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RODOVIAS&VIAS 1

2 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 3
4 RODOVIAS&VIAS
editorial Ano 12 - Edição 49 - Janeiro/2011
Distribuição dirigida e a assinantes
Uma publicação da Rodovias Editora e Publicações Ltda.
CNPJ/MF.: 03.228.569/0001-05
Rua Professor João Doetzer, 280
Jardim das Américas - 81540-190 - Curitiba/PR
(41) 3267-0909 - rodoviasevias.com.br
atendimento@rodoviasevias.com.br
Impressão - Posigraf
Tiragem - 30 mil exemplares

A tiragem desta edição de 30.000 exemplares


é comprovada pela BDO Auditores Independentes.

Diretoria Geral
Dagoberto Rupp
dagoberto@rodoviasevias.com.br
RELAÇões de mercado financeiro
João Rodrigo Bilhan Jaqueline Karatchuk
rodrigo@rodoviasevias.com.br jaqueline@rodoviasevias.com.br
ADMINISTRATIVo
Paula Santos Mônica Cardoso
paula@rodoviasevias.com.br monica@rodoviasevias.com.br

Água mole em pedra dura Paulo Roberto Luz


paulo@rodoviasevias.com.br
comercial (DEC)
João Augusto Marassi
joao@rodoviasevias.com.br

Q uando elegemos o tema “Infraestrutura Urbana” João Claudio Rupp


joaoclaudio@rodoviasevias.com.br
para a capa desta edição nossa intenção era alertar Dagoberto Rupp
conselho editorial
João Claudio Rupp
para os problemas eminentes pela falta de investimentos dagoberto@rodoviasevias.com.br joaoclaudio@rodoviasevias.com.br

e planejamento, nas construções das cidades. Não podía- João Rodrigo Bilhan
rodrigo@rodoviasevias.com.br
João Augusto Marassi
joao@rodoviasevias.com.br
mos imaginar a série de desgraças que as chuvas intensas Carlos Marassi
marassi@rodoviasevias.com.br
Fábio Eduardo C. de Abreu
fabio@rodoviasevias.com.br
e muito acima da média trariam para os brasileiros neste Paulo Roberto Luz Edemar Gregorio
paulo@rodoviasevias.com.br edemar@rodoviasevias.com.br
começo de 2011. A principal bandeira da Rodovias&Vias auditoria e controller
sempre foi e será a súplica por um Brasil com mais infraes- Marilene Velasco
mara@rodoviasevias.com.br
trutura. Queremos que o dinheiro público traga benefícios JORNALISTA RESPONSÁVEL - Davi Etelvino (SC 02288 JP)
para as pessoas do local onde a obra foi contratada, muito davi@rodoviasevias.com.br

mais do que para quem contratou. “A gente não quer só revisão - Karina Dias Occaso
karina@rodoviasevias.com.br
dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade.” Projeto gráfico e ilustrações

Nos países ricos, chamados 1º mundo, as ações estão


muito a frente. No Japão os prédios são capazes de resistir studio@verttice3d.com

a tremores de terra que, se ocorressem no Brasil, não res- Carlos Marassi


Central de Jornalismo
Leonilson Carvalho Gomes
taria pedra sobre pedra. A tecnologia européia para moni- marassi@rodoviasevias.com.br
Fernando Beker Ronque
leonilson@rodoviasevias.com.br
Estanis Neto
torar vulcões salva cidades inteiras, enquanto nos Estados fernando@rodoviasevias.com.br estanis@rodoviasevias.com.br

Unidos as crianças são treinadas para quando um tornado Davi Etelvino


davi@rodoviasevias.com.br
Marcelo Ferrari
ferrari@rodoviasevias.com.br
se aproxima. Leandro Dvorak
leandro@rodoviasevias.com.br
Oberti Pimentel
oberti@rodoviasevias.com.br
Em 1967, uma catástrofe semelhante a que atingiu Paulo Negreiros Uirá Lopes Fernandes
negreiros@rodoviasevias.com.br uira@rodoviasevias.com.br
a região de Nova Friburgo pode ter matado mais de 1700 Leonardo Pepi Santos Dagoberto Rupp Filho
pessoas na Serra das Araras (RJ). As encostas se dissolve- leo@rodoviasevias.com.br dagoberto.filho@rodoviasevias.com.br
atendimento e assinaturas
ram num diâmetro de aproximadamente 30 km e a Via Mari Iaciuk Raquel Coutinho Kaseker
Dutra ficou interditada por três meses. O trecho concedido mari@rodoviasevias.com.br raquel@rodoviasevias.com.br
Webdesign
a iniciativa privada da BR-277, na Serra do Mar, no Paraná, Colaboradora
Fernando Beker Ronque
é monitorado 24 horas, chova ou faça sol. A qualquer sinal Caroline Dobignies
logística
fernando@rodoviasevias.com.br

de perigo a pista pode ser interditada para não colocar vi- Juliano Grosco
juliano@rodoviasevias.com.br
das em risco. A comparação é pertinente e aprofundada Juvino Grosco Ricardo Adriano da Silva
nas matérias desta edição. Quando a iniciativa privada par- jgrosco@rodoviasevias.com.br ricardo@rodoviasevias.com.br
Marcelo C. de Almeida Tiago Casagrande Ramos
ticipa do processo há mais planejamento e os exemplos do marcelo@rodoviasevias.com.br tiago@rodoviasevias.com.br

passado são absorvidos. Alexsandro Hekavei


alex@rodoviasevias.com.br
Aélcio Luiz de Oliveira Filho
aelcio.filho@rodoviasevias.com.br
Chuvas mais fortes atingirão nosso País e desgraças Clau Chastalo
Bem-Estar
Maria Telma da C. Lima
iguais ou maiores podem acontecer. Vai depender de clau@rodoviasevias.com.br telma@rodoviasevias.com.br

como os governantes ordenarem o crescimento das urbes. Ana Cristina Karpovicz


cris@rodoviasevias.com.br
Paulo Fausto Rupp
paulofausto@rodoviasevias.com.br
Permitindo ocupações irregulares e construindo estradas Maria C. K. de Oliveira
maria@rodoviasevias.com.br
Janete Ramos da Silva
janete@rodoviasevias.com.br
com pouco ou nenhum planejamento, perto de encostas,
ou investindo em educação, respeito ao meio ambiente e
engenharia de ponta. Nós, da Rodovias&Vias, continuare-
mos acreditando na segunda opção.
FSC
Central de Jornalismo
R
Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Revista, sendo de V
total responsabilidade
ODOVIAS & IAS 5
do autor.
ÍNDICE

Política 16

ferrovias 21

rodovias 24
BR-060

capa 28

Copa do mundo 2014 42

exclusiva 09 aviação 48

Tecnologia 50
Trens

portos 57

Hidrovias 62
64
Transatlânticos

Raimundo Colombo
Mercado 66
Brasil Road Expo

EM TEMPO 14 tecnologia 68
na medida 80
Máquinas e equipamentos 72
artigos 84
imagem do mês 74
86
da Redação 86
Goiás 76

perfil 78
Eliseu Resende

6 RODOVIAS&VIAS
nesta edição:

28 Infraestrutura urbana

57 24

Portos

62

Hidrovias Rodovias

RODOVIAS&VIAS 7
8 RODOVIAS&VIAS
exclusiva

Raimundo
Colombo
Governador de santa catarina

SANTA CATARINA TEM PRESSA

H á 56 anos, nascia um Raimundo na serra catarinense. João Raimundo Colombo, filho de


agricultores, logo começou a defender seus companheiros ao se tornar goleiro do time
da escola. Nas rodas de chimarrão, típicas na cidade de Lages, de onde é natural, sempre ga-
nhou ouvidos atentos às suas ideias desenvolvimentistas. Mas foi em 1998, quando assumiu
uma cadeira na Câmara dos Deputados, que sua voz ecoou mais forte. A partir daí, deslanchou
para uma carreira que culminou nas eleições de 2010, vencida em primeiro turno. Junto com
Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, representa um foco de resistência do Democratas no
poder dos estados. E para que esta valiosa cadeira não seja perdida daqui a quatro anos, Colom-
bo pretende cultivar a confiança dos catarinenses.Nas linhas seguintes, você confere o que o
novo Governador de Santa Catarina pretende fazer para garantir que a logística de transporte
funcione bem e melhore os índices de desenvolvimento do estado.

RODOVIAS&VIAS 9
exclusiva

Rodovias&Vias – A Presiden- até construção de outra via. Vamos


te Dilma Rousseff é do Partido dos analisar a melhor alternativa e apre-
Trabalhadores e o seu partido é o sentar para o Governo Federal. Que-
Democratas, legendas de histórica remos e vamos dar uma solução, o
rivalidade e em certos momentos que não pode é ficar como está. Essa
inimigas. Como será a relação do obra vai facilitar o escoamento da
governo catarinense com o Planal- produção agrícola e industrial, além
to nos próximos anos? de beneficiar a movimentação da
Vou buscar uma relação de res- população e até mesmo o turismo,
peito, harmoniosa e de cooperação que é uma grande fonte econômica
com a Presidenta Dilma Rousseff, da região. Também temos a questão
acima das cores partidárias. O im- dos aeroportos, que estão caóticos,
portante agora são os interesses do e outras rodovias federais.
estado. Ainda no final de janeiro,
Qual sua opi-
nião sobre a parti-
cipação da inicia-
tiva privada nos
“A duplicação da BR-470, que liga Navegantes a i n v e s t i m e n t o s
Campos Novos, é outra necessidade de infraestrutu- para infraestrutu-
ra e transporte?
ra do Estado que não pode ser mais adiada. Será Acho que tudo
um pleito levado imediatamente a Brasília” que vem somar
para a melhoria
de Santa Catari-
na e do seu povo
é bom. Na inicia-
tiva privada tem
vou buscar um encontro com a Pre- pessoas e empresas competentes
sidente para levar os projetos que que auxiliam no nosso crescimento
representam as maiores necessida- e poderíamos nos desenvolver ain-
des do estado. Seremos atentos às da mais se estivéssemos com uma
oportunidades de cooperação com infraestrutura adequada à impor-
o Governo Federal para que man- tância do estado. Com a análise de
tenhamos em patamares bem altos projetos e medidas para melhorar
o nosso desenvolvimento. Vamos a infraestrutura de Santa Catarina,
buscar, acima de tudo, um relacio- analisamos também as parcerias pú-
namento baseado na sinceridade e blico-privadas para agilizar as obras.
transparência.
O litoral de Santa Catarina é a
Além da BR-101, obra tocada região mais povoada e mais desen-
pelo Governo Federal, em quais volvida do estado. Além dos por-
outras questões pontuais Santa tos, é onde estão os principais ae-
Catarina depende de Brasília para roportos (Florianópolis, Navegan-
desenvolver sua logística de trans- tes e Joinville) e a BR-101, que deu
porte? um grande impulso ao litoral norte
A duplicação da BR-470, que liga depois de duplicada. O senhor é na-
Navegantes a Campos Novos, é ou- tural de Lages, na serra catarinen-
tra necessidade de infraestrutura se. Quais as maiores urgências em
do estado que não pode ser mais infraestrutura de transportes para
adiada. Será um pleito levado ime- esta região?
diatamente a Brasília e que já está O trecho da BR-282, que faz a li-
em discussão com o secretariado. Já gação com a |serra catarinense, ne-
existem projetos para a duplicação e cessita da duplicação, assim como a

10 RODOVIAS&VIAS
exclusiva

BR-470, que também corta a região. sete acessos de municípios, sendo


Esse e todos os investimentos em que todos já estão em obras e serão
prioridades, que estamos estudan- concluídos até o final do ano. Che-
do e elencando durante os primei- garemos ao final deste ano como o
ros 120 dias, deve desenvolver todo único estado do país em que todos
o deslocamento pelas rodovias que os municípios possuem acessos pa-
ligam o oeste ao litoral do estado. vimentados. O programa de pavi-
mentação não apenas eleva a auto-
O governo anterior priorizou estima dos cidadãos, mas também
um programa para dotar todos os dinamiza a economia dos municí-
municípios com pelo menos um pios, pois tudo tem um fluxo mais
acesso pavimentado, interligando- veloz. Nossa equipe vai priorizar o
-os à malha rodoviária. Quantos projeto para recuperação e manu-
acessos ainda faltam para que os tenção das rodovias catarinenses,
293 municípios sejam conectados onde serão efetuadas melhorias em
por estradas asfaltadas? Seu gover- todas as estradas que precisam de
no pretende concluir este progra- reparos. Há 4,7 mil km de rodovias
ma? pavimentadas em Santa Catarina e
Esse foi um excelente trabalho toda a extensão será analisada por
que o ex-Governador Luiz Henrique um levantamento. Vamos nos reunir
da Silveira idealizou e implantou com todos os 36 secretários regio-
com muito mérito. Faltam apenas nais e os superintendes regionais

RODOVIAS&VIAS 11
exclusiva

do Departamento de Infraestrutura ação do estado para ver quais são


(Deinfra) para definirmos quais ro- as demandas prioritárias. Daremos
dovias serão prioritárias, levando em uma atenção especial à BR-470, ao
conta critérios como estado de con- trecho sul da BR-101, à duplicação
servação e a importância regional. da Via Expressa (que dá o acesso à
ilha de Santa Catarina), aos acessos
Qual o orçamento do estado às praias do norte e sul da ilha. Te-
para infraestrutura? Em que o go- mos muito a realizar. Parte dessas
verno pretende investir em 2011 e obras está prevista no Orçamento da
quando deve gastar? União, porém com recursos insufi-
O orçamento da Secretaria de cientes. Uma outra parte, nem mes-
Infraestrutura, somando o Deinfra, mo existem recusos previstos.
chega a R$ 400 milhões. O gover-
no vai investir em infraestrutura, Qual é sua opinião sobre a revi-
em obras. Assim como em todas as talização da ponte Hercílio Luz, car-
áreas do governo, também esta- tão-postal dos catarinenses?
mos realizando um raio-x (dentro Nós tivemos uma reunião com
desses primeiros 120 dias) da situ- alguns secretários justamente para
sabermos qual pode ser
a viabilidade da ponte
Hercílio Luz para aten-
der as demandas da
mobilidade urbana em
Florianópolis. Autorizei
o secretariado a estudar
o projeto para termos
um resultado prelimi-
nar com algumas res-
postas desde custo até
retorno.

