2

D iz

um

m i l enar

d it a do

c hi nê s

q u e “q uan do s e pen sa p ouc o s e f ala m u i t o”. P r o v ér b i o q u e t em u m a v ar i ant e n a t am b ém a nc e st r al cul tu ra g au le s a, m ui t o u til iz ad a a in da h o j e ent re famí li as do int erior da F ran ça: “ pour celu i qui jam ai s f a it ri en i l n e f aut qu e l ' éc ou t er t out le t em ps” . C u ri o s o é o b s e rv a r c om o a s a b e d or i a p o pul a r res u m e em p ou c as p a l av r a s c on st at a çõe s s ob re c a r a cte r í st i c as q u e f az em d o s er h u m an o e s s e u n i v ers o d e c on t rovérs i as, ora t ão esp ec i al, or a tão b an al . A o p or t u n i d ad e da p re s e n t e

r e u n i ã o, cu j o i n t e r es s e d e d eb a t e d e um t em a a s s az o p or tun o, qua nt o in ad i áv el, t ra n s c en d e a o p r óp rio c on g r a3

ç am en t o q u e s er i a d e e sp e rar . Ap r es e n t a- se c om o ap ro p r i a d o f ór u m p a r a d i s cu ss ã o d e q u es t õ e s qu e env ol v em as democracias, a sociedade, a cultura e, sobretudo, os efei tos de acert o s e e qu í v o c os d o c on h e ci m ent o n a v i d a púb l i c a e su a or g an i z a ç ão . O g ran d e r i s c o que s e c o r re , n o e n t an t o , d i z r e s p ei t o a u m a a r m a d i l h a qu e s em p r e am e aç a i n st i t u i ç õ es c om o a m a ç on a ri a, o u qu em, n o i n t erior de seus quad ros, intui sobre t ão d as q u est ões q u e env olv em n ão m ai s os c ham ad os p ecul i ares ét ic os da “ sagrados a el a, vi da, da mi st éri os” os p ol íti c a e m as as p ec tos

“ ab er r aç ões ” c omun s a um a e out r a.

4

Q u and o se d e p ar a c om u m da d o h i s t ó ri c o d e m a r c ad a i m p o rtâ n c i a c om o a R ev o l u ç ão F ra n c e s a, por e x emp l o, s em p r e i n di ss o ci ad o de i d e ai s q u e, diz em , t er i am b r o t a d o n o i n t er i o r d a org an i z aç ã o m a ç ôn i c a, cor r es e es s e ris c o. P oi s 18 e 19 a m a ç on a ri a, como i n sti -

tuição secular, que entre os séculos as sumi ria g rad at iv am ent e u m e sp aço d e f i n i dor d e c on sc i ê n ci a n a o rg an iz aç ã o d o e s t ad o, cer t am ent e, imp õe n o m ínimo c onc lui r at é qu e p on t o, ou e m qu e m ed i d a, a i n st i t u i ção m a çôn i c a a pó s e ss e p e rí o d o c on tinu ou a e x e rcer d e fato t al inf lu ênc i a. O u, e m out r a s pa la v ra s, s e ela realmente terá sido fator prepon5

d e r an t e , c a p az d e d e s en ca de a r a qu el e f at o hi st ó ri c o. U m f at o h ist ó ri c o q u e, d i g a- s e de pas s ag em , d e i x ou p r ofu nd as m a rc a s n a o rg an iz aç ã o d o mundo moderno ocidental. Quero crer que mais im portante que o es t ab el e cim en t o dos f at os c on c ret os qu e d esen cad earam modi f i c aç õ e s n a e s t r u t u ra d a v i d a p ú b l i ca a p a rti r d a í , é o e n t en di m ent o d a d i m en s ã o d as r al aç õ e s en t re o p e n s am en t o d i t o m aç ôn i c o e a s c i ênc i as d e o rg an i z aç ã o d o e s t a d o m od e rn o. Se de um l a do ai nda coexi st em n a g ên e s e da f i l o s of i a p ol í t i c a i d é i as d e R ou ss e au , m ai s M on t es qu ieu, do que Volt ai r e se p r óx i m o s p o d e ri a

d enom in ar “um p en sam en to m aç ôni 6

c o - de o ut r o c onf r ont am- se i dé i as colhidas em diferentes épocas, de u m a i m ens a r el a ção d e au t or e s c om o M a rx, Eng e ls, G r ams ci , T o cq u evi ll e, B o b i o , M i l l s , Sa r t r e, em p e rm an ent e c on fr on t o em q u ant o e à n a tur e z a das i d éi a s d os p ri m ei ros . M a s i d é i as q u e e ss ên ci a princípio, p o d e- s e d i z e r, c on f u n d em- s e q u an t o a o q u e r e a l m en t e s e d e s t i n a m . T ritu rad os, m oí d os, c en t rifug a-

d os, d ecant ad os, coad os , d es ti lad os , t o dos e sses a u t o r es , os qu e e s t ar i am e os qu e n ão est ari am as s oc i ad os à organização do es tado sob inspiração de e v ent u ai s i d e ai s m aç ôn i c o s, Na essên cia
7

r e-

s u l t am s em ex c eç ão n u m a m e sm a e ssênci a . de um pensa-

m en t o u n i v e rs a l q u e f o c a a d em o c r a c i a c om o a t ri but o i n qu es t i oná v el p a r a a v i d a do s e r em s oc i ed a d e. S e , l o g i c a m en t e, o a c e rv o q u e c om pr e end e o c en ár i o d a i n t e l i g ên ci a da civi lizaç ão qu at ro qu est ões é p roc ed ente se q u e, na n es s e p õem . c am po, Qu at r o ques t ões

v erd ad e,

r e m et em a u m a r ev i s ã o d o p a p el e d a f u n ç ã o d a i n sti t u i ç ã o m açôn i c a n a a t u al i d a de. A p ri m e i r a diz r e s p ei t o à autenticidade históri ca d a int e rv en ç ã o m aç ôn i c a, di r et a ou i n d i r e t am en t e, n a vid a pú bl ica. A s egun d a, ao g r au d e int e rv en ç ão q u e a in sti tui ção m aç ôn i c a t e ri a r ea l i z ad o n a v i d a púb l i c a p o r m ei o d e seu s i n t e g ra n t e s. A t e r c ei ra, à e fi ci ên ci a d es sa int e rv en 8

