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Curitiba
2009
Copyright © 2009 by Cláudio Menandro

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra,


sem a permissão prévia dos autores.
A permissão para reprodução total ou parcial está condicionada à citação da fonte.

Menandro, Cláudio (1956 - )


Choro Brasileiro : Cláudio Menandro. Curitiba, 2009.
200p. : il. ; Col. ; 31cm. (Partituras)
1. Intrumental Choro Brasileiro.
I. Título. II. Choro. III. Partitura.

PROJETO APOIADO PELO FUNDO MUNICIPAL DE CULTURA


PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA DO MUNICÍPIO DE CURITIBA.

Produção executiva
Maurício Cruz
Composição e Coordenação
Cláudio Menandro
Coordenação editorial
Adalberto Camargo
Editoração musicográfica
José Gomes Gomez
Revisão das partituras
Sérgio Albach
Versão para o inglês
Carolina Menandro, Luke Trebor Jones e Jessica McCoy
Capa e projeto gráfico
Adalberto Camargo
Fotografia
Cláudio Menandro (Samuel Huh)
Grupo de choro (Acervo do autor)

Contato
Cláudio Menandro | e-mail: claumenandro@gmail.com | cel.: (41) 9991-9086
www.myspace.com/claudiomenandro
SUMÁRIO

DO CHORO INSTRUMENTAL ....................................................................................................................05


UMA ARTE QUE NÃO SE EXPLICA COM PALAVRAS .................................................................................08
PARTITURAS EM DÓ ............................................................................................................................... 13
À Base de Sopro ............................................................................................................................ 16
Acarajé............................................................................................................................................17
Água de Coco .................................................................................................................................20
Arco-íris ........................................................................................................................................ 22
Baião Atleticano ............................................................................................................................24
Baião Carioca ................................................................................................................................26
Baião de Flauta .............................................................................................................................28
Baião de Rabeca ............................................................................................................................30
Baião-de-Três ................................................................................................................................ 32
Baião pro Guinga .......................................................................................................................... 34
Canção pra Lenita ......................................................................................................................... 36
Canção pra Lenita ......................................................................................................................... 39
Cantiga de Grilo ............................................................................................................................40
Capelinha ...................................................................................................................................... 41
Capelinha ...................................................................................................................................... 43
Capitão Fonseca ............................................................................................................................46
Chocolate.......................................................................................................................................48
Choro de Guitarra .........................................................................................................................50
Choro do Braga ............................................................................................................................. 52
Choro do Rodrigo.......................................................................................................................... 54
Choro no Paiol............................................................................................................................... 56
Choro pra Carol .............................................................................................................................58
Xótis na Ilha Fiscal ....................................................................................................................... 61
Choro pra Trompete .....................................................................................................................62
Choro pro Marc .............................................................................................................................64
Choro pro Villa ..............................................................................................................................66
Descansado ...................................................................................................................................68
Descascando Uva .......................................................................................................................... 70
Devani ........................................................................................................................................... 72
Enganoso ....................................................................................................................................... 74
Flauta Doce no Maxixe ................................................................................................................. 76
Frevo do Bellinati .......................................................................................................................... 78
Lembrando Jacob .........................................................................................................................80
Lembrando Pixinguinha ...............................................................................................................82
Lembrando Waldir........................................................................................................................84
Maracatu em Curitiba ...................................................................................................................86
Maxixando.....................................................................................................................................88
Mestre Laércio ..............................................................................................................................90
Mestre Mombach ..........................................................................................................................92
Mestre Waltel ................................................................................................................................94
No Bonde.......................................................................................................................................96
Paulo Sérgio no Choro ..................................................................................................................98
Penal ............................................................................................................................................ 100
Poeira d'Água .............................................................................................................................. 102
Polca pro Paulo ........................................................................................................................... 104
Por um Triz ................................................................................................................................. 106
Rabeca Assanhada ...................................................................................................................... 108
Social ............................................................................................................................................110
Sombra e Água Fresca .................................................................................................................112
Uma Saudade ...............................................................................................................................114
Valsa Encantada...........................................................................................................................116
Velha Gaiteira ..............................................................................................................................118
MANUSCRITOS ............................................................................................................................... 120
C L ÁUDIO M ENANDRO

