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Abril/Maio 2019
ISSN: 1645-443X - Depósito Legal: 86929/95
P r a ç a1645-443X
ISSN: D. Afonso- V , n º 8 6 , Legal:
Depósito 4 1 5 0 - 086929/95
24 P o r t o - P O R TU G A L Ano L- nº 396
Praça D. Afonso V, nº 86, 4150-024 Porto - PORTUGAL
PASSEIO DA FAMÍLIA DOMINICANA
A PRESENÇA DA ORDEM EM ABRANTES
tiveram capacidade física para ir visitar. A
construção remonta ao séc. XII e tem uma
posição dominante na margem direita do rio,
outrora fazendo parte da chamada Linha do
LAICADO DOMINICANO

Tejo. A vista alcança muitos quilómetros da


torre implantada no centro do recinto fortifi-
cado.
Antes de nos despedirmos, celebrámos a
Eucaristia na impressionante Igreja de São
No passado dia 25 de Maio, decorreu Vicente. A igreja primitiva foi mandada con-
mais um Passeio da Família Dominicana. struir em 1149, depois da tomada da vila.
Como sempre, foi uma oportunidade dos Destruída por invasões e guerras, só em 1569
vários ramos e grupos dominicanos se re- foi edificada uma nova igreja empregando
unirem, conviverem, reflectirem, e rezarem oficiais dos estaleiros do Convento de Cristo
em conjunto. Foi um dia bem passado em de Tomar. Combina formas austeras e
Abrantes, Ribatejo, entre irmãs e irmãos. harmónicas com uma robustez estrutural
Viemos de coração cheio. com influência da arquitectura militar. A
O passeio começou na Escola Básica e decoração de inspiração flamenga, aplicada
Secundária Dr. Manuel Fernandes onde as- nos pináculos que rematam a fachada e nas
sistimos à conferência do investigador Paulo torres do templo, é notória. O exterior foi
Falcão Tavares sobre a presença da Ordem recentemente recuperado. Está programada
dos Pregadores na cidade. Com o título uma intervenção no interior. A família do-
“Abrantes e a Ordem Dominicana: 570 Anos minicana foi bem acolhida pelo pároco antes
de Vivências”, a comunicação deu particular da celebração do Sexto Domingo da Páscoa.
atenção à história do Convento de São Do- Na apresentação dos dons, cantámos: “Ó
mingos (1450-1833), também conhecido co- Páscoa gloriosa, ó Cristo Redentor. A morte
mo Convento de Nossa Senhora da Con- jaz vencida, a vida triunfou. Meu ser exulta e
solação, casa de frades dominicanos, e do canta, Jesus ressuscitou.” O fr. José Nunes e a
Mosteiro de Nossa Senhora da Graça (1541- Lurdes Santos lembraram as pessoas
1891), casa de monjas dominicanas. Pelo ausentes, em particular a ir. Deolinda e a
caminho do discurso, falou-se nas receitas de Cristina Busto, de quem foram lidas men-
doçaria monástica criada em Abrantes, como sagens. Estiveram espiritualmente connosco.
as tigeladas.
Comer numa mesa partilhada é uma for-
ma de viver o Evangelho. Eis o que fizemos
ao almoço, junto ao Aquapólis, um parque
de desporto e lazer onde o rio Tejo se integra
na paisagem da cidade de Abrantes — um
cenário muito belo para uma refeição em
família.
Sem pressas, avançámos até perto do
Castelo de Abrantes que algumas pessoas
(continua na pág.seguinte)
Laicado Dominicano Abril/Maio 2019

No dia seguinte eram as eleições para o Parlamen- temporário e segundo os modos de cada país. […]
to Europeu. Como disse o Papa Francisco em 2015, A Signoria, ou seja, o poder político, é, para Cata-
o cristão tem obrigação de se envolver na política, de rina de Sena, um serviço que deve ser prestado à co-
não lavar as mãos como Pilatos, “porque a política é munidade, por amor fraterno, como forma de regu-
uma das formas mais altas de caridade, pois procura lar as paixões desordenadas, como sejam o egoísmo,
o bem comum”. Por isso, lemos uma oração pela Eu- a vaidade, a avareza, o medo. Trata-se de uma doutri-
ropa, composta por excertos de um texto do frade na profundamente cristã, como apenas uma mística
dominicano Mario Castellano que reflecte sobre poderia propor, mas é também uma doutrina pro-
Santa Catarina de Sena e a “visão europeia da sua fundamente humana, democrática, que antecipa o
missão”. Estamos hoje “confrontados com os nacion- homem político ideal. […] A Europa de hoje poderia
alismos exacerbados, das fronteiras que se tornaram facilmente reconhecer-se nesses princípios constitu-
barreiras”. Castellano acrescenta: cionais destinados a reconciliar os governantes com
os cidadãos e os cidadãos com os governantes, e levar
ao triunfo da justiça, do bem comum e da paz.”