ção, isto é, até que ponto a interven ç ã o m a çôn i c a r es u l t ou em m u d an ç a h ist óri c a. o c o r ri d a s s o ci e da d e. E ss as que s t õ es f az em par t e d e um m esm o eni gm a, cu ja s olu ção p o d e rá r es u l t a r em m el h o r c om pr e e n são d a i m p or t â n ci a, ou n ã o, da i m p r e sc ind ibi li da d e ou não, da ut il idade o u n ã o, da i n st i t u i ç ã o m aç ôn i c a n os d i as q u e c o r r em . Q u and o se a b o r da a q u es t ã o d a l a i ci d ad e ( e c om f re q ü ên c i a s e a ss i s t e a o i n t er e s s e c om qu e a m aç on a ri a,
9

A

qu arta,

à

l eg it imid ad e m aç ôn i c a,

d ess a s mu da nç as qu e, ev en tu alm en t e por i n s p i ra ç ã o t en ham sid o a c eit as t ac it am e nt e p el a

predominantem ente m ais de

a

européia a

e

especificamente há n um m ot o M ai s

francesa a

t r at a d o t em a) , t em - s e a imp r e ss ã o qu e da co nt ínu o ou a l i m en t ar e s s e i n t er e s s e d o p on t o d e v ist a ord em. m en os representando um a in iciativ a in st ituc i on al p ar a i m p o r-s e com o u m i n st rum en to regu lador da qu estão. Rest a, contudo, en t ender se a i nici ativ a e s t ar i a r ea l m en t e at r el a d a a u m a es p é ci e d e “ r es p on s ab i l i d ad e ” h i st ó ri c a da in sti tui ção em g aranti r leg itim id a d e ao bom f u n ci on am en t o d o e st ado. Se não, vejamos.

10

F i l ó sof o s e c i ent i s t a s p ol í t i cos , a ex em pl o de Galasso, h á mu it o intu ír am qu e a l ai ciz açã o d o e st a d o e d a s o c i e d a d e p o l í t i c a a p r es e n t a u m c e rt o d i v ó rci o d a p r ópr i a cu l t u ra . C om o ressalta o próprio autor, esse even to pode ser p e r c eb i d o a pa r t i r de “ t e nd ên cia s e f o rça s p ol íti co- so ci a is d e i n s p i ra ç ã o c r i s t ã e c a t ól i c a, q u e t en t ar am r e c on c i l i ar o s v al or e s r el i g iosos com os do li beralism o, da dem ocracia e do soci alism o” . T alv ez em fun ç ão do peso

e x e r c i d o p o r t en d ên c i a s e f or ç a s s oc i ai s, en t re o s s é cu l o s 1 9 e 2 0 , c omo a p e r si st ent e inf lu ên ci a d a ét ic a r el igi osa e cristã n os países cat ólicos e prot estantes, ou
11

as

preocupações

c on s e rv ador a s da s c l as s es dir i g e n t es d e a l g u n s e s t ad o s e u r op eu s, a p ó s a r e v ol u ç ã o f r anc e s a, r e ap r ox i m ou o estado da igreja e das relig iões. Essa reaproximação prod uziu uma limitação ou, em do o u t ras p al av ras , l ai co uma a t enu a çã o e s t a d os . Um ex emp l o d es s a t o l er a d a c a r át e r d e s s es

a b e r r aç ã o - em p e r í od o q u e u l t r ap a s s a a q u e d a d as m on ar q u i a s a b s olutistas na Europa e a guerra de i n d ep e n d ên ci a d o s E st ad os U n i d os l ocali za-se n a paradoxal organi zação da d emoc raci a am eric an a, tu t el ad a d e u m l ad o p e l o i d e a l r epub l i c an o e, d e ou tro, p ela ai nd a ret rógrad a in sp i raç ã o m a ç ôn i c a de o ri g em i n g l es a.
12

Qu er

dizer,

na

próp ri a

g ên es e

d o s i d e ai s d em oc rá t i c os que c i rcu n d am a o rg an i z aç ã o d a qu e l e p a í s, s ã o f a cilm en te l o c al iz áv ei s os p r e c eit o s i ncont ornáv ei s de landm a rks em tu do h os ti s a: ( a) l ib e ra l iz aç ã o d o s c os tum es, (b) in dependênci a da rel igi ão, ( c) l i b e rda d e d e e x p r e ss ã o n ã o c r i st ã ou n ão ju daica, (c) int ol erânci a rac i al. S e r ia d e t o do c omp l et a hi poc r isia ab st er- s e d es sa di scu ssão. E nq u a n t o n a E u r o p a a p r ó p ri a rev ol u ç ão f r anc e s a a c a b a ri a res u l t an d o n o ap a reciment o de um n ov o person ag em a b s ol u t i s t a , N ap ol eã o B o n ap a r t e, n a s Am é ri c as p ó s i n d epen d ênc i a o s on h o repu bl ic an o con v ert er- s e- ia em m ero
13

son ho, g am

porqu ant o

as

est rut uras da

de hi s-

p o d e r ( p el o m en os a s q u e n os ch ep el as v e rs õ e s o fi ci ai s por t ó ri a) s em p r e i n d i c a r am , ou g ru p os m on ol í t i cos q ui as g ru po s c on t r ol a dos e f o r t es o l i g ar ou e co n ômi ca s pol í t i c os f und iá r i as,

con t r ol a d os

p o r d et en t o r es d a f o rç a d e c o e r ção social , ou ainda grupos de interesse c om h ab i l i d ad e su f i c i ent e p ar a a r reb a t a r e p re s e rv a r o p o d e r. O c e rt o é qu e qu a se t od o s es s es g ru p o s , h i s t o ri c ame nt e , c ont r ibu ír am para just if icar um “m odelo de dem oc r a c i a” em n ad a s e m el h an t e à v er s ão orig in al int uí da e av ent ada n a rev o l u ç ã o f r an c es a. Som e- s e a i s t o o i n t ermin áv el el en co de s it uaç ões b iz ar 14

r a s, n as qu ai s s e i n s e r em o s m od e l o s p o rt u g u ês d e r epú bl i c a, e st a s i m , d e i ns pi ra ç ã o m aç ôn ica , qu e i ri a d es a gu ar n o Es t ad o Novo d e S al az ar, cu jo e p í l og o t ão b em s e c on h ec e. Já m esm o tive ocasião em de abordar o

