P. D. R.

2000 - 2006

PROGRAMA OPERACIONAL DO AMBIENTE

Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território Julho 2000

Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

ÍNDICE

CAPÍTULO I : ENQUADRAMENTO GERAL DO SECTOR DO AMBIENTE INTRODUÇÃO___________________________________________________________7 TÍTULO I - A POLÍTICA DE AMBIENTE ENTRE 1996-1999____________________8
1 Água.............................................................................................................................................8 2 Ar...............................................................................................................................................11 3 Resíduos....................................................................................................................................12 4 A Conservação da Natureza e do Litoral................................................................................13

TÍTULO II - OS PROBLEMAS AMBIENTAIS POR RESOLVER_______________22
1 A qualidade do recurso água ..................................................................................................22
1.1 Águas superficiais.................................................................................................................................22 1.2 Águas subterrâneas................................................................................................................................23 1.3 Substâncias perigosas em meio aquático...............................................................................................23

2 A continuidade da infraestruturação básica...........................................................................23
2.1 Abastecimento de água.........................................................................................................................24 2.2 Tratamento de águas residuais.............................................................................................................24 2.3 Resíduos sólidos urbanos, industriais e hospitalares............................................................................25

3 Integração do ambiente nos diferentes sectores de actividade..............................................25 4 Ambiente Urbano.....................................................................................................................26

TÍTULO III - ACTUAÇÃO ESTRATÉGICA PARA 2000-2006__________________28
1 Principais Vectores...................................................................................................................28 2 Objectivos Ambientais 2000-2006...........................................................................................30
2.1 Recursos Hídricos.................................................................................................................................31 2.2 Resíduos................................................................................................................................................33 2.3 Ar e Ruído.............................................................................................................................................35 2.4 Conservação da Natureza e do Litoral..................................................................................................36 2.5 Educação ambiental...............................................................................................................................38 2.6 A melhoria do ambiente urbano............................................................................................................39

3 Integração do ambiente nas políticas de desenvolvimento....................................................39
3.1 Energia e Ambiente...............................................................................................................................40 3.2 Agricultura, Pescas e Ambiente............................................................................................................40 3.3 Indústria e Ambiente.............................................................................................................................41 3.4 Transportes e Ambiente.........................................................................................................................41 3.5 Turismo e Ambiente..............................................................................................................................42 3.6 Ambiente, Formação Profissional e Emprego.......................................................................................42

4 Articulação das diferentes fontes de financiamento...............................................................43
4.1 Saneamento básico................................................................................................................................43 4.2 Conservação e Valorização do Património Natural..............................................................................43 4.3 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais...................................................................................44 4.4 Informação, Sensibilização e Gestão Ambientais.................................................................................44 2

AMBIENTE • Portugal

Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

4.5 Ambiente Urbano..................................................................................................................................45 4.6 Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas......................................................46

5Mecanismos de articulação entre as diferentes intervenções.................................................46 6Ponto de situação da implementação das Directivas Comunitárias.......................................46

INTRODUÇÃO__________________________________________________________51 TÍTULO I - ESTRUTURA DO PROGRAMA OPERACIONAL DO AMBIENTE___52 TÍTULO II - EIXO PRIORITÁRIO 1: GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS______________________________________________________________54 MEDIDA 1.1 Conservação e Valorização do Património Natural_____________________________56 MEDIDA 1.2 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais________________________________61 MEDIDA 1.3 Informação, Sensibilização e Gestão Ambientais_______________________________65 TÍTULO III - EIXO PRIORITÁRIO 2: INTEGRAÇÃO DO AMBIENTE NAS ACTIVIDADES ECONÓMICAS E SOCIAIS_________________________________68 MEDIDA 2.1 Melhoria do Ambiente Urbano______________________________________________71 MEDIDA 2.2 Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas_________________73 TÍTULO IV – EIXO 3: ASSISTÊNCIA TÉCNICA_____________________________75 TÍTULO V – DISPOSIÇÕES DE EXECUÇÃO________________________________77
1 Autoridade de Gestão...............................................................................................................77 2 Unidade de Gestão....................................................................................................................78 3 Acompanhamento.....................................................................................................................79 4 Avaliação...................................................................................................................................80 5 Circuitos Financeiros...............................................................................................................82 6Controlo Financeiro..................................................................................................................83 7Parceria......................................................................................................................................85 8A Protecção do Ambiente e o Princípio do Poluidor- Pagador..............................................86 9Adjudicação de Contratos Públicos.........................................................................................87 10Indicadores da Reserva de Eficiência.....................................................................................88 11Informação e Publicidade.......................................................................................................90 12Sistema de Informação............................................................................................................90 13Orientações Gerais para as Intervenções Desconcentradas.................................................92 14Igualdade de Oportunidades..................................................................................................92

AMBIENTE • Portugal

3

.............137 3 Avaliação da Coerência Externa.......................................................152 3 Indicadores de realização e de impacto do PO Ambiente...............................162 4 Processos de implementação e monitorização......Avaliação Quantificada dos Objectivos Ambientais_________________152 1 Introdução..........152 2 Metas e objectivos quantificados ..........................................................................................................137 2 Apresentação do PO Ambiente.....................................................................................................................118 2 Níveis de infraestruturação ambiental básica...............................Análise do Contexto de Intervenção______________________________118 1 Introdução.............................................................................................................................................................127 7 Ambiente Urbano..................... Processos de Implementação e Monitorização___________________________________________________________160 1 Introdução.......................Avaliação da Concepção e Consistência da Estratégia Proposta_______137 1 Introdução...........................................................................................................................164 AMBIENTE • Portugal 4 ..................................................94 TÍTULO VI: QUADROS DE PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA_____________________________95 Introdução______________________________________________________________102 Capítulo 1 .........................................................118 4 Recursos Hídricos.....103 2 Síntese dos resultados esperados do PA 1994-1999..............................................151 Capítulo 4 ............................................................................114 Capítulo 2 ..........................................................................................................................................................................................................107 4 Efeitos do PA e pertinência das recomendações então produzidas......................157 5 Síntese..........................................122 5 Ar.....................104 3 Da concepção do PA 1994-1999 à sua organização e funcionamento..........................................................132 Capítulo 3 .....................................................................................................................................160 3 Políticas e impactos esperados do PO Ambiente....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................150 5 Síntese.....................2006 15 Critérios de Selecção.............. Clima e Ruído..........159 Capítulo 5 ........................................................................................................................................................................................................................................160 2 Distribuição dos recursos financeiros.....................................................................................Programa Operacional do Ambiente 2000 ...................................................................................Análise dos Resultados das Avaliações Anteriores___________________103 1 Introdução...............................................................................................................................................................Políticas e Impactos Esperados.125 6 Conservação da Natureza e Recursos Biológicos......................................130 8 Síntese.....................143 4 Avaliação da Coerência Interna........................

................180 PARTE 2 OBJECTIVOS ESRATÉGICOS PARA 2006_________________________________181 1 Ciclo integrado da água.....169 2.............................................................................174 4 Implementação da estratégia no período 2000-2006..................................................................................................................................................................189 4................................................................................1 Água........................................................184 2...............190 AMBIENTE • Portugal 5 .................................................................................................................................................................................. Drenagem e tratamento de águas residuais.................2 Candidaturas relativas a novos sistemas a implementar:...........2006 PARTE 1 ENQUADRAMENTO____________________________________________________168 1 Introdução.....1 Quanto ao enquadramento......1 Projectos relativos a Sistemas já implementados:......Programa Operacional do Ambiente 2000 ..................................183 2 Os princípios básicos das intervenções........................................176 5 Os problemas por resolver no domínio do saneamento básico...........................168 2 A política de ambiente entre 1996-1999 ......................................4 Gestão da Procura.........................................................................................................170 2...........3....................................................................................................182 PARTE 3 OS FINANCIAMENTOS PELO FUNDO DE COESÃO________________________183 1 As opções de financiamento.......................2 Quanto aos modelos de gestão e de financiamento.................. Abastecimento de Água........................................................................2......................3 Aplicação do Princípio do Poluidor – Pagador..2 Resíduos..............................................................................................................188 4 Identificação dos Projectos...................................189 4..............................181 2 Resíduos Sólidos Urbanos .............................................................................................................................................................................180 5...................1..........187 3 Investimentos em Ambiente........... Resíduos Sólidos Urbanos......................................................................185 2..................................................184 2...................................................................................................178 5....................................................................................................................................................184 2.................................................172 3 Os principais vectores de actuação estratégica entre 2000-2006.........................178 5..........................................................................................................................................................

2006 CAPÍTULO I : ENQUADRAMENTO GERAL DO SECTOR DO AMBIENTE * *  AMBIENTE • Portugal 6 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

correspondeu às expectativas geradas em torno do processo de integração europeia. bem como do desenvolvimento dos sectores da agricultura. É nesse sentido que aponta a política de ambiente executada na segunda metade da década de noventa. no sentido de uma maior sustentabilidade ambiental. no âmbito do segundo Quadro Comunitário de Apoio (QCA II). os progressos verificados nos últimos anos são a prova que a política de ambiente começa a dar os seus frutos e a contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos nacionais. particularmente auxiliada tanto pela transposição jurídica da maior parte das directivas comunitárias. no entanto se muito ainda há a fazer. como pela concretização das medidas que a estratégia de investimentos nacionais e comunitários viria a permitir. apesar de um significativo abrandamento em 1993/94. . Um balanço da década a nível do crescimento demográfico e da distribuição da população.INTRODUÇÃO O crescimento da economia portuguesa durante a década de noventa. revela a necessidade ainda existente de modificar qualitativamente o processo de desenvolvimento. indústria e transportes. Não foi possível durante a década de 90 atingir os níveis de protecção e de qualidade ambientais compatíveis com a média dos nossos parceiros comunitários. 96-99.

Resíduos 1. Ar e Clima 1. para a segunda metade da década de noventa: Fonte. industriais e hospitalares. Neste ponto serão explicitadas quer as medidas empreendidas quer os objectivos atingidos. 2. Conservação da natureza 1. intentou-se o acréscimo da capacidade de abastecimento de água através da promoção de grandes empreendimentos: Odeleite-Beliche (origem da água do Sistema Multimunicipal do Sotavento Algarvio. promovendo também uma melhoria substancial da qualidade da água nos meios receptores.Programa Operacional do Ambiente 2000 . com entrada em funcionamento em Julho de 1998). Ampliar e reclassificar a Rede Nacional de Áreas Protegidas e a Reserva Ecológica Nacional 2. que passa pela criação de uma rede estruturada que permita ultrapassar 8 . um maior nível de atendimento da população. Neste âmbito. A prossecução dos objectivos de política de ambiente levou à execução devidamente articulada de todo um conjunto de medidas por domínio ambiental. Adoptar normas de protecção e qualidade consistentes com os acordos internacionais efectuados na matéria. As principais medidas tomadas no âmbito do Sector Resíduos orientam-se no sentido de proceder a uma correcta gestão dos resíduos urbanos. Proceder à integração de políticas sectoriais no sentido de promover a qualidade do ar 3. foi dada prioridade à criação de condições que permitissem planificar e pôr em prática a qualificação do tratamento dos resíduos sólidos urbanos bem como a definição de um quadro legal adequado que permitisse criar as infraestruturas necessárias a uma correcta gestão dos diversos tipos de resíduos. surge o Programa de Origens da Água. 1996-1999 Água 1. 1 Água A nível das origens da água. GOPS.2006 TÍTULO I . com entrada em funcionamento em Maio de 1998) e Odelouca-Funcho (obra a iniciar em 2001 e destinada a constituir a origem de água do sistema Multimunicipal do Barlavento Algarvio). desde logo. segundo o princípio da prevenção.A POLÍTICA DE AMBIENTE ENTRE 1996-1999 A política do ambiente definiu os seguintes objectivos de acção por domínio ambiental. Ainda no domínio de uma maior capacidade de abastecimento. Aumentar os níveis de atendimento da população no que se refere a água para consumo humano e drenagem e tratamento de águas residuais. Melhorar a monitorização da qualidade do ar e das alterações climáticas 2. valorização e eliminação e pressupondo. Levar a cabo uma política integrada de protecção e recuperação das áreas costeiras. Proceder a um levantamento dos recursos existentes e garantir na origem a fiabilidade e qualidade da água para abastecimento 2. Enxoé (principal origem de água dos concelhos de Serpa e Mértola.

As medidas de política empreendidas neste sector conduziram à seguinte evolução de níveis de atendimento das populações: Evolução do Abastecimento de Água NUTS II Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE Níveis de atendimento globais (%) 1990 (a) 65 68 92 83 82 77 1995 (b) 70 84 97 89 82 84 1997 (c) 71 89 98 92 88 86 1999* (c) 78 95 99 94 91 90 Fontes: a) DGA (valor de referência utilizado pelo PNPA em 1995) b) INE c) Inquérito às Câmaras Municipais coordenado pelas DRAs *valores previstos com base nas obras em curso e em conclusão em 1999 Foi iniciada a monitorização da qualidade das águas subterrâneas. de 19 de Junho). como é o caso do Aterro Sanitário de Alcanena. Santa Marta de Penaguião e Vila Real. seguindo-se a Região do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo. no âmbito do qual se inserem os sistemas de monitorização regionais referidos. No que se refere à drenagem e tratamento de águas residuais. virá ainda a conferir um tratamento específico às zonas de risco.L. Durante o ano de 1999 ficou garantido o abastecimento de água em “alta” a 117 concelhos das zonas mais densamente povoadas do litoral do país. No âmbito do abastecimento de água às populações através dos sistemas multimunicipais. Espera-se que no final do ano 2000 se inicie a monitorização na Região Alentejo. tendo sido considerados como prioritários os investimentos nas sedes dos concelhos e nas Zonas Sensíveis (D. O Programa Nacional de Monitorização das Águas Subterrâneas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . resultantes da associação do IPE Águas de Portugal com os municípios. o Programa Nacional de Tratamento de Águas Residuais Urbanas inclui a construção e reabilitação de ETARs. a Bacia do Rio Alviela. Encontra-se concluído o sistema de Trancoso e estão já em execução os sistemas de Apartadura. nº 152/97. 9 .2006 as actuais fragilidades das captações do interior Norte e Centro do país. o Estado concessionou a empresas de capitais públicos. encontrando-se operacionais as redes de monitorização da Região do Centro e da Região do Algarve. Sardoal. a construção e exploração de infra-estruturas de abastecimento de água que gerem sistemas de âmbito regional. o perímetro de rega de Marvão e as Zonas Vulneráveis classificadas no Decreto-Lei nº 235/97 de 3 de Setembro.

Águas de Portugal com os municípios interessados.Programa Operacional do Ambiente 2000 . No âmbito dos sistemas multimunicipais.6 milhões de habitantes). ficando. assim. As medidas de política empreendidas neste sector conduziram à seguinte evolução de níveis de atendimento das populações: Evolução da Drenagem de Águas Residuais NUTS II Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE Níveis de atendimento globais (%) 1990 (a) 36 39 79 69 76 55 1995 (b) 44 52 86 83 68 63 1997 (c) 51 54 86 84 81 68 1999* (c) 59 71 89 85 84 75 Fontes: a) DGA (valor de referência utilizado pelo PNPA em 1995) b) INE c) Inquérito às Câmaras Municipais coordenado pelas DRAs *valores previstos com base nas obras em curso e em conclusão em 1999 Evolução do Tratamento de Águas Residuais Urbanas NUTS II Níveis de atendimento globais (%) 10 .2006 Entre as principais medidas empreendidas neste domínio figura a celebração de Contratos-Programa de Qualificação Ambiental com as Autarquias e a Parque Expo para apoio de soluções integradas no domínio da drenagem e tratamento de águas residuais. o Estado concessionou a empresas de capitais públicos. a construção e exploração de infra-estruturas de tratamento de águas residuais. resultantes da associação do IPE . bem como o acréscimo do número de sistemas multimunicipais de tratamento de águas residuais urbanas. garantido através da SIMRIA (Ria de Aveiro) e da SANEST (Costa do Estoril) o tratamento de águas residuais de 14 concelhos (cerca de 1.

Prevenção e Controlo de Cheias. iniciado em 1996. soma 883 intervenções das quais 663 foram executadas entre 1996 e 1998. metano. Por tal facto. onde a indústria têxtil tem o maior peso. foi entretanto publicado o Decreto-Lei nº 276/ 99 de 23 de Julho que transpõe a directiva 96/62/CE relativa à gestão da qualidade do ar. relativo à protecção do ar. óxido nitroso.Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave.Programa Operacional do Ambiente 2000 . servindo um elevado número de unidades industriais metalúrgicas e metalomecânicas na área de Águeda. tendo em conta os resultados dos estudos da comunidade científica. Portugal adoptou o Protocolo de Quioto. a ECTRI (Estação Colectiva de Tratamento de Resíduos Industriais). assumindo o compromisso de conter o aumento das suas emissões de gases com efeito de estufa (dióxido de carbono. a mais recente consciência das diversas nações apostando em proteger este recurso natural. 2 Ar Nos cerca de oito anos de vigência do Decreto-Lei nº 352/90. bem como. (Bacia do Alviela). No âmbito da Conferência das Partes da Convenção das Alterações Climáticas realizada em 1997. A nível da integração de políticas sectoriais merecem particular destaque as seguintes medidas: 11 . estando em preparação a revisão do quadro legal relativo às emissões para a atmosfera. verifica-se que o mesmo se apresenta insuficiente. hidrofluorcarbonetos) em 27% para o período de 2008-2012 e tendo como referência o ano de 1990. o Sistema de Alcanena.2006 Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE 1990 (a) 11 18 26 32 37 21 1995 (b) 12 30 47 58 60 32 1997 (c) 24 36 53 59 64 40 1999 * (c) 42 51 64 74 83 55 Capacidade instalada 1999** (d) 61 61 79 81 92 70 Fontes: a) DGA (valor de referência utilizado pelo PNPA em 1995) b) INAG c) Inquérito às Câmaras Municipais coordenado pelas DRAs *valores previstos com base nas obras em curso e em conclusão em 1999 ** tratamento efectivo sujeito à conclusão das redes em baixa Por outro lado. O Programa de Reabilitação da Rede Hidrográfica. encontram-se já em funcionamento várias soluções integradas de tratamento de águas residuais industriais: o SIDVA . e apesar das pequenas alterações que foram sendo introduzidas. hexafluoreto de enxofre. estando em curso as restantes 220. onde se encontra sediado o maior número de estabelecimentos produtores de curtumes do país. As acções contidas neste Programa orientam-se para a recuperação da rede hidrográfica e para a garantia das condições de escoamento de linhas de água. polifluorcabonetos.

2006 1. A implementação do Sistema Integrado de Gestão da Qualidade do Ar Urbano (SIGqa) para as cidades do Porto e de Lisboa. Este processo é acompanhado pela recuperação e encerramento das lixeiras existentes. sob a tutela do Ministério do Ambiente. o tratamento e a valorização de resíduos. Foram criados os mecanismos que permitirão aos veículos não preparados para o consumo de gasolina sem chumbo. como assegurassem um maior grau de cobertura territorial e populacional. Com o objectivo de facilitar o cumprimento das obrigações decorrentes da aplicação da Directiva 88/609/CEE. informação precisa para o apoio em processos de decisão.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Outra medida tomada no âmbito da prevenção refere-se às acções de planeamento empreendidas e consubstanciadas pela elaboração de Planos Estratégicos para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU). Ambos os tipos de sistemas destinam-se a efectuar a recolha selectiva. estabeleceu-se um programa nacional de redução das emissões das GICs. relativa à limitação das emissões para a atmosfera de certos poluentes atmosféricos provenientes das Grandes Instalações de Combustão. Portugal decidiu deixar de comercializar a gasolina com chumbo a partir de 31 de Julho de 1999. entre representantes do Conselho de Ministros e do Parlamento Europeu. SA e os Municípios. quer da associação entre municípios (sistemas intermunicipais). A valorização e eliminação dos resíduos carecia de sistemas de gestão integrada que não apenas contemplassem as diversas tarefas implicadas pelos processos referidos. As medidas de política empreendidas neste sector conduziram à seguinte evolução de níveis de atendimento das populações: 12 . bem como a entrada em vigor do Decreto Lei nº 239/97 onde se definem as normas de gestão de resíduos e se atribui ao Ministério do Ambiente a competência para autorizar as operações de gestão referentes ao mesmo sector. homologado pelo Ministério do Ambiente em Janeiro de 1997. que estabelece um conjunto de medidas para reduzir a poluição provocada pelos transportes rodoviários. Estes planos procuram efectuar uma avaliação do estado actual dos sectores respectivos e prever e projectar as soluções necessárias no mesmo contexto. informando o cidadão sobre a qualidade do ar observada nestas duas cidades. No domínio transportes/ambiente. que fixa tectos nacionais. Para o efeito foram criados diversos sistemas multimunicipais através da concessão de projectos de gestão a empresas de capitais públicos resultantes quer da associação entre a EGF Empresa Geral de Fomento. o que significará um primeiro passo muito relevante na busca de qualidade ambiental. alcançado em Junho de 1998. 3 Resíduos Da estratégia de prevenção fazem parte a criação do Instituto de Resíduos. envolvendo no total 37 sistemas e 275 municípios. faseados para as emissões destas instalações. como forma de dar resposta à importância crescente dos problemas colocados pelos resíduos. de 24 de Novembro. para os Resíduos Hospitalares e para os Resíduos Industriais (PESGRI). possibilitará em tempo útil. disporem de aditivos que possibilitarão aos seus utentes continuar a utilizá-los no período de transição para a nova frota automóvel. efectuou-se um primeiro acordo no âmbito do pacote “Auto-Oil”. 2.

No contexto dos objectivos de reciclagem e reutilização de embalagens. a aprovar ainda no decurso do ano de 2000. estando as propostas em fase final de apreciação no Instituto de Resíduos. cujo início de funcionamento se prevê para o primeiro semestre de 2000. No sentido de dotar a indústria de instrumentos e conhecimento sobre a redução de resíduos na origem está em fase de preparação o Plano Nacional de redução dos Resíduos Industriais ( PNAPRI ). foi elaborado o Decreto-Lei nº 321/ 99. Efectuou-se ainda um Protocolo entre o Instituto de Resíduos e o Sector Farmacêutico para implementação conjunta de um Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens Farmacêuticas. que deu origem à criação da entidade gestora VALORMED. A Sociedade Ponto Verde tem vindo a assinar contratos diversos com os embaladores e as associações de recicladores. destinada a gerir o sistema integrado para o qual os embaladores podem transferir a responsabilidade pelo destino final dos resíduos de embalagens. 4 A Conservação da Natureza e do Litoral Nos últimos anos assistiu-se a um esforço assinalável no sentido de consolidar e reforçar competências. que veio regulamentar as condições de atribuição de licenças para aterros de resíduos industriais banais (não perigosos). considerados prioritários.Programa Operacional do Ambiente 2000 . o que permitiu a apresentação de 19 candidaturas para a concepção. construção e exploração desses aterros. figuram as pilhas e acumuladores usados. Foi aprovado o Plano Estratégico de Gestão dos Resíduos Industriais ( PESGRI ). Entre os fluxos de resíduos. os óleos usados e os pneus usados. em 1997 foi criada a Sociedade Ponto Verde. compostagem e aterros sanitários Em Agosto de 1999. bem como com os sistemas autárquicos. âmbito e capacidades de intervenção das instituições da Administração 13 .2006 Evolução do Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (situação com implementação do PERSU) NUTS II Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE Níveis de Atendimento Globais (%) 1997 (a) 46 15 66 14 20 24 1999 (a) 92 96 100 51 100 94 Fontes: a) SEAMA Nota: Considerando Tratamento Adequado apenas incineração. Os contratos celebrados com os embaladores permitem a cobertura pelo sistema integrado de cerca de 65% das embalagens colocadas no mercado.

registou-se um avanço na efectiva implementação das Áreas Protegidas. O volume de meios financeiros postos à disposição das entidades. tenham deixado de se assumir como questões sectoriais centradas sobre os seus valores intrínsecos. numa primeira fase. A consolidação da Rede Nacional de Áreas Protegidas incidiu ainda na reclassificação das áreas protegidas. Um aspecto igualmente importante ao nível da consolidação da Rede Nacional de Áreas Protegidas foi a designação das primeiras Áreas Protegidas Marinhas.Monumentos Naturais das Pegadas de Dinossáurios de Ourém. Também a vertente regional da Rede Nacional de Áreas Protegidas foi desenvolvida. das Dunas de S.2006 Pública com responsabilidade no domínio da Conservação da Natureza. fruto sobretudo das obrigações decorrentes de Directivas Comunitárias e Convenções Internacionais. Paralelamente. quer a 14 . visando principalmente uma maior adequação da sua tipologia (reclassificaram-se 8 das 23 Áreas Protegidas a ser alvo deste processo . do Azibo e do Côrno do Bico. 38 Sítios que correspondem a 12.mapa 3 .4% do território continental (mapa 2). sobretudo no decurso do II QCA.Programa Operacional do Ambiente 2000 . que correspondem a 8. Este facto contribuiu para que a Conservação da Natureza passasse a ter uma dimensão espacial e política de âmbito nacional. e passassem a ser encaradas como uma política transversal. de Lagosteiros. da Serra da Estrela e da Arrábida. interactiva com as políticas de utilização dos recursos naturais e de planeamento do uso e transformação do solo. de 17 de Julho. quer ao nível da sua infra-estruturação quer ao nível do significativo reforço da sua actuação no terreno. do Paul do Boquilobo. e a gestão das áreas protegidas. em particular. Todo este esforço contribuiu para que a Conservação da Natureza em geral. devidamente enquadradas na Lei Quadro das Áreas Protegidas (Decreto-Lei nº 19/93. e as Reservas Naturais do Paul de Arzila. de 23 de Março) através da publicação do Decreto-Lei nº 227/98. que permitiram a inclusão de áreas com características muito particulares no âmbito da Conservação da Natureza (nomeadamente ao nível dos rios internacionais – Parque Natural do Douro Internacional – e do património icnológico e paleontológico . da Pedra da Mua e da Pedreira do Avelino). Jacinto. Do resultado de um levantamento e caracterização pormenorizada dos Habitats Naturais e dos Habitats das espécies da Flora e da Fauna abrangidas pela Directiva Habitats (Directiva 92/43/CEE) foram identificados os sítios importantes para a conservação da natureza ao nível europeu. tendo sido submetidos à Comissão. de Carenque. da Berlenga e da Serra da Malcata) e na criação de áreas protegidas. através da criação de 3 Áreas Protegidas de âmbito regional: Paisagens Protegidas da Serra de Montejunto. até então nunca verificada. Foram igualmente apresentadas 28 Zonas de Protecção Especial para a Avifauna. aspectos que permitiram uma intervenção progressivamente mais credível e eficaz.os Parques Naturais de Montesinho.3 % do território continental (mapa 1). veio permitir o aumento e o aprofundamento do conhecimento científico relativo aos valores do património natural existente em Portugal. a nível de Portugal Continental. sendo neste âmbito de salientar.

Várias medidas têm. A um nível mais global. nos últimos anos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . levou ao aparecimento de condições excepcionais para a prática de actividades recreativas associadas à fruição do plano de água ou à procura das suas áreas envolventes para construção de habitações. determinando a artificialização da linha de costa. a Conservação da Natureza passou a ser merecedora. Estes Planos visam garantir a salvaguarda das condições naturais e ambientais presentes. quer o lançamento de instrumentos estruturantes para o desenvolvimento sustentável nestas áreas (nomeadamente o Programa Nacional de Turismo de Natureza. que encontra tradução no Programa Litoral 98 e no Programa Litoral 99. tem utilizado como instrumentos privilegiados os Planos de Ordenamento das Albufeiras (mapa 6). o Plano Nacional de Estágios e os Planos Prévios de Intervenção em Fogos Florestais em Áreas Protegidas). A existência de numerosos planos de água de dimensões variáveis. tendo sido promovida a elaboração de Planos de Ordenamento da Orla Costeira (mapa 5). cujas medidas estão a ser implementadas. têm originado situações de desequilibro. de ser integrada nos processos decisórios ab initio e de ser encarada como suporte de um verdadeiro processo de desenvolvimento sustentável.Sines. Julião da Barra/ Cascais. O Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.2006 Resolução de Conselho de Ministros nº 102/96. para gerir a ocupação e utilização das albufeiras e suas áreas envolventes.Espinho. vindo a ser tomadas pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. as disponibilidades hídricas para as suas finalidades principais. definindo regras e impondo restrições à sua ocupação e utilização. no sentido de permitir o planeamento integrado dos recursos. A forte procura e pressão que se verifica sobre o litoral português. 15 . Sines . a degradação de sistemas naturais e o empobrecimento da paisagem.Vilamoura). Foram identificados nove troços distintos de costa. Sado .Burgau. dos quais já se encontram concluídos cinco ( Caminha . Burgau . pela raridade e vulnerabilidade dos valores em que assenta. o Programa de Desporto em áreas protegidas. bem como a articulação entre as diferentes entidades com competências nos territórios objecto dos planos. Este último procurou reforçar as intervenções mais directamente associadas à preservação e defesa dos valores ambientais e às acções de requalificação de espaços sujeitos à degradação ou empobrecimento das suas características ecológicas e naturais. um por troço. Cidadela – S. desde algumas dezenas a milhões de hectares. Estes Planos vieram a integrar uma estratégia de intervenção para a orla costeira. definida pelo Governo Português e aprovada em Julho de 1998. o Acordo Pescas/Ambiente.

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 Mapa 1 16 .

2006 17 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 Mapa 3 18 .

2006 Mapa 4 19 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 20 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 21 .

associada ao esforço de convergência económica real a que a mesma integração conduziu e a uma abertura crescente da economia nacional no que se refere a bens de consumo imediato e novas tecnologias. mas cujas consequências devem ser antecipadas por uma prevenção eficaz. material sólido e matéria orgânica.1 Águas superficiais O armazenamento de água em albufeiras constitui ainda em alguns casos o meio receptor de efluentes domésticos e industriais e ainda das escorrências dos solos agrícolas e florestais. conduz à deterioração da qualidade da água.Programa Operacional do Ambiente 2000 . A afluência excessiva de nutrientes. Os blooms algais são a consequência mais directa dos estádios de eutrofização e os dois nutrientes considerados com mais significado para o crescimento destes organismos são o azoto e o fósforo. resultando do enriquecimento do meio em nutrientes e promovendo o crescimento da vida aquática ao nível das cadeias tróficas. de eclosão mais ou menos tardia. 22 . 20% em eutrófico e em 40% das massas lênticas o processo de eutrofização foi já iniciado.2006 TÍTULO II . uma pressão acrescida sobre o meio ambiente e os recursos naturais. sabendo-se que os problemas de poluição ambiental dos meios hídricos são agravados pela irregularidade climática do nosso país e pelo tipo de uso do solo. No que se refere aos problemas ambientais que requerem soluções foram identificados os seguintes aspectos: 1 A qualidade do recurso água Uma questão indissociável das disponibilidades hídricas é o problema da qualidade da água. e incidências derivadas do carácter global de alguns problemas ambientais.OS PROBLEMAS AMBIENTAIS POR RESOLVER Os problemas ambientais que se colocam a Portugal nas próximas décadas resultam da presença e interacção de três factores: um passivo ambiental gerado pelos processos de crescimento económico anteriores à integração de Portugal na União Europeia. As grandes questões ambientais daqui decorrentes podem perspectivar-se sob duas ópticas distintas: ou fazem parte de um conjunto de problemas cuja solução se quer imediata. além da poluição por óleos. originando processos de eutrofização. A eutrofização das massas de água é um processo natural e lento. cerca de 40% do total da água nelas armazenada encontra-se em estado oligotrófico. 1. Os verões secos e prolongados e a correspondente diminuição de valores de caudal conduzem a capacidades muito reduzidas de autodepuração durante a estiagem. ou constituem problemas ainda potenciais. Por outro lado há ainda a referir os problemas associados à poluição por substâncias perigosas. Das 71 albufeiras actualmente classificadas. em particular.

via meios aquáticos. Praticamente todas caem no âmbito das seleccionadas pela OSPAR e União Europeia. drenagem e tratamento de águas residuais e recolha e tratamento de resíduos sólidos permite concluir que Portugal se encontra ainda abaixo das médias europeias. apenas. em função da existência de focos de rejeição de poluentes com origem nas actividades agrícolas (abuso de adubos e fertilizantes) e industriais (águas residuais sem qualquer tratamento ou com tratamento deficiente). Todavia. ainda. 1. Possui. 1. a Comissão Europeia deliberou alterar o artº 21º da Proposta de Directiva Quadro para a Água estabelecendo a data limite de fim de 1998 para a obtenção de uma lista de substâncias sujeitas a vigilância prioritária devido ao seu comprovado risco para o ambiente e a saúde humana. resultando de situações isoladas ou conjuntas de abuso de adubação (fosfatos e nitratos). Mira e Salgueira) ou albufeiras. um programa de monitorização das águas doces superficiais e das águas marinhas e estuarinas que dê resposta em conformidade com o exigido pelas instâncias mencionadas.2006 Estes blooms têm ocorrido tanto em águas correntes (rios Minho. 2 A continuidade da infraestruturação básica A análise dos níveis de atendimento verificados para o abastecimento de água.3 Substâncias perigosas em meio aquático No âmbito da qualidade da água merece particular destaque a presença de substância perigosas em meio aquático: em 26 de Novembro de 1997. na monitorização dos meios hídricos levada a cabo pelos Estados Membro e na adopção de modelos matemáticos para estudo da dispersão.2 Águas subterrâneas No que se refere às águas subterrâneas. Douro e Gaudiana) como em lagoas (Quiaios. Portugal não tem dados analíticos coligidos e organizados nem tem estabelecido. um estudo sobre a existência das substâncias existentes no País. Esta constatação é um indicador inequívoco da necessidade de dar continuidade à infraestruturação a nível do saneamento básico. da presença de explorações pecuárias não controladas e da ausência de esgotos urbanos com tratamento insuficiente ou nulo. tem-se assistido à diminuição gradual da sua qualidade. que se inserem nas constantes da Lista II da Directiva 76/464/CEE candidatas à Lista I. com esta necessidade coexistem 23 . A prioridade assenta. e para quantidades reportadas superiores a 10 toneladas/ano. bem como dos valores tidos como compatíveis com a existência e manutenção da qualidade de vida das populações.Programa Operacional do Ambiente 2000 . produzidas e/ou importadas. pois.

ou seja. a nível da fiabilidade dos abastecimentos e respectivo controlo de qualidade. caracterizadas por uma rede de origens muito dispersa e de assinalável pequenez. Situações de ausência de qualidade das águas superficiais e subterrâneas associada a uma rede de monitorização ainda deficiente. • • • • 2. como por mau funcionamento ou má conservação das componentes do sistema de abastecimento. Inadequação dos processos de tratamento relativamente à natureza e qualidade dos efluentes. face ao crescimento urbano verificado. Carências de tratamento nas ETA’s por motivos técnicos e humanos Má conservação das estruturas de distribuição (fissuras e rupturas em estruturas envelhecidas). tanto em virtude de causa hidrológicas sem uma adequada resposta em termos de armazenamento.2 Tratamento de águas residuais Também no sector de drenagem e tratamento das águas residuais subsistem algumas carências cuja solução é indispensável à plena eficiência do sistema em causa. Fragilidade do abastecimento de água nas regiões do interior do país. A presença de técnicos e operadores devidamente qualificados que possam garantir a manutenção e funcionalidade das estruturas existentes.1 Abastecimento de água A nível das origens e abastecimento de água. Carência de pessoal com a formação adequada para gestão e manutenção dos sistemas de tratatmento 24 • • • • . sendo ambas condição necessária para a eficiência e operacionalidade dos sistemas de saneamento básico: • • A conservação ou reparação de infraestruturas já existentes e cujas actuais condições de funcionamento comprometem a qualidade dos serviços prestados. verificam-se situações em que estão presentes as infraestruturas de drenagem de águas residuais. de drenagem-etratamento de águas residuais.2006 ainda duas outras. constituem problemas não resolvidos: • Deficiências a nível da constância e pressão do abastecimento de água. numa agravada pela proximidade de redes de esgoto ou de explorações agro-pecuárias e industriais. Subdimensionamento das ETAR’s.Programa Operacional do Ambiente 2000 . sem a necessária correspondência em termos de tratamento. Necessidade urgente de reabilitação das infraestruturas existentes. com as incidências daí resultantes. Entre os problemas identificados constam os seguintes: • Baixos níveis de atendimento da população a nível integrado. 2. De facto. permitindo assim a concretização dos níveis de atendimento para os quais foram concebidas.

sistemas de tratamento de águas residuais. 3 Integração do ambiente nos diferentes sectores de actividade Na linha do 5º Programa Quadro de Acção Comunitário “Em Direcção a Um Desenvolvimento Sustentável” (1992-2000). estabeleceu que as candidaturas eram suportadas por uma análise ambiental e que a existência deste diagnóstico. As empresas portuguesas perante os normativos ambientais tomaram as suas opções no sentido de corrigir e de se adaptarem à legislação em vigor. mas. restando todavia a necessidade de proceder às seguintes acções: • • • • Valorização insuficiente: actuar em termos da valorização.3 Resíduos sólidos urbanos. Educação/formação: proporcionar campanhas educativas que incentivem uma menor produção de resíduos. como em termos da deposição selectiva. Neste sentido. bem como a realização dos investimentos aí identificados constituía critério de elegibilidade e selectividade dos mesmos. levou a uma conjugação de esforços dos Ministérios do Ambiente e da Economia para a sensibilização dos empresários e consumidores para o facto de a indústria não ser apenas considerada como fonte dos problemas. Tanto os resíduos industriais como os resíduos hospitalares carecem ainda de locais de deposição e meios de tratamento adequados. bem como redução e tratamento de resíduos sólidos. pela aquisição de tecnologias de “fim de linha”. reduções de consumo de água e de energia. a nível da reciclagem e da valorização energética Deposição: concluir a selagem dos locais de deposição que não correspondam a critérios ambientalmente correctos. também parte integral da resolução dos mesmos. Encontar as soluções de tratamento e deposição adequadas aos resíduos específicos. a estratégia nacional no sentido de nos dirigirmos para a convergência entre a eficiência económica e a protecção dos recursos naturais. e uma deposição adequada tanto em termos de recurso aos locais próprios para a deposição. 25 . o acordo estabelecido entre os Ministérios do Ambiente e da Economia em 1995 tendo em vista a compatibilização das exigências ambientais com a competitividade das empresas e uma melhor utilização dos fundos disponíveis para a indústria (POA e PEDIP). isto é. industriais e hospitalares O sector dos resíduos sólidos urbanos é aquele que regista os maiores níveis de atendimento.Programa Operacional do Ambiente 2000 . em função da sua perigosidade. mas sobretudo. As opções adoptadas consistiram não apenas na introdução de tecnologias menos poluentes. sistemas de redução das emissões atmosféricas e de minimização do ruído.2006 2. Os Planos Estratégicos actualmente em curso constituem uma primeira abordagem fundamental à resolução dos problemas associados.

isto é.2006 Apesar do esforço do tecido empresarial português de adaptação aos normativos em vigor. mas têm indissociavelmente uma dimensão estratégica que consiste em “reinventar” as cidades. em vastas zonas do “casco” urbano. que atravessam em muitos casos processos paralelos de “terciarização”. atrofiados pela dinâmica da construção compacta. Os principais problemas das cidades em Portugal são bem conhecidos: • • esvaziamento da função residencial dos centros históricos. pelo menos em parte. e as novas gerações a serem deslocadas para “coroas suburbanas” cada vez mais distantes. em Portugal essa relação é ainda mais estreita porque as muitas cidades buscam. ao crescimento dos movimentos pendulares habitação-emprego. Essas transformações reflectem necessáriamente as profundas mudanças da estrutura económica e social e foram acompanhadas de fluxos migratórios muito significativos que obrigam a um redesenho da importância e das funções dos aglomerados urbanos. com destaque para a escassez de espaços verdes e espaços públicos. crescente congestionamento do trânsito. No entanto. uma intervenção em ambiente urbano em Portugal não deve ser dissociada de uma forte componente de requalificação urbanística e não deve deixar de atender aos desígnios estratégicos das cidades em que actua. processo acelerado de degradação de património edificado. intensificação das extensões suburbanas. associado. torna-se necessária uma crescente internalização dos custos associados ao ambiente e que tal seja reflectido na veracidade dos preços. ainda. em Portugal. com os “centros” destas grandes áreas urbanas a envelhecerem acentuadamente. nas periferias mais antigas e nos bairros sociais associado à inexistência de estímulos de mercado à reabilitação urbana (vd. tema que constitui a tónica das abordagens comunitárias. sem acautelar medidas de conservação dos imóveis). de infraestruturas técnicas e sociais e com fracas condições de vivência urbana. os problemas urbanos não são de uma mera gestão sustentável das cidades. Nestas condições. de abandono e degradação. de desertificação.Programa Operacional do Ambiente 2000 . • • • • Assim. muitas vezes realizadas de modo caótico. desígnios estratégicos e factores de diferenciação e competitividade em que a qualidade do ambiente urbano pode desempenhar um papel decisivo. desprovidas. ou com deficiência . degradação acelerada da paisagem urbana. redefinir o seu papel numa nova organização do território. ou desvirtuados pelo uso do transporte privado. impacto das opções tomadas há décadas quanto ao regime de arrendamento urbano. segmentação etária do espaço da Grande Lisboa e do Grande Porto. há ainda sectores em que a internalização efectiva dos custos ambientais não é possível de imediato. 26 . 4 Ambiente Urbano Portugal passou nas últimas duas ou três décadas por transformações muito profundas na estrutura de ocupação do seu território continental. Se ambiente e ordenamento são indissociáveis em qualquer lugar do mundo.

A temática da requalificação urbana e valorização ambiental de cidades tem vindo a merecer uma atenção crescente nos últimos anos em Portugal. com excepção da Expo 98.2006 Por outro lado. tanto quanto possível. as virtudes da Expo em termos de requalificação do espaço público com forte componente de valorização ambiental. Importa tirar partido desta atitude. corrigir. a generalidade das intervenções tem tido um a dimensão relativamente modesta. tanto quanto possível à escala de cada aglomerado urbano. existe em Portugal uma consciência crescente de que foram cometidos no passado erros urbanísticos graves que seria bom. Finalmente.Programa Operacional do Ambiente 2000 . fazendo dessa forma pedagogia e prevenindo a sua repetição no futuro. se bem que. 27 . deve ser referido que a experiência da Expo 98 teve um impacte muito significativo em todo o País e veio contribuir para estabelecer um novo paradigma de qualidade do espaço urbano e de valorização das suas componentes ambientais. promovendo intervenções que reproduzam.