Ela fará parte nova-


mente do sistema vi-
ário de Florianópolis?
De que maneira?
Esse estudo que o
secretariado está rea-
lizando vai nos dar um
norte sobre a viabilida-
de, mas a ponte Hercí-
lio Luz retornar como
ponto de atendimento
à mobilidade urbana
seria uma medida que
deixaria todos os cata-
rinenses muito felizes.
Algumas propostas de
como ela pode ser uti-
lizada já foram discu-
tidas, como metrô de
superfície, Veículo Leve
sobre Trilho (VLT).

12 RODOVIAS&VIAS
exclusiva

Agora no verão chegam ao lito- sediarão alguns jogos. O que San-


ral de Santa Catarina grandes tran- ta Catarina deve fazer para abo-
satlânticos, de diversas partes do canhar os turistas que vêm para o
mundo. Existe infraestrutura para Mundial?
recebê-los? O governo estadual Santa Catarina é naturalmen-
pretende investir nisso? te um destino turístico procurado
Essa resposta pode vir com mais por todos os tipos de turistas, os de
clareza e firmeza após aquele pra- aventura, os que procuram passear
zo de 120 dias, mas temos de estar com a família, os que querem apro-
atentos a todas as modalidades de veitar as praias ou festas. Tanto o
turismo que beneficiem Santa Ca- estado tem essa vocação que con-
tarina. Essa nossa avaliação de prio- quistamos pela quarta vez conse-
ridades vai dar o destino de onde cutiva o prêmio de Melhor Destino
precisamos mais urgentemente in-
vestir, pois a pior coisa é investir em Turístico do Brasil. Já temos uma
prioridades falsas. imagem muito boa lá fora, cabe a
nós melhorar a infraestrutura para
Florianópolis ficou fora das sub- recepcionar os turistas, com uma
sedes para a Copa de 2014. Por ou- melhoria dos aeroportos, o deslo-
tro lado, está no meio do caminho camento, a segurança.
entre Porto Alegre e Curitiba, que

“Seremos atentos às oportuni-


dades de cooperação com o Governo
Federal para que mantenhamos em pa-
tamares bem altos o nosso desenvolvi-
mento. Vamos buscar, acima de tudo, um
relacionamento baseado na sincerida-
de e transparência.”

Raimundo Colombo

RODOVIAS&VIAS 13
em tempo

Portos do Paraná e a

Foto: Rodovias &Vias


Operação Dallas
Os Portos de Paranaguá e Antonina
tem novo superintendente desde janeiro
de 2011. O engenheiro Airton Vidal Maron,
que é funcionário da Administração dos
Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) há
29 anos assume a entidade em meio a uma
Airton Vidal Maron
investigação conduzida pela Polícia Federal,
a Operação Dallas, colocada em ação após dades da comunidade local. “Em questões
acusações de desvio de cargas e o questio- portuárias, a melhor administração é aquela
namento de contratos de gestões passa- que menos atrapalha, que facilita mais, que
das pela Agência Nacional de Transportes rema para frente”, disse ele. Quanto às pri-
Aquaviários (Antaq). Os planos são de re- sões ocorridas na operação Dallas, a Appa
construir a imagem do Porto de Paranaguá afirma em nota oficial que nenhum dos de-
internacionalmente e atender as necessi- tidos é funcionário da administração atual.

Para as Obras de Arte


Foto:Rodovias&Vias/ Leonardo Pepi

O Departamento Nacional de Infraestru-


tura de Transportes (Dnit) acaba de criar um
novo programa de obras que prevê investir
R$ 6,8 bilhões até 2018. O programa, batiza-
do de Proarte, terá recursos do Orçamento.
Espera-se recuperar 2.500 pontes e viadutos
de rodovias federais. Além de pontes e viadu-
tos, os túneis também são denominados pela
engenharia de Obra de Arte Especial.

14 RODOVIAS&VIAS
em TEMPO

Vice-governador assume Infra na Bahia

Foto: Divulgação
As ações da Secretaria de Infraestrutura
da Bahia darão continuidade ao programa de
recuperação das rodovias estaduais. Segun-
do o novo secretário Otto Alencar, que é vi-
ce-governador do Estado, também ganham
destaque as obras de reestruturação dos ae-
roportos e o projeto de construção da ponte
Salvador – Itaparica.

Otto Alencar

Novas possibilidades
em concessões Novas possibilidades
Modelos diferentes de concessões rodoviá- em concessões II
rias devem surgir no Brasil. O governo prepara
dois novos modelos que incluem a possibilida- Além de modernizar as concessões rodo-
de de concessões de estradas sem pedágios. viárias, os modelos tratam da liberação de re-
Entretanto, parte dos recursos para bancar o cursos por parte do Departamento Nacional
trecho concedido poderá sair do bolso dos de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Os do-
contribuintes, já que a participação financeira cumentos pretendem dar espaço fiscal para o
do Estado na concessão será variável e depen- Dnit investir na recuperação e construção de
derá do segmento rodoviário em questão. O trechos. Dentro desta possibilidade estaria a
uso das Parcerias Público-Privadas (PPPs) pode transferência de estradas federais para a ad-
liberar a administração das estradas de buro- ministração privada ao custo de R$ 200 mil/
cracias inerentes ao setor público e agilizar, por km por ano.
exemplo, compra de equipamentos.

Dnit entrou na guerra


O Dnit disponibilizou máquinas, equipa-
Foto: Rodovias & Vias

mentos, e mão de obra especializada para os


trabalhos de salvamento e desobstrução de
rodovias afetadas pelas chuvas que causaram
a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro.
Uma empresa de grande porte foi contratada
para a retirada de entulhos e desobstrução dos
acessos rodoviários, vias urbanas e vicinais ru-
rais em um trabalho feito em conjunto com o
Departamento de Estradas e Rodagem do Rio
de Janeiro – DER/RJ. As ações acontecem nos
municípios de Teresópolis, Nova Friburgo, Pe-
trópolis, Areal, e São José do Vale do Rio Preto.
Petrópolis, RJ.

RODOVIAS&VIAS 15
política

16 RODOVIAS&VIAS
por falar em público privado...

Foto: Rodovias & Vias/Negreiros


Por falar em
público e privado...
Em tempos em que os brasileiros esperam cada vez mais do poder
público, é o setor privado que oferece oportunidades e fortalece marcas
dentro e fora do país.

RODOVIAS&VIAS 17
política

P osições ideológicas trazem no


mínimo dois prejuízos aos deba-
tes, de qualquer natureza. Em especial,
chamamos eleições. Ainda que seja o
ponto alto da democracia representa-
tiva, o processo eleitoral dá margem
quando o assunto gira em torno da para o agigantamento da hipocrisia.
economia e do futuro de uma nação. Hipocrisia é a arte de melhor dissimular
Primeiro, porque criam uma nuvem convicções em troca de votos. Como
de fumaça tão densa que é capaz de o voto está longe de ser, por parte de
ofuscar algo óbvio. As necessidades da grande parte do eleitorado, o resultado
sociedade em permanente transfor- da reflexão programática de cada le-
mação impõem evolução constante. genda, a dissimulação resulta em ques-
Não se pode aplicar, hoje, conceitos e tão de sobrevivência política.
referências que há tempos deixaram O tamanho da participação da ini-
de prevalecer. Muito provavelmente, o ciativa privada em setores vitais da
liberal de outrora recebe hoje a pecha economia já rendeu debates intermi-
de conservador e vice-versa. O mundo náveis. Em tempos de campanha elei-
gira e a realidade histórica muda ao sa- toral, o tema foi discutido como tabu.
bor deste movimento. Os mais ao centro, com rubor no rosto,
Em segundo lugar, toda e qual- se apegavam à concessão das telefo-
quer ação de Estado é precedida de nias como se não pudessem defender
uma disputa quase irracional, e a ela os gigantescos avanços da mineração,

Onde o privado encontra o público:

Petrobrás
Maior oferta de ações do mundo em 2010 ..................................US$ 70 bilhões

vALE
Maior exportadora do país em 2010 ..............................................US$ 24 bilhões
em vendas externas

EMBRAER
Privatizada em 1994, vende aviões para mais de 50 países

BANCO DO BRASIL
Tem a participação de mais de 11% de capital estrangeiro em sua confi-
guração societária

ELETROBRÁS
É controlada pelo Governo brasileiro mas tem capital aberto

Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)


Privatizada em 1993, emprega 16 mil pessoas

18 RODOVIAS&VIAS
por falar em público privado...

“As parcerias público-privadas terão


papel relevante na montagem dos mo-
delos de financiamento dos programas
sugeridos pela Secretaria.”

Moacir Moreira
Secretário de Assunto Estratégicos da Presidência da República

Foto: Divulgação
do saneamento e fortalecimento do pública, o ex-Governador do Rio de
sistema financeiro, das melhorias nas janeiro, Moreira Franco, deixou ante-
estradas concessionadas e na compre- ver que o governo Dilma Rousseff está
ensão de uma melhor convivência en- longe de antagonizar com a iniciativa
tre os interesses de Estado e dos inves- privada. “As parcerias público-privadas
tidores privados. terão papel relevante na montagem
Aos ditos mais à esquerda, uma dos modelos de financiamento dos
confusão embargou o discurso e a prá- programas sugeridos pela Secretaria”,
tica. Se por um lado encontrava eco a afirmou ele. Para o Ministro, “é preciso
sonoridade teatral de que o mal residia ter inteligência para criarmos estru-
no discurso alheio, por outro deixava turas de financiamento que passem
antever que a relação com o mercado pelas parcerias público-privadas e por
não se alteraria. ferramentas de mercado financeiro e
Fundamental para ampliar a pre- de capitais”, sugerindo uma maior par-
sença do orçamento público, onde ticipação da iniciativa privada nos pro-
apenas as estruturas de governo têm jetos que sua Secretaria vai formular e
dever de atuar, como nas áreas sociais, que devem orientar as ações do Gover-
por exemplo, o desencargo de geren- no Federal.
ciar setores onde a iniciativa privada é Passada a pirotecnia eleitoral, aos
mais eficiente possibilitou alavancar eleitos cabe o salutar gesto de sentar-se
melhorias significativas na vida da po- à mesa e, por menos palatável que seja
pulação brasileira, em especial nas de a presença dos convidados, traçar es-
baixa renda, o que, em última análise, tratégias de convivência. Enquanto os
contribuiu para a ascensão da chama- vencedores voltam a mostrar respeito à
da “nova classe média”. etiqueta, perdida na batalha eleitoral, o
Ao assumir a Secretaria de Assun- Brasil real vai atrás de prioridades.
tos Estratégicos da Presidência da Re-

RODOVIAS&VIAS 19
20 RODOVIAS&VIAS
Em ordem de marcha
Lançamento do edital para licitação dos 14 lotes da Fiol (Ferrovia de
Integração Oeste-Leste), em 16 de dezembro, consolida um passo importante
nos mais de 100 anos do ferroviarismo baiano. Com previsão de entrega total
no final do ano de 2012, a ferrovia proporcionará a interligação do estado,
fomentará indústrias em expansão e proporcionará o resgate da produção de
comunidades que há alguns anos vêm apresentando um declínio sensível em
suas atividades comerciais.
Foto: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes

Ferrovias voltam a ser a aposta do país.


Ó i, ói o trem, vem surgindo de
trás das montanhas azuis, olha o
trem.” É nas palavras de um baiano que
ro Oeste-Leste sairá do papel no estado
da Bahia. A primeira frase da música “O
trem das 7”, do Maluco Beleza, pinta com
moram as rimas mais adequadas para suas letras um quadro familiar a muitos
iniciar esta reportagem sobre o impor- cidadãos, que, por opção ou falta dela,
tante anúncio de que o Caminho de Fer- depositaram nos milhares de cavalos das

RODOVIAS&VIAS 21
Ferrovias

locomotivas suas saudades, esperanças ca para os granéis e imensos volumes


e, por que não, economias. que hoje abarrotam nossas estradas.
Foi no gigantismo e força das lo- É neste ponto que a aguardada
comotivas que, em um primeiro mo- Oeste-Leste transforma-se em exem-
mento, o Brasil se apoiou para inte- plo eloquente desta retomada. Do
riorizar sua soberania, lançando as Tocantins (Figueirópolis) até a Bahia
bases para os ciclos econômicos que (Ilhéus), serão 1,4 mil km e estimados
viriam. A visão romântica das ferro- R$ 6 bilhões apenas no trecho baia-
vias, nostálgica para alguns, obsoleta no, que interligarão os dois estados,
para outros, cobra seu preço em nos- pelo cruzamento com a Norte-Sul,
sa matriz de transportes. Saem as cal- com São Paulo e Pará. A ferrovia atra-
deiras a vapor, entram os cálculos so- vessará 32 municípios, riscando o
bre conciliações de descargas, TKUs e mapa do estado de ponta a ponta.
palavrões como “intermodalidade” e Desenvolvido pela Valec Engenharia
até mesmo “intramodalidade”. Vive- Construções e Ferrovias S.A., o proje-
mos o ressurgimento do modal, com to foi dividido em três etapas. A pri-
fortes investimentos tanto da inicia- meira, com 530 km, fará a ligação de
tiva privada quanto dos governos. A Ilhéus a Caetité; a subsequente, com
“fênix” ressurgiu da fuligem do car- 413 km, levará de Caetité a São Desi-
vão para, com efeito, retomar sua po- dério; e a terceira e última, daí até Fi-
sição de eficiência e alternativa lógi- gueirópolis, perfazendo 547 km.

Os números da ferrovia oeste-leste

22 RODOVIAS&VIAS
em ordem de marcha
Foto: Divulgação

Porto em Ilhéus.
Ao que tudo indica, o dinamismo a licença em mãos e a ordem de servi-
que se pretende não deverá encontrar ço assinada pelo Presidente, podemos
percalços com licenças ambientais: “A colocar as máquinas para funcionar”,
Valec tem atendido todas as exigên- afirmou José Francisco das Neves, Presi-
cias ambientais feitas pelo Ibama. Com dente da Valec.

Fazendo história
Foto: Divulgação

A data da assinatura da ordem de serviço pelo (na época) Presidente Lula e pelo Go-
vernador (agora reeleito) Jaques Wagner, 10 de dezembro de 2010, por si só já é motivo
de grande expectativa, tanto pela contribuição para a competitividade de vários estados
quanto pelos 67 mil empregos diretos e indiretos que gerará. Uma curiosidade levanta-
da pelo Prefeito de Ilhéus, Newton Lima, no entanto, constitui a “cereja do bolo” em uma
história que tem tudo para dar certo: há exatos cem anos, na mesma Ilhéus que serviu de
palco para o evento que reuniu estas autoridades por ocasião da Oeste-Leste, era inaugu-
rada outra ferrovia, que deu grande impulso para a região. Parece uma cena saída do filme
De volta para o futuro, mas é um recado claro dos caminhos de ferro: de volta para o futuro
sim, e de volta para ficar.