as sun to

liv ro,

qu an do

r e s sa l t e i a d i s s oci açã o en tr e E st ad o e Igreja acontecida em Portugal, Bras il , Al em anh a e I tál i a d as d it a du ras. P oi s qu em p od e r á n eg a r que em t a i s s itu ações a soci ed ad e n ão exp erim en t ou a r e a l s e p a r a ç ão ent r e e s tado e igreja? Qu em poderá negar q u e n o pl an o d a e d u c aç ã o – p r e ci s am en te no p e r íod o de em qu e st ão do t ai s países não ex perim ent aram uma o r g an i z a ç ã o en s i n o,
15

f u n d a-

m en t al a o s u p e r i o r, e m n a da c om pr o m et id a com out r a f il o sofi a q u e n ã o f o ss e a s ec u l a r? O c o r r e q u e d i t ad u r a s s ã o d i t ad u r a s . D i t a d u ra s q u e, p or n a t u r ez a, ex clu em a d em oc r ac i a. P or ém, a simp l es con v i cç ã o do qu e el as r ep r esent am na civ ili zação g arante, igu alm ente, a sólida certeza de que nada do qu e tenh am gerado, em t erm os p r at i c o s d e o rd en a m en t o ju rí di c o e s o ci al , pod e ser c o n si d er a d o ( ou a c eit o) c om o legít im o. F oi as sim c om S a l az ar . F o i as sim c o m G etú li o Va r g as. F oi as sim c om Mu ss ol ini . F oi assim com Hitler.

16

J á n o s é c u l o 1 9 , G o t h e i n e s c r ev i a a c e rc a d a s ru p t u r a s d o s m ai s p u r o s p r ec ei t os d a dem oc r ac i a. Ins pi r a nd o- s e n a r ea li dad e g erm ân ic a, a o a fi rm a r qu e “ p o r m ai s l ib e rd a d e qu e o pov o t en ha, se não houv er a g a r an t i a d e qu e p os s a p en s ar n o q u e q u ei r a, pa i r ará s em p r e a dúv i d a d e q u e o qu e e s t á p en s an d o f oi s u g e ri do por elas, alguém”. do As igrejas, em modo sem p re de as o que c om apóiam-se grupos

p r e ss ã o,

m esmo

org aniz ações

econ ômi cas,

p r o p ó s i t o d e g a ran t i r q u e t an t o a s l eis, como o real objetiv o ao qu al se d e st i n am, g a r an t am- l h es u m t i p o d e l i b e r da d e q u e em n a d a s e c om p a r a à l ib er da d e i d ea liz ad a n os s is t ema s d em o crát i c o s.
17

Seria com o dizer que não é a l i b e r da d e religiosa m esm o de c r enç a qu e i n t e r e ss a, do a m as a l i b e r d ad e q u e a org an i z aç ã o dispõe es p aç o para púb l i c o usufruir d est i n ad o

t o da a soc i ed ad e . C om isto g ar an t id o, es s e es paç o pú bli c o é su bst an c i alm ent e r ed uzi d o. D o m esmo m od o, à org ani zação bancári a n ão import a m ui t o a g a r ant i a da l ib er d a d e de c a d a qu al p ou pa r e u su f r u i r d e s u a p ou p anç a. I m port a , s i m , a g a r an t i a de u su f rut o operar do os n eg ó ci o do b an co da para rendimentos

p ou p anç a a l h ei a. Com i st o ga r an ti do , r e du z - s e o e s p aç o p ú b l i c o n o q u al s e p r o du z o r e su l t ad o d a s a pl i c aç õ e s d e t o da s as p ou pa nça s . C on se q ü ent e-

18

m ent e, qu em g anha m ais c om i st o e s emp r e g anh a - é o p róp ri o b anc o. E assim por d i ant e. E s t a é a r e a l i d ad e. J á p o r c o n t a d o s d ev an ei o s c om qu e a c i v i l i z a ção t em se p r e s ent e ad o vi slumb ra- s e E s p aç o ao lo ng o um de da p r eh ist óri a, h o riz on t e. out ro

v i rt u a l

t en s as t eo r i as , d e d ou t rin as o u m ê sm o d e p re c e i t os qu e i n d u z em a p en s a r q u e a i n d a h á e s p a ç o p a r a a s m ob i l i z aç õ es, p a r a a s t om ad a s d e con sc i ênc i a, ou p a r a mu dan ç as qu e n u n c a mais p i a. al cançarão a humanidad e. A i st o, p o r s i n al , d á - s e o n om e d e u t o-

19

M as d ei x ar ã o d e a co n t e c er , n ã o por conta de um si st em a e a talvez Não p róp ria op ressi vo, ac on tec erão u nil at era l porq u e c ru e l .

ev olu ç ão d o mu nd o a jus t ou s o ci eda des e inst ituições ao sistema que a civi liz ação produz iu. E sse resu lt ado n ad a m ai s é d o q u e o p r od u t o d e u m “ am oralism o polít ico”, a ex empl o do con c ebido por M a ch iav el duz en tos e c i n qü en t a anos ant e s da r e v ol u ç ão f ranc es a. P rof ét ic o, p en s ad or d e al ta s e nsi bi li da d e , el e p r ev iu n o q u e s e t ran sf ormari am as mud an ças , ou n o q u e d es en ca d e ar i am o s m ov i m en t os ref ormad ores d o mun d o. M ov imen t os q u e, à s u a é p oc a, ain d a n ã o p as s av am d e c on j e ct u ras f i l o s óf i c a s.

