Qui 6 Jan Edição Lisboa

Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011, Ano XXI, nº 7579, 1€ Directora: Bárbara Reis Directores adjuntos: Nuno Pacheco, Manuel Carvalho e Miguel Gaspar l Directora executiva Online: Simone Duarte Directora de Arte: Sónia Matos

www.publico.pt

Série ípsilon - Grandes Realizadores Vol. 14 - Van G Gogh, de Maurice Pialat

Amanhã
Por apenas mais 1,95€

Polémica A WikiLeaks vai reforçar a liberdade de expressão ou tornar a Internet mais policiada? P2
Malangatana Morreu o pintor da identidade moçambicana
CARLOS LOPES/ARQUIVO

Estado esgotou fundo para indemnizações e deixou de pagar
Dívida com sentenças ascende a 16 milhões de euros em 20 processos
a O Estado tem uma dívida de cerca de 16 milhões de euros por não ter verba disponível para pagar 20 indemnizações decretadas pelos tribunais. A informação é do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) à ordem do qual existe um fundo que serve para pagar estas verbas, quando o organismo da administração pública condenado a pagar a indemnização não o fez voluntariamente. Contudo, este fundo esgotou-se e pelo menos desde Outubro que o CSTAF tem vindo a alertar o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República para este problema, sem que nada tenha sido feito. Jaime Gama já informou os deputados que tem recebido ofícios para promover a abertura de créditos extraordinários que permitam pagar as dívidas. c Portugal, 10

20 anos

Tecnologia Feira de Las Vegas marca início do ano do Android Pág. 18

Dez anos no banco

Fiscal das contas públicas avalizou contas do BPP
a António Pinto Barbosa, presidente do grupo de trabalho que vai criar a comissão que fiscalizará as contas públicas, certificou durante dez anos as contas do Banco Privado Português, onde entrou o Banco de Portugal para evitar a insolvência. c Portugal, 8

Desemprego

Fundo europeu apoiou 2 mil mas 75% não foi usado
a Um fundo europeu que ajuda pessoas a voltar ao mercado de trabalho ou a criar empresas já apoiou mais de 2000 em Portugal. Mas 75 por cento das verbas atribuídas ficaram por utilizar. c Destaque, 2/3

Congresso dos EUA

Inquérito Presidenciais III Saúde

Alegre, Defensor, Lopes e Coelho vetariam fim do SNS tendencialmente gratuito Pág. 7
Corrida a Belém Futuro da economia

Republicanos e Obama iniciam coabitação
a O Partido Republicano assumiu ontem o controlo da Câmara de Representantes dos Estados Unidos com a promessa de reverter ou inviabilizar a agenda política do presidente Barack Obama, e assim impedir a sua reeleição. c Mundo, 16
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Candidatura de Portugueses Cavaco “atira” nunca estiveram BPN ao Governo tão pessimistas
a Foi um dos mais violentos ataques da candidatura de Cavaco Silva a Manuel Alegre, com acusações de falta de decência e cobardia. O rastilho foi o caso BPN e as acções que Cavaco comprou e depois vendeu com um lucro de 140 por cento. Alexandre Relvas foi o porta-voz da mensagem, que acaba por atingir em cheio o Governo. c Portugal, 4 e Editorial a As famílias portuguesas nunca entraram num novo ano com uma visão tão pessimista como em 2011. De acordo com os inquéritos de conjuntura conduzidos pelo INE, as perspectivas dos cidadãos em relação à evolução da situação financeira do seu agregado e da situação económica do país nunca foram tão fracas como nos últimos meses de 2010. c Economia, 20/21 a Era o nome mais reconhecido da arte africana lusófona, autor de uma obra vasta e muito pessoal, que faz o cruzamento da cultura indígena com a cultura do colonizador, criando assim uma identidade cultural moçambicana. Tornou-se também numa figura de Estado. O pintor Malangatana morreu na madrugada de ontem, aos 74 anos, em Matosinhos, no Hospital de Pedro Hispano, vítima de cancro. c P2 e Editorial

2 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Destaque
Desemprego 75 por cento dos apoios atribuídos não chegaram a ser usados

Fundo europeu apoiou mais de dois mil desempregados vítimas da crise
Portugal candidata-se pela quarta vez ao Fundo que ajuda pessoas a voltar ao mercado de trabalho ou a criar a sua empresa. Aos mais de 2000 já apoiados juntam-se agora 974 ex-trabalhadores da Rohde

Raquel Martins

a Depois dos 2166 desempregados dos sectores automóvel, têxtil e da Qimonda, agora é a vez dos 974 antigos trabalhadores da fábrica de calçado Rohde, em Santa Maria da Feira, beneficiarem das ajudas do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG). Em causa está um pacote de 2,2 milhões de euros, que será comparticipado em 65 por Bruxelas e que se destina a ajudar estas pessoas a voltar ao mercado de trabalho ou a criar a sua própria empresa. Esta é a quarta vez que Portugal se candidata ao FEG, um mecanismo criado pela Comissão Europeia em 2007 para servir de almofada aos desempregados vítimas da globalização e da crise económica e financeira. E na calha está já uma nova candidatura para ajudar os trabalhadores lançados para o desemprego no final de 2010 na sequência do encerramento da Delphi (ver caixa em baixo). Ao todo, desde 2008, Portugal já recebeu 5,6 milhões de euros ao abrigo do FEG (3,2 milhões para o sector automóvel e para o sector têxtil, dos quais 2,4 milhões não chegaram a ser usados, e 2,4 milhões para a Qimonda, que ainda está em execução). As verbas não foram totalmente utilizadas, mas têm servido para complementar o Fundo Social Europeu e para dar uma resposta mais pontual aos desempregados que tiveram “a sorte” de ser abrangidos pelo FEG. Francisco Madelino, presidente

do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), desmistifica um pouco o papel no FEG no país: “Do ponto de vista global o FEG, quer pelos montantes financeiros, quer pelas condições, é uma gota de água, comparando com o Fundo Social Europeu. Mas tem permitido intervenções mais focalizadas e específicas, com o envolvimento dos sindicatos, aumentado a eficácia das políticas activas de emprego e permitindo medidas mais generosas”, realçou ao PÚBLICO. De todas as formas, o FEG não tem escapado a críticas. A morosidade do processo de aprovação em Bruxelas tem sido o principal problema apontado e já foi alvo de um relatório da autoria do eurodeputado português Miguel Portas. A candidatura da Rohde, por exemplo, que chegou à Comissão Europeia no dia 26 de Novembro de 2010, terá de esperar por luz verde da Comissão, Parlamento e Conselho europeus, um processo que demora mais de meio ano. Porém, o presidente do IEFP garante que estes desempregados – que ficaram sem trabalho em Maio de 2009 – têm sido apoiados pelos centros de emprego e já frequentaram acções de formação. A informação é confirmada por Maria Fernanda Moreira, do Sindicato dos Operários da Indústria do Calçado, que acrescenta que pelo menos uma centena de pessoas já arranjou emprego em fábricas da região. Esta sexta-feira, a direcção do IEFP reúne-se com os sindicatos da UGT e da CGTP para lhes dar a conhecer as

medidas financiadas pelo FEG e para tentarem sensibilizar os desempregados a aproveitar os apoios. Mesmo os que já estão empregados, garante Francisco Madelino, podem sempre candidatar-se a bolsas de formação. A formação é, de resto, a principal aposta da candidatura Rohde. Quase metade dos 2,2 milhões de euros destina-se a acções de formação profissional e de validação de competências, dado que mais de 78 por cento dos desempregados da fábrica de Santa Maria da Feira não concluiu o ensino básico. As mulheres também estão em maioria e têm mais de 35 anos.

75%

Dos 3,2 milhões de euros para apoiar os desempregados do automóvel e do têxtil , 2,4 milhões ficaram por utilizar

É um perfil bastante diferente do dos 839 trabalhadores despedidos da Qimonda em 2009, que já começaram a receber os apoios de Bruxelas. Além de serem maioritariamente homens, muitos têm menos de 25 anos, 42 por cento concluíram o secundário e 9,5 por cento a licenciatura. É por causa deste perfil que a candidatura ao FEG destinado aos ex-trabalhadores da Qimonda marca de certa forma uma viragem na forma como Portugal está a aplicar as verbas do FEG. “As candidaturas do automóvel e do têxtil foram mais experimentais, as condições eram di-

Processo será submetido “em breve” Governo garante candidatura a apoios para desempregados da Delphi
O Ministério do Trabalho deu anteontem a garantia de que, “em breve”, vai submeter uma nova candidatura ao Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG) para apoiar os trabalhadores despedidos depois do encerramento da Delphi. A multinacional de fabrico de cablagens para a indústria automóvel, com sede na Guarda, fechou as portas a 31 de Dezembro, lançando para o desemprego 321 trabalhadores, que se juntaram aos 601 que tinham sido dispensados no primeiro semestre do ano passado. Para que a candidatura possa ser formalizada, pelo menos 500 destes trabalhadores têm que estar inscritos nos centros de emprego. A confirmação de que estes desempregados terão apoios extraordinários foi dada pelo Ministério do Trabalho, depois de o PSD da Guarda ter insistido na necessidade de uma candidatura ao fundo de Bruxelas. Porém, o Instituto de Emprego e Formação Profissional já tinha dado indicações em meados deste ano que iria candidatar-se ao fundo. Num comunicado, o Ministério do Trabalho esclarece que “só agora estão reunidas as condições necessárias para a submissão do projecto, uma vez que a candidatura deve identificar todos os trabalhadores desempregados na sequência do processo de encerramento”. O PSD da Guarda tinha defendido na segunda-feira o pedido de apoio, tal como aconteceu com a Qimonda, em Vila do Conde. O presidente da comissão política distrital, Álvaro Amaro, questionou se “não será chegada a hora de se tomar igual medida para a Delphi”. Porém, as verbas do FEG só se dirigem aos antigos trabalhadores do quadro da empresa, os trabalhadores temporários e contratados através de outras empresas ficam fora deste pacote de apoios. A multinacional norteamericana chegou a ser a maior empregadora do distrito da Guarda, tendo nos anos 90 empregado três mil trabalhadores. Entretanto, a produção da unidade da Guarda foi transferida ainda em Dezembro para Castelo Branco, onde a multinacional fez obras de expansão das instalações. R.M. Candidatura da Rohde terá que esperar mais meio ano até à decisão

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 3

ferentes. Aqui, além das condições que mudaram o perfil, permitiu fazer outro tipo de acções”, reconhece Luís Costa, a pessoa responsável pela ligação entre Portugal e o gabinete do FEG em Bruxelas. O dinheiro para a Qimonda chegou a Portugal em finais de Dezembro. São 2,5 milhões de euros, que serão complementados com 1,3 milhões do Estado português, que se destinam essencialmente a apoios à formação e a bolsas de estudo. Ao todo 459 extrabalhadores da empresa de Vila do Conde já estão a beneficiar do FEG. Os apoios são generosos. Quem quiser fazer uma pós-graduação recebe uma bolsa de oito mil euros e quem apostar na criação do seu posto de trabalho pode receber 12.500 euros para o investimento inicial, a que acresce um subsídio de 7500 euros por cada posto de trabalho. Mas antes da Qimonda dois outros projectos ficaram aquém das expectativas. A primeira candidatura portuguesa aprovada por Bruxelas destinou-se aos 1120 antigos trabalhadores da Opel, Alcoa Fujilura e Johnson Controls, empresas do sector automóvel que encerraram em 2008. Só 55 por cento das pessoas beneficiaram do FEG. Passado um ano, perto de 1500 desempregados de 49 empresas do têxtil também tiveram apoios extraordinários. O resultado foi melhor, com o grau de abrangência a chegar aos 70 por cento. Mesmo assim, 75 por cento dos fundos recebidos acabaram devolvidos.
PAULO PIMENTA

Programa da Rohde Medidas a que os desempregados se podem candidatar
A candidatura no valor de 2,2 milhões de euros, que aguarda luz verde de Bruxelas, prevê apoios à formação e à inserção no mercado de trabalho de 974 desempregados: Criação de empresas Os trabalhadores da Rohde que queiram criar a própria empresa recebem apoio técnico para a instalação do projecto e têm direito a um subsídio não reembolsável de 20 mil euros por cada posto de trabalho criado. O IEFP prevê que 20 pessoas adiram a esta medida. Autocolocação Quem conseguir encontrar trabalho a tempo inteiro sem a intervenção dos centros de emprego terá direito a um apoio que vai de 419,22 euros, no caso de contratos de trabalho com duração entre seis e 11 meses, até aos 2096 euros, para contratos sem termo. O montante do apoio será majorado em 1676,8 euros, caso o novo local de trabalho fique a mais de 100 quilómetros do local de residência. Planos de integração Enquanto os desempregados não conseguem encontrar emprego, podem ser abrangidos por um plano de integração. Estes “contratos” têm uma duração de seis a 12 meses e podem ser desenvolvidos em entidades públicas ou privadas com e sem fins lucrativos. Os beneficiários que não completaram o ensino básico recebem uma bolsa de 524 euros e quem tem mais formação pode receber 628,8 euros. Quem recebe subsídio de desemprego tem um apoio 125 euros. Formação profissional Além dos cursos Novas Oportunidades, o FEG financia cursos de formação para adultos e outras acções de formação que tenham como objectivo reconverter os desempregados. Os beneficiários têm direito a uma bolsa mensal de 209 euros (metade do IAS), além de subsídio de refeição, pagamento de despesas de transporte e, eventualmente, subsídio e alojamento. Pós-graduações Serão apoiadas formações fora do âmbito do IEFP, nomeadamente pósgraduações. O fundo paga a inscrição, mensalidades e outros custos associados à formação. Ao todo o apoio pode chegar aos 8 mil euros.

Edgar Maia está a menos de duas semanas de abrir a sua empresa

NELSON GARRIDO

Ex-trabalhadores da Qimonda

Edgar vai abrir uma loja de informática e António será monitor de ginásio
Reportagem
Rosa Soares

a Edgar Maia, ex-trabalhador da Qimonda, diz que é impossível calcular quantos currículos enviou entre Junho de 2009 e Julho de 2010. O ritmo chegava a ser de cinco a seis por dia. Primeiro, só para empregos na área da informática, que era a da sua formação e experiência; depois, para tudo, até para operador de hipermercados e lojas comerciais. Edgar admite que o anúncio dos apoios do FEG (Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização) foi recebido com enorme esperança, e a opção foi, desde a primeira hora, pela criação do seu próprio emprego. “Logo que surgiu a oportunidade candidatei-me. Senti que tinha de arriscar. Tenho confiança de que vai correr bem”, confessou Edgar Maia. Actualmente com 28 anos, este informático está a menos de duas semanas de abrir a Raio-X do Computador, o nome da loja de assistência técnica e venda de material informático, na zona de Vilar do Pinheiro, em Vila do Conde. A aposta de Edgar passa, essencialmente, pela assistência técnica, uma área mal coberta naquela zona, onde reside, e para a qual sente estar habilitado, já que tem uma formação técnico-profissional nessa área. As vendas serão um complemento e a expectativa de Edgar é que possam ser feitas

maioritariamente através de um sítio da Internet, que está a criar. Edgar Maia optou, nesta fase inicial, por criar apenas o seu próprio emprego, seguindo o conselho dos técnicos do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) de que “não seria razoável pensar em criar mais do que um posto de trabalho sem assegurar clientes que o justificasse”. Depois de meses sem ter nada para fazer – Edgar foi dos primeiros a ser despedidos, porque estava há menos de seis anos na empresa –, o último meio ano foi agitado: foi contactado em Julho para se candidatar ao FEG e em Agosto já

Quando soube dos apoios do FEG, Edgar tomou uma decisão: criar o seu próprio emprego. “Senti que tinha de arriscar. Tenho confiança de que vai correr bem”
estava a fazer formação; depois foi encontrar a loja, arrendada, fazer uma pequena remodelação e comprar alguns equipamentos. Em tudo isso investiu cerca de oito mil euros de capital próprio. O apoio do FEG, no valor máximo de 20 mil euros por cada posto de trabalho criado, neste caso o do Edgar, chegou antes do Natal, a 23 de Dezembro. “Esse dinheiro funcionará como uma espécie de capital social da empresa”, adianta Edgar Maia.

O caminho de António Branco, com 25 anos, foi diferente, mas o objectivo é semelhante: garantir emprego na área da sua preferência, a do desporto e lazer. Depois de seis anos de trabalho na Qimonda, António admite que teve dificuldades em se adaptar ao regime de lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho, com redução de salário) e foi um dos primeiros trabalhadores a aderir à rescisão voluntária do contrato de trabalho, em Outubro de 2009. António garantiu ao PÚBLICO que na base dessa decisão já estava a opção por “voltar a estudar”, na área do desporto. Mas admite ter ficado desiludido, quando se apercebeu do custo do curso de especialização tecnológica na área do desporto de lazer, o que lhe daria equivalência ao nível quatro, ou bacharelato, indispensável para trabalhar como monitor de ginásio ou professor de natação, ou outras funções paralelas. Com o FEG, recebeu o total de oito mil euros, o que cobre a quase totalidade da formação. O IEFP tinha várias opções de formação, mas António não desistiu da seu “sonho” e avançou com uma inscrição num estabelecimento de ensino privado, na área de desporto e saúde. “Trata-se de um segmento em expansão, mesmo em cenário de recessão”, admitiu ontem António Branco, em declarações ao PÚBLICO, num intervalo das aulas. “No final do curso, em Julho, espero estar a trabalhar.”

4 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Portugal
Presidenciais Campanha eleitoral sobe de tom com troca de acusações
RUI GAUDÊNCIO

Alexandre Relvas foi o porta-voz dos ataques a Alegre, que depois respondeu através de Duarte Cordeiro

Presidente do BPN

Depois da polémica, Bandeira vai à AR segunda-feira
Sofia Rodrigues

Candidatura de Cavaco ataca Alegre e atinge Governo com BPN
Porta-voz exige “rigor e verdade” sobre resultados da nacionalização do banco. Manuel Alegre promete não se calar e continuar a pedir explicações
Nuno Simas e Maria Lopes

a Foi um dos mais violentos ataques da candidatura de Cavaco Silva a Manuel Alegre. Com acusações de falta de decência e cobardia. O rastilho foi o caso BPN e as acções que o Presidente comprou e depois vendeu com um lucro de 140 por cento. Como Cavaco tinha prometido não voltar a falar no assunto, um terceiro actor foi chamado a palco para reafirmar as explicações dadas antes e fazer o contra-ataque. Alexandre Relvas foi o porta-voz de uma mensagem invulgarmente dura que acaba por atingir em cheio o Governo de José Sócrates. O que interessa, disse, é que se explique, “com todo o rigor e verdade, a dimensão e resultados do vultuoso investimento” no BPN pelo Estado para a sua nacionalização e que “será pago pelo bolso dos contribuintes”. A par de se apurarem “todas as responsabilidades” e

que a Justiça seja eficaz no julgamento do caso. Um dia depois de Alegre ter pedido mais esclarecimentos sobre a venda das acções de Cavaco, foi a candidatura a vir em defesa do Presidente da República numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas. Apontando à “baixa política” de Alegre: “Uma campanha suja”, “indigna e ignóbil de ataque pessoal” e que “viola o dever de decência democrática”. Algumas frases de Relvas: “Uma democracia adulta não pode pactuar com a insinuação, a intriga e a mentira. A baixa política é um atentado moral à democracia.” Manuel Alegre enveredou “por atitudes que não tinham até agora marcado a sua vida política, parece ter esquecido que quem não deve não teme e que os ataques desonestos e cobardes à honra pessoal são inaceitáveis”. De resto, o ex-director de campanha de Cavaco fez por “reafirmar” o

que já o Presidente dissera antes sobre as aplicações de poupanças no BPN. “Não fez mais nem menos do que fazem milhares de pessoas na aplicação das suas poupanças” e colocou parte das suas poupanças no BPN. Depois, pagou todos os impostos e incluiu essa informação na declaração entregue no Tribunal Constitucional. A candidatura fez a denúncia do comportamento de quem, na “campanha eleitoral ou fora dela” quer “desviar as atenções do essencial” sobre o BPN. E aí entrou a exigência de saber os resultados da nacionalização do banco pelo executivo. A resposta de Alegre também veio pela voz do director de campanha. Em directo para os telejornais, Duarte Cordeiro realçou que Cavaco, cuja candidatura usou “um tom profundamente violento e ofensivo” para com Alegre, continua a optar “por não esclarecer os portugueses”, preferindo uma atitude de “vitimização”, fazen-

do, ao mesmo tempo, “manobras de diversão”. O candidato apoiado por PS e BE não deixará de insistir no assunto. Defende que “é do interesse público saber a quem Cavaco Silva vendeu as suas acções da SLN”, até porque, justifica, só assim se pode “avaliar se Cavaco Silva conservou, ou não, o seu carácter de isenção nas várias declarações” que fez sobre o tema. O assunto vai, portanto, alimentar a campanha nos próximos dias – foi aliás Cavaco que o puxou para a agenda pública e mediática quando garantiu que nunca trabalhara, comprara, vendera ou recebera qualquer remuneração do BPN, e criticou a actual administração do banco, por ser pública, sem se referir à “anterior gestão danosa” do BPN. Cavaco perdeu “mais uma oportunidade para dar explicações”, diz Duarte Cordeiro. Sobre o BPN e sobre o que faria se um Governo quisesse acabar com a escola, saúde e segurança social públicas, desafiou.

a A chuva de críticas com que os partidos da oposição receberam a notícia do cancelamento da audição do presidente do BPN no Parlamento, a dois dias da data marcada, deu resultado. Francisco Bandeira já agendou com o presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, Paulo Mota Pinto, a sua audição para segunda-feira, avançou a Lusa. A audição estava inicialmente prevista para sexta-feira, contudo, Bandeira tinha pedido o seu adiamento devido a compromissos profissionais e só pretendia ser ouvido depois da audição do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, na terça-feira. Num e-mail enviado à Comissão de Orçamento e Finanças, Francisco Bandeira alegava que na data inicial se encontra nos Açores para um compromisso que envolve “clientes, colaboradores e autoridades”, relacionado com as suas funções na Caixa Geral de Depósitos. E acrescentava que não se apercebera da sobreposição por “má utilização” da agenda electrónica. A informação fez disparar as críticas. “Merece o nosso veemente protesto. Aceitar e depois pedir adiamento é inaceitável”, afirmou Hugo Velosa (PSD), que mostrou disponibilidade para fazer audição durante o fim-desemana, para evitar que o ministro das Finanças fosse ouvido em primeiro lugar. Um ponto sublinhado por todas as bancadas: “Arriscamo-nos a ter uma audição com o ministro das Finanças inconclusiva”, argumentou José Gusmão (BE). “É um gestor público, recebe dinheiro dos contribuintes e tem responsabilidades perante a Assembleia”, juntou João Almeida (CDS). O pedido de explicações sobre o caso BPN já se arrasta há alguns meses. O primeiro requerimento a chamar Bandeira ao Parlamento, apresentado pelo BE, foi aprovado a 15 de Setembro último. O CDS insistiu a 11 de Novembro e também viu o pedido aprovado por unanimidade. Ontem, já depois de ser informado sobre o cancelamento da audição, o PSD apresentou um requerimento para ouvir o presidente do BPN, por via potestativa, ou seja, com carácter obrigatório. O BE acrescentou outros dois nomes, aprovados por unanimidade: o governador do Banco de Portugal e o presidente da Caixa Geral de Depósitos. Hoje o BPN vai estar em debate no plenário pela mão do BE, que propõe a responsabilização financeira dos accionistas e pede estudos e avaliações sobre a situação do banco. Conta já com o apoio do PSD, além do PCP.

6 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Portugal
Presidenciais Relação do poder central com as ilhas passou para segundo plano

Caso BPN faz esquecer Jardim no confronto Alegre-Cavaco
Candidato apoiado pelo PS e pelo BE conseguiu reunir no Funchal mais de 2500 pessoas num jantar
Tolentino de Nóbrega

MANUEL ROBERTO

Francisco Lopes

Cavaco e Alegre andam em “manobras de diversão”
Miguel Gaspar

a O caso BPN relegou para plano secundário a situação política na Madeira e o relacionamento do Presidente da República com os Açores. Cavaco livrou-se da incómoda questão das autonomias, mas mostrou embaraço no repto lançado por Manuel Alegre sobre a venda das acções da SLN. Anteontem, ao chegar a Ponta Delgada, nos Açores, Cavaco Silva quis travar a polémica dizendo estar a ser alvo de uma “campanha suja e desonesta”. Ontem, em Angra do Heroísmo, adiantou que quem ataca “de forma desonesta deve ser ignorado”. No Funchal, Manuel Alegre reagiu à “não-resposta” do actual Presidente ao desafio para divulgar o contrato, o que, diz Alegre, deveria ser feito por exigência da “ética republicana e transparência democrática”. “Eu quero um país limpo”, reclamou Alegre, exigindo a resposta como “dever de candidato a Presidente da República, por muito que lhe custe e a quem o apoia”. A este fogo cruzado, iniciado no último debate televisivo mas intensificado na deslocação dos dois candidatos ao Funchal, na segunda e terça-feira, passou quase incólume o presidente do Governo madeirense, que não se viu forçado a esclarecer o apoio ao “sr. Silva” que quis expulsar do PSD. Eventualmente a pensar já

nos reflexos dos resultados das presidenciais nas eleições regionais de Outubro, Jardim apenas saiu a terreiro para se mostrar apreensivo com a abstenção, que, no seu entender, prejudicaria a reeleição de Cavaco. “Eu compreendo Alberto João Jardim quando falou contra a abstenção e os perigos da segunda volta. Ele está preocupado, e tem razões para estar preocupado, é um sinal de que a Madeira está a mudar, de que a Madeira quer mudança e é um sinal de que a vitória é possível”, comentou Alegre no jantar realizado terça-feira no Tecnopólo do Funchal. A presença de cerca de 2500 pessoas no “maior jantar alguma vez realizado pela esquerda na Madeira depois do 25 de Abril” – ou no “maior jantar de uma candidatura não apoiada pelo Governo regional” de Jardim, como sublinhou a sua mandatária regional Violante Saramago, filha do Nobel da Literatura – constitui, na opinião de Alegre, “a prova de que não há donos da Madeira”, de que “estamos a mudar a história aqui na Madeira e vamos mudar a história destas eleições presidenciais em Portugal”. “A segunda volta começou hoje aqui no Funchal”, concluiu. Como adversário a combater elegeu “as forças da direita, apoiadas pelos grandes interesses, beneficiando da crise [que] querem, pela primeira vez desde o 25 de Abril,

Alegre foi escutado por muitos no Funchal

todo o poder, a Presidência da República, a Assembleia da República e o Governo da República e têm um programa político que visa a destruição dos direitos sociais e serviços públicos que estão consagrados na Constituição”, disse. Ainda sobre a situação política regional, numa crítica directa a Cavaco, lembrou que “o Presidente da República é o garante da Constituição e do normal funcionamento das instituições democráticas”, por isso “não pode fazer que não vê o que se passa na Madeira”. Depois de afirmar que “ninguém é dono da autonomia “, que “não foi inventada por Alberto João Jardim”, reafirmou que “a autonomia é uma conquista dos povos insulares e do 25 de Abril” que “tem de estar ao serviço de todos e não apenas dos

amigos de quem manda numa região autónoma”. Os cidadãos portugueses, defendeu, “devem ter os mesmos direitos, que devem ser respeitados em todo o território nacional”. Mas enquanto na ilha de Jardim escusou-se a falar do défice democrático denunciado pela oposição regional, por considerar “jogo partidário” em que se recusava entrar, Cavaco Silva aproveitou a presença no arquipélago governado por Carlos César para reafirmar o respeito pelas autonomias regionais. E também para dizer que houve tentativas de deturpar as suas posições nesta matéria: o veto à revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores e a mais recente questão em torno da remuneração compensatória.

a Há muitas maneiras de falar do BPN. E o candidato comunista, Francisco Lopes, foi o primeiro a fazê-lo, no debate com Cavaco Silva. Mas não dá abébias a Manuel Alegre. Para ele, a polémica sobre as acções de Cavaco na SLN não passa de uma manobra de diversão para esconder o essencial. “Há a responsabilidade de quem fez a fraude e há outra responsabilidade que envolve Cavaco, o Governo PS e Alegre de trazer para o erário público o prejuízo do BPN”, disse ontem na entrevista a Judite de Sousa, na RTP1. Quanto às polémicas do dia, mais manobras: “Cavaco Silva procura desviar as atenções falando da administração [do BPN] e Manuel Alegre também quer desviar as atenções”. Interrogado sobre se está “em rodagem” para ser secretário-geral, Francisco Lopes respondeu que “está em marcha” para ser Presidente. Foi indiscutivelmente em ritmo de marcha que ele se apresentou na entrevista reiterando as vezes que quis a sua mensagem. Um electricista ligado à corrente. E só sorriu uma vez, quando Judite de Sousa lhe perguntou se era um duro. “São classificações que me fazem sorrir”, respondeu. Alegre não o faz sorrir e Lopes não devolve as amabilidades que já ouviu do candidato do PS e do BE. Quem apoiará à segunda volta? “Não estamos aqui a discutir palpites nem etiquetas, estamos a discutir o futuro do país. É a passagem da minha candidatura a segunda volta que vai ser decisiva”. Demarcou-se dos adversários considerando que todos, de uma forma ou de outra, deram o seu aval ao Orçamento. Falou de Cuba: a notícia não é o despedimento de um milhão de funcionários do Estado. É “uma reorganização económica que passa pelas PME e pelas cooperativas”.

Voto antecipado para 500 mil eleitores

Frases da entrevista

Organizar eleições de uma volta custa 9,5 milhões de euros
a A factura da organização das eleições deste mês, se forem apenas de uma volta, deverá ser, no máximo, igual à das presidenciais de 2006: 9,5 milhões de euros. Neste valor contam-se as despesas com os tempos de antena, a impressão de todos os folhetos – desde boletins de voto a listas eleitorais, passando pela documentação da campanha de sensibilização de apelo ao voto –, o pagamento das pessoas que estarão no apoio às mesas de voto. Tendo em conta que estão inscritos 9,6 milhões de eleitores, a despesa terá um rácio de cerca de um euro por eleitor. De fora destas contas, disse ao PÚBLICO o director-geral da Administração Interna, Paulo Machado, ficam as subvenções aos candidatos, já que a factura dos 9,5 milhões de euros diz respeito à organização dependente do MAI. “Queremos fazer mais com menos, mas o tecto é o gasto de 2006”, especificou no final da apresentação da nova legislação e campanha de meios de apelo ao voto. Entre as recentes alterações à lei eleitoral, as mais importantes dizem respeito ao direito de voto antecipado. Será possível alargar este direito de 20 mil para 500 mil eleitores, contabiliza Jorge Miguéis, da Direcção da Administração Eleitoral – uma contribuição para combater a abstenção. O voto antecipado pode agora ser usado no estrangeiro por estudantes e doentes em tratamento e acompanhantes, e no país também foi facilitado para os estudantes deslocados, doentes, presos, agentes da protecção civil e outros cidadãos deslocados por motivos profissionais. A campanha de sensibilização está em boa parte virada para os mais jovens – por ano, ficam automaticamente recenseados 115 mil a 120 mil novos eleitores, realçou Paulo Machado. Haverá campanha nas escolas e nas redes sociais, spots de rádio e TV. O ministro Rui Pereira deixou um apelo ao voto, lembrando que o “princípio democrático ‘um cidadão, um voto’ é o bê-á-bá da democracia”. Questionado pelo PÚBLICO sobre a possibilidade de o voto ser tornado obrigatório para contrariar os altos níveis de abstenção, o ministro preferiu dizer que acredita no poder das campanhas para a baixar. Maria Lopes “Há a responsabilidade de quem fez a fraude e há outra responsabilidade que envolve Cavaco, o Governo PS e Manuel Alegre de trazer para o erário público o prejuízo do BPN” “Não estamos aqui a discutir palpites nem etiquetas, estamos a discutir o futuro do país. É a passagem da minha candidatura a 2.ª volta que vai ser decisiva”.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 7

Inquérito do PÚBLICO aos candidatos presidenciais – Tema do dia: SAÚDE
O Serviço Nacional de Saúde tem um défice estrutural crónico. Promulgaria um diploma que propusesse a abolição da expressão “tendencialmente gratuito” quanto à prestação de cuidados de saúde? Aníbal Cavaco Silva
O Presidente da República não deve pronunciar-se antecipadamente sobre propostas legislativas, nomeadamente de alteração constitucional, pois só assim estará acima das lutas partidárias e só assim impedirá ser dado como parte no combate político.
PAULO PIMENTA

Defensor Moura
O combate ao défice crónico do Serviço Nacional de Saúde deve passar pelo envolvimento dos verdadeiros executores da despesa – os médicos, os enfermeiros e outros profissionais de saúde que, com o conhecimento do custo das suas opções de meios para o diagnóstico e a terapêutica, podem avaliar o custo/benefício de cada decisão e reduzir os desperdícios. A administração das instituições (do “hotel”) é igualmente importante, mas secundária em relação aos gastos em medicamentos, materiais de consumo e exames complementares de diagnóstico e terapêutica. Não aceito a eliminação do conceito “tendencialmente gratuito”, porque entendo que, no momento da prestação dos cuidados, não se deve sobrecarregar o doente com despesas que, tantas vezes, já o preocupam nesse período de maior fragilidade pessoal e social. O financiamento deve continuar a ser assegurado pela arrecadação de impostos, para que seja garantida a universalidade de acesso ao SNS, independentemente da condição social e económica dos cidadãos que precisem de cuidados.

Fernando Nobre
Como é sabido, não cabe ao Presidente da República pronunciar-se sobre alterações à Constituição. Esta é a única lei que o Presidente não pode vetar e que é da inteira responsabilidade da Assembleia da República e dos partidos com assento parlamentar. Enquanto candidato e enquanto Presidente, defenderei sempre a Constituição da República Portuguesa e não permitirei que esta seja subvertida, nem na sua letra, nem no seu espírito. Como português e como médico, acredito num Serviço Nacional de

Manuel Alegre, Defensor Moura, Francisco Lopes e José Manuel Coelho vetariam um diploma que acabasse com o Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito

como é o caso da saúde, onde efectivamente a inovação é constante e os parâmetros de actuação cada vez mais exigentes. Reconheço, no entanto, que o défice estrutural do Serviço Nacional de Saúde é preocupante e que é necessário implementar medidas de gestão que possibilitem a sua redução, para a defesa da sua universalidade e qualidade.

Francisco Lopes
Não promulgaria! O direito à saúde através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) dispõe no n.º2 do art.º 64.º o seguinte: “O direito à protecção da saúde é realizado através de um SNS universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.” Artigo cuja redacção constitui já um retrocesso particularmente negativo face ao princípio constitucional originário de “gratuito”. A pretexto da “insuficiência dos meios económicos”, sucessivos governos do PS e do PSD têm tomado um conjunto de medidas como: o estrangulamento

financeiro do SNS; o aumento muito significativo das despesas com a aquisição de serviços privados, associado a uma subutilização de equipamentos e serviços; a multiplicação das PPP [parcerias público-privadas] com o inflacionamento dos custos; a redução de despesas com pessoal – o que tem determinado a degradação dos serviços, para assim justificarem um conjunto de alterações à Constituição da República, nomeadamente a consagração do fim do “tendencialmente gratuito”. Qualquer alteração neste sentido colocará elevados recursos ao serviço dos grandes grupos económicos, reduz o acesso aos cuidados de saúde e aumenta os custos para as famílias.

