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A Submissão das Mulheres 1869 Capítulo 1

O objectivo deste ensaio é explicar, tão claramente quanto me é possível, os fundamentos de uma opinião que mantenho desde os primeiros tempos em que formei qualquer tipo de opinião sobre assuntos sociais e políticos, a qual, em vez de se enfraquecer ou modificar, cresceu cada vez mais forte pela progressiva reflexão e pela experiência da vida: Que o princípio que regula as relações sociais existentes entre os dois sexos – a subordinação legal de um sexo ao outro – é errado em si e, é agora, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento humano; e que deve ser substituído por um princípio de perfeita igualdade, não admitindo qualquer poder ou privilégio para um lado, nem qualquer incapacidade ao outro. As palavras necessárias para expressar a tarefa a que me propus, mostram o quão difícil esta tarefa é. Mas será um erro supor que a dificuldade do caso deva suster-se na insuficiência ou na obscuridade dos fundamentos da razão na qual se suporta a minha convicção. A dificuldade é aquela que existe em todos os casos onde existe um massivo sentimento que tem que ser contestado. Enquanto uma opinião for fortemente apoiada nos sentimentos, ganha, em vez de perder, em estabilidade por ter um peso preponderante aos dos argumentos contrários. Pois, se fosse aceite como resultado de um argumento, a refutação desse argumento poderia abanar a solidez da convicção; mas quando se mantém somente no sentimento, quanto pior se fica na contestação argumentativa, mais persuadidos ficam os seus apoiantes de que o seu sentimento deve ser mais profundo, ao qual os puros argumentos não chegam; e enquanto o sentimento ficar, irá sempre atirar novas barreiras argumentativas para reparar qualquer brecha feitas nas antigas. E há tantas causas que tendem a ligar os mais intensos e persuasivos de todos os sentimentos com este assunto, aqueles que se relacionam melhor e protegem as antigas instituições e tradições, que não nos surpreendemos ao encontrá-los ainda menos debilitados e vagos do que quaisquer outros pelo progresso da grande transição espiritual e social moderna; nem supor que os barbarismos aos quais os homens se ligam durante mais tempo devam ser menos barbarismos que aqueles que eles inicialmente abanaram. Em qualquer aspecto o fardo é pesado para aqueles que atacam uma opinião quase universal. Têm que ser muito afortunados assim como inusitadamente capazes se se conseguirem fazer ouvir de todo. Têm mais dificuldade em obter um julgamento que qualquer outro litigante em ter um veredicto. Se eles “arrancam” uma audição, estão sujeitos a um leque de requerimentos lógicos totalmente diferentes daqueles requeridos a outras pessoas. Em todos os outros casos, o ónus da prova é suposto ficar na afirmativa. Se uma pessoa é acusada de assassinato, é da responsabilidade daqueles que o acusam de provar a sua culpa, e não é o próprio assassino que prova a sua própria inocência. Se há uma diferença de opinião sobre a realidade de um qualquer alegado evento histórico, no qual o sentimento dos homens em geral não está

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muito interessado, como por exemplo a Guerra de Tróia, àqueles que mantêm que o evento teve lugar, é esperado que o provem, antes de aqueles que tomam o outro partido, possam dizer alguma coisa; e nunca a estes está a ser pedido que façam mais do que mostrar que a evidência produzida pelos outros não tem qualquer valor. Mais uma vez, em assuntos práticos, é suposto o ónus da prova estar com aqueles que são contra a liberdade; que lutam por qualquer restrição ou proibição; seja qualquer limitação de uma liberdade geral na acção humana, ou qualquer desqualificação ou disparidade de privilégios afectando uma pessoa ou tipo de pessoas, em comparação com outras. A presunção à priori é a favor da liberdade e da imparcialidade. Assume-se que não deve haver restrições não pretendidas pelo bem comum, e que a lei não deve ser a favor de pessoas, mas deve tratar todas de igual modo, salvo onde a dissemelhança de tratamento é requerida por razões positivas, seja de justiça ou de política. Mas de nenhuma destas regras de evidência serão permitidos benefícios àqueles que mantêm a opinião que eu defendo. É inútil para mim dizer que aqueles que mantêm a doutrina de que os homens têm direito a comandar e que as mulheres estão sobre a obrigação de obedecer, ou que os homens estão preparados para o governo e as mulheres não, estão do lado afirmativo da questão, e são obrigados a mostrar evidências positivas para as asserções, ou submeter-se à sua rejeição. É igualmente inútil para mim dizer que aqueles que negam às mulheres qualquer liberdade ou privilégio, correctamente permitidos aos homens, tem a presunção dupla contra eles de que se estão a opor à liberdade e a recomendar parcialidade, têm que ser mantidos pela estrita prova do seu caso, e a menos que o seu sucesso seja de tal maneira que exclui toda a dúvida, o julgamento deve ir contra eles. Isto seria pensado como uma boa contestação em qualquer caso comum; mas não irão ser pensados assim neste momento. Antes de ter a esperança de causar alguma impressão, esperam de mim que responda, não apenas a tudo o que já foi dito por aqueles que tomam o outro lado da questão, como imaginar tudo o que possa ser dito por eles – para ver a sua razão, tal como nas respostas: e para além de refutar todos os argumentos pela positiva, serei indiciado para argumentos positivos invencíveis para provar um negativo. E mesmo que consiga fazer isto tudo, mas deixe o partido oposto com alguns argumentos contra eles sem respostas, e sem um único irrefutável, penso que fiz muito pouco; para uma causa suportada, por um lado, por um uso universal, e, por outro lado, por uma grande preponderância do sentimento popular, é suposto ter a presunção a seu favor, superior a qualquer convicção, a qual, um apelo à razão tem a força de se produzir em qualquer intelecto menos naqueles das classes altas. Não menciono estas dificuldades para me queixar delas; primeiro porque seria inútil; são inseparáveis da luta que se tem, através do entendimento das pessoas, contra a hostilidade dos seus sentimentos e das suas tendências práticas: e, verdadeiramente, o entendimento da maioria dos homens tem que ser melhor cultivado, do que alguma vez aconteceu até agora, antes que se lhes peçam para colocarem tal confiança no seu próprio poder de argumentos estimativos, assim como desistir dos princípios práticos nos quais nasceram e viveram e os quais são as bases da ordem existente do mundo, ao primeiro ataque argumentativo, aos quais, não são capazes de resistir logicamente. Assim, eu não discuto com eles por terem pouca fé na argumentação, mas por terem muita fé na tradição e no sentimento geral. É um dos preconceitos

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característicos da reacção do século dezanove contra o século dezoito, o acordar aos elementos irracionais da natureza humana a infalibilidade que o século dezoito é suposto ter descrito dos elementos racionais. Da apoteose da Razão substituímos pela dos Instintos; e chamamos instinto a tudo aquilo que encontramos em nós mesmos e para o qual não encontramos qualquer fundamento racional. Esta idolatria, infinitamente mais degradante que a outra, e a mais perniciosa das falsas adorações dos nossos dias, as quais são todas, agora, o principal suporte, manterá o seu fundamento até perecer perante um som psicológico, deixando a nu a realidade que se inclina perante a intenção da Natureza e a providência de Deus. No que diz respeito à presente questão, estou disposto a aceitar as condições desfavoráveis que o preconceito me imputa. Aceito que a tradição estabelecida, e o sentimento geral, têm que ser julgados como conclusivos contra mim, a não ser que essa tradição e esse sentimento, de tempos a tempos, possam ser demonstrados no seu merecimento existencial a outras causas para além das que pertence, e ter derivado o seu poder das piores partes da natureza humana em vez das melhores. Estou disposto que esse julgamento deva vir contra mim, a não ser que eu possa mostrar que o meu juízo tenha sido falsificado. A concessão não é assim tão grande como pode parecer; provar isto é, sem dúvida, a parte mais fácil da minha tarefa. A generalização de uma prática é, em alguns casos, uma forte presunção que essa prática é, ou foi alguma vez, conduzida para fins louváveis. É esse o caso, quando a prática foi inicialmente adoptada, ou, em seguida continuada como um meio para tais fins, e foi fundamentada na experiência do modo na qual esses fins possam ser mais efectivamente atingidos. Se a autoridade do homem sobre a mulher, quando foi estabelecida, tenha sido o resultado de uma comparação consciente entre diferentes modos de constituir um governo de uma sociedade; se, após tentarem diversos outros modos de organização social – o governo das mulheres sobre os homens, um governo igualitário entre os dois, e outros modos mistos e divididos de governo que podem ser inventados – foi decidido, com o testemunho da experiência, que o modo no qual as mulheres estão todas sobre o governo dos homens não tendo qualquer parte nos assuntos públicos, e que cada uma, em privado, estando sobre a obrigação legal de obediência ao homem com quem ela associou o seu destino, foi o arranjo mais conclusivo à felicidade e bem-estar dos dois; a sua adopção geral pode ter sido justa pois foi pensada sobre alguma evidência que, na altura em que foi adoptada, era o melhor: embora mesmo nessa altura as considerações que foram recomendadas poderão ter, como outros factos sociais primitivos de grande importância, consequentemente, com o andar dos anos, deixado de existir. Mas o estado do caso está, em todos os aspectos, no reverso deste. Em primeiro lugar, a opinião a favor do sistema actual, que subordina inteiramente o sexo mais fraco ao mais forte, funda-se apenas sobre teoria; pois nunca foi tentado um outro: assim, essa experiência, no sentido ao qual é vulgarmente oposta à teoria, não pode pretender querer prenunciar qualquer veredicto. E em segundo lugar, esta adopção deste sistema de desigualdade nunca foi resultante de deliberação, ou de raciocínio, ou de quaisquer ideias sociais, ou de qualquer noção que tenha sido conduzido para o benefício da humanidade ou da boa ordem social. Surgiu apenas do facto de que desde os primeiros crepúsculos da sociedade humana, todas as mulheres (sentindo-se em dívida pelo valor que lhe é dado pelo homem, combinado à

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sua inferioridade na força muscular) se encontram num estado de servidão para alguns homens. Aqueles que já foram vergados à obediência tornam-se. como existe actualmente. é. tornando-se regularizada e um tipo de união firme entre os amos. de facto. só pode. pela sua força colectiva. pelo menos em todos os países (embora. é sobre o disfarce de algum pretexto que lhe dá a aparência de algum interesse geral social do seu lado. Gradualmente tais pensadores foram aparecendo: e (com a assistência do progresso geral da sociedade) a escravidão das pessoas do sexo masculino foi sendo. a ninguém é permitido praticá-la. incluindo os seus escravos. iniciando-se nas considerações de justiça e no expediente social – é o estado primitivo de escravidão que ainda dura. a quem. no que diz respeito à maioria das relações entre seres humanos. não se pode fazer qualquer presunção a seu favor do facto de existir. Quando alguém consegue ter sucesso ao faze-lo. e a das pessoas do sexo feminino foi mudando gradualmente numa forma mais suave de dependência. Portanto. A única presunção que se poderá fazer. assim como todas as mulheres. num deles. obrigando-se a entre si a protegerem-se garantem. Mas esta dependência. Nos primeiros tempos. pensam eles. quando tantas outras coisas foram derrotadas pelas mesmas fontes odiosas tenham sido esquecidas. ter sido preservado até este período avançado da civilização por um sentimento bem fundamentado da sua adaptação à natureza humana e à condução do bem comum. seja de uma escravidão ou de outra. E isto é. a grande maioria dos homens eram escravos. as pessoas regozijam-se que a regra da pura força acabou. e a absoluta necessidade social. estranho aos ouvidos das pessoas comuns. através de sucessivas mitigações e modificações ocasionadas pelas mesmas causas que amenizaram os comportamentos gerais. em vez da ausência de leis no irregular conflito da força física. legalmente obrigados a isso. Mas não perderam as marcas da sua origem brutal. não é uma instituição original. Seja como for que qualquer das nossas instituições tenha começado. Vivemos agora – isto é. A escravidão. Eles não entendem a enorme vitalidade e durabilidade das instituições 4 . As leis e os sistemas políticos começam sempre por reconhecer as relações que se encontram já existentes entre indivíduos. as possessões privadas de cada um. tem que ser fundamentada no facto de ter durado até agora. Elas convertem o que é um mero facto físico num direito legal. de alguma maneira. que a lei do mais forte não pode ser a razão da existência de alguma coisa que continuou a funcionar até aos nossos dias. algumas de grande sabedoria. que trouxeram as relações humanas mais para o controlo da justiça e sob a influência da humanidade. Que esta declaração deva ter um efeito paradoxal. desta maneira. credível para o progresso da civilização e para o melhoramento dos sentimentos morais da Humanidade. numa ou duas das mais avançadas nações do mundo – num estado no qual a lei do mais forte foi inteiramente abandonada como princípio regulador dos assuntos mundiais: ninguém a defende e. passou de ser uma mera relação de força entre o amo e o escravo. antes de qualquer pensador ter a coragem suficiente para questionar a correcção. dado nas convenções da sociedade e almejam principalmente para a substituição dos meios públicos e organizados de defender e proteger esses direitos. ouvir a aceitação geral de que a desigualdade de direitos entre os homens e as mulheres não tem outra fonte senão a lei do mais forte. Muitas eras passaram. só há poucos anos) progressivamente abolida. Sendo este o ostensivo estado das coisas.

A História dá-nos uma experiência cruel da natureza humana. este facto. como era pública e abertamente reconhecida. durante muitas eras. revogadas ou violadas pelas mais insignificantes provocações ou tentações. embora mais amenizado. Esta tal mudança de poder físico não teve lugar no caso das mulheres. como todos os que resistiam às autoridades armadas. sobreviveria através de gerações de instituições fundadas na justiça equitativa. tiveram possibilidades. e todas as noções de obrigações sociais. tenham alguma vez perdido o poder que detinham. foi raramente feito sem algumas intranquilidades de consciência. assegurou desde o início. não eram apenas acusados de crimes mas dos piores crimes e tinham os castigos merecedores desses mesmos crimes. As republicas antigas. independentemente do tipo de incómodo da provocação. não tinham apenas a lei da força mas também todas as outras leis. que este tipo de sistema. sendo quase uma solitária excepção ao carácter geral das suas leis e tradições. O primeiro pequeno vestígio de um sentimento de obrigação de um superior reconhecer qualquer direito aos inferiores. castigos esses que eram os mais cruéis que o ser humano conseguia infligir. e das últimas duas ou três gerações. nas suas características mais atrozes de um período inicial do que noutros. mesmo quando sancionadas pelos mais solenes juramentos foram. excepto se fosse um filósofo ou um santo. de dar uma 5 . naqueles tempos. do certo se apoiar na força. desde que não proclame a sua própria origem. e aos olhos daqueles a quem eles resistiam. convenientemente. era medido pelo poder que detinham de se impor pela força. A verdade é que as pessoas de agora. e. mostrando exactamente como o respeito à vida. inicialmente os mais fracos. não se prejudicou com a civilização moderna. consequentemente. e como muito raramente aqueles que obtiveram poder legal. Apesar dessas promessas. e como a discussão não trouxe o seu verdadeiro carácter. ou frequentaram as partes do mundo ocupadas pelas representações vivas de eras passadas. combinado com todas as condições peculiares e características do caso particular. baseando-se na maior parte das vezes desde o início sobre um tipo de acordo mutuo. um de cada vez. estão capazes de formar uma imagem mental de como era a sociedade de então. a lei do mais forte era o que regulava a vida. não havia esse tipo de noção nas pessoas. As pessoas não se apercebem como. irá ser o derradeiro a desaparecer.que se colocam junto à força. perderam completamente todo o sentido prático das primitivas condições da Humanidade. Foi inevitável que este típico caso de relações sociais. e é provável que isto. contra eles. começando por aqueles que menos se entrelaçaram com as rotinas diárias da vida. não digo de uma maneira cínica e sem vergonha – pois estas palavras implicam um sentimento de que havia algo com que se envergonhar. às posses e à felicidade terrena de qualquer tipo de pessoas. até o poder físico ter passado para o lado adversário. a fazer algumas promessas. mas a qual. baseadas na força. exceptuando pessoas de uma moralidade pior que a média. ou de alguma maneira formada por uma união de pessoas não muito desiguais em força. começou quando foi induzido. como se unem intensivamente. se identificam com a sua manutenção. assim como a escravidão doméstica entre os Gregos chocou com a noção grega de ser um povo livre. como as boas e as más predisposições e os bons e maus sentimentos daqueles que têm o poder nas suas mãos. porque primeiro tiveram poder físico. e só aqueles poucos que estudaram História de modo preciso. nas eras passadas. como estas más instituições afastam lentamente.

da fome e da oração. Podia fazer com que mil pessoas. Podia mandar centenas de milhares por mares e terras. a qual se provou ser mais forte em campo aberto do que uma cavalaria indisciplinada. de terem uma notável vingança. O seu poder era prodigioso. após o surgimento da Igreja Católica. Por mais de mil anos a Igreja manteve a contestação. como parte da moral. de alguma forma. Só pelo crescente aumento do poder dos reis foi posto um fim às guerras. Nem. durante a maior parte da existência da nossa espécie. excepto entre reis. e mesmo assim muito depois. de 6 . No entanto. de que eram alvo de um apego passional. acredito eu. que os homens têm obrigações morais para com os seus escravos. sobre a burguesia. iniciou a regeneração da natureza humana. e colocá-las sob o domínio de outra lei que não a lei da força. E apesar da lei da força original continuar a operar. Podia fazer com que reis e nobres abdicassem das suas posses para enriquecer a Igreja. ou por candidatos a rei. Embora os escravos não fizessem parte da comunidade. se fechassem em conventos para buscar a salvação através da pobreza. foi nos Estados livres que os escravos foram tratados como seres humanos. mesmo timidamente. muitas vezes. sem qualquer sucesso visível. é que a insolente tirania dos nobres sobre a burguesia e as populações foi trazida para dentro de certos limites. sendo qualquer outra lei apenas uma consequência especial de vínculos peculiares – e de como só muito recentemente é que têm pretendido que os assuntos sociais em geral sejam regulados de acordo com qualquer lei moral. Pode fazer com que reis abandonem mulheres. os primeiros (exceptuando talvez a leis judaicas que constituíram uma excepção) a pensar que. seja militar ou triunfante. Não conseguiu fazer com que eles renunciassem sobre aplicações de força. e de uma infantaria plebeia. dos oprimidos terem obtido um poder que os possibilitou. só pelo crescimento de uma burguesia sã e guerreira nas cidades fortificadas. dando azo ao aparecimento de sentimentos. Persistiu até. o seu imenso valor mesmo em interesses materiais e que a força motriz só desejava que fosse alargada. a abolição dessa lei primitiva. e no Continente prolongou-se este estado de coisas até à altura da Revolução Francesa. Se a maior parte das pessoas está tão pouco consciente de como. Os Estóicos foram. apesar de em Inglaterra. e quando podiam. dando a sua vida pela palavra da Sagrada Escritura. assim como as pessoas pouco se lembrem ou pensem. porque a Igreja declarava que eles estavam dentro do sétimo grau (pelos nosso cálculos era o décimo quarto) de relacionamento. mas não conseguiu fazer com que os homens se guerreassem menos. pela Europa e pela Ásia. após a ascensão do Cristianismo. demonstrando logo. ter posto um fim a isso mais cedo. A isto nunca foram eles induzidos a fazer até serem eles próprios atacados por uma força superior. entre eles e os seus escravos e também (exceptuando a limitação expressa pelo pacto) entre a comunidade e os seus súbditos ou outras comunidade independentes. pode ser em teoria. pela experiência. Não foi pelo poder sobre as mentes das pessoas. nem tiranizassem com menos crueldade sobre os servos. a lei da força foi a regra reguladora da conduta geral. Fez tudo isto. mas não criada.primeira porção de um estabelecimento de relações humanas. Ninguém. a melhor e mais antiga organização das classes sociais. no pico da vida e das suas capacidades. pelo estabelecimento da equidade da lei e de instituições nacionais livres. o reforço dessa crença foi a tarefa mais difícil que a Cristandade teve que executar. estranho a esta crença. deixaram de surgir pessoas que defendessem esta crença.

a sua parte 7 . neste aspecto. duraram eras. pelo menos em Inglaterra. mesmo quando estão longe de serem universais. mas havia um comércio de escravos e a criação de escravos feita para isso. e em metade da América Anglo-Saxónica. e qualquer que seja o interesse pessoal no seu exercício. que aqueles domínios que temos vindo a falar. Presentemente em Inglaterra é quase uma convicção universal que o despotismo militar é um caso da lei da força. as quais não tiveram qualquer poder perante a lei da força. a pessoa directamente interessada nisso. e de todos que procurem sê-lo. ou é levado a exercer. e ainda persiste uma grande parte da população favorável a isso. Em vez de ser. não só em quase todos os períodos da história houve grandes e bem conhecidos exemplos de sistemas contrários mas também foram quase sempre invariavelmente suportados pelas comunidades mais ilustres e mais prósperas. Há menos de quarenta anos. vem para casa. de todas as outras características. esperam sucedê-lo. confinado a uma classe limitada. do que de outros abusos usuais da força: pois o motivo era o amor dos ganhos. A opressão é natural e necessariamente humilhante para todas as pessoas. e as quais. era a lei da Inglaterra cristã e civilizada presente na memória de pessoas ainda vivas. e estados de opinião geral nunca permitiriam o seu estabelecimento. um forte sentimento contra essa prática. mas comum a todo o género masculino. apresentam os sentimentos mais revoltantes de todos aqueles que as olham de uma posição imparcial. no mínimo. Um ponto tão extremo quase faz parecer supérfluo referirnos a outro: mas consideremos a longa duração da monarquia absoluta. com a excepção de Inglaterra. puro e indisfarçado. tal como nos fins políticos. Este caso absolutamente extremo da lei da força. e aqueles que lucravam com isso eram uma fracção numérica do país muito pouco significativa. para a realidade de cada chefe de família masculino. para a maioria dos seus apoiantes. não só existia escravidão. Estou apenas a mostrar que não pode ser menos vasto e permanente. mas. de pouca importância para os privados mas apenas para os lideres. e mesmo não menos justificáveis. normalmente disputados por facções. houve uma diminuição tanto do sentimento como do interesse a favor dessa mesma prática. literalmente. Qualquer que seja a gratificação de orgulho que haja na posse do poder. todos os outros. está. era uma prática geral entre Estados esclavagistas. uma coisa desejável apenas no abstracto ou. condenado por aqueles que conseguem tolerar quase todas as outras formas de poder arbitrário. excepto para aquele que se encontra no trono juntamente com aqueles que. Não só houve. o possuidor do poder desmedido. enquanto que o sentimento geral daqueles que não se interessavam pessoalmente por isso era de uma absoluta aversão.como é que as instituições ou as tradições. no decorrer deste século eles podiam raptá-los. no entanto. O indivíduo bronco exercita. há três ou quatro anos. ou ainda existe a monarquia absoluta ou terminou muito recentemente. o poderio dos Ingleses era suportado pela lei da força mantendo seres humanos em escravidão e vendendo-os como propriedade. é apenas uma pessoa enquanto que aqueles sujeitos a esse poder e sofrer com esse poder são. levá-los e pô-los a trabalhar até morrerem. É esse o poder dos sistemas estabelecidos. especialmente entre pessoas de posição e com responsabilidades. não tendo outra origem ou justificação: No entanto em todas as grandes nações da Europa. Quão diferente são estes casos daquele do poder dos homens sobre as mulheres! Agora não estou a fazer juízos prévios à questão da sua justificabilidade. Também neste caso.

até maior que noutros casos. e tendo o mínimo para se suportar. assenta. nomeadamente naquela que diz que há diferentes naturezas entre os Homens. no que diz respeito ao domínio dos homens sobre as mulheres. e quase se pode dizer. alguma vez. naturezas livres e naturezas escravas. com quem vivem. têm que fazer um sacrifício quase completo dos prazeres ou dos alívios do seu grupo individual. com os motivos mais fortes para procurar o seu favorecimento evitando ofendê-lo. enquanto que o contrário é o que é natural. são dificilmente afastados. mais difícil se torna com este caso mesmo que não se funde em melhores argumentos que estes. toda a gente sabe quantas vezes os seus paladinos são subvertidos por subornos. Mas será que houve. e só recentemente se livraram de outros. por outro lado. Se houve qualquer tipo de sistema de privilégios e de submissão forçada que tenha a sua opressão mais apertadamente arreigada nos pescoços daqueles que são mantidos por isso. com quem tem mais preocupações em comum e com quem o desejo de independência é frequentemente uma interferência nos seus interesses pessoais. já que estes são arbitrárias e o efeito da mera usurpação. desejam-no sobre aqueles que estão mais perto deles. Nem mais nem menos que uma inteligência. como Aristóteles. fundamentado nas mesmas premissas em que a primeira asserção. uma pequena de amos e uma numerosa de escravos. para prevenir qualquer subversão contra si. até às mentes mais cultas. que os Gregos eram de uma natureza livre e que as raças bárbaras dos Trácios e dos Asiáticos eram de uma natureza escrava. e mais ainda as seguidoras. uma qualquer dominação que não apareça natural àqueles que a possuem? Houve uma altura que a divisão da Humanidade em duas classes. E no caso onde o desejo de poder é mais forte: para todos aqueles que desejam o poder. No caso das mulheres. seria estranho que aquilo que está tão enraizado tenha sido. assolados por terrores. cada indivíduo da classe baixa está num estado crónico de uma combinação entre subornos e intimidações. Qualquer um dos súbditos vive sobre o olhar. Nas lutas de emancipação política. conservou esta opinião sem quaisquer dúvidas ou enganos. maior do que com os outros súbditos. Temos também que considerar que quem possui o poder tem facilidades neste caso. foi isto. Se nos outros casos específicos o poder é manifestamente fundamentado apenas na força. Mas porque é que eu preciso de recuar até ao Aristóteles? Não mantêm a mesma doutrina os donos de escravos do sul dos Estados Unidos. com todo o fanatismo com o qual os homens se apegam às teorias que justificam as suas paixões e legitimam os seus interesses pessoais? Não bradaram ao céu como testemunha de que o 8 . E mesmo quando alguns dos sistemas mais grosseiros ainda existam em muitos países civilizados. ser a condição mais natural e a única condição natural da raça humana. perceptivamente abanado. Alguns irão objectar que não é justo fazer uma comparação entre o governo do sexo masculino e as formas de poder desleal que apresentei nas ilustrações acima. nas mãos de um dos amos – numa íntima proximidade. Ainda não mostrei que é um sistema errado: mas todo aquele que é supostamente capaz de pensar no assunto deve ver que mesmo que seja. aparentou.de poder tal como um nobre. Há mais razões para se espantar que os protestos e os testemunhos contra isso devam ser tão numerosos e tão fortes como são. um grande número de líderes. irá certamente durar a todas as outras formas de autoridade injusta. e que contribuiu muito para o desenvolvimento do pensamento humano. Ao erguer uma resistência usual. algures. sem meios de conspirar contra ele nem de suplantá-lo. e.

na igualdade social e política entre os dois sexos. que a raça preta é. e. e pelo exemplo parcial sustentado pelas mulheres de Esparta. Do conhecimento mais pequeno da vida dos homens na Idade Média. e como. E parecia ainda menos para a classe submetida. mesmo durante as suas lutas mais vigorosas. apesar de não estarem menos subordinadas às leis do que em qualquer outro Estado grego. a não ser na força corporal. estruturada no modelo paternal. treinadas em exercícios corporais da mesma maneira que os homens. que foi a primeira e espontânea forma de sociedade. sempre lhes pareceu a forma mais natural de exercer a autoridade. quando elas sabem qualquer coisa de Inglaterra. as mulheres não se queixam e consentem. elas não eram naturalmente diminuídas. para eles. Conquistar raças parece ter sido a única lei da natureza e que o conquistado deve obedecer ao conquistador ou. É bem verdade que antinatural geralmente significa não usual e tudo o que é usual parece natural. a própria lei da força. Pelo contrário. que é anterior à própria sociedade. será afirmado. nunca tiveram a pretensão de partilhar a autoridade. ser uma supremacia natural. mesmo para aqueles que não puderam rogam por outra. parecia natural que as mulheres das classes privilegiadas deveriam ter um carácter mais forte. a quem. eram de facto mais livres. para eles. mostra como o domínio da nobreza feudal sobre os homens de baixa condição parecia. Ou melhor. por seu lado. os teoristas da monarquia absoluta sempre o afirmaram como sendo a única forma de governo natural. mesmo neste caso. a guerra e a política não eram consideradas actividades estranhas às mulheres. a autoridade mais natural de todas. Sendo um costume universal a submissão das mulheres perante os homens. qualquer afastamento desse costume é natural que pareça estranho. porque não lhes era estranho. nisso. Os servos e burgueses emancipados. por natureza. nas eras feudais. como eles euforicamente parafraseiam. Mas. por causa das fabulosas Amazonas (que eles acreditavam serem factos históricos). partindo do patriarcado. Mais uma vez. entre as suas muitas doutrinas. E quão depende.domínio do homem branco sobre o homem preto é natural. eles apenas exigiam uma limitação mais ou menos maior do poder tirânico que sobre eles havia. ao próprio nobre. mas sentem que já é estranho que as mulheres devam ser soldados ou membros do Parlamento. Aos Ingleses tal não lhes parece ser o último grau de estranheza porque já estão habituados. como defendem. o sentimento do costume como se vê pela vasta experiência. Em primeiro lugar um grande número de mulheres não aceita esse domínio. que o domínio dos homens sobre as mulheres é diferente de todos os outros domínios ao não ser uma lei da força: é aceite voluntariamente. Nada parece surpreender mais às pessoas de outras partes do mundo. incapaz de ser livre e que são marcados para serem escravos? Alguns vão até ao ponto de dizer que a liberdade dos trabalhadores rurais não é uma ordem natural das coisas. Não restam muitas dúvidas de que a experiência Espartana foi sugerida a Platão. o facto de esta estar sobre o governo de uma rainha: isto parece-lhes tão estranho que não lhes parece ser credível. o conceito de uma pessoa de classe inferior que reclamasse igualdade parecia ser um conceito tão antinatural. Desde que há mulheres capazes de dar a conhecer os seus 9 . que as raças mais fracas e mais pacíficas se devem submeter às mais bravas e decididas. aos seus maridos e pais: A independência das mulheres parecia ser menos estranho aos Gregos do que aos outros povo antigos. dando amplas provas de que. nada inferior.