20

E ss e am ora l i sm o, e ss e t ot al des c om pr om et im ent o par a com a vi rtu d e , e ss e p r agm at i sm o qu e ex clu i , p óde-se di zer, o sentim en to da ação do e s t ad o, n a d a m a i s s ã o d o q u e at r i b u t os n ef a s t o s m ed i ant e o s q u ai s a r e pú bl i c a d e sf az em p ed a ç os os i d e ai s hum an os. O p os it iv i sm o, em es s ên ci a, nã o ap en as é a c élul a a p a rt i r d a q u a l s e g e s t a a s oc i ol og i a a t é h o j e t en t a n d o s o l u c i ona r o s p r ob l ema s após a da vida em g ru po do ser h u m an o - c om o t od o s o s err o s q u e , r e v ol u ç ã o f r an c es a , f o r am c om et id o s n a o rg an iz aç ã o d o e s t ad o. É altam ente preocupante verific a r qu e não ap en as as di taduras su rg id as n a m et ad e do s é cul o 2 0 e st ão
21

i n o cu l a das v ism o,

pelo

“ v i ru s”

do

positit rad ic i o-

como

d emoc rac i as

n ai s (a ex em pl o da n ort e-am eric an a e d a f ran c es a) , t a m b ém es t ão . N o t em po em qu e C omp t e esc rev eu qu e “ o e st ad o s ã o a s p e ss o a s”, e s t av a ratificando d i z e r, se as tudo raízes do mal. Qu er na aco n t e c e err a d o

organização social, a soci edade perd e p o rqu e u m a par t e d e l a p r ó pr i a, c on st i t u í da p o r aqueles que exercem o p od e r p o l í t i c o, d e sc u r am d a r e al f i n al i d ad e d o p r o j eto soci al . I s to en t en di do ca be uma i nda g aç ã o: o n de e n t r a a m aç on a ri a n es s e p r o c es so?

22

O r a , t an t o a m a ç on a ri a, c om o as igrejas, os sindicatos e tudo quanto c on st i t u i o a r c ab ou ç o d os i n t e r e ss es não n e ces s ar i ament e pú bli c os da repú bl ic a, s ão p eças q ue int erag em ( ou p el o m en os d ev e ri am int e r agi r ) h armon icam ent e na di reção de um m esm o bem comum. Um a interação q u e d ev er i a o c or r er en t r e c a d a u m a d e l as - dir e t am ent e - c om o p r ó pr i o e s t ad o. E s s a p rá t i c a , q u as e u t ó p i c a , d e v er i a se c on st i t u i r na g r an d e m áxim a do i nt eres se púb li co. Tanto quanto as igrejas e outras i nst itu iç ões nu cl eares que consti tu em a e sf e r a d o s i n t e res s es n ã o pú bli c os da s oci ed a d e, d ev em ser c on si d er a d as t e ori cam en t e n a esf e ra d os in23

t er ess es p r iv ad os . D it o a ss im, a af ir m aç ã o p od e d en ot a r al g u m p r ec on c e i t o c on t r a e ss a s o rg an i z aç õ e s. N o e nt an to , a qu em es tud a o fen ôm en o d a s r el açõ e s s oc i ai s, c om po r t am en t ai s, e st ét i c as ou cu l t u r ais dec o r r en t e s d e emb a t es m ov id os en t re o in t eresse públ ico e o int eresse priv ado, n ã o imp o rt a m ui to a s suti l eza s i nst itucion ai s, os pruridos e os pudores c om que ag ent es/ at ores os das duas de e s f er a s def en d em i n t e r es s es

c a d a u m a d es sa s es f er a s. Ainda que na postulação de um det ermin ado int eresse, di gam os, de n atu rez a pú bl ica, em l ocaliz em- s e orig en s t ais ag ent es/ at ores i ns titu -

c i on ais n ão púb l i ca s.
24

Quando se assiste a uma grande i nst itu iç ão Grande m açôni c a de os do p ort e do por e as a at o O r i en t e s o br e dos de F r anç a , direitos n es s e

e x em p l o, e m p en h a d a n a p romo ç ã o d e d i s cu ss õ es l i b e r da d es t en d ênc i a m ovim ento público. as sunt o o M as cid a d ão s, enxergar ao a ou f az tem-se

l egít imo de carát er i nst itu cion al, um d edi cad o não é int er ess e do E, a n a t u r ez a p rivad o. id enti fi car

d e b at e que d et e rmi n a a n at u r e z a d o pú bl ic o que a n t e s , a n at u r ez a d a i n s t i t u i ç ão q u e p romov e “ co i s a púb l i c a” c om o p r i v ada . O m esmo a c ont ece qu an do se de

presencia

um

sindicato

t rab alhadores d e qu al qu er cat eg ori a,
25

m ob ili za do em apoi o à d eter min ad a f ai x a de c o r re ç ão p ar a o o s al á ri o assunto mínimo. Aparentem ente

i n t e r es s a a t od a a s o c i e d a d e, m as a n atu rez a da in sti tui ção, qu e é um a i nst itu iç ão n ã o púb li c a, conf igu r a o o b j e t o d a d i s cu s s ão em c au s a com o s e n d o d e i n t e r es se p r i v ad o. Vejam os, então, o exemplo de fundo que e l ab o r ad o i n t er e s sa para mais este de e n s ai o, perto à

p r e s ent e d i s cu ss ã o: laicidade, educação e diversidade cultural. T om and o c om o b a se d e an ál is e o c a s o bra si l ei r o, a bun d ant e em e x emp l os d e or g an i z a ç ão d a á r ea e d u c ac i on al, p od em o s p ro j e t a r a rea l i d ad e
26

em

que

o no

estado qu e

“abriu d iz

m ão”

da à

ex clu siv idade de ofe r t a, s em c o n t u do f az e -l o r es p ei to r e g u l a ç ão se do a s et or . n ítid a Is t o ap a r ent e no

m ente, porque há m omentos em que p e r c eb e ing e rên ci a e s t atut o d a o f erta, c om o por v ez e s se percebe. O estado bras ileiro, g eren ci al, por

i n o p e rân c i a i nc omp et ên ci a

h i s t ór i c a ,

p ro v e rb i a l in cap ac i-

dade t écni c a, total im pot ência polít ic a , s em pre f o i ambí g u o n a con d u ç ã o dos a ss u n t o s de n at u r ez a p ú bl i c a, o rg at en d end o a f av o rec e r g rup o s

n i z ad os de p r e ss ã o. No cam po e du c ac i on al, em p a rti cul a r, s ã o g ri t ant es os ex emp los .
27

O c as o do ensi no pú bl ic o b rasileiro, qu e histor icam en te apresent a- s e est igm at iz ad o p ela inop erân ci a do estado (m esmo nas épocas em q u e t em si d o a v a l i ad o c om o a l t am en t e posi tivo), é embl em át ic o d o pont o d e v i st a em q u e p r ed om i n a a i n f l u ên c i a r el igi os a . É f al so c onc lui r qu e n o t em po b ei ra d i as da c h ama da er a “ esc ola p ú bli c a f ort e” - g est ão do mi nis t ro M ang aigu alm ent e qu an do se “in d ep en c onh ec e a dent e”. Como é f also af irm ar qu e n os atu ai s, situação de penúria da escola públic a , e la é t ot alm ent e i ne fi cient e . Pó rém, não é a qu ali d ad e qu e esp eci f i c a a i n dep e n d ên cia d o e st ad o s o br e o pl an o ed uc ac i onal .

