Revista Capacitando para Missões Transculturais #1

http://www.apmb.org.br EDUCAÇÃO TEOLOGICA ALTERNATIVA José Rosifran C. Macedo Definição do Nosso Papel Ao analisarmos o modelo de treinamento da maioria das profissões seculares, achamos as seguintes características: • O objeto do estudo é passivo, como por exemplo, o corpo humano, doenças, leis, cálculos. • O conhecimento do objeto está concentrado em certas instituições que detêm o poder de habilitar os profissionais em cada área. • O indivíduo que almeja certa habilitação precisa associar-se a estas instituições para que o conhecimento e a habilitação lhe sejam dados. • A habilitação para o exercício da profissão é dada quando a pessoa obtém certo nível de conhecimento requerido. O individuo recebe o diploma e estará apto para ser um médico, advogado ou engenheiro. O resultado deste sistema é que há um depositário do conhecimento (a faculdade) e, há um receptor (o aluno). Há uma dependência do último para com o primeiro e o ensino é uma estrada de mão única que vai de cima para baixo. Apenas certa porcentagem (10%?) do treinamento teológico deve ter as características descritas acima; a sua maior parte deve divergir drasticamente do que foi descrito. Como instituições de educação teológica, nós precisamos ter consciência do nosso papel na formação dos obreiros da seara de Deus, se quisermos ser achados como "obreiros fiéis" no uso dos dons entregues a nós pelo próprio Senhor. Para isto precisamos de respostas para as seguintes perguntas: • Qual o resultado que queremos obter no final dos anos de treinamento que oferecemos? • O que ensinamos? • Quem são as pessoas que treinamos? • Qual é o papel que desempenhamos no treinamento? • Qual é a nossa filosofia e atividades de trabalho? 1. O Alvo errado Nós pecamos ao achar que o nosso alvo como instituição teológica, ou missiológica (já que não há missiologia sem teologia, daqui por diante irei me referir ao treinamento teológico incluindo as duas áreas), é formar pastores e missionários. Há muito debate atualmente tentando definir se isto é função do seminário ou da Igreja. Na realidade não é nem de um nem do outro. Quem forma obreiros para a sua seara é o próprio Senhor. É Ele quem escolhe, chama, capacita e envia (Mt 9.38; Rm 1:1; At 13.2). O seminário e a Igreja precisam zelar para que estes obreiros tenham certa maturidade no Senhor antes que comecem a exercer o ministério de tempo integral. Esta maturidade inclui relacionamento com Deus, conhecimento da Palavra e testemunho de vida diante dos outros. O nosso alvo não é formar ou habilitar pastores e missionários. Se assim

definirmos o nosso alvo, como no modelo secular, nos veremos como os depositários e guardiões do saber onde os alunos precisam ser submergidos para que obtenham este conhecimento. O ensino será uma estrada de mão única, haverá uma superioridade nossa em relação aos alunos, uma dependência destes para conosco, e o nosso papel será definido, simplesmente, como transmissores de informação. A cada ano falamos para os nossos alunos que o nosso alvo é ver na vida de cada um uma maturidade que deve ser demonstrada numa atitude de aprendizagem. Isto encrue uma aprendizagem em relação a Deus, às informações e às circunstâncias. Uma vez definido o nosso alvo teremos uma visão precisa de quem somos, o que ensinamos e quem são os nossos alunos. 2. Sujeito e não Objeto O treinamento teológico diverge drasticamente do secular no que se refere ao Objeto de estudo. Na realidade Ele não é o Objeto de estudo, mas o Sujeito do treinamento. Se virmos Deus como Objeto de estudo, sobre quem relemos o conhecimento que precisa ser transmitido aos nossos alunos, de certa maneira, estaremos assumindo o lugar de Deus na vida deles. O conhecimento de Deus, e a revelação da Sua Palavra e vontade só podem ser adquiridos quando o próprio Deus se revela aos homens. Embora a verdade acerca de Deus seja uma só, a revelação dela aos homens é feita por Ele de uma maneira altamente individualizada. Precisamos reconhecer aceitar e respeitar a maneira como Deus está se revelando á cada um dos nossos alunos e encorajá-los, com os dons que nos foram dados por Ele mesmo, a que continuem crescendo. A visão do que ensinamos influencia diretamente a visão de quem são os nossos alunos e como os tratamos. Quando colocamos Deus no lugar apropriado, sujeito e não objeto, nos livramos de pesos e responsabilidade inalcançáveis, temos uma visão correta de quem são os nossos alunos, do nosso papel no treinamento deles, e desenvolvemos uma humildade genuína no nosso relacionamento com eles. 3. Colaboradores em Cristo No modelo secular o aluno é visto como um noviço, um desconhecedor do saber que precisa ter sua mente iluminada e treinada através da transmissão do conhecimento. Na educação teológica temos que ver os nossos alunos como colaboradores de Cristo a serviço do seu reino que estão num período de treinamento intensivo, antes de assumirem o ministério integralmente. Temos que reconhecer que eles podem adquirir este treinamento sem nós, porém num prazo mais longo, e talvez com conseqüências bem negativas para eles e para a Igreja. Os seminários precisam fornecer o ambiente apropriado para que este treinamento aconteça num prazo menor e cuidar das feridas que ocorrem durante este período. Por vermos os alunos como colaboradores de Cristo e nossos colegas de ministério, na nossa escola só recebemos pessoas que têm consciência de um chamado para o ministério, e que de alguma forma já estão envolvidos na obra. Aqui entra a colaboração que a Igreja e o seminário precisam ter quanto ao treinamento dos obreiros. A visão do "aluno" como membro do corpo de Cristo e colega de ministério modifica radicalmente o nosso tratamento para com ele, O ensino é visto como um caminho de duas mãos, pois muitos têm dons e experiências diferentes das nossas e um relacionamento individual com o Senhor. Por isto eles têm muito a contribuir para a vida

da escola e muito a nos ensinar. É isso mesmo - eles podem nos ensinar muitas coisas importantes. Um exemplo clássico deste tipo de "ensino" é o apóstolo Paulo, o grande "mestre" da igreja cristã. Ao escrever para os romanos, ele declara que tem algo para ministrar a eles, mas também tem algo a receber deles: "Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados; isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos, por intermédio da fé mútua, vossa e minha" (Rm 1.11-12). 4. Um só Mestre Tendo definido o nosso alvo, o que ensinamos e quem são os nossos alunos, o nosso papel fica claramente evidenciado. Nosso papel não é de depositários da verdade nem fornecedores do saber. Somos apenas catalisadores e estimuladores da aprendizagem. O nosso papel é promover situações e experiências onde o ensino e a aprendizagem acontecem. Quem ensina é o Mestre. Quem aprende é o aluno. Como irmãos mais velhos e mais experientes (em certas áreas), devemos estar acompanhando e auxiliando aqueles a quem o Mestre está treinando. Somente nos vendo desta forma, como auxiliadores e colaboradores, é que podemos entender as palavras de Jesus em Mateus 23.8 "Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é o vosso Mestre, e vós todos sois irmãos." 5. Estimulando a aprendizagem Tendo o nosso alvo e o nosso papel bem definidos fica mais fácil desenvolver uma filosofia e um programa de ensino. Como já falamos antes, a cada ano enfatizamos aos nossos alunos que nosso alvo não é fornecer todas as informações que eles precisam para serem bons obreiros. Isto é uma tarefa impossível de ser realizada por qualquer instituição. Nós deixamos bem claro que o nosso alvo é ver na vida de cada um o desenvolvimento de uma atitude de aprendizagem em relação a Deus, às informações e às circunstâncias. Se virmos nos alunos uma aprendizagem no relacionamento com Deus através da oração, do estudo da Palavra, da prática de uma vida santificada, da vitória de uma vida de fé e na batalha espiritual, podemos ter certeza de que serão obreiros bem sucedidos (2Tm 2.2). A formação do caráter de Cristo na vida do obreiro cristão é a marca mais importante que ele precisa no ministério. Tendo isto sido demonstrado durante o período de treinamento, podemos descansar na certeza de que eles continuarão aprendendo do Senhor durante o decorrer de toda a sua vida. A segunda área em que o indivíduo deve demonstrar uma atitude de aprendizagem é em relação às informações, em especial às informações a respeito da Palavra (2Tm 2.15). É apenas nesta área que uma pequena parte do nosso programa se assemelha ao treinamento secular. Mesmo assim, o nosso papel é providenciar uma base e apresentar as ferramentas disponíveis com as quais os próprios alunos poderão aprender e continuar aprendendo mesmo depois de deixarem o seminário. Nenhuma escola pode se propor a fornecer todas as informações que os alunos necessitarão para desempenharem um ministério frutífero. Esta é uma tarefa impossível, pois cada aluno tem sua própria história, irá exercer um ministério individual e confrontar situações variadas, as quais são imprevisíveis. Além destas particularidades, a gama de informação que há em cada área de estudo é tão grande que seria impossível em quatro

ou cinco anos passar tudo para os alunos. Por outro lado, fornecer o básico e ver nos nossos alunos uma atitude de aprendizagem é um alvo mais atingível. Na nossa experiência temos descoberto o sistema educacional brasileiro como o maior empecilho nesta direção. A maioria dos nossos alunos não foram treinados para pensar por si mesmos. A experiência de "aprendizagem" que tiveram nos anos de escola foi apenas a de absorção de informações. Cada nova turma vem para o seminário com a expectativa de que iremos fornecer todas as informações necessárias e que eles simplesmente irão absorvê-las sem muito esforço. No primeiro ano gastamos muito tempo no esforço de estimular a pesquisa, o questionamento, a análise, conclusões próprias e a aplicação do material aprendido. Se dermos o básico e os virmos desenvolvendo um pensamento lógico, crítico e pesquisador, podemos ter a certeza de que eles irão sempre buscar as respostas para as diversas situações que irão enfrentar no ministério. A terceira área é a aprendizagem em relação às circunstâncias. Precisamos ver os nossos alunos crescerem no decorrer de cada experiência, positiva ou negativa, vivida durante o tempo de treinamento. Precisamos acompanhá-los e auxiliá-los durante os momentos em que sofrem tensões, confrontam relacionamentos, diferenças de opiniões, batalhas espirituais e até mesmo tentações. Nesta área não há situações nem regras previsíveis. Cada aluno é um cosmos individual e tem reações diferentes. Por isto precisamos estar atentos e sensíveis a cada situação. Isto só é possível com um relacionamento íntimo com os alunos e confiança mútua. Para atingir nosso alvo nós procuramos promover três tipos de atividades: • Formal - E aquela que acontece na sala de aula. • Não Formal - Atividades programadas que ocorrem fora da sala de aula. Auto disciplina nos estudos, trabalho prático, devocional individual, oração, etc. • Informal - Acontece na interação cotidiana. Não é prevista nem controlada. Nós enfatizamos para os alunos que os três tipos de atividades são importantes. Não há uma mais importante do que a outra, e não é uma ou a outra. Todas são importantes. Entretanto, no pouco tempo que temos de ministério nunca ouvimos falar de alguém que abandonou a obra por falta de conhecimento acadêmico. A maioria das razões que temos visto é enquadrada nas áreas espirituais, moral, emocional ou de relacionamentos. Daí a razão de procurarmos investir nestas áreas. A Ditadura do Modelo Um dos grandes problemas na educação teológica é o modelo que temos herdado. Este modelo segue basicamente o modelo secular. Ele é altamente acadêmico. O seminário é visto como o guardião da verdade, os mestres são os conhecedores desta verdade, os alunos são apenas aprendizes, e há uma grande dependência destes para com a instituição. Este modelo é fruto da grande influência acadêmica e intelectual que dominou a cultura ocidental. Ela atingiu a Igreja e os seminários e consequentemente foi levada para os outros países pelos missionários. Nós brasileiros somos exímios em copiar modelos sem antes fazer uma avaliação e "contextualização". A nossa tarefa na formação de líderes é prejudicada por três razões: 1. Filosofia Distorcida O ensino é executado em uma só direção (do professor para o aluno) e ele é

Nós então lhe dirigimos a seguinte pergunta: "Quantos destes mestres. Só se consegue transmitir o evangelho se a pessoa tiver a mesma experiência acadêmica do transmissor. nem o estágio de maturidade em que cada um se encontra. por estar despido de uma tranca cultural. se sentem frustrados por não serem iguais ao modelo. se não milhares. Há simplesmente a exposição massificada das informações e é a tarefa de cada um aplicar isto à sua realidade. O Evangelho que a liderança prega é segundo o modelo desenhado para a massa intelectualizada da classe média "ocidental". Já quando surgiram as denominações pentecostais sob a liderança de pessoas leigas. Modelo Alienígena Além de desconsiderar a individualidade dos alunos. mas principalmente por não podermos transmitir o Evangelho se elas não tiverem a mesma experiência que a nossa. você acha. Não há um acompanhamento pessoal que auxilie cada aluno a crescer a partir do ponto em que se encontra. Não é simplesmente o fato positivo de querermos ver as pessoas alfabetizadas. Esta é a razão porque as denominações históricas brasileiras tiveram tão pouco impacto sobre as massas da nossa nação. o modelo que herdamos foi projetado na base geral da cultura "ocidental". Mais triste ainda é que esta atitude bloqueia nas pessoas a sensibilidade ao Espírito para descobrirem os seus próprios dons e ministérios. o poder do Evangelho estava liberado para alcançar o coração das massas. já que o modelo projetado é um ideal não realizável. dos líderes que temos encontrado é que estão simplesmente tentando imitar alguém de sucesso no ministério. Na sua maior parte. Por ser um modelo empacotado ele não leva em consideração a experiência. mas também estão deixando de fazer a coisa "certa". nem mesmo na vida dos professores. apenas uma pequeníssima porcentagem. estrangeiras ou brasileiras. 2. ele desconhece a . o qual apresentava as qualificações dos mestres. A Massificação dos Discípulos Além de ter uma filosofia de treinamento não bíblica. já ganharam alguém para Cristo?" A resposta não foi muito animadora. Daí a razão porque damos tanta ênfase em programas de alfabetização. 3. Certa vez. Uma das características básicas. e frustrantes. o seu universo particular. Como pessoas se prontificam a serem treinadores de "pescadores de homens" enquanto eles mesmos não pescam? A resposta só pode ser explicada tendo em vista a concepção que a instituição tem de si mesma e de seu alvo. os dons. Eles não estão somente tentando fazer a coisa "errada" (para eles). ou não conseguirem os mesmos resultados. Isto é simplesmente impossível quando temos centenas. Daí a situação onde tantos possuem "diplomas" teológicos e poucos exercem o ministério. de alunos em apenas uma instituição. um colega estava nos mostrando o catálogo de uma grande instituição teológica ocidental na qual ele tinha estudado. e a produção de um "evangelho acadêmico". o modelo peca em não considerar a individualidade de cada aluno. Eles perdem muito esforço e energia neste empenho. O resultado deste modelo é a frustração dos alunos.definido simplesmente como a transmissão de informações sem se preocupar com a aplicação prática. Um resultado deste problema é que está havendo o treinamento de pessoas que só conseguem sobreviver num meio intelectualizado. ou realizado apenas na experiência de alguns indivíduos.

para que eles possam fazer a obra de evangelização ou a obra missionária. ou os missionários ocidentais precisam levá-las até as entidades do terceiro mundo. o Ocidente se sentia como possuidor do Evangelho e tinha a necessidade de compartilhá-lo com os povos pagãos. mais barata. . Agricultura Alternativa e Alimentação Alternativa.realidade da cultura brasileira. no entanto cometeram grandes erros os quais estão tentando evitar no presente. e gratos pelo fato. uma alimentação mais nutritiva. que estudaram em escolas ocidentais. Isto só é possível devido ao fato do modelo de treinamento local (no ocidente) ser secular. No momento são os ocidentais quem mais o estão aplicando no mundo. A implicação deste movimento é que o conhecimento do treinamento está retido nas entidades ocidentais onde os não-ocidentais precisam ir para receberem as informações. de que os missionários tentaram dar ao mundo o melhor que eles tinham. Porém precisamos reconhecer os erros cometidos e tentar modificar a situação atual. mas de oferecer uma outra opção. onde o ensino é visto apenas como a transmissão de informação e há sempre a dependência do receptor para com o fornecedor. Na atualidade temos visto o mesmo fator que causou erros na obra de evangelização se manifestando na obra de treinamento de pastores e missionários. mais acessível a todos e natural da própria região. mas infelizmente nós. os brasileiros. já o estamos levando conosco a outras nações. Procuramos de uma maneira equilibrada reavaliar o modelo que temos recebido. pelo contrário. pesquisar a situação local e oferecer um modelo alternativo embasado nos princípios da Palavra de Deus e na realidade cultural específica. temos grande apreço e amor para com estes (na realidade o autor é casado com uma missionária americana). É muito comum encontrarmos entidades missionárias e indivíduos cujo alvo é treinar os nacionais. caso contrário. Não importa se ele é brasileiro ou chinês. O resultado tem sido a aplicação do modelo secular de treinamento na Igreja numa escala mundial. Eles fizeram uma grande obra. Somos conscientes. Não somos contra a interação de culturas. Mas nesta aspiração muitas vezes desconsideraram cegamente a cultura receptora. Esta opção procura analisar a situação local e desenvolver uma proposta a partir daí. Somos contra o modelo de treinamento teológico e missiológico unidirecional. como por exemplo. Um dos resultados negativos deste modelo é a dificuldade que muitos pastores e missionários. onde há a desconsideração dos dons e experiência dos indivíduos. No passado. Medicina Alternativa. Conclusão Eu optei pela palavra "ALTERNATIVA" no título deste trabalho devido ao seu uso atual em diversas ciências. estão sentindo em ministrarem de uma maneira eficaz entre o seu próprio povo. não estaríamos envolvidos no treinamento de missionários. A palavra alternativa tem sido usada no sentido não de destruir o que tem sido feito. como por exemplo. onde há um fornecedor e receptor. Queremos deixar bem claro que não temos nenhum sentimento antipático contra estes estimados irmãos.

