Dança Popular Flor de Babaçu

24/02/2003 Grupo ‘Outra Saúde’ Produzido por: Adriana Marques

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História da prática 3. Dimensão coletiva da prática 8. Comentários sobre a prática de cura no grupo de dança Originalidade Fim a que se subordina a saúde Ressignificação cultural da prática Referências bibliográficas Anexos_ Textos de apoio: Texto 1 .Sumário 1.Dança Sagrada Texto 2 – Dança Popular 2 . Entrevista com curador e curandos 7. Modelo existencial adotado pela prática 9. Papel do curador e do curando no processo de cura 6. Como acontece a cura nesta prática 4. Definição da prática 2. Conceitos encontrados: Saúde Doença Cura 5.

tambor crioulo... e. .. baralho.captar os ensinamentos contidos nas manifestações populares (dança. 2 Informações fruto de entrevista com a coordenadora do grupo em 11/2002 3 .. toque. entrevista com a coordenadora do grupo e participantes. samba de roda. As danças mais comuns.. desde meados do ano 2000.Grupo de Danças: ‘Flor de Babaçu’1 1. “cultura dos povos da terra guardam nossa história. aproximando-se do corpo de intenções das ‘danças circulares ou sagradas’. O perfil de formação da coordenadora vem permitindo que o grupo amplie suas potencialidades... a música e o canto das danças maranhenses como instrumento para harmonização e desenvolvimento pessoal e coletivo. estendendo seus objetivos do âmbito das danças populares ao âmbito do auto-conhecimento e harmonização consciente. jongo.vivenciar outras culturas/etnias (.. Definição da prática Grupo que utiliza a gestualidade. sabedoria passada de geração em geração”. ciranda. utilizadas pelo grupo são: caroço. canto.ressignificar3 os conteúdos tradicionais populares das danças nos centros urbanos (tradicional contemporâneo). História da prática O grupo ‘Flor de Babaçu’. 1 Estudo desenvolvido com base a vivências junto ao grupo ‘ Flor de Babaçu’ por parte dos pesquisadores. cacuriá (danças de caixa). . Objetivo do grupo2: . 2.cada etnia guarda um pedaço da história.). vem reunindo-se em Brasília. que são antigas tradições do coletivo. . côco.mergulhar no universo das tradições populares vivenciando seu conteúdo..). O grupo conta com a presença de uma coordenadora que além de possuir vivência em danças populares do Maranhão. pesquisas em sites da Internet e material bibliográfico. na sua maioria universitários da Universidade de Brasília. Possui hoje aproximadamente 40 componentes (chamados ‘brincantes’). com o propósito inicial de vivência e pesquisa de danças populares do Maranhão. música. domina também conhecimentos de dança enquanto processo de auto-conhecimento e auto-cura. individual e grupal.

pelo ritmo e pela pulsação da dança.numa sociedade tribal a arte acontece. construir instrumentos. Participantes/ brincantes são estimulados por intermédio da dança. Processo favorece4: . etc”. mas recuperar a relação com o coletivo.). . afetivo.recuperar as vivências familiares e comunitárias. verdadeiro.. você vive a arte. 3. .expressão do indivíduo dentro do coletivo. .. .. espontâneo. observar o grupo. bordar.. ninguém se junta para fazer arte. música e canto a estabelecerem uma conexão interna consigo mesmos e com o grupo/coletivo/universo.recuperar o espírito tribal: “.indução consciente para observar a si. 3 Ressignificação entendida como transposição de determinados elementos culturais da prática a um novo contexto. .a proposta do Flor não é viver o tribal/coletivo como na sua origem (interior do Maranhão) e desfazer escritórios. recriadas nas danças populares. A cura é uma meta do curador (coordenadora do grupo) para com seus participantes/ brincantes. .. observar e se deixar levar pelo tambor..respeito a si próprio.. Como acontece a cura O grupo não tem objetivo específico de cura. ..vivenciar a criatividade contida na dança /música como expressão de cotidiano-comunitário (.. integral. .incentivar a transformação amorosa da pessoa. repetitivos e pelos novos ritmos criados de forma singular pelo (s) parceiros(s). costurar.. você simplesmente vive”). casas.vivenciar as necessidades essenciais /básicas dos indivíduos /coletivo (cozinhar. apesar de não ser evidenciada enquanto objetivo primordial da prática. ao outro e ao coletivo. “a arte acontece na vida. no dia-a-dia.doação do indivíduo ao coletivo (empréstimo da individualidade ao coletivo). observar e se deixar levar pelos passos cadenciados. para criar”. 4 Informações fruto de entrevista com a coordenadora do grupo em 11/2002 4 . ..vivenciar o simples.

