Temas de redação

Temas IMPORTANTES: Política – Ambiental – Conquistas femininas – Questão indígena 1) Jovens e drogas 2) Língua ensinada na escola X Língua do dia-a-dia / Dificuldade de aprendizado das regras gramaticais X facilidade de comunicação 3) Violência urbana no Brasil 4) Enchentes X Seca no nordeste 5) Questão indígena atual no Brasil 6) Importância da água 7) Favela e cidade: as distancias sociais desapareceram? 8) Lei anti-fumo 9) Importância da doação de órgãos 10) O trânsito como indicador da situação da sociedade brasileira 11) Violência contra a mulher 12) Aspectos positivos e negativos do texto publicitário 13) Causas e conseqüências da pirataria 14) Importância de uma conscientização ambiental para o futuro do nosso planeta 15) Globalização – Influencia da tecnologia na identidade cultural 16) Questão política no Brasil – eleições, poder de voto, democracia e ética. 17) Aborto 18) Eutanásia 19)Pena de morte 20) Redução da maioridade penal 21) Alcoolismo e lei seca 22) Distribuição de preservativos nas escolas 23) O processo eficaz da comunicação em situações específicas 24)Importância do censo para o desenvolvimento do Brasil 25) Educação a distância 26) Existe desenvolvimento econômico e social sem educação? 27) Obesidade 28) Conquistas femininas ao longo da história do Brasil 29) Discutir o perfil econômico do Brasil 30) Os investimentos de pesquisas no Brasil e seus efeitos no processo sócio-econômico do país. 31) Folclore, culinária, costumes, raças e credos diversos fazem parte da história do nosso povo. Vantagens e desvantagens de se viver em um país pluricultural.

32) Diversidade lingüística no Brasil – diferenças entre grupos sociais, regiões, temporais e históricas.

1) JOVENS E DROGAS Por que é difícil dizer não às drogas Quem usa drogas pela primeira vez não vê os amigos se acabando nas sarjetas e não acredita que vai ser um viciado.

As campanhas contra o uso de drogas e a exibição na televisão do efeito devastador que elas têm sobre a vida dos viciados deveriam ser suficientes para riscar esse mal da superfície do planeta. Não é o que acontece. Num desafio ao bom senso, um número enorme de adolescentes continua dizendo sim às drogas. Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. A idade do primeiro contato com esse tipo de substância caiu dos 14 para os 11 anos em uma década. Tais dados sinalizam um futuro bem ruim. Quanto mais cedo se experimenta uma droga, maiores são os riscos de se tornar viciado. As pesquisas também revelam que a maioria dos jovens sabe que as drogas podem se transformar num problema sério. Mas isso não basta para mantê-los longe de um baseado ou de um papelote de cocaína. Por que é assim? É claro que quem experimenta pela primeira vez não deseja virar viciado. Um estudo do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea) diz que a curiosidade é a motivação que leva nove em cada dez jovens a consumir drogas pela primeira vez. Em seguida vem o desejo de se integrar a algum grupo de amigos. No momento da iniciação das drogas, o adolescente não vê os amigos morrendo, sendo pressionados por traficantes nem se acabando nas sarjetas. Também é difícil perceber a importância que a droga pode assumir em sua vida no futuro. A maioria das drogas só provoca dependência depois de algum tempo de uso. Ou seja, quem entra nessa só percebe tarde demais que está num caminho sem volta. Apenas uma parcela dos usuários se torna dependente grave, do tipo que aparece nas novelas de TV. Apostar nesse argumento para usar drogas é uma loteria perigosíssima, porque ninguém sabe ao certo se vai virar viciado ou não.

Há alguns fatores que contribuem para que um jovem tenha maiores probabilidades de se viciar. O primeiro é genético. Já se provou que pessoas com histórico familiar de alcoolismo ou algum outro vício correm maiores riscos de também ser dependentes. Os demais estão relacionados com a personalidade. Adolescentes tímidos, ansiosos por algum tipo de reconhecimento entre os amigos, apresentam maior comportamento de risco para a dependência. Eles acreditam que as drogas os ajudarão a ser mais populares entre os colegas ou que serão uma boa maneira de vencer a travação na hora de se declarar e namorar, tarefa sempre complicada para quem é introvertido. Jovens inseguros, que sofrem de depressão ou ansiedade, costumam procurar as drogas como alívio para seus problemas. É ainda uma forma de mostrar aos pais que algo não vai bem com eles ou com a vida familiar. No extremo oposto, aqueles que parecem não ter medo de nada e que buscam todo tipo de emoções também correm grande risco de se envolver com drogas. O melhor jeito de dizer não às drogas é entender que ninguém precisa ser igual ao amigo ou repetir padrões de comportamento para ser aceito no grupo. É por isso que a prevenção em casa funciona melhor que os anúncios do governo. "Dá para fazer uma boa campanha doméstica sem falar necessariamente em droga", diz o psiquiatra Sérgio Dario Seibel, de São Paulo. Em outras palavras: é natural o adolescente repelir reprimendas e conversas formais sobre esse assunto. Imediatamente fecha a cara e os ouvidos a quem lhe diz em tom grave: "Precisamos conversar sobre drogas", seja o pai, a mãe, seja o governo ou qualquer instituição. A situação ainda é pior quando o pai bebe todo dia sob o pretexto de relaxar ou quando está nervoso e deprimido. Ele pode passar para o filho a idéia de que a bebida é um poderoso aliado para enfrentar obstáculos. A mãe que toma comprimidos para dormir também está dando ao filho a falsa idéia de que as substâncias químicas garantem a felicidade. Daí a ele achar natural usar drogas é apenas um passo.

Elas fazem muito mal Muita gente acredita que o consumo esporádico de drogas não faz mal. Errado. Todas as drogas são de alto risco: prejudicam a saúde, perturbam os estudos e alteram o humor para pior. E ninguém sabe de antemão se vai ou não se tornar um viciado. ÁLCOOL Provoca cirrose e hepatite alcoólica, hipertensão, problemas cardíacos. Causa danos cerebrais e provoca perda de memória. Leva à dependência física, com graves crises de abstinência e, em grandes doses, provoca coma.

MACONHA Causa apatia e perda de motivação, prejudica a memória e o raciocínio. Estudos mostram que quem fuma maconha está mais sujeito a sofrer de insuficiência cardíaca e esquizofrenia.

Milton COCAÍNA Carello O risco de overdose é alto, o que pode levar à morte. O uso contínuo causa degeneração muscular, perda do desejo sexual, alucinações e delírios. Uma em cada cinco pessoas que experimentam a droga se torna dependente Ricardo D'Angelo ECSTASY Induz a ataques de pânico e ansiedade. Provoca danos nas células nervosas, o que leva à depressão crônica.

A RELAÇÃO DOS JOVENS COM AS DROGAS

*Ana Lúcia Caetano da Silva

os professores e os verdadeiros amigos têm um papel fundamental para a sua recuperação.. cujo lar foi destruído pelo vício de um dos seus membros. As drogas estão desmoronando os sonhos e. que é a fase do desenvolvimento até o estágio adulto. para esquecer seus problemas. é ladrão. que cria condições favoráveis para que os filhos adolescentes se sintam livres para aventuras deste tipo. Ambiente. Para este indivíduo que teve sua vida totalmente alterada pelo uso das drogas. as drogas são o fator principal que está levando nossos jovens à destruição.. acabando não só com a infância. ou. mas também com a adolescência. sem criticá-los ou apontar-lhes o dedo dizendo: ”É vagabundo. Nesta fase da vida. roubar e até mesmo a cometerem suicídios. A juventude está pedindo socorro! Cabe a todos nós olharmos esse fator agravante com outros olhos. ainda inexperiente. até mesmo. eles afirmam sua personalidade: novas descobertas. só pode ficar na maior das confusões! . A isso. em rápida mudança. tudo favorece o contato e as primeiras experiências com as drogas. companhias erradas. novo corpo. a família. para diminuir a ansiedade.Atualmente. Mas quem sofre com tudo isso é a família. acrescente-se a freqüente ausência dos pais. A dependência química leva-os a matar.” Nunca é tarde para começar! * aluna do 2° Período de Letras (CESEP/Machado-MG) Os adolescentes e as drogas s adolescentes de hoje estão mais sujeitos ao contato com as drogas. explosões de emoção e temperamento contribuem para o surgimento de novos e difíceis problemas. vestir e até mesmo como não ser tão “careta”. chega uma série de cobranças e de apelos de consumo: como se mover. é bandido. sem pensar muito nas conseqüências. Segundo uma pesquisa. conseqüentemente. E o coitado do adolescente. a maioria dos jovens envereda nesse caminho por curiosidade. Da própria sociedade.

Percy Partrick. Não esqueça que a mesma pessoa que lhe vendeu a maconha. roubam. Talvez você encontre “amigos” que lhe ofereçam gratuitamente um pouco da coisa (droga) para depois. mas quando perceberem que você se tornou viciado (dependente). dependente de drogas. isola das pessoas. as más companhias.ELES PRECISAM DE AJUDA O que queremos é que os adolescentes conheçam os riscos que os esperam. sucessivamente. as drogas podem se apresentar ao adolescente como a solução dos problemas que o aflige. fazer você pagar por ela.. até. entre eles a horrível possibilidade de experimentarem a droga e de entrarem na turma dos dependentes. Não se deixe tentar. Transforma os usuários em pessoas hostis. que não quer que ninguém se perca. o que leva um adolescente a usar drogas? As causas são muitas: a solidão. No princípio o preço é reduzido. QUE DROGA ESSA DROGA! Mas. E tudo isso. as decepções. terá. não encontrando-a. independentemente de suas indecisões e estranhezas. Se alguém lhe oferecer algum tóxico. chegam a sentir orgulho pelo seu comportamento às vezes ilegal e. mas para obter dinheiro. endereçou uma carta emocionante alertando os jovens. eles mentem. por quê? Não certamente pela sua felicidade. demonstre ser mais homem do que eu fui. se não houver uma reviravolta radical. Para conseguir as drogas. . induzindo outros a isso. egocêntricas e egoístas. também a heroína. Graças a Deus. o grande amigo de todas as horas. É uma triste ilusão! A doença. uma opção forte do interessado. de fato. DEPOIMENTO Antes de se suicidar. nesta fase da vida eles podem descobrir Jesus como alguém que os impressiona. por nenhuma razão.. os desentendimentos com os pais e outros desconfortos de uma sociedade injusta e excludente. O fracasso e o medo invadem sua vida e o espírito fica em pedaços. Eis o que eles querem e. algumas vezes pensam no suicídio. em reserva para você. E. e saiba responder com um “não”. a falta de formação. aumentarão os preços. Os adolescentes precisam de alguém que os ame de verdade.. Uma saída fácil. quase sempre. extravagante e esquisito. desperdiçando a vida e. a não ser que precise delas para conseguir a droga. Nesta situação. o uso de drogas acaba sempre subjugando o usuário. Para não adoecer ou enlouquecer.

no caso dos dependentes. Não há nada de vergonhoso em ser um dependente. O QUE FAZER? A dependência pode ser detida. Que Nossa Senhora nos ajude nessa reflexão e nos livre deste perigo. bem planejada e assumida pela família e pelos órgãos competentes. A droga destruiu todos os meus sonhos de amor. assim como a degradação da família é uma das causas do aumento do número de usuários. dança. passando a viver bem com os outros e com o mundo em geral. se preocupe com o seu bem-estar e comece a agir positivamente. mas a cada um destes momentos corresponde um século de desespero que jamais poderá ser apagado. é a melhor forma de combater o tóxico. Sendo que a vida é o maior dom de Deus. Devemos amar e cuidar da vida contra todo tipo de drogas. A recuperação é uma tarefa difícil e o tratamento médico é apenas uma parte desta recuperação. deve fazer algo para aqueles que já são escravos deste vício. . mais difícil é a recuperação. CONCLUSÃO O adolescente. Devemos evitar de rotular os dependentes de drogas com frases como: Uma vez viciado. A terapia ocupacional. em harmonia com o próprio corpo. deixe de justificar seu comportamento. EDUCANDO PARA PREVENIR A educação. Contudo. esportes. a experiência mostra que quanto maior for o tempo do vício. Deve-se descobrir o que o dependente de drogas gosta de fazer (habilidades manuais. ajudam na recuperação.. A violência não recupera ninguém. desde que este tome consciência de sua situação. as minhas ambições e a minha vida no seio da família. São as qualidades positivas que todos nós possuímos. estragar ou até acabar com a própria vida é a maior “bobeira” que uma pessoa pode fazer.A droga pode oferecer momentos de felicidade. além de se preservar do uso das drogas. sempre viciado. A participação dos pais e a união da família são os maiores fatores de combate ao tóxico. fotografia. O problema da droga será objeto de nossas reflexões ao logo do mês de maio.. com a mente e com o espírito. a pessoa se sente bem. Com estas ocupações surgirão em sua vida outros interesses e outras formas de realização que o ajudarão a recuperar a auto-estima perdida. Bem educada. e que.). Desenvolver as forças interiores. Esse trabalho deve ser feito com acompanhamento de psicólogos e educadores.

Descreveu de diversas formas. no entanto. Nesse caso. ele estaria utilizando um outro código: o desenho. Linguagem é todo sistema de sinais que serve como meio de comunicação entre os indivíduos. Alemanha.2) Língua ensinada na escola X Língua do dia-a-dia / Dificuldade de aprendizado das regras COMUNICAÇÃO Um homem entrou numa loja mas esqueceu o nome do que queria comprar. os emissores das mensagens utilizam-se de línguas diferentes de acordo com sua nacionalidade. e pós-doutor pela University of California at Los Angeles (UCLA). possui 76 livros publicados. gestos. PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken. e conversou com o Nota 10. Código é todo conjunto organizado de sinais utilizado na comunicação. Existem dois tipos de Linguagem: Verbal . dança. o problema seria facilmente resolvido. Os diversos códigos que o homem dispõe para se comunicar formam a Linguagem. Fala é a utilização individual da língua. No mês passado esteve em Curitiba para uma palestra promovida pela Faculdade Opet. Todas as mensagens utilizam a linguagem verbal. Língua é a linguagem verbal utilizada por um grupo de indivíduos. Pedro Demo aborda os desafios da linguagem no século XXI 7/7/2008 11:50:00 Pedro Demo é professor do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). Os diversos códigos de que o homem dispõe para se comunicar constituem a linguagem.). rádio.Qualquer código que não utilize a palavra (quadro. A utilização particular e individual do código lingüístico dá-se o nome de fala.). etc.Código que utiliza a linguagem falada ou escrita (crônica. confundindo cada vez mais o vendedor. ficou tentando descrever o objeto ao vendedor. envolvendo Sociologia e Educação. etc. Não-Verbal . . Se o homem soubesse desenhar.

Algumas crianças têm acesso à tecnologia e se desenvolvem de uma maneira diferente . a criança escreve porque tem que copiar do quadro. é preciso ter espírito crítico . O jogador tem que fazer o avatar dele – aquela figura que ele vai incorporar para jogar -. é uma convergência. As novas alfabetizações estão entrando em cena. falamos tanto do computador como do celular. A linguagem do século XXI envolve apenas a internet? Geralmente se diz linguagem de computador porque o computador. nós não podemos jogar fora o texto impresso. O fato é que quando as crianças de hoje forem para o mercado. Um bom exemplo de linguagem digital é um bom jogo eletrônico – alguns são considerados como ambientes de boa aprendizagem. Quais são os maiores desafios que professores e alunos enfrentam. Mas quando é do seu interesse. Isso tem sido chamado de aprendizagem situada – um aprendizado de tal maneira que apareça sempre na vida da criança. mas talvez ele vá se tornar um texto menos importante do que os outros.mas não tem como ficar distante. A tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco”. O jogo coloca desafios enormes.gostam menos ainda da escola porque acham que aprendem melhor na internet. escrever e contar. e o Brasil não está dando muita importância a isso – estamos encalhados no processo do ler. e a escola não usa. Na internet. Também há o texto: o jogo vem com um manual de instruções e ela se obriga a ler. escreve porque quer interagir com o mundo. e a escola está longe disso. discute com os colegas sobre o que estão jogando. Na escola. e a criança aprende a gostar de desafios. . elas terão de usar computadores. A linguagem do século XXI – tecnologia. Primeiro. de certa maneira. Não é que a criança não lê – ela não lê o que o adulto quer que ele leia na escola. pode mudar regras de jogo. lê sem problema. internet – permite uma forma de aprendizado diferente. As próprias crianças trocam informações entre si.O tema de sua palestra é “Os desafios da linguagem do século XXI para a aprendizagem na escola”. Não acho que devemos abraçar isso de qualquer maneira. Então o que está em jogo é o texto impresso. envolvendo essa linguagem? A escola está distante dos desafios do século XX. Quando se fala nova mídia.

mas não na escola. Um texto que já tem várias coisas inclusas. Som. tudo arrumadinho. você tem que ser autor – é uma tecnologia maravilhosa porque puxa a autoria. como o senhor falou. na lan house. Não exclui texto. porque todas essas mudanças só entram bem na escola se entrarem pelo professor – ele é a figura fundamental. E aí. na internet. Não é real. e deve se portar como tal. A vida real não é arrumadinha. Nós ficamos quadrados . discutir. não acredito que a escola vai desaparecer. As linguagens. onde milhares de crianças de sete anos que já são autoras de ficção estilo Harry Potter no blog. linha por linha. Você não pode fazer um blog pelo outro. um texto deve ter tudo isso para ser atrativo. e muito. quando ela volta para casa ela não vê em lugar nenhum. Ele é a tecnologia das tecnologias. As crianças têm que aprender isso. se expor. a linguagem de Gutenberg? Cultura popular. animação. como nos Estados Unidos. Quando vão para a escola. O termo mudou muito. que não aparecem na escola. da esquerda para a direita. Quando ela vai para a escola não aparece nada. É muito comum lá fora. essa grande mudança começa com o professor. essas crianças se aborrecem. veja bem. são coisas da vida. Para mim. Qual é a diferença? O texto. A escola usa a linguagem de Gutenberg. A linguagem que ela usa na escola. imagem. palavra por palavra. Para você fazer um blog. Temos que cuidar do professor. onde é que está a escola? A escola parece um mundo estranho. televisão. Não que a escola esteja em risco de extinção. Qual é a diferença da interferência da linguagem mais tecnológica para. nosso texto que é assim. Então acho que é aí que temos que fazer uma grande mudança. elaborar. texto. dvd. Mas nós temos que restaurar a escola para ela se situar nas habilidades do século XXI. é de cima para baixo.Aquilo que ela aprende. no computador. você tem que redigir. Essa é a linguagem que as crianças querem e precisam. Aparecem em casa. o blog é seu. Não há como substituir o professor. quando está mexendo na internet. e cultura popular agora é mp3. Então a escola precisa mudar para acompanhar o ritmo dos alunos? Precisa. e discutem animadamente com outros autores mirins. se tornaram multimodais. internet. hoje. de 600 anos atrás. porque a escola é devagar.

Não há livro que resista ao tempo. A questão é que pensamos que o português gramaticalmente correto é o único aceitável. inclusive existe um termo interessante para isso que é “re-mix” – todos os textos da internet são re-mix. escuta telefone. que chegou a 20 e tantas edições. Alguns são quase cópias. mas sim por interesses comuns. que não é hierárquico. escuta música. A gente quer pensar tudo seqüencial. partem de outros textos. e isso é bobagem. é o texto ordenado. Não existe uma única maneira de falar. recebe email. mas a criança não é seqüencial.e ainda acham que na escola ela deve apenas escutar a aula. oito tarefas ao mesmo tempo – mexe na internet. O texto impresso vai continuar. Elas têm uma cabeça diferente. Mas vai entrar muito mais o texto da imagem. a gramática rígida também é apenas uma maneira de falar. Desses livros qual é o seu preferido? Posso dizer uma coisa? Eu acho que todos os livros vão envelhecendo. também existem as línguas concorrentes. As sociedades não se unificam por língua. e tem vários livros publicados. responde . Ele permite a criação conjunta de algo. às vezes. é maleável. Mas com a liberdade da internet as pessoas cometem abusos. é flexível. Qual a sua opinião sobre o internetês? Assim como é impossível imaginar que exista uma língua única no mundo. . como é um texto da wikipedia (que é um texto de enciclopédia do melhor nível). mas admite outras culturas. não é centrado. O senhor é um grande escritor na área de educação. É um livro que eu não gosto muito. No fundo. manda email. existem várias. outros já são muito bons.até por causa desses textos que a gente faz. A internet usa basicamente o texto em inglês. Mas um dos que eu considero com mais impacto – e não é o que eu prefiro – é o livro sobre a LDB (A Nova LDB: Ranços e Avanços). que eu não considero um bom livro. sequer aprendem bem o português porque só ficam falando o internetês. por interatividade (como faz a internet por exemplo). Ela faz sete. e eu vou deixando todos pelo caminho. Acho que eles devem usar cada linguagem isso no ambiente certo – e isso implica também aprender bem o português correto. Eu não acho errado que a criança que usa a internet invente sua maneira de falar. As crianças.

. Ele tem que ter o material dele. porque a gente só pode dar aula daquilo que produz . O professor não acredita nisso.. cuidar do professor para que ele se coloque a altura da criança. é de quem usa a internet. quando ele está na escola. coloque à altura da criança a escola – sobretudo a escola pública. não só para dar aulas e que seja tecnologicamente correto. porque vai contar lorota. Outros livros que eu gosto mais saíram menos.. arrumar uma pedagogia na qual ele nasça de uma maneira diferente. Eu gosto sobretudo de um livrinho que eu publiquei em 2004. Não adianta também só criticar o professor. especialização. ambientes de trabalho muito ruins. vai ter que se contorcer. encurtadas cada vez mais. da linguagem dele. elabore. Quem não produz não pode dar aula. se faz necessário entender o significado etimológico de . Aí entra a questão da linguagem de mídia: a língua hoje não é dos gramáticos. com isso. Partir do aluno. depende muito das circunstâncias. O professor gosta de dar aula. escreva aprenda. ele é uma grande vítima de todos esses anos de descaso. Que mexa com as novas linguagens. Um dos desejos que nós temos é de que o professor produza material didático próprio. É preciso um curso grande. vai ser mais maleável. não dar aulas.mas. mais que criticar. É melhor dar menos aulas e cuidar que o aluno pesquise. chamado Ser Professor é Cuidar que o Aluno Aprenda. é cuidar que o aluno aprenda. Então a língua vai andar mais. voltar para a universidade. intensivo.. ele precisa ter um reforço constante para aprender. não seja só vinculado a dar aulas. Depois. não é instruir.essa é a regra lá fora. menos o aluno aprende. A pedagogia precisa inventar um professor que já venha com uma cara diferente. Mas é verdade. pedagogias e licenciaturas horríveis. e cuidar dele. É o ponto que eu queria transmitir a todos os professores: ser professor não é dar aulas. acha que isso é um grande disparate. de maneira que o professor se reconstrua. que ainda é desconhecido no Brasil. Então o professor gosta de dar aulas deve mudar esse pensamento? É um grande desafio: cuidar do professor. que tenha blog. onde grande parte da população está. e os dados sugerem que quanto mais aulas. Também nós temos que. Comunicação e Expressão Comunicação e Expressão Antes de tecer algumas considerações referente à comunicação e expressão. que participe desse mundo – isso é fundamental. E também. salários horrorosos.

informação. atribuição mútua das propriedades da natureza divina à natureza humana de Cristo. Alguns são universais. efeito ou meio de comunicar. participação. Ao pensar. a linguagem é a expressão máxima da capacidade do ser humano de criar e usar símbolos. seja isoladamente ou numa estrutura de texto. Segundo a definição do dicionário Aurélio (1998). o substantivo feminino comunicação. Ao criar. Cada leitura nos enriquece de novas possibilidades de expressão. 1993. Mas não o único. somos obrigados a utilizar muito mais palavras. é o ato. por meio da cultura que herda e da língua que fala. p. Isto é. aviso. do latim expressione. A escrita é a forma de fala mais elaborada”. formar de nossa imaginação uma estória. Pois. gesto. como o tom de voz e o conhecimento do assunto são excluídos. trad. trato. 131-132) . conforme a Sabbag (2006) no artigo “um olhar diferente para a escrita”: “Escolhemos os significados que melhor nos exprimam e nos vestimos de palavras e de uma estrutura de texto que melhor se adequam ao nosso estilo”. Porém. pois dependendo do lugar do nascimento. adquire uma maneira particular de relacionar-se com os outros e com o universo. palavra. às vezes. Ao emocionar. 2. e com maior exatidão. dito. segundo Vigotski (1896-1934): “Na escrita. colocar no texto nossa sensibilidade. outros dependem da cultura particular de determinado povo. importa-nos que.0 – O ato de escrever O ato de escrever é um processo contínuo. Já. Ponderadas tais definições é possível observar e diagnosticar quantos significados se dá. Cada elemento novo que percebemos no mundo exige uma palavra correspondente. A linguagem é um sofisticado meio de comunicação humana. acentuação. Viver numa sociedade é participar de um universo repleto de símbolos. representação escrita. transformar em palavras nossa visão. lugar de passagem de um ponto para outro. frase. a mesma palavra ou expressão. (Vigotski. comunhão (de bens). do latim communicare. convivência. A vida social está permeada dos mais variados tipos de códigos. ao se admirar com uma paisagem.cada palavra em questão. o substantivo feminino expressão é o ato de exprimir. defender nosso pensamento no papel. caráter e importância. Pois.

falar bem. ler bem e escrever bem. apesar de se tender a admitir. nos jornais e nas revistas. no nosso convívio com o mundo e com as pessoas. o importante é o domínio da língua e não o da gramática. Escrevemos para que nossas idéias sejam divulgadas. Todos nós somos leitores. Portanto. não se sabe escrever porque não se sabe pensar e não se expressa bem o pensamento porque não se sabe escrever. A gramática servirá de reforço para os conhecimentos lingüísticos já adquiridos. transformadas pela nossa experiência. Falar bem é atingir a facilidade de diálogo independente do lugar onde se estiver. Ultimamente a leitura e a redação em classe. Ler bem é uma necessidade do mundo moderno para que o educando possa estar sempre atualizado. Escrevemos baseados na nossa experiência de vida em casa. mas também para os outros. Todos nós somos escritores. Escrevemos a partir das informações que recebemos em História. o papel do educador é primordial. Todavia. Economia. parece-nos que o processo define-se num sentido único e irreversível: o não saber pensar é a causa do não saber expressar-se. importa-nos que essas informações e impressões sejam assimiladas e devolvidas para o mundo. importa-nos que a redação seja uma experiência comum ao grupo. para tal caso. pelas mais diversas razões. Neste aspecto. em todos os campos do conhecimento. Ler e escrever aprende-se lendo e escrevendo.Nossa linguagem nos releva a nós mesmos e ao outros. na rua. Escrevemos com base no que vemos no cinema e na televisão. 3) Violência urbana no Brasil . enriquecidas. Biologia. um moto-contínuo. Escrever bem é capacitar o aluno a redigir em linguagem correta e simples. Seu objetivo deve ser o de conseguir que o aluno saiba escutar bem. estão saindo de moda. discutidas. devendo provocar a discussão e a reflexão. Geografia. em todos os meios de comunicação. por exemplo. Todavia. Matemática. Todos nós devemos saber defender o que pensamos. no clube. No entanto. mas saber expressar-se em português correto. criticadas. O essencial para o educando não é decorar regras gramaticais. Por escutar bem se entende a compreensão exata da mensagem. Este ensino deve partir da prática para a teoria. nos livros e nos cartazes. na escola. Não só escrevemos para nós mesmos. isto é.

É inegável que vivemos dias difíceis, a violência em toda sua plenitude tem envolvido grande parte da sociedade mundial. No Brasil, a violência tem feito milhares de vítimas, em alguns casos esse ato é praticado pela própria família, além de inúmeros outros ocorridos nas ruas. Ao observarmos o quadro atual da violência urbana, muitas vezes não nos atentamos para os fatores que conduziram a tal situação, no entanto, podemos exemplificar o crescimento urbano desordenado. Em razão do acelerado processo de êxodo rural, as grandes cidades brasileiras absorveram um número de pessoas elevado, que não foi acompanhado pela infraestrutura urbana (emprego, moradia, saúde, educação, qualificação, entre outros); fato que desencadeou uma série de problemas sociais graves. A violência urbana tem ocasionado a morte de milhares de jovens no Brasil, é o principal fator de mortandade dessa faixa etária. A criminalidade não é um “privilégio” exclusivo dos grandes centros urbanos do país, entretanto o seu crescimento é largamente maior do que em cidades menores. É nas grandes cidades brasileiras que se concentram os principais problemas sociais, como desemprego, desprovimento de serviços públicos assistenciais (postos de saúde, hospitais, escolas etc.), além da ineficiência da segurança pública. Tais problemas são determinantes para o estabelecimento e proliferação da marginalidade e, consequentemente, da criminalidade que vem acompanhada pela violência. Os bairros marginalizados das principais cidades brasileiras respondem por aproximadamente 35% da população nacional, nesses locais pelo menos a metade das mortes são provocadas por causas violentas, como agressões e homicídios. Isso é explicado quando nos deparamos com dados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde 21% de todas as mortes são provenientes de atos violentos. Essa situação retrata a ineficiência do Estado, que não tem disponibilizado um serviço de segurança pública eficaz à sua população. Enquanto o poder do Estado não se impõe, o crime organizado se institui como um poder paralelo, que estabelece regras de ética e conduta própria, além de implantar fronteiras para a atuação de determinada facção criminosa. Algumas cidades do país apresentam um percentual de mortandade proveniente de atos de violência que equivale aos do Iraque, país em

guerra. O Brasil responde por 10% de todos os homicídios praticados no mundo, segundo dados de um estudo realizado a pedido do governo suíço, divulgado no ano de 2008, em Genebra. Causas da Violência no Brasil Nos últimos anos, a sociedade brasileira entrou no grupo das sociedades mais violentas do mundo. Hoje, o país tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas, como assaltos, seqüestros, extermínios, etc.); violência doméstica (praticadas no próprio lar); violência familiar e violência contra a mulher, que, em geral, é praticada pelo marido, namorado, ex-companheiro, etc... A questão que precisamos descobrir é porque esses índices aumentaram tanto nos últimos anos. Onde estaria a raiz do problema?... Infelizmente, o governo tem usado ferramentas erradas e conceitos errados na hora de entender o que é causa e o que é conseqüência. A violência que mata e que destrói está muito mais para sintoma social do que doença social. Aliás, são várias as doenças sociais que produzem violência como um tipo de sintoma. Portanto, não adianta super-armar a segurança pública, lhes entregando armas de guerra para repressão policial se a “doença” causadora não for identificada e combatida. Já é tempo de a sociedade brasileira se conscientizar de que, violência não é ação. Violência é, na verdade, reação. O ser humano não comete violência sem motivo. É verdade que algumas vezes as violências recaem sob pessoas erradas, (pessoas inocentes que não cometeram as ações que estimularam a violência). No entanto, as ações erradas existiram e alguém as cometeu, caso contrário não haveria violência. Em todo o Mundo as principais causas da violência são: o desrespeito -- a prepotência -- crises de raiva causadas por fracassos e frustrações -- crises mentais (loucura conseqüente de anomalias patológicas que, em geral, são casos raros). Exceto nos casos de loucura, a violência pode ser interpretada como uma tentativa de corrigir o que o diálogo não foi capaz de resolver. A violência funciona como um último recurso que tenta restabelecer o que é justo segundo a ótica do agressor. Em geral, a violência não tem um caráter meramente destrutivo. Na realidade, tem uma motivação corretiva que tenta consertar o que o diálogo não foi capaz de solucionar. Portanto, sempre que houver violência é porque, alguma coisa, já estava anteriormente errada. É essa “coisa errada” a real causa que precisa ser corrigida para diminuirmos, de fato, os diversos tipos de violências. No Brasil, a principal “ação errada”, que antecede a violência é o desrespeito. O desrespeito é conseqüente das injustiças e afrontamentos, sejam sociais, sejam econômicos, sejam de relacionamentos conjugais, etc. A irreverência e o excesso de liberdades (libertinagens, estimuladas principalmente pela TV), também produzem desrespeito. E, o desrespeito, produz desejos de vingança que se transformam em violências.

Outr Causa Violên Amor Preco Apos justa BemCapit Criac Drog Preve Desem Inflaç Segur desem Justiç Liber Demo Eleiçõ Censu Femin Pagan Pai-N Relig Prote

Nas grandes metrópoles, onde as injustiças e os afrontamentos são muito comuns, os desejos de vingança se materializam sob a forma de roubos e assaltos ou sob a forma de agressões e homicídios. Já a irreverência e a libertinagem estimulam o comportamento indevido (comportamento vulgar), o que também caracteriza desrespeito e produz fortes violências. Observe que quando um cidadão agride o outro, ou mata o outro, normalmente o faz em função de alguma situação que considerou desrespeitosa, mesmo que a questão inicial tenha sido banal como um simples pisão no pé ou uma dívida de centavos. Em geral, a raiva que enlouquece a ponto de gerar a violência é conseqüência do nível de desrespeito envolvido na respectiva questão. Portanto, até mesmo um palavrão pode se transformar em desrespeito e produzir violência. Logo, a exploração, o calote, a prepotência, a traição, a infidelidade, a mentira etc., são atitudes de desrespeito e se não forem muito bem explicadas, e justificadas (com pedidos de desculpas e de arrependimento), certamente que ao seu tempo resultarão em violências. É de desrespeito em desrespeito que as pessoas acumulam tensões nervosas que, mais tarde, explodem sob a forma de violência. Sabendo-se que o desrespeito é o principal causador de violência, podemos então combater a violência diminuindo os diferentes tipos de desrespeito: seja o desrespeito econômico, o desrespeito social, o desrespeito conjugal, o desrespeito familiar e o desrespeito entre as pessoas (a “má educação”). Em termos pessoais, a melhor maneira de prevenir a violência é agir com o máximo de respeito diante de toda e qualquer situação. Em termos governamentais, as autoridades precisam estimular relacionamentos mais justos, menos vulgares e mais reverentes na nossa sociedade. O governo precisa diminuir as explorações econômicas (as grandes diferenças de renda) e podar o excesso de “liberdades” principalmente na TV e no sistema educativo do país. A vulgaridade, praticada nos últimos anos vem destruindo valores morais e tornando as pessoas irresponsáveis, imprudentes, desrespeitadoras e inconseqüentes. Por isso, precisamos, também, restabelecer a punição infanto-juvenil tanto em casa quanto na escola. Boa educação se faz com corretos deveres e não com direitos insensatos. Precisamos educar nossos adolescentes com mais realismo e seriedade para mantê-los longe de problemas, fracassos, marginalidade e violência. Se diminuirmos os ilusórios direitos (causadores de rebeldias, prepotências e desrespeitos) e reforçarmos os deveres, o país não precisará colocar armas de guerra nas mãos da polícia para matar nossos jovens cidadãos (como tem acontecido tão freqüentemente). A violência urbana é o mal que assola as comunidades que vivem em centros urbanos. Abrange toda e qualquer ação que atinge as leis, a ordem pública e as pessoas. Muitas são as causas da violência, como: adolescentes desregrados e ilimitados pelos pais, crise familiar, reprovação escolar, desemprego, tráfico em geral, confronto entre gangs rivais, falta de influência política, machismo, discriminação em geral e tantos outros. Apesar de todas as causas citadas acima, a mais importante delas é a má distribuição de renda que resulta na privação da educação e melhores condições de moradia. Todo esse círculo vicioso se origina a partir da falta de condições de uma vida digna que faz com que as pessoas percorram caminhos ilegais e criminosos.

Existem autoridades que acreditam na solução da violência por meio de reforço policial, equipamentos de segurança e na invasão de regiões onde o tráfico se localiza, porém tais situações somente geram maiores problemas, pois nessas situações pessoas inocentes que são vítimas dessa situação acabam sendo “confundidas” e condenadas a pagar por algo que não cometeu. A violência urbana engloba uma série de violências como a doméstica, escolar, dentro das empresas, contra os idosos e crianças e tantos outros que existem e que geram esse emaranhado que se tem conhecimento. Inúmeras são as idéias e os projetos feitos para erradicar a violência urbana, porém cabe a cada cidadão a tarefa de se auto-analisar para que a minúscula violência que se tem feito seja eliminada a fim de que grandes violências sejam suprimidas pela raiz.

A violência se manifesta por meio do abuso da força, da tirania, da opressão. Ocorre do constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer ou deixar de fazer um ato qualquer. Existem diversas formas de violência, tais como as guerras, conflitos étnico-religiosos e banditismo. A violência, em seus mais variados contornos, é um fenômeno histórico na constituição da sociedade brasileira. Desde a escravidão, primeiro com os índios e depois, e especialmente, a mão de obra africana, a colonização mercantilista, o coronelismo, as oligarquias antes e depois da independência, tudo isso somado a um Estado caracterizado pelo autoritarismo burocrático, contribuiu enormemente para o aumento da violência que atravessa a história do Brasil. Diversos fatores colaboram para aumentar a violência, tais como a urbanização acelerada, que traz um grande fluxo de pessoas para as áreas urbanas e assim contribui para um crescimento desordenado e desorganizado das cidades. Colaboram também para o aumento da violência as fortes aspirações de consumo, em parte frustradas pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Por outro lado, o poder público, especialmente no Brasil, tem se mostrado incapaz de enfrentar essa calamidade social. Pior que tudo isso é constatar que a violência existe com a conivência de grupos das polícias, representantes do Legislativo de todos os níveis e, inclusive, de autoridades do poder Judiciário. A corrupção, uma das piores chagas brasileiras, está associada à violência, uma aumentando a outra, faces da mesma moeda. As causas da violência são associadas, em parte, a problemas sociais como miséria, fome, desemprego. Mas nem todos os tipos de criminalidade derivam das condições econômicas. Além disso, um Estado ineficiente e sem programas de políticas públicas de segurança, contribui para aumentar a sensação de injustiça e impunidade, que é, talvez, a principal causa da violência.

N ão há dúvidas de que o maior problema social do país nos últimos anos tem sido a violência e o fracasso do estado no provimento de segurança à sociedade. a repressão controlada e a polícia têm um papel crucial no controle da criminalidade. índice comparável ao de democracias européias e ao dos Estados Unidos. defender e implantar uma política de segurança pública. não só a segurança pública e um judiciário eficiente. Por incrível que possa parecer nos últimos 20 anos o número de assassinatos em nosso país cresceu 237% recente pesquisa divulgada pela ONU indicou que todos os anos 40. Porém. saúde. política. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) o Brasil registra a segunda maior taxa de mortalidade por agressão do mundo. Apresentaremos dados que ilustrarão com muito objetivo o verdadeiro quadro de insegurança que paira sobre o nosso país. nação mergulhada numa guerra civil há mais de 30 anos. verbal. Requer principalmente uma grande mudança nas políticas públicas e uma participação maior da sociedade nas discussões e soluções desse problema de abrangência nacional. o idoso. dentre outros fatores. mas também demanda com urgência. Entretanto. civil e corpo de bombeiros) e federais (rodoviária e federal).244 policiais compreendendo as polícias estaduais (militar. profundidade e extensão a melhoria do sistema educacional. física. Apesar desses números assustadores o Brasil possuí em média um policial para cada 304 habitantes. a . essa repressão controlada deve ser simultaneamente apoiada e vigiada pela sociedade civil. Luiz Eduardo Soares: "Temos de conceber.A violência se apresenta nas mais diversas configurações e pode ser caracterizada como violência contra a mulher. A solução para a questão da violência no Brasil envolve os mais diversos setores da sociedade. dentre outras. nosso efetivo é de 535. estando atrás apenas da Colômbia. habitacional. divulgar. Conforme sustenta o antropólogo e ex-Secretário Nacional de Segurança Pública . Em um Estado democrático.000 pessoas perdem suas vidas no Brasil vítimas da violência. a criança. isso representa 11% das vítimas de todo o planeta. violência sexual. sem prejuízo da preservação de nossos compromissos históricos com a defesa de políticas econômico-sociais. violência psicológica. Os dois não são contraditórios" . oportunidades de emprego.

Hoje existe um grande debate na sociedade sobre o uso ou não das Forças Armadas no combate à violência urbana. ou seja. quando solicitadas. até porque não possuem armamentos nem treinamento para ações em áreas urbanas. As Forças Armadas não tem poder de polícia. isso sem contarmos os quadros das empresas clandestinas. não podemos confundir jamais os conceitos de segurança pública e de defesa nacional. no Brasil. já em 2002 esses números chegaram à 2. ou seja.926.361 vigilantes.553 armas. em 2000 os registros da Polícia Federal apontavam a existência de 1. desse total 55% estão em poder da população e 41% nas mãos dos órgãos de segurança dos estados. nessas empresas trabalhavam 833.276.343 no Rio de Janeiro (3. sendo 200 mil só no Brasil. organizadas com base na hierarquia e disciplina e tem como missão a defesa da soberania nacional. São Paulo. ou seja. a garantia dos poderes constitucionais e.polícia brasileira não está distribuída de maneira uniforme pelo território nacional.4 para cada 100 habitantes).947 em São Paulo (1. cinco estados concentram 55% do efetivo total.920. importante frisar que essas são instituições permanentes. Minas Gerais. . 3. O Sistema Nacional de Armas apresenta 2. Bahia e Rio Grande do Sul. se somarmos esses números chegaremos a 1. segundo outras fontes.3 milhões de armas anualmente. Rio de Janeiro. em situações emergenciais. é bastante desigual: há 937. no entanto. mAntida essa média existiriam no país aproximadamente 5 milhões de armas de fogo.2 para cada 100 habitantes). não devem ser empregadas em funções de segurança pública ou no combate a movimentos sociais e ao crime organizado. 495. A insegurança do cidadão comum acabou incentivando o surgimento de milhares de novas empresas de segurança privada. Como ilustração posso citar que são produzidos no mundo 4.1 para cada 100 habitantes.368.517 armas registradas. sua distribuição.263 armas registradas no Rio Grande do Sul (9. havia 60% mais vigilantes particulares do que policiais em nosso país. Relatório do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra mostra que há 550 milhões de armas de fogo de pequeno porte no mundo. também a manutenção da lei e da ordem.3 para cada 100 habitantes) e 493.

que incorporou valores sociais. a função do Estado é prestar segurança (do latim secure. pois. permitindo a todos o gozo dos seus direitos assegurados pela Constituição. Como conseqüência da ação da polícia o número de encarcerados cresce de maneira também assustadora sem que haja capacidade do sistema prisional de absorver esses excluídos da sociedade. significa "sem medo") aos seus cidadãos. O poder de polícia. firmou-se como consenso "ausência de perturbação e disposição harmoniosa das relações sociais" (NETO. a Aeronáutica de 65. lamentavelmente o estado conseguiu disponibilizar no último ano apenas 3. reflexo de uma convivência pacífica e harmoniosa entre os indivíduos. o conceito de segurança pública está ligado ao de poder de polícia.043. O déficit de no sistema prisional brasileiro é de mais de 100. 1998:71). em nível capaz de preservar a ordem pública. Numa ótica tradicionalista. estando a ordem pública assimilada à ordem interna do grupo. o decoro e a estética" (NETO. Moldou-se. ocorre que 77.900 novas . segurança pública seria a garantia dada pelo Estado de uma convivência social isenta de ameaça de violência. a salubridade. nos dias de hoje esse número ultrapassa os 340.000.No Brasil.993 militares. por meio do exercício do poder de polícia. Sob esse prima.000 vagas. em níveis nacional e internacional. enquanto deveriam estar em presídios. um novo conceito de segurança pública. o poder de polícia sofreu limitações. mas o Welfare State fez ressurgir a segurança preocupada com todos os campos da vida humana. Em junho de 2003 existiam 284.774 encarcerados encontram-se detidos em delegacias de polícia. Dentre as várias correntes.989 encarcerados em nosso país. Com o surgimento do chamado Estado de Direito. notadamente a segurança. e a Marinha de 61. garantindo-lhes a sua incolumidade física e moral.067. segurança pública foi conceituada como a garantia da ordem pública interna. Então. 1998:71). o Exército possui um efetivo de 202. em outras palavras. o atendimento de valores mínimos da convivência social. assim passou a ser definido: "…atividade administrativa do Estado que tem por fim limitar e condicionar o exercício das liberdades e direitos individuais visando a assegurar.

O combate à violência é um clamor social. Os investimentos em segurança pública estão muito aquém do necessário. Apesar dos poucos recursos os mesmos ainda sofrem cortes e passam por contingenciamentos. isso jamais acontecerá enquanto não houver um órgão com forte e autônomo responsável pela elaboração e execução dessa política. em 2003 o comprometimento de recursos federais com a segurança pública representou apenas 0. Em 2002. não nos parece razoável que a Secretaria Nacional de Segurança Pública continue como mais um órgão da estrutura do Ministério da Justiça. por exemplo. Proporcionalmente. es Estados Unidos investem 70 vezes mais que o Brasil no combate à violência. Não há de se falar em justiça social quando o estado busca um superávit à custa de vidas. enquanto a união gastou apenas 2. nos últimos anos crescem os gastos dos estados e municípios no combate à violência enquanto diminuem os investimentos federais. ou seja. aproximadamente 36 milhões a mais que 2003. Esses dados mostram claramente a falta de vontade política no efetivo combate a esse mal que assola todos o país. estados e municípios investiram 22 bilhões de reais no combate a violência. dividindo espaço e atenção com a FUNAI e o CADE.vagas.5 bilhões. A Secretaria Nacional de Segurança Pública conta em 2004 com um orçamento de 366 milhões de reais. faz-se necessária à implementação de uma série de ações governamentais voltadas à solução desse imenso problema. uma perspectiva nada animadora. porém 56 milhões a menos que 2002. por óbvio que a vontade política é o ponto de partida dessa luta. é .16% do PIB. os recursos não investidos no combate a violência só aumentam as estatísticas de vítimas por morte violenta em nosso país. O governo federal deve repensar sua responsabilidade na gestão de políticas públicas eficientes na área da segurança pública. nossos índices nos apontam como um país 88 vezes mais violento que a França. no exercício fiscal de 2002 foram executados 72% do previsto e em 2003 apenas 28%.

A insegurança não pode mais ser utilizada como argumento em discursos políticos e jurídicos ou devo dizer jurídico-políticos. Não há um modelo pronto e acabado que resolverá de vez o problema da violência. A seca incide no Brasil. voltado única e exclusivamente para o combate à violência e implementação de políticas de segurança. caracterizado pelo atraso na precipitação de chuvas ou a sua distribuição irregular. que acaba prejudicando o crescimento ou desenvolvimento das plantações agrícolas. caput. vários caminhos a serem percorridos. calcada na solidariedade e na cooperação. assim como pode atingir a África. . nem exclusivo do Nordeste brasileiro.passada a hora da segurança pública merecer um ministério próprio. a Austrália e a América do Norte. sim. apresenta uma relativa periodicidade e pode ser previsto com uma certa antecedência. todos eles priorizando a ação conjunta do governo e sociedade. Ocorre com freqüência. Nunca é demais recordar que a Segurança Pública é posta como direito e responsabilidade de todos pela própria Constituição Federal em seu art. 144. como instrumento de manipulação da população para acrescentar mais fios à teia de aranha legislativa que possuímos. O problema não é novo. Mutatis mutandis. Há. 4) Enchentes X Seca no nordeste A seca no Nordeste Última atualização: 09/10/2007 13:04:46 Recomende esta página para um amigo Imprimir Índice "Você Sabia?" Trata-se de um fenômeno natural. é o que pretendemos demonstrar aqui. a Ásia.

verdadeiramente. ao largo do litoral do Peru e do Equador. excepcionalmente. que se relacionam com o movimento atmosférico. a topografia e a alta refletividade do solo). a seca é absoluta. provoca uma crise social e se transforma em um problema político. Depende do índice de precipitações pluviométricas. tais como o desflorestamento. o fenômeno aparece com intervalos próximos a dez anos. que consiste no aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico. temperatura da região. mas não permitem o desenvolvimento normal dos plantios agrícolas. As secas são conhecidas. Quando há uma deficiência acentuada na quantidade de chuvas no ano. quantidade de chuvas. Essas variações climáticas prejudicam o crescimento das plantações e acabam provocando um sério problema social. ainda. em situação de extrema pobreza. quando as chuvas são suficientes apenas para cobrir de folhas a caatinga e acumular um pouco de água nos barreiros e açudes. quatro e. pois a constante destruição da vegetação natural por meio de queimadas acarreta a expansão do clima semi-árido para áreas onde anteriormente ele não existia. uma vez que expressivo contingente de pessoas que habita a região vive. As conseqüências mais evidentes das grandes secas são a fome. dá-se a seca verde. de acordo com registros históricos. Em outros casos. impedindo a formação de chuvas em determinados locais). A seca se manifesta com intensidades diferentes. Muitas têm sido as causas apontadas. A seca é o resultado da interação de vários fatores. no Brasil. Ressalte-se. até cinco anos. A ação do homem também tem contribuído para agravar a questão.No Nordeste. relevo topográfico e manchas solares. podendo se prolongar por períodos de três. A seca é um fenômeno ecológico que se manifesta na redução da produção agropecuária. e de outros internos (como a vegetação pouco robusta. desde o século XVI. o fenômeno "El Niño". inferior ao mínimo do que necessitam as plantações. a . alguns externos à região (como o processo de circulação dos ventos e as correntes marinhas.

7 ). geadas e secas. Lá o problema é outro. que possui água em abundância. a miséria e a migração para os centros urbanos (êxodo rural). também apresenta condições de vida desumanas. Manoel Correia. devido às enchentes. O primeiro fato se manifesta na introdução de culturas de dificil adaptação às condições climáticas existentes e do uso de técnicas de utilização dos solos não compatíveis com as condições ecológicas da região. não falta água no Nordeste. Os problemas que sucedem as secas resultam de falhas no processo de ocupação e de utilização dos solos e da manutenção de uma estrutura social profundamente concentradora e injusta. Esses aspectos agravam os resultados das secas e provocam a destruição da natureza..desmitificar a idéia de que a seca. p. (Andrade. acontecem em qualquer parte do mundo. como enchentes. A questão da seca não se resume à falta de água. Crises climáticas periódicas. é responsável pela fome e pela miséria que dominam na região. sendo um fenômeno natural. como se esses elementos estivessem presentes só aí". Faltam soluções para resolver a sua má distribuição e as dificuldades de seu aproveitamento. assim como diversas outras regiões brasileiras. à proliferação de doenças tropicais. pois o meio ambiente mostra-se inóspito. só se transformam em flagelo social quando precárias condições sociais. A seca: realidade e Mito. O segundo ocasiona o controle da propriedade da terra e do processo político pelas oligarquias locais. . A rigor. Porém. aos solos pobres.desnutrição. prejudicando a agricultura. Com uma população muito inferior à nordestina. a Amazônia. É "necessário desmitificar a seca como elemento desestabilizador da economia e da vida social nordestina e como fonte de elevadas despesas para a União . dos recursos destinados ao combate à pobreza da região.. a poluição dos rios e a exploração por parte os grandes proprietários e altos comerciantes. no que se denomina de "indústria da seca". Em alguns casos tornam-se calamidades sociais.

México.000 km2. e aproveitam-se da divulgação dramática das secas para não pagarem as dívidas contraídas. na sua maior parte. o Polígono das Secas. Além do aspecto natural. Israel. valendo-se de seus aliados políticos.políticas e econômicas assim o permitem. Chile ou Senegal. Nordeste . Peru. em 1951 (Lei n° 1. Beneficiam-se dos investimentos realizados e dos créditos bancários concedidos. Delimitado pelo Governo Federal. equivale a mais da metade do: território da região Nordeste (52. Não raro aplicam os financiamentos obtidos em outros setores que não o agrícola. estadual e municipal. em escala federal. que vai desde o Piauí até parte do norte de Minas Gerais. com uma dimensão de 950. O clima é semi-árido e a vegetação de caatingas. interferem nas decisões tomadas.7%). enquanto é protelada a busca de soluções para os problemas sociais e de oferta de trabalho às populações pobres. O solo é raso. Os grupos dominantes têm saído fortalecidos. Os grandes latifundiários nordestinos. e a evaporação da água de superfície é grande. Regiões semi-áridas e áridas do mundo são aproveitadas pela agricultura.348). por meio do desenvolvimento de culturas secas ou culturas irrigáveis. Essa é a área mais sujeita aos efeitos das secas periódicas. .Indústria da seca Última atualização: 09/10/2007 13:04:33 Recomende esta página para um amigo Imprimir Índice "Você Sabia?" O fenômeno natural das secas no nordeste ensejou o surgimento de um fenômeno político denominado indústria da seca. surgiu um fenômeno político denominado indústria da seca. como acontece nos Estados Unidos.

619. nascia nova postura distinta da solução hidráulica na política anti-seca. que procuram eternizar o problema e impedir que ações eficazes sejam adotadas. foi criada a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste -Sudene (atualmente extinta e com projetos de ser recriada em novos moldes). como forma de proporcionar apoio para que a agricultura suportasse os períodos de seca.Os trabalhadores sem terra (assalariados. A idéia era de criar uma instituição de crédito de médio e longo prazos especifica para o Nordeste. poços. com a finalidade de centralizar e unificar a direção dos serviços. arrendatários. criou-se a Comissão do Vale do São Francisco (CVSF). Nessa ótica foi criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (Decreto n°-7. açudes. A questão da seca provocou diversas ações de governo. ocupantes) são os mais vulneráveis à seca. Na época em que a Constituição brasileira de 1946 estabeleceu a reserva no orçamento do Governo de 3% da arrecadação fiscal para gastos na região nordestina. basicamente. barragens. A tragédia da seca encobre interesses escusos daqueles que têm influência política ou são economicamente poderosos. voltado tanto para o problema das secas . Procurava-se estabelecer um novo modelo de intervenção. Foram. organismo constituído para estudar e propor diretrizes para o desenvolvimento da economia nordestina. abandonando-se a ênfase em obras em função do aproveitamento mais racional dos recursos. a diretriz traçada pelo Governo Federal para o Nordeste e prevaleceu. o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). As primeiras iniciativas para se lidar com a questão da seca foram direcionadas para oferecer água à zona do semi-árido. porque são os primeiros a serem despedidos ou a terem os acordos desfeitos. visando à execução de um plano de combate aos efeitos das irregularidades climáticas. Com o propósito de utilizar o potencial de geração de energia do Rio São Francisco. até meados de 1945. então. em 1952. de 21 de outubro de 1909). hoje denominada Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e. com o objetivo de diminuir a disparidade existente em relação ao Centro-Sul do país. pelo menos. parceiros. foi fundada (1945) a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). atual Dnocs. iniciadas as construções de estradas. A idéia de resolver o problema da água no semi-árido foi. Em 1948. Em dezembro de 1959.

açudes. Várias têm sido as proposições formuladas: . Os problemas das secas somente serão superados por profundas transformações sócioeconômicas de âmbito nacional. . a exemplo do que ocorre na Índia. considerados fracassados. foi instituído o Programa de Desenvolvimento de Terras Integradas do Nordeste (Polonordeste).Instituir a agricultura irrigada nas áreas onde houver disponibilidade de água e desenvolver a agricultura seca. tem-se apelado para a distribuição de alimentos. inovando com a destinação de recursos para os pequenos produtores. como substitutos do milho. China e no oeste dos Estados Unidos. de plantas xerófitas (que resistem à falta de água) e de ciclo vegetativo curto. surgiu o Programa de Redistribuição de Terra e de Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste (Proterra). por meio de cestas básicas e frentes de trabalho. por meio de uma Reforma Agrária que faça justiça social ao trabalhador rural. O Projeto Sertanejo. A partir da seca de 1970. dirigidas para a construção de estradas. com o objetivo de promover uma reforma agrária pacifica no Nordeste. . pela compra de terra de fazendeiros.quanto para o Nordeste como um todo. lançado em 1976. Com o propósito de incorporar os projetos anteriores. foi implantado o Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (Projeto Nordeste). Alimentos como o sorgo e o milheto. viria atuar nas áreas do semi-árido visando a tornar a sua economia mais resistente aos efeitos da seca. . de modo espontâneo e por preço de mercado. Em 1974. em 1985.Transformar a atual estrutura agrária. para promover a modernização da agropecuária em áreas selecionadas da região. pela associação entre agricultura irrigada e agricultura seca. propondo-se a erradicar a pobreza absoluta. seriam importantes para o Nordeste. pontes. em 1971.Estabelecer uma Política de Irrigação que adote tecnologias de mais fácil acesso aos trabalhadores rurais e que sejam mais adaptadas à realidade nordestina. concentradora de terra e renda. criadas para dar serviço aos desempregados durante o período de duração das secas. Como ações emergenciais.

