III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO

Belo Horizonte, MG – 29 a 31 de outubro de 2009

NAVEGAÇÃO EM UM INFOGRÁFICO MULTIMÍDIA NA WEB: aspectos de produção e recepção1
Rafael Tourinho RAYMUNDO (Universidade do Vale do Rio dos Sinos)2

Resumo
O artigo parte da análise de um infográfico multimídia feito para a Web, objetivando identificar os elementos hipertextuais e audiovisuais presentes no produto, bem como de que maneira as partes se articulam entre si. Dada a linguagem fragmentada e não-sequencial do infográfico, percebe-se a possibilidade de múltiplas maneiras de navegação. Problematizam-se, então, possíveis dimensões que possam configurar o trajeto do leitor-navegador, considerando-se não só a construção do produto, mas também o contexto sócio-cultural em que o usuário está inserido. Tais indagações ganham novos matizes após a observação das navegações de dois estudantes universitários pelo infográfico analisado. As diferenças entre as trilhas percorridas pelos dois jovens são significativas, o que acentua o embate entre construção de produtos multimídia atrativos versus interesses e personalidade de cada leitornavegador.

Palavras-chave: Multimídia; Leitor-navegador; Recepção; Infografia multimídia. Introdução

Este artigo deriva de minha atual pesquisa para o mestrado em Ciências da Comunicação, em que pretendo verificar a recepção de um produto hipertextual. No momento, concebo os infográficos multimídia como um corpus interessante para a investigação, haja vista a linguagem fragmentada, o uso de hiperlinks e a presença de outras características hipertextuais em certos produtos do gênero. A análise do infográfico e a observação da navegação de dois indivíduos pelo mesmo, descritos aqui, foram exercícios para uma disciplina do curso, que objetivava problematizar e testar metodologias de pesquisa em comunicação. Considero os resultados obtidos como um movimento inicial de pesquisa exploratória, ainda que não tenha definido, até agora, o produto e o público a serem abrangidos na investigação final.

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Trabalho apresentado ao Grupo de Discussão Linguagens e Interfaces Hipermidiáticas, no III Encontro Nacional sobre Hipertexto, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. 2 Mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Membro do grupo de pesquisa Processos Comunicacionais: epistemologia, midiatização, mediações e recepção – PROCESSOCOM. Bolsista CNPq. E-mail: rafaeltourinhoraymundo@gmail.com.
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ícones.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. A ideia vai ao encontro da concepção de Pierre Lévy (1993) sobre o conceito. ao contrário do que defendem os estudiosos apresentados no início deste artigo. áudios. assim. Na prática. 2003). 3 Entendo hipertexto como uma rede em que diferentes elementos textuais. 2001). 2 . ao qual me atenho aqui. etc. numa trama não-hierarquizada. em que diferentes fragmentos independentes de textos são interligados de maneira rizomática. Pode-se imaginar. Ou seja. otimistas em relação ao uso do hipertexto3 para a elaboração de produtos midiáticos. dois possíveis problemas. animações. o infográfico deve contar uma única história. 1995). – deve ser compreensível de maneira isolada. quem. costumam direcionar as informações numa ordem lógica e/ou hierárquica. No caso dos infográficos multimídia. que possibilite múltiplos percursos e leituras. assim. porém. é a inadequação dos recursos às histórias contadas pelos veículos. “a questão é se há alguma área em que o hipertexto seria mais adequado que o texto linear e que forma ele deveria então assumir” (p. visuais e sonoros podem ser interligados numa trama não-sequencial. mas por meio de diferentes códigos. O segundo. como o que será descrito a seguir. textos escritos. Como lembra Marcuschi (1999). corre-se o risco daquilo que o autor chama stress cognitivo: sem uma ordenação específica de informações. percebe-se que grandes portais de notícias. contextualiza um acontecimento e responde às perguntas básicas – o que. 2008). como em toda construção jornalística informativa. Já infográficos multimídia mais elaborados. Costuma-se pensar em construções nãosequenciais. de uma maneira geral. ao passo que cada elemento – vídeos. todas as potencialidades da linguagem hipertextual. quando. onde e por que (FERRERES. como. para que as escolhas de navegação não sejam inconsequentes. Seguem. ao utilizarem infográficos. costumam valer-se de poucos ou nenhum recurso hipertextual/multimídia. explorando. Quando os utilizam. desenhos. fotos. é com parcimônia e para fins bem específicos (TEIXEIRA e RINALDI. Caso contrário. que. sem um ponto inicial ou trilhas específicas a serem percorridas (WANDELLI. demandase do leitor-navegador uma carga muito maior de conhecimentos prévios. O primeiro é a falta de preparo dos profissionais para utilizar a linguagem. 11). todos têm de manter coerência entre si e contribuir para uma unidade comunicativa (SALAVERRÍA. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 Hipertexto X infográficos multimídia: ideais teóricos (in)atingíveis Os teóricos costumam ser. a natureza da infografia impressa.