Assim. as metas e as acções prioritárias. A responsabilidade partilhada . O carácter de bem público de uma parte significativa dos bens e serviços do ambiente não deve ser condicionado por factores de rendimento e a sua provisão e ou regulação devem continuar sob a responsabilidade das autoridades públicas. A gestão sustentável dos recursos naturais e o usufruto de uma qualidade ambiental mínima devem constituir a principal linha de orientação estratégica do país e basear-se nos seguintes pressupostos: A equidade – O consumo dos bens ambientais deve ser ser objecto de acesso e distribuição equitativos por toda a população e por todas as regiões do território nacional. não só aquele que por razões de natureza económica e técnica ainda não foi totalmente implementado. Partilhar essa responsabilidade através de um 28 . enquanto dever de cidadania. Portugal ainda se encontra numa fase de desenvolvimento em que a infra-estruturação básica necessita de ser modernizada e generalizada a uma parte importante da população e do território nacional. que nortearão a acção política no sentido de atingir no longo prazo as condições para um desenvolvimento sustentável têm em consideração três aspectos essenciais: O primeiro tem a ver com a realidade sócio-económica do país: ao contrário da maioria dos países membros da União. O segundo relaciona-se com a valorização e protecção das vantagens ambientais intrínsecas do território nacional.Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 TÍTULO III . enquanto factores de desenvolvimento económico equilibrado e de prosperidade social. relacionados com esta devem ser baseados em princípios de justiça distributiva.A responsabilidade pela protecção do ambiente é um assunto que envolve a administração pública.Os custos da protecção ambiental e do fornecimento de certos bens e serviços. comunitário e internacional. os consumidores. O terceiro prende-se com a necessidade de fazer aplicar o quadro normativo nacional. mas também as directivas que serão implementadas no período 2000-2006. A solidariedade . os produtores e toda a população. considerados como direitos essenciais para todos os portugueses. a estratégia ambiental para a próxima década assentará nos seguintes vectores de actuação: Primeiro vector: A gestão sustentável dos recursos naturais e a melhoria da qualidade ambiental.ACTUAÇÃO ESTRATÉGICA PARA 2000-2006 1 Principais Vectores Os temas centrais.

necessária tanto ao nível dos objectivos como ao nível dos instrumentos utilizados para atingir esses objectivos. territorial e intersectorial e/ou de sectores alvo. devem contribuir para uma acção política mais eficaz. susceptíveis de um esforço de integração requer: O reconhecimento da interdependência entre as actividades económicas e o ambiente. Generalizar a aplicação do Princípio do Poluídor Pagador com o Princípio do Utilizador Pagador.2006 alargamento significativo dos instrumentos e aplicar simultaneamente o normativo e incentivos económicos. construir indicadores de pressão ambiental das diferentes actividades e monitorizar os efeitos. A protecção e a valorização deste património serão elementos fundamentais de uma “Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade” para a qual este Programa constituirá um importante instrumento.Programa Operacional do Ambiente 2000 . A definição de áreas de intervenção. A exploração das oportunidades conciliando os objectivos de desenvolvimento territorial e sectorial com objectivos de protecção do ambiente. Segundo vector: a integração do ambiente na política de desenvolvimento territorial e nas políticas sectoriais A compatibilização do planeamento territorial e das políticas sectoriais com o ambiente constitui uma das condições da sustentabilidade: avaliar ex-ante os impactes . A diversidade biológica e a variedade dos ecossistemas e paisagens são património ecológico. Terceiro vector: a conservação e valorização do património natural no quadro de uma estratégia de conservação da natureza e da biodiversidade. Quanto à integração dos objectivos os princípios fundamentais serão: Concretizar a integração das estratégias de controlo da poluição com uma melhor gestão dos recursos. 29 . A integração constitui o elemento primordial de uma estratégia ambiental. prevenir os danos. quando estratégias de soma positiva não puderem ser concretizadas. adaptar os instrumentos de intervenção. A arbitragem entre objectivos conflituais. cultural e económico do país e da Europa. são algumas das condições a preencher para integrar objectivos de protecção ambiental nas políticas. a avaliação do sentido e da intensidade dessas relações.

2 Objectivos Ambientais 2000-2006 Para o período 2000 . formar opiniões e efectuar escolhas. quer no suporte a medidas de protecção do ambiente como o clima. Quinto vector: O desenvolvimento da educação e da informação ambientais O acesso à informação é crucial em democracia. que em linhas gerais foi exposta . De entre os instrumentos de política. fomentará as formas institucionais de cooperação e de contratualização com os restantes agentes. aos níveis local.2006. quer na área dos bens e serviços. destacam-se os financeiros. os oceanos e a defesa da biodiversidade em geral. Com educação e o acesso a uma informação de qualidade. os cidadãos. 30 . recorrendo a um conjunto de instrumentos que permitam criar as condições para a sustentabilidade do desenvolvimento do país no próximo século. A Administração Central promoverá. mas a informação só é util se os cidadãos a relacionarem com um quadro de conhecimentos e a usarem para resolver problemas. nacional e mesmo da União Europeia e dos restantes países da comunidade internacional. em primeiro lugar. A educação e a informação ambientais devem envolver todos os cidadãos partindo da escola para a comunidade. a Administração e o mundo empresarial poderão tomar decisões mais eficientes e mais equitativas no que respeita ao uso dos recursos naturais e participar mais eficazmente no processo de tomada de decisão.Programa Operacional do Ambiente 2000 . entre os seus diferentes departamentos e ministérios a concertação necessária a uma abordagem integrada dos problemas ambientais e. e desta para a escola. Os consumidores e a opinião pública têm um papel importante na criação de uma procura ambientalmente dirigida. Portugal propõe-se implementar a estratégia. em particular.2006 Quarto vector: o estabelecimento de um partenariado estratégico com os diferentes actores para a modernização ambiental das actividades económicas e das organizações. os cofinanciados pelo Fundo de Coesão e pelos Fundos Estruturais que exercerão uma influência decisiva na prossecução dos objectivos que se passam a enunciar. O vector ambiente no Plano de Desenvolvimento Regional assume-se como estruturante e de carácter horizontal tendo em vista o desenvolvimento sustentável. o seu sucesso depende do diálogo e da contratualização com os vários actores que interveêm na implementação prática das acções de desenvolvimento. É por isso que a educação se torna tão necessária. A educação ambiental pode dar ao cidadão os instrumentos e a experiência que ele necessita para compreender os processos que envolvem a protecção do ambiente e a sua relação com o desenvolvimento de uma comunidade sustentável. em seguida. Neste sentido.

os seguintes: 31 .2006 Com efeito. Neste sentido. efectuou-se um elevado investimento para aumentar a cobertura de população com serviços de abastecimento de água e de drenagem e tratamento de águas residuais. Apesar de ainda se verificarem lacunas na cobertura da população com aqueles serviços. os investimentos em Ambiente que se realizarão no âmbito do PDR não serão exclusivamente financiados por este Programa Operacional. haverá investimentos em Ambiente a nível dos Programas Regionais. Para os investimentos sectoriais e no âmbito da integração do ambiente nas políticas de desenvolvimento económico e social.. na melhoria da qualidade da água fornecida e do serviço prestado.1. e a nível de outras intervenções sectoriais. o investimento incidirá fundamentalmente no reforço do ciclo integrado de água através de uma lógica de sistemas integrados compatíveis com os planos de bacia. Neste contexto. Na realidade. será necessário continuar o esforço de investimento na construção de infraestruturas. nomeadamente no Programa Operacional da Saúde. a inclusão nas intervenções sectoriais apropriadas aos investimentos de cariz ambiental indispensáveis à minimização dos impactes ambientais resultantes das respectivas actividades 2.1 Recursos Hídricos 2. para além dos referidos investimentos no âmbito do Fundo de Coesão. com particular incidência no tratamento das águas residuais. drenagem e tratamento de águas residuais e recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos) a complementariedade dos investimentos financiados pelo Fundo de Coesão numa lógica de Sistemas integrados.1 Níveis de atendimento Nas últimas décadas e em particular no período do QCA II. é indispensável para a consecução dos objectivos fixados que sejam articulados os apoios comunitários: Para as três vertentes do saneamento básico (abastecimento de água e.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Serão objectivos a atingir em 2006. foi elaborado o Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais 2000-2006. em termos de atendimento das populações. através dos financiamentos FEDER no âmbito das Intervenções Operacionais Regionais dos investimentos a montante e a juzante das redes em baixa necessárias para assegurar a plena eficácia de cada sistema. No que se refere ao tratamento das águas residuais. numa lógica de aplicação do princípio do “poluidor – pagador”. para projectos de interesse municipal que apresentem complementaridade com os projectos financiados pelo Fundo de Coesão. para projectos de melhoria do ambiente urbano e para projectos de conservação da natureza e do litoral. na melhoria do nível de tratamento dos esgotos e na reutilização da água tratada para determinados usos. sendo por conseguinte necessário colmatá-las.

Neste princípio. frequências de amostragens e soluções de telecomunicações. a presente etapa de restruturação. Espera-se ter a rede nacional em funcionamento pleno em 2001. bem como aquelas decorrentes do cumprimento do normativo nacional e comunitário. quer para as redes de referência quer para as redes específicas. E. encontra-se na fase de optimização do desenho e implementação das soluções.2 Programa de Monitorização de Águas Superficiais O Programa de Monitorização de Águas Superficiais (Climatologia. criado ou a criar. o nível de atendimento em cada sistema. rotinas de monitorização. de 90%. será. Relativamente à qualidade da água para produção de água para consumo humano e águas balneares. 2. que teve início em 1996 com o estudo de sensores. A proposta para as redes na região Entre Douro eTejo. até 2006. no mínimo.Programa Operacional do Ambiente 2000 . a Norte do Douro.2006 Nível de atendimento global no ano 2006 População do Continente Serviço Abastecimento de água Tratamento de águas residuais Percentagem 95 90 Cumulativamente. frequências de amostragens e telecomunicações na região já estejam identificadas. para abertura do concurso público internacional. havendo depois que preparar o caderno de encargos do concurso ainda que as especificações quanto a sensores. bem como intervenções na rede hidrográfica que permitam uma melhor gestão dos recursos hídricos. ainda. o objectivo será reduzir em cerca de 80% a carga poluente no meio hídrico. a implementação de medidas previstas nos POOC. Para a Região a Sul do Tejo a solução de rede encontra-se já adjudicada estando em fase de elaboração de contrato. os desenhos das redes estão em fase de conclusão. sobre as quais tem vindo a actuar a restruturação.1. Por motivos de estratégia de investimento o País foi dividido em três regiões. estão em fase de conclusão do caderno de encargos. Qualidade da Água e Sedimentologia) teve sempre como objectivo subjacente a permanente adequação da monitorização às necessidades de informação para a gestão e planeamento dos recursos hídricos. Quanto à região a Norte do Douro. Hidrometria. através da aplicação de medidas tendentes ao integral cumprimento das diversas directivas comunitárias. Entre Douro e Tejo. 32 . a saber: Sul do Tejo.

devendo ocorrer. Na Região de Lisboa e Vale do Tejo.2. havendo ainda que implementar a rede de qualidade extensível ao interior (Maciço Antigo).Programa Operacional do Ambiente 2000 . Quanto à região a Norte do Douro. Por motivos de estratégia de investimento o País foi dividido em cinco áreas coincidentes com as de jurisdição das Direcções Regionais de Ambiente. sobre as quais tem vindo a actuar a restruturação. passar-se-á a uma segunda fase que permitirá atingir as seguintes taxas de atendimento compatíveis com as directivas comunitárias e consequentemente com o nível médio da União Europeia: 33 . bem como aquelas decorrentes do cumprimento do normativo nacional e comunitário. Para a Região do Algarve a rede encontra-se já operacional. a rede para o sistema aquífero do Tejo-Sado já se encontra implementada e operacional.3 Programa de Monitorização de Águas Subterrâneas O Programa Nacional de Monitorização das Águas Subterrâneas (Quantidade e Qualidade) tem também como objectivo a adequação da monitorização às necessidades de informação para a gestão e planeamento dos recursos hídricos. pelo menos numa primeira fase. estando presentemente a ser definida a rede no litoral. Na Região Centro já se encontra em exploração a rede piezométrica no litoral.1 Resíduos Sólidos Urbanos No respeitante à componente de resíduos sólidos urbanos e após a primeira fase de infraestruturação básica.1. Espera-se ter a rede nacional em funcionamento pleno também em 2001. as acções a desenvolver e os objectivos a atingir são os que a seguir se explicitam: 2.2006 2. A proposta apresentada pelo INAG para a região do Alentejo ainda não foi implementada. vão iniciar-se os trabalhos de campo com vista à definição do desenho da rede. ainda em 2000.2 Resíduos Do ponto de vista dos resíduos sólidos. 2.

Para destino final.2. tratamento e destino final adequado para os resíduos hospitalares Percentagem 100 34 . o Plano propõe unidades de tratamento físico.2006 Nível de atendimento global no ano 2006 População do Continente Serviço Tratamento e destino final adequado para os resíduos sólidos urbanos Percentagem 98 No quadro da política dos 3Rs são definidos os seguintes objectivos para o ano de 2006 (em percentagem do total de resíduos tratados): Tipo de valorização Material Energética Orgânica Percentagem 17 20 25 Os principais investimentos a realizar neste domínio referem-se à valorização e serão apoiados prioritariamente pelo Fundo de Coesão. consultórios.2 Resíduos Industriais No período do PDR 2000-2006 deverão ser atingidos os seguintes objectivos: Tipo de resíduos Resíduos industriais perigosos Resíduos industriais banais Recolha e destino final adequado (%) 100 100 Valorização (%) 12 30 2. 2.3 Resíduos Hospitalares De acordo com o Plano Estratégico para os Resíduos Hospitalares estão previstas acções. tendo em vista a triagem dos resíduos hospitalares perigosos em clínicas.2. centros de saúde.Programa Operacional do Ambiente 2000 . No período do PDR 2000-2006 serão atingidos os seguintes objectivos: Serviço Recolha. laboratórios e unidades de prestação de cuidados de saúde a animais. complementadas por duas unidades de incineração.

As redes actuais. Nesta perspectiva prevê-se. redes privadas pertencentes às grandes industrias poluentes (centrais térmicas. distribuídas do seguinte modo: 35 . importa completar o diagnóstico da situação da poluição atmosférica do nosso país. e para dar cumprimento às exigências comunitárias há que por um lado reformular e/ou reforçar algumas redes. e no âmbito da Directiva Quadro da Qualidade do Ar. A monitorização da qualidade do ar a nível nacional é feita através de estações integradas em: • • redes de medição. Considerando o novo quadro legal definido pelo Decreto-Lei nº 276/99 de 23 de Julho. que irá ter lugar no segundo semestre 2000. quer porque estão abrangidas na definição de aglomerações. Neste sentido. de acordo com a nova legislação nacional. com a criação de estruturas fixas e a respectiva estrutura de comunicação. e porque os compromissos e normativos comunitários vinculam obrigações e acções técnico-administrativas de natureza local.2006 2. e foi definida a metodologia para uma avaliação preliminar.Programa Operacional do Ambiente 2000 . o que é manifestamente insuficiente atendendo às novas Directivas Comunitárias relativas à Qualidade do Ar. cimenteiras e siderurgia). impõe-se estender o conhecimento a todo o território nacional e ajustar a estrutura produtiva e do sector dos transportes aos novos objectivos ambientais. estudos e acções de informação e sensibilização nesta matéria.3 Ar e Ruído O diagnóstico sistemático da evolução da qualidade do ar e a avaliação da exposição ao ruído tem incidido em áreas sob influência marcante das actividades urbanas e industriais. aquisição de unidades móveis para campanha de medição da qualidade do ar e acções de sensibilização. por forma a verificar as zonas onde obrigatoriamente se devem instalar estações de medição em contínuo. instalar estações em áreas que necessitem de uma avaliação contínua. quer porque os níveis de concentração assim o obriguem. regional e nacional. como objectivo a atingir em 2006. a nível nacional. particularmente nas zonas urbanas e industriais. a instalação no continente de cerca de 50 estações fixas ( valor aferido quando terminado o estudo atrás referido). além da aquisição de unidades móveis de medição da qualidade do ar. foram já definidas as zonas consideradas aglomerações para o continente. cuja gestão está a cargo das Direcções Regionais do Ambiente (29 estações a funcionar e 8 em fase de instalação). nomeadamente em termos de localização das estações e dos poluentes a medir e por outro. apenas permitem avaliar a qualidade do ar em certas áreas. Assim pretende-se que sejam apoiados projectos de nível nacional e regional que permitam a conclusão da rede de qualidade. Para além da actuação nestas áreas. dada a localização das estações. Por este facto.

Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

2000 Norte Centro LV Tejo Alentejo Algarve TOTAL 18 3 14 5 1 41

2006 28 17 20 15 10 90

A monitorização da qualidade do ar será tratada e processada de forma a facilitar a sua divulgação pública. No respeitante ao ruído pretende-se para o futuro uma actuação mais preventiva dos problemas, estabelecendo-se mecanismos que permitem actuar concertadamente com o planeamento das actividades, nomeadamente, através da elaboração de mapas de ruído, de planos de monitorização e da implementação de planos de redução, de acordo com o novo Regulamento Geral do Ruído. Os objectivos para o período do PDR consubstanciam-se na aplicação das directivas que se encontram em fase de revisão e sobretudo para alguns dos poluentes, em particular aqueles que se integram nos compromissos de Quioto e na estratégia da acidificação.

2.4 Conservação da Natureza e do Litoral Assistiu-se nos últimos dez/doze anos a um esforço assinalável no sentido de consolidar e reforçar o âmbito, as competências e a capacidade de intervenção das instituições da Administração Pública com responsabilidades no domínio da Conservação da Natureza, fruto sobretudo das obrigações decorrentes de directivas europeias e convenções internacionais. O volume de meios financeiros postos à disposição destas entidades, sobretudo no decurso do QCA II, veio permitir o aumento e aprofundamento do conhecimento científico relativos aos valores do património natural existente em Portugal. Ao mesmo tempo, o avanço registado na efectiva implementação das Áreas Protegidas, quer ao nível da sua infraestruturação quer ao nível do significativo reforço da sua actuação no terreno, veio permitir uma intervenção progressivamente mais credível e eficaz, contribuindo para que a Conservação da Natureza passasse a ter uma dimensão espacial e política de âmbito nacional até então nunca verificada. O alargamento da rede, em anos recentes foi de facto significativo. No entanto, ao reforço e reclassificação das unidades constituintes da rede nacional de áreas classificadas, deverá
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Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

seguir-se a sua valorização na lógica preconizada de desenvolvimento integrado e sustentável das actividades socio-económicas aí levadas a cabo. Importa, agora, dotar as diversas figuras de protecção dos instrumentos e meios adequados à gestão da conservação da natureza. Este aspecto, porém, não poderá remeter para segundo plano o objectivo essencial das áreas classificadas que é, por excelência, a conservação e valorização da natureza. Esta posição é tanto mais justificada quanto a lista nacional de Sítios a incluir na Rede Natura 2000 se encontra completa. A Estratégia da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ENCNB) assenta em quatro conceitos fundamentais: • A compatibilidade entre Homem e Natureza, rejeitando todas as noções extremistas segundo as quais a conservação da natureza se faz melhor na ausência do ser humano, como se este fosse contra-natura; • a utilização sustentável dos recursos naturais, também como forma de promover a conservação da natureza e o bem estar das populações; • a conservação da natureza extensível a todo o território nacional, sustentando-se um continuum entre regiões ou áreas que, de facto, contribua para a preservação e identidade nacional do “Ecossistema Portugal”; • a responsabilidade partilhada, segundo o qual a implementação da ENCNB resulta da interiorização e integração da ENCNB nas diferentes políticas sectoriais e sectores de administração, bem como da própria sociedade civil. A Conservação da Natureza deixou assim, neste quadro, de se assumir como uma questão sectorial centrada sobre os seus valores intrínsecos, mas passou a ser encarada como uma política transversal, interactiva com as políticas de utilização dos recursos naturais e de planeamento do uso do solo e a ser encarada como suporte de um verdadeiro processo de desenvolvimento sustentável. Neste contexto, serão objectivos a atingir no período do PDR 2000-2006: Conservação da Natureza Objectivos Percentagem Território continental sob estatuto de protecção para 20 a conservação da natureza Território sujeito a estatuto de Área Protegida 100 abrangido por Plano de Ordenamento Território inserido em Áreas Protegidas com 100 estatuto de protecção integral na posse do Estado

A protecção e a valorização das zonas costeiras, bem como a reabilitação da rede hidrográfica farão parte das prioridades da política de ambiente. A grande diversidade e
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fragilidade do litoral e o facto de os recursos costeiros e hidrográficos serem o suporte de diversas actividades económicas, justificam o empenhamento de toda a sociedade na sua defesa e valorização, tendo por base os POOC’s e os instrumentos de gestão territorial, bem como as estratégias regionais e sectoriais. São objectivos para o período do PDR 2000-2006 os seguintes: • • • • Concretizar os estudos, as medidas e acções previstas nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira, incluindo os que se venham a revelar necessários implementar na sequência do desenvolvimento e aprofundamento dos trabalhos. Promover acções de requalificação e defesa da da orla costeira, em especial as de cariz preventivo e/ou as que constituem soluções alternativas à realização de obras. Promover a monitorização da orla costeira nas suas diferentes componentes. Promover acções de divulgação e sensibilização. Conservação do Litoral Objectivos Extensão da Costa Intervensionada (km) Planos de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas elaborados (nº) 2006 200 50

2.5 Educação ambiental No Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, o Instituto de Promoção Ambiental (IPAMB) desempenha um papel estratégico e de referência no domínio da Educação para a Sustentabilidade, do acesso do cidadão à informação em matéria de ambiente e da participação do cidadão e das ONG’s no processo de tomada de decisão. As responsabilidades de promoção da cidadania exigem ao IPAMB, enquanto interlocutor privilegiado de escolas, ONG’s (em especial ONGA’s), professores, técnicos e animadores de Educação Ambiental, um empenhado trabalho de tratamento, actualização e disponibilização de informação sobre ambiente, bem como na formação contínua. Por outro lado, o reforço da participação dos cidadãos, ONG’s e da sociedade civil em geral, no processo de tomada de decisão, tornam necessária a criação de instrumentos que permitam uma maior eficácia da sua intervenção nesta área. Neste contexto, constituem objectivos a atingir no período de vigência do PDR 20002006: Objectivos Projectos apoiados de Educação Ambiental (EA) em escolas Alunos abrangidos por projectos de EA Professores abrangidos por projectos de EA Projectos de ONGA apoiados 2006 1 500 300 000 20 000 1 000
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Qualificar as zonas urbanas através de programas de recuperação de áreas degradadas. A melhoria do ambiente urbano pressupõe intervenções integradas. habitação e acção social) os objectivos a atingir no domínio da qualidade do ambiente urbano são os seguintes: • • • • Promover uma gestão integrada dos diferentes descritores ambientais: água. água. zonas ribeirinhas. 39 . ar. transportes. Essas formas de cooperação são importantes a nível do projecto e da empresa onde os esquemas de integração já existem. medidas de racionalização dos transportes urbanos e de melhoria geral da qualidade ambiental das cidades. mas devem igualmente ser parte da formulação da própria política sectorial. paisagem. através da adopção de modelos de gestão urbana com elevadas taxas de eficiência na utilização dos recursos ambientais. por forma a balizar formas e processos de actuação.Programa Operacional do Ambiente 2000 . solo.) 2006 3 3 Integração do ambiente nas políticas de desenvolvimento O sucesso de uma estratégia de desenvolvimento sustentável passa pela capacidade de encontrar formas de cooperação entre as políticas sectoriais e a política de ambiente. ruído. ar. Torna-se assim necessário inverter estes processos. racionalizar a expansão urbana. Objectivos População abrangida por intervenções de requalificação urbana (milhões de hab. aumentando a oferta em locais já infraestruturados. A qualidade ambiental será cada vez mais um recurso escasso se não forem adoptados os princípios de sustentabilidade dos recursos naturais e que estão na base da concepção e do funcionamento de sistemas de abastecimento de água. Fomentar acções de gestão racional dos consumos energéticos. pois incide numa diversidade de sectores e exige participações públicas e privadas. de tratamento de águas residuais e de resíduos sólidos. criar novas mentalidades nos decisores.2006 2. Reforçar os meios de informação e fiscalização do MA e a sua coordenação com os Serviços de Protecção Civil. Sem prejuízo da integração das acções sectoriais (urbanismo. Esta tendência tem provocado a degradação do ambiente e da qualidade de vida das populações. espaços verdes. energia. nomeadamente através da qualificação dos centros históricos das localidades. sobretudo. desenvolver instrumentos e incentivos e. nos executores e nos agentes económicos do sector. caracterizada pela concentração urbana das populações e pela generalização de padrões de consumo e de estilos de vida urbana.6 A melhoria do ambiente urbano A urbanização é uma tendência que se tem vindo a acentuar na organização do território. resíduos.

assim. no caso de Portugal. por não ser possível responsabilizar o agente poluidor. que garantam uma “performance” ambiental além da legislação em vigor. As políticas agrícolas ambientalmente correctas são um factor decisivo na preservação dos espaços e da biodiversidade. Na internalizacão dos custos externos. reservando-se o Programa Operacional do Ambiente para o incentivo complementar a soluções que assegurem ou antecipem a adopção de tecnologias “amigas do ambiente” em detrimento de soluções correctivas de “fim de linha”. A estratégia para as alterações climáticas.1 Energia e Ambiente A integração do ambiente no sistema energético só poderá ser feita num quadro programado de longo prazo. através da promoção de energias de substituição e de um esforço tecnológico significativo. melhorar o desempenho ambiental das actividades económicas. Pescas e Ambiente Uma agricultura sustentável depende das relações que mantém com o meio natural e com a capacidade de conservar e melhorar a qualidade desse meio. Na renovação do capital produtivo no sentido de fazer penetrar as tecnologias mais limpas. tendo em conta as condições de competitividade da economia.2006 O esforço de integração do factor ambiente nas políticas sectoriais deve concentrar-se em cinco aspectos: • • • • • Na concretização da regulamentação existente. Os compromissos de Quioto vão constituir o enquadramento para este esforço sendo que a integração do ambiente nas decisões energéticas se tornou agora uma necessidade.2 Agricultura. na luta contra a desertificação e o despovoamento das áreas rurais e na melhoria da qualidade dos produtos. incentivando a realização de investimentos de natureza interna ao processo produtivo (novas tecnologias – BAT) ou de natureza externa. 3.Programa Operacional do Ambiente 2000 . numa lógica de aplicação do princípio do “poluidor-pagador”. 3. Na luta contra os desperdícios através da valorização dos resíduos. Os investimentos relevantes para a minimização do impacto ambiental resultante da actividade dos diferentes sectores deverão ser enquadrados nos instrumentos sectoriais apropriados. 40 . procurar-se-à estimular acções de recuperação do passivo ambiental acumulado nas situações em que . Pretende-se. passa pelo aumento significativo da eficiência energética e pela expansão das energias renováveis. Por outro lado. não se aplica o princípio do “poluidor-pagador”. que poderá ter menos custos se devidamente inserida num Plano. Na análise e racionalização do ciclo de vida dos produtos.

A primeira década do próximo século vai. Conceber um transporte sustentável é uma tarefa que preocupa todos os países e constitui um dos objectivos do 5º Programa de Acção e de Política em matéria de Ambiente da União Europeia. O papel dos agricultores e pescadores portugueses deve ser valorizado quando as práticas agrícolas se situam em zonas com um elevado significado ecológico como sejam as áreas classificadas (APs. 41 . colocam-se vários problemas: os impactes ambientais das infraestruturas.4 Transportes e Ambiente O impacto dos transportes e do tráfego sobre o ambiente e a saúde humana é considerável. De constrangimento externo. Porém as tecnologias de fim de linha constituem ainda para muitos sectores e empresas o objectivo actual. o aumento do ruído e o congestionamento.e na busca de novos modos de produção sustentável. Plano específico de ajuda para as zonas agrícolas integradas em Áreas Classificadas. Certificação dos produtos oriundos das áreas classificadas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Sítios e ZPEs. 3. Neste sentido serão prosseguidos os seguintes objectivos: • • • • • • Redução e tratamento dos efluentes dos grandes sub-sectores poluidores: suinicultura. Desenvolver um programa de recuperação e apoio aos portos de pesca artesanal situados em Áreas Classificadas 3. Neste contexto. tomate. as empresas terão de assumir verdadeiras estratégias ambientais que passam por dois eixos de actuação: a adaptação às tecnologias mais limpas e a introdução de sistemas de ecogestão. no aumento da produtividade dos recursos materiais e da energia .2006 O Acordo Pescas/Ambiente tem em vista a articulação sectorial e a promoção de uma actividade piscatória sustentada. por exemplo). Num país em que se assiste a um desenvolvimento considerável das infraestruturas viárias e consequente aumento do transporte. em particular do transporte individual. contudo ser mais exigente. de modo a podermos racionalizar a pesca em zonas particularmente sensíveis. quer no tocante às poluições e aos riscos tecnológicos. o factor ambiental deve desempenhar um papel importante na renovação do tecido produtivo.a ecoeficiência . quer na substituição de técnicas e de produtos perigosos para o ambiente e para a saúde. destilarias e lagares de azeite. Dar prioridade à aplicação das medidas agro-ambientais nas áreas classificadas. Estabelecimento de metas para a redução do uso de pesticidas. o aumento significativo e súbito das emissões.3 Indústria e Ambiente Os esforços da indústria nacional em cumprir o normativo ambiental da primeira geração começam a dar os seus efeitos positivos para o ambiente.

constituirão objectivos para o período do Plano: • • • Desenvolvimento do Programa Nacional de Turismo da Natureza (com uma linha financeira de apoio específica). 3.Programa Operacional do Ambiente 2000 . instituições universitárias. O ambiente pode ser uma fonte diversificada de actividade turística se a sua utilização for feita numa óptica de sustentabilidade.5 Turismo e Ambiente O ambiente e a qualidade ambiental constituem o capital mais valioso da indústria turística uma vez que são únicos e não substituíveis. quer com os outros organismos da tutela. Degradar o património natural através de políticas de urbanização incontrolada significa inviabilizar a prazo uma exploração racional e sustentada da actividade turística. sensibilização dos sujeitos de actividades com elevado impacte ambiental e da proposta de comportamentos profissionais alternativos. ONGA e empresas.6 Ambiente. rápida e sistematizada resposta ao nível da atribuição de competências específicas na área do ambiente. Desempenhando o Instituto de Promoção Ambiental o papel de “pivot” na cooperação. Ordenamento turístico das áreas sob jurisdição do Ministério do Ambiente em particular da orla costeira. Neste sentido e tendo em conta as novas formas de turismo associadas ao ambiente. para desenvolver estas competências. associações de municípios. com especial incidência nas áreas mais sensíveis como a orla costeira. deverão as mesmas ser reforçadas na componente estrutural. 42 . exige uma inequívoca. 3. de ligação às entidades potencialmente utilizadoras das competências criadas e de aumento das condições de empregabilidade. os danos ambientais podem ser mais graves pelo que se impõe uma abordagem integrada de vários vectores: o desenvolvimento da mobilidade. num quadro de crescimento ocorrido e esperado. Formação Profissional e Emprego A existência de recursos humanos suficientes e qualificados para os constantes desafios que as actividades ligadas ao ambiente protagonizam. Incentivos económicos aos projectos e planos de desenvolvimento turístico com mais valia ambiental. quer com o Ministério do Trabalho e Solidariedade.2006 Num quadro de crescimento rápido do sector. para além de gerar custos económicos sob a forma de infraestruturas sobredimensionadas e custos sociais de poluição. de sector e profissionais. as áreas protegidas e os ecossistemas mais frágeis. nas suas vertentes de alojamento e animação ambiental. a protecção do ambiente e a consideração das escalas territoriais e temporais apropriadas.

serão financiados pelos Programas Operacionais Regionais do Continente (Eixo 1 “Apoio a Investimentos de Interesse Municipal e Intermunicipal”) por forma a assegurar a plena eficácia de cada sistema. poderão ser apresentados para co-financiamento pelo Fundo de Coesão candidaturas de sistemas integrados.2 Conservação e Valorização do Património Natural Os investimentos relativos à Conservação e Valorização do Património Natural são essencialmente da mesma natureza quer no Programa Operacional do Ambiente quer na Componente Desconcentrada do Ambiente. enquadrando-se no programa Operacional do Ambiente os investimentos a realizar em Áreas Protegidas de âmbito nacional e na componente desconcentrada os investimentos a realizar nas seguintes áreas. No entanto. complementares dos anteriores. sendo condição de acesso ao Fundo de Coesão.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Salienta-se ainda neste contexto a orientação de incentivar o incentivo à associação do investimento privado. Assegurem a sua auto-sustentabilidade. projectos com investimentos simultaneamente em alta e em baixa. Os investimentos em baixa. será atribuída prioridade à utilização de modelos de gestão do tipo empresarial que: • • • Ofereçam garantias de funcionamento dos sistemas. aumentando o efeito indutor dos Fundos Comunitários e complementando as necessidades de investimento. de modo a garantir a plena aplicação do principio do poluidorpagador.1 Saneamento básico Os investimentos a realizar nas três vertentes de saneamento básico (abastecimento de água. Para a realização destes investimentos. 4. desde que não abrangidas por Áreas Protegidas de âmbito nacional: 43 .2006 4 Articulação das diferentes fontes de financiamento 4. Apliquem tarifas reais. com especial incidência nos investimentos em alta. de modo a diminuir as taxas de comparticipação comunitária. isto é. drenagem e tratamento de águas residuais e recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos) serão financiados prioritariamente pelo Fundo de Coesão no que diz respeito aos grandes investimentos visando complementar o processo de infraestruturação básica do território.

Reserva da Biosfera ou Reserva Biogenética. áreas integradas na Reserva Ecológica Nacional. áreas com estatuto de protecção consideradas nas Convenções Internacionais ratificadas ou a ratificar pelo Estado Português. Os restantes investimentos. ordenamento. valorização e requalificação das albufeiras. bem como de estruturas de detecção de tendências de fenómenos ambientais e naturais. áreas com estatuto de Diploma Europeu. Sensibilização e Gestão Ambientais No âmbito desta medida. ordenamento. serão elegíveis na componente do Ambiente regionalmente desconcentrada as candidaturas relativas a informação e gestão ambientais. 44 .Programa Operacional do Ambiente 2000 . Zonas de Protecção Especial declaradas ao abrigo da Directiva79/409/CEE. excepto a reabilitação de sistemas dunares e a reabilitação e requalificação de áreas degradadas e frentes urbanas cujo investimento seja inferior a 50 mil contos. cujo montante de investimento seja inferior a 20 mil contos. 4.4 Informação. abrangendo o reforço das infraestruturas e instrumentos que permitam a obtenção e o processamento de dados de natureza ambiental. • • • 4. integrarão candidaturas a apoiar pelo Programa Operacional do Ambiente. segurança de barragens. excepto as infraestruturas de apoio a albufeiras e a requalificação ambiental e reabilitação do património cujo investimento seja inferior a 50 mil contos. excepto as acções para a recuperação e melhoria das condições de segurança inferiores a 50 mil contos.2006 • • • • • • sítios integrados na Lista Nacional de Sítios proposta para classificação de Zonas Especiais de Conservação ao abrigo da Directiva 92/43/CEE.3 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais Caem no âmbito desta medida do PO Ambiente. valorização e requalificação da orla costeira . não abrangidas pelas figuras anteriores. em outras áreas com relevância para a conservação da natureza. os investimentos relativos a: • regularização e reabilitação da rede hidrográfica. excepto as acções de limpeza e desassoreamento e as infraestruturas de apoio das zonas fluviais e de recuperação do património cujo investimento seja inferior a 50 mil contos.

acções de comunicação e sensibilização de âmbito nacional tendo em vista a melhoria do ambiente urbano. a saber: • Medida 2. Os promotores apresentarão as sua propostas de investimento ao Gabinete Coordenador do Programa Polis que. de tratamento e de processamento de dados ambientais urbanos para apoio à decisão e/ou para divulgação ao público. nomeadamente. 45 • • . orienta a instrução das candidaturas considerando as fontes de financiamento disponíveis. acções que promovam a utilização dos modos de transporte colectivo e/ou promovam modos de transporte urbanos mais favoráveis ao ambiente.5 Ambiente Urbano A articulação de investimentos relativos ao ambiente urbano será efectuada no quadro do Programa Polis – Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades. nomeadamente. acções de recuperação e valorização de estruturas ecológicas inseridas na malha urbana. em particular dos veículos de utilização individual através. nomeadamente. Medidas do Eixo Prioritário 3 dos Programas Operacionais Regionais do Continente relativas à Componente do Ambiente desconcentrada regionalmente: Através destas Medidas pretende-se apoiar preferencialmente as acções de monitorização de parâmetros ambientais e de informação e sensibilização do público. da criação de áreas de estacionamento e da reestruturação da rede viária e pedonal na malha urbana. além de verificar a conformidade com os objectivos do programa.Programa Operacional do Ambiente 2000 .1 do Programa Operacional do Ambiente “Melhoria do Ambiente Urbano”: Através desta Medida pretende-se apoiar preferencialmente as acções de carácter mais ambiental. O principal objectivo deste programa consiste em melhorar a qualidade de vida nas cidades através de intervenções nas vertentes urbanística e ambiental. acções relativas à criação ou reforço de sistemas de monitorização. acções de recuperação/ valorização ou construção de edifícios com interesse patrimonial ou funcional integrados em operações de requalificação urbana. acções que contribuam para a caracterização e a gestão do ambiente urbano. Medidas do Eixo Prioritário 2 dos Programas Operacionais Regionais do Continente. acções que contribuam para a restrição à circulação automóvel. acções de comunicação e sensibilização de âmbito local ou regional tendo em vista a melhoria do ambiente urbano. acções de requalificação ambiental e urbana de espaço público para fruição pelos cidadãos. acções de requalificação ambiental e urbana de espaço público potenciadoras da melhoria do desempenho das actividades económicas locais. nomeadamente. melhorando a atractividade e competitividade de pólos urbanos que têm um papel relevante na estruturação do sistema urbano nacional. acções que visem a criação e/ou requalificação de áreas verdes contemplando o equipamento considerado necessário.2006 4. relativas à Qualificação das Cidades e Requalificação Metropolitana: Através destas Medidas pretende-se apoiar preferencialmente as acções de carácter mais infraestrutural e urbanístico.

e que será constituída pelos representantes do MAOT nas unidades de gestão e de acompanhamento e pelo gestor do Programa Operacional do Ambiente. e nas Comissões de Acompanhamento dos Programas Operacionais. 6 Ponto de situação da implementação das Directivas Comunitárias Relativas aos Recursos Hídricos 46 . constituindo portanto um incentivo complementar a investimentos financiados pelos outros programas sectoriais.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Transportes. Pesca. que reunirá trimestralmente. a articulação entre o Programa Operacional do Ambiente. quando não integrem a Unidade de Gestão.6 Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas Esta Medida do Programa Operacional do Ambiente destina-se a incentivar acções que proporcionem um desempenho ambiental acrescentado.” “As unidades de gestão dos eixos prioritários relativos a investimentos e acções de desenvolvimento desconcentrados incluídos nas intervenções operacionais regionais do continente são ainda integradas pelos coordenadores das intervenções da administração central regionalmente desconcentradas dessas intervenções operacionais. 5 Mecanismos de articulação entre as diferentes intervenções As Autoridades Públicas Ambientais participam nas Unidades de Gestão dos seguintes Programas Operacionais: Agricultura. Economia. os Programas Operacionais Regionais e o Programa Operacional do Ambiente desconcentrado será feita por uma Comissão de Coordenação. Ambiente e Programas Operacionais Regionais do continente.2006 4. que servirão de apoio à decisão. que presidirá. De acordo com o artigo 31º do decreto-lei 54-A/ 2000: • “As unidades de gestão dos eixos prioritários relativos às acções integradas de base territorial e incluídos nas intervenções operacionais regionais do continente são aindacompostas pelos coordenadores das acções integradas de base territorial.” • Para além das representações já referidas. Serão elegíveis na Componente do Ambiente regionalmente desconcentrada estudos e/ou diagnósticos de fundamentação de projectos referentes à recuperação do passivo ambiental e/ou requalificação ambiental.

