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Ele foi gravado em 2001, em uma cidade bahiana de nome, Gameleira da Lapa.

Conta a história de
um povoado prestes a desaparecer em meio às águas.

Com seu tom de documentário, o filme fascina por valorizar a história oral como fonte de uma narrativa bem
conduzida por seus protagonistas: O próprio povo que se formou a partir daquela história que eles agora
contam.

Seu objetivo é levar reflexão à respeito do que se pode ser considerado válido. A palavra escrita torna-se
diferente quando citada. A verbalização transcende as regras ou limites gramaticais, culturais e sócio-
econômicas; é proferida, e passada adiante. Daí se tira, de cada receptor, uma nova abordagem, uma nova
estória (ou história) que, ainda, será repassada frente.

A maneira leve de apresentar um drama nos remete a uma realidade próxima, mas nem tanto, de
marginalizarão social por causa da distanciarão educacional que envolve os habitantes da aldeia e o mundo fora
dela.

O filme fala sobre a história do povoado de Javé,situado na Bahia, que será submerso pelas águas de uma
represa. E a única chance da cidade não sucumbir, é se possuir um patrimônio histórico(antes inexistente) de
valor científico(ou seja,com provas e registros). Os moradores de Javé se reúnem e apontam as histórias que o
povo conta como o único patrimônio do povoado. Assim, decidem escrever um livro sobre as grandes histórias
do Vale do Javé,logo chamado de livro da salvação, mas poucos da
cidade sabem ler e escrever. O mais esclarecido(se assim podemos dizer) é o carteiro Antônio Biá, que apesar
das desavenças com os moradores locais se torna o responsável por reunir as histórias sobre a origem de
Javé.Porém com o desenrolar da história a missão de Biá se mostra mais difícil do que parece,dentre outros
motivos pelo fato dos cidadãos de Javé tentarem mudar o fato para beneficiar seus respectivos interesses,além
da própria índole do protagonista,preguiçoso e irresponsável.No final da trama a tentativa de salvação da cidade
se torna inútil e Javé desaparece destruída pelo progresso. Como lição, as pessoas que habitavam Javé,
entenderam que para existir oficialmente, é necessário possuir provas escritas sobre o local pra onde partiram
para formar uma nova “cidade”.

A trama nos faz refletir sobre a grande diferença que existe entre a linguagem oral e a linguagem escrita, sendo
a linguagem a primeira facilmente manipulada pelos moradores da cidade, e isso conseqüentemente é passado
para a segunda, que á a escrita, gerando a grande questão da obra. Como provar que os relatos das pessoas
eram verdadeiros se não existiam formas de comprovar esta verdade, ou seja, algo de científico? O filme
também faz uma referência ao progresso,mostrando que este se faz indiferente a história das pessoas e dos
lugares.A grande lição da obra pode ser resumida em uma simples frase:”Fato escrito não e fato acontecido”.
Narradores de Javé é indicado para as pessoas que desejam além de um bom entretenimento, conhecer mais
sobre as situações geradas pelo grande abismo(que não deveria existir)entre a moralidade e a escrita

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