RODOVIAS&VIAS 23
Pista interrompida
Uma cratera se abriu no meio da BR-060, entre Brasília e Goiânia. O buraco,
que tem 40 metros de profundidade e 40 metros de extensão, paralisou a
rodovia no final de 2010.
Foto: PUGÁS

A BR-060 teve que ser totalmente interditada.

O trajeto de 200 quilômetros,


entre Brasília e Goiânia, ficou
mais extenso nos últimos dias de 2010.
Causa
O motivo mais provável da presen-
Uma cratera se abriu no km 24 da ro- ça de água sob a base da rodovia é o
dovia BR-060, próximo ao município manejo dos recursos hídricos nas pro-
de Alexânia (GO). O diagnóstico feito ximidades. Nos últimos anos a região
por engenheiros do Departamento Na- recebeu grandes investimentos em
cional de Infraestrutura de Transportes plantações e aviários, que acabaram to-
– DNIT apontam para a presença de mando o espaço da vegetação. Mesmo
olhos d`água, que infiltraram na base com autorização de órgãos ambientais,
da rodovia. O diretor geral do DNIT, isso alterou o perfil hidrológico do lo-
Luiz Antonio Pagot conta que há dez cal. “Acabou resultando no surgimento
anos, quando este trecho foi duplica- de canaletas e nascentes de água em
do, o problema não existia. lugares onde, até então, não existiam”,

24 RODOVIAS&VIAS
Foto: PUGÁS

O diretor geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, esteve no local.

explica Pagot. Ainda de acordo com o acabou testemunhando o desmorona-


diretor geral o desabamento não fez mento. “Ele sinalizou e pediu que outro
vítimas graças a um usuário frequen- motorista alertasse a Policia Rodoviária
te da rodovia. Um caminhoneiro, que Federal.” Um engarrafamento de apro-
passa constantemente pelo local estra- ximadamente 3 quilômetros se formou
nhou o desnivelamento da pista. Parou no local que logo foi desviado para as
para verificar o que havia acontecido e rodovias BR-070 e BR-414.

RODOVIAS&VIAS 25
rODOVIAS

Reconstrução

O buraco, com 10 me-


tros de largura, compro-
meteu uma área de 200
metros. Provisoriamente o
DNIT construiu um desvio
no local do desabamen-
to. Para o sentido Brasília/
Goiânia a caminho tem
150 metros e está pavi-
mentado à esquerda da
pista principal, na altura
do km 24,8. Para o sentido
Goiânia/Brasília o motoris-
ta deve acessar uma pista
alternativa à direita, no km
27, e retornar para a pista
original no km 24.
A reconstrução da ro-
dovia deve durar 180 dias
e custar cerca de R$ 10
milhões. Os desvios estão
liberados para todos os
tipos de veículos, inclusi-
ve para o fluxo de cargas
pesadas, que antes eram
Foto: Rodovias &Vias/Negreiors

desviados para as rodo-


vias BR-070 e BR-414, um
trajeto 28 quilômetros
mais longo. Outra alterna-
tiva era utilizar a BR-040,
54 quilômetros a mais no
percurso Brasília/Goiânia.
Pista destruída.

GOIÂNIA BRASÍLIA

26 RODOVIAS&VIAS
infraestrutura urbana

Os transtornos

Foto: Rodovias &Vias/Negreiors


Na tarde do dia 28 de dezembro,
quando a pista veio abaixo, uma equipe
da Rodovias&Vias foi deslocada para o lo-
cal e acompanhou os desdobramentos.
O caminhoneiro William Okoinski,
que transportava uma carga de imple-
mentos agrícolas, preferiu aguardar a
liberação da pista provisória. O receio
de encalhar o veículo longo no desvio,
além do transtorno com guincho, o im-
pediu de seguir viagem. Ele conta que
partiu de Formosa (GO) tendo Rio Ver-
de (GO) como destino. Havia percorrido
160 km e faltavam ainda mais 350.
Trabalhadores de uma fábrica de
bebidas também sofreram nos dois pri-
meiros dias, antes da passagem provi-
sória ser liberada. O ônibus que os leva
até o local de trabalho estava impedido
de passar. Eles precisavam descer e ca-
minhar por 1 km até encontrar com ou-
tro veículo para seguir até a fábrica.
William Okoinski não conseguiu seguir viajem

Histórico
O DNIT reforça que a BR-060 existe to concluído, que chega a Anápolis, foi
há 50 anos e o trecho onde ocorreu o in- inaugurado em 2007. Estima-se que a
cidente foi duplicado e liberado para o rota Brasília/Goiânia tenha um Volume
tráfego há dez anos. O último segmen- Diário Médio de 60 mil veículos.
Foto: Pugás

Obras para o desvio da BR.

RODOVIAS&VIAS 27
INFRAESTRUTURA
URBANA
Difícil precisar quando a chuva que começa lá fora vai apenas irrigar os mananciais
ou dizimar cidades. Difícil imaginar que, em alguns meses, a seca que esturricará os
solos antes férteis vai impor seu preço na vida de todos nós.

T ragédias como a que o Brasil vive ajudam


o país a refletir sobre nosso modo de vida.
Fácil imaginar que os grandes aglomerados ur-
sados, milhares ou milhões de pessoas convivem
(mais ou menos) harmonicamente e permitem que
lhes sejam dadas as condições básicas do bem viver.
banos precisam ser repensados. Mas a questão é Imagine como diminuem os custos de levar avanços
complexa e exigirá mais do que retórica. O Brasil sociais para populações concentradas. Se disper-
precisa trabalhar sua relação com o conceito de sássemos os milhões de habitantes em toda nossa
urbes. Se já havia algum consenso em torno disto, continental geografia, seria impossível levar infra-
o desabar de cidades no início de janeiro só veio estrutura básica à maioria. Daí que o conceito de
corroborar com a premência da discussão. As cida- aglomerados urbanos é uma maneira racional que
des são avanços civilizatórios. Em espaços conden- a sociedade moderna encontrou para viver melhor.

28 RODOVIAS&VIAS
Foto: Rodovias&Vias/Leonardo Pepi
falta planejamento

Os resultados da concentração
populacional vão desde os inter-
mináveis congestionamentos nas
grandes cidades até soterramentos
de vidas e sonhos, como nos estados
atingidos pelas chuvas deste verão.
Políticas de ocupação racional do
solo foram relegadas aos acadêmi-
cos e seus relatórios não foram sufi-
cientes para frear os interesses políti-
cos imediatistas.
Para o ex-Ministro e atual Se-
cretário de Meio Ambiente do es-
tado do Rio de Janeiro, Carlos Minc,
“trata-se da combinação de uma
catástrofe natural com uma irres-
ponsabilidade absoluta. Prefeituras
anteriores estimularam a ocupação
de encostas”, diz, referindo-se à tra-
gédia que se abateu sobre a Região
Serrana do Rio. Ele aponta a necessi-
dade de revermos a maneira como
nos relacionamos com a natureza
como fator determinante para evi-
tarmos novas tragédias. “Temos que
fazer mais parques, temos que cui-
dar dos rios, proporcionar habitação
para a população, e precisamos de
apoio dos governos estaduais e mu-
nicipais”, afirma Minc.
Para desatar o nó cada vez mais
apertado da vida em comunidade,
chega a soar óbvio a necessidade
de união entre as diversas esferas
de poder. Afinal, para quem preten-
de chegar de um ponto a outro com
conforto, rapidez e segurança, pou-
co importa se a obra do metrô que o
levará contou com recursos deste ou
daquele governo.
Segundo estudo divulgado no
Construbusiness 2010 – evento re-
alizado na sede da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp) –, serão necessários recursos
da ordem de R$ 2 trilhões, até 2022,
em setores estratégicos de transpor-
te, energia, comunicação e sanea-
mento (veja quadro).

RODOVIAS&VIAS 29
capa

Fonte: Estudo Brasil 2022: planejar, construir, crescer – Fiesp

Manuel Rossito, Diretor-Titular-Ad- Nuvens carregadas


junto do Departamento da Indústria da
Construção (Deconcic) da Fiesp, reforça
outros aspectos fundamentais para que
as coisas aconteçam: o cumprimento de Fato é que estamos cada vez mais a
contratos e o fim da insegurança jurídica. mercê dos humores climáticos. E cada
Para habitação, a Fiesp aponta inves- vez mais dependentes de uma adequa-
timentos necessários de R$ 3 trilhões nos da maneira de conviver com ações da
próximos 12 anos. Para a Federação, tais natureza – que sempre existiram – ca-
recursos seriam capazes de zerar a exis- pazes de colocar em cheque nossa ca-
tência de moradias inadequadas e reduzir pacidade de sobreviver em nossos terri-
o déficit habitacional a 1,5%. tórios comuns: as cidades.

30 RODOVIAS&VIAS
infraestrutura urbana

HABITAÇÃO
Quando é melhor
fugir de casa
De quando em quando, o Brasil assiste atônito a sucessivas
declarações de estado de alerta e inúmeros decretos de calamidade
pública coalhados por todo seu território, por conta de inundações e
deslizamentos.

S e um punhado de meses atrás Santa


Catarina e o Sul em geral sofreram
com enchentes atrozes que ainda hoje es-
tão na memória e nas marcas das paredes
de algumas casas, o início de 2011 deixará
registrado na retina de todos o drama de
um Sudeste, em especial de um Rio de Ja-
neiro, submerso e enterrado em lama pú-
trida. A pergunta que ronda todos e que re-
verbera no silêncio das áreas de risco aban-
donadas às pressas é simples e há anos per-
manece sem resposta: por quê?
A simplicidade da pergunta esconde a
complexidade implícita em sua resposta.
Resumindo em conceitos gerais, podemos
elencar (sem eleger prioridades, apenas
assim, citados aleatoriamente): descaso,
irresponsabilidade, fatores históricos, polí-
ticas eleitoreiras, desrespeito ao meio am-
biente, falta de recursos, corrupção e, quem
sabe, todos os sete pecados capitais juntos.
O caldo sujo, da cor da água que engoliu
os carros e engolfou vidas, proporcionado
por todas estas palavras que compõem
uma equação perversa obriga, todos os
anos, brasileiros em algum ponto do mapa
a abandonar, em primeiro lugar, um direito
constitucional, um objetivo de vida e um
sonho. Lógico, quem pôde abandoná-los
teve sorte. Mais sorte do que os que não
tiveram tempo para sair. Em determinadas
épocas neste país, a melhor coisa a se fazer
é fugir de casa.
Janeiro deste ano marca o que pode fa-
cilmente se tornar a pior tragédia climática
Foto: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes

na história do Brasil. Para dar só um exem-


plo, estima-se que a reconstrução de Tere-
sópolis ficará em R$ 500 milhões, segundo
levantamentos da Prefeitura. A construção
de novas moradias será um desafio por si
só, pois não há áreas livres disponíveis no
município. Rodovias&Vias esteve lá e tam-
bém rodou (“rodar” aqui é uma figura de
linguagem, pois algumas passagens con-
verteram-se em perigosíssimas trilhas de Casa destruida pelas chuvas, RJ .

RODOVIAS&VIAS 31
capa

off road) pelas localidades de Areal, Vale possibilitou a triagem, o armazenamento


do Cuiabá, Caleme, Posse. A mais atingi- e controle dos grandes volumes de doa-
da que visitamos – também na outrora ções que chegavam e eram carregados
exuberante Teresópolis, “casa” da Seleção nas viaturas e carretas. Tal como ali, a PRF
Brasileira, que faz seus ensaios técnicos do Rio disponibilizou outros 27 pontos
tendo como pano de fundo o Dedo de onde era possível entregar víveres, rou-
Deus – foi Campo Grande. Desnecessário pas e calçados. À frente da coordenação
descrever as cenas terríveis de destruição, deste esforo, o Superintendente da PRF,
às quais provavelmente o atento leitor da Antônio Vital, nos colocou a par do início
Rodovias&Vias assistiu em seu televisor. das operações: “Em muitas localidades,
Longe do sensacionalismo e dos lugares fomos os primeiros a chegar, até pela
comuns, nossa equipe acompanhou o es- proximidade dos postos que temos. Co-
forço que é levado porta a porta, no afã de legas nossos que moram nas regiões de
satisfazer necessidades imediatas (entre Petrópolis e Teresópolis deram o alerta,
elas, matar a sede e a fome). A Polícia Ro- que foi repassado tanto para a Defesa Ci-
doviária Federal do Rio de Janeiro (PRF), vil quanto para o Corpo de Bombeiros, no
junto com outras entidades e órgãos, que desenrolou-se uma ação integrada
como Bombeiros, Força Nacional, Defesa entre estas forças. Muitos do nosso efe-
Civil e demais voluntários, está chegando tivo que estavam de folga ou em férias,
aonde ninguém quer estar. se apresentaram de livre e espontânea
vontade para contribuir nas atividades.
O gabinete de crise, instalado em Brasília
Forças: a história de um sob o comando do Diretor-Geral Hélio
Derenne Cardoso, nos deu e está dan-
compromisso do todo o anteparo e aparato (inclusive
reforços) de que precisamos para fazer
Foi em uma manhã cinzenta que, presente o Estado onde há isolamento”,
em meio ao incessante ir e vir de carros diz Vital. Uma faceta triste nesta “corrente
de populares abarrotados de donativos, do bem” coordenada pela PRF também
chegamos ao pátio da sede da Polícia é ressaltada pelo Superintendente da
Rodoviária Federal no Rio de Janeiro. PRF: “Infelizmente, há uma certa demo-
Transformada em uma verdadeira cen- ra em fazer chegar as doações, por conta
tral de logística e distribuição, a estrutura de ações criminosas, saques e tentativas

Muitos do nosso efetivo que esta-


vam de folga ou em férias, se apresentaram
de livre e espontânea vontade para con-
tribuir nas atividades.
Antônio Vital
Superintendente da PRF
Foto: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes

32 RODOVIAS&VIAS
infraestrutura urbana

Foto: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes


Polícia Rodoviária Federal trabalha no auxílio às vítimas .

