Exu é um Orixá de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil difini-lo de maneira coerente.

Com caráter irascível, gosta de suscitar dissensões e disputas, de provocar acidentes e calamidades, públicos e privados. É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionários, assustados com estas características, assimilaram-no ao diabo, dele fazendo o símbolo de tudo o que é maldade, perversidade, abjeção, ódio, em oposição à bondade, à pureza, à elevação e ao amor de Deus. Entretanto, ele possui o seu lado bom e seu Exu é tratado com consideração reage favoravelmente, mostrando-se serviçal e prestativo. Se, pelo contrário, as pessoas se esquecem de lhe oferecer sacrifícios e oferendas, podem esperar todas as catástrofes. Exu revela-se, talvez, desta maneira, o mais humanos dos Orixás, nem completamente meu, nem completamente com. Ele tem suas qualidades além de seus defeitos, pois é dinâmico e jovial, constituindo-se, assim, em Orixá protetor, havendo mesmo pessoas que usam, orgulhosamente, na África, nomes tais como Exubiyi ("concebido por Exú") ou Exutosin ("Exu merece ser adorado"). Como personagem histórico, Exu teria sido um dos companheiros de Odudúa quando da sua chegada a Ifé, e chamava-se Exu Obassin. Tornou-se, mais tarde, um dos assistentes de Orunmilá que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo Epegá, Exu tornou-se rei de Ketu sob o nome de Exu Alaketu. É Exu que supervisiona as atividades do mercado do rei em cada cidade: o de Oyo é chamado Exu Akessan. No Brasil, dentre as variadas denominações recebidas por Exu, figuram estes dois últimos nomes. Ele é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. Serve como intermediário entre o Outro-Mundo e o mundo dos vivos, exercendo também as funções de mensageiros entre os homens e os deuses. É por este motivo que nada pode ser feito sem ele, e para Exu, antes que para qualquer outro Orixá, é que devem ser levadas as primeiras oferendas. No Brasil, Exu foi sincretizado com o Diabo. Não inspira, porém, grande terror pois sabe-se que quando tratado convenientemente, ele trabalha para o be, quer dizer, pode ser enviado para fazer o mal às pessoas más ou àquelas que nos prejudicam ou, ainda, aquelas que nos causam ressentimentos. Chamam-no, familiarmente, o Compadre ou o Homem das Encruzilhadas, pois é nestes lugares que se depositam, de preferência, as oferendas que lhe são destinadas. Poucas pessoas lhe são abertamente consagradas em razão deste suposto sincretismo com o Diabo. A tendência, logo que ele se manifesta, é de acalmá-lo, de fixá-lo, oferecendo lhe sacrifícios e procedendo a iniciação da pessoa interessada em proveito de seu irmão Ogun, com o qual Exu divide um caráter violento e arrebatado. O local consagrado a Exu é geralmente ar livre, ou no interior de uma pequena choupana isolada ou, ainda, atrás da porta da casa. É simbolizado por um tridente de ferro, plantado sobre um montículo de terra e, algumas vezes, por estatueta, igualmente de ferro, representando o Diabo brandindo o tridente. A segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. As pessoas que procuram a sua proteção usam colares preto e branco. As oferendas são constituídas por bodes e galos, pretos de preferência, e por pratos de comidas feitos no azeite de dendê. Não se deve jamais lhe oferecer um certo tipo de azeite, o Adí, extraído dos caroços e não da polpa do dendê. Este Adí tem a fama de ser portador de violência e de cólera. Um excelente meio de

se vingar vantajosamente de um inimigo, consistiria, diz-se, em derramar sobre a estátua de Exu o Adí, de preferência fervendo, declarando-se, em alta voz, que esta oferenda é feita à pedido da pessoa a quem se deseja prejudicar. Exu não deixaria de lhe pregar uma peça. Existem, na Bahia, vinte e um Exus, segundo uns, e sete, segundo outros. alguns desses nomes podem passar por apelidos, outros parecem ser letras dos cânticos ou fórmulas de louvores. Eis aqui alguns: Exu-Elegba ou Exu-Elegbará, assim como Exu-Bará ou Exu-Ibará ( cujo nome deriva-se, talvez, do precedente) Exu-Alaketu, Exu-Laalu, Exu-Jelu, Exu-Lonã, Exu-Akessan, Exu-Agbô, Exu-Larôye, Exu-Inan, Exu-Odara, Exu-Tiriri. Exu teve numerosas brigas com os outros Orixás, nem sempre saindo vencedor. Certas lendas nos contam seus sucessos e seus revezes nas relações com Oxalá, ao qual fez passar alguns maus momentos. Com intenções de se vingar, por não haver recebido certas oferendas, quando Oxalá foi enviado por Olodumaré, o Deus Supremo, para criar o mundo, Exu o incitou a beber o vinho de palma em excesso, daí resultando, como veremos, tristes conseqüências. Foi Exu, ainda, que entornou malicioasamente o conteúdo da barris de azeite de dendê sobre o Oxalá. Por outro lado, segundo outras lendas, Oxalá provou a sua superioridade durante um combate de múltiplas peripécias, numa disputa entre Exu e o Grande Orixá, para saber qual dos dois seria o mais antigo e, conseqüentemente, o mais respeitável. No decurso de uma competição, da mesma natureza, entre Exu e Obaluayé, foi este último que saiu igualmente vencedor. O lado malfazejo de Exu é o posto em evidência nas histórias seguintes: Uma delas, bastante conhecida, da qual existem numerosas variantes, conta como ele semeou discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro, e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, fixaram seus pontos de vista, sustentando-os com ardor e, logo depois, com cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro. Uma outra lenda mostra Exu mais maquiavélico ainda. Ele foi procurar uma rainha abandonada, já há algum tempo por seu marido e lhe disse: "Traga-me alguns fios da barba do rei e corte-os com esta faca. Eu lhe farei um amuleto que lhe trará de volta o seu marido". Em seguida, Exú foi à casa do filho da rainha que era o príncipe herdeiro. Esse vivia em uma residência situada fora dos limites do palácio do rei. O costume assim o determinava a fim de prevenir toda tentativa de assassinato de um soberano por um príncipe impaciente por subir ao trono. "O rei vai partir para a guerra, disse-lhe ele, e pede seu comparecimento essa noite no palácio, acompanhados por seus guerreiros". Finalmente, Exú foi ao rei e disselhe:"A Rainha, magoada com a sua frieza, deseja lhe matar-lhe para se vingar. Cuidado esta noite". E a noite veio. O rei deitou-se, fingiu dormir e viu, logo depois, a rainha aproximar uma faca de sua garganta. O que ela queria era arrancar um pouco da barba do rei, mas ele julgou que ela queria assassiná-lo, o rei desarmou-a e ambos lutaram fazendo grande barulho. O príncipe, que chegava ao palácio com seus guerreiros, escutou gritos nos aposentos do rei e correu até lá. Vendo o rei com uma faca nas mãos, pensou que ele queria matar sua mãe. Por seu lado, o rei, ao ver seu filho penetrar nos seus aposentos , no meio da noite, armado e seguido por seus guerreiros, acreditou que ele desejava assassinar-lhe. Gritou por

socorro, a sua guarda acudiu e, houve então, uma grande luta, seguida de massacre generalizado. Uma história mais simples mostra a atividade de Exú na vida cotidiana: "Uma mulher está no mercado vendendo os seus produtos, Exú põe fogo na sua casa, ela corre para lá, abandonando seus negócios no local. A mulher chega tarde, a casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou sua mercadorias".Nada disto teria acontecido - nem os amigos teriam brigado, nem o rei e o príncipe teriam sido massacrados, nem a mercadoria teria ficado arruinada se tivessem feito a Exú as oferendas e os sacrifícios usuais. O arquétipo de Exú era muito comum em nossa sociedade, onde proliferam pessoas com caráter ambivalente, ao mesmo tempo, boas e más, porém com inclinações para a maldade, o desatino, a obscenidade, a depravação e a corrupção. Pessoas que tem a arte de inspirar confiança e dela abusar, mas que apresentam, em contrapartida, a faculdade de inteligente compreensão dos problemas dos outros e a de dar poderosos conselhos, com tanto zelo que esperam recompensa. As cogitações intelectuais enganadoras e as intrigas políticas lhe convém particularmente e são para elas garantia certa de sucesso na vida. HISTÓRIA DO MODO COMO EXU SE TORNOU O DECANO DE TODOS OS ORIXÁ. A história do modo como Exu tomou a primazia das mãos de todos os orixás e embora que até então eram seus mais velhos quando exu tentava apodera-se do comando, foi consulta ifá (para saber) como esse pensamento poderia se tornar realidade e o que poderia ser feito para que esse pensamento se materializasse ele foi consultar o oráculo dos seguintes Babaláwo: bater-se desesperadamente não faz a anciedade a quem Olorun cria como senhor é aquele que chamamos de Pai na terra. Bater-se desesperadamente não faz a anciedade a quem Olorun cria como senhor é aquele que chamamos de Pai no espaço do orun. Todos eles jogaram ifá para Exu Odara, no dia em que ele foi procura o senhorio sobre os dezesseis Irúnmàlè, quando obteve a primazia sobre os dezesseis Irúnmàlè do mundo. Disseram, Você exu, disseram, você deve ofereçe um sacrífico, disseram, o sacríficio que você fará disseram, seria afim de que aquilo que você pensa venha a ser verdade. Exu perguntou o que deveria oferece em sacrífico Eles disseram: três pernas-de-papagaio-vermelho, ekódide, três galos de cristas “bem maduras”. Disseram que deveria adicionar quinze centavos e azeite de dendê e fazer uma oferenda de palmas recém-brotadas, màrìwò. Exu fez a oferenda a todos os Babaláwo. Depois que fez a oferenda, eles dessidiram lhe dar uma perna de papagaio vermelho. Disseram para levá-la sobre ele mesmo todo o tempo. Disseram para não se servir de sua cabeca para transportar nenhum carrego, disseram não antes de três meses. Então Exu se preparou: apanhou sua única perna-de-papagaio-vermelho, ekódide, e a colocou na cabeça. Quando Exu estava para partir, Olódùmarè teve um pensamento a partir da mensagem transmitida pela oferenda. Olódùmarè teve então essa idéia: gostaria de conhecer aquele que estivesse dando o melhor de si, zelando pelo bom andamento do mundo, entre todos os orixás e os ebora que ele tinha criado. Ele disse então que todos deveriam vir a fim de lhes perguntar até que ponto estavam adminstrando os assuntos da terra. Quando ele lhes pediu que viessem, cada um preparou as coisas com as quais adoraria Olódùmarè. Eles as arrumaram em pequenos carregos. Quando arrumaram todos esses carregos,

todos se reuniram, Orixála e Olófin e Ògúm, Ifa, Òxôssì, Sónikéré, Obagèdè, Obalufòn, Ifa, Orixaoko, Yemánja. Todos incluindo Oxum e os outros que se estavam preparando paras ficar prontos para partir em direção ao espaço aberto do Orun. Partiram em viagem, em fila “um atrás do outro”. Quando Exu se pois a caminho, se perguntou, se foçasse a carregar qualquer coisa agora, bem, será que a oferenda que estava de ser feita para que ele, bem será que tudo não ficária tudo inutilizado? Para isso, se lhe fizessem perguntas, saberia o que dizer: que era uma propriciação que tinha sido feita para que ele e que não deveria levar carrego naquele momento. Depois Exu apanhou sua perna-de-papagaio-vermelho, ekódide e a colocou na cabeça. Ele não colocou nenhum gorro. Todos os orixás, os que tinham colocado um gorro, os que tinham colocado coroa, os que tinham colocado chapéus, os que também levavam carrego, os que também levavam seus embrulhos na mão, mas Exu não levava nada e não colocou o gorro nem carregava algum pacote; assim iam todos eles. Quando alcançaram os espaço de Olódùmarè foram e colocaram-se em sua direção; quando estavam assim, foi ele próprio que lhes apareceu. Depois que Olódùmarè os fitou por um bom espaço de tempo, não lhe fez nenhuma pergunta sobre a maneira como se tinha conduzido na Terra, porque Olódùmarè e Olúmonokòn, aquele que conhece os corações. Fitando-os assim, disse, todos vocfês que estão lá em pé, e disse, a pessoa que carregou ekódide na cabeça, disse, que deveriam fá-lo aproxima-se. Assim que ele veio ele disse, você veio revelar isto: você é aquele que reuniu todos os habitantes da Terra e esteve fazendo trabalho para eles, disse, é pôr isso que você colocou o ekódide, em sua cabeça. Ele disse, os outros orixás trouxeram carregos atrás de você, disse, você é aquele que conduziu até aqui. Exu não disse nada. “Assim veja”, disse Exu. Nesse dia Olódùmarè disse a todos, numa resposta pronunciada num tom sem réplica: “quando vocês chegarem a seus lugares de morada, para onde retornarão, tudo o que deve fazer, aquele que foi seu líder, que carregou o emblema Egán em sua cabeça, é a quem você deve procura e falar. Ele deverá trazer-me todas as sugestões de vocês, porque hoje vocês mostraram que aquele que os guiou para que pudessem submeter-me suas sugestões. Antes de as pôr em execução, é ele. “É pôr isso Ele viu Egán em sua cabeça. E ninguém discutiu. Es como Exu veio a conduzilos todos devota a terra nesse particular momento. A canção que eles cantaram nesse dias, no caminho de volta, dizia: Èxú não levou carregou de homenagem e submissão, Exú não levou carregou de homenagem e submissão; (porque) Egán Vermelho erguia-se destacando-se em sua cabeça; Exú não podia levar carrego de homenagem e submissão. Assim, Exú retornou à Terra; quando chegou à Terra, Ele disse então que daria uma festa comemorativa porque Olódùmarè lhe tinha dado poder e status conhecidos de todos os Òrixá; aqueles que ignorassem a autoridade de Exú, Exú faria com eles como a corda dobra o arco e como Àrìnàkò se abate sobre o caracol. E Exú festejou o alegre acontecimento entre os quatrocentos Irúnmàlè do lado direto e os duzentos malè do lado esquerdo. Pôr essa razão, todos os Orixá começaram a imitar seu costume colocando a pena ekódide como emblema de axé durante seus ritos de celebração anual ou como emblema de sacrifício cada vez que eram realizados. É pôr isso que a pena ekódide, se tornou um preceito tradicional para todos eles. Essa pena-de-papagaiovermelho, Exú foi o primeiro a levá-la aos vastos espaços do òrun de acordo com

onde for iniciado. ao qual é preciso fazer apelo para que ele lhes providencie o alimento. em país Yorubá. escultores de madeira. depois dos quais ela pode retirar esse Egán. o deus do ferro. aquele que vai à frente de todas as pessoas da Terra. aquele a quem Olórun cria o sênior é aquele que chamamos Pai do Orun. Este é o axé de Exú cujo poder lhe foi dado pôr Olódùmarè. barbeiros. os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura vieram se juntar ao grupo de seus fiéis. e ela não deve colocar carrego sobre sua cabeça durante sete dias. Exú Odàrà! É ele. nos séculos anteriores não . Ogun é sobretudo conhecido como Deus dos Guerreiros. quando ele se serviu disso para conquistar o senhorio sobre todos os orixá. No Brasil. Essa pena-de-papagaio-vermelho foi utilizada pôr Exú para tomar a soberania das mãos de todos os Orixá naquele tempo. Desde o início do século. se é para isso que ele o colocou em sua cabeça. Eis como Exú ganhou a soberania daquele tempo até agora. os motoristas de automóveis ou de trens. Perdeu sua posição de protetor dos agricultores. Salvo se essa pessoa se serviu disso quando de um oferenda dirigida aos Irúnmàlè ou ao Orixás. Eles lhe agradecia sinceramente. dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam este metal: agricultores. sobre a maneira como apossar-se do senhorio. Não existe ninguém que coma ou esteja instalado com realeza. . Esses foram os sacerdotes que consultaram Ifá para Exú Odàrà quando ele queria tomar o senhorio das mãos dos dezesseis Irúnmàlè. Só pôr essa razão é que ela pode não provocar a cólera de Exú. É pôr isso que essa pena-depapagaio-vermelho foi chamada Egán. Exú Odara é aquele. dos quatrocentos Irúnmàlè da direta e dos duzentos malè da esquerda. carpinteiros. Ele começou então a elogiar os sacerdotes de Ifá. caçadores.Bater-se desesperadamente não faz a ancianidade. se alguém o coloca em sua cabeça para vincar e se permanecer algum tempo. ao qual é preciso fazer apelo para que ele lhes providencie a bebida. sem que haja recorrido a Exú primeiro. É pôr isso que o colocar um ekódide na cabeça leva o nome de Egán. quando vocês se levantam. Exú Odàrà! É aquele que guiou todos os Irúnmàlè de retorno à Terra. os mecânicos. quando vocês se levantam. Cada vez que se quer iniciar alguém no culto de Ifá até hoje. pela Segunda vez. coloca-se esse Egán na cabeça dessa pessoa. É assim que Òsetùá conta essa história sobre Exú. a quem Olórun cria como um Sênior é aquele que chamamos Pai na Terra. Então Exú tornou-se o asiwájú. marceneiros. açougueiros. Nenhuma pessoa deve colocar a pena para brincar. pois os escravos. Então as pessoas disseram: demos a Exú o que lhe é de direito para não causar seu descontentamento de maneira a que o que desejamos fazer chegue ao bom termo. até hoje.que ele havia escutado dos babaláwo que tinham consultado o oráculo Ifá para ele. VOLTAR Ogun Ogun é na África. essa pessoa provoca a cólera de Exú.

cuja paciência é pequena. em número de sete. 5. furtivamente o olhava.º da lista). torquês. Ogun lançou-se a sua perseguição. Descobriu alguns potes destinados a vinho de palma. ligado a Ogun. feita co pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas. Um dia. de escultor. um simples diadema. por seu lado. afirma o contador da história. recebendo ele o nome de Ogun Mejê (1. para ele . Ogun Onirê. sendo chamado Ogun Oniré (3. sete nomes: 1. alusão a sete vilarejos. ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. porém. alinhados todos sobre uma haste de ferro: lança. enxó. Ogun ofereceu a Oyá uma vara de ferro. Foi autorizado a usar. ela fugiu com ele. agrícolas. Ogunjá. Apossou-se drrra cidade de Iré. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ogun Wari.antes de se tornar mulher de Xangô Ela ajudava Ogun no seu trabalho. freqüentemente. No Brasil. Xangô era muito elegante. Ele não reconhecia o local por ter ficado ausente durante muito tempo. não procuravam sua proteção nesse domínio. após numerosos anos ausente de Irê. no dia de sua chegada. A origem deste número sete. tendo. parecida com uma de sua propriedade. esta. 2.º da lista) . Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá e. de caçador. etc.º da lista). ogun nunca teve direito de usar uma coroa. mas ignorava que estivessem vazios. Ogun Alagmedé. chamado Akorô. no decorrer de uma luta. espada. Como deus dos caçadores ele foi substituído por Oxossi cujo culto era muito popular em Ketu.º da lista). Ogun. ponta de flecha. usando ele mesmo o título de Oniré. Ogun é uma única divindade. Este número sete. emblema de realeza par os Yorubás. matou o rei. dissimulando o rosto. é representado nos locais que lhe são consagrados por instrumentos de ferro forjado. O nome Ogun Mejê teria a sua origem na frase em Yorubá Ogun Mejê Mejê Lodê Iré (Ogun está nas sete partes do Iré"). voltar para visitar seu filho. hoje desaparecidos. 4. celebravam. de ferreiro. um belo dia. e do número nove em relação a OyáYansã nos é relatada por uma lenda onde Oyá era a companheira de Ogun Alagbedê (2. Ogun Ominí. aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso. sendo assim. uma cerimônia durante a qual os participantes não podiam falar. Ogun Mejê. levava docilmente suas ferramentas da casa para a oficina e. muito elegante mesmo. Guerreou contra a cidade de Ará e destruiu. Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fimde apreciar Ogun bater o ferro e. enxadas. que teriam existido em volta de Iré. símbolos de suas atividades guerreiras. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. 6.Ogun o ferreiro . Ogun teria sido o filho mais velho de Odudúa. lá. Por razões que ignoramos. Infelizmente as pessoas da cidade. Ogun tinha fome e sede. lançava olhares a Oyá. Ogun foi dividido em sete partes e Oyá em nove. e isto lhe valeu ser saudado como Ogun Alakorô (4. quatorze ou vinte e um. sobre pretexto algum. o fundador de Ifé. assim. 7. facão.possuíam interesse pessoal na abundância e na qualidade das colheitas e. apenas. 3. enfureceu-se com o silêncio geral. E. que lhe é associado. e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres quepor ela fossem tocados. Ogun Alakorô. Ogun decidiu. rei do Iré. Ade. Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. local de origem dos escravos libertos que criaram os primeiros candomblés da Bahia.

é despachado. as pessoas consagradas a Ogun usam colares de conta de vidro azulescuro e. Na África. oferecendo-lhe as suas comidas prediletas. é sempre Ogun que desfila na frente. os potes e. Teve numerosas aventuras galantes quando partia para as guerras.considerado ofensivo. devidamente desfiadas. É o primeiro. ou um objeto de ferro. O culto de Ogun é bastante difundido no conjunto dos territórios onde se fala o Yorubá e ultrapassa as fronteiras dos países vizinhos. no momento em que a cabeça do animal é decepada com uma faca . Seu nome é sempre mencionado. . verde. os locais consagrados a Ogun ficam ao ar livre. assim.º nome da lista). tocando com a ponta da língua a lâmina de uma faca. por ocasião de sacrifícios dedicados aos diversos Orixás. Era. tais como cães e caramujos. evocando-se o nome de Ogun. quando a tecelagem ainda não tinha sido inventada. Satisfeito e calmo. realizam-se sacrifícios de cachorros e de galos. com Obá. os habitantes de Iré cantavam louvores onde não faltava a menção a Ogunjajá. mulher de Xangô. na entrada dos palácios dos reis e nos mercados. este"recém-chegado" !!! Ogun é também representado por franjas de folhas de dendezeiro. até que seu filho apareceu. como Oxossi e Oranmiyan.oque lhe valeu o nome de Ogunjá ( 5. mais tarde. Gegês. representam proteções e barreiras contra as más influências. em outros tempos. algumas vezes. o pai de diversos outros Orixás.da qual ele é o senhor . Ogun foi o primeiro madiro de Oyá-Yansã. começou a cortar a cabeça das pessoas mais próximas. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede. também. "abrindo o caminho" para os outros Orixás. Nestes locais. é sinal de sinceridade absoluta. a roupa por ele usada."Ogun come cachorro". ( Ceiba Pentandra) e protegidas por uma cerca de nativos. no entanto. ou na entrada dos caminhos. segundo se diz. feijões regados com azeite de dendê e potes de vinho de palma. aquela que se tornaria. com golpes de sabre. A vida amorosa desse Orixá caracteriza-se pela instabilidade. comparável àquele que faria um cristão sobre a Bíblia ou um muçulmano sobre o Corão. transformando-se em Orixá. tornando-se. devidamente cumprimentado. para provar sua maior antiguidade de vinda ao mundo. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra a dentro. Ogun-Gun é respeitado e temido. no decorrer de uma discussão. como veremos mais tarde.e o sangue começa a escorrer. a terceira mulher de Xangô. relações com Oxun antes que ela fosse viver com Oxossi e com Xangô. no Daomé e no Togo. chamadas Mariwó. também. Araba. logo depois. se recusaram a utilizar facas de ferro forjado por Ogun. Estes Mareiwós. Ogun lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Começou a quebrar. se insurgiram contra ela e. contestada por Obaluayé e Nanan Buruku que. a ser saudado depois de Exú. Em todos estes países. é mais solene e digno de fé que se possa imaginar. Peregún (Draceana fragans) ou de Akoko (Newboldia laevis). São geralmente pedras em forma de bigorna colocadas sob uma grande árvore. sem poder se conter. que vem da frase Ogun je ajá . No momento da entrada dos Orixás manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas. Esta primazia foi. Tomá-lo como testemunha. pendurados em cima da porta e das janelas de uma casa. periodicamente. Um juramento feito. onde é chamado de Gun. E. também. Teve. No Brasil.

