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Trabalho efectuado no âmbito da cadeira de Antropologia Biológica do curso de Biologia pelos alunos Cláudio Abreu, Jaime Sousa, Pedro Alvito e Robert Weinmann.

COMPARACÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

Origem do Género Pan (1,2,3,4)

O género Pan é constituido por várias espécies de chimpanzés e pelos bonobos, também designados de chimpanzés-pigmeu. Separaram-se do tronco do nosso ancestral comum à cerca de 8 milhões de anos, possuindo 98-99,4 % de afinidade genética para connosco. Os chimpanzés diferiram dos bonobos pela necessidade destes se adaptarem a um habitat mais seco, e consequentemente, mais competitivo, desenvolvendo a sua faceta agressiva. Ao passo que, os bonobos, provavelmente nunca deixaram a segurança das árvores, o que lhes conferiu um comportamento pacífico, derivado da abundância de alimentos. As proporções do corpo do bonobo foram comparadas com as dos Australopithecus, assemelhando-se aos primeiros hominídeos aquando uma postura bípede no solo, embora os bonobos se movam no solo normalmente por knucle-walking.

Chimpanzés

Fisionomia (1,3)

Possuem uma estatura relativamente baixa (1,55 metros), andam curvados e sobem frequentemente a árvores em busca de alimento ou abrigo. Têm pêlo preto e pele que vai de rosada a negra na sua face, orelhas, palmas das mãos e solas dos pés. Os juvenis apresentam pele bastante mais pálida nestas áreas. Biologicamente são as criaturas mais parecidas com os humanos e há até quem proponha incluir os chimpanzés no mesmo género que os seres humanos denominando-os Homo troglodythes. Os chimpanzés são quadrúpedes, deslocando-se em quatro patas tanto em terra como nas árvores, usando a parte dorsal das mãos para suportar o seu peso – a este meio de locomoção dá-se o nome de knucle-walking. Esta forma de locomoção confere aos chimpanzés braços maiores que as pernas.

Comportamento (2,3)

Os chimpanzés são omnívoros alimentando-se não só de folhas, frutos, sementes e raízes como também de vários tipos de insectos e ocasionalmente de mamíferos de médio porte que chegam mesmo a caçar. Ainda assim, de entre todos os outros primatas, os chimpanzés, com a excepção do homem, são aqueles que ingerem mais carne.

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

Os chimpanzés são muito sociáveis e vivem em grupos com cerca de 25 a 60 indivíduos. Comunicam através de vários tipos de chamamentos, gestos e posturas. O contacto físico é essencial para os chimpanzés manterem uma boa relação entre eles. A limpeza é mútua e é provavelmente o comportamento social mais importante, servindo para manter ou melhorar relações, acalmar os nervos ou indivíduos tensos. A maioria das disputas dentro da comunidade podem ser resolvidas não através da agressão, mas recorrendo a ameaças. Ainda assim, os machos vigiam atentamente as suas fronteiras, atacando com extrema brutalidade indivíduos de outras comunidades que as ultrapassem. Na sociedade dos chimpanzés reina o autoritarismo do macho dominante. No entanto, muitas vezes um chimpanzé jovem une-se a outros para matar

o macho dominante e ocupar o seu lugar. É

muito comum ver o macho dominante cair em ciladas e ser morto. São os únicos grandes primatas, para além do Homem, a matar com o objectivo de alcançar o poder. Outro comportamento típico de chimpanzés e humanos é o tratamento dado ás fêmeas, uma vez que, enquanto nos outros grandes primatas as fêmeas são protegidas e cortejadas, nos chimpanzés elas são reprimidas e espancadas, tal como acontece em certas sociedades humanas. As fêmeas mostram os primeiros sinais de estarem sexualmente receptivas por volta dos oito/ nove anos mas não são sexualmente atraentes para os machos adultos

antes dos dez/onze anos. O macho dominante pode demonstrar um

comportamento possesivo em relação a uma fêmea tentando impedir que outros machos acasalem com ela. Os chimpanzés são as criaturas que, para além de nós, mais ferramentas usam para os mais diversos fins. Já foram observados, na natureza, a usar varas para medir a profundidade de rios, galhos para atiçar formigueiros, pedras para quebrar nozes (figura 2) e muito mais. Reconhecem e utilizam várias plantas para fins medicinais. A sua excelente inteligência permite-lhes ainda, em