Estão já entregues os relatórios dos triénios1993/95 e 1996/98. tendo os respectivos documentos legislativos de transposição sido notificados oportunamente à Comissão da União Europeia. 56/99. estão já entregues os relatórios dos triénios1993/95 e 1996/98. 506/99. está em preparação o relatório para o quadriénio 1996-1999. Estão já designados os troços de águas salmonídeas e ciprinícolas. Relativas à gestão dos Resíduos Urbanos. Estão já entregues os relatórios dos triénios1993/95 e 1996/98. 86/280/CEE. Foram definidos os Planos de Acção para as zonas balneares não conformes. foram entregues os relatórios anuais. está já entregue o relatório para o biénio 1996-1998. 84/156/CEE. Está a ser definida a Rede Básica de Monitorização e está-se presentemente a inventariar as unidades industriais que potencialmente lançam indirectamente para as águas subterrâneas. estão já entregues os relatórios dos triénios1993/95 e 1996/98.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Foi definida a Rede Básica de Monitorização e está-se presentemente a inventariar as unidades industriais que potencialmente lançam para o meio aquático substâncias perigosas. 80/68/CEE – Transposta pelos DL-236/98 e 46/94. 91/271/CEE e 98/15/CEE – Transpostas pelos DL 152/97. 84/491/CEE. 47 . descarregando para bacias sensíveis. 91/676/CEE – Transposta pelos DL-235/97 e 68/99. 83/513/CEE. 76/464/CEE – Transposta pelos DL-236/98. 46/94 e 82/176/CEE. 88/347/CEE – transpostas respectivamente pela Portaria 1033/93 e pelos DL 53/99.p. Foram construídas infraestruturas para aglomerados com dimensão superior a 10000 e. 54/99. 79/869/CEE – Transposta pelo DL-236/98. Está em curso a revisão das zonas vulneráveis. De acordo com o que está estipulado no articulado das directivas têm sido enviados à Comissão os relatórios de transmissão de informação relacionada com o cumprimento das mesmas em Portugal. estão já entregues os relatórios dos triénios1993/95 e 1996/98.2006 75/440/CEE – Transposta pelo DL-236/98. Foram definidos os Planos de Actividades para preservação e melhoria da qualidade das águas balneares. 76/160/CEE – Transposta pelo DL-236/98. 52/99. Industriais e Hospitalares As directivas comunitárias no domínio dos resíduos encontram-se todas transpostas para Direito Nacional. Na generalidade está-se na fase de implementação dos planos de acção sobre os quais incidirá a verificação da eficiência e introdução de eventuais alterações. substâncias perigosas. 348/98 e 261/99. 78/659/CEE – Transposta pelo DL-236/98.

dos óleos usados. O Plano Estratégico dos Resíduos Urbanos (PERSU). aprovado em 1997 prevê a criação duma rede adequada de infraestruturas de tratamento para os resíduos urbanos. eco-centros e estações de triagem. Industriais e Hospitalares. Estes Planos também foram obviamente notificados à Comissão. construídos e explorados de acordo com as directrizes da Directiva 99/31/CE (Directiva Aterros).Programa Operacional do Ambiente 2000 . também foram construídos no país duas unidades de valorização energética. O PERSU previa ainda o encerramento de todas as lixeiras. 48 . No que respeita à gestão dos resíduos hospitalares foi aprovado no ano de 1999 um Plano Estratégico que. para além do diagnóstico da situação de partida (1997). Complementarmente a esta rede de equipamentos foi criada uma sociedade gestora de embalagens e resíduos de embalagem com a participação dos agentes económicos envolvidos na fabricação e utilização da embalagem. O modelo adoptado para assegurar o cumprimento desses objectivos assenta na criação duma rede de eco-pontos. que inclui obrigatoriamente a vertente da recolha selectiva de alguns materiais com vista ao cumprimento dos objectivos de reciclagem constantes da Directiva 94/62/CE (Directiva Embalagens). define uma estratégia de curto prazo (2000) e de médio prazo (2005). bem como a construção de novas unidades de valorização da componente orgãnica dos resíduos urbanos.2006 No que respeita à implementação das directivas resíduos na gestão dos Resíduos Urbanos. o que se vem verificando à medida que entram em funcionamento as novas estruturas de tratamento. dos veículos em fim-de-vida e das lamas das estações de tratamento de águas residuais urbanas. Encontram-se também em definição/implementação alguns sistemas tendentes a permitir uma melhor gestão do fluxo das pilhas. Ainda no âmbito da reciclagem encontra-se em fase avançada de qualificação um conjunto de unidades de compostagem existentes. Procurando dar cumprimento à hierarquia de princípios constante da Estratégia Comunitária atrás referida. A gestão deste fluxo é ainda garantida através duma rede de aterros concebidos. que na sua concepção e desenvolvimento integram a hierarquia de princípios aprovada na Estratégia Comunitária de Gestão de Resíduos em vigor. A concretização dessas estratégias que se encontra em excelente desenvolvimento permitirá garantir uma adequada gestão deste fluxo. encontrando-se ainda em construção uma unidade de digestão anaeróbica para a componente orgânica dos resíduos urbanos. dos resíduos de material eléctrico e electrónico. que se encontra em fase avançada de consolidação. há a referir o seguinte: Foram elaborados e aprovados Planos Estratégicos Sectoriais para cada um dos citados fluxos. destinada a viabilizar financeiramente a reciclagem dos materiais de embalagem. e.

uma vez que. Este problema será ultrapassado a curto prazo. nomeadamente por parte dos consultórios médicos. apresenta alguns constrangimentos em termos de cumprimento das directivas comunitárias. para o tratamento de óleos usados e lamas oleosas. previligiam a reciclagem e a valorização energética face à deposição em aterro. A gestão dos resíduos industriais em Portugal tem estratégias definidas que. para além da prevenção.Programa Operacional do Ambiente 2000 . conforme já foi notificado à Comissão. por dificuldades de aceitação por parte das populações das localizações seleccionadas para algumas unidades de tratamento. incluindo esses guias recomendações quer ao nível dos procedimentos quer algumas alterações tecnológicas mais ou menos aprofundadas. No que respeita à prevenção da produção e de acordo com os pressupostos da Estratégia Comunitária. postos de enfermagem e das unidades de prestação de cuidados de saúde a animais. de sensibilização e de fiscalização tendentes a aumentar o inventário da produção deste tipo de resíduos. Assim o PNAPRI. estão-se a processar acções de formação. Para além deste investimento. estratégias genéricas conducentes à prevenção da produção de resíduos. com tarifas que não reflectem quaisquer financiamentos públicos. Têem também sido enviados para tratamento em unidades autorizadas no estrangeiro.2006 Na estratégia de curto prazo está previsto o encerramento dos incineradores que não cumprem o normativo comunitário o que se tem verificado ( já foram encerrados 19). O sub-fluxo dos resíduos perigosos. no âmbito do relatório da Directiva 91/689/CEE (Directva Resíduos Perigosos) existem autorizadas em Portugal unidades para o armazenamento temporário de resíduos perigosos. Enquanto não estão em funcionamento estes aterros verifica-se a deposição destes resíduos em aterros para resíduos urbanos. analisa em detalhe dez dos sectores industriais mais representativos da produção de resíduos em Portugal. ainda não foi possível a sua construção. e a consolidação da actual rede de tratamentos alternativos de descontaminação. de acumuladores de chumbo. embora tendo uma estratégia definida. para além de definir. Para estes sectores são propostos guias específicos a divulgar largamente pelas associações industriais. e. de acordo com o disposto no Regulamento 259/93/CEE. a construção de. de resíduos das unidades de tratamento de superfície. quantidades significativas de resíduos que não é possível tratar adequadamente em Portugal. Finalmente para a gestão dos resíduos industriais foi aprovado um Plano Estratégico o PESGRI em 1999 e encontra-se em fase final de elaboração um Plano Nacional de Prevenção para os Resíduos Industriais (PNAPRI). de solventes. Refere-se ainda que algumas unidades industriais têem sido autorizadas a armazenar os resíduos que geram nas suas próprias instalações. de unidades da indústria de curtumes e ainda aterros para resíduos perigosos para algumas unidades industriais especifícas. desde que garantam as devidas 49 . no máximo dois novos incineradores. Está em fase de análise de projecto uma rede de aterros para resíduos industriais banais/não perigosos. foi considerado que uma intervenção eficaz neste domínio teria que ser desenvolvida ao nível da produção de resíduos. que a curto prazo estará construída. Entretanto.

muito têem contribuído para que a gestão deste fluxo esteja cada vez mais consolidada com o cumprimento do normativo nacional e comunitário. nomeadamente o respectivo registo de quantidades e tipos.Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 condições de controle e segurança. As acções de fiscalização/inspecção desenvolvidas no âmbito da obrigação de os produtores de resíduos declararem os resíduos que geram. CAPÍTULO II : PROGRAMA OPERACIONAL DO AMBIENTE  * *  50 .

51 . É neste sentido que o Programa Operacional do Ambiente. à ocupação do espaço e à utilização dos recursos naturais. por outro lado. as acções a apoiar através deste Programa Operacional integram-se fundamentalmente na requalificação. fase correspondente àquela que os nossos parceiros comunitários realizaram há três décadas. à reorientação do modelo de crescimento. bem como melhorar as infra-estruturas de informação. contribuir para criar.2006 INTRODUÇÃO A protecção do ambiente em Portugal enfrentará no princípio de século XXI dois grandes desígnios: por um lado.2006. gradualmente. as condições que permitam à sociedade portuguesa enveredar. visa requalificar e valorizar o património natural e o ambiente urbano. valorização e promoção dos recursos ambientais do território continental português. dar continuidade e completar a infra-estruturação básica. na monitorização do estado do ambiente e no reforço da integração do factor protecção do ambiente nas actividades económicas e sociais. sensibilização e gestão ambiental.contém uma visão estratégica para a economia portuguesa para o período 2000-2006 que constitui uma referência importante para a consideração das incidências ambientais associadas às políticas de reestruturação da base económica. Portugal propõe-se implementar a estratégia . a sociedade portuguesa dispõe de condições e oportunidades que não podem ser menosprezadas. A existência de um Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social para o período 2000-2006 ao qual se associa o III Quadro Comunitário de Apoio constitui um suporte de referência para a definição de políticas ambientais consistentes e capazes de dotarem o país de níveis de qualidade ambiental compatíveis com as aspirações dos cidadãos. Com vista atingir os objectivos que se propõe alcançar. recorrendo a um conjunto de instrumentos que permitam criar as condições para o seu desenvolvimento sustentável e consequentemente para a melhoria da qualidade de vida das populações. materializadas neste Programa Operacional. Para o período 2000 . Para enfrentar estes desígnios. tendo subjacente um conjunto de objectivos que respondam à satisfação das necessidades e que devem ser atingidos durante a vigência do III QCA. por um desenvolvimento sustentável.Programa Operacional do Ambiente 2000 . O Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social – PNDES . que em linhas gerais foi exposta no Capítulo I. reequilibrando o crescimento económico com um elevado grau de protecção e valorização dos recursos naturais. indispensável à concretização de objectivos iminentemente ambientais. no plano ambiental. Esta abordagem positiva apela para uma atitude pró-activa das políticas ambientais e para a definição de um conjunto de linhas de actuação estratégica.

bem como. o quadro resumo dos eixos prioritários do Programa Operacional do Ambiente.ESTRUTURA DO PROGRAMA OPERACIONAL DO AMBIENTE O Programa Operacional do Ambiente inclui três Eixos prioritários.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Apresenta-se. do investimento global e respectivo apoio comunitário a elas associado. relativo à Gestão Sustentável dos Recursos Naturais (cujo objectivo é o apoio a intervenções de carácter eminentemente ambiental). O Eixo prioritário 1. com referência indicativa das medidas incluídas em cada eixo.2006 TÍTULO I . relativo à Integração do Ambiente nas Actividades Económicas e Sociais (cujo objectivo se integra numa lógica de transversalidade do ambiente)e o Eixo prioritário 3. relativo à Assistência Técnica. em seguida. o Eixo prioritário 2. 52 .

2006 53 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

identificar as diferentes Medidas através das quais se podem consubstanciar as acções que dão corpo a um verdadeiro processo de desenvolvimento sustentável. através de um Eixo próprio. colocando a ênfase no ordenamento de áreas classificadas e sensíveis. • • Foram.2006 TÍTULO II . ecossistemas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . incluídas na Rede Nacional das Áreas Protegidas. Trata-se. 54 . enquanto vectores essenciais de ordenamento do território e de desenvolvimento regional. A riqueza de valores faunísticos e florísticos e a diversidade de habitats. por isso. previstas as seguintes medidas: • • • Conservação e valorização do património natural Valorização e protecção dos recursos naturais Informação. permitindo uma sociedade mais participativa neste domínio.EIXO PRIORITÁRIO 1: GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS Nos finais do século XX assistiu-se a um crescente reconhecimento da importância que a gestão dos recursos naturais assume no contexto de um mundo em mudança. e mantendo um nível de participação e entendimento da política em causa que seja garante da sua continuidade e aperfeiçoamento sucessivo. formação e gestão ambientais A tipologia de intervenção que estas Medidas pressupõem privilegiará. pela sua especificidade. impedindo a delapidação desses recursos por forma a manter a sua utilização pelas gerações vindouras. valores paisagísticas e culturais que o país encerra justificam que a nível das intervenções sectoriais previstas para o próximo septénio se continue a dar uma particular atenção às questões ambientais. foram identificadas como fundamentais as seguintes áreas de intervenção: • conhecimento e gestão do património natural. a informação e divulgação. promovendo a interligação estreita com actividades geradoras de riqueza e bem-estar para as populações. assim de. as questões do litoral e dos recursos hídricos. por isso. com particular relevância nas áreas com especial valor para a Conservação da Natureza. Assim. como formas de proporcionar um conhecimento amplo sobre as questões ambientais. formas mais eficazes de gerir os recursos naturais e o património natural.

5% 48.2% 2006 7.Programa Operacional do Ambiente 2000 .9% 75% 15% 0 20% 100% 100% 50% 100% 100% 16 - 160 50 1 500 300 000 20 000 1 000 Seguidamente.2006 Neste contexto. apresenta-se uma descrição das Medidas que compõem este Eixo. 55 . serão objectivos a atingir pelo Programa Operacional do Ambiente em 2006: Eixo Prioritário 1 –Gestão sustentável dos recursos naturais ♣ Percentagem do território continental sob estatuto de protecção para a conservação da natureza (área protegida de âmbito nacional) ♣ Percentagem do território sujeito a estatuto de Área Protegida abrangido por Plano de Ordenamento ♣ Percentagem do território inserido em Áreas Protegidas com estatuto de protecção integral na posse do Estado ♣ Percentagem de área classificada intervencionada ♣ Percentagem de ZPE e Sítios com planos de gestão ♣ Proporção de espécies de interesse comunitário que ocorrem em Portugal alvo de acções e medidas de conservação ♣ Extensão de costa a intervencionar (km) ¹ ♣ Planos de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas a elaborar (nº) ♣ Projectos a apoiar de Educação Ambiental (EA) em escolas ♣ Alunos a abranger por projectos de EA ♣ Professores abrangidos por projectos de EA ♣ Projectos de ONGA a apoiar ¹ este indicador será desagregado no Complemento de Programação 2000 7.

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Com esta medida pretende-se completar o trabalho de infraestruturação. as áreas com estatuto de protecção consideradas nas Convenções Internacionais ratificadas ou a ratificar pelo Estado Português. Nas Áreas Protegidas encontra-se um conjunto valioso e diversificado do património natural português. como consequência da dinamização da economia local. valorização e promoção do património natural do território continental português. a sua consistência técnica e viabilidade económica. nomeadamente nas Zonas de Protecção Especial (ZPE) e nas Zonas Especiais de Conservação (ZEC). ainda. não abrangidas pelas figuras anteriores. incluído na Rede Nacional das Áreas Protegidas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . as Zonas de Protecção Especial. as áreas com o estatuto de Diploma Europeu. Este fluxo de visitantes.1 Conservação e Valorização do Património Natural 1. 56 . verificando-se uma tendência crescente no número de visitantes. Reservas da Biosfera ou Reservas Biogenéticas e ainda nas áreas com relevância para a conservação da natureza. a contribuição para a preservação do património natural. DESCRIÇÃO E CAMPO DE APLICAÇÃO Esta medida tem incidência nas áreas da Rede Fundamental de Conservação da Natureza e Protecção da Paisagem. a conformidade com os objectivos e disposições previstos nos Planos de Ordenamento das Áreas Protegidas e. constitui um importante factor de demonstração de um modelo de desenvolvimento sustentável. nos domínios da conservação.2006 MEDIDA 1. devidamente enquadrado e controlado tem contribuído para a melhoria das condições económicas e sociais das populações residentes. a constituir. as áreas integradas na Lista Nacional de Sítios proposta para classificação das Zonas Especiais de Conservação. desenvolvido no período de programação anterior. A selecção dos projectos a financiar no âmbito desta Medida terá em conta o seu contributo para atingir os objectivos do Programa e do presente Eixo Prioritário. a qual incluirá a Rede Nacional de Áreas Protegidas. A promoção do recreio e lazer de forma compatível com a preservação do valores naturais e culturais. Outro objectivo específico desta Medida é a preservação de zonas protegidas através do apoio a projectos com intervenção nas áreas da Rede Natura 2000. 2. a Reserva Ecológica Nacional. atraídos não só pelas potencialidades paisagísticas como ainda pela riqueza do património histórico e cultural.

utilizados os seguintes critérios para o estabelecimento das prioridades: • As lacunas de conhecimento. menos degradativa para os valores naturais. Consolidação do Sistema de Informação do Património Natural . aprofundar o conhecimento científico sobre algumas espécies e habitats com especial valor para a Conservação da Natureza. o princípio da propriedade pública dessas aquisições e o carácter de protecção a tempo 57   . mas principalmente visando suportar cientificamente as acções de gestão necessárias à sua protecção e recuperação e ao uso sustentável dos recursos. mantendo permanentemente actualizado este conhecimento e colmatando algumas lacunas já identificadas. planos especiais de ordenamento do território. mas sim ao seu ordenamento. em termos de conservação e valorização do património natural. implementação de bases de dados (alfa-numéricas e geográficas) de Património Natural para apoio à gestão e avaliação de áreas classificadas. de interpretação. A identificação desta tipologia de acções teve por base uma perspectiva de apoio ao incremento e melhoria das acções de gestão.2006 Tipologia de projectos a apoiar: Para o Programa Operacional do Ambiente 2000-2006.que não são referentes à sua promoção. a seguinte tipologia de acções: • • • Estudos e acções de gestão para espécies e habitats. • • Estudos e acções de gestão para espécies e habitats  Estudos de caracterização e suporte à elaboração de planos de ordenamento. mas com benefícios económicos e sociais para a população residente. ou seja. Foram.e. Aquisição de terrenos respeitando as disposições da regra de elegibilidade nº 5. informação e apoio a visitantes. As necessidades relacionadas com a visitação às Áreas Protegidas . dos benefícios económicos das actividades que promovem. Acções de apoio ao desenvolvimento local. estabeleceu-se como prioritária.Programa Operacional do Ambiente 2000 . com vista à manutenção da diversidade biológica e ao uso sustentável dos recursos naturais.SIPNAT . planos sectoriais e planos de acção bem como programas de conservação de espécies e habitats. bem assim. por isso. As necessidades da população residente e a sua interligação com a forma de actuação nas áreas protegidas – e que está extremamente dependente da qualidade de vida da população residente. perante a crescente procura que já se verifica. visando um uso sustentável dos recursos. Criação de infraestruturas de apoio ao turismo de natureza. principalmente com vista à gestão das espécies e habitats – ou seja.

serão apoiadas por esta Medida. Edição de material de divulgação. fundamentalmente. tendo em vista a promoção de uma “bolsa” de terrenos essenciais à política de Conservação da Natureza. repovoamentos. Sinalização. Acções de apoio ao desenvolvimento local Um dos objectivos que a classificação de Áreas Protegidas prossegue é “a promoção do desenvolvimento sustentado da região. alimentadores. nomeadamente: 58 . controlo de espécies exóticas. informação e apoio a visitantes Ao nível da gestão das Áreas Protegidas (AP).2006   ilimitado. Parques de Merendas. Centros de Acolhimento. acções tendo como objectivo a manutenção das actividades tradicionais e a melhoria das condições de vida da população. A população residente das Áreas Protegidas caracteriza-se por uma integração “natural” no meio. da migração dos jovens para as grandes zonas urbanas. Este fenómeno coloca em risco a conservação da natureza e em especial a manutenção da biodiversidade. arborizações com espécies autóctones. Ecomuseus e Núcleos Museológicos. Centros de Interpretação e/ou Centros de Educação Ambiental. valorizando a interacção entre as componentes ambientais naturais e humanas e promovendo a qualidade de vida das populações”.) Implementação de uma Rede de Centros de recuperação de Fauna. Nesse sentido e através desta Medida serão co-financiadas estruturas e acções do tipo:         Centros e Postos de Informação. de modo a que as AP possam ser visitadas sem que daí advenham riscos de degradação física e biológica para as paisagens e para o ambiente. que se identifica pelas paisagens por ela moldadas ao longo dos anos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Assim. e por actividades tradicionais e modos de vida adaptados ao espaço onde se inserem. Casas de Abrigo e Casas de Retiro. já que o equilíbrio dos ecossistemas dominantes no território nacional depende da presença do homem e dos seus processos tradicionais de gestão da paisagem. como resultado. Acções de maneio de espécies e habitats (manutenção. Parques de Campismo. torna-se essencial disciplinar e orientar o crescente fluxo de visitantes. de interpretação. Criação de infra-estruturas de apoio ao turismo de natureza. recuperação. Trilhos e Percursos de Interpretação. Estudos demonstraram que a população residente nas Áreas Protegidas tem vindo a decrescer. etc.

Programa Operacional do Ambiente 2000 . infra-estruturas de saneamento básico. instalação e apetrechamento de Núcleos de Técnicas Artesanais. • Municípios e suas Associações. ENTIDADE RESPONSÁVEL Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território / Gestor. 3 . 4. 5. infra-estruturas colectivas de suporte às actividades tradicionais.2006 • • • • • • • • acções de certificação e divulgação de produtos regionais. reabilitação de património histórico e cultural que potencie o desenvolvimento de actividades económicas ligadas à visitação. incluirá os critérios de selecção das candidaturas. CATEGORIA DE BENEFICIÁRIOS • Serviços do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. recuperação e melhoria de caminhos e acessos. acções de requalificação ambiental. entre outras. O Complemento de Programação. a transmitir à Comissão Europeia no prazo de três meses após a aprovação do Programa Operacional do Ambiente. CALENDÁRIO DE REALIZAÇÃO 59 . 6. públicas ou privadas. PESO FINANCEIRO Esta Medida é co-financiada pelo FEDER e representa aproximadamente 20% do cofinanciamento do FEDER. requalificação de aglomerados rurais. • Outras entidades. mediante protocolo ou outra forma de contratualização com o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.

60 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 Janeiro de 2000 a Dezembro de 2006.

• 61 . As principais linhas orientadoras que foram considerados na elaboração dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira são as seguintes: • • • • • • Definição clara das regras e princípios para as diferentes utilizações. de forma compatível com o preconizado nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC). Gestão integrada e coordenada da orla costeira. Protecção dos valores naturais e patrimoniais.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Combate aos valores antrópicos que alteram a configuração da linha de costa. a reabilitação e a valorização da Rede Hidrográfica Nacional e das Albufeiras. através da identificação das zonas sensíveis e a tipificação de mecanismos de salvaguarda.2 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais 1. considerados incompatíveis com a sensibilidade ecológica e a fragilidade dos sistemas costeiros. Salvaguarda eficaz de pessoas e bens. através de intervenções que permitam uma gestão criteriosa dos recursos hídricos nacionais. que compreende entre outros aspectos a recuperação de sistemas dunares e a relocalização de usos e actividades. Aprofundamento e divulgação de conhecimento de base técnico científico. neste quadro está prevista a requalificação de áreas degradadas resultado de ocupações abusivas e utilizações desregradas da orla costeira. Promoção da localização de actividades compatíveis com a utilização sustentável dos recursos existentes.2006 MEDIDA 1. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Esta Medida tem como objectivos específicos: • • a protecção e requalificação da faixa costeira.

Das situações de maior risco na Região de Lisboa. Cascais. 62 . e em particular os troços finais. constando do aumento de capacidade de escoamento das secções. etc. criação de bacias de amortecimento dos caudais de ponta de cheia. A actuação deverá incidir nas principais linhas de água que provocam problemas como as que atrás foram referidas. albufeiras em que haja uma potencial incompatibilidade entre as diferentes utilizações que possa proporcionar. as principais linhas de água. • • • • • Relativamente aos critérios para a escolha dos Planos de Ordenamento das Albufeiras. como seja o caso da cidade de Águeda e de quase todo o Sotavento Algarvio. mas que complementadas por arranjos paisagísticos adequados permitem criar espaços que serão usufruídos pelas populações como zonas de recreio e lazer. bastando para o efeito o seu arranjo paisagístico . poder-se-á considerar esta zona como a mais vulnerável do país ao efeito das cheias. Prevenção e Controlo de Cheias. são: • Pelas características hidrológicas e geomorfológicas e ocupação urbana existentes na Região de Lisboa (Margem Direita do Rio Tejo). pontões e aquedutos. Loures. Algés e rio de Loures. Algés. atravessam importantes aglomerados urbanos sendo frequente a ocorrência de cheias. Os espaços limitados pelas linhas de regolfo destas bacias podem ser utilizados para fins lúdicos. que estão sujeitas respectivamente à influência das ribeiras das Vinhas. As intervenções passam pela regularização fluvial. não podendo na maioria dos casos deixar de ser intervenções estruturantes . Na generalidade. tendo as primeiras provocado a morte a mais de 500 pessoas e as segundas avultados prejuízos. poderá dizer-se que as prioridades serão as seguintes: • • • albufeiras cujo uso principal da água seja para abastecimento público. Para além dos casos referidos existem outras na Região de Lisboa e também no país. albufeiras de maior dimensão. elegem-se. etc.).. etc.Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 As principais linhas de orientação no âmbito do Programa de Reabilitação da Rede Hidrográfica. das quais se destacam as de 1967 e 1983. eliminação dos pontos críticos (pontes. a executar até 2006.

reabilitação e requalificação de áreas degradadas e frentes urbanas. As intervenções a apoiar na faixa costeira terão de ser compatíveis com os objectivos dos POOC e abrangerão acções que visem. Entre as acções a apoiar no âmbito desta Medida. obras de defesa em zonas de risco. valorização de praias. nos Planos de Bacia Hidrográfica ou no Plano Nacional da Água e. nos leitos das águas fluviais e respectivas margens e nas áreas envolventes que tenham influência na sua qualidade ambiental. bem como da assunção de métodos de gestão criteriosos essenciais ao desenvolvimento sustentável e ao equilíbrio dos ecossistemas. a requalificação e ordenamento do espaço público e dos respectivos usos. verificação das condições de segurança em barragens. A selecção dos projectos a financiar no âmbito desta Medida terá em conta o seu contributo para atingir os objectivos do Programa e do presente Eixo Prioritário. a sua consistência técnica e viabilidade económica. defesa e reabilitação dos sistemas dunares. a distribuição espacial e sazonal das utilizações não coincide com o padrão das disponibilidades naturais de água.Programa Operacional do Ambiente 2000 . tais como. acções de recuperação e melhoria das condições de segurança das barragens. 63 . infraestruturas de apoio às actividades produtivas. Por outro lado. estudos de base técnico-científicos e planos de pormenor. elaboração dos POAL’s. A alteração deste desfasamento está dependente da construção de infra-estruturas de regularização. recarga de praias. a reabilitação de sistemas dunares e a estabilização de arribas e falésias. limpeza e desassoreamento de linhas de água e de sistemas lagunares. valorização das zonas fluviais e recuperação do património. nomeadamente:   a protecção física e biológica da costa com minimização dos efeitos erosivos. requalificação ambiental. a contribuição para a preservação dos recursos naturais. a conformidade com os objectivos e disposições previstos nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira. Os recursos hídricos nacionais caracterizam-se pela sua irregular distribuição espacial e temporal. tais como. destacam-se: • • • • • • • • • • • • • • regularização e renaturalização de linhas de água e o controlo de cheias. ainda. As principais acções a executar e as medidas a adoptar enquadram-se nos objectivos dos planos específicos de uso do solo ( POOC’s e Planos de Ordenamento de Albufeiras) e serão compatíveis com os Planos de Recursos Hídricos ( PBH’s e PNA). DESCRIÇÃO E CAMPO DE APLICAÇÃO Esta Medida incide fundamentalmente nas áreas abrangidas pelos Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC). a retirada de intrusões visuais e paisagísticas e a construção de infra-estruturas com repercussões na qualidade da fruição balnear e na segurança de pessoas e bens.2006 2.

3 . a transmitir à Comissão Europeia no prazo de três meses após a aprovação do Programa Operacional do Ambiente. mediante protocolo ou outra forma de contratualização com o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. PESO FINANCEIRO Esta Medida é co-financiada pelo FEDER e representa aproximadamente 27 % do cofinanciamento do FEDER. CALENDÁRIO DE REALIZAÇÃO Janeiro de 2000 a Dezembro de 2006. 64 . • Outras entidades. CATEGORIA DE BENEFICIÁRIOS • Serviços do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.2006 O Complemento de Programação. 4. 6. públicas ou privadas. 5. incluirá os critérios de selecção das candidaturas. ENTIDADE RESPONSÁVEL Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território / Gestor. • Municípios e suas Associações.Programa Operacional do Ambiente 2000 .

designadamente. do ambiente acústico. ainda. quer da adopção de comportamentos ambientalmente correctos e ainda a promoção de mercados de produtos e serviços “amigos” do ambiente. quer por parte dos decisores institucionais. Enquadram-se nesta tipologia de projectos: • • a criação e o reforço das redes de monitorização de parâmetros ambientais e respectivos sistemas de informação.Programa Operacional do Ambiente 2000 . 65 . dos recursos hídricos. naturais e comportamentais.2006 MEDIDA 1. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS O desígnio do desenvolvimento sustentável necessita de uma sociedade ambientalmente sensibilizada e informada. é essencial à tomada de decisão. Sensibilização e Gestão Ambientais 1. Outro objectivo específico desta Medida consiste na criação de infra-estruturas que contribuam para a obtenção e processamento de dados e para a divulgação da informação ambiental aos diferentes destinatários. DESCRIÇÃO E CAMPO DE APLICAÇÃO Através desta Medida pretende-se dotar Portugal de infra-estruturas e instrumentos que permitam a obtenção e processamento de dados de natureza ambiental. quer se trate da minimização de impactes ambientais e a detecção de tendências. em todas as vertentes ambientais. Os actuais modos de produção e de consumo nem sempre são compatíveis com a realização da sustentabilidade ambiental. a remodelação e o reapetrechamento de laboratórios de qualidade do ambiente. exige cuidados especiais para que o resultado final seja o mais eficaz possível. bem como. o processamento da informação tendo em conta os diversos destinatários.3 Informação.Laboratório de Referência do Ambiente. para apoio à decisão. Porém. nos domínios da qualidade do ar. de estruturas de detecção de tendências de fenómenos ambientais. quer por parte dos cidadãos individuais. Acresce. esta Medida visa aumentar as valências dos seis laboratórios. em termos de parâmetros analíticos. 2. incluindo-se neste contexto a sensibilização dos cidadãos para o desenvolvimento sustentável e a promoção do emprego ”verde”. a produção de informação ambiental rigorosa e actual. do clima. a meta de o Laboratório de Referência do Ambiente em estrita colaboração com as DRAOT’S contribuir para a acreditação dos laboratórios regionais. acompanhando a evolução dos conhecimentos técnico-científicos. pelo que. Não pretendendo financiar a construção de mais laboratórios (actualmente existe um de nível nacional .e cinco de nível regional – um por cada DRAOT).

PESO FINANCEIRO Esta Medida é co-financiada pelo FEDER e representa aproximadamente 6 % do cofinanciamento do FEDER. os estudos referentes aos modelos matemáticos. • projectos de sensibilização ambiental. a transmitir à Comissão Europeia no prazo de três meses após a aprovação do Programa Operacional do Ambiente. incluirá os critérios de selecção das candidaturas. estudos comportamentais e produção de meios de informação e de sensibilização ambiental. bem como a elaboração de mapas de ruído (cartografia). O Complemento de Programação. o fomento do emprego “verde.2006 Pretende-se ainda no que se refere ao ruído. à promoção da participação dos cidadãos e das suas organizações nos processos de decisão no domínio do ambiente e do ordenamento do território e ainda.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Outra componente a apoiar através desta Medida diz respeito à informação e sensibilização ambiental dos diferentes grupos da sociedade. Enquadram-se nesta tipologia de projectos: • criação ou melhoria das estruturas de informação e sensibilização para o ambiente e ordenamento do território. 4. a contribuição para a informação e sensibilização ambiental dos cidadãos. ainda. 3 . A selecção dos projectos a financiar no âmbito desta Medida terá em conta o seu contributo para atingir os objectivos do Programa e do presente Eixo Prioritário. para a obtenção e processamento de dados ambientais e. a sua consistência técnica e viabilidade económica. 5. ENTIDADE RESPONSÁVEL Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território / Gestor. financiar além da aquisição de equipamento adequado. CATEGORIA DE BENEFICIÁRIOS 66 .

67 . CALENDÁRIO DE REALIZAÇÃO Janeiro de 2000 a Dezembro de 2006.2006 • Serviços do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. públicas ou privadas. 6. • Municípios e suas Associações.Programa Operacional do Ambiente 2000 . • Outras entidades. mediante protocolo ou outra forma de contratualização com o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.

Numa sociedade crescentemente globalizada. por forma a criar as condições para um desenvolvimento económico sustentável. formulam-se a seguir alguns princípios orientadores para a estruturação e desenvolvimento do Programa: 68 . quer pela importância demonstrativa e paradigmática de muitas dessas acções. Julga-se que o Programa Polis poderá dar um contributo para a solução de alguns desses problemas. As questões urbanísticas e ambientais entrecruzam-se de uma forma quase indissociável. É neste sentido que é criado o Programa Polis – Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental de Cidades. quer pelas acções que se propõe desenvolver. através de intervenções nas vertentes urbanística e ambiental. reforçar o seu papel na organização do território e melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes está assim plenamente reconhecida e assumida. cujo objectivo consiste em melhorar a qualidade de vida nas cidades. e em que o sector terciário está ainda em franca expansão. Muitos dos problemas das nossas cidades estão ligados ao que pode ser caracterizado como um “urbanismo expansivo” que tem prevalecido no País. Essa função de alavanca do desenvolvimento não pode ser desempenhada pelas cidades que não tenham um ambiente de qualidade e que não tenham níveis elevados de atractividade. as cidades devem ser pólos essenciais do processo de desenvolvimento económico e social.Programa Operacional do Ambiente 2000 . A importância de concretizar uma política ambiciosa e promover uma concertação de esforços para requalificar as cidades. que possam servir de referência para outras acções a desenvolver pelas autarquias locais.2006 TÍTULO III . O Programa Polis pretende desenvolver um conjunto de intervenções consideradas exemplares com base em parcerias. melhorar a sua competitividade.EIXO PRIORITÁRIO 2: INTEGRAÇÃO DO AMBIENTE NAS ACTIVIDADES ECONÓMICAS E SOCIAIS A inclusão deste Eixo no Programa Operacional do Ambiente corresponde à preocupação de garantir a consideração dos aspectos ambientais na política de desenvolvimento do território e nas políticas sectoriais. Neste quadro de referência. melhorando a atractividade e competitividade de pólos urbanos que têm um papel relevante na estruturação do sistema urbano nacional. especialmente entre Governo e Câmaras Municipais.

Programa Operacional do Ambiente 2000 . instalação de redes de monitorização ambiental. a título de exemplo. tais como. Noutros casos deverá o próprio programa suscitar iniciativas e desencadear projectos. Essas cidades constituem em si mesmas paradigmas de requalificação urbana baseada em “âncoras” patrimoniais de grande importância e defrontam-se com desafios e exigências que o Programa Polis deve ajudar a enfrentar. pondo em evidência a sua importância e oportunidade. que possa ser valorizado e reapropriado por essa cidade. • • • • • • • • Ao atribuir 33% do apoio FEDER do Programa Operacional do Ambiente à Melhoria do Ambiente Urbano. frequentemente. Deverão ser consideradas também algumas acções de menor dimensão destinadas a complementar ou valorizar projectos já realizados ou a melhorar projectos muito específicos da qualidade do ambiente urbano. concedido pela UNESCO. Nas intervenções a realizar deve estar presente a preocupação de “ancorar” os projectos de requalificação urbana em torno de um elemento ambiental marcante e específico de cada cidade. de cultura e de lazer. promovendo a revitalização dos centros históricos e das suas múltiplas valências. Para além das preocupações estritamente urbanísticas e ambientais. medidas para desviar o trânsito do centro das cidades. deve-se promover uma dinâmica de conhecimento.2006 • O Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades deve começar por fazer um esforço de afirmação em torno de um número limitado de intervenções exemplares que tenham uma escala significativa e possam ter um efeito demostrativo no País. contribuir assim para cidades mais equitativas e interclassistas. A preocupação de “re-centrar” as cidades. tirando partido de agentes locais motivados e de projectos já elaborados. fazendo com que essas componentes se integrem na exemplaridade das acções a desenvolver. As linhas de água ou as frentes de mar constituem exemplos desse tipo de elemento. O Estado tem apoiado a realização de numerosas acções de realojamento e a construção de bairros sociais em que. Em alguns casos será útil apostar em intervenções que estão já em condições de serem concretizadas. são cidades com um especial valor emblemático que não devem ser esquecidas por este Programa. poderão ser apoiadas outras candidaturas que se revistam de interesse e contribuam para o objectivo geral do programa. Para além destas intervenções exemplares. pretende-se contribuir de uma forma decisiva para a concretização do 69 . As cidades que têm o estatuto de Património Mundial. os espaços públicos são descurados. de forma a evitar a desertificação e declínio desses centros. O Programa Polis não pode deixar de incluir também esta componente de grande alcance social. deve estar sempre presente nas intervenções a realizar. intervenções de valorização urbanística ou ambiental junto de estabelecimentos de ensino. com efeito de demonstração.

de constrangimento externo.1 milhões de habitantes. apresentam-se as Medidas que compõem este Eixo. nomeadamente.1 3 150 Seguidamente. A estratégia a seguir passa. 70 . isto é. de uma forma voluntária.2006 Programa Polis. a protecção do ambiente deve desempenhar cada vez mais um factor de progresso técnico e competitividade da economia portuguesa. prevendo-se que sejam beneficiados com estes investimentos 2. cujo desempenho ambiental dos sectores económicos contribua. tendo presentes os princípios da prevenção e correcção na fonte e do poluidor–pagador. pela internalização dos custos ambientais de modo a estimular investimentos que minimizem a utilização de recursos naturais e as emissões poluentes. Para o efeito. Pretende-se também com este eixo incentivar acções que demonstrem representar uma mais-valia ambiental. para um nível de protecção mais elevado do que o exigido pela legislação em vigor.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Assim. serão objectivos a atingir pelo programa Operacional do Ambiente em 2006: Eixo Prioritário 2 – Integração do Ambiente nas Actividades Económicas e Sociais ♣ Área verde a requalificar/ construir (m²) ♣ Extensão de linha de água urbana a requalificar (m) ♣ Extensão de linha de costa urbana a requalificar (m) ♣ População a abranger por intervenções de requalificação urbana (milhões de habitantes) ♣ Número de empresas com registo no EMAS ou rótulo ecológico Nota: estes indicadores serão desagregados no Complemento de Programação 2000 2006 2 000 000 10 000 3 000 2. Nexte contexto. atribui-se 13% da contribuição do FEDER do Programa Operacional do Ambiente para apoiar a sustentabilidade das actividades económicas.

e. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS O objectivo específico desta Medida consiste na valorização da qualidade ambiental das áreas urbanas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . ainda. recuperação e revitalização de zonas históricas e outros espaços públicos urbanos em declínio. 71 . nomeadamente da água. nomeadamente. contribuição para a melhoria do serviço e eficácia dos transportes públicos. das fontes de energia não renováveis e do solo. informação e sensibilização dos cidadãos. A selecção dos projectos a financiar no âmbito desta Medida terá em conta o seu contributo para atingir os objectivos do Programa e do presente Eixo Prioritário.2006 MEDIDA 2. a conformidade com os objectivos e disposições previstos no Programa Polis. acções que contribuam para a multifuncionalidade de espaços urbanos e para a valorização de estruturas ecológicas inseridas na malha urbana. através de acções de: • • • • • • • • reordenamento do espaço público urbano.1 Melhoria do Ambiente Urbano 1. DESCRIÇÃO E CAMPO DE APLICAÇÃO Enquadram-se nesta medida os projectos que visem a melhoria da qualidade ambiental e a requalificação urbana. a sua consistência técnica e viabilidade económica. frentes ribeirinhas e costeiras urbanas. redução e controlo das diversas fontes de poluição e monitorização de variáveis ambientais. contribuição para uma gestão urbana sustentável. na revitalização sustentada do espaço público urbano e na requalificação de áreas urbanas degradadas ou em declínio. requalificação de zonas industriais. com incremento da área pedonal em condições de segurança e conforto. a contribuição para a implementação da legislação ambiental e urbanística. criação e ampliação de áreas destinadas à utilização multifuncional do espaço urbano. nomeadamente. valorizando as potencialidades ambientais existentes. nomeadamente através do incremento da área verde urbana e da valorização de estruturas ecológicas. 2. através da melhoria de indicadores ambientais e apoiando. através da minimização do consumo de recursos naturais.

PESO FINANCEIRO Esta Medida é co-financiada pelo FEDER e representa aproximadamente 32 % do cofinanciamento do FEDER. CALENDÁRIO DE REALIZAÇÃO Janeiro de 2000 a Dezembro de 2006. públicas ou privadas. 4. 72 . 5. a transmitir à Comissão Europeia no prazo de três meses após a aprovação do Programa Operacional do Ambiente. 6. ENTIDADE RESPONSÁVEL Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território / Gestor. 3 . incluirá os critérios de selecção das candidaturas.2006 O Complemento de Programação. mediante protocolo ou outra forma de contratualização com o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.Programa Operacional do Ambiente 2000 . • Outras entidades. CATEGORIA DE BENEFICIÁRIOS • Serviços do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. • Municípios e suas Associações.

esta Medida tem um carácter suplementar no sentido da melhoria do desempenho ambiental das actividades económicas. acções inovadoras e de demonstração que proporcionem melhorias no desempenho ambiental. a Energia. A selecção dos projectos a financiar a majoração em mais-valia ambiental. nomeadamente. para além do esforço de investimento sob a responsabilidade de cada sector. no âmbito desta Medida. nomeadamente nos sectores da actividade económica. privilegiando a abordagem do ciclo do produto ou do serviço. estabelecidos como prioritários no 5º Programa de Acção Comunitária para o Ambiente. DESCRIÇÃO E CAMPO DE APLICAÇÃO Enquadram-se nesta Medida acções ou majoração de acções. as Directivas que estabelecem a Rede Natura 2000. Por outro lado. terá em conta o seu contributo para atingir os objectivos do Programa e do presente Eixo Prioritário. O 5º Programa de política e de Acção para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável estabelece como sectores prioritários para integração das preocupações ambientais. Esta Medida financiará.2006 MEDIDA 2. para além dos compromissos internacionais como o Protocolo de Quioto. ainda. a Agricultura.2 Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas 1. majorações de incentivos a empresas a conceder no âmbito do Programa Operacional da Economia. a sua consistência técnica e viabilidade económica. acções de requalificação ambiental. tais como: • • • • promoção da ecogestão e da certificação ambiental.Programa Operacional do Ambiente 2000 . acções que proporcionem mais-valia ambiental. designadamente. 2. a Directiva relativa à Prevenção e Controlo Integrado da Poluição (IPPC). relativamente à regulamentação em vigor. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Pretende-se com esta Medida incentivar acções de carácter voluntário que proporcionem um desempenho ambiental acrescentado nos cinco sectores da actividade económica. Assim. os Transportes e o Turismo. desde que obedeçam aos objectivos e disposições previstos no respectivo Programa Operacional Sectorial e. a Indústria. 73 . a capacidade de exceder as normas ambientais em vigor. a legislação comunitária exige a integração do ambiente nas políticas sectoriais.