9. 5. Jesus. Aprendizagem em grupos é importante por causa da própria natureza da Igreja uma comunidade. Grupos pequenos providenciam um ambiente aconchegante. 7. 4. 11. em vez de apenas ouvir a opinião do professor. 2. A repetição nas conversas do grupo pequeno ajuda solidificar o aprendizado. Paulo. 13. Pequenos grupos fazem. 15. as tarefas de casa devem ser discutidas na aula seguinte. Verbalizar o conteúdo ajuda o processo de aprendizagem. 14. Trabalhar junto com outros permite que o aluno faça uma interação pessoal com leituras e conceitos em um contexto social. Isto faz com que haja um compromisso sério pelo grupo ao conceito aprendido. 6. 18. 16. É criada convicção própria sobre a verdade. As conclusões são a propriedades do grupo. 8. 3. 10. Grupos pequenos ajudam cada pessoa a se envolver no processo de aprendizado. não é apenas decorar listas. não passivos. 17.DICAS PARA TRABALHAR COM GRUPOS PEQUENOS Bárbara Helen Burns A. São ativos. 12. coma afirmação e valorização do grupo. Trabalhar em grupos ajuda a completar o aprendizado. no qual a pessoa pode ser corrigida sem sentir vergonha. Os Propósitos e Alvos de Estudos em Grupos Pequenos 1. Grupos pequenos ajudam as pessoas a descobrir e valorizar verdades. Os grupos ajudam a completar os conhecimentos e atitudes. O aluno tem que poder explicá-lo para outros. Numa boa didática. Trabalhar em grupos pequenos ajuda o aluno mais inibido a se expressar. Um bom processo intelectual depende de habilidade lingüística. Trabalhar com grupos é uma maneira de ajudar o aluno a focalizar-se num certo objetivo e chegar a conclusões mais objetivas e concretas. Outros podem contribuir com suas idéias para enriquecer e firmar o ensino. a Bíblia e a história da Igreja são exemplos da importância dada ao aprendizado em grupos pequenos. Trabalhos em grupos providenciam esta oportunidade. Trabalho em grupos ajuda na solução de problemas. Se o aluno não é capaz de expressar em suas próprias palavras aquilo que ouviu. Ninguém tem toda a verdade. Não é suficiente "se sentir bem" sobre o assunto. Grupos estabelecem um fórum em que os dons podem ser exercidos. . não aprendeu de verdade.

e alguém pode querer ter a oportunidade de compartilhar também. 6. Escrever interfere no processo de ouvir. Durante o trabalho. não deve ter uma pessoa que seja porta voz dos outros (lendo a lista de conclusões para o plenário depois). 4. C. sentem a pressão de sempre estar falando. . Também faz com que o grupo entre em acordo com aquilo que será escrito. No final deixar alguns minutos para cada pessoa trabalhar sozinha. Dê liberdade para o plenário todo. Quatro pessoas no grupo dão mais oportunidade para cada um compartilhar e participar. Duas ou três pessoas no grupo criam problemas. Isto satisfaz qualquer desejo ou frustração do aluno de recompensar a demora do grupo ou a não aceitação das suas idéias. É melhor ter um período de reportagem coletivo. dê liberdade para eles fazerem um intervalo ou outra atividade. Deve ser flexível. 4. para que todos possam contribuir. Duas pessoas sentem vergonha. Lembre-se que o envolvimento em trabalhos de grupos faz com que os alunos esqueçam da hora. 5. não ficando mais tempo com um do que com outros. as pessoas geralmente não vão apreciar o que estão ouvindo (eles mesmos têm menos oportunidade de participar). Levar em consideração os alunos lentos e os mais rápidos. O professor deve intervir (com jeito) quando observa que alguém domina a conversa. 3. Não se deve pôr limite de horário no início. Eles vão preferir ouvir do seu professor do que dos seus colegas. O Horário de Trabalho 1. algo que tende a inibir a liberdade de trabalhar. Ele também tem que estar preparado para todas as direções possíveis que os grupos poderiam dar à aula. 4. 2. 6.B. não querem uma aula de "trocas de ignorância" de outras pessoas no grupo. Qualquer pessoa que adquiriu um discernimento ou conhecimento novo poderia falar. Na conclusão do trabalho em grupos. O Tamanho do Grupo 1. O professor deve se preparar bem para que os grupos entendam bem a direção e os objetivos do trabalho. ou indicando seu próprio líder. Quatro a oito pessoas é o número ideal para grupos pequenos. sem tempo de refletir. Se o grupo é grande demais. Procure verificar como os grupos estão progredindo. 2. 5. Geralmente nem todos no grupo concordam com as conclusões escritas. Com três pessoas geralmente uma é freqüentemente deixada fora. Se um grupo terminar antes dos outros. Deve ter somente uma pessoa escrevendo as descobertas do grupo. Ajuda o grupo a não sentir que o tempo é limitado demais. Ele pode dar direção. 3. A Liderança dos Grupos 1. o professor deve verificar se cada grupo está progredindo o suficiente e duma maneira certa. 2. Cada grupo pode trabalhar sem um líder indicado. 3. na espontaneidade. Não se deve estender demais o trabalho dos grupos. D. ajudar e animar os grupos.

E. Julho de 1981. E se há estrutura demais. b.7. Preencher espaços com idéias e informações. O professor deve providenciar uma estrutura adequada para os grupos. EUA. Responder perguntas. Devem dar uma tarefa de cada vez. demora-se demais para começar a trabalhar.) . c. a criatividade é inibida. Fazer listas de conceitos tirados da Bíblia ou de livros. Trinity Evangelical Divinity School. Deerfield. Se der todas juntas. 2. Illinois. Pode ser que Deus tenha uma novidade a ensinar para todos. se torna confuso e cria uma pressão de chegar ao fim. 3. Sem estrutura e plano de ação. Grupos são bons porque refletem o fato que a Igreja é uma Comunidade! (Este estudo é resultado de aulas com Dr. Ted Ward. A Estrutura dos Grupos 1. A natureza do material e dos grupos determina o tipo de estrutura do trabalho. O professor deve ser flexível e sem plano rígido para a aula. Idéias para estruturas: a. 4.

bendizendo a Deus enquanto amaldiçoamos as pessoas. Seminários são vistos como instituições para o treinamento de pastores e de obreiros cristãos. e a escolha de métodos de ensino. poucos de nós nos preocupamos em levantar estas questões. o processo de planejamento de currículo. se todo aprendiz é uma pessoa que carrega a marca da imagem de Deus. como o propósito e o plano programático da educação. inevitavelmente. É a imagem de Deus que torna a vida humana sagrada. muitos vêem a educação como uma questão de estruturar o ambiente de aprendizagem. Já é tempo dos educadores teológicos examinarem as práticas educacionais à luz de suas convicções teológicas. não deve ser tratado como "matéria prima" a ser manipulada para fins prédeterminados. E é esta mesma semelhança que expõe a inconsistência de nos relacionarmos com Deus de maneira radicalmente diferente da que mantemos com nossos próximos. Se isto é verdade. como sementeiras da renovação da igreja. todo ser humano que nasce neste mundo pecador ainda é portador da imagem de Deus. como é concebido. mas deseja restaurar homens e mulheres à sua . Hoje em dia. Entretanto. como transmissores de teologia e ritual. ao invés de permanecerem distintos. A Bíblia também ensina que Deus não fica satisfeito com a permanência da humanidade num estado de pecado. A teologia tem algo a dizer sobre o propósito da educação teológica? A Bíblia ensina claramente que Adão foi criado à imagem de Deus. de um lado. de outro. e como laboratórios para a exploração do potencial humano. propósito. muitas vezes os métodos de ensino são determinados de maneira menos racional.IMPLICAÇÕES DA TEOLOGIA PARA A PRÁTICA EDUCACIONAL Robert W. podemos esperar que a teologia tenha algo a dizer sobre questões fundamentais da educação. Infelizmente. Ferris A educação envolve. essa imagem foi deformada. conteúdo e método. Na queda de Adão. Menos que isso seria negar na prática a doutrina da imago dei. Como resultado. No entanto. Todo aprendiz deve ser tratado como uma criatura de valor e importância — como uma pessoa. tem um efeito profundo sobre a prática educacional. Educadores teológicos geralmente reconhecem a íntima relação entre o conteúdo de seu ensino. O Propósito da Educação Teológica O propósito da educação. para assegurar uma resposta determinada a estímulos específicos por parte dos aprendizes. e seus propósitos e compromissos teológicos. Marshall McLuhan sugeriu que método e conteúdo tendem a se fundir. A analogia da produção (às vezes denominada de metáfora da "fábrica") é frequentemente utilizada para descrever esta visão da educação. mas não totalmente destruída. O educador é um engenheiro que planeja um processo que transforma a matéria prima (o aluno) no produto final (um pastor qualificado).

Deve ser o propósito central de nossos programas educacionais. Programas alternativos são necessários. ao invés disso. A provisão do próprio Cristo para cada congregação é de líderes especialmente capacitados para "equipar". Há outra tarefa. dizem. tanto a inferência como a experiência nos sugere que aqueles a quem Deus deu dons e chamou de "equipadores" precisam ser equipados também. seminários de treinamento de leigos. Se o Cristo ressurreto deu a cada congregação líderes capacitados que são chamados a equiparem os santos. principalmente aqueles que se denominam de "educadores humanísticos". Como educadores teológicos. o ensino. Assim como os santos precisam ser equipados para cumprir o ministério que Deus lhes designou. mas nos adverte que eles erram em fazer do crescimento um fim em si mesmo. expressam o propósito da educação em termos da exploração e desenvolvimento do potencial humano.imagem em Cristo Jesus.resumindo. nossa teologia da igreja e do ministério nos ensina a evitar a tentação de nos engajarmos no treinamento de leigos. fundadores de organizações paraeclesiásticas. Ao invés disso. O trabalho do ministério envolve a proclamação. O crescimento na semelhança de Cristo é nossa preocupação. o propósito da educação teológica é de ajudar os líderes da igreja a crescerem na semelhança de Cristo e a desenvolverem seus dons. Como Deus deseja restaurar homens e mulheres à Sua imagem na semelhança de Cristo. então nem a educação teológica. também. De acordo com este ponto de vista. conferências e a educação teológica por extensão. papéis sociais. A teologia tem implicações para o entendimento do propósito da educação teológica? Sem dúvida que tem! O propósito da educação teológica é de equipar os "equipadores". e educadores teológicos têm diagnosticado a impotência da igreja hoje como evidência de que pastores e líderes nas congregações locais não estão cumprindo a tarefa de equipar os santos. ou teorias humanas. todos são às vezes citados como fatores que contribuem para este objetivo. todas as funções necessárias à congregação local para crescer e se edificar em amor. cuja tarefa é de equipar os santos para o trabalho do ministério.ou seja. a doação . auxiliar os santos a descobrirem seus dons espirituais e a desenvolverem esses dons no ministério. Nossa teologia reafirma o compromisso dos humanistas seculares com o desenvolvimento como objetivo da educação. Institutos bíblicos. os alvos educacionais não devem ser definidos em termos de sistemas de conhecimento. Alguns vêem a estrutura do conhecimento como determinante dos objetivos da educação. entretanto. A Bíblia ensina que o Senhor ressurreto dá à Sua igreja líderes talentosos. Outros ainda. para treinar e equipar os cristãos — programas que aumentarão os pequenos esforços de nossas congregações. o propósito da educação é definido em termos de resultados sociais. dados por Deus para . Este propósito não é concebido como um programa para produzir indivíduos que se conformam a uma lista pré-determinada de objetivos comportamentais. na tarefa de equipar os "equipadores". o serviço. nem qualquer outra agência deveria tentar usurpar esta tarefa divinamente designada. Para outros. retiros. a aquisição de informação e de habilitações constitue a educação. missionários. O Novo Testamento estabelece repetidamente o crescimento à imagem de Cristo como norma para a vida humana. e a focalizar nossos esforços. que pertence propriamente aos educadores teológicos. Muitos líderes denominacionais.

Os Moldes Da Educação Teológica Por muito tempo a questão dos moldes e da estrutura da educação raramente era discutida nos círculos profissionais. o propósito de Jesus não era de treinar acadêmicos. Pelo menos deveríamos buscar ativamente meios de mitigar os aspectos menos bíblicos da escolarização . foi tão efetiva que seus inimigos mais tarde observaram a respeito destes homens que eles "haviam estado com Jesus". Seu propósito era de moldar as vidas de pessoas à sua própria imagem. e oradores entre os gregos por mais de trezentos anos. O exemplo de Cristo e sua comissão nos impelem a buscar continuamente meios de afirmar os valores do discipulado em nossas estruturas educacionais. De entre os muitos que O seguiam. são mais eficazes para a transmissão de informação. os moldes da educação são um tópico aberto à discussão em muitos ambientes. que outras alternativas nem eram seriamente consideradas. o molde de educação predominante na educação teológica tem sido o modelo da escola. mas Ele não o fez. pensadores. Estudantes são selecionados com base em critérios acadêmicos e sua habilidade de irem à escola para receberem instrução. assim como eles mesmos haviam sido feitos discípulos. e entre biblioteca e vida. o fato de que a última instrução de Jesus aos que eram mais próximos a ele foi de que deveriam ir pelo mundo afora e fazer discípulos. de modo a se prepararem para um futuro exame. por outro lado. Novos cristãos são levados à maturidade em Cristo através do ministério corporativo dos santos. Jesus poderia ter adotado uma abordagem de escola. enquanto os alunos tomam notas.que equipem outros. Hoje. Instrutores discursam. Lembremo-nos de que a maneira de se treinar discípulos é discipulando.o espírito permeante de elitismo. A Bíblia nos ensina que a igreja é uma comunidade educadora. Aqueles que demonstram conhecimento de idéias e técnicas recebem certificados que atestam seu êxito. combina intimidade e participação direta no ministério. e a explorar novas estruturas que possam comunicar estes valores mais efetivamente. A teologia tem algo a dizer sobre a questão dos moldes da educação? O Novo Testamento indica que o molde educacional adotado e ordenado por Jesus foi o discipulado. realizada por Ele mesmo nas vidas destes homens. Jesus chamou doze "para estarem com ele" Embora outros continuassem a segui-Lo durante seu ministério. Um relacionamento de discipulado. As diferenças entre a escolarização e o discipulado são tão grandes e seus efeitos tão contrastantes que educadores teológicos não podem ignorá-las. a questão teológica é a autoridade de Jesus Cristo. O efeito é a reprodução da vida do professor na de seus discípulos. Os educadores tinham aceitado tão completamente o padrão de ensino formal. entre sala de aula e congregação. A reprodução de Cristo. É assim que . Atualmente. estes doze tinham um acesso especial à sua vida particular e estavam profundamente envolvidos em seu ministério público. Devemos levar a sério. e a construção de barreiras entre professores e aluno. portanto. As escolas não servem para moldar vidas. Embora escolas tivessem produzido eficazmente escritores filosóficos. os moldes de ensino sem-escola são reconhecidos como abordagens da educação válidas e eficientes. Recentemente.

