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APOLOGÉTICA, RAZÃO, FÉ E FILOSOFIA (Pt. 3)
WILLIAM LANE CRAIG
Uma das questões mais comuns sobre o Cristianismo é "E aqueles que nunca ouviram sobre Jesus Cristo? Qual é o seu destino eterno?" Bem vindo ao “Fé Racional”, conversas com o Dr. William Lane Craig. Eu sou Kevin Harris e estou feliz em ter você conosco. Quero lembrar você que há muitos recursos como esse podcast disponíveis no ReasonableFaith.Org Transcrições e gravações de debates do Dr. Craig em campus universitários do mundo inteiro, artigos, perguntas e respostas, um fórum de discussão e muito mais disponíveis agora no ReasonableFaith.Org

Kevin Harris, anfitrião do “Fé Racional”

Kevin: Dr. Craig, estamos discutindo a Apologética, que vem da palavra grega "apologia". É usada no Novo Testamento. I Pedro 3.151 é um versículo que usa essa palavra que significa dar uma defesa, dar razões para acreditar naquilo em que você acredita. Isso soa para mim como evangelismo, compartilhar sua fé! Craig: Bem, não é o mesmo que evangelismo, Kevin, e eu acho que é um erro igualar apologética com evangelismo. Eu fico bastante preocupado quando encontro apologistas jovens e zelosos que querem sair e argumentar com os descrentes sobre a veracidade do Cristianismo. Eu acho que nunca devemos deixar a apologética nos distrair da nossa missão principal, que é compartilhar o Evangelho. E eu apenas uso a apologética quando o descrente tiver perguntas

“...estai sempre preparados para dar uma defesa racional [gr. Apologia] a qualquer que vos perguntar a razão da esperança que há em vós, fazendo-o sempre com gentileza e respeito.” (Tradução e grifo do tradutor)
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ou objeções à mensagem do Evangelho que apresentamos. Mas nunca devemos fazer da apologética o foco de atenção ou o objetivo de interagir com os descrentes. Kevin: Bill, se você estivesse sentado no Starbucks com um descrente, você começaria com a apologética?

Craig: Não, eu não faria isso. Eu fui treinado para, quando fizer o evangelismo, sempre primeiro apresentar o Evangelho. E, depois, lidar com os argumentos e evidências a favor do Evangelho. Então, o que eu sugeriria que uma pessoa fizesse é, se você está compartilhando o Evangelho com alguém, e você diz, por exemplo, "Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida” e aquela pessoa diz que não acredita em Deus, eu não ficaria preocupado naquele ponto tentando dar argumentos para a existência de Deus. O que eu faria seria dizer à pessoa, "Olha, eu não estou tentando lhe provar que a Bíblia diz a verdade, eu estou apenas tentando compartilhar com você o que a Bíblia diz. E, depois que eu fizer isso, podemos voltar e conversar sobre se existem ou não boas razões para acreditar que ela diz a verdade." E o que você frequentemente descobrirá, Kevin, é que, depois de compartilhar o Evangelho com a pessoa, às vezes, aquelas objeções e perguntas que foram lançadas no começo da conversa foram completamente esquecidas e não eram obstáculos reais na mente do descrente. Então, eu acho que apenas depois de compartilharmos o Evangelho com a pessoa é que podemos voltar e lidar com as objeções e questões que ela tem. Nós devemos sempre tratar o descrente com respeito. E, por isso, se o descrente tiver objeções ou perguntas sobre aquilo que compartilhamos, devemos respeitosamente responder essas perguntas, levá-las a sério e tratá-las como dignas de respeito. E isso significa dar uma boa resposta a essas perguntas e, se não sabemos a resposta, admiti-lo! E dizer, "Eu não sei, não pensei nisso, não li sobre isso. Mas deixe-me estudar, e lhe responderei.” Mas trate essa pergunta como uma questão séria que precisa ser respondida.

Kevin: Algo muito significativo acontece quando alguém lhe faz uma pergunta cuja resposta você não sabe: Você vai procurar a resposta e nunca mais será pego por essa pergunta novamente. Craig: É verdade, você pode manter uma espécie de arquivo. E eu encorajo as pessoas a fazer isso, a ter escritas em um caderno as objeções típicas e respostas de três pontos a várias perguntas. E isso vai lhe dar tanta confiança para compartilhar sua fé! Então, quando alguém disser, "E toda dor e sofrimento no mundo? Como pode haver um Deus bom?", você terá, digamos, três pontos que você memorizou e que estará preparado para compartilhar com aquela pessoa quando essa questão aparecer de novo. Kevin: Bill, e as mesmas questões tendem a aparecer repetidamente. Craig: É verdade, Kevin! Eu vejo que, mesmo falando internacionalmente, em campi universitários na Europa, na Ásia, assim como na América do Norte, são basicamente as mesmas cinco ou seis questões que aparecem de novo, de novo e de novo. Então, se você puder resolver essas, você estará equipado para lidar com 90% das pessoas com quem você falar e com 90% das perguntas que elas fizerem. Kevin: Sabe, nos precisamos ser sensíveis à pessoa também, Bill. Porque, muitas vezes, as pessoas foram feridas.