28

T a lv ez do g ra u de

nã o

h a ja

m om ento e

na

história do Brasil mais representativo i n d epen d ênc i a estado e separação, entre instituições

n ã o p úb lic a s, n o qu e c onc e rn e a o c en á ri o e duc a ci on al . E o g r au d e i nd e p en dê n c i a s e d ev e, p r ec i s am en t e , p o r c on t a d a det e ri o r aç ã o do s i st e m a. Qu and o s e v eri f i ca o e n s i n o superior, por e x emp l o , a s i t u aç ã o é ain d a mais g r av e. O i nt e r es se p úb li c o e o i nt e r es s e p r i v ad o s em p r e a n d am jun t o s. E andam junt os m ovidos por um out r o interesse, que é o interesse político. Se o obj e t o do i n t e r es s e é d es c on f or tá vel ou , no m ín im o, p e rtu rb a d or , n ão s e n ot a rá o m í n i m o em p e29

nh o d e r en ov aç ã o, n em d e um a, n em de outra part e. Si tuaç ão que reflet e certo “interesse p r át ic a, as concreto” af ast a e que, t odas as de as n ão n atu r ez a e n e rg i a s , i nút ei s. M ai s ou m en os na m e sm a

p ú b l i c as

p ú b l i c a s, p o r s e rem d i s p en di os a s e

direção de racioc ínio, recupera-se em o u t r o t rab a l h o a m em ó r i a d e “ t o d a aqu ela barulh eira, qu e f oi a m isee m - sc èn e d o p r i m ei r o pl an o c ru z a d o, q u a n d o s e u t i l i z ava a p r ó p ri a m an i f est aç ã o s oci al c om o ju st ifi c ati va” p a r a os d e s at i n o s e c o n ôm i c o - f i n an c e i ro s d o e st a do. E i s c om o s e p r oc ess a a “ad esão” dos int eress es n ã o públicos à esfera pública. Recente30

m ent e, em t ent ativ a de rev isão do p l an o bási c o d a e du ca ç ão sup e r i o r , o g ov e rn o um a b r a sil e ir o t ent ou t r av es ti r (de int epropost a part idári a

r e s s e p ri v a d o, p o rta n t o) , c om o p ri oridade social. O interesse de estado estava sendo tran sf eri d o à mud an ç a p r e t end i da c om i n d i s f a r çáv el o po r t u nism o, em que o interesse dos ocup an t es do g ov e rn o t en t ava conf igu r ar a m e di da c om o jus t i f i ca d a d ec i s ã o d e e s t ad o em f av or do bem comum. É c e rt o qu e a i n c om p e t ênc i a g er e n c i al d os g ov er n os q u e, p or d é c a d a s, t êm g e ri d o o e s t ad o b ra s i l ei r o, p r o p i c i ou a t r ans f o rm aç ã o d a e d u c aç ão em neg óci o. Mu it o m ai s p or in érc ia ou abs ent eí smo d a p róp ria s oci e31

d a d e, d o qu e p e l a f r a ca ar t i cu l a ç ão polít ica da soci edade por int erm édi o d e s eu s r e p r es e n t a n t e s l e g i sl at i v os . O s qu ai s, d i g a- s e d e p as s ag em , s ã o os ag ent es / at ores d e um s ist em a n o qual pontifica o assédio do interesse p r i v ad o. I n t e r es s e a d v ém ap e n a s p r i v a do d as que não e c o n ô-

f o rç as

mi c as. Int eress e priv ado t amb ém res u l t an t e d a m ob i l i z aç ã o das i g r e j a s, d a s o rg an i z a ç õ es soc i a i s , d as e n t i d ad e s qu e, a e x emp l o d e set o r es d a m aç on ari a, da Leg ião da Boa V on t a d e, d a s ag r em i a çõ e s p r of i s si on ai s, ou das ass oci aç ões desportiv as.

32

O t écni c o

e ns in o ou

fun d ament a l, c om o

b á si c o, as pós-

s up eri or,

g r adu a ç ões e a s e s t rutu r as p e d ag ó g i c as d e c a d a u m d e ss e s s eg m en t o s, e a i n d a as l eg i s l açõ e s q u e s e r e f e r em à s ped ag og ia s, os l im i t es e os al c ances dos r e s p ect i v os a ce ss o s, não p a ss am de sim u l acr o s b em u rd i d o s que conferem à ed ucação brasileira um at estado de du pl a significação: a u s ên ci a d e a r t i c u l a ç ã o socia l e d esint eresse em torn o do assunt o, A o t em p o d o p ri m e i r o i m p ér i o, em que o estado era di ri gi do p or um p o rt u g u ês ( op o rtu n a m ent e f e i t o m aç om por um dos b r asi l ei ro s m a is dissimulados que já apareceu, também maçom), outorgou-se à igreja a
33

f u n ç ã o d e g e r a r n or m a s e e s t at u t o s ao en sino públi c o. Já no segun d o i m p ér i o, e m et a pa p o s t e r i o r à r e g ê n c i a, d e u m pa d r e q u e i g u a l m ent e e ra m aç om , a e d u c a ç ã o n a c i on al o r b i t av a e m t orn o d o p r ó p r i o m on a rca , h av en d o u m ú n i c o dec r et o, d e aut o ri a d o V i s c on d e d e O u r o P r e t o, c h efe d e g ov ern o e pes s oa de es t r eit a conf ian ç a d e P e d r o I I , qu e dis ci pl i n a ( ! ) o f é r i ad o d o i m p er a d or, “ d i a n o q u al a s e s c ol as pú bli c as não fu nci onar ã o” . A cont inuar pelo tempo, proclam ad a a rep ú bl i c a, d e o ri g em p o sit i v i s t a ( c om o n os d e c l ara a h i s t ó ri a) , c on t i n u av a a e d u c a ç ã o p ú b l i c a a s er tu t el ad a p e l a ig r e ja c at ól ic a. A af i rm aç ã o p od e p ar e c er a b sur d a f ac e a os
34