O retrato da igreja apostólica no Novo Testamento reflete uma grande diversidade. e um conhecimento compartilhado geralmente resultam numa colocação pior em relação à classe. mais frequentemente. Esta proposta poderia ser ampliada só um pouquinho para sugerir que as congregações locais deveriam treinar seus próprios líderes ou. A competição em si não é má. É nesse sentido que a igreja é o "corpo" e a "noiva" de Cristo. O amor. Os cristãos são admoestados a seguirem o exemplo de Cristo. não para o valor de se tornar um vencedor às custas de outrem. cuidado e edificação que caracteriza a igreja bíblica. e se evidencia no relacionamento de cuidado e de mútuo apoio. é a marca distintiva do discípulo de Jesus Cristo. Cada igreja local ministrava à sua própria comunidade. Alunos disputam entre si. diferentes dos que igrejas em outras áreas enfrentavam. A educação teológica precisa ser re-estruturada fundamentalmente para levar os alunos a relacionamentos de edificação mútua. o que acontece é justamente o oposto. Os moldes educacionais da educação teológica devem possibilitar aos líderes das igrejas um treinamento no contexto dos ambientes distintos onde ministram. participar substancialmente do processo de treinamento. Porém. Em algumas passagens o termo se refere ao grupo total de cristãos. A nossa teologia tem implicações para os moldes da educação teológica? Como educadores teológicos precisamos reexaminar nossas ligações com a abordagem escolar da educação. o Novo Testamento emprega a palavra ekklesia ou igreja de duas maneiras. carregando os fardos uns dos outros. Nossa teologia exige que busquemos moldes educacionais que enfatizem relacionamentos de edificação. independentemente de localização geográfica ou histórica. de fato. E este relacionamento de amor. Não se pode negar que a competição é parte integrante da maioria dos programas de educação teológica. que deve ser explorado para o benefício final do aluno. Alguns argumentam que a competição é um ingrediente importante na educação. a palavra igreja é aplicada aos cristãos de uma região — muitas vezes em uma cidade — que constituem a expressão local do corpo de Cristo. sabendo muito bem que só um pode receber a honra em cada classe. pelo menos. A teologia bíblica da singularidade de cada igreja local deveria nos alertar à impraticabilidade de se remover líderes das congregações para treinamento. Uma instrução coletiva e uniforme para os líderes seria consistente com um ponto de vista teológico que supusesse uniformidade de ministério e interações invariáveis entre os cristãos e as sociedades onde vivem. Compartilhar informações e novos pontos de vista muitas vezes é considerado como uma trapaça. Moldes educacionais que incentivam os alunos a competirem entre si são escancaradamente inapropriados para o treinamento de líderes cristãos. e de discipulado e que os relacionem intimamente com a . Com poucas exceções. ao invés de competição. O apóstolo Paulo muitas vezes empregou a figura de um atleta em suas discussões sobre a vida cristã. De fato. Cada congregação era reconhecida como uma expressão ímpar do corpo de Cristo. Padrões tradicionais de educação teológica empregam a competição por honrarias acadêmicas como uma motivação extrínseca para a aprendizagem. ao invés dos seus próprios. considerando os interesses de outros. as ilustrações de Paulo sempre chamam a atenção para a singularidade de objetivo e para a disciplina. se desejamos ser consistentes com o nosso compromisso com nosso Senhor e sua Palavra.a igreja "se edifica em amor". Precisamos edificar líderes-em-treinamento se esperamos que eles edifiquem outros. Entretanto. e geralmente tinha problemas específicos.

Desta forma os líderes da congregação são equipados particularmente . afirma a promessa do Cristo ressurreto de dar a Sua igreja líderes capacitados necessários à tarefa de equipar os santos para o ministério. que devem ser treinados. O Espírito concede aos líderes dons que diferem de acordo com suas personalidades e necessidades de suas congregações. Com base nesta descrição. o processo não é errático. Sobre estes fundamentos prosseguimos no planejamento de um currículo. presumimos que houvesse um único papel básico de liderança da igreja. No entanto. Embora esta seja a descrição da distribuição de dons espirituais em geral. Além disso. devemos conjeturar que haja outros fatores que são discerníveis apenas por um Deus onisciente. Embora o planejamento curricular da educação teológica não seja sempre tão deliberado assim. Planejamento Curricular O planejamento curricular denota o procedimento pelo quais as decisões estruturais são tomadas com relação ao planejamento de atividades de ensino. que complementará os dons que já tenham sido dados aos outros líderes da comunidade. Depois supusemos que se pudesse planejar um programa de instrução para preparar todos os seminaristas para funcionar efetivamente neste papel. Além destes fatores óbvios. Só assim podemos ter a esperança de desenvolver os ministérios para os quais o líder é capacitado pelo Espírito Santo. Há alguns anos me envolvi com outros educadores e líderes de missões num projeto de planejamento curricular para um novo programa de educação teológica. A primeira coisa que fiz foi elaborar uma "descrição de tarefas" de um pastor. ela também se aplica à capacitação de "equipadores". Este processo.para edificar os cristãos de seu grupo e para lidar com os desafios que Deus já sabe que encontrarão. Por trás destas perguntas específicas está a questão mais fundamental sobre o procedimento pelo qual buscamos respostas.congregação do líder-em-treinamento. raciocinamos que poderíamos planejar um currículo que prepararia líderes da igreja para realizar as várias funções necessárias para o crescimento da igreja. ao invés de para as pessoas. naquele tempo e hoje também. designado "pastor". para que a aprendizagem se desenvolva até atingir determinados alvos? Como podemos avaliar o progresso da aprendizagem mais apropriadamente? Estas são decisões de currículo. porque dons diferentes são dados a vários indivíduos para o bem das comunidades em que ministram. Nesta doutrina está implícito o . ou a combinação de dons. Em primeiro lugar. as pressuposições por trás de nossas decisões são bem antigas. os dons dados aos líderes eclesiásticos em cada congregação não são os mesmos. Mas estas pressuposições são válidas? Nossa teologia da soberania do Espírito em distribuir dons de liderança deveria nos exortar a não presumirmos que todos os líderes de igreja sejam iguais. O Espírito Santo dá a cada líder o dom particular. Nossa teologia tem algo a dizer sobre o planejamento curricular? A Bíblia ensina claramente que dons espirituais são concedidos pelo Espírito Santo de acordo com sua escolha soberana. Educadores teológicos não deveriam se envolver em um planejamento curricular sem referência a líderes particulares. O livro de Atos revela que o crescimento da igreja foi acompanhado pela escolha de presbíteros em cada congregação. Nossa teologia exige que planejemos currículos teológicos com as pessoas. O que precisamos ensinar? Como o ambiente educacional deve ser estruturado.como um time .

Deus escolheu revelar-nos aquilo que precisamos saber. Somente o próprio líder sabe como Deus tem trabalhado em sua vida. mas muito ficou retido para seu bom conselho. Deveria ser um processo. Nossa eclesiologia reconhece o trabalho soberano e onisciente do Espírito Santo de chamar e conceder dons aos líderes da igreja para o ministério em situações congregacionais específicas. não é errado. Porque Cristo não nos revela o futuro de nossos alunos e das congregações a quem eles servem. O planejamento. Discussões sobre o progresso da igreja e os impedimentos para tal progresso despertam o interesse de educadores teológicos por toda parte. Ele conhece nossa tendência a sermos ou orgulhosos ou ansiosos. Instituições precisam planejar de modo a assegurar sua sobrevivência bem como a realização de objetivos compartilhados. então educadores não deveriam planejar currículos teológicos independentemente de líderes individuais e de suas congregações. e a maioria das escolas procuram não violar esse contrato pela alteração dos requisitos no meio do curso. A estrutura de nossas disciplinas teológicas também exerce uma grande influência sobre nossas atividades de planejamento curricular. e .reconhecimento de que o Espírito conhece os dons específicos de liderança necessários a cada congregação. assim concebido. Se dons de liderança espiritual são dados para suprir as demandas de congregações específicas. Somente uma congregação local conhece intimamente os pontos fortes desenvolvidos por seus líderes. Entretanto. Nossa teologia da variação dos dons de liderança espiritual para suprir as demandas de congregações específicas requer que reestruturemos nosso conceito de educação teológica para que líderes da igreja e suas congregações sejam participantes do processo de planejamento de currículo. e nossas experiências em escolas e seminários. têm nos dado as determinantes básicas de nosso planejamento curricular para a educação teológica. Como seres humanos somos limitados em nosso conhecimento. Na educação teológica. Nossas percepções são condicionadas por nossas experiências. suas aspirações. tendo em vista as necessidades e oportunidades de uma determinada congregação. Também estão implícitos o chamado e a capacitação de líderes eclesiásticos. o currículo toma a forma do esboço do programa e dos horários dos cursos. é claro. a estrutura das disciplinas. podemos solidificar e antecipar uma série de decisões que deveriam ser tomadas passo a passo. educadores teológicos têm visto o planejamento curricular como uma responsabilidade acadêmica. Certamente eles são sensíveis às necessidades das congregações que podem perceber. como indivíduos e congregações. é parte de nossa responsabilidade como dispenseiros. E parte do contrato oferecido pelo seminário ao aluno. tudo isso junto. assim como as áreas do ministério de cada líder que ainda precisam ser desenvolvidas. e deseja nos ensinar o significado de andar pela fé. deveríamos ter o cuidado de não antecipar o planejamento curricular. como alunos e professores. pelo aluno e pelo educador. Nossa teologia das limitações do conhecimento humano e da natureza da jornada de fé cristã está relacionada diretamente aos nossos procedimentos de planejamento curricular. Tradicionalmente. nossas percepções da igreja e do ministério. Alunos ingressantes em um seminário geralmente podem prever o programa de estudos do período todo. Somente o Senhor conhece as exigências e as oportunidades que vão se desdobrar diante de nossos alunos — os desafios que encontrarão amanhã. as visões que Deus tem lhe dado. Cristo preferiu não revelar seu conhecimento das bênçãos e provações particulares que estão em nosso futuro. Como educadores teológicos. através dessa lógica e tática.

As afirmações de Cristo não negam o fato de que o ensino é um dos dons que o Espírito Santo dá à igreja. Jesus advertiu. e desenvolvimento de dons para equipar — providenciemos oportunidade e flexibilidade para responder à dinâmica do crescimento pessoal e dos diferentes contextos de ministério. edificação espiritual para crescimento na semelhança de Cristo. Jesus advertiu Seus seguidores sobre três erros comuns entre os escribas e fariseus: 1) eles aceitavam o título de "Rabi". com base na sua posição de instrutores. E nossa teologia da limitação do conhecimento humano e da jornada de fé cristã implica que o planejamento curricular deveria ser incrementável e flexível. Este aspecto "muito prático" da educação tem atraído a atenção de educadores teológicos há muito tempo. ao invés de abrangente e em longo prazo. Pedagogia "Pedagogia" é o ramo da educação que se preocupa com as relações professoraluno e com os métodos específicos aplicados a situações de ensino-aprendizagem. Um líder eclesiástico deve ser "apto para ensinar". muitos confessam insatisfação com a suposição de que discursar seja ensinar. Podemos bem concluir que mudanças são necessárias para alinhar nossos procedimentos de planejamento curricular à nossa teologia.daqui a três anos! Se permitirmos que a teologia determine o planejamento curricular a este respeito. temos motivo de reflexão. Outros sugerem que sua liderança na sala de aula é justificada por seu conhecimento mais extenso da matéria. Mesmo os orçamentos precários da maioria dos seminários ainda reservam espaço para uma porção de materiais vendidos como "recursos pedagógicos". 10). Alguns professores experimentam encenações. mas a estrutura de autoritarismo que às vezes o sustenta. Alguns professores defendem seu direito de dirigir a aprendizagem do aluno. uma designação que implicava que a pessoa era um proeminente mestre da lei (v. e 3) eles se colocavam no papel de mestres e guias para outros (v. A maioria dos professores se . Resta ainda discutir uma questão: A teologia tem algo a dizer sobre a questão da pedagogia? Quando Jesus quis instruir Seus discípulos sobre padrões de liderança para a igreja. Nossa teologia da natureza da igreja implica que o planejamento curricular deveria envolver as congregações e seus líderes-em-treinamento. O que deve nos preocupar não é o ensino em si. Conquanto a maioria dos educadores teológicos tenha adotado o discurso como seu estilo pedagógico. Nossa atenção e lealdade deveriam ser dirigidas a Deus e não aos homens. Se nossa abordagem de planejamento curricular não tem caracteristicamente levado em conta estas aplicações da nossa teologia. 9).8-10. discussões em grupo. O relacionamento entre cristãos é o de irmãos. e trabalhos de campo. Dentro da ampla abrangência de compromissos que orientam nossos programas de educação teológica — base sólida nas Escrituras. as instituições religiosas Judaicas daquela época supriram exemplos negativos em abundância. Nossa teologia tem implicações para o processo de planejamento curricular? Nossa teologia dos dons espirituais implica que o planejamento curricular deve ser individualizado. Todos esses erros. Em Mateus 23. 2) eles tinham outros homens como seus mestres (v. 8). De vez em quando aparecem artigos em revistas teológicas sugerindo "novos métodos para o ensino teológico". devemos incorporar em nossos currículos oportunidades de avaliações e ajustes incrementativos. devem ser evitados pelos cristãos por uma boa razão: Somente Cristo é o mestre e guia de todos os que crêem.

elas implicam que a indumentária acadêmica (e a mentalidade que ela representa) não tem lugar na educação teológica. assim. pretendem assumir com humildade as distinções que consideram inerentes no relacionamento entre professor e aluno. Nas pressuposições hebraicas. como também sou de Cristo". uma postura de modelo (1Pe 5. e recomenda. suas implicações vão muito além disso. indicando uma igualdade que não permite nenhum argumento a favor de um elitismo na igreja. mas tende a ver demonstrações vivas de conhecimento como "não-acadêmicas" e. fora dos limites da instituição. diferentemente dos gregos. o foco estreito e a intensidade das matérias acadêmicas. nos sentamos para aprender. As lições de Jesus sobre a humildade têm sido levadas a sério pela maioria dos educadores teológicos. Paulo se descreve como uma libação derramada sobre o sacrifício de sua fé. As doutrinas da criação e da verdade precisam ser vividas em nossos programas de educação teológica. A doutrina da criação afirma que o Deus da Bíblia é a fonte tanto da existência física quanto da verdade. verdade e existência que pressupõe uma integração entre a cognição e a experiência. nem valorizaram uma coisa mais que outra. "Sede meus imitadores. Educadores teológicos são sensíveis à falsa dicotomia entre o saber e o ser. indicando Cristo aos alunos. como único Mestre aos pés de quem . uma pessoa não conhece a Deus a não ser que se comprometa com Ele. A distinção entre o conceito hebraico de integridade holística e o ponto de vista grego de verdade como conhecimento intelectual não pode ser deixada de lado como meramente cultural. As diferenças entre a vida acadêmica e a "vida no mundo real". Mais ainda. juntos. Embora Jesus tenha falado diretamente sobre o assunto de humildade. A orientação acadêmica de nossas instituições exige a avaliação de conhecimentos (informação) adquiridos por nossos alunos. nem conhecimento podem justificar nosso exercício de domínio ou autoridade sobre outros na igreja de Cristo. que apenas ele tivesse a permissão de ocupar a posição de autoridade em nossas vidas. portanto nas cristãs. nunca separaram o saber do ser. O relacionamento apropriado entre nós — "professor" ou "aluno" — é o de irmãos. Aos Filipenses. Se tomarmos as palavras de Cristo em Mateus 23 literalmente. Como educadores teológicos deveríamos desviar a atenção de nós mesmos. Em termos de integridade bíblica. ao invés disso. Certamente devemos renovar nosso compromisso de evitar . Jesus imediatamente fala do papel de servo. Aos Coríntios ele escreveu. cooperam juntamente para a falta de integração significativa entre o saber e o ser (entendimento e ministério). e o fato de que a maioria dos seminaristas não tem uma experiência significante de ministério. Jesus estava preocupado com nossos relacionamentos. poderíamos perguntar. e. Por esta razão os hebreus. Nem status. a função apropriada de um "professor" na igreja? No contexto de Mateus 23. de tal forma que o caráter de Deus remolde o seu. porém a maioria se sente impotente para derrubá-la. nossa metodologia de ensino é de dar exemplo e servir. Qual é então.preocupa com os interesses de seus alunos. há teologicamente subjacente uma integridade de natureza. Conhecer a Palavra de Deus é incorporar seus princípios no mais profundo de seu ser e demonstrá-los no curso de sua vida. Ele desejava que não nos impuséssemos como autoridades.3) O resto do ensino sobre liderança na igreja no Novo Testamento é consistente com estas passagens. O apóstolo Pedro lembrou aos seus leitores da impropriedade de uma atitude autoritária.

de quem aprendemos. desenvolvendo uma variedade de métodos de ensino. Oremos diariamente para que alcancemos esse alvo. Outros dão valor às discussões em grupo. e o serviço a Cristo como instrumentos pelos quais o Espírito trabalha nas vidas de indivíduos cristãos. representam o melhor método de se conduzir a educação teológica. Anabatistas disseram que o Espírito Santo age sobre as almas dos homens sem o uso de meios. Pedro fala da "multiforme graça de Deus". deve ser a de irmão/irmã para nossos alunos. e que permitam que a reflexão teológica desafie e informe as atividades do ministério. A validade de qualquer método é específica para os alunos. Nossos métodos de ensino deveriam ser selecionados com base na sua adequação a líderes eclesiásticos individualmente e aos seus interesses particulares. os métodos de ensino dos educadores são escolhidos segundo suas próprias personalidades. Porém. Quando essas qualidades caracterizarem nossos métodos de ensino. Alguns métodos elaborados por educadores são extrinsecamente inapropriados a nós cristãos. então educadores teológicos deveriam reavaliar suas tendências a fazer isto. ao invés das de seus alunos. Com grande freqüência. mas devem sempre proporcionar um processo interativo de reflexão teológica e envolvimento ministerial. Resumo . A teologia tem implicações para a pedagogia? Nossa postura como professores. A doutrina da salvação pela graça tem sido um tema unificador no protestantismo desde a Reforma. demonstrando através de nossas vidas e nosso serviço que juntos olhamos para nosso Senhor Jesus como único Mestre. Luteranos e Calvinistas tradicionalmente falaram da Palavra e dos sacramentos como o meio empregado pelo Espírito. lida com homens e mulheres através de meios apropriados a suas pessoas e disposições. Devemos nos comprometer a empregarmos somente métodos de ensino que estimulem a reflexão no contexto da revelação e da experiência. Além dos debates. Assim Deus atrai os que crêem a si mesmo e leva-os à maturidade em Cristo Jesus. alguns defendiam cegamente que lições programadas. Desta forma seremos mais capazes de descobrir os métodos que são mais apropriados a líderes da igreja em particular e às preocupações que lhes ocupam a atenção. mas a doutrina dos meios pelos quais a graça é distribuída tem ocasionado muitos debates teológicos. Recentemente. não há métodos pedagógicos que tenham validade intrínseca. asseverando que elas proporcionam um ambiente de aprendizagem inerentemente melhor do que o discurso. num processo contínuo que integre entendimento e vida. podemos afirmar com confiança que nosso Pai celeste. Se Deus não se comprometeu com apenas um método para lidar com o homem.métodos de ensino que incentivem líderes da igreja a separar a teoria da prática. cheio de amor e sabedoria. Alguns consideram o discurso como método eficiente de se transferir um grande corpo de informações em um curto espaço de tempo. combinadas a seminários periódicos. Outros ampliaram o conceito dos meios da graça para incluir a oração. podemos reconhecer que nossa teologia começou a informar nossa pedagogia. Educadores teológicos têm a responsabilidade de seguir o exemplo de nosso Deus. Às vezes pressupõe-se que o valor seja inerente ao método. a comunhão. A doutrina dos meios da graça deveria nos impressionar com a disposição de Deus de adaptar seus métodos para alcançar as pessoas onde estão.