gerando sofrimento.. “ter saúde é um ato de assumir a responsabilidade por si próprio e contribuir com o que está à sua volta”. desequilíbrios e doenças físicas/ espirituais.. à falta de uma dimensão saudável de vida coletiva. a alma escolhe a experiência para o crescimento do ser’’... Doença As doenças dos centros urbanos têm uma causa geralmente associada à desconexão do indivíduo com suas raízes. A doença não é uma força misteriosa que vem de fora.quando realizamos um movimento corporal de forma consciente. com o meio/sociedade. em especial. Os chacras mais conhecidos são sete sendo que o primeiro é denominado chacra básico e rege a relação do indivíduo com o coletivo. com apoio mútuo e alegria genuína vindas do coração. chacra básico-tribal (trabalho prevê a busca de raízes. origens. Ela não é. A vida moderna vem imprimindo cada vez mais uma ênfase em experiências mentais em detrimento das intuitivas e espirituais proporcionando uma fragmentação do ser. origens. pode impulsionar a pessoa ao autoconhecimento e crescimento. a doença é não olhar para a gente”. e. isolamento. Conceitos6 Saúde Harmonia das pessoas com elas mesmas... conseguimos assimilar com mais facilidade o aprendizado.‘enraizamento’ do indivíduo e do grupo: trabalho específico e indireto com os chacras5. possibilitando o ‘centramento’ do indivíduo e do grupo: “.consciência da transformação do coletivo. por sua vez. 6 Informações fruto de entrevista com a coordenadora do grupo em 11/2002 5 . 4. com o coletivo e com o cosmos . ela pode servir de alerta. “. A doença é então fruto de uma desarmonia das pessoas com elas mesmas. .. dor. necessariamente uma ‘coisa ruim’. A doença é uma experiência da alma ‘’. base. com o planeta. e podemos realizar mudanças significativas em nossas vidas”.alteração de consciência enquanto se canta e se dança. a busca do simples e essencial). e nos abrimos a um contato mais profundo com nosso ser e com o coletivo. Cura 5 Os chacras são conhecidos como centros de energia do corpo.. .. à falta de vivência de solidariedade e respeito. e.

Deus está dentro da gente e assim somos capazes de criar a nossa própria realidade e a nossa própria cura.cada ser é o responsável pelo próprio crescimento e cura”. Deus te dá a cura. dança sempre inventando sua dança e interagindo com a dança do outro. A partir daí. etc.) e na sua vida pessoal/individual. aprimorando seu caminho de auto-conhecimento.. A cura é responsabilidade de cada um’’. Entrevista com curador e curando Curador Curador usa sua prática de cura? Sim. auto-cura e ao compromisso com a harmonização do coletivo. para isso vem assumindo uma atitude mais ativa de auto-observação e auto-conhecimento... As manifestações populares associadas ao Flor de Babaçu foram inserias no cotidiano familiar do curador (aniversários.. 6. 6 .‘’ Você se dá a cura. busca assumir a responsabilidade pela sua criação e atuar na sua transformação de forma a retomar o equilíbrio desfeito. Como o curador se cura? Faz uso da radiestesia há 10 anos. Atualmente vem assumindo o propósito de curar a si mesma. 5. Curando Entregar-se com consciência ao auto-conhecimento. comemorações de luas cheias. Papel do curador (coordenador do grupo) e do curando (brincantes) no processo de cura Curador Facilitar e apoiar os processos de auto-conhecimento e de demais aprendizagens realizadas na intimidade do ser e no coletivo: “. Este processo consta de observar a enfermidade /dor /desarmonia e promover uma associação com a origem psico-espiritual desse desequilíbrio.