Medidas estruturadoras e concretas são necessárias para que os . diante da diversidade de órgãos que lidam com o assunto. Não é possível se eliminar um fenômeno natural. com o aproveitamento da água acumulada nas grandes represas. O Nordeste é viável. especialmente no aspecto ecológico. bem como oferecer oportunidades de trabalho à mão-de-obra da região.Proporcionar o acesso ao uso da água. de cisternas rurais. perfuração de poços.. . em Israel. no que se refere à pecuária. As secas vão continuar existindo. eliminando-se o excesso de gado nas pastagens. açudes e barreiros. que destrói a matéria orgânica existente. . Mas é possível conviver com o problema. construção de barragens subterrâneas.Corrigir as práticas de ocupação do solo. . a população local consegue desfrutar de um bom padrão de vida.Implantar o Projeto de Transposicão das Águas do Rio São Francisco para outras bacias hidrográficas do semi-árido regional.Estimular o uso racional da vegetação nativa (caatinga) para carvão e comercialização de madeira-de-lei. que respeite a realidade em que vive o nordestino. dando-lhes condições de acesso à terra e ao trabalho. com a implantação de indústrias que beneficiem matérias-primas locais. Não pode ser esquecida a questão do gerenciamento das diretrizes adotadas. Em áreas mais áridas que as do sertão nordestino. visando à diminuição de custos com transporte. Soluções implicam a adoção de uma política oficial para a região. por conta da venda de madeira e lenha. O semi-árido é uma região propícia para a agricultura irrigada e a pecuária. .Estabelecer uma Política de Industrialização. Precisa apenas de um tratamento racional a essas atividades. do que propriamente das secas de que é vítima. que pode ocasionar sérios danos sobre pastos e solos. e o desmatamento. a queima de pastos. Seus maiores problemas são provenientes mais da ação ou omissão dos homens e da concepção da sociedade que foi implantada. como as do deserto de Negev. por parte da população atualmente excluída.

atenderam os interesses de uma minoria. dirigentes e proprietários da região logo previram o término de seus dias de glória. o que era. Afinal. Os problemas sociais existem em todo o Nordeste. que se apropriaram ilicitamente das verbas ou as utilizaram em beneficio próprio.dramas das secas não continuem a ser vivenciados. até meados do século XIX. eles poderiam . Já naquela época. embora. Tudo isso caracteriza a chamada "indústria da seca". necessariamente. Essa "indústria" aumentou ainda mais as disparidades entre proprietários e trabalhadores rurais. inaceitável para os grandes proprietários de terra. Questões como a distribuição de renda e de terras costumam ser deixadas de lado nas discussões. Divulgando uma situação de calamidade pública. verbas de emergência e renegociação de empréstimos. As atenções na época voltavam-se para a Zona da Mata e para os engenhos de açúcar. O sertão nordestino sempre conviveu com a seca. Essa situação serviu para preservar o coronelismo e muitas vezes reforçar o clientelismo. Entrava em cena o poder das elites locais com o objetivo de bloquear qualquer ação do poder central que pudesse vir a ameaçar o statu quo. seus governantes e a elite local não a encarassem como um problema. que passar por uma reformulação do sistema de posse e uso da terra. o dinheiro público é usado para a construção de açudes e para o desenvolvimento de projetos de irrigação. voltaram seus olhos para a seca e para a miséria do sertão. tudo indicava que qualquer solução para o problema teria. Esse termo vem sendo utilizado nos últimos anos para explicar o que aconteceu com os investimentos realizados pelo governo federal. elas muitas vezes inviabilizam as atividades econômicas no sertão. em larga medida. e continua sendo. em função dos problemas ali existentes. Mas a seca não é a única responsável por toda a situação. Na segunda metade do século XIX. Muitas vezes. mas a culpa pela miséria da região sempre recaiu sobre o fenômeno das secas. Grupos políticos e econômicos aproveitam-se do flagelo da região em benefício próprio. uma série de medidas que eternizam o problema para impedir que o auxílio desapareça. ou seja. essa elite consegue ajuda governamental – como anistia das dívidas. De fato. quando o café plantado no Sudeste se transformou no principal produto de exportação do país. Por isso. Tais auxílios nem sempre beneficiam a população afetada pela estiagem. dizimando o gado e fazendo com que os sertanejos deixem suas terras em busca de melhores condições de vida.

Pelo Censo de 1950. A seca de 1932 foi tão catastrófica quanto a de 1877. A vegetação não se recuperou. Um número de sertanejos quase quatro vezes maior do que o da população de Fortaleza ocupou a capital cearense. buscando fugir da seca. Com a seca criou-se o conceito do retirante – o homem que deixa sua terra para escapar dos efeitos da estiagem. Nas secas seguintes. em 1915. Essa retirada ficou conhecida como a "Marcha para o Oeste". a fim de povoar os sertões do Mato Grosso. encantado com uma visita que fizera ao Egito. Foram organizados sete campos de concentração no Ceará. mandou importar camelos do Saara. fome. Eles eram recrutados para trabalhar de forma compulsória nas obras públicas. onde ficaram reunidos mais de 105 mil retirantes. as secas sucediam-se com maior ou menor intensidade. o sertão transformou-se. Antes da ocupação portuguesa. pois pretendia criá-los para salvar o sertão. A varíola fez centenas de mortos no Campo do Alagadiço. para impedir que os retirantes se dirigissem à capital. o Rio Grande do Sul passou a vender seu charque aos mercados que antes adquiriam a carne-seca sertaneja. o governo abandonou a formação dos campos de concentração e começou a estimular o sertanejo a abandonar em definitivo suas terras. crianças e bois morreram em grande número. eram muito mais graves. verificou-se que mais de 2 milhões de nordestinos haviam migrado para outras regiões do país. Os problemas. A pecuária acentuou seus efeitos e a Grande Seca (1791 a 1793) tornou a vida na região bem mais difícil. na principal imagem do atraso do Brasil. mulheres. Homens. as grandes metrópoles do Sudeste tornaram-se o destino da maioria desses retirantes. o governo cearense criou campos de concentração nos arredores das grandes cidades. nos quais recolhia os flagelados. próximo a Fortaleza. A falta de condições sanitárias e de comida completou o trágico quadro. Entre 1950 e 1980. Durante a estiagem de 1877 a 1880. D.pleitear auxílio ao governo central. Na estiagem seguinte. entretanto. O resultado disso foram epidemias. Passou a planejar a migração maciça dos sertanejos para o oeste. saques e crimes. pela primeira vez o governo procurou instituir uma política de salvação para a região. Embora sofresse com a seca há tempos. Além disso. . onde se espremiam mais de 8 mil pessoas na seca de 1915. a partir do século XIX. Pedro II.

Só em 1993. O centro da tragédia tem sido as bacias dos rios Mundaú e Paraíba nos estados do Alagoas e Pernambuco.000 desabrigados. estima-se que 80% das residências foram destruídas. caso contrário. ele reproduz parte da prece na qual os sertanejos pedem a mediação do santo para trazer a chuva. comparada a um tsunami por pessoas da região. o Nordeste brasileiro foi atingido por enchentes arrasadoras. Mesmo assim. Gilberto Gil compôs. fazendas. Enchentes Devastadoras Estão Ligadas a Rompimento de Barragens Fri. AL. se a chuva cair até 19 de março. Depois de séculos observando as condições do clima. retirantes para trabalhar em obras públicas. a letra de Procissão. em junho. a Comissão Pastoral da Terra identificou 146 ações de multidões (invasões ou saques) em 55 cidades do Ceará. 07/09/2010 . deixando mais de 50 vítimas fatais e uma estimativa de 150. Na cidade de Branquinha. No Nordeste. Pelo calendário católico. que por isso se tornou objeto da devoção popular sertaneja. devastou cidades. haverá água suficiente para suas plantações. onde uma inesperada enchente descomunal. Dam burst on Mundaú River. No entanto. em 1979. especialmente na região do sertão. .10:54am View this page in: English By: Lilian Alves and Brent Millikan Este post foi escrito pela Estagiária do Programa da Amazônia Lilian Alves e pelo Diretor do Programa da Amazônia Brent Millikan. os sertanejos concluíram que. Rio Largo town. o ano será seco. pontes e até fábricas. o problema do sertanejo jamais foi solucionado. em 1964. que assolam uma população que já sofre com pobreza extrema. in the state of Alagoas (Leo Caldas/Revista Veja) O Nordeste do Brasil é conhecido por seus periódicos episódios de seca. Em seus primeiros versos.Os municípios nordestinos passaram a contratar. esse é o Dia de São José.

significam que a probabilidade de um acidente com represas é muito maior. como aconteceu ao longo do rio Mundaú. tanto antigas quanto novas. no segundo caso tipicamente para grandes plantações de cana-de-açúcar. Tais fatores. Ano passado. resultando na perda da capacidade de retenção de água. Segundo a ONG Contas Abertas. erosão do solo e sedimentação do curso de rios. No caso do rio Mundaú. ao menos seis episódios foram registrados em diferentes partes do país. especialista em risco ambiental e gerenciamento de bacias hidrográficas na Universidade Católica de Brasília. Segundo Renata Andrade. Na região Nordeste. Também precisamos pensar sobre . “Frequentemente. do estado do Pará no Norte à Minas Gerais e Rio de Janeiro no Sudeste. Mais da metade dos fundos foram destinados ao estado da Bahia. as populações vivendo rio abaixo de represas são altamente vulneráveis às enchentes. O rompimento dessas represas reflete a falta de precauções adequadas durante a construção e manutenção de barragens públicas e privadas. a maioria delas construídas com muito pouco ou mesmo nenhum cuidado com segurança ou impactos ambientais. especialmente para a monocultura da cana. Outro problema sério é a falta de planejamento urbano adequado em pequenas e grandes cidades.” Evidências apontam o mal uso de dinheiro público para a prevenção de enchentes e resposta de emergência no Nordeste. Nos últimos cinco anos. um dos estados devastados pela enchente dos rios Mundaú e Paraíba. não havia sequer um sistema de alerta para informar as populações locais dos riscos eminentes do rompimento de represas e a enchente que veio em seguida. Os últimos rompimentos de barragem no Nordeste evocam um problema que continua a se repetir. que citou um estudo recente alertando que mais de 200 represas no Brasil correm sério risco de acidentes. devido à falta de precaução nas barragens e programas de preparo para emergências. esta enchente sem precedentes está diretamente ligada a uma série de rompimento de barragens ao longo dos dois rios e seus afluentes (embora políticos locais tenham negado inicialmente tal informação). especialmente onde as represas mais antigas predominam.Além das chuvas intensas e um índice anormal de alta pluviosidade. ao longo de áreas inundáveis que são ocupadas pelos rios durante episódios periódicos de intensa chuva. As enchentes devastadoras no Nordeste também estão ligadas ao desmatamento da vegetação nativa de encosta. “Temos que encarar essa situação por meio de ações de prevenção e de precaução para evitar desastres com efeito dominó de rompimento de represas. somados a chuvas extremas relacionadas a mudanças no sistema climático. Alagoas.000 pequenas e médias represas. onde o ex-Ministro Geddel Vieira está concorrendo ao cargo de governador. o rompimento da represa de Algodões I no Piauí foi comentado no blog de Glenn Switkes. é estimado que haja no mínimo 100. Segundo a Professora Andrade. aparentemente não recebeu dinheiro algum. o Ministério de Integração Nacional investiu apenas 14% dos US$ 279 milhões no último orçamento para prevenção de disastres na região.

sete vezes mais. Enchentes: governo gastou apenas 14% dos recursos de prevenção Leandro Kleber Do Contas Abertas Apesar das constantes tragédias ocorridas em decorrência das chuvas que atingem estados de Norte a Sul do país há décadas. O programa também prevê a proteção superficial com materiais naturais e artificiais. desembolsou apenas 14% (R$ 70. restabelecimento das atividades essenciais e recuperação dos danos causados pelas tragédias. às propriedades e ao meio-ambiente como um todo. responsável pelo programa de “prevenção e preparação para desastres”. um projeto de lei criando o Programa Nacional de Segurança de Represas (PLC 168/09) foi finalmente aprovada pelo Congresso Brasileiro. para evitar que se continue aumentando ameaças à população. mesmo até março. há ainda previsão de recursos para a realocação provisória de famílias afetadas pelos desastres. antes que outro desastre aconteça. incluindo contenção de encostas. somente R$ 39 milhões haviam sido aplicados em obras e serviços de caráter preventivo em áreas de risco. um sistema de gerenciamento de risco com inspeções de segurança e procedimentos e um plano de emergência para represas.3 milhões previstos para serem usados neste ano. O Ministério da Integração Nacional. incluindo regras para responsabilização em caso de rompimento de represas. a pasta aplicou R$ 535 milhões no programa de “resposta aos desastres e reconstrução”. Enquanto isso. .” Observação: em abril. desassoreamento. Além disso. retificação e canalização de rios e córregos. A nova lei propõe a criação de uma comissão nacional para a segurança de represas. O projeto de lei foi proposto após o desastre causado pelo rompimento de Algodões I no Piauí. barreiras vegetais e obras como pontes e viadutos de pequeno porte. O nível de implementação da nova lei e a sua efetividade ainda precisam ser avaliados. O montante autorizado para a rubrica de prevenção aumentou R$ 158 milhões entre março e junho. muros de gravidade. aterros reforçados. estaduais e municipais ainda gastam pouco com ações de prevenção. Já o programa de “resposta aos desastres e reconstrução” inclui ações de socorro e assistência às pessoas afetadas por calamidades. drenagem superficial e subterrânea. os governos federal.6 milhões) dos R$ R$ 508. por exemplo. Mas.como estamos desenvolvendo nossas bacias hidrográficas dentro de novos cenários de mudança climática. Precisamos urgentemente melhorar a segurança das represas e repensar a situação atual de uso da terra.

“É como diz o velho ditado: o brasileiro só fecha a porta depois que é roubado. Assim. alerta Oswaldo Filho. há previsão de recursos para construção de pontes e viadutos de pequeno porte. quando acontecem os eventos”.1 bilhões no orçamento de 2010 para custeá-lo. para que. Ivone Valente. talvez tivéssemos evitado muitas lágrimas e muita dor. "Nosso orçamento é muito em função dos próprios desastres. ou seja. a secretária Nacional de Defesa Civil. Ivone Valente ressaltou ainda que a Secretaria de Defesa Civil Nacional. que são recorrentes em todos os anos”. porque a demanda é em função das ocorrências. na qual a legislação é muito clara. nossos recursos vêm por meio de medidas provisórias. disse. como a água tem de escorrer para algum lugar. existe no Brasil um descaso generalizado nas ações preventivas. argumenta que em todos os anos diversas regiões são castigadas com chuvas e secas decorrentes da desorganização urbana. bem como obras para abrigar provisoriamente famílias que se encontram em situação de risco. De acordo com a descrição oficial do programa de prevenção a desastres.6 milhões desembolsados nas ações de resposta equivalem a 26% do autorizado para o ano. por exemplo. No entanto. possamos pagar a primeira parcela. é um ato irresponsável e isso pode ser evitado. Em entrevista ao Contas Abertas no começo do ano. O Ministério do Planejamento entende que não há como prever que volume será preciso. Para o professor de geologia do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília José Oswaldo Filho. De acordo com o geólogo. . lamenta. além de parecer jurídico. O município convenente precisa apresentar o projeto básico. não tem a missão de realizar grandes obras de prevenção. ou seja. A ocupação urbana faz com que as áreas de impermeabilização do solo aumentem. três vezes mais do que a quantia autorizada ao programa de prevenção. A reportagem entrou em contato com o Ministério da Integração Nacional para saber se houve contingenciamento de recursos no programa de prevenção a desastres. “Os recursos de prevenção estão na modalidade de convênio. argumentou. É muito mais fácil prevenir do que remediar. “Uma ocupação desordenada às margens de um rio. E se esse planejamento orçamentário fosse realmente seguido. onde se sabe que há um nível mínimo e máximo de cheia das águas. a licença ambiental. Então. ligada à Integração Nacional. existem ciclos naturais que não permitem evitar os desastres. em seguida.Estão previstos R$ 2. A assessoria de imprensa informou que não houve nenhum bloqueio de recursos. ela vai acumular mais em determinados pontos”. Há ainda as dificuldades administrativas das prefeituras na elaboração dos projetos”. o responsável técnico e uma lista de 14 documentos. afirmou que as exigências dos convênios que devem ser firmados entre os entes federativos interferem na aplicação dos recursos do programa de prevenção a desastres. Os R$ 542.

as nuvens ficaram mais carregadas por conta do aquecimento das águas do Oceano. . da Climatempo. porém.explica a meteorologista Fabiana Weykamp. O fenômeno. o que favorece a formação de mais nuvens carregadas de chuva . Em três dias. A consequência disso é que águas mais quentes provocam maior evaporação. choveu o que deveria chover no mês todo. O Globo SÃO PAULO . entre 1. . das 9 horas do dia 15 e às 9 horas do dia 18 . conhecido como Onda de Leste.foram acumulados aproximadamente 350 mm de chuva. entre 1.Meteorologista fala sobre a importância das matas ciliares para conter chuva Aquecimento do Atlântico e nuvens trazidas por 'Onda de Leste' causaram as chuvas no Nordeste Plantão | Publicada em 25/06/2010 às 11h40m Anderson Hartmann.5 e 2 graus acima do comum " O resultado foi um volume acima do normal de chuva.As fortes chuvas que causaram destruição no Nordeste foram causadas por ventos que sopraram da costa da África para o Nordeste brasileiro. período de chuvas no Nordeste.6 mm. " As águas do Atlântico estão mais quentes que o normal. Este ano. O volume normal para todo o mês de junho na cidade é de 389. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Este ano. que arrasta as nuvens sobre o Atlântico é comum nos meses de abril a julho.uma na primeira e outra na terceira semana de junho.5 e 2 graus acima do comum.As águas do Atlântico estão mais quentes que o normal. A mudança nos padrões climáticos também tem feito com que as frentes frias vindas do Sul do país alcancem o Nordeste com mais frequência. duas frentes frias já conseguiram ultrapassar as regiões Sul e Sudeste e chegar à região .

. Natal e Recife. Segundo a meteorologista. quando colocados em uma situação inesperada.Por causa disso. levou mais chuva para Alagoas e também intensificou as nuvens carregadas sobre Pernambuco. com mais asfalto . sociais. o que também contribuiu para o aumento do volume de chuva. a chegada da primeira frente fria reforçou as nuvens carregadas sobre o estado. . " Nós não somos preparados.opina Fabiana. à exceção da região Norte do país. entre os dias 3 e 5 de junho. onde o volume de chuva pode ficar entre 30 e 60 mm . Agreste e Litoral. Nós ainda desconhecemos e ignoramos a sócio diversidade nativa contemporânea dos povos indígenas. Em Alagoas. A segunda frente fria. Passados quase quinhentos anos da chegada da esquadra de Pedro Alvares Cabral ao que hoje é a costa brasileira. Ela deve se mover e chegar ao Pernambuco. os totais acumulados de precipitação no mês de junho excederam os 500 mm em Maceió. com a urbanização. religiosas. Não é a primeira vez que o estado de Alagoas foi atingido por intensas chuvas. que chegou na semana passada. mais de 20 mil desabrigados e danos materiais estimados em R$ 200 milhões. houve uma mudança na direção dos ventos. o saldo dos prejuízos foi de 31 mortos. para suportar um evento extremo de chuva como esse " Em Alagoas. 5) Questão indígena atual no Brasil A QUESTÃO INDÍGENA Marina Azem* A atitude mais antiga e profundamente enraizada nos humanos.prevê Fabiana.Uma frente fria já está na Bahia e causa chuva no estado. O conhecimento da diversidade sociocultural no Brasil de hoje se encontra restrito aos muros das Universidades e a limitados círculos . morais e culturais mais distintas daquelas com as quais se identificam (etnocentrismo). E a situação piora com o aumento da população. Em 2004. a previsão é de que volte a chover na região neste fim de semana. na Zona da Mata. à exceção da região Norte do país. como é a situação de estar frente a uma sociedade distinta.Nós não somos preparados. soprando da costa para o continente. ainda é difícil precisar quantos povos nativos existem. para suportar um evento extremo de chuva como esse. é a de repudiar as formas estéticas. onde deve chover entre 20 e 50 mm e também a Alagoas. o que provocou uma chuva de 270 mm em Maceió.

somos preconceituosos. Em relação às questões indígenas nosso desconhecimento é grande. Como podemos observar houve prejuízo trazido pela dominação : depopulação e perda da sócio diversidade nativa. Podemos e devemos adquirir novos conhecimentos. segregacionistas e desinformados em relação às outras identidades étnicas que compartilham conosco o mesmo território. ¨ Com a chegada dos portugueses falava-se em tomo de 1800 línguas distintas nessas terras e que hoje se falam 180 línguas distribuídas em 41 famílias genéticas. pois me afirmo em contraste com o outro -minha cultura vai ser fortalecida.100. devêssemos Ter em mente que o contato é que explica o povo e não o contrário . e que hoje ela se encontra em tomo de 270.000 a 2. nós sociedade dita "nacional' brasileira.000 indivíduos. as sociedades indígenas aqui existentes ocupavam todo esse nosso território. provocando ações e reações entre esses grupos.000 a 325.mas acarretam processos sociais de inclusão e incorporação pelas quais categorias discretas são mantidas.652 indígenas. quando o Papa Paulo III declarou numa Bula que os indígenas eram entes humanos como os demais homens. em uma organização social que não cessa de evoluir. A maioria da população não sabe que: ¨ na chegada dos portugueses ao Brasil. Questão essa que só foi resolvida em 1537. E o contraste que faz com que as fronteiras étnicas permaneçam. As interações étnicas não dependem de uma ausência de interação social e aceitação. A interação não leva a seu desaparecimento.ou seja as distinções de categorias étnicas não dependem de uma ausência de mobilidade. apesar das transformações na participação e na presença no decorrer de vidas individuais. pois esse é o . 2000 grupos sociais distintos existiam nessa parte do mundo e que hoje foram reduzidos a aproximadamente 215 sociedades indígenas. efeito genocida da colonização. contato e informação . dedicados ao estudo das sociedades indígenas.430. juntamente com minha identidade. De maneira geral. definindo o que integra ou não. com processos de inclusão e exclusão que estabelecem limites entre tais grupos. enviaram-se comissões de investigação para pesquisar se os indígenas possuíam ou não alma. e que hoje ocupam apenas 11% da extensão total do território definido como brasileiro. as diferenças culturais podem permanecer apesar do contato e da interdependência dos grupos. Talvez.académicos especializados. ¨ Que por ocasião da chegada dos colonizadores. ¨ Alguns anos após a chegada dos europeus ao continente que hoje chamamos de americano. ¨ Estimativas da população indígena desta parte do continente do final do século XV variam de 1. Por ocasião do contato produzo cultura.

processo natural das sociedades humanas. Quais as opções? [. E nossa tarefa e responsabilidade parar de agir como tutores colonizadores. alcoolismo. E que o contato entre essas inúmeras etnias não leva a extinção. língua. financeiras.. os mais variados possíveis. afirma: “Assim ela morou muito tempo conosco. falando sobre a missionária Sophie Muller. A Questão Indígena -. Se o homem não tivesse crescimento material e espiritual não experimentaria o sabor das conquistas.. Em Trevas no Eldorado. hábitos.]. Especialmente quando tratamos de aspectos culturais conflitantes como identidade e cidadania. até eu ver o seu cabelo ficando branco”. orgulho. crenças. que nenhum sai perdendo com essa troca. eles vão morrer [. valores morais e econômicos. *** O indígena colombiano Graciliano Lino. e também pondera sobre a atuação missionária em tal contexto. e que o isolamento e o fechamento tende a conduzir ao desaparecimento. plural e dispersa. Está na hora de pararmos e começarmos a escutar essas sociedades com sabedoria secular e descobrir dentro de cada um o que nos torna únicos e indestrutíveis.humanitárias. mas que na diversidade e no contato com o outro eu me fortaleço. entre outras -. Iniciativas públicas e privadas são conduzidas pelas mais diversas motivações -.. sabem dizer o que é necessário e pertinente para que se pertença a cada uma dessas identidades. relações de parentesco e trabalho. fé.Uma Luta Desigual foi escrito por autores engajados integralmente nessas diferentes áreas. como querem alguns. Dentro desse nosso vasto território nacional existem inúmeros grupos distintos com costumes. no . pode ranger os dentes. políticas. honra.e geram nas etnias indígenas expectativas cada vez mais associadas ao universo não indígena. e que quando indagados. Entender e responder à questão indígena é um desafio social.. a prática do infanticídio.] Você pode arrancar os cabelos. bem como a atuação missionária. John Walden afirma: Se continuarmos a apenas estudar os Ianomâmi.. Uma das nossas conquistas e desafios é a nossa consciência de que podemos e devemos ser construtores de nossos destinos. acadêmico e espiritual. das vitórias. Não podemos tratar como estrangeiros aqueles que já estavam aqui há bem mais de quinhentos anos. Esta obra observa de perto a sociedade indígena brasileira.. mas.

Afinal. além de uma estatística atualizada dos grupos com presença e ausência missionária. As estimativas . o valor da presença missionária entre as populações indígenas.como o infanticídio --. as áreas acadêmica.Uma Luta Desigual foi escrito por autores cujo envolvimento com a questão indígena abarca. em primeiro lugar. os únicos que vão persistir na selva para cuidar dos índios são os missionários. ou da imagem preconceituosa que prevalece nas regiões onde eles e as populações sertanejas se confrontam. chama a atenção a incerteza e o desconhecimento que paira sobre ele. de maneira integrada. Sem falar na visão idealizada que se tem dos indígenas nas metrópoles. Na semana em que se comemora o dia do índio. bem como reflete sobre a identidade e cidadania do indígena. No que se refere ao índio.oscilam entre 350 mil . Ainda não se sabe quem e quantos são os índios brasileiros Antonio Carlos Olivieri* Da Página 3 Pedagogia & Comunicação Índio guarani kaiowá. os aspectos culturais conflitantes -. é importante nos lembrarmos de alguns deles. sociopolítica. A Questão Indígena -. mais do que para os inocentes festejos das crianças do primeiro ciclo do ensino fundamental. hoje não se tem certeza sequer do número de índios existentes no país. Aponta as ações acadêmicas contra as iniciativas missionárias.não existe um censo indígena . para isso teriam sido criadas essas datas comemorativas.final. emocional e espiritual. de Mato Grosso do Sul Não são poucos os problemas relacionados à questão indígena no Brasil de hoje.

Da legislação indígena em vigor. Lei 6. hábitos ou meras lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. título 8 ("Da ordem social"). Também se deve levar em conta a questão qualitativa. sua(s) etnia(s) e cultura(s). reunidos em cerca de 200 sociedades.e 700 mil indivíduos. uma vez que isso vai estabelecer sua condição perante as leis brasileiras . A definição que ela dá ao índio é semelhante à que deu o antropólogo Darcy Ribeiro: "(.a que eles também estão submetidos. motivados pela conservação de costumes. ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como membro por uma comunidade précolombiana que se identifica etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela população brasileira com quem está em contato". nunca contatados pelo homem branco.. Funai. Tutela estatal O Estado brasileiro assumiu o papel de responsável pela proteção da integridade física e cultural dos diversos povos indígenas que vivem em nosso território. cujos critérios nem sempre coincidem.001. E definir quem é o índio. Cimi) ou o Instituto Socioambiental (Isa). como pode constatar quem fizer uma visita ao site da Fundação Nacional do Índio . Funasa ou não-governamentais. como a Igreja católica (Conselho Indigenista Missionário. Há números contraditórios até numa única e mesma página da internet. Ou. é bom deixar claro que não se fala apenas em termos quantitativos. Fontes e critérios As informações variam tanto. lembrando que "índio" é uma designação genérica e errônea criada pelos europeus que aqui chegaram no século 16 para designar os povos autóctones ou aborígines americanos. da Constituição Federal. além do capítulo 8 ("Dos índios"). sejam governamentais (IBGE. além de mais ou menos 60 grupos isolados. o ordenamento jurídico principal é o Estatuto do Índio. pois provêm de fontes diversas. de 19 de dezembro de 1973.. É orientado pela noção de tutela. que define os .Funai.) aquela parcela da população brasileira que apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira. Quando se fala em critérios que variam. porém. é de fundamental importância.

mas até na teoria. que ocupam uma área total de 946. que datava de 1910. que corresponde a aproximadamente 11. ainda está longe de chegar à conclusão. .12% do território brasileiro e é equivalente à soma dos territórios da França e da Grã-Bretanha.452 km2. que foi fundada em 1967. uma vez que não há consenso sobre diversos elementos envolvidos. 4) compreender os hábitos e costumes da comunidade nacional.Funai . só têm direito de recorrer aos tribunais brasileiros os índios que satisfaçam a quatro exigências expressas no artigo 9 do Estatuto: 1) ter pelo menos 21 anos. 3) qualificar-se para uma atividade útil na comunidade nacional. como a extensão das reservas (seriam maiores do que devem ser?). existem 554 reservas reconhecidas pela Funai. Se não houvesse a intenção de dificultar aos indígenas o acesso à proteção legal.entidade vinculada ao Ministério da Justiça. A demarcação. porém. poder-se-ia facilmente. Atualmente. de 2004. por exemplo).índios como relativamente incapazes de exercerem seus direitos civis. As soluções para esses conflitos não são difíceis somente na prática. revelam que providências não haviam sido tomadas nesse sentido em 226 dessas reservas. 2) conhecer a língua portuguesa. o registro e a homologação dessas terras. Mas o próprio texto do Estatuto do Índio tende a dificultar o acesso do indígena à justiça. Além disso. Conflitos insolúveis? Outra questão grave se refere às terras indígenas. Por exemplo. a preservação das culturas indígenas (ela é efetivamente possível?). Dados do Cimi. como vários países o fazem. a questão da terra é uma fonte perene de conflitos entre as populações índias e as empresas ou populações rurais que se interessam em explorar os territórios indígenas e seus recursos (madeiras e minérios. prever a colaboração de intérpretes e dispensar os índios da exigência de conhecer a língua oficial da população brasileira. você pode estar se perguntando o que é e o que faz a Fundação Nacional do Índio . Funai Em meio a tudo isso. a integração entre os índios as comunidades que lhes são vizinhas (como vencer o preconceito e a hostilidade?). em substituição ao antigo Serviço de Proteção ao Índio.

ligado a pleitos territoriais. etc. a formulação de políticas educacionais específicas e diferenciadas.Entre as várias tarefas de sua responsabilidade. O fenômeno. posseiros. 2) resulta de complexos processos históricos regionais de relacionamento entre índios e não-índios. de implementar e regulamentar modificações já definidas na Constituição de 1988. Aliás. garimpeiros. o novo estatuto levanta a questão do fim da tutela dos índios pelo Estado. em função dos problemas crônicos que o Estado brasileiro demonstra diante de diversas outras questões sociais: sua incapacidade de dar respostas eficientes e rápidas às ações sob sua responsabilidade. um alvo constante críticas. tem aumentado o número de populações que passam a reivindicar pública e oficialmente a condição de indígenas no Brasil. ou "etnogênese" e se caracteriza basicamente por três elementos: 1) aparece. grupos missionários religiosos e ONGs questionam o monopólio estatal dos cuidados com o índio. também complexo e polêmico. a proteção e defesa de grupos ameaçados por frentes de expansão econômica. nos últimos anos. entre outras medidas. Entre outros temas polêmicos. Novo Estatuto. quase sempre. . novos índios A política indigenista oficial deve passar por mudanças importantes. o critério da auto-identificação étnica vem sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática indígena. Em geral. é interessante lembrar também que. podem-se citar o próprio processo de reconhecimento e regulamentação jurídica das terras indígenas. tem sido denominado como "identidades emergentes". Com isso. bem como a organização do atendimento à saúde dos índios. que trataria. como madeireiros. o que terá certamente implicações importantes para o destino dos índios e dos grupos que procuram defendê-los. O desempenho da Funai é. e 3) os povos que adotam essas identidades não possuem traços claramente distintivos em relação às populações não-indígenas das regiões onde vivem. contudo. Já ocorre uma grande discussão em torno de um novo Estatuto dos Povos Indígenas.

Os primeiros contatos com os portugueses ocorreram há pouco mais de 500 anos. além destes. com o passar dos tempos. A Funai é um órgão governamental subordinado ao Ministério da Justiça e atua de acordo com a Lei 6001/73 (o Estatuto do Índio). além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto à Funai. há entre 100 mil e 190 mil vivendo fora das terras indígenas. Ao mesmo tempo em que assegurou maiores direitos aos índios. em 1967. A primeira iniciativa governamental para proteger as populações indígenas surgiu em 1910 com a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) que. Este dado considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias. o território passou a ser ocupado e colonizado. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados. a nova Constituição deixou sem solução a forma de compatibilizar os direitos dos índios com os dos não índios. Calcula-se que no século XVI havia no Brasil uma população em torno de 4 milhões de índios espalhados por todo o território. As guerras de conquista e a própria ocupação territorial reduziram. A partir da promulgação da Constituição de 1988.673. Inicialmente o interesse era principalmente o da exploração de riquezas mas. que se instalaram no Brasil vindos da América do Norte atravessando o istmo do Panamá. Pernambuco. Alemanha. Bahia. Alagoas. o Governo Federal ampliou as demarcações de áreas indígenas em todo o território nacional. a população indígena no Brasil. a um território da França.003 hectares. o que vem dando margem a inúmeros conflitos no país. contendo dois artigos dedicados aos direitos das populações indígenas. quando na Europa predominava a doutrina mercantilista. No entanto. os grupos mais afetados pela ocupação foram aqueles localizados na faixa litorânea. Sergipe.25% da população brasileira. em outros continentes. Paraíba. Bélgica. inclusive em áreas urbanas. Em 1988. Essa área extensão equivale a aproximadamente às áreas dos estados do Espírito Santo. Rio Grande do Norte e Ceará juntos Para efeito de comparação com outros países. distribuídos entre 225 sociedades indígenas. que perfazem cerca de 0. que tinha como duas das principais características a posse de colônias e o acúmulo de metais preciosos. através dos séculos.A questão indígena no Brasil e no Espírito Santo No Brasil . Foi nesse contexto que os portugueses chegaram ao território brasileiro. . perfazendo 12. à época do descobrimento do Brasil (1500). no Brasil vivem hoje cerca de 460 mil índios.41% do total do território brasileiro. foi promulgada uma nova Constituição no país. Holanda e Suíça juntos. Ocupam atualmente 105. o percentual de terras ocupadas por populações indígenas no Brasil equivaleria. Conforme levantamentos da Funai.Os povos indígenas brasileiros são descendentes de grupos caçadores originários da Ásia. foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai). havendo estimativas de que.

afirmando que às crianças indígenas "não se deveria negar o direito. de professar e de praticar a sua religião ou de usar a sua própria língua". A minha Delegação está convicta de que o debate e as deliberações sobre este assunto ajudarão a revigorar os vínculos da solidariedade internacional. Com efeito. a Santa Sé aprecia a decisão do Fórum Permanente. inseriu este importante tema no seu justo lugar. que continuam a atingi-los na base das suas próprias especificidades e singularidade. Senhor Presidente A Convenção sobre os Direitos da Criança. como por exemplo a diminuição da pobreza. que realizou a sua primeira e histórica sessão em Maio de 2002. Apesar dos diversos compromissos internacionais. A criação deste Fórum Permanente. à xenofobia e às relativas intolerâncias. inter alia. no contexto da agenda internacional. Contudo. o direito à educação forma o fundamento para usufruir de numerosos outros direitos humanos e constitui uma componente para alcançar as chamadas Finalidades de Desenvolvimento do Milénio. É a chave para o desenvolvimento. 3) e o direito à vida. os artigos 17 e 29 referem-se explicitamente aos direitos de todas as crianças à educação e à informação. o melhor interesse da criança (art. as crianças continuam a ser particularmente vulneráveis às violações do direito à educação. de maneira específica. é o primeiro tratado internacional de direitos humanos que reconhece as crianças indígenas como um grupo de indivíduos possuidores de direitos e. à sobrevivência e ao desenvolvimento (art. em comunhão com outros membros do seu grupo. 2). salvaguardando a identidade e os direitos das populações indígenas. da qual a Santa Sé faz parte. Senhor Presidente .A educação e a promoção dos direitos das populações indígenas sobretudo das crianças e dos jovens Senhor Presidente No período em que a Organização das Nações Unidas está a celebrar a Década Internacional das Populações Indígenas Mundiais. a Organização de Dacar para a Acção afirma que "a educação é um direito humano fundamental. de dispor da cultura que lhes é própria. e para as crianças e os jovens indígenas este desafio está vinculado ao racismo. de modo particular. a não-discriminação (art. o direito que as populações indígenas têm de dispor da sua própria cultura. a paz e a estabilidade sustentáveis no interior e entre as diversas nações". de escolher "As crianças e os jovens indígenas" como tema da sua segunda sessão. identifica as populações indígenas como um grupo que sofre em virtude da discriminação. no que se refere à maioria dos direitos inseridos nessa Convenção. O artigo 30 da Convenção confirma. De maneira semelhante. 6). Os princípios gerais da mencionada Convenção incluem.

na realidade.O direito à educação diz respeito não apenas às questões de acesso. oferecer a sua contribuição para os esforços realizados pelas comunidades indígenas. o neto do branco é branco. as crianças indígenas correm o risco de extraviar a rica diversidade das suas tradições. o neto do negro é negro. felicidade e liberdade. no meio de uma cultura globalizada que tudo abarca. uma educação fundamentada nos valores espirituais. consiste em assegurar que as crianças e os jovens indígenas não sejam privados do seu presente e do seu futuro. tem de educar os seus filhos desde a infância até à adolescência. e abraçar somente os valores nobres e oportunos. se perpetuam. a quem ofereço este texto-homenagem) Seguramente os indígenas representam hoje no Brasil o movimento social mais ativo e radicalizado em defesa dos seus direitos frente ao Estado. Para cada uma das crianças indígenas. Estão diariamente em evidência por ocupações de prédios da Funasa e Funai. Procurando salvaguardar a educação das crianças e dos jovens indígenas. morais e éticos centrais constitui um instrumento indispensável para o seu desenvolvimento integral. mas a nossa raça indígena degenera e logo desaparece. mas que se lhes ofereça a possibilidade de crescer em paz. 9). Na ausência de tais elementos. mas o neto do índio é apenas “descendente”. mas visa assegurar uma satisfação que garanta um futuro às crianças indígenas. As outras raças se reproduzem. as populações indígenas deveriam pôr à prova e rejeitar os falsos valores. por toda a comunidade internacional. de fraternidade. Assim. Onde for possível. Por sua vez. de harmonia e de solidariedade. em conformidade com a sua própria herança indígena. A este propósito. como unidade básica da sua própria sociedade. O desafio que está a ser enfrentado tanto pelas pessoas singularmente como pelas organizações e. Senhor Presidente As crianças e os jovens são "membros preciosos da família humana. efectivamente. fundamentados em pedagogias indígenas eficazes. uma vez que encarnam as suas esperanças. também eles serão construtores de paz. formação vocacional difundida e métodos inovativos. retomadas dos territórios . a comunidade internacional deveria reconhecer e respeitar a responsabilidade primária que a família indígena. o acesso à educação deveria incluir estruturas alternativas de escolarização. que os hãode ajudar a modelar o futuro segundo o seu estilo característico. com vista a defender a sua herança e a identidade que lhes é própria. “Alto lá! Esta terra tem dono!” (Sepé Taiaraju. n. Senhor Presidente! Questão indígena: limpeza étnica e racial no Brasil Por Florêncio Vaz 10/02/2006 às 20:11 Ora. Obrigado. na língua que lhes é própria e em conformidade com as suas culturas e os seus valores. destinados a aumentar as capacidades práticas e profissionais dos jovens indígena. expectativas e potencialidades" (Mensagem do Papa João Paulo II para o Dia Mundial da Paz de 1996. que porventura desvirtuassem um estilo de vida autenticamente humano. a comunidade internacional pode. edificadores de um mundo promissor. Destino ingrato que querem nos impor.

Eles é que gostavam da estúpida comparação do conjunto das Terras Indígenas (TI) com o tamanho de países europeus. mas nunca antes nenhuma autoridade teve a desfaçatez de assumir tão claramente atitudes antiindígenas e racistas. Minas E espírito Santo (Apoinme). Não havia ainda uma retaguarda de organização. Quanto mais “primitivo” era um povo. a mando da Justiça Brasileira. era mostrado geralmente como “engraçado” pela imprensa. a partir de 1985. religiosos. Mas aqueles tempos eram outros. Após 1988 aumentaram as reuniões e encontros indígenas. Antes. A demarcação das terras seria uma forma de garantir a sobrevivência de povos e culturas “primitivos”.invadidos e. parlamentares aliados e antropólogos. Os tempos foram mudando. Mércio Pereira Gomes. Mais associações foram criadas. conseguimos um texto avançado que rompia com a tutela sobre os índios e a idéia de índio “incapaz”. E aqueles antropólogos eram outros. e que deixava ao Estado a competência para demarcar e proteger as TI. que mesmo chegando a ser deputado federal. conseguiram deixar explícita parte da resposta. neste momento. Povos que estavam desorganizados e nem se apresentavam mais como “índios” emergiram como sujeitos políticos e passaram a reivindicar os direitos garantidos na Constituição. O que está acontecendo com os índios e por que tanta repressão? Certamente as últimas declarações do presidente da Funai. maiores as razões para demarcar suas terras. Os índios estão precisando de um “basta” nas suas reivindicações impertinentes. Começaram os primeiros encontros entre líderes indígenas na década de 1970. foi o recado. Graças ao esforço de índios. um ato falho”. no Sul do país. as mobilização pelos 250 anos da morte de Sepé Tiaraju. os expulsa de forma violenta das suas terras em favor de poderosas empresas ou fazendeiros. sempre mostrando o absurdo dos índios terem terras demais. A Constituição de 1988 provavelmente marcou um divisor de águas e o início de aceleradas mudanças. E não adiantou o seu desmentido tardio e pouco convincente: “Fui mal interpretado”. como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste. As associações indígenas vieram em torno da Constituinte. O que ele disse já se suspeitava que era a idéia-mestra da política indigenista do Governo. Comunidades enfraquecidas numericamente começaram também a apresentar grande crescimento. quem falava pelos índios eram líderes aguerridos e carismáticos. Eram poucas ou inexistentes as associações indígenas. “Terra demais para pouco índio” foi um argumento que crescemos ouvindo. Melhor seria dizer “Foi um descuido. Os índios eram cada vez menos tutelados e comandados pelo Governo. O problema para os governantes passou a ser exatamente esse: a crescente autonomia das organizações indígenas e o crescimento das reivindicações por demarcação de . Os antropólogos em coro argumentavam que os índios tinham outro modo de vida e que não podiam ser avaliados pelos mesmos critérios usados para os não-indígenas. como Ângelo Kretã Kaigang e Marçal Tupã-I Guarani (ambos assassinados em início dos anos 80) e Mário Juruna. os próprios índios não chegavam a 200 mil e o perigo de extinção era real e iminente. entre outros. Os índios têm sido notícias também pela caótica situação da assistência à saúde ou quando a Polícia Federal. e até articulações regionais de peso. A ameaça de extinção ficou para trás – ainda bem. sempre da parte dos setores contrários aos povos indígenas.

Ele deve ter concluído que esses limites impostos às reivindicações dos índios não foram o bastante.5% do território nacional. Em que critérios ele se baseou para definir esse percentual? Os seus próprios. o Decreto passou. talvez ele poderia pensar em dizer sua frase predileta: “nenhum governo como o meu fez tanto pelos. E pela lei competia ao Estado apenas demarcá-las. Que dizer dos prejuízos para as terras cujo processo está por ser concluído. e ainda que afrontasse o Artigo 231 da Constituição. Provavelmente quando Nelson Jobim (já no STF) deu razão às alegações de fazendeiros e ordenou a expulsão dos Guarani de Nhanderu Marangatu (MS) às vésperas do último Natal. tutelista e antidemocrático”. a julgar pela velocidade do processo e pelas contestações judiciais. A crescente radicalização das formas de pressão dos indígenas. Demarcar todas as TI requeridas é “terra demais”. e os inimigos dos índios passaram a atravancar ou até fazer retroceder inúmeros processos. O presidente Lula poderia reformulá-lo. “Terminar o serviço” pode significa aqui. Poderia ser ainda o STF. instituiu o direito de qualquer cidadão ou instituição contestar os procedimentos demarcatórios das TI. a emergência de povos que a Funai não admite serem “índios autênticos” e o crescimento do número de cidadãos que se identificam como índios acenderam o sinal vermelho para os latifundiários. A lentidão dos processos demarcatórios.”. Então. o então ministro da Justiça. Voltemos ao presidente da Funai.. evitando esses danos todos.terras. o que corresponderia a 100 TI aproximadamente (Estadão. que já gastou R$10 milhões para custear processos de revisão das homologações.775/1996.. O Ministério Público Federal (MPF) já entrou no STJ com um pedido de nulidade do Decreto. Mércio Gomes definiu logo que o limite das Terras Indígenas (TI) será de 13. e a recusa sistemática de a Funai dialogar com as organizações indígenas não foram suficiente para arrefecer as demandas indígenas. A esse comportamento. que foram roubados em 317 mil ha – algo inconstitucional e sem precedentes nem na Ditadura Militar. É prejuízo também para a União. Mas essas saídas dependem de alterações na Constituição. Pelo Decreto 1. Era preciso colocar um limite. Vem daí a ira de Mércio Gomes e a necessidade de alguém estabelecer novos e definitivos limites às reivindicações indígenas. ele estava muito a vontade. o antropólogo Guga Sampaio chamou de “autoritário. 1% a mais dos atuais 12. E esse é o quadro previsto apenas . Os setores contrários aos índios reagiram. Com o Decreto 1.5%. Tem a proposta do senador Mozarildo Cavalcanti (RR) de que o Congresso Nacional decida sobre as demarcações e que as TI e Unidades de Conservação (UC) não passem de 50% da área de cada Estado. Possibilidades: o ministro da Justiça assina portaria reduzindo as terras. essas terras serão demarcadas em uma lentidão de tartaruga: cinco anos para terminar o serviço. que ficará indisponível ao agronegócio e à mineração. que desde 2003 estão praticamente parados. e a situação exige um basta imediato. Aí. com a TI Baú dos Kaiapó (PA). arcaico. e ele já vem atuando bem nesse rumo. E mais.775/1996. mortos por jagunços ou sobrevivendo às margens das rodovias. Acertou em cheio. Mesmo sob protestos das organizações indígenas e indigenistas. Nelson Jobim. 30. Somente as TI já homologadas receberam 83 contestações até agora. realmente foi criado uma enorme barreira para a regulamentação das TI. Exagero? O que o Estado fez em Nhanderu Marangatu foi um ensaio.01.06). que em cinco anos a maioria dos índios já estará expulsa de suas terras. como fez Marcio Thomaz Bastos em 2003. políticos antiindígenas e a Funai.

ao menos politicamente: não são índios “verdadeiros”. eles desaparecem. O Brasil não é mais formado pelas três raças. “Índios” eram somente os que se embrenharam nas matas. por exemplo. proibição da língua Nheengatu e obrigatoriedade do Português e a proibição de andar nu. eram “índios amansados” ou “civilizados”. Mesmo com sua genealogia e traços físicos. E nem seria crime de racismo. que sofreram o processo da catequese e depois passaram a viver nas vilas e cidades. Só continuam sendo índios aqueles que permanecem na aldeia. como. Em toda a América Latina corre um vento novo de orgulho da ancestralidade. os índios “étnicos” desaparecem misteriosamente. ele não se diz mais “índio”. Acabou-se a raça indígena. estimulou e forçou os índios à “vida civilizada” através de vários artifícios. O que é isso se não um processo de “limpeza étnica”. Se não são índios. Eles não podem reivindicar-se índios porque não pertencem mais a uma “comunidade”. Não são índios porque não têm aldeias e não podem se dizer índios porque índio não é “raça”. Mércio precisa largar o Governo e voltar a estudar Antropologia imediatamente. do Marquês de Pombal. Talvez ele também diga agora “esqueçam tudo o que escrevi”. como aprendemos? Então. no século XVIII. Na Amazônia. e nem pode se dizer “branco” ou “negro”. que sufocou a identidade indígena “geral”. e já não podiam ser considerados “índios verdadeiros”.01. Com uma cajadada só se matam milhares de índios. Ora. que envolve o Brasil também. pois não está em questão uma “raça”. A Coiab lembrou que o antropólogo Mércio Gomes afirmou faz anos que a falta de terras pode levar um povo indígena a se desagregar e até a desaparecer. por isso não podem exigir direitos como tais. O que fazer com os outros 284 mil? Mércio Gomes resolveu exterminá-los. o número dos aldeados conforme o censo da Funai. “ao falarmos de povos indígenas. Na cidade. Basta ver a emergência política de povos indígenas onde se pensava que estavam . se brancos e negros continuam existindo como “raças” após a miscigenação. A explicação cínica do antropólogo: os dados do IBGE estão errados porque se pergunta ao entrevistado qual sua raça. não têm direitos a nenhuma terra.06). Este modelo de negação da identidade indígena está desmoronando aos poucos. mas de etnia e de pertencer a uma comunidade” (Estadão. os “tapuios”. E o que acontecerá com os índios que reivindicam outras 235 TI? A Funai nega sistematicamente a sua simples existência.para as 100 TI com promessa de demarcação. o Diretório dos Índios. 31. dos valores culturais e da identidade indígena. herdeiro direto do mais descarado racismo nazista? Os nazistas é que acreditavam em raça “pura”. E lhes foi negada uma identidade indígena “geral”. Mas em 2000 o IBGE contou 734 mil índios no Brasil. o casamento de índias com brancos. não se trata de raça. Porém. Tal raciocínio sobre os índios está na mesma linha do Colonialismo brasileiro. Seus descendentes. seja de forma violenta ou mais sutil (como a ideologia de que é preciso “civilizar-se” para se distanciar do índio “selvagem”) e destruiu a identidade étnica dos índios “destribalizados”. numa simples mágica do ilusionista Mércio Nazi. ficaria assim: os brasileiros são o resultado do cruzamento das raças branca e negra e também das “etnias” indígenas. Solução Final. se não fisicamente. Aí já é demais. O “caboclo” é resultado desse processo de negação étnica. Ele fica num limbo racial. A eleição de Evo Morales para presidente da Bolívia é o exemplo mais visível da força desse movimento. Mércio decidiu de uma vez por todas que os índios no Brasil são apenas 450 mil.

por que com os indígenas tem que ser diferente? Índio é étnico e é raça também. Se 0. Mas podemos dar uma idéia do que em geral se entende sobre eles. Nesse sentido.). A ameaça é real. é claro. mas pertencem a uma “raça”. Nesse sentido. que se somou a outros valores não-africanos adquiridos. é possível falar de “povo negro” ou “afrodescendentes”. Está mais ligada a um complexo processo ideológico onde entra decisivamente o ato de afirmar-se e manter-se “diferente” em oposição a um “outro”. levantes e mostrar seu peso em eleições. mesmo que não consigam mais definir a etnia dos seus antepassados. ficando apenas o sentimento de pertencimento à “raça” negra e mais um conjunto de costumes e valores culturais de origem africana. os quilombolas (mais próximo do aspecto “étnico”). Se “raça” tem a ver com diferenças no fenótipo. podem fazer manifestações. mesmo com algumas variações internas.3% de índios já fazem barulho.extintos e o crescimento do número de pessoas que se identificam como indígenas. É o argumento de Mércio para os índios. fazendo mais cobranças. Hoje “raça”. são diferentes de negros e brancos. origem e história. Identidade étnica não tem a ver com o sangue. A maioria daqueles que se assume como índios nas cidades sabe muito bem a que povo (etnia) pertence. os africanos que chegaram aqui com várias e diferentes identidades étnicas foram obrigados a abandoná-las. eles continuam índios. mesmo que os néscios não queiram. mas é a forma como as pessoas percebem suas diferenças físicas. Os outros são indivíduos que têm consciência da sua origem indígena biológica e cultural. Voltemos à questão de “raça” e “etnia”. É uma construção social que se serve muito da concepção que as pessoas têm das suas distinções fenotípicas e da genealogia. 10% deles assustam muito mais. As declarações de Mércio demonstram o incômodo e o mal-estar diante dessa assustadora irrupção dos índios. E ainda que não mantenham muito contato com a sua “comunidade”. É a situação dos “negros” nas Américas. Seria ridículo se uma autoridade dissesse que os Kalunga de Goiás (“comunidade”) são negros mais “verdadeiros” ou “autênticos” do que aqueles que vivem nas cidades. e decidem identificar-se . podem existir várias “etnias” de uma mesma “raça”. em oposição a outras “comunidades”. em toda a América Latina se convencionou que “os índios”. mesmo estando longe do estereótipo do “aldeado-rural”. e podem existir indivíduos que não pertencem a uma etnia particular. pois o processo está só começando. Se todos os “descendentes” dos negros são respeitados como uma só “raça”. como uma raça. No Brasil. São os índios urbanos que se manifestam em todas as regiões do país. e também de ser visto como diferente pelo “outro”. Ainda há muita discussão sobre um entendimento consensual desses termos. Há um medo de que mais “descendentes” passem a exigir seus direitos como “índios”. Devido à maneira como se deu a Colonização. não tem mais o significado de fiel hereditariedade biológica (puramente genética). costumes. tanto dos que pertencem a uma “comunidade” específica. e que influi na constituição identitária de indivíduos e grupos e nas suas relações sociais. como um conceito usado nas Ciências Sociais. pois é gente que chegou recentemente das aldeias. os grupos étnicos se constituem acima de tudo como “comunidades” organizadas que constroem sua identidade lançando mão de um amplo conteúdo sociocultural comum (religião. O Estado reconhece os direitos dos negros-raça. Na França. Em alguns contextos eles até parecem semelhantes. língua. e o “étnico” engloba tudo. evita-se falar em “racial” (por temor de conotações racistas). como dos negros em geral.

mas as mudanças que observamos apontam para o desmoronamento desse modelo ideológico. através das suas organizações e comunidades. Daí a suspeita com índios que usam ternos. e seremos milhões”. eles continuam índios. . Mas antes de tudo é fruto da consciência política de ser indígena. os manauaras e belemenses “descendentes” indígenas foram levados a crer que não são “índios”. certamente ele responderá que “não”. por exemplo. Ele disse “A mim vocês só podem matar. se você perguntar a alguém se ele é “índio”. mas têm horror a serem chamados de índios. Destino ingrato que querem nos impor. mas eu voltarei. Os indígenas que sofreram o processo colonizador e perderam sua identidade étnica também podem dizer que fazem parte da “raça” indígena ou de uma “cultura indobrasileira”. como acontece sempre em todas as sociedades. como comentam os que querem banalizar algo que é muito sério. não podem ser acusados de mentirosas. Os antropólogos farão a reflexão crítica e teórica sobre o que está em jogo nessa construção das diferenças identitárias. O próprio movimento indígena. Se fosse assim. filmadora ou têm curso superior. Mas isso não significa que “agora qualquer um pode ser índio”. ainda que apresente traços físicos típicos “indígenas”. se em todos os casos estamos tratando de “descendentes” de negros e de índios. pois todos nós somos de alguma forma miscigenados. entre outros. A sociedade envolvente também ajudará a estabelecer as fronteiras raciais e étnicas. Aliás. mas a nossa raça indígena degenera e logo desaparece. Existem os critérios racial-genealógico e o racial-fisionômico. não é a “pureza” de sangue que define um índio. Não. E assim tinha sido até agora. se perpetuam. A auto-identificação é um direito garantido pela Convenção 169 da Organização do Trabalho (OIT). com isso fariam um grande serviço à causa indígena. mas o neto do índio é apenas “descendente”. há mais de 200 anos. Assim caminha a humanidade. Mesmo “misturados” biologicamente com outras raças. um negro ou um branco. ainda que não tenham uma “etnia” indígena. É crescente a tendência da auto-identificação indígena. seria difícil encontrar algum representante das tais “raças” humanas. inclusive grande parte dos índios aldeados. decidirem identificar-se como índias. respectivamente? Porque a mentalidade racista da sociedade (a mesma que Mércio Gomes quer perpetuar) nos informa que só são índios os que moram em aldeias na floresta ou que têm “sangue puro”. que liderou uma rebelião. Muito provavelmente pertencem à raça indígena.como indígenas. terá que explicitar seus critérios de indianidade. O que não pode é uma pessoa ou instituição querer se arrogar o poder de decidir quem é e quem não é índio. esmagada pelos espanhóis. Se a cantora Fafá de Belém e as atrizes Dira Paes e Eunice Baia (dos filmes “Tainá” I e II). É essa volta que incomoda o Governo. As outras raças se reproduzem. herói indígena nacional na Bolívia. o neto do branco é branco. Afinal. Assim. Por isso. como não é qualquer um que pode ser “negro”. Eles são tão índios como os índios aldeados. Em Manaus alguns “caboclos” orgulhosamente dizem-se “mestiços”. Por que Salvador pode se dizer a cidade mais negra fora da África. É a realização da profecia de Tupak Katari. e Belém (PA) ou Manaus (AM) não podem se orgulhar de serem as “capitais indígenas” do Brasil. em Belém e Boa Vista (RR). Ora. ou no máximo dirá que é “descendente”. o neto do negro é negro. ratificado pelo Brasil.