Oranmiyan, ao que se diz, fora concebido em condições muito particulares, dificilmente aceitas por um geneticista, pois teria tido dois pais ao mesmo tempo... De acordo com a lenda, Ogun, no decorrer de suas expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotum, saqueou-a, dela retirando valiosos despojos. Uma prisioneira de rara beleza, Lakanjé, agradou-o ele não respeitou a sua virtude. Mais tarde, quando a mesma mulher foi vista por Odudúa ( pai de Ogun) este mostrou-se igualmente perturbado, desejou possuí-la, tornando a finalmente como uma de suas mulheres. Ogun, amedrontado, não revelou a seu pai o que havia se passado entre ele e a bela prisioneira. Nove mês mais tarde, Oranmiyan vinha ao mundo . Seu corpo, entretanto, estava dividido verticalmente em duas dores: marrom de um lado, pois Ogun possuía a cor escura, e amarelo do outro, como Ododúa, que era bastante claro de pele. Oranmiyan tornou-se um temido guerreiro, estabeleceu aliança com Elempe, rei do país Tapa-Nupé, casando-se com sua filha Torossí. Desta união nasceu Xangô, do qual falaremos mais tarde. Oranmiyan fundou o reino de Oyo, onde colocou sobre o trono Dada-Ajaka, seu filho mais velho, concebido com outra mulher; instalou seu terceiro filho, Eweka, como rei de Benin e tornou-se, ele próprio, Oni, rei de Ifé, depois da morte de Ododúa. As saudações, Oriki, festa a Ogun na África demonstram seu caráter aterrador e violento: Ogun que tendo água em casa, se lava com sangue. Os prazeres de Ogun são os combates e as lutas. Ogun come cachorro e bebe vinho de palma. Ogun, o violento guerreiro. O homem louco com músculos de aço. o terrível Ebora que se morde a si próprio sem piedade. Ogun que come vermes sem vomitar. Ele mata o marido no fogo e a mulher à beira do fogareiro. Ele mata tanto o ladrão como o proprietário da coisa roubada. Ele mata tanto o proprietário da coisa roubada como aquele que critica esta ação. O arquétipo de Ogun é o das pessoas violentas, brigonas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda esperança. Das que possuem humor mutável, passando furiosos acessos da raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por

uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. VOLTAR Oxossi, deus dos caçadores, seria irmão mais jovem ou filho de Ogun. Seu culto encontra-se quase extinto na África, nos países de língua Yorubá, no entanto é muito difundido no Novo Mundo, tanto no Brasil quanto em Cuba. Isto explica-se, talvez, pelo fato de Kétu, na África, haver sido completamente destruído e saqueado pelas tropas do rei Daomé, no século passado, sendo os seus habitantes vendidos como escravos para o Brasil e para a Cuba, inclusive os iniciados no Culto de Oxossi, chegou-se a tal ponto que, embora existindo ainda, em Kétu, os locais onde Oxossi recebia outrora oferendas e sacrifícios, já não existem, atualmente, pessoas que saibam ou desejam cultuá-lo. No Brasil, seus numerosos iniciados usam colares de cor verde ou azul claro quinta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado; Oxossi tem como o símbolo, tanto na África como no Brasil, um arco e flecha de ferro batido; sacrificam-lhe porcos e são-lhe oferecidos pratos de Axoxo, milho fervido, servido com pedaços da polpa de coco. Oxossi é sincretizado na Bahia com São Jorge e, no rio de Janeiro, com São Sebastião. No decorrer das cerimônias públicas do Xiré dos Orixás, ele segura em uma das mãos o arco e a flecha, seus símbolos, e tem na outra um Erukerê, espanta-moscas, insígnia de dignidade dos reis da África e que lembra e ter sido ele so rei de Kétu. Suas danças imitam a caça, a perseguição do animal e o arremesso da flecha. É sau dado com o grito Oké A importância de Oxossi deve-se, na África, a diversos fatores: O primeiro, era descoberta, no decorrer de suas expedições, de local favorável ao estabelecimento de uma roça ou de um vilarejo. Tornava-se, assim, o primeiro ocupante do lugar e senhor da terra, Onilé, com autoridade sobre os habitantes que aí viessem a se instalar posteriormente. O terceiro, de ordem administrativa e policial pois, outrora, os caçadores, Odés, eram os únicos a possuir armas nos vilarejos, servindo também como guardas noturnos, Oxós. uma lenda explica a origem do nome de Oxossi: "Olofin Odudúa, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, esquecendo-se, porém, de fazer uma oferenda às feiticeiras. Havia grande multidão no pátio do Palácio Real. Olofin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto que escravos o abanavam e espantavam moscas, tambores batiam e louvores eram entoados em sua honra. Os convivas conversavam alegremente, e felizes festejavam o vento, comendo os inhames novos e bebendo vinho de palma. Subitamente, um pássaro gigantesco planou sobre a multidão, indo se empoleirar sobre o teto do prédio central do Palácio do Rei. Este pássaro malvado era mandado pelas feiticeiras, chamadas Eleyés, proprietárias de pássaros utilizados na realização de nefastos trabalhos. No Palácio reinava a confusão e o desespero. Foram procurados, sucessivamente, quatro Oxós, caçadores guardiães da noite, chamados respectivamente de Oxotôgun, o atirador de vinte flechas, Oxotoji, o atirador de quarenta flechas, Oxatadotá, o atirador de cinqüenta flechas e Oxótakanxoxo, o atirador de uma única flecha. Nenhum dos três primeiros - todos muitos seguros de si mesmo um pouco fanfarrões - conseguiu

atingir o pássaro, apesar de possuírem, todos eles, grande habilidade. O pássaro, de proporções gigantescas, era protegido pelo poder das feiticeiras. Quando chegou a vez de Oxótakanxoxo, sua mãe foi consultar um Babalaô que lhe declarou o seguinte: "Seu filho está somente a um passo, seja da morte, seja da riqueza. Faça uma oferenda e a morte se transforma em riqueza". Ela foi depositar, então, na estrada, uma galinha que havia sido sacrificada, cortando-lhe e abrindo-lhe o peito, pois essa foi a boa maneira de se fazer uma oferenda às feiticeiras. A mãe de Oxátakanxoxô pronunciou três vezes um encantamento: "Que o peito do pássaro aceite esta oferenda!!!" Era o momento preciso em que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro deixara relaxar, exatamente agora, o seu poder protetor, o qual teria impedido a oferenda de chegar ao seu peito e, assim, a flecha de Oxátakanxoxô o atingiu em cheio. Ele caiu pesadamente ao chão e morreu. Todo mundo se pôs a cantar e a dançar: "Oxowusi! Oxo é popular! Oxowusi! Oxo é popular!" Com o passar do tempo, Oxowusi transformela ou-se em Oxossi. Conta-se no Brasil, que Oxossi era irmão de Ogun e de Exú, todos três filhos de Yemanjá. Exú, por ser indisciplinado e insolente com sua mãe, foi por mandado embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogun trabalhava no campo e Oxossi caçava nas florestas vizinhas. A casa encontrava-se, assim, abastecida de produtos agrícolas e de caça. Yemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um Babalaô. Este aconselhou não mais deixar Oxossi ir à caça, pois se arriscava a encontrar Osanyin, aquele que possuía o conhecimento das virtudes das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxossi ficaria exposto, assim, a um feitiço de Ossanyin para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Em vista disto, Yemanjá ordenou ao filho que renunciasse às suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou as suas incursões à floresta. Partia em companhia de outros caçadores que tinham o hábito de, ao chegarem aopé de uma grande árvore, Iroko (Chlorophora excelsa), se separarem, indo à caça isoladamente, para se encontrarem, no final do dia, no mesmo local. Certa noite, Oxossi não voltou ao local do encontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele tinha encontrado Ossanyin que o convidou à beber uma poção onde certas folhas tinham sido maceradas, caindo assim em estado de amnésia. Não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, pois, vivendo em companhia de ossanyin, como havia previsto o Babalaô. Ogun, inquieto pela ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas Yemanjá , irritada, não quis receber o filho desobediente. Revoltado com a intransigência materna, Ogun recusou-se a continuar em casa. É por este motivo que o local consagrado a ogun encontra-se sempre ao ar livre. Quanto a Oxossi, este preferiu voltar para a floresta, para perto de Ossanyin, Yemanjá desesperada por ter perdido os três filhos, transformou-se em um rio. O contador desta lenda, no Brasil, destaca o fato de que "estes quatro deuses Yorubás-Exú, Ogun, Oxossi e Ossanyin - são igualmente simbolizados por objetos em ferro forjado e vivem todos eles ao ar livre". O arquétipo de Oxossi é aquele das pessoas espertas, rápidas, sempre alertas e em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre na pista de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família, são hospitaleiras, generosas, amigas de ordem, mas gostam muito de trocar de local de residência e achar novos meios de existência em detrimento,

algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma. Uma lenda explica como surgiu o nome de Òsóòsì, derivado de Òsówusì (“o guarda-noturno é popular’’): “Olófin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, um ritual indispensável no início da colheita, antes do quê, ninguém podia comer desses inhames. Chegado o dia, um grande multidão reuniuse no pátio do palácio real. Olófin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto os escravos o abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e louvores eram entoados para saudá-lo. As pessoas reunidas conversavam e festejavam alegremente, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma. Subitamente um pássaro gigantesco voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do prédio central do palácio. Esse pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi Òsòròngà, chamadas também as Eléye, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas utilizam-nos para realizar seus nefastos trabalhos. A confusão e o desespero tomaram conta da multidão. Decidiram, então, trazer, sucessivamente, Oxotogun, o caçador das vinte flechadas, de Idô; Oxotogí, o caçador das quarenta flechas, de Moré; Oxotadotá, o caçador das cinqüenta flechas, de Ilarê, e finalmente Oxotokanxoxô, o caçador de uma só flecha, de Iremã. Os três primeiros, muito seguros de si e um tanto fanfarrões, fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar do tamanho deste e da habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô, filho único, sua mãe foi rapidamente consultar um babalaô, que lhe declarou: “Seu filho está a um passo da morte ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza”. Ela foi então colocar na estrada uma galinha, que havia sacrificado, abrindo-lhe o peito, como devem ser feitas as oferendas às feiticeiras, e dizendo três vezes: “Que o peito do pássaro receba esta oferenda”. Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu peito, mas foi a flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro caiu pesadamente, se debateu e morreu. Todo mundo começou a dançar e a cantar: “Oxó (Òsó) é popular! Oxó é popular! Oxowussi (Òsówusì)! Oxowussi!! Oxowussi!!!” Com o tempo, Òsówusì transformou-se em Òsóòsì. Conta-se no Brasil que Oxóssi era irmão de Ogum e de Exu, todos os três filhos de Iemanjá. Exu era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Oxossi caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casa estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Oxóssi saísse à caça, pois arriscava-se a encontrar Ossaim, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxóssi ficaria exposto a um feitiço de Ossaim para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu, então, que Oxóssi renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou suas incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrókò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrarse no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Oxóssi não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele havia encontrado Ossaim e este dera-lhe para beber uma porção onde foram maceradas certas folhas, como a amúnimúyè, cujo nome significa “apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência”, o que provocou em Oxóssi uma amnésia. Ele não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossaim, como

revoltado pela intransigência materna. Ele o trouxe de volta.predissera o babalaô. e Iemanjá. chamado Ògùn ( não confundir com Ògún. Oxóssi voltou para a companhia de Ossaim. Ogum. recusou-se a continuar em casa (é por isso que o lugar consagrado a Ogum está sempre instalado ao ar livre). O narrador desta lenda chamou atenção para o fato de que “esses quatro deuses Iorubás. Ogum. inquieto com a ausência do irmão.Exu. mas Iemanjá não quis mais receber o filho desobediente. desesperada por ter perdido seus filhos. encontrando-o nas profundezas da floresta. transformou-se num rio. Oxóssi e Ossaim – são igualmente simbolizados por objetos de ferro forjado e vivem todos ao ar livr voltar próxima Ode onija Sese lehin aso Ee ko po de Oju t'ori egbin ko fo Ojo po iya ma bi A kere togbonsinon Ode ko ti ku agbanli O si'di bata leriebe Ode nwo mo eru nba mi Caçador que fightsÒsóòsì nunca é distante atrás do criminalThe um que é prendido à corda não morra de um truque que Ele não vomita de sufferingHe é o caçador de smallThe não atira ao doeHe morto senta nos olhares de fieldÒsóòsì a mim e eu tenho medo . o orixá). partiu à sua procura. Ogum.

o òrìsà da caça também é conhecido como Ochosi e Oshosi em Cuba e Norte a América e Oxossi ou Ode no Brasil.. a iconografia dele não está precisamente repleta com escultura suntuosa ou bordado de contas achados para o òrìsà mais viável " como o Sàngó e cultos de Èsù. Há muitos padres iniciados a esta deidade no Brasil.Altar de Òsóòsì cobriu com amoreira-preta. ele é um das cabeças " mais populares " achada entre as nações. foi sujeitada a ataques repetidos por Dahomey de 1789 onwards. Ele parece ter escapado (escondido de?) a atenção de ethnologists de Yorùbá principalmente porque o culto dele é tão exclusivo e concentrado a certas áreas geográficas. Òsóòsì. O culto de Òsóòsì floresceu em Cuba e Brasil. mas infelizmente tem mas quase desapareceu em dia presente a África.) A predominância de influência de Ketu na expressão brasileira de tradição de òrìsà. e unquestionably. Maceiro 1981. Lukumi Oshosì altar . Isto resultou na maioria vasta dos padres de Òsóòsì que são escravizados e transportou para o Mundo Novo (Matory 1994. A razão histórica para este ser que Ketu. Candomblé (o Ketu e nações de Fon em particular) ajudou o culto de Òsóòsì para florescer até dia presente. Também. Smith 1988:58. Nigéria. o Beninois reino de Yorùbá onde Òsóòsì era altamente venerado. Imeko.

Maceiro (1954) em de fala de nos Ketu um de é Olòsányìn. Ele é notado ser um grande mágico. devido ao tempo dele gastado na aprendizagem de floresta os segredos de folhas e medicina de Òsányìn. é freqüentemente um caçador que acha chão novo satisfatório para estabelecer fazendas ou determinações. Acerbamente. há várias teorias porém nas origens do name. magia com negativo ou conotações malignas. sabe quais venenos para usar para cair o dele ' prey'. Cor castanha (Cimarrones) escapando dos mestres de Colonialista atraíram a Òsóòsì para assegurar a segurança deles/delas e invisibilidade em face a adversidade. (o padre de Òsányìn) treinou na preparação de medicina herbária e talismans que são o guardião de Òsóòsì. O funcionamento com a esquerda ou mão esquerda alude aos poderes das bruxas. Representa de Isto um transição de vida nômade para subsistência agrícola. Òsóòsì é fundador do e patriarca de ordem comunidade de e social. nosso ser de palavras eficaz e tendo o poder de bater a marca deles/delas e ser efetivo. Òsóòsì médico de é. E assim nesta circunstância. Àrònì (em de Aroni Lukumi) e Aja (em de Ayao Lukumi).Òsóòsì dele é um òrìsà importante por várias razões. Òsóòsì pela mesma natureza dele de ser o Caçador. . ao longo do tempo de escravidão. Ele é nosso método de sobrevivência. Adicionalmente. Òsóòsì foi fragmentado e foi traduzido por alguns para significar mão esquerda literalmente " feiticeiro " Òsó-òsì. Òsóòsì e Èsù são então o segredo de ofo-àse. Ele é nosso defensor físico e provedor de alimento. Lukumi Oshosi altar with Ode Também unida com nosso bem-estar.Òsóòsì é muito importante ao Lukumi. Nossas metas são alcançadas e palavras fizeram efetivo devido à pontaria de Òsóòsì e orientação e o papel comunicativo de Èsù permitindo para nossas palavras alcançar as orelhas sem ser entendida mal. com medicinas potentes feitas das folhas da floresta. Etimologicamente.

Todos os animais que ele matou. eu uso um fez " Elenco para Vestuário elegante quando eles disseram que ele não pudesse ser rico. " Eu sirvo e sirvo. Òsóòsì é médico. eles formaram um clube. Òsóòsì é o fundador e patriarca de ordem social e comunidade. eu uso duzentas contas. " Sim eu sirvo. Quando ele matou um animal. Maceiro (1954) nos fala em Ketu é um Olòsányìn. eu sirvo. Àrònì (Aroni em Lukumi) e Aja (Ayao em Lukumi). As pessoas de vestuário elegante. eu uso uma coroa de cowries. (o padre de Òsányìn) treinou na preparação de medicina herbária e talismans que são o guardião de Òsóòsì. Orisha diz que nós deveríamos ir e deveríamos fazer um sacrifício. " Eu sirvo. Adicionalmente. Eles disseram que eles fariam gowns¹ Vestuário elegante disse " certo ". . Vestuário elegante estava fazendo assim. Já na vida dele. Vestuário elegante nunca manteve qualquer coisa para ele. Orisha diz que esta pessoa deveria ir e deveria sacrificar a Orishala. devido ao tempo dele gastado na aprendizagem de floresta os segredos de folhas e medicina de Òsányìn.Lukumi Oshosì altar Também unida com nosso bem-estar. ele deu isto a Orisha. Orisha diz que ele não deveria servir qualquer mais para qualquer um. é freqüentemente um caçador que acha chão novo satisfatório para estabelecer fazendas ou determinações. Havia Vestuário elegante. Isto representa a transição de vida nômade para subsistência agrícola.Irosun Orisha diz que onde nós lançamos Quatro Anciões. Ele serviu Orisha com eles. Orisha diz que ele está servindo alguém. ele era um caçador. E assim nesta circunstância.

E Vestuário elegante ficou rico. eu sirvo. " Eu sirvo. Quando o dia veio Tudo deles fez " guiné-fowl³ " vestidos. . Ele disse que o diviners dele tinham falado a verdade. E Vestuário elegante estava tendo dinheiro. Quando Orisha levou o vestido. " Sim eu sirvo. eu uso um fez " Vestuário elegante foi o para o que eles lançaram. eu uso uma coroa de cowries. ele estava alegrando. " Eu sirvo e sirvo. Eles se prostraram antes dele. Eles disseram que ele nunca pudesse ser rico na vida dele. E o diviners estavam elogiando Orisha. ele faria um vestido. Ele levou um vestido de contas e pôs isto em Finery. E ele foi e contou para Orisha² Orisha disse que ele não deveria preocupar. Vestidos de pano branco. eles os fizeram. alguns não fizeram. Ele estava elogiando o diviners. eu uso duzentas contas. eles os fariam.Os vestidos que eles usariam para o festival anual deles/delas.4 Quando Vestuário elegante se apareceu antes deles Eles não puderam resistir ele qualquer mais. Eles fizeram os vestidos deles/delas. Ele estava dançando. Eles se prostraram antes dele. e Vestuário elegante era rico. Vestuário elegante ultrapassou todos os outros. Alguns os fizeram de seda selvagem.

Em um das lendas do Odu Eji-oko. ³ O nome de um padrão têxtil popular 4 uma terceira versão soma um boné de beaded e calças compridas de beaded (Bascom. os símbolos de Oshosi. Isto é como Oshosi veio usar um vestido de beaded até hoje. ele é um sócio do tribunal real e ocupa um cargo exaltado. Obàtálá deu o movimento rápido de mosca de rabo de cavalo (' irukere') para Òsóòsì embora ele não seja um ' òrìsà de royal'. Como nós sabemos vestuário elegante? Ele é o um nós estamos chamando Oshosi Onde nós vemos Quatro Deidades Anciãs na bandeja. e que ele caçou com setas.Vestuário elegante estava tendo as crianças. As nações de Candomblé várias de Brasil consideram Òsóòsì (ou como ele mais geralmente é conhecido. criança de " Um que sem usos trabalhando um vestido de contas ". Porém aqui eles fazem tipos diferentes de vestidos ² que Outro registrou que versão soma. ¹ Yoruba bate customarily fazem fantasias idênticas de forma que os sócios deles/delas pode ser identificada prontamente quando eles saíres junto. Aworo Ose (o padre de cabeça de Obàtálá & Òsóòsì) permaneceu dentro da combinação. o primeiro ser em Èsù. mas o àwòrò executaram os ritos para Osoosi. Nenhum sacrifício foi feito ou oríkì cantado para Obatala. página 144) descreva parte de um festival segurada anualmente para Obàtálá em Ila Orangun que inclui honouring Òsóòsì: ' No sexto dia. Agarrando o arco e seta de Osoosi na mão esquerda dele. Vestuário elegante. John Pemberton III e Afolayan (1996.As serve uma deidade de caçador. Òsóòsì é conhecido como o guardião de Obàtálá. o padre dançou A Pedra de Osoosi " ao redor " (Okuta Osoosi) . Suavemente. No ìtàn (story/myth) a casa de Aworo Ose diz que Osoosi veio de Ile Ife e era um caçador que protegeu Obatala' Ìlekè Òsóòsì . " porque ele também não teve dinheiro " que também soma aquele Orisha lhe deu bronze e setas de cobre. 1980) Muitas canções de Lukumi e narrativas falam de Òsóòsì e a proximidade de unrivalled de Obàtálá. dele se lembra ainda.. Embora o culto de Òsóòsì possa ser diminuído totalmente em Yorùbáland hoje. um cachorro foi sacrificado a Osoosi. Ele é considerado quase uma deidade de funfun devido à natureza dele e posição exaltada. é venerado e é venerado. caracóis e um galo. ele é elogiado freqüentemente como o Alaketu. como também uma cabra masculina. Ode) de estado real. segundo Rei de Ketu..

De acordo com Denis Williams (1974) estas pulseiras. O ìfúnpá é usado no braço superior e " manipulou para produzir engasgamento no inimigo . Detalhe de um tassle de um mazo " pequeno " decorava igba Òsóòsì (a tigela de Òsóòsì) Pulseiras com um desígnio espiral são usadas como parte da regalia dos Caçadores achada na tradição de Lukumi. O colar também tem acentos de coral vermelho. são levados ìfúnpá chamado com outros charmes e medicina.O colar de Òsóòsì é tradicionalmente dobre encalhado com azul e amber/honey. Algumas linhas de tradição também somam cowries. normalmente em padrões de sete e quatorze. quando não em uso amarrou ao colete do caçador. Aqui mostrada em marfim e prata.. jato e ouro.

atravessaram. segundo se diz no Brasil. Por causa desta união com Aroni. devem ter cuidado em deixar uma oferenda em dinheiro. Os curandeiros. com uma única perna e. hoje cordiais e de franca colaboração.a força. ele gritou: "Ewé O!! Ewé O!!. As lendas refletem as lutas de precedência e de prestígio . esta mesma haste é cercada por seis varetas pontuadas dirigidas em leque para o alto. O símbolo de Ossanyin é uma haste de ferro tendo ao alto um pássaro de ferro forjado. sem dirigir a palavra a ninguém. volta e se empoleira sobre a cabeça de Ossanyin para lhe fazer o seu relato. Oh! as folhas! Oh! as folhas!!" mas não pôde impedir que os deuses as pegassem e as repartissem entre si". Além disso. onde as plantas crescem livremente. Este símbolo do pássaro representa o Axé. no passado. proprietárias do Pássaro-Poder. O nome das plantas. comparável ao Saci-pererê. porque Ossanyin vive na floresta. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém. o poder bem conhecido das feiticeiras. que possuem duas patas.VOLTAR Ossanyin é o deus das plantas medicinais e litúrgicas. Aquelas cultivadas nos jardins devem ser desprezadas. no chão. Ossanyin é saudado com a frase seguinte: "Holá! Proprietáriode-uma-única-perna-que-come-o-proprietário-de-duas-pernas!".imprescindível até mesmo aos próprios deuses. fumando permanenemente um cachimbo feito de casca de caramujo. a sua utilização e os encantamentos que seu poder são os elementos mais secretos do ritual dos cultos aos deuses Yorubás. sempre em lugar selvagem. Cada divindade tem suas ervas e suas folhas particulares. Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e essa tinha se quebrado ao bater no chão. logo que cheguem ao local da colheita. sendo ele o detentor do Axé . o poder . Oyá-Yansã. elas mesmas freqüentemente chamadas Eleyés. abstendo-se em relações sexuais na noite precedendo e indo à floresta. Ossayin guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de árvore. que somente Ossanyin conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros deuses estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. durante a madrugada. alusão às oferendas de galos e pombos. o senhor das adivinhações. impetuosamente. a Ossanyin-Aroni. períodos de rivalidade. sobre a reparticão das folhas entre as diversas divindades: "Ossanyin havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. um anãozinho. Ossanyin está estreitamente ligado a Orunmila.enfiada numa vara oca e cheia de suas folhas favoritas. até o dia em que Xangô se queixou à sua mulher. Um vento violento começou a soprar. senhora dos ventos. em companhia de Aroni. A sua importância é fundamental pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença. difundida em Cuba. de acordo com a personalidade do deus. O pássaro é a representação do poder de Ossanyin: é o mensageiro que vai à toda parte. dotadas de virtudes. devem fazê-lo em estado de pureza. Oyá levantou as saias e agitou-as. Estas relações. A colheita das folhas deve ser feita com cuidado extremo. que não tem senão uma perna. Lydia Cabrera publicou uma lenda interessante. quando vão recolher plantas para seus trabalhos.

