UnG Universidade Guarulhos

FISIOLOGIA DO APARELHO DIGESTÓRIO

José Eduardo Gutier Ruis (Fisioterapia)

Guarulhos 2010

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FISIOLOGIA DO APARELHO DIGESTÓRIO

O objetivo desse trabalho é apresentar uma descrição fisiológica e funcional das estruturas componentes do aparelho digestório, bem como os mecanismos envolvidos em seu funcionamento, por meio do sistema nervoso e endócrino, além de demonstrar sua importância para a manutenção e integridade do organismo, garantindo seu bom funcionamento geral.

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........ 17 Composição e efeitos da secreção biliar ............................... .............................. 15 Composição e efeitos da secreção gástrica. .................................................................... ................................................ .......................................................................................................................... 08 Movimentos do intestino delgado................... ................................................ .......... 13 Vômito............18 Referências bibliográficas........................ ............................. ..................................................... 14 Composição e efeitos da secreção salivar.............................. .......... ........................ ............04 Movimentos do tubo gastrintestinal........................... 05 Mastigação: Funções e organização cerebral................ ... .................................................... 04 Sistema nervoso entérico............................................... .................. ............................... 19 Considerações finais......... .......................................... ............................................................................................ ............................................. ...... ....................................................................................Sumário Estrutura da parede intestinal..........20 3 ............. ......................... 06 Movimentos do estômago e formação do quimo............................. ............................................. ............. ......... ............................... ............................................ . .............. . ........................ ........... 16 Composição e efeitos da secreção pancreática.......... 11 Defecação............ ............ .............. .............................................. .............................................................. ................. 10 Movimentos do cólon.................................. ............................. ............ ............................... .............................................................. 13 Funções secretoras do tubo alimentar ........... .................. 06 Deglutição...... .......... ....................... 12 Fluxo sanguíneo gastrintestinal........................ ......................

Sistema nervoso entérico O sistema nervoso entérico é próprio do tubo gastrintestinal. ou plexo de Meissner.000. ão quando um potencial de ação é produzido em qualquer ponto da massa muscular. responsável pela secreção epitelial gastrintestinal e controle do fluxo sanguíneo local. sendo a camada serosa a mais externa e a camada mucosa a mais interna. Ainda que esses plexos tenham total autonomia. de forma que a excitação de uma acabe por excitar a outra. Possui cerca de 100. ou seja. Essas fibras conectam-se eletricamente através das junções abertas. o que indica sua importância na regulação sobretudo dos movimentos e secreção gastrintestinal. Características do músculo liso na parede intestina As fibras musculares lisas ocorrem na parede intestinal dispostas em feixes de até 1000 fibras paralelas. e ao redor do intestino na camada circular. É composto em sua maior parte por dois plexos: o plexo mientérico. localizado totalmente na parede do intestino. quase o mesmo numero de neurônios presentes na medula espinhal. Diversas terminações nervosas sensoriais originadas no epitélio gastrintestinal ou na parede intestinal enviam fibras aferentes para os plexos do sistema enté rico e para os 4 . que causam ativação ou inibição adicional nas funções gastrintestinais. que se estendem de forma longitudinal na camada muscular longitudinal. uma camada difusa de fibras musculares lisas localiza-se nas camadas profundas da mucosa. que ocorrem em grande número nos feixes. Essas diferentes camadas de músculo liso são as responsáveis pelas funções motoras do intestino. desde o esôfago até o ânus.Fisiologia do Aparelho Digestório Estrutura da parede intestinal A parede intestinal é formada por 5 camadas. o músculo liso gastrintestinal desempenha funç como sincício. localizado internamente. de acordo com a e xcitabilidade do músculo. na região da camada submucosa.000 de neurônios. Além disso. eles também recebem estímulos de fibras simpáticas e parassimpáticas. entre as camadas musculares longitudinal e circular. podendo percorrer desde alguns centímetros a até mesmo a totalidade do tubo gastrintestinal. As camadas musculares longitudinal e circular também se conectam entre si. Entre essas duas camadas localizam as camadas muscular -se longitudinal e muscular circular. e a camada submucosa. Devido a essas junções entre os feixes. sendo denominada muscular da mucosa. localizado externamente. geralmente se propaga por todo o músculo. ou plexo de Auerbach. que controla sobretudo os movimentos gastrintestinais. facilitando assim a passagem dos sinais elétricos. e o plexo submucoso. e permitem o movimento de íons de uma célula para a outra.

e em grande extensão por efeito inibitório da norepinefrina sobre os neurônios do sistema nervoso entérico. Alguns dos neurônios entéricos são inibitórios. As fibras simpáticas relacionadas ao tubo gastrintestinal partem da medula espinhal entre os segmentos T-5 e L-2. as próprias contrações peristálticas causam boa parte da mistura. Outras vezes ocorrem contrações constritivas locais. sua estimulação acarreta a inibição da atividade gastrintestinal. O estímulo habitual para o peristaltismo é a distensão. O outro tipo de movimento é denominado movimento de mistura. ocorre uma contração peristáltica. inibindo-a. ocorre o i estímulo do intestino. 5 . tendo assim efeitos opostos ao sistema parassimpático. Relação dos sistemas nervosos parassimpático e simpático com o sistema nervoso entérico do tubo gastrintestinal. O estímulo das fibras parassimpáticas provoca o aumento da atividade da maioria das funções gastrintestinais. e variam muito nas diversas partes do tubo alimentar. a medula espinhal e. e em geral. portanto. adaptando-se para a propulsão e mistura apropriadas. as funções relacionadas a esses neurônios são inibidas. Seus efeitos são exercidos de duas formas: em pequena extensão. e a onda peristáltica o mistura. sobretudo quando a progressão do conteúdo intestinal é bloqueada por um esfíncter. por efeitos diretos da norepinefrina sobre o músculo liso. faringe e cólon distal. Um deles é o movimento propulsivo. que duram alguns segundos. seguida de uma onda inicial de distensão.gânglios pré-vertebrais do sistema nervoso simpático. Em caso de acúmulo de grande quantidade de alimento em qualquer ponto do intestino. Quase todas as fibras parassimpáticas para o intestino seguem seu trajeto por meio do próprio intestino. Nesse movimento. em caso de estímulo parassimpático. Esses movimentos são modificados em diferentes partes do tubo gastrintestinal . algumas fibras. podendo bloquear totalmente o movim ento do alimento ao longo do tubo gastrintestinal. também chamado peristaltismo. com velocidade apropriada para a digestão e a absorção. que impele o alimento ao longo do tubo digestivo. iniciando um movimento peristáltico. e conseqüente estiramento da parede intestnal. Esses movimentos mantêm o conteúdo intestinal completament e misturado. Movimentos do tubo gastrintestinal São conhecidos dois tipos básicos de movimento no tubo gastrintestinal. surgindo um anel contrátil de 2 a 3 cm acima desse ponto. em vez de propeli-lo para frente. Em algumas áreas. exceto por algumas fibras presentes na boca. desencadeando reflexos locais no próprio intestino e reflexos transmitidos para o intestino a partir dos gânglios pré -vertebrais ou do sistema nervoso central. O controle autonômico do tubo é realizado através de inervações simpáticas e parassimpáticas. seguem para no tronco cerebral. cortando o conteúdo ao longo do intestino. O reflexo peristáltico junto com a direção anal do movimento do peristaltismo é denominado lei do intestino .