. Essas danças sagradas.. concilia as diferenças e integra as polaridades. 7. Dimensão coletiva da prática Danças simples. as danças do ‘Flor’ possibilitam um acesso fácil e sem custo para os participantes. Wosien) 7 ." (B. gerando um mundo novo. valorização das diferenças. respeito. para o novo ser humano. sabedoria que está no presente. ‘centramento’. a prática cotidiana de atuação do ‘Flor’ encontra forte ressonância no modelo de danças sagradas ou circulares. elas ganharam destaque a partir dos anos setenta. e serem passadas de geração a geração. "Dança enquanto casamento interno sagrado que cria a unidade. sua preocupação com o autoconhecimento e auto-cura. força pessoal e espiritual. Curando O que buscava neste trabalho? Dançar e se alegrar em conjunto com os amigos. interdependência das relações humanas e ambientais. e. Aplicável a um grande número de pessoas. pela Findhorn Foundation (Escócia) que destacou o caráter harmonizador e curativo dessa prática.. de fácil aprendizado e sem necessidade de aprendizado anterior. 8.. O que encontrou? Reencontro das suas raízes.Para facilitar o processo de auto-observação ela tem utilizado a dança como aliada. ‘’. desenvolvendo o aprendizado de lidar com as energias que envolvem o seu próprio corpo numa perspectiva de recuperar sua fé em si mesma e sua sabedoria “. bem como com o fortalecimento de grupos/tribos por intermédio do incentivo a valores de solidariedade. mas tem elos importantes com a ancestralidade”. Modelo existencial adotado pela prática Apesar da sua base popular /folclórica do Maranhão.uma grande família’’. apesar de fazerem parte da história da humanidade.

Dança é união. por intermédio de um “. mente e espírito. Através dos passos repetidos que cada dança possui entra-se num estado meditativo. unir-se.9. paz. o grupo “Flor de Babaçu” se distingue por ser uma prática que não tem o apelo de cura como determinante em sua conformação. onde não se pensa em nada: a mente fica vazia.. com o universo e com Deus. Outra peculiaridade é a imagem inicial apresentada pelo grupo: apesar da ligação direta com as danças populares do Maranhão. apesar de ser um objetivo perseguido pela coordenadora do grupo. Dançar quer dizer. que têm um objetivo bastante claro de atuar na transformação do ser e a harmonia do coletivo.. Comentários sobre a prática de cura no grupo de dança Originalidade Dentro de estudos realizados por diversas práticas de cura. Wosien) Mas. acima de tudo comunicar. Apesar de conflitos e desajustes fazerem parte de alguns momentos. “. estímulo amoroso de todos em direção ao crescimento do ser e do grupo”.. que é por ela apresentada e por todos vivenciada nos encontros grupais. encontrar-se. alegria. um traço que com certeza distingui o grupo ‘Flor’ de outras práticas é a estratégia de sutileza. amor e comunhão. Falar com o próximo e sobre a profundidade do seu ser. E é no vazio que se tem a grande oportunidade de criar” (B. é evidente o forte traço imprimido por características de outras correntes como a das danças circulares/ sagradas. dança é meditação em movimento. a alegria está sempre presente. Fim a que se subordina a saúde Saúde é alcançada em decorrência de uma busca de equilíbrio de harmonia do ser com ele próprio. induzindo estados de ‘religação’ do corpo.. beleza. serenidade. 8 .

podemos dizer que o grupo ‘Flor de Babaçu’ corre o risco de sofrer uma perda de conteúdo se reduzido ao mero entretenimento. (Maurice Bejart) Ressignificação7 cultural das danças populares O ‘Flor de Babaçu’. tendo sofrido não só a adaptação social e cultural da ‘passagem’ de um contexto a outro. mas a ‘ampliação’ de seu significado ao incorporar novos elementos a sua prática. que teve sua origem nas danças populares do Maranhão. já cruzou regiões e veio para o Planalto Central. tão cheio de novos significados e valores. já se mesclou à chamada ‘Nova Era’ e suas ‘Danças Sagradas’. Anatomia do Espírito. oriundos dos ritos de autoconhecimento. desde o início de seu percurso. 2001.de pessoa a pessoa de pessoa com o universo de pessoa com Deus. Carolin. por redução ou. para a capital do país. neste percurso. afastando-se do compromisso com o desenvolvimento pessoal e coletivo. por ampliação. Que grupo é este. trazidos pelas danças circulares e sagradas. canto. vestuário e intencionalidade que o caracterizam. Enquanto proposta ampliada. Anexos_ Textos de apoio: Texto 1: Danças Sagradas Texto 2: Danças Populares 7 Ressignificação entendida como transposição da prática a um novo contexto social e/ou cultural. Saiu das camadas populares e foi acolhido pelos estudantes universitários. sendo que. já atravessou Estados diversos. 9 . ed Cultrix 1997. Internet. Sirlene. vem sofrendo adaptações culturais e sociais. Danças sagradas. gestualidade. seus princípios básicos sofrem alterações de forma e de conteúdo devido a uma tradução por equivalência. Referências bibliográficas: BARRETO. de antigos e novos conteúdos? Sem dúvida é um grupo cuja proposta. MYSS. podemos dizer que como ‘dança folclórica’ o mesmo foi ‘ressignificado’. Apesar da vitoriosa tentativa de manutenção de ritmos. ainda.