pediu um escravo para lavrar seu campo. 'Na verdade. fato este que dá aos primeiros uma posição de supremacia sobre os segundos. e as palavras de encantamento que são obrigatoriamente pronunciadas. mais tarde. ajuda-as a atingir os objetivos que se fixaram. Quando eles dançam. Adquirem a ciência do uso das plantas após uma longa aprendizagem. entretanto. Rei ( Senhor do Palácio) de Oyo. Na hora de começar seu trabalho. onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso. Isto é dito pelos Babalaôs. não entram em transe de possessão. entram em transe mas. No Brasil. as pessoas dedicadas a Ossanyin usam colares verde e branco. mas ele conseguiu. Decidiu. curava dores de cabeça. A segunda. afim de demonstrar que. VOLTAR Como personagem histórico. disse ele. "assim que Orunmila nasceu. A terceira. sem o poder liberador da palavra. Orunmila. as plantas não poderiam exercer a ação curativa que possuem em estado potencial. chamados Olossanyin. Xangô teris sido o terceiro Alafin Oyo. mantendo-o sempre ao seu lado na hora das consultas". rei dos Tapa. tomando conhecimento da conduta de seu escravo. Ossanyin percebeu que ia cortar a erva que curava a febre. Segundo uma lenda recolhida por Bernard Maupil.entre adivinhos-babalaôs e curandeiros. das folhas e das ervas. ao contrário daqueles da África. daquelas pessoas cujos julgamentos sobre os homens e as coisas são menos fundados sobre as noções do bem e do mal do que sobre a da eficiência. que Ossanyin ficaria perto dele para explicar-lhe a virtude das plantas. Seus Iaôs. Era Ossanyin. trazem não mão o mesmo símbolo de ferro forjado. os curandeiros. pois contribuíam para manter o corpo em boa saúde. pois é muito útil'. capazes de controlar seus sentimentos e emoções. Era filho de Oranmiyan e de Torossí. É o arquétipo das pessoas cuja extraordinária reserva de energia criadora e resistência passiva. galos e pombos. a destruí-la. suprimia as cólicas. Como estas histórias são transmitidas pelos Babalaôs. . também. não é de estranhar que tenham a glorificar mais Orunmila e os adivinhos babalaôs do que Ossanyin e os curandeiros. Recusou-se. O ritmo dos cantos e das danças de Ossanyin é particularmente rápido. em Kosô. Uma outra história nos dá conta que. compraram-lhe um no mercado. se Ossanyin conhece o uso medicinal das plantas é. demonstrou desejo de ver estas ervas. Enfim. nem sempre. Das pessoas que não tem uma concepção estreita e um sentido convencional da moral e da justiça. então. Xangô cresceu no país de sua mãe indo se instalar. que ele se recusava a cortar e que tinham grande valor. Saúda-se o deus das folhas e das ervas gritando-se: "Ewe O!" "Oh! as folhas!" O arquétipo de Ossanyin é o das pessoas de caráter equilibrado. no momento de seu uso. Daqueles que não deixam suas simpatias e antipatias intervir nas suas decisões ou influenciar as suas opiniões sobre as pessoas e os acontecimentos. possuem conhecimentos profundos sobre as virtudes das plantas. não posso arrancar ervas tão necessárias'. que tinha firmado uma aliança com Oranmiyan. a Orunmila que cabe o mérito de haver conferido nomes a estas mesmas plantas. Os poderes de cada planta estão em estreita ligação com o seu nome. E então gritou: "Impossível cortar esta erva. Sábado é o dia que lhe á consagrado e as oferendas que lhe são feitas compõem-se de bodes. cuja descrição foi feita anteriormente. Na África. esta filha de Elempe. são indicadas pelos adivinhos aos curandeiros. saltitante e ofegante.

ele mostrou-se. Em seguida. feito de uma cabeça alongada. que os seus iniciados trazem na mão. o que permite explicar a ligação entre o deus do trovão e os das doenças contagiosas mas . tendo Yamassé como mãe e sendo marido de três divindades: Oyá.finalmente . este instrumento imita o barulho da chuva. atacou os Tapa. sim. em parte. o mentiroso tem medo e foge. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu Axé . Oxé. Da mesma forma. Meu senhor. os ladrões e os malfeitores. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do Orixá que vêm procurar. Xangô é viril e potente. que se tornaram rios no país Yorubá. que mata seis pessoas com uma só pedra de raio. Por este motivo. sobre suas pedras de raio para manter-lhe a força e a potência. Convenientemente agitada. É no entanto. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeita à mesma proibição. oferecimentos de Amalá. As saudações. chamada Adé de Bayani. durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Elefante que anda com dignidade. uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O emblema de Xangô é o duplo machado estilizado. O sangue dos animais sacrificados é derramado. sem grande sucesso. em usar uma coroa feita de cauris. Em contraste com a primeira vez. seu título de Oba Kosô que. com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. acompanhado pelo seu povo.o seu poder. irmão consangüíneo de Xangô. que cozinha o inhame com o ar que escapa de suas narinas. O carneiro. são sempre feitas oferendas a . não somente de Dadá-Ajaká como também de Obaluayê. a morte pelo raio é considerada infamante. reinava em Oyo por essa época. formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie Sesé. Obaluayê seria mais antigo que Xangô e. Meu senhor. Neste lugar. violento e justiceiro. chamado Xeré. Depois que Xangô deixou Oyo. ao que parece. Este Edun Ará (na realidade machados neolíticos ) são colocados sobre um pilão de madeira esculpido. Seu caráter era calmo e desprovido da energia necessária a um verdadeiro chefe. Oxun e Oba. Fazem-lhe. prováveis origens comuns no país Tapa. Dadá-Ajaká. agora. assim. Xangô é o irmão mais jovem. Xangô o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho. os Edun Ará ( pedras de raio) lançados por Xangô e profundamente enterradas no local onde o solo foi atingido. contendo pequenos grãos. Xangô. não são os vínculos de parentesco. Ele fica bastante tempo em casa de Oyá. em certas cidades como Saketé e Ifanyin. quando são anunciados os seus louvores. onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kosô. por deferência para com o mais velho. valente e guerreiro e. Oriki. veio a fazer parte de seus Orikis (louvores). com o passar do tempo. Conservou. impor-se pela força. também. odô. O chocalho. voltando-se contra os parentes da família materna de Xangô. que seus fiéis lhe dirigem não deixam de ter certa graça e mostram a sua forte personalidade: Ele ri quando vai à casa de Oxun. dirigiuse para Oyo. é filho de Oranmyian. Teve que se contentar. iguaria preparada. então. filho mais velho de Oranmyian. quando em transe. é o animal cujo o sacrifício mais lhe convêm. sob seu aspecto divino. Se franze o nariz. Dadá-Ajaká voltou a reinar. nos escombros. Entretanto. cuja chifrada tem a rapidez do raio. consagrado a Xangô. Ele usa um grande pano vermelho. é sacudido em honra a Xangô. castiga os mentirosos.

Dadá. também. a seguir. pedras de raio e lançá-las sobre a Terra. oferecendo-lhes um abrigo no desabrochar de seus galhos. Eram todos príncipes coroados e. Criou. Xangô aparece frente à assistência. um volumoso pacote do qual não se via o conteúdo. os tecidos e tudo que julgaram precioso. atribuiu este ato a Oramiyan e não a Odudúa. . Ora. quer dizer. segundo consta. contendo fogo. o pacote de tecido preto. Na Bahia. mas os ritmos batidos para Xangô são os mesmos. Eis como nasceu a Terra. Os seis mais velhos pegaram os búzios. como na África. Xangô brande orgulhosamente seu machado duplo e assim que a cadência se acelera ele faz o gesto de quem vai pegar num saco Labá. O montículo foi se alargando e tomando. A supremacia estabelecida por Oramiyan sobre seus irmãos nos é contada numa lenda recolhida. 2. como na África. por Jean Hess: "No início. Em cima era o céu. Os sete príncipes decidiram dividir. Resolveram se separar a fim de seguir os seus destinos. No limite do vazio não havia senão água. seu nome serve mesmo para designar o conjunto de cultos africanos praticados no Estado de Pernambuco. aparecer seu lado licenciosos e atrevido. Assim que saudam. A galinha para lá voou e.Obaluayê. de uma parte e de outra. Obá Afonjá. e são acompanhados pelos ruídos dos Xerés. tornou-se. Ele o abriu e encontrou uma grande quantidade de substância preta que não conhecia. todos queriam comandar. A substância caiu na água e tornou-se um montículo. uma galinha e vinte e uma barras de ferro. embora ainda o sejam em Cuba.. Deixaram ao mais jovem. a soma do tesouro que o Todo Poderoso lhe havia dado. Fez.. deixou que tudo caísse do alto do céu. começou a raspar com os pés e com o bico a substância preta que se estendeu por todos os lados. com tecido preto. existem doze Xangôs: 1. no mesmo momento uma palmeira se levou em direção aos príncipes. O pai de Xangô. O simbolismo de sua dança deixa. Depois. Na Bahia. Eis como Oraniyan tronou-se rei de Oyo e soberano de todo país Yorubá. seus fiéis usam colares vermelho e branco. São ritmos vivos e guerreiros. trazendo sobre a cabeça um Agerê. Sacudiu o tecido. enfim. O culto de Xangô é muito popular no Novo Mundo. uma longa corrente de ferro com a qual prendeu os tesouros e os sete príncipes. chamados Tonibodé e Alujá. 3. missangas e tecidos. embaixo era a água. o lugar da água. No decurso de suas danças. gritando: Kawo-Kabiyisilé!. tal como é contado em Oyo. e começa a engolir mechas de algodão inflamadas. na véspera da celebração das cerimônias para Xangô. Em Recife. No decorrer de certas festas. entre eles. como dissemos acima. o Todo Poderoso Olodumaré criou. A corrente de ferro voltou ao Todo Poderoso. segundo a vontade do Todo Poderoso. "Venham ver o rei descer sobre a Terra!" Os tambores Batá não são conhecidos no Brasil. a terra não existia. Fez aparecer em seguida sete sacos onde haviam búzios. Oranmyian. as contas. o reflexo da lenda histórica sobre a origem das dinastias que dominam esses dois reinos. tanto no Brasil como nas Antilhas. E nenhum ser animava a terra ou animava a água. panela cheia de furos. o que bem demonstra que o mito da criação do mundo é. Os príncipes aí se refugiaram e se instalaram com suas bagagens. de toda a Terra". Quarta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. denominadas Akará. por conseqüência. O mito da criação do mundo. no século passado. progressivamente. sete príncipes coroados. agitados em uníssono. no início. Oranmiyan. o primeiro rei de Oyo e o fundador da dinastia dos Alafin Oyo. Olodunmaré lançou uma noz de palma que caiu na água e. logo que pousou. Estes dois personagens são os fundadores das respectivas linhagens reais de Oyo e de Ifé. em Oyo.

os Orixás convidaram Oxun para participar de seus trabalhos o que ela acabou por aceitar. Airá Adjaosi. Airá Intilé. no Brasil. Oranmiyan (9) é seu pai e Aganju (7). seu pai teria sido Oxalá. a segunda mulher de Xangô. Era. como os outros Xangôs.. O Airá (10 a 12) seriam Xangôs muitos velhos. Xangô montado sobre um (ou uma) de seus iniciados. Obá Kosô. quando uma festa é celebrada em honra de Dadá. Enfim. Orunmila. grandes senhoras. sendo o seu Edun Ará composto de dois fios. Jakuta. e com Santa Bárbara. o Adê de Bayani. 5. geralmente. teriam vindo da região de Savé. mas que não toleram a menor contradição e. Já assinalamos. a cerimônia parece conter reminiscências de fatos antigos. tendo vivido antes com Ogun. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os Orixás responderam que não. e sua volta ao poder sete anos mais tarde. um profundo e constante sentimento de justiça. Reina uma certa confusão nesta lista. Aganju. 11. nas regiões Ijexá e Ijebú. Olodumaré explicou-lhes então que que. sem que os participantes saibam. O Iaô de Dadá vem dançar frente a assistência. altivas e conscientes de sua importância. Logo em seguida. violentas e incontroláveis. colocando-a sobre sua própria cabeça. sem a presença de Oxun e do seu poder sobre a fecundidade. 10.Obalubé. mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. VOLTAR Oxun é a divindade do rio do mesmo nome que corre na Nigéria. Ao que parece. o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência. 12. graças aos laços mantidos com Iyami-Ajé. nenhum de seus empreendimentos poderiam dar certo. sempre vestidos de branco e usando contas azuis. Para vingar-se. As mulheres que desejam ter filhos dirigem-se a Ogun pois ela. Logo depois. em Cuba. 6. "Minha Mãe Feiticeira". 4. são capazes de se deixarem levar por crises de cólera. Após ter dançado assim adornado por um certo tempo. Baru. um de seus sucessores. o arquétipo de Xangô é aquele das pessoas que possuem elevado sentido de sua própria dignidade e de suas obrigações. muitas vezes as histórias dos Yorubás. 9. Sobre esse assunto. a coroa é restituída a Dadá. mas sabendo guardar. as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos . com efeito controla a fecundidade. Oxun ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. O arquétipo de Xangô é aquele das pessoas voluntariosas e enérgicas. ao mesmo tempo. segundo dizem. segundo os humores do momento. anteriormente. em lugar de corais vermelhos. irmão mais velho de Xangô. o caráter estranhos de semelhantes escolhas. Airá igbonán. uma lenda conta que "quando todos os Orixás chegaram à terra organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. De volta à terra. tendo na cabeça uma coroa. depois de muito lhe rogarem . Na Bahia. e Oxossi. pois Dadá (1) é irmão de Xangô. real ou suposta. Oranmiyan. Das pessoas que podem ser. Ogodo. 8. corteses. nestes casos. toma a coroa. Xangô foi sincretizado com São Jerônimo. Na Bahia acredita-se que Ogodo (4)é originário do país Tapa e que segura dois Oxés quando dança. Seji. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso de reuniões sociais. Este elemento do ritual parece ser uma reconstituição do destronamento de DadáAjaká por Xangô. 7. Desesperados. os Orixás voltaram a Olodumaré e explicaramlhe as coisas iam mal sobre a terra. tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis.

dedicou-lhe oferendas. Oxun Oxogbô. mensageiros da divindade. Numerosos lugares profundos. Larô. título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. para demonstrar sua gratidão. Yeyê Karé. a festa anual das oferendas a Oxun é uma comemoração pela chegada de Larô. cujo culto é realizado próximo à lagoa e que. Sobre Oxun Ayalá.obtiveram felizes resultados". na forja. está em estreita ligação com as bruxas. onde nasce o rio. declarando ter sido muito bem acolhida pela divindade do rio. às margens deste rio cujas águas correm permanentemente. inspirado pelos sons que provinham dos foles. diz-se que era uma mulher poderosa e guerreira que ajudava Odun Alagbedé. Proprietária de um fole que sussurra como a chuva. a Avó. e cuja tosse ressoa como explode o cobre e como urra o elefante". Oxun limpa suas jóias de cobre antes de limpar seus filhos". e leké. cuja fama é grande por ajudar as mulheres a ter crianças. atiçado por Oxun que fazia funcionar os foles em cadência. Oxun Ayalá ou Oxun Aynlá. a mais velha de todas. o que lhe valeu ser denominada de: "Tocadora de música num fole para fazer dançar Egungun.metal mais precioso do país Yorubá nos tampos antigos é mencionado nas saudações que lhe são dirigidas: "Mulher elegante que tem jóias de cobre maciço. rainha de todas as Oxuns e que. onde eles deságua na lagoa. Um grande peixe que nadava próximo ao local onde este se encontrava cuspiu-lhe água. ela é adorada sob nomes diferentes e suas características são distintas umas das outras. Este. Yeyê Ipetú. como vimos no capítulo precedente. muito honestamente. a Grande Mãe (a Avó) que foi a mulher de Ogun. são os locais de residência de Oxun. kutu. achando o lugar favorável ao estabelecimento de uma cidade. Aí. Ibus. as comidas que Larô havia jogado nas águas. diz-se no Brasil. soberbamente vestida. vieram comer em sinal de aceitação. Larô recolheu esta água numa cabaça e bebeu. aí se fixou com sua gente. Oxun Abotô. quando o ferro começava a esfriar. muito guerreira. O amor de Oxun pelo cobre . Apesar de todos esses nomes e características diversas é sempre a única e mesma Oxun. de jóias de cobre e de um pente de tartaruga. fazendo assim um . fundador da dinastia. uma de suas filhas foi se banhar num rio e se perdeu sob as águas. kutu". Um Egungun que passava pela rua se pôs a dançar. É uma cliente dos mercadores de cobre. Yeyê Ipondá. Oxun Popolocum. reapareceu no dia seguinte. não sobe à cabeça das pessoas". Os passantes maravilhados testemunharam seu contentamento oferecendo dinheiro a Egungun. muito feminina e elegante. entre Igedê. Larô. seu espojo. Numerosos peixes. de gênio belicoso. Neste lugar. a mais jovem de todas. a Avó. ofereceu metade da soma recolhida a Oxun. Oxun Apará. Os Axés de Oxun constituem-se de pedras do fundo do rio do mesmo nome. Encontramos: "Oxun Ijumú. Laços muito estreitos existem entre Oxun e os reis de Oxogbô. depois de muitas atribulações. também chamada de Oxun Ayanlá. Ogun forjava e. ele o colocava no fogo. era tão ritmado que parecia qu oxu tocava um instrumento de música. como a que vem a seguir. na mesma maneira que Oyá. guerreira. Ajés. O barulho que eles faziam "kutu. Oxun é chamada de Iyalodê. Oxun Abalú. Alguns dias depois de sua chegada.

O arquétipo de Oxun é o das mulheres graciosas e elegantes. aproxima-se do rio e aí manda lançar oferendas e comidas.e declarou: Oxun gbô. uma após a outra. a possibilidade de se encontrar uma Arugbá Oxun disponível. a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxun. suas águas serão sempre abundantes. Trocas de saudações. abana-se graciosamente e contempla-se com satisfação num espelho. Voluptuosas e sensuais. É recomendável fazer sacrifícios de cabra a Oxun e ofercer-lhe patos de Molokun (mistura de cebolas. pela graça de Oxun. perfumes. onde recebe e trata seus convidados com uma generosidade digna da reputação de Oxun. com paixão pelas jóias. Ela representa a moça que outrora desaparecera no rio. Ataojá senta-se numa clareira e acolhe as pessoas que vem assistir a cerimônia. as duas mãos para frente e o grande peixe saltou sobre elas. acompanhado pelo seu povo e pelos seus hóspedes. cuja igreja encontra-se em El Cobre. Sua pessoa é sagrada. as delegações chegam. Ataojá volta em seguida para a clareira. no mesmo lugar onde Larô o fizera outrora.contração da frase Yorubá A tewo gba ejá. Uma de sua s filhas leva. com animação crescente. nome de uma região da África. depois. nesta procissão anual. não faltando. Larô recebeu o título de Ataojá . o dia da semana que lhe é consagrado é o sábado e ela é saudada. sal e camarões). porém mais reservadas que Oyá.pacto de aliança como rio. Estendeu. a seguir. Sobre sua aparência graciosa e sedutora escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social . No dia da festa anual. "Ele estende as mãos e recebe o peixe" . no Brasil. Os peixes as disputam sob o olhar atento das sacerdotisas de Oxun. de Adúm (farinha de milho misturada com mel de abelha e azeite doce). acompanhadas por tocadores de tambores. rodeado por suas mulheres e seus dignatários. como na África. Ataojá vai solenemente até as margens do rio. os adeptos de Oxun usam colares de contas de vidro de cor amarelo-ouro e numerosos braceletes de latão. O ritmo que acompanha as suas danças denomina-se Igexá. Ela é sincretizada. pela expressão Oré Yeyé o!!!. vestimentas caras. A adivinhação é feita para saber se Oxun está satisfeita e s ela tem alguma vontade de exprimir. enfeita-se com colares. Sua cabeça é coberta por uma coroa monumental feita com pequenas missangas reunidas e é vestido com pesada roupa de veludo. prosternações e danças sucedem-se como formas de cortesia recíproca. Depois que atinge a idade da puberdade ela nào pode mais preencher essa função. esta foi a origem do nome do cidad de Oxogbô. e o próprio rei inclina-se à sua frente. feijão de espécie fradinho. Ao final da manhã. por onde corre o rio Oxun. "Chamemos a benevolência da Mãe !!!". a rainha de todos os rios. agita os braços para fazer tilintar os seus braceletes. No Brasil. A sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora que vai ao rio para se banhar. "aquela que leva a cabaça de Oxun". Ataojá dirige-se. "Oxun está em estado de maturidade". É a Arugbá Oxun. com Nossa Senhora das Candeias (na Bahia) e nossa Senhora dos Prazeres (em Recife). Elas evitam chocar a opinião pública à qual dão grande importância. pois. a descendência de Ataojá é sempre numerosa. Mas. Os reis e os chefes das cidades vizinhas estão todos presentes ou enviaram representantes. Anda com calma e gravidade. Das mulheres que são símbolo do charme e da beleza. Ataojá. até as proximidades de um pequeno templo vizinho e sentase sobre a pedra onde seu ancestral Larô havia repousado em outros tempos. enquanto que em cuba é assimilada a Nossa Senhora da Caridade.

embaixo d'água. sobre a terra. ele é muito bonito O ko ele pé li aiya Até a voz dele é agradável Ala aiya rere fi owó kan Não se coloca as mãos sobre o seu peito Ajoji de órun idi agban Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas Ajongolo Okunrin O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro Apari o kilo òkò tímotímo Homem esbelto O ri gbá té sùn li egan O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente O tó bi won ti ji re re Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta A ri gbamu ojiji Acordá-lo bem é o suficiente Okansoso Orunmila a wa Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse kan mà dahun uma sombra O je oruko bi Soponna / Somente em Orunmila nós tocamos. Logun Edé tem a particularidade de viver. ao contrário. num rio. Ede Oríkì Logun Edé Ganagana bi ninu elomi ninu Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente A se okùn soro èsinsin É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da Tima li ehin yeye re urtiga Okansoso gudugu Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe Oda di ohùn Ele é sozinho. mas ele não Soro pe on Soponna e nià responde hun Ele tem um nome como Soponna / Odulugbese gun ogi órun É difícil alguém mau chamar-se Soponna Odolugbese arin here here Devedor que faz pouco caso Olori buruku o fi ori já igi Devedor que anda rebolando displiscentemente odiolodi Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça O fi igbegbe lù igi Ijebu Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu O fi igbegbe lú gbegbe meje Ele quebrou sete papos com o seu papo Orogun olu gbegbe o fun oya A segunda mulher diz ao papo para usar um pente li o (para desinchar o papo) Odelesirin ni ki o wá on sila Um louco que diz que o procurem lá fora na kerepa encruzilhada Agbopa sùn kakaka Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e Oda bi odundun dorme profundamente Jojo bi agbo Ele é fresco como a folha de odundun Elewa ejela Altivo como o carneiro O gbewo li ogun o da ara nu Pessoa amável anteontem bi ole Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu . comendo peixe. ele tem. Nenhum de seus fiéis ousariam usar tais cores nas suas vestimentas. No Brasil. nos outros seis meses. o azul turquesa parece merecer a sua aprovação. na África. demonstra aversão pelas roupas de cor vermelha ou marrom. mas em contrapartida. cujo culto realizase muito raramente. segundo o que se diz na África. alternadamente. e parece estar em vias de desaparecimento. dentre os quais o digno Pai de Santo Eduardo Igexa a quem já nos referimos anteriormente.VOLTAR Erinlé teria tido com Oxun Ipondá um filho chamado Logun Edé. na Bahia. Seria também. durante seis meses do ano. Este deus. em Ilexá. numerosos adeptos. seis meses do sexo masculino e seis do sexo feminino. alimentando-se de caça e.