cativeiro, aprender a linguagem dos

surdos-mudos, comunicando com humanos. São também muito bons a resolver problemas. Os chimpanzés possuem uma excelente memória a curto prazo, bastante melhor que a dos humanos, mas, ao contrário destes, não conseguem planear o futuro a longo prazo. Há um certo paralelismo entre chimpanzés juvenis e crianças humanas: ambas

entre chimpanzés juvenis e crianças humanas: ambas Figura 1 – chimpanzé em atitude agressiva ( 1

Figura 1 – chimpanzé em

atitude agressiva (1)

ambas Figura 1 – chimpanzé em atitude agressiva ( 1 ) Figura 2 – chimpanzé utilizando

Figura 2 – chimpanzé

utilizando ferramentas (2)

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

tem disposição quase inesgotável para brincar, são muito curiosas, aprendem observando e imitando, e acima de tudo, precisam de constante atenção, protecção e afecto. Para ambos o contacto físico afectuoso é essencial a um desenvolvimento saudável. Vários traços mentais considerados únicos nos humanos têm vindo a ser demonstrados nos chimpanzés: pensamento racional, abstracção, generalização, representação simbólica e conceito de si próprios. A comunicação não verbal inclui abraços, beijos, palmadinhas nas costas e cócegas. Muitas das suas emoções, tais como a tristeza e a alegria, o medo e o desespero, são semelhantes ou mesmo iguais às nossas.

Os Bonobos como “Hippies obcecados por sexo”

Fisionomia (4,5)

Com longas pernas e uma cabeça pequena entre os ombros, os lábios avermelhados numa face preta muito larga, com pequenas orelhas e largas narinas, e com um longo, fino e “arranjado” cabelo preto, o bonobo aparenta ser um gracioso hominóide.

Comportamento (4,5,6,7)

A sua dieta baseia-se em frutos, alimentando-se também de folhas e

ocasionalmente de pequenos invertebrados e vertebrados. Embora ainda não tenham sido vistos a utilizar ferramentas no meio natural, como os chimpanzés, em cativeiro

apresentam muita perícia no uso de ferramentas para obtenção de alimentos.

O temperamento sensitivo é uma das

principais características do bonobo, tendo

como grande exemplo, na segunda guerra mundial, o bombardeamento de Hellabrum,

na Alemanha, no qual os bonobos de um zoo das redondezas morreram todos com medo

do ruído, enquanto que aos chimpanzés de

nada afectou. Brincalhões, dedicados e concentrados, os bonobos fazem inúmeras caretas, referindo estas a sua personalidade e hierarquia na

sociedade dos bonobos. As fêmeas nos bonobos têm um papel central

e talvez dominante na vida social, que é bem caracterizada como

igualitária e não violenta, substituindo os possíveis confrontos por

sexo.

e não violenta, substituindo os possíveis confrontos por sexo. Figura 3 – Bonobos a conviver (3)

Figura 3 – Bonobos a

conviver (3)

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

As interacções sexuais ocorrem não só entre membros de sexos diferentes, mas também entre bonobos do mesmo sexo, como forma de evitar conflitos, reparar as relações e evitar o infanticídio, já que os machos ao fazerem sexo com todas as fêmeas não sabem quais crias são as suas. As posições sexuais tomadas são inúmeras, estando aos bonobos restrito o roçar mútuo das partes genitais de duas fêmeas adultas empoladas (GG rubbing (figura4)), reflectindo provavelmente experiências de orgasmo. Os machos também realizam pseudocopulações, estando de costas virados e roçando o escroto de um no rabo do outro, e estando frente a frente, praticando uma “esgrima” de pénis erectos, roçando o pénis no do outro. Esporadicamente fazem sexo oral, massagem das partes genitais de outro indivíduo e beijos com a língua. Contudo, a sua actividade sexual é casual e dura no máximo 13 segundos, transmitindo prazer e uma possível partilha de alimentos, derivado da tolerância entre os bonobos.