A nobreza tem já estas pretensões: os Comuns a mais nada do que ficarem isentos de taxas arbitrárias e das opressões mais agressivas dos oficiais reais. lideradas pelas mulheres mais eminentes conhecidas do público. como os homens. silenciosamente. Deve também ser lembrado que nenhuma classe escravizada reclamou por uma completa liberdade de uma só vez. Em mais nenhum outro caso (excepto com as crianças) é a pessoa. tão vigorosamente. organizada e mantida por mulheres que luta pelo objectivo. surgem com uma intensidade crescente e com uma grande perspectiva de sucesso. As queixas das mulheres para que sejam tão solidamente educadas. É isto o que frustra qualquer tentativa de manter o poder mas que protege as mulheres contra os abusos. ninguém pode saber. mesmo nos casos mais extremos e mais prolongados de maus-tratos corporais. nunca começam por reclamar do próprio poder. e com os mesmo níveis de conhecimento. onde não seriam ensinadas. fizeram uma petição ao Parlamento para que sejam admitidas no sufrágio parlamentar. restituída ao poder físico do culpado que infligiu os abusos. Todas as causas. Até agora elas estão numa posição diferente das outras classes submetidas. sociais e naturais. torna-se mais urgente a cada ano que passa. de obterem direitos políticos. posteriormente todo o seu esforço é esquecido o mais possível e imploram ao seu tirano que não lhes dêem o castigo merecido. activa. mais ou menos colectivamente. Agora. semelhantes aspirações. As respectivas esposas. há uma Sociedade. a qual seja. quando são induzidas a fazerem valer as leis. contra as desigualdades em que se encontram. um número cada vez maior de mulheres tornaram públicos os seus protestos contra a sua presente condição social: e recentemente muitos milhares delas.sentimentos através dos seus escritos (o único meio de publicidade que a sociedade lhes consente). Não é só apenas no nosso país e na América que as mulheres começaram a protestar. que criasse e destruísse ministros e ditasse ao rei o que fazer nos assuntos de Estado? Nem na imaginação do mais ambicioso esse pensamento passou pela sua cabeça. ou pela interferência de vizinhos. mas há abundantes indícios de como muitas desejariam essas mesmas aspirações. eleita pelos seus constituintes. Haveria muitíssimas mais. algum deles alguma vez sonhou em exigir de uma assembleia. Não há qualquer necessidade por parte das mulheres que se queixam de maus-tratos dos seus maridos. num momento de irrepreensível indignação. na Suiça e na Rússia mostram-se exemplos da mesma coisa. e que foi provado judicialmente. Convenções periódicas e um partido organizado para agitar pelos Direitos das Mulheres. Apesar de não haver neste país. com o existe nos Estado Unidos. enquanto que os pedidos para a sua admissão em profissões e ocupações foram-lhes até agora impedidos. combinam para que seja improvável que as mulheres devam ser colectivamente rebeldes ao poder masculino. a reprimirem-se contra o seu próprio sexo. também em França. na Itália. mais limitado. É uma lei de natureza política que aqueles que estão sob um qualquer poder antigo originário. mas apenas do seu exercício opressivo. vítima do sofrimento de uma injúria. Quando Simon de Monfort chamou os deputados das Comuns para se sentarem pela primeira vez no Parlamento. numerosa. Quantas mulheres mais haverão que desejam. dificilmente atrevem-se a fazerem valer para elas próprias as leis que são feitas para a sua própria protecção: e mesmo. 10 . se as queixas não fossem as maiores de todas as provocações para um repetido e um maior uso de maus-tratos.

Os donos das mulheres querem mais do que uma simples obediência e viram todas as forças da educação para efectivar os seus propósitos. possam. viver para os outros. na obtenção da obediência. no seu egoísmo masculino. para vergar as mentes a isso? Se tivesse sido o objectivo da vida de qualquer jovem plebeu encontrar um favorecimento pessoal aos olhos de algum aristocrata. E por afecções só aquelas que lhes são permitidas ter – aquelas que lhes são permitidas ter em relação aos homens a que estão ligadas ou às crianças. e se. as mulheres são trazidas na crença de que o seu carácter ideal é completamente oposto ao dos homens. eles fossem afastados por uma barreira de bronze de todos os interesses que não estejam centrados nele. só através dele. se vangloriam ao máximo de ter como meio de manter as mulheres na submissão. excepto os mais brutais. Os donos de todos os outros escravos dependem. segundo. que constituem um laço adicional e irrevogável entre elas e um homem. como sendo uma parte essencial da atracção sexual. a completa dependência da esposa em relação ao marido. Os homens não querem apenas a obediência das mulheres. Todas as moralidades dizem-lhes que é o dever da mulher. ou qualquer jovem servo de algum senhor. qualquer privilégio ou prazer que tenha ou que lhe é dado como sendo um presente dele ou depende inteiramente da vontade dele. não sustenta qualquer 11 . os mais astutos e ambiciosos tinham a possibilidade de recolher a maioria dos prémios desejados.que os seus amos desejem algo mais do que o seu serviço usual. quando estes prémios fossem obtidos. da mulher mais próxima das suas relações. representando-lhes toda a humildade. desejam ter. independentemente da sua universalidade. querem os seus sentimentos. e finalmente. por todos os sentimentos e desejos menos por aqueles que partilhou ou inculcou. Quando unimos três coisas – primeiro. e a partilha de quaisquer das suas afecções pessoais. seja medo deles ou medo religioso. Desde os seus primeiros anos. fosse sustentado como sendo um prémio que eles deveriam procurar. em que a Humanidade foi bem sucedida na sua abolição. a natural atracção entre sexos opostos. plebeus e aristocratas tão amplamente distinguidos hoje em dia como são os homens e as mulheres? E não teria um pensador acreditado aqui e ali isso serem uns factos fundamentais e inalteráveis da natureza humana? As considerações precedentes são suficientemente amplas para mostrar que a tradição. e tivessem sido tão sedutoramente usadas. toda a submissão e resignação de todas as vontades pessoais às mãos dos homens. que a principal busca. do medo. como um instinto que os homens. Todos os homens. subsistiriam até agora se os mesmos meios tivessem existido. não apenas uma mera escravidão mas uma exclusiva. serem vistos como sendo obtidos por ela. seria um milagre se o objectivo em ser atractiva para os homens não se tornasse a estrela polar de toda a educação feminina e da formação de carácter. não uma escravidão forçada mas voluntária. sem livre-arbítrio ou governadas pelo seu auto-controlo. E todos estes grandes meios de influência sobre as mentes das mulheres foram adquiridos. mas por submissão e estando submissa sobre o controlo de outros. Pode haver dúvidas que quaisquer outras opressões. para fazerem uma completa abnegação delas próprias e não terem qualquer tipo de vida fora das suas afecções. e de todos os sentimentalismos que lhe são naturais. não teriam sido os servos e os senhores. em geral. se a sua domesticação. fizeram tudo o que podiam para escravizar as suas mentes. qualquer consideração e todos os objectos de ambição social do ser humano. Então.

que as pessoas de classe baixa podiam ser tornadas nobres. recusadas: havia uma grande certeza de que em todos os casos onde uma aprendizagem seria necessária. Os industriais expuseram-se ao ridículo ao presumirem que poderiam continuar com o seu trabalho com novos e melhorados métodos. e que qualquer regulação feita pela autoridade. Deixado por sua conta. Entre a classe trabalhadora. mantendo que o curso da História e as tendências da progressiva sociedade humana não têm o direito a qualquer presunção a favor deste sistema de desigualdades de direitos. mas são livres de empregar as suas faculdades. o fruto da experiência de milhares de anos. Na maioria dos países Europeus foi só quando a Idade Média estava a chegar ao fim. ou quais são os modos de condução mais legítimos. Mesmo entre os nobres. daqueles tempos de uma passado longínquo? É que os seres humanos não se fixam a um lugar na vida. Na Europa moderna. naquelas coisas às quais o indivíduo é a pessoa directamente interessada.presunção. é que. excepto pela vontade do seu amo. e as respectivas mudanças que lhe são oferecidas. Estas coisas são feitas pela escolha livre dos indivíduos. nunca dão certo quando deixadas à sua descrição. acorrentados a uma ligação inexorável ao lugar onde nasceram. o filho mais velho nascia como herdeiro exclusivo das posses paternais e um longo período passou antes que o pai pudesse desertá-lo. e não deve criar qualquer preconceito a favor de qualquer arranjo que coloque as mulheres em submissão social e politica em relação aos homens. Mesmo as leis. outros como homens do povo e roturiers. excepto pela via legal – por processos autoritariamente prescritos. A velha teoria era que deveria ser dada a menor escolha possível ao indivíduo. ou interditas por quaisquer meios. que tudo o que ele deva fazer. a própria vida moderna em si. as modernas ideias sociais. A convicção moderna. desaparecer. A lei e o governo não se comprometem a prescrever quem deve ou não conduzir qualquer operação social ou industrial. para atingirem a quantidade que lhes parecem ser mais desejável. e eram principalmente mantidas pela lei. podiam legitimamente praticar o seu ofício dentro dos limites locais. Todas nasceram numa posição social fixa. Mas podendo eu ir mais longe. dos quais conseguiriam emergir. tornar-se livre. e ninguém podia praticar qualquer ofício considerado importante. seja-lhe transmitido por sabedoria superior. Pois o que é o carácter peculiar do mundo moderno – a diferença que principalmente distingue as modernas instituições. excepto para 12 . outros plebeus. enquanto todo o curso do desenvolvimento humano até esta altura. é que esta relíquia do passado se torne discordante com o futuro e deva. alguns nasceram nobres feudais. mas a uma forte presunção contra esse mesmo sistema. e na maioria daqueles locais que participaram largamente em outros desenvolvimentos modernos prevalecem agora doutrinas diametralmente opostas. foram. só aqueles que nasceram como membros de uma associação. ele teria a certeza que erraria. assim outros nasceram escravos e outros cidadãos livres. e que. e como consequência do crescimento do poder real. Tal como alguns homens nascem brancos e outros pretos. Um escravo ou um servo nunca poderia se tornar livre. justificar qualquer interferência no assunto. a sua necessidade seria suficiente para a introduzir. nem. toda a corrente de tendências modernas. As antigas sociedades humanas foram constituídas sobre um princípio muito diferente. neste país. ou fosse admitido como membro pelos seus pares. necessariamente. alguns nasceram aristocratas. dentro do praticável. requerendo que os trabalhadores devam ter uma aprendizagem.

mesmo com a mais ampla latitude de escolha: e qualquer limitação do campo de selecção priva a sociedade de ser servida pelos competentes. Se este princípio geral das ciências sociais e económicas não forem verdade. supostamente. colocando barreiras no uso das suas faculdades para o seu próprio benefício e dos outros. Mesmo admitindo o mais extremo. nos países mais desenvolvidos. no todo. a que lentamente se chegou. excepto num. que deve decidir a posição dessa pessoa durante toda a vida – deve impedir que as pessoas de todas as posições sociais mais altas e de todas. Mesmo que seja bem sustentada na maioria dos casos. de certo que é considerada como maliciosa. Mesmo que numa dúzia de anos as condições de elegibilidade que excluem uma pessoa capaz. suficientes para prevenir a pessoa incompetente de fazer. que certas pessoas não estão preparadas para certas coisas. mas que a liberdade de escolha individual é agora. prevalece agora (na secção industrial) universalmente nos países mais avançados. haverá sempre imensas pessoas para escolher. É agora perfeitamente conhecido e admitido que se tais presunções existem. sente-se que é uma precipitação dos limites próprios da autoridade. nas quais as leis e as instituições tomam as pessoas 13 . em alguma presunção geral. os normais motivos da conduta humana serão. No presente. Em todas as dificuldades e assuntos importantes. ou como um homem do povo em vez de um nobre. Esta conclusão. enquanto que a exclusão de milhares de pessoas não qualificadas não há qualquer ganho. nenhuma presunção é infalível. não são melhor juízes que a lei e o governo das suas capacidades e vocações. reconhecidamente. haverá uma perda real. que foi sempre pretendido. aqueles que as conseguem realizar são sempre menos do que são necessários.proteger o direito dos outros. o mundo não pode abandonar imediatamente este princípio e voltar ao velho sistema das regulações e incapacidades. A liberdade e a competição são suficientes para fazer de ferreiros homens poderosos. na tentativa. devemos actuar como se acreditássemos. pois se a constituição do corpo eleitoral dispõe as condições para excluir pessoas incapazes. excepto algumas. sem nunca a salvarem dos incompetentes. e não estabelecer que quem nasceu rapariga em vez de rapaz. porque os mais fracos podem ganhar mais ocupando-se em trabalhos para os quais estão mais qualificados. como a superior capacidade de todos os homens para todas as funções que lhes são agora reservadas. e larga cada operação nas mãos daqueles que estão melhor qualificados para isso. se os indivíduos. com essa tal ajuda com a qual podem divergir da opinião daqueles que os conhecem. Não quer dizer que todos os tipos de processos. ou de persistir. nos casos nos quais a incapacidade é real. Por outro lado. a incapacidade das mulheres é o único caso. e não adoptada até todas as possíveis aplicações da teoria contrária terem dado resultados desastrosos. ou que todas as pessoas sejam igualmente qualificadas para tudo. o mesmo argumento aplicase quando se proíbe a qualificação legal para membros do Parlamento. haverá uma minoria de casos excepcionais na qual não se sustentará: e nesses é tanto uma injustiça para os indivíduos como uma deterioração da sociedade. e quase universalmente em todos aqueles que têm pretensões a algum tipo de avanço. sejam todos bons. e mais ainda quem nasceu preto e não branco. a única escolha que motiva a adopção de melhores processos. Em consonância com esta doutrina. posições respeitáveis. o que é muito provável não ser. Ninguém pensa que é necessário fazer leis em que só o homem poderoso seja um ferreiro. Mas se o princípio for verdadeiro. determinar por antecipação.

do lado desfavorecido. qualquer tradição e costume que poderia criar 14 . e que sucessivamente afastou tudo o resto de carácter análogo a ele. mas que foi mantida num único aspecto de interesse universal. mas esta pode ser alcançável através do esforço de qualquer um. pois nem mesmo as incapacidades religiosas (excepto em Inglaterra e na Europa onde elas praticamente não existem) impedem uma carreira para a pessoa desqualificada. de certeza. muitos estão alcançáveis somente através de riqueza. Ainda há pessoas que nascem para reinar. excepto neste. obtém este lugar numa competição na qual nenhum cidadão de pleno direito do sexo masculino é legalmente excluído. estão as altas funções sociais fechadas a qualquer pessoa simplesmente por uma fatalidade de nascimento. mas não há qualquer ser humano masculino que esteja sob qualquer impedimento legal: seja a lei ou opiniões que acrescentam obstáculos artificiais aos obstáculos naturais. são um exemplo único na legislação moderna. como é hoje obtido por muitos homens de origens muito humildes. todas as nações livres forjam uma adesão. no entanto. que não seja da família reinante. enquanto que a pessoa que realmente pratica esta alta função. o ministro responsável. uma relíquia única do pensamento e de uma prática de um mundo antigo desacreditado em tudo o resto. A subordinação social das mulheres. ultrapassando.pelo seu nascimento e estabelecem que nunca nas suas vidas lhes seja permitido competir por certas coisas. inquestionavelmente existem. ostensivamente. suporta. as quais não admitem qualquer uso. Mas neste caso excepcional. insuperáveis sem a ajuda de golpes de sorte. A única excepção é na realeza. As dificuldades para a maioria são. ou alterações de circunstâncias. de facto. realmente a pratique. ninguém. As incapacidades a que as mulheres estão. esta função. é uma excepção: mas mesmo neste caso todos sentem que é uma excepção – uma anomalia no mundo moderno. que diz respeito a metade da raça humana. conferida à nascença em vez de ser posta em competição. sujeitas apenas do simples facto de assim terem nascido. sérias matérias para reflexão. que é o impulso do mundo moderno. como eu disse. no caso de conversão. na essência. como se de um dólmen gigantesco ou um amplo templo de Júpiter no Olimpo. a um observador consciente das tendências humanas. um pequeno apontamento no que se tornou a sua lei fundamental. apesar das diferenças entre indivíduos e nações na estimação da sua importância. Em nenhum outro momento. em prima facie. assim. por razões importantes. acentuando uma oposição aos costumes e aos princípios e que se justifica somente por expedientes especiais extraordinários. Todas as outras dignidades e vantagens sociais estão disponíveis a todos os membros do sexo masculino: de facto. em muito. e a radical oposição entre a sua natureza e o movimento progressivo. no qual uma função social alta é. os quais. ao princípio do qual nomeadamente depreciam. Levanta uma presunção. Paulo e recebendo adorações diárias. e nem mesmo ninguém dessa família pode obter o trono. enquanto que as Igrejas Cristãs ao redor estavam apenas reservadas ao fastio e aos festivais. por qualquer meio que não seja o curso da sucessão hereditária. ocupando o lugar de S. pode alguma vez ocupá-lo. A realeza. que possam excedê-las. permanece um facto isolado nas instituições sociais modernas. pois circunscrevem esta alta função através de condições manifestamente intentadas para prevenir que a pessoa a quem pertence. A completa discrepância entre um facto social e aqueles que o acompanham.

Por outro lado. nego que alguém saiba. Se se disser que a doutrina da igualdade entre os sexos foi baseada apenas na teoria. O que é agora chamada de natureza feminina é uma coisa eminentemente artificial – é o resultado. isto não prova que a assimilação deva continuar até à completa igualdade. das dos homens. mas ser aberta à discussão nos seus méritos. mas no caso das mulheres. por experiência directa. e deveria. sem distinção de sexo. Não será aceite em termos gerais. O mínimo que pode ser pedido é que a questão não possa ser considerada como preconceito pelos factos e opiniões existentes. que nenhuma classe de dependentes tenha o seu carácter tão distorcido das suas proporções naturais pela relação com os seus donos. dizendo que a natureza dos dois sexos se adapta às suas presentes funções e posições. e que conseguiu se elevar a um nível de desenvolvimento e de prosperidade que agora vemos. a experiência diz-nos. na sociedade sem as mulheres. sem escrúpulos. ou as mulheres sem os homens. de uma repressão forte e uma estimulação não natural noutros. por exemplo. e não ficando satisfeito com asserções vagas e gerais. mais fortemente dominados. desde que tenham sido vistos na sua relação actual entre eles. em alguns aspectos. deve ser lembrado que a doutrina contrária também apenas se baseou na teoria. A experiência não tem possibilidade de decidir entre dois cursos. ser suficiente fazer disso. se raças conquistadas e escravizadas tenham sido. mas se essa prosperidade poderia ser atingida mais cedo. que qualquer passo no desenvolvimento tem sido invariavelmente acompanhado por outro passo ao elevar a posição social das mulheres. o que quer que seja que não fosse destruído por uma força de ferro foi deixado só. como uma questão de justiça e de interesse próprio: baseando a decisão nisto. descendo até às fundações. Em si. ou houvesse uma sociedade de homens e mulheres onde as mulheres não estivessem sob o controlo dos homens. que a experiência da humanidade se pronunciou a favor do sistema que existe agora. Ficando pelo campo do senso comum e da constituição da mente humana. Se os homens tivessem sempre vivido. pois. Tudo o que possa ser provado a seu favor. tal como em qualquer outra questão de acerto social da humanidade. é que a humanidade existiu assim.circunstâncias favoráveis. e se deixado com qualquer liberdade de movimentos. e que os torna apropriados para eles. em alguns aspectos. mas de certeza que permite alguma presunção de que isso possa ser o caso. ou que é agora maior do que poderia ter sido sob outro sistema diferente. as condições das mulheres foram-se aproximando. E a discussão deve ser uma discussão real. seria possível conhecer alguma coisa sobre as diferenças mentais e morais que seriam inerentes à natureza de cada um do sexos. a natureza dos dois sexos. uma questão equilibrada. Através de todas os períodos de progresso da história da humanidade. como a escolha entre republicanismo e realeza. dependendo no que umas estimadas tendências e consequências iluminadas possam mostrar para uma maior vantagem da humanidade em geral. Nem isto avalia alguma coisa. no mínimo. desenvolveu-se sozinho de acordo com a suas próprias leis. Pode ter sido declarado. a experiência nada nos diz. tem sido feito ao longo dos tempos uma espécie de cultivo e de casa de estufa em algumas das suas capacidades 15 . até perto da igualdade. que os historiadores e os filósofos têm sido levados a adoptar a sua elevação ou rebaixamento como um todo nos testes mais assertivos e mais bem medidos de uma civilização ou de uma era. desde que só se tenha tido experiência de um. ou possa saber.

agora. e que morreria se metade dela não se mantivesse em vapor e a outra na neve. os homens normalmente vêem o que já têm metido nas suas cabeças. Porque os Gregos enganaram os Turcos. claramente aponta as causas que fizeram o que elas actualmente são. independentemente de quão grande e irradiáveis possam ser as diferenças morais e intelectuais entre homens e mulheres. serem as mais universais e uniformes. que são feitas para as executar. Pois. e muito poucos aprendem da história e que não traz muito consigo para os seus estudos. em relação ao senhorio não é prático. é suposto que o bem comum seja naturalmente menos interessante para elas do que para os homens. e porque as mulheres. e a formação de opiniões bem formadas nos assuntos diários e sociais. tiveram um crescimento impressionante enquanto outros queimados e desaparecem. exceptuando as suas qualidades. as leis de influência das mudanças no carácter. como nas viagens. no estado actual da sociedade. obter um completo e correcto conhecimento – enquanto a maioria dogmatiza sobre isso. ensina uma outra lição: se apenas se mostrar a excepcional susceptibilidade da natureza humana a influências externas e a extrema variabilidade das suas manifestações. quase todos o negligenciam e pensam nos únicos meios sobre os quais uma visão parcial possa ser obtida sobre esse assunto. quais são as diferenças naturais entre os dois sexos – um assunto no qual é impossível. há muitas pessoas que pensam que os Irlandeses são preguiçosos. os quais podem ser admitidas de serem explicadas por educação ou por circunstâncias externas. De todas as dificuldades que impedem o progresso do pensamento. há pessoas que pensam que os Turcos são mais sinceros. a maior é. devido ao sobre aquecimento e sob esta nutrição activa e húmida enquanto outros rebentam da mesma raiz. viram as armas contra eles. no que diz respeito à questão mais difícil. a inefável ignorância e a desatenção da humanidade a respeito às influências que forma o carácter humano. tem uma tendência natural para ser: mesmo quando o mais elementar conhecimento das circunstâncias em que foram colocadas. Depois. não se importam nada com a política. de facto. Qualquer que seja a destino das espécies humanas. há pessoas que pensam que os Franceses são incapazes de terem um governo livre. indolentemente acreditam que a árvore cresce pelos seus próprios meios da maneira como queriam que crescesse. muito mais do que 16 . As quais só podem ser inferidas que são naturais o que não pode ser artificial – o resíduo. O conhecimento mais profundo das leis de formação de carácter é indispensável para permitir a qualquer um a afirmação de que há. num estudo analítico da mais importante secção psicológica. Porque as constituições podem ser deitadas fora quando as autoridades. porque certos aspectos força vital geral se espalharam luxuosamente e chegaram a um desenvolvimento tal. tal destino. as quais são. Mas na história. que são deixados lá fora ao tempo invernoso. No entanto. que se diz muitas vezes. com aquela inabilidade de reconhecer o seu próprio trabalho que distinguem as mentes não analíticas.naturais para o benefício e prazer dos seus donos. ou que pareça ser. diferenças. e os Turcos saquearam os Gregos. supostamente. Porque um arrendamento que está com o pagamento muito atrasado. supostamente. com gelo a desenvolver-se à volta deles. A história que é agora muito melhor compreendida que antigamente. as evidência de serem diferenças naturais só poderá ser negativa. Estas são. após a dedução de todas as características de cada sexo. os homens.

porque só se esconde bem essa natureza de muito poucos. penso eu. No que diz respeito às características mentais das mulheres. conjecturas. podem ser feitas de acordo com o tipo de autoridade. até um certo limite. As noções e os sentimentos de uma pessoa estúpida podem ser confidencialmente inferidas por aqueles que se mantêm no círculo que rodeia a pessoa. desde que só aqueles que possam realmente saber. portanto. muito poucas pessoas são assim tão ou mais ignorantes. teve esse conhecimento (pois dificilmente haja qualquer assunto que.são essas diferenças. Conjecturas é o que se pode fazer agora. com um exemplo a um nível irrisório. Mas a maioria dos homens ainda não teve a oportunidade de estudar. as próprias mulheres. Só aqui e ali é que um homem que tenha algum conhecimento tolerante de caracteres. da opinião generalista do homem. agora. O caso mais favorável em que. Creio que quase nada pode ser mais raro que esta conjunção. Mas não é assim com aqueles cujas opiniões e sentimentos são uma emanação da sua própria natureza e faculdades. É um assunto sobre o qual nada pode ser dito de uma forma acabada. está ainda no mais rústico e incompleto estado. É fácil de conhecer mulheres estúpidas. destas. subornado. ninguém está. mais ou menos aceite. em proporção à sua importância. e isto é um elemento importante para os fisiologistas: mas é raro qualquer médico ser fisiologista. e desde que ninguém. Muitas vezes acontece que há uma completa união de sentimentos e uma interacção de interesses como nos 17 . é possível que tenha aprendido alguma coisa de uma pequena parte da sua natureza – uma parte importante. na sua maioria. Do que eu estou a falar é sobre os seus pensamentos e sentimentos. as diferenças entre os dois sexos. que ele poderá ler a sua mente por um intuição compreensiva. E. sem dúvida. no presente. ou não ter nada em si mesmo que a faça ficar constrangida na sua descoberta. o que é uma esposa. de acordo. que esses conhecimentos que ainda temos das leis da psicologia. mas tem que ter um carácter. é desta fonte. Médicos e fisiologistas demonstraram. as suas observações não têm mais merecimento do que as do homem comum. Não estou a falar das suas capacidades. Se ele for um bom observador. desta maneira. mesmo das mulheres da sua própria família. de facto. um homem ocasião para estudar o carácter da mulher. e a sua experiência se estende à qualidade como à quantidade. nos possam dar na aplicação da formação do carácter. ninguém sabe. nem mesmo elas próprias. que a generalidade dos casos que valham a pena serem conhecidos são originários. é o da sua mulher: pois tem maiores oportunidades e os casos de extrema simpatia não são assim tão raros. têm dado um minúsculo testemunho. mais do que um caso: pode-se inferir. capacitado de ter qualquer opinião positiva sobre o assunto. Mas de tudo o resto. geralmente. fora de todas as questões de como é que elas se tornam no que são. porque a maioria delas nunca foi posta à prova. entre os dois sexos considerados como seres morais e racionais. e mesmo esse minúsculo testemunho. em si. mais ou menos prováveis. tão complacente e tão bem adaptado ao dela. Mesmo os conhecimentos preliminares do que são. e. tenha sido tão pouco estudado). A estupidez é basicamente a mesma em todo o mundo. sobre as mulheres. e não só o homem tem que ser um juiz competente. Para que este caso colha algum resultado. como agora. as diferenças na constituição corporal. a mulher tem que ser merecedora de ser conhecida. Muitas vezes o homem pensa que compreende perfeitamente as mulheres. talvez com muitas. apenas porque teve relações amorosas com várias.

sozinha. o fenómeno correspondente deve estar na mira de toda a gente. os quais. mesmo que ele possa estudar muitas mulheres de um extracto social. Todas estas dificuldades impedem que o homem obtenha qualquer conhecimento íntimo mesmo de uma mulher. Foi só há pouco tempo que as mulheres se qualificaram literariamente. apesar da sua intimidade. Embora nada possa ser recusado intencionalmente. “Un homme peut braver l’opinion. for miseravelmente imperfeita e superficial. nem virá a não ser gradualmente. A grande mulher que deixou suficientes escritos que lhe dessem um nível alto na literatura do seu país. mesmo que elas tenham estado. mais adiante. Quando consideramos. apesar das reais afecções entre ambos. até as mulheres dizerem tudo aquilo que têm para dizer. os homens. como máxima. ser da mesma opinião em tudo o que se submeta ao conforto e ao prazer dele e não o deixar ver nem sentir nada que venha dela. era normalmente. que um conhecimento íntimo de ambos raramente existe. não vai poder compreender as mulheres de outros extractos sociais ou de outros países. ou de sentimentos excêntricos tidos em consideração. em quantos casos no qual o pai. a qual. une femme doit s’y soumettre. Torna-se ainda mais verdadeiro quando um não está apenas sob a autoridade do outro mas que foi incutido nela. Lembremo-nos de que maneira. há uma tendência inconsciente para mostrar só o melhor lado. podemos formar alguma concepção vaga sobre que impedimentos a mulher tem.objectos exteriores da natureza. ao seu livro mais ousado. recebido. a expressão de um autor masculino. e sempre será assim. é o lado que mais deseja ver: e pode dizer-se. Na relação análoga entre um dos pais e um filho. que mesmo num carácter vertical. sem referências do que elas possam ser. de uma maneira muito confidencial. A verdade é que a posição de olhar pelo outro é extremamente impróprio para uma completa sinceridade e abertura com ele. essas mulheres são mulheres de um período singular da História. e estejam. e até certo ponto ainda é.” 1 1 Título de Mme de Staël’s Delphine 18 . ou de um país. excepto o que for do seu agrado. e mesmo que conseguisse. o que é óbvio para o resto do mundo. para dizer qualquer coisa ao público em geral. pouco ou nada desejam ouvir. Como ainda há poucas mulheres que se atrevem a dizer o que quer que seja. não deve ser revelado. Mesmo quando há uma verdadeira afecção. na tentativa de expressar em livros alguma coisa preparada nas profundezas da sua própria natureza. não sabe nem suspeita de algumas partes do carácter tão familiar do seu filho. embora necessitou afixar. E esse tempo ainda não veio. que para compreender as mulheres não é necessário compreender qualquer mulher. existindo apenas o conhecimento entre pessoas que. ou que lhes fosse permitido pela sociedade. podemos seguramente afirmar que o conhecimento que os homens possam adquirir das mulheres. O medo de perder terreno na sua opinião ou nos seus sentimentos é fortíssimo. Como entre pai e filho. como um dever. são iguais. ou o lado no qual não seja o melhor. de opiniões inusitadas. ele teve oportunidades suficientes para estudar. até muito recentemente. mas que no entanto um ainda tem uma pequena adesão à vida interna do outro como se fossem conhecidos. a autoridade de um lado e a submissão do outro ainda impede uma perfeita confidência. de quem o seu sucesso literário depende. que é ensinada a pensar de acordo com a sua regra.

mas não tão bem como os homens que são os seus competidores. em nome da natureza. excepto os mais vulgares. são elas próprias um produto tão artificial. individualmente. competição essa que é suficiente para as excluir. as mulheres estão a tornar-se mais livres na expressão. a questão permanece com as próprias mulheres – decidirem através da sua própria experiência e pelo uso das suas capacidades. o jogo da livre competição irá retê-las nos estímulos mais fortes que terão. e não antes. porque como em tantas outras coisas “opinio copiae inter máximas causas inopiae est”. já que ninguém pergunta pelas acções de protecção e liberdades das mulheres. de acordo com os princípios envolvidos na sociedade moderna. E. Não há maneira de saber o que é que cada pessoa. No caso das mulheres não casadas. Felizmente. ou muitas pessoas. enquanto as pessoas se auto elogiarem da perfeita compreensão de um assunto sobre o qual a maioria dos homens não sabem quase nada. parece que muito do que dizem é com o intuito de arranjar um marido. é uma preocupação de todo desnecessária. que qualquer homem ou todos os homens em conjunto devam ter algum conhecimento que os poderá qualificar para discernir as leis das mulheres sobre quais são ou não são as suas vocações. quão necessário será para conhecer a natureza das mulheres e a adaptação de outras coisas a isso. e incutiram uma servidão para além do que é desejável e requerido por qualquer homem. A ansiedade da humanidade em interferir. especialmente neste país. mas apenas por tentativas – e nunca descobrindo o que serve para a felicidade de cada um ou então abandoná-los. se as mulheres têm uma maior inclinação natural para umas coisas do que para outras. presentemente. com medo de que a natureza não tenha sucesso em chegar ao seu fim. e sobre o qual é impossível. O que elas podem fazer. e há poucas hipóteses de haver um raciocínio razoável sobre o assunto. mas manter-se-á como verdadeiro durante muito tempo. esse tipo de conhecimento não é necessário para qualquer propósito prático ligado à posição das mulheres em relação à sociedade e à vida. Mas isto não é um caso tão frequente como o era há uns tempos atrás. pode fazer. Infelizmente. Demorei-me tanto tempo nas dificuldades que no presente impedem qualquer conhecimento real da verdadeira natureza feminina por parte dos homens. veremos e ouviremos. e deveras supérfluo para as proibir de o fazer. Literalmente. elas são mais 19 . não há necessidade de leis nem de imposições sociais que as façam fazer o que a maioria já fazia anteriormente em preferência ao que irão fazer amanhã.A maior parte das coisas que as mulheres escrevem sobre as mulheres é mero sicofantismo. ultrapassaram essas características. Muitas. e com um maior desejo de se expressarem os seus reais sentimentos. enquanto as instituições sociais não admitirem o mesmo livre desenvolvimento originário nas mulheres da mesma maneira que o admitiram para os homens. Este caso irá gradualmente desaparecer. Quando chegar essa altura. é apenas questionado se as actuais liberdades e as protecções a favor dos homens devem ser revogadas. que os seus sentimentos são compostos de um pequeno elemento de consciência e de observação individual e de uma grande parte de associações adquiridas. ambas casadas e não casadas. O que é que as mulheres não podem fazer naturalmente. Porque. Seja qual for o serviço que seja mais solicitado às mulheres. De uma coisa podemos estar certos – que o que é contrário à natureza feminina nunca será feito apenas por libertarem a natureza feminina. em conjunto. como de deduz das palavras.