de desvio que nos forçam a formar com- riozinho teve sua área de proteção perma-
boios escoltados. As concessionárias de nente invadida, como pudemos verificar
rodovias têm colaborado no sentido de em Itaipava. A resolução do Conselho Na-
liberar estes comboios para dar maior ce- cional de Meio Ambiente – CONAMA, que
leridade e segurança à entrega dos dona- trata das Áreas de Proteção Permanente,
tivos, porém, mesmo assim, é uma ação estabelece um espaço intocável de 30
paralela que nos toma tempo.” Ele con- metros para cada lado em rios de até 10
clui comentando a orientação dada aos metros de largura. Para cursos d’água com
inspetores, já consensualmente inserida mais de 10 metros (até 50 metros) vale
na forma como eles procedem: “É neces- uma área maior, 50 metros para cada lado.
sário ouvir mais do que falar. É necessário Chamou a atenção o literal “divisor de
agir com paciência e tolerância. Tato é águas” em que uma pista de asfalto que
fundamental neste momento em que os dava acesso às casas da região do Areial se
nervos estão à flor da pele e todos estão tornou. Margeando o rio, seguindo para
fragilizados. Estejam sempre conscientes o “ponto final”, à esqueda dela, os danos
de que somos o único respaldo de quem eram assombrosos, porém à direita, a im-
já não tem mais nada”, frisou o Superin- pressão que se tinha era de que um buei-
tendente durante a preleção para o início ro havia sido entupido. Ora... Como pode
das operações. uma estrada construída há tanto tempo,
ter praticamente delimitado o perímetro
de uma catástrofe? Vidência ou planeja-
Miopia, limitrofia e mento? Melhor perguntar ao competente
melancolia engenheiro que a construiu, pois não fos-
se ela, tudo seria muito pior. Por falar em
Difícil apontar o dedo para os culpa- planejamento, uma das causas apontadas
dos enquanto as mãos limpam o suor da para o alto grau de letalidade por milíme-
testa. O devaneio de morar às margens tro das chuvas que cairam na região Ser-
de um belo riacho que se tornou em pe- rana do Rio em relação a outras regiões do
sadelo, talvez? O fato é que o comportado mundo com maior índice pluviométrico, e

RODOVIAS&VIAS 33
capa

até mesmo mais pobres, além da


topografia, é justamente a ausên-
cia dele. O Brasil não tem inteligên-
cia neste sentido e nem cultura de
planejar. Sequer há centros comu-
nitários que tenham algum tipo de
treinamento ou atividades deste
tipo. A desorganização que per-
meia a ilegalidade das ocupações
também passa pelos alvarás for-
jados e ligações elétricas que “au-
tenticam” o atestado de óbito em
que um documento de posse de
terra pode se tornar. O arquiteto e
urbanista Jaime Lerner é pragmá-
tico quando diz: “O cerne da ques-
tão são as áreas de risco, muito
mais do que o padrão construtivo
adotado. Muitos políticos promo-
veram invasões nestas áreas”.

Reconstruir sem
reincidir
Saem a lama, os rodos e os
baldes, entram as betoneiras e
as colheres de pedreiro. É preci-
so refazer os caminhos, edificar
novos muros, paredes, cômo-
dos, mas em outro lugar. Parece
estupidez, mas muitas das casas
completamente destruídas pela
enxurrada e pelas monolíticas
pedras que rolaram ribanceira
abaixo serão reconstruídas exa-
tamente no mesmo lugar, e até
reaproveitando as fundações
anteriores. De quem é a maior ir-
responsabilidade, dos que cons-
troem novamente ou dos que
deixam construir? A falta de po-
líticas de reassentamento é uma
das nevralgias que resultaram na
ferida aberta diante dos olhos da
população brasileira. Exemplo de
“como fazer” é o que foi realizado
pela Companhia de Desenvolvi-
mento Habitacional e Urbano de
São Paulo, a CDHU, que realocou
famílias que ocupavam irregular-
Foto: Rodovias&Vias/Estanis Neto

mente a Serra do Mar. O progra-


ma deu tão certo que fez com
que os mortos pelas chuvas no
estado não contribuíssem tanto
para engordar ainda mais as mór-
bidas estatísticas que compilam
Construções em aéra irregular são as mais atingidas . as fatalidades do Sudeste.

34 RODOVIAS&VIAS
infraestrutura urbana

SDFSDGSFDGFD

sANEAMENTO

Um atraso de
R$ 180 bilhões
Universalizar o saneamento básico é um desafio de R$
180 bilhões para o Brasil. Este é o tamanho do problema,
em termos financeiros, se o Governo Federal quiser resolver
o saneamento nacional e fazer chegar os serviços de água
e esgoto a todos os brasileiros.
Foto: Rodovias&Vias/Leonardo Pepi

RODOVIAS&VIAS 35
capa

O ritmo dos investimentos é ou-


tro ponto que deixa a desejar.
Os custos para a saúde pública e o
casas atendidas pelo serviço, mas um
déficit de 8,9 para 9,1 milhões de re-
sidências sem a mesma sorte – acrés-
meio ambiente são proporcionais à cimo de 2,25%. Estes lados negativos
falta de recursos aplicados em sane- da conta são claros reflexos de cresci-
amento.Quantas pessoas ficam do- mento populacional associado ao in-
entes por ano por falta de saneamen- chamento desordenado das cidades.
to e têm contato com esgotos a céu Atualmente, são 537 obras de sa-
aberto, lixo e resíduos expostos em neamento existentes no Brasil. Des-
locais de moradia precária? Quantas tas, algumas em andamento, outras
enchentes poderiam ser evitadas com paradas, outras apenas em fase de
uma drenagem e gestão avançada projeto. Para serem concluídas, faltam
dos resíduos nos grandes centros ur- quase R$ 28 bilhões, e somente para
banos? as 82 obras de saneamento do Plano
Dados de diferentes fontes de in- de Aceleração do Crescimento (PAC)
formações (como o Instituto Brasilei- são necessários R$ 6,5 bilhões. A mo-
ro de Geografia e Estatística – IBGE, o rosidade parece se explicar na origem
Instituto Trata Brasil ou a Unicef ) mos- dos recursos para tantas obras: o setor
tram que, se de um lado mais residên- público.Enroscado pela burocracia e
cias brasileiras foram ligadas à rede um emaranhado interminável de lici-
coletora de esgoto (de 45% para 53% tações, embargos, alterações em leis,
nos últimos dez anos), de outro o nú- decretos, revisões de orçamento, não
mero total de domicílios sem acesso há ritmo que tome velocidade.
ao serviço cresceu no mesmo período
em 8,6%.
O mesmo no caso do abasteci-
mento de água. De 81% para 85% das

36 RODOVIAS&VIAS
infraestrutura urbana

Novo marco
Foto: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes

Muito noticiado desde


sua aprovação, o novo mar-
co regulatório para o setor
(não tão novo se lembrar-
mos que é de 2007) e apeli-
dado de Lei do Saneamento
– Lei 11.445/2007 – mostra-
-se uma lei moderna, inclusi-
ve estipulando prazos para o
cumprimento de metas em
diferentes esferas de gover-
no da federação.
Mas, como toda lei, da
teoria para a realidade tudo
muda. Em 2010, expirou o
prazo, por exemplo, para
os municípios brasileiros
apresentarem seus Planos
Municipais de Saneamento,
devidamente aprovados pe-
las suas casas legislativas. No
entanto, menos de 5% das
municipalidades brasileiras
fizeram esta lição de casa.
A participação dos esta-
dos e municípios na solução
dos problemas de sanea-
mento é fundamental para
um problema que derrama,
todos os dias, 5,5 bilhões de
litros de esgoto não tratado
no solo e em mananciais e
traz problemas de saúde a
milhões de brasileiros. Sa-
near não se resume apenas
a tratar esgoto e levar água
para abastecer residências.
É também cuidar do manejo
dos resíduos e da drenagem
urbana e rural

todos os dias 5,5 bilhões de litros de esgoto não


tratado SÃO DERRAMADOS no solo e em mananciais e
traz problemas de saúde a milhões de brasileiros

RODOVIAS&VIAS 37
capa

TRANSPORTES

Lugar de carro
é na garagem
A ascensão do mercado automobilístico abarrotou as vias públicas das
grandes metrópoles. Enquanto o principal sonho de consumo humano for um
veículo automotivo, os congestionamentos serão cada vez mais extensos e
comuns nas grandes cidades.
Foto: Rodovias&Vias/ Oberti Pimentel

Ponte que liga Vitória a Vila Velha (ES).

O impressionante crescimento da
frota de veículos particulares, espe-
cialmente no Brasil, é uma questão quase
maior responsável por haver tantos au-
tomóveis circulando ao mesmo tempo: o
desejo humano, a vontade de ter um carro
filosófica. O aumento das vendas em de- próprio, que passa mais perto da vaida-
corrência do acrescimento na renda média de do que da necessidade. O status social
do brasileiro, além da expansão do crédito, que um carro proporciona ao seu dono é
somado às vantagens tributárias, são fato- decisivo na hora de elegê-lo prioridade nú-
res que influenciam diretamente esse fe- mero-um. Na lista de desejos da sociedade
nômeno. Por outro lado, há um elemento capitalista, o automóvel vem sempre em
que não se pode quantificar, mas que é o primeiro lugar.

38 RODOVIAS&VIAS
infraestrutura urbana

Números que tísticas confirmam cientificamente o que


já sabemos: o ônibus implica nos meno-
convencem res consumos e impactos entre as tecno-
logias analisadas.
Dados do Departamento Nacional
de Trânsito (Denatran) revelam que em
10 anos – entre 1999 e 2009 – a frota de Prioridade para o
veículos particulares saltou de 27,1 mi-
lhões para 58,8 milhões, ou seja, mais
transporte coletivo
que dobrou.
A Associação Nacional de Transpor- Para o arquiteto e urbanista Jaime
tes Públicos (ANTP) desenvolve, em par- Lerner, um dos nomes mais respeita-
ceria com o BNDES, o Sistema de Infor- dos no assunto, o carro é o vilão das
mação da Mobilidade Urbana. Trata-se cidades. Ele lembra que, quando foi
de um banco de dados para administra- prefeito de Curitiba pela primeira vez,
ção pública do transporte e trânsito de em 1972, a principal rua da cidade
municípios com população superior a 60 (XV de Novembro) foi fechada para o
mil habitantes. Em um relatório publica- trânsito de automóveis. No lugar, foi
do em março do ano passado, foram le- construído um imenso calçadão, hoje
vantados os diferentes custos nos deslo- um dos pontos mais tradicionais da
camentos por automóvel, ônibus e mo- cidade. “Em um momento em que se
tocicleta. Levou-se em conta o consumo investia em grandes obras viárias, nós
de espaço, tempo e energia despendido fechamos uma das ruas principais. Es-
por cada veículo. Constatou-se que o távamos preparando a cidade para o
automóvel é a tecnologia que consome transporte público, com poucas inter-
mais energia por passageiro transporta- venções.”
do. A motocicleta implica em consumos O atual sistema de transporte co-
de espaço viário e de energia (por pas- letivo de Curitiba é referência e copia-
sageiro transportado) muito maiores do do por nada menos que 83 cidades do
que o ônibus. Além disso, as motos im- mundo todo. Quando começou a ope-
plicam em valores extremamente mais rar, em 1974, atendia 25 mil passagei-
elevados quando se trata de emissão de ros por dia. Hoje, é responsável por 2
poluentes e custo de acidentes. As esta- milhões e 300 mil usuários. “Não adianta

RODOVIAS&VIAS 39
capa

“Não adianta alargar ruas e atrair em


consequência mais carros. Nós deixamos
de pensar no automóvel. Tínhamos uma
visão de crescimento que não era vincu-
lada ao centro”
Jaime Lerner
Arquiteto e Urbanista
Foto: Rodovias&Vias/ Leandro Dvorak

alargar ruas e, por consequência, atrair municipal tentam minimizar o prejuízo


mais carros. Nós deixamos de pensar no com ações criativas. “Não podemos con-
automóvel. Tínhamos uma visão de cres- tinuar investindo bilhões em sistemas
cimento que não era vinculada ao centro. sobre trilhos de alta capacidade e nada
Curitiba não cresceria em torno de seu fazer para eliminar os deslocamentos
centro, e sim linearmente, tangenciando desnecessários. Não é simplesmente fa-
a região central. Muitos translados distan- zer mais e mais linhas de metrô e trem
tes entre si nunca foram uma boa alterna- para resolvermos os problemas. Precisa-
tiva para as cidades.” mos pensar de uma forma universal”, diz
Jurandir Fernandes, novo Secretário de
Transportes Metropolitanos do Estado
São Paulo vanguardista de São Paulo. “Vamos dar continuidade
a tudo o que for econômico e racional,
Se, por um lado, a maior cidade do mas com coragem de inovar, para que
país sofre com erros de planejamento possamos servir aos milhões de brasilei-
de décadas – e até séculos – atrás, por ros radicados em São Paulo que depen-
outro, tanto o governo estadual como o dem do transporte público.”
Foto: Rodovias&Vias/ Leonilson Gomes

40 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 41
Copa do mundo 2014

O mais
importante
A preocupação com os estádios para a Copa de 2014 atrai a atenção
da imprensa e de todos os que se interessam por futebol. Porém, do lado
de fora das arquibancadas, há toda uma infraestrutura a ser melhorada
e uma logística a ser colocada em prática.

Q uando pensamos nas obras ne-


cessárias para o Brasil sediar a
próxima Copa do Mundo logo nos vem
O ápice do futebol, o grande mo-
mento, é quando a bola passa pelo
goleiro, cruza a linha e balança a rede.
a mente imagens de reformas e cons- Junto com o gol vem a explosão pas-
truções de grandes estádios, afinal, são sional da torcida, que faz tremer a ar-
eles que receberão o grande espetá- quibancada e pode ser ouvida a distân-
culo. Por outro lado, esquecemos de cia. Mas será que o drible que antecede
que para jogadores, imprensa e torcida o gol, o cruzamento perfeito, ou até
chegarem até ali tiveram que utilizar mesmo o zagueiro que tirou a bola em
toda uma logística da cidade que está cima da linha na outra meta do campo
sediando a partida. e garantiu o contra-ataque que possi-

42 RODOVIAS&VIAS
Sucesso da copa

bilitou que sua equipe marcasse,


são menos importantes?
O principal evento esportivo
é a Copa do Mundo e somos hon-
rados em sediá-la daqui há três
anos. As obras estão progredindo.
Ótimo, mas que obras são essas?
A modernização e ampliação dos
estádios, melhoria dos gramados e
um notável aumento dos estacio-
namentos. O que falta nessa lista?
Ora, simplesmente a infraestrutura
das cidades-sedes, a rede hoteleira,
o trânsito. Sem falar das principais
portas de chegada dos visitantes,
os aeroportos.
Neste começo de 2011 presen-
ciamos imensos atrasos, conges-
tionamento de aeronaves e vários
outros problemas nesta área. O
medo de falharmos nesse quesi-
to assusta, já que evitar o caos no
transporte aéreo é fundamental
para garantir o sucesso da Copa do
Mundo. Gigante pela própria natu-
reza, o Brasil é o quinto maior país
do mundo, e a distância entre as
cidades pode agravar a lista de pro-
blemas.

