You are on page 1of 97

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

MARCELO DE FRANCESCHI DOS SANTOS

PERMISSÃO PARA COPIAR: MAPEAMENTO


DA CIRCULAÇÃO DE POSTS DO
BLOG JORNALÍSTICO MEIO DESLIGADO

Santa Maria
2010
MARCELO DE FRANCESCHI DOS SANTOS

PERMISSÃO PARA COPIAR: MAPEAMENTO


DA CIRCULAÇÃO DE POSTS DO
BLOG JORNALÍSTICO MEIO DESLIGADO

Trabalho de Conclusão de Curso


Para a obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo
Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Ciências Sociais e Humanas
Comunicação Social, habilitação Jornalismo

Orientadora: Luciana Mielniczuk

Santa Maria
2010
Marcelo De Franceschi dos Santos

PERMISSÃO PARA COPIAR: MAPEAMENTO


DA CIRCULAÇÃO DE POSTS DO
BLOG JORNALÍSTICO MEIO DESLIGADO

Trabalho de Conclusão de Curso como requisito para obtenção de grau de bacharel


em Jornalismo
Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Ciências Sociais e Humanas
Curso de Comunicação Social habilitação Jornalismo

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o


Trabalho de Conclusão de Curso

_____________________________________
Profª. Drª Luciana Mielniczuk
(Presidente/Orientador)

_____________________________________
Profª. Drª Márcia Franz Amaral
(UFSM)

_____________________________________
Vivian Belochio
Doutoranda em Comunicação e Informação (UFRGS)

_____________________________________
Maurício Dias Souza
Mestrando em Comunicação Midiática (UFSM)
(suplente)

Santa Maria, 13 de dezembro de 2010


Para meus pais, Fátima De Franceschi dos Santos e Hélio Gonçalves dos Santos,
e meus irmãos, Gabriel De Franceschi dos Santos e Hélio Gonçalves dos Santos
Filho.
AGRADECIMENTOS

As seguintes pessoas me ajudaram a escrever esta monografia com sua paciência,


depoimentos e/ou leituras críticas: Saul Pranke, Leonardo Foletto, Lucas Missau,
Luciana Mielniczuk, Charlene Oliveira Trindade, Marcelo Santiago.

A meus tios, em especial Leda Bolzan De Franceski, Pedro Milton De Franceschi e


Lenita Bolzan De Franceschi. A minha avó Joaquina Gonçalves dos Santos, em
memória.

Aos integrantes do Diretório Acadêmico Mario Quintana (DACOM) do ano de 2008.

Aos colegas da 36ª turma de Comunicação Social, veteranos, bixos, professores e


funcionários pela convivência e amizade.

À Coordenadoria de Comunicação Social da UFSM e ao GEPFICA pelos anos de


estágio.

À sociedade brasileira, representada pela Universidade Federal de Santa Maria e


pelo Curso de Comunicação Social – habilitação Jornalismo, por financiar a minha
formação.

Obrigado a você se ler isso.


André Dahmer
RESUMO

Mapear a circulação da informação de um blog jornalístico sob licença Creative


Commons é o objetivo deste trabalho. Para isso, faz uma delimitação e uma breve
revisão histórica dos direitos autorais, relacionando-os com as possibilidades de
compartilhamento de obras intelectuais na internet através de licenças jurídicas que
permitem a reprodução do conteúdo protegido. Em seguida, mostra como se dá a
circulação da informação no ciberespaço, mais precisamente a informação
produzida nos blogs jornalísticos, e os modelos de circulação destes. Depois, é
utilizado o estudo de caso do blog escolhido, o Meio Desligado, bem como o
mapeamento da circulação de dois textos publicados nele. Após a coleta e a análise
dos dados, constata-se que a circulação no ciberespaço independe do atual sistema
de direitos autorais e conta com uma forte participação dos leitores.

Palavras-chave: Direitos Autorais; Circulação da Informação; Blog Jornalístico;


Jornalismo Digital; Creative Commons;
ABSTRACT

This work aims to map the circulation of the information producted in a journalistc
blog under Creative Commons license. To do this, it is done a delimitation and a brief
historical review of copyright, relating them to the possibilities of sharing intellectual
works on the internet through legal licenses that allow the reproduction of protected
content. Then, shows how is the circulation of the information in cyberspace,
specifically the information producted in journalistic blogs, and the models of
circulations. After, presents the methodology used to map the circulation of two texts
producted in the chosen blog, the Meio Desligado. After collecting and analyzing
data, it appears that the circulation in cyberspace is independent of the current
copyright system and has a strong participation from readers.

Key-words: Creative Commons; Information Flow; Journalistic Blog; Copyright; Digital


Journalism
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..........................................................................................................12

1 DIREITOS AUTORAIS E CULTURA LIVRE .........................................................14


1. 1 DIREITOS AUTORAIS.......................................................................................14
1. 2 SURGIMENTO DOS DIREITOS AUTORAIS E DA CULTURA LIVRE..............17
1. 3 COPYLEFT ........................................................................................................20
1. 4 CREATIVE COMMONS .....................................................................................24
1. 5 LICENÇAS DO CREATIVE COMMONS .........................................................29

2 CIRCULAÇÃO E BLOG JORNALÍSTICO.............................................................35


2. 1 CIRCULAÇÃO NO CIBERESPAÇO..................................................................35
2. 2 BLOG JORNALÍSTICO......................................................................................39
2. 3 CIRCULAÇÃO DOS BLOGS JORNALÍSTICOS...............................................43
2. 4 MODELOS DE CIRCULAÇÃO DOS BLOGS JORNALÍSTICOS....................52

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...............................................................55
3. 1 DESCRIÇÃO E ASPECTOS HISTÓRICOS DO BLOG......................................56
3. 2 MAPEAMENTO ..................................................................................................64
3. 3 COLETA DE DADOS .........................................................................................69
3. 4 ANÁLISE DE DADOS.........................................................................................74

CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................77


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................79
APÊNDICE ................................................................................................................86
ANEXOS ...................................................................................................................92
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Número de trabalhos licenciados em CC por ano.......................................26


Figura 2: Código Digital (Digital Code).......................................................................27
Figura 3: Licença para Leigos....................................................................................28
Figura 4: Cabeçalho da Licença Jurídica...................................................................29
Figura 5: Google Reader............................................................................................45
Figura 6: Aplicação de widget em blog.......................................................................47
Figura 7: Postagem de Tumblelog.............................................................................49
Figura 8: Compartilhamento de links no Facebook....................................................50
Figura 9: Botões de compartilhamento em blog.........................................................51
Figura 10: Página inicial do Meio Desligado..............................................................60
Figura 11: Exemplo de gráfico com cópias encontradas pelo Plagium......................66
Figura 12: Painel das origens de tráfego exibidas pelo Google Analytics..................67
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Elementos das licenças Creative Commons..............................................30


Tabela 2: Selos e as seis licenças Creative Commons..............................................31
Tabela 3: Visitas através de Sites Referenciais para o blog nos dias 9 e 10.............71
Tabela 4: Total de visitas da página Apanhador só nos dias 9 e 10..........................71
Tabela 5: Visitas através de Sites Referenciais para o blog nos dias 15 e 16...........73
Tabela 6: Visitas da página Music Alliance Pact de novembro nos dias 15 e 16.......74
12

INTRODUÇÃO

O compartilhamento de arquivos através da internet provoca questionamentos


sobre a validade, as possibilidades e as consequencias dessa prática em todo o
mundo. Principalmente a partir de 1999, com a criação do Napster1, software de
rede P2P2, foi posto em xeque o valor das obras intelectuais e artísticas que
passaram a ser usufruídas gratuitamente pelos usuários. A reprodução – não
apenas a produção – de um produto cultural derivado do intelecto nunca foi tão
facilitada com a tecnologia, o que tem gerado processos judiciais efetuados pelos
detentores dos direitos autorais das obras compartilhadas nas redes.
Tais complicações jurídicas se devem basicamente à inadequação da lei ao
avanço tecnológico. A legislação brasileira dos direitos autorais, por exemplo, data
de 19 de fevereiro de 1998, anterior aos serviços de trocas de arquivos. Juntamente
com o copyright estadunidense, a Lei dos Direitos Autorais é tida por especialistas
como uma das mais restritivas do mundo. A irrupção da internet e da tecnologia
digital possibilita que os usuários façam circular entre si tanto obras próprias quanto
obras alheias por preços mínimos ou nulos, sem a permissão dos autores exigida
pela lei.
Essa distribuição não autorizada foi chamada de pirataria – que nada mais é
do que a infração ao direito de propriedade intelectual – e resultou no debate sobre
direitos autorais. No jornalismo, por este ser considerado um trabalho intelectual
conforme o parágrafo 1º do artigo 302 da Consolidação das Leis do Trabalho3,
também já houve casos de pirataria. Sites copiam textos de blogs sem autorização e
sem atribuir crédito ao produtor da informação; ao mesmo tempo em que blogs
copiam notícias de sites sem a exigida autorização.
Uma das soluções para a contrafação digital – a reprodução sem autorização
– é a adoção de licenças livres, em evidência as Creative Commons, que permitem

_______________
1
Por meio de uma rede P2P, os usuários do programa tinham acesso às músicas digitais dos demais
usuários, com a possibilidade de fazer o download dos arquivos de uma maneira descentralizada.
Não havia um único servidor fornecendo o serviço. Todos eram servidores e clientes ao mesmo
tempo, e assim tinham acesso mútuo ao conteúdo de cada um. Depois de receber ordens judiciais, o
Napster foi fechado em 2001, mas outros serviços similares surgiram.
2
Redes em que os computadores se conectam entre si com um computador administrador da rede,
possibilitando que todos compartilhem arquivos.
3
“§ 1º - Entende-se como jornalista o trabalhador intelectual cuja função se estende desde a busca
de informações até a redação de notícias e artigos e a organização, orientação e direção desse
trabalho.”.
13

que a informação possa ser legalmente copiada. Ao adotar as licenças livres,


autores ou detentores dos direitos autorais permitem a cópia e a distribuição,
determinando quais condições são exigidas para a reprodução. Assim, é consentido
que o produto circule livre de restrições jurídicas.
O objetivo desse trabalho é justamente mapear como se dá a circulação da
informação de um blog jornalístico com conteúdo licenciado sob Creative Commons.
Os blogs começaram a ser usados desde o início dos anos 2000 para a prática do
jornalismo, e possuem um sistema de circulação bastante complexo, no qual o
compartilhamento de links e informações é uma peça chave. São, portanto, objetos
exemplares da circulação ocorrida no ciberespaço. O trabalho é ainda uma tentativa
de contribuir para o debate acerca dos direitos autorais, dos jornalistas inclusive.
Para alcançar o objetivo, é preciso delimitar o que são direitos autorais,
seguido de um breve histórico sobre o seu surgimento. Relacionado ao crescente
enrijecimento das leis, também são descritos os movimentos questionadores das
limitações impostas pela legislação, como a cultura livre, o copyleft e o Creative
Commons. Portanto, o primeiro capítulo é baseado em autores como Abrão (2002),
Silveira (2004), Stallman (2002), Lemos, A. (2005), Lemos, R. (2005), Lessig (2005),
Vercelli (2009).
O capítulo posterior descreve algumas peculiaridades da circulação da
informação no ciberespaço. Depois, apresenta uma definição de blog jornalístico,
com alguns aspectos históricos, e algumas ferramentas utilizadas por esses blogs
para circular os seus conteúdos. Autores que embasam essa parte são Barbosa
(2002), Blood (2002), Gonçalves (2008), Orihuela (2006), Escobar (2009), Foletto
(2009).
Debatidos o Creative Commons e a circulação do blog jornalístico, é
apresentado o blog escolhido para o estudo de caso, o Meio Desligado, e os
procedimentos adotados para fazer o mapeamento da circulação. São detalhados os
dois instrumentos selecionados para isso – os serviços Plagium e Google Analitycs –
e, em seguida, é feita a coleta e a análise dos dados. Escobar (2007), van Peborgh
(2010), Moreira (2005), Duarte J. (2005), e Duarte M. (2005), foram os autores
utilizados na metodologia.
14

1 DIREITOS AUTORAIS E CULTURA LIVRE

Este capítulo trata da propriedade intelectual, constando suas divisões,


origens e movimentos de contestação. Primeiramente, o foco se dará nos direitos
autorais compreendidos pela legislação brasileira. Na sequência, será visto o
surgimento dos conceitos e a posterior relativização efetuada pelo compartilhamento
de arquivos através das redes digitais, com ênfase sobre os instrumentos que
tornam isso possível.

1. 1 DIREITOS AUTORAIS

Os direitos autorais são um ramo do Direito que fazem parte de uma


classificação maior, chamada pela doutrina internacional de Propriedade Intelectual
(PI). Nessa classificação, o ramo dos direitos de propriedade industrial junta-se aos
direitos autorais, conforme Castro (2001). Tanto os direitos de propriedade industrial
quanto os direitos autorais são normatizados por suas respectivas leis de Estado,
com variações em cada país. No Brasil, a regularização é efetuada pela lei nº
9.279/1996, relativa à propriedade industrial, e pela lei nº 9.610/1998, também
conhecida como Lei dos Direitos Autorais (LDA). Há ainda a lei nº 9.609/1998, que é
tratada como um complemento da LDA, pois dispõe sobre os programas de
computador.
Os dois subconjuntos de direitos são conhecidos internacionalmente como
propriedade intelectual. Chama-se de propriedade intelectual, segundo Abrão (2001,
p. 33), “tudo aquilo que, fruto do esforço intelectual, individual ou coletivo, possa ser
reproduzido e comercializado como mercadoria especial, sobre a qual exercem-se
direitos de propriedade intelectual”. São produtos derivados do intelecto, que nos
acompanham todos os dias: livros, jornais, softwares, garrafas de refrigerante, etc.
Tudo regulado pelos direitos de propriedade industrial, ou pelos direitos autorais.
Os direitos de propriedade industrial são explicados por Castro como sendo
relacionados “com marcas identificativas de empresa, marcas de serviços, nome
comercial, bem como se relacionam com patentes de invenções e modelos de
utilidade, desenhos ou modelos industriais” (CASTRO, 2001, p. 4). São comumente
conhecidos como “marcas e patentes”. Para que um bem seja contemplado pela Lei
de Propriedade Industrial, exige-se o registro da produção no órgão regulatório de
15

cada país – no Brasil isso é feito pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial4
desde 11 de dezembro de 1970.
Já no caso da Lei dos Direitos Autorais (LDA), qualquer manifestação física
ou digital – o que inclui programas de computador – do pensamento não necessita
de registro, sendo um ato facultativo, conforme o artigo 18 da lei 9.610: “A proteção
aos direitos de que se trata esta lei independe de registro”. Ressalta-se que a
proteção da lei recai sobre a exteriorização, a forma da expressão fixada
independente do material, e não sua ideia original. “As ideias são de uso comum e,
por isso, não podem ser aprisionadas pelo titular dos direitos autorais”
(PARANAGUA; BRANCO, 2009, p. 31). Por exemplo, é coberta uma única notícia de
um determinado fato, e não o fato em si, do qual podem ser feitas outras notícias.
“Já no caso dos bens protegidos por propriedade industrial, o que se protege
inicialmente é a ideia, consubstanciada em um pedido de registro (de marca) ou de
patente (de invenção ou de modelo de utilidade)” (PARANAGUA; BRANCO, 2009, p.
32).
Os direitos autorais estão relacionados a obras intelectuais. Por sua vez, os
direitos autorais dividem-se em direitos morais e direitos patrimoniais. Os direitos
morais dizem respeito aos direitos de personalidade, dos quais se destacam à
honra; ao nome; e à imagem. Tem como características serem intransmissíveis,
inalienáveis, irrenunciáveis, inexpropriáveis e imprescindíveis (ABRÃO, 2001).
Ninguém pode vender o seu nome para outra pessoa, nem ter sua autoria retirada,
ou renunciar a autoria de uma obra. O nome do autor permite a responsabilização
do indivíduo em meio à sociedade (CASTRO, 2001).
Os direitos patrimoniais, por outro lado, são passíveis de venda para
exploração comercial, seja pelo autor ou por pessoa autorizada pelo autor. Castro
(2001, p. 7) compara brevemente as duas divisões de direitos: “o direito patrimonial
de autor tem características diferentes daquelas relativas ao direito moral de autor, a
saber: alienável; penhorável; temporário; prescritível”. São direitos alienáveis através
de um contrato de cessão, por um determinado tempo. Uma série de direitos
patrimoniais são elencados pelo artigo 29 da LDA, entre eles os de reprodução,
edição, adaptação, tradução e distribuição da obra cessionada. A exploração desses
direitos gera ganhos econômicos ao autor, financeiramente chamados de royalties.

_______________
4
http://www.inpi.gov.br/.
16

Um autor pode lucrar com seus direitos patrimoniais, ao vendê-los para


difusores de obras intelectuais. Uma banda cede os direitos patrimoniais de um
disco para a exploração por uma gravadora; um jornalista cede os direitos
patrimoniais de seus escritos para uma empresa através de um contrato, como
esclarece o artigo 36 da lei 9610: “O direito de utilização econômica dos escritos
publicados pela imprensa, diária ou periódica, com exceção dos assinados ou que
apresentem sinal de reserva, pertence ao editor, salvo convenção em contrário”. A
utilização econômica se dá através do direito patrimonial de reprodução. No
jornalismo, é através do contrato que a empresa adquire o direito de reprodução da
obra, ou o direito de cópia.
Entretanto, não há na legislação vigente, tanto nacional quanto internacional,
definições legais sobre a reprodução de obras intelectuais digitalizadas. A atual
legislação considera o meio digital “nada mais que um novo canal de veiculação de
obras intelectuais ao qual se aplicam todas as regras de direitos autorais incidentes
sobre as outras mídias (impressa, eletrônica, radiodifundida)” (ABRÃO, 2003, p. 1).
Ou seja, não há uma adaptação das leis para as novas tecnologias que surgiram
após 1998 – a saber as redes P2P, os fóruns de discussão, os blogs, os microblogs,
as redes sociais5. Sendo assim, a reprodução e a distribuição do conteúdo do
webjornal configura-se como uma infração do direito patrimonial da empresa
jornalística.
É comum o envio de notícias para grupos de e-mails e a copia de notícias ou
artigos de opinião para fóruns de discussão ou para blogs que fazem cópias de sites
jornalísticos. Alguns copiam sem intuito de lucro; outros, lucram com o conteúdo
copiado através de anúncios – um exemplo é o blog Conteúdo Livre6, que copia
conteúdo disponível apenas para assinantes de sites jornalísticos brasileiros. Mas
não são apenas os usuários que copiam textos jornalísticos e os distribuem; já
houve casos de empresas que plagiaram jornalistas, no Brasil e no Exterior.
Um dos casos mais recentes aconteceu com o pesquisador espanhol Ramon
Salaverría. Em fevereiro de 2010, o jornalista denunciou - em seu blog e-periodistas
- ter sido vítima de plágio. Segundo ele, o portal El Mundo utilizou-se de um texto
_______________
5
O Ministério da Cultura (MINC) abriu uma consulta pública para modernização da Lei do Direito
Autoral este ano. De 14 de junho a 31 de agosto de 2010, foram recebidas 8 mil 431 sugestões de
mudanças. Segundo O Globo Online, até o fim do ano, o MINC pretende enviar um projeto de lei para
votação no Congresso. Mais informações podem ser conferidas no site da consulta:
http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/.
6
http://sergyovitro.blogspot.com/.
17

com trechos iguais ao de um post do seu blog, sem mencionar a origem das
informações ou linkar para a postagem7. Existe ainda uma polêmica envolvendo
empresas de clipping8 que lucram vendendo para clientes o conteúdo gratuito que
coletam de sites da internet9.
Ao mesmo tempo em que se constitui em infração, a apropriação do conteúdo
traz um benefício para os profissionais e para as empresas jornalísticas: uma
circulação maior e até uma maior audiência para a página original da publicação. Se
a cópia do conteúdo estiver vinculada com o link para o conteúdo original, o usuário
pode se interessar e visitar a página do site – o que também mantém o direito moral
do criador.
Uma alternativa para o impasse que se firmou é a adoção das licenças livres
pelos produtores de conteúdo. As licenças são autorizações que têm a exigência
básica da atribuição do crédito ao autor, ou origem, e, assim, permitem que o
conteúdo seja copiado. Ao utilizá-las, o autor concede a distribuição da obra,
aderindo a um acordo de determinadas liberdades, ou a um sistema no qual ele
escolhe quais liberdades autoriza. De surgimento relativamente recente, as licenças
têm alcançado uma grande popularidade e derivam de um contexto maior – a cultura
livre.

1. 2 SURGIMENTO DOS DIREITOS AUTORAIS E DA CULTURA LIVRE

Após uma breve introdução sobre o que são direitos autorais, vale fazer uma
curta revisão histórica a respeito de suas origens, terminando na concepção do
conceito nos dias de hoje. Segue uma descrição dos movimentos de contestação
dos abusos promovidos pelo aumento da duração e da abrangência dos direitos
autorais. Dentre os movimentos, destacam-se a cultura livre, o copyleft, o software
livre e o Creative Commons.
Os direitos autorais começaram a ser regulados há cerca de três séculos,
mas suas origens remontam ao século XV. Até a Idade Média, os processos de
reprodução das obras artísticas, literárias e científicas eram realizados de forma
manual e rudimentar, o que dificultava a divulgação de idéias (VIANNA, 2006, p.

_______________
7
http://e-periodistas.blogspot.com/2010/02/arranco-por-el-dato-aunque-no-es-lo-que.html.
8
Serviço de coleta de produtos jornalísticos que citam determinados assuntos.
9
http://www.cultura.gov.br/site/2010/03/19/ganhar-com-o-trabalho-alheio/.
18

935). Em torno de 1450, com o surgimento da máquina de imprimir com tipos móveis
(BURKE, 2003) passou-se a se pensar nos direitos desses textos, devido a
facilitação da reprodução textual. Quem tinha os meios de reprodução, recebia dos
governantes o direito exclusivo de comercializar os escritos. Os reis ingleses Felipe
e Maria Tudor são considerados os primeiros a concederem um monopólio para
livreiros, em 1557, conforme conta Abrão (2001, p. 27). A esse privilégio de produzir
e comercializar os livros, foi dado o nome de direito de cópia (copyright, em inglês).
Os livreiros mantiveram seu domínio até 1664, quando expirou o limite de
exploração garantido pelo Licensing Act, um decreto que lhes dava o poder de
combater os livros falsificados – que não tinham autorização. Em 1710, a Rainha
Ana aprovou o Statute of Anne, considerada a primeira lei de direitos autorais da
história, pois reconhecia a propriedade das obras como sendo dos autores, e não
dos livreiros. Além de reconhecer o direito patrimonial dos autores, a lei também
estabeleceu limites para o direito de cópia (copyright) do livreiro – cada livro poderia
ser explorado por 14 anos, com direito a uma renovação por mais 14 anos, se o
autor estivesse vivo. Para os livros anteriores à lei, foi estabelecido o prazo de 21
anos. Após esse tempo, o livro poderia ser publicado por qualquer pessoa,
passando ao domínio público, um conceito novo para a época. Esse sistema de
direito autoral inglês originou o copyright dos países anglo-saxões – dentre eles, o
dos Estados Unidos, cuja primeira lei data de 1790.
Os direitos autorais do Brasil e dos demais países latino-americanos deriva do
sistema “droit d’auteur”, surgido na França pouco depois da Revolução Francesa, e
pouco depois do copyright:
“Em julho de 1793, com a classe dos artistas contemplada com
algumas normas de proteção, um Decreto-lei do governo francês regulou,
pela primeira vez, os direitos de propriedade dos autores de escritos de
todos os gêneros, do compositor de música, dos pintores e dos
desenhistas” (ABRÃO, 2001, p. 31).