Saúde de qualidade para todos os portugueses e cujo acesso seja possível a qualquer cidadão, mantendo taxas moderadoras para quem as possa pagar, o que racionaliza o uso do sistema e o defende na sua universalidade e tendencial gratuitidade. Há funções sociais que cabem inquestionavelmente ao Estado e que não devem ser pensadas numa lógica de lucro,

José Manuel Coelho
A resposta é peremptoriamente não. Veto político.

Manuel Alegre
O Serviço Nacional de Saúde é uma das principais, se não a maior conquista do Estado social

em Portugal depois do 25 de Abril. A Constituição da República consagra o direito à protecção da saúde “através de um serviço universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”. O combate ao défice do SNS tem de se fazer pelos ganhos de eficácia, pela inovação, pelo combate ao desperdício e pelo rigor na gestão. Não aceitarei a criação em Portugal de serviços de saúde de primeira, para os ricos, e de um SNS de segunda para os pobres. É dever do Presidente da República “cumprir e fazer cumprir a Constituição”. Usarei todos os poderes presidenciais para impedir a descaracterização do SNS. Por isso fui bem claro em todas as intervenções que fiz ao longo da pré-campanha eleitoral. E se algum governo, seja ele qual for, ou alguma maioria parlamentar, seja de quem for, puser em causa o SNS, tal como está consagrado na Constituição, eu veto. A ordem de publicação destes inquéritos obedece ao critério da ordem alfabética

8 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Portugal
Blogue convidado: casa de osso, de valter hugo mãe e Esgar Acelerado http://blogs.publico.pt/casadeosso/

Presidente do grupo de fiscalização das contas públicas certificou contas irregulares do BPP
DANIEL ROCHA

PEV critica novo método de apurar desemprego
a O Partido Ecologista “Os Verdes” vai apresentar um projecto de resolução para adiar a aplicação do novo método de apuramento do desemprego ou, em alternativa, para que sejam aplicados os dois sistemas em simultâneo durante um ano. Numa declaração política na Assembleia da República, a deputada Heloísa Apolónia questionou a fiabilidade dos dados, tendo em conta o novo método que o Instituto Nacional de Estatística (INE) quer aplicar, sugerindo mesmo se as novas estatísticas “não vão dar jeito a um qualquer Governo”. “Ou que não seja aplicado desde já este método, e ele comece a ser aplicado quando os portugueses perceberem qual é o método, ou então que sejam aplicados os dois métodos em simultâneo para que possamos comparar as conclusões e perceber a fiabilidade de um e de outro”, afirmou. Maria José Gamboa (PS) saiu em defesa do INE para lembrar que os métodos de trabalho destes organismos são controlados por técnicos competentes, recusando tratar-se de uma questão do Governo. Lusa

Cristina Ferreira

António Pinto Barbosa presidiu durante 10 anos ao conselho fiscal do banco insolvente, liderado por João Rendeiro. Validou as contas até ao último relatório
a O presidente do recém-nomeado grupo de trabalho para criar a comissão encarregada de fi scalizar as contas públicas, António Pinto Barbosa, certificou durante cerca de dez anos as contas do Banco Privado Português (BPP), que foi intervencionado no fi nal de 2008 pelo Banco de Portugal, para evitar a sua insolvência imediata. Esta iniciativa revelou um conjunto de irregularidades e de ilicitudes nas contas da instituição – estavam fora do balanço mais de 1,2 mil milhões de euros – o que levou o Banco de Portugal, a CMVM e o Ministério Público a iniciarem as investigações em curso. A indicação do economista Pinto Barbosa para liderar o órgão que vai fi scalizar as contas públicas do país partiu do PSD e surpreende na medida em que não detectou, enquanto presidente do conselho fi scal do BPP, quaisquer irregularidades nas contas do banco. Pinto Barbosa sairia da instituição quando João Rendeiro foi obrigado pelo Banco de Portugal a rescindir. O PÚBLICO tentou contactar Pinto Barbosa na faculdade onde dá aulas, mas não foi possível. O PSD não quis comentar o assunto. Nas últimas contas do BPP certificadas por Pinto Barbosa, no parecer do conselho fi scal a que presidia,

O BPP está em fase de liquidação e há processos judiciais em curso

este assegura aos accionistas que as “demonstrações fi nanceiras supra-referidas e o relatório de gestão, bem como a proposta nele expressa, estão de acordo com as disposições contabilísticas e estatutárias aplicáveis, pelo que poderão” ser aprovadas pela reunião magna.

BPP em liquidação
O conselho fi scal informa ainda os accionistas do BPP que valida “a regularidade dos seus registos contabilísticos e o cumprimento dos

estatutos” e diz que recebeu quer da administração, liderada por João Rendeiro, quer “dos diversos serviços do banco, todas as informações e esclarecimentos solicitados”. Para além do economista, fundador do PSD, integram ainda o grupo de trabalho que vai monitorizar o cumprimento das contas públicas João Loureiro e uma administradora do Banco de Portugal (BdP), Teodora Cardoso. Recorde-se que o BdP detectou irregularidades nas contas do BPP

no período em que Pinto Barbosa certificou os números do banco enviados para o supervisor validar. O BPP está em fase de liquidação e a instituição, bem como os dirigentes dos seus órgãos sociais, são alvo de um conjunto de processos judiciais desencadeados pelos clientes que se consideram lesados pela gestão de João Rendeiro, mas também pela equipa nomeada pelo BdP, após a intervenção, encabeçada por Adão da Fonseca, que alegam que não defendeu os seus interesses.

Sócrates aplaude Janeiras “numa conjuntura difícil e exigente”
a O primeiro-ministro agradeceu ontem aos músicos de um grupo que interpreta cantares tradicionais das Janeiras por terem levado a São Bento momentos de alegria, “numa conjuntura de governação exigente e difícil”. José Sócrates falava após o Grupo de Cantares Tradicionais da Associação de Pessoal do Instituto Superior Técnico de Lisboa ter interpretado três temas musicais, cumprindo a tradição de levar o canto das Janeiras à residência oficial do primeiroministro. Na sua breve intervenção, José Sócrates referiu-se em termos genéricos à actual situação do país e salientou a importância da alegria e dos valores da tradição na vida nacional. “Quero agradecer-vos terem trazido momentos de alegria a esta casa, porque nos tempos que correm, com uma governação tão exigente e difícil, esses momentos de alegria são sempre bem-vindos. Um poeta brasileiro disse um dia que a alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração – e o que vocês fizeram aqui foi trazer um pouco de luz aos nossos corações”, declarou José Sócrates, recebendo depois palmas dos músicos.

PSD, CDS, PS e BE apoiam nova comissão a Camarate para investigar suspeitas sobre negócios de armamento
Sofia Rodrigues

a Dar continuidade aos trabalhos da oitava comissão para apurar a verdade do que aconteceu no desastre de Dezembro de 1980 que vitimou Sá Carneiro foi o principal argumento invocado ontem no debate sobre a criação de uma nova comissão sobre Camarate, proposta pelo PSD e pelo CDS-PP. O projecto de resolução deverá ser aprovado hoje com os votos a favor dos autores, do PS, do BE e a abstenção do PCP. “São razões de Estado e de justiça”, alegou o deputado Fernando Negrão, do PSD, na sua intervenção, acrescentando que cabe agora à política prosseguir o trabalho de apuramento da verdade, “esgotada que foi a inter-

Ricardo Rodrigues é presidente

venção da justiça”. E referiu a necessidade de aprofundar a investigação “acerca das operações de comércio de armamento que tivessem envolvido o Estado português e empresas portuguesas”. Pelo CDS-PP, Ribeiro e Castro lembrou que a nona comissão de inquérito à tragédia de Camarate se traduz num “dever público e histórico” de conhecer a verdade. O deputado centrista referiu que é também preciso corrigir a ideia de que “foi atentado ou acidente consoante as maiorias parlamentares de esquerda ou de direita”. “Não há nada de mais errado. Desde a quarta comissão que é reconhecido que houve um atentado”, afirmou. Quanto à participação dos representantes das famílias – em rela-

ção à qual o presidente da Assembleia da República pediu uma reflexão – Ribeiro e Castro lembrou que ela acontece desde sempre e “que sempre foi matéria pacífica”. O futuro presidente da comissão, o deputado socialista Ricardo Rodrigues, afirmou acreditar “que há factos novos que devem ser trazidos ao Parlamento” e defendeu uma nova comissão “para que não exista a mínima dúvida”. Foi também no sentido de “averiguar toda a verdade dos factos” que o BE sustentou o seu apoio à iniciativa. Menos receptivo, Jorge Machado, do PCP, disse não ver a “utilidade” de uma nova comissão sobre Camarate, depois de as duas últimas já terem chegado às mesmas conclusões.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 9

Portugal
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Jorge Ortiga, admitiu ontem que a contestação aos cortes salariais determinados pelo Governo possa passar dos tribunais para as manifestações de rua e apelou ao diálogo e à serenidade.

PS e PSD admitem mudar lei do financiamento partidário
Nuno Simas

Partidos querem ouvir os críticos do diploma em vigor há menos de um mês e vão chamá-los ao Parlamento
a A lei do financiamento dos partidos foi alterada no Parlamento em Novembro, está publicada e em vigor desde a véspera do Natal do ano passado. Nas últimas semanas, choveram as críticas. Da magistrada Maria José Morgado a sociólogos, como Luís de Sousa ou Manuel Meirinho. Agora, os dois principais partidos, PS e PSD, estão dispostos a discutir todas as dúvidas que surgiram. E – em última análise – corrigir ou clarificar a lei. Pode parecer estranho, mas é isso que está a acontecer. O último episódio desta saga foi o cálculo feito pelo professor de Ciência Política no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Manuel Meirinho, e divulgado pelo DN, segundo o qual haveria um aumento de oito

milhões de euros para os partidos por serem reforçados os apoios aos gastos dos grupos parlamentares com “assessorias e outras despesas de funcionamento”. Já antes, o PÚBLICO noticiara a possibilidade de o valor das coimas aplicadas a partidos e seus dirigentes regressarem aos cofres dos partidos, através das subvenções estatais. Uma “vigarice legislativa”, nas palavras de Luís Sousa, investigador do Instituto de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa e presidente da Transparência Portugal, que representa a organização internacional. PS e PSD, autores da lei, consideram que Manuel Meirinho elaborou num “lapso”, dado que “apenas” se passou este artigo das subvenções para as bancadas da Lei Orgânica da Assembleia da República para a lei de financiamento dos partidos, revogando-se a norma anterior. Foi essa a explicação dada ao PÚBLICO por Luís Montenegro, vice-presidente da bancada do PSD responsável por este dossier. À tarde, nos corredores da Assembleia, o PS fez circular a informação de

PEDRO CUNHA

Deputados vão voltar a discutir a lei aprovada em Novembro

que iria propor a audição, na comissão de Assuntos Constitucionais, de especialistas e críticos da lei. Logo depois, o PSD associou-se à ideia e mais tarde as restantes bancadas estariam também dispostas a subscrevê-la. E assim

terminou o dia: o requerimento iria ser entregue na comissão para serem ouvidos os especialistas. Quem? Não se sabe ainda. Mas Meirinho está disponível para esse debate. Ao PÚBLICO, afirmou que, “face a tantas dúvi-

das levantadas nos últimos tempos, tudo o que servir para esclarecer a lei é positivo”. PS e PSD querem ouvir os críticos. “Se tiverem razão, muda-se a lei”, disse Luís Montenegro. Até porque, frisou, o objectivo da alteração à lei que reduziu em 10 por cento as subvenções aos partidos é “também a transparência e a fiscalização”. Também Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada socialista, defende que não se pode acrescentar “mais confusão” e que, se se provar que a lei está mal, muda-se”. Ou que, se se provar que está bem, “cessem as críticas”. A verdade é que a ideia de ouvir especialistas já não é nova. Em Setembro, o PSD propôs, mas PS, PCP e Bloco chumbaram uma audição do presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, da presidente da Entidade das Contas, Margarida Salema, de Luís de Sousa e do deputado socialista António José Seguro, um crítico da lei. O argumento é que isso iria atrasar o debate e a votação do diploma.
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PCP e BE querem ideia do fim da NATO na Constituição
a PCP e BE contestaram ontem as propostas de PSD e CDS de eliminar da Constituição a preconização do objectivo de “dissolução dos blocos político-militares”, uma expressão que sociais-democratas e democratas-cristãos consideram remontar à época da Guerra Fria. Esta discussão marcou os trabalhos da comissão eventual para a revisão constitucional, que, durante cerca de duas horas e meia, discutiu alguns pontos do artigo sétimo da lei fundamental dedicado às relações internacionais. Tanto PSD como CDS-PP apresentaram propostas de alteração que
“Devíamos dizer ao ministro Luís Amado que tudo o que ele fez está errado e realizámos uma cimeira inconstitucional”

suprimem a dissolução dos blocos político-militares do texto da Constituição e, apesar de não apresentar nenhuma proposta nesse sentido, o PS, através do deputado Vitalino Canas, considerou tratar-se de uma “expressão datada”. O deputado do BE Luís Fazenda sublinhou que “o facto de ter terminado o Pacto de Varsóvia não terminou com os blocos político-militares, mantém-se um”, que está consubstanciado na NATO. Vitalino Canas discordou, considerando que “hoje em dia a NATO pode ser entendida como várias coisas, mas não como um bloco político-militar”.

Para Marques Guedes (PSD), o que estava em causa em 1976, quando a Constituição foi aprovada, era “a existência de um mundo bipolar e de uma escalada de violência em consequência desses dois blocos”, liderados por um lado pelos Estados Unidos e, por outro, pela União Soviética, defendendo que “foi essa escalada desse mundo bipolar que desapareceu”. Bernardino Soares (PCP) sublinhou que “quando a Constituição fala de blocos não se cinge ao contexto da Guerra Fria”, sublinhando que “hoje há um bloco político-militar, no futuro pode haver mais”. “O que desejamos é que não haja nenhum”, disse, referindo que o PCP já apoiou essa posição quando existiam os dois blocos, um dos quais comunista. O PEV, através de Heloísa Apolónia, apoiou a ideia: “É ou não relevante combater cenários de blocos político-militares? É, por isso, e até por cautela, deve manter-se na Constituição.” O democrata-cristão Telmo Correia defendeu que a expressão deve retirar-se da Constituição quer a conclusão seja que não existem blocos político-militares, quer exista um, constituído pela NATO, porque, neste último caso, a participação de Portugal naquela organização seria inconstitucional. “Devíamos ir a correr dizer ao ministro [dos Negócios Estrangeiros] Luís Amado que tudo o que ele fez está errado, e até que realizámos uma cimeira inconstitucional”, disse, recorrendo ao humor. Lusa

10 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Portugal
Justiça Há 16 milhões de euros em indemnizações atribuídas pelos tribunais por pagar

Fundo do Estado para pagar indemnizações está a zeros
Fundo à ordem do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais esgotouse. A dívida corresponde a quantias decretadas em 20 processos
Mariana Oliveira e Sofia Rodrigues

Os alertas ao Governo e Parlamento começaram em Outubro

NELSON GARRIDO

a O Estado tem uma dívida de cerca de 16 milhões de euros por não ter verba disponível para pagar 20 indemnizações decretadas pelos tribunais. A informação é do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF), à ordem de quem existe um fundo que serve para pagar estas verbas, quando o organismo da Administração Pública condenado a pagar a indemnização não o fez voluntariamente. Contudo, este fundo esgotou-se e pelo menos desde Outubro que o CSTAF tem vindo a alertar o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República para este problema, sem que nada tenha sido feito. Anteontem, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, informou os deputados, na conferência de líderes, que tem recebido ofícios deste conselho superior para promover a abertura de créditos extraordinários que permitam pagar os
Jaime Gama tem recebido vários ofícios do conselho superior e já alertou os deputados para a situação

cerca de 16 milhões de euros em dívida. São particulares e pessoas colectivas que recorrem a este fundo para serem ressarcidas das quantias que o Estado lhes deve. Os motivos da indemnização podem ser os mais variados, desde um despedimento ilícito ou a lesão do direito de um cidadão devido a um erro da administração. Muitas destes casos envolvem municípios, como a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada que, em Setembro passado, condenou a Câmara de Santa Cruz das Flores a pagar cerca de 38.500 euros ao município das Lages das Flores. Ou a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco que, em Novembro, obrigou a Câmara de Gouveia a pagar 101.300 euros às Águas do Zêzere e Côa. Também há, contudo, particulares que usam esta possibilidade legal.

Apenas mil euros para 2011
Luís Fábrica, membro do CSTAF, explica que o recurso a este fundo tem sido cada vez mais utilizado. “Os senhores advogados descobriram há relativamente pouco tempo esta via legal e utilizam-na cada vez mais. Por isso, o conselho tem sido confrontado com um número cada vez maior de solicitações”, refere. É a própria lei que determina que quando o fundo se esgota, se oficie junto do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro para que “se promova a abertura de créditos extraordinários”. Mas a lei não está a ser integralmente cumprida. É que a dotação para este fundo deve corresponder “no mínimo ao montante acumulado das condenações decretadas no ano anterior e respectivos juros de mora”, prevê o artigo 172, n.º 3, do Código de Processo nos Tribunais Administrativos. E para este ano a rubrica inscrita no orçamento para pagar quantias atribuídas por decisões judiciais é de apenas mil euros, o que é manifestamente insuficiente

Marinho Pinto em tomada de posse agitada Críticas do bastonário mal recebidas pelos pares
Actuais e antigos membros do Conselho Superior da Ordem dos Advogados (OA) abandonaram ontem à noite a sala onde tomou posse o bastonário, em protesto pelas críticas de Marinho Pinto à actuação do órgão. “O Conselho Superior, que é o supremo órgão jurisdicional da Ordem dos Advogados, agiu em relação ao bastonário, simultaneamente, como polícia, como Ministério Público e como juiz, chegando a fazer participações a si próprio contra o bastonário”, acusou Marinho Pinto na tomada de posse do seu segundo mandato, que ontem decorreu na sede da OA, em Lisboa. As críticas provocaram a debandada de vários membros do Conselho Superior, numa cerimónia a que assistiu o ministro da Justiça, Alberto Martins. Ao ministro, Marinho Pinto pediu “medidas concretas” que permitam pôr cobro aos atrasos nos pagamentos do Estado aos advogados que asseguram as defesas oficiosas e que estão, nalguns casos, há três meses sem receber. O bastonário anunciou também que vai convocar com urgência uma nova assembleia-geral para votar o orçamento da Ordem, que voltou a ser chumbado em Dezembro.

montantes em dívida. Como Jaime Gama considera que o Parlamento não tem competência legislativa orçamental, tem remetido esses ofícios para o Governo e para a Comissão de Orçamento e Finanças. Ontem, o PÚBLICO tentou obter, sem sucesso, um comentário do Ministério da Justiça a esta situação. Num e-mail enviado ao PÚBLICO, Luís Ferreira, secretário do CSTAF, explica que este problema não é novo. “O orçamento do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais não tem sido suficiente para pagamento de quantias devidas a título de cumprimento de decisões judiciais”, afirma, precisando que neste momento existe um valor de

face aos valores das indemnizações decretadas no ano passado. Quando o conselho paga uma dívida de um instituto público ou de uma empresa pública, este organismo acaba por ser obrigado a assumir o pagamento, já que a lei prevê que o valor respectivo lhe seja descontado nas transferências efectuadas a partir do Orçamento do Estado ou que o mesmo seja inscrito oficiosamente nas suas contas. O mesmo acontece quando a entidade responsável pela dívida é uma região autónoma ou um município. Apesar deste fundo também poder ser usado em acções de responsabilidade extracontratual do Estado, o CSTAF informa que não conhece qualquer condenação resultante das novas disposições aprovadas em 31 de Dezembro de 2007.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 11

Portugal
Foi o próprio presidente do Infarmed quem o anunciou ontem na AR: a autoridade do medicamento processou o presidente da Associação Nacional de Farmácias, João Cordeiro, depois de este ter lançado suspeitas sobre a sua relação com os laboratórios farmacêuticos.

Advogados defendem que “no banco dos réus deviam estar pessoas mais responsáveis”
DANIEL ROCHA

Implante contraceptivo é seguro se for bem aplicado
a A agência britânica que regula o sector do medicamento e produtos de saúde viu-se ontem obrigada a divulgar um comunicado em que esclarece que, “quando usado correctamente, o implante subcutâneo Implanon é um contraceptivo seguro, eficaz e confiável, que evita a gravidez durante três anos”. O esclarecimento surgiu na sequência de uma notícia do canal de TV Channel 4 News, segundo a qual o serviço nacional de saúde britânico gastou 235 mil euros a indemnizar 14 das 548 mulheres que engravidaram usando aquele contraceptivo desde que ele foi licenciado, em 1990. No Reino Unido, estima a Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency, terão sido vendidos mais de um milhão destes implantes nos últimos 12 anos. “Todos os estudos feitos até ao momento confirmam que aquele contraceptivo tem uma eficácia de mais de 99 por cento — é mais eficaz do que a pílula”, sublinhou ontem o presidente da Sociedade Portuguesa de Contracepção, David Rebelo. Em declarações ao PÚBLICO, o médico assegurou que não há registo de qualquer gravidez de utilizadoras do implante, em Portugal desde 1999. Apesar de não estar na posse de dados precisos sobre a percentagem de utilizadoras quando foi contactado, adiantou que o implante subcutâneo é especialmente utilizado por mulheres jovens.

Catarina Gomes

Processo-crime dos cegos do Hospital de Santa Maria vai ter decisão no início do próximo mês. Profissionais dizem que farmácia “era tudo menos organizada”
a Um farmacêutico e uma técnica de farmácia do Hospital de Santa Maria estão acusados de uma alegada troca de fármacos que terá levado à perda de visão de seis doentes naquela unidade, mas os seus advogados defenderam ontem, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, que “os dois jovens” são “o elo mais fraco da cadeia”. “No banco dos réus deviam estar sentadas pessoas mais responsáveis.” Durante três horas, os advogados dos dois profissionais — que continuam a trabalhar no hospital mas com outras funções — defenderam que o Ministério Público (MP) não conseguiu provar a sua tese: a de que terá havido uma confusão nos rótulos, trocando-se o fármaco que devia ter sido injectado nos olhos, o bevacizumab (marca Avastin), por um outro que é usado por via venosa e que quando aplicado sobre tecidos provoca destruição ocular. Os advogados reforçaram que quando se recolheram amostras do produto nos olhos dos doentes já tinham passados demasiados dias e que, por isso, as análises não foram conclusivas. Seis doentes perderam total ou parcialmente a visão na sequência

do ocorrido, com a contratação de 16 farmacêuticos quando eram apenas três, sublinhou, por seu lado, Ricardo Vieira, o causídico que defende o farmacêutico.

Aproveitar sobras
Os arguidos sustentam que o manual de procedimentos que o hospital apresentou e que são acusados de ter violado é falso e terá sido produzido à pressa depois do ocorrido. “Seis testemunhos dizem que não existia”, sublinhou Ricardo Vieira, desmentindo alegações da coordenadora do serviço, que é “a principal testemunha da acusação”, notou. O MP diz que vigorava o princípio da dupla fiscalização dos fármacos enviados para o bloco operatório, mas Ricardo Vieira reitera que “não era possível humanamente fazer dupla fiscalização”, devido à falta de recursos humanos e porque havia ordens expressas nesse sentido. Os procedimentos eram decididos informalmente pela coordenadora, defendeu. Também foi posto em causa um sistema — que vigorava à altura na unidade e é prática em vários hospitais — de aproveitamento de sobras de medicamentos. Um frasco do fármaco aplicado podia custar 700 euros e, por isso, aproveitavam-se os restos para novas doses. O princípio era o da poupança e o problema é que não havia registo rigoroso destas substâncias. “Por que não confrontar a coordenadora do serviço e o conselho de administração?”, perguntou Ricardo Vieira. A prática foi suspensa nos dias seguintes ao ocorrido.

O farmacêutico agora acusado continua a trabalhar no hospital

da intervenção, em Julho de 2009. As alegações decorreram durante o debate instrutório, a fase final da instrução — uma parte do processo que funciona como uma espécie de pré-julgamento e em que é pedido ao juiz que decida se considera haver matéria para julgamento ou se arquiva o processo. A decisão está marcada para 4 de Fevereiro. O MP indiciou os dois profissionais pela prática de seis crimes de ofensa à integridade física grave, na forma de dolo eventual.

O dedo foi apontado ao conselho de administração do hospital e à então coordenadora do serviço de farmácia hospitalar, que tem contra si um processo disciplinar, mas que não foi acusada. Uma coisa é certa, defendeu o advogado da técnica, Victor Faria: “A farmácia hospitalar da unidade era tudo menos organizada e exemplar”, com “um trabalho que era violento e envolvia uma pressão terrível”. O reconhecimento das alegadas más condições de trabalho veio dias depois

Alguns hospitais afastados da proposta para nova rede de tratamento oncológico
Margarida Gomes

a Há uma nova proposta para a rede de cuidados oncológicos que deverá ser implementada em todo o país até ao final deste ano. Manuel Leitão Silva, coordenador nacional da luta contra o cancro, que ontem apresentou a proposta à ministra da Saúde, garante que não se vai assistir ao encerramento de serviços, embora reconheça que há tratamentos que deixam de ser feitos nalguns hospitais. “O que eu pretendo é que cada hospital faça aquilo para que tem potencialidades. A rede de referenciação em oncologia é uma rede de intercâmbio de hospitais que podem receber os mesmos doentes para tratar situações de gravidade diferente”, declarou ao PÚBLICO Manuel Leitão Silva, salientando que “desta forma será possível prestar aos doentes um serviço mais organizado do que acontece hoje”.

Afirma que o desafio é grande, mas confia que a proposta que pretende agora discutir com todos aqueles que fazem parte da rede de cuidados oncológicos “vai traduzir-se numa resposta mais eficaz e também mais rentável” de assegurar os necessários tratamentos.
Segundo o plano ontem apresentado a Ana Jorge, serão os hospitais a dizer o que conseguem ou não fazer

“A partir do momento em que o doente tem o diagnóstico de cancro, fica automaticamente registado na rede e o tratamento de que necessita será feito nos hospitais que têm essa capacidade”, acrescenta. Se um hospital não tem capacidade para fazer quimioterapia, sabe para onde encaminhar o doente, explica.

“A primeira coisa que vou fazer é conquistar todas as pessoas para a aceitação do esquema que defendo”, diz Manuel Leitão Silva. “Só consigo fazer isso com a ajuda dos hospitais e dos funcionários de saúde.” Para os próximos dias, o coordenador nacional tem previstos contactos com várias entidades para pôr o projecto em marcha, nomeadamente com os responsáveis pelos hospitais, já que são eles que hão-de definir as suas capacidades. O presidente da especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, Jorge Espírito Santo, é outra das entidades que pretende ouvir. Ontem, em declarações ao PÚBLICO, Espírito Santo disse aguardar com expectativa esse contacto e, à partida, mostra disponibilidade para colaborar. E revela que concorda com o princípio de o tratamento ser feito nos hospitais com maior capacidade, porque isso, frisa, é melhor para o doente.

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Não perca em 2011

12 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Portugal
Q.b.
Ambiente Limpar Portugal vai repetir-se este ano
A campanha Limpar Portugal, que em 2010 levou mais de 100 mil pessoas a recolherem 50 mil toneladas de lixo de norte a sul do país, vai ser reeditada este ano. O primeiro passo foi dado pelos organizadores da iniciativa, que lançaram o repto para o concelho de Braga e estão a convidar todos a participarem noutros pontos do país. “É mais um repto do que uma organização”, explica Paulo Pimentel Torres, um dos líderes da iniciativa. “As pessoas, localmente, já sabem como fazer.” Este ano, o dia escolhido é 19 de Março.

Internet Acapor entrega na procuradoria-geral mil queixas por pirataria
FABIO TEIXEIRA

Pronúncia Professora que falou de sexo será julgada
A professora de Espinho que utilizava as aulas de História para comentar questões da vida sexual com os alunos do 7.º ano de escolaridade vai ser julgada. Em causa está um crime de injúria e outro de ameaça, motivados pela queixa da mãe da aluna que terá denunciado a situação e registado uma das aulas através de um gravador colocado na mochila da filha. Na decisão instrutória, o juiz do Tribunal de Espinho considerou que os factos são suficientes para levar a docente a julgamento.

Com o aparato de 11 caixotes que continham milhares de páginas, a Acapor, que representa os videoclubes portugueses, entregou ontem, na ProcuradoriaGeral da República, em Lisboa, mil queixas-crime por partilha de conteúdos na Internet. “O Ministério Público tem hoje condições para ter mais sucesso” neste tipo de investigação, afirmou o presidente da Acapor,

Nuno Pereira, confrontado com o facto de serem muito raras as condenações em processos deste género. Mas defendeu que o necessário é uma alteração legislativa, em que estes casos possam ser tratados como contraordenações e não como crimes. Numa queixa recorrente por parte dos representantes das indústrias de conteúdos, Nuno Pereira apontou ainda o dedo

aos fornecedores de acesso à Internet. Estes, argumentou, conseguem vender velocidades de acesso elevadas porque os utilizadores podem descarregar conteúdos “pesados”, como filmes. “A pirataria é um negócio, e muito rentável, para os operadores de Internet.” A partilha de filmes, disse Nuno Pereira, levou à crise dos videoclubes: “Os nossos

associados estão a ser verdadeiramente chacinados. A fecharem lojas quase diariamente, não é possível manter esta indústria.” A Acapor tem já um historial de iniciativas contra a partilha online e pretende entregar mil queixas-crime por mês, todas acompanhadas por um endereço de IP. João Pedro Pereira

Face Oculta Juiz “cumpriu lei” na questão das escutas
O conselheiro Bravo Serra, vicepresidente do Conselho Superior da Magistratura, defendeu ontem que o juiz Carlos Alexandre “cumpriu a lei processual” quando decidiu notificar arguidos e assistentes do processo Face Oculta relativamente à destruição das escutas nele contidas. A destruição destas comunicações, que envolvem o primeiroministro, José Sócrates, e o antigo vice-presidente do BCP Armando Vara, foi decidida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento.

Freeport PJ pede elementos sobre processo à PGR
A Direcção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) solicitou à Procuradoria-Geral da República uma cópia dos elementos do processo Freeport que serviram de base ao relatório do instrutor do Ministério Público, Domingos Sá, que considerou que os inspectores que investigaram o caso cometeram ilegalidades e irregularidades. A direcção da PJ quer analisar a documentação para ajuizar se há motivos para abrir um inquérito à equipa da PJ de Setúbal, dirigida por Maria Alice Fernandes, que investigou o Freeport.

Clima Madeira teve chuvas recorde em 2010
A Madeira teve em 2010 o seu ano mais chuvoso do último século e meio, segundo o Instituto de Meteorologia. O nível de precipitação chegou aos 1469 milímetros, o mais elevado desde 1865. Só em Fevereiro, palco de trágicas enxurradas, a precipitação no Funchal superou em seis vezes o valor médio. Em todo o território nacional, 2010 foi um ano mais quente do que a média de 1971-2000. No Continente, a temperatura média foi de 15,42 graus Celsius, 0,24 graus acima da normal.

França Dono de discoteca morto a tiro em Paris
Um português residente em França foi assassinado a tiro junto à discoteca de que era proprietário, nos arredores de Paris. O empresário, de 38 anos, identificado apenas como Paulo, foi morto na madrugada de terça-feira por um grupo de encapuzados, no que parece ter sido um acto de vingança. Segundo noticiou a imprensa francesa, o empresário encontrava-se no estacionamento da discoteca com um empregado, que foi também atingido e ficou gravemente ferido.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 13

Portugal
São mais de 25 mil entradas enciclopédicas em português que passam a estar disponíveis de forma gratuita. A Porto Editora acaba de lançar para o iPhone a sua Diciopédia, o mais conhecido e premiado produto multimédia português. A versão para iPad sairá em Fevereiro.

Libertada a segunda das três Marias presas na Venezuela
Ana Cristina Pereira

Maria Virgínia, que viajava num avião com 387 quilos de cocaína, saiu anteontem à noite de Tires
a A directora do Estabelecimento Prisional de Tires deixara um recado no telemóvel do advogado Carlos do Paulo, mas ele não o ouvira. Só soube quando a sua cliente, Maria Virgínia Passos, lhe ligou: era uma mulher livre. E a hora pareceu-lhe “imprópria” para pôr uma reclusa na rua — já passaria das 22h30. Há mais de seis anos que Maria Virgínia não podia dizer aquilo. Desde que fora detida a bordo de um avião operado pela Air Luxor com 387 quilos de cocaína acomodados dentro de malas. O mandado de libertação proveniente do 3º juízo do Tribunal de Execução de Penas de Lisboa chegara por fax antes das 18h. Diligências, arrumações, despedidas arrastaram
Maria Virgínia só conseguiu a transferência para Portugal no final de 2010, no dia em que Hugo Chávez visitou o Porto

um processo administrativo de três meses para que lhe seja restituída a liberdade”, enfatizava. Requereu a transferência para Portugal em 2007. Só a conseguiu a 24 de Outubro de 2010 — no dia em que o Presidente da República Bolivariana

da Venezuela, Hugo Chávez, visitou o Porto, precisamente seis anos depois de ela ter sido detida no estado de Vargas. Beneficiou de três perdões. “Quando aterrou em Portugal, já tinha ultrapassado o prazo de cinco sextos [da

pena total] que a lei portuguesa e a lei venezuelana estabelecem como período máximo para qualquer recluso permanecer em prisão”, explicava o advogado ontem, uma e outra vez aos jornalistas que o procuravam. O prazo máximo “foi atingido no dia 30
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de Setembro de 2010”. Não apontava dedos. Dizia: “O Estado português teve de fiscalizar, de requerer informações e documentos às autoridades venezuelanas.” Teve, por exemplo, de confirmar a veracidade dos perdões.

sexta-feira, dia 7

Fátima Felgueiras alega inocência nos pagamentos a advogados
José Augusto Moreira

www.ipsilon.pt Facebook
Sexta-feira 7 Janeiro 2011

www.ipsilon.p t

a saída. E Virgínia acabou por sair àquela hora. Uma amiga apanhou-a à porta e conduziu-a ao advogado. Ainda conversaram antes de ela seguir para Arraiolos. Jornalistas de diversos órgãos de comunicação social montaram o cerco à segunda das Marias — a bordo seguiam outras duas passageiras: Maria Margarida, a “cabecilha”, está ainda presa na Venezuela, e Maria Antonieta, a primeira a conseguir transferência, foi libertada há cerca de um mês. O advogado queixa-se da delonga do processo. Parece-lhe “lamentável” não haver um “mecanismo processual expedito e célere para libertar quem deve ser libertado”. “Uma pessoa que já esgotou o limite máximo que a lei permite [para penas de prisão] não pode estar à espera de

Colégios católicos ponderam processar o Estado
Bárbara Wong

a A Associação Portuguesa das Escolas Católicas (APEC) pondera processar o Estado por causa dos contratos de associação. “Há contratos que foram assinados em Setembro e foram quebrados”, alega o padre Querubim Pereira da Silva, presidente da APEC e director do Colégio Nossa Senhora da Apresentação, em Aveiro. Em causa estão o decreto-lei e a portaria que alteram as regras de financiamento de 93 colégios privados pelo Estado, porque prestam um serviço

público. A portaria define que a tutela vai pagar 90 mil euros por ano por cada turma financiada, um corte que o sector diz ser de 30 por cento e que põe em causa os postos de trabalho de professores e funcionários. As escolas não conseguem fazer face aos encargos, acrescenta o padre Alfredo Cerca, director do Colégio de Penafirme, em Torres Vedras. “Vamos receber 434.700 euros e precisamos de 530 mil. Só 450 mil são para ordenados”, justifica. O director pondera reduzir salários e substituir o subsídio de alimentação por refeições no

NUNO SARAIVA

ESTE SUPLEMENTO

FAZ PARTE

INTEGRANTE

Todas as propostas de música, cinema, livros, exposições e espectáculos

Quebra de contratos em causa

colégio a 164 professores e 97 funcionários. “Não temos capacidade de endividamento”, lamenta. As escolas prevêem “aparecer nos trajectos dos candidatos presidenciais, quando forem próximos dos colégios”, revela Pereira da Silva. No domingo, o candidato Cavaco Silva estará no Vimeiro, perto de Penafirme. Pais e alunos querem manifestar-se. O CDS-PP requereu ontem a presença da ministra da Educação no Parlamento, considerando que ainda há muitas questões por esclarecer.

a Fátima Felgueiras diz que os processos que lhe têm sido movidos pelo Ministério Público (MP) “são de índole exclusivamente política” e refuta quaisquer responsabilidades nos pagamentos feitos pela autarquia ao advogado brasileiro que a defendeu naquele país. Ontem, em julgamento, a ex-presidente da Câmara de Felgueiras disse mesmo desconhecer o causídico que apresentou o pedido de habeas corpus para evitar que fosse extraditada para ser submetida a prisão preventiva em Portugal, remetendo para o advogado Artur Marques todas as explicações. Perante o tribunal que a está a julgar por um crime de participação económica em negócio e outro de abuso de poder, Fátima Felgueiras disse que sempre tratou exclusivamente com Artur Marques, ao qual a autarquia pagou facturas de 84 mil euros relacionadas com as despesas efectuadas na defesa da ex-autarca. O advogado está indicado pelo MP como testemunha, devendo ser ouvido numa das próximas sessões do julgamento que continua no próximo dia 18 e que ontem foi exclusivamente dedicado ao interrogatório de Fátima Felgueiras. Para além dos cerca de 16 mil euros em pagamentos ao advogado do Brasil, Paulo Ramalho, que foram feitos através de Artur Marques, Felgueiras está ainda acusada por ter impedido que a autarquia adiantasse verbas para o advogado de Horácio Costa, ao contrário do que aconteceu com a generalidade dos arguidos envolvidos nos processos do caso Saco Azul e dos financiamentos do clube de futebol local. Costa foi um dos principais denunciantes do alegado esquema de financiamento do Partido Socialista local e do indevido encaminhamento de verbas para o futebol, tendo sido entre vereadores e ex-vereadores o único a quem a autarquia recusou pagamentos para despesas judiciais. Nesta matéria, Fátima Felgueiras justificou-se com eventuais dúvidas sobre se Horácio Costa teria direito ao apoio da autarquia, alegando também que deixou de despachar naquele tipo de casos desde a altura em que foi constituída arguida.