e por isso. facilitando a atividade enzimática. O estimulo da formação reticular próxima aos centros do tronco cerebral para o paladar e a estimulação de áreas do hipotálamo. pela qual o alimento passará para a faringe posterior. A partir desse ponto. A presença de um bolo de alimento na boca causa inibição reflexa dos músculos da mastigação. aproximando-se uma da outra e formando uma fenda sagital. Grande parte do processo de mastigação é causada pelo reflexo da mastigação. Esse processo é controlado por núcleos no tronco cerebral. e os músculos da mastigação são inervados pelo ramo motor do quinto nervo craniano. acelerando a digestão. de maneira voluntária. Isso inibe de novo os músculos da mandíbula.Mastigação: funções e organização cerebral Os dentes são admiravelmente construídos para a mastigação. Isso. Assim. e a laringe é puxada para cima e para frente pelos músculos do pescoço. o palato mole é empurrado para cima. Os músculos da mandíbula. fechando a parte posterior das narinas. Esse processo repete-se por muitas vezes. As cordas vocais da laringe são muito aproximadas. combinado com a presença de ligamentos que impedem o movimento da 6 . a trituração dos alimentos na mastigação evita a escoriação do tubo gastrintestinal e facilita a chegada do alimento ao estômago e posteriormente ao intestino delgado. amígdala e do córtex cerebral próximo às áreas sensoriais para o olfato e paladar podem causar movimentos rítmicos da mastigação. Estágio faríngeo da deglutição A entrada do bolo alimentar na faringe estimula as áreas receptoras da deglutição situadas em torno da abertura da faringe. para cima e para trás. e assim sucessivamente. podem fechar os dentes com força de até 25 kg nos incisivos e de 90 kg nos molares. As enzimas digestivas atuam apenas nas superfícies das partículas dos alimentos. comprime e empurra o alimento para trás. Em seguida. causando a contração de rebote. Essa queda da mandíbula inicia o estiramento dos músculos da mandíbula. provocando o fechamento dos dentes. Deglutição A deglutição pode ser dividida em três estágios: Estágio Voluntário da deglutição Após a mastigação. Os dentes anteriores proporcionam forte ação de corte. comprimindo novamente o bolo contra as paredes da boca. o processo de deglutição passa a ser automático. provocando uma série de contrações musculares faríngeas. as pregas palatofaríngeas são puxadas medialmente. a velocidade da digestão depende da área total da superfície exposta à ação dessas enzimas. e os impulsos resultantes desse estímulo passam para o tronco cerebral. a pressão exercida pela língua contra o palato. elevando a mandíbula . Além disso. não podendo ser interrompido. permitindo que a mandíbula caia. enquanto os posteriores exercem ação trituradora. A mastigação aumenta a superfície do alimento. juntos. permitindo a queda da mandíbula e novamente o rebote.

a fim de permitir a fácil propulsão do alimento para o estômago. quase sempre desencadeado por movimentos voluntários do alimento para a parte posterior da boca. funcio nando como um esfíncter esofágico. Na parte inferior do esôfago. que permanece contraído. o centro da deglutição inibe o centro respiratório do bulbo durante esse período. esse processo é tão curto que dificilmente é percebido. Nesse momento. Essas áreas recebem o nome de centro da deglutição. Essas ondas secundárias são iniciadas por circuitos neurais intrínsecos do sistema nervoso entérico esofágico e por reflexos transmitidos por fibras aferentes vagais do esôfago para o bulbo e de volta para o esôfago por fibras eferentes vagais. propelindo o alimento para esse órgão. Durante a ocorrência do estágio faríngeo da deglutição. Estágio esofágico da deglutição O esôfago tem como principal função conduzir o alimento da faringe para o estômago. e perduram até que todo o alimento chegue ao estômago. desde o fechamento da traqueia até a passagem do alimento para o esôfago. Essa constrição tônica do esfíncter esofágico evita o refluxo significativo do 7 . Os estágios sucessivos da deglutição são controlados automaticamente por áreas neuronais distribuídas por toda a substância reticular do bulbo e porção inferior da ponte. A chegada a onda peristáltica esofágica à extremidade inferior do esôfago provoca o relaxamento total do estômago e de parte do duodeno. faz com que ela se dobre para trás por sobre a abertura da laringe. O movimento da laringe para cima também aumenta a abertura do esôfago. permitindo o deslocamento fácil e livre do alimento da faringe posterior para o esôfago superior. o esfíncter esofágico superior relaxa. toda a parede muscular da faringe se contrai de sua parte superior propagando-se para baixo como uma rápida onda peristáltica pelos músculos faríngeos médio e inferior e. transmitido por neurônios inibitórios mientéricos. Todo esse processo. Os movimentos peristálticos primários é a continuação da onda peristáltica iniciada na faringe durante o estágio faríngeo da deglutição. percorrendo todo o trajeto da faringe até o estômago em 8 a 10 segundos. O estágio faríngeo da deglutição é um ato reflexo. preparando o estômago para receber o alimento propelido do esôfago durante a deglutição. Ao mesmo tempo. relaxando apenas quando uma onda de deglutição peristáltica se propaga pelo esôfago. entendendo-se para cerca de 2 a 5 cm de sua junção com o estômago. que resultam da distensão do esôfago pelo alimento retido. o músculo circular esofágico apresenta ligeiro espessamento. surges as ondas peristálticas secundárias. daí. interrompendo a respiração. que por sua vez produz o reflexo da deglutição. Porém. Normalmente o esôfago apresenta dois tipos de movimentos peristálticos. Caso essa onda peristáltica primária não seja suficiente para conduzir todo o alimento ao estômago. para o esôfago. impedindo a passagem do alimento para a traqueia. tendo seus movimentos adaptados para esse fim.epiglote para cima. ocorre em 1 a 2 segundos.