O direito do autor francês se preocupava não só com o direito de cópia da


obra – do copyright inglês –, mas também com os direitos morais do autor.
Quase um século depois, os dois tipos de sistema de direitos autorais foram
debatidos na Convenção da União de Berna, em 1886. A Convenção foi uma
tentativa dos países de regular uma proteção mínima para o direito autoral
internacional. A normatização ficaria a cargo das legislações internas de acordo com
os costumes de cada país. Entretanto, dentre as determinações, ficou estabelecido
19

“princípios de proteção mínima”, como o prazo mínimo de proteção a obra (vida do


autor, mais cinquênta anos após morte). Em outras revisões do texto, o prazo seria
aumentado para setenta anos, como é hoje no mundo e no Brasil.
Os Estados Unidos na época não assinaram a Convenção e mantiveram o
sistema de copyright, que sofreu muitas mudanças ao longo dos anos. Houve um
enrijecimento da lei de copyright, principalmente no prazo do domínio público norte-
americano que foi estendido em sucessivos processos de reformulação da lei.
Lessig (2005) faz um apanhado histórico das modificações operadas na lei
estadunidense:
“Nos primeiros 100 anos de República, o contrato de copyright foi
modificado uma vez. Em 1831, o prazo máximo de decadência do contrato
foi ampliado 28 anos para 42, ao se aumentar o contrato inicial de 14 para
28 anos. Nos 50 anos seguintes de República, o contrato foi ampliado mais
uma vez. Em 1909, o Congresso estendeu o tempo de renovação de 14
para 28 anos, estabelecendo um contrato máximo de 56 anos. Então, no
começo de 1962, o Congresso deu início a uma prática que passou a
definir exclusivamente a lei de copyright. O Congresso ampliou os
contratos de copyright existentes 11 vezes nos últimos 40 anos; por duas
vezes nesses 40 anos, ampliou os contratos de futuros copyrights.
Inicialmente, as expansões para os contratos de copyrights existentes eram
curtas – um ou dois anos apenas. Em 1976, o Congresso prolongou todos
os copyrights existentes por 19 anos. E, em 1998, no Ato Sonny Bono de
Extensão de Contrato de Copyright, o Congresso prolongou os contratos
de copyright existentes e futuros por 20 anos. O objetivo dessas
ampliações era apenas anular ou retardar a passagem das obras para o
domínio público” (LESSIG, 2005, p. 147).

Além dessas expansões, outro tratado internacional contribuiu para que o


copyright fosse visto como um sistema de proteção mundial. É comum vermos no
roda pé de páginas nacionais o símbolo do copyright, seguido do ano corrente e a
frase todos os direitos reservados. A advertência se deve ao que ficou estabelecido
numa outra convenção internacional, a Convenção Universal de Genebra,
organizada pela UNESCO10 em 1952. Nela, foi determinado que a obra seria
protegida pelo copyright sob duas condições: ser publicada em qualquer país
signatário e conter a menção de reserva, formada pelo símbolo ©, pelo nome do
titular e pelo nome da obra (ABRÃO, 2001). O Brasil também é signatário da
Convenção de Genebra, mas a LDA não faz qualquer menção a segunda condição,
ou seja não seria necessário constar o símbolo do copyright. Paranaguá (2006,
online) diz que essa medida de proteção não tem qualquer validade jurídica no Brasil

_______________
10
A United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura) é uma agência da Organização Mundial das Nações Unidas
fundada em 16 de novembro de 1945.
20

e a classifica como sendo “resultado da retórica e do imperialismo norte-americano”.


Portanto, as pressões estadunidenses têm consequencias globais, e também
acarretam ações que se opõem as suas imposições, tal como ocorre com o
movimento cultura livre.
Para Lessig (2005), deve haver uma adequação na lei de copyright, e não sua
extinção, de acordo com as inovações tecnológicas que facilitaram a reprodução e
distribuição dos bens culturais. Lessig defende que a cultura deve voltar a ser livre,
não livre no sentido de coisas materiais gratuitas, mas livre no sentido de liberdade
de expressão, de mercados, de comércios e de iniciativas. O termo “livre” significa
que os bens culturais são isentos das restrições impostas pela legislação copyright,
que possui como lema os dizeres “todos os direitos reservados”. Reservados, pois a
cópia, a reprodução e outros direitos patrimoniais são exclusivos dos seus
respectivos detentores. Na cultura livre, apenas alguns direitos são reservados, à
escolha do criador da obra cultural para que ela seja copiada e modificada por
outras pessoas.
“Uma cultura livre apóia e protege criadores e inovadores. Faz isso
diretamente, garantindo direitos de propriedade intelectual. Mas também
faz isso indiretamente, limitando o alcance desses direitos, para garantir
que os criadores e inovadores subseqüentes permaneçam tão livres quanto
possível do controle do passado. Uma cultura livre não é uma cultura sem
propriedade, da mesma forma que um mercado livre não é um mercado
onde tudo é grátis. O oposto de uma cultura livre é uma “cultura da
permissão”, na qual os criadores só criam com a permissão dos poderosos
ou dos criadores do passado” (LESSIG, 2005, p. 26).

A defesa por uma cultura livre tem suas bases no copyleft e no software livre,
como constatado por Schwingel (2006, online), pois refere-se a “movimentos que
extrapolem os preceitos e idéias surgidas a partir da relativização dos direitos de
propriedade intelectual e do desenvolvimento colaborativo”. A seguir, será dado um
enfoque maior na relativização do direito autoral ocasionada pelo copyleft.

1. 3 COPYLEFT

Copyleft é uma palavra criada a partir da inversão do termo copyright, e que


quer dizer “deixar copiar”. Ao contrário do que parece, ela não designa um outro
conjunto de direitos ou uma outra licença. Determinadas licenças de uso são
denominadas copyleft por permitirem a distribuição dos bens culturais.
21

O copyleft se origina em meados dos anos 1980 a partir do surgimento do


conceito de software livre. Em 1983, o pesquisador estadunidense do Massachusetts
Institute of Technology (MIT), Richard Stallman, criou o projeto GNU (sigla
metalinguística para GNU is Not Unix) com o objetivo de “produzir um sistema
operacional livre que pudesse fazer o mesmo que o sistema Unix” (SILVEIRA, 2004,
p. 18). Stallman queria que todos tivessem acesso ao software e pudessem adaptá-
lo conforme as suas necessidades ou gostos. O projeto GNU tinha o seu código
fonte – que contém todas as linhas de instruções do programa – aberto para estudo
e modificações, ao contrário dos sistemas operacionais Unix, que tiveram seus
códigos-fonte fechados e apropriados comercialmente por uma empresa de
telecomunicações, a AT&T (American Telephone and Telegraph).
Dois anos depois, em 1985, Stallman fundou a Free Software Foundation,
uma organização sem fins lucrativos “que levanta fundos para promover a liberdade
para compartilhar e mudar software”11 (STALLMAN, 2002, p. 174). O objetivo de
criar um sistema operacional só foi alcançado em 1991, quando o finlandês Linus
Torvalds desenvolveu o Linux, que na época obteve uma boa repercussão na rede
resultando numa combinação com o projeto GNU. Assim, nasceu o projeto
GNU/Linux, uma alternativa aos softwares proprietários. O fundador do movimento
software livre diz que, para entender o conceito de livre, é preciso pensar “como em
liberdade de expressão, não como em cerveja grátis”12 (STALLMAN, 2002, p. 43).
Em 1996, ele definiu quatro liberdades fundamentais para um software ser assim
considerado:
“Liberdade 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito;
Liberdade 1: A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo
para as suas necessidades (Acesso ao código fonte é uma pré-condição
para isso.);
Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa
ajudar ao seu próximo;
Liberdade 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus
aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (Acesso
13
ao código-fonte é uma pré-condição para isso.)” (STALLMAN, 2002, p.
43).

_______________
11
Tradução do autor para: “that raises funds to promote the freedom to share and change software”
(STALLMAN, 2002, p. 174).
12
Tradução do autor para: “as in ‘free speech’, not as in ‘free beer’.” (STALLMAN, 2002, P. 43).
13
Tradução do autor para: “Freedom 0: The freedom to run the program, for any purpose.;
Freedom 1: The freedom to study how the program works, and adapt it to your needs. (Access to the
source code is a precondition for this.);
Freedom 2: The freedom to redistribute copies so you can help your neighbor.;
22

As liberdades poderiam ser asseguradas ao registrar o programa como


domínio público. Entretanto, isso poderia permitir que outras pessoas convertessem
o programa para um software proprietário. O fechamento do software negaria a
outras pessoas a possibilidade de livre acesso, modificação e de redistribuição –
uma consequência que limitaria o desenvolvimento colaborativo. A fim de evitar a
apropriação do software construído conjuntamente, Stallman cunhou o conceito de
copyleft, que se utiliza do copyright, através de instrumentos legais, para assegurar
as determinadas liberdades: “Desenvolvedores de software proprietário usam o
copyright para tirar as liberdades dos usuários; nós usamos o copyright para garantir
as liberdades”14 (STALLMAN, 2002, p. 91).
As condições e as exigências para o uso do software são adicionadas por
meio de uma licença jurídica. Para o sistema GNU, foi criada em 1989 a primeira
licença copyleft – a GNU GPL (GNU General Public License ou Licença Pública
Geral GNU). Conforme apontam Lima e Santini (2006), além de permitir a livre
distribuição, essa licença permite que as cópias modificadas sejam comercializadas,
desde que não infrinjam alguma das quatro liberdades do software livre. É possível
cobrar pelas cópias do software, mas não é permitida a proibição de futuras
modificações que possam contribuir para o aprimoramento do programa. É uma
distinção importante, uma vez que software livre pode não ser grátis. O livre quer
dizer basicamente que a utilização, a modificação e a distribuição são gratuitas. O
programa pode ser utilizado comercialmente, desde que seu código-fonte seja
aberto.
Lemos, R. (2005) delimita basicamente quatro modelos de negócios que
envolvem software livre:
“1. distribuição do software livre, acompanhado da posterior venda de
suporte a ele (como usualmente mencionado nos Estados Unidos,
“distribua a receita e depois abra um restaurante”), ou ainda adaptação do
software livre conforme a necessidade do cliente;
2. conquista de mercado, pela qual determinado software é distribuído na
forma “livre”, para a posterior venda de outros produtos vinculados a ele;
3. incorporação do software livre junto com a venda de hardware,
barateando custos de licença e o preço final do equipamento como um
todo;

Freedom 3: The freedom to improve the program, and release your improvements to the public, so
that the whole community benefits. (Access to the source code is a precondition for this.)”
(STALLMAN, 2002, p. 43).
14
Tradução do autor para: “Proprietary software developers use copyright to take away the users’
freedom; we use copyright to guarantee their freedom” (STALLMAN, 2002, p. 91).
23

4. oferecimento de produtos acessórios ao software livre, como cursos,


livros, treinamento, desenvolvimento etc.” (LEMOS, R. 2005, p. 76)

Outras licenças livres também foram desenvolvidas pela Free Software


Foundation. Uma delas é a Free Documentation License, específica para textos e
documentos em formato físico ou digital. Nela, são aplicadas as mesmas liberdades
que na GPL: usar, adaptar (traduzir), distribuir e aperfeiçoar. Há, porém, uma
exigência importante; o conteúdo deve ser disponibilizado em um formato
transparente, ou seja, um tipo de arquivo que pode ser aberto tanto por programas
livres quanto por programas proprietários, como as páginas da internet em formato
HTML. Do contrário, um formato opaco é aberto somente por um programa
proprietário, como as apresentações em Flash (.swf).
No jornalismo, alguns portais brasileiros que denominam seu conteúdo como
copyleft são a Agência Carta Maior15 e o Jornal Le Monde Diplomatique Brasil16. A
editora do site do Le Monde, Maíra Kubik Mano, disse que o jornal se pauta pelo
princípio do conhecimento partilhado,
“que visa estimular a ampla circulação de idéias e produtos
culturais. A leitura e reprodução dos textos é livre, no caso de publicações
não-comerciais. A única exceção são os artigos da edição mensal mais
recente. A citação da fonte é sempre bem-vinda” (MANO, 2010, online).

A Agência Carta Maior adota o conceito desde 2001, e todas as notícias


veiculadas no portal possuem a palavra “Copyleft” ao lado da editoria e da data de
publicação.
A circulação de bens simbólicos no conceito de copyleft é citada como uma
das principais características da cibercultura por Lemos, A. (2004). Primeiramente, o
autor classifica a cibercultura como uma cultura copyleft: “A cibercultura pode ser
(em alguns setores já é) um fator de enriquecimento baseado na troca de
conhecimentos, na apropriação criativa, no desenvolvimento de uma forma de
trabalho coletiva compartilhada” (LEMOS, A. 2004, p. 5). Mais tarde, o próprio
Lemos, A. (2005) denomina como ciber-cultura-remix e atribui a ela três
características: liberação da emissão, princípio de conexão, e reconfiguração de
formatos midiáticos e práticas sociais. Sob esses três aspectos, diversos fenômenos
da cibercultura são analisados, dentre eles os softwares livres. O pesquisador os

_______________
15
http://www.cartamaior.com.br/
16
http://diplomatique.uol.com.br/
24

qualifica como um dos melhores exemplos da ciber-cultura-remix pois potencializam


suas três leis:
“liberação da emissão (qualquer um pode trabalhar em códigos e
programas), princípio de conexão (trabalho e a cooperação são planetários,
realizados através da redes telemáticas), e reconfiguração da indústria dos
softwares proprietários como a resposta de flexibilização (abertura de
códigos de alguns programas, como o Office, por exemplo)” (LEMOS, A.
2005, p. 7).

Silveira (2007) também enxerga o ciberespaço como um ambiente propício


para a circulação de informações e bens culturais:
“Com o crescimento da digitalização e da Internet, cresceu também
as possibilidades de compartilhar bens culturais e informações como em
nenhum outro período da história. Era possível criar um domínio público
global que acompanhasse o ciberespaço. O ciberespaço passou a ser visto
com o local ideal para os commons” (SILVEIRA, 2007, p. 6).

Segundo Silveira (2007), os commons são recursos imateriais, tanto


produções quanto espaços, que são comuns a todos os participantes de coletivos ou
de comunidades. De acordo com Silveira (2007, p.7), através da ampliação dos
commons, Lawrence Lessig vê uma reconstrução do domínio público, “pois sem ele,
não teremos material para a criatividade e para a inovação”. Inspirado em Richard
Stallman e na GNU GPL, Lessig (2005) idealizou o projeto Creative Commons, que
disponibiliza um conjunto de licenças para a utilização em qualquer tipo de conteúdo
– e assim torna acessíveis bens digitais, sem entraves jurídicos.

1. 4 CREATIVE COMMONS

O conjunto de licenças Creative Commons tem uma abrangência muito além


do software livre. Elas podem ser aplicadas a qualquer tipo de obra: música,
audiovisual, fotografia, software, blogs, jornais ou qualquer outra passível de
proteção pelos direitos autorais. O sistema de licenciamento jurídico foi desenvolvido
para pessoas ou entidades que queiram disponibilizar suas criações para cópia,
distribuição ou modificação. Lemos, R. (2005, p. 83) ressalta que “até o surgimento
da internet, da tecnologia digital e de um modelo jurídico como o Creative Commons,
não havia meios para que esses autores pudessem indicar à sociedade que eles
simplesmente não se importam com a divulgação de suas obras”.
Não há uma definição jurídica para licença e nem uma regulamentação, mas
há um consenso de que se trata de uma “autorização de uso, de exploração, e não
25

de uma transferência de direitos”, de acordo com Abrão (2001, p. 136). A autora


diferencia licença de cessão de direitos ao dizer que, na licença, o autor é mais livre
para estabelecer os limites de explorações da obra, abrindo mão da facilidade do
controle. Por outro lado, na cessão imposta pelo cessionário, relegará o controle
financeiro da obra a este.
Lemos, R. e Branco (2006) classificam as licenças públicas como contratos
unilaterais atípicos, de acordo com o Código Civil, pois geram obrigações para
somente uma das partes. Segundo os pesquisadores, o Creative Commons é valido
perante a Lei dos Direitos Autorais (LDA) por autorizar a terceiros, nos termos da
licença, “faculdades livres e explicitamente licenciadas pelo detentor dos direitos
autorais” (LEMOS, R.; BRANCO, 2006, p. 21).
Iniciado em 2001, o desenvolvimento do sistema foi idealizado por Lawrence
Lessig, professor de Direito da Universidade de Stanford, EUA. Com o projeto
Creative Commons – uma organização sem fins lucrativos –, Lessig tem por objetivo:
“construir uma camada de conteúdo regulada por uma camada
plausível de legislação do copyright, na qual outros possam se basear. A
escolha voluntária de indivíduos e criadores tornará o conteúdo disponível.
E esse conteúdo nos permitirá reconstruir um domínio público” (LESSIG,
2005, p. 276).

A partir dos Estados Unidos, o projeto logo se espalhou por vários países
através da web. Por terem sido redigidas para o copyright norte-americano, as
licenças tiveram que ser adaptadas aos países que aderiram ao projeto. Atualmente
os termos foram completamente traduzidos e adaptados para as diferentes
jurisdições de 53 nações17 – entre elas o Brasil. O número de trabalhos licenciados
ao sistema cresce a cada ano em todo o mundo, com um aumento significativo em
2009, como mostra a figura a seguir, retirada do site da organização.

_______________
17
A lista completa dos países pode ser vista em: http://creativecommons.org/international/.
26

Figura 1: Número de trabalhos licenciados em CC por ano


Fonte: http://wiki.creativecommons.org/Metrics.

Em dezembro de 2002, o projeto lançou a primeira versão do sistema de


licenças, a 1.0. Desde então, três revisões já foram feitas – em 2004, 2005 e 2007.
No Brasil, o Creative Commons foi adaptado pela Escola de Direito da Fundação
Getúlio Vargas do Rio de Janeiro desde maio de 200418. A versão 3.0, a mais
recente do sistema, foi lançada em São Paulo no dia 29 de janeiro de 201019.
A escolha das autorizações por parte dos produtores ocorre através do site do
projeto20. Nele, é possível encontrar obras já licenciadas, fazer doações ao projeto, e
escolher uma das licenças. Para escolher a licença, é preciso preencher um
formulário com as condições de uso, modificação e distribuição permitidas aos
consumidores. A partir desse questionário, será indicada a licença correspondente
aos termos escolhidos. A licença será apresentada de três formas: primeiro, através
de um Código Digital; depois, com uma versão para leigos; e, por fim, uma versão
jurídica.

_______________
18
http://informatica.terra.com.br/interna/0,,OI308489-EI553,00.html.
19
http://idgnow.uol.com.br/blog/campus-party/2010/01/19/lessig-lanca-versao-brasileira-do-creative-
commons-3-0-na-campus-party-2010/.
20
http://creativecommons.org/.
27

Depois de escolher as condições que se queiram definir para a reprodução da


obra, será gerado um texto para a aplicação/colagem na página em que o produtor
disponibiliza a obra. Esse texto contém links que levam o consumidor/usuário à
página explicativa das condições e vai ser representado por selos visuais. O texto é
chamado de Código Digital (Digital Code) e permite a leitura e a identificação da
obra por computadores, para facilitar a busca na internet (VERCELLI, 2009, p. 145).
A figura número 2, através da letra A, indica o campo do Código Digital:

Figura 2: Código Digital (Digital Code), indicado pela letra A.


Fonte: http://creativecommons.org/

A próxima forma de apresentação das licenças CC é uma página simplificada


que explica as condições para o consumidor. É a chamada Commons Deed, ou
Licença para Leigos, na tradução para o português. Ela é formada por explicações
curtas dos termos, visando o fácil entendimento dos consumidores/usuários. As
condições da licença escolhida são explicadas de forma simples, em uma linguagem
coloquial e com logotipos representando cada permissão (sobre isso, ver Figura 3,
letra A) – que serão vistos com mais ênfase no próximo subcapítulo. A figura a
seguir mostra a Licença para Leigos de forma integral:
28

Figura 3: Licença para Leigos


Fonte: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br/

Na Licença para Leigos, existe o link para outra apresentação da licença


(sobre isso, ver Figura 3, letra B), a Licença Jurídica (Legal Code), ou seja, a licença
integral. Ela é composta de termos jurídicos e técnicos, para ser interpretada por
juristas ou advogados. Conforme alerta Vercelli (2009), as cláusulas não implicam a
concessão completa dos direitos do autor, mas apenas os que estão ali descritos.
Para o que elas não permitem, os usuários devem solicitar permissão ao produtor. A
seguir há o cabeçalho da Licença Jurídica:
29

Figura 4: Cabeçalho da Licença Jurídica


Fonte: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br/legalcode

É de se notar, como consta na Licença Integral e como afirma Vercelli (2009,


p. 138), que o Creative Commons não é “um registro de obras intelectuais, muito
menos um repositório e tampouco concede assoreamento jurídico nem aos autores
nem as obras”21. A instituição apenas desenvolve esse sistema de licenças e o
adapta para outras legislações.
Essas são as três formas de apresentação das licenças Creative Commons: o
Código Digital (Digital Code), a Licença para Leigos (Commons Deed), a Licença
Jurídica (Legal Code). Através dos logotipos presentes na Licença para Leigos e nos
selos que representam cada licença, os usuários podem saber como usufruir a obra.
Na seqüência, são vistas com mais detalhes cada licença CC.