Como educadores teológicos. Faz diferença na maneira de vermos a vida e na maneira de a vivermos. para determinar nossas responsabilidades à luz das práticas educacionais vigentes e de nossos compromissos teológicos.) . dentro dos limites de nosso entendimento. temos sido diligentes em permitir que nosso entendimento teológico molde o propósito e o conteúdo de nosso ensino. (Apresentada na reunião anual da Associação para a Educação Teológica Evangelical na Índia. Poucos afirmaríamos que integramos nossa fé a todos os aspectos de nossas vidas. individualmente e como corpos docentes.Os cristãos sempre insistiram que a fé faz diferença. de 20 a 23 de Janeiro de I988. mas nos comprometemos a sermos obedientes. Agora precisamos examinar essas implicações. Mas as implicações existem. As práticas educacionais que empregamos também devem ser selecionadas e moldadas com base em nossas doutrinas. A maioria de nós está apenas começando a reconhecer as implicações de nossa teologia para a prática educacional. em Bangalore.

Não resta dúvida.e partilo em pedacinhos. Não seria exagero dizer que. . Um segundo motivo. de povos e culturas inteiras que pela primeira vez recebem o impacto da Verdade. A tradução da Bíblia para os nossos dias. E possível existir uma teologia autêntica e válida para cada contexto cultural? Certamente. no entanto. John colocou-os sobre uma folha de bananeira e passou-os a todos os que foram batizados. minha abordagem terá o colorido transcultural já que esta é a minha principal preocupação ministerial. Não estamos. Desde os anos 70 quando o termo "contextualização" começou a ser usado.(1) A Contextualização na interpretação das Escrituras é um tema atual e polêmico. como se tudo dependesse disto. Então ele tomou o vinho . Um dos motivos para a escolha deste tema.suco de framboesa silvestre em copinhos de bambu . O terceiro aspecto é o da evangelização em si. eles se reuniram ao pé da cruz para a primeira Ceia do Senhor. que têm muito a ver um com o outro. é o de avaliar a possibilidade e a importância da contextualização na comunicação transcultural. sua fidelidade ao Evangelho de Cristo e do lançamento da base doutrinária de novas igrejas. qual a necessidade e obrigatoriedade do evangelista em transmitir uma mensagem de acordo com o conhecimento de seus ouvintes. (2) a palavra vem recebendo uma variedade de aplicações no meio teológico e missiológico. o mestre Jesus Cristo. que a questão hermenêutica é crucial e fundamental para as missões. mesmo sendo da mesma cultura que o pregador. será formada uma igreja realmente evangélica (do evangelho) e coerente com a vontade expressa do idealizador. enquanto os outros olhavam. está a preocupação de uma teologia autóctone. devemos sentir a responsabilidade na interpretação e na comunicação do Evangelho. e não menos importante.uma batata-doce cozida. Depois de tomar o pão . negando a obra do Espírito Santo de Deus. de forma compreensível ao leitor.A IMPORTANCIA E O PERIGO DE CONTEXTUALIZAÇÃO NA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS Lars Bertil Ekström Introdução A seguir. isto é. está justamente em tentar buscar definições para o termo em relação à interpretação do texto bíblico e a aplicação dos princípios encontrados nas Escrituras. às vezes. Até que ponto se pode "contextualizar" a mensagem sem perder o seu conteúdo essencial e supra-cultural. fria . que vem ao encontro de nossas fraquezas e imperfeições e que zela pela Igreja e a orienta.e distribuiu entre os treze. dependendo de nossa capacidade de interpretar e comunicar o Evangelho. em absoluto. em meu presente estudo. Trata-se do conteúdo da mensagem. sem contextualizar? Intimamente ligado aos motivos acima. Porém. é também uma razão suficiente para um estudo assim. É possível traduzir e interpretar a Bíblia.

preocupações e costumes de uma cultura para outra. como a posição dos bancos no templo. no entanto.. evangelização. que poderá ser útil na compreensão das conclusões que foram tiradas. Definições de Contextualização Antes de entrarmos no estudo propriamente dito de textos sobre a contextualização na interpretação das Escrituras. (7) Bárbara Burns resume a contextualização como "a expressão do verdadeiro Evangelho em termos relevantes à cultura receptora". Contextualização é tanto verbal como não verbal e tem a ver com a teologização. plantação e crescimento de igrejas. com estas atividades que envolvem o cumprimento da Grande Comissão.adaptação de idéias. creio que tem havido uma adaptação inconsciente e impensada a certos contextos regionais e culturais.(8) Como vemos nas definições acima. (6) Hesselgrave dá uma definição mais completa: . Quando aspectos fundamentais estão em jogo e a tradição se mantém de um lado claramente anti-bíblico.. vamos alistar algumas definições de Contextualização. instrução cristã. principalmente na análise das palavras chaves dos textos escolhidos. estilo de adoração ...(3) O próprio Bruce Nicholls define como "a interpretação (translação) do conteúdo imutável do evangelho do reino em forma verbal compreensível aos povos em suas diversas culturas e em suas situações existenciais peculiares". é importante se fazer uma diferença entre aquilo que é essencial ao Evangelho. organização eclesiástica. Em partes. como a salvação em Cristo. especialmente como é apresentada nos ensinamentos das Sagradas Escrituras. quando primeiramente cunhada no início dos anos 70. interpretação e aplicação da Bíblia. era a de que contextualização se referia a "capacidade de responder de modo relevante ao evangelho dentro do arcabouço da situação da própria pessoa". A definição inicial da palavra. É apresentar a mensagem ou desenvolver um programa de tal forma que as pessoas da cultura receptora encaram como atingindo suas necessidades e preocupações". E cita Kraft dizendo que é uma. e que é relevante aos receptores em sua respectiva cultura e contexto existencial. estilo de vida de encarnação. contextualização tem muito a ver com a comunicação transcultural. numa forma que é fiel à revelação divina. ações. o que é natural por se tratar de interpretar para uma linguagem . Portanto.de fato. interesses. o artigo pode ser bastante técnico. conceitos. e aquilo que é secundário. É um processo dinâmico de 2 forças: uma cultura em mudança e uma mensagem ou programa de fora da cultura. “. respeitando-se tanto a época como o contexto cultural. Creio.(5) George Peters diz: "Contextualização aplicado adequadamente significa descobrir as implicações legítimas do evangelho em cada situação. a palavra e a vontade de Deus. a obra.Na questão específica da contextualização na interpretação das Escrituras. Na defesa da tradição e de possíveis mudanças. a abordagem deste artigo será a partir de uma abertura para a contextualização. Vai mais fundo que aplicação”.contextualização pode ser vista como uma tentativa de comunicar a mensagem sobre a pessoa.(4) Harvie Conn diz que contextualização é "o processo de conscientização de todo o povo de Deus das reivindicações hermenêuticas do evangelho".estes iremos buscar ao longo deste texto. isto precisa ser denunciado e corrigido. tradução. Não significa algo sem critérios .

1.5) e da Europa (16. Não existe. A Igreja vive um forte momento de expansão após os anos de "curtição da comunhão fraternal" em Jerusalém. é a partir da chegada forçada em Antioquia que os seguidores de Cristo. Queremos. Antioquia da Psídia. no entanto. passando por Chipre. passar para o estudo de alguns textos que são freqüentemente mencionados em relação à interpretação contextualizada das Escrituras.(10) Green descreve assim o momento histórico narrado em Atos: Na primeira parte de Atos Lucas mostra os estágios de desenvolvimento desta expansão.diferente da original. de forma declarada e registrada. começam a evangelizar os gentios. em termos de levar em conta o contexto onde está.7).8-9. que trate diretamente do problema da contextualização utilizando este termo ou algo parecido. dentro das quais comunica a sua intenção salvífica para com a humanidade como um todo. relatando a difusão do evangelho através da Ásia Menor (12. voltando depois basicamente pelo mesmo caminho. Listra e Derbe. logo chamados de cristãos. O segundo é uma declaração do apóstolo sobre o seu ministério. Para isto. o terceiro é uma afirmação genérica de Paulo sobre o uso das Escrituras. Saindo de Antioquia da Síria. o texto em questão é tremendamente interessante por colocar.32-12. escolher 3 textos. Primeiro o evangelho foi pregado em Jerusalém (1. e dali rumo ao oriente para Icônio. Perge.8-18. Textos Bíblicos Relacionados com a Interpretação Bíblica Existem muitos textos bíblicos que poderiam ser estudados neste assunto. E. uma contextualização das verdades eternas e espirituais para uma linguagem compreensível ao ser humano. analisando-os parcialmente: Atos 14. agora. parte de exemplos concretos na divulgação do Evangelho pelos apóstolos e de conclusões. como a de Roma).20). Portanto. para o nosso estudo mais exegético.1-6. Os contatos com os gentios ainda eram poucos em termos de evangelização direta e a equipe de Barnabé e Paulo é pioneira neste tipo de avanço. pela primeira vez. Deus escolhe uma cultura e uma época específica. Lucas. ocorre já na própria escrita do texto sagrado.24).(11) Mesmo com a pregação aos samaritanos e aos prosélitos religiosos (ou "tementes a Deus") como o eunuco etíope e Cornélio.19-23. Atos 14:8-18 . como princípio na interpretação bíblica. nenhum texto.(9) O primeiro é um exemplo das situações concretas vividas pelo apóstolo Paulo na comunicação do evangelho entre gentios.16. narrada pelo médico amado. A segunda parte forma um belo equilíbrio com a primeira. até lógicas. ou porque foram ganhos através de judeus presentes em Jerusalém no dia de Pentecostes (que possivelmente gerou igrejas no mundo romano.31). a seguir alcançou Antioquia (9. Alguns gentios já tinham sido alcançados. A contextualização. até chegar em Roma (19. e 2Tm 3. depois ele espalhou pela Palestina e por Samaria (6. o caminho tomado foi para o ocidente. que eu conheça ou tenha visto na literatura sobre o tema. Vamos. os apóstolos diante da questão de . de textos sobre a aplicação da Palavra de Deus.21-28. Sem dúvida.6-19. 1Co 9.25-16.31).Paulo e Barnabé em Listra Contexto geral: Barnabé e Paulo estão em sua primeira viagem missionária. a mensagem bíblica. nos capítulos 13 e 14 de Atos dos Apóstolos.

Uma lenda local dizia que estes deuses já haviam.1. Palavras e expressões chaves: Versículo 8 . juntamente com os demais na cidade. sendo Paulo apedrejado pelas multidões instigadas por judeus (!) que vieram das cidades vizinhas para atrapalhar o avanço da "seita nazarena". equivalente romano). curando-o em primeiro lugar de sua enfermidade e sendo-lhe anunciada.(12) É. Sem forçar o sentido da palavra ou a situação específica. o uso da língua licaônica explica porque Paulo e Barnabé não entenderam . olha-o atentamente. Segundo os vv.contextualizar a mensagem. Não é a primeira vez que Marcos 16. entretanto. dando oportunidade ao testemunho. A cidade de Listra ficava numa região agrícola e atrasada. guardar.fraco nos pés. Bruce destaca a questão do idioma: O fato das multidões terem gritado em língua licaônica sendo destacado por Lucas (que deve ter recebido esta informação de Paulo) se deve provavelmente a duas razões: em primeiro lugar.sōthēnai . curar. ajudar. em segundo lugar. Seus habitantes falavam a língua licaônica e não o latim ou o grego. também a libertação da idolatria e da "paralisia" espiritual. Segundo o panteão grego. paralítico (Hb 12.manco.cholos . • para ser curado .A reação do povo não se deixa demorar. em ocasiões anteriores visitado a terra em forma humana. O milagre alvoroçou a cidade.1 e 2.a tríplice afirmação da paralisia do homem em Listra.oudepote periepatēsen O médico Lucas realmente enfatiza a situação clínica do homem. Trata-se de um evangelho que age. sem forças para andar • "paralítico" . A pregação na cidade quase termina em tragédia. Contexto próximo: A visita em Listra começa com a cura de um homem aleijado. certamente para dar um claro contraste ao ocorrido e à reação do povo no v. se compadece e vê sua fé para ser curado. portanto. Dominava a idolatria tendo entre seus deuses principais a Zeus e a Hermes (ou Júpiter e Mercúrio. enquanto que Hermes (Mercúrio) era o porta-voz dos deuses. Versículo 10 .O próprio homem dá testemunho de sua cura. paralítico desde o seu nascimento. utilizados pelos mais cultos no Império Romano.para ser salvo (de sōzō) -salvar.adunatos tois posin . Versículo 9 . marca claramente que não se tratava de um milagre apenas psicológico: • "aleijado" . fica claro. 21 e 22 e 16. que tem um só pé. Versículo 11 . explanar o Evangelho de Cristo. que surgiu uma igreja na cidade. 11. parece que há uma preocupação por parte de Paulo que vai além da cura física. ao estilo de Jesus. Isto indicaria já um aspecto interessante da contextualização do evangelho .2).13) • "jamais pudera andar" . de forma clara e correta. neste ambiente de zona rural e de idolatria que os pioneiros se encontram para. Zeus (Júpiter) era o deus chefe.17.Paulo se interessa pelo homem e. O milagre alvoroçou a cidade e os apóstolos foram identificados com deuses pagãos.8). que jamais pudera andar (v. Paulo e Barnabé reconheceram que era um idioma diferente da dos frígios que tinham ouvido dos lábios da população nativa em Antioquia da Psídia e Icônio. que transforma situações. Um detalhe interessante é que Timóteo era desta cidade (At 16.a mensagem vem de encontro às necessidades do homem paralítico em Listra.18 se cumpre no ministério dos apóstolos e parece que de forma muito natural faz parte do avanço do Reino mesmo no meio dos povos gentios.

incluindo os de Listra. tentando criar uma ponte com os ouvintes para que eles se sentissem participantes da mensagem e da oferta salvadora. dos apóstolos é tipicamente judaica: rasgam suas vestes em sinal de horror e protesto (cp.A reação. mas o enfoque.(15) Versículo 16 . as boas novas de salvação.21). certamente usando seu referencial de lendas já mencionado acima.(14) Paulo deixa claro para que eles tinham vindo. inicia aqui com alguns termos chaves: • "anunciamos o evangelho" . é usado para a conversão de um homem que envolve uma completa transformação de sua existência sob a influência do Espírito Santo. • "vos convertais" . e prepara o caminho para a mensagem acerca de Cristo. infrutífero. não alterando sua essência.(13) A interpretação do povo foi de acordo com seu conhecimento. Existe aqui uma valorização. uma mensagem forte e nova para os de Listra.9). portanto. uma transformação completa. 1Co 15. Paulo se dirige a excitada multidão de pagãos. A conversão. Sabendo do confronto que sua mensagem poderia causar mas também reconhecendo a urgente necessidade que o povo tinha de mudar sua vida. sem base. o que controla.A explicação que Lucas dá da reação positiva do povo aos visitantes e os preparativos para a adoração a eles. mas que manteve um controle e uma presença no meio dos povos abençoando-os através da natureza. das diferentes culturas. 11. . resultantes do processo de "enchimento da terra" proposto e exigido pelo próprio Criador. por parte de Deus. foi compreensível para os habitantes da cidade.3 fica claro que a palavra "conversão" logo se tornou um termo técnico que não necessitava mais explicação.35. significando mudar de caminho de vida. Diante da bondade de um Deus vivo e verdadeiro como esse. Não se deveria.epistrephein . já que cada povo teria seu ambiente a que se adaptar e a distância entre os povos causaria também um distanciamento lingüístico.vão. mas o Criador que está por trás de tudo. Ele começa com o Criador comum de todos. Paulo convida a seus ouvintes a se arrependerem. da forma mais inteligível que pode. adorar a criação ou a criatura. deveria ocorrer da idolatria.de matē . Versículo 14 . ele expõe.63). Deus é o agente.mudar de direção. que seus ouvintes desconhecem por completo. que deixou os povos andarem nos seus próprios caminhos. Versículos 12-13 .A pregação propriamente dita. a mudança de rumo. mas que certamente. inútil.20. fútil. Mostra a religiosidade do povo. Eerdman comenta: Em Listra Paulo dá um exemplo admirável da adaptação necessária da mensagem missionária ao auditório. Existe uma lógica na exposição de Paulo.o que estava passando até que estavam já avançados os preparativos para pagar-lhes honras de divindades. tolo (Cp 1Co 3. Tt 3. Não começa recorrendo à Escritura.mataio .euavggelizomenoi -evangelizar • "cousas vãs" . frutos de uma idolatria impregnada na sociedade gentia da cidade. seu anseio e sua veneração. um tanto atrasada. Mc 14. Sem dúvida. dar meia volta. Sempre fala da conversão como um evento "uma-vez-por-todas" e com conteúdo próprio (At 9. o Salvador. A natural diferenciação em culturas e em línguas ocorreria mesmo sem a confusão de Babel. Só poderiam ser deuses (no caso Zeus e Hermes) que estavam daquela forma milagrosa aparecendo. De At 15. que em nada tinha valor. ineficiente. mas fala-lhes de Deus cujo poder e amor se manifesta nas obras da natureza e de sua providência. Versículo 15 . louco.Até no aspecto de "permitir que os povos andassem nos seus próprios caminhos".17. Diz Laubach: Atos freqüentemente descreve os resultados da proclamação missionária pelos primeiros cristãos. para o verdadeiro e único Deus.

