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NOVA LEI DE FALÊNCIAS

Celso Marcelo de Oliveira

O Presidente da República sancionou a Lei no 11.101, de 09 de Fevereiro de 2005 que regula


a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. A
nova legislação falimentar encontra-se dividida de forma pragmática: Dispositivos Preliminares
e Comuns à Recuperação Judicial e à Falência; Verificação e da Habilitação de Créditos;
Administrador Judicial e do Comitê de Credores, da Assembléia Geral dos Credores, Instituto
da Recuperação Judicial que envolve desde o Pedido e o Processamento Jurídico até o Plano
de Recuperação Judicial e especial de Recuperação para Microempresas e Empresas de
Pequeno Porte, Convolação da Recuperação Judicial em Falência, Instituto da Falência que
envolve a Classificação dos Créditos e o Pedido de Restituição; Procedimento para Decretação
de Falência, a Inabilitação Empresarial, os Direitos e Deveres do Falido, a Falência requerida
pelo próprio Devedor, a Arrecadação e Custódia dos Bens, Efeitos da Decretação da Falência
sobre as Obrigações do Devedor, a Ineficácia e a Revogação de Atos Praticados antes da
Falência, a Realização do Ativo, o Pagamento aos Credores, o Encerramento da Falência e a
Extinção das Obrigações do Falido,Instituto da Recuperação Extrajudicial até as Disposições
Penais, os Crimes Falimentares e o Procedimento Penal.

Vejamos alguns detalhes sobre a nova legislacão falimentar:

1. Aspectos comuns à recuperação judicial e à falência. A legislação falimentar é outro


segmento que tem forte implicação com a atividade contábil, tanto no que se refere à exigência
da escrituração contábil e seus demonstrativos, quanto à responsabilidade dos contabilistas.
Neste tocante, a Lei 11.101 de 9 de fevereiro de 2005, trouxe importantes novidades, não
somente no que se refere aos procedimentos relativos à falência, mas, sobretudo com a
instituição da recuperação judicial e extrajudicial do empresário e da sociedade empresária. A
seguir apresentamos alguns dos artigos que vinculam diretamente a atividade contábil e os
contabilistas. Já no seu primeiro artigo a lei expressa o campo em que ela é aplicada, ou seja,
disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da
sociedade empresária. Para os efeitos da recuperação judicial e da falência, a verificação dos
créditos será realizada pelo administrador judicial, com base nos livros contábeis e documentos
comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem apresentados pelos credores,
podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas especializadas (art..7o.). Quanto à
administração da empresa na fase de recuperação judicial ou da falência, destaca o contador
como um dos profissionais que preferencialmente devem assumir a condição de administrador
judicial. Assim, determina o artigo 21 que administrador judicial será profissional idôneo,
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa
jurídica especializada. Os livros e documentos contábeis são destacados como indispensáveis
ao procedimento. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê,
além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: I – na recuperação judicial e na falência: c) dar
extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de servirem de fundamento
nas habilitações e impugnações de créditos; III – na falência: b) examinar a escrituração do
devedor (art. 22.).

2. Recuperação judicial. Na recuperação judicial especificamente, a contabilidade é também


fundamental. A petição inicial de recuperação judicial será instruída com: II – as demonstrações
contábeis relativas aos 3 (três) últimos exercícios sociais e as levantadas especialmente para
instruir o pedido, confeccionadas com estrita observância da legislação societária aplicável e
compostas obrigatoriamente de: a) balanço patrimonial; b) demonstração de resultados
acumulados; c) demonstração do resultado desde o último exercício social; d) relatório
gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção. Os documentos de escrituração contábil e
demais relatórios auxiliares, na forma e no suporte previstos em lei, permanecerão à
disposição do juízo, do administrador judicial e, mediante autorização judicial, de qualquer
interessado (art. 51.).
3. Falência. A exemplo do que determina para o caso da recuperação judicial, na falência
requerida pelo próprio devedor se faz necessário a existência da contabilidade. Assim, o
devedor em crise econômico-financeira que julgue não atender aos requisitos para pleitear sua
recuperação judicial deverá requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da
impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes
documentos: I – demonstrações contábeis referentes aos 3 (três) últimos exercícios sociais e
as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita observância da
legislação societária aplicável e compostas obrigatoriamente de: V – os livros obrigatórios e
documentos contábeis que lhe forem exigidos por lei (art. 105). O auto de arrecadação,
composto pelo inventário e pelo respectivo laudo de avaliação dos bens, será assinado pelo
administrador judicial, pelo falido ou seus representantes e por outras pessoas que auxiliarem
ou presenciarem o ato. Serão referidos no inventário: I – os livros obrigatórios e os auxiliares
ou facultativos do devedor, designando-se o estado em que se acham, número e denominação
de cada um, páginas escrituradas, data do início da escrituração e do último lançamento, e se
os livros obrigatórios estão revestidos das formalidades legais (art. 110).