1. 5 LICENÇAS DO CREATIVE COMMONS

Além de constarem na página de Licença para Leigos, os logotipos do


Creative Commons também se apresentam ao consumidor/usuário em forma de
pequenos selos encontráveis nas páginas dos produtores. Os logotipos se
combinam conforme as escolhas do produtor da obra, formando os seis selos que

_______________
21
Tradução do autor para: “un registro de obras intelectuales en línea, menos un repositorio y
tampoco brinda asesoramiento jurídico ni a los autores ni usuarios de las obras” (VERCELLI, 2009, p.
138).
30

representam as diferentes licenças CC. Como já dito, cada logotipo representa uma
condição da licença escolhida para se usar, distribuir e/ou modificar a obra. A seguir,
a definição de cada um, com base em Vercelli (2009) e na página do projeto22:

Tabela 1
Elementos das licenças Creative Commons para leigos,
com base em Vercelli (2009) e na página do projeto.

Logotipo Nome Explicação

É permitido o compartilhamento, difusão, cópia da obra.


Compartilhe Permissão presente em todas as licenças Creative
Commons.

Remix É permitido criar obras derivadas.

É exigido o crédito do autor da obra original. É uma condição


Atribuição comum a todas as licenças Creative Commons.

Uso não Não é permitido usar a obra para um fim-lucrativo, como


comercial venda ou aluguel.

Compartilhamento As mesmas condições escolhidas pelo autor da obra devem


pela mesma permanecer caso a obra seja distribuída e/ou modificada.
licença

Vedada a criação É permitida a livre cópia, distribuição e utilização, mas não é


de obras permitido modificar a obra nem criar obras derivadas, como
derivadas traduções.

_______________
22
http://creativecommons.org/licenses/.
31

Os logotipos constam combinados nos selos dos seis modelos de licenças


Creative Commons, para representar cada condição. Antes de apresentar os selos e
modelos, é preciso fazer duas observações: os logotipos “Compartilhe” e “Remix”
não são mostrados nos selos; e as cláusulas “Vedada a criação de obras derivadas”
e “Compartilhamento pela mesma licença” não aparecem ao mesmo tempo por
serem incompatíveis – a primeira nega a modificação do trabalho, enquanto a outra
permite modificações. Fora essas questões, cada licença é representada por um
respectivo selo, tendo por padrão apenas o símbolo do Creative Commons, como
mostra a seguinte tabela explicativa com os seis modelos:
Tabela 2

Selos e as seis licenças Creative Commons, de acordo com Vercelli (2009)

Selo Nome Significado

Atribuição (Attribution / by) Permite que outros copiem,


distribuam, remixem, adaptem ou
criem obras derivadas, mesmo que
para uso com fins comerciais,
contanto que seja dado crédito pela
criação original. É a licença menos
restritiva de todas as oferecidas, em
termos de quais usos outras pessoas
podem fazer da obra.

Atribuição – Compartilhamento Permite que outros remixem,


pela mesma Licença adaptem, e criem obras derivadas
(Attribution Share Alike / by-sa) ainda que para fins comerciais,
contanto que o crédito seja atribuído
ao autor original e que essas obras
sejam licenciadas sob os mesmos
termos. Por ter semelhanças com o
copyleft, como únicas exigências a
atribuição e o compartilhamento pela
mesma licenças, essa licença é
comparada a licenças de software
livre. Todas as obras derivadas devem
ser licenciadas sob os mesmos termos
dessa. Assim, as obras derivadas
também poderão ser usadas para fins
comerciais.

Atribuição – Vedada a Criação Permite a redistribuição e o uso para


de Obras Derivadas (Attribution fins comerciais e não comerciais,
No Derivatives / by-nd) contanto que a obra seja redistribuída
sem modificações, completa, e que os
créditos sejam atribuídos ao autor
original.
32

Atribuição – Uso Não Comercial Permite que outros remixem,


(Attribution Non-Commercial / adaptem, e criem obras derivadas
by-nc) sobre a obra original, mas é vedado o
uso com fins comerciais. As novas
obras devem conter menção a você
nos créditos e também não podem ser
usadas com fins comerciais, porém as
obras derivadas não precisam ser
licenciadas sob os mesmos termos
desta licença.

Atribuição – Uso Não Comercial Permite que outros remixem, adaptem


– Compartilhamento pela e criem obras derivadas sobre a obra
mesma Licença (Attribution original, com fins não comerciais,
Non-Commercial Share Alike / contanto que atribuam crédito ao autor
by-nc-sa) original e licenciem as novas criações
sob os mesmos parâmetros. Outros
usuários podem fazer o download ou
redistribuir a obra da mesma forma
que na licença anterior, mas é
possível também traduzir, remixar e
criar novas obras a partir da obra
original. Qualquer obra derivada não
poderá ser usada para fins comerciais.

Atribuição – Uso Não Comercial É considerada a mais restritiva dentre


– Vedada a Criação de Obras as seis licenças principais. Permite
Derivadas (Attribution Non- que outros usuários façam download
Commercial No Derivatives / de suas obras e as compartilhem,
by-nc-nd) contanto que mencionem e insiram o
link ao autor original. Entretanto não
podem modificar a obra de nenhuma
forma, nem utilizá-la para fins
comerciais.

Normalmente, os selos são mostrados junto às obras que possuem o seu


licenciamento. Eles permitem visualizar rapidamente qual licença específica se está
utilizando em cada obra (VERCELLI, 2009). Outro tipo de selo é o que aparece
apenas o símbolo do Creative Commons com o lema da entidade – “alguns direitos
reservados” (some rights reserved, em inglês).
Um exemplo bastante recente da aplicação das licenças no jornalismo é a
adoção por parte do site da Revista Wired italiana23. Desde o dia 6 de outubro de
2010, todas as notícias do site exibem o selo de Atribuição – Uso Não Comercial –
Vedada a Criação de Obras Derivadas (Attribution Non-Commercial No Derivatives /
by-nc-nd). Isso quer dizer que a notícia pode ser copiada e republicada, desde que

_______________
23
http://mag.wired.it/rivista/storie/se-il-web-e-morto-il-copyright-cos-e.html.
33

seja atribuída a autoria da Revista, que o uso não renda lucro ao copiador e que
este não modifique o conteúdo.
Muitos dos produtores de conteúdo optam pelo licenciamento, visando a uma
melhor circulação de suas criações, facilitando o acesso a elas e assim alcançando
maiores audiências. Com os recursos visuais, o Creative Commons tem a vantagem
de ser mais facilmente explicado em relação à legislação do copyright ou dos direitos
autorais – além de ser uma forma de popularização da legislação – e vem ganhando
a adesão dos mais diferentes tipos de produtores de conteúdo ao redor do mundo.
De músicos a cineastas, de cientistas a escritores, de sites de governos, blogs e
inclusive de jornais e redes de televisão.
A rede de televisão árabe Al Jazeera colocou sua produção audiovisual sob o
sistema desde janeiro de 200924. O jornal espanhol 20 minutos licenciou todo seu
conteúdo próprio desde julho de 200725. Muitos portais com seções de jornalismo
colaborativo já mostram em suas páginas que as notícias podem ser copiadas e
coladas com a atribuição da origem – por exemplo, a seção “Minha Notícia” do portal
Ig26. O blog do Planalto27 é licenciado em Creative Commons, o que permitiu
legalmente que fosse criado um blog igual28 em que é possível fazer comentários –
recurso indisponível no original.
Uma grande adesão ao sistema das licenças foi feita pelos blogs. Alguns
deles foram perseguidos por disponibilizarem conteúdo protegido por copyright e
começaram a se engajar na defesa de direitos autorais menos restritivos. Muitos
blogs já tiveram suas postagens apagadas por colocarem músicas em formato
mp329 para download – caso do blog Um que Tenha30. Os blogs, principalmente os
humorísticos, também são alvos de plágio (cópia sem crédito) por parte de outros
blogs, tanto que foi cunhado na blogosfera o verbo “kibar”31, em decorrência dos
plágios efetuados pelo blog Kibe Loco. No meio literário, a pratica do plágio tem sido
denunciada pelo blog Não Gosto de Plágio, licenciado em Creative Commons.

_______________
24
http://www.jornalistasdaweb.com.br/index.php?pag=displayConteudo&idConteudo=3733.
25
http://blogs.20minutos.es/retiario/2007/07/19/el-futuro-la-prensa-es-abierto/.
26
http://minhanoticia.ig.com.br/creative_commons/.
27
http://blog.planalto.gov.br/.
28
http://planalto.blog.br/.
29
MP3 é um formato de compressão de áudio digital com perdas quase imperceptíveis ao ouvido
humano.
30
http://blogs.estadao.com.br/link/notificado-blog-um-que-tenha-saira-do-ar/.
31
http://txt.estado.com.br/suplementos/info/2008/04/07/info-1.93.8.20080407.70.1.xml.
34

O jornalismo também se mostra preocupado com as cópias não autorizadas.


O site Jornalistas da Web32 e o blog do jornalista Tiago Dória33 estão sob respectivas
licenças Creative Commons, fato que torna livre a utilização, modificação e
distribuição não comercial do conteúdo. O próximo passo deste trabalho será
descrever como os blogs jornalísticos distribuem seus conteúdos para os leitores.

_______________
32
http://www.jornalistasdaweb.com.br/.
33
http://www.tiagodoria.ig.com.br/.
35

2 CIRCULAÇÃO E BLOG JORNALÍSTICO

O presente capítulo aborda a etapa da circulação do processo jornalístico em


blogs. Inicialmente, são apresentados os modos de circulação da informação no
ciberespaço, seguidos da definição de blog jornalístico. Então, são vistas as
ferramentas utilizadas para a circulação da informação na blogosfera e os modelos
de circulação dos blogs jornalísticos.

2. 1 CIRCULAÇÃO NO CIBERESPAÇO

O capítulo anterior mostrou as licenças Creative Commons e suas permissões


de compartilhamento de conteúdo na internet, e também fora dela. A digitalização do
conteúdo permite uma facilidade maior em relação ao meio físico, no processo de
copia e distribuição através da rede, como observa Lemos, R. (2005, p. 31): “Várias
formas de expressão protegidas podem ser transformadas para o formato digital, tais
como textos, vídeos e sons, e a internet permite, de modo muito fácil, a circulação
desses bens intelectuais”. Após sua produção, o conteúdo passa a ser
disponibilizado de maneiras variadas na rede. A maior ou menor eficácia dessa
etapa definirá as possibilidades do sucesso ou do fracasso de todo o processo
comunicacional do jornalismo (RODRÍGUEZ, 2008).
O processo do jornalismo online é formado por quatro etapas, conforme
Gonçalves e Palacios (2007): apuração, produção, circulação e consumo de
informações. A etapa da circulação do produto jornalístico necessita ativar relações
entre os indivíduos para se constituir como um produto social (GONÇALVES, 2008).
As relações ocorrem principalmente através da comunicação interpessoal, ou seja,
das conversas no dia a dia, dos bate-papos online, do envio de e-mails, entre outros
exemplos. Alsina (2009, p. 76), ao apresentar dados de recepção informacional por
diferentes meios, diz que a relação interpessoal “não é só um elemento importante
na reinterpretação das mensagens que são compartilhadas coletivamente, mas
também um canal de informação”.
No meio impresso, em que a distribuição do processo jornalístico
historicamente teve início, a etapa de difusão das informações é a chamada
distribuição, que vai ocorrer de duas formas: por assinatura, através de entregas; ou
envio para os pontos de venda (bancas e ruas). Tais métodos de distribuição
36

também implicam alterações no processo de produção, pois como diz Rodriguez


(2008) se um determinado jornal é vendido apenas por assinatura, a primeira página
importará pouco e valerá muito mais o conteúdo em seu aspecto total; por outro
lado, se um jornal é vendido na rua, terá que conquistar cada leitor, apresentando
um aspecto local e atrativo de forma que tenham um efeito impactante. Uma lógica
que entra em conformidade com o que diz Espínola (2009), segundo o qual a etapa
da circulação tem seu início já na da produção dos conteúdos, em que se
consideram critérios que validam a publicação de determinada informação.
O sistema de distribuição se complexificou a partir do desenvolvimento de
grandes empresas que centralizaram e verticalizaram suas estruturas. Elas
buscavam alcançar um maior número de leitores em lugares cada vez mais distantes
geograficamente. Essa expansão, não só do meio impresso como também do rádio
e da televisão, deveu-se a uma estratégia política de integração de grandes
territórios nacionais, separados por diferenças culturais e temporais (GONÇALVES,
2008, p. 24). O conceito de notícia nacional nasceu com os telejornais em rede. À
medida que esse sistema de distribuição se institui num determinado grupo social,
passa a poder fixar o uso do tempo e do espaço em seu território de abrangência.
Portanto, o circuito de distribuição de notícias dita o ritmo comportamental das
pessoas na esfera pública, por meio da programação. Assim, o circuito envolve uma
cadeia maior do que apenas a dos pontos de venda (GONÇALVES, 2008).
Na segunda metade da década de 1970, empresas da Inglaterra e dos
Estados Unidos se utilizam de videotexto34 para enviar resumos de suas notícias aos
seus assinantes (BARBOSA, 2002). Ainda segundo Barbosa (2002, p. 24), durante a
década de 1980, jornais dos Estados Unidos “comercializavam resumos
selecionados de seus produtos para assinantes com aparelhos de fax”. Até que nos
anos 1990, com a popularização da internet, a circulação online dos jornais
impressos se inicia – em 1993 para os jornais estadunidenses; e, em 1995, para os
jornais brasileiros (PALACIOS; GONÇALVES, 1997).
Durante a revisão bibliográfica para esse trabalho, foram identificadas quatro
tipos de rupturas na organização da distribuição jornalística, ocasionados pela
irrupção da internet. Em comparação aos meios tradicionais como impresso, rádio e
TV, em que os conteúdos são organizados de uma maneira vertical e centralizada
_______________
34
Denominação genérica para todo sistema de informação textual eletrônica enviado por
um centro emissor, sendo transmitido por ondas para aparelhos de televisão.
37

para que cheguem ao usuário, a distribuição nas redes digitais possibilita quatro
mudanças: Gonçalves (2001) nos mostra como as informações são armazenadas;
Alves (2006), como elas são disponibilizadas; Albornoz (2005), a quem elas podem
ser distribuídas; e Silva F. (2009), em quais dispositivos elas são acessadas.
A primeira ruptura é na maneira de arquivamento das notícias, como indica
Gonçalves (2001). Com o uso de bases de dados35, ocorre a possibilidade de
armazenar por tempo indeterminado as edições anteriores de um jornal, permitindo o
acesso a elas a qualquer momento através de um sistema de busca. Dessa forma,
os arquivos “passam de uma existência interna, nas empresas, para um produto a
ser disponibilizado para o público” (MIELNICZUK, 2003, p. 194).
Gonçalves (2001) diz que permitir o acesso imediato ao arquivo do jornal
beneficia não apenas o usuário, mas também os jornalistas, que podem conferir um
contexto maior das notícias:
“Com as publicações articuladas como nós da Rede muda o foco
e se alarga a escala das notícias. O evento limitado a um lugar particular,
dependendo dos interesses do repórter, pode ganhar um contexto cuja
escala inclua feitos similares a nível local, nacional ou mundial”
(GONÇALVES, 2001, p. 4).

O ato de disponibilizar os arquivos tem dividido os sites jornalísticos. Existem


os que permitem o livre acesso ao conteúdo online e ao impresso – como o Jornal
do Comércio36 –, e os que oferecem acesso ao online mas não ao impresso. Nestes,
ainda se bifurcam os que exigem cadastro gratuito – como o jornal Correio do Povo37
– e os que cobram assinatura – como recentemente o jornal Correio Braziliense38.
Nos blogs, o livre acesso aos arquivos é uma prática comum.
Em 1997, Palacios e Gonçalves diziam que “ao contrário de todas as outras
formas anteriores de jornalismo que eram, de uma maneira ou de outra, distribuídas,
seja pela circulação do papel impresso seja pela difusão de ondas, o jornalismo
digital precisa ser acessado pelo usuário” (p. 2). Em 2001, Rosental Alves fez uma
metáfora com essa característica do jornal na internet: a tecnologia é baseada num
sistema pull (puxar) e não push (empurrar), ou seja, o usuário precisa buscar o

_______________
35
Uma base de dados é um “conjunto de dados interrelacionados, organizados de forma a permitir a
recuperação da informação. Armazenadas por meios ópticos ou magnéticos como discos e
acessadas local ou remotamente” (NORONHA, s/d, online).
36
http://jcrs.uol.com.br/site/.
37
http://www.correiodopovo.com.br/.
38
http://www.correiobraziliense.com.br/.
38

produto, ao invés do produto chegar até ele, como ocorria com os meios já
estabelecidos (ALVES, 2001).
O mesmo Alves, em 2006, apontou que a transferência do produto jornalístico
para o meio online transformava-o num fluxo contínuo de informações
disponibilizadas e acumuladas num site, ocasionando uma ruptura da barreira
temporal.
“A transferência dos segmentos noticiosos de televisão e de rádio
para a Web também representa uma forma de desconstruir os programas
jornalísticos, que antes só eram acessíveis a determinadas horas e na
seqüência previamente determinada pelas emissoras” (ALVES, 2006, p.
97).

Assim, se o arquivo das produções jornalísticas estiver liberado para acesso,


pode ser consumido a qualquer tempo e em qualquer ordem, propiciando uma
mudança na barreira temporal do consumo.
A terceira modificação propiciada pela internet é a da barreira espacial na
distribuição, dita por Albornoz (2005). Segundo ele, a audiência de um jornal
impresso é parcialmente definida pelo espaço geográfico de distribuição, enquanto
que no jornal online, o que determina uma potencial comunidade de leitores é o
idioma utilizado:
“diferentemente do que ocorre com os jornais tradicionais impressos em
papel, cuja comunidade de leitores é parcialmente definida por um espaço
geográfico de distribuição, o emprego de um determinado idioma torna se
um elemento chave na hora de definir uma potencial comunidade de
39
leitores na Rede” (ALBORNOZ, 2005, p. 10).

Dessa forma, a distribuição do conteúdo jornalístico pode ocorrer entre


usuários de vários países, contanto que tenham uma língua em comum.
A última das mudanças verificadas é a dos suportes e dispositivos nos quais
são consumidas as informações. Antes relegado ao papel ou aos aparelhos de som
e TV, o conteúdo pode ser acessado não só em computadores de mesa ou em
notebooks, mas também em celulares, netbooks e tablets40. São as tecnologias
móveis digitais que permitem uma produção e compartilhamento imediato de
informações, bem como permitem o consumo de conteúdos pelas redes sem fio.

_______________
39
Tradução do autor para: “a diferencia de lo que ocurre con los periódicos tradicionales impresos en
papel, cuya comunidad de lectores es parcialmente definida por un espacio geográfico de
distribuición, el empleo de un idioma determinado se convierte en elemento clave a la hora de definir
una potencial comunidad de lectores en La Red” (ALBORNOZ, 2005, p. 10).
40
Netbooks são notebooks menores, com funcionalidades baseadas na internet. Tablets são
computadores em formato de pranchetas, sem teclado ou mouse, operados com a mão ou com toque
de uma caneta especial.
39

“A portabilidade dos dispositivos (celulares, smartphones, iPods) e as


conexões disponíveis (3G, Wi-Fi, Bluetooth) reorientam a produção
jornalística para a percepção de uma nova camada informacional ubíqua
disponível praticamente de qualquer lugar” (SILVA F. 2009, p. 2).

Os dispositivos, conectados pela internet e pelas redes de transmissão de


dados sem fio, tornam possível a produção e o acesso de conteúdos em qualquer
hora e lugar, cenário esse impensável nas mídias massivas (rádio, TV, jornal).
Dadas essas quatro rupturas é preciso apresentar a principal mudança no
sistema de envio de informações jornalísticas. Gonçalves (2008) sistematiza a
distribuição utilizada na internet daquela tradicionalmente utilizada nos meios de
massa. O pesquisador define dois sistemas: o de distribuição e o de circulação.
“Como o próprio termo define, um sistema de distribuição opera de forma
centralizada, mantém uma hierarquia rígida entre os participantes e tem
como objetivo principal a entrega das informações ao consumidor final.
Muito mais flexível, um sistema de circulação funciona sem necessidade de
uma hierarquia rígida, adota a descentralização como modelo padrão e tem
como objetivo principal a disseminação das informações produzidas nestes
diferentes centros. Um simboliza a apologia ao consumo enquanto o outro
simboliza a apologia da participação.” (GONÇALVES, 2008, p. 26)

Em seguida, o autor faz uma distinção dos sistemas de distribuição ou de


circulação de notícias em estáticos ou dinâmicos. Os estáticos têm como
característica exigirem a procura do consumidor pelo produto. Os dinâmicos enviam
o produto ao consumidor. Um exemplo deste último é o envio de notícias por correio
eletrônico. Um exemplo do outro modelo, o estático, seria a simples disponibilização
das informações para o acesso do consumidor.
Na primeira fase de desenvolvimento do jornalismo no ciberespaço, de 1995 a
1998, predominava-se o sistema estático. A partir de 1998, desenvolve-se o sistema
dinâmico, quando os usuários trocam entre si esses conteúdos – modelo que se
consolida em 2004 (GONÇALVES, 2008). Como a atual arquitetura da internet
possibilita uma participação do consumidor não só na produção, mas também na
circulação de novas informações, os blogs passaram a ser usados como veículos
jornalísticos e, portanto, de distribuição de informações.