então. Então é necessário obrigá-las. que têm uma antipatia real à igualdade de liberdade para as mulheres. pela distribuição que lhes cabe. Deve ser suposto pensarem que a alegada vocação natural das mulheres era. se esta consequência estivesse necessariamente ligado ao casamento. tenha essa apreensão. A opinião geral que é suposta ser a dos homens é de que a vocação natural da mulher é a de ser esposa e mãe. deixam-se à mercê de uma disputa semelhante.requisitadas para as coisas que estão mais preparadas. as quais têm a possibilidade de lhes serem agradáveis – não haverá mulheres suficientes que estejam dispostas a aceitarem as ditas condições que lhes são naturais. Se foi feito com que valesse a pena enquanto eles nos serviam. foi bem sucedida até aos dias de hoje. Logo (Ergo). como quando trabalharam para outros patrões. fechando-lhes todas as portas. E. Os negros não o farão. a sua opinião deve ser. Não é um sinal de um pensamento em que se oferece um osso muito atractivo. Aqueles que tentam forçar as mulheres a casar. o recrutamento forçado já não é defendido. de todas as coisas. Assim. Para isto não há uma resposta lógica excepto “Eu não o farei”. na realidade.” Os méritos do caso seriam. tem de haver um poder que os obrigue. Se esta for opinião geral dos homens seria bom que fosse afirmada publicamente. Se aquilo que dizem é aquilo que querem mesmo dizer. que os homens não tornam a condição de casadas a coisa mais desejável para as mulheres. em vez de se casarem. Digo que é suposta ser porque julgando pelos actos – por causa da completa constituição da sociedade – podemos inferir que a opinião deles era completamente oposta. apesar de eu não pensar que alguém. Seria exactamente como os donos de escravos na Carolina do Sul e no Louisiana. na verdade. Os marinheiros devem estar absolutamente aptos para defender o país. as faculdades colectivas de ambos os sexos podem ser aplicadas no todo com uma grande soma de resultados positivos. Gostaria de ouvir alguém anunciar abertamente a doutrina (que já está implícita no que foi escrito sobre o assunto) – “ É necessário para a sociedade que as mulheres devam casar e ter filhos. Elas não o farão a não ser que sejam obrigadas a isso. não iremos ter qualquer dificuldade em obter os seus serviços. está a chave dos sentimentos daqueles homens. penso que a apreensão dos homens tinha muitos 20 . e também um senhor de todas as suas posses. devem ser obrigados. com receio de que mais mulheres não queiram casar. de roubar o trabalho do seu empregado. quando o casamento lhes deus um senhor. seja por que salário for.” Uma ilustração mais próxima ao ponto é o do recrutamento forçado. “isso ou nada”. mas a não ser que devam insistir no casamento deva ter as mesmas condições para ambos. “É necessário que o algodão e o açúcar cresçam: Os brancos não o podem fazer. acredito eu. que não seja degradante aos seus olhos. e não só a pessoas estão envergonhadas. mas não estão desejosas. quando nos é apenas permitido a escolha de Hobson. Quantas vezes foi usada esta lógica! e. a mais repugnante para a sua natureza. Penso que eles têm medo. de qualquer maneiras se elas são livres de fazer qualquer outra coisa – se tiverem disponíveis outros meios de viver ou de ocuparem o seu tempo e as suas capacidades. sem nenhuma imperfeição. evidentemente. como as induziram a aceitar pelas suas próprias recomendações. Acontece muitas vezes que não se alistam voluntariamente. E aqui. claramente definidos. Mas está aberta a discussão – Primeiro paguem aos marinheiros o valor mais honesto pelo seu trabalho. a não ser que todas as mulheres de espírito livre e capacidade devam preferir qualquer outra coisa.

a não ser sob um entretenimento irresistível. o poder sobre a vida e a morte sobre a sua mulher. quando haveria outros meios que estariam abertos ao preenchimento de um lugar honrado na vida. exceptuando. e mais as mulheres que escrevem. à sua vontade e prazer. ou de uma serva doméstica. Após o casamento. e era praticamente impossível para a rapariga a recusa na complacência perante a persistência do pai. Ela não podia invocar qualquer lei contra ele. As mulheres que lêem. e se os homens estão determinados que a lei do casamento seja uma lei de despotismo. de tal maneira que o assassinato do marido pela esposa era considerado traição (uma pequena traição para se distinguir da alta traição). de uma tal maneira. são. excepto por aquelas que são tão pouco atractivas para serem escolhidas por qualquer homem para serem as suas companheiras. e 21 . que não haveria possibilidade de terem qualquer tipo de arrependimento ao negarem qualquer outra opção. era soberano para ela. tanto nesta como. o pai tinha o poder de dispor. ele era o único tribunal e a única lei para ela. talvez. tudo o que foi feito no mundo moderno para relaxar as correntes das mentes das mulheres. o homem tem. era. e o assunto que lhes é destinado deveria ser pensado por todas elas. quando ela poderia ter a protecção da religião por ter resolvido obedecer aos votos monásticos. o marido era chamado o senhor da sua esposa. capazes de fazer qualquer coisa. mas nada indicava que o consentimento era de outra maneira que não o compulsivo. estão completamente certos. na actual ordem existentes das coisas. De facto. No entanto. nesse caso. em deixar as mulheres com a escolha de Hobson. Mas. e foi errado trazer as mulheres a qualquer conhecimento para além daqueles conhecimentos odalísticos. pois subsistiu com persistência até aos nossos dias. Sendo o casamento o destino determinado para as mulheres pela sociedade. quereria. Originalmente as mulheres eram tomadas à força ou regularmente vendidas pelo pai ou pelo marido. a sociedade preferiu alcançar o seu objectivo por meios condenáveis em vez de por meios mais justos: mas este caso é a excepção. Durante muito tempo ele podia repudiá-la. deveria ter-se pensado que tudo seria feito para tornar esta condição tão elegível quanto possível para elas. Concordo que é provável que poucas mulheres. mas não havia nenhum poder correspondente para ela em relação a ele. nas outras opções. Nunca deveriam ter tido acesso à educação literária. um elemento contraditório e perturbador. da sua filha para o casamento.fundamentos. mais fiel a uma melhor moralidade do que a receber um “sim” formal da mulher na cerimónia matrimonial. sem qualquer respeito pela vontade dela. foi um erro. a Igreja. Capítulo 2 Seria bom começar a detalhada discussão do assunto pela secção particular pela qual nos levou o curso das nossas observações: as condições que as leis do nosso e de outros país anexaram ao contracto matrimonial. rendendo-se insensivelmente a tudo menos a ele. em termos de mera política. inicialmente. era ele que. Até muito tarde na História Europeia. desde tempos ancestrais (e isto foi anterior ao Cristianismo). literalmente. escolha uma tal sorte. o panorama que se lhes levanta. Pelas antigas leis de Inglaterra.

A própria propriedade está fora do alcance de ambos.era vingada de uma maneira ainda mais cruel que no próprio caso de alta traição. excepto para o responsabilizar. na sua vida. pelo menos tácito. Ela não pode adquirir qualquer propriedade a não ser através dele. Os casuístas podem dizer que a obrigação da obediência termina logo na participação do crime. mas a inferência paralela. mas se ele lhe tira. não é menos. no tratamento que lhes é dado. por condições monetárias. Às classes mais altas. dentro de certos limites. é um escravo a tempo inteiro. no momento em que a propriedade é dela. Longe de mim pretender que as mulheres sejam equiparadas.: desde que o sentimento paternal não seja mais forte para os pais que o sentimento de classe pelo mesmo sexo. pela lei. um escravo poderia ter posses. de toda a propriedade. torna-se. dele. até um certo sentido. Neste aspecto a posição da mulher. pelos actos dela. mas nenhum escravo é tão escravo. mesmo que por herança. Na imensa maioria dos casos não há qualquer tipo de determinação: e a retirada de todos os direitos. de facto. etc. dispõe. Entretanto. por exemplo. 22 . geralmente ele tem. assim que ela o recebe. com o propósito de inferir que tudo o que seja dela é dele também. como é comum chamar-se. Devido a estas inúmeras enormidades terem caído em desuso (apesar da maior parte delas não terem sido realmente abolida ou até terem deixado de ser praticadas por muito tempo). do que. está completa. Por determinação. Raramente um escravo. e continuamos a dizer que a civilização e o Cristianismo devolveu. pois a pena era ser queimada viva. às quais. Ela promete. como o é a esposa. perante terceiros. Ela não pode fazer nada sem o consentimento do marido. a forma de estabelecimento mais favorável à esposa (o chamado “para seu uso privado”) apenas impede que seja o marido a recebê-lo em vez dela: tem que passar pelas mãos delas. neste país. os ricos arranjavam maneira de retirar toda ou parte da propriedade herdada pela esposa para o controlo absoluto do marido: mas elas falharam em as manter sob o seu próprio controlo. de acordo com o contracto matrimonial. é pior do que a dos escravos em muitos países: pela lei romana. excepto aquele que está intimamente ligado ao seu dono. nunca é posta como se tudo o que fosse dele também fosse dela. os seus direitos. mas de certeza que se estende a tudo o resto. ele não pode ser punido nem ser obrigado a restitui-lo. os dois são tidos como sendo um único indivíduo. às mulheres. um escravo. a lei lhes garantia para seu uso exclusivo. à parte da lei. e no que diz respeito ao lucro que deriva da propriedade. do seu tempo e tem uma família onde raramente o dono se intromete. agora. o máximo que elas poderiam fazer era. a mulher é serva do seu marido. sob a lei de Inglaterra. do que diz respeito às obrigações legais. no altar. um pai geralmente prefere a sua própria filha a um genro que lhe é estranho. privasse o verdadeiro dono de fazer pleno uso dessas propriedades. sob as leis deste país. as suas tarefas definidas. como um soldado. que quando estão feitas ou quando está de folga. uma vida inteira de obediência e isso é confirmado. ao mesmo tempo. apenas. os homens pensam que tudo está. Legalmente. A máxima não é aplicada contra o homem. através de violência pessoal. excepto na completa definição da palavra. aos escravos. Este é o tipo de protecção. assim como de toda a liberdade de acção. impedir que o marido as gastasse e. que o poderoso nobre pode oferecer à sua própria filha no que diz respeito ao seu marido. como é um dono responsável pelos actos dos seus escravos ou do seu gado. foi dada uma vantagem análoga às suas mulheres. através de contractos especiais.

se à mulher é negada qualquer sorte na vida. decretado por um tribunal de justiça. Mas isto não podia acontecer com a esposa. que lhe fosse permitido mudar até encontrar um decente. qualquer coisa que ela possa ter ou que lhe tenha sido dada nas suas relações. a esposa não é a guardiã legal dos filhos. 23 . excepto se for delegada por ele. tinha a sua própria vida na sua “cabina” quase tanto como qualquer homem cujo trabalho o leva para fora de casa. Apenas ele tem poderes legais sobre eles. sem temer que um homem que ela não vê. e retirar-lhe os meios de os ver ou de se corresponder com eles. A sequência e o corolário natural deste estado de coisas deveria ser. Acima de tudo. pelo Acto do Sargento Talfourd. A questão do divórcio. e sendo completamente dependente da sorte de encontrar alguém que esteja disposto a tornar a sua favorita em vez de fazer dela uma mera servil. para aquelas em que não lhes é permitido mais nada que não a servidão. a voltar. Nem um único acto pode ela ter em relação aos filhos. Tudo o que eu digo é que. a tenha tornado. até certo ponto. a possibilidade de ter este privilégio.O “Tio Sam”. que dá o direito à mulher de viver afastada. excepto em ser a escrava de um déspota. Mesmo agora. se precipite sobre ela num dia e lhe leve tudo. o que é que ela pensa em relação aos filhos que teve juntamente com o seu dono e sobre os quais têm interesses comuns? Eles são. Se ela deixa o seu marido. para o seu próprio uso. e mesmo assim. sobre certas circunstâncias de maus-tratos. Isso é uma consideração completamente diferente. embora de certa maneira insuficiente. é um agravamento muito cruel do seu destino que lhe deveria ser possível tentar a sua sorte só uma vez. Enquanto ela é mantida neste horrível tipo de escravatura para com a sua pessoa. enviá-los para longe dela. seja os filhos ou qualquer coisa que por direito seja dela. por lei ou pela força. Ele pode. por testamento. só é dado a casos de deserção ou nos casos de uma extrema crueldade. de recusar ao seu dono a última familiaridade. até. a não ser que ele. já que ela depende a sua inteira vida em obter um bom dono. no sentido de envolver a liberdade para voltar a casar. alívio. ele pode obrigá-la. É apenas num divórcio legal. são feitas queixas todos os dias que está muito facilitada. sob o seu primeiro dono. uma mulher escrava tinha (nos países Cristãos) um direito admitido. Se ele escolher. talvez. sem ser forçada a regressar à custódia de uma prisão desesperante – ou que lhe dá o poder de aplicar qualquer ganho para seu próprio uso. que é torná-la um instrumento em funções completamente contrárias às suas inclinações. Não digo que lhe seja dada. Este é o seu estado legal. E deste estado ela não tem meios de se afastar. e considerado sob uma obrigação moral. os filhos dele. Até há muito pouco tempo. Mas não a esposa: independentemente de quão brutal era o tirano a quem ela estava infelizmente submetida – embora ela saiba que ele a odeia e possa ter um prazer em torturá-la diariamente e apesar de sentir que é impossível não sentir aversão ao marido – ele pode exigir-lhe e forçá-la à maior degradação que se pode fazer a um ser humano. não pode levar nada com ela. esta separação legal só era concedida pelo tribunal até um certo nível o que tornava inacessível para qualquer pessoa fora das classes altas. ou ele pode apenas em se contentar em adquirir. A sua recusa completa a assimilação da mulher em escrava – e um escravo que não é no sentido mais ligeiro: pois em alguns códigos esclavagistas. por obrigação. há vinte anos. é uma questão que está fora do meu propósito entrar. Mesmo depois da morte do marido. Certamente. podia ter a sua própria família. o escravo podia. pela lei. até este poder ter sido retirado. a escolha livre pela servidão é o único.

mas era suficientemente mau para justificar a Revolução Francesa e para justificar os seus horrores. A satisfação que sentirá a maioria dos homens. são compatíveis com a manutenção de todo o poder deste ou de qualquer tipo de tirania. assim como as do mal. surgem nos seres humanos contra aqueles que. não o seu tratamento actual. os impulsos e as propensões que levam à tirania: e desses sentimentos. retraem-se voluntariamente no uso desse poder. em vez de os pôr em conflito. porque os homens. Diariamente vemos como é que a sua gratidão aos Céus aparenta ter sido 24 . tendo o poder para desfazer inteiramente a existência humana na terra. As leis da maioria dos países são muitas vezes piores do que as pessoas que as executam. Mas não há qualquer tipo de maustratos. seria um verificação cruel. o qual é o preço a pagar por qualquer supremo bem. a esposa do seu carrasco. Se a vida de casamento fosse aquilo que todos esperam que seja. Porque isto é verdade. e com que vitalidade as sementes do bem. nem os despe dos seus últimos farrapos e os deixe completamente abandonados à sua sorte. exagerar. é entre ele e as suas crianças e que tende. olhando apenas para as leis. mesmo os de devoção religiosa. à qual a natureza humana parece ser susceptível. apenas servem para provar o poder que a natureza humana possui na reacção contra quaisquer vis instituições.forçar. o mesmo se pode dizer da escravatura doméstica. em geral. Felizmente há sentimentos e interesses que em muitos homens exclui. estes intensos sentimentos individuais nunca cresceram a luxúrias desmedidas como cresceram sob as mais atrozes instituições. O único laço que aproxima todos a esses sentimentos e interesses. a sociedade seria um inferno na terra. Se for feito um apelo às intensas ligações existentes entre as mulheres e o seus respectivos maridos. sem a adição de adultério. as quais. ou de Nadir Shah ou de Calígula. sabemos o quão cruelmente os Romanos tratavam os seus escravos. o Belo. toda a miséria que pode ser infligida e sofrida se todo o poder da tirania. legalmente. em vez de serem um tipo de desculpa para o despotismo. Mas a mitigações postas em prática. salvo em casos excepcionais. em Inglaterra. Não desejo. sendo muitas vezes esquecidas ou nunca postas em prática. Na Grécia e em Roma era um facto normal os escravos submeterem-se à morte pela tortura em vez de traírem os seus donos. Não se pode falar sobre despotismo na família que não possa ser dito do despotismo político. os defensores da actual forma institucional pensam que toda a iniquidade se justifica e que qualquer queixa são meras brigas com o mal. nem as mulheres sofrem. É parte da ironia da vida. Nas proscrições das guerras civis de Roma foi assinalado que as esposas e os escravos eram heroicamente fiéis e os filhos normalmente desleais. e muitos delas são apenas leis. ao qual o homem está legalmente investido. Descrevi a situação legal da esposa. nem o caso tem essa necessidade de exageros. a fortalecer-se. No entanto. e em muitos de excelente temperamento. não infligem. se difundem e se propagam no carácter humano. com estes sentimentos. o seu dono a vendê-lo. que liberte. fosse posto em acção. de maneira nenhuma. os laços que ligam o homem à sua esposa demonstram sem comparação. Mas. na verdade. Não há um rei absoluto que fique à janela a desfrutar os lamentos do seu torturado súbdito. num estado normal das coisas. O despotismo de Luís XVI não era o era o despotismo de Filipe. o melhor exemplo. que os sentimentos mais fortes da gratidão devota.

não a homens bons. qualquer tentativa para reprimir estes 25 . Tudo isto viria muito a propósito se se pretendesse que não existe uma tal coisa como sejam homens bons. e tendo como ponto de honra. sem serem legalmente considerados malfeitores noutros aspectos. pelo menos nas pessoas adultas. algumas tentativas fracas na repressão dessas mesmas atrocidades. compatível com o deixar a vítima à mercê do seu carrasco. o excesso de dependência é uma inspiração para as suas naturezas más e selvagens. que possibilite à mulher um divórcio real. Quem é que duvida que possa haver bondade. pode fazê-lo sem qualquer perigo de ser penalizado legalmente. comportar-se bem para com aquele cuja fortuna está inteiramente confiada na sua bondade. Seja a instituição a ser defendida a escravatura. ipso facto. porque são contrárias à razão e à experiência para se supor que haverá qualquer tipo de uma real verificação da brutalidade. e somos presenciados com o exercício apaixonado da autoridade. o que lhes é exigido. como uma preliminar cerimónia matrimonial. E quantos milhares existem. mas há vários nível de sensibilidade e de insensibilidade. que se prove por testemunhas. no decorrer destes últimos anos. que até muito recentemente deixou que estas atrocidades extremas de opressão doméstica ficassem praticamente impunes. o absolutismo político ou o absolutismo do chefe de família. não sem uma paciência generosa. Em qualquer grau da escala descendente existem homens que estão obrigados a ter poderes legais de marido. nem que seja porque em qualquer situação as suas agressões encontram resistência. ou seja. e que. e. Até que haja uma condenação à violência pessoal. mas aos maus. e não se espera que faça muito. A lei. entre as classes mais baixas em todos os países. Aos homens não se exige. as penalidades legais. contra quem ele pode cometer qualquer atrocidade excepto matá-la. que. como há vários graus de bem e de fraqueza nos homens. fez. ou no mínimo a uma separação judicial. por eles. as leis e as instituições exigem ser adaptadas. de um lado. aos homens. com a noção que a lei as entregou. não pode nem repelir nem escapar dessas brutalidades. satisfazem ao máximo os seus habituais excessos de violência corporal para com a infeliz esposa. e para quem. se for cauteloso. que. para com todas as outras pessoas. como uma coisa sua para ser usada a seu belo prazer. Os laços afectivos e de obrigações para com a esposa e os filhos é muito forte naqueles que geralmente têm fortes sentimentos sociais e com muitos são poucos sensibilizados para os outros laços sociais. por outro – a sabedoria superior ordenando que tudo seja feito para o supremo bem dos dependentes rodeados pelos seus sorrisos e pelas suas bênçãos. ou pelo menos a uma repetição da mesma após uma primeira condenação. esperamos sempre ser julgados pelos melhores motivos. Mas as suas tentativas pouco progrediram. mas. O casamento não é uma instituição feita só para alguns. O malfeitor mais vil tem sempre alguma mulher infeliz. sozinha. e de uma apaixonada submissão. que estão preparados para serem de confiança no exercício do poder absoluto. principalmente com aqueles que não estão ligados a qualquer obrigação e naqueles a quem a sociedade não age a não ser através da ultima ratio. pelo contrário. e a quem não é esperado uma prática de alguma consideração para com as esposas. felicidade e afecto sob o governo de um homem bom? Entretanto.estimulada pela contemplação de outros homens a quem Deus não foi tão misericordioso como o foi para eles próprios.

da sua personalidade para aqueles que não têm qualquer poder que os apoie. e que isso nunca os impedirá de serem capazes. de amuo. é ainda muitas vezes. que muito dificilmente não se pratica qualquer tipo de horror se o déspota não quiser. após séculos de discussões políticas. muitas vezes é o suficiente para tornar a vida. a quem ele podia submetê-los por intimidação ou por preocupação. assim. em todas as formas. Que o poder não deve estar nas mãos de um homem a qualquer altura. no que diz respeito ao seu líder. iluminando o que deve ser a terrível frequência com que se praticam actos um pouco menos atrozes. uma escola de simpatia. no qual o próprio sacrifício é apenas uma forma particular: o cuidar da mulher e dos filhos será o único cuidado que faz parte do próprio interesse e das posses do homem. de indisfarçável egoísmo. perante aqueles que não estão sob a sua autoridade. estes são casos só os casos extremos. os quais onde quer que eles existem. causada apenas desta forma pelo abuso das instituições. de certeza que é alguém que viveu entre pessoas de classes inferiores. o caso dos monstros absolutos ilustra bem. daqueles que estão sob a sua autoridade. como é muitas vezes dito. no entanto. quantas são as formas e as gradações de animalidade e de egoísmo. aumenta para algo aterrador. Não é porque um homem ser conhecido por não quebrar qualquer dos Dez Mandamentos. que estão um pouco mais acima do que as bestas. muitas vezes sob uma exterior aparência enganosa de civilização e mesmo de aculturação. vivendo em paz com a lei e mantendo uma credibilidade. Um homem que seja taciturno ou violento para com os seus. ternura e de um amor altruísta. 26 . A amizade absoluta é tão rara quanto o são os anjos. o qual. se calhar ainda mais rara. elas são aplicadas. nas mais pequenas preferências. apenas. Se a família. A relação entre superiores e dependentes é o alimento destes vícios de carácter. sendo o seu prazer individual imolado. contra aqueles que não estão obrigados a suportá-lo. e onde nunca foi difícil a ninguém pensar na aplicação das máximas ao caso em que. de satisfações pessoais sem limites e de um egoísmo idealizado e ilimitado. principalmente pelo hábito instituído. que é possível inferir de que tipo será a sua conduta na privacidade do lar. São pequenos abismos. para o poder. Quando consideramos quão vasto é o número de homens. e que. em geral. através da lei matrimonial. Tanto na tirania doméstica como na tirania política. com tiques ocasionais de humanidade. uma escola de vontades. mesmo ao mãos básico e ao mais furioso. de arranjar uma vitima. por mau temperamento.“gravíssimos assaltos” através de castigos penais será impedida por um procurador ou pela testemunha. mas tem que se ir cada vez mais fundo antes de lá chegarmos. acima de tudo. O que é que se pode esperar de melhor sob a actual forma de organização? Sabemos que as más propensões da natureza humana são mantidas. são um transbordar dessa fonte. Mesmo o homem mais comum reserva o seu lado mais violento. aparente. é. muito frequente: e. aqui. no largo intervalo que separa estes de qualquer representante digno da espécie humana. os lugares comuns sobre a incapacidade dos homens. mas que é oferecido a qualquer macho adulto. e. na sua melhor forma é. ou porque mantém uma personalidade respeitável nos actos com aqueles que ele não pode obrigar a terem qualquer tipo de relação com ele ou porque não demonstra qualquer tipo de acção violenta. contudo. em qualquer grande país. de prepotência. No entanto. num tormento e num sacrifício! Será aborrecido repetir. a exalação do interior da miséria humana. todos conhecem de cor. uma feroz selvajaria.

por outro lado. e em muitos homens não tem. o qual. e que. são muitas vezes capazes. e a personalidade suficientemente congénita com a do marido para o excitar. ter a possibilidade de obter muitos pontos que ela devia. por seu lado. pode. também ela pode tornar a vida do marido inconfortável. uma segunda natureza. o poder quase ilimitado que as organizações sociais dão ao homem sobre. a socorrer-se a qualquer exercício mais duro de autoridade. com uma tal soma de bem? Meras carícias femininas. e com esse poder que dispõe. O poder da esposa em ser geralmente desagradável apenas estabelece uma contra-tirania maior e faz. embora de grande efeito em indivíduos. se ela não consegue efectivamente resistir. As reais causas mitigadas são: o afecto pessoal que cresce com o tempo. no entanto. os quais. têm muito pouco efeito na alteração das tendências gerais da situação actual. com o tempo. Dou como adquirido que a esposa. geralmente reverte este poder a um mau uso. na maior parte. É a arma das mulheres irritáveis e empreendedoras. a influência naturalmente adquirida por quase todos os seres humanos que estão perto dessas pessoas (não sendo desagradáveis para com elas). mesmo que por provocação. os seus interesses comuns no que respeito às crianças e os seus gerais interesses comunitários no que respeita terceiras pessoas (para os quais. continuam a usurpá-los até chegar a um ponto que eles são obrigados a resistirem. Sabemos que pelo impulso e pelo hábito. enquanto a natureza do homem seja susceptível a isso. e muitos que não devia. O que é. consequentemente. daquelas mulheres que fariam o pior uso do poder se o dispusessem para si. retaliar. lhe dá. como vemos agora. seja por súplica directa seja pelo contágio insensível dos seus sentimentos e disposições. há grandes limitações). então. pois. As amistosas não podem usar este tipo de instrumento. E. manter. que é aproveitado. contra si. os maridos contra quem é usado mais efectivamente são os mais gentis e mais inofensivos.dentro de certos limites quando não lhes é permitido liberdade de acção para as suas satisfações. de quase todos os outros de quem lucram. Mas este elemento de auto-protecção – que se pode chamar de censura ou de uma sanção pelo mau génio – tem o fatal defeito. a importância real da mulher no conforto e prazer diário do homem. É esta a tendência comum da natureza humana. contra os mais pequeno dos superiores tirânicos e a favor dos dependentes que menos merecem. aqueles que não podem ser induzidos. pelo menos. e o valor que ele. a quem. as orgulhosas desdenham-no. no mínimo. nunca. a não ser que sejam contrariados por alguma forte influência pessoal igual para obter um grau de comando sobre a conduta do superior que é tanto 27 . que realmente tempera os efeitos corruptores do poder e o torna compatível. serem vitimas daqueles maridos que estão menos inclinados a serem tiranos. em todas as outras relações em que se viria envolvido acharia necessário reprimi-las e escondê-las e cuja repressão criará. quando não formam um objectivo deliberado. muitas vezes quando o seu charme é novo e não esbatido pela familiaridade. finalmente. lança as bases para do cuidar dela por ela. Sei que há um outro lado da questão. um ser humano – aquele com quem ele reside e que está sempre presente – procura e evoca os germes latentes do egoísmo nos cantos mais remotos da sua natureza – atiça as suas fracas faíscas e o carvão em latência – oferecelhe uma abertura para a satisfação daqueles pontos da sua personalidade original. e. num homem capaz de sentimentos por outros. qualquer influência. o seu poder só dura enquanto a mulher é jovem e atractiva.

a conduta dele naquelas relações externas em que ela nunca se achou capaz de julgar ou nas quais ela própria está inteiramente influenciada seja por algo pessoal ou por terceiros. e na qual ele poderia agir melhor se deixado à sua própria inclinação. e muito provavelmente perverter. mas o desejável seria que ela não tivesse escravos nem fosse. por mais legítimo que seja. e que esse administrador deveria ser designado por alguma presunção geral da lei. mas não lhe dá a possibilidade de assumir os seus próprios direitos. mas sabe o que lhe trará dinheiro ou convites. como num Estado. a esposa exercia. um lugar ao seu filho ou um bom casamento à sua filha. é a parceria em negócios: e ainda não foi pensado que seja necessário impor isso numa parceria de que seja um dos parceiros a ter o controlo total sobre o negócio e que o outro apenas obedeça às ordens do primeiro. muitas vezes. de acordo com isso. aquilo que ela não tem direito. como se de um negócio particular se tratasse. frequentemente. ser o mais velho. o que dará títulos ao marido. demasiado poder sobre o homem. Mas como. Quem é que decide quando pessoas casadas diferem de opinião? Ambos não podem vencer. e no entanto uma decisão tem que ser tomada seja para um lado seja para o outro. seja por preconceitos. e. A escrava favorita do Sultão tem escravos sob o seu domínio. e como as coisas estão agora. depreciados ou elogiados. Se a lei tratasse com os outros contratos como trata com os casamentos. e. uma compensação para a perca de liberdade. no que diz respeito a todos os interesses que se estendem para lá do círculo familiar. uma escrava. Não é verdade que em todas as uniões voluntárias entre duas pessoas uma delas deva ser o chefe absoluto: ainda menos é isso verdade mesmo que seja a lei a determinar quem deva ser esse chefe. Sendo assim. Ela é ensinada de que não tem qualquer interesse em assuntos fora da sua própria esfera pessoal. O seu poder dá-lhe. A lei nunca faz isso: nem a experiência mostra que é necessário que alguma desigualdade teórica de poder deva existir entre 28 . sobre quem ela tiraniza.excessiva como irracional. com os privilégios e os poderes de um clerical ou de um agente policial. nas quais. ela não era qualificada para influenciar de vez – na qual a sua influência poderia não só ser ignorada como empregue do lado errado da moral. Ninguém entraria numa parceria nos termos aos quais se tinha que submeter à responsabilidade de um parceiro que se achasse o principal. ordenaria que um dos parceiros deveria administrar o negócio. próximo do casamento. por isso. ela é capaz de afectar a sua conduta em coisas. Mas o poder não é. alguém deve ser o chefe máximo. O caso mais frequente de união voluntária. que é comum aos dois da parceria. por não ter qualquer vontade a não ser a dele (ou persuadindo-o de que ela não tem vontade) seja em que coisa for que diga respeito à relação entre os dois. como por exemplo. ela própria. nem nos assuntos familiares nem nos de Estado. Por se submeter inteiramente ao seu marido. e nos quais geralmente se interessa. a esposa pode gratificar-se por influenciar. ela raramente tem uma honesta e consciente opinião sobre os mesmos. perguntar-se-á. muitas vezes. pode existir uma sociedade sem governo? Numa família. que as ordens só teria poderes deliberativos. são assim. aqueles que têm uma atitude mais simpática para com as suas esposas. Ela nem sabe nem se preocupa qual é o lado certo da política. pela influência da esposa. e fazendo como o seu modo de vida estar à disposição dos sentimentos dele. Através destes diversos meios. dificilmente se intromete neles seja por que objectivo for.