O gbewo li ogun o kan omo aje niku A li bilibi ilebe O ti igi soro soro o fibu oju adiju Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole O já ile onile bó ti re lehin A li oju tiri tiri O rí saka aje o dì lebe O je owú baludi O kó koriko lehin O kó araman lehin O se hupa hupa li ode olode lo Òjo pá gbodogi ró woro woro O pà oruru si ile odikeji O kó ara si ile ibi ati nyimusi Ole yo li ero O dara de eyin oju Okunrin sembeluju Ogbe gururu si obè olori A mò ona oko ko n ló A mo ona runsun rdenreden O duro ti olobi kò rà je Rere gbe adie ti on ti iye O bá enia jà o rerin sún O se adibo o rin ngoro yo Ogola okun kò ka olugege li òrùn Olugege jeun si okurú ofun O já gebe si orún eni li oni O dahun agan li ohun kankan O kun nukuwa ninu rere Ale rese owuro rese / Ere meji be rese Koro bi eni lo Arieri ewo ala Ala opa fari Oko Ahotomi Oko Fegbejoloro Oko Onikunoro Oko Adapatila Soso li owuro o ji gini mu òrún Rederede fe o ja kùnle ki agbo corpo como um preguiçoso Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos Ele veste boas roupas Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão Ele destroi a casa de um outro e com o material cobre a sua Ele tem olhos muito aguçados Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa Ele é ciumento e anda "rebolando" displiscentemente Ele recolhe as ervas atrás Ele recolhe as ervas atrás Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído Ele mata o malfeitor na casa de um outro Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz O preguiçoso está satisfeito entre os passantes Ele é belo até nos olhos Homem muito belo Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe Ele conhece o caminho do campo e não vai lá Ele conhece o caminho runsun redenreden Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer O gavião pega o frango com as penas Ele briga com qualquer um e ri estranhamente Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo O papudo come no inchaço de sua garganta Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça A noite coisa sagrada. de manhã coisa sagrada / Duas vezes assim coisa sagrada Rápido como alguém que parte A proibição do pássaro branco é o pano branco Ele mexe os braços fantasiosamente Marido de Ahotomi Marido de Fegbejoloro Marido de Onikunoro Marido de Adapatila Bem desperto. ele acorda de manhã já com o arco e .

na Bahia. em cuja parte inferior aparecem pernas cobertas por calças de renda e. como ela. cujo nome é perigoso de ser pronunciado. no decorrer da qual lhe são apresentados pratos de Aberem. na Bahia. Os locais consagrados a estas três divindades. etc. a sua fé na força do deus africano e do santo católico. também. antes da chegada do conquistador Odudúa e teria precedido Orunmilá. na altura da cintura.Xapanan ainda é desconhecido. usam colares de cores preta e vermelha. Segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. é a expressão utilizada pelos interlocutores de um personagem importante para mostrar-lhe que suas palavras são escutadas com respeito e atenção. caranguejos. ma sparece ter sido no país . é recoberta por um capuz de palha cujas franjas recobrem seu rosto. deus da varíola e das doenças contagiosas. As pessoas que lhe são dedicadas. como que atormentados por dores. A cabeça. Quando o deus se manifesta sobre um de seus iniciados ele é acolhido pelo grito Atotô ! que. espécie de vassoura feita de nervuras de folhas de palma. melões. o "Filho do Senhor" são os apelidos geralmente dados a Xapanan. Pejis. mãos brandindo um Xaxara.Oko Ameri èru jeje oko Ameri Ekùn o bi awo fini Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je O wi be se be Sakoto abi ara fini flecha no pescoço Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão. associando. contas e pequenas cabaças que se supõe conter remédios. e imitam o sofrimento. numa mesma manifestação. por este motivo. milho cozido enrolado em folhas de bananeira. O chão do adro da igreja de São Lázaro. separada das dos outros deuses. bananas prata. É sincretizado com São Lázaro e São Roque. frutos de plantas trepadeiras. parecem pequenos montes de palha. Dançam curvados para frente. o culto de Obaluayé. como o carneiro Marido de Ameri que dá mêdo Leopardo de pele bonita Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade Assim ele diz e assim ele faz Orgulhoso que possui um corpo muito belo VOLTAR Obaluayê. Diz-se que o filho de Nanan Baruku é originário. neste dia. do qual trataremos no próximo capítulo parece fazer parte de sistemas religiosos pré-yorubás. é coberto. o "Rei do Mundo" ou Omolu. Na África. Obaluayé estaria instalado na região de Ifé. As proibições alimentares das pessoas dedicadas a Obaluayé são: carneiro. assim. abóboras. Seus Iaôs dançam inteiramente revestidos de palha da costa. de pipocas que as pessoas passam em seus próprios corpos para se preservarem de possíveis doenças contagiosas. Segundo certas lendas. chuchus. Em conjunto. jacas. no Recife. de Oxumarê. no país Yorubá. O local de origem de Obaluayé. as coceiras e os tremores de febre. e com São Sebastião. na colina de Oké Itaxé. do país Mahi. são. carne de bode e pipocas que todos comem junto com ele. peixe de água doce de pele lisa. assim como o de Nanan Buruku. reunidos numa mesma cabana. decorada com búzios. A orquestra toca para Obaluayé um ritmo particular chamado Opanijé.

Obaluayé chegou assim. como. Uma lenda confirma esta última suposição: "Obaluayé era originário de Empé (Tapa) e havia levado seus guerreiros em expedição aos quatro cantos da Terra. aos quais faremos referência no capítulo seguinte. O comportamento dos seguidores de Obaluayé e de Nanan Buruku era ditado pela fidelidade ao ritual antigo em matéria de sacrifícios. A antiguidade do culto de Obaluayé e do de Nanan Buruku. Esta reação é realizada por estes dois Orixás sem o emprego deuma faca. desta maneira. Isto é atestado. Eis algumas saudações tradicionais para Obaluayé: "Meu pai que dança sobre o dinheiro. Sapata. gente Anagô ou Nagô. não mais voltando ao país Empé. tendo consultado um Babalaô aprenderam como acalmar Obaluayé com oferenda de pipocas.é o Yorubá primitivo. A última saudação vem do fato de que Obaluayé é freqüentemente chamado de Olodê. Apesas da escolha feita po Obaluayé deste novo local de residência. tranqüilizado pelas atenções recebidas. tanto pelo fato de que.falada nos conventos de iniciação a este deus e usada nas preces . no decorrer da iniciação. no meio do dia. os futuros Sapatassí. também. "Rei do país Tapa no país Empé". dando nascimento a um mito onde a rivalidade dos deuses substitui e simboliza o conflito entre povos de civilizações diferentes: os seguidores de Obaluayé e Nanan. os adeptos a Ogun. batendo e dizimendo seus inimigos. O arquétipo de Obaluayé é o das pessoas com tendência masoquista. O Orixá. pertencendo à época do ferro. querendo provar-lhe o contrário. está comprovado por um detalhe do ritual de sacrifícios de animais. Os daomeanos. são chamadas de Anagonu. ritual estabelecido antes da vinda do deus ferro. fazendo parte de cultos antigos onde o uso do ferro ainda era desconhecido. Uma roupa de pele adornada por pequenas cabaças. Uma ferida feita por suas flechas tornava as pessoas cegas. O Daomé prosperou e tudo se acalmou. mandou-os construir um palácio onde ele passaria a morar.de Tapa-Nupê. e pôs-se a massacrar e a destruir tudo o que encontrava à sua frente. sucessivamente instaladas no mesmo local. Esta ausência de instrumento de ferro para fazer o sacrifício é explicada como uma recusa das duas divindades. de uma vida a outra. habitantes da região de Tchetti e Atakpamé. Não encontrei outros orixás que façam como ele. que gosta de . baseada numa lenda onde Ogun briga com obaluayé e Nanan Buruku: o primeiro pretendia que ninguém poderia comer sem a sua ajuda. Meu pai que mata qualquer pessoa e a come. ao Daomé. dono do exterior (fora das casas) e que ele gosta de passear pelas ruas na hora do sol forte. surdas ou mancas. pois era o artesão das armas que abatiam a caça e do facão que servia para destrinchá-la. freqüentemente confundidos em certas partes da África. ainda cotidianamente falado pelos Ana-Ifé. abstinham-se do uso do ferro. teria sido originário de país Nagô. A tradição exige que as pessoas entoem um cântico e que o animal passe. Esta disputa entre divindades pode ser interpretada como o choque de religiões pertencentes à épocas diferentes. pelo fato de que a língua ritual . os outros dois. versão Fon de Daomé de Xapanan. porém. Ninguém deve sair sozinho ao meio-dia". Ele mede as suas contas em caldeirões Caçador negro que cobre seu corpo com tecido de palha da costa. continuaram a saudá-lo Kabiyési Olutapá Lempé. sendo perigoso cruzá-lo no seu caminho. pessoas dedicadas a Sapata.

dando a Oxumarê. quando sua vida corre tranqüila. sentem-se capazes de se consagrar ao bem estar dos outros. porém. nestes momentos. Se perdesse as forças. Alguns. pelo seu lado. filho do proprietário-da-estola-de-cores-brilhantes". O mesmo tem aparece numa outra lenda: "Este mesmo babalaô Oxumarê vivia duramente explorado por Olofin-Odudúa. Podem atingir situações materiais invejáveis e rejeitar. Ela é a continuidade e a permanência e. é representado por uma serpente que se enrosca e morde a própria cauda. Mas achamos nesta definição um certo tom "educativo e descritivo dos fenômenos da natureza para escolas primárias ocidentais". rainha de um reino vizinho. para levá-la às nuvens. Oxumarê é ao mesmo tempo. rolava sobre as cinzas incandescentes da lareira. Olodumaré.. respeitável e respeitado. tinha crises e. Pessoas que em certos casos. remunerava seus serviços com extrema parcimônia e Oxumarê vivia num estado de semi-penúria. Desde esta época. Oxumarê curou a criança e voltou a Ifé repleto de avançarpresentes. Sua chegada final à glória e à força é simbolizada pelo arco-íris que. Oxumarê ficou rico. quando aparece. Enrola-se em volta da terra para impedi-la de se desagregar. rivalizou em generosidade com Olokun. vestido com riquíssima vestimenta do mais belo azul. por esta razão.. também. como a presença do arco-íris impede que a chuva caia. sem imaginar que tempos melhores ainda o esperavam. ora. seu principal cliente. eis Oxumarê!" Isto mostra. um belo dia. esta dupla natureza aparece nas cores vermelha e azul que cercam o arco-íris. Pessoas que são incapazes de sentir satisfação. poeticamente. quando se viu curado por seus cuidados recusou-se a se separar dele. ora. algumas vezes. Ela representa. Certas lendas contam que "ele era outrora um Babalaô adivinho. de quatro em quatro dias. Olofin. O rei. Suas funções são múltiplas. Oxumarê reside no céu e só.. foi chamado por Olokun. Começou a vida com um grande período de mediocridade e mereceu. isto seria o fim do mundo. mesmo no mundo dos Yorubás. sofria da vista e mandou chamar Oxumarê. o rei de Ifé.. durante a chuva. todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários. faz as pesoas exclamarem: "Ora. fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitai VOLTAR Oxumarê é a serpente arco-íris. macho e fêmea. assim. cujo filho sofria de um mal estranho: não conseguia se manter em suas próprias pernas. Oxumarê é o símbolo da mobilidade e da atividade. o Deus Supremo. de tempos em tempos.. a riqueza. uma das virtudes mais apreciadas. declaram que são meros servidores de Xangô e que seu trabalho consiste em recolher a água caída sobre a terra. o desprezo de seus contemporâneos. Felizmente para ele. também. tem . presentes de valor e oferecendo-lheuma roupa de uma bela cor vermelha. ele demonstra. a sua força". Consultava-lhe a sorte. que ele é conhecido universalmente e.exibir seus sofrimentos e as tristezas que os afligem intimamente. espantado por este repentino esplendor e lastimando sua avareza passada.. Eis aí uma excelente razão para não se negligenciar as suas oferendas.

em Kosô. as pessoas dedicadas a Oxumarê usam colares de contas de vidro amarelas e verdes. Conta uma lenda que Xangô enviou-a em missão ao país dos Baribas. Foi a primeira mulher de Xangô e tinha um temperamento ardente e impetuoso. seguiu-o na sua fulga ao páis de Tapa. em Yorubá. esta terrível faculdade. Oyá. reunidas em feixes. são tidas no Brasil como estando no país Mahi. no entanto. mais conhecida no Brasil sob o nome de Yansã. são bastante descritivos: "Oxumarê que fica no céu Controla a chuva que cai sobre a terra. Festejam-no numa pequena cidade dos arredores que leva seu nome. Chega à floresta e respira como o vento. a terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrada. das tempestades e do rio Niger que. a única das mulheres de Xangô que. e trazem à mão um Ebiri. tornando-se também capaz de cuspir fogo. uma vez ingerido. o Rio Oyá. ao final de seu reinado. Com o sucesso tornam-se facilmente orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza recente. lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Antes de se tornar mulher de Xangô. Suas tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza andrógina de seu deus. venha até nós para que cresçamos e tenhamos longa vida". Oyá foi. Seus fiéis aí se encontram no dia 24 de agosto. chama-se Odô Oyá. longos colares de búzios. é a divindade dos ventos. experimentou esse preparo no caminho de volta a Oyó. No decorrer de suas danças. Não deixam de possuir generosidade e não se negam a estender a mão. em . a fim de trazer-lhe um preparado que. Vimos. desobedecendo as instruções do esposo. enfiados de maneira a parecer escamas de serpente. Oyá tinha vivido com Ogun. ao norte de Abomey. milho e camarões cozidos no azeite de dendê. ligadas. para o céu e para a terra. As pessoas gritam Aoboboi !!! para o saudar. pouco conhecido na Nigéria. só para si. As origens deste deus. a fim de se banharem numa cascata coroada por uma neblina úmida. Os Orikis. Oxumarê é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas. A Oxumarê são feitas oferendas de patos e comidas onde se misturam feijão. Nestas ocasiões. espécie de vassoura feita com nervuras das folhas de palmeira.autorização de pisar na terra. e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos. em socorro daqueles que dela necessitam VOLTAR Oyá. Oxumarê é sincretizado com São Bartolomeu. E quando Xangô recolheu-se para debaixo da terra. saudações a Oxumarê. os seres humanos tornam-se ricos e felizes". Na Bahia. No Brasil. onde o sol faz brilhar permanentemente o arco-íris de Oxumarê. e cuja extremidade superior foi recurvada e dobrada. apontam os dedos indicadores alternativamente. Seus iniciados usam brajá. ela repetiu o feito em Irá. Das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos. o que provocou grande desgosto em Xangô que desejava guardar. Pai.

Estes exasperados. Oyá recomendou ao caçador que não contasse a ninguém que. ligado a Oyá. Este número nove. percebeu um búfalo que vinha em sua direção. conhecida na África e no Brasil. ao que parece. dividida em nove partes. porém. Olodumaré interveio junto ao amante traídoe recomendou-lhe que perdoasse a afronta. para enganar impunemente os seus maridos. Oyá tornou-se mãe de nove crianças. para confessar-lhe que havia ofendido Ogun. entre as quais deveriam figurar tecido vermelho que. Roupas sob as quais. dirigido aos seus sentimentos de indulgência. mais tarde. parando subitamente. o garbo e o filho do deus do trovão Ela fugiu com Xangô e Ogun. Tendo cumprido esta obrigação. Lokorô dos Yorubás. apoderaram-se da Sociedade e reservaram-na aos homens dela excluindo as mulheres para sempre" Existe uma lenda. Mas elas exageraram e se aproveitam da confusão provocada pela aparição desses seres estranhos. Estas. mas este foi à procura de Olodumaré. não mais achou a sua pele. se acreditarmos nas lendas referidas mais acima. o que provocou o ciúme das outras esposas do caçador. origem de seu nome Yansã. os Egunsguns. Ela escondeu a pele num cupinzeiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. que lhe resolveu o seu erro. enfurecido. pai de Xangô). não deve brigar. formou-se. em torno dessa "novidade". Preparava para matá-lo quando o animal. em Baningbé. como mais velho. conseguiram . Estes nomes teriam por origem a expressão Aborimesan. "Se. lançou-se ã perseguição dos fugitivos e. ao mercado a fim de fazer a corte à mulher búfalo. e sob o Abessân. Oyá resolveu consultar um Babalaô. indo. Oyá é o único Orixá capaz de enfrentar e de dominar os Egunguns: "Oyá se lamentava por não ter filhos. uma sociedade composta exclusivamente de mulheres. que explica de que maneira os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oyá-Yansã: "Um caçador foi em expedição à floresta. resolveu enfrentar o seu rival. com o objetivo de enfrentar a prepotência dos homens. E explicou-lhe: "Você. aconselhando-a a fazer oferendas. ela pôs nove crianças ao mundo. Ele chegou a pedi-la em casamento. é mais velho do que Xangô!" (seu avô. você não deve se aborrecer. Não se resignou tão calmamente assim. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada. está na origem de seu nome Yansã e encontramos esta referência no ex-Daomé. deve renunciar a Oyá sem recriminações". em seguida. trocou golpes de varas mágicas com a mulher infiel que foi. o deus supremo. Ogun. ela era um animal. ela comia carne de carneiro. aos nove braços do delta do Niger. então. Uma outra indicação sobre esta nome nos é dada pela lenda da criação da roupa de Egungun por Oyá. Viveram bem durante alguns anos. aceitou entretanto. mas Oyá recusou inicialmente. como vimos anteriormente. Esta triste situação era conseqüência da ignorância das suas proibições alimentares. Era Oyá-Yansã.capítulos precedentes. como a aparência do deus do ferro e dos ferreiros e causoulhe menos efeito que a elegância. escondendo-o no fundo de um depósito de milho. Assim que a roupa de Egungun. onde o culto de Oyá é feito em Porto Novo sob o nome de Avessân. de volta à floresta. Colocando-se à espreita. conseguiram descobrir seu segredos. haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Egunsguns. foi criada. retirou a sua pele. alusão. na realidade. onde ogun é pai de Oranmiyan e este. ao lado de sua casa. mais ao norte. no bairro Akron. O caçador apossou-se do despojo. deseja preservar sua dignidade aos olhos de Xangô. "com-nove-cabeças". em certa circunstância. e aos dos outros Orixás. que se exprime em Yorubá pela frase: Iya omo mesan. os mortos de uma família voltam à terra a fim se saudar seus descendentes. Uma linda mulher apareceu. quando. Mas Ogunnão foi sensível a este apelo.

o mesmo dia de Xangô. as pessoas dedicadas a Oyá-Yansã usam colares de contas de vidro cor e vinho. por seus movimentos sinuosos e rápidos. O arquétipo de Oyá-Yansã é o das mulheres audaciosas. awó re nbe ninu aká. pronunciava com perfeita correção a frase Yorubá citada acima. Oyá. colocados sobre seu Oeji. seu marido. empunhou um sabre. em seguida. sem dúvida.descobrir o segredo da origem da nova mulher. É por esta razão que chifres de búfalos são sempre colocados em locais consagrados a Oyá-Yansã. em outros momentos. que é à única que pode segurar os chifres de um búfalo". cujo marido é vermelho. Ela evoca também. Suas danças são guerreiras e. achou a sua pele. com Nossa Senhora da Candelária. o que não as impede de continuar muito ciumentas dos seus maridos por elas mesmas enganadas. um velho Pai de Santo. ventania que balança as folhas das árvores que toda a parte. na outra. tendo retomado a forma de búfalo. revestiu-a e. mulher de Xangô. Oyá. chamadas de Yansãs de Igbalé. em uma das mãos e um espanta-moscas. se Ogun está presente. hoje falecido. de suas antigas divergências. em relação àquela que me foi contada posteriormente na África. máa mu. No Brasil. saudações dirigidas a Oyá. cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extra-conjugais múltiplas e freqüentes . bata-os um contra o outro. Os Oriki. . entretanto. Tive a oportunidade de recolher esta história na Bahia. Seus símbolos são os chifres de búfalo e um alfanje. IOyá. Carne de carneiro lhe é proibida. ela não deixa de se empenhar num duelo. com os filhos. Oyá. Logo que o marido se ausentou elas começaram a cantar: Máa jé. algumas variações. ao acordar. são capazes de se deixar levarem à manifestações da mais extrema cólera. enfim. Seus fiéis saudam-na gritando: Epa Heyi Oyá. poderosas e autoritárias. dizendo-lhes: "Em caso de necessidade. matou as mulheres ciumentas. sem reserva nem decência. Oyá-Yansã compreendeu a alusão. Os seus chifres ela os deixou. Oyá. quando contrariadas em seus projetos e seus empreendimentos. Oyá é sincretizada com Santa Bárbara e. ligadas aos cultos dos mortos. os Egunsguns. Ela apresenta. Mulheres que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias mas que. Certas Yansãs. Oyá. o que significa: "Você pode beber e comer ( e pode exibir a sua beleza) mas a sua pele está no depósito ( você não é senão um animal)". Ela traz um alfanje. as tempestades e os ventos enfurecidos. vento da morte. Mas Cosme. e eu virei imediatamente em vosso socorro". em Cuba. parecem expulsar as almas errantes com seus braços largamente abertos e estendidos para a frente. Ela detesta abóbora. feito de cauda de cavalo. No Brasil. descrevem-na bastante bem: "Oyá. mulher corajosa que. Mulheres. que morre corajosamente com seu marido. A quarta-feira é o dia semana que lhe é consagrado. lembrança. Ela recebe oferendas de cabras e acarajés (akará na África). logo que começam a dançar. Quando se manifesta sobre uma das iniciadas está adornada com uma coroa cujas franjas de contas escondem o seu rosto.

No Brasil. Regressou com um saque considerável. búzios. Oxun. a fim de preparar as comidas de Xangô. No local de confluência dos dois cursos d'água. decidiu pregar-lhe uma peça e. fato que nem chegava a perceber pois pretendia monopolizar o amor de Xangô. Ele declarou: 'Obá. maliciosamente . dizendo-lhe que tinha cortado as próprias orelhas. neste momento.realizava maravilhas junto a Xangô. Este. Com este objetivo. chegando logo em seguida. entào. eu lhe imploro. se sair vitorioso da guerra eu lhe oferecerei uma boa coisa. faça baixar o nível de suas águas e. Mas ela estava grávida e pariu no fundo do rio. deve atravessar o rio Obá com seu exercito. a caçoar da pobre Obá que. um pouco mais tarde. e devoradas por Xangô. baseada num jogo de palavras: "O rei de Owú. nkan rerê . partindo em expedição guerreira. por vezes atribuída a Oxun. ele o encontrou novamente em período de cheia. com a orelha decepada e achou repugnante o prato que ela lhe serviu. Indignado. ele tinha por mulher uma filha do Rei de Ibadan que levava o nome de Nkan. Começou. a fim de preparar o prato predileto de Xangô. porém. Era Nkan.mas o rio rejeitou todos estes dons. Obá era mais velha e usava roupas fora da moda. assim. Seguiu-se uma luta corporal entre elas. Oxun e Obá. fugiram e se transformaram nos rios que levam seus nomes. que ele exigia. Consta-se ainda sobre Obá uma lenda. é a terceira mulher de Xangô. tendo a cabeça atada por um pano que lhe escondia as orelhas. pediu-lhe que viesse assistir. venceu-o e expulsou de seu país".VOLTAR Obá. assim que Obá aparece num candomblé. bois. Como o rei de Owú era obrigado a passar. declarando que somente Nkan lhe tinha sido prometida. um belo dia. embora mal formulada. era a vez de Obá cuidar de Xangô. Este não demonstrou nenhum prazer em vê-la. Xangô. Uma grande rivalidade. Este rejeitou o recém-nascido. Ela decidiu pôr em prática a receita maravilhosa: cortou uma de suas orelhas e fê-la cozinhar numa sopa destinada a seu marido. retirou seu lenço e mostrou que suas orelhas jamais tinham sido cortadas. sabendo o quanto Xangô era guloso. Ás águas baixaram e o Rei voltou triste aos seus domínios. fez explodiro seu furor. colocando-as para ferver na panela. montada sobre uma de suas . procurava sempre surpreender os segredos das receitas de cozinha utilizadoas por Oxun. deixe passar meu exercito. Fez a guerra a seu genro. tomou a sopa com apetite e deleite e retirou-se. a preparação de determinado prato que .segundo lhe disse Oxun. o rei atravessou o rio e venceu a guerra. divindade de um rio que leva o mesmo nome. em companhia de Oxun. irritado. então uma promessa solene. Ela era jovem e elegante. cozinhava uma sopa na qual nadavam dois cogumelos. irritada. apavoradas. não demorou a surgir entre ela e Oxun. Chegou próximo ao rio Obá. O rei fez.Oxun apareceu. Oxun mostrou-os à sua rival. as ondas tornam-se muito agitadas em lembrança da disputa entre as duas divindades. O rei ofereceu-lhe todas as' boas coisas'. Na semana seguinte. Obá apareceu na hora indicada.tecidos. As águas baixaram. teve que lançar Nkan às águas. seguido pelo seu exercito. seu esposo comum. O Rei de Ibadan tomou conhecimento do ocorrido. declara não haver dado a sua filha em casamento para que lhe servisse de oferenda a um rio. gentil e apressado. a mulher do rei. nkan rerê'. comidas . ora. furiosa. e era esta que o rio Obá pensava receber como oferenda. se precipitou sobre a sua rival. O rio estava em período de enchente e as águas tão tumultuadas que não podiam ser atravessadas. Oxun.