Tudo o que interessa, e não só comida, a mais de

um bonobo tende para o sexo, evitando a violência, que é esporádica. Quando um conflito se inicia os machos são melhores nas reconciliações do que as fêmeas, tal e qual na humanidade. Nas decisões, o grupo é que comanda, estando chefiado pelas fêmeas mais velhas. Os machos são facilmente dominados pelas fêmeas unidas, pelo que

foram vistos a chegarem primeiro a um local de alimentação, ganhando pelo sexo direito a alimento. Os machos mais importantes são os filhos das fêmeas de maior estatuto social. Esta coexistência pacífica e saudável não é possível sem o sexo, sendo impossível separá-lo da vida social dos bonobos.

sendo impossível separá-lo da vida social dos bonobos. Figura 4 – GG rubbing (4) HOMO SAPIENS

Figura 4 – GG rubbing (4)

HOMO SAPIENS SAPIENS

Origem (8,9)

O Homo sapiens teve origem há cerca de 140 mil a 280 mil anos atrás em África, de acordo com a hipótese migracionista de Allson Wilson e Rebecca Cann, desenvolvendo-se mais tarde a sub-espécie Homo Sapiens Sapiens da qual hoje todos os humanos fazem parte.Os criticos dessa teoria defendem a hipótese Multirregional dos antropólogos Milford Wolfpoff e Alan Thorn que o Homo sapiens téra

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

surgido em diferentes lugares do globo por evoluçao das formas de hominídeos pré-existentes nessas regiões, como a figura 5 sugere.

pré-existentes nessas regiões, como a figura 5 sugere. Figura 5 –Esquema representati vo das diferentes teorias
pré-existentes nessas regiões, como a figura 5 sugere. Figura 5 –Esquema representati vo das diferentes teorias

Figura 5 –Esquema representativo das diferentes teorias da origem do Homo sapiens: á esquerda, a hipótese migracionista de Allson wilson e Rebecca Cann,e á direita a hipótese multiregional dos antropólogos Milford Wolfpoff e Alan Thorn. Juntamente com uma linha representativa da evolução humana e correspondente datação, (5)

Fisionomia (8)

A altura dos humanos varia entre 1,5m e 1,8m dependo da região do globo, pesando por volta de 65 kg. É bipede como todos os Homo e tem de longe o maior cérebro (ca 1300cc) de todos os primatas vivos.

Comportamento (6, 7, 10, 12, 13)

Apesar de ter comportamentos em comum com os chimpanzés e bonobos, o homem é unico porque nunca antes existiu uma espécie

tão dominante, inteligente, cooperativa e contraditória no planeta. Somos os únicos a compreender (cada vez mais) as leis da física e da natureza

e a dominar a linguagem, o que nos

permitiu construir grandes cidades, meios de transporte, desenvolver as ciências, uma economia global, ir ao espaço (figura 6) entre muitas outras coisas.

O ser humano possui comportamentos

em comum com os chimpanzés e

bonobos, como o pesquisador holandês Frans de Waal defende. Este considera- nos como uma espécie bipolar entre ambos, não sendo o nosso

nos como uma espécie bipolar entre ambos, não sendo o nosso Figura 6 – homem no

Figura 6 – homem no espaço

(6)

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

comportamento identificável apenas com o comportamento do chimpanzé, uma vez que partilhamos igualmente 98.4% dos nossos genes com estas duas espécies, que são os nossos parentes mais próximos.

É de facto muito simplista explicar o comportamento humano apenas

pelo do chimpanzé, como muitos o fizeram a partir de 1974, quando Jane Goodall, no Congo, testemunhou um grupo de 7 machos adultos, um adolescente e uma fêmea irem silenciosamente ao território de um grupo vizinho e depois atacarem e matarem com paus e pedras um macho distraído e indefeso que estava longe do

seu grupo. Nós, tal como os bonobos e ao contrário dos chimpanzés, temos actividades sexuais fora da época de acasalamento e sem o intuito de nos reproduzir.