Craig: Sim. Kevin: E elas lançam essas objeções intelectuais como uma cortina de fumaça. E, às vezes, é necessário ver além disso. Agora, há outras pessoas que têm perguntas intelectuais legítimas que não foram respondidas. Acho que você encontra ambas. Craig: Sim, você está certo, Kevin. Ravi Zacharias é um mestre nisso. Se você o viu fazer uma

seção de perguntas e respostas depois de sua palestra uma pessoa faz uma pergunta que poderia ser respondida a nível de superfície, lidando com o problema filosófico levantado. Mas, muitas vezes, Ravi vai atrás da questão para discernir o motivo porque a pessoa perguntou aquilo e pode haver ira, mágoa ou amargura lá, que faz a pessoa fazer essa pergunta. E eu acho que é mais importante lidar com o problema mais profundo do que apenas com a questão de superfície. Eu acho que deveríamos lidar com ambos, na verdade. Devemos lidar com a questão de superfície mas, então, dizer, "Eu sinto que há algo mais aqui, levando você a perguntar isso." E talvez perguntar de volta "você está sentindo tal coisa?" e descrever o que você suspeita. E tentar sondar para ver onde está aquele problema mais profundo, porque esse pode ser o verdadeiro obstáculo para aquela pessoa vir à fé. Kevin: Não foi Francis Schaeffer que predisse que essa cultura necessitaria de mais "préevangelismo" em certo ponto? Craig: Sim, é verdade. Eu lembro que ele disse isso. Ele sentiu que estávamos vivendo em uma cultura profundamente pós-cristã e que, como resultado, mas "pré-evangelismo" seria necessário.

Kevin: O que significa isso?

Craig: Significa que seria mais raro, ou menos frequente, que uma pessoa ouvisse o Evangelho pela primeira vez e estivesse pronta, naquele ponto, para orar e receber a Cristo. Era normal, antigamente, você sair e compartilhar, digamos, os "4 passos para conhecer a Deus" ou "as 4 leis espirituais", chegar na oração no final e a pessoa dizer "Sim, estou pronto para orar." Mas, se você olhar as estatísticas das Cruzadas nos Campus de evangelismo, que eles mantém acho que vai perceber que esse tipo de decisão é cada vez mais raro nesses dias.

As pessoas levam mais tempo para vir a Cristo. Então, muitas vezes, deverá haver uma espécie de pré-evangelismo que os convencerá de que essa é uma opção intelectualmente viável para eles. Nós especialmente vemos isso em países que são ainda mais pós-cristãos e mais secularizados do que os EUA. Jan e eu vivemos e ministramos na Europa por treze anos. Nós vivemos em quatro países europeus. Eu viajei e falei por todo o continente. E o que vimos é que a vida mental européia é tão profundamente pós-cristã, tão secularizada, que a mensagem do Evangelho não pode nem ser ouvida como uma opção intelectualmente viável pela maioria dos estudantes universitários. Então, os missionários na Europa devem trabalhar por anos e anos sem ver nenhum fruto, muitas vezes, antes de uma pessoa ser finalmente levada ao ponto onde ele ou ela esteja pronta para tomar uma decisão por Cristo. E, infelizmente, acho que os EUA estão indo nessa direção. O Canadá está em algum lugar intermediário. O Canadá está meio que inter-Atlântico entre a Europa e os EUA. E os EUA ainda têm um forte resíduo de cultura e valores cristãos que tornam o evangelismo mais fácil nesse país. E um dos propósitos da apologética que transcende seu contato evangelístico pessoal é o contexto cultural mais amplo em que vivemos tendo uma apologética cristã robusta que ajude a moldar nossa cultura, de forma que estejamos vivendo em um meio cultural onde o evangelho ainda possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável.

Kevin: Bem, se nossa cultura pensa que não existe algo como Verdade, será difícil dar o Evangelho como Verdade. Craig: Exatamente. E, se eles pensarem que não há uma pessoa como Deus, será fútil dizer para eles "Deus ama você e tem um maravilhoso plano para a sua vida." E é por isso que o evangelismo é muito mais difícil na cultura européia e na cultura canadense do que na cultura americana, porque ainda temos os vestígios desse meio cultural cristão que faz do Cristianismo uma opção intelectualmente viável para as pessoas hoje.

E nós não devemos perder esse meio cultural cristão, nós precisamos de uma apologética robusta, não apenas para ganhar pessoas para Cristo em um nível individual, mas para tornar o Evangelho inteligível e audível para pessoas vivendo na sociedade americana. Kevin: Bill, a palavra de Deus é muito poderosa, mas é quase como se a Bíblia não fosse mais considerada na mais alta estima, como foi no passado. Por isso, às vezes se torna necessário defender as Escrituras depois de proclamá-las. Craig: Eu acho que isso é verdade. Nós, como cristãos na arena pública, devemos fazer mais do que citar versos bíblicos para as pessoas. Isso não vai mais funcionar numa sociedade póscristã, porque a Bíblia não é mais reconhecida como uma autoridade. E, por isso, nós devemos ser capazes de dar razões e argumentos para as posições bíblicas que tomamos, e isso precisa acontecer em questões como aborto, casamento homossexual, pesquisa com células-tronco, assim como em tópicos especificamente teológicos, como a existência de Deus, a divindade de Cristo, a ressurreição de Jesus, e assim por diante.

Kevin: Para mais recursos como esse do Dr. William Lane Craig, vá para o ReasonableFaith.Org2 e muito obrigado por ouvir ao "Fé Racional", com William Lane Craig.

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