PESO FINANCEIRO Esta Medida é co-financiada pelo FEDER e representa aproximadamente 13 % do cofinanciamento do FEDER. Municípios e suas Associações. 5. 3. ENTIDADE RESPONSÁVEL Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território / Gestor. a transmitir à Comissão Europeia no prazo de três meses após a aprovação do Programa Operacional do Ambiente. públicas ou privadas. Entidades. 4. 74 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 O Complemento de Programação. incluirá os critérios de selecção das candidaturas. mediante protocolo ou outra forma de contratualização com o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. 3 . CALENDÁRIO DE REALIZAÇÃO Janeiro de 2000 a Dezembro de 2006. Serviços do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. CATEGORIA DE BENEFICIÁRIOS • • • • Empresas privadas elegíveis a sistemas de incentivos apoiados pelo presente Programa.

Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

TÍTULO IV – EIXO 3: ASSISTÊNCIA TÉCNICA

1. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

Pretende-se com este Eixo dotar a estrutura de gestão do Programa Operacional do Ambiente com os meios necessários à sua promoção, funcionamento, avaliação e controlo.

2. DESCRIÇÃO E CAMPO DE APLICAÇÃO

O montante máximo previsto respeitante às despesas de Assistência Técnica sujeitas a plafond, de acordo com o previsto na regra de elegibilidade nº 11, é de 4 987 978 Euros. No Complemento de Programação as medidas de Assistência Técnica serão repartidas nas despesas previstas, respectivamente, no ponto 2 e no ponto 3 da Regra nº 11. Este documento especificará, para as acções sujeitas a plafond, os montantes afectos a cada categoria de acções, nomeadamente os custos relativos às acções previstas no ponto 2.2 da mesma regra.

No âmbito deste Eixo destacam-se as seguintes acções: • • • • • • • • • Sensibilização dos potenciais beneficiários; Edição de documentos diversos relacionados com o Programa Operacional do Ambiente (POA), designadamente de divulgação, de orientação sobre procedimentos ou de natureza técnica no âmbito dos objectivos do POA; Estudos de indicadores de realização e de impacto; Estudos necessários à implementação das Medidas, nomeadamente, auditorias e avaliação de tendências; Aquisição de equipamento e aplicações informáticas para desenvolvimento do sistema de gestão e de monitorização do Programa Operacional do Ambiente e de interligação com o sistema de informação do QCA;; Contratação de pessoal afecto à gestão do Programa Operacional do Ambiente ; Criação de um sistema informático de acompanhamento e gestão do Programa Operacional do Ambiente ; Aquisições de serviços necessárias à implementação do Programa Operacional do Ambiental; Despesas relativas à avaliação técnica dos projectos.
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Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

3 . PESO FINANCEIRO

Esta Medida é co-financiada pelo FEDER e representa aproximadamente 1 % do cofinanciamento do FEDER.

3. ENTIDADE RESPONSÁVEL

Gabinete do Gestor do Programa Operacional do Ambiente.

4. CATEGORIA DE BENEFICIÁRIOS

Gabinete do Gestor do Programa Operacional do Ambiente.

5. CALENDÁRIO DE REALIZAÇÃO

Janeiro de 2000 a Dezembro de 2006.

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Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

TÍTULO V – DISPOSIÇÕES DE EXECUÇÃO

O Programa Operacional do Ambiente será implementado através de um conjunto coerente e integrado de acções plurianuais envolvendo diferentes actores, que garantirá a contribuição e o envolvimento das entidades representativas dos diferentes pontos de vista, designadamente as perspectivas que se coadunem com as políticas europeia e nacional.

1 Autoridade de Gestão
A gestão técnica, administrativa e financeira do Programa Operacional do Ambiente é exercida por um Gestor, nomeado pelo Conselho de Ministros sob proposta do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, sendo o seu estatuto definido no correspondente acto de nomeação. O gestor do Programa Operacional do Ambiente constitui a autoridade de gestão prevista no ponto i) da alínea d) do artigo 18º do Regulamento (CE) n.º 1260/1999 do Conselho, de 21 de Junho, (Programa Operacional do Ambiente – Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, Rua de “O Século”, 51 – 2º, 1200-433 Lisboa) sendo que, nomeadamente, lhe compete: • • • Adoptar o Complemento de Programação definido na alínea m) do artigo 9º do Regulamento (CE) nº 1260/99, após acordo da Comissão de Acompanhamento; Transmitir à Comissão, num documento único para informação, o Complemento de Programação no prazo máximo de três meses a contar da Decisão da Comissão que aprova o Programa Operacional; Adaptar, por sua própria iniciativa ou sob proposta da Comissão de Acompanhamento, o Complemento de Programação, sem alterar o montante total da participação dos Fundos Estruturais concedidos ao Eixo Prioritário em causa, nem os objectivos do mesmo; Informar a Comissão Europeia da adaptação do Complemento de Programação, no prazo de um mês após a aprovação pela Comissão de Acompanhamento; Garantir a regularidade das operações financiadas pelo Programa Operacional, designadamente pela aplicação de medidas de controlo interno compatíveis com os princípios da boa gestão financeira, bem como pela resposta às observações, pedidos de medidas correctivas e recomendações de adaptação apresentados pela Comissão Europeia nos termos dos n.º 2 do artigo 34º e n.º 4 do artigo 38º do Regulamento (CE) n.º 1260/1999 do Conselho, de 21 de Junho de 1999; Propor a regulamentação e assegurar a organização dos processos de candidaturas de projectos ao financiamento pelo Programa Operacional;
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• •

financeiros e estatísticos fiáveis sobre a execução para a elaboração dos indicadores de acompanhamento e para a avaliação intercalar e ex-post e para as eventuais avaliações temáticas ou transversais.2006 • • • • • • • • • • • • • Aprovar ou propor a aprovação das candidaturas de projectos ao financiamento pelo Programa Operacional. Organizar a avaliação intercalar e a respectiva actualização. Assegurar a conformidade dos contratos com a decisão de concessão do financiamento. 2 Unidade de Gestão O Gestor do Programa Operacional do Ambiente é assistido. no exercício das suas funções. uma vez obtido o parecer da Unidade de Gestão. à protecção e melhoria do ambiente e à promoção da igualdade de oportunidade entre homens e mulheres. e colaborar na avaliação ex-post do Programa Operacional. Elaborar e submeter à Comissão de Acompanhamento os relatórios anuais e final de execução do Programa Operacional. e o respeito pelos normativos aplicáveis. sem prejuízo dos poderes que lhe sejam conferidos no despacho da sua constituição. à qual compete.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Assegurar o cumprimento por cada projecto ou acção das normas nacionais e comunitárias aplicáveis. Apreciar da conformidade dos pedidos de pagamentos que sejam apresentados pelos beneficiários finais e efectuar. Praticar os demais actos necessários à regular e plena execução do Programa Operacional. o seguinte: • • • Elaborar e aprovar o respectivo regulamento interno. 78 . à adjudicação de contratos públicos. Assegurar que seja instituído um sistema de controlo interno adequado à verificação dos processos de candidaturas e dos pagamentos conforme aos normativos aplicáveis. ou assegurar que sejam efectuados. Dar parecer sobre os projectos de relatório de execução do Programa Operacional elaborado pelo gestor. Assegurar que são cumpridas as condições necessárias de cobertura orçamental dos projectos. Utilizar e assegurar a utilização pelos organismos que participam na gestão e na execução. em colaboração com a Comissão. nomeadamente a sua compatibilidade com as políticas comunitárias no que se refere ao respeito das regras de concorrência. de um sistema de contabilidade separada ou de uma codificação contabilística adequada para as transacções abrangidas pelo Programa Operacional. por uma Unidade de Gestão. os referidos pagamentos. Dar parecer sobre as propostas de decisão do gestor relativas a candidaturas de projectos ao financiamento pelo Programa Operacional. Assegurar a recolha e o tratamento de dados físicos. depois de aprovado pela Comissão de Acompanhamento. Assegurar o cumprimento das obrigações nacionais e comunitárias em matéria de informação e de publicidade. Apresentar o relatório anual de execução e o relatório final de execução do Programa Operacional à Comissão Europeia.

O Gestor e a Unidade de Gestão são assistidos por uma Estrutura de Apoio Técnico. Um representante de cada entidade responsável pela gestão nacional dos fundos comunitários envolvidos. Um representante da Inspecção Geral de Finanças. presidida pelo Gestor do Programa Operacional do Ambiente e composta por: • • • • • • • • Membros da Unidade de Gestão do Programa Operacional. Uma representação da Comissão Europeia e outra do Banco Europeu de Investimentos. de 21 de Junho. Um representante do Ministro para a Igualdade. nos seis meses subsequentes à aprovação do Programa Operacional. bem como a avaliação intercalar prevista no artigo 42º do Regulamento (CE) nº 1260/1999 de 21 de Junho de 1999. 3 Acompanhamento O acompanhamento do Programa Operacional do Ambiente é assegurado por uma Comissão de Acompanhamento.2006 A Unidade de Gestão é presidida pelo Gestor do Programa Operacional do Ambiente. 79 . oriundos das instituições vocacionadas para apoiarem tecnicamente a formulação e o acompanhamento das políticas públicas relevantes. Compete especialmente à Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional do Ambiente: • • • • • Confirmar ou adaptar o complemento de programação. nos termos do Regulamento (CE) n. Representantes dos parceiros económicos e sociais. Os coordenadores das respectivas componentes sectoriais regionalmente desconcentradas. Avaliar periodicamente os progressos realizados na prossecução dos objectivos específicos do Programa Operacional. quando a natureza das matérias o justifique. os critérios de selecção das operações financiadas ao abrigo de cada medida. Representantes dos ministérios. na qualidade de observador. compreendendo representantes deste Ministério. Analisar e aprovar. Analisar e aprovar o relatório anual de execução e o relatório final de execução antes do seu envio à Comissão Europeia. Analisar os resultados da execução. constituída no prazo máximo de três meses após a decisão da Comissão Europeia relativa à participação dos Fundos. nomeadamente a realização dos objectivos definidos para as diferentes medidas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . incluindo organizações representadas no CES.º 1260/1999. sendo a sua composição determinada por despacho do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. incluindo os indicadores físicos e financeiros a utilizar no acompanhamento do Programa Operacional. quando este não integre a composição da unidade de gestão. os quais serão nomeados na sequência das orientações definidas por despacho do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território.

Propor ao gestor adaptações ou revisões do Programa Operacional que permitam alcançar os objectivos definidos ou aperfeiçoar a gestão do Programa. os primeiros resultados dos Programas Operacionais. A Comissão de Acompanhamento constituirá Grupos Técnicos de Avaliação. inclusivamente a sua gestão financeira. propor a metodologia dos estudos de avaliação e acompanhar o lançamento e a realização dos estudos de avaliação 80 . tendo em conta a avaliação ex-ante. A avaliação intercalar analisará. os resultados do Programa Operacional. que deverá disponibilizar informação actualizada ao Grupo de Trabalho Temático. do sistema de informação do Programa Operacional do Ambiente. O Grupo Técnico para a Avaliação terá representantes da Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Ambiente. a sua pertinência e a realização dos objectivos e apreciará igualmente a utilização das dotações. nomeadamente concretizadas através : • • da disponibilização da acta da Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional do Ambiente. A avaliação intercalar será efectuada por avaliadores independentes sob a responsabilidade do Gestor do Programa Operacional do Ambiente. A Comissão de Acompanhamento definirá. devendo a Autoridade de Gestão do QCA assegurar a coordenação do calendário de lançamento das diferentes avaliações. O Grupo Técnico de Avaliação deve. 4 Avaliação O Programa Operacional do Ambiente será objecto de uma avaliação intercalar que analisará.Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 • • • Analisar e aprovar todas as propostas de alteração do conteúdo da decisão da Comissão Europeia que aprova o Programa Operacional. as modalidades de cooperação e articulação com o Grupo Temático. no regulamento interno. bem como o funcionamento do acompanhamento e da execução. para informação do Grupo de Trabalho Temático. a sua pertinência e a realização dos objectivos. o Grupo de Trabalho temático no domínio do Ambiente. Com o objectivo de assegurar o acompanhamento dos diversos Programas Operacionais. Analisar os critérios de repartição entre projectos nacionais sectoriais e regionais sectoriais. funcionará. tendo em conta a avaliação ex-ante. apreciando igualmente a utilização das dotações e o funcionamento da execução e do acompanhamento. em colaboração com a Comissão Europeia. com o objectivo de acompanhar o processo de avaliação. nomeadamente. no âmbito e sob orientação da Comissão de Acompanhamento do QCA. da Comissão Europeia e da Autoridade de Gestão do QCA.

após informação daquele. eventualmente temáticas. de forma articulada com a avaliação intercalar do Quadro Comunitário de Apoio e. em colaboração com a Autoridade de Gestão. tendo em conta os resultados da avaliação ex-ante já disponíveis. A avaliação utilizará neste contexto. até 31 de Dezembro de 2005. da eficácia do Programa Operacional e do seu impacte. tomando as medidas necessárias para que essa informação seja disponibilizada aos avaliadores independentes. incluindo no aspecto da sua sustentabilidade. nomeadamente para identificar experiências transferíveis. os diferentes elementos que o sistema de 81 . a fim de preparar as intervenções posteriores.Programa Operacional do Ambiente 2000 . uma actualização dessa avaliação para o Programa Operacional do Ambiente. A avaliação do Programa Operacional do Ambiente será realizada com a cooperação dos organismos responsáveis pela gestão do Fundo Estrutural. A avaliação intercalar será apresentada à Comissão de Acompanhamento do Programa Operacional e seguidamente transmitida à Comissão Europeia. O Programa Operacional do Ambiente será ainda objecto de uma avaliação ex-post. três anos após a aprovação do Programa. o mais tardar. três anos após o termo do período de programação. podem ser lançadas avaliações complementares. destinada a dar conta da utilização dos recursos. A avaliação do Programa Operacional do Ambiente será articulada com o Sistema de Informação Global do QCA e com os Sistemas de Informação Específicos de cada Fundo Estrutural e terá em conta os dispositivos de avaliação estabelecidos. tendo em vista a revisão do Programa e a atribuição da reserva de eficiência e de programação. à selecção dos avaliadores independentes até final de 2002 no que respeita à avaliação intercalar e até final de 2004 no que se refere à sua actualização. em colaboração com a Comissão Europeia. Esta avaliação deverá estar concluída. A Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Ambiente procederá. sendo realizada por avaliadores independentes. regra geral. o mais tardar até 31 de Dezembro de 2003. bem como tirar ensinamentos para a política de coesão económica e social. Esta avaliação incide nos factores de êxito ou de insucesso da execução. Estes últimos. O Estado-Membro e a Comissão Europeia dotar-se-ão de meios adequados e reunirão todos os dados necessários para que as avaliações sejam efectuadas da forma mais eficaz. A Autoridade de Gestão facultará todos os elementos necessários à realização das avaliações intercalar e ex-post. será efectuada. bem como pronunciar-se sobre os resultados dos referidos estudos. No prolongamento da avaliação intercalar. Por iniciativa do Estado-Membro ou da Comissão Europeia.2006 efectuados pelos avaliadores independentes. bem como nas realizações e nos resultados. devem respeitar a confidencialidade no tratamento dos dados a que tenham acesso. A avaliação ex-post é da responsabilidade da Comissão Europeia.

do Regulamento 1260/99). em regime de adiantamento ou de reembolso. Nenhuma dedução. A Autoridade de Pagamento efectuará transferências directas. último parágrafo. completados se necessário. Os resultados de avaliação serão postos à disposição do público. mediante pedido – salvaguardado o necessário acordo prévio da Comissão de Acompanhamento no caso da avaliação intercalar. e que corresponderão a cada uma das Autoridades de Pagamento de cada um dos Fundos Estruturais. A gestão dos programas assegurará que os beneficiários finais receberão os montantes da participação dos Fundos a que têm direito no mais curto prazo possível. as Autoridades de Pagamento deverão remeter anualmente as previsões de pedidos de pagamento a efectuar no ano em curso e no ano seguinte. entendidos na acepção do descrito na alínea l) do Artigo 9 do Regulamento (CE) n° 1260/99 do Conselho.2006 acompanhamento pode fornecer. para os correspondentes Beneficiários Finais. 32º do Regulamento CE nº 1260/99. no caso do FEDER à Direcção Geral do Desenvolvimento 82 . pela recolha de informação destinada a melhorar a sua pertinência. As Autoridades de Pagamento devem certificar que as declarações de despesas são exactas e assegurar-se de que provêm de sistemas de contabilidade baseados em documentos de prova passíveis de verificação. As Autoridades de Pagamento incumbem às entidades responsáveis pela gestão nacional dos fundos comunitários. após a confirmação dos comprovativos de despesa associados a cada pedido de pagamento. nº1. criadas pelo Estado-Membro junto da Direcção Geral do Tesouro. retenção ou encargo ulterior específico que tenha por efeito reduzir estes montantes pode ser efectuada (artigo 32º. O Gestor do Programa Operacional autorizará a transferência dos montantes. É assegurada a transmissão atempada às Autoridades de Pagamento do FEDER das informações necessárias para o estabelecimento e actualização das previsões dos montantes dos pedidos de pagamento relativas a cada exercício orçamental. 5 Circuitos Financeiros As contribuições comunitárias serão creditadas pelos serviços da Comissão Europeia directamente em contas bancárias específicas. Compete à Autoridade de Pagamento assegurar que os beneficiários finais receberão integralmente os montantes de contribuição dos Fundos Estruturais a que tenham direito. Em conformidade com o art. para o Gestor do Programa Operacional do Ambiente.Programa Operacional do Ambiente 2000 . ou para entidades por ele designadas. de 21 de Junho. no Programa Operacional ou no Complemento de Programação.

e de acordo com o que ficou estabelecido no documento do QCA III. nomeadamente. A Autoridade de Gestão deverá. que institui a estrutura do QCA III. devendo esta. financeiro e contabilístico dos projectos apoiados. a Autoridade de Gestão é responsável pela regularidade das operações cofinanciadas e pela aplicação do sistema de controlo interno compatível com a boa gestão financeira. ou às recomendações de adaptação formuladas ao abrigo do n° 2 do artigo 34° do citado Regulamento. encontra-se instituído um sistema nacional de controlo por órgãos que exercerão os controlos a três níveis: • O controlo de primeiro nível tem a natureza de controlo interno constituindo.Programa Operacional do Ambiente 2000 . O controlo de segundo nível deverá ser exercido directamente pelos respectivos interlocutores nacionais dos Fundos Comunitários ou por organismos de controlo expressamente designados para o efeito. a fim de ter acesso às informações consideradas necessárias ao esclarecimento dos factos objecto de controlo. ( Rua de S. 1149-030 Lisboa). ainda. solicitar o apoio do organismo nacional responsável pelo Fundo em causa. Abrange a análise e avaliação do sistema de controlo de primeiro nível e. quer nos locais de realização do investimento e das acções. portanto. quer junto das entidades que detém os originais do processo técnico e documentos comprovativos de despesa. O controlo de segundo nível dirige-se ao controlo externo sobre a gestão.2006 Regional – DGDR. o controlo sobre as decisões tomadas pelos órgãos de gestão e o controlo sobre os beneficiários finais. em estreita articulação com os departamentos competentes para o controlo no âmbito dos diversos Ministérios. O controlo de primeiro nível será exercido pela Autoridade de Gestão. financeira e contabilística. primeiro parágrafo do artigo 38°. sempre que respeite a áreas 83 • . bem como pela análise e resposta às observações e pedidos de medidas correctivas apresentados pela Comissão Europeia ao abrigo do n° 4. Por forma a controlar a execução do Programa Operacional do Ambiente e. bem como o controlo cruzado junto de outras entidades envolvidas. 6 Controlo Financeiro De acordo com o artigo 34° do Regulamento (CE) 1260/1999 do Conselho 21 Junho de 1999. uma competência das autoridades de gestão. Compreende a fiscalização dos projectos nas suas componentes material. publicado no dia 7 de Abril. sempre que tal se mostre necessário para testar a eficácia deste. sempre que as situações se revestirem de maior complexidade. Estas competências deverão ser desempenhadas directamente. podendo ser subcontratadas empresas de auditoria ou outras. verificar se as acções financiadas foram empreendidas de forma correcta. nº 63. prevenir e combater as irregularidades e recuperar os fundos perdidos na sequência de abuso ou negligência. assegurar a separação da função de gestão da de controlo. tal como está explicitado no decreto-lei 54 A/2000. Julião. com capacidade de realizar as tarefas relativas ao controlo físico.

no termo do prazo fixado pela Comissão e na falta de acordo ou de correcções efectuadas pelo Estado-Membro. A Comissão Europeia informará o EstadoMembro das medidas a tomar e respectiva fundamentação. Após verificação cabal. cuja responsabilidade incumbirá à Inspecção Geral de Finanças. As observações e eventuais medidas correctoras serão transmitidas à Autoridade de Gestão. a fim de maximizar o seu efeito útil. na sua qualidade de responsável pela boa execução do orçamento geral das Comunidades Europeias. nos termos regulamentares aplicáveis. nos termos regulamentares aplicáveis. poderá haver recurso a subcontratação de auditorias externas de natureza e com objectivos específicos. antes do exame previsto no nº 2 do artigo 34º do citado Regulamento. certificar-se-á da existência e funcionamento fiável dos sistemas de gestão e controlo do Estado-Membro.2006 específicas de actuação destes. será concretizado através da articulação e coordenação das actividades desenvolvidas neste âmbito pelos diversos serviços e organismos que intervêm no sistema de controlo dos fundos estruturais. correspondente à coordenação global do sistema de controlo. efectuam um exame anual do funcionamento do sistema de controlo. Em conformidade com o disposto no n° 3 do artigo 39 do Regulamento (CE) n° 1260/1999. nos termos do n° 2 do artigo 38° do Regulamento (CE) 1260/1999. metodologias e aplicação dos controlos. A Comissão Europeia. No âmbito do controlo das acções financiadas pelos Fundos Comunitários.Programa Operacional do Ambiente 2000 . a Comissão Europeia pode decidir suspender a totalidade ou parte de um pagamento intermédio se verificar nas despesas em questão uma irregularidade grave que não tenha sido corrigida e para a qual se justifique uma acção imediata nos termos do disposto no nº 5 do artigo 38º do Regulamento (CE) nº 1260/1999. • Controlo de alto nível. A concretização da parceria referida no parágrafo anterior articula-se com a cooperação entre os serviços competentes da Comissão Europeia e o organismo nacional responsável pela coordenação global do sistema de controlo financeiro. no prazo de três meses e tendo em conta as eventuais observações 84 . pela avaliação dos sistemas de gestão e controlo do primeiro e segundo níveis e pela interacção com as instituições comunitárias de controlo. no caso de irregularidades graves. e 6 do artigo 38º do mesmo Regulamento. nessas acções de controlo podem participar funcionários ou agentes da Comissão Europeia. nos termos do disposto no nº 2 do artigo 38º do Regulamento (CE) nº 1260/1999. a comunicação das irregularidades detectadas pelo sistema de controlo aos serviços competentes da Comissão Europeia. de acordo com o disposto nos números 4. no que respeita aos programas. a Comissão Europeia pode decidir. à qual se poderá seguir o procedimento previsto no artigo 39º do mesmo Regulamento se se verificarem os respectivos pressupostos. em parceria com a Autoridade de Gestão do Quadro Comunitário de Apoio e o organismo responsável pela coordenação global do sistema de controlo financeiro. Os serviços competentes da Comissão Europeia. 5. designadamente. Os serviços competentes da Comissão Europeia podem igualmente solicitar ao EstadoMembro que efectue controlos pontuais para verificar a regularidade de uma ou mais operações.

resultou a identificação das suas principais necessidades de investimento. em conformidade com o disposto no n° 6 do artigo 38º do Regulamento (CE) 1260/1999. parcial ou totalmente. coordenados pela DGA e comparticipados pela DG REGIO: • • • LNEC . proceder às correcções financeiras necessárias suprimindo.Instituto de Promoção Ambiental IPE – Águas de Portugal EGF – Empresa Geral de Fomento Da consulta às referidas entidades.Instituto dos Resíduos IPAMB . Universidade de Aveiro .2006 do Estado-Membro.Programa Operacional do Ambiente 2000 . a participação dos fundos estruturais na intervenção em causa.elaboração de três estudos na área do saneamento básico: águas de abastecimento. 7 Parceria Na preparação do POA foram consultadas as seguintes entidades: • • • • • • • Câmaras Municipais Direcções Regionais do Ambiente ICN . As Autoridades de Gestão devem conservar durante um período de três anos subsequentes ao pagamento pela Comissão Europeia do saldo relativo a cada Programa Operacional. A forma de contabilização dos juros deverá permitir um controlo suficiente por parte das autoridades nacionais e das instituições comunitárias.apuramento das necessidades de investimento no que respeita à qualidade do ar. resíduos sólidos urbanos e águas residuais urbanas.estado de Conservação da Natureza. 85 . A utilização dos juros deve ser compatível com os objectivos das intervenções estruturais e deve ser submetida aos mecanismos de controlo específicos dos fundos públicos em Portugal. por forma a dar resposta à legislação comunitária. Os juros gerados pelas contas bancárias através das quais são efectuados os pagamentos dos Fundos Estruturais devem ser orçamentados como receitas. Por forma a proceder à validação técnica e científica desta informação. todos os elementos comprovativos relativos às respectivas despesas e controlos.Instituto de Conservação da Natureza INR . foram encomendados os seguintes estudos. empresa privada .

O Estado. a fornecer à Comissão Europeia no momento da apresentação do Complemento de Programação as informações sobre as medidas tomadas para evitar a deterioração dos Sítios Natura 2000 afectados pela intervenção. incluindo a colaboração com as autoridades responsáveis na determinação dos critérios de elegibilidade e de selecção de projectos.Pagador Compatibilidade com a política de Ambiente As acções co-financiadas pelos Fundos Estruturais devem ser coerentes com os princípios e objectivos do desenvolvimento sustentável e da protecção e melhoria do ambiente referidos no Tratado e concretizados no programa comunitário de política e acção em matéria de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. na definição de indicadores ambientais e de sustentabilidade. contribuindo nomeadamente: na definição dos objectivos e metas ambientais e de sustentabilidade para todos os eixos prioritários de desenvolvimento do Programa. referido na resolução do Conselho de 1992. na definição da estratégia. bem como representantes na área da defesa do Ambiente designados pelo Comité Económico e Social. 8 A Protecção do Ambiente e o Princípio do Poluidor. Compromete-se igualmente. As Autoridades Ambientais estarão também representadas nas Unidades de Gestão dos Programas Operacionais com incidência directa em matéria de Ambiente ou com incidência estruturante em ordenamento do território. Papel das Autoridades Públicas Ambientais As autoridades ambientais são associadas à execução dos Programas Operacionais . do programa e das medidas específicas no domínio do ambiente.2006 No que se refere à execução e acompanhamento.Programa Operacional do Ambiente 2000 .Membro dará a garantia formal que não deixará deteriorar os sítios a proteger a título da Rede Natura 2000 aquando da realização das intervenções cofinanciadas pelos Fundos Estruturais. As autoridades públicas ambientais participarão ainda na definição das normas e dos procedimentos de execução para os eixos prioritários. estando nos restantes casos representadas na Comissão de Acompanhamento. 86 . As acções co-financiadas pelos Fundos Estruturais devem respeitar igualmente a legislação comunitária em matéria de ambiente. a Comissão de Acompanhamento do QCA III integrará um representante do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.

No que respeita à aplicação do princípio do “poluidor-pagador. Participam activamente no Grupo Temático “ambiente” a criar no âmbito da Comissão de Acompanhamento do QCA.2006 As autoridades públicas ambientais estarão representadas no grupo técnico de avaliação do QCA. 9 Adjudicação de Contratos Públicos No que respeita à adjudicação de contratos públicos: • as acções ou medidas co-financiadas pelos Fundos Estruturais são executadas no respeito pelas normas comunitárias e nacionais em matéria de adjudicação de contratos públicos. 4. os Complementos de Programação especificarão que serão cumpridas as disposições comunitárias aplicáveis para os sectores abrangidos. 2. Participam na Unidade de Gestão. sendo igualmente chamadas a emitir o seu parecer sobre os projectos de investimento no âmbito do processo de avaliação de impacte ambiental. e informarão a Comissão Europeia das medidas tomadas para a aplicação progressiva daquele princípio antes da avaliação intercalar. • 87 . Serão responsáveis pela aplicação da política e legislação comunitária e nacional em vigor no domínio do ambiente. estas autoridades serão associadas a quatro níveis: 1. Durante a execução das acções previstas neste programa. Participam nas Comissão de Acompanhamento. Aplicação do princípio do Poluidor-Pagador As Autoridades Portuguesas tomarão as medidas apropriadas para ter em conta a aplicação do princípio do poluidor-pagador durante o período de programação. os avisos enviados para publicação no jornal oficial das Comunidades Europeias apresentarão as referências dos projectos em relação aos quais tenha sido solicitada ou decidida a concessão de uma contribuição comunitária. 3.Programa Operacional do Ambiente 2000 .

2006 • relativamente aos projectos incluídos nos Programas Operacionais cujo valor global seja superior aos limites fixados nas Directivas “Contratos Públicos” de fornecimentos (77/62/CEE). 89/440/CEE) ou de serviços (92/50/CEE). com as seguintes funções: • • • • Definir uma metodologia para especificar e quantificar os critérios relativos aos indicadores de eficácia e propor indicadores pertinentes. 10 Indicadores da Reserva de Eficiência A atribuição da Reserva de Eficiência será efectuada com base em critérios de eficácia. Assegurar-se da inclusão dos indicadores correspondentes a estes critérios nos Relatórios Anuais de Execução e proceder. em critérios de gestão e em critérios de execução financeira. será efectuada nos Complementos de Programação em estreita concertação com a Comissão Europeia – concretizada através de um Grupo de Trabalho conjunto. Os critérios e indicadores de gestão e de execução financeira comuns a todos os Programas Operacionais e que de acordo com o Quadro Comunitário de Apoio devem constar dos Programas Operacionais. Propôr indicadores adicionais de gestão e. o relatório da comissão de análise de propostas que suportam a decisão de adjudicação. Assegurar a validação final dos resultados da quantificação. comum a todos os programas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . de obras (71/305/CEE. será mantido à disposição da Comissão de Acompanhamento. assim. a selecção dos indicadores de acompanhamento para um conjunto de medidas a determinar e os objectivos de realização em 2003 e 2006. à análise dos progressos obtidos. As conclusões do Grupo de Trabalho conjunto relativas à metodologia de especificação e quantificação dos critérios relativos aos indicadores de eficácia serão disponibilizadas até 25 de Julho 2000. de execução financeira. são os seguintes: 88 . Assegurar a coerência entre estes critérios nos diferentes programas. A especificação dos critérios de eficácia.

(em relação ao custo total dos projectos aprovados no ano) Qualidade dos Critérios de Selecção Percentagem dos compromissos respeitantes a projectos seleccionados em função de critérios de selecção objectivos e claramente identificados. • • Qualidade do Sistema de Controlo • Montagem de um sistema de controlo financeiro. 100% a partir do ano 2000. de Trabalho 4 (Critérios MEANS): 100% Critérios comuns de execução financeira Absorção dos Fundos Estruturais Percentagem das despesas relativas aos Fundos Estruturais apresentadas e declaradas admissíveis anualmente à Comissão relativamente ao Plano Financeiro do Programa Operacional. Relatórios de avaliação intercalar de qualidade adequado. Critérios específicos de execução financeira 89 .2001: 100% até ao final de 2000.01.10.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Percentagem das despesas dos Fundos Estruturais cobertas por auditorias financeiras e de gestão relativamente ao total da correspondente intervenção dos Fundos Estruturais.2003 um nível de pedidos de pagamentos de montante igual a 100% do montante inscrito no plano financeiro para 2000 e 2001 e 50% (em média) do montante inscrito para 2002 e 2003. • • igual ou superior a 5% a partir do final de 2000. Atingir a 31. • Informação financeira o mais tardar 3 meses após a aprovação do PO: 100% Informação física a partir de 01. de acordo com as modalidades previstas no QCA e no Programa Operacional.2006 Critérios Critérios comuns de gestão Qualidade do Sistema de Acompanhamento • Indicadores Objectivos Percentagem em valor das Medidas para as quais se encontram dados completos disponíveis sobre a respectiva execução financeira e física. Qualidade do Sistema de Avaliação De acordo com as normas de qualidade predefinidas no Doc.

públicos-alvo. panfletos. desdobráveis. até à electrónica. visando: • garantir a transparência. financeiros e estatísticos fiáveis 90 . a implementação das acções de Informação e Publicidade no âmbito do Programa Operacional. pelos parceiros sociais. a todos os meios disponíveis . para atingir esse objectivo. No âmbito da gestão de cada programa será designado um responsável em matéria de Informação e Publicidade. com a produção de CDs e páginas na Internet.desde a informação pública até à informação restrita para utilização pelos organismos ou serviços da Administração. informando o público-alvo (parceiros sociais. dotação orçamental prevista. sensibilizando a opinião pública para o papel dos Fundos Estruturais no apoio ao desenvolvimento regional e coesão económica e social em Portugal. obedece a um "Plano de Comunicação" definindo os objectivos. agentes económicos e potenciais beneficiários finais) sobre os Fundos Estruturais e correspondentes modalidades de aplicação. organismo responsável pela sua execução e critérios de avaliação para as acções desenvolvidas.2006 Efeito de alavanca Valor dos investimentos realizados em relação aos recursos públicos mobilizados. estratégia. etc. • Recorrer-se-á.Programa Operacional do Ambiente 2000 . etc. de 21 de Junho de 1999. designadamente em articulação com o sistema de informação. aumentar a visibilidade da acção comunitária. Aespecificar Programas/Medidas 11 Informação e Publicidade A informação respeitante ao conteúdo e execução do Programa Operacional será acessível a todos os potenciais interessados .desde a escrita. a autoridade de gestão é responsável pela criação e funcionamento de um dispositivo de recolha e tratamento de dados físicos. video-filmes.. beneficiários finais e instituições comunitárias. Este plano deverá ser transmitido à Comissão Europeia no complemento de programação. 12 Sistema de Informação De acordo com o artigo 34º do Regulamento (CE) nº 1260/99 do Conselho. Em cumprimento do regulamento (CE) nº 1159/2000 de 30/05/2000. utilizando a divulgação de "Newsletters".

avaliação e controlo. d) Disponibilizar informação do Programa em formato electrónico a todos os potenciais interessados. que permite o acesso à informação para gestão. ao acompanhamento e à avaliação do Programa. e) Adoptar predominantemente a “Internet” como veículo de comunicação. O sistema de informação específico ao Programa. no sentido de assegurar a eficiência do sistema. permite nomeadamente: a) Garantir a actualidade e consolidação de toda a informação do Programa Operacional do Ambiente e dos Fundos que o co-financiam. g) Integrar módulos de apoio à decisão.Programa Operacional do Ambiente 2000 . A compatibilidade e a transferência de dados entre o sistema nacional e os sistemas próprios de cada Fundo serão asseguradas independentemente das suas características próprias. sendo aqueles recursos sujeitos a acções de formação inicial e periódicas de actualização de conhecimentos. Este sistema de informação será dotado dos recursos humanos necessários à estabilidade e funcionamento do mesmo. à avaliação e ao controlo. o acompanhamento e a avaliação. 91 . O nível que integra e trata a informação necessária ao processo de tomada de decisão. O sistema de informação electrónico do Programa Operacional do Ambiente integrará o do Quadro Comunitário de Apoio e comportará os dados relativos aos Fundos Estruturais. f) Fornecer a informação actualizada de apoio à gestão. e. c) Criar registos históricos. permitirá dar resposta ao mínimo comum definido nas orientações da Comissão (lista indicativa referida no artigo 36º do Regulamento 1260/99) e disponibilizará informação para a avaliação prevista nos artigos 42º e 43º. ao acompanhamento. bem como a homogeneidade dos instrumentos ao dispor da unidade de gestão.2006 sobre a execução do Programa Operacional do Ambiente. visando apoiar a gestão. tendo em consideração as suas características próprias. Este sistema de informação integra dois níveis de acesso: • • um. acompanhamento. O sistema permitirá a troca de dados informatizados com a Comissão Europeia segundo o modelo a adoptar para o QCA e restantes programas operacionais. b) Quantificar os indicadores considerados relevantes. e providencia de forma casuística a informação previamente definida. de informação para divulgação. outro.

e com as organizações representativas dos agentes económicos e sociais. por outro lado. 13 Orientações Gerais para as Intervenções Desconcentradas Através da aplicação do Princípio da Subsidiariedade e tendo em vista a crescente complexidade das formas institucionais da administração territorial do Estado.A informação respeitante ao Programa será acessível a todos os potenciais interessados. quer no QCA. onde surgia como elemento essencial duma estratégia de desenvolvimento sustentável.Programa Operacional do Ambiente 2000 . a Internet. são quatro os domínios prioritários de intervenção em matéria de igualdade de oportunidades. de uma clara coordenação entre os diversos serviços e departamentos da administração pública e de uma forte articulação das intervenções da administração central com os municípios. 92 . por um lado. 14 Igualdade de Oportunidades A promoção da igualdade de oportunidades entre as mulheres e os homens corresponde a uma preocupação comunitária e nacional que assumiu expressão. quer no PDR. A informação a disponibilizar será definida e tratada por perfis de utilização de acordo com interesses dos diferentes públicos-alvo. Aumento da acessibilidade das mulheres ao mercado de emprego.2006 A alimentação do sistema será feita ao nível do projecto. • • • • Melhoria do quadro de vida no sentido de responder mais eficazmente às necessidades das mulheres. onde o princípio da igualdade era expressamente referido como elemento integrador das diferentes intervenções operacionais. Promoção da participação das mulheres na criação de actividades económicas. Melhoria da situação das mulheres no emprego. com o objectivo de assegurar a maior universalização dos públicos-alvo usando. O calendário das diferentes etapas de implementação do sistema de informação será discriminado no Complemento de Programação. designadamente. sendo facultada a informação aos interessados sem grandes exigências de requisitos tecnológicos. Assim. pretendese garantir a obtenção de ganhos de eficiência resultantes de uma maior aproximação entre os diferentes níveis de decisão política e administrativa e a sociedade civil. de acordo com as orientações assumidas pela Comissão Europeia na sequência dos princípios incluídos na Agenda 2000.

ganha particular relevo. enquanto que as primeiras devem. por forma a permitir acompanhar a contribuição positiva ou negativa dos diferentes programas comunitários para a melhoria da situação em matéria de igualdade de oportunidades. Por outro lado. As medidas que se incluem no âmbito desta segunda dimensão traduzem-se. correspondentes a dimensões estratégicas separadas que. contudo. Pode consequentemente acontecer que não seja possível. o QCA definia como objectivo global a melhoria do quadro de vida da mulher através do reforço da sua participação na vida económica e designadamente por intermédio de acções dirigidas à conciliação entre a vida profissional e a vida familiar e da promoção do acesso da mulher ao mercado de trabalho e a melhoria da sua situação profissional. controlo e avaliação dos projectos adquire uma importância especial. em conjunto. a necessidade de prever mecanismos e procedimentos que assegurem a consideração da dimensão da igualdade de oportunidades nas fases de selecção. devem ser indicadas não só as medidas específicas que visem promover a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens. Nestes casos. Naturalmente. prever em todos eles medidas específicas em favor da igualdade entre os sexos. em acções positivas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . designadamente. na fase de selecção. em sede própria de acompanhamento e avaliação. Ao mesmo tempo. Sempre que possível esses efeitos devem ser referidos de modo a permitir. contribuirá para a 93 . nem sequer aconselhável. devendo tais procedimentos contribuir. a segunda as acções que visam a atenuação das desigualdades. as correcções necessárias (no caso de se constatarem resultados negativos) e a eventual divulgação de boas práticas (no caso contrário). a identificação dos projectos de acordo com os seus efeitos esperados quanto à igualdade de oportunidades (efeitos positivos. acompanhamento. a definição de recursos financeiros afectos à promoção da igualdade e acções de formação e sensibilização dirigidas à administração pública e ao público em geral. para eliminar as barreiras ao acesso aos programas operacionais resultantes de qualquer tipo de discriminação sexual. entre os quais se destacava a integração das associações femininas na parceria e a sua participação no processo de decisão. normalmente. geralmente. assumir um carácter transversal aos vários domínios da acção política. como ainda a forma como esta dimensão horizontal da acção comunitária é tida em conta na execução dos diferentes eixos prioritários e medidas. os programas operacionais do QCA assentam a sua estratégia de intervenção na definição de objectivos centrais específicos de intervenção. o QCA definia um conjunto de medidas dirigido a facilitar o acesso das mulheres aos fundos estruturais. neste âmbito. conduzem à igualdade de oportunidades: a primeira abrange as intervenções destinadas a promover a equidade. O Grupo de Trabalho Temático sobre Igualdade de Oportunidades. de carácter regional ou sectorial. é possível identificar dois tipos de acções. Estes elementos relativos aos diversos projectos serão retomados no sistema de informação global do QCA e nos sistemas de informação específicos de cada Fundo Estrutural. em cada Programa Operacional do QCA. Nesta perspectiva.2006 Para cada um destes domínios. Pelo seu lado. neutros ou negativos). que desenvolve as suas actividades junto da Comissão de Acompanhamento do QCA III.