Iku respondeu à Ewá: . As atitudes militantes e agressivas são conseqüências de experiências infelizes ou amargas por elas vividas. O arquétipo de Ewá são o das mulheres belas. Em seguida o rapaz saiu debaixo dos panos agradecendo á Ewá. patos e galinhas de Angola. Com ao passar do tempo Ewá conseguirá dar a luz á seu filho e de Omolu. em êxitos materiais. co certo. Ewá respondeu lhe então: . e respeite as fronteiras do meu reinado. mas . Iku se quiser mata reis e rainhas e destroí reinados. a tradição exige que as duas divindades encarnadas procurem lutar novamente e é preciso. e ele disse não se preocupe Ewá você será fértil. Ela é sincretizada com Santa Catarina mas. então Ifá partiu. ela respondeu: . Os seus insucessos são freqüentemente resultado de um ciúme um pouco mórbido. ou de Bolonha. A dança de Obá é guerreira: ela brande um sabre com uma das mãos e leva um escudo na outra.ele desceu o rio.sim. onde a sua avidez de ganho e o cuidado de nada perder de suas bens. ele lhe respondeu que estava sendo perseguido por Iku (a morte). Ifá disse á Ewá de hoje em diante você será a mãe da adivinhação. no mesmo momento. tornam-se garantias de sucesso VOLTAR Lenda de Ewá Um dos mitos diz que Ewá estava se banhando no rio enquanto suas mucamas lavava suas roupas. então. respeite o banho da esposa do rei Omolu. Ewá vendo que o rapaz estava sendo sincero em seu pedido ordenou a suas mucamas que o esconde-se em baixo de suas roupas que estava a lavar. ata-se um turbante sobre sua cabeça a fim de esconder uma de suas orelhas. Iku então continuou á sua perseguição descendo o rio abaixo. como recordação da lenda já referida. São-lhe feitas oferendas de cabras. quando subitamente um jovem vestido de branco vinha correndo pelas margens do rio apavorado. Ewá muito desconfiada. Se Oxun se manifesta. O arquétipo de Obá é aqueles das mulheres valorosas e incompreendidas. logo após em sua perseguição vinha Iku perguntando à Ewá se a mesma havia visto um jovem passar por ali. ou de Siena.Ewá não diga nada. E Iku perguntou novamente onde estava o jovem e Ewá percebendo que Iku estava desconfiado ela lhe respondeu: . não se sabe. sensíveis e poéticas. pois eu sei o que você quer.você não vê que estou a me banhar. Então Ewá iria lhe fazer uma pergunta e Ifá lhe respondeu: . como existem muitas santas com este nome. intervir energicamente para separá-las. Entretanto encontram geralmente compensações para as frustrações sofridas. se se trata de Santa Catarina de Alexandria. mulheres cheias de iniciativa. tranqüilas e adaptáveis. Suas tendências um pouco viris fazem-nas freqüentemente voltar-se para o feminismo ativo. Enfim os filhos de Ewá adoram ler. ou de Gênova. pedido socorro à Ewá.iniciadas. você deseja Ter a fertilidade. ela então lhe perguntou o seu nome e ele respondeu eu me chamo Ifá o deus da adivinhação. perguntou lhe o que estava acontecendo.Iku não tem fronteiras.

por medida de precaução. não lhes foi possível carregar o rio. quebrou a garrafa. mas que eram completamente desconhecidos nos meios tradicionais. suportes do Axé da divindade. Dois dentre eles são facilmente identificados: "O arco-iris-que-deslocacom-a-chuva-e-guarda-o-fogo-nos-seus-punhos" e "O trovão-que-sedesloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos". com o qual teve dez filhos cujas atividades bastante diversificadas e cujos nome enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Orixás. em direção oeste. é o Orixá dos Egbás. depois com Olofin-Ododúa. senhor das adivinhações. não no rio Ogun. recolhida em jarras. foge mais tarde em ~direção ao oeste. Os fiéis desta divindade vão procurar. que atravessa a região. o mar. a nova morada de Yemanjá. ela aparece casada pela primeira vez com Orunmila. entretanto. a partir de 1884. cujo o nome deriva de Yeye oman ejá.em relação ao amor só se entregam em absoluto quando estão loucamente apaixonados. Estas denominações representam. pois "não-se-sabejamais-o-que-pode-acontecer-amanhã". tornou-se a partir de então. O templo principal de Yemanjá fica em Ibará. Evidentemente. transportaram consigo objetos os sagrados. é trazida em procissão para seu templo. segundo as instruções recebidas. Esta. OlofinOdodúa. uma garrafa contendo um preparado. Em certa lenda. Oxumarê e Xangô. e o rio Ogun. VOLTAR "Yemanjá. lançou seu exercito em procura de Yemanjá. copiando-se uns aos outros. para Abeokutá. . em Abeokutá. Este rio Ogun. recomendara-lhe que a quebrasse no chão em caso de perigo. Olokun que havia dado. não deve ser confundido com Ogun. a água sagrada para levar os Axés. Estes mesmo autores publicaram. levando-a para Okun. contrariamente à opinião de numerosos autores que escrevem sobre o assunto no século passado. suportes de seu poder. chamado Lakaxá. mas. Esta água. cansada de sua permanência em Ifé. As guerras entre nações yorubáslevaram os Egbás a emigrar. à este. no inicio do século XIX. autrora. "ilusão à migração dos Egbás". bairro da cidade de Abeokutá. Um rio criou-se na mesma hora. Ewá representa o horizonte. uma nação yorubá estabelecida outrora na região de Ibadan. deus ( em Bénin e em Lagos) ou deusa ( em Ifé) do mar. todos os anos. Yemanjá. lugar de residência de Olokun. rei de Ifé. Yemanjá foi se instalar na "Noite-daTerra". em contrapartida. uma série de lendas escabrosas e extravagantes que fizeram a delícia dos " meios eruditos". Yemanjá seria a filha de Olokun. respectivamente. onde existe ainda o rio Yemanjá. "Mãe cujos filhos são peixes". em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé. cercada. mas na fonte de um de seus afluentes. o deus do ferro e dos ferreiros. Rei de Ifé. E assim.

Ela é severa. rancorosa e violenta. Yemanjá bateu com o pé no chão e transformou-se num rio a fim de voltar para Olokun. Na Bahia. cujo . aos diversos lugares profundos. trazem um leque de metal branco nas mãos levadas alternadamente sobre a testa a nuca. Lydia Cabrera acrescenta: "Ela tem um olhar insustentável.uma amazônia terrível. um vestido de contas. Nossa Mãe de seios chorosos". Yemanjá recebe sacrifícios de carneiro e oferendas de comidas à base de milho branco. rio que na África corre paralelo ao rio Ogun e que freqüentemente é confundido com ele. Ela usa. mãe de Xangô. casada com Ogun Alagbedé. Ela espera. Lydia Cabrera especifica que "ela vive em água agitada. É perigosa e voluntariosa. não mais podendo controlar as suas palavras. sal e cebolas. Tomada de cólera. Esquece o que lhe pedem e se põe a contar minuciosamente as penas do prato que lhe deram como oferenda. Yemowô. fez comentário sobre seu seio volumoso. que traz pendurada na cintura o facão e os outros instrumentos de ferro de Ogun. e somente escuta dando as costas ou ficando ligeiramente de perfil. Yamassê.e somente um deles.As imagens que representam Yemanjá dão-lhe o aspecto de uma matrona. Muito lenta a escutar os pedidos de deus fiéis. muito voluntariosa e respeitável. Olossá. a lagoa na qual deságua o rio Ogun. No Brasil. Ibús. ela manca e está sempre fiando algodão. falando de Yemanjá em Cuba . Esta particularidade de possuir seios um pouco mais que majestosos . quando o marido havia se embriagado com vinho de palma. As saudações a Yemanjá são bastante interessantes: "Rainha das águas que vem da casa de Olokun. de azul-claro. ela recomeça e esta operação se prolonga indefinidamente". Foi mulher de Orumilá e este aceitou seus conselhos com respeito".foi a origem de desentendimentos com seu marido. prevenido antes do casamento. Seus Iaôs durante o Xirê dos orixás. Rainha que vive nas profundezas das águas. "É . Yemanjá Yogunté. como na lenda precedente. orgulhosamente sentada. símbolo de maternidade fecunda e nutritiva.diz Lydia Cabrera. É muito séria. Usa uma corrente de prata amarrada no tornozelo. de preferência. com seios volumosos. Gosta de comer pato. guardadas numa sopeira de porcelana azul. É muito orgulhosa. diante do rei. dá-se sete nomes a Yemanjá e se conta: que de Olokun. Uma noite. azeite. como em Cuba. os adeptos de Yemanjá usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se. Yewá ( Euá). no mercado. do rio Ogun. segundo outra lenda . dizendo-lhe que não toleraria a mínima alusão desagradável ou irônica a esse respeito. Ela se apresenta sob diversos nomes. Se acontece se enganar nos seus cálculos. nasceram. Yemanjá Assaba. porém. embora ela já o houvesse. que na África é mulher de Oxalá. seu Axé é constituído por pedras marinhas e conchas. honestamente. Detesta pato e adora carneiro". o mar. ligados. Tudo ia muito bem e o casal viva feliz. Yemanjá Assessú. como no caso de Oxun.

por este gesto. altivas e. que é domínio de Oxun. nem presentes em dinheiro. certamente a mais competente de todas aquelas que me foi dado o prazer de conhecer: "As filhas de Yemanjá são voluntariosas. sabonetes embrulhados em papel transparente. Em algumas horas as cestas já estão cheias e substituídas por outras. Esta festa do dia 2 de fevereiro é uma das mais populares do ano. freqüentemente rpresentada sob a forma latinizada de uma sereia. cortes de tecidos e outros presentes agradáveis a uma mulher bonita e vaidosa. Neste dia (2 de fevereiro). a fim d obrigar as grandes cestas destinadas a receber os donativos e as oferendas par Yemanjá. as pessoas fazem abstração. porém. Tomo emprestada a descrição do arquétipo de Yemanjá de Lydia Cabrera. se a perdoam. longas filas de pessoas se formam diante da pequena casa construída rapidamente. não a esquecem jamais. juntamente com outras divindades femininas. conseqüentemente. na Bahia. transformando-as. devolvidas à praia. pois é nessa data que se organiza um solene presente para Yemanjá. Yemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição. para que as oferendas sejam aceitas. impetuosas e arrogantes. sinal de aprovação de Yemanjá. as Ayabas. O entusiasmo da multidão chega ao seu máximo. frascos de perfumes. Curiosamente. atraindo à praia do Rio Vermelho uma multidão imensa de fiéis e de admiradores da Mãe das Águas. saudações a Yemanjá. festejada no dia 2 de fevereiro. elas devem mergulhar até o fundo. os ramos de flores são colocados em cima das cestas. assim. também. numas 30 braçadas de flores. Na Bahia. são maternais e sérias. rigorosas. pratos de comida feitos com carinho. A flotilha se dirige para o alto mar. com longos cabelos soltos ao vento. procura chamar a atenção para a beleza de seu penteado de rainha. Sem possuírem a vaidade de Oxun. as rainhas. Sábado é o dia da semana que lhe é consagrado. onde as cestas são depositadas sobre as ondas. a Princesa ou a Rainha do Mar. é sinal de recusa para grande tristeza e decepção dos Admiradores de Yemanjá. gostam do luxo. forma-se um lento desfile de pessoas de todas as origens e de todos os meios sociais. Dona Janaína. Durante todo este dia. trazendo ramos de flores frescas ou artificiais. Segundo a tradição.simbolismo não me foi possível perceber. na véspera. se elas forem rejeitadas e. Preocupam-se com os outros. ela mesma filha de Yemanjá. barcos e lanchas a motor. algumas vezes. das fazendas azuis e . imensas. assim como colares e pulseiras. Uma parte da assistência embarca a bordo de veleiros. Ao final da tarde. do sincretismo que liga o Oxun a Nossa Senhora das Candeias. bonecas. Cartas e súplicas não faltam. Não se escutam senão gritos alegres. fortes. protetoras. Chamamna. o que mostra que o sincretismo entre os deuses africanos e os santos da igreja católica não é de uma rigidez absoluta. Saúda-se Yemanjá gritando-se Odoyá. Ela é mais ligada às águas salgadas do mar que às águas doces dos rios. Gisèle Cossard pensa que Yemanjá. custam muito a perdoar uma ofensa e. põem à prova as amizades que lhe são devotadas. votos de prosperidade futura. bem cedo pela manhã. festejada no dia 8 de dezembro.

num gesto que vimos em Tchetti. próximo de Atakpamé. no oeste.rei dos Igbos estabelecido perto de Ifé. ao lado das divindades das águas. e do qual falaremos a seguir. Todas elas traziam na mão um cajado salpicado de vermelho. na direção do leste. parecem puxar para si. sem utilizar facas. e de sinos de percussão.Nanan Buruku. Em Savé. Este muito simbolizaria a existência de uma primeira civilizaçã. ( ponto de partida para a peregrinação ao Adelé ). . ou das águas calmas dos rios. antes da chegada de Odudúa . como Yemanjá. civilização que existia antes da chegada de Odudúa e de Ogun que trouxeram com ele o conhecimento do ferro e de suas utilizações. no Daomé. Tive a ocasião de assistir em Tchetti. e oferecem-lhe pratos preparados com camarões. o seu dia é a segunda-feira. na África. representada por Nanan Buruku. palos menos até o país Tapa-Nupé. Nanan Buruku é uma divindade muito antiga na África. no Gana atual. curvados para a frente. de maneira unânime Siadi ou Schiari ( na região de Adelé. o mesmo papel que Yeyemowo. viram-se para o centro da roda e colocam seus punhos fechados. a oeste. onde seu nome se pronuncia Nanan Burukung. ele se apresenta bem diferenciado. Tchetti e Atakpamé. próximo à fronteira de Togo) como meta de peregrinação ao lugar de origem de Nanan Buruku ou Brukung. da lenda conhecida no Brasil. mas bem temperados. Nanan Buruku teria. O local da demarcação entre as duas espécies de Nanan parece Zumé. domínio de Oxun . aqui. Têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto" VOLTAR Nanan Buruku é conhecida no Brasil como a mãe de Obaluayé-Xapanan. Apinti.aproximando-se. Se o culto de Nanan Brukung tem tendência a se confundir com o de Xapanan-Obaluayê-Omulu. assim. Quando Nanan Buruku se manifesta numa de suas iniciadas é saudada pelos gritos de Salúba! Fazem-lhe sacrifícios de cabras e galinhas de angola. Estas lembram as águas primordiais que Odudúa ou Oranmiyan ( segundo a tradição de Ifé ou de Oyó) encontrou no mundo quando criou a terra. é o sábado. dão.mas das águas paradas dos lagos lamacentas dos pântanos. vermelha e azul. sem azeite. Seus movimentos lembram um andar lento e penoso. É considerada a mais antiga das divindades das águas . juntamente com seu filho Obaluayé. evoluíam aos sons de tambores. um sobre o outro. Seus adeptos dançam com a dignidade que convém a uma senhora idosa e respeitável.não das ondas turbulentas do mar. para além do Niger. apoiado num bastão imaginário que os dançarinos.vistosas. de de idade avançada. É sincretizada com Santana. Segundo uns. da existência de um casal Oxalá . A área de influência de seu culto é bastante vasta e aparece se estender à leste. segundo outros. a mulher de Oxalá . ultrapassando o Volta. a uma série de danças dedicadas a Nanan Brukung. Em certos momentos. das jóias caras. tinge a região dos Guangs e da nação Gomba. no Togo. Os colares de contas de vidro usados por aqueles que lhe são consagrados são das cores branca. As dançarinas. há também indicações de ligação entre Nanan Brukung e o país Bariba.

sua roupa parece coberta de sangue.como os usado pelos peregrinos. razão pela qual é saudado com o título de Alabalaxé. o Orixá. seu Opa Oxorô ou Paxorô. por Olodumaré. Salpicada de vermelho. com excesso de mansidão pois têm tendências a se comportar com a indulgência de avós. o que lhe causaria inúmeros problemas. e tão majestosamente. inspirando-lhes um saudável terror. não teve outro recurso se não o de furar o seu Paxarô a casca do tronco de um .Oxalá ou Obatala. que desviam os enganadores. uma sobre a outra. As saudações feitas a essa divindade resumem bem as suas diversas características: "Proprietária de um cajado. de criar o mundo e o Deus Supremo entregou-lhe. A dança consistia num lento desfile das iniciadas de Brukung e parecia rememorar a peregrinação por elas realizadas. o Rei da Roupa Branca ou. com passo lentos e circunspectos. num gesto que lembrava o dos iniciados de Nanan Buruku. Oxalá se pôs a caminho apoiado numa grande bengala de estanho. Exu. Axé. o que seria criado e o outro. Ela mata uma cabra sem utilizar a faca" Nanan Buruhu é o arquétipo das pessoas que agem com calma. encontrou Exu que. o saco da criação. e de realizar. talvez. Água para que mata de repente. antes da partida. Foi o rimeiro a ser criado por Olodumaré. Orixá que obriga os Fon a falar Nagô. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos. entre suas mão fechadas. Elas gostam de crianças e educam-nas. o Grande Orixá é o mais importante dos deuses Yorubá. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões as mantêm sempre no caminho da sabedoria e da justiça VOLTAR . Oxalá tinha um caráter bastante obstinado e independente. Em razão do seu caráter altivo. andando um pouco de lado. antes de iniciar sua viagem para ir criar o mundo. ele recusou-se a fazer alguns sacrifícios e oferendas a Exu. Paravam de vez em quando. benevolência e gentileza. Oxalá. descontente com a recusa do grande Orixá em fazr\er as oferenda pedidas. que lhe conferiu o poder de sugerir. vingou-se fazendo-lhesentir uma sede intensa. o Deus Supremo. para matar sua sede. Foi o encarregado. Agem com tal segurança. Iam apoiadas em seus bastões. o que os impede de envolvê-las em seus projetos maldosos. no Brasil. ainda. O poder que Oxalá havia recebido não o dispensava de respeitar certas regras e de se submeter a diversas obrigações. Axé. inclinavam-se para frente e estreitavam o seu bastão. Minha mãe foi inicialmente ao país Baribe. o bastão para fazer as cerimônias No momento de ultrapassar a porta para sair do além. tinha a de fiscalizar as comunicações entre os dois mundos. entre as suas múltiplas obrigações. Sua atitude imitava a fadiga de uma longa viagem. e que julgam ter a eternidade à sua frente para acabar seus afazeres.

criado por Olodumaré depois de Oxalá. Diz-se. Odudúa. voltou a Olodumaré. Este. Um caso excepcional de monogamia entre os Orixás e Eboras. na Bahia. Todas \as pessoas que entram nestas tristes categorias são-lhe consagrados e tornam-se adoradores de Oxalá. Deixou cair a substância marrom contida no saco da criação.. Odudúa! vá criar o mundo!" Odudúa saiu. Sexta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Onde ciscava. como consolo. segundo dizem. Oxalufan. Despeitado. Olodumaré exclamou: "Se ele está neste estado. os homens saíam de suas mãos contrafeitos. antão. um montículo que ultrapassou a superfície das águas. do Outro-Mundo e se encontrou diante de uma extensão ilimitada de água. Oxalá é considerado.cobertas com traços e pontos feitos com giz . Isto em Yorubá se diz ile nfé. O primeiro. em Ifé. não sabia mais onde estava e caiu adormecido. expressãoque deu origem ao nome da cidade de Ilê/Ifé. fervorosa devoção aos habitantes de todas as categorias sociais. a ter aventuras amorosas múltiplas e a renovar facilmente seus votos matrimoniais. Por esta razão. igualmente. já o vimos anteriormente. que existem dezesseis Oxalás. entretanto. Veio. Seus adeptos usam colares de contas brancas e vestem-se. deformados. dirigiu-se a presença de Olodumaré para mostrar-lhe seu achado e lhe contar em que estado se encontrava Oxalá. Confiou-lhe. e nos dias em que se excedia. Suas estátuas são colocadas lado a lado . no quarteirão Itapa. ao seu lado. é um Oxalá muito velho. na Bahia. corcundas. Oxalá bebeu-o ávida e abundantemente. no templo Idetá-ilé. insuflaria a vida. É sincretizado com o Senhor do Bonfim. tanto no Brasil como na África.Obatalá é casado com Yemowo. Quando Oxalá acordou não mais encontrou. o saco da criação. Vendo o grande Orixá adormecido. retirados do forno antes da hora. Yemowo foi. Odudúa aí se estabeleceu. porém. então. local de adoração deste casal. ue foi o rei de Ifan. e grande rival deste. o "proprietário da boa agila". Um l[iquido refrecante dele escorreu: era o vinho de palma. de branco. curvado pelos anos. mesmo. Oxalá . saíam mal cozidos e suas cores tornavam-se tristemente pálidos. a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos aos quais ele. como castigo pela sua embriaguez. proibiu a o grande Orixá. Era terra. dois os mais evocados: Oxalufan e Oxagiyan. de usar azeite de dendê.dendezeiro. como se estivesse . seguido pelos outros Orixás e tornou-se o rei da Terra. cobria as águas e a terra ia-se alargando cada vez mais. a única mulher de Oxalá.no Ilessin. como sendo o maior dos Orixás. assim. eram os albinos. Alguns. capengas. muito inclinados. Olodumaré. sendo. Pôs-se a modelar corpo dos homens mas não levava muito a sério a proibição de beber vinho de palma. roubou-lhe o saco \da criação. Formou-se. vá você. de beber vinho de palma e. que anda com dificuldade e hesitação. Oxalá é também chamado de Olomanrere. e inspirar. Ficou bêbado. sem outra razão aparente se não a de ter um enorme prestígio.

por acaso. em Yorubá. "Exu-proprietário-do-óleo-de-amêndoa-de-palma". Exu Elopo Pupa. e lá encontrou um cavalo que havia fugido. pondo-se a zombar dele. de inhame triturado no pilão. lavou e trocou de roupa após cada uma das experiências. Oxalufan se pôs a caminho e. também. Oxagiyan. e ainda difundida na África sendo que. de tristes aventuras com Exu-Eledu. o conteúdo do barril sobre Oxalufan. Existe uma lenda. as epidemias acabavam com os rebanhos. "Boa Atividade". Xangô. contada na Bahia. "Viva o Pai"ou. Deveria. os servidores de Xangô. pôs uma roupa nova e deixou a velha como presente. Ele gostava. exageradamente. O Babalaô lhe confirmou que a viagem seria muito penosa. não devendo. Antes de partir. Continuou a andar. que teria de sofrer numerosos revezes e que. ainda. em Cuba. ia lentamente apoiado em seu cajado de estanho Encontrou. Quando as iaôs deste orixá dançam. " Exu-dono-do-azeite-de-dendê". "Exu-proprietário-do-carvão-demadeira" e Exu Aladi. na outra. à fronteira do reino de Oyo. Oxalufan concordou e. Após seguidas buscas e . Em contraste. e foi vítima. finalmente. uma versão muito próxima foi recolhida por Lydia Cabrera . que daria origem ao nome Oxagiyan. se não quisesse perder a vida. e tendo a intenção de levá-lo ao seu Senhor. em Yorubá. o que lhe valeu o apelido de "o Orixá que come inhame pilado". Após uma troca de saudações. portanto. encimado pela imagem de um pássaro e ornado por discos de metal e pequenos sinos. Exu derramou de propósito. realizar a viagem. e jogaram-no na prisão. Oxalufan. que estavam à procura do animal. tinha um caráter obstinado e persistiu em seu projeto. sentado à beira da estrada com um barril de azeite de dendê ao seu lado. Oxalufan. caíram sobre ele com golpes de cacete. Exé eee!. uma espada. nem reclamar das conseqüências que disso resultasse. pertencente à Xangô. Oxalufan consultou um Babalaô para saber se sua viagem se realizaria em boas condições . dando-lhe espigas de milho. com esforço. Pensando que o homem idoso fosse um ladrão. levar três roupas brancas para trocar. Ele apoia seus passos cabaleantes sobre um Paxorô. expressão equivalente. durante a operação.atacado pelo reumatismo. porém. seu vizinho e amigo. seguindo as recomendações do Babalaô. rei de Oyo. como fosse velho. Chegou. por duas vezes. grande bastão de metal branco. então. Lavouse no rio próximo. tendo consultado um Babalaô soube que toda esta desgraça provinha da injusta prisão de um velho homem. é um guerreiro jovem e valente. A seca comprometia a colheita. a Orixá je iyan. lhe fossem pedidos. Saúdam-se estes dois Oxalás gritando-se Epa Babá. elas brandem um pilão e um escudo numa das mãos e. O Babalaô respondeu que ele seria vítima de um desastre. No momento em que Oxalufan quis amansar o animal. prato denominado Yan. Exu pediu a Oxalufan que o ajudasse a colocar o barril sobre a sua cabeça. não devia nunca recusar os serviços que. Este não reclamou. sem perder a paciência. maliciosamente. Sete anos de infelicidade se abateram no reino de Xangô.segundo a qual "Oxalufan rei de Ifan tinha decidido fazer uma visita a Xangô. que foi rei de Ejigbo. chegaram correndo. logo depois. as mulheres ficavam estéreis.

estendendo-se até a manhã do dia seguinte. são entregues aos Oxalás manifestados. Oxalufan foi levado à sua presença e ele reconheceu seu amigo Oxalá. Formam um longo cortejo que vai em silêncio. Esta parte do ritual é realizada como lembrança das pessoas do reino de Oyó que foram. pediulhe perdão e deu ordem aos seus súditos para que fossem todos vestidos de branco e guardando silêncio em sinal de respeito. No domingo seguinte. na passagem. que corresponde ao nascer do dia. ao findar do dia. O ciclo dessas festas se estende por várias semanas. em certos terreiros. golpes de vara de assistência. Nas duas primeiras. que feliz por rever seu pai. Distribuições de comidas são realizadas em seu nome. a água é derramada sobre os Axés de Oxalá. passando por Ejigbo para visitar seu filho Oxagiyan. feita de palmas trançadas e simbolizando a viagem de Oxalufan. buscar água três vezes seguidas a fim de lavar Oxalufan. dão e recebem. procedidas por uma das mais antigas mulheres dedicadas a Oxalá. O maior silêncio é observado a partir da quinta-feira. em silêncio de vestidas de branco. buscar água para Oxalufan se lavar. provenientes dos candomblés da Barroquinha. a fim de festejar a volta do pai. pouco importante mas. particularmente naqueles de origem Ketu. dia da semana que no Brasil é consagrado a Oxalá. Os participantes vão. mas com limo da Costa. Este. é chamado de "Pilão de Oxagiyan" e evoca as preferências gastronômicas desse personagem. finalizando o ciclo das cerimônias. todos vestidos de branco e com a cabeça coberta com um pano igualmente branco. sua ida a prisão e seu cativeiro. Fazem três viagens até a fonte sagrada. os vasos cheios d'água são arrumados em volta do Axé de Oxalá. os Axés do deus são retirados do seu Peji e levados em procissão até uma pequena cabana. Na terceira vez. tem lugar uma cerimônia. voltou em seguida à Ifan. organizou grandes festas com distribuição de comidas a todos os habitantes do lugar". simbolizando a volta de Oxalufan ao seu reino. onde as dançarinas se passam curvados diante dos Orixás que lhes dão. à noite. pegar a "Água de Oxalá". um ligeiro golpe de vara. sem sal e sem azeite de dendê. desesperado pelo que havia acontecido. Uma roda se forma. e transes de possessão de produzem entre as filhas de Oxalá como testemunhos da satisfação do deus. chamado Adjá. na Bahia. Todos os que participam da cerimônia chegam de véspera. A proibição de falar é sustada. águas para lavar Oxalá. Esta lenda é comemorada todos os anos. uma procissão leva ao barracão pratos contendo inhame pilado e milho cozido. antes da aurora. O terceiro domingo. que agita sem parar um pequeno sino de metal branco. Pequenas vara de Atorí. tem lugar a cerimônia da "Água de Oxalá". realiza-se uma procissão que leva os Axés de Oxalá ao seu Peji. cânticos acompanhados pelo ritmos dos tambores são entoados. Neste dia. sete dias após. Numa sexta-feira. . chamadas Ixans. às pessoas ligadas ao terreiro e aos visitantes importantes. Na sexta-feira seguinte. exatamente uma semana depois. os que foram assim tocados. ou seja. Xangô.diversas perguntas. por seu lado. representando os sete anos de incarceração.