Exemplos
Os Estados Unidos, potência
mundial que sediou a Copa em
1994, quando o Brasil foi tetra-
campeão, tem um território e uma
distribuição de sedes parecida
com a nossa. O incrível sistema
de transporte aéreo, que facilitou
o deslocamento de torcedores,
jornalistas e seleções, garantiu o
sucesso logístico do evento, en-
quanto Bebeto, Romário e compa-
nhia, garantiram o sucesso verde e
amarelo dentro dos gramados.
Os estádios dos Estados Unidos
têm tradição em receber grandes
Foto: Rodovias&Vias

públicos durante os campeonatos


de futebol americano e beisebol,
e os investimentos feitos para a
Copa estão sendo aproveitados
até hoje.
Terminal de passageiros em Congonhas.

RODOVIAS&VIAS 43
AGENDE-SE: Agosto|2011
Reserve já seu lugar,
e de sua contribuição para
o desenvolvimento do setor.
Valer Centro de Excelência em Logís�ca - CEL

O intercâmbio de conhecimento entre as Ferrovias Brasileiras,


promovido pelo ENCONTRO DE FERROVIAS, já se tornou um evento obrigatório.

O III ENCONTRO DE FERROVIAS será realizado em Vitória - ES, na Valer, com apoio do Centro de
Excelência em Logís�ca - CEL, localizado na sede da Vale.
Os anfitriões – América La�na Logís�ca (ALL), Ferrovia Centro-Atlân�ca (FCA), Ferrovia Norte-Sul
(FNS), Ferrovia Tereza Cris�na (FTC), MRS Logís�ca, Transnordes�na (TLSA) e Vale – com o apoio da
Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), receberão cerca de 500 empresários
e especialistas do setor, para trocar experiências nas áreas de logís�ca, automação, novas tecnolo-
gias e SUSTENTABILIDADE.

Pelo 3° ano consecu�vo, trabalhos técnicos e cien�ficos desenvolvidos nas empresas, na indústria
ferroviária e no meio acadêmico serão apresentados aos profissionais do setor.
Os trabalhos apresentados, selecionados por um comitê técnico, composto por representantes das
Ferrovias organizadoras do evento, contribuem de maneira ímpar para o desenvolvimento do setor.

O Intercâmbio que contribui para o desenvolvimento das Ferrovias do País.

Realização: Apoio: Organização:

44 RODOVIAS&VIAS
Sucesso da copa

Foto: Divulgação
O Peter Mokaba (Polokwane), com capacidade
para 42 mil espectadores, tem um custo de
manutenção de US$ 2 milhões/ano.

Os preparativos para a última o futuro. As arenas de Polokwane e


Copa, na África do Sul, tiveram os Nelspruit, que receberem apenas jo-
olhos desconfiados do mundo todo. gos da primeira fase da Copa, são os
Greves de operários da construção maiores problemas e já estão “às mos-
civil e estádios sendo terminados às cas”. O Peter Mokaba (Polokwane),
vésperas do torneio, colocou em che- com capacidade para 42 mil especta-
que a organização do evento. Mesmo dores, tem um custo de manutenção
com problemas de transporte e mobi- de US$ 2 milhões/ano.
lidade o campeonato aconteceu. Ago- No Brasil temos os campeonatos
ra, o que ficou são arenas gigantescas estaduais na primeira metade do ano
esperando os próximos eventos. “Um e o Brasileirão na segunda, e é prová-
ou dois estádios podem ter dificulda- vel que os investimentos nos estádios
de de serem sustentáveis”, admitiu não sejam perdidos. Mas, para a Copa
Danny Jordaan, diretor-executivo da do Mundo, o jogo bonito não pode ser
organização do torneio. Foram 10 es- apresentado somente dentro das qua-
tádios preparados para Copa da Áfri- tro linhas, e sim também fora delas.
ca, mas poucos têm demanda para Corremos contra o tempo.

RODOVIAS&VIAS 45
Copa do mundo 2014

Grandes estádios não significam necessariamente grande infraestrutura


urbana, mas, historicamente, os maiores estádios das últimas Copas
estão em cidades bem organizadas.

Copa do Mundo de 2002


Coréia do Sul e Japão

MAIOR ESTÁDIO
NISSAN STADIUM
(Estádio Internacional)
Local: Yokohama, Japão
Capacidade: 70 mil
Curiosidade: A cidade tem o maior porto
e o edifício mais alto do Japão.

MENOR ESTÁDIO
Daejeon World Stadium
(Purple Arena)
Local: Daejeon, Coréia do Sul
Capacidade: 40.400
Curiosidade: Importante centro de
transportes ferroviário e rodoviário do
país.

Copa do Mundo de 2006


Alemanha

MAIOR ESTÁDIO
ESTÁDIO OLÍMPICO
Local: Berlim
Capacidade: 76.176
Curiosidade: Importante centro do
transporte continental

MENOR ESTÁDIO
Fritz-Walter-Stadion
Local: Kaiserslautern
Capacidade: 41.170
Curiosidade: Cidade com pouco mais
de 100 mil habitantes teve o
envolvimento da população para dar
conta do recado.

46 RODOVIAS&VIAS
Sucesso da copa

Copa do Mundo de 2010


África do Sul

MAIOR ESTÁDIO
Soccer City
Local: Joanesburgo
Capacidade: 88.460
Curiosidade: Tem o maior e mais movimentado aeroporto internacional do
Continente, porta de entrada da porção meridional da África.

MENOR ESTÁDIO
Mbombela Stadium
Local: Nelspruit
Capacidade: 43.589
Curiosidade: Com o desenvolvimento das estradas de ferro a partir de 1902,
Nelspruit tornou-se um centro econômico e turístico.

RODOVIAS&VIAS 47
aviação

Apertem os cintos,
o lucro sumiu
A indústria da aviação deve se preparar para condições menos
favoráveis em 2011. O “céu de brigadeiro” pode ficar nublado para um
mercado que registrou lucro líquido de mais de US$ 15 bilhões em 2010.
Foto: Rodovias&Vias/ Alexsandro Hakavei

O dado global do lucro de 2010 não ra de um abismo. Qualquer desequilíbrio


mostra a realidade apertada da pode derrubar a recente recuperação”,
indústria da aviação, capaz de lembrar o acrescenta a análise oficial da Associação.
espaço entre as poltronas da classe eco- O aperto a que se refere o Diretor-Ge-
nômica das aeronaves comerciais de ral da Iata é simples de entender: apesar
passageiros. Olhando para as margens da cifra aparentemente grande, expressa
de lucro, que encolherão de 2010 para em bilhões, quando se fala em lucro líqui-
2011, segundo a Associação Internacional do, não se pode esquecer do desconto
do Transporte Aéreo (Iata), a indústria da de custos e despesas com funcionários,
aviação mal consegue cobrir seus custos instalações, impostos pagos em cada país
de capital. “As margens são patéticas”, afir- onde ocorre a operação, e a manutenção,
ma o Diretor-Geral e CEO da Iata, Giovanni que deve sempre zelar pela segurança das
Bisignani. De acordo com informações da aeronaves e seus ocupantes, apenas para
Iata, em 2010 a margem líquida geral foi citar alguns exemplos. Assim, o lucro líqui-
de 2,7%, e a previsão é que a de 2011 caia do é o lucro bruto menos todos os custos
para 1,5%. “A indústria é fraca e está à bei- e despesas. E no caso da indústria da avia-

48 RODOVIAS&VIAS
Apertem os cintos, o lucro sumiu

ção, com uma margem de lucro tão estrei- Para cima


ta, fica claro que se gasta muito para lucrar
pouco.
Ainda assim, em 2011 a expectativa da Apesar dos desafios, a represen-
entidade para o setor é de um lucro global tante nacional da indústria, a Embraer,
de US$ 9,1 bilhões, graças a fatores como vem mantendo voos consistentes no
crescimento do tráfego aéreo e aumento mercado. Suas ações, por exemplo, va-
de demandas tanto de passageiros como lorizaram 35% nos últimos 12 meses, e
de cargas, além de pequenas melhorias a empresa foi recentemente incluída
no rendimento. no Índice de Sustentabilidade Dow Jo-
Por outro lado, o ambiente operacio- nes, dos Estados Unidos, além de inte-
nal vai enfrentar turbulências como o au- grar, no Brasil, o Índice de Sustentabili-
mento nos custos com combustíveis – es- dade Empresarial (ISE), da Bovespa.
pera-se que o preço do barril de petróleo Em números, a Embraer entregou
tenha preço médio de US$ 84, enquanto 70 jatos comerciais e 83 executivos
em 2010 foi de US$ 79. A queda do PIB somente em 2010. Seu jato comercial
mundial também soma para o aperto de mais vendido é o Embraer 190, com
cintos, acompanhado do problema do capacidade entre 98 e 114 passageiros.
aumento dos impostos, sobretudo em pa- As aeronaves genuinamente brasilei-
íses europeus. ras estão presentes em mais de 90 em-
Na região da América Latina, a Iata presas aéreas, de 50 países.
acredita que as companhias latino-ame- Ainda assim, fica a já repetitiva dú-
ricanas terão crescimento da demanda de vida em relação à capacidade do Brasil
um lado e redução no lucro de outro. Ain- de dar a atenção necessária e disponi-
da assim, afirma que a “consolidação da bilizar os recursos para a infraestrutura
região e uma robusta economia regional, aeroportuária, capaz de atingir direta-
liderada pelo Brasil, vão continuar a apoiar mente o desempenho da indústria da
o crescimento sólido e rentável entre as aviação, não só no país como na Amé-
principais operadoras da região”. rica Latina.

RODOVIAS&VIAS 49
Quando o novo
encontra o velho
Os trens e locomotivas de carga parecem evoluir em velocidade semelhante
àquela com a qual se deslocam: lenta. Mesmo sua aparência e mecânica parecem
não ter mudado muito nos últimos 50 anos, considerando-se as locomotivas
diesel-elétricas. Ledo engano.

50 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 51
52 RODOVIAS&VIAS
QUANDO O NOVO ENCONTRA O VELHO

O s trens e locomotivas de carga


parecem evoluir em velocida-
de semelhante àquela com a qual se
milha por hora (1,6 km/h) pode gerar
uma economia de milhões de dólares
por ano em despesas e recursos em
deslocam: lenta. Mesmo sua aparência uma rede de ferrovias classe 1 (nos Es-
e mecânica parecem não ter mudado tados Unidos, as ferrovias classe 1 são
muito nos últimos 50 anos, consideran- as maiores e utilizadas por companhias
do-se as locomotivas diesel-elétricas. ferroviárias de grande porte).
Ledo engano. Softwares disponíveis no mercado
As tecnologias não são poucas e permitem um melhor aproveitamento
estão em constante evolução, desde da rede ferroviária a partir da análise
softwares de gestão de movimentos dos horários dos comboios e dos sis-
em uma rede ferroviária específica até temas de controle de tráfego. Com es-
o aproveitamento da energia dinâmica sas análises, os programas de gestão
dissipada durante a frenagem de uma de movimentos ajudam a aumentar a
locomotiva de mais de 200 toneladas. velocidade das composições, tornan-
Dados de uma das mais conhecidas do as entregas mais rápidas e redu-
fabricantes de locomotivas do mun- zindo o custo dos fretes. É um modo
do, a General Electric, apontam, por semelhante às operações de controle
exemplo, que o aumento de apenas 1 de tráfego aéreo.

RODOVIAS&VIAS 53
tecnologia

Foto: Rodovias&Vias/ Leonilson Gomes

Trem atravessa rua em Curitiba, PR.

No Brasil, investir em tecnologia em nosso território, existem exemplos


para o setor é, além de uma necessi- que podem representar alguma luz no
dade, um campo de oportunidades fim do túnel para os trens e ferrovias.
profissionais. A ALL – América Latina Um deles é o Prêmio AmstedMa-
Logística, maior operadora logística da xion de Tecnologia Ferroviária, criado
América Latina, por exemplo, precisa em 2003 pela empresa que a 60 anos
desenvolver internamente os projetos desenvolve e fabrica de vagões de car-
de tecnologia da informação (TI) de ga em aço e alumínio, rodas de aço fun-
que necessita. dido, truques, rodeiros e sistemas de
Segundo sua Assessoria de Impren- choque e tração, além de prestar servi-
sa, por operar em um segmento “muito ços de reparação, adaptação e moder-
peculiar de transporte, não encontra nização de vagões e componentes.
fornecedores de TI focados nas deman- O prêmio tem o objetivo de desco-
das da empresa”. Thais Lasmar Falqueto, brir projetos ligados a vagões, locomo-
Gerente de Tecnologia da Informação tivas e ferrovias que valorizam a produ-
da empresa, ajuda a formular as iniciati- tividade, redução de custos, segurança
vas, numa área que tem investimento de e satisfação dos clientes. Em 2009, por
20% do orçamento de tecnologia. Pro- exemplo, a empresa premiou o aluno
jetos como o Assistente de Condução e Vinicius Alves Fernandes, formando
o de Detecção Sônica são exemplos de em engenharia mecânica pela Escola
tecnologia totalmente desenvolvida pe- Politécnica (Poli) da USP, recebeu dois
los profissionais da companhia. prêmios na sétima edição do Prêmio
AmstedMaxion de Tecnologia Ferro-
viária. Sob a orientação do professor
Incentivo local Roberto Spinola Barbosa, Vinicius ga-
nhou o primeiro lugar com o trabalho
Se o setor ferroviário nacional ainda “Modelagem do Veículo Ferroviário em
aguarda por uma retomada verdadeira- Multicorpos” e obteve menção honro-
mente efetiva de investimentos capaz sa com o artigo “Métodos Computacio-
de transformar o transporte de cargas nais de Estudo da Via Férrea”.