“As suas cartas revelam uma verdadeira acção eu-


ropeia de onde podemos tirar algumas lições para o
governo civil ou os princípios de uma doutrina polí-
tica. Elas tem um certo sabor de modernidade que
poderia ser aceite por qualquer europeu sinceramen-
te democrata. A autoridade é apenas um elemento Sérgio Dias Branco,OP

ESPERANÇA
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
Posso ter defeitos, viver ansioso sentimentos.
e ficar irritado algumas vezes, É saber falar de si mesmo.
mas não esqueço de que minha vida é a É ter coragem para ouvir um “não”.
maior empresa do mundo. É ter segurança para receber uma
E que posso evitar que ela vá à falência. crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é reconhecer que vale Pedras no caminho?
a pena viver apesar de todos os Guardo todas, um dia vou construir
desafios, incompreensões e períodos um castelo…
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. Fernando Pessoa
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REZAR COM A NATUREZA

Há muitos anos, durante um retiro, uma mu- que olhaste realmente para um pôr do sol? A
lher veio procurar-me para orientação espiritual. natureza pode levar a tornarmo-nos agradecidos
No primeiro dia perguntei-lhe, como foi a tua pela beleza nas nossas vidas. Em segundo lugar
oração ontem? pondera, como dizia Santo Inácio, que Deus
– Espantosa, respondeu ela, abracei uma ár- trabalha na criação. Deus mantém as plantas e
vore! os animais – e a nós – por insuflar vida até eles
Tive de suster uma gargalhada. Estaria ela a e mantendo-os vivos. Que espanto!
brincar? Finalmente tenta através da natureza figurar
Não estava. “-Quando alarguei os meus bra- a imagem de Deus. Quando estou perto da bei-
ços à volta daquela grande árvore lá fora, senti- ra-mar, penso nas ondas como imagens do cui-
me conectada com a criação de Deus, senti-me dado de Deus. Cada onda que rebenta na praia
enraizada à terra, e senti uma sensação / ligação e recua simboliza Deus levando as minhas preo-
da presença de Deus na natureza”. cupações. Obviamente que as ondas não são
Agora estava a sorrir por um motivo diferen- deus, mas ajudam-me na minha oração.
te: as palavras dela tocaram-me o coração. Esta Fiquei contente por não me ter rido quando
mulher tinha encontrado Deus através da cria- a mulher me disse que tinha abraçado a árvore
ção, o que nós referimos como oração da Natu- porque, afinal de contas, acabou por mudar a
reza. Existem diferentes formas de a realizar: forma como encontro Deus na Natureza.
Primeiro, estar consciente do mundo natural
que Deus criou. Tens reparado nas folhas das
´”Em todos os tempos
árvores ultimamente? E no padrão em constante Por todas as razões”
mudança das nuvens? Quando foi a última vez James Martin,SJ
(Tradução de Maria da Paz Ramos)

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IDE E ANUNCIAI A BOA NOVA


mas sim um lugar central, identitário no verdadeiro
sentido do termo. É, sobretudo, com o nosso estilo
de vida que testemunhamos a Boa Nova, e devemos
aprofundar, no estudo e na oração, essa identidade
para estarmos sempre prontos a apresentar as razões
da nossa esperança (1Ped.3:14).
Foi um belo testemunho, cristão e dominicano,
aquele que a Fraternidade Leiga de Macedo de Ca-
valeiros, que acompanho desde 2014, nos deixou
no V Domingo da Páscoa. Em estreita colaboração
com a comunidade de Comunhas (uma aldeia do
A identidade dominicana – e, portanto, a manei- concelho de Macedo de Cavaleiros, no distrito de
ra de ser e de estar dos leigos dominicanos – radica Bragança) com o seu pároco e com o Presidente da
no seguimento de Jesus Cristo e no anúncio da Boa Junta de Freguesia, participou na eucaristia domini-
Nova. cal, integrou-se na procissão até ao nicho da Senho-
Jesus de Nazaré é o nosso modelo de identifica- ra das Candeias, orientou a oração do terço duran-
ção, Aquele com quem nos queremos parecer, te o percurso feito a pé entre soutos, carvalhais e
Aquele que seguimos na estrada da vida, seguimen- giestas floridas, falou de S. Domingos e da sua ousa-
to que decorre da nossa condição de baptizados e, dia missionária, participou num almoço no campo
consequentemente, partilhado por todos os que se em que se começou já a desenhar a iniciativa que,
dizem cristãos – seguidores de Cristo Ressuscitado. se Deus quiser, terá lugar para o ano. Depois, já na
Esta identidade cristã não se confunde com uma sala habitual, em Macedo, a reunião da Fraternida-
ideologia, uma doutrina, ou um movimento, mas de prosseguiu, com os seus momentos de oração,
consiste na radicalidade do acolhimento de Jesus partilha fraterna e aprofundamento da identidade
Cristo na nossa vida. A identidade cristã não anula cristã e dominicana.
a nossa humanidade, antes pelo contrário: temos
que assumir a nossa humanidade, como homens,
mulheres, crianças, jovens, adultos ou idosos, e
aperfeiçoarmo-nos quotidianamente em Cristo, Ele
que assumiu até ao âmago a nossa identidade – nin-
guém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida
pelos seus amigos. (Jo.15:13)
O anúncio desta Boa Nova, embora decorra da
nossa condição de baptizados, é específico da iden-
tidade dominicana, por isso nos chamamos Ordem
dos Pregadores. E a pregação não ocupa um lugar
lateral na nossa vida, um compartimento à parte, José Carlos Gomes da Costa,OP