mas também funciona de maneira isolada. O texto de Revolucionária. No infográfico multimídia. 2009. surgem contratos publicitários.. Último acesso em: 16 set. uma história tão detalhada quanto a do texto escrito. Em alguns momentos. ela disponibiliza as faixas numa página de rede social MySpace. destacar os elementos multimídia presentes no produto. Algumas dessas casas são links que acionam toda uma rede de informações.br/flash/mallu/>. então. Cada mês.uol. O motivo da escolha desse produto para análise ficará mais claro após a descrição. basicamente. na versão on-line. publicado no site da revista Bravo!. No infográfico.com. O conteúdo dos textos curtos é. a menina. também há arquivos em áudio.com. – que.abril. 2009.. tal qual os de jogos infantis (figura 01). Mallu começa a ganhar a atenção da mídia. ou seja. mais tarde. é representado por uma casa do jogo. que compunha por diversão. garota que. despontou como revelação da música brasileira. faz 15 anos e ganha dinheiro para gravar suas canções num estúdio. em pouco mais de um ano. também. Ao se clicar num ícone. neste momento. a maneira como diferentes partes colaboram para. um texto curto. shows. Às informações contidas no texto original foram somados outros elementos. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 Análise de um infográfico multimídia O infográfico multimídia Mallu Magalhães4. A reportagem publicada na revista (e disponível. Pretendo. indicação para prêmios e a gravação de um CD. Versão on-line disponível em <http://bravonline. surgem. Último acesso em: 16 set. de Armando Antenore. uma fotografia com legenda e um vídeo. juntas. 4 5 Disponível em <http://bravonline.shtml>. logo. de março de 2007 a outubro de 2008. No final. na reportagem infográfica. abril. a reportagem da Bravo! foi acrescida do infográfico multimídia. tem-se. Cada bloco apresenta um momento específico da carreira de Mallu. 3 . bem como a correlação entre eles. a história de Mallu Magalhães é contada a partir do desenho de um tabuleiro. a matéria traça uma linha do tempo e explica todos os passos que levaram Mallu até o estrelato: de início. possui oito páginas – é fluido e contínuo. como vídeos e entrevistas em áudio. sempre. on-line) reconstrói a trajetória de Mallu Magalhães. transforma-se em parágrafos únicos e fragmentados de acordo com a disposição no tabuleiro. Revolucionária aos 16 anos. em que as falas das fontes se confundem com o discurso do jornalista.br/conteudo/musica/musicamateria_346048. Numa linguagem literária.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. um resumo da reportagem escrita. Na versão on-line. contar uma mesma história. é complementar a uma reportagem de outubro de 20085. São verdadeiros blocos de informações curtas. por indicação de um amigo.

à época. é a de que. Uma informação.. quanto no texto da revista. as legendas trazem informações novas. A legenda da foto explica: a imagem da menina caipira fora divulgada num blog para ilustrar as influências folk da cantora. O depoimento de José Flávio Jr. Os trechos em áudio detalham momentos que são apenas brevemente narrados.com. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 Figura 01: Infográfico Mallu Magalhães (fonte: http://bravonline. por consequência. Ao passo que as imagens ilustram e contextualizam a reportagem infografada. tanto nos blocos de texto do infográfico multimídia. não contidas nos parágrafos de texto. trata-se de depoimentos de pessoas que serviram como fonte para a reportagem escrita.abril. Outro elemento que agrega novas informações ao infográfico são os áudios de entrevistas. Tal informação é apenas um detalhe no texto de Armando Antenore – ele sequer cita a origem do dado. O infográfico apresenta.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. Um exemplo é o quadro que corresponde a março de 2008: o bloco textual descreve o momento em que Mallu ganha a grande mídia e. assim como peculiaridades da personalidade da cantora. ainda. uma fotografia ao lado mostra uma garota ruiva com um chapéu de palha. aparecem fotografias com legendas. Enquanto isso. vira alvo de piadas na Internet. Mallu estaria namorando o vocalista da banda Vanguart. prêmio da 4 . No trecho em que se aborda a indicação de Mallu ao Video Music Brasil. vídeos complementares ao assunto de cada bloco textual. Não há qualquer aparente edição em formato de reportagem ou podcast. por exemplo. em específico. descreve curiosidades sobre a gravação do CD de Mallu Magalhães.br/flash/mallu/) Como complemento aos fragmentos textuais.