Fazem parte também das Danças Circulares as danças criadas a partir de uma orientação intuitiva(Danças da Gestualidade. Workshop's e Vivências). simbolizando a confiança e o apoio mútuo. O QUE SÃO AS DANÇAS SAGRADAS Também conhecidas como "DANÇAS CIRCULARES". de celebração. Bernhard percebeu que alguns povos não dançavam mais as suas danças. sendo ensinadas hoje pelo mundo todo." Autora: Sirlene Barreto 2000 Organizado por: Adriana Marques 2003 INTRODUÇÃO As Danças sempre estiveram presentes na história da humanidade (nascimento. e como instrumento de auto-conhecimento e auto-cura. o trabalho é feito de mãos dadas. Danças Curativas e Danças dos Florais de Bach). As Danças Sagradas são utilizadas para reunir pessoas em alegres celebrações. como também para harmonização individual e grupal. Nosso ser se engrandece e agradece. morte) e refletiam a necessidade de comunhão. integração. A força do Círculo é conhecida há séculos. e ao mesmo tempo tornar a dança acessível a todos. Em 1976 levou para a Findhorn Foundation (Escócia) uma coletânea de algumas destas danças. são danças tradicionais de diferentes países. e é um poderoso símbolo de unidade e totalidade. onde 10 . e as atitudes de competição são substituídas por atitudes cooperativas. Durante a Dança. de união entre as pessoas. Estas últimas trabalham temas específicos de cura e crescimento. Ele então começou a fazer um trabalho de estudar e colecionar essas Danças Populares. No Círculo não existe hierarquia. e foram desenvolvidas na Findhorn Foundation(Escócia) nos últimos 20 anos. plantio. Visitando alguns lugares da Europa para conhecer as danças dos povos de cada país. casamento. resgatando o contato com a tradição dos povos antigos. verificou o bem que aquelas danças faziam aos participantes. criando um ambiente de comunhão entre eles. e que algo muito importante estava sendo perdido.DANÇAS SAGRADAS "Vivenciar as Danças Circulares é vivenciar a plenitude da vida. onde foram muito bem aceitas. e são muito utilizadas em atividades de auto-conhecimento(Cursos. colheita. O coreógrafo alemão chamado Bernhard Wosien procurava encontrar um significado maior no ato de dançar.

Alguns Benefícios Trazidos Pelas Danças Circulares Sagradas: . o amor que existe dentro de cada um. 11 . E é no vazio que se tem a grande oportunidade de CRIAR.Ampliam a percepção. auxiliando assim no desenvolvimento pessoal e espiritual. onde não se pensa em nada: a mente fica vazia.Incentivam o indivíduo a expressar o que ele tem de melhor dentro de si.Trazem flexibilidade e auto-confiança para a vida. a paz.Harmonizam o grupo antes e depois de praticar suas tarefas cotidianas. .Encorajam as pessoas a ocupar o seu lugar e o seu espaço. a integração.Proporcionam o trabalho em grupo sem que a pessoa perca sua individualidade. a beleza.Trazem musicalidade e ritmo para a vida diária. emocional. podem-se identificar os sentimentos. . mental e espiritual.Trazem uma maior auto-disciplina e centramento.Trazem a leveza. manifestando o melhor de cada um.Equilibram o corpo físico. a comunhão e a cooperação. .São instrumentos suaves de auto-conhecimento e auto-cura. permitindo que a qualidade de cada Dança entre no ser. Através dos passos repetidos que cada Dança possui. . O contato com o "Sagrado" destas Danças é feito também por intermédio de uma conexão com a intenção e o propósito de cada ser. Por intermédio destas danças pode-se trazer o que cada pessoa tem de melhor dentro de si para ser manifestado na vida cotidiana. . a serenidade. as potencialidades e as qualidades que ainda se encontram adormecidas no ser humano. e possa transformar o que seja necessário. . .os participantes do grupo podem ajudar a superar os erros uns dos outros. se entra num estado meditativo. .Desenvolvem o apoio mútuo. a concentração e a atenção. . A Dança Sagrada é uma meditação em movimento. . a alegria. .