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FAMÍLIA DOMINICANA

NOVO PROMOTOR REUNIÃO DO


DA FAMÍLIA DOMINICANA CONSELHO INTERNACIONAL
DAS FRATERNIDADES LEIGAS
DOMINICANAS

O Prior provincial e o seu Conselho nomearam


o frei Mário Rui Marçal como Promotor da Família Realizou-se, de 25 a 29 de Maio, em Roma, a
Dominicana e consequentemente Promotor Pro- reunião do Conselho Internacional das Fraternida-
vincial da Fraternidades Leigas, em substituição do des Leigas Dominicanas, o qual entre outros assun-
querido frei Pedro, que continua a sua lenta recu- tos estudou formas de ajudar as províncias a altera-
peração. rem os seus Directórios para ficarem conformes
O frei Mário Rui é natural de Estremoz e profes- com as novas Declarações Gerais do Mestre da Or-
sou como frade na Ordem Dominicana em 1990, dem. O ICLDF estudou ainda formas de concreti-
tendo sido ordenado presbítero em 1996. Logo ru- zar várias das Resoluções de Fátima/2018, tendo
mou a Angola, onde com o frei Zeca e o apoio do aprovado os relatórios financeiros referentes à mes-
frei João Domingos fundou o Mosaiko, um Institu- ma assembleia.
to Angolano sem fins lucrativos, que visa contribuir Do Conselho fazem parte os representantes da
para uma cultura de Direitos Humanos em Angola. Europa (Gabriel Silva, Portugal), Ásia (Belén,
Fundado em 1997 , foi a primeira instituição ango- Tangco, Filipinas), América do Norte (Christine
lana a assumir explicitamente como missão a pro- Husson/Canadá) e América do Sul/Caribe (Susana
moção dos Direitos Humanos em Angola. Brittos, Paraguai). O delegado africano não pôde
Foi vigário provincial de Angola entre 2002 e estar presente. Também participou o Promotor
2010. Geral do Laicado, frei Rui Carlos, tendo havido
Ao frei Mário Rui desejamos as maiores felicida- oportunidade para uma última reunião com o Mes-
des neste novo cargo e nesta nova etapa em Portu- tre Geral, Fr. Bruno Cadoré, que termina o seu
gal, ao fim de tantos anos de experiência missioná- mandato no Capítulo Geral que se realizará em
ria e de actividade concreta na defesa dos direitos Julho próximo, no Vietname.
humanos.
Gabriel Silva OP
Cristina Busto,OP

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A IGREJA REALIDADE VISÍVEL E ESPIRITUAL