2. 2 BLOG JORNALÍSTICO

Os blogs apareceram em meados dos anos 1990 e se popularizaram na


segunda metade dessa década. Inicialmente chamados de weblogs, depois apenas
40

de blogs, eram páginas em HTML41 que continham links para outras páginas da Web
junto a comentários dos autores (PAQUET, 2002). Aos poucos foi se tornando um
formato de publicação com dois elementos fundamentais: as atualizações eram de
ordem cronológica inversa, isto é, as mais recentes na parte superior da página; e os
textos, de um ou mais autores, possuíam tons pessoais e informais (SILVA, J. 2003).
A partir dessas características, surgiram as primeiras ferramentas de edição,
ou softwares de edição de páginas online (ARAÚJO, 2004). Em 1999, é criado o
Blogger42, considerado por muitos um marco no crescimento dos blogs. A plataforma
Wordpress43, lançada em 2003, é outra bastante popular entre os blogueiros. Esses
sistemas de publicação visavam facilitar a criação de blogs, tendo em vista que a
linguagem de programação necessária para a elaboração de páginas em HTML era,
e ainda é, um tanto complexa.
O uso dos links pelos autores em seus textos para outros blogs possibilitou a
formação de uma comunidade na qual todos os blogs estão inseridos: a blogosfera –
que na definição de Orihuela (2006) é “um espaço anárquico, desierarquizado,
informal e descentralizado onde convergem a multiplicidade de culturas,
comunidades e tradições para gerar de forma coletiva, distribuída e espontânea
informação, opinião e conhecimento”44 (ORIHUELA, 2006, online). Os leitores
também puderam participar da articulação da blogosfera, por meio da possibilidade
de escrever comentários nos textos.
Com o passar dos anos, os blogs começaram a ser usados como um suporte
para diversos gêneros de discurso – dentre os quais o jornalístico ganhou destaque.
Blogueiros começaram a reportar o que se passava ao redor, e jornalistas cobriam
assuntos de uma maneira mais pessoal. O primeiro grande momento na história da
relação blogs e jornalismo, segundo Bradshaw (2008, online), foi o caso ocorrido
com o Drudge Report45, que em 17 de janeiro de 1998 foi o primeiro meio a publicar
a revelação de que o presidente dos Estados Unidos na época, Bill Clinton,
mantinha um caso extraconjugal com uma estagiária da Casa Branca, Monica

_______________
41
HyperText Markup Language (Linguagem de Marcação de Hipertexto) é o nome de uma linguagem
de programação usada para construir páginas na Web.
42
http://www.blogger.com/.
43
http://pt-br.wordpress.com/.
44
Tradução do autor para: “La blogosfera es un espacio virtual y una cultura real: es el espacio de la
web en el que tienen lugar las múltiples conversaciones que se establecen entre los blogs y es la
cultura que generan los bloguers” (ORIHUELA, 2006, Online).
45
http://www.drudgereport.com/.
41

Lewinsky. O colunista Matt Drudge, editor do blog, quando ficou sabendo da


informação - que estava sendo apurada por outra publicação, a revista Newsweek -
lançou-a antes em seu blog e através da newsletter que mantinha.
Um ano depois, aparece um dos primeiros casos de blogs produzidos por
jornalistas assalariados em uma empresa: o blog do jornalista estadunidense Dan
Gillmor na versão para a Web do jornal San José Mercury News46, da Califórnia,
Estados Unidos. Colunista de tecnologia do jornal desde 1995, Gillmor (2003) disse
ter sido natural sua ida para o meio online, principalmente pelo fato de seus leitores
serem conhecedores e usuários assíduos da internet. Um símbolo da aproximação
entre blogs e o jornalismo é o atentado ao World Trade Center em Nova York, em 11
de setembro de 2001. Foletto (2009, p. 39) considera que “a partir desta data, os
testemunhos pessoais sobre determinados acontecimentos, situações ou lugares
encontrados em blogs passaram a ganhar maior importância como informação de
relevância jornalística”.
Inicialmente, os jornais adotam os blogs apostando no caráter pessoal do
formato, utilizando-o em coberturas e em colunas de opinião. Eclodem os
denominados warblogs, que têm como alvo a Guerra do Afeganistão, em 2001, e a
Guerra do Iraque, em 2003. Neste ano, O jornal Folha de S. Paulo47 envia dois
jornalistas à capital do Iraque para produzirem o blog Diário de Bagdá48. E, nesse
mesmo ano, o jornal carioca O Globo Online49 lança blogs para todos os seus
colunistas da edição impressa, “acreditando no poder individual e no interesse do
público que busca notícias na internet pelos blogs” (QUADROS, ROSA e VIEIRA,
2005, p. 13).
Em 2005, um blog chama atenção por divulgar uma série de denúncias e
informações exclusivas sobre a política nacional: o Blog do Noblat50, do jornalista
Ricardo Noblat. Após a percepção da grande audiência atraída pela cobertura do
caso do mensalão51, Noblat passou a ser remunerado unicamente por seu trabalho

_______________
46
http://www.mercurynews.com/.
47
http://www.folha.uol.com.br/.
48
Os textos ainda estão disponíveis no endereço:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2003/guerranoiraque/diario_de_bagda.shtml.
49
http://oglobo.globo.com/.
50
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/.
51
A chamada “crise do mensalão”, deflagrada em maio de 2005, foi a revelação de uma fita de vídeo,
que mostrava o ex-funcionário dos Correios, Maurício Marinho, negociando propina com empresários
interessados em participar de uma licitação. No vídeo, o funcionário da estatal dizia ter o respaldo do
deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). Acuado, Jefferson decidiu sair para o ataque contra o
42

no blog, tornando-se um dos primeiros casos de blogueiros profissionais no país


(FOLETTO, 2009). O jornalista recebeu propostas para integrar o blog a diversos
portais e sites jornalísticos, aceitando algumas, quando, em 2007, mudou-se para o
site do jornal O Globo Online, onde permanece até hoje.
Fora das grandes redações, também surgem os primeiros casos de blogs
jornalísticos independentes - desvinculados de empresas jornalísticas. São páginas
criadas normalmente por interessados em fazer a cobertura jornalística de um
assunto ou de uma região específica. Os autores compensam a falta de estrutura de
produção equiparável a dos grandes jornais com o aproveitamento do potencial
coletivo da blogosfera, por meio dos usos dos links, do reaproveitamento do material
jornalístico produzido pelo jornalismo online tradicional ou pelos próprios meios
tradicionais (jornal, rádio, TV) onde muitas vezes os jornalistas que editam blogs
trabalham (FOLETTO, 2009).
Derivaram então questionamentos acadêmicos a respeito da relação entre
blogs e jornalismo. No princípio, pensando-se que fazer jornalismo e blogar eram
atividades distintas, até concorrentes. Depois, estipulando-se que, para um blog ser
considerado jornalístico, a produção de seu conteúdo deve seguir determinadas
regras da profissão (ORIHUELA, 2006). Assim, o tratamento da informação, através
de uma apuração transparente com links no texto, é determinante para se considerar
um blog como jornalístico, na medida em que linkar a origem da informação confere
credibilidade à página. “Linkar para uma fonte leva os leitores a julgar por seus
critérios a precisão e a originalidade de suas postagens”52 (BLOOD, 2002, online).
Outras características dizem respeito a circulação da informação nesses
blogs. Escobar (2009) identifica os blogs jornalísticos como uma nova categoria de
webjornalismo, descrevendo-os como:
― aqueles cujos endereços são públicos, estando acessíveis a qualquer
pessoa com acesso à internet; que se destinem, na totalidade ou na maior
parte do tempo, a divulgar acontecimentos reais dotados de atualidade,
novidade, universalidade e interesse; e, ainda, cujos blogueiros tenham a
preocupação e se esforcem para:
a) disponibilizar frequentemente conteúdos novos, ainda que sem
periodicidade fixa ou determinada;
b) e divulgar seus ―blogs/lugares, tornando-os endereços na web
amplamente conhecidos com o intuito de atrair um número expressivo de

Governo e, no início de junho do mesmo ano, denunciou um suposto esquema de pagamento de


mesada a parlamentares da base aliada em troca de apoio político. Para investigar o esquema, foi
criada a “CPI do Mensalão”, em que ganhou destaque a cobertura do Blog do Noblat.
52
Tradução do autor para: “Linking to referenced material allows readers to judge for themselves the
accuracy and insightfulness of your statements.” (BLOOD, 2002, online).
43

internautas, ou seja, uma grande audiência (que na internet é expressa por


número de page views). (ESCOBAR, 2009, p. 225-226)

Partindo-se do conceito de Escobar (2009), será mostrado como circula o


conteúdo produzido do blog jornalístico.

2. 3 CIRCULAÇÃO DOS BLOGS JORNALÍSTICOS

Uma das primeiras formas de utilização do blog foi o de comentar e indicar


links que os autores encontravam na Web – fossem esses links de sites ou de
notícias. A prática não tinha a pretensão de atingir grandes audiências, mas sim de
receber a atenção de um grupo de conhecidos, ou interessados no assunto. As
maiores intenções eram a de se expressar e a de compartilhar conteúdo
considerado relevante na Web. “Ao contrário da comunicação de massa, que partia
de poucos produtores para uma enorme e largamente passiva audiência, os blogs
se apoiam em pequenas e densas audiências constituída de muitos produtores”53
(Walker, 2008, p. 57).
Para se formar essas pequenas audiências e se efetuar o compartilhamento
na rede, o link torna-se um elo fundamental na relação entre os usuários. O link vira
um índice de popularidade de um blog, na medida que potencializa sua visualização
por toda a rede: “Se você tem vários blogs linkando para o seu, mais facilmente ele
será encontrado não apenas pelos leitores destes outros blogs que seguiram os
links para o seu blog, mas também pelos mecanismos de busca e páginas como o
Technorati, que indexam links”54 (WALKER, 2008, p. 64).
A atividade de referenciar uma determinada informação, ou indicar um
conteúdo, através do hiperlink no texto do blog, é chamada por Bruns (2005) de
blogging (sobre isso, ver Figura 6, letra B). Assim, a hierarquização, é construída
pelos blogueiros numa eleição equilibrada, em que os votos podem ser dados pelos
participantes da blogosfera. O blogging é um sistema característico da blogosfera e
que nasceu dentro da lógica do ciberespaço, “em que a produtividade da informação

_______________
53
Tradução do autor para: “Instead of mass communication from a few producers to large, mostly
passive audiences, blogs support a dense of small audiences and many producers” (WALKER, 2008,
p. 57).
54
Tradução do autor para: “If you have a lot of other blogs linking to you your blog will more easily
found not only by the readers of those other blogs who follow the links to your blog, but also by search
engines and sites like Technorati, that index links” (WALKER, 2008, p. 64).
44

depende da capacidade que tenha de circular e de ativar relações entre os


participantes do sistema” (GONÇALVES, 2008, p. 34).
A troca de links não ocorre apenas nos textos das postagens, mas também
em outros elementos do blog. Recuero (2005) descreve três desses espaços:
(a) ferramentas de comentários, que permitem que os leitores possam
manifestar-se a respeito do que é discutido no blog; (b) blogrolls, que são
as listas de blogs “recomendados” pelo blogueiro e (c) trackbacks, que são
ferramentas que permitem que um post de algum blog que está sendo
discutido em outro blog possa ser referenciado pelos dois. (RECUERO,
2005, p. 11)

Conversações nas ferramentas de comentários podem gerar novos links na


medida em que o usuário pode deixar o link de seu próprio blog ou recomendar
novos links. Também podem gerar links de retorno – os trackbacks - ao blog em que
houve a conversação. Além dessas consequências, o blogueiro pode adicionar ao
próprio blogroll o link do blog do usuário.
Por conta dessas características, a blogosfera difere do sistema de
distribuição das informações tradicionalmente utilizado pelo jornalismo, que é
organizado numa arquitetura vertical onde quem ocupa a posição central é aquele
que detêm as condições técnicas e financeiras para isso (FOLETTO, 2009). Ainda
que haja uma hierarquia, ela é estabelecida de uma maneira mais democrática e
descentralizada do que nos sistemas de circulação anteriores. A posição central,
“condição necessária para a efetiva circulação da informação e para a visibilidade do
nodo entre os buscadores”55 (ORIHUELA, 2005, p. 74), pode ser alcançada sem que
o blogueiro tenha que fazer altos investimentos técnicos e financeiros. O que basta
para ele ocupar uma posição de destaque é ativar relações entre os participantes da
blogosfera.
As relações podem ser ativadas fundamentalmente por meio dos links. Eles
servem como critério para a hierarquização realizada pelos sites de busca ou por
agregadores de blogs. Quanto mais um blog é linkado, e clicado, maior é a sua
posição de destaque dentre os outros blogs. Dessa maneira funcionam as medições
do algoritmo PageRank do Google, e dos indexadores Blogblogs56 (brasileiro),
Bitácoras57 (espanhol) e Technorati58 (estadunidense). Nesses sistemas, de

_______________
55
Tradução do autor para: “Condición necesaria para la efectiva circulación de información y para la
visibilidad del nodo ante los buscadores” (ORIHUELA, 2005, p. 74)
56
http://blogblogs.com.br/.
57
http://bitacoras.com/.
58
http://technorati.com/.
45

participação voluntária, cada vez que um blog recebe uma referência de um link, ele
ganha um voto no ranking. A este critério de votação estabelecido pelos links, o
Technorati chama de “Authority”, ou “Autoridade” em português.
Recuero (2009, p. 113) define autoridade como “uma medida da efetiva
influência de um ator com relação à sua rede, juntamente com a percepção dos
demais atores da reputação dele”. Ou seja, é um tipo de valor referente à influência
do blog entre os outros blogs. Segundo a pesquisadora, os blogueiros que desejam
construir uma audiência – mais do que intimidade – são comprometidos com seus
blogs. A partir de links, esses autores dedicam-se a gerar conversações na
blogosfera.
No decorrer dos anos 2000, são desenvolvidas outras ferramentas que vão
servir para a circulação dos links no ciberespaço. São tecnologias que atualizam
automaticamente o envio de links para aplicativos ou sites, assim que uma nova
informação é publicada. Mediante a inscrição do usuário no serviço, os aplicativos –
disponíveis em navegadores ou programas chamados de leitores de feeds –
recebem um arquivo RSS (Rich Site Summary, Really Simple Syndication),
conhecido como “feed”, e que contem dados de título da postagem, data, autor e
resumo do conteúdo. Dessa forma, os usuários podem ser notificados a cada nova
atualização em um determinado site, sem precisar visitá-lo todo momento para saber
se há alguma informação nova (GILL, 2005). A figura abaixo mostra o leitor de feeds
mais popular atualmente, o Google Reader:

Figura 5: Google Reader


a) Página Inicial do leitor de feed
b) Feeds nos quais se está inscrito
46

c) Pessoas que se está seguindo


Fonte: http://www.google.com.br/reader/view/#overview-page

Existem ainda os aplicativos leitores de feeds que podem ser acoplados na


interface de um site, de um blog ou de um site de rede social. São os chamados
widgets, que se apresentam como “uma aplicação de tamanho reduzido e com
funcionalidade muito limitada e concreta, cuja finalidade é proporcionar ao usuário
um determinado serviço de forma rápida e simples”59 (MUNSLOW VILAR, 2007, p.
15). Os widgets podem ser usados no jornalismo, de acordo com Munslow Vilar
(2007), para exibir informações e links de notícias. No primeiro caso, podem ser
citados os que mostram previsões meteorológicas ou resultados esportivos, por
exemplo. No segundo, os que mostram links de notícias de uma ou várias seções
dos blogs ou dos portais jornalísticos. “O widget se encarrega de acessar a página,
recolher a informação desejada e mostrá-la ao usuário, facilitando a tarefa de
consulta”60 (MUNSLOW VILAR, 2007, p. 17).
Esses aplicativos, que podem ser incluídos em blogs ou perfis de sites de
redes sociais, são capazes de falar sobre o leitor, identificando-o como um membro
da audiência de uma determinada página, e também alcançar novos leitores com a
exposição da marca (BRADSHAW, 2008). Os widgets, também chamados de “web
widgets”61, ainda podem mostrar atualizações de outros sites nos quais o blogueiro
tenha perfil, como Youtube, Flickr, Twitter, etc. A figura abaixo mostra um widget de
um portal utilizado por um blog:

_______________
59
Tradução do autor para: “una aplicación de tamaño reducido y con funcionalidad muy limitada y
concreta, cuya finalidad es proporcionar al usuario un determinado servicio de forma rápida y sencilla”
(MUNSLOW VILAR, 2007, p. 15)
60
Tradução do autor para: “El widget se encarga de acceder a la página, recoger la información
deseada y mostrarla al usuario, facilitando la tarea de consulta” (MUNSLOW VILAR, 2007, p. 17).
61
Sobre essa diferenciação ver o artigo de KAAR, 2007.
47

Figura 6: Aplicação de widget em blog


a) Widget com links para o portal
b) Referência de link no texto
Fonte: http://olhardeinquietude.blogspot.com/

De forma semelhante aos feeds, funcionam as newsletters, também


chamadas de boletim eletrônico. São e-mails enviados periodicamente para o
usuário contendo as notícias na íntegra ou resumos com links. “Estes informativos
podem ser considerados como um pequeno jornal online, que você recebe após
estar cadastrado” (DESCHAMPS, 2009, p. 6). O cadastro funciona como os feeds,
ou seja, a partir de uma assinatura, passa-se a receber as newsletters. Os dados
exigidos no cadastro variam em cada veículo. Em blogs, geralmente é pedido
apenas o endereço do e-mail. Em sites jornalísticos, é comum exigirem que o
usuário faça cadastro com senha ou outros dados, podendo haver uma
customização ao preencher campos de quais áreas de interesse se prefere receber
as notícias.
Blogueiros também começaram a se utilizar de variações de blogs para
distribuir suas produções, ou links para as produções. O exemplo mais eminente são
os microblogs, sendo o Twitter o serviço mais popular. Nas atualizações do sistema,
os chamados “tweets”, que contêm 140 caracteres, são colocadas chamadas para
notícias de sites jornalísticos ou posts de blogs junto com os respectivos links. Como
lembra Zago (2008), as atualizações podem ocorrer tanto de forma automática, logo
após a publicação do conteúdo no blog ou site, ou de forma manual, pelo dono do
perfil.
48

O microconteúdo do Twitter pode ser replicado pelos usuários através do


botão de retweet, potencialmente alcançando ainda mais usuários. Essa função de
retweet foi implementada devido à prática intensa que os usuários tinham de copiar
e colar os tweets que recebiam. O co-fundador da empresa, Biz Stone, declarou no
blog do Twitter62 que “a troca aberta de informação pode ter um impacto global
positivo e uma disseminação mais eficiente de informação por todo o sistema do
Twitter é algo que nós queremos muito apoiar63” (STONE, 2009, online).
Outro exemplo de variação de blog usado para a circulação de links são os
tumblelogs64, assim chamados por conterem “posts mais curtos e tipos de mídias
mixadas”65 (PHOEBE, 2007, p. 1). É mais freqüente encontrar nesse tipo de blog
reproduções de conteúdos - como fotos estáticas ou animadas – do que produções
de conteúdo original. Eles também podem conter vídeos, áudios, citações, grandes
textos ou apenas links. Os atuais serviços para tumblelogs mais populares são o
Posterous66, o Soup67 e o Tumblr68. Da mesma maneira que o conteúdo do Twitter, o
conteúdo das postagens dos tumblelogs, como Tumblr, pode ser replicado pelos
usuários – neste, através do botão de “Reblog” (sobre isso, ver Figura 7, letra B).
Numa tentativa de classificar o serviço, o blog Read Write Web69 chamou os
tumblelogs de “light blogging”, um meio termo entre blogging e microblogging. O
mesmo texto afirmava que o ato de copiar e colar o conteúdo dos outros é mais
aceitável no “light blogging” do que no “professional blogging”. A figura adiante
exemplifica uma postagem de um tumblelog:

_______________
62
http://blog.twitter.com/.
63
Tradução do autor para: “The open exchange of information can have a positive global impact and
the more efficient dissemination of information across the entire Twitter ecosystem is something we
very much want to support.” (STONE, 2009, online).
64
Traduções possíveis para o prefixo “Tumble” seriam “confusão” ou “desordem”.
65
Tradução do autor para: “with shorter posts and mixed media types” (PHOEBE, 2007, p. 1).
66
https://posterous.com/.
67
http://www.soup.io/.
68
http://www.tumblr.com/.
69
http://www.readwriteweb.com/archives/how_to_use_tumblr_posterous_other_light_blogging_services.php.
49

Figura 7: Postagem de Tumblelog


a) Links do blogueiro
b) Botão de Reblog
c) Quais outros blogueiros favoritaram ou repostaram o post
Fonte: http://leotonetto.tumblr.com/

Não apenas os blogueiros podem fazer circular o conteúdo produzido, mas


também os usuários podem se dar essa liberdade. Além de se inscreverem nos
serviços de publicação, para receber links, e nos perfis desses blogs, os usuários
também podem compartilhar os links em seus perfis nos sites de redes sociais,
como o Facebook e o Orkut, ou em seus leitores de RSS, como o já citado Google
Reader. Recuero (2009) considera que os contatos através desses sites aumentam
a capacidade de circulação de informações:
“Como as redes sociais na Internet ampliaram as possibilidades de
conexões, ampliaram também a capacidade de difusão de informações que
esses grupos tinham. No espaço offline, uma notícia ou informação só se
propaga na rede através das conversas entre as pessoas. Nas redes
sociais online, essas informações são muito mais amplificadas,
reverberadas, discutidas e repassadas. Assim, dizemos que essas redes
proporcionaram mais voz às pessoas, mais construção de valores e maior
potencial de espalhar informações” (RECUERO, 2009, p. 25).

O compartilhamento nesses perfis, tanto por blogueiros quanto por usuários,


pode ser feito de duas formas: manual ou automática. Primeira, de forma manual, ao
copiar e colar o link no campo de atualizações da rede social, ou também ao
selecionar um trecho do conteúdo e torná-lo público no perfil do leitor de RSS (sobre
isso, ver Figura 5, letra C). O link então ficará visível na página inicial do site de rede
social, no campo de atualizações. Ali, os contatos daquele usuário poderão
comentar o link ou ainda favoritá-lo e/ou distribuí-lo para outros contatos.
50

Essa circulação efetuada pelos usuários é chamada por Jenkins (2009) de


“Spreadability” (Capacidade de Espalhamento, ou Espalhabilidade), um dos sete
princípios da narrativa transmidiática70. “Espalhabilidade se refere à capacidade do
público se engajar ativamente na circulação do conteúdo midiático através das redes
sociais e no processo de expandir seu valor econômico e seu mérito cultural”71
(JENKINS, 2009, online). Adiante, há uma figura que mostra como funciona o
compartilhamento de links na página inicial de um dos sites de redes sociais mais
populares no mundo, o Facebook:

Figura 8: Compartilhamento de links no Facebook


a) Feed de notícias
b) Links nos quais se podem “Comentar”, “Curtir”, ou “Compartilhar” uma atualização.
Fonte: http://www.facebook.com/?ref=home

A segunda forma de compartilhar links, mais automática, é por meio de


botões disponíveis nas páginas das notícias – os chamados “sharing buttons”, ou
botões de compartilhamento. São ícones disponíveis no começo ou no fim de cada
texto, geralmente identificados com os logotipos dos sites. Eles podem tanto
compartilhar um determinado conteúdo, quanto mostrar o número de usuários que
fizeram isso. Após se clicar neles, o link pode ser enviado para um amigo, por e-
mail, ou pode ficar disponível para os contatos que o usuário possui nos sites de

_______________
70
Sobre narrativa transmidiática, ver o livro ‘Cultura da Convergência’, de Henry Jenkins, 2008.
71
Tradução do autor para: “Spreadability refered to the capacity of the public to engage actively in the
circulation of media content through social networks and in the process expand its economic value
and cultural worth.” (JENKINS, 2009, online).
51

redes sociais, aumentando o fluxo de informações em toda a rede (RECUERO,


2009). Quando surgiram, os botões eram recursos adotados apenas por blogs, mas
jornais online, aos poucos, foram percebendo o potencial de circulação, de avaliação
e, inclusive, de busca proporcionado por essas ferramentas (PRIMO, 2010). A
seguinte figura mostra os botões de compartilhamento em uma postagem:

Figura 9: Botões de compartilhamento em blog, indicados pelas letras a e b.