DO CHORO INSTRUMENTAL

Por Luiz Otávio Braga

Acho que foi o professor Bruno Kiefer quem mais chamou a atenção para a questão
da polca brasileira e sua diferença para os modelos daquela dança de salão que aportou no
país e celebrizou-se por volta da primeira metade do século XIX. Mais adiante, assimilada a
novidade, dizia ele que, de alguma maneira, o povo carioca combinara a rítmica da Habanera
(originária de Cuba e Haiti), mais lenta, com a polca de andamento rápido e saltitante que
proviera da região da Boêmia. O resultado inicial, num esforço de arredondamento, pode ser
apreciado no grande “sucesso” de 1902, a polca Só para Moer de Viriato Figueira, gravada
por Patápio Silva, com acompanhamento de piano, “para a Casa Edson, Rio de Janeiro”. Se
se apressa um pouco o andamento, chega-se àquele ritmo que Ernesto Nazareth dá à mão
esquerda no Apanhei-te Cavaquinho.

A polca indiscutivelmente remete ao Choro carioca. Quero mesmo sugerir, neste ponto,
uma boa experiência musicológica: compare-se a gravação original, de Patápio, com a
regravação feita por Altamiro Carrilho e Regional do Canhoto – com Dino, Meira aos violões
e Jorginho Silva no Pandeiro – num disco fabuloso nomeado Álbum de Choros Nº. I. Com
relação a este registro, um “chorão” dos nossos tempos diria:

— Choro-Canção!

Pois é assim que é tocado, esquecida a combinação original. E como aliás é rotulado
aquele Vibrações de Jacob do Bandolim, embora a palhetada do inesquecível cavaquinista
Jonas Silva não negue a procedência fundamental.

E se não for suficiente, comparem-se as gravações do Três Estrelinhas de Anacleto de


Medeiros. As primeiras, do início da primeira década do século XX (eu lembro a gravação
da Banda do Corpo de Bombeiros ou a Banda da Casa Edson), e aquele registro maravilhoso
de Jacob do Bandolim: – Choro-Canção! Repetir-se-ia o veredito. É consoante este mesmo
formante de acompanhamento que se realiza também o acompanhamento da Serenata no
Joá, de Radamés Gnattali.

Pois o Choro é mesmo uma forma de execução – como diria o musicólogo e violonista
cearense Mozart Araújo. Forma de execução derivada da mixagem daquelas danças que
aportaram no país por volta de 1844, com a musicalidade “autóctone” carioca. É assim que na
roda de Choro desfilam-se valsas, schottishe, habaneras, mazurcas, polcas, maxixes, choros...
O Choro é isto. Entendê-lo como uma forma de tocar é, talvez, o mais importante de tudo,
porquanto submete ao músico um princípio de contínua reconfiguração, pois que música
é sociedade; é história. Os jovens da Camerata Carioca, no disco Tocar de 1983 tentaram
traduzir isto naquela oportunidade.
5
C HORO B R ASILEIRO

UMA ARTE QUE NÃO SE EXPLICA COM PALAVRAS...

Por Adriana Sydor

Talvez fosse possível contar a trajetória de Cláudio Menandro utilizando o globo e


assinalando os muitos lugares por onde passou, aprendeu, ensinou, transformou e desenvolveu
a intimidade com as cordas: Genebra, Basel, Zurique, Lima, Rio de Janeiro, Curitiba, Paris.
Mas o apoio de um atlas serviria apenas para mostrar os locais que passaram a fazer parte da
música de Menandro e que foram, de alguma maneira, modificados com sua Arte.

Uma outra tentativa seria citar alguns nomes com quem trabalhou em momentos
diversos: Camerata Antiqua de Curitiba, Orquestra de Câmara da Rádio MEC(RJ), Rosana
Lanzelote, Eunice Brandão, João Carlos Assis Brasil, Dominguinhos, Vital Farias, Paulo
Moura, Paulo Sérgio Santos, Luiz Otávio Braga, Rogério Souza, Ronaldo do Bandolim,
Toninho Carrasqueira, Roberto Corrêa, Proveta, Marcus Llerena, Gilson de Assis, Ahmed El-
Salamouny e Waltel Branco, entre outros. Os nomes, todos do primeiro time, podem servir
de avalistas de sua música, mas não traduzem o seu universo.