A nossa capacidade de nos reconcilarmos depois

de um conflito é verificada também nos

bonobos, mas não nos chimpanzés, no que toca

também nos bonobos, mas não nos ch impanzés, no que toca Figura 7 – Ghandi, um

Figura 7 – Ghandi, um pacifista exemplar (7)

a

indivíduos de grupos rivais.

O

ser humano e o bonobo (especialmente o

bonobo) conseguem sentir também muito mais empatia e sensibilidade que o chimpanzé. Existem pessoas que são ainda mais pacíficas que os próprios bonobos, já que se recusam a

recorrer à violência, até em caso de serem

vítimas de agressão, como Ghandi (figura 7) e seus seguidores.

O

aspecto físico do bonobo também se assemelha mais ao do homem

que têm pernas mais compridas que o chimpanzé e com mais

frequência se deslocam sobre elas.

o chimpanzé e com mais frequência se deslocam sobre elas. Figura 8 – Hitler (á direita)

Figura 8 – Hitler (á direita) e Estaline(á esquerda ) , ditadores implacáveis (8)

Por outro lado, apesar de não podermos explicar o comportamento humano apenas pelo chimpanzé, não devemos esquecer

que

lamentavelmente, muitos aspectos negativos em comum com ele. Tal como os chimpanzés, os humanos têm uma hierarquia bem defenida e usam a violência e a intriga para chegar e/ou

manter o poder. Temos ainda uma capacidade inata de mentir, o que torna as nossas intrigas ainda mais complexas.

temos,

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Mas, com a diferença de que o nosso grau de violência se eleva a uma escala que mete até o pior dos chimpanzés num cantinho. Estima-se que apenas no século XX morreram mais de 200 milhões

de vítimas de guerras e o dobro à fome! Isto não inclui o crime, a

pobreza e a escravatura de adultos e crianças, entre muitas outras coisas.

Tanto os seres humanos como os chimpanzés vivem em comunidades dominadas pelos machos (excepto em alguns poucos países) onde há violência fisica sobre as fêmeas, seja esta de cariz sexual ou não. Assim, mais uma vez, os homens ultrapassam em crueldade os chimpanzés, já que nestes as fêmeas “somente” são espancadas e violadas, enquanto que no homem essa crueldade pode atingir dimensões extremas, especialmente nas guerras e nas diversas formas de repressão sexual, como a mutilação genital feminina (que se estima que afecta 140 milhões mulheres no mundo), a escravatura, a tortura, o tráfico sexual e até crimes sexuais contra criancas.

O ser humano, em termos de comportamento, é uma espécie

intermédia entre bonobos e chimpanzés, mas com capacidades inatas

para ter comportamentos de ambos os extremos (crueldade e pacifísmo). Somos uma espécie bastante violenta e há uma razão para isso. Ao contrário dos bonobos que tiveram a sorte de evoluirem num ambiente parasidíaco, os seres humanos, como os chimpanzés, tiveram de evoluir em ambientes hóstis onde tinham de lutar para ter acesso aos recursos necessários à sua sobrevivência, o que teve um grande impacto na selecção natural em ambas as espécies, conferindo-nos um comportamento mais agressivo. Quando os nossos antepassados iniciaram a colonização do globo, existia um vasto território por ocupar, permitindo poucos confrontos por recursos entre diferentes agrupados de homos, derivado da vastidão do Planeta (excepto aqueles entre os

membros da própria comunidade). Quando diferentes culturas se cruzaram os confrontos foram inevitáveis, sendo espelho do que se observa na

actualidade. Com o passar do tempo, a tecnologia evolui , e com ela apareceu um armamento mais mortífero, e uma população em muito maior número e organizada, o que se traduz em grandes guerras e

número e organizada, o que se traduz em grandes guerras e Figura 9 – representação da

Figura 9 – representação da

colocação do padrão de Portugal por Diogo Cão depois da descoberta do

Rio Congo no século XV,

afirmando a soberania portuguesa no local (9)

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

tragédias, nas quais os vencedores impuseram os seus genes, e isso continua a ter consequências até aos nossos dias.