DA EDIÇÃO

Nº 7580 DO

PÚBLICO, E

NÃO PODE

SER VENDIDO

SEPARADAME

NTE

14 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Mundo
Atentado Grupo no Facebook de apoio ao autor dos disparos tem dois mil seguidores

Morte do governador do Punjab volta a provar a força dos radicais paquistaneses
Líderes religiosos sunitas louvaram o assassínio de Salam Taseer, que foi ontem a sepultar em Lahore. Guarda-costas que o matou foi saudado por apoiantes à porta do tribunal
Ana Fonseca Pereira “Estamos prontos para sacrificar a vida pelo Profeta”, gritou Qadri
MIAN KHURSHEED/REUTERS

a Desafiando as ameaças dos islamistas, milhares de pessoas participaram ontem no funeral de Salman Taseer, governador do Punjab e um dos políticos mais influentes do Paquistão. O seu assassínio, numa altura em que fazia campanha contra a lei da blasfémia, fragiliza a ala liberal e mostra, sobretudo, o imparável crescimento do fundamentalismo no país. Ao mesmo tempo que, sob fortes medidas de segurança, o caixão de Taseer era levado de helicóptero para um cemitério militar de Lahore, a capital do Punjab, o seu assassino chegava a um tribunal de Islamabad, onde soube que será julgado pelos crimes de homicídio e terrorismo. Na rua, uma pequena multidão de apoiantes gritava “Allahu Akbar” (Deus é grande) e à sua passagem foram lançadas pétalas de rosa. “Estamos prontos para sacrificar a vida pelo prestígio do Profeta”, respondeu-lhes Mumtaz Qadri. O guarda-costas, de 26 anos, entregou-se pouco depois de ter crivado de balas o corpo de Taseer. Ainda sorridente, disse a quem o prendeu que matou o governador por causa da campanha que ele promovia para reformar a lei que pune com a morte os que blasfemam contra o islão. O crime foi repudiado, dentro e fora do país, mas ontem um dos mais influentes grupos de religiosos sunitas do país elogiou a “coragem” de Qadri. O grupo, que integra 500 ulemas tidos como moderados, avisou ainda os fiéis para não rezarem por Taseer, “porque aqueles que apoiam a blasfémia cometem eles próprios blasfémia”. Também o Jamaat-e-Islami, um dos maiores partidos islamistas paquistaneses, considerou o assassínio justificado face às posições assumidas pelo governador e o jornal Jang, maior diário em língua urdu, dizia que ninguém devia chorar a morte do governador.

Lei da blasfémia no centro da polémica Governador apoiava o fim da pena de morte
É uma das leis mais controversas do país. Os opositores dizem que discrimina as minorias e que é muitas vezes usada como arma de arremesso em disputas pessoais. Os seus defensores, conservadores e extremistas religiosos, alegam que é essencial para defender o carácter islâmico do Paquistão. Herdeira de normas coloniais, a lei da blasfémia foi endurecida durante a ditadura militar do general Muhammad Zia ulHaq. Os insultos ao Islão ou ao Profeta – por palavras, gestos ou insinuações – começaram por ser punidos com prisão perpétua e, após 1986, com a pena de morte. Os raros casos até então registados multiplicaram-se nos anos seguintes e, apesar de todas as penas capitais terem até hoje sido comutadas, dezenas de pessoas acusadas foram linchadas. Em Dezembro, uma deputada do PPP (no poder) lançou, com o apoio do governador do Punjab, uma campanha para abolir a pena de morte para a blasfémia e salvar Asia Bibi, uma cristã condenada por este crime. Mas o Governo decidiu não rever a lei após protestos nas ruas e uma greve que paralisou várias cidades.

Radicais disseminados
O assassínio de Taseer é o mais duro golpe para o Partido Popular do Paquistão (PPP) desde a morte, há quase três anos, da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. Coincide com uma nova crise política – o maior aliado do PPP abandonou a coligação, deixando o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani sem maioria no Parlamento – e somase à grave situação económica que o país atravessa, com um défice e uma inflação galopante.

Um caldo que é favorável à expansão do radicalismo islâmico, cada vez menos limitado às zonas tribais ou aos sectores mais pobres da população. “Os extremistas já não precisam de pertencer aos taliban, com barba e turbante. Eles estão em todo o lado, sob todas as aparências”, escreveu o jornal Dawn, lembrando que Qadri pertencia há vários anos à unidade de elite da polícia. Vários colegas e dois superiores do guarda-costas foram detidos para interrogatório, entre suspeitas de que a sua unidade poderia ter sido infiltrada por extremistas. A AFP notou que, até ao final do dia de ontem, dois mil utilizadores do Facebook tinham aderido a um grupo de apoio a Qadri e milhares de outros elogiavam a sua acção nas suas páginas sociais. “O vírus [do islamismo] infectou toda a sociedade e nem as escolas, nem a polícia são capazes de

encontrar um antídoto”, lamentou-se Zafarullah Khan, director do Centro para a Educação Cívica. Um “vírus” que Islamabad tolerou durante anos e que é agora incapaz de controlar, apesar das pressões do Ocidente, alarmado com os sucessivos ataques ali planeados e que reconhece no país um aliado essencial na luta contra o terrorismo. Mas, no imediato, a morte de Taseer representa um sério aviso para os políticos liberais e os activistas dos direitos humanos. O governador do Punjab foi dos poucos que não recuaram perante os protestos dos islamistas, mesmo quando nas ruas era queimada a sua esfinge. “Este assassinato é um grave revés para as forças democráticas. Vai instigar o medo na população e mesmo na imprensa e isso é uma evolução muito grave”, lamentou-se o activista paquistanês Anees Jillani.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 15

Chefe xiita Moqtada al-Sadr regressa ao Iraque
O seu regresso confirmou que continua popular: após quatro anos a estudar religião no Irão, Moqtada al-Sadr voltou ontem ao Iraque e dirigiu-se a Najaf, cidade-santuário xiita, onde foi aclamado por muitos. Sadr criou uma milícia que enfrentou os EUA duas vezes e um movimento político que elegeu 39 dos 325 deputados do Parlamento.

Religionline, um blogue sobre religião e cultura http://blogs.publico.pt/religionline

UE critica projecto de muro na Grécia para travar imigração que entra pela Turquia
Maria João Guimarães

Atenas diz que o fluxo de entrada de imigrantes ilegais, africanos e asiáticos vindos da Turquia, se tornou insustentável e quer travar este fluxo com uma barreira
a A Grécia anunciou a construção de um muro em parte da sua fronteira com a Turquia para impedir a passagem de imigrantes ilegais, uma medida que a União Europeia recebeu com frieza e que críticos acusam de reforçar a imagem de um clube europeu elitista. Mas Atenas queixa-se que o fluxo de entrada de migrantes no território se tornou “insustentável”. “A sociedade grega ultrapassou o limite da sua capacidade de acomodar imigrantes ilegais”, afirmou o ministro da Ordem Pública, Christos Papoutsis, lembrando que mais de 100 mil pessoas entraram ilegalmente na Grécia no ano passado, 40 mil das quais no local onde pretende construir a barreira. Segundo a agência que controla as fronteiras da UE, a Frontex, o número de entradas ilegais na fronteira Norte da Grécia aumentou 369 por cento até Setembro de 2010 comparando com o mesmo período no ano anterior.

Para além do muro de três metros de altura e uma extensão de 12,8 quilómetros, a Grécia anunciou ainda um reforço das patrulhas marítimas na sua longa extensão costeira. A Frontex estima ainda que actualmente, depois do reforço do patrulhamento em Itália e Espanha e dos acordos recentes de repatriamento feitos por estes países, 90 por cento dos imigrantes ilegais que chegam ao espaço Schengen o façam através da Grécia. A UE deslocou 175 guardas fronteiriços armados em Novembro para ajudar a Grécia a lidar com esta entrada de imigrantes e afirmou há duas semanas que iria estender a presença da missão até Março. Em relação ao anúncio do muro, a Comissão Europeia diz, no entanto, que barreiras físicas são “medidas de curto prazo que não permitem atacar a imigração ilegal de um modo estrutural”, segundo um porta-voz, Michele Cercone, citado pela emissora britânica BBC. “Dissemos claramente à Grécia que o país precisa de reformas estruturais e medidas para gerir melhor a sua fronteira, para lidar melhor com os desafios dos fluxos migratórios.” A questão da imigração ilegal tem sido um espinho atravessado entre Bruxelas e Atenas: a Grécia queixa-se de ter pouco apoio para gerir a entra-

ANGELOS TZORTZINIS/AFP

Chefe dos liberais alemães afasta desafio à sua liderança
a Nas últimas semanas, a imprensa alemã estava cheia de metáforas de guerra a propósito do encontro de hoje do Partido Liberal Democrata (FDP) com punhais afiados e espadas desembainhadas no desafio à autoridade do líder, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle. Mas em vésperas do encontro, as armas pareciam ter sido guardadas, pelo menos para já. Isto apesar de recentemente um líder regional do partido, Wolfgang Kubicki, ter afirmado que o estado dos liberais era semelhante ao da Alemanha de Leste nos seus últimos dias. O partido passou de uma euforia com um resultado de 14,6 por cento nas eleições de 2009 para chegar a um mínimo de 3 por cento nas sondagens – se as eleições fossem hoje, os liberais nem conseguiriam passar a barreira dos 5 por cento para ter lugares no Parlamento. Westerwelle é, pelo seu lado, o político mais impopular do momento, com 22 por cento de opiniões favoráveis, contra 61 por cento da chanceler Angela Merkel. O líder dos liberais tem sido visto como alguém que falhou as promesOs liberais têm só três por cento nas sondagens. Guido Westerwelle é o político menos popular da Alemanha

Mais de 100 mil ilegais entraram na Grécia no ano passado

da de imigrantes ilegais dos Vinte e Sete, enquanto a Comissão já criticou o panorama dos centros de acolhimento, cujas condições são arrasadas em relatórios de organizações de defesa dos direitos humanos. A ONU classificou-os mesmo como “desumanos” e “degradantes” e alguns países, como o Reino Unido ou a Itália, já nem reenviam para território grego, pela falta de condições, imigrantes nos seus países que tenham entrado pela Grécia. Outros críticos do muro notam que

este pode ser visto como um símbolo da oposição de alguns países europeus à entrada da Turquia na UE. De facto, a imprensa turca reagiu criticando este aspecto: “É quase como se os países europeus que não querem a adesão da Turquia [...] estivessem desesperadamente a procurar mais medidas exclusionistas”, diz um comentário num dos maiores diários turcos, Today’s Zaman. “Este muro simboliza uma coisa apenas – a declaração física de que a Turquia está fora da Europa.”

Filho mais novo do Xá do Irão morreu nos EUA
a O filho mais novo do Xá do Irão derrubado pela revolução islâmica, Ali Reza Pahlavi, de 44 anos, suicidouse na madrugada de terça-feira na sua casa de Boston, nos EUA, anunciou o irmão Reza Pahlavi no seu site. “É com muita tristeza que informamos os nossos compatriotas da morte do príncipe Ali Reza Pahlavi”, escreve o filho mais velho do Xá Mohammad Reza Pahlavi, derrubado em 1979 (morreria no ano seguinte no Cairo). “Como milhões de jovens iranianos, ele estava profundamente perturbado por todos os males que atingem a sua querida pátria, carregando também o fardo da perda do pai e da irmã ao longo da sua jovem vida”, escreve ainda o irmão mais velho. Pahlavi “morreu vítima de um tiro de arma de fogo que ele aparentemente disparou contra si, segundo apontam os primeiros elementos da investigação”, disse uma fonte policial à AFP.

Radicais flamengos rejeitam compromisso para saída da crise na Bélgica
Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas

a Os independentistas flamengos voltaram a arruinar as esperanças de formação de um governo na Bélgica depois de mais de 200 dias de impasse, ao rejeitar uma proposta destinada a fornecer o ponto de partida para a retomada das negociações entre os sete partidos envolvidos no processo. Durante dois dias, os belgas sustiveram a respiração à espera da reacção dos partidos à proposta elaborada durante longas semanas por Johan Vande Lanotte, socialista flamengo que o rei Albert II nomeou como “conciliador” das posições antagónicas de flamengos (60 por cento da população) e francófonos (40 por cento) sobre uma profunda reforma do Estado e do sistema de financiamento das três regiões. Os três partidos francófonos – socialista (o mais votado nas eleições de Junho na Valónia e Bruxelas), huma-

nista e ecologista – anunciaram que a proposta de Lanotte constitui uma base para a retomada das negociações. Entre os quatro partidos flamengos, os verdes e os socialistas assumiram uma posição semelhante. Em contrapartida, os democratascristãos flamengos exigiram “ajusta-

O rei belga, Albert II

mentos essenciais” da proposta antes de aceitarem retomar as tentativas de formação de um novo governo. O verdadeiro balde de água fria veio no entanto da Nova Aliança Flamenga (N-VA) de Bart De Wever, o partido mais votado na Flandres e que tem em mãos a chave para o impasse: já noite dentro, a N-VA anunciou que tem “observações fundamentais” a fazer à proposta. O que significa que a rejeita no seu estado actual e só aceitará voltar às negociações se o seu teor for profundamente alterado. Com esta posição, o processo corre o risco de regressar à estaca zero, já que a proposta de Lanotte, um dos políticos mais credíveis do país, constitui um equilíbrio particularmente delicado entre as duas comunidades linguísticas: eventuais alterações do seu teor antes mesmo de os partidos se sentarem à mesa farão ruir todo o edifício, avisa Dave Sinardet, politólogo da Universidade de Antuérpia.

sas eleitorais de cortes de impostos e que se importou mais em defender interesses específicos (caso dos benefícios fiscais para os hotéis). Foi ainda mais prejudicado pelas revelações da WikiLeaks, tornando-se pública a opinião pouco abonatória dos diplomatas norte-americanos em relação ao MNE alemão e ainda a denúncia de que o seu chefe de gabinete passou informações aos EUA sobre as conversações de coligação com a CDU. Os críticos parecem ter percebido que ganhariam pouco pedindo já a cabeça de Westerwelle, mas vários dirigentes não deixaram de fazer exigências em relação ao discurso na reunião anual do partido no dia de Reis, em Estugarda. Querem que Westerwelle mostre estratégia, uma linha política, uma direcção para o ano “supereleitoral”. Depois de sobreviver a esta prova, Westerwelle poderá candidatarse à reeleição de líder do partido em Maio. Até lá, já decorreram quatro das eleições estaduais – os resultados deverão ser decisivos para o seu futuro à frente do FDP. M.J.G.

16 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Mundo
Blogue convidado: Teatro Anatómico, de Jorge Marmelo http://blogs.publico.pt/teatroanatomico/

Nova maioria republicana promete mudanças no funcionamento do Congresso dos EUA
Rita Siza

Primeiro duelo de Dilma com o maior parceiro da coligação
Alexandra Lucas Coelho, no Rio de Janeiro

O novo speaker do Congresso, John Boehner, quer menos reformas legislativas e mais tempo para discutir as propostas e introduzir emendas
a O Partido Republicano assumiu o controlo da Câmara de Representantes dos Estados Unidos com a promessa de reverter ou inviabilizar a agenda política do Presidente Barack Obama, e assim impedir a sua reeleição. “O nosso objectivo é devolver o governo ao povo”, declarou o novo speaker do Congresso, John Boehner. “Vamos mudar alguns dos rituais que caracterizaram esta instituição nos últimos tempos, tanto com maiorias republicanas como democratas”, frisou o congressista do Ohio (que agora ocupa o terceiro lugar na hierarquia do poder), interpretando o desejo de mudança expresso pelo eleitorado nas intercalares de Novembro de 2010. “Vamos livrar-nos das convenções que garantem que as grandes reformas são as melhores peças de legislação ou que a aprovação rápida das leis é a melhor forma de trabalhar, como se por acaso a inclusão de emendas ou o prolongamento do debate tornassem o processo legislativo menos eficiente”, considerou. A entrada em funções do 112.º Congresso consagra a situação de “Governo dividido” em Washington, com os democratas à frente de Senado e Casa Branca, e os republicanos a dominarem a Câmara de Representantes. Os analistas não esperam uma sessão particularmente produtiva, mas

concordam que o combate ideológico será mais aceso do que nunca. As primeiras iniciativas da nova maioria republicana são puramente simbólicas: uma é uma leitura solene da Constituição dos Estados Unidos, marcada em jeito de homenagem e reconhecimento aos novos eleitos provenientes das fileiras do movimento conservador Tea Party, uma das grandes incógnitas do novo Congresso. A outra é um voto para revogar a reforma do funcionamento do sistema de saúde norte-americano. Ainda que a proposta passe na câmara bai-

xa, não deverá ser ratificada pelo Senado – e, mesmo nessa hipótese, não resistirá ao veto de Barack Obama.

Mais uma baixa
Entretanto, uma fonte da administração confirmou mais uma “baixa” no círculo mais próximo do Presidente na Casa Branca: o porta-voz Robert Gibbs vai sair no próximo mês de Fevereiro, para se juntar à equipa encarregada de preparar, a partir de Chicago, a estratégia para a campanha de recandidatura de Barack Obama. Gibbs vai retomar a sua antiga profissão de consultor político, e colabo-

rar com o principal conselheiro do Presidente, David Axelrod, que também deixará a Casa Branca (depois do discurso sobre o Estado da União) para montar e dirigir a estrutura de campanha de Obama. Estas mexidas indicam que o Presidente não quer deixar os seus rivais republicanos ganhar preponderância no arranque da pré-campanha para as presidenciais de 2012. Apesar de faltarem 22 meses para as eleições, a actividade já é intensa no campo conservador, com inúmeras figuras a avaliarem as suas hipóteses de sucesso numa eventual luta pela nomeação.
BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

John Boehner foi eleito presidente da Câmara dos Representantes

a Era uma questão de dias, todos previam. E aí está o primeiro duelo da Presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), com o seu maior parceiro de coligação, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Dilma quer manter o salário mínimo no valor fixado por Lula antes da transição presidencial, 540 reais (246 euros) e o PMDB quer um valor superior. Uma “clara retaliação por perda de cargos estratégicos”, escrevia ontem o Estado de São Paulo. A coligação que elegeu Dilma é um mosaico de 10 forças. O PMDB é a mais poderosa, e tem toda uma máquina habituada a pressionar. A atribuição de pastas no Governo e de cargos de nomeação governamental implicou negociações que não deixaram ninguém satisfeito, sobretudo o PMDB. Os analistas foram unânimes em dizer que provavelmente Dilma iria ter mais problemas com a coligação do que com a oposição. Ou, dito de outra forma, com amigos destes não precisaria de inimigos. O braço-de-ferro está a ser comandado pelo próprio vice-presidente, Michel Temer, o mais alto cargo do PMDB no Governo acabado de empossar, com o argumento de que há condições para esticar o valor fixado. Um salário mínimo acima de 540 reais vai alterar as contas previstas pelo Governo. Cada real de aumento implica mais 286 milhões de reais no Orçamento (130 milhões de euros), segundo contas do Ministério do Plano. “Mas a elevação do valor não significa só o impacto nas contas públicas”,
Os analistas já tinham avisado que a Presidente Dilma iria ter mais problemas com a coligação do que com a oposição

Despedimentos em Cuba arrancam ainda esta semana
Rita Siza

a O Governo de Cuba arranca esta semana com a primeira fase do seu chamado Plano de Reorganização Laboral, que prevê o despedimento de cerca de 500 mil funcionários públicos considerados “excedentários” ou “redundantes” até ao final do primeiro semestre. Num encontro com representantes dos trabalhadores na província de Holguin, no Leste do país, o líder da Central de Trabalhadores Cubanos (CTC), Salvador Valdes, confirmou que estava dado o tiro de partida para os lay-offs, e anunciou que os ministérios da Indústria do Açúcar, da Agricultura, da Construção, da Saúde Pública e do Turismo serão os primeiros a sofrer cortes. Valdes assegurou que as decisões sobre quem vai e quem fica serão

tomadas “sem violações, paternalismos, favoritismos, nepotismos ou qualquer outra tendência negativa”. Mas nalguns sectores, nomeadamente no Turismo, já foram reportados conflitos e tensões, com os trabalhadores a discordar das decisões tomadas pelas “comissões” responsáveis pelos despedimentos (e que são compostas por representantes da administração e da confederação sindical). Segundo o plano – apresentado pelo Presidente Raul Castro à Assembleia Nacional no fim do Verão, como forma de “preservar o sistema socialista” na ilha – 146 mil postos de trabalho serão definitivamente eliminados e 351 mil serão “reconvertidos”, assumindo outras formas de trabalho independente. Os funcionários que forem considerados redundantes terão direito a um mês de

salário por cada dez anos de trabalho. A maioria dos postos de trabalho a eliminar pertence à área administrativa (burocracia). O propósito é que 80 por cento do quadro de cada ministério, instituto ou companhia estatal seja composto por pessoal do sector produtivo. Os funcionários que

250 mil

número de novas licenças para o “auto-emprego” que o Governo cubano vai emitir até ao final do primeiro semestre

permanecerem nos quadros do Estado terão um novo sistema de pagamento, em função dos resultados alcançados, para “promover a produtividade”. O Governo garantiu que a mão-deobra dispensada pelo Estado tem al-

ternativas profissionais asseguradas, através do “alargamento da oferta de emprego não-estatal”, nomeadamente em organizações cooperativas, e através da emissão de 250 mil novas licenças para o “auto-emprego”. Antes, só 143 mil pessoas estavam autorizadas a trabalhar por conta própria, com licença “cuentapropista”. A reforma laboral desenhada pelo Presidente Raul Castro só ficará completa dentro de cinco anos, com o esvaziamento de 1,3 milhões de funcionários (25 por cento do emprego da ilha) dos quadros estatais. O objectivo declarado é que, em 2016, 50 por cento da força laboral esteja afecta ao sector privado. No entanto, o plano do Presidente mantém o controlo da economia nas mãos do Estado e o quotidiano dos cubanos dependente da assistência do Estado.

alertava o Estado de São Paulo. “Se o PMDB comandar uma operação de reajuste, estará ameaçando logo no início do Governo a política de austeridade fiscal pregada por Dilma.” Em Brasília, desdobram-se as reuniões para gerir o duelo, incluindo o líder do Senado, José Sarney (PMDB), que no dia 1 até foi acompanhar Lula no seu regresso a casa, em São Bernardo do Campo. Ainda segundo o Estadão, Dilma não deverá ceder, de acordo com declarações do seu ministro das Finanças, Guido Mantega: “Se vier algo diferente [da proposta de 540 reais] vamos simplesmente vetar. Um aumento acima disso pode provocar expectativas negativas, até mesmo de inflação.”

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 17

Mundo
Educar em Português, um blogue sobre professores, pais e filhos http://educaremportugues.blogspot.com/

Cheias ameaçam Grande Barreira de Coral
TORSTEN BLACKWOOD/AFP

Isabel Gorjão Santos

No estado australiano de Queensland as cheias afectam 40 comunidades e 1200 casas estão submersas
a As inundações na Austrália estão a causar danos “catastróficos” no estado de Queensland, admitiu a governadora local Anna Bligh, e agora as águas estão a ameaçar a Grande Barreira de Coral, devido aos detritos e pesticidas que desaguam no mar. Estes poluentes são um cocktail perigoso para o ecossistema da Grande Barreira de Coral, considerada património mundial pela UNESCO, disse à AFP Michelle Devlin, da Universidade James Cook. Essas águas contaminadas que agora chegam ao mar podem “perturbar a cadeia alimentar e a vida dos corais”. Até terça-feira tinham sido afectadas pelas inundações cerca de 20 cidades, mas para ontem estava previsto o auge das cheias e esse número já duplicou para 40. Em St. George a

Em Rockhampton mais de 1200 casas ficaram submersas

população mobilizou-se para construir diques e tentar conter as águas e foi preciso evacuar um hospital local. “Todos se mobilizaram, cada um faz o que pode”, disse à AFP Barnaby Joyce, um dos residentes. Em Rockhampton, com cerca de

75 mil habitantes, os serviços meteorológicos alertaram para a probabilidade de as águas do rio Fitzroy se manterem muito acima do seu nível habitual durante mais de uma semana e alguns dos edifícios históricos da cidade foram protegidos com pilhas

de sacos de areia. As águas do Fitzroy subiram aos 9,2 metros e mais de 1200 casas ficaram submersas. Suzanne Miller, dona de um bar nesta cidade, fechou as portas para evitar a entrada de cobras venenosas trazidas pelas águas. “As cobras são um problema grave, já fechei tudo para não entrarem”, disse à AFP. Também Brad Carter, responsável pela autarquia local, disse ao The Australian que “as cobras não serão um risco, se as pessoas se mantiverem fora das águas, mas se entrarem na água não estarão seguras”. Em Nova Gales do Sul foram mobilizados o Exército e dois helicópteros para ajudar a população. Os prejuízos para a economia australiana rondam 754 milhões de euros, depois de, em Queensland, 75 por cento das minas de carvão terem parado. “Temos um grande trabalho pela frente”, disse Anna Bligh. “Queensland depende do sistema de transportes, e em alguns casos esse sistema sofreu danos catastróficos.” As cheias já atingiram 200 mil pessoas e área equivalente à França e Alemanha.

ONU quer mais militares na Costa do Marfim
a O chefe das operações de manutenção de paz das Nações Unidas vai pedir o envio de mil a dois mil capacetes azuis suplementares para a Costa do Marfim, mergulhada desde as presidenciais do fim de Novembro numa grave crise política. O reforço do contingente, explicou Alain Le Roy, servirá para proteger o quartel-general de Alassane Ouattara, vencedor reconhecido das eleições. Segundo disse Le Roy à AFP, a missão da ONU enfrenta cada vez mais hostilidade por causa das informações falsas que têm sido difundidas pela televisão pública, controlada pelo Presidente cessante, Laurent Gbagbo. Luís Amado manifestou-se entretanto preocupado face às condições vividas pelos portugueses no país, considerando que a situação poderá degenerar num conflito muito violento. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que os 20 portugueses na Costa do Marfim receberam indicações do ministério para saírem.
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18 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Mundo
As notícias de ambiente todos os dias no Ecosfera ecosfera.publico.pt

Surto de novos tablets na grande feira de tecnologia em Las Vegas
REUTERS/RICK WILKING

Já são três as misteriosas “chuvas de aves”
Helena Geraldes

João Pedro Pereira

O sistema operativo Android, desenvolvido pelo Google, é a escolha de muitos dos fabricantes que levam novos modelos à CES
a Para a edição deste ano da Consumer Electronic Show (CES) – uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, que decorre anualmente em Las Vegas – são esperados muitos novos modelos de tablets. Os fabricantes querem aproveitar o mercado aberto em 2010 pela Apple com o iPad: até finais de Setembro, a empresa vendeu 7,5 milhões destes aparelhos. E analistas da Goldman Sachs estimam que os tablets podem vir a representar no final de 2011 cerca de dez por cento do mercado de computadores. Há exactamente um ano, o presidente executivo da Microsoft, Steve Ballmer, protagonizou o arranque da CES e exibiu protótipos de computadores tablet equipados com o sistema operativo Windows. A Microsoft apresentava assim os seus tablets ainda antes do iPad da Apple. Mas, apesar de já haver alguns fabricantes a desenvolver este género de computadores com o Windows 7 instalado, a Microsoft ainda não fez uma entrada séria neste mercado. Foi a rival Apple que se adiantou – à Microsoft e a todos os outros. E todos estão agora à procura de recuperar terreno. Alguns fabricantes – entre eles a Asus, que foi a responsável pela criação, há três anos, do mercado dos portáteis pequenos e baratos designados netbooks – já aproveitaram o dia de ontem e, ainda antes do arranque oficial da feira, mostraram computadores tablet. O presidente da Asus disse admirar a Apple (que não participa na CES) por ter conseguido criar uma nova categoria de dispositivos. Mas, argumentou, “eles oferecem uma escolha muito limitada aos clientes”. Por isso, a empresa de Taiwan resolveu oferecer vários modelos, com tamanhos de ecrã diferentes, uns equipados com Windows, enquanto os outros têm uma nova versão do Android, o sistema operativo desenvolvido pelo Google. Também a Microsoft deverá ser uma das empresas a apresentar um destes aparelhos de ecrã sensível ao toque, antevê a imprensa americana (Steve Ballmer volta a abrir a CES este ano, mas a apresentação do presidente da Microsoft, que decorre no dia anterior à abertura oficial, estava agendada para o fim do dia em Las Vegas, madrugada em Portugal). Muitos dos tablets mais aguardados deverão, porém, estar equipados com o Android. Apesar de ter sido pensado para telemóveis, este sistema foi

a Afinal, o mistério da “chuva de aves” parece ainda não ter terminado. Apenas dois dias depois de cerca de 5000 aves terem caído mortas no estado norte-americano do Arcansas, esta segunda-feira de manhã apareceram mortos 500 animais nas estradas no estado vizinho do Louisiana. Com dois dias de diferença e a cerca de 500 quilómetros de distância, 500 aves apareceram mortas numa estrada rural da região de Pointe Coupee, no Luisiana. Os especialistas foram apanhados de surpresa com mais este fenómeno e ainda não sabem o que causou a morte destas aves. Um terceiro caso foi ontem divul-

gado, mas desta vez do outro lado do oceano, na Suécia. Entre 50 e cem aves foram encontradas mortas, pouco antes da meia-noite de terça para quarta-feira, junto a uma estrada à entrada da pequena localidade de Falköping. O veterinário do distrito, Robert ter Horst, informou que a sua principal teoria “é que as aves foram assustadas pelos fogos-de-artifício e caíram na estrada mas não conseguiram voar por causa do stress. Acabaram por morrer atropeladas”, contou hoje ao jornal sueco The Local. Uma explicação semelhante foi avançada também pelas autoridades do Arcansas mas ainda estão a ser efectuadas mais análises às aves mortas.

Médico de Michael Jackson incapaz de ajudar o cantor
a O médico do cantor Michael Jackson foi descrito em tribunal, na primeira audiência preliminar do julgamento em que é acusado de homicídio involuntário, como tendo entrado em pânico quando o cantor desfaleceu, acabando por morrer, a 25 de Junho de 2009, devido a sobredosagem de medicamentos. Testemunhas chamadas à barra descreveram que o experimentado cardiologista Conrad Murray demorou mais de 20 minutos a telefonar para a linha de emergência, ao mesmo tempo que tentava esconder as provas do tratamento médico que prescrevera a Jackson. Foi ainda relatado no Tribunal de Los Angeles que o médico deu informações erróneas aos paramédicos e outros clínicos que assistiram o “rei da pop” já no hospital, e ainda que saiu da unidade hospitalar abruptamente, antes mesmo de a polícia ter oportunidade de o interrogar. Jackson entrou em falha respiratória na sua mansão em Los Angeles, aos 50 anos, devido ao que o médico-legal no caso determinou ter sido uma combinação fatal do anestésico cirúrgico Propofol e vários tipos de sedativos. O juiz encarregado do processo, Michael Pastor, deve determinar se existem indícios suficientemente fortes para se realizar o julgamento contra Murray, com jurados. A acusação arrolou 30 testemunhas para serem ouvidas na fase preliminar, que demorará sete a oito dias. O médico declara-se inocente e arrisca até quatro anos de prisão se for condenado.

Courtney Love acusada de difamação no Twitter
a A controversa cantora Courtney Love foi processada judicialmente num caso de difamação por causa de uma série de mensagens que publicou no ano passado em várias plataformas da Internet, incluindo o serviço de microblogging Twitter, insultando a estilista de moda Dawn Simorangkir. Envolvida numa zanga antiga com a estilista, que lhe exigia o pagamento de roupas no valor de milhares de dólares, Courtney Love escreveu na sua conta de Twitter (onde tem mais de 40 mil seguidores), a 17 de Março, que Dawn Simorangkir é “uma prostituta que impinge drogas e agride as pessoas”. Este tweet e outras mensagens insultuosas publicadas nos dias seguintes, também no MySpace e no Etsy, pela cantora sobre a estilista deram azo ao processo de difamação que começa a ser julgado a 18 de Janeiro em Los Angeles. Este é o primeiro caso de difamação por mensagens publicadas no Twitter envolvendo celebridades que chega aos tribunais norte-americanos. O advogado de Simorangkir, Bryan Freedman, explicou ao diário Los Angeles Times, que vai defender em tribunal que os comentários de Love “destruíram” a carreira e reputação da sua cliente e, por isso, lhe deve ser atribuída uma indemnização pelos danos causados que pode ascender a vários milhões de dólares.

A Lenovo foi uma das empresas que aproveitaram para exibir um novo modelo de tablet na CES, onde ontem esteve Rohan Marley, filho do cantor Bob Marley

adaptado por vários fabricantes para poder ser usado em tablets, entre os quais o Samsung Galaxy Tab, um dos poucos aparelhos que chegaram ao mercado ainda em 2010 e o único que conseguiu ser classificado como eventual concorrente do iPad. Algumas das novidades a apresentar na CES vão já integrar o Android 3.0, o primeiro sistema da família Android a ser concebido especificamente para tablets.