medir, porque é deveras grande! Como se podem
conhecer todas as maravilhas que, através de nós,
Cristo consegue realizar no coração e na vida de cada
pessoa? Vede: inclusive a realidade visível da Igreja
vai além do nosso controle, ultrapassa as nossas for-
ças e é uma realidade misteriosa, porque provém de
Deus.
Para compreender na Igreja a relação entre a sua
realidade visível e a espiritual, não há outro modo, a
não ser olhar para Cristo, de Quem a Igreja constitui
o corpo e por Quem ela é gerada, num gesto de amor
A Igreja tem uma natureza espiritual: é o corpo de infinito. Com efeito, em virtude do mistério da En-
Cristo, edificado no Espírito Santo. No entanto, carnação, também em Cristo nós reconhecemos uma
quando nos referimos à Igreja, o pensamento dirige- natureza humana e uma divina, unidas na mesma
se imediatamente para as nossas comunidades, paró- Pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isto é váli-
quias, dioceses e estruturas, nas quais em geral, esta- do de maneira análoga inclusive para a Igreja. E as-
mos habituados a reunir-nos e, obviamente, também sim como em Cristo a natureza humana coadjuva
ao componente e às figuras mais institucionais que a plenamente a divina, pondo-se ao seu serviço, em
regem, que a governam. Nisto consiste a realidade função do cumprimento da salvação, do mesmo mo-
visível da Igreja. Devemos perguntar-nos: trata-se de do acontece na Igreja pela sua realidade visível, em
duas realidades diferentes, ou de uma única Igreja? relação à espiritual. Portanto, também a Igreja é um
E, se é sempre uma só Igreja, como podemos enten- mistério, no qual o que não se vê é mais importante
der a relação entre a sua realidade visível e a espiritu- do que aquilo que é visível, e só pode ser reconheci-
al? do com os olhos da fé (cf. Const. dogm. sobre a Igre-
Antes de tudo, quando falamos da realidade visí- ja Lumen gentium, 8).
vel da Igreja, não devemos pensar exclusivamente no Porém, no caso da Igreja devemos interrogar-nos:
Papa, nos Bispos, nos sacerdotes, nas religiosas e em como pode a realidade visível pôr-se ao serviço da
todas as pessoas consagradas. A realidade visível da espiritual? Mais uma vez, só o podemos compreender
Igreja é constituída por numerosos irmãos e irmãs fitando Cristo. Ele é o modelo da Igreja, porque a
baptizados que, no mundo, crêem, esperam e amam. Igreja é o seu corpo. É o modelo de todos os cristãos,
Todavia, muitas vezes ouvimos dizer: «Mas a Igreja de todos nós. Quando fitamos Cristo, não nos enga-
não faz isto, a Igreja não faz aquilo...» — «Mas diz-me, namos! No Evangelho de Lucas narra-se que Jesus,
quem é a Igreja?» — «São os presbíteros, os Bispos, o tendo voltado para Nazaré onde crescera, entrou na
Papa...» — A Igreja somos todos nós! Todos os bapti- sinagoga e, referindo-se a si mesmo, leu o trecho do
zados somos a Igreja, a Igreja de Jesus! Todos aqueles profeta Isaías onde está escrito: «O Espírito do Se-
que seguem o Senhor Jesus e que, no seu nome, se nhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me
fazem próximos dos últimos e dos sofredores, procu- para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os
rando oferecer um pouco de alívio, de conforto e de contritos de coração, para anunciar aos cativos a re-
paz. Todos aqueles que fazem o que o Senhor man- denção, aos cegos a recuperação da vista, para pôr
dou são a Igreja. Então, compreendemos que tam- em liberdade os prisioneiros, para proclamar o ano
bém a realidade visível da Igreja não é comensurável, da graça do Senhor» (4, 18-19). Eis: assim como Cris-
nem é conhecível em toda a sua plenitude: como se to se serviu da sua humanidade — porque Ele era
pode conhecer todo o bem que é feito? Tantas obras também homem — para anunciar e cumprir o desíg-
de amor, tantos gestos de fidelidade nas famílias, tan- nio divino de redenção e de salvação — porque era
to trabalho para educar os filhos e para transmitir a Deus — do mesmo modo deve ser também a Igreja.
fé, tanto padecimento nos doentes que oferecem os
seus sofrimentos ao Senhor... Tudo isto não se pode (continua na pág.seguinte)
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Laicado Dominicano Abril/Maio 2019