E os espetáculos, os títulos que encabeçaram suas andanças por todo o mundo com
toda essa gente? “Concerto em Ré de Vivaldi”, “Paixão Segundo São Mateus”, “De Bach a
Pixinguinha”, “Tributo a Waltel Branco”... Não. Seriam mais nomes que lidos assim, sem
som, só impressionam pela diversidade que engloba do erudito ao popular.

A tarefa de contar com palavras sobre o conjunto, formado pelo artista e suas cordas,
não é fácil!

A obra de Menandro é recheada de detalhes de valor incalculável, que, citados aqui,


podem parecer pretensiosos e cheios de vontades, o que colocaria o músico numa situação
diferente da que escolheu para viver.

O que se pode falar, sem medo, desse fazedor de Arte que domina as cordas do violão,
viola da gamba, bandolim, cavaquinho e rabeca, é que ele é o guardião da própria obra e
cada nota, cada acorde, cada movimento é feito sob um capricho extremo. Para Menandro
não há música “mais ou menos”; ele desenvolve o que a mescla de intuição e conhecimento
reconhece possibilidades e só dá por terminada a obra que passou por incansáveis reparos,
retoques, consertos... É o rebuscamento do máximo ao mínimo que, ainda assim, lhe deixa
algumas dúvidas sobre o verdadeiro valor do que criou.

8
C L ÁUDIO M ENANDRO

A criação sempre esteve ao seu lado porque, nas horas de intérprete, ele aprendeu a
desenvolver um estilo próprio para então, quando o compositor surgisse (depois de mais de
20 anos de estrada), ele estivesse amparado por informações adquiridas em longo tempo
e em muitos compositores para ser dono de uma música rica, inventiva, criativa. Como ele
mesmo explica, “não há como ser um bom escritor sem ler muitos livros”.

Obviamente os caminhos que a música ordena não são só de flores; por algumas vezes
ele teve que abandonar terra e lar para viver em outros lugares e perseguir suas ambições
de conhecimento. As cordas são a sua bússola: para onde elas afinem com a possibilidade
de desenvolvimento de sua Arte, Menandro segue. Mas os ventos propícios não são garantia
de vida fácil, porque ele carrega um rigor sistemático de estudos; não passa um só dia
sem estar diante do próprio crivo na condição de aluno eterno.

Hoje, Cláudio Menandro, professor, criador, intérprete, artista de palco e homem da


plateia, estabelece mais uma etapa de sua trajetória, mas que não basta para viver a paz da
missão cumprida; significa um pouco mais de tudo que pode. É uma espécie de continuação
de um momento que começou na adolescência, quando ainda se embalava ao som do iê-iê-iê
e descobriu na radiola do pai um dos grandes mestres da história da música nacional, Jacob
do Bandolim, e seu eterno e insuperável “Vibrações”.

O primeiro contato com o Choro foi cheio de surpresas e de descobertas que misturaram
encantamento e curiosidade e abriu-lhe as portas para transitar além do que seus amigos
contemporâneos do rock´n´roll ouviam. Aprendeu um pouco de tudo e caminhou livremente
(primeiro na condição de ouvinte atento, passando a estudioso exigente, para chegar a artista
versátil e pertinaz) por muitos ritmos; e então, como numa espécie de ciclo que encontra seu
ponto de partida, aqui está novamente - vibrando como quem ouve Jacob - para traduzir,
revelar e repartir em livro o que anos de estudo, pesquisa e dedicação lhe proporcionaram.

O momento não pode ser tratado como encontro ou reencontro com o Choro porque
ele nunca saiu de perto; a radiola do pai - com o disco daquele e de outros mestres - sempre
acompanhou Menandro em todos os trabalhos, e, se hoje ele traz a público essa obra, é porque
ela veio sendo construída através dos anos, recortando o tempo e se desenvolvendo para essa
feliz ocasião.

Adriana Sydor
Escritora, radialista, produtora cultural e roteirista

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C HORO B R ASILEIRO

Depoimentos...

