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O MAÇOM E SEU PAPEL HOJE E AMANHÃ

Vimos anteriormente a ação da Maçonaria e dos maçons no torvelinho da


História, maçônica e não-maçônica. Vimos também variadas concepções de
Maçonaria, todas dentro do princípio de que ela é uma Instituição que contribui
de fato para o aperfeiçoamento do homem. Vimos os matizes estratégicos
utilizados pela Ordem para cumprir o seu papel em determinadas latitudes,
alguns carregados das cores vivas da ideologia libertadora.

E hoje, 2000, às vésperas ou já no terceiro milênio, à época da cibernética, da


internet e do teleprocessamento de dados via satélite, que aproxima as antenas
dos satélites às antenas das televisões e aos computadores domésticos, mas
que nem sempre aproxima os homens, embora os contornos de seus rostos, as
suas expressões de alegria, contentamento, sabedoria e dor, sejam vislumbrados
por um número cada vez maior de pessoas, onde a aldeia global é uma realidade
e os fatos que ocorrem nessa aldeia são vistos imediatamente por milhões de
pessoas, qual é o seu papel?

A Maçonaria está declinando? Ela não influencia mais na vida sócio-política do


País?

O nosso entender é que a Maçonaria como qualquer instituição contemporânea


está passado por um momento de transição. Toda a sociedade contemporânea
está. E essa é a melhor hora de encontrarmos o nosso caminho, a hora certa de
darmos os contornos de nossa Instituição e de nós próprios, de tal maneira que
o seu ideário seja preservado, visto que ele é uma das razões de sua
sobrevivência, e possamos nos sentir úteis e participantes ativos do processo de
desenvolvimento de nossa terra, de nossa gente e de nossa Instituição.

O maçom pode influir na vida diária de sua família, de seus amigos, de seus
vizinhos, de sua cidade, de seu Estado e de seu País, utilizando o ideário
maçônico como o corolário de sua vida não-maçônica e maçônica.

Esse ideário que faz com que, nas Lojas Maçônicas, estejam na mesma coluna, o
mais alto personagem da sociedade e um representante da parcela mais modesta
dessa mesma sociedade, ambos cingindo o mesmo avental, que reveste todos os
maçons, independentemente de seus graus e qualidades.

E esse ideário, em seu aspecto mais factível, está expresso na trilogia que é a
sua divisa - LIBERDADE - IGUALDADE - FRATERNIDADE, pois se praticarmos o
exercício da liberdade, seremos livres para progredirmos, para crescermos e
contribuirmos para que os outros, ao nosso derredor, também cresçam; se
praticarmos o exercício da igualdade, ele nos permitirá um avanço enorme no
relacionamento interpessoal, que por conseqüência, gerará uma forma de
atuação em todos os níveis, onde, cada um de acordo com as suas aptidões e
capacidades, pode contribuir na construção do homem-maçom e do mundo
maçônico, pois somos todos obreiros da paz; e, se praticarmos o exercício da
fraternidade, a nossa Instituição será unida e forte, pois o seu pressuposto
basilar é o de considerar todos os maçons como irmãos, e a fraternidade é o
veículo maior que proporcionará o soerguimento da Ordem, como já o foi no
passado, como deve ser hoje e necessariamente, como deverá ser amanhã.

As nossas decisões no mundo não-maçônico devem refletir o ideário maçônico,


pois assim estaremos contribuindo para o engrandecimento de nossa Ordem e
ao mesmo tempo dando um contributo ao Estado onde a Providência nos
colocou, vazado no mais puro e real patriotismo.

O papel do maçom numa sociedade moderna, ultra especializada e altamente


tecnológica, é o que propõe o nosso programa de trabalho: usar a ciência e a
tecnologia, que nos proporcionarão novos recursos e formas de realizarmos as
tarefas diárias, sem nos afastarmos um milímetro de nossas tradições: morais,
intelectuais, culturais, ritualísticas e esotéricas; cabe ao maçom no mundo não-
maçônico a busca dos paradigmas, tão reclamados pela sociedade hodierna, que
possam determinar a ética das relações Homem-Tecnologia, Ser-Máquina, pois
assim estará contribuindo para que as grandes conquistas científicas e
tecnológicas, possam servir aos objetivos traçados pela nossa Ordem, que
busca a felicidade e a paz da Humanidade; que as máquinas não desumanizem o
relacionamento humano, mas que possam ser ferramentas que auxiliem o
progresso da Humanidade. Cabe ainda ao maçom, lutar para que as conquistas
científicas e econômicas possam contribuir para o equilíbrio social, através da
divisão fraternal dos bens sociais. E enfim, pugnar para que a cada um, dentro de
suas capacidades, sejam dadas as oportunidades de alto-realização e do
exercício consciente da cidadania, através de um processo educacional da
consciência dos direitos e deveres da pessoa.

O nosso papel na Ordem, nesse limiar de terceiro milênio, pode ser


desempenhado das mais variadas formas: do dedicado estudo e pesquisa dos
aspectos esotéricos e iniciáticos; da busca incessante da compreensão de nosso
papel social, orientada seguramente pela experiência do passado; até à prática
desinteressada da filantropia, que procura minimizar a cruel desigualdade social
de nossos dias.

Várias atitudes poderão ser utilizadas para contribuirmos com o início de uma
tomada de posição, quanto ao atual estado de coisas que reina na Ordem Social
de nosso País.