consistindo em ondas lentas elétricas. Por maior que seja essa pressão exercida pelo anel constritor.conteúdo gástrico. cuja mucosa não seria capaz de resistir à prolongada ação dessas secreções. que ocorrem na presença do alimento no estômago. deslocando o alimento para o antro. de modo adequado a facilitar a digestão e absorção pelo intestino delgado. Movimentos no estômago e formação do quimo O estômago apresenta três funções motoras: armazenamento de grandes quantidades de alimento. que apresentam maior tônus gastrintestinal. Essas secreções agem imediatamente em contato com a porção de alimento armazenada na superfície mucosa do estômago. Isso faz com que grande parte do conteúdo antral seja espirrada para trás através do anel peristáltico em direção ao corpo do estômago. para o esôfago. a abertura do piloro é extremamente pequena. e são muito aumentadas em casos de baixa concentração de açúcar. ocorrem quando o estômago permanece vazio por longos períodos. a pressão no estômago permanece baixa. próximo à abertura esofágica.5 litros. causam a mistura das secreções com a parte externa do alimento. situando o alimento mais recente na região proximal. Ao aproximarem-se do antro. e também proporcionam uma fraca propulsão. São contrações peristálticas rítmicas em torno do corpo do estômago e geralmente são mais intensas em pessoas jovens e saudáveis. essas ondas ficam mais intensas. outro tipo de contrações intensas as contrações de fome -. mistura desse alimento com as secreções gástricas até formar o quimo e a lenta passagem do alimento para o intestino delgado. À medidas que as ondas lentas se movem ao longo do estômago. ao mesmo tempo em que ondas constritoras peristálticas fracas (ondas de mistura) deslocam em -se direção ao antro. Mistura e propulsão do alimento no estômago As glândulas gástricas que recobrem quase que a totalidade das paredes do estômago são as responsáveis pela produção do suco gástrico. extremamente ácido. até que possam ser acomodadas no duodeno. Até que esse limite seja atingido. 8 . permitindo apenas que al uns g mililitros de conteúdo do antro passem para o duodeno. A chegada do alimento ao estômago produz um reflexo vagal que reduz o tônus na parede muscular. Função de armazenamento do estômago O estômago armazena o alimento em forma de camadas concêntricas. de forma a aumentar a capacidade de acomodação de alimentos até cerca de 1. e o mais antigo mais perto da parede do estômago. e é um mecanismo de mistura muito importante no estômago. Esse processo é denominado retropulsão. Essas ondas são produzidas pelo ritmo elétrico baixo (REB). formando potentes anéis constritores peristálticos que forçam o conteúdo antral na direção do piloro. Além das contrações peristálticas.

Vários hormônios podem servir como mecanismos inibitórios do esvaziamento gástrico. a espessura do músculo circular é muito maior que nas porções anteriores do antro gástrico. mas impedindo a passagem da maioria das grandes partículas de alimento até que sejam misturadas ao quimo e atinjam consistência quase líquida. através da estiramento da parede do estômago que produz reflexos mientéricos vagais e locais. Além disso. hormônio com efeitos potentes sobre a secreção de suco gástrico. 9 . Esses hormônios são transportados pelo sangue para o estômago. Regulação do esvaziamento gástrico A velocidade de esvaziamento do estômago é regulada por sinais do estômago e do duodeno. e seu grau de fluidez depende das quantidades de alimento e de secreções gástricas. excitando a atividade da bomba pilórica e inibindo ligeiramente o piloro. inibindo a atividade da bomba pilórica e aumentando a força de contração do esfíncter pilórico. aumentando o tônus do esfíncter pilórico. depois. Esvaziamento gástrico O esvaziamento gástrico é promovido pela intensidade das contrações peristálticas do antro gástrico. O estômago promove o esvaziamento através do aumento do volume gástrico. produz a liberação da gastrina. Além disso. sendo denominado esfíncter pilórico. que se desloca para o intestino. Esses hormônios são produzidos através de estímulos decorrentes da chegada de diversos tipos de alimentos especialmente gorduras -. Esses reflexos são mediados pelo sistema nervoso entérico. que passam de volta para o estômago.Quimo Quimo é o nome que se dá ao resultado da mistura do alimento com as secreções gástricas. facilitando a saída de água e outros líquidos do estômago. tornando mais lento ou até mesmo interrompendo o esvaziamento gástrico. ao mesmo tempo que é oposto por graus variáveis de resistência à passagem do quimo pelo piloro. permanecendo em ligeira contração tônica. em especial a carne. Assim. o que é extremamente importante devido à lenta digestão das gorduras. além da presença no estômago de alguns tipos de alimento. o piloro permanece ligeiramente aberto. o piloro participa ativamente do controle do esvaziamento gástrico. que é a abertura distal do estômago. Apesar dessa contração. A entrada do alimento no duodeno desencadeia diversos reflexos na parede do duodeno. Aí. e exercem dois efeitos sobre o esvaziamento gástrico. hormônios liberados pela porção superior do intestino também agem na inibição do esvaziamento gástrico. primeiramente inibindo de forma intensa as contrações propulsivas do antro e. no duodeno. sendo a colecistocinina (CCK) o mais importante. Possui aspecto de uma pasta ou semilíquido leitoso e turvo. o estiramento. A gastrina também exerce estímulos sobre as funções motoras do estômago e aumenta a atividade da bomba pilórica. e do grau de digestão que ocorreu.