movidos por um sentimento de devoção. num afã de comunhão com o Grande Orixá. Com esta dança. acompanhando o desfalecer do corpo e a retomada dos movimentos. por um breve momento. Neste dia. atualmente. os resultados amargos daí decorrentes. todos os anos. no decorrer do quais o conjunto de Orixás abaixa o corpo. em Iluayé. vindas como espectadoras. Os descendentes de Africano. o Rei dos Igbos. O imenso respeito que o Grande Orixá inspira às pessoas do candomblé revela-se plenamente quando chega ao momento da dança de Oxalufan. mesmo a despeito das opiniões contrárias. quem estiver sentado deve-se . aquele que foi. dançam e agitam-se em seus lugares. na Bahia. tomou um caráter diferente. São acompanhadas por uma multidão. bem longe. onde sempre figuram as autoridades civis do Estado da Bahia e da Cidade de Salvador. Em nenhuma circunstância modificam seus planos e seus projetos. Os devotos aparecem em grande número a fim de participar da lavagem. conjuntamente com os Orixás. vêm em cortejo à Igreja do Bonfim. levantando a bainha de sua de sua roupa para evitar que ele a pise e venha a tropeçar. Tais pessoas no entanto. e os outros Orixás presentes vêm cercá-lo esustentá-lo. as baianas. tanto ao Cristo como ao deus africano. entrecortados de paradas. Não é raro ver pessoas que. deixa cair os braços e a cabeça. Trazem à cabeça potes contendo água para lavar o chão da Igreja e flores para enfeitar o altar. Oxalufan. seguem o ritmo da orquestra que interrompem a cadência em intervalos regulares. levando-os a dançar alguns passos hesitantes. na quintafeira do Bonfim. a Terra da África. porém. e aqueles que os escoltam. VOLTAR Ìyá Mi Osorongà As Senhoras dos Pássaros da Noite Quando se pronuncia o nome de Yiá Mi Oxorongá. em tempos remotos. O arquétipo da personagem dos devotos de Oxalá é aquele das pessoas calmas e dignas de confiança. vestidas de branco. na quinta-feira precedente ao domingo do Bonfim. deixam-se tomar pelo ritmo. Um ato de devoção que não é particular a este templo. Alguns piedosos católicos tinham o hábito de lavar. sabem aceitar. zelosamente o chão da igreja. sem reclamar. longe. uma das mais populares da Bahia. fecha-se geralmente a noite. como se estivessem cansados e sem forças. que os alertam para possíveis conseqüências desagradáveis dos seus atos. cor de Oxalá. No Bonfim. dotadas de força de vontade inquebrantável que nada pode influenciar.Uma versão sincretizada da água de Oxalá é a lavagem do chão da basílica do Senhor do Bonfim que acontece. Esta festa é. fizeram uma aproximação entre as duas lavagens: a dos Axés de Oxalá e aquela do solo da igreja que leva o nome católico do mesmo Orixá. racionais. das pessoas respeitáveis e reservadas.

dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. a capacidade de gerar filhos. O velho pássaro doente não se aqueceu ao sol. mas a qualquer mulher. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e.. a humanidade estaria fadada a desaparecer. tentam. especialmente nas sociedades antigas. Mãe que tem potes de comida em casa. Honras à minha Mãe! Mãe cuja vagina atemoriza a todos. Em síntese. Esse é o poder de Iyá Mi: mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens. As mães são compreendidas como a origem da humanidade e seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. ( Jorge Amado ) Origem e história Iyá Mi Osorongá ( Ìyá Mi Osorongà ) é a síntese do poder feminino. até os primeiros anos de vida.. na verdade. claramente manifesto na possibilidade de gerar filhos e. Donas de um axé tão poderoso quanto o de qualquer orixá. Grande. Se todas as mulheres juntas decidisses não mais engravidar. todo ser humano deve a vida a uma mulher. expressa nos órgãos genitais femininos. que antecedem o início das chuvas do país. apaziguar os poderes terríveis dessa entidade. pois se trata de temível Orixá.levantar. por isso também são chamadas de Eleyé e as corujas são seus maiores símbolos. a quem se deve apreço e acatamento. tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e sua fama de grandes feiticeiras as associou à escuridão da noite. tinha inúmeros recursos para interromper uma gravidez. Algo secreto foi escondido na casa da Mãe . de povoar o mundo. Mãe que sobe alto e olha para a terra . sempre assustou os homens e as cantigas entoadas durante o festival Gèlèdè fazem alusão a esse terrível poder . Quando os Yorubás dizem "nossas mães queridas" para se referirem às Iyá Mi. numa noção mais ampla. que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza. A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino. no topo da árvore Iroko. uma criança depende totalmente de sua mãe. quando ele nascer. Mãe que arma uma cilada. realizado entre os meses de março e maio. muito grande. se faltarem seus cuidados a criança não vinga.que não pertence apenas às Iyá Mi. E. quem estiver de pé fará uma reverência. Mãe destruidora. Mãe todo-poderosa. ainda decide se ele deve viver. Toda mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá Mi. as Iyá Mi tiveram seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè. Poder procriador. ou seja. remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade. arma uma cilada. A mulher. Mãe cujos pêlos púbicos se enroscam em nós. Grande mãe com quem não ousamos coabitar Grande mãe cujo corpo não ousamos olhar Mãe de belezas secretas Mãe que esvazia a taça Que fala grosso como homem. hoje te glorifico: O velho pássaro não se aqueceu no fogo. mãe do pássaro da noite. na Nigéria.

é Oxorongá. através dele se enviam as coisas boas e ruins. mas o poder de Iyá Mi é manifesto em toda mulher. juntamente com Exú e os ancestrais. não por acaso. Osoronga. por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo. As Iyá Mi. que são as Ajé. com o qual tornou-se conhecida nos terreiros. integrarão o corpo das Iyá Mi. porém. Iyá Mi é a sacralização da figura materna. para afugentar a morte. Não podem.Mãe que mata o marido mas dele tem pena. O lado bom de Iyá Mi é expresso em divindades de grande fundamento. as Ajé. mais conhecida por Iyami Osoronga. arreiam-se oferendas e se lhe fazem pedidos para o bem e para o mal. dentre outros. diga apenas Eleyé. Nesses lugares se invoca a sua presença. que são. nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte. transformadas em pássaros do mal. As feiticeiras mais temidas entre os Iorubás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e. As Yiá Mi são as senhoras da vida. O aspecto mais aterrador das Iyá Mi e o seu principal nome . Todas as precauções são tomadas. ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé. as encruzilhadas pertencem a Esu. Se não se sabe . como Agbibgó. Iemanjá e Nanã Buruku. na verdade. que provoca a doença que o povo chama de "ar do vento". sendo também uma nítida representação do ventre. ser esquecidas. quando deixarem a vida. entre outras coisas. As denominações de Iyá Mi expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados. as Iyá Mi. por conseqüência. sobretudo á noite. pois um dia. são evocadas nos ritos de Ipadé. os caminhos. principalmente essa hora. Atioro. Trazidas ao mundo pelo odu Osa Meji. Tudo que é redondo remete ao ventre e. mas quando se disser um de seus nomes. Ofurufu. sobretudo nas horas mais perigosas que são ao meio dia e à meia-noite. Também o vento (afefe) de que Oya ou Iansan é a dona. é considerada tabu. um complexo ritual que . mostrando a sua relação com os ancestrais. Eleiye voa espalmada de um lado para o outro da cidade. À meia-noite ninguém deve estar na rua. sobretudo o vento ruim. as mulheres ancestrais. mas se isso acontecer deve-se entrar em algum lugar e esperar passar os primeiros minutos. que. porque a noite é governada pelo perigosíssimo odu Oyeku Meji. Quando devidamente cultuadas. juntamente com o odu Oyeku Meji. como Apaoká. nos quais se transforma a Ajé-mãe. mas o corolário fundamental da vida é a morte. Dona do Pássaro. todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e. fazem-se sacrifícios. são o grande ventre que povoa o mundo. a dona da jaqueira. quando todo seu espaço pertence a Eleiye. o firmamento. em quase todas as culturas. denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto. emitindo um eco que rasga o silêncio da noite e enche de pavor os que a ouvem ou vêem. o ar também desempenha o seu papél importante. principalmente. As ruas. pode ser bom ou mau. a verdadeira mãe de Oxóssi Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Kêtu. uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador. formam o grande perigo da noite. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. para referir-se à elas sem correr nenhum risco. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum. Elùlú. Os assentamentos de Iyá Mi ficam junto a grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados. principalmente em encruzilhada.

extravasando energia. afim de evitar que ela pouse. Em caso contrário. voe. sem deixar grandes marcas. quando comidas como caruru. fo (voe. são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio. das atividades esportivas. há uma infinidade de maneiras de proceder em tais circunstâncias. A grande cerimônia dedicada a estes orixás acontece a 27 de setembro. nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. o nascimento dos seres humanos. tem-se que agradá-la. bolinhos. com o dedo indicador. suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade. podem então revelarse teimosamente obstinadas e possessivas. para agradá-la Atioro bale sege sege ([saúdo] Atioro que pousa elegantemente) e assim uma série de procedimentos diante de um dos donos do firmamento à noite. balas (associadas às crianças. Se é num momento em que se está voando. o que significará a morte. ou se após gritar resolver pousar em qualquer ponto alto ou numa de suas árvores prediletas. sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Ao mesmo tempo. VOLTAR São duas divindades gêmeas. sua leveza perante a vida se revela no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar.como aplacar sua fúria ou conduzí-la dentro do que se quer. Como as crianças em geral. jovialmente inconseqüente. portanto) são oferecidas tanto aos orixás como aos freqüentadores dos terreiros. gostam de estar no meio de muita gente. reduzindo. à altura da cabeça. sociais e das festas. etc. de um lado para o outro. dizemos respeitosamente A fo fagun wo’lu ( [saúdo] a que voa espalmada dentro da cidade). Costumam ser brincalhonas. Por serem gêmeos. especialmente em termos emocionais. totalmente espalmada. Se durante à noite corremos a mão espalmada. dia de São Cosme e Damião. Enfim. às vezes. Podem apresentar bruscas variações de temperamento. e certa tendência a simplificar as coisas. Mesmo agradando-a não se pode descuidar. irrequietas – tudo. sorridentes. descritas acima. que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral. mesmo em se lhe felicitando temos que nos precaver. Seus filhos de santo são pessoas com temperamento infantil. a única coisa a se fazer é afugentá-la ou esconjurá-la. ou após o seu eco aterrorizador. Os Ibeji não possuem . o comportamento complexo das pessoas que estão em torno de si a princípios simplistas como “gosta de mim – não gosta de mim”. Ao contrário dos erês entidades infantil ligadas a todos os orixás e seres humanos são divindades infantis orixás crianças . sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado. porque ela é fatal. enfim. vatapá. são associados ao principio da dualidade. dizendo Oya obe l’ori (que a faca de Iansan corte seu pescoço). até antes do sol se pôr. Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com certa facilidade. Se nos referimos a ela ou falamos em seu nome durante o dia. atitude tomada diante de tudo que representa perigo. voe). porque sua fúria é fatal. fo. doces. ao ouvir o seu eco. por serem crianças. pequenos. As comidas são as servidas na festa. o germinar das plantas. fazemos um X no chão. O sacrifício destinado a Ibeji é de frangos e frangas de leite. Ao mesmo tempo. ou então Fo. dizemos.

Ifan e Ifé. Além da Sociedade Geledê. e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. Os iorubanos . a grande mãe.) Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades. A reencarnação acontece para ambos os sexos. ela revive em um dos seus descendentes. Os mortos do sexo feminino recebem o nome de ìyámí Agbá (minha mãe anciã). Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos. inclusive. dançam para acalmar a ira e manter. Tanto ìyámí quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". compostas exclusivamente por mulheres. resultado de vários agrupamentos tribais. Oyó. os termos em língua yorubá foram aportuguesados.(1 . mas não são cultuados individualmente. entre outras coisas. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. pela Sociedade Oro. mas também seus ancestrais. a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia. mas todas as cores acabam fazendo parte das roupas de seus filhos de santo e de alguns colares usados por eles VOLTAR EGUNS Ancestralidade e Continuidade !!! Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. São invisíveis e representam a coletividade. mais controlado. principalmente os masculinos. e em seus altares podem ser encontrados freqüentemente brinquedos. para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada. principalmente religiosa . os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas. A morte não é o ponto final da vida para o iorubano.Por motivos gráficos e para facilitar a leitura.um dos grupos étnicos da Nigéria. Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê". ou seja. Suas cores principais são o vermelho e o verde. de forte tradição. Itexá. portanto. existe também na Nigéria a Sociedade Oro.nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás. nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral. pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa). mas o poder de ìyámí é maior e. Outra forma. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por ìyámí Òsóróngá. O medo da ira de ìyámí nas comunidades é tão grande que. Esse mortos surgem de forma visível . duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa. mantendo na morte a sua individualidade.otá.: orisá = orixá. chamada também de Iá Nlá. sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. tais como Keto. Em Itaparica (BA). é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar. Ex. a harmonia entre o poder masculino e o feminino. Oro é uma divindade tal qual ìyámí Òsóróngá. Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos.

e que está relacionada com a voz do macaco marrom. causando impacto visual e usando a surpresa como rito.chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou. nenhum humano pode tocá-la. que. A roupa do egun . Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório. um bastão chamado ixã. que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos. ali representada pelos Eguns. em Ponta de Areia. guiam e zelam por um ou mais Eguns . chamada de séègí ou sé. como é dito nas falas populares dessas comunidades.como os ojé atokun. que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. é prejudicial. perante olhares profanos. cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá. e o perigo a rondará. também chamados de Babá-egun (pai). e não se pode negar sua presença. da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes. Pelo sim ou pelo não. O Egungum simplesmente surge no salão. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm . denominada egun ou Egungum. e uma mais recente e ramificação da primeira. por isso. faz com que a "morte se torne vida". pois as roupas ali estão e isto é egun. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte". em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de egun) sob transe mediúnico. E mesmo os mais qualificados sacerdotes . chamado ijimerê na Nigéria. em que o transe acontece durante as cerimônias públicas. que invocam. As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral. são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem. Mas. energética ou mediúnica. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas. o egun é a materialização da morte sob as tiras de pano. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições. rouca.desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã. a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte. assim como o de participar diretamente do culto. ou às vezes aguda. ou o Egungum propriamente dito. Bahia. pois.característica de egun. às mulheres é negado este privilégio. por dogma.mas camuflada. é altamente sacra ou sacrossanta e. fiéis e iniciados. diferente do culto aos orixás. pois só os homens possuem ou mantém a individualidade. A aparição dos Eguns é cercada de total mistério. Eles e a assistência não devem tocar-se. talvez. a mais antiga. e o contato. Os egun-Agbá (ancião). a própria morte. a pessoa que for tocada por egun se tornará um "assombrado". egun está entre os vivos. Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade. o conjunto forma uma só religião: a iorubana. Fala com uma voz gutural inumana. quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais. de qualquer tipo que seja. No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum. O egun é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ora. contradizendo a lei do culto. ambas em Itaparica. ainda que um simples esbarrão nessas tiras. e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo". os mariwo não podem cair em transe. o Ilê Oyá. metálica e estridente .

formando uma espécie de franjas ao seu redor. Nas festas de Egungum. e incorporá-lo. chamada de ilê awo (casa do segredo). O banté. mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum. simultaneamente. O eku dos Babá são divididos em três partes: o abalá. os assentamentos . na Nigéria. às vezes. energia transmissível e acumulável). Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o egun a ser cultuado ou invocado. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo. e o lèsànyin ou ojê agbá entram. que é uma armação quadrada ou redonda. que é um buraco feito diretamente na terra. A roupa é preenchida e egun se torna visível aos olhos humanos. conforme suas roupas. como Babá e Apaaraká.nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô. e entre os Agbá. a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia. o ixã.a única divindade feminina venerada e cultuada. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá. e o banté. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. e da qual caem várias tiras de panos coloridas. pelos adeptos e pelos próprios Eguns. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé. é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. associados.. logo após os fiéis entrarem. Ao contrário do toque na roupa. como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá. Na Nigéria. em verdade. poder. assustam e causam terror ao povo. Os Eguns são invocados numa outra construção sacra. o kafô. usam peles de animais. delimitam o local. outros. e o ojubô-babá. o salão público não tem janelas. este ato é altamente benéfico.estes são elementos litúrgicos que. e pernas que acabam igualmente em sapatos. os Agbá-egun portam o mesmo tipo de roupa. perto mas separada do grande salão. O sacro é a parte onde . em Itaparica. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites. na Bahia. individualizam e identificam o egun ali cultuado . e é neste local que o awo (segredo) . único local de união com o mundo externo. O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. uma na frente e outra atrás. As classificações. os quais. uma túnica de mangas que acabam em luvas. Existem várias qualificações de egun. que foi previamente preparado e impregnado de axé (força. quando o dia já está clareando. a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos. paramentos e maneira de se comportarem. Balé é o local onde estão os idiegungum. No balé os ojê atokun vão invocar o egun escolhido diretamente no assentamento. são extensas. no caso o axé. entre os alabá e o kafô. Nestes casos. onde somente os ojé podem entrar. Oyá Igbalé . e. e igbo igbalé (bosque da floresta).tiras e parecem um quadro de pano com duas telas. são traquinos e imprevisíveis. de pé. alguns Babá carregam na mão o opá iku e. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva. para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas. O ilê awo é dividido em uma ante-sala. conforme sus ritos.o poder e o axé de egun . ou seja. rodeado por vários ixã. que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.

Elas conhecem todos os Babá. após dançarem e cantarem. vez ou outra. pelo qual ele tem grande respeito. os mariwo são obrigados a segurar o egun com o ixã no seu peito. os homens. a . Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos. depois. principalmente pelos oiê femininos. sendo preciso. O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita. pedirá aos alabês que toquem o alujá. descansam por alguns momentos na companhia dos outros. elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de egun . Babá também dançará e cantará suas próprias músicas. fora dos mistérios. elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás. Portará um oxê (machado de lâmina dupla).estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas. às vezes. puxando pelas cores vermelha e branca. confeccionando as roupas. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção. com sua comunidade. presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô. mas sempre unidos. respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais. nas quais os Eguns. que é sua insígnia. Babá-egun parte.estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. pois o culto é totalmente restrito aos homens. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. e sabem como agradá-los. o maior tempo possível. mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras. Ele conversará com os fiéis. após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos. como se fosse a própria Oyá. se necessário. separando a "morte" da "vida". São estas mulheres que zelam pelo culto. ele terá em suas vestes as características de Xangô. fazendo o papél de um verdadeiro pai. Nesta parte sacra. quando morto e vindo com egun. toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo egun. seu jeito e suas manias. após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Como diz a religião. mantendo a ordem no salão. mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades. Este espaço sagrado é o mundo do egun nos momentos de encontro com seus descendentes. falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. que também é o ritmo preferido de Xangô. ele começa a cantar seus cânticos preferidos. tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos. Babá-egun começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes. pois é o ojê que por ele zela e o invoca. sentados ou andando. fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços. o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente. porque cada egun em vida pertencia a um determinado orixá. pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas. que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes. Babá estará orientando. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão. Após Babá entrar no salão. que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito. Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos. é o instrumento que o invoca e o controla. abençoando e punindo. Antes de iniciar os rituais para egun.

não detalhada. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. Esta é uma breve descrição de Egungum. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada atori e fazer um bastão (assim é feito o ixã). correndo e gritando com vozes inumanas. Assim ele o fez. no qual seu senhor e oráculo. encontrou a desgraça em sua casa. Mas eles tinham rostos e corpos estranhos. era então preciso cobri-los para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. que tinha três filhos chamados Ojéwuni. Iku (a morte) vinha à cidade de Ilê Ifé munida de um cajado (opá iku) e matava indiscriminadamente as pessoas. Desesperado. nos ensina mitos e tradições que foram mantidos através do próprio jogo. ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado. e que após o 17º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. No dia em que a Morte apareceu. mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. e fez sacrifícios apropriados. DOS OIÊ MASCULINOS (relacionados aos culto a Egungun) na cidade de Oyó um fazendeiro chamado Alapini. e à vezes de forma diferente e aparentemente contraditória. Vários textos explicam o mesmo fato ou se complementam. cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria EGUNS Os textos litúrgicos aqui apresentados fazem parte do jogo de Ifá. um a um. como um reflexo da sobrevivência direta. Quando Alapini retornou. quatro em quatro dias (uma semana iorubana). que escondia todas as partes do seu corpo. mas que não comessem um tipo especial de inhame chamado 'ihobia'. Na margem do ribeirão.festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. de uma festa e de sua sociedade. O sacerdote disse que ele se acalmasse. Os babalaôs (adivinhos e sacerdotes de Orumilá) disseram a Ameiyegun que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as gerações. deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos. vários pesquisadores já registraram em livros as lendas colhidas oralmente entre os iniciados). porém. em diversas cores. inclusive a própria cabeça. eles apareceram pulando. beberam muita água e. que na terceira vez eles apareceriam. hoje se tornaram verdadeiras escrituras sagradas (atualmente. a divindade Orumilá. mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo. Um cidadão chamado Ameiyegun prometeu salvar as pessoas. chegam aos mesmos fundamentais conceitos religiosos. Quando a Morte chegou. Para tal. . acabaram todos morrendo. seus filhos apareceram. correu ao babalaô que jogou Ifá para ele. Ojésamni e Ojérinlo. Depois. Através deles entendemos o porquê de certos ritos e preceitos usados e conservados no dia-a-dia dos cultos. confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano. mas isto é reflexo de se terem originado em diferentes regiões. De uma forma ou de outra. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram em demasia. pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. apavorada. e ela. Esses conhecimentos. Nem mesmo os orixás podiam com Iku. transmitidos a todos oralmente. fugiu deixando cair seu cajado. Um dia Alapini foi viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem. lembrando como eles venceram a Morte. Babá partiu.

eles rendem homenagem a Oyá. O sacrifício seria de 18. de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o ritual após o 17º dia. que. e elas se reuniram na floresta. correndo. Vestiu-se com vários panos.000 mil búzios (o pagamento). na qualidade de Igbalé. OYÁ E EGUN Oyá não podia ter filhos. se fizesse sacrifícios. Todas fugiram apavoradas. e para punir as mulheres. Cansados de tanta humilhação. o babalaô lhes conta a verdade. para que eles as vestissem quando o pai os chamasse através do ritual do bastão. Esta lenda é rica em detalhes. Ela assim fez e. as mulheres (que estavam escondidas) faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados. e nunca mais ela deveria comer desta carne. Quanto aos panos. berrando e brandindo sua espada pelos ares. Este lhe disse. Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de egun. mas sem nenhum critério ou limite. Mas. eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo. ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas. Contou o fato ao povo. tempos depois. E. ele apareceu subitamente. inclusive Oyá. movimentando-se como fora treinado a fazer. humilhando-os em demasia. Convém notar que. Então elas resolveram punir seus maridos. que quer dizer 'a mãe de nove filhos' e que se aglutina 'Iyansan'. Há outra lenda para explicar o mito de Iansã: Em certa época. Seguindo um ritual. muitos panos coloridos e carne de carneiro. Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado ijimerê (na Nigéria). as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. hoje. quando os homens por lá passavam. Através do jogo de Ifá. Oyá era a líder das mulheres. Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô). Deste modo. Seguindo o pacto e as instruções do babalaô. para os filhos que ainda não tiverem roupas. Ele chegou ao local das aparições antes das mulheres. Desse dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas. deveria ser entregues como oferenda. e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos. como criadora do culto de egun. no mesmo local do primeiro encontro (igbo igbalé). durante à noite. No . mesmo assim. Quando as mulheres chegaram. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia. Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de 'Iyá omo mésan'. ficando totalmente encoberto. as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos. pais e filhos para sempre se encontraram.Pediu que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Com a carne ele preparou um remédio para que ela o comesse. egun nasce no bosque da floresta (igbo igbalé). Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar (evó) que proibia comer carne de carneiro. então. de modo que ninguém via o macaco sob os panos. e se escondeu. deu à luz nove filhos (número místico de Oyá). Utilizara para isso um galho de atori (ixã) e o vestia com uma roupa feita de várias tiras de pano coloridas. nos explica vários ritos e títulos utilizados no culto. conforme Oyá brandia o ixã no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante. é só pedir às pessoas que elas as farão com imenso prazer. abusando desta decisão. Ogum foi o encarregado da missão. os homens foram ter com um babalaô para tentar descobrir o que estava acontecendo. ela os teria. e foi consultar o babalaô. no culto.