Artista de alma imensa! Como pode caber tudo isso num só coração? Não se precisa escutar
a obra inteira, nem mesmo duas músicas que sejam. "Choro do Rodrigo" é a música
que eu tenho tentado fazer desde que me entendo por gente. Passaria o resto da minha vida
ouvindo-a... Que grande artista! Quanta ancestralidade... Jararaca e Ratinho, Pixinguinha e
K-ximbinho - lágrima e gargalhada. Talvez um pouco mais de lágrima... Guinga

C onsidero de uma enorme importância este


valoroso trabalho que imprime o nosso Cláudio
Menandro. Vem ao encontro de uma necessidade
T enho um carinho especial por
Curitiba desde 2004, quando,
participando da Oficina de Música
cada vez maior de fornecer subsídios a nossos que acontece lá há mais de 20 anos
músicos e os meios para executarem principalmente (deve ser uma espécie de recorde !),
o "choro", gênero puramente brasileiro que exige fiquei encantada com a organização,
muita sensibilidade e técnica. Isso é exatamente o o interesse dos alunos, os excelentes
que vem nos oferecer o insigne Cláudio Menandro, músicos e a música desavergonhada-
sem sombra de dúvida, um dos grandes nomes da mente brasileira que fazem na terra
nossa música e dos mais notáveis e virtuosos, quer dos pinheiros. Um dos (muitos) gran-
como instrumentista, arranjador ou compositor. des que conheci então - e admiro sem-
Parabéns!" Izaias de Almeida pre - foi o Cláudio Menandro. Multi-
instrumentista virtuoso, compositor,
arranjador e pesquisador, esse baia-

A s obras de Cláudio Menandro, dentro da sua no naturalizado curitibano já fre-


diversificação e virtuosismo, mostram no quentou todo tipo de gênero musical
todo uma personalidade marcante na sua linha de e, dessa bagagem extensa, criou uma
composição. As peças escritas e direcionadas aos forte personalidade que se reflete na
diferentes instrumentos dignificam e valorizam o sua obra como compositor. Suas com-
trabalho do autor. A condução melódica juntamen- posições refletem a intimidade com
te com a harmonia e o aspecto rítmico, todas muito os instrumentos que abraça, da viola
pessoais, nos deliciam com raras pérolas, que só os da gamba ao cavaquinho, do violão
grandes sabem cultivar. Joel Nascimento de 7 cordas à rabeca. Explorando os
recursos de cada um em peças bem
construídas - muito lindas e variadas
tanto em ritmo como em intenção –
É interessante o que acontece no mundo da
música, especialmente quando encontramos
pessoas atentas a um resultado sonoro condizente
Cláudio tece um amplo panorama
da diversidade musical brasileira,
com honestidade musical. Cláudio Menandro é um diversidade essa ainda carente de
músico integrado ao time daqueles que não brin- registros. Falta muito livro de músi-
cam com aquilo que sabem fazer e, por isso, nos ca brasileira, de partituras, de pes-
brindam com trabalhos como este álbum de parti- quisas, de tudo; por isso, fico sempre
turas, nos surpreendendo e nos deixando a certe- feliz com essas iniciativas. Cláudio,
za quanto ao entendimento cada vez maior sobre com este livro, presta serviço à Músi-
música brasileira, seus caminhos, suas estruturas ca Brasileira de hoje e do futuro.
e seus "Me(n)andros". Laércio de Freitas Léa Freire

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C L ÁUDIO M ENANDRO

C Láudio Menandro é mais do que “apenas” um multi-instrumentista. Muito mais do que um


intérprete cuidadoso de suas próprias obras e das de tantos outros compositores. Mais, ain-
da, do que um entusiasta do violão e do que um agitador da música brasileira, em especial da
cena musical curitibana – cidade que ele escolheu para viver. Dentre tantas facetas, o talento de
compositor sobressai. Pelo equilíbrio de suas composições. Pelas novidades que, em sua música,
aparecem nas sutilezas e a fazem soar naturalmente original. Por seu conhecimento e seu respeito
pela música brasileira, especialmente pelo universo do choro. Pelo vigor de sua obra, certamente
incrementado pelas andanças do Cláudio pelo Brasil e pelo mundo. Este álbum de partituras é um
presente para a música brasileira, que merece ter um compositor digno de sua mais alta linhagem
tocado e difundido por todo o país. Senhores músicos, façam bom proveito! Paulo Aragão