Preo total Portugal Continental: Û29,25. De 8 de Outubro a 14 de Janeiro. Dia da semana: Sexta-feira. Limitado ao stock existente.

O gŽnio retrata o gŽnio. N‹o foi por acaso que deix‡mos a grande homenagem mais para o fim.

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Um relato dos œltimos 67 dias da vida de Van Gogh e da sua rela‹o com o seu irm‹o, o seu mŽdico e a mulher da sua vida. Uma biografia crua e perturbante sobre o homem, mas uma grande homenagem ao artista.

N‹o perca, sexta-feira dia 7 de Janeiro, ÒVAN GOGHÓ, por apenas mais 1,95Û na compra do Pœblico.

20 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Economia
Conjuntura Consumidores preparam-se para ciclo de rigorosa austeridade

Portugueses nunca estiveram tão pessimistas sobre futuro da economia
Confiança dos consumidores aproximou-se em Dezembro de recorde negativo histórico. Perspectivas para 2011 são piores do que no pico da recessão
Ana Rita Faria

Portugueses estão convencidos de que é preciso refrear compra de bens

a As famílias portuguesas nunca entraram num novo ano com uma visão tão pessimista como em 2011. De acordo com os inquéritos de conjuntura conduzidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as perspectivas dos portugueses em relação à evolução da situação financeira do seu agregado e da situação económica do país nunca foram tão fracas como nos últimos meses de 2010. A subida do desemprego e dos preços é encarada como inevitável e as compras de casa ou de carro estão fora de planos, numa altura em que as condições ao crédito apertam e as oportunidades de poupança são cada vez menores. O indicador que mede a confiança dos consumidores, calculado pelo INE com base em inquéritos aos portugueses, esteve perto de bater o mínimo histórico em Dezembro, ao atingir os -50,2 pontos, o valor mais baixo desde Março de 2009 (onde chegou a um recorde de -51 pontos). Este indicador apresentou um comportamento instável ao longo de 2010, registando alguma melhoria a meio do ano, que viria a ser interrompida em Setembro, depois de o Governo ter anunciado as medidas de austeridade do Orçamento do Estado (OE) para 2011. Já os dados relativos ao clima económico, que mede a confiança dos empresários a partir de inquéritos a mais de 4000 empresas de vários sectores, mostra que não são só os consumidores que estão cada vez mais reticentes quanto à evolução da economia. A confiança dos empresários intensificou a queda em Dezembro, atingindo um ponto negativo, o valor mais baixo desde Agosto de 2009. Tal como a confiança dos consumidores, o clima económico começou a cair partir de Setembro do ano passado, na sequência do pacote de austeridade anunciado pelo executivo para 2011. Os sectores da construção e obras públicas e da indústria transformadora apresentaram as maiores quebras de confiança, com o primeiro a apro-

Confiança em baixa
Clima económico
0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 -2,0 -2,5 -3,0 -3,5 F A J A O D F A J A O Dez.

-1

2009

2010

Consumidores
-20

-30

-40

-50

-50,2
-60 F A J A O D F A J A O Dez.

2009
FONTE: INE

2010

ximar-se mesmo do mínimo histórico registado em Abril de 2003.

Sem margem para poupar
Do lado dos consumidores, o cenário parece ser ainda mais negro. Em Dezembro, quando questionados sobre os últimos 12 meses, os portugueses viam a situação económica do país e do seu agregado ao pior nível desde meados de 2009, altura em que o país estava efectivamente em recessão. As oportunidades para comprar bens duradouros (casa, carro, mobília e electrodomésticos) ou para poupar eram cada vez menores e pressionaram negativamente a taxa de poupança, que, segundo a estimativa da Comissão Europeia, deverá ter recuado em 2010. Mas as previsões para os próximos tempos afiguram-se ainda piores. De acordo com os inquéritos do INE, as perspectivas dos consumidores atingiram os valores mais baixos de

sempre quer em relação à situação económica do país quer à situação financeira do próprio agregado familiar. Mais do que nunca, os portugueses estão convencidos de que os preços vão subir e de que a compra de bens terá de ser refreada durante este ano. Além disso, nunca viram tão poucas oportunidades para realizar poupanças e continuam a apostar na subida do desemprego. A retracção vai traduzir-se, desde logo, nas compras de casas ao longo de 2011. Dados relativos a Outubro (os últimos disponíveis) mostram que os portugueses nunca estiveram tão pessimistas quanto à aquisição de habitações. No mercado automóvel, contenção mantém-se como palavra de ordem e só em 2009 havia perspectivas mais negativas. A compra de carros deverá, assim, abrandar, depois de ter atingido em 2010 o maior volume dos últimos oito anos, estimulada pelo aumento dos preços a partir deste mês (decorrente da subida do IVA) e do fim dos incentivos ao abate de veículos antigos. Apesar do recorde de vendas automóveis, o consumo privado apresentou já sinais negativos no final do ano passado, reflectindo a crescente falta de confiança na economia e as medidas de austeridade postas em marcha. Os últimos dados do Banco de Portugal mostram que os consumidores cortaram nos seus gastos em Novembro pela primeira vez desde Agosto de 2009. Além disso, o consumo privado começou a crescer menos do que a actividade económica, fazendo com que esta fique ainda mais dependente das exportações. Para este ano, o cenário que a maioria dos economistas e das organizações internacionais está a antecipar passa por uma forte quebra no consumo privado e no investimento, que empurrará a economia para uma nova recessão. As medidas austeras do OE, como o aumento do IVA e os cortes salariais na função pública, vão obrigar as famílias a apertar os cintos, em nome da consolidação orçamental e da meta de colocar o défice nos 4,6 por cento do PIB.

Perspectivas para 2011 à lupa Preços sobem, mal se poupa e cortam-se gastos
Situação económica do país Os portugueses nunca viram tão negativamente a evolução da situação económica do país nos próximos 12 meses como no final do ano passado (-62,1 pontos). Situação financeira familiar Em relação às finanças do agregado familiar, as perspectivas para os próximos 12 meses atingiram também o nível mais baixo de que há registo (-30,9 pontos). Oportunidades de poupança As perspectivas sobre a oportunidade de realizar poupanças este ano nunca foram tão más como em Dezembro (-45,4 pontos). Compra de bens Outro recorde foi batido ao nível das compras de bens nos próximos 12 meses, com os portugueses a mostrarem-se mais pessimistas do que nunca neste aspecto (-46,7 pontos). Evolução dos preços Os portugueses estão mais certos do que nunca de que os preços vão subir em 2011 (58,5 pontos). Evolução do desemprego Este é o único ponto onde a confiança dos consumidores não bate um recorde histórico. Apesar de as perspectivas do mercado laboral continuarem a deteriorarse, não atingiram ainda os níveis registados em 2009, em tempos de recessão. O índice ronda os 62,3 pontos.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 21

Criados 300 mil postos de trabalho nos EUA em Dezembro
A economia norte-americana começa a dar sinais de que entrou a sério numa fase de retoma. Ontem surgiram boas notícias para a administração Obama: em Dezembro, as empresas privadas criaram cerca de 300 mil postos de trabalho, segundo o relatório da ADP, uma empresa que monitoriza o mercado de emprego.

PAULO PIMENTA

Bilhetes do Tesouro a seis meses

Portugal paga quase o dobro para colocar dívida pública
Paulo Miguel Madeira

Toda a informação em http://economia.publico.pt

Acções
Psi20 Euro Stoxx 50 Dow Jones
Variação dos índices face à sessão anterior

0,68% 0,37% 0,28%

Nobel da Economia pessimista

Stiglitz critica políticas europeias e teme pelo euro
a O fundo de apoio à estabilidade da zona euro, decidido pelos países da eurolândia, “apesar de essencial, (…) é apenas um paliativo temporário para os pequenos países atacados”, disse o prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz, numa entrevista publicada hoje no jornal francês Libération. Este fundo deve prolongar para além de 2013 o actual Fundo Europeu de Estabilização do Financeira (FEEF), instituído em Maio, na sequência da crise grega e dotado de 750 mil milhões de euros, que já serviu para apoiar a Irlanda (a apoio à Grécia foi ao abrigo de uma medida específica). Mesmo assim, “permanece o perigo” para a zona euro, segundo Stiglitz. “Continua a haver a mesma incerteza de há seis meses. Já então se sabia que a Irlanda iria sofrer uma crise violenta. Sabia-se que deveriam ser realizadas reformas indispensáveis à viabilidade da zona euro a longo prazo”, acrescentou. E, apesar de “a Espanha ter tido a sorte de entrar na crise com um excedente orçamental e um baixo peso percentual da dívida” em relação ao PIB e de a Itália, “muito endividada, ter podido limitar o seu défice orçamental”, a situação “continua precária”, diz o economista norte-americano. Stiglitz argumenta que “a via da austeridade escolhida pela Europa, sob pressão dos mercados, vai atrasar a saída da crise, enfraquecer os elos mais vulneráveis da zona euro e da União Europeia”. Segundo este economista, que foi conselheiro do antigo Presidente dos EUA Bill Clinton e é conhecido pela sua visão crítica da actual globalização, “a ideologia do livre mercado, que permitiu as bolhas financeiras, ata as mãos aos políticos”. E avisa: “O euro, por falta de políticas adequadas e de instituições equilibradas, (…) pode desaparecer”.

a Portugal pagou ontem um juro médio de 3,686 por cento para colocar 500 milhões de dívida em Obrigações do Tesouro a seis meses, o que representa seis vezes mais do que os 0,592 por cento pagos há precisamente um ano numa emissão similar. A procura, para a primeira emissão do ano do IGCP, foi de 1308 milhões de euros, superando 2,6 vezes a oferta. Este valor é, mesmo assim, muito inferior aos 2850 milhões de euros registados há um ano, numa emissão também de 500 milhões a seis meses. A última emissão portuguesa de Bilhetes do Tesouro a seis meses tinha sido realizada a 1 de Setembro, com uma taxa média de 2,045 por cento, também para 500 milhões de euros e uma procura de 1178 milhões. Face a esta emissão, a de ontem representa uma quase duplicação da taxa de juro. Na última emissão de Bilhetes do Tesouro do ano passado, com uma maturidade de três meses, a 15 de Dezembro, foi paga uma taxa de juro de 3,403 por cento. A operação de ontem inaugura um trimestre em que Portugal precisa de recorrer maciçamente aos mercados, num contexto de forte necessidade de emissões de dívida também de outros países e da banca internacional. No entanto, por ser de um montante relativamente pequeno e de curto prazo não será tão decisiva como as emissões de Obrigações do Tesouro. A taxa de ontem esteve sensivelmente em linha com a que está a ser praticada no mercado secundário, pelo que o gestor do mercado de dívida do Banco Carregosa, Filipe Silva, considera que “correu bem face às expectativas mais pessimistas”.

Para este especialista, “teria corrido mal se tivesse havido, como em emissões anteriores, uma subida muito forte”. No entanto, chama a atenção para a grande diferença de juros pagos agora face às emissões anteriores e diz que “a situação não passou a ser mais animadora”. De acordo com o plano anunciado no final do ano passado pelo IGCP (que gere a dívida do Estado), Portugal deverá fazer entre 13 e 15 novos leilões de obrigações e Bilhetes de Tesouro no trimestre em curso, num

Divisas
Euro/Dólar Euro/libra Euro/iene
Valor do dólar, libra e iene por euro

1,3177 0,8503 109,66

Taxas de Juro
Euribor 3 meses Euribor 6 meses Euribor 6 meses
1,31 1,26 1,21 1,16 1,11

0,998 1,223

500

A emissão de 500 milhões de euros foi colocada a uma taxa de 3,686 por cento, acima dos 2,045 por cento da anterior

Últimos 3 meses

Mercadorias
Petróleo Ouro Petróleo
100 95 90 85 80 75

95,89 1377,15

valor que deverá superar os 10 mil milhões de euros. Estas operações serão decisivas para aferir a opinião dos mercados relativamente à situação das finanças públicas do país e, se correrem mal, podem determinar a necessidade de recurso a ajuda externa da UE e do FMI. Os juros da dívida pública portuguesa dispararam primeiro nos mercados secundários na Primavera do ano passado, na sequência da iminência de bancarrota na Grécia, e desceram depois bastante durante o Verão, mas não para os níveis anteriores. Voltaram a subir no Outono, tendo atingido um pico acima de 7,3 por cento, a 11 de Novembro, na maturidade a dez anos, bem acima do nível de sete por cento que o ministro das Finanças disse poder justificar um pedido de ajuda financeira externa. Ontem, a taxa a dez anos seguia acima de 6,7 por cento, segundo os dados da agência Reuters.
MIGUEL MANSO

Preço do barril de petróleo e da onça de ouro em dólares

Últimos 3 meses

Diário de Bolsa
Portugal PSI-20
8550 8160 7770 7380 6990 6600

Últimos 3 meses

Mais Transaccionadas Volume
B.COM.PORTUGUES EDP PORTUGAL TELECOM B.ESPIRITO SANTO GALP ENERGIA Melhores SEMAPA CIMPOR SGPS MOTA ENGIL B.COM.PORTUGUES 14183582 6543198 3565356 3265716 2932641 Variação% 1,46 1,42 1,3 0,85

SONAE 0,77 Variação% Piores SONAE INDUSTRIA -2,31 J MARTINS SGPS -2 PORTUGAL TELECOM -1,97 GALP ENERGIA -1,35 BANCO BPI SA -1 Europa Eurostoxx50
3000 2850 2700 2550 2400

O IGCP, liderado por Alberto Soares, prevê 15 leilões no trimestre

Últimos 3 meses

22 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Economia
Blogue convidado: Desenhador do Quotidiano, de Eduardo Salavisa http://diario-grafico.blogspot.com/

Presidente do Benfica garante 250 milhões junto da banca para projectos imobiliários
Cristina Ferreira

Caixa Geral de Depósitos, BCP e BES vão financiar projectos de construção de Luís Filipe Vieira no Algarve e na zona de Lisboa
a A Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Comercial Português (BCP) e o Banco Espírito Santo (BES) vão financiar, em mais de 250 milhões de euros, projectos imobiliários do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, que controla a Inland. O empréstimo bancário ocorre num contexto de falta de liquidez que tem servido para o sector justificar o corte no crédito às pequenas e médias empresas. O PÚBLICO apurou que os três bancos vão apoiar o desenvolvimento de projectos imobiliários de Luís Filipe Vieira em Altura, no Algarve (o Verdelago Resort) e na região oriental de Lisboa. O empresário adquiriu na Ex-

po terrenos à Galp e o antigo edifício onde funcionava o Baptista Russo, devendo ser nesta zona que, nesta fase, será aplicada a maior fatia do empréstimo. A verba foi acordada recentemente entre Vieira, BCP e BES. Já o investimento no Algarve (que, no final, terá mil camas repartidas entre um hotel de cinco estrelas, moradias de luxo isoladas e em banda e apartamentos), será, nesta fase, financiado em partes equivalentes pela CGD, BES e BCP. O montante em causa ascende a 90 milhões de euros. O contrato foi assinado por Vieira em 2005, mas a construção, que abrange um terreno de 100 hectares junto à praia, só agora é que vai arrancar. O Governo classificou o projecto de PIN (Potencial Interesse Nacional). O PÚBLICO tentou em vão obter um comentário por parte do empresário benfiquista, tendo deixado recado no telemóvel do seu assessor de imprensa. Junto do sector financeiro apurou que a construção dos empreendimentos em Lisboa e Algarve foi adjudica-

da nas últimas semanas a um grupo de empreiteiros, onde se encontra uma empresa de um outro dirigente desportivo, António Salvador, que é presidente do Sporting de Braga desde 2003. Salvador é proprietário da Britalar, responsável pela construção do Centro de Estágios do Benfica no Seixal. O negócio foi celebrado com
O financiamento está a ser criticado por surgir em fase de aperto de liquidez e corte do crédito às PME

base numa garantia bancária. Contratualmente, a obra terá de estar concluída em três anos. A disponibilidade revelada pela banca para dar financiamento destinado especificamente a apoiar os projectos do empresário gerou perplexidade dentro de alguns segmentos das instituições financeiras envolvidas, dado o quadro de escassez de liquidez que

se vive no país e que tem servido de justificação para a redução e o encarecimento do crédito bancário às pequenas e médias empresas. Por outro lado, estão em causa investimentos num mercado estagnado como é o imobiliário. A sociedade imobiliária Inland, detida por Vieira, adquiriu o terreno no barlavento algarvio no início da década passada a um grupo de investidores finlandeses ligados ao Scandinavian Bank, que o haviam comprado, nos anos 1970, à CGD por 10 milhões de euros. Em 2004, a Inland vendeu a participação de 1,4 por cento que possuía na Sociedade Lusa de Negócios (SLN), então presidida por Oliveira Costa, e que controlava o BPN. Um relatório do Banco de Portugal, que se refere à empresa como o “grupo de Luís Filipe Vieira”, revelou que o empresário arrecadou com a alienação nove milhões de euros. O BdP diz que as acções da SLN tinham custado ao líder benfiquista cerca de oito milhões.

Carris dá o pontapé de saída

Trabalhadores dos transportes com protestos em Fevereiro
a Várias greves nas empresas dos sectores dos transportes e comunicações deverão marcar a semana de 7 a 11 de Fevereiro, disse ontem o coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans). Em declarações à Lusa, Amável Alves explicou que a decisão de avançar com este protesto foi tomada na reunião de dirigentes sindicais que decorreu ontem, em Lisboa, adiantando que o calendário das greves nas diferentes empresas só será definido numa nova reunião, agendada para o dia 19. “Ficou decidido levar a efeito na semana de 7 a 11 de Fevereiro greves nas empresas de transportes e comunicações”, afirmou o coordenador da Fectrans, referindo que os trabalhadores das empresas podem paralisar em dias distintos. Os protestos visam contestar as medidas impostas pelo Governo para as empresas do Sector Empresarial do Estado (SEE), designadamente os cortes salariais, bem como as medidas que as empresas pretendem tomar para cumprir a meta do executivo de reduzir os custos em 15 por cento. Amável Alves lembrou que já estão agendadas várias acções de protesto para o mês de Janeiro. Segundo o sindicalista, no dia 7 os trabalhadores da Carris realizam uma acção junto ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e no dia 10 tem lugar uma acção junto à sede da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários Pesados de Passageiros (ANTROP), no Porto. Dois dias depois, em Lisboa, saem à rua os trabalhadores do sector ferroviário, numa manifestação nacional que terminará em frente à residência do primeiro-ministro, José Sócrates, e que visa protestar contra as medidas de austeridade e realiza-se uma acção de protesto junto à sede da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM).

Fecho da Lear causa problemas à operação da Autoeuropa
a O encerramento da Lear de Palmela, em Maio passado, tem estado a afectar o fornecimento de assentos para os Eos que são fabricados na Autoeuropa, acusa o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas. De acordo com o dirigente Américo Rosa, o problema tem origem na mudança do fornecedor de capas para bancos do Eos, que trabalha para a Vanpro, e que em vez de ser a Lear passou a ser uma empresa na Turquia. Devido ao aumento de distância do transporte e pelo facto de as capas serem enviadas para Portugal em caixas e não em cabides, ao contrário do que sucedia com a Lear, surgem vincos nas capas de pele, o que obriga a Vanpro a rejeitar aqueles componentes. Os problemas terão começado em Novembro passado e a realização de trabalho extraordinário no final do ano permitiu que o fornecimento de regularizasse, mas Américo Rosa teme que nos próximos meses voltem a surgir as mesmas dificuldades. “Era preferível montar uma nova empresa em Palmela, que utilizasse os conhecimentos dos trabalhadores despedidos da Lear”, diz também o dirigente do sindicato, que já levantou essa questão ao Governo. O mesmo problema foi também levantado, nos últimos dias, pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. O PÚBLICO contactou ontem a Autoeuropa e a Vanpro, mas ambas escusaram-se a comentar. Inês Sequeira

Juiz defende que cortes salariais violam princípios da Constituição portuguesa
a Os cortes salariais dos funcionários públicos impostos pelo Governo violam princípios da Constituição portuguesa, defendeu ontem o juiz conselheiro jubilado do Tribunal Constitucional (TC) e do Supremo Tribunal de Justiça, Guilherme da Fonseca. Em declarações à agência Lusa, Guilherme da Fonseca, que é autor de um parecer sobre os cortes salariais, afirmou que “o legislador do Orçamento do Estado (OE) não respeitou nem a lei preexistente nem os contratos preexistentes”. Segundo o juiz conselheiro, os contratos de trabalho dos trabalhadores do sector público têm de ser cumpridos, o que significa que não podem ser negativamente afectados, como está definido no decreto que aprova o Orçamento de Estado para 2011. “O OE é uma lei de receitas e de despesas mas, de acordo com a Constituição [da República Portuguesa], têm de ser respeitados a lei preexistente e os contratos preexistentes. Portanto, há violação da Constituição”, afirmou. Guilherme da Fonseca afirmou ainda que “o Orçamento foi elaborado sem respeitar a audiência dos sindicatos”, o que “basta para julgar procedente a providência cautelar na base da inconstitucionalidade formal”. O juiz conselheiro considera que as providências cautelares que alguns sindicatos começaram ontem a entregar “têm o seu fundamento”, admitindo a possibilidade de “alguns juizes serem sensíveis à argumentação e darem procedência”, o que seria uma “meia vitória”. Guilherme da Fonseca afirmou que as providências cautelares “têm de ter uma decisão num curto espaço de tempo”, avançando que, “se entrarem agora, no máximo, em princípios de Fevereiro é natural que já haja uma decisão”. Alertou, no entanto, que “depois da providência cautelar tem que se seguir a acção, o que vai demorar mais tempo”, acrescentou, sem avançar datas. Os cortes salariais vão de 3,5 por cento a 10 cento do salário e aplicamse a quem ganhe mais de 1500 euros por mês na Administração Pública e nas empresas que constituem o Sector Empresarial do Estado. Ontem, várias organizações sindicais começaram a entregar as providências cautelares nos tribunais, contando-se entre elas as organizações dos professores ligadas à CGTPIntersindical Nacional e a Federação Nacional dos Médicos. O Governo diz-se convencido da legalidade da decisão de impor cortes salariais e, segundo apurou o PÚBLICO (ver edição de ontem), tem em seu poder um parecer do constitucionalista Jorge Miranda a defender que está em perfeita conformidade com a lei fundamental da República. PÚBLICO/Lusa
PEDRO CUNHA

Depois dos protestos, as providências cautelares

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 23

Economia
Ano Internacional da Biodiversidade http://ecosfera.publico.pt/biodiversidade

Recorde nos preços dos alimentos antecipa nova subida nos cereais
MOHSIN RAZA/REUTERS

Euronext Lisboa
Última Sessão PSI-20 PSI-20 INDEX Altri SGPS SA Banco BPI SA B. Com. Português B. Espírito Santo Brisa Cimpor SGPS EDP EDP Renováveis Galp Energia Inapa-Inv. P. Gestão J Martins SGPS Mota Engil Portugal Telecom Portucel REN Semapa Sonaecom SGPS Sonae Industria Sonae ZON Multimedia -0,687728,420 36373066 7772,020 7772,020 7667,720 -0,06 -1 -0,34 -0,97 -1,79 0,27 1,3 2,12 -1,35 -2,08 -2 -1,45 -1,97 0,95 0 0,78 -0,37 -2,31 0,13 0,32 -1,14 -2,57 -1,54 -15,63 -0,84 40 -2,33 -2,09 0 -1,45 -2,08 -1,38 -1,72 -2,78 -6,76 1,04 -0,87 -1,85 4,48 0,67 -4,32 0 3,77 3,462 1,383 2,850 5,200 5,150 4,530 0,377 11,990 1,768 8,410 2,340 2,550 8,497 1,357 1,860 3,429 0,870 3,790 0,640 0,270 1,180 0,280 0,840 7,950 0,050 1,360 0,377 1,430 2,850 0,350 0,690 6,770 7,930 0,530 0,700 1,510 1,330 0,400 0,550 222348 775005 3285245 621555 543324 1249508 109314 1174324 232148 2858273 967826 67988 137823 122952 228327 141905 262976 13912 31351 2200 27397 100 4000 340 7368 20 17325 109314 20933 18047 67234 34 3126 233069 107129 1364 1130 6500 97853 65782 3,440 1,400 0,592 2,870 5,250 5,089 2,532 4,440 14,840 0,385 12,270 1,794 8,572 2,319 2,552 8,384 1,360 1,930 0,781 3,400 0,890 3,800 0,650 0,270 1,190 0,280 13,910 0,840 8,000 0,050 1,370 0,385 1,450 2,900 0,360 0,690 6,770 8,000 0,540 0,670 1,520 1,350 0,400 0,530 3,478 1,405 0,595 2,890 5,295 5,150 2,580 4,530 14,840 0,385 12,270 1,794 8,579 2,340 2,552 8,553 1,367 1,930 0,788 3,438 0,890 3,810 0,670 0,270 1,200 0,280 14,000 0,840 8,000 0,050 1,380 0,385 1,470 2,900 0,360 0,690 6,790 8,000 0,540 0,730 1,600 1,360 0,410 0,550 3,440 1,377 0,584 2,837 5,164 5,060 2,522 4,410 14,495 0,377 11,900 1,750 8,381 2,312 2,503 8,351 1,339 1,860 0,776 3,394 0,870 3,770 0,640 0,270 1,160 0,280 13,910 0,840 7,950 0,050 1,360 0,377 1,430 2,850 0,350 0,690 6,500 7,650 0,530 0,670 1,460 1,330 0,400 0,500 0,41 0,06 -1,41 -0,83 -0,79 -0,09 0,12 0,79 1,12 2,14 0,79 3,51 2,16 -2,34 0,39 2 -0,81 0,67 0,69 -1,38 3,86 -1,12 0,78 -4,41 -5,88 1,71 -28,57 0,57 -7,53 -3,33 0 -1,43 0,79 -3,33 2,84 0 2,78 -6,29 0,88 10,2 -1,47 -3,23 -4,14 0 -7,02 1,8 2,0 -0,1 1,9 -1,0 -0,4 1,6 3,5 4,5 1,9 0,5 5,2 1,4 0,4 2,8 -1,2 2,6 0,5 -2,6 0,6 N.D. 0,0 -2,1 -7,2 -15,6 N.D. N.D. 0,0 -6,7 -1,9 0,0 -2,9 0,5 -4,0 -1,7 -2,8 -5,5 3,4 -0,3 -1,9 1,4 0,0 -10,1 -2,4 7,8 Performance (%) 5 dias 2011 Nome da Empresa Var% Fecho Volume Abertura Máximo Mínimo

Pedro Crisóstomo

0,593 11931890

Dezembro ultrapassou máximos da crise alimentar de 2008. Colheitas de 2011 serão determinantes para a estabilização dos mercados
a Os preços dos produtos alimentares atingiram um novo máximo histórico em Dezembro, após 16 meses consecutivos em alta, acima do pico que em 2008 chegou a provocar tumultos no Haiti e no Egipto por causa da crise alimentar. As reservas actuais são superiores às desse ano, mas só o volume das colheitas de 2011 vai ser determinante para estabilizar os mercados. A previsão da FAO – a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que ontem revelou o índice mensal que agrega 55 matérias alimentares – aponta mesmo para novas subidas nos cereais este ano. Desde 2002 que o valor dos produtos alimentares sobe de ano para ano, chegando globalmente a 2010 aos 179,1 pontos – uma diferença de 88,9 pontos comparativamente com oito anos antes, quando o valor não passava os três dígitos. A contagem de Dezembro mostra variações de preço significativas em produtos que incluem açúcar (maior subida), cereais, sementes de óleo, lacticínios e carne e que fazem subir o índice no último mês de 2010 para 214,7 pontos (mais 8,7 do que em Novembro). O valor passa mesmo os 213,5 de Junho de 2008, quando se deu a crise alimentar mundial, arrastada pelos máximos históricos do petróleo e que fez disparar os números da fome e provocou mortos em vários países. Os cereais subiram 14,3 pontos, pa-

2,579 7603360 14,610 1890989

0,785 2208962

O preço do açúcar é dos que mais sobem

Outros Banif-SGPS Banco Popular Cofina SGPS Compta Corticeira Amorim Cipan E. Santo Financial Fut. Clube Porto Ibersol SGPS Lisgráfica Impresa SGPS Inapa-Inv. P. Gest Martifer Novabase SGPS Glintt F Ramada Invest Reditus SGPS Banco Santander S. Costa Sporting Benfica-Futebol Sumol Compal Sonae Capital SAG Gest

A escalada dos preços Índice de preços da FAO
250

214,7

200

150

100

2008
Fonte: FAO

2009

2010

ra os 237,6 no último mês de 2010. Só a carne e os lacticínios tiveram ligeiros aumentos, respectivamente, de 141,5 para 142,2 pontos e de 207,8 para 208,4. A recente escalada iniciou-se de forma mais visível no mercado de cereais em Agosto, frente à queda de dois por cento da produção. E, dado

o contexto de incertezas, ”é expectável” que o preço continue a aumentar em 2011, comentou à agência financeira Bloomberg Abdolreza Abbassian, economista da agência da ONU. As próprias disparidades entre o rendimento das culturas de cereais estão a aumentar a nível mundial. E a face visível é a crescente dependência de importações alimentares por parte dos países do Médio Oriente, quando o crescimento populacional na região acelera e o rendimento das culturas corresponde a metade da média mundial, lembrou em Dezembro o director-geral da FAO, Jacques Diouf. Face à diminuição das reservas, a atenção das Nações Unidas vira-se, agora, para a campanha comercial deste e do próximo ano. A produção mundial terá de aumentar, pelo menos, em dois por cento para que “uma expansão considerável” possa cobrir as necessidades de utilização e as reservas mundiais, lembrava uma análise da FAO antes de serem conhecidos os números de Dezembro.

-0,57 14,000

Fonte Reuters. Notas: 1) PSI Geral apenas com os títulos que foram transacionados 2) Informação disponibilizada não dispensa a consulta das fontes oficiais.

Governo chinês reforça cooperação económica com empresas espanholas
a O vice-primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, assinou ontem, em Madrid, acordos comerciais que totalizam um valor de 5650 milhões de euros, com a Repsol a ficar com a parte de leão deste pacote – praticamente 97 por cento do valor global. Os acordos abrangem 12 empresas de diferentes áreas da economia espanhola – combustíveis, telecomunicações, banca e turismo –, mas é a petrolífera que assume o papel principal e ganha, com este protocolo, uma significativa margem de penetração no espaço chinês. O responsável governamental chinês teve ontem uma reunião com o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, no Palácio da Moncloa. Keqiang manifestou confiança na economia espanhola e reafirmou o compromisso de comprar dívida pública do país vizinho – um dos mais afectados pela crise da dívida soberana e que está a suportar taxas de juro muito elevadas. Li Keqiang manifestou também apoio às medidas do executivo espanhol para repor o equilíbrio das finanças públicas e recuperar a economia e disse esperar que, no prazo de dois anos, a Espanha lidere o crescimento económico no contexto europeu. Entre os acordos firmados ontem, adianta o El País, estão o memorando de entendimento entre o banco BBVA e o Banco do Desenvolvimento chinês, com vista ao fortalecimento das relações de cooperação entre ambas as instituições, e um acordo que coloca a Vodafone no projecto de criação de um centro de inovação. Nos protocolos assinados ontem estão também envolvidas empresas na área das energias renováveis e outras com know-how no tráfego aéreo. José Manuel Rocha

Mercado Monetário Cambial
Euro à Vista Moeda-Sigla Dólar dos EUA USD Dólar canadiano CAD Real do Brasil BRL Libra esterlina GBP Franco suíço CHF Coroa dinamarquesa DKK Coroa norueguesa NOK Coroa sueca SEK Coroa checa CZK Zloty polaco PLN Forint húngaro HUF Lev búlgaro BGN Coroa da Estónia EEK Lira turca TRL Iene japonês JPY Dólar australiano AUD Dólar de Hong Kong HKD Pataca de Macau MOP Rand da Áf. do Sul ZAR Esc. de Cabo Verde CVE Um euro igual a 05.01.11 1,3184 1,3108 2,208 0,8505 1,2708 7,4522 7,7659 8,895 24,805 3,8735 275,71 1,9556 15,6426 2,0365 109,68 1,3161 10,2438 10,5467 8,8292 106,945 Anterior 1,3301 1,3288 2,2093 0,8533 1,2615 7,453 7,7997 8,9422 24,856 3,885 275,62 1,9556 15,6426 2,048 109,12 1,3259 10,3348 10,6373 8,8758 106,932 Var. % (a)% -0,880 -1,355 -0,059 -0,328 0,737 -0,011 -0,433 -0,528 -0,205 -0,296 0,033 0,000 0,000 -0,562 0,513 -0,739 -0,881 -0,852 -0,525 0,012

5,6

Os contratos assinados ontem perfazem um valor global de 5650 milhões de euros e envolvem 12 empresas

Fonte Cotações indicativas do Sistema Europeu dos Bancos Centrais (SEBC). “(a) + apreciação do euro; - depreciação do euro”

24 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Local
Segurança Câmara vai obrigar quem arruma carros em parques a tirar licença

Faro legaliza arrumadores e não há lugar para todos
Autarquia abriu concurso com 17 vagas. Restantes não poderão exercer, sob pena de multa. Cadastro limpo é um dos requisitos
Idálio Revez

Alguns arrumadores até guardam a chave do carro

a A Câmara de Faro abriu concurso para licenciar 17 arrumadores de automóveis. Porém, os lugares disponíveis não chegam nem para metade dos indivíduos que se dedicam a esta actividade, até agora clandestina. Quem continuar a exercer este trabalho sem licença, sujeita-se a coima que varia entre os 60 e os 300 euros. Há dois dias, Joaquim Escapa, no Largo de São Francisco, em Faro, foi notificado para pagar uma coima de 162 euros. “A polícia levou-me 14 euros, e agora querem que pague uma multa. Podem ficar descansados que não pago, porque não tenho dinheiro”, diz. A relação que tem com os utentes do parque “não podia ser melhor – é excelente”. “No Natal, uma senhora ofereceu-me um bolo-rei e uma garrafa de vinho”, exemplifica. Ainda não fez a candidatura para se legalizar, mas tenciona vir a efectuar o requerimento nos próximos dias. Um dos requisitos para concorrer às vagas é a apresentação do registo criminal limpo, acompanhado de uma declaração de “início de actividade” na Direcção de Finanças ou declaração de IRS. O presidente da câmara, Macário Correia, diz que a autarquia pretende, com essas exigências, avaliar o “comportamento e perfil” do candidato a arrumador. Para o Largo de São Francisco – o maior parque de estacionamento da cidade, com 950 lugares –, estão previstas três licenças. Actualmente, reconhece o próprio autarca, presta lá serviço, em certas alturas do dia, cerca de uma dezena de arrumadores. O que vai acontecer aos que ficarem sem licença? “O número de 17 lugares foi aquele que a câmara e a PSP acharam que seria necessário”, diz o autarca do PSD. A legislação para licenciar os arrumadores de automóveis existe desde 2004, mas muitas autarquias ignoram estes homens. Quem os supervisiona são as autoridades, que, umas vezes,

fecham os olhos e outras actuam, principalmente quando há queixas. Nuno Afonso, filho de uma empregada de limpeza, já foi ver o que era preciso para se legalizar. No que diz respeito aos colegas que vão ficar no “desemprego”, porque os lugares não chegam para todos, observa: “Há por aí muita malta que não merece. Se uma pessoa lhes dá 20 ou 30 cêntimos, por não ter mais, são capazes de atirar o dinheiro fora”. A gratificação é voluntária, e os arrumadores têm de estar identificados com um cartão pendurado ao peito. Para atestar o seu “bom comportamento”, Nuno aponta para a camisa preta, de bom corte, que tem vestida: “Deu-me uma senhora que costuma estacionar aqui um BMW. Uma para mim, outra ali para o Paulo.” Ambos, na casa dos 30 anos, acham que têm direito a obter licença de arrumador. “Andamos nisto desde miúdos, começámos a limpar vidros no parque da Pontinha e depois passámos a pedir moeda para ajudar a arrumar”. Joaquim Escapa chama a atenção para um eventual aumento de criminalidade, nos próximos meses. “Em Olhão, acabaram com os arrumadores, cresceram os roubos”, sugere. No Largo das Bicas Velhas (junto ao Teatro Lethes), o parque de estacionamento com capacidade para meia centena de lugares é “gerido” por Paulo, de 32 anos, e por Miguel, de 36. Segundo o edital municipal, só um é que irá ter direito à legalização. “Vai dar uma grande confusão”, diz Paulo. Por outro lado, questiona: “E o que vai fazer aquele que ficar no desemprego?” Os automobilistas que ali estacionam, acrescenta, são quase todos conhecidos. “Empregados das lojas da Rua de Santo António e funcionários públicos, dão 50 cêntimos ou um euro”. E para mostrar que é “pessoa de confiança” tira dos bolsos, seis exemplares de chaves de viaturas, que os donos lhe confiaram para estacionar.

Algarvios entregaram petição no Parlamento

PS promete isenções na Via do Infante até EN 12
a Os representantes da Comissão de Utentes da Via do Infante viajaram ontem do Algarve até Lisboa para entregar ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, as 14 mil assinaturas que recolheram contra a introdução de portagens na A22. Os membros da comissão foram também recebidos pelos grupos parlamentares e regressaram a casa com uma promessa: o PS vai prolongar as isenções ao pagamento de portagens na A22, para residentes e empresas da região, até que terminem as obras na Estrada Nacional (EN) 125. “Caso as obras de requalificação da Estrada Nacional 125 não terminem até Junho de 2012, como está previsto, tudo faremos para que a isenção seja prolongada”, adiantou ao PÚBLICO o deputado socialista Miguel Freitas. Porém, assim que a empreitada termine, é “inevitável” a cobrança de portagens na A22, sem excepções, sublinha. Apesar de satisfeito com a abertura manifestada pelo grupo parlamentar socialista, João Vasconcelos, reprede alternativas. João Caetano, outro representante, considera que a introdução de portagens na A22 é uma decisão “injusta e ilegal”. “Grande parte da Via do Infante não foi construída para ser Scut [via sem custos para o utilizador]”, sustenta, lembrando que mais de dois terços da via foram construídos e pagos com fundos comunitários. A petição, que foi a primeira a chegar à Assembleia em 2011, foi bem acolhida por parte do Bloco de Esquerda, PCP e CDS. Todos estão “em sintonia com a nossa posição”, diz João Vasconcelos. Mais difícil foi, porém, a conversa com os deputados do PS e do PSD, que “atiraram as responsabilidades um para o outro”, afirma a mesma fonte. O documento terá agora de ser discutido no Parlamento, mas a comissão promete não baixar os braços caso o Governo não volte atrás na decisão. “Vamos pedir a impugnação da introdução de portagens através de uma providência cautelar, que a breve trecho entrará nos tribunais

João Vasconcelos, membro da comissão de utentes

sentante da comissão, considera que a EN 125 não é uma alternativa “credível” à A22, já que, depois de requalificada, “ficará com 84 rotundas”. Mas os argumentos da comissão contra as portagens não se resumem à falta

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 25

Três enguias-bebé valem prisão e trabalho comunitário
O Tribunal de Montemor-o-Velho condenou ontem três homens a seis meses de prisão (pena suspensa) e a 120 horas de trabalho comunitário, por terem sido apanhados com três exemplares de meixão (enguiasbebé). A Espanha é o principal destino de exportação do meixão. Um quilo de “caviar lusitano” pode custar 400 a 500 euros, diz a GNR.

Internet grátis em Portugal publico.pt/infografia/hotspots/

VASCO CELIO

Ainda há 25 processos Hotelaria de Lisboa pede limpeza e menos burocracia judiciais pendentes no caso da CRIL
Inês Boaventura

Governo e Estradas de Portugal desvalorizam contestação. Empresa promete troço que falta para Abril, 15 anos depois do primeiro lanço
a O último troço de Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), entre a Buraca e a Pontinha, deverá entrar em funcionamento em Abril deste ano. Esta é, pelo menos, a última data anunciada pela Estradas de Portugal (EP) para a conclusão de uma obra que deveria ter ficado pronta a tempo da Expo 98. O anúncio foi feito ontem pelo administrador da EP Rui Nélson Dinis, durante uma visita técnica à obra que contou com a presença do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e do secretário de Estado adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações. Na ocasião, o ministro António Mendonça afirmou que o fecho da CRIL, que vai fazer a ligação rodoviária entre Algés e a Ponte Vasco da Gama, “vai revolucionar completamente a circulação rodoviária em Lisboa”. Tanto o governante como o presidente da EP, Almerindo Marques, desvalorizaram as críticas que têm sido feitas ao projecto, não só por moradores afectados pela obra, mas também pelas câmaras da Amadora e de Lisboa. “O que possa ser menos positivo é incomparavelmente menor em relação aos benefícios que traz para todos”, declarou o ministro António Mendonça. Já Almerindo Marques atribuiu as críticas “ao protagonismo de um ou outro” e pediu aos jornalistas perguntas “sobre o importante da

25 ficar pronta
administrativos e fiscais, e depois veremos o caminho a seguir”, adianta João Caetano. Este representante sublinha ainda que os utentes estão “preparados para agir contra qualquer iniciativa do Governo posterior à decisão dos tribunais”. Ainda este mês, a Comissão irá convocar a terceira marcha de protesto, desta vez sobre a ponte do Guadiana, para a qual conta com a participação de condutores espanhóis da Andaluzia. Os signatários da petição temem que os visitantes espanhóis, que habitualmente recorrem à A22 para chegar ao Algarve, se afastem com a introdução de portagens, “contribuindo para uma maior perda de competitividade e agravando a crise”. No Norte, também Viana do Castelo se esforça por manter ligação com os condutores espanhóis, tendo lançado esta semana, na Galiza, uma campanha de promoção da região. Viana diz que perdeu turistas desde a introdução de portagens na A28. Marisa Soares

obra”. Questionado sobre os processos judiciais interpostos nos últimos anos para travar este projecto e as expropriações a que obrigou, o presidente da EP garantiu que “está tudo ultrapassado”. Mas a verdade, como confirmou ao PÚBLICO o administrador Rui Nélson Dinis, é que há várias acções judiciais pendentes. Outra fonte da empresa, Mário Fernandes, responsável pela direcção de relações institucionais da EP, acrescenta que estão em curso 22 acções relativas a expropriações, uma “por danos a terceiros” e duas defendendo a nulidade da declaração de impacte ambiental (DIA), esta última uma questão-chave do processo de obras. Mário Fernandes sublinha que foram indeferidas outras 17 acções referentes a expropriações, tendo sido dada razão à empresa em seis processos contra a obra, em três por danos a terceiros e em quatro que pediam a nulidade da DIA. Também foram arquivadas duas queixas apresentadas junto da União Europeia e uma na Provedoria de Justiça. O primeiro lanço da circular, entre o Alto do Duque e o nó de Pina Manique, abriu em 1996, mas foi preciso esperar 15 anos para o último troço estar pronto. “Por alguma razão estes 3,7 quilómetros ficaram para o fim”, disse Rui Nélson Dinis, salientando as “enormes dificuldades de execução” que se colocaram ao nível técnico. Este administrador da EP explicou que “a parte de construção ligada à rodovia está pronta”, estando em conclusão “a montagem do sistema de operação e controlo dos túneis” e respectivos testes. Depois de percorrer o último troço da CRIL num autocarro, o ministro das Obras Públicas concluiu que esta “é uma obra notável do ponto de vista da engenharia”.
DANIEL ROCHA

a O sector português da hotelaria e da restauração espera que o novo plano estratégico do Turismo de Lisboa, que amanhã será apresentado, dê mais atenção aos pormenores e à qualidade da imagem da cidade, pedindo que aposte em mais limpeza, menos burocracia e na requalificação do património. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal diz acreditar que as grandes estratégias estão lançadas, mas destaca quão ridículo é um hotel de cinco estrelas estar ao lado de um edifício em ruínas. Citado pela agência Lusa, o secretário-geral daquela associação, José Manuel Esteves, insurge-se contra o que diz serem as “teias burocráticas” no licenciamento de esplanadas. “Há ainda um longo caminho a percorrer, e toda a região [de Lisboa]

deve continuar a promover os bons eventos e produtos gastronómicos”, acrescentou José Manuel Esteves. Já Belino Costa, presidente da Associação de Comerciantes do Bairro Alto, sugere que Governo e câmaras deveriam criar condições para facilitar a instalação de esplanadas e a realização de obras, intervenções que podiam melhorar a qualidade dos serviços, sem esquecer a limpeza e o reforço de eventos culturais. “Os turistas não vêm de propósito ver um bom espectáculo, a não ser algo muito específico e noticiado, como o Rock in Rio. Lisboa tem crescido na oferta cultural, mas não está ao nível das grandes capitais”, sustenta Margarida Vasconcelos, directora comercial do Evidência Hotéis, com quatro unidades no centro da cidade, citada pela Lusa.
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Ministro António Mendonça visitou ontem o lanço Buraca-Pontinha

26 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Local
Um homem, de 51 anos, morreu ontem após a investida de um touro, que o projectou contra uma parede do recinto onde se realizava um leilão de gado, em Portalegre, disse António Bonito, da associação de agricultores. A vítima era funcionário daquela mesma entidade.

Tribunal da Covilhã agrava pena a jovem condenada pela morte de homem amarrado
Na repetição do julgamento, juiza deu mais dois meses de prisão a mulher de 25 anos, pelo crime de omissão de auxílio. Caso passou-se em 2007, à porta de um café
a O Tribunal da Covilhã agravou ontem a pena de uma jovem e manteve a de outro no caso da morte de um homem amarrado por brincadeira às grades de um café em 2007. Eduardo Pinto (23 anos) e Nídia Afonso (25 anos) foram condenados a oito meses de prisão com pena suspensa, cada um, pelo crime de omissão de auxílio, na repetição do julgamento realizado depois de um recurso para o Tribunal da Relação de Coimbra. A arguida viu aumentada em dois meses a pena a que já tinha sido condenada no primeiro julgamento do caso, em 2009. Nessa altura, foram condenados outros quatro jovens, para além de Nídia e de Eduardo. Apesar de terem recorrido, o Tribunal da Covilhã reafirmou ontem que os dois estavam num carro e aperceberam-se pelos espelhos retrovisores de que outros quatro amigos estavam a amarrar a vítima, João Inácio. Segundo o acórdão, os dois sabiam que já todos tinham ingerido bebidas alcoólicas e não prestaram o auxílio necessário, desatando a vítima. A juíza que presidiu ao colectivo considerou também que o silêncio dos arguidos durante o julgamento aponta para a incriminação e para o facto de não quererem assumir as consequências. Destacou ainda o choque que o crime provocou na comunidade, classificando-o como um acto de “gravidade” e “horror”, com grande divulgação na comunicação social. A advogada de defesa de Nídia Afonso diz “ponderar o recurso, que é o mais certo”, dado que a decisão de hoje é “uma grande desilusão, porque não foi feita justiça”. Já o defensor de Eduardo Pinto, por seu lado, assegura que vai recorrer. “Se [através da prova] não se consegue colocar os arguidos no local, como pode o tribunal produzir um acórdão que os condena? Com que fundamento”, questiona. O advogado vai também recorrer do pagamento solidário das indemnizações de cerca de 48 mil euros aos familiares da vítima, considerando que os valores devem ser proporcionais ao grau de intervenção de cada um.

Os Verdes querem saber do centro de dia da Ferreira Borges
a O grupo municipal do Partido Ecologista Os Verdes pretende saber o que é que a Câmara de Lisboa “prevê fazer para resolver a situação” de um edifício construído há vários anos na Rua Ferreira Borges para acolher um centro de dia para idosos e um infantário e que se encontra desde então abandonado. Os deputados municipais dirigiram ontem um requerimento à presidente da Assembleia Municipal de Lisboa no qual solicitam diversos esclarecimentos sobre o assunto (noticiado pelo PÚBLICO de anteontem) e consideram “incompreensível” que o vereador da Acção Social afirme desconhecer o assunto. Os eleitos de Os Verdes questionam a razão de o edifício situado em Campo de Ourique – que custou 900 mil euros – se encontrar devoluto e perguntam qual é, actualmente, a entidade responsável pelo mesmo. O requerimento do partido ecologista questiona também por que motivo não foi cumprido o protocolo celebrado em 2006 com a Junta de Freguesia de Santa Isabel para que esta assuma a gestão do equipamento. J.A.C.

Acusação satisfeita
Rocha Pereira, advogado dos familiares da vítima, diz-se “satisfeito” com a condenação, sem a qual “seria mais difícil obter as indemnizações que o tribunal arbitrou. Assim o pedido cível foi estendido a estes arguidos”, concluiu. O tribunal suspendeu as penas pelo período de um ano, obrigando os arguidos a terem ocupação. O caso remonta ao final de Outubro de 2007, quando João Inácio, de 42 anos, morreu amarrado junto a um café de Borralheira de Borjais. Terá

sido “uma brincadeira de mau gosto que acabou mal”, como disseram alguns locais, na altura, ao PÚBLICO. O cadáver foi encontrado na manhã de domingo, suspenso pelos braços e pelas pernas, atado com corda de nylon ao gradeamento de um café, ao cadeado de uma vitrina e à jante de um automóvel. A morte terá sido provocada pela acumulação de líquido nas vias respiratórias. Tal terá resultado da posição em que ficou o corpo suspenso, com a perna levantada a um nível superior ao resto do corpo e a cabeça caída e inclinada para trás. PÚBLICO/Lusa
SÉRGIO AZENHA

Acidente com oito viaturas encerrou A5 por uma hora
a Um aparatoso acidente envolvendo oito viaturas, ontem à tarde, na auto-estrada de Cascais, A5, do qual resultou apenas um ferido ligeiro, provocou a interrupção da circulação nos dois sentidos de tráfego naquela via que liga Lisboa a Cascais durante cerca de uma hora. As colisões em cadeia ocorreram no sentido de Lisboa da A5, cerca de 14h30, na descida junto ao nó do Estádio/Linda-a-Pastora, no concelho de Oeiras, disse Filipe Palhau, subintendente da Protecção Civil Municipal de Oeiras, citado pela agência Lusa, que se socorreu de informações recebidas do Comando Distrital Operacional de Socorro de Lisboa. Durante as operações de assistência aos sinistrados, realizadas pela corporação dos Bombeiros Voluntários de Linda-a-Pastora, pela GNR e por elementos da concessionária Brisa, foi necessário cortar a circulação nas vias da direita e do meio durante cerca de uma hora. Só às 15h35 foi possível restabelecer a circulação, mas de forma lenta, com recurso a uma só via de cada sentido, disse ainda o mesmo responsável da Protecção Municipal de Oeiras.

João Inácio morreu amarrado junto a este café em Borralheira

Cartaxo Prisão preventiva para suspeito de homicídio do irmão
a O homem suspeito de ter morto o irmão e ferido a cunhada, na segunda-feira, em Vila Chã de Ourique, Cartaxo, ficou ontem detido preventivamente por decisão do juiz de instrução criminal do Tribunal de Santarém. O homem, de 60 anos, terá alvejado o irmão, de 50, a tiro de caçadeira. A vítima morreu no local, e a mulher, de 48 anos, foi internada num hospital de Lisboa devido aos ferimentos que sofreu. O suspeito, que se entregou no posto da GNR do Cartaxo, ficando depois ao cuidado da Polícia Judiciária, está indiciado pela prática de dois crimes de homicídio, um na forma tentada.

Porto Câmaras na Ribeira vão afinal continuar a funcionar
a Afi nal, a videovigilância na Ribeira do Porto continuará ligada por mais algum tempo, no pressuposto de que a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) emitirá, em breve, o parecer que autorizará a continuidade do sistema. O presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP), António Fonseca, anunciara que as câmaras começariam a ser desligadas ontem, mas recuou depois de ter sido convocado para uma reunião que se realizou no mesmo dia. O encontro foi marcado pela secretária de Estado da Administração Interna, Dalila Araújo.

Caldas da Rainha Mulher de 91 anos gravemente ferida em assalto a residência
a Uma mulher de 91 anos ficou em estado grave após ser agredida num assalto à sua casa em Cabeça Alta, freguesia de Carvalhal Benfeito, concelho de Caldas da Rainha, disse à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários. Segundo a mesma fonte o alerta chegou pelas 16h. “A senhora foi transportada para o Centro Hospitalar Oeste Norte, com escoriações na cara e no crânio”, declarou. A GNR de Leiria esclareceu que as primeiras diligências “dão conta de que indivíduos entraram na residência e terão levado uma carteira com o dinheiro da reforma”. A vítima foi encontrada junto à banheira.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 27

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DF de Setúbal Serviço de Finanças de Palmela-2208
Rua Esc. Preparatória Hermenegildo Capelo, 23, 2950-246 Palmela

ANÚNCIO - EDITAL
Convocação de Credores e Venda Judicial Processo Executivo n.º 2208200201053531 e Apensos
TEOR DO EDITAL Maria Eugénia Francisco da Silva Brás, Chefe do Serviço de Finanças de Palmela, faz saber que no dia 2011-03-02, pelas 10h00, neste Serviço de Finanças, sito na RUA ESCOLA HERMENEGILDO CAPELO, 23, PALMELA, se há-de proceder à abertura das propostas em carta fechada, para venda judicial, nos termos dos art.ºs 248 e seguintes do Código de Procedimento e de Processo Tributário (C.P.P.T.), dos bens penhorados à executada no Processo Executivo n.º 2208200201053531 e Apensos, para pagamento de dívida de IRC e respectivos Juros Compensatórios e Coimas Fiscais, no valor de € 6.583,69, sendo € 5.189,33 de quantia exequenda e € 1.394,36 de acréscimos legais. Mais, correm anúncios e éditos de 20 dias (art.º 239.º/2 C.P.P.T.), contados da 2.ª publicação, citando os credores desconhecidos de CHURRASQUEIRA A PITA, LDA., NIPC 503421251, com sede em AV. ANTOINE VELGE, 55 AIRES, 2950-011 PALMELA, e os sucessores dos credores preferentes para reclamarem, no prazo de 15 dias, contados da data da citação, o pagamento dos seus créditos que gozem de garantia real, sobre os bens penhorados acima indicados (art.º 240.º/6 C.P.P.T.). O valor-base de venda é de € 5.656,00, calculado nos termos da alínea c) do n.º 1 e do n.º 4 do art.º 250.º do C.P.P.T. É fiel depositário ANTÓNIO PINTO DE ALMEIDA, NIF 113664010, com domicílio fiscal em R. DO MONTE, LT. 10 D 22, 2910-063 SETÚBAL, o qual deverá mostrar o bem acima identificado a qualquer potencial interessado, entre as 09h00 do dia 2011-02-01 e as 16h00 do dia 2011-03-01 (art.º 249.º/6 C.P.P.T.). Todas as propostas deverão ser entregues no Serviço de Finanças, ou no site da Direcção-Geral dos Impostos – DGCI “www.portaldasfinancas.gov.pt”, até às 16h00 do dia 2011-03-01, em carta fechada dirigida ao Chefe do Serviço de Finanças, devendo identificar o proponente (nome, morada e número fiscal), bem como o nome do executado e o n.º de venda 2208.2010.332. As propostas serão abertas no dia e hora designados para a venda (dia 2011-03-02 às 10h00), na presença do Chefe do Serviço de Finanças. Podem assistir à abertura os proponentes e os citados nos termos do art.º 239 do C.P.P.T. No acto da venda deverá ser depositada a importância mínima de 1/3 do valor da venda, na Secção de Cobrança deste Serviço de Finanças e Imposto sobre o Valor Acrescentado que se mostre devido, devendo os restantes 2/3 ser depositados na mesma entidade, no prazo de 15 dias, conforme determina o art.º 256 do C.P.P.T. Se o preço oferecido mais elevado, for proposto por dois ou mais proponentes, abrir-se-á logo licitação entre eles, salvo se pretenderem adquirir em compropriedade, se estiver apenas um, pode este cobrir a proposta dos outros e, se nenhum destes estiver presente, ou estando, não pretender licitar proceder-se-á a sorteio, nos termos da alínea c) do n.º 1 do art.º 253.º do C.P.P.T. IDENTIFICAÇÃO DOS BENS VERBA N.º 1 - Uma vitrina frigorífica para exposição, em vidro e inox, de marca JOFRIO, com duas portas, com cerca de dois metros, em razoável de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 600,00 (seiscentos euros); VERBA N.º 2 - Uma vitrina de manutenção de calor, em vidro e inox, de marca SASUTL, com cerca de dois metros, em estado novo de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 900,00 (novecentos euros); VERBA N.º 3 - Uma bancada em inox, para suporte de máquina de café, em bom estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 200,00 (duzentos euros); VERBA N.º 4 - Uma bancada em inox, para fins diversos, com cerca de 70 cm de altura e tampo de 40 cm x 40 cm, em bom estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 50,00 (cinquenta euros); VERBA N.º 5 - Uma bancada em inox, para fins diversos, com gavetas e prateleiras, em bom estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 200,00 (duzentos euros); VERBA N.º 6 - Uma máquina de manutenção de calor, para batata frita, de marca ZANUSSI, em bom estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 50,00 (cinquenta euros); VERBA N.º 7 - Uma balança electrónica, de marca PORTOS, em estado razoável de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 50,00 (cinquenta euros); VERBA N.º 8 - Um balcão frigorífico em inox, com duas portas de cerca de 1,5 metros, de marca indeterminada, em bom estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível de € 750,00 (setecentos e cinquenta euros); VERBA N.º 9 - Um forno eléctrico de marca UNISA, em inox, 60 cm x 60 cm, em bom estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível de € 250,00 (duzentos e cinquenta euros); VERBA N.º 10 - Uma torradeira em inox, em razoável estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 30,00 (trinta euros); VERBA N.º 11 - Um grelhador industrial para carvão, com motor eléctrico para grelhas rotativas, de marca indeterminada, em inox, com cerca de 2,5 metros, em razoável estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível de € 1.250,00 (mil duzentos e cinquenta euros); VERBA N.º 12 - Um exaustor industrial, de marca indeterminada, em inox, com cerca de 3 metros, em razoável estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível de € 900,00 (novecentos euros); VERBA N.º 13 - Uma fritadeira industrial, de marca indeterminada, em inox, com bancada de apoio, em razoável estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 200,00 (duzentos euros); VERBA N.º 14 - Um fogão industrial, de 4 bicos, de marca JUNEX, em razoável estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível de € 500,00 (quinhentos euros); VERBA N.º 15 - Uma bancada de apoio, em inox, com prateleiras, com cerca de 3 metros, em bom estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 250,00 (duzentos e cinquenta euros); VERBA N.º 16 - Um frigorífico industrial, de marca indeterminada, em inox, com cerca de 1,90 mt x 1,38 mt x 0,80 mt em bom estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível de € 900,00 (novecentos euros); VERBA N.º 17 - Uma bancada com lava loiça incorporado, 2 gavetas e 1 prateleira de apoio, em inox, com cerca de 3,5 mt x 0,60 mt, em razoável estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 250,00 (duzentos e cinquenta euros); VERBA N.º 18 - Uma bancada com lava-loiça incorporado, em inox, com cerca de 2,0 mt x 0,60 mt, em razoável estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 200,00 (duzentos euros); VERBA N.º 19 - Uma bancada de apoio, com 1 gaveta e 2 prateleiras, em inox, em bom estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 150,00 (cento e cinquenta euros); VERBA N.º 20 - Uma máquina de lavar louça, industrial, de marca indeterminada, em razoável estado de conservação, à qual se atribui o valor presumível de € 200,00 (duzentos euros); VERBA N.º 21 - Conjunto de mobiliário, composto por 6 mesas em madeira com tampo em mármore, com 60 cm x 60 cm e 14 cadeiras em madeira, em razoável estado de conservação, ao qual se atribui o valor presumível global de € 200,00 (duzentos euros). A Chefe de Finanças em Regime de Substituição (Aviso 4864, DR II Série, n.º 47 de 09-03-2010) Maria Eugénia Francisco da Silva Brás Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

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AVISO n.º 4/2011
Faz-se público que foi publicado no Diário da República, n.º 1, II Série, datado de 3 de Janeiro de 2011, o aviso com o n.º 76/2011, referente à abertura dos seguintes procedimentos concursais comuns para preenchimento de postos de trabalho na categoria de técnico superior da carreira geral de técnico superior, do mapa de pessoal da Câmara Municipal do Funchal, na modalidade de contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado: Ref.ª PCCTI 04/2010 - dois técnicos superiores de economia e gestão; Ref.ª PCCTI 05/2010 - dois técnicos superiores de educação física e desporto; Ref.ª PCCTI 06/2010 - um técnico superior de engenharia do ambiente. 1. Caracterização dos postos de trabalho - O recrutamento destina-se a ocupar postos de trabalho com funções de complexidade funcional do grau 3, com a categoria de técnico superior, com o conteúdo descrito no anexo à Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, a desenvolver nas áreas de actividade dos seguintes Serviços: - Departamento Financeiro e Departamento de Concursos e Notariado - técnico superior de economia e gestão Divisão de Acção Social - técnico superior de educação física e desporto - Departamento de Ambiente - técnico superior de engenharia do ambiente. 2. Área de formação académica exigida - Licenciatura nas seguintes áreas de formação académica: Ref.ª PCCTI 04/2010 - técnico superior de economia e gestão - licenciatura em Gestão, Economia, Gestão e Administração Pública; Ref.ª PCCTI 05/2010 - técnico superior de educação física e desporto - licenciatura em Educação Física e Desporto; Ref.ª PCCTI 06/2010 - técnico superior de engenharia do ambiente - licenciatura em Engenharia do Ambiente. 3. A formalização das candidaturas deverá ser feita entre o dia 04-01-2011 e o dia 17-01-2011 (inclusive), nos termos precisos do aviso de abertura. 4. Informações adicionais poderão ser obtidas no site da Câmara Municipal do Funchal (www.cm-funchal.pt), no Departamento de Recursos Humanos, Praça do Município, 9004-512 Funchal, pelo telefone 291 211 000. Extensões 2268 ou 2288, ou pelo endereço de correio electrónico drh@cm-funchal.pt. Câmara Municipal do Funchal, 4 de Janeiro de 2011 O Vereador, por delegação do Presidente da Câmara Pedro Miguel Amaro de Bettencourt Calado

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 7001A11 HOSPITAL DE SANTO ANDRÉ, E.P.E. EMPREITADA DE REMODELAÇÃO DOS SISTEMAS MECÂNICOS DE AVAC DOS SERVIÇOS DE IMAGIOLOGIA, ADMINISTRATIVOS E CONSULTA EXTERNA/EXAMES ESPECIAIS
1. Designação e endereço da entidade contratante - A entidade pública contratante é o Hospital de Santo André, E.P.E., sito na Rua das Olhalvas, 2410-197 Leiria, com os números de telefone 244817000 e 244817010, com os números de Fax 244817080 e 244817075 e o endereço electrónico lnogueira@hsaleiria.min-saude.pt. 2. Designação do contrato: Empreitada de Remodelação dos Sistemas Mecânicos de AVAC dos Serviços de Imagiologia, Administrativos e Consulta Externa/ Exames Especiais. 2.1. Descrição/objecto do concurso: Os trabalhos constantes da presente empreitada estão relacionados com a remodelação dos sistemas mecânicos de AVAC dos serviços de Imagiologia, Administrativos e Consulta Externa / Exames Especiais. O Valor-base do concurso é de € 308.000,00, com exclusão do IVA. Tipo do Contrato: Empreitada de Remodelação dos Sistemas Mecânicos de AVAC dos Serviços de Imagiologia, Administrativos e Consulta Externa/ Exames Especiais. 3. Indicações adicionais: O concurso prevê negociação de propostas. 4. Admissibilidade da apresentação de propostas variantes: Não são admitidas. 5. Local da execução do contrato: Hospital de Santo André, E.P.E., na morada indicada em 1. 6. Prazo de execução previsto: 75 dias. 7. Documentos de habilitação: Conforme Programa do Concurso. 7.1. Os concorrentes deverão ser detentores de Alvará da 10.ª Subcategoria da 4.ª Categoria em classe correspondente ao valor global da proposta. 8. Designação do Serviço da entidade adjudicante onde se encontram disponíveis as peças do concurso para consulta dos interessados: O processo de concurso pode ser consultado, no Serviço de Aprovisionamento do Hospital de Santo André, E.P.E., na morada indicada em 1, das 9 H às 12H 30M e das 13H às 17H, desde a publicação do anúncio até à data-limite para apresentação das propostas. 9. Fornecimento das peças do concurso: a) O pedido de cópias do processo do concurso, pode ser solicitado, em tempo útil, directamente, por correio ou por telecópia, ou ainda por correio electrónico, contra o pagamento € 50,00. b) O pagamento pode ser feito em numerário, transferência bancária, cheque ou vale de correio à ordem de Hospital de Santo André, E.P.E. 10. Prazo para apresentação das propostas: As propostas e os documentos que as acompanham podem ser entregues no Serviço de Aprovisionamento, sito no Piso 00 do Hospital, até às 17 horas, do dia 27 de Janeiro de 2011, contra recibo, ou enviados por correio registado para a mesma morada, desde que a recepção ocorra dentro do prazo fixado. 11. Prazo durante o qual os concorrentes são obrigados a manter as respectivas propostas: O concorrente fica obrigado a manter a sua proposta durante um período de 66 dias a contar do termo do prazo para apresentação das propostas. 12. Critério de adjudicação: O mais baixo preço. Leiria, 5 de Janeiro de 2011 Administrador Executivo Licínio Oliveira de Carvalho

28 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011
NECROLOGIA DIVERSOS

JOSÉ VIRGÍNIO FROES LEITÃO VIEIRA DOS SANTOS
FALECEU
Sua Família participa que será celebrada Missa de 7.º Dia, amanhã 6.ª feira, dia 7, às 19 horas, na Igreja da Encarnação (Chiado).

s.o.s.
SIDA
800 20 10 40

7.º E 8.º JUÍZOS CÍVEIS DE LISBOA
7.º Juízo - 3.ª Secção Processo n.º 2293/10.6TVLSB

TRIBUNAL DE COMARCA E DE FAMÍLIA E MENORES DE ALMADA
1.º Juízo Competência Cível Processo n.º 6830/10.8TBALM

TRIBUNAL DE FAMÍLIA E MENORES E DE COMARCA DO SEIXAL
1.º Juízo Criminal Processo n.º 495/05.6TAALM

Tribunal de Família de Menores de Cascais
3.º Juízo Cível Processo: 8902/08.0TBCSC. Paula Pinto Valor: 1376,74 €. Agente de Execução Referência interna: PE/313/2008. Cédula n.º 3110 Exequente: DELDIMÓVEL - INDÚSTRIA EM ESTOFOS E MÓVEIS, LDA. Executado: JÚLIO FELICIANO SEGURO DE ALMEIDA.

ANÚNCIO
Interdição / Inabilitação Requerente: Ministério Público Requerido: João Pedro Brás Lopes Faz-se saber que foi distribuída neste tribunal, a acção de Interdição em que é requerido João Pedro Brás Lopes, com residência em: Appacdm, Residência Júlia Moreira - Rua Adolfo Coelho, N.º 9- A, Lisboa, 1900-023 Lisboa, para efeito de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica. N/Referência: 10664479 Lisboa, 21-12-2010 A Juíza de Direito Dr.ª Mariana Santos Capote O Oficial de Justiça João Caleira Público, 06/01/2011

ANÚNCIO
Liquidação Herança Vaga em Benefício Estado Requerente: Almada - Tribunal de Comarca e de Família e Menores (Serv. M.P.) Requerida: Maria Baptista Amaro São citados os herdeiros ou sucessores incertos de Maria Baptista Amaro, com última residência na Av. Dias Mourinho, n.º 99 - A, Cova do Vapor, Trafaria, Almada para no prazo de 30 dias findos os 30 dias dos éditos, contados da data da segunda e última publicação do anúncio virem aos presentes autos, requerer a sua habilitação como sucessores do falecido, sob pena de não aparecendo ninguém a habilitar-se, a herança ser declarada vaga para o Estado, tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial que se encontra nesta Secretaria, à disposição do citando. N/Referência: 8239469 Almada, 14-12-2010 O Juiz de Direito Dr. Carlos Filipe Carneiro da Câmara Manuel A Oficial de Justiça Helena Maria Ângelo
Público, 06/01/2011 - 1.ª Pub.

ANÚNCIO
Processo Comum (Tribunal Singular) O Mm.º Juiz de Direito Dr. Victor Rendeiro, do 1.º Juízo Criminal - Tribunal de Família e Menores e de Comarca do Seixal: Faz saber que no Processo Comum (Tribunal Singular), n.º 495/05.6TAALM, pendente neste Tribunal contra o(a) arguido(a) Ana Isabel Pina Furtado, filho(a) de Dionísio Mendes Furtado e de Alice Gomes Dias Pina, natural de: Portugal - Lisboa - São Jorge de Arroios (Lisboa); nacional de Portugal, nascido em 11-03-1980, estado civil: Solteiro, BI - 12187968 domicílio: Calçada AIfazina - Lote 73-2 - 2.º Dt.º, 2825-000 Monte Caparica, por se encontrar acusado da prática do(s) crime(s): 1 crime(s) de emissão de cheque sem provisão, p. p. p/ art.º 11.º, n.º 1 do D.L. n.º 454/91, de 28/12, na redacção dada p/ D.L. n.º 316/97 de 19/11, praticado em 21-02-2005; foi o(a) mesmo(a) declarado(a) contumaz, em 15-12-2010, nos termos do art.º 335.º do C. P. Penal. A declaração de contumácia, que caducará com a apresentação do(a) arguido(a) em juízo ou com a sua detenção, tem os seguintes efeitos: - Suspensão dos termos ulteriores do processo até à apresentação ou detenção do(a) arguido(a), sem prejuízo da realização de actos urgentes nos termos do art.º 320.º do P. Penal; - Anulabilidade dos negócios jurídicos de natureza patrimonial celebrados pelo(a) arguido(a), após esta declaração; - Proibição de obter ou renovar o bilhete de identidade, passaporte e carta de condução; - Proibição de obter quaisquer documentos, certidões ou registos junto de autoridades públicas, nomeadamente conservatórias dos registos, repartições de finanças, serviço de identificação civil e criminal, governos civis, cartórios notariais, câmaras municipais e juntas de freguesia. N/Referência: 7393774 Seixal, 21-12-2010 O Juiz de Direito Dr. Victor Rendeiro O Escrivão Adjunto Joaquim Manuel G. Santana

ANÚNCIO
FAZ-SE SABER, que nos autos acima identificados, encontra-se designado o dia 21 de Janeiro de 2011, pelas 10.00 horas, no Tribunal FAMÍLIA DE MENORES da Comarca de CASCAIS, para a abertura de propostas, que sejam entregues até esse momento, na secretaria do Tribunal, pelos interessados na compra do seguinte bem: Bem a Vender: Verba Única - Fracção autónoma designada pela letra B, sita do 2.º piso, r/c, esquerdo, um fogo com um armazém no primeiro piso, cave com três divisões. Ass., uma cozinha, uma casa de banho, uma arrecadação na cave, um vestíbulo, uma varanda e logradouro, sita na Travessa Sargento Joaquim José, lote 1, freguesia de Parede, concelho de Cascais, inscrito na matriz sob o artigo 3086.º - B e descrito na Conservatória de Registo Predial de Cascais sob o n.º 1560/19910409-B, pelo valor-base de 50.000,00€. As propostas devem ser acompanhadas de cheque visado, à ordem do Agente de Execução, nomeado, no montante de 20% do valor da proposta apresentada, ou garantia bancária no mesmo valor. O bem será adjudicado a quem melhor preço oferecer acima de 70% do valor-base, os bens foram penhorados ao executado JÚLIO FELICIANO SEGURO DE ALMEIDA, residente na AV. INFANTE DOM HENRIQUE, N.º 455 - MURTAL, PAREDE, CASCAIS. Paços de Ferreira, 5 de Janeiro de 2011 A Agente de Execução, Paula Pinto
Trav. D. Sílvia Cardoso, n.º 6, 1.º Dt.º, 4590-624 Paços de Ferreira Tel.: 255866366, Fax: 255866075, e.mail: 3110@solicitador.net Horário de atendimento: todos os dia úteis, das 09.00 às 11.00 horas Público, 2011.01.06

DAVID WILLIAM STILWELL
MISSA DE 7.º DIA E AGRADECIMENTO Sua Família participa que será celebrada Missa pelo seu eterno descanso, sábado, dia 8, pelas 12 horas na Igreja da Parede. Agradecem desde já a todos os que se dignarem assistir a este acto, bem como a todos aqueles que de alguma forma lhes manifestaram o seu pesar. P.N. A.M.

Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

FRANCISCO ANTÓNIO FERNANDES
MISSA DE 7.º DIA E AGRADECIMENTO
Sua Família participa que será celebrada Missa pelo seu eterno descanso, hoje, dia 6, pelas 19 horas na Igreja Nossa Senhora de Fátima (Av. Berna). Agradecem desde já a todos os que se dignarem assistir a este acto, bem como a todos aqueles que de alguma forma lhes manifestaram o seu pesar. P.N. A.M.

TRIBUNAL JUDICIAL DE OEIRAS
1.º Juízo Competência Cível Processo n.º 2381/10.9TBOER

DF de Setúbal Serviço de Finanças de Palmela-2208
Rua Esc. Preparatória Hermenegildo Capelo, 23, 2950-246 Palmela

ANÚNCIO
Acção de Processo Ordinário Autor: Administração do Condomínio Garagens Piso -2 Torres das Palmeiras Réu: Administração do Pingo Doce - Distribuição Alimentar, S.A. e outro(s)... Nos autos acima identificados, correm éditos de 30 dias, contados da data da segunda e última publicação deste anúncio, citando: Ré: Maria de Fátima dos Santos Fernandes, filho(a) de, estado civil: Desconhecido, domicílio: 11 Rue Schnapper, 78100, Saint German, Laye, França, 5500-000 FRANÇA, com última residência conhecida na(s) morada(s) indicada(s) para, no prazo de 30 dias, decorrido que seja o dos éditos, contestar, querendo, a acção, com a cominação de que a falta de contestação importa a confissão dos factos articulados pelo(s) autor(es), como melhor consta do duplicado da petição inicial que se encontra nesta Secretaria, à disposição do citando. O prazo acima indicado suspende-se, no entanto, nas férias judiciais. Fica advertido de que é obrigatória a constituição de mandatário judicial. N/Referência: 8610551 Oeiras, 14-12-2010 A Juíza de Direito Dr.ª Sandra Maria Vieira Melo O Oficial de Justiça Pedro Miguel Rodrigues Cardoso Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

ANÚNCIO - EDITAL
Convocação de Credores e Venda Judicial Processo Executivo n.º 2208200801058142 e Apensos
IDENTIFICAÇÃO DO BEM Prédio urbano em regime de propriedade horizontal, destinado a comércio, correspondente ao R/C, constituído por: 4 divisões com área total do terreno integrante de 2.187 m2, área implantação do edifício e área bruta privativa de 809 m2, área de terreno integrante das fracções 344,5 m2, sito na Rua João de Deus, 10, na Quinta do Anjo, Freguesia da Quinta do Anjo, Concelho de Palmela, inscrito na matriz em 2007, com o valor patrimonial de € 212.002,75 e descrito na Conservatória de Registo Predial de Palmela sob o n.º 2815 e inscrito na respectiva matriz predial urbana da freguesia da Quinta do Anjo sob o art.º 10374. TEOR DO EDITAL Maria Eugénia Francisco da Silva Brás, Chefe do Serviço de Finanças de Palmela, faz saber que no dia 2011-01-28, pelas 10h00, neste Serviço de Finanças, sito na RUA ESCOLA HERMENEGILDO CAPELO, 23, PALMELA, se há-de proceder à abertura das propostas em carta fechada, para venda judicial, nos termos dos Art.ºs 248 e seguintes do Código de Procedimento e de Processo Tributário (C.P.P.T.), do bem acima designado, penhorado ao executado infra-identificado, no Processo Executivo n.º 2208200801058142 e Apensos, para pagamento de dívidas de IMI, no valor total de € 6.380,89, sendo de € 4.755,43 de quantia exequenda e de € 1.625,46 de acréscimos legais. Mais, correm anúncios e éditos de 20 dias (Art.º 239/2 C.P.P.T.), contados da 2.ª publicação, citando os credores desconhecidos de HORÁCIO DOS SANTOS SIMÕES, NIF 128598662, e os sucessores dos credores preferentes para reclamarem, no prazo de 15 dias, contados da data da citação, o pagamento dos seus créditos que gozem de garantia real, sobre o bem penhorado acima indicado (Art.º 240/6 C.P.P.T.). O valor-base de venda é de € 148.401,89, calculado nos termos do Art.º 150 do C.P.P.T. É fiel depositário o Sr. HORÁCIO DOS SANTOS SIMÕES, NIF 128598662, com domicílio fiscal na Rua João de Deus, 10, 2950-731 Quinta do Anjo, o qual deverá mostrar o bem acima identificado a qualquer potencial interessado, entre as 10h00 do dia 2010-12-15 e as 16h00 do dia 2011-01-27 (Art.º 249/6 C.P.P.T.). Todas as propostas deverão ser entregues no Serviço de Finanças até às 16h00 do dia 2011-01-27, em carta fechada dirigida ao Chefe do Serviço de Finanças, devendo identificar o proponente (nome, morada e número fiscal), bem como o nome do executado e o n.º de venda 2208.2010.212. As propostas serão abertas no dia e hora designados para a venda, na presença do Chefe do Serviço de Finanças. Podem assistir à abertura os proponentes e os citados nos termos do Art.º 239 do C.P.P.T. No acto da venda deverá ser depositada a importância mínima de 1/3 do valor da venda, na Secção de Cobrança deste Serviço de Finanças e pago o IMT e o Imposto do Selo que se mostrem devidos, devendo os restantes 2/3 ser depositados na mesma entidade, no prazo de 15 dias, conforme determina o Art.º 256 do C.P.P.T. Se o preço oferecido mais elevado, for proposto por dois ou mais proponentes, abrir-se-á logo licitação entre eles, salvo se pretenderem adquirir em compropriedade, se estiver apenas um, pode este cobrir a proposta dos outros e, se nenhum destes estiver presente, ou estando, não pretender licitar procederse-á a sorteio, nos termos da alínea c) do n.º 1 do Art.º 253 do C.P.P.T. Os presentes Éditos serão afixados nos locais previstos na Lei. Data, 22 de Dezembro de 2010. A Chefe de Finanças em Regime de Substituição
(Aviso 4864, DR II Série, n.º 47 de 09-03-2010)

Loja Parede Servilusa - Número Verde Grátis 800 204 222 Serviço Funerário Permanente 24 Horas

Loja Campo de Ourique Servilusa - Número Verde Grátis 800 204 222 Serviço Funerário Permanente 24 Horas

ADELAIDE TERESINHA MASCARENHAS NETO CARDOSO DE MORA FÉRIA
Participação, Missas do 7.º Dia e Agradecimento
Seus Filhos, Irmãos e restante Família participam o falecimento da sua ente querida ocorrido no dia 01/01/2011 e que amanhã pelas 17h na Igreja de Alcantarilha, Algarve, e pelas 19h na Igreja da Sagrada Família (Capuchinhos) na Rua Barjona de Freitas em Benfica, serão celebradas Missas pelo eterno descanso. Desde já agradecem a todos quantos se dignem assistir a tão piedoso acto, bem como a todos que a acompanharam à última morada ou que de qualquer modo lhes manifestaram o seu pesar.
Agência Mega www.funerariamega.net De: Edmundo Santos Tel: 21 886 34 32 - Fax: 21 888 19 57

MARIA MANUEL D’ALMEIDA ABREU FALCÃO E MENA RAMALHO FERNANDES
MISSA DE 7.º DIA
Sua Família participa que será celebrada Missa de 7.º Dia, amanhã, dia 7, às 19.00 horas, na Igreja de São João de Deus (Praça de Londres). P.N. A.M.

COMARCA DA GRANDE LISBOA-NOROESTE
Sintra - Juízo de Média Instância Cível - 1.ª Secção Processo n.º 28204/10.0T2SNT

ANÚNCIO
Liquidação Herança Vaga em Benefício Estado São citados os herdeiros ou sucessores incertos de LUÍS FRIAS NEVES, natural da freguesia de Queluz, concelho de Sintra, filho de Fernando Neves e Elvira de Frias Neves, que foi residente na Rua Rainha Santa Isabel, n.º 36 - Cave Direita - 2735-488 Cacém, para no prazo 30 dias, findos os 30 dias dos éditos, contados da data da segunda e última publicação do anúncio virem aos presentes autos, requerer a sua habilitação como sucessores do falecido, sob pena de não aparecendo ninguém a habilitar-se, a herança ser declarada vaga para o Estado, tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial que se encontra nesta Secretaria, à disposição do citando. N/Referência: 10399591 Sintra, 21-12-2010 A Juíza de Direito Dr.ª Sónia Cristina do Vale e Silva A Escrivã Adjunta Alina Maria Baunites Rocha
Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

Loja Alvalade Servilusa - Número Verde Grátis 800 204 222 Serviço Funerário Permanente 24 Horas

PREVENÇÃO
Aqui encontra produtos exclusivos Público e Classificados

RODOVIÁRIA PORTUGUESA

Lisboa - Rua Viriato, n.º 13 - 1069-315 Tel. 210 111 010/020
Novo Horário: Loja aberta até às 19h00

Maria Eugénia Francisco da Silva Brás Público, 06/01/2011 - 1.ª Pub.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 29
DIVERSOS
MARIA LEONOR COSME
Agente de Execução Cédula 1389

FRANCISCO SILVA
Agente de Execução Cédula 3619

ANA PAULA RAMOS
Agente de Execução Cédula 3486

RUI PEDRO T. DIAS DA SILVA Agente de Execução Cédula 2462

ANÚNCIO DE VENDA IMÓVEL
Tribunal Comarca da Grande Lisboa - Noroeste-Sintra, Juízo de Execução-Juiz 2; Execução Comum; Processo n.º 3899/09.1T2SNT; Valor: 2.099,51€. Nos autos acima identificados, em que é Exequente MANUEL BALEIA LEITÃO, LDA. e executados ANTÓNIO JOAQUIM MARTINS ALMEIDA e ROSALINA GONÇALVES VALÉRIO, encontra-se designado o dia 26/01/2011, pelas 09.30 horas, no Tribunal da Comarca da Grande Lisboa - Noroeste-Sintra, Juízo de Execução, Juiz 2, para a abertura de propostas, que sejam entregues até às 14.00 horas de véspera, na secretaria do referido Tribunal, pelos interessados na compra do seguinte bem: Verba única - prédio, designado por terreno para construção, sito em Ermelo, freguesia de Ermelo, concelho de Mondim de Bastos, inscrito na matriz sob o artigo 1170, descrito na Conservatória Registo Predial de Ermelo, sob n.º 2426 / Ermelo. VALOR-BASE DA VENDA: 27.000,00€. Serão aceites propostas de melhor preço igual ou acima de 70% do valor-base anunciado. É fiel depositário os executados António Joaquim Martins Almeida e Rosalina Gonçalves Valério, que são obrigados a mostrar o bem a quem pretende examiná-lo. Não se encontra pendente qualquer oposição à execução. Entrega de propostas: As propostas devem ser entregues na Secretaria do Tribunal Comarca Grande Lisboa - Noroeste-Sintra, Juízo de Execução-Juiz 2, até às 14.00 horas do dia 25 Janeiro de 2011 em envelope fechado, com a indicação do número do processo executivo, nome exequente e executados, devendo juntar-lhe fotocópias do bilhete identidade e cartão de contribuinte, excepto se o proponente estiver presente na abertura de propostas. Caução e depósito do preço: No acto da venda deve ser depositado à ordem do Agente de Execução 5% do valor anunciado para a venda ou garantia bancária no mesmo valor, e a totalidade ou parte do preço em falta no prazo de quinze dias após a venda, nos termos do artigo 897.º do CPC. Os pagamentos poderão ser efectuados por entrega de cheque visado à ordem da Agente de Execução, ou por depósito na conta cliente da mesma, aberta no Millennium BCP, com NIB n.º 003300004524819906405, indicando como referência o número do processo em epígrafe. Ao valor da venda acrescem os impostos devidos, nomeadamente IMT e Imposto Selo. Este edital encontra-se afixado na porta do imóvel, na respectiva Junta de Freguesia e no Tribunal e ainda publicado em duas edições do jornal Público. A Agente de Execução - Maria Leonor Cosme
Rua José Bento Costa n.º 9, R/C Dt.º - Portela de Sintra 2710-428 Sintra Telef. 219106820 - Fax 219106829 e.mail: 1389@solicitador.net Horário de atendimento: Todos os dias úteis das 15.00H às 17.00H Público, 06/01/2011 - 1.ª Pub.

ANÚNCIO
TRIBUNAL JUDICIAL DE MANGUALDE 1.º Juízo Cível Processo: 410/06.0TBMGL Espécie de processo - Pagamento de Quantia Certa Valor - 6.900,52 € Exequente(s): Crédibom - Instituição Financeira de Crédito, S.A. Executado(s): Diamantino Cabral Pinto e outro(s) Nos termos do disposto no art.º 890 do Código de Processo Civil, faz-se saber que foi designado o dia 10 de Fevereiro de 2011, pelas 10:00 horas, para a abertura de propostas, que sejam entregues até esse momento na Secretaria do Tribunal, acima identificado, pelos interessados na compra dos bens a seguir indicados: Bens em venda; Tipo de bem: Imóvel Registo: 434/19960521, Conservatória do Registo Predial de Penalva do Castelo Art.º Matricial: 1498 - Serviço de Finanças de Penalva do Castelo DESCRIÇÃO: Prédio Rústico - Pinhal e cultura com oliveiras, área total de 2750m2, sito em Fonte Grande, freguesia de Germil, concelho de Penalva do Castelo, inscrito na matriz sob o artigo n.º 1498 e descrito na Conservatória do Registo Predial de Penalva do Castelo sob o n.º 434/19960521 - 8.250,00€ O bem será adjudicado a favor de quem oferecer o melhor preço acima de 70% do valor-base indicado. Existem créditos reclamados. Os proponentes devem juntar à sua proposta, como caução, um cheque visado, à ordem do Agente de Execução, no montante correspondente a 20% do valor-base dos bens, ou garantia bancária do mesmo valor. São fiéis depositários do bem, que o devem mostrar, a pedido, os Executados. PENHORADO EM: 2010/02/23, AVALIADO EM: 8.250,00 euros INTERVENIENTES ASSOCIADOS AO BEM: EXECUTADOS: Diamantino Cabral Pinto, com o NIF: 196473055, Helena Cristina de Jesus dos Santos Pinto, com o NIF: 199467170, endereço: Calçada Fonte Velha, n.º 2, 3550-093 Germil. MODALIDADE DA VENDA: venda em propostas em carta fechada LOCAL DA VENDA: Tribunal Judicial de Mangualde, Largo Dr. Couto, 3530-134 Mangualde. O Agente de Execução - Francisco Silva
Av. Dr. António José de Almeida, 218, 2.º, Centro Comercial S. Mateus. sala 6, 3514-504 Viseu Telf. 232 431 462 - Fax 232 424 391 Email: 3619@solicitador.net Horário de atendimento: dias úteis das 9 às 11 horas

ANÚNCIO
Comarca da Grande Lisboa Noroeste - Juízo de Execução Processo: 190/05.6TCSNT Execução Comum Exequente: Banco Espírito Santo, S.A. Executado: Nuno Manuel de Sampaio Palha da Silva. Nos autos acima identificados, correm éditos de 30 (Trinta) dias, contados da data da segunda e última publicação do anúncio, citando o executado, Nuno Manuel de Sampaio Palha da Silva, NIF - 148246010, com última residência conhecida na Avenida do Atlântico, n.º 16 - 1.º, no lugar e freguesia de Colares - Sintra, concelho de Sintra, para, no prazo de 20 (vinte) dias pagar ao exequente ou deduzir oposição à execução, sob pena de se proceder à penhora em bens da sua pertença. Adverte-se, de que o prazo acima indicado é contínuo, suspendendo-se, no entanto, durante as férias judiciais e, se terminar em dia que os tribunais estiverem encerrados, transfere-se o seu termo para o primeiro dia útil seguinte. Que nos termos do art.º 32.º do CPC, é obrigatória a constituição de advogado nas causas de competência de tribunais com alçada em que seja admissível recurso ordinário; nas causas em que seja admissível recurso, independentemente do valor; nos recursos e nas causas propostas nos tribunais superiores. Nos termos do n.º 1 do art.º 60.º do CPC as partes têm de fazer-se representar por advogado nas execuções de valor superior à alçada da Relação e nas de valor inferior a esta quantia, mas excedente à alçada dos tribunais de 1.ª Instância, quando tenha lugar algum procedimento que siga os termos do processo declarativo. Nos termos do n.º 3 daquele normativo, nas execuções de valor superior à alçada do Tribunal da 1.ª Instância e não abrangidas no número anterior, as partes têm de se fazer representar por advogado, advogado estagiário ou solicitador. A Agente de Execução Ana Paula Ramos
Beloura Office Park, Ed. 3, Piso 2, S/11, Qt.ª da Beloura - 2710-603 SINTRA Telef. 210069240 - Fax 210069245 E-mail: 3486@solicitador.net Horário de atendimento: Dias úteis das 10.00 às 12.00

Tribunal Judicial de Albufeira Processo: 1564/08.6TBABF - 2.º Juízo Execução Comum Exequente: Banco Santander Totta, S.A. Executado: António Almeida Batista, e outros Valor: 133.007,11 € Referência interna: 618 PE 417 2008

MUNICÍPIO DE LISBOA EDITAL N.º 110/2010 Restos Mortais Não Reclamados Divisão de Gestão Cemiterial - Cemitério do Alto de São João
No âmbito do Artº 37º do Regulamento dos Cemitérios Municipais de Lisboa, dá-se conhecimento aos interessados das sepulturas temporárias, abaixo mencionadas que, decorridos cinco ou mais anos sobre a data de inumação, expirou o prazo correspondente ao período legal previsto para marcação da exumação, encontrando-se os restos mortais na situação de abandono. No entanto, poderão ainda ser reclamados no prazo de um mês, contado após a data da publicação do presente Edital.
Data Inumação 02-11-2002 04/11/2002 05/11/2002 05/11/2002 05/11/2002 05/11/2002 06/11/2002 06/11/2002 06/11/2002 07/11/2002 07/11/2002 07/11/2002 07/11/2002 08/11/2002 08/11/2002 08/11/2002 08/11/2002 08/11/2002 08/11/2002 09/11/2002 11/11/2002 12/11/2002 12/11/2002 13/11/2002 14/11/2002 14/11/2002 15/11/2002 16/11/2002 16/11/2002 17/11/2002 17/11/2002 17/11/2002 17/11/2002 18/11/2002 18/11/2002 19/11/2002 20/11/2002 20/11/2002 21/11/2002 21/11/2002 21/11/2002 21/11/2002 21/11/2002 21/11/2002 21/11/2002 22/11/2002 22/11/2002 22/11/2002 23/11/2002 23/11/2002 23/11/2002 23/11/2002 24/11/2002 24/11/2002 24/11/2002 24/11/2002 25/11/2002 28/11/2002 28/11/2002 28/11/2002 29/11/2002 29/11/2002 30/11/2002 30/11/2002 30/11/2002 30/11/2002 01/12/2002 02/12/2002 02/12/2002 02/12/2002 02/12/2002 02/12/2002 02/12/2002 02/12/2002 03/12/2002 03/12/2002 03/12/2002 03/12/2002 05/12/2002 05/12/2002 06/12/2002 07/12/2002 07/12/2002 07/12/2002 09/12/2002 09/12/2002 10/12/2002 10/12/2002 10/12/2002 11/12/2002 11/12/2002 11/12/2002 11/12/2002 12/12/2002 12/12/2002 12/12/2002 12/12/2002 13/12/2002 14/12/2002 14/12/2002 15/12/2002 16/12/2002 16/12/2002 16/12/2002 17/12/2002 17/12/2002 17/12/2002 17/12/2002 17/12/2002 17/12/2002 N. de Sepultura e Secção 10125/39 10131/39 10133/39 10134/39 10136/39 10140/39 10141/39 10142/39 10143/39 10146/39 10147/39 10148/39 10149/39 10151/39 10152/39 10153/39 10154/39 10155/39 10156/39 10159/39 10160/39 10162/39 10165/39 10168/39 10169/39 10176/39 10177/39 10180/39 10183/39 10185/39 10186/39 10187/39 10189/39 10190/39 10194/39 10196/39 10200/39 10202/39 10206/39 10207/39 10208/39 10209/39 10211/39 10212/39 10215/39 10218/39 10219/39 10220/39 10221/39 10223/39 10224/39 10226/39 10228/39 10231/39 10232/39 10233/39 10235/39 10242/39 10243/39 10244/39 10245/39 10246/39 10248/39 10249/39 10251/39 10252/39 10254/39 10258/39 10260/39 10261/39 10262/39 10265/39 10266/39 10268/39 10269/39 10271/39 10272/39 10274/39 10279/39 10280/39 10283/39 10287/39 10288/39 10290/39 10291/39 10295/39 10297/39 10298/39 10299/39 10301/39 10302/39 10304/39 10306/39 10308/39 10309/39 10311/39 10312/39 10314/39 10317/39 10318/39 10323/39 10326/39 10327/39 10328/39 10330/39 10331/39 10333/39 10334/39 10336/39 10337/39 Data Inumação 18/12/2002 18/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 19/12/2002 20/12/2002 20/12/2002 20/12/2002 20/12/2002 21/12/2002 21/12/2002 21/12/2002 22/12/2002 23/12/2002 23/12/2002 23/12/2002 23/12/2002 24/12/2002 24/12/2002 24/12/2002 24/12/2002 24/12/2002 27/12/2002 27/12/2002 27/12/2002 27/12/2002 27/12/2002 27/12/2002 27/12/2002 28/12/2002 28/12/2002 28/12/2002 28/12/2002 28/12/2002 29/12/2002 29/12/2002 29/12/2002 29/12/2002 30/12/2002 30/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2002 02/01/2003 02/01/2003 03/01/2003 03/01/2003 03/01/2003 03/01/2003 04/01/2003 04/01/2003 04/01/2003 04/01/2003 05/01/2003 05/01/2003 05/01/2003 05/01/2003 06/01/2003 06/01/2003 06/01/2003 07/01/2003 07/01/2003 07/01/2003 07/01/2003 08/01/2003 08/01/2003 08/01/2003 08/01/2003 09/01/2003 09/01/2003 10/01/2003 10/01/2003 10/01/2003 10/01/2003 10/01/2003 11/01/2003 11/01/2003 11/01/2003 12/01/2003 12/01/2003 12/01/2003 13/01/2003 14/01/2003 14/01/2003 14/01/2003 14/01/2003 15/01/2003 15/01/2003 16/01/2003 16/01/2003 16/01/2003 16/01/2003 16/01/2003 16/01/2003 17/01/2003 17/01/2003 18/01/2003 18/01/2003 18/01/2003 19/01/2003 N. de Sepultura e Secção 10338/39 10341/39 10343/39 10344/39 10345/39 10347/39 10349/39 10353/39 10355/39 10356/39 10358/39 10359/39 10361/39 10362/39 10365/39 10367/39 10369/39 10375/39 10376/39 10379/39 10383/39 10384/39 10385/39 10386/39 10387/39 10388/39 10390/39 10395/39 10396/39 10397/39 10398/39 10399/39 10401/39 10402/39 10403/39 10404/39 10405/39 10407/39 10408/39 10411/39 10412/39 10414/39 10415/39 10416/39 10417/39 10420/39 10421/39 10422/39 10424/39 10425/39 10426/39 10428/39 10430/39 4/39 6/39 10/39 11/39 13/39 14/39 16/39 17/39 19/39 20/39 21/39 23/39 24/39 26/39 27/39 30/39 33/39 35/39 36/39 37/39 41/39 42/39 43/39 47/39 48/39 52/39 53/39 55/39 56/39 57/39 60/39 61/39 62/36 64/39 66/39 67/39 68/39 70/39 72/39 75/39 78/39 79/39 80/39 81/39 84/39 85/39 86/39 87/39 88/39 89/39 90/39 93/39 94/39 98/39 100/39 102/39 105/39

ANÚNCIO
Nos autos acima identificados foi designado o dia 17/01/2011, pelas 14h00m, no Tribunal Judicial de Albufeira, para abertura de propostas que sejam entregues na Secretaria até àquele momento, pelos interessados na compra do seguinte bem: Tipo de bem: Imóvel. Descrição: Fracção autónoma designada pelas letras “AA” do prédio urbano sito na Quinta da Flor, Brejos, Montechoro, Albufeira, correspondente à habitação 204 do Piso 2, tipo T0, destinada a habitação, com a área de 40,00 m2, inscrita na matriz sob o artigo 20694-AA e descrita na Conservatória do Reg. Predial de Albufeira sob o n.º 5991-AA da freguesia de Albufeira. Penhorado em: 29/04/2009. Penhorado a: António de Almeida Batista, solteiro, maior, residente na Rua Almada Negreiros, 441 - 2.º, Lote D, em Lisboa. Valor-base da venda: € 69.200,00 Valor a anunciar: € 48.440,00. O Agente de Execução Rui Pedro T. Dias da Silva
Rua Reitor Teixeira Guedes, 175 - 8000-424 Faro Telef. 289 810 170 - Fax 289 810 179 - e-mail: 2462@solicitador.net

Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

EDITAL DE VENDA
CARLOS PAZ
Solicitador de Execução Cédula 2186
Nos termos do disposto no Artigo 890.º e Artigo 876.º, n.º 1, do Código de Processo Civil

Público, 06/01/2011 - 1.ª Pub.

Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

Maria Emília Catrau
Agente de Execução Cédula 2865

EDITAL CITAÇÃO DE AUSENTE EM PARTE INCERTA
(artigos 244.º e 248.º do CPC)
Tribunal Comarca Grande Lisboa Noroeste Sintra - Juízo de Execução, Juiz 2. Processo n.º 275/08.7TCSNT EXECUÇÃO PARA PAGAMENTO DE QUANTIA CERTA VALOR: 92.829,10 € Exequente(s): Banco Espírito Santo, S.A. Executado(s): Rosalina de Oliveira Santos e Pedro Miguel Henriques Número interno: PEDEL/216/2010 OBJECTO E FUNDAMENTO DA CITAÇÃO Nos termos e para os efeitos do disposto no art.° 248.° e ss do Código de Processo Civil, correm éditos de 30 (trinta) dias, contados da data da segunda e última publicação do anúncio, citando os ausentes Rosalina de Oliveira Santos e Pedro Miguel Henriques com última residência conhecida na Rua Casal da Serra, n.º 1, 4.º Drt.º, 2635-278 Rio de Mouro, freguesia de Rio de Mouro, comarca de Sintra para no prazo de 50(*) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ou deduzir oposição à execução suprareferenciada, nos termos do artigo 812.º, n.º 6, e 813.º, n.º 1, ambos do CPC. O duplicado do requerimento executivo e a cópia dos documentos encontram-se à disposição do citando na Secretaria da Comarca Grande Lisboa Noroeste Sintra - Juízo de Execução, Juiz 2. MEIOS DE OPOSIÇÃO Nos termos do disposto no artigo 60.º do C.P.C. e tendo em consideração o valor do processo, para se opor à execução que terá de ser apresentada no Tribunal supra-referenciado, é obrigatória a constituição de Advogado. COMINAÇÃO EM CASO DE REVELIA Caso não se oponha à execução no prazo supra-indicado e não pague ou caucione a quantia exequenda, seguem-se os termos do artigo 832.º e seguintes do C.P.C., sendo promovida a penhora dos bens penhorados para garantir o pagamento da quantia exequenda, acrescido de 10%, nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 821.º do C.P.C. PAGAMENTO, DESPESAS E HONORÁRIOS Poderá efectuar o pagamento da quantia exequenda e despesas junto do escritório da signatária, nos dias e horas constantes em rodapé. À quantia exequenda acrescem, para além dos juros calculados nos termos do pedido, a taxa de justiça inicial no montante de 48,00 €, e os honorários e despesas do Agente de Execução, que nesta data ascendem a 150,00 € sem prejuízo de posterior acerto. Este edital encontra-se afixado na porta do último domicílio conhecido dos citandos, na Junta de Freguesia respectiva e no Tribunal Judicial da Comarca da última residência dos citandos. São também publicados dois anúncios consecutivos no jornal “Público”. Os prazos começam a contar da publicação do último anúncio. 29 de Dezembro de 2010 A Agente de Execução - Maria Emília Catrau
Rua Adelaide Cabete, 7 - 3.º Dto. - Lisboa Telef. 964603035 - 217155256 - Fax 217155258 e.mail: 2865@solicitador.net Dias úteis das 14.00H às 16.00H

Comarca da Grande Lisboa - Noroeste - Sintra - Juízo de Execução - Juiz 2 Processo: 1388/06.5TBMFR EXECUÇÃO PARA PAGAMENTO DE QUANTIA CERTA SOB A FORMA COMUM Executado(s): Domínio Espaço - Consultoria Projectos e Construção Lda. e outros Exequente(s): Caixa Económica Montepio Geral Faz-se saber que nos autos acima identificados, encontra-se designado o dia 26 de Janeiro de 2011, pelas 09.30 horas, na Comarca da Grande Lisboa - Noroeste - Sintra - Juízo de Execução, para abertura de propostas, que sejam entregues até esse momento, na Secretaria do Tribunal, pelos interessados na compra dos seguintes bens: - Prédio Urbano descrito na Conservatória do Registo Predial de Mafra sob o n.º 598/19870202, inscrito na matriz sob o artigo 6456.º, na Freguesia de Milharado. - Valor-base 300.000,00 € (trezentos mil euros). - 70% do valor-base 210.000,00 € (duzentos e dez mil euros). O bem pertence aos executados Alexandre Fernando Mateus Ferreira e Dulce de Araújo Carapeto e Ferreira, com domícilio fiscal na Rua dos Plátanos, N.º 5 - 2665381 Vale de São Gião. Serão aceites as propostas de melhor preço acima do valor correspondente a 70% do valor-base. Os proponentes devem juntar à sua proposta, como caução, um cheque visado, à ordem do solicitador de execução, no montante correspondente a 20% do valor-base do bem. Sendo aceite alguma proposta, é o proponente, ou preferente, notificado para, no prazo de 15 dias, depositar à ordem do solicitador de execução a parte do preço em falta. É fiel depositário, que o deve mostrar, a pedido, os executados Alexandre Fernando Mateus Ferreira e Dulce de Araújo Carapeto e Ferreira na morada acima indicada. Este edital encontra-se afixado na Junta de Freguesia respectiva e na Comarca da Grande Lisboa - Noroeste - Sintra - Juízo de Execução, e na porta do prédio. São também publicados dois anúncios consecutivos no jornal Público Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

MUNICÍPIO DE LISBOA
EDITAL N.º 109/2010 Covais a Desocupar e Anuidades em Atraso Divisão de Gestão Cemiterial No âmbito do Art.º 37.º do Regulamento dos Cemitérios Municipais de Lisboa, avisam-se as famílias dos falecidos em Outubro de 2005, inumados nas sepulturas abaixo mencionadas, de que devem comparecer nas Secretarias dos Cemitérios respectivos, para conhecimento das exumações a marcar em Novembro de 2010. Cemitérios Alto de S. João Prazeres Ajuda Benfica Olivais Lumiar Carnide Adultos a 4863 a a a a 4161 9678 2434 3999 Menores

4770 4113 9570 2405 3957

778

Público, 06/01/2011 - 2.ª Pub.

Os Serviços Cemiteriais não poderão ser responsabilizados pelo desaparecimento ou descaminho de valores que porventura tenham seguido à terra com os restos mortais (Art.º 37.º n.º 3 do R.C.M.), no entanto, numa tentativa de recuperação, deverão declará-los na Secretaria, aquando da marcação das exumações. Avisam-se também os interessados nos compartimentos de Jazigos e Ossários Municipais, cujas anuidades estão em atraso, de que devem actualizar o respectivo pagamento. O não cumprimento dos prazos da modalidade de ocupação, implicará a desocupação dos aludidos compartimentos, nos termos dos n.ºs 1 e 2 do Art.º 35.º do mesmo Regulamento. Paços do Concelho Lisboa, 22/11/2010. O Presidente da Câmara, por delegação O Vereador José Sá Fernandes

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Paços do Concelho Lisboa, 2010/11/23 O Presidente da Câmara Por Delegação O Vereador José Sá Fernandes

30 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Desporto
Antevisão Projectamos os embates mais sonantes do panorama internacional

Os grandes duelos desportivos que prometem animar 2011
Michael Phelps tem a concorrência de Ryan Lochte. Nadal e Federer mantêm o braço-de-ferro. E a Nova Zelândia está determinada a vencer o seu Mundial

a São evidentes, mas não há como evitar referi-los: vários dos grandes duelos do desporto internacional previsíveis para 2011 são os mesmos de sempre. Federer-Nadal, Barcelona-Real Madrid, Contador-Andy Schleck, Bolt-Gay... O ano vai servir para perceber o que são capazes de fazer Usain Bolt e Michael Phelps numa época mais a sério, com Mundiais pelo meio e em regime pré-olímpico, se Schleck consegue finalmente derrubar Contador (se este não for suspenso por muito tempo) ou, por exemplo, se os All Blacks recuperam a Taça Webb Ellis. E também quem vencerá o braço-de-ferro entre Mourinho e Guardiola na Liga espanhola ou se a Ferrari conseguirá responder ao

triunfo da Red Bull no Mundial de Fórmula 1 de 2010.

Râguebi Nova Zelândia vs Austrália
No último Campeonato do Mundo de Râguebi, a Nova Zelândia, recorrente favorita, ficou pela primeira vez de fora dos quatro primeiros lugares. Apesar de a competição existir desde 1987, os All Blacks só a conquistaram numa ocasião, logo na edição de estreia, na qual, tal como agora, também foram anfitriões. Os mais de quatro milhões de neozelandeses não esperam menos do que a medalha de ouro, mas há outras nações que também têm algo a dizer entre Setembro e Outubro, a começar pela Austrália.

Lochte acabou com a série de 38 vitórias de Phelps nos 200m estilos

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 31

Duarte Gomes, Carlos Xistra e Bruno Paixão nos “grandes”
Duarte Gomes (foto) vai arbitrar o U. Leiria-Benfica. No FC PortoMarítimo estará Carlos Xistra, e Bruno Paixão apitará o SportingSp. Braga. Outros jogos: Rio AveOlhanense, Cosme Machado; Nacional-Beira-Mar, Diogo Santos; Guimarães-Naval, Bruno Esteves Portimonense-Setúbal, Jorge Sousa; Académica-Paços, João Ferreira.

Os All Blacks já venceram sete Três Nações desde que os Wallabies ganharam a prova pela última vez, em 2001, mas no Mundial é a Austrália que apresenta o melhor currículo dos dois enormes rivais. A selecção australiana, tal como a sul-africana, é a única que se pode sagrar tricampeã este ano. No entanto, convém não riscar da luta pelo título a África do Sul, actual campeã, as melhores selecções europeias e a outsider Argentina, num evento tradicionalmente imprevisível. M.A.

Ténis Nadal vs Federer
As expectativas para mais um ano de rivalidade entre Rafael Nadal e Roger
CHRISTINNE MUSCHI/REUTERS

Federer são tão óbvias como incontornáveis. Os dois têm alternadamente ocupado o primeiro lugar do ranking mundial desde 2004 e dividiram entre si 21 dos 23 últimos Grand Slams realizados – as excepções aconteceram no Open da Austrália de 2008 (venceu Novak Djokovic) e no Open dos EUA de 2009 ( Juan Martin Del Potro). Ultrapassados os problemas físicos, Nadal parece, aos 24 anos, inabalável no topo do ranking mas tem a missão, possível, de defender os três Grand Slams conquistados em 2010. Do outro lado da rede, Federer tem frisado o quão entusiasmado e motivado está para esta época. E não houve melhor confirmação desse estado anímico do que o triunfo no último grande torneio de 2010, o ATP World Tour Championships, em cuja final derrotou o espanhol. Claro que a tarefa de Federer reocupar o primeiro lugar do ranking será a longo prazo, mas todos sabem que passa pelos triunfos nos torneios maiores, a começar já no final do mês, no Open da Austrália, onde terá de defender o único Grand Slam conquistado no ano passado. E onde Nadal procurará ficar detentor dos quatro grandes troféus ao mesmo tempo. P.K.

Resta o norte-irlandês Graeme McDowell (n.º 5), aquele que parece o mais bem colocado para desafiar o inglês Lee Westwood (n.º 1) em 2011. Em Junho, McDowell foi o primeiro europeu a vencer o US Open desde 1970, ofereceu à Europa o ponto decisivo para a vitória na Ryder Cup sobre os EUA e, em Dezembro, derrotou Woods no play-off do Chevron World Challenge. Westwood parece não saber jogar mal, e desde que assumiu a liderança do ranking, em Outubro, jogou três torneios com o seguinte saldo: uma vitória, um segundo lugar e um terceiro. Os dados estão lançados para um duelo britânico de primeiríssima classe. R.C.

os Boston Celtics ou os Orlando Magic na Conferência Este da NBA – ou se os Lakers não vencerem o Oeste –, mas é uma hipótese repetida desde que LeBron James e Chris Bosh se juntaram a Dwyane Wade para formar os “três amigos” em Miami. De resto, nenhuma das equipas lidera a sua conferência neste momento, mas a fase regular ainda está longe de terminar. O clube de Los Angeles, liderado por Kobe Bryant e Pau Gasol, esforçou-se por aumentar a qualidade do seu elenco secundário por causa do aumento da competência dos adversários. M.A.

Atletismo Bolt vs Gay
Se tudo correr normalmente, Usain Bolt e Tyson Gay têm mais um encontro marcado a 28 de Setembro, dia da final dos 100 metros no Campeonato do Mundo de Atletismo, em Daegu, na Coreia do Sul. Espera-se mais um triunfo fulminante do jamaicano, o homem que já bateu por três vezes o recorde do mundo da especialidade, deixando-o nuns incríveis 9,58s, e que tem sido insuperável em todos os grandes momentos desde 2008. Mas o norte-americano, que conseguiu a dobradinha nos 100 e 200 metros em 2007, espera regressar aos títulos mundiais este ano, depois de ter sido segundo, atrás de Bolt, em 2009. Bolt foi derrotado pela primeira vez em dois anos na última época (em que muitas vezes pareceu menos interessado na competição do que noutras distracções), precisamente por Gay, em Estocolmo. M.A.

Fórmula 1 Vettel vs Alonso O norte-irlandês Graeme McDowell (n.º 5 do ranking mundial) é aquele que parece mais bem colocado para desafiar o inglês Lee Westwood (n.º 1) em 2011. Os dados estão lançados para um duelo britânico de primeiríssima classe no golfe
A corrida pelo título na edição 2010 do Mundial de Fórmula 1 não ficou confinada a dois pilotos, mas Sebastian Vettel e Fernando Alonso foram aqueles que terminaram nas duas primeiras posições - e separados apenas por quatro pontos. Para este ano, também será preciso esperar pelos testes de pré-temporada para perceber quem partirá na frente, mas neste momento não será nada rebuscado apontar o alemão e o espanhol como candidatos numa época que ficará marcada por alterações importantes nos regulamentos (Stefano Domenicali, por exemplo, considera que a estratégia terá mais peso nas corridas do que a conquista da pole position). Vettel, da Red Bull, subiu de terceiro para primeiro na última prova da temporada anterior, tornando-se o mais jovem de sempre a vencer o Mundial de pilotos, um estatuto que Alonso (Ferrari) também teve quando ganhou o primeiro dos seus dois títulos, em 2005. M.A.

Natação Phelps vs Lochte
Ryan Lochte ultrapassou Michael Phelps? Lochte é o melhor nadador do mundo, actualmente. Mas se a pergunta, repetida pela imprensa especializada, se referir a um contexto mais alargado, então a resposta provavelmente só poderá começar a ser encontrada quando os dois se defrontarem no Campeonato do Mundo, em Xangai, em Julho, ainda assim um ano antes do duelo definitivo, marcado para os Jogos Olímpicos de Londres. Lochte bateu Phelps no Campeonato Nacional dos EUA no ano passado, acabando com a série de 38 triunfos seguidos do compatriota nos 200 metros estilos. Único nadador capaz de bater recordes do mundo em provas individuais desde que os fatos de poliuretano foram proibidos, o americano conquistou seis medalhas de ouro no Campeonato Pan-Pacífico (Phelps arrecadou cinco) e outras tantas no Mundial de Piscina Curta, no qual falhou a tentativa de igualar os oito títulos de Phelps em Pequim. Os defensores de Phelps avisam para a importância dos ciclos de quatro anos na natação e defendem que ele regressará ao seu melhor nível quando mais importa.

Ciclismo Contador vs Andy Schleck
Ninguém sabe quem teria ganho o Tour 2010 se a corrente da bicicleta da Andy Schleck não tivesse saltado e se Alberto Contador não tivesse aproveitado esse exacto momento para atacar. Não fosse esse episódio e os dois teriam acabado exactamente com o mesmo tempo. O luxemburguês já fez saber que na edição de 2011 menos do que a vitória final será considerado uma derrota. A seu favor tem o traçado, mais montanhoso e com menos contra-relógio, e o momentum: Contador está suspenso, o seu futuro é uma incógnita e a sua preparação para a prova mais importante do calendário pode ficar seriamente comprometida. Mas o tricampeão do Tour tem um argumento que nem o jovem Schleck poderá contrariar: um desejo inabalável de escapar à suspensão e vencer não uma, nem duas, mas as três grandes Voltas. A.M.G.

Futebol Barcelona vs Real Madrid
O Real Madrid contratou José Mourinho (vencedor de tudo com o Inter de Milão em 2010), porque já não ganha um título desde 2008, culpa essencialmente do Barcelona, que tem dominado em Espanha e também reinou na Europa em 2008/09 antes de esbarrar no treinador português. Na primeira metade da temporada, o Barcelona saiu por cima, especialmente por causa da goleada à antiga (5-0) obtida sobre o seu grande adversário. Além da rivalidade intrínseca entre os dois clubes, há muito mais por onde pegar: Mourinho contra Guardiola, Cristiano Ronaldo contra Lionel Messi... Neste momento, o Barça parece ter mais a seu favor, nomeadamente Xavi e Iniesta. O clube catalão tem um grande objectivo para 2011: ser o primeiro a conseguir vencer Liga dos Campeões, campeonato e Taça nacional por duas vezes – o Manchester United e o Inter também o podem conseguir. O Real vai tentar que o rival fique a zero. M.A.

Golfe Westwood vs McDowell
Tiger Woods (n.º 2 do ranking mundial), depois de uma época decepcionante, é uma incógnita; a Martin Kaymer (n.º 3) ainda lhe parece faltar algum estofo; Phil Mickelson (n.º 4) falhou quase uma dezena e meia de oportunidades, em 2010, para chegar pela primeira vez ao topo do mundo.

Basquetebol Heat vs Lakers
Este duelo pode nem chegar a acontecer, se os Heat não ultrapassarem

32 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Desporto
Veja a primeira página do PÚBLICO a partir da meia-noite: http://www.publico.pt/Hoje

Futebol

FC Porto

Tribunal arbitral deverá anular eleições na FPF antes da aprovação dos novos estatutos
NUNO FERREIRA SANTOS

Belluschi: “A pressão não é para nós, é para quem vem atrás”
a A derrota frente ao Nacional, a primeira da temporada, para a Taça da Liga não fez mossa e é o Benfica que deve sentir-se pressionado, não o FC Porto. Belluschi, médio argentino do líder do campeonato, pôs ontem os pontos nos ii durante a antevisão do jogo com o Marítimo. “Estamos no topo e com oito pontos de vantagem. A pressão não é para nós, é para quem vem atrás”, sublinha Belluschi, desdramatizando o desaire sofrido no último domingo. “Haverá muita gente que terá ficado contente com a derrota do FC Porto, mas preocupamo-nos somente connosco. Estamos muito comprometidos com o trabalho que vimos desenvolvendo e apostados em conquistar títulos”. Lembrando que o resultado alcançado na Taça da Liga “podia ter acontecido a qualquer momento”, o argentino está já focalizado no jogo de sábado, da 18.ª jornada da Liga, frente ao Marítimo, “um adversário complicado”. “Há que procurar voltar a ganhar, para não desmotivarmos.”

Paulo Curado

Providência cautelar interposta pela Liga para suspender o processo eleitoral foi ontem indeferida pela justiça civil
a Um tribunal arbitral constituído pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) deverá anular, nos próximos dias, as eleições para os órgãos sociais federativos, marcadas para dia 5 de Fevereiro. A ideia é adiar o acto eleitoral até serem aprovados os novos estatutos pelo organismo máximo do futebol nacional. Paulo Relógio, coordenador do Órgão de Gestão da FPF, e Gustavo Gramaxo, professor da Faculdade de Direito da Faculdade Lusófona, são os dois peritos já nomeados pela FPF e Liga para constituírem o tribunal arbitral que irá analisar a legalidade do acto eleitoral convocado pelo presidente da assembleia geral (AG) da FPF no passado mês de Dezembro. Falta apenas ser designado um terceiro elemento, escolhido em comum acordo pelos dois peritos já designados. Este é mais um episódio na luta de poder na FPF, que tem como pano de fundo a aprovação dos novos estatutos. De um lado estão as associações distritais de futebol (ou a maioria delas), que rejeitam a proposta de novos estatutos, porque perderão a maioria de votos (55 por cento) que detêm actualmente na assembleia geral da FPF. Do outro lado da barricada estão os restantes sócios, encabeçados pela LPFP, que defendem a adaptação

Madaíl só avançará para um novo mandato com novos estatutos

estatutária ao Regime Jurídico das Federações Desportivas e, só posteriormente, a realização de eleições. Do lado destes últimos está ainda Gilberto Madaíl, o actual presidente que está disponível para um outro mandato, mas só com o novo quadro legal.

A não adequação dos estatutos ao novo regime jurídico já valeu à FPF a suspensão parcial do estatuto de utilidade pública, o que se reflectiu no corte, por parte do Estado, de todos os apoios financeiros directos, excepto as verbas do contrato-programa

extraordinário firmado com os clubes e destinadas às regiões autónomas. O requerimento para a constituição do tribunal arbitral foi apresentado pela Liga, em sede da FPF, no dia 30 de Dezembro de 2010, na mesma altura em que interpôs uma providência cautelar nos tribunais com o mesmo objectivo: suspender o processo eleitoral. E se esta última acção foi ontem indeferida pela justiça civil, que alegou a ausência de factos “que permitam, caso se prove, concluir pela existência de fundado receio de que a requerida [eleições na FPF] cause lesão grave e de difícil reparação ao direito da requerente [Liga]”, já a comissão arbitral deverá, ao que tudo indica, responder positivamente aos desejos do organismo presidido por Fernando Gomes. É que a LPFP apresentou a FPF como adversário e não directamente o presidente da AG, Avelino Ribeiro, que foi quem convocou as eleições. Como a direcção federativa (leia-se Madaíl) é favorável às pretensões da sua associada para o futebol profissional não será complicado chegar a acordo. Descontente com a composição deste tribunal arbitral está o presidente da AG e, naturalmente, as associações, que já tinham um candidato às eleições de 5 de Fevereiro: Horácio Antunes, presidente da Associação de Futebol de Coimbra. Avelino Ribeiro considerou ser da sua responsabilidade a nomeação de um perito e indicou para o efeito José Joaquim de Almeida, presidente do Conselho de Disciplina da Associação de Futebol do Porto. A decisão final da direcção da FPF foi outra.

FIFA

Blatter quer ter apenas árbitros profissionais no Mundial de 2014
a Árbitros profissionais dentro de três anos no Campeonato do Mundo, no Brasil, é este o desejo do presidente da FIFA, que sublinha também a necessidade de repensar o modelo dos campeonatos nacionais. “Temos um claro objectivo, que é ter apenas árbitros profissionais no Mundial de 2014”, disse Joseph Blatter, em entrevista ao site oficial do organismo. O dirigente lembrou que treinadores e jogadores são profissionais e que não existe razão para que os árbitros também não o sejam. “Algumas pessoas dizem que não há dinheiro suficiente para lhes pagar, mas parece sempre haver muito nas ligas profissionais”, acrescentou, enunciando a necessidade de suscitar um debate sobre o elevado número de jogos nas ligas domésticas. “Os campeonatos nacionais são demasiado longos, existem demasiadas equipas e demasiados jogos. As equipas em ligas com 20 clubes disputam 38 jogos, além das taças nacionais e taças da Liga (...) [Isso cria um] conflito de interesses entre as selecções nacionais e os clubes”, advertiu.

Inglaterra e Espanha

Chelsea amplia crise com derrota em casa do último, Sevilha goleia o Málaga para a Taça do Rei
Manuel Mendes

a O Chelsea continua a sua descida vertiginosa na Premier League e ontem perdeu (1-0) na visita ao terreno do último classificado, o Wolves. Um golo de Stephen Hunt (5’), num lance em que Bosingwa teve culpas, acabou por colocar praticamente um ponto final na carreira do treinador Carlo Ancelotti à frente da equipa de Londres, que também ficou quase sem hipóteses de lutar pelo título. O grande vencedor desta ronda acabou por ser o Manchester United, que anteontem venceu o Stoke City e ontem viu o Arsenal e o Manchester

City, terceiro e segundo classificados, respectivamente, empatarem (0-0) no Emirates Stadium, o que permitiu à equipa de Nani isolar-se na liderança, com dois pontos de vantagem e menos um jogo que o City. O Liverpool continua a desiludir. Sem Raul Meireles (lesionado), perdeu no terreno do Blackburn por
Carlo Ancelotti viu o Chelsea perder no terreno do último classificado e a sua liderança à frente dos blues pode ter acabado

1-3. Já o Everton recebeu e venceu o Tottenham, por 2-1. Louis Saha (3’) e Seamus Coleman (75’) marcaram para a equipa da casa e Van der Vaart (11’) fez o golo dos forasteiros. O Newcastle recebeu e goleou (5-0) o West Ham. Nos outros dois jogos, o Aston Villa perdeu (0-1) com o Sunderland e o Bolton empatou (1-1) com o Wigan. Em Espanha, o Sevilha, adversário do FC Porto na Liga Europa, goleou o Málaga (0-3) e segue para os quartos-de-final da Taça do Rei. O actual detentor do troféu, que tinha ganho por 5-3 em casa, abriu o marcador por Romaric num livre a cerca de 40 metros da baliza. Perotti aumentou

a vantagem e Luís Fabiano fechou o marcador, com outro notável remate de livre. O Barcelona, apesar do nulo em casa, manteve a tradição de cerca de 50 anos e afastou o Atlético de Bilbau da Taça do Rei. Sofreu e empatou (1-1) no País Basco, mas foi o suficiente, devido ao golo marcado fora por Abidal. O Corunha também segue em frente. Os galegos conseguiram um empate (1-1) no jogo fora, mas ontem sofreram, aos 86’, um golo de Arteaga que os eliminava. Mas quando o Córdoba tinha tudo a seu favor, Adrián forçou o prolongamento ao marcar, aos 90’, de penálti. No tempo extra, o mesmo Adrián fez o 2-1 e o 3-1 final.

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 33

Desporto
O jogo particular entre Portugal e Argentina agendado para 9 de Fevereiro no Estádio Emirates, em Londres, vai realizar-se na mesma data mas noutro local. O Arsenal não cedeu o seu estádio e as federações argentina e portuguesa terão de escolher outro local.

Besiktas

Yildirim Demiroren, o “Abramovich da Turquia”
Filipe Escobar de Lima

Três jogadores portugueses são a última aposta do milionário turco que dirige o clube
a De uma assentada, Yildirim Demiroren decidiu contratar três das estrelas portuguesas mais cotadas do mercado futebolístico. O presidente do Besiktas já tinha ido buscar, no Verão, Ricardo Quaresma ao Inter de Milão, a troco de 7,5 milhões de euros e um ordenado chorudo. Antes já se tinha decidido pelo craque do Real Madrid, Guti. Agora, na janela de Inverno, optou por abrir ainda mais a carteira e, numa parceria com o empresário Jorge Mendes, garantiu as contratações de Simão Sabrosa, Hugo Almeida e Manuel Fernandes. Demiroren é uma espécie de Abramovich da Turquia. Os três portugueses foram apresentados. Em linha, numa mesa em con-

ferência de imprensa e vestidos com a camisola preta e branca do Besiktas, falaram aos jornalistas. Horas antes, o Aeroporto Ataturk, em Istambul, tinha sido invadido por adeptos eufóricos com a chegada do trio. A confusão foi tanta que a polícia foi obrigada a intervir, pessoas ficaram esmagadas e os futebolistas tiveram de ser escoltados até aos carros. É neste mundo entre a euforia e os resultados que Demiroren ocupa o cargo de presidente do Besiktas desde 2004. Venceu a corrida a três e segue os passos do pai, antigo dirigente do clube. Demiroren vive do estrelato. Com negócios no gás natural e uma enorme paixão pelo futebol, este milionário turco, que já ganhou a alcunha de “Abramovich da Turquia”, não está a conseguir juntar os bons jogadores aos bons resultados. Chegou em 2004 e apesar de um pedigree semelhante ao seu predecessor, as vitórias teimam em não aparecer. Para tentar fugir à sina de ser tomado por um dos piores pre-

DR

Yildirim Demiroren tem dinheiro, tem poder, mas não tem vitórias

sidentes desde que o Besiktas foi criado, em 1903, está a injectar dinheiro para inverter essa situação. Foi responsável pela renovação do Estádio Inönü, criou o canal de te-

levisão do clube Besiktas TV. Levou Del Bosque e Tigana, bem como jogadores como Carew, Ricardinho e Ailton. Mas a equipa continua longe do topo. Ocupa o quinto lugar, a 14

pontos do líder, Trabzonspor. Pior: o segundo lugar, último de acesso à Champions, está já a nove pontos e é ocupado pelo Bursaspor. Os adeptos começam a impacientar-se... Foi ele quem escolheu o treinador Bernd Schuster para liderar a equipa, contratou a estrela do Real Madrid Guti e levou Quaresma por 7,5 milhões de euros. Numa parceria com o empresário português Jorge Mendes, convenceu Manuel Fernandes e o Valência – um empréstimo com opção de compra no final da temporada. Demiroren desbloqueou os contratos de Simão com o Atlético e Hugo Almeida com o Bremen a troco de 2 milhões de euros cada um, pois os contratos de ambos só terminavam no final da época. Aos dois ofereceu um ordenado milionário de 3 milhões de euros anuais. Este é o estilo de Yildirim Demiroren, que abriu o ano com a contratação mais sonante de todas... no basquetebol. Foi à NBA buscar a estrela Allen Iverson. Mas nem o futebol nem o basquetebol têm os resultados esperados.
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34 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Desporto
Hyundai ix20: Primeira de uma dúzia de novidades, sábado na Fugas

Dakar 2011

Coma desceu dos Andes como líder por dois segundos
Hugo Daniel Sousa

Espanhol subiu ao primeiro lugar das motos, enquanto Sainz venceu pela 20.ª vez nos automóveis. Rúben Faria saiu do pódio e Hélder Rodrigues subiu para quinto
a O rali Dakar 2011 entrou no Chile e passou ontem pela cordilheira dos Andes. Numa etapa em que os pilotos chegaram a conduzir a 4800 metros de altitude, a grande novidade foi a subida do espanhol Marc Coma à liderança da classificação geral das motos. Uma troca com Cyril Desprès que tem um significado limitado, não só porque a vantagem é de apenas dois segundos, mas também porque só agora vão aparecer as duras e decisivas etapas do deserto de Atacama. “Espero que isto fique assim até ao fim, mas a classificação geral ainda não interessa muito”, disse Marc Coma, destacando as dificuldades das próximas duas etapas, que antecedem o dia de descanso. Num dia em que os motards partiram às 4h30 da manhã locais, a corrida em altitude teve efeitos contrários nos pilotos portugueses. Hélder Rodrigues afirmou-se finalmente como candidato ao pódio e foi quinto na etapa, ascendendo ao mesmo posto na classificação geral. Já Rúben Faria cometeu um erro de navegação e deixou o pódio, caindo para o sétimo posto. “Numa zona de montanha falhei uma pista e acabei por perder cerca de 15 minutos, o suficiente para me afundar para o 26.º posto onde estava no waypoint [ponto de controlo] seguinte”, contou o piloto algarvio, que acabaria a etapa no 22.º lugar. Quem continua muito regular é Paulo Gonçalves, que é agora o me-

lhor português: ocupa o quarto lugar, depois de ter sido 19.º na especial de ontem (207 quilómetros entre San Salvador Jujuy e Calama). Speedy Gonçalves, como é conhecido o piloto de Esposende, está agora pressionado por Hélder Rodrigues (22 segundos), mas ainda tem a curta distância (menos de cinco minutos) o chileno Francisco “Chaleco” López. O mesmo raciocínio vale para Hélder Rodrigues, que com a chegada das etapas de navegação começou finalmente a subir na classificação e a recuperar do atraso que acumulou nos primeiros dias. O pódio voltou a ser uma meta possível para o sintrense, embora a luta pelo triunfo esteja cada

vez mais cingida ao duelo entre Coma e Desprès, até porque ambos foram os dois últimos vencedores do Dakar.

Roma trava Leal dos Santos
Nos automóveis, Carlos Sainz continua a reinar, tendo vencido ontem, pela 20.ª vez, uma etapa do Dakar. O espanhol da Volkswagen continua a ser o mais rápido nas pistas técnicas, mas, quando chegar a areia, terá de enfrentar a forte concorrência de Nasser Al-Attiyah e de Stéphane Peterhansel. “São rivais perigosos”, avisou ontem o espanhol, que aumentou a vantagem sobre o Al-Attiyah (4m24s) e Peterhansel (5m41s). “Podia ter sido um dia bom, porque

estava à frente nos pontos intermédios. Mas tivemos um furo e demorámos dois ou três minutos a trocar de pneu”, queixou-se Peterhansel. Quem também saiu da etapa de ontem com motivos de queixa foi Ricardo Leal dos Santos, que até subiu um lugar na geral (para 12.º), mas andou muito tempo atrás de Nani Roma. “Apanhei o carro do Roma ao quilómetro 30 e, por muito que tentasse, ele não me deixava passar”, contou o português, revelando que o espanhol lhe pediu desculpa no final da etapa. Melhor ainda do que Leal dos Santos está o navegador português Filipe Palmeiro, que ajudou o argentino Orlando Terranova a manter o sexto lugar.
REUTERS/DANIEL GARCIA

Classificações
Motos (4.ª etapa) 1.º Marc Coma (KTM) 2.º Cyril Desprès (KTM) 3.º “Chaleco” López (Aprilia) (...) 19.º Paulo Gonçalves (BMW) 22.º Rúben Faria (KTM) 34.º Pedro Oliveira (Yamaha) 47.º Fausto Mota (Yamaha) 79.º Rui Oliveira (Yamaha) Motos (Geral) 1.º Marc Coma (KTM) 2.º Cyril Desprès (KTM) 3.º “Chaleco” López (Aprilia) 4.º Paulo Gonçalves (BMW) (...) 7.º Rúben Faria (KTM) 37.º P. Bianchi P. (Yamaha) 60.º Fausto Mota (Yamaha) 67.º Rui Oliveira (Yamaha) Carros (4.ª etapa) 1.º Carlos Sainz (VW) 2.º Nasser Al-Attiyah (VW) 3.º Stéphane Peterhansel (BMW) 4.º Giniel de Villers (VW) 5.º Mark Miller (VW) (…) 11.º R. Leal dos Santos (BMW) 62.º F. Inocêncio (Nissan) Carros (Geral) 1.º Carlos Sainz (VW) 2.º Nasser Al-Attiyah (VW) 3.º Stéphane Peterhansel (BMW) 4.º Giniel de Villers (VW) 5.º Krzysztof Holowczyc (BMW) (…) 12.º R. Leal Santos (BMW) a 1h18m04s a7h40m42s 81.º F. Inocêncio (Nissan) 11h09m14s a 4m24s a 5m41s a 19m14s a 27m45s a 11m35s a1h06m29s 1h57m09s a 50s a 1m22s a 2m17s a 2m43s a 27m07s a 1h55m54s a 2h51m51s a 3h12m14s 27.º Pedro Oliveira (Yamaha) a 1h32m46s 11h43m12s a 2s a 20m12s a 25m40s a 15m11s a 17m43s a 24m53s a 30m36s a 49m43s 2h04m a 16s a 2m05s

5.º Hélder Rodrigues (Yamaha) a 6m55s

66.º P. Bianchi Prata (Yamaha) a 41m30s

5.º Hélder Rodrigues (Yamaha) a 26m02s

Carlos Sainz acelera, pouco depois da queda de Jenifer Morgan (Yamaha)

Ténis

Rali

Uma zerada não chega para derrotar Rafael Nadal
Pedro Keul

a Pela décima vez em 575 encontros no circuito profissional, Rafael Nadal levou um 6-0. Tal não foi impeditivo para que o líder do ranking carimbasse a passagem aos quartos-de-final do Qatar ExxonMobil Open, o mais dotado torneio dos três que abrem a época 2011 no ATP World Tour. O responsável pela primeira zerada sofrida pelo espanhol desde Fevereiro de 2009 – quando perdeu, em Roterdão, com Andy Murray (6-3, 4-6 e 6-0) – foi o eslovaco Lucas Lacko (89.º) que, em Março, deverá vir a Portugal liderar o seu país na eliminatória da Taça Davis. “Lacko fez uma grande exibição e se continuar a jogar a este nível vai ser difícil para todos

Rafael Nadal

ganhar-lhe”, elogiou Nadal, depois de vencer, por 7-6 (7/3), 0-6 e 6-3. No terceiro set, Lacko ainda recuperou de 0-4 para 3-4, mas não evitou que o espanhol seguisse para os quartos, onde jogará com o letão Ernests Gulbis (24.º), que perdeu somente cinco pontos no seu serviço na vitória, por 6-3, 6-2, sobre o croata Antonio Veic (191.º). Roger Federer venceu em dois sets, mas sentiu dificuldades para ultrapassar o compatriota Marcos Chiudinelli (117.º), como confirmam os parciais de 7-6 (7/5), 7-5. O suíço menos cotado reagiu bem no segundo set onde chegou a liderar por 4-1. “Foi muito difícil para mim, dadas as circunstâncias. Defrontar um grande amigo é algo raro para mim. Estou contente

por o encontro pertencer ao passado e poder olhar para a frente”, admitiu o número dois do ranking. Nos “quartos”, Federer defronta o sérvio Viktor Troicki (28.º), autor de 17 ases no duelo com o russo Teymuraz Gabashvili (80.º), que terminou com os parciais de 6-3, 6-1. Troicki foi o herói da última final da Taça Davis, em Dezembro, ao conquistar o terceiro ponto para a Sérvia. Jo Wilfried Tsonga (13.º), o terceiro mais cotado do torneio, regressou à competição após uma paragem de dois meses devido a lesão. Apesar de estar longe da sua melhor forma, o francês revelou-se uma fasquia demasiado elevada para o ucraniano Sergei Bubka (321.º), que cedeu em dois sets: 6-2, 6-4.

Dani Sordo troca Citroën por Mini
a O espanhol Dani Sordo deixou a Citroën e vai passar a ser piloto da Mini no Mundial de ralis do próximo ano. A notícia foi confirmada ontem pela equipa da marca britânica, que agora pertence ao Grupo BMW e terá como parceira nos ralis a Prodrive, do britânico David Richards. Sordo e o seu co-piloto Diego Vallejo vão ser companheiros de equipa dos britânicos Kris Meeke e Paul Nagle. “O regresso da Mini ao WRC provocou grande excitação. Por isso, fazer parte de uma nova equipa é uma oportunidade fantástica”, disse Sordo, de 27 anos, ao site oficial do Mundial.

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Espaçopúblico
Como Sócrates e o PS permanecem no Governo, a campanha que resta a Manuel Alegre não é a do PS, mas sim a do BE

36 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Presidenciais: o BE vai ganhando

Helena Matos

O

caso BPN fez do Bloco de Esquerda o partido que até agora marcou mais pontos nestas presidenciais. Coisa tão mais difícil quanto as presidenciais não são eleições de que o BE guarde boas memórias e sobretudo porque dificilmente em 2011 os bloquistas conseguiriam um candidato próprio cujo resultado não fosse uma desilusão ainda mais expressiva do que a protagonizada por Louçã em 2006. Assim, ao manifestar o seu apoio a Manuel Alegre, o BE resolveu inteligentemente essa sua lacuna e preparou-se para lançar estacas no seu óbvio e único terreno de expansão: o PS. A disputa entre estes PS e BE está para continuar e note-se que não se trata apenas de contar eleitores, mas também de avaliar o seu destino enquanto partido: durante quanto tempo mais o BE vai funcionar como a “jota” alternativa do PS? Afinal quando os universitários nados e ensinados nesses departamentos ditos de “ciências sociais”, que são uma espécie de altares da igreja-altermundialista do professor Boaventura, se tornam assistentes e consultores, trocam o lencinho palestiniano pela camisa de bom corte, mantêm a retórica do BE, mas acham muito pragmaticamente que o PS lhes assenta melhor na cabine de voto. Há anos que o PS se alimenta das outras esquerdas: primeiro, foram os dissidentes do PCP, como Vital Moreira, Barros Moura, José Magalhães e Pina Moura. Agora vai ser a vez de o BE cumprir esse papel? O BE até agora tem iludido o paradoxo de ser um partido associado ao eleitorado jovem, mas que na verdade está para juventude como os ranchos para vida rural: é tudo uma questão de adereços, pois desde a ideologia à liderança tudo ali é muito antigo. Tão antigo que em matéria de longevidade na liderança política Francisco Louçã só enfrenta a concorrência de Alberto João Jardim. Por enquanto o BE vive desta quadratura do círculo – ou seja, beneficia da longa experiência política duma liderança que face ao seu eleitorado parece uma delegação do politburo caída no meio duma performance evocativa do Maio de 68. Por outras palavras, o BE vai ser o próximo partido a fornecer quadros além de votos ao PS. E o que ganha o PS com isso? Os dissidentes do PCP trouxeram aos socialistas capacidade de trabalho, neurónios e os maus hábitos do centralismo democrático que de centralismo tem muito e de democrático não tem nada. Dos esquerdistas o PS pode incorporar esse “frenéticocausismo” que os faz passar em transe de uma causa para a outra, como se daí dependesse a salvação do mundo e das almas – casamento entre homossexuais, alterações de clima ou a Faixa de Gaza. Este contributo tácito dos esquerdistas é muito importante para criar a ideia de que existe uma mobilização real e sobretudo deixa o núcleo central dos socialistas disponível para exercer estrategicamente o poder e os negócios com mão de ferro e pouca transparência. Veja-se o caso espanhol onde o Governo de Zapatero colocou trabalhadores civis sob lei militar perante o imenso silêncio das ONG, activistas e demais indignados profissionais. A razão de tal “distracção” deve-se a que agora os activistas e activismos andam a reboque dos esquerdistas do governo, a perseguir os fumadores e sobretudo a recriar velhas intolerâncias em torno do nome das ruas, do tirar e do pôr de cruzes em monumentos e do bilinguismo. Estas presidenciais eram em Portugal o momento em que esse frentismo de esquerda podia ter acontecido com vantagem para ambas as partes da esquerda, mas para isso era necessário que Manuela Ferreira Leite tivesse ganho as eleições em 2009 ou que, continuando Sócrates primeiro-ministro como continuou, Cavaco Silva tivesse dissolvido a Assembleia da República. Por isso só aparentemente Manuel Alegre cai em contradição,

MANUEL ROBERTO

Ao manifestar o seu apoio a Manuel Alegre, o BE preparou-se para lançar estacas no seu óbvio e único terreno de expansão: o PS

quando se insurge pelo facto de o actual Presidente não ter afastado o primeiro-ministro. Se isso tivesse acontecido, seria possível criar uma frente das esquerdas contra Cavaco Silva que passaria ele mesmo a personificar as medidas impopulares do Governo, o fim do sonho de Abril, o neoliberalismo, as grilhetas etc… etc… Mas como Sócrates e o PS permanecem no Governo, a campanha que resta a Manuel Alegre não é a do PS, mas sim a do BE, que é o mesmo que dizer uma campanha centrada não na mobilização popular, mas sim nos casos. Logo no início foi o caso do modelo 566 da PIDE que Cavaco Silva teve de preencher para ter acesso a documentos NATO. Tentar fazer deste documento um caso da campanha era mais ou menos patético não só porque milhares de portugueses preencheram documentos semelhantes, mas também porque a utilização política do material dos arquivos é sempre uma arma de pelo menos dois gumes. Agora temos o caso BPN. E aí houve um claro reacertar de agulhas na campanha de Alegre: a 29 de Dezembro de 2010, no debate com Cavaco Silva, na RTP, Manuel Alegre considerou que aquilo que lhe

interessava discutir era a situação deste banco e não a compra e venda de acções da SLN por Cavaco Silva num tempo em que era professor. Mas a 4 de Janeiro de 2011, no Funchal, Manuel Alegre exigiu que Cavaco Silva mostrasse o contrato de venda dessas acções e dissesse “a verdade toda sobre o BPN”. Ou seja, Alegre apostou em fazer o contrário do que defendera na RTP: estabeleceu a confusão-identificação entre as acções que Cavaco Silva deteve em 2003 na SLN e a nacionalização do BPN em 2008 e rematou com umas alusões meio conspirativas a uma “verdade toda”. Pelo meio esquece que os próprios governos portugueses, nomeadamente o de José Sócrates, escolheram o BPN para aplicar verbas da segurança social precisamente porque naquele banco, tal como acontecia com as acções da SLN, a remuneração era acima da média praticada pelo mercado. Achar que Cavaco Silva tem alguma responsabilidade no BPN por ter detido acções da SLN é algo de tão desrazoado quanto considerar que Manuel Alegre deve responder pelos desmandos do BPP, banco para o qual fez um texto publicitário que aquele banco publicou em 2005/2006. Mas uma coisa são os factos e outra a campanha e esta estratégia de arrastar Cavaco Silva e as suas poucas acções da SLN de 2003 para o buraco do BPN em 2011 pode funcionar muito bem numa campanha, sobretudo se essa campanha for ideológica e politicamente da responsabilidade do BE, como está a ser, e visar obter mais notícias do que apoio popular. Com as suas declarações na Madeira, Alegre abriu noticiários em Lisboa, mas não teve povo na rua. A sua primeira acção de campanha foi cancelada e a arruada no Funchal correu mal. E não adianta culpar o caciquismo de João Jardim, nem o clima e muito menos os horários por este falhanço, pois o caciquismo de João Jardim tal como o clima e os horários eram os mesmos em 2006, quando Alegre na mesma Madeira foi confrontado com um acolhimento popular que a todos e sobretudo ao candidato surpreendeu pela positiva. Para ter povo, para ter votos e para ter uma campanha que não faça dele um clone envergonhado do maniqueísta Louçã, Alegre precisa de mais do que do BE. Ensaísta

O caso BPN: a história daqueles que ninguém quis ouvir
a Em Março de 2001 a revista Exame dedicou uma extensa investigação ao BPN, questionando o seu ritmo de crescimento e as elevadas taxas de remuneração para depósitos. O resultado desse trabalho foi um processo em que Oliveira e Costa pediu uma indemnização de 5 milhões de euros ao então director da revista, Camilo Lourenço. Este acabou despedido e como é habitual nestas coisas a sua carreira não foi propriamente beneficiada por ter publicado tal trabalho. Os jornalistas de investigação em Portugal são heróis, caso residam nos EUA e escrevam de preferência sobre a podridão das administrações republicanas. Quando se dedicam aos democratas ou sobretudo ao que sucede na lusa pátria, passam a lunáticos, na melhor das hipóteses. Nos anos seguintes após a publicação deste trabalho pela Exame pessoas bem informadas como o então ex-primeiro-ministro Cavaco Silva colocaram parte das suas poupanças na SLN, a holding do BPN. Instituições privadas tradicionalmente muito bem informadas como o são algumas dioceses também abriram contas no BPN. Vários governos portugueses depositaram no BPN importantes verbas da Segurança Social: em Agosto de 2008 o Ministério do Trabalho e da Segurança Social tinha depositado no BPN 500 milhões de euros provenientes das contribuições para a Segurança Social efectuadas por trabalhadores e empresas. Em Junho de 2009, Vítor Constâncio na qualidade de governador do Banco de Portugal, declarou no Parlamento: “Realmente ninguém no Banco de Portugal suspeitou, pensou, que o dr. Oliveira Costa fosse capaz do tipo de coisas que aconteceram no BPN (…). Será ingenuidade? Talvez, admito.” Temos de admitir que para lá da ingenuidade houve muita mas mesmo muita fé e muita vontade de não ouvir nem ver. Para azar de alguns nesta terrena divisão da capacidade de se fazerem ouvir, coubelhes a eles o papel de sibilas Cassandras, a quem só o tempo dá razão. No caso do BPN esse papel esteve reservado para a revista Exame em 2001 e para Miguel Cadilhe em 2008. Após ter sido nomeado presidente da SLN em Junho de 2008, Cadilhe pediu várias auditorias à holding e em Outubro denunciou ao Ministério Público os crimes financeiros praticados no BPN. Em Novembro de 2008 apresentou um plano de saneamento do BPN que custaria 600 milhões de euros. O Governo optou pela nacionalização. Convém lembrar o que disse então Miguel Cadilhe: “A nacionalização vai exigir muito mais capital público.” Consola dizer que tinha razão?

Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011 • 37

Bartoon

Luís Afonso

Amanhã há bolo-rei

Miguel Esteves Cardoso Ainda ontem

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Maria João diz que hoje é o único dia em que tem pena de não ser espanhola. Os portugueses retintos contradirão que é o único dia em que não têm pena de ser portugueses. Hoje acaba o Natal – é o dia em que se deveriam despendurar as murchadas decorações que persistem, pouco portuguesmente, muito para além do dia em que se recebem os presentes. Ainda mais deprimente é que muitos deixam para a próxima segunda-feira, dia 10. Seja como for, o fim-de-semana que começa amanhã, dia 7, isentíssimo de responsabilidades religiosas ou reivindicativas, é o primeiro fim-de-semana normal deste ano e, medindo bem, o primeiro fim-de-semana há que tempos, considerando a maneira como o Natal nos comeu o último fim-de-semana de 2010. Nós, portugueses (e nós estrangeiros também), somos tão avessos que não é no dia de Reis que compramos e comemos mais bolo-rei. O bolo-rei é um bolo francês, banal, que nós aportuguesámos e glorificámos, até ser, muito francamente, bastante bom. É engraçado chamarmos bolo-rainha ao bolo que não tem frutas cristalizadas: só amêndoas, nozes, avelãs e passas. Tal como no xadrez, fica-se com a impressão de que a rainha vale muito mais do que o rei. Qual é o melhor bolo-rei? É o rei da partida, da verdadeira entrada no ano. Só amanhã, depois da chatice castelhana do dia de Reis, é que começamos o ano. Não era sem tempo. Deixámos o melhor bolo-rei para o fim. Para amanhã. Sejamos todos bem servidos – e bem-vindos a 2011.

Carta Aberta aos candidatos a Presidente da República e restantes políticos

Voto “não”, voto “contra”, opto pela abstenção

P

ela primeira vez depois do 25 de Abril decidi não votar nas próximas eleições. Opto pela abstenção. Não é um voto comodista, de alguém acomodado à situação. É a escolha democrática, dolorosa, de um eleitor indignado com a classe política e com o regime. Jaime Sou um cidadão que decidiu votar “não”, que escolheu votar “contra” a bandalheira. Só a abstenção exprime Ramos este meu voto. O regime em que vivemos, esta República, não merece o meu voto. A minha abstenção é um grito de revolta. A crise moral do regime obriga-me a assumir que não sou conivente com a falta de vergonha dominante. Sou um pacifista. Não pego em armas para derrubar o regime. A abstenção é a manifestação pública da minha oposição, pacífica e firme, ao regime. Assumo o meu direito à indignação e recuso participar na farsa democrática. Vários acontecimentos legitimam o meu voto “não”. Qualquer cidadão consciente conhece múltiplas situações demonstrativas do apodreci- As pessoas têm mento desta República. Todos conhecemos a o direito de ver história do copo de água e da gota que o faz transbordar. Vou contar um acto de terroris- assegurada a sua mo contra o Estado de Direito praticado pelo ligação ferroviária Governo de Portugal, cometido perante a passividade das elites nacionais e sem intervenção entre Serpins crítica do senhor Presidente da República. O Ramal da Lousã ligava Serpins, por Miran- e Coimbra, seja pela da do Corvo, a Coimbra e à Estação Velha, na reconstrução do linha Porto-Lisboa. Esta ferrovia, com mais de cem anos, foi destruída no inicio de 2010, por Ramal da Lousã, seja decisão do Governo, para dar lugar ao Metro pela concretização Mondego. As pessoas que utilizavam diariamente esta do Metro Mondego

ferrovia passaram a usar transportes alternativos, rodoviários, enquanto se realizava o novo investimento ferroviário. Recentemente o Governo decidiu extinguir a empresa Metro Mondego e cancelar a concretização das obras. Fêlo sem diálogo com as autarquias, nem com os utentes, nem com os cidadãos da região. É uma decisão autoritária, ilegítima, irracional, que contraria o interesse público do projecto. Estamos perante um crime. O sistema judicial deve investigar as atrocidades cometidas neste processo, com mau uso de dinheiro dos contribuintes, e condenar os culpados por este crime contra o Estado e contra as pessoas. A má gestão de dinheiros públicos deve ser sancionada, mesmo que assente em actos legais. A culpa não pode morrer solteira. Vivemos num Estado de Direito que não pode tolerar este atentado terrorista. Numa guerra é possível que exércitos destruam infra-estruturas fundamentais a um território. Num período de paz só terroristas destroem equipamentos públicos necessários ao dia-a-dia das pessoas. Durante anos realizou-se um prolongado debate sobre o futuro do Ramal da Lousã. Pessoalmente, e enquanto membro do Movimento Cívico de Lousã e Miranda, defendi uma solução barata, com remodelação e electrificação da linha existente. Os últimos Governos optaram, com o apoio de autarcas e outros políticos locais, por uma solução mais ambiciosa, mais cara, com destruição do Ramal e construção do Metro Mondego. Há 12 meses, o Governo presidido por José Sócrates decidiu avançar com a obra. Não pode agora, depois de ter destruído o serviço ferroviário e a infra-estrutura existente, vir dizer que não continua com as obras. O Ramal da Lousã não pode ser tratado como uma

ADRIANO MIRANDA

brincadeira, nem o Governo comportar-se como criança a destruir uma prenda de Natal. Imagine-se um Governo a destruir a Ponte 25 de Abril para construir uma mais moderna e , depois de a ter implodido, vir dizer que não tem recursos para construir a nova… Estamos perante uma decisão irresponsável que deve ser impedida. Não é um problema exclusivo do primeiro-ministro ou de um qualquer outro membro do Governo. Estamos perante um acto que põe em causa o carácter de quem decidiu mas também de quem faz de conta que desconhece. As pessoas têm o direito de ver assegurada a sua ligação ferroviária entre Serpins e Coimbra, seja pela reconstrução do Ramal da Lousã, seja pela concretização do Metro Mondego. Perante o acto terrorista que está a ser cometido pelo Governo, e a indiferença dos restantes actores políticos, nada mais me resta que invocar o direito à resistência pacífica e recusar legitimar com o meu voto esta bandalheira. Médico

38 • Público • Quinta-feira 6 Janeiro 2011

Editorial

Cavaco e as perguntas sem resposta
Cavaco só romperá o cerco do BPN se perceber que em democracia as perguntas só se apagam com respostas
candidato Cavaco Silva está a deixar arrastarse para a emboscada do BPN que os seus adversários lhe foram montando. Por muito que jure a sua honestidade, ainda que diga e repita que a sua efémera condição de accionista do banco já foi explicada, o caso colou-se à campanha e Cavaco Silva não está a ser capaz de o gerir. E não está porque não percebeu ainda

O

que o seu longo passado pela política ou a sua actual condição de Presidente da República não bastam para o colocar numa situação de excepção no debate político da campanha eleitoral; e também por não ser capaz de reconhecer que, em democracia, não há limites ao escrutínio dos candidatos em matérias relacionadas com o seu património, principalmente quando em causa estão relações com um banco gerido por uma quadrilha que vai custar pelo menos dois mil milhões de euros aos contribuintes. Cavaco Silva tem todos os motivos para defender a sua honestidade; mas tem de aceitar que os seus adversários políticos exijam “a verdade toda” em torno da sua participação e lucros no BPN em nome “da ética republicana e a transparência democrática”, como ontem exigiu Manuel Alegre. Aceita-se que Cavaco se incomode, ou mesmo indigne, quando se interroga a sua honorabilidade, mas havendo perguntas no ar sobre

como, com quem e de que forma teve acções no BPN, só lhe deveria restar um pouco de humildade democrática e responder. Ao não o fazer, e pelo contrário protestar, via o seu porta-voz, contra “ataques desonestos e absurdos” de uma suposta “campanha suja”, Cavaco cava mais o cerco em que caiu. Só o romperá quando perceber que em democracia há perguntas que só se apagam com respostas.

Malangatana, ícone da África moderna

A

ntes de completar 74 anos, a 6 de Junho de 2010, Malangatana anunciou que ia deixar a pintura, aposentar-se, se tal fosse possível. Após tal decisão, a vida deixou-lhe apenas uma pequena margem, gasta em encontros, fugazes celebrações e, nos últimos tempos, em médicos e hospitais. Independentemente da apreciação

que possa fazer-se da sua obra plástica, que se tornou reconhecível como um espelho de si próprio e da sua ideia do mundo, Malangatana tornou-se um ícone de Moçambique mas também de África. As figuras que povoam os seus quadros, os olhares e cores que delas emanam, não se cingem à geografia exacta do seu nascimento mas vão mais além, abarcando o continente no seu todo. E se isso reflecte de forma distintiva os muitos estados da alma africana, do sofrimento à festa, da resignação ao espanto, da indignação à resistência, reflecte também os patamares da vida de Malangatana, que de pastor, mainato e aprendiz de curandeiro na infância, foi mais tarde pintor, escultor, ceramista, poeta, actor, dançarino, músico, deputado, filantropo e embaixador da paz. Ontem, Mia Couto definiu-o como “um homem da mundofonia”. Mas ele foi também o pintor de uma identidade moçambicana moderna, gerada de forma orgulhosa e firme entre culturas.

Cartas à Directora Condição de vida
A desgraça de uns é o protagonismo e o entretenimento de outros, e se se puder juntar alguma publicidade, melhor. A fome, que de tão actual se parece com a fome medieval, está na ordem do dia e nos debates modernos. Candidatos a governar o povo atiram-se de unhas e dentes a este chão que dá votos na esperança de que se transformem em pão – o contrário também é válido. Sejamos objectivos. Se os restaurantes estão a dar o que sobra da cozinha, quer isto significar apenas que algumas mesas na sala de comedouro estão vazias e não há clientes suficientes que consumam a produção calculada. Não tarda então que alguns destes “dadores de pão rejeitado” ao final da tarde ou da noite, por má gestão ou falsa caridade, fecharão as portas, pois será impensável manterem as quantidades de alimentos que cozinham e que resultam em “restos”, ao que dizem aceitáveis pelo menos para alguns, pois, como dizia Max Frish, “quem tem fome não tem escolha”. Se estes restaurantes falirem, o que não é difícil na conjuntura actual, aumenta o desemprego, diminuem as sobras e os dependentes delas passam a ser mais e mais racionados do que já são. Se esvaziarmos o caldeirão da demagogia servida, fica claro que não é por este caminho mal cozinhado que se encontra a receita que resolve a fome em Portugal. Joaquim A. Moura, Penafiel euros), o que fazer? Enfim: parece que António de Oliveira Salazar, quando chegado à capital (vindo de Santa Comba Dão), também atou a “carroça” que o transportou (com um nó impossível de desatar) às colunas do “Templo da Governação” (a exemplo do que fez o campónio Górdio quando coroado Rei de Frígia, na longínqua Ásia Menor)! Portanto, e a cumprirse a lenda, resta-nos esperar que daqui a quinhentos anos passe por estas bandas um qualquer familiar de Alexandre (o Grande) e que, intrigado com a forma como desembaraçar tamanho estorvo, puxe do “espadalhão” e resolva de uma forma simples e eficaz tão complexo problema! Até lá, resta-nos ir entretendo com mil e uma outras “estórias”, não tão românticas e quiméricas como a do nó, mas cheias de dificuldades, sacrifícios e pobreza... infelizmente! António Carvalho, Gouveia longo da história, o ano de 1977 foi o ano a partir do qual também se começou a enriquecer a história de Sines, uma vez que a conjugação de esforços entre várias entidades deu origem àquela que, em pouco mais de 30 anos, se tem afirmado, no panorama nacional e internacional, como uma estrutura portuária de referência. O ano de 2010, além de ser o ano em que o terminal de contentores de Sines atingiu 1 milhão de TEUS, foi também o ano em que o número de navios de contentores que escalaram o Terminal XXI ultrapassou os 550, sendo este indicador um estímulo para todos aqueles que de alguma forma estão ligados ao projecto “Porto de Sines”, outrora apelidado de elefante branco. Da mesma forma que em 1869, após 15 anos de construção, foi inaugurado o Canal do Suez, encurtando as rotas entre dois oceanos, e se descobriu maior eficácia e rapidez no transporte marítimo, o projecto de Sines pode muito bem ser a continuidade das descobertas a que o potencial dos portugueses tem dado origem. A razão porque certas pessoas não conseguem encontrar oportunidades é a de que estas se mascaram de trabalho duro, mas em Sines a dureza do trabalho desenvolvido traduzse na satisfação dos resultados conseguidos. Américo Lourenço, Sines

O nó górdio
Da mesma forma que os mercados internacionais deixaram de acreditar na capacidade dos portugueses em inverter a situação de falência iminente do país... também os portugueses deixarem de acreditar na capacidade dos seus actuais políticos em escolher um qualquer novo rumo que desvie a barcaça que transporta toda a “maralha” do caminho certeiro do temível abismo das cataratas (sic)! Por outro lado, e no pressuposto de por uma qualquer razão do inexplicável destino surgir da cartola um político, verdadeiro, com cabeça, tronco, membros, princípios e meios, não é de querer (sejamos ao menos por uma vez racionais, que diabo!) que o mesmo venha a acreditar minimamente que, em conjunto com a “maralha” de hoje (na sua maioria mandriona e frascária), alguma vez consiga, na plenitude da glória, atingir os seus mais intrínsecos fins! E assim, perante a gravíssima realidade incontornável deste “nó górdio” com que a Nação se defronta (para o presente ano o programa de financiamento da República aponta para uma “caridade” mundial a roçar os vinte mil milhões de

As cartas destinadas a esta secção devem indicar o nome e a morada do autor, bem como um número telefónico de contacto. O PÚBLICO reserva-se o direito de seleccionar e eventualmente reduzir os textos não solicitados, nem se prestará informação postal sobre eles. Email: cartasdirector@publico.pt Contactos do Provedor dos Leitores Email: provedor@publico.pt Telefone: 210 111 000

Descobertas e trabalho
Entre 1394 e 1460, o Infante D. Henrique foi o mentor dos descobrimentos portugueses, o que não apenas deu visibilidade a Portugal, mas contribuiu também para o enriquecimento da história portuguesa. A par de muitos outros feitos ao

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Contribuinte n.º 502265094 Depósito legal n.º 45458/91 Registo ERC n.º 114410 Conselho de Administração Presidente: Ângelo Paupério Vogais: António Lobo Xavier, Cláudia Azevedo, Cristina Soares, Luís Filipe Reis, Miguel Almeida, Pedro Nunes Pedro E-mail publico@publico.pt Lisboa Rua de Viriato, 13 – 1069-315 Lisboa; Telef.:210111000 (PPCA); Fax: Dir. Empresa 210111015; Dir. Editorial 210111006; Agenda 210111007; Redacção 210111008; Publicidade 210111013/210111014 Porto Praça do Coronel Pacheco, nº 2, 4050-453 Porto; Telef: 226151000 (PPCA) / 226103214; Fax: Redacção 226151099 / 226102213; Publicidade, Distribuição 226151011 Madeira Telef.: 934250100; Fax: 707100049 Proprietário PÚBLICO, Comunicação Social, SA. Sede: Lugar do Espido, Via Norte, Maia. Capital Social €50.000,00. Detentor de mais de 10% do capital: Sonae Telecom, BV Impressão Unipress, Travessa de Anselmo Braancamp, 220, 4410-350 Arcozelo, Valadares; Telef.: 227537030; Imprejornal - Sociedade de Impressão, SA. Quinta Velha, Santo Antão do Tojal, Estrada Nacional nº 115 ao km 80, 2660-161 Loures. Telef. 210129700 Distribuição Logista Portugal – Distribuição de Publicações, SA; Lisboa: Telef.: 219267800, Fax: 219267866; Porto: Telef.: 227169600/1; Fax: 227162123; Algarve: Telef.: 289363380; Fax: 289363388; Coimbra: Telef.: 239980350; Fax: 239983605. Assinaturas 808200095 Tiragem média total de Dezembro 50.367 exemplares Membro da APCT – Associação Portuguesa do Controlo de Tiragem

Com todo o respeito pelos demais candidatos, Cavaco Silva é a única escolha possível. Pelo que fez e pelo que pode fazer

Sete desafios que Portugal não pode falhar

A

credito que conseguiremos vencer a presente crise. Mas não acredito que o possamos fazer de uma forma meramente proclamatória. Este é o tempo da liderança e do reformismo. Confiança e esperança? Sim, mas apenas se for baseada na mudança e em reformas. Proclamar uma ilusória confiança no futuro, sem querer alterar – profunda e radicalmente - o presente, traduz o estado de negação de alguns protagonistas políticos. No fundo, já não fazem parte deste ciclo político. Não nos podemos iludir quanto à dimensão dos nossos problemas. O défice e a divida, sendo graves, são apenas uma parte do problema. Os nossos indicadores nas áreas da educação, ciência, cultura, justiça, energia, economia, ambiente e bem-estar social, assim como a falta de qualidade da nossa democracia, são eloquentes quanto à nossa fragilidade num contexto de competição global. É tempo de assumir que o nosso problema é estrutural, que não resulta apenas da falta de financiamento externo e que não se resolverá sem uma alteração radical do nosso modelo de desenvolvimento. Precisamos de liderança, de novas opções estratégicas e de um quadro ambicioso de reformas. Quais são, na minha opinião, os desafios que Portugal terá de vencer nos próximos 5 anos? 1. Levar a democracia mais longe. A satisfação dos portugueses com a democracia bateu no fundo. É chegado o momento de levar a democracia mais longe. Primeiro: introduzindo mecanismos de democracia mais directa, como os referendos electrónicos e os orçamentos participativos. Segundo: acelerando a descentralização político-administrativa e o envolvimento dos cidadãos no governo local. Terceiro: avançando para um novo sistema representativo, assegurando um maior responsabilização e proximidade dos eleitos face aos eleitores. Quarto: alargando as responsabilidades e influência das instituições de solidariedade, das empresas do “terceiro sector”, das organizações de voluntariado e das ONG, que estão em condições de prestar, em muitas áreas, serviços públicos com maior qualidade e eficiência do que o Estado. Quinto: reforçando a base científica das políticas públicas. O Governo e o Parlamento devem agir como gestores de risco, envolvendo a comunidade científica na avaliação custobenefício e suscitando a discussão pública das decisões de carácter estratégico. Sexto: combatendo o casamento incestuoso entre riqueza e poder. É da razão, e não da riqueza, que deve emergir o poder. 2. Dar mais liberdade aos cidadãos e menos poder ao Estado. É preciso libertar a sociedade portuguesa do peso do Estado, que já consome metade da riqueza nacional. Os nossos indicadores, insustentáveis, de despesa pública e de défice externo, precisam de uma resposta estrutural ao nível das funções do Estado. Ao Estado devem, cada vez mais, ser reservadas as funções essenciais de soberania e de serviço público nos sectores estratégicos, e as funções de regulação, auditoria e fiscalização nos restantes sectores. Nas políticas sociais, em especial na saúde e educação, precisamos de um Estado-Garantia que garanta o fornecimento de serviços públicos de excelência, num quadro de liberdade de escolha pelos cidadãos e de sã concorrência entre os prestadores desses serviços públicos. O Estado garantirá que nenhum cidadão deixe de ter direito a serviços de qualidade por razões económicas. No sector empresarial, precisamos de um Estado mais pequeno, avançando com privatizações no sector da energia, comunicação social, transportes e telecomunicações, mas mais forte na relação com os privados. No plano da regulação do mercado, é fundamental reforçar os poderes, as competências e a independência das entidades reguladoras. Finalmente, precisamos de uma maior contratualização do Estado com as instituições sem fins lucrativos na prestação dos serviços públicos. Esta é uma opção por um Estado mais forte, ainda que mais pequeno. 3. Promover a flexibilidade e a segurança no mercado de trabalho. A rigidez do nosso mercado de trabalho não é a única razão dos elevados índices de desemprego. Mas essa rigidez laboral, que nos colocou na posição 110º

do ranking da competitividade do Fórum Económico Mundial, prejudica a economia e as empresas e, dessa forma, o emprego. Os empresários não contratam porque sabem que depois não têm flexibilidade para despedir. A segurança laboral traduziu-se em rigidez, precariedade e desemprego. De tal forma que: a) é mais fácil, a um empresário, realizar um despedimento colectivo de Jorge centenas de trabalhadores do que que despedir 2 ou 3 Moreira para poder enfrentar, temporariamente, uma quebra das suas vendas; b) temos índices inaceitáveis de trabalho da Silva precário, com 2 milhões de recibos verdes ou contratos a termo; c) existem quase 200 mil jovens desempregados, representando uma taxa de desemprego duas vezes superior à média nacional. Uma agenda para o crescimento e emprego não pode deixar de promover a segurança no trabalho – proibindo os despedimentos arbitrários e protegendo os despedimentos sem justa causa (cujo conceito carece de actualização) - a par de uma maior flexibilização das contratações e despedimentos. Para que as contratações, hoje diminutas, possam aumentar significativamente, e para que os despedimentos, hoje massivos, possam ocorrer de forma limitada. 4. Valorizar o conhecimento e a cultura empreendedora. Chega de voluntarismo e de facilitismo (leia-se, Magalhães, Novas Oportunidades e manipulação estatística dos rácios de investimento em I&D). Portugal precisa de apostar no investimento privado em I&D, de assegurar a reprodutividade do investimento público e de ser eficiente no acesso a fontes internacionais e comunitárias de financiamento directo. Não basta exibir um suposto aumento do financiamento público. O que é verdadeiramente importante são os resultados que se alcançam com o financiamento. Por cada novo euro investido É verdade que em I&D, temos de ser capazes de publicar mais artigos científicos, de registar mais patentes, de o Presidente da celebrar novos contratos de transferência de República não governa conhecimento, de criar novos produtos e novas empresas de base tecnológica. Mas num mundo e não legisla. Mas, globalizado não basta ter competências. É indisliderando, moderando, pensável convocar e desenvolver o espírito empreendedor e criar um ambiente institucional mobilizando mais amigo do sentido de risco e da iniciativa individual. Só aqueles que forem capazes de e consensualizando, assumir a mudança, olhando-a pelo prisma das pode fazer a diferença oportunidades, e de arriscar, inovando, serão competitivos a nível global. Ora, o Estado tem fazendo progredir, de valorizar, e não obstaculizar, não raras vezes por preconceito e ignorância, a cultura empreem conjunto com endedora e a iniciativa individual. o Governo e com 5.Escolher uma nova carteira de actividades. Quando tudo é prioritário, nada é priorio Parlamento, uma tário. Temos de fazer escolhas, aproveitando as nossas vantagens comparativas. Portugal tem agenda reformista
NUNO FERREIRA SANTOS

de focalizar as suas apostas em áreas que, cumulativamente, cumpram quatro requisitos: actividades e bens transaccionáveis; áreas onde beneficiamos de condições naturais vantajosas; áreas que foram alvo de um esforço considerável ao nível da formação e do apetrechamento tecnológico; e, finalmente, áreas com elevada procura nos mercados emergentes. Nesse sentido, considero que os sectores e actividades onde temos de focar a nossa atenção são a energia, a biotecnologia e as ciências da vida, os novos materiais, a economia do mar, o turismo sustentável, a agricultura, a floresta e as indústrias criativas. Temos, nestes sectores, condições para consolidar verdadeiras regiões de conhecimento e de competitividade à escala global. 6.Desenvolver uma economia de baixo carbono. O combate à mudança climática é urgente, é possível e é compensador. O que a nossa geração tem pela frente, nos próximos anos, é um desafio tão grande e tão estimulante como o de verdadeiramente transformar economias. Mais do que uma desculpa para o adiamento, a crise económica e financeira deve ser encarada como mais uma razão para acelerar o combate às alterações climáticas. Mas, para que esta revolução tecnológica de baixo carbono ocorra, é imprescindível definir, também em Portugal, metas e instrumentos muito mais ambiciosos de redução das emissões, no período pós-2012, num quadro de equidade de esforços entre todos os sectores e de custo-eficiência na redução das emissões. Apesar da presunção do Governo, que confundiu energia com electricidade (quando esta representa apenas 20% do consumo final de energia), Portugal ainda padece de problemas muito sérios ao nível da energia. Temos de dotar o mercado de energia de maior concorrência, a política tarifária de maior racionalidade e a política fiscal de maior coerência. É verdade que precisamos de mais renováveis, mas não é menos verdade que, por um lado, estas têm de ser assumidas num quadro mais eficiente e mais competitivo e, por outro lado, que é tempo de assumir como verdadeira prioridade a redução do consumo de energia (e não apenas de electricidade…) na indústria, edifícios, transportes e iluminação. De pouco serve apostar nas renováveis se a nossa ineficiência no consumo de energia absorver todos os ganhos obtidos com a maior penetração das renováveis. 7. Estabelecer um novo modelo territorial. Temos muitos planos mas temos um mau planeamento. A solução não passa pela vulgarização dos PIN, que mais não fazem do que “curto-circuitar” toda a hierarquia dos planos de ordenamento do território, subvertendo a racionalidade da ocupação do solo. A complexidade do sistema de ordenamento do território carece de uma resposta de fundo que: clarifique a relação entre os diversos planos de ordenamento, agilize a revisão dos PDM, compatibilize as estratégias de desenvolvimento de municípios vizinhos, dissocie a sustentabilidade financeira dos municípios do seu licenciamento urbano e remunere, de forma compensatória, os proprietários de terrenos situados em áreas não edificáveis, face aos valores naturais em presença. Se não o fizermos, estaremos condenados à desertificação do interior, à destruição do litoral, à degradação da qualidade de vida nas cidades e, claro, à manutenção da corrupção que encontra na sinuosidade e incongruência das regras o seu campo mais amigo. Em conclusão, estes desafios traduzem reformas estruturais que não podemos adiar. É por isso que, desta vez, é tão importante escolher o Presidente da República. É verdade que o Presidente da República não governa e não legisla. Mas, liderando, moderando, mobilizando e consensualizando, pode fazer a diferença fazendo progredir, em conjunto com o Governo e com o Parlamento, uma agenda reformista. Portugal precisa de reformas estruturais e só um Presidente reformista – no pensamento e na acção – serve os interesses de Portugal. É por isso que, com todo o respeito pelos demais candidatos, Cavaco Silva é a única escolha possível. Pelo que fez e pelo que pode fazer. Vice-Presidente do PSD

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Amanhã no ípsilon
O que não pode perder em 2011
Música, cinema, livros, exposições e espectáculos

Obrigações Portugal paga quase o dobro para colocar dívida pública Pág. 21 Vêm aí aumentos Preço dos alimentos bate recorde Pág. 23

250 milhões Filipe Vieira investe em Lisboa e Altura Pág. 22 Desporto Antecipamos os grandes duelos internacionais do ano Págs. 30/31
Sobe e desce
Dilma Rousseff George Papandreou
A Grécia anunciou que vai construir um muro em parte da fronteira com a Turquia para impedir a passagem de imigrantes ilegais, asiáticos e africanos, alegando que o fluxo de entrada de migrantes no país se tornou “insustentável”. O problema da imigração ilegal é complexo, mas serão poucos os que vêem bom senso nesta decisão, recebida com frieza pela UE. (Pág. 15).

Via do Infante PS promete isenção de portagens até EN 125 ficar pronta Local

Assuntos temporários

Mulheres sem homens
Em Portugal, de acordo com o INE, essa média vital é de 74,8 anos para os homens e de 81,3 para as mulheres. Significa tudo aquilo que já sabemos, que em resultado de muitas melhorias a longevidade disparou, que morremos mais tarde e esperamos morrer mais tarde. Sejam bem-vindos ao século XXI. Mas o que estes dados significativamente também demonstram é outra realidade mais crua: as mulheres tendem a morrer mais tarde do que os homens e em muitos casos bem mais tarde. Se entendermos a vida como uma corrida em que vamos dando sucessivas voltas à mesma pista, verificamos que os homens desistem ou são forçados a desistir antes das mulheres. Não interessa se abatidos por coronárias ou outras maleitas, mas são mais as mulheres que perdem os maridos, os cônjuges, os companheiros em todas as acepções da palavra, do que o contrário. E, acima disso, são as mulheres as primeiras espectadoras da decadência e doença dos homens. Cabe-lhes esse papel desastroso.

Pedro Lomba

S

aber que a vida comporta uma duração média ou, no suave vocabulário da época, uma esperança média parece uma das mais democráticas promessas a que podemos razoavelmente aspirar. Imagino que no século XVIII um cidadão de Bragança desconhecesse por inteiro quanto tempo os seus compatriotas de Vila Real, quanto mais em Lisboa, estariam vivos. A ignorância não traz felicidade, mas isso prevenia-o de viver a sua vida na esperança – marquem a palavra – de viver o tempo de outras vidas. Mas não existe democracia sem estatísticas e digamos que ajuda conhecer o dia e hora em que a maioria dos nossos concidadãos passa o Rubicão para nunca mais voltar atrás. “A morte de uma pessoa é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística”, afirmou com a sua conhecida benevolência o velho Estaline. Invertendo a frase poderíamos dizer: a vida de uma pessoa é uma bênção, um milhão de vidas é uma estatística. Que impacto tem em nós esse milhão estatístico senão o de se transformar num horizonte que esperamos realizar um dia tal como outras médias democráticas? A esperança média de vida é também a nossa esperança.

O

Quando era pequeno, vi sempre muitas mulheres vestidas de preto. Como se a viuvez fosse uma condição caracteristicamente feminina. Mas hoje as mulheres tendem a morrer mais tarde do que os homens. São as primeiras espectadoras da decadência e doença dos homens. Cabe-lhes esse papel

ntem, num café, ouvi uma dessas mulheres anciãs segredar para outra: “É difícil vê-los assim.” A conversa pressupunha que ambas sabiam do que falavam. E na verdade sabiam. Estavam as duas aparentemente saudáveis e resistentes em posição de espera. Os maridos tinham-se tornado finalistas; e elas iam fazendo o que tinham de fazer. Cuidavam deles o melhor que podiam. Espero não estar a ser demasiado macabro. Mas a verdade é que parecemos desatentos a esta precedência de género. Será este um preço das sociedades masculinas em que os homens ainda conservam o poder e parecem indiferentes à sua própria mortalidade? Dir-se-á que sempre foi assim desde o passado em que corriam o risco de não regressar vivos da guerra. Mas do que se trata aqui é de outra coisa, de que até em tempo de paz aquela precedência naturalmente existe. Quando era pequeno, vi sempre muitas mulheres vestidas de preto, soturnas como nos poemas de Lorca. Não percebia porquê. Vi sempre mais mulheres enlutadas do que homens. Vi-as sempre com a sensação de que tinham passado por aquilo – a morte dos homens – com dramática lucidez e resignação. Como se a viuvez fosse uma condição caracteristicamente feminina, penso muitas vezes naquilo que esta antecipação nos diz sobre as mulheres, sobre os homens, sobre uns e outros. Nada é fácil. Jurista

Ainda mal tomou posse e aí está o primeiro sinal de falta de unidade no Governo de Dilma, uma coligação com dez forças – o PMDB quer agora um aumento do salário mínimo superior ao fixado ainda por Lula e apoiado por Rousseff. Analistas dizem que Dilma pode ter mais problemas com a coligação do que com a oposição e isto dá-lhes razão. (Pág. 16)

Carlo Ancelotti

Albert II

A época do Chelsea está a ser uma sombra do que foi a anterior e o treinador italiano tem cada vez mais o lugar em perigo. Ontem, o Chelsea perdeu com o último classificado e tem cada vez menos hipóteses de revalidar o título. Nas últimas nove partidas na Liga inglesa, o Chelsea apenas conseguiu vencer uma. (Pág. 32)

Os esforços do Rei belga para formar um governo, e já lá vão mais de 200 dias, não estão a dar resultados e sofreram novo revés. O Rei apostou, sem sucesso, num socialista flamengo para elaborar nova proposta que conciliasse as posições antagónicas de flamengos e francófonos, mas o país onde fica a sede da UE continua sem governo. (Pág. 15)

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