Os critérios de selecção a estabelecer no Complemento de Programação do Programa Operacional do Ambiente devem ter em conta: • a) A necessidade de assegurar a coerência entre as acções referidas no Programa Operacional do Ambiente e as retomadas nos Programas Operacionais Regionais. de forma adequada aos seus objectivos específicos e às particularidades das acções prosseguidas.Programa Operacional do Ambiente 2000 . • 94 . nomeadamente no que se refere aos indicadores e critérios de selecção. 15 Critérios de Selecção • Os projectos mencionados no presente Programa são indicados a título de exemplo. desenvolvendo nomeadamente indicadores de impacto e resultado que possam ser aplicados em cada intervenção operacional. O seu financiamento efectivo está condicionado aos resultados da instrução e ao respeito das disposições regulamentares e dos critérios específicos definidos no Complemento de Programação. b) As indicações estabelecidas no Quadro de Referência do Fundo de Coesão.2006 definição duma estratégia precisa neste domínio. O Complemento de Programação terá em conta as recomendações do relatório da Avaliação ex-ante. aplicável ao conjunto do Quadro. • Os critérios de selecção terão em consideração os princípios e objectivos do desenvolvimento sustentável decorrentes da política e legislação nacional e comunitária em matéria de ambiente.

A elaboração dos quadros financeiros partiu de uma taxa média de co-financiamento do FEDER de 75% das despesas públicas elegíveis. 95 . O investimento público previsto é de 456 milhões de Euros ao qual está associado um financiamento comunitário de 332 milhões de Euros e um financiamento privado de 12 milhões de Euros. Apresentam-se de seguida quatro quadros financeiros que identificam por eixos prioritários. por recursos públicos nacionais provenientes do Orçamento de Estado e por recursos privados.2006 TÍTULO VI: QUADROS DE PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA A estratégia definida no presente Programa e os instrumentos que a corporizam são financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).Programa Operacional do Ambiente 2000 . por anos e por regiões os recursos que financiarão a execução do Programa entre 2000 e 2006. por fontes.

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 96 .

2006 97 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 98 .

2006 99 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

2006 100 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 ANEXO 1 : AVALIAÇÃO EX-ANTE 101 .

2 and 3. correspondente à última versão do Programa Operacional do Ambiente. integrado no Plano de Desenvolvimento Regional 2000-2006. actualizada. Constitui a versão final. no Working Paper 2 – The Ex-Ante Evaluation of 20002006 Interventions.2006 Introdução Este relatório apresenta a análise e os resultados da avaliação ex-ante do Programa Operacional do Ambiente. preparado pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. e datado de Abril de 2000. Processos de Implementação e Monitorização 102 .Programa Operacional do Ambiente 2000 . bem assim como as recomendações da Comissão Europeia/DG XVI sobre esta matéria contidas. Objectives 1. A sua estrutura. O relatório organiza-se nos seguintes cinco capítulos: Capítulo 1 Análise dos Resultados das Avaliações Anteriores Capítulo 2 Análise do Contexto de Intervenção Capítulo 3 Avaliação da Concepção e Consistência da Estratégia Proposta Capítulo 4 Avaliação Quantificada dos Objectivos Capítulo 5 Políticas e Impactos Esperados. nomeadamente. conteúdo e aproximação metodológica teve como base os termos de referência preparados pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território para esta avaliação.

2006 Capítulo 1 . em boa medida. 103 .Programa Operacional do Ambiente 2000 . quando pertinentes e aplicáveis decorridos estes anos. continuidade e articulação com o novo PO Ambiente. como nos casos anteriores. Estes efeitos constituem. No ponto seguinte abordar-se-ão os aspectos organizativos e de funcionamento recorrendo. pelo que as anteriores recomendações. Finalmente é feita referência. embora de modo não explícito nesta avaliação. Começaremos por sintetizar os efeitos do anterior Programa já que haverá que assegurar. Seguidamente será feita referência aos aspectos internos da concepção do anterior Programa Ambiente (PA). A aplicação do Fundo de Coesão em projectos de infraestruturas ambientais foi também tida em consideração. Para este efeito tomamos como documento de referência a Avaliação Intercalar do Programa Ambiente – Relatório Final de Fevereiro de 1997. o ponto de partida para o PO Ambiente 2000-2006. aos efeitos atingidos e às recomendações então produzidas. aos quadros síntese apresentados na avaliação intercalar. coerência e oportunidade. deverão ser tidas em consideração na análise deste novo Programa Operacional. em jeito de síntese.Análise dos Resultados das Avaliações Anteriores 1 Introdução Este capítulo tem como objectivo apresentar uma síntese dos principais resultados de avaliações anteriores. entre outros objectivos. uma vez que estaria para além do seu âmbito. tendo em atenção os critérios de pertinência.

No quadro que se segue sumarizam-se os resultados esperados da aplicação do Programa Ambiente tendo como base as seguintes dimensões analíticas: • • • • • • • qualidade ambiental preservação e valorização do património natural impacte ambiental da actividade produtiva monitorização do estado do ambiente informação ambiental participação dos cidadãos na defesa e valorização do ambiente desenvolvimento regional Tal como veremos no capítulo seguinte. então. 104 . cujos objectivos eram: • • • • • melhorar a gestão nacional dos recursos hídricos. mobilizar o interesse da sociedade pela conservação do ambiente. Note-se que o quadro apresentado apenas pode retratar os primeiros anos de aplicação do programa. mesmo tendo em atenção o crónico atraso face aos nossos parceiros da UE. O Programa Ambiente integrava-se. conservar e valorizar o património natural. terá que ser. pese embora a sua dimensão financeira ter sido relativamente modesta (cerca de 70 milhões de contos. em algumas medidas. De facto. em que se retrata de modo necessariamente sucinto o nível de desenvolvimento dos principais domínios de intervenção das políticas de ambiente à data de 1999. No entanto. a contribuição do PA foi muito significativa para a actual situação de partida. ou seja aproximadamente 350 milhões de Euros). forçosamente. o avanço alcançado ao longo da segunda metade dos anos 90 em significativas frentes. reduzir o impacte da actividade produtiva. considerado como muito positivo. nomeadamente o saneamento ambiental.2006 2 Síntese dos resultados esperados do PA 1994-1999 O Programa Ambiente (1994-99) surgiu no II QCA com o propósito de contribuir para a prossecução dos objectivos do Eixo Prioritário 3: “Reforçar a qualidade de vida e a coesão social”. melhorar as condições e a qualidade de vida nas grandes aglomerações urbanas. na Intervenção Operacional: Ambiente e Revitalização Urbana.Programa Operacional do Ambiente 2000 . os compromissos então estabelecidos já se aproximavam da totalidade das disponibilidades financeiras.

acréscimo de 2% da população com sistemas de tratamento Resíduos: .100 km de linhas de água valorizadas . .acréscimo significativo no conhecimento e prevenção de fenómenos de erosão .grande contributo para a criação de estruturas de acolhimento.29 ha de zonas verdes criadas .6 lixeiras seladas/recuperadas.50 a 70% das zonas de risco cobertas .615 ha de área urbana intervencionada .2006 Dimensões analíticas Qualidade ambiental Elementos estratégicos Grau de cobertura do território e da população em serviços básicos valorizadores da qualidade ambiental Qualificação do ambiente urbano Preservação e valorização do património natural Valorização do domínio hídrico Protecção da faixa costeira Intervenção em áreas protegidas e sensíveis Avaliação Abastecimento: .Programa Operacional do Ambiente 2000 . interpretação e apoio à conservação: 1 por cada 3 000ha .pouca relevância do ordenamento fluvial e regularização de caudais .7% da população com melhoria do serviço (Alentejo e Algarve) Águas residuais domésticas: .ECTRI* * Este projecto apesar de aparecer listado na Medida 1 tem uma componente industrial muito importante 105 .fraca intervenção na requalificação dos biótopos Impacte ambiental da actividade produtiva Utilização de tecnologias pouco poluentes Cumprimento de normativos sectoriais de descarga e emissão de efluentes líquidos e gasosos Tratamento e armazenamento de resíduos sólidos industriais Articulação de projectos privados com sistemas colectivos . .acréscimo de 7% de concelhos com sistemas de tratamento e valorização de resíduos sólidos urbanos.

4 nas áreas mais povoadas do litoral.maior concentração da acção 1.criação de um serviço de apoio à participação do público (IPAMB) .apoio ao sistema de monitorização da qualidade do ar. . .3 apresentando uma larga dispersão territorial dificilmente constituirão componentes de processos integrados de desenvolvimento local.Programa Operacional do Ambiente 2000 .sistema de informação do património e do direito do ambiente. as iniciativas incluídas na acção 1.edifício de apoio .87 projectos de concepção/recuperação de 18 núcleos de informação/formação ambiental.os projectos incluídos na acção 1.1 tendo uma incidência espacial pré-determinada permitem mais facilmente promover um processo de desenvolvimento local.438 campanhas de sensibilização/educação ambiental.rede de monitorização da qualidade do ar na cidade do Porto .33% do território com rede de controlo de parâmetros ambientais. . 106 . . .4 nas regiões mais desfavorecidas do Norte e Centro em termos de infraestruturas básicas. Pelo contrário.maior incidência da acção 1.os projectos de monitorização ambiental assumem essencialmente uma lógica nacional que dificulta a percepção dos problemas locais e regionais.2006 Dimensões analíticas Monitorização do Estado do Ambiente Elementos estratégicos Qualidade e operacionalidade do sistema de controlo e monitorização da qualidade do ambiente Informação ambiental Intensidade. . . . diversidade e qualidade da informação ambiental à população estudantil Ambiente e defesa do consumidor Participação dos cidadãos na defesa e valorização do ambiente Desenvolvimento regional Capacidade interventiva e de realização da sociedade civil organizada Correcção das assimetrias em matéria de condições básicas de vida A questão da valorização do potencial endógeno Avaliação .

No que respeita à sua concepção geral foram considerados os seguintes critérios: • • • pertinência coerência oportunidade.contexto de lançamento relação metas .2006 3 Da concepção do PA 1994-1999 à sua organização e funcionamento A avaliação intercalar do PA incidiu. sobre a coerência interna e externa do programa.dotação financeira do Programa relação modelo organizativo .critérios 107 .objectivos relação objectivos .contexto de lançamento relação objectivos . Nas páginas seguintes permitimo-nos reproduzir os quadros então elaborados tendo como entradas verticais estes três critérios e como entradas horizontais as seguintes subdimensões analíticas: • • • • • relação objectivos . entre outros aspectos.Programa Operacional do Ambiente 2000 .

o POA reflecte as prioridades da política nacional de ambiente de então. 108 . A ausência do FSE no POA pode questionar-se dadas as necessidades evidenciadas à partida em matéria de formação de novas competências. 10. 4. A melhoria da qualidade da monitorização ambiental não aparece reflectida nos objectivos do Programa. O POA assenta inicialmente numa perspectiva muito pessimista quanto à capacidade de resposta da sociedade civil para intervir nos aspectos de informação e formação ambiental. particularmente no que respeita à prioridade da melhoria da gestão nacional dos recursos hídricos. 6. 3. A decisão de fazer participar activamente as entidades pertencentes à orgânica institucional do MARN nas diferentes medidas do POA como promotores de projectos é coerente com o modo como foi preparado e com as prioridade assumidas. Coerência 2. na medida em que consagra uma lógica eminentemente de política industrial para gerir essas verbas. sendo indiscutível que. A estrutura inicial do POA constitui um quadro coerente entre objectivos globais e específicos e as diferentes medidas e acções nele contempladas. Representando o POA uma parcela relativamente reduzida dos fundos FEDER-ambiente. A inexistência inicial de mecanismos de articulação entre o POA e os PO’s regionais na área do ambiente. O protocolo de colaboração entre o MIE e o MARN àcerca da gestão conjunta das verbas FEDER-Ambiente no âmbito do PEDIP 2 careceu de oportunidade do ponto de vista de fazer atravessar a política industrial pelas prioridades da política ambiental. Os objectivos do POA podem ser considerados como pertinentes face ao estado do ambiente em Portugal no início da década de 90. sobretudo com o Fundo de Coesão. a estrutura inicial de gestão do Programa fica aquém das necessidades internas de integração. 5. 8. Oportunidade 9. 7. Praticamente todos os objectivos operacionais do POA se traduzem em acções.2006 Síntese dos elementos de avaliação do Programa Ambiente na perspectiva da concepção Sub-dimensões analíticas da concepção Relação objectivoscontexto de lançamento Pertinência 1.Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Coerência Níveis de exigência e de rigor adicionais seriam necessários em matéria de formulação de metas dada a forte presença de promotores públicos pertencenntes à orgânica institucional do MARN na concepção e execução de algumas acções. Manifesta precaridade das metas para os domínios da monitorização da qualidade ambiental. embora com duas limitações: a medida um ocupa uma quota de financiamento demasiado alta face à capacidade de intervenção da política ambiental e a medida três fica aquém das necessidades sentidas nesta matéria.Programa Operacional do Ambiente 2000 . sobretudo numa lógica de não articulação inicial com o Fundo de Coesão e com os POs regionais. 109 . reflectindo uma ausência de experiência de planeamento nesta matéria. A opção na medida 2 pela atribuição de financiamentos a fundo perdido aos projectos empresariais não parece oportuna face à tendência para fazer diminuir a importância relativa desse tipo de comparticipações no quadro do PEDIP 2. Distribuição dos meios financeiros disponíveis pelas diferentes medidas do POA globalmente equilibrada face aos objectivos.2006 Sub-dimensões analíticas da concepção Relação metascontexto de lançamento Pertinência Carácter muito incipiente dos indicadores fisicos contemplados como metas do Programa. Oportunidade Relação objectivosdotação financeira do Programa Dotação financeira do Programa insuficiente face aos objectivos vastos do Programa. facto que nem sequer foi compensado por uma maior visibilidade do POA junto das empresas.

Dificuldades notórias do POA ser utilizado como instrumento de política ambiental através de medidas de discriminação positiva. Dificuldades de exercício da função acompanhamento técnico de projectos.2006 Sub-dimensões analíticas da concepção Relação modelo organizativoobjectivos Pertinência O modelo organizativo adoptado revela-se globalmente pertinente. dada a composição inicial da estrutura de apoio técnico. sobretudo se os mecanismos de articulação existentes entre o Gestor do Programa e a equipa ministerial globalmente responsável pelas orientações de política ambiental forem melhoradas. 110 . Coerência O modelo organizativo considerado não acolhe adequadamente as implicações do protocolo celebrado entre o então MIE e o MARN em matéria de gestão e acompanhamento da medida do POA em colaboração com o PEDIP 2. Dificuldades do modelo organizativo responder às necessidades de articulação dos objectivos gerais do Programa com a sua tradução regional. Relação objectivoscritérios Relação globalmente pertinente embora vendo reduzir a sua operacionalidade num quadro de aumento dos níveis de compromisso e de procura do PO não susceptível de ser respondida. Oportunidade A opção pelo modelo de gestão assumido insere-se numa política mais geral seguida no QCA II de consagrar a figura de gestores públicos para as intervenções operacionais. O modelo organizativo inicial não assegurava uma articulação eficaz entre o POA e a concretização do Fundo de Coesão e os PO’s Regionais. dada a não selectividade dos critérios em utilização.Programa Operacional do Ambiente 2000 . dada a debilidade de meios orçamentais e logísticos das Direcções Regionais.

Note-se que. Ausência de visibilidade no que respeita à participação do POA na medida 2 gerida pelo PEDIP. 3. em função da abertura proporcionada pela actual equipa de gestão. designadamente Municípios e Associações de municípios constitui um indicador de que a divulgação do Programa tem sido efectiva. algumas das quais com intervenção directa na concepção do Programa 2. A procura que o Programa revela por parte de entidades não pertencentes à orgânica do MARN. Espaço de divulgação ainda por aproveitar no que respeita à participação de organizações da sociedade civil na medida 3. Síntese dos elementos de avaliação do Programa Ambiente na perspectiva da Gestão Dimensões analíticas Divulgação Organização. 5. os critérios da eficácia e da qualidade do desempenho tendo em conta as diferentes fases de evolução do Programa e as mudanças de gestão que se vieram a verificar.Programa Operacional do Ambiente 2000 . A equipa de avaliação invocou. tendo em conta o desconhecimento revelado pelos promotores empresariais face a esta matéria. Necessidades de divulgação inicial minoradas dada a forte participação como promotores de entidades públicas do MARN. Necessidades adicionais de divulgação minoradas dado o alto nível de compromisso já assumido.2006 Do ponto de vista da organização e funcionamento do programa a avaliação intercalar produziu as sínteses que passamos a reproduzir nas páginas seguintes. funcionamento e eficácia 1. o actual PO Ambiente em muito poderá beneficiar da riqueza da experiência anterior que envolveu os serviços competentes do então Ministério do Ambiente e que terão transitado para o actual Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. 111 . 4. a este respeito. fundamentalmente.

10. 7.2006 Organização Tramitação de candidaturas 6.Programa Operacional do Ambiente 2000 . 8. eventualmente reforçados com a vontade política de uma melhor articulação do programa com o Fundo de Coesão e com o espaço das Intervenções Operacionais Regionais. 9. Especificidade introduzida pelo protocolo de colaboração entre o Ministério da Indústria e Energia e o Ministério do Ambiente e Recursos Naturais. dadas as dificuldades de meios logísticos e orçamentais das Delegações Regionais. Modelo de gestão dependente de orientações superiores em matéria de política ambiental segundo duas vias diferenciadas: dependência directa face ao MARN e através das prioridades que os promotores públicos pertencentes à orgânica do MARN consagram através dos projectos apresentados para homologação. Progressos significativos esperados após o reforço da equipa de gestão mediante participação de técnicos do MARN responsáveis pelo acompanhamento da medida 2 junto do PEDIP e do Fundo de Coesão. Estrutura técnica de apoio inicialmente desprovida de valências em matéria ambiental. Dificuldades de extensão/cooperação da estrutura de gestão com a estrutura regional do MARN. Reconhecimento generalizado de que o processo de tramitação é simples. 11. operacional e facilmente compreendido pelos promotores de projectos. 112 . 12. Dificuldades de informação a prestar aos promotores de projectos ao longo do processo de tramitação. o que dificultou as funções de interlocução junto dos promotores de projectos e a função de acompanhamento técnico de projectos. segundo o qual uma parcela do FEDERAmbiente (medida 2) é gerida segundo uma lógica de política industrial pelo PEDIP (IAPMEI).

a qual será tendencialmente substituída por um processo de internalização a concretizar através de reforço de meios logísticos e financeiros das Direcções Regionais de Ambiente e Recursos Naturais. Programa inicialmente marcado pela presença relevante de entidades públicas pertencentes à orgânica institucional do MARN. Dificuldades de compatibilizar a gestão dos níveis elevados de compromisso já assumidos com a orientação mais recente do programa de promover a abertura à sociedade civil (medida 3) e aos municípios em particular. Controlo de projectos essencialmente documental.2006 Dimensões analíticas Acompanhamento. Níveis elevados de compromisso já assumidos que tornam a Gestão do programa fortemente dependente de critérios de selecção suficientemente operacionais para gerir o excesso de procura e de orientações superiores em matéria de prioridades de política ambiental. Margem de manobra significativa em matéria de assistência técnica ao programa para melhorar as condições de acompanhamento técnico de projectos. funcionamento e eficácia 13. 23. 113 . pelas mesmas razões anteriormente invocadas. Incapacidade do sistema em proporcionar informação relevante para uma avaliação de impactes ou efeitos esperados dos projectos e do programa em geral. Incapacidade de fazer reverter a favor do Programa a capacidade técnica existente nos promotores públicos de projectos inseridos na orgânica institucional do MARN. Sistema de informação 17. 20. 16. reservando aqueles para projectos sensíveis ou de grande magnitude. 15. Inexistência de qualquer informação organizada sobre as características do protocolo oportunamente referido entre o MIE (agora Economia) e o MARN. 19. controlo e regulação de projectos e do Programa Organização. 18. Aspectos gerais 21. 14. Inexistência de acompanhamento técnico dos projectos cujos promotores não são entidades pertencentes à orgânica institucional do MARN. 22.Programa Operacional do Ambiente 2000 . dada a composição da estrutura técnica de apoio. Opção inicial por uma política de externalização da função auditoria de projectos. dadas as dificuldades ainda sentidas de concepção de um sistema de indicadores físicos. Eficaz do ponto de vista dos objectivos de regulação e controlo da programação financeira do Programa.

E não devemos esquecer que o PA 1994-1999 dispunha apenas de cerca de 70 milhões de contos (350 milhões de Euros) na sua globalidade. mas antes a apresentação de um conjunto de ensinamentos ou recomendações que possam vir a ser pertinentes para a aplicação e condução do PO Ambiente 2000-2006. e tendo como base unicamente a avaliação intercalar aqui referida. por sua vez.população atendida com recolha e tratamento de resíduos urbanos – 98%. nesta matéria. a estrutura do programa revelou-se genericamente adequada. No entanto também não foi este o objectivo único deste capítulo. . neste domínio. o Governo de então estabeleceu. pelos Programas Regionais e pela inciativa comunitária ENVIREG. A estrutura do programa traduzia uma lógica interna coerente.carga poluente industrial convenientemente tratada – 80%. metas demasiado ambiciosas para o periodo 1994-1999. não será possível deduzir. unicamente. Em 1993. á data de arranque do programa. Recorde-se que o Programa Ambiente. Por melhor que os recursos pudessem ter sido aplicados ficariam muito aquém das necessidades de investimento que tais metas necessariamente comportariam. à condução do programa.população com colecta e tratamento de águas residuais – 90% . as metas alcançadas ficaram muito aquém das enunciadas sem que se possam atribuir responsabilidades. . em combinação com outros investimentos de âmbito nacional e regional. evidenciando uma eficaz articulação entre objectivos operacionais e objectivos específicos de cada uma das acções previstas. correspondiam às principais disfunções ambientais e carências infraestruturais sentidas em Portugal. do I QCA 1989-1993.2006 4 Efeitos do PA e pertinência das recomendações então produzidas Na ausência de uma avaliação ex-post do PA 1994-1999. deveria concorrer para atingir até 1999 os seguintes objectivos: .Programa Operacional do Ambiente 2000 . Pelo contrário. o estabelecimento de objectivos e metas realistas é absolutamente fundamental nestes programas. Em primeiro lugar.população com sistemas de abastecimento de água – 95% . com rigor. o contributo isolado deste programa para melhorar os resultados anteriormente obtidos. em análise. adaptada à concretização dos grandes objectivos que.território classificado como área protegida – 8% Veremos no próximo capítulo que na maioria destes aspectos. Estas conclusões apontam para a pertinência de soluções de 114 .

com especial destaque para as áreas protegidas e a orla costeira”. Esta questão era vista como o resultado simultâneo de vários factores. no entanto. sem que muitos dos destinatários finais se apercebessem de onde provinham os fundos. por esta via. Intervenções Operacionais Regionais e Programas de Iniciativa Comunitária – concluiu que o PA permitiu estabelecer pontos de contacto e complementaridades relevantes e oportunas. modelam políticas de desenvolvimento e influenciam outros domínios do Ambiente”. Um outro aspecto considerado crítico na avaliação intercalar do PA foi a alegada falta de visibilidade do programa. colmatando défices de organismos da administração central ligados ao Ministério do Ambiente. via PEDIP. “a melhoria da gestão nacional dos recursos hídricos que. dar particular atenção e continuidade a estes aspectos. e facto dos fundos do PA se misturarem com outras fontes de receita. apoio do PA.2006 continuidade.Programa Operacional do Ambiente 2000 . como veremos no capítulo terceiro. suprir as dificuldades de execução de projectos já iniciados 115 • . mas também de evolução e inovação entre a gama dos objectivos anteriormente considerados e a nova grelha ou tipologia de objectivos / apostas contempladas pelo novo PO Ambiente. assim. Não será certamente por acaso que estes três objectivos foram retomados no PO Ambiente 2000-2006. A avaliação intercalar levantou. a tramitação encontrada para os projectos industriais que recebiam. A formulação do PO Ambiente 2000-2006 deverá. No capítulo terceiro deste relatório retomaremos esta discussão. entre os quais: • • a reduzida dimensão financeira do programa face ao Fundo de Coesão e aos IOs Regionais. em virtude do seu carácter estruturante. “a mobilização do interesse da sociedade pela conservação do ambiente. dúvidas quanto à capacidade do PA concretizar cabalmente os seguintes três objectivos estratégicos: “a conservação e valorização do património natural. dotando simultaneamente o País de melhores meios de monitorização da qualidade do ambiente nas suas múltiplas facetas”. A avaliação respeitante à coerência externa com outras fontes de financiamento na área do Ambiente – Fundo de Coesão. de articulação. permitindo.

Outras críticas foram ainda tecidas respeitantes à concepção dos regulamentos e sua aplicação. não só tirando partido das disponibilidades presentes na Medida 4 do programa que permitirão a elaboração de estudos especializados e a contratação de consultorias específicas. tramitação e acompanhamento dos projectos contemplados pelo programa.E. dimensão. apesar das dotações relativamente modestas face à dimensão dos grandes problemas nacionais na área do ambiente.U. nesta fase de pré-arranque. acompanha-mento no terreno e auditoria das realizações do Programa. a maioria das quais dirigidas para os processos de selecção. Note-se que a reduzida dimensão financeira do programa favorecia este tipo de intervenção complementar. no que respeita à sua natureza. não se afiguram pertinentes para a natureza desta avaliação ex-ante em que.” 116 . controlo. localização e complementaridade técnica e funcional. abastecimento de água e tratamento e deposição de resíduos sólidos urbanos.” “Fomentar uma maior intervenção da sociedade civil e em particular das ONGs em projectos de formação e informação ambiental (Medida 3). quer a nível da elevação qualitativa e quantitativa dos níveis de serviço das infraestruturas ambientais de saneamento. mais do que tudo. ler-se no relatório da avaliação intercalar: “Pese embora estas críticas. e dos Programas Integrados nas Áreas Protegidas.” “Melhorar a articulação entre os diversos apoios financeiros (em particular PA – FC e PA – IOs Regionais) a projectos de cariz ambiental.2006 ou previstos. Pode.” Do conjunto das recomendações então apresentadas. nomeadamente quanto aos critérios de selecção dos projectos. as realizações do PA tiveram. no entanto.” “Reforçar os meios financeiros do PA no sentido de permitir uma maior aproximação do nível de realizações aos objectivos fixados no II QCA.Programa Operacional do Ambiente 2000 . do programa P. sobre as grandes questões da concepção geral do programa. efeitos de correcção sensíveis.S. como envolvendo mais directamente as estruturas regionais do MA na apreciação técnica de candidaturas. os seus objectivos e os meios financeiros propostos. no entanto. e às prioridades do actual governo com a apresentação do Programa das ETARs. quer a nível das áreas intervencionadas da faixa costeira. importa reflectir.R. Estas críticas. linhas de água e áreas protegidas. permitimo-nos seleccionar as seguintes: “Reforçar os mecanismos de apoio técnico à estrutura de gestão do PA.

117 .2006 “Promover a apresentação de projectos no domínio do ambiente urbano que vão para além da mera infraestruturação dos espaços urbanizados no sentido de uma verdadeira qualificação do quadro de vida dos cidadãos. retomaremos o seu teor aquando da análise da concepção geral e estrutura proposta para o novo PO Ambiente.” Sendo certo que algumas destas recomendações mantêm a sua pertinência.Programa Operacional do Ambiente 2000 .

1998) estimados para o ano de 1999. e as variações médias anuais nos periodos 1990-1995 e 1995-1999.2. Anual 90-95 1.0 1.3 Algarve 91 82 82 2. efectivamente alcançados.3 Continente 90 84 77 1. Esta contextualização irá permitir evidenciar um conjunto de lacunas e potencialidades.Análise do Contexto de Intervenção 1 Introdução De acordo com as orientações metodológicas e as recomendações da Comissão Europeia / DG XVI.2 1. a definição de objectivos e de prioridades de intervenção. tendo como base uma estratégia. Abastecimento de Água (%.0 1. média anual Norte Centro LVTejo Alentejo Algarve Continente 118 . referenciadas anteriormente (ver introdução ao relatório).1.0 3.2 0. Drenagem de Águas Residuais (%. tendo em conta a conclusão das obras até ao final do ano de 1999. %/ano) Ano /Var. Os valores.4 Quadro 2.2006 Capítulo 2 . méd.Programa Operacional do Ambiente 2000 . média anual 1999 1995 1990 Norte 78 70 65 2. por forma a situar e contextualizar o arranque do PO Ambiente.5 Alentejo 94 89 83 1.5 Var. às quais o PO deverá responder. e a situação actual do país com base em dados publicados pelo Ministério do Ambiente (MA. Quadro 2. %/ano) Ano /Var.0 Centro 95 84 68 2. indicam os níveis de atendimento globais para as diversas regiões do Continente. Anual 9599 Var. este capítulo deverá proporcionar uma leitura da evolução das variáveis caracterizadoras dos grandes domínios contituintes do ambiente e recursos naturais em Portugal. 2 Níveis de infraestruturação ambiental básica Os quadros seguintes sintetizam a evolução ao longo da década de 90.8 LVTejo 99 97 92 0. méd. em percentagem.

0 75 63 55 3. média anual 1999 1994 1990 Var.3.6 2.4 As duas últimas linhas de cada quadro representam comparativamente o esforço de investimento efectuado na primeira e na segunda metade da década de 90.4.5 LVTejo 100 66 17. isto é que envolvam a incineração.Programa Operacional do Ambiente 2000 .5 Algarve 92 60 37 6.6 2.2 3. no entanto crê-se que fossem muito próximos de zero (MA. 1998). Anual 94-99 Var.5 84 68 76 4. Anual 90-94 Norte 61 12 11 9.6 1.3 Centro 61 30 18 6. entre as regiões melhor e pior servidas no que respeita a estas infraestruturas básicas ambientais. méd.0 Centro 96 15 40.4 2. méd.6 2.8 Quadro 2. Anual 90-97 6. %/ano) Ano /Var.8 71 52 39 4. Neste caso optamos por incluir.1 9.5 Algarve 100 20 40.2006 1999 1995 1990 Var. Anual 9799 Var. média anual 1999 1997 1990 Norte 92 46 23.8 0. Incluem-se neste relatório a título meramente indicativo. Anual 90-95 59 44 36 3.0 Continente 94 24 35.0 1.6 1. méd.9 3. a deposição em aterro ou a compostagem. Deste modo. considerados valores de referência para o PERSU (Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos).. Não existem valores disponíveis para o início da década tendo em conta este critério. Tratamento de Águas Residuais Urbanas (%.0 Var. %/ano) Ano /Var.8 Continente 70 32 21 7. No caso do quadro 2. os valores apresentados para as variações médias anuais no periodo 1990-1997 deverão ser considerados com fortes reservas. méd.8 89 86 79 0.4 5.4 5. a par dos dados actuais. Anual 9599 Var.0 2.6 6.3 Alentejo 81 58 32 4.0 Alentejo 51 14 18. os dados de 1997. méd.8 85 83 69 0. méd. Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (%.0 LVTejo 79 47 26 6.4. a variável tratamento de resíduos sólidos urbanos reporta-se apenas a tratamentos considerados adequados. Representam ainda o esforço de convergência.6 Quadro 2. no plano nacional.4 2. 119 .8 1.

como referimos anteriormente. tal como no periodo anterior. do que para os sistemas de abastecimento de água que. A região do Alentejo contrasta pela negativa com uma elevada carência de tratamento dos seus RSUs. valor aliás idêntico ao registado na região Norte. a cobertura é total.5 milhões de portugueses entraram no ano 2000 sem poder beneficiar de um sistema público de drenagem de águas residuais. Na região Centro. o Norte apresenta as maiores carências nestes domínios. pelo contrário. No plano interno. os valores globais para o Continente revelam que ainda cerca de 2. os valores globais para o Continente. poder-se-á desde logo concluir que o esforço de melhoria dos níveis de atendimento das infraestruturas em análise tem sido tendencialmente proporcional à magnitude das necessidades detectadas. ou os ainda 41% sem sistemas de colecta de efluentes domésticos. em valores unitários per capita. Por regiões. sobre valores efectivos de níveis de atendimento. não deixando. muito diferentes de infraestrutura para infraestrutura. levado a cabo nos últimos anos. quer nos níveis de atendimento regionais. Cerca de apenas 51% da população se encontrava servida por adequadas infraestruturas no final de 1999. tanto mais que ao nível do tratamento de resíduos sólidos urbanos.4. aliás como na região do Algarve.1. No entanto detectam-se ainda fortes carências e assimetrias. quer no balanço comparativo das infraestruturas analisadas.2006 Começando por considerar. regista-se o baixo nível de tratamento de águas residuais. Note-se que este tipo de raciocínio. com uma população carenciada da ordem de 39%. no entanto de ser significativo. a 2. este esforço revela-se. Os dados patentes nestes quadros. se se considerar o efectivo tratamento dos efluentes domésticos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Na região de Lisboa e Vale do Tejo este valor desce para 31%. nos quadros 2. 120 . globalmente proporcional ao nível de carências para cada uma das infraestruturas analisadas. representam um assinalável esforço de convergência.. aquele esforço tem sido muito maior para o tratamento dos resíduos sólidos urbanos onde. Se compararmos as evoluções registadas nas duas metades da década de 90 é notória a aceleração imprimida na segunda metade (94/95-99) num esforço de aproximação aos padrões médios europeus. Com efeito. tem vantagem sobre a mera consideração dos esforços financeiros efectuados. Assim. sendo de destacar a elevada percentagem da sua população (cerca de 22%) sem abastecimento de água ao domicílio. no extremo oposto. se parte quase do zero em 1990. já que estes são. apresentavam já em 1990 uma taxa de cobertura de 77% (em termos médios europeus esta era ainda uma taxa muito modesta). aumentando aquele valor para cerca de 3 milhões.

0% em 1997. as carências de infraestruturação ambiental acima apontadas irão implicar investimentos unitariamente mais elevados. em MA.Programa Operacional do Ambiente 2000 . No entanto. No que respeita aos resíduos sólidos urbanos. gestão.2006 Se às carências quantitativas. que temos vindo a referir. para não atingirmos situações verdadeiramente indesejáveis como parecem poder despontar de capacidades instaladas não totalmente potenciadas por carências dos sistemas a montante ou a jusante. com regiões como o Algarve e a Região de Lisboa e Vale do Tejo a atingirem o pleno da satisfação das necessidades identificadas. como já salientamos anteriormente. Com efeito. e muito particularmente nas regiões Norte e Centro. sendo certo que será possível. com realismo. em percentagem do seu consumo. Excepção a mencionar será o significativo aumento da reciclagem do vidro que. Face ao padrão de povoamento disperso em boa parte do território nacional. passou de 26. O desafio da garantia da qualidade do funcionamento dos sistemas deverá intensificar-se através de uma particular atenção prestada às actividades de exploração. em que os números oficiais (contidos. controlo e monitorização. a evolução registada no país nos últimos três anos foi considerável. ambicionar-se. as maiores nucleações urbanas. associarmos as carências qualitativas dos sistemas em operação. tendencialmente localizadas sobre a faixa litoral. Será assim de prever a adopção de soluções tecnicamente menos comuns ou mesmo inovadoras para atender à escala reduzida de muitos dos sistemas que ainda falta construir. numa lógica de custo/benefício. então fácil será concluir que os próximos sete anos terão ainda de mobilizar significativos investimentos. A aparente discrepância entre os valores dos níveis de atendimento na região Norte dos sistemas de drenagem de efluentes domésticos e do respectivo tratamento poderá ser disso indício. 1999. no termo do periodo considerado. já que as anteriores prioridades de dotação das infraestruturas privilegiaram. este valor é bastante baixo por padrões médios europeus. terá que se intensificar. A articulação com os investimentos de âmbito estritamente municipal. alcançar a plena satisfação das necessidades básicas da população em infraestruturação ambiental. Ainda assim. 121 . a propósito da reciclagem do papel e do cartão) são ainda muito modestos por padrões europeus. com uma produção média anual a crescer ao ritmo de 3% ao ano. torna-se cada vez mais importante dar a devida atenção ao desafio do aumento significativo dos actuais níveis de reciclagem e valorização.8% em 1990 para os 44. os últimos dados para esta região apontam para uma capacidade instalada de tratamento de efluentes urbanos de 61% já superior à capacidade de recolha dos mesmos efluentes que se cifrava em 59%. nomeadamente.

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3 Resíduos

Na categoria genérica de resíduos, incluem-se para além dos resíduos sólidos urbanos tratados no ponto anterior, os resíduos hospitalares e os resíduos industriais, sejam estes banais ou perigosos. Os resíduos hospitalares compreendem, como se sabe, não apenas os resíduos gerados em unidades hospitalares ou similares, como clínicas ou centros de saúde, mas também os gerados em consultórios, laboratórios, ou unidades de tratamento de animais.

Particular atenção deverá ser dada aos sistemas de recolha, transporte e tratamento final dos resíduos hospitalares do tipo III e IV, classificados de acordo com a legislação nacional como resíduos perigosos e específicos, respectivamente. Conjuntamente a sua produção anual já ultrapassa pelo largo as 4000 toneladas/ano em regiões como a Norte e a de Lisboa e Vale do Tejo, ou mesmo as 2000 toneladas/ano na Região Centro.

A produção anual de resíduos industriais perigosos estimava-se em cerca de 125 mil toneladas, a justificarem tratamentos diversos, nomeadamente aterro, incineração, ou tratamento fisico-químico. Quanto aos resíduos não perigosos os últimos dados disponíveis apontavam para que a sua produção já ultrapassasse os 16 milhões de toneladas/ano. Os níveis de reciclagem e valorização são ainda comparativamente baixos, mas tem-se vindo a incrementar em anos mais recentes. Excepção a mencionar será o espectacular aumento, aparentemente regular e sustentado, dos óleos usados recolhidos que, em percentagem do seu consumo, passaram de uns meros 2.6% em 1990 para os 48.3% em 1997 (MA, 1999).

4 Recursos Hídricos
De acordo com um trabalho já realizado há alguns anos (MARN, 1993) mas que a este respeito se encontra actualizado dado que os recursos hídricos de um dado território não se alteram significativamente dentro de uma escala geracional, Portugal apresentava disponibilidades em água superiores em cerca de três vezes a média dos restantes países da União Europeia.
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Os caudais provenientes de Espanha, via rios Tejo, Douro e Guadiana, representavam mais de metade (cerca de 55%) das disponiblidades hídricas de superfície. No entanto, as águas subterrâneas, que não chegam a 7.5% das disponibilidades totais, ainda há uma década atrás, início dos anos 90, eram responsáveis por 80% do consumo total. Este valor terá tendência para descer com a entrada em funcionamento, a breve trecho dos sistemas multimunicipais de abastecimento de água em alta às zonas mais populosas e industrializadas do território nacional. Actualmente já se deverá aproximar dos 60%.

Com as perspectivas de a curto prazo se resolverem definitivamente as grandes carências de abastecimento de água e drenagem e tratamento dos efluentes domésticos, importará, no domínio dos recursos hídricos, orientar esforços para a valorização e recuperação ambiental dos aquíferos, águas superficiais, em particular a rede hidrográfica principal, zonas estuarinas e a faixa costeira.

O potencial de água disponível varia muito entre as cinco regiões administrativas do Continente. Tendo como base o trabalho da DGRN (1992), cerca de 40.5% das disponibilidades correspondem à Região Norte, 25% cabem à Região Centro, semelhante valor, 24%, regista-se para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, enquanto o Alentejo se fica pelos 7% e o Algarve pelos 3,5%. Globalmente o balanço entre disponibilidades e consumos é, naturalmente, favorável, com um saldo positivo de 9 mil milhões de metros cúbicos (diferença entre 16 mil milhões de m3 de fornecimento e 7 mil milhões de m3 de consumos).

No entanto é a variabilidade territorial e sazonal que está na origem de grande parte dos problemas que neste domínio ainda se fazem sentir em Portugal. Por exemplo, regista-se uma elevada carência no Alentejo com um balanço hídrico anual negativo de 58%.

O aumento das capacidades de armazenagem, possível com a construção de aproveitamentos hidráulicos, é fundamental para reequilibrar estes balanços. Em simultâneo, permitirá reduzir a pressão sobre os aquíferos subterrâneos. As situações pontuais de défice dos aquíferos situam-se tendencialmente no litoral e tem provocado alguns fenómenos localizados de salinização.

Sendo difícil a avaliação global da qualidade da rede hidrográfica nacional a partir dos postos de medição da qualidade das águas superficiais existentes, tomaremos os resultados apresentados em MA (1999) respeitantes a 16 estações de amostragem significativas distribuídas pelo país. Cerca de 38% das estações indicavam águas muito
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poluídas (classe D), enquanto 43% se situavam na classe C (poluído, águas de aceitável qualidade) e 19% águas fracamente poluídas (classe B).

Os problemas graves de poluição hídrica tendem a circunscrever-se em torno das grandes concentrações industriais e urbanas, sendo que a progressiva dotação de infraestruturas de tratamento e as transformações do tecido produtivo industrial terão tendência para, em conjunto, diminuirem as pressões sobre os recursos hídricos superficiais. Estimativas apontavam (ver Relatório Final da Avaliação Intercalar da IO Ambiente de 1997) para cerca de 25% do comprimento da rede hidrográfica principal ser classificada como mediana a muito poluída. No total da água armazenada em albufeiras, 40% está no estado oligotrófico e 20% no estado eutrófico. Em 40% das massas lênticas já se deu início ao processo de eutrofização.

Para além destes aspectos, ainda se verificam situações francamente anómalas como as detectadas a nível da qualidade das águas balneares interiores. Apenas em cerca de 25% dos casos analisados se verificou conformidade com os níveis estabelecidos na legislação (MA, 1999). Pelo contrário, a nível das águas balneares costeiras, a situação é, felizmente, inversa, com cerca de 90% dos locais analisados apresentando parâmetros de qualidade conformes com as exigências da legislação.

A entrada em funcionamento de sistemas de drenagem e tratamento de efluentes domésticos tem vindo a ser responsável por uma significativa melhoria da qualidade das águas costeiras, nomeadamente na Costa do Estoril (sistema multimunicipal SANEST) e ao longo da costa algarvia. Recentemente, entrou em funcionamento a primeira fase do sistema da Ria de Aveiro (SIMRIA) que, certamente, produzirá efeitos positivos na faixa costeira da Região Centro e, sobretudo, permitirá aliviar em grande medida a carga poluente descarregada directamente na Ria de Aveiro.

No futuro próximo, deveremos assistir no domínio dos recursos hídricos, como aliás em outros domínios do ambiente, ao fortalecimento das acções de planeamento, gestão, controlo e monitorização tendo em conta o esforço de preparação e implementação dos POOCs (Planos de Ordenamento da Orla Costeira) e dos PBH (Planos de Bacia Hidrográfica) que, contribuintes para o Plano Nacional da Água, cobrirão integralmente o país. Os Planos de Ordenamento da Orla Costeira, que entrarão em vigor a breve trecho, destinam-se a regulamentar o uso do solo numa faixa até 500 metros do limite da máxima preia mar, ao longo de toda a costa portuguesa.

Quanto aos Planos de Bacia Hidrográfica, a sua preparação tem sofrido alguns atrasos, em parte motivados pela complexidade, extensão e profundidade de tratamento dos diversos
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as emissões poluentes atmosféricas. Globalmente. para se passar á indispensável gestão integrada dos recursos hídricos nacionais. (MA. com uma temperatura média anual de 16. a resultante qualidade do ar em Portugal é francamente boa. No entanto. poderá traduzir-se a médio-longo prazo em significativos impactes negativos ao nível das disponibilidades hídricas e. Note-se que esta temperatura é superior nuns significativos 1. 5 Ar. A conjugação das alterações climáticas atrás referidas.Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 temas por eles abrangidos. como o CO2. e à excepção de alguns epísódios localizados de poluição urbana.58ºC à média verificada entre 19611990. situam-se per capita muito abaixo dos níveis médios europeus. nestes casos numa estreita faixa sobre a fronteira com a vizinha Espanha. tendo como base um sólido exercício de planeamento assente sobre a geografia das bacias hidrográficas. e naturalmente na própria agricultura. na capacidade assimilativa dos meios hídricos receptores naturais de efluentes. em todas as regiões do país. em particular à custa da diminuição da precipitação na Primavera e no mês de Março. No que respeita ao fenómeno da desertificação. A este facto não 125 . é possível concluir que desde 1972 se tem vindo a verificar uma clara tendência crescente dos valores da temperatura média anual à superfície. na produção de energia. no periodo 1931-1997. apontando desta vez para uma redução gradual da precipitação média anual. por esta via. No que respeita à precipitação os dados também são inequívocos.57ºC. a partir de 1964. mas com maior intensidade nas regiões da Beira Interior e do Alentejo. Clima e Ruído Tendo por base o último relatório disponível do Estado do Ambiente em Portugal. a cartografia da relação entre a precipitação anual e a evapotranspiração potencial de Penman aponta para uma incidência deste fenómeno nas regiões do Alentejo e Algarve e na região mais interior de Trás-osMontes e nas Beiras Alta e Baixa. apresentando-se o último ano em análise (1997) como o mais quente dos últimos 67 anos. todos estarão de acordo que será urgente dar por terminado este exercício. nomeadamente contribuintes para o efeito de estufa. 1999) em que é feita uma análise estatística das séries climatológicas longas da tenperatura média do ar em Portugal. Na generalidade.

não apontam. no curto/médio prazos. 1999). 126 . antes pelo contrário. rondando as 600 a 700 reclamações anuais. enquanto que relativamente ao CO. Dados sobre a incidência deste descritor ambiental apontam para cerca de 30% da população portuguesa sujeita a níveis de ruído de origem automóvel no periodo diurno iguais ou superiores a 55dB(A). 50% provêm da agricultura. conjugado com os padrões de desenvolvimento urbano prevalecentes. se tem verificado um ligeiro aumento das emissões de NOx e COVNM. de outras fontes móveis (20%) e da combustão (30%). correspondentes a cerca de metade dos valores médios europeus. Finalmente. Infelizmente o aumento generalizado de tráfego automóvel. A população portuguesa tem vindo a ser progressivamente alertada para os malefícios de exposições prolongadas a elevados níveis de ruído. 83% provêm de instalações de combustão (dos quais 60% para produção de energia) (MA. Quanto aos COVNM.Programa Operacional do Ambiente 2000 . 60% das emissões provêm dos transportes. MA (1999). no que se refere às emissões de SO2. para a diminuição daquela percentagem de população afectada. No que respeita ao CO2 verifica-se que 60% das emissões provêm de instalações de combustão. embora os dados mais recentes apontem para uma certa estabilização do volume anual de reclamações apresentadas. seja de forma voluntária ou involuntária. de entre os diversos parâmetros analisados.2006 serão estranhos os baixos consumos energéticos per capita. Dados publicados para o periodo de 1990 a 1995 permitem concluir que. O NOx resulta das emissões dos transportes rodoviários (45%). O ruído é dos sectores do ambiente em que se tem registado o maior número de reclamações.

vulneráveis. de forma quantificada poderão dar uma ideia global da importância de Portugal para a conservação da natureza num contexto europeu. Nos répteis e anfíbios. o país é rico e diversificado por comparação com outros países europeus. abordar de modo exaustivo os valores biológicos que o país possui optamos por sintetizar alguma da informação contida em textos de referência e que. quer porque são raras. incluindo 86 endemismos lusitanos. registamse 89 espécies ameaçadas para 211 não ameaçadas. Nos mamíferos. respectivamente. De cerca de 3 000 espécies de flora vascular. num capítulo como este. 1999). 40 em 90 espécies encontram-se de alguma forma ameaçadas. os valores para espécies ameaçadas e não ameaçadas são de 9 e 20.2006 6 Conservação da Natureza e Recursos Biológicos Não sendo praticável. Finalmente quanto às aves. 10% necessitam de medidas de protecção. Nos peixes temos 21 espécies ameaçadas em 39 identificadas (nas quais se registam 28 espécies autóctones). ou em perigo de extinção. e 2 e 15. Refira-se que das 300 espécies que ocorrem no Continente. 293 tem estatuto de protecção (ver MA.Programa Operacional do Ambiente 2000 . As chamadas Áreas Classificadas incluem todo um conjunto de espaços que se destacam pelo valor patrimonial natural. Nesta denominação geral temos: • • • • • • a Rede Nacional de Áreas Protegidas os Sítios da Lista Nacional da Directiva Habitats as Zonas de Protecção Especial da Directiva Aves as Reservas da Biosfera do Programa MAB da UNESCO as Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa as Zonas Húmidas da Convenção de Ramsar 127 . Quanto à fauna.

cobre uma superfície total de 665 milhares de hectares. ou seja 7. No entanto. Recorde-se que em 1997. 1999).8% do território nacional. a totalidade das áreas protegidas do Continente não ultrapassava os 511 milhares de hectares. foi criado o conceito de Reserva Marinha e estabelecidas as primeiras duas reservas marinhas: a Reserva Marinha da Reserva Natural das Berlengas e a Reserva Marinha do Parque Natural da Arrábida. 1998).2006 A Rede Nacional de Áreas Protegidas. Esta posição é tanto mais justificada quanto a Rede Natura 2000 se encontra em fase de implementação. a Rede Natura 2000 deverá desempenhar um papel complementar relativamente à rede nacional de áreas protegidas. ou seja. inclui: • • • • 1 Parque Nacional 11 Parques Naturais Reservas Naturais 5 Monumentos Naturais De acordo com o documento de apresentação da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (MA. correspondentes à primeira fase da lista nacional de sítios definidos em cumprimento da Directiva Habitats. foi de facto significativo. Nesta área habita uma população da ordem das 200 000 pessoas (MA. No seu conjunto. num território com uma forte tradição de povoamento. e os 31 sítios. Merece ainda destaque o conjunto das 18 ZPEs estabelecidas em cumprimento da Directiva Aves. então não ultrapassava 5. 128 . mais que aumentar ou discutir a percentagem de área com estatuto especial de protecção importa dotar as diversas figuras de protecção dos instrumentos e meios adequados à gestão da conservação da natureza. O alargamento da rede. 1999). existem ainda 10 Sítios Classificados que não foram reclassificados e 3 paisagens protegidas cuja gestão nunca chegou a transitar para as autarquias locais.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Atendendo às suas próprias características e funções.5% do território nacional (MA. ou seja 12. cobrindo uma área de cerca de 1 138 650ha. a Rede Nacional de Áreas Protegidas.8% do Continente. em anos recentes. Em 1998.

no que respeita à REN. Excusado será dizer que se trata de faixas particularmente atractivas do território nacional sobre as quais se exercem elevadas pressões de desenvolvimento. como sejam despejos de sucatas. praias. 129 . tem sido o modo diverso e frequentemente contraditório como os diversos municípios. acaba por conduzir ao abandono de extensas superfícies do território nacional. encontrando. e que se estima que para as várias regiões do país oscile entre os 40% e os 60% do território nacional. uma regulamentação restritiva tem fomentado o seu abandono. Em particular importa rapidamente harmonizar o regime jurídico da REN com o Domínio Público Hídrico (DPH). Como é sabido. Em simultâneo. lixos diversos. e apesar do seu carácter restritivo já referido. quase invariavelmente. que dificilmente poderá alguma vez servir de suporte a uma estratégia de conservação da natureza com um mínimo de eficácia e coerência.2006 Deste modo. O que está em causa. que acabam por ser exploradas habilmente por interesses organizados no seu uso ou ocupação. às vezes vizinhos. zonas declivosas. o carácter extraordinariamente restritivo do regime da REN. pela positiva. fruto das contraditórias disposições actuais. um papel e finalidade para os territórios que integram esta reserva. inclusivé para a conservação da natureza. Note-se que. tem interpretado o quadro legal actual e delimitado as suas áreas de reserva. sapais. dunas. etc. se verificar que se encontra uma manta de retalhos. não estará em causa o objectivo inicial de protecção dos cursos de água. com evidentes prejuízos para as economias locais e para o próprio ambiente. dado que estes conceitos sobrepôem-se geograficamente com frequência.Programa Operacional do Ambiente 2000 . À REN acabam por só ser atraídos usos indesejáveis. e continuam a utilizar instrumentos de gestão distintos. sem qualquer interesse. Por outro lado. A ausência de coordenação central e orientações técnicas emanadas do nível nacional é também preocupante e explicará em parte os resultados pouco animadores alcançados até à data. cabeceiras de linhas de água e áreas de máxima infiltração. Basta darmo-nos ao cuidado de reunir numa mesma carta umas tantas RENs de municípios adjacentes para. A este nível de intervenção assume igual importância a mobilização da Reserva Ecológica Nacional (REN). etc. o planeamento e gestão da conservação da natureza apresentam-se como os grandes desafios para os próximos anos. em vez de vermos reforçados os seus mecanismos de implementação. resíduos. dever-se-á dar novo alento à criação de áreas de protecção de âmbito regional e local em estreita articulação com os municípios e associações de municípios. de génese ilegal. Na prática. fundamentalmente. verificamos o seu progressivo enfraquecimento.

130 . como os Planos de Ordenamento da Orla Costeira. não apenas nas fases iniciais de preparação técnica. mas sobretudo nas fases mais burocratizadas de apreciação e aprovação. os mais ambiciosos Planos de Bacia Hidrográfica. em particular nos dois espaços metropolitanos do Continente.Programa Operacional do Ambiente 2000 . os Planos de Ordenamento de Albufeiras ou. Por outras palavras este esforço de planeamento estará ainda longe de estar concluído e. A este nível. o que estará em causa nos próximos anos será o desafio do planeamento e gestão das áreas classificadas. 7 Ambiente Urbano São muito escassos e dispersos os dados que nos permitam caracterizar o estado do ambiente urbano nas principais cidades e áreas metropolitanas do Continente. Por outro lado. ir-se-á projectar no periodo de vigência do QCA III. nem as concentrações de poluentes nas principais artérias das cidades. Para efeitos desta avaliação ex-ante é este o aspecto essencial no capítulo da conservação da natureza. que não nos permite responder quantitativamente ao desafio da caracterização daquelas variáveis. a nível do ruído e da poluição atmosférica. encontramos nas áreas urbanas.2006 Para além da óbvia necessidade de se requacionar o papel da REN. em simultâneo. o Programa Operacional do Ambiente poderá ter um papel essencial e insusbtituível. certamente. As redes de monitorização do ar existentes apresentam um conjunto de resultados dispersos. É verdade que em anos recentes se tem feito um esforço significativo no arranque de várias figuras de planeamento. Não é conhecido o número de residentes que suportam níveis de ruído acima dos valores recomendados. De um ponto de vista das principais disfunções ambientais. Nota-se contudo que os processos tem sido bastante morosos. nos meios e instrumentos de gestão por forma a dar efectivo corpo àquela estratégia no terreno. sobre uma malha muito alargada. não bastará preparar e fazer aprovar planos de ordenamento para dotar a estratégia de conservação da natureza de coerência e eficácia. os maiores problemas. Importará investir.

acabam por continuar a depender e deslocar-se diariamente para o centro onde continuam a encontrar os seus postos de trabalho. um novo alento à prossecução desta necessária aproximação entre ambiente e urbanismo. Importa garantir a sustentabilidade ambiental destes espaços. dos quais se destacam os Planos Directores Municipais. a julgar pelos crescentes volumes de tráfego. fenómeno que começa também a evidenciar-se em cidades de média dimensão. por investimentos em mobiliário urbano ou intervenções de mera qualificação estética e urbanística. É preocupante o modo como. levando aos actuais níveis de constante congestionamento do tráfego. não numa lógica parcelar de parques e jardins. em que se privilegiam os atravessamentos dos espaços urbanos por corredores verdes. 131 . Referimo-nos à acentuada perda de residentes nos centros de Lisboa e Porto. talvez. Mas as questões do ambiente urbano não se esgotam nos problemas de poluição atmosférica e do ruído. A promoção da qualidade do ambiente urbano não passa. como alguns parecem fazer crer. pondo em contacto directo a cidade com o espaço rural e natural envolvente. sendo compelidos para a periferia suburbana. A julgar pela generalizada pobreza do tratamento das questões ambientais nos documentos base de gestão dos espaços urbanos de que dispomos actualmente. o principal problema de poluição do ambiente urbano em Portugal. como os Planos de Urbanização e de Pormenor. A actual configuração do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território trás. nomeadamente promovendo o aparecimento ou a requalificação dos espaços verdes. as políticas de revitalização e reabilitação urbanas poderão constituir efectivas políticas de ambiente em espaço urbano. e que. mas numa lógica de funcionamento ecossistémico. importará avançar rapidamente para a preparação de Agendas Locais 21. se tem verificado uma redução constante e acentuada do volume total de passageiros nos transportes rodoviários e ferroviários nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto. para também abarcarem a conservação da natureza em espaço urbano. Entretanto este recurso crescente ao automóvel particular como meio de deslocação nas grandes cidades portuguesas. á partida. Neste sentido. em anos recentes. tanto mais que a recomposição funcional e territorial dos espaços metropolitanos tem levado à crescente necessidade de geração de mais e maiores percursos casa-trabalho. haverá certamente inúmeros pontos dos tecidos urbanos com níveis preocupantes de poluição. que promovam a valorização do capital natural em espaço urbano e cujas propostas e iniciativas possam ser vertidas em documentos de gestão urbanística com efectivas consequências no território.2006 No entanto. ou Estratégias Municipais de Sustentabilidade e Requalificação Ambiental. faz-se em detrimento dos sistemas de transportes públicos. especialmente do tráfego automóvel particular.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Este será.

os pontos considerados fortes e fracos. as características dos processos de desenvolvimento económico e social e as respostas da administração ambiental. tendo em atenção as especificidades do suporte biogeofísico nacional. bem assim como as respectivas potencialidades. 132 .2006 8 Síntese Os quadros que se seguem apresentam. através de medidas de política e dos instrumentos regulamentares que tem vindo a ser seguidos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . para os principais sectores ou domínios da política de ambiente.

Tecidos urbanos dos centros históricos .5.baixo consumo de solo urbano .Crescentes níveis de infraestruturas de abastecimento e saneamento .existência da REN e da RAN .2006 Quadro 2.Rede Natura 2000 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .Riqueza e diversidade .Dinâmica costeira .Reconversão do tecido industrial .Incidência relativa reduzida de resíduos perigosos .Sistema educativo em expansão .Disponibilidades globais .Baixos níveis de capitação .Baixos níveis globais de emissões .Infraestruturação em curso . diversidade. Resumo dos Pontos Fortes Identificados Descritor ambiental Recurso Ar e Clima Recursos Hídricos Pontos Fortes .Aumentos substâncias dos níveis de atendimento nos últimos anos .Rede consolidada de áreas protegidas .Fontes fixas pouco numerosas .Rede de cidades médias em processo de consolidação . endemismos .Presença forte de acções de educação ambiental (jovens) Ruído Recursos Biológicos Conservação da Natureza Solos Resíduos Infraestruturação Ambiente Urbano Educação e Sensibilização 133 .Riqueza.

Erosão dos solos .Deficiências na gestão e controlo .Dependência dos transportes rodoviários . Resumo dos Pontos Fracos Identificados Descritor ambiental Recurso Ar e Clima Pontos Fracos .Desenvolvimento urbano .Dispersão das fontes de poluição .Aumento dos níveis de motorização .Programa Operacional do Ambiente 2000 .Tráfego automóvel.Fraca sensibilização de agentes produtivos e de alguns sectores da administração Recursos Hídricos Ruído Recursos Biológicos Conservação da Natureza Solos Resíduos Infraestruturação Ambiente Urbano Educação e Sensibilização 134 .ausência de preocupações de sustentabilidade urbana .Existência de espécies ameaçadas -Estruturas e instrumentos de gestão em fase de desenvolvimento .Padrão por vezes demasiado disperso de povoamento e urbanização .níveis de ruído e poluição atmosférica nas AMs .Carências qualitativas nos sistemas .Ausência de sistemas de tratamento para determinadas categorias de resíduos .subdotação de estruturas verdes .Consumo crescente .Transportes nas áreas metropolitanas .Disparidades regionais . .Focos pontuais de contaminação (passivo ambiental) .Sistemas de controlo .6.2006 Quadro 2.Variabilidade espacial e temporal dos recursos hídricos .qualidade e funcionalidade deficiente das áreas suburbanas .Pressões sobre o Litoral .

Consolidação global dos valores ambientais Recursos Hídricos Ruído Recursos Biológicos Conservação da Natureza Solos Resíduos Infraestruturação Ambiente Urbano Educação e Sensibilização 135 .Oportunidades de valorização e reciclagem .Desenvolvimento de actividades económicas complementares .Aperfeiçoamento do sistema de ordenamento articulado com o ambiente .Abaixamento das pressões sobre os aquíferos e a rede hidrográfica .Desenvolvimento dos transportes públicos e dos transportes ferroviários .2006 Quadro 2.Níveis de sensibilização crescentes .6.Articulação entre níveis de intervenção e entre sistemas em alta e em baixa .Sociedade em transformação .Desenvolvimento de actividades económicas complementares .Melhoria da qualidade do ambiente e dos meios receptores .Aplicação de instrumentos de planeamento e gestão inovadores .Incremento do Gás Natural . Resumo das Potencialidades identificadas Descritor ambiental Recurso Ar e Clima Potencialidades .desenvolvimento de uma cultura urbana .Oportunidades de negócio (privados) na recolha e tratamento .emergência de uma segunda geração de instrumentos de planeamento urbano com conteúdo ambiental .Tendências de concentraçao urbana .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

entendidas num sentido lato. quer ainda orientadas para determinados ecossistemas fragilizados. quer para a rede de protecção de biótopos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . da integração horizontal ambiente-sectores. deverão. com programas no âmbito do ambiente urbano ou dirigidos aos sectores industriais. os domínios da qualificação ambiental. fundamentalmente. mas fundamentais. por forma a incluírmos nestas a habitação e o desenvolvimento urbano. quer ao nível do suporte biogeofísico. os principais exemplos. estas actividades de recreio e lazer tanto têm a possibilidade de se constituir como importantes parceiros de uma política de conservação da natureza activa e mobilizadora. se desarticuladas ou 136 . reflectirá.2006 A identificação dos pontos fortes e fracos nos diversos domínios/sectores do ambiente. O passivo ambiental herdado tem a ver. Entretanto. o padrão actual de conflitualidades ambientais. como a Rede Natura 2000. ou o recreio e o lazer. talvez. recolha e tratamento de efluentes domésticos e gestão dos resíduos sólidos urbanos. à conclusão de um ciclo de investimentos nas grandes infraestruturas públicas e/ou de utilização colectiva. em termos de importância e da correspondente mobilização de fundos. Nas questões ambientais deveremos assistir. nos próximos anos. para os sistemas de transportes e as actividades de consumo. Neste ciclo de desenvolvimento das políticas de ambiente também deverá ser feita uma primeira referência à estruturação territorial das políticas de conservação da natureza. do abastecimento de água. com a conclusão deste ciclo de infraestruturação e estabilização da matriz territorial de protecção/conservação da natureza. ou de uma política de valorização dos recursos naturais e paisagisticos. já iniciados no anterior quadro comunitário. pressupõe uma particular atenção às especificidades nacionais. progressivamente. como poderão ser sérias depredadoras destes mesmos recursos. e da sustentabilidade do desenvolvimento. cada vez mais . Como é sabido. Em contraponto. quer orientadas para a definição e gestão das áreas protegidas. por exemplo. quer ao nível do percurso de desenvolvimento social e económico que o país tem vindo a assistir. nomeadamente. com uma industrialização tardia e selectivamente orientada de um ponto de vista espacial e sectorial. tomar o lugar dos primeiros. de que a orla costeira e as beiradas fluviais são.com tendência para uma progressiva intensificação no periodo de vigência do próximo quadro comunitário de apoio – a passagem dos factores de impacte ambiental das actividades de produção.

como aconteceu. o Programa Operacional do Ambiente. seguida da apresentação dos principais problemas ambientais que se considera estarem ainda por resolver. No primeiro capítulo destaca-se uma breve resenha da política de ambiente entre 1996 e 1999.Avaliação da Concepção e Consistência da Estratégia Proposta 1 Introdução Este capítulo tem como finalidade apresentar. cruzando os grandes objectivos e eixos programáticos com os objectivos operativos propostos. numa perspectiva de avaliação crítica.2006 indevidamente enquadradas em termos de ordenamento do território. num passado recente. Capítulo 3 . em traços gerais. Parte significativa da informação apresentada coincide ou complementa a nossa visão do actual estado do ambiente incluída no capítulo anterior deste relatório. em muitos trechos da faixa costeira. a designada coerência interna deste Programa Operacional. 2 Apresentação do PO Ambiente O PO Ambiente apresenta-se em dois grandes capítulos. Finalmente será abordada. Seguidamente procede-se à avaliação da coerência externa do PO Ambiente tendo em atenção as políticas nacionais e comunitárias na actualidade.Programa Operacional do Ambiente 2000 . o legado do Programa Ambiente de 1994-1999 e das aplicações do Fundo de Coesão em matéria de ambiente no II QCA (parcialmente revistas no capítulo primeiro) e o estado actual dos principais indicadores do ambiente e recursos naturais em Portugal (capítulo segundo). O primeiro de enquadramento geral do sector ambiente e o segundo de apresentação do PO propriamente dito. identificando a estratégia geral adoptada e os seus principais objectivos. 137 .

2006 Como matéria de avaliação destacamos a actuação estratégica preconizada para 20002006 que se apresenta em quatro pontos. em síntese: Cobertura dos serviços de i) abastecimento de água redução da carga poluente ii) iii) tratamento de águas residuais tratamento e destino final de RSUs tipo de valorização material energética orgânica iv) v) tratamento resíduos industriais perigosos valorização tratamento de resíduos industriais banais (%) 95 80 (Obs: em origens de água para consumo e águas balneares) 90 98 17 (em % dos resíduos tratados) 20 (idem) 25 (idem) 100 12 100 138 .Programa Operacional do Ambiente 2000 . a saber: - principais vectores objectivos ambientais 2000-2006 integração do ambiente nas políticas de desenvolvimento articulação das diferentes fontes de financiamento Os vectores da estratégia ambiental são: - a gestão sustentável dos recursos naturais e a melhoria da qualidade ambiental a integração do ambiente nas políticas territoriais e sectoriais de desenvolvimento a conservação e valorização do património natural o estabelecimento de parcerias estratégicas com os principais actores do processo de desenvolvimento o desenvolvimento da educação e da informação ambientais - No que respeita aos objectivos ambientais para 2006 temos.

2006 valorização vi) tratamento e destino final dos resíduos hospitalares 30 100 No que respeita ao ar e ruído não se apresentam objectivos quantificados. pretende-se cortar com a tradição passada de um certo carácter sectorial. No que respeita à conservação da natureza. São os seguintes os objectivos quantificados apresentados para 2006: i) ii) iii) território sob estatuto de protecção Área de protecção integral em AP na posse do Estado 20% Área Protegida com plano de ordenamento 100% 100% Para a orla costeira apresentam-se os seguintes objectivos. não quantificados: concretizar as propostas contidas nos POOCs promover acções de defesa e requalificação da costa de cariz preventivo promover a monitorização da costa e acções de divulgação e sensibilização Como objectivos quantificados para 2006 apresentam-se: i) ii) extensão de costa intervencionada planos de ordenamento de albufeiras de águas públicas (em nº) 50 200km No tema da educação ambiental apresentam-se os seguintes objectivos quantificados i) ii) projectos de edu. ao cumprimento das directivas. numa lógica de desenvolvimento sustentável. para se preconizar o seu carácter transversal em articulação com o planeamento do uso do solo.Programa Operacional do Ambiente 2000 . ambiental em escolas alunos abrangidos 1 500 300 000 139 . Destaca-se a prioridade à monitorização. aos compromissos de Quioto e à estratégia da acidificação.

uma secção sobre a integração do ambiente nas políticas de ambiente com destaque para os sectores da energia. no que tocará às três vertentes do saneamento básico (águas. Para além dos objectivos ambientais para 2000-2006 o enquadramento ao PO Ambiente inclui.2006 iii) iv) professores abrangidos projectos de ONGs apoiados 20 000 10 000 Finalmente no que respeita ao ambiente urbano apresentam-se os seguintes objectivos não quantificados: i) ii) iii) iv) promover a gestão integrada dos diferentes descritores ambientais fomentar a gestão racional da energia. mas também do Fundo de Coesão. indústria. e ainda dos Programas Sectoriais no sentido de materializar a horizontalidade das políticas de ambiente e os princípios do Poluidor-Pagador e Utilizador-Pagador. com o concurso dos Programas 140 . Os investimentos relativos ao ambiente urbano estarão enquadrados no Programa POLIS. para além do PO Ambiente. dos POs Regionais sempre que projectos de âmbito municipal possam complementar e rentabilizar as intervenções suportadas pelo Fundo de Coesão. entretanto lançado e contarão. turismo e formação profissional e emprego. como dissemos. transportes. a racionalização dos transportes e a melhoria da qualidade ambiental recuperar áreas degradadas e racionalizar a expansão urbana reforçar a informação e a fiscalização por parte do MAOT e a sua coordenação com a Protecção Civil Como objectivos quantificados apresenta-se apenas a meta de : • Pop. esgotos e resíduos). nos casos de investimentos localizados e de menor importância. Os investimentos relativos à gestão dos recursos naturais ficarão a cargo do PO Ambiente e dos POs Regionais. os financiamento são remetidos para o Fundo de Coesão para os grandes projectos em alta (ou mistos) e para os POs Regionais para os projectos em baixa. Assim. abrangida por intervenções de requalificação 3 000 000 hab. na área do ambiente. agricultura e pescas. Antes da apresentação da estrutura interna do PO Ambiente convirá salientar a posição de partida do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território ao considerar que os investimentos que se prevêm vir a realizar ao abrigo do novo PDR.Programa Operacional do Ambiente 2000 . não virão exclusivamente deste PO.

por sua vez.2 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais M 1. enquanto incentivo complementar dos fundos vindos dos POs sectoriais. O Eixo Prioritário 1 decompõe-se.2 Apoio à sustentabilidade ambiental das actividades económicas Assistência Técnica Nas páginas seguintes apresentam-se cópias dos quadros sintetizando a distribuição do investimento e do apoio FEDER pelas diversas medidas e acções previstas no PO Ambiente. O Eixo Prioritário 2 (EP2) relativo à integração do ambiente nas actividades económicas e sociais. Os investimentos de apoio à sustentabilidade ambiental das actividades económicas ficarão a cargo do PO Ambiente. O Eixo Prioritário 2 decompõe-se em duas medidas (quadro 3.1 Conservação e Valorização do Património Natural M 1.1 Melhoria do ambiente urbano M 2.3 Informação.1).1).Programa Operacional do Ambiente 2000 . em três medidas (ver quadro 3. O Eixo Prioritário 1 (EP1) relativo à gestão sustentável dos recursos naturais. Estrutura do Programa Operacional do Ambiente Programa 1. Sensibilização e Gestão Ambientais M 2.1. Quadro 3. EP 2 Integração do Ambiente nas Actividades Económicas e Sociais 141 . O PO Ambiente inclui três Eixos Prioritários.2006 Operacionais Regionais. Há ainda um terceiro Eixo de assistência técnica. PO Ambiente Eixos Prioritários EP 1 Gestão Sustentável dos Recursos Naturais Medidas M 1.

PO do Ambiente (em milhões de contos) 142 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .3.2. Sensibilização e Gestão Ambientais 26 601 19 951 6 119 557 89 668 26 90 567 67 926 20 236 726 177 545 52 2 INTEGRAÇÃO DO AMBIENTE NAS ACTIVIDADES ECONÓMICAS E SOCIAIS 1 2 Melhoria do Ambiente Urbano Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas 70 206 4 988 456 017 43 297 3 741 332 656 15 1 100 214 304 144 098 151 370 108 074 47 32 3 ASSISTÊNCIA TÉCNICA TOTAL Quadro 3. PO do Ambiente (em milhares de Euros) Eixo Medida Domínio de Intervenção Investimento x 1000 Euros Apoio FEDER Investimento (%) 1 GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS 1 Conservação e Valorização do Património Natural 2 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais 3 Informação.2006 Quadro 3.

as actuais políticas nacionais de ambiente e ordenamento do território.2006 Eixo Medida Domínio de Intervenção Investimento 10 contos 6 Apoio FEDER Investimento (%) 1 GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS 1 Conservação e Valorização do Património Natural 2 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais 3 Informação.Programa Operacional do Ambiente 2000 . 143 . Sensibilização e Gestão Ambientais 5 333 4 000 6 23 969 17 977 26 18 157 13 618 20 47 459 35 595 52 2 INTEGRAÇÃO DO AMBIENTE NAS ACTIVIDADES ECONÓMICAS E SOCIAIS 1 2 Melhoria do Ambiente Urbano Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas 14 075 1 000 91 423 8 680 750 66 692 15 1 100 42 964 28 889 30 347 21 667 47 32 3 ASSISTÊNCIA TÉCNICA TOTAL 3 Avaliação da Coerência Externa A avaliação da coerência externa do PO Ambiente terá como referências: i) ii) iii) o estado actual do ambiente e recursos naturais em Portugal. os investimentos do II QCA. em particular do Programa Ambiente e do Fundo de Coesão.

bem como à reabilitação da rede hidrográfica. por excelência. a reabilitação de sistemas dunares e a estabilização de arribas e falésias. no entanto. no sentido de identificar os principais pontos fortes. 144 . na actualidade. Medida 3: • criação e reforço das redes de monitorização de parâmetros ambientais e respectivos sistemas de informação. as vulnerabilidades identificadas são várias e importantes. ainda deficiente e constitui matéria de intervenção da administração ambiental. Importa agora começar por avaliar a resposta do PO Ambiente aos pontos fracos então considerados. clima e ruído aponta para a decisiva intervenção dos sectores transportes e ordenamento do território na prevenção e controlo das causas (ver objectivos do Eixo Prioritário 2). Em termos territoriais estes problemas incidem especialmente nos meios urbanos como se reconhece e valoriza na Medida 1 do Eixo Prioritário 2: • reordenamento do espaço público urbano. a limpeza e o desassoreamento de linhas de água e de sistemas lagunares. • (…) • contribuição para a melhoria do serviço e eficácia dos transportes públicos. ver Medida 2 do Eixo Prioritário 1: • • • • • a protecção física e biológica da costa com minimização dos efeitos erosivos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . O conhecimento da profundidade e extensão das disfunções ambientais é.1. um sector tradicionalmente crítico em Portugal. o PO Ambiente dá particular destaque à requalificação e defesa da costa. 3. pontos fracos e potencialidades do ambiente e recursos naturais em Portugal. Relativamente ao estado actual do ambiente e recursos naturais em Portugal Nas páginas 34 a 36 deste relatório fez-se um exercício de síntese. A natureza dos problemas associados aos descritores ar.2006 iv) as actuais políticas comunitárias de ambiente. • (…) • redução e controlo das diversas fontes de poluição e monitorização de variáveis ambientais. • criação e apetrechamento de laboratórios de qualidade do ambiente. com incremento da área pedonal em condições de segurança e conforto. tais como. O PO Ambiente poderá ainda contemplar estes aspectos no Eixo Prioritário 1. No que respeita aos recursos hídricos. Em aparente concordância com os pontos fracos apresentados. ordenamento e requalificação das margens de linhas de água e de albufeiras. (…) a regularização e renaturalização de linhas de água.

Programa Operacional do Ambiente 2000 . meios de controlo e monitorização mais eficazes contemplados pela Medida 3 do Eixo Prioritário 1: • criação e reforço das redes de monitorização de parâmetros ambientais e respectivos sistemas de informação. e à infraestruturação ambiental o PO Ambiente é pouco explícito. arborizações com espécies autóctones. etc. a erosão e com o padrão dispersivo do povoamento. inclui na mesma medida a reabilitação e valorização das albufeiras. Aquisição de terrenos tendo em vista a promoção de uma “bolsa” de terrenos essenciais à política de Conservação da Natureza. Consolidação do Sistema de Informação do Património Natural . recuperação. planos sectoriais e planos de acção bem como programas de conservação de espécies e habitats. Como seria de esperar. De facto a forma mais eficaz de controlar a dispersão do povoamento é através do fortalecimento das cidades e centros urbanos. atendendo às responsabilidades directas do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território sobre as Áreas Protegidas e a gestão da rede NATURA 2000. planos especiais de ordenamento do território. A dispersão das fontes poluentes reclama. repovoamentos. marcando um claro corte com as opções que estiveram na base do anterior Programa Ambiente (1994-1999).2006 • (…). no que diz respeito aos investimentos estruturantes ou em alta. Acções de maneio de espécies e habitats (manutenção.SIPNAT . bem assim. ou para os POs Regionais no caso dos investimentos locais em baixa. como é sabido. controlo de espécies exóticas. 145 .e. fora das áreas com estatuto especial de protecção. O terceiro tem a ver com o ordenamento do território que. o PO Ambiente contempla directamente estes aspectos na Medida 1 do Eixo Prioritário 1: • • • • • Estudos de caracterização e suporte à elaboração de planos de ordenamento. Os dois primeiros aspectos não estarão directamente contemplados no PO Ambiente. associado em particular à melhoria geral da qualidade do ambiente urbano. e à importância dos descritores recursos biológicos e conservação da natureza. No que toca à gestão e tratamento dos resíduos. No capítulo do enquadramento remete estes aspectos para o Fundo de Coesão. Os pontos fracos associados com o descritor solos tinham a ver com a contaminação. alimentadores. Para além da defesa da faixa costeira e da valorização da rede hidrográfica nacional. é privilegiado na sua componente urbana.) Implementação de uma Rede de Centros de recuperação de Fauna. implementação de bases de dados (alfa-numéricas e geográficas) de Património Natural para apoio à gestão e avaliação de áreas classificadas.

frentes ribeirinhas e costeiras urbanas. recuperação e revitalização de zonas históricas e outros espaços públicos urbanos em declínio. e a clara desvalorização da componente de infraestruturação ambiental. requalificação de zonas industriais. de carácter político. As razões de ser desta opção. criação e ampliação de áreas destinadas à utilização multifuncional do espaço urbano. 146 . de dimensão local ou municipal. projectos de sensibilização ambiental. Cruzando as considerações anteriores e relendo o quadro das potencialidades apresentado na página 36. redução e controlo das diversas fontes de poluição e monitorização de variáveis ambientais. com incremento da área pedonal em condições de segurança e conforto. justificando uma Medida própria com meios financeiros significativos. contribuição para a melhoria do serviço e eficácia dos transportes públicos O âmbito previsto das acções tende a privilegiar as questões da qualidade do ambiente urbano e não tanto as questões do desenvolvmento urbano sustentável. que não permitirão que o país acompanhe de imediato todo o debate europeu sobre formas de intervenção na cidade que privilegiem a dimensão da sustentabilidade ambiental. através da valorização das potencialidades ambientais existentes. A este respeito faz-se apenas uma breve e única referência a um contributo para a "gestão urbana sustentável". nomeadamente.Programa Operacional do Ambiente 2000 . será à escala regional e fora das áreas classificadas. que o PO Ambiente se nos afigura menos conseguido na preservação do nosso mosaico paisagístico.2006 O ambiente urbano merece um tratamento preferencial na Medida 2 do Eixo Prioritário 2: • • • • • • • • reordenamento do espaço público urbano. Em contraponto importa registar o relevo dado à valorização ambiental e requalificação urbana. poderão encontrar-se nos graves problemas de qualidade ambiental e urbanística que corresponderam a um surto de crescimento urbano sem precedentes em Portugal. Esta componente é relegada para segundo plano. remetendo aparentemente o debate da sustentabilidade para fase posterior. A educação e sensibilização surgem directamente cobertas pela Medida 3 do Eixo Proritário 1: • • criação ou melhoria das estruturas de informação e sensibilização para o ambiente e ordenamento do território. estudos comportamentais e produção de meios de informação e de sensibilização ambiental. contribuição para uma gestão urbana sustentável. informação e sensibilização dos cidadãos. Serão ainda de destacar as opções de privilegiar a promoção da qualidade ambiental. talvez no pressuposto que os grandes projectos já foram lançados e caberá através de outros meios financeiros garantir a sua conclusão e o apoio às ainda necessárias obras complementares.

Seria de esperar a introdução de mudanças. o actual governo não foi responsável pela concepção do último Programa Ambiente nem pelas orientações políticas para a aplicação do Fundo de Coesão em matéria de ambiente. o esforço de planeamento visível nos 147 . assim. Note-se que os objectivos anteriormente traçados nestas matérias provaram ser demasiado ambiciosos. sensibilização e gestão ambientais. no privilégio dado à Rede de Áreas Protegidas e classificadas. As faces porventura mais visíveis destas políticas têm sido. E estas aconteceram. mas importa igualmente investir em sistemas de controlo e monitorização ambiental de tal forma que o nível de conhecimento sobre as disfunções ambientais se eleve permitindo um melhor e mais eficiente controlo e aplicação da legislação ambiental. Por outras palavras haverá que continuar a investir fortemente até que os padrões de cobertura dos serviços básicos ambientais se alinhem pelas médias da UE. uma clara linha de continuidade no apoio à conservação e valorização do património natural. A actual estrutura do PO Ambiente marca efectivamente uma rotura com o passado numa parte importante dos aspectos contemplados. A marca da diferença afigura-se. designadamente à indústria. pela consideração das actuais políticas do governo nesta matéria.2. 3.3 Relativamente ás actuais políticas nacionais de ambiente A avaliação da coerência externa do PO Ambiente passa também. no entanto. Estes investimentos são remetidos para os POs regionais e sectoriais. num passado recente. Encontramos. respectivamente.2006 3. como dissemos. Toda a ênfase passada nos investimentos na infraestruturação ambiental é retirada do PO Ambiente.Programa Operacional do Ambiente 2000 . em grande medida geridas directamente pelos próprios serviços do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. Relativamente aos investimentos do II QCA Como é sabido. justificada face à evolução da problemática ambiental em Portugal e na UE. sendo ainda substancialmente reduzido o apoio ambiental às actividades económicas. Sobre este último aspecto reconhece-se que não basta lançar programas de educação e sensibilização ambiental. e à informação. Traduz-se na revalorização dos aspectos da requalificação ambiental urbana e da conservação da natureza. o esforço de dotação de equipamentos e infraestruturas básicas ambientais.

o esforço de apoio fnanceiro com a tarefa básica do saneamento ambiental. A aposta na qualificação do ambiente urbano vem finalmente culmatar uma lacuna da política de ambiente em Portugal. Ao recente reforço e reclassificação das unidades constituintes da rede nacional de áreas classificadas. sintetizados nas páginas 40 a 42.Programa Operacional do Ambiente 2000 . como aliás seria de esperar. mas de progressivamente externalizar.2006 recursos hídricos. contemplado no PO Ambiente e. na orla costeira e nas áreas protegidas. verifica-se uma clara opção política de considerar este Programa uma forma de apoio selectivo. Espera-se que a eficácia e determinação com que venha a ser conduzido permita que tal conclusão venha a ser verdadeira. Qualquer um destes aspectos está. dos domínios do ambiente e do ordenamento do território. porventura. Este aspecto. em particular à escala urbana. pondo cobro (espera-se) à crónica dificuldade de relacionamento entre os instrumentos de ordenamento do território e de gestão da qualidade do ambiente. Ao actual esforço de planeamento sistemático dos recursos naturais deverá seguir-se a concretização dos projectos de valorização e revalorização dos recursos a que o PO faz explicitamente referência. 148 . passando da preocupação central da obra à preocupação da gestão e operação. a estrutura e conteúdo genérico do PO Ambiente afigura-se internamente consistente com as políticas nacionais em matéria de ambiente e ordenamento do território. a conservação e valorização da natureza. por excelência. No entanto. evitando pulverizar apoios por todas as frentes. deverá seguir-se a sua valorização na lógica preconizada de desenvolvimento integrado e sustentável das actividades socio-económicas aí levadas a cabo. não poderá remeter para segundo plano o objectivo essencial das áreas classificadas que é. possível graças á junção. podemos considerar. o reforço da rede nacional de áreas protegidas e a aposta emblemática na qualificação do ambiente urbano. mais importantes. para os concentrar nas causas. Concretizando. Em síntese. numa perspectiva evolutiva. analisados em pormenor no próximo capítulo. porém. e os objectivos quantificados do PO Ambiente. quando se colocam frente a frente os objectivos quantificados de política do actual governo. num mesmo ministério. verifica-se a preocupação de dar continuidade.

2006 3. como as que estabelecem o sistema de prevenção e controlo integrado de poluição (IPPC). de há pelo menos duas gerações.Programa Operacional do Ambiente 2000 . mas também das dificuldades de implementação de directivas orientadas para o controlo das disfunções ambientais decorrentes das actividades económicas. originado por processo de industrialização que. por via da prática do controlo e gestão ambientais. das exigências comunitárias. ou os compromissos de Quioto. No que respeita ao segundo aspecto. entretanto. e que tem a ver com o panorama actual das grandes preocupações e medidas de política em matéria ambiental. acções de requalificação ambiental. como o Programa LIFE. sofreu fortes mutações. nomeadamente na Medida 2. A integração sectorial preconizada e materializada nas medidas que constituem o Eixo Prioritário 2. acções que proporcionem mais-valia ambiental. A extensa lista de directivas dirigidas para a Conservação da Natureza e para a Biodiversidade. relativamente à regulamentação em vigor. As finalidades e o modo muito selectivo como se apresentam os apoios a conceder. No que respeita ao primeiro aspecto parece inegável a preocupação em conceber o PO Ambiente como um instrumento de apoio ao cumprimento. importaria distinguir entre o actual quadro legislativo constituído por uma já volumosa série de directivas referentes aos mais diversos aspectos ambientais. sugerem que os Princípios do Poluidor-Pagador e Utilizador-Pagador. Note-se que quando se pretende resolver todo um passivo ambiental herdado. e as linhas de estratégia que se podem identificar em documentos de orientação política oriundos da Comissão Europeia. virão a ser devidamente respeitados: • • • • promoção da ecogestão e da certificação ambiental. ou nos critérios de selecção de projectos elegíveis a iniciativas comunitárias. 149 .4. acções inovadoras e de demonstração que proporcionem melhorias no desempenho ambiental. Relativamente às políticas comunitárias de ambiente Quanto às políticas comunitárias. Medidas 1 (na totalidade) e 2 (parcialmente). reflecte também o reconhecimento da necessidade. desde o V Programa Quadro em Matéria de Ambiente. referido no início desta secção. deverá encontrar um efectivo apoio à sua implementação no Eixo Prioritário 1. e sua tradução no direito nacional. de que é exemplo o estabelecimento da Rede Natura 2000 no espaço europeu. o cumprimento integral daqueles princípios se afigura um objectivo pouco realista.

talvez.2006 num espaço europeu onde há já muito tempo foram satisfatóriamente resolvidas as questões básicas da infraestruturação ambiental. com que Portugal ainda se bate e baterá por mais alguns anos. 150 . As medidas em que se decompõem os Eixos Prioritários são coerentes entre si e reflectem o actual leque de responsabilidades da administração ambiental. Esta alteração é consentânea com os progressos entretanto verificados nesta componente. o tema da sustentabilidade (nomeadamente em espaço urbano). em nosso entender. uma maior visibilidade. Os dois grandes Eixos Prioritários reflectem. Se os temas da requalificação do ambiente à escala urbana e da integração sectorial. Assim. Relativamente ao anterior Programa Ambiente nota-se. a apontar ao modo como o PO Ambiente foi concebido e estruturado. e com a tentativa de aproximar a política de ambiente nacional das grandes preocupações europeias que. 4 Avaliação da Coerência Interna Na avaliação da coerência interna do PO Ambiente tomamos como objecto de análise os Eixos Prioritários. em que os temas da integração sectorial e territorial. é identificável uma preocupação de aproximação. Como salientamos anteriormente. ao longo dos anos 90. à partida. o periodo de 2000 a 2006 deverá assistir à conclusão do ciclo da infraestruturação ambiental e. à chegada de um novo ciclo. já a integração territorial e a valorização paisagística à escala regional e. o realismo em detrimento de alguma ousadia. numa base que privilegia. se têm vindo progressivamente a centrar na dimensão urbana. como é sabido. a preocupação da integração com os sectores que é. e a sua articulação com as medidas em que se decompõem. as grandes áreas de intervenção ambiental e. como já salientamos repetidamente. por outro. uma característica central das políticas de ambiente contemporâneas. parecem devidamente contemplados no PO Ambiente. sobretudo. da requalificação ambiental e da sustentabilidade emergirão como centrais. haverá apenas alguns aspectos pontuais. uma maior ênfase na qualificação do ambiente urbano em detrimento da componente de infraestruturação ambiental básica. por um lado. pediriam. em simultâneo. como já salientámos.Programa Operacional do Ambiente 2000 .

sobre a natureza das medidas. 5 Síntese A informação contida nas secções anteriores permitiu apresentar. para além do seu breve enunciado. 151 . o documento base do PO não apresenta detalhe suficiente que permita uma análise adequada àquele nivel de desagregação. concordamos com as opções tomadas.2006 A avaliação da razoabilidade das metas propostas (objectivos quantificados) será feita no próximo capítulo.Programa Operacional do Ambiente 2000 . As considerações críticas incidiram. No compto geral. essencialmente. consistência da estratégia proposta e estrutura geral. sendo pontuais os aspectos que consideramos menos positivos ou omissos. em traços gerais. Para este fim identificamos e aplicamos um conjunto de critérios de avaliação da designada coerência interna e coerência externa do PO. o PO Ambiente e tecer considerações sobre a sua concepção. já que ao nível das acções propostas.

sintetizados nas páginas 40 a 42. Em certo sentido. o PO Ambiente terá essencialmente um papel de catalizador que. com os correspondentes objectivos quantificados no âmbito do PO Ambiente. mas também o facto da estratégia adoptada. tornar ainda mais difícil o exercício de isolar o esperado contributo do PO Ambiente. isolarmos a influência dos factores de intervenção sobre disfunções ambientais que tem origem diversa e complexa. ou para quem os avalia e pretende. não são apenas as dificuldades da substância da intervenção.2006 Capítulo 4 . neste capítulo. Desta forma poderemos aferir o que o governo espera como contributo deste programa para as suas grandes metas. Será também interessante confrontar a quantificação apresentada para os grandes objectivos da política ambiental do governo. De qualquer modo procuraremos. tendo em atenção as suas duas principais funções de acompanhamento das realizações e de avaliação do impacte desta intervenção. dos POs Regionais e dos programas sectoriais. Por outro lado. esperando contribuições do Fundo de Coesão. em que a própria medição de muitos dos fenómenos sobre os quais pretendemos intervir é já de si difícil. 152 . facilmente poderá ser subestimado num exercício de quantificação de objectivos. No caso da quantificação dos objectivos ambientais do QCA III.Avaliação Quantificada dos Objectivos Ambientais 1 Introdução A problemática da definição de indicadores e da quantificação dos objectivos é complexa e controversa. de forma tão isenta quanto possível. em muitos casos. sobretudo em áreas como o Ambiente e Recursos Naturais. reforçando a dimensão horizontal das políticas de ambiente por via de integrações sectoriais. O quadro seguinte inclui os valores apresentados no PO. os quantificar. 2 Metas e objectivos quantificados A última versão do PO Ambiente a que se refere esta avaliação ex-ante inclui já um esforço de quantificação dos objectivos para todas as medidas incluídas no programa.Programa Operacional do Ambiente 2000 . As relações de causa-efeito nem sempre se podem estabelecer com segurança e daí as dificuldades acrescidas para quem concebe os programas e pretende com eles alcançar determinados objectivos. contribuir para a avaliação da quantificação dos principais objectivos ambientais. é também difícil. e para o debate sobre a definição de indicadores.

De 153 . Esta interpretação resultou de um esclarecimento prestado pelo gabinete do POA.Percentagem de área classificada intervencionada . refere-se às áreas sob estatuto especial de protecção que serão objecto de intervenção pelo programa. 1.Percentagem do território inserido em Áreas Protegidas com estatuto de protecção integral na posse do Estado .Percentagem de ZPE e Sítios com planos de gestão .Professores abrangidos por projectos EA 20 000 .5% 100% 100% 50% 100% 100% 160 50 . Conservação e Valorização do Património Natural caracterizada por três objectivos. Aquele valor já foi praticamente alcançado. o objectivo apresentado (7. já não parece muito adequado insistir. do ponto de chegada e dos meios técnicos e financeiros postos à disposição. à primeira vista. Quantificação dos objectivos para o Eixo Prioritário 1.1 Conservação e Valorização do Património sob estatuto de protecção para a Natural. O MAOT apresenta um valor global de 20% para este objectivo.Programa Operacional do Ambiente 2000 . aliás. encontramos a Medida 1.1.Projectos de ONGA apoiados 1 000 A avaliação da pertinência e adequação das metas a atingir.Extensão de costa intervencionada (km) .Planos de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas elaborados (nº) 2006 7.2 Valorização e Protecção dos Recursos Naturais. o objectivo apresentado parece querer referir-se ao aumento da área total de protecção de âmbito nacional. Eixo Prioritário 1 – Gestão sustentável dos recursos naturais . Sendo certo que no domínio da conservação da natureza será sempre difícil quantificar objectivos que tenham a ver directamente com a valorização de recursos biológicos. ou dos objectivos quantificados.Percentagem do território sujeito a estatuto de Área Protegida abrangido por Plano de Ordenamento . conservação da natureza (área protegida de âmbito nacional) .Proporção de espécies de interesse comunitário que ocorrem em Portugal alvo de acções e medidas de conservação 1. No quadro do PO Ambiente. no aumento da percentagem de área do país com estatuto especial de protecção. Sensibilização e Gestão Ambientais .Percentagem do território continental 1.2006 Quadro 4.Projectos de Educação Ambiental (EA) em escolas 1 500 . durante a vigência do próximo QCA.5%).Alunos abrangidos por projectos de EA 300 000 .3 Informação. dado que. pressupõe uma reflexão sobre a viabilidade de um percurso de execução que depende do ponto de partida. No Eixo Prioritário 1.

não admira que o objectivo quantificado se dirija para o cumprimento de linha de costa intervencionada. pelo que o contributo do programa será decisivo. O quarto objectivo .suscita algumas das dúvidas levantadas relativamente ao primeiro objectivo. com forte erosão ou sujeitos a fortes pressões de uso. a questão já não se deverá colocar em termos da superfície das áreas de protecção mas na qualidade da gestão dessas áreas. Pressupõe-se. um franco aplauso. A primeira e a terceira área de intervenção estão cobertas pelos dois objectivos quantificados apresentados. não sendo neste caso exclusivo.2006 qualquer modo.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Valorização e Protecção dos Recursos Naturais.50% da área total classificada intervencionada . daqueles. mas a clareza com que é apresentado só pode merecer. A este respeito o segundo objectivo da total abrangência das APs por planos de ordenamento é não só realizável como absolutamente necessário. mas admitimos que tenha a ver com os trechos identificados nos POOCs como mais sensíveis. as metas apresentadas pelo PO e pela acção geral do MAOT coincidem. Não se conhece a situação de partida para aferir até que ponto este objectivo não será demasiado ambicioso. 154 . Com os POOCs praticamente concluídos. já o segundo sugere a disponibilização de meios significativos e um claro compromisso de cumprimento das políticas comunitárias de conservação da natureza. Desenha-se um periodo de revisão dos PDMs e seria muito útil. Não sabemos como se chegou ao valor de 160km. que importa controlar ou acomodar com urgência. O terceiro objectivo é particularmente pertinente porque representa um claro compromisso da administração ambiental na gestão directa dos núcleos com estatuto de protecção integral. Nos dois últimos objectivos. A Medida 2. como dissemos anteriormente. Se. tal como no primeiro. será também decisivo. instáveis. o primeiro parece perfeitamente razoável e facilmente realizável. da nossa parte. O valor geral apresentado pelo MAOT é de 200km de costa intervencionada. no sistema hidrográfico e nas albufeiras de águas públicas. inclui intervenções na faixa costeira. para as sempre necessárias e difíceis negociações entre as entidades gestoras das áreas protegidas e os municípios. O contributo do PO Ambiente. que a restante área será objecto dos POs Regionais. que os planos de ordenamento daquelas estivessem prontos antes da concretização da revisão dos PDMs.

Registamos com particular agrado a ênfase no estabelecimento.não é proposto nenhum objectivo quantificado. À partida os volumes de investimentos não se afiguram demasiado elevados para os recursos do PO Ambiente (embora exigentes em recursos humanos qualificados). Sendo certo que já existem várias albufeiras com planos de ordenamento preparados e em vigor. Como nota crítica deixamos a constatação que na terceira área de intervenção . com as metas apresentadas no PO. do ruído. 155 .2006 Quanto às albufeiras. Estes aspectos são imprescindíveis à gestão ambiental e ao efectivo cumprimento da legislação. etc. a efectiva operacionalização das redes nacionais e locais de monitorização da qualidade do ar. da contaminação dos solos.. o objectivo proposto é pertinente e perfeitamente realizável.Programa Operacional do Ambiente 2000 . As metas gerais do governo coincidem. pelo que não será então difícil estabelecer um conjunto de metas realistas e pertinentes a este respeito. numa perspectiva estática e dinâmica. da qualidade da água. pelo que também nesta matéria o contributo do PO se afigura decisivo. aliás. Espera-se que o contributo do PO Ambiente permita. e não será de esperar que possam vir a ser suportados por outras fontes de financiamento. Mais uma vez coincidem com os objectivos gerais do MAOT. A natureza e quantificação destes objectivos parecem adequadas embora porventura demasiado ambiciosos. se queremos saber com rigor o estado do ambiente em Portugal. alargamento ou consolidação das redes de dados e monitorização de informação ambiental e nos laboratórios complementares.sobre o sistema hidrográfico . A próxima conclusão dos Planos de Bacia Hidrográfica irá permitir uma avaliação global das necessidades de investimento para a qualificação do nosso sistema hidrográfico. no entanto. Estes aspectos já tinham sido enunciados como intenções do PA 1994-1999 que. etc. o esforço expresso no objectivo de quantificação vai no sentido do planeamento. sensibilização e gestão ambientais apresenta quatro objectivos quantificados dirigidos para a informação e sensibilização. só foram parcialmente cumpridas. de uma vez por todas. Trata-se de investimentos essenciais. A Medida 3 sobre informação.

o aumento do nº de ruas destinadas exclusivamente aos peões.Número de empresas com certificação ambiental e/ou registadas no EMAS 2006 2. 3 milhões de habitantes) certamente que se considerou que toda uma população que reside ou trabalha num município beneficiaria de uma intervenção nesse município. o comprimento reabilitado. 156 . sobre ambiente urbano. No futuro será desejável que se comecem a ensaiar objectivos mais concretos como sejam a diminuição do tráfego automóvel no centro das cidades.1 Melhoria do Ambiente Urbano . a diminuição do nº de residentes sujeitos a níveis de ruído acima dos valores recomendados. recuperado ou desentubado dos cursos de água e ribeiras urbanas. Face à ambição do número apresentado.2.Programa Operacional do Ambiente 2000 . No entanto.) .1 150 2. Por outras palavras se nas 150 empresas se incluirem as maiores empresas nacionais certamente que as consequências ambientais para o país desta medida serão muito significativas. o aumento da área verde nos espaços públicos urbanos. razoável embora nada seja dito quanto ao tipo e dimensão das empresas alvo.2006 Quadro 4. o incremento das deslocações em transporte público. Finalmente a Medida 2 sobre sustentabilidade das actividades económicas apresenta um objectivo quantificado claramente expresso (o nº de empresas com certificação ambiental e/ou registadas no EMAS). medida em percentagem do tráfego actual. caso contrário teremos resultados bem mais modestos. Quantificação dos objectivos para o Eixo Prioritário 2. apresenta-se com um objectivo quantificado expresso na população beneficiada pelas intervenções urbanas. etc.2 Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas No Eixo Prioritário 2 a Medida 1. (o valor global apresentado pelo MAOT é ainda mais elevado. O valor é.População abrangida por intervenções de requalificação urbana (milhões de hab. etc. nem que esta seja pontual. Eixo Prioritário 2 – Integração do Ambiente nas Actividades Económicas e Sociais 2. teremos de concordar que no que toca ao ambiente urbano (integrado na dimensão mais geral da integração territorial) seria difícil apresentar objectivos quantificados precisos. quanto mais não seja pela novidade do tema e carácter experimental com que certamente irá ser conduzido. à partida.

Impacto √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ Medida 2.2006 3 Indicadores de realização e de impacto do PO Ambiente A experiência anterior de gestão e acompanhamento do PA 1994-1999. nem sempre se mostrou totalmente positiva a julgar pelas apreciações contidas na avaliação intercalar e que justificaram. Por indicadores de impacto. Impacto √ √ √ √ 157 . referimo-nos aos indicadores que propiciam uma apreciação dos efeitos esperados dos projectos. Optaremos por designar por indicadores de realização os indicadores físicos que servem para controlar a execução das obras e o seu acompanhamento. Conservação e Valorização do Património Natural Indicadores Estudos temáticos e de ordenamento Área abrangida por Planos de Ordenamento Acções de maneio de espécies e habitats Área de biótopo intervencionada Área de terrenos adquiridos para conservação Estruturas de informação/interpretação Estruturas de apoio ao turismo de natureza População em acções de desenvolvimento Emprego criado/apoiado/mantido População beneficiada pelos projectos Unidades nº ha nº ha ha nº nº nº nº nº Ind. Realização √ √ √ Ind.Programa Operacional do Ambiente 2000 . a encomenda de um estudo para apresentação de uma série alternativa de indicadores então designados físicos e de impacto. Para cada medida tentamos apresentar um número relativamente pequeno de indicadores de âmbito suficientemente abrangente para permitir enquadrar projectos diversificados. inclusivé. Valorização e Protecção dos Recursos Naturais Indicadores Linha de costa intervencionada Arribas e falésias consolidadas Dunas estabilizadas População beneficiada pelos projectos Unidades Km Km Km nº Ind. Realização √ Ind. A proposta de indicadores que se apresenta de seguida foi baseada em trabalhos anteriores e na nossa leitura do âmbito dos projectos que poderão vir a ser elegíveis ao abrigo de cada uma das medidas apresentadas. Eixo Prioritário 1 Medida 1.

Programa Operacional do Ambiente 2000 . Realização Ind. Impacto √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ Eixo Prioritário 2 Medida 1. Sensibilização e Gestão Ambientais Indicadores Participantes em acções formação/edu. Impacto √ √ √ √ 158 . Realização √ √ Ind. e trata/. dados Unidades nº nº nº/ano nº nº exemplares nº nº Ind. Informação. Impacto √ √ √ √ √ √ √ √ Medida 2. Realização √ √ Ind. amb.2006 Linhas e espelhos de água valorizados Ordenamento e requalificação das margens km/ha ha √ √ √ √ Medida 3. Melhoria do Ambiente Urbano Indicadores Redução das emissões atmosféricas Redução dos níveis de ruído urbano Acções de demonstração/inovação Superfície urbana reabilitada Espaços verdes urbanos criados/reabilitados Projectos de infraestruturação e requalificação Unidades % dba nº ha ha Km/ha e nº Ind. Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas Indicadores Acções de apoio à ecogestão e certificação Majorações de acções sectoriais Redução das emissões atmosféricas Redução da carga poluente orgânica Redução da carga poluente inorgânica Unidades nº nº % % % Ind. Estruturas de formação/informação instaladas Capacidade das estruturas instaladas Projectos de ONGs apoiados Projectos editoriais Material didáctico-pedagógico Laboratórios de ambiente Redes e estruturas de rec.

foram remetidos para o Fundo de Coesão e para os POs Regionais. reconhecemos as dificuldades. já não terão retorno. se tem revelado sempre importante para o seu sucesso. Quanto aos objectivos não quantificados.2006 Acções de demonstração/inovação nº √ √ 5 Síntese Da análise efectuada merece-nos especial referência o esforço positivo de quantificação de todos os objectivos. 40-42 dá clara indicação disso. assenta em medidas de anteriores governos que. passando em grande medida pelas autarquias e associações de municípios. A opção na concepção deste PO foi claramente seguir uma política selectiva de aposta nos grandes temas da conservação da natureza. nomeadamente toda a infraestruturação ligada às diversas vertentes do saneamento básico. nem sempre em nosso entender tal esforço tenha sido feito da melhor forma. patente em todas as medidas do PO Ambiente embora. cabendo ao PO Ambiente um mero papel de estímulo. Os outros problemas ambientais. uma vez que estas terão a forte concorrência dos sectores. Apresentamos ainda um conjunto de quadros de indicadores de realização e de impacto por medida do PO. Finalmente importará notar que os objectivos gerais apresentados no capítulo de enquadramento do PO Ambiente para as políticas nacionais de ambiente e ordenamento do território para o periodo de 2000 a 2006 são bem mais vastos. 159 . para consideração superior. majoração dos investimentos. esperando deste modo contribuir para o debate sobre a matéria dos indicadores que.Programa Operacional do Ambiente 2000 . já lançadas ou mesmo em fase de conclusão. após o arranque das intervenções. orientação e. em alguns casos. na prática. na convicção que a sua solução. senão mesmo a contraproducência. A síntese que apresentamos nas págs. de avançar com quantificações relativamente ao apoio à sustentabilidade ambiental das actividades económicas. pelo que deixamos algumas sugestões pontuais. dos recursos naturais e do ambiente urbano.

Formação e Gestão Ambientais INTEGRAÇÃO DO AMBIENTE NAS ACTIVIDADES ECONÓMICAS E SOCIAIS Melhoria do Ambiente Urbano Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas ASSISTÊNCIA TÉCNICA TOTAL Investimento (%) 52 20 26 6 47 32 15 1 100 160 . Eixo 1 Medida 1 2 3 2 1 2 3 Domínio de Intervenção GESTÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS Conservação e Valorização do Património Natural Valorização e Protecção dos Recursos Naturais Informação. Distribuição do investimento em percentagens. em relação com as políticas. Quadro 5. 2 Distribuição dos recursos financeiros Com base nos quadros 3.2 e 3.3 apresenta-se. em termos percentuais. Processos de Implementação e Monitorização 1 Introdução Neste último capítulo iremos tecer algumas considerações sobre os resultados esperados com a aplicação do PO Ambiente.Políticas e Impactos Esperados. os grandes objectivos.Programa Operacional do Ambiente 2000 . a distribuição proposta do investimento pelas diversas medidas do PO Ambiente. Será feita referência às opções de distribuição dos recursos financeiros pelas diversas medidas que constituem o PO Ambiente.1.2006 Capítulo 5 . para um total de investimento de 91 423 milhões de contos (456 017 milhares de Euros). Finalmente serão brevemente abordadas as principais questões que se prevê virem a estar associadas aos processos de implementação e monitorização do PO Ambiente. os objectivos operacionais e as metas avançadas (objectivos quantificados).

serão também objecto de tratamento pelos POs sectoriais. com repercussões no ambiente. A natureza imaterial de muitos dos projectos que serão contemplados por esta medida justificam menores investimentos. e as obras de protecção e defesa costeira serem normalmente bastante dispendiosas. superior em 6 pontos percentuais ao destinado à conservação da natureza. dado que o Instituto da Conservação da Natureza tem como responsabilidade directa a gestão das Áreas Protegidas no Continente. representando apenas 6% do investimento total. Certamente que nesta opção pesou o facto dos POOCs estarem praticamente concluídos. Por outras palavras. a outra vertente deste Eixo Prioritário tem um carácter mais supletivo e complementar das intervenções sectoriais. Em termos percentuais. é da responsabilidade do MAOT a gestão de toda a faixa costeira não incluída nas administrações portuárias. Só se espera que os necessários investimentos na dotação de uma rede de recolha e tratamento de dados ambientais seja devidamente contemplada no seio desta medida. sensibilização e gestão ambientais. Esta opção poderá não ter nenhum significado político ou estratégico mas tão somente reflectirá o facto do Eixo Prioritário 1 cobrir a essência da intervenção directa do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território no domínio da Conservação da Natureza. A divisão de recursos pelos dois Eixos Prioritários. incluindo as albufeiras de águas públicas. privilegia ligeiramente o primeiro. terem propostas de intervenção que se espera que seja o Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território (MAOT) a realizar. representando pouco mais que uma actualização dos valores anteriormente concedidos ao Programa Ambiente no QCA II. Actualmente. Proporcionalmente. pelo que os recursos a mobilizar deverão ser muito superiores aos incritos no PO Ambiente. Para além do ambiente urbano que domina. serão bastante menores. o Eixo Prioritário 2 com 32% do investimento total. 161 . No entanto parece significativo o investimento orientado para a protecção e valorização da faixa litoral e da rede hidrográfica. o acréscimo do volume de investimento será da ordem dos 30%. por assim dizer.Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 Na sua globalidade os recursos afectos ao Programa Ambiente são relativamente modestos. as grandes questões associadas à geração das diversas formas de poluição e correspondentes disfunções dos meios receptores naturais. os investimentos destinados à informação. atribuíveis aos sectores produtivos e transportes.

3 Políticas e impactos esperados do PO Ambiente Antes de abordarmos as políticas e os impactos esperados do PO Ambiente. valerá a pena recordar o seu enquadramento no Plano de Desenvolvimento Regional (PDR) 2000-2006. particularmente na rede de áreas protegidas Manutenção da diversidade biológica -2º . no capítulo anterior.Conservação e Valorização do Património Natural Consolidação da Rede Nacional de Áreas Protegidas Valorização do património natural. O PDR apresenta metas para os restantes domínios do ambiente não tratados no PO e referidos no capítulo de enquadramento do Programa (ver págs. Na discussão que fizemos da quantificação dos objectivos. pelo que será de esperar uma particular atenção à integração ambiente-território. um refere-se directamente à “promoção do desenvolvimento sustentável das regiões e à coesão nacional”. à pertinência e às probabilidades de se virem a concretizar as metas avançadas no PO Ambiente para 2006.Valorização e Protecção dos Recursos Naturais Cumprimento da legislação nacional e comunitária em matéria de ambiente Valorização de toda a faixa costeira Valorização da rede hidrográfica 162 . o PO Ambiente integra-se no terceiro que visa “Afirmar a valia do território e da posição geoeconómica do país”. os critérios de selecção dos projectos deverão ser particularmente selectivos. pelo PO Ambiente. 40 a 42 deste relatório). referimonos à razoabilidade.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Iremos estruturar os impactos esperados do PO com base nestas Medidas. Por outras palavras. a entrada do ambiente no PDR é via território.2006 Mais uma vez. deverão ter um carácter claramente exemplar e singular. No entanto. estruturandose o PDR em três grandes eixos. já que. as obras a financiar numa lógica de majoração. Para evitar repetições desnecessárias apresentamos neste capítulo apenas uma síntese qualitativa das considerações anteriores: -1ª . Este aspecto é traduzido explicitamente na redacção dada às Medidas do PO. para além dos projectos de certificação ambiental. Dos quatro objectivos estratégicos do PDR.

bem mais significativa do que a sua dimensão financeira poderá deixar antevêr.2006 -3ª . evitando-se. deste modo. Sabendo antecipadamente que os serviços do MAOT serão responsáveis directos pela gestão de uma fatia muito significativa das verbas totais postas à disposição. sobretudo se se concretizar a estratégia de deixar para o Fundo de Coesão e para os POs Regionais e Sectoriais os maiores investimentos "em obra de construção civil".Informação.Melhoria do Ambiente Urbano Significativa aposta na valorização e qualificação do ambiente urbano Revitalização do espaço público urbano Aumento da multifuncionalidade dos espaços urbanos Valorização de estruturas ecológicas inseridas na malha urbana -5º . que se consumam na própria máquina administrativa do ambiente. por todos os meios. Como é sabido. Manifestamente.Apoio à Sustentabilidade Ambiental das Actividades Económicas Vulgarização da ecogestão e da certificação ambiental Promoção de acções inovadoras e de demonstração que proporcionem melhorias no desempenho ambiental Promoção de acções de carácter voluntário e que proporcionem mais-valia ambiental nos cinco sectores considerados prioritários no 5º Programa de Acção Comunitária para o Ambiente A gama e o alcance dos efeitos esperados com o PO Ambiente poderá ser. importará garantir que os projectos escolhidos para apoio possam ter efeitos multiplicadores e projecção exterior.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Sensibilização e Gestão Ambientais Aumento do nível de conhecimento dos fenómenos ambientais e da capacidade institucional de os monitorizar e controlar Aumento dos níveis de sensibilização ambiental da população Aumento dos meios de divulgação e informação ambiental Aprofundamento da consciência ambiental colectiva -4ª . estes investimentos não poderão ser suportados por um programa que apenas dispõe de pouco mais de 90 milhões de contos para serem gastos em 7 anos. não bastará termos um PO adequadamente 163 .

4 Processos de implementação e monitorização A autoridade de gestão do PO Ambiente será assegurada por um Gestor. verificação dos documentos de despesa. e ainda representantes dos parceiros económicos e sociais. na qualidade de observador. os critérios de selecção dos projectos. preparação das reuniões. O acompanhamento do PO é assegurado por uma Comissão de Acompanhamento.2006 concebido e estruturado para lhe garantirmos o êxito. A unidade de gestão será constituída segundo despacho do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. ao desenho dos circuitos financeiros e ao sistema de controlo. O Gestor apoiar-se-á numa Unidade de Gestão a que preside. nomeado pelo Conselho de Ministros sob proposta do Ministro do Ambiente e Ordenamento do Território. Embora no PO Ambiente não se desenvolvam as atribuições desta estrutura técnica. Particular relevo é dado ao sistema de informação. Em síntese a Unidade de Gestão tem como responsabilidades a elaboração e aprovação do seu regulamento interno. organização do ficheiro informático do PO. a emissão de pareceres sobre as candidaturas ao programa e a emissão de pareceres sobre os relatórios de execução do PO Ambiente. A Unidade de Acompanhamento terá como principais funções confirmar o complemento de programação e suas alterações. como responsabilidades. Este em muito dependerá do modo como for levado à prática. os domínios da divulgação. um representante do Ministro para a Igualdade. tratamento dos indicadores físicos e financeiros do PO. Para além destas unidades. preparação de pedidos de pagamento e elaboração dos relatórios de execução. a análise dos resultados de execução. e a aprovação dos relatórios anuais e final de execução. Da Unidade de Acompanhamento farão igualmente parte um representante de cada entidade responsável pela gestão nacional dos fundos comunitários envolvidos. o Gestor deverá ser assessorado por uma Estrutura de Apoio Técnico (EAT). os coordenadores das componentes ambiente regionalmente desconcentradas e um representante da Inspecção Geral de Finanças. Relativamente a este último serão adoptados os procedimentos do 164 . e integrando todos os membros da Unidade de Gestão para além de representantes da Comissão Europeia e do Banco Europeu de Investimentos. dever-lhe-ão caber.Programa Operacional do Ambiente 2000 . instrução e apreciação das candidaturas. presidida pelo Gestor. organização dos dossiers dos projectos.

nestes casos. já que muitas das entidades beneficiárias do PO serão organismos do próprio Ministério. no arranque do programa. Por outro lado. como no caso do PA 1994-1999. Haverá pelo menos dois factores que dificultarão a visibilidade do PO. Importará. Nestes casos justifica-se que o acompanhamento não seja meramente documental.Programa Operacional do Ambiente 2000 . perfeitamente definida a quota parte do Orçamento Geral do Estado que permita realizar a contrapartida nacional. O primeiro tem a ver com o facto de grande parte do investimento constante do Eixo Prioritário 1 acabar por ser realizado por organismos do próprio Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. Embora muitas das entidades executoras dos projectos sejam. haverá casos em que os proponentes dos projectos serão entidades externas. Em segundo lugar. previsivelmente. tirando partido do seu próprio processo de selecção de projectos que. o PO Ambiente poderá retirar os devidos dividendos em termos de imagem pública. evitando-se a geração de expectativas infundadas que serão sempre fonte de conflitos. 165 . Neste caso só um esforço extra de publicitação das iniciativas poderá contornar esta situação. pelo que não se julga relevante expôr neste documento. Dado que se optou pela figura do gestor público para assegurar a gestão do PO. muitos dos apoios previstos ao abrigo do Eixo Prioritário 2 são majorações de financiamentos provenientes de outros sectores. serviços do próprio Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. À partida trata-se de uma qualidade essencial para o seu sucesso.2006 sistema nacional de controlo do QCA tal como previsto no PDR. como foi anteriormente referido. ao associar-se aos projectos potencialmente mais interessantes. sob tutela directa do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. mas que haja algum trabalho de acompanhamento no terreno. e mesmo apoio técnico directo aos promotores dos projectos. haverá que dar particular atenção às orientações e prioridades em matéria de política de ambiente. garantir a visibilidade do papel do PO Ambiente. na condução do programa. Tendo em consideração a experiência com o anterior PA será de destacar o cuidado que deverá ser posto no funcionamento da estrutura de apoio técnico ao gestor do programa. deverá privilegiar os projectos ambientalmente mais avançados e inovadores. Desta forma. Finalmente uma palavra para a visibilidade do PO. será também importante que os serviços do MAOT potenciais beneficiários do PO vejam. com os quais o futuro gabinete poderá vir a entrar em conflito sempre que determinadas candidaturas não possam vir a ser aprovadas.

PDR 2000-2006. Ministério do Ambiente. MA (1999b) Intervenção Operacional do Ambiente – intervenção nacional e componente desconcentrada regional. Gabinete do Gestor do Programa Ambiente. Direcção Geral dos Recursos Naturais. Lisboa.2 and 3. Ministério do Ambiente. Bruxelas. Lisboa. Lisboa MPAT (1994) Portugal.. Documento Preliminar para Discussão Pública. Lisboa. GabPOA (1997) Avaliação Intercalar do Programa Ambiente. Planeamento e Administração do Território. Lisboa. CE (1999) Working Paper 2 – The Ex-Ante Evaluation of 2000-2006 Interventions. preparado por Paulo Pinho Lda e Quaternaire SA. Lisboa. Gabinete do Gestor do Programa Ambiente. Bruxelas. Ministério do Ambiente. 2000-2006. Ministério do Ambiente. Ministério do Ambiente. Ministério do Ambiente. GabPOA (1997) Definição e quantificação dos indicadores físicos e de impacto do Programa Ambiente. 1998. Lisboa. PDR 20002006. Ministério do Ambiente e Recursos Naturais. preparado por Paulo Pinho Lda. MEPAT (1999) Plano de Desenvolvimento Regional. Comissão Europeia/DG XVI (versão draft). Relatório Final. MA (1998) Balanço da acção governativa do Ministério do Ambiente. DGRN (1992) Utilizações da Água em Portugal. Lisboa.2006 Referências CE (1992) V Programa Quadro do Ambiente. Comissão Europeia. MA (1999) Relatório do Estado do Ambiente. Objectives 1. MARN (1994) Plano Nacional da Política de Ambiente. Lisboa. 1994-1999.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Ministério do Equipamento. Lisboa. Ministério do Ambiente. 166 . MA (1999c) Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade. MA (1999a) Intervenção Operacional do Ambiente – enquadramento geral. no quadro do XIII governo constitucional. DG XI. Quadro Comunitário de Apoio. Ministério do Planeamento e da Administração do Território.

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 ANEXO 2 : QUADRO DE REFERÊNCIA DO FUNDO DE COESÃO QUADRO REFERÊNCIA Fundo de Coesão 2000-2006 167 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

PARTE 1 ENQUADRAMENTO

1 Introdução
O crescimento da economia portuguesa durante a década de noventa, apesar de um significativo abrandamento em 1993/94, correspondeu às expectativas geradas em torno do processo de integração europeia. Um balanço da década a nível do crescimento demográfico e da distribuição da população, bem como do desenvolvimento dos sectores da agricultura, indústria e transportes, revela a necessidade ainda existente de modificar qualitativamente o processo de desenvolvimento, no sentido de uma maior sustentabilidade ambiental. É nesse sentido que aponta a política de ambiente executada na segunda metade da década de noventa, 96-99, particularmente auxiliada tanto pela transposição jurídica da maior parte das directivas comunitárias, como pela concretização das medidas que a estratégia de investimentos nacionais e comunitários viria a permitir, no âmbito do segundo Quadro Comunitário de Apoio (QCA II). Não foi possível durante a década de 90 atingir os níveis de protecção e de qualidade ambientais compatíveis com a média dos nossos parceiros comunitários, no entanto se muito ainda há a fazer, os progressos verificados nos últimos anos são a prova que a política de ambiente começa a dar os seus frutos e a contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos nacionais.

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Programa Operacional do Ambiente 2000 - 2006

2 A política de ambiente entre 1996-1999
A política do ambiente definiu os seguintes objectivos de acção por domínio ambiental, para a segunda metade da década de noventa:
Fonte. GOPS, 1996-1999

Água Proceder a um levantamento dos recursos existentes e garantir na origem a fiabilidade e qualidade da água para abastecimento Aumentar os níveis de atendimento da população no que se refere a água para consumo humano e drenagem e tratamento de águas residuais, promovendo também uma melhoria substancial da qualidade da água nos meios receptores. Ar e Clima Melhorar a monitorização da qualidade do ar e das alterações climáticas Proceder à integração de políticas sectoriais no sentido de promover a qualidade do ar Adoptar normas de protecção e qualidade consistentes com os acordos internacionais efectuados na matéria. Resíduos As principais medidas tomadas no âmbito do Sector Resíduos orientam-se no sentido de proceder a uma correcta gestão dos resíduos urbanos, industriais e hospitalares, segundo o princípio da prevenção, valorização e eliminação e pressupondo, desde logo, um maior nível de atendimento da população Neste âmbito, foi dada prioridade à criação de condições que permitissem planificar e pôr em prática a qualificação do tratamento dos resíduos sólidos urbanos bem como a definição de um quadro legal adequado que permitisse criar as infraestruturas necessárias a uma correcta gestão dos diversos tipos de resíduos. Conservação da natureza Ampliar e reclassificar a Rede Nacional de Áreas Protegidas e a Reserva Ecológica Nacional Levar a cabo uma política integrada de protecção e recuperação das áreas costeiras.

A prossecução dos objectivos de política de ambiente levou à execução devidamente articulada de todo um conjunto de medidas por domínio ambiental. Neste ponto serão explicitadas quer as medidas empreendidas quer os objectivos atingidos.

