Exemplos de Retidão

Presidente Thomas S. Monson É nosso dever viver de modo a sermos exemplos de retidão para que as pessoas nos sigam.

Hoje, sei que vocês, meus irmãos, tanto aqui no Centro de Conferências como em milhares de outros lugares, formam o maior grupo do sacerdócio já reunido. Fazemos parte da maior irmandade de todo o mundo. Quão afortunados e abençoados somos como portadores do sacerdócio de Deus. Fomos instruídos e elevados ao ouvir mensagens inspiradas. Oro para poder contar com sua fé e orações ao compartilhar com vocês os pensamentos e sentimentos que tive em mente nos últimos dias, ao preparar meu discurso para vocês. Como portadores do sacerdócio, fomos colocados na Terra em uma época conturbada. Vivemos em um mundo complexo, com muitos conflitos em toda parte. Conspirações políticas desestabilizam nações, déspotas procuram assumir o poder e segmentos da sociedade parecem estar sempre oprimidos, desprovidos de oportunidades e assolados pelo sentimento de fracasso. Nós que fomos ordenados ao sacerdócio de Deus podemos fazer a diferença. Se nos qualificarmos para receber a ajuda do Senhor, podemos educar rapazes, aperfeiçoar homens e realizar milagres em Seu santo serviço. Nossas oportunidades são ilimitadas. Temos o encargo de ser bons exemplos. Somos revigorados pela verdade de que a maior força no mundo atual é a do poder de Deus agindo por meio do homem. Se estivermos a serviço do Senhor, temos o direito de receber Sua ajuda. Nunca se esqueçam dessa verdade. Esse auxílio divino, contudo, depende de nossa dignidade. Cada um deve-se perguntar: Minhas mãos estão limpas? Meu coração é puro? Sou um servo digno do Senhor? Estamos cercados por muitas distrações que visam afastar-nos das coisas virtuosas e boas e atrair-nos para as que nos tornam indignos de exercer o sacerdócio que possuímos. Falo não apenas aos rapazes do Sacerdócio Aarônico, mas aos homens de todas as idades. As tentações se apresentam de várias formas ao longo de nossa vida. Irmãos, estamos qualificados em todos os momentos para cumprir os sagrados deveres associados ao sacerdócio que possuímos? Rapazes, vocês que são sacerdotes, estão limpos de corpo e espírito ao sentaremse à mesa do sacramento no domingo e abençoarem os emblemas do sacramento? Rapazes que são mestres, vocês estão dignos de preparar o sacramento? Diáconos, ao distribuírem o sacramento aos membros da Igreja, fazem isso sabendo que estão espiritualmente qualificados para fazê-lo? Cada um de vocês compreende plenamente a importância de todos os sagrados deveres que cumprem? Meus jovens amigos, sejam fortes. Estamos cercados pelas filosofias dos homens. A face do pecado hoje freqüentemente veste a máscara da tolerância. Não se deixem enganar; por trás da fachada existem desapontamentos, infelicidade e dor. Vocês sabem o que é certo e o que é errado, e nenhum disfarce, por mais atraente que seja, pode mudar isso. O caráter da transgressão continua o mesmo. Se seus pretensos amigos o instarem a fazer algo que você sabe ser errado, é você que deve defender o certo, mesmo que fique sozinho. Tenha a coragem moral de ser uma luz para que os outros o sigam. Não há amizade que tenha mais valor do que sua própria consciência limpa, sua própria pureza moral — e que sentimento glorioso é saber que você está no lugar que lhe foi designado, limpo e confiante de que está digno para fazê-lo. Irmãos do Sacerdócio de Melquisedeque, vocês se esforçam diligentemente todos os dias de sua vida, para viver como deveriam? São bondosos e amorosos com sua esposa e filhos? São honestos em seus negócios com seus semelhantes, em todos os momentos e em todas as situações? Se algum de vocês se desviou pelo caminho, há pessoas que vão ajudá-los a tornar-se