em parte. a secretina e o glucagon inibem a motilidade intestinal. a colecistocinina. por estimulação direta dos reflexos do plexo mientérico. promovendo a mistura progressiva de alimentos sólidos com as secreções do intestino delgado. que é o ritmo elétrico baixo. sendo mais rápida no intestino proximal e mais lenta no intestino terminal. porém. Essas potentes contrações peristálticas percorrem longas distâncias do intestino delgado em minutos. aliviando-o assim do quimo irritativo ou da distensão excessiva. Porém. vários fatores hormonais afetam o peristaltismo. A freqüência das contrações segmentares do intestino é determinada pela freqüência das ondas lentas. Movimentos propulsivos O quimo é propelido ao longo do intestino delgado por meio de ondas peristálticas. Como esse ritmo ocorre no duodeno e no jejuno inicial em freqüência de até 12 contrações por minuto. a parede intestinal produz contrações concêntricas localizadas e espaçadas ao longo do intestino. tendo seu movimento efetivo médio de apenas 1 cm/min. essas ondas são muito fracas e tendem a desaparecer após percorrer 3 a 5 cm.. os movimentos do intestino delgado podem ser divididos em contrações de mistura e contrações propulsivas. o que significa que em condições normais. produzida por reflexos nervosos extrínsecos para o tronco cerebral e de volta para o intestino e. o quimo necessita de 3 a 5 horas para passar do piloro até a válvula ileocecal. praticamente todos os movimentos do intestino delgado envolvem algum grau de mistura e propulsão.5 a 2 cm/s. A irritação intensa da mucosa intestinal. Essas contrações segmentares fragmentam o quimo. levando o conteúdo do intestino para o cólon. a serotonina e a insulina estimulam a motilidade intestinal e são secretadas durante várias fases do processamento alimentar. A gastrina. de forma que o do quimo também é lento. como ocorre em alguns casos de diarréia infecciosa. Por outro lado. Além dos sinais nervosos. nessa área é mantida a freqüência. denominado descarga peristáltica. pode promover um peristaltismo rápido e potente.Movimentos do intestino delgado Assim como em outras partes do tubo gastrintestinal. reduzida apenas na porção do íleo terminal para 8 a 9 contrações por minuto. Isso ocorre devido a entrada do quimo no duodeno e também pelo chamado reflexo gastrentérico desencadeado pela distensão do estômago e conduzido por meio do plexo mientérico ao longo da parede do intestino delgado. 10 . Controle nervoso e humoral do peristaltismo A atividade peristáltica do intestino delgado fica mais acelerada após uma refeição. e o espaçamento em que ocorre provoca segmentação do intestino delgado. Contrações de mistura Quando o quimo distende uma parte do intestino delgado. que se deslocam na direção anal com velocidade de 0. possuindo o aspecto de uma fileira de salsichas.

a parede do cólon apresenta uma camada muscular espessada denominada esfíncter ileocecal. o material fecal é lentamente revolvido. fazendo com que todo ele seja gradualmente exposto à superfície do intestino grosso. desaparecendo durante os 60 segundos subseqüentes. Movimentos do cólon O cólon tem por funções principais a absorção da água e eletrólitos presentes no quimo e o armazenamento da matéria fecal que será expelida. chamados haustrações.Válvula ileocecal A principal função da válvula ileocecal é evitar o refluxo do conteúdo fecal do cólon para o intestino delgado. Às vezes deslocam -se também na direção anal. facilitando a absorção. Quando há no ceco acúmulo de pressão. Essas funções não exigem movimento s intensos. a maior parte da propulsão no cólon ocorre por meio das contrações haustrais e de movimentos de massa que . que permanece pouco contraído e lentifica o esvaziamento do conteúdo ileal para o ceco. Essas contrações atingem sua intensidade máxima em 30 segundos. os lábios da válvula ileocecal se fecham de modo forçado. com movimentos de segmentação.500 ml diário de quimo. retardando o esvaziamento de quimo vindo do íleo. Ao mesmo tempo. possibilitando a absorção do liquido e das substâncias dissolvidas nele. Além disso. podendo resistir à pressão inversa de 50 a 60 cm de água. Sua metade proximal está associada à absorção e. dos 1. a metade distal. Quando uma pessoa tem seu apêndice inflamado. A distensão do ceco provoca a contração do esfíncter ileocecal intensificada enquanto o peristaltismo ileal é inibido. formado por três tênias cólicas. essa irritação pode causar espasmo intenso do esfíncter ileocecal e paralisia do íleo que bloqueia totalmente o esvaziamento do íleo. Movimentos de mistura haustrações Grandes constrições circulares. agem no cólon transverso e no sigmóide. Cerca de 1. sobretudo reflexos dos gânglios simpáticos pré-vertebrais. conferindo ao cólon movimentos lentos. causando a protrusão das regiões não estimuladas do cólon como sacos em forma de bolsa. promovendo pequena propulsão do conteúdo do cólon. sendo mais freqüentes durante 15 minutos na primeira hora após o desjejum. Como resultado dessas contrações sucessivas. até que.500 ml de quimo se esvaziam para o ceco diariamente. Movimentos propulsivos movimentos de massa Diferentemente do intestino delgado. Esses reflexos são mediados pelo plexo mientérico na própria parede intestinal e por meio de nervos extrínsecos. A contração do esfíncter ileocecal e a intensidade do peristaltismo no íleo terminal são também controlados por reflexos do ceco. A resistência da válvula ileocecal ao esvaziamento prolonga a permanência do quimo no íleo. que apresenta ondas peristálticas. Esses movimentos ocorrem em poucos momentos do dia. porém com características semelhantes às do intestino delgado. 11 . apenas 80 a 200 ml sejam perdidos nas fezes. ao armazenamento. se contrai. são encontradas no intestino grosso.o músculo longitudinal do cólon.