(continuação da pág.6) tas vezes ouvimos dizer, no bairro: «Aquela pessoa lá


Através da sua realidade visível, de tudo aquilo vai sempre à igreja, mas fala mal de todos...». Isto
que se vê, os sacramentos e o testemunho de todos não é cristão, é um mau exemplo: é pecado. É assim
nós, cristãos, a Igreja é chamada todos os dias a fazer- que damos mau exemplo: «Em suma, se aquele ou
se próxima de cada homem, a começar por quantos aquela é cristão, eu torno-me ateu!». O nosso teste-
são pobres, por quem sofre e por aqueles que vivem munho consiste em fazer compreender o que signifi-
marginalizados, de maneira a continuar a fazer sentir ca ser cristão. Peçamos para não ser motivo de escân-
sobre todos o olhar compassivo e misericordioso de dalo. Peçamos o dom da fé para podermos entender
Jesus. como, não obstante a nossa pequenez e a nossa po-
Caros irmãos e irmãs, muitas vezes como Igreja breza, o Senhor nos transformou verdadeiramente
nós fazemos a experiência da nossa fragilidade e dos em instrumentos de graça e sinais visíveis do seu
nossos limites. Todos somos limitados. Todos somos amor por toda a humanidade. Sim, podemos tornar-
pecadores. Nenhum de nós pode dizer: «Eu não sou nos motivo de escândalo! Contudo, podemos tam-
pecador!». Ma se algum de nós sentir que não não é bém tornar-nos motivo de testemunho, transmitindo
pecador, levante a mão. Todos nós somos pecadores. com a nossa vida aquilo que Jesus deseja de nós.
E esta fragilidade, estes limites, estes nossos pecados,
é natural que suscitem em nós um profundo desgos- Papa Francisco
to, sobretudo quando damos mau exemplo e com- http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/
preendemos que somos motivo de escândalo. Quan- audiences/2014/documents/papa-
francesco_20141029_udienza-generale.html

TU E OS OUTROS
Gostarias de encontrar-te a ti mesmo sem disfar- Os autênticos líderes sabem inspirar confian-
ce e sem artifícios, na verdade do teu ser, para te ça e levar os outros.
compreenderes e te encontrares com os outros? 8. Numa controvérsia, há sempre três lados a
Para isso: considerar: o teu, o do outro e o lado de
1. Fala às pessoas. Não há nada tão agradável quem está certo.
como uma palavra amiga. 9. Não esqueças aqueles quatro comportamen-
2. Sorri às pessoas, para todas as pessoas. Lem- tos de um verdadeiro líder: escuta, aprende,
bra-te de que accionamos dezenas de múscu- aprecia e elogia oportunamente.
los para franzir a testa e apenas 14 para sorrir. 10. O que realmente vale na nossa vida é aquilo
3. Chama as pessoas pelo seu nome– A música que fazemos pelos outros, com amizade clari-
mais suave para muitos é ouvir o seu próprio vidente.
nome.
Frei Bernardo,OP
4. Sê amigo fiel e prestável; se quiseres ter ami-
gos, sê amigo leal.
5. Sê cordial. Fala e procura agir com toda a sin-
ceridade; tudo o que fizeres fá-lo com alegria e
dedicação.
6. Interessa-te sinceramente pelos outros. Lem-
bra-te que sabendo o que sabes, ainda não
sabes o que os outros sabem.
7. Sê generoso em elogiar, cauteloso em criticar.

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ORAÇÃO

Ao leme do meu barco,


Para controlar os meus remos,
Serenar os ciclones,
E afugentar os fantasmas
Que navegam dentro de mim.

O Senhor é meu pastor


E meu amigo
Na solidão de filho único
Nesta casa sem janelas,
Na praça de gigantes mudos
Desta cidade de marionetas,
O Senhor é meu pastor,
No globo de indiferenças,
Nada me falta,
Onde só a ganância é redonda.
Nada me sobra,
Nada me assusta.
Tudo tenho,
O Senhor é meu pastor,
Tudo posso
E me guarda quando temo,
Tudo aceito.
Me acalma quando grito
Me anima quando desisto,
Me corrige quando erro,
O Senhor é meu pastor
Me perdoa quando caio,
E me conduz.
Me espera quando tardo,
O Seu cajado aponta o meu destino,
Me consola quando choro,
A sua palavra penetra o meu silêncio,
Me sorri quando canto.
Os seus pés marcam a minha estrada,
Os seus olhos enchem a minha casa,
As suas mãos seguram a minha fé
O Senhor é meu Pastor
E vai comigo.
O Senhor é meu pastor Adaptação do Salmo 23
Guarda-me na tempestade Enviado por Francisco Piçarra,o.p.

F i c h a T é c n i c a
Jornal bimensal Rua Comendador Oliveira e Carmo, 26 2º Dtº
Publicação Periódica nº 119112 / ISSN: 1645-443X 2800– 476 Cova da Piedade
ISSN: 1645-443X
Propriedade: Fraternidade Leigas de São Domingos Endereço: Praça D. Afonso V, nº 86,
Contribuinte: 502 294 833 4150-024 PORTO
Depósito legal: 86929/95 E-mail: laicado@gmail.com
Direcção e Redacção Tiragem: 350 exemplares
Cristina Busto (933286355)
Maria do Carmo Silva Ramos (966403075) Os artigos publicados expressam apenas
Colaboração: Maria da Paz Ramos a o p i n i ã o d o s s e u s a u t o r e s .
Administração: Maria do Céu Silva (919506161)
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