Referências bibliográficas

(1) “chimpanzés”(On-line), Wikipedia. Acessed April 04,2008 at

(2) “chimpanze”(On-line), Primatas no sapo. Acessed April 04, 2008 at http://primatas.no.sapo.pt/

(3) “Jane Goodall”(On-line), Jane Goodall. Acessed April 04, 2008 at http://www.janegoodall.org/

(4) “Bonobo sex and society” (On-line), Primates.com. Acessed March 31, 2008 at http://www.primates.com/bonobos/bonobosexsoc.html

(5) “Bonobo info”(On-line), Primates.com. Acessed March 31, 2008 at http://www.primates.com/bonobos/bonobo-info.html

(6) Frans de Waal interview by the Spiegel, August 24, 2006. The two apes within us (On-line), Spiegel Online. Acessed March 31, 2008 at

(7) Frans de Waal interview by the Spiegel, August 24, 2006. The two apes within us (On-line), Spiegel Online. Acessed March 31, 2008 at

(8) António Piedade (2007). Slides da cadeira de Antropologia Biológica

(9) “Homo sapiens sapiens Replacement model”(On-line), Anthro.palomar. Acessed April 05, 2008 at

(10) “Relação macho com macho”(On-line), Drauzio Varella .Acessed April 02, 2008 at

(11) “Mass deaths”(On-line), Wikipedia. Acessed April 04, 2008 at http://en.wikipedia.org/wiki/Mass_deaths_and_atrocities_of_the_twe ntieth_century

(12) “Hunger in the world”(On-line), 30 hour famine. Acessed April 04, 2008 at

COMPARAÇÃO ENTRE CHIMPANZÉS, BONOBOS E O HOMEM

Comentários dos colegas

Na nossa opinião, este trabalho está bem estruturado e tem uma apresentação razoável. As ilustrações estão de acordo com os temas e possuem a respectiva legendagem. As referências bibliográficas conduzem a páginas relevantes para o trabalho. Os aspectos mais positivos deste trabalho são o facto de terem feito uma comparação entre homens, chimpanzés e bonobos de uma forma bastante original, falando de aspectos como a crueldade presente no homem e nos chimpanzés e do pacifismo existente no homem e nos bonobos, dando como exemplos figuras históricas da humanidade, tanto com conotação positiva (o pacifista Ghandi), tanto com conotação negativa (Hitler e Estaline) Os aspectos menos positivos do trabalho são o facto de abordar de uma forma um pouco ligeira certos comportamentos muito complexos e o facto de nos chimpanzés referir que as interacções entre machos e fêmeas são sempre violentas, o que não nos parece correcto. Também, não é correcto que, de todos os primatas, só o Homem e o chimpanzé matem para alcançar o poder, uma vez que, em quase todas espécies sociais com organizações hierárquicas, existem lutas, que por vezes conduzem à morte, para garantir a primazia social. Um assunto que teria muito interesse discutir, num trabalho desta natureza, eram as estratégias politicas, utilizadas pelos chimpanzés para alcançar o poder, essas sim, só observadas nestes e no Homem. Trabalho com interesse no que se refere à comparação dos comportamentos destas três espécies.

(3/5)

Ana Sofia Nunes, Dora Silva e Miguel Gonçalves

Este trabalho está com uma apresentação boa pois ao longo do texto vão existindo imagens relevantes para o texto e que ilustram bastante o que é dito no mesmo. Todas elas são identificadas e legendadas e com posterior alusão da fonte. As referências das imagens e do texto é que por sua vez poderiam estar numa letra um pouco mais pequena pois não são parte tão relevante como o texto e foram colocadas no mesmo tamanho de letra como o resto. Este trabalho está muito bom a nível de informação pois ficamos com uma percepção bastante boa das diferenças e igualdades entre o Homem, os chimpanzés e bonobos, e também a conhecer cada um dos referidos seres. Há também a alusão às imagens durante o texto dando-nos a ideia do que no texto se vai falando. Um lado também positivo é o facto de em todos os temas e subtemas haver uma indicação, através de um número, que