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2.1 Água A nível das origens da água, intentou-se o acréscimo da capacidade de abastecimento de água através da promoção de grandes empreendimentos: Odeleite-Beliche (origem da água do Sistema Multimunicipal do Sotavento Algarvio, com entrada em funcionamento em Julho de 1998), Enxoé (principal origem de água dos concelhos de Serpa e Mértola, com entrada em funcionamento em Maio de 1998) e Odelouca-Funcho (obra a iniciar em 2000 e destinada a constituir a origem de água do sistema Multimunicipal do Barlavento Algarvio). Ainda no domínio de uma maior capacidade de abastecimento, surge o Programa de Origens da Água, que passa pela criação de uma rede estruturada que permita ultrapassar as actuais fragilidades das captações do interior Norte e Centro do país. Encontra-se concluído o sistema de Trancoso e estão já em execução os sistemas de Apartadura, Sardoal, Santa Marta de Penaguião e Vila Real. No âmbito do abastecimento de água às populações através dos sistemas multimunicipais, o Estado concessionou a empresas de capitais públicos, resultantes da associação da IPE Águas de Portugal com os municípios, a construção e exploração de infra-estruturas de abastecimento de água que gerem sistemas de âmbito regional. Durante o ano de 1999 ficou garantido o abastecimento de água em “alta” a 60 concelhos das zonas mais densamente povoadas do litoral do país, correspondendo a população abrangida a mais de 6 milhões de habitantes. As medidas de política empreendidas neste sector conduziram à seguinte evolução de níveis de atendimento das populações:

Evolução do Abastecimento de Água
NUTS II Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE
Fontes: a) DGA (valor de referência utilizado pelo PNPA em 1995) b) INE c) Inquérito às Câmaras Municipais coordenado pelas DRAs *valores previstos com base nas obras em curso e em conclusão em 1999

Níveis de atendimento globais (%) 1990 (a) 65 68 92 83 82 77 1995 (b) 70 84 97 89 82 84 1997 (c) 71 89 98 92 88 86 1999* (c) 78 95 99 94 91 90

Foi iniciada a monitorização da qualidade das águas subterrâneas, encontrando-se operacionais as redes de monitorização da Região do Centro e da Região do Algarve. O Programa Nacional de Monitorização das Águas Subterrâneas, no âmbito do qual se inserem os sistemas de monitorização regionais referidos, virá ainda a conferir um
170

tendo sido considerados como prioritários os investimentos nas sedes dos concelhos e nas Zonas Sensíveis (D.2006 tratamento específico às zonas de risco. Entre as principais medidas empreendidas neste domínio figura a celebração de Contratos-Programa de Qualificação Ambiental com as Autarquias e a Parque Expo para apoio de soluções integradas no domínio da drenagem e tratamento de águas residuais.6 milhões de habitantes).Programa Operacional do Ambiente 2000 . As medidas de política empreendidas neste sector conduziram à seguinte evolução de níveis de atendimento das populações: Evolução da Drenagem de Águas Residuais NUTS II Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE Fontes: a) DGA (valor de referência utilizado pelo PNPA em 1995) b) INE c) Inquérito às Câmaras Municipais coordenado pelas DRAs *valores previstos com base nas obras em curso e em conclusão em 1999 1990 (a) 36 39 79 69 76 55 Níveis de atendimento globais (%) 1995 (b) 1997 (c) 44 51 52 54 86 86 83 84 68 81 63 68 1999* (c) 59 71 89 85 84 75 Evolução do Tratamento de Águas Residuais Urbanas 171 . No âmbito dos sistemas multimunicipais.L. bem como o acréscimo do número de sistemas multimunicipais de tratamento de águas residuais urbanas. No que se refere à drenagem e tratamento de águas residuais.Águas de Portugal com os municípios interessados. de 19 de Junho). resultantes da associação da IPE . o Programa Nacional de Tratamento de Águas Residuais Urbanas incluiu a construção e reabilitação de ETARs. garantido através da SIMRIA (Ria de Aveiro) e da SANEST (Costa do Estoril) o tratamento de águas residuais de 14 concelhos (cerca de 1. assim. como é o caso do Aterro Sanitário de Alcanena. o perímetro de rega de Marvão e as Zonas Vulneráveis classificadas no Decreto-Lei nº 235/97 de 3 de Setembro. a Bacia do Rio Alviela. nº 152/97. ficando. o Estado concessionou a empresas de capitais públicos. a construção e exploração de infra-estruturas de tratamento de águas residuais.

onde a indústria têxtil tem o maior peso. para os Resíduos Hospitalares e para os Resíduos Industriais (PESGRI). onde se encontra sediado o maior número de estabelecimentos produtores de curtumes do país. sob a tutela do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. Estes planos procuram efectuar uma avaliação do estado actual dos sectores respectivos e prever e projectar as soluções necessárias no mesmo contexto.2006 NUTS II 1990 (a) Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE Fontes: Níveis de atendimento globais (%) 1995 (b) 12 30 47 58 60 32 1997 (c) 24 36 53 59 64 40 1999* (c) 42 51 64 74 83 55 Capacidade instalada 1999** (d) 61 61 79 81 92 70 11 18 26 32 37 21 a) DGA (valor de referência utilizado pelo PNPA em 1995) b) INAG c) Inquérito às Câmaras Municipais coordenado pelas DRAs *valores previstos com base nas obras em curso e em conclusão em 1999 ** tratamento efectivo sujeito à conclusão das redes em baixa Por outro lado. iniciado em 1996.Programa Operacional do Ambiente 2000 . Para o efeito foram criados diversos sistemas multimunicipais através da concessão de projectos de gestão a empresas de capitais públicos resultantes quer da associação entre a EGF Empresa Geral 172 . a ECTRI (Estação Colectiva de Tratamento de Resíduos Industriais). prevê 883 intervenções. como assegurassem um maior grau de cobertura territorial e populacional. O Programa de Reabilitação da Rede Hidrográfica.2 Resíduos Da estratégia de prevenção fazem parte a criação do Instituto de Resíduos. como forma de dar resposta à importância crescente dos problemas colocados pelos resíduos.Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave. 2. Prevenção e Controlo de Cheias. (Bacia do Alviela). o Sistema de Alcanena. A valorização e eliminação dos resíduos carecia de sistemas de gestão integrada que não apenas contemplassem as diversas tarefas implicadas pelos processos referidos. As acções contidas neste Programa orientamse para a recuperação da rede hidrográfica e para a garantia das condições de escoamento de linhas de água. encontram-se já em funcionamento várias soluções integradas de tratamento de águas residuais industriais: o SIDVA . Outra medida tomada no âmbito da prevenção refere-se às acções de planeamento empreendidas e consubstanciadas pela elaboração de Planos Estratégicos para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU). bem como a entrada em vigor do Decreto Lei nº 239/97 onde se definem as normas de gestão de resíduos. servindo um elevado número de unidades industriais metalúrgicas e metalomecânicas na área de Águeda.

compostagem e aterros sanitários Durante o mês de Junho de 1999. Entre os fluxos de resíduos. pneus. o Ministério do Ambiente apresentou uma proposta de decreto-lei com vista a regulamentar as condições de atribuição de licenças para aterros de resíduos industriais banais (não perigosos). Efectuou-se ainda um Protocolo entre o Instituto de Resíduos e o Sector Farmacêutico para implementação conjunta de um Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens Farmacêuticas. As medidas de política empreendidas neste sector conduziram à seguinte evolução de níveis de atendimento das populações: Evolução do Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (situação com implementação do PERSU) NUTS II Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve CONTINENTE Fontes: a) SEAMA Níveis de Atendimento Globais (%) 1997 (a) 1999 (a) 46 92 15 96 66 100 14 51 20 100 24 94 Nota: Considerando Tratamento Adequado apenas incineração.Programa Operacional do Ambiente 2000 . figuram as pilhas e acumuladores usados. bem como com os sistemas autárquicos. A Sociedade Ponto Verde tem vindo a assinar contratos diversos com os embaladores e as associações de recicladores. como os óleos usados. No contexto dos objectivos de reciclagem e reutilização de embalagens. Esta proposta abrange outros fluxos de resíduos. envolvendo no total 37 sistemas e 275 municípios. considerados prioritários. Ambos os tipos de sistemas destinam-se a efectuar a recolha selectiva. em 1997 foi criada a Sociedade Ponto Verde. quer da associação entre municípios (sistemas intermunicipais). etc. SA e os Municípios. 173 .2006 de Fomento. o tratamento e a valorização de resíduos. as pilhas e acumuladores. Os contratos celebrados com os embaladores permitem a cobertura pelo sistema integrado de cerca de 65% das embalagens colocadas no mercado. aprovada pelo Conselho de Ministros. Este processo é acompanhado pela recuperação e encerramento das lixeiras existentes. os óleos usados e os pneus usados. destinada a gerir o sistema integrado para o qual os embaladores podem transferir a responsabilidade pelo destino final dos resíduos de embalagens.

Assim. criar. a estratégia ambiental para a próxima década assentará nos seguintes vectores de actuação: 174 . Não foi possível durante a década de 90 atingir os níveis de protecção e de qualidade ambientais compatíveis com a média dos nossos parceiros comunitários. enquanto factores de desenvolvimento económico equilibrado e de prosperidade social. as metas e as acções prioritárias. mas também as directivas que serão implementadas no período 2000-2006.Programa Operacional do Ambiente 2000 . • Assim. Os temas centrais. Portugal disporá. compatíveis com as aspirações dos cidadãos. no entanto se muito ainda há a fazer. gradualmente. 3 Os principais vectores de actuação estratégica entre 2000-2006 A protecção do ambiente em Portugal enfrentará no princípio de século XXI dois grandes desafios: • • dar continuidade e completar a infra-estruturação básica. comunitário e internacional. no período 2000-2006 de condições e oportunidades que não podem ser desperdiçadas. reequilibrando o crescimento económico com um elevado grau de protecção e valorização dos recursos naturais. a necessidade de fazer aplicar o quadro normativo nacional. não só aquele que por razões de natureza económica e técnica ainda não foi totalmente implementado. a indispensabilidade da valorização e protecção das vantagens ambientais intrínsecas do território nacional. que nortearão a acção política no sentido de atingir no longo prazo as condições para um desenvolvimento sustentável têm em consideração três aspectos essenciais: • • a necessidade de prosseguir o esforço de modernização da infra-estruturação básica e da sua generalização a uma parte importante da população e do território nacional. a existência de um Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social para o período 20002006 ao qual se associa o III Quadro Comunitário de Apoio constitui um suporte de referência para a definição de políticas ambientais consistentes e capazes de dotarem o país de níveis de qualidade ambiental. as condições que permitam à sociedade portuguesa enveredar. no plano ambiental. por um desenvolvimento sustentável.2006 No sentido de dotar a indústria de instrumentos e conhecimento sobre a redução de resíduos na origem está em fase de preparação o Plano Nacional de redução dos Resíduos Industriais ( PNAPRI ). tendo em conta que o próximo período de programação dos Fundos Estruturais será decisivo neste domínio. Para enfrentar estes desafios. os progressos verificados nos últimos anos são a prova que a política de ambiente começa a dar os seus frutos e a contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos nacionais.

175 . A Administração Central promoverá. A gestão sustentável dos recursos naturais e o usufruto de uma qualidade ambiental mínima devem constituir a principal linha de orientação estratégica do país e basear-se em pressupostos de equidade. A compatibilização do planeamento territorial e das políticas sectoriais com o ambiente constitui uma das condições da sustentabilidade: avaliar ex-ante os impactes. Terceiro vector: a conservação e valorização do património natural no quadro de uma estratégia de conservação da natureza e da biodiversidade. construir indicadores de pressão ambiental das diferentes actividades e monitorizar os efeitos. entre os seus diferentes departamentos e ministérios a concertação necessária a uma abordagem integrada dos problemas ambientais e. em primeiro lugar. considerados como direitos essenciais para todos os portugueses. Quanto à integração dos objectivos os princípios fundamentais serão: Concretizar a integração das estratégias de controlo da poluição com uma melhor gestão dos recursos. necessária tanto ao nível dos objectivos como ao nível dos instrumentos utilizados para atingir esses objectivos. O sucesso desta opção depende do diálogo e da contratualização com os vários actores que intervêm na implementação prática das acções de desenvolvimento. em seguida. são algumas das condições a preencher para integrar objectivos de protecção ambiental nas políticas. fomentará as formas institucionais de cooperação e de contratualização com os restantes agentes. Segundo vector: a integração do ambiente na política de desenvolvimento territorial e nas políticas sectoriais. Quarto vector: o estabelecimento de um partenariado estratégico com os diferentes actores para a modernização ambiental das actividades económicas e das organizações.Programa Operacional do Ambiente 2000 . adaptar os instrumentos de intervenção. Generalizar a aplicação do Princípio do Poluídor Pagador com o Princípio do Utilizador Pagador.2006 Primeiro vector: A gestão sustentável dos recursos naturais e a melhoria da qualidade ambiental. A protecção e a valorização da diversidade biológica e da variedade dos ecossistemas e paisagens serão elementos fundamentais de uma “Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade”. de solidariedade e de responsabilidade partilhada. prevenir os danos. A integração constitui o elemento primordial de uma estratégia ambiental. O ambiente assume-se como estruturante e de carácter horizontal tendo em vista o desenvolvimento sustentável.

4 Implementação da estratégia no período 2000-2006 Para o período 2000 . em particular. nacional e mesmo da União Europeia e dos restantes países da comunidade internacional. Em linhas gerais prevê-se que a repartição dos apoios comunitários segundo a natureza dos investimentos em ambiente a realizar adquira a seguinte configuração genérica. quer no suporte a medidas de protecção do ambiente como o clima. sem prejuízo obviamente de eventuais adaptações ditadas pela evolução que se venha a registar ao longo do período: FEDER PROGRAMA OPERACIONAL DO AMBIENTE 176 . os cofinanciados pelo Fundo de Coesão e pelos Fundos Estruturais que exercerão uma influência decisiva na prossecução dos objectivos fixados para o período. a Administração e o mundo empresarial poderão tomar decisões mais eficientes e mais equitativas no que respeita ao uso dos recursos naturais e participar mais eficazmente no processo de tomada de decisão. destacam-se os financeiros. De entre os instrumentos de política.Programa Operacional do Ambiente 2000 . A educação e a informação ambientais devem envolver todos os cidadãos partindo da escola para a comunidade. Com educação e o acesso a uma informação de qualidade.2006 Quinto vector: O desenvolvimento da educação e da informação ambientais. aos níveis local. os oceanos e a defesa da biodiversidade em geral. e desta para a escola. Portugal propõe-se implementar a estratégia cujos principais vectores foram anteriormente expostos recorrendo a um conjunto de instrumentos que permitam criar as condições para a sustentabilidade do desenvolvimento do país no próximo século. quer na área dos bens e serviços. Os consumidores e a opinião pública têm um papel importante na criação de uma procura ambientalmente dirigida.2006. os cidadãos.

informação e gestão ambientais. drenagem e tratamento de águas residuais e valorização de resíduos sólidos urbanos) serão apoiados pelo Fundo de Coesão e. Neste contexto. Reserva-se o Programa Operacional do Ambiente para apoiar os investimentos de cariz eminentemente ambiental e para o apoio supletivo a soluções de integração do ambiente nos outros sectores contendo mais-valia ambiental relativamente às exigências mínimas legais em vigor. consoante o caso) necessários para assegurar a plena eficácia de cada sistema. da educação. e majorações de investimentos de mais-valia ambiental no contexto da sustentabilidade ambiental das actividades económicas. águas residuais e resíduos sólidos urbanos). com especial incidência nos investimentos em "alta" no domínio das três vertentes de saneamento básico (abastecimento de água. PROGRAMAS OPERACIONAIS REGIONAIS (Vertente ambiente e componente desconcentrada do ambiente nestes programas) Apoio prioritário aos investimentos visando completar o processo de infraestruturação básica do território. é naturalmente indispensável para a consecução dos objectivos fixados que se verifique uma condição essencial: • A complementaridade dos investimentos financiados pelo Fundo de Coesão através de financiamentos FEDER no âmbito dos Programas Operacionais Regionais dos investimentos a montante e a jusante (redes em baixa de distribuição ou recolha. dentro de uma lógica de que "quem polui deve despoluir. para as 177 . complementares e indissociáveis dos investimentos apoiados pelo Fundo de Coesão. pelos Programas Operacionais Regionais. e ainda as acções complementares no que se refere à melhoria do ambiente urbano.2006 Apoio prioritário a investimentos nos domínios da conservação e valorização do património natural e dos recursos naturais. FUNDO DE COESÃO Utilização prioritária no apoio aos grandes investimentos visando completar o processo de infraestruturação básica do território. águas residuais e resíduos sólidos urbanos). Constata-se portanto que nesta opção de enquadramento dos financiamento comunitários os grandes investimentos nas três vertentes do Saneamento Básico (abastecimento de água. da melhoria do ambiente urbano. quem preserva deve ser compensado". complementarmente. com especial incidência nos investimentos em "baixa" no domínio das três vertentes de saneamento básico (abastecimento de água.Programa Operacional do Ambiente 2000 . formação.

Abastecimento de Água A nível da qualidade do recurso água. sabendo-se que os problemas de poluição ambiental dos meios hídricos são agravados pela irregularidade climática do nosso país e pelo tipo de uso do solo. Esta condição implica a afectação de um mínimo de 100 milhões de contos nos Programas Operacionais Regionais para apoio a estes investimentos. drenagem e tratamento de águas residuais e recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos encontram-se ainda abaixo das médias europeias. A eutrofização das massas de água é um processo natural e lento. Águas superficiais O armazenamento de água em albufeiras constitui ainda em alguns casos o meio receptor de efluentes domésticos e industriais e ainda das escorrências dos solos agrícolas e florestais.1. originando processos de eutrofização.Programa Operacional do Ambiente 2000 . além da poluição por óleos. Esta constatação é um indicador inequívoco da necessidade de dar continuidade à infraestruturação a nível do saneamento básico. os níveis de atendimento atingidos para o abastecimento de água. é de salientar que uma questão indissociável das disponibilidades hídricas é o problema da qualidade da água. em particular. No que se refere aos problemas ligados ao saneamento básico que requerem ainda um esforço de investimento no sentido de garantir a integração nos padrões europeus respectivos identificam-se os seguintes aspectos: 5. 5 Os problemas por resolver no domínio do saneamento básico Apesar do esforço realizado no anterior período 94/99. Tendo em conta a opção de canalizar os apoios do Fundo de Coesão para as três vertentes do domínio do saneamento básico. material sólido e matéria orgânica. Por outro lado há ainda a referir os problemas associados à poluição por substâncias perigosas. A afluência excessiva de nutrientes. resultando do enriquecimento do meio em nutrientes e promovendo o crescimento da vida aquática ao 178 . bem como dos valores tidos como compatíveis com a existência e manutenção da qualidade de vida das populações.2006 vertentes do saneamento básico relativas ao abastecimento de água e à drenagem e tratamento de águas residuais. procede-se em seguida à definição dos problemas por resolver e aos objectivos específicos para o próximo período de programação. e que serão condição de acesso ao Fundo de Coesão para efeitos de financiamento dos investimentos em alta de cada sistema integrado. conduz à deterioração da qualidade da água. através do Fundo de Coesão e FEDER Ambiente. Os verões secos e prolongados e a correspondente diminuição de valores de caudal conduzem a capacidades muito reduzidas de autodepuração durante a estiagem. e numa lógica de Sistemas integrados do Ciclo da Água.

Praticamente todas caem no âmbito das seleccionadas pela OSPAR e União Europeia. da presença de explorações pecuárias não controladas e da ausência de esgotos urbanos com tratamento insuficiente ou nulo. como por mau funcionamento ou má conservação das componentes dos sistemas de abastecimento. tem-se assistido à diminuição gradual da sua qualidade. na monitorização dos meios hídricos levada a cabo pelos Estados Membro e na adopção de modelos matemáticos para estudo da dispersão. constituem problemas carecendo de um esforço complementar na sua resolução: • As deficiências a nível da constância e pressão do abastecimento de água. que se inserem nas constantes da Lista II da Directiva 76/464/CEE candidatas à Lista I. ou com tratamento deficiente). um programa de monitorização das águas doces superficiais e das águas marinhas e estuarias que dê resposta em conformidade com o exigido pelas instâncias mencionadas. A nível das origens e abastecimento de água. apenas. Possui. a Comissão Europeia deliberou alterar o artº 21º da Proposta de Directiva Quadro para a Água estabelecendo a data limite de fim de 1998 para a obtenção de uma lista de substâncias sujeitas a vigilância prioritária devido ao seu comprovado risco para o ambiente e a saúde humana.Programa Operacional do Ambiente 2000 . caracterizadas por uma rede de origens muito dispersa e de assinalável pequenez. Douro e Guadiana) como em lagoas (Quiaios. ainda. A fragilidade do abastecimento de água nas regiões do interior do país. via meios aquáticos. Os blooms algais são a consequência mais directa dos estádios de eutrofização e os dois nutrientes considerados com mais significado para o crescimento destes organismos são o azoto e o fósforo. Estes blooms têm ocorrido tanto em águas correntes (rios Minho. pois. resultando de situações isoladas ou conjuntas de abuso de adubação (fosfatos e nitratos). Das 71 albufeiras actualmente classificadas.2006 nível das cadeias tróficas. Mira e Salgueira) ou albufeiras. Portugal não tem dados analíticos coligidos e organizados nem tem estabelecido. Substâncias perigosas em meio aquático No âmbito da qualidade da água merece particular destaque a presença de substância perigosas em meio aquático: em 26 de Novembro de 1997. Águas subterrâneas No que se refere às águas subterrâneas. tanto em virtude de causa hidrológicas sem uma adequada resposta em termos de armazenamento. 20% em eutrófico e em 40% das massas lênticas o processo de eutrofização foi já iniciado. cerca de 40% do total da água nelas armazenada encontra-se em estado oligotrófico. produzidas e/ou importadas. A prioridade assenta. e para quantidades reportadas superiores a 10 toneladas/ano. com as incidências 179 • . um estudo sobre a existência das substâncias existentes no País. em função da existência de focos de rejeição de poluentes com origem nas actividades agrícolas (abuso de adubos e fertilizantes) e industriais (águas residuais sem qualquer tratamento.

Programa Operacional do Ambiente 2000 . restando todavia a necessidade de proceder às seguintes acções: • • Apostar na valorização. Drenagem e tratamento de águas residuais Também na vertente de drenagem e tratamento das águas residuais subsistem algumas carências cuja solução é indispensável à plena eficiência dos sistemas em causa. 5. Resíduos Sólidos Urbanos O sector dos resíduos sólidos urbanos é aquele que regista os maiores níveis de atendimento. verificam-se situações em que estão presentes as infraestruturas de drenagem de águas residuais. • • • As situações de ausência de qualidade das águas superficiais e subterrâneas associada a uma rede de monitorização ainda deficiente. • • • • 5. Concluir as soluções de cofinamento em aterro e a selagem dos locais de deposição que não correspondam a critérios ambientalmente correctos. face ao crescimento urbano verificado. As carências de tratamento nas ETA’s por motivos técnicos e humanos. a nível da fiabilidade dos abastecimentos e respectivo controlo de qualidade. De facto. Subdimensionamento de algumas ETAR’s. impondo uma actuação a nível da valorização orgânica.2006 daí resultantes. 180 . sem a necessária correspondência em termos de tratamento.2.3. Necessidade de reabilitação de algumas infraestruturas existentes. Entre os problemas identificados constam os seguintes: • Níveis de atendimento da população insuficientes com a devida articulação de drenagem e tratamento de águas residuais. numa situação de proximidade das redes de esgoto ou de explorações agro-pecuárias e industriais. A má conservação das estruturas de distribuição (fissuras e rupturas em estruturas envelhecidas). Carência de pessoal com a formação adequada para gestão e manutenção dos sistemas de tratamento. Inadequação de alguns processos de tratamento relativamente à natureza e quantidade dos efluentes. que se revela ainda insuficiente. levando à inoperacionalidade temporária de algumas instalações existentes. da reciclagem e da valorização energética.

Proporcionar campanhas educativas que incentivem uma menor produção de resíduos. O investimento no período 2000181 . PARTE 2 OBJECTIVOS ESRATÉGICOS PARA 2006 1 Ciclo integrado da água Nas últimas décadas e em particular no período do QCA II. como em termos da deposição selectiva.Programa Operacional do Ambiente 2000 . efectuou-se um elevado investimento para aumentar a cobertura de população com serviços de abastecimento de água e de drenagem e tratamento de águas residuais. e uma deposição adequada tanto em termos de recurso aos locais próprios para a deposição.2006 • • Encontrar as soluções de tratamento e deposição adequadas aos resíduos específicos.

com especial incidência na faixa interior do país. Neste domínio é essencial enquadrar os investimentos a realizar em planos relativos a Sistemas de Ciclo Integrado da Água. a título complementar. a implementação de medidas previstas nos POOC. em termos de atendimento das populações. será. na melhoria da qualidade da água fornecida e do serviço prestado. ainda. criado ou a criar. E. bem como intervenções na rede hidrográfica que permitam uma melhor gestão dos recursos hídricos. de 90%. designadamente no fecho de sistemas iniciados no QCA II. compatíveis com os planos de bacia. No que se refere ao tratamento das águas residuais. Serão objectivos a atingir em 2006.Programa Operacional do Ambiente 2000 . na melhoria do nível de tratamento dos esgotos e na reutilização da água tratada para determinados usos. sendo os primeiros a apoiar pelo Fundo de Coesão e os segundos pelos Programas Regionais. os investimentos em alta e em baixa do ciclo integrado. através da aplicação de medidas tendentes ao integral cumprimento das diversas directivas comunitárias. no contexto de cada Sistema. pelo Programa Operacional do Ambiente. O investimento articular-se-à fundamentalmente numa lógica de reforço do ciclo integrado de água através de sistemas integrados. ou. os seguintes: Nível de atendimento global no ano 2006 População do Continente Serviço Abastecimento de água Tratamento de águas residuais Percentagem 95% 90% Cumulativamente. o objectivo será reduzir em cerca de 80% a carga poluente no meio hídrico. será necessário continuar o esforço de investimento na construção de infraestruturas. o nível de atendimento em cada sistema. sobretudo nas áreas protegidas e sensíveis 2 Resíduos Sólidos Urbanos No respeitante à componente de resíduos sólidos urbanos e após a primeira fase de infraestruturação básica. Relativamente à qualidade da água para produção de água para consumo humano e águas balneares. no mínimo. articulando. com particular incidência no tratamento das águas residuais. passar-se-á a uma segunda fase que permitirá atingir as seguintes 182 .2006 2006 será preferencialmente orientado na resposta aos problemas identificados e à colmatação das lacunas na cobertura da população com aqueles serviços. até 2006.

compatíveis com as directivas comunitárias e consequentemente com o nível médio da União Europeia: Nível de atendimento global no ano 2006 População do Continente Serviço Tratamento e destino final adequado para os resíduos sólidos urbanos Percentagem 98% No quadro da política dos 3Rs são definidos os seguintes objectivos para o ano de 2006 (em percentagem do total de resíduos tratados): Tipo de valorização Material Energética Orgânica Percentagem 17 20 25 Os principais investimentos a realizar neste domínio referem-se à valorização e serão apoiados prioritariamente pelo Fundo de Coesão. Portugal considera que o Fundo de Coesão deverá continuar a apoiar preferencialmente os investimentos relativos às grandes infraestruturas (investimentos em alta) das vertentes de saneamento básico (abastecimento de água. águas residuais e RSU). designadamente: 183 .Programa Operacional do Ambiente 2000 . no contexto da distribuição por fontes de financiamento dos apoios comunitários no domínio do Ambiente para o período 2000-2006. PARTE 3 OS FINANCIAMENTOS PELO FUNDO DE COESÃO 1 As opções de financiamento Conforme referido anteriormente.2006 taxas de atendimento.

drenagem. de modo a garantir a plena aplicação do principio do poluidorpagador. a título complementar. Incentivo à associação do investimento privado. 184 .1 Quanto ao enquadramento Enquadramento preferencial dos pedidos de financiamento para as vertentes Abastecimento de água e Águas residuais numa lógica de sistema integrado do ciclo da água (cobrindo vertentes alta e baixa do processo. designadamente captação. Na vertente RSU os principais apoios incidirão sobre a valorização material e orgânica. Assegurem a sua auto-sustentabilidade. Enquadramento preferencial dos pedidos de financiamento para a vertente RSU na lógica dos 37 sistemas já existentes (de carácter multimunicipal ou intermunicipal) criados no contexto da aplicação do PERSU e pondo em evidência a complementaridade dos investimentos e respectivas fontes de financiamento de modo a tornar visível as sinergias geradas no sentido de potenciar o efectivo cumprimento das directivas comunitárias no domínio do saneamento básico. distribuição.2006 • Nas vertentes Abastecimento de água e Águas residuais o apoio será preferencialmente dedicado à conclusão ou extensão dos sistemas de abastecimento ou de tratamento iniciados no QCA II.Programa Operacional do Ambiente 2000 . e. sobre as infraestruturas de destino final cuja conclusão não foi possível no QCA II. Apliquem tarifas reais. • 2 Os princípios básicos das intervenções 2. e complementando as necessidades de investimentos estimadas. adução. e à cobertura da faixa interior do País. 2.2 Quanto aos modelos de gestão e de financiamento Prioridade à utilização de modelos de gestão do tipo empresarial que: • • • Ofereçam garantias de funcionamento dos sistemas. tratamento e rejeição) e pondo em evidência a complementaridade dos investimentos e respectivas fontes de financiamento de modo a tornar visível as sinergias geradas no sentido de potenciar o efectivo cumprimento das directivas comunitárias no domínio do saneamento básico. aumentando assim o efeito indutor do Fundo de Coesão. de modo a diminuir as taxas de comparticipação comunitária.

de forma progressiva e compatível com os objectivos da coesão económica e social e considerando a aceitação social dos sistemas tarifários que daí resultarão. determina que a fixação das tarifas nos serviços municipais de águas. não devem. a manutenção. no Decreto-Lei n. Para os sistemas municipais concessionados o artigo 5º do Decreto-Lei n. e no Decreto-Lei n.º 11/87.º 379/93.º 42/98. Quanto às condições a observar nos sistemas municipais e multimunicipais geridos de forma empresarial por concessão nas condições previstas no Decreto-Lei n.º 236/98. reparação e renovação dos bens e equipamentos afectos à concessão e os encargos de gestão. de 1 de Agosto.3 Aplicação do Princípio do Poluidor – Pagador • Estado português está consciente da necessidade de aplicação do princípio do poluidor pagador. tal como se prevê nos Decretos-Lei n. de 7 de Abril. permitindo a sua aplicação de um modo progressivo. relativos aos serviços prestados e aos bens fornecidos pelas unidades orgânicas municipais e serviços municipalizados.º 47/94. no seu artigo 20º. a Lei das Finanças Locais. águas residuais e resíduos sólidos urbanos concessionados deve assegurar a amortização dos investimentos a cargo da concessionária. No que respeita às águas para consumo humano. Lei n. de 9 de Setembro. de 21 de Junho. 185 • • • . A fim de avaliar em que medida o sistema de tarifas existente para os sectores da água e dos resíduos tem em conta a aplicação do princípio do poluidor-pagador. que as tarifas e os preços a fixar pelos municípios.Programa Operacional do Ambiente 2000 . • No que concerne aos sectores industriais. Por isso o princípio do poluidor pagador está consagrado na legislação nacional para o sector da água e dos resíduos. e vem tendo uma aplicação crescente em todas as intervenções co-financiadas. Lei n. no que respeita ao regime económico e financeiro das utilizações do domínio público hídrico (artigo 8º). de 22 de Fevereiro.2006 2. de 22 de Fevereiro e no Decreto-Lei n. deduzidos de eventuais subsídios.º 46/94. a obrigação de o poluidor prevenir. que comunicará à DRA as condições da autorização para verificação da sua conformidade com as disposições legais. de 6 de Agosto. neste caso. águas residuais urbanas e resíduos sólidos urbanos. elas são ainda mais taxativas.º 239/97. corrigir ou recuperar o ambiente suportando os encargos daí resultante tem expressão no artigo 3º da Lei de Bases do Ambiente. Estes objectivos serão avaliados em 2003. incluindo os serviços de água para consumo humano. águas residuais urbanas e resíduos sólidos urbanos. no que respeita aos resíduos (artigo 6º). a entidade competente para autorizar é a entidade gestora do sistema. determina. de 5 de Novembro. em princípio. será elaborado um estudo que faça o diagnóstico da situação e estabeleça objectivos que visem considerar de forma acrescida o princípio do poluidor-pagador. o mesmo sucedendo com a descarga destas águas em colectores municipais sendo que. Por outro lado. a emissão ou descarga de águas residuais na água ou no solo por uma instalação carece de uma licença a emitir pela Direcção Regional do Ambiente na qual será fixada a norma de descarga e demais condições aplicáveis.º 147/95. ser inferiores aos custos directa e indirectamente suportados com o fornecimento desses bens e serviços.

especialmente no que se refere aos consumos domésticos básicos. e no que respeita aos critérios nacionais de elegibilidade ao Fundo de Coesão fixados naquele mesmo Plano Estratégico destacamos os seguintes.3 – Critérios de elegibilidade dos projectos de investimento a financiar pelo Fundo de Coesão: 186 . como decorre da aplicação do princípio do utilizador-pagador. • Já em relação directa com o Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006) no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais. implica elevados custos de investimento e exploração que deverão ser assumidos pelos seus directos beneficiários.4.º 294/94.Uma política de tarifas justas A construção e operação de sistemas de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais. sem deixar. à requalifícação e defesa do ambiente e à qualidade do serviço prestado aos utentes. no entanto. no capítulo dedicado à política tarifária. Transcrevemos na íntegra o que se ali diz : “ 5. as preocupações da CE quanto à aplicação do princípio do poluidor-pagador encontram plena consagração.. Bases do Contrato. tendo em vista a total cobertura do País.2006 reflectindo a estrutura de custos (art.º 5º).7 .º 162/96. a melhoria significativa das condições de vida das populações e o desenvolvimento da nossa economia. não apenas em relação com o princípio do poluidor-pagador mas também quanto ao cumprimento da legislação comunitária para o ambiente: “ 8. Idêntica disposição pode ser encontrada no Decreto-Lei n. de tarifa única para todo o País. que as soluções a adoptar no âmbito deste Plano Estratégico sejam as que conduzam às menores tarifas possíveis. o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território incentivará a adopção das soluções que conduzam a uma maior justiça e rigor nas tarifas praticadas e à correcção das grandes disparidades que se verificam actualmente no País. que vão ao encontro das preocupações manifestadas pela C. de 4 de Setembro. de se ter em devida consideração o real poder de compra das populações e as suas diferenças regionais.E. A possibilidade de comparticipações e subsídios a fundo perdido ali previstos têm precisamente em vista as problemáticas da coesão económica e social e aceitação social da tarifa. estabelece na Base XIII os critérios para a fixação das tarifas nos quais este mesmo princípio se encontra plenamente consagrado. Neste contexto. tratamento e rejeição de efluentes o Decreto-Lei n. Importa. de 16 de Novembro para os sistemas multimunicipais de tratamento de resíduos sólidos urbanos (Base XII). por isso. pelo que não se advoga qualquer política. Compete à tarifa assegurar este objectivo. funcionando em boas condições no que respeita à qualidade da água.Programa Operacional do Ambiente 2000 . no seu Anexo. Para os sistemas multimunicipais de recolha.” • Por último.

que realizem uma optimização dos investimentos na perspectiva do interesse público e as economias de escala possíveis à luz das condicionantes de ordem técnica próprias de projectos desta natureza. e nos Decretos-Lei n. nos termos do direito comunitário ( no essencial transposto para o direito nacional pelo Decreto-Lei n. nomeadamente no que concerne aos objectivos nacionais em matéria de protecção das origens de água. -que se enquadrem nos programas de medidas visando a melhoria e a protecção da qualidade das águas e dos ecossistemas aquáticos. de 21 de Maio (transposta para a ordem jurídica interna pelo Decreto-Lei n. onde se incluem as águas. respectivamente. relativos ao planeamento de recursos hídricos.2006 . que irão ser explorados de forma tecnicamente qualificada e em condições de gerar as receitas necessárias à cobertura de todos os encargos de exploração e manutenção. estão condicionadas a um regime de licenciamento obrigatório e ao pagamento de taxa de utilização. através de adequadas soluções institucionais.º 11/87. de 7 de Abril. etc.” 2. -que satisfaçam todas as demais exigências da legislação nacional para o ambiente. De acordo com aquele conjunto articulado de diplomas as utilizações do domínio hídrico. ao regime de licenciamento das utilizações do domínio hídrico e ao regime económico e financeiro das utilizações do domínio público hídrico.Programa Operacional do Ambiente 2000 . -que respeitem as obrigações de Estado-membro relativamente aos níveis de tratamento e prazos estabelecidos pela Directiva 91/271/CEE. relativamente aos quais esteja assegurado. devendo ainda observar o disposto 187 • . -Que estejam em conformes com as linhas de acção estratégica constantes deste Plano Estratégico. e das reposições futuras. de 19 de Junho). -que ofereçam garantias de sustentabilidade futura. à redução da poluição nas bacias drenantes das zonas sensíveis e zonas vulneráveis.4 Gestão da Procura • As preocupações com a gestão da procuram têm consagração legal entre nós. de 1 de Agosto). ao ordenamento do território.º 152/97. ao licenciamento de águas residuais industriais de competência autárquica. o que presume a sua integração num planeamento de recursos hídricos por bacia hidrográfica. -que estejam em condições de avançar rapidamente para a fase de execução e que tenham qualidade técnica. ou seja. Lei n. desde logo no artigo 10º da Lei de Bases do Ambiente. de 22 de Fevereiro.º 45.46 e 47/94. oferecendo por esse facto garantias de boa execução financeira.º 236/98.

ele é em si mesmo instrumento de gestão da procura. O mesmo pode dizer-se do regime de taxas de utilização do domínio público hídrico. em si mesmos. • Este objectivo têm também ampla consagração no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais (2000-2006).Programa Operacional do Ambiente 2000 . bem como uma aplicação económica dos recursos financeiros” (artigo 2º do Decreto-Lei n. articulando a procura e a oferta e salvaguardando a preservação quantitativa e qualitativa dos recursos hídricos. promotor da parcimónia do uso e da protecção do recurso. e do modelo tarifário já referido a propósito do princípio do poluidor-pagador-ele é. mas também nas referências à preservação e promoção da qualidade das águas na origen. Entre os requisitos dos planos está a “racionalidade. visando a optimização da exploração das várias origens da água e a satisfação das várias necessidades.º 95/94). Não apenas nas referências ao modelo tarifário que é ali promovido e nos critérios da elegibilidade de projectos ao Fundo de Coesão que é preconizado. à redução de perdas e de consumos não facturados.2006 nos planos aprovados. Quanto ao licenciamento das utilizações. 3 Investimentos em Ambiente Estimativa das Necessidades e Disponibilidades NECESSIDADES Fundo de Coesão DISPONIBILIDADES PIDDAC Financiamen to dos Sistemas (nomeadame nte privado) FEDER 137 75 62 51 51 PO Regionais Milhões de contos INAG 120 120 25 25 INR Abastecimento de Água Alta Baixa 357 220 137 Câmaras Outras Municipais Fontes 18 6 18 188 6 . e em particular das captações de água. à reutilização de efluentes. entre os objectivos ali propostos.

2006 Drenagem e Tratamento de Águas Residuais Alta Baixa Recolha e Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos Infraestruturas de destino final Valorização material e orgânica TOTAL 492 255 237 103 34 69 952 140 140 47 16 31 307 8 3 5 8 278 115 163 23 5 18 438 51 51 16 5 11 118 18 18 9 5 4 45 5 5 25 11 4 Identificação dos Projectos 4. actualmente a ser financiado pelo FC) DOURO E PAIVA Sistema multimunicipal de abastecimento de água à área sul do grande Porto alargamento aos municípios do Vale do Sousa.2ª fase Sistema integrado de despoluição do Rio Lis e ribeira de Seiça (conclusão do sistema actualmente a ser financiado pelo FC) SIMRIA .Programa Operacional do Ambiente 2000 . Resíduos Sólidos Urbanos LIPOR Construção do aterro sanitário de apoio à central de incineração da Lipor VALORSUL Construção da central de valorização orgânica RESIOESTE – 2ª fase 189 .1 Projectos relativos a Sistemas já implementados: Abastecimento de Água / Águas Residuais SIMLIS . SANEST Melhoria no sistema de tratamento da Costa do Estoril.2ª fase Sistema Multimunicipal integrado de despoluição da Ria de Aveiro (conclusão do sistema multimunicipal da Ria de Aveiro.

2 Candidaturas relativas a novos sistemas a implementar: Abastecimento de Água / Águas Residuais OESTE/ VALE DO TEJO O Sistema a criar refere-se a abastecimento de água e tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de : Alcanena Alenquer Almeirim Alpiarça Azambuja Cartaxo Chamusca Golegã Rio Maior Salvaterra de Magos Santarém Torres Novas Alcobaça Bombarral Cadaval Caldas da Rainha Lourinhã Nazaré Óbidos 190 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 Sistema multimunicipal de recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos do Oeste (conclusão do sistema actualmente a ser financiado pelo FC) 4.

2006 Peniche Torres Vedras ZÊZERE E CÔA O Sistema a criar refere-se a abastecimento e tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de Belmonte Covilhã Fundão Manteigas Penamacôr Sabugal MINHO E LIMA O Sistema a criar refere-se a abastecimento e tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de : Caminha Melgaço Monção Paredes de Coura Valença Vila Nova de Cerveira Arcos de Valdevez Ponte da Barca Ponte de Lima Viana do Castelo 191 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Programa Operacional do Ambiente 2000 .2006 TEJO-TRANCÃO O Sistema a criar refere-se ao tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de : Arruda dos Vinhos Lisboa Loures Mafra Sobral de Monte Agraço Vila Franca de Xira PENÍNSULA DE SETÚBAL O Sistema a criar refere-se a abastecimento e tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de : Alcochete Almada Barreiro Moita Montijo Palmela Seixal Sesimbra Setúbal LITORAL-BAIXO ALENTEJO O Sistema a criar refere-se a abastecimento e tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de : Almodôvar 192 .

2006 Barrancos Beja Castro Verde Mértola Moura Serpa Alcácer do Sal Aljustrel Ferreira do Alentejo Grândola Odemira Ourique Santiago do Cacém Sines GRANDE PORTO E NORTE DO GRANDE PORTO O Sistema a criar refere-se ao tratamento de águas residuais urbanas abrangendo os concelhos de Espinho Gondomar Maia Matosinhos Porto 193 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

2006 Valongo Vila Nova de Gaia Braga Montalegre Póvoa do Lanhoso Vieira do Minho Resíduos Sólidos Urbanos DISTRITO DE ÉVORA Sistema para recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos dos seguintes concelhos: Alandroal Arraiolos Borba Estremoz Évora Montemor-o-Novo Mora Mourão Redondo Reguengos de Monsaraz Vendas Novas Vila Viçosa BAIXO ALENTEJO Sistema para recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos dos seguintes concelhos: 194 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

2006 Almodôvar Barrancos Beja Castro Verde Mértola Moura Serpa Ourique ALTO TÂMEGA Sistema para recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos dos seguintes concelhos: Boticas Chaves Ribeira de Pena Valpaços Vila Pouca de Aguiar Montalegre BAIXO TÂMEGA Sistema para recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos dos seguintes concelhos: Amarante Baião Cabeceiras de Basto Celorico de Basto Marco de Canaveses Mondim de Basto 195 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

Esta descrição não pretende.9 APOIO PREVISTO 85% 85% 85%  50% 50% 85% Milhões CONTOS CANDIDATURA SIMLIS – 2ª fase SIMRIA – 2ªfase DOURO E PAIVA(alargamento ao Vale de Sousa) SANEST LIPOR VALORSUL RESIOESTE INVESTIMENTO ESTIMADO 9 10 10 9 a) 1.5 19.Programa Operacional do Ambiente 2000 . ser exaustiva nem limitar a apresentação de outros projectos futuros. nem vincular os investimentos apresentados pois são apenas estimativas.2006 Milhões EURO CANDIDATURA SIMLIS – 2ª fase SIMRIA – 2ªfase DOURO E PAIVA(alargamento ao Vale de Sousa) SANEST LIPOR VALORSUL RESIOESTE INVESTIMENTO ESTIMADO 45 50 50 45 7.8 30. 196 . de modo algum.2 APOIO PREVISTO 85% 85% 85% __ 50% 50% 85% a)Está em curso o trabalho de cálculo da tarifa média socialmente aceitável pelo que não é ainda possível indicar quais os montantes e fontes de financiamento dos restantes projectos.5 4 6.

foi acordada para esta Medida. foi acordada para esta Medida.1 do Tratado.1 do Tratado.3 : REGIME DE AJUDAS DE ESTADO Respeito pelas regras comunitárias em matéria de concorrência no domínio das ajudas de estado Referência da Medida (cod. no sentido do artigo 87. no sentido do artigo 87. Formação Nenhuma ajuda de e Gestão Ambientais estado.3 Informação. e designação) Título do Regime Número do regime Referência da carta Duração de ajudas ou da de ajuda (2) de aprovação (2) Regime (2) ajuda (1) de Medida 1.1 Conservação e Nenhuma ajuda de Valorização do Património Natural estado.2 Valorização e Nenhuma ajuda de Protecção dos Recursos Naturais estado. Medida 2.1 Melhoria do Ambiente Nenhuma ajuda de Urbano estado.1 do Tratado. no sentido do artigo 87.2 Apoio Sustentabilidade Ambiental Actividades Económicas à Nenhuma ajuda de das estado. Medida 1. 197 . no sentido do artigo 87. foi acordada para esta Medida.2006 ANEXO. Medida 2.1 do Tratado.1 do Tratado. Medida 1. foi acordada para esta Medida. foi acordada para esta Medida.Programa Operacional do Ambiente 2000 . no sentido do artigo 87.

2006 198 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .

2006 199 .Programa Operacional do Ambiente 2000 .