Esta defesa fica ainda mais forte e clara na sua segunda carta. para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo" (v.sem testemunho . mas também de fortes críticas contra o seu apostolado. maturidade e moralidade cristã. Sua preocupação está em mostrar. no sentido de preservar algo de si na cultura e na vida do povo. Para dar um exemplo prático e pessoal do que isto significa. o problema da idolatria e o caminho de volta a Deus. mas mostrou a situação pecaminosa dos habitantes de Listra. Resumindo o breve estudo desta passagem. Queremos destacar alguns aspectos que tem a ver com a contextualização. o problema do litígio entre irmãos. e não usando o Antigo Testamento. Utilizando o argumento da natureza e identificando o Criador comum a todos.Versículo 17 . aupologia). 9. O claro rechaço às homenagens e à adoração como deuses. principalmente nos capítulos 10 a l2. mesmo contrariado. Contexto próximo: Nosso texto segue o capítulo 8 onde Paulo tem falado dos limites da liberdade cristã em relação aos fracos. que dá suficiente razão para condenar mas que também cria um elo para a propagação do evangelho (Cp Rm 1. 4. A "carta prévia" (5. o "pode e não pode" na vida do cristão. Nosso texto é tremendamente rico e não temos condições de esgotá-lo neste estudo.18-20).3 deixa claro que existe a necessidade de defesa (gr. não o seu sacrifício pessoal com autocondoimento. ele descreve a sua própria visão de ministério e de vida cristã. da forma como outros faziam. A fase do ministério de Paulo é de muita atividade. A cura do homem paralítico. e que. A prioridade era que o evangelho tivesse êxito. l2b). podemos dizer que o apóstolo mostra uma contextualização da interpretação das Escrituras nos seguintes aspectos: 1. 2. Ele também tem direitos. naturalmente. o famoso capítulo do amor que é a base de toda a comunhão no Corpo de Cristo. principalmente. demonstrando um evangelho integral de poder e de esperança. 1Co 9. Palavras e expressões chaves: . 2. Paulo é sensível ao conhecimento do povo e consegue comunicar de forma compreensível. os dons espirituais. a ressurreição e. ele precisa argumentar a favor de sua atuação junto às igrejas.19-23 . tema que continua no capítulo 10. por volta do ano 54. Ele trata de questões como a necessária unidade na igreja.amartupon . sendo livre e podendo reivindicar alguma comodidade. dando resposta à necessidade mais patente do ser humano.O ministério de Paulo Contexto geral: A primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios foi escrita logo após sua visita a cidade de Corinto. a ordem na liturgia. a disciplina na igreja. a sensualidade e o casamento. A mensagem não ficou só no milagre. antes suportamos tudo.9) não tinha gerado os frutos desejados e Paulo volta a escrever sobre os problemas na igreja. da visão de Paulo quanto ao seu ministério e até que ponto ele está disposto de se adaptar para levar a mensagem a outras pessoas. para não causar tropeço e escândalo. que se aceita teria criado grande dificuldade mais tarde para a pregação sobre Cristo e causaria um sincretismo indesejável. Mas. ele abriu mão de seus direitos legítimos: "Entretanto não usamos desse direito.sem testemunho. 3. expansão e implantação de igrejas. Tratase. estando ainda em Éfeso. mas um exemplo digno de imitação de alguém que coloca os interesses do Reino de Deus em primeiro lugar.

1.livre. Mas. Barrett responde: Ele podia se tornar um judeu somente se.se eu mesmo o fosse C. Algumas pequenas palavras têm importância nestes versículos: A.para os sem lei B.a fim de.de gívomai . em Cristo.proceder. • Versículo 20 .5).indicando uma ação voluntária de Paulo. as barreiras caiem e a lei tem o seu cumprimento final. numa atmosfera bicultural tinha tido sua influência. Seu Judaísmo já não pertencia mais a sua pessoa. Paulo já começa o capítulo com esta expressão. Enquanto outros pensavam em sua posição e quanto poderiam "ganhar" com isto.ganhar os judeus A.como . uma vez por todas e com conseqüências para o seu ministério. A idéia de Paulo não é de um lucro pessoal mas uma vitória para o evangelho. Aqui também está no aoristo indicando que o procedimento de Paulo não era teórico apenas mas tinha de fato ocorrido em seu ministério. ter lucro.. mas se baseava na convicção de que o judaísmo tinha sido cumprido em Jesus Cristo e a lei levada ao seu alvo previsto (Rm 10. O verbo está no indicativo aoristo ativo na 1a pessoa do singular . ganhar alguém para o seu lado. que no fundo não tem obrigação de se amarrar a pessoas nem a regras humanas. Isto não é para Paulo uma forma piedosa de dizer as coisas. mas uma aparência que ele podia adotar ou deixar conforme seu desejo. tinha deixado de sê-lo e agora era outra coisa.os que vivem sob o regime da lei B. fazer.judeu C."procedi" .para .para .edoulōsa .fazer-se escravo.os judeus B.para . vir. Um verbo comum com muitos significados dependendo do contexto. Sem dúvida a infância em Tarso. • A palavra doulos que compõem este verbo é um termo chave na apresentação do apóstolo de si mesmo (Rm 1. Como Paulo poderia se tornar um judeu já sendo um? (Cp 2Co 11. A continuidade do verso traz um paralelismo entre judeus e "debaixo da lei".22. etc).kerdēsō . livre da lei.como .como . 1Ts 1. 21. Fala de sua relação diante de Cristo Jesus mas também diante da Igreja de Cristo.ganhar os que vivem debaixo da lei A. marcando. é interessante notar este desprendimento do apóstolo em relação a sua cultura materna. no sentido de não escravo. A mesma forma de se expressar encontramos no v. nascer.Versículo 19 • "livre" . Concordando ou não em todos os aspectos com Barrett.egenomēn .doulōsō . certamente.para com . tendo sido anteriormente um judeu.. etc. tenho me feito servo de todos. • "fiz-me escravo" . Fp 3.eleutheros . também sua compreensão que. onde Paulo diz ter-se identificado com estes para ganha-los (mesma palavra que acima). mas algo que foi cumprido na prática em todo o seu ministério.1.ganhar os que vivem fora do regime da lei .ganhar. Não significava um desrespeito à lei . • "ganhar" . ou os "sem lei".se eu mesmo assim vivesse C. agora em relação aos gentios. ele abria mão de seus direitos para que o evangelho saísse lucrando. estar.4). livre para agir. Odeberg comenta: Provavelmente chegamos mais perto do sentido de Paulo se dissermos: exatamente porque sou livre.

se coloca debaixo de uma cultura. não o pregador.ter parte em. 22). ele se faz servo. isto é. ele não está desatento à sua própria necessidade.eles C. Espera tornar-se "um participante". e • Ap 1. Paulo.fraco C.ganhar os fracos A. está sempre disposto a se adaptar ao meio onde irá comunicar a mensagem.7 . cooperador. partilhar com outros as bênçãos da salvação.) Versículo 23 . como koinoneō. isto é. Mesmo aqui ele pensa nos outros. Expressão utilizada mais três vezes no N.sois participantes da graça comigo . nem "um que faz sua parte (pregando) o evangelho". sendo tanto uma confissão como um desafio aos seus oponentes: "Tudo faço por causa do evangelho. judaica e gentia? Creio que podemos resumir a resposta em alguns pontos: 1.para . 2.(16) E Morris concorda: Toda a conduta era determinada pelo Evangelho.5. Todavia.como (subentendido) .para com . no momento. Suas palavras significam participação nos benefícios do evangelho. Era isso que importava. a fim de) que enfatiza a conclusão do v. Barrett diz sobre a utilização da palavra "cooperador": Paulo não quer dizer "um participante com o evangelho" (na obra de salvação)..9 . e algumas vezes na forma verbal. e na expressão enfática: "por todos os modos. com o fim de me tornar cooperador com ele".17 .como (subentendido) . Sua pessoa é secundária.T.16) 3. O evangelho é um só. como cristão e mensageiro do evangelho. • cooperador . . e introduz pequenina referência a ela. participante.com o fim de .todos B. pois a sua palavra salienta a idéia de co-participação. nem a sua "preferência". independente do contexto.irmão vosso e companheiro na tribulação .sugkoinōnos . koinōnos e koivōnia.ganhar alguns Este esquema. A forma como o evangelho é apresentado pode variar dependendo da cultura a ser alcançada. nesta forma. mesmo não sendo a sua inicialmente. Isto é visto nos exemplos da vida do apóstolo.Paulo falando aos filipenses sobre a nova vida que eles têm em Cristo.João falando de si mesmo. enquanto que o evangelho é prioritário. de A + B = C. que se repete nos versos 20 a 22 mostra um paralelismo e um jogo de palavras (utilizando no grego coerentemente as palavras hōs (como) e hina (para.A conclusão é a mais clara possível.T. sendo o caminho da salvação o mesmo para todos.A.falando sobre o "enxerto" dos gentios em Israel. através de Jesus Cristo (Cp 1Tm 2. • Rm 11.para com . 23. É no cumprimento de sua vocação como evangelista que ele se apropria do evangelho a si mesmo. Em outros termos.participante da raiz e da seiva . salvar alguns" (v. A questão é: até que ponto Paulo está falando sobre contextualização da interpretação das Escrituras e adaptação do evangelho às diferentes culturas. Rm 1.os fracos B. Outras palavras da mesma raiz são mais comuns no N. • Fp 1.

que tanto mina a cultura local desnecessariamente como procura impor uma cultura alienígena em seu lugar. obterá os benefícios prometidos. porém o evangelho é livre e continua avançando dentro do Império Romano. "Permanece naquilo que aprendeste" (3. que deixam um desafio para nós de colocarmos o Reino de Deus em primeiro lugar. É o padrão estabelecido pelo próprio apóstolo para o verdadeiro discipulado (2. 4. Analisemos o texto: Palavras e expressões chaves: . Exortações e conselhos enchem esta carta. o apóstolo Paulo continua sendo o exemplo supremo da pessoa a quem Jesus Cristo primeiro despiu do orgulho de seus próprios privilégios culturais (Fp 3. O relatório de Willowbank resume bem a questão aqui. dados com base em longos anos de experiência pastoral e missionária. porém não dá suficiente margem para um relativismo na adaptação do evangelho à uma cultura. Nosso texto segue a conselhos definidos sobre a continuidade aos ensinos recebidos de pessoas idôneas e fidedignas. portanto.A Utilidade das Escrituras Contexto geral: O texto de Paulo a Timóteo faz parte das "cartas pastorais". Certamente a segunda carta a Timóteo.4. acima de nossa posição e bem-estar pessoal. Todo o ensino e toda a aplicação das Escrituras deve levar à perfeição e habilitação para a boa obra (v. Contrastando com isso. a presença do testemunho cristão. fazendo de si mesmo escravo em meio a elas e se tornando "tudo para com todos". nos dando a idéia até de um testamento final deixado para o seu filho na fé. Trata-se da segunda geração de pregadores e missionários que tem a tarefa de levar as boas novas além das fronteiras romanas. O outro cuidado que o discipulador tem com seu discípulo é o do bom procedimento em sua vida pessoal e em seu ministério. Contexto próximo: Na epístola do apóstolo para seu afiliado espiritual. 5. incluindo este texto: Às vezes esses dois erros (falta de sensibilidade a cultura e apresentação de um evangelho por meio de formas culturais alienígenas) de ordem cultural são cometidos ao mesmo tempo. como um dos líderes na nova geração que está prestes a substituir a dos apóstolos. salvar alguns (1Co 9. Não podemos ir longe demais nas conclusões destes versículos. por Paulo. e depois ensinou-o a adaptar-se às culturas alheias.5): uma mentalidade diferente da mundana e corrupta. contextualizando-se até ao extremo a Palavra de Deus. um viver irrepreensível e exemplar. mesmo não tendo registros específicos sobre isto. Paulo está preso em Roma. "Tu porém" é uma expressão que mostra o que o apóstolo espera de Timóteo (3. mas não no seu conteúdo. 3. Paulo sabe. A contextualização se dá. por todas as formas possíveis.14) é um tema que volta.2). uma das preocupações é a fidelidade do jovem obreiro à doutrina ensinada por sua mãe e avó e pelo próprio Paulo. 2Tm3. que somente fiel a vocação e ao conteúdo do evangelho. escritas mais para o fim do ministério Paulino. e fora dele.19-23). e mensageiros do evangelho são culpados de um imperialismo cultural. na pessoa do missionário e na forma como apresenta a mensagem.10. uma fidelidade à verdade do evangelho e uma sobriedade distinta da de tantos outros "doutrinadores". de alguma forma. até lá a Igreja tinha sido implantada. e segundo a tradição indiana. A finalidade está clara. Sabemos que no fim do primeiro século grande parte do mundo conhecido na época. 17).16. a fim de.4-9). pastor em Éfeso. A questão agora é como utilizar as Escrituras e até que ponto podem ser adaptadas às divergentes necessidades apresentadas pelas pessoas. 14. é a última que Paulo escreve. Timóteo é visto.