imagem. Quando o assunto é o contrato de Mallu Magalhães com uma operadora de telefonia celular. autoral e literária. o clipe da canção. No quadro correspondente a agosto de 2007. o infográfico agrega elementos impossíveis de se utilizar em mídia impressa. a tela de vídeo mostra uma reportagem da emissora musical feita com a cantora. O audiovisual proporciona uma experiência estética mais viva. Cabe lembrar. Em outros momentos. a reportagem multimídia constitui uma experiência quase lúdica de descoberta das informações a partir do depoimento das fontes. o infográfico não funciona tão bem de maneira não-sequencial. narra-se como Mallu descobriu o estúdio no qual gravaria suas músicas. é preciso fazer algumas ressalvas. Lucy in the Sky with Diamonds. pois. O estúdio de gravação tem esse nome em alusão a uma música dos Beatles. mais próxima da musicalidade da personagem em questão. justamente. apesar de os elementos serem afins. pois não traz depoimentos de fontes.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. No entanto. igualmente. Por outro lado. Cada elemento traz informações únicas. O diálogo entre texto. não são completamente interdependentes. O vídeo exibido é. tem-se uma experiência de hipertextualidade visivelmente aprofundada. Ao término da navegação. Ao contrário da versão publicada na revista. áudio e vídeo é uma construção singular. o videoclipe não agrega valor informativo à reportagem. os vídeos não são estritamente complementares ao conteúdo da reportagem. chamado Lúcia no Céu. juntas. o texto não perde o sentido se visto isoladamente – o mesmo vale para os depoimentos em áudio. Embora as informações desses elementos sejam complementares. o vídeo traz o comercial que utilizou uma música dela como trilha. Em outras palavras. A apresentação não-sequencial e multimidiática das informações levará. Apesar de relacionado ao contexto. Navegação em um infográfico multimídia: várias trilhas possíveis A análise do infográfico acentua indagações recorrentes a minha pesquisa de mestrado. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 MTV para artistas brasileiros. nem registros de momentos da cantora. É preciso seguir a ordem cronológica para que as informações tenham maior sentido no panorama geral da história. Apesar das informações fragmentadas e de se poder selecionar as casas fora de ordem. há 5 . constituem uma reportagem profunda. Mais ainda. não há uma unidade comunicativa marcante. porém. que acabam por detalhar boa parte do conteúdo da reportagem. a maneiras distintas de se navegar pelo produto hipertextual. certamente. que os blocos de texto funcionam sem a necessidade do vídeo e do áudio. não são apenas as características do infográfico que levam a essas diferentes trilhas possíveis. que.