com. televisão. roupas. um impedimento às .br/templates/colunaMostrar. Pedro Mundim Gerhard Grube 11/02/2006 21:14 Imagine-se como brasileiro que é.com. Nada daquilo. URL:: http://cartamaior. “Nós somos Indígenas. costumes.br e florenciovaz. computador.uol. e que é hoje. sem automóvel. Hostilizado sempre pelos moradores locais. transposto para um país. que vem sofrendo com abusos a suas terras des dos Bandeirantes e que hoje se apresentam organizados pela luta em defesa de seu territorio contra o Estado.O Censo do IBGE está provocando a libertação dos índios sufocados e negados ao longo dos últimos séculos. moradia. em tudo.com. E teria que viver lá. pelo resto de sua vida.com. que vêem em você. Alimentação. As igrejas. o seu dia a dia. tudo diferente. contra o oportunisma estrangeiro e contra a ganancia dos latifundiarios. organizações indígenas e indigenistas. Sem recursos.br) é indígena do povo Maytapu (Pará). junto com sua família.blog. E a Funai deveria ser o órgão a liderar e animar esse processo. ao invés de deslegitimar povos e indivíduos que a duras penas rompem a mordaça e gritam. Tal campanha. a que está acostumado.uol. a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e a Funai deveriam promover uma campanha massiva nesse sentido. diante de uma sociedade racista. mestre em desenvolvimento agrícola (UFRRJ) e doutorando em Ciências Sociais/Antropologia na UFBA. como já aconteceu com a população afrodescendente em censos anteriores.cfm? coluna_id=2916&alterarHomeAtual=1 >>Adicione um comentário Comentários Causa Indigena Felipe Rodrigues Costa 10/02/2006 20:58 rodrigues_costa2000@yahoo. língua. os ministérios ligados à cultura e educação. somada a outras políticas afirmativas pró-indígenas.br Sim pela luta da causa dos Indios. jornais. lugar “primitivo”. Sem alternativa. totalmente diferente. Por isso a auto-identificação pelo critério de “raça/cor” deve continuar e até ser estimulada através de campanhas motivadoras da auto-estima. membro da coordenação do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep). telefone etc. Para uma aldeia. criador do Grupo Consciência Indígena (GCI). Não poderia sair dali e voltar ao Brasil ou escolher algum lugar que fosse mais agradável ao seu modo de vida. professor da UFPA. religião. totalmente estranho e diferente. sim!” * Florêncio Vaz ( florenciovaz@uol. seria uma maneira inclusive de o Estado e Igreja Católica repararem parte do mal que provocaram à nossa dignidade e ao nosso orgulho de ser indígenas.

eles também podem trazer toda a sorte de detritos e materiais poluentes que tenham sido despejados diretamente neles ou no solo por onde passaram. Mais que um insumo indispensável à produção e um recurso estratégico para o desenvolvimento econômico. fora de lagos naturais ou reservatórios artificiais. A conservação da quantidade e da qualidade da água depende das condições naturais e antrópicas das bacias hidrográficas. uma referência cultural e um bem social indispensável à adequada qualidade de vida da população. ao mesmo tempo em que os rios. E intercedesse junto aos demais. Tendo que se adaptar totalmente à forma de vida deles. Isso porque. proprietários de enormes extensões de terra. admitissem que a forma de vida deles. e especula-se sobre a possibilidade da escassez deste recurso vital se tornar motivo de . Esse seria o antropólogo. Imagine ainda que um dos habitantes dessa aldeia. segundo as regras e os recursos deles. em vez de insistir que você mude o seu modo de vida. e incapaz de fazer tudo aquilo. o desprezarão. que você não domina nem estão à sua disposição. entrasse em contato com você. onde ela se origina. superadas as dificuldades lingüísticas e culturais. Quanto às grandes extensões de terras que eles necessitam para viver. que lhes é corriqueiro e facílimo. Se por um lado escolas.suas atividades e ao seu bem estar. 6) Importância da água A água é um recurso natural de valor inestimável. percola ou fica estocada. por outro lado estamos destruindo o mundo e a natureza. se a nossa ou a dos índios. se os aldeões. a seu favor. em relação aos índios. Recentemente muito se tem falado a respeito da "crise da água". Quanto a dizer. É obrigado a competir com eles. automóveis. ele compreendesse a sua angústia. E eles em nada o ajudarão. É claro que isto só poderia acontecer. circula. isto é muito discutível. ainda. por exemplo. qual seria a vida melhor. por ser diferente. existem muitos latifundiários. do que os índios fariam. televisão. e. geológicos e químicos que mantêm em equilíbrio os ecossistemas. Esta é a compreensão que falta aos brancos. É. É assim que os índios brasileiros se sentem. muito pelo contrário. ela é vital para a manutenção dos ciclos biológicos. riachos e córregos alimentam uma determinada represa. e nem sequer precisam dela. como estava acostumado aqui no Brasil. postos de saúde tem suas óbvias vantagens. não é a única correta e possível de ser vivida. tentando convencê-los a deixar você viver. numa velocidade muitíssimo maior. para não perecer.

mas determinado padrão cultural que agregue ética e melhore a eficiência de desempenho político dos governos. na maioria dos países o problema não é a quantidade. Água há. uma região naturalmente bem servida de água. São encostas íngremes. professor titular do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo. cada vez pior devido ao mau uso e à sua gestão inadequada. Basta verificar. enquanto que o crescimento urbano foi da ordem de 50%. Apenas 8. das ações públicas e privadas. a questão que se coloca diante de nós não é a disponibilidade ou falta de água. O pesquisador afirma que "o que mais falta no Brasil não é água. exceto no caso de regiões do planeta emque há uma limitação natural da quantidade de água doce disponível. mostrou que entre os anos de 1989 e 1996 a bacia do Guarapiranga perdeu 15% de sua cobertura vegetal. estando por volta de 10%. A região metropolitana de São Paulo é um caso exemplar de má gestão dos recursos hídricos. mas sim as formas de sua utilização que estão levando a uma acelerada perda de qualidade. da sociedade organizada lato sensu. em qualquer mapa da cidade. uma análise comparativa entre a disponibilidade hídrica e a demanda da população no Brasil mostra que o nível de utilização da água disponível em 1991 era de apenas 0. Um modelo que ignora que a água de boa qualidade é um recurso finito e que . os rios de bom tamanho como o Tietê e Pinheiros e mais de uma centena de rios menores e córregos correndo por toda a região. É. tais como abertura de estradas e terraplanagem.71%. em parceria com diversas outras organizações não governamentais. Um estudo desenvolvido pelo Instituto Socioambiental. Segundo o pesquisador Aldo Rebouças. respondendo por 21% dos 1 497 registros. este índice também era muito confortável. Mas a falta de planejamento e de responsabilidade tem provocado a contaminação dos rios. Há. córregos e represas e a ocupação desordenada das regiões de mananciais. regiões de aluvião ou várzea. em particular".Ouseja. Para superar essa situação. é necessário substituir o modelo tecnocrata e utilitarista que imperou até hoje na gestão dos recursos hídricos no Brasil. ainda. mas sim a qualidade desse recurso.9% da mancha urbana se deu em áreas favoráveis. sem dúvida. promotoras do desenvolvimento econômico em geral e da sua água doce.guerras entre países. Pior: mais de 60% da ocupação urbana registrada ocorreu em áreas que possuem sérias ou severas restrições ambientais. USP. várias represas de grande porte como a Guarapiranga e a Billings e vastas áreas de mananciais que praticamente envolvem toda a metrópole. Os movimentos de terra. figuram no topo das ocorrências irregulares. Mesmo para os estados mais populosos e desenvolvidos. em especial nas regiões intensamente urbanizadas ou industrializadas. como São Paulo e Rio de Janeiro. É preciso haver consciência de que.

nas indústrias. de quatro litros de água por dia para se manter saudável. de evacuação. A importância da água para a vida A água é o elemento fundamental para a existência da vida na Terra. sucos. etc. por isso. seja na agricultura. de prover alimentos. quanto garantir o bom funcionamento de todas as funções orgânicas. do sistema digestivo. O peso corporal de uma pessoa é composto de 60 a 70% de água. à sua qualidade.) . comidas. a água também é indispensável para a preparação de mamadeiras. nos restaurantes ou em cada moradia. é dever de todos não permitir nenhum tipo de desperdício e garantir uma água segura. ou seja. Para a vida humana. a recreação. às suas fontes.prioriza certos usos. profissionais capacitados para fazer o tratamento da água etc. donos e/ou motoristas de carrospipas. pura e cristalina. Entretanto. em detrimento de outros como abastecimento. a saúde e para o emprego da população. de conservação e proteção. O corpo humano adulto precisa. além de planejamento e custeio de tratamento. em média. saneamento e transporte. Para que o sistema de distribuição de água funcione. apesar de toda a sua importância. Além disso. do sistema de absorção. como geração de energia. a água é um recurso que pode acabar e. a qual tem tanto a função de regular a temperatura interna. Todos os seres vivos dependem dela para sobreviver e para garantir a permanência da espécie – a água sustenta a vida. com qualidade. Assim. O seu consumo permite uma vida mais confortável. à sua distribuição desigual pelo planeta. inegavelmente a água é o elemento mais crítico e importante. para os transportes. Com a água o homem e toda a sociedade podem suprir grande parte de suas necessidades. exige cuidados em relação à quantidade de uso. é preciso que existam pessoas que construam e que façam a manutenção permanente deste sistema (bombeiros hidráulicos. a começar pelo ato de saciar a sede. imprescindível para a higiene pessoal e do ambiente. do sistema circulatório. A água também é indispensável para a geração de energia.

e 0.4% estão disponíveis para o consumo direto. ou em rios e lagos subterrâneos. Hoje.4% é o que resta para ser utilizado por nós.5 %. inserindo-a até em telenovela. na história do Brasil. de água doce. A favela da Portelinha (Duas Caras. no século 20. Existe uma falsa idéia de que os recursos hídricos são infinitos. Realmente há muita água no planeta. as favelas emergem com força político-social e se impõem ao mundo dito "organizado" tanto do ponto de vista financeiro. 2003). como criaturas consumidas pela animalidade. Apenas 0. Isso era suficiente para separar os "verdadeiros" cidadãos dos excluídos. pobres. Desses 2. Entretanto. .A água cobre aproximadamente três quartos da superfície da Terra. o que dificulta a ação do homem. 97. se o mundo de todos é o mesmo? O glamour dos morros no mundo contemporâneo Maquete usada por Hans Donner nas imagens de abertura da novela "Duas Caras" Hoje. talvez tenhamos chegado a um ponto de intersecção social diferente: quem é quem. imigrantes e negros libertos foram mostrados pela literatura de modo determinista. a maior parte (2. E o que pode ser ainda mais grave é que não se sabe ao certo qual parte desses mananciais está livre de contaminação (WEERELT. o que dificulta a sua utilização pelo homem. mas menos de 3% desse volume é formado por água doce.5% desse total é formado de água salgada (oceanos e mares) e 2.imposta com autoridade de "coronel" por Juvenal Antena. quanto do ponto de vista social.1%) está sob a forma sólida (gelo) nas regiões polares. 2008) não tem tiroteios nem assaltos nem drogas nem afrouxamento da moral . o processo da globalização na cultura de massa transformou a vida na favela em comunidade exemplar. comunidades tidas como lugares de exclusão social.5%. Nos cortiços do Rio de Janeiro do século 19. Rede Globo. do qual mais de 99% fica congelado nas regiões polares. 7) Favela e cidade: as distancias sociais desapareceram? Cortiços ou favelas têm sido. no século 21.

e negros e brancos. A cidade vai à favela. era um abrir e fechar de cada instante. 1890).. Gilberto Gil.. Refavela A refavela Revela aquela Que desce o morro e vem transar O ambiente Efervescente De uma cidade a cintilar ("Refavela". Uns.) das portas surgiram cabeças congestionadas de sono.. a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. O chão inundava-se. os homens. Aluísio Azevedo. 1977) Inspiração . fossando e fungando contra as palmas da mão.). esses não se preocupavam em não molhar o pêlo. O acordar no cortiço naturalista "Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava (. após outros...) Daí a pouco. que elas despiam. uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. incomodamente. suspendendo o cabelo todo para o alto do casco. ("O Cortiço.. em volta das bicas era um zunzum crescente.) o prazer animal de existir. ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas. um entrar e sair sem tréguas..Seus moradores vão à universidade. via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço. nunca se amaram tanto como na polêmica telenovela de Aguinaldo Silva. debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. são cineastas. As portas das latrinas não descansavam. políticos e pequenos empresários. Sentia-se (.. onde está o melhor restaurante português.(.. lavavam a cara. As mulheres (. mesmo num país tão miscigenado como o nosso.

Passou a ser produzida na Itália. Todos os dias nos deparamos. Fernando e Humberto Campana. em Nova York. é outro mundo. em 2003. o que obviamente não acontece do lado de cá. é uma comunidade na qual você deve pedir permissão para o "chefe" para entrar em sua própria casa ao levar um acompanhante. Esse é um dos motivos pelos quais os dois não podem se aproximar. com as favelas do seu modo real. Nas favelas. Favela e cidade: as distâncias sociais desapareceram? As favelas sendo mostradas por novelas em horário nobre. instituições de abrigo a crianças . Por outro lado. Toda favela e toda zona-sul tem seu lado favorável e desfavorável. por jornais. pelas novelas que querem mostrar o lado bom de um lado ruim do país. revistas e noticiários e de um jeito.A "Cadeira Favela" foi criada pelos premiados designers brasileiros. e no Museu de Arte Moderna. de um certo modo. Na favela. Essa parte fica com as ONGs que atendem aos chamados da população de lá mesmo. em Paris. diríamos. Também está em exposição no Museu Georges Pompidou. com sarrafos de madeira recolhidos em vários lugares. podemos contar com a "consciência social" das pessoas que querem a melhoria da educação. Tendemos a ajudar igrejas. não é um ato comum. se pelo menos quisessem. da cultura e da saúde das crianças que lá vivem. pela empresa Edra. indiscutivelmente. exibindo o seu dia-a-dia e tudo o que "supostamente" acontece lá. não é novidade. A "Favela" apareceu em revistas de design internacionais e no jornal "The New York Times". e não podemos nos deixar levar com a mídia os colocando como um "mar-de-rosas". fictício.

foram deixados pela violência. Essa é a nova sociedade que cresce ao redor das periferias.. saúde e educação ao alcance da população. Estão alertos a toda hora. com pistolas maiores que elas na mão. que estão sublinhados. A redação ganharia qualidade e clareza com um cuidado maior na apresentação dos temas. e azilos. Comentário geral A redação trata de vários aspectos da questão. de repente ele foi morto a troco de nada. misturando os tópicos em parágrafos confusos e mal articulados. No entanto. Um povo que. Se a favela se aproximar da cidade. e estão acostumados com o carro da polícia dando segurança. de policiais a todo momento. como a violência. e sai dali para "atacar" a cidade. eles não estão lá para matar alguém. . Nunca tiveram esperança. As crianças já crescem na companhia de traficantes. foi acostumado ao terror. por drogas. e necessita de uma atenção especial. o que é diferente na favela.. Além disso há problemas ortográficos e o uso desnecessário de aspas e de hífens. e maiores que o sonho delas de estarem se divertindo naquele momento. todo o perigo está ali. Do outro lado da moeda. As crianças são induzidas a fazer a segurança do local. os porteiros as protegendo. desde criança. A guerra pode vir a começar a qualquer momento. Já nascem adaptados a acordar com o barulho de tiros. queremos ver um lugar melhor. de gritos.abandonadas pelos pais. é bem diferente. merecemos educação e saúde. o trabalho das organizações sociais. Quais são os planos de uma pessoa que aprendeu a viver assim? A favela é uma sociedade fechada. Isso não os dá conforto. e isso inclui bala perdida. com moradia a todos. o que nos leva a pensar que a favela é esquecida de um certo modo. de armas. paz. de ver pessoas mortas no chão. o texto não discute os assuntos de forma organizada. Nela. e se tiveram sonhos. esteve lado a lado a morte. o cotidiano dos moradores das favelas e as possíveis soluções para o problema. o tráfico de drogas. moralmente. a diferencia da cidade. as crianças são acompanhadas até a porta da escola. e um ambiente sadio para as crianças poderem brincar de bola na rua. de repente você esteve com um amigo há minutos atrás. merecemos ter motivação por um ideal. Todos nós merecemos dignidade onde quer que seja. É o que.

A estrutura "as favelas sendo mostradas (. não existe casas comerciais para todos os lados. Uma forma de contornar o problema é inverter a ordem da oração. as favelas cada vez mais populosas. e a solução para os menos .. não existe um emaranhado de casas nos centros das cidades. Morar em um bom bairro. ou seja. com segurança. portanto. onde cada morador sabe o que pode falar e o que não pode. está ficando populosa pela desigualdade social que acompanha nosso país a tantos anos. até mesmo nos lugares bem habitados das cidades. com transporte. o contexto do verbo "dar" é "dar conforto a eles". O acesso para chegar às favelas é bem complicado. e não está ficando populosa por ser um lugar bom para moradia. que vemos todos os dias em jornais. onde eles ditam às leis. chacinas que acontecem em todos os lugares.) não é novidade" não é gramaticalmente correta." 2) No quarto parágrafo.. Mas não seremos hipócritas falando que a violência em uma favela é igual a violência nos centros das cidades. O correto. Como pode ser dito que essa distância desapareceu? a distância só está aumentando.Aspectos pontuais 1) A primeira frase do texto é bastante problemática do ponto de vista gramatical. é bem diferente. Observe a sugestão: "Não é novidade ver uma novela mostrar em horário nobre o dia-a-dia de uma favela e tudo o que supostamente acontece por lá. com um certo conforto. será: "Estão alerta a toda hora. O correto será: "Isso não lhes dá conforto. que deve ficar invariável. "dar-lhes conforto"." Favela e cidade: as distâncias desapareceram? Para sabermos se essa "distância" entre favela e cidade desapareceu. não seria absurdo se falássemos que é uma ditadura. na oração assinalada em vermelho. dos lugares bem habitados? Organização seria a palavra ideal. A maioria das favelas tem seus "donos". temos um problema com o advérbio "alerta"." 3) Ainda no quarto parágrafo. é caro. e sem falar da violência. temos que ver as diferenças entre elas. O que torna uma favela tão diferente dos grandes centros das cidades. a pé ou de carro.

se ele fez isso no primeiro parágrafo. 8) Lei anti-fumo . o país irá se dividir.). sem acrescentar informação relevante ou alguma idéia importante. bairro dentro de bairro. rua dentro de rua. que ditam às leis. por uma questão de coerência. dificuldade de acesso. Todo o trecho assinalado em vermelho parece um acréscimo apenas ornamental ao texto. É possível usar aspas para indicar que a distância à qual ou autor se refere não é uma distância física. "existem" casas comerciais no centro da cidade. Uma sugestão para reescrever o texto será: "A maioria das favelas tem seus donos. mas. Observe: Há um problema de concordância entre sujeito ("casas comerciais") e predicado ("existem"). Com certeza o autor se refere à desorganização do comércio nas favelas." 3) Observe a conclusão do texto. O problema de conteúdo é que. cidade dentro de cidade.. onde se dá o "jeitinho brasileiro" para tudo. não vamos adicionar coisas boas para as nossas vidas. essa distância irá ficar cada mais acentuada. que estão sublinhados. o poder dentro das favelas. como gastos com água e com energia. bem como divisão de tópicos em parágrafos.favorecidos é favela. E isso acontecendo. vamos nos afastar cada vez mais.. O correto é: "não existem casas comerciais para todos os lados". evidentemente. A redação toca em vários assuntos de forma desordenada: organização do espaço. Aspectos pontuais 1) No segundo parágrafo temos um problema de forma e outro de conteúdo. Há ainda problemas de ortografia e de acentuação. Comentário geral Falta organização ao texto. Enquanto o nosso colossal problema social não for resolvido. cultura dentro dentro de cultura. deveria ter feito também no título. a violência. cada morador sabe o que pode falar e o que não pode (. que significa "em que lugar". 2) Observe no segundo parágrafo o emprego inadequado da preposição "onde".

a lei antifumo estabelece uma mudança de comportamento com reflexos diretos na saúde pública.SP proíbe cigarros em ambientes fechados de uso coletivo No dia 7 de agosto. o Estado de São Paulo dará um importante passo em defesa da saúde pública. O cigarro continua autorizado dentro das residências. E que terá na colaboração da população uma de suas principais armas. restaurantes. Entre elas. É principalmente a saúde do fumante passivo que a nova lei busca proteger. Lei antifumo protege até fumantes. Inúmeros estudos realizados comprovaram os males do cigarro não apenas para quem fuma. mas também para aqueles que se vêem expostos à fumaça do cigarro. mas não proíbe o ato de fumar. casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais. Caso alguém se recuse a apagar o cigarro. A nova lei restringe. Os fumantes não serão alvo da fiscalização. a interdição será de 30 dias. Estádios de futebol também estão liberados. A medida acompanha uma tendência internacional de restrição ao fumo. e a retirada dos cinzeiros das mesas de bares e restaurantes como forma de desestimular que cigarros sejam acesos. a fixação de cartazes alertando sobre a proibição. orientar seus clientes sobre a nova lei e pedir para que não fumem. Ao proibir que se fume em ambientes fechados de uso coletivo. será interditado por 48 horas. fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares. Devem. A nova legislação estabelece ambientes 100% livres do tabaco. o fumo passivo é a terceira maior causa de mortes evitáveis no mundo. em caso de nova reincidência. Em caso de desrespeito à lei. Mesmo os fumódromos em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes ficam proibidas. Londres. A responsabilidade por garantir que os ambientes estejam livres de tabaco será dos proprietários dos estabelecimentos. Mudança que será estimulada por campanhas educativas e fiscalizada pelo poder público. E. das vias públicas e em áreas ao ar livre. já adotada em cidades como Nova York. a presença da polícia poderá ser solicitada. Para evitar punições. os responsáveis pelos estabelecimentos devem adotar algumas medidas. desde que estejam ocupados por hóspedes. também. Com a entrada em vigor da nova legislação antifumo. Paris e Buenos Aires. que será dobrada em caso de reincidência. o estabelecimento receberá multa. assim como quartos de hotéis e pousadas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). diz pesquisa do Incor Estudo inédito em 710 locais da cidade de SP aponta redução de monóxido de carbono no ar expelido por garçons que fumam . Se o estabelecimento for flagrado uma terceira vez.

respectivamente. ajuda a proteger até a saúde de pessoas que fumam. consequentemente.Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas de São Paulo aponta que a lei antifumo. entre bares. o que representa redução de 35. Já a medição realizada para verificar a poluição tabágica ambiental o nível médio de monóxido de carbono nos estabelecimentos caiu de 5 ppm para apenas 1. antes de a lei entrar em vigor. Não há ambiente seguro para o ser humano com qualquer concentração de fumaça do cigarro no ar". Para os garçons que não fumam. o monóxido de carbono concorre com o oxigênio . já que elas não estão mais expostas à fumaça do cigarro em ambientes fechados de uso coletivo. ressalta a médica. O trabalho do Incor é o primeiro no mundo a utilizar a variável biológica. como indicador de redução de risco de exposição ambiental à fumaça do cigarro.7%. células e tecidos e. maior . "Esses resultados enterram de vez o conceito de fumódromo. cardiologista do Incor e coordenadora da pesquisa. passando de um índice de 7 ppm (equivalente ao de fumantes leves) para 3 ppm (nível de não fumante). Doze semanas depois. passou para 9 ppm doze semanas depois. o impacto positivo foi ainda maior. afirma Jaqueline Scholz Issa.isso significa menor oxigenação do sangue. que entrou em vigor há quatro meses no Estado. os mesmos locais apresentaram registros médios de apenas 1 ppm de monóxido de carbono no ambiente. "Isso significa sair de um período de horas parado em um túnel congestionado de carros e ir diretamente para um parque arborizado". em dois momentos: antes de a lei entrar em vigor e ao final de três meses após o início da restrição. No organismo humano. Os resultados apontaram o ar expelido por garçons fumantes. em garçons fumantes e em nãofumantes. Em ambientes parcialmente fechados e abertos. o monóxido de carbono. a medição apontou níveis médios de 4 ppm e 3 ppm. restaurantes e casas noturnas. que apresentou nível médio de monóxido de carbono de 14 ppm (partes por milhão) antes da vigência da lei. Foram realizadas medições de monóxido de carbono em 710 estabelecimentos da capital paulista. para avaliar as concentrações do poluente no ar dos ambientes.

tecidos e órgãos do corpo humano. em vigor desde agosto do ano passado. Para 29% dos entrevistados. surgem inflamações e obstruções dessas vias de passagem do sangue no organismo. Esse processo de envelhecimento acelerado dos vasos é conhecido como aterosclerose e sua evolução leva à ocorrência de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral. . 91% dos ouvidos pelo Ibope consideram a lei antifumo como boa ou ótima. que foi de 9. que. Entre os fumantes o índice de bom e ótimo chegou a 83%. afirma o secretário de Estado da Saúde. segundo pesquisa do Ibope Pesquisa do Ibope realizada a pedido do governo do Estado de São Paulo aponta que 73% dos paulistas que fumam estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a lei antifumo paulista. Dez por cento responderam que a lei melhorou a vida pessoal delas. 73% dos fumantes estão satisfeitos com a lei antifumo Aprovação da legislação entre os paulistas atinge 96%. 29% dos entrevistados disseram que ela protege as pessoas da fumaça nociva do tabaco. Num processo em cascata. muito próxima à concedida pelos não-fumantes entrevistados na pesquisa. Trata-se de uma vitória da saúde pública e um exemplo a ser seguido". não conseguem alimentar de oxigênio e nutrientes as células. Quando perguntados sobre a vantagem da lei. no período de 22 a 27 de julho. 4% disseram que ela é regular. No total.2. e 25% ressaltaram que a medida melhorou a qualidade do ar em bares e restaurantes. 1% classificaram como ruim e apenas 3% como péssima. em todo o Estado. essa condição metabólica acelera o envelhecimento do endotélio. protegendo as pessoas da fumaça nociva do tabaco. Luiz Roberto Barradas Barata. A nota média dada à lei pelos próprios fumantes foi 9. além de trombose em membros diversos.oxidação no organismo. a legislação protege inclusive a saúde das pessoas que fumam.5. Aos poucos. nessa condição. que é a camada de células que formam a parede de vasos e artérias do corpo humano. Foram ouvidas cerca de 800 pessoas. "Esse estudo demonstra claramente os benefícios da lei paulista que restringe o cigarro em ambientes fechados.

Quando a mulher fuma durante a gravidez. que avaliava a incidência de câncer de pulmão em pessoas que nunca haviam fumado. porque são particularmente sensíveis à poluição atmosférica provocada pela fumaça do cigarro. Essas crianças. demonstrou que esposas de fumantes apresentavam incidência dobrada de câncer pulmonar.78% de adesão por parte dos estabelecimentos. Nilson Ferraz Paschoa. Crianças A criança pode ser um fumante passivo desde a vida intra-uterina se a mãe ou algum outro agregado da casa for consumidor de cigarro. Em 12 meses os agentes da Vigilância Sanitária Estadual e do Procon realizaram 360.A pesquisa revelou ainda que quase a metade (49%) dos fumantes informaram estarem fumando menos em razão da lei antifumo. Exposição de mulheres não fumantes ao fumo passivo. nascimentos prematuros. vivendo em ambiente poluído pelo tabaco.7 mil inspeções por todo o Estado e aplicaram 822 multas. Balanço A lei antifumo paulista completou um ano em vigor em 7 de agosto deste ano com 99. . desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa do Centro Nacional de Câncer. Entre as mulheres fumantes. o que representa apenas 0. 55% reduziram o número de cigarros depois que a legislação entrou em vigor. Males Mulheres No começo da década de 80 foi divulgado o célebre estudo de Hirayama. diz o secretário de Estado da Saúde. passam a sofrer vários tipos de prejuízos. pode causar redução no crescimento fetal. que combate o tabagismo passivo em ambientes fechados de uso coletivo". no Japão. Esse estudo pioneiro. quando comparadas às mulheres casadas com não fumantes. A lei antifumo pegou porque a grande maioria dos paulistas entendeu se tratar de uma medida de saúde pública. bebês de baixo peso e de mortes fetais.22% de descumprimento. "Os resultados refletem o acerto de uma legislação que veio para ficar. aumenta o risco de abortos espontâneos. durante a gravidez. Também existem evidências de que a exposição pós-natal de crianças ao fumo passivo contribui para o risco de síndrome de morte súbita infantil. avaliando mais de 100 mil mulheres.

nitrosamidas e benzopireno. tais como a nicotina. E não é para menos. mas a realidade da fila de espera – última alternativa de vida para muitos – ainda demonstra o quanto é preciso que mais e mais pessoas se sensibilizem para o problema.700 substâncias químicas na forma de partículas e gases. cromo. que pode se refletir no rendimento escolar. O tabagismo passivo é uma combinação complexa de mais de 4. dor de garganta. A fumaça do cigarro também é uma importante fonte de poluição do ar interno. e formaldeído. tais como irritação ocular e nasal. Os filhos cujas mães fumam durante a gestação tem maiores riscos de prejuízos no desenvolvimento. O Brasil é o segundo país do mundo em números absolutos na realização de transplantes. cadmium e monóxido de carbono. amônia. A fumaça de segunda mão também contém carcinógenos e mutagênicos tais como arsênico. bem como aquelas provocadas por doenças do pulmão e câncer da cavidade nasal. Até mesmo a escola de samba . Doenças Mortes por doenças do coração. pneumonia e infecções respiratórias em geral. 9) Importância da doação de órgãos Doação de Órgãos – Decisão pela Vida Uma nova chance de vida tem sido possível para muitas pessoas através do avanço científico dos transplantes. sendo que muitas dessas substâncias químicas são tóxicas reprodutivas.O bebê que respira a fumaça do cigarro apresenta um risco maior do que os bebês de mães que não fumam de desenvolver bronquite. vertigem. dióxido sulfúrico. monóxido de carbono. incluindo irritantes e tóxicos sistêmicos tais como cianeto de hidrogênio. dor de cabeça. náusea. também têm sido associadas à exposição ao fumo passivo. tosse e problemas respiratórios. A doação de órgãos tem sido um assunto amplamente divulgado nos últimos tempos. causando efeitos imediatos em fumantes passivos e ativos.

teve diagnosticado um tumor no fígado.Mocidade de Padre Miguel. a sua expectativa de vida era de algo em torno de 18 meses. Até hoje. sempre que é convidado. Hoje. “Não tinha condições financeiras de fazer o transplante fora da Bahia. Valdoeny sofria de cirrose por vírus C da Hepatite. conta Valdoeny. Esse é o significado da palavra doação presente no Dicionário Houaiss da língua portuguesa. participa de eventos para demonstrar que outros casos como o seu podem ser realidade se mais pessoas forem a favor da doação. a tão esperada notícia chegou – um jovem de 24 anos havia morrido de traumatismo craniano num acidente de motocicleta e a família optou pela doação dos órgãos. Valdoeny comparece com alegria a todas as consultas e exames de acompanhamento. Durante três meses ele apostou na vida integrando a lista de espera por um transplante hepático. mas nunca perdi a esperança”. Além da cirrose. quando se trata da doação. Este ato representa continuidade e renascimento para muitos cidadãos que aguardam em fila por um transplante de órgão ou que necessitam de transfusão de sangue em unidades de tratamento intensivo por motivos de doença ou acidentes de trânsito. casado e pai de dois filhos. Sem a cirurgia. Mas. mas é difícil encarar uma data certa para isso acontecer”. Valdoeny foi o primeiro paciente submetido a transplante hepático na Bahia. e ele recebeu alta hospitalar no dia 11 de janeiro de 2002. ainda . Ato. Natural de Valença. 39 anos. explicou. em 2003. ele é um grande incentivador da doação de órgãos e. entre tantas coisas. à doação de sangue e de órgãos. Vida nova O comerciário baiano Valdoeny de Novaes Franco. A cirurgia foi realizada no Hospital Português. é um exemplo vivo dessa importância. Quando pensamos em vida associamos. processo ou efeito de doar alguma coisa. Em dezembro de 2001. “Todos nós sabemos que um dia vamos morrer. pelo SUS. tratou do tema em pleno sambódromo carioca com o objetivo de divulgar a importância da doação de órgãos.

encontramos cidadãos apreensivos em doar. que lançou campanha para sensibilizar 30 mil alunos com o objetivo de conscientizá-los sobre a importância de se mostrar ainda em vida o desejo de doar órgãos. O estoque do banco de sangue da Fundação Hemope necessita de reposições diárias para devolver esperança a pacientes que aguardam por doação. Essa postura precisa ser quebrada e substituída por participação espontânea. Documentos foram distribuídos para os alunos que consultaram suas famílias e expressaram o desejo de serem doadores de órgãos e tecidos para fins de transplantes. A confirmação se deu através de pesquisa intitulada Saúde. entidade mantida pelo Grupo Universitário Maurício de Nassau. as chances dos receptores aumentam quando a família. 84% expressaram o desejo de doar. 95% se mostrou a favor da doação de sangue. O incentivo para esse gesto voluntário pode ser feito por você para os seus familiares e amigos. E somente 10. quando perguntados 54. Quando perguntados sobre quem pretende doar sangue. Esse aumento é fruto do desenvolvimento de campanhas. 23% afirmaram com veemência que não. Neste caso. no período de 1995 a 2008.4% doaram para pessoas conhecidas. divulgada em maio pelo Instituto Maurício de Nassau. mesmo abatida em enfrentar a perda brusca de um ente querido. desse volume. apenas 30. Porém. Vida e Valores. Todo cidadão pode ligar para o número: 0800811535 e fazer um ato de cidadania e solidariedade. quando questionados se já haviam doado sangue. optou por ser um doador. a exemplo da ação realizada pela Faculdade Maurício de Nassau. que independa de campanhas educativas e sensibilizadoras.9% disse que não é doador de órgãos.1% responderam sim. O acréscimo em doações está nos dados da Central de Transplantes de Pernambuco. manifesta o desejo do parente. que em vida. porém. Mais de 800 pessoas foram entrevistadas e. Para a doação de órgãos e tecidos. Salve a vida de quem deposita esperanças nesta atitude 10) O trânsito como indicador da situação da sociedade brasileira . A mesma pesquisa do Instituto Maurício de Nassau também ouviu a população acerca da doação de órgãos. que apontam para um aumento de 600% no número de doações.

haverá a tendência de que absurdos ocorram. A solução não é fácil e. pois o respeito ao próximo é substituído pelo temor à multa. Trânsito em condições seguras.O trânsito é um indicador perfeito para mensurar como anda a sociedade brasileira. está sendo convidado a participar dessa mudança. Nada poderia demonstrar com mais exatidão quais são os defeitos principais dessa sociedade. por simples leis ou por pesadas multas. o brasileiro criativo estaciona em local proibido. Cerca de 500 mil mortos por ano é mais que qualquer guerra atualmente em disputa no mundo. porém que apenas campanhas de conscientização não vão diminuir as mortes no trânsito. ressaltando. Por outro lado. Reflete a violência. Sempre que não houver um agente da lei por perto. é preciso investir mais na educação. porém você. a precariedade de algumas vias entre outros. hábitos de respeitar as regras de trânsito. cabendo-lhes adotar medidas destinadas a assegurar esse direito a todos. imagina que o vermelho significa “siga em frente”. engenharia de tráfego e educação. não nascem por decretos. Emergem da consciência pessoal e coletiva. com respeito às regras. A cada ano. a desvalorização do próximo. A sociedade utilizando-se do “jeitinho brasileiro” arruma soluções para tudo. o egoísmo e o famoso “jeitinho brasileiro”. seja sempre um defensor da legislação. de personalidades bem formadas. como multiplicador da idéia de um trânsito seguro . às leis . ao pouco efetivo policial para punir infratores. nem imediata. os números relativos a mortes em incidentes de trânsito tornam-se mais assustadores. Somos reféns de motoristas imprudentes e muitas vezes embriagados. a falta de educação de outros. sempre com pressa. da responsabilidade das ações do Estado. Segundo o Professor Paulo Afonso Caruso Ronca. sem se preocupar com as conseqüências daquele ato. Porém é oportuno frisar. Pessoas morrem todos os dias vitimas ou autores do descumprimento das leis e sinalizações nas cidades brasileiras. levando-nos a acreditar que não basta apenas uma boa sinalização e regras claras de trânsito. muitas vezes provando tragédias meio ao “pequeno” desrespeito a legislação do trânsito. o desrespeito à legislação. onde não há lugar para estacionar. As principais causas desse trânsito caótico são atribuídas ao despreparo de muitos motoristas. que o principal erro da sociedade está em acreditar que uma lei é facultativa quando não há alguém próximo para fiscalizar seu cumprimento. dos meios de comunicação e de ações da comunidade. é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito. ações para melhoria do trânsito devem ser desenvolvidas através do trinônimo: Fiscalização. e diante do sinal fechado. a escassez de campanhas educativas contínuas.

imprudentes. Fora a violência dos próprios incidentes. os números relativos a mortes em incidentes (muitos chamados erroneamente de “acidentes”) de trânsito tornam-se mais assustadores. personalizado no “jeitinho”. Poucos países vivenciam a experiência de produzirem centenas de milhares de novos assassinos anualmente. Ao pensar que sua pressa ou sua comodidade são prioritárias. É muita pretensão .específicas e a boa convivência social. O brasileiro criativo está com pressa. um ônibus tenta fazer a conversão e um condutor. O egoísmo. Se aquela sinalização está lá e todos os dias o coletivo tem dificuldades em dobrar. A cada ano. consiste em não reconhecer que há diversos outros semelhantes que compartilham das vias públicas e mereceriam igual respeito. constato que. arrogância néscia. orgulhoso de seu “jeitinho” que arruma soluções para tudo não parece perceber que. mas o sinal está fechado. Cerca de 500 mil mortos por ano é mais que qualquer guerra atualmente em disputa no Mundo. o desrespeito para com o próximo. Reflete a violência. o egoísmo e o “jeitinho brasileiro”. desrespeitando a marcação sob a sinaleira. Volta e meia. contra regras não deve haver jeitinho. que refletem a índole agressiva de um povo. tão criativo. Quanto mais. brigas em boate e situações banais. prova-se que a existência não só dela como de todas as medidas de prevenção têm um motivo de existir. Nada poderia demonstrar com mais exatidão quais são os defeitos principais desse povo e apontar melhor caminho para corrigilo. Todos somos reféns dos motoristas embriagados. o brasileiro criativo estaciona em local proibido. afinal a vida humana é uma preciosidade única. que nos “cortam” ou que estacionam em frente a nossas garagens. O trânsito é o indicador mais perfeito de como anda a sociedade brasileira. O brasileiro. o imagina que o vermelho significa “siga em frente”. avança e impede a curva do veículo maior. acharem isso normal. sempre na mesma esquina. Não há lugar para estacionar. o desprezo pelas leis. torna-se vítima igualmente de outros que assim pensam. quantos crimes não começaram com discussões no trânsito? Tantos quantos começaram em brigas de vizinhos.

para poder receber pensão alimentícia. não esta restrita a um certo meio. Sempre que não houver um agente da lei por perto. Humilhações. como socos. são considerados pequenos assassinatos diários. É igualmente. não reconhece a paternidade. violência significa uma espécie de coação. fazendo com que as mulheres percam a referencia de cidadania. como as ofensas verbais e morais. ou delas se apossar. Como resolver isso? Matar todos os motoristas imprudentes antes que matem outros? Não dá. feitas por gestos. A grande diferença é que entre as pessoas de maior poder . que é a agressão física. difíceis de superar e praticamente impossíveis de prevenir. A violência contra a mulher. sendo todo atentado contra o pudor de pessoa de outro sexo. quando o homem. etc. Existem vários tipos de armas utilizadas na violência contra a mulher. obrigando assim a mulher. bofetões. como: a lesão corporal. com a intenção de satisfazer nela desejos lascivos.imaginar que somos mais “espertos” que os milhares de anos de civilização que construíram cada regra com uma finalidade. abandono material. pois o respeito ao próximo é substituído pelo temor à multa. ameaça de morte ou qualquer outro mal. ou atos de luxúria. mesmo contra a sua vontade. o estupro ou violência carnal.que superam. Quintuplicar as multas? Talvez. idade ou condição social. Educar desde pequeno. devassá-las. não escolhendo raça. entrar com uma ação de investigação de paternidade. abandono. como uma filosofia para todas as áreas da vida? Com certeza! 11) Violência contra a mulher VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Renato Ribeiro Velloso Na esfera jurídica. na intenção de violentá-las. ato de força exercido contra as coisas. a dor física. entre outros. pontapés. haverá a tendência de que absurdos ocorram. costuma crer o brasileiro. ou a levar a executá-lo. Mas nem todos deixam marcas físicas. que causam dores. por meio de força física. uma lei é facultativa quando não há alguém próximo para fiscalizar seu cumprimento. posto em prática para vencer a capacidade de resistência de outrem. ou grave ameaça. Igualmente. torturas. palavras ou por escrito. ou forma de constrangimento. Gastar fortunas enfiando agentes de trânsito em cada esquina 24 horas por dia? Muito caro.

Uma vez violentada. dano ou sofrimento físico. Toda a mulher violentada física ou moralmente. que cause morte. as mulheres. tanto na esfera pública como na esfera privada”. vergonha ou até mesmo por dependência financeira. investigando e punindo os agressores. todas as informações sobre o ocorrido visam instruir a autoridade policial. são um bem que necessita de condições essenciais para que floresça. Atualmente existe a Delegacia de Defesa da Mulher. e serve como exemplo para outras mulheres. dezembro de 1993. talvez ela nunca mais volte a ser a mesma de outrora. pois enquanto houver a ocultação do crime sofrido. denunciando todos os tipos de agressões (violência) sofridas. A felicidade de uma pessoa esta em amar e ser amada. não adianta se iludir achando que esse é um problema sem solução. Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher. Como em toda a Polícia Civil. .” Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres. sua vida estará margeada de medo e vergonha. que recebe todas as queixas de violência contra as mulheres. A população deve exigir do Governo leis severas e firmes. deixando de ser um membro da comunidade. ninguém vive sozinho. o registro das ocorrências. adotada pela OEA em 1994).. que é um documento essencialmente informativo.. “A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das mulheres. deve ter a coragem para denunciar o agressor. a queixa é feita através de um Boletim de Ocorrência. a violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no gênero. Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas. sexual ou psicológico à mulher. O que é violência contra a mulher? Na definição da Convenção de Belém do Pará (Convenção Interamericana para Prevenir. acabam se calando contra a violência recebida por elas. A liberdade e a justiça.financeiro. sem amor próprio. pois agindo assim ela esta se protegendo contra futuras agressões. ou seja. para viver no seu próprio mundo. talvez por medo. qual a tipicidade penal e como proceder nas investigações. não vamos encontrar soluções para o problema. Devemos cultivar a vida.

1993) reconheceu formalmente a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos humanos. pais. sedução. delicadeza. que já é reconhecido também como um grave problema de saúde pública. irmãos. indo além da saúde e da felicidade individual e afetando o bem-estar de comunidades inteiras. chefes e outros homens acham que têm o direito de impor suas vontades às mulheres. Desde então. as meninas são valorizadas pela beleza. É assim que. Por que muitas mulheres sofrem caladas? Estima-se que mais da metade das mulheres agredidas sofram caladas e não peçam ajuda. Para elas é difícil dar um basta naquela . os governos dos países-membros da ONU e as organizações da sociedade civil têm trabalhado para a eliminação desse tipo de violência. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Enquanto os meninos são incentivados a valorizar a agressividade. dependência. a ação. drogas ilegais e ciúmes sejam apontados como fatores que desencadeiam a violência contra a mulher. muitas vezes. inclusive os sexuais.” De onde vem a violência contra a mulher? Ela acontece porque em nossa sociedade muita gente ainda acha que o melhor jeito de resolver um conflito é a violência e que os homens são mais fortes e superiores às mulheres. os maridos. “as conseqüências do abuso são profundas.A Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos (Viena. a força física. Embora muitas vezes o álcool. passividade e o cuidado com os outros. namorados. submissão. sentimentalismo. o que por sua vez se reflete na forma de educar os meninos e as meninas. a dominação e a satisfazer seus desejos. na raiz de tudo está a maneira como a sociedade dá mais valor ao papel masculino.

Quando pedem ajuda. pais etc. nos Conselhos Estaduais dos Direitos das Mulheres e em organizações de mulheres.situação. porque têm medo de apanhar ainda mais ou porque não querem prejudicar o agressor. outras acham que “foi só daquela vez” ou que. Como funciona a denúncia Se for registrar a ocorrência na delegacia. que são moradias em . Isso acontece principalmente no caso de ameaça com arma de fogo. ou indicar o nome e endereço delas. são elas as culpadas pela violência. também chamadas de Delegacias da Mulher (DDM). Já o número de mulheres que recorrem à polícia é ainda menor. assistência psicossocial e orientação jurídica. Muitas se sentem sozinhas.) está em risco. O que pode ser feito? As mulheres que sofrem violência podem procurar qualquer delegacia. no fundo. ela pode também procurar ajuda em serviços que mantêm casas-abrigo. mas é preferível que elas vão às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM). Há também os serviços que funcionam em hospitais e universidades e que oferecem atendimento médico. que pode ser preso ou condenado socialmente. A mulher que sofreu violência pode ainda procurar ajuda nas Defensorias Públicas e Juizados Especiais. vizinha ou colega de trabalho. outras não falam nada por causa dos filhos. Se a mulher achar que a sua vida ou a de seus familiares (filhos. com medo e vergonha. como a mãe ou irmã. é para outra mulher da família. Muitas sentem vergonha ou dependem emocionalmente ou financeiramente do agressor. se houver. é importante contar tudo em detalhes e levar testemunhas. ou então alguma amiga próxima. pior sem ele”. depois de espancamentos com fraturas ou cortes e ameaças aos filhos. em geral. E ainda tem também aquela idéia do “ruim com ele.

a mulher pode precisar ou não de um advogado para entrar com uma ação na Justiça. Se ela não tiver dinheiro.de discriminação. Violência contra idosos. moral. homossexuais ou de qualquer outro grupo que é considerado uma “minoria”. político ou econômico ou perda patrimonial. limitação. Muitas vezes a mulher se arrepende e desiste de levar a ação adiante. a mulher pode ainda pedir indenização pelos prejuízos sofridos. sem distinção de raça. classe social. morte. Para isso. psicológico. sejam elas idosas ou não-brancas.violência sofrida pelo fato de se ser mulher. social. agressão ou coerção. pode-se recorrer também às Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente. o Estado pode nomear um advogado ou advogada para defendê-la.ação ou omissão . idade ou qualquer outra . crianças e mulheres negras . Violência de gênero .é qualquer conduta . Dependendo do tipo de crime. a Delegacia de Proteção ao Idoso e o GRADI (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância) também podem atender as mulheres que sofreram violência. Tipos de violência Violência contra a mulher .além das Delegacias da Mulher. constrangimento. sofrimento físico. religião.local secreto onde a mulher e os filhos podem ficar afastados do agressor. ela deve procurar a Promotoria de Direitos Constitucionais e Reparação de Danos. No caso da violência contra meninas. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados. ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano. Em alguns casos. sexual.

crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação. no ambiente doméstico. Violência institucional . As agressões domésticas incluem: abuso físico.tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero. Violência física . Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais.quando ocorre em casa. isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica. humilhação.ação destinada a caluniar.ato de violência que implique dano. produto de um sistema social que subordina o sexo feminino. o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa). ou seja. nas relações entre os membros da comunidade familiar.condição. destruição ou retenção de objetos.ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações. ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou . manipulação.) ou civil (marido. étnico-raciais. Violência familiar . Violência psicológica . bens e valores. manipulação. ou a participar de outras relações sexuais com uso da força. físico ou verbal.acão que obriga uma pessoa a manter contato sexual. como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades. sogra. ameaça direta ou indireta. intimidação. Violência doméstica . comportamentos. suborno. sexual e psicológico. Violência intrafamiliar/violência doméstica .) predominantes em diferentes sociedades. ou em uma relação de familiaridade.violência que acontece dentro da família. coerção. filha etc. Violência sexual .açontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. subtração. econômicas etc.ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa. afetividade ou coabitação. formada por vínculos de parentesco natural (pai. chantagem. a negligência e o abandono. perda. padrasto ou outros). mãe. por afinidade (por exemplo. documentos pessoais. à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal. Violência moral . Violência patrimonial . difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.

A experiência mostra que. muitas vezes termina em tragédia. compreendendo o estupro. psicológica ou com ameaça. vem a fase da agressão. que vai se acumulando e se manifestando por meio de atritos. com uma lesão grave ou até o assassinato da mulher. ou finge que não houve nada. fazendo a mulher acreditar que aquilo não vai mais voltar a acontecer. ou às vezes usa objetos. pior. uma espécie de “instrumento para a resolução de conflitos”. É muito comum que esse ciclo se repita. ou esse ciclo se repete indefinidamente. . como garrafa. O agressor atinge a vítima com empurrões. vem a fase da tensão. o atentado violento ao pudor e o ato obsceno. pau. Fases da violência doméstica As fases da situação de violência doméstica compõem um ciclo que pode se tornar vicioso. é a vez da fase da reconciliação. em que o agressor pede perdão e promete mudar de comportamento. ferro e outros. ou. Depois. repetindo-se ao longo de meses ou anos. Homens e a violência contra a mulher A violência é muitas vezes considerada como uma manifestação tipicamente masculina. com cada vez maior violência e intervalo menor entre as fases. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros. socos e pontapés. Primeiro. cheios de insultos e ameaças. traz presentes. a tentativa de estupro. bonzinho. Consta ainda do Código Penal Brasileiro: a violência sexual pode ser caracterizada de forma física. muitas vezes recíprocos.limite a vontade pessoal. Em seguida. com a descarga descontrolada de toda aquela tensão acumulada. mas fica mais carinhoso.

para alguns homens. afirma a antropóloga Alba Zaluar. como amor. legitimado por diferentes culturas e por mitos da tradição oral ou escrita. e estimulados a exprimir outras. do Núcleo de Pesquisa das Violências na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Além da constituição física mais forte que a das mulheres. Outros estudos mostraram que. a prática de atos cruéis é a única forma de se impor como homem”.Os papéis ensinados desde a infância fazem com que meninos e meninas aprendam a lidar com a emoção de maneira diversa. através dos tempos. Saiba mais sobre masculinidades e violência acessando os sites do Instituto Promundo. Instituto Noos e Instituto Papai. . afeto e amizade. 2003. como raiva. força. agressividade e ciúmes. “Para alguns. Existem pesquisas que procuram explicar a relação entre masculinidade e violência através da biologia e da genética. ser cruel é sinônimo de virilidade. Os meninos são ensinados a reprimir as manifestações de algumas formas de emoção. Essas manifestações são tão aceitas que muitas vezes acabam representando uma licença para atos violentos. Violência contra as mulheres. atribui-se a uma mutação genética a capacidade de manifestar extremos de brutalidade e até sadismo.” Fonte: Católicas pelo Direito de Decidir. poder e status. Violência e religião A violência contra as mulheres é um fenômeno antiqüíssimo e considerado o crime encoberto mais praticado no mundo. por leis religiosas e seculares. “Tem sido legalizado.

além de ser uma questão política. · Temos o direito de questionar e não aceitar aqueles aprendizados teológicos e religiosos que fomentam o poderio do homem e a subordinação da mulher. é também. o grupo Católicas pelo Direito de Decidir enfatiza que: · A legitimidade que a religião tem dado à subordinação da mulher não é essencialmente divina. Muitas das mulheres que recorrem aos serviços de saúde. sustentando assim a violência. Violência e saúde (física e psicológica) A violência contra a mulher. Saiba mais sobre a relação entre violência e religião acessando o site das Católicas pelo Direito de Decidir. embora a maioria das mulheres não relate que viveu ou vive em situação de violência doméstica. um caso de saúde pública. atender e tratar as pacientes que se apresentam com sintomas que podem estar relacionados a abuso e agressão. policial e jurídica.Em seus cursos sobre a relação violência e religião. com reclamações de enxaquecas. cultural. Violência e saúde mental . Muitas mulheres adoecem a partir de situações de violência em casa. gastrites. Por isso é extremamente importante que os/as profissionais de saúde sejam treinadas/os para identificar. vivem situações de violência dentro de suas próprias casas. A ligação entre a violência contra a mulher e a sua saúde tem se tornado cada vez mais evidente. · Deve-se “suspeitar” das imagens sagradas que possam estar legitimando uma relação violenta e que possa estar motivando uma eterna discriminação e desigualdade entre homens e mulheres. dores difusas e outros problemas. e principalmente.

de vida e de morte. Saiba mais sobre a relação entre violência e saúde em Violência contra a mulher e saúde no Brasil e em Violencia. para o convívio com o agressor. · O estupro e a violência doméstica são causas importantes de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva. Outras vezes. género y salud. fantasias. em pdf. · Na América Latina e Caribe. de Paula Francisquetti no site do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. forças inconscientes. . mas como elemento integrante de uma relação com o agressor que ocorre em um contexto bastante complexo. São situações que envolvem sentimentos. volta ao lar. que às vezes se transforma em uma espécie de jogo em que a “vítima” passa a ser “cúmplice”. logo depois. · A cada 5 anos. · Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha menos do que aquela que não vive em situação de violência. a mulher perde 1 ano de vida saudável se ela sofre violência doméstica. O custo econômico da violência doméstica Segundo dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento: · Um em cada 5 dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.A mulher não deve ser vista apenas como uma “vítima” da violência que foi provocada contra ela. traumas. desejos de construção e destruição. algum tempo depois. retirar a queixa. a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres. A mulher às vezes faz uma denúncia formal contra o agressor em uma delegacia especializada para. Leia mais no artigo “Saúde mental e violência”. ela foge para uma casa-abrigo levando consigo as crianças por temer por suas vidas e. Leia sobre as conseqüências psicológicas da violência doméstica e da violência sexual contra as mulheres.

ou engravidar.6% e 2% do PIB de um país. Outra questão importante é que a revelação do status sorológico (estar com o HIV) para o parceiro ou outras pessoas também pode aumentar o risco de sofrer violência. o Ministério da Saúde emitiu uma Norma Técnica (disponível no site do Cfemea. estudos mostraram que a violência sexual na infância pode contribuir para aumentar as chances de um comportamento sexual de risco na adolescência e vida adulta. nos países em desenvolvimento. um levantamento estimou o custo com a violência contra as mulheres entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano. em pdf) para orientar os serviços de saúde sobre como atender as vítimas de violência sexual. · Nos Estados Unidos. · Segundo o Banco Mundial.· No Canadá. como HIV/AIDS. um estudo estimou que os custos da violência contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano em serviços. . aconselhamento e capacitação. incluindo polícia. Cuidados após a violência sexual Após a violência sexual a mulher (ou menina) pode contrair DSTs. A violência e as ameaças à violência limitam a capacidade de negociar o sexo seguro. Violência sexual e DSTs/contracepção de emergência A violência sexual expõe as mulheres e meninas ao risco de contrair DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e de engravidar. Além disso. sistema de justiça criminal. Para prevenir essas ocorrências. · Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento estimou que o custo total da violência doméstica oscila entre 1. estima-se que entre 5% a 16% de anos de vida saudável são perdidos pelas mulheres em idade reprodutiva como resultado da violência doméstica.

o crime de assédio sexual prevê pena de detenção. Minas Gerais e Pará. por palavras ou atos com sentido sexual. A Pestraf foi coordenada pela professora Lúcia Leal. Em 2002. se mesmo assim ocorrer a gravidez. Espanha e Portugal) e América Latina (Paraguai. que abastecem as redes internacionais de prostituição. quando alguém. Elas saem principalmente das cidades litorâneas (Rio de Janeiro. adultas. Assédio sexual O assédio sexual é um crime que acontece em uma relação de trabalho. de 15 de maio de 2001 . a mulher pode recorrer a um serviço de aborto previsto em lei em hospital público. Suriname. São Paulo. mas há também casos nos estados de Goiás. Recife e Fortaleza).224.gov.Mas.artigo 216-A. em sua maioria. Salvador. Mais informações: traficosereshumanos@mj.brEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. a maioria das vítimas do tráfico de seres humanos são mulheres. a Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres. É um direito incluído no Código Penal (artigo 128) e regulamentado pelo Ministério da Saúde. chefe. Venezuela e Republica Dominicana). Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial (Pestraf) identificou que as vítimas brasileiras das redes internacionais de tráfico de seres humanos são. da Universidade de Brasília (UnB). Tráfico e exploração sexual de mulheres No Brasil. Os destinos principais são a Europa (com destaque para a Itália. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. incluído pela Lei nº 10. incomoda uma pessoa usando o poder que tem por ser patrão. . Fonte: Ministério da Justiça. Vitória. e serviu de ponto de partida para o trabalho pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional realizado em 2003 e 2004. colega ou cliente. Segundo o Código Penal . de 1 a 2 anos.