com direções claras vindas do Vaticano.ōphelimos . Durante muitos anos a Igreja Católica Romana não permitiu aos fiéis comuns o acesso às Escrituras . Não são apenas as idéias registradas na Bíblia que são relevantes mas a escolha das palavras.8 e 1Tm 4.escrito. isto é. Não vamos entrar na discussão pormenorizada das possíveis alternativas de tradução que surgem aqui.T.. A utilidade de toda Escritura vem especificada nos exemplos que seguem: • "para o ensino" . Mais adiante Kelly discute sobre a expressão "toda Escritura" que deixa margem para outras interpretações. em si. tanto o contexto quanto o uso no N. Não que tenham. fica nítida sua confiança na palavra inspirada por Deus. correção.melhora. que em parte. caímos num relativismo perigoso e desorientador. porém usado em outra literatura grega. as sagradas letras. Uma fraca comparação poderia ilustrar a questão. • "inspirada por Deus" . Se abrirmos mão da autoridade bíblica com princípios supra-culturais. de fato. ou em qualquer outro lugar. repreensão.• "Escritura" . de proveito. a ordem em que se encontram.útil. • "para a repreensão" . válidos tanto em Éfeso como em Roma. (17) Stott tem uma interpretação alternativa: Não me parece de todo impossível que com esta expressão ele está incluindo as duas fontes do conhecimento de Timóteo há pouco mencionadas. Escritura. ensinadas a Timóteo. Paulo se refere a todo o Antigo Testamento. Optamos por: Toda a Escritura é divinamente inspirada e. mas ele chega a conclusão que o mais provável aqui é que. restabelecimento. educação.disciplina. incapazes de serem entendidas por um único intérprete e leitor. • "para a correção" . "aquilo que aprendeste (de mim) e as sagradas letras". quais sejam. A leitura bíblica era vista como perigosa -poderia trazer novas interpretações. o que também ocorreu na reforma.epanorthēōsin . requerem que tenha o sentido mais restrito de Escritura. Convencer os mal-orientados dos seus erros e colocá-los no caminho certo outra vez. mais tarde. (Cp Tt 3. será incluído no Novo Testamento (questão em si importante). correção e educação em justiça.T. pelo menos no que diz respeito à sua referência geral. O ensino é a fonte positiva de doutrina cristã.didaskalian. Embora literalmente signifique "escrito" ou "livro" e possa concebivelmente abranger escritos ou livros em geral.refutação do erro e repreensão do pecado. Aqui educação na justiça..soprada por Deus. Outro aspecto importante neste texto é a utilização da palavra em si no trabalho ministerial..8). livro.(18) O que o versículo tem a ver com a contextualização da interpretação das Escrituras? Independente se Paulo se refere ao Antigo Testamento somente ou inclui o seu próprio ensino.theopneustos . Fala da presença por trás e em sua palavra. É ela que é a base para todo o ensino.elegmon . mas pela riqueza e profundidade que contém.paideian . • "útil" . Diz Kelly: Não precisa haver hesitação acerca do substantivo. • "para a educação" . Esta valorização das Escrituras é sumamente importante na questão da contextualização. A contextualização precisa levar em conta a necessidade e a possibilidade dos povos que estão sendo alcançados com o evangelho de poderem ter acesso direto às Escrituras e não .graphē . isto é.a única interpretação possível era a dada pelos padres. um poder mágico ou que devam ser usadas como fórmulas. AT. educação construtiva na vida cristã. Um termo que somente aparece aqui em todo o N. etc. Voltaremos a este perigo na conclusão do trabalho. na retidão.

o missionário precisa se contextualizar o máximo possível. Uma liturgia contextualizada . Saber qual a fonte da interpretação tem grande valor para discernirmos sua fidelidade à Palavra e a intenção por trás (Cp 3. Qualquer contextualização de interpretação precisa respeitar a inspiração divina das Escrituras. Evangelizar não é somente recitar versículos bíblicos de cor.a forma de expressar a fé e de realizar o culto a Deus precisa ser contextualizada. Em todas as situações da vida. (19) Resumindo o texto estudado. mais cedo ou mais tarde. A Importância da Contextualização 1.2. a chance de entender a mensagem. A Bíblia é a autoridade fundamental para o cristão e para a proclamação do evangelho. Beekman e Callow dão outros exemplos de como se precisa ter o cuidado de manter o significado original ao se fazer traduções. levando em conta o que está explícito e implícito num texto e até que ponto um novo leitor pode entender o texto bíblico. tentando assim concluir nosso trabalho. 1. Uma mensagem relevante . algo que os danis conheciam. em qualquer época e em qualquer cultura. primeiramente. irá transparecer na proclamação da pessoa de Cristo.4. podemos afirmar que: 1. então contar por que Jesus foi chamado de Cordeiro de Deus".a contextualização é importante. mas também de explicar o conteúdo do evangelho de forma compreensível.o povo que recebe o evangelho precisa sentir que a mensagem tem algo de atual e útil para o momento que vive. e. 1. A preocupação está mais em termos de não privar pessoas da riqueza que o texto tem dentro do seu contexto histórico e cultural. Nelly relata um destes momentos concretos quando a palavra tinha que ser traduzida corretamente pelo missionário Dekker: Tinha também que "traduzir" os símbolos para coisas que os danis conhecessem e compreendessem. tendo a mentalidade serviçal de Paulo. para dar aos ouvintes da Palavra. Nela toda a doutrina precisa se espelhar e encontrar respaldo. a Palavra de Deus é útil e suficiente para conduzir a pessoa no caminho do Senhor. E verdade que. A Importância e o Perigo da Contextualização Vamos de forma resumida colocar alguns aspectos referentes a importância e aos perigos da contextualização de interpretação das Escrituras. de qualquer forma. Isto trará credibilidade ao evangelho e dará o devido valor à cultura nativa receptora da mensagem. que. dando possibilidade as pessoas se identificarem com a . 2. 1. Somente depois é que ele poderia falar em sacrificar um "leitãozinho". "Como explicar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo quando os danis jamais viram ou ouviram falar de ovelhas? Tenho de explicar primeiro as características das ovelhas. 3.a paráfrases baratas. Uma mensagem compreensível .3. é a procura de relevância na mensagem. A linguagem precisa estar de acordo com o auditório.1. Sturz lembra que um dos aspectos interessantes e aplicáveis da Teologia da Libertação. O exemplo mostra a possibilidade de partir do conhecido para o desconhecido e ao mesmo tempo introduzir uma nova idéia sem ferir a cultura de um povo.(20) 1. Uma adaptação cultural do mensageiro . num primeiro momento pode ser difícil (e até impossível) utilizar uma linguagem bíblica na pregação. 4.14).

Sincretismo cultural adota duas formas. doutrinas supra-culturais que precisam ser detectadas e preservadas. Missão como contextualização envolve a construção de uma variedade de "teologias locais". também há elementos culturais tanto no texto bíblico como na interpretação da Igreja durante a história. Grande parte da interpretação que seguimos hoje na América Latina. sinta que o evangelho lhes pertence.. 2. em cada cultura.é um dos perigos mais citados pelos autores que tratam do assunto. que precisam ser discernidos e contextualizados com sabedoria. segundo o mesmo autor.sendo que um é cultural e o outro é teológico. é a de forçar formas culturais sobre os receptores querendo mudar sua cultura. Leva também a uma confusão e uma mistura. criando uma fusão de crenças. duas vantagens com a contextualização: Missão como contextualização é uma afirmação de que Deus tem se movido em direção ao mundo.2. onde no templo no domingo. Porém. vem de contextos completamente alheios ao nosso. com uma forte coloração de sua época e de seu ambiente. Uma contextualização que chega a este ponto trai ao Mestre da obra e à sua palavra.1. entre outros. Q sincretismo teológico e doutrinário . Perigos com a contextualização Como quase sempre existem "good news and bad news". 1.não no sentido de se afastar das doutrinas básicas bíblicas. as práticas "de fora" são seguidas enquanto que no dia a dia continua a prática nativa. por exemplo.citando Nicholls. Diz Nicholls: No debate contemporâneo sobre o evangelho e a cultura há dois tipo perigos sincretistas .dando a cada povo e cada cultura a oportunidade de formar o seu modelo de liderança. e os teólogos ao segundo. de governo e de disciplina. Que não se trata de algo judaico. por que é a ligação de conceitos e imagens nas profundidades da cosmovisão e da cosmologia. e dos valores morais e éticos. em cada geração. existem perigos.adoração e as expressões litúrgicas. Existem.6. sem dúvida. mas na aplicação destas verdades para o seu contexto.. O positivo com a contextualização é justamente esta atualidade e relevância do evangelho. Uma eclesiologia contextualizada . Existe em cada cultura elementos aproveitáveis na adoração ao Criador. ela disse: "somos católicos no domingo porque nos obrigaram a isto. mas durante a semana continuamos com nossa crença inca". A primeira é a entusiástica tentativa de utilizar acriticamente os símbolos e as práticas religiosas da cultura receptora para expressar a fé cristã. 2.5. Ao perguntar a um guia turístico em visita a Macchu-Picchu no Peru sobre a questão religiosa do povo quechua. pode-se dizer que o importante na contextualização é que cada povo. Ao mesmo tempo que muitos aspectos são positivos com a contextualização. Nem algo do homem branco ou apenas do primeiro século. novamente: O sincretismo teológico vai para o próprio âmago da cultura. O sincretismo cultural . Uma teologia contextualizada . americano ou europeu. ou ocidental. Em suma. . Os antropólogos são mais sensíveis ao primeiro. 1. O sincretismo teológico e doutrinário leva a uma perda dos princípios básicos da fé cristã e precisa ser evitado a todo o custo. David Bosch cita. Citemos alguns: 2. E mais destrutivo do que o sincretismo cultural. A segunda.

para poder comunicar o evangelho tanto ao homem secularizado. com a intenção de corrigir desvios. quando cada contexto forja a sua teologia. 3. a fim de que. não subjugada a aspectos antropológicos ou culturais. Falta um espírito autocrítico que discerne onde estamos reproduzindo costumes e tradições importadas e deixando de avaliá-las. A interpretação contextualizada precisa verificar quais são os elementos supra-culturais e quais são os relativos a cada cultura. a uma distorção da fé e a um afastamento do autor da fé.a grande crítica que se pode fazer a etnoteologia de Charles Kraft é seu relativismo na interpretação e aplicação das Escrituras colocando a cultura receptora como normativa para a teologia. Jesus Cristo. Porém. Precisamos buscar mais da sensibilidade e da direção dada pelo Espírito Santo. a teologia da libertação. visando uma atualização para o nosso contexto histórico e cultural. (21) Uma discussão mais ampla e comparativa sobre o assunto mostra que Kraft tem boas intenções em seu desejo de tornar as Escrituras relevantes aos receptores. 4. sendo transformados por ela. através do poder de Deus e da direção de seu Espírito. mas também o perigo do absolutismo. Supra-cultural é somente Deus. A humildade. a divergência que existe entre a prática de muitos contextos eclesiásticos e os ensinos bíblicos extraídos dos textos estudados e das ponderações aqui feitas são: 1. porém. utiliza a Bíblia como um livro de casos onde exemplos. Ele cita como exemplo o ocorrido na Conferência de Melbourne da CWME em 1980. conforme o desejo . Certamente existem outros perigos. podemos condensá-los todos na preocupação de que a Palavra de Deus seja respeitada como autoridade máxima.4. fortalecer pontos fracos e descobrir ênfases perdidas. O relativismo das Escrituras . 5. Ao mesmo tempo em que existe um profundo respeito pelas Escrituras e se diz que ela é a "única regra de fé e prática". nós possamos ser contextualizados (colocados dentro de) na Palavra. como ao devoto às inúmeras seitas e religiões existentes em nosso país. Nossos cursos precisam equipar os futuros missionários para a difícil tarefa da contextualização correta. há também um desleixo com o seu estudo e sua aplicação integral. como universalmente válida e como foi fortemente rejeitada pelos representantes da Ásia. Conclusão Sinteticamente. O absolutismo das Escrituras . são dados daquilo que é a vontade de Deus. Existe pouca ênfase no preparo transcultural para os obreiros que irão para outras culturas no Brasil e fora.2. Falta um trabalho sério e profundo na busca de modelos litúrgicos que atinjam o âmago das pessoas nas diferentes culturas de nosso país e no exterior.Bosch nos chama a atenção para este aspecto. Ele diz: Não existe somente o perigo do relativismo. apenas. com o tempo. 2. é importante se fazer um "check-up" de nossa tradição comparando-a com as Escrituras. Fazemos uma seleção dos textos que confirmam nossa tradição doutrinária e litúrgica. feita sob medida para o seu contexto específico. mais do que nós contextualizarmos a Palavra.3. quando representantes da América Latina queriam promulgar a sua teologia contextualizada. e não a jactância deveria nos caracterizar como servos de Deus e líderes da Igreja. pedindo sabedoria e discernimento. Qualquer tipo de sincretismo é prejudicial e leva.(22) 2. Concluindo.

e estar suspenso em Deus. . Nenhum motilone já fez isso. No dia seguinte ele tinha um vasto sorriso na face. Grand Rapids.Você se lembra de que eu estava com medo de subir nas redes tão altas.expresso de Paulo em 2Co 3. (2a ed. . ou textos que falam da necessidade de mudanças no hábito de vida quando se aceita a Cristo. 4 Hesselgrave. Então compreendi.Paulo em Atenas . 2 Bosch. 144. eu falo uma nova língua. como Ef 4.Pedro na casa de Cornélio. p. da primeira vez que vi todos os motilones reunidos a fim de cantarem as suas canções? O festival era a cerimônia mais importante na cultura dos motilones. Você precisava estar suspenso.perguntou. É assim que se deve estar quando se segue a Jesus. para descobrir isso. 143. Não compreendi o que ele queria dizer. (apostila de aula mestrado dada na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Agora falo uma nova língua. . ele possuía um novo modo de falar. Bruchko.Não. 9 Naturalmente existem outros textos paralelos que poderiam ser estudados. p.Como posso eu andar no caminho de Jesus? . 137. 1Jo .Sim Bruchko. O fogo brilhou por uns instantes e eu pude ver os seus olhos atentamente fixos em mim. eu atei as cordas da minha rede em Jesus. para cantar. É algo novo.Você aprendeu a falar um pouco de espanhol. John . 1991). p. andando pela noite escura. "Contextualização".Bruchko. Barbara Helen. David. Zondervan. 3 Nicholls.18. p. foi o que lhe disse. Não há outro motilone que possa dizer como se faz isso. 136. pois tinha medo de que a corda se partisse? E que eu lhe disse que somente cantaria se pudesse ter um pé na rede e outro no chão? . 1993) 420. . .17. Bobby não disse palavra alguma. Porém.Sim . 5 Idem. feliz e gostosa.eu disse . 1991) 136. como o caso de Atos 10 . 1983) 18. Edições Vida Nova.você se lembra de meu primeiro Festival das Flechas. Orbis Books. 1988) 116.. David. você terá que atar as cordas de sua rede nele.Bobby . Bruce. . Communicating Christ cross-culíurally. 8 Burns. At 17. Bobby. . Ele assentiu com a cabeça. Tochas de júbilo (Miami. (Maryknoll. Referências 1 Dekker. Ver Bibliografia. O seu rosto estava sério. como eu falo? Ele deu uma gargalhada. O fogo dançava em seus olhos. A luz do fogo refletia levemente sobre ele. Transforming mission. Editora Vida. Levantou-se e saiu. Contextualização: uma teologia do evangelho e cultural (São Paulo. A sua fala seria orientada por Cristo. Utilizado inicialmente nos círculos da Theological Education Fund para designar a educação e a formação de pessoas para o ministério da igreja local.Você precisa estar suspenso. . Para os motilones.Eu lhe disse que você precisava ter os dois pés na rede. 6 Idem. Se Bobby tinha uma nova vida.eu disse. Uma tarde Bobby começou a fazer perguntas. Nenhum homem poderá dizer-lhe como você deve andar na trilha de Jesus. O livro de Hesselgrave foi traduzido para o português e o primeiro volume de três já se encontra à disposição. Somente ele poderá fazê-lo. . E que foi que você me disse? Ele riu. 1. Estávamos sentados ao redor do fogo. língua é vida. 7 ldem.

"Epistrpho". 14 Laubach. p. op. p. 27 Conn. outro sobre uma declaração de visão ministerial e um mais teológico. Tu Porém . Richard. ver discussão p. 20 Relatório de Willowbank . 1975. Frank. Evangelização na igreja primitiva (São Paulo. 1974) 133. p. 291. 25. 21 Kelly.2. 428. 426. Grand Rapids. Suécia. Eternal World and Changing Worlds.A mensagem de 2 Timóíeo (São Paulo. 13 Bruce. Korintierbreven (Estocolmo. Mundo Cristão e Edições Vida Nova. 26 Beekman. em O Evangelho e a Cultura. 1944) 171. 292. que certamente não foi fundada nem por Pedro nem por Paulo. São Paulo.L.. p. 32 Ekström.15-17. Michael. The Book of The Acts (na série TNICNT. K. 134. Conn e Richardson. 28 Bosch. I Coríntios . A & C. SKD. 17 Barrett. Grand Rapids.. 1981) 111. 1984) 137. 19 Morris. págs. 29 Nicholls. 427. 31 ''O assunto é vasto e o tratamos num trabalho a parte numa comparação entre Kraft.. Black. Referências Auxiliares do Grego ALAND. Teologia da libertação (São Paulo.introdução e comentário (série CulturaBíblica. Escolhemos estes por tipificarem três classes de textos.. Londres.N. John. Editora Vida. 11 Green.F. Nida mas ir além em suas extremadas conclusões. ed. 144. Eerdmans. 25 Dekker. Uma das teorias sobre o surgimento da igreja em Roma. 24 Kelly. "Contextualização'" (monografia apresentada no Mestrado. Donald. Londres. A etnoteologia é tratada por Kraft em seu livro Christianity in Culture. IVP. op. John. 1977) 291.. 1986) 186. São Paulo. cit.. 1979) 143. op. 151 ss. .E. J. 1991). p. em The new international dictionary of New Testament theology (Colin Brown. A commentary on the first epistle to the corinthians (2a ed. op. (série Lausanne. I e 11 Timóteo e Tito . cit. 1978) 394. São Paulo. Mundo Cristão. op. 16 Odeberg. op. p. 1983) 20. Bruce.. comentários sobre as expressões. cit. T. 22 Idem. 23 Stott. 10 Guthrie. Hugo. Uma discussão sobre isto encontra-se no livro de Conn. São Paulo. p. Edições Vida Nova. Leon. 293. cit. Carlos R. F. C. Hechos de los Apóstoles (Grand Rapids. & outros. ABU e Visão Mundial. Mundo Cristão e Edições Vida Nova. cit. 34 Olson. Harvey & Sturz. New Testament introduction (Leicester. ABU. 33 Bosch.D. 138.. p. 1984) 168. 30 Idem. p. um sobre uma situação concreta. 186. Harvie Conn acusa Kraft de se basear em idéias de E. 25. cit.introdução e comentário (série Cultura Bíblica. 216. United Bible Societes. Bertil. Faculdade Teológica Batista de São Paulo.L. The greek New Testament. 18 Idem. 294. A Arte de interpretar e comunicar (São Paulo. 1971) 211. 12 Bruce.. Edições Vida Nova. Por esta cruz te matarei (Miami. Paternoster e Zondervan 1975) 355. John & Callow. 1992) 50 ss.K. 1982) 96. etc. 15 Erdman. 187.. 100.