Alguns podem dizer que a coisa sobre a qual um estabelecimento amigável de diferenças pode ser possível. tal como esta. constituída. elas próprias. pré-indicados. A desigualdade deste tipo não depende da lei do casamento. no mínimo. raramente iria haver qualquer tipo de dificuldade em decidir essas escolhas por mútuo acordo. Na realidade. como está. que já em si é um erro. A divisão não deve nem pode ser pré-estabelecida pela lei. mas por costume. através do contrato matrimonial. apresentadas. já que uma das partes é livre de cancelar esse poder ao retirar-se dessa ligação. seria o de uma divisão de poderes entre os dois. e onde seria uma bênção para ambos serem libertados dessa ligação. necessariamente. irá depender grandemente. mas nas condições gerais da sociedade humana. é no poder da obrigação legal que está latente. mas o de dar um julgamento justo. Se ambas escolhem. ao qual sabem que têm sempre que ser obrigados a obedecer. E no entanto parece que o poder exclusivo poderá ser concedido com menos perigo para os direitos e os interesses dos mais desfavorecidos. excepto nos casos em que a instituição matrimonial é um fracasso. requerendo um consenso a dois se houver qualquer mudança de sistema e de princípios.os parceiros. actualmente. as coisas que têm que ser decididas diariamente. muitas vezes. a não ser que o casamento fosse um daqueles casamentos infelizes em que todas as outras coisas. A real decisão prática dos assuntos. A divisão de direitos naturalmente seguiria a divisão de deveres e de funções. Haverá. uma possível voz ao lado. naturalmente. e de uma completa obediência. Mas daí não se segue que deva ser sempre a mesma pessoa. e mesmo que tivesse é quase sempre desejável que ela tente todas as possibilidades antes de chegar a este ponto. por artigos de acordos. e que não se podem ajustar gradualmente ou esperar por um compromisso. e de carácter no julgamento irá. uma preponderância ao homem. já que deve depender das capacidades e das disponibilidades de cada um. se tornariam assuntos para conflitos e disputas. A esposa não tem esse poder. de um lado. Assim. Faz-se sempre isso agora. E este facto mostra quão pequeno é o fundamento para a apreensão que se faz dos poderes e das responsabilidades dos parceiros ao longo da vida (tal como nos parceiros nos negócios) não podem ser satisfatoriamente distribuídos por mútuo acordo entre eles. seja quem for o arguido. ou em todos os actos não regulados pela lei. das comparações qualificativas. 29 . O acordo natural. devem depender de uma só vontade: uma pessoa deve ter o controlo dessa vontade. elas podem pré-determinar essa escolha. modificado e modificável ao gosto das pessoas envolvidas. até ao ponto em que ambos. excepto onde a ligação. cada um sendo absoluto no seu campo de acção. cheguem a uma altura na vida em que a diferença de idades já não seja assim tão importante. temos que supor que a regra do tribunal não foi o de julgar o caso. na maior parte dos casos. a quem quer que seja que possa ser dada a autoridade legal. do outro. ou que a parceria deva ter outras condições que possam ser. Mas para pôr os casos paralelamente. seja ela geral ou especial. que traga os meios de suporte. O simples facto de que seja simplesmente o mais velho irá dar. As coisas nunca chegam a um estado de um completo poder. seja ela qual for. Eles estão sempre muito distribuídos. ser maior. mais no caso de uma parceria do que num casamento. como os acordos de permuta que são agora. tal como as pessoas se submetem a um julgamento porque há um tribunal na retaguarda. o que já é feito por consentimento. A influência de uma superioridade mental. como agora se faz.

que são seus. do que os homens. às quais. faz com que. provavelmente. dispostos a serem razoáveis e a fazer justas concessões às suas parceiras sem serem obrigados a isso. Pelo contrário. no mínimo. o rei dos Lilliput. mas o mesmo não acontece às suas esposas: esposas essas que se lhes dão alguns direitos. um motivo para concordar com qualquer arbitragem. as mais equitativas quando a lei atira com um peso muito maior para um único lado. agora. quando as sátiras às mulheres estavam em voga e onde os homens pensavam que era algo de muito inteligente insultar as mulheres por serem aquilo que os homens queriam que elas fossem. não será dito por ninguém a que mereça a pena responder. sempre acrescentou aos seus decretos sanguinários. mostra que os motivos naturais que leva a um ajuste voluntário da vida em comum de duas pessoas de uma maneira que seja aceitável para ambos. e que todas as concessões aos quais o déspota possa fazer. a seu gosto e sem qualquer aviso. os homens seriam muito 30 . excepto enquanto durar a disposição do outro. O assunto não é. artificial. assim. com intenções de pôr uma máscara. mas não pode ser a razão pelo qual o marido o faça. lisonjeira. certamente. desde que sejam universalmente ensinadas de que nascem e são criadas para esse auto-sacrifício. mas seria exactamente o inverso para o acusado. Não é a doutrina actual de que as mulheres são menos susceptíveis de terem menos sentimentos. de acordo com Gulliver. no auto-sacrifício individual para com os membros da sua família. sobre uma injúria e que faz lembrar aquelas celebrações de clemência real. Além de que não vale a pena qualquer tipo de liberdade quando esta é mantida por mandatos tão precários. Se as mulheres são melhores que os homens em alguma coisa é. um compromisso prático. embora um dos dois. Mas não dou muita atenção a isso. Isto seria dito por muitas pessoas a algumas gerações atrás. Acredito que a igualdade de direitos afastaria esta exagerada auto-abnegação que é o actual ideal do carácter feminino. sejam lembradas.Se assim é. excepto em casos desfavoráveis. e onde as suas condições não são. esse compromisso prevaleça. e consideração para com aqueles a quem estão mais unidas por laços mais estreitos. a não ser que possam ser obrigadas pela simples autoridade do homem. na verdade. chegando aos limites. certamente. pode ser a razão que faça com que a esposa concorde com qualquer compromisso em que o poder é praticamente partilhado pelos dois. não esteja sobre qualquer necessidade física ou moral de o fazer. a ceder a tudo. quase sempre entre pessoas decentemente educadas. Mas. por aqueles que são totalmente adversos ao tratamento que se lhes dá. em que se define uma como tendo direito a tudo e a outra não só fica sem direito a nada. O poder despótico que a lei dá ao marido. como se elas realmente o fossem. pode dizer que os maridos estão. numa situação em que a superstrutura de um governo livre se erga sobre as bases legais do despotismo de um lado e da submissão do outro. a responsabilidade para com isso seria. não reconhecerão esses direitos a mais ninguém e não irão submeter-se a mais nada. e quando os ajustes são feitos entre duas pessoas. para o queixoso. Um adversário obstinado. Que haja. melhorado fixando-o por decreto legal. incómoda. e que uma boa esposa não seria mais autosacrificada que um bom homem: mas por outro lado. estamos a ser perpetuamente informados de que as mulheres são melhores que os homens. a afirmação passou a ser uma frase feita. no todo. como fica sob uma forte obrigação moral e religiosa não devendo se revoltar sob qualquer excesso opressivo.

como há homens. que não determinam os seus direitos. sem dúvida. enquanto as suas sanções institucionais se basearem numa preferência arbitrária de uns seres humanos sobre os outros. realmente. Não há nada mais fácil que possa ser ensinado aos homens do que esta auto-veneração. No entanto. onde ele não comanda. a quem a igualdade de considerações não satisfará. desde os níveis mais altos até aos mais baixos. nem se espera que venham a ser. Por quanto tempo mais é que este tipo 31 . deve obedecer. Mas a subordinação legal tende a tornar esse tipo de carácter mais frequente entre as mulheres. A educação moral da humanidade foi. até agora. Estes tipos de pessoas são os sujeitos ideais para a lei do divórcio. Por consequência. as moralidades existentes estão ajustadas para uma relação de comando e de obediência. praticamente declara que os limites a que ela tem direito. mas sobre a qual o Cristianismo. e lhe permitem que assuma um poder. teoreticamente. são geralmente subornadas para defendê-la. porque não seriam mais ensinados a venerar as suas próprias vontades como se de uma grande coisa se tratasse.menos egoístas e mais altruístas que actualmente. Há. e a maior parte daqueles que nunca são. a mulher é esmagada: mas se é tratada com complacência. é uma escola de cultivação moral. não possa ser sentida ou conhecida nas gerações vindouras. na verdade. A igualdade entre pessoas casadas antes da lei. emanada da lei da força e é apenas adaptada às relações criadas pela força. e nada as controla a não ser esse sentimento prático de igualdade entre os seres humanos. proporcionalmente. e de uma maneira mais elevada. e cada vez que cresce o seu progresso. o que nas eras que se seguiram sustentou-se no direito dos mais fracos e na indulgência dos mais fortes. com justiça. não é só o único modo no qual uma relação particular pode ser consistente. a única escola de um genuíno sentimento moral é a de uma sociedade entre iguais. não lhes dão nenhuns. A moralidade dos primeiros tempos sustentava-se na obrigação da submissão ao poder. nunca irá ensinar. Claro que se o homem emprega todo o seu poder. para ambos os lados e ser favorável a uma felicidade para os dois. onde cada indivíduo está ou acima ou abaixo do seu vizinho e. As honrosas excepções são. Ser um par é ser um inimigo. mas é o único meio de contribuir para o quotidiano da humanidade. lei para outro ser racional. é uma enorme e longa corrente ou mesmo uma escala. na escala da humanidade. o comando e a obediência tornam-se factos excepcionais da vida. com nunca haverá paz enquanto não se considerarem leis apenas as suas próprias vontades. postos em relevo acima de qualquer outra pessoa não têm uma melhor expectativa que não seja uma infeliz esposa e umas infelizes crianças. todas as pessoas e todas as classes privilegiadas tiveram isso. o comando e a obediência não são mais do que infelizes necessidades da vida humana: uma sociedade em igualdade é uma sociedade no seu estado normal. são os que ela pode arranjar forma de ter. poucas relativamente a qualquer outra debilidade. Servem apenas para viver sozinhas e nenhum ser humano deve ser obrigado a unir a sua vida a eles. que é a teoria do Cristianismo. Nos estados menos avançados da sociedade. de geração para geração. Embora. raramente as pessoas reconhecem qualquer relação com os seus pares. E quanto mais transmitido é. geralmente guiada em associações de igualdade. mulheres. A filosofia e a religião. e. As leis. praticamente. A sociedade. Já na vida moderna. em vez manterem esta situação sob observação. não há regras para determinar as suas usurpações. mais violento fica. e que é.

escravos. a moralidade feita para outros? Tivemos a moralidade da submissão. na teoria (se fosse praticada parcialmente). mas no cultivo de uma compreensão entre eles. mulheres e para os residentes sem direito a voto. dá uma educação prática. e. muito depois da novidade ter aparecido. a moralidade da cortesia e da generosidade. recentemente constituída. sem o poder de um lado nem a obediência do outro. Mas a verdadeira virtude do ser humano é a capacidade de viver em conjunto como iguais. outra vez. ou de comando para os pais. todos treinam o ser humano para o que é antigo. a Justiça fez valer as suas pretensões como fundamento da virtude. foram sendo desgastadas pela passagem do tempo. mas colocando uma medida igual que seja estendida a todos. de se viver em conjunto com amor. Isto deve acontecer entre os pais. como ela é actualmente. Nos países livres. as sociedades em que há uma alternativa e uma reciprocidade entre os dirigentes e os seguidores. sempre que possível. Para estas virtudes. o martírio de uma elite ainda muito rara. Era assim. uma associação baseada na igualdade. um exercício daquelas virtudes que se requer de ambos e que os prepara para todo os tipo de associação e um modelo para as crianças sobre os sentimentos e a conduta que elas treinam temporariamente. mas a cidadania preenche apenas um pequeno lugar na vida moderna. seria a verdadeira escola das virtudes da liberdade. estavam sob a lei da força. não tendo mais as suas raízes no instinto de igualdade para autoprotecção. desta maneira. nunca reclamado nada para eles próprios mas ao que eles livremente dão aos outros. A família é uma escola de despotismo. As barreiras que começaram por ser iguais para todos começaram a ser erguidas outra vez pelas conquistas nórdicas. essas barreiras. preferindo. A família. Será sempre uma escola de obediência para as crianças. Associações. na qual as virtudes desse despotismo. parcialmente. Não é uma novidade que a humanidade não preveja distintamente as suas próprias mudanças. e não chega nem perto dos hábitos quotidianos ou dos sentimentos mais íntimos. como antes. mas também os seus vícios são largamente alimentados. declarava que as pretensões do ser humano. e toda a história moderna consiste no lento processo. sustentada. a principal virtude. no que diz respeito ao comando como algo de uma excepcional necessidade. como ser humano que era. na igualdade. e que é feita para ser habitualmente 32 . através da obediência. Seria.de sociedade e de vida irá ter. Mas mesmo nas melhores destas repúblicas. Sempre que nas eras passadas se fazia uma abordagem em relação à igualdade na sociedade. as igualdades eram limitadas apenas aos cidadãos homens livres. de outras classes ou de outras posições sociais. e normalmente. a cidadania é. muito mais quando apenas surge essa novidade. então. educação. companhia. neste momento temos a moralidade da justiça. e que os seus sentimentos estão adaptados ao passado. Estamos a entrar numa ordem das coisas na qual a justiça será. e em todos os casos como uma necessidade temporária. Ver os acontecimentos futuros da espécie foi sempre um privilégio de uma elite intelectual. O que precisava é que fosse uma escola de simpatia em igualdade. nas repúblicas livres da antiguidade. mas agora também na agradável associação. ter os sentimentos sobre esses acontecimentos futuros tem sido a distinção. eram primordiais para os cidadãos do sexo oposto. nada na vida. através da qual. e não às eras futuras. A influência conjunta entre a civilização Romana e a Cristandade fizeram esquecer estas distinções. e não deixando ninguém de fora. ou daqueles que delas aprenderam. livros. É de certeza uma escola suficiente para tudo o resto. no seu âmago.

a menos que sejam também pensadores. estão prontos a acreditar que as leis ou nas práticas não têm malefícios. no entanto. devido ao facto de as condições legais do laço que as une. mas do que o amor pela liberdade era para os antigos e na idade média – um intenso sentimento de dignidade e de importância da sua própria personalidade. que tenha as oportunidades desejadas. que o mesmo possa ocorrer nos outros casais. 33 . faz com que eles sintam um total desrespeito e desprezo para com as suas próprias esposas que eles mesmos não sentem por qualquer outra mulher ou qualquer outro ser humano que entrem em contacto. e que é errado objectarem contra elas. se não houvessem numerosas pessoas cujos sentimentos morais são melhores do que as leis existentes. a escravatura legal da mulher. nem genuíno nem Cristão. por elas. da qual não tem qualquer aversão sobre o que quer que seja. apenas para avivar o sentimento agradável da sua posse. E o que é pior: nas partes mais naturalmente brutais e não moralmente educadas das classes mais baixas. em abstracto. O treino moral da humanidade nunca será adaptada às condições de vida para as quais todo o outro progresso do ser humano é uma preparação. e porque vivem e sentem. mas que provavelmente fazem o bem (se supostamente forem aprovadas). não se admire que venha a sentir alguma aversão e indignação contra as instituições que naturalmente levaram a este estado depravado da mente humana. como se fossem legalmente iguais. mas a que está completamente pronto para impor aos outros para o seu próprio interesse ou glorificação. Essas pessoas devem apoiar os princípios aqui defendidos. Seria. não é um sentimento de amor. de boa vontade (e são os verdadeiros fundamentos das minhas esperanças) que inúmeras pessoas casadas. julgue. desdenhando uma união para ele próprio. Para supor isto. de exercer qualquer poder sobre qualquer pessoa mesmo com o consentimento dessa pessoa – mais ele se agarra à consciencialização do poder que a lei lhe dá. vivem num espírito de uma justa lei de igualdade. onde o marido não é um notório rufia. Quando menos qualificado for um homem para possuir o poder – mais deve ser impedido.realizada. Mas pessoas de considerável valor moral. mesmo sob a actual lei (a grande maioria provavelmente nas classes mais altas de Inglaterra). nessas pessoas casadas. o que lhes parece que ela não passe de um simples objecto apropriado para qualquer tipo de indignidade. por ele próprio se isto é ou não o caso: e se ele vir que de facto é. os quais têm como único objectivo fazer com que os outros casais sejam semelhantes ao que aqueles o são agora. as mesmas regras morais que são adaptadas à constituição normal da sociedade humana. os quais não experimentaram pessoalmente. e portanto naturalmente também. requerendo os seus direitos legais até ao ponto mais extremo que o costume (o costume de homens como ele) tolerará. Deixemos que um observador atento dos sinais dos sentidos. seria mostra também uma igual ignorância da natureza humana e dos factos. na família. em todos as aspectos. tirando prazer desse exercício de poder. As nunca seriam melhoradas. Admito. um grande erro. Qualquer sentimento de liberdade que possa existir num homem para quem as maiores intimidades são com as pessoas mais próximas e mais queridas e para as quais ele é um senhor absoluto. não lhes ocorrer nem uma única vez. igualmente. e algo como a mera submissão física como instrumento contra as suas vontades. supor. até eles praticarem.

Devem dizer-nos que, talvez, a religião impôs o dever de obediência; tal como em todos os casos estabelecidos onde é muito mau admitir qualquer outro tipo de defesa, está sempre presente, para nós, como se de uma ordem formal da religião se tratasse. É verdade que a Igreja se regozija nas suas formalidades, mas seria difícil derivar qualquer dessas ordens formais do Cristianismo. É-nos dito que São Paulo disse, “Esposas, obedeçam aos seus maridos”: mas ele também disse, “Escravos, obedeçam aos seus donos”. Não era problema do São Paulo, nem era consistente com o seu objectivo, a propagação do Cristianismo, o incitar alguém a rebelar-se contra as leis existentes. A aceitação do apóstolo de todas as instituições sociais, como as encontrou, não pode ser interpretado como se fosse uma desaprovação das tentativas para as melhorar no tempo apropriado, assim como a sua declaração, “Os poderes que existem são ordens de Deus”, como não sanciona o despotismo militar, e apenas isso, tal como não forma um governo político cristão ou ordena uma obediência passiva. Pretender que o Cristianismo fosse uma forma estereotipa de governo e de sociedade, e as protegesse contra a mudança, é reduzi-lo ao nível do Islamismo ou do Bramanismo. Foi precisamente pelo facto de o Cristianismo não ter feito isto, e que foi eleita como a religião daquelas parcelas progressivas da humanidade e o Islamismo e Bramanismo, etc., são as religiões daquelas que ficaram estacionárias; ou mesmo (pois não há, realmente, essa coisa que seja uma sociedade estacionária) das parcelas em declínio. Tem havido uma abundância de pessoas, em todas as eras do Cristianismo, que têm tentado fazer o mesmo; converter-nos a uma espécie de Muçulmanos Cristãos, com uma Bíblia em vez do Corão, proibindo todo o tipo de desenvolvimento: e como tem sido grande o seu poder e quantos sacrificaram as suas vidas ao resisti-los. Mas foram impedidos, e a resistência fez-nos aquilo somos hoje e ainda nos fará ser aquilo que queremos ser. Depois do que foi dito no que diz respeito à obrigação da obediência; é quase supérfluo dizer qualquer coisa respeitante ao ponto mais especial que está incluído num outro mais geral – o direito das mulheres à sua própria propriedade; pois não preciso de esperar que este tratado possa causar qualquer impressão naqueles que não precisam de nada para os convencer que a herança ou os ganhos de uma mulher deva ser tanto dela antes como depois do casamento. A regra é simples: qualquer coisa que tenha sido do marido ou da esposa antes do casamento, deve se mater sob o seu controlo durante o casamento; o qual não precisa de interferir com o poder que foi acordado pela união, para preservá-lo para as crianças. Algumas pessoas sentem-se sentimentalmente chocadas com a ideia de interesses separados nos assuntos monetários, como sendo inconsistente com a fusão idealizada de duas vidas numa. Pela minha parte, sou uns dos maiores apoiantes da comunidade de bens, onde possa resultar um claro sentimento de unidade nos donos desses bens, o que fará com que esteja tudo em comum entre eles. Mas não tenho qualquer prazer numa partilha de bens que se funda numa doutrina que determine que o que seja meu é teu mas o que seja teu não é meu; e prefiro declinar em entrar numa tal firmeza com qualquer um, mesmo que seja eu que vá lucrar com isso. Esta particular opressão e injustiça para com a mulher, que é para a compreensão geral, mais óbvio do que tudo o resto, admite uma solução sem interferir com outros enganos: e pode haver poucas dúvidas que irá ser uma das reparações mais breves. Já em muitos dos Estados novos e velhos da

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Confederação Americana foram inseridas providências, mesmo nas Constituições escritas, assegurando que a mulher uma igualdade de direitos neste aspecto: e desse modo melhorando a posição, materialmente, na relação matrimonial, daquelas mulheres que tinham propriedades, deixando-lhes um instrumento de poder que elas não abdicaram; e prevendo também o escandaloso abuso da instituição matrimonial, que perpetrada quando um homem apanha, numa armadilha, uma rapariga casando com ele sem um consentimento, apenas com o único propósito de ficar com o dinheiro dela. Quando a sustentação da família depende, não na propriedade, mas nos ganhos, o acordo comum, pelo qual o homem ganha o salário e a mulher supervisiona a lida doméstica, parece-me a divisão mais capaz de trabalho entre duas pessoas. Se, além do sofrimento físico do cuidar das crianças, e de toda a responsabilidade do seu cuidado e da sua educação nos primeiros anos, a mulher ainda trata das aplicações económicas ganhas pelo marido para o conforto geral da família; ela não só fica com a sua justa parte, mas com a maior parte do esforço mental e físico que é requerido na existência conjunta; Se ela ainda ficar com uma qualquer parte adicional, raramente se liberta delas, e impede-a de executá-las apropriadamente. A preocupação de que ela se liberta, no tratamento das crianças e da lida doméstica, mais ninguém a terá; aquelas crianças que não morrem, crescem da melhor maneira que podem, e a lida da casa tem uma grande probabilidade de ficar tão má, que mesmo a vertente económica terá um enorme abatimento no valor das posses da mulher. Em qualquer outro estado de coisas, não é, penso eu, um costume desejável, que a esposa deva contribuir, com o seu trabalho, para os ganhos da família. Num injusto estado de coisas, o facto de ela o fazer pode lhe ser útil, dando-lhe maior valor aos olhos do homem que é, legalmente, o seu dono; mas, por outro lado, dá a possibilidade de abusar ainda mais do seu poder, forçando-a trabalhar, e deixando o sustento da família às suas custas, enquanto que ele passa a maior parte do tempo a beber e no ócio. O poder de ganhar é essencial para a dignidade da mulher, se ela não tiver propriedades que a tornem independente. Mas se o casamento fosse um contrato igualitário, não impondo uma obrigação de obediência; se a ligação não fosse mais imposta pela opressão daqueles para quem isso foi um puro engano, mas por uma separação, em termos justos (não falo agora de um divórcio), possa ser obtida por qualquer mulher que tenha, moralmente, direito a isso; se então ela encontrar empregos honrosos tão livremente como os homens; não seria necessário, para a sua protecção, que durante o casamento ela fizesse um uso específico das suas faculdades. Tal como um homem quando escolhe uma profissão, quando uma mulher se casa, deve ser compreendido, no geral, que ela faz uma escolha da direcção da lida doméstica e o de construir uma família, tal como os primeiros são uma aplicação dos seus esforços, durante os anos da sua vida que forem precisos para chegar ao seu objectivo; e ela renuncia a todos os outros objectivos e ocupações, mas sobretudo àqueles que não são compatíveis com os requisitos para a lida. O uso actual, numa maneira geral e sistemática, de práticas exteriores, ou aquelas que não se podem fazer em casa, seria, por este princípio, praticamente interdito a um enorme número de mulheres casadas. Mas uma amplitude mais elevada deve existir para a adaptação de regras gerais às capacidades individuais; e não deve haver nada que impeça que as faculdades excepcionalmente adaptáveis a qualquer outra ocupação, de cumprir com a sua vocação, apesar do casamento: devido às

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provisões serem feitas para sustentar qualquer redução que se possam tornar inevitáveis, no seu exercício das normais funções como a matriarca da família. Estas coisas, se alguma opinião fosse directamente ao assunto, seriam deixadas em perfeita segurança para serem reguladas pela opinião, sem qualquer interferência das leis.

Capítulo 3
Num outro ponto, no qual está envolvida a justa igualdade das mulheres, a aceitabilidade das mulheres a todas as funções e ocupações até agora mantidas como monopólio do sexo mais forte, não prevejo que haja qualquer dificuldade em convencer qualquer pessoa que me tenha acompanhado no assunto da igualdade das mulheres na família. Penso que as suas incapacidades, a tudo o resto, apenas estiveram agarradas a essas ideias para manterem a sua submissão na vida doméstica; porque a generalidade dos homens não consegue tolerar, ainda, a ideia de viver com alguém que é igual a ele nos seus direitos e como ser humano. Se não fosse por isso, penso que a maioria das pessoas, no estado actual das opiniões sobre política e sobre política económica, admitiria a injustiça que é a exclusão de metade da raça humana do grande número de actividades lucrativas e de quase todos as altas funções sociais; Ensinadas desde o seu nascimento de que não são nem há possibilidades de virem a ter capacidades para ter empregos que estão legalmente abertos ao mais estúpido e ao mais básico ser do outro sexo, e mesmo que possam ter algum tipo de capacidades, esses empregos deverão ser-lhes interditos, com o intuito de preservar o exclusivo benefício dos homens. Nos últimos dois séculos, quando a mera existência dos factos (o que era o caso, infelizmente) era ultrapassada ao se pensar numa razão que justificasse as incapacidades das mulheres, não raras vezes as pessoas aceitavam, como razão, as inferiores capacidades mentais delas; nas quais, nas alturas em que haviam verdadeiros julgamentos das faculdades pessoais (dos quais nenhuma mulher era excluída) nas querelas do dia a dia, ninguém acreditava. As razões dadas nesses tempos não eram as incapacidades das mulheres mas os interesses da sociedade, o que significava o interesse dos homens: tal como uma raison d’état, que significa a conveniência do governo e o suporte da autoridade existente, era considerada como uma explicação suficiente e uma desculpa para os mais flagiciosos crimes. Actualmente, o poder tem uma linguagem mais suave e qualquer pessoa que o oprima, pretende fazê-lo sempre para o seu próprio benefício: assim sendo, quando qualquer coisa é proibida às mulheres, é, entretanto, necessário dizer e desejável acreditar, que elas estão incapacitadas de o fazer e que elas saem fora do seu verdadeiro caminho do sucesso e da felicidade quando aspiram a se empregar. Mas para tornar esta razão plausível (não digo válida), aquelas para quem isso é desejo ardente têm que estar preparadas para levar esse desejo a uma amplitude maior que qualquer outra pessoa se aventura a fazer em face da experiência actual. Não é suficiente que se mantenha a opinião de que as mulheres são, em média, menos capacitadas que a média dos homens, com a certeza de terem maiores capacidades mentais, ou que um número muito baixo de mulheres, em comparação com os homens, estão aptas para ocuparem posições e exercerem funções de carácter mais elevado

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se calhar sem um única excepção. O máximo que se pode dizer é que há muitas coisas em que nenhuma delas teve o mesmo sucesso que alguns homens na execução de funções – muitas das quais não chegaram aos níveis mais altos. o mais determinado depreciador das mulheres não se aventura a negar. ao seu próprio risco? Nem a injustiça está confinada a elas: é partilhada por aqueles que estão numa posição de beneficiarem com os seus serviços. se e só se a preferência. e recusar antecipadamente as suas disponíveis capacidades. Porque se a execução das funções é decidida ou pela competição ou pelo modo de escolha. completamente ocupados com outras coisas. ou que elegem membros do parlamento e que são privados do efeito estimulante. Não é isto o suficiente. e mais do que suficiente. que quando adicionamos a experiência recentes às dos tempos antigos. por muito distintas que possam ser? E mesmo que possamos passar sem elas. algures. O único resultado seria de que haveria menos mulheres que homens nesses empregos. as mulheres. em faculdades mentais. de todo. que elas não possam competir com os homens para o exercício dessas funções? Não é uma mera banalidade dizer que essas funções são muitas vezes preenchidas por homens com muito menos capacidades para elas que muitas. ou à média dos seus competidores masculinos. mas todos aqueles que dão trabalho a médicos ou a advogados. Ao decretar que qualquer pessoa não deva ser médica. quase sempre sentida pela maioria das mulheres. ou não deva será advogada. para essas funções. 37 . do exercício dos competidores. provaram serem capazes de qualquer coisa. Assim. um resultado certo de acontecer em qualquer caso. aos homens mais medíocres a quem essas funções estão presentemente a ser entregues. não apenas algumas mas muitas mulheres. dependendo apenas das faculdades mentais. ou não devam ser membros do parlamento. que a sociedade possa de dar ao luxo de rejeitar o serviço de qualquer pessoa competente? Estamos assim tão certos de encontrar um homem feito à nossa medida para exercer qualquer função ou dever de importância social que fique vago. Mas são extremamente poucos. não é preciso haver nenhum receio de que qualquer emprego importante irá cair nas mãos de mulheres inferiores à média dos homens. mulheres e que seriam derrotados por mulheres numa competição justa? Que diferença faz que haja homens. a qual é assegurada pelo interesse público. uma grande competição. de tornar uma tirania para elas e um detrimento para a sociedade. que não percamos nada em por uma proibição sobre cerca de metade da humanidade. que não tenham chegado aos níveis próximos dos mais elevados. e de que as mulheres mais destacáveis são inferiores. É necessário manter a opinião de que não há mulheres que estejam aptas. que é feita pelos homens.intelectualmente. ou negar-lhes os iguais direitos morais de todo o ser humano de escolher a sua ocupação (sem ofensa para outros) de acordo com as suas preferências. pela única vocação à qual não há ninguém para competir com elas. assim como estão restritos a um estreito campo de escolha individual. não só está só a prejudicá-las. e que estão sendo bem sucedidas e com credibilidade. que possam ser mais qualificados para as funções em questão do que estas mulheres? Não acontece isto em todas as competições? Haverá uma tão grande superabundância de homens capacitados para as altas funções. seria consistente com a justiça o recusar-lhes a sua justa quota-parte de honra e de distinção.