novamente limpos e dignos. Seu bispo ou presidente de ramo está ansioso para ajudá-los e disposto a fazê-lo, e ele vai, com compreensão e compaixão, fazer tudo o que puder para auxiliá-los no processo de arrependimento, para que vocês voltem a ser dignos perante o Senhor. Muitos de vocês se lembram do Presidente N. Eldon Tanner, que serviu como conselheiro de quatro Presidentes da Igreja. Ele foi um exemplo inabalável de retidão durante toda a sua carreira na indústria, em seu serviço no governo do Canadá e constantemente em sua vida particular. Ele deixou-nos este inspirado conselho: “Nada trará maior alegria e sucesso do que viver de acordo com os ensinamentos do evangelho. Sejam um exemplo; sejam uma influência para o bem (…). Todos fomos preordenados para algum trabalho, como servos escolhidos [por Deus] a quem Ele conferiu o sacerdócio e o poder de agir em Seu nome, por considerar-nos dignos. Lembrem-se sempre de que as pessoas estão olhando para vocês, para que as liderem, e vocês estão influenciando a vida delas, seja para o bem ou para o mal, e essa influência será sentida nas gerações vindouras.”1 Meus irmãos, repito que, como portadores do sacerdócio de Deus, é nosso dever viver de modo a sermos exemplos de retidão para que as pessoas nos sigam. Ao ponderar qual seria a melhor maneira de darmos esse exemplo, lembrei-me de uma experiência pessoal ocorrida há alguns anos, quando assistia a uma conferência de estaca. Durante a sessão geral, observei um rapaz sentado com a família no primeiro banco da sede da estaca. Eu estava no púlpito. Com o transcorrer da reunião, comecei a notar que, se eu cruzasse uma perna sobre a outra, o menino fazia o mesmo. Se eu invertesse a posição e cruzasse a outra perna, ele me imitava. Quando eu apoiava as mãos no colo, ele fazia o mesmo. Apoiei o queixo na mão, e ele também o fez. Tudo que eu fazia, ele imitava. Isso prosseguiu até quase o momento de eu falar para a congregação. Decidi fazer um teste com ele. Olhei fixamente na direção dele, certo de que tinha a sua atenção, e então fiz as minhas orelhas se mexerem. Ele tentou, em vão, fazer o mesmo, mas eu o pegara! Ele simplesmente não conseguia fazer com que as orelhas se mexessem. Virou-se para o pai, que estava sentado a seu lado e sussurrou algo para ele. Apontou para as orelhas dele e depois para mim. Quando o pai olhou para mim, obviamente viu as minhas orelhas se mexendo, enquanto eu me mantinha solenemente de braços cruzados, sem mover um músculo. O pai voltou-se, curioso, para o filho, que admitiu a derrota. Por fim, sorriu para mim, embaraçado, e balançou os ombros.Tenho pensado nessa experiência pessoal ao longo dos anos, refletindo sobre como temos a tendência de imitar o exemplo de nossos pais, líderes e colegas, especialmente quando somos jovens. O Profeta Brigham Young disse: “Jamais devemos permitir-nos fazer qualquer coisa que não estejamos dispostos a ver nossos filhos fazerem. Devemos dar-lhes o exemplo que desejamos que imitem”.2 Para vocês que têm filhos rapazes ou que são líderes de rapazes, digo: esforcem-se para ser o tipo de exemplo que os meninos precisam ter. O pai, é claro, deve ser o principal exemplo, e o menino que tiver sido abençoado com um pai digno é realmente afortunado. Mesmo para uma família exemplar, porém, com um pai e uma mãe diligentes e fiéis, podem ser muito úteis o auxílio e o apoio de bons homens que realmente se preocupam. Há também o rapaz que não tem pai, ou cujo pai não está atualmente dando o tipo de exemplo necessário. Para esse rapaz, o Senhor proveu uma rede de pessoas que podem ajudá-lo na Igreja: bispos, consultores, professores, líderes de escotismo, mestres familiares. Sempre que o programa do Senhor estiver funcionando adequadamente, nenhum rapaz da Igreja deve ficar sem a influência de bons homens em sua vida. A eficácia de um bispo, consultor ou professor inspirado tem muito pouco a ver com os indicadores externos de poder ou abundância de bens materiais deste mundo. Os líderes mais influentes geralmente são aqueles que nos inflamam o coração com a devoção à verdade, que fazem a obediência ao dever parecer a essência da hombridade, que transformam um acontecimento comum em uma visão do tipo de pessoa que desejamos ser. Não devemos esquecer Aquele que, de fato, é o nosso principal exemplo: nosso Salvador Jesus Cristo. Seu nascimento foi predito por profetas; anjos anunciaram o início de Seu ministério terreno. Ele crescia “e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”.3 Depois de ter sido batizado por João no rio conhecido como Jordão, deu início a Seu ministério oficial aos homens. Jesus não deu atenção aos sofismas de Satanás.