Por exemplo no campo cultural, (onde a Maçonaria atua de duas formas: -


exogenamente, através das escolas ao longo de todo o território nacional, onde
os seus adeptos levam o ideário maçônico para as salas de aula, do pré-escolar a
universidade; e, logicamente, também pela educação endógena, a cultura
maçônica pode ser vivenciada em toda a sua plenitude nas Lojas Maçônicas, as
células mater da Ordem, onde o quarto de hora de estudo, ou o tempo de estudo,
é a prova maior disso, e também nos setores culturais das Organizações Para-
Maçônicas em todo o mundo), nós podemos desenvolver um programa de ação
cultural através das Lojas e das Organizações Para-Maçônicas com a realização
de Mesas Redondas, Simpósios, Congressos, Seminários; através da publicação
de artigos em periódicos, como jornais, revistas e livros, e do uso da Internet,
que permitam levar aos não-maçons a Ordem e o seu ideário, logicamente,
dentro de sua realidade sócio-histórica, visto que da realidade esotérica e
iniciática, somente os iniciados, tem condições reais de saber.

No campo filantrópico, onde nossa Ordem vem operando através dos CLUBES
FEMININOS das Lojas, intensificar a presença maçônica e para-maçônica na
administração dos fundos de recursos sociais estatais, que levam aos mais
necessitados a assistência social, buscando através da moral e da ética da
Ordem, moralizar a gestão desses recursos hoje sabidamente desperdiçados e
desviados. E para atingir este objetivo, intensificar a ação política da Ordem,
através do apoio aos Maçons que se candidatem, exerçam ou venham a exercer
cargos públicos eletivos.

E no campo da filosofia e do aspecto progressista da Ordem, qual será o nosso


papel?

Em que se configurará a nossa ação no campo filosófico? Cremos que a nossa


conduta ética, dentro e fora da Ordem, na senda do ideário maçônico, pode ser a
resposta para essa pergunta.

E a Maçonaria será progressista em que aspecto? Cremos que um dos aspectos


do progresso na Maçonaria está em fazer crescer o homem maçom a partir do
momento em que ele é iniciado, desenvolvendo o crescimento individual do
Homem, Ser livre, respeitado-o como livre pensador na busca incessante da
verdade, a todos ela dá o direito da expressão consciente do pensamento, com a
correlata responsabilidade e pelo fato de ser adepta de um sistema de valores,
por muitos considerado arcaico, pois está preso a antigas tradições, mas ai está
a grande contradição, "NOVAE SED ANTIQVAE", Nova mas Antiga.

Se não fora a liberdade individual do maçom em contra ponto a manutenção das


tradições da Ordem, a nossa Instituição não estaria atravessando a noite dos
tempos e se fazendo presente hoje em todos os quadrantes da terra, literalmente
falando. Ela nos traz algo que faz com que nos sintamos úteis e que estamos
crescendo, quer seja essa percepção consciente ou não, fazendo com que
alguns atinjam mais de meio século de vida maçônica.

É lógico que, no conceito crescimento, o número parece ser uma preocupação


constante no mundo moderno e a Maçonaria enquanto integrante dessa
sociedade não está aquém, enquanto prática, da análise numérica, embora ela
não tenha se revelado salutar para a Ordem. E um fato que temos de conviver
com ele, fazendo contudo um trabalho para que o objetivo numérico não supere
a tão almejada qualidade de nossos quadros. A nossa meta tem que ser a
qualidade, logicamente dentro das necessidades atuais da Ordem. E em nós, os
padrinhos reais e potenciais, está a maior parcela de responsabilidade neste
porvir maçônico. É nosso entender que o número futuro deva ser tal que
possibilite o crescimento da Instituição não apenas em quantidade, mas também
em qualidade, aquela qualidade que torna a Instituição respeitável, como é ainda
hoje junto ao mundo não-maçom, no uso de recursos públicos, nos trabalhos
filantrópicos, etc.

Mas, afinal qual é o papel futuro da Maçonaria, qual o papel do Maçom no mundo
de amanhã?

Pelo que foi aqui exposto, cremos sinceramente, havermos levantado o véu que
encobre os contornos do projeto que nos levará a uma ação eficaz e à efetividade
de nosso trabalho no terceiro milênio, portanto é hora de ação, é hora de agirmos
se quisermos a presença maçônica nos próximos milênios.

Que esse DIA DO MAÇOM, seja um dia de reflexão ativa, um dia de repensar para
agir, sobre o que realmente estamos fazendo em prol de nossa Ordem e como
poderemos a partir de hoje, contribuir para a sua melhoria.

Esse agir cabe a nós, que tivemos o privilégio de termos tido antepassados que
nos legaram a Ordem na qual estamos. É, no mínimo, exigido de nós, que
deixemos para as gerações futuras, uma Maçonaria na qual elas também possam
ver a Luz.

As ferramentas básicas nós as temos: uma Instituição eclética e universalista


que abriga os mais variados matizes do pensamento humano e uma gama de
homens "livres e de bons costumes". Essa condição não a encontramos
facilmente nas outras organizações que permeiam o organismo social.

Eis meus Irmãos, a nossa pequena contribuição, para que façamos uma reflexão
ativa sobre o nosso dia e o nosso papel de maçom, na Maçonaria e fora dela.

Meditemos a respeito de nosso futuro e peçamos ao Grande Arquiteto do


Universo, que é Deus, as luzes necessárias para encontrarmos o caminho, como
obreiros da paz que somos, nesse mundo repleto de violência.

Os contornos do plano de nossa ação estão na e para a Ordem, na e para a


sociedade e são os mesmos contornos do templo interior que deveremos
construir como maçons e que nos é lembrado semanalmente pela fórmula
litúrgica" ... construir templos à virtude e cavar masmorras ao vício".
Reflitamos intensa e ativamente, meus Irmãos, sobre tudo isso que hoje
analisamos, trabalhando diligentemente do "meio dia à meia noite".

Eduardo Gomes de Souza - Grão-Mestre Adjunto do GOERJ