o respeito. aprendemos a nos apoiar mutuamente. Sirlene Barreto E-mail: sirlene@terra. CONCLUSÃO Nas Danças Sagradas experimentamos alguns sentimentos e emoções que nos une ainda mais ao grupo que convivemos. a expressar o amor mais puro que temos dentro de nós. Por ser um instrumento tão antigo e simples. possibilitando a abertura para novos relacionamentos. ajudando a transformar medos.. as DANÇAS SAGRADAS trazem esta nova perspectiva para os participantes destes círculos. Ao dançar nestes círculos. ansiedades. a compaixão.Ajudam a combater o stress.com. a depressão. angústias.Desenvolvem a auto-estima. . Dançar nos traz prazer e vontade de viver.br 12 . a confiança. a expressão. a olhar para o outro de igual para igual. e que muitas vezes se encontra adormecido. nos traz força e alegria. a cooperação no cotidiano. da LEVEZA e da MEDITAÇÃO. a força da vida. auxiliando assim nas transformações que se fizerem necessárias para cada um encontrar o seu BEM ESTAR. melhorando a qualidade de suas vidas através da ALEGRIA. a utilizar a criatividade.

ou a tarefas de trabalho coletivo. pode-se dizer. são as expressões mais fiéis de nosso espírito musical. ao sentido lúdico e utilitário. quadrilha. acontecimentos dignos de serem periodicamente rememorados como exemplos de coesão social. à graça dos ademanes e aos atributos da resistência física em manifestações de saúde.Danças populares Organizado por Adriana Marques. As danças brasileiras. As danças folclóricas existem em quase todos os países do mundo e são capazes de traduzir a fisionomia típica de certa época ou sociedade. no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. de par enlaçado. como a chimarrita. quanto existe um só dançador. De qualquer maneira. sendo uma manifestação espontânea de uma coletividade. 07/02/2003 Desde a mais alta antiguidade. praças públicas e possui estruturação própria através da reunião de seus participantes e ensaios periódicos. sendo de par. Tem como cenário normal às ruas. alegria e vigor. Existem também as de fileiras em que os dançadores se colocam uns atrás dos outros em duas filas que se defrontam. associando a música ao gesto. não só pela quantidade e variação. em: solistas. como as primitivas. ficando o dançador ou o par no centro. outras evocam fatos épicos. como no frevo. ao ritmo. como na dança de São Gonçalo Quanto à motivação as danças podem ser: 13 . como a valsa. são de roda. Existem ainda as que. ensinando a alegria da cooperação. aceita pela sociedade onde subsiste. os pares giram em roda. com base em pesquisas em diversos sites na internet. como o jongo. Classificação: As danças folclóricas podem ser classificadas coreograficamente. Muitas delas são ligadas a manifestações de cunho religioso. pois nelas os participantes fazem roda. apresentam incomparável valor folclórico. como no caso do samba de roda ou batuque. conforme o número de participantes. outras servem de atos propiciatórios. é um fato folclórico completo. como pela sua freqüência. visto que conjugam os mais diversos aspectos da vida cotidiana.: ciranda. ex. A dança. a dança esteve sempre presente entre a humanidade. largos. de par solto. Algumas danças. podendo haver aquelas em que o par se enlaça e se separa conforme as marcações. à cor.

Nos primeiros. provavelmente conservando as mesmas características essenciais de séculos atrás: tambores de troncos de árvores e couro de animais. sendo algumas também de cortejo. São conhecidos ‘Bois’ de matraca (comuns na ilha de São Luís e em parte do interior maranhense). Profanas: Fandango. É executado em círculo. batuque contagiante e dança sensual. Guerreiras: como Congada. Cururu. No início era dançado apenas ao som da caixa do divino. Lúdicas: como as danças de roda das crianças. Já os ‘Bois’ de orquestra. Quadrilha. Mouros e Cristãos. Agora podem ser vistos por qualquer um nos festejos de rua e terreiro. executada apenas pelas mulheres. a base instrumental fica por conta das matracas. Tambor de crioula O Tambor é de tradição negra. de onde vem sua origem. 14 . Mímicas: quando os dançadores imitam alguma coisa. constituídas por dois pedaços de madeira. Danças mais frequentes no Maranhão: Bumba-meu-boi Tradicionalmente existem três espécies de Bumba-meu-boi no Maranhão. que dão à esses grupos um caráter mais sofisticado. Batuque. agitadas e frenéticas. algumas danças mágico-religiosas dos ritos primitivos. além de instrumentos de percussão. que se diferenciam na indumentária e. nos ritmos. sendo do último tipo. instrumentos que se sobressaem nos grupos que levam essa denominação. com os do candomblé. As zabumbas são os bumbos. cavaquinho. flauta e clarineta. Cacuriá O Cacuriá surgiu na Festa do Divino. e se utiliza da percussão das caixas do Divino Espírito Santo. foi o rítmo que embalou a esperança e espantou o medo e a tristeza de negros quilombolas que fugiam da escravidão para se refugiar nas matas. utilizam diversos instrumentos de sopro. Dramáticas: Cheganças. Maracatu. e. Funerárias: Axexê. Quanto à movimentação. unindo às caixas outros instrumentos como violão.Religiosas: Santa Cruz. em São Luis do Maranhão. elas podem ser: tranqüilas. denominados sotaques. Praticado em várias regiões do Maranhão. Jongo. São Gonçalo. de zabumba e orquestra. Mais recentemente. Coco. principalmente. uma senhora maranhense apelidada de Dona Teté passou a difundir a dança e criou novas canções.

juntamos mão com mão. ou punga. no centro da roda. de preferência. na cidade de Goiana(a 62 km do Recife). utilizando um outro instrumento fundamental nessa manifestação que é pura alegria: as palmas das mãos. O dançador fica em frente a sua dama. biritador (atabaques de couro). Outros casais se aproximam. A música serve para facilitar e coordenar os movimentos. e basta ter espaço para as mulheres fazerem uma animada roda que a festa tem início. formando uma roda e cantando uma canção". Ela segura saia delicadamente. desde que convidados por uma "umbigada". Ciranda "Para dançar ciranda. sem sair do lugar. com pés descalços. Dança do côco Trata-se de uma Dança de roda cantada. com acompanhamentos rítmicos à base de palmas e instrumentos como viola e violão. Os instrumentos usados são os de percussão tambu. candongueiro.Uma das curiosidades da dança é a umbigada. O certo é que a dança começou a se desenvolver no Brasil. a ciranda tem origem em Portugal. que 15 . Segundo alguns folcloristas tem sua origem no trabalho escravo de quebrar "cocos". Jongo O Canto tem papel muito importante e dela participam homens e mulheres. Com meneios e requebros a mulher acompanha galanteios do cavalheiro. A ciranda é comandada por um mestre ou mestra. O verso traduz em poucas palavras um dos ritmos mais característicos da cultura pernambucana. Segundo a maioria dos historiadores. Samba de roda Dança de origem africana que se desenvolve em círculo. Qualquer rua ou praça pode ser palco da dança. em seguida. seguido de gestos que as mulheres fazem entre si marcando a substituição da coureira (dançante). que envolve uma batida diferente dos tambores. Para um Tambor se apresentar não se faz muita exigência. parece um baile ao ar livre onde todos podem participar se movimentado à vontade. sem dar umbigadas como no batuque paulista. Muito praticado na Bahia. Os homens tocam os tambores (um total de três) e quem assiste fica ao redor. dançando. como um canto de trabalho. angóia (uma espécie de chocalho). A praia é o lugar adequado para se fazer uma roda e brincar. em um ritmo característico do litoral. O primeiro par se afasta balançando o corpo. se transformando.

"Ciranda acompanha as ondas do mar. Instrumentos As danças folclóricas geralmente são acompanhadas por instrumentos ou conjuntos instrumentais e por palmeados e sapateados. Uma das cirandeiras mais famosas é Maria Madalena Correia do Nascimento. Pandeirões . confeccionados com madeira e couro de animais.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/dancas.tira os versos. Na roda. Alguns dos instrumentos mais utilizados são: Matraca . sendo que em algumas delas enquanto se canta. Produz um som semelhante ao rugido de uma onça. os tocadores não dançam. homens e mulheres exercitam sua sensualidade em círculos.Tambores de grande diâmetro.onça. entoada por um surdo. e um coro.Pedaços de madeira que produzem som ao entrechocarem-se. não se dança e noutras.Instrumento da mesma família da cuíca. a Lia de Itamaracá.Espécie de bumbo. sempre com o pé esquerdo". diz Lia. Tem grandes dimensões e sonoridade grave.html 16 . tarol. Tambor. Site para referência: http://www. ganzá e sax. Zabumba .

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