Q uando ouvi Cláudio Menandro pela primeira


vez em duo com Ahmed El-Salamouny,
fiquei impressionado já naquela época com
C onheci Cláudio Menandro em ja-
neiro de 2008, na Oficina de Músi-
ca de Curitiba. Entre uma aula e outra,
sua dedicação à música brasileira. Agora vejo conversávamos um pouco sobre nossos
coroada de êxito a trajetória do instrumentista trabalhos, nossos CD’s e outras ideias
e compositor que nos brinda com a publicação musicais. Logo em seguida, tivemos a
de sua obra, uma preciosa contribuição para a oportunidade de participar, juntos, de
música instrumental brasileira. Cláudio é, acima um espetáculo produzido pelo festival.
de tudo, um músico de extremo bom gosto! Foi ótimo! Estávamos eu, Menandro,
Paulo Bellinati Toninho Carrasqueira, Ronaldo do Ban-
dolim, Sergio Albach e outros grandes
músicos. Fiquei maravilhado ao tocar
algumas de suas músicas. Vi que se tra-
O universo sonoro de Cláudio Menandro se
faz na criação entre cordas - violões, cava-
quinho, bandolim, violas, rabeca - instrumentos
tava de um belo compositor. Ouvindo
seus CD’s, encantei-me com a qualidade
que são a alma mesma da música popular instru- e versatilidade das composições: lindos
mental brasileira e que, sob seus dedos inspira- choros, maxixes, polcas, belas valsas e
dos, ressoam milagres de erudição e beleza. canções. Com muita personalidade e
talento, sua música viaja ao Nordeste
Paulo Moura e passeia por diversos estilos musicais
brasileiros. Trata-se de um maravilhoso
compositor, arranjador e intérprete que

O choro, assim como o samba, o frevo, o ma-


racatu, é um gênero de música da melhor
qualidade. Cláudio Menandro, com sua sólida
domina diversos instrumentos de cordas.
Fico muito honrado em poder escrever
algumas linhas sobre esse grande músi-
formação musical, contribui muito para que o gê- co. Fico mais feliz, ainda, por saber que
nero não fique cristalizado e delimitado apenas a obra musical de Menandro está pre-
pela tradição. Sua inspiração e criatividade estão sente aqui neste belo livro de partituras.
a serviço deste universo tão venerado, não só pe- Sucesso, Menandro! Você merece! Que a
los brasileiros mas por muitos outros músicos e sua música seja tocada em todos os can-
artistas de diversos países que tiveram a oportu- tos do Brasil e pelo mundo afora.
nidade de conviver com esse tesouro nacional.
Rogério Souza
Paulo Sérgio Santos

A importância deste trabalho com que nos brinda o grande músico e compositor Cláudio
Menandro está na dedicação e no interesse pela preservação cultural da música instru-
mental baseada no choro. Suas composições, com ideias e harmonias, estão voltadas para um
momento de pura renovação na linguagem e nas informações do choro. Méritos pelo seu talento
e gratos pela oportunidade de conhecer suas obras. Ronaldo do Bandolim

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C HORO B R ASILEIRO

C ompositor, violonista, cavaquinista, bandolinista, violeiro e rabequista, o multiinstrumen-


tista da linhagem maior de Garoto e Zé Menezes, Cláudio Menandro, me pede umas linhas
sobre o seu trabalho. Com esta meia dúzia de palavras, para bom entendedor penso já ser o
bastante. O mais está lá na música, que se ouça! Sem receio de proferir uma heresia, sendo a
música popular brasileira de paternidade e propriedade reinvindicados, principalmente, por
cariocas e baianos, posso afirmar que a música de choro e de samba (e de baião, de xote e de
tudo que é brasileiro) de Cláudio Menandro é surpreendentemente nova , original, rica de in-
venção, sem apego demasiado às formas e às chamadas raízes ou tradições, mas, ao mesmo
tempo, reverenciando-as o tempo todo de maneira consciente e libertária. Libertária no sentido
de que o conhecimento e, sobretudo, a compreensão e apropriação dos fundamentos da tradi-
ção não aprisionam, mas libertam o artista para criar além. Além do tempo que chamam ido,
aqui tão futuro, e do seu próprio tempo, aqui sempre ao alcance do ouvido (e a ouvir), no pas-
sado. Além, livre. A obra de Cláudio Menandro me soa como um exercício de liberdade e prazer
de ir e vir em música. Roberto Gnattali