Fonte: http://quadrinholatra.blogspot.com/

O uso de RSS e de funções que dão possibilidade aos consumidores


contribuírem para serviços tradicionais são fatores característicos da chamada Web
2.0 (O’REILLY, 2005). Web 2.0 é um conceito que vê a Web como uma plataforma
de serviços online, executáveis a partir dela, e não mais como nos antigos serviços
da Web 1.0 em que era preciso aplicar um determinado programa para realizar uma
tarefa (PRIMO, 2007). Com os recursos da Web 2.0, o usuário pode editar textos,
fotos, áudios e vídeos em programas acessáveis diretamente na Web e, depois
distribuir o conteúdo por ela. Dessa forma, a facilidade dos sistemas de publicação
dos blogs e seus mecanismos de circulação também os tornam parte da Web 2.0.
A partir dos recursos acima mencionados e da classificação de Gonçalves
(2008), pode-se dizer que os blogs têm como sistema de circulação predominante o
dinâmico, no qual os blogueiros vão ao encontro dos consumidores e/ou dos
produtores de informações. Foletto (2009) infere que, para se identificar hoje os
52

sistemas de circulação nos blogs jornalísticos, fica mais fácil se falar em sistemas de
circulação dinâmicos simples ou complexos do que em de sistemas estáticos ou
dinâmicos, na medida em que são raríssimos (para não dizer que não existem) os
casos de blogs jornalísticos que não utilizam pelo menos um meio para chegar aos
seus leitores de modo que estes não precisem buscá-los. A seguir, esses dois
modelos serão caracterizados.

2. 4 MODELOS DE CIRCULAÇÃO DOS BLOGS JORNALÍSTICOS

Foletto (2009) trabalha com a concepção de sistemas de circulação dinâmica


simples ou de circulação dinâmica complexos. Os de circulação dinâmica simples
utilizam até duas ferramentas para distribuir o conteúdo no ciberespaço; os de
circulação dinâmica complexos, mais de três.
Blogs jornalísticos com sistemas de circulação dinâmica simples se utilizam
de poucas ferramentas para distribuírem seus conteúdos. Geralmente, pressupõem
uma conversação menor com o usuário, não estimulando a participação na produção
e distribuição do conteúdo. Essa tentativa de controle ocorre quando o blogueiro
escolhe quais as informações vai por em circulação e/ou a quem essas informações
vão chegar. Como exemplos, pode-se dizer que, no caso dos blogs, o uso da
newsletter é uma forma de controle; no caso de microblogs como o Twitter, uma
forma é tornar as atualizações privadas – não visíveis aos visitantes – o que
possibilitará ao microblogueiro aprovar seguidores (RECUERO, 2010).
Gonçalves (2000) considera que o uso de newsletter visando empurrar a
notícia para o usuário na internet “por si só não significa uma superação imediata do
modelo de produção vertical no jornalismo”72 (GONÇALVES, 2000, online). Mesmo
tendo esse aspecto tradicional, Bradshaw (2008) avalia que “qualquer boa estratégia
de distribuição baseia-se onde os seus leitores estão, então enviar uma newsletter
por e-mail, ainda que hoje o formato pareça antiquado, continua a ser uma parte útil
de qualquer estratégia de distribuição – quanto mais específica, melhor”73
(BRADSHAW, 2008, online). Foletto (2009) lembra que o uso dessas estratégias não

_______________
72
Tradução do autor para: “por si sola no significa una superación inmediata del modelo de
producción vertical en el periodismo.” (GONÇALVES, 2000, online).
73
Tradução do autor para: “Any good distribution strategy relies on being where your readers are, so
email newsletters, while they now seem old-fashioned, remain a useful part of any distribution strategy
- the more specific, the better” (BRADSHAW, 2008, online).
53

significa que o conteúdo chegue a um pequeno número de pessoas, mas sim que a
distribuição das informações pelo blogueiro ocorrerá de maneira mais centralizada,
com o emprego e a disponibilização de poucos canais de distribuição.
Por outro lado, os blogs jornalísticos com sistemas de circulação dinâmica
complexos se caracterizam por atuarem de maneira descentralizada – em várias
redes e ao mesmo tempo. São utilizadas múltiplas ferramentas - como newsletters,
blogging, RSS, widgets, sites de redes sociais, tumblelogs, microblogs - permitindo
que o blog alcance diferentes tipos de públicos. Atuar em diferentes locais do
ciberespaço também permite que seja estabelecida uma efetiva conversação entre
produtores e consumidores, misturando cada vez mais as duas funções (FOLETTO,
2009). Esse diálogo ainda estimula o usuário tanto a colaborar na produção quanto a
distribuir as informações, em contraponto aos sistemas mais simples em que o
usuário somente consome as informações produzidas pelos profissionais.
“O jornalista (junto com seus leitores) é agora o distribuidor. Você
não pode deixar essa tarefa a outra pessoa. Quanto mais você estiver
ativo, social e visível no meio online, melhor será para o seu trabalho, seja
74
comercialmente ou editorialmente” (BRADSHAW, 2009, online).

A hierarquização da circulação é feita de modo natural, a partir da qualidade


das relações estabelecidas entre os blogs e os usuários, que são manifestadas
através de links nos mais variados locais, desde redes sociais até outros blogs. O
estabelecimento desse modelo de circulação torna os blogs participantes de um
ecossistema próprio de mídia, onde a blogosfera, concebida como uma rede de
ideias, é considerada em sua totalidade e não tomada a cada blog (LASICA, 2003).
Conforme Foletto (2009), os blogs jornalísticos fazem uso simultâneo de
diversos canais para a circulação de suas informações, ao contrário do que acontece
no jornalismo tradicional, centralizado e massivo, em que as empresas jornalísticas
tentam manter o controle de acesso. Antes relegada a determinados setores dessas
empresas, a circulação mudou para um modelo em que todos os participantes do
processo jornalístico podem contribuir.
Como se vê, a informação publicada nos blogs jornalísticos é circulada por
meio de diversas ferramentas. Essas ferramentas são utilizadas não só pelos
autores, mas também pelos leitores dos blogs, que copiam as informações e/ou os

_______________
74
Tradução do autor para: “The journalist (along with their readers) is now the distributor. You cannot
leave that job to someone else. The more active, visible and social you are online, the better for your
work both commercially and editorially.” (BRADSHAW, 2009, online).
54

links e os espalham no ciberespaço. Verificar as diferentes maneiras na qual ocorre


essa circulação e em quais lugares os participantes as compartilham é a missão do
próximo capítulo.
55

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Neste capítulo, é mapeada a circulação de textos disponibilizados em um blog


jornalístico sob Creative Commons. É mostrado como atuam as permissões de
cópias de conteúdo sobre o sistema de circulação dinâmica complexo do blog. O
blog Meio Desligado é utilizado como objeto empírico. Considera-se o Meio
Desligado um blog jornalístico por sua apuração ocorrer de forma transparente –
fazendo uso de links para os sites ou blogs que serviram de fontes – e, conforme
Escobar (2009), por ter uma certa periodicidade de atualização e por possuir
diversas formas de distribuir seu conteúdo.
A metodologia empregada será o estudo de caso (DUARTE, M. 2005), a
mesma utilizada por Escobar (2007)75, consistindo-se em duas fases: primeiro,
conhecer e descrever o blog; segundo, mapear a circulação. De acordo com Duarte,
M. (2005, p. 234) o estudo de caso “é o estudo das particularidades, das diferenças
daquilo que o torna único e por essa mesma razão o distingue ou o aproxima dos
demais fenômenos”. Para o estudo de caso, serão utilizadas duas técnicas para
realizar a coleta de dados: a análise documental (MOREIRA, 2005) e a entrevista em
profundidade (DUARTE, J. 2005).
A análise documental “compreende a identificação, a verificação e a
apreciação de documentos para determinado fim” (MOREIRA, 2005, p. 271). Neste
trabalho, a documentação analisada foi o arquivo de postagens para conhecer a
trajetória do blog. Aplicada essa técnica, realizou-se a entrevista entre junho e
novembro de 2010, que ocorreu por meio de troca de e-mails com o autor do blog. O
tipo de entrevista escolhido foi a individual semi-aberta que, segundo Duarte, J.
(2005, p. 64), pode ser empregada “para o tipo descritivo, em que o pesquisador
busca mapear uma situação ou campo de análise, descrever e focar determinado
contexto”.
As perguntas foram divididas em três blocos: a história do blog e suas
ferramentas, como se dá a produção do conteúdo, e sobre a licença Creative
Commons do blog. Foram feitas questões prévias, que depois tiveram seus assuntos
aprofundados em outras perguntas. Na elaboração da entrevista, houve o cuidado
de não influenciar o entrevistado, de não o induzi a falar as respostas esperadas, ou

_______________
75
Escobar (2007) definiu blog jornalístico como uma nova categoria de webjornalismo a partir do
estudo de caso do Blog do Noblat.
56

a ponto de fazê-lo modificar qualquer aspecto no blog, tanto na etapa da produção


quanto na distribuição de novos textos.
Para a segunda fase do estudo – a coleta dos dados da circulação da
informação –, a técnica escolhida foi o mapeamento, de van Peborgh (2010), o qual
será explicado posteriormente. O mapeamento do blog no ciberespaço é realizado
por meio de um sistema de monitoramento de textos e de um sistema de
monitoramento de acessos, que servem para a coleta e, consequentemente, para a
análise dos dados.

3. 1 DESCRIÇÃO E ASPECTOS HISTÓRICOS DO BLOG

A escolha do blog Meio Desligado se deve a quatro critérios: a) é um blog


conhecido na blogosfera – já recebeu alguns prêmios e indicações por isso; b) a
página já possui uma licença Creative Commons, ou seja, seus leitores
supostamente estão acostumados com a concessão da reprodução do conteúdo; c)
o arquivo é aberto, o que torna seu conteúdo acessível a qualquer momento; e d)
possui um sistema de análise de estatísticas, que serve para rastrear a distribuição
do conteúdo.
O Meio Desligado foi criado em dezembro de 2006 e, desde então, reúne
informações sobre lançamentos e apresentações de bandas nacionais
autoadministradas, ou seja, independentes. É mantido pelo jornalista mineiro
Marcelo Augusto Santiago, nascido em 1987. Residente em Sabará76, Minas Gerais,
Santiago formou-se em jornalismo no ano de 2009 pela PUC-MG, ingressou no
Curso de Especialização em Produção em Mídias Digitais em 2010, na mesma
Universidade, e escreve em blogs sobre cultura pop desde 200377.
O autor relata ter criado o Meio Desligado principalmente por dois motivos:
por notar a pouca cobertura que a grande mídia e os blogs fazem sobre a música
brasileira; e para ter uma visão crítica acerca dos eventos culturais. “Percebi que
havia uma movimentação crescente na cena musical independente e não existia
nenhum blog dedicado totalmente a essa cena” (SANTIAGO, 2010). Inicialmente,
era para ser um blog coletivo, mas, “com o tempo, aconteceu uma identificação do

_______________
76
http://www.sabara.mg.gov.br/site/.
77
Seu primeiro blog está disponível em: http://mazzacane.blogspot.com/.
57

blog com a minha pessoa e acabei desistindo de buscar mais pessoas para
transformá-lo definitivamente em algo coletivo” (SANTIAGO, 2010).
Na tentativa inicial de tornar o blog coletivo, participaram três colaboradores
fixos78: o irmão do autor e também jornalista Leonardo Santiago, e as jornalistas
Juliana Semedo e Taís Oliveira. “Todos publicaram poucos textos no Meio
Desligado, creio que em torno de dois ou três textos cada” (SANTIAGO, 2010). Com
exceção de Juliana Semedo, os outros dois ex-autores continuam registrados na
plataforma de atualização do blog como colaboradores, e se em algum momento
tiverem interesse em publicar algo, ainda podem fazê-lo diretamente. Marcelo
Santiago diz que o blog está aberto a colaborações e que, eventualmente, elas
ocorrem.
O autor relata que não tem apoio financeiro e sempre trabalhou e estudou
paralelamente a sua atuação no blog. Foi redator do site Cinema Em Cena79,
organizador de conteúdo do site Palco MP380 e depois trabalhou no setor de
comunicação da produtora belo-horizontina Casulo Cultura81, onde atuou na
assessoria de músicos e festivais. Outros serviços temporários – como freelancer –
foram obtidos por causa do blog.
Santiago considera a página como uma vitrine profissional e que, dessa
forma, remunera-o indiretamente. Segundo ele, os dois últimos empregos, no Palco
MP3 e na Casulo Cultura, foram convites feitos por causa do Meio Desligado. Ele
também já recebeu produtos para escrever posts patrocinados82, e ganhou
passagens e hospedagem para cobrir eventos. Nessas situações, o autor afirma
sempre deixar claro que se trata de uma ação promocional e que as informações
não foram reproduzidas diretamente do release. “Posso escrever sobre o produto
deles, mas será através do meu ponto de vista” (SANTIAGO, 2010).
Em entrevista ao jornal mineiro Hoje em Dia83 - publicada na íntegra no Meio
Desligado84-, Santiago declarou ter abandonado o emprego e estar se dedicando em

_______________
78
http://www.meiodesligado.com/2006/12/equipe.html.
79
http://cinemaemcena.com.br/.
80
http://palcomp3.com/.
81
http://www.casulocultura.com.br/.
82
Um exemplo é a postagem do festival de música FlashRock 2010, que aconteceu em Belo
Horizonte. A empresa organizadora do evento, a fabricante de calçados Converse, enviou um par de
tênis para ser sorteado no Meio Desligado. A postagem está disponível no endereço:
http://www.meiodesligado.com/2010/07/flashrock-2010-ganhe-um-all-star.html.
83
http://www.hojeemdia.com.br/.
84
http://www.meiodesligado.com/2010/10/meio-desligado-no-jornal-hoje-em-dia.html.
58

tempo integral ao blog. “Quero viver disso, e para que dê certo, resolvi arriscar”
(SANTIAGO, 2010, online). Todavia, ele ainda realiza trabalhos como freelancer.
Segundo Marcelo Santiago, as pautas são elaboradas a partir de informações que
consegue através da internet e dos contatos pessoais, e a apuração ocorre da
seguinte forma: por e-mail, sites de redes sociais, serviços de mensagem
instantânea ou entrevistas presenciais.
Quanto à frequência de postagens, Santiago diz não se preocupar em ter uma
periodicidade definida, apenas tenta não deixar muitos dias sem atualizações. Ele
prefere se focar na qualidade e relevância do conteúdo do que na velocidade de
atualização. “O Meio Desligado não é o tipo de blog que se caracteriza por posts
curtos, notícias simples e coisas do tipo. Normalmente publico isso somente quando
estou sem tempo e já faz dias sem material novo” (SANTIAGO, 2010). A média de
posts fica em torno de um a cada dois dias, mas podem ser publicados mais de um
em um só dia. Santiago estima que o tempo mínimo dedicado para cada post mais
elaborado seja de duas horas.
Os objetivos e a justificativa do blog foram explicados logo na primeira
postagem85. A intenção era de torná-lo uma espécie de guia, com informações úteis
sobre o que acontece no cenário da música alternativa brasileira. Também, nessa
postagem, ressaltava-se a busca pela qualidade da informação, com espaço e
interesse para a experimentação jornalística.
Conforme o texto, a escolha do formato blog foi proposital. Por ser mais
dinâmico, por se aproximar da proposta de ser independente e por atribuir, aos
serviços gratuitos da Web 2.0, o crescimento da articulação dos produtores culturais
no Brasil. Santiago (2010) esclarece que preferiu o sistema Blogger porque “já
conhecia a plataforma e porque achava o Wordpress muito limitado para quem não
tivesse uma hospedagem própria”.
Atualmente, ao acessar o blog (sobre isso, ver Figura 1), encontra-se a
imagem de cabeçalho sobre as postagens localizadas à esquerda e a barra lateral, à
direita. Abaixo do cabeçalho, há os nomes Sobre o Meio Desligado e Contato com
links para postagens do blog com textos. No link Sobre o Meio Desligado, há uma
descrição do blog juntamente com alguns comentários e premiações recebidas. No

_______________
85
http://www.meiodesligado.com/2006/12/o-que-meio-desligado.html.
59

link Contato, há o e-mail do autor86, e links para os perfis do MySpace87 e do


Twitter88. O blog está programado para exibir no mínimo cinco postagens em sua
página inicial. A imagem a seguir mostra a página inicial do blog:

_______________
86
equipe@meiodesligado.com
87
http://www.myspace.com/meiodesligado.
88
http://twitter.com/meiodesligado.
60

Figura 10: Página inicial do Meio Desligado


Fonte: www.meiodesligado.com

Na parte lateral direita, estão localizados diversos elementos do blog. Os


primeiros são as seções organizadas por imagens (sobre isso, ver Figura 1, letra A).
61

Elas são definidas por marcadores específicos (tags), que agrupam as postagens de
um mesmo tema89. Uma mesma postagem pode pertencer a vários marcadores:
• Matérias especiais mostram textos mais longos sobre um determinado
assunto, como, por exemplo, o texto sobre o Festival Transborda90;
• Shows, entrevistas, festivais, vídeos, críticas/resenhas são seções cujos
nomes são autoexplicativos – um exemplo é o texto ‘Uma noite para ficar na
história’, sobre os shows das bandas Macaco Bong e Burro Morto91;
• Conheça é a seção na qual são postados textos mais longos sobre uma
determinada banda, fazendo um apanhado de sua carreira, apresentado-a ao leitor
através do texto introdutório, da entrevista e de algumas músicas – por exemplo, a
banda Nasa92;
• Indefinidos mostra textos e comentários sobre o próprio blog, ou sobre algum
assunto que não se encaixa em outra categoria – como a postagem com algumas
das ‘piores capas de disco da música brasileira’93;
• Downloads disponibiliza álbuns e materiais raros – como vinis e fitas cassetes
fora de catálogo - para baixar, como a postagem do primeiro cd da Banda de Joseph
Tourton94;
• Notícias impopulares é uma seção focada em notícias ou em análises
produzidas pelo blog, exemplo da postagem sobre a reformulação do MySpace95;
• O que achamos por aí são textos reproduzidos no blog, licenciados através de
alguma licença Creative Commons, e que estão relacionados à temática da música –
como o texto do jornalista Pedro Alexandre Sanches96;
• Dicas de sites inclui tanto sites sobre música alternativa nacional como
páginas que podem ser úteis para a produção e divulgação de bandas, como o texto
sobre o Twitter97.
Juntamente às seções definidas pelos marcadores, há a seção Links, uma
espécie de blogroll disponibilizado em uma postagem à parte. Os links são
_______________
89
Santiago fez uma postagem em que explica cada uma das seções:
http://www.meiodesligado.com/2007/05/manual-de-instrues-para-melhor.html .
90
http://www.meiodesligado.com/2010/09/cena-de-bh-fervilha-e-transborda.html.
91
http://www.meiodesligado.com/2009/04/uma-noite-para-ficar-na-historia.html.
92
http://www.meiodesligado.com/2009/01/nasa-north-america-south-america.html.
93
http://www.meiodesligado.com/2009/08/nao-sao-as-piores-capa-da-historia-da.html.
94
http://www.meiodesligado.com/2010/09/banda-de-joseph-tourton-lanca-primeiro.html.
95
http://www.meiodesligado.com/2010/11/novo-myspace.html.
96
http://www.meiodesligado.com/2010/10/sem-lenco-sem-documento-ou-vida-nao-se.html.
97
http://www.meiodesligado.com/2009/04/o-que-e-twitter-e-como-utiliza-lo-parte.html.
62

explicados pelos títulos de outras cinco postagens em que estão: Linkania, Clubes,
Selos/Gravadoras/Produtoras, Onde ouvir, Onde ver.
Ainda na parte lateral, tem-se os links das postagens de arquivo do blog (ver
Figura 1, letra B), um campo de busca (ver Figura 1, letra D), um campo para se
inscrever na newsletter do blog (ver Figura 1, letra D), dois widgets – um que mostra
as atualizações do Twitter do blog (ver Figura 1, letra C), e outro que mostra os cinco
comentários mais recentes feitos pelos leitores (ver Figura 1, letra E) –, uma
listagem de todas as tags em ordem decrescente de frequência (ver Figura 1, letra
F), e, por fim, um selo da licença Creative Commons e um selo do Projeto Yahoo!
Posts (ver Figura 1, letra G).
O blog está sob licença Creative Commons desde a sua criação. A licença
que foi escolhida é a de Atribuição – Uso Não Comercial – Compartilhamento pela
mesma Licença. Ou seja, o conteúdo pode ser copiado, desde que seja citada
autoria, não seja usado com a finalidade de lucro, e com a possibilidade de ser
modificado, contanto que seja dada a mesma licença. Santiago escolheu essa
licença porque “é uma forma de garantir que o conteúdo que produzo continuará
livre e mantém o respaldo de que sua exploração comercial permanecerá sendo
minha (ou de seu respectivo autor)” (SANTIAGO, 2010). O Creative Commons,
inclusive, já foi pauta de algumas postagens no blog98.
Santiago afirma que já teve o conteúdo copiado e linkado, e avalia isso como
sendo positivo: “Vários posts foram republicados e linkados por aí, o que é muito
legal” (SANTIAGO, 2010). Entretanto, nem sempre a licença foi respeitada, ele
relatou um caso em que o conteúdo do blog foi copiado por outro blogueiro, mas não
teve a atribuição conferida. Após descobrir por meio de um serviço identificador de
cópias, Santiago disse que clicou no link Denunciar abuso, disponível no sistema
Blogger, e assim o blog em que estavam as cópias foi removido depois de um
tempo99.
Em 2008, o blog Meio Desligado foi escolhido como um dos 100 melhores da
língua portuguesa pelo portal Yahoo!. A escolha deveu-se à criação do projeto
editorial Yahoo! Posts100, que filtra e sugere o conteúdo desses blogs na página

_______________
98
http://www.meiodesligado.com/2007/02/sobre-o-creative-commons-e-seu-uso.html.
99
Uma procura na internet pelos antigos links das cópias mostrou que o responsável pelas
reproduções era um menino de 11 anos de idade.
100
http://www.yahooposts.com/.
63

inicial do Yahoo! e em outras editorias do portal101. Os textos selecionados não são


republicados na íntegra, mas sim indicados no portal, com a reprodução apenas de
seus sumários linkados para a postagem no blog.
Desde janeiro de 2009, o blog passou a fazer parte do projeto ‘Music Alliance
Pact’102. Trata-se de uma rede mundial de blogs que abordam a música alternativa
produzida em seus países de origem. Todos os meses, os participantes indicam uma
música de uma banda de seus respectivos Estados. A seleção de músicas de todos
os participantes, com os textos que apresentam as bandas, é republicada em cada
blog membro da rede, com links para todos os blogs, sempre no dia 15 de cada mês.
Junto aos textos, é disponibilizado o link para o download individual de cada música
ou da coletânea completa, em algum site de hospedagem de arquivos. Criada em
outubro de 2008 pelo blog escocês The Pop Cop103, o ‘Music Alliance Pact’
inicialmente tinha 15 blogueiros, e conta hoje com representantes de 35 países dos
cinco continentes.
O autor do blog Meio Desligado também utiliza outros meios para
disponibilizar o conteúdo produzido. Os leitores podem se cadastrar e receber os
posts por e-mail (newsletter), ou assinar o RSS e ter as atualizações em seus
leitores de feeds. Além disso, Santiago faz uso do Twitter e do Tumblr104 como
meios para a distribuição de seus textos:
“Comecei a usar o Tumblr por achar interessante a integração que
ele proporciona da agilidade e conectividade do Twitter com uma
plataforma ‘tradicional’ de publicação de blogs, como Blogger e Wordpress”
(SANTIAGO, 2010).