Esses sinais parassimpáticos intensificam as ondas peristálticas. são necessários outros efeitos para que ocorra a defecação verdadeira. com a contração reflexa do reto e o relaxamento dos esfíncteres anais. Apesar dos reflexos da defecação. talvez em região mais distante. forçando as fezes em direção ao ânus. o esfíncter interno é relaxado por meio de estímulos inibitórios do plexo mientérico e. Nesse momento. na junção entre o sigmóide e o reto. O surgimento desses movimentos de massa ocorrem após as refeições e é facilitado pelos reflexos gastrocólico e duodenocólico. como respiração profunda. sendo um interno. Defecação Aproximadamente 20 cm antes do ânus. produzindo sinais aferentes que se propagam pelo plexo mientérico provocando ondas peristálticas no cólon descendente. encontra-se um fraco esfíncter funcional. caso o esfíncter externo esteja voluntariamente relaxado. A irritação do cólon também pode provocar movimentos de massa. evaginando as fezes. fechamento da glote. relaxam o esfíncter anal interno e potencializam o reflexo intrínseco de defecação. Essa série de movimentos se repete por cerca de 30 minutos e. estimulado quando as fezes entr no reto e distendem a am parede retal. ocorrerá a defecação. tendo a mente consciente o controle voluntário do esfíncter externo. mediado pelo sistema nervoso entérico. provocando a contração de cerca de 20 cm do cólon distal à constrição anterior.O movimento de massa constitui um tipo modificado de peristaltismo. antes que haja um novo movimento. A maior parte da i tensidade desses reflexos pode estar n relacionada à ação dos nervos extrínsecos do sistema nervos autônomo. e controlado por fibras nervosas do nervo pudendo. sigmóide e reto. Os sinais aferentes que chegam a medula espinhal também exercem outros efeitos. respectivamente. que está sob controle consciente voluntário. responsável pela contenção das fezes a fim de que não se depositem no reto. além da estimulação intensa do sistema nervoso parassimpático. Existem dois esfíncteres anais. definindo as condições exatas para efetuar seu relaxamento ou sua contração. e deve ser fortificado por um reflexo de defecação parassimpático que envolve os segmentos sacrais da medula espinhal. Quando um movimento de massa força as fezes para o reto. resultantes da distensão do estômago e do duodeno. composto de músculo voluntário estriado que circunda o esfíncter int rno. Um deles é o reflexo intrínseco. localizado dentro do ânus e um esfíncter anal externo. contração dos músculos da parede abdominal para forçar o conteúdo fecal do cólon para baixo e ao mesmo tempo fazer com que o assoalho pélvico se estenda para baixo e puxe para fora o anel anal. e 0s ocorre um relaxamento por cerca de 2 a 3 minutos. caso não ocorra defecação nesse período. ocorre o desejo de defecação. A defecação tem início pelos reflexos da defecação. 12 . fazendo com que o material fecal passe em massa pelo cólon. Esse reflexo intrínseco da defecação é fraco. no qual um anel constritivo surge em um ponto distendido ou irritado. Essa contração desenvolve mais força progressiva durante os 3 seguintes. só se repetirá novamente várias horas ou até mesmo 1 dia depois.

para o fígado. Assim. da atividade secretora e da atividade de absorção. baço e pâncreas flui. O fluxo sanguíneo nas diferentes partes do tubo gastrintestinal está diretamente associado à atividade local. para o diafragma e músculos abdominais. pelos nervos espinhais. o fluxo retorna quase ao normal por meio de um mecanismo denominado escape auto-regulador . mas esse estímulo pode ocorrer em qualquer porção do tubo gastrintestinal. aonde passará por milhões de finos sinusóides hepáticos e deixará o fígado pelas veias hepáticas que o drenam para a veia cava da circulação geral. O duodeno promove o estímulo mais forte para o vômito se irritado ou distendido. provavelmente um efeito secundário do aumento da atividade glandular. e são transmitidos pelos aferentes vagais e simpáticos até o centro do vômito no bulbo localizado próximo ao feixe localizado ao nível do núcleo motor dorsal do nervo vago. que são potentes vasodilatadores. sendo então produ zidas reações motoras apropriadas para causar o ato do vômito. o fluxo sanguíneo nas vilosidades e regiões adjacentes da submucosa fica aumentado. Por exemplo. Isso ocorre devido a liberação de substâncias vasodilatadoras pela mucosa do tubo intestinal. o fígado e o pâncreas. algumas glândulas gastrintestinais liberam duas cininas. Por outro lado a estimulação simpática . causando o retorno do fluxo sanguíneo para as glândulas e músculo gastrintestinal. gastrina e secretina. A estimulação dos nervos parassimpáticos para o estômago e cólon inferior aumenta o fluxo sanguíneo local ao mesmo tempo que aumenta a secreção glandular. durante a absorção ativa. composta pelo próprio tubo alimentar mais o baço. distensão ou excitação excessivas do intestino. nono. Vômito O vômito é o meio pelo qual o tubo gastrintestinal superior se livra de seu conteúdo em caso de irritação. Esse processo permite que as células retículoendoteliais presentes nos sinusóides do fígado removam as bactérias e outras partículas provenientes do tubo gastrintestinal. Os impulsos motores são transmitidos do centro do vômito por meio do quinto. produzindo nova dilatação das arteríolas. assim como ocorre nas camadas musculares da parede intestinal durante o aumento da atividade motora do intestino. onde os mecanismos vasodilatadores metabólicos locais produzidos por isquemia tornam-se preponderantes sobre a vasoconstrição simpática. a maioria delas hormônios peptídicos como a colecistocinina. décimo e décimo segundo nervos cranianos para o trecho superior do tubo gastrintestinal e. 13 . há aumento da atividade motora.Fluxo sanguíneo gastrintestinal Os vasos sanguíneos do sistema gastrintestinal fazem parte da circulação esplâncnica. Após alguns minutos. de tal modo que todo o sangue que passe pelo intestino. após uma refeição. Além disso. evitando o acesso de agentes potencialmente prejudiciais ao corpo. através da veia porta. peptídeo intestinal vasoativo. o que eleva o fluxo sanguíneo de 100% a 150% durante 3 a 6 horas. sétimo. exerce efeito direto na produção de intensa vasoconstrição das arteríolas com grande redução do fluxo sanguíneo.