54 RODOVIAS&VIAS
QUANDO O NOVO ENCONTRA O VELHO

Segundo informações da Assessoria pela frenagem para economizar até


de Imprensa da AmstedMaxion, o setor 15% no consumo de diesel e reduzir
de cargas pode crescer até 50% em 2011 em 50% as emissões de carbono. É a
graças a contratos de longo prazo. Um de- realidade da locomotiva híbrida (hy-
les prevê a venda de mais de dois mil va- brid locomotive) desenvolvida pela
gões para a mineradora Vale e outro con- General Electric.
trato, se confirmado, pode representar a A energia que seria dissipada du-
venda de outros 1.144 vagões para a MRS rante a frenagem é armazenada em
Logística.O Governo Federal já anunciou baterias, para então ser reutilizada na
investimentos para fortalecer o setor e composição. Para se ter uma ideia em
não é de hoje. No Coninfra 2010, Congres- termos de quantidade, a energia dissi-
so de Infraestrutura de Transportes que pada na frenagem de uma locomotiva
aconteceu em São Paulo no fim de 2010, de 207 toneladas ao longo de um ano
o então representante do Ministério dos é suficiente para abastecer 160 famílias
Transportes, Marcelo Perrupato (Secre- norte-americanas de classe média no
tário Nacional de Política de Transportes) mesmo período. No entanto, os bons
disse que o setor ferroviário pode esperar exemplos tecnológicos acabam se des-
por mais de 13 mil km de novas ferrovias tacando mais fora do Brasil. Por aqui,
nos próximos 15 anos. É ver, para crer. pouco adianta vislumbrar locomoti-
vas de última geração ou programas
capazes de aumentar a produtividade
Locomotiva híbrida do sistema enquanto 58% das cargas
transportadas no país continuam no
Uma locomotiva diesel-elétrica modal rodoviário e as ferrovias ficam
capaz de aproveitar a energia gerada com apenas 25% desse transporte.
Foto: Divulgação

RODOVIAS&VIAS 55
56 RODOVIAS&VIAS
Foto: Divulgação

Vontade de ferro,
obstinação de pedra
Grupo EBX se prepara para construir um novo porto no Chile. Até aí,
tudo normal, não fosse pelo local escolhido. Uma região inóspita na
costa do Pacífico com o deserto do Atacama ao fundo.

RODOVIAS&VIAS 57
portos


N ão sabendo que era impossível,
foi lá e fez.” Atribuída ora a Jean
Cocteau, ora a Mark Twain, a frase ser-
deserto, em dezembro de 2010, para
a construção de um novo porto, per-
tencente à OMX Operações Marítimas,
viria perfeitamente como divisa para as também integrante da holding. O local
operações do grupo EBX no mais im- definido está localizado 80 km a sudo-
provável dos lugares para empreender este da agora mundialmente famosa
no mundo: o famoso deserto do Ataca- Copiapó (aquela cidade em que houve
ma, no Chile. Desde 1986 operando a o desabamento de uma mina que por
mina de La Coipa, eles parecem ignorar pouco não virou a tumba de 33 minei-
as severas condições, que impedem ros chilenos, causando comoção inter-
até os cactos de sobreviver. A simples nacional em uma operação de resgate
manutenção da rotina de trabalho já jamais vista).
atesta a capacidade de superação da A característica fundamental para
empresa, porém, não obstante, a gi- o sucesso de uma ação desta natureza
gante corporação decidiu ampliar os está no calado natural de 25 m. Trata-
investimentos por lá. -se de um porto privado que será de
A desoladora paisagem desértica uso público. Serão três berços inde-
do imenso Atacama, mais uma vez, pendentes, com capacidade anual de
parece ter inspirado o senso de opor- embarque e desembarque próxima a
tunidade do empresário (e por que 20 milhões de toneladas, e os princi-
não visionário) Eike Batista. Duas em- pais carregamentos serão de minério
presas de seu grupo, a MPX Energia de ferro e carvão. O projeto também
S.A. e a MMX Mineração e Metálicos inclui pátios para armazenamento de
S.A., anunciaram a aprovação por par- cinza, carvão, minério de ferro, cobre
te do governo da região homônima ao concentrado e grãos.

58 RODOVIAS&VIAS
Vontade de ferro, obstinação de pedra
Foto: Rodovias&Vias/ Oberti Pimentel

A característica fundamental para


o sucesso de uma ação desta natureza
está no calado natural de 25 m.

RODOVIAS&VIAS 59
portos

US$ 300 milhões vidades no Sudeste do Brasil: 50% de


em 30 meses sua meta de produção já estão lastre-
ados em acordos de fornecimento de
longo prazo.
O cronograma da construção dos
berços está atrelado ao ritmo das ope- Vezes X
rações das duas empresas na região,
que incluem o fornecimento de insu-
mos para a termoelétrica de Castilla Posto como está, o plano justifica a
(parte dos esforços da MPX no Chile) função da letra “x” nas logomarcas do
e para a movimentação de 10 milhões grupo, a qual representa a capacida-
de toneladas anuais de minério de fer- de de gerar e multiplicar negócios, um
ro (cruciais para a logística da MMX). A dos conceitos basilares da filosofia em-
estratégia da MMX incluiu um arranjo presarial que há mais de duas décadas
interessante, já realizado em suas ati- caracteriza o criador e suas criaturas.

Deserto do Atacama, Chile.

60 RODOVIAS&VIAS
Continental.
Toda tecnologia e inovação não só para indústria
automotiva, mas também para um mundo melhor.

Faça revisões em seu veículo regularmente.

Como uma das empresas que mais entende de sistemas automotivos no mundo,
o Grupo Continental por meio da sua Unidade Automotiva ocupa posição de
destaque no segmento. A presença global pelas divisões Chassis e Safety,
Interior e Powertrain, traduz a confiança que as principais montadoras mundiais
depositaram em nossos produtos de alta tecnologia, desenvolvidos por estas
produtivas parcerias. Tudo isso torna os veículos cada vez mais seguros,
confortáveis e ambientalmente corretos.
RODOVIAS&VIAS 61
Verão é sinônimo
de alta temporada
para cruzeiros
É durante o Verão que há a maior movimentação de navios de cruzeiros no
litoral brasileiro. A temporada inicia em novembro e segue até março, podendo
se estender, em alguns casos, até abril. Dada a largada, as embarcações
luxuosas realizam sua travessia atlântica partindo da Europa com o intuito
de fugir do Inverno rigoroso do Hemisfério Norte.
Fotos: Rodovias&Vias/ Leonilson Gomes

Navio atracado em Porto Belo, SC.

62 RODOVIAS&VIAS
O s turistas brasileiros esperam an-
siosos os navios chegarem para
poderem aproveitar. “Os navios vêm
ração é considerada curta e varia de duas
a cinco noites, navegando pelo litoral de
São Paulo ou do Rio de Janeiro.
de fora porque o Brasil não possui uma “Quem busca o ‘Mini Cruzeiro’ são
frota própria dessas embarcações, com os marinheiros de primeira viagem, que
exceção do Grand Amazon que navega querem descobrir uma sensação nova
o ano inteiro no Rio Amazonas, Negro e por mar. Há ainda aqueles que não pos-
Solimões. Este problema provavelmen- suem tanto tempo e preferem viagens
te é causado pela alta carga tributária mais rápidas. Esse roteiro, por ser curto,
cobrada, que acaba inviabilizando o ne- acaba percorrendo somente o litoral do
gócio no país”, explica Rafael Guilherme estado de embarque”, explica Rafael. Ou-
Plombon, proprietário de uma agência tra opção, menos concorrida, é com saída
de viagens no Paraná. do Nordeste. Estes navegam pela região,
Atualmente, são três os roteiros mais pelo litoral capixaba e, apenas um navio,
procurados. O primeiro segue rumo ao chega até Fernando de Noronha (PE).
nordeste, saindo de Santos (SP) ou Rio
de Janeiro (RJ), com escalas pelos lito-
rais paulista e carioca, podendo seguir Perfil
pela costa até Salvador ou Maceió, de-
pendendo do escolhido. Em seguida, Estatísticas apontam que os viajan-
vem o passeio pela América do Sul que tes de cruzeiro são, em sua maioria, fa-
sai do Brasil, fazendo um ou duas para- mílias. Pais, mães e seus filhos, de todas
das, geralmente em Ilhabela (SP) e Porto as idades embarcam juntos nessa aven-
Belo (SC), além de escalas em Buenos tura. Existem os cruzeiros temáticos,
Aires (Argentina), Montevideo e Punta cujos turistas possuem perfis diferentes.
del Este (Uruguai), podendo mudar Navios fretados exclusivamente para
conforme o escolhido tam- estudantes de ensino superior, os quais
bém. O terceiro é consi- exigem comprovante de matrícula, uma
derado um “Mini Cru- exigência. “Há ainda os cruzeiros com ce-
zeiro”, pois a du- lebridades, onde o público-alvo também
é diferente”, comenta o empresário.

RODOVIAS&VIAS 63
hidrovias

64 RODOVIAS&VIAS
alta temporada para cruzeiros

Chegando aos destinos


Desembarcar nas cidades turísticas do Bra-
sil ainda é um desafio. São poucas as que pos-
suem infraestrutura portuária completa para
receber os navios. Rio de Janeiro (RJ), Santos
(SP), Natal (RN), Maceió (AL), Itajaí e São Fran-
cisco do Sul (SC) são as mais preparadas jus-
tamente porque são cidades portuárias, com
infraestrutura para receber navios de grande
porte. Para chegar até as outras cidades dos
roteiros é preciso sair dos navios nos tenders –
barcos auxiliares salva-vidas que levam os pas-
sageiros até o píer de desembarque em terra.
Outras cidades, como Paranaguá (PR), com
porto e potencial turístico encontram-se exclu-
ídas dos roteiros, pois além da falta de píer para
passageiros exige um canal de acesso com
mais capacidade.

Vantagens
Os navios possuem uma excelente estru-
tura de lazer, com muito luxo e requinte. São
diversas opções nesses, que hoje, são consi-
derados resorts flutuantes. Tudo, sem falar no
privilégio de conhecer diversas cidades em
pouco tempo.

Faturamento em alta

São Francisco do Sul era uma das cidades


que ficava de fora. A partir do ano passado,
depois de alguns investimentos, como o novo
píer de passageiros a cidade começou a rece-
ber um bom número de dos cruzeiros marí-
timos. Hoje, São Francisco do Sul é bastante
frequentada por este tipo de embarcação.
Mesmo assim são constantes as melhorias na
infraestrutura, qualificações e busca por novas
atrações. O poder publico também incentiva
investidores que visualizam este cenário como
um divisor de águas para o turismo da região.
Outra cidade preparada para este tipo de
turismo é Vitória (ES), que nesta temporada
será parada de 32 escalas de transatlânticos
com mais de 57 mil passageiros e 20 mil tripu-
lantes. A estimativa é que, para cada passagei-
ro que desce do navio, R$ 100 são gastos na
cidade. Logo, a expectativa é que haja a movi-
mentação de R$ 5,7 milhões durante o período.
Cruzeiro chega a Itajaí, SC.

RODOVIAS&VIAS 65
MERCADO

Brazil Road Expo 2011


Em abril, São Paulo receberá feira internacional que trará consigo
as novas tecnologias para o setor de infraestrutura viária, além de
inúmeras oportunidades de negócios.
Ilustração: Rodovias&Vias/ Marco Jacobsen

O Centro de Exposições e Con-


venções Expo Center Norte
receberá, entre os dias 4 e 6 de abril, a
tos. Qual é a importância da Brazil
Road Expo 2011?
Feiras e congressos como a Brazil
Brazil Road Expo 2011. O encontro, de Road Expo são importantes para o se-
grandes oportunidades para o setor de tor, pois, além de incentivar o mercado
transportes, terá a participação de es- de infraestrutura rodoviária, promo-
pecialistas do Brasil e do exterior. Para vem discussões pertinentes para todo
conversar sobre a feira, convidamos o o segmento. Além disso, permitem
Diretor Presidente da Associação Bra- que o Brasil se aproxime de novas tec-
sileira de Concessionárias de Rodovias, nologias e continue avançando em
Moacyr Servilha Duarte. qualidade. Exatamente por reconhecer
a importância deste tipo de evento, a
Rodovias&Vias – Um dos princi- ABCR realiza também o Congresso Bra-
pais meios de difusão de novas tecno- sileiro de Rodovias e Concessões, que
logias são as feiras, congresso e even- tem por objetivo reunir representantes

66 RODOVIAS&VIAS
brasil ROAD EXPO 2011

os últimos dez anos foram marcados


pela implementação de novas tecnologias para
tornar mais eficiente a operação, o que garante
mais segurança aos usuários e pedestres

Moacyr Servilha Duarte


Presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias.

do setor público e privado, além de or- são, a troca de informações e a chega-


ganismos internacionais, em fóruns que da de novas tecnologias e inovações
sirvam como meio de troca de experi- para o setor.
ências e discussões para o desenvolvi-
mento da infraestrutura rodoviária. É indiscutível o alto nível das ro-
dovias privatizadas. Quais os tipos
Entre os diferenciais da feira, está de soluções buscadas pelas conces-
a participação internacional de ex- sionárias?
positores, palestrantes e visitantes. Além da melhoria da qualidade
Como o senhor vê esse grande inte- das rodovias administradas pela ini-
resse? ciativa privada, os últimos dez anos
Isto é reflexo da posição que o Brasil foram marcados pela implementa-
ocupa no cenário internacional, como ção de novas tecnologias para tornar
importante mercado e desenvolvedor mais eficiente a operação, o que ga-
de produtos rodoviários. Por este moti- rante mais segurança aos usuários e
vo, a feira acaba sendo um ótimo canal pedestres. Se antes as rodovias eram,
de encontro de culturas e produtos. em sua maioria, operadas com base
em informações obtidas via rádio,
Um dos objetivos da feira é ofe- por exemplo, hoje as informações são
recer soluções que vão desde a fase conseguidas por meio de imagens de
de concepção até a execução e ma- alta qualidade, gravadas digitalmente
nutenção. O que os visitantes podem e transmitidas em tempo real por câ-
esperar da Brazil Road Expo? meras de monitoramento instaladas
O setor de infraestrutura no país na malha rodoviária. Isso porque o se-
necessita de investimentos privados tor conta com tecnologias complexas
e públicos que garantam o seu desen- e de última geração, que permitem o
volvimento, como já foi falado, mas monitoramento contínuo das rodo-
também de eventos como a Brazil vias pelos Centros de Controle Opera-
Road Expo, que incentivam a discus- cional (CCOs).

RODOVIAS&VIAS 67
Tecnologia

Eficiência passa pelo


planejamento
Um dos grandes gargalos da infraestrutura brasileira de transportes é a
falta de planejamento, devido principalmente à insuficiência de informações
e à indisponibilidade ou imprecisão dos projetos de engenharia necessários
à execução das obras nacionais, em todos os níveis de decisão.

É prática usual em nosso país a licita- tância, retarda o crescimento do país e vai
ção de obras com base em Projetos contra os anseios e as necessidades bási-
Básicos, os quais, pela falta de planeja- cas da população brasileira.
mento, de recursos financeiros e de tem- Visto que a precariedade da infra-
po para serem elaborados, muitas vezes estrutura de transportes nacional é
têm se mostrado pouco precisos, exigin- sobejamente conhecida como sendo
do assim inúmeras mudanças quando um dos grandes gargalos para o de-
da elaboração do Projeto Executivo de senvolvimento do país, sem dúvida a
Engenharia ou quando da execução da criação de um Banco de Projetos de In-
obra. Tudo isso implica em alterações sig- fraestrutura de Transportes terá papel
nificativas nos preços orçados e licitados, fundamental na remoção desse gargalo
gerando atrasos, paralisações, impugna- específico, permitindo que o Brasil reto-
ções, ações judiciais e até mesmo a não me o nível de crescimento necessário e
execução da obra, o que, em última ins- desejado.

As Figuras 1 e 2 ilustram
interferências e falhas que devem evitadas.
Fotos: Divulgação

Figura 1
Plataforma inadequada de operação, incapaz de
suportar o peso da pavimentadora. Figura 2
Interferências na operação (postes)

68 RODOVIAS&VIAS
Eficiência passa pelo planejamento

Início do planejamento
para pavimentação de concreto
Pode-se afirmar, sem dúvida, que a templadas quando da elaboração do
existência de um Projeto Executivo de Projeto Executivo.
Engenharia completo e detalhado, no É possível identificar facilmente
processo licitatório, é a única maneira de algumas dificuldades e falhas capazes
se evitar ou, pelo menos, diminuir signifi- de gerar problemas na execução do
cativamente os problemas futuros. pavimento e que podem ser evitadas
No conhecimento das interferên- quando bem planejadas.
cias e das dificuldades que poderão Finalmente, ressalta-se que é impos-
ocorrer durante a execução da obra, sível planejar e executar uma obra sem
está todo o material necessário à ela- o conhecimento de todas as suas pecu-
boração do Planejamento da Obra. liaridades, as quais deverão estar previs-
Essas interferências e dificuldades de- tas e contempladas no Projeto Executi-
verão ser estudadas, analisadas e con- vo de Engenharia.

Problemas que
podem ser identificados
• O Projeto não contempla o estudo da largura mínima necessária de plataforma de
terraplena gem para a adequa da operação da vibroacabadora de formas deslizantes.

• Falha no estudo dos tipos de materiais disponíveis na região que comporão as distintas
camadas do pavimento.

• Falha nas especificações de materiais e nos procedimentos de execução a ser utilizados na


obra.

• Falha nos estudos prévios de laboratório, incluindo aí os produtos de cura a ser utilizados.

• Falha ou inexistência do projeto geométrico de distribuição de placas e detalhamento dos


tipos de juntas.

• Falha ou inadequação do projeto de drenagem.

• Falha no estudo do tipo de equipamento vibroacabador a ser utilizado, bem como do tipo e
da produção da usina dosadora e misturadora de concreto, a qual deve ser compatível com
a pavimentadora.

• Falha no estudo da temperatura ambiente, velocidade do vento, umidade relativa do ar,


temperatura do concreto e séries pluviométricas.

• Imprecisão na definição da equipe, dos horários ou turnos de trabalho (diurno e noturno), na


capacitação dos funcionários e na identificação das tarefas diárias.

• Falha na localização das interferências existentes ao longo do trecho, tais como postes, poços
de visitas, redes subterrâneas de diversas concessionárias, além de árvores, por exemplo.

RODOVIAS&VIAS 69
70 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 71
MáQUINAS E EQUIPAMENTOS

Empresa apresenta
primeira escavadeira
montada no Brasil
Uma das maiores fabricantes de máquinas para engenharia do
mundo apresentou seu primeiro equipamento montado no Brasil.
Trata-se de uma escavadeira hidráulica do modelo SY215C, com
capacidade para 21,5 toneladas.
Foto: Rodovias&Vias/Leonardo Pepi

72 RODOVIAS&VIAS
primeira escavadeira montada no brasil

A escavadeira hidráulica com


capacidade para 21,5 tone-
ladas será o carro-chefe da chine-
sa Sany no Brasil. A planta em São
José dos Campos, com capacidade
para produzir até 100 escavadeiras
por mês, será responsável também
pela montagem de guindastes. A
expectativa é de que o primeiro
equipamento fique pronto em mar-
ço. A produção anual pode chegar
a 500 unidades. “Os equipamentos
da Sany vão contribuir para a infra-
estrutura brasileira, principalmente
na construção de rodovias. Por isso,
a nossa prioridade é a produção na-
cional das máquinas da linha amare-
la de construção”, explica o Vice-Pre-
sidente da companhia, David Cui.
As linhas de montagem de guin-
dastes e escavadeiras da companhia
compartilham os 10 mil m² da uni-
dade fabril da Sany e compõem a
estratégia da companhia para che-
gar a 2014 faturando R$ 2 bilhões
no Brasil, mantendo o caminho de
bons resultados que teve início em
2009, quando a Sany faturou R$ 15,3
milhões localmente. Em 2010, esse
desempenho mais que triplicou e
os resultados ficaram em R$ 51 mi-
lhões. Para 2011, o objetivo da Sany
é chegar à casa dos R$ 255 milhões
de faturamento.

Presença mundial
A Sany Group conta com 30 filiais
espalhadas pelo mundo, ligadas a
uma rede de vendas e distribuição
que alcança 110 países. Em 2010,
faturou R$ 12,5 bilhões. A filial bra-
sileira é o primeiro braço do grupo
na América Latina e a quarta fábrica
fora da China, somando esforços às
unidades dos Estados Unidos, Ale-
manha e Índia.

Montadora da Sany em São José dos Campos.


RODOVIAS&VIAS 73
FotoLegenda
Foto: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes

iMAGEM DO MÊS
As paralelas formadas pelos pneus na lama
não revelam a ansiedade dentro das viaturas. A
esperança de salvar. Por trás de cada unifor-
me, mais que um policial a serviço da lei, um ser
humano a serviço de outro.

74 RODOVIAS&VIAS
Areal, Teresópolis, RJ.

RODOVIAS&VIAS 75
GOIáS

Um TRABALHOSO
recomeço
Goiás começa a década buscando novo fôlego para sua infraestrutura
e economia. Entre os desafios, está incluir seus mais de 6 milhões de
habitantes e 246 municípios em um ciclo de desenvolvimento que
alcançará destaque entre os estados brasileiros.
Foto: Divulgação

A capital Goiânia.

P ara atingir metas ambiciosas, o


governo goiano está pondo a
casa em ordem e quer garantir que o
mas nós vamos conseguir de novo fa-
zer Goiás dar um salto. Vou fazer um
balanço para mostrar como recebi o
futuro não repita o passado, sobretudo estado”, disse.
em relação às contas públicas. Em de- Segundo informações da assessoria
zembro de 2010, por exemplo, os mais de comunicação do governo estadual,
de 100 mil funcionários públicos do es- Goiás deve receber R$ 10 bilhões em
tado não receberam seus salários. investimentos em 2011, valor capaz de
O Governador Marconi Perillo afir- colaborar – e muito – com os planos de
mou que todos os esforços estão sen- crescimento e retomada da economia,
do feitos para resolver o problema e além da renovação estrutural de rodo-
sanar as contas. “O começo é difícil, vias, ferrovias e outros setores.

76 RODOVIAS&VIAS
Um longo recomeço

Precisaríamos de investimentos em torno de


US$ 500 milhões para a recuperação de toda a nossa
malha rodoviária, que está muito danificada”

Governador de Goiás
Marconi Perillo

Obras não faltam as rodovias do estado. “Precisaríamos


de investimentos em torno de US$ 500
Obras não faltam, mas precisam de milhões para a recuperação de toda a
recursos. E o Secretário de Infraestru- nossa malha rodoviária, que está muito
tura do estado, Wilder Morais, está tra- danificada”, ressalta o Governador.
balhando para isso. Uma das primeiras Paralelamente trabalha a Agência
medidas é reorganizar a Secretaria de Goiana de Transportes e Obras (Agetop)
Infraestrutura (Seinfra) e preparar o em um diagnóstico de toda a malha
terreno. “Estamos em fase de plane- viária do estado. O Presidente da Age-
jamento e fazendo um levantamento top, Jayme Rincon, reativou programas,
das obras em andamento e dos con- como o Terceira Via, de imediato para
vênios já assinados”, adianta Morais. garantir a manutenção das rodovias es-
O objetivo é retomar obras e também taduais que sofrem com o período de
buscar recursos externos a partir de um chuvas e que, segundo Rincon, já esta-
planejamento de gestão. O Presidente vam prejudicadas e em mal estado de
da Agetop e o Governador estiveram conservação. De acordo com o Plano
recentemente reunidos com represen- Nacional de Viação, Goiás tem 7.629 km
tantes do Banco Mundial para avaliar as de rodovias pavimentadas sob jurisdi-
possibilidades de novos recursos para ção estadual.
Foto: Divulgação

Polo empresarial de Goiás.

RODOVIAS&VIAS 77
perfil

Perda para o
rodoviarismo nacional
Um dos mais destacados líderes do setor de transportes e infraestrutura,
o Senador Eliseu Resende (DEM-MG), faleceu no dia dois de janeiro de
2011. Sua falta, contudo, será compensada sempre nas suas inúmeras
realizações e incansável trabalho pelo rodoviarismo brasileiro.
Fotos: Rodovias&Vias/Paulo Negreiros

B uscando a modernização das ro- disse ele prevendo o surgimento de no-


dovias federais, trabalhou incan- vos tecnologias energéticas.
savelmente pela implantação do Novo Engenheiro civil nascido em Oliveira
sistema Viário Nacional – SNV e sem (MG), Resende foi diretor-geral do De-
nunca esquecer os usuários das vias pú- partamento Nacional de Estradas e Ro-
blicas nacionais. dagens (DNER) de 1967 a 1974, ministro
O senador recebeu em novembro dos Transportes no governo de João
de 2009 uma equipe da Rodovias&Vias Figueiredo, de 1979 a 1982, e assumiu
para uma entrevista exclusiva, e à épo- o Ministério da Fazenda no governo Ita-
ca, demonstrou sua visão de futuro: mar Franco. Também presidiu Furnas e
“Defendo a tese de que um dia o Brasil Eletrobrás. Foi eleito deputado federal
terá que descentralizar a administração em 1994, 1998 e 2002. Em 2006, elegeu-
das rodovias e delegar esta tarefa aos -se senador.
estados. Nos Estados Unidos o gover- As palavras do presidente do Sena-
no federal não administra estradas.” Na do José Sarney, bem lembraram suas
mesma ocasião ele profetizou o fim da mais relevantes realizações. “Foi ele
era do petróleo. “A era do petróleo vai quem construiu a ponte Rio-Niterói,
acabar, antes que o petróleo acabe”, foi o responsável pelo asfaltamento da

78 RODOVIAS&VIAS
eliseu resende

“Defendo a tese de que um dia o Brasil terá


que descentralizar a administração das rodovias e
delegar esta tarefa aos estados. Nos Estados Unidos
o governo federal não administra estradas.”

Eliseu Resende
Senador

Belém-Brasília e pelo asfaltamento da vo quanto no Legislativo. Independente-


Rio-Bahia e ainda a construção da Tran- mente de termos atuado em campos po-
samazônica. Ele participou de todo o líticos diferentes, quero registrar aqui meu
programa rodoviário brasileiro”, decla- pesar pela sua perda e me solidarizar com
rou Sarney no dia em que o Senador Re- seus familiares, amigos e correligionários”.
sende nos deixou. O empreendedorismo político de Eli-
A presidente Dilma Rousseff tam- seu Resende segue servindo de inspiração
bém lamentou a perda em nota oficial: e força para todos aqueles que, como nós,
“O professor, pesquisador e senador Eli- acreditam que a construção e o desenvol-
seu Resende exerceu, com dedicação, di- vimento de um país, é feita por quem nele
versos cargos públicos, tanto no Executi- acreditam.
Fotos: Rodovias&Vias/Leonilson Gomes

Ponte Rio- Niterói.


RODOVIAS&VIAS 79
NA MEDIDA

Procura-se terreno
Carlos Minc, Secretário Estadual do Meio Ambiente do
Rio de Janeiro pede a entidades, prefeituras, e empresá-
rios que indiquem terrenos que possam receber bota-fora
(mistura de lama, areia, madeira e entulhos em geral) dos
escombros do desastre ocorrido no início do ano. A falta
de locais adequados preocupa o secretário, que sugeriu
que as equipes de resgate separem madeiras e areia la-
vada, que poderão ser reaproveitadas na construção de
novas casas para as famílias desabrigadas. A ação vai di-
minuir o volume a ser jogado fora, exigindo assim menos
terrenos para o despejo do entulho.

Táxis com GPS

Táxis da cidade de Vitória são rastreados via GPS. Os veículos integram um siste-
ma que pode ser acessado pela Secretaria Municipal de Transportes e Infraestrutura
Urbana (Setran), em tempo real. Com ele, a movimentação da frota de táxi na capital
está sendo monitorada e seu gerenciamento aprimorado. A tecnologia permitirá no
futuro o desenvolvimento de aplicativos de localização e acionamento online dos
táxis conforme sua proximidade com os usuários. Segundo dados da secretaria, se-
rão 454 veículos com o GPS.

Alternativa arquitetônica
Uma membrana capaz de suportar temperaturas entre -70 graus Celsius e mais de 315
graus Celsius, é a ferramenta de arquitetura cada vez mais utilizada em projetos modernos
de infraestrutura. A solução é viabilizada pela Saint-Gobain Performance Plastics (SGPPL)
que recentemente chegou ao Brasil. A membrana arquitetônica permanente SHEERFILL®,
fornecida pela empresa, pode na visão da SGPPL, redefinir o panorama arquitetônico no
Brasil. De olho em obras para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 é líder de mercado
na China com o produto que originalmente foi desenvolvido pela NASA (Agência Espacial
Norte-Americana). O tecido ajudou a definir alguns dos aeroportos mais movimentados do
mundo como o Denver International (Colorado), o Palm Springs (Califórnia), o Hajj Termi-
nal (Arábia Saudita), e Chongqing Jiangbei International Airport (China). Além de suportar
temperaturas extremas, é impermeável, à prova de incêndio, e imune aos raios UV.