de facto. A maioria das mulheres de qualquer classe não devem diferir muito da opinião política dos homens da mesma classe. os homens são admitidos no sufrágio. e se todas as esposas devam ser escravas. E aqui deixei-me começar por assinalar um ponto. O direito a partilhar na escolha daqueles que vão exercer funções públicas. mas para elas próprias conseguirem cargos públicos ou exercerem profissões envolvendo importantes responsabilidades públicas. No que diz respeito à capacidade das mulheres. é. Mesmo que todas as mulheres fosses esposas. Isto devia ser óbvio para aqueles que coincidam comigo na disputa desta doutrina e em mais nenhuma outra. prove por esse facto que é qualificada para esse trabalho. nos detalhes da minha argumentação. Quero falar do sufrágio. se o sistema político de um país e de tal modo que exclua homens desqualificados. e da responsabilidade da lei constitucional de rodear o direito de sufrágio com todas as indispensáveis seguranças e limitações. mais necessidade havia de protecção legal para estas escravas: e nós sabemos que tipo protecção legal os escravos têm onde as leis são feitas pelos seus donos. pode-se presumir do facto que a lei já dá essa escolha às mulheres nos casos mais importantes para elas: para a escolha de um homem que tem que governar uma mulher para o resto da sua vida. está longe de ser irrelevante. à finalidade da natureza pública: desde que. e se eu for bem sucedido naqueles. as mulheres exigem o sufrágio. totalmente físicas independentemente de serem admitidas ou não. Ter uma voz na escolha daqueles por quem vão ser governados. não só para participar em eleições. totalmente distinto de todos os outros. voluntariamente. Uma visão sem preconceitos disso dá uma força 38 . mas quaisquer seguranças que sejam suficientes para os homens. seja que limites houverem. no seu todo. embora esta última consideração não seja essencial. E no caso de cargos públicos. ao seu direito. o governo seria. mulheres desqualificadas: enquanto não o for. não são precisas outras para as mulheres. envolvidas nela. desde que seja reconhecido que mesmo as poucas mulheres que possam estar qualificadas para estas obrigações. a não ser que a questão seja do interesse das mulheres e que estejam. que tenha sucesso numa profissão liberal. pressupõe-se. como garantia de terem considerações iguais e justas. igualmente. algo distinto do que competir por cargos públicos. tanto parlamentar como municipal. que essa escolha foi feita. embora ele teria que estar para sempre excluído da função de governar: e se as mulheres são consideradas como capazes de fazer essa escolha. Se ninguém pudesse votar num membro do parlamento que não tivesse capacidades para ser candidato. o qual é inteiramente independente de qualquer questão que possa ser levantada a respeito das suas capacidades. a lei que impede que estas excepções não podem justificar esses impedimentos por qualquer opinião que se tenha sobre as capacidades das mulheres em geral. e se estão. No caso de eleição de cargos públicos. de todo. por ela. Assim. excluirá. de alguma forma.Talvez será suficiente se eu me confinar. uma oligarquia apertada. desde que cada mulher. Seja em que condições forem. já comentei que esta consideração não é essencial à questão prática em disputa. será rapidamente garantido que as mulheres devam ser admissíveis a todas as outras ocupações as quais não sejam. sempre. não há qualquer mal adicional no facto de pessoas desqualificadas que são admitidas podem ser homens ou mulheres. é um meio de auto-protecção ao dispor de qualquer um. Mas. não há a mais pequena justificação para que não sejam admitidas mulheres.

e reforça-os pelas altas considerações de utilidade prática. no que elas realmente conseguiram. Sabemos quão pouco nos é apresentado pela história o número de rainhas que governaram em comparação com os reis. já que isto não é inferido. sejam as coisas que elas provaram serem capazes de fazer. Mas é certo que uma mulher possa ser uma Rainha Elisabete. É também notável que elas tenham. Estes factos negativos deixam. ou uma Joana D’Arc. enquanto qualquer evidência positiva é conclusiva. ou um Aristóteles ou um Miguel Ângelo ou um Beethoven. É uma consideração curiosa. Consideremos as mulheres como elas já são. têm sido tão reconhecidas pela firmeza e pelo vigor das suas leis. quando as defendo. mas um facto. de qualquer ocupação ou de assuntos reservados aos homens. ou como são mostradas como têm sido. Mas a Rainha Elisabete ou a Rainha Vitória. não tendo herdado o trono. O que elas têm feito que ao menos prove o que elas podem fazer se não houver mais nada que o faça. ou uma Débora.adicional aos argumentos contra as incapacidades das mulheres. no máximo a questão incerta e aberta a discussão psicológica. porque nenhuma mulher produziu até hoje algum trabalho que seja comparável aos seus pares naqueles casos de excelência. através das poucas oportunidades que lhe foram dadas. que aparentemente lhes foram abertas. Quando consideramos quão assiduamente são elas treinadas longe. desde que a sua vocação para o governo arrepiou caminho. é evidente que estou a tomar um humilde partido por elas. Não posso inferir que seja impossível a uma mulher ser um Homero. e que não indicam qualquer natural diferença radical. Inicialmente façamos uma total abstracção que todas as considerações psicológicas tendem a mostrar. Não há lei que impeça que uma mulher tenha escrito todas as peças de Shakespeare ou que tenha composto as óperas de Mozart. em vez de serem treinadas para. seria que as coisas às quais as mulheres têm sido proibidas de fazer são os mesmos a que estão particularmente qualificadas. sem análises psicológicas. que a única coisa que a lei actual exclua as mulheres de fazer. Pois neste caso a evidência negativa vale a pena. enquanto que nas linhas de distinção. Se alguma coisa de conclusivo pode ser tirado da experiência. como pela sua inteligência. no seu caso. não podiam ter sido instruídas nos mais pequenos deveres políticos. nos quais a primeira mostrou ser igual aos maiores. muito menos uma natural inferioridade radical. e se tornou evidente. elas não têm meios se distinguirem eminentemente. e consideremos as suas capacidades como nos têm sido praticamente mostradas. embora muitas delas tenham ocupado o trono em épocas muito difíceis. num enorme número de circunstâncias. 39 . Deste pequeno número houve uma maior proporção nas amostras de talento para governar. sido distinguidas por incorrerem no carácter mais oposto que é possível imaginar nos convencionais caracteres de mulher. e que quaisquer diferenças mentais que supostamente possam existir entre as mulheres e os homens são apenas um efeito natural das diferentes educações e circunstâncias.

Ambas as princesas governaram de uma tal maneira que era dificilmente igualado pelos príncipes contemporâneos. embora. e as menoridades são frequentes.Quando adicionamos regentes e vice-reis das províncias às rainhas e imperatrizes. que sob o reinado de um rei. mas estas coisas realmente afectam as mentes das pessoas. e ouvi homens a mencionar isso. nunca conversaram com qualquer homem nem mesmo da sua família excepto por detrás da cortina. fez de duas princesas da sua família sucessivas regentes da Holanda. mas ao fazer isso seguiu as indicações do seu pai. afirmo que não é verdade. Quando um rei é governado por uma mulher apenas pelas suas propensões eróticas. se a ordem é preservada sem opressão. são as mulheres que governam. porque sob o reinado de um rei governam as mulheres e sob o reinado de uma rainha. o príncipe mais político do seu tempo. era apenas um rapaz. as pessoas associadas aos seus prazeres pessoais? Mesmo para aqueles que são mais escrupulosos no último ponto. Luís XI. colhi de um longo conhecimento oficial dos governos Hindus. e as pessoas prosperam. o exemplo que podem mostrar da capacidade natural das mulheres para o governo é muito poderoso. 1 Este facto é tão incontestável. que alguém há muito tempo atrás. Margarida da Áustria. que não lêem. dizendo que as rainhas são melhores que os reis. não há livros nas suas línguas que lhes possa dar a mais pequena instrução em assuntos políticos. e se lessem. Se fosse verdade então que a administração está nas mãos de melhores homens sob o reinado de rainhas do que sob o de reis. uma mulher não pode reinar. e manteve uma ou outra nesse posto durante a sua vida (foram depois sucedidas por uma terceira). foi dos governantes mais capazes da sua época. e era o rei menos provável a sacrificar os seus interesses pelos sentimentos pessoais. para mim totalmente inesperado. Carlos VIII. Agora para o outro. querem significar o mesmo quando dizem que sob o reinado de um rei quem governa são as mulheres? Significa que as rainhas escolhem como instrumentos de governo. Há muitos exemplos destes: apesar de. o governo dos assuntos públicos. que teve o maior número de homens capazes ao seu serviço que alguma vez algum governante teve. 40 . Se um principado Hindu é governado vigorosamente. um deles. Esses casos são uma completa excepção: e reis fracos têm muitas vezes governado mal por influência de homens da sua preferência. o outro à sua irmã. sendo que a vida dos regentes termina prematuramente por causa da inactividade e do excesso sensual. durante muitos anos. Quando consideramos que estas princesas nunca são vistas em público. Basta para o que se precisa para um lado da questão. haja algumas excepções. Deste facto. São Luís. os casos são raros: e não é nestes casos que encontramos um bom governo que surgisse. ela só é a regente legal durante a menoridade do herdeiro. ao retaliar o argumento. por influência masculina. a lista de mulheres que têm sido eminentes regentes da humanidade aumenta em grande número. com uma atitude em que parecia que havia algo de substancial naquilo. assim como tudo o resto. mesmo assim. em três casos de quatro esse principado é governado por uma mulher. quem governa são os homens. desde o tempo de Carlos Magno. No entanto. governam os homens. O imperador Carlos V. assim como por mulheres. deve seguir-se daí que as mulheres têm uma melhor capacidade de escolha. O outro. Quando dizem que sob o reinado de rainhas. vigilantemente e economicamente. Parece-me um desperdício de tempo replicar a uma má piada. o transformou a verdade admitida num insulto adicional. Mas a história francesa contêm dois reis que. deram. pois uma das principais 1 Isto é especialmente verdade se tomarmos em consideração a Ásia e também a Europa. como Catarina II. Ambas governaram com bastante sucesso e uma delas. se a cultura é estendida. alegadamente. um à sua mãe. não é provável que haja um bom governo. A qualquer altura pode servir como ponto de partida numa discussão. voluntariamente. pelas instituições Hindus. foi o melhor rei e um dos mais vigorosos. o rei mais capaz da sua época. e as mulheres devem estar melhor qualificadas do que os homens tanto para a posição de regente como de primeiro-ministro.

nas grandes transacções que se passavam ao redor delas e nos quais eram chamadas a tomar um partido. e ninguém pode declarar com certeza que se a natureza das mulheres escolhesse o seu caminho tão livremente como a dos homens. excepto no que é requerido pelas condições da sociedade humana. do que diz respeito ao desenvolvimento espontâneo. pois. sempre que são chamadas. são 41 . Este facto está de acordo com as melhores conclusões gerais. na proporção em que as capacidades governamentais das mulheres foram postas à prova. Mantêm o supremo governo dos assuntos nas suas mãos: e se ouvem bons conselhos dão. torna-as certamente. mas que as esposas e as irmãs de homens de Estado. fortes provas de que o seu julgamento lhe dá a capacidade de lidarem com os grandes assuntos da governação. E não estou a dizer. foram sempre mantidas. por esse facto. e sendo dadas a ambos os sexos em igual medida. que é um dos pontos reconhecidamente admitidos de superioridade das mulheres sobre os homens. não haveria uma diferença concreta. como eu já afirmei mais do que uma vez. Quanto mais rapidamente se conhecer o carácter. com em qualquer coisa na igualdade de qualificações em outros aspectos. que é a função mais importante daqueles que se envolvem na governação da humanidade. considero ser uma presunção de qualquer pessoa pretender decidir o que as mulheres são ou não. que continuarão a ser. directores de empresas e directores de instituições públicas. Até agora. para as esposas e as irmãs dos príncipes devam. relativamente às peculiares tendências e aptidões tão características das mulheres. ou talvez não haveria qualquer diferença. Mesmo a não escrupulosa Catarina de Medici pode sentir o valor do Chanceler de Hôpital. As senhoras das famílias reais são as únicas mulheres a quem é permitido terem o mesmo tipo de interesses e de liberdade de desenvolvimento que os homens. num estão tão pouco natural que a sua natureza não teve outra hipótese do que ter sido enormemente distorcida e disfarçada. É exactamente aí. às quais a imperfeita experiência do mundo ainda dá a impressão de sugerir. o que podem ou não ser pela sua constituição natural. Será razoável pensar que aqueles que servem para as grandes funções políticas. devam ser incapazes de fazer o que é feito pelos seus maridos e irmãos? A verdadeira razão está bem à vista: é que as princesas. são incapazes de se qualificarem para as funções menores? Haverá alguma razão na natureza das coisas. e se não houvesse uma tentativa de dar uma vocação artificial. mas. mais pelo seu estatuto do que por estar abaixo deles apenas devido ao seu sexo. que mesmo a menos importante das diferenças contestáveis que existem. sendo mais bem-criadas que a maioria dos homens. natural para qualquer ser humano culto. sendo-lhes permitido sentir o liberal interesse. que se revelasse no seu próprio carácter e nas suas capacidades. e de como têm sido as mulheres até agora. nunca foram ensinadas de que era impróprio para elas preocuparem-se com políticas. Presentemente quero mostrar. serem tidas como competentes como os próprios príncipes nos seus assuntos. mais aptas do que os homens na escolha de instrumentos. onde elas se afirmaram como sendo adequadas. de administradores.obrigações dos primeiros-ministros não é governar pessoalmente mas encontrar as pessoas mais capazes na condução dos departamentos nos assuntos governamentais. e é precisamente no seu caso onde não se encontra qualquer inferioridade. Mas também é verdade que a maioria das grandes rainhas tornaram-se grandes pelo seu próprio talento para governar e têm sido bem servidas precisamente por essa razão.

com os resultados das experiências das outras pessoas. Esta declaração está em conformidade com todas as histórias públicas das mulheres do presente e do passado. ao mesmo tempo. O que é chamada de sagacidade intuitiva. eles não vêm. muitas vezes. pode ser dito. elas estão. O que é que significa por capacidade da mulheres em percepções intuitivas? Significa uma visão rápida e correcta do facto presente. elas têm a possibilidade de serem. Esta sensibilidade ao presente é a principal característica da qual a capacidade do exercício de uma profissão. a experiência necessária é de tal maneira que podem adquiri-la por eles próprios. Isto acontece raras vezes com as mulheres com qualquer capacidade. O descobrir de princípios gerais pertence à faculdade especulativa: discernir e distinguir os casos particulares onde eles são e não são aplicáveis. pois no que diz respeito ao conhecimento que tende a adaptá-las às grandes preocupações da vida. A sua capacidade de “intuição” impede-as que lhes aconteça o mesmo. na verdade. delas. Quando. Consideremos a especial natureza das capacidades mentais mais características da mulher com talento. E isso não foi menos sustentado pela experiência diária. Mas olhando para as mulheres como são conhecidas na experiência.de tal maneira que podem muito ter sido produzidas apenas pelas circunstâncias sem qualquer diferença na capacidade natural. com uma verdade maior do que aquela que pertence à maioria das generalizações no assunto. têm uma particular aptidão. embora. esteja imediatamente pronta em rectificar essas generalizações. tão bem providas como os homens são. tal como são agora. melhor equipadas do que os homens com os requisitos essenciais para um exercício habilidoso e bem sucedido de uma profissão. Os homens que têm sido muito mais ensinados estão aptos a serem incompletos com sentido do facto actual. distinguida da teoria. as únicas mulheres instruídas são as auto-didactas). o que é que está realmente ali mas o que é que foram ensinados a esperar. uma mulher vê muito mais o que está perante ela do um homem. as mulheres. São de uma maneira tal que as capacita para a prática e fá-las tenderem a ir nessa direcção. mas que caem em erros por 42 . normalmente. na generalidade. Mas a correcção destes defeitos faz-se pelo acesso às experiências da raça humana. Com uma igualdade nas experiências e nas faculdades gerais. constantemente. através da leitura e da instrução (uso a palavra “possibilidade” deliberadamente. a cultura geral – exactamente a coisa que a instrução pode fornecer. o que os homens experimentados na rotina não conseguem ver. e nem os homens nem as mulheres de intuição se salientam neste departamento a não ser que. que a vocação geral dos seus talentos é em direcção ao prático. Não tem nada a ver com princípios gerais. e que o lugar predominante que a rapidez de observação tem entre as mulheres. Isso é o resultado de uma lenta e cuidadosa colecção e comparação de experiências. torna-a particularmente apta a construir generalizações precipitadas sobre as suas próprias observações. o que os torna particularmente aptos a reunir essas verdades gerais da mesma maneira que as reúnem pelos seus próprios meios de observação. nos factos a que são chamados a lidar. que vê. depende. Os erros das mulheres são exactamente aqueles que são próprios de um homem educado. pois. Admito que não possa haver um bom exercício de uma profissão sem princípios. Ninguém nunca entendeu as leis da natureza científica nem chegou a uma regra geral do dever ou de sagacidade por intuição. assim que as suas observações atingem uma amplitude maior. constitui um talento especial: e para isto. é.

mas com sombras personificadas criadas pelas ilusões da metafísica ou simplesmente pelo mero emaranhado das palavras. tal como a mulher. consiste. nas imediatas decisões a tomar. dessas mentes especulativas. seja numa adaptação especial a essas mesmas regras. a qual expõe factos opostos às suas teorias. No fundo. transportam os resultados dessas especulações para a prática. na deficiência desta viva percepção e do permanente sentido do facto objectivo. tal como os pensamentos masculinos dão uma maior largura e amplitude aos das mulheres. Os pensamentos das mulheres são de tal forma que são úteis em dar realidade aos pensamentos dos homens. continuadamente. para o real. após a especulação ter feito o seu trabalho. seja na colagem às suas regras num caso em cuja especialidade tirá-las da classe às quais as regras se aplicam. Consideremos agora uma outra admitida superioridade das mulheres inteligentes. é também uma muito útil contrapartida do erro contrário. Pelas razões já dadas. A principal aberração. Dificilmente outra coisa pode ser de um tão alto valor para um homem teórico e especulativo que não se dá ao trabalho em recolher materiais de conhecimento pela observação mas em transformálos. o que. em inteligíveis verdades científicas e em leis de conduta em vez de continuar com as suas especulações na companhia. as mulheres. uma qualidade que capacite uma pessoa para a prática? No activo. a faz ter em consideração a tudo o que possa ter uma pretensão a ser aplicado na prática. Não será isto. de que maneira as pessoas irão ser afectadas por isso – estas duas coisas fazem com que muito raramente ponha fé em qualquer especulação que a faça perder de vista os indivíduos e que lide com coisas como se essas coisas existissem para o benefício de uma qualquer entidade imaginária. comparadas com os homens. de uma mera criação da mente. para o facto actual. a maior rapidez de compreensão. e sob a crítica. de uma verdadeira mulher superior. precisamente. sendo distinguidos pela abertura de espírito. têm qualquer desvantagem. animados ou inanimados ou mesmo idealizados. são ainda mais importantes quando. Pela falta destes aspectos atrás mencionados. e pensam que essas sombras são os objectos próprios da mais alta e da mais transcendente filosofia. Claro que ele adquiriu muito do conhecimento anterior senão não conseguiria obtê-lo de todo. no puro pensamento. Raras vezes uma mulher fica estouvada depois de uma abstracção. são pouco propícias a cair nos mesmos erros deles. Não há nada comparável ao manter-se os pensamentos dentro dos limites da realidade e da natureza. tudo depende. mesmo assim. comparativamente aos homens. Se as actuais características mentais das mulheres são. mas aquilo que ele sabe. que enquanto na sua exclusividade é uma fonte de erros. Na 43 .querem conhecer coisas já do domínio do conhecimento há muito tempo. sobretudo. válidas no auxílio à especulação. que não resolvem os sentimentos de seres reais. A maneira habitual de ela lidar com as coisas individualmente em vez de ser em grupo e (o qual está intimamente ligado) o seu vivo interesse no sentimento actual das pessoas. soube-o através de fragmentos e ao acaso. Mas esta atracção da mente das mulheres ao presente. e também a mais característica. mas também perdem o sentido do legítimo propósito de toda e qualquer especulação e deixam que as suas capacidades especulativas se afastem para regiões que não são habitadas por seres verdadeiros. e primeiro que tudo. eles muitas vezes não só passam por cima da contradição. duvido se mesmo agora as mulheres.

incapazes de terem uma perseverança tenaz. É também muito do resultado de uma cultura consciente ou inconsciente. As mulheres que nos seus primeiros anos de vida partilharam uma educação física saudável e a liberdade corporal 44 . como muitas mulheres das classes mais altas (embora menos no nosso país do que noutros) de um tipo de plantas de estufa. não com tipos de factos – a rapidez de pensamento é uma capacidade quase tão importante como o próprio poder de pensamento em si. Talvez se diga que a grande susceptibilidade nervosa das mulheres é uma desqualificação para a prática. em vez disso. Não tem qualquer necessidade da possibilidade de fazer as coisas que faz rapidamente. variáveis. em tudo excepto na vida doméstica. que requerem um esforço contínuo. o filósofo permite-lhe ter o tempo que quiser. pode recolher evidências adicionais. Mas esta faculdade é bastante mais funcional em filosofia do que quaisquer das principais qualificações para essa inquirição: e. mesmo nas coisas que lhe são mais familiares. crescem com capacidades potenciais de se alienarem por pequenas coisas. veementemente sob a influência do momento. quando as pessoas são trazidas. a não ser que de facto sejam acorrentadas a um trabalho excessivamente sedentário e confinadas a salas desconfortáveis. o que ele precisa é de paciência para trabalhar com a lentidão necessária até que as imperfeições se tornem perfeitas. escudadas de todas as vicissitudes do ar e da temperatura. nada depende das decisões que se toma. Para aqueles. especialmente na secção emocional. Pode estar apto a criticar. cuja obrigação é com o fugaz e o perecível – com factos isolados. Penso que estas frases resumem a grande parte das objecções feitas às capacidades das mulheres para os assuntos mais importantes. Sobretudo. só lentamente é que têm um controlo sobre essas capacidades: rapidez de julgamento e prontidão na acção judicial. O outro tipo de homem. Um mero pensador pode esperar. ambas internas e externas e sem genica para suportarem qualquer tarefa. desiguais e incertas no poder de usarem as suas capacidades. Aquele que não tiver as suas capacidades sob o seu controlo imediato nas contingências da acção. enquanto o seu sistema nervoso. Mas as mulheres que foram levadas a trabalhar para sobreviver não mostram nenhuma destas mórbidas características. O poder de extrair a melhor conclusão possível de dados insuficientes não é. de todo. mas não está apto a actuar. e os homens que se parecem com mulheres. para as principais operações como para as auxiliares. confessadamente se distinguem. desde que passaram de moda. são o resultado gradual e último de um diligente esforço que cresceu com o hábito. independentemente do quão proeminentemente possam ser as suas capacidades. inútil à filosofia. não é de admirar se aquelas que não morrem por aniquilação. como vimos pelo quase total desaparecimento de ataques “histéricos” e débeis. e inexperientes em qualquer ocupação ou exercício que lhe dê um estímulo e um desenvolvimento do sistema circulatório e muscular. pode ter tempo para considerar. É nisto que as mulheres. ao contrário destes. pode não as ter de todo sob esse controlo. é mantido num anormal jogo activo. não é obrigado a completar a sua filosofia para que a oportunidade não passasse. a construção de uma consistente hipótese provisória de todos os factos conhecidos é muitas vezes a base necessária para uma inquirição futura. e as conjecturas se juntem num teorema. Mais que tudo isto é o extravasar de energia. apresentando-as como inconstantes.especulação passa-se o contrário. nervosa e desperdiçada e que terminaria quando essa energia fosse direccionada para um fim último. física ou mental.

a quem um nível anormal de sensibilidade nervosa é constitutiva e por isso marcam o carácter como se fosse a característica principal da sua organização que se transforma numa grande influência sobre todo o carácter do fenómeno vital. em ambos os sexos. Mas quando a ocupação é adequada. e por vezes mesmo quando é inadequada. que ao serem susceptíveis a um mais elevado grau de excitação do que aqueles de outra constituição física. sem dúvida. Há. mas durante uma longa sucessão preliminar de torturas mentais e corporais. O sentimento forte é o instrumento e um elemento de auto-controlo: mas requer um cultivo nessa direcção. como se fosse. aguentando-se por longos esforços ininterruptos. a parte interessada do lado oposto. deriva. Distinguem-se nas suas manifestações particulares exactamente por isso. É do carácter do temperamento nervoso ser capaz de suster a excitação. Foi o que possibilitou a tantas mulheres dedicadas manterem a constância mais sublime. Quando está neste estado excepcional. à sua própria reputação diária. uma certa proporção de pessoas. Elas são a substância dos grandes oradores. se as consequências seguissem necessariamente disso porque as sendo as pessoas emotivas. é hereditária e transmitida tanto para os filhos como para as filhas. um obstáculo ao sucesso em alguns empregos embora seja uma ajuda para outros. sem abrandar na sua velocidade. de facto. de uma maneira muito forte. até cair para o lado.dos seus irmãos. os seus sentimentos e as suas acções em outras 45 . acima deles próprios. e que obtenham suficiente ar puro e se exercitem ao ar puro. Assumiremos este facto: e deixem-me então questionar se os homens com temperamento nervoso são considerados incapazes para as funções e para as actividades normalmente pretendidas por eles? As peculiaridades do temperamento são. Esta constituição. os exemplos mais brilhantes de sucesso são continuadamente dados por homens de uma alta sensibilidade nervosa. o que lhe permite suplantar-se a si próprio. É evidente que pessoas deste temperamento estão particularmente aptas para aquilo a que chamamos o departamento exclusivo de liderança da humanidade. que faz com que o ser humano saia da sua personagem quotidiana. e fazem coisas com uma tal facilidade da qual são de todo incapazes noutras alturas. É o que se designa por espírito. mas é possível. e provável. Um juiz que dê um justo veredicto num caso onde os sentimentos são. impressionantes difusores das influências morais. Pode-se supor que as suas constituições são menos favoráveis para as qualidades requeridas a um estadista no gabinete ministerial ou para um juiz. A capacidade de ter esse nobre entusiasmo. que o temperamento nervoso (como é chamado) seja herdado por mais mulheres que homens. o qual passa imediatamente. como toda a adaptação física. dentro de certos limites. e pelos quais ele calcula. Mas isto é tudo uma questão de treino. excepto em fracas constituições corporais. da mesma força sentimental. ela mesmo. É o que faz com que o cavalo de corrida de raça corra. têm que estar sempre num estado emocional permanente. não deixando nenhum rasto permanente e sendo incompatível com uma procura persistente e firme procura de um objectivo. responde. Seria assim. Mas esta petulante excitação não é um simples instante. o exacto juízo da obrigação de fazer justiça. dos grandes pregadores. de facto. o que as pode tornar aptas a uma ocupação activa. as suas aspirações e forças tornam-se o modelo com o qual ele se compara. que quando são agitados diferem mais do caso de outras pessoas que se mostram no seu estado normal: são postos em relevo. não só nas estacas. raramente têm qualquer tipo de susceptibilidade nervosa excessiva.

e pode-se ter isso em conta pelo facto de elas terem ficado para trás nas altas esferas sociais. em média. os Celtas podem proporcionar os melhores exemplos do que são quando deixados sozinhos (se se pode dizer que aqueles podem ser deixados sozinhos quando tiveram durante séculos sob a influência de um mau governo e sob a educação directa da hierarquia católica ou sob uma crença sincera na religião Católica). não mostram que esses temperamentos emotivos sejam. tal como estão agora. do que os menos emotivos. assim como de indivíduos. Mas que elas podem fazer essas coisas também na sua totalidade. assim a comparação das mulheres com os homens pode ser feita. no mínimo. que as mentes das mulheres são por natureza mais versáteis do que as dos homens. nos assuntos de interesse geral. incontestavelmente mais nervosamente emotivos do que as raças Teutónicas.alturas: e o seu propósito habitual assume-se como um carácter moldado e assimilado aos momentos de elevada exaltação. contudo. ao fazerem as mesmas coisas da mesma maneira. seja verdade. (embora com numerosas e grandes excepções). uma das raças mais emotivas da humanidade. menos capazes. fizeram deles um exemplo do modelo contrário do carácter típico. aos Ingleses. apenas com algumas variações no tipo particular de excelência. como o são os seus descendentes e sucessores ainda o são. transitórios. no prestígio judicial ou na guerra? É de uma inquestionável evidência que os Gregos foram. Provavelmente os Romanos. Os Franceses assim como os Italianos são. embora esses momentos possam apenas ser. ou o seu valor prático: e fica por mostrar se este trabalho exclusivo de parte da mente. portanto. os Gregos e os Italianos se comparavam com as raças germânicas. Supondo que isso. até ao mais alto ponto que se pode chegar: isto pode ser verdade para as mulheres. em média. considerado como um caso desfavorável: no entanto. os Irlandeses aos Suíços. esta é uma diferença que apenas pode afectar um tipo de excelência. se a sua educação e cultivo dessa actividade fossem adaptadas ao que é correcto em vez de agravarem as suas insuficiências no que respeita ao seu temperamento. precisamente porque é naquelas situações que se exige uma grande absorção mental num campo de ideias e de ocupações onde se requer essa total atenção. As experiências de raças. também tiveram o mesmo temperamento original: mas o carácter implacável da sua disciplina nacional. por natureza. e comparando. É supérfluo perguntar em que é que de entre as realizações humanas eles não se notabilizaram. sempre que as circunstâncias do indivíduo foram favoráveis. a maior força dos seus sentimentos naturais como sendo a principal evidência da intensidade que o mesmo temperamento original torna possível fornecer ao artificial. Se estes casos exemplificam o que pessoas naturalmente emotivas podem fazer. tanto para a especulação como para a prática. O carácter Irlandês pode ser. não a própria excelência em si. dos povos antigos. mais capazes de dividirem as suas faculdades entre muitas coisas do que ir por um único caminho. menos capazes de persistirem longamente no mesmo esforço continuado. devido à natureza física do ser humano. tal como os Espartanos. destinadas aos homens. quais as pessoas que mostraram a maior das capacidades para os mais elevados e múltiplos prestígios individuais? Como os Franceses se comparavam aos Ingleses. No entanto. têm uma vida diária maioritariamente mais emocional: mas têm sido eles menos capazes em ciência. esta faculdade absorção de todo o pensamento num único objectivo e a respectiva 46 . não tenho disso a menor dúvida. sendo também um povo do sul.