É importante destacar que o nome utilizado nos endereços nas redes sociais
não é do autor, mas sim da “marca” Meio Desligado. Marcelo Santiago diz que isso
ocorreu devido à ligação dele com a página: “Como muita gente já me conhecia
como ‘o Meio Desligado’, resolvi assumir de vez a alcunha” (SANTIAGO, 2010).
Segundo van Peborgh (2010, p. 27) essa identidade da marca traz ganhos para o
responsável, pois:
“a participação das marcas nas conversações sobre elas que
ocorrem na web resulta em benefícios econômicos e culturais, ao mesmo

_______________
101
Uma postagem foi feita sobre a escolha: http://www.meiodesligado.com/2008/08/um-dos-
melhores-blogs-do-brasil.html.
102
http://www.meiodesligado.com/2009/01/meio-desligado-o-representante.html.
103
http://thepopcop.co.uk/.
104
http://marcelo.meiodesligado.com/.
64

tempo em que promove uma troca de valores e a adoção de estratégias


105
inovadoras de marketing e comunicação” (VAN PEBORGH, 2010, p. 27).

Santiago também possui perfis em outros sites, como Youtube, Flickr106,


Facebook107 e Orkut. Alguns deles estão integrados entre si, como as atualizações
do Twitter e do Tumblr que aparecem automaticamente no Facebook e no microblog
Google Buzz.

3. 2 MAPEAMENTO

A realização do mapeamento de posts do blog segue a metodologia descrita


por van Peborgh (2010). No entendimento do autor, o mapeamento consiste na
primeira das quatro fases de um programa de recrutamento de promotores de marca
na Web 2.0: mapeamento, monitoramento, interação e mediação.
Neste trabalho é utilizada apenas a etapa do mapeamento, que possui três
momentos: listar as ferramentas, executar as buscas, e desenvolver um relatório
(VAN PEBORGH, 2010). A etapa do mapeamento serve para medir a circulação da
marca entre os consumidores, ou seja, a circulação das informações efetuada pelos
leitores no ciberespaço. O caráter da metodologia é quanti-qualitavo – o que
significa que os dados são quantificados e, em seguida, interpretados.
No primeiro momento da etapa, é feita uma listagem de ferramentas que vão
servir como instrumentos de verificação. Essas ferramentas podem ser buscadores
ou diretórios de assuntos com temas relativos à marca, comunidades ou sites de
redes sociais, entre outras. Em qualquer caso, “deverão contribuir para rastrear na
fase posterior da estratégia todos aqueles pontos de conversação na web que
resultam de interesse para a marca”108 (VAN PEBORGH, 2010, p. 89). Esse
momento ocorre neste subcapítulo.
O segundo momento consiste em executar as buscas em cada ferramenta. “A
metodologia consiste neste caso, em entrar no site de cada ferramenta e iniciar uma

_______________
105
Tradução do autor para: “la participación de lãs marcas em las conversaciones sobre ellas que
ocurren em la web, redunda em beneficios econômicos y culturales, al tiempo que promueve um
cambio de valores y la adopción de estratégias innovadoras de marketing y comunicación” (VAN
PEBORGH, 2010, p. 27).
106
http://www.flickr.com/photos/idiota/.
107
http://www.facebook.com/meiodesligado.
108
Tradução do autor para: “deberán contribuir a rastrear em la fase posterior de la estrategia todos
aquellos puntos de conversación en la web que resultan de interés para la marca” (VAN PEBORGH,
2010, p. 89).
65

busca sobre termos associados com a marca”109 (VAN PEBORGH, 2010, p. 90). Os
resultados de cada busca diferem entre si e dão informações variadas sobre
diversos aspectos. Em qualquer caso, os dados servem para descobrir as
possibilidades que cada ferramenta oferece e determinar quais são os que mais
interessam. Os dados são expostos no subcapítulo ‘Coleta de dados’.
Por fim, no terceiro momento da etapa do mapeamento, deve-se “organizar a
informação obtida para ter as primeiras conclusões”110 (VAN PEBORGH, 2010, p.
91). Os dados coletados no segundo momento vão gerar um relatório com os
lugares da presença da marca no ciberespaço, nos quais os consumidores e outros
atores conversam sobre a marca. O relatório do mapeamento será descrito no
subcapítulo ‘Análise dos dados’.
Basicamente, duas ferramentas são utilizadas para a localização dos posts e
dos links do blog que circulam no ciberespaço. A primeira, para os textos, é o site
Plagium111, que analisa o conteúdo do blog e o compara com textos que encontra na
internet. A segunda, para saber o destino dos links, é um sistema de monitoramento
de acessos, o Google Analytics112, tendo em vista que a privacidade de sites de
redes sociais e de e-mails dificulta a detecção dos links por sistemas de busca
comuns.
Online desde em junho de 2009, o site Plagium oferece um serviço de
rastreamento e comparação de textos na internet. Gratuito, o serviço utiliza o
sistema de busca do portal Yahoo!, e funciona de duas maneiras: ao colar o texto
inteiro num campo próprio para isso, ou ao colar apenas o link da postagem em um
campo menor para que o serviço analise o texto e faça a busca. Verificadas as
cópias, é possível constatar quais os termos das licenças foram respeitados.
A Figura número 2 exibe a avaliação de uma cópia de acordo com o site:

_______________
109
Tradução do autor para: “La metodologia consiste en este caso, en ingressar al sitio de cada
herramienta e iniciar una búsqueda sobre términos asociados com la marca” (VAN PEBORGH, 2010,
p. 90).
110
Tradução do autor para: “organizar la información obtenida para sacar las primeras conclusiones”
(VAN PEBORGH, 2010, p. 91).
111
http://plagium.com/.
112
http://www.google.com/analytics/.
66

Figura 11: Exemplo de gráfico com cópias encontradas pelo Plagium


Fonte: http://plagium.com/

Ao observar a figura, nota-se como funciona a interface de apresentação da


busca. É necessário colocar o link das postagens no campo de busca (Figura 2, letra
A). Depois, é mostrado o gráfico em uma linha do tempo desde a publicação do texto
(Figura 2, letra B). Os círculos que aparecem representam as cópias encontradas,
simulando a quantidade de conteúdo copiado (Figura 2, letra C). Logo abaixo do
gráfico, é exibida uma lista com os sumários das cópias encontradas (Figura 2, letra
D).
Todavia, o Plagium não localiza cópias compartilhadas em sites de redes
sociais fechados, como o Facebook, nem de microblogs fechados, como o Twitter, e
tampouco de leitores de feeds, como o Google Reader. Para verificar os possíveis
compartilhamentos nessas redes, é preciso saber de onde vieram os acessos que o
blog recebeu, ou seja, as fontes de tráfego. Um sistema de estatísticas, como o
Google Analytics, foi escolhido para determinar esses dados.
67

O Google Analytics, desenvolvido em abril de 2005, gera relatórios de


estatísticas para o autor de um blog ou de um site que criar uma conta no serviço.
As medições são feitas por meio de um código de programação, dado pelo serviço,
para ser inserido pelo autor no código de programação do blog ou site. Esse código,
chamado de “código de monitoramento”113, envia para a conta que se possui no
Google Analytics os dados dos usuários que acessaram o blog ou o site, gerando
relatórios com diversas estatísticas, disponível no painel do site. A próxima figura
mostra o painel em que o Google Analytics exibe as origens de tráfego do blog ou
site cadastrado:

Figura 12: Painel das origens de tráfego exibidas pelo Google Analytics
Fonte: https://www.google.com/analytics/settings/home

O painel é composto por um menu à esquerda (sobre isso, ver figura 3, letra
A) e um campo à direita onde são exibidas as estatísticas em gráficos e tabelas. No
menu, há os itens Painel de Controle, Inteligência, Visitantes, Origens de Tráfego,

_______________
113
http://www.google.com/support/analytics/bin/answer.py?hl=br&answer=33346.
68

Conteúdo, Metas e Relatórios Personalizados. O item Painel de Controle exibe um


resumo geral sobre os visitantes e as origens de tráfego; o item Inteligência exibe
opções para criar alertas para serem enviados por e-mail; o item Visitantes mostra o
número de visitantes e as interações deles com o conteúdo; Origens de Tráfego
oferece uma visão geral dos diversos tipos de origens que enviaram visitantes ao
site; Conteúdo detalha informações de acessos de cada página do site; Metas exibe
informações, avisando se o site está cumprindo os objetivos comerciais; e, por fim,
há o item Relatórios Personalizados onde é possível criar um relatório com várias
métricas que se deseja analisar.
As origens de tráfego podem ser de três diferentes tipos: Tráfego direto, Sites
de referência, ou Mecanismos de pesquisa. Tráfego direto significa que o usuário
acessou diretamente o site no navegador (sobre isso, ver figura 3, letra B); Sites de
referência quer dizer que alguém clicou em algum link de um site para chegar até a
página, seja de um blog ou anúncio (sobre isso, ver figura 3, letra C); e Mecanismos
de pesquisa é quando o usuário acessou o site através de um serviço de busca
(sobre isso, ver figura 3, letra D). Nesses links, é apresentado não só o relatório do
número de visitantes, mas também os sistemas operacionais que foram utilizados,
quanto tempo ficaram no site, no que clicaram, de quais regiões geográficas são, e
quais as origens de tráfego, ou seja, os links em que clicaram para chegarem até o
site, entre outros dados.
O sistema do Google Analytics é o mesmo utilizado pelo serviço de auditoria
do Instituto Verificador de Circulação (IVC) para mensurar a circulação de webjornais
do Brasil114. Segundo Santiago (2010), o Meio Desligado possui um perfil no sistema
do Google Analytics desde a sua criação. Para o autor do blog, a internet é o único
meio que permite avaliar a audiência de maneira eficiente, e ter uma ferramenta que
analise os acessos é muito importante para isso:
“É através dela que posso ter noção de quem são as pessoas que
acompanham o blog, onde elas estão, o que tem chamado mais atenção,
como elas conhecem o Meio Desligado, etc” (SANTIAGO, 2010).

_______________
114
Fundado em 1961, o IVC é uma entidade civil sem fins lucrativos, formado por três segmentos do
mercado publicitário (Anunciantes, Agências de Propaganda e Veículos) e mantido através das
mensalidades pagas pelas empresas associadas. Desde 31 de agosto de 2009, o instituto mede a
circulação de websites (http://www.auditoriaweb.org.br/). Atualmente, webjornais como O Estado de
S. Paulo, O Globo, Zero Hora, entre outros, são filiados ao IVC. Em setembro de 2010, o Instituto
oficializou a filiação do primeiro blog ao seu serviço – o blog Unha Bonita (http://unhabonita.com.br/),
direcionado ao público feminino. Os números do Google Analytics são utilizados a cada mês pelo IVC
para produzir um relatório de auditoria, que é publicado para consulta do mercado publicitário.
69

Passado um tempo, Marcelo Santiago parou de conferir as estatísticas, pois


considerou que elas o influenciavam a escrever sobre pautas que geravam mais
acessos. “Veículos comerciais podem agir dessa forma, mas não há sentido que a
mídia independente se guie pelos mesmos parâmetros” (SANTIAGO, 2010).
Os dados que serão utilizados neste estudo são de 48 horas após a
publicação de um texto pelo blog. O corpus de análise é composto por duas
postagens, uma do dia 9 e outra do dia 15 de novembro de 2010. A medição pelo
serviço do Google também serve para ver se o blog recebeu acesso das cópias em
Creative Commons. Este estudo pretende ver quais as origens de acesso ao blog,
origens tanto do ciberespaço quanto geográficas. Para complementar os
mapeamentos, realizam-se buscas com trechos dos textos e dos links nos sistemas
de buscas comuns da Web.

3. 3 COLETA DOS DADOS

Dois textos do blog Meio Desligado foram escolhidos como amostra. Primeiro,
foram feitas buscas para localizar possíveis cópias na web. Em seguida, os
relatórios das estatísticas dos acessos foram analisados: de todo o blog no período
de análise, incidindo sobre os sites que levaram ao blog, e depois recaindo para a
postagem específica.
A postagem ‘Apanhador Só'115 foi publicada no dia 9 de novembro de 2010 às
02h12min. Trata-se de uma resenha crítica sobre o trabalho da banda porto-
alegrense cujo nome é o mesmo do título do post. O texto é uma contribuição feita
pelo jornalista Edwaldo Cabidelli para Marcelo Santiago.
O primeiro passo foi a localização de cópias em Creative Commons do texto
na web. Para isso, foi realizada no dia 11 de novembro, dois dias após a publicação,
uma busca no site Plagium. Nenhuma cópia do texto foi encontrada durante essa
busca, bem como em buscas posteriores. O único trecho copiado do texto foram as
primeiras frases, como a de abertura “Em tempos de vertigem, acaba-se sempre
apanhando sozinho”, juntamente com links que direcionavam para o post completo.
Desse tipo de cópia, uma busca no Google acusou três resultados (nos indexadores

_______________
115
http://www.meiodesligado.com/2010/11/apanhador-so.html.
70

sonorika.com, wearehunted.com e plus.blodico.com) além da publicação no Tumblr


do Meio Desligado.
A postagem do Tumblr foi automaticamente republicada no perfil do Facebook
de Santiago. Já no perfil do Twitter do Meio Desligado, o link não foi mencionado.
Entretanto, outros usuários do Twitter publicaram o texto para seus seguidores nas
horas que se seguiram da publicação. Quatro perfis publicaram o link do texto, entre
eles a própria banda de que se tratava a postagem. Duas dessas publicações foram
retweetadas, ou seja, alcançaram mais seguidores. No total, seis links circularam,
contando os dois retweets.
O segundo passo foi a análise dos acessos do link do texto em outros locais
do ciberespaço, como e-mails, blogrolls e perfis dos sites de redes sociais. Assim
sendo, foram coletados, junto à ferramenta Google Analytics, dados dos acessos de
toda a página, e depois os dados referentes à postagem. O acesso aos dados do
Google Analytics foi obtido através do consentimento do administrador da conta, isto
é, de Marcelo Santiago. Ele autorizou a coleta ao adicionar um perfil116 para que o
autor deste trabalho pudesse visualizar os relatórios.
Desse modo, foi possível analisar os relatórios do Google Analytics referentes
aos dias 9 e 10 de novembro. Nessas 48 horas, foram contabilizadas 555 visitas:
306 no dia da publicação, e 249 no dia seguinte. Do total de visitas:
a) 297 foram de Mecanismos de Pesquisa – pelo Google e outros buscadores
(53,51%);
b) 155 de Sites Referenciais – por meio de links em outros sites ou blogs
(27,93%).
c) 103 foram de Tráfego Direto – de acessos do navegador (18,56%);
Como já dito, de todas as origens de tráfego, 155 vieram de Sites
Referenciais, o que representa 27,93% do total de visitas. Dos Sites Referenciais, 16
visitas vieram de blogs, 33 dos links do Twitter, 16 do link Facebook e três visitas do
Tumblr para a página principal. Não foram verificadas visitas da newsletter da
postagem. Seis blogs enviaram dois visitantes cada um, e 20 blogs enviaram um
visitante cada. A Tabela número 3 mostra essas visitas de sites referenciais que
levaram a todo o Meio Desligado nesses dias:

_______________
116
Esse processo é explicado pelo site na página:
http://www.google.com/support/analytics/bin/answer.py?hl=br&answer=55500.
71

Tabela 3
Visitas através de Sites Referenciais para o blog nos dias 9 e 10
Origem Visitas %
google.com.br/images 48 30, 97
twitter.com 33 21, 29
facebook.com 16 10, 32
musiqueindieegeste.blogspot.com 8 5, 16
google.com 4 2, 58
google.pt 4 2, 58
orkut.com.br 4 2, 58
marcelo.meiodesligado.com (tumblr) 3 1, 94
6 links de blogs 2 1, 29 (9, 03)
20 links de blogs 1 0, 65 (13)
Total 155

Na tabela 3, os nomes da coluna ‘Origem’ formam os sites que levaram a


todas as postagens do Meio Desligado. Na coluna ‘Visitas’, estão dispostos os
números de visitas realizadas pelos visitantes na página inicial. Ao lado, a
porcentagem mostra o quanto cada site direcionou comparado com os demais. Os
links de blogs que direcionaram dois e um usuários, respectivamente, foram
agrupados, visando a uma melhor visualização. As tabelas foram formuladas a partir
dos relatórios coletados no Google Analytics, disponíveis na seção Anexos.
Após isso, foi conferido o relatório das visitas que somente o post Apanhador
só recebeu. A visualização do número total de acessos nos dias permite comparar a
quantidade de acessos por sites referenciais das outras formas de acesso e chegar
a outras conclusões importantes para a circulação.
Para essa página específica, foram registradas 70 visitas: 60 no primeiro dia e
dez no segundo. A postagem em questão teve 32 visitas através dos quatro links do
twitter, 12 do facebook e cinco de blogs. Todos os visitantes eram do Brasil e todos
faziam uso de sistemas de computadores para acessar, o que significa que nenhum
se utilizava de celular ou outro dispositivo. A Tabela 4 mostra de onde vieram os
acessos da página:
Tabela 4
Total de visitas da página Apanhador só nos dias 9 e 10
Origem Visitas %
twitter.com 32 45, 71
Tráfego Direto 18 25, 71
facebook.com 12 17,14
alavanca.art.br 2 2, 86
5 links de blogs 1 1, 43 (7, 15)
Mecanismo de Busca 1 1, 43
Total 70
72

O segundo texto mapeado foi a postagem Music Alliance Pact de novembro,


publicada às 01h21min do dia 15 de novembro. Na busca efetuada no site Plagium
depois de dois dias, foram localizadas dez cópias: seis de participantes da rede de
blogueiros Music Alliance Pact e quatro de agregadores de conteúdo. Destes
últimos, um foi o site ’Indian Electronica’117, que coleta textos que citam a música
indiana, sempre linkando para o outro blog de onde copiou o texto. Outros três
coletaram o texto de um participante da rede, do blog do The Guardian. Foram eles:
Comuniclab.it118, Redaprilus.blogspot.com119 e News 24/7120. Apenas este último não
linkava a página inicial dos blogs, ou seja, não respeitava a exigência de Atribuição
da licença do blog.
Depois da busca no Plagium, também foi conferido cada blog da rede de
blogueiros para saber se os participantes tinham publicado a postagem. Verificou-se
que 31 dos 34 participantes da rede republicaram o texto coletivo das resenhas na
íntegra nos dias 15 e 16. Apenas os blogs da Alemanha, China e Colômbia não
publicaram. Isso mostra que as ferramentas de comparação de cópias podem não
ser muito eficientes a ponto de rastrear todos os resultados na web.
A busca no Google da frase “Epic, dark post-rock is at the core of Sao Paulo-
based band Labirinto,” do texto também acusou resultados importantes. Embora a
rede seja composta por 35 blogs, o blog Popop121, da Estônia, não teve seu texto e
recomendação adicionados. Os motivos não foram bem esclarecidos pelo blogueiro,
mas ainda assim, ele republicou o texto coletivo em seu blog, afirmando que, no mês
seguinte, voltaria a participar. Um tumblelog soup.io122 copiou o texto inteiro, com
links, do blog do The Guardian. O blog Wenks666123 copiou o texto do blog da
Suécia124, linkando para este. Dois indexadores de conteúdo também copiaram o
texto, direcionando para suas fontes: um foi o Blogger-Index125, que copiou o Meio
Desligado; e o outro foi o site Music & More126, que copiou o blog irlandês Nialler9127.