“ en t r ev e ros” p ol í t i c o - i d eo l óg i c os e n tre os generais da época e as mitras e c l es i a i s , m a s o f a t o d e o p a í s n ã o t er rev ogado n enhum a das n ormas de c on t eúd o es c ol ar at est a - at é p r ov a em c ont rári o - que o en sino pú bli c o “continuav a igreja”. As es caram u ç as des e n c ad ead a s a ser inspirado na

c on t ra e ss a r e al i d ad e , c om or i g em n a ru a do Lav radio (no Ri o de J an eiro) nunca p o r qu e res u l t a r am a sede da em n ad a . Até b r am a ç on a r i a

sileira nunca teve energia suficiente, s e j a p ar a r e p r e s ent a r o p en s am en t o l a ic o, s eja p a r a enf r ent a r c om a rgum ent os sól id os e séri os o pod er púb l i c o, s e ja a i n d a p a r a c on t ra p o r u m
35

m od e l o

d i f e r en t e

d aqu e l e

s em p r e

prat icado n o país. E n t r e a rep ú b l i c a v el h a e , d i g am os , o período d e s en v ol v i m en t i s t a d e K u bi t sc h ek, q u a s e n ad a o c o rr eu q u e m er eç a d es t a qu e. A cr i aç ã o, em e s c al a, entre proposta de as uni v e rs id a d es de er a 50 a fed e r ai s, e 70 (a de décadas o r i g i n al

c ri aç ã o

u m a p o r e s t ad o o u t e r ri t ó ri o) ac a b ou c om pr ov an do q u e o e s t ad o b r a si l e i r o t em que s a b e, muit o m ais f ôl eg o p a ra o b r as. do Sul para cu i d a r C om o e a do se “ pr o duç ã o” qu ant it at iv a d e o b r a s, d o pro pr i am ent e d e ss as Grande Ri o c on t eúd o

M i n as

a c a b a r am m od i f i c an do e s s e “ r es e au ” . Mesmo assim, m omento de significa36

t iv a imp or t ân ci a n a h ist ó ri a n ac i ona l, a m a ç o n ar i a p e rd eu ex c el en t e op o rtunidade para reiv in di car a li derança d e u m m o v i m en t o r e a l em def e sa d a l a i c i z a ç ã o d a e d u c aç ã o. M a s t o d o s j á s a b em o s q u e, j u sta m ent e n e s s e p eríodo, a m aç on a ri a b r a s i l ei r a vivia atol ada em uma das maiores crises m orais d e su a hi st óri a. E m p er í od o p os t eri o r à di t ad u r a m i l i t a r, n o q u a l g ra d at i v ame n t e t er i a ocorri do uma aparente mudança de mi lit ân ci a b i l i t an d o alt erad o. g ov ern o. espere polí tica no país, possig ên e r o, o atu al se d i s cu s sõe s N em V olt o d e ste sob

outra vez se percebe que nada foi mesm o a r ep eti r: n ão

que

mudanças
37

s em e l h a n t es

o c o r ram m as da

por

v on t a d e

de da

g ov e rn os , soc i ed ad e.

m ob ili za çã o

M ob i l i z açã o qu e d ev e ri a t e r i n í ci o s ob a chan cela de instituições não pú b l i c as, como a p r ó p ri a m a ç on a ri a. M as qu e m aç on a ri a? « Il y a certains fois sur

l e squ e ll e s l e B r és il s'agit d'être et p a r aî t r e u n e g r and e f éd é r at i on d e s i nuti ls s oc i aux, p ui sq ue t oujo u rs l e r é v ei l lumière qu' est Les à d es in sti tuti on s en Comme n 'a que la d'es poir v en ir. ju stifiant tous ain si

d'ai ll eu rs...

f r anc - m a ç on s

b r é si l i en s,

q u e d es m em b r es d e n ' i m p or t e qu e l c l u b d e f u t , i l s n e f on t d' aut r e c h o s e que proclamer les victoi res histori-

38

q u es d e l eu r s c amp s. M ai s s é r ai t-i l s u f f i s ant ? » Os p ertos in t eres s es pel a ec on ômi c os de d es-

n ec ess id ad e

s ob r e-

v i v ên c i a d o pl an eta , a p a rt i r d o qu e s e a br em o s es p aç o s p a ra a s r e or g an iz aç õ es v a ri ada s do m un d o, a e x em p l o d o s m er c ad o s d e b l o c o s , d o s m e rc ad o s c om u n s, d a s c om u n i d ad e s de p aí s es , es s as c o i s a s, na a d e s co r t i q ua l se n a ram u m a n ov a r e a l i d ade - a d o mundo s o ci al . globalizado ainda M al a restringe m ai s v on t ad e p o d e- se q u a l qu e r qu e, p or

c om p a r and o , ex emp l o de

d i z e r q u e é m ai s f á c i l en c o n t r a r u m a i n st i t u i ç ão , l abor at ório farm acêut ic o

um a qu est ão d e s ob r ev iv ênc ia i ns ti39

t u ci on al , n e c es si t a d e u m a v i g or o sa mi lit ân ci a emp r esari a l, de m ant er em s egred o a qu al quer cu st o s uas f ormul a s e de am pli ar con tinuam ent e o n ú m e r o d e s eu s a d e p t os , ou c l i en t es, m ed i a n t e u m f o rt a l e c i m ent o d a m a rc a p el a qu al é c on h e ci d a . Q u e r d i z er , o i n t e res s e p r i v a d o de um a org aniz a ção desse t i po, a p art i r do m oment o em qu e, pel a m il itância empresarial, logra que sejam p r o duzi d as l e is qu e a b en ef ic i em, q u e as s eg u r a, p el o s e g r e d o da t e cn ol og i a, m ant er af astad a a c on cor r ênc i a, e qu e c r es c e pel a aç ão d a pu bl icidade junt o à cli ent el a, g arant e-lh e s u c e ss o n ã o a p en as i n st i t u ci on al , c om o em pre s a, m as a per en i d ad e d o
40

n eg óci o e a soli d ez d a marca c orresp on d ent e . D e p os i t em os , e n t ão , n os s o o l h a r sobre de Não l iv r o a m aç on a ri a. c on cr e t o que o sequer em e, uma on de r itu ai s, ainda Qu e e t em f ei t o na el a, ou mesm o qu e t em os f ei t o n ó s, m od o há pr át i c o, m ai s de d i r eç ã o d a qui l o p r ete n d em o s. r em ot o um j o rn al l end as a d qui ri m os se que

s o b r es sa l t o q ualqu er sagradas

qu an d o

b anc a

en cont ram ab reviad as,

es t amp ados

p ain éis,

p a l a v r a s, e x cl am açõ e s , s i n ai s . Jus t a m ent e a qu il o q u e fez d el a a i ns titu iç ã o q u e é, em r az ão d o qu e d e v er i a s er a qu al qu er cus to p r es erva d a, es t á di sp on ív el s em qu al qu er res erv a.
41