protegendo as paredes do tubo gastrintestinal de sua ação ácida. eletrólitos e várias glicoproteínas. possibilitando que o conteúdo gástrico seja expelido. Além disso. 14 . sendo muito resistente à ação das enzimas digestivas. através do esôfago. causando a compressão do estômago. Age também na compactação das partículas fecais entre si. o muco tem a capacidade de permitir o fácil deslizamento do alimento ao longo do tubo alimentar. glândulas mucosas igualmente distribuídas da boca até o ânus fornecem muco para a lubrificação e proteção do tubo alimentar. até mesmo o tipo de alimento define qual a substância a ser secretada. Então. além de evitar a escoriação ou lesões químicas do epitélio. o ato do vômito resulta da compressão dos músculos do abdome associada à abertura dos esfíncteres esofágicos. em toda sua extensão. impedindo o contato das partículas de alimento com as mucosas. aumentando a pressão intragástrica. por possuir qualidades aderentes que permitem sua fixação ao alimento e outras partículas e se difundir como uma delgada película sobre as superfícies. ocorrem os primeiros efeitos da produção do ato do vômito. em quantidade exatamente igual à necessária para a digestão apropriada. permitindo a expulsão do conteúdo gástrico para cima. Resumindo.Com o estímulo do centro do vômito. Depois acontece o fechamento da glote e a elevação do palato mole para fechar as narinas posteriores. Propriedades lubrificantes e protetoras do muco O muco é uma secreção espessa composta por água. Primeiramente ocorre a respiração profunda. facilitando seu transporte ao longo do tubo gastrintestinal. a elevação do osso hióide e da faringe. É um excelente lubrificante e protetor da parede intestinal. Por fim. Essa consistência lhe confere também baixa resistência para o deslizamento das partículas. Funções secretoras do tubo alimentar As glândulas secretoras do tubo intestinal secretam as enzimas digestivas na maioria das áreas da boca até a extremidade distal do íleo. o esfíncter esofágico inferior relaxa. Dessa forma. A maioria das secreções digestivas é formada em resposta à presença de alimento no tubo s alimentar. formando as massas fecais expelidas na defecação. Apresenta consistência suficiente para recobrir a parede do intestino. surge a contração forte para baixo do diafragma junto com a contração simultânea dos músculos abdominais. e em algumas partes. Conta com quantidades moderadas de bicarbonato. mantendo o esfíncter esofágico superior aberto.

causando a reabsorção passiva dos íons cloreto. O resultado final desse processo de transporte ativo é que. destruindo as bactérias orais. a concentração de sódio na saliva fica muito reduzida. contendo mucina. Durante a salivação máxima. impedindo a ocorrência de processos patológicos desencadeados pela presença de bactérias na boca. e uma secreção mucosa. os íons bicarbonato são secretados pelo epitélio dos dutos para o lúmen do duto. As glândulas salivares são controladas por sinais parassimpáticos provenientes dos núcleos salivares localizados aproximadamente na junção do bulbo com a ponte. Os ácinos produzem a secreção primária contendo ptialina e/ou mucina em uma solução de íons. produzem secreção copiosa da saliva Estímulos táteis. ocorrem dois processos que alteram a composição iônica da saliva. uma enzima para digestão de amidos. A saliva contém dois tipos principais de secreção de proteínas: uma do tipo serosa. junto das partículas alimentares que lhes dão sustentação metabólica. na troca pelo sódio.5 ml/min durante o tempo todo. Isso cria uma negatividade de -70mV nos dutos. A saliva desempenha um papel fundamental na higiene oral. 15 . e a concentração de potássio aumentada. essa secreção flui pelos dutos com tal rapidez que seu recondicionamento nos dutos fica reduzido. presença de objetos lisos na boca. As parótidas secretam exclusivamente o tipo seroso. para atuar na lubrificação. Essas bactérias podem destruir tecidos e causar cárie dentária. Em seguida. em condições de repouso. submandibular e sublingual. também causam salivação acentuada. e o próprio fluxo da saliva ajuda a retirá-las. que contém ptialina. e a concentração de bicarbonato é de 2 a 3 vezes maior do que no plasma. À medida que a secreção primária flui pelos dutos salivares. chegando até mesmo a inibi-la. Assim. A secreção da saliva ocorre em volume de cerca de 0. as concentrações de íons sódio e cloreto na saliva constituem apenas de 1/7 a 1/10 de suas concentrações no plasma. Por fim. Vários estímulos do paladar. enquanto que a con centração de potássio é cerca de sete vezes maior que no plasma. Além disso. baixando a concentração de cloreto juntamente com a redução dos íons sódio. Os ions sódio são reabsorvidos em todos os dutos salivares e os íons potássio são secretados. quando é reduzida significativamente.Composição e efeitos da secreção salivar As principais glândulas salivares são as glândulas parótida. exceto durante o sono. Com isso. enquanto as glândulas submandibular e sublingual s ecretam o tipo seroso e o mucoso e as glândulas orais secretam apenas muco. como a . A secreção de grandes quantidades de saliva provoca a elevação da concentração de cloreto de sódio e a queda da concentração de potássio. como resultado em parte da troca desses íons pelos íons cloreto. e excitados pelo paladar e estímulos táteis da língua e de outras áreas da boca. auxiliam a penetração dos íons tiocianato nas bactérias e digerem partículas de alimentos. além de numerosas pequenas glândulas orais. apresentam quantidades significativas de anticorpos protéicos. a saliva possui íons tiocianato e enzimas proteolíticas que atacam as bactérias. enquanto que objetos ásperos causam menos salivação. sobretudo o sabor ácido. as concentrações iônicas salivares se alteram porque a velocidade de formação da secreção pelos ácinos pode aumentar em até 20 vezes.