_______________
117
http://indianelectronica.com/aggregator/.
118
http://www.comuniclab.it/aggregator/.
119
http://redaprilus.blogspot.com/2010/11/music-music-blog-guardiancouk-5.html.
120
http://gb.news-24-7.com/community/.
121
http://popop.wordpress.com/2010/11/15/music-alliance-pact-november-2010/.
122
http://jkdodd.soup.io/.
123
http://wenks666.blogspot.com/2010/11/swedesplease_16.html.
124
http://www.swedesplease.net/.
125
http://www.blogger-index.com/feed850994.html.
126
http://www.increaseyourmyspaceviews.com/.
127
http://www.nialler9.com/.
73

Outras buscas foram feitas nos sites de redes sociais. Para a postagem
analisada, Santiago não publicou no Twitter, nem outros perfis da rede fizeram isso
por ele. O link da postagem apenas foi publicado por Santiago no Tumblr e,
consequentemente, no Facebook.
Após a busca pelas cópias, partiu-se para o mapeamento dos acessos. No
período de 48 horas após a publicação, houve 635 visitas no total: 272 no primeiro
dia e 363 no segundo. Essas 635 visitas estão divididas em:
a) 375 de Mecanismos de Pesquisa (59,06%);
b) 129 de Sites Referenciais, (20,31%);
c) 126 de Tráfego Direto (19,84%);
d) e cinco de outros, como e-mail e feeds. (0,79%).
A tabela 5 mostra as visitas recebidas por meio dos Sites Referenciais nos
dias 15 e 16:
Tabela 5
Visitas através de Sites Referenciais para o blog nos dias 15 e 16
Origem Visitas %
google.com.br 48 37,21
guardian.co.uk 28 21,71
facebook.com 6 4,65
google.com 6 4,65
twitter.com 5 3,88
google.pt 3 2,33
indieoteca.blogspot.com 3 2,33
6 links de blogs 2 1,55 (9, 3)
18 links de blogs 1 0,78 (14, 04)
Total 129

Esses links da Tabela 5 levaram a todo o conteúdo do Meio Desligado,


incluindo posts de arquivos do blog, no período analisado. Especificamente, a
segunda postagem mapeada, a Music Alliance Pact de novembro, recebeu poucas
visitas: dez – sete no primeiro dia e três no segundo. A postagem foi responsável por
apenas 1,01% dos acessos de todo o blog. Nesse determinado post, houve uma
visita do facebook e duas da newsletter. O pouco número de acessos pode ser
atribuído ao fato de ninguém ter publicado o link no Twitter, nem no Facebook.
Quanto à origem geográfica, os visitantes eram do Brasil, dos Estados
Unidos, do Chile, e do México. Todos utilizavam sistemas operacionais de
computadores para acessar, ou seja, ninguém acessou de celular ou dispositivos
móveis. A tabela adiante mostra de onde veio o total de acessos dessa determinada
página:
74

Tabela 6
Visitas da página Music Alliance Pact de novembro nos dias 15 e 16
Origem Visitas %
Tráfego Direto 5 50
Newsletter 2 20
facebook.com 1 10
Mecanismo de Busca 1 10
google.com 1 10
Total 10

A maioria das visitas veio de tráfego direto, o que, como na primeira


postagem analisada, pode ter ocorrido por meio do feed RSS do navegador dos
usuários. Duas visitas vieram do e-mail da newsletter com a postagem enviada aos
assinantes e uma visita do Facebook em decorrência do link publicado no Tumblr.
Apesar do número pouco expressivo do link dessa postagem, podemos notar
que todo o blog recebeu um bom número de visitas. Grande parte veio de outros
blogs, o que ocorreu devido ao linkamento realizado pelos outros blogs da rede de
blogueiros Music Alliance Pact. O blog do The Guardian foi o que mais enviou
visitantes, com 28 visitas vindas dele (sobre isso, ver Tabela 5).

3.4 ANÁLISE DOS DADOS

Após a verificação dos dados, chega-se a algumas considerações derivadas


do caso. A primeira é da importância de efetuar a circulação nos microblogs e nos
sites de redes sociais. Há uma grande diferença entre a primeira postagem
analisada – em que o link do post foi publicado no Twitter e no Facebook – e a
segunda postagem – em que o link desta não foi publicado em mais nenhum
serviço. Percebe-se que, nos posts estudados, o uso de newsletter não foi tão
efetivo, embora seja responsável por boa parte dos acessos no segundo texto.
Na tabela 4, do primeiro texto, pode-se notar a importância que o Twitter e o
Facebook têm no número de acessos da postagem. Juntos, o serviço de microblog
(45, 71%) e o site de redes sociais (17, 14%) são responsáveis por mais da metade
(62, 85%) das visitas dessa página. Os acessos por Tráfego Direto (25, 71%) podem
ter ocorrido por meio do feed RSS do navegador dos usuários.
A postagem do Music Alliance Pact, por ter sido copiada por indexadores, um
blog e um tumblelog, foi linkada, o que deu mais visibilidade para a rede de
blogueiros. Assim, pode se afirmar que a circulação do conteúdo não depende mais
75

apenas do envio a partir do veículo, mas conta com os usuários que podem copiar e
trocar as informações entre si e também com as parcerias formadas com os demais
veículos. Como no post ‘Apanhador Só’, os leitores do blog realizaram o trabalho de
circulação do conteúdo para o blogueiro.
Na Tabela 5, do segundo texto, é perceptível a influência que o blog do jornal
inglês The Guardian tem sobre os acessos, com 21, 71%. Mas outros blogs, tanto
através da rede de blogueiros quanto por blogrolls, também enviaram uma
porcentagem considerável de visitantes. Contando todos os acessos vindos de blogs
– do blog Indioteca.blogspot.com, dos seis e dos 18 links de blogs – chega-se a 25
67%. Isso mostra que os blogs ainda mantêm uma força de divulgação, mesmo com
crescimento dos microblogs e dos sites de redes sociais.
Ficou nítido que o blogueiro procura publicar poucas vezes o link para seus
contatos, como no caso do segundo post em que publicou apenas no Tumblr e no
Facebook. Uma estratégia, para atrair mais visitas, é publicar o link do post várias
vezes ao dia. Assim, os usuários que não estavam online na hora da primeira
publicação, podem acessar o link mais tarde.
Foi possível notar que os links compartilhados geralmente direcionavam para
a postagem específica, e não para a página inicial (www.meiodesligado.com). É um
padrão importante fazer circular o link da página, pois este pode servir de parâmetro
para qualidade do conteúdo. A partir da observação do tempo que o usuário ficou na
página, é possível dizer se o texto foi ou não efetivo em seu objetivo de ser lido.
Embora o texto mais atual esteja na página inicial, não se pode afirmar com precisão
se o usuário estava lendo a primeira atualização ou as outras, disponíveis abaixo.
Fazer a referência ao link da página, e não de todo o blog, aumenta sua
autoridade nos assuntos tratados. Quanto mais referências um link recebe, mais
relevante ele se torna, conforme o algoritmo do PageRank do Google. Publicar o link
nos microblogs e nos sites de redes sociais também torna possível que outras
pessoas compartilhem o link com seus contados, aumentando a referencialidade ao
post. Assim, e com o linkamento exigido pela atribuição das cópias em CC na web, o
link de determinado texto pode aparecer entre os primeiros resultados na procura do
assunto nos serviços de busca.
Um bom uso que o blogueiro faz é o das tags. Ao organizar e atribuir
palavras-chave ao seu conteúdo, ele faz com que o blog seja encontrado mais
facilmente pelos mecanismos de busca. Essa estratégia tem funcionado, tendo em
76

vista que, nos dias das postagens, o maior número de acessos ocorreu através de
Mecanismos de Busca – 53,51% nos dias 9 e 10; e 59,06% nos dias 15 e 16. Esse
grande acesso do tipo Mecanismo de Busca se deve, principalmente, à relevância
do seu conteúdo, e também ao fato do arquivo ser aberto, estando disponível por
tempo indeterminado.
77

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho consistiu em uma discussão sobre as maneiras de circulação,


no ciberespaço e na blogosfera, de informações postadas em um blog jornalístico
que adotou uma licença Creative Commons. As licenças servem como uma forma de
flexibilização dos direitos autorais de produtores de conteúdo, que permitem a
reprodução e a circulação livre, mediante a mínima citação da autoria. Para saber
como ocorre a circulação, foi feito um mapeamento de dois textos do blog Meio
Desligado.
A partir dele, foi percebida a complexidade da circulação das informações na
internet. Notou-se que para a distribuição do conteúdo do blog específico são
utilizadas diversas ferramentas tais como newsletter, microblogs, tumblelogs e sites
de redes sociais. Porém há outras que poderiam ser aproveitadas, como botões de
compartilhamento, widgets, e incentivar os leitores a fazerem uso de leitores de
RSS. Por outro lado, complementando as ferramentas utilizadas, o blog adota
estratégias para reforçar a visibilidade de suas páginas. Um exemplo é a rede de
blogueiros Music Alliance Pact, mencionada no caso estudado. Essa união de temas
e interesses em comum, com suas indicações de links, potencializa a divulgação do
blog entre o público leitor de diferentes lugares geográficos.
O público, por sua vez, utilizando-se das mesmas ferramentas de publicação
dos autores também toma parte na circulação das informações, ao colocar links em
seus blogs e perfis em redes sociais. A publicação do conteúdo pelos leitores entre
seus contatos é uma forma do público de participar do espalhamento das notícias
(JENKINS, 2009) da mesma forma como ocorria na comunicação interpessoal de
Alsina (2009), mas agora no ciberespaço. Além de aumentar o valor econômico dos
produtores, o espalhamento nas redes sociais faz com que essa comunicação
interpessoal possa ser mensurada e os leitores possam ser monitorados.
A estrutura em rede possibilita um sistema complexo de circulação, que se
apropria das informações, nem sempre com o intuito de lucro. Muitas vezes, as
apropriações se tratam apenas de referências, por meio de links, para os textos ou
de cópias para uso pessoal, como arquivo. Assim, a circulação no ciberespaço é de
certa forma independente do atual sistema de direitos autorais.
Para circular sua produção na rede, o autor pode abrir mão de algumas
proteções das atuais leis de direito autoral adotando as licenças Creative Commons.
78

A mínima exigência de atribuição, respeitada na maior parte das cópias verificadas


deste estudo, garante um retorno de audiência e autoridade, através dos links, para
o produtor – uma vez que a reprodução não autorizada do conteúdo disponível na
internet é difícil de ser evitada.
Dessa forma, pode se entender o Creative Commons como um incentivador
do linkamento, benéfico aos blogueiros. Quanto mais um link é referenciado, maior o
valor do PageRank e de autoridade da página. E, por conta do linkamento, maiores
as chances do texto de ser encontrado em meio à quantidade de textos na internet.
Por fim, é preciso lembrar que os dados coletados neste trabalho não podem
ser generalizados, mas podem demonstrar tendências. Pretende-se contribuir para
estudos que ajudem a pensar a circulação de blogs e webjornais. Busca-se ainda
incentivar novas pesquisas sobre os direitos autorais dos jornalistas, não só
daqueles que atuam no ciberespaço mas também dos que trabalham em redes de
TV, rádio e jornal impresso.
79

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABRÃO, Eliane Yachouh. Direitos de autor e direitos conexos. 1ªed., São Paulo,
Editora do Brasil, 2002.

______, Eliane Yachouh. A internet e sua inserção no sistema dos direitos


autorais. Revista do Advogado, São Paulo, ano 23, n. 69, p. 78, maio 2003.
Disponível em: < http://www2.uol.com.br/direitoautoral/artigo211003_a.htm > Acesso
em: 25 de nov. 2010.

ALSINA, M. R. A Construção da Notícia. Petrópolis, RJ: Vozes; traduzido por


Jacob A. Pierce; 2009.

ALVES, Rosental Calmon. Reinventando o Jornal da Internet. 2001. Disponível


em: < http://www.saladeprensa.org/art236.htm > Acesso em: 25 de nov. 2010.

______, Rosental Calmon. Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução


continua. Comunicação e Sociedade, vol. 9-10, 2006, pp. 93-102. Disponível em: <
http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/viewFile/4751/4465 >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

ARAÚJO, Artur Vasconcellos. Weblogs e jornalismo: os casos de No Mínimo


Weblog e Observatório da Imprensa (Bloi). 900 p. 2 v. Dissertação (Mestrado em
Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São
Paulo, 2006. Disponível em: <
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27142/tde-19052006-172740/pt-br.php
> Acesso em: 25 de nov. 2010.

BARBOSA, Suzana. Jornalismo Digital e Informação de Proximidade: o caso dos


portais regionais, com estudo de caso sobre o UAI e o iBAHIA. Dissertação de
mestrado (Comunicação) – UFBA/FACOM, Salvador, 2002.

BLOOD, Rebecca. The weblog handbook: Practical Advice on Creating and


Maintaining Your Blog. Cambridge (USA): Perseus, 2002. Disponível em: <
http://www.rebeccablood.net/handbook/excerpts/weblog_ethics.html > Acesso em:
25 de nov. 2010.

BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Disponível em: <


http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm > Acesso em: 25 de nov.
de 2010.

BRASIL. Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Disponível em: <


http://www.planalto.gov.br/ccivil/Leis/L9609.htm > Acesso em: 25 de nov. de 2010.

BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Disponível em: <


http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9610.htm > Acesso em: 25 de nov. de 2010.

BRASIL. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Disponível em: <


http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9279.htm > Acesso em: 25 de nov. de 2010.
80

BRADSHAW, Paul. News distribution in a new media world (A model for the
21st century newsroom pt4). 2008. Disponível em: <
http://onlinejournalismblog.com/2008/01/02/a-model-for-the-21st-century-newsroom-
pt4-pushpullpass-distribution > Acesso em: 25 de nov. 2010.

___________, Paul. Newsgathering Is production Is distribution. 2009.


Disponível em: < http://onlinejournalismblog.com/2009/02/09/newsgathering-is-
production-is-distribution-model-for-a-21st-century-newsroom-pt1-cont/ > Acesso em:
25 de nov. 2010.

BRUNS, Axel. Gatewatching: colaborative online news production. New York; Peter
Lang, 2005.

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento. Rio de Janeiro: Jorge


Zahar, 2003.

CASTRO, Lincoln Antônio de . Noções sobre Direito Autoral. Revista de Direito do


Ministério Público, Rio de Janeiro, n. 13, p. 207-214, 2001. Disponível em: <
http://www.estacio.br/graduacao/direito/publicacoes/dir_diraut.asp > Acesso em: 25
de nov. 2010.

DESCHAMPS, Tatiane. O caráter jornalístico da Newsletter - implicações teóricas


e aplicações práticas. Artigo, 2009. Disponível em: <
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2009/resumos/R16-0009-1.pdf >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

DUARTE, Jorge. Entrevista em Profundidade. In: DUARTE, Jorge, Antonio (org.).


Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005, p. 62 a
83. Disponível em: <
http://xa.yimg.com/kq/groups/21729374/795258217/name/Entrevista%252Bem%252
Bprofundidade.doc > Acesso em: 25 de nov. 2010.

DUARTE, Márcia Yukiko Matsuuchi. Estudo de caso. In: BARROS, Antônio.


DUARTE, Jorge. Org. Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo:
Atlas, 2005. p. 215-235.

ESCOBAR, Juliana L. . Blogs como nova categoria de webjornalismo. In: Adriana


Amaral; Raquel Recuero; Sandra Montardo. (Org.). Blogs.com - Estudos sobre blogs
e comunicação. São Paulo: Momento Editorial, 2009, v. , p. 217-235. Disponível em:
< http://www.sobreblogs.com.br > Acesso em: 25 de nov. 2010.

ESCOBAR, Juliana L. . Blogs jornalísticos como objeto de estudo: uma


metodologia possível. In: 2º Congresso de Estudantes de Pós-graduação em
Comunicação do Rio de Janeiro, 2007, Rio de Janeiro. CD-ROM do CONECO -
Congresso de Estudantes de Pós-graduação em comunicação do Rio de Janeiro,
2007. Disponível em: < http://julianaescobar.blog.terra.com.br/2009/01/21/blogs-
jornalisticos-como-objeto-de-estudo-uma-metodologia-possivel/ > Acesso em: 25 de
nov. 2010.
81

ESPINOLA, Rodolfo. MACHADO, Elias. Modelos de circulação da informação no


jornalismo digital: análise dos casos Digg, Slashdot, Overmundo e Pacjor. Trabalho
a ser apresentado ao Intercom Junior, na Divisão Temática de Jornalismo, do XXXII
Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2009.

FOLETTO, Leonardo. O Blog Jornalístico: Definição e Características ba


Blogosfera Brasileira. Posjor: Dissertação de Mestrado, 2009. Disponível em <
http://www.scribd.com/doc/20861245/O-Blog-Jornalistico-definicoes-e-
caracteristicas-na-blogosfera-brasileira > Acesso em: 25 de nov. 2010.

GILL, Kathy. Blogging, RSS and the Information Landscape: A Look at Online
News. In: WWW2005, 2nd Annual Workshop on the Weblogging Ecosystem. Chiba,
Japão. 2005. Disponível em: < http://www.blogpulse.com/papers/2005/gill.pdf >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

GILLMOR, Dan. Moving Toward Participatory Journalism. (p. 79-80). In: Nieman
Reports, 2003. Disponível em:< http://www.nieman.harvard.edu/reports/03-3NRfall/1-
2V57N3.pdf > Acesso em: 25 de nov. 2010.

GONÇALVES, E. M. . La circulación de la noticia en las redes digitales. Scripta


Nova (Barcelona), Barcelona, v. 69, n. 33, 2000. Disponível em: <
http://www.ub.es/geocrit/sn-69-33.htm > Acesso em: 25 de nov. 2010.

___________, E. M. ; PALACIOS, Marcos . Um modelo híbrido de pesquisa: a


metodologia aplicada ao GJOL. In: Machado, Marcia B., Lago, Claudia. (Org.).
Metodologia de pesquisa em jornalismo. 1a ed. Petropolis: Vozes, 2007, v. 1, p. 199-
222. Disponível em: <
http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2007_palacios%20_elias_metodologia_GJOL.pdf >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

___________, E. M. . Modelos de sistemas de circulacao no ciberjornalismo.


Eco-Pós (UFRJ), v. 12, p. 23-35, 2008. Disponível em: <
http://www.pos.eco.ufrj.br/ojs-2.2.2/index.php/revista/article/view/122/124 > Acesso
em: 25 de nov. 2010.

JENKINS, Henry. The Revenge of the Origami Unicorn: Seven Principles of


Transmedia Storytelling (Well, Two Actually. Five More on Friday). 2009. Disponível
em: < http://henryjenkins.org/2009/12/the_revenge_of_the_origami_uni.html >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

KAAR, Christian. An introduction to Widgets with particular emphasis on Mobile


Widgets. 2007. Disponível em: <
http://www.symbianresources.com/tutorials/techreports/widgets/kaar07widgets.pdf >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

LASICA, J.D. Blog and journalism need each other. 2003. Disponível em: <
http://www.jdlasica.com/articles/nieman.html > Acesso em: 25 de nov. 2010.

LEMOS, André. Cibercultura, cultura e identidade. Em direção a uma cultura


copyleft ?. Contemporânea (Salvador), Salvador, Bahia, v. 2, n. 2, p. 9-22, 2004.
82

Disponível em: <http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/copyleft.pdf>


Acesso em: 25 de nov. 2010.

______, André. Ciber-Cultura-Remix. In: Monica Tavares; Suzette Venturelli. (Org.).


Cinético Digital. São Paulo: Itaú Cultural, 2005, v. , p. 71-78. Disponível em: <
http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/remix.pdf > Acesso em: 25 de
nov. 2010.

LEMOS, Ronaldo . Direito, Tecnologia e Cultura. Rio de Janeiro: Editora FGV,


2005. 211 p. Disponível em: < http://virtualbib.fgv.br/dspace/handle/10438/2190 >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

______, Ronaldo ; Branco, Sérgio . Copyleft, Software Livre e Creative


Commons: A Nova Feição dos Direitos Autorais e as Obras Colaborativas. Revista
de Direito Administrativo, v. 243, p. 180-210, 2006. Disponível em: <
http://virtualbib.fgv.br/dspace/handle/10438/2796 > Acesso em: 25 de nov. 2010.

LESSIG, Lawrence. Cultura Livre: Como a grande mídia usa a tecnologia e a lei
para barrar a criação cultural e controlar a criatividade. São Paulo, Trama, 2005.
Disponível em: < http://www.scribd.com/doc/5266831/Lawrence-Lessig-Cultura-Livre
> Acesso em: 25 de nov. 2010.

LIMA, Clóvis Ricardo Montenegro de ; SANTINI, Rose Marie . Copyleft e licenças


criativas de uso de informação na sociedade da informação. Ciência da
Informação, v. 37, p. 121-128, 2008. Disponível em: <
http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/924 > Acesso em: 25 de nov.
2010.

MANO, Maíra Kubík. De cara nova. 2010. Disponível em: <


http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=2277 > Acesso em: 25 de nov. 2010.

MIELNICZUK, Luciana. Jornalismo na Web: uma contribuição para o estudo do


formato da notícia na escrita hipertextual. Tese (Doutorado em Comunicação e
Culturas Contemporâneas), Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da
Bahia, 2003. Disponível em: < http://www.poscom.ufba.br/arquivos/Poscom-
Producao_Cientifica-Luciana_Mielniczuk.pdf > Acesso em: 25 de nov. 2010.

MOREIRA, Sônia Virgínia. Análise documental como método e como técnica.


BARROS, Antônio. DUARTE, Jorge. Org. Métodos e técnicas de pesquisa em
Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005. p. 269-279.

MUNSLOW VILAR, Bernard. Estudio, diseño e implementación de widgets. 2007.


Disponível em: < http://www.recercat.net/handle/2072/4557 > Acesso em: 25 de nov.
2010.

NORONHA, Daisy Pires. Online, s/d. Disponível em: <


http://www.eca.usp.br/departam/cbd/lina/recurso2/bases.htm > Acesso em: 25 de
nov. 2010.
83

ORIHUELA, José Luís. Los weblogs y su identidad como cibermedios. In:


SALAVERRÍA, Ramón. (org.) Cibermedios – El impacto de internet en los medios de
comunicación en España. Sevila; Comuncación Social, 2005.

_________, José Luís. La revolución de los blogs. Madrid; La Esfera de Los


Libros, 2006.

_________, [Entrevista disponibilizada em 2 de novembro de 2006, Internet].


2006. Disponível em: < http://juanandres.milleiro.com/entrevista-a-jose-luis-orihuela/
> Acesso em: 25 de nov. 2010.

O'REILLY, Tim. What Is Web 2.0 - Design Patterns and Business Models for the
Next Generation of Software. O'Reilly Publishing, 2005. Disponível em: <
http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html > Acesso em: 25 de nov. 2010.

PAQUET, S. Personal knowledge publishing and its uses in research. 2002.


Disponível em: <
http://radio.weblogs.com/0110772/stories/2002/10/03/personalKnowledgePublishing
AndItsUsesInResearch.html > Acesso em: 25 de nov. 2010.

PALACIOS, Marcos ; GONÇALVES, Elias Machado . Manual de Jornalismo na


Internet. Salvador: FACOM/UFBA, 1997. v. 01. 210 p. Disponível em: <
http://www.facom.ufba.br/jol/fontes_manuais.htm > Acesso em: 25 de nov. 2010.

PARANAGUÁ MONIZ, Pedro de . Um Mundo em Metamorfose: o Jornalismo


Colaborativo e Aberto. Revista Z Cultural, v. IV, p. 00, 2008. Disponível em: <
http://www.pacc.ufrj.br/z/ano4/3/z_pedro.php > Acesso em: 25 de nov. 2010.

__________________, Pedro de ; BRANCO, S. . Direitos Autorais. 1. ed. Rio de


Janeiro: FGV Editora, 2009. v. 1. 144 p. Disponível em: <
http://virtualbib.fgv.br/dspace/handle/10438/2756 > Acesso em: 25 de nov. 2010.

PHOEBE, Teh Phoey Lee. An Insight of blogosphere over the Internet. UCSI
Jasa, v. 3, Jul 2007. Disponível em: < http://www.ucsi.edu.my/jasa/3/papers/AC8.pdf
> Acesso em: 25 de nov. 2010.