não seria tão rica. Perderam-se algumas mediações. como sua bagagem cultural. justamente. A partir dos temas. O roteiro não continha perguntas fechadas. As navegações foram seguidas de entrevista semiestruturada sobre a experiência de navegação e a familiaridade dos observados com a Internet. 6 Tradução livre.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. supostamente. As observações ocorreram num bar da universidade. O computador utilizado. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 outras mediações que perpassam o processo de recepção do leitor-navegador. 6 . surgiam as questões. Por outro lado. penso que o estranhamento inicial dos leitores-navegadores resultou numa exploração mais vívida. que.176)6. ou detalhada. Algumas delas: “Com que frequência você costuma navegar na Web?”. na falta de um equipamento público. caso os receptores já conhecessem o infográfico multimídia em questão. tendo em vista que a presença direta do pesquisador no campo “evita algumas mediações de terceiros e oferece o real em sua complexidade ao observador crítico” (GUBER. Para tanto. Cabe ressaltar. “Já conhecia algo parecido ao infográfico observado?”. Os perfis detalhados dos observados foram construídos com base em suas próprias respostas. Os escolhidos foram um acadêmico de direito e uma acadêmica de jornalismo. “O que despertou/não despertou seu interesse no infográfico observado? Por quê?”. o caráter experimental do exercício. p. como o ambiente e a familiaridade do público com o produto – aliás. dentre outras. atendendo à disponibilidade de horário e local dos participantes. 2004. apresentariam culturas midiáticas distintas7. mas sugestões de temas a serem abordados de acordo com a observação. “Que sites costuma visitar?”. no entreturno das aulas. Meu objetivo é. pois os sujeitos não conheciam o produto e a navegação ocorreu num lugar em que eles não costumam utilizar a Internet. observei a navegação de dois estudantes universitários com perfis distintos pelo infográfico multimídia Mallu Magalhães. porventura. entender como se articulam as relações do sujeito com a obra hipertextual. essas mediações demandariam uma estratégia metodológica mais elaborada e um tempo muito maior de execução. que. 7 A acadêmica de jornalismo possivelmente teria uma visão mais crítica sobre um produto midiático do que um estudante de outro curso. tentando identificar mediações para além do produto. No exercício que realizei. propus-me a testar a observação como aparato metodológico pertinente para responder estas indagações. De fato. suas referências midiáticas e o uso que faz da Web. não foi observada uma recepção natural. aqui. descrevo os resultados obtidos a partir da observação e da posterior entrevista. foi meu notebook pessoal. A seguir. No original: “evita algunas mediaciones de terceros y ofrece lo real en su complejidad al observador crítico”.

Após explicar os objetivos do exercício. por isso. esperou a página carregar até o fim e. entreguei a ela o computador e fones de ouvido. Ela utiliza a rede. A navegação teve início por volta das 19 horas. então. os videoclipes exibidos no infográfico. bem como blogs. o que pude confirmar na observação. provavelmente pela conexão lenta. Carla assistiu ao videoclipe da música J1 até a metade – o vídeo travou. fora do ambiente do infográfico. então. fazendo comentários e exclamações sobre as referências musicais da cantora adolescente. e. momento em que a movimentação nos bares da universidade começa a se intensificar. Por fim. Carla pausou-o. Ao acionar a segunda casa. 7 . avisando-me quando o trajeto fosse terminado.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. foi para a quarta casa e passou a seguir a ordem do tabuleiro até a casa sete. em termos técnicos. para ler notícias e manter contato com os amigos através de redes sociais – possui contas no Facebook e no Orkut. Passaram-se 20 minutos até que Carla se desse por satisfeita com a navegação. presta mais atenção a vídeos e imagens. Decidiu. clicou na barra do site da Bravo!. o vídeo travou. basicamente. Na casa sete. a observada assistiu ao clipe dos Beatles presente na página e exclamou: “Que psicodélico!”. mas Carla só leu a primeira. abri uma janela de navegação com a página inicial do infográfico e pedi para que ela navegasse livremente. O movimento e os ruídos no local eram intensos. sempre assistindo aos vídeos e tecendo breves comentários. acima do infográfico. Na primeira casa. Primeiro. clicou no play para poder assistir ao restante. Ao fim da página. Depois. que a navegação havia terminado. continuou a seguir a ordem das casas até a última. O vídeo só apresentava metade do clipe. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 Observando a navegação Observação 1: Carla A estudante de jornalismo Carla8 diz gostar muito de Internet. Costuma acessar diariamente portais nacionais e internacionais de notícias. Carla apresenta um domínio grande da linguagem audiovisual e comenta. Ela também se autodenomina uma pessoa muito visual. 8 Os nomes dos observados foram trocados. e foi direcionada à pagina inicial do site da revista. A matéria tinha oito páginas. Carla leu o texto de abertura e clicou num link que levava à reportagem escrita sobre Mallu Magalhães. mas não pareceram dispersar a atenção da observada. voltou ao ambiente do infográfico e continuou sua navegação. Após isso.