A salivação também ocorre em resposta a reflexos originados no estômago e porção superior do intestino. junto com o ácido clorídrico pelas células parietais. A saliva deglutida ajuda a diluir ou neutralizar os fatores irritantes. e tem pH de aproximadamente 0. que são secretados para o canalículo em troca de íons potássio. causando maior salivação. por exemplo. gerando um potencial negativo de -40mV a -70mV. Quando as células produtoras de ácido do estômago são destruídas. Assim. através de estímulos que enviados aos núcleos salivares. e os íons sódio são transportados para fora do lúmen. pepsinogênio. A concentração de íon hidrogênio nesse pH é cerca de 3 milhões de vezes maior que a do sangue arterial. eu secretam muco para a proteção pilórica. e apresenta ainda dois tipos de glândulas tubulares: as glândulas oxínticas. além da acloridria. uma anemia perniciosa devido à ausência da maturação das hemáceas na ausência de estimulação da medula óssea pela vitamina B12. uma concentração menor de cloreto de potássio e uma quantidade muito pequena de cloreto de sódio. e a secreção final que entra no canalículo contem acido clorídrico. e para manter essa concentração de íons hidrogênio são necessárias mais de 1. quando a pessoa tem náuseas ou ingeriu alimento irritante. a pessoa desenvolve. A água passa através da célula até o canalículo por osmose. o que indica sua extrema acidez. produtoras de ácido. o que causa a difusão passiva de íons potássio e também de pequeno numero de íons cálcio. Ácido clorídrico O ácido clorídrico é secretado pelas células parietais. alguns pepsinogênios e a gastrina. A água é dissociada em íons hidrogênio e íons hidroxila.8. fator intrínseco e muco. A maioria dos íons potássio e sódio que se difundiu para o canalículo é reabsorvida e os íons hidrogênio tomam seu lugar. como acontece na gastrite crônica ou em cirurgias de redução de estômago. clo reto de potássio e quantidades menores de cloreto de sódio entram no canalículo. que secretam ácido clorídrico. e as glândulas pilóricas. Secreção de fator intrínseco Fator intrínseco é uma substância essencial para a absorção de vitamina B12 no íle secretada o. produzindo solução concentrada de acido clorídrico. 16 .500 calorias por litro de suco gástrico. quando a pessoa cheira ou come seus alimentos favoritos. enquanto que as glândulas pilóricas localizam-se na porção antral do estômago.Os centros superiores do sistema nervoso central também podem agir na secreção ou inibição da saliva. Composição e efeitos da secreção gástrica A superfície do estômago é revestida totalmente por células produtoras de muco. Os íons sódio são reabsorvidos por uma bomba de sódio. Milhões de glândulas oxínticas ficam localizadas nos 80% proximais do estômago. A formação de ácido clorídrico ocorre quando o íon cloreto é transportado do citoplasma da célula parietal para o lúmen do canalículo intracelular.

que é capaz de hidrolisar a gordura neutra em ácidos graxos e monoglicerídeos. A secreção de pepsinogênio ocorre em resposta a dois tipos de sinais: a estimulação das células pépticas pela acetlcolina liberada pelos nervos vagos ou outros nervos entéricos e a estimulação da secreção péptica em resposta ao ácido no estômago. O suco pancreático contém enzimas que digerem os três ti os principais de alimentos: p proteínas. e grande volume de solução de bicarbonato de sódio é secretado pelos pequenos dútulos e dutos maiores que se originam dos ácinos. chegando até mesmo a ficar completamente inativada em pouco tempo. a tripsina. que cliva os ácidos graxos dos fosfolipídios. com estrutura interna semelhante à das glândulas salivares. que decompõe os peptídeos em aminoácidos. em conjunto com a quimotripsina. mas em meios com pH neutro tem atividade mínima. concluindo a digestão das proteínas. A mais abundante delas. importantes na neutralização do quimo ácido esvaziado pelo estômago. e a procarboxipolipetidase é ativada da mesma forma. As mais importantes enzimas proteolíticas são a tripsina. o glicogênio e a maioria dos outros carboidratos.Secreção e ativação de pepsinogênio Os pepsinogênios realizam essencialmente as mesmas funções. que é uma enzima proteolítica ativa em meio muito ácido. Ela hidrolisa o amido. O produto dessa combinação flui ao longo do extenso duto pancreático que se une ao duto hepático antes de se esvaziar para o duodeno através do esfíncter de Oddi. função exercida pela carboxipoliptidase. mas não liberam aminoácidos individuais. 17 . O suco pancreático é secretado em resposta à presença de quimo nas porções superiores do intestino delgado. atuando na formação da pepsina ativa. Composição e efeitos da secreção pancreática O pâncreas é uma grande glândula composta. formando dissacarídeos e trissacarídeos. o ácido clorídrico é tão importante quanto a pepsina para a digestão da proteína no estômago. O tripsinogênio é ativado pela enteroquinase. além de conter grande quantidade de íons bicarbonato. As principais enzimas para a digestão das gorduras são a lípase pancreática. e suas características são determinadas pelos tipos de alimento presentes no quimo. As enzimas digestivas são secretadas pelos ácinos pancreáticos. que causa hidrólise dos ésteres de colesterol. e a fosfolipase. A amilase pancreática é a enzima digestiva para os carboidratos. enzima secretada pela mucosa intestinal quando o quimo entra em contato com a mucosa. Assim. decompõe proteínas íntegras e parcialmente digeridas em peptídeos de vários tamanhos. a quimotripsina e a carboxipolipeptidase. As enzimas proteolíticas só são ativadas após sua secreção para o tubo intestinal. A tripsina resultante ativa o quimotripsinogênio para formar a quimotripsina . gorduras e carboidratos. a esterase do colesterol.