PRIMO, Alex. Facebook será um concorrente do Google Search. 2010.


Disponível em: <
http://www.interney.net/blogs/alexprimo/2010/06/02/facebook_sera_um_concorrente
_do_google_s/ > Acesso em: 25 de nov. 2010.

______, Alex . O aspecto relacional das interações na Web 2.0. E- Compós


(Brasília), v. 9, p. 1-21, 2007. Disponível em: <
http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/1264 > Acesso em: 25 de nov. 2010.

QUADROS, Claudia Irene; ROSA, Ana Paula e VIEIRA, Josiany. Blogs e as


Transformações no Jornalismo. Revista da E-Compos número 3, agosto de 2005.
Disponível em: < www.compos.com.br/e-compos > Acesso em: 25 de nov. 2010.
84

RECUERO, Raquel . Redes Sociais na Internet. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2009.
191 p. Disponível em: < http://www.redessociais.net/ > Acesso em: 25 de nov. 2010.

_________, Raquel. Redes Sociais. In: SPYER, Juliano (org.). Para entender a
Internet: noções, práticas e desafios da comunicação em rede. 1ª edição. São Paulo:
Não Zero, 2009. Disponível em: < http://paraentenderainternet.blogspot.com/ >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

SCHWINGEL, Carla. O Copyleft e o Desenvolvimento Colaborativo como Bases


da Cultura Livre. Razón y Palabra, v. actual, p. 53, 2006. Disponível em: <
http://www.www.razonypalabra.org.mx/anteriores/n53/cshwingel.html > Acesso em:
25 de nov. 2010.

SILVA, Jan Alyne. Mãos na Mídia: Weblogs, apropriação social e liberação do pólo
de emissão. 170 p. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Cultura
Contemporâneas) - Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia,
2003.

SILVA, Fernando Firmino da . Jornalismo e tecnologias portáteis na cultura da


mobilidade: tipologias para pensar o cenário. In: VII Encontro Nacional de
Pesquisadores em Jornalismo - SBPJor, 2009, São Paulo - SP. Disponível em: <
http://sbpjor.kamotini.kinghost.net/sbpjor/admjor/arquivos/fernando_firmino_da_silva.
pdf > Acesso em: 25 de nov. 2010.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu . Software Livre: a luta pela liberdade do conhecimento.


São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2004. Disponível em: < http://www.fpa.org.br/o-
que-fazemos/editora/livros/software-livre-luta-pela-liberdade-do-conhecimento >
Acesso em: 25 de nov. 2010.

_________, Sérgio Amadeu . O conceito de commons na cibercultura. In: XXX


Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2007, Santos. Anais do XXX
Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2007. São Paulo : Editora
Intercom, 2007. Disponível em: <
http://revistas.univerciencia.org/index.php/libero/article/viewFile/5397/4914 > Acesso
em: 25 de nov. 2010.

STALLMAN, Richard. Free software, free society: selected essays of Richard


Stallman. Boston: GNU Press, 2002. Disponível em: <
http://shop.fsf.org/product/free-software-free-society/ > Acesso em: 25 de nov. 2010.

STONE, Biz. Project Retweet: Phase One. 2009. Disponível em: <
http://blog.twitter.com/2009/08/project-retweet-phase-one.html#links > Acesso em:
25 de nov. 2010.

VAN PEBORGH, Ernesto. Odisea 2.0: las marcas en los médios sociales. 1ª ed.
Buenos Aires: La Crujía, 2010.

VERCELLI, Ariel. Repensando los bienes intelectuales comunes: análisis


sociotécnico sobre el proceso de coconstrucción entre las regulaciones de derecho
de autor y derecho de copia y las tecnologías digitales para su gestión. Buenos
85

Aires, 2009. Disponível em: < http://www.arielvercelli.org/libros/ > Acesso em: 25 de


nov. 2010.

VIANNA, Túlio Lima . A ideologia da propriedade intelectual: a


inconstitucionalidade da tutela penal dos direitos patrimoniais de autor. Anuario de
Derecho Constitucional Latinoamericano, v. 12, II, p. 933-948, 2006. Disponível em:
< http://www.tuliovianna.org/index.php > Acesso em: 25 de nov. 2010.

WALKER, Jill. Blogging. Cambridge (UK): Politiy Press, 2008.

ZAGO, Gabriela da Silva . O Twitter como suporte para produção e difusão de


conteúdos jornalísticos. Ciberlegenda (UFF. Online), v. 11, p. 13, 2009. Disponível
em: < http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/article/viewArticle/2 >
Acesso em: 25 de nov. 2010.
86

APÊNDICES

APÊNDICE A - Entrevista realizada de junho a novembro de 2010 com Marcelo


Augusto Santiago, editor do Meio Desligado, e publicada parcialmente no blog128.

BLOG E SEUS DERIVADOS

MF - Por que criou o blog? Por que escolheu o sistema Blogger?


MS - Resumindo muito: queria fazer algo relevante na internet em vez de ter
mais um blog sobre cultura pop e bobagens para entreter as pessoas. Percebi que
havia uma movimentação crescente na cena musical independente e não existia
nenhum blog dedicado totalmente a essa cena. Além disso, quando outros blogs e
jornalistas citavam bandas indie nacionais, na maioria dos casos exaltavam bandas
que eu considerava (e ainda considero) ridículas ou falavam das bandas dos
amigos, coisas do tipo. Eu pensei: "é por causa desses idiotas que o público em
geral acha que não existe bandas independentes boas". Por isso criei o Meio
Desligado, para fazer uma análise mais crítica dessa cena, sem ter rabo preso com
ninguém, sem medo de experimentar.
Fiz no Blogger porque já conhecia a plataforma e porque achava o Wordpress
muito limitado para quem não tivesse uma hospedagem própria. Como minha
intenção era (e continua sendo) usar serviços gratuitos na internet, o Blogger me
pareceu a melhor opção.

MF - Quais os ex(s) ou atuais participantes? Por que saiu, se é que saiu?


MS - Criei o Meio Desligado para ser algo coletivo, mas com o tempo
aconteceu uma identificação do blog com a minha pessoa e acabei desistindo de
buscar mais pessoas para transformá-lo definitivamente em algo coletivo. Mesmo
assim, continuam acontecendo colaborações de diferentes pessoas com as quais
me relaciono de diferentes formas.
Na tentativa de construir algo coletivo havia três colaboradores fixos mas que
escreveram muito pouco. Meu irmão (Leo Santiago), uma ex-namorada (Juliana
Semedo) e uma amiga (Taís Oliveira, que atualmente escreve na revista Billboard
Brasil). Todos publicaram poucos textos no Meio Desligado, creio que em torno de
dois ou três textos cada. Com exceção da Juliana, os outros dois continuam
registrados na plataforma de atualização do blog como colaboradores, se em algum
momento tiverem interesse em publicar algo ainda podem fazer isso diretamente.

MF - Você disse que está se dedicando integralmente ao blog. Como


está se sustentando?
MS - Esse "integralmente" é relativo. Eu larguei meu emprego fixo, mas
trabalho como freelancer.

MF - Por que não usa um Twitter específico para o blog e outro pessoal?
MS - Durante muito tempo tentei não relacionar o blog à minha pessoa, mas
como todos os outros integrantes participavam pouco e não encontrava pessoas
interessantes e interessadas na proposta, o Meio Desligado foi ficando cada vez

_______________
128
http://www.meiodesligado.com/2010/11/meio-desligado-e-construcao-de.html.
87

mais ligado a mim. Como muita gente já me conhecia como "o Meio Desligado",
resolvi assumir de vez a alcunha.
Acho mais interessante desse jeito, creio que aproxima o público de quem
está por trás das informações que estão lendo. Sem contar que muita coisa da
minha vida particular se mistura com o tema do blog e seria bastante confuso
separar o que publicar em cada perfil (pessoal e "institucional").

MF - Por que decidiu utilizar Tumblr?


MS - Comecei a usar o Tumblr por achar interessante a integração que ele
proporciona da agilidade e conectividade do Twitter com uma plataforma "tradicional"
de publicação de blogs, como Blogger e Wordpress. Com o passar do tempo o
Tumblr tem se mostrado uma das ferramentas mais versáteis e em constante
transformação que conheço, mas o utilizo somente em projetos paralelos ou em
trabalhos específicos que realizo, porque a indexação do conteúdo publicado nele é
ruim nas ferramentas de pesquisa como Google e Yahoo!.

MF - Recebe acesso de outros perfis teus em outras redes?


MS - Sim. Muitos acessos do Meio Desligado têm origem no meu Twitter e no
Facebook. Atualmente são as únicas redes que uso com frequência.

MF - Quantos assinantes tem a newsletter?


MS - Cara, não consigo acessar minha conta no Feedburner desde que ele foi
comprado pelo Google há alguns anos. Na época, o blog tinha 179 assinantes, a
maioria recebendo as atualizações diretamente em seus e-mails.

MF - Você utiliza de estratégias como comentar em outros blogs,


divulgar em comunidades virtuais, listas de e-mails, ou usar de títulos que
sejam mais fáceis de serem achados pelos buscadores?
MS - De todas essas ações a única que pratico é relacionado aos títulos das
publicações, mas principalmente às urls. Mesmo que um post tenha um título mais
literário e menos factual, procuro criar urls que facilitem a indexação em ferramentas
de busca. O post "Festival Goiânia Noise 2010: bandas confirmadas até o
momento", por exemplo, tem a url meiodesligado.com/2010/10/festival-goiania-
noise-2010-programacao.html
Acho intrusivo e chato comentar em outros blogs para se divulgar, odeio essa
prática. Só acho válido quando a pessoa deixa o link para algo que publicou em seu
blog e que esteja relacionado ao assunto do post em que está comentando, sabe?
Se não for assim é só mais spam. Ninguém precisa de mais spam.
Antigamente enviava uma espécie de newsletters do blog, com resumos do
que de mais interessante foi publicado no mês, mas parei por falta de tempo.

MF - Como funcionam as festas do blog? Desde quando ocorrem, como


surgiram?
MS - Comecei a fazer as festas para trazer a BH artistas que considero
interessantes e nenhum outro produtor trazia. A primeira festa aconteceu com a
banda recifense Júlia Says em maio de 2008, se não me engano. A maioria das
festas Meio Desligado aconteceu n´A Obra, reduto indie em BH. Como o público era
bom, até me perguntaram se queria fazer com maior frequência, mas preferi fazendo
poucas por ano, cerca de duas ou três. Assim consigo me dedicar mais a elas.
88

Entre as bandas que já tocaram nessas festas estão Black Drawing Chalks,
Camarones Orquestra Guitarrística, Jair Naves e Fusile. Uma coisa engraçada é que
no fim de 2009 eu tinha uma festa marcada com duas bandas legais e poucos dias
antes de iniciar a divulgação as duas tiveram que cancelar por motivos diversos. Em
vez de convidar outra banda, montei a minha própria, rs. Aí teve origem a Fanfarra
dos Funcionários da Embaixada Colombiana, um aglomerado (meio no sentido
"favela" do termo) de músicos locais (gente de bandas como UDR, Fusile, Grupo
Porco de Grindcore Interpretativo, FadaRobocopTubarão, Esquadrão Relâmpago
Monster Surf, entre outras) tocando punk rock com alguns toques latinos. Acabou
sendo uma das melhores noites que já vi na cidade, mais de dez pessoas na banda
(incluindo aí gente que eu nem conhecia) com microfone na mão, subindo no
palquinho da Obra e tal. E no final ainda rolou um karaokê punk que também foi
super divertido. Agora a ideia é juntar a Fanfarra pra fazer apenas um show por ano
em cada cidade, sempre com uma formação diferente.

MF - Desde quanto tem instalado o Google Analytics? Por que? Costuma


monitorar com frequencia os acessos?
MS - Alguns dias após criar o Meio Desligado instalei o Analytics. Desde
então, somente por alguns dias os acessos ao blog não foram contados porque fiz
alterações no código do blog e acabei esquecendo de voltar com o código de
rastreamento do Analytics.
Ter uma ferramenta que analise seus acessos é crucial para o
desenvolvimento de uma ação desse tipo na internet. É através dela que posso ter
noção de quem são as pessoas que acompanham o blog, onde elas estão, o que
tem chamado mais atenção, como elas conhecem o Meio Desligado, etc. A internet
é o único meio que permite esse controle, esse conhecimento sobre sua audiência.
Depois de alguns anos parei de ler os dados de acesso do blog pois eles
acabavam me influenciando para escrever sobre os assuntos que geravam mais
acessos. Agir dessa forma seria repetir uma estratégia que repudio que é focar seu
conteúdo no que gera mais acessos, não naquilo que considero mais interessante.
Veículos comerciais podem agir dessa forma, mas não há sentido que a mídia
independente se guie pelos mesmos parâmetros.

MF - Nota alguma participação do público na divulgação dos posts? Não


só no Twitter mas em algum outro site (Facebook, Orkut)?
MS - Principalmente no Twitter e Facebook. Praticamente não uso Orkut e
muitos acessos têm origem lá, então as pessoas estão divulgando o blog por lá.

CONTEÚDO

MF - Como você seleciona o que vai ser publicado? Costuma consultar


fontes por e-mail ou telefone?
MS - Acho que nunca liguei pra uma fonte! Isso é muito anos 90 (risos).
Falando sério, é tudo pela internet: e-mail, redes sociais, serviços de mensagem
instantânea. E muita coisa acontece presencialmente também, claro.
Pra selecionar o que vou publicar, acho que as coisas básicas em que penso
são:
- está na linha temática do blog?;
89

- centenas de blogs vão escrever sobre esse mesmo assunto específico? E,


se forem, posso abordar de forma mais interessante, mais relevante, mais
profunda?;
- quem acompanha o blog precisa saber disso em detrimento de outras coisas
que deixarei de publicar para me dedicar a esse assunto?.

MF - Tem alguma periodicidade definida?


MS - Não. Tento não deixar muitos dias sem atualizações, mas não me
preocupo em publicar algo todos os dias. Prefiro me focar na qualidade e relevância
do que publico do que na velocidade de atualização. No geral, a média deve dar um
novo conteúdo a cada dois dias.

MF - Entre apuração, edição, redação e divulgação, você dedica quanto


tempo diário ao blog?
MS - Varia muito. Posso ficar muito tempo sem escrever mas ao longo do dia
vou pensando em possíveis temas e elaborando isso na cabeça. O Meio Desligado
não é o tipo de blog que se caracteriza por posts curtos, notícias simples e coisas do
tipo. Normalmente publico isso somente quando estou sem tempo e já faz dias sem
material novo. Creio que o mínimo pra cada post um pouco mais elaborado seja
duas horas.

MF - Considera seus posts mais opinativos ou mais informativos?


MS - Opinativo informativo. Posts diferentes tendem para lados diferentes.
Essa é a vantagem de ter um blog: liberdade.

MF - Como funcionava a versão em inglês? Ainda recebem acessos da


versão em inglês?
MS - Ela está sendo reformulada e volta em formato diferente em 2011, se
tudo der certo. Antigamente ela deveria funcionar como um resumo do que foi
publicado na versão em português, mas a falta de tempo para traduzir tudo sempre
foi um grande empecilho. Não confiro seus acessos, mas continuava a ter público
vindo de ferramentas de busca.

MF - Publica os textos em outros espaços na internet?


MS - Já escrevi muita coisa no Overmundo e colaborei em outros blogs e
sites, mas atualmente o que escrevo sobre música independente brasileira é direto
para o Meio Desligado.

MF - Recebe muitos comentários?


MS - Eu usava uma ferramenta pra contar o número de comentários, mas
parou de funcionar. Sei que desde o começo do blog são mais de dois mil, mas
considero o número de comentário baixo. Percebo a mesma coisa em outros blogs.
Na maioria dos blogs que usam o Wordpress, por exemplo, se você olhar nos
comentários a maioria deles se refere às vezes que aquele post foi citado no Twitter
(tem um plugin pra isso). Se eu usasse um plugin como esse no Meio Desligado o
número de comentários saltaria pra uns cinco mil, mas acho que isso mais polui do
que agrega informação relevante ao blog.
Uma coisa que percebo é que alguns anos atrás, até mesmo em outros blogs
que tive, muita gente deixava comentários como "massa!", "legal", coisas do tipo.
Agora isso diminuiu, mas é pequeno o número de pessoas que realmente participam
90

da construção de conhecimento através dessa ferramenta. É claro que muita coisa


boa vem dos comentários no Meio Desligado, correções, sugestões, dicas e tal. Até
mesmo elogios e críticas são super bem-vindos. Mas, se analisarmos de forma mais
geral, é uma pequena parcela dos "leitores" que perceberam que as informações
que publicam ali podem resultar em transformações no conteúdo final.

MF - Trabalha em outros lugares fora o blog? Ganha algo com ele?


Como?
MS - Sempre trabalhei paralelamente ao blog (primeiro como carregador de
livros em uma biblioteca, depois como ajudante de despachante, passei pra redator
do cinemaemcena.com.br, fui pra organizador de conteúdo do palcomp3.com.br e
depois fui cuidar da comunicação da casulocultura.com.br, onde posteriormente virei
sócio e fazia a produção da Aline Calixto - alinecalixto.com.br e do Renegado -
arebeldia.com.br, além de produzir festivais como o Stereoteca -
www.stereoteca.com.br). Esses dois últimos empregos, no Palco Mp3 e na Casulo
Cultura, foram convites que me fizeram por causa do Meio Desligado. Ele serve
como vitrine profissional e é dessa forma que me remunera, ou seja, indiretamente.
Alguns freelas também foram obtidos por causa do blog.
Tirando isso, já ganhei alguns produtos para escrever posts patrocinados,
passagens e hospedagem para cobrir eventos e uma única vez me pagaram para
divulgar algo.

MF - Já recebeu propostas de patrocínio, como espaço publicitário ou


anúncios no blog?
MS - Já recebi grana e produtos para comentar ações específicas, como
ganhar alguns tênis para falar de uma revista, ganhar uma grana pra falar de uma
ação promocional de uma empresa e tal, mas pouca coisa. Mas sempre que isso
rola tento deixar bem claro que se trata de uma ação promocional e não publico as
informações do jeito que me enviam. Posso escrever sobre o produto deles, mas
será através do meu ponto de vista.

MF - Pode me dizer quais foram os posts nos quais houve um


"patrocínio"?
MS - Teve um sobre o evento FlashRock129, que a Converse fez em BH. Foi
neste ano. É o único que lembro exatamente agora. Sei que rolaram outros dois
posts que me pagaram com tênis (empresas diferentes) e um outro, mas não estouô
lembrando como me pagaram (acho que foi crédito pra pegar umas roupas ou gastar
em alguma outra coisa).

CREATIVE COMMONS

MF - Por que colocaram o conteúdo sob licença Creative Commons?


MS - Desde 2005 estudo o Creative Commons e diferentes aspectos da
cultura digital. Acredito que o Creative Commons é uma importante ferramenta para
a democratização do acesso à informação.

MF - Por que aquela licença e com aquelas condições?

_______________
129
http://www.meiodesligado.com/2010/07/flashrock-2010-ganhe-um-all-star.html
91

MS - A licença usada no Meio Desligado é a de Atribuição-Uso Não


Comercial-Compartilhamento pela mesma licença, porque é uma forma de garantir
que o conteúdo que produzo continuará livre e mantém o respaldo de que sua
exploração comercial permanecerá sendo minha (ou de seu respectivo autor).

MF - Que tipo de duvidas já receberam sobre o sistema de licenças?


MS - No início muita gente não entendia o que era o Creative Commons, me
perguntava até na rua o que era isso. Agora há tanta informação sobre isso,
inclusive no MD, que já faz um tempão que ninguém me pergunta nada sobre isso.
O que mais acontecia era gente entrando em contato pra saber se podia
republicar algum texto do MD no seu blog particular. Aí eu explicava o
funcionamento do Creative Commons e passava o link pra licença usada no blog.

MF - Alguma vez teve o conteúdo copiado e linkado? E não linkado?


MS - Já, vários posts foram republicados e linkados por aí, o que é muito
legal. Somente uma vez descobri um moleque do interior do Rio de Janeiro
republicando os textos do Meio Desligado como se fossem dele, mas o blog dele foi
tirado do ar. Às vezes os sites puxam um único parágrafo e linkam pro blog. Isso é
ok. Se neguinho que copiar o conteúdo tiver alguma visibilidade com isso, essa
própria visibilidade vai fazer com que ele se foda, porque aumenta a probabilidade
de descobrirem que não foi ele quem produziu.

MF - Você se lembra do endereço do menino do RJ que copiava o


conteúdo do teu blog?
MS - Acabei de achar num e-mail antigo que mandei para uns amigos. Alguns
links que ele copiou:
http://henriquepicanco.blogspot.com/2008/12/cobertura-do-festival-bh-music-
station.html
http://henriquepicanco.blogspot.com/2008/12/se-andy-warhol-tivesse-passado-pela-
tv.html
http://henriquepicanco.blogspot.com/2008/12/se-andy-warhol-tivesse-
passado-pela-tv_12.html
(Após uma busca na internet, descobriu-se que se tratava de um menino
de apenas 11 anos.)
Eu usava uma ferramenta para "identificar plágio". Você dá o RSS do lugar
original onde publica e ela fica sempre buscando a internet para ver se acha esse
conteúdo em outros sites.

MF - Lembra do nome do "identificador de plágio" que você usava?


MS - Não, procurei aqui e não achei.

MF - O que você fez quando descobriu os plágios do menino? Você sabe


por que foi desativado o blog dele?
MS - O blog dele era só plágio. Copiava conteúdo de vários blogs. Acho que
marquei naquele botão de denunciar do Blogger e tal. Outras pessoas devem ter
feito o mesmo. Ele tinha um blog no Wordpress também e que foi apagado pelos
mesmos motivos.
92

ANEXOS

Anexo A – Relatório do Google Analytics da Visão Geral das Origens de


Tráfego nos dias 9 e 10 de novembro de 2010.
93

Anexo B – Relatório do Google Analytics das Origens de Tráfego vindas


de Sites de Referência nos dias 9 e 10 de novembro de 2010.
94

Anexo C – Relatório do Google Analytics das Origens de Tráfego do post


‘Apanhador Só’ nos dias 9 e 10 de novembro de 2010.
95

Anexo D – Relatório do Google Analytics da Visão Geral das Origens de


Tráfego nos dias 15 e 16 de novembro de 2010.
96

Anexo E – Relatório do Google Analytics das Origens de Tráfego vindas


de Sites de Referência nos dias 15 e 16 de novembro de 2010.
97

Anexo F – Relatório do Google Analytics das Origens de Tráfego do post


‘Music Alliance Pact de novembro’ nos dias 15 e 16 de novembro de 2010.