⊂ K (limitado) ⇒ Ki ´ limitado. o caminho retil´ ıneo [a. . . para todo i ∈ IN. existe λi tal que x ∈ Aλi (pois K ⊂ i=1 ∞ Aλi ) ⇒ x ∈ Ki Logo i=1 Ki = φ . ∪ Aλi0 ) ⇒ K ⊂ (Aλ1 ∪ . 1] → X tal que ϕ(0) = a e ϕ(1) = b. ∪ Aλi ) ´ fechado. a e Assim. b] = { t. se X ´ convexo ent˜o cada dois pontos a. b ∈ X podem ser ligados por um caminho em X. ⊃ Ki ⊃ . ∪ Aλi0 ) Portanto toda cobertura aberta de K admite uma subcobertura finita.b . Ki ´ limitado e fechado.a + (1 − t). Como K ´ fechado. Por exemplo: todo conjunto convexo ´ conexo por caminhos. e 73 Aλ1 ∪ . temos e e e ent˜o que Ki ´ fechado. . . . Se a. b ∈ f (I) Por exemplo. . a saber. . ou melhor. podemos concluir que existe i0 tal que Ki0 = φ Assim φ = Ki0 = K X\ (Aλ1 ∪ . b ∈ X PODEM SER LIGADOS POR UM CAMINHO EM X quando existe um caminho f : I → X tal que a. K ´ e compacto. Dizemos que os pontos a. Um conjunto X ⊂ IRn ´ dito CONEXO POR CAMINHOS quando cada dois pontos e a. 1] }. b ∈ X podem ser ligados por um e a caminho em X. . . e Observemos agora que K ⊃ K1 ⊃ K2 ⊃ K3 ⊃ . b ∈ X podem ser ligados por um caminho f : I → X ent˜o existe um caminho a ϕ : [0. . t ∈ [0. Pela Propriedade de Cantor. ∪ Aλi ´ aberto ⇒ X\ (Aλ1 ∪ .

74 Teorema C. e Prova: Exerc´ ıcio. 0)} ⊂ IR2 ´ conexo mas n˜o ´ conexo e a e por caminhos.12.: Nem todo conjunto conexo ´ conexo por caminhos: e Exemplo: X = {(x. Se A ⊂ IRn ´ aberto e conexo ent˜o A ´ conexo por caminhos. +∞)} ∪ {(0. Todo conjunto conexo por caminhos ´ conexo.11. . e a e Prova: Exerc´ ıcio. sen 1/x) . ˆ APENDICE C Obs. x ∈ (0. Isto n˜o ocorre se o conjunto em quest˜o for aberto: a a Teorema C.

Rio de Janeiro. 1975 75 . Projeto Euclides.. Rio de co a a Janeiro.A First Course.Referˆncias e ¨ [1] Honig. Chaim S. Espa¸os M´tricos. . James R. Topology . Aplica¸˜es da Topologia ` An´lise. Elon Lages. IMPA. IMPA. Projeto Euclides. 1983 c e [3] Munkres. Prentice-Hall Inc.. New Jersey. 1976 [2] Lima.

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