A l ém d i s so , su a m i l i t ân ci a i n st i t u ci on al t em s i d o d e p o u ca i m p or t ân ci a, não produzi ndo um só ef eit o n ot av e l seq u er . D e um l a do, l it e r alm ent e, p ul ul am a os m on tes volum es, b r ochu ras, opú scu los , ap osti l as, rec h ea d os h ist óri c os c r i t é ri o) e de “ cu ri o s i d ad e s”, d ad os d i ss ert ad os c om p ên di os cronol óg ic ari t u al í s t i c o s

m ent e (mui tas vez es sem o m enor s em fim, e t am b ém s e mui ta ut ili d a d e p r áti c a. Rar am en t e c om alg u m n ex o. út il . t os, R ar am en t e, D ogm as, “l eis” de igual m od o, en cont ra-se um t ex to m inim ament e prec eit os , s ão p ou co prec on c eis em ao úteis v irtu ais, “ c ód ig os ”

p r o pr i ed ad e ,

ex ercíci o refl exiv o de in t eli gên ci a.

42

Há, n a l iteratu ra maçôn ica bras i l e i r a u m e x c es s o m et af ó ri co, d aqu i l o qu e “ qu er p a recer qu e”, d a “v ers ã o” hi stó r i ca d e c on v eni ênc i a, uma abundante especulação desnutrida de l óg ic a. F al ta n el a, s o b r etu do, int el ig ên ci a! Mi tif ic a çõe s, c om o m i st ifi c aç õ e s, t êm n en hum a im p ort ân ci a n a p e r sp e cti v a de não s e r em já do c on h e ci m ent o. os afo r a qu e e ss e s se Al ém t í t u l os que a d e s c on h e c i d o s viu,

a r t esa n ai s,

m ai ori a

des tin am

ex clu siv am ent e ao l eit or m açom pouco dot a do, n enhum a g r ande edi tora já produziu um g ran de t ítul o apreci av el , cu ja im p ortânci a just ifi cas s e c it a çõ e s em c ol u n as es p ec i ali z ad a s.

43

E n t r e e sses au t o r es m aç on s, d e obras “maçôn icas”, o qu e se percebe s em m u i t o e s f o r ç o é a predominância d a qu el e s qu e “ i f s om eb od y d oe sn ' t k now noth ing ab out s om eth ing i t' s because som et hing doesn 't ex ist, if s om ebody t hin k t o k n ow s om eth ing th a t doe sn 't e xi st i t' s b ec aus e a ll i s t ru e” . Há a ut o r es q u e tu do q u e n ã o c on h ec em , o u n ã o sab e , n ã o p o d e s er v erdade. Há ou tros qu e, igualm ent e, n ad a s aben do , ou s a b en d o p o uq uís simo de alguma f az em m ent o. F a lt a c r íti c a, conh ecim ent o, h a bil idade pamu it o m al coi sa , c om eç am para o a i nv ent a r, a c ri a r, a m i sti fi car . Am b os conh eci-

pond e r aç ã o,
44

t ol e r ânc i a,

c i ênc i a e, s o b remod o, int elig ên ci a a u m a b o a p a rt e d os “ e sc r i t ores ” m a ç on s. P or causa a di ss o , raz ão ent e n d e-s e p ela qu al a p erf eit ament e

m açon a ri a brasil ei ra nunca se int eg r ou n o c ham ad o m un do do c on h ec i m en t o s o ci al , po l í t i c o e cu l t u r al. N ã o qu e f al t em v al o r es l it er á r i os à m aç on a ri a. Há t am bém g r ande núm er o d e i nt el e ctu ai s m aç on s, qu e t a lv ez d e i x em de se expor p ar a não se i gu al ar a e s s a m ai or i a qu e “ es c r ev e e d i z ” a m a i s n ão p o der . A presença histórica de homens p ú b l i c o s, l i t e ra t os, a rt i st a s, p en s ad o r e s n otá v ei s d e m aç on s br a si l ei r os i m p or t a n t e s , n o pas s ad o, n ão r e d i m e

45

a

f al t a

de

i dé i as

que

c on t em p o-

ran eam ent e ci rcunda a i nst itui ção. Um m aç on a ri a p a ss a do o p a rad ox o b r a si l ei ra e m b ri ão se terá do põe: si d o a no

p en sam en t o

laico, esteve presente nos grandes m oment os da hi st óri a, produz iu um a s é r i e de h om ens i lu st r es e , d e c e rt a m an ei r a, c on tr ibui u p ar a d e s enh a r u m p r o j eto d e p a í s qu e t r ans i t ou da m on ar q u i a p a r a a r e p ú b l i c a s em u m a g r and e m u d an ç a r u p t u ra , que si g n i f i c a sse i n t e r es se su p er l ati v a pelo

p ú b l i c o . E s s a m e sma m aç on ar i a, ent r et an to , t e r á r e pre s e nt ad o um p a p e l, n o m í nim o, amb iv al en t e n a hi st óri a, d eix an d o t r an sp a r ec er q u e su a p r e s enç a terá sido
46

muito

mais

d e c o ra t i v a d o qu e e f et i v ame n t e d ef i n i d or a de u m a pos i ç ã o p ol í t i c a d e m ont a. Quero crer que a instituição, por c on t a d as b r i g as i n t e rn a s, d a s d i ss o l u ç õ e s, d i ss i d ênc i as e u m a c on st an t e ex pos i ç ã o, s em p r e n eg a t i v a ou n e bul os a a o l ong o d a hi st óri a, ac ab ou a p r ov e i t a n d o m u i t o m al a s b o as o p o rt u n i da d e s c om pl et am ent e) ( s en ã o d e, as em p e r d end o s enti d o

amplo, “fazer história”. Vale ressalt a r qu e a v e rs ã o o fi ci al qu e f az o r e t r at o c om o as b em esculpido que de do “ i rm ã o a Gu at imoz im”, ou do i rm ão “Ty bi ri çá”, v er s õ es por falt a
47