Para o dever que Lhe foi dado pelo Pai, dedicou-Se de todo o coração, dando a vida por Ele. E que vida imaculada, abnegada, nobre e divina foi a Sua! Jesus trabalhou arduamente. Jesus amou. Jesus serviu. Jesus testificou. Que exemplo melhor poderíamos esforçar-nos para imitar? Comecemos agora, hoje mesmo, a fazê-lo. Desfaçam-se do velho eu e livrem-se assim da derrota, do desespero, da dúvida e da descrença. Andemos em novidade de vida: uma vida de fé, esperança, coragem e alegria. Nenhuma tarefa será demasiadamente grande, nenhuma responsabilidade será demasiadamente pesada, nenhum dever será um fardo. Todas as coisas se tornarão possíveis. Há muitos anos, falei de alguém que seguiu o exemplo do Salvador, permanecendo firme, forte e digno ao enfrentar as tempestades da vida. Ele corajosamente magnificou seus chamados no sacerdócio e deixou um exemplo para todos nós. Seu nome era Thomas Michael Wilson, filho de Willie e Julia Wilson, de Lafayette, Alabama. Quando era ainda adolescente, e ele e a família ainda não eram membros da Igreja, foi acometido de câncer, seguindo-se uma dolorosa radioterapia e uma abençoada remissão. A doença fez com que a família se desse conta de que não só a vida era preciosa, mas que também podia ser curta. Começaram a procurar uma religião para ajudá-los nos momentos de tribulação. Mais tarde, conheceram a Igreja e acabaram sendo batizados, com exceção do pai. Depois de aceitar o evangelho, o jovem Irmão Wilson ansiava pela oportunidade de ser missionário, mesmo sendo mais velho do que a maioria dos rapazes que começavam a servir. Aos 23 anos de idade, recebeu o chamado missionário para servir na Missão Utah Salt Lake City. Os companheiros missionários do Élder Wilson descreveram sua fé como imutável, inquestionável e inabalável. Ele foi um exemplo para todos. Contudo, após 11 meses de serviço missionário, a doença retornou. Um câncer ósseo exigiu que seu braço e o ombro fossem amputados. Ainda assim, ele continuou a trabalhar como missionário. A coragem do Élder Wilson e seu ardoroso desejo de permanecer na missão tocaram de tal forma o pai, que não era membro, levando-o a pesquisar os ensinamentos da Igreja, acabando também por se filiar a ela. Fiquei sabendo que uma pesquisadora que o Élder Wilson havia ensinado fora batizada, mas quis ser confirmada pelo Élder Wilson, a quem muito respeitava. Acompanhada de algumas pessoas, ela viajou até o hospital onde o Élder Wilson estava internado. Ali, com a mão que lhe restara apoiada na cabeça dela, o Élder Wilson a confirmou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O Élder Wilson continuou, mês após mês, realizando seu precioso, mas doloroso trabalho missionário. Bênçãos foram dadas, orações foram proferidas. Devido a seu exemplo de dedicação, seus colegas missionários se achegaram mais a Deus. O estado de saúde do Élder Wilson foi piorando. O fim estava próximo, e ele teve que voltar para casa. Ele pediu para servir por mais um mês, e seu pedido foi concedido. Ele depositou sua fé em Deus, e Aquele em quem Thomas Michael Wilson serenamente confiava abriu-lhe as janelas do céu e derramou inumeráveis bênçãos sobre ele. Seus pais, Willie e Julia Wilson, e seu irmão Tony, vieram até Salt Lake City para ajudar o filho e irmão a voltar para casa, em Alabama. Contudo, ainda havia uma bênção, pela qual muito se havia orado e esperado, a ser concedida. A família convidou-me para ir com eles até o Templo de Jordan River, onde aquelas sagradas ordenanças que unem a família para a eternidade, bem como para esta vida, foram realizadas. Eu disse adeus à família Wilson. Ainda vejo na mente o Élder Wilson, quando me agradeceu por estar com ele e seus entes queridos. Ele disse: “Não importa o que nos aconteça nesta vida, desde que tenhamos o evangelho de Jesus Cristo e o vivamos. Não importa se vou ensinar o evangelho deste lado do véu ou do outro, contanto que eu o ensine”. Que coragem! Que confiança! Que amor! A família Wilson fez a longa viagem de volta para Lafayette, onde o Élder Thomas Michael Wilson se despediu deste mundo e seguiu para a eternidade. Ele foi sepultado ali, usando sua plaqueta missionária. Meus irmãos, ao sairmos agora desta reunião geral do sacerdócio, tomemos todos a decisão de prepararnos para o nosso momento de oportunidade e de honrar o sacerdócio que possuímos por meio do serviço que vamos prestar, das vidas que vamos abençoar e das almas que teremos o privilégio de salvar. Vocês são “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido”4 e podem fazer algo digno de nota. Presto testemunho dessas verdades, em nome de Jesus Cristo, o nosso Salvador. Amém.