80 RODOVIAS&VIAS
NA MEDIDA

Prevenção de Acidentes

A Associação Brasileira de Prevenção


dos Acidentes de Trânsito disponibiliza
na íntegra em sua página (www.vias-se-
guras.com) o download do Manual de
Segurança Rodoviária. O livro, de autoria
do renomado engenheiro Adriano Mur-
gel Branco, faz um levantamento deta-
lhado, estatísticas, gráficos e ilustrações,
das causas, motivos e razões dos aciden-
tes automobilísticos e ao mesmo tempo
sugere ações para preveni-los.

Manual de Segurança Rodoviária

Asfalto recorde
Foto: Rodovias&Vias/Leonardo Pepi

A produção e venda de asfaltos ba-


teu recorde em 2010. As vendas no
mercado interno aumentaram 43% em
relação a 2009. Quem mais comemora é
o segmento de asfaltos da Petrobrás. Fo-
ram produzidas 2.763 toneladas de asfal-
to. A Petrobrás vende às distribuidoras e
ao Departamento Nacional de Infraes-
trutura de Transportes (Dnit) o cimento
asfáltico de petróleo (CAP) e o asfalto
diluído de petróleo (ADP), utilizados di-
retamente em serviços de pavimentação
rodoviária ou industrializados nas fábri-
cas das distribuidoras, para a produção
de emulsões asfálticas de petróleo (EAP).
Esta última é utilizada em serviços de
pavimentação a frio ou na produção de
CAP modificado por polímeros, ácidos
ou borracha.

RODOVIAS&VIAS 81
NA MEDIDA

Operação premiada
A Volvo premiou a Operação
Foto: Divulgação

Lei Seca, instituída pelo governo


do Rio de Janeiro, na categoria
Geral, na Região Sudeste, com o
Prêmio Volvo de Segurança no
Trânsito 2009/2010. A operação
fluminense concorreu com 254
trabalhos de 114 cidades brasi-
leiras. A Operação Lei Seca foi de-
senvolvida como uma política pú-
blica, de caráter permanente, com
ações todos os dias da semana.
Além dos benefícios para a segu-
rança do trânsito, a operação foi
aprovada com índice de 97% em
pesquisa realizada pelo Instituto
Brasileiro de Pesquisa Social com
a população do Rio de Janeiro.

ACEOP 40 anos
A ACEOP – Associação Catarinense de Obras Públi-
cas comemorou no último mês de novembro, seu qua-
dragésimo ano de fundação. Nesses 40 anos, entre ou-
tras atividades, colaborou com as autoridades federais
e estaduais constituídas na elaboração de políticas de
transportes, que propiciaram o crescimento e o fortale-
cimento do Estado catarinense. As grandes obras fede-
rais em rodovias, portos e aeroportos foram executadas
a partir da década de 70. No ano de criação da ACEOP
(1970), Santa Catarina contava com 26 quilômetros de
rodovias pavimentadas. Hoje, a malha rodoviária estadu-
al pavimentada ultrapassa os 4.500 km. Sempre presen-
Fotos: Divulgação

te a ACEOP continua lá, atualmente sob a Presidência do


Engenheiro Wagner Sandoval Barbosa, rodoviarista por
excelência.

Wagner Sandoval Barbosa

82 RODOVIAS&VIAS
NA MEDIDA

Menos burocracia

Fotos: Divulgação
no PAC 2
Após a conclusão dos balanços
do PAC I o Governo Federal espera
fazer um PAC 2 com “tanto sucesso
quanto o primeiro, mas com menos
suor”, disse a ministra do Planeja-
mento, Miriam Belchior. Para alcan-
çar o objetivo o Fórum de Infraes-
trutura decidiu que os mecanismos
de monitoramento das ações serão
aperfeiçoados e os procedimentos
simplificados para a execução da se-
gunda etapa do Programa de Acele-
ração do Crescimento. A presidente
Dilma Rousseff cobrou menos buro-
cracia. O Fórum de Infraestrutura é
um dos quatro grupos temáticos de
gestão do novo governo. Além deste
foram criados Fórum para Desenvol-
vimento Econômico, Erradicação da
Miséria e Direitos de Cidadania.
Ministra Miriam Belchior

Infraestrutura urbana
movimenta mercado de software inteligente

Sistema de Monitoramento e Controle de Terminais e Paradas Inteligentes insta-


lado no trecho entre a Estação Terminal Mercado e Terminal Sacomã, do Expresso
Tiradentes, em São Paulo, é um exemplo do bom funcionamento. Com monitoramen-
to em tempo real das operações e dos acessos de pessoas e de veículos, a redução
no tempo de espera dos passageiros é de 20%. Como perspectiva de futuro, a área
de mobilidade é a que apresenta um potencial maior de crescimento em função das
expectativas dos investimentos em infraestrutura urbana e as consequentes aplica-
ções de soluções. Segundo o presidente da Compsis (empresa aeroespacial que não
encontra dificuldades em migrar para o setor automotivo e de mobilidade), Ailton
Queiroga, em rodovias há oportunidades de novas concessões, implantação de Siste-
mas Inteligentes de Transportes (ITS) e vendas recorrentes da base instalada, através
de contratos de manutenção.

RODOVIAS&VIAS 83
ARTIGO

“ PENSAR O
João AlbertoViol
Presidente do Sindicato Nacional
das Empresas de Arquitetura e
Engenharia Consultiva - Sinaeco
BRASIL 2022

O novo Governo Federal, sob a


presidência de Dilma Rousse-
ff, tem condições de consolidar o Bra-
grama de investimentos, fez com que, a
despeito do crescimento acentuado da
demanda de passageiros nos últimos
sil como um país em transição para o anos, não tivéssemos os investimentos
mundo desenvolvido. Não será, porém, à altura desse crescimento. Foram 6 mi-
uma trajetória fácil. As circunstâncias são lhões de novos passageiros entre 2003
favoráveis, graças à conjunção de fato- e 2009, 80% de crescimento no período,
res que “nunca antes” haviam ocorrido 10% de crescimento ao ano. Na área de
ao mesmo tempo na história brasileira: saneamento, dos R$ 40 bilhões de in-
mercado internacional comprador de vestimentos previstos no período 2007-
produtos nacionais – em especial os do 2010, cerca de R$ 12 bilhões transforma-
agronegócio e commodities minerais ram-se em obras.
–, economia estabilizada, com inflação O principal obstáculo ao desempe-
em níveis razoáveis, pré-sal, Copa 2014 e nho mais efetivo do PAC no saneamento
Olimpíadas 2016 empurrando a expan- foi a falta de projetos de qualidade, espe-
são econômica. cialmente nos municípios. Desprepara-
O elevado nível de emprego e o “bô- das e sem corpo técnico adequado, boa
nus demográfico” – com a maioria da parte das Prefeituras brasileiras deixou
população em idade de trabalho e que de receber recursos já contratados, mas
representará nessa próxima década ou- emperrados pela ausência de projetos
tra inédita vantagem para o país – são desenvolvidos sob condições tecnica-
também benesses que podem e devem mente satisfatórias.
ser aproveitadas para pavimentar o ca- Nos aeroportos, a crise intermitente
minho rumo ao desenvolvimento. Nada teve como principal resposta a adoção
disso, entretanto, exime o governo de dos Módulos Operacionais, batizados de
realizar as necessárias correções de rumo “puxadinhos” por profissionais da arqui-
para atingir essa meta. A principal delas tetura e engenharia que atuam no setor.
é desenvolver uma cultura de planeja- Esses exemplos são importantes porque,
mento e gestão efetiva e, principalmen- em maior ou menor grau, repetem-se
te, eficiente, requisito que não foi o for- em outras áreas do governo.
te do Governo que se encerra. Faltaram Planejamento é a palavra-chave para
planejamento e gestão mais eficientes, uma gestão que terá a chance de prepa-
por exemplo, no PAC 1 e no setor aero- rar o país para comemorar o bicentená-
portuário. O PAC esteve sob a batuta da rio da Independência, em 2022, em con-
então Ministra-Chefe da Casa Civil. dições sociais, econômicas e ambientais
A falta de planejamento e gestão muito melhores do que as exibidas pelo
mais eficientes do PAC e do setor aero- Brasil de 2010. A tarefa é urgente: pensar
portuário, neste em especial em seu pro- o Brasil de 2022 tem de começar agora,

84 RODOVIAS&VIAS
ARTIGO

Paulo Safady Simão


Construção Civil
Presidente da Câmara Brasileira da
setor impulsiona desenvolvimento do país
Indústria da Construção-CBIC e mem-
bro do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social-CDES.

A construção civil reconquistou, em 2010,


sua posição de destaque no contexto da
economia nacional. Registramos em 2010, segun-
tura; no ainda desafiador déficit habitacional; e na
demora por implementarmos as reformas estrutu-
rantes (política, tributária, previdenciária e trabalhis-
do estimativas oficiais, um crescimento superior ta). Esses são obstáculos que ainda impedem que
a 11% (maior que o crescimento do PIB projetado a economia se desenvolva de maneira saudável e
pelo Banco Central, de 7,3%). Voltamos a exercer competitiva, na maioria das vezes onerando, buro-
o papel de destaque na geração de empregos e cratizando e retardando o bom andamento das ati-
investimentos e fomos atores importantes para o vidades produtivas.
desempenho do país na superação dos problemas Somente alcançaremos um estágio de de-
gerados pela crise financeira mundial. senvolvimento sustentado se estivermos unidos:
Entre os motivos para esse bom momento, des- governo e sociedade. A Câmara Brasileira da In-
tacamos: a estabilidade vivida pela economia, com dústria da Construção (CBIC), juntamente com to-
a inflação controlada, regras de mercado mais se- dos os parceiros que compõem o movimento da
guras e transparentes; a retomada vigorosa dos in- UNC- União Nacional da Construção, vai continuar
vestimentos na área de habitação, com destaque desempenhando seu papel de contribuir com a
para o Programa Minha Casa, Minha Vida – que elaboração de propostas de políticas públicas em
revolucionou o cenário da construção de moradias setores relacionados à infraestrutura, saneamen-
de interesse social no Brasil e o PAC- Programa de to e moradia. Foi assim em 2004, quando a cadeia
Aceleração do Crescimento, que organizou os in- produtiva da construção foi determinante na apro-
vestimentos nos diversos segmentos da infra-es- vação da Lei 10.931 – que trouxe maior segurança
trutura brasileira. A combinação destes fatores tem ao ambiente dos negócios imobiliários. Em 2006,
sido responsável pelo aquecimento do mercado e quando a UNC apresentou ao governo uma pro-
pelos números recordes de admissões. Dados di- posta de investimentos em infraestrutura, mais tar-
vulgados no último dia 19 de outubro pelo Minis- de consolidada no PAC. Ou em 2008 quando apre-
tério do Trabalho e Emprego (Caged) confirmam a sentamos ao governo o Projeto Moradia Digna que
boa fase do setor. Terminamos o ano de 2010 com seria transformado no ano seguinte no Programa
aproximadamente 300 mil novas admissões. Atu- Minha Casa, Minha Vida.
almente, o setor emprega 2.596.937 trabalhadores Entendemos que esses programas – aliados a
com carteira assinada em todo o País. investimentos estratégicos em Educação e Ciên-
As expectativas são ainda mais promissoras cia – precisam tornar-se ações perenes para que
para os próximos anos, quando o setor deve rece- alcancem os resultados esperados. O efetivo en-
ber o impulso decorrente das obras para a Copa do frentamento dos gargalos ao desenvolvimento de-
Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Há vem ser encarados como Políticas de Estado e não
previsões de que o volume de investimentos por de Governo. Deste modo, o Brasil estará preparado
conta desses dois eventos chegue a R$ 130 bilhões. para ocupar o espaço que lhe é reservado no seleto
Temos consciência de que os nossos desafios clube das grandes nações que irão definir os rumos
ainda são enormes: na educação, ciência e tecno- do planeta para as próximas décadas.
logia; nos diversos segmentos de nossa infraestru-

RODOVIAS&VIAS 85
da redação

É pau, é pedra,
é o fim do caminho...

U m dos componentes do perfil insti-


tucional da Rodovias&Vias, o jorna-
lismo de imersão, é por vezes fonte de gra-
tas surpresas e constatações que nos fazem
genuinamente crer que o Brasil será o país
que sabemos, será. Há momentos, no en-
tanto, que fazem da resignação, da reflexão
e do trabalho silencioso as únicas alternati-
vas palpáveis para seguir em frente. Nós nos
solidarizamos. Armazenamos imagens de
uma tragédia cataclísmica, terabytes de um
compêndio histórico. Um fato cuja evolução
faremos questão de verificar em um futuro
próximo. Esperamos que para melhor.
Por mais duras que sejam as lições, elas
têm de ser aprendidas. Passará o tempo de
chorar e lamber feridas e chegará o tem-
po de assumir, nas mãos que escondiam o
rosto, as ferramentas para a transformação
de um futuro. Criar as condições para que
a vida floresça e possa se desenvolver em
meios adequados, pautados no respeito ao
ser humano, à natureza, à ética e ao trabalho.
Respeito ao trabalho, sim, pois é ele que dig-
nifica e, pudemos comprovar, assim como o
“Homem de Nazaré”, salva.
Vamos acompanhar o que pode ser feito,
o que deve ser feito e o que será feito. Incide
sobre nós uma responsabilidade equipará-
vel à dos que ilustram estas páginas: cons-
truir alternativas. Tal como os engenheiros,
operários, assessores e representantes po-
líticos da população, devemos forjar na luta
diára a força que torna possível o construto
em constante evolução que representa o
desafio dos próximos anos. Em especial para
um país que, no momento, deixa as lágrimas
se misturarem ao concreto e às ações que
pavimentarão novos caminhos.

86 RODOVIAS&VIAS
www.transportes.gov.br

BeBer Só se for cultura.

Dirija com um único sentiDo: viver.

Pegue a estraDa com consciência.

Álcool não combina com direção, nem com motorista consciente. Por isso, se

for dirigir, não beba. Quem pega no volante sem pegar em bebida alcoólica

faz um brinde à vida. O governo federal está melhorando as nossas estradas,

Ministério
investindo hoje por mês o que era investido por ano em 2004. dos Transportes

o governo federal está cuidando das nossas estradas.

Faça sua parte: dirija com responsabilidade.

RODOVIAS&VIAS 87
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88 RODOVIAS&VIAS
CAT, Caterpillar, suas respectivas marcas e o padrão “Amarelo Caterpillar”, assim como suas identidades corporativa e de produto usadas aqui são marcas registradas Caterpillar e não podem ser usadas sem permissão.