que desempenha importante papel na digestão e absorção das gorduras. causa insuficiência pancreática permanente. Em primeiro lugar. Sem a presença de sais biliares no tubo intestinal. principalmente a bilirrubina resultante da degradação da hemoglobina. o efeito inibidor da tripsina é superado. fornecido na dieta ou sintetizado nas células hepáticas durante o metabolismo das gorduras. tripsina no interior das células secretoras e nos ácinos e dutos do pâncreas. ativando as secreções pa ncreáticas com grande rapidez. e o exce de colesterol sintetizado sso pelos hepatócitos. Em alguns casos de lesão grave do pâncreas. Como as outras enzimas proteolíticas são ativadas pela tripsina. pois apresenta ácidos biliares que ajudam a emulsificar as grandes partículas de gordura do alimento em numerosas pequenas partículas que podem ser atacadas pelas lípases pancreáticas. Essa é a função detergente dos sais biliares. As mesmas células que secretam as enzimas proteolíticas secretam simultaneamente o inibidor da tripsina que impede a ativação da . fornecendo grande quantidade de álcali no suco pancreático que serve para neutralizar o ácido que passa do estômago para o duodeno. fazendo com que a pessoa desenvolva um déficit metabólico devido a essa perda de nutriente. digerindo o pâncreas em algumas horas. têm ação detergente sobre as partículas de gordura do alimento. Os sais desses ácidos são secretados na bile. 18 . originando a pancreatite aguda. em menor proporção. convertido a seguir em ácido cólico e em ácido quenodesoxicólico em quantidades aproximadamente iguais. pois digeririam o próprio pâncreas. reduzindo a tensão superficial das partículas e permitindo que a agitação no tubo intestinal rompa os glóbulos de gordu a ra tamanhos diminutos. nos casos de não-letalidade. As células hepáticas formam os sais biliares. a concentração de íon bicarbonato pode aumentar em até cinco vezes. com a taurina. colesterol e outros lipídios do tubo intestinal. Quando o pâncreas é estimulado para secretar grande quantidade de suco pancreático. frequentemente letal e. Composição e efeitos da secreção Biliar Uma das várias funções do fígado é secretar a bile.É importante que as enzimas do suco pancreático não sejam ativadas até que secretadas para o intestino. monoglicerídeos. Secreção de íons bicarbonato Os íons bicarbonato são secretados em grande quantidade principalmente pelas células epiteliais dos dutos originados nos ácinos. Esses ácidos combinam-se com a glicina e. Mais importante do que essa função. formando os ácidos biliares glico e tauro-conjugados. A bile serve ainda como meio de excreção do sangue de vários importantes produtos de degradação. a presença de um inibidor dessa proteína impede a ativação das demais. ou quando um duto é bloqueado. até 40% dos lipídios são perdidos nas fezes. Os sais biliares têm duas ações importantes no tubo intestinal. os sais biliares ajudam na absorção dos ácidos graxos. e ajudam no transporte e absorção do produtos finais da s gordura digerida através da membrana da mucosa intestinal. sendo seu precursor o colesterol.

Guanabara Koogan.C.: Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças. 1993 Guyton. Guanabara Koogan.: Tratado de Fisiologia Médica. A.Referências Bibliográficas Guyton. 1997 19 .C. A.

uma vez que um paciente bem nutrido. igualmente com o objetivo de amenizar a acidez do quimo oriundo do estômago. passando pela absorção dos nutrientes e formação do quimo e bolo fecal. e tantos outros mecanismos que pudemos conhecer. através de orientações quanto ao melhor aproveitamento das funções da mastigação. a fim de não permitir o refluxo de ácido gástrico. inclusive paralelamente ao tratamento da patologia do ponto de vista fisioterapêutico.Considerações Finais O estudo da fisiologia do aparelho digestório nos proporcionou um melhor conhecimento de seu funcionamento e de sua fundamental importância para a manutenção da vida. Pudemos assim conhecer mais sobre a vasta rede nervosa que age no tubo gastrintestinal tão grande quanto à da medula -. deglutição. ainda que de forma breve. lesando a parede do esôfago. e do impacto que esse comportamento pode ter sobre suas vidas. 20 . Todo esse processo se da ainda com o auxílio dos componentes químicos. desde sua ingestão até a expulsão do material residual através da defecação. no exercício de nossas profissões. terá um bom prognóstico em seu tratamento. orientar nossos pacientes no sentido de evitar possíveis transtornos gastrintestinais futuros. graças ao detalhado sistema de proteção dos órgãos. tão intrinsecamente ligado de forma a desempenhar seu papel de nutrição do organismo sem permitir a interferência de nenhum dos diversos agentes agressores. quer seja através da contração do esfíncter esofágico. desenvolvendo papel crucial no transporte do alimento. Esse conhecimento nos permitirá. da escolha por uma alimentação saudável. sem patologias decorrentes de má alimentação. como as secreções enzimáticas digestivas e componentes excitatórios ou inibitórios dos diversos esfíncteres e mecanismos presentes ao longo do tubo gastrintestinal. Todos esses componentes nos demonstram a complexidade desse sistema. ou de qualquer outra lesão. quer seja na liberação de íons bicarbonato pelo hidrogênio para agir no duodeno.

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