as mulheres. sobretudo. mas que tem que passar para outras coisas. perante este facto. da qual são acusadas. A seguir. Mas a excepção e a anomalia 47 . em virtude na sua extrema mobilidade. sem deixar que a energia activa do intelecto fique entre os dois. sem margens para dúvidas. Realmente. e este poder têm-no. mostrar que é extraordinariamente superior em inteligência que um homem baixo. devo dizer que a relação precisa que existe entre o cérebro e o poder intelectual ainda não está bem compreendida. Um homem alto e de ossos largos devem. que o cérebro da mulher é mais pequeno do que o do homem. O cérebro é certamente o órgão material do pensamento e do sentimento: e (abstraindo da grande irresoluta controvérsia no que diz respeito à apropriação das diferentes partes do cérebro às diferentes faculdades mentais) admito que seria uma anomalia. em todos os aspectos. este critério poderá levar-nos a estranhas consequências. Se essa ideia é inferida apenas porque a estrutura corporal da mulher tem uma menor dimensão que a do corpo masculino. mesmo para usos especulativos. como tantas vezes está o homem quando não está envolvido naquilo que ele escolher ser o seu negócio de vida. dizem os anatomistas. tem sido notado várias vezes: e a mente de uma mulher.concentração num único trabalho. os quais exigem que a mente não possa abandonar nem mesmo por um minuto. mas é um assunto de grandes disputas. é perdido na capacidade da mente para os outros propósitos da vida. que o cérebro mais pesado que ele pesou. pois quase todas as ocupações das mulheres consistem na orientação de pequenos mas múltiplos detalhes. se o tamanho do órgão fosse totalmente diferente à função. e um elefante e uma baleia devem exceder em muito a humanidade. é um poder muito mais valorizado. ou mesmo da cabeça. É certo de que algumas mulheres têm um cérebro tão largo como os homens. mas certamente que a têm por treino e educação. por um homem que tem pesado muitos cérebros humanos. desde os mais elevados aos mais humildes. é uma condição normal e saudável das faculdades humanas. A ocupação diária das mulheres são em coisas gerais e não pode parar enquanto o mundo gira. Para a finalidade da vida prática. que em primeiro lugar que o facto em si é duvidoso: Não está estabelecido. e se algo exigir um pensamento mais longo. Penso que o que se ganha no desenvolvimento especial através desta concentração. raramente se pode permitir um descanso. varia muito menos que o tamanho do corpo. Que há uma estreita relação. apesar de estar ocupada apenas com coisas pequenas. Eu respondo. e uma excepção a tudo o que nós conhecemos das leis gerais da vida e da natureza. a capacidade que as mulheres mostram ao pensarem em circunstâncias e em alturas nos quais a maioria dos homens formalizariam uma desculpava para si próprio para não o fazerem. e mesmo no pensamento abstracto tenho a opinião convicta que a mente faz mais por regressar frequentemente a um problema difícil do que permanecer no mesmo problema sem interrupção. Do que eu conheço. mais pesado que o de Curvier (o mais pesado anteriormente registado). de todo. era de uma mulher. se nenhum acesso ao poder derivasse do tamanho do instrumento. rouba tempo a momentos de descanso exactamente por pensar nessas coisas. O tamanho do cérebro nos seres humanos. e não podemos. inferir isso de um para o outro. a capacidade de passar rapidamente de um assunto para outro. Talvez tenham-na naturalmente. disso não temos dúvida. Mas (é dito) há uma evidência anatómica da superior capacidade mental do homem comparado com a mulher: têm um cérebro mais largo.

principalmente. da circulação. Por outro lado. Seria mais persistente na primeira coisa que pensou. pode continuar por mais tempo sem a perca de poder ou o sentimento de fadiga. Os resultados que conjecturam. mas dados os graus de exaustação. e olhadas com sobranceria como um tipo de conteúdo desdenhoso pelas escolas prevalentes de história natural e de filosofia mental: as quais. quando entrassem completamente no jogo. na única coisa que está a fazer. os cérebros dos homens suportariam mais trabalho. e o que nos levaria a esperar desta diferença de organização. fundamentados na analogia. concordando em percorrer aqueles que preferem explicar estas diferenças pelas diferentes relações dos seres humanos com a sociedade e a vida. seria mais difícil alterar de um modo de acção para o outro. como sendo tanto a força estimulante como a força reparadora que depende. seja na procura da fonte da principal distinção que existe entre os seres humanos. E não achamos que nas coisas em que os homens ultrapassam as mulheres são aquelas coisas que requerem mais trabalho e uma maior insistência num único pensamento. enquanto as leis psicológicas da formação de carácter tenham sido tão pouco estudadas. Nem é possível que isso possa ser mostrado.seria total e maior se o órgão executasse a sua influência apenas pela sua magnitude. esta especulação é puramente hipotética. mas. Em primeiro lugar. Não seriam nem tão aptos a pensar como as mulheres nem tão rápidos a sentir. e muito menos do que seja essa diferença. e nunca aplicadas cientificamente a um nível particular. mesmo na sua generalidade.das quais a mais delicada é a criação animal e destas a mais delicada é o sistema nervoso – as diferenças no afecto depende tanto nas diferenças de qualidade dos agentes físicos como na sua quantidade: e se a qualidade de um instrumento fosse testada pela sua simpatia e delicadeza do trabalho que pode fazer. enquanto as mulheres fazem melhor aquelas coisas que devem ser feitas mais rapidamente? O cérebro de uma mulher cansa-se mais rapidamente. os pontos de referência da maior percentagem da qualidade de fineza no cérebro e do sistema nervoso são da mulher em vez do homem. Em todas as operações mais delicadas da natureza . uns com os outros. das operações mentais dos homens esperaríamos uma maior lentidão. não pretende mais do que sugerir uma linha de investigação. Repudiei anteriormente esta noção de ainda não haver um conhecimento de que haja qualquer tipo diferença natural na força média ou na direcção das capacidade mentais dos dois sexos. fica exausto mais rapidamente. Os corpos maiores demoram mais tempo a entrar em acção na sua plenitude. a eficiência de um órgão é conhecida por depender não apenas no seu tamanho mas também da sua actividade: e disto temos uma medida aproximada da energia através da qual o sangue circula. corresponderiam a alguns daqueles que vemos todos os dias. no mundo material ou espiritual. Não seria surpreendente – e é de facto uma hipótese que está bem de acordo com as diferenças actualmente observadas entre as operações mentais dos dois sexos – se os homens em média tenham em vantagem no tamanho do cérebro o que as mulheres têm em actividade na circulação cerebral. Pondo de parte a abstracta diferença de qualidade. enquanto as causas externas mais óbvias nas diferenças de carácter são habitualmente menosprezadas – deixadas no anonimato pelo observador. repito. uma coisa difícil de verificar. devemos esperar que deva recuperar-se por si própria mais rapidamente. 48 .

vivendo ele em qualquer estado especial de desenvolvimento ou de não-desenvolvimento. e as inglesas são. veja os fundamentos dos seus violentos abusos nos escritos Hindus. um francês geralmente conhece uma grande parte dela. A grande parte da vida é levada. A Inglaterra é o país onde a disciplina social mais teve sucesso. ou os requisitos da sociedade. Um oriental pensa que as mulheres são por natureza particularmente voluptuosas. Em Inglaterra. sem filosofia e sem análise alguma. com sendo imprópria para uma mulher. não tanto em conquistar mas em reprimir. mais do que qualquer outra pessoa. porque ela só a viu sofisticada e distorcida. se têm. a opinião formada. no mínimo. mas também nos homens. mas erra muitas vezes. Deve ser realçado que os ingleses estão em circunstâncias particularmente desfavoráveis para tentarem julgar o que é e o que não é natural. Os seus relatos sobre a inconstância das mulheres são. estruturadas. mas a natureza ainda está lá. Um inglês é ignorante no que diz respeito à natureza humana. não apenas nas mulheres. para cima e para baixo. são responsáveis no assunto são de carácter diferente. a regra tem de ser de um muito elevado grau para se substituir à natureza. Em Inglaterra há comentários comuns. dos famosos dísticos de Francisco I. porque ele não tem qualquer oportunidade de a ver. que a ideia popular disso é diferente em diferentes países. porque nunca as vê. não apenas agem mas sentem de acordo com a regra. na sua natureza íntima. quando as mulheres são mais constantes que os homens. Um inglês não conhece a natureza. No bom e no mau sentido. ou em todos os seres humanos. mais do que qualquer outra pessoa. Nos outros países. por sua vez. um francês é preconceituoso. um produto da civilização e da disciplina. Sem dúvida que isto tem o seu lado bom. podem ser o poder mais forte mas a instigação da natureza individual estão sempre visíveis sob esse poder. embora também tenha um miseravelmente lado mau. porque ele as vê. meras generalizações empíricas. em Inglaterra do que em França. com o que seja capaz de entrar em conflito com ela. Os ingleses. mas isto deve tornar um inglês peculiarmente mal qualificado para julgar as tendências originais da natureza humana da sua própria experiência. no outro caso há imensa natureza mas poder ter-se 49 . Os dos quais os observadores. Pois o estado transmitido pela sociedade disfarçada as tendências naturais da coisa que é matéria de observação em duas diferentes maneiras: extinguindo a natureza ou transformando-a. muito mais submetidas à opinião. Eles são. Um inglês normalmente pensa que elas são por natureza frias. não por seguir a inclinação debaixo do controlo da regra. o de um francês é positivo. um francês pensa que elas devem necessariamente existir sempre. e muitas vezes resistem a esse poder: a regra pode ser mais forte que a natureza. na sua maioria.Quão ridículas e extensas são as noções formadas da natureza da mulher. Num caso há um resíduo faminto que permanece para ser estudado. de acordo com as opiniões e as circunstâncias sociais que esse país deu para as mulheres. mas por não0 ter nenhuma inclinação do que apenas seguir a regra. de origem francesa. Um inglês fantasia que as coisas não existem. apenas a experiência inglesa: porque não há lugar algum onde a natureza humana mostre tão pouco do seu alinhamento original. A inconstância tem sido avaliada durante mais tempo. em outros lugares. Um erro de um inglês é negativo. desde os primeiros instantes em que essas noções se lhes apresentam. os ingleses estão cada vez mais distantes de um estado de natureza do que qualquer outro povo moderno.

a inferioridade física da força corporal. Aspasia não deixou qualquer escrito filosófico. podemos questionar-nos. apareça. que dizem ter sido a tutora de Píndaro. ou. a literatura (seja em prosa ou poesia) – as mulheres fizeram o bastante. especialmente na secção na qual estiveram mais tempo envolvidas. e mesmo assim. Os Gregos sempre tiveram em conta Safo como uma das grandes poetisas. nenhuma produção filosófica. têm sido muito raras em todo o lado excepto em Inglaterra e em França. entre mulheres cujos gostos e posição pessoal são aceites como estando afastados. em relação aos homens. Não estou a tentar o que pronunciei como impossível: mas a dúvida não proíbe conjecturar e onde a certeza é inatingível.expandido em qualquer direcção excepto naquela de que deveria crescer espontaneamente. mesmo assim algumas dessas poucas fizeram um enorme sucesso. Primeiro ponto. Disse que não se pode saber o quanto da existente diferença mental entre os homens e as mulheres é natural e quanto é artificial. possuindo os requisitos de poder ser uma eminência de primeira qualidade em especulação ou em arte criativa. no mínimo. que carácter natural serão revelados. como seria de esperar pelo imenso tempo que tiveram e pelo número de competidores. traçando as consequências mentais das influências externas. e podemos supor que Myrtis. na procura destes objectivos. obtiveram mesmo tão grandes prémios como muitos deles. apenas. É uma questão relevante. supondo todas as causas artificiais devam ser retiradas. Foi apenas na actual geração que as suas tentativas têm sido mais numerosas. Em todas as coisas para as quais ainda houve tempo – em tudo menos nos níveis mais altos de excelência. salvo muitas raras excepções. e eu vou tentar abordá-la pelo único caminho pelo qual pode ser atingido. começaram a tentar as suas capacidades na filosofia. então. que por cinco vezes levou dele o prémio de poesia. considerada de primeira qualidade tem a autoria de uma mulher. artística. se existe mesmo qualquer diferença mental. o único caso assinalável em que é possível observar a aparente inferioridade das mulheres. se alguma vez a experiência nos proporciona os fundamentos suficientes para essa indução. tendo em conta aquilo que se dedicaram. ainda agora. Certamente que não é há mais de três gerações que as mulheres. num momento para o outro. e o que as suas circunstâncias foram e se estas foram capazes de produzir aquele. no simples cálculo de hipóteses. científica. se exceptuarmos. Então. Não podemos isolar um ser humano das circunstâncias da sua condição para ter um grau de certeza experimental do que é que ele seria naturalmente. Haverá alguma maneira de suportar esta ideia sem supor que as mulheres são naturalmente incapazes de as produzir? Em primeiro lugar. Se recuarmos para o período clássico quando muito poucas mulheres fizeram essa tentativa. e Corinna. essa 50 . mas podemos considerar o que ele é. saber se se pode esperar que uma mente. e contrastámo-los com os dos homens. inesperadamente. Tomaremos em consideração. pode ainda ser o meio de se chegar a algum grau de possibilidade. Se considerarmos os trabalhos das mulheres nos tempos modernos. seja na secção literária ou artística. devem ter tido. com justiça. o mérito suficiente para serem admitidas na comparação com esse grande nome. mas é um facto admitido que Sócrates recorreu-se a ela para se instruir e confessou que obteve essa instrução. na ciência ou na arte. a origem das diferenças realmente observadas é aquela que está mais acessível à especulação.

têm sido. que durante todo o período de existência do mundo. como disse. resolvida essencialmente numa coisa: mas é uma inferioridade material. Uma alta originalidade de concepção é. então. E agora para examinar se há maneira na qual esta deficiência pode ser tida em consideração. Nunca. e na perfeição do estilo. nem nenhum daquelas novas concepções fundamentais em arte. Qualquer novidade tem que ser acrescentada aos conhecimentos anteriores e quem quiser alcançar essa novidade tem uma “escalada” longa a fazer “carregando” os outros conhecimentos anteriormente adquiridos e tem que ser feita apenas por quem queira aspirar a ter uma parte do estado presente do trabalho. já foram todos pensados há muito tempo. As suas composições são na sua maioria fundamentalmente apoiados no fundo de pensamento existente e as suas criações não desviam muito dos tipos existentes. na sua maioria das vezes. na aplicação detalhada do pensamento. no sentido de serem próprios – derivados das próprias observações ou processos intelectuais do pensador – são abundantes nos escritos das mulheres. os pensadores mais originais são aqueles que conheceram mais aprofundadamente o que foi pensado pelos seus predecessores: e de futuro isto irá ser o caso. no qual grandes e frutíferas novas verdades podem ser atingidas pela mera força de génio. na presente era. única entre as mulheres. não há qualquer inferioridade. há uma originalidade própria – é uma concepção própria da mente. É este o tipo de inferioridade que os seus trabalhos manifestam: para um ponto de execução. Desde os dias de Hypatia aos da Reforma.ª Somerville. Penso que foi o Sr. Não uma total deficiência. sabe de tanta matemática quanta é preciso para fazer qualquer descoberta matemática considerável: será prova da inferioridade das 51 . como uma espécie de pura excelência artística. pode ser. e no progresso de aculturação. Quantas mulheres há que tenham passado por este processo? A Sr. e não há em toda a literatura moderna um veículo mais eloquente de pensamento que o estilo da Madame de Staël nem.inferioridade. podendo ser observável. desde que um considerável número de mulheres que começou a cultivar sérios pensamentos. Maurice que afirmou que. e estão profundamente versadas nos resultados do pensamento anterior. Quase todos os pensamentos que se podem ter apenas pela força das faculdades originais. a célebre Helena é quase a única mulher a quem essa proeza pode ter sido possível. e não sabemos quão grande era a capacidade de especulação nela que se possa ter perdido para a Humanidade pelos infortúnios da sua vida. e a originalidade. as quais abrem uma paisagem de novos efeitos nunca antes pensados e que fundam uma nova escola. Lembremo-nos. para cada produção mental de algum valor substantivo. há nada superior à prosa da Madame Sand. Pensamentos originais. considerada em qualquer elevado sentido da palavra. com um pequeno estudo prévio e acumulação de conhecimento – durante todo esse tempo as mulheres não se preocupavam de todo com nada de especulativo. que no que diz respeito ao mero pensamento. o que é principalmente esperado. ela própria. não uma cópia de outra coisa. cujo estilo actua sobre o sistema nervoso como uma sinfonia de Haydin ou Mozart. é agora raramente atingida excepto por mentes que se tenham submetido a uma elaborada disciplina. deficiência de originalidade. Os nossos melhores novelistas na composição. foi possível colocar a originalidade facilmente. e no trabalho dos detalhes. Mas elas ainda não produziram nenhuma daquelas grandes e luminosas ideias que formam uma época no pensamento. mulheres.

mesmo que ele seja um Rafael. desde que a economia política se tornou uma ciência. que não estudou com precisão e aprofundadamente os pensamentos de outros. restando aos escritores verificar e trabalhar essa ideia? Podendo fazer um juízo sobre o meu próprio caso. souberam o suficiente dessa ciência para escreverem proveitosamente sobre esse assunto: de quantos dos inúmeros homens que escreveram sobre o mesmo assunto durante o mesmo tempo. Como está agora. e encaixa-o num lugar entre as verdades da filosofia ou ciência. a qual é agora exigida a todos os homens. ou se a Renascença tivesse antes das catedrais góticas terem sido construídas. uma imitação da dos homens. será tempo suficiente para se julgar. Mesmo um Mozart 52 . foi. não é original mas uma imitação da Grega? Simplesmente porque os Gregos vieram primeiro. perante o mundo: e mesmo quando elas são trazidas cá para fora geralmente aparecem como sendo as suas ideias. teste-a. de facto. Se virarmos da pura especulação para a literatura no estrito sentido do termo e para as belas artes. pela experiência. que mulher é que estudou Sânscrito. sobre um assunto tem. É suposto que estes felizes pensamentos não ocorram nas mulheres? Ocorrem às centenas a toda a mulher inteligente. elas nunca teriam sido construídas.mulheres o facto de ela de não ter acontecido que ela ficasse entre as duas ou três pessoas que durante a sua vida inteira em que os seus nomes ficassem associados a algum forte avanço da ciência? Duas mulheres. mas não a sua verdadeira autora. não criaram uma que seja. no estilo. teriam tido uma literatura sua. Vemos que em França e em Itália. por sugestão. se aproprie da intuição. e nunca tivessem lido os seus escritos. pelo desejo de quererem um marido ou um amigo que tenha o outro conhecimento o qual o habilita a estimá-las apropriadamente e a trazê-las para a praça pública. Quando as mulheres tiverem a preparação. Todas as mulheres que escrevem são pupilas dos grandes escritores. não se lhe pode fazer qualquer justiça até outra pessoa. que possui os conhecimentos anteriores. Porque é que a literatura Romana. Significa inventar constantemente nas suas formas rudimentares algo que já foi inventado e melhorado por sucessivos inventores. para ser eminentemente original. o Gótico de Ulphila e o Pérsico de Zendavesta? Mesmo nos assuntos práticos todos nós sabemos qual é o valor da originalidade de génios inatos. dê-lhe uma forma científica ou prática. das pinturas do seu mestre. uma enorme proporção. um rápida intuição e pode sugerir. quando amadurecer. As primeiras pinturas de um pintor. poderá ser uma importante adição ao conhecimento: mas mesmo nessa altura. Sem dúvida que muitas vezes acontece que uma pessoa. as imitações da literatura antiga pararam o desenvolvimento original mesmo antes de este ter começado. Mas na sua maioria perdem-se. mas não provar. a uma mulher. Se as mulheres vivessem num país diferente dos Homens. foi uma grande historiadora. Se não tivesse havido qualquer suspensão do conhecimento da antiguidade. será preciso adiantar mais alguma coisa? Se nenhuma mulher. como proclamam os críticos até à saciedade. na sua concepção geral e nas suas principais características. intuição essa que. que mulher é que teve a necessária erudição? Se nenhuma mulher é uma grande filologista. pertencem. há uma razão óbvia porque é que a literatura das mulheres é. Quem é que pode dizer quantos dos pensamentos mais originais postos cá para fora por escritores. da sua capacidade para a originalidade. Eslavo. até agora. são indistinguíveis. por uma natural sagacidade. porque já encontraram uma literatura altamente avançada já criada.

uma das grandes coisas em que o ser humano se podia notabilizar. que a evidência em primâ facie dos inferiores poderes originais na mulher parecem. não haverá prova de haver qualquer tendência natural comum às mulheres. aos homens. Mesmo os pintores (como o Sr. e distinguindo o seu génio do dos homens. apenas para execução: e é de acordo com isso. é apenas enquanto compositores que os homens são superiores às mulheres. Há agora algumas mulheres. mas não com o propósito de comporem. homens que em nada parecem com esses de alto 53 . no entanto. É nas belas artes. Mas se. No entanto. a vasta superioridade de pessoas profissionais sobre as amadoras. Na presente época. Se a literatura das mulheres está destinada a ter um carácter colectivo diferente da dos homens. o que actualmente ainda se sujeita pela influência do precedente e do exemplo: e serão precisas mais gerações. mas em vez disso possa encorajá-las. Os maiores de entre eles eram homens de conhecimento e poder enciclopédicos. senão mesmo superiores. em vez de passar por cima deste departamento. mais ou menos. mas não que isso faça com que possam viver ou ter uma boa consequência social com isso. e. no entanto toda e qualquer escritora entre as mulheres tem as suas tendências. seguida como profissão e uma ocupação de vida é a histriónica. deve ser feita entre as produções das mulheres em qualquer ramo das artes e aqueles em que os homens não seguem como profissão. antes que a sua individualidade esteja suficientemente desenvolvida para fazer frente a essa influência. tal como os grandes homens na Grécia. o que agora apenas lhes fazem as distinções políticas e militares. Nos sécs. é necessário muito mais tempo do que já passou. As mulheres artistas são todas amadoras. As excepções são apenas do tipo que confirmam a regra geral. os pintores italianos eram os homens mais bem sucedidos da sua era. à primeira vista. os companheiros dos soberanos e dos de igual estirpe da mais alta nobreza. certamente que as mulheres produziram coisas tão boas como as que foram sempre produzidas por amadores. O que os anos são para o dom individual. A única das belas artes que é seguida pelas mulheres. as gerações são para a massa. Ensina-se música às mulheres. para os sentimentos e concepções dos homens. e nisso elas são confessadamente iguais. os homens eram feitos. muito poucas. XIV e XV. num ramo ou outro das belas artes. não precisa outra explicação do que o facto familiar. e até certo ponto. chamadas assim muito a propósito. Esta lacuna. As mulheres nas classes educadas são ensinadas quase universalmente. Para tornar a comparação justa. A razão porque os antigos pintores eram tão superiores aos modernos é que uma enorme classe superior de homens aplicava-se à arte. que pintam profissionalmente. através disso. dependendo das diferentes tendências naturais. Mas no seu tempo as belas artes eram. da mais alta eminência alcançado pelos homens. e à sua educação. Ruskin) não fizeram qualquer pintura de verdadeiro valor nestes últimos séculos e vai demorar algum tempo até o fazerem. como eu acredito. e estas estão prestes a começar a mostrar o mesmo talento que se espera delas. serem os mais fortes: desde que a opinião (se se pode dizer assim) não as exclua destas. por exemplo. Na composição musical. nesta linha de esforço elas ficaram ainda mais aquém do que em muitos outros esforços. uma maior verdade universal nas belas artes do que em qualquer outra coisa.não exibe a sua poderosa criatividade nas suas peças iniciais. é nas classes prósperas que são maioritariamente compostas por ela. antes que se consiga emancipar-se da influência dos modelos aceites e guiar-se ela própria pelos seus próprios impulsos.

um olho a que não escape nenhum detalhe. e submetendo a todos o desperdício e a inseparável malversação desse modo de condução das coisas. geralmente aquela que está nos anos da maturidade e que adquiriu experiência. A música pertence a uma diferente ordem das coisas. ou de todo. Isto parece um paradoxo. Os únicos países que produziram compositores de primeira água. em todas as horas do dia. é um facto social inquestionável. pelo menos. requer estudo e uma grande devoção profissional à investigação. destes cuidados. quaisquer que sejam as altas capacidades da mente humana. o dever absorvente que a sociedade impõe exclusivamente às mulheres. não requer os mesmos poderes gerais da mente. E nesses países.calibre têm coisas mais importantes para fazer para a sua própria fama e para uso do mundo moderno. mesmo os do sexo masculino. sempre é maior o desenvolvimento da última: os jantares. do que pintar: e é apenas de vez em quando que um Reynolds ou um Turner (sobre cuja relativa categoria entre homens eminentes não pretendo dar uma opinião) se aplicam. mas parece ser mais dependente de um dom natural: e pode ser surpreendente pensar que não houve nenhuma mulher com um grande talento como compositora. ela ainda tem que desenvolver por ela própria a direcção de toda a família nas suas relações com outras – aquilo que é chamada de sociedade. previstas e imprevistas. de não poder esperar. razoavelmente. Uma das razões é que muito poucas mulheres têm tempo para essas investigações. Se a mulher tem estatuto e circunstâncias os quais permitem que se liberte. Para olhar apenas para o lado de fora do assunto: o enorme e contínuo exercício de 54 . mesmo nas investigações que estão abertas a ambos. primeiro. para estar disponível para grandes criações. requer uma constante vigilância. de fazê-las encantadoras. a mulher raramente existe nesse domínio: então aqui consegue-se a vantagem. os concertos. Uma mulher esperta de estatuto mais alto quase encontra um emprego suficiente dos seus talentos no cultivo as graças nas maneiras e na arte da conversação. Há. e nos últimos três séculos não produziu cinquenta homens eminentes. as mulheres continuam bastante atrás das mulheres em França e em Inglaterra. ver-se mais do que uma mulher eminente para cinquenta homens eminentes. e que apresente questões para serem consideradas e solucionadas. e provavelmente aos milhares. Há outras razões. é extremamente onerosa para os pensamentos. que ajudam a explicar porque é que as mulheres permanecem atrás dos homens. em certa medida. os homens que têm conhecimento dos princípios da composição musical podem ser contados como sendo às centenas. escrever cartas e tudo o que se segue. mesmo quando não é noutros aspectos. visitas matinais. na doutrina das médias. Mas mesmo este dom natural. para além daquelas que agora demos. a supervisão da família e da despesa doméstica a qual ocupa. no ponto de uma especial e geral aculturação. as festas nocturnas. e tendo dificilmente cultivado. sendo geralmente (o que se pode dizer sem ponta de exagero) muito pouco educadas. A supervisão dos trabalhos domésticos. O tempo e os pensamentos de todas as mulheres têm que satisfazer exigências primordiais em coisas práticas. uma mulher em cada família. das quais a pessoa responsável por elas raramente se pode libertar. eles próprios. e quanto menos é chamada pelo trabalho anterior. a não ser que a família seja tão rica que admita delegar essa tarefa a uma agência contratada. e os últimos três séculos não produziram cinquenta homens eminentes nem na Alemanha ou na Itália. a essa arte. são a Alemanha e a Itália – países onde. E tudo isto acaba.

há motivos adequados no caso de todos aqueles que seguem uma carreira profissionalmente: o outro raramente é atingido onde não há. acima de tudo. por isso. ou formou o mesmo gosto correcto. geralmente de todos. ou na literatura e esgota muito do tempo e do poder mental que elas devem libertar de uma ou de outra 1 . talvez também sobre os das suas filhas. há um grau mais alto no qual dependem as grandes produções. arte. Se fosse possível que todo este número de pouco interesse prático (que são aumentados por eles) deva deixá-las ou muito ociosas ou muito enérgicas e com a mente aberta. Uma mulher consagrada. ou que veste com melhor gosto terá. ou alguma coisa fora do comum. uma maravilha se ela consegue se prender com a mais alta eminência a coisas que requerem uma permanente atenção e na concentração dessas coisas no inteiro interesse da vida? Isso é filosofia. da mesma sagacidade aplicada para grandes propósitos. e com uma percepção da conveniência natural ou artificial) devem conferir sobre os seus vestidos. imortalizam um nome. É preciso haver uma doença na família. São as ocupações das mulheres. só por si. ou onde não houve em alguma altura da vida um ardente desejo de celebridade. num trabalho que. elas devem ter um fornecimento de uma originalidade maior que a vasta maioria dos homens. Ela deve estar sempre de prevenção e à disposição de alguém. ela deve agarrar qualquer pequeno intervalo que ocorra acidentalmente para trabalhar nesse objectivo.) 55 . Nada é 1 Parece ser a mesma atitude mental que possibilita os homens adquirirem a verdade ou a ideia justa do que é certo. embora num fundamente esguio. Não é. Se ela tem estudos ou um objectivo. e isso é. as quais. tal como nos princípios da arte. Para o êxito do anterior. Se um homem não tem uma profissão que o dispense dessas exigências. mas as formas gerais ainda continuam: é ainda o mesmo vestido comum que é fixado comparativamente. dar um grande impulso na direcção de conseguir resultados respeitáveis nas artes. no adorno.pensamento sobre o qual todas as mulheres que adicionem qualquer valor para se prepararem bem (não afirmo dispendiosamente. Há ainda outra consideração a ser acrescentada a todas estas. a ocupação é recebida como uma desculpa para a não resposta dele a qualquer pedido causal que lhe possa ser feito. eu espero que venha a ser publicado observa de facto que. Ou na ciência. especialmente aquelas que elas escolheram. Aquele que tem maior sucesso na invenção. se ele tiver um objectivo a seguir. não ofende ninguém por empregar todo o seu tempo a isso. que tudo o que uma mulher faz. Ainda tem o mesmo centro de perfeição. provavelmente. há um grau de suficiente mestria para se viver dessas ocupações. deve. .” (Sir Joshua Reynolds’ Discourses. para se dedicarem à arte ou à especulação. mas é nisto que a moda se deve manter. ainda assim. na qual. dela esperam que tenha o seu tempo e qualidades sempre ao dispor de todos. a mão deve estar sempre pronta para manter um constante exercício para atingir uma maior capacidade. As partes constitutivas do vestido estão a mudar continuamente do óptimo para o pequeno. para além da devoção dos pensamentos e dos sentimentos. Mas isto não é tudo. Nas várias ocupações artísticas e intelectuais. em épocas estranhas. Independentemente dos trabalhos da vida regulares que recaem sobre as mulheres. mas com gosto. onde é permitido ter um bom ou mau gosto. para que ela ganhe o direito de ter o seu próprio negócio a precedência sobre o divertimento de outras pessoas.Para ilustrar isto pela moda do vestido. descobriu uma igual capacidade. no mais alto trabalho de arte. um dia. Discourse VII. embora seja o centro de um pequeno círculo. do curto para o comprido. sempre tidas em conta como uma desculpa delas a qualquer designação que a sociedade lhes faz? Dificilmente as suas necessárias e reconhecidas obrigações são aceites como uma libertação. na verdade.

já que não outra situação na vida na qual é a ordem estabelecida. seja a causa natural ou artificial. É sensato para a natureza moral ser dominada mesmo por poder arbitrário. enquanto para as próprias mulheres todos estes objectos estão fechados. As mulheres. para as quais são suficientes para isso. ou aparecer em qualquer outra personagem do que apenas um apêndice aos homens. é calculado a parte das “mentes nobres” mesmo que falassem como sendo a “última fraqueza” e é estimulado pela acesso que a fama a todos os objectos de ambição. ou admiradas. consideradas como distintas das intelectuais. um elogio vazio. quando a sociedade ordenou que todos os seus deveres devem para com eles. A influência que elas procuram é sobre aqueles que as rodeiam de mais perto. possa provar ou ilustrar. como é que pode ser que os interesses de uma mulher não devam estar concentrado acima das impressões feitas naqueles que chegam na sua vida diária. é absolutamente necessário para um maior prestígio na qual nós já possuímos tantos memoriais esplêndidos dos maiores génios. quase sempre contêmnas. enquanto as suas considerações privadas são confiscadas por fazer dela própria individualidade saliente. Eu não acredito. normalmente a distinção habitualmente feita é na vantagem das mulheres. de todas as aparentes diferenças entre mulheres e homens.geralmente um estímulo suficiente para suportar uma longa e paciente escravidão. de todo que seja inerente às mulheres. pois isso é certamente a única verdade no qual o facto. por aqueles que elas vêem com os seus olhos: e a sua competência no conhecimento. que mesmo no caso dos maiores dons naturais. diz-se. Como é verdade que a servidão. mas a sociedade ordenou as coisas desta maneira que qualquer consideração pública é. raramente as mulheres têm essa ganância para a fama. da influência corruptora do poder. e as concretizações. O desejo delas é de serem queridas. nas artes. aproximadamente. e o desejo da própria fama é considerado audacioso e pouco feminino. e forçou que todos os seus confortos devem ser depender deles? O desejo natural de consideração das nossas criaturas semelhantes é tão forte numa mulher como num homem. nessa influência. amadas. se for de facto um facto. em todos os casos correntes. Se este pedaço de conversa indolente serve para alguma coisa. O amor pela fama nos homens é encorajado pela educação e opinião: para “menosprezar os prazeres e viver laboriosos dias” para esses motivos. é apenas como admissão. incluindo os favores das mulheres. Para além disso. o qual deve provocar um sorriso amargo a toda a mulher com espírito. a qual. e considerada como bastante natural e adequada. tais como elas são. Isto é um traço do carácter que não pode ser deixado fora no cálculo do julgamento das mulheres. pelos homens. No que diz respeito a diferenças morais. É apenas o resultado natural das suas circunstâncias. e menor para os escravos do que para os donos de escravos. apesar de corromper ambos. incluindo de todos aqueles que implicam qualquer inferioridade. São declaradas como sendo melhores que os homens. do que ser permitido exercer um poder arbitrário sem refreio. que os melhores devem obedecer ao piores. uma completa explanação de. caem muito raramente sob leis penais – contribuem com um número muito mais pequeno de ofensas para o calendário 56 . Quem for o menos capaz de estimar a influência da mente em toda a posição doméstica e social e todo o hábito da vidam deve facilmente reconhecer. excepto quando realmente brutaliza. apenas atingível por ela através da consideração do seu marido ou das suas relações masculinas. A sua ambição está geralmente confinada com ambições estreitas. Agora.