ainda. Jonas não permaneceu mais do que oito minutos na navegação. Carla considerou atrativos os textos curtos. que imitava madeira e remetia ao folk. seguiu a ordem das casas. uma maneira rápida de conhecer a história de Mallu Magalhães. sim. 8 . Disse que. Observação 2: Jonas O estudante de direito Jonas. No início. tal qual Carla. mas não soube precisar quais. Também como Carla. para ler a reportagem depois – o que não chegou a fazer. utiliza a Internet diariamente para ler notícias e comunicar-se. despertavam curiosidade para saber mais sobre a cantora. Só depois. Ela se admirou com os tantos recursos empregados numa única matéria e afirmou que o jornalismo deveria apostar nesse modelo mais vezes. para receber as notícias diretamente na caixa de e-mail – inclusive. devido ao seu tempo escasso. No entanto. estilo musical da cantora. quanto profissionalmente. considerando-a lúdica e divertida. com ruídos ocasionais de cafeteiras funcionando e pessoas conversando. Seus movimentos pareceram mais rápidos que os de Carla (menos contemplativos. assim como os trechos de vídeos. Jonas não conhecia o infográfico Mallu Magalhães. É usuário de programas de bate-papo e de redes sociais. Percebeu. percebeu que era uma reportagem. apesar de nunca ter lido muito sobre ela. intuitivamente. frequenta blogs e sites de notícias. segundo ela. mostrou certo conhecimento sobre a cantora – quem era. que a reportagem escrita (fora do ambiente do infográfico) continuava. suas músicas e sua relação com Marcelo Camelo –. mas preferiu voltar ao tabuleiro. nem que havia quadros de texto em todas as casas do tabuleiro. Entretanto. mesmo sabendo que elas poderiam ser acionadas fora de ordem. Além disso. Quando perguntada sobre por que não havia clicado na casa três. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 Carla disse que o primeiro elemento do infográfico a chamar sua atenção foi o banner com o título Mallu Magalhães a girar no canto superior esquerdo da tela. ela afirmou não ter reparado. O ambiente – o mesmo bar – estava mais tranquilo do que na primeira observação. Esses. pensou que o site fosse da própria Mallu. o infográfico parecido com outras reportagens que ele vira na Web. optou em assinar newsletters de alguns portais. a observada gostou da experiência. até por causa da estética. A navegação ocorreu às 17 horas e 30 minutos. Considerou. Também não percebeu que havia faixas de áudio em alguns momentos. tanto com amigos. eram.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. A observada também gostou da construção em forma de jogo interativo. Não costuma acessar sites como o YouTube e só assiste a vídeos na Web quando alguém os envia por e-mail. as notícias da revista Bravo!. No geral.

Também não gostou dos recursos multimidiáticos. ouviu um trecho da entrevista em áudio e a pausou. Foi à casa dois. na entrevista. onde pausou o vídeo para poder ler o texto. Quando começou a exploração. Não se interessou pela entrevista em áudio. assistiu ao clipe dos Beatles e também o pausou. então. a própria presença do pesquisador no ambiente pode modificar a 9 No infográfico. Passou a percorrer as capas das seções do site. assim que passou a percorrer outros pontos do hipertexto. onde leu o texto e observou a fotografia. Acionou a casa três. ele apenas dava uma olhada superficial pelos textos. Decidiu. As instruções dadas e o equipamento utilizado por ele foram os mesmos que a Carla. assim. ficou atento ao videoclipe de Mallu Magalhães. o exercício fazme indagar até que ponto uma observação. Não exclamou. como em casa. ou pelos demais vídeos. na verdade. mas. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 talvez). Apesar de ter se interessado pelo tema do infográfico. clicar na casa oito. concentrados. clicou na primeira casa. Considerações finais No exercício apresentado. cuja canção ele conhecia e gostava. os observados poderiam sentir-se menos pressionados. não será artificializada. mais ou menos à metade da navegação. Por outro lado. como Teatro & Dança e Cinema. Mais tarde. por mais que aconteça num ambiente natural. 9 . o observado esclareceu que. mas igualmente atentos. para ele. Numa situação mais natural. Depois. Percebeu. procurar reportagens de seu interesse no site da revista. os vídeos rodam automaticamente. clicava nela e lia a reportagem. é melhor ter a opção de assistir ou não ao vídeo 9. aparentemente até o fim. resolvendo. Afinal. Quando encontrava uma manchete de seu interesse. para não haver distrações desagradáveis. até terminar a navegação. os sujeitos foram. clicou nessa e foi para a capa do site. Ao serem convidados a navegar num site para fins de observação. Percorreu o cursor para verificar quais casas eram clicáveis. compelidos a aterem-se à atividade. ou esboçou comentários em momento algum. algumas mediações foram certamente “forçadas”. Jonas considerou as informações pouco profundas – ele prefere reportagens mais longas. O rapaz começou assistindo ao videoclipe inicial.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. verificou que não havia mais o que ver ali. de certa forma. a barra da Bravo!. atendo-se somente ao que despertasse mais interesse. observou a foto ilustrativa da seção e leu o texto de abertura. Nesse momento. por fim. Jonas interrompeu o trajeto pelo infográfico.