Centro de Referência. número do Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. Todos esses fatores aumentam a vulnerabilidade dessas mulheres.br>). . as mulheres negras e indígenas sofrem uma dupla discriminação . as mulheres negras e indígenas carregam uma pesada herança histórica de abuso e violência sexual. esse Plano aponta mecanismos e diretrizes para a viabilização da política de atendimento estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente. Para o acompanhamento da implantação e implementação das ações do Plano Nacional. tendo sido por séculos tratadas como máquinas de trabalho e sexo. Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes. por serem em sua maioria mulheres pobres.abrapia. mantido pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia <http://www. mas também dentro de suas casas. foi criado o Fórum Nacional pelo Fim da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes. Violência contra as mulheres negras e indígenas No Brasil. Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil Criado com o objetivo de implementar um conjunto articulado de ações e metas para assegurar a proteção integral à criança e ao adolescente em situação de risco de violência sexual. Hoje. devido a uma das principais ações de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes: a divulgação do disque-denúncia (0800-990500). Mais informações com o Cecria .a de gênero e a racial . a de classe.Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes O número de denúncias aumentou bastante nos últimos anos. que muitas vezes enfrentam a violência não apenas fora.org. que reúne organizações do governo e da sociedade que atuam na prevenção e no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.acrescida de uma terceira. sem os direitos humanos básicos.

e que vivem com seus pais. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. começa até mesmo antes do nascimento. Maria nº 0.” Fonte: Marisa FernandesEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. ameaças e. No caso da violência doméstica contra os idosos. aos 77 anos. os pais buscam sujeitar e controlar o corpo das filhas lésbicas.Saiba mais nos sites da Casa de Cultura da Mulher Negra e do Instituto Socioambiental. A família reprova a lesbianidade da filha e procura impor a heterossexualidade como normalização da prática sexual do indivíduo. Por serem destituídas de qualquer poder. As ocorrências de violência sempre têm o sentido de dominação: é o exercício do poder. Violência contra as mulheres idosas A discriminação contra a mulher começa na infância e vai até a velhice. a expulsão de casa. Fonte: Unifem. Maria. punição e controle. não importa a idade que ela tenha. . E não faltam acusações. a imensa maioria das vítimas são mulheres. lançando mão de diferentes formas de violência. que considera que a mulher vale menos do que o homem. como os maus-tratos físicos e psicológicos. Violência contra as lésbicas O fato de ser lésbica torna as mulheres homossexuais ainda mais vulneráveis às diversas formas de violências cometidas contra as mulheres. Maria. Mais informações no site do Um Outro Olhar. isso “tem a ver com a lógica do sistema patriarcal. “As jovens que se descobrem lésbicas. Segundo Maria Antonia Gigliotti. Também conta o fator financeiro: as mulheres idosas são normalmente bem mais pobres do que os homens idosos”. são as que mais sofrem violência. “Violência contra as lésbicas”. nº 0. utilizado como ferramenta de ensino. inclusive. 12) Aspectos positivos e negativos do texto publicitário . na seleção do sexo do embrião. Em alguns casos. presidente do Conselho Municipal do Idoso da cidade de São Paulo. Maria.

b. c. a. FOLHETOS. JORNAIS.o estímulo do jornal tende a provocar uma reação mais rápida. Jornais Há jornais de todas as tendências. sua circulação é quase que exclusivamente local. trocado ou cancelado de um momento para outro.o anúncio pode ser inserido. Vejamos quais são as virtudes dos jornais. o primeiro grande veículo publicitário. Maleabilidade . A imprensa Grande parte da história da publicidade está ligada à imprensa. jornais. A imprensa constitui um meio de publicidade que se dirige essencialmente ao indivíduo isolado. periódicos especializados. seu principal atrativo. pois.O TEXTO PUBLICITÁRIO EM REVISTAS. a saber: a. As limitações dos jornais são as seguintes: a. Desde os que fazem do comentário e da doutrinação seu prato de resistência aos que têm no noticiário e na reportagem viva. Pode também ser adaptado às condições locais de uma cidade ou região e levar o nome de agentes ou revendedores de cada cidade. Os anúncios de imprensa atingem. o que ajuda a aceitação do produto pelo mesmo e o incentiva a cooperar na campanha de vendas. raros são os jornais que dão boa reprodução dos anúncios. são lidos às pressas (excetuando-se aos domingos). MALA DIRETA E OUTROS. Com efeito. c. b. Ação rápida e intensa . Todos estes fatores devem ser pesados ao escolher os órgãos mais aptos para uma campanha.seja adequado à mesma. Permite inserções mais freqüentes. cronologicamente. um mercado proveitoso para o anunciante. aproximadamente.é mais facilmente visto e controlado pelo revendedor local. d. têm vida curta. OUTDOORS. . sensacionalista. todas as pessoas cujo padrão de vida está acima do nível de subsistência e que constituem. c. o jornal foi. Controle . Para melhor apreciarmos as virtudes e limitações da imprensa como veículo publicitário separamos os veículos em três categorias. de forma a imprimir intensidade à campanha. desde que este gênero de veículo o jornal . desde os conservadores aos populares. b. revistas.

cerca de 1 . bem como as que circulam entre as classes rica e média. Sua circulação local é bem superior à das revistas. Apresenta os seguintes aspectos negativos e positivos: • Credibilidade: devido ao papel desempenha. alguns já ultrapassando um século de existência. • Seletividade: sua audiência é constituída basicamente por públicos pertencentes à classe AB. donas-de-casa e crianças. existiam no Brasil.Em termos de Brasil. Revistas Nas classes de padrão de vida mais folgado é hábito a leitura de revistas. Segundo o censo de 1980. do leitor. Há as que apelam mais para o homem ou para a mulher. • Não permite a demonstração da ação. é o meio de maior credibilidade. no que se refere ao sexo. Aspectos negativos: • A não ser com algumas exceções. o que as torna especialmente adequadas para as "campanhas de marca". categoria sócio-econômica e vocação. circulando geralmente em todo o território nacional. dando confiança à mensagem. mudança de embalagem). O jornal é uma mídia seletiva por ter como natureza informar. sendo 301 diários. é o meio que apresenta maior tradição como mídia. não permite o uso de cor. àquela época. . analisar e comentar os acontecimentos. os formadores de opinião. fatal nas campanhas onde ela é fundamental (por exemplo. • Rapidez na veiculação de mensagem: pode-se autorizar hoje e ter o anúncio veiculado na manhã seguinte. Elas são por isso mesmo mais seletivas do que os jornais. • Não permite boa cobertura nos segmentos de mercado como mulheres.555 jornais. Têm maior expansão geográfica.

b. As suas limitações são: a. • Circulação nacional: permite cobrir. existem no Brasil 851 revistas em circulação. são mais seletivas. c. b. d. embora com pequena circulação local. Os anúncios têm que ser preparados com muita antecedência. Aspectos positivos: • Adequação: permite adequação editorial à mensagem do produto devido à grande variedade de publicações. Visão e RGE. com as revistas Cruzeiro e Manchete. • boa impressão em cores. representam grave desperdício nas campanhas estritamente locais. permitem melhor reprodução dos anúncios e melhor aparência. o que permite textos mais longos. ganhou força na década de 50 para 60. Suas características básicas podem ser resumidas em três itens principais: • circulação nacional.maior expressão encontram-se nas editoras Abril. têm maior porcentagem de leitores por número. têm vida mais longa. sendo que as revistas de . • grande variedade de publicação quanto aos gêneros. Bloch. Três. Apresenta os seguintes aspectos positivos e negativos. como mídia. Segundo o censo de 1980. o que faz a circulação ser bem maior do que a tiragem. que chegaram a ultrapassar a tiragem de 1 milhão de exemplares. não têm a maleabilidade dos jornais. são lidas com mais vagar. toda região brasileira num único anúncio. • Seletividade: a revista permite a seletividade pelo seu custo (do exemplar na banca) que requer da .As suas vantagens são as seguintes: a. A revista.

o jornal e a revista são comprados de motus próprio. Publicidade ao ar livre A publicidade ao ar livre é conhecida como Outdoor Advertising. etc. mas sim pela qualidade de seus leitores. bem como nos veículos de transportes coletivos. ou de interesse exclusivo para uma dada classe profissional ou vocacional . Periódicos especializados São aqueles que se dedicam exclusiva ou principalmente a um dado assunto (Medicina. Agricultura. Enquanto o folheto. O que interessa é saber se eles têm realmente boa circulação entre as classes a que se destinam e se gozam de prestígio entre seus leitores. numa cidade ou apenas num bairro.parte do leitor maior recurso financeiro e pelo seu conteúdo editorial • Credibilidade: como no caso do jornal. Assim. Ação rápida e constante . A publicidade ao ar livre difere substancialmente das demais. pelo seu tamanho e pelas cores (e o luminoso pelo fulgor) exercem impacto sobre o público e pela repetida exibição conseguem influir. Entretanto. o cartaz e o luminoso são percebidos de passagem. policiais. • Falta de rapidez na transmissão da mensagem (fator tempo).pode ser usada nos momentos mais precisos e ter a mensagem substituída logo que necessário. Estes veículos não deverão ser julgados pela tiragem. . Suas características são as seguintes: a. c. painéis e luminosos na via pública. etc. publicações destinadas a lojistas.como. e compreende a fixação de cartazes. desfruta de boa credibilidade. etc. por exemplo. como ônibus e trens. Maleabilidade . bem como revistas de moda.pode ser usada numa extensa região. vista indiscriminadamente por toda a espécie de gente. Engenharia. a ação do cartaz é constante.). vão à residência do consumidor. o rádio. Aspectos negativos: • Pouca circulação por região e conseqüentemente baixa cobertura. Em tais condições é uma publicidade tipicamente para as massas. automobilistas. mais ou menos casualmente. a TV.nas ruas está sempre passando gente. Oportunidade . fixar uma mensagem breve e veicular uma impressão. bancários. b. infantis. Finanças. nas vias públicas. característica da mídia impressa.

a multiplicidade dos locais empregados no espaço e no tempo. Quando se compra o espaço necessário para uma campanha de publicidade por meio de cartazes. • Mídia de grande impacto visual. Características básicas • Mídia eminentemente local. põe imediatamente em evidência o nome da coisa anunciada.porque é uma mensagem concisa e breve. • Mídia local excelente para campanhas locais. Cartaz de rua de 32 folhas (outdoor). sem se examinar o valor especial de cada local. Aspectos negativos: • Alto custo de produção. como também uma posição em que possa ser visto facilmente e em ambiente apropriado.d. Impacto . • Mídia que possibilita a afixação da mensagem próxima ao ponto de venda. Aspectos positivos: • Mídia de grande impacto visual. f. compra-se geralmente um conjunto de locais. De uma maneira geral a afixação de cartazes implica na qualidade do meio publicitário.como. impondo-se logo aos olhos da massa. passamos diariamente diante de vários exemplares do mesmo cartaz. • Não permite a seletividade de público. visto que é o público que vai ao encontro da mensagem. • Continuidade da mensagem. a não ser no caso em que este último representa uma despesa importante. produz impacto. Simplicidade . • Nas campanhas regionais ou nacionais o seu uso como mídia básica implica um alto investimento. • Mídia que permite alta freqüência de exposição. . A ação essencial da publicidade ao ar livre é a de uma tropa de choque isto é. é facilmente compreendida. e. A sua escolha contudo deve prevalecer num local onde haja transito denso. a coisa anunciada tende a fiar-se na mente pela repetição. em geral.impressiona geralmente pelo tamanho e pela cor viva ou em contraste com a do local onde está colocado. Memorização . excelente para lançamento.

de olho na arrecadação. da indústria formal. o termo "pirata" era usado para identificar pessoas que cruzavam os mares para assaltar navios em busca de riqueza e poder. que quer pagar menos. Em Florianópolis. Uma delas mostra que a prática. no muicípio de Barueri. São Paulo. Professores descobriram que a experiência na sala de aula é uma arma poderosa para combater o crime. Este mercado e suas consequências são o destaque do Via Legal desta semana. cometem o crime com a conivência e até com o apoio de boa parte da sociedade. A iniciativa aposta na educação como ferramenta para formar consumidores menos tolerantes à pirataria. O Via Legal também esteve em Alphaville. A denúncia surgiu durante um mutirão dos Juizados Especiais Federais. Alessandra de Castro investigou casos de advogados que ignoram a lei e os limites do bom senso para explorar o cliente. apesar de ser considerada crime. É sentindo na pelé como é ter a idéia e a obra roubadas que os alunos aprendem que a pirataria traz consequências para todos. uma questão polêmica e que envolve vários interesses: do governo. que não quer perder mercado e do consumidor. copia. A repórter Analice Bolzan preparou uma série de reportagens para mostrar como a pirataria faz mal ao país. Além disso. não está prevista no nosso Código Penal. agora eles estão por toda a parte e. O programa esclarece ainda quais são os setores preferidos de quem faz e alimenta a pirataria. pirata é quem rouba. Mais de 80% dos que assumem comprar produtos piratas optam pelo CD.13) Causas e conseqüências da pirataria Historicamente. onde governo e moradores estão em guerra. • PIRATARIA: AS DIVERSAS FACES DA QUESTÃO II Seminário Nacional de Educação Fiscal Curitiba Agosto de 2007 • • CONCEITO Pirataria e toda pratica lesiva aos direitos de propriedade intelectual e que tem como subprodutos crimes conexos de ordem publica da maior gravidade como: . magistrados federais e empresários se reuniram para discutir o assunto e analisar como os processos estão sendo julgados no Brasil. o mais grave. Profissionais do mercado fonográfico falam sobre as consequências da venda em larga escala de discos falsificados. Outra reportagem apresenta um trabalho pedagógico desenvolvido em escolas da rede pública. engana. Erica Resende mostra que essa briga é por causa da cobrança de taxas impostas a quem vive em terrenos da União. Já no Piauí. Os tempos mudaram. Hoje em dia.

– – – • • • O contrabando. o combate a pirataria. • • • • MUDANCAS IMPORTANTES NO TRATO DO PROBLEMA A CPI da Pirataria (2004). particularmente em sua vertente educacional. e uma atividade inerente ao nosso trabalho e precisa ser tratado com mais ênfase pelo Programa Nacional de Educação Fiscal. AÇÕES PROMOVIDAS PELAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS O Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos Contra a Propriedade Intelectual. PIRATARIA COMO UM PROBLEMA SOCIAL Fenômeno mundial fruto do neoliberalismo e da globalização dos mercados. A criação do Conselho Nacional de Combate a Pirataria como uma das mais importantes deliberações da CPI. de controle. Econômica e Educacional. Agravado em países como o Brasil em decorrência de: – – – Longo período de recessão econômica. De controle. Desemprego estrutural devido a substituição do homem pelas maquinas. O descaminho e a Sonegação fiscal. O enfrentamento da pirataria passou a ser feito em quatro vertentes: – – – – Repressiva. formatou um plano contendo 99 ações estratégicas. econômico e • • . Falta de uma ação coordenada nos três níveis de governo ate 2004. • • O COMBATE A PIRATARIA Dessa forma. nos campos repressivo.

estuda-se a melhor forma de redução da procura por produtos falsificados. • • AÇÕES EDUCACIONAIS Na vertente educativa. AÇÕES DE CONTROLE Edição da Portaria SRF nº. mostrando aos consumidores o risco de consumir esses produtos e o dano social por eles causados. que poderão ser utilizados como instrumento de monitoramento no combate à prática de concorrência desleal e de levantamento de indícios de sonegação fiscal”. São cerca de mil produtos que têm. Esses programas poderão ser executados em parceria com o PNEF. 306/2007. Entendo que este Seminário Nacional e o Planejamento Estratégico que vamos discutir na reunião do GEF devem tratar este tema com a atenção e a prioridade necessárias. em geral. para que tenham eficácia. AÇÕES EDUCACIONAIS O Conselho Nacional de Combate à Pirataria objetiva promover programas educacionais nos Estados. impedindo a ação de concorrentes oportunistas. • • • • • • • • • . a partir de agora. Os dados do denunciante serão preservados. que precisam contar com a participação do governo nos três níveis e dos cidadãos. Quem a pratica. A análise a ser realizada pela SRF será criteriosa. AÇÕES DE CONTROLE Os interessados poderão formular denúncias acerca dos processos suspeitos de fraudes. são máfias internacionais que também operam com o narcotráfico e o tráfico de armas e munições. que determina “a divulgação de dados estatísticos sobre importação. mas a pessoa que denunciou a suspeita terá que se identificar por meio de certificação digital. quantidade e preços declarados. principalmente pelo fato da pirataria estar vinculada ao crime organizado. suas estatísticas de importação divulgadas pela Receita Federal.educacional. como peso.

quando seu consumo anual era de apenas 3 milhões. O Paraguai importava via portos brasileiros (principalmente Santos e Paranaguá) 160 milhões de CD.htm. AÇÕES REPRESSIVAS • • • • • • • • • • • • .• Na página da RFB. AÇÕES REPRESSIVAS A vertente repressiva foi a que mais evoluiu desde a criação do CNCP com a realização de grandes operações conjuntas nos três níveis de governo em vários pontos do país. Objetiva minar as forças dos grandes fornecedores desses produtos para o varejo e fazer justiça com a prisão dos responsáveis por esse comércio ilegal. como mecanismo de coibir essa pratica.receita.fazenda. AÇÕES REPRESSIVAS “O Brasil tirou de circulação em 2005 R$ 168 milhões em produtos ilegais. (Márcio Gonçalves – Secretário Executivo do Conselho Nacional de Combate à Pirataria em entrevista concedida ao jornal “O Globo” em janeiro de 2006) Conseqüência: os EUA encerraram uma investigação contra o Brasil que durou mais de 5 anos por conivência contra a pirataria de produtos americanos e retirou todas as ameaças de sanções comerciais contra o país em decorrência da pirataria. link www. foram estabelecidos acordos comerciais com o governo brasileiro que lhe permitem importar e exportar produtos em regime de transito aduaneiro. o governo brasileiro impôs restrições ao transito de produtos usualmente pirateados. sem desembaraço em território nacional. como CD.br/aduana/ImportProdSensiveis. importados pelo Paraguai via portos brasileiros.gov. o que representa um aumento de 130% em relação a 2004. estão disponíveis dados sobre as importações. AÇÕES DE CONTROLE Recentemente. AÇÕES DE CONTROLE Como o Paraguai e um Estado insular.

um item de verificação obrigatório. Com isso. • • • • • • • • • • AÇÕES NO AMBITO ECONOMICO Para aproximá-los.3 milhões de unidades. A atuação conjunta da Receita Federal. a pirataria é. foram apreendidos em todo o país mais de R$ 870 milhões em produtos falsificados (5 x mais que em 2005).• Somente em 2006. o número de CDs e DVDs falsos apreendidos pulou de 450 mil (antes da criação do CNCP) para mais de 7. Um bom exemplo é o livro. Fortalecer a indústria nacional. porque a simples repressao traz problemas sociais muito graves. no entanto. É no diferencial de preço do legal para o ilegal que o problema tomou a proporção que tem hoje. Nas estradas. para gerar alternativas de trabalho e renda aos ambulantes como forma estimula-los a deixar o comercio de produtos piratas. Os setores industriais mais prejudicados precisam se unir aos governos. além do contrabando. • • • • AÇÕES NO CAMPO ECONÔMICO Maior incentivo ao setor produtivo para fabricar artigos voltados para a linha popular é uma ação importante. AÇÕES NO AMBITO ECONOMICO Na vertente econômica busca-se a parceria com o setor produtivo para reduzir as vantagens financeiras da concorrência desleal dos produtos piratas. Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal e dos Estados tem sido determinante nas ações repressivas. já que 70 a 80% dos produtos piratas são procedentes do exterior. hoje. que é imune . . nos tres niveis. por exemplo. não basta reduzir a carga tributária que incide sobre o produto legal. mas nem por isso deixa de sofrer com a pirataria.

• • • • • • UMA GRANDE INDÚSTRIA DO CRIME O crime de pirataria é uma atividade financiada por grandes máfias internacionais. brinquedos. anualmente. entre outros. O DVD do filme “Os Incríveis”. que trazem para o Brasil os mais diversos tipos de mercadorias. inclusive. revendidos por R$ 4 para competir com o CD pirata. os brinquedos piratas podem conter tintas tóxicas (inclusive cancerígenas) na sua composição. RISCOS PARA A POPULAÇÃO • • • • • • • . O CNCP alerta que já foram identificados brinquedos fabricados com lixo hospitalar reciclado. São roupas. tênis. próteses e material hospitalar. Por isso. peças de automóveis. que deveria custar R$ 80 no Brasil. equipamentos de informática. RISCOS PARA A POPULAÇÃO BRINQUEDOS: Além de pouco resistentes. acabam frustrando os consumidores. UMA GRANDE INDÚSTRIA DO CRIME Esses produtos não seguem qualquer padrão de segurança e qualidade. CD/DVD.90 e se tornou campeão de vendas UMA GRANDE INDÚSTRIA DO CRIME Segundo a INTERPOL (Polícia Internacional). a pirataria no mundo movimenta.• • AÇÕES NO CAMPO ECONÔMICO O Atlético Paranaense lançou uma linha de camisas oficiais do time que são vendidas com nota fiscal para os camelôs que revendem a R$ 20. Narcotráfico – US$ 360 bilhões. óculos. causar danos irreparáveis à saúde. podendo. mais recursos financeiros que o narcotráfico: – – Pirataria – US$ 522 bilhões. O cantor Ralf (da dupla Chrystian & Ralf) está vendendo CDs originais direto para camelôs. foi lançado por R$ 39. remédios.

Danos ao leitor ótico do aparelho. • • • • • • • • • CONSEQUENCIAS DA PIRATARIA É uma atividade ilegal que causa prejuízos crescentes: – – – à economia nacional. TÊNIS: Não possuem sistema de amortecimento. pois a lente escura faz a pupila dilatar-se reduzindo a proteção natural do organismo contra os raios UV. mas no mundo todo). mas podem conter metais pesados que causam câncer de mama. Falta de encartes. . à geração de empregos (não só no Brasil. RISCOS PARA A POPULAÇÃO SUTIÃS DE SILICONE: Produtos piratas são dez vezes mais baratos. álcool anidro e acetona. Desrespeito aos direitos autorais. prejudicando a coluna. Essas complicações podem levar até a cegueira. REMÉDIOS: A falsificação chegou ao ponto de se vender remédios contra o câncer compostos por substâncias inócuas. ÓCULOS DE SOL: A ausência de proteção UV pode causar sérios danos aos olhos. os joelhos e os calcanhares dos usuários. é preferível andar ao sol sem óculos do que usar um pirata. Segundo os oftalmologistas. CD/DVD: – – – – Baixa qualidade de áudio. e aos consumidores. RISCOS PARA A POPULAÇÃO BEBIDAS: Misturam substâncias extremamente nocivas como: metanol.• • PROTETORES SOLARES: Os piratas não protegem contra os raios nocivos do sol facilitando o surgimento do câncer de pele.

A partir da escassez dos recursos naturais. e faz do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente. Rouba idéias e invenções. surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural. somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais. Concorrência desleal e prejuízos à economia nacional. 14) Importância de uma conscientização ambiental para o futuro do nosso planeta A Importância da consciência Ambiental para o Brasil e para o Mundo A partir da escassez dos recursos naturais. Sonegação fiscal (prejuízo de R$ 30 bi aos cofres públicos). surge o conflito da sustentabilidade dos sistemas econômico e natural. . elaborado pelo WWF e lançado este ano em Genebra. O homem começa a entender a impossibilidade de transformar as regras da natureza e a importância da reformulação de suas práticas ambientais.CONSEQÜÊNCIAS • • • • • • Desemprego (redução de 2 milhões de empregos). está avançando sobre os estoques naturais da Terra. Durante o período da chamada Revolução Industrial não havia preocupação com a questão ambiental. Alimenta o crime organizado. Os recursos naturais eram abundantes. Com isso. Conseqüências à saúde. somado ao crescimento desordenado da população mundial e intensidade dos impactos ambientais. e a poluição não era foco da atenção da sociedade industrial e intelectual da época. comprometendo as gerações atual e futuras segundo o Relatório Planeta Vivo 2002. Os limites: A humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. e faz do meio ambiente um tema literalmente estratégico e urgente.

Quanto falamos em emissões de poluentes. já um ganês ou um nicaragüense.2 toneladas. sobretudo nos países mais desenvolvidos. Os dados mais recentes (de 1999) mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega 1. A China e o Leste da Ásia aumentaram em 100% o consumo de combustíveis fósseis em apenas cinco anos (1990/95).0 hectares e a dos norte-americanos de 9.3 hectares – dentro da média mundial. como mostra o Relatório Planeta Vivo. 50%.4 hectares por pessoa. por 0.4 bilhões de hectares de terra e espaço marinho produtivos . por 1. mas se a água for aquecida gradualmente. ela não se dará conta do aumento da temperatura e tranqüilamente se deixará ferver até morrer. O desafio: O grande desafio da humanidade é promover o desenvolvimento sustentável de forma rápida e eficiente. Devemos exercer a cidadania planetária. a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5. do Wuppertal Institute) Nos países industrializados cresce cada vez mais o consumo de recursos naturais provindos dos países em desenvolvimento .5. Embora a Pegada brasileira seja de 2. Segundo Sachs. as diferenças dos índices emitidos pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento também são significativas: Um cidadão médio norte-americano. O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia.ou 1. Diz-se que uma rã posta na água fervente saltará rapidamente para fora. por exemplo.3 hectares. nos países Baixos. só por 0. um britânico. por 2. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um.De acordo com o relatório. portanto. Hoje. e rapidamente. um brasileiro. A Pegada Ecológica de 2.7 bilhões de hectares para produzir os grãos. o planeta tem 11. mas cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta. 70%. mas não agimos para mudar completamente as coisas antes que seja demasiado tarde. carne e derivados. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra.9 hectares de área produtiva per capita.1 tonelada anual.6 hectares. usa uma área de 2.3 hectares é uma média. 30% dos recursos naturais consumidos na Alemanha vêm de outros países. por 9. (Wolfgang Sachs. Este é o paradoxo: sabemos que o tempo está se esgotando.8. esquecendo-se de que somos todos responsáveis pelo futuro que estamos modelando. Mas há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas. responde pela emissão anual de 20 toneladas anuais de dióxido de carbono. e um tanzaniano. grande parte da sociedade se posiciona como mero espectador dos fatos. água e energia que consome. Situação semelhante pode estar ocorrendo conosco em relação à gradual destruição do ambiente natural. no Japão. Mas a humanidade está usando o equivalente a 13. .a ponto de aqueles países já responderem por mais de 80% do consumo total no mundo. peixes e crustáceos. um chinês. que calculou a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes.2.

O meio ambiente natural é o fundamento invisível das diferenças sócio econômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. se nada for feito de forma rápida e efetiva. Sociologia e Política (EPGSP-SP). o meio ambiente não precisará mais de defensores. pelos impactos ambientais e pela falta de visão de nossa geração em não explorar adequadamente a vantagem competitiva de nossos recursos naturais. O dia em que cada brasileiro entender como esta questão afeta sua vida de forma direta e irreversível. o emprego. Gestão de Negócios (FGV). Marilena Lino de Almeida Lavorato: Publicitária (PUCC). Mas. Sei. Pós graduada em Gestão Ambiental (IETEC). A sociedade já terá entendido que preservar o meio ambiente é preservar a própria pele. e tantas outras vantagens ambientais que nós brasileiros temos e que atrai o olhar do mundo. parcerias estratégicas. Marketing (ESPM). a saúde. as próximas gerações serão prejudicadas duplamente. Esta falta de entendimento compromete a adequada utilização de nossa maior vantagem competitiva frente ao mundo: recursos hídricos. Criou e desenvolveu diversas ações macroeducativas na temática ambiental. mas não gostaria de ser uma das últimas com a oportunidade de mudar o curso da história ambiental do planeta. é fragilizar a economia.A luz no fim do túnel: A conscientização ambiental de massa. Procurei discutir a influência do avanço das tecnologias e da globalização sobre a concepção de identidade cultural. e tudo mais. 15) Globalização – Influencia da tecnologia na identidade cultural Tecnologia X Identidade Cultural Olá colegas! Lá vai um fragmento da minha resenha. que somos a primeira geração a dispor de ferramentas para compreender as mudanças causadas pelo homem no ambiente da Terra. biodiversidade. a maior floresta do mundo. e fragilizar o meio ambiente. Mais de 20 anos de experiência na condução de equipes multidisciplinares. só será possível com percepção e entendimento do real valor do meio ambiente natural em nossas vidas. e novos negócios de grandes empresas. Atualmente é Diretora da MAIS Projetos (gestão e educação sócio-ambiental) e coordenadora do Grupo Multidisciplinar de Gestão Ambiental da APARH-SP (Associação Paulista de Administradores de Recursos Humanos de São Paulo). matriz energética limpa e renovável. Tecnicidades e Implicações Culturais Por Deise Anelise Froelich .

sonoridades do meio oral com as intertextualidades da escrita e as audiovisual revolucionam e tocam o mundo das expressões e emoções humanas. as instituições de ensino têm demonstrado uma posição defensiva. isso não impede os jovens de ter um conhecimento mais atualizado em física ou em geografia do que o seu próprio professor. alimentando uma idéia negativa e moralista de tudo que a questiona em profundidade. As um hipertexto. Um dos motivos que apontam a internet como um meio cada vez mais fascinante e consolidado. Martín-Barbero (2006). com críticas ao ecossistema comunicativo das mídias e das tecnologias de comunicação e informação. têm sofrido uma erosão crescente devido à intervenção e ascensão de novas ferramentas como o computador e a internet. A informática e a internet podem ser utilizadas como ferramentas adicionais ao ensino. observa que muito embora ocorra a fragmentação do saber em múltiplos canais de construção do conhecimento. através da linguagem oral e visual. É importante ressaltar que a instituição de ensino está deixando de ser o único lugar de legitimação do saber.Muito embora os saberes habituais. desde que haja qualificação dos professores a fim de instigar uma reflexão crítica para com os educandos sobre as implicações. muitas escolas e até mesmo universidades parecem resistir à possibilidade de uma nova tecnicidade aliada aos saberes. benefícios e malefícios que essa nova tecnologia proporciona. devido aos demais saberes construídos em outros meios. Entretanto. é a possibilidade de utilizar recursos para além da escrita possibilidades do e do discurso lógico presentes em convencional. Todavia. . se faz necessário visualizar as novas tecnologias como um complemento e não como uma ameaça aos saberes habituais. ao invés deste fato acarretar na escola uma abertura a esses novos saberes. Porém.

A globalização acelerada pelas redes de comunicação unifica a própria comunicação. na verdade. É mais provável que ela. Assim. que foge ao controle dos indivíduos que vivem em uma sociedade tomada pelo crescente processo de globalização. Este ‘local’ não deve. Martín-Barbero faz menção à identidade como algo instável. A globalização na forma da especialização flexível e da estratégia de criação de ‘nichos’ de mercado. Entretanto parece improvável que a globalização vá simplesmente destruir as identidades nacionais. explora a diferenciação local. as relações e o mercado. de modo de vida e modificações no conceito de identidade. mas como algo móvel. “Há juntamente com o impacto do ‘global’ um novo interesse pelo ‘local’. as raízes identitárias não são mais vistas como fixas. A globalização parece se fortalecer com o avanço das tecnicidades e se expandir e consolidar nas sociedades de modo que não é mais somente a circulação de mercadorias que está em jogo. em transição constante. naturalmente. mas também a constituição de novas identidades. Todavia Hall lembra que a globalização não significa necessariamente a extinção do que é considerado local. Em vez disso. ao invés de pensar no global como ‘substituindo’ o local seria mais acurado pensar numa nova articulação entre ‘o global’ e ‘o local’. a desterretorialização com a fragmentação das fronteiras. espaço ou tempo. mas sim existe um novo posicionamento de ambos contextos. . muitas vezes implicam em mudanças de comportamento. firmemente enraizadas em localidades bem delimitadas. Portanto. vá produzir. ele atua no interior da lógica da globalização. Há uma nova relação entre as identidades culturais e entre as nações. para além das simples “raízes” históricas. Há uma espécie de flutuação. propagação global das identidades sendo que elas se encontram livremente independente do contexto. ser confundido com velhas identidades. novos recursos.Porém. e a hibridização das culturas. sujeito a modificações.

2º Congresso Internacional de Arquivos. Os profissionais foram recrutados nas classes mais abastadas — com seus valores e posturas —. concomitante com a expansão extraordinária do ensino superior no Brasil. Dr. considerando as implicações da universalização do ensino sem a contrapartida no desenvolvimento de acervos em bibliotecas e sistemas de informação. aulas e artigos técnico-científicos – levantamos a questão conforme os instrumentos teóricos e os resultados de pesquisas próprias ao nosso alcance. As campanhas de leitura e a oferta de serviços bibliotecários. (2005. Bibliotecas Centros de Documentação e Museus ocorrido em junho de 2006. aliada à proliferação de cursos de pós-graduação e de institutos de pesquisa por todo o país e. Antonio Miranda (Dep. majoritariamente constituídos por mulheres que viam na atividade um espaço de afirmação social (no período que precede à regulamentação da carreira de bibliotecário no início da década de 60).simultaneamente. e nos estados mais avançados.78). A biblioteconomia institucionalizou-se no Brasil a partir da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e da montagem de bibliotecas públicas e universitárias em São Paulo. Discute as instâncias em que a cultura é desenvolvida e as implicações relativas à multiculturalidade e a interculturalidade. . de Ciência da Informação UnB) no INTEGRAR . Organização de conteúdos e identidade cultural Artigo apresentado pelo Prof. sempre estiveram voltadas para as classes media e alta da população. E cabe ressaltar o esforço para a montagem de um vasto sistema nacional de bibliotecas públicas. UMA PROVOCAÇÃO A que classes sociais estão dirigidos os serviços bibliotecários e informacionais de nosso país? Que conteúdos privilegia e que valores pressupõe em sua organização e no aparelhamento atual de centros de inclusão digital? Em manifestações públicas anteriores – palestras. a criação de inúmeras bibliotecas especializadas. conseqüentemente. no marco das diferenças e desigualdades sociais. como resposta à demanda pela organização de conteúdos – à época rotulados como “coleções” . E analisa a montagem de programas de inclusão social e alfabetização digital e o acesso aos conteúdos informacionais depois da desarticulação do projeto de Sociedade da Informação no Brasil – SOCINFO. constrangidas pelas altas taxas de analfabetismo funcional e pelas oportunidades de ensino de qualidade restritas às elites urbanas. novas identificações ‘globais’ e novas identificações ‘locais’”. RESUMO Apresenta a questão dos conteúdos e da identidade cultural no Brasil . p. Nas décadas de 70 e 80 houve um incremento considerável no desenvolvimento de acervos bibliográficos e hemerográficos. 1. provocando a interiorização das bibliotecas e salas de leitura.

houve uma ruptura. as bibliotecas de institutos de pesquisa. continuamos oferecendo mais acervos e serviços de informação e documentação aos mais aquinhoados na pirâmide social. mas só no final do século é que o país consegue colocar quase todas as crianças nas escolas mas.Não foi possível a expansão das bibliotecas escolares. basta ver a distribuição de livros e outros tipos de documentos. que homogeneizava os alunos.vindos. Em outras palavras. A relação per capita de títulos em bibliotecas públicas é sintomática. Em confronto. A oferta de vagas nas escolas e universidades vem acompanhada de redução nos orçamentos para a atualização de acervos e serviços de informação.67) por estudante universitário. . enquanto as bibliotecas dos institutos de ensino superior instalados fora dos grandes centros limitam-se ao uso de apostilas e a escassos recursos bibliográficos de pesquisa. Quando os jovens que não tinham essa cultura começaram a estudar. em 1990. A escola estava despreparada para ter alunos que não se encaixavam num modelo preestabelecido. e sempre estiveram desigualmente distribuídos. 1983) E em 2006? Não temos estatísticas e se fala na criação de repertórios de livros didáticos e paradidáticos em linha que serão bem. A universalização do ensino fundamental passou a ser um direito da cidadania a partir das constituições do Estado Novo e subseqüentes. num círculo vicioso. estava já evidente que os serviços bibliotecários brasileiros esgrimiam um discurso progressista e às vezes até mesmo contestador. O IBGE não faz mais o levantamento de acervos de bibliotecas públicas há mais de duas décadas. nas instituições de ensino superior da rede oficial.(MIRANDA. da USP. em fórum especializado (NOVA ESCOLA). com o rebaixamento do nível de qualidade do ensino. das universidades mais avançadas oferecem muitas vezes serviços de qualidade – com acesso a redes internacionais de conteúdos em linha — às elites. “Quem tinha acesso aos estudos antes da universalização estava acostumado a regras e condutas sociais reproduzidas pela escola. mas a prática era efetivamente conservadora.” afirma o professor Lino de Macedo. acompanhando as mesmas desigualdades regionais e sociais que conformam a sociedade brasileira.26 volumes (com as máximas de 70 e mínima de 5. O mesmo se pode dizer das bibliotecas que estavam voltadas para o atendimento das elites. Os serviços bibliotecários eram (e ainda continuam sendo) majoritariamente governamentais. A universalização prevista no ensino médio e a expansão e democratização considerável no acesso às universidades deve provocar novos e devastadores tsunamis na qualidade dos serviços. nos centros urbanos mais desenvolvidos. mas não vão resolver a questão. segundo muitos especialistas. mas é possível imaginar que não existe sequer um livro por habitante em nossas pobres bibliotecas e que as oportunidades são melhores nas regiões mais ricas. reforçando um modelo de distribuição de renda e de oportunidades tradicionalmente perverso. que eram as mais aquinhoadas. Na década de 70 do século passado. Havíamos alcançado a média de aproximadamente 18. por motivos que analisaremos mais adiante. Saindo da metáfora para a conjuntura.

A questão está em voga ou na moda e muito vem sendo escrito sobre o assunto. entendendo adesões e conflitos com os padrões em voga. a cultura é vista como uma instância simbólica da produção e reprodução da sociedade. Nós mesmos acabamos de publicar um volume sobre a Alfabetização digital e o acesso ao conhecimento (MIRANDA. Já publicamos muitos artigos em revistas especializadas em vários países (MIRANDA. citado por Canclini (2005) ficou escandalizado ao deparar-se com 57 variantes do significado de cultura. circulação e consumo de cultura considerando também as trocas com outros grupos. mas é possível afirmar que ainda estamos em busca de um marco teórico mais sólido para orientar nossas políticas públicas e a implementação das infra-estruturas de acesso à informação no Brasil. Durante muito tempo convivemos com a definição antropológica de cultura como sendo tudo que o homem produz em seu processo civilizador. SIMEÃO. Dilema entre as culturas eruditas e populares e a pasteurização que caracteriza o gosto da classe média. Laski. 3. da cultura política e da legitimidade.2. 45) resumiu seus estudos em quatro vertentes de observação e análise: 1. em escala local e até planetária. no âmbito da interculturalidade. Certamente que estamos falando de “culturas” na medida em que as classes sociais desenvolvem significados culturais próprios que levam a uma produção. CONTEÚDOS E IDENTIDADE CULTURAL No final do século coordenamos a elaboração do capítulo 5 do Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil (2000). No caso das bibliotecas. CANCLINI (2005. a cultura como instância em que cada grupo organiza sua identidade mas que. a convite do Ministério de Ciência e Tecnologia sobre os Conteúdos e Identidade Cultural. a cultura como uma instância de conformação de consenso e da hegemonia. Ela não resolve o problema até porque nem todas as práticas sociais constituem o que entendemos hoje por cultura. E. já vimos como elas tradicionalmente privilegiam a cultura das classes média e alta e têm dificuldades com a organização e uso de acervos populares. A globalização possibilita ou impõe canais de comunicação e associação transnacionais que desagregam ou (re)organizam as identidades possíveis. rompe suas fronteiras possibilitando a produção.. ou seja. 2006) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT acaba de lançar o segundo número de sua revista Inclusão Digital. 2000) assim é que podemos partir para questões mais atuais e transcendentes sobre a questão. A. 2. Tem a ver com a autorepresentação e com a delegação da representação no jogo do poder. circulação e consumo de produtos diferenciados. A primeira questão que se coloca é a da definição de cultura que é polêmica e controversa. Cultura não é apenas lazer e entretenimento pois está relacionada com a identificação e incorporação de bens simbólicos e materiais da sociedade no processo de formação e realização do individuo. na pós-modernidade.. Os conteúdos e a identidade cultural têm a ver com as lutas pela inclusão social no Brasil. p. e também com a inter-relação do termo com civilização. .

etnia. No momento em que estamos organizando telecentros e pontos de acesso em comunidades periféricas e até mesmo em grupos de risco. portanto. impõe-se o sentido substantivo de cultura através da acumulação e renovação constante de repertórios para consulta e apropriação. bibliográficos. etc. instauram modos novos de entender o que é cultural e quais são os seus desempenhos sociais” (CANCLINI. geração. a circulação e os consumos dos bens culturais não são simples operações políticas ou mercantis. bases de dados ou até mesmo histórias em quadrinhos e games — constituem categorias atreladas a valores e dinâmicas sociais específicas que devemos atender. p 48). os arquivísticos. se aliam ou negociam” (GRIMSON apud. A eufemização dos conflitos não se faz sempre da mesma maneira nem se faz ao mesmo tempo em todas as classes” (CANCLINI. Por isso “temos teatro. interessados no entendimento não só dos conteúdos que podemos disponibilizar mas também. 2005. artes plásticas. Teríamos construído . em que falamos de “inclusão social” e em “alfabetização digital”. 2005. 49). Mas também é óbvio que a simples conectividade não vai resolver a questão das diferenças e desigualdades.4. “As maneiras pelas quais se estão reorganizando a produção. CANCLINI. 47). o tema de uma orientação de doutorado em que estamos envolvidos na atualidade. Mas também devemos pensar no cultural como sendo um adjetivo que busca entender os “modos específicos pelos quais os atores se enfrentam. Como representar adequadamente as diversas culturas na formação e desenvolvimento de acervos (por extensão. e sobretudo. 2005. Daí o conflito entre as classes sociais e suas representações na sociedade contemporânea relativas a sexo. sempre exerce uma função social que exige uma definição — podemos dizer ideológica ? — de seus objetivos institucionais. patentes. não se restringe às diferenças sociais e às desigualdades e à necessidade de inclusão (por meio de conexão com as redes) dos indivíduos. no referente ao desenvolvimento de seus estoques e à organização de serviços públicos. dos conteúdos que as comunidades estão em capacidade de produzir e intercambiar (através de jornais eletrônicos comunitários. a cultura como dramatização eufemizada dos conflitos sociais. a questão cultural (e seus objetos simbólicos) ganha relevo. canções e esportes. pinturas. cinema. museológicos de qualquer outro tipo)? Não estamos falando de obras sobre cultura no sentido antropológico ou político mas de todo e qualquer registro de informação – sejam teses. A primeira é da multiculturalidade que faz tanto sentido no Brasil e que vem sendo estudada principalmente desde o nosso grande Gilberto Freyre. reafirmando nossas diferenças e diversidades. Para as bibliotecas e sistemas de informação. por certo. de grupos de discussão e de registros de experiências e soluções desenvolvidos pelos usuários) (MIRANDA & MENDONÇA. A biblioteca — seja ela tradicional ou virtual — não é neutra. Este é. artigos científicos. p. 2006) A questão dos conteúdos e da identidade cultural. p. Estamos imersos na perspectiva de duas forças que se intensificam nos tempos atuais graças às tecnologias acessíveis (ou não) na sociedade da informação e do conhecimento que está sendo construída em escala mundial.

Já não há mais espaço para uma sociedade unificada pelos meios dominantes. p. as fusões incontornáveis.uma sociedade de culturas de origens autóctones. 2005) A urbanização acelerada. como a filosofia mestiça de que nos fala Michel Sèrres (1993). a mobilidade social e demográfica com milhões de migrantes e a imigração de brasileiros para outros países vêm mudando as variáveis tradicionais de nossas relações culturais. (CANCLINI. A abertura da economia. Admitiríamos que cada cultura deve ocupar seu espaço sem discriminação: “admitir que cada cultura tem o direito de dotar-se das suas próprias formas de organização e estilos de vida. ainda não dimensionamos devidamente o impacto que as cotas para negros e índios. O relativismo cultural não é suficiente para contornar o confronto que se avoluma e explode em guerras e levantes e se apresentam em sítios e grupos de discussão na web. mesmo quando incluam aspectos que podem ser surpreendentes. com reflexos positivos e negativos na conformação de nossas identidades culturais. Ademais. arte). A hibridização parece ser a tendência de todas as atividades culturais dos últimos tempos. observou-se criticamente que o reconhecimento sem hierarquias de todas as culturas como igualmente legítimas implica uma indiferenciação que as torna incomparáveis e incomensuráveis”. . de trocas e resistências com impacto sobre todos os indivíduos de nossa sociedade. (O sublinhado no texto é nosso). o acesso a redes de informação e entretenimento. economia. englobando culturas. No entanto. assim como para os egressos de escolas públicas vão acarretar na universidade brasileiras e menos ainda suas implicações em termos de demanda e oferta de conteúdos em nossos sistemas de informação. com movimentos sociais de sem-terra. o comércio internacional. 39. como os sacrifícios humanos ou a poligamia. a convivência com verdadeiros guetos em favelas e invasões. a multiculturalidade não implicaria em conflito social se houver ação afirmativa de forma democrática e transigente. Não se trata mais de lidar com as diferenças mas também com as desigualdades. a aculturação. a noção perdia eficácia operacional. de verificar resistências culturais. 2005. moral. métodos científicos e modos de produção. religião. a exportação de serviços e produtos e o desenvolvimentos científicos e tecnológicos através de grupos de pesquisas transdisciplinares e transnacionais vêm forçando aproximações e exigindo adaptações conseqüentes. ao abarcar tantas dimensões da vida social (tecnologia. Para citar apenas um exemplo entre nós. Não vamos entrar em detalhe quanto à identidade e seus desdobramentos com o aparecimento da rede mundial de computadores porque já publicamos um trabalho extenso sobre o tema (MIRANDA. sem-teto e todo tipo de ativismo de afirmação cultural e política colocam desafios novos. 1990). Aparentemente. O turismo interno e externo. a integração regional. baseado em idéias de CUCHE. O que implica numa interculturalidade através de conflitos e acomodações. européias e africanas que vem se expandindo com os imigrantes da Ásia e do Oriente Médio e até de países vizinhos. levando a novas teorias para o entendimento do fenômeno.

2006). informação. Vale dizer que “o saber pós-moderno é ambivalente. 69). p. com os repositórios culturais. Como sentenciou Canclini. em princípio. Ele é ao mesmo tempo um novo instrumento de poder e uma abertura para as diferenças” (LYOTARD.) (MIRANDA. citado por MIRANDA & MENDONÇA. “é difícil imaginar algum tipo de transformação para um regime mais justo. 2005. e sua antítese nas análises mais pessimistas de Castoriadis.Os embates entre cultura e sociedade estão definitivamente colocados. saúde e distribuição de renda. sua apropriação se dá pelas condições sociais e culturais dos indivíduos. Já conhecemos a Computopia de Ioneji Masuda e as especulações sobre um compartilhamento solidário da informação na sociedade da informação. não significa apenas alfabetizara tecnologicamente os indivíduos. Os grupos encastelados no poder certamente buscarão formas de perpetuação de seus privilégios e prerrogativas enquanto que outras forças tentarão removê-los pelos meios ao seu alcance. consensuais. de regiões) que façam comunicar os diferentes. Ou seja. Daí o embate entre as identidades instituídas (de cunho oficial) e as instituintes e de resistência que abordamos no Livro Verde (2000). eles são muitos e estão por toda a parte com recursos públicos e privados (no âmbito do emergente conceito da . as famílias e comunidades.elaborado pelo IBGE em 2003 (MIRANDA & MENDONÇA. 3. & MENDONÇA. A definição de políticas públicas consistentes. Segundo o Mapa de Exclusão Digital do Brasil. tendo como finalidade a aplicabilidade social desses conteúdos trabalhados a partir de conceitos e práticas de alfabetização da informação (.. sendo que no Maranhão — nossa terra de nascimento — o acesso à tecnologia referida era de apenas 2. pode ajudar no encaminhamento da questão. “Investir na inclusão digital. havia pouco mais de 10% da população com acesso ao computador. 2006. que dependem das oportunidades de ensino. sem promover políticas (étnicas. 2006) A utopia do acesso aos conteúdos tem seus defensores e detratores. p. o ideário da Unesco de “INFORMATION FOR ALL” – informação para todos — não é apenas utópico como impraticável nas condições em que vivemos. de gênero. Na prática.05%. corrijam as desigualdades (surgidas dessas diferenças e das outras distribuições desiguais dos recursos) e conectem as sociedades com a informação. de saúde e bem-estar globalmente expandidos” (CANCLINI. Está a idéia positiva — para não dizer positivista — da E-Topia apresentada recentemente por Maria Nélida González de Gómez (2006) sobre a relação entre conhecimento. avaliar seus processos de recepção e mediação. Não faltam iniciativas no Brasil no sentido da inclusão e da alfabetização digital. solidárias e de base cooperativa e persistente. aberto e pode ser disponibilizado para todos mas não será do interesse de todos. 102). mas também inserir conteúdos . Certamente que não faltam programas desse tipo entre nós.. portanto. A DISPONIBILIZAÇÃO DE CONTEÚDOS COMO SOLUÇÃO E COMO PROBLEMA O legado cultural através de conteúdos está. política e cidadania. A.

“responsabilidade social”). Estudo realizado por empresa internacional de consultoria que estudou o problema no Brasil (de uso restrito, infelizmente), aponta para as falhas constantes de nosso planejamento: a falta de entrosamento entre os órgãos promotores, o que leva a duplicidade de meios para fins idênticos; o amadorismo e voluntarismo inconseqüentes e até à praga da descontinuidade administrativa que afeta a administração pública em geral e os sistemas de informação em particular (MIRANDA, 2004). As políticas públicas que desenvolvemos atualmente no Brasil carecem de um macroplanejamento mais efetivo no sentido que Iraset Paez Urdaneta (1992) propugnou em seus estudos de Inteligência Social. Não faltam diagnósticos nem projetos, nem capital humano para o empreendimento. Teríamos até mesmo os recursos financeiros se considerarmos o cobiçado Fundo de Universalização de Serviços de Telefonia, o FUST, que vem sendo contingenciado. Falta gestão de programas num marco mais amplo de projeto político, social, econômico ou como queiramos entender o processo. Óbvio que não estamos advogando por planos nacionais de desenvolvimento autoritários, autárquicos e centralizadores como os que já enfrentamos com pouco sucesso. Os que estivemos envolvidos na elaboração do Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil — SOCINFO — chegamos a acreditar que era a “hora e a vez” dos sistemas de informação em geral no processo de desenvolvimento social do Brasil, e dos conteúdos e da identidade cultural em particular. Chegamos até ao detalhamento de uma vasta rede de pontos de inclusão em mais de dez mil bibliotecas e outras unidades de informação no Brasil – na esfera pública e no terceiro setor – mas a mudança de governo enterrou aquela proposta.(*) Em vez de aperfeiçoar os planos existentes, estamos sempre tentando reinventar a roda seja por má fé ou, na melhor das hipóteses, por ingenuidade ou ignorância. (*) NOTA: Felizmente, porém, as idéias morrem e ressuscitam entre nós, de tempos em tempos, como fênix. A nossa proposta de criação de dez mil telecentros, baseados em bibliotecas públicas, escolas, arquivos e museus, como infra-estrutura mínima indispensável para a democratização do acesso à informação, acaba de ser reapresentada oficialmente pelo governo brasileiro, em outro contexto. O Núcleo de Assuntos Estratégicos , em estudo prospectivo, propõe exatamente a mesma coisa na formulação de cenários para o Brasil em 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Quem fez a declaração publicamente foi o Cel. Oswaldo Oliva Neto, Secretário Executivo do NAE, no painel “Soluções com Telecomunicações para a Educação”, no âmbito do Telebrasil 2006, que aconteceu no Club Méd de Rio Piedras, RJ, de 1 a 4 de junho de 2006, evento do qual participamos. Se o NAE induzir os nossos programas de alfabetização e inclusão social à adoção da referida estratégia, talvez consigamos economizar recursos e tempo e acelerar a implementação de políticas públicas para o setor, de forma mais orgânica e sistêmica.

16) Questão política no Brasil – eleições, poder de voto, democracia e ética.

INTRODUÇÃO

A deficiência do sistema de ensino, a ineficiência dos políticos e dos partidos políticos e os golpes de estados unidos ao descaso com a preservação da memória nacional somadas ainda a muitas outras mazelas que assolam nosso País fizeram e vem fazendo com que a memória coletiva de nosso povo se esqueça de que o Brasil possui uma tradição eleitoral arraigada em sua curta história. Levando-se em conta que o Brasil acabou de completar 500 anos de existência, e o desconhecimento de nossa história por significativa parcela da população acaba por fazer com que o Povo vá se colocando paulatinamente à margem dos destinos da Nação e, assim, por esses e outros motivos, durante já há algum tempo, faz crescer uma idéia negativa de que no Brasil não são encontradas as condições necessárias para a implantação de um processo democrático, verdadeiro, longo e duradouro. Nesse ponto, cabe esclarecer, que em nosso País as eleições vêm sendo realizadas desde a sua Colonização e desde àquela época vêm sofrendo mudanças em alguns aspectos históricos de suas representações eleitorais. Tal fato pode ser verificado traçando-se um paralelo entre elas, começando pelas Ordenações do Reino, onde o Brasil dividiu a sua representação entre os Poderes Executivo (Imperador, Regente, Presidente, Governadores) o Poder Legislativo (Senadores, Deputados e Vereadores) e o Poder Judiciário (Juizes, Procuradores, Escrivães). A forma de legitimação concedida pelo sufrágio popular em outras épocas não se fazia através dos votos dos cidadãos como se conhece hoje. Inicialmente, era de forma indireta e em certas épocas em vários turnos. Depois passou a ser de forma direta e em turno único através de um colégio eleitoral. Demonstrando assim, essas modificações nas Leis Eleitorais são um reflexo dos Costumes, da Cultura e da Soberania Nacional, verificadas em um determinado momento histórico, social e cultural do País. Por esse motivo, o estudo da Ciência Política encontra raízes no direito costumeiro ou cultural que se vem consolidando há mais de 500 anos de história como produto autêntico de nossas experiências e acomodações históricas como assevera Oliveira Vianna em sua obra Instituições Políticas Brasileira, pág. 57, "... O direito está sendo estudado pelos mesmos métodos com que se estuda, cientificamente, qualquer fato de relações humanas..." Assim, verifica-se que as condições políticas do País possuem relação intrínseca com o Processo Eleitoral e a escolha de nossos Representantes através do voto, da eleição e da representação. Tal afirmação se funda em constatação simples, na qual se verifica que grande parte dos eleitores vão as urnas não no cumprimento de um dever cívico, mas em troca de alguma vantagem (1). A lei confere aos cidadãos a capacidade natural do voto, mas como a lei não confere inteligência, cultura e discernimento a quem não os possui de fato, tal capacidade tornase artificial, e, como conseqüência imediata, temos que a política se transforma em monopólio dos políticos, isto é, dos que fazem da política profissão e meio de vida.

Isto acontece porque quem elege o político, na maioria das vezes, não tem discernimento para tal, então, os nossos representantes utilizam-se da política e do voto como um instrumento referendatário para as suas permanência no poder. Pode-se constatar, que o voto é uma instituição adotada hoje em dia pela maioria dos países civilizados, fato este, que permite a formação gradual de verdadeiros partidos políticos o que certamente assegura a verdade do processo eleitoral. Esta menção ao voto se faz necessário, porque quem ocupa os cargos elegíveis, em vez de representarem a nação e os seus eleitores, representam, não raras vezes, os interesses de quem lhes patrocinou e não poucas vezes vemos isso acontecer, transformando-se assim em uma das maiores ameaças para a democracia de nosso País. Outra grande ameaça à democracia é a ineficiência do sistema educacional brasileiro, pois a falta de instrução de grande parte do eleitorado brasileiro faz com que os mesmos se tornem massa de manobra dos políticos corruptos, já que daí derivam grande parte de todo o material político brasileiro, o eleitorado, os cidadãos e a mentalidade nacional em toda a sua realidade. Segundo a carta de Monteiro Lobato enviada em 09 de agosto de 1924, ao então presidente Artur Bernardes, dizia que sendo a política em sua legítima acepção a arte de governar os povos, não se concebe que os cidadãos assim se desinteressem do que tão de perto lhes afeta a felicidade e o bem-estar e ao comentar a falta de interesse do povo brasileiro pelos destinos da nação, bem como a corrupção que imperava no meio político, já expressava os momentos turbulentos pelos quais passariam a nação brasileira nas próximas décadas. Dizia ele que o povo brasileiro estava insatisfeito; e que a linha que separa o espírito de revolta do espírito revolucionário é muito tênue; e que se o distanciamento entre a política e o político não fosse resolvido o País seria arrastado a revoltas que ocasionariam a sua ruína. Observe-se que tanto hoje como naquela época, o mesmo se opera, pois poucos eleitores sequer sabem o nome do candidato em quem votaram nas últimas eleições; muitos poucos foram às urnas espontaneamente, no livre cumprimento do exercício da cidadania e, como conseqüência imediata deste absurdo, a política transforma-se em monopólio dos políticos, conforme já mencionado anteriormente, pois muitos fazem da política profissão e meio de vida, transformando, assim, o sufrágio universal, um direito sagrado e consagrado em todas as nossas Cartas Magnas, apenas um jogo nas mãos de pessoas inescrupulosas.