r es s a l t am

p r e s enç a i nst itu ci on al n os m om e nt os c ru ci ai s, cons t at aç ão

m at e ri al , o u p o r f al t a d a e v i d ên ci a de p e r en i d ad e de uma a çã o m a rc an t e, s ão el em en tos m uit o frac os d o p on t o d e v i st a h i s t ó r i co . P o r ou t ro l ad o, um equ ív oc o d e o r d em f i l o s óf i c a, que s em p r e emv olv eu a m aç on ari a em dú vida qu an t o a s eu s p r o p ós it os s o ci ai s, f a z d el a uma inst ituição em contradi ção. C on t r ad i ção i n st r an sp on í v el , d e v ez q u e o d og m a m a ç ô n i c o a i n d a é p r ob l ema d en t r o d a pró p ri a m aç on a ri a. D og m a rep r e s ent ad o d e f i n i ç õe s qu e correm , qua n t o p e l as a ss i m da a a c h am ad a s n os di as t u t el a r e s c ont inu a ao s eg u n d o

ordem. Os landmarks, cu ja l eit ura, e n s e ja r b a si l a r dúv i d a qu e princípio

d e t ermi n a,
48

ót ica

maçôn ica

t radicional, e

i gu alc en t ra -

d a d es e d i f er en ç a s , a c ei t a ç õe s e n ã o a c e i t aç õ es , u n i v e rs a l i s m o l i z aç ã o, rec on h e ci m ent o e n e g aç ã o. D e um a ót ica polít ica e soci al , o f az er m açôni co, independente da in st i t u i ç ã o q u e o o r i g i n e , d ev er i a s em p r e s er reg i d o p e l a p r át i c a d o n ã o p r e c onc e i t o à div e rg ên ci a d e o pi n i õ es sobre a m açon a ri a, (in clu siv e i nt ern am en t e), t o s, s er ao d esa p eg o p el a h eg e “p r om oni a e, c om o r ezam c er to s p r ec ei i nqu e st io n av elm ent e g res si st a”. P ois n ão s e qu ererá qu e uma instituição como ela, prop alando e s t e at r i b u t o , m an t e n h as - s e a r r ai g ada à ex clusão (ou separação) entre h om en s e m u l h ere s ,
49

à

o b r i g a t o-

riedade de crença e assim por diante. A v i d a r ep u b l i c an a p r es sup õe a p a rt ic ip ação d e t odos os i ndiv ídu os e i nst itu ições qu e a int egram. P r ess up õ e o ex er cíc i o da int elig ên ci a sup e r i o r q u e , m e d i ant e o u s o d a r az ã o qualificada, na conjugação de todos os int eresses, públ icos ou priv ados, d e st i n ad os a o b em comum. Imaginar a m a ç on a r i a um ente m e r am en t e e m b l emá t i c o é equ í v o c o. Ima g i n a - l a u m a o rg an i z aç ã o ac i m a d as d em a i s , t amb ém . P en sar que fórmu las uni l at e r ai s sã o e fi ci ent e , m a is q u e equ ív oc o , é t ol i c e .

50

O

p r o c ess o

de

or g an i z a ç ão

e

m anut en çã o do es ta d o é pró p r io d a repú bl ica. Significa dizer, os poderes c on st i t u í do s , exp r es s an d o a v on t a d e popular form almente estatuída, dev em g ar ant i r qu e o e s t a d o f u n c i on e s em c om p r om et e r o p r i n cíp i o r epu b li c an o, q u e f ix a a “ c o is a pú bli c a” com o públ ica; isto é, n ã o pert en ce a n ingu ém sen ã o ao co l e tiv o. D i s cu t i r , p o i s, qu e st õ es a s s o-

c i ad as a e s s e p ri n c í p i o, s em qu e o resu lt ad o f in al d a di sc us são n ã o s eja o e f et i v o e n c am i n h a m en t o às e s f e r as d a r e púb l i c a, é i n ó cu o . N os ú l t i m os c in qü ent a a n os a m aç on a ri a br a sil e i ra v iv eu du as c ri s es in st itu ci on ai s d e m ont a, a c omp anh ou “c on temp or a51

n e am ent e” a d ep os i ç ã o d e u m p re s i d en t e da r epúb l i c a, m a n t ev e - s e c on f or t a v e l m en t e al h e i a a e ss e g ol p e d e e st ad o, t ev e i n con t áv e i s m em b r os eleitos a diferentes cargos que não se dest ac aram ind ivi du alment e (à e x c eç ã o do s en a dor N e l s on C a r n ei r o, aut or do p r ojet o de l ei do d iv órc io), n em n o c on j unt o, p e r de u t o das a s oportunidades de part icipar de disc u s sõ e s sér i as s obr e a e du c a ç ão ( a ex em pl o d a ref ormu laç ão da l ei das d i r et ri z e s d e b a s e) , e n ã o t ev e n enhum dest aqu e n a assembléi a const itu int e, p o st o qu e t od as as li d e ran ças p ol í t i c a s si d o, da não ép o c a, se ainda qu e à t en ham m ostr a r am

s o ci e da d e c om o m aç on s.

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P essoalment e

imagi no

que

à

m aç on a ri a b r as il ei ra , p rim eiro, cum pre definir-se sobre que tipo de inst itu ição de fato é, superando os e f e it os ( ai nd a v is ív e i s) d as d is si d ênc i as p el as qu ai s pas s ou , e d em on st r an do qu e é capaz d e sup era- l as. D ev e, ur gent em en te, ac almar os es p í rit o s peito e, no rum o de de uma vida i nst itu ci on al s em c on fl it os, d e r e ssobretudo, Não tolerância. h eg efu tu ro, P oi s n ã o h á dif e r en ça s en tre a s o r g an iz aç õ es . buscar um pod e h av er m onia entre elas. Finalm ente, deve cam inh o para o q u e n ã o se j a o d e an da r p ar a t r á s. S om en t e d e p oi s d e t e r e f etu a d o e s s a c o r re ç ã o d e cu rs o , a m a ç on a ri a
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p o d e rá

a d i ant a r- se

n um a

pa r ti ci pa -

ção polít ica de resu lt ado. Ain da qu e repres entando o interesse privado da i n st i t u i ç ão c o r r esp on d en t e , p o d er á, l e g i t i m a m e n t e , i n s er i r - s e n a v id a r ep u b l i c an a, sem e qu í v o c os e s em p ar a d ox os .

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