1977. Liberlãromedel. Londres. SãoPaulo. Biblical Institute Press. Analytical greek lexicon. Bagster & Sons. Barbara e Timothy. Grand Rapids. 1975. A grammatical analysis of the greek New Testament. YOUNG. Lund. O Novo Testamento grego analítico. FRIBERG. ZERWICK. 1987. 1974. . HEIKEL. Mary. Roma. Suécia. Ivar & FRIDRICHSEN. Max & GROSVENOR. 1977. Grekisk-Svensk Ordbok till Nya Testamentet. Eerdmans. Anton. Young's Analytical Concordance of the Bible. Edições Vida Nova.BAGSTER.

esplendor. ou o que pensam sobre mim". desde o Gênesis até o Apocalipse. passou a ter um conceito unicamente objetivo de "glória. eminência. e a sua mente obscurecida já não a reconhece claramente. grandeza".(6) 2. que significava "honra. status. seja a si. A Revelação do Caráter de Deus No Antigo Testamento a expressão a "glória e o poder de Deus" (Sl 24. A soberana majestade de Deus está sempre presente na mensagem de Isaías. E em vez de atribuir a Deus a glória que lhe é devida.3) é usada especialmente para a manifestação de uma pessoa. prefere glorificar a própria criatura. O Significado dos Termos A base do conceito de kâbhôd no Antigo Testamento é o de glória ou honra. A Revelação da Presença de Deus . majestade. conhece agora as trevas. mas especialmente nos seus atos salvadores e na sua auto-revelação expressa através dos profetas.7-10. e mais perfeitamente através de Jesus Cristo. nem mesmo nas suas obras criadas. pois me comparareis?"(5) Significa a revelação dos atributos e do ser de Yahweh. os que se separam mais e mais do uso comum. ou a outros seres ou objetos criados. ou substância visível. "o que eu penso sobre um assunto. Veremos então que a glória de Deus é um conceito profundamente missionário. conceito sempre superior à possibilidade da definição humana. honra e dignidade. 29. e um objetivo "fama. a morte. Essa glória se revela nas ações de Deus. importância". como em Isaías 40: "a quem. O homem.(2) Nesse sentido implica-se uma realidade substancial em contraste com os ídolos descritos como coisas vãs. a carência da glória de Deus. Esse vem traduzido como doxa na LXX. honra". Através da obra missionária Deus está restaurando a humanidade para que novamente viva em harmonia com o objetivo para o qual foi criada.(3) Percebemos assim que se procuram os termos que designam um máximo de grandeza. enfatizando a impressão causada sobre outros. criado para gozar da vida abundante e da comunhão íntima com Deus. O pecado afastou o homem da glória de Deus.1).(1) A noção de glória no Antigo Testamento é de peso.O CONCEITO DA GLÓRIA DE DEUS COMO BASE DE MISSÕES Antônia Leonora van der Meer Introdução A glória de Deus ocupa um lugar chave na Bíblia. para consagrarem-se à descrição de glória de Deus. A Glória Como Revelação de Deus 1. sua auto-revelação gloriosa. o temor. Quando foi usado para traduzir kâbhôd. na sua criação e manutenção do universo criado. Significa a manifestação luminosa da presença de Deus.(4) Os céus proclamam a glória de Deus (Sl 19. No grego a palavra doxa na literatura clássica tinha um significado subjetivo.

9) e na transfiguração (9. e sua presença aos homens. (8) Acompanhava sua presença no Monte Sinai (Ex 24. nos grandes atos de Deus (Ex 14. Eram a expressão da presença de Deus no Santuário.16). de maneira especial (Ex 40..1-3 fica claro que em Jesus a glória de Deus se manifesta mais plena e definitivamente aos homens.19-22). Como revelação da presença de Deus.9). ou a sua intervenção na história. 2.21. para protegê-lo e guiá-lo.(9) O fato mais importante da experiência da nova nação de Israel é que Deus veio habitar no meio dela (Ex 29.13.13). 1 Rs 8. O objetivo de João é mostrar e testemunhar que Jesus é o Filho de Deus. é vinculado ainda mais diretamente com o objetivo das missões. 2. Em Lucas manifesta-se também por ocasião do seu nascimento (2.11). João também atribui glória a sua vida terrena (1.27). A doença de Lázaro glorificou a Deus e ao Filho de Deus. Também em João a glória significa a revelação de Deus.16). 18) para ter certeza de que sua presença iria de fato com eles (v.11 -22).9). 3.28-32). e foi recebido em glória (1Tm 3. a não ser que esse brilho os ilumine. visto que nele o véu que nos separava da presença de Deus já foi removido (Hb 10. seu máximo brilho e beleza (ver Cl 2. Moisés pediu a Deus que lhe mostrasse sua glória (v. 14.(12) Na história do Antigo Testamento a glória de Deus se manifesta através de sua atividade a favor de seu povo. e sua impressão causada sobre os homens. 40.(7) A Revelação na História da Salvação A glória de Deus expressa-se especialmente na história da salvação. 25.(11) Principalmente em Hebreus 1.14.38).10-11).31. 1Pe 4.30.17ss. Sua é a glória e o domínio para sempre (1Pe 4. Se no Antigo Testamento a glória de Deus se manifestava para revelar seu caráter. muito mais esses objetivos se cumprem em Jesus Cristo. É Senhor da glória (1Co 2.3). especialmente no lugar de adoração. Após sua morte a salvação é oferecida sem distinção a todos os povos (Ef 2.34-35. Uma promessa repetida freqüentemente é que "Habitarei no meio deles.11). tateando (At 17. Ele voltará em glória (Tt 2.(13) A glória de Deus se manifesta em Cristo e em sua obra salvadora (Mt 17. Em Êxodo 33. Os hinos do Apocalipse também confirmam essa manifestação . A glória manifesta no Jesus humano é de qualquer forma uma glória celestial . 14-15). Também nas epístolas de Paulo e Pedro indica-se o caráter celestial da sua glória. 6)(14). Mc 8. . e relacionada com o aparecimento escatológico no juízo final (Mt 19.43-46). A realidade da presença de Deus foi verificada por Moisés quando via os efeitos posteriores do brilho da presença de Deus (v. Serei o seu Deus. mas nunca conhecerão plenamente porque o pecado obscureceu os seus olhos. acessível ao homem. Jesus é considerado o resplendor da glória de Deus.11.4. vemos que está diretamente ligada com o objetivo de missões. A Revelação Mais Plena em Jesus Cristo Em Mateus e Marcos a glória é vista como propriedade de Jesus como ser celestial.35. Havia um novo sentimento da proximidade e da presença ativa de Deus.28. Serão o meu povo". 21-23).8).2-5. para viver em comunhão com este. 2Co 4. A presença dessa glória de Deus em Cristo significa a presença da salvação (2Co 4.10.14. 24. seu amor. 13. Sl 96. Jo 1. E é nele que agora a glória de Deus está ao alcance de todos os povos.4). Deus o ressuscitou dos mortos e deu-lhe glória (1Pe 1.(10) Sendo a glória a revelação do caráter de Deus.21). que é o de revelar claramente esse Deus que os povos buscam.A coluna de nuvem e de fogo manifestavam especialmente a glória e o poder Divino presentes com o seu povo (Ex 16.

14. Por causa do pecado o homem não consegue refletir a glória de Deus. para trazer o homem de volta ao seu direito perdido de compartilhar de tal glória.10-11). Tudo o que o homem faz deve fazê-lo para a glória de Deus (Rm 15. palavra e ato (1Co 6. e que só é verdadeiramente realizado e feliz quando compartilha dessa glória.18).11) e quando sofre por Cristo (1Pe 4. que o realiza através das boas obras (Mt 5.(18) Aqui vemos como toda a Bíblia enfatiza que o homem só cumpre o verdadeiro propósito de sua criação quando glorifica a Deus. a glória os alcançará.31).11).(15) Glorificar a Deus é dever do homem.12. e não perceber essa carência. e de atribuí-la a Deus. O Homem Criado para Glorificar a Deus O principal dever do homem é o de glorificar a Deus em adoração. em vez de cumprirem seu dever de glorificar a Deus (Ez 10. na produção de frutos (Jo 15.23) e por isso merecem o castigo de Deus (At 12. 3.18). . que visa embarcar todos os povos nos efeitos salvadores dessa maravilhosa e gloriosa obra de Deus. cheia de dignidade e de amor verdadeiro. Os homens são convocados a glorificarem a Deus. Os pastores o fizeram. 7.3-6).21. Pela revelação do Espírito o homem recebe suficiente compreensão dos propósitos salvadores de Deus e um conhecimento verdadeiro.23.26). João é quem mais enfatiza a manifestação da glória de Deus na obra salvadora de Jesus (Jo 1.(17) Em Isaías o povo provoca a desonra da glória de Deus (3. se obedecermos. que Jesus manifesta de maneira única a glória de Deus. Há uma interação entre a glória de Deus e a glória compartilhada com os cristãos (2Co 3. 30).14. por ocasião do nascimento de Jesus (Lc 2. mas limitado da realidade divina. Assim. mais uma vez pode compartilhar da glória de Deus (Rm 5.20.20). No Novo Testamento há suficiente ar de mistério para lembrar o homem de sua compreensão limitada de Deus. há sempre uma ligação direta entre a glória de Deus e a sua graça. 10. manifesta em atos salvadores.da glória na obra de Jesus. 16). como deveria fazer. Dn 5. 12. O Homem Criado para Participar da Glória de Deus e para Celebrá-la 1. mostrando como foi justamente através da sua humilhação.(16) Em Ezequiel vemos como a glória de Deus retirou-se do templo pelas abominações praticadas ali.7.9). quando confessa a Cristo (Fp 2. Por meio da justificação.9-13. Fp 1. que é também a luz que penetra as trevas. Obscurecer a glória de Deus é o pior acontecimento da experiência humana. Se não obedecermos ao chamado missionário. 59. e a perversão do pecado mostra-se no fato do homem sentir aversão a esse seu dever. 4.8).11).23-28. e o nome de Deus será glorificado por eles.8.19). deve ser transmitida pela palavra da pregação do Evangelho (2Co 4.23. que resulta em um imenso coro de glória a Deus e ao Cordeiro (Ap 5. Os ímpios têm aversão a isso (Rm 1.11. Infelizmente o pecado afastou o homem dessa vida plena.10. 2Co 4. continuarão nas trevas e na frustração. A destruição eterna é a exclusão da presença e da glória do Seu poder (2Ts 1. mas também se mostram meios pelos quais alguns aspectos desse mistério tornam-se perceptíveis.2). com o grande objetivo de completar a obra da salvação. 2. 12. 17. E por isso que a glória de Deus. O objetivo principal da vida humana é o de glorificar a Deus (1Pe 2.3-5).15. E é por isso que essa glória se relaciona diretamente com a obra de missões. a favor do homem que nada merece senão o seu juízo. cheia de gozo e brilho.

e por meio da qual as pessoas são levadas a reconhecê-lo como aquele que o Pai enviou.30.20-21. efetuada pelo Espírito Santo (2Co 3. 2Co 4.39. 2Co 4. a ressurreição dos .22).31.22. A salvação está em que o homem e a natureza tenham parte nessa forma de existir.18). recebem e experimentam a verdadeira vida plena (Mc 8. para que recebam instrução do Senhor (Is 2. Mc 13. A esperança cristã é a esperança da glória (Cl 1.(21) Essa glória será universal (Sl 86. Paulo fala de uma conexão íntima entre a glória. no juízo final (Mt 19. Mas é quando os crentes entregam sua vida por amor de Jesus e do Evangelho que descobrem.38). A glória do ministério do Evangelho está especialmente nas operações do Espírito. O mensageiro que preparará o caminho do Senhor será o próprio Messias (Ml 3. Ap 5. é o poder de amor e do auto-sacrifício liberado pela pregação do Evangelho. Sobre estas repousa o Espírito da glória e do Senhor (1Pe 4.1-2). o Espírito. 2Co 3.26.(20) Há uma relação especial entre o crente que sofre por causa do nome de Cristo e a glória. Zc 14. é por isso que precisamos pregar o Evangelho. e não a fama e o brilho do mundo. de uma glória que já existe a uma glória que será revelada. Rm 8. 12.4-5). rejeição e desprezo manifestou a glória de Deus. são os dons espirituais manifestos no corpo de Cristo. A Dimensão Escatológica da Glória de Deus No Novo Testamento a glória de Deus significa a realidade divina escatológica da existência.27. Para entender essa glória devemos nos lembrar do exemplo de Jesus que na sua atitude constantemente digna. e que efetua a unidade da Igreja.13.(19) Em João 17. Essa dimensão da vida nenhum homem pode descobrir ou alcançar por sua própria inteligência e esforço (1Co 1. 17.5).22 Jesus fala dessa glória como recebida e transmitida para os seus.33.21). na qual virá para julgar (Mt 16. É o poder do Espírito operando nos apóstolos. Uma glória que transforma o crente de acordo com a imagem de Cristo. que já considerava como sua e como pertencente à Igreja (17.26).9.2-4). Missão e a Glória de Deus 1. Os Crentes Compartilham da Glória de Deus Os crentes compartilham dessa glória hoje (Jo 17. Essa glória que Cristo recebeu do Pai. é um conceito altamente escatológico (17. Fp 3.27).20-23). Cl 3.17).4. Pe 3.(23) Em Mateus e Marcos a glória de Cristo está relacionada com a sua vinda escatológica.1-2).18).22). justa e amorosa em todo o sofrimento. 25. com o seu objetivo de transformar o homem e o mundo criado (Mt 24.5) e manifestou ao mundo. Mc 8. O Senhor da glória descerá triunfalmente no Dia Final para completar o seu plano de salvação e para triunfar definitivamente (Dn 7. João fala da glória que Jesus tinha antes da fundação do mundo (17. E fala de uma glória que ainda estava para receber (7. Que tipo de glória é essa que produz uma unidade por meio da qual os homens são levados a reconhecer que Cristo é o Enviado do Pai? É um conceito bastante escatológico.13).18-29).18) e o farão na eternidade (Rm 8.30. O sofrimento no presente fica insignificante quando comparado com a glória prometida. 21.14. Relaciona-se também com a glória do Pai. perdoadora.17.24. 24.17. A glória que os crentes compartilham é essa glória. Lucas fala também da glória escatológica da Segunda Vinda (9.(22) No glorioso fim dos tempos Jerusalém será colocada em posição privilegiada como centro das nações. Ef 1.34-35). Também no Antigo Testamento esperava-se para os últimos dias uma manifestação plena da glória de Deus (Is 60.27.2.

missão é o meio da graça. movido pelo poder do . Em 2 Coríntios 3. Isaías é o profeta da glória que virá. A unidade da Igreja é um grande instrumento missionário.(24) Vemos assim que a glória relaciona-se à restauração de todas as coisas pela obra consumada por Cristo e aplicada na vida dos homens por meio do Espírito. Espírito e a Igreja proclamadora. e essa glória é o poder do Espírito Santo manifesta na vida e no testemunho da Igreja. Em que consiste essa glória? Não numa luz radiante e visível. mas na proclamação do Evangelho e na vida cristã que flui da aceitação do mesmo. que surpreende o mundo. sem limites geográficos. A verdadeira unidade da Igreja é baseada e resultante da glória de Cristo. João também relaciona a glória. Em Mateus 28. contrastando com sua glória. os que a recusarem serão obrigados a glorificar a Deus por meio do Juízo Final.crentes e a de Cristo.12-13). na ressurreição o Espírito foi dado a Jesus e ele o deu à Igreja como rios de água viva.18-20 os discípulos proclamam o Evangelho a todas as nações por meio da autoridade concedida a Ele. 2. O Filho do Homem glorificado (12. por meio da sua autoridade e glória. A glória de Deus é expressa na vida nova da Igreja.38-39). nem temporais. Paulo fala do ministério da Antiga e da Nova Aliança. Em João 17.41s. Esta glória está no contexto da disseminação universal da graça de Deus.2 Jesus glorifica o Pai ao dar a vida eterna a todos os homens que Deus lhe deu. Jesus menciona seu desejo de transmitir a vida eterna em conexão com sua glória e sua autoridade. A ousadia da proclamação dos embaixadores de Cristo em contraste com a glória que Moisés escondia dos filhos de Israel (2Co 3. nem de mérito. a luz do Evangelho da glória de Cristo brilhando sobre todos os homens (4. (25) Assim. A glória do estado ressurreto é colocada no mesmo nível que o Espírito e o poder (1Co 15. Paulo mostra a superioridade do Novo Testamento em relação ao Velho Testamento e a conexão íntima entre glória.2 a glória tem o propósito de transmitir a vida eterna aos homens.23) transmite a vida no Espírito a todas as nações. mais uma vez nota-se que missão é o meio pelo qual essa glória se estende a todos os povos. Rm 8. Para Isaías a salvação futura das nações e a honra de Israel são aspectos indispensáveis da glória de Deus.11. e na proclamação do Evangelho. que ilumina os que estão nas trevas (há uma conexão profunda entre glória e luz). o conteúdo da revelação universal vindoura. A unidade e a vida da Igreja testemunham a glória de Cristo. também renderá a Deus a glória devida ao seu nome. salva pela sua graça imerecida. o Espírito e a ressurreição de Cristo (Jo 7. 1. Assim.1-6). O cristão agradecido pela graça imerecida que recebeu. e é resultado do seu testemunho do Senhor crucificado e ressurreto. a Igreja. a nova humanidade redimida. Em João 17. A glória de Cristo é manifesta através da vida do Espírito no corpo de Cristo. e isto se aplica de maneira mais ampla ao ministério do Espírito. Ou seja. A Igreja. A unidade da Igreja não consiste na habitação passiva do Espírito. Está a raiar o dia em que o Espírito será enviado para colher a Igreja universal através dos embaixadores proclamadores do Evangelho. É um poder ativo. É a manifestação da verdade.4). expresso. que assim participarão daquela glória e renderão a Deus a glória que lhe é devida. A glória de Deus era uma revelação do ser divino. A Glória de Deus como Grande Objetivo Missionário A glória de Deus é o objeto da esperança religiosa. mas na glória imaterial do Evangelho. a glória de Deus é manifesta na sua graça salvadora que alcança ao homem perdido. é um paralelo com a Grande Comissão dado com base na autoridade concedida a ele.