1. AS ELEIÇÕES E AS ORDENAÇÕES Com a chegada dos colonizadores vieram, também, as leis que iriam reger a vida dos habitantes de nosso País. Tal como acontecia em Portugal ela seria regida pelas Ordenações do Reino. Os Bandeirantes Paulistas, ao tomarem posse das terras em que achavam metais preciosos, utilizavam-se das eleições de forma direta e livre para escolherem aqueles que iriam ser os guardiães do Tesouro do Rei. E este espirito democrático foi seguido pelas gerações futuras, não sem muitas lutas e divergências com os Governadores-

Gerais que, à época, representavam os reis de Portugal, como nos relata Manoel Rodrigues Ferreira em seu livro A Evolução do Sistema Eleitoral Brasileiro, 2001, pág. 36/37: "... Quando, em 1719, Pascoal Moreira Cabral chega, com sua bandeira, às margens dos rios Cuiabá e Caxipó-mirim, e ali descobre ouro e resolve estabelecer-se, seu primeiro ato é realizar a eleição de guarda-mor regente. E naquele dia, 8 de abril de 1719, reunidos numa clareira no meio da floresta, aqueles homens realizam uma eleição...". Como se pode ver, as cidades e vilas do Brasil possuíam desde então uma divisão político-administrativa, pois já naquela época era necessário a divisão de riquezas e distribuição de justiça. Contudo faz-se necessário ressaltar que até à realização da Proclamação da Independência do Brasil o povo elegia apenas os governos locais, isto é, os conselhos municipais, os quais possuíam apenas atribuições políticoadministrativa, cabendo a estas câmaras, legislar de forma ampla sobre todos os assuntos inerentes às vilas ou às cidades. Ainda segundo o autor acima citado, esta divisão político-administrativa denominava-se Câmaras Municipais e eram compostas por juizes, vereadores, procuradores, tesoureiros, almotacéis (2) e escrivães; que geralmente eram chamados de oficiais. Quando as Câmaras reuniam-se formavam o Conselho e quando as reuniões eram de apenas juizes e vereadores denominavam-se Vereação. O povo em votação secreta e de forma indireta, elegia os seus representantes que depois, de forma direta, iriam eleger os oficiais das câmaras. As eleições dos oficiais aconteciam segundo a forma prescrita pelas Ordenações do Reino estabelecidas no Titulo 67 do Livro Primeiro das Ordenações (Ferreira, 2001) constituindo, assim, um código eleitoral que vigorou no Brasil até 1828, portanto, quatro anos após a outorga da primeira constituição brasileira feita por Dom Pedro I em 1824. Essas eleições eram indiretas e em dois turnos e ocorriam a cada três anos, porém, como o mandato dos oficiais era de um ano, em cada eleição elegiam-se três conselhos (3). Todos votavam, o sufrágio era universal, não havia pré-requisitos nem distinção entre os eleitores, apenas os elegíveis deveriam ser homens bons, pessoas honestas, experientes e conceituados moralmente na sociedade. 1.1. AS ELEIÇÕES NO REINO Nesta parte do trabalho, serão descritos os procedimentos das eleições dos oficiais das câmaras àquela época. As eleições nas vilas e cidades na época do Brasil-Reino eram de forma indireta e em dois turnos. No mês de dezembro, quando aproximava-se o fim do mandato do último conselho, toda a população era convocada para as eleições na quais seriam eleitos os representantes que iriam escolher os novos oficiais das Câmaras.

Como cada grupo deveria organizar a sua própria lista esta eleição poderia durar dias ou até semanas. Esta segunda etapa consistia em os seis eleitos de cada cidade ou vila escolherem três nomes para ocuparem o cargo de juiz. após a elaboração das listas tríplices.Tais eleições eram presididas pelo Corregedor ou Ouvidor do Rei (4) que eram auxiliados por duas ou três pessoas idôneas da localidade. Os três grupos de eleitores. nem senhores de terras. vereadores. Caso houvesse na vila ou cidade mais de um cargo a ser ocupado os nomes deveriam conter sempre um múltiplo de três. fazendo então. nove nomes para ocuparem os cargos de juizes. as eleições eram presididas pelos Juizes Ordinários do lugar. escolhidas para essa finalidade. ou seja. almotacéis e escrivães. três nomes para o cargo de vereador. o que hoje é conhecido como legislatura (6). de forma sigilosa. nove. falava ao ouvido do Escrivão o nome dos seis candidatos para qual estava dando o seu voto. o Vereador mais velho assumiria a presidência do processo eleitoral. na falta deste. quando se fizerem as eleições não estarão presentes os alcaides-mores. Em seguida os eleitos eram divididos em três grupos de dois e levados para locais diferentes onde não pudessem se comunicar com os outros grupos. (5) Após a apuração feita pelos Vereadores e Juizes. Tão logo terminava a votação os juizes e os vereadores reuniam-se em vereança e. ou sendo o caso o nome de seis. nove nomes para ocuparem os cargos de vereadores e assim por diante até completarem a relação de oficiais a serem empossados no período de um ano. Estas listas eram um tanto complicadas de se elaborar. (o mais antigo) e. e se lá entrarem. os seis eleitores escolhidos pela maioria absoluta dos votos faziam o juramento de que escolheriam para ocuparem os cargos de Oficias das Câmaras entre as pessoas que mais estivessem a altura destes. três nomes para o cargo de tesoureiro. o povo comparecia à mesa eleitoral e. assinavam-nas e as entregavam ao juiz mais antigo para que este as manipulasse em um processo denominado "apurar a pauta". Na falta do Corregedor ou do Ouvidor. ia anotando em separado o nome das seis pessoas que iam sendo votadas para exercerem o cargo de eleitores. a fim de que organizassem as listas dos Oficiais a serem eleitos. e ao final do processo eram escolhidos os seis mais votados de cada povoado ou vila. procuradores. tesoureiros. três nomes para o cargo de almotacel e três nomes para o cargo de escrivão. nem pessoas poderosas. pois os dois eleitores deveriam estar em comum acordo com os nomes a serem relacionados. de forma secreta. o processo eleitoral segundo as Ordenações do Reino era de tal maneira rigoroso com o sigilo das eleições que assim era descrito: ". três nomes para o cargo de procurador. Como se pode verificar das Instruções Eleitorais abaixo transcrito. da mesma forma sigilosa. que digam o que querem e enquanto requerem não prossigam os vereadores em sua vereação". Esse processo consistia em verificar os nomes das pessoas mais votadas nas listas.. O Escrivão.. uma nova lista contendo os nomes dos três candidatos ao cargo de juizes. No dia marcado. componentes até . procediam à apuração dos votos. eles mesmos.

Capitão-mor e Ouvidor .). em 1619. pois muitas das vezes as Instruções Eleitorais insculpidas nas Ordenações do Reino não eram seguida a risca.. e de que tenham informação que são zelosas do bem público.completar os nomes para cada ofício.2. Em 12 de novembro de 1611. dando-lhes juramento dos Santos Evangelhos. portanto. escolherão duas. eis que as mesmas eram constituídas de cinco livros e nem todas as cidades e vilas do Brasil as possuíam. as fraudes. (. é claro. (. 1. Como as legislaturas duravam apenas um ano era necessário que o juiz que organizasse a lista final também organizasse o sorteio para se saber quem iria começar o período legislativo e quem iria terminá-lo.)" (7) Como se pode verificar do próprio texto. eram conhecidos os novos componentes da próxima legislatura. tais como a autonomia dos poderes constituídos e a imunidade parlamentar. do Capitão-Mor Gonçalo Corrêa de Sá que achava que as eleições deveriam ocorrer anualmente e não trienalmente como determinava as Ordenações assim decidiu a Câmara: "Aos vinte e quatro dias do mês de dezembro de mil seiscentos e dezenove. ou juiz lhe dirão da minha parte que das pessoas mais nobres da governança da terra votem em seis eleitores dos mais velhos. então.. cerradas e seladas devendo ser abertas apenas ao se aproximarem o fim da legislatura vigente. o rei de Portugal fez editar um alvará aperfeiçoando e introduzindo novas disposições ao código eleitoral no qual dizia: "(. ouvidor. o dito corregedor. esse foi o processo eleitoral pelo qual se pautavam as eleições para as Câmaras Municipais no Brasil... aí se apresentou a mim Antônio Bicudo com um mandado do Sr.. portanto oito anos após o código eleitoral das Ordenações do Reino de 1603. OS PRIVILÉGIOS ELEITORAIS Durante mais de trezentos anos.) e estando o povo junto. e que não sejam parciais.) os corregedores ou ouvidores ao entrarem nas terras aonde hão de fazer a eleição.. podese citar a Câmara de São Paulo que não admitia a interferência dos governadores em suas eleições através de um fato histórico descrito nos anais da Câmara Municipal da Cidade de São Paulo. quatro anos após a outorga da primeira Constituição Política do Império do Brasil por Dom Pedro I. eram punidas severamente com sentenças de degredo de dois anos para as terras da África e pagamento de multas pesadíssimas. quando de uma tentativa. existiam. devendo para tanto convocar o povo para assistir ao sorteio feito por um menino de até sete anos o qual faria o sorteio dos envelopes contendo os nomes dos oficiais. ou três pessoas que lhes parecer das mais antigas e honradas. tais fraudes.. se na dita vila houver bandos (. Estas listas eram assinadas. na Câmara. desde a colonização do Brasil até o ano de 1828. Porém. Como exemplo de autonomia dos poderes e a não aceitação da ingerência externa. quando. E nesses mais de três séculos de história vemos surgir instituições que até hoje se sustentam..

Em vista disso. D.. Para que se possa entender o processo eleitoral promulgado pelo Decreto de 7 de março de 1821 (10) e as Instruções para as eleições dos deputados das Cortes do Reino Unido de Portugal. 32 determinava: " (. Insta esclarecer que tal imunidade já encontrava precedente face a uma representação feita pelo ouvidor-geral da capitania de São Paulo. pois não poderiam mais serem presos e processados enquanto estiverem exercendo o mandato que o povo lhes havia concedido através das eleições.. assinou decreto convocando o povo brasileiro a escolher os seus representantes. mas dentro da capela-mor.000 almas e que se por fim restar um excesso que chegue a 15. de que vos aviso. contudo os vereadores se mantiveram firmes em não perder tal regalia.Gonçalo Corrêa de Sá. de 26 de fevereiro de 1771". o padre avisou que não iria rezar a missa nem faria a procissão. no qual relatava o incidente ocorrido durante as cerimônias de Corpus Christ.. em que mandava que se fizesse eleição cada ano.3.) (8) Já a imunidade parlamentar surgiu com o "Alvará Régio. para comporem as " Cortes Gerais de Lisboa". então. para que assim o tenhais entendido".000 almas. as eleições eram realizadas apenas para se eleger os governos locais e as câmaras. João VI. A PRIMEIRA ELEIÇÃO Em 7 de março de 1821. dará . quando o padre mandou o sacristão avisar aos vereadores de que os lugares que sempre lhes foram reservados não mais seriam. foram expedidas as "Instruções para as eleições dos deputados das Cortes do Reino Unido de Portugal. e seu art. no ano de 1728. com a finalidade de ser redigida e aprovada a primeira Carta Constitucional da monarquia portuguesa. e querendo aos ditos oficiais que dessem cumprimento ao tal mandado alegando com a ordenação de Sua Majestade em que manda que se faça eleição cada três anos. porque em muitas catedrais deste Reino. Como no Brasil. para cada ano. não só tem lugar no cruzeiro. dando razão aos vereadores assim respondeu: "Me pareceu dizer-vos que o lugar em que a Câmara tinha o seu assento e em cuja posse se pretendeu conservar é decente. no qual os vereadores das câmaras ficavam a salvo de qualquer arbitrariedade. estas eleições abrangeriam todo o território brasileiro e teriam como finalidade eleger representantes do povo para um parlamento: as Cortes de Lisboa. Brasil e Algarve faz-se necessário a transcrição de alguns trechos do referido Decreto: O capítulo I dispunha o modo de formar as Cortes. em eleições gerais. (9) 1. Solicitado a se pronunciar sobre o incidente. Brasil e Algarve".. Juntamente com o decreto anteriormente citado. digo. e para aquietação do povo ordenaram que se fizesse como até agora se fez (. O Rei.) cada província há de dar tantos deputados quanto contiver em sua povoação o número de 30. até então.

e não chegando o excesso da povoação a 15.1. já que no primeiro turno o voto era exercido por todos não havendo qualquer restrição quanto ao eleitorado.. sob a presidência do juiz ou vereador com o auxílio de um padre e dois escrutinadores. No segundo turno os eleitos deveria seguir para as comarcas. Comarcas e Províncias. 1. as juntas deveriam se reunir com o povo na Casa do Conselho. dois escrutinadores e um secretário. os eleitores de província estariam reunidos no Paço do Conselho com a maior autoridade civil do local presidindo a sessão. Finalmente. 2) A eleição seria de forma indireta e em quatro turnos e. em freguesias e. AS JUNTAS ELEITORAIS As juntas eleitorais eram reunidas no dia da eleição e deveriam ser compostas de acordo com as eleições a ser realizadas. onde se reuniriam no Passo do Conselho sob a presidência do corregedor da comarca.4. b)e o art. deve-se esclarecer que a província se dividia em comarcas e estas. 35.. ". como já foi dito. 1. OS COMPROMISSÁRIOS E OS ELEITORES PAROQUIAL . No primeiro turno.mais um deputado. se deverão formar Juntas Eleitorais de Freguesias.. A revisão bibliográfica dos três artigos acima citados (11) revelam: 1) A representação do povo se faria de forma proporcional à população existente.000 almas.. que estabelecia a forma: ". 34." Já o capítulo II pode-se dividir em duas partes básicas: a)o art. não havendo nenhum tipo de restrições. todos do povo votavam.4. As juntas eleitorais de freguesias serão compostas de todos os cidadãos domiciliados e residentes no território da respectiva freguesia (. que estabelecia o eleitorado: ". escolhidos entre eles... 3) O exercício da cidadania através do voto do povo dava legitimidade aos eleitos... Já para a eleição dos deputados.)". não se contará com ele. Após a nomeação de um secretário escolhidos entre eles deveria ser dado início a eleição.

Cada eleitor ditava o nome das pessoas que deveriam ser os compromissários. então. dois escrutinadores e um secretário escolhidos entre eles. 1. No dia seguinte realizava-se a escolha dos Eleitores de Comarca de forma secreta. que para cada eleitor paroquial eram eleitos 11 compromissários e. Após a eleição passava-se a apuração. não podendo no entanto. votar em si mesmo. Após a apuração seria eleito aquele que alcançasse no mínimo a metade mais um dos votos. e o procedimento se dava da seguinte maneira: A cada duzentas casas ou famílias seria nomeado um eleitor paroquial e o que excedessem de cem daria mais um eleitor paroquial. a escolher os Eleitores de Paroquia. sob a presidência do juiz ou vereador mais antigo com o auxílio de um padre.4. No dia da eleição. A ata da eleição serviria como diploma de posse. sendo considerado eleito aqueles que alcançassem a metade dos votos. a junta eleitoral se estabelecia.2. Sabendo-se. . ficando cada Eleitor de Paróquia com uma cópia a título de diploma. não se alcançando o quorum necessário haveria nova eleição elegendo-se os mais votados em maioria simples. reunindo-se na Casa do Conselho. digamos que 200 pessoas (qualquer do povo) elegiam 11 Compromissários (maiores de 25 anos) e estes elegiam 1 Eleitor de Paróquia. Cabe ressaltar. maioria absoluta e. Os compromissários. Os eleitores de comarca seriam o triplo do número de deputados a serem eleitos. Para se saber quantos compromissários seriam eleitos era necessário primeiramente conhecer a quantidade de eleitores a serem eleitos. para cada dois eleitores paroquiais eram eleitos 21 compromissários e para cada três eleitores paroquiais seriam eleitos 31 compromissários. ELEITORES DE COMARCA Os eleitores de paróquia de posse de seus diplomas dirigiam-se as Comarcas para realizarem as eleições dos Eleitores de Comarca. procedendo então.As eleições aconteciam em um domingo. dessa forma. devendo para tanto ser escrito o nome dos escolhidos em um papel e depositando-o em uma urna. sob a presidência do Corregedor da Comarca que nomeava um secretário e dois escrutinadores. a eleição dos compromissários. que deveriam ter mais de 25 anos de idade. no domingo seguinte ao de sua eleição. então. Para simplificar o entendimento. passavam. onde os habitantes iam às juntas eleitorais ou assembléias paroquiais para escolherem um certo número de concidadãos os quais após a eleição eram chamados de compromissários. ato continuo passavam a receber os diplomas dos demais eleitores de paróquia para a sua verificação. a quantidade de eleitores compromissários por freguesia. sendo este número o limite de compromissários por cada freguesia. os eleitores de paróquia reuniam-se no Passo do Conselho.

366 habitantes (IBGE. foram eleitos 72 deputados. ELEITORES DE PROVÍNCIA Após serem eleitos. Pedro I merecem ser mencionados. conclamava o povo brasileiro a escolher os governantes das juntas provisórias no prazo de dois meses. Ainda com relação a este segundo fato. reuniam-se no domingo seguinte a sua eleição. 2. Posteriormente mais duas eleições gerais foram realizadas em solo brasileiro antes de sua independência política de Portugal. Segundo os levantamentos bibliográficos realizados. sendo considerada esta como a primeira eleição realizada em solo brasileiro. Pedro. o Poder Legislativo e o Poder Judicial. (14) Dentre esses poderes acima citados deve-se mencionar o Poder Moderador que era função exclusiva do imperador. no Paço do Conselho com a maior autoridade civil do local presidindo a sessão.3. o Poder Executivo. e o equilíbrio e harmonia entre os demais poderes políticos. A CONSTITUIÇÃO DE 1824 Dois fatos importantes protagonizados por D. lá chegando. sendo considerado eleitos aqueles que obtivessem a metade mais um dos votos (maioria absoluta). foi a outorga ao povo brasileiro da primeira Constituição Política do Brasil (13) jurada em 25 de março de 1824. para marcarem a data em que seria realizada a eleição dos deputados que representariam o Brasil junto às Cortes de Lisboa. deve-se destacar a divisão dos poderes políticos nela reconhecida como o Poder Moderador. Caso não se conseguisse alcançar o número necessário de deputados. em decreto datado de 1º de outubro de 1821. O escrutínio se daria logo após o último eleitor de comarca ter votado. através do decreto de 16 de fevereiro de 1822. No dia marcado ao se reunirem. no dia 7 de setembro de 1822. João VI que. sendo que a segunda foi realizada após a reforma da administração política e militar decretada por D. 1.323. o qual deveria zelar pela manutenção da Independência.Após Lavrada a ata da eleição entregava-se uma cópia aos eleitos valendo esta como documento de diplomação. 2002) (12). O Segundo. nomeavam um secretário e dois escrutinadores para procederem à votação que consistia em cada eleitor de comarca declarar junto ao secretário o nome das pessoas em quem votava o qual escrevia o nome em uma pauta. o Brasil possuía naquela época 2. O primeiro é a Proclamação da Independência do Brasil do Império Português. contados desde o dia em que as autoridades das capitais tomassem conhecimento do decreto e a terceira foi convocada por D. e como as frações das províncias eram desprezadas. Já o poder Legislativo era .4. para a eleição dos Procuradores-Gerais das Províncias do Brasil. os Eleitores de Comarca seguiriam para a Capital da Província e. seria feito novo escrutínio elegendo-se aqueles que alcançassem a pluralidade de votos (maioria relativa).

2. estes então escolhiam os eleitores de província. (18) O número dos deputados de que cada província era capaz de eleger não era matéria constitucional e deveria ser regulamentada por legislação ordinária já que este número deveria ser relativo à população do Império. Em relação a Constituição de 1824. e o número dos Deputados.". existia uma diferença na escolha dos deputados e senadores.1. sobretudo. limitariam-se a sessões administrativas. pois segundo a nova constituição todas as cidades e vilas já existentes. com a população escolhendo os eleitores de paróquia. 97 da Constituição do Império). revogando na prática as Ordenações do Reino que até então regiam o seu funcionamento. Por outro lado. como determinava a Constituição: "Uma lei regulamentar marcará o modo prático das eleições. os dos seus Senadores será metade do número imediatamente menor. competindo-lhes. os quais foram eleitos de forma indireta pelos cidadãos ativos em Assembléias Paroquiais (17). REPRESENTAÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO O Sistema Político no tempo do Império era bicameral (16). nas que fossem criadas futuramente. (art. sendo composta por duas Casas: a Câmara dos Deputados e a Câmara do Senado. a captação manutenção e aplicação de suas rendas e do governo municipal. as Câmaras Municipais não mais teriam jurisdição contenciosa (15). de maneira que a Província que houver de dar onze deputados.composto por duas Câmaras ( a Câmara dos deputados e a Câmara dos Senadores) onde cada legislatura duravam quatro anos. com a diferença que. Por sua vez. os quais deveriam escolher os deputados e os senadores. o número de senadores variava de acordo com a representação proporcional na Câmara dos deputados: "Cada Província dará tantos Senadores quantos forem metade se seus respectivos Deputados. a mesma era feita por meio de sufrágio censitário e em dois graus. as quais seriam compostas por vereadores regularmente eleitos. relativamente à população do Império" (art. funcionou de forma eficaz e razoável durante todo o império como pode ser verificado no seguinte texto: . deveriam possuir uma Câmara. Entretanto. No que tange a escolha dos deputados e dos senadores. bem como. enquanto os deputados eram escolhidos para uma legislatura de quatro anos e de forma direta pelos eleitores de província. os senadores tinham a vitaliciedade do cargo e o Imperador escolhia o terço da totalidade dos senadores a partir de lista tríplice formulada pelos eleitores de província. 41 da Constituição do Império). quando o número de Deputados da Província for impar. deve-se ressaltar que a mesma representou um grande avanço sobre o conceito das Câmaras Municipais do período colonial. O sistema político ora apresentado. dará cinco Senadores.

Deputados e Membros das Assembléias Legislativas Provinciais. Esta Lei determinava a obrigatoriedade de se convocar eleições municipais para eleger os vereadores que substituiriam as legislaturas anteriores e mantinha o mesmo espírito da lei anterior. pois ela é considerada a primeira lei eleitoral brasileira. apenas 150 mil eleitores.º 387. A primeira Lei Eleitoral do Império. portanto) e 1881. mas fazia modificações profundas na lei eleitoral vigente. constituindo-se em um marco importante na história da evolução das leis eleitorais do Brasil. 2002). Juizes de Paz e Câmaras Municipais. membros das Assembléias Provinciais. e portanto. Essas Instruções eram feitas através de Decreto do Imperador e várias delas ditadas com o intuito de regulamentar a anterior. elaborada por determinação da Constituição Brasileira e dispunha de um capítulo especial sobre o alistamento dos eleitores. (IBGE. um razoável avanço. A Segunda Lei Eleitoral do Império foi data de 01 de outubro de 1828. foi datada de 26 de março de 1824. data da Lei Saraiva. Em 19 de setembro de 1855. duas questões relativas à representação: a autenticidade dos votos. com eleições em quatro turnos. no Brasil. que regulava a maneira de proceder às eleições de Senadores. AS LEIS ELEITORAIS DO IMPÉRIO Foram várias as Leis Eleitorais no período do Brasil Império. o que representava. o qual determinava que as províncias seriam divididas em tantos distritos eleitorais quantos fossem os seus deputados. o processo de escolha de Deputados e Senadores em dois turnos. Esta lei possuía apenas 20 artigos."Na verdade. foi o marco final da aplicação das Ordenações do Reino em todo o Império do Brasil. no entanto. Ela teve o mérito de procurar moralizar as eleições.2. o Imperador assinou Decreto de nova Lei Eleitoral. e a falsificação da vontade do eleitor por meio da excessiva intervenção do Poder Moderador e do Poder Executivo que levados pela necessidade que tinham de assegurar a unanimidade nas câmaras interviam nos pleitos eleitorais para lhes assegurar a preponderância na política do País. vez que o voto universalizou-se apenas no século XX e as mulheres só passariam a ter direito a voto. D. Esta Lei. (19) Levantavam-se contra este sistema. . também chamadas de Instruções. o País praticou entre 1821 (antes da outorga da Carta de 1824. modificando apenas atos procedimentais. relativamente ao que se praticou na época em Portugal e Espanha. Essa Lei ficou conhecida como Lei dos Círculos. onde todo o povo foi convocado a comparecer as juntas eleitorais para escolherem os Senadores. posto que uma junta deveria listar todos os eleitores ativos da paróquia. Pedro I.". 2. Deputados. dentre elas destacava-se o seu parágrafo terceiro. um número insignificante. em 19 de agosto de 1846. a primeira lei eleitoral realmente brasileira. de modo que houvesse apenas um deputado por distrito. a partir de 1934. tendo por base a Constituição do Império do Brasil decreta e sanciona a Lei n. que instituiu o voto direto. Então. tendo em vista que em 1881 o Brasil possuía 12 milhões de habitantes.

Essa lei não tratava só das eleições dos senadores e dos deputados. onde tomariam parte da mesma todos os cidadãos alistados. podendo-se dizer sem sombra de dúvida que a sua forma e espírito perdura até hoje. e determinava o voto direto nas eleições em todo o Reino e em seu preambulo determinava a realização de um censo em todo o Reino com vista a ser efetuado o alistamento dos eleitores. A presente lei recebeu o nome de Lei Saraiva ou Lei do Censo.2. pois os mesmos poderiam obter o requerimento de alistamento desde que o pedido fosse feito por algum eleitor por ele indicado. indústria. vereadores e procuradores gerais também seriam objeto de eleição.3. passados mais de um século. As informações referentes a esta Lei revelam que ela era muito avançada para o seu tempo. e em se tratando da matéria. podendo ser verificada tal mudança através da análise de seu artigo primeiro o qual dizia que as nomeações dos senadores e deputados seriam feitas através de eleições diretas. bem como. e junto com o requerimento deveria anexar provas de que tinha renda líquida anual não inferior a duzentos mil réis. As reformas introduzidas por esta lei foram profundas. Vale ressaltar. comércio ou emprego. ela determinava também. essa legislação foi a da mais alta importância na vida política do país. o sistema de eleições diretas. comércio ou emprego. por bem de raiz. instituindo.A LEI SARAIVA No dia 9 de janeiro de 1881. permitia que os candidatos ao cargo eletivo poderiam indicar fiscais junto às assembléias eleitorais. foi sancionado pelo Imperador a mais importante legislação eleitoral do Brasil. através do voto secreto. Para concorrer ao cargo de deputado à Assembléia Geral deveria possuir renda anual de oitocentos mil réis. que nenhum cidadão poderia ser incluído no alistamento sem o ter requerido por escrito.º 8213 de 13 de agosto de 1881. ficando assim abolido o sistema de eleições indiretas que vinham sendo adotado no Brasil desde 1821. indústria. que sem esses requisitos o eleitor não poderia ser alistado e caso não possuísse esse documento. comércio ou emprego e para ser membro da Assembléia Legislativa Provincial o mesmo deveria residir na província há mais de dois anos. através do Decreto n. a expedição do título de eleitor seria feito por um Juiz de Direito. A lei estabelecia ainda. observa-se que a mesma não se esqueceu dos analfabetos. Complementando as informações sobre a lei. .º 3029. que os cargos para juizes de paz. Quanto as condições de elegibilidade a lei determinava que o cidadão que desejasse concorrer a qualquer dos cargos deveria ter as qualidades exigidas para ser eleitor e não ter sido pronunciado em nenhum processo criminal. sendo regulamentada após sete meses através do Decreto n. Esta lei estabelecia ainda. que o candidato para concorrer ao cargo de senador deveria ter mais de 40 anos de idade e renda anual não inferior a um milhão e seiscentos mil réis. indústria. por bem de raiz. pela primeira vez no Brasil. por bem de raiz.

uma Constituição outorgada e ainda assim desobedecida. onde as penas cominadas aos que cometessem algum crime de natureza eleitoral iam desde multas a penas de prisão. até porque o antigo ditador adere a ela. que. legaliza os partidos. e após a fase democratizante mas turbulenta da República da Espada de 1889-1894. dos crimes eleitorais. O Decreto estabelecia também. • A Revolução de 30 não efetiva sua plataforma de liberalização e moralização política. com Parlamento fechado. Dutra é autoritário: intervém em sindicatos. um dia útil para a nova eleição. atira a policia contra manifestações. no primeiro dia útil do mês de dezembro da última legislatura. Vencida a Monarquia semiautocrática e escravista. que após 22 entra em crise. decreta a anistia. censura. • A democratização de 45 sofre o impulso externo da derrota do nazismo. É. convoca eleições gerais. A história da democracia no Brasil é conturbada e difícil. sem eleição. Seriam eleitos os candidato que obtivessem a maioria absoluta dos votos dados na eleição. no caso de dissolução da Câmara dos Deputados deveria ser marcado dentro do prazo de quatro meses. a estabilidade oligárquica dos coronéis e eleições a bico de pena. A ordem constitucional tardiamente instaurada com a Assembleia de 34 dura apenas 3 anos. o golpe de 29/10/45 e o empenho conservador do gen. sendo eleito o que obtivesse a maioria simples dos votos. em um de seus capítulos. a República Velha conhece relativa estabilidade. haveria outra eleição 20 dias após onde concorreriam os dois candidatos mais votados. porém. ainda. As elites governantes da ditadura estadonovista reciclamse. tortura. cárceres cheios. para não falar da repressão a movimentos populares. caso não nenhum candidato conseguisse a maioria absoluta. partidos banidos. O regime instituído pela Constituinte de 46 é uma democracia formal. A seguir. Dutra impõem-lhe limites. como o sistema de governo era parlamentar. devolve o PC à ilegalidade. Segue-se em 37-45 a ditadura do Estado Novo. a mesma estabeleceu que as eleições seriam feitas de quatro em quatro anos. contados da data do decreto de dissolução da Câmara. ante movimentos armados contestatórios ou disputas intra-oligárquicas que fogem ao controle. aglutinam-se no PSD e conservam sua hegemonia. Com relação ao decreto que regulamentou a Lei do Censo ou Lei Saraiva. Com frequência sofre o trauma dos estados de sitio. Internamente não enfrenta maior resistência.Para ser vereador ou juiz de paz era necessário que o candidato residisse no município ou no distrito de paz por mais de dois anos. O gov. A lei tratava. Vargas fica 15 anos à frente do Executivo. .

órgãos de imprensa e outras áreas de uma sociedade civil que se organiza. assassinato e "desaparecimento" de opositores. Confirmase a imagem. moradores. ação pastoral da Igreja. a ditadura negocia apenas as condições e prazos do seu desaparecimento. Mas traz também a marca da ebulição politico-social de massas que na mesma época rompe os diques erguidos desde 64. conserva resquícios de ordem constitucional e impõe certos limites à ação repressiva. a sujeição do Legislativo e do Judiciário. mais abrangente e exigente. • O golpe de 64 trunca a fase democrática ao derrubar pela torça o pres. até 68. estudantes. típico das elites brasileiras desde 1822. o arbítrio. tortura. Negociada com expoentes do Sistema de 64. JK e Goulart com apelos à intervenção das Forças Armadas./61 e outros menores. Depois dela. dando início a 2 décadas de ditadura.• A instabilidade é a outra marca da democracia pós-45 Após o golpe militar de 29/10/45. assumem o poder político enquanto instituição. a prisão. se comparada à de 45. Sua 1a fase. de 68-78. Cria um vinculo em grande parte inédito entre direitos politicos e direitos econômico-sociais. crepuscular. ago. um patamar novo de cidadania. O resultado. . adota a via de vencer o regime dentro do Colégio Eleitoral que ele próprio criou. • A democratização de 85 é conduzida pêlos moderados do PMDB e a dissidência do oficialismo que forma o PFL. sob os golpes de uma oposição que passa da resistência à contra-ofensiva. que exige todo cuidado para medrar e crescer". vêm os ensaios de ago/54. A UDN contesta as posses de Getúlio. à sombra do Al-5. Sua expressão mais visível é a Campanha das Diretas-84. leva ao extremo o arbítrio e a repressão. Pela 1a vez no Brasil. enraiza-se nos movimentos de trabalhadores das cidades e do campo. é de paulatino recuo. Caracteriza-se pelo monopólio do Executivo pêlos generais. a censura. as cassações. que compara a democracia a "uma planta tenra. • A consciência democrática surgida na resistência à ditadura introduz um elemento novo na vida política. nov/55. • A ditadura militar de 64-85 é a mais longa e tenebrosa fase de privação das liberdades e direitos em um século de República. a repressão militar-policial. criada na Constituinte pelo udenista João Mangabeira. expresso na Constituição de 88. Goulart. embora sua regulamentação e aplicação permaneçam sempre aquém do texto constitucional. as Forças Armadas não se limitam a uma intervenção pontual. traz o selo da conciliação. Após a derrota da Campanha das Diretas. a 2a. a 3a. Pela 1a vez transborda de setores urbanos minoritários para as grandes massas. é uma democracia mais ousada e socialmente incisiva. intelectuais e artistas.

fidelidade obrigatória. toda a corporação acaba afetada pela conduta dos órgãos de segurança e seu comando. •O Brasil pós-30. Jango. que se confundem com ó regime. protagoniza a conspiração anti-Jango e o golpe de 64. Porém a emenda constitucional que institui a reeleição (28/1/97) e várias outras cogitadas pelo bloco de apoio ao gov. até estabelecerem seu monopólio sobre o poder com o regime de 64. presidencial ou parlamentarista. alterna longos períodos de ditadura e instabilidade e momentos. engaja-se na campanha do Petróleo é Nosso. por determinação da Carta de 88. FHC (volta do voto distrital. forma o dispositivo militar do gov. visto em perspectiva. • A volta aos quartéis inicia longa e muda purgação. já cindido em 2 vertentes opostas. com frequência e desenvoltura crescentes. Entre outras coisas. jan-out/45.0 jacobinismo republicano florianista desdobra-se no tenentismo dos anos 20 e desagua na Revolução de 30. Outra cria estreito vinculo com os EUA após a Campanha da Itália. de certo revigoramento democrático (30-35. Embora a maioria dos oficiais e praças não se envolva diretamente na ação repressiva. das torturas e assassinatos. 56-64). apenas um presidente (Juscelino) consegue a proeza de eleger-se pelo voto. empenha-se nos pronunciamentos militares de 45-61. graças a intensa mobilização da opinião pública e a despeito do apego do presidente a seu cargo. sobretudo. Em 7 décadas. com a derrota estratégica embora não definitiva da 1a. o estamento militar arca com os revezes econômicosociais e. o eleitorado reafirma o presidencialismo em todos os estados e por expressiva maioria (mais de 2/3). nacionalista e com sua ala esquerda. mais tarde propõem o . bem mais curtos e não menos conturbados. com o ónus da repressão. assume a ideologia da Guerra Fria. Estas passam no teste sem quebra da ordem constitucional democrática. Uma. garante a posse de JK em 55 e Goulart em 61. Afora o desgaste inerente ao exercício de uma função alheia à sua natureza. Porta-vozes militares opinam durante a Constituinte sobre o papel das Forças Armadas. A democratização pós-85 ainda é apenas uma promessa de superação desse ciclo histórico. cumprir o mandato e empossar um sucessor também eleito. • O sistema de governo. motivado em especial pela defesa da eleição direta para presidente. restrições à liberdade partidária) indicam que o regime político está longe de estabilizar-se.•O impeachment de Collor põe à prova as instituições da Nova República. é submetido a plebiscito em 21/4/93. • O regime militar degrada seriamente a imagem das Forças Armadas. Embora as elites se apresentem às urnas divididas. • As Forças Armadas intervêm pela violência na vida política da República. 64 representa um ajuste de contas entre as 2 tendências.

ao lado do peso do passado. O sistema partidário brasileiro é frágil e instável inclusive em confronto com outros países latino-americanos. o dep. . A República Velha mantém o legislativo aberto. ao deixar o prédio cercado pela tropa.2].esquecimento do passado repressivo nos anos de chumbo. por exemplo. intermitente ou inexistente. Entretanto. Após a Revolução de 30 o Brasil fica 3 anos sem Congresso [3. tira o chapéu com ironia para "Sua magestade. A República de 45 em certa medida fortalece o legislativo. • Os partidos políticos refletem essa debilidade. fluidas e imprecisas. António Carlos de Andrada. o canhão". Mas o regime de 64 submete-o aos piores vexames. mesmo no delicado episódio do impeachment. a 1a geração de partidos propriamente ditos. não etetivado porque o governo cai em seguida. não são organizações. do simulacro de eleição de Castelo ao Pacote de Abril. mas correntes de pensamento. alguns formados antes de 1889 (o de SP é de 1873). mas degrada-o com as degolas que manipulam sua composição. Vinda a República. • O parlamento é débil desde o Império. ao proporem. Predominam os Partidos Republicanos. do corte de verbas e da rebaixa dos soldos. Sua característica é a fragmentação em legendas estaduais. • Uma humilhante derrota macula os 1" passos do parlamento brasileiro: a 12/11/1823 d. o fim da Guerra Fria e a globalização sob a égide dos EUA reabrem o debate sobre Forças Armadas e soberania nacional em países como o Brasil. Só no debate do Ato Adicional de 1834 formam-se o Partido Liberal e o Conservador. da preservação ambiental e em especial da Amazónia. descentralizadas. Os militares brasileiros enfrentam. o desafio de formular um pensamento estratégico pós-Guerra Fria. Cria-se ai um padrão: a submissão do legislador ao canhão. a vida democrática precária. o do RS) com precária nitidez programática e estruturas fluidas. acompanhando o federalismo centrífugo da época. avesso a engajamentos ideológicos ou programáticos. •A República varre com as agremiações da Monarquia e produz a 2a geração partidária. volta a tê-lo por outros 4 e passa mais 8 sem ele. o pres. mas em geral silenciam. todos (exceto. passando pelo Al-5. assemelhadas a confederações de coronéis. •Os 1° partidos assim chamados. Pedro l dissolve pela força a 1a Assembleia Constituinte aberta 6 meses antes. das vésperas do Grito do Ipiranga ao início das Regências. Deodoro decreta em 3/11/1891 o fechamento do Congresso. e certo pragmatismo da elite governante. onde o monarca nomeia os senadores e dissolve a Câmara quando lhe convém. em parte. a internacionalização do combate ao narcotráfico. nem sequer agremiações.

com bases no movimento operário. As principais legendas se dividem em questões decisivas. sem maior resistência. •A democratização de 45 introduz novidades. mais uma vez com abrangência estadual (a Ação Integralista é a exceção mais notável). Nesta 6a geração o corte não é tão abrupto: o PMDB é em essência continuação do MDB. um mínimo de consistência programática e identidade própria. anistia e retorno de certas franquias democráticas. Os partidos da 4a geração ]têm. 64-79). marxista). perseguido. A Arena. clandestino. Fundado em 22. preparado e desfechado à margem dos partidos. Clube 3 de Outubro). permanecendo no estágio mais rudimentar dos clubes (Legião Revolucionária. sob a batuta do regime militar e com a tarefa de darlhe sustentação politico-parlamentar e eleitoral. como seção da 3a Internacional. o regime muda novamente as regras do jogo: encerra a 5a geração partidária. o Al-2 encerra a experiência pluripartidária. Antes de confrontar-se com uma derrota eleitoral decisiva que parece inelutável. na maioria. acelerado nos anos 60. que João Mangabeira considera "mais partidas e partilhas do que propriamente partidos". reflui. e assume o discurso de que os partidos são uma ameaça à unidade nacional. O golpe do Estado Novo dissolve a todas. enquanto avança o MDB. fim do Al-5. depurados pelas cassações. Uma reestruturação de vulto parece iminente quando sobrevêm o golpe de 64. em um quadro de ascenso dos movimentos politico-sociais de massas. Mas a experiência bipartidária acaba voltando-se contra seus autores. No PMDB ficam os que se opuseram ao golpe. mas já em seu crepúsculo. tendendo progressivamente a transformar cada eleição em um julgamento plebiscitário do regime de 64. às vezes selvagemente (35-42. criada para ser governo. A vida política e polarizada por coligações e frentes informais. caráter nacional. o regime militar resiste. Mesmo proibido. mesmo assim atravessa as sucessivas gerações partidárias da República. No entanto. que não coincidem com as siglas existentes. a começar pêlos grandes centros urbanos. •O bipartidarismo imposto pelo Al-2 (27/10/65) realiza um antigo sonho conservador ao unificar na Arena o PSD e a UDN. As siglas criadas em 31-37 chegam a centenas. as tensões políticas que se agravam levam ao seu esgarçamento. • O quadro partidário atual forma-se a partir da reforma de 22/11/79.• O Partido Comunista foge a esta e outras regras. o . e/ou a instabilidade derivada de um número excessivo (13) de siglas. tem caráter nacional e perfil programático e ideológico incisivo (revolucionário. • Os revolucionários de 30 não conseguem estruturar um partido próprio. cristalizando alas que atuam e votam à revelia das deliberações partidárias. no ano seguinte. impõe a extinção compulsória da Arena e do MDB e a volta do pluripartidarismo. Seus defensores invocam o modelo dos EUA.

editadas e reeditadas com crescente semcerimônia pêlos presidentes da Nova República. federais (o teto permitido) quando a proporcionalidade indicaria uma bancada de 110. mas o descrédito. apenas reforça o status-quo. com 20 anos (45-65). •As gerações partidárias brasileiras. paradoxalmente. que dá origem ao PSDB. Os estados menores são super-representados em detrimento dos maiores. a fase preliminar dos partidos inorgânicos. o PSD divide-se na crise de 84. decide o impeachment de Collor (29/9-30/12/92). 7 anos (3037). a 3a. com 55 anos (1834-1889). acentuada pela ditadura e mantida pela Constituinte. não evolui para a independência e harmonia. O novo leque partidário sobrevive à democratização de 85. mas em geral sem maior expressão: os comunistas alcançam afinal uma legalidade relativamente estável. também os mais urbanizados. a 1a geração. após as dissidências originadas pela reforma de 79. em 16/4/97 vem à luz a denúncia. com sociedade civil mais organizada e reivindicativa: SP conta 70 deps. da compra de votos de deputados do AC para votarem a emenda constitucional que permite a reeleição de FHC. a 2a. 41 anos (1889-1930). sofre em 88 outro cisma. Atendendo a forte pressão da opinião pública. um recorde não atingido desde 30. em 97 o PT. dura 14 anos (65-79). Estes garantem maiorias parlamentares governistas em um balcão de negócios que vai do tisiologismo aético ao suborno ilegal. abafada mas não desmentida. da República Velha. Forma o núcleo do Colégio Eleitoral que encerra em 15/1/85 o ciclo de 64. do Império. são. quando surge o PFL. na falta dos Decretos-Leis aprovados por decurso de prazo sob a ditadura. a partir da reforma de 79. o perfil e os quadros do PTB pré-65. •O Congresso dos anos 90 funciona sem interrupções desde 15/4/77. •A relação com o Executivo. vencida a coação ditatorial. oportunismo e corrupção. substitui-os pelas medidas provisórias. associada à inoperância. a gestão Sarney vale-se da outorga de 1. Entretanto. ainda em curso. a 5a. 17) Aborto .PDS-PPR-PPB dá sequência à Arena: o PDT recupera em parte a herança. em resumo. vive problemas estruturais e de imagem que permitem falar em uma crise do Legislativo. e há a 6a. vem a 4a geração. dá ao eleitor de RR peso 18 vezes superior ao do de SP. superado o interregno estadonovista. O Executivo. mas sofre deslocamentos de vulto: o PMDB. A imagem do parlamento e dos parlamentares (malgrado as exceçòes) se degrada. pós-30. PDT e PCdoB formalizam na Câmara um bloco oposicionista. •A distorção nas bancadas estaduais na Câmara. somando 14 anos (1820-1834). pós-AI-2. em 85 o n° de siglas sobe bruscamente. para mais de 40.091 concessões de rádio e TV.

a violação é um sério problema.000 casos foram notificados em 1982. Revisemos algumas destas mentiras e qual é a verdade. Por exemplo. por várias causas. A Verdade: Em primeiro lugar as gravidezes seguidas de uma violação são extremamente raras. Nestes casos as gravidezes são extraordinariamente raras. Mentira 1: É desumano não legalizar o "aborto terapêutico" que deveria ser realizado quando a gravidez põe a mulher em risco de morte ou de um mal grave e permanente. cuja taxa é extremamente alta. o código de ética médica afirma que em caso de complicações na gravidez devem ser feitos os esforços proporcionados para salvar a mãe e filho e nunca ter como saída a morte premeditada de um deles. por exemplo. A vítima pode estar já grávida ou pode Ter outras razões naturais. Esta cifra é mais importante se tem-se em conta que 40% a 80% das violações não são denunciadas. os abortistas inventaram uma grande quantidade de falsos argumentos que foram difundidos insistentemente. Nos Estados Unidos. Em três estudos foram constatados que 39. por qualquer motivo. tentam buscar a legalização do aborto ou ampliá-lo onde já foi legalizado alguma de suas formas. A vítima pode estar tomando anticoncepcionais. Além da infertilidade natural. "terapia" significa curar e neste caso o aborto não cura nada. Assim. para estes casos. 43% das vítimas encontrava-se nestas categorias. A Verdade: neste caso o termo "terapêutico" é utilizado com o fim de confundir. somente uma minoria das vítimas tem um potencial de fertilidade. aproximadamente 78. Já em 1951. Outra causa pela qual são extremamente raras as gravidezes por violação: a total ou temporal infertilidade da vítima. Por outro lado. 48 e 54% das mulheres vítimas do ataque não tinham ficado expostas ao esperma durante a violação. as disfunções sexuais em seus violadores. a ciência médica garante que praticamente não há circunstâncias em que se deva optar entre a vida da mãe ou do filho. 20% situava-se nesta categoria. algumas vítimas estão protegidas da gravidez pelo que é . especial naqueles países onde. Em outro estudo foi comprovado que 51% dos violadores experimentaram disfunções que não lhes permitiam terminar o ato sexual. deveria ser legalizado o aborto chamado "sentimental". Esse conflito pertence à história da obstetrícia.Mentiras e Verdades sobre o Aborto Para justificar este crime abominável. ter um DIU ou ligadura das trompas. o Congresso de Cirurgiões do American College disse que "todo aquele que faz um aborto terapêutico ou ignora os métodos modernos para tratar as complicações de uma gravides ou não quer dispor de tempo para usá-los" o temido caso das gestações "ectópicas" ou que desenvolvem-se fora do útero materno estão sendo dirigidas medicamente cada vez com maior facilidade. Atualmente. por isso. Mentira 2: É brutal e desumano permitir que uma mulher tenha o filho produto de uma violação.

conhecido como "aborto eugenésico" é baseado no falso postulado de que "os lindos e saudáveis" são os que devem estabelecer o critério de valor de quanto vale uma vida ou não.6% de gravidez em 2190 vítimas de violação. ao apresentar o fruto inocente de uma possível concepção brutal como um agressor. Mentira 3: É necessário eliminar uma criança com deficiências porque ele sofrerá muito e ocasionará sofrimentos e gastos para os pais. os legisladores mais especializados afirmam que legalizar o aborto "sentimental" é abrir a porta a sérias complicações jurídicas: praticamente qualquer união. cientificamente.500 casos de violação em 10 anos no Hospital São Paulo de Minneapolis. uma violação. as mulheres violadas. É claro que a mulher sofreu uma primeira espantosa agressão. A Verdade: Este princípio. é facilmente distorcido por um estresse emocional e pode atuar demorando a ovulação. uma forma de infertilidade temporal como reação ao estresse extremo. quem pode afirmar que os deficientes não desejam viver? Uma das manifestações contra o aborto mais impressionantes no estado norte americano da Califórnia foi a realizada por um numeroso grupo de deficientes reunidos sob um grande cartaz: "Obrigado mamãe porque não me abortar" . os exames pré-natais não têm segurança de 100% para determinar malformações ou defeitos. Por outro lado. inclusive consensual. diz o especialista. Por outro lado. É óbvio que o espantoso crime da violação é utilizado para sensibilizar o público a favor do aborto. o fruto deste ato violento é uma criança inocente. Um estudo determinou que registraram somente 0. Por exemplo. ou se a mulher já ovulou a menstruação pode ocorrer prematuramente. no caso da rubéola matará a 5 criaturas perfeitamente saudáveis para cada bebê afetado. Por último. atitude perante o futuro e vulnerabilidade à frustração. vai acrescentar as complicações físicas e psíquicas que o aborte tem por si mesmo. "Dizer que estas crianças desfrutariam menos da vida é uma opinião que carece de apoio empírico e teórico". e portanto. Podem ler-se estes duros mais reveladores testemunhos. Procurar uma legislação baseada em uma exceção em vez de uma regra é totalmente irracional desde o ponto de vista jurídico. não houve um só caso de gravidez. poderia ser apresentada como contrária à vontade da mulher. controlado por hormônios. é que o aborto por violação não é sequer aceito pelas verdadeiras vítimas. Em uma série de 3. Apresentar o aborto como uma "solução" é dizer que um veneno deve ser combatido aplicando-se outro.chamado de estresse de infertilidade. O Dr. Finalmente. que não carrega para nada com a brutal decisão de seu pai genético. O ciclo menstrual. a da violação. o argumento mais importante. O aborto não vai tirar nenhuma dor física ou psicológica produzida em uma violação. Com este critério. Ao contrário. Paul Cameron demonstrou perante a Academia de Psicólogos Americano que não há diferença entre as pessoas normais e anormais no que concerne a satisfação da vida. teríamos motivo suficiente para matar os deficientes já nascidos. . Por outro lado.

segundo definição o dicionário. Um exemplo: uma investigação realizada em 1978 nos Estados Unidos constatou que só nas clínicas de Illinois. mas até certo ponto. que uma mulher não esteja contente com sua gravidez durante os primeiro meses não indica que esta mesma mulher não vá amar a seu bebê uma vez nascido. A Verdade: As estatísticas nos países "desenvolvidos" demonstram que isto não é assim. como uma opção possível que não é igualmente considerada nos lugares onde não é legal. Pode ser comprovado que nos países onde o aborto é legalizado. Mentira 5: O aborto deve ser legal porque a mulher tem direito de decidir sobre seu próprio corpo. não tira a vergonha e o desejo de ocultamento. A mulher estaria decidindo não sobre seu próprio corpo. especialmente a da mãe sobre seus filhos ainda quando são planejados e esperados. Pelo contrário. aumenta-se a violência dos pais sobre as crianças. esta mentira é baseada no mito segundo o qual os abortos legais são mais "seguros" que os clandestinos. A criança não é uma "coisa" cujo valor pode ser decidido por outro de acordo com seu estado de ânimo.especialmente se é adolescente ou jovem . Mas dado que a grande maioria de abortos não são por motivo "sentimental". Dado que o sexo é determinado cromossomicamente na concepção. Mentira 6: Com a legalização do aborto terminariam os abortos clandestinos. Por outro lado. e mais ou menos a metade dos que são abortados são "seres humanos femininos". foram produzidas 12 mortes por abortos legais. A Verdade: Este é um argumento absurdo. não é estranho que a mulher . O "desejo" ou "não desejo" não afeta em nada a dignidade e o valor intrínseco de uma pessoa.busque igualmente métodos abortivos clandestinos pela simples razão de que uma lei. Mulher. mas sobre o de um ser que não é ela. a legalização do aborto o converte em um método que parece moralmente aceitável e portanto. . A Verdade: Mas quando o senso comum e a ciência moderna reconhecem que em uma gravidez há duas vidas e dois corpos. "terapêutico" ou "eugenásico". obviamente NÃO TODA MULHER TEM DIREITO A CONTROLAR SEU PRÓPRIO CORPO. a qual vai se tornando insensível ao amor. É igual no caso do aborto. é um "ser humano feminino". à dor e à ternura. Mentira 4: O aborto deve ser legal porque toda criança deve ser desejada. aumenta sua potencialidade de violência e contagia esta à sociedade. Por outro lado. A Verdade: Tem alguma pessoa direito a decidir sobre seu próprio corpo? Si. ainda que esteja temporariamente dentro dela.Inclusive são numerosos os testemunhos dos pais de crianças deficientes físicos ou mentais que manifestam o amor e a alegria que esses filhos lhes proporcionaram. Pode alguém querer eliminar um vizinho ruidoso só porque incomoda a seus ouvidos? Obviamente não. Mentira 7: O aborto deve ser legal porque a mulher tem direito sobre seu próprio corpo. ainda que tire a pena legal. A resposta a isto é que quando a mulher violenta sua natureza e aborta. mas por uma gravidez considerada "vergonhosa".

O que é o aborto? Aborto é a interrupção da gravidez pela morte do feto ou embrião. os abortos espontâneos também em 10%. e os partos prematuros de 5% até 15%. As mulheres que padecem desta síndrome negam e reprimem qualquer sentimento negativo por um período de ao menos cinco anos. algumas mulheres têm problemas emocionais e psicológicos imediatamente depois do aborto. Calcula-se que 25% das gestações terminam em aborto espontâneo. mal formação uterina. Alguns partidários do aborto inclusive chegaram a argumentar que um aborto é menos perigoso que um parto. Nos países ricos morrem duas vezes mais mulheres por aborto legal do que por disfunções do parto. Depois de um aborto legal. Quase não tem efeitos colaterais. insuficiência de desenvolvimento uterino. O feto expulso com menos de 0. Também podem ocorrer perfuração do útero. Por outro lado.Mentira 8: O aborto é uma operação tão simples como extrair um dente ou as amígdalas. no qual o ovo primeiro morre e em seguida é expulso. A Verdade: as cifras desmentem esta afirmação. junto com os anexos ovulares. infeção e hepatite produzida pelas transfusões. há complicações se houver gravidezes consecutivas e a mulher tem o fator RH negativo. fibroma. são distúrbios de origem genética.5%. A causa do aborto espontâneo no primeiro trimestre. e os problemas emocionais sobem de 9% para 59%. Pode ser espontâneo ou provocado. 10 anos ou mais depois de ter combatido em uma guerra. o ovo é expulso devido a causas externas a ele (incontinência do colo uterino. coágulos sangüíneos nos pulmões. . outras os têm anos depois: trata-se da síndrome pós-Aborto. infecções do embrião e de seus anexos). esses embriões são portadores de anomalias cromossômicas incompatíveis com a vida. que poderia ser fatal. Os sintomas são surpreendentemente similares aos da Síndrome de tensão pós-traumático que sofreram alguns veteranos. deixando-as sensivelmente mais propensas ao câncer. aumenta a esterilidade em 10%. especialmente nos últimos meses da gravidez. Além disso. desde suores e palpitações até anorexia. As gravidezes extra-uterinas aumentam de 0. Em cerca de 70% dos casos. Nos abortos do segundo trimestre. Esta afirmação é falsa: o aborto.5¨% para 3. alucinações e pesadelos. sendo que 3/4 ocorrem nos três primeiros meses de gravidez.5 kg ou 20 semanas de gestação é considerado abortado. cada vez mais pesquisas tendem a confirmar uma importante tese médica: que a interrupção violenta do processo de gestação mediante o aborto afeta as células das mamas. Além disso. Aborto espontâneo O aborto espontâneo também pode ser chamado de aborto involuntário ou "falso parto". é notavelmente mais perigoso. Depois surgem uma variedade de sintomas.