Quando Odu viu egun andando e falando. a floresta e o macaco estão intimamente ligados ao culto. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em egun. minha mãe Oxorongá). através do poder emanado de Olodumarê. Oyá. Mostrou-lhe a roupa de egun. e somente os homens têm direito à individualidade. que se queixou então a Olodumarê. Mas ela abusou do poder do pássaro. orixás que têm como principal preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas. ela lhe contou os seus. inclusive em relação à voz do macaco como modo de o egun falar. após algum tempo. TORNA-SE ÌYÁMÍ primórdios da criação. apaziguar e vencer Odu. menos ela. Olodumarê. VOLTAR Iroko/Oko/Oraniam Orixas muitas vezes esquecidos em nossa religião . oferendas e astúcia. em algumas regiões Obarixá é adotado como um cognome de Oxalá) e Odu. todavia. Todos eles tinham poderes. Aproveitando um dia quando Odu saiu de casa. conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. o Ser Supremo que vive no orun. onde são colocadas oferendas de comidas e realizadas cerimônias aos Eguns. e ele o ensinou como conquistar. Mas Olodumarê a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela.Brasil. Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá. a única mulher entre eles. como nos explica a lenda. percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ele então lhe revelou seus segredos e. através do culto de egun. Ela reverenciou e prestou homenagem a egun e a Obarixá. castigadas por Olodumarê através dos abusos de Odu. inclusive que adorava egun. no ilê awo. Com um bastão na mão. Obarixá foi à cidade (o fato de egun carregar um bastão revela toda a sua ira) e falou com todas as pessoas. através de sacrifícios. os quais. rosto nem tampouco falava. ele modificou e vestiu a roupa de egun. E. mas restringe seu culto aos homens. e lhe outorgou o poder: tudo o que egun disser acontecerá. O conjunto homem-mulher dá vida a egun (ancestralidade). ele nasce no quarto de balé. Obarixá e Odu foram viver juntos. Obarixá (senhor da criação dos homens) (2 .Um dos orixás funfun. nossa mãe para eternidade (também chamada de Iami Oxorongá. mandou vir ao ayê (universo conhecido) três divindades: Ogum (senhor do ferro). como Oyá Igbalé. Juntos eles adoraram egun. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça (igbá eleiye) e ela se tornou então. Também por esta razão é que as mulheres mortas são cultuadas coletivamente. Preocupado e humilhado. Iyá Won. o qual não tinha corpo. prestam homenagem às mulheres. Oyá é também cultuada como mãe e rainha de egun. sob pena de ele mesmo repreendê-la. Odu retirou-se para sempre do culto de Egugun. isto é.

abilzeiro. 6moedas e no meio da gamela uma seta e a estátua. Dança de joelhos no chão e o BRAVUN. na cabeça um colar de búzios e moedas. Como ÈSÚ .ORIXÀ IRÓKÒ Êle reside na gameleira branca. As vezes veste-se de palha como OMOLÚ. É assentado no seu pé. nóz moscada. após prepero ritual da raiz. já recuperado êle ergue-se e volta a dançar. cambaleando pelo barracão antes de caírem fulminados. As vezes bebe tanto que cai no chão. ritmo GEGE. Na gamela pôe-se uma corrente em volta . saião. Quando manifesta-se os fiéis jogam sôbre êle os fluídos que querem se livrar e êle corre para fora do barracão para atirar no mato todo o mau. pouco depois. e o tronco é enfeitado com um ÒJÁ FUNFUN ( OJÁ BRANCO )branco. SEUS BICHOS : .LOKOSSI SUAS FOLHAS . colonia. Seu assentamento é feito numa gamela oval. A relação com esta árvore é comum a várias divindades e exprime sua relação com seus antepassados. azul e verde. mãe boa. seus filhos giram tontos. QUALIDADES .Milame. Veste cores fortes. Suas contas são verde musgo e riscadas de marrom. esrva prata. crista de galo. iriri. ÌRÓKÒ carrega para longe os fluídos maléficos. às vezes cinza ou marrom e branco e leva uma lança na mão. pôe-se uma folha de saco-saco embaixo do pé do IYAÓ uma folha de saco-saco e na boca uma folha de assa-peixe. pega-se um pedaço do tronco da gameleira branca e faz-se uma pequena estátua de um negro africano com um IDÈ branco no nariz. Sua incorporação é pouco vista .GIROKOSSI . Quando se faz o Òrìsá. jaqueira e cajueiro. como OSÙMÀRÈ. barba de velho. logo levantam-se e pôem-se a dançar. vermelho. Cobre-se então com um ALÀ branco e .

Um cabrito de chifre virado. não deram muita importância a este Òrìsá . pois veste-se de branco.LEJUGBÉ É muito confundido com ÒÒSÀÀLÀ por ser muito vagaroso e indeciso . tira-se a língua de todos êles e as esporas do galo. QUALIDADES . ÒGÚN . Após matar os bichos. é confeccionado em madeira . É um Òrìsá rico . Òrìsá NAGO . Vive nas matas e come todo tipo de comida branca.Um galo d'angola.ETEKÒ Caminha com OSOGUIAN . e dos grãos a OBALÚWÀIYÉ . Na época em que os escravos aqui chegaram . Muito chegado a AYRÀ . .. traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade . . considerando como Òrìsá da agricultura . Come . ORISÀ OKÓ Divindade da agricultura . é inquieto . em seu lugar . pouco conhecido no Brasil . . Quando manifesta-se leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores .Quatro frangos de esporão grande.Um pombo branco. é confundido com ÒÒSÀÀLÀ . no Brasil. ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra . Sendo um Òrìsá raro . Seu ÒPÁSÓRÒ. tem poucas qualidades conhecidas . .

com YEMONJA e OSÀLÚFÓN . Era preto de um lado. que sem dúvida. talvez mesmo a única do ano. espantariam os geneticistas modernos. mais tarde. Essa característica de Oranian é representada todos os anos em Ifé. Óòni chega vestido suntuosamente. filha de Elémpe. em que ele a usa publicamente. a viu. quando Odùduà. durante uma de suas expedições guerreiras. Oranian foi concebido em condições muito singulares. pai de Ogum. não ousou revelar a seu pai o que se passara entre ele e a bela prisioneira. que tinha a pele muito clara. ficou perturbado. que.. a colina onde se ergue um monolito consagrado a Ogum. desejoua por sua vez e fez dela uma de suas mulheres. Uma de suas mulheres. pelas grandes. numerosas e proveitosas conquistas que realizou . saqueou-a e trouxe um espólio importante.." Foi o fundador do reino de Oyó. também . O seu corpo era verticalmente dividido em duas cores. em seguida. Nove meses mais tarde. conquistou a cidade de Ogotún. Essa grande pedra é cercada de màrìwò òpè. todo tipo de comidas branca . rei de Ifé. nesse dia. Ogum. e pardo do outro. pois Ogum tinha a pele escura. Oranian nascia. Uma prisioneira de rara beleza chamada Lakanjê agradou-lhe tanto que ele não respeitou sua virtude. e. por ocasião da festa de Olojó. amedrontado. Come . franjas de palmeiras desfiadas. fora . tendo na cabeça a coroa de Odùduà. Tornou-se famoso como caçador desde a juventude e. o rei da nação Tapá (ou Nupê). ORANIAN Oni.Editora Corrupio") "Orànmíyàn (Oranian) foi o filho mais novo de Odùduà e tornou-se o mais poderoso de todos eles. no dia da festa Olójó (Do livro "Orixás . como Odùduà.Pierre Fatumbi Verger . Eles acompanham Óòni de seu palácio até Òkè Mògún. foi a mãe de Xangô. Torosí (Torosi). Uma lenda relata como Ogum. aquele cuja fama era a maior em toda a nação iorubá. Mais tarde. os sacrifícios de cão e galo são aí pendurados. subiu ao trono de Oyó. quando o corpo dos servidores do Oòni é pintado de preto e branco. É uma das raras ocasiões..

chefe do culto de Ogum em Ifé.do palácio. apesar do desprazer experimentado por Odùduà quando descobriu que não era o único pai de Oranian. Chegando diante da pedra de Ogum. ele cruza por um instante sua espada com Osògún. em sinal de aliança. o grande monolito existente em Ifé Orixas funfuns OBÀTÁLÁ . Opa Oranian..

Representa a massa de ar . êle é corcunda porque recusou-se a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e ÈSÙ castigou-o pregando a cabaça nas costas . São magros. franzinos. OXALÁ e ODUDUWA são cultuados no mesmo dia (sexta-feira) e em alguns terreiros. durante três semanas tudo é silêncio .por ser representante do AIYÉ. É dominador. Mas ao contrário do tipo OXALÁ. É o pai de OSÀLÚFÓN . recebeu de OLORUN o elemento terra. preside o nascimento . raíz de todos os outros ÒÒSÀÀLÀ . controla a formação de novos seres . impacientes. vingativos. autoritário e no trabalho é exigente. sua cor é preta (azul escuro). do ponto de vista físico.É o mais velho dos Òrìsás . de senso critico e de ironia ferina. sua palavra transforma-se . razão pela qual não come sal . tão grande e poderoso é OBÀTÁLÁ que não se manifesta . ÒRÚNMÌLÀ IFÀ O oráculo africano . o senhor da adivinhação . os filhos de ODUDUWA são violentos e agresssivos. os dois conceitos são confundidos. é o senhor dos vivos e dos mortos . o grande rei branco . inseguros e angustiados. que exprime a palavra do criador . nervosos e secos como a terra. 0 tipo psicológico do filho de ODUDUWA. que por sua vêz é o pai de OSOGUIAN . É o dono das nozes que revelam a vontade dos deuses . Deus dos destinos que aparece no Candomblé como qualidade de ÒÒSÀÀLÀ . imediatamente. fechados. de separar os elementos e instituir a paz entre os homens . Sabem manipular os outros e toda sua força está em uma Inteligência curiosa. também considerado entidade FUNFUN. tornando-se às vezes susceptíveis. É o reponsável pelos defeitos físicos . as águas frias e imóveis do começo do mundo . Êle não é feito . perfeccionista e minucioso. comer sal para êle constitui-se num ato de alto canibalismo . Teria sido encarregado de estabelecer a ordem no mundo . As mulheres . pois a palavra é dêle . Invejosos. com o qual ela criou o AIYÉ. à semelhante ao tipo OXALÁ. a iniciação e a morte . em realidade . faz-se AYRÀ ou ÒSUN OPARÀ . Êle deu a palavra ao homem e durante suas festas não se fala . intolerantes e desconfiados. perseguem aqueles cuja felicidade ou exito é para eles uma afronta. ODUDUWA ODUDUWA.

"Qualidades de Santos (Orixás). para que êle a consertasse . isso nada mais é." Na mira do caçador: Existe sem duvida no Brasil uma questão muito polemica sobre as multiplicidades dos orisas chamada por todos de qualidade de santo. IFÀ é um Òrìsá muito bom e importante . e após a mistura dessas tribos e troca de informações entre eles cada sacerdote ou quem entendia de um determinado orisa trocaram fundamentos e a partir daí surge as qualidades. entretanto num determinado país não há esse feijão portanto foi substituído por um grão semelhante e assim puderam continuar com o culto a Osun sem a preocupação de importar o feijão fradinho.não podem ser sacerdotizas de IFÀ . ou seja. e essa quantidade de orisa presente aqui no Brasil. é de se saber que Esu é cultuado em todo território africano. que uma passagem do mesmo orisa por diversos lugares e cada povo passou a cultuá-lo de acordo com seus próprios costumes. Um exemplo mais nítido é que aqui fazemos muitos pratos para Osun com feijão fradinho. Oyos. Não se manifesta . Orumila. Primeiro na África fica mais fácil o entendimento porque não há qualidade de santo. Ketus. do estado de Ondo é Ogún de Ondo.etc e cada qual trouxe seus costumes juntos com seus orisas digamos particulares. Na época do tráfico de escravos veio para o Brasil diversas etnias Ijesas. em cada região cultua-se um determinado orisa que é considerado ancestral dessa região e. conhecimento e muita inteligência que lhe permitiu o poder maior entre os outros Òrìsàs .etc. etc. Vejam bem: Osun da cidade de Osogbo é Osun Osogbo. Dono dos búzios . sendo que o orisa é o mesmo com origens diferenciadas. É claro que por ter origens diferenciadas seus cultos possuem particularidades religiosas e até mesmo culturais por exemplo Oyá Petu tem seus fundamentos assim como Oyá Tope terá o seu. acredita-se que o Deus todo poderoso mandou IFÀ que morava no céu para a terra . Ibos. da região de Iponda é a Osun de Iponda. Essa questão será esclarecida nessa coluna exaustivamente para que todos possam ter acesso. Ogún da região de ire é Ogún de Ire (Onire: chefe de ire). alguns orisas por sua importância acaba sendo conhecido em vários lugares como é o caso de Sàngó. deulhe sabedoria . Outro .

também temos os orisa com outros nomes referentes as suas realizações como Ogun Mejeje refere-se as lutas contra as 7 cidades antes dele invadir Ire. Iya Ori a versão de Iyemanja como dona das cabeças. Imagine um rio que atravessa todo território Nigeriano e.etc. mais para frente. Já sabemos que os orisa são venerados com outros nomes em regiões diferentes como: Iroko (Yoruba). isso torna o culto diferente.exemplo de orisa transformado em qualidade no Brasil é Osun kare. uma mesma divindade com vários nomes e. Há portanto uma caracterização variada das principais divindades. akeran é um titulo de um determinado caçador (ancestral) com isso vamos na próxima edição analisar esses fatos e informar todas qualidades de orisa da nação keto que o sacerdote pode ou não mexer de acordo com o conhecimento de cada um. e por vai surgindo desordenadamente essa quantidade de orisa aqui no Brasil. Segunda Parte" Na edição passada estava abordando o tema sobre a multiplicidade dos orisa. em suas margens diversas etnias que num determinado local algumas pessoas diria que ali é a morada de Osun Ijimu (cidade de Ijumu na região dos Ijesa). e serão diversos orisas cultuados num mesmo rio por diversas etnias com pequenas particularidades. "Qualidades de Santos (Orixás). Oranfe (Ife). Isso acontece com todos orisas e suas mitologias fazem alusão a essas passagens e constantes peregrinação de seus sacerdotes quer por viajens comercias ou por guerras intertribais sempre espalharam seus orisas em outras regiões. Sango (Oyo). etc. por exemplo Ossosi akeran. Osun Kare (Kare). títulos de nomes de cidades. Vamos separar a qualidade como é chamada no Brasil (em Cuba chama-se caminhos). Temos também o segundo nome designando seu lugar de origem como Ogun Onire (Ire). Outro fato interessante é títulos que algumas divindades possuem e foram transformadas em qualidades. Kare é uma louvação à Osun quando se diz: Kare o Osun! A palavra kare também é uma espécie de bairro na África. pois o nosso dever é informar sem a pretensão de nunca ser o dono da verdade Na próxima edição vamos diferenciar. em Ede esse rio terá o culto de Ologun Ede. o chefe de guerra de Ede segundo sua mitologia. ou seja. mais para frente em Iponda diria aqui é a morada de Osun Iponda. logo Osun cultuada em kare é Osun kare. Loko (Gege). dos títulos e de nomes tirados de cantigas como insistem pseudo sacerdotes. nomes tirados de cânticos que as pessoas insistem em dizer que é qualidade de orisa. . é isso que multiplica os orisas aqui no Brasil.

Não será escrito na grafia Yoruba para melhor entendimento do leitor. Igbaketa: o terceiro elemento. epíteto referente a sua antiguidade. ritual especifico e odu do dia. ipade ritual. Agba: o ancestral.Vamos começar com Esu o primogênito orisa criado por Olorun de matéria do planeta segundo sua mitologia. quando ele não está transitando Oduso: quando faz a função de guardião do jogo de búzios. Ojise: com essa invocação ele fará sua função de mensageiro. etc. líder. foi dividido em varias partes segundo seus mito. Jelu: nessa fase diferenciados. Alaketu: cultuado na cidade de ketu onde foi o primeiro senhor de ketu. Oba Iangui : o primeiro. Odara: fase benéfica caoticamente. Ina: quando e regulamentando regula Culto crescimento em cerimônia invocado Onan: referencia aos bons caminhos. seu fundamento reza que não pode ser comprado nem ganhado e sim achado por acaso. ele possui a função de executor. Akesan: quando exerce ele domínios o na o sobre os comércios. Alem dos nomes citados aqui que são epítetos e nomes de cidades onde há seu culto. faz alusão ao domínios do orita e ao sistema divinatório. a maioria dos terreiros o tem. Eleru: transportador dos carregos rituais onde possui total domínio. ele será batizado com outros nomes no momento de seu assentamento. observador. Ikoto: faz referencia ao elemento ikoto que é usado nos assentos esse objeto lembra o movimento que esu faz quando se move do jeito de um furacão. dos do seres Ijelu. mensageiro. .

Ijibu Ode. Agbo: o guardião do sistema divinatório de Orumila. vamos prosseguir com o òrìsà Ogún. Òsòósí em certas regiões é feminino tomando o aspecto masculino no antigo reino de Ketu. "Qualidades de Santos (Orixás). porém. portanto qualquer orisa pode ser soroke. Também chamado de Barabo= esu da proteção. Enugbarijo: nessa forma esu passa a falar em nome de todos os orisas. acima. Soroke: apenas um apelido. Terceira Parte. carvão e tudo que foi petrificado.": Dando continuidade as multiplicidades dos òrìsà. Ra=envolver. bo=guardião. função delicada dado a conflitos de elementos Loko: como ele é assexuado nessa fase tende ao masculino simbolizando virilidade e procriação. Òsòósí e Ode lembrando que nem todos caçadores tomaram o titulo de Òsòósí e. Eledu: estabelece seu poder sobre as cinzas. Ajonan: Maleke: tinha seu o culto forte na antiga citado região Ijesa.Elebo: possui as mesmas atribuições com caracterizações diferentes. Oguiri Oko: ligado aos caçadores e ao culto de Orumila-Ifa. pois a palavra significa em português aquele que fala mais alto. não confundi-lo com seu marabo da religião Umbandista. nem todos Ode's são Òsòósí. na África. Woro: vem da cidade do mesmo nome. Marabo: aspecto de esu onde cumpre o papel de protetor Ma=verdadeiramente. Ode que dizer caçador. mesmo Lodo: senhor dos rios. Ikija. Olobe: domina a faca e objetos de corte é comum assenta-lo para pessoas que possuem posto de Asogun. .

ou seja. Òsòósí é a esposa de Ogún. passou a uma condição importantíssima no Brasil sendo òrìsà patrono da nação Keto. Oni = senhor. expandiu-se mesmo aqui no Brasil onde ele é lembrado como rei de Ketu. Era costume africano quando os caçadores tinham que partir em busca de suas presas. Ogún Onire: Quando passou a reinar em Ire. Eis alguns nomes de Ogún/Òsòósí/Ode conhecidos. segundo o verso desse mito. o caçador nos trouxe ao mundo. Ogun Waris: nessa condição o òrìsà se apresenta muitas vezes com forças destrutivas e violentas. senhor absoluto da cerimônia fúnebre do asesé. Ogún em outro aspecto foi chefe dos caçadores (Olode) entregando essa função mais tarde para seu irmão caçula Òsòósí para partir em buscas de suas inúmeras batalhas. sobretudo no Brasil e seus aspectos. Segundo os antigos a louvação patakori não lhe cabe. Ogún Je Ajá ou Ogúnjá como ficou conhecido: um de seus nomes em razão de sua preferência em receber cães como oferendas. ou seja. de òrìsà secundário na África Òsòósí. ao invés de agradá-lo ele se aborrece. Ogún Masa: Um dos nomes bastante comum do òrìsà. segundo os antigos é um aspecto benéfico do òrìsà quando assim ele se apresenta. louvarem Ogún para que tudo desse certo. Já em certas mitologias o caçador passa a ser sua esposa Òsòósí L`Obirin Ogun. Isso afirma o chamado enredo de santo aqui no Brasil quando se diz que para assentar Òsòósí temos que assentar Ogún e vice versa. características. são alguns lugares onde houve seu culto. pois seu culto. Ire = aldeia. origem e particularidades: Ogún Olode: epíteto do òrìsà destacando sua condição de chefe dos caçadores. Um de seus mitos narram que ele ficou momentaneamente cego. Ogun Soroke: apenas um apelido que Ogún ganhou devido a .Agbeokuta. um de seus mitos o liga a Osagìyán e Ìyémojá quanto a sua origem e como ele ajudou Osalá em seu reino fazendo ambos um trato. alguns cânticos fazem alusão a essa condição: Ode lo bi wa. Ogún Meje: aspecto do òrìsà lembrando sua realização em conquistar a sétima aldeia que se chamava Ire (Meje Ire) deixando em seu lugar seu filho Adahunsi.

porém. O òrìsà possui vários nomes na África como no Brasil e com isso ganha suas particularidades e costumes. "Qualidades de Santos (Orixás). nomes. tem culto a mais de um século no país. Ekiti onde também há seu culto. eis então suas várias formas de se apresentar: Osossi Ossosi Osossi Ossosi Ossosi akeran Nikati Golomi fomin Ibo = um = = = = de um um um um seus titulo de de de mitos o do seus seus seus liga a orisa. Osossi Arole = uns de seus epítetos. É um assunto que não pretende esgotar os vários pontos de vista. Ossosi Onipapo = um dos antigos. nomes. Quarta Parte. Ossosi Echeui/Echeue = seu mito o liga a Ossayn e as vezes a Osalá segundo os "antigos". Nossa historia registra o porque o chamam assim. nomes. O CCOO sugere o acompanhamento das matérias anteriores. Ossosi Orisambo = possui seu assentamento diferente dos demais. .sua condição extrovertida." Esse texto é a continuação das multiplicidades dos orisas que vem sendo analisado em publicações anteriores. soro = falar. Ossain. ke= mais alto. etc. para que os leitores acompanhem desde o início. chegamos a essa conclusão. segundo os "antigos' e. Ogún Alagbede: nesse aspecto o òrìsà assume o papel de pai do caçador e esposo de Ìyémojá Ogunte (uma outra versão de Ìyémojá) segundo um de seus inúmeros mitos. Seguindo a ordem vamos citar o orisa Ode/Osossi. mais de 25 anos de pesquisas em quase todos estados do país. Há uma síntese sobre esse orisa na edição anterior. Há vários nomes de Ogún fazendo alusão a cidade onde houve seu culto como Ogún Ondo da cidade de Ondo.

Oba L`Oge é um outro nome para esse orisa. titulo ganhado quando seu pai o entregou aos cuidados de Ogún. sua lenda o identifica ora como uma caçadora ora como um caçador. não se tem notícia de seu culto no Brasil. são apenas nomes tirados de cânticos. Não há qualidades de Logun como acreditam alguns tais como locibain. a priori. Ode Wawa = epíteto do caçador. Ode Wale = epíteto do caçador. um epíteto dos mais perigosos dado ao caçador. portanto acima do orisa foi um dos companheiros de Odudua em sua chegada na terra segundo sua mitologia. gun = guerra. Ode Oregbeule = é um Irunmale. detalhe tem assento aqui em São Paulo. Otin se apresenta sempre junto com ele a ponto de confundi-los. o príncipe coroado.Ossosi Obaunlu = segundo registro há um assentamento deste orisa aqui no Brasil desde 1616 no ase de D. Ossosi Beno = um dos mais antigos. Possui outros nomes como Omo Alade. Olo = senhor. O nome Ibain é de um outro caçador homenageado nos cânticos de Ologun. aro aro.. aliás aro quer dizer tanta coisa menos nome de orisa. O posto de asogun. Ode Ologunede = o chefe de guerra de Ede.não se tem notícia do seu culto no Brasil. . Ossosi DanaDana = aquele que ateou fogo ou roubou. Ode Otin = outro caçador confundido com Ossosi. surge desse mito que o liga a Ogún companheiro de seu pai. Ode Karo = um do caçadores que também mora as margens de um rio é irmão de iguidinile. Ede = um lugar na áfrica. Olga de alaketu. etc. esse caçador inclusive é o verdadeiro proprietário dos chifres tão importantes no culto. é considerado o patrono de ketu. ou seja. cidade considerada emergente para tradições do candomblé Keto. contudo sua ligação com Ossosi é fato. É da região de Ijesa.É filho de um outro caçador chamado Erinle tendo como mãe Osún Iponda. com poucas casas antigas.