2004. Por fim. 10 . LÉVY. 2009. outros infográficos seguirão estruturas parecidas. 10 No mais. vindo de uma cultura mais letrada. a trajetória de cada sujeito configura sua maneira de ler/perceber o hipertexto: a estudante de jornalismo. o fato de que os dois são estudantes universitários. Não se trata de um ambiente hostil. em certa medida. ele é mais afoito. seguindo uma ordem cronológica. ainda que Jonas prefira produtos menos multimidiáticos. 171-188. 2008. por exemplo –. São Paulo. pensar em maneiras de aproximação. o costume de ambos de utilizar a Internet com frequência e o domínio que têm da linguagem hipertextual.uol. FERRERES. Rio de Janeiro: Editora 34. Bravo!. 2009. também. p. Infografia Periodista.tintachina. em alguma medida. então. natural aos observados. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 conduta dos observados10. provavelmente habituados a realizarem análises críticas em sala de aula. Último acesso em: 15 set. penso que o ambiente é. é determinante para uma maior compreensão da história contada. Possivelmente. ainda que um espaço público como o bar impeça certa naturalidade – pés descalços para maior conforto. Ao mesmo tempo. GUBER. Outro ponto importante são as competências tecnológicas. 134. reitero que a maneira como o infográfico é apresentado. Armando. para que a observação não censure ou melindre os observados.br/conteudo/musica/musicamateria_346048. nem ter conhecimento prévio para entender a trajetória de Mallu Magalhães. presta mais atenção aos vídeos e os critica em aspectos técnicos. La observación participante: nueva identidad para una vieja técnica.com/docs/ infografia_periodistica_1995. Buenos Aires: Paidós. midiáticas e culturais de cada pessoa. Rosana. Há.pdf>. as aparentes diferenças de personalidade – ela é mais distraída. In ______. out. Pierre. Como o exercício evidenciou. Referências ANTENORE. Gemma.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. pois costumam frequentá-lo em outras situações. considera superficiais os textos curtos.abril. caso os autores optem pelo uso de múltiplos recursos midiáticos. que ambos apresentam. o estudante de direito. Revolucionária aos 16 anos. acostumada com conteúdos audiovisuais. n. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Disponível em: <http://www. ou laboratorial. Cabe.com. 1993-2001. uma vez que não é preciso perder-se em trilhas. apesar das muitas mediações que podem intervir na recepção do leitornavegador. Disponível em <http://bravonline. o conhecimento musical. 203 p. diminui o risco de stress cognitivo. Há. uma série de pormenores a serem investigados.shtml>. El salvaje metropolitano: reconstrucción del conocimiento social en el trabajo de campo. enfim. Último acesso em: 16 set.

Estudios sobre el mensaje periodístico. 2008. In: VI ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM JORNALISMO. WANDELLI. n. 11 .br/~fontes/ atividade/17Marcus. p. 2009. Disponível em: <http://www. Tattiana. RINALDI.ucm.es/BUCM/revistas/inf/11341629/articulos/ ESMP0101110383A.br/flash/mallu/>.com. Promessas para o futuro: as características do infográfico no ciberjornalismo a partir de um estudo exploratório. mai. Campinas. Madrid.III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte. 2008. Linearização. v. Cognição e Referência: o desafio do hipertexto.kamotini. Disponível em: <http://sbpjor. São Paulo. Ramón.abril.pdf>.net/ sbpjor/admjor/arquivos/coordenada8tattianateixeira. Leituras do Hipertexto: viagem ao dicionário Kazar. TEIXEIRA.kinghost. 3. 2003. Aproximación al concepto de multimedia desde los planos comunicativo e instrumental. 2001. Línguas e instrumentos lingüísticos. 2009. Disponível em: <http://www. Último acesso em: 15 set. Luíz Antônio. 2009. Infográfico disponível em: <http://bravonline. SALAVERRÍA. Último acesso em: 16 set. MG – 29 a 31 de outubro de 2009 Mallu Magalhães. MARCUSCHI. Último acesso em: 15 set. Raquel.pdf>. 277 p. 383-395. São Paulo: Imprensa Oficial SP.PDF>. Mayara. Banco de dados. 2009.pucsp. São Paulo: Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. 1999. Último acesso em: 15 set.7.

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