As mulheres. não são capazes de resistir às suas parcialidades pessoais: os seus julgamentos em assuntos graves são cobertos pelas suas simpatias e antipatias. desde que estejam aptos de dizer por eles próprios que as mulheres não protestam. É o mesmo em todos os outros casos de servidão. incluindo uma multidão de homens estudiosos. Mas embora as mulheres não se manifestam do poder dos maridos. esses homens são levados do curso de dever e do interesse público pelo seu interesse neles próprios. que quaisquer argumentos contra a prerrogativa do sexo são provavelmente pouco tidos em conta pela generalidade. A máxima complementar sobre a superior bondade moral das mulheres pode ser permitida para comparar com o depreciativo no que diz respeito à sua grande capacidade para o preconceito moral. dos escravos negros. As concessões dos privilegiados aos mais desfavorecidos são raramente provocadas por um qualquer motivo melhor do que o poder dos desfavorecidos em afastá-los. Quão raramente é a contestação dos homens à ordem geral da sociedade. As suas queixas são como as queixas que os homens fazem da insatisfação geral da vida humana. da natureza das mulheres. a não ser no comando e ao serviço dos seus amos. ou para implorar por mudanças. Aqueles que estão sob o controlo de outros não podem cometer crimes muitas vezes. Este facto de certeza que possibilita aos homens de manterem o injusto privilégio durante mais tempo. ou talvez façam-no pois as elegias lamentosas disso é muito comum nas escritas das mulheres. e ainda foram mais desde que das lamentações não se possa suspeitar de terem um objecto prático. no que diz respeito à educação. e ainda mais raro seria a contestação. ignoram e passam por cima de todas as influências de circunstâncias sociais.penal. Exactamente o mesmo se pode dizer de uma mulher num harém no Oriente: elas não protestam por não lhes ser permitido a liberdade da mulher Europeia. dos estúpidos panegíricos da moral. Não conheço uma sinal maior de cegueira com o qual o mundo. Assumindo ser assim. enquanto. A principal diferença parece ser nesse caso. A queixa contra elas resolve-se apenas nisto. que toda a educação que as mulheres recebem da sociedade imprime nelas o sentimento de que os indivíduos que lhe estão ligados são os únicos para quem elas têm deveres – os únicos cujos interesses elas são chamadas a tratar. cada uma manifesta-se do seu próprio marido ou dos maridos das suas amigas. eles não estão habilitados a insinuar a culpa. são deixadas de fora mesmo nas ideias mais elementares as quais é pressuposto em qualquer consideração inteligente para interesse mais largos ou objectos de moralidade mais alta. Duvido que a mesma coisa possa ser dita. Os servos não protestaram. mas não o torna menos injusto. no início. se eles não soubessem de qualquer outra ordem existindo em qualquer outra parte. dizem-nos. ainda se está para provar de que as mulheres são muitas vezes enganadas pelos seus sentimentos pessoais do que os homens pelos seus interesses pessoais. pelo menos no início do movimento emancipador. do 57 . Pensam que as nossas mulheres são insuportavelmente arrojadas e não femininas. do que a sua estúpida depreciação intelectual. que elas preenchem apenas muito fielmente o único dever para que foram ensinadas. e quase o único no qual é-lhes permitido praticar. sem a mesma verdade. As mulheres não contestam a sorte das outras mulheres. as mulheres (não lhes permitindo ter interesses privados por elas próprias) pela sua preocupação por outro Também deve-se ter em consideração. que os homens.

nem. Das mulheres não se pode esperar que sejam devotas à emancipação das mulheres. o ponto central. mas a terra do pior homem deve se ter tornado o seu templo. mas eles deveriam. a sociedade já teria atingido um estado paradisíaco. podem dizer que os males são excepcionais. Pessoas irracionais ou pouco francas. agora que a escravatura do negro foi abolida. A lei da servidão no casamento é uma monstruosa contradição a todos os princípios do mundo moderno. Se homens como esses não tiranizassem brutalmente sobre o único ser humano a quem a lei obriga a aturar tudo deles. geralmente. de alguma maneira. em inúmeros casos. Que bem podemos esperar das mudanças propostas nos nossos costumes e instituições? Será que a Humanidade estará melhor se as mulheres forem livres? Se não. para eles próprios. em número considerável. em muitos casos. apenas contando aqueles casos que são os extremos. a não ser por opinião. É um poder dado. por aqueles oponentes cujas convicções abalam. faz dela própria um mártir. pois o marido pode. são demasiadamente terríveis para se deixar passar em branco. O caso das mulheres não é o único caso no qual a rebelião contra as regras estabelecidas é ainda visto com os mesmos olhos como foi antes olhado quando um súbdito reclamava o direito de rebelião contra o seu rei. ou a homens decentemente respeitáveis. mas a todos os homens. depois pediram uma isenção. e a todas as experiências através das quais esses princípios têm sido. Não haveria mais necessidade de leis para refrear as propensões viciosas dos homens. na esperança 58 . legalmente parar à sua apostolização. mesmo sem ter a possibilidade de ser uma apostola. em que um ser humano na plenitude de todas a suas capacidades é entregue às gentis piedades de outro ser humano. Capítulo 4 Permanece uma questão. enquanto os homens. todo o tipo de males. de serem taxados sem o seu consentimento. muito inoportunamente. e esses homens são. as imoralidades. ou oferecido. Não existe verificação. o que conseguem publicidade. ter pensado como sendo uma grande presunção para reclamar qualquer parte na autoridade soberana do rei. produzido. à sua intensidade. sobre as quais serão postas. dentro do alcance da não opinião mas de homens como eles. porque perturbar as suas mentes e tentar fazer uma revolução social em nome de um direito abstracto? Dificilmente se espera que esta questão seja posta no que diz respeito às mudanças propostas na condição das mulheres no casamento. ao mais brutal e ao pior criminoso. E é perfeitamente óbvio que os abusos de poder não podem ser verificados amiudadamente enquanto o poder se mantiver. pela submissão das mulheres individuais aos homens individuais. muito lenta e dolorosamente trabalhados. Não só Astraea deve ter regressado à terra. mas ninguém pode ser cego à sua existência.poder dos seus amos. e. não a bons homens. estão preparados para se juntarem a elas na responsabilidade. em verdade. Os “Comuns” começaram por reclamar alguns privilégios municipais. Uma mulher que se junta a um qualquer movimento o qual ao seu marido não aprova. É todo o caso. Os sofrimentos. com a mesma importância que aquelas já discutidas. mas apenas da sua tirania. na altura.

a qualquer um que junte um significado moral às palavras. a todos os empregos honrados.que aquela outra vontade use o poder apenas para o bem da pessoa sujeita a isso. o mais possível. caem sob o domínio dos factos como eles realmente são. que a questão a ser colocada. as compensações dos sentimentos cavaleirescos tornados proeminentes. Cui bono? Podem-nos dizer que o mal irá suplantar o bem. claro que ele pensa que ela não é. a auto-adoração. desta lição? E homens das classes cultas não estão. necessitam de serem informados que tipo de vantagens se obteria ao se abolir essa desigualdade. acima de tudo afastada das crianças. para a questão mais ampla. ele tem o direito a comandar e ela é obrigada a obedecer. A esse respeito. portanto. e se ele não é um pateta. e derivam a sua alimentação da presente constituição da relação entre homens e mulheres. como é inserido de estudante em estudante. a desigualdade é mantida. Pois. muitas vezes. Qual deve ser o efeito no seu carácter. Se não é. independentemente da sua superioridade. igual a ele em capacidade e em julgamento. tem a sua fonte e raiz. conscientes de como isso profundamente se afunda na maioria das mentes masculinas. mas mesmo que ele. ele 59 . a elas. se ele for um pateta. Essas pessoas tem pouca noção. que entretanto escapam muitas vezes às más influências da situação em que estão nos seus primeiros anos de vida e que só as experienciam quando chegam à idade adulta. provavelmente. de serem colocadas com uma maior clareza do que o são por uma declaração vazia. e pensar que ele pode ser o mais frívolo e vazio ou o mais ignorante e calmo que existe na humanidade. no entanto. habitualmente siga a orientação da mulher. bem pelo contrário. a injusta auto-preferência. excepto a senhora de cada casa. quão cedo a noção desta inerente superioridade sobre uma rapariga nasce na mente dele. por qualquer explanação ou ilustração. ele ainda faz pior – ele vê que ela é-lhe superior e acredita que. mesmo assim. nesta parte do assunto. como cresce com o seu crescimento e se torna mais forte com a força dele. O casamento é o único cativeiro conhecido por toda a lei. Pense no que significa para um rapaz crescer até à idade adulta. em toda a sua conduta. nem pode ser. quando um rapaz é de outra classe. e o treino e educação que as qualifique para esses empregos – há muitas pessoas para quem não é suficiente que a desigualdade não tenha uma justa e legítima defesa. Já não há escravos legais. mas a realidade do bem não admite disputa. As vastas quantias destes ganhos para a natureza humana dificilmente são possíveis. alguns cuja real superioridade sobre ele próprio teve ocasião de sentir diariamente ou a toda a hora. afastada. A isso deixem-me primeiro responder: a vantagem de ter as mais universais e dominantes de todas as relações humanas reguladas pela justiça do que pela injustiça. a supressão das incapacidades das mulheres – o seu reconhecimento como sendo iguais ao homens em tudo o que pertence à cidadania – a abertura. quão cedo o jovem se sente. que existe entre os humanos. enquanto a serventia que lhes é exigida é mantida na retaguarda. na crença de que sem qualquer mérito ou sem qualquer esforço próprio. Por muita obediência que seja pedida aos rapazes às suas mães assim como para com o pai: não lhes é permitido terem um domínio sobre as suas irmãs. Jovens bem-nascidos das classes mais altas. entre pessoas correctas e educadas. Todas as propensões egoístas. apenas pelo simples facto de ter nascido macho ele é por direito superior a todos e de todos os membros da outra metade da humanidade: incluindo. nem são acostumados a verem isto adiado para eles.

seus iguais. o mérito. A auto-adoração do Monarca. ou a sentir que ele foi colocado a comandar pessoas tão boas quanto ele. elevar a nossa imaginação às concepções de uma mudança de tal grandeza para o melhor como seria a sua remoção. Tudo o que a educação e a civilização estão a fazer para encarar as influências na personalidade feita pela lei da força. para o melhor e para o pior. constitui a sua reivindicação ao respeito. e como ele sente. sem a sua temporária natureza. sem se colocarem em soberba sobre elas. sem qualquer mérito ou esforço próprio. e não o nascimento. vícios esses. Os seres humanos não crescem desde a infância na posse de distinções imerecidas. é a única reivindicação correcta ao poder e autoridade. e apenas aquela conduta. a situação. é aquela conduta. ao lançar os fundamentos da existência doméstica sobre uma relação contraditória com os primeiros princípios da justiça social. Aqueles cujos privilégios não foram adquiridos pelo seu mérito. talvez devendo-lhe continência mas não respeito. se uma escola de continência conscienciosa e afectuosa para aqueles que cujos pontos fortes de carácter são a consciência e a afecção. Acima de tudo. pela sua subordinação. tanto como indivíduo como um ser social? É exactamente um sentimento paralelo ao do rei hereditário que se acha excelente. O princípio do movimento moderno na moral e na política. ter uma influência perversa de tal magnitude. acima de tudo. digna de respeito: que não é o que os homens são. é. inspira. Os restantes só são inspirados com orgulho. superior à sua mãe.próprio. ou do superior feudal. a qual valoriza-se sobre vantagens acidentais. No entanto. para homens de outra qualidade. com adicional humildade. e substituí-los pelas da justiça. e a pior forma de orgulho. que se refreados pela certeza da resistência nas suas relações com outros homens. mas o que fazem. da própria natureza do homem. que dificilmente é possível. regularmente constitui uma Academia ou um Liceu para os treinar em arrogância e altivez. e a educação dada aos sentimentos. pela primeira vez na existência humana na terra. e os quais sentem serem desproporcionados a esses privilégios. não do seu próprio trabalho. quando o sentimento de se ter nascido acima de todo o outro sexo é combinado com a autoridade pessoal sobre um único indivíduo entre eles. desde que o castelo do seu inimigo não seja atacada. deve. são sempre a minoria. por ter nascido rei ou ao do nobre por ter nascido nobre. acima de tudo. é igualada com a auto-adoração do homem. O exemplo produzido. mas quem pode evitar ver que o nobre foi afectado para pior? Seja por ele ter sido levado a acreditar que os seus vassalos eram realmente superiores a ele. Se nenhuma autoridade. que. mas apenas por ter tido. como diz Fígaro. a sociedade não seria precisa para se construir inclinações com uma mão a qual tem que moderar com a outra. fosse autorizada de um ser humano sobre o outro. A relação entre marido e mulher é muito parecida com a relação entre o nobre e o vassalo. a personalidade do vassalo pode não ter sido afectada. É imaginado que tudo isto não perverta todo o tipo de existência do homem. surgem contra todos que estão em posição de serem obrigados a os tolerarem e muitas vezes vingarem-se sobre a infeliz esposa pela restrição involuntária à qual estão obrigados a submeterem-se em qualquer outro lugar. A criança realmente iria. sobre os outros. com a nossa experiência actual. e a melhor minoria. um sublime e sultânico sentido de superioridade sobre a mulher a quem ele honra admitindo-a como companhia na sua vida. o trabalho de ter nascido. fica pela superfície. exceptuando que a mulher é mantida sob uma obediência mais ilimitada do que era o vassalo. ser treinada na 60 .

o alargamento da esfera da acção para as mulheres seria feito para sempre. Mas desde que governe o direito do mais forte ao poder sobre os fracos no coração da sociedade. que a perca para o mundo. presentemente. a sua abrangência é extremamente circunscrita. por outro lado. empregada. obter uma virtude educacional do mais alto valor. obtido através da influência pessoal de mulheres individuais sobre homens individuais. com a dos homens. e abrindo a elas o mesmo campo de ocupação e os mesmos prémios e encorajamentos que dão a outros seres humanos. pois a lei da justiça. não seriam apenas capacitados a compreender o que é feito ou pensado por outros. em qualquer lado. O simples livrar-se da ideia de que todos os assuntos mais alargado do pensamento e da acção. é extremamente séria. na direcção doméstica e nas outras poucas ocupações abertas às mulheres. a par e passo. encontraram-se com as mesmas facilidades para melhorar as suas capacidades num sexo como no outro. e as grandes matérias especulativas. e quando fosse velho haveria então uma hipótese em que não se afastaria disso. ou (para usar uma expressão mais verdadeira) pela necessidade que seria imposta sobre eles da merecida precedência antes que eles possam esperar obtê-la. a simples quebrar da barreira seria. Muita dela é empregada. ou um administrador de algumas parcelas de assuntos públicos ou sociais. por se recusarem em fazer uso de metade da quantia total de talento que possuem. Mas estes benefícios são parciais. como dedução da quantia de um recente poder social que deveria ser adquirido dando liberdade a metade do total do intelecto humano. Desta maneira. e seria. As mulheres em geral seriam trazidas para a igual capacidade para entender de negócios. ao crescer a sua educação ao nível da dos homens e fazendo a um participar em todos os melhoramentos feitos no outro. e a quantidade de intelecto disponível para a boa orientação dos seus assuntos. O segundo benefício a ser esperado ao dar às mulheres a livre utilização das suas capacidades. parcialmente. por si só. a qual seria então melhorada. e do indirecto benefício que restava é. e se devem ser admitidos. Mas independentemente disto. de todas as coisas não só do interesse privado ou geral são coisas de 61 . haveria a hipótese de haver duas. em muitos casos individuais. em todo o caso. Onde agora está uma pessoa qualificada para beneficiar a humanidade e promover o melhoramento geral. É verdade que esta quantia de poder mental não está totalmente perdida. a qual é a lei da Cristandade.maneira que deveria ir. o benefício do estímulo que deveria ser dado ao intelecto dos homens pela competição. por um lado. e a minoria seleccionada daqueles assim como do outro sexo. através da melhor e mais completa educação intelectual das mulheres. com homens da mesma classe social. como um tutor público. estarão a trabalhar contra a lei. de assuntos públicos. deve ser acrescentado. mesmo quando se inclinam a ela. nunca terá o poder dos sentimentos mais íntimos dos homens. seria obtida. deixando para elas a livre escolha nos seus empregos. seria um duplicar das faculdades da massa mental disponível para o serviço da humanidade. abaixo do exigido. há uma tal deficiência de pessoas competentes para fazerem qualquer coisa com excelência que seja necessário uma considerável quantia de capacidades para tal. Qualquer tipo de superioridade mental está. a tentativa de pôr os direitos dos fracos como princípio das acções será sempre uma luta tremenda. Esta grande entrada aos poderes intelectuais das espécies. mas a pensar ou a fazer algo considerável por eles mesmos.

A conversão dos AngloSaxónicos e dos Francos pode ser dito que começou com as mulheres de Ethelbert e de Clóvis. através da há um reconhecimento e um motivo poderoso na acção do grande Heitor. Aquelas que não eram ensinadas a lutar. No geral. aqueles que foram os grandes sofredores da indulgência das paixões egoístas. muito considerável. tão abundantemente prontos a esse respeito que possam ter a possibilidade de dispensar metade do que a natureza providenciou.positivamente interditas da maioria dessas coisas. pois a influência das mulheres sobre o tom geral das opiniões foi sempre. e o desejo de jovens para se recomendarem às jovens mulheres. do que uma maior influência sobre a grande massa das crenças e dos sentimentos humanos. Da combinação dos dois tipos de influência moral assim exercido pelas mulheres. Aquelas que eram mais susceptíveis às vítimas de violência. incitada ou convidada pela mesma persuasão que toda a gente para se interessar em qualquer que seja interessante para o ser humano. friamente toleradas no pouco que lhes é permitido – a mera consciencialização que a mulher deve ter de ser um ser humano tal como os outros. assim como um crescimento no âmbito dos seus sentimentos morais. com direito a usar a parte da influência em todas as preocupações humanas que pertençam a uma opinião individual. independentemente de ela ter tentado uma real participação nelas ou não – só isto teria como efeito uma imensa expansão das faculdades das mulheres. As mulheres foram poderosamente instrumentais em induzir os conquistadores nórdicos a adoptar a crença cristã. tiveram naturalmente uma inclinação a favor de outro modo de marcarem as diferenças em vez de lutarem. Para além do acrescento no total de talento individual disponível para a conduta de assuntos humanos. A influência moral das mulheres teve dois modos de operações. não sendo treinadas por eles. A influência das mães na jovem personalidade dos seus filhos. é dando um estímulo poderoso àquelas qualidades nos homens as quais. pelo menos desde os primeiros tempos que são conhecidos. foi desde tempo memorizados importantes agências na formação de personalidades e determinou alguns dos principais passos no progresso da civilização. a opinião das mulheres possuiria então um maior benefício. uma crença muito mais favorável às mulheres que qualquer outra que a precedeu. geralmente. e o estímulo chega para além desta classe de eminentes qualidades desde que. generosidade e auto-abnegação. por um efeito muito natural da sua posição. tiveram naturalmente tenderam tanto quanto puderam para limitar a sua esfera e mitigaram em excesso. era necessário que eles as encontrassem nos seus protectores. ter o objectivo de combinar os padrões mais altos das qualidades guerreiras com o cultivo de uma classe totalmente diferente de virtudes – os de gentileza. A coragem e. os quais certamente não estão. o melhor passaporte para a admiração e o favor das mulheres foi sempre tido em alta consideração pelos homens. foram sempre devedores do desejo pelo qual os homens se sentiram admirados pelas mulheres. Primeiro. Mesmo na era homérica. para as quais as mulheres devem ser acauteladas .homens. para com as 62 . no presente. a virtude militar. O outro modo no qual os efeitos da opinião das mulheres foram visíveis. nasceu o espírito de cavaleiro: dos quais o peculiar é. foi uma influência suave. com direito a seguir os seus objectivos. Digo um maior benefício do que uma maior influência. foram os maiores apoiantes de qualquer lei moral que oferecesse meios de esfriar as paixões.

um ideal moral muito mais avançado do que as suas condições instituições sociais. sem confiar nos sentimentos cavaleirescos daqueles que estão numa posição para tiranizar. por uma aplicação capaz da força superior que foi dada pela civilização. pela direcção que deu aos instrumentos de louvor e admiração. Apesar da prática da cavalaria ter tristemente caído do seu modelo teórico continuou um dos monumentos mais preciosos da história moral da nossa raça. é decidido. 63 . mesmo nos assuntos do departamento militar. enquanto a principal ocupação da sociedade mudou da luta para o negócio. em vez de extorquirem a sua sujeição. Nas sociedades modernas tudo. ficam agora num suporte mais certo e estável. As belezas e as graças da personalidade cavaleiresca ainda são o que são. imensamente. Os principais fundamentos da vida moral dos tempos modernos devem ser a justiça e a prudência. A sociedade moderna é capaz de reprimir o mal através de todos os departamentos da vida. o respeito de cada um pelos direitos de todo o outro e a capacidade de cada um tomar conta de si próprio. mas não depende mais inteiramente delas. e uma especial submissão e adoração direccionadas para as mulheres. e na sua maior parte uma alta impressão valorativa nas ideias e nos sentimentos dos tempos subsequentes. mas os direitos dos fracos e o conforto geral da vida humana. em vez disso. que o modelo cavaleiresco foi ultrapassado. sob a suave influência da delicadeza e generosidade individual. da vida militar para a vida industrial. e pôr em prática. mas por uma combinação de operações numéricas. pois é o único capaz de mitigar as influências desmoralizadoras dessa posição. eles o fazem em todas as relações da vida excepto na conjugal. As exigências da nova vida não são mais exclusivas das virtudes da generosidade do que a vida antiga. só encorajou uns poucos a fazerem o certo em vez do errado. A cavalaria deixou sem qualquer tipo de verificação todas as formas de erro que continuam impunes por toda a sociedade. A cavalaria foi a tentativa de incutir os elementos morais num tipo de sociedade na qual tudo dependia para o bem ou para o mal no esforço individual. é de lamentar. que eram distintas das outras classes indefesas pelas altas recompensas que tinham em seu poder e que presenteavam voluntariamente àqueles que se esforçavam para merecerem o seu favor. A segurança da sociedade não se pode fixar em apenas prestar homenagens ao certo. O ideal cavaleiresco é o sumo ápice da influência dos sentimentos das mulheres no cultivo moral da humanidade: e se as mulheres estão para ficar na sua situação subordinada.classes geralmente não militares e indefesas. embora não totalmente ineficaz e a qual deixou uma muito sensível. e a qual em muitos não é praticada de todo. e assim possibilitar a existência dos membros mais fracos da sociedade (que já não são indefesos mas protegidos pela lei) tolerados por eles. um motivo tão comparávelmente fraco a tudo excepto para uma minoria. não pelo esforço individual. ou. como um instante assinalável de uma tentativa convencionada e organizada pela sociedade mais desorganizada e mais distraída. para criar. Mas as mudanças no estado geral das espécies resultam inevitavelmente na substituição de um ideal totalmente diferente de moralidade do ideal cavaleiresco. tanto que foi completamente frustrada no seu objectivo principal. Mas a real dependência da moralidade deve estar sempre sob as sanções penais – o seu poder para se desencorajar do mal.

Quando acontece que o princípio envolvido é um daqueles raros no qual o curso da sua religião ou educação moral teve uma forte impressão nelas próprias. principalmente negativos. A influência das mulheres é tida em grande conta em dois dos acontecimentos marcantes da moderna vida Europeia – a sua aversão à guerra e a sua propensão para a filantropia. no seu todo. No que toca á caridade. No que diz respeito às relações da vida privada.Actualmente a influência moral das mulheres não é menos real. nas aplicações particulares as direcções que lhes dá é. alguma parte da influência ao darem o tom às moralidades públicas desde a altura em que a sua esfera de acção foi um pouco alargada. Seja pelo contágio da simpatia e através do desejo do homem de brilhar aos olhos das mulheres. As mulheres têm. muitas vezes. os princípios morais que foram gravados nelas abrangendo. se a influência das mulheres tem valor no encorajamento que geralmente dá a estes sentimentos. e dos interesses da família. Mais particularmente. Mas a consequência disto é que a influência das mulheres está em tudo. no mínimo. excepto para a virtude pública. são potenciais auxiliares à virtude: e os seus maridos e filhos estão prontos. além disso. comparativamente. por eles próprios. pode-se dizer que. a actos de abnegação os quais nunca seriam capazes de fazer sem esse estímulo. que a influência deles. muitas vezes. e as quais afastam os seus homens delas. desencorajando as mais severas: apesar da declaração deva ser tomada com todas as modificações que dependem do carácter. mas infelizmente. No principal dos maiores tribunais para a qual a virtude é matéria nas preocupações quotidianas – o conflito entre interesse e princípio – a tendência da influência das mulheres é a do carácter muito misturado. Mas com a presente educação e posição das mulheres. os seus sentimentos tem um enorme efeito em manter vivo os que resta do ideal cavaleiresco – ao auxiliar os sentimentos e continuando as tradições do espírito e de generosidade. e desde um número considerável delas praticamente se ocuparam nas promoções dos objectos que estão para lá da sua própria família e dos assuntos domésticos. é um assunto ao qual o efeito imediato nas pessoas 64 . os princípios morais. os dois principais campos de acção cultivados pelas mulheres são o proselitismo religioso e a caridade. encorajando as mais suaves virtudes. normalmente é ir ao acaso para um objecto. Nestes pontos o carácter. O proselitismo religioso em casa não é senão outra palavra para a irritação das animosidades religiosas: no exterior. uma pequena parte do campo da virtude e são. mas não é de tal maneira que marque e defina uma personalidade: mais exactamente consolidou-se na influência geral da opinião pública. no departamento filantrópico. sem conhecer ou prestar atenção aos estragos fatais – fatais para o objecto religioso assim como para todos os objectos desejáveis – os quais possam ser produzidos pelos meios empregados. na qualidade da justiça. na generalidade. no entanto. Ambas duas excelentes características. Temo que deva ser dito que o desinteresse na conduta geral da vida – a entrega das energias a propósitos que não trazem quaisquer vantagens individuais a nível familiar – é muito raramente encorajada ou suportada pela influência das mulheres. Elas têm pouca culpa quando são desencorajadas sobre matérias para as quais não tenham aprendido a tirar vantagens. o padrão deles é mais alto do que o dos homens. tão maliciosa quanto útil. proibindo actos particulares. mas tendo pouca participação com a geral direcção dos pensamentos e dos propósitos. de alguma maneira mais baixo.

da maneira mais clara. a influência desmoralizante das esmolas dadas ou a ajuda concedida. e que. a direcção prática dos esquemas de beneficência. Mas as mulheres que apenas dão o seu dinheiro. e esta benéfica influência seria preservada e fortalecida sob leis equitativas. eles não são instigados a merecê-lo: que ninguém pode ser cuidado por ninguém. e porque é que o que é suficientemente bom para ela seja mau para os pobres? As suas noções familiares de bem são dons recebidos de algo superior. tanto pela influência directa da esposa e pela preocupação que ele sente pelo seu bem-estar futuro. a qual tira o cuidado sobre a vida das pessoas das suas próprias mãos libertando-as das desagradáveis consequências dos seus próprios actos. não lhe é ensinada a ser autónoma. Estas considerações mostraram quão proveitosamente a parte da qual as mulheres tiram na formação da opinião geral seria modificada para melhor por essa educação mais alargada e a familiaridade prática com as coisas sobre as quais a sua opinião influencia. com aqueles que são mais fracos que perversos. para serem ajudadas a ajudarem-se. e especialmente das mentes e dos sentimentos daqueles com quem elas estão no contacto imediato. da auto-ajuda e do auto-controlo os quais são as condições essenciais tanto para a prosperidade individual e da virtude social – o desperdício de capacidades e de sentimentos benevolentes ao fazer mal em vez do bem. é imensamente intensificada pelas contribuições das mulheres e estimulada pela sua influência. onde elas têm. se estão fisicamente capazes disso. pelo contrário. as quais as mulheres geralmente excedem os homens – reconhecem. que necessariamente iria surgir da sua emancipação social e política. como é que ela pode apreciar o valor da sua autonomia? Ela não é autónoma. seria ainda mais admirável. o seu destino é receber tudo dos outros. cada uma na sua família. estão aptos para estarem em guerra total um com o outro: enquanto a educação dada às mulheres – uma educação dos sentimentos em vez do entendimento – e o hábito inculcado por toda a vida delas de olhar para os efeitos imediatos nas pessoas e não para os efeitos remotos em classes de pessoas – torna-as incapazes de ver como também sem vontade de admitir a tendência do maior mal de qualquer forma de caridade ou de filantropia o qual é o auto elogio para com os seus sentimentos solidários.directamente envolvidas e a última consequência para o bem comum. O grande e contínuo aumento de massa de benevolência obscura e tacanha. Diz-se muitas vezes que nas classes mais expostas à tentação. e que os pobres são. Não que isso seja um erro usualmente feito por mulheres. esta é a única caridade que prova que é a verdadeira caridade. Por vezes acontece que as mulheres que administram caridades públicas – com esse conhecimento do facto presente. e pode dar sobre o assunto a muitos homens da política economista. enfraquecendo os próprios fundamentos do auto-respeito. Até pode ser assim. Mas o melhoramento que resultaria através da influência exercitada por elas. não depende da servidão da mulher mas. Ela esquece-se que não é livre. mas deve haver um algum motivo que persuada as pessoas a tomarem contas delas mesmas. diminuído pelo desrespeito que a classe inferior de homens sempre 65 . na realidade. como se pode esperar que elas o prevejam? Uma mulher que nasça perante o actual destino das mulheres. e não são postas perante o efeito produzido. e contente com isso. isto se eles precisarem é lhes dado sem esforço. uma esposa e os filhos tendem a manter o marido honesto e respeitável. e sem dúvida que muitas vezes é assim.