Em função do período gestacional em que é realizado. fetos podem ser capazes de sentir dor já a partir da décima-sétima semana de gestação. Injeção de soluções salinas. Fetos sentem dor durante o aborto O aborto pode causar dor em fetos ainda pouco desenvolvidos. . para salvar a vida da gestante ou quando a gravidez for resultante de estupro. até doze semanas de amenorréia. a aspiração deve ser realizada sob anestesia e com um aspirador elétrico. diz ela. pela extração do feto da cavidade uterina. Aborto no Brasil No Brasil. com sérios riscos para a saúde da mulher. a maioria em condições precárias. Por isso. Vivette Glover. está sujeito a pena de detenção ou reclusão. o aborto voluntário será permitido quando necessário. O aborto. fora esses casos. Estima-se que seja realizado anualmente no mundo mais de 40 milhões de abortos. A dilatação e expulsão. Depois desse prazo. Segundo a responsável pela pesquisa. em Londres. emprega-se uma das quatro intervenções cirúrgicas seguintes: • • • • A sucção ou aspiração. médicos britânicos estão estudando a possibilidade de anestesiar o feto durante intervenções para interrupção da gravidez. A dilatação e curetagem. O método clássico de aborto é o por curetagem uterina e o método moderno por aspiração uterina (método de Karman) só utilizável sem anestesia para gestações de menos de oito semanas de amenorréia (seis semanas de gravidez). acreditam pesquisadores do Hospital Chelsea.Aborto provocado Aborto provocado é a interrupção deliberada da gravidez.

nós deveríamos dar ao feto o benefício da dúvida". que conclui defendendo a utilização de anestesia. diz ela. mas os romanos o puniam com pena de morte. Países e o aborto Veja abaixo. tornando-se atração turística para feministas. "É mais uma prova de que a vida humana começa no momento da concepção". Para a organização. países que permitem o aborto. mas com restrições (segundo quadro) e países que permitem o aborto (terceiro quadro). da organização britânica Life. só há dor depois de 26 semanas. Existem evidências de que o sistema nervoso se desenvolve a partir de 20 semanas de gestação ou talvez até depois de 17 semanas. que a dor dos fetos é provavelmente menos intensa. Ela pondera. A teoria ganhou apoio de entidades contrárias a realização de abortos. o Royal College of Obstretics and Gynacologists. . Curiosidades • • • Na Alemanha nazista o aborto era proibido por que era dever da mulher fornecer filhos para o III Reich Os gregos permitiam o aborto. pesquisas sugerem que o desenvolvimento do sistema nervoso ocorre mais cedo do que se imaginava. porém. exceto quando há risco para a vida da mãe (primeiro quadro). Já que há a possibilidade de dor. Anestesia no aborto Para Vivette Glover. O primeiro país a permitir aborto no prazo de 28 semanas foi a Inglaterra.O estudo contraria a versão da entidade que reúne obstetras e ginecologistas do Reino Unido. diz Kevin Male. países que não permitem o aborto.

que o direito à vida deve ser protegido desde a . desde a concepção. Segundo juristas. II do art. a "não punição" não necessariamente deve ser interpretada como exceção à natureza criminosa do ato. pesquisa Série de artigos sobre o Tópicos principais • • • • • • Aborto Aborto por país Debate sobre o aborto o Pró-escolha o Pró-vida Legislação sobre o aborto História do aborto Aborto nos meios de comunicação Métodos abortivos ver • editar • O aborto no Brasil é tipificado como crime contra a vida pelo Código Penal Brasileiro. mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento. o Brasil ratificou a Convenção Americana de Direitos Humanos. a proteção jurídica aos direitos do nascituro. quando a gravidez resulta de estupro. Em 25 de setembro de 1992. 181. A escusa não tornaria. Ir para: navegação. prevendo detenção de 1 a 10 anos. que dispõe.[1] O artigo 128 do Código Penal dispõe que não se pune o crime de aborto nas seguintes hipóteses: 1. a enciclopédia livre. e o artigo 7º do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe que a criança nascitura tem direito à vida. em seu artigo 4º. quando não há outro meio para salvar a vida da mãe. 2. de acordo com a situação. se assim o entendesse a interpretação da autoridade jurídica. no caso do filho que perpetra estelionato contra o pai).Aborto no Brasil Origem: Wikipédia. portanto. mas como um caso de escusa absolutória (o Código Penal Brasileiro prevê também outros casos de crimes não puníveis. o ato lícito. apenas desautorizaria a punição de um crime.[2][3][4] O artigo 2º do Código Civil Brasileiro estabelece. como por exemplo o previsto no inc.

no Brasil. contudo. também estabelece a inviolabilidade do direito à vida. uso inapropriado de medicação abortiva ou expulsão incompleta. Em 7 de maio 2008. 54/2004.concepção. concedeu liminar autorizando a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia. Cerca de 70% dos aproximadamente 5 mil delegados estaduais votaram contra a descriminalização do aborto. Conferência Nacional da Saúde. Na 12a. Esta foi a segunda vez que a proposta de descriminalização do aborto.[11] Com este resultado o assunto ficou fora do relatório final da conferência e não será encaminhado ao governo como sugestão para as políticas públicas de saúde. • • • • • • Geralmente utilizam misoprostol (Cytotec) de 50 a 80% Tem entre 20 e 29 anos São predominantemente da religião católica. ainda está em votação. A região que apresenta o maior número de abortos é a Nordeste e a menor a Sul.[10] em 18 de novembro de 2007. Até hoje. esta decisão foi revogada em 20 de outubro do mesmo ano pelo plenário do Tribunal. Para a lei e a jurisprudência brasileira. Destes. que prevê a extinção dos artigos do código penal que criminalizam o aborto praticado com . proposta de legalização do aborto. seguidas de protestantes e evangélicas Estudam em média de 8 anos União estável (70%) Possuem um filho em média Tramitações recentes de projetos de descriminalização • • A 13a. "pode ocorrer aborto desde que tenha havido a fecundação" (STF. realizada em 2003. do Supremo Tribunal Federal. RTJ 120/104[5]). após um longo período de discussões. ainda não foi julgado o processo. apoiada abertamente pelo governo federal foi derrubada. o Ministro Marco Aurélio de Mello. o projeto de lei 1135/91. Em julho de 2004. de cada 100 mulheres 15% já fez aborto e entre 35 e 39 anos de cada 5 uma já o fez. Conferência Nacional da Saúde ocorrida em Brasília. Todavia. • Perfil da mulher que aborta no Brasil As estimativas do Ministério da Saúde apontam a ocorrência entre 729 mil e 1.25 milhão de abortos ao ano no país. no caput do seu artigo 5º.[7] Entre 18 e 19 anos 1 em 20 já realizou o aborto. rejeitou. a idéia foi também rejeitada.[6] Entre 18 e 39 anos. seja por introdução de objetos na vagina para matar o feto. A legalização do aborto. no processo da ação de descumprimento de preceito fundamental n. no mínimo 250 morrem e 1/3 procuram assistência hospitalar devido aos transtornos gerados no organismo. A Constituição Federal do Brasil.

18) Eutanásia É uma forma de apressar a morte de um doente incurável. recebeu 33 votos de deputados contrários e nenhum a favor. foi rejeitado por unanimidade na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. 76% concorda que o aborto deve ser permitido em caso de gravidez de risco. afastando inclusive os casos de aborto sentimental. e dali seguiu para a Comissão de Cidadania e Justiça. a favor e contra. 10% que o aborto deveria ser descriminalizado e 5% declararam não terem certeza de sua posição sobre o assunto. pois ela tem dois lados. onde também foi rejeitado em 9 de julho.[13] O projeto deve seguir em votação. 2007). Em 19 de maio de 2010. Legislação • • Aborto com consentimento da gestante. ou da família do mesmo. que estava tramitando na casa há 17 anos. sem que esse sinta dor ou sofra. artigo 125 do Código Penal Brasileiro Opinião pública Em março de 2007 o instituto de pesquisas Datafolha (do jornal Folha de S. que visa proibir o aborto em todas as circunstâncias. revelou que apenas 16% da população brasileira concorda que o aborto deve ser permitido em caso de gravidez indesejada.[15] [16] Uma pesquisa mais específica. Paulo) realizou um estudo estatístico que revelou que 65% dos brasileiros acreditam que a atual legislação sobre o aborto não deve ser alterada.• consentimento da gestante. artigo 126 do Código Penal Brasileiro Aborto provocado por terceiro. A eutanásia é um assunto muito discutido tanto na questão da bioética quanto na do biodireito. e 70% em caso de gravidez resultante de estupro (Veja mais: Pesquisa Vox Populi sobre o aborto. desta vez por 57 votos a 4. a ação é praticada por um médico com o consentimento do doente. Por outro lado.[12] O projeto. realizada pelo instituto Vox Populi para a revista Carta Capital e para a emissora de televisão Bandeirantes. Mas é difícil dizer . enquanto que 16% disseram que deveria ser expandida para permitir a prática para outras causas. foi aprovado pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados o Estatuto do Nascituro[14].

o término de uma vida em que. Um dos casos mais recentes de eutanásia é o da americana Terri Schiavo. São raciocínios que participam na defesa da autonomia absoluta de cada ser individual. dando ao paciente o direito de dar fim a sua própria vida. este tema é muito sugestivo para uma reflexão. as igrejas se revoltaram com tal situação. Do ponto de vista a favor. muitas pessoas se manifestaram contra. a eutanásia seria o direito ao suicídio. direito à escolha pela sua vida e pelo momento da morte. na qual você poderá fazer uma avaliação do certo e errado e do direito sobre a vida. Uma defesa que assume o interesse individual acima do da . ela seria uma forma de aliviar a dor e o sofrimento de uma pessoa que se encontra num estado muito crítico e sem perspectiva de melhora. quem morre não perde o poder de ser ator e agente digno até ao fim. Já do ponto de vista contra. na alegação do direito à autodeterminação. os pais dela entraram na justiça tentando impedir tal ação. Com casos assim vem à tona em nossas mentes certos questionamentos: Será que alguém tem direito de por fim a sua própria vida ou de decidir o fim da vida de outra pessoa? É correto permitir que o doente viva num estado estático de dor e sofrimento? Bom. Enfim. No fim a justiça e o governador da Califórnia. seu marido entrou com um pedido na justiça para que os aparelhos que mantinham Terri viva fossem desligados. de que forma impor a classificação do certo e errado neste caso. acredita-se que esta seja um caminho para evitar a dor e o sofrimento de pessoas em fase terminal ou sem qualidade de vida. um caminho consciente que reflete uma escolha informada. No Brasil a eutanásia é considerada homicídio. decidiram pelo desligamento dos aparelhos que a mantinha viva. essas são perguntas que persistem e até o presente momento não obtiveram respostas. Arnold Schwarzenegger. já na Holanda é permitida por lei. Este caso chamou a atenção do mundo todo. tendo em vista que o doente ou seu responsável teria o direito de dar fim a sua vida com a idéia de que tal ato aliviaria dor e sofrimento do mesmo. Argumentos a favor Para quem argumenta a favor da eutanásia.quais desses lados estariam corretos. a família da paciente era contra.

[4][5] . a dignidade e piedade no morrer. contextualizadas e pensadas. A escolha pela morte. de nº 8. nas suas leis e códigos. sociais. o que não significa a desvalorização que tantas vezes conduz esses homens e mulheres a lutarem pela sua dignidade anos e anos na procura do não prolongamento de um processo de deterioramento ou não evolução.080/90. alheio de influências exteriores à sua vontade.[1] [2][3] No Estado brasileiro de São Paulo. sofrimento e o esgotamento do projecto de vida. o medo de ficar só. que reconhece a "preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral". e o art. que expressa que "ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante". A eutanásia não defende a morte. de forma a assegurar a verdadeira autonomia do indivíduo que.36) Conduzem-nas a pedir o alívio da dor. porque na vida em que são "actores" não reconhecem qualidade.sociedade que. bem como o art. são situações que levam as pessoas a desistirem de viver" (Pinto. 5º. de nº 10. que em seu art. Inciso XXIII.241/99. 7º. da Constituição Federal. existe a Lei dos Direitos dos Usuários dos Serviços de Saúde do Estado de São Paulo. não poderá ser irreflectida. a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica". mas a escolha pela mesma por parte de quem a concebe como melhor opção ou a única. também da Constituição da República. Silva – 2004 . dependente na satisfação das necessidades mais básicas. certifique a impossibilidade de arrependimento. o pedido deverá ser ponderado antes de operacionalizado. levam-no a pedir o direito a morrer com dignidade. III. A qualidade de vida para alguns homens não pode ser um demorado e penoso processo de morrer. normalmente é apontado como suporte a essa posição o art. de ser um "fardo". No Brasil. 1º. culturais. 2º. a revolta e a vontade de dizer "Não" ao novo estatuto. Obviamente. III. expressa que são direitos dos usuários dos serviços de saúde no Estado de São Paulo "recusar tratamentos dolorosos ou extraordinários para tentar prolongar a vida". o que autoriza o paciente a recusar determinados procedimentos médicos. 15 do Código Civil que expressa que "Ninguém pode ser constrangido a submeter-se. além do art. que reconhece a "dignidade da pessoa humana" como fundamento do Estado Democrático de Direito. "A dor. com risco de morte. visa proteger a vida. Quando uma pessoa passa a ser prisioneira do seu corpo. As componentes biológicas. III. económicas e psíquicas têm que ser avaliadas. da Lei Orgânica de Saúde.

A autonomia no direito a morrer não é permitida em detrimento das regras que regem a sociedade, o comum, mas numa política de contenção económica, não serão os custos dessa obrigatoriedade elevados?

Além do mais, em um país como o Brasil, onde o acesso à saúde pública não é satisfatório, a prática da eutanásia é muitas vezes encarada como um modo de proporcionar a doentes de casos emergenciais uma vaga nos departamentos de saúde. Argumentos contra

Muitos são os argumentos contra a eutanásia, desde os religiosos, éticos até os políticos e sociais. Do ponto de vista religioso a eutanásia é tida como uma usurpação do direito à vida humana, devendo ser um exclusivo reservado ao Criador, ou seja, só Deus pode tirar a vida de alguém. "algumas religiões, apesar de estar consciente dos motivos que levam a um doente a pedir para morrer, defende acima de tudo o carácter sagrado da vida,…" (Pinto, Susana; Silva, Florido,2004, p. 37).

Da perspectiva da ética médica, tendo em conta o juramento de Hipócrates, segundo o qual considera a vida como um dom sagrado, sobre a qual o médico não pode ser juiz da vida ou da morte de alguém, a eutanásia é considerada homicídio. Cabe assim ao médico, cumprindo o juramento Hipocrático, assistir o paciente, fornecendo-lhe todo e qualquer meio necessário à sua subsistência. Para além disto, pode-se verificar a existência de muitos casos em que os indivíduos estão desenganados pela Medicina tradicional e depois procurando alternativas conseguem curar-se.

"Nunca é lícito matar o outro: ainda que ele o quisesse, mesmo se ele o pedisse (…) nem é lícito sequer quando o doente já não estivesse em condições de sobreviver" (Santo Agostinho in Epístola)

Outro dos argumentos contra, centra-se na parte legal, uma vez que o Código Penal actual não especifica o crime da eutanásia, condenando qualquer acto antinatural na extinção de uma vida. Sendo quer o homicídio voluntário, o auxilio ao suicídio ou o homicídio mesmo que a pedido da vitima ou por "compaixão", punidos criminalmente. Perspectivas O doente

As pessoas com doença crônica e, portanto, incurável, ou em estado terminal, têm naturalmente momentos de desespero, momentos de um sofrimento físico e psíquico muito intenso, mas também há momentos em que vivem a alegria e a felicidade. Estas pessoas lutam dia após dia para viverem um só segundo mais. Nem sempre um ser humano com uma determinada patologia quer morrer "porque não tem cura"! Muitas vezes acontece o contrário, tentam lutar contra a Morte, tal como refere Lucien Israël: "Não defendem uma politica do tudo ou nada. Aceitam ficar diminuídos desde que sobrevivam, e aceitam sobreviver mesmo que sintam que a doença os levará um dia. (…) dizem-nos com toda a simplicidade: se for necessário, eu quero servir de cobaia. (…) arriscam o termo para nos encorajarem à audácia. (Israël, Lucien; 1993; 86-87).

Contrariando esta tendência de luta a todo o custo, em alguns casos surgem os doentes que realmente estão cansados de viver, que não aguentam mais sentirem-se "um fardo", ou sentirem-se sozinhos, apenas acompanhados por um enorme sofrimento de ordem física, psíquica ou social. Uma pessoa cuja existência deixou de lhe fazer sentido sofre, no seu íntimo, e muitas vezes isolada no seu mundo interior; sente que paga a cada segundo que passa uma pena demasiadamente pesada pelo simples facto de existir.

Nesta altura, e quando a morte parece ser a única saída que o doente vislumbra, deverse-á informar o doente dos efeitos, riscos, dos sentimentos, das reacções que a Eutanásia comporta, da forma como é ou vai ser praticada. Só assim o doente poderá decidir conscienciosamente e ter a certeza de que, para si, essa é a melhor opção. No entanto, e a par da informação, o doente deve ser acompanhado psicologicamente, a fim de se esclarecer que este não sofre de qualquer distúrbio mental, permanente ou temporário, e está capacitado para decidir por si e pela sua Vida.

Há autores que defendem que um ser humano, ainda que a sofrer demasiado, se bem tratado, não pede a Eutanásia. Hoje em dia podem ser administrados analgésicos e outros fármacos que minimizam o sofrimento e efeitos da doença e de intervenções técnicas, a uma pessoa em estado terminal.

"Não podemos admitir que estas pessoas não tenham um acompanhamento digno na sua morte e no seu percurso até ela. Não podemos fechar os olhos a alguém que com muito sacrifício se abre connosco e manifesta o desejo de morrer; não podemos ignorar um pedido de Eutanásia e deixá-lo passar em branco! Os pedidos de Eutanásia por parte dos doentes são muitas vezes pedidos de ajuda, implorações para que se pare o seu sofrimento! Segundo estes autores, a maioria das pessoas que se encontram na recta final da sua vida, não desiste! Estas pessoas "Persistem e dão-nos coragem para fazermos o mesmo." (Israël, Lucien; 1993;87).

Talvez a esta altura seja pertinente pensarmos que um dia podemos ser nós, um familiar ou um amigo próximo, a estar numa situação em que "não há mais nada a fazer"; para essas pessoas, resta-lhes a esperança e apoio da família. Muitas pessoas que se encontram nesta fase, sentem-se um peso pela doença e a necessidade de cuidados e pela preocupação e o cansaço estampados nos rostos daqueles que amam e estavam habituados a ver sorridentes.

No entanto, e após as relações anteriores, não é correcto pensar que um pedido de Eutanásia não possa ser um pedido refletido e ser a verdadeira vontade daquele Ser Humano, alheia a factores económicos, sociais, culturais, religiosos, físicos e psíquicos.

Família e sociedade Homem como animal cultural, social e individual, quando inserido nos diferentes grupos, vai oferecer-lhes toda a sua complexidade que caracteriza o particular e o comum aos diferentes elementos que os constituem. A família grupo elementar que é para cada indivíduo e para a Sociedade, quando confrontado com a morte reage na sua especificidade que a caracteriza, quando o confronto é com as diferentes situações que podem levar um ser humano a lutar pelo direito a morrer, essas especificidades não desaparecem.

É a diferença essencialmente cultural e social, que faz com que a legislação mude de país para país, que faz com que os Países Baixos tenha legalizado a eutanásia e o nosso país não.

Num país como Portugal em que a morte tem perdido visibilidade, é excluída de práticas antigas, os familiares são afastados, as crianças não sabem o que é, os processos de luto são cada vez menos vividos e morre-se mais nos hospitais, no lar ou em casa dependente nos cuidados. Uns por opção e altruísmo, pelo manter do seu papel e estatuto social, como opção lúcida e reconhecida; outros por medo, por a família não aceitar ou não querer vivenciar essa última fase em que culmina a vida.

Em Portugal morrer sozinho pode ser mais do que um título, é muitas vezes realidade ou uma escolha.

Num país em que esperança média de vida aumenta, em que a todo o momento se vende o light e o saudável, contrasta a realidade dos acidentes vasculares cerebrais (AVC) como primeira causa de morte e as doenças de foro oncológico como segunda. Muitas

doenças "arrastam-se" para a cronicidade com o aumento de esperança de vida vigente na nossa Sociedade. No nosso país a maioria das pessoas quer salvar, ainda não considera o término do sofrimento como algo qualitativo, em detrimento do arrastar da decadência física e psíquica. O "fazer tudo que estiver ao seu alcance para manter a vida" é o mais aceite na nossa Sociedade, no entanto o acto de promover a morte antes do que seria de esperar, por motivo de compaixão e diante de um sofrimento penoso e insuportável, sempre foi motivo de reflexão por parte da Sociedade. Frequentemente a família divide-se entre o que existe entre a eutanásia e a distanásia.

Salvar, fazer uso dos meios, do conhecimento, dos dadores, de todos os recursos para salvar é lógico. No entanto, os cuidados paliativos que visam a melhor qualidade de vida possível para o doente e para a família, pode ou não equivaler a definição de qualidade desses intervenientes, o que pode levantar dúvidas, despoletar as habituais polémicas associadas ao debate do tema. Quando se fala neste, as opiniões divergem, o debate acende-se e os extremos refutam com prós e contras, sendo a maioria contra.

Num país laico, como Portugal, em que a maioria da sua população é de orientação religiosa cristã, rege-se pela palavra de Deus inscrita na Bíblia, segue maioritariamente o que Deus ordena; "Não matarás". Também por isto é fácil compreender o número de famílias que não considera eutanásia como opção.

Perante o tabu da morte e a família como um elemento cuidador da e na sociedade, existe inúmeros contextos e particularidades é necessário definir o comum. A eutanásia continuará a suscitar grande polémica na sociedade, de argumentos supostamente válidos entre os que defendem a legalização e os que a condenam, havendo assim necessidade de compreender a moral à prática concreta dos homens enquanto membros de uma dada sociedade, com condicionalismos diversos e específicos, e reflectir sobre essas práticas (ética), afinal a vida humana é direito em qualquer sociedade. A óptica da enfermagem O exercício da actividade profissional de enfermagem, pauta-se pelo respeito à dignidade humana desde o nascimento à morte, devendo o enfermeiro ser um elemento interveniente e participativo em todos os actos que necessitem de uma componente humana efectiva por forma a atenuar o sofrimento, todos os actos que se orientem para o cuidar, individualizado e holístico. As necessidades de um doente em estado terminal, muitas vezes isolado pela sociedade, aumentam as exigências no que respeita a cuidados de conforto que promovam a qualidade de vida física, intelectual e emocional sem descurar a vertente familiar e social.

Apesar desta consciência, lidar com situações limite, potencia um afastamento motivado por sentimentos de impotência perante a realidade. Este contexto agrava-se se o profissional de saúde (cuidador) for confrontado com uma vontade expressa pelo doente em querer interromper a sua vida. Como agir perante o princípio de autonomia do doente? Como agir perante o direito de viver? Perante este quadro, com o qual nos poderemos deparar um dia, há que ter um profundo conhecimento das competências, obrigações e direitos profissionais, de forma a respeitar e proteger a vida como um direito fundamental das pessoas.

19)Pena de morte

A Questão da Pena de Morte "Quantas mortes ainda serão necessárias para que se saiba que já se matou demais?" Bob Dylan O simplismo de considerar a defesa dos direitos humanos a defesa de direitos de criminosos tem de ser desmascarado. Aqueles que defendemos o direito à vida de todos, de todos sem exceção, não podemos ser confundidos com criminosos ou defensores de suas posturas. O que almejamos mesmo é o fim da barbárie e do ódio. O Estado brasileiro falha diante de seus cidadãos, do berço à sepultura. Más condições de educação e saúde, de moradia, de sobrevida material mesmo, acabam por reduzir o ser humano à situação desesperadora de louco desviante em muitos casos. Há muita gente desesperada por providenciar sua sobrevivência e a dos seus, ainda que para isso tenha de romper com as normas sociais vigentes. Se o Estado brasileiro é o maior responsável pela elevação no índice de criminalidade, particularmente tendo em vista a brutal e dificilmente equiparável, em escala planetária, concentração de renda, o Estado brasileiro carece de condições morais para dizer "quem tem o direito à vida (assegurado na Constituição, por sinal) e quem, por seus crimes, deve ser apenado com a perda deste direito humano básico", até porque o juízo humano é falho, a pena-de-morte é uma punição evidentemente irreversível e o "exemplo" deve vir sempre de cima, jamais dos desesperados. Montar uma fábrica de desesperados e, para "solucionar", montar uma máquina de extermínio de desesperados não me parece racional. É coisa parecida à "Solução Final" dos nazistas... Como o neocolonialismo nos colocou sob a órbita de influência dos EUA, muitos apreciam citar aquela Nação como exemplo a ser seguido. Na esfera dos direitos humanos há muito pouco a aprender com os ianques. Os EUA são a única Nação do primeiro mundo em que este crime medieval é praticado, quando o Estado mata, com o beneplácito do aparelho judiciário. Mas a justiça norte-americana tem se equivocado em diversos casos de apenamento com a morte. Alguém poderia contra-argumentar que o aparelho judiciário brasileiro seria superior e não cometeria falhas. Será? Somos todos humanos, sujeitos a

nem eficientes. são praticados por pessoas em estado de total descontrole. portanto. Grupos de extermínio. Estaria. Antes de mais nada. nem eticamente dignos de consideração numa análise séria como esta pretende ser. vivo para que eventuais erros judiciários fossem reparados. cárcere protegido especial (para evitar linchamentos). Embora esteja bem claro que a prisão perpétua seja medida mais econômica que a condenação capital. sacerdotes. Falso. competente para .falhas. por exemplo. As custas de processos. aprisionado por toda a vida. claro. e isso é o mais importante. de suas faculdades mentais. os fatos apontam na direção contrária: onde a pena de morte é praticada os índices de criminalidade são os mais elevados. o que é raro acontecer. quando o sujeito pára para pensar na besteira que estaria fazendo. as argumentações contra a pena de morte podem seguir a seguinte direção: 1 . Isso. o eventual criminoso tenda a "pensar duas vezes" antes de cometer delito hediondo. além do mais.Intimidação: Há quem creia que. quando o Estado mata ao invés de promover a vida. os contribuintes e.Economia: como se a vida humana pudesse ter um preço. Especula-se neste caso que as pessoas que vivem numa Nação violenta. provisório ou permanente. por exemplo. onde o detento poderia custear seu próprio sustento. não sujeitos a todas estas formalidades. não são onerosos. temos de pensar em algo mais humano ainda: a implantação de colônias penais agrícolas. trazer o ressarcimento econômico aos seus erros para com a sociedade. claro. Crimes hediondos. Segundo a Seção Brasileira da Anistia Internacional. sem onerar os cofres públicos. vigias. apelações. maquinário e carrascos custam três vezes mais que um aprisionamento perpétuo do cidadão a ser assassinado. num Estado onde exista a pena capital. Vale a pena ressaltar que na França houve uma significativa diminuição nos índices de criminalidade com a abolição da guilhotina enquanto que no Irã aqueles índices sofreram significativo aumento com a reimplantação da pena de morte após a revolução islâmica. 2 . o assassinato institucionalizado. "informam" que matar um suposto autor de "crime hediondo" é mais barato que mantê-lo. os defensores do assassinato estatal institucionalizado. em geral. Especula-se que o eventual criminoso tenda a eliminar potenciais testemunhas de um delito praticado em momento não refletido de sua vida.

não cabe a ninguém dizer quem é humano e quem. Aqueles que defendem o assassinato institucionalizado no Brasil contemporâneo não querem comprometer-se. tendem a seguir-lhe o exemplo.Banalidade do Mal: O defensor da pena capital. A aplicação da sentença poderiam ser das seguintes formas. é a condenação à morte daquele que tenha cometido crimes como traição à pátria e assassinato. repita-se. Também conhecida como pena capital. depois de pessoas consideradas racialmente inferiores e os iam exterminando a todos. pelos seus crimes. nem seus oficiais por meramente retransmitir ordens dadas. na figura de seus magistrados deve fazer. os pregadores da vingança insistem na "Lei de Talião". pensa que.. claro. agiam assim: primeiro tiravam o status de humano de criminosos comuns. em geral. Este tipo de sentença já foi abolida em vários lugares do mundo. atualmente só pode ser aplicada em tempo de guerra. só possível a nãocristãos. a quem a história julgou e execrou. Descendo ao nível moral daqueles que qualificam como criminosos. Vale lembrar aqui as palavras do Mahatma Gandhi: "Um olho por um olho acabará por deixar toda a humanidade cega!" É vital deter a propagação do Mal.Desumanidade: "O que é que merece alguém que comete um crime hediondo (assalto. Afeganistão. a sentença é dada pelo poder judiciario. depois de criminosos políticos.matar ou deixar viver. De novo o modelo nazista: o Führer não se sentia pessoalmente responsável pelo que acontecia fora de seu gabinete acarpetado onde as penas capitais eram decretadas. menos ainda os subalternos por cumprir aquelas ordens. mas que precisa ser considerada também. No Brasil a pena de morte foi abolida parcialmnte. por mais chocante que isto possa parecer que cada vez que alguém comete o simples ato de erguer a mão para votar a favor da implantação desta excrescência em nossa legislação está sendo cúmplice em potencial de um assassinato a ser cometido pelo Estado. . Quanto ao que um homem transtornado por desejos pessoais de vingança faria é um assunto. deixou de o ser e com isso perdeu seus direitos! Os nazistas.. estupro ou seqüestro com morte)?" ou "O que é que você faria se algum ente querido seu fosse sordidamente seviciado e assassinado?" Ora bolas. porém ainda existem países os quais praticam a pena de morte. todos burocraticamente distantes uns dos outros. desigual e cruel em sua essência. aqueles que defendem a implantação da pena de morte pregam um retrocesso do Estado ao nível de barbárie em que se encontram alguns criminosos produzidos. Ao invés de ansiar e trabalhar pela elevação dos padrões intelectuais e morais das pessoas. e de forma continua. à exemplo os Estados Unidos. Outro assunto é o que o Estado lúcido e ponderado. China. por uma ordem social injusta em última análise. por caber a outros a execução do que propõe já nada mais tem a ver com isso. 3 . mas é preciso demonstrar. 5 . etc. • Injeção Letal (aplica-se por via intravenosa. não expandi-la! 4 . não se dá conta de seu grau de comprometimento com a medida que propõe.Vingança: O mais sórdido e menos ético dos argumentos utilizados pelos defensores do assassinato institucionalizado.

20) Redução da maioridade penal Quem entrar na página do Senado: www. um jovem passa a responder inteiramente por seus atos.05% .encontrará lá. uma enquete. br/agencia .não concorda com a redução da maioridade penal. quando o papel da escola. primeiro o individuo era flagelado e depois crucificado) • Fogueira (o individuo era amarrado e em torno dele ascendia as lenhas e ele morria queimado). e deparei com o seguinte resultado: • • • • 27. Agora. é formar. agora educação virou caso de justiça e polícia. 48. fui pesquisar o tema polêmico.sobre maioridade penal O que é maioridade penal? A maioridade penal fixada em 18 anos é definida pelo artigo 228 da Constituição.concorda com a redução para menos de 16 anos. Será que é fazendo a redução da maioridade que iremos resolver o problema da violência? Ou isso é discurso da elite imediatista. combinados com produtos quimicos paralisantes-muscular. Só lembrando. Fonte: Caderno Especial (veja abril) . solicitando a redução da maioridade penal.no canto inferior direito da página. Benedito Prézia. e deu nisso que segue: Fiz uma visita. Segue abaixo. como cidadão adulto. vale a pena ler o texto. delegaram à escola a tarefa de educar seus filhos. diante da lei.senado.51% . que quer resolver tudo sem ponderação de nada? Leia a matéria..42% . juizes da infância e juventude.083 . "decretaram" toque de recolher em várias cidades do interior para menores de 16 anos. Tramita a PEC 26/2002 de autoria do Senador Iris Rezende PMDB-GO.gov. Ou seja. • Fuzilamento (é disparado varios tiros simultaneamente sobre individuos condenados a morte) • Estrangulamento (pressiona o pescoço interrompido o fluxo de oxigenio para o cerebro) • Câmera de Gás • Electrocussão (cadeira eletrica) • Asfixia (insuficiência de oxigenação sistêmica) • Crucificação (era uma especie de ritual.barbituricos de ação rápida de quantidade letal.votantes.concorda com a redução para 16 anos. 21. que os pais. Um menor é julgado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente . É a idade-limite para que alguém responda na Justiça de acordo com o Código Penal.. alguns esclarecimentos sobre a matéria. À pedido do meu amigo. sobre a questão da "redução da maioridade penal" . e entender mais esse descalabro jurídico. novamente a educação na família falhou. É a idade em que. 30.

(ECA). Eles argumentam que se a legislação eleitoral considera que jovem de 16 anos com discernimento para votar. É uma das questões mais polêmicas a respeito da maioridade penal. o que dizem? Os que combatem as mudanças na legislação para reduzir a maioridade penal acreditam que ela não traria resultados na diminuição da violência e só acentuaria a exclusão de parte da população. liberdade assistida. De 12 a 17 anos. O que propõem aqueles que defendem mudanças em relação à maioridade penal? Discute-se a redução da idade da responsabilidade criminal para o jovem. Em Portugal e na Argentina. independentemente de sua capacidade psíquica. Adota o sistema biológico. mas há quem proponha até 12 anos como idade-limite. Aqueles que são contra a redução da maioridade penal. Em países como Estados Unidos e Inglaterra não existe idade mínima para a aplicação de penas. Para eles. o Estatuto da Criança e do Adolescente é muito tolerante com os infratores e não intimida os que pretendem transgredir a lei. e sua consciência a respeito da gravidade do ato que cometeu. que só poderiam deixar as instituições onde estão internados quando estivessem realmente “ressocializados”. um menor infrator não pode ficar mais de três anos internado em instituição de reeducação. Como funciona nossa legislação. Propõe-se também punições mais severas aos infratores. em relação aos outros países? A legislação brasileira sobre a maioridade penal entende que o menor deve receber tratamento diferenciado daquele aplicado ao adulto. prestação de serviços à comunidade. Outros dizem que já faria . o jovem infrator será levado a julgamento numa Vara da Infância e da Juventude e poderá receber punições como advertência. a idade-limite é 14 anos e na Índia. Não poderá ser encaminhado ao sistema penitenciário. Como alternativa.Febem (Fundação Casa). O tempo máximo de permanência de menores infratores em instituições não seria três anos. Estabelece que o menor de 18 anos não possui desenvolvimento mental completo para compreender o caráter ilícito de seus atos. As penalidades previstas são chamadas de “medidas socioeducativas”. Alguns defendem mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente para estabelecer regras mais rígidas. não podem ser julgadas ou punidas pelo Estado. 7 anos. O que dizem aqueles que são à favor da redução da maioridade penal? Os que defendem a redução da maioridade penal acreditam que os adolescentes infratores não recebem a punição devida. o jovem atinge a maioridade penal aos 16 anos. ele deve ter também tem idade suficiente para responder diante da Justiça por seus crimes. como determina hoje a legislação. Na Alemanha. eles propõem melhorar o sistema socioeducativo dos infratores. Nesses países são levadas em conta a índole do criminoso. Leia o que diz a legislação com relação à maioridade penal? Pela legislação brasileira. Fala-se em reduzir a maioridade penal somente quando o caso envolver crime hediondo e também em imputabilidade penal quando o menor apresentar "idade psicológica" igual ou superior a 18 anos. mas até dez anos. como a ex. obrigação de reparar o dano. A maioria fala em 16 anos. Apenas crianças até 12 anos são inimputáveis. inserção em regime de semiliberdade ou internação em estabelecimento educacional. em que é considerada somente a idade do jovem. tenha a idade que tiver. investir em educação de uma forma ampla e também mudar a forma de julgamento de menores muito violentos. ou seja.

Quais são os trâmites legais para reduzir a maioridade penal? Depois de ser discutida pelo Senado.José Serra (PSDB-SP). diretora do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção e Tratamento da Delinqüência (Ilanud). a proposta de emenda constitucional (PEC) deve ir a plenário para votação em dois turnos. Para a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF). O que tem ocorrido é que em períodos de comoção e mobilização da opinião pública o assunto ganha visibilidade e várias propostas chegam ao Congresso. Cezar Britto. Eles querem também aumentar o prazo de detenção do infrator para até dez anos. após os ataques do PCC em São Paulo. Há ainda uma proposta de emenda constitucional (PEC).diferença a aplicação adequada da legislação vigente Quem se posiciona contra a redução da maioridade penal? Representantes da Igreja Católica e do Poder Judiciário combatem a redução da maioridade penal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que o Estado “não pode agir emocionalmente”. houve uma “semana da segurança”. a melhor solução seria ter uma “justiça penal mais ágil e rápida”. esta é a quarta vez que um “pacote de segurança” é proposto. Além dos governadores. A proposta para redução da maioridade está parada no Congresso desde 1999. Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ). Em 2000. vários deputados e senadores querem colocar em votação propostas de redução da maioridade. do senador Papaléo Paes (PSDB-AP) que determina a imputabilidade penal quando o menor apresentar "idade psicológica" igual ou superior a 18 anos. quando o Senado aprovou 13 projetos de endurecimento da legislação penal. pressionado pela indignação provocada por crimes bárbaros. Tanto o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. Aécio Neves (PSDB-MG) e Paulo Hartung (PMDB-ES) propõem ao Congresso Nacional alterar a legislação para reduzir a maioridade penal. Quando a Câmara dos Deputados votará as propostas de redução de maioridade penal? Não há prazo definido. Em 2003. Justiça e Cidadania do Senado avalia. em caso de crimes hediondos. O último “esforço concentrado” foi em junho de 2006. depois de um sequestrador de um ônibus ser morto ao lado de uma refém. quatro reduzem a maioridade de 18 para 16 anos. . Desde 2000. Arlindo Chinaglia (PT-SP). a proposta tem de ser votada pela Câmara dos Deputados para transformar-se em lei. os projetos caem no esquecimento. não quis incluir o assunto entre as primeiras medidas do chamado “pacote da segurança”. Passada a motivação inicial. Que propostas sobre maioridade penal serão avaliadas pelo Congresso Nacional? Das seis propostas de redução da maioridade penal que a Comissão de Constituição. afirmam que reduzir a maioridade penal não seria uma solução para a violência. que não incluíam a discussão sobre a maioridade. Na seqüência. Quais as autoridades que se manifestou a favor da redução da maioridade penal? Os quatro governadores da região Sudeste . após a morte de dois juízes. O deputado. e uma para 13 anos. como o deputado Arlindo Chinaglia. Ellen Gracie. Não houve votação originada desta comissão. Karina Sposato. diz que o país não deveria “neutralizar” parte da população e sim procurar “gerir um sistema onde as pessoas possam superar a delinqüência”. a Câmara e o Senado criaram uma comissão mista para discutir o endurecimento das leis.

Já o deputado Alberto Fraga (PFL-DF). Para o deputado. Para ele. disse Maia. O líder do governo na Câmara. afirmou hoje. a redução de crimes hediondos. então a maioridade tem que ser mantida para alguns princípios. "Nos presídios não cabe mais ninguém. "Nós não resolveremos aumentando a punição". Os dois líderes são contra também a progressão da pena para crimes hediondos. Um coisa é um estudo sentado em uma mesa. dois dias depois do crime. Beto Albuquerque disse que o menor que comete um crime não pode ser beneficiado por sua idade. Não se consegue executar os mandados de prisão". concorda com Beto Albuquerque. . em seu boletim diário. Eu não nasci para defender bandido. "O menor tem de ser tratado como menor quando pratica algum crime menor". mas não para crimes hediondos". afirmou. afirma que a grande maioria da população é a favor da redução e que "ninguém pode defender bandido". Na sexta-feira. é preciso considerar a natureza do crime. o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a redução da idade penal não é suficiente para coibir os crimes cometidos por menores no País. outra é a prática". na próxima quarta-feira será votada uma série de projetos que mudam dispositivos do Código Penal e tornam mais rígidas as penas para quem comete crime hediondo. Quem é contra a redução não sabe o que está falando. não é possível apenas discutir a idade dos criminosos. alegou. Beto Albuquerque (PSB-RS). com crueldade vai ser protegido pelos 16 anos? Não. "Legislar e não cumprir será ainda pior". O líder do PFL. como por exemplo. "Qualquer pesquisa mostra que 75% da população é a favor da redução". "O menor que comete um crime bárbaro. Cesar Maia (PFL). mas sim se adequar as penas". defendeu a medida somente para quem comete crime hediondo. "A questão não é reduzir na maioria dos casos. Onyx Lorenzoni (RS). O prefeito do Rio de Janeiro. alegou. disse. A pedido dos parlamentares. Segundo ele. hediondo. a redução da maioridade penal será uma falsa solução por muitos anos ainda. disse. que é militar e um parlamentar que se elegeu com a bandeira da segurança. que reduzir a idade penal para 16 anos seria um grave erro. a redução da maioridade penal tem que ser feita em alguns casos. afirmou.Redução de maioridade penal divide políticos 12 de fevereiro de 2007 • 11h33 • atualizado às 22h23 A discussão sobre a redução da maioridade penal dividiu a Câmara dos Deputados nesta segunda-feira. A discussão sobre o assunto voltou a acontecer no Congresso após o assassinato brutal de um menino de apenas 6 anos no Rio de Janeiro na semana passada.

já que a sociedade está sendo movida pela comoção em relação ao crime. que prevê mais rigor contra motoristas que ingerirem bebidas alcóolicas. perde a carteira e tem o carro apreendido. tire as principais dúvidas sobre a nova lei: Quais os limites de consumo de álcool para quem estiver dirigindo? Para estar sujeito a responder criminalmente. caso se recuse a fazer o teste. isso não resolveria o problema da violência. Não sei se é a solução.1 miligrama por litro de ar expelido Quais as penas para quem for flagrado com índices acima desses limites? Caso seja enquadrado criminalmente. ou 0. 21) Alcoolismo e lei seca Há uma semana. Minas Gerais. é crime com pena de até três anos de prisão. Segundo a Constituição. segundo ela. em São Paulo. "Essa discussão sempre retorna cada vez que acontece um crime como esse. . Sérgio Cabral (PMDB) defendeu a redução da idade penal para 16 anos e ainda defendeu a legalização monitorada do consumo de drogas como solução para diminuir a violência no mundo. onde terá. o limite é de 6 decigramas de álcool por litro de sangue. a tolerância é menor: de 2 decigramas por litro de sangue. como ser humano. As penalidades administrativas são multa de R$ 955. ao Instituto Médico-Legal. Veja Também: Bafômetros descartáveis contra motoristas bêbados Abaixo. disse que é contra a redução da maioridade penal no País. Para punições administrativas. Porém. com direito à fiança. 7 pontos na carteira e apreensão do documento e do carro Como o índice de álcool no organismo do motorista será verificado? De três maneiras: teste do bafômetro.equivalente a dois chopes. Acima de 6 decigramas . os delegados foram orientados a encaminhar o motorista.Lula defendeu que o Estado não pode reagir emocionalmente aos crimes cometidos na sociedade. Também na sexta. e de Espírito Santo." Ontem. Mas o Estado não pode agir emocionalmente. a pessoa será multado em R$ 955. A partir do limite de dois decigramas de álcool por litro de sangue para os motoristas. José Serra (PSDB). exame de sangue ou exame clínico (quando um médico procura sinais de embriaguez no motorista) O motorista é obrigado a fazer o teste do bafômetro? Não. O Estado tem que agir juridicamente". ou 0. Paulo Hartung (PMDB) vão ao Congresso levar proposta de modificação da legislação penal. o governador do Rio de Janeiro. terrível. Aécio Neves (PSDB).3 miligrama por litro de ar expelido no bafômetro . a pena é de 6 meses a 3 anos de prisão. Ele e os governadores de São Paulo. ministra Ellen Gracie. já que.705. a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). posso reagir emocionalmente e posso fazer qualquer barbaridade contra quem pratica um crime. Ellen afirmou que este não é o momento para discutir a legislação. "Eu às vezes fico me perguntando: eu. ninguém é obrigado a produzir prova contra si.equivalente a uma lata de cerveja -. entrou em vigor a Lei 11.

na Nossa Caixa. é preciso que alguém faça um depósito na conta do Estado. o motorista ficará sem a CNH Caso seja flagrado. será preso em flagrante por desobediência Quanto tempo o álcool permanece no sangue após o consumo? Uma taça de vinho demora cerca de 3 horas para ser eliminada pelo organismo. é possível recorrer? O motorista pode recorrer de qualquer multa Quem estabelece o valor da fiança em caso de prisão? É o delegado quem determina. cerca de 4 horas.2% Quando o assunto é bebida e direção. será enviada uma autuação ao endereço declarado pelo motorista Em caso de multa.2% desde o início da entrada em vigor da lei. o motorista é solto É possível pagar com cartão de crédito ou débito nas delegacias? Não. na hora. o motorista terá. obrigatoriamente. as mulheres d. embora a quantidade seja pequena. a média nacional de redução de mortes no trânsito foi de 6. É possível recuperar a carteira recorrendo ao Detran (com a possibilidade de entrar com advogado. também podem ser detectados Como se defender. De acordo com os números. Para ser solto. De posse do comprovante. no valor da fiança. Uma lata de cerveja. de passar por exames clínicos. que impôs restrições ao consumo de álcool para motoristas no país. por algum tempo? Pode haver espera de até um mês para que o laudo de alcoolemia chegue do IML até o delegado responsável e depois para o Detran.. as delegacias não dispõem desse serviço Alimentos ou remédios que levam álcool podem ser acusados no bafômetro? Sim. obrigatoriamente. caso seja multado por algum desses motivos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública. testemunhas e peritos que comprovem inocência) O motorista que estiver embriagado ficará sem a carteira. A interpretação dele também conta na formação de convicção do delegado Fontes: PM.obrigatoriamente. o valor da fiança.. o veículo pode ser liberado a qualquer pessoa de confiança do motorista que seja julgado em condições de dirigir pelos policiais O motorista tem de pagar a multa na hora? Não. advogados criminalistas Antonio Claudio Mariz de Oliveira e Tales Castelos Branco Balanço divulgado na sexta-feira (18) pelo Ministério da Saúde mostra que o Rio de Janeiro foi o Estado campeão na redução do número de acidentes causados por motoristas embriagados desde a entrada em vigor da chamada Lei Seca. Lei Seca reduz número de mortes no trânsito em 6. ele perderá a CNH? Qual o procedimento para tê-la de volta? A lei prevê suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Leis mais duras para os motoristas embriagados . caso o motorista se recuse. Abramet. Ambas as quantias já são flagradas no exame do bafômetro Caso o motorista seja flagrado com índices superiores de álcool. seu carro retido? Não. Durante esse período. sem que tenha bebido? Deve-se explicar a situação ao policial. obrigatoriamente.

1%.6%).4%). França e Estados Unidos.4%. O projeto começa em Curitiba. Ele se referiu aos custos indiretos causados pelas mortes. o ministro afirmou que investir pesado nessa estratégia sai muito barato.7%) e São Paulo (-7%).» ver as 5 relacionadas O índice representa 2. sem terem sido consultados sobre o assunto.7%.161 para 34. em 2008 (ano de publicação da lei). chegando a 2. Estima-se em quase 9 milhões o número de alunos entre 15 e 19 anos. Distrito Federal (15. Em 3 anos. As reduções estatisticamente significativas na taxa de mortalidade foram registradas no Rio de Janeiro (-32. porque você corre o sério risco de parar numa blitze e ser punido. A frequência de pessoas que dirigem após consumo abusivo de álcool. os ministérios da Educação e da Saúde iniciam um projeto de distribuição de preservativos nas Escolas Públicas . Alagoas (-15. O RJ teve de longe o melhor desempenho de todos os Estados.5 milhões de alunos atingidos até 2006. estarão sendo oferecidas 235 milhões de unidades anualmente. A previsão é de que até julho de 2004.5%). afirmou. seria o de diminuir os casos de gravidez entre menores de 18 anos e combater as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) inclusive a AIDs. 22) Distribuição de preservativos nas escolas Em breve os pais brasileiros poderão ter a surpresa de encontrar estoques de preservativos masculinos junto ao material escolar de suas filhas e filhos. segundo dados do Vigitel. segundo os idealizadores do projeto. o Rio de Janeiro conseguiu 32% de redução. no Rio há hoje uma certeza: de que você não pode mais beber e dirigir. sobre as tentativas de burlar os pontos de fiscalização no Rio anunciando previamente as blitze no microblog. Segundo Temporão. Santa Catarina (-11. . Paraná (-7. O RS tem uma das piores posições: a 14ª. 105 mil alunos da rede pública recebam 8 preservativos por mês. Espírito Santo (-18.2%).859 o total de óbitos causados pelo trânsito. O objetivo.1%) e São Paulo (-6. São José do Rio Preto e São Paulo.302 mortes a menos em todo o país. como os danos materiais. voltou a subir. a um custo de US$ 7 milhões.4%). para 1. inquérito telefônico do Ministério da Saúde que monitora os fatores de risco para doenças e agravos à saúde da população.6%). Rio Branco. Santa Catarina (-12. Nesse mesmo período. no entanto. reduzindo de 37. Atrás do Rio estão Espírito Santo (-18.para alunos entre 15 e 19 anos. mesmo ainda sendo inferior à taxa antes do início da lei. Ignorando os resultados negativos de experiências semelhantes realizadas na Inglaterra. A estratégia de fazer cumprir a lei tem que ser mais inteligente do que os twitteiros.8%). José Gomes Temporão. Distrito Federal (-17. E aumentou para 1. Passou de 2. em 2009. Alagoas (17%). em 2007 (ano anterior à lei Seca). Bahia (-6. disse o ministro da Saúde. Já sobre a questão dos custos o Rio gasta R$ 4 milhões na operação Lei Seca por ano -.5%).5%). Bahia (-8. previdência e reabilitação.1%).

e nas escolas ver-se-ão induzidos a exercer atividade sexual prematuramente. atrasar as relações sexuais. Segundo a Dra.aos impulsos hormonais nascentes. declarou um pai entrevistado sobre o assunto. Lazer. cuja utilização cresceu vertiginosamente. É o tipo de prática escolar que não quero para meus filhos. ou seja. por adultos que apelam ( exploram ? ) ." E conclui: "Os Adolescentes brasileiros necessitam de Professores. 185 mil crianças não-nascidas foram assassinadas por métodos cirúrgicos. Alimentação.". fruto do respeito ao próprio corpo e ao corpo do outro. Por isso afirma-se que a atividade sexual está muito distante de ser apropriada para adolescentes. Segundo informações do British Medical Journal . Mannoun diz que os jovens "nos procuram ansiosos por aprender a dizer não. no Reino Unido aumentou o número de abortos cirúrgicos e casos de curetagem por aborto nos últimos 3 anos.Países que tentaram estratégias semelhantes tiveram resultados desastrosos e opostos aos esperados. pedagoga em orientação educacional e habilitada em Orientação Familiar e que trabalha com Medicina do Adolescente no Hospital Getúlio Vargas Filho em Niterói. "Na prática isso só incentiva as relações entre os jovens. conseguiuse diminuir notavelmente os casos de gravidez entre adolescentes. Em vários programas americanos de educação sexual que orientam a esperar pelo casamento. Informação sem integração num sistema de valores não é educação. Máquinas de camisinhas x escolas . nem é justo que o imposto que eu pago seja usado dessa forma. Mannoun Chimelli. Nos EUA é freqüente encontrar artigos nos meios médicos animando os profissionais da saúde a recomendar a abstinência sexual aos adolescentes e informando-os acerca de como se pode viver a abstinência. e não é justo que lhes seja imposto um caminho de negação da verdadeira e saudável sexualidade. e sabem . período em que se facilitou em grande medida aos jovens o acesso e informação sobre os métodos de contracepção. Tal atitude dirigida a seres humanos que estão se abrindo à vida. Esportes. sem que lhes sejam oferecidas todas as opções existentes. a Dra. na Inglaterra os casos de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis aumentaram significativamente nos últimos anos entre adolescentes de 16 a 17 anos.desde que lhes seja facultado . mas as estatísticas indicam que quanto mais preservativos distribuídos. Com grande experiência no assunto. maior o número de gravidez. é no mínimo. que gostam de ser exigidos. Preservativos são a negação de valores maiores. Durante o ano 2000. Família. "o projeto não leva em conta as capacidades e características dos Adolescentes." Apesar do estímulo ao uso de preservativos entre adolescentes e de grandes campanhas para divulgar a pílula abortiva do dia seguinte. Parece contraditório. atentar à dignidade e aos direitos humanos.escolher o melhor para si e para os demais." Estudo do Departamento de Saúde de Londres mostra que as adolescentes que iniciam as suas relações sexuais antes dos 16 anos têm três vezes mais possibilidades de ficarem grávidas do que as que esperam mais tempo.

O custo unitário de fabricação da máquina pode variar de R$ 600 a R$ 900. Cada escola vai decidir onde vai instalar a sua máquina. . 15 mil escolas de ensino médio distribuíram preservativos naquele ano e depois disso cresceu o número de escolas públicas cadastradas no programa e que recebem uma cota mensal de preservativos para serem distribuídos entre os alunos. Graziele não concorda que o aluno digite o número da matrícula numa máquina e receba um punhado de preservativos e não saiba nem usar. que deu base à iniciativa. a favor da construção do conhecimento e da prevenção da sexualidade dos jovens”. frisa lembrando que a melhor forma de prevenção é a orientação. a imprensa noticiou que há quatro anos o Governo busca por parceiros para a produção de dois modelos de equipamento de distribuição de camisinhas para instalação em escolas públicas do país. sim. É muito questionável”. mas só o primeiro já foi oferecido ao mercado. Somos. Tem de haver orientação. coordenadora do programa de doenças sexuais de Santa Catarina. apresentado pelo ministério em 2008. mas diz que há que se ter um processo cultural de prevenção: “Penso que se for implantada a máquina de distribuição de preservativos nas escolas não basta.Em relação à produção de camisinhas em escala industrial. Contudo. Hoje. é que até 40 máquinas comecem a funcionar ainda neste ano. Fátima Ogliari. CONTESTAÇÃO: Graziele de Oliveira. é radicalmente contra a máquina de distribuição de preservativos nas escolas: “Enquanto educadores não podemos concordar com esta máquina. a responsável da Gerência Regional de Educação e Informação (Gerei). mesmo sem a imediata instalação das máquinas de preservativos. A proposta é de que nestas máquinas os adolescentes possam digitar uma senha e retirar o seu preservativo. “Poderia até uma criança pegar a matrícula do irmão adolescente e se apropriar dos preservativos. A construção e a implantação de “máquinas de camisinhas” em escolas fazem parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas. do Ministério da Saúde e segundo a diretora do Programa de DST/Aids. embora os técnicos do Ministério da Saúde reconheçam que há dificuldades em se associar a um fabricante e muita resistência de alguns setores da sociedade. Também no Estado de Santa Catarina. foi revisto e finalizado no início do mês de julho passado. Os protótipos das máquinas foram desenvolvidos pelos institutos federais da Paraíba e de Santa Catarina. A prevenção faz parte do trabalho curricular das escolas e não justifica a máquina mesmo porque a orientação sobre o corpo humano acontece em várias séries. cada estudante cadastrado recebe cerca de 30 preservativos por mês com a supervisão de professores e conselheiro. Uma das metas do governo é que a taxa de adesão ao programa suba para 35% das escolas. defende o uso do preservativo. como nos banheiros CADASTRAMENTO: Segundo o Censo Escolar de 2005. mas a ideia é que elas fiquem em locais onde os alunos possam retirar sua camisinha com discrição. Mariângela Simão. o objetivo do projeto é ampliar o acesso gratuito do jovem aos preservativos como forma de prevenir gravidez não planejada e doenças sexualmente transmissíveis (DST). a expectativa do Programa Nacional de DST/Aids responsável pela iniciativa. O outro.

professores. POSIÇÃO: Nesses termos. uma aluna perguntou o que havia de errado em "do you want that I go?" Do ponto de vista sintático. por que a mudança de comportamento dos alunos tem que passar pela distribuição de camisinhas nas escolas? Em sã consciência. De outro lado temos que nos mobilizar e impedir que o Ministério da Saúde delibere sozinho em assuntos tão graves e pertinentes à vida e ao futuro de nossos filhos e de nossos netos. mesmo porque a proposta é usar o preservativo fora dos muros dos estabelecimentos de ensino. As escolas não estão preparadas para este passo. Sem dúvida. discutir a prevenção da gravidez na adolescência. Observe que a forma a que a aluna se referia é uma construção típica . e o passo seguinte seria perguntar agora: onde eles fariam uso destas camisinhas? Nos corredores? Isso facilita o estudante a querer isso. sexual. podendo estar banalizando o ato sexual em si. Afinal. a começar pela questão da instalação das máquinas de preservativos nas escolas. outra coisa é distribuir camisinhas. não há erros na construção. essa é uma tarefa que não compete às escolas. também. dizemos "do you want me to go?". No entanto. Então. quando se quer dizer em inglês "você quer que eu vá?". somos cidadãos conscientes e responsáveis e como tal gostaríamos de ser tratados! 23) O processo eficaz da comunicação em situações específicas Uso da língua em situações de interação social Celina Bruniera* Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação Uma vez. incluindo pais. legisladores e autoridades em geral têm a obrigação de exigir do governo a promoção de um debate nacional para a construção de uma política pública relativa à educação/saúde. De modo algum não podemos nos omitir e permanecer pelos cantos em atitude isolada de indignação ou de pura constatação. conselhos escolares.A psicopedagoga Albertina Chraim do Rio de Janeiro endossa as duas opiniões anteriores: “Eu sou completamente contra a instalação de máquinas de camisinhas nos colégios. a utilização de máquinas de distribuição de preservativos nas escolas não passa de uma atitude deseducadora que não só não resolve os problemas da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis como desvirtua os reais valores da educação. incitando essas crianças a uma vida precoce. os guardiões da educação de qualidade. que mudança de comportamento o governo federal espera a partir dessa atitude? Uma coisa é a necessidade de a escola trabalhar a sexualidade e procurar melhorar a autoestima dos jovens e.” POLÊMICA: Conforme se pode observar. e tornar a escola conivente com os desvios de comportamento vigente na sociedade.