1981) 90. Themes in Old Testament theology. vol. 2. 125. cit. InterVarsity Press. op.. . p. 15 Brown. p. 1979) 42. Referências 1 Brown. p. op. e preocupa-se com os homens que perecem porque carecem da glória de Deus. 17 Kaiser. 2 Dyrness. p. op. IVP. p.cit. op. cit.. cit. p. cit. p. p. que nos faz voltar para Deus. op. op. p. 193-194. ed. p.. 45. São Paulo. Vida Nova. jamais poderemos nos contentar ou acomodar enquanto não chegarmos a essa proclamação ampla. 194-198. 1966) 213. 10 Kaiser. p. cit. 672. 24 Kaiser. povo e nação. 1979) 189-190. 14 Brown. profunda e clara a todos os homens de todas a gerações.. cit. 16 Shedd. 90-93. 672. 22 Brown. op. que merece a dedicação e obediência incondicional do homem salvo. op. cit. ed.. 44. cit. 46-47.. p.. Novo dicionário da Bíblia (2a ed. 23 Shedd. 48. cit. 191. 25 Boer. 246. cit.. op. Russell P. op. 26 Ibid. Pentecost and missions (Grand Rapids. p. 21 Boer. 18 Boer. Paternoster Press & Zondervan. cit. preocupa-se com a glória de Deus que está sendo negada pelos homens perdidos. 11 Boer.. cit. Walter C. 7 Shedd.. 12 Brown. língua. 45-74.Espírito Santo.. 264. 20 Brown. Eerdmans. e da vida transbordante que ela produz.. 9 Dyrness... Harry R. 191-204. 192-196. 5 Kaiser. A glória de Deus é a grande motivação missionária. p.. cit. 3 Boer. op. mobilizando-nos para o próximo que necessita do brilho e do calor dessa glória. Donald. 42. 47. op. op. 4 Brown.. p.. 6 Boer. 191. p. New Testament theology (Leicester. 1986) 44. p. cit.. p. 193-194. op.. cit. p. cit. 8 Brown. 13 Guthrie. 19 Guthrie. p.. cit. op. Edições Vida Nova. 1984) 672. New international dictionary of New Testament times (Grand Rapids.. 214. op. op.. Teologia do Antigo Testamento (São Paulo. Colin. Sabendo ainda que o propósito de Deus é alcançar toda tribo. (Madison. cit. op. William. op.

O desafio não é tanto falar de Cristo mas fazê-lo de forma que os ouvintes entendam e se identifiquem com a mensagem. Um dos problemas levantados é o do sentido das palavras. 192 p. Edições Vida Nova.00. Este é. sendo que a primeira trata mais das teorias de comunicação e a segunda dos desafios relacionados com a transmissão do Evangelho dentro de uma nova cultura. o problema missionário por excelência. gestos e símbolos descobrindo primeiro qual o sentido acordado dentro do contexto no qual ele irá se comunicar. Por isso. I. O volume é dividido em duas partes. Titulo em inglês: Communicating Christ Cross-Culturally. A tarefa missionária é de comunicar Cristo transculturalmente. A segunda parte do livro inicia com uma ampla discussão sobre o papel da cultura na comunicação. 160). o autor busca as bases bíblicas e históricas para a comunicação do evangelho e os fundamentos científicos e práticos para uma boa comunicação e uma eficiente retórica. porquê e como o faz. A comunicação transcultural do evangelho. 22).Resenhas HESSELGRAVE. sendo que o sentido de um símbolo ou de uma palavra pode variar fortemente entre um lugar e outro. R$14. vol. Segundo o autor esta é a verdade bíblica nas "ordens missionárias" dadas por Jesus e o exemplo deixado pelos apóstolos. Diz o autor: . Tornar-se relevante e eficaz na transmissão do Evangelho numa cultura diferente não é fácil. um compromisso com Cristo e com as Sagradas Escrituras (pág. Hesselgrave resume o primeiro volume desta importante série sobre a comunicação em missões. a eficácia na comunicação é essencial para o cumprimento da tarefa. Existe a possibilidade das palavras terem um sentido inerente ou atribuído. evitando uma influência indevida de sua própria cultura. 1994. David J. Partindo do esquema simples de comunicação com Emissor que codifica uma Mensagem que por sua vez é decodificada pelo Receptor. A questão interessante não é. Nos primeiros capítulos. Resenha por Lars Bertil Ekström. em primeiro lugar o fato de que o missionário precisa se comunicar mas. assim como de uma época para outra. transmitir aquela mensagem original em termos informativos e persuasivos era sua cultura receptora (pág. São Paulo. Isto precisa levar o missionário a ter cuidado no emprego das palavras. ele traça as implicações e as dificuldades deste processo. da parte do missionário. Assim Dr. Isso significa que o missionário deve interpretar a mensagem bíblica sob os aspectos da(s) cultura(s) em que a mensagem foi entregue e. O missionário se comunica para persuadir pessoas a aceitarem a Cristo e não apenas para transmitir um conhecimento teórico sobre a salvação. Hesselgrave parte do pressuposto de que a ordem missionária de Jesus de pregar a todas as nações é válida também para os nossos dias e de que existe. segundo o autor. Sete passos são dados para se chegar a compreensão do sentido dentro de uma nova cultura. Normalmente trata-se de sentido atribuído.

Existe um perigo bem real. principalmente nas áreas de comunicação transcultural e contextualização. Recomendamos a leitura e o estudo do livro assim como sua utilização nos cursos missiológicos. Com base no exemplo de Cristo e nos mandatos divinos dados à humanidade (o mandato cultural ao primeiro casal. Hesselgrave opta por um alto conceito da Bíblia e um alto conceito da cultura. O livro ainda trata das raízes teológicas da Contextualização e das categorias e dos paradigmas clássicos e contemporâneos da comunicação do Evangelho.) **** STEUERNAGEL. 2) os missionários brasileiros que vão a outros países. 3) os dirigentes de agências e juntas missionárias e professores que se empenham no preparo de missionários. Aprofundada. porque lida com conceitos complexos e controvertidos da missiologia sem teorizá-los excessivamente e sem se . Mas o texto é importante também para todos os que querem compartilhar sua fé. E criativa. Está também cursando o Mestrado em Missões da Faculdade Teológica Batista de São Paulo. a cultura do missionário e a cultura do receptor. porque consegue afastar-se suficientemente dos modelos que nos apresenta para trazer à tona tanto o recomendável quanto o desaconselhável. (Bertil Ekström é presidente da AMTB. 1993. de nos esquecermos de que as barreiras culturais são as mais difíceis de transpor (pág. um mandato social à família de Noé e um mandato evangélico aos discípulos). com muitos anos de experiência no campo missionário e no ensino missiológico. R$9. entender a cultura antes de poder comunicar dentro dela. vice-presidente da APMB e professor de missiologia no Seminário Batista Independente de Campinas. Precisamos. Em busca de modelos. 198 p. Hesselgrave. Mesmo dentro de sua própria cultura.00. Crítica. aprofundada e criativa. São Paulo. se dirige primeiramente aos missionários no campo e aos candidatos a missões que estão se preparando para ir a uma outra cultura com o Evangelho. Uma árdua tarefa que requer muito estudo e dedicação. o cristão enfrenta o problema da comunicação e precisa refletir sobre seus aspectos. Timóteo Carriker. Na verdade. portanto. Eu ousaria sugeri-lo como leitura obrigatória para: 1) os missionários estrangeiros que vem missionar na terra do pau-brasil. Logo sou obrigado a me justificar. Valdir nos traz uma reflexão crítica. Obediência missionária e prática histórica. ABU Editora. Resenha por C. Esperamos ansiosamente pelo segundo volume da série. trata-se de três culturas distintas que precisam ser analisadas e compreendidas: a "cultura bíblica". à medida que nossa tecnologia avança e possibilita-nos atravessar fronteiras geográficas e nacionais com especial facilidade e freqüência cada vez maior. porque não hesita em questionar a estrutura básica do empreendimento missionário norte-americano como modelo para o movimento missionário brasileiro emergente. Finaliza com o desafio de se analisar a cultura receptora e do missionário se colocar na posição dos receptores da mensagem. além de humildade e dependência do Espírito Santo de Deus. Este livro é a reflexão missiológica mais importante que já chegou às nossas livrarias até hoje. 82). Valdir R.

tais como. e a abrangência da evangelização em abraçar a justiça do Reino junto com a proclamação do perdão dos pecados. a contribuição de alguns europeus. 94). Assim. Só que. clareza e astúcia. Conceitos. Adverte: "precisamos estar conscientes da nossa própria ambigüidade na obediência cristã. e certos de que no futuro seremos criticados com a mesma (e justificada) radicalidade com que hoje avaliamos os caminhos de ontem" (pág. encontramos com o Conde Zinzendorf e dois grandes missiólogos deste século da Alemanha. reconciliando estas três características geralmente conflitantes. excelente. ele cita logo um missiólogo britânico (Walls. as estruturas missionárias. a tensão entre a institucionalização e a renovação destas estruturas. este livro está literalmente cheio de pistas para a elaboração duma missiologia evangélica e brasileira e por isso convida para a "conversa". No que ele afirma. mais pés-no-chão. Um ponto muito forte no seu livro é o fato de Valdir resgatar no diálogo com os nossos antepassados missiológicos. E depois. para basear sua crítica do empreendimento norte-americano. Valdir nos ajuda a superar uma lacuna na literatura missiológica brasileira cujos laços acadêmicos com a América do Norte estão exagerados. que por sua vez se refere ao missiólogo americano Rufus Anderson como evidência do espírito americano de associações voluntárias e livres. mais pessoalmente envolvente. Timóteo Carriker é presidente da APMB. (C. e mais sob-medida para a reflexão missiológica no Brasil que conheço. mais quantificadas. como diz o autor. por sinal). 97-98). Não digo que o prezado leitor não pode encontrar reflexões mais teorizadas. e mais extensas nas suas anotações de rodapé. Certamente encontrará.perder nos seus pormenores. Valdir entende bem que a crítica. Por fim. recomendo o livro da Valdir simplesmente por ser a análise mais perceptiva. A certa altura o autor critica o empreendimento missionário norte-americano. embora a crítica dirigida ao empreendimento missionário americano esteja essencialmente correta no que diz. com eles e como eles. Portanto. Só que Valdir quer ser historicamente concreto e todos nós sabemos que o grande peso da influência missionária estrangeira no Brasil provém da América do Norte. creio que Valdir grandemente tem razão. as associações voluntárias e livres também caracterizam o empreendimento missionário britânico e as estruturas que ele promovia. a contextualização. professor de missiologia no Seminário Presbiteriano do Sul e . Daí a razão da sua crítica dos modelos de lá. Mais para o norte. Em tudo isso. companheiro intelectual de Anderson. aplica-os concretamente ao momento que o movimento missionário brasileiro vive. Digo "grandemente" porque nem sempre a avaliação do Valdir cabe a todo o empreendimento missionário norteamericano (se bem que mais tarde. Entretanto. Aliás. ele diz isso). pois "nosso antepassados merecem o nosso respeito e. enquanto necessária é uma faca de dois gumes. os diversos grupos empenhados no desafio missionário mundial. Ou seja. Sabe que o diálogo precisa ser também construtivo. a ecumenicidade da igreja. Gustavo Warneck e Walter Freytag. escreve com tática. queremos ser fiéis ao chamado missionário" (págs. o fenômeno das associações voluntárias e livres tem a sua origem mesma nas guildas da Idade Média que se espalharam pela Europa. O problema surge porque as idéias de Anderson eram praticamente sinônimas às do missiólogo britânico Henry Venn. não diz o suficiente. e por isso escreve com humildade. Na Itália conversamos com o imperador Juliano e o frade Francisco de Assis.

à vontade e às emoções" (p. 172). Marcante descobrir através da leitura a luta dos fundamentalistas no meio de uma época marcada por liberalismo teológico nos EEUA. como de volta aos EUA. cada vez influenciando mais vidas. 199 p. o treinamento que "deve apelar ao intelecto. apesar das diferenças. tanto dos alunos como aos missionário no campo mais tarde. vê-se como uma experiência ministerial preparou para futuros ministérios. igualmente dedicado médico missionário. não por último. Buker veio de uma família dedicada a Deus. interesse pessoal e genuíno para com as pessoas no acompanhamento pastoral. a Segunda Guerra Mundial com retirada de missionários. A corrida contra o tempo: a história de Ray Buker. assim dos nacionais no campo em Birmânia. e até de tomar o passo de se separar de uma missão conceituada (se bem que Buker não queria se separar). onde recebeu a disciplina que o preparou para a perseverança.autor de vários artigos e livros. Da sua vida. porém firmeza e sabedoria de manter as convicções. Edições Vida Nova. tais como trabalhar nas igrejas antes de ir ao campo. Como secretário internacional da Missão Batista Conservadora e como professor de missões no Seminário de Denver. Deus trabalhando no meio de tribos laú. Humildade marcou a vida de Buker. ajudando na formação de uma nova organização missionária quando princípios bíblicos importantes estavam em jogo. a assimilação cultural e o preparo de grupos inteiros para receber o Evangelho (bem antes que Donald McGavran apresentou a idéia . Eric S. . Buker teve coragem de estudar em escolas liberais para poder manter e expor com conhecimento profundo a convicção fundamentalista (que naquela época significava manter a fé nas doutrinas fundamentais do Cristianismo). fica muita viva na minha imaginação a cena contada pela tradutora do livro: um professor de missões que começou a sua aula ajoelhado em oração em plena sala de aula! Foi o segredo de Buker completar bem a carreira que Deus propôs a ele.p. é outro ponto enfatizado. junto com seu irmão gêmeo que. Há outras lições estimulantes sobre o preparo de obreiro transcultural e às estratégias missionárias. E. 1994. no meio da atual discussão sobre a educação teológica e missiológica quanto a academicidade e prática.) **** FIFE. e a disposição para servir transcultural de muitos logo após. E. A biografia de Ray Buker contém lições preciosas. Mais uma razão especial para ler o livro: a lista de missionários enviados pela Missão fundada por Buker que marcaram a obra evangélica aqui no Brasil. soube incentivar a importância de aprendizagem acadêmica aliada à vida. foi um parceiro valiosíssimo. São Paulo. O respeito e a colaboração entre as missões no campo. Foi um multiplicador. Resenha por Margaretha Nalina Adiwardana. preparo especificamente da área aonde se vai. uá e tai nas regiões birmanesa e chinesa logo depois fechadas para a obra missionária. tanto nas corridas de atletismo como nas selvas da Birmânia. 93). de corredor olímpico a estrategista de missões. o princípio de igreja autóctone. O tempo da corrida de Buker foi numa época emocionante: a corrida olímpica junto com Eric Liddel. a primeira delas é quem prepara os obreiros é o próprio Deus.

(Margaretha Nalina Adiwardana é professora de Missões Transculturais na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e vice Presidenta da APMB.) .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful