Caderno de viagem
Comunicação, lugares e tecnologias

André Lemos
março de 2010

Sumário
Agradecimento, 4 Prefácio, 6 Introdução, 16 Prólogo, 20 Edmonton, 31 Montreal, 123 Referências, 339 Sobre esse livro, 351 Sobre a Editora Plus, 352

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AgrAdecimento
Um agradecimento especial à Faculdade de Comunicação da UFBA, por ter me liberado para o pós-doutoramento, e ao CNPq, que me concedeu uma bolsa de pesquisa no período de setembro de 2007 a setembro de 2008. Sem estes apoios, eu não poderia ir ao Canadá, não avançaria na pesquisa acadêmica e este livro não existiria. Devo também agradecer a pessoas-chave de antes e durante meu período canadense. Devo muito ao professor Rob Shields, amigo de longa data, pelo incentivo, acolhimento e apoio total durante a minha estada na University of Alberta em Edmonton. Rob demonstrou uma amizade sólida, respeito acadêmico e apoios institucional e logístico sem preços. Ao meu amigo Juremir Machado da Silva, parceiro desde os tempos de Paris nos anos 1990, agradeço pelo fundamental suporte e confiança. Por último, um reconhecimento ao amigo, professor Will Straw, pela cordialidade, atenção e recepção na McGill University no meu período em Montreal.

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Agradeço à professora Rosanna Maule e aos queridos Priscila e Sony Sung, proprietários dos meus apartamentos em Montreal e Edmonton, respectivamente. Todos, muito mais do que proprietários, amigos sempre disponíveis. A Priscila Magaldi Neto, devo as minha primeiras saídas sociais em Edmonton. Ela foi atenciosa, carinhosa, e me ajudou a enfrentar a solidão nos primeiros momentos do inverno. Por último, mas não necessariamente nesta ordem, devo agradecimentos especiais aos amigos, o cinéfilo e montador Milton do Prado, a dançarina e professora Suzy Weber, e ao pequeno Guto, que nos proporcionaram boas risadas, saídas e suporte inesquecíveis durante o tempo em Montreal. Eles nos deram dicas preciosas sobre a cidade e sempre foram muito atenciosos e prestativos. Por fim, dedico este livro a Mari Fiorelli, minha companheira, pela paciência, tolerância e ajuda nesse período, a Alice, por ter ficado um tempo comigo em Edmonton e por todo o apoio nesse período de distância. E a Bernardo, que nasceu quando estava finalizando este livro, tendo sido gerado em Montreal. Ele é a pequena semente canadense que germina no Brasil.

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Prefácio
Começo a ler estes Cadernos de viagem em uma avião, num voo entre Salvador e São Paulo. Não podia haver lugar mais especial do que este para pensar sobre o que dizer como introdução ao webdiário do professor e colega de Universidade Federal da Bahia André Lemos. Um texto - em letras e imagens - que trata de comunicação, lugares e tecnologias. Comunicação entre lugares, conectando pessoas distantes, através de tecnologias, as mais diversas possíveis, que ligam meios de transporte com meios de comunicação, como já pontuou há um bom tempo atrás Rene Berger, no seu Il nuovo Golen, que também li numa viagem de estudo como a aqui descrita. O texto é recheado de constatações e angústias ― naturais do nosso tempo, diriam alguns ― de um acadêmico que, não perdendo o rigor, passeia ― para ser mais coerente, flana ― com os lugares, livros, sites, mapas, coisas e gentes. Esse mix, de fato, dá charme especial ao livro, que é uma deliciosa viagem acompanhando o seu percurso durante o seu pós-doutoramento no Canadá. Mas os passeios não se limitam àquele

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país, muito menos a apenas uma parte dele. Trata-se de uma viagem planetária, com idas e vindas, referências, reflexões, provocações e, muitas, imagens. Uma coisa volta subliminarmente em todo o texto. Trata-se da constatação maior de que não temos mais tempo para nada. Alguns anos atrás, numa troca de e-mails, André questionava: “Por que corremos tanto?”, e ele mesmo completava: “E gostamos!” Aqui podemos continuar a conversa. Gostamos ou somos empurrados a nos conformar com essa correria? No nosso cotidiano universitário, pelo que vejo no Brasil e no mundo, e também em muitas outras profissões, estamos quase que impelidos a correr, produzir, estar na frente. E não temos mais tempo para ver. Para contemplar. Para nos deliciarmos com o simples olhar. Bizoiar, dar uma ispiada, como se diz aqui na Bahia. Mas André busca dar um tempo nesse tempo e destacar esse seu momento de reflexão, o que, na verdade, deveria ser o trabalho cotidiano dos pesquisadores, que, com tempo, teriam possibilidade de maturar e refletir mais sobre os conhecimentos e as culturas. Não temos mais isso! Vivemos, nas universidades, a alucinada vida do correr para publicar ― ou perecer! -, fazendo projetos e mais projetos para concorrer

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anunciada e declarada. retrabalhados e re-apresentados em um formato de livro. as prestações de contas e.org info 8 . Aqui. No trato das imagens. Depois. nos possibilitarão termos um pouco de recursos para as nossas necessidades básicas profissionais. André Lemos é um desses que não deixa de rabiscar umas linhas em seu Carnet de notes na web.a editais que. os relatórios. José Mamede. com data marcada. pois com as leituras desses originais pude fazer uma bela viagem pelo tempo e pelo espaço. os novos projetos. mapas e fotografias. podemos navegar pelos textos. nos oferece esses Cadernos. mantendo o estilo diário. foram sendo deixadas de lado por muitos. Hoje. Felizmente. a colaboração precisa de outro colega da UFBA. editoraplus. não por todos. Eppur se move! E nada do tempo para flanar! As escritas leves. Ou melhor. não conhecia. essas. dos seus “webescritos”. desde um tempo em que mal tinha blog. se aprovados. Gosto de escrever sobre lugares que não conheço.

também. digamos assim.org info 9 . pensamos nós dois. não é lá um movimento. Foi nessa linha também o meu.dos professores universitários. Assim. na cidade de Robin Hood. como diz Alan Pauls. só que na Inglaterra. E são essas mudanças que nos fazem crescer. deve ser o tal período sabático ― expressão que vai ser destrinchada lá pelo meio do livro . Mas. refletindo sobre a inércia. Inércia que não é só o estar parado. Isso porque não tem coisa melhor do que viajar. Nottingham. Fiquei curioso com o fragmento que antecede a bela imagem do Parc la Fontaine de Montreal. já que inércia pode significar movimento.Dos muitos autores e livros referenciados. num mesmo lugar. tão movimentado. Lamentavelmente poucos sabem disso (recuerdos dos meus bons tempos de professor de física!). Ih! não tem não! editoraplus. como não é movido pelos desequilíbrios. é um movimento que. Foi o recente movimento de pósdoutoramento que gerou esse livro. “não produz mudanças”. controlado pela velocidade constante do deslocamento e dos acontecimentos. É um movimento calmo. não conhecia o escritor argentino Alan Pauls. imediatamente depois do dele. Mas este é um movimento constante o que vem a significar que ele.

para Edmonton. a Ópera ou o concerto ao ar livre. Mas isso é outra história e aqui. Como. onde a presença do estrangeiro mexe com o lugar. tudo absolutamente tudo. os mapas e as imagens. aliás. dos controles de fronteiras. pelas informações que ele nos dá. já foi um parque de dinossauros e hoje é uma dos maiores editoraplus. Traz nova vida e novos ânimos para aqueles que não se acomodam. tem o sabor do diferente. você vai poder ver muitas dessas histórias. tudo. o pub ou a destilaria. Todas elas ficam ainda melhores se você estiver viajando. “ O texto importa. Uma conjugação perfeita entre o texto. Estas têm vida própria e não são mero suporte dos textos. o carro ou o ônibus. mas não sem as imagens. O frio ou o calor.” Desde a saída de Salvador. um lugar onde. as bases dos muitos mapas aqui também apresentados. no Canadá. redes virais e conexões sem fios.org info 10 . dê um trabalho danado para se achar esse diferente. olhando mais atentamente para os temas da mobilidade. Mesmo que hoje. André Lemos tem estudado intensamente as questões da cibercultura. conhecendo novas gentes e desafiando-se permanentemente. nos Cadernos. Como ele mesmo diz. pense e diga. as coisas melhores que você conhece e faz. o fez brilhantemente Jim Jarmush no belo filme Down by law. na verdade.Pode dizer aí. com esse mundo padronizado. dos territórios informacionais. Conexões e redes que tomam conta de todas as páginas e são.

para usar o termo de Michel Foucault. Controles esses sempre associados à questão que virou mantra: a segurança. Num dos trechos do livro.” editoraplus. Só à minha volta. Ônibus.org info 11 . podemos contatar que essa conectividade intensificada. também significa maiores controles sobre os nossos movimentos. ele já fazia as anotações que compõem os Cadernos. aviões e navios ou ferries seriam as novas heterotopias por excelência. um outro jogando no console de games. Lugares de mobilidade física que são. na hora do rush (aqui é às 16h).complexos de redes sem fio do mundo. de agora em diante. pensar no tema segurança lá no Canadá não tem nada a ver com o nosso pensar em segurança aqui no Brasil. muitos usavam laptops. claro. e que aqui está descrito com detalhes em vários dos dias do diário. Voltarei mais adiante a este ponto.. na rede. trens. impondo-nos um movimento ativista intenso na luta pelas liberdades na internet.. nos sistemas comunicacionais e interativos. obvio. lugares de mobilidade informacional. tinha um rapaz com um MacBook. Mas. uma mulher na minha frente usando o GPS no celular (não consegui fotografar) e um terceiro checando e-mail no Blackberry. descreve ele o seu cotidiano: “Ontem no ônibus. celulares com ou sem GPS. consoles de games. Nas ruas. o que vem acontecendo em todo o mundo e. E nessas anotações. nas casas. preocupa-nos por demais.

As imagens. conversa ao vivo vem. o que queríamos era falar do futuro do planeta. Conversa ao vivo vai. Na sua chegada dessa viagem . quem sabe de maneira mais forte. O leitor acompanhará o desdobramento dessas discussões sobre mobilidades e segurança ao longo do diário. belas imagens. para as ruas das cidades aqui passeadas. O tema era o futuro da internet mas. em alertas para pensarmos a nossa existência. transformando-as. no fundo.org info . e nos resta alguns segundos para os últimos comentários. nos trazendo de volta.Eu não. o tempo vai passando e nós vamos atualizando essas questões. encontramonos num debate que propus à TV Educativa da Bahia. a mesma pergunta levantada por André e já referida: “Por que corremos?” Mas corremos! E. quem sabe. para a neve. Nos transportam para o frio. Acho que isso é o suficiente.eu preparando-me para a minha ida -. 12 editoraplus. ajudam a descomprimir. como ele mesmo afirma. de corrida em corrida.

org info . mesmo aqueles que. desplugar. da Espanha.e o papo! . relaxe para fazer esse delicioso e delirante passeio por espaços. encerrou o programa . usam todos os recursos tecnológicos!). e tantos outros desta e de outras viagens. com os links para os outros espaços vividos. bons e belos. 13 editoraplus. portanto. palavras. é o resultado de anotações no seu moleskine (hhuuummm. “Estou com as malas prontas esperando o taxi”. mais um viciado nos cadernos físicos. línguas e imagens.André Lemos não pestanejou e. e lhe possibilitará ir flanando pelos espaços do Canadá. Quem sabe possa essa ser a atitude mais correta. depois de ter escrito esse detalhado diário ao longo de 12 meses. assim. seguramente vai depender da nossa capacidade de desplugar”. como nós.com uma contundente frase-questão: “O futuro?! O futuro. a vero ou na imaginação. concreta e mais necessária para o momento contemporâneo. É vero. O livro. Portugal. realize profundas viagens com esses Cadernos e. Espero que o leitor delicie-se com os textos e as imagens. desplugado. que acompanham os viajantes.

nos jornais e panfletos. abrir inúmeras outras possibilidades. e você ? Tudo bem. eu vou indo em busca editoraplus. Re-escrever. Acabou o nosso tempo.org info 14 . como vai ? Eu vou indo e você. O voo vai sair.Ele vai partir. Para o pensar. “Ao aeroporto!”. Para o discutir. Acabou o seu tempo. Na web. Paulinho da Viola: “Olá. Esse período do Carnet de Notes vai se fechar e com isso. tudo bem ? Tudo bem eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro. refletir e escrever. São três malas de matéria física e toneladas de bites sendo transportados pela infoesfera de forma permanente e continua. nas revistas acadêmicas. Acabou o meu tempo. O taxi está chegando.

info editoraplus. leitor! (e não esqueça o seu moleskine! Essa conversa não pode parar)... Por favor.pretto... quem sabe . pois é.. Eu espero você Vai abrir.De um sono tranquilo. Adeus. (.. Quanto tempo.org info 15 . Boas viagens.. Praia do Forte.. até breve. outubro de 2009.” Adeus.. Bahia.. Quanto tempo... Nelson De Luca Pretto www. não esqueça..) O sinal ..

Este é o título do seu livro que traça um histórico da prosa e da poesia candense sustentando a tese.. Embora em condições difíceis – de um estrangeiro latino-americano –. não precisei de muito para sobreviver no Canadá. Embora a sobrevivência seja um padrão da literatura canadense e tenha sido este o meu primeiro desafio ao chegar nas terras do norte. para isto. E. os simbolismos da sociedade. Alías. viveria tranquilamente neste país para sempre. Survival. Embora tenha sido questionada por diversos autores. Li a obra nos primeiros dias da minha chegada ao Canadá para compreender a alma canadense. e poder assim melhor me inserir neste contexto. o imaginário. os poetas e romancistas. Este livro marcou meu período canadense. o padrão recorrente no imaginário da literatura canadense é a sobrevivência.introdução Para a escritora Margaret Atwood. tudo foi muito fácil e sem editoraplus. não há como negar que o imaginário canadense é preenchido por essa dimensão de luta contra temperaturas extremas. nada melhor do que compreender o que falam os escritores.. os animais selvagens. talvez pela minha própria busca pela sobrevivência.org info 16 . os povos ancestrais.

Não só sobrevivi.tensões maiores dos que às que estamos submetidos em situações parecidas (dominar a língua. O inverno glacial. o inglês que estudo desde pequeno mas que nunca pratiquei.mais próxima da americana do que da européia. conhecer os códigos sociais. A vida é segura (não há a violência quotidiana a que estamos expostos nas grandes cidades brasileiras). entrevistas e conversas com especialistas locais. a dificuldade de adaptação à cultura local . pesquisas. Fui muito bem recebido e tive muita sorte em tudo. Assim. romper a solidão e fazer amigos. tanto pelo lado pessoal quanto profissional. entre outubro de 2007 e agosto de 2008.. as universidades são ótimas e o dia a dia está longe de ser estressante. Passando o inverno. pois embora passar pelo inverno glacial de Edmonton e pelas nevascas de Montreal seja efetivamente sobreviver. Banff. passando por Jasper. Québec. a que eu estava acostumado -. enfrentar as temperaturas extremas. naveguei entre o oeste e o leste do Canadá.. Mas a palavra sobrevivência aqui é mesmo muito forte. escritas no meu blog editoraplus. não é difícil viver no Canadá. Toronto. as coisas funcionam bem. como vivi intensamente.org info 17 . adorei o Canadá e tudo foi muito fácil e prazeroso. entre Edmonton e Montreal. Meu tempo foi dividido entre leituras. Muito pelo contrário. ainda mais na minha condição de pesquisador visitante e em ano sabático – oficialmente em pós-doutoramento.). em suma. dificuldades e testes de sobrevivência.

os lugares. tecnológicos e locativos. Este livro é uma mostra de textos e imagens sobre as cidades por onde passei. Faro e Sevilha). andar e andar. mostra a minha visão do estrangeiro. ou mesmo diletantes de primeira hora e também amantes da fotografia. pesquisadores. Como um diário de viagem. Acredito que este livro possa ser de interesse para estudantes de comunicação. as novas tecnologias. Este Caderno de Viagens tem como base o Canadá e as cidades de Edmonton e Montreal. Ele é uma readaptação impressa do que escrevi e fotografei no período.info). Anotei tudo que vi e prestei muita atenção aos fenômenos comunicacionais. mas também flerta com outras cidades canadenses (como Jasper. Escrevi muito nesse biênio e o livro que está em suas mãos é parte das minhas anotações eletrônicas no “Carnet de Notes”. sobre as coisas que gostei e também sobre as que não gostei. O livro é escrito como um passeio por lugares. flâneurs.“Carnet de Notes” (http://andrelemos. sobre as questões atuais a respeito da comunicação. apontando resultados em progresso para papers e congressos e andar. onde morei. essa figura exemplar da metrópole editoraplus. formas comunicacionais e tecnologias digitais. O texto importa. Banff. mas não sem as imagens. a mobilidade. visitantes presentes e futuros do Canadá.org info 18 . Québec e Toronto) e algumas cidades européias que visitei no período (como Madri. Estas têm vida própria e não são mero suporte dos textos. o espaço.

org info 19 . Canadá é aquilo que funda um lugar. socializamos. vendo a cidade com um olhar espetacular. ou “settlement”.(como mostrou o sociólogo alemão G. Salvador. Em Iroquoian. povoado. aqui e agora. a imersão na massa e a solidão. Simmel). que significa “vila”. o meu “kanata”. vivendo a anomia e o isolamento. povoamento. 20 de agosto de 2008. “village”.. Tudo se dá na fundação do lugar. Aprendemos. maio de 2009 editoraplus. kanata. amamos. Este livro é fruto da tentativa de fundar o “meu” Canadá. André Lemos Montreal. sempre de forma locativa. Canadá vem do Iroquoian.. Assim foi o meu percurso tentando criar o meu lugar. sofremos..

Parte Tudo muda em 2009? editoraplus. Essa reflexão se deu na inércia da minha “desadaptação” ao Brasil e na iminência de um novo ano que iniciava. já no Brasil.org info 20 . essa trilogia sobre a duração e sobre o ano que se inicia. descontínuo e ilusório. Começo este Caderno de Viagem propondo um pensamento sobre a duração e sobre o terrível tempo cronológico.Prólogo trilogiA do temPo e dA durAção Levei um tempo desde que cheguei e escrevi. Ela é reflexo de vivências nos lugares por onde passei entre setembro de 2007 e agosto de 2008. Duração 1a.

2009 se apresenta como 2008. (Durée et simultanéité. repetindo. os prédios. mas temos sempre a sensação de estarmos nos repetindo. Tudo continua na infindável espiral do mesmo. distincte d’un passé dont elle assurerait la conservation.. Olhamos para as propagandas políticas nas ruas e vemos sempre os mesmos (políticos) afirmarem a mesma coisa: que “agora vai”. morrermos... a cidade. mémoire qui prolonge l’avant dans l’après et les empêche d’être de purs instantanés apparaissant et disparaissant dans un présent qui renaîtrait sans cesse. et cette transition. No lado pessoal. Paris :PUF.. 1968) O ano começa e nada parece mudar. repetindo. posturas. prometemos novas ações.. 2007. os mesmos jornalistas. c’est une mémoire intérieure au changement lui-même.. Nada muda realmente e não perderemos nada se. as mesmas notícias. editoraplus. as mesmas matérias. as pessoas. H. que tudo será diferente.. seule naturellement expérimentée. extérieure à ce qu’elle retient.org info 21 . para nós e para os outros. sempre o mesmo. os vizinhos. Há aqui frustração. Ligamos a TV e são os mesmos programas. mais non pas mémoire personnelle.” Bergson. est la durée même. mas também um certo conforto. as mesmas guerras.. Olhamos para o lado e tudo está lá..la chose et l’état ne sont que des instantanés artificiellement pris sur la transition. decisões todos os anos. 2006. Elle est mémoire. por exemplo..

nos intervalos quase imperceptíveis..org info 22 . mas determinantes. ou mesmo amanhã) tenta apagar o que pode emergir das pequenas manifestações ínfimas do que dura. E se não vemos isso nas grandes coisas (dada essa sensação de que tudo se repete). no fluxo das coisas. às 18h. a mudança está sempre aí. chamando para si a atenção. nada mudou – tampouco às 18h.. segunda-feira. de nós mesmos e dos outros.dos lentos intervalos que se arrastam dentro do tempo descontínuo que passa. Este tenta sempre apagar os intervalos. que quase nunca vemos.Mas podemos dizer que. O tempo descontínuo. vamos viver em paz. que agem como pequenas pérolas inovadoras dentro desse tempo devorador de Cronos.sabe-se lá como . contra esse sentimento conformista ou pessimista. Talvez a fonte do princípio que principia. colocando o peso nos grandes momentos fragmentados em que baseamos a nossa existência (amanhã.). nos pequenos passos que conseguimos dar em direção a novas posturas (ilusão?) diante do mundo. tocar e ser tocados pelas pequenas e mínimas manifestações de abertura ao novo que emergem . vou mudar completamente a minha maneira de editoraplus. nos segundos que passam. ilusório e frustrante (já que quando chega segunda-feira. no tempo que nos deixa mais velhos a cada dia. podemos. esteja não nos grandes intervalos marcantes das promessas que fazemos todos os anos (vou ser mais feliz. se estivermos atentos.

a duração é essa multiplicidade de instantes – presa. construindo-se em um emaranhado de instantes sem a artificial divisibilidade das horas que começam aqui e acaeditoraplus. Como diz Bergson.). não é este momento (despedaçado). do calendário ou da agenda. o bom e o belo. computadores ou telescópios. na imobilidade da mobilidade. Só aqui teríamos o que Bergson chama de um tempo fundamental. O que muda não é visível aos grandes olhos equipados com binóculos. nos momentos que se arrastam entre cada segundo e que nos permitem tocar sutilmente. Só podemos acreditar na mudança de olhos fechados.. uma sucessão sem separação que pode apontar para um futuro (uma mudança?). mas na duração. separados e ligados artificialmente. no fluir dos pequenos instantes que crescem e se dissolvem aqui e agora.comer e de respirar. às grandes marcações temporais que insistimos em usar para organizar a nossa vida em sociedade. nem um conjunto destes inúmeros momentos retalhados. na duração que se arrasta entre um instante e outro. A duração não é o “um” ou o “múltiplo”. O que muda nunca chegará abruptamente pelo tempo do relógio. e nem está nos grandes projetos do amanhã (que nunca chegam).org info 23 . porém substancialmente. na era moderna. Não devemos nos iludir.. mas na lenta passagem entre os segundos de todos os minutos e entre os minutos de todas as horas. mas a variação (multiplicidade) do um e do múltiplo.

a esses pequenos momentos “qualitativos” fora do rigor “numérico” das horas e dos grandes projetos. que implica o espaço (e o tempo) e a “qualitativa”. engolida pelas dimensões descontínuas da editoraplus. de forma sutil e imperceptível (por isso na maioria das vezes temos a impressão de que nada muda). apresentando-se como uma “nova” novidade. Quando estamos imersos apenas na dimensão numérica. É nesse tempo que se deve “matar” a duração despercebida. talvez. pois sentimos que perderemos coisas (novas?) a cada instante.bam acolá. Nessa duração. tudo muda o tempo todo. dissolve-se até a própria ânsia pela mudança.org info 24 . a sensação é de que nada muda realmente. Quando vivemos a duração. artificialmente. 2009 só mudará em relação a 2008 se esquecermos essa marcação numérica e mergulharmos nos instantes infinitos da duração. só. já que. percebemos as pequenas e marcantes diferenças que parecem mudar (à nossa revelia) cada instante. o presente do presente e esse agora futuro do presente. diferente do que mostramos no primeiro parágrafo. não vamos querer mais morrer. se nos apegarmos a essa seqüência de nadas. Mas o tempo só existe nesse presente aglutinando passado. Se for assim (mas não há garantias!). Mas não há mesmo nenhuma garantia. Se for assim. Um futuro poderia se preparar diluindo-se nas pequenas diferenças entre o passado do presente. Para Bergson. há duas multiplicidades: a “numérica”. presente e futuro. o que muda pode se preparar. que implica a duração (e a extensão).

) que o devir se prepara (memórias. essa multiplicidade qualitativa. mudar. numérico. no ônibus.).13h aula. entre um tempo vazio e outro. efetivamente. A duração não é a decomposição do tempo. esperando um amanhã que nunca chega. editoraplus. se não abandonarmos esse “2009”. podemos perceber o que pode. 20h jantar. das temporalidades fragmentadas do quotidiano. ginástica. fazer uma diferença. dormindo. viveremos para sempre no repetitivo retorno do mesmo. a pergunta sobre o que muda em 2009 se dissolve. não existe isso que chamamos de “2009” (apenas uma ilusão numérica).. andando. Aparentemente paradoxal. Mergulhados nesse lento fluir do tempo. 17h. mas a possibilidade da emergência do novo (mais uma vez Bergson). Só na duração. No fundo. mas a elástica qualidade da duração..existência quotidiana (.. e não no tempo descontínuo.org info 25 . pensamentos e sentimentos que emergem quando não esperamos.. é na duração que tudo pode mudar. Se não for assim.

que poderia aqui ser a minha. ou à entropia. para dar um exemplo. editoraplus. da cultura). A mudança sim: a mudança produz coisas . acima) em estreita relação com a “verdade” do escritor (Pauls). por exemplo. No máximo.. quem se animaria a afirmar que a diferença entre o que muda e o que degrada. 2a. E então. da inércia. Mas nem sempre. ainda no Canadá. das durações. das degradações. essas letras podem nos ajudar a compreender melhor o tempo e os mecanismos bastante complexos das mudanças. às vezes até mais do que as ciências sociais. É ótimo reescrever trechos de livros. entre um sinal de alteração e outro de deterioração. das entropias. Não produz nada na verdade. do excelente escritor argentino Alan Pauls (comecei em meados de 2007. Vejam o que escreve Pauls: A inércia não produz mudanças.. Parte Terminando um livro interminável (no bom sentido). Sempre achei a literatura uma forma eficaz e importante de compreensão da realidade (da sociedade.inércia.org info 26 .Duração. Vemos aqui como parece coincidir a argumentação filosófica de Bergson sobre a duração e a narrativa ficcional de Pauls. leio este parágrafo que coloca a verdade do filósofo (Bergson. principalmente de ficção – sentir essa sensação mediúnica de fazer do meu corpo um instrumento de uma outra voz. “O Passado”. dá lugar à degradação. parei e estou terminando agora em Salvador). Por um lado ou pelo outro.

pensa ver algo que mudou. que não se lembrava de ter sentido ao adormecer. de que esse ‘estar ali’ para Nancy. no desconcerto do despertar. dava lugar a uma certa inclinação.. p. como toda força sem motor. ao pôr-se de pé e vacilar. um deslizamento que ameaçava comunicá-lo com outra coisa. 376) editoraplus.é uma diferença real? (. e olha ao redor e. num ciclo cujas seqüências. descobre a inclinação do piso do convés. nunca chegam a mudar o mundo que afetam. o céu. assim Rímini teve a impressão. por sua mera obstinação. em algum momento. fazem-se sentir por um momento e recolhem-se ao silêncio. induzida pelas ondas. e compreende que o que mudara na paisagem não estava na paisagem. como o viajante indolente que dorme no convés de um barco e de repente acorda. mas nesse ‘antes’ do qual contemplava. Assim. se lê a lembrança ou a profecia de uma mudança. algo sutil.) No entanto. ressoando. mas deixam nele. mas indescritível. a inércia dá lugar a movimentos sub-reptícios. até que o estímulo casual que os convocou se repete e eles reaparecem. agora afetado por uma nova instabilidade. tomadas cada uma em si mesma. e só depois. individualmente.. 2007. ao mesmo tempo que reconhece o que vê. com bons ouvidos. tremores que surgem. golpeado por uma luz ou pelo grito de um pássaro.org info 27 . o mar.” (SP. Cosac Naify. os ecos de um murmúrio em que. o horizonte infinito.

2008 editoraplus.org info 28 .Tarde de inércia bastante transformadora no Parc La Fontaine em Montreal.

não condutivo. agora de William Faulkner em “Palmeiras Selvagens”. ou então não existe essa coisa que chamamos tempo. Você sabe: Eu não era.. é era e será. como o pardal isolado.. Você precisa saltar em completa editoraplus. Aqui.. podemos sentir a irrealidade do tempo ou a sua ilusão. Então eu sou. Neste excerto. aparece a nossa existência.essa é a imortalidade -.Duração. Vejam o que diz Faulkner: Eu estava fora do tempo. que existe apenas em relação ao pouco de realidade (aprendi isso também) que conhecemos. você sabe. presente e futuro. graças exclusivamente ao qual você pôde existir um dia . apenas nele. amalgamados naquilo que “é era e será”. Então eu era e portanto não sou e assim o tempo nunca existiu.) É a solidão. reforçando a ênfase na duração.) aquela condição. retroativo. a corrente do tempo que corre pelo ato de lembrar. apoiado por ele mas é tudo. fazendo eco e acrescentando elementos ao que foi colocado anteriormente nas duas partes dessa digressão sobre o tempo. Ainda estava ligado a ele. apoiado por ele no espaço como se está desde quando havia um não-você para se tornar você e se estará até que haja um fim para o não-você. Parte 3 Fechando a trilogia sobre o tempo e a duração. que na verdade não existe exceto no instante em que você sabe que a está perdendo (. pelos próprios pés duros e não condutivos e mortos. do fio de alta tensão. (. e o tempo começa.org info 29 . fato.. como passagens infinitas e microtemporais entre um passado. deixo mais uma citação literária.

123. dos vermes fervilhantes para os vermes fervilhantes. no outro.. do pó para o pó.org info 30 . E por esses um ou dois segundos você estará absolutamente só: não antes de você ser e não depois de não ser.. Faulkner. p. (. Cosac&Naif.)” (W. em qualquer dos casos você está seguro e acompanhado num anonimato infindo e inextricável: num.solidão e pode suportar apenas este tanto de solidão e ainda viver. como a eletricidade. Palmeiras Selvagens. porque nessas horas você nunca está sozinho. 2003). editoraplus.

que me ajudaram na formalização dessa visita. capital do Estado de Alberta. Rob Shields e Juremir Machado da Silva. Graças a dois outros amigos e parceiros de trabalho. editoraplus. 03 de Setembro de 2007 Me preparo para ir para Edmonton. oeste do Canadá. desenvolvendo uma pesquisa sobre mídias locativas. além da simpatia e receptividade do povo canadense. onde ficarei. e assim será.edmonton SegundA. me fazem pensar efetivamente que é para o Canadá que eu devo mesmo ir. comunicação. de extrema beleza. Tenho certeza de que gostarei do país.org info 31 . No Canadá. espacialização e cidades. a dimensão e a natureza do país. Farei parte do grupo “Space and Culture” do Departamento de Sociologia da Universidade de Alberta. Farei meu pós-doutoramento na Universidade de Alberta. estou agora preparando minha viagem para Edmonton. as tensões identitárias e linguísticas oferecem algo de vivo e dinâmico.

Já começo a colher informações sobre a cidade. Vejo que Edmonton planeja expandir o acesso à rede sem fio aos seus cidadãos. busco informações sobre as redes de acesso sem fio à internet na cidade. do Edmonton Journal.org info 32 . Segundo a matéria. Como estou pesquisando o tema das tecnologias móveis. “City plans to expand wireless web service”. Edmonton é a sexta maior cidade do Canadá e capital do estado de Alberta. editoraplus. a municipalidade pretende ampliar as zonas de acesso e criar mapas interativos mostrando os hotspots da cidade.

Outono de 2007 editoraplus.org info 33 .Amanhecer em Edmonton.

Houve uma demora incrível na liberação dos vistos (exames médicos demoram muito e tudo sai do Brasil. Vou trabalhar diretamente com o professor Rob Shields (com quem tenho um longo intercâmbio acadêmico desde 1995. EUA e Europa. Colaboramos nessa ocasião no livro “Cultures of Internet” (Routledge. dia 15. Em 2007. Rob passou 7 meses conosco como professor visitante no Grupo de Pesquisa em Cibercidade (GPC) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBA. partindo do Rio ou de São Paulo). Com os pesquisadores do grupo de pesquisa “Space and Culture”. pretendo dar continuidade às pesquisas sobre novas tecnologias de comunicação. Há alguns meses venho buscando informações sobre a cidade e me preparando para a mudança e. para o frio extremo do inverno (algo em tornos dos -20C editoraplus. principalmente. sistema de teletexto francês préinternet. mobilidade e espaço urbano. ler. na época do meu doutoramento).org info 34 .domingo. quando o conheci em Paris. estou finalmente viajando amanhã. cibercultura. territórios informacionais. 1996) no qual escrevi um capítulo sobre o Minitel. Vou escrever. 14 de outubro de 2007 Passado um mês esperando o visto. mídias locativas. além de ir a congressos na área pelo Canadá. vai a Trinidad e Tobago e volta ao Brasil. dar aulas e participar das atividades do grupo.

Esse editoraplus. no qual descobri. Quando fui para Paris. De fato. já até aluguei um apartamento pela craiglist e tenho encontrado ótimas dicas nos blogs e sites. A internet ajuda muito nesse processo. além de bom transporte público – mas que. além de outras coisas. com a rede planetária. bons restaurantes e cafés na Whyte Avenue. as notícias do Brasil eram raras e só me chegavam por correio ou telefone (ou pelas pouquíssimas notícias na mídia local). entre outros. não só para antecipar coisas. infelizmente. como para manter o contato com o Brasil. fazer meu doutoramento. Agora. o Old Strathcona. O site tem várias informações úteis. as informações mais específicas e interessantes encontrei mesmo nos blogs.org info 35 . mas isso é um pouco “Além da Imaginação”. como o brasileiro “Tapioca Congelada”. Aprendi que foi nessa região que os filmes “Brokeback Mountain” (2005) e “Legends of the Fall” (1994) foram filmados. ou seja. que há bons festivais de blues e jazz.graus em média). um bairro antigo e agitado. interessantes museus. Há também os sites oficiais e outros blogs muito bons. da França. em 1991. Para a minha pesquisa. é bom ter um carro. Sei o que é o frio da Europa. estou buscando aprofundar o conceito de “território informacional”. como o “Edmonton Blog”. zonas de controle de informação eletrônica nos lugares físicos. o “Edmonton Real Estate Blog” e o portal “City of Edmonton”. que há uma “Associação Comunitária Brasileira de Alberta”. com dicas preciosas. não havia internet.

em casa. dos telefones celulares e de todas as tecnologias e serviços baseados em localização no mundo e. principalmente da “Edmonton’s Next Generation” (esse grupo tenta desenvolver redes Wi-Fi e pensar o futuro da cidade) e no seu blog. muito tempo atrás.processo cria novas formas de espacialização (produção social do espaço). A mais substancial é a da Universidade de Alberta. Acabo de saber. Edmonton tem um dos maiores complexos de compras e de lazer do mundo. Já localizei algumas redes Wi-Fi com mais de 60 hotspots na capital de Alberta. um parque de dinossauros. Embora a cidade não tenha planos imediatos para se tornar uma cidade sem fio (projetos similares aos das atuais “cidades digitais”). com zonas Wi-Fi editoraplus. as discussões. considerado o maior do mundo. particularmente. Tenho monitorado a expansão das redes sem fio. o “West Edmonton Mall”. o “Wi-Fi Edmonton”. e que a região foi. também pela internet. Estou mapeando os projetos em andamento. cidade nas Montanhas Rochosas próxima a Edmonton. em Banff. 25MB!!!!) mais TV a cabo. há algumas iniciativas interessantes. que quer implementar em todo o campus redes Wi-Fi até 2008. um dos mais importantes em arte e tecnologia do Canadá e do mundo. que para ter uma conexão de 25MB/s (sim. devo pagar algo em torno de CAD $100 (menos do que pago aqui para 600kb/s mais a Sky). Espero também ter a oportunidade de visitar o “Banff Centre”. no Canadá e em Edmonton.org info 36 .

000 full time post-secondary students studying at schools in the Edmonton area. The annual Fringe festival is the largest alternative theatre event in North America.por todo o gigantesco empreendimento. making it one of Canada’s sunniest cities. and Montreal all made the list. 1/7 of the Vancouver region.945.000 new jobs are projected to be created in the Edmonton region between 2006 and 2010. No excelente blog “MasterMag”. It is also the northernmost North American city with a metropolitan population over 1 million. A very impressive 66. with a population of 1. North America’s largest shopping mall. editoraplus. There are more than 60. de um nativo que voltou para a cidade em 1998. podemos ter uma ideia mais precisa da cidade. Edmonton receives 2. Edmonton is home to West Edmonton Mall. Edmonton was named the Cultural Capital of Canada for the year 2007. 1/2 the Ottawa region.9 persions per square km. The population density of the Edmonton region is just 109. Edmonton is the sixth largest metropolitan region in Canada according to the 2006 Census.289 hours of sunlight each year.034. Ottawa. Toronto. and the third largest in the world. 1/8th of the Montreal region. Edmonton did not make the 2006 list of most expensive cities in which to live (the list contained 150 cities). This is half the population density of the Calgary region. WEM also holds the world record for the largest car park. and 1/8th of the Toronto region.org info 37 . Vancouver. Calgary.

including the very successful Edmonton Oilers and Edmonton Eskimos. and 41 off-leash parks to walk with your dog. Edmonton has 225 kilometers of designated bikeways. editoraplus. Edmonton is down right beautiful at times. Alberta is North America’s only rat free area (not including the territories).org info 38 . falando das minhas impressões da cidade e mostrando o andamento da pesquisa. Air quality in Edmonton is rated as good (the best level) at least 90% of the time for any given year. Edmonton is home to five professional sports franchises.Edmonton’s 60. as you can see in the thousands and thousands of photos available at Flickr. A partir dos próximos dias estarei postando diretamente de Edmonton. For example.7 times larger than New York’s Central Park.000-plus elm trees make up the largest concentration of disease-free elm trees in the world. the city’s curbside recycling program has reduced by 60% the waste sent to landfills. 21. dando notícias. Edmonton leads the nation in effective waste management. The River Valley park system is the longest urban park in North America.

telefone. vi meu escritório na Universidade. saindo do aeroporto.org info 39 . 18 de outubro de 2007 Cheguei. nada disso seria possível sem a ajuda e a disponibilidade absoluta de Rob Shields e do pessoal do departamento de sociologia. No mesmo dia. O centro da cieditoraplus. depois abri uma conta no banco. tenho praticamente tudo resolvido. Obviamente. No dia em que cheguei. Assustei-me ao andar na rua hoje. fui com Rob ao supermercado. Tudo funciona com uma eficiência inacreditável. Com exceção do centro da cidade. numeradas. ganhei chaves. Bairros residenciais com casas preenchem a paisagem. já tinha. Poucas pessoas nas ruas. poucos ônibus. mas só cruzei pouquíssimas pessoas no meu caminho – uma ou duas. para ser mais preciso. com belas regiões por perto. ID cards da Universidade. embora não haja o charme de ruas com nomes. que me recebeu de forma muito amigável e prestativa.QuintA. No dia seguinte. o que faz a localização ser muito fácil. internet (10 MB e não 25 por escolha minha). no apartamento. tudo. TV a cabo. luz. ruas e avenidas. Os grandes carros dominam a paisagem. Rápido e sem burocracia. Edmonton é uma cidade plana nas pradarias canadenses. Passei por várias ruas do meu bairro. fiz o seguro saúde. ela é cortada de norte a sul por ruas e de leste a oeste por avenidas – todas. Há dois dias no Canadá. e é difícil ver os táxis. em 30 minutos de caminhada.

liga as residências dos estudantes com serviços gerais. tem uma excelente estrutura e organização. A Universidade de Alberta não fica longe. Agora não faz muito sentido. Um ticket de CAD $ 2. O domínio é da praça central. estrutura central que mais parece um shopping. shoppings. vários cafés. livrarias. O HUB. tenho que pegar um ônibus e depois o metrô. Tudo é feito para transitar por dentro dos prédios.dade tem mais movimento. O frio ainda não chegou e os dias estão belíssimos.75 vale para qualquer trajeto dentro de 2 horas. um céu azul pérola.org info 40 . No ano passado. a Churchill Square. São apenas duas estações do centro. mas dá para compreender as ligações internas e fechadas por causa das extremas temperaturas. prédios altos de arquitetura moderna e um certo nervosismo com o movimento dos bancos e das instituições financeiras. 12 graus e sol. A universidade é pulsante. já que a temperatura está amena. e é possível ir de metrô ou ônibus ou uma conjunção dos dois. além dos diversos departamentos e faculdades. cinemas. Em 30 minutos estou lá. chegou a -40 C. serviços gerais. Da minha casa. editoraplus.

Ele só não disse qual Deus seria. Para Pelé. Daniel Libeskind. Há também os pagos. só livrarias. Ken Loach e Naomi Klein. no question”. budistas. hindus. A pergunta é “Why democracy?”. Jesse Jackson. Já passaram pelas questões Vivienne Westwood. Os jornais gratuitos são muito bons. Há uma forte imprensa independente que consegue manter essas publicações circulando livremente e com qualidade. dos judeus.. no modelo da BBC. que você compra com moedas. o que se entende por “democracia” pode variar bastante. Boutros Boutros-Ghali. Não há nada parecido no Brasil. Pelé responde: “The president of the world for who I’d vote is God. Não há bancas de jornais.domingo. Hoje peguei o “Metro” e vi uma foto do rei Pelé que me chamou a atenção. Margaret Atwood. com a programação cultural da semana e matérias sobre a cidade.. editoraplus. se o dos católicos. que têm áreas para revistas. 21 de outubro de 2007 Aqui em Edmonton circulam vários jornais gratuitos distribuídos em caixas que ficam no meio da rua. A partir daí.org info 41 . Trata-se de uma entrevista tipo “ping-pong” para “discutir” (!) a democracia. a primeira pergunta foi: “Who would you vote for as president of the world?”. dos muçulmanos. Bjorn Ulvaeus. Os mais interessantes são o “See”. O Metro e a CBC (gigante da televisão e radio pública Canadense. de longe a melhor em jornalismo na TV local) estão fazendo esse ping-pong com 10 pessoas famosas. “24hours” e o “VueWeekly”.

Escada para a Ravine.org info 42 . Edmonton. Canadá. editoraplus. depois da visita ao Museu de História Natural de Edmonton. Outubro de 2007.

como dos livros disponíveis nas prateleiras. coloco-o em um sistema automático de empréstimo. os livros ficam com uma etiqueta com meu nome em uma prateleira. Quando a biblioteca fica aberta? Todos os dias (só fecha no natal). Se alguém solicita o livro. na pesquisa. Achei tudo o que procurava e estou com mais de 20 livros me esperando. 30 de outubro de 2007 Ainda sem computador. A Universidade de Alberta (UA) tem uma excelente biblioteca e me oferece todas as condições de pesquisa. eu recebo um e-mail pedindo a devolução para evitar uma renovação. que serve para toda a universidade e pode ser até cartão de pagamento) e estou liberado. em minutos fiz uma pesquisa em suas bases de dados on-line. Só para se ter uma ideia. de casa. Quanto tempo posso ficar com eles? Um mês. Tenho lido muito e isso me faz pensar como o nosso trabalho de pesquisador e escritor exige tempo de maturação e reflexão. saio de casa e vou trabalhar na biblioteca. e mais metodicamente. tanto de material on-line. Passo lá. Para quebrar a monotonia. começo a trabalhar efetivamente. passo meu cartão (“One Card”. renovando sempre que quiser. Reservei tudo pela rede e comecei a pegá-los nas diversas bibliotecas do Campus.terçA. Quantos posso pegar? Quantos quiser. pego o livro.org info 43 . A coisa funciona assim: depois de uma reserva pela internet. Uma fantástica estrutura. Estou editoraplus.

de Alan Pauls. Para começar. de David Delaney. estou escrevendo e o plano é sair com um livro sobre o assunto daqui. de Thomas Nagel. vigilância. uma organização com vários artigos interessantes sobre locative games. que não pode ser destacada da forma objetiva de ver o mundo. a short introduction”. mobilidade. e para variar e não perder o hábito. nossa posição diante das coisas e os limites e tensões entre a objetividade (que identifica assim o real) e a subjetividade. mas muito interessante.. Ao mesmo tempo. 1. neo-nomadismo. locative games.org info 44 . 1 da revista “Mobilities” (Routledge) com artigos que tratam da mobilidade social. e estou no meio de “O Passado”. “Territory. de John Urry e Mimi Sheller. Acabei de ler “Mobile Technologies of the City”. leio o ultimo romance do britânico Graham Swift. entre outros temas sobre a mobilidade. Comecei também o clássico “Social and Cultural Mobility”. n. sobre a nossa condição no mundo. Os outros livros estão na minha sala no Space and Culture na UA. Bom. Estou com o vol. de Sorokin. estou trabalhando com os seguintes livros: View from Nowhere”. editoraplus. “Tomorrow”.. e estou formulando melhor a noção de território com a ajuda do básico. redes Wi-Fi. filosofia.tendo esse tempo e tenho avançado muito nas minhas reflexões.

dos territórios informacionais e das mídias locativas em interface com processos sociais e comunicacionais. Celular. redes Wi-Fi. wireless games. assim como as novas fronteiras eletrônicas indicam territórios informacionais. Minha preocupação é estudar como essas tecnologias redefinem a mobilidade. etc. Temos hoje senhas de acesso. GPS. em primeiro lugar. Foi sugerido. Comecei também a fazer ensaios fotográficos sobre as fronteiras dos territórios que encontramos no dia a dia em Edmonton. um novo campo de investigação que seria o “urban new media studies” ou “cybermobilities”.. editoraplus. etiquetas RFID. bluetooth. info/artigos/artigos. os territórios. Territórios são zonas de controle de fronteiras através dos quais a mobilidade e os fluxos se exercem (em diferentes velocidades. Esta é a minha tese de fundo. Meu objetivo com as fotos é. ajudar a conhecer a cidade.org info 45 .html) e o objetivo é aprofundar a discussão aqui no Canadá. monitoramento e controle. ilustrar as minhas ideias e. as formas eletrônicas. poderes e amplitude). em segundo. Tenho desenvolvido uma reflexão sobre esse tema nos meus últimos artigos (http://andrelemos. Acho que estou efetivamente trabalhando nesta área de interesse. Fronteiras físicas delimitam o território urbano. formas de acesso. estão no cardápio. invasão de territórios informacionais com novas formas de vigilância. as cidades e a comunicação na atual fase da cibercultura.Minha pesquisa é sobre a questão da mobilidade. em uma dessas últimas leituras. Fronteiras definem territórios.

cheia de centros comerciais onde o que poderíamos chamar de espaço público. tickets eletrônicos do metrô. Tem sido interessante também pensar mobilidade. feitos por software que “escrevem a cidade”.org info 46 . com uma baixa densidade populacional. começando pela mass media e chegando hoje a uma radicalidade maior com o que venho chamando de mídias de função pós-massiva. potencializadas pelas tecnologias e dispositivos de comunicação. Para pensar a mobilidade e os fluxos comunicacionais. a “teoria” de Latour. senhas para internet etc. tanto em territórios físicos. Tudo está diretamente interligado (aqui.. pensar território é pensar mobilidade e fluxo e é pensar também em formas de controle e vigilância. são barreiras de acesso a territórios específicos. E isso sem falar em territorialidades simbólicas como a cultura. controle: códigos de acesso em portas. sem intervenção humana. eletrônica. etc. a língua. mas as novas formas de territorialidade. a religião.). fria.. como eletrônicos (automatizados. projetivo. a saber. plana.e a forma de controle dessa mobilidade e dos fluxos pelos territórios é o que podemos chamar de vigilância. devemos levar em conta não apenas as territorialidades físicas. a política. Assim. Edmonton é uma cidade ampla. pode ajudar a compreender este novo fenômeno técnico). monitoramento. território informacional e controle de fronteiras em meio a minha nova situação: preso em diversas imobilidades. a de “atores-rede”. ou seeditoraplus.

Praticamente não há metrô. movimento e lugar aqui só faz sentido se pensarmos como o carro se configura com a forma de leitura e apropriação da cidade. Pensar território. mas “big trucks”.mi-público. Os ônibus são uma opção. apenas uma única linha que não cobre bem a cidade. Ao menos aos meus olhos. A paisagem aqui é formada pelas muitas casas. Levo. Essa é a forma mais explícita de mobilidade por aqui. já que tenho um ponto de ônibus na porta de casa que me leva a uma estação de metrô. ao todo. Há transportes públicos (ônibus e metrô) e poucos táxis. e eles são rigorosamente pontuais. Não há troco nos ônibus: você pode comprar cartelas no metrô. já que a cidade é bem servida. Edmonton é uma cidade onde o automóvel cria. É com o carro que os edmontonians marcam a cidade. inscreve e desfaz os lugares. editoraplus. se configura. ainda estrangeiros e distantes. que servem. e desta chego a Universidade.org info 47 . tendo o horizonte marcado por um céu azul brilhante e automóveis que passam. com 5 estações. 35 minutos. mas parece que todos optam mesmo pelo carro. De carro levaria 10 min. só há mesmo pessoas nos centros comerciais. funciona. O carro é aqui o software e o hardware de inscrição da cidade. para os ônibus. Dei sorte. ruas e avenidas numeradas em cortes simétricos. param e seguem. obviamente. e não são simples carros. alguns prédios no downtown. Tirando o centro da cidade.

já que não estou completamente móvel na língua (território lingüístico). ou com pouca mobilidade. uma condição fundamental para pensar o seu oposto? editoraplus. Mas tenho diversas limitações de movimento. em vários sentidos.Já vemos aqui formas (poderes) e mobilidades diferentes instituindo uma tensão entre mobilidade e imobilidade. no entanto. Para Deleuze. a cidade e a mobilidade (meu objeto de pesquisa) estando. criar condições para me locomover melhor em todos esses domínios em um muitíssimo curto prazo. tendo assim pouca mobilidade informacional. calma e focado. Estou pensando as mídias. seria possível pensar a mobilidade em plena mobilidade? Não seria a imobilidade. estou limitado na minha condição de estrangeiro. Pretendo. a mobilidade total se dá com o pensamento. imóvel. com tempo. a desterritorialização. ou um limite da mobilidade plena. Neste sentido. estou também sem celular e sem o meu laptop (território informacional).org info 48 . No entanto. pois dedico meu tempo a pensar meu objeto de pesquisa. estou limitado também por não conhecer ainda os códigos culturais (território identitário). estou limitado na minha habilidade discursiva. Estou limitado na minha movimentação por não ter um carro (ir ao supermercado é uma aventura). estou bastante móvel.

e “Place Between”. de 1 a 4 de novembro. Ambos me remeteram a questões territoriais e vou resenhá-los rapidamente aqui. fundindo tradição e modernidade.SábAdo. cada um ao seu modo. Assisti hoje dois filmes canadenses e gostei do que vi: “Aboriginality”. Vemos claramente as frontei- editoraplus. o mesmo aborígine em sua terra natal. mostrando um garoto assistindo a um clipe de hip hop cujo cantor é um aborígine. a busca identitária. cantando para os deuses. O tema central é direitos humanos. o garoto é transportado através da tela da TV para o mundo do aborígine. o pacifismo e o meio ambiente.org info 49 . A tela da TV é aqui um portal que envia o telespectador para os limites da cultura. O primeiro filme é uma animação de 5 minutos. com filmes de várias partes do mundo. de limites. Os dois filmes falam. o Global Vision Festival. de Curtis Kaltenbaugh. depois. mostrando o aborígine cantando hip hop (uma forma de atualização de sua musica ancestral) e. 03 de novembro de 2007 Está acontecendo aqui. Como que por mágica. muito bem realizada. de Dominique Keller. de fronteiras. de territórios – territórios culturais e identitários. Ele espreita na mata o guerreiro que agora canta sua musica ancestral.

Ele busca compreender sua origem e seu futuro nessa fronteira entre a família de sangue e a família adotiva que se reencontram para criar um território. sua identidade. nesse “lugar intermediário”. canadense e americano. coordenado por uma espécie de xamã local. em uma viagem para compreender a sua condição no mundo depois da adoção por uma família americana. De origem indígena canadense. o autor foi adotado com 7 anos por uma família americana. da magia ao moderno. o filme mostra o encontro emocionante das famílias. no Canadá.ras dos territórios culturais. O autor organiza um encontro das duas famílias em Winnipeg. já que sua mãe estava envolvida com alcoolismo (a relação índios e alcoolismo parece ser mesmo um problema global) e não tinha condições de criá-lo – nem ele nem seu irmão. que também fora adotado e que na época tinha quatro anos. O filme intercala imagens externas com imagens mais subjetivas que o autor faz com sua câmera portátil.org info 50 . o autor busca reconstruir seu território subjetivo. O segundo filme é a busca do autor para reencontrar sua família e reconstruir sua identidade. editoraplus. passeando pelo espaço in between de sua condição de índio. Nesse caso. da cultura pop e do videoclipe. do canto ancestral ao hip hop. Apesar de todas as dores.

Outono 2007 editoraplus. A maioria dos cafés. mas mediante pagamento a um provedor. Não vi ninguém acessando e o frio é mesmo desestimulante. vi esse cartaz anunciando um hotspot público na Churchil Square. Rede Wi-Fi pública e livre na Churchil Square. andando no centro.. Hoje. centro de Edmonton.org info 51 . mas parece haver algum esforço da cidade nesse sentido..SábAdo. shoppings e hotéis oferecem conexão. 05 de novembro de 2007 Ao lado uma zona de livre acesso Wi-Fi em Edmonton.

. Poderíamos pensar. discutir a posição de Salvador. identificando. ou Londres não sejam capitais culturais globais). Buenos Aires. O argumento mais interessante desenvolvido por Shields foi a relativização do que seriam “cidades globais”. Shields tentou. Muitos autores contemporâneos identificam as cidades globais (NY. o caso de Salvador”. segundo Shields. Embora estes princípios estejam sempre atrelados a dinâmicas sociais e culturais (não podemos dizer que Tóquio. nesses termos. Moscou.org info 52 . necessariamente. ao mesmo tempo.. NY. Tóquio. pode-se levantar a hipótese de que seria possível pensar em capitais culturais globais sem que as mesmas tenham. a partir daí. a presença pesada de fluxos (financeiros. traços de globalização cultural e problemas de posicionamento da cidade editoraplus. informacionais) ou empresas globais. científicos. informacional e pelo peso de instalação de companhias globais (Sassen). 07 de novembro de 2007 Salvador. em Viena. no Art Building da University of Alberta. Este ponto é interessante e mereceria mais investigação. Machu Pichu. Capital Cultural Global Alguns rápidos comentários sobre a palestra de Rob Shields hoje sobre o tema “Capitais Culturais Globais. Londres) a partir do fluxo financeiro.QuArtA.

já que tem a melhor comida. o turismo. Talvez isso se dê pela mistura de narcisismo e provincianismo do baiano. Não falei nada e me limitei a apreciar. Há algumas evidências dessa falta de interesse. não se encontram muitas informações em outras línguas (não é fácil achar. Uma resistência contra-cultural. por exemplo. já se acha no centro do mundo. a melhor música. como brasileiro e morador de Salvador. a economia etc. que. no caso.em relação aos padrões de globalização. de alguma forma. a sociedade. estreia”. asiáticos. o transporte deficiente. para entrar na globalização: não há turismo efetivamente global. na realidade. a curiosidade e a visão “global” de estrangeiros sobre a nossa cidade (visão totalmente legítima e bem verdadeira.org info 53 . cercado por canadenses. parecer recusar participar dessa dinâmica global (embora os governantes e fazedores de política queiram isso a todo custo. livros do próprio em inglês). digamos assim. editoraplus. a 2 graus com um céu cinza. A discussão foi interessante. as melhores praias. para dinamizar a cultura. “o baiano não nasce. principalmente por Salvador..). e outros clichês do gênero. Aproveitei para curtir o espetáculo de estar quase no pólo norte. contra os padrões da globalização: a cultura baiana se basta. em Edmonton. os serviços são ruins. muita violência e insegurança. na minha opinião).. o berço mesmo da globalização: “cidade da alegria”. Há também o lado da resistência (embora involuntária) em participar desse “padrão de globalização”. etc. não se fala inglês. na Casa de Jorge Amado.

. da mesma forma. para relaxar. me depa- editoraplus.russos. fui até a minha sala na Universidade e cruzei com duas coisas estranhas: primeiro um cartaz no ponto de ônibus avisando que acharam um iPod. “lar”. cafés. da imaterialidade. ouvindo Rob falar de candomblé.org info 54 .. das praias. Uma delícia! Eles viam Salvador de forma “ex-ótica”. chegando mais perto. das favelas e dos orixás. “território”! SábAdo. Primeiro houve uma discussão sobre a questão do “tangível e do intangível”. vi que era isto. 10 de novembro de 2007 Passei o dia todo no Art and Science Symposium. Para devolver!!!! Depois me deparei com algo branco brilhando no asfalto. e. Depois.. desci do ônibus bem antes do meu ponto e fui andando pela interessante 124th Street (vários restaurantes gregos. E. do atual. As discussões pela manhã me cansaram. galerias e uma loja especialista em quadrinhos em um shopping comercial). e. do sol. do virtual. da materialidade. fui ver um Andy Warhol na Alberta Art Galery em exposição sobre a Pop Art.. Andando. eu os via! E isso não tem nada de depreciativo.. mas a tarde foi bem legal. Um bom papo e uma boa discussão que me fizeram pensar no que pode significar “casa”. do acarajé. Depois. voltando para casa..

..rei com abajures gigantes no meio de uma passagem. Ah.org info 55 . Ontem duas noticias bizarras na TV: uma campanha para diminuir a violência aqui (???) com o paradoxal nome de “fight violence”. E o aviso que coiotes estão ameaçando os corredores no vale. já ia esquecendo. Cidade bizarra! Cream alimentando o asfalto! editoraplus.

saindo da minha aula de inglês. territorialização no espaço público.Anotações Urbanas em Edmonton No centro da cidade.org info 56 . anotações urbanas em tapumes. Arte urban a nas ruas de Edmonton editoraplus.

máquinas e mesmo alimentos. refletindo mesmo o estado das coisas por aqui. editoraplus. Tudo gira em torno disso: dirigir. atravessar a rua. comprar comida. usar o computador. o espaço e o uso das tecnologias. viajar. ausência completa ou eficiente de padrão de qualidade em objetos. sem qualquer garantia de segurança. A palavra “segurança” aparece freqüentemente nas peças publicitárias. e mesmo o supermercado chama-se “Safeway” (embora seja britânico).org info 57 . 25 de novembro de 2007 Passando o primeiro mês aqui em Edmonton. Vejam só o paradoxo. Nós. Aqui em Edmonton. sobre as formas de sociabilidade. que temos violência. Mas algo tem me chamado a atenção: a obsessão por segurança. onde o índice de criminalidade é baixíssimo e os padrões de qualidade altíssimos. se arriscando o tempo todo. A pré-ocupação (já que pensar em segurança é de alguma forma estar sempre no futuro) às vezes me incomoda e chego mesmo a sentir falta e apreciar a nossa (brasileira) completa vivência no aqui e agora. no presente urgente. não nos preocupamos muito com a segurança. ainda não me sinto muito à vontade para fazer análises mais profundas sobre a cidade. tudo.domingo. há uma verdadeira paranóia em relação a esse tema...

na Jasper Avenue . because of safety concerns. A questão é a segurança. A discussão. deparo-me com uma matéria sobre controle de acesso de pessoas em bares. é entre o limite legal da exigência e a segurança. e vários depoimentos na matéria ressaltam isso. editoraplus. é obrigatório o “scanning” dos documentos de identidade com o sistema “BarLink”. Uma freqüentadora de bares concorda e afirma que ela “woundn’t enter a establishment that didn’t have BarLink. It’s a preemptive planning”.Lendo o jornal gratuito e cultural See. Claro. Parece ser exagero reter informação pessoal para entrar em um bar e tomar uma cerveja. Dizem que. para entrar em alguns estabelecimentos. segundo alguns. Agora. Por exemplo.org info 58 . mandando um e-mail ou ligando para a empresa. já que ninguém deve ser obrigado a fornecer seu nome de família. é possível pedir para tirar o seu nome do sistema. identidade e um documento para passar em um scanner que irá reter esses dados em bancos de dados ligados à polícia. Bom. a dona do Pub Druid. como sempre. pensa no futuro e diz: “just because something hasn’t happened doesn’t mean something won’t happen. She says troublemakers go to clubs that don’t scan Ids”. se você quiser. a exigência seria mesmo ilegal.avenida que cruza o centro da cidade que não enfrenta problemas no seu estabelecimento. pode-se pedir para ver a idade das pessoas para entrar. para evitar a entrada de menores.

fundamental para compreender a territorialidade humana. Cambridge.Estou tocando nesse assunto porque essa questão é central para a discussão sobre “territórios informacionais”. a territorialidade humana é uma “powerful strategy to control people and things by controlling area”. Para Sack. Penso que as novas formas de controle eletrônico de pessoas e de objetos reforçam a ideia de um território informacional ameaçando a privacidade e o anonimato.org info 59 . A territorialidade humana é um meio indispensável para o exercício do poder em todos os níveis. by controlling area”. comunicativa. a complexidade da territorialidade humana daquela da vida animal. or control resources and people. A humana seria intencional. A territorialidade humana é “a control over an area or space that must be conceived of and communicated’. a obsessão pela segurança é uma forma de aceitar esse exer- editoraplus. não instintiva. Sack diferencia. em primeiro lugar. sendo assim não apenas naturalmente motivada. criadora de instituições. abstrata e vinculada ao exercício do poder. influence. de historicidade aberta. 1986) de Robert Sack. Busco entender esses novos territórios em relação aos espaços de lugar das cidades e o uso das tecnologias móveis e processos com as mídias locativas. Aqui em Edmonton. Li recentemente o livro “Human Territoriality: Its theory and History” (Cambridge University Press. Territoriality in humans is best understood as a spatial strategy to affect. mas principalmente “socially and geographically rooted”.

ontem. controle na mobilidade) de bom grado. vi os que estavam separados para mim e fiquei olhando os outros livros na estante esperando os outros usuários. Skatistas. de se sujeitar aos novos poderes exercidos dentro desses territórios informacionais. A questão é assim social.org info 60 . A defesa da privacidade e da segurança é fortíssima. quando fui pegar livros na biblioteca. Para terem uma ideia. não ultrapassem esse limite cício do controle (como Deleuze.Territorialidades Urbanas. política. editoraplus. Rapidamente uma bibliotecária chegou junto a mim e disse que eu não poderia ficar olhando os livros. se é que podemos separar estes termos. estética e tecnológica.

Ave. fotos sobre os territórios. of Nations. Esses territórios aparecem fisicamente e mais claramente no nosso dia a dia. Mas gostei da defesa da privacidade e do anonimato. Edmonton editoraplus.que não poderia ficar “bisbilhotando” o que as outras pessoas estão pegando. mas há os menos visíveis. os eletrônicos-informacionais. as bordas e as fronteiras que cerceiam meus movimentos na cidade. Na sequência.org info 61 . tão ameaçados hoje em dia. Fiquei surpreso já que só olhava os títulos e não os nomes das pessoas que os reservaram.

do face a face. A mobilidade (de pessoas e de informação) ameaça o lugar. Os lugares são espaços de sentido. nas sociedades avançadas e na era dos fluxos globais de informação. em todas as épocas. a casa. 28 de novembro de 2007 Pensar hoje temas como comunicação. já que vários estudos apontam para a tendência das mídias de massa para a destruição das relações sociais autênticas. Augé).org info 62 . enfraquecem os lugares. essa parte socialmente construída do espaço. Apenas uma visão mais nostálgica vê o lugar como centro comunitário.QuArtA-feirA. mercadorias e capital? Os “lugares” só existem nesse movimento de fluxos. a família (muitos estudos culturais feministas questionam essa visão de lugar desenvolvida até meado dos anos 80). Harvey.. Lefebvre. Como podemos pensar isso hoje. elas destruiriam assim o “lugar”. pessoas. A relação do lugar com as mídias sempre foi problemática. de enraizamento (podemos colocar aqui Tuan. espaço. destroem.. foreditoraplus. já que este é majoritariamente visto como ponto de fixação. e isso sempre aconteceu. lugar e território torna-se central para compreender o que está em jogo na interface atual entre vida social e espaço urbano midiatizado pelas novas tecnologias digitais móveis. com todos os lugares. Os fluxos apagam. A globalização e as novas tecnologias do ciberespaço estariam agora soterrando definitivamente o lugar. do sentimento comunitário.

fluxos. e não simplesmente as destruindo. em Salvador. pelo contrário. mas. visuais. ou da Vila Madalena. editoraplus. Rio Vermelho e Vila Madalena são lugares. no Rio de Janeiro. como hipótese ainda. étnicos.mados por diversas tensões e linhas de fluxo que os compõem. embora sejam fluxos diversos. transformando. um pertencimento dinâmico. sonoros. apenas para citar o Brasil. 1984). what contributes to history in a specific context through the creation and utilization of a physical setting” (Pred. comunicação. em São Paulo. já que constituídos por dinâmicas sociais e históricas próprias.org info 63 . entrecruzamentos corporais. Place is what takes place ceaselessly. criam efetivamente a ideia de um lugar. Copacabana. Eles não são lugares estáticos. ganham o status de “lugar” justamente por serem formados por uma miríade de tensões. Esse é o interesse em se pensar o “território informacional” como um “território” formado por fluxos eletrônicos em meio a outras formas de territorialização que se enraízam em espaços sociais criando. Como afirma Pred. de Copacabana. consolidando “lugares”. Podemos dizer. Embora fluxos. que as diversas experiências com as mídias locativas estão criando novas significações no espaço urbano. “places are never ‘finished’ but always ‘becoming’. de vínculo enraizado de uma comunidade. Vejam por exemplo os bairros do Rio Vermelho. sexuais – que. produzindo novas e reforçando antigas “localidades”.

org info 64 . As cidades se constituem nesse fluxo de tensões territorializantes e desterritorializantes. na Jasper Avenue no centro da cidade. a territorialização e o enraizamento. acabados.O “lugar” Old Strathcona na White Avenue. em alguns pontos perto da Ravine. editoraplus. Massey. mas uma atualização temporária de uma virtualidade infindável que o transforma e o caracteriza como “evento” (Escobar. Ele é sempre um resultado de mobilidades. não só os atuais) nunca estão finalizados. de fluidez entre membranas. o fluxo. Edmonton Os lugares (e diria mesmo todos. a fuga. mas estão sempre na tensão entre “virtualização”. de tensões em suas diversas territorialidades. Thrift) e não como “ponto”. “pausados” como diria Tuan. o movimento. Aqui em Edmonton. e atualização. O lugar não é a fixação do movimento. vemos claramente esses entrecruzamentos na White Avenue.

primeira neve em Edmonton editoraplus.Café Dabbar.org info 65 . meu lugar na White Avenue.

org info 66 . o lugar mais dinâmico de Edmonton editoraplus.Fluxo na noite na White Avenue.

Depois.5 cm) que coloco no bolso. grava os dados do deslocamento. Começo aqui a testar algumas derivas com GPS e mapeamento dos meus percursos com o Google Earth e o Google Maps. GPS (latitude.terçA. Estou usando um GPS Data Logger. direção. passo esses dados (pode ser em formato para Google Maps. 04 de dezembro de 2007 Derivas e GPS Pensar os lugares é pensar a mobilidade e a dinâmica dos fluxos. saio ando e ele registra meus passos. Google Earth ou outros) para o laptop (por bluetooth). pois não achei mapas gratuitos daqui). longitude. isto é. altura. velocidade do deslocamento) e logger. do tamanho ou menor que um Zippo. Ele é ao mesmo tempo bússola. indexei as fotos aos pontos – e aí está! editoraplus. com o Photo GPS Editor. Fiz algumas fotos do percurso (com uma Kodak M883 de 8MP) e.org info 67 . deve ter 6 x 2. o WBT 100 (minúsculo. Posso também ir navegando em tempo real com ele acoplado ao laptop (mas ainda não testei isso. ligo.

editoraplus. Não é por acaso que inúmeros projetos com as mídias locativas utilizam escritas e desenhos com GPS. como a deriva e a psicogeografia dos dadaístas.org info 68 . Os primeiros artistas usavam justamente os GPS (em uma apropriação de uma tecnologia militar) para desenhar (o GPS Drawing do pioneiro Jeremy Wood. Retornamos assim a praticas artísticas que buscam fazer do andar uma arte e criar sentido ao urbanismo racionalizante.Abaixo o meu percurso da Universidade de Alberta para a White Ave (a pé e de ônibus). Alguns projetos com as mídias locativas parecem estar em busca do “urbanismo unitário”. ou as derivas de alguns cidadãos no Amsterdam RealTime. Este deslocamento mapeado e geolocalizado é para mim uma forma de conhecer melhor a cidade e de criar sentido neste lugar. de Esther Polak). surrealistas e situacionistas. e o histórico bairro de “Old Strathcona” com algumas fotos.

com editoraplus.org info 69 . disponível em: http://ciberflanerie.blogspot.Ciberflânerie.

org info 70 .Old Strathcona editoraplus.

celulares com ou sem GPS. 71 Zôo em Edmonton editoraplus. consoles de games. para usar o termo de Michel Foucault..SextA. Lugares de mobilidade física que são. muitos usavam laptops. 07 de dezembro de 2007 Ontem no ônibus. tinha um rapaz com um MacBook.. Ônibus. uma mulher na minha frente usando o GPS no celular (não consegui fotografar) e um terceiro checando e-mail no Blackberry. trens. de agora em diante. aviões e navios ou ferries seriam as novas heterotopias por excelência.org info . Só à minha volta. Voltarei mais adiante a este ponto. na hora do rush (aqui é às 16h). um outro jogando no console de games. lugares de mobilidade informacional.

13 de dezembro de 2007 Telus. Edmonton editoraplus.org info 72 .QuintA. World of Science.

domingo.org info 73 . 15 de dezembro de 2007 Snow Valley editoraplus.

logo. circulando por “pedways” (passagens de pedestres por pontes fechadas ou lugares subterrâneos). os edmontonianos bateram um record e entraram para o “Guinness” em termos de sociabilidade on-line. A ação criou uma nova categoria e.org info 74 . algumas zonas Wi-Fi livres. celulares 3G e smartphones. A ideia é discutir a localidade e divulgar a potência e a facilidade dos blogs como ferramenta informativa e de sociabilidade. o espaço público é o ciberespaço. um novo record. Refletindo sobre esta questão. 02 de jAneiro de 2008 Há alguns meses na cidade de Edmonton posso afirmar que é difícil pensar o espaço público onde reina o automóvel e onde o frio coloca as pessoas sempre em zonas comerciais fechadas. há na cidade vários hotspots (em cafés e nos centros comerciais). post do “Space and Culture”. Não entendi muito bem qual seria o interesse. já que os edmontonianos editoraplus. mostra o “feito”. uma certa cultura dos games.QuArtA-feirA. aqui em Edmonton. Apesar disto. “Winter is Public” argumenta que. em 3 horas. mas a “operação” foi feita para entrar no livro e incentivar os blogs por aqui. – mas a cidade está longe de ser uma cidade pulsante em termos de cibercultura ou de socialidade tout court. Foi criado um blog onde (apenas) 100 pessoas colocavam seus desejos para a cidade em 2008. A matéria do “Edmonton Journal”. Ontem. “Bloggers set world record to gain skills”.

..org info 75 .. Today. but it’s the best and the soundest system of reproduction.) But there is a further question . The paradox is that the public sphere is online: Edmontonians are the most vocal.M. I can’t play that trick on myself for much longer.) Hapiness breeds hapiness: it’s as simple as that? It’s not biology. engaged and opinionated population I’ve ever encountered when it comes to the city and its spaces (..) (R. 03 de jAneiro de 2008 It’s gone three A.” (Graham Swift. It’s getting closer. editoraplus.one may assume that Edmonton streets emptied by buildings being interconnected by overhead ‘pedways’ reflect a lack of interest in the cities public spaces. today: the soft drumming of the rain seems to be saying it over and over (.Shields)”.. Vejam trechos dos posts no Space and Culture: (. QuintA-feirA. Random House. “Tomorrow”. 2007)...discutem muito a cidade em fóruns como o “Connect2edmonton”. Not ‘tomorow’.. CA.

org info 76 . congelado! apreciando o lago editoraplus.domingo. 06 de jAneiro de 2008 Jasper Lodge.

alguma neve e muita. Dias maravilhosos. cravada no pé das Montanhas Rochosas. o andar como forma de escrever o espaço (Michel de Certeau). lugares reescritos pelas práticas quotidianas. renas. Sintomaticamente perdi meu GPS tracker! A cidade de Jasper é pequena. no sentido kantiano do termo. Na foto abaixo. realmente um lugar sublime. de Margaret Atwood. coiotes. Aqui dá para entender o que isso pode significar. Paisagens que nos arrebatam em suas belezas e dimensão e nos colocam no nosso verdadeiro lugar. geleiras.. frio intenso. editoraplus. mas simpática com toda a infraestrutura. como renas. Li uma crítica do livro “Surfacing” (1973). em que ela defende a tese de que os canadenses se sentem “vitimas da natureza”. pequenos lugares onde o espaço gigantesco e ameaçador pela sua beleza radical reina. de circular pela cidade e ver os animais.SábAdo.. Aqui foi um tempo de esqui. de conhecer o “Maligne Cagnon”.. geleiras ancestrais. grutas. um nada na imensidão da natureza.org info 77 . 12 de jAneiro de 2008 Dois dias nas montanhas de Jasper ajudam a descomprimir: rios. lagos congelados. Vemos pequenas cristalizações sociais. muita alegria e contato íntimo com a natureza. Voltarei com certeza no verão para ver a mudança da paisagem.

Em Jasper.org info 78 .Invenção do Quotidiano. editoraplus. passantes escrevendo seus próprios caminhos.

org info 79 . As fotos abaixo mostram imagens de algumas caminhadas. Edmonton editoraplus. 21 de jAneiro de 2008 Mesmo no frio e com dificuldade de locomoção. fiz muitas flâneries por Edmonton. Saía andando independente do tempo lá fora.SegundA. Cemitério.

Edmonton editoraplus.Cemitério.org info 80 .

Paisagem sublime com a Lua em Edmonton editoraplus.org info 81 .

já não se veem mais as fronteiras do jardim. Chegando a -43oC com o Wind Chill.domingo. frio glacial. 27 de jAneiro de 2008 Inverno rigoroso. Vista da janela editoraplus. Da minha janela.org info 82 . da calçada e da pista.

boicotada pela imprensa americana. “Falling Man” (NY. tirada em 11 de setembro.org info 83 . Ele cria o artista performático “Falling Man” que se pendura de caeditoraplus. “Falling Man” é o título de um ensaio publicado na revista “Esquire” a partir da fotografia de Richard Drew. Scribner. Don DeLillo vai adiante e desdobra o imaginário em seu novo romance. Inicialmente. Essa imagem. É interessante como o livro parte de uma foto. às 9:45h.Romance. sobre os acontecimentos do 11 de setembro. deram origem a um documentário para a TV. posteriormente. voyeurística e. de Henry Singer (2006). 2007). 28 de jAneiro de 2008 Falling Man Estou lendo o novo livro de Don DeLillo.SegundA. o “9/11: The Falling Man”. Será possível assim digerir o acontecimento? Explico. Recursividade multimidiática: Fato . que se desdobra em documentário e que é agora personalizada em um artista-performer fictício homônimo criado por DeLillo. Agora.Foto . A foto de um homem se jogando do WTC em chamas foi considerada chocante. que vira uma história publicada em uma revista.Ensaio para revista .Filme documentário TV . e o ensaio da “Esquire”.

. Nobody said what’s next. .beça para baixo nas ruas de Manhattan para chamar a atenção sobre as pessoas que se atiraram das torres em chamas como um “homem aranha”: “She’d heard of him. fornecer releituras da realidade que possam criar sentidos. 33). mas não de forma tão direta quanto o DeLillo). Eight years ago they planted a bomb in one of the towers. in various parts of the city.org info 84 . . Esse é o primeiro romance que leio sobre o 9/11 (li o “Brooklyn Follies”. Em “Falling Man” estamos no centro dos acontecimentos. do terrorismo global e do medo do futuro.What is next? Don’t you ask yourself? Not only next month. DeLillo cria uma personagem que simboliza a vertigem desse início de século e de milênio sob o signo do desmoronamento. o ensaio. Too late now.Nothing is next. This was next. a tie and dress shoes. wearing a suit. de Paul Auster. The time to be afraid is when there’s no reason to be afraid. always upside down. a TV. a performance artist known as Falling Man. o documentário.” (p. There is no next. Years to come. He’d appeared several times in the last week. quem sabe. a foto.” editoraplus. This was next.. em meio a poeiras e fumaças que não nos deixam ver claramente o futuro. o romance) para. que toca no assunto. Ele cria um curto circuito entre os fatos e as diversas modalidades midiáticas que representam/ produzem o real (o fato. unannounced. suspended from one or another structure.

A discussão me é útil para pensar as mídias locativas. alterando padrões de comportamento. das mídias e das relações sociais. os computadores . Meyrowitz escreve basicamente sobre a televisão e a cultura impressa para comparar e mostrar como as “mídias eletrônicas” (a TV. vendo formas de “localização”. que retoma a sociologia situacionista de Goffman e cruza com a teoria das mídias de McLuhan para pensar os novos comportamentos sociais em relação à evolução das mídias eletrônicas. o rádio. seria dizer “new sense of place”). Sua compreensão de lugar me parece hoje equivocada (melhor do que falar em “no sense of place”.org info 85 . “territorialização” e controle informacional.terçA. vou no sentido contrário dos que pensam que o lugar perde sentido e que as cidades viram apenas fluxos informacionais desprovidas de sociabilidade.ele coloca tudo no mesmo “saco”) modificam as relações espaciais. Bom. 29 de jAneiro de 2008 Passei hoje o dia trabalhando com alguns livros sobre a questão do lugar. antes da popularização da internet e muito editoraplus. o “No Sense of Place”. Como estou falando em “território informacional” e “territorialização”. Estou trabalhando no sentido oposto. Revi. o livro é de 1985. de Joshua Meyrowitz (tinha lido em 1993). a partir de uma bibliografia mais atual sobre o tema.

a circulação automobilística e o editoraplus. aqui próximo). para um café com Rob Shields no centro da cidade. os fantasmas estavam bem aqui perto. Goffman e M.org info 86 . elas são apenas números. como se não houvesse heróis ancestrais.antes do impacto das tecnologias móveis e do surgimento de novas tensões espaçotemporais. quando ele me diz que a duas quadras de onde estávamos se situa o lugar onde McLuhan nasceu. na temperatura e vento glaciais. para serem lembrados. pelo Google Maps. ao mesmo tempo. McLuhan. Sem saber. já que ambos me fizeram companhia nesta manhã gelada de -30 C. e que Goffman também nascera aqui em Edmonton (na realidade Goffman nasceu em Manville. legítimos ou forjados. Não há nenhuma indicação do lugar de nascença de dois dos mais importantes pensadores da sociologia e da comunicação contemporâneas (bom. Talvez seja também sintomático que as ruas não tenham nomes. parece que há agora um projeto para que uma “placa virtual” seja indexada aos locais no futuro). Curioso também constatar como uma cidade onde prevalecem os grandes espaços vazios. Escrevi algumas páginas sobre o tema tendo como companheiros E. Conversávamos sobre minhas leituras e. Tomo coragem e saio. Perguntei se havia alguma placa e a resposta foi negativa. Minha ignorância me levou à surpresa. Interessante ver como personalidades de uma cidade podem ser “esquecidas”. navegávamos em um palm com GPS.

das fronteiras. do espaço público.frio intenso possa ter gerado dois acadêmicos que vão justamente pensar a “ecologia da comunicação” e as relações face a face. a microsociologia do quotidiano. pessoas subindo no palanque. Esse lugar frio e vazio ganhou para mim “a new sense of place”! domingo. andando em Old Strathcona. 03 de fevereiro de 2008 Fronteiras Ontem. editoraplus.. Algumas faixas. Remissão à questão do lugar. das faixas.. encontro uma pequena reunião em praça pública contra a ocupação da faixa de Gaza. dos territórios. um lindo céu azul e um frio de rachar... Veja a foto acima.org info 87 .

Crença de Tizangara no divertido e sarcástico “O último vôo do Flamingo” de Mia Couto (Cia das Letras. em parceria com a universidade e o governo. 04 de fevereiro de 2008 Para começar a semana: “Os factos só são verdadeiros depois de serem inventados”. Um prédio de última geração. QuArtA. 2000).the quietest such space in Canada”.000 square metre building is one of the world’s most technologically advanced research facilities and houses ultra quiet laboratory space . 06 de fevereiro de 2008 Nano World! Visitei hoje o “National Institute for Nanotechnology”.2 million. com equipamentos que dão abrigo a um pool de empresas incubadoras. para os editoraplus. 20.org info 88 .SegundA. O centro fica aqui na Universidade e é um dos mais importantes do mundo em pesquisas na área do infinitamente pequeno. Vejam os dados para terem uma dimensão da coisa: “the $52.

telecomunicação. busca de poder. no nível micro. na inovação científica e tecnológica. medicina. Vimos algumas imagens que são representações e simulações dos fenômenos nano-microscópicos e não pudemos entrar nos laboratórios por medidas de segurança e para não interferirmos nos experimentos. A discussão do seminário ficou centrada (para resumir grosseiramente) na economia política da nanotecnologia. editoraplus. computadores. no domínio da ciência e da técnica sobre o mundo exterior. criação de novas espécies e formas de vida.avanços nas aplicações tecnológicas nesse campo (tecidos. justamente aqui onde nada se vê. mas efetivamente de uma mesma dinâmica tecnológica (a nanotecnologia é a aplicação técnica dos princípios da nanociência). o que a humanidade persegue no nível macro desde a sua existência: transformação da natureza. Aqui a matéria (e o seu status) está em jogo no nível subatômico. A visita foi no bojo das discussões do seminário coordenado por Rob Shields sobre “Visibilidade e Materialidade”. de controle e de consumação desse desejo de “sair de si”.org info 89 . Trata-se de um novo paradigma científico (teorias dos quanta. ou seja. probabilidade – diferente do paradigma mecânico newtoniano). materiais). de fazer.

do potencial. senão processos. It is a process of ‘feeling’ the many data.org info 90 . 07 de fevereiro de 2008 Fatos. Isso pode ajudar a entender a dinâmica sócio-comunicacional das mídias pós-massivas e das tecnologias da mobilidade nas cidades contemporâneas. a potência da concretude das cidades) hoje com as tecnologias móveis? Como a cidade concreta. “sentimos” essas entidades atuais e a própria dimensão do “urbano” (o virtual. o processo das coisas atuais. so as to absorb them into the unity of one individual ‘satisfac- editoraplus. and in potency everywhere (. “eventos”? Como percebemos. It is the principle that everything is positively somewhere in actuality. é subjetivizada na sensação (“feeling”) do urbano e como esse “feeling” influencia os processos sociais e comunicacionais? Deixo algumas citações de Whitehead para finalizar esse dia e sair para “sentir” o que pulsa lá fora! The general principle will be termed the ontological principle. O que são os lugares.). linhas de fluxo. “an actual entity”... do fluxo e dos “afetos”. Each actual entity is conceived as an act of experience arising out of data. Entidades e Sentimentos Passei o dia todo lendo Alfred Whitehead para compreender melhor a dinâmica do atual.QuintA.

1969) QuArtA.) An actual entity is a process. 13 de fevereiro de 2008 Dias muito ocupados por aqui – preparando uma ação de “escrita invisível com GPS”.SUR-VIV-ALL” para amanhã. and it is felt. and is not describable in terms of the morphology of a ‘stuff’”(p. Process and Reality. though in general vaguely. dentro do que o Jeremy Wood chamou.54). Toronto. Here ‘feeling’ is the term used for the basic generic operation of passing from the objectivity of the data to the subjectivity of the actual entity in question. (. o que estamos chamando de “Writing Edmonton .tion’. relatively to a given actual entity as ‘subject’. Every reality is there for feeling: it promotes feeling.. É a primeira ação desse porte por aqui. Estou fazendo o projeto para testar 91 editoraplus. Feelings are variously specialized operations. Collier-Macmillan. effecting a transition into subjectivity. 364) (Alfred North Whitehead. desde o começo dos anos 2000. An actual entity as felt is said to be objectified for that subject” (p. 55) “There is nothing in the real world which is merely an inert fact.” (p. de “GPS Drawing”.org info . are necessarily ‘felt’ by that subject. “All actual entities in the actual world..

textos. “lugar”. como vocês podem ver nas referências bibliográficas.org info 92 .as teorias referentes ao uso das mídias locativas e do uso do espaço urbano. Isso não estava nos planos. Tomei uma decisão importante neste mês e vou passar cinco meses em Montreal como pesquisador visitante dentro do meu programa de pós-doutorado na Faculdade de Comunicação da McGill. e também just for fun! Na próxima semana devo colocar resultados. mas decidi visitar uma outra universidade. Fui convidado pelo colega e amigo Will Straw para ficar no Departamento de Comunicação dessa universidade. como prometido. listo uma bibliografia do que li desde que cheguei aqui na Universidade de Alberta e que desenvolverei nos próximos meses na McGill University em Montreal. Já conheço Montreal (estive lá diversas vezes para participar de eventos acadêmicos). mas nada como morar na cidade para ter uma melhor ideia dessa região particular do Canadá. expandir os contatos e conhecer melhor o Canadá. de oeste a leste. editoraplus. reflexões e mais detalhes no Carnet de Notes. o Québec. Mas para não passar em branco o dia de hoje. “geografia da comunicação” e “mobilidade”. Os assuntos que mais pesquisei foram sobre “território”.

na fronteira do Chad com o Sudão.info/survivall.QuintA. realizado ontem. Vejam o site para terem uma ideia do projeto: http://andrelemos. A ideia surgiu do cruzamento da minha editoraplus. “Survival”. Voltando para casa. vejo no ônibus uma foto de um plano de ataque desenhado na areia. depois de usar uma parafernália tecnológica (laptops. escrita com GPS pelas ruas de Edmonton. palm com GPS. GPS tracker. mapa impresso. Locative Media High Tech versus Locative Media Low-tech ancestral e muito eficiente! SextA. SUR-VIV-ALL. aparelhos de foto e vídeo digitais). Preparando os dados e mapas do projeto SUR-VIV-ALL. tendo como base o livro de Margaret Atwood. 15 de fevereiro de 2008 SUR-VIV-ALL.org info 93 . 14 de fevereiro de 2008 SUR-VIV-ALL e Areias Realizamos hoje o primeiro GPS drawing e mapeamento por “wardriving” de hotspots (abertos e fechados) em Edmonton.

editoraplus. o seu sentido original. no livro “Survival”. algo como um excesso e falta de vida.org info 94 . contra os nativos. línguas oficiais do Canadá. de compreender e sentir seus espaços.leitura do livro de Margaret Atwood. mobilidade e novas tecnologias. o uso dos carros como padrão de deslocamento. “VIVA”.”. é uma forma de ver minha “sobrevivência” aqui. Em inglês “survival”.. Como vimos. tanto da prosa quanto da poesia: lutar contra as forças da natureza. pelo público e comunitário. tentando criar sentidos diversos em francês e inglês. contra os animais. Assim. A palavra “SURVIVAL” foi alterada para “SUR-VIV-ALL”. no fundo. viver clamando a existência. justamente quando sobreviver é o recurso mínimo e último da existência. um imperativo. “Survival”. O que está em jogo aqui é o imaginário da cidade (e do país). além de diversão. Busco aqui. Mas. acrescido do “ALL” que chama por uma dimensão social. e em português. uma forma de me aproximar mais da cidade. minha língua materna. seus lugares e suas dinâmicas. a partir da minha pesquisa sobre mídias locativas.. os espaços vazios. cidade.. Em francês podemos ver ou inferir “SUR VIV(R)E/VIE. Em português.. a autora defende a tese de que a relação com a sobrevivência é um padrão no imaginário da literatura canadense. com as minhas pesquisas sobre mídia locativa. a relação com temperaturas extremas. tive o ímpeto de “escrever” a cidade com um GPS Tracker e de mapear alguns hotspots pelo caminho.

as when the ice storm cuts off the electrical power” (Preface. Abaixo alguns trechos do livro de Atwood: The persistent cultural obsession of Canadian literature.and this is based on numerous instances of its ocurrence in both English and French Canadian literature . p.is undoubtedly Survival. la Survivance (.. 13) “The central symbol for Canada . In actual life. like a primitive reptile (.” (p. p. Fizemos fotos..) a survival can be a vestige of a vanished order which has managed to persist after its time is past. said Survival in 1972. But the main idea is the first one: hanging on. edition 2004. 41) editoraplus. staying alive. assim como os hotspots Wi-Fi) em meio às estruturas aparentes do espaço público..a inviabilidade dos processos eletrônicos (a escrita por GPS é invisível. and it’s a good place now” (Preface. was survival. vídeos que tentam captar essa relação.org info 95 . and in both the anglophone and francophone sectors. this concern was often enough a factor of the weather. mas tendo como fio condutor a relação com o mundo externo..). edition 2004. 8) “The original Survival question was: Have we survived? It was a good place to end in 1972.

. they are always suspecting sone dirty trick. An often-encountered sentiment is that Nature has betrayed expectation.. it was supposed to be different.org info 96 .” (p.” (p.. 45) “Canadian writers as a whole do not trust Nature. 59) Andando na te mpestade. or ‘exploited.“Let us suppose (.. Sobrevivência! Foto tirada du rante o Sur-viv-all editoraplus. or an ‘oppressed minority’.) that Canada as a whole is a victim.

SUR-VIV-ALL.org info 97 . escrita com GPS em 40km de Edmonton editoraplus.

SegundA. O subtítulo da placa é aterrorizante e diz que qualquer atividade suspeita será reportada à polícia e que os vizinhos estão olhando. 18 de fevereiro de 2008 Hoje a “foto do dia” é a placa “Neighbourhood Watch”. O que seria uma atividade suspeita? Quem está olhando? Como essa pessoa que olha julga o que o outro faz? Se eu parar para descansar ou ouvir uma música por algum tempo.org info 98 . presente em várias ruas da cidade e que me dá mais medo do que a suposta vigilância do Google Earth ou das câmeras de vigilância CCTV. Isso em uma cidade com baixíssimos índices de criminalidade. isso seria suspeito? O sentimento de intimidação é grande e talvez até maior do que o sentido com uma câmera CCTV apontada para o espaço público. editoraplus.

editoraplus..Vigilância difusa..org info 99 .

notebooks são todos equipamentos que funcionam como interfaces entre o espaço urbano. Há alguns dias. O regime visual parece estar em parte cooptado pelas estruturas organizadoras do espaço urbano.iPod e Espaço Urbano Mudando de assunto. o espaço informacional e as redes sociais. a pé ou de ônibus.. o iPod é para mim um dispositivo que cria um pano de fundo musical que dá sentido aos lugares. ou netbooks. e crio sempre um ambiente sonoro. Ando muito pela cidade. o consumo musical e o uso do espaço urbano. pela disseminação de editoraplus. um pano de fundo que me coloca de uma maneira especial nos lugares por onde passo. telefones celulares.org info 100 . por painéis publicitários e. Mais do que isolamento. penso na dimensão sonora das cidades e como os dispositivos móveis de áudio fazem parte da paisagem urbana contemporânea. Lembro de determinados lugares ao ouvir determinadas músicas em um contexto totalmente diferente. Os tocadores de MP3. quero fazer uma reflexão sobre a relação entre os tocadores de música portáteis. palms. Os celulares e os palms ampliam ainda mais essa escuta em mobilidade pelos espaços das cidades. principalmente hoje. por exemplo.. ou celulares com esta função. É difícil andar na rua. entrar em ônibus ou metrô e não ver alguém com um mp3 player (ou ainda os “enormes” CD Players).

Reimagining the Urban” para uma análise mais detalhada. em mobilidade. o imaginário. Até então. As cidades são controladas. imaginação a partir de diversas formas de escrita (arte. “Cities. individual e fechado. Um post do “Brooklyn Record” mostra um projeto de lei que visa regular a forma de escuta sonora no espaço urbano: quem for pego atravessando a rua com um dispositivo móvel (para o que nos interessa aqui. Mas o que dizer do som? Não seria o som uma zona de escape ainda sem controle? Bom. o regime sonoro.org info 101 . celular. Há diversas maneiras de escapar já que a “governamentabilidade” (Foucault) não é nunca totalizante: produção de experiências corporais e de desejo. a leitura aberta da mídia e hoje a internet. ou outro) poderá ser multado em US$ 100. nem tanto.00. mas são também zonas de escape já que essa governamentaeditoraplus. Tudo é visto e esse regime de visibilidade torna-se uma forma de controle sobre o outro e sobre a administração da “res publica”.ver o excelente “Paranoid Park” .ou o “parcour”. o skating . mídia). Vimos acima o “Neighbourhood Watch” como mais um exemplo nesse sentido. mas também práticas juvenis de uso e de temporalidades diferenciadas do espaço como o graffite. ouvindo um tocador de música .iPod. não era regulado (há apenas os limites do aparelho) e permitiam formas de escape da programação das cidades. Vejam Amin e Thrift.câmeras CCTV e toda uma parafernália panóptica de vigilância visual como sensores os mais diversos.

Algumas formas de uso do espaço com as mídias locativas. regimes noturnos. Por exemplo.bilidade não atinge todos os seus recônditos (lugares onde leis e regulamentos não funcionam.. Se esquecer o iPod. Walkman. produção livre de conteúdo com geotags e mapeamento.). eu volto. É como se marcássemos um território (informacional?) controlando a “trilha sonora” da deambulação quotidiana. na “paisagem”. como venho mostrando no meu Carnet. novas (re)territorializações: anotações urbanas. criando texturas não só sonoras. acho mesmo que corro para ouvir música! E quando saio e vou para a rua resolver coisas. GPS drawing. Isso me dá uma dinâmica para o exercício e uma forma de percepção do espaço a minha volta. criando sentido de lugar. já que me é quase impossível correr e andar sem o pano de fundo sonoro. smart e flash mobs. iPod. Na realidade.. criam temporalidades e usos fora da norma do espaço urbano. etc. mas visuais. E o iPod nisso tudo? Podemos dizer que os dispositivos móveis de produção e reprodução sonora são também criadores de zonas de escape. ao mesmo tempo que criam um isolamento em um bolha acústica. location-based mobile games. apontam para uma inserção sensível no ambiente visual. muitas editoraplus. como uma escrita cognitiva do espaço. quando me exercito. às vezes intercalo andar e correr de acordo com o tempo da música que toca no meu iPod..org info 102 .. Rádio de pilha. como produção social.

de criar uma zona de escape ao lugar instituído. olhar e sentir. sensação e percepção do espaço ao meu redor. essa prática muda a minha relação. Todos que usam iPod (ou outro equipamento similar) têm essa mesma sensação. A música que toca no meu MP3 me lembrará para sempre de Castle Downs. editoraplus. para ter uma outra imersão no ambiente a minha volta.org info 103 . E o meu lugar aqui é um “evento” (Thrift). ao norte da cidade (a parte mais ao norte que fui no planeta). fico pensando em qual seria mesmo o objetivo e o prazer de andar ouvindo música senão o de re-significar o espaço. Visitando a bela região de Castle Downs.distanciamento e olhar como “testemunha” -. de sentir e ver os lugares e as pessoas de outra forma. de criar o meu sentido de lugar. vi um imenso lago congelado e este carro de supermercado engolido e congelado pelo lago. não a imobilidade ou a base de um enraizamento ou isolamento. Algo remete aqui ao espetáculo .vezes vou sem o iPod. Ou seja. e é regência ao controle da paisagem externa por uma mistura fluida de ouvir. O que sentimos quando dobramos a esquina e nesse momento toca “aquela” música? E se for uma outra? No fundo.

org info 104 .Carrinho em lago congelado editoraplus.

passeando por Chinatown em Edmonton. é interrelação! editoraplus. marcando uma convivência pacífica de diferenças (o mesmo acontece em Vancouver. chips de jaca. uma variedade de coisas inacreditável. lagostas vivas. pessoas falando mandarim e comprando coisas que eu não tinha a menor ideia para que servia.Por falar em supermercado.org info 105 . Smith. em paz. como a italiana e a chinesa! Lugar não é função. A presença oriental é marcante por aqui (tanto que em uma estatística recente os nomes mais populares da cidade são. Toronto e outras cidades canadenses). na ordem.. encontrei coisas interessantíssimas no mercado chinês: manga ressecada. ovos rosa e ovos de patos negros. ontem.. Lugares intercruzados de territorialidades bem marcantes. Lee e Wong!) e o bairro se mistura com “Little Italy”. mas embaladas em plásticos.

Edmonton. 2008 editoraplus.Mini auto-estrada. Winter.org info 106 .

Situacionistas. mas em cidades dominadas pelos automóveis e transportes rápidos. é sempre bom estimular a deambulação sem objetivo. Flâneurs. mobilidade física e informacional.QuArtA. Walter Benjamin. editoraplus. desenvolvendo Location-Based Mobile Games. artistas desenhando e escrevendo com GPS. Elas adquirem maior importância no século XIX e no século XX. a mobilidade física acoplada à informacional. com a expansão dos meios de transporte e de comunicação surgem novas configurações hoje com as tecnologias “móveis”. como forma de apreensão do espaço e como forma de produção de sentido.. Todos esses personagens e processos colocam em evidência o andar como arte.. Não devemos romantizar muito as figuras do stroller ou do flâneur. Locative Media. pela primeira vez de forma mais radical. 20 de fevereiro de 2008 Baudelaire. Michel de Certeau. Pensem na radicalidade de trocas de SMS: textos fluindo. indo e vindo de emissores móveis de e para qualquer lugar do mundo.org info 107 . Cidade e mobilidade são questões centrais para a comunicação. criação de lugares. que aliam. ou a potência das mídias locativas. territórios.

os telefones celulares. sobre usos e estudos de recepção. me des-locar. Não se trata de um “non sense of place”. os jornais. a fotografia. Trata-se. mas muito pouco na relação entre comunicação e mobilidade tendo como ponto de partida a “geografia” das relações sociais e as configurações do espaço urbano. No entanto. de mobilidade (informacional/virtual) quando falamos em comunicação. Os estudos de comunicação têm investido em análises sobre localização de empresas de comunicação. O “des-locar” aqui não é a negação do lugar. a TV.Strollology . e hoje a internet. do “topus”. Podemos dizer que o telégrafo. mas de editoraplus. pelas informações). o cinema. o telefone. configuraram e continuam a configurar o espaço urbano. todo processo de comunicação implica movimento: saída de si no diálogo com o outro. A mobilidade é o que me permite ir de um ponto a outro (fisicamente ou virtualmente. sobre as funções noticiosas e locais das mídias. transporte de mensagens sendo carregadas por diversos suportes. E a mobilidade virtual tem impactos diretos na mobilidade física e na constituição do lugar.org info 108 .Caminho feito por transeuntes fora da racionalidade do trajeto proposto pelos urbanistas O que temos aqui são duas dimensões fundamentais da mobilidade: a mobilidade física e a mobilidade virtual/informacional. efetivamente. mas a sua ressignificação.

Walking.um “new sense of place”... o documentário de Patrick Keiller. an ‘intervention’. O autor faz uma relação entre o documentário de 1988 sobre Richard Long.. (. ‘After reading today’s post on your blog’. (. from trains through cars to GPS. and from Minimalism to Land Art. an exploration. “Robinson in Space” e o livro (que aconselho a leitura por ser muito bom) “Walkscapes: Walking as an Aesthetic Practice” de Francesco Careri. Post do blog “Click Opera” retoma essa discussão. sociologist. we get a complete history of subversive forms of walking as well as an aesthetics of perambulation: ‘From primitive nomadism to Dada and Surrealism. (.a kind of alienation from alienation. in particular. he said.) A blend of sociology and urbanism. has alienated our perception of the landscapes we move through. even a sort of politics. it deals with human perception and its feedback into planning and building. a way to approach urban planning. a situation.. ‘I thought you might be interested to see that gaming / walking activity has reached Loughborough. It is interesting to see how editoraplus.) The other mail I received yesterday was from Nick Slater.) German Wikipedia tells me that strollology is a perfectly serious science founded by the late political economist. this book narrates the perception of landscape through a history of the traversed city’. walking gives you a certain perspective on landscape .. might be an adventure. Also called Spaziergangswissenschaft (knowledge about moving through space). In Careri’s case..) The way. “Stones and Flies: Richard Long in the Sahara”. in these films and books.org info 109 . o filme de Andrew Kotting. from the Lettrist to the Situationist International. art historian and planning theorist Lucius Burckhardt in the 1980s at the University of Kassel.. “Gallivant”.. strollology attempts to correct the way technical progress. director of arts at Loughborough University. a way of making art and architecture. Vejam trechos: (.

walking practice has taken on a new life with the advent of locative media. (…)”.org info 110 . caminho Marcas do GPS no nff de Calgary para Ba editoraplus. Roam: A Weekend of Walking (March 15th to 17th) has tried to combine the two and have feet in both camps’.

E isso no meio das montanhas. Abaixo foto do Banff Centre. Chego no hotel e há cinco conexões wireless...org info 111 . No mapa algumas fotos.. com uma aberta. Hypercity!. no começo de março. Ao chegar em Banff aproveito para preparar duas conferências para a semana que vem.SextA. no Departamento de Sociologia e outra no MediaLab Prado em Madri. 22 de fevereiro de 2008 Saio de Edmonton e vou passar uma semana em Banff conhecendo a cidade e o Banff Centre. editoraplus. uma na Universidade de Alberta.. Parte do projeto “ciberflânerie” do meu Carnet de Notes. Acima meu percurso hoje de Calgary a Banff e depois em Banff a pé.

Banff Centre editoraplus.org info 112 .

23 de fevereiro de 2008 Banff e-history Estou no Banff Centre (free wireless em todo o complexo). Conversando com pesquisadores do Media Lab de Banff. dando suporte a pesquisadores e artistas interessados nessa temática.org info 113 . acabo de tomar conhecimento de um projeto com mídias locativas e crianças de sete turmas da escola pública de Banff. O projeto tem como finalidade produzir (pelas crianças) conteúdo sobre a história da cidade utilizando GPS editoraplus. teatros. E tudo isso cravado nas montanhas do Parque Nacional de Banff.SábAdo. com especial interesse no Mobile Lab. auditórios. Vou visitar amanhã ou na segunda-feira o Banff New Media Institute. O Mobile Lab tem vários projetos com mídias locativas. etc. centro de convenções. um dos mais importantes centros de produção e reflexão em arte e novas mídias do Canadá e do mundo. A infra-estrutura é fantástica com vários laboratórios. sala de recreação e ginástica. O Centro é na realidade um grande campus. hotel. O objetivo é histórico e pedagógico. O projeto “Banff e-History” começou em setembro de 2007 e será apresentado na próxima primavera. piscina.

gerando conhecimento do espaço físico real da cidade. Os áudios gravados tocarão automaticamente nos telefones celulares quando nas localidades. conexão Wi-Fi. mesas. escolhem um “hotspot”.e telefones celulares. cozinha. domingo. em duplas. Aproveito para conhecer o lugar e conversar com algumas pessoas. impressora. marcam sua localização com um GPS e escrevem e gravam o que acharam de suas pesquisas sobre o lugar. E isso tudo no meio do bosque. banheiro. de sua história e produzindo conhecimento (escrito. Vemos aqui uma interessante aplicação usando mídias locativas para a educação criando uma experiência de primeiro grau. visual. ao chegar ao atelier. Bom.. varanda. sofá. 24 de fevereiro de 2008 Estou no Banff Centre trabalhando em um estúdio para residências. nos deparamos com uma interessante e assustadora nota editoraplus. mas não é permitido dormir aqui. em um lugar exuberante. Os estúdios são cabanas completamente equipadas: computadores. As crianças.org info 114 . Só não tem paz de espírito e inspiração aqui quem não quer.. sonoro) que fica no ciberespaço e que circula nos telefones celulares.

Vejam a nota que traduzo livremente para o caso de você encontrar um urso: Se encontrar um urso: 1.org info 115 . pumas ou ursos. fique parado o máximo que puder. se prepare para um blefe defensivo ou “woofing” (!!!) 5. fique calmo (????) 2. pegue o seu spray anti-urso e faça movimentos lentos (cadê o meu???) 4. não olhe nos olhos dele (!!!!!) 3. qualquer movimento pode induzir a um ataque. ande para trás devagar e NUNCA corra (????) 5. editoraplus.explicando como proceder se formos atacados por alces.

Se for atacado: 1. mãos na nuca e pernas abertas (como se for detido pela polícia!!!!) 2. eles estão hibernando. vou chamar um segurança para voltar ao Centro pois já é noite! editoraplus. no inverno. estou tranqüilo e já sei como agir! A única segurança é que agora.org info 116 . Mas. de qualquer forma. deite-se no chão com o rosto para baixo. se o ataque durar mais que alguns minutos (??????) prepare-se para contra-atacar (???????) para mostrar ao urso que você não é uma presa fácil (???????) Agora sim.

org info 117 .).SegundA. Fiquei o dia todo lá. como já reportado aqui. um pedagógico. Circulei com o diretor Jim Oliver e depois me concentrei no Mobile Media. etc. à tarde trabalhei no artigo e apresentações dos próximos dias e visitei o “Mobile Lab”. o editoraplus. cave de RV. print media. O BNMI tem laboratórios de primeira nas mais diversas mídias (áudio. TV. Conversei com o Senior Mobile Researcher Angus Leech que falou sobre os projetos em andamento. O “Banff New Media Institute” (BNMI) fica em um dos prédios mais modernos do Campus. 25 de fevereiro 2008 Mobile Lab. Os ângulos se integram como parte das montanhas e a transparência dos vidros dá uma sensação de imersão no ambiente. cinco pessoas trabalhando e equipamentos usuais. vídeo. com crianças da escola de Banff. O “Mobile Lab” não tem nada de especial: uma sala. o Banff e-History. com uma arquitetura que valoriza ângulos e transparência. De manhã visitei o “Banff New Media Institute”. Banff Conforme previsto. visitei hoje o “Banff New Media Institute” e o “Mobile Lab”. Os projetos são basicamente três.

Para finalizar. Todo o uso de celulares nos projetos vem dos programas desenvolvidos e de hacks da equipe. 28 de fevereiro de 2008 De volta a Edmonton e preparando a viagem para Montreal. Reclamei que há pouca informação no site e pedi relatórios. locative media e mobilidade.org info 118 . Por enquanto. O Lab desenvolve também software open-source para celulares. e um mais técnico. Há planos de trabalhos com sensores para colher dados localizados do ambiente. Angus ficou de me enviar os documentos e de atualizar o site. O interesse do “Mobile Lab” está na relação natureza.“Trackline”. que usa GPS e celulares para produzir conteúdo sobre o fantástico ambiente ao redor. pesquisadores e artistas integrados com outras áreas do Campus. Há trabalhos. só os celulares utilizados nos projetos podem acessar os conteúdos gerados. SextA. de desenvolvimento de aplicativos para celulares. uma lista de coisas que gosto e que não gosto em Edmonton: editoraplus.

Gosto O fantástico céu.org info 119 . Priscila Magaldi Neto. Pessoas simpáticas e que puxam conversa a qualquer momento. Sophie. amarelo. Bodhana. A família Shields. Rob. Tranquilidade e mistura de cidade provinciana com metrópole. Sony e Priscila Sung. hub. A Ravine. vermelho. biblioteca. azul. office. editoraplus. Esquiar e patinar. A estrutura da University of Alberta. Alice em Edmonton.

meu apartamento em Edmonton. steaks fantásticos. Jasper Avenue. editoraplus. escrever e pensar. Tempo para ler.org info 120 . White Avenue.Rocky Montains. Café Java na Jasper Ave. Café Dabar na White Ave. do início ao fim de linha. Meu bunker . Passear de ônibus em Edmonton. onde produzi muito. A carne de Edmonton. tranquilo. O “nosso” simpático motorista de ônibus do trajeto Shopping para Casa. Banff e Jasper. Croissant e cereais Fiber 1: Grappes aux Miel no café da manhã.

Andar pela cidade em um frio infernal. Não Gosto Transporte público: ônibus e apenas uma linha de metrô.org info 121 . juntas. que não lembro o nome!. Cinnamon Buns nos cafés. Galeria Latitude 53. Bar/Resto perto da U of A.Conexão de 10MB à internet em casa. Little Italy e Chinatown. Jornais culturais gratuitos. editoraplus. Hockey na TV.

Ter que ter dinheiro contado e certo para o ônibus. Comprar bebidas alcoólicas apenas em lojas autorizadas.org info 122 . editoraplus. preços e aparelhos de telefone celular.O frio chegando a – 40C. A apologia dos grandes carros. Barulho na tubulação do meu apartamento devido à “thermal expansion”. Os serviços.

org info 123 .montreAl Paisagem urbana em Montreal editoraplus.

A blogosfera não pára de crescer e me sinto orgulhoso em participar dela. a televisão na era da rede.domingo. A edição de hoje destaca muitas matérias sobre IPTV. editoraplus. e parto para Madri onde participo como palestrante do “2nd Inclusiva-net Meeting: Digital Networks and Physical Space”. cansado. passei algumas horas em Heathrow zanzando. no MediaLab – Prado. que começou ontem à noite. e uma nova série na BBC1. London Bridge.org info 124 . 02 de mArço de 2008 Acabo de chegar em Montreal. buscando conexões Wi-Fi (todas fechadas ou por assinatura) e li todo o “The Guardian”. ou seja. em março de 2001. E lá se vão sete anos!!! Hoje. depois de um belo sobrevôo sobre Londres a caminho de Madri (com excepcional vista do Palácio de Buckingham. Quando comecei. a imensa roda gigante na beira do Tâmisa e a Swiss Re Tower). Parlamento. ITV. como os blogs são hoje uma realidade incontornável em muitas áreas. Mas não poderia deixar de marcar aqui hoje os sete anos do meu blog Carnet de Notes. que era uma moda e que passaria rápido. não havia muitos na área de comunicação e muitos me diziam que eu não iria atualizar. Big Ben. Não só estou a cada dia mais ligado a essa prática.

ID-card. comercial e industrial desde o século XVIII. políticos ou policiais. de localização e cruzamento de informações. As mídias locativas podem ser. policial. ligações telefônicas. análise de DNA. é necessário o reconhecimento dos novos territórios informacionais.. na ficção o cenário é jus- editoraplus. iris scan. A série faz um cenário hiperbólico da situação atual da GB. CCTV. Trata-se de um cenário orwelliano. movimentos.. prolongando a vigilância estatal. ferramentas de invasão da privacidade e de violação do anonimato para fins comerciais. e os que vigiam sabem sobre nossas compras. Não é por acaso que estes serviços e tecnologias surgem de pesquisas militares. Empresas e governos têm utilizado essas tecnologias para a coleta de dados pessoais nem sempre realizada com o conhecimento ou o consentimento do cidadão. militares. vehicle tracking.org info 125 . Como na realidade.. militares. o país com o maior banco de dados de DNA do planeta e o mais controlado por câmeras de CCTV. efetivamente. O novo regime “invisível” dos bancos de dados. comerciais) que possam violar seus direitos. pervasive remote sensor. no qual todos são vigiados por bancos de dados.“The Last Enemy”. de monitoramento de perfis de consumo e dos movimentos pelo espaço urbano crescem na mesma medida que a liberdade de locomoção e de acesso/ distribuição de informação.. Para uma ação efetiva que proteja os indivíduos de sistemas de vigilância (estatais.

tificado em nome da segurança pública. Na entrada. computadores e infra-estrutura de rede. já que o risco de ataques terroristas é grande. imagem virtual é aquele projetada em um espelho) em tempo real. Um bunker vasto com mesas.org info 126 .Estou agora no MediaLab . mas vale a pena ficar de olho! terçA. 04 de mArço de 2008 MediaLab Prado . na Plaza de las Letras. O prédio fica em frente ao Museo del Prado. de Clara Boi e Diego Diaz (Valencia. A obra chama-se “AR_Magic System”. editoraplus. dando a impressão de um espelho. Na chegada já entramos na “hiperrealidade”. Simples e com ambiente de laboratório mesmo. Não sei se há previsão de passar no Brasil. mas não é reflexo e sim projeção de imagem “virtual” (em ótica. Espanha) e foi feita no workshop Magia e Tecnologia no Interactiva 2007. um sistema com uma câmera que capta a imagem do visitante e projeta em uma tela em frente.Prado Madrid.

org info 127 . Madri editoraplus.Media Lab Prado.

da luz. criando uma atmosfera entre ficção científica. Tentei voltar para dormir. Desisti e liguei a TV para ver se o sono me pegava. O filme ganhou a segunda edição do DIBA (Festival Digital De Barcelona) como melhor longa metragem e como melhor direção.SextA. com o projeto Manhattan. Há uma narradora (acho que a filha do fotógrafo Santiago Bergson. França. EUA e Alemanha.. da guerra. Há imagens da Áustria.org info 128 . fui pego pelo documentário/ficção “La niebla en las palmeras” (2005). 07 de mArço de 2008 La Niebla en las Palmeras Não sei se é o fuso horário ou algum jogo do acaso. que passava no Canal+. através da fotografia. através da física quântica. da memória e do desaparecimento. colocando em relação a potência da ciência. Um belíssimo filme. Cuba. dos registros pessoais. ao contrário. que colaborou com o projeto Manhattan) que vai descrevendo sua perda de memória. mas. acordando às 4h da manhã. seu desaparecimento junto com o das editoraplus. O filme vai intercalando fotos de 1900 com imagens caseiras dos anos 20 e filmes da Segunda Guerra Mundial. sem sucesso. mas quase não dormi esta noite. documentário e poesia. entre ficção e realidade..

org info 129 . O filme mostra películas que vão se deteriorando com o tempo onde só se vê a luz do projetor. meus registros. Fiquei achando que acordara para ver esse filme. mais memória.imagens.). só luz”. no que ela chama de “luz devoradora de tempo. La Niebla en las Palmeras es una película histórica/ científica/ ficticia.... Algo meio onírico. minha memória. Tres conceptos que están presentes a lo largo de toda la obra. ao mesmo tempo em vigília e sonho. No site do filme podemos ler: La Niebla en las Palmeras es probablemente la primera película cuântica de la historia del cine: un documental experimental que tiene como elementos la memoria.. Comecei a enxergar palmeiras através da neblina do tempo. la ciencia y las imágenes. no me interessa más!”. la historia. Em algum momento a narradora diz: “para que servem as imagens se não para salvar o homem.. fragmentado. coisas sobre minhas fotos antigas. com imagens e sons que iam brincando com o meu estado.”. (. mesmo sem saber. que ele me salvaria dessa noite mal dormida e que me daria coisas para pensar... e que nem sei onde estão... O amarelado do desgaste do tempo daquelas imagens ativou o amarelado dos registros da minha memória (minha infância. minha família. Ela diz mais adiante: “el futuro esta demasiado lejo.) Não há mais foto. “Revi” fotos antigas que não me lembrava mais. Neblinas! O que aconteceu efetivamente. minha cidade de nascença. unidos como los editoraplus..

. e a indiferença entre eles. cuidadosamente manipulada. Mudei de canal e passava “Walking Life” (2001). un relato sobre la guerra como destructora de los recuerdos y sobre la ciencia como un arma de doble filo.quarks.. filme também forte em imagens. vigília.. por lo tanto..org info 130 .. sobre la Historia como Ficción. Aquilo era um pouco demais para as 5h da manhã. la utilidad y la manipulación de la Historia. una película que investiga la utilidad y la manipulación de las imágenes y. E acabou. siempre peligrosa y a menudo utilizada de modo destructivo. una historia sobre las fotografías como sustitutas de los recuerdos y sobre los recuerdos como sustitutos del amor. Por este motivo La Niebla en las Palmeras es una película fundacional. sonhos. resultado de dos años de montaje de imágenes. un ensayo fílmico de rigurosa cienciaficción. (…)”. la película está plagada de emoción porque La Niebla en las Palmeras es también una historia de amor. una película sobre la historia de la ciencia. Fiquei assustado. editoraplus. (..) Además de una investigación arriesgada. partículas elementales que no pueden ser separadas. Desliguei a TV e fui para a rua para saber se estava mesmo acordado. e também sobre sono. embora em outro registro.

sentado em uma Taberna (La Mina) e pego várias conexões. e outros.SábAdo. Andando pelas calles de Madri não é difícil achar conexões Wi-Fi abertas. começam a ter um outro sentido para mim. 08 de mArço de 2008 Madri Wi-Fi. mas tenho do meu quarto duas redes abertas e uso esse “território informacional” para me conectar sem passar pelo controle do hotel. para além do circuito turístico. Agora mesmo estou no meio da rua. A Taberna não é mais apenas um território lúdico e gastronômico. com acesso que me faz aderir a determinados lugares. vendem o acesso a 12 euros por 24h. Cidade desplugada. Este. O território informacional das ruas redefine certamente os lugares. digital. mas também informacional. No hotel onde estou.org info 131 . de onde estou blogando agora. duas abertas. editoraplus.

org info 132 .... editoraplus. Andando.Rastros de Madri: mais uma ciberflânerie com GPS tracker..

Norte? mercado Perdido no em Madri

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domingo, 09 de mArço de 2008
Eleições Espanholas Hoje tem eleições na Espanha. Neste domingo, realizam-se as eleições gerais, inclusive para Presidente do Governo. 30 anos de eleições desde 1977, quando os espanhóis puderam, pela primeira vez, votar em seus representantes. Até agora, 14h, (segundo o jornal El País) o índice de participação situa-se em 40%, baixo, mas parece o normal historicamente pelo horário. Saio às ruas e, surpreendentemente, muito diferente do Brasil, não vi nada, nada de boca de urna, de panfletos, de sujeira, de faixas, nada. Literalmente não vi nada e um turista desavisado nem sabe que está se desenrolando uma eleição geral aqui. Incrível. Um domingo normal, parece. A partir das 21h, podese saber do andamento da contagem no site http://www.generales2008.mir.es. Os espanhóis votam em urnas clássicas, embora já tenha havido experiências com voto eletrônico, inclusive pela internet, mas apenas para teste. Não haverá teste esse ano e o voto eletrônico encontra na Espanha uma barreira legal já que ainda não tem validade jurídica. Conta-se na mão e coloca-se os dados em 11.000 PDAs que enviam
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os dados por redes sem fio (GPRS, em canal seguro) a computadores para compilar os dados. No entanto, os cidadãos espanhóis poderão acompanhar o resultado da contagem dos votos por dispositivos móveis, enviando mensagem de texto “elec-con” e/ou “elec-sen” ao número 7743. Volto ao hotel, durmo e vou ao aeroporto para iniciar a minha volta para Montreal, mas as coisas não foram tão fáceis. Tormentas. Tormentas. Tento sair de Madri, mas não consigo. Tempestade e ventos fortes em Londres fecham Heathrow e tempestade de neve do século em Montreal me mantém aqui. Vou ao aeroporto, mas volto, pois os vôos para Londres foram cancelados. Volto ao hotel e não sei quando viajo... Cansado e irritado, olho pela janela do quarto e vejo “piernas a la ventana”... Para manter o bom humor. Saio para jantar em um restaurante cubano e acho essas inscrições bem conhecidas na parede. Ligo para a agência e consigo um vôo via Frankfurt de madrugada. Agora sim, saio do hotel de Madri de volta para Montreal...

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Restaurante cubano em Madri. Na parede, inscrições bem conhecidas: “Yemanya. Olokun, Ache”!

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Chegando, encontro esse cenário na porta da minha casa na Rue de Bullion.

Montreal, Ru

e de Bullion

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SegundA, 18 de mArço de 2008
Hoje, no cardápio, política e internet e a obra e vida de Louise Bourgeois. Primeiro assisti à conferência de Darin Barney, “One Nation Under the Google”, na McGill sobre a dimensão política da internet. Barney retoma a questão da politização da tecnologia e do potencial, ao mesmo tempo democrático e desagregador, das novas tecnologias. Ele reconhece que a Internet oferece ferramentas para o exercício da cidadania e do ideal democrático sem precedentes na história das mídias (o que venho chamando de funções pós-massivas), mas que também, pelo determinismo e pela busca da neutralidade do desenvolvimento científico e técnico, pode levar a uma despolitização e a uma aderência cega aos novos dispositivos sem questionamento, sem crítica. No fundo, o que ele propõe não é algo novo, mas levar em conta que a ciência e a tecnologia são ideologias (Habermas) e que, por isso mesmo, devem ser objetos de questionamento político desde suas bases: por que esse sistema operacional e não outro? Por que a disseminação de câmeras de vigilância? Por que esse sistema de TV digital e não outro? Por que esse tipo de celular e esse uso das redes? Na maioria dos países (ele citou casos de exceção na Dinamarca), estas questões são deixadas nas mãos dos tecnocratas, já que são “técnicas”. No entanto, elas são sempre políticas e
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“CosmoCoca”.atingem os cidadãos que.ou seja. devem ser capazes de exercer um julgamento sobre a coisa pública. De qualquer forma. informativo. nas mãos da burocracia estatal. mas muito bom. sem ser didático e buscando cumplicidade ao se aproximar da sensibilidade da artista. mas com ideias. consegue fazer de sua vida uma obra de arte e vice-versa. Festival International du Film sur l’Art. No domingo assisti a avant-première mundial do documentário sobre Louise Bourgeois.org info 140 . com humor. mas não sei muito qual a relação. Um excelente documentário. the mistress and the tangerine” (EUA. dos cientistas e dos engenheiros. Saí apaixonado por essa senhora com mais de 90 anos que. sarcasmo. nessa posição. ironia e muita simplicidade. Ela diz em determinado momento que arte não tem nada a ver com materiais (e olha que ela é uma escultora!). o documentário é longo. 2008) no FIFA. A sua obra é uma depuração de sua própria história de vida. com emoções e com sentimentos. Lembrei muito de uma exposição do Hélio Oiticica. No release do filme podemos ler: editoraplus. “Louise Bourgeois: The spider. Ele investe na máxima heideggeriana de que a técnica não deve ser vista apenas como um instrumento neutro e defende a ideia de que recusar ou aderir sem crítica ao desenvolvimento tecnológico leva ao mesmo erro: deixar a técnica ao seu próprio ritmo .

à política e. de universidades editoraplus. and Europe. claro.org info 141 . and her work in museums in the U. she became the first woman to be honoured with a major retrospective at New York’s Museum of Modern Art. de “web-filme”. at her Brooklyn Studio. no seminário colaborativo entre o Centre for Research on Intermediality (CRI) e Media@McGill. she is magnetic. e ao novo papel dos internautas. professores. she describes the ritualistic processes by which her memories become embodied in sculptures and installations. à narratividade. ao meu ver. principalmente. she has created some of her most potent and persuasive work. mestrandos) travando discussões sobre as novas mídias e. com vários pesquisadores (recém doutores. à censura. but always on her own powerfully inventive and disquieting terms. As an artist she has been at the forefront of a succession of artistic developments. Bom mesmo foi ver a integração de dois grupos de pesquisa. por fim. erradamente. While revealing her childhood sources of pain. A partir daí. e também aos gêneros audiovisuais.0. There is no separation between her life as an artist and the memories and emotions that affect her daily life. In 1982. apareceram questões ligadas à cidadania. The directors filmed the artist frequently between 1993 and 1998. Bom ambiente e discussões estimulantes.(…) As a screen presence. E hoje.S. A ênfase hoje foi no YouTube e no que eles chamam. Ambiente descontraído e produtivo. a Web 2. at the age of 71. participei da discussão “Webfilm and Citizenship”. whose aggressive magic the camera explores”. à linguagem das novas mídias. mercurial and emotionally raw. In the decades since.

. Isso pode servir de lição para nossos grupos no Brasil que têm grandes dificuldades de relacionamento. fotografia. Ao entrar na sala. fotos e diversos cacarecos evocando questões relativas às mídias e à comunicação em geral: periódicos. perspectivas. paisagem. “Nothing Can Separate US (When the Wheel Turns. e do britânico Darren Almond. Uma sala inteira com uma grande roldana propondo a ideia de sinos de igrejas e um conjunto de espelhos. pedaços de jornais. 20 de mArço de 2008 Conceptual Art Exposições interessantes no Musée d’Art Contemporain de Montréal. De Farmer. Ao ligar para o núeditoraplus. ouvimos sons e depois percebemos um post-it com um número de celular. Gostei principalmente do trabalho do artista canadense Geoffrey Farmer. destaco a instalação. participarem juntos de um mesmo debate. quadros. Why does a Pot Emerge?)” de 2007. em Londres. QuintA. apresentada primeiro na Tate Gallery.org info 142 .diferentes. cinema.. que falam línguas diferentes. de Vancouver.

A vídeo-instalação mostra a tensão entre mobilidade física (transportes. nas duas outras telas. entoando mantras minimalistas que dão o ritmo e criam a trilha sonora da instalação). Essa instalação me levou a pensar mais uma vez como a mobilidade está sempre atrelada à imobilidade. que faz parte da exposição “Une image sonore”. mantras que se repetem. uma parece ser condição necessária à outra. paisagens que se desenrolam diante de nós – o espetáculo) e mobilidade imaginária. entramos em uma sala com três telões mostrando no centro monges tibetanos sentados. Dubbed the Celestial Road. um celular na sala recebe a ligação e aciona uma colher que bate em uma panela como um sino. mostrando movimento e. de 2006. China. sentados no centro. imagens de trens e de paisagens gravadas a partir dos trens. Nessa instalação. participa dessa tensão: mobile imobile. sentado ou em pé.org info 143 . Em jogo a comunicação humana e a condição de conexão permanente: “what can separate us”? Interessante também a vídeo-instalação em HD (high-definition) de Almond. entoando cantos.mero indicado. O público. the track crosses the Kunlun Shan mountain range. e. and Lhasa. informacional (os monges imóveis. No fundo. redes de estradas de ferro. Podemos ler no catálogo: In the 2006 work In the Between. “In the Between”. ao mesmo tempo. which forms a natural boundary along the northern edge of the Tibetan editoraplus. Tibet. Almond follows the new railway line between Xining. a repetição.

According to Chinese authorities. compro o livro “Le gout de Montréal”. for many world observers. Michel Tremblay. it poses a threat to Tibetan culture and identity. coleção de pequenos textos organizados por Marle-Morgane Le Moël (Mercure de France. Its construction sparked controversy. sans doute injustifié (Dieu merci. Je laisse mon ombre à Paris. que les choses se trouvent où elles sont par la tyrannie des besoins et le calculs des avantages (…). La realité balance entre deux chimère: ce qui n’est déjà plus et ce qui n’émerge pas encore”. sous belle guarde. et je déambule rue Sainte Catherine. who is credited with authorship of the Bardo Thodol or The Tibetan Book of the Dead.plateau. (. The chanting of the prayers and the sound of the Tibetan horns. Destaco agora esse trecho de Alain Gerber: C’est un rare privilège que d’être délivré de son ombre. transparent. incognito à mes propres yeux. Jacques Chartier. however. drums and bells give the work a remarkable acoustic dimension”. In a threescreen projection. j’éprouve le sentiment.. la passion est injuste). Na saída. the train is helping to bring Tibet out of its isolation and to encourage its development. editoraplus.) Ailleurs. entre outros.org info 144 .. Montréal sait ce qui lui reste à faire. the 14-minute work juxtaposes images of the train and the landscapes it crosses with scenes shot at the Samye monastery. founded by the Indian guru Padmasambhava. 2008) sobre a cidade pela pluma de escritores como Stefan Zweig.

a reconfiguração das mídias. “Technology and Environment” (publicado originalmente em “arscanada”. The Group of Seven. A obra reproduz um artigo de McLuhan de 1967. 105. Ele mostra como a escrita retoma a cultura oral. mas não só) toma por conteúdo as velhas formas e conteúdos das tecnologias anteriores. representação e dominação da natureza. que cada nova tecnologia (de comunicação. The Expression of a Difference. nesse pequeno e instigante artigo. pintou as paisagens do Canadá. a arte tecnológica.Wilderness e McLuhan Semana passada. O belíssimo livro conta a trajetória do “Grupo dos 7”. fomos ao lançamento do livro “Beyond Wilderness. editado por John O’Brian e Peter White (com quem tive a oportunidade de jantar e conversar depois do lançamento). p. Aqui vemos a conhecida máxima: “o meio é a mensagem”. and Contemporary Art” (McGill University Press. Canada Identity. 1967). que nas primeiras décadas do século XX. 5-6. Extensions of Technology. O livro tem sete capítulos em torno de temas como “What’s canadian in canadian landscape?. Wilderness Myths. 2008). February. a convite do Will Straw.. a impreneditoraplus.. Ele propõe. Context and Controversy. n. criando tensões entre identidades.org info 145 . no qual o autor retoma temas chaves do seu pensamento: a complexidade do ambiente midiático.

. a cultura POP o ambiente industrial e do consumo moderno. rádio. Gruzin. is very much a result of the electric age going around the mechanical one” (p. jornais. fotografia digital... Devemos compreender e aceitar a lei mcluhaniana que afirma que os conteúdos presentes nas mídias atuais vêm das mídias anteriores (vários autores mostram isso. for example. Segundo McLuhan: “(. filmes em celular.. fotografia. como Bolter. Abstract art. when circuitry took over the wheel. web-film. os livros medievais.sa. filmes. podemos ver hoje como as mídias digitais têm como conteúdo os formatos midiáticos anteriores.org info 146 . 47). Para além da visão um tanto determinista (crítica corrente a McLuhan). podcast. Isso nos leva sempre a erros e incompreensões. 47). No entanto. nossa visão do “ambiente” é sempre turva.” (p. a ideia de re- editoraplus. jornalismo digital. o meio industrial. Manovich). impedindo de enxergar o que diferencia o velho do novo ambiente. or into something exceedingly noticiable. Aqui. e como o que chamo de funções pós-massivas tentam ir além das funções massivas. Não é à toa que as metáforas que utilizamos para descrever o atual ambiente midiático estão ainda atreladas aos formatos e conteúdos das mídias de massa: TV . Diz McLuhan: “When the electric technology jacketed the machine world.) every new technology creates an environment that translates the old or preceding technology into an art form...Web-TV. the machine became an art form. blogs. and the circuit went around the old factory. diários. o rural.

configuração deve ser levada em conta. Mas devemos estar atentos para perceber as novidades e as diferenças, já que novas funções e práticas sociais emergem e não se encaixam mais nas formas clássicas de broadcasting e de cultura de massa. Essas novas funções (pós-massivas) são frutos dos princípios emergentes da cibercultura: a “liberação da emissão”, a “conexão por diversas redes e sistemas” e a “reconfiguração das mídias, das práticas sociais e das indústrias culturais”. Essas novas funções, junto com as massivas (que não desaparecem), são a base do ambiente comunicacional contemporâneo. O livro fala de paisagens e, para situar o debate, retomo aqui a noção de paisagem em Anne Cauquelin (“A invenção da paisagem”, Martins Fontes, SP, 2007) que teve como momento fundador o quadro “A tempestade” de Giorgione, de 1505. Paisagem é uma invenção a partir da perspectiva (“per scapere” - o que se abre), que inaugura um novo regime ótico. Não havia noção de paisagem entre os filósofos gregos, já que a imagem era apenas um fundo para narrar, para contar “istorias” sob o signo do logos, da razão. Não há aqui a visão do que desponta. Isso só passa a acontecer com o regime moderno, com a perspectiva, com o ponto de fuga que permite, aí sim, que se veja a paisagem. Ela é uma construção mental dada pela possibilidade de “ver”, criada pelo

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artifício da perspectiva. A paisagem é uma invenção de uma técnica do olhar. Segundo Cauquelin:
(...) Vemos em perspectiva, vemos em quadros, não vemos nem podemos ver senão de acordo com as regras artificiais estabelecidas em um momento preciso, aquele no qual, com a perspectiva, nascem a questão da pintura e a da paisagem? (p. 79). Esse ‘mostrar o que se vê’ faz nascer a paisagem, a separação do simples ambiente lógico (...). A istoria e suas razões discursivas passam para o segundo plano: e, veja, falamos de ‘planos’, de proximidade e de longe, de distância e de pontos de vista, ou seja, de perspectiva” (p. 81-82). É o enquadramento que inspira a ordem. A ‘janela’ que enquadra é indispensável à constituição de uma paisagem como tal. Sua lei rege a relação de nosso ponto de vista (singular, infinitesimal) com a ‘coisa’ múltipla e monstruosa” (p. 137).

Sobre as paisagens urbanas, afirma Cauquelin:
emolduramos, fazemos da cidade paisagem pela janela que interpomos entre sua forma e nós. Numerosas vedutes, uma esquina de rua, uma janela, um balcão avançado, a perspectiva de uma avenida. O prospecto aqui é permanente. A cidade participa da própria forma perspectivista que produziu a paisagem. Ela é, por sua origem, natureza em forma de paisagem” (p. 149).

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Mais ainda,
a paisagem urbana é mais nitidamente paisagem que a paisagem agreste e natural... sua construção é mais marcada, mais constante, ainda mais coagente. Ali tudo é moldura e enquadramento, jogos de sombra e de luz, clareira de encruzilhadas e sendas tortuosas, avenidas do olhar e desregramento dos sentidos” (p. 150).

Com as novas imagens digitais, não haveria mais paisagem e voltaríamos a um registro visual pré-perspectivista, já que o que aparece como natureza é a performance do nosso conhecimento, do protocolo, do algoritmo. Não há assim o “ver”, mas o deleite do conhecimento, da “istoria” dos objetos destacados de um fundo que não existe como fundo:
temos somente a imagem, transmitida por câmeras, dados digitais em monitores, sem ponto de fuga, e ilegível, até mesmo indecifrável para quem não estiver de sobreaviso (...) podemos apenas perceber que intelectualmente que há, sem dúvida, ‘algo a ser percebido’ (...) a própria noção de paisagem é desmontada” (p. 179).

Vejamos que é bem essa a sensação que temos quando apreciamos uma obra de arte eletrônica onde o “modo de uso” deve ser explicitado para a sua fruição. Trata-se assim de uma “segunda natureza”, o nosso “conhecimento” algorítmico e não do ver.

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A paisagem, com a imagem digital, não está mais contra natureza, isto é, em acordo contrastado com seu fundo, não se apóia mais na verdade natural que revela ao mesmo tempo em que oculta, dada contra, em troca de, equivalente a... É uma pura construção, uma realidade inteira, sem divisão, sem dupla face, exatamente aquilo que ela é: um cálculo mental cujo resultado em imagem pode - mas isso não é obrigatório - assemelhar-se a uma das paisagens representadas existentes. Basta estabelecer as leis para tanto” (p. 180-181).

Por exemplo, as imagens de síntese na arte eletrônica, ou o “Second Life”, podem ser exemplos claros dessa ausência de paisagem (de uma “realidade inteira”). Essas paisagens virtuais são assim “concepções” realizadas por um programa, a “autocelebração de nosso poder de concepção” (p. 183). Com as imagens de síntese e mundos 3D simulados, estaríamos retornando a um esquema visual semelhante ao da Idade Média ou Bizâncio, no qual
a qualidade simbólica dos objetos representados determinava a situação, a grandeza e as relações que eles mantinham entre si. Nenhuma ‘paisagem’ - entidade de ligação autônoma - vinha preencher o espaço intersticial entre as figuras (...). Nessas condições, a paisagem, tal como a praticamos há 500 ou 600 anos, seria um parêntese em uma história das formas perceptivas... sob a condição, claro, de que essas ‘novas imagens’ tenham alguma chance de transformar nossa aparelhagem perceptiva” (p. 184).

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Marco da Paisagem da Ilha de Montreal, a Geode de Buckminster Fuller para a Montreal World Fair (1967).
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SextA, 21 de mArço de 2008
Sabbatical Este livro é fruto do meu ano sabático aqui no Canadá. Oficialmente, não se trata de um sabático, mas de um afastamento para um pós-doutoramento, com uma primeira etapa no departamento de Sociologia da University of Alberta, em Edmonton e uma segunda, no departamento de Comunicação da McGill University em Montreal. Estou concentrado na minha pesquisa, escrevendo “work in progress” no meu blog, fazendo contatos, visitando e conhecendo pesquisas relacionadas, lendo muito e escrevendo um livro sobre mídia, mobilidade, cidade. Mas estou, efetivamente, em um período sabático, como se chama por aqui (um direito dos professores em muitas universidades ao redor do mundo). Mas o que significa isso? Qual a origem da palavra? A palavra vem do grego “sabbaton”, do hebreu “shabath”, ou “o dia do descanso”. Bom, descanso aqui deve ser visto como “ócio”, no sentido criativo da palavra (trabalho e produzo muito aqui), como investimento em si, no crescimento intelectual e existencial, como momento de concentração full-time à pesquisa. Normalmente se espera
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sete anos para um sabático. Nas universidades brasileiras, isso não existe e a única possibilidade é a “rubrica” pós-doutoramento. Esperei 11 anos por essa oportunidade e não sei quando terei uma outra. Então, o melhor é aproveitar o aqui e agora. Vejamos algumas definições:
- sabbatical - 1645, “of or suitable for the Sabbath,” from L. sabbaticus, from Gk. sabbatikos “of the Sabbath” (see Sabbath). Meaning “a year’s absence granted to researchers” (originally one year in seven, to university professors) first recorded 1886 (the thing itself is attested from 1880, at Harvard), related to sabbatical year (1599) in Mosaic law, the seventh year, in which land was to remain untilled and debtors and slaves released. - Leave time with pay granted to a teacher or professor after serving for six or seven years on the same faculty. - A period of time (usually one semester) when a faculty member is not teaching, but concentrating on his/her own education or research.

Mudando de assunto, vou falar agora sobre mais um interessante projeto de Esther Polak, “Nomadic Shopping”, a mesma que realizou o “AmsterdamREALTime” e o “MILKproject”. Nesse novo projeto, Polak constrói uma ficção a partir de “GPS track”, tendo por base o “The Opzeeland Dairy Route”. Para o projeto, ela utilizou o “mashup

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o espaço urbano ou a vida nas cidades. portanto. Esta escrita da cidade (e todas. a autora tenta “contar histórias” e não apenas cartografar percursos. na busca de uma outra narratividade. seja a sociabilidade. o diretor Juan Prada chamava a atenção para projetos que dessem atenção à imobilidade.org info 154 . nem redimir. a comunicação. própria da literatura.com que combina imagens do GPS tracker. desde os dadaístas.. surrealistas. do cinema.website” VeoGeo. Nas discussões no MediaLab Prado em Madri. o vídeo e um gráfico com dados do GPS sobre o deslocamento. Acho interessante a tentativa de ir além do simples traçado de percursos com GPS. criando uma ficção multimídia. Todos os projetos devem ser enquadrados nesta perspectiva crítica. situacionistas até os atuais projetos em locative media) não vai salvar. da música. mas nesse projeto o deslocamento ganha camadas ficcionais que se sobrepõem à escrita invisível do GPS. A imagem é composta de três janelas: o GPS tracking.. e não ao deslocamento. Não há. do teatro. adicionando aí outras ficções. Temos apenas pela frente o tempo que editoraplus. escrevendo invisivelmente o espaço urbano. razões para otimismo ou utopias. é possível clicar nos “waypoints” e ver o deslocamento com o GPS e um vídeo que conta a história. Não é o caso aqui. Google Maps/Earth. com vídeos do YouTube (via Network_Performance). da dança. Com a escrita ficcional. Ao entrarmos no projeto.

editoraplus. Escrever não salva.tudo devora e o espaço abstrato. nos salva de nós mesmos. qu’une existence présentable n’a pas besoin d’être mise en scène. J’ai découvert que. 1999) de Jean-Paul Dubois (aconselho a leitura também do seu “Une vie française”. Escrever não ajuda. enriquecer um pouco mais a vida quotidiana. às vezes. não nos resta muito. mas. de 2004) um dos meus escritores franceses favoritos. Nessa confluência espaço-temporal. o narrador diz: Et j’ai découvert que le courage dont on fait preuve pour écrire est celui-là même qui nous fait défault dans l’existence. que les phrases ne sont jamais qu’une suite de mots complaisants. L’Olivier/Seuil. mas ajuda! Lendo o ótimo “Si ce livre pouvait me rapprocher de toi” (Paris. já que vivemos. o isolamento e o sofrimento. clamando por lugares e territórios. 41). combater a solidão.org info 155 . croyant chaque foi écrire pour quelqu’un. a não ser tentar. c’est en réalité contre moi que je plaidais” (p. J’ai découvert que décliner ainsi sa vie ne la rend pas moin miserable.

No entanto.Montreal High-Tech Nesse fim de semana. visitei lugares que desenvolvem projetos com novas mídias. visitei a exposição Digital Chile. A instalação tinha dois telões projetando cenas de “Os 120 dias de Sodoma”. para o lançamento da revista hipertextual “bleuOrange 00”. música e apresentação dos projetos interativos. “Sodome@home”. Na sexta fui ao “Oboro”. Dança. centro dedicado à produção e apresentação de arte. No sábado. destaco o trabalho de Grégory Chantonsky. e imagens do Flickr. Sinceramente. hipertextuais e vídeo-instalações que aparecem no primeiro número da revista. mostrando projetos e instalações interativas com sons. “La Société des arts technologiques”. Mais atual. mas o efeito é interessante. de Pasolini. nem a crítica. na SAT. sexta e sábado. Não gostei dos projetos apresentados (e isso não foi por causa do meu mau humor ou do meu sarcasmo. para não dizer que não gostei de nada (embora não tenha achado nada muito relevante). imagens editoraplus. Não fica claro a escolha. O evento foi interessante. me senti no começo dos anos 1990 com toda aquela discussão sobre narratividade.org info 156 . literatura e hipertextos. mostrando por um lado a radicalidade do fascismo e de outro a “banalidade” do Flickr. coisas de que sempre sou acusado). mas me pareceu datado. práticas contemporâneas e novas mídias.

Alberto Lagos. Os sons que ouvimos emanam das imagens dos corpos. Destaco o belo trabalho de Klaudia Kemper. mas consistente exposição desperta interesse no visitante e revela o desenvolvimento da arte eletrônica no Chile. editoraplus.org info 157 . “Body Project”. vídeos. A pequena. fotografia de vários artistas chilenos como Isabel Aranda. só que com todos os países da América Latina. A estrutura composta por esferas parece uma criatura. algo parecido com um organismo. Tentei evitar comparações e fiquei pensando se não seria interessante uma mostra como essa. Uma estrutura no centro de uma sala recebe imagens de vídeos em loop de quatro DVDs com fragmentos de corpos (boca..).. Klaudia Kemper. seio. mãos. O mesmo parece ir ganhando vida com movimentos e sons da projeção das imagens dos corpos desconstruídos nas imagens. olhos.de síntese. Roberto Larraguibel. Félix Lazo et Claudio Rivera-Seguel.

org info 158 .editoraplus.

org info 159 .Montreal. Velho Porto editoraplus.

passa por um processo térmico (cozinha) e depois. biscoitos. um grupo com cartazes escritos em inglês e francês (“Free Hugs/Calin Gratuit”) distribuía abraços nas pessoas que passavam apressadas ou taciturnas.org info 160 .. Com um gesto simples. chocolate. Um mel. que eles chamam de xarope. há uma variedade enorme de produtos com o érable: xarope. quente. saindo ou entrando na estação. Adoro ir aos mercados e acho que sempre podemos aprender sobre a alma local nesses lugares. Na entrada. o espaço é um lugar marcado socialmente. Aqui. visita ao mercado Jean Talon para ver os produtos locais e a movimentação de pessoas. é jogado sobre a neve. uma barraquinha na qual se vende as “tires d’érable sur neige”.15 graus e colocavam um sorriso no rosto de todos. é retirado da árvore (érablier ou mapple tree – a folha é a que aparece na imagem da bandeira do Canadá) como se extrai a borracha da seringueira no Brasil.. Recebi o meu “calin” de graça. Depois. É gostoso. eles conseguiam quebrar o frio de . Todos consomem essas “tiras” por aqui que são muito populares nessa época.Free Hugs e Tires d’Érable Chegando ao metrô Mont Royal. anticonsumo e amigável. historicamente na memória e no imaginário da cidade. doces. endurecendo o líquido e gerando esses deliciosos “pirulitos”. No entanto. açúcar. mas um pouco doce demais para o meu paladar. editoraplus.

org info 161 .Tires d’érables sur neige no Mercado Jean Talon editoraplus.

Il va de la vie à la mort. Andar para mim é mesmo como viajar e sempre alimenta o espírito. tout le monde peut en faire autant.org info 162 . villes et chose. Homme. ajuda o corpo e cria inúmeras ideias.SábAdo. de “Voyage au but de la Nuit”). bêtes. rien qu’une histoire fictive. tout est imaginé. editoraplus. Voilà sa force. Aí vai o que diz Céline sobre as viagens: Voyager c’est bien utile. Le reste n’est que déception et fatigue. qui ne se trompe jamais. Notre voyage à nous est entièrement imaginaire. passo em uma livraria e vejo em quadrinhos o excelente. 1932. C’est de l’autre côté de la vie”. Il suffit de fermer les yeux. 22 de mArço de 2008 Flanando pelo velho porto. ça fait travailler l’imagination. Et puis d’abord. Pego meu Moleskine e anoto para não esquecer. Céline (préface. “Voyage au but de la nuit” de Céline. C?est un roman. mas difícil. premièr edition. Littré le dit.

mensagem. documentar tudo em imagens para aumentar as formas de conquista. Um prédio com diversos serviços e setores (terei que voltar mais vezes). com emissor. formas midiáticas de conquista e de expansão de territórios. Não me foi permitido fotografar. Os mapas são sempre representações de poder. editoraplus. canal.org info 163 . 23 de mArço de 2008 Cartografia Visitei mais uma vez a impressionante “Bibliothèque et Archives Nationales du Québec”. na história do Québec. instrumentos de navegação e também um dos objetivos das expedições: produzir conhecimento “locativo”. de controle e de expansão dos territórios. Mapa é mídia. comunica essa visão e produz a realidade social. mostrando a importância dos mapas e dos instrumentos de localização para a conquista da América e a constituição da Nova França. Aproveitei e visitei a exposição “Ils ont Cartographié l’Amérique”. claro.domingo. A exposição mostra diversos documentos com ênfase. ao mesmo tempo. Ele expressa uma visão da realidade. o Québec. receptor. Os mapas eram.

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esses instrumentos são também “mídias”. O embate entre a natureza. mas. Não há mais o embate com o mundo externo: olhar as estrelas. Interessante ver que. é como se não houvesse mais natureza. nocturlábio .. para controle total da natureza. são menos interessantes e sedutores. no qual a única coisa que precisamos fazer é apertar o “power” e seguir as setas ou as vozes em simulação (agora até em 3D) do lugar onde estamos. astrolábios . a permeabilidade entre membranas culturais e tensões civilizatórias eneditoraplus. mais uma vez.. balestilhas (arbolètes) . entre outros. certamente. como bússolas.hora aproximada pela posição das estrelas. calcular a hora e a velocidade em relação a pontos no céu. tábuas de Loch . agora apenas simulação. assim como os mapas. já que permitiam a expansão do conhecimento do espaço. apenas a sua simulação digital. No fundo. uma racionalização extrema do espaço. novas paisagens digitais. Os novos instrumentos podem até ser mais efetivos.que calculavam a latitude medindo o ângulo entre o horizonte e o sol ao meio-dia.direção e latitude. Eles desempenhavam uma função midiática importante. Este se transforma em simulação perfeitamente compreensível e controlável. os dispositivos técnicos e o conhecimento humano me parece ser o grande diferencial em relação aos modernos GPS.Pude ver. como vimos. a resolução (às vezes pela violência) de problemas de fronteiras.velocidade e direção.org info 165 . instrumentos ancestrais do GPS.

a competição. editoraplus. Essa excitação de encontrar o desconhecido nos é praticamente impossível hoje: encontrar terras. as mídias são instrumentos de localização. Como diz Meyrowitz. De uma forma ou de outra. E. e para além do aqui e agora. E o inverso também é verdadeiro. no turismo ou na conquista do espaço sideral. o mundo conhecido da época.. o contato e as trocas comerciais. instrumentos e processos que nos permitem driblar justamente os constrangimentos do espaço e do tempo. “as mídias funcionam como um GPS mental”. pois elas permitem nos situarmos aqui e agora. ao mesmo tempo. Os instrumentos de navegação e mapas eram.tre os impérios da época. Tempos de domínio total. Algo que só podemos sentir.org info 166 . a cada viagem. como instrumentos de comunicação. eram também instrumentos de localização: verdadeiros hubs imagéticos que colocavam povos e civilizações em choque e transformavam. mas de muito longe. Instrumentos de localização são sempre instrumentos de comunicação. na arqueologia contemporânea. efetivamente.. povos e culturas vivas desconhecidas. Toda mídia localiza no espaço e no tempo sendo. instrumentos de comunicação.

Uma de Peanuts: .. You just don’t like me! . descobri ontem em Miles End.“well.org info 167 . Really I do. That’s always been the whole trouble.. maybe you like me a little.Charlie Brown . $8 os dois.Lucy ... But I know you don’t think I’m PERFECT!” Outra de McLuhan: “is it natural that one medium should appropriate and exploit another?” editoraplus. . I do..I like you.Charlie Brown . perguntas e respostas de e sobre McLuhan de 1967..“Sure. um “The Wonderful World of Peanuts” de 1958 (a primeira publicação foi em 1952). e uma coletânea com textos. Charlie Brown.SábAdo.“you don’t like me!”.. bairro de Montréal. Deixo aqui duas citações.. 29 de mArço de 2008 Peanuts and McLuhan Garimpando sebos (alguns fantásticos).

que mostra a cidade como um livro a ser lido. mapas. Utopia’s Ghost Ainda no Mile End. The video piece is a complex blend of text and images where mundane objects take centre stage. sem pensar ou interpretar aquilo que nos interpela.Map of the City. tentando relacionar sua história. de forma casual. creating small evanescent worlds for the viewer to actively consume. seus signos e símbolos passando ao espectador um patchwork de sensações (com sons e seqüências de imagens fixas em duas telas). mapas e imagens. fotografias. Map of the City is inspired by chapels editoraplus. livros.. grow and multiply. A instalação propõe a imersão e o consumo de imagens como fazemos ao nos locomover pelo espaço urbano.org info 168 . na Galeria Articule. Essas sensações em muito se assemelham ao que experimentamos no quotidiano. O consumo que também nos consome sem nos darmos conta.. is a two-channel video installation that explores the correlations between architecture and words. Podemos ler no catálogo: Nelson Henricks recent work Map of the City. inscrições da antigüidade. sem prestar muita atenção. ou seja. visito a exposição “Map of the City”. as a kind of library that requires both readers and writers. como um organismo vivo em plena transformação: orgia de signos. Initiated during a six-month residency in Rome. this work sees the city as a text environment. A vídeo-instalação faz uma colagem de objetos. objetos.

no excelente Centre Canadien d’Architecture.. but could subsequently be interpreted as a moment of ‘birth’ for the postmodern period. Peter Eisenman. The city is seen an accumulation of gestures and desires that outstrip the life of the individual. still photos and electronic soundscapes. Podemos ler no site do CAC: (. “(In) human Scale”. os organizadores propõem reinterpretar o período pós-moderno. Yamasaki & Hellmuth in 1950-54. upholding the view of the city as a living organism”. Louis housing project Pruitt-Igoe designed by the architectural firm Leinweber. “Islands”.. According to Reinhold Martin. “Babel/Babble”.) The exhibition title wall features a photomural depicting the dramatic implosion of the high-modernist St. que decreta o fim das utopias.and cathedrals. Outra exposição que visitei na quinta-feira. Aldo Rossi. Arata Isozaki. entre outros. e “Worlds-within-worlds (Russian Dolls)”. e que faz referência também à cidade. which act as three-dimensional. much of the architectural production of the past half-century has been haunted by the ghosts of modernist utopias: ‘the projects documented in the exhibition are understood as bearers of a la- editoraplus. immersive representations of the Bible. e rever seus novos fantasmas. Quotes from The Gospel of Thomas and The Bible are interwoven with original text. é “Utopia’s Ghost”. A partir de cinco tópicos principais: “road to nowhere”.org info 169 . This spectacular and much publicized demolition in 1972 marked not only a public expression of the failure of certain modernist ideologies embodied by the project. Há projetos de Robert Venturi.

apresenta uma outra forma de ler a cidade e seu imaginário. um mosaico de imagens a serem consumidas com os olhos. lançando o olhar para o futuro em sua dimensão utópica.tent discourse that contradicts the very same anti-utopian currents that many of these projects have been thought to represent. É a sensação do estrangeiro. ou desse “lugar-ideal” presente desde os primórdios da aventura humana.org info 170 . Sentimos isso quando conhecemos uma cidade (lemos e falamos a sua língua) ou quando somos estrangeiros ou turistas (e não sabemos nem ler nem falar e temos dificuldades para compreender o espaço que nos cerca). (…)”. and Worlds within Worlds. seus editoraplus. The reproductions and originals representing a selection of projects of the 1970s and ‘80s take on the character of evidence assembled within five subject groups that trace a utopian afterlife: Babble/ Babel. conhecemos sua dinâmica. The exhibition draws attention to an uncanny presence of the modernist notions that had been declared dead. mas uma língua a ser falada. a figura suprema das cidades modernas. Maquetes. O estrangeiro é. em vídeo e sons. mostra. A cidade é um livro a ser lido. Não dá para não pensar em Barthes e seu ensaio sobre a cidade. the curators challenge the traditional understanding of postmodernism and offer a new framework for approaching the architecture of this period. pinturas e desenhos mostram projetos que tentam concretizar novas dimensões da utopia. (In)human Scale. Quando falamos a língua das cidades. Islands. irrealizada. A primeira exposição. In this reorganisation. para Simmel. “Map of the City”. A segunda exposição. ao mesmo tempo anônimo e desengajado. o presente e a vida quotidiana na sua trágica dimensão do “aqui e agora”. um palimpsesto. desse “não-lugar”. a cidade não é apenas um texto a ser lido. “Utopia’s Ghost”. Para Barthes. Roads to Nowhere.

para ele. Quando somos estrangeiros. é um lugar de jogo com o outro. partindo da raiz da palavra. excesso. A cidade. violência). da dimensão dionisíaca da vida (desejo. as pessoas. tudo nos é negado e leva tempo para aprender essa nova língua. das imagens e dos sons que nos envolvem (a primeira exposição na Galeria Articule). contato. jogo.org info 171 .hábitos. seja pelas estruturas imobiliárias que criam o tecido urbano e impregnam o imaginário e nossa visão do futuro (a segunda no Centro Canadense de Arquitetura). Barthes desenvolve uma visão erótica do espaço. a busca por essa língua a ser falada ou esse texto a ser lido. a arquitetura. seja pela força dos objetos. editoraplus. Nas duas exposições pudemos ver a marca dessa dimensão erótica.

1984). Neste momento. as teleco- editoraplus. em 1897. Uma atenção maior aos problemas de espacialização causados pelas mídias começam em meados dos anos 1960 e início dos anos 1970. arquitetos e urbanistas começam a prestar atenção ao fenômeno e já podemos destacar inúmeros estudos nesse campo (ver bibliografia nas referências no final do livro). Bakis mostra como a geografia só se ocupa muito recentemente dos efeitos das mídias. No entanto. O primeiro a chamar a atenção foi o geógrafo alemão F. Ratzel. os geógrafos. a sensação é que 1984 já faz parte da pré-história.SegundA. em 1984. na qual ele constata que a significação mais importante da geografia é a circulação e a transmissão de informação. Hoje. Com a aceleração que vivemos hoje. em sua “Politische Geographie”. dando ênfase aos transportes. 31 de mArço de 2008 Geografia e Telecomunicação Interessante a análise de Henry Bakis em “Géographie des Télécommunications” (Paris. os geógrafos pouco se interessaram pela questão.org info 172 . com a internet e as tecnologias móveis de comunicação. PUF. principalmente pela ausência de impacto das telecomunicações na paisagem urbana.

antenas de TV. Dupuy. 1967). “la suppression de la barrière de la distance dans la communication n’empêche pas le mantien... o telefone é “‘une technique urbaine à part entière”. para o comércio e instalação de empresas. os telefones celulares. Jean Gottmann (“The skyscraper amid the sprawl”. voire le développment. serão os grandes atores das transformações sociais e espaciais do século XX. linhas telefônicas aéreas. Lembremos: cidade são fluxos. muito pelo contrário. para o desenvolvimento dos subúrbios e para a especialização dos centros urbanos. As mídias de comunicação alteram editoraplus.municações começam a aparecer no nível da rua (cabines telefônicas. Ele não dissolveu a cidade. O desenvolvimento dos meios de telecomunicação exerce uma influência marcante no desenvolvimento dos espaços urbanos. Podemos.org info 173 . Como afirma G. NY. nas quais a mobilidade não se opõe à inércia dos imóveis que compõem as cidades. Jornais e o rádio.. eventos em negociação com diversos territórios. hubs e nunca ponto perene de fixação. talvez. por exemplo. A transformação dos lugares já começa com as primeiras etapas da revolução das telecomunicações no século XX. estações de rádio. depois.). Para Dupuy. O mesmo podemos dizer hoje com a internet. os GPSs.. lugares. com as tecnologias de comunicação móveis. o telefone e a TV. d’une spatialisation des espaces urbain’”. principalmente. mostra como o telefone foi fundamental para a criação de grandes prédios. pensar o mesmo com as NTIC e.

projetos bottom-up com as mídias locativas: l’impact géographique des télécommunications et de la télematique pourrait bien être celui opérer sans grande politique d’aménagement.as paisagens. Bakis afirma: Peut-être l’aménagement le plus spectaculaire et le plus imprévu sera-t-il mplusé. o que parece ser verdadeiro hoje com redes sociais.org info 174 . Abaixo. as ruas e as relações sociais. Mais ainda. blogs. Mostrando-se cético em relação aos serviços oficiais de gestão. software livres. professionnelle ou culturelle”. de la manière la plus informelle qui soit par l’action d’amateurs d’’ordinateurs individuels’. editoraplus. mais. par des bricoleurs de la télématique”. par des utilisateurs éclairés cherchant à améliorer leur vie quotidienne. e com uma visão aguda do que estava por vir. de kits de télécommunication. non par les services officiels d’aménagement du territoire. sans formalisation peut-être mais non sans efficacité. bicicleta como forma de escrita do urbano.

Montreal editoraplus. em frente ao Parc La Fontaine.Maison des Cyclistes.org info 175 .

terçA. Como propõe George Mead. analisando as micro-relações sociais e os papéis sociais no quotidiano. 01 de Abril de 2008 As mídias contemporâneas. etc. editoraplus. rádio. esse “outro generalizado”. por uma maior mobilidade física (transporte). mapas digitais. desde os jornais.) e imaginária. blogs e microblogs. informacional e imaginária. Isso se dá pelas mobilidades física. websites. o telefone.org info 176 . As mídias globais. globais. As mídias sempre desempenharam um papel importante na constituição da subjetividade moderna e na significação (ou falta dela) do espaço e dos lugares. a TV e hoje a internet e diversas mídias móveis criam novas formas de compreensão do nosso lugar no mundo. Da mesma forma. da nossa identidade. fotos e vídeos. por uma maior mobilidade informacional (jornais. ou seja. do nosso lugar e do lugar dos outros pelo deslocamento do nosso corpo. Goffman vai tratar desse tema depois. criam novos sentidos de lugar e ajudam a expandir a percepção que temos dos outros e de nós mesmos. pelos fluxos de informações e pelo pensamento. do self. em um jogo de espelhos. Conhecemos mais do outro e de nós mesmos. a visão que tenho do lugar onde estou também se complexifica a partir de uma visão global de todos os outros lugares (onde não estou). ou mental e cognitiva. TV. o rádio. formamos a percepção da nossa subjetividade pela percepção dos outros.

Lendo um texto do Meyrowitz (embora discorde de algumas de suas afirmações sobre a relação entre lugares e mídias digitais). agora planetária.0 como Facebook. Cria-se. Twitter. O outro não está mais necessariamente “ao nosso lado”. As mídias. Temos efetivamente que pensar a constituição da subjetividade. A sense of place. face a face.. 2005. p. e com as novas mídias móveis e locativas amplia-se. In that sense. 24). nas nossas relações eletronicamente mediadas em instrumentos da Web 2. K. incluindo as atuais.) function as mental ‘global positionning system’” (in Nyíri. Passagen Verlag. editoraplus. a representação de nós mesmos por uma ampliação desse “outro generalizado”. “new sense of places” e “new sense of selves”. Blogs. da identidade e dos lugares em meio às mídias locativas. assim. mas de proximidade informacional. Ele continua na proximidade local. etc. na nossa vizinhança ou comunidade de bairro. all our media (. desse jogo de espelho não mais de proximidade física. ao mesmo tempo presencial e mediado. Vienna. permitindo sociabilidade a distância. Orkut..Com as novas tecnologias da telepresença.org info 177 . mas está também distante. móveis e hiperlocalizadas. ampliam nossa visão dos lugares (criando novos sentidos) e de nós mesmos por jogos de espelho ampliados e por relações com o “outro”. usando a denominação de Mead. achei essa afirmação muito interessante: “These images help to shape the imagined elsewhere from which each person’s somewhere is conceived.

as questões que balizam os estudos culturais canadenses estão ligadas à identidade na- editoraplus. 03 de Abril de 2008 Cultural Studies in Canada Estive hoje à tarde na conferência de Imre Szemán.org info 178 .. O livro tem três partes: Origins (McLuhan. globalização.. CACS. identidade.QuintA.. Mackey. Szemán esboça uma visão geral dos estudos culturais e o lugar do Canadá. Shields.). Straw.. Innis. arte. Cultural Studies in Canada”.). “Canadian Cultural Studies: A Reader”. gênero. Duke Press. Szemán faz parte da “Canadian Association of Cultural Studies”. americana e francesa. genérica e sem se deter nos detalhes dos temas caros a esse campo de pesquisa (media. bi-linguismo). colocando-o na encruzilhada das influências britânica. Frye. corpo. promoção do “McGill Institute for the Study of Canada”. De uma forma geral. baseia-se no livro que co-edita (com Sourayan Mookerjea e Gail Faurschou) e que deve sair no final de 2008. A conferência foi na bela sala da “Faculty Club” da McGill no centro de Montreal. Contemporary Studies (Angus. “Between Empire. A conferência..) e Government Documents (relatórios governamentais sobre multiculturalismo..

Além disso. gregos. Temos uma identidade plural de difícil definição (espanholaportuguesa . não estamos colados nos EUA. e continua a se constituir já que a imigração continua.). o autor afirma que devemos pensar que ele se parece mais com o Brasil do que com os EUA.org info 179 . na qual a língua. africana. mas exagerada. não temos imigrantes atuais e também não migramos. portugueses. mestiça. Os queijos e vinhos do coquetel e o papo depois também deram um tempero especial ao evento.. Uma delas é o multiculturalismo global. A sociedade canadense é composta. Para pensar no Canadá (no futuro. Outra diferença é que não temos a forte influência britânica.cional e à busca por uma maior definição do que vem a ser essa identidade (questão que está muito presente no dia a dia... a influência intelectual são hegemônicas.italiana e alemã. editoraplus. a forma de governo. por asiáticos. incoerências. como venho constatando na minha experiência aqui). poloneses. latinos. não sem tensões. Nós não temos essa cultura cosmopolita. a comparação é pertinente. indígena. que consideram o Canadá como um quintal rico. na sua identidade).. mas autóctone. O evento foi interessante para ter uma visão geral e o livro que vai sair este ano pode ser um bom termômetro para essa discussão. e isso desde o domínio britânico até o multiculturalismo atual que predomina na sociedade canadense. No meu entender. ucranianos. Há várias diferenças. mas sustentado politicamente.

Detalhes das escadas em “colimaçon”..org info 180 . típicas da cidade.Spring? Cote de Neige. editoraplus. Primavera em Montreal. inverno. 4h da tarde e já noite lá fora.. Nevasca nos fundos da minha casa.

o provedor pode dizer que você vai acessar um site de uma empresa patrocinadora com toda a capacidade de banda. Agora. Campanha de protesto pode ser assinada na “Campaign for Democratic Media”. “Canadians debating net neutrality in wake of Bell throttling”. Assim. alguns provedores querem dizer que dados são mais valiosos do que outros e diferenciar uns dos outros. Isso qualifica a neutralidade da internet. editoraplus. Essa prática é considerada ilegal e pode acabar com a internet que conhecemos hoje. Dados do meu blog ou o site da Nasa trafegam como se fossem iguais. matéria do “ars technica”.org info 181 . por exemplo. ou seja. mas que irá acessar o YouTube. sendo neutra. aumentado para uns a banda passante e diminuindo a largura dessa banda para os menos importantes. a uma baixíssima velocidade. Vejam. 05 de Abril de 2008 Net Neutrality in Canada Protestos sobre a quebra de neutralidade da rede pela Bell Canada gera protestos. que explica o problema. por exemplo.SábAdo. Essa é uma das questões centrais hoje no debate sobre a liberdade na internet. A internet foi construída não discriminando pacotes de dados.

06 de Abril de 2008 Para começar a semana. culto ao corpo e ao politicamente correto: “The environment is everything that isn’t me. Aqui. 07 de Abril de 2008 Está hoje em todos os veículos noticiosos a permissão do uso de telefones celulares no espaço aéreo europeu. So of course I’m not interested in it. Horsley. entre outros projetos bizarros). em meio a produtos orgânicos. Vejam matéria da BBC “Europe clears mobiles on aircraft”. aquecimento global. You pretend to be because it is fashionable.org info 182 . barrado recentemente em aeroporto nos EUA e enviado de volta à Londres por “crime involving moral turpitude” (crucificado em 2000. moralismo contra fumantes.domingo. SegundA. O que quero destacar aqui é que podemos ver um excelente exemplo de como as tecnologias da mobilidade modificam os espaços de lugar. uma citação no mínimo sarcástica. Do you think the dinosaurs were wiped of the face of the planet because they didn’t recycle? You morrons”. para mais detalhes. Ele declara. a mobilidade editoraplus. And neither are you. autor de “Dandy of the Underworld”. reciclagem obrigatória.

o viajante e o veículo se modifiquem. ao mesmo tempo. a criação de bolhas de isolamento e. a relação dos passageiros com o mundo lá fora. a ouvir música ou a tomar um remédio para dormir. abrindo possibilidades de mobilidade informacional que influenciarão as relações e as práticas do objeto e da ação de viajar.que leva os passageiros à leitura. Não é mais o mesmo avião. o telefone editoraplus. aliás) faz com que a viagem. Novas heterotopias (Foucault). ou tudo isso ao mesmo tempo . Os impactos e o redimensionamento desse lugar móvel serão enormes. invasões de espaços pessoais. ao trabalho no laptop.virtual/informacional é criada (permissão de uso de telefones celulares) em meio à mobilidade física (o deslocamento do corpo no avião) criando tensões entre essas mobilidades e a imobilidade móvel (o confinamento no espaço que se move) que caracteriza o uso do “lugar” avião. os espaços múltiplos e compartilhados que alterarão a experiência criando novas formas de trabalho e de lazer. Vemos aqui como uma nova mídia (como todas. O isolamento obrigatório nessa carcaça de aço . a assistir filmes. etc. Entram em jogo aqui as policronias e as monocronias.já que é difícil nos suportar sem fazer nada e ainda mais trancado a 10km de altura .vai se alterar. O uso desse dispositivo técnico. a divisão em temporalidades e espacialidades distintas. mas também criarão novos conflitos. Podemos antever a modificação do “espaço/lugar avião” em várias frentes: as relações dos passageiros entre eles e com a tripulação.org info 183 .

a falta de sentido e a incompletude. Com certeza. O que está em jogo é a urgência da comunicação e da conexão. em um primeiro momento. exercendo influências nesse ambiente/sistema.tout le malheur des hommes vient d’une seule chose. o celular será usado para ajudar a suportar a viagem. ver um vídeo ou simplesmente dormir. As pessoas sozinhas lá em cima vão mesmo usar o dispositivo para nada que seja efetivamente urgente. E não ficarão no avião! editoraplus. De qualquer forma. a fusão da mobilidade física com a informacional com produção. a urgência em estarmos sempre disponíveis. o preço deve inibir os mais faladores. o dispositivo. emissão e distribuição de informação.. Com o celular não se trata de estar em conexão para uma comunicação urgente. qui est de ne pas savoir demeurer en repos dans une chambre”. “. um novo “avião” e uma nova experiência da viagem. Trata-se aqui de mais um exemplo de como as tecnologias digitais de comunicação móvel possibilitam aos usuários (aqui passageiros). os atendentes e o mundo lá fora participarão desse jogo de influências.celular.. É um dispositivo também usado para suprir o vazio e a ausência. criando novos territórios e novas práticas sociais e comunicacionais nos aviões. o pasto. Como descreve Latour em um artigo sobre a cancela. vai ficar muito mais difícil ler. Bom. criando um “novo sentido de lugar”. criará um “novo sentido de lugar”. o passageiro. Como diz Pascal. Assim o celular.org info 184 . a ovelha e o pastor são todos “actantes”.

have- editoraplus. Podem se associar estabelecimentos comerciais e pessoas comuns.Ces toiles d’araignées grelottent au haut des grandes croisées” (Mallarmé) Montreal Wi-Fi Montreal é uma ilha desplugada. Alguns usuários domésticos deixam a conexão aberta.terçA. já que a maioria dos hotspots que aparecem no meu computador estão fechados. é o “Ile Sans Fil Montreal”. não! Tenho tido certa facilidade para acessar a internet a partir de hotspots abertos. restaurantes. E não é utopia. Um projeto interessante. A maioria dos cafés e alguns restaurantes oferecem o serviço de graça. 08 de Abril de 2008 “Il n’y a pas plus de champs et les rue sont vides.. e até da rua. uma organização sem fins de lucro que estimula e ajuda a criar hotspots abertos e gratuitos pela cidade.org info 185 . tanto de casa (o meu está aberto). Não é o paraíso.. já reportado no Carnet de Notes. mas o espectro envolve grande parte da ilha. como de cafés. Na próxima sexta-feira.

cinco conferências e um ambiente de encontro para debate entre os participantes. Há projetos similares já conhecidos como Seattle Wireless. Já me conectei em vários pontos participantes do projeto (vemos um adesivo na entrada indicando o “île sans fils”). O evento (pago – CAD $20. pelas conferências e pelo ambiente descontraído. “Société des Ars Technologique”. Place Ontem assisti a série de conferências “Les Nouvelles frontières des Jeux Video” na SAT. e um dos meus lugares favoritos em Montreal. um dos centros mais importantes do Québec e do Canadá sobre novas mídias e arte. pelo menos os que participei. todos os eventos no Canadá. NYCWireless. Wireless Toronto. Paris Sans Fil. Wii. 09 de Abril de 2008 Game. palestrantes e público. O evento foi interessante por vários motivos: pela estrutura.rá um encontro em um café e vou ver de perto a experiência.org info 186 . no final. CAD $10 estudante) oferecia um “comes-e-bebes” na recepção. entre outros. British Columbia Wireless. são assim: pagos mas com um exceeditoraplus. Na realidade. QuArtA.

o buffet e mesas e cadeiras espalhadas. quebrando a rigidez da tradicional “conferência.org info 187 . Depois seguiram-se as apresentações de Reid Schneider. 4 são feitos aqui em Montreal. editoraplus. estimulando o bate-papo e o encontro em clima descontraído. da Eletronic Arts. detonando as corporações em uma palestra criativa. No entanto. independente. Ao entrar na grande sala. da Ubisoft. a indústria pode aprender com os independentes. falando sobre formação e competências dos jovens para essa indústria. uma fala de abertura ainda no lounge e a passagem ao auditório para as conferências. mercado de trabalho e política científica e tecnológica. Ela apresentou dados econômicos sobre formação dos jovens. crítica e com ótimo bom humor. Fish falou sobre os jogos independentes. o melhor da festa foram as palestras de Bart Simon. alguns telões. sobre design cooperativo a partir do jogo “Army of Two”. Depois. A primeira palestrante foi Sylvie Gagnon. da Polytron. professor da Concordia. estimulando o encontro e a troca de experiências. Dos 10 jogos mais vendidos no mundo. perguntas e respostas”. Para Fish. e de Phil Fish. e de Jonathan Morin. Inglês e francês eram as línguas correntes e as pessoas passavam de uma a outra sem problema. sobre os preconceitos dos designers de jogo e a obsessão pelo controle do usuário e pela narrativa. podemos ver computadores com jogos. que se mostra uma das mais promissoras no Canadá.lente buffet. Achei interessante o arranjo espacial e temporal do evento.

Embora ele não tenha se referido ao termo. less is more”. e que o problema vem do tripé “money. sociologia. captando o movimento do corpo do jogador (já há aplicações na medicina. “augmented reality”. Simon é coordenador de projetos sobre games. fazeneditoraplus. na qual o “espaço” do jogo é diferente daqueles dos jogos em consoles ou em computadores.org info 188 . podemos dizer que o Wii cria uma AR. Apelou para a máxima: “lo-fi aesthetic. A palestra de Bart Simon foi a que mais me interessou pelo tema da minha pesquisa. do que revelação de algo criativo. fear and art”. já que não se trata nem de jogar para (console/PC). Ele mostrou exemplos de jogos simples e afirmou que todo mundo pode fazer games. mas de jogar com o corpo. pixelados”. teoria dos jogos e antropologia. O lugar importa. Ele analisou a console de jogos Wii mostrando como esse novo jogo incorpora o lugar e o corpo do usuário como interfaces. Ainda apontou a falta de inovação e o excesso de recursos. O console inclui esse espaço de lugar. Cruzando referências de teorias dos “new media”. nem de entrar na tela (RV. O incômodo dos dois palestrantes da Ubisoft e EA eram visíveis.Realidade Virtual). que servem mais como pirotecnia.já que 90% de tudo “is crap”. “com duas texturas. porcaria. Simon analisou o Wii como um jogo que cria uma realidade híbrida. por exemplo). nos quais tudo se passa na tela. o Game Code e outro sobre vigilância na Concordia University. a tela e o espaço entre eles.

. com as tecnologias móveis e digitais. mas na sala ou em qualquer outro lugar. afirma Simon.. a tela e o espaço físico entre eles. Como tenho insistido em meus últimos textos. como na rede ou nos consoles sem a sua tecnologia. por exemplo) e passar a ser parte atuante do jogo. o game não mascara mais o lugar. impondo a intersecção desses mundos em um sistema único. Ou seja. ao mesmo tempo. O lugar é parte do jogo. pensar que o Wii é um console para “locativebased game”. Estamos vendo. Essa inflexão aponta para uma tendência muito diferente daquela que previa o surgimento de um espaço eletrônico desconectado do editoraplus.org info 189 . pega-pega. o corpo do jogador. Assim. O lugar físico é uma interface ativa no processo. assim. ele não é apenas visual.do com que o jogo não se desenvolva apenas no espaço eletrônico. como nos jogos não eletrônicos (tênis. afirmava Simon. mas sinestésico. Podemos. Assim. o lugar ganha força. embora não tenha essa denominação e não use LBS ou LBT. Com o Wii. Vejam meu comentário anterior sobre o uso de celulares em aviões. O mesmo acontece com o Wii: para jogar o lugar deve se transformar (retirar objetos. a evidência do que estou chamando (e vou desenvolver no próximo livro) de “the place turning point” dos estudos sobre comunicação e as novas mídias digitais. “os aspectos local e pessoal são revelados”. O lugar importa e se redefine no jogo. Ele é agora um ator. futebol. O sistema requisita. não dá para esquecer o corpo e o lugar onde você está.).

cujo maior emblema de decadência.org info 190 . hoje. QuintA. O título faz uma referência direta ao ilegível “Finnegan’s Wake” (1939) de Joyce (a obra . que o transformaria para sempre em um “não-lugar” ou em um “lugar sem sentido”. é o Second Life. Estou agora assistindo na TV o documentário de 2002.intraduzível . para a fase do “download” do ciberespaço.espaço físico. nos sons. Voltarei a esta discussão mais adiante. nas descobertas das palavras escritas em várias línguas e cujos sons davam um editoraplus.tem uma excelente tradução no Brasil pelo corajoso Donaldo Schüler). Li os dois primeiros volumes e meu prazer estava na forma. a fase da internet das coisas e das mídias locativas. “McLuhan’s Wake”. de Kevin McMahon. Estamos passando definitivamente da fase do “upload” do ciberespaço. 10 de Abril de 2008 McLuhan’s Wake “you don’t have to be everywhere to do everything” (McLuhan).

mítico. “retribalizan- editoraplus. A dificuldade em ler o livro é a mesma que temos hoje para achar uma luz na confusão em que nos encontramos: convergência das mídias. escrita. Ler Finnegan’s Wake não é uma experiência apenas visual. políticos. No entanto.org info 191 . reconfigurações da indústria cultural. como o texto de Joyce. mídias de massa (impresso. representando a cultura moderna e a emergente cultura midiática. mas total. sinestésico. o filme não explora a relação óbvia do título. telemático. multimídiático. A obra de Joyce é citada no documentário pelo próprio McLuhan. cultura essa. que estamos vivendo hoje. A relação é interessante. Como afirma McLuhan. uma obra multimídia avant la lettre. culturais da/pela globalização. O choque entre oralidade. TV. excesso de imagens. subjetivos. como se a difícil leitura do texto de Joyce fosse um espelho da própria dificuldade que temos hoje de “ler” a nossa cultura eletrônica. colapsos identitários. web e telefonia móvel. rádio). seria uma materialização do Finnegan’s Wake. só conseguimos enxergar o presente e o futuro do nosso ambiente midiático olhando para as formas comunicacionais do passado. marcada pelo excesso de símbolos e de linguagens. hiperrealidade. literário.sentido coerente em todas elas. ao mesmo tempo oral. uma orgia de símbolos e de línguas. Finnegan’s Wake é uma sinfonia literária. audiovisual. A cibercultura seria assim o Finnegan’s Wake tecnológico em realização.

uma forma de “realidade aumentada”. línguas. não conseguimos mais ver o que está lá fora. Joyce convoca o leitor a entrar em um ambiente.org info 192 . ver os índices da cibercultura como uma língua construída de forma complexa. É preciso um certo desprendimento . na qual o presente e o futuro só se compreendem com os olhos no passado. genialmente construído. O documentário mostra a emergência e a aceleração dessa nova cultura “neo-tribal”. se nos privarmos de algumas certezas e da busca por soluções lineares.por estarmos tão imersos nesse ambiente. imagens. de sons. se nos deixarmos levar pela torrente de palavras e letras complicadamente arranjadas. olhar o futuro sem prescrições. mitos. Talvez o mesmo seja exigido para compreendermos a cultura midiática contemporânea: ver o presente sem deixar de sentir o passado. editoraplus.do o mundo” (McLuhan). McLuhan foi um dos primeiros a ver o nosso Finnegan’s Wake global. Só podemos ler Finnegan’s Wake se mergulharmos na estrutura mítica.

Alguns dados sobre o atraso canadense. em 2006 só 1% da população que usa celular no Canadá usava essa tecnologia. simples e.org info 193 . Os outros serviços (caixa postal. saber quem ligou. 85% das conexões à web se fazem pelo celular. coisas correntes no Brasil) também são caros e as operadoras pedem contrato de 3 anos para oferecer alguma vantagem. 11 de Abril de 2008 Cheguei ao Canadá com a ilusão que iria comprar um Nokia N95 ou um iPhone a preço de banana e que a conexão à web e outros serviços pelo celular seriam barato e fáceis. Segundo dados da revista Convergence (n. tirando alguns modelos da Blackberry e da HP. Os canadenses não usam e-mail (e pouco usam SMS) e o uso da web é restrito pelo preço caro do tráfego de dados. Doce ilusão. enquanto que no Japão esse número supera os 80%. os telefones. 50). etc. Os serviços são caros. a preços razoáveis. é impossível achar nas operadoras um telefone de ponta como os novos Nokia ou o HTC Touch Cruiser. É possível comprar no mercado alguns desses aparelhos desbloqueados. só agora ela começa a pegar por aqui. mas os custos das operadoras são de assustar. No Japão. Enquanto em países como Japão e Coréia a telefonia 3G já está na maioria do parque de celulares. por exemplo (3G. GPS embarcado e computação móvel).SextA. Hoje podemos ver por aqui celulares e serviços de acesso a sites editoraplus.

Não vi ninguém na rua usando o “video-call”. A taxa de penetração dos celulares é bem baixa. em ônibus ou para pagar o parquímetro. muito atrasado. não há possibilidade de tirar cheque nas máquinas (tem de pedir e leva mais de 15 dias para editoraplus. e telefones com “video-call”. senão o último país do mundo desenvolvido a ultrapassar essa marca (Fonte Teleco). por exemplo. Segundo dados da Teleco. Fui a três lojas de operadoras de celular e perguntei por celulares 3G e ninguém sabia me dizer nada sobre eles ou sobre serviços. Só para comparar. por exemplo. o número de telefones móveis passou o de fixos. embora o sistema financeiro seja muito mais sólido: faz-se pagamentos por cheques enviados pelos correios. apenas em 2007. Alguns analistas explicam que a situação é assim preocupante pelo tamanho do país e pela baixa densidade demográfica.org info 194 . no Brasil. em relação ao Brasil. Não vemos por aqui serviços de pagamento por celular para entrar no metrô. mas ainda é bastante tímido e caro. Um parêntese: o serviço bancário também é. Ele está lá pela trigésima posição no ranking mundial. as senhas dos cartões são de apenas quatro dígitos. Dados de 2007 indicam 19 milhões de usuários.sociais. como o Facebook. Apenas o uso do Blackberry é mais visível (talvez por se tratar de uma empresa canadense). já passamos os 124 milhões. 56 telefones para 100 habitantes. Os canadenses são os que pagam as tarifas mais caras entre os países desenvolvidos. por exemplo. sendo um dos.

Assim sendo.ficar pronto!) e não há chip nos cartões. acesso sem muitas dificuldades e com uma ótima velocidade a internet em casa ou na rua. há empresas oferecendo velocidade de 50mb/s. como já mostrei em outro post. com 400 pontos de conexão e mais de 60 mil membros. editoraplus. mas continuo sem um telefone celular.org info 195 . com TV e telefone no pacote com preços mais baixos do que o que temos a 1MB/s no Brasil só para a internet. Também há inúmeras redes sem fio gratuitas (Vancouver. Montreal). Toronto. no entanto. Há iniciativas interessantes como o projeto “Ile Sans Fils” em Montreal. No que se refere à internet. como mostrei anteriormente.

Mont-Royal.org info 196 . Montreal. abril 2008 editoraplus. GPS Drawing.Ciberflânerie.

fui ao lançamento no Canadá do “Tenori-On”. me pareceu bem simples e intuitivo o uso. Cornelius entre outros. Os recursos são grandes e o gadget vai fazer a felicidade de DJ’s e produtores musicais.”.SábAdo. Não se parece em nada com um instrumento e o visual é de uma caixa quadrada cheia de botões.org info 197 . Na festa de lançamento por aqui. 12 de Abril de 2008 Ontem na “Société des Arts Technologique”. A interface com os leds ativos e as luzes faz com que o uso seja “natural”. criado pelo artista multimídia. Matthew Herbert. mais nada. editoraplus.. Toshio Iwai e a Yamaha. O dispositivo foi criado em 2001 e ficou esses anos todos sendo testado por artistas como Kraftwerk. havia vários Tenori-On disponíveis para o público e shows com músicos se revezando utilizando o instrumento.. Foi lançado em setembro de 2007 em Londres. leds. Mouse On Mars. SAT. entrada SD Card. instrumento digital com uma interface luminosa.. Pude testar e depois de uma primeira dificuldade com a interface. Esperamos agora os hackings e os “usos imprevistos” por outros artistas e usuários. Yellow Magic Orchestra. O folder diz: “Tenori-on is a unique 16x16 LED button matrix performance controller with a stunning visual display. saída Mini DN e speakers e várias funções. O instrumento (?) tem 256 leds.

org info 198 . Montreal. editoraplus.Cascada na Place des Arts.

Muito comum. editoraplus. proibido loittering. proibido flanar. Centro Comercial Subterrâneo em Montreal.org info 199 .

16 de Abril de 2008 Ben X Assisti ontem ao filme belga Ben X (2007) de Nic Balthazar. Além disso. Falamos assim com um vendedor filmado. o coreano “Archlord”. mas utiliza um jogo real. O filme mostra a vida (baseado em fatos verídicos) de um autista (aspergiano) que sofre com o assédio dos colegas (bulling) e se refugia em um game multi-usuários. Bizarro! Aconselho a ida ao ExCentris.QuArtA. achando aí a sua salvação! Gostei e recomendo. o filme não cria um cenário de jogo. games e assédio) usando uma linguagem que toca os envolvidos (jovens e autistas). você compra o ingresso como se estivesse conversando com um personagem de um filme rodando ao vivo! O vendedor aparece em uma escotilha sendo que a imagem dele é gerada por uma câmera no interior da bilheteira.org info 200 . E na bilheteria do complexo de cinemas Ex-Centris. editoraplus. Ele aborda um tema interessante (autismo.

Vou fazer uma síntese. A palestra se desenvolveu para sustentar o conceito de “sujet insécure”. no colóquio sobre “Insécurité linguistique et rencontres barbares”.QuintA. O sentimento de medo coletivo não é novo .a idade editoraplus. a dimensão na qual estamos imersos. Na primeira parte. O tema inicial era sobre cinema e ela mudou na última hora. ou seja. para “cultura da insegurança” na qual explora a questão do sujeito e das novas tecnologias de vigilância. professora da Universidade de Amsterdã. Para ela seria hoje impossível nos situarmos fora dela. colocando o acento sobre a ideia de cultura. no Cérium da Université de Montréal. 17 de Abril de 2008 “Sujet Insécure” Acabo de assistir a excelente palestra de Mireille Rosello. Havia lido e citado um dos seus artigos sobre flânerie no meu “ciberflânerie” há alguns anos . Rosello discute a noção de “cultura da insegurança”.org info 201 . principalmente as câmeras no espaço público. Em alguns dias a palestra estará disponível em vídeo no site do Cérium. para minha sorte.

por outro. ao mesmo tempo. Isso leva à criação de uma subjetividade vulnerável que se estabelece pelas duas posições (de esquerda ou de direita). de saber e de leitura da contemporaneidade.média gera mitos e narrativa sobre o assunto. Elas fazem parte do discurso sobre a segurança e. Ou seja. uma forma de ser. há razões para ter medo. para Rosello. ela analisa as atuais e onipresentes câmeras de vigilância no espaço público. mas é agora que ele ganha contornos planetários. que o sentimento de insegurança é indesejável. por um lado o direito à privacidade e à liberdade individual. então. O sujeito quer reagir às câmeras na luta entre. segundo ela. Na segunda parte. O “modo” de insegurança passa a ser uma ontologia. Nesse debate ficamos presos em ideologias. Rosello afirma estar cansada desse debate e que vai renunciar a editoraplus. 2. A questão. três postulados presentes.org info 202 . 3. é que devemos aceitar fazer parte dessa cultura para transformá-la. o cidadão está preso entre dois medos: o medo de quem vigiamos (perspectiva que ela chama de “direita”) e de quem nos vigiam (perspectiva de “esquerda”) e. criam a cultura da insegurança. e mesmo sistemas de desvio e apropriações desses dispositivos estão enquadrados na mesma dinâmica cultural. e a segurança social. em todos os debates sobre a questão: 1. Rosello desenvolve. elas fazem parte da forma de estar e viver nas sociedades avançadas. E um dos sintomas é que essa cultura não indica claramente um culpado. Não há como escapar.

esses argumentos e propor outro ângulo de análise. Para ela, e essa me pareceu a parte mais interessante da conferência, a solução é encarar não as ideologias, mas a materialidade do objeto, a câmera por ela mesma. Baseada em pesquisas de autores belgas (e outras pesquisas sociais), os resultados mostram que os usuários demonstram que a simples instalação de uma câmera cria medo, vulnerabilidade e insegurança. A câmera estimula uma reação positiva, produzindo a ideia de que há um problema de segurança no lugar. O medo se estabelece seja no presente (a câmera está ai para proteger de algo), seja na atualização do passado (por não ter tido medo antes), seja no futuro (o problema que virá). A angustia é assim gerada aumentando o medo e a paranóia. A presença da câmera não cria tanto o medo de ser vigiado, segundo pesquisas, mas a sensação de que deve haver medo já que a câmera está lá. Rosello vai então propor ver a câmera como um “cidadão incivilizado”, baseado em autores que escreveram sobre formas de incivilidade na sociedade (maneiras de ocupar o espaço fora das normas, como a violência verbal, o desrespeito ao outro, a falta de educação no dia a dia). Essa falta de civilidade deveria ser reprimida para não gerar mais violência. Embora controversa, ela usa essa tese para propor que as câmeras de
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vigilância sejam vistas como “cidadãos incivilizados” já que instituem formas de quebrar a “boa educação”, tanto pelo olhar intrusivo, como pela produção de uma sensação de observação e vigilância, causando seja um medo atual, seja o “medo de não ter sentido medo antes”, seja o medo do futuro. De novo, se as câmeras estão aqui é por que há algo a temer. Elas são assim “incivis” por invadir o presente, evocar um passado assustador e produzir a catástrofe futura (sem resolver nada já que apenas filma). As câmeras são consequentemente formas de “pré-mediação” vulgar, apontando para algo que vai acontecer, já que performativa. Na terceira e última parte, Rosello, segundo ela mesmo, vai desenvolver uma análise mais “otimista”, afirmando que a insegurança é um sentimento indesejável e temos que fazer tudo para diminuí-lo. Ela retoma o terceiro postulado e afirma que a insegurança é fruto de um contexto cultural específico e que os eventos de 11/09 só serviram como desculpa para tentar resolver o problema pelo viés tecnocrático ou ideológico, instituindo diferenças, estigmas (o perigo do “outro”). Há assim alguns que devem ser vigiados e outros não. Para Rosello é fundamental que todos possamos nos colocar como esse “outro” e aceitar o regime de insegurança. A miséria dos “não-lugares” não é, para ela, o excesso de olhar, mas sua falta. Se tenho medo, como humano, posso me colocar no lugar desse outro que me assusta. O problema não é eliminar o outro, mas
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nos ocuparmos dele, reconhecermos sua vulnerabilidade que também é a nossa. Para Rosello, a vulnerabilidade produz sociabilidade. O sujeito deve assim encarar as câmeras como um outro que olha, mas que também precisa de ajuda. Ou seja, não se trata tanto de evitar o olhar, mas de reforçá-lo para poder ver não tanto as diferenças, mas o que nos torna semelhantes. A insegurança e a vulnerabilidade podem ser formas de aproximação ao outro, formas de reforço social. Por isso, conclui Rosello, devemos reivindicar um “sujeito inseguro”, vulnerável, e que se aceita assim, fundado na e pela insegurança (já que a segurança total e completa é uma ilusão). Esse “sujeito inseguro” deve ter a capacidade de aceitar a relação de vulnerabilidade e de insegurança e não ficar preso às dicotomias que fazem da primeira um aspecto individual, e da segunda um fato social. O “sujeito inseguro” sabe da ilusão de segurança das câmeras de vigilância, sabe que elas geram o medo e a intolerância e que, ao invés de resolver o problema, elas só o agravam, produzindo mais sentimento de insegurança. Esse “cidadão inseguro” seria melhor adaptado para se locomover nesse regime de visibilidade e denunciaria as tentativas perversas de resolução dessa “insegurança universal”, da qual eles são vítimas.

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Nota: Ao leitor, sugiro ver a apresentação em vídeo, já que escrevo no calor da conferência e, com certeza, há imprecisões e traições à autora. Mas fica o relato como um estímulo a discussão e ao conhecimento do trabalho de Rosello.

Tires d’Erables sur neige em uma “Cabane à Sucre”, lugar que produz o Érable (Mapple).

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domingo, 20 de Abril de 2008
Depois de uma dia comendo tiras de érable e visitando uma “cabana à sucre” perto de Montreal, com direito a andar com “raquette” na neve, volto para casa e sou informado que o SUR-VIV-ALL está no “Networked_Performance” e em destaque no “Trópico”. Feliz com a lembrança e com o bom fim de domingo.

terçA, 22 de Abril de 2008
Cellular e Badernas em Montreal Ontem, após o jogo de hockey entre os “Canadiens de Montreal” e o “Boston”, que classificou os Canadiens para a próxima fase da competição, houve ataques a carros de polícia e quebra-quebra de lojas no centro da cidade. Poucos, mas ativos, holligans colocaram fogo em carros da polícia e semearam violência e baderna no centro. E olha que o time ganhou e não houve problemas entre torcidas...apenas violência gratuita nas ruas contra policiais e estabelecimentos comerciais. Em todas as imaeditoraplus.org
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gens que vi (na TV, no YouTube, em blogs e fotologs) há pessoas usando os celulares. Aqui, os vândalos filmaram, pessoas comuns filmaram e todas essas imagens estão sendo usadas pela polícia (como informado por matérias que acabo de ver na TV) para prender outros manifestantes. Algumas pessoas presentes, incluindo aí os comerciantes atingidos, enviaram filmes e fotos feitas com o celular para a polícia. Vemos a força de circulação dessas novas imagens. Até agora 16 pessoas foram presas, sendo dois menores.

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Ponte Jacques Cartier

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Habitat 67 de Moshe Safdie editoraplus.org info 210 .

ou seja a busca por um lugar no mundo. como se o tempo não passasse ou fosse um outro espaço-tempo. 01 de mAio de 2008 L’année drenière à Marienbad Revi essa semana o filme “L’Année dernière à Marienbad”. Como estou pesquisando as mídias locativas e as novas funções sociais e comunicacionais dos lugares nos espaços urbanos. meu olhar foi completamente tomado por essa problemática. transforma-se em um grande editoraplus. No fundo esse espaço-tempo.org info 211 . Há indícios de que o filme (roterizado por Alain Robbe-Grillet) tenha se inspirado no livro “A Invenção de Moréu” de Bioy Casares. acho que o filme é sobre a (in)comunicabilidade e a busca de um sentido no espaço e no tempo. que é o hotel. onde ouvimos diálogos circulares. Sem revisar a bibliografia já escrita sobre o filme (não sei se o que estou dizendo é uma obviedade ou não). ou congelados.QuintA. 1961 e meu sentimento foi completamente diferente da última vez. e os três personagens centrais se misturam entre outros que estão ou em movimento. diálogos em off descolados de quem fala na cena. O hotel onde se desenvolve o filme é um castelo luxuoso. de Alain Resnai.

“silêncio”... a narrativa repetitiva (mítica) e a impossibilidade de ouvir o outro..org info . Os personagens não têm nomes e o enredo gira em torno de um homem que insiste em ter conhecido uma mulher algum tempo atrás. um espaço homogêneo fora do tempo e do espaço (não há nenhuma precisão sobre espaço e tempo. sendo o jogo.tabuleiro labiríntico (todos os outros hóspedes estão sempre jogando. o que significa que o labirinto/hotel é um “não-lugar”. a incomunicabilidade. Mais ainda.. aparentemente. Como em todo labirinto. e mesmo as cenas não deixam ao espectador muita informação sobre suas cronologias). todos os lugares são iguais (e por isso nos perdemos). em algum lugar (tempo e espaço imprecisos). Marienbad é apenas sugerido como 212 Parque Olímpico de Montreal editoraplus. As cenas e falas giram em torno do labiríntico hotel e da tentativa do homem fazer a mulher se lembrar do suposto último encontro. a única forma de sociabilidade). ou seja.O filme reforça a ideia de um espaço circular e homogêneo (sem sentido) do labirinto.) que reforça ainda mais a função de “não-lugar”. esse hotel/labirinto é também marcado por controles e signos (“não perturbar”.

fazem parecer um ser de outro mundo). os passos lentos. Os personagens aparecem sempre no hotel. editoraplus.org info 213 . embora não seja lá muito convincente quando afirma a sua incapacidade de lembrar. o olhar perdido e sem foco. A mulher suporta toda a ambiguidade do filme (os gestos pequenos e robotizados. Ela se contradiz frequentemente. principalmente quando pede a ele para esperar um ano para novo encontro. mas nada é certo (há uma cidade com este nome na República Checa). Essa justaposição de imagem coloca. Abaixo vistas labirínticas da torre do Parque Olímpico de Montreal. sobre a busca por um sentido que criaria nesse “não-lugar”. intercalando posições nesse grande jogo! O desencontro entre falas. Isso fundaria um lugar. O efeito visual funciona e as imagens parecem se fundir. ao mesmo tempo. a perdição nos corredores todos iguais e a falta de sentido na movimentação do hotel indicam que o filme é. os personagens no hotel e nas imagens. com quadros com perspectivas de um jardim ou de tabuleiros. uma discussão sobre o espaço vazio das relações sociais. personagens. Ela não se lembra de nada. uma MEMÓRIA (problema central do casal) que resgatasse ou produzisse algum sentido sobre esse tempo e espaço.lugar do suposto encontro. sempre invocando o labirinto. na realidade.

org info 214 .editoraplus.

org info 215 .editoraplus.

o ACFAS 2008 (como convidado de última hora). como vimos no comentário anterior sobre o uso de telefones celulares nos aviões. da “Action terroriste socialement acceptable . o “bairro das artes”. professora de sociologia da Université du Québec à Montréal.ATSA”.8 dólares por 24h (o primeiro que pego com esse serviço). 04 de mAio de 2008 Escrevo este texto no trem para Québec. Aqui. pago . onde participo de um evento. Vários artistas estão realieditoraplus. Ontem ouvi duas mesas redondas.org info 216 . no centro de Montreal. St. Annie Roy. mostrou ações concretas e a necessidade de uma realização efetiva no local. sobre as transformações do bd. Espace Mobile A abertura do evento “Espace Mobile” foi coordenada por Marie-Josée Jean et Patrice Loubier que apresentaram os desafios que se colocam na modificação do bairro central. uma sobre a literatura na era digital e outra. Depois vieram as falas de Anouk Belanger. O trem tem Wi-Fi a bordo. sobre a “culture populaire urbaine à Montreal” e questões sobre a revitalização do bairro.domingo. Depois. Laurent na VOX. exercito ao mesmo tempo a mobilidade física e informacional. “espace mobile”.

no qual o artista criou um percurso turístico editoraplus. dinâmica. entre outros. rapidamente. Renaud recebeu um guia da cidade no qual são propostos cinco percursos turísticos. formas de visualização de como os GPSs monitoram as pessoas. uso de espelhos que desviam o “olhar dos satélites”. um lugar idealizado. interessado nos atuais processos de vigilância e de militarização. Esses percursos visam mostrar uma Montreal bela. Depois ele produziu um mapeamento das câmeras e colocou uma “errata” no guia gratuitamente distribuído.org info 217 . Renaud fez os mesmos percursos a pé. Vou tentar aqui. destaque de desenhos da Disney nos quais aparecem câmeras de vigilância. O mais interessante ontem foi conhecer os trabalhos do artista francês Renaud Auguste-Dormeuil. no aeroporto. Para Renaud. Ao chegar a Montreal. o papel do artista é “injetar realidade” nos sonhos produzidos por aqueles que controlam o espaço urbano. ao receber o guia.zando obras durante o evento. Um dos mais interessantes é o projeto MABUSE. O lugar é assim investido dos “mitos e sonhos” das instituições. segura. multicultural. Ele fez o mesmo em Paris (explicando que as autoridades locais mudaram o nome de câmeras de “tele-vigilância” para câmeras de “tele-segurança”): visita-áudio em museu para ver as obras vigiadas. mas anotando todas as câmeras de vigilância visíveis (com endereços precisos e nome dos proprietários). descrever alguns projetos e fazer uma ponte com o problema das mídias locativas. Assim.

tendo como fundo o espaço urbano.. Elas buscam. Esses projetos artísticos (e outros que tenho apontado no Carnet e em meus textos) visam tornar visível o que passa despercebido na prática do uso do espaço urbano: não só as câmeras de vigilância (visíveis). mas as mídias locativas como o telefone celular.em micro-ônibus para que “turistas” pudessem ver as câmeras de vigilância da cidade (as mais importantes vistas e filmadas no mundo. visam trazer à tona dimensões materiais e não-materiais dos lugares. Um percurso turístico proposto é o mesmo para todos. como a do obelisco da Place de la Concorde ou as do Hotel Ritz que pegaram as últimas imagens de Dodi e Diana. Se as câmeras produzem o sentimento (atual e futuro) de medo no “sujet insécur” (ver comentário sobre o assunto com a palestra de Rosello). Talvez possamos dizer que as práticas artísticas. as etiquetas RFID e diversos sensores criando situações de monitoramento. as redes Wi-Fi. elas são também. injetar realidade e fazer com que o lugar assim produzido (como um não-lugar. asséptico. Um percurso turístico alertando para os lugares onde o turista será vigiado tem uma outra conotação. como mostram os trabalhos de Renaud e de Annie do ATSA.org info 218 . O que podemos dizer aqui é que as obras com mídias locativas. produtoras de “não-lugares”. aí incluindo as câmeras e demais diseditoraplus.). controle e vigilância de movimento. pela sua própria materialidade.. seguro) possa fazer sentido. uso de GPSs. pelo caráter normativo. as redes Bluetooth. convivial.

Bertrand Gervais.positivos de vigilância. a saber a literatura multimidiática. embora performativos. GPS. A discussão ficou na temática dos anos 1990. agora autor. no espaço urbano. os projetos desses artistas “injetam” o real nos ideais racionalizantes e asseptizantes do planejamento urbano. coordenador. ou seja. Essa revelação seria uma forma de “desterritorialização”..org info 219 . Literatura Digital A primeira mesa-redonda foi sobre a “Littérature Electronique”. RFID. sejam tentativas de ressignificação dos lugares pela visualização de processos invisíveis. Aqui. etc. o papel do leitor. no 10o Festival Littéraire International de Montreal. com a presença de Hervé Fischer.. Alice van der Kei e Bruno Guglielminetti. nos espectros de rádio de zonas Wi-Fi. o hipertexto. de transformação desses “não-lugares” em um lugar social (zonas de envolvimento das coisas que fazem sentido coletivamente). criando um espaço socialmente produzido (Lefebvre).). Yannick B. revelando o que está oculto (na materialidade das câmeras. mais uma vez. Pouca discussão sobre a atualidade do fenômeno como os blogs e nada sobre os novos formatos como a literatura por telefone celular (muito popular no Japão) ou as experiências de construção literária multimieditoraplus. Gélinas. celulares.

um amálgama de estilos que passou por diversos suportes até a canonização do editoraplus. de novos estilos. na realidade. entre os formatos (e sempre foi assim desde a invenção da escrita). onde e como) e a liberação da emissão abrindo as vias da distribuição a jovens escritores (que normalmente têm as portas das editoras fechadas). O debate girava em torno de falsas questões: se o meio digital suporta ou não a literatura (blog é literatura?.info/janelasdomundo). no qual o leitor é sempre ativo.org info 220 . O meio digital e as tecnologias de acesso permitem formas diferenciadas de leitura (quando. se o leitor é ainda leitor ou um interator. A discussão. hipertexto é literatura?). Toda literatura é um hipertexto. Trata-se. como tenho exemplificado no Carnet de Notes. consequentemente. Com o meio digital. E “A” literatura é isso no final das contas. ao meu ver. não do fim da literatura (quem poderia decretar isso?). a rede cria possibilidade de escritas coletivas (vejam o meu “Janelas do Mundo” – http://andrelemos. Há diferenças. entretanto. se será o fim da memória pela volatilidade eletrônica.diática com as ferramentas locativas. etc. Sou um leitor de romances e me sinto parte ativa da obra e me deleito com histórias contadas por outros sem que eu tenha que me colocar ou participar de alguma forma outra que não seja lendo. mas da emergência de novos suportes e. foi interessante para um público leigo. se o novo formato vai apagar as outras formas literárias.

Ora. Ela mudou ao longo os séculos e hoje assume uma outra forma. escritores banidos. Podemos certamente dizer que a memória que temos da literatura mundial está longe de ser uma memória exaustiva do que foi produzido nas diversas épocas da humanidade. sua poética e seus leitores. (vejam o belo livro “História universal da destruição dos livros . O que vemos hoje é uma ampliação (argila.códex medieval. O que vemos hoje é uma expansão de formas expressivas da ficção e cabe aos artistas escritores definirem seus rumos.org info 221 .Das tábuas sumérias à guerra do Iraque” do venezuelano Fernando Báez). pergaminhos. E cada suporte tem seu charme. mais uma vez tenta-se aplicar procedimentos do códex ao meio digital.). mas a abertura e o convívio de várias maneiras de se “contar histórias”. mas não o fim da literatura. Livros foram destruídos. hypercard. mídia locativa. hipertexto web. A literatura não é propriedade de um suporte.. Há assim uma reconfiguração de estilos. reprimidos. Não devemos pensar um formato contra um outro. papiros. além da literatura. livros. blogs. A mesa chamava a atenção para a necessidade de se conservar a memória (supostamente garantida no impresso e fragilizada com o digital) e que ainda haveria necessidade de um suporte material. códex. não os suportes.. microblogs. celular. o Códex. No fundo somos nós os multimidiáticos. A questão não é a morte de uma forma hegemônica... A literatura não pode ser definida pelo suporte. A memória que temos hoje na editoraplus.

reconfiguração. e será conservado aquilo que mais circular.materialidade do impresso é aquela produzida por poderosos vencedores ao longo dos séculos. conexão. Talvez esta forma de manutenção de uma memória literária coletiva aberta seja mais interessante do que aquela assumida por instituições que filtram e estão a mercê dos poderes constituídos. já que no digital o consumo é a circulação... Hoje a efemeridade do digital pode ser um traço do estilo.org info 222 . editoraplus. Mais uma vez os três princípios gerais da cibercultura se aplicam aqui: emissão.

org info 223 . Percurso caótico.Ciberflânerie em Québec. editoraplus.

Capital da província do Québec. conhecendo a bela cidade do Québec. Ele é um instrumento de localização a posteriori para ver os desenhos que fiz sobre o espaço urbano.org info 224 . passei o dia todo andando. Aqui nasceu o Canadá. mercados. A Universidade de Laval foi fundada em 1663 pelo padre Montmorency-Laval quando só havia 600 habitantes por aqui! Andei muito e marquei meus percursos com o “GPS Tracker”. com certeza a mais europeia das cidades canadenses. não sei por onde estou andando. 94% da população são de origem francesa. O interessante do “GPS Tracker” é que ele não é um localizador com mapas (como os equipamentos de GPS tradicionais. invisíveis e que me ajudam a dar sentido ao editoraplus. sendo descoberto em 1535 pelo francês Jacques Cartier. também. Vejo coisas de interesse “turístico”. desenhos pessoais. Os mapas e as impressões imagéticas estão no “ciberflânerie”. nem mesmo o que tem ao meu redor (a não ser o que meus olhos alcançam). Descubro as coisas andando ao acaso.SegundA. um indicador de percurso. nem o que encontrarei pela frente. ruelas sem dar muito sentido ao percurso. mas gosto de andar e ver pessoas. ou os GPSs embarcados em telefones celulares). O GPS não é para mim um guia. 05 de mAio de 2008 Depois do evento acadêmico no Palais de Congrès pela manhã. ou com guias e mapas que não uso muito normalmente. ou seja.

por essa deambulação urbana. magicamente. particularmente.meu percurso. editoraplus. O “GPS Tracker” não é o mapa com uma voz me dizendo “vire aqui ou ali”. só vejo o meu percurso quando exporto os dados como arquivo “klm” e abro no Google Earth. para a surpresa. Me interesso. o monitoramento. Para turistas objetivos buscando rentabilidade. Só vejo o traçado quando lanço os dados no Google Earth e ele. por essa “l’art de l’égarement”. Com o “GPS Tracker” refaço o passado no futuro e curto o presente. Ele é assim uma ferramenta ideal para ciberflâneurs (embora totalmente dispensável). O importante é a deriva. o nomadismo. o “GPS Tracker” não serve para nada. Praticamente. para aqueles que não buscam a produção de um percurso eficiente ou a rentabilização ao máximo dos custos da viagem. para o encontro inusitado e casual. vídeos ou posts no meu ciberflânerie. O dispositivo é mais um instrumento para o futuro me mostrar o passado do que um validador do presente: um instrumento mnemônico e locativo que só uso a posteriori. como dizia Benjamin sobre Paris. e busco ver como as mídias locativas podem servir mais para a desorientação. a flânerie. Depois vou colocando as impressões que guardei em forma de fotos. o controle ou a vigilância do meu espaço. do que para a localização.org info 225 . aparece (com erros). Até esqueço dele.

Le parcours trace une ligne. 116. Abaixo citações de três textos da revista Moebius: Ces marches sont orientées quand l’intérêt de la promenade tient tout entier dans l’intervalle.org info 226 . la promenade.. Rien.nous accueillons cette démarche (la flânerie. estou lendo agora dois livros: o de Jacques Attali sobre a história universal do nomadismo. le goût de pleurer fendant seul la carcasse.. Ma carcasse...” (André Brochu) editoraplus.. Phénom énalem. la promenade) comme une expérience où l’être humain cherche à établir un équilibre entre corps et esprit (. . número da revista Moebius. Ma car.. “Éloge de la Mache”. un cercle où le promeneur perd don chemin” (Jean-Claude Brochu) “.Sobre este assunto. C’est assez.. “L’Homme Nomade”. c’est tout.out.. mais ensaístico e ficcional.) Appelons donc cet état: rêvasserie” (Louise Cotnoir) “Voici venu le temps où la marche s’arrête immobile au milieu des souffles suspendus. La promenade n’inspire pourtant pas le respect qu’on accorde à la rigueur du parcours semé d’observations exhaustives et méthodiques entre deux points. e um outro.

Québec editoraplus.org info 227 .

Musée de la Civilisation. 06 de mAio de 2008 Territórios No “Musée de la Civilisation du Québec”.. 2007). podemos destacar uma citação de Christine Chivellon e uma passagem de Dorion. editoraplus.org info 228 . Edition MultiMondes.” (p.Le Québec”. respectivamente: Il s’agit de considérer le territoire comme le résultat d’une appropriation d’un espace offert comme champ de possible et (de) compreendre à travers ce travail opérer sur l’espace. mais plutôt à leur virtualisation partielle. la mise en place d’un système sémique médiateur de la relation à l’Autre” (p.12). no catálogo da exposição (“Territoires . Me deparei com definições de território que me parecem interessantes e muito próximas das que apresento quando da discussão sobre o que venho chamando de “território informacional”.. dirigido por Dekoninck.terçA. et surtout à leur complexification..on n’en est pas à la fin des territoires. visitei também a exposição “Territoires”. No texto de Henri Dorion (“Un Territoire ou des Territoires?”). sobre a história da ocupação do Québec e das primeiras nações.. Marie-Charlotte. 9) “Le território est l’espace vécu. QC..

A segunda citação remete a pregnância do lugar e dos territórios frente à globalização e as tecnologias do ciberespaço. ou seja. o embate com o “Outro”. a TV e hoje as mídias digitais.A primeira citação apresenta bem o que entendo como território informacional. visitei a exposição “Urbanopolis”. a poluição. criando um “lugar” no qual o que está em jogo são trocas comunicacionais. mais que nunca. Para não dizer que não havia nenhuma referência. os projetos futuristas. o passado das cidades e as mudanças climáticas. A exposição destaca a demografia. os processos comunicacionais e o impacto das telecomunicações na transformação do espaço urbano. incluindo as novas tecnologias da mobilidade. a imprensa. Ainda no museu. Como já mostrei em artigos. o telefone. Sintomaticamente ela trata de diversas questões do urbano. essas tecnologias. urbanistas e arquitetos parecem ainda não absorverem a importância dos meios de comunicação na formação das cidades: a escrita. mas suas virtualizações e complexificações. esse espaço de controle informacional digital. havia um projeto de estudantes editoraplus. não decretam o fim dos territórios. mas não há nada sobre o papel das mídias. dos lugares. o rádio. o telégrafo. mas esquece completamente as mídias.org info 229 . Como estamos tentando mostrar. uma apropriação das camadas eletrônicas e físicas de um espaço. foram e são elementos fundamentais da construção social do espaço.

”.. 2108??? QuArtA. temos todas as mobilidades: a física (corpo/transporte)....) des lieux de reencontre se forment de façon aléatoire et spontanée à l’angle d’une rue. que estou usando agora. Aqui.da Université Laval para a cidade do Québec de 2108 (!)... 07 de mAio de 2008 Mobilidade Total A conexão Wi-Fi no trem “Via Rail” de Québec para Montreal. a informacional (acesso a informação com possibilidades de emissão e produção de conteúdo) e imaginária (os devaneios da minha mente em meio ao espetáculo que desfila editoraplus. é um exemplo concreto da complexificação da mobilidade em direção a uma “mobilidade total”. Uma maquete futurista na qual se pode ler: système de realité augmentée enveloppe les batiments (.org info 230 .) québec tisse des liens riche et complexes entre monde réel et l’univers virtuel (.

pela minha janela. primeiramente. vejo a paisagem. editoraplus. no regime dos “Angelos”.. não há muita conversa. ouço música. Aqui. a comunicação. Vejam a análise que fiz do avião anteriormente e que remete a esta mesma discussão.. em “Les Messages à distance” (Editions Fides. segundo Serres. ao invés de estarem curtindo a viagem. ao permitir o acesso e a produção de informação. como a força. um novo sentido. Montreal. mas apenas indicar: várias pessoas estão. começa o livro mostrando as mudanças na dimensão humana do trabalho e os regimes históricos que ele associa a. conectadas. só que com novas funções. como estou fazendo agora. como o fogo. Hercules. Temos aqui um trem como qualquer outro. a mensagem.). a máquina industrial..). 1995) que estou lendo agora nesse trem (sim. As novas heterotopias são uma das questões mais importantes da nossa época.. e agora Hermes. os mensageiros. deixo a conexão de lado e leio. a não ser duas senhoras que estão atrás de mim e não param de falar. Há várias implicações positivas e negativas (que não vou desenvolver agora). como eu. Michel Serres.org info 231 . vemos essa nova heterotopia informacional de um “lugar” que se desloca (o trem. trabalhando. depois a Prometeu. Estamos. como o navio para Foucault). Esse lugar (trem) ganha uma nova função (heterotopia). o artesão. que tenho chamado de heterotopia do controle informacional.

Há uma programação extensa em locações diferentes na cidade. allumons moins de feux. messages et messageries. SábAdo. em sua nona edição. comme des messagers: partons moins de masses. qui. commendent aux moteurs. le matin.Na passagem abaixo vemos bem o trabalho em meio a essa “mobilidade total”. porteurs de messages? Nous vivons désormais dans une immense messagerie. mais transportons des messages. où nous travaillons. partant en voyage. Na programação de ontem no “Usine C”. Vou destacar apenas editoraplus.” (p. lorsque vous partez au travail. encore moins d’Hercules et d’Atlas. Ele afirma: Considérez. fui ver o festival internacional de artes digitais. le programme du travail. pour une majorité. la foule qui s’écoule par les rues: combien peu de Prométhées. voilà. parfois. 12). aux dessins industriels succèdent réseaux et puces. instalações e performances. 10 de mAio de 2008 Elektra Ontem à noite. en tout.org info 232 . Aux plans de l’architecte. pour tant et tant d’Archanges. “Elektra”. Messagers.

org info 233 . A instalação “Capsule Optofonica”. com projeções e telas de tv experimentando a relação entre imagem e som. de Thomas Quellet. Interessante a atmosfera criada e o universo sonoro e imagético acionado. Som e imagem emergem simultaneamente: o som é a imagem! Hipnótico e perturbador. O mais interessante foi a performance TVestroy..duas obras. super graves. editoraplus. No interior há um palm com tela táctil na qual se escolhe o clip e ajusta-se a altura do sistema sonoro. uma cabine que envolve o usuário com sons e imagens (há também vibrações sentidas no chão). Uma experiência corporal intensa. O som faz uma grande diferença: potente. reverberando no corpo.. Fredericks + e Danny Perreault.

entrada do espaço Electra com lustre de garrafas Pet. editoraplus.org info 234 .

Festival Elektra. Montreal editoraplus.org info 235 .Tvestroy.

Vista do terraço do Montreal Museum of Archeology and History. onde Montreal foi fundada em 1642 editoraplus.org info 236 . Pointe-à-Callière.

genérica.terçA-feirA. As palestras praticamente não abordaram as experiências com as “locative media”.. Katz mostrou o celular editoraplus. circulação financeira. de James Katz.Foi dado um panorama dos usos do celular em vários países. mas bastante interessante para ter uma visão geral dos estudos e para conhecer as micro e macrorelações sociais com o uso do celular. Nada surpreendente. circulo íntimo e reforço identitário. ICA. arte ou games. O evento foi de alto nível centrado em diversos aspectos do uso do telefone celular. Os palestrantes mostravam suas pesquisas. aqui em Montreal. Muitos dados e poucos voos teóricos. A discussão sobre o espaço urbano é periférica. mas olhares locais que ajudam a ter uma visão global dos diversos usos do telefone celular: mulheres e patriarcalismo. mercados na Índia.. mas esse foi apenas tangencialmente tocado. diA 21 de mAio de 2008 Participei da pré-conferência “The Global and Globalizing Dimensions of Mobile Communication: Developing or Developed?” no “International Communication Association”. os dados coletados e as análises gerais.org info 237 . design e educação. A abertura foi com uma palestra. O título prometia algo ligado à cognição.

org info 238 . Segundo Katz. E isso é muito presente no uso que os jovem fazem do aparelho. Ela editoraplus. criando o que ele chamou de “nomophobia” ou “no mobile phone phobia”. Rivka Ribak. embora os países latinos tenham um PIB maior que os nórdicos. Com práticas patriarcais. Além disso. sempre com dados mundiais. As correlações são difíceis. Apresentou também algumas vantagens e desvantagens do dispositivo. Depois vieram as comunicações. México e Brasil têm menos celulares que Rússia e Estônia. há hoje uma grande dependência: 51 por cento das pessoas dizem não poder viver sem um celular. Sem o celular eles se sentem fora da vida social.como um objeto “naturalizado” (ele não usou esse termo). O desenvolvimento começou nos países frios e estaria migrando para os países quentes. O global negocia com o local. criam diferentes formas de adoção e resistência do uso por adolescentes na Palestina. mas afetado pela cultura. Kas Kalba mostrou a penetração do telefone celular no mundo e sugeriu como hipótese uma correlação climática. Explicou a penetração da telefonia móvel na Itália pelo pioneirismo no uso de “pay-payed phone”. apresentou os resultados de suas pesquisa com mulheres e adolescentes. O uso do celular é universal. se você não tem um celular. Mostrou o celular como artefato cultural (é produzido por e produz novos hábitos. crenças e costumes). você se torna um problema para as outras pessoas. expondo fotos dos mais diversos momentos do aparelho na vida quotidiana. no oriente médio.

car deux portables identiques à la production ne le restent guère editoraplus.. proposto por Dominique Boullier. e vice-versa? Como conclusão apontou para os antagonismos presentes na adoção do celular na Palestina. Índia e França.realizou uma etnografia entre 2003 e 2005 com garotas de 16 a 18 anos. A tensão se dá entre tradicionalismo e progresso. Apresentou questões como: que idade é aceitável para dar um celular para meninas? O marido pode acessar o celular da mulher. Goffman) au-delà de l’espace de co-présence. A pesquisa analisou a situação em países como Filipinas. national. social networks. a conectividade e o controle. protecionismo e liberalismo.org info 239 . Les objets deviennent alors une part de nous-mêmes. bank. Para Boullier. No entanto.city. mostrando criticamente a relação entre os “mobile operators” e as “credit card companies” (atingem hoje 200 milhões de trabalhadores). It refers to all the underpinning of our feeling of belonging .. Já Dana Diminescu se interessa pelo fluxo financeiro e dos migrantes e como a telefonia móvel age nesse contexto. o conceito mais interessante apresentado foi o de “habitèle”. Habitèle é a concrete form of connectivity. A pesquisa busca entender como os migrantes desenvolvem suas relações com a mobilidade. Ela centrou a discussão na relação entre migrantes e a transferência bancária. Quênia. ils deviennent en cela très singuliers. “l’habitèle désigne ainsi ces dispositifs portables chargés d’information qui nous maintiennent en lien avec nos mondes d’appartenance et qui ‘étendent notre bulle’ (E.

Coyne (situação. 1967 (“social control” . estaria produzindo um “não-lugar”. Gergen (“absence presence theory”). ao contrário. criam “community building”. como eles consomem “mobile music”. Já Katie Lever apresentou sua pesquisa com estudantes secundaristas nos EUA para saber como eles usam o iPod. Criou um grupo focal com 43 estudantes e analisou 200 questionários na primavera de 2007. como mostrei em outro post. Buscou responder perguntas como: o que o motiva a ter um MP3 player? Onde e quando usa? Sentem-se isolados?. uma zona de acesso informacional controlada.. Garfinkel.controle sobre o ambiente). já que me isolo e crio o meu som. Habitèle é como uma “segunda pele”. Há hoje 90 milhões de usuários de iPod. podemos pensar que editoraplus. a ideia de um “soundtrack for life” remete ao “non-place”. não-lugar). transformables. códigos e poder em forma de bits e bytes.” Ou seja. Ela citou autores que abordaram o tema como Bull (público e privado). um novo território. A ideia é que.. Para ela.dès qu’ils sont entre les mains de deux utilisateurs. d’autant plus facilement que le numérique les rend plastiques.org info 240 . tudo que diz respeito a acesso e pertencimento a um território informacional: senhas. um “território informacional”.etc. paramétrables en fonction de la personne. No entanto. A questão da pesquisa é se os MP3 players causam isolamento ou.

Facebook. A relação com o celular implicaria novos editoraplus.org info 241 . blogs. HCI.. a conectividade. on-off e 911) como sendo útil para pessoas analfabetas.o usuário apenas cria uma modulação do lugar (o som). Em estudo com 2400 pessoas e 17 países mostrou que quase 17% das pessoas são hoje hiperconectadas. escapar de constrangimentos e criar outra relação com o espaço e o tempo. Dawna Ballard. Mudando o som. explorou a relação entre o uso do celular e os iletrados. do Virginia Tech. Ela entrou em algumas particularidades e citou o “jitterbug cellphone” (telefones com apenas o pad com números.). Andrea Kavanaugh. o tempo de uso. aqui compreendida como as relações pragmáticas como a conexão. Conclusão: os jovens usam os players para mudar de humor. a hiperconexão (usar sem parar SMS. Apontou o celular como “scaffolding technology” (scaffolding : abrigo para trabalhadores) e mostrou problemas e ideias para o design dos aparelhos. diA 22 de mAio de 2008 Continuando as apresentações no ICA em Montreal. muda-se a relação com o lugar. e-mail. dos “communication studies” da Universidade do Texas.. Twitter. Depois. apresentou sua pesquisa sobre temporalidade. QuArtA feirA.

entre outras perpassam a pesquisa. depois de fracassos no MetroFi. Athens Wireless. Há problemas de modelos de negócios e os sistemas abertos parecem ser uma alternativa. Citou exemplos de mesh como Meraki. Citou também a inter-relação entre microblogging e copresença. 54% dos usuários dizem usar conexão de outros. dando o exemplo de um evento onde os organizadores mudaram a dinâmica depois de discussões no Twitter. Guifi.cz. Seattle Wireless. usando open source software. A solução apontada. Fon. analisou o sistema de acesso às rede “peer-to-peer” e apontou como este pode ajudar a diminuir o “digital divide”. Já Gwen Shaffer da Temple University. entre outras.padrões globais e locais do tempo (temporalidade pensada como frequência de uso). czfree. ou ainda as europeias FunkFeuer. “presence-absence” (Fortunati). Whiser. a regulação Federal e o medo em relação à segurança e à privacidade. Philadelphia. Há particularismos culturais. Juneau Wireless. é em sistemas peer to peer com mesh e ad hoc networking. editoraplus. esfera pública e mobilização social. Os obstáculos são as ISPs (Internet Service Provider).net. mesmo estando todos no mesmo lugar. “network time” (Hassan). et al). O enquadramento da discussão se deu em termos de economia política. etc. já mostradas no Carnet de Notes e também experiências com as “community networks” como Upsi. Noções como “perpetual contact” (Katz. Metropolitan Network.org info 242 . “space of flows” (Castells). Earthlink.

sensores e dispositivos móveis. e uma outra formal. mobilidade.doméstica. Mostrou que há duas formas gerais de relação com o espaço público: uma informal .. também da Temple University. discutiu o uso social e o espaço público. Citou o trabalho de Hiroshi Ishii e sua ideia de “ambient media”.Timo Saari. redes sem fio. novas funções para antigos lugares. criando o que ele chamou de “psychological sphere”! A pergunta que sua pesquisa tentou responder foi: “what is the effect of context on our use of cellphones?” No meu caso. como o uso do celular muda a relação com o contexto! Afirmou que o futuro é “location embedded/physical embedded” e que estaríamos ainda na era da “ubiqutous computing”. multitasking. a questão é a mesma mas invertida: “how te context change with the use of cellphone (microrrelacão social. a “ubiquitous computing” reúne processamento de informação. Scott Campbell da University of Michigan discutiu a relação entre “mobile communication and public space”. pessoal. novas funções para novos lugares.). política e editoraplus.org info 243 . “integrated into everyday objects and activities”. ou seja. caminhando para o “embedded universe”. com zonas de fachada e de fundo (foreground x background). interessado nas relações entre as tecnologias móveis e o engajamento cívico e político. Como temos mostrado aqui. Aqui o termo é sinônimo de “pervasive computing”. Mostrou vários exemplos em que o contexto (o lugar) conta: orientation..

cívica. Ling fez uma pesquisa sobre a situação na Noruega e na Ucrânia com 2325 questionários respondidos na Noruega e 1028 na Ucrânia. ele afirma que há. mostrando o declínio do capital social nos EUA. Ling apresentou vários dados e na conclusão afirmou que os celulares suportam interação no “intimate space”. less face to face”. que os serviços avançados (Web. depois e-mail e IM. IM. alienation. Citou Castells. Rich Ling mostrou sua pesquisa sobre o uso do celular em círculos íntimos se perguntando se o dispositivo reforça ou não as relações mais íntimas. sendo o uso de SMS bastante difundido. como as diversas manifestações conhecidas como “smart mobs”. Na Noruega a situação é de uma maior penetração e uso de SMS: todos tem celular. Segundo afirma. editoraplus. Já o e-mail é pouco usado. A Ucrânia usa mais voz que SMS. apenas os mais jovens.org info 244 . sendo considerado uma ferramenta para “velhos”. Afirmou que os estudos anteriores da internet estavam centrados em questões como “isolation. a tendência é haver um aumento do engajamento civil e da participação política. Sua pesquisa está centrada nos usos: “information exchange / sociability / recreation”. Na Noruega o celular tem forte penetração entre os teens. diz sua pesquisa. etc) “have only limited acceptance”. formas de “community building”. No entanto. “informal socializing” que reforçam o capital social e que esse uso informal é importante para um uso mais formal das tecnologias. Rheingold e Putnam. Microblogging. Na Ucrânia.

da Telenor.Jonathan Donner. afirmou. deixando o numero registrado e. Filipinas e Tailândia. ao invés de transformá-los completamente. no Paquistão. Segundo a pesquisa. Harsah de Silva. Rich Ling apresentou o trabalho de Helmersen. get price information. na qual ele facilita as “trust-based relationships”. mostrou uma tipologia do uso dos celulares na Índia para o comércio informal.org info 245 . taxistas e comerciantes. permitem uma comunicação de proximidade e informal com clientes e fornecedores. consequentemente uma mensagem: “quando eu ligar. O mote é a micro-coordenação e a mobilidade para pescadores. O celular potencializa os negócios já existentes. Por último. acquire new constumers. Os celulares ajudam a reduzir custos. Seria também uma forma de substituição dos telefones fixos. start new business”. por exemplo. no Sri Lanka. isso significa que já cheguei no lugar do encontro”. Da mesma forma. O celular serve aqui para: “serve costumers. há problemas de congestionaeditoraplus. serving existing customers. ou seja o uso do celular como código sem pagar a comunicação: uma pessoa liga e desliga antes da outra atender. mostrou os benefícios econômicos do acesso à telefonia móvel na Índia. bypass middleman. aumenta a produtividade e seriam vitais “not for make but for getting money”. coordinate with trusted partners. Citou exemplos sobre o mercado de peixes na Índia. sobre a prática dos “missed calls”. da Microsoft Research Índia.

org info 246 . que a motivação é apenas econômica. Há inúmeros exemplos e experiências de fusão do espaço eletrônico com o espaço físico. mostrando que isso faz parte do “teens entertainment”. Vemos aqui tudo de um street editoraplus. batalha de campo.). E o lúdico sempre foi uma maneira de socialização. já que 2/3 do tráfico são de “missed calls”. criando um “território informacional” próprio do “lúdico”.. 2. terçA. No domingo passado fui ao parque Mont-Royal. de criação da cultura (ver Huizinga e Callois) e de apropriação das tecnologias e do espaço urbano. Interessante pesquisa sobre um aspecto das relações com o celular ainda pouco estudado. Os “pervasive games” são jogos na rua com tecnologias móveis e redes sem fio. A pesquisa desfaz também alguns mitos: 1. que apenas as pessoas com poucos recursos fazem esse tipo de ligação. diA 27 de mAio de 2008 Estou concentrado revisando a bibliografia e escrevendo um artigo sobre “pervasive games”. e pude ver um “role play game” medieval onde equipes travavam batalhas de campo (roupas de época. a “praia” aqui.mento do tráfico na rede e não há lucro para as empresas. discussão de estratégias e táticas..

Os “pervasive games” evocam a mesma ambiência.org info 247 . O espaço do jogo atraía pessoas que ocupavam esse espaço para ver. saindo das telas dos computadores e indo para as ruas. QuArtA. suspensão do espaço (público) e do tempo (objetivo. na criação do “mundo do jogo”. Conversamos sobre os projetos “Citispeak”. “CityWide” e “Passage Oublié”. apropriação e ressignificação do espaço público. a criação de pertencimento e de vínculo social. de ressignificação dos lugares e de formação de redes sociais. principalmente celulares. Todos exploram a relação com o espaço das cidades. abrindo inclusive um leque de aplicações comerciais e artísticas para o futuro próximo. espaço urbano e novas tecnologias digitais móveis. que desenvolve há alguns anos projetos interessantes ligados a textualidade. 28 de mAio de 2008 Conversei hoje com Jason Lewis. Nada muito novo. racional e eficiente). responsável pelo Obx Labs/Concordia University. mas uma nova forma de apropriação das tecnologias móveis. “Cityspeak” foi apresentado em 2006 no MobileFest em editoraplus. a produção textual pública e coletiva. participar ou apenas “estar ali” estabelecendo um sentido “temporário” do lugar.game: sociabilização.

Citywide provides a way for geographically-based micro-communities to maintain communication with one another. para criar uma zona de “chats” entre as pessoas que ocupam o mesmo hotspot. The application makes use of the wireless hotspots provided by groups such as Montreal’s Île Sans Fil to create a chat-space that is local to each particular hotspot. A obra explora a textualidade e o uso do espaço público já que o sistema permite que pessoas enviem SMS que serão visualizadas no espaço público (telão). quando conheci o projeto. Use it to converse with other visitors. “Cityspeak is ephemeral graffiti.org info 248 . post announcements. Os usuários são convidados a deixar suas impressões por SMS ou através de um laptop dentro da área de cobertura Wi-Fi do aeroporto sobre a editoraplus. hotspots (aqui aqueles disponíveis pela organização “Ile Sans Fil”).SP.” Já “CityWide” usa ambientes com acesso a internet sem fio.” Já o projeto “Passage Oublié” aborda a relação com não-lugares. criando memória e microcomunidades. no caso o aeroporto internacional de Toronto (realizado de julho 2007 a maio 2008) e os processos de controle de pessoas pós 9/11. criando assim formas de publicização de textos normalmente enviados de forma privada. shout out to the cute guy in the corner. or explore the history of previously posted messages. an exploration into using private modes of communication to drive transient public displays of commentary about a particular location.

da vigilância e da invasão da privacidade e do respeito à integridade física e moral das pessoas.org info 249 . This installation takes the form of a touchscreen kiosk at Toronto’s Pearson International Airport.questão do controle.. para produção textual coletiva. Todas as experiências mostram o potencial das tecnologias móveis para ação no espaço público. July 2007 to May 2008. (. Passage Oublié is an interactive artwork about extraordinary rendition.) It is in this context that Passage Oublié displays information about rendition flights and asks travellers the following questions: Are rendition flights an acceptable means of dealing with the threat of terrorism? How is a collaborating country’s credibility as a defender of human rights affected? Does the end justify such means when it comes to the ‘war on terror’? Are the liberal democracies involved in this activity compromising their cherished principle that one is innocent until proven guilty?”. the practice whereby terrorist suspects are made to disappear in a global network of detention camps.. para criação de redes de sociabilidade e para a implicação política das pessoas no espaço urbano. Um mapa interativo (touch screen) mostra aeroportos envolvidos em “rendition flights”. editoraplus. tocar e contribuir. O usuário pode olhar.

A avenida Mont-Royal fecha durante 4 dias para as pessoas. oficinas. um sentimento de pertencimento ao espaço corrido e comercial da avenida. É o festival “Nuit Blanche sur Tableau Noir”. O evento (temporário) ajuda a fazer desse “espaço” um “lugar” pelo uso “tático” (De Certeau) que as pessoas fazem da rua. banal. No caso em questão são as rádios-poste (como conhecidas no Brasil). É mídia de massa. Os comerciantes colocam coisas nas ruas com descontos atraentes. a rádio poste produz espacialização e assim pode ser considerada uma mídia locativa analógica de função massiva. mesmo que ela não reaja ao contexto. com função locativa. Tem-se um sentimento de comunidade forte e essa é uma das características do Plateau (o bairro). 03 de junho de 2008 A primavera chegou e embora não faça ainda calor (chove e a temperatura está entre 15 e 20 graus).org info 250 . uma heterotopia. performances. Temos aqui um exemplo. diferente das mídias locativas digitais. editoraplus. Como expliquei.. a cidade está em festa. pintura. etc. Música. que interagem com o contexto e desempenham funções pós-massivas. mas sem o barulho típico do Brasil.SextA. É a 13ª edição do evento e isso cria uma memória. de como as mídias produzem um sentimento de pertencimento. O som está presente. fazem parte da festa.

editoraplus. Fiz uma pesquisa exaustiva e encontrei 73 games desde 2000 até 2008. tipo de PCG.Pervasive Games Volto à discussão sobre os games. estou finalizando agora um artigo sobre jogos com mídias locativas. Abaixo um resumo do artigo que deverá ser publicado em 2009. Fiz uma análise dos PCG por ano. país. tipo de jogo e redes sem fio utilizadas. que estou chamando de “pervasive computacional games” (PCG). dispositivos utilizados. Como escrevi.org info 251 .

Av du Mont-Royal fechada para comemorar a primavera editoraplus.org info 252 .

sensores e redes digitais móveis (celulares. Veremos que os PCG produzem territórios informacionais com fins de jogo. Para tanto iremos rapidamente discutir categorias como jogo. sendo hegemônicos os PCG de tipo LB. espaço. tendo como base a história dos PCG. heterotopias: 1. propor o conceito de “territórios informacionais” e de “funções pós-massivas” e no final analisamos 73 PCG (de 2000 a 2008) buscando identificar as formas de espacialização. o uso do espaço físico para o jogo (hunt e chase são maioria). discutiremos os sistemas baseados em localização. particularmente com os PCG. Radio) e do espaço físico por meio de territórios informacionais. e 2. O lúdico é aqui a forma de espacialização criada com os PCG. GPS. as funções “pós-massivas” e a criação de territórios informacionais. O objetivo é analisar. Nos interessa mostrar como as novas tecnologias digitais móveis produzem espacialização. a relação entre o espaço físico e o espaço eletrônico.org info 253 . lugar e território. Wi-Fi. Para mostrar esse processo de espacialização.Os Pervasive Computacional Games (PCG) aliam tecnologias digitais móveis e sistemas de localização permitindo uma interface entre os espaços eletrônico e físico para fins de jogo. temporariamente. palms. AR devices. criando. as formas de espacialização criadas pelos “location based services” e “location-based technologies”. RFID chips e redes GSM/ GPRS. Bluetooth. editoraplus. A espacialização se dá pelo uso de tecnologias.

o lugar é uma somatória de diversos territórios e suas funções. Mas uma outra dimensão junta-se a essa: a informacional . Um território com suas leis. Ando de bike e leio. E a segurança do lugar me permite usar um laptop sem a menor preocupação. tomando sol ou lendo. Hoje achei um ponto de conexão Wi-Fi aberto (há vários fechados) e estou escrevendo. gente ouvindo música. Agora esse lugar tem uma nova função. Ou seja. esse passa a ter um novo sentido e voltarei aqui mais vezes (com certeza há outros que descobrirei depois). O parque é um lugar público: pessoas passeando com filhos e cachorros. regulamentos e memória.org info 254 . gente de patins e bike. diA 12 de junho de 2008 Wireless Place Um exemplo de novos significados dos lugares com o uso das tecnologias móveis e redes sem fio é a possibilidade de acesso à internet a partir dos lugares públicos. no Plateau. Venho sempre ao parque La Fontaine. Quando preciso me conectar tenho que sair do parque e ir a algum café. uma editoraplus. De todos os lugares do parque.o que venho chamando de “território informacional”. em Montreal.QuintA.

Abaixo bikes virando parte da mobília do Parc La Fontaine. adicionando à mobilidade física.org info 255 . As redes sem fio e tecnologias móveis de acesso permitem assim. me conectar à internet. É o mesmo Parc La Fontaine..). Esse lugar agora tem um outro significado para mim e posso sempre voltar aqui para curtir o parque e. adicionar elementos à memória do lugar e produzir novos significados. blogar. ouvindo música ou vendo as pessoas passearem. microblogar. quando não estou lendo. outra.. não é um “lugar sem sentido”. Não é um “nãolugar”. criar novas funções nos lugares. editoraplus. mudando.heterotopia de conexão. informacional (posso navegar a vontade.

Bike editoraplus.org info 256 .

Bike editoraplus.org info 257 .

terçA, diA 17 de junho de 2008
Mais uma “ciberflânerie”, feita com o “GPS tracker”, agora pelas pontes de Montreal. No site (http://ciberflanerie.blogspot.com) é possível navegar pelas fotos e vídeos de uma ida e volta ao/do Parc Jean Drapeaux, de bicicleta, com direito a um Piknic Eletronic.

Mais uma “ciberflânerie”
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SábAdo, 21 de junho de 2008
Speed and its Limits La splendeur du monde s’est enrichie d’une beauté nouvelle: la beauté de la vitesse”. Filippo Tommaso Marinetti Participo hoje de um evento no CCA – “Canadian Centre for Architecture” que discute a “velocidade e seus limites”. Nada mais bem-vindo do que essa discussão em tempos onde não temos tempo para nada...aliás saio correndo agora para não perder a abertura do evento. A velocidade era, para o futurismo, uma religião e uma moral. Desde a revolução industrial, a velocidade está sempre associada ao desenvolvimento, à performance e à eficiência. Ser lento é quase uma ofensa. Aqui a velocidade liga-se ao movimento, tendo na máxima aristotélica, “movement = life”, seu princípio fundamental. Mas esse princípio derrapou rapidamente para “more movement = more life”, equação bastante questionável. Recentemente, conversando um professor e artista das novas tecnolo-

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gias ele me dizia estar cansado da academia por ser ela muito lenta. E ele tem razão. A academia é lenta já que a reflexão e a crítica exigem tempo, e o tempo é o inimigo da velocidade. Temos certamente que pensar em Bergson e na dimensão enriquecedora da “durée” e não do tempo descontínuo que regula as nossas vidas, como vimos no começo deste livro. Não é natural a forma como vivemos o tempo e o movimento, mas cultural. Culturas diferentes, todos sabem, vivem diferentemente o tempo e organizam suas vidas de forma independente dos relógios ou da agenda semanal. Hoje, em tempos de “tempo real” e da imediaticidade da informação, o freio à velocidade se impõe como um lugar do pensamento. A aceleração, mais do que a velocidade, é o problema. Mídia e transporte aceleraram os movimentos: aqui os movimentos virtual da informação e físico dos transportes. O século XX, e mais ainda o século XXI, são séculos da velocidade e da aceleração física e informacional. Imagens do século XIX mostravam trens e a máquina de escrever como emblemas dessa nova religião da velocidade e da moral do “mais rápido”. A mobilidade é o novo culto que emerge no século XIX. Podemos pensar em três tipos de movimentos: lentos (aceleração decrescente), rápidos (aceleração crescente) ou estáveis (aceleração nula)
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e devemos pensar nestas dinâmicas da mobilidade para compreendermos a cultura contemporânea em meio à revolução das tecnologias e redes móveis. Os debates no evento “Speed and its limits” foram multidisciplinares e não vou resenhar o evento, mas apenas destacar alguns pontos que me fizeram pensar sobre questões ligadas à comunicação, à tecnologia móvel digital e ao lugar. Pierre Merlin fez uma conferência sobre os problemas acarretados pela manutenção dos atuais ritmos de velocidade (no caso da mobilidade física) e dos movimentos em uma perspectiva da atual crise energética. Os constrangimentos para o futuro podem ser colocados em três grandes pilares: energia, clima e finanças mundiais. Ele mostrou que a velocidade dos transportes vem diminuindo: os aviões são mais lentos do que nos anos 1980, os carros são mais rápidos, mas se deslocam a uma velocidade média também menor do que no fim do século XX, e as políticas urbanas estão limitando cada vez mais o uso dos transportes individuais de alto consumo de energia (carros), priorizando os transportes coletivos (ônibus e metrô) e menos poluentes (a marcha e a bicicleta). Há assim uma tendência que aponta para uma velocidade que, nos próximos 20 anos, vai estagnar e mesmo diminuir. Uma solução apontada por Merlin seria criar, nas cidades, zonas que favorecessem a proximidade física, evitando assim
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grandes e dispendiosos (para o planeta) deslocamentos. Deve-se então estimular uma outra concepção das cidades e começar a produzir o que Merlin chamou de “mobilité paresseuse”, ou seja, uma “mobilidade preguiçosa”. Infelizmente Merlin não analisou o impacto das novas tecnologias. Apenas apontou que elas podem diminuir os deslocamentos, mas que não há relação direta entre a diminuição dos deslocamentos e as novas mídias. E não há mesmo. Pelo contrário, quanto mais as mídias evoluem, ou seja, quanto maiores são as possibilidades de transporte de mensagens, maior também é o número de transporte de pessoas e mercadorias. As pessoas hoje se deslocam mais, tanto fisica como informacionalmente (produzindo e consumindo informação, no que chamo de funções pós-massivas). Mas poderíamos pensar que essa mobilidade não teria que ser necessariamente acelerada, se criarmos condições para uma mobilidade “lenta” ou “douce” que estimule a flânerie, a promenade, a errance, que o culto atual da velocidade tende sempre a inibir como “perda de tempo”. Devemos pensar mesmo mais seriamente no que seria essa “perda de tempo”. A cultura do futuro (dos próximos 20 anos) deve levar essa questão a sério. Robert Levine falou de uma determinada cultura na Ásia onde essa questão não faz o menor sentido. Ela só faz sentido em uma vida projetada no futuro, insen-

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sível ao aqui e agora. Ao falar sobre a perda de tempo, Levine foi questionado por um nativo: “como é possível perder tempo?” Tenho mostrado como projetos de artistas com as mídias locativas tendem a estimular uma apropriação criativa dos espaços urbanos, a criação de novos sentidos dos lugares, o reforço da proximidade e da comunidade. Estes projetos são, certamente, minoritários, mas devemos pensar neles como “sintomas” ou, na melhor das hipóteses, como tendências. São ideias factíveis para uma melhor vivência no espaço urbano. Essa apropriação é, por essência, oposta ao percurso rápido, eficiente e pouco atento ao contexto, como fazemos diariamente ao nos deslocarmos para “resolvermos coisas”, ou para “não perder muito tempo”. É certo que as telecomunicações não diminuem a mobilidade e sempre o crescimento dos transportes físicos estiveram associados à mobilidade informacional, às telecomunicações: navios e rádios, trem e telégrafos, carros e telefones, aviões e internet...No entanto, as possibilidades de uso das tecnologias móveis podem estimular um deslocamento mais lento e, talvez, resgatar a proximidade evitando o imperativo da aceleração. Essa é a ideia chave: não instituir a imobilidade, mas desenvolver uma velocidade menos agressiva e mais compatível com o desenvolvimento sustentável do planeta.

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Pensemos, por exemplo, no uso dos dispositivos móveis e das redes de acesso a informações sem fio. Certamente eles não me fazem imóvel, mas me permitem um maior controle sobre a minha mobilidade. Eles possibilitam que eu possa coordenar, sem aceleração do movimento físico, encontros. Podemos, e já fazemos várias dessas ações atualmente: acertar encontros com um tempo mais fluido, ajustando-o por mensagens de voz ou de textos com celulares ou laptops; resolver problemas por telefone, e-mail, SMS, web ou microblogs em qualquer lugar sem que seja necessário chegar “rápido”; acessar informações em mobilidade (por exemplo, saber onde está passando tal filme em um cinema próximo) que me permitam chegar com menos pressa aos lugares; etc. Não se trata de inibir a mobilidade, mas de torná-la, por assim dizer, mais lenta. Alguém na plateia recuperou a fábula de La Fontaine, “A Lebre e a Tartaruga”, mostrando que quem ganha não é aquele que tem a maior velocidade (mobilidade acelerada), mas o que desenvolve uma mobilidade persistente, focada em uma finalidade. A fábula é hoje mais do que atual. As mídias locativas, potencialmente, para além do buzz comercial (que nos colocam como consumidores e não como agentes produtores e transformadores da realidade), podem ser esse conjunto de instrumentos inteligentes para o desenvolvimento dessa “mobilidade preguiçosa”, junto, obviamente, com outras ações que pensem no bem estar planetário e coletivo. Mas como sempre, nada

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Esses são os amigos imaginários e virtuais (esse é um dos efeitos da mídia de massa. mas que não me conhece. an old friend from Brazil.You’re going to Brazil for a concert. alimentar a aceleração. my name is André. Cohen. right? editoraplus. nos sentimos próximos de artistas e personalidades que admiramos). como diz Merlin. seja em suas músicas. 24 de junho de 2008 O bom de estar em Montreal é poder encontrar velhos amigos. Tomava um café perto da “Place des Arts” quando vejo passar um velho amigo. presentes em momentos alegres ou difíceis. ainda há muito petróleo. You don’t know me.org info 265 . Quando o vi passar. infelizmente. Ele me estende a mão e sorri. fui em sua direção e me apresentei: . ainda por muito tempo. hoje com 73 anos. gás e carvão no planeta que irão. but you always gave me support with your work.está dado e. Digo a ele: . Ele sempre esteve próximo. terçA. poemas ou romances.Hi Mr.

colocando sua mão no meu ombro. dia da festa dos 400 anos do Québec aqui em Montreal. Uma pessoa que estava com ele fez a foto. “Sure”.. Sim. you know.. I don’t know. Agradeço. E fará um concerto hoje à noite (os ingressos esgotaram no mesmo dia ao preço de 180 dólares). Cohen! 266 festival de Jazz de Montreal editoraplus. in São Paulo”. Estava andando na rua a caminho do teatro..Oh. desejo um excelente show e me afasto.org info . Ele ri de novo. Passava despercebido pelas pessoas! Pergunto: “Can we take a picture?” Ele diz. E hoje.. ele fará um concerto em São Paulo.Ele levanta as mãos e me responde: . E sorri calorosamente. depois de 15 anos sem se apresentar em público. Me aproximo timidamente e ele me abraça. Digo: “yes. mas parece não se lembrar. maybe one day. quem ganha o presente sou eu! Obrigado Mr.

mas também uma maneira de conhecer a cidade. A cidade se transforma completamente e fica radiante. abandonei o metrô e o ônibus e me desloquei sempre de bicicleta. ao acaso. descobertos. para todos os gostos. são inúmeros festivais e a cidade pega fogo. Não só era mais saudável e divertido. de encontrar os meus lugares preferidos. muitas vezes. festival de Jazz de Montreal editoraplus. Eventos de rua. No verão.org info 267 .Festival de Jazz O festival de Jazz de Montreal é o mais importante festival da cidade. de graça. Aliás a bike foi o meu meio de transporte principal até agora em Montreal. Passando a época das grandes nevascas e a primavera chegando. Pegava a bike e ia todos os dias para a rua ver shows e o movimento das pessoas nos bares e restaurantes.

festival de Jazz de Montreal editoraplus.org info 268 .

eu aqui e o Sérgio em São Paulo. Vemos que.org info 269 . Petição contra o Projeto Cibercrime do Senador Eduardo Azeredo (nota: quando fecho este livro. editoraplus. a petição está agora com mais de 140 mil assinaturas). de norte a sul do planeta. Abaixo o texto da petição que escrevemos juntos pela internet.SábAdo. colocando também nas costas dos provedores a tarefa de vigiar os usos de seus assinantes. com pressões das corporações de mídia americanas. Freedom and Law Enquanto no Brasil estamos vendo os reacionários projetos contra a liberdade na rede (como o do Senador Eduardo Azeredo). a lei C-61. 28 de junho de 2008 Internet. ameaça a liberdade de expressão. os dinossauros das mídias massivas e os conservadores de vários calibres estão querendo meter a mão no bem comum que é o ciberespaço. aqui no Canadá. Escrevi junto com Sérgio Amadeu uma petição contra o projeto do Senador Eduardo Azeredo e esperamos que a lei não seja aprovada como está e que haja mais discussão no Brasil.

pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos. editoraplus. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca. Construída colaborativamente. de novas redes sociais.EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana. Na Internet. distribuir e consumir conhecimento. a liberdade de criação de conteúdos alimenta. de novos programas. A liberdade é a base da criação do conhecimento. pela primeira vez. a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação. mas planetária em seu crescimento. A Internet é uma rede de redes. permitindo um avanço planetário na maneira de produzir. sempre em construção e coletiva.org info 270 . Uma realidade com desigualdades regionais. a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. de novas tecnologias. Estamos falando do presente. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet. e é alimentada. seja ele escrito. Descentralizada. imagético ou sonoro. como impera ainda na era das mídias de massa.

Necessitamos fazer crescer a rede. em crescimento a cada mês. ebulição cultural. Mesmo com todas as desigualdades sociais. ainda que sempre em potência. E notem que as categorias que mais crescem são. estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. Vejam o impacto das redes sociais. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. da Web. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e editoraplus. oferecendo oportunidades de trabalho. A Internet requalificou as práticas colaborativas. A Internet representa. superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. justamente. efetivamente. reunificou as artes e as ciências. O que vemos na rede é. Basta ver os números (IBOPE/NetRating): somos mais de 22 milhões de usuários. acesso à sites educacionais e profissionais.org info 271 . nós. Devemos assim. troca. e não travá-la. colaboração. dos softwares livres.O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis. somos os usuários que mais ficam online no mundo: mais de 22h em média por mês. produção de informação. do e-mail. E nós brasileiros sabemos muito bem disso. de educação e de lazer a milhares de brasileiros. somos usuários criativos e expressivos na rede. brasileiros. dos fóruns de discussão. ou seja. sociabilidade. a mais nova expressão da liberdade humana. “Educação e Carreira”.

quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários. é crime “obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores. e com isso poder melhorar suas condições de existência. cultura. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado. além de instaurar o medo e a vigilância. É o reino da suspeita. sem autorização ou em desconformidade à autorização. não podemos mais fazer nada na rede. de um dia para outro. milhares de internautas serão transformados. Se.org info 272 .estimulá-los a produzir conhecimento. dispositivo de comunicação ou sistema informatizado. do legítimo titular. quando exigida”. às possibilidades recombinantes. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede. Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet. como diz o projeto de lei. em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. colocando cada um como provável criminoso. O simples ato de acessar um site já seeditoraplus. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P. enrijecendo todas as convenções do direito autoral. do medo e da quebra da neutralidade da rede.

Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação online em um blog. já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! Se formos aplicar uma lei como essa às universidades. “sem pedir a autorização dos autores” (citamos. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização. pelas ideias que nos foram dadas por nossos professores e amigos.. colocaria a prática do “blogging” na ilegalidade. dispositivo de comunicação ou sistema informatizado”. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos. e sem mesmo avisar aos mais comuns dos usuários que eles estão copiando. se aprovado. Se levarmos o projeto de lei a sério. devemos nos perguntar como poderíamos pensar. O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. bem como as máquinas de busca.. criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos. Como podeeditoraplus. O projeto. também seria crime. pelas palestras que assistimos.org info 273 . teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao “transferir dado ou informação disponível em rede de computadores. mas não pedimos autorização aos autores para citá-los).ria um crime por “cópia sem pedir autorização” na memória “viva” (RAM) temporária do computador.

Uso criativo. sem autorização ou em desconformidade à autorização. editoraplus. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. o roubo e a cópia improdutiva e estagnante.org info 274 . não o plágio. a inteligência e a troca livre e responsável. a ser considerado crime. na Internet. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. surgido ou sido transferido por algum “dispositivo de comunicação ou sistema informatizado. e Projetos de Lei do Senado n. passa. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca. com respeito ao outro. Não defendemos o plágio. pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003. travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI. a cópia indevida ou o roubo de obras. do legítimo titular”? Defendemos a liberdade. Por estas razões nós. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileira. abaixo assinados. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. de uma forma ou de outra. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural.mos criar algo que não tenha. o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil.

Todo em preto e branco com imagens nervosas. O filme “My Winnipeg”. diA 10 de julho de 2008 My Winnipeg and Take Care of Yourself Esta semana. Não há praticamente diálogo entre os personagens. 76/2000. assisti o filme “My Winnipeg” e visitei a exposição de “Prenez Soin de Vous”. QuintA. 2007. O diretor utiliza atores para representar membros de editoraplus. de Sophie Calle. pois atenta contra a liberdade. do canadense Guy Maddin é uma narração em primeira pessoa sobre sua vida e sua saída da cidade.org info 275 . Narra as suas memórias intercaladas com fatos marcantes da cidade. duas obras interessantes pelo mecanismo mnemônico que elas ativam e pela publicização da vida privada. e n. Crítico e com muito bom humor. a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.137/2000. o autor/personagem está em um estado de vigília e sono. o filme é como uma experiência entre a ficção e o documentário. a criatividade.

é uma reação a um e-mail que recebeu de seu amante comunicando o rompimento da relação. Ao compartilhar algo tão íntimo pela publicação dessa dimensão pessoal. e sim a atriz Ann Savage (embora o narrador diga que não)..). as mais variadas reações. atrizes. filmes. fotos. e o sonho.. a saída da cidade. A imagem do trem mostra o sono inquieto do autor e remete à dimensão do espetáculo. tradutoras. identificado por “X”. psicólogas. Ela enviou o e-mail à 107 mulheres (cantoras. “Prenez soin de vous”. Em alguns momentos a exposição chega a ser perturbadora pela exposição de si. criminológicas. 33 telas. como o cinema. apresentada na Bienal de Veneza em 2007. Muito bom! Já a exposição de Sophie Calle. na última parte da exposição.org info 276 . etc. Há.. O autor/personagem está sempre balançando entre o sono e a insônia em um trem que desfila. a artista torna visível e público o que é do regime das alcovas e do segredo. cada uma com editoraplus. do outro. psicológicas. traduções. vídeos. criminalistas. pela janela. a obra é uma forma de catarse da artista. de conteúdo. mesmo anônimo. advogadas. Interessante e multimídia (mensagens escritas como um SMS. mas sua mãe não é verdadeira. linguística. uma relação amorosa que só diz respeito aos envolvidos. cartas. linguistas. as viagens por meios de transporte.).) e expôs. e pelas reações analíticas ao e-mail (há análises jurídicas.sua família.. em diversos formatos. Isso aponta para o jogo que o autor faz entre ficção e realidade nesse excelente filme.

suas memórias. Victoria Abril. mais um anexo situado em outro prédio. reality shows. mídias locativas. Miss Kittin. parece até estranho que os artistas estejam. comentam a missiva. etiquetas RFID. A exposição está na galeria DHC. entre outras. como em “Prenez Soin de Vous”. traços na internet. Jeanne Moreau. na mesma rua. e suas decepções afetivas. GPS. como em “My Winnipeg”. Em uma sociedade cada vez mais voltada para a vigilância do outro (CCTV. nas quais personalidades. revelando suas vidas privadas. Situações assim só nos indica o quanto a questão é complexa e como a flutuação entre privacidade e vida pública está sempre por um fio. editoraplus.org info 277 . e ocupa os seus quatro andares. etc). Maria de Medeiros. em Montreal. deliberadamente e espontaneamente. Laure Anderson.um único plano sequência.

A ideia é investigar a relação das tecnologias de comunicação com o espaço urbano a fim de compreender os processos de espacialização criados pelas mídias locativas: as novas tecnologias digitais. para participar da banca de um coorientando de doutorado e para ministrar um mini-curso sobre mídias locativas. a internet sem fio e os diversos sensores que reagem ao contexto local de onde é produzida. criando dinâmicas sociais de apropriação. Vou apresentar o resultado de minhas últimas reflexões sobre o tema. consumida e distribuída informação. Wi-Fi. Telefones celulares. Portugal. Wi-Max e etiquetas de radiofrequência (RFID) possibilitam trocas de informação localizadas. mas também de vigilância e controle. além de projetos que venho mapeando e mostrando no Carnet de Notes. redes bluetooth. 11 de julho de 2008 AlgArve e SevillA Estou voando amanhã para a cidade do Faro. transformam atualmente as bases da comunicação social e das mobilidades física e informacional.SextA. em Algarve. Uma chaeditoraplus.org info 278 . as redes de conexão. nos espaços urbanos. GPSs.

a Plaza de España e andei bastante. Visitei o Arquivo da Companhia das Índias. com uma catedral impressionante. domingo. 13 de julho de 2008 Passei dois dias flanando pela belíssima Sevilla que fica a apenas 2 horas de ônibus do Faro. Ao lado. algumas fotos de Sevilla.ve para compreensão desse fenômeno é reconhecer o surgimento de um novo território: o informacional. Belíssima cidade. novas heterotopias (Foucault). Emergem assim novas funções nos lugares. Sevilla editoraplus. a maior catedral gótica da Europa.org info 279 .

Corrida pela arena.org info 280 . tentando domar um touro selvagem editoraplus.

org info 281 .Catedral de Sevilla editoraplus.

Plaza de España editoraplus.org info 282 .

sem nenhuma publicidade. Quanto mais estudo as mídias móveis e locativas. Paysages Éphémères. Os autores afirmam: editoraplus. Nada de tecnologias digitais. microesculturas.SegundA. olham. Birkhäuser 2006). indico a leitura do interessante livro “Temporary Urban Spaces” (Hayden. ed. e se perguntam sobre a finalidade daquelas obras. com ou sem dispositivos eletrônicos.. pequenas hierofanias no cotidiano. Basel. onde as obras. Florian.org info 283 . Sobre o uso temporário das ruas. Temel. O lugar vivido e praticado ganha assim uma nova coloração. que apresenta vários projetos artísticos que tomam o espaço urbano para explorações efêmeras. fotografam. Evento em Montreal. mas apropriação e uso das ruas buscando modificar a paisagem urbana. no Plateau. mais me interesso pelo uso das ruas. Os visitantes param. 21 de julho de 2008 Paysages Ephemeres De volta a Montreal.. mobiliário urbano. O cenário é a avenida do Mont Royal. instalações. Robert.. criam pequenos estranhamentos. propõe um uso temporário da rua através de diversas ações: performances.

In that sense. Se os provedores vão monitorar as atividades dos usuários. use is a more or less flexible relationship within which people can make various uses of one and the same thing or. No Canadá a coisa está feia.and thus pursue different interests” (p. Na petição que fizemos contra a lei do Senador Eduardo Azeredo. not a quality that is inscribed in things. possession and right to use. expressed more generally. colocamos explicitamente essa possibilidade. em um futuro próximo. 26-27) terçA.org info 284 . buildings or spaces but rather social relationship in the triangle of property. mas mundial. dizer por qual site e em que velocidade um usuário poderá passar.Uses is. A morte da internet livre poderá ser selada nos próximos meses no Brasil. can relate to this thing in different ways . Essa é uma questão não apenas brasileira. nada mais simples do que pensar que eles poderão. in any case. Coloquei no Carnet informações sobre editoraplus. diA 22 de julho de 2008 Death of Free Internet Já escrevi no Carnet de Notes sobre a perigosa quebra de neutralidade da rede.

It was an arrogant and risky move for the telecommunications giants because it backfired. Take the recent case in Canada with the behemoths. Não é por acaso que o Canadá é o mais atrasado dos países desenvolvidos na adoção de telefones celulares. Our country is being used as a test case to drastically change the editoraplus. especially where children are involved. the two largest Internet Service Providers (ISP’S) in Canada. news.as ações da Bell Canada e da Telus quebrando a neutralidade da rede e reduzindo a velocidade das conexões em redes P2P. People actually used Internet technology to deliver a loud and clear message to these companies and that was to scrap the extra charge. unlimited and untainted. commerce. except when poor judgements are made and people are taken advantage of. Scrutiny and oversight are needed.quem recebe paga também. Há aqui a “Campaign for Democratic Media”: Agora. Trechos do Death of Free Internet is Imminent mostram o perigo: (. it’s good news. still seems to be a dream when you think about it. government. uncensored. the issue of text messaging is just a tiny blip on the radar screens of Telus and another company. Telus and Rogers rolling out a charge for text messaging without any warning to the public. Bell Canada. And mostly.org info 285 . Whatever field that is mentioned . incluindo a recente taxação de SMS . politics and countless other areas . entertainment.) The free transfer of information. The people used the power of the Internet against the big boys and the little guys won. when there are potential profits open to a corporation. texto publicado na Global Research Canada sobre o assunto. the needs of society don’t count. However...have been radically affected by the introduction of the Internet.education. However.

os celulares e Wi-Fi. Já mostrei a mudança nos espaços móveis. Agora mesmo estou em um trem para Toronto. mas também aviões. novas formas de controle informacional. where customers sign up for specific web sites.. Conectado via Wi-Fi. como este trem.com/) RFID. ferries. Spychip As mobilidades física e informacional permitem desterritorializar e criar linhas de fuga. Já escrevi muito sobre a “era da mobilidade” (leia-se. me deslocando fisicamente a 200km. navios. and then pay to visit sites beyond a cutoff point. (referência . e posso ainda produzir informação e difundi-la virtualmente para todo o planeta.org info 286 . posso também me movimentar informacionalmente. pelo ciberespaço. editoraplus.com as novas tecnologias móveis.website: http://realitycheck.typepad.delivery of Internet service forever. to begin charging per site fees on most Internet sites.. The plan is to convert the Internet into a cable-like system. The change will be so radical that it has the potential to send us back to the horse and buggy days of information sharing and access. com dispositivos digitais funcionando por redes sem fio): essa conjunção de mobilidade física e informacional com produção livre de conteúdo. Mas essas mobilidades criam também novas territorializações. In the upcoming weeks watch for a report in Time Magazine that will attempt to smooth over the rough edges of a diabolical plot by Bell Canada and Telus. de vigilância e de monitoramento.

Neste exato momento meus passos no ciberespaço.. de produtos e pessoas. Elas mostram como essas etiquetas já estão em roupas. passaportes. no meu Visa. Sobre este assunto estou terminando o livro “Spychips” (Plume Book. 2006) das ativistas Katherine Albrecht e Liz McIntyre. produtos. O livro é de deixar qualquer um com os cabelos em pé. e informacional (o chip emitindo a todo instante. assim como minha movimentação física pelo território canadense.O objetivo é melhorar a eficiência das empresas e a segurança dos governos. minhas imagens em câmeras de vigilância. As autoras atacam empresas e protegem os consumidores contra a invasão desses chips na vida privada. meus tickets. fatura do cartão de crédito. que não sabem que levam para casa essas etiquetas.” editoraplus. NY. Albrecht e McIntyre escrevem na primeira frase do livro: “Imagine a world of no more privacy. à revelia do usuário). log na rede Wi-Fi do trem. da CASPIAN. mas elas já estão chegando. podem ser monitorados pelos rastros físicos e eletrônicos deixados no meu caminho. por um preço altíssimo: a nossa privacidade. Aqui alia-se mobilidade física. no meu passaporte e nem no bilhete do ViaRail. mostrando inúmeros atentados em andamento e futuros contra os cidadãos. nas minhas roupas.org info 287 . carros. Não há ainda nenhuma etiqueta RFID embarcada nem no meu corpo. Essa é uma das facetas mais nefastas das tecnologias e redes digitais sem fio..

org info 288 .OCAD em Toronto editoraplus.

Royal Museum em Toronto editoraplus.com). e GPS tracking durante todo o dia (fotos abaixo e no http://ciberflanerie. reuniões e flâneries.QuintA. irei tomar café da manhã com Rob Shields para colocar assuntos em dia e pensar nas perspectivas futuras de cooperação. visita à OCAD à tarde. fotos do centro e de detalhes do Royal Museum em Toronto. Hoje.org info 289 .blogspot. Abaixo. 24 de julho de 2008 Até sábado permanecerei na grande metrópole canadense para visitas.

org info 290 .Royal Museum em Toronto editoraplus.

Royal Museum em Toronto editoraplus.org info 291 .

org info 292 .Royal useum M em Toronto editoraplus.

No entanto. “proibido flanar”. o que atraia mesmo o meu olhar eram as marcas abaixo dos meus pés.SábAdo. eletricidade). entre outras. editoraplus. nem tenha ainda. “proibido vendedores ambulantes”. redes de cabos de telecomunicações. a manutenção e a inovação das infra-estruturas urbanas (como água. stickers. esgoto. avisos de controle do território reforçado das leis e regulamentos. o que mais me chamou a atenção foram as diversas e constantes marcas no chão. os riscos pedindo para serem lidos. A cidade é riscada por graffitis. painéis publicitários. sinais de trânsito. “proibido ficar aqui”. Não pude evitar olhá-las e tentar compreender essas escritas urbanas. vapor. como: “essa área está sendo vigiada por câmeras de vigilância”.org info 293 . Marcas visíveis das artérias desse grande artefato técnico que são as cidades. Claro que elas são marcas para tornar mais eficiente o uso. 26 de julho de 2008 Meeting Place Após três dias em Toronto. embora eu não tivesse. cartazes. a pedra de Rosetta para decifrar esses modernos hieroglifos. tags. Estas características são comuns nas metrópoles.

painéis solares em parquímetros e postes de iluminação. e em várias tonalidades: branca. na escala 1x1. como setas. técnicos. performáticos. as marcas no chão parecem anacrônicas. As marcas no chão. câmeras de vigilância. onde a superfície da cidade é o território e o suporte de inscrições e de informações. Várias pessoas me olhavam e dirigiam o olhar para o chão quando me viam fotografando. lilás. laranja e vermelha.O meu sentimento era o de andar sobre um mapa. Como no “Del rigor de la Ciencia” de Borges. verde. redes WiFi. mais do que táticas ou publicitárias. e outras só reconhecíveis por olhos técnicos e treinados: letras e números compondo códigos ilegíveis. nomes e números. ou mesmo do uso comercial dos painéis publicitários. como os tramways que insistem em atravessar a cidade em seus editoraplus. são índices visíveis de usos estratégicos. E essas marcas estratégicas. como se percebessem os traços pela primeira vez. para usar uma terminologia cara a Michel de Certeau. passam despercebidas pelos habitantes da cidade. O território concreto do espaço urbano é um verdadeiro palimpsesto: marcas novas. Há marcas facilmente notáveis. diferentes do uso tático dos graffitis nos muros e dos stickers em postes ou telefones públicos. desenhos que mais parecem revelar a herança de alguma civilização desaparecida. marcas sobre outras marcas.org info 294 . Nesse espaço urbano marcado por grandes telões. marcas apagadas. o mapa aqui confunde-se com o território.

abertas e fechadas. muito mais visíveis do que as incrustadas a tinta no chão. veiculando mensagens indexadas a lugares e objetos urbanos. olhando pessoas pela janela. e termino este escrito com os pés doendo. em Downtown. os enormes prédios comerciais. instituída em um suporte material bem preciso: o chão. criando transmissão e memória. se podemos dizer assim. Volta-se assim à escrita analógica. do grafo que tatua o corpo da cidade. Comecei a escrever esse texto na CN Tower. A mais de 400 metros do solo (e com a impressionante marca de 21 redes Wi-Fi disponíveis . pode-se ver alguns pontos da cidade. a torre mais alta do mundo. o aeroporto. o porto. os bairros a oeste com suas pequenas casas. como: o lago Ontario. mas todas dando acesso mediante pagamento) pude perceber o tecido e as outras marcas da cidade. Elas parecem afirmar que os fluxogramas e esquemas técnicos dos engenheiros e planejadores urbanos não são suficientes na hora de perfurar o chão e mexer no corpo da metrópole. e o ponto de observação mais próximo do céu criado pelas mãos humanas: 447 metros acima do nível do mar. Essas marcas são mídias de localização. sentando em um café no cruzamento da Carlton Street com Yonge Street. produzindo uma memória técnica.org info 295 . criando informação. a estrada de ferro. Com uma vista de 360 graus. trata-se de uma mídia locativa.trilhos que rasgam o asfalto. Sem dúvida. e editoraplus.

. como Redmont. Dividindo os dois mundos. continuar ligados à fluidez das águas do grande lago.org info 296 . a estação férrea e o aeroporto. Pode-se ler pela “arqui-tetura” (“arché-techné”. Algumas indústrias. mostrando por onde começou a cidade e como o lago estrutura esse grande hub com o mundo externo. em NY. fundada por franceses e depois tomada por loyalistas ingleses. que significa em aborígine. É uma visão exuberante. da Station e do aeroporto. vemos o lago com o porto. Em 1834. como se quisessem. Hoje é a quinta cidade da América. convertendo em altura o fluxo financeiro e o poder industrial. “meeting place”. são visíveis também perto do porto (para beber das águas do lago e escoar seus produtos). de alguma forma. Toronto era York em 1793. Yonge Street e a grande Avenida da Universidade.. Little Italy. pequenos prédios e casas revelando a extensão da vida social. todos aglutinados. como se não quisessem se desprender da história e das trocas. editoraplus. A oeste. em Ontario. prédios gigantescos perto do porto. culminando com o Parlamento. as diversas formas de construção da espacialidade. Chinatown. Em downtown. Vemos grandes e imponentes prédios no centro. a leste. multicultural e pulsante. ou Niagara Fall. ao norte. a oeste.até cidades vizinhas. York passou a chamar-se Toronto. a técnica “fundamental”). Universidade de Toronto.

para descobrir o que encontrarei no meu caminho. mesmo sendo uma ilusão.org info 297 . Olho também para o alto. do alto. editoraplus. introspectivamente esses traços que parecem arte e me fazem. Essa construção social do espaço é produzida coletiva ou individualmente com tinta. diferente daquele que busca os detalhes. as sirenes. suas leis. minúsculas tatuagens no corpo desse grande organismo. Embaixo o barulho. visíveis e invisíveis. De cima. seus movimentos e constrangimentos. olho para todos os lados e sinto vertigens. Ao lado e abaixo. as pequenas marcas como detalhes irrisórios dessa grandiosidade que vislumbramos do alto. esses detalhes não são mais do que pequenos sinais. da vida quotidiana. Aqui. sentindo a pequenez e o estranhamento em meio à imponência e à força da metrópole. aço. Encaro o que está na minha frente. e sim uma macro-escritura. não vemos mais as marcas de tinta no chão. volto a olhar para baixo. pequenas escritas estratégicas contracenando como traços nervosos. concreto ou bits. para o chão. construída e destruída ao longo dos séculos nessa tensa e dinâmica construção social do espaço. Ao descer. O tecido urbano está sendo re-escrito. fotos das marcas na rua e vista da CN Tower. as pessoas. visível da torre e dos satélites. posso ler a paisagem e ver até onde meu olhar alcança.Quase 500 metros do solo. para admirar. como as marcas no chão. com as diversas redes sociais. E finalmente. ver beleza e arte brotando do duro e quente asfalto. ou percebido discreta ou invisivelmente no olhar que busca o detalhe do chão.

Marcas na rua editoraplus.org info 298 .

Vista da CN Tower editoraplus.org info 299 .

org info 300 .Vista da CN Tow er editoraplus.

org info 301 .. july 27.. Ciberflânerie editoraplus.Marcas invisíveis de marcas quase visíveis em 7km. 2008 Ciberflânerie .SundAy.

terçA. With new locative media systems mapping is a new practice of place. always. a more legitimate space and place that show how people see and fell their environment. ideologies represented in the world and serve. escrevia: “The uses of maps and mappings process are unprecedented. Today maps can be produced to represent people. Em artigo em inglês. the urban space is being used as a tactic for produce sense in daily life. not mediated by the instituted powers. Technicians. to the constitutive powers. governments and private companies controlled mapping. We have also a social changing. ordinary people.” editoraplus. The use of GPS and other devices for location and location-based services puts emphasis on control and domination over a territory. ainda no prelo. We have a button-up process of representing the world. Now we have an ownership shift because the bureaucratic power is now moving to the users.org info 302 . 29 de julho de 2008 Cybercartography Tenho pensado sobre os mapas e suas relações com a comunicação e as novas tecnologias. Afirmei anteriormente que os mapas devem ser vistos como mídia. With electronicpopular mapping. dealing with the constraints of rationalization in urban modernity. We know that maps are constructions. community.

mas em utilizar o potencial das novas tecnologias a fim de criar sistemas abertos. Fraser Taylor. Peter Pulsifer. mas sim revelar o “ato” cartográfico. adiciona o traçado do percurso através do “GPS Tracker” e adiciona fotos (exatamente o mapa que fiz) pode muito bem ser chamado de uma “cibercartografia”. coloca em destaque essas marcas. experiências artísticas. no mesmo espirito do software livre e dos wikis. através de um “GPS Tracker”.. Um mapa de Toronto.org info 303 . O conceito não se refere a mapear o ciberespaço. Essa é uma das facetas do atual processo de espacialização das mídias locativas. Vemos hoje uma profusão sem precedentes de construção bottom-up de mapas. reforço comunitário. no interessante artigo “Introduction au concept d’acte cybercartographique : editoraplus. Vários projetos utilizam processos colaborativos e compilam informações dispersas. modulares e inter-relacionados de informações locativas sobre um determinado espaço urbano. E não está em jogo aqui uma pretensa neutralidade técnica dos mapas. participativos. que recupera informações já disponíveis.Apresentei as marcas nas ruas de Toronto e o mapa que produzi das inscrições invisíveis de minhas caminhadas. buscando apropriação social do espaço.. o cruzamento de informações multimídias já disponíveis e as visões subjetivas como forma de apropriação do espaço. Jean-Pierre Fiset e D. E é exatamente isso que afirmam os autores Sebastien Caquard.R.

European Jornal of Geographie..) la cybercartographie correspond à une conception interdisciplinaire de la cartographie combinant innovations technologiques..qu’utilise notamment William Cartwright (2004) pour améliorer l’exploration de l’information géographique. acaso. Ces atlas combinent donc différentes dimensions de la cartographie contemporaine. Les atlas cybercartographiques qui en découlent se caractérisent notamment par leur modularité. Comme nous le verrons plus en détail dans la section suivante. como no meu exemplo das marcas no chão das ruas de Toronto: (. Sobre a evolução dos mapas na cibercultura: L’évolution de ces atlas est par conséquent largement dépendante de la volonté de communautés d’experts thématiques et de développeurs informatiques de les faire évoluer. ainsi que par une approche centrée sur l?utilisateur.Genèse d’un atlas cybercartographique”. les atlas cybercartographiques ne correspondent donc pas à des atlas finis mais beaucoup plus à des entités en perpétuelle évolution.” Sobre o conceito de deriva.org info 304 .) C’est le concept de sérendipité . par des artefacts multi sensoriels et par leur perméabilité aux approches critiques. apropriação. Plus que l’une ou l’autre de ces dimensions c’est cette approche résolument holistique qui caractérise probablement le mieux la cybercartographie. leur évolutivité et leur interopérabilité.. (.. disponivel no Cybergeo. Cette notion de sérendipité est editoraplus.faculté de trouver quelque chose d’imprévu et d’utile en cherchant autre chose . approche scientifique et réflexion critique.

des méthodes d’analyse..le processus ou genèse cybercartographique . de diffusion.. (. En d’autres termes. .choix des données. de représentation. Un des objectifs de la cybercartographie est donc de favoriser cette prise de conscience ainsi que le développement d’un regard critique vis-à-vis de l’information cartographiée. La prise de conscience de l’existence de ces choix est indispensable pour bien faire comprendre l’idée selon laquelle l’image cartographique reste une interprétation de la réalité.illustrant cette notion de sérendipité associé à la cartographie est probablement la découverte involontaire de l’Amérique par Christophe Colomb. idéologique ou culturel.ni de son contexte de réception.) Nous proposons ici d’étendre ce concept d’acte photographique à la cybercartographie. elle devient une miniaturisation ‘naturalisée’ de cet espace. dans editoraplus..) Déambulation et dérive caractérisent donc une même idée de résistance aux pouvoirs structurants qu’ils soient politique. etc. L’exemple le plus célèbre .. L’acte cybercartographique souligne alors le fait qu’il ne nous est plus possible de penser l’artefact en dehors de l’acte qui le fait être . (. la carte n’est plus une image construite de l’espace. inspiradas no conceito de “ato fotográfico” de Philippe Dubois: Détachée de tout contexte de production.la carte présente sous une forme qui semble objective la somme de choix qui sont par définition subjectifs.même s’il n?est pas nécessairement le plus glorieux .” Sobre a subjetividade e a visão crítica do “ato cartográfico”. économique.org info 305 . Débarrassée de toutes références aux choix successifs dont elle est la résultante .fondamentale dans le domaine des sciences en général et dans celui des sciences de l’information géographique en particulier.

as psicogeografias e derivas atuais. Ces différents exemples caractérisent une même volonté d’impliquer plus largement les individus citoyens dans le processus de production cartographique et de leur proposer ainsi une vision différente de leur environnement à travers la carte.) Ce type d’approche marque le passage d’une cartographie du dessus. dressée par des institutions externes. Le concept d’acte cybercartographique s’inscrit dans ce contexte et pose les bases d’une cartographie sociale débarrassée de ses prétentions d’objectivité et d’universalité..) Ces installations utilisent les capacités performatives et narratives des cartes pour favoriser leur réappropriation au sein même de l’espace public. la manière de représenter les liens socio-spatiaux qui les concernent. (. afirmam os autores: (. dressée par ceux-là même qu’elle représente. mais aussi comme étant intimement lié au contexte social et professionnel dans lequel il a été produit et dans lequel il est utilisé.l’acte cybercartographique l’artefact est envisagé non seulement comme étant la résultante d’un processus et de choix multiples et variés. à une cartographie du dedans..org info 306 .” editoraplus.” Sobre as experiências de artistas. permettant aux individus et groupes culturels de mieux définir.. et par conséquent s’approprier..

ni ses dimensions politiques. mapas de buracos de uma cidade).” É interessante deixar para reflexão a possibilidade de pensarmos nos mapas tradicionais como instrumentos massivos.org info 307 .pour reprendre l’expression de John Pickles (2004. mapas de estacionamento de bicicletas.E na conclusão: A travers le concept d’acte cybercartographique. questionando os poderes constituídos e propondo cartografias diversificadas. que normalmente são governos e a burocracia militar. podendo ser uma nova forma de apropriação do espaço das cidades contemporâneas. feitos de forma aberta e colaborativa. em que qualquer um pode propor novas visibilidades do espaço urbano (mapas de crimes. servindo como instrumento ideológico. c’est-à-dire vers une cartographie qui ne cache plus ni ses origines. 160) . editoraplus.que nous nous dirigeons. Poderíamos ver os novos mapas digitais como mídias de função pós-massiva. controlados por um polo editorial. culturelles et sociales. de reforço de poderes constituídos e de alimentador das máquinas de guerra. c’est donc vers une ‘cartographie postreprésentationnelle’ . ni les intérêts qu’elle défend.

. Na primeira e na segunda. selon les mesures du père Beccaria .org info 308 . de goûts et de sentiments . elle forme un carré long qui a trente-six pas de tour.SábAdo.. 02 de AgoSto de 2008 Nomadismo Para terminar os trabalhos por hoje deixo três citações que tocam diretamente a deambulação e o “nomadismo” evocados por projetos com tecnologias. Na terceira.) Mon âme est tellement ouverte à toutes sortes d?idées. en rasant la muraille de bien près. ser uma das chaves para compreender a sociedade contemporânea. je parcours rarement une ligne droite : je vais de ma table vers un tableau qui est placé dans un coin . a definição de nomadismo como “estrutura” de vários povos.. sendo usados com parcimônia e marcando suas diferenças.. lorsque je voyage dans ma chambre. sensores e redes de comunicação móveis. elle reçoit si avidement tout ce qui se présente !(. mesmo que dentro de um quarto.) Aussi. Xavier de Maistre em “Voyage autour de ma Chambre”: Ma chambre est située sous le quarante-cinquième degré de latitude. (. como o nomadismo estrutural podem. editoraplus. Tanto as viagens. viajar para reconhecer e poder fazer um mapa cognitivo dos lugares e de si mesmo. sa direction est du levant au couchant .

Ainsi. Tudo mudou! Não existem mais as ações do “Neuromancer” no Black Ice e editoraplus. mais le genre de vie de ce peuple”. Gibson (Berkley Books. je ne fais pas de façon. domingo. em um café no centro de Montreal. realidades aumentadas e mídias locativas. NY. mais. 2007). ce mot ne désigne pas un peuple particulier.de là je pars obliquement pour aller à la porte .” Diderot na “Encyclopédie”: Nomadismo é o “nom génerique donnée à divers peuples qui n’avaient pas de demeure fixe et qui changeaient perpétuellement pour chercher de nouveaux pâturages.org info 309 . O livro fala sobre ciberespaço. et je m’y arrange tout de suite. si je rencontre mon fauteuil en chemin. 03 de AgoSto de 2008 VR Estou lendo “Spook Country” de W. quoique en partant mon intention soit bien de m’y rendre.

Agora é a vez do lugar.. This is the other side of the screen. de Logan Hill no New York Books. 2007: “Well. That was how she put it”.” editoraplus. (. It just happened. one character says that cyberspace is inverting. Aug 6. a direction.também não mais os “jardineiros” no mundo virtual. is there? There never was. With the grid.org info 310 . We didn’t need the googles. And once it everts. “grid” e não mais “matrix”! Vejam trechos: Someone told me that cyberspace was ‘everting’. Then you’ll just walk down the street. then there isn’t cyberspace. lots of us are already doing.. But you can’t just do the locative with your nervous system. do mapa. 65-66) Como diz o próprio Gibson em entrevista no SimCity ‘07. turning inside out. we’re here. We just do it.. Right here!”. I have a feeling that being aware of being connected will be an anachronism.. It’ll have envolved to the point where we forget about it.) We’ll have internalized the interface. (.” (pp. I have this inkling that the whole idea of cyberspace is going to seem fabulously quaint in 20 or 30 years. “We’re all doing VR. the glove. though. It was a way we had of looking where we were headed. We have been for decades now. every time we look at a screen. VR was an even more specific way we had of telling us where we were going. because we?ll be connected all the time... da rua. “Sure. if you want to look at it that way.) The locative.

Ciberflânerie por Montreal editoraplus. 04 de AgoSto de 2008 Mais riscos invisíveis com GPS em Ciberflânerie por Montreal.SegundA.org info 311 .

O livro fala sobre uma mulher que retorna à Libéria. é Russel Banks. o que dá no mesmo. Vamos lá. o meu preferido. mas agora francófonos.QuintA. 1999. O narrador busca reconstruir a sua história e a de seu pai. Li recentemente “Si ce livre pouvait me rapprocher de toi”. ou esse verão canadense. entre elas: “Continental Drift” e “Rule of the Bone”. indico Jean-Paul Dubois. perto de Montreal. 07 de AgoSto de 2008 Livros Para matar o tempo e o tédio. que ela chama de “sonhadores”. Agora chove e faz 16 graus. São dicas para esse inverno brasileiro.org info 312 . editoraplus. Editions de l’Olivier. Um dos meus escritores anglófonos favoritos. Indico também a obra “The Darling”. indico as últimas leituras de ficção. Harper Collins. Seguindo a mesma linha. já mencionado anteriormente. pouco conhecido no Brasil. na África. 2004. para viver com os seus gorilas. Já li várias obras dele. cuja história se passa no Quebec. autor de “Une vie Française”.

respeitada na França e com boas resenhas nos jornais Le Monde ou Libé. Oriente Médio.William Gibson.org info 313 . da polonesa Wtodzimierz Odojewski e o “Newststart 2. fora do eixo EUA-GB. Kill Bill C-61 Ontem na entrada do show do Radiohead no Parc Jean Drapeau . do Quebec. dando vez ao leste europeu. objeto de minhas pesquisas atuais. (2006) cuja guerra faz surgir uma Veneza bem longe da Itália. Existem excelentes escritores. Berkley. sobre um artista e um jornalista tentado compreender a trajetória do primeiro. 2007. mas estou gostando. Europa do Norte e América do Sul (Bolano do Chile.0” (2003) do canadense Timothy Taylor. Estou lendo dois livros bem interessantes: “Une saison a Venice”. Ainda não acabei. por exemplo). ativistas distribuíam flyers pedindo a mobilização contra o projeto de lei C-61 que quer endurecer a lei do copyright para conteúdos eletrônicos. o livro não se parece muito com o gênero. de Vancouver. A lei C-61 é muito discutida por aqui e é editoraplus. aconselho os livros da edição “Les Alusifs”. Aqui ele trata das mídias locativas. Spook Country. em Roma. embora não goste muito de ficção científica. Por último.

domingo. que dialoga com outras atuais. na editoraplus. que escreva ao seu membro no Parlamento e se junte a outros no FairCopyright Canada e no Montreal Facebook Groups. cercado de sacos plásticos. dirijo meu olhar para a cidade e tento lê-la também.org info 314 . contra o desmatamento. estou no Parc La Fontaine. A iniciativa é da “Concordia University”. uma calculadora e um bloco escrevendo compulsivamente. com quem fui há um mês).consequencia de pressões americanas. Na rua McGill College. Vejo um “homeless”. Entre uma leitura e outra. mas pedem que o cidadão envie e-mail ao ministro da indústria. há uma exposição de fotos do século XIX que se chama: “Then and Now”. restaurante natural. à quilo (dica do Pierre Lévy. “Under Pressure”. Não há uma petição. rap). no “Quartier des Spectacles”. break. Na sequência fui ver o festival internacional de Graffiti. o que é uma pena. na rua Saint Laurent. Logo mais a frente. me deparo com marcas explícitas no chão. para terminar. principalmente dos mamutes da indústria cultural de massa. Paro para almoçar no Comensal. com apoio do “McCord Museum”. 10 de AgoSto de 2008 É domingo de sol. E agora. Tinha muita gente e toda a cultura hip hop (graffiti.

editoraplus. marcas. Fotos. seja pela escrita urbana dos graffitis (junto com skate e muito hip hop) ou no corpo tatuado. todas expressões urbanas que visam criar um enraizamento social. graffitis. seja pelos desenhos no protesto ambiental (as marcas no chão). onde já indiquei sobre os novos significados do lugar com a possibilidade de conexão aberta e a criação de um novo território (informacional) em meio às diversas outras formas de territorialização. seja pelo prazer solitário da escrita (o homeless). seja pela memória imagética (as fotos). comunitário.conexão aberta do projeto Ile sans Fil.org info 315 .

Corpos tatuados editoraplus.org info 316 .

nas cidades em que morei entre setembro de 2007 a setembro de 2008. editoraplus.ou “GPS Writing”. no Oeste do Canadá durante o inverno de 2007-2008. depois ingleses e depois franceses de novo.org info 317 . escrita com GPS tracker de carro em 40 KM de Edmonton. e de uma só vez (ou seja sem parar e em um único arquivo . escrevo. dominado por franceses. foi modificada para criar um jogo de sentidos. Vejam o site (http://andrelemos. de bicicleta em 14 km.info/survivall ) para mais detalhes. No atual trabalho. mas particularmente forte em Montreal e em toda a região do Québec. questão central no Canadá. O primeiro projeto foi o SUR-VIV-ALL. Sur-viv-all surgiu a partir do livro Survival de M. O carro é o meio de locomoção por excelência em Edmonton e a palavra “Survival”.gpx). a palavra “Identité”.terçA 12 de AgoSto de 2008 Identité Esse projeto faz parte de uma trilogia sobre escritas com GPS . o multiculturalismo está presente e a tensão entre anglófonos e francófonos ainda permanece. Atwood que argumenta ser essa a questão que perpassa toda a literatura canadense. Lugar de fundação do país.

Usei o Wintec GPS Tracker. para exportar o arquivo do GPS. além da única possibilidade de não se dissolver no vizinho do sul (os EUA).Acho que essa região é que dá a tensão e a identidade canadense.org info 318 . A bicicleta é o instrumento de locomoção mais interessante (que uso diariamente) aqui e a palavra só poderia mesmo ser escrita em francês. uma câmera de 8 MP Kodak. e o “Quikmaps” para gerar o mapa digital na Web. o programa “myTracks”. editoraplus. Montreal talvez seja a mais interessante cidade do Canadá. justamente pela questão/tensão identitária.

org info 319 . Montréal editoraplus.Identité.

de forma alguma. tenham um papel de destaque. fazendo com o que o lugar de onde se joga. 14 de AgoSto de 2008 Wii Space Já escrevi anteriormente sobre a console Wii. Agora jogo um pouco a cada dia. Vou reforçar o que foi dito no texto anterior e ampliar um pouco a discussão (ideias preliminares. Agora estou me exercitando com o console Wii.QuintA. a partir de um debate sobre games aqui em Montreal. e o movimento do corpo. Esse editoraplus. eles passam a personagens centrais. suei a camisa e me cansei jogando algumas partidas de tênis. Mas isso pouco importa para o meu argumento. Mas eu ainda não tinha jogado. mesmo sabendo que. “work in progress”). como sempre. nunca joguei tênis na minha vida. E é essa mesma a palavra. Viciado em futebol.org info 320 . Meus braços estão doendo. exercício. A tese é simples: o Wii cria um espaço ampliado. o “wii space”. De residuais como nos outros jogos eletrônicos. essa experiência possa ser comparável ao jogo de tênis “real”.

assim como marcar com giz o chão cria o “espaço jogo de amarelinha”. O que quero reforçar. para poder focar no que se passa nas telas. ou a tela dos consoles portáteis ou da TV. têm como espaço de jogo a tela do computador. Procura-se uma boa posição. Assim. o “espaço jogo de futebol”. etc. criando o que vou chamar aqui de “espaço Wii” (um espaço lúdico) que prolonga o espaço das telas (que permanece. Literalmente. e deve ser esquecido para que o jogo funcione bem.ou seja “criar um espaço” para jogar). mas influência na jogabilidade. Ele é. é a qualidade do console. é incorporado aos games. o quarto ou qualquer outro lugar passam a ser elementos fundamentais do jogo.é um “videogame”!). se movimentar para um lado ou outro . o lugar faz parte do jogo. Os jogos eletrônicos. não é apenas o conforto para focar na simulação que está em marcha. Cria-se o espaço do jogo. boa luz. O lugar onde está o jogador. fundamental . conforto. não faz parte do jogo. residual. Esse lugar de onde se joga não é apenas residual. em geral.org info 321 . rapidamente. No Wii. no entanto. ou desenhar ou criar traves em um campo. concentração. afastar móveis. por assim dizer. a versatilidade e os papéis do “lugar” e do corpo na plataforma. o lugar de onde se joga é incluído no jogo. editoraplus. A sala.não é o ponto. o “espaço wii”. obviamente. mas o rearranjo e o uso do lugar como espaço de jogo (retirar objetos.

residual.. Em qualquer jogo eletrônico o corpo está presente. como o lugar. inclinado sobre o teclado. como o espaço. concentrando-se nas ações. Nos jogos do console Wii. Mas. que radicaliza ainda mais essa relação com corpo. forçando as teclas. arrastar o sofá. transformando-se em personagens integradas ao espaço lúdico.. consequentemente. ou dos movimentos efetuados nas consoles ou no mouse. sendo incorporados ao desenvolvimento da ação.). a dimensão corporal só reforça esse vínculo ao espaço do jogo. O jogo. Aqui o corpo é. já que ele é. E ainda não usei o Wii Fit. etc. no meu jogo de tênis. Podemos falar então de “realidade aumentada”. só acontece com esses movimentos no espaço. batendo nos botões da console. têm efeitos diferentes sobre o movimento da bola (estou aprendendo ainda) e não é à toa que médicos estão usando a console para treinamento em cirurgias. diferentemente. Meu corpo sente o jogo (estou com dores nas costas e nos braços) e o lugar foi organizado para jogar (tive que tirar a coffee table. de entidades residuais para entidades do jogo. Descubro assim que determinados movimentos. na realidade. o corpo e seus movimentos são sentidos pelo sensor e são também elementos fundamentais do jogo.Da mesma forma. tirar os objetos do alcançe das minhas cortadas e saques. Corpo e lugar passam. como para os jogos pervasivos que usam o espaço ureditoraplus.org info 322 . o que interessa é a função da tecla. para o jogo. “sentido” pelo sensor do console.

de criação de novos sentidos do espaço físico e de tensões sentidas diretamente na carne! SegundA. os jogos computacionais pervasivos e o console Wii são novas formas de territorialização. o que estamos vendo com as mídias locativas. Fotos da tormenta se preparando. 18 de AgoSto de 2008 Andando para me despedir de Montreal. Vemos aqui mais um exemplo de como as tecnologias digitais reconfiguram os lugares. editoraplus.bano em relação com o espaço informacional. novas dimensões e novas relações com o corpo. criando novas funções. Mais do que a desmaterialização e a descorporificação no ciberespaço.org info 323 .

org info 324 .Tormenta editoraplus.

as empresas da grande mídia. começam as dicas de sites (e as “TinyURL”).SextA. Hoje tenho conhecimento do primeiro concurso brasileiro de microcontos pelo Twitter. direto e efetivo.org info 325 . Esse tipo de concurso não é novidade. as informações locais. Como uma apropriação social do sistema. Vejam mais sobre o concurso no Twitter / 140 letras. O Twitter nasceu em 2006 com a simples ideia de criar uma rede social onde as pessoas dizem o que estão fazendo naquele momento (“what are you doing?”): simples. mas é a primeira vez no Brasil. 22 de AgoSto de 2008 Twitter-Arte Hoje twittava perguntando aos meus contatos se eles conheciam alguma forma de “twitter-arte”. e os microcontos. editoraplus. algo que quebrasse a monotonia de informações pessoais. profissionais ou das breaking news das empresas jornalísticas.

particu326 editoraplus.org info .” SábAdo. Catherine e escrevo o meu microconto no concurso 140 letras para o Twitter: “Sonhava. No entanto. a minha experiência com o acesso à internet wireless (hotspots) foi decepcionante. já que há muitas redes Wi-Fi em toda a cidade. caiu (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerron ntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk) e no finn acordou. Não pelos números de hotspots encontrados.Microconto Sento no Café Second Cup da rua St. da família Shields e das incríveis cores e tonalidades do céu. 23 de AgoSto de 2008 Edmonton Wi-Fi Passei metade do meu período canadense em Edmonton e tenho belas lembranças dos amigos da University of Alberta. mas pela dificuldade em acessar redes abertas.

Fizemos um mapeamento de hotspot. pela questão da imaterialidade. Para além dessa questão. No Brasil. estão abertos. com o “Wi-Fi Salvador”. talvez por não ser esse um problema em Edmonton ou no Canadá. Segundo o mapeamento realizado por Haines. Conseguia acessar a internet de alguns poucos cafés que ofereciam acesso de graça (a grande maioria oferece acesso pago). há mais de 66 mil hotspots na cidade e 30% deles não tem nenhuma proteção. vai fechar completamente o acesso livre a redes Wi-Fi no nosso país. temos agora a lei de cibercrimes que. Ele se limita a fazer o wardriving (e nunca se conecta nas redes abertas encontradas) e chamar a atenção para as redes inseguras. destaco esse trecho da matéria do Globe and Mail “RenderMan to the rescue”. da dimensão dos “territórios informacionais” editoraplus. Não vi discussão sobre acesso livre. Brad Haines. além de ainda não termos verdadeiras cidades desplugadas. “white hat hacker”. pela dificuldade em me conectar.org info 327 . no Brasil. se passar mesmo. mas enquadrado no projeto “Sur-Viv-All” em Edmonton. logo. ou seja. e algo próximo. que faz wardriving (ir de carro localizando as redes) e mapeia as conexões Wi-fi abertas e fechadas em Edmonton.lares ou públicas. Ele é um hacker “do bem” (e não um cracker) e presta consultoria para empresas que querem manter a segurança de suas redes. mostra essa situação.

but for us. he says. smelled or touched.’ In true geek fashion. the Internet is literally overlapping the physical world. heard. ‘Most people are like. ‘Some people are big into bird watching. To see something others can’t is kind of a neat thing. Para mais informações sobre Haines. Wardrivers. Haines also compares his hobby to The Matrix. (. ‘That’s the stupidest sport I’ve ever heard of. ‘You are able to see beyond the real. When asked to describe the appeal of wardriving. It makes no sense to some people.org info 328 . (. Only those who have been ‘liberated’ can see ‘the Matrix’ for what it is. he likens it to bird watching... are able to peer beyond what’s visible to the naked eye..aí representada e pela atividade em si. Most people he knows wouldn’t want to spend hours driving or walking around with a laptop and antenna searching for something that can’t be seen. it’s neat. o RenderLab.’ says Haines.. but I know that just beyond my perception. veja seu site.)” editoraplus. and the biggest moment for them is when they spot a specific bird.’ Some people say the same about wardriving.) Haines understands that his is a strange passion. I’m sitting in my kitchen right now looking at my backyard. a film built on the premise that our world is nothing more than a computer simulation meant to enslave humans.

Para quem quiser se aventurar na leitura. há uma excelente tradução (se é que editoraplus. tento resumir.” Algumas pessoas me perguntam sobre o meu microconto e o uso da enorme onomatopéia da queda (com exatas 100 letras). 26 de AgoSto de 2008 140 letras “Sonhava. em extrema ousadia e sem a menor pretensão de conseguir êxito.” Nesse microconto. quase ilegível. O livro é como um sonho em diversas línguas. a obra mostra (?) o “despertar” de Finnegan. A onomatopeia é uma citação do Finnegans Wake (versão inglesa) de James Joyce onde ele escreve “Fall (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuonnthunntrovarrho unawnskawntoohoohoordenenthurnuk). uma aporia. Nessa narrativa labiríntica. caiu (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuo nnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk) e no finn acordou. “acordar” e “finn”: inicio. meio e fim da obra. Explico rapidamente. Finnegans Wake.org info 329 . em 140 letras.terçA. Daí o jogo com “sonho”. “cair”. a monumental obra de Joyce.

em vários volumes.isso é possível) no Brasil.org info 330 . do Donaldo Schüler. reflexos do lago no Parc La Fontaine. editoraplus. Abaixo. pela Ateliê Editorial de Porto Alegre.

Parc La Fontaine editoraplus.org info 331 .

esquilos subindo em árvores na avenida des Érables.. Assim poderei reviver um pouco as sensações que sempre perdem suas cores com esse tempo de Cronos editoraplus.org info 332 . 27 de AgoSto de 2008 Estou com as malas prontas esperando o táxi. o silêncio da rua em meio à metrópole. reforcei laços de amizade.. c’est vivre dans quatre pays différents. “Vivre au Canada. sem uma nuvem no céu. O meu Carnet de Notes tem toda a memória do tempo e este livro é um resumo deste período. conheci o país de oeste a leste e. bicicletas passando e a vida que vai continuar aqui e continuará independente de mim. encontrei pessoas. em um período extremamente produtivo em vários aspectos: li. consegui dar tempo ao tempo. Um ano no Canadá. Somos muito pequenos! Considero a minha missão cumprida. un pays par saison. visitei universidades e centros de pesquisa. O Canadá é também o lugar onde meu segundo filho ou filha foi gerado. única forma efetiva de pensar e de ser produtivo nesse trabalho que fazemos.” Michel Conte Agora faltam palavras e deixo as sensações tomarem conta. Um dia belíssimo de sol. o que marcará para sempre este lugar. embora pudesse ficar muito mais tempo aqui. escrevi.QuArtA. mais importante.

no presente que está ali na esquina. É hora de lembranças. e em todos os sentidos!. Mas agora é hora de voltar para casa. mesmo com 3 pesadíssimas malas. GOSTO Andar a pé e principalmente de bike. editoraplus. uma lista de coisas que gosto e que não gosto em Montreal. Para mim a qualidade de uma cidade é diretamente proporcional à possibilidade de andar a pé ou de bicicleta.org info 333 .” Leonard Cohen Meu táxi está chegando e.que tudo devora. And I feel soaked to the skin. Tempo de otimismo! I don’t consider myself a pessimist. de pensar no futuro. retomar as coisas que deixei e compartilhar com alunos e amigos um pouco do que aprendi aqui. I think of a pessimist as someone who is waiting for it to rain. vou leve! Para finalizar este livro. mas também de prospectiva.

GPS Tracker. editoraplus. bom e pontual. Sistema de metrô e ônibus. Radiohead. ever. no Parc Jean Drapeau. Suzy. Milton.Parc la Fontaine. Plateau MontRoyal. Will Straw. Biblioteca da Mcgill. Segurança nas ruas e em casa. Identité. Conexão Wi-Fi em todos os lugares e de graça. As ciclovias de Montréal. Guto.org info 334 . O melhor show.

St Laurent. Restaurante Natureba La Faim du Monde. Laurent.Tempo para ler. Av.. editoraplus. na McGill Av. incensando o Plateau com seus grelhados. escrever e pensar. Rue de Bullion. na Duluth. Restaurante Au Pied de Cochon. Eventos na SAT. Laika e café Pi na St. Restaurante Natureba Comensal. Romados na Raquel. de Pins. na Saint Denis. des Érables. Restaurante Gengibre. Casa del Popolo. Japonês. na Av.org info 335 .

Radio Postes espalhados pela Av. Pequenas livrarias e lojas de discos espalhadas pela cidade. 1999. du Mont Royal. A rua Rachel e a sua ciclovia por onde passei muito. Frappucino Choco-Mint nas Starbucks. um dos meus escritorios preferidos. Mont Royal. Cinema du Parc e Cinema ExCentris. oriental na Av. na Av. Jornais culturais gratuitos em inglês e em francês. Mont Royal. Encontrar.org info 336 . falar. abraçar e tirar uma foto com Leonard Cohen!. Hamburger na Belle Soer. editoraplus. Second Ccup. 1648. rue Marie Anne. Ruas Duluth e Prince Arthur para andar e comer em algum restaurante. anacrônico e locativo.Restaurante Chez Lien.

iPod criando a ambiência sonora das flâneries e bike-flaneries. Panquecas em casa.Comer croissant e cereais Fiber 1 no café da manha.org info 337 . 5 meses no 4746 Rue des Érables. na Rue Saint Denis. comprada no supermercado. de bike ou a pé. depois. Ir trabalhar de café em café. a primeira de um mês na Rue de Bullion e. andando. Pizza Delicious. editoraplus. variando lugares e gostos. Os inúmeros festivais no verão. na Moleskine pelas ruas. Escrever. Comer crepe de chocolate no Julietta. de conexão em conexão. Tires de Érables sur nèige. Minha casas.

Cachorros tomando banho no lago do Parc La Fontaine. As ameixas no verão.A varanda dos fundos na casa da Ave. Serviços. Poutine.org info 338 . preços e aparelhos de celular. uma gororoba com batata frita. Hockey na TV. Des Érables. NÃO GOSTO Muita. Beber cidra e comer crepe. muita neve. Ter que ter o dinheiro certinho para o ônibus. Sistema de saúde e dificuldade para marcar um médico. editoraplus.

.. Fayard. McIntyre. 2003. Nigel.. Spychips. Maragret. editoraplus. Polity. Minneapolis... K. Janet. Survival. Peter (ed)..referênciAS Abrams. Toronto. M. McClelland &Stewart. Travels in the Scriptorium.. Cambridge. Albrecht. Hall. L’Homme Nomade. 2004. Reimagining the Urban. Attali. Augé. Plume Book.. NY. 2006. 1994. Paris. Auster. Thrift. Amin..org info 339 . Ash. 2002. Não Lugares: Introdução a uma antropologia da sobremodernidade. Cities. L. Faber and Faber. Bertrand Editora.. New Carthographies of Networks and Territories. P. University of Minnesota Press.. Else/Where: Mapping. 2006.. London. J... Atwood. 2006.

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Gabriela Rodrigues e Tiago Santos Lima Textos e fotos: André Lemos Edição de fotos: André Lemos e José Mamede Tratamento de fotos: José Mamede editoraplus. Editor-geral: Eduardo Melo Capa e diagramação: José Fernando Tavares Revisão: Camila Queiroz. Egideilson Santana e Frederico Fagundes Apoio: Agnes Mariano.Sobre eSSe livro Caderno de Viagem .org info 351 .comunicação. lugares e tecnologias André Lemos ISBN 978-85-62069-33-8 Publicado pela Editora Plus em março de 2010.

tanto faz se for em meio impresso ou eletrônico. exclusivamente em formato eletrônico. Esse livro não pode ser alterado de nenhuma forma. e você não pode cobrar nada por ele.org. visite editoraplus. O que você pode fazer com esse livro A você é dado direito de distribuir esse livro. Você pode copiar e passar adiante para todo mundo.org info 352 .Sobre A editorA PluS A Editora Plus.ePub. Para conhecer mais sobre nosso trabalho e outros livros publicados. tem como objetivo publicar livros inéditos e gratuitos. editoraplus. e a primeira a publicar no standard internacional . ou Projeto para o Livre Uso do Saber. Também desenvolvemos projetos educacionais nessa área. É a primeira editora do Brasil a publicar livros para celular. sem custo algum para autores e leitores.

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