Ao longo de nossas vidas. em situações de interação social em que as pessoas fazem um determinado uso da língua. Veja que a adequação lingüística depende não apenas do uso gramaticalmente correto da língua. Uso social Ao lermos ou produzirmos um texto (seja em língua materna ou em língua estrangeira) é importante considerar que o texto lido. o uso que fazemos da linguagem é mediado pelas relações sociais. Aprendemos que em cada situação particular devemos buscar uma adequação do discurso e que. Isso quer dizer que conhecer palavras e expressões em inglês (ou em qualquer outra língua) não significa se aproximar do uso efetivo dessa língua. O caráter social das práticas de linguagem revela que estas estão em constante reelaboração. ela foi capaz de usar palavras e expressões para compor um enunciado correto. mas que não é comum entre os falantes da língua inglesa. teria alguma dificuldade para estabelecer a interlocução. escrito ou elaborado oralmente está ancorado em práticas de linguagem historicamente construídas. presenciamos interações sociais ou interagimos em diversas situações em que a linguagem se caracteriza como elemento mediador. É por isso que uma pessoa que fizesse uso da língua portuguesa hoje como esta era usada por volta de 1930. A reflexão a respeito desse uso é fundamental quando aprendemos . mais ou menos. Como a aluna tem algum domínio do inglês. na medida em que os homens reatribuem sentido a práticas de linguagem aprendidas ao longo de sua história e na medida em que o modo como os homens produzem suas próprias vidas também se modifica no decorrer do tempo. como se ela estivesse se comunicando por meio de uma língua estrangeira. aportando novos veículos de comunicação. Seria. sobretudo do uso feito pelos povos que a têm como língua materna. Ou seja.da língua portuguesa. novos gêneros textuais ou novas modalidades de textos de gêneros já conhecidos. A língua de hoje É por isso que não falamos mais o português falado no início do século passado. portanto. mas de como as pessoas fazem uso dessa língua nas diversas situações de produção discursiva.

quando rimos de um caipira que fala “Nóis fizemu um bolo procê”. cada região do país tem sua maneira de usar a língua. Ninguém vai à praia num dia de sol usando terno. os gêneros textuais se constituem em um elemento significativo. Cada comunidade tem sua própria forma de se expressar. Um gaúcho fala diferente do mineiro. estamos agindo com preconceito. não é possível falar em práticas de linguagem sem uma análise sistemática e aprofundada dos gêneros textuais. desde que saibamos usá-los de acordo com as convenções sociais. Através deles nos aproximamos do uso que as pessoas fazem dessa língua. Com a linguagem acontece o mesmo. social e cultural em que determinadas práticas de linguagem têm origem ou se dão. gravata e vestido longo e só você está de jeans e camiseta. Por isso. sobretudo de uma língua estrangeira. que fala diferente do pernambucano. que fala diferente do paulista. Pense nisso quando estiver estudando inglês. Temos vários estilos de linguagem . conhecer a estrutura comunicativa do texto em questão. Usar a língua é como usar roupas. Imagine você chegando a uma festa em que todos estão usando terno. porque julgamos nossa forma de falar superior a do outro.inglês. canga ou sunga e chinelos. Em síntese. Isso porque os textos não revelam apenas a língua que se fala ou que se escreve. Portanto. como deve. Assim como ninguém vai para uma entrevista de emprego de biquíni.variantes lingüísticas . buscar regularidades em relação a outros textos de um mesmo gênero e reconhecer traços da posição enunciativa do seu autor. podemos nos aproximar dos conteúdos veiculados por ele. Se pensarmos em nível nacional. Seria o “mico” do ano. todas são igualmente importantes e representativas da cultura das comunidades que as falam. o preconceito lingüístico.e nada é errado. Há muito tempo se discute o que é certo e o que é errado com relação aos usos da linguagem. Portanto cada povo não só pode. mas o contexto histórico. pois essa fala nos representa. a necessidade de entrarmos em contato com textos originais. E é por esse motivo que ler e produzir textos (orais e escritos) se constituem em atividades riquíssimas para a ampliação do conhecimento de uma língua. tudo é permitido desde que sejam respeitadas as convenções necessárias. já que as práticas de linguagem se materializam num gênero determinado. gravata ou salto alto e vestido de noite. Não há uma variante melhor que a outra. A partir de um gênero e de suas características. preservar sua forma de se comunicar dentro de sua comunidade. Gêneros textuais Nas situações de produção discursiva. A essas diferenças chamamos variantes lingüísticas. sejam eles orais ou escritos. . ela é parte determinante do que somos. e assim por diante.

Ninguém consegue um bom emprego se escrever um currículo cheio de abreviações e erros ortográficos. ou texto profissional ou escolar. que é diferente de um bate-papo no MSN e assim por diante. Muitos de nós nos assustaríamos com esse texto. O profissional pode ser o melhor especialista da área. . Temos os vários ambientes de escrita e cada um deles é diferente do outro. “naum”. que é diferente de um bilhete. linguagem criada para facilitar os diálogos.Com a língua escrita a coisa não é muito diferente. tanto na língua falada. deve respeitar as regras exigidas por essa variante para que todos se entendam. pois demonstra um péssimo conhecimento lingüístico. mas dificilmente irá conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. para agilizar as conversas. Não é problema algum as pessoas se utilizarem de expressões como. É importante que conheçamos a língua padrão para que possamos nos comunicar com todos e mostrarmos conhecimento e domínio do nosso idioma. entretanto trata-se de uma linguagem regional. Portanto. “kza”. Imagine você abrindo um jornal de circulação nacional e lendo a seguinte manchete: “Menino rouba o cacetinho do padeiro”. devemos respeitar algumas convenções. aquela linguagem que é comum a todos. Um texto jurídico é diferente de um texto acadêmico. Entretanto quando essas pessoas estendem essa linguagem a outros ambientes. fazem uso do internetês. desde que o interlocutor domine a mesma linguagem. como cuidamos do nosso visual. A internet é hoje um dos meios que temos para conhecer as pessoas e suas capacidades. como na escrita. quando estão teclando no MSN ou em qualquer outro ambiente de bate-papo. ou seja. como fazer comentários em blogs. Imagine alguém enviar um currículo escrito “Ispecialista em makinas de flucho”. Nesse caso o que houve foi o uso inadequado da linguagem regional. Através de um texto escrito por alguém no ambiente virtual podemos avaliar sua formação e seus conhecimentos. Existe uma necessidade de nos fazermos entender e para isso devemos respeitar algumas regras. estão cometendo o “pecado” da inadequação lingüística. Um jornal de circulação nacional exige que a notícia seja escrita em língua padrão. Saber transitar por várias variantes lingüísticas e adequá-las ao ambiente correto é uma amostra da capacidade intelectual e também profissional do autor do texto. caso contrário nossos textos se tornarão o “mico da net”. em qualquer outro site da internet. Na internet é muito comum ocorrem erros assim. “vc”. Por isso devemos cuidar da nossa linguagem. para algumas comunidades cacetinho é pão. Um texto que pode ser lido por milhões de pessoas deve ser escrito na língua padrão. escrever textos em blogs. O uso de uma variante lingüística qualquer dentro de um ambiente que requer o uso da variante padrão pode ocasionar problemas de comunicação. Pessoas acostumadas a usar os chats.

seus resultados apresentarão um retrato completo da população brasileira. Aqui estão alguns exemplos da importância dos números divulgados pelo censo.24)Importância do censo para o desenvolvimento do Brasil A importância do censo A participação no censo é de interesse geral. Governos estaduais. bancos e escritórios . hospitais e estradas precisam de recursos financeiros federais. a empresa estadunidense de tecnologia desenvolveu. uma vez que as informações nos formulários são usadas para definir que comunidades. fornecendo informações que pautarão o planejamento público e privado nos próximos dez anos. escolas. desenvolvimento de moradia e da comunidade. shopping centers. entre outros. A história revela fatos menos nobres ligados ao censo no mundo. Organizações comunitárias usam as informações para desenvolver programas sociais. Segundo o livro A IBM e o holocausto. entre outros projetos. máquinas e . assistência médica para idosos e treinamento profissional. Considerado pelo próprio IBGE (responsável pelas pesquisas) como o maior censo de todos os tempos. novas estradas e pontes. bibliotecas e outros edifícios públicos. cinemas.atividades que geram novos empregos. • • • • • O governo federal usa os números divulgados pelo censo para distribuir mais de US$100 bilhões em verbas federais anualmente. ao mesmo tempo. O que é o censo? Para que serve? O que muda na vida de cada cidadão? São algumas das questões que surgem ao nos depararmos com as notícias que confirmam a realização do XII Censo Demográfico brasileiro a partir de agosto de 2010. no início do século XX. locais e de tribos usam as informações divulgadas pelo censo para planejar e distribuir verbas para construção de novas escolas. merenda para a terceira idade e creches. como programas educacionais. Empresas usam os números para decidir onde instalar fábricas. sistemas de segurança nas estradas e de transporte público. projetos comunitários. condições étnicas e culturais da população. locais para delegacias e bombeiros. Além disso. • O censo pode revelar. além de características socioeconômicas. Estados usam os números para distribuir assentos nas assembléias legislativas. para programas e serviços comunitários. trazendo a conhecimento as características socioeconômicas e. O Congresso Americano usa os números totais divulgados pelo censo para determinar quantos assentos determinado Estado deve possuir na Câmara dos Deputados.

básico e de amostra . Foto: IBGE. que poderá ser confirmado no site oficial do Censo 2010. As informações coletadas servem como base aos governantes e responsáveis políticos na tomada de decisões sobre a legislação e para desenvolver e promover programas de combate à miséria. que serão reconhecidos pelos seus coletes azuis e bonés com a logo do Censo 2010 do IBGE. A iniciativa privada tem interesse claro nos levantamentos censitários.565 municípios que compõem o território brasileiro terão aproximadamente 58 milhões de domicílios visitados pelos agentes recenseadores. facilitando o genocídio com notável precisão. secretário-geral da ONU. Computador de mão desenvolvido especialmente para o Censo 2010. a importância da pesquisa censitária está nas informações geradas após um recenseamento populacional por meio do qual os dados levantados tornam-se ferramentas indispensáveis para conhecer. que servirão como base para planejar políticas igualitárias para as gerações presentes e futuras. Identificação dos recenseadores. Responder aos questionários . aos seus hábitos de consumo. pois possibilitam elaborar estratégias de marketing direcionadas ao poder aquisitivo da população. pela análise de informações. o processo envolverá cerca de 240 mil pessoas em todo o País. 2010 . garantindo a possibilidade de mudanças positivas na vida da população brasileira. entre outros. as regiões marginalizadas e. todos só terão a ganhar… Os governantes e a sociedade poderão agir com maior eficiência. Para que o Censo 2010 tenha o máximo de sucesso e. entre outros dados obtidos. planejando e avaliando melhor as necessidades socioeconômicas do País. pela logística. diagnosticará minuciosamente quem somos. garantindo informações fidedignas durante todo o processo. ajudar a desenvolver políticas públicas que permitam melhorias na qualidade de vida das pessoas. principalmente. Os 5. por meio de recenseamentos na Alemanha. Para Ban Ki-moon. pessoas de origem judaica. além da utilização de 220 mil computadores de mão equipados com receptores de GPS.ano em que serão realizados censos em pelo menos 60 países .de maneira correta (e completa) é dever e direito de cada cidadão. Foto: IBGE. Por outro lado. O Brasil… Segundo o IBGE. Para isso. por exemplo. será necessária a participação de todos. o Censo 2010 será um retrato de corpo inteiro do País. à mortalidade infantil e à discriminação. ou seja.será marcado pela possibilidade de melhoria na governança de vários países por meio do acesso às informações de qualidade. à sua idade. quantos somos e como e onde vivemos. • • • • • • .• • • • softwares que permitiram aos nazistas identificar. pelo processamento. Lembre-se: com informações atualizadas e precisas. além do crachá com identificação e número de matrícula do recenseador. represente a realidade brasileira. desde responsáveis pelo levantamento de dados (pesquisas). os segmentos mais vulneráveis da população. pelo menos em teoria. ao analfabetismo. revelando o perfil da população e as características de seus domicílios. até especialistas.

o rádio. mas podem estar conectados. a televisão. semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou a distância) e educação a distância (ou virtual). principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de . mas podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação. A educação a distância pode ter ou não momentos presenciais. Hoje temos a educação presencial. através de tecnologias. ampliando-a com novas informações e relações. embora nenhuma das expressões seja perfeitamente adequada. A presencial é a dos cursos regulares. médio. superior e na pós-graduação. mediado por tecnologias. o telefone. o CD-ROM. de aprender em serviço. juntando teoria e prática. onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. como a Internet. fisicamente. refletindo sobre a própria experiência. o fax e tecnologias semelhantes. mas acontece fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço e ou no tempo. principalmente as telemáticas. que se dá no processo de formação constante. Mas também podem ser utilizados o correio. Preferimos a palavra "educação" que é mais abrangente. interligados por tecnologias. em qualquer nível. de aprender sempre. onde professores e alunos se encontram sempre num local físico. Na expressão "ensino a distância" a ênfase é dada ao papel do professor (como alguém que ensina a distância).25) Educação a distância Educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem. É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos. É mais adequado para a educação de adultos. Outro conceito importante é o de educação contínua ou continuada. A educação a distância pode ser feita nos mesmos níveis que o ensino regular. A semi-presencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância. o vídeo. chamado sala de aula. É o ensino convencional. No ensino fundamental.

As tecnologias interativas. criar listas de discussão e alimentar continuamente os debates e pesquisas com textos. superará o presencial. um professor de fora "entrando" com sua imagem e voz. não podem prescindir do contato físico. sobretudo. Edifícios menores. lugares importantes de aprendizagem. Há uma possibilidade cada vez mais acentuada de estarmos todos presentes em muitos tempos e espaços diferentes. o que deveria ser o cerne de qualquer processo de educação: a interação e a interlocução entre todos os que estão envolvidos nesse processo. Hoje. um animador. redes de alta velocidade) o conceito de presencialidade também se altera. esse tempo e esse espaço. serão flexíveis. Haverá. vêm evidenciando. Poderemos ter professores externos compartilhando determinadas aulas. O conceito de curso. salas de pesquisa. . um incentivador dos alunos na instigante aventura do conhecimento. Esse é o modelo atual predominante no Brasil. videoconferência. então.. de encontro. A casa e o escritório serão. Menos salas de aula e mais salas ambiente. pela especificidade de suas necessidades de desenvolvimento e socialização. Mas nos cursos médios e superiores. possibilitando que cada professor colabore. Mas. também. um intercâmbio maior de saberes. assim. Há modelos exclusivos de instituições de educação a distância. como a Open University da Inglaterra ou a Universidade Nacional a Distância da Espanha. uma grande reorganização das escolas. com seus conhecimentos específicos. muitas vezes a distância. até mesmo fora do horário específico da aula. o papel do professor vem sendo redimensionado e cada vez mais ele se torna um supervisor. entendendo "aula" como pesquisa e intercâmbio. Nesse processo. que só oferecem programas nessa modalidade. telecomunicações. páginas da Internet. tanto professores quanto alunos estarão motivados.aprendizagem individual e de pesquisa. provavelmente. o virtual. cada vez mais. Assim. na educação a distância. A maior parte das instituições que oferecem cursos a distância também o fazem no ensino presencial. O professor continuará "dando aula". interconectadas. da interação. como acontece no ensino de pós-graduação e também no de graduação. Na medida em que avançam as tecnologias de comunicação virtual (que conectam pessoas que estão distantes fisicamente como a Internet. Haverá.. na aula de outro professor. ainda entendemos por aula um espaço e um tempo determinados. no processo de construção do conhecimento. e enriquecerá esse processo com as possibilidades que as tecnologias interativas proporcionam: para receber e responder mensagens dos alunos. de aula também muda. As crianças.

rotinas. Muitas organizações estão se limitando a transpor para o virtual adaptações do ensino presencial (aula multiplicada ou disponibilizada). Estamos numa fase de transição na educação a distância. provas. e em outros será importante compartilhar vivências. já é perceptível que começamos a passar dos modelos predominantemente individuais para os grupais na educação a distância. trocar experiências. intercalando períodos de pesquisa individual com outros de pesquisa e comunicação conjunta. como acontece na TV a cabo. a televisão e o rádio. como o jornal. que seria difícil contratar. Com o alargamento da banda de transmissão. Alguns cursos poderemos fazê-los sozinhos. Apesar disso. e-mail) e alguma interação on-line (pessoas conectadas ao mesmo tempo. Cada vez será mais fácil fazer integrações mais profundas entre TV e WEB (a parte da Internet que nos permite navegar. vão combinar cursos presenciais com virtuais. Da comunicação off-line estamos evoluindo para um mix de comunicação off e on-line (em tempo real).. as práticas educativas. em lugares diferentes). Nessa perspectiva. uma parte dos cursos presenciais será feita virtualmente.de forma presencial e virtual. para transmissão em tempo real de som e imagem (tecnologias streaming. cada vez mais. Muitos cursos poderão ser realizados a distância com som e . torna-se mais fácil poder ver-nos e ouvir-nos a distância. das necessidades concretas do currículo ou para aproveitar melhor especialistas de outras instituições. idéias. ou seja. esclarecer dúvidas e inferir resultados. experiências. o telespectador começa a poder acessar simultaneamente às informações que achar interessantes sobre o programa. que permitem ver o professor numa tela. acompanhar o resumo do que fala e fazer perguntas ou comentários). uma parte dos cursos a distância será feita de forma presencial ou virtual-presencial. Enquanto assiste a determinado programa. acessando o site da programadora na Internet ou outros bancos de dados. com a orientação virtual de um tutor. Há um predomínio de interação virtual fria (formulários. caminhamos para mídias mais interativas e mesmo os meios de comunicação tradicionais buscam novas formas de interação. A Internet está caminhando para ser audiovisual. Das mídias unidirecionais. vendo-nos e ouvindo-nos. Educação a distância não é um "fast-food" em que o aluno se serve de algo pronto. é possível avançar rapidamente. Isso dependerá da área de conhecimento.. As possibilidades educacionais que se abrem são fantásticas. De agora em diante. É uma prática que permite um equilíbrio entre as necessidades e habilidades individuais e as do grupo .Poderemos também oferecer cursos predominantemente presenciais e outros predominantemente virtuais.). fazer pesquisas.

Esta modalidade de ensino surgiu no Brasil em 1950 com os chamados cursos por correspondencias Depois na decada de 90 com a ascenção da internet surgiiu o ensino via internet e hoje em dia com a ascenção de tecnologias como banda larga entre outras surgiu então as chamadas plataformas de Ead que são sistemas onde se ministram aulas totalmente via Internet ou com apoio de Polos em caso de cursos semi-presenciais. Alguns estão preparados para a mudança. Outras oferecerão cursos de qualidade. com foco na aprendizagem e com um mix de uso de tecnologias: ora com momentos presenciais. Teremos aulas a distância com possibilidade de interação on-line (ao vivo) e aulas presenciais com interação a distância. O processo de mudança na educação a distância não é uniforme nem fácil. diferentes formas de avaliação. ora de ensino on-line (pessoas conectadas ao mesmo tempo. adaptação ao ritmo pessoal. de extensão. principalmente cursos de atualização. integrando tecnologias e propostas pedagógicas inovadoras. em todos os níveis e modalidades educacionais. em lugares diferentes). de acesso. interação grupal. As possibilidades de interação serão diretamente proporcionais ao número de pessoas envolvidas. Semi-presenciais:que são cursos onde o aluno tem que frenquentar aulas na unidade uma vez por semana na sua maioria são cursos técnicos e faculdades e alguns cursos profissionalizantes de base regulados por ogãos regulatórios. Algumas organizações e cursos oferecerão tecnologias avançadas dentro de uma visão conservadora (só visando o lucro. de maturidade. governos.imagem. que podem democratizar o acesso à informação. atitudinais) das organizações. . E a maioria não tem acesso a esses recursos tecnológicos. outros muitos não. dos profissionais e da sociedade. Iremos mudando aos poucos. Por isso. à informação significativa e à mediação de professores efetivamente preparados para a sua utilização inovadora. Há uma grande desigualdade econômica. Então temos nos dia de hoje as seguintes modalidades de Ead: Online:Que são cursos ministrados totalmente via internet na sua maioria são cursos livres de atualização ou mesmo profissionalização de nivel basico. multiplicando o número de alunos com poucos professores). que poderá também ser mais personalizada e a partir de níveis diferenciados de visão pedagógica. de motivação das pessoas. é da maior relevância possibilitar a todos o acesso às tecnologias. É difícil mudar padrões adquiridos (gerenciais.

audioconferencias entre outros como ferramentas de apoio para o desenvolvimento de cursos regulares.CREA entre outros que prevem algumas normas regulatórias para este tipo de curso. Alem da possibilidade de se desenvolver cursos em Ead tambem existe a possibilidade de se desenvolver ferramentas usando as próprias plataformas de Ead como video. Bom mas surge outra pergunta Quais os beneficios e quais as perdas de se ministrar ou fazer um curso de Ead? Um curso tem como principal beneficio a redução de custo e flexibilidade de horarios para o aluno no caso de um professor tem a vantagem na questão do ensino ser mais flexivel.Mas ai vem a pergunta quais os aspectos legais de se fazer um curso Ead? No caso dos chamados cursos livres nenhum deles dependem de autorização do mec para funcionamento e no caso a Legislação da total amparo legal a todos os cursos livres e de profissionalização basica no caso de cursos de profissionalização basica em alguns casos e preciso seguir a determinações dos chamados orgãos de classe como o COREN. No caso dos chamados cursos semi-presenciais estes tem que ser autorizados pelo MEC com execeção de cursos profissionalizantes livres para terem amparo legal. No caso de professor seria a falta de conhecimento mais aprofundado do aluno. Mas de outro lado traz ao aluno e ao professor um novo conceito de aprendizagem que permite um aprofundamento maior tanto do aluno que ira aprender como do professor que ira ensinar nos conteudos ministrados. Mas o ead tem se mostrado como uma ferramenta de inclusão social de pessoas que antes não podiam pagar por uma faculdade ou um curso profissionalizante e graças a esta tecnologia estão conseguindo fazer uma faculdade. . No caso as perdas principais para o aluno seria a falta de contato senão parcial total e de convivio social com outros alunos.

26) Existe desenvolvimento econômico e social sem educação? .

Os recursos deste fundo serão rateados entre o estado e seus municípios. foram estabelecidas prioridades que contemplam as necessidades da maioria da população. O problema. na própria Constituição.00/ano. pelo menos. um dos pontos mais graves a serem enfrentados por uma política responsável. A Proposta de Emenda Constitucional que o Governo encaminhou ao Congresso institui um fundo contábil no âmbito de cada estado. para que o país possa desenvolver-se de forma mais rápida e reduzir os desequilíbrios sociais. de acordo com a quantidade de alunos matriculados nas respectivas redes de ensino de 1º grau. no ensino fundamental e na erradicação do analfabetismo.EDUCAÇÃO A questão da educação básica constitui. composto por 15% da receita de impostos do estado e de todos os seus municípios. uma vez que depende da ação autônoma de estados e municípios. é imprescindível aumentar o aporte de recursos públicos à educação fundamental e valorizar os docentes. sendo a metade. as responsabilidades dos estados e municípios. bem como garantir uma distribuição mais equitativa dos recursos disponíveis. . entretanto. entre os quais existem enormes diferenças. cada estado e cada município deve aplicar em educação um mínimo de 25% de suas receitas de impostos. Quando este rateio importar um gasto médio por aluno inferior a R$ 300. hoje. Por isso. Atualmente. é preciso definir com mais clareza. não é de fácil solução. Ante as enormes deficiências do sistema educacional. a União aportará ao fundo estadual recursos suficientes para que este patamar seja atingido. Para melhorar a qualidade do ensino.

b) Valorização do professor. nas regiões mais pobres do país. de forma gradual. assegurando um investimento mínimo por aluno. • garantia pelo Governo Federal de um gasto mínimo por aluno (quando a redistribuição dos recursos não atingir pelo menos R$ 300. Deste plano derivam os projetos: 1. • redistribuição dos recursos do fundo entre o Estado e seus municípios. apoiar os sistemas de ensino na reorganização dos estatutos.1 Criação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Professor • Objetivos a) Fundo de desenvolvimento do ensino fundamental com quatro aspectos básicos: vinculação de 15% de toda a arrecadação de estados e municípios ao ensino fundamental. • 1. • implementar novo plano de carreira e salários. sobretudo.1 Plano de Valorização do Ensino Fundamental e do Magistério • Objetivos Adoção de políticas voltadas para a melhoria da qualidade do ensino fundamental e a valorização do magistério.2 Educação à Distância: TV Escola e Treinamento de Professor . • vinculação de 60% desses recursos ao pagamento do professor em efetivo exercício em sala de aula. beneficiando.00 por ano). de acordo com o número de alunos na rede de 1º grau. as regiões mais pobres do país e permitindo. mediante a criação de um fundo contábil.1. por meio da redistribuição e equidade que tomam o gasto aluno/ano como referência. o aumento da remuneração dos professores.1. 1.Esta medida complementa-se com a vinculação de 60% destes recursos ao pagamento do salário dos professores em efetivo exercício em sala de aula no 1º grau. no âmbito de cada unidade da federação. • Com esse projeto assegura-se uma vinculação permanente de cerca de R$ 12 bilhões por ano ao ensino fundamental. o que permitirá a superação de situações de verdadeira indigência salarial dos docentes.

provenientes do FNDE. Em 1996: Equipar 46 mil escolas públicas com Kit tecnológico (TV.1. 1.• Objetivos Melhorar a formação dos professores da rede pública de ensino e fornecer ferramentas para maior qualificação do conteúdo das aulas por meio da montagem de uma rede televisiva de educação.1.4 Programa de Repasse de Recursos para a Manutenção das Escolas Públicas do Ensino Fundamental • Objetivos Transferir recursos diretamente para as escolas das redes estaduais e municipais para despesas de manutenção da escola. • Metas físicas Atender 180. aquisição de material didático e pedagógico. 1. vídeo e antena parabólica). • Metas físicas Em 1996: Treinar 1 milhão de professores atingindo 23 milhões de alunos.1 milhões de livros até o início do ano letivo de 1997. .3 Programa Nacional do Livro Didático . para a aquisição dos equipamentos.000 escolas.PNLD • Objetivos Atender aproximadamente 30 milhões de alunos. • Metas físicas Entregar 99. Beneficiar 27 milhões de alunos. garantindo a distribuição de livros de 1ª a 8ª série. • Recursos Em 1996: R$ 292 milhões. • Recursos R$ 250 milhões. • Recursos R$ 71 milhões.

.1. municípios. por meio da mobilização de estados.6 Definição dos Conteúdos Curriculares Nacionais de 1ª a 4ª série • Objetivos Introdução de parâmetros curriculares nacionais. • Metas físicas Em 1996: avaliação de 200 mil alunos do ensino básico e 66 mil alunos dos cursos de graduação e nível superior. otimizando a utilização da infra-estrutura existente para atender à diversidade de demanda de trabalhadores e empregadores.1. em 5 anos. num processo de educação tecnológica. incluindo cursos de curta duração e cursos especiais. associação de pais e professores. 1.2 Alfabetização para Todos • Objetivos Alfabetização de jovens e adultos entre 14 e 55 anos. as vagas de 139 mil para 604 mil no ensino técnico público.5 Avaliação Educacional • Objetivos Desenvolver instrumentos que possam monitorar a qualidade. que visam a estabelecer uma política de ensino e a reestruturação de propostas educacionais que preservem as especificidades locais. etc. bem como subsidiar a formulação de políticas públicas. equidade e eficiência da educação brasileira. 1. • Metas físicas Ampliar. ONGs e iniciativa privada com o intuito de estimular a criação de Programas de Alfabetização Descentralizados.3 Democratização e Expansão do Ensino Profissional • Objetivos Incrementar a oferta de oportunidades de educação. em 1996.OBS: Tais recursos são calculados de acordo com o número de alunos matriculados e devem ser aplicados pela própria direção da escola. 1. 1. • Recursos R$ 36 milhões.

200 centros de educação profissional por meio das escolas profissionalizantes existentes. lazer e recreação. • Recursos R$ 1 bilhão a partir de 1997. instituições públicas e privadas. R$ 200 milhões do FAT e R$ 200 milhões do MEC. por meio de linha de crédito destinada a financiar ações de organizações sem fins lucrativos que queiram desenvolver programas de combate à miséria em favor das crianças. sendo R$ 600 milhões provenientes de negociação com o BID. Ampliar o Telecurso 2000 Profissionalizante de 110 Telecursos com 3. 1.330 aluno em 1996 para 920 Telecursos com 110.4 Esporte Solidário • Objetivos Incentivar a prática do esporte. 1. em 5 anos. entidades. em negociação junto ao BID. atendendo 400 crianças/pólo (120. 1. • Recursos R$ 12 milhões. especialmente àquelas em situação de risco.Criar. de combate ao analfabetismo e de ajuda para aquisição e construção de moradias populares.000 crianças atendidas). • Recursos R$ 150 milhões para o período de 3 anos.5 Parceria com a Sociedade Civil • Objetivos Apoio às parcerias com a sociedade civil. 27) Obesidade O que é? . em 1996. integradas a outras formas de atendimento pessoal e social de crianças e adolescentes em estado de carência.400 alunos em 1998. em parceria com outros órgãos. • Metas físicas Em 1996: instalação de 300 pólos.

além de doença varicosa superficial e profunda (varizes) com úlceras de repetição e erisipela. que exige um peso corporal até menor do que o aceitável como normal. com diversos fatores. Assim. demonstrando cada vez mais que essa situação se associa. O gasto energético. cultural e educativo e o seu ambiente individual e familiar. O aumento da ingesta pode ser decorrente da quantidade de alimentos ingeridos ou de modificações de sua qualidade. Assim. por sua vez. ambientais e comportamentais. especialmente em sua saúde e nutrição. podendo ser algumas vezes graves. o paciente apresenta importantes limitações estéticas. Como se desenvolve ou se adquire? Nas diversas etapas do seu desenvolvimento. Além disso. o ambiente sócioeconômico. resultando numa ingesta calórica total aumentada. A obesidade é o resultado de diversas dessas interações. sobrecarregam sua coluna e membros inferiores. ou seja. bem como determinadas mudanças sociais estimulam o aumento de peso em todo um grupo de pessoas. Recentemente. o organismo humano é o resultado de diferentes interações entre o seu patrimônio genético (herdado de seus pais e familiares). joelhos e tornozelos. O que se sente? O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos. apresentando a longo prazo degenerações (artroses) de articulações da coluna. o ganho de peso está sempre associado a um aumento da ingesta alimentar e a uma redução do gasto energético correspondente a essa ingesta. salvo quando atinge valores extremos. Pacientes obesos apresentam limitações de movimento. filhos com ambos os pais obesos apresentam alto risco de obesidade. na maioria das vezes.Denomina-se obesidade uma enfermidade caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Independente da importância dessas diversas causas. uma determinada pessoa apresenta diversas características peculiares que a distinguem. vem se acrescentando uma série de conhecimentos científicos referentes aos diversos mecanismos pelos quais se ganha peso. que traz prejuízos à saúde do indivíduo. acentuadas pelo padrão atual de beleza. A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios que podem ser: Doenças Hipertensão arterial Doenças cardiovasculares Distúrbios Distúrbios lipídicos Hipercolesterolemia . com diversas complicações. pode estar associado a características genéticas ou ser dependente de uma série de fatores clínicos e endócrinos. tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura. associada a problemas de saúde. quadril. incluindo doenças nas quais a obesidade é decorrente de distúrbios hormonais. Independente da severidade. nas quais chamam a atenção os aspectos genéticos.

9 25 a 29. pacientes obesos apresentam severo risco para uma série de doenças e distúrbios. o que faz com que possamos também estabelecer os limites inferiores e superiores de peso corporal para as diversas alturas conforme a seguinte tabela : Altura (cm) 145 150 155 160 165 170 175 180 Peso Inferior (kg) 38 41 44 47 50 53 56 59 Peso Superior (kg) 52 56 60 64 68 72 77 81 .Doenças cérebro-vasculares Diabetes Mellitus tipo II Câncer Osteoartrite Coledocolitíase Diminuição de HDL ("colesterol bom") Aumento da insulina Intolerância à glicose Distúrbios menstruais/Infertilidade Apnéia do sono Assim. Esse índice é calculado dividindo-se o peso do paciente em kilogramas (Kg) pela sua altura em metros elevada ao quadrado (quadrado de sua altura) (ver ítem Avaliação Corporal.9 35 a 39. Como o médico faz o diagnóstico? A forma mais amplamente recomendada para avaliação do peso corporal em adultos é o IMC (índice de massa corporal). o peso normal. recomendado inclusive pela Organização Mundial da Saúde. no indivíduo adulto.9 40 ou mais Grau de Risco Peso saudável Moderado Alto Muito Alto Extremo Tipo de obesidade Ausente Sobrepeso ( Pré-Obesidade ) Obesidade Grau I Obesidade Grau II Obesidade Grau III ("Mórbida") Conforme pode ser observado. O valor assim obtido estabelece o diagnóstico da obesidade e caracteriza também os riscos associados conforme apresentado a seguir: IMC ( kg/m2) 18 a 24. com mais de 20 anos de idade. varia conforme sua altura. nesse site). o que faz com que tenham uma diminuição muito importante da sua expectativa de vida. principalmente quando são portadores de obesidade mórbida (ver a seguir).9 30 a 34.

que é obtido pela divisão da circunferência da cintura abdominal pela circunferência do quadril do paciente. por definir alguns riscos. em que estão expressos os valores normais de peso e altura para a idade exata do paciente. Essas técnicas são úteis apenas em alguns casos.9 no homem e 0. ou a partir de equipamentos como a Bioimpedância. principalmente ao nível do cotovelo. A simples medida da circunferência abdominal também já é considerado um indicador do risco de complicações da obesidade. fazendo com que o paciente apresente uma forma corporal semelhante a uma pêra. sendo classificada em: Obesidade Difusa ou Generalizada Obesidade Andróide ou Troncular (ou Centrípeta). Na criança e no adolescente. na qual o paciente apresenta uma forma corporal tendendo a maçã. sendo definida de acordo com o sexo do paciente: Homem Mulher Risco Aumentado 94 cm 80 cm Risco Muito Aumentado 102 cm 88 cm A gordura corporal pode ser estimada também a partir da medida de pregas cutâneas. De uma forma geral se aceita que existem riscos metabólicos quando a Relação Cintura-Quadril seja maior do que 0. Está associada a um risco maior de artrose e varizes. é muito importante e por esse motivo fez com que se criasse um índice denominado Relação Cintura-Quadril.185 190 62 65 85 91 A obesidade apresenta ainda algumas características que são importantes para a repercussão de seus riscos. a Tomografia Computadorizada. os critérios diagnósticos dependem da comparação do peso do paciente com curvas padronizadas. a obesidade pode ainda ser classificada conforme a tabela a seguir. na qual a deposição de gordura predomina ao nível do quadril. De acordo com suas causas. o Ultrassom e a Ressonância Magnética.8 na mulher. Essa classificação. nos quais se pretende determinar com mais detalhe a constituição corporal. Está associada com maior deposição de gordura visceral e se relaciona intensamente com alto risco de doenças metabólicas e cardiovasculares (Síndrome Plurimetabólica) Obesidade Ginecóide. Classificação da Obesidade de Acordo com suas Causas: Obesidade por Distúrbio Nutricional . dependendo do segmento corporal no qual há predominância da deposição gordurosa.

de acordo com essa avaliação. o médico deverá proceder a uma avaliação laboratorial mínima. . serão necessários exames específicos para cada uma das situações. creatinina. Se o paciente apresentar "apenas" obesidade. Na eventual presença de hipertensão arterial ou suspeita de doença cardiovascular associada.Dietas ricas em gorduras Dietas de lancherias Obesidade por Inatividade Física Sedentarismo Incapacidade obrigatória Idade avançada Obesidade Secundária a Alterações Endócrinas Síndromes hipotalâmicas Síndrome de Cushing Hipotireoidismo Ovários Policísticos Pseudohipaparatireoidismo Hipogonadismo Déficit de hormônio de crescimento Aumento de insulina e tumores pancreáticos produtores de insulina Obesidades Secundárias Sedentarismo Drogas: psicotrópicos. medroxiprogesterona Cirurgia hipotalâmica Obesidades de Causa Genética Autossômica recessiva Ligada ao cromossomo X Cromossômicas (Prader-Willi) Síndrome de Lawrence-Moon-Biedl Cabe salientar ainda que a avaliação médica do paciente obeso deve incluir uma história e um exame clínico detalhados e. incluindo hemograma. eletrocardiograma. corticóides. deve realizar uma consulta médica no sentido de esclarecer todos os detalhes referentes ao seu diagnóstico e as diversas repercussões do seu distúrbio. A partir das diversas considerações acima apresentadas. poderão ser realizados também exames específicos (Rx de tórax. lítio. triglicerídeos e exame comum de urina. teste ergométrico) que serão úteis principalmente pela perspectiva futura de recomendação de exercício para o paciente. antes de iniciar qualquer medida de tratamento. o médico irá investigar ou não as diversas causas do distúrbio. fenotiazinas. julgamos importante salientar que um paciente obeso. poderá ser identificada também uma situação na qual o excesso de peso apresenta importante componente comportamental. glicemia de jejum. A partir dessa abordagem inicial. ecocardiograma. antidepressivos tricíclicos. ciproheptadina. Assim. podendo ser necessária a avaliação e o tratamento psiquiátrico. ácido úrico. colesterol total e HDL.

o aumento da ação da insulina. melhorando o rendimento do tratamento com dieta. com aproximadamente 50 a 60% de carboidratos. o tratamento deve inicialmente ser dirigido para a causa do distúrbio. acidose e arritmias cardíacas. Exercício É importante considerar que atividade física é qualquer movimento corporal produzido por músculos esqueléticos que resulta em gasto energético e que exercício é uma atividade física planejada e estruturada com o propósito de melhorar ou manter o condicionamento físico. a melhora do perfil de gorduras. a reeducação alimentar é fundamental. uma vez que essas apresentam riscos metabólicos graves. a mais aceita cientificamente é a dieta hipocalórica balanceada.Como se trata? O tratamento da obesidade envolve necessariamente a reeducação alimentar. uma vez que pioram as alterações de gordura do paciente além de aumentarem a deposição de gordura no fígado e outros órgãos. na qual o paciente receberá uma dieta calculada com quantidades calóricas dependentes de sua atividade física. Nessa situação. porém. uma vez que. Dietas somente com alguns alimentos (dieta do abacaxi. em grupo ou familiar). como alterações metabólicas. por apresentarem vários problemas. Nos casos de obesidade secundária a outras doenças. por exemplo) ou somente com líquidos (dieta da água) também não são recomendadas. eventualmente. Dentre as diversas formas de orientação dietética. a orientação dietética é fundamental. Não são recomendadas dietas muito restritas (com menos de 800 calorias. o uso de algumas medicações auxiliares. Dietas com excesso de gordura e proteína também são bastante discutíveis. Reeducação Alimentar Independente do tratamento proposto. Independente desse suporte. através de tratamentos específicos (psicoterapia individual. Entre os diversos efeitos se incluem: a diminuição do apetite. são amplamente conhecidos grupos de reforço emocional que auxiliam as pessoas na perda de peso. Dependendo da situação de cada paciente. . através dela. o aumento da atividade física e. O exercício apresenta uma série de benefícios para o paciente obeso. pode estar indicado o tratamento comportamental envolvendo o psiquiatra. por exemplo). 25 a 30% de gorduras e 15 a 20% de proteínas. sendo os alimentos distribuídos em 5 a 6 refeições por dia. reduziremos a ingesta calórica total e o ganho calórico decorrente. Esse procedimento pode necessitar de suporte emocional ou social.

Esses aspectos somente serão alcançados se estiverem acompanhados de uma mudança geral no estilo de vida do paciente. o tratamento de manutenção deve incluir a permanência da atividade física e de uma alimentação saudável a longo prazo. os laxantes. é importante salientar que o uso de uma série de substâncias não apresenta respaldo científico. No paciente que apresentava obesidade e obteve sucesso na perda de peso. Cada medicamento específico. . permitindo que freqüentassem as escolas elementares. Drogas A utilização de medicamentos como auxiliares no tratamento do paciente obeso deve ser realizada com cuidado. A dieta deve estar incluída em princípios gerais de vida saudável. pode requerer profissional e ambiente especializado. Devem ser preferidos também medicamentos de marca comercial conhecida. não sendo em geral o aspecto mais importante das medidas empregadas. a simples recomendação de caminhadas rotineiras já provoca grandes benefícios. No que se refere ao tratamento medicamentoso da obesidade. em algumas situações. os relacionamentos afetivos adequados e uma estrutura familiar organizada. além de perigosa. estando incluída no que se denomina "mudança do estilo de vida" do paciente. na qual se incluem a atividade física. surtos psicóticos e dependência química. ao menos 4 vezes por semana.a melhora da sensação de bem-estar e auto-estima. inicialmente leves e a seguir moderados. os sedativos e uma série de outros produtos freqüentemente recomendados como "fórmulas para emagrecimento". sendo que. fazendo com que o paciente retorne ao peso anterior ou até ganhe mais peso do que o seu inicial. apresenta diversos efeitos colaterais. alguns deles bastante graves como arritmias cardíacas. O paciente deve ser orientado a realizar exercícios regulares. os estimulantes.Surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres. pelo menos de 30 a 40 minutos. dependendo de sua composição farmacológica. Esta atividade. Essa estratégia. evitando-se que crianças apresentem peso acima do normal. o lazer. 28) Conquistas femininas ao longo da história do Brasil Leia algumas curiosidades sobre as conquistas femininas no Brasil. 1827 . não traz benefícios a longo prazo. na maioria das vezes. Entre elas se incluem os diuréticos. Instituições de ensino mais adiantado ainda eram proibidas a elas. Como se previne? Uma dieta saudável deve ser sempre incentivada já na infância. A pesquisa foi feita com ajuda da internauta do Portal ORM e estudante de jornalismo. Por essa razão devem ser utilizados apenas em situações especiais de acordo com o julgamento criterioso do médico assistente. Heloá Canali.

Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral. através da Carta das Nações Unidas. . O Decreto só foi regulamentado em 1965.DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. futebol de salão. halterofilismo e beisebol'.As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados. 1997 . com a Nova República.A escritora Nélida Piñon é a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de Letras. 1998 .5%.Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher . garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras. 1951 . Ainda neste ano.A Senadora Benedita da Silva é a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional. Exerce o cargo até 1997 e é membro da ABL desde 1990.4% do Senado Federal.Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual. mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade. a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho. 1985 .O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: 'luta de qualquer natureza.1879 . em 92. O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5. 1932 . pólo aquático. 1996 .A igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional. 1937/1945 .As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior. 7. pólo. para 12%. futebol de praia. 1945 . 6% das prefeituras brasileiras (302). em 96.

Porém. Mas. um flagelo abala esta base. cada vez mais. ainda temos o registro de casos graves e em números absurdos. 8 de março. anos depois. foi transformado no Dia Internacional da Mulher. que denunciou o ex-marido após anos de maus tratos que a deixaram paraplégica. Em seu discurso de posse. tenham inspiração em Maria da Penha e denunciem seus parceiros covardes . entretanto. na maioria das vezes. Foi o ponta-pé pela equiparação de direitos no território nacional. mas busca destacar e valorizar o fundamental papel desempenhado por todas as mulheres na condução de suas famílias. Que as mulheres. o Dia Internacional da Mulher ainda serve para reforçar o papel das mulheres na sociedade.ressalta a primeira-dama. o março da equiparação dos direitos entre os sexos.Marina Silva. reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior. Berta Lutz (1894-1976).2003 . A inclusão feminina na vida pública teve início em 1927. em 1857. A primeira-dama do Estado. disse: 'Não acho que devemos nos render à lógica do possível. por protestarem em busca de melhores salários e condições trabalhistas. pequenos núcleos da própria sociedade. O possível é feito para não se sair do lugar'.Sem sombra de dúvida. as restrições políticas só foram suprimidas com Código Eleitoral Brasileiro de 1932 sem. o homem covarde. A mulher tem que ser valente e corajosa para denunciar. Apesar de a luta ter começado há décadas. -O governo tem feito uma campanha permanente e fortalecido as delegacias das mulheres para a denúncia dos homens covardes. do PT do Acre. no entanto. . o Dia Internacional da Mulher é mais do que especial. É o que lembra o governador Sérgio Cabral ao defender que a questão da violência contra a mulher seja combatida com firmeza. a obrigatoriedade do voto feminino. criou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino que lutava pela inserção da mulher na vida pública pelo voto. mesmo que aos vizinhos e parentes. ressalta a importância da mulher nos reflexos sentidos na sociedade como um todo. . de violência contra a mulher. a pioneira do feminismo no Brasil. mas também. data do crime brutal. pela escolha do domicílio e a favor do trabalho da mesma sem autorização do marido.defende Sérgio Cabral ao dar o exemplo da farmacêutica Maria da Penha. assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula no dia 1o de janeiro de 2003. a sociedade não somente rende homenagens àquelas que respondem pela existência humana. quando o estado do Rio Grande do Norte legalizou o voto da mulher. A introdução das crianças e jovens à vida em sociedade começa em casa. Infelizemnte. de avaliação e discussão da posição das mulheres no contexto social . pela educação que. está a cargo das mães. Adriana Ancelmo Cabral. Quando 129 operárias de uma indústria têxtil em Nova Iorque foram assassinadas. É uma data não só de comemoração. O panorama sócio-cultural mudou muito e em 1922. Nesse dia.

mas é bom que no seu dia internacional sejam lembradas as diferenças salariais. que convive e que esteja impregnada dos direitos das mulheres. A mulher tem que manter este caminho. -Entre a demanda profissional e a da casa surgem questões sociais fortes. competência.acredita Minc. tanto que existem mulheres que optam por não casar ou ter filhos para evitar esta forte demanda . ocupando mais espaços. . .exemplifica a socióloga. na econômica. Carlos Minc. se vê às voltas com um dilema. De acordo com a socióloga Felícia Picanço. Alcançar e lutar por mais espaço na sociedade sem dar brecha à diferenciação é o aspecto enfocado pela Secretária de Ambiente.Tornou-se comum a presença maciça das mulheres em locais de trabalho e nos bancos universitários. professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). . a mulher sofre com as diferenças salariais. a sociedade que tem a mulher como modelo tende a ser mais avançada. será uma sociedade menos violenta. que trabalha. mesmo tão bem preparada quanto o homem.As mulheres hoje tem um papel muito importante em todos os setores da sociedade. Para o Ministro do Meio Ambiente. Uma sociedade machista será sempre violenta e predadora. A mais de dois séculos a igualdade em todos os sentidos é buscada pela mulher: . provedora e organizadora da estrutura familiar. educacionais. Não é raro a mulher ser a chefe da casa. porém. Uma sociedade que respeita. Há. não permitindo a discriminação . a mulher. atualmente.A mulher conquista espaço pela sua competência. esforço e inteligência tem conquistado o espaço que merecem na sociedade. com seu trabalho.Eu acho que o direito da mulher avança quando o direito da sociedade avança. Adriana Rattes. embora os progressos sejam múltiplos. são dirigidas por mulheres . consegue destaque e as mulheres. A força feminina é sentida em diversas esferas da sociedade. em sua maioria. entre a vida profissional e a doméstica. prova de que é o mérito que as leva a estes lugares e cada vez mais a postos avançados na sociedade omo atesta a Secretária de Educação Tereza Porto. muito ainda há para se mudar e conquistar. É atribuído ao feminino o cuidado do filho e do lar. Marilene Ramos. Todo mundo que se esforça. mas a competência de cada um. e que as famílias.opina Marilene. Secretária de Cultura. da sensibilidade da mulher. -As mulheres hoje estão conquistando mais espaço e conseguindo desempenhar todas as suas obrigações na família e com os filhos. destaca essas divergências. que tem seriedade. sobretudo. menos racista e menos poluidora .destaca a Secretária de Educação. Teses e pesquisas apontam que.lembra Adriana Rattes. O Dia Internacional da Mulher será comemorado em inúmeros locais do mundo para lembrar que. uma tensão contínua. pois não é o sexo que faz a diferença.

htm) A submissão caracterizou a trajetória feminina durante décadas.com/dia_internacional_da_mulher.é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.durante as eleições municipais. (Fonte: http://www. na cidade de São Petersburgo.1788 . emprego e educação para as mulheres. 1874 . o economista John S. Se outrora a submissão e dependência as caracterizava. Não foi fácil chegar aonde chegaram.criada na Rússia uma Universidade Feminina. 1840 . como também assumem definitivamente o papel do “homem da casa” . eram criadas para cuidar de esposos e filhos. Mas como todo tipo de discriminação gera revolta. 1859 . . Especialistas da Universidade de New Castle repetiram uma experiência feita em homens e descobriram que através da medula óssea da mulher. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas. donas de casa.na Alemanha. 1862 .o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres. A mais de 200 anos a luta pela igualdade dos direitos entre homens e mulheres é travada. 1878 . não precisarão mais de ajuda nem mesmo para gerarem uma criança. donas de casa.criada no Japão a primeira escola normal para moças. 1869 . deveriam viver unicamente por eles e para eles. 1901 . Foram inúmeras as conquistas e é provável que ainda não tenham chegado ao fim. Louise Otto. ocupando.o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política.surge na Rússia. as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia. inclusive. um movimento de luta pelos direitos das mulheres. Talvez daqui mais alguns anos. 1866 .Na França. Não precisam mais de alguém que lhes diga o que fazer ou que lhes sustente. cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs. Sempre vistas como mães. 1865 .Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos. hoje a auto-suficiência é a palavra perfeita para definir a mulher moderna. 1870 . mas as vitórias prevaleceram e hoje não só são mães. também é possível criar uma espécie de espermatozóide feminino. cargos de presidência. tiveram muitas derrotas. as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina. esposas. com as mulheres não foi diferente.No Reino Unido. esposas.suapesquisa.

da área trabalhista do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia. e 30 dias para se adotar crianças de quatro a oito anos de idade. que até o ano passado não tinham direito à estabilidade em razão da gestação. que é atribuída apenas para mulheres que engravidaram.421 acrescentou o art. A referida lei (CLT). Outra importante vitória se deu com a entrada em vigor da Lei 9029 de 1995. comemorado em 08 de março. chefiando equipes.324. mesmo adulta. tampouco decidir o momento para ter filhos. explica o advogado Alencar da Silva Campos. Mais adiante. autorizava a interferência do marido ou do pai no contrato de trabalho da mulher. Por esse motivo. que passou a considerar como prática discriminatória a exigência de declarações ou exames de esterilização ou estado de gravidez. “A referida lei trouxe mais dignidade a essas profissionais. Outra conquista foi para as empregadas domésticas. a edição da Lei 10. estendendo o direito de licença maternidade também às adotantes. proporcionando a aplicação dos direitos tidos pela ONU como fundamentais para todas as mulheres”. conclui Alencar. O marco principal dessas mudanças foi a promulgação da Constituição Federal de 1988. de fato. de 60 dias quando a criança tiver de um a quatro anos. elas ficavam com receio de engravidar com medo de perder o emprego. Um reflexo disso pode ser visto na Lei 7855 de 1989. a licença é de 120 dias quando a criança adotada tiver até um ano de idade. que estendeu à empregada doméstica gestante a estabilidade no emprego. que são dois dos 12 direitos das mulheres assegurados pela Organização das Nações Unidas: o direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família e o direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los”. 392-A à CLT. Para as adotantes. A evolução da legislação brasileira que trata da proteção ao trabalho da mulher foi fundamental para esse processo. vale lembrar que atualmente. que revogou parte da CLT. não têm direito à estabilidade. “A empregada doméstica não podia planejar sua família. porém. Neste Dia Internacional da Mulher. que eliminou qualquer discriminação contra a mulher que pudesse lhe restringir no mercado de trabalho. Uma conquista. Essa decisão é muito recente. muitas vezes compostas exclusivamente por homens. Esse novo cenário trouxe muitas oportunidades para o sexo feminino. a Constituição Federal conta com modificações que beneficiam a mulher brasileira e ampliam suas oportunidades profissionais. em abril de 2002. ao contrário das gestantes. . Mas elas. Apenas em julho de 2006 foi editada a Lei 11.Constituição brasileira contribui para conquistas femininas Cada vez mais a mulher desempenha posições de liderança.

Índia e China. atingindo em 2006 . as exportações sobem e a economia cresce em ritmo moderado. diferenças remanescem ainda entre a população urbana e rural. em distribuição do gás natural e em aeroportos (embora a crise área tenha atormentado o país) com o alvo de promover o melhoramento da infra-estrutura. O Brasil começou à voltar-se para as exportações em 2004. o PIB brasileiro demonstrou um crescimento superior ao que se pensava. A economia contém uma indústria e agricultura mista. modernizar o sistema de impostos. que são cada vez mais dominadas pelo setor de serviços. Medido por paridade de poder de compra. a inflação é controlada. seu produto interno bruto ultrapassa 1. [2] Alguns dos desafios dos governos incluem a necessidade de promover melhor infra-estrutura. O real vem se valorizando fortemente frente ao dólar desde 2004. Em 2007. Apesar de sua estabilidade macro-econômica que reduziu as taxas de inflação e de juros e aumentou a renda per capita. após a crise de confiança que o país sofreu em 2002. construída nos últimos anos. As recentes administrações expandiram a competição em portos marítimos. em telecomunicações. estradas de ferro. mostrando uma economia muito mais saudável e pronta para estrelar junto às outras economias BRICs. em geração de eletricidade. Desde a crise em 2002 os fundamentos macro-econômicos do país melhoraram. as leis de trabalho e reduzir a desigualdade de renda. O Brasil é considerado uma das futuras potências do mundo junto à Rússia. os pobres e os ricos. [1] O Brasil possui uma economia sólida. e a Bovespa bate recordes de pontos a cada dia.6 trilhão de dólares. os estados do norte e do sul. fazendolhe a oitava maior economia do mundo e a maior da América Latina em 2006. o risco país também vem renovando suas mínimas históricas desde o começo de 2007.29) Discutir o perfil econômico do Brasil Brasil tem um mercado livre e uma economia exportadora.

prata. madeira avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa. material que começava então a ser utilizado industrialmente na Europa e na América do Norte. O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil. Além do pau-brasil. A agricultura da cana introduziu a modo de produção escravista. . um setor foi privilegiado em detrimento de outros. levando o povoamento do litoral para o interior. O processo era centrado em torno do engenho. Com isso. o grão foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos. como a coleta de drogas do sertão na Amazônia. dando início ao ciclo do ouro. Os portugueses instalaram feitorias e sesmarias e contratavam o trabalho de índios para o corte e carregamento da madeira por meio de um sistema de trocas conhecido como escambo. História A economia brasileira viveu vários ciclos ao longo da História do Brasil. Durante todo o século XVII. Foi introduzida por Francisco de Melo Palheta ainda no século XVIII.exportações de US$ 137. teve início o ciclo da borracha no Amazonas (então Província do Rio Negro) e na região que viria a ser o Acre brasileiro (então parte da Bolívia e do Peru). composto por uma moenda de tração animal (bois. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado de tráfico negreiro. jumentos) ou humana. Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia. A pecuária extensiva ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos portugueses. esmeraldas). O café foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX até a década de 1930.4 bilhões e um saldo comercial de quase US$ 46 bilhões.5 bilhões. uma árvore nativa da Amazônia. expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos (ouro. O plantio de cana adotou o latifúndio como estrutura fundiária e a monocultura como método agrícola. outras atividades de modelo extrativista predominaram nessa época. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de São Paulo e do Paraná. populacionais. Em meados do século XIX. O segundo ciclo econômico brasileiro foi o plantio de cana-de-açúcar. servia para a fabricação de borracha. e provocou sucessivas mudanças sociais. nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais. foi descoberta que a seiva da seringueira. políticas e culturais dentro da sociedade brasileira. Goiás e Mato Grosso. já no início do século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planato Central e Montanhas Alterosas). utilizada na Europa para a manufatura de açúcar em substituição à beterraba. importações de US$ 91. propicionada pelos tropeiros. e abundante em grande parte do litoral brasileiro na época do descobrimento (do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte). cobre) e pedras preciosas (diamantes. Em cada ciclo. Afinal. baseado na importação e escravização de africanos. a partir de sementes contrabandeadas da Guiana Francesa.