enquanto as coisas que ele está disposto a sacrificar são todas para ela. e o único retorno que lhes advém. A aprovação desse potentado pode ser um assunto indiferente para ele. e aquilo que ele pode dispensar. a uma fantasia. na mesma causa. E a sua família neste caso significa a sua esposa e as suas filhas. atender a uma virtude elevada. sente no seu coração verdades que eles reconhecem só de nome. ou se. a prevenir o marido de cair sob o modelo padrão aprovado pelo país. A sua consideração está inseparavelmente ligada com a do seu marido. seja de meios pecuniários. Tende quase de uma maneira tão forte a travá-lo a ultrapassar isso. ele gostaria de actuar sobre essas verdades mais conscientemente do que a generalidade da humanidade – para todos este pensamentos e desejos. e apenas para o seu bem – pessoa essa que não pode participar em nenhum tipo de entusiasmo ou de auto-aprovação que ele próprio possa sentir. Quem quer que tenha uma esposa e filhos tem sido refém da Mrs. o que é pior do que ser um fardo. é. ele não pode oferecer qualquer compensação. nas classes mais altas. para com aqueles estão sujeitos ao poder delas. uma obstrução sobre qualquer aspiração que ele queira ter na opinião pública. a uma excentricidade. ele também irão dispensar. e que merece o nome de martírio. por vezes. pois ele espera sempre que os seus filhos irão sentir o que ele próprio sente.sente. pensaria assim na confiança. e depois de pagar o preço completo por isso. ela acha que é ela que perde. A esposa é a auxiliar da opinião pública comum. uma aproximação feita para as mulheres e representa um traço peculiar de debilidade e de infantilidade de carácter nelas: certamente com grande injustiça. Mas para a mulher ligada a ele. em primeiro lugar. é consideração. A sociedade torna toda a vida de uma mulher. o que está em jogo. Mas quando ascendemos mais alto na escala. até onde pode ir. mas apenas a consideração social. A tendência mais invariável da mulher para colocar a sua influência na mesma escala das considerações sociais. Estes sacrifícios e riscos ele pode estar disposto a sofrê-los. Dificilmente é possível para alguém que esteja nestes limites. Um homem que é casado com uma mulher inferior a ele em inteligência acha-a um perpétuo fardo ou. sem qualquer razão da qual ela sente o peso. Pois. o fardo sobre a sua consciência e os seus sentimentos é ainda muito pesado. ficamos num cenário completamente diferente de forças em movimento. a não ser que ele seja tão afortunado ao ter uma esposa tão acima do nível comum como ele está. o casamento é o mais pesado dos inconvenientes. se ela pensasse que valeriam alguns desses sacrifícios. exige delas uma ininterrupta restrição de todas as suas naturais inclinações. no seu coração. não hesitaria mais tempo o homem mais altruísta antes de trazer para ela esta consequência? Não fossem os confortos da vida. seja de consequência social. mas ele irá parar antes que os imponha à sua família. Mas as suas filhas – o casamento delas pode depender disso: e a sua esposa. Ela sacrificou toda a sua vida por isso. mas é de grande importância para a sua mulher. que é incapaz de entrar nisso ou entender os objectivos pelos quais estes sacrifícios são feitos – pessoa essa que. O próprio homem pode estar acima da opinião. Grundy. um contínuo auto-sacrifício. Se ele difere a sua opinião da grande massa – se ele vê a verdades que ainda não foram percebidas. e o seu marido não se sacrificará a um capricho. algo que não 66 . voluntariamente. talvez mesmo corra o risco nos meios de subsistência. A influência da esposa tende. ou pode achar ser uma compensação suficiente na opinião daqueles que pensam da mesma maneira que ele. há sempre algum sacrifício do interesse pessoal pretendido.

cujas incapacidades criam entre a educação e o carácter de uma mulher e de um homem. é um sonho inútil. Isto é. e na proporção à semelhança está a conveniência dos indivíduos para dar a cada um uma vida feliz. o padre. nem são excluídos. Com o usual descaramento de poder que não está acostumado a ser disputado. que. livremente se misturam – excepto se o seu marido. trabalho e meios a tudo o que a responsabilidade no seu interesse. menos por ser mau em si 67 . infelizmente. as quais. quando a mulher tem qualquer seriedade de carácter. não directamente da incapacidade da mulher. quando ela é apoiada na sua dissidência pela outra única autoridade para a qual ela é ensinada a curvar-se. através da declaração da sua crença. seja exercendo-a activamente ou operando-as todas de maneira mais forte por não fazer valer. e sobre o qual o mundo concordará com ela ao pensar tolices. O pior caso de todos é quando esses homens estão. Haverá alguma realidade na união matrimonial onde isto aconteça? No entanto. do que é pensado deles pessoalmente – e embora seja normal a sua educação e hábitos. do que ela veja. Nada pode ser mais desfavorável a essa união de pensamentos e de inclinações que é o ideal de uma vida de casado. é uma admiração que as pessoas em geral são mantidas nessa mediocridade de respeitabilidade a qual está a tornar-se uma marca característica dos tempos modernos? Há ainda outro aspecto muito injurioso no qual o efeito. não é maravilhoso que homens egoístas tenham a necessidade de um poder arbitrário nas suas próprias mãos. o que atrasa o George de receber uma comissão ou um lugar. mas da linha de fronteira da diferença. não é invulgar em qualquer lado. for um Dissidente. requer que sejam consideradas. e de facto é o caso geral em países católicos. numa posição e com um estatuto tal que não dão nada de si mesmos. ou tem a reputação de se misturar em baixas políticas radicais. e sentem-se obrigados pela honra e pela consciência para a servir. para prender in limine a longa vida de conflitos das inclinações. Enquanto as mulheres são tão diferentes dos homens. Muitas vezes há conscientes diferenças de opinião entre pessoas casadas. Mostrar a sociedade entre pessoas radicalmente dissimilares entre elas. do que é considerado como a melhor sociedade. sem possuírem talentos que os qualifiquem a fazer boa figura entre aqueles com quem eles concordaram na opinião. Por muito que uma mulher se elogie (nove em cada dez vezes muito erradamente) não é previsível. nos pontos mais altos do respeito. e na mesma classe de vida. por acaso. se não pensar em coisas piores! O dilema é mais difícil sobre essa classe de homens. a influência dos padres sobre as mulheres é atacada por escritores protestantes e liberais. principalmente. que se mudem para a sociedade mais alta do seu bairro – sociedade na qual outros bem conhecidos para ela. talvez honras. a Caroline de fazer um jogo vantajoso. mantêm a sua opinião convictamente. eles têm tanto direito como algumas pessoas. quando são admitidos aí depende. Com tal influência em todas as casas. mas são as semelhanças que as mantêm. Quando as pessoas são muito diferentes. a si e ao seu marido. decidindo todas as questões do lado da sua preferência. e dando o seu tempo. e impede-a e ao seu marido de obter convites.é reconhecido ou admitido pelo mundo. As diferenças podem atrair. são identificados com opiniões e condutas públicas inaceitáveis para aqueles que dão o tom à sociedade operariam como uma exclusão efectiva. não têm qualquer real interesse idêntico. pensa ela.

Grundy ou aquelas que os maridos dizem para elas terem. Seria. pois. esta fonte de discórdia e abandonada. é alguma coisa. que elas não têm qualquer opinião mas apenas aquelas da Mrs. ajudada pela sua simpatia extrai as capacidades latentes de cada um por 68 . diferenças similares existem quando uma esposa evangélica alia-se com um marido de qualidades diferentes. o que é que o homem obtém com isso senão uma serva superior. e apenas meia satisfação de um deles. com ou sem intenção. ou a esposa tem que calcular – muitas vezes com um sofrimento amargo. quanto estão ligados um ao outro.mesmo. Em Inglaterra. a constante comparticipação nas mesmas coisas. ou uma amante? Pelo contrário. como no reinado de Luís XIV. e torna-as completamente inevitáveis. Se no casal conjugal as pessoas são bem-educadas e de boas maneiras. uma enfermeira. mas será uma mútua tolerância o que as pessoas procuram quando entram num casamento? Estas diferenças de inclinação irão fazer com que as seus desejos serem diferentes. o qual é o vínculo de qualquer sociedade que se ache como tal: ou se o homem tem sucesso em obter esse vínculo ele o faz ao escolher uma mulher que é uma nulidade tão completa que ela não tem qualquer velle ou nolle e está pronta a concordar com qualquer coisa que lhe seja dito. em vez de ser um nada. idem nolle. não conduz à felicidade conjugal. e renunciar à tentativa de ter. mas no geral. ocasionalmente. e não estão muito em desacordo no começo. claro. Mesmo este cálculo está destinado a falhar. e. serão indiferentes ou positivamente desagradáveis ao outro. se não forem travados pela afecção ou pelo respeito. ser extremamente idiota supor que estas diferenças de sentimento e de inclinação apenas existem porque as mulheres são educadas de maneira diferente dos homens. toleram os gostos de ambos. E embora possa estimular as propensões amadoras dos homens. monotonia e um espírito vão não são garantia de submissão o qual é tão confidencialmente esperado por eles. Quando não há diferença de opinião. e que não haveria quaisquer diferenças de gosto em nenhuma circunstância. para exagerar por diferenças de educação qualquer que sejam as diferenças naturais dos sexos. Não podem evitar terem desejos diferentes como no trazer crianças ao mundo: cada um desejará de ver reproduzida neles os seus próprios gostos e sentimentos: e ainda há ou um compromisso. quando uma dessas duas pessoas. as meras diferenças de gosto podem ser suficientes para diminuir muito o valor da vida feliz conjugal. como em quase todas as questões domésticas nas quais surgem. será este ideal de um casamento? Neste caso. reduzindo as mentes das mulheres a uma tal nulidade. Enquanto as mulheres são trazidas como são. Mas não há nada para além da marca ao dizer que a distinção na educação agrava imensamente essas diferenças. ao menos. do que por causa é uma autoridade rival à do seu marido e dá lugar a uma revolta contra a sua infalibilidade. na associação íntima da sua vida diária. no entanto não haverá ninguém que não seja comum aos dois. pessoas casadas agora não vivem em partes diferentes da casa e têm uma lista de visitas totalmente diferentes. um homem e uma mulher raramente acham um no outro uma outra concordância de gosto e de desejos como na vida quotidiana. Mas se eles estavam. Que diferença deverá haver na sociedade na qual duas pessoas quereriam frequentá-la ou serem frequentadas! Cada um desejará associar-se com aqueles que partilham os seus gostos: as pessoas agradáveis a um. esse idem velle. a sua oculta influência continua a contrariar os propósitos do marido. Geralmente terão de desistir como inútil.

no mínimo teriam. por ser um mal que está a crescer. e a mudança de opinião contra as duras diversões e excessos de convivência que anteriormente ocupavam a maioria dos homens nas suas horas de relaxamento – juntamente com (deve ser dito) o melhoramento da tendência do 69 . que pertencem a uma mente mais vulgar e mais limitada que a sua. A associação de homens com mulheres da vida diária está mais próxima e mais completa do que foi até agora. e há uma fundação para uma sólida amizade. em parte pela modificação insensível de cada um. rei da sua companhia: e na sua companhia mais frequente. Quando um rivaliza. Meras desigualdades. os seus prazeres e ocupações escolhidas eram entre os homens. Mesmo um homem verdadeiramente superior quase sempre começa a deteriorar-se quando é. e por outro lado a sua insensibilidade absorve os modos de sentir. o marido que tenha uma esposa inferior a ele geralmente deteriora-se. e na companhia dos homens: as suas esposas apenas tinham um fragmento das suas vidas. Isto acontece muitas vezes entre dois amigos do mesmo sexo. que se soma aos seus. mas aumenta a identidade desse interesse. mais fechada e familiar se torna. Qualquer sociedade que não esteja a melhorar só está a deteriorar-se. no caso do casamento. a diferença não produz diversidade de interesse. como uma regra geral. quaisquer que sejam as diferenças que ainda possam permanecer nos gostos individuais. interessantes para o outro. e faz de cada um mais vulnerável perante o outro. e ainda mais num tolerantemente feliz casamento do que num infeliz. Estando isto remediado. e único completamente íntimo. e deseja e faz por adquirir. até agora. Anteriormente. e senão o mais comum. Quando ambas as pessoas gostam dos mesmos grandes objectivos. dê mais prazer a cada um que dar prazer ao outro do que recebê-lo. quando apenas se referem a diferenças nas boas qualidades. e transforma uma transformação gradual nos gostos e nos caracteres de cada um. cada um adquirindo os gostos e o carácter do outro. Mas quando um é o mais inferior dos dois em capacidades mentais e em cultura. e de olhar para as coisas. com carácter duradoiro. Considerei. os assuntos menores nos quais os seus gostos possam diferir não são assim tão importantes para eles. através da vida toda. e são uma ajuda e um encorajamento para cada um no que quer que seja que diga respeito a esses objectos. não é com impunidade que o que é superior intelectualmente se fecha com um inferior. os efeitos nos prazeres e os benefícios de uma união matrimonial a qual depende na mera desigualdade entre a esposa e o marido: mas a má tendência é prodigiosamente agravada quando a diferença é a inferioridade. A vida dos homens está mais doméstica.estarem interessados nas coisas que foram. Este mal difere de muitos aqueles que tiveram até agora habitado. que estão mais associados na sua vida diária: e seria comum. habitualmente. mais parecido do que qualquer coisa que. o progresso da civilização. podem ser mais um benefício para o melhoramento mútuo do que um impedimento do conforto. e não está activamente tentado pela ajuda do outro para chegar ao seu nível. associado. ao início. Actualmente. as qualidades do outro. e elege esse inferior como sendo seu. se a total diferença surgida dos dois sexos não tornasse a seguir uma impossibilidade para formar uma união bem cimentada. uma completa unidade e unanimidade assim como grandes objectivos de vida. Enquanto a sua auto-satisfação é incessantemente ministrado por um lado. mas mais por um enriquecimento real das duas naturezas. e quanto mais se deteriora. toda a influência da ligação que se desenvolve sobre o superior do casal deteriora-se.

O seu desejo de comunhão mental é. de quando em vez. no geral. inevitavelmente degeneram. semelhança de poderes e de capacidades com uma superioridade recíproca entre eles – para que assim cada um possa gozar do luxo de olhar de cima para o outro. ela sempre o irá travar. e. parecerá ser um sonho de um entusiasta. assim. com a mais profunda convicção. que isto. de alguma maneira capazes de serem as suas companheiras em ideias e gostos mentais. e quando os seres humanos aprenderem a cultivar as suas fortes simpatias com uma igualdade nos direitos e na cultura. que os jovens grandes promessas geralmente param de melhorar assim que se casam. e ter. Que tipo de casamento poderá ser no caso de duas pessoas de faculdades bem desenvolvidas. o inefável ganho na felicidade privada da metade da espécie agora libertada. e o 70 . ou viram as concepções e as aspirações ligadas ao casamento para qualquer outra direcção por qualquer pretensão colorida. ainda desesperadamente inferiores a ele. Uma companhia estagnada e desinteressante é substituída pela (o que ele pode ter sido. e acaba por não gostar e se esquivar. o prazer de liderar e de ser liderado no caminho para o desenvolvimento – não tentarei descrever. e uma vida de liberdade racional. os benefícios que. idênticas em opiniões e em propósitos. consistindo num crescimento da fonte geral de pensamento e de poder activo. enquanto as deixavam.sentimento moderno para com a reciprocidade de deveres que o marido é obrigado a ter para com a sua esposa – aproximou o homem mais frequentemente para a casa e os seus ocupantes. e o qual quererá agora esconder a desistência dessas aspirações. E estas mudanças. e no melhoramento das condições gerais na associação dos homens com as mulheres. Após as primeiras necessidades como sejam a comida e vestuário. A regeneração moral da humanidade começará na verdade. e que todas as opiniões. ele já não deseja. satisfeita por uma comunhão da qual ele não aprende nada. entre as quais existe o melhor tipo de igualdade. Se a mulher não dá o empurrão para afrente ao seu marido. quando a mais fundamental das relações sociais é colocada sob a regra da justiça equitativa. não melhorando. a liberdade é o primeiro. às afinidades sociais das suas aspirações antigas. tal não é preciso. e apenas isto. na maioria das vezes. o mundo teria ao acabar com a desqualificação por intermédio do sexo na obtenção de privilégios e um distintivo de sujeição. obrigado a procurar) sociedade dos seus iguais no comando e seus companheiros nas suas buscas mais elevadas. a diferença para elas entre uma vida de sujeição à vontade dos outros. as suas grandes faculdades tanto mentais como de vontade deixam de ser chamadas à acção. alternadamente. é o ideal de um casamento. Mas seria uma grave atenuação do caso omitir o mais directo benefício de todos. Para aqueles que o conseguem conceber. aparentemente. tradições e instituições que favoreçam qualquer outra noção do casamento. Até agora. são relíquias de um primitivo barbarismo. fez delas. são sociais em vez de individuais. Mas mantenho. após alguns anos deixa de haver qualquer diferença entre ele e aqueles que nunca tiveram qualquer desejo por nada a não ser a futilidades comuns e os objectos pecuniários comuns. para aqueles que não conseguem. Vemos. Ele deixa de se preocupar por o que ela não se interessa. para os seus prazeres pessoais e sociais: enquanto o tipo e o grau de melhoramento que foi feito na educação das mulheres. por consequência. coincidindo com os seus novos e egoísticos interesses que são criados pela família.

Então. em si. a administração mais perfeita dos seus interesses por um tutor. Aqueles que correctamente apreciam o valor da independência pessoal como elemento de felicidade devem considerar o valor que ele próprio põe sobre isso como sendo um ingrediente próprio. os maiores e mais alargados objectos que estão presentes ao intelecto e aos sentimentos. não seria a consciência de fazer pela sua própria vida sob as suas próprias responsabilidades morais uma compensação para os seus sentimentos por uma maior rudeza e imperfeição nos detalhes dos assuntos públicos? Deixemo-lo seguro de que quaisquer sentimentos que ele tenha sobre este ponto. O que quer que se tenha sido dito ou escrito. nas comunidades nas quais a razão foi mais cultivada.o nervo e a mola que é dado a todas as faculdades. e a plataforma geralmente mais elevada que eleva o indivíduo a um ser moral. Quando ele ouve os outros a queixarem-se que não lhes é permitido liberdade de acção – que a sua própria vontade não influenciou suficientemente na regulação dos seus assuntos – a sua inclinação é perguntar. as mulheres o sentiram num grau semelhante. que é engendrado. mas mesmo assim não desejam menos a liberdade. O mesmo acontece com as nações. desde o tempo de Heródoto até ao presente. estão aquelas em que são aceites a liberdade de acção do indivíduo – a liberdade de cada um de conduzir a sua conduta pelos seus próprios sentimentos de dever. a sua exclusão pessoal da autoridade governante parece-lhe. Enquanto a humanidade permanecer sem leis. espiritual e social – é em todas as partículas tão verdade para as mulheres como para os homens. Não serão estas coisas partes importantes da felicidade individual? Lembre-se qualquer homem o que ele próprio sentiu quando saiu da adolescência – da tutela e do controle mesmo dos amados e afeiçoados pais – e entrou nas responsabilidades dos homens. quais são as suas ofensas? que estrago positivo eles mantêm? em que sentido consideram eles serem os seus assuntos mal geridos? e se eles falham em perceber. não o satisfazem.mais forte. em troca pela sua liberdade? Mesmo que esse cidadão acreditasse que uma boa e competente administração possa existir entre pessoas guiadas por uma vontade que não a sua. o mais altruísta espírito público. o seu desejo é para uma liberdade incondicionada. e nas quais a ideia de dever social tem sido mais poderosa. se disponibilizam a aceitar a vontade de outras pessoas como representantes e intérpretes desses princípios orientadores. desliga e olha para as queixas deles como lamentações caprichosas de pessoas que nunca se sentira racionalmente satisfeitas. Não terá sido como tirar um peso pesado ou libertá-lo de vínculos obstrutivos e por vezes penosos? Não se 71 . e o mesmo homem julgando por outras pessoas. a maior das ofensas de todas. na vez dele. em responder a estas questões. e por tais restrições legais e sociais que a sua consciência pode subscrever. Não há assunto sobre o qual não haja uma habitual enorme diferença de julgamento entre um homem que julga por si próprio. Que cidadão de um país livre ouvirá qualquer oferta de uma boa e competente administração. apresentando-as supérfluas mesmo para entrar na questão da má gestão. Mas tem um padrão de julgamento completamente diferente quando decide por ele próprio. Quando aprenderam a compreenderem o significado de dever e do valor da razão. da nobre influência de um governo livre . o que parece a ele ser suficientemente claro. desejo da natureza humana. inclinar-se-ão cada vez mais a serem guiados e a serem impedidos por aqueles no exercício da sua liberdade. Pelo contrário. visões mais calmas e alargadas do dever.

procurará poder: recusado o próprio comando.sentiu ele mais duplamente vivo. do que quaisquer sentimentos naturais humanos. podemos asseguramo-nos. que. têm menos permissão para elas no caso de qualquer outra pessoa. é uma espécie de infelicidade. melancolia e morte prematura. do que antes? E será que ele imagina que as mulheres não tenham nenhum destes sentimentos? Mas é um facto dramático. têm esta saída. a mudança para uma vida de inactividade traz-lhes tédio. e enquanto têm o cuidado de uma família. aqueles para quem os outros não deixaram a gestão intacta dos seus próprios assuntos. esperam. As mulheres são ensinadas a suprimi-los nas suas naturais e saudáveis direcções. e formaram as suas próprias casas? Há exemplos abundantes de homens que. de se vestir e de se mostrar. para seres humanos. Não há nada. Não menos largo e poderoso é a sua parte. quando cada uma das individualidades for capaz de passar sem ele: o que só pode existir onde existe o respeito pela liberdade nas preocupações pessoais de cada um for um princípio estabelecido. ao se ingerirem. casaram. de um modos de luxo pérfido e de imoralidade social. apesar de tudo para a maioria dos homens quando é o seu próprio caso. que a livre direcção e disposição das suas próprias faculdades é uma fonte de felicidade individual. se negada a liberdade. Uma mente activa e energética. O amor pelo poder e o amor pela liberdade estão em eterno antagonismo. mas sim de poder. o que geralmente as satisfaz: mas o que dizer do número cada vez maior de mulheres que não tiveram qualquer oportunidade de exercer a sua vocação para a qual elas são enganadas ao dizer-lhes que é a vocação correcta para elas? O que dizer das mulheres cujos filhos morreram ou estão distantes. para seu próprio proveito. assegurará a sua personalidade na tentativa de controlar outros. e ser acorrentado e restringido a isso. Não permitir qualquer existência por si mas sob a dependência de outro. mas o princípio interno permanece. compensaram-se. tão fatal para o agradável aproveitamento da vida do que ter uma passagem que valha a pena para as faculdades activas. mas para quem. As mulheres que têm o cuidado de uma família. mais duplamente como um ser humano. e muito menos para as mulheres. se puderem. como são incapazes de adquirir novos interesses e agitações que substituam os velhos. e todos os males que surgem daí. depois de uma vida preenchida de negócio. e de facto dar um prémio muito alto na subserviência dos outros nos seus propósitos. Onde não se tem esperança de liberdade. como. tendo pago o que lhes foi dito como sendo a sua dívida par com a sociedade – tendo 72 . Daí também a paixão das mulheres pela beleza pessoal. O desejo de poder sobre outros só pode deixar de ser uma agência depravada entre a humanidade. Mas não é apenas através do sentimento de dignidade pessoal. No entanto ninguém pensa no caso paralelo de tantas valorosas e dedicadas mulheres. depois da doença. indigência e culpa. numa diferente forma externa. nas vidas e nos sentimentos das mulheres. que as satisfações e as mortificações de orgulho pessoal. retiram-se com uma capacidade para o deleite. talvez porque os homens elogiam-se no seu próprio caso com os nomes de outras tantas qualidades. e são menos ouvidas como um fundamento ou uma justificação da conduta. ou cresceram. a paixão pelo poder é o mais ardente e sem escrúpulos. de resto. o poder torna-se o grande objecto do desejo humano. nos assuntos dos outros. Onde há menos liberdade. que raramente estão conscientes quão grande é a influência exercida nas suas próprias vidas destes sentimentos.

apesar de ser uma religião de sentimento. e de observância cerimonial. e há assuntos importantes na 73 . e daquelas para quem este dever não foi de todo dedicado – muitas das quais definharam através da vida com a consciência de vocações contrariadas. ou para funções políticas de responsabilidade. Eles esquecem-se que os homens não são. não lhes são autorizados. aliviadas. estar mais disponíveis numa menor escala mais pequena. e actividades que não são permitidas expandirem-se – os únicos meios. Quando é sugerido que as capacidades executivas e os conselhos prudentes das mulheres podem. talvez. uma preparação variada. de três ou de vinte. seria de tal forma como não tendo qualquer vocação especial para a vida de casado. E aqui deixem-me focar a maneira única na qual a questão das incapacidades das mulheres é frequentemente posto em relevo. requer-se educação. transportadas pessoalmente. mas para a praticarem utilmente. estes trocistas apegam-se ao ridículo de verem sentadas no Parlamento ou no gabinete raparigas adolescentes ou jovens esposas de dois. e continuam com uma contínua actividade mas sem poder empregar essa actividade. por aqueles que acham que é mais fácil desenhar uma imagem grotesca do que eles não gostam. normalmente. para grande perda da sociedade. O senso comum lhes dirá que se tal confiança fossem confiadas às mulheres. através da ajuda de estudos apropriados. falando no geral. para quem o conhecimento da vida e a capacidade de governo que adquiriram nas suas famílias podem. Seguramente um duro destino para aquelas idosas que foram. sem elas serem treinadas nos deveres. tal como são. e apreciou com gosto. desde que lhes tenha sido dada a possibilidade de aliviar. merecedoramente. ou mesmo sem cometerem qualquer engano. são a religião e a caridade. o conhecimento e o poder de pensar de um administrador preparado. do que responder por argumentos. da sala de visitas para a Casa dos Comuns. o valor dos conselhos e a ajuda de mulheres inteligentes e experimentadas. uma filha ou cunhada esteja disposta a abdicar a seu favor o alívio das mesmas funções na sua vida doméstica mais jovem. Há poucas funções de administração governamental para as quais uma pessoa não esteja preparado. a não ser que.trazido uma família irrepreensivelmente para a masculinidade e para a feminilidade – tendo mantido uma casa o tempo suficiente em que tiveram uma casa para manter – são desertadas pela única ocupação para a qual elas próprias foram preparadas. seleccionados nestas idades tão jovens para um lugar no Parlamento. Para a caridade muitas delas são. passaram os melhores anos da sua juventude a tentar qualificarem-se para as ocupações para as quais desejam abraçar. as viúvas ou as esposas nos quarenta e cinquenta anos. serem considerados válidos nos assuntos de estado. Neste como em outros casos (pré-eminentemente no caso da educação das crianças). admiravelmente ajustadas. Desse tipo de mulheres. por vezes. para o objectivo a atingir tanto nos assuntos privados como públicos. para quem está preparado para outorgar utilmente a caridade. a não ser em forma de caridade. não pode ser uma religião de acção. ou preferindo outro emprego das suas faculdades (tal como muitas mulheres que mesmo agora preferem casar com algumas das poucas honrosas ocupações que estão ao seu alcance). Mas a sua religião. por natureza. ou talvez mais frequentemente. os deveres permitidos às mulheres não podem ser levados a cabo adequadamente. Não nenhum país na Europa no qual o homem mais habilitado não experimentou com assiduidade. os quais. do que o mundo considera como sendo o seu único dever social.

transmitir tais falhanços. a inexperiência própria da juventude. mas a vida lenta e sem esperança para a qual tão frequentemente as condena. condena numerosos homens a passar a suas vidas a fazerem coisas de maneira relutante e má. O caso será ainda mais frequente. a cor. a um degrau insignificante. A imprudência dos pais. que poucas pessoas têm consciência da enorme tristeza que agora mesmo são produzidas por um sentimento de uma vida desperdiçada. ao proibi-las de exercerem as suas capacidades práticas que muitas delas conscientemente têm. o controlo detalhado do gasto. Mas nas mulheres esta sentença é imposta pela lei actual. em aparência. Quando consideramos o mal positivo que foi causado à metade desqualificada da raça humana pelas suas desqualificações – primeiro na perda dos mais inspiradores e mais elevados tipos de deleite pessoal. em tudo o que dá valor à vida ao ser humano individual. mas seja porque não pode ser preenchido por outros. a religião. são para alguns homens. e fazer-se notar pela antipatia. Os seus inúteis medos apenas substituem outros males piores por aqueles que são ociosamente apreendidos: enquanto qualquer restrição na liberdade de conduta de qualquer outro ser humano. a nacionalidade. seja porque esses outros não pensam com justiça da sua aceitação. quando há outras coisas para as quais eles podiam ter feito bem e alegremente. a sociedade não necessita de se impor a eles. e por tradições equivalentes à lei. a raça. é que eles devem satisfazer as suas actividades habituais. não há lição que lhe seja mais necessária do que a de não acrescentar aos males que são infringidos pela natureza pelas suas ciumentas e prejudiciais restrições para com os outros os outros. Mas se as circunstâncias para as quais a sociedade não está ainda devidamente preparada para a ultrapassar. e depois no cansaço. ou a ausência de oportunidades externas para uma vocação de simpatia. normalmente conseguem ter tão pouca simpatia. e a ambição que a sociedade lhes permite à sua actividade. uma exclusão peremptória de quase todas as ocupações honrosas. O que. e que para outras já não está aberto. muitas vezes inevitáveis no presente. e pela sua ausência muitas vidas são um falhanço. é o sexo para todas as mulheres. sentimos que de entre todas as lições que os homens requerem para continuarem na luta contra as inevitáveis imperfeições do seu destino na terra. ou completamente negado. os quais são muitas vezes o substituto dessa desqualificação. que é providenciado. Este requisito de uma vida agradável é muito imperfeitamente garantido. 74 . (doutra maneira do que fazê-los responsáveis por qualquer mal realmente causado por isso) seca pro tanto a principal fonte de felicidade humana. no desapontamento e na profunda insatisfação para com a vida. e deixa a espécie menos rica. entre outros. Se alguma é de importância vital para a felicidade dos seres humanos. num qualquer campo mais alargado do que aquele que muitas vezes queríamos que elas nunca tivessem. com todos os requisitos do sucesso. para uma grande parte da humanidade.administração pública para os quais poucos homens são tão competentes como essas mulheres. quanto mais o aumento de cultura cria uma cada vez maior desproporção entre as ideias e as faculdades das mulheres. em sociedades ignorantes. Mas o que estamos agora a discutir não é a necessidade para a qual a sociedade tem do serviço das mulheres nos negócios públicos. ou no caso de países conquistados. Os sofrimentos que surgem de causas desta natureza.