4. Recuperação extrajudicial. Na recuperação extra judicial é também indispensável a


contabilidade. Determina a lei que o devedor poderá, também, requerer a homologação de
plano de recuperação extrajudicial que obriga a todos os credores por ele abrangidos, desde
que assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de
cada espécie por ele abrangidos. Para a homologação do plano de que trata o artigo 163, além
dos documentos previstos no caput do art. 162 desta Lei, o devedor deverá juntar: II – as
demonstrações contábeis relativas ao último exercício social e as levantadas especialmente
para instruir o pedido, na forma do inciso II do caput do art. 51 desta Lei.

5. Crimes em espécies. No que se refere às disposições penais, trata esta lei dos crimes em
espécie como fraude contra credores, em cujas circunstâncias poderá ser alcançado o
contabilista. A lei estabelece em seu artigo 168, pena de reclusão, de 3(três) a 6(seis) anos, e
multa, para quem praticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a
recuperação judicial ou homologar a recuperação extrajudicial, ato fraudulento de que resulte
ou possa resultar prejuízo aos credores, com o fim de obter ou assegurar vantagem indevida
para si ou para outrem. Esta pena pode ser aumentada de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se o
agente: I – elabora escrituração contábil ou balanço com dados inexatos; II – omite, na
escrituração contábil ou no balanço, lançamento que deles deveria constar, ou altera
escrituração ou balanço verdadeiros; III – destrói, apaga ou corrompe dados contábeis ou
negociais armazenados em computador ou sistema informatizado; IV – simula a composição
do capital social; V – destrói, oculta ou inutiliza, total ou parcialmente, os documentos de
escrituração contábil obrigatórios. Outra questão importante e que merece destaque é a
eventual existência de contabilidade paralela. Para este caso, determina a lei que a pena é
aumentada de 1/3 (um terço) até metade se o devedor manteve ou movimentou recursos ou
valores paralelamente à contabilidade exigida pela legislação. O contabilista pode ser mais
diretamente envolvido se participar de forma efetiva. Assim, determina o diploma legal que, nas
mesmas penas incidem os contadores, técnicos contábeis, auditores e outros profissionais que,
de qualquer modo, concorrerem para as condutas criminosas descritas no artigo 168, na
medida de sua culpabilidade. Por outro lado, sujeita-se a pena de reclusão, de 2 (dois) a 4
(quatro) anos, e multa, quem violar, explorar ou divulgar, sem justa causa, sigilo empresarial ou
dados confidenciais sobre operações ou serviços, contribuindo para a condução do devedor a
estado de inviabilidade econômica ou financeira (art.169). A omissão de documentos contábeis
obrigatórios também tem implicações de natureza penal. Neste sentido, deixar de elaborar,
escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a
recuperação judicial ou homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de
escrituração contábil obrigatórios, implicará, de acordo com o artigo 178, em pena de detenção,
de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. Quanto à
competência e jurisdição, determina o artigo 183 que compete ao juiz criminal da jurisdição
onde tenha sido decretada a falência, concedida a recuperação judicial ou homologado o plano
de recuperação extrajudicial, conhecer da ação penal pelos crimes previstos nesta Lei.
Destaque-se, por fim, o artigo184 que estabelece que os crimes previstos nesta Lei são de
ação penal pública incondicionada. "