Omolu.etc. não deve ser confundido com o vodun Becem que se apresenta como Dangbe.Ode Erinle = outro caçador confundido com Osossi no Brasil. . Osumare = Chamado Araka seu epíteto. o orisa exerce suas funções interligadas a Esu composto ao mesmo tempo em que ele. Ossayn = Também chamado Baba Ewe. pois Erinle ou Inle é um orisa do rio do mesmo nome. há um templo com esse nome na África fazendo alusão ao seu fundador. Qualidades de Santos (Orixás). Asiba. Omolu / Obaluaye = É como se apresenta o orisa sapata transmutando-se para formas conhecidas tais como: Agoro. Oluaye." Dando continuidade as multiplicidades dos orisas vou declinar sobre os orisas Ossayn.Tem uma filha chamada Aguta que às vezes se apresenta como irmã ou como filha sendo sua mãe Ainan. Ode Otin se apresenta como sua filha. Danwedo todos da família Danbira e cultuados em outra nação. Asão seu amigo e Jobis seu ajudante. Seu assento é completamente diferente dos demais. Erinle é um orisa andrógino e considerado o mais belo dos caçadores. Osumare. É o orisa do arco-íris e da transformação. A montagem de seu Igba (cuia) também difere de um simples alguidar com um ofa para cima como é comum as pessoas não esclarecidas assim fazer. Ainda temos Boiko como seu guardião. Bafun. seu culto antecede o de Ossayn. Aliás há vários templos mas todos são de um orisa só: Erinle nessa situação o caçador traça um outro caminho e pactua seus mitos com Omolu. No Brasil o ligam a Osún e a Iyemanja pois segundo sua lenda é pela boca dela que ele fala. Nana. sem orisa. Quinta Parte. Ode Ibualama = uma outra versão para Erinle quando ele se apresenta mais ao fundo do rio. Kosi ewe. que são epítetos do orisa. Ibojuto é a sua própria reencarnação representado pelo bastão que vai em seu assentamento e tem a mesma importância do Ofa de Ossosi. o rio Erinle que corta a região de Ilobu na Nigéria. Sua esposa é Abatan pois é considerado médico e ela enfermeira. kosi orisa: Sem folhas. Encontra-se seus mitos no odu Okaran-Ogbe e Odi-Obara. Possui seu próprio sistema divinatório. às vezes e ai é representado por uma enguia. Osumare. Nanan e Iroko. o pássaro os representam.

aspecto. Afoman. ligação com Iami Eleye. Osún Ipetu = aspecto maduro da orisa. citarei agora: Iroko = orisa da gameleira (no Brasil). Por exemplo: Ajunsun é o Rei de Savalu. da cidade de Iponda. sem culto no Brasil. Asainan. assim como Dangbe é o Rei do Gege. Osún Ikole = seu mito a liga a Iemanjá e Ode Erinle. Osún Popolokun = Conta os antigos que não vem mais. Possun. Jagun. . "Qualidades "Qualidades de de Santos Santos (Orixás). Osún Ijimun = aspecto idosa e dada as feitiçarias. Arawe. Pernambuco. nação nagô . (Orixás).Telu. Sexta Sexta Parte. será?. É sempre bom lembrar que muitos nomes são de lugares onde se cultua o orisa." Na edição passada não foi citado o orisa Iroko.Oyo. Buruku. nessa forma não desce nas cabeças. Salare. cada qual com suas particularidades. Osún Iponda = jovem e guerreira. Azaoni. Osún Aboto = aspecto maduro da orisa." Parte. controla a hemorragia humana. Osún Iberin = aspecto maduro da orisa. etc. Osún Ajagura = jovem e guerreira. portanto são nomes que dão origem as suas formas. Dando seqüência vamos declinar sobre as Yabas que são os orisá feminino. Nanan = apresenta-se nas formas conhecidas como: Iyabahin. Oba Ewá = = orisa orisa guerreira guerreira é única única em em seu seu aspecto. Ajunsun. Osún Opara = a orisa se apresenta jovem e guerreira. transformou-se numa ave.

Iyamasse = forma de quando ela é definitivamente mãe de Sàngó. Kare tem seu próprio nome que poucos conhecem. Iyemonja Maleleo = não se obteve noticias desse aspecto no Brasil. Oyá Oyá Egunita Foman = = orisa orisa Igbale. Osún Kare = Um de seus títulos. Iyemonja Ogunte = orisa se apresenta jovem e guerreira. Iyemonja Araseyn = fuxico com Ossayn. Oyá Lesseyen = uma das Igbales que mora no próprio Lesseyen.Osún Osogbo = ela deu oringem ao nome da cidade de Osogbo. Iyemonja Saba = uma das formas da mãe. Iyeyeo Ominibu = epíteto da Osún. Iyemonja Ogunde = aspecto da orisa cultuado no Nagô em Pernambuco. Iyemonja konla = seu mito conta que ela afoga os pescadores. Igbale. Oyá Ate Oju = orisa Igbale aspecto dificil de Oyá quando caminha com Nana. Iyemonja Yasessu = assume a maternidade de Sàngó é ranzinza e respeitável. . Iyemonja Ataramaba = Nessa forma ela está no colo de sua mãe olokun. Osún Ioke = Se apresenta como caçadora. Iyemonja Iyá Ori = nessa forma ela assume todas as cabeças mortais.

Olufon. Arira Ogaraju doluo Kodun ossayn.Oyá Oyá Oyá Oyá Tope Mesan Onira = = = uma um rainha = uma de de da de suas seus cidade suas formas. de Ira. Logunere Oyá Agangbele = esse caminho mostra a dificuldade quando a geração de filhos. Nagô. formas. Brasil. Osaguian. epítetos. = Omolu. eró = com eró Osumare culto Bamila Kedimolu = eró voltar Maria Padilha é uma das principais entidades da umbanda e do candomblé traz consigo o dom do encantamento de amor é muito procurada pelas pessoas que sofre de paixões não Correspondidas sejam eles gays lésbicas hetero xexual travesti etc E suas oferendas são compostas geralmente de cigarros champanhe rosas vermelhas perfumes anéis e gargatilhas batom pentes espelho farofa feita com azeite de dendê suas obrigações são geralmente arriadas nas encruzilhadas de T aceita como sacrifício galinha vermelha cabra e pata preta . formas. Oyá Oyá Oyá Oyá Oyá Oyá Oyá petu = nesse = = = = uma aspecto uma das eró ela de mais convive suas antigas no com Sàngó.

etc.sempre com sua tradicional vestimenta.Calça Branca.) e esquerda(exus).esse guia que é muito conhecido na Umbanda.sapato branco(ou branco e vermelho).onde se colocava alfinetes nela como se tivesse maltratando-a .pinga coquinhos ou simplesmente cachaça. Na Umbanda ele se manifesta tanto na direita(guias como preto velho.Mestre Zé Pilintra .antiga religião onde se fazia muito feitiço.Candomblé e outras.baianos.aqueles bonecos que simbolizavam pessoas. Sua primeira aparição foi no Catimbó..seu .Os guias que se manifestavam nessa religião eram chamados de mestres.por exemplo.com muitas cargas negativas.Mulheres que trabalham com esta entidade são geralmente belas bonitas atraentes e sensuais são dominadoras e de personalidade muito forte sabem amar como ninguém mas com a mesma facilidade sabem odiar seus parceiros amorosos Maria Padilha é protetora das prostituta gosta do luxo e do sexo adora a lua mas odeia o sol suas roupas são geralmente vermelhas e pretas igualmente seus colares e sua coroa suas cantigas são muito alegres e cheias de magia e segredos E mulher de sete exu rainha dos cabarés e das encruzilhadas suas cantigas geralmente falam de homens como vamos descrever abaixo Cantigas número 1 Este homem é meu e ninguém toma quem quiser homem bom vai buscar na zona bis cantiga nº 2 Sou eu sou eu sou eu Maria Padilha sou eu corro no mundo e ninguém não me pega cada fumaça do meu cigarro é um tombo e uma queda cantiga nº 3 Quando ela vem no clarâo do sol quando ela vai no clarao da lua dando risada qua qua qua Maria Padilha ainda é dona da rua ( BIZ ) cantiga nº 4 Maria Padilha tem cinco dedos em cada mão cinco dedos em cada pe gosta de homem e de mulher ai ai gosta de homem e de mulher ( BIZ ) Zé Pilintra Um mistério na umbanda.fuma cigarro de palha.bebe batida de coco.uma religião muita pesada. Na direita ele vem na linha de baianos e pretos velhos .essa religião se usava muito vodum.

Sua imagem fica sempre na porta de entrada no terreiro.pois ele é quem toma conta das portas .ter sua roupa completa.ervas.velas.festas. Outra é ficar mais sério .gosta muito de dançar.desde coquinhos com olho de cabra até vermelho e preto. vermelho e branco ou preto e branco.gosta de observar o movimento ao seu redor mas sem perder suas características.frango.gosta muito da presença de mulheres..é muito vaidoso.parado num canto assim como sua imagem.conhaque e uísque . É muito conhecido por sua irreverência.das entradas ..até muda um pouco sua voz.cocos.. Pontos: 1)Com seu chapéu de palha E seu lenço no pescoço Zé Pilintra veio a terra E me deu boa noite moço 2)O Zé quando for na lagoa Toma cuidado com o balanço da canoa O Zé faça tudo o que quiser Mas não machuque o coração dessa mulher .sua gravata vermelha.pemba.calças e sapatos também pretos .bebe batidas e pinga de coquinho.gosta de elogia-las .bebe marafo.e sempre muito brincalhão.principalmente chachado. Seu ponto de força é na porta do cemitério.gravata vermelha e uma cartola.os Zé Pilintra ..Em alguns terreiros ele usa até uma capa preta. a situação muda um pouco .etc. seu chapéu branco com uma fita vermelha ou chapéu de palha e finalmente sua bengala.um terno preto.terno branco.fuma cigarros ou cigarilhas. Gosta muito de ser agradado com presentes.em alguns terreiros ele pede uma outra roupa.fuma charutos .suas guias pode ser de vários tipos.Trabalha muito com bonecos.etc.agulhas.etc.pois ele trabalha muito com as almas.frutas. E outra característica dele é continuar com a mesma roupa da direita.assim como é de característica na linha dos pretos velhos e exus.extrovertido.. Agora quando ele vira para o lado esquerdo.com um sapato de cor diferente.tem duas características marcante: Uma é de ser muito brincalhão .

Foi ela quem me enganou Eu passava ela dizia Zé Pilintra meu Amor voltar ÁGUAS DE OXALÁ Na quinta-feira à noite.3)O Zé . das dezenove até às vinte e quatro horas. trajados de alvo. todos os filhos e filhas da casa são obrigados a fazer um bori (obrigação que se faz coma fruta chamada obi e água) para poderem carregar as águas. Os filhos do Axé. . até que são despertados pela Iyalorixá para iniciarem o preceito das águas. antes de se iniciarem os preceitos das águas de Oxalá. saem em silêncio do terreiro. tendo à frente a Iyalorixá tocando o seu adjá. em procissão. Depois desse bori.Zé Pilintra enganador Enganou a jovem com palavras de amor Não foi eu. carregando potes e moringues. vão se agasalhar.foi ela.

juntamente com todos os seus filhos e associados. Alí. e. os que têm orixá masculino. As demais dão o Iká otun iká osi. todo cercado de palha. todos apresentam aquelas águas à Iyalorixá. ficando todas as vasilhas cheias depositadas no Balué. . Algumas pessoas. essa obrigação é feita dentro do próprio terreiro. tocando o chão com a cabeça . nessa roça de São Gonçalo do Retiro. virando-se de um lado e do outro. deitam-se de fio ao comprido. que as derrama por cima do assento de Oxalá. onde se colocou o assento do velho Oxalá. chamado Balué. aproximam-se de um lugar apropriado. Cada pessoa que chega ajoelha-se sobre aquela esteira em sinal de reverência. Depois dessa cortesia. Meia hora depois. São feitas três viagens à fonte ou aonde está a água. Hoje. dão Dodobalé. dirigiam-se para uma fonte chamada Riacho.No tempo de Mãe Senhora. na terceira. a água não é mais derramada. que fica ao lado da Lagoa da Vovó. começa a cantar uma saudação para Oxalá . tocando a cabeça no chão. a Iyalorixá. sendo colocada uma cortina branca na porta e uma esteira no chão.são as que têm o orixá feminino. com suas vasilhas cheias d'água. com uma oca indígena.

onde está o assento do orixá.Fundação Cultural do Estado da Bahia . agradecendo o sacrifício daquele dia e rogando a Oduduá para abençoar a todos. todas as pessoas pertencentes à Oxalá são por ele manifestadas e vão até o Balué. como já se viu. Fazem ali determinadas reverências e cumprimentam a todos.foi mantida a ortografia original do manuscrito) . que é.(Oriki): Babá êpa ô Babá êpa ô Ará mi fo adiê Êpa ô Ará mi ko a xekê Axekê koma do dun ô Êpa Babá Depois de cantada essa saudação. Por que Osala usa Okodide (transcrição do livro Porque Oxalá usa Ekodidé .Deoscóredes M dos Santos-DIDI Edição Cavaleiro da Lua .

adornos e apetrechos. as invejosas. depositando com tôda benevolência nas mãos dela aquele direito especial para tomar conta de tudo que lhe pertencesse. para tomar conta de todo. logo no primeiro ano. ou melhor. Omon Oxum por nunca ter tido nenhum filho. Fizeram coisas que Deus duvida contra Omon Oxum porém nada surtia efeito. Como dizem que a água dá na pedra até que fura. Quando elas viram a corôa de Oxalá muito bonita e mais reluzente do que nunca. aconteceu que. Cada vez mais Oxalá ia aumentando a amisade e dedicação para Omon Oxum. combinaram roubar a corôa e ir jogar no fundo do mar. quando estava perto das festas Oxalá escolheu uma senhora das mais velhas do terreiro. E assim fizeram.Muito tempo depois que Oduduwa chegou em Ilê Ifé e começaram a adorar o culto das Águas de Oxalá. chamada Omon Oxum. aconteceu que. da corôa ao sapato. já desiludidas por poderem fazer o que desejavam. Dessa data em diante ela e a menina ficaram sendo odiadas por algumas pessoas que faziam parte nesse terreiro e que por inveja de Omon Oxum começaram a tramar novidades. de tôda sua roupa. Ela era muito devotada ao cumprimento das suas obrigações e não dava margem alguma para ser por êle repreendida. criava uma menina. . procurando um meio qualquer para fazer Oxalá se zangar com ela e tomar o "achê" entregue por Oxalá. na vespera do dia da festa. de passagem pela casa de Omon Oxum se depararam com a corôa de Oxalá que ela tinha areiado e colocado no sol para secar.

porque de madrugadasinha eu vou acordar para ir à feira ver se encontro com esse peixe que voce imagina ter a corôa do nosso Rei Oxalá na barriga. Quando o dia mal tinha clareado. Quando ela chegou na feira foi diretamente no mercado de peixe e não encontrou nenhuma escama. Omon Oxum comprou o peixe e foi voando para casa a fim de destrincha-lo. A essa altura Omon Oxum comretamente azurantada só pensava em se matar e ja estava resolvida a fazer isso para não passar vergonha perante Oxalá. Porém não . Procura daquí procura dalí. até que Omon Oxum se decidiu a aceitar o que a menina aconselhou. encontrando a corôa de Oxalá. Omon Oxum pulou da cama. Assim que ela chegou em casa foi logo para a cosinha para abrir a barriga do peixe. riam as gaiofadas dizendo: agora sim quero ver como ela vai se atá com Oxalá amanhã quando êle procurar a corôa e não encontrar.Quando Omon Oxum foi apanhar a corôa para guardar. Ficou doida. satisfeitas pelo mal que tinham causado. para ela poder obter a paz e tranquilidade espiritual. sua filha de criação disse: . E assim a menina insistiu. insistiu tanto. As invejosas vendo a aflição que estava passando Omon Oxum e sua filhinha.Mamãe. Foi quando a meninazinha. não pôde dormir tôda a noite preocupada que já amanhecesse o dia para ela ir a feira ver se conseguia encontrar o dito peixe que a menina julgava ter a corôa na barriga. A menina foi dormir tranquila. Omon Oxum deu uma volta pela feira e já bastante impaciente voltou ao mercado onde encontrou um senhor vendendo um peixe. Ainda éra muito cedo. não encontrou. se preparou e lá se foi. dizendo:. porque a senhora não vai na feira amanhã de manhã bem cedinho e não compra o peixe mais bonito que tiver lá? A corôa de Oxalá deve estar na barriga desse peixe. Omon Oxum coitada.Fique tanquila minha filha. era o único que se encontrava no mercado. Queria ver se sua filha tinha aconselhado bem. cujo peixe. remexeram com tudo procurando em todos os cantos da casa e nada da corôa aparecer.

a corôa.Eu bem disse que queimasse. apanhou um cacumbú e puxou rasgando a barriga do peixe. sua filhinha serviram o almôço acompanhado de Aluá ou Aruá. disse para a outra:. Quando ela estava aí se acabando de chorar e labutando para abrir a barriga do peixe. porém com a fé que tem no seu Eledá. não ha de ser vencida.Minha filha a barriga dele está muito dura. fez um grande almôço e convidou a todos da casa para almoçar com ela dizendo que estava festejando o dia da festa do Pai Oxalá. dansava. juntamente com o resto das coisas pertencentes a Oxalá. Ao meio dia Omon Oxum juntamente com seu. Se a corôa estiver no meio o geito que temos é fazer um grande ebó e colocar na cadeira onde . Limparam muito bem limpa. Omon Oxum muito alegre como se nada tivesse acontecido a ponto de dar até um banquete em homenagem a Festa de Oxalá. ficaram malucas. A menina se levantou. Deus que lhe abençoe. Sua maesinha está sendo perseguida. muito bem guardada.Vamos esperar até a hora que éla apresentar as roupas de Oxalá com todos os armamentos.A primeira procurando acalmar os animos.Outra respondeu:. . . Uma delas perguntou:. e guardaram. Omon Oxum se abraçou com a menina e de tanto contentamento não sabia o que fazer com ela.E a outra mais danada ainda dizia:Eu disse a vicês que o melhor era cavar um buraco bem fundo e enterrar. chegou na cosinha.Será que ela encontrou a corôa? . quero dizer.conseguiu. anjo da guarda. ésta se abriu em bandas deixando aparecer a corôa de Oxalá ainda mais bonita do que era antes. As invejosas quando viram todo aquele movimento.Mamãe já comprou o peixe? A senhora deixa que eu abra a barriga dele? Omon Oxum bastante chorosa respondeu:. a bebida predileta de Oxalá a qual os Erê dão o nome de mijo do pai. e por fim Omon Oxum olhando para a menina e em seguida voltando as vistas para o céu. Em seguida Omon Oxum cosinhou o peixe. beijava.Olorun. Eu não posso abrir quanto mais você. a menina acordou e foi logo perguntando: . Carregava. disse: . Depois do almôço todos foram descansar para na hora determinada dar começo a festa das Águas de Oxalá.

Omon Oxum se jogando nos pés dela disse:. pena vermelha de papagaio da costa. e horrorisada por saber que Oxalá de fórma nenhuma podia ter nada de vermelho perto dêle porque era ewó. a ponto de procurarem fazer o ebó por elas idealisado e colocar na cadeira onde Omon Oxum era obrigada a sentar-se por ordem de Oxalá. disse:. que um dia Oxalá ía buscar ela de volta. também se sentou na sua cadeira ao lado de Oxalá. Oxossi. para o outro.O ebó.Você vindo dêsse geito da casa de meu pai? Infringiu o regulamento e eu não posso lhe abrigar. esta já tinha sabido do que estava acontecendo e estava a sua espera. indo se esbarrar na casa de Exú. virou-se para Omon Oxum e pediu para éla ir apanhar a corôa. Só restava a casa de Oxum. Começou a festa com a maior alegria possivel. Depois Oxum. até quando éla decidiu levantar-se de qualquer maneira. Oxum disse para ela que não se preocupasse. reuniu todo .éla vai se sentar ao lado de Oxalá.Minha mãe me valha. Omon Oxum sem saber do que estava sendo feito contra ela. olhou para a cadeira e viu que estava tôda suja de sangue. Oxum. Omon Oxum quiz levantar e não pôde. cuia. Quando estava perto da hora de começar a festa. e nada de poder levantar-se. Oxalá não vai me querer mais em sua casa. saiu esbaforida pela porta afora. proibição. póde ser empregado para o bem ou para o mal. sacrificio. fez com que. Alucinada de dor.. de todos Orixás e sempre diziam a mesma coisa que disse Exú. Daí ela foi para a casa de Ogun. até quando sare a ferida. . usando de sua magia. depois de colocar todo aquêle Ekodidé numa grande igbá. do lugar onde sangrava em Omon Oxum saisse Ekodide. Omon Oxum apresentou a Oxalá tôda a roupa com todos os armamentos deixando as invejosas mais danadas e com mais desejo de vingança. Devido a grande dor que sentiu. Quando Exú abriu a porta que viu Omon Oxum tôda suja de vermelho. Fez força para um lado. Quando começaram as cerimônias e que Oxalá precisou de colocar a sua corôa.e fechou a porta. Quando Omon Oxum chegou a casa de Oxum. estou perdida. Oxalá chegou acompanhado por Omon Oxum e se sentou no trono.

começaram a comentar o caso. si era homem dava dodóbálé. depois de ter acontecido o que aconteceu aqui no palácio de Oxalá e de ter sido enjeitada por todos Orixás. se deitava no chão de um lado e do outro para Oxum e em seguida apanhava um Ekodidé e colocava também o dinheiro na referida vasilha. depois apanhava um Ekodidé e colocava uma certa quantia na vasilha que estava ao lado para ser colocado o dinheiro. se estirava de peito no chão para Oxum. cantando assim: BI O TA LADÊ BI O TA LADÊ IRÚ MALÉ IYA OMIN TA LADÊ OTO RU ÉFAN KOBÁJA OBIRIN IYA OMIN TA LADÊ E assim Oxum ricamente vestida. a cuia de Ekodidés e a vasilha para colocarem dinheiro em frente a elas. depois de tudo o que nós fizemos. vocês não estão vendo que Oxum abrigou ela? Curou. ficou sendo muito propalado e as invejosas faziam todo possivel para que Oxalá não soubesse. Um dia. Todos que lá chegavam e se enteiravam do acontecimento. com Omon Oxum ao seu lado. e se era mulher dava iká. Agora só nos resta é fazer com que o velho não saiba do que está acontecendo no palácio de Oxum. festa. onde uma delas disse:Com ela não tem quem possa. recebia as visitas de todos os Orixás que iam até lá para ver e saber porque Oxum estava fazendo aquela festa tôdas as noites. sentada no seu trono. quer dizer. se não é bem capaz de querer ir até lá. Tudo aquilo que estava acontecendo no palácio de Oxum. Nisso o velho Oxalá pigarreou dando a entender que tinha ouvido tôda a . elas. sem observarem que Oxalá estava por perto. conseguindo que do lugar que sangrava saisse Ekodidé.seu pessoal e tôdas as noites faziam um xirê. fazendo uma grande fortuna e aumentando a sua riqueza.

disse:. se levantou cantando: DÓDÓ FIN DODÓBÁLÉ KÓ BINRIN IYA OMIN TA LADÊ e foi ajudar a Oxalá se levantar do chão. depois do jantar. Ordenou a elas que procurassem saber a hora que começava o xirê no palácio de Oxum e que elas iam servir de companhia para êle poder ir apreciar o xirê e tomar conhecimento do que estava acontecendo. Depois que Oxalá se levantou Oxum pegou Omon Oxum pela mão e entregou à Oxalá dizendo:. Quando Oxalá chegou no palácio de Oxum mandou anunciar a sua chegada. e continuou o xirê cantando: BI O TA LADÊ. IRÚ MALÊ.Fugiram com medo de que eu castigasse pela grande injustiça que cometeram. Oxum quando viu o velho dar dodóbálé para ela. Quando elas ouviram Oxalá falar desta maneira bem pertinho delas a terra lhe faltaram nos pés e o remorso montou nos seus cangótes fazendo com que elas fugissem para nunca mais voltar ao palácio de Oxalá. Assim Oxalá se dirigiu para o palácio de Oxum afim de assistir o xirê e saber qual a causa do mesmo. que viu a seu lado Omon Oxum. a quem ele julgava ter perdido devido o que tinha acontecido. Quando Oxalá entrou ficou abismado de ver tanta riquesa e quando reparou bem para Oxum. Oxalá cansado de esperar pelas tres invejosas e não vendo nenhuma delas aparecer. coberta de ouro e muitas jóias dos pés a cabeça. IYA OMIN TA LADÊ. não se conteve. a pessoa que cuidava dele e de tôdas suas coisas. A noite. . sentada no seu rico trono. apanhando um Ekodidé e colocando bastante dinheiro na vasilha. se jogou também no chão dando dodóbálé para Oxum. Oxum mais bonita do que nunca. BI O TA LADÊ.Aqui está a vossa zeladora. não sabendo de que o castigo será dado pelas mesmas.conversação. mandou que Oxalá entrasse. sã e salva de todo mal que desejaram e fizeram para ela para que ela ficasse odiada por vós.

Oxalá.Oxum.Oxalá agradecendo a Oxum disse:. em agradecimento a tudo o que fizestes de bem e para amenisar os sofrimentos de Omon Oxum eu. prometo levar ela de volta para o meu palácio e de hoje em diante nunca hei de me separar desta pena vermelha que é o Ekodidé e que será o unico sinal desta côr que carregarei sôbre o meu corpo. voltar .

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