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depois consultando as referências há a indicação de onde foi retirada a informação daquele subtema. Como pontos negativos deste trabalho há o facto de em primeiro lugar as referências no final do trabalho serem colocadas em letra bastante grande (o que em parte é desnecessário) fazendo com que o trabalho ainda se torne mais extenso a nível de folhas quando foi imposto um limite de 5 páginas. Por outro lado apesar de haverem bastantes imagens o texto torna-se, em certos pontos, excessivo dado ser um tema bastante alargado, o que depois também contribui para exceder o limite de páginas. Por fim denota-se alguma falta de cuidado na escrita pois ao longo do trabalho vão existindo alguns erros de ortografia, tais como “á” e “evoluçao”. Este trabalho encontra-se estruturalmente e esteticamente a um nível intermédio mas factores que são compensados pelo interesse no tema que supera os dois últimos trabalhos. (3/5)

Fábio Raimundo

O trabalho apresenta uma apresentação razoável,

com as imagens legendadas de forma coerente, sendo que as mesmas estão inseridas de forma adequada no conteúdo do texto. Em relação às referências bibliográficas, a n.º 11 não se encontra correcta acontecendo o mesmo na n.º 2 das imagens. As restantes encontram-se correctas, no entanto consideramos que algumas delas possuem conteúdos cujos factos são duvidosos (i.e. n.º10) e não cumpram completamente as regras fornecidas para as mesmas. É de salientar que no 1.º parágrafo encontramos um erro factual, o que é inadmissível – O género Pan é

constituído apenas por uma espécie de chimpanzé – comum e pelos bonobos. Nesse mesmo parágrafo é ainda dito que a proximidade genética de ambos à nossa espécie é de 98% a 99,4% sendo referido mais tarde que é de 98,4%, o que é portanto contraditório e confuso para o leitor. Outro exemplo de informação que se encontra incorrecta é o facto de ser referido que alguns autores propõem que o chimpanzé seja denominado por Homo troglodytes, sendo que tal não seria possível sem se também considerar um Homo paniscus. Ao longo do conteúdo surgem afirmações que são de cariz duvidoso e sem fundamento teórico, ou mesmo interpretações incorrectas das fontes originais, nas quais estão subjacentes comparações entre o género Pan e o género Homo, o que não deve, nem pode, ser efectuado de modo linear como o foi.

É ainda de salientar que a nível gramatical são

apresentadas diversas incorrecções que não são esperadas

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neste nível de ensino, sendo a estrutura do texto claramente prejudicada, fornecendo uma projecção demasiado infantil ao mesmo, especialmente ao serem utilizadas expressões de cariz popular extremamente inadequadas (ex: “meter o pior dos chimpanzés a um cantinho”). (2/5)

Ana Dourado e Olívia Costa

Inicialmente este trabalho é interessante e bem

redigido embora fuja ao âmbito da disciplina na parte final do mesmo. Torna-se mais uma critica à humanidade do que uma comparação imparcial com outros primatas.

As imagens estão bem posicionadas ao longo do

texto mas o mesmo já não acontece com as referências bibliográficas/citações. O trabalho excede em 4 páginas o suposto e como tal deveria estar mais sucinto. O trabalho foge aquilo que se pretendia do trabalho e revela-se uma critica e não uma comparação entre espécimes. Está também demasiado grande e como tal deve ser penalizado. (2/5)

David Correia, David Guapo, Luís Cardoso e Mafalda Catrau

O trabalho “Bonobos, Chimpanzés e Homens”

apresenta falhas no que respeita às regras impostas pelo professor para a elaboração do mesmo. O aspecto geral não é desagradável mas podem observar-se algumas irregularidades. As ilustrações são insuficientes (não atingem os 30% requeridos) e algumas imagens não se encontram alinhadas com o texto. As legendas não estão justificadas e uma delas apresenta dois tipos de letra e o texto não tem parágrafos. As referências das ilustrações e dos textos estão bem elaboradas, embora não tenhamos conseguido ter acesso a algumas, como é o caso da referência da segunda figura. O conteúdo do trabalho reflecte de facto o tema proposto mas muito exaustivamente. Foi pedido um máximo de

cinco páginas e este trabalho excedeu o limite em quatro. Concluímos, deste modo, que em relação aos restantes trabalhos que avaliámos este é o que apresenta uma elaboração menos boa, sobretudo no que respeita às ilustrações e ao limite de páginas. (1/5)

Joana Revez, Pedro Pedrosa e Teresa Amaral

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