O crescimento da cultura da soja se deu às custas da "expansão da fronteira agrícola" na direção da Amazônia. Já na década de 80. alija o crescimento econômico do país em nome do fortalecimento das instituições nacionais com o propósito de controlar a inflação e atrair investidores internacionais. quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos não-qualificados e ampliou a concentração de renda. ganharam o apelido de "década perdida". que elegeria-se presidente nas eleições seguintes por causa disso. que tanto o havia criticado quando na oposição. o governo muitas vezes manteve suas contas em desequilíbrio. do segundo governo de Getúlio Vargas até o Regime Militar. crescimento da dívida externa e crescimento pífio. . A crise da agricultura familiar e o desalojamento em massa de lavradores e o surgimento dos movimentos de sem-terra (MST. com especial ênfase na gestão de Juscelino Kubitschek. multiplicando a dívida externa e desencadeando uma grande onda inflacionária. adaptando apenas alguns conceitos ao raciocínio esquerdista moderado do Partido dos Trabalhadores. Com um plano que ganhou o nome de Plano Real a economia começa a se recuperar. continuou concentrada no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e atraiu para esta região uma imigração em massa das regiões mais pobres do país. naval. Reconhecendo os ganhos dessa estratégia. Pelas mãos do então ministro da Fazenda. o regime militar endureceu e a repressão à oposição (tanto institucional quanto revolucionária/subversiva) viveu o seu auge. O modelo de transporte adotado foi o rodoviário. O modelo adotado para o plantio de soja foi a monocultura extensiva e mecanizada.O chamado desenvolvimentismo (ou nacional-desenvolvimentismo) foi a corrente econômica que prevaleceu nos anos 1950. Em paralelo. Da Crise do Petróleo até o início dos anos 1990. aéreo). o Brasil desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou elevadas taxas de crescimento econômico. Via Campesina). no entanto. mantém suas linhas gerais. na economia brasileira. O resultado foi o não pagamento de dívidas com credores internacionais (moratória). hidroviário. Todavia. Não foi por acaso que os anos 80. com altíssimos índices de inflação (hiperinflação) combinados com arrocho salarial. Valendo-se de políticas econômicas desenvolvimentista desde a Era Vargas. provocando desemprego no campo e alta lucratividade para um novo setor chamado de "agro-negócio". o Brasil viveu um período prolongado de instabilidade monetária e de recessão. introduzida a partir de sementes trazidas da Ásia e dos Estados Unidos. o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico. sem nenhum sucesso. principalmente o Nordeste. Fernando Henrique Cardoso. A industrialização. o governo brasileiro desenvolveu vários planos econômicos que visavam o controle da inflação. o que por sua vez vem provocando desmatamentos em larga escala. Desde a década de 1970. o novo produto que impulsionou a economia de exportação foi a soja. em detrimento de todos os demais (ferroviário. o governo do presidente Lula. na política. na década de 1930. o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Entre 1969 e 1973. No governo Itamar Franco o cenário começa a mudar.

9 e 3. sendo a maior da América Latina. e em 943. O Brasil é a 10° maior economia mundial. similar à países como Índia e África do Sul. símbolo: R$).792. considerado médio. Comércio exterior Os maiores parceiros do Brasil no comércio exterior são a União Européia. [1] Seu padrão de vida.6 por cento. [22] Em nível municipal. os Estados Unidos da América.1%] e as taxas de desemprego de 9. 2. Um real é dividido em 100 centavos. o Mercosul e a República Popular da China. o Brasil é estabelecido como um país de classe média.80) está situada na região sul. lembrado que os dados são relativos ao ano 2000. a registrada em 2006 foi de 3. e está entre as 10 maiores economias mundiais em critérios de "purchasing power parity". Depois da desaceleração de 2002 o país se recuperou e cresceu 5.80 (elevado).Indicadores macro-econômicos e financeiros Principais indicadores O Produto interno bruto (PIB) do Brasil (GDP) medido por Paridade de poder de compra (PPC) foi estimado em 1. Manari em Pernambuco.616 trilhões de doláres em 2006.7 por cento em 2004. oscilando entre 1 e 2.460 [5] respectivamente. Os estados menos desenvolvidos (com desenvolvimento médio nos termos de IDH) são situados no nordeste. de acordo com os critérios de Produto Interno Bruto diretamente convertido a dólares estadunidenses. [1] O Índice de desenvolvimento humano (IDH) do país foi relatado em 0. Retirando a região Nordeste. e está na 63° posição no ranking do IDH (Índice de desenvolvimento humano). os padrões da região são similares aos europeus. medido no PIB per capita (PPC) era de 8. As taxas de juros em 2007 situam-se em torno 13%. O Banco Mundial relatou que renda nacional bruta do país era a segunda maior da América Latina e renda per capita em termos nominais de mercado era a oitava maior.50 R$ por US$. . enquanto o nordeste possui qualidade de vida muito inferior. enquanto. As desigualdades regionais do Brasil se dividem simplesmente em: sul rico e norte pobre. [6] mesmo que se considere estar bem abaixo do crescimento potencial do Brasil.7. as disparidades são maiores: Campinas em São Paulo tem um IDH similar ao da Alemanha. [7]. todos os estados do Brasil possuem um índice de desenvolvimento humano (IDH) superior a 0. O real substituiu o cruzeiro real em 1994 em uma taxa de 2. As taxas de inflação estão em baixos níveis também. A maioria das unidades federais com desenvolvimento elevado (superior a 0. A moeda corrente brasileira é o real (ISO 4217: BRL.6 bilhões em termos nominais. A região Sul sempre se destaca quando o assunto é qualidade de vida.133 bilhões [4] e US$ 3. sendo US$ 644. em 2005 e em 2006.600 doláres. teria um IDH similar ao do Haiti. mas bem próximo do nível elevado. Economias regionais As disparidades e as desigualdades regionais continuam a ser um problema no Brasil. A taxa trocada remanesceu estável. com isso.750 cruzeiros por 1 real.

ao longo da década de 90.6 bilhões (em 2006) vendidos entre produtos e serviços a outros países. Mas com um crescimento vegetativo de dois dígitos ao ano desde o governo Fernando Henrique. Rússia e China. exploração mineral e vegetal) ainda é muito importante. Em 2004 o Brasil começou a crescer. O maior banco privado é o Bradesco. agora com o café. . automóveis e peças de vestuário. Existem também iniciativas de integração na América do Sul. Apesar de ter. em poucos anos a expectativa é que o Brasil esteja entre as principais plataformas de exportação do mundo. ocorrida em 1999. Setores No Brasil. que é controlado pelo governo federal. Mercado financeiro Na base do sistema financeiro basileiro está o Conselho Monetário Nacional. o setor primário (agricultura. um salto qualitativo na produção de bens agrícolas. O mais importante agente é o Banco Central do Brasil. que define a taxa de juros e pode influenciar o câmbio por ações de open market. aviões. O Brasil. com US$ 137. O Brasil é visto pelo mundo como um país com muito potencial assim como a Índia. mas se observa um lento crescimento proporcional do setor secundário (indústria) em relação aos demais. Atualmente o país está entre os 20 maiores exportadores do mundo. durante o período de colônia. com uma enorme inclusão de bens de alto valor agregado como jóias. apesar das pressões dos EUA. Já independente. O maior banco do Brasil é o do governo federal Banco do Brasil. A principal bolsa de valores do Brasil é a Bovespa que movimenta títulos e outros papéis das 316 empresas brasileiras de capital aberto. Esse momento foi fundamental para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. seguindo pelo ouro na região de Minas Gerais. o setor agrícola. No final de 2004 o PIB cresceu 5. acompanhando a economia mundial. com reformas comandadas pelo governo federal. grande parte da imprensa reclama das altas taxas de juros adotadas pelo governo. estimulou bastante as exportações e. O governo diz que isto se deve a política adotada pelo presidente Lula.7%. no entanto. consequentemente.O primeiro produto que moveu a economia do Brasil foi o açúcar. a industria cresceu na faixa de 8% e as exportações superaram todas as expectativas. um novo ciclo econômico surgiu. Cabe observar. cooperação na economia e nas áreas sociais. A política externa adotada pelo Brasil prioriza a aliança entre países sub-desenvolvidos para negociar com os países ricos. assim como a Argentina e a Venezuela vêm mantendo o projeto da ALCA em discussão. que acabou por tornar-se o mais rico do país. a pauta de exportação brasileira foi diversificada. que a desvalorização da moeda nacional. alcançando a liderança mundial em diversos insumos.

Destacam-se as regiões metropolitanas de São Paulo. Merece destaque também a Zona Franca de Manaus. Parceiros comerciais Principais importadores de mercadorias brasileiras . Norte Baseia-se principalmente em extrativismo vegetal e mineral. Rio de Janeiro e Belo Horizonte como os principais centros econômicos do Brasil. petróleo e agronegócio. Sudeste Possui parque industrial diversificado e sofisticado com comércio e serviços bem desenvolvidos. Destacam-se as regiões metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre. Políticas de incentivos fiscais levaram várias indústrias para a região. mas possui também indústria e agropecuária bem desenvolvidas.Economia por região Centro-Oeste Baseia-se principalmente na agroindústria. pólo industrial. Sul A maior parte das riquezas provém do setor de serviços. O turismo é bastante forte. Nordeste Baseia-se normalmente em indústrias.

digamos.. durante um período prolongado. Assim. 1991) ou simplesmente. origina-se na própria formação social brasileira.Principais exportadores de produtos para o Brasil Fonte: pt. Tal impedimento. Os entraves . recém-saídos do estágio de desenvolvimento extensivo. está 'em ponto de bala'. da ordem de 10 a 20 anos. Mas pode-se fazer uma idéia lembrando-se que nesse período o PIB per cápita quase duplicaria na primeira década. a sociedade de elite. e que de fato essa expatriação é o próprio princípio e força motriz da organização da produção e da sociedade. Que nessa se dá um processo de reprodução autônoma da formação social de origem colonial. Até. de países como a China e a Índia. a permitir a necessária elevação do nível de reprodução da força de trabalho. é porque algo o impede. tem um potencial de crescimento médio em torno de 5% ao ano. em um processo que podemos chamar de acumulação entravada (Deák. que. em alguma medida de redistribuição de renda. Faz parte de um reduzido grupo de economias. ou bem é imposta por forças externas ao país. dado que tal desenvolvimento implicaria necessàriamente em uma concentração de renda menor. da expatriação de uma porção do excedente produzido por ela. como nos tempos coloniais. assim como o escoamento dos bens de consumo. para US$ 9000 e triplicaria até ao final da segunda década alcançando da ordem de US$ 15 000. se o Brasil não toma esse caminho do crescimento/ desenvolvimento. As implicações concretas de tal crescimento são difíceis de se imaginar.. mesmo num contexto de recessão e crise da economia mundial. vale dizer. Os efeitos para as camadas de população de baixa renda seriam ainda mais contundentes.wikipedia. desde o abandono do II PND --II Plano Nacional de Desenvolvimento-.em 1976. A base de sustentação dessa sociedade é a manutenção.org Economia do Brasil A economia brasileira A economia brasileira. o bicentenário da Independência. desenvolvimento entravado. Aqui se propõe que as razões da perpetuação do não-desenvolvimento são internas e inerentes à sociedade brasileira. ou pelo contrário.

pelo menos até a década de 80. dos entraves ao desenvolvimento nacional. a reprodução da sociedade brasileira em sua forma atual. 3. Se alguns 'setores-chave' são ainda assim necessários para o apoio da produção de bens de consumo.usp. contra. Fonte: www. 'protecionistas' etc. podemos perceber que o Brasil se constituiu num dos exemplos mais bem-sucedidos de desenvolvimento econômico no período do pós-guerra. com ampla transformação na base produtiva e nas condições de vida da população.A produção nacional necessária pela restrição da balança de pagamentos será restrita aos bens de consumo. fica assim eliminado mesmo com o aumento do volume de produção. que se dá (~ria) nos ramos de máquinas.. a transformação da elite em burguesia. vale dizer. 4. neoliberais. Participam assim do próprio antagonismo fundamental que move as transformações sociais. Fragmentação deliberada e precariedade crônica das infraestruturas espaciais ou da produção. monetaristas etc) e nacionalistas (desenvolvimentistas. uma vez que os primeiros trabalham (conscientemente ou não) a favor. em ambos os casos. Como dizia Lênin.Entre os principais meios de manutenção dos entraves ao desenvolvimento estão: 1.br Economia do Brasil Considerando-se o crescimento do produto. Os meios de reprodução dos entraves serão apresentados como sendo resultado de atrazo ou de dominação --qualquer força externa contra a qual seria impensável a sociedade brasileira se rebelar. estes serão delagados ao Estado ou ao capital estrangeiro. e os segundos. A tarefa de detectar as correntes de forças políticas é tão difícil quanto necessária.a. o desenvolvimento de forças sociais internas com interesses vinculados ao desenvolvimento e notadamente.). O país apresentou taxas médias de crescimento em torno de 7% a. Sistema financeiro: ausência de crédito e juros altos 2. impedindo. formando a ideologia do subdesenvolvimento. podem ser instrumentados por esse quadro referencial que permite avaliar seu efeito como sendo a favor ou contra a manutenção do status quo. O progresso técnico. "o verdadeiro homem político ouve até a grama crescer". O posicionamento político e a avaliação das políticas econômicas praticadas e propostas. dependência ou globalização. A questão política Não pode haver 'consenso' entre entreguistas (advogados da 'vocação agrícola'. a melhoria das condições médias de vida e a alteração da estrutura produtiva no sentido de se fornecer bens mais completos e com maior produtividade dos fatores de produção. 5. a partir da .

1930/61 A crise do PSI e as reformas institucionais no PAEG . Estas transformações necessitaram de alterações no quadro institucional e nas formas de organização social. as crises externas sucederamse em função tanto de oscilações na demanda (crises internacionais). a produção nacional era enorme e a economia mundial entrou numa das maiores crises de sua história. O Processo de Substituição de Importações Até a República Velha. sendo a variável-chave nesta época o preço internacional do café.passagem de uma economia agrário-exportadora para uma economia industrial. uma análise da evolução da economia brasileira com base nesta cronologia. notadamente o café plantado na região Sudeste. As condições do mercado internacional de café tendiam a tornar-se mais problemáticas à medida que as plantações do produto no Brasil se expandiam. que na época se restringiam a algumas poucas commodities agrícolas. a produção brasileira cresceu desmesuradamente. Neste período. e boa parte do mercado era controlado por grandes companhias atacadistas que especulavam com estoques. O bom desempenho dependia das condições do mercado internacional de café. A depressão no . O período foi marcado por algumas descontinuidades e rupturas. as crises internacionais causavam problemas muito grandes nas exportações brasileiras de café. como em decorrência da superprodução brasileira. 1974-79 A crise da década de oitenta: o processo de ajuste externo As políticas de combate a inflação da Nova República Faremos a seguir. criando sérias dificuldades para toda economia brasileira. com o conseqüente aumento da urbanização. o que caracterizava a economia brasileira como agroexportadora. Deste modo. O Brasil chegou a produzir sozinho mais café do que o consumo mundial. podendo ser dividido em alguns subperíodos: • • • • • • • O Processo de Substituição de Importações (PSI) . a economia brasileira dependia quase exclusivamente do bom desempenho das exportações. A demanda dependia das oscilações no crescimento mundial. destacando os principais aspectos em termos de modelo de desenvolvimento e mudanças institucionais. estocando e queimando café.1962/67 O crescimento com endividamento externo Milagre Econômico. As condições deste mercado não eram totalmente controladas pelo Brasil. 1968-1973 II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). outros países também influíam na oferta. aumentando em momentos de prosperidade econômica e retraindo-se quando os países ocidentais (especialmente EUA e Inglaterra) entravam em crise ou em guerra. obrigando o governo a intervir no mercado. Nas primeiras décadas do século XX. estes dois elementos se conjugaram. bem como os principais determinantes dos ciclos econômicos. dado que praticamente todas as outras atividades dentro do país dependiam direta ou indiretamente do desempenho do setor exportador cafeeiro. Apesar de ser o principal produtor de café. Em 1930.

porém. dado que parte dos investimento e do aumento de renda se traduziram em importações. dependente das exportações de um único produto agrícola. que permitiu colocar a industrialização como meta prioritária. aumentando a competitividade e a rentabilidade da produção doméstica. retomando-se o processo. porém. A industrialização feita a partir deste processo de substituição de importações é uma industrialização voltada para dentro.a queda do valor das exportações com manutenção da demanda interna. percebe-se que o setor dinâmico do PSI era o estrangulamento externo. houve a necessidade de produzir internamente o que antes era importado. gera escassez de divisas. Desvaloriza-se a taxa de câmbio. Isto só seria possível com uma grande alteração política que rompesse com o Estado oligárquico e descentralização da República Velha e centralizasse o poder e os instrumentos de política econômica no Governo Federal. Dela decorreram o fortalecimento do Estado Nacional e a ascensão de novas classes econômicas ao poder. envolvia grandes esforços em termos de geração de poupança e sua transferência para a atividade industrial. isto é. que visa atender o mercado interno. A crise dos anos 30 foi um momento de ruptura no desenvolvimento econômico brasileiro. Isto obrigou o governo a intervir fortemente. dado o encarecimento dos produtos importados. Características do Processo de Substituição de Importações O PSI enquanto modelo de desenvolvimento pode ser caracterizado pela seguinte seqüência: Estrangulamento externo . A forma assumida pela industrialização foi o chamado Processo de Substituição de Importações (PSI). produzindo-se internamente parte do que antes era importado aumentando a renda e conseqüentemente a demanda.mercado internacional de café logo se fez sentir e os preços vieram abaixo. comprando e estocando café e desvalorizando o câmbio com o objetivo de proteger o setor cafeeiro e ao mesmo tempo sustentar o nível de emprego. gerado pela crise internacional de corrente da quebra da Bolsa de Nova York. Este funciona como estímulo e limite ao investimento industrial. Observa-se novo estrangulamento externo. Este foi o papel desempenhado pela Revolução de 30. mas o momento em que esta passou a ser meta prioritária da política econômica. recorrente e relativo. a fragilização do modelo agrário-exportador trouxe à tona a consciência sobre a necessidade da industrialização como forma de superar os constrangimentos externos e o subdesenvolvimento. de renda e demanda. era insustentável. claro que a situação da economia brasileira. como um projeto nacional de desenvolvimento. Devido ao estrangulamento externo. Neste sentido. Ficava. defendendo-se dessa forma o nível de atividade econômica. Este objetivo. Gera-se uma onda de investimentos nos setores substituidores de importação. Não foi o início da industrialização brasileira (esta já havia se iniciado desde o final do século XIX). . mantendo a demanda por importações.

foi feito com inúmeros percalços e algumas dificuldades. visava atender apenas ao mercado interno. substituindo as importações. Isto. foi a seguinte: • • • • Bens Bens Bens Bens de consumo leve de consumo duráveis intermediários de capital Percebe-se assim que o PSI se caracterizava pela idéia de “construção nacional”. significava uma transferência de renda da agricultura para indústria . Elevada demanda por importações devido ao investimento industrial e ao aumento de renda. colocado como um projeto nacional só se tornava viável com o recurso ao capital estrangeiro. Indústria sem competitividade.visava estimular e baratear o investimento industrial. Todavia. o PSI.desestimulando as exportações de produtos agrícolas. como a geração de divisas ia sendo dificultada.o chamado “confisco cambial”. As principais dificuldades na implementação do PSI no Brasil foram as seguintes: Tendência ao Desequilíbrio Externo A tendência ao desequilíbrio externo aparecia por várias razões: Valorização cambial . substituindo as importações ditaria a seqüência dos setores objeto dos investimentos industriais que. industrializando e urbanizando-a. ou seja. passou a ser a variável chave para determinar o crescimento econômico. sem grandes possibilidades no mercado internacional. grosso modo. este processo foi implementado. devido ao protecionismo. Principais Dificuldades na Implementação do PSI no Brasil Ao longo de três décadas. Com o correr do tempo. modificando-se substancialmente as características da economia brasileira. conforme o investimento e a produção avançava em determinado setor. geravam pontos de estrangulamento em outros. Assim. de forma a superar as restrições externas e a tendência à especialização na exportação de produtos primários. A demanda pelos bens destes outros setores era atendida através de importações. para eliminar o chamado “hiato de divisas”.Tal investimento. estes bens passam a ser objeto de novas ondas de investimentos no Brasil. quer na forma de dívida externa quer na forma de investimento direto. alcançar o desenvolvimento e a autonomia com base na industrialização. porém. Aumento da participação do Estado Ao Estado caberiam as seguintes funções principais: .

Aumento do grau de concentração de renda O processo de substituição de importações era concentrador em termos de renda em função do: Êxodo rural decorrente do desincentivo à agricultura. buscou-se alguma forma de planejamento. várias hidrelétricas etc. conseqüentemente. CNA (Companhia Nacional de Álcalis). definindo os direitos e deveres dos trabalhadores e a relação empregado-empregador. que não permitia grande geração de emprego no setor urbano. baixos salários. a CPF (Comissão de Financiamento da Produção). Até a Segunda Guerra Mundial. que não gerava empregos suficientes no setor rural. Isto foi feito através da Legislação Trabalhista que visava a formação e regulação de um mercado de trabalho urbano. Também criam-se mecanismos para direcionar capitais da aitividade agrícola para a industrial. . Por outro lado. Destacam-se os seguintes órgãos: o DASP (Departamento Administrativo do Setor Público). No pósguerra. o BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) etc. CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). Além disso foram criadas agências estatais e uma burocracia para gerir o processo. e à legislação trabalhista. restrita ao trabalhador urbano. A geração de infra-estrutura básica. a CPA (Comissão de Política Aduaneira). naquele momento. destacou-se o caráter emergencial dessa atuação. associado à estrutura fundiária. procurando eliminar os pontos de estrangulamento que aparecessem. foi criado todo o Setor Produtivo Estatal (SPE): CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). dada a ausência de um mercado de capitais organizado. o CTEF (Conselho Técnico de Economia e Finanças). Esses dois pontos geravam excedente de mão-de-obra e.A adequação do arcabouço institucional à industria. na ausência de fontes adequadas de financiamento. com falta de investimentos no setor. evitar o aparecimento de estrangulamentos. entrando em áreas cuja necesidade de capital e riscos envolvidos inviabilizam a presença da atividade privada. Caráter capital intensivo do investimento industrial. constituindo um forte estímulo a vir para a cidade. ou seja. As principais áreas de atuação foram os transportes e a energia. a Petrobrás. Neste sentido. Esta ampla participação estatal gerava uma tendência ao déficit público e forçava o recurso ao financiamento inflacionário. o protecionismo (ausência de concorrência) permitia preços elevados e altas margens de lucro para as indústrias. cujos projetos não foram plenamente realizados por ausência de financiamento. Destacam-se neste sentido os trabalhos da Comissão Mista BrasilEstados Unidos. O Estado devia atuar de forma complementar ao setor privado. O fornecimento dos insumos básicos.

principalmente. Para viabilizar o projeto. Ausência de uma reforma tributária ampla. os quais já haviam sido identificados nos estudos da CMBEU (Comissão Mista Brasil-Estados Unidos). sobre os bens de consumo leves. não restava alternativa de financiamento ao Estado. que desestimulava a poupança. dos recursos provenientes da recém-criada Previdência Social. estimularia o desenvolvimento de novos setores na economia. A arrecadação continuava centrada nos impostos de comércio exterior e era dificil ampliar a base tributária. feito a partir de agências oficiais. dos ganhos no mercado de câmbio com a introdução das taxas de câmbio múltiplas. a algumas financeiras e aos agentes financeiros oficiais. Além disso. dever-se-ia readequar a infra-estrutura e eliminar os pontos de estrangulamento existentes. já que a indústria deveria ser estimulada. O principal objetivo do plano era estabelecer as bases de uma economia industrial madura no país. com destaque para o Banco do Brasil e ao BNDE. O Plano de Metas (1956-1960) O Plano de Metas adotado no governo Juscelino Kubitschek pode ser considerado o auge deste modelo de desenvolvimento. dado ao grande volume de poupança necessário para viabilizar os investimentos.Escassez de fontes de financiamento A quarta característica foi a dificuldade de financiamento dos investimentos. a agricultura não poderia ser mais penalizada. e os trabalhadores. eram parte da base de apoio dos governos do período. sendo que este último operava com recursos de empréstimos compulsórios (um adicional de 10% sobre o Imposto de Renda. em especial os estatais. O sistema restringia-se aos bancos comerciais. além de sua baixa remuneração. Neste quadro. A demanda por estes bens vinha da própria concentração de renda anterior que elevava os padrões de consumo de determinadas categorias sociais. o setor de autopeças. A racionalidade do plano estava baseada nos estudos do grupo BNDE-CEPAL que identificara a existência de uma demanda reprimida por bens de consumo duráveis e viam neste setor importante fonte de crescimento pelos efeitos interindustriais que gera ao pressionar a demanda por bens intermediários e. o rápido crescimento do produto e da industrialização no período acentuou as contradições mencionadas. por exemplo. além de criar incentivos para a vinda do capital estrangeiro nos setores que se pretendia implementar (este era uma necessidade tanto financeira como tecnológica). da “Lei da Usura”[2]. Este fato se deve à: Quase inexistência de um sistema financeiro em decorrência. através do emprego. introduzindo de ímpeto o setor produtor de bens de consumo duráveis. principalmente os fornecedores de componentes para o setor de bens de consumo duráveis. . instituído para sua criação). além do financiamento inflacionário e do endividamento externo. que teve que se valer das poupanças compulsórias.

o zinco etc. o cimento. sendo que em alguns setores estas foram superadas. com que se observou no período uma aceleração inflacionária. O cumprimento das metas estabelecidas foi bastante satisfatório.. através dos investimentos estatais. bem como. garantir a demanda necessária para produção adicional. A concentração da renda ampliou-se pelos motivos já levantados: desestímulo à agricultura e investimento de capital intensivo na indústria. até uma série de isenções fiscais e garantias de mercado (protecionismo para os novos setores). observou-se rápido crescimento econômico no período com profundas mudanças estruturais. cabe destacar a mudança de prioridade que até no governo Vargas se centrava no setor ferroviário e no governo jk passou para o rodoviário. mas em outros ficou aquém. na ausência de uma reforma fiscal condizente com as metas e os gastos estipulados. o carvão. Os incentivos dados ao capital estrangeiro iam desde a Instrução 113 da SOMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito) que permitia o investimento direto sem cobertura cambial. O objetivo é simplesmente a rápida industrialização. No que diz respeito aos transportes. teve que valer-se principalmente da emissão monetária. principalmente a partir de 1958. o que está totalmente de acordo com as metas do plano que praticamente desconsideram a agricultura e a questão social. que estava em consonância com o objetivo de introduzir o setor automobilístico no país Estímulo ao aumento da produção de bens intermediários. O plano foi implementado através da criação de uma série de comissões setoriais que administravam e criavam os incentivos necessários para atingir as metas setoriais. Do ponto de vista externo. observou-se uma deterioração do saldo em transações correntes e o crescimento da dívida externa. Com isso. em termos de base produtiva. em que se visava impedir o aparecimento de pontos de estrangulamento na oferta de infra-estrutura e bens intermediários para os novos setores.OBJETIVOS DO PLANO DE METAS O plano pode ser dividido nos seguintes objetivos principais: Uma série de investimentos estatais em infra-estrutura com destaque para os setores de transporte e energia elétrica. que foram objetos de planos específicos Incentivos à introdução dos setores de bens de consumo duráveis e bens de capital Construção de Brasília É interessante observar a coerência que existia entre as metas do plano. Percebe-se o pior desempenho da agricultura no período. o que foi atingido. como o aço. O financiamento dos investimentos públicos. Principais problemas do plano de metas Os principais problemas do plano colocavam-se do lado do financiamento. .

Atualmente as pesquisas se voltam para células troncos (células mães). com o surgimento de doença como: AIDS (SIDA) entre outras doenças contagiosas. grupos de investidores e governos. por comprovar e elucida fatos. seja para suprir as necessidades de locomoção. 1990). No início do terceiro milênio. o Plano de Metas aprofundou todas as contradições existentes no PSI. percebe-se que. Aliado a ciência. seu prestígio advém do método cientifico aplicado com objetivo de chegar próximo da verdade. Com o passar dos anos. pela consciência. desse modo. a pesquisa é uns dos instrumentos do saber humano mais valoroso. conforme suscitado pela epistemologia do século XVIII (OLIVA. malária. sendo que. dengue. Nasceu para contestar as “verdades” que se tinham a respeito do mundo. novas pesquisas surgem e se desenvolvem a fim de criar tecnologias ou medicamentos. 30) Os investimentos de pesquisas no Brasil e seus efeitos no processo sócio-econômico do país. a pesquisa é uma das mais importante. invistam em novas pesquisas. Assim. surgem novos problemas a serem solucionados. já passam de 40 milhões de pessoas infectadas pelo virus da HIV. etc. criado até então pelo o homem. que se transformam . A esperança é que as empresas. Logo a importância da pesquisa é a melhor ferramenta para esse combate e equacionando assim esse perigo que assola a comunidade global. desenvolvendo tecnologias de cunho medicinal para sanar ou curar totalmente doenças como a AIDS. por este pesquisado.. O homem é o “recurso de maior importância para o desenvolvimento da pesquisa”. são formas de conhecimento que buscam dar respostas ao homem contemporâneo sobre a “Verdade”. Misticismo. As áreas do saber humano como: a Religião. Pelo exposto. E. em plena era virtual junto com a engrenagem da robótica. intelecto e razão.Esta concentração pode ser verificada pelo comportamento do salário mínimo real no período. de alimentos e até produzir textos que são apreciados a milênios de anos. O homem tem a capacidade impressionante de criar conhecimento. a Filosofia. pois dentre diversos tipos de conhecimento produzido pelo homem. tornando claros os limites do modelo dentro do arcabouço institucional vigente. a partir daí. se tem o devido crédito da sociedade internacional. que matam inúmeras pessoas ao redor do mundo todos os anos. existem inúmeros problemas a serem solucionados. apesar das rápidas transformações ocorridas. por seguinte.

São geralmente aplicados em deficientes físicos. a pesquisa e a extensão. Agora que todos os estados estão procurando valorizar as atividades de pesquisa. somos levados acreditar que a única saída do homem para enfrentar diversos tipos de epidemias e problemas que emergem a cada dia. tecnologia e especialmente pesquisa. . como foi no passado. E esse trabalho de pesquisa é fundamental para a formação do profissional. Em virtudes dos fatos mencionados. os estudos são feitos teoricamente dentro da universidade. Infelizmente. é além mais. trabalhamos com projetos ligados à atividade de irrigação. a maioria das instituições públicas de ensino superior funciona como faculdades e os alunos somente assistem a aulas. Atualmente.em quaisquer células do corpo humano. o Brasil está defasado tecnologicamente porque o investimento está muito aquém do desejável. com intuito de retornarem ao seu funcionamento. para regenerar um órgão atrofiado inutilizando sua função. respeitando as condições regionais. mas não deve ser a única atribuição da universidade. No segundo. entre outras. A universidade deve ter o compromisso com o ensino. a pesquisa não é só uma pura investigação dos fatos. que é importante. para que não haja surto de doenças no mundo. Existe a pesquisa pura e a pesquisa aplicada. é a nossa sobrevivência para o futuro distante. ocorre a mera reprodução do saber. Do contrário. daí a importância da pesquisa para atualidade. exepriências já sinalizaram sucessos nos últimos testes divulgados pela mídia. O conhecimento só é gerado e aplicado de fato quando há um trabalho de pesquisa. precisam de investimentos pesados na ciência. para o desenvolvimento da universidade e para o próprio país. através de suas secretarias de Ciência e Tecnologia. ocorre a realização das conclusões extraídas dos estudos no ambiente acadêmico na realidade local. No primeiro caso. O que diferencia uma faculdade de uma universidade é o envolvimento com a pesquisa. Aqui na Uenf.

Mas deve haver interesse nosso também. Faperj. nossos pesquisadores avaliam se é eticamente válido e se há possibilidades de este projeto se converter em melhorias para a sociedade aqui da região. que participam de programas de iniciação científica e os de pós-graduação. É através deles que os pesquisadores conseguem desenvolver seus trabalhos.Como a região em que se localiza a Uenf é economicamente frágil e defasada em termos tecnológicos. pois a competição é muito grande. Como nós recebemos capital através do governo. também é importantíssima para a formação do aluno. mas nosso objetivo principal não é este. maracujá e abacaxi. que obrigatoriamente devem fazer pesquisas. o que mostra que estamos no caminho certo. se estabelece uma parceria em que a empresa custeia parte da pesquisa e a universidade participa com pesquisadores e a outra parcela dos recursos. Apesar das dificuldades. firmamos o nosso compromisso de formar estudiosos e cientistas. Atualmente. ainda não alcançamos um estágio onde as pesquisas realizadas pela universidade possam gerar recursos para investir em outros projetos. Fomentamos pesquisa para gerar conhecimento para a sociedade. apesar de funcionarmos há pouco tempo. Aqui na Uenf. Além disso. além de ser fundamental para o desenvolvimento local. Nas pesquisas sobre os efeitos da irrigação nas plantações de goiaba. ou seja. E estas pesquisas são importantes para o desenvolvimento do próprio país. Acho que sem melhorar o nível da educação do povo como um todo e sem um apoio maciço em Ciência e Tecnologia. Com isso. Infelizmente o MEC tem investido pouco em pesquisa. Caso aprovem. a pesquisa científica dentro da universidade ainda é uma bandeira que precisa ser defendida. nós estamos com poucos projetos em condições de gerar recursos para a universidade. Aqui na Uenf. a maior parte dos recursos se destina à manutenção e pagamento de pessoal. temos alunos de graduação. Quando uma empresa quer custear um projeto. CNPq. o produtor avalia qual a quantidade de água para a plantação é mais viável. dificilmente nos transformaremos em uma nação de primeiro mundo. . E. por exemplo. O dinheiro da pesquisa vem mesmo dos órgãos fomentadores como Finepe. trabalhamos também com culturas como cana-de-açúcar. Do orçamento das universidades federais. Nós não discriminamos programas por atenderem ou não a necessidades da iniciativa privada. dinheiro do contribuinte. A pesquisa. optamos por dar ênfase à pesquisa do tipo aplicada. Existe a possibilidade de disponibilizar este saber para empresas privadas. temos recebido bons conceitos no Provão. não temos a mentalidade de vender resultados.

diretor-superintendente da Faperj Uma recente avaliação feita pela ONU aponta que o Brasil está em 43º lugar. Hoje somos praticamente autônomos na formação de doutores em quase todas as áreas do conhecimento. Isto indica que o Brasil está abaixo de países como Argentina. num grupo de 70 países.Fernando Pelegrino. por exemplo. no índice de avanço tecnológico. entre outros. . México. É uma posição extremamente desconfortável. Chile. Poucos segmentos necessitam que se envie estudantes e pesquisadores para que terminem seus programas de doutorado fora do país. Costa Rica. se considerarmos que somos a nona ou oitava maior economia do mundo. em termos de aplicação do conhecimento científico. Com certeza um indicador apenas não é suficiente para que se faça uma avaliação mais ampla. Até porque. concluiremos que é uma das melhores da América Latina. se analisarmos a qualidade da pós-graduação aqui no Brasil.

Mas o que os índices da ONU avaliam é a tecnologia aplicada ao sistema de produção. Necessitamos investir mais em conhecimento científico. ao invés de expandir o nível de investimento. é necessário difundi-lo e aplicá-lo de forma útil no desenvolvimento econômico e social. com isso. Para que o quadro se modifique. Quando se fala em desenvolvimento da pesquisa. é importante analisar também que. é preciso investir mais nas universidades e na infra-estrutura de produção do conhecimento na nossa área científica e tecnológica. Um produto vale mais pelo processo tecnológico nele imbutido do que pela matéria-prima. o avanço da nossa ciência ocorreu dissociado das demandas do setor produtivo. as universidades foram criadas para dar sustentação ao crescimento científico. uma relação com o desenvolvimento científico próprio e a especialização da mão-de-obra nacional. mas expandi-lo. E a pesquisa universitária é fundamental para que um país possa dinamizar sua economia e aumentar sua balança comercial. a partir do final da década de 80. em alguns casos. No Brasil. Os 15% que já possuímos é uma taxa muito elevada. E o jogo é desigual. Primeiramente. isso se deve ao fato de. Não basta apenas construir o conhecimento. Então. Em outros países. primeiramente. Nações que escolarizaram sua força de trabalho e incentivaram a pesquisa são capazes de desenvolver sistemas produtivos mais competitivos em relação ao mercado internacional. sem investir em infra-estrutura e dar condições para que as empresas nacionais pudessem competir com as internacionais. Desta forma. não podemos mais ter analfabetos. Há uma associação quase direta entre o nível de escolaridade de uma povo e o grau de desenvolvimento científico do país a que pertence. isso não ocorreu. há multinacionais que investem sozinhas o total de recursos que o Brasil direciona para a pesquisa científica. o Brasil entrou na chamada globalização abrindo suas fronteiras radicalmente. . O Brasil fez uma escolha. pode valer mais de que um navio. mas. Temos 40 vezes menos cientistas do que deveríamos. o poder público acabou reduzindo estes recursos. não apenas para manter o atual sistema. E o Brasil ficou em uma posição muito ruim. quando encerrou-se o período de substituição das importações. o incentivo à Ciência ter sido feito a margem do crescimento industrial. não guardando. E. Especialmente nos ramos de informática e engenharia genética. precisamos proceder uma mudança radical no país. Na minha opinião. na qual priorizou o capital e a tecnologia estrangeiros. Um ship de computador é pequeno.

Há um dilema já superado. o professor deve ensinar como retirar as partes mais importantes do conteúdo pesquisado. que diz respeito a uma possível interferência da iniciativa privada nos objetivos acadêmicos dos projetos. entrevistas. ainda há muito por fazer. que vêm tentando trabalhar com o sistema produtivo local. Por meio da pesquisa o aluno tem possibilidade de descobrir um mundo diferente. Eu creio que uma boa alternativa para as universidades obterem recursos para seus projetos de pesquisa científica é a busca de parceria com as empresas. Outro ponto de grande relevância que o educador deve abordar é a conscientização de que uma pesquisa não é uma mera cópia e sim uma síntese de um conjunto de informações. Exemplos como a Coope-UFRJ. Dessa forma. sempre que possível. coisas novas. artigos científicos. documentários. a fim de contribuir na construção da aprendizagem. Este tipo de ingerência seria prejudicial às próprias empresas. não buscam respostas para seus questionamentos acerca de diversos assuntos. A pesquisa na escola não deve ter apenas o objetivo de ocupar o aluno. encontram-se dispostos a trabalhar em países como o nosso. aqui. podem ser usados como base de pesquisas: livros. desse modo. quando estão resolvendo exercícios que necessitam de uma pesquisa dentro do texto ficam desanimados e muitas vezes desistem. sua função é disponibilizar referências bibliográficas. a UFF e a Uenf. revistas. a Uerj. A etapa técnico-científico informacional que a humanidade está atravessando e a ascensão dos meios de comunicação tem facilitado o acesso às informações. A pesquisa pode ser um grande instrumento na construção do conhecimento do aluno. podem alavancar recursos do sistema privado para a universidade. que o professor mande algum tema para pesquisa relacionado com o conteúdo. eu penso o contrário. de modo que o mesmo não fique sem fazer nada em casa. curiosidades. o professor tem a incumbência de gerenciar e orientar os seus alunos na busca de informações. internet entre outras. Além de atuar na orientação da construção de textos a partir do material da pesquisa. enciclopédias. A disputa por uma vaga no mercado em vários países desenvolvidos é muito maior. Especialmente por que. E muitos deles. por isso se faz necessário. em sua maioria. onde eles possuem mais espaço.Apesar de alguns dizerem que não vale a pena ser cientista no Brasil. Os alunos. sua . oferecendo melhores condições de desenvolvimento da pesquisa. um dos usuários mais interessados nas soluções tecnológicas produzidas no meio universitário.

A cultura é um desses aspectos. não só em quantidade bem como variedade Desvantagens: 1.grande disponibilidade de recursos naturais: minérios.grandes distâncias a serem percorridas. a cultura é representada através de danças e festas como o bumba meu boi. coco. culinária. cocada.grande variedade de climas favorece a plantação de todos os tipos de culturas. broa de milho verde. No Nordeste. pé de moleque. bolo de fubá cozido. maracatu. que busca a mundialização do espaço geográfico. assim. peixes e frutos do mar. buchada de bode. Vantagens: 1. pamonha. A cultura nordestina também está presente no artesanato de rendas. ciranda. Em seguida. . 31) Folclore. cavalhada e capoeira. reisado. 2. contribuíram para a diversidade cultural do Brasil. o conhecimento será construído pelo próprio educando. a população indígena e os escravos africanos foram os primeiros responsáveis pela disseminação cultural no Brasil. árabes. por meio dessa busca. caboclinhos. entre tantos outros. O Brasil. tapioca. japoneses. costumes. As regiões brasileiras apresentam diferentes peculiaridades culturais. Os colonizadores europeus. tentando através dos meios de comunicação criar uma sociedade homogênea. muitas vezes entre a produção primária e comercialização final. Vantagens e desvantagens de se viver em um país pluricultural. alemães.finalidade vai além. por apresentar uma grande dimensão territorial. formar pessoas curiosas acerca do que se passa no mundo. 2. Apesar do processo de globalização. aspectos locais continuam fortemente presentes. várias comunidades continuam mantendo seus costumes e tradições.diversidade cultural acentuada. entre outros. carnaval. configura uma vasta diversidade cultural no seu povo. frevo. arroz doce. danças. os imigrantes italianos. são elementos que integram a cultura de um povo. bolo de massa de mandioca. raças e credos diversos fazem parte da história do nosso povo. A culinária típica é representada pelo sarapatel. podendo causar atritos sociais. religião. Aspectos como a culinária. recursos vegetais e hídricos.

picadinho de jacaré. açaí. buriti. pamonha. Festival de Paratins a maior festa do boi-bumbá do país. bacuri.como o Pintado. As frutas típicas são: cupuaçu. pato no tucupi. . graviola. Pacu e Dourado. mussarela de búfala. os peixes do Pantanal . e recebe forte influência da culinária mineira e paulista. Pratos como otacacá. cural. taperebá. empadão goiano.Capoeira O Centro-oeste brasileiro tem sua cultura representada pelas Cavalhadas e Procissão do Fogaréu. A culinária apresenta uma grande herança indígena. angu. Cavalhadas em Pirenópolis (GO) As representações culturais no Norte do Brasil estão nas festas populares como o Círio de Nazaré. Os pratos principais são: galinhada com pequi e guariroba. pirarucu de casaca. no Estado de Goiás. A culinária é de origem indígena. o Cururu em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. baseada na mandioca e em peixes.

feijoada. A culinária é muito diversificada. peão de boiadeiro. pau de fita e congada. várias festas populares de cunho religioso são celebradas no interior da região. farofa. festejos da Páscoa e dos santos padroeiros. os principais pratos são: queijo minas. cavalhadas em Minas Gerais. Na culinária estão presentes: churrasco. o fandango de influência portuguesa e espanhola. espanhóis e. bumba meu boi. vinho. pão de queijo. camarão. moqueca capixaba. pirão. alemães e italianos. pirão de peixe.Festival de Paratins (AM) No Sudeste. como a Festa da Uva (cultura italiana) e a Oktoberfest (cultura alemã). principalmente. carnaval. tutu de feijão. com destaque para a peregrinação a Aparecida (SP). marreco assado. barreado (cozido de carne em uma panela de barro). congada. Feijoada O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses. Festa do Divino. etc. feijão tropeiro. chimarrão. Algumas cidades ainda celebram as tradições dos antepassados em festas típicas. .

Explica e dá sentido a cosmologia social. não como pessoas. São práticas e ações sociais que seguem um padrão determinado no espaço/tempo. E mais. uma assinatura feita por nós mesmos. E o mais interessante. danças. cuidar) é um termo com várias acepções. Pelo menos é assim que nos vêem os outros povos.A diversidade cultural engloba as diferenças culturais que existem entre as pessoas. características ou elementos diferentes entre si. Quando falamos em nação ou sociedade. construindo nossa identidade nacional? Será que temos mesmo uma única e autêntica identidade nacional? Quando falamos em identidade. é a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período. cultivar o solo. que povo realmente somos e. que são os nomes de nossos pais. a forma como eles interagem com o ambiente etc. em diferentes níveis de profundidade e diferente especificidade. a cidade onde nascemos. que permite sermos identificados. O termo diversidade diz respeito à variedade e convivência de idéias. Cultura (do latim cultura. podemos conferir se a sociedade . como definir quem realmente somos em meio à diversidade cultural? Como viemos. valores. ficamos na maior “crise de identidade”. Saber. a data de nascimento. logo pensamos em quem somos. uma foto registrando nossa fisionomia. E que ainda contém um número de registro geral. a nossa nacionalidade. enquanto povo e nação ao longo da história. ou melhor. O processo social de transmissão de cultura é a educação ou criação familiar. A cada geração vai se transmitindo. quando somos indagados e questionados sobre nossa identidade nacional. situação ou ambiente. com suas devidas características. Podemos descobrir como a nossa nação e nós. mas como um número em meio a tantos outros. como a linguagem. por exemplo. na maioria das vezes. enquanto povo fomos constituídos. ou seja. Vêm à nossa mente os nossos “dados pessoais”. não é diferente. a que nação e povo pertencemos. regras morais que permeiam e "preenchem" a sociedade. comportamentos. Costumamos dizer e ouvir que somos o povo brasileiro! Que vivemos no país do futebol e do carnaval. nossa filiação. bem como a forma como as sociedades organizam-se conforme a sua concepção de moral e de religião. quais as características culturais que podemos encontrar na formação e depois no desenvolvimento da nossa sociedade brasileira. qual o sentido da nossa formação enquanto nação. ou seja. Contudo. Se refere a crenças. nossa impressão digital. tradições e heranças fisicas e biologicas. ensinando aos filhos e jovens certos conhecimentos e valores morais adquiridos pela geração mais velha. instituições. Ora. está ali registrado para todo mundo ver. vestimenta. em determinado assunto.

Bom. é que imigraram muitos outros povos. São os costumes. como os italianos. especificamente pelos portugueses e espanhóis. Herança social e legado cultural: são processos de transmissão cultural. buscaram explicar a formação do povo brasileiro. E o olhar de alguns desses autores foi exclusivamente dedicado ao aspecto cultural. por volta de 1870 em diante.Não. não! Fomos colonizados primeiramente pelos europeus. nem que seja um pouquinho. em busca de trabalho e de uma vida melhor e promissora no Brasil. Muitos sociólogos e historiadores brasileiros.. agir e sentir. O legado cultural que herdamos dos povos que se misturam deu origem aos brasileiros. a maneira de pensar. nação ou povo. irá dizer: . Temos também uma marcante presença dos africanos. enquanto uma nação. as técnicas utilizadas que levam ao desenvolvimento e a interação do homem com a natureza. alemães e holandeses. o que eu tenho com tudo isso? Será que a diversidade cultural do meu país me atinge diretamente ou somente de forma indireta?” A cultura faz parte da totalidade de uma determinada sociedade.brasileira ainda está refletindo tradicionalmente as mesmas características culturais de quando foi formada! Entender como tudo começou. “E eu. . Tudo que diz respeito a uma sociedade. todos nós sabemos. as tradições. nos quais as gerações mais velhas transmitem às gerações mais jovens a cultura do grupo.. Se alguém chegar a você e disser: . Essa totalidade é tudo o que configura o viver coletivo. a partir do século XIX. que ocorrem ao longo da história. depois.O Brasil foi colonizado pelos egípcios! Logo você irá franzir a testa e. que foram trazidos para cá como escravos e os indígenas que aqui já viviam. os hábitos. caracterizado pela diversidade cultural. nos levará a compreender a grande diversidade cultural que caracteriza nosso país! Já que a cultura é um dos instrumentos de análise e compreensão do comportamento humano social. da história da colonização do nosso país. dando uma boa aula de história do Brasil.

A diversidade linguística atual Estima-se que atualmente existam. a maioria destes povos desapareceu e a população indígenas chegou a um número alarmante: apenas 300. cerca de 200 línguas indígenas faladas por quase igual número de povos que habitam este território. O Brasil é um país que tem uma língua oficialmente reconhecida. 12% a 36% de cognatos. o Aruak e o Karib e a outras famílias menores. estima-se que a população indígena brasileira está se recuperando e que. e que têm em comum uma extrema religiosidade. no Brasil. que é o português. a partir de uma miscigenação. os pesquisadores observam os cognatos. enquanto a população nacional soma mais de 150 milhões de brasileiros. temporais e históricas. Línguas da mesma família. falado pela imensa maioria de seus habitantes. que são palavras que línguas com a mesma origem conservam em comum e a regularidade dos sons. organizados em diferentes povos indígenas. a princípio. tomamos um caso que estamos mais familiarizados. são hábeis agricultores. Para saber o parentesco entre as línguas. 32) Diversidade lingüística no Brasil – diferenças entre grupos sociais. com uma provável origem no estado de Rondônia. A língua portuguesa foi herdada dos colonizadores portugueses que aqui chegaram no século XVI. regiões. o Tupi e o Macro-Jê. Estas línguas estão filiadas a dois troncos linguísticos principais. quando chegou a frota de Pedro Álvares Cabral. que foi a mistura de basicamente três “raças”: o índio. caracterizada por regras linguísticas.Somos um povo que surgiu de uma grande confluência! Miscigenados! Ou seja. a duas famílias linguísticas mais importantes. O interesse em conhecer a diversidade linguística brasileira reside no fato de que estas diferenças expressam uma diversidade cultural entre os diferentes povos que aqui vivem. com diferentes culturas e denominações. Hoje. uma estrutura gramatical particular. Por uma processo histórico que desenvolveu-se nos últimos 400 anos de contatos destas sociedades indígenas primeiramente com os europeus e mais tarde com a população nacional. alguém com conhecimentos a este respeito saberá que se está tratando de um conjunto de povos. os números experimentam um aumento ao invés de uma diminuição. Desta maneira o parentesco entre as línguas variam da seguinte maneira: línguas pertencentes a um mesmo tronco têm entre si. Por volta do ano de 1500. o branco e o negro. Para tal. Cada povo portador de uma cultura tinha uma língua própria. têm entre 36% a 80% de cognatos e dialetos tem 80% ou mais de semelhantes. . Houve um verdadeiro genocídio neste período. O exemplo abaixo deixará mais claro o que se está afirmando. qual seja.000 pessoas. vocabulários. pela primeira vez na história. o povo brasileiro foi formado. a família linguística do Latim. bem como oferecem um critério para organização e compreensão dos mesmos. Ao dizer que um povo é Tupi. na costa do país que hoje conhecemos como Brasil havia uma população estimada em cerca de seis milhões de índios.

Diversidade Lingüística Tema será debatido no dia 13 de dezembro. Os Guarani. Brasília. A Audiência Pública é resultado desse encontro. por exemplo. que baseia-se em metades (exogâmicas ou não). os Cinta-Larga e os Tupinambá são apenas alguns dos povos Tupi. pretende fazer agora um inventário sistemático e detalhado a partir de projectos-piloto sobre três línguas indígenas. falam 180 línguas. em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). que buscou uma política pública voltada ao reconhecimento da pluralidade de línguas como direito de cidadania. Levantamento . são falados atualmente. chamadas de autóctones. e outras comunidades afro-brasileiras. falantes. criado para propor medidas de reconhecimento e valorização da diversidade lingüística no Brasil. A iniciativa é da Comissão de Educação e Cultura. em uma Audiência Pública na Câmara dos Deputados. línguas crioulas e práticas lingüísticas diferenciadas nos quilombos. 29 Fev (Lusa) . tecelões.Segundo relatório do Grupo de Trabalho da Diversidade Lingüística do Brasil (GTDL). e o Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Lingüística (IPOL). Apinayé. autarquia vinculada ao Ministério da Cultura. O mapeamento visa a criação de políticas públicas que assegurem a continuidade das 200 línguas existentes no Brasil e o respeito pelos seus falantes. os Xavante. classes de idades. será apresentado o Inventário Nacional da Diversidade Lingüística. 180 das quais autóctones. as alóctones.bons ceramistas e. no Brasil. e as comunidades de descendentes de imigrantes outras 30. em Brasília. cerca de 200 idiomas. promovido em março do ano passado. das 9h às 17h. Trata-se do resultado de um ano e meio de discussão de um grupo de trabalho interdisciplinar e interministerial. Na ocasião. uma língua de imigração e uma afro-brasileira. . na Câmara dos Deputados A diversidade lingüística brasileira será discutida na próxima quinta-feira. As nações indígenas. ______________________________________________________________ Durante o Seminário Nacional sobre a Criação do Livro de Registro das Línguas. em clãs. usam-se pelo menos duas línguas de sinais de comunidades de surdo-mudos. eventualmente. Além disso. Suyá e Kaingang pertencem ao tronco Macro-Jê . Os povos Macro-Jê opõem uma cultura material muito simples a uma organização social extremamente complexa. de nações indígenas. ou seja.O Brasil começa a ter consciência de sua diversidade linguística e a reconhecer que o português não é único idioma falado no país. também na Câmara dos Deputados. um instrumento legal de identificação. casa de homens. dia 13 de dezembro. Um grupo de trabalho sobre a diversidade linguística brasileira. especialistas e técnicos do Iphan reuniram-se para discutir medidas de proteção da diversidade linguística do país. documentação. onde existem cerca de 200 línguas. criado em 2006. os Kayabi. muitos já reconhecidos pelo Estado. reconhecimento e valorização das línguas que constituem referências culturais para os brasileiros.

as nossas danças. as matas. variante da língua italiana. "O povo que perde a sua língua perde a sua alma". técnica de registo do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan). depois. língua geral da Amazónia. pela primeira vez. A estimativa dos especialistas é de que havia 1. O que faz uma nação viva é a língua. A política dos portugueses e. os nossos cantos continuam com a gente. sobre esta diversidade com um olhar de valorização e reconhecimento das línguas faladas em seu território. estar horas sob o sol quente. Segundo a especialista. lembrou Luciano. mas a nossa língua. por exemplo. a sua forma de expressar". como disse Fernão de Oliveira na primeira gramática da língua portuguesa (1536). O Brasil é uma convergência de culturas e todos têm o direito de se expressar na língua que aprenderam com seus antepassados". até trabalhos forçados ou castigos com efeitos psicológicos. que é a nossa maior riqueza. dialecto alemão. "Uma das modalidades de que fui várias vezes vítima era um pedaço de pau pesado e grande que eles amarravam nas nossas costas com a frase: `Eu não sei falar português`. e o talian. especialmente no Estado Novo (1937-1945). Os castigos passavam por ficar sem comer um dia.078 línguas indígenas quando os portugueses aportaram ao Brasil. levou a um processo de glotocídio. "Na década de 80. o Estado brasileiro vai debruçar-se. afirmou à Lusa o linguista Pedro Garcez. todavia. Os imigrantes e seus descendentes também passaram por violenta repressão."É o resgate da nossa diversidade. "É triste a gente constatar que houve uma política de eliminação de línguas e que ainda hoje há no Brasil muitos preconceitos linguísticos e impedimentos de uso de línguas. que resistiram. região Centro-Oeste. que tentou pôr fim às línguas de imigração no Brasil. O guarani foi umas das línguas que sobreviveram à imposição do português no Brasil como único idioma legítimo. isto é. regime instaurado por Getúlio Vargas. A placa provocava pavor e extremo constrangimento". como o hunsrückisch. "Nós perdemos a nossa terra. há cerca de 60 mil falantes do guarani no Brasil. eliminação de línguas. Quem não cumpria as ordens era severamente punido". falante de nheengatu. 40 mil deles no Estado do Mato Grosso do Sul. afirmou à Lusa o representante dos Guarani Kayowá. Naquela altura. destacou. houve a chamada "nacionalização do ensino". . disse hoje à Lusa Jane de Alencar.ainda éramos proibidos de falar nossas línguas maternas nas escolasinternato dos missionários. De acordo com Peralta. nos meios de comunicação". do próprio Estado Brasileiro de impor a todos a língua "companheira do Império". contou Gersem dos Santos Luciano. Anastácio Peralta.

"Esta é uma luta árdua. Finalmente o governo está olhando para os invisíveis".Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. desapareceu no país. originário da África Subsariana. disse à agência Lusa o presidente da Associação Cultural de Preservação do Património Bantu. Raimundo Konmannanjy. . que. como as outras línguas africanas. único professor no Brasil de uma das línguas do povo bantu. O curso introdutório à língua kikongo proposto pela Associação está parado há dois anos por falta de recursos e Konmannanjy procura agora a ajuda de angolanos para tentar ressuscitar o projecto. é muito importante reconhecer a diversidade linguística "como um recurso e não como problema". indicou que hoje é difícil até fazer um pequeno diálogo em kikongo.

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