P egue um baiano: coloque mais música na vida dele, pitadas de Rio de Janeiro e faça-o morar um
tempo na Europa (Suíça e Alemanha, de preferência). Jogue um violão, um bandolim, um cavaqui-
nho, uma viola caipira, uma rabeca (que afine, pelamordeDeus!) e uma viola da gamba pra ele tocar.
Dê-lhe um ouvido excepcionalmente apurado, uma imensa capacidade criativa e bom humor. Pron-
to. Por último, mande-o residir em Curitiba. TCHARAN!! Você acaba de criar um Cláudio Menandro
legítimo,"daí"! Agora, com este livro de partituras, você vai poder conhecê-lo melhor. Aproveite ao máxi-
mo; tocar estas músicas traz uma felicidade imensa! Sérgio Albach

F ico muito honrado com o convite para escrever um pequeno texto de apresentação para o
álbum de partituras do Cláudio. Sei que não serei capaz de fazer jus a todas as suas quali-
dades, mas, em todo caso, é fácil perceber que ele pertence àquele seleto grupo de artistas dife-
renciados, especiais, que nos encantam e surpreendem a cada momento. Exímio bandolinista,
cavaquinista, violonista, rabequeiro, violeiro, gambista, arranjador e compositor inspirado, sei
que é, também, um excelente professor. Elo de uma tradição da qual é herdeiro, é músico com-
pleto, sem fronteiras, que passeia por vários horizontes e alia o rigor da formação erudita à es-
pontaneidade e frescor do artista popular: de Bach a Pixinguinha, com coração e propriedade
de estilo. Esta coletânea de choros, polcas, maxixes, valsas, baiões, que ele generosamente nos
oferece, representa certamente uma grande contribuição à música brasileira.
Toninho Carrasqueira

O riginalidade (o compromisso com


sua terra), singeleza, fluidez, clareza
e outros adjetivos nesta mesma direção, é
E screver um texto exaltando as qualidades
de um grande músico é tarefa simples; po-
rém, quando se trata de alguém que se destaca
o que encontro na abordagem musical do entre outros grandes artistas, ficamos sem sa-
Cláudio. Tal obra registrada numa publi- ber por onde começar, o que ressaltar. Cláudio
cação era fato inerente, isto desde sua ori- Menandro agora nos presenteia com suas belas
gem. É um pouco de Brasil que se estende composições e eu lhe dou meus sinceros para-
nesta e noutras gerações. béns por esse grande álbum de partituras!!
Vítor Santos Waltel Branco

AGRADECIMENTO: Agradeço a todos que colaboraram na realização desse álbum. Meu muito obrigado à
Fundação Cultural de Curitiba, Álvaro Collaço e à equipe que trabalhou diretamente nesse livro: Maurício
Cruz, Adalberto Camargo, Sérgio Albach, Luiz Otávio Braga, Adriana Sydor, Carolina Menandro, Luke Trebor
Jones, Jessica McCoy e, em especial, a José Gomes, pela dedicação quase obsessiva a esse trabalho.
Agradeço, ainda, a minha mulher, Lenita, e aos meus filhos, Carolina e Cauê, pelo incentivo e apoio de sempre,
a minha família e a todos os amigos, pelo estímulo e preciosas sugestões.
Cláudio Menandro
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C HORO B R ASILEIRO

Padrões rítmicos básicos de acompanhamento para violão

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Choro
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Baião/Forró
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Maxixe
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Schottish/Xote

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Polca
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14
C L ÁUDIO M ENANDRO

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Maracatu
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Frevo
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Samba/Samba-choro I Exemplos: • Choro pra Carol


• Devani
• Choro no Paiol
• Penal (1ª parte)
• Choro pro Marc (1ª e 2ª partes)
• Paulo Sérgio no Choro (2ª parte)

 ” ” ”” ” ”” ” ” ”
 ” ” ” ”

Samba/Samba-choro II Exemplos: • Lembrando Jacob


• Lembrando Waldir
• Lembrando Pixinguinha (1º e 2ª partes)
• Penal (2ª e 3ª parte)
• Choro pro Marc (3ª parte)

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15
À Base de Sopro
Para Nailor Proveta

Baião R = 116 Cláudio Menandro

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29


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16 Copyright © Cláudio Menandro | Todos os direitos reservados | All rights reserved.


À Base de Sopro
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cresc. poco a poco

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