Luta

Setembro 2006

Social
nº19

Boletim da Associação de Classe Interprofissional

CRÓNICA DA GUERRA DE CLASSES
Setembro 15, 2006 Ministra da Educação: quando a imaginação não tem limites Os pais das crianças da aldeia do Granjal em vez do transporte escolar foram convidados a fazer seguir os filhos na camioneta da carreira claro sem nenhum acompanhamento. Explicação do autarca José Mário Cardoso dada ao jornal Público de dia 14 « como o transporte das crianças é feito numa carreira pública a lei não prevê acompanhamento ». Está bem visto então não está? Mas não é só a imaginação que não tem limites a pouca vergonha também parecem não ter. O mesmo autarca justificou o pedido para as crianças levarem os pratos de casa para tomarem as refeições na escola Sernancelhe assim « a ideia era como as crianças estavam deslocadas da sua terra se sentissem mais em casa ». Conseguem imaginar melhor solução para a falta de recursos de um refeitório escolar? […] Setembro 15, 2006 PRIMEIRO DIA DE AULAS DE UM ANO LECTIVO QUE SE ANUNCIA CONTURBADO […]

Associação de Classe Interprofissional já tem um sítio Internet: www.acinterpro.org

A ASSEMBLEIA GERAL DE SÓCIOS DA AC-INTERPRO APROVOU, A 16 DE SETEMBRO PASSADO, AS VERSÕES DEFINITIVAS DA PLATAFORMA REIVINDICATIVA GERAL E DA DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS. CONSULTA O NOSSO SITE OU CONTACTA-NOS : ACINTERPRO@MAIL.COM

PARTICIPA, TRAZ IDEIAS, COLABORA NA DIFUSÃO DESTA INICIATIVA:

JORNADAS INTERPROFISSIONAIS A partir de 13 de Outubro e até 24 Nov. Biblioteca-Museu da República e Resistência
Rua Alberto de Sousa, 10-A, Zona B do Rego, Lisboa

OS ALUNOS SÃO ATULHADOS EM ESCOLAS A REBENTAR PELAS COSTURAS, COM TURMAS ATÉ AO LIMITE (QUANDO NÃO MAIS) DA SUA CAPACIDADE (O NÚMERO MÁXIMO DE 28 ALUNOS POR TURMA NÃO PERMITE QUALQUER ENSINO DIFERENCIADO, LOGO A QUALIDADE DAS APRENDIZAGENS É QUE IRÁ SOFRER). ENTRETANTO, DESACTIVAM-SE ESCOLAS COM ÓPTIMO POTENCIAL (COMO A ESCOLA SEC. D. JOÃO DE CASTRO,

Sexta 13 de Outubro, 18:30. Debate: Precariedade Laboral e Social Sexta 27 de Outubro, 18:30. Debate: Privatização da Educação Dom. 29 de Out. , 10:00. Visita a locais sindicalistas da Lisboa (encontro: Rossio) Sexta 10 de Nov., 18:30. Debate: Acidentes de trabalho, que prevenção?

Sexta 24 de Nov., 18:30. Debate: Globalizando a luta de classes em Portugal

RECONHECIDAMENTE UMA DAS MELHORES ESCOLAS DA CAPITAL), OU DECRETA-SE A EXTINÇÃO DE ESCOLAS DO PRIMEIRO CICLO (1500 SÓ ESTE ANO LECTIVO!) SUPOSTAMENTE PARA MELHORIA DA QUALIDADE, NA VERDADE PARA FAZER ECONOMIAS COM O PESSOAL. NA VERDADE, ESTÁ-SE TAMBÉM A CONDENAR UMA SÉRIE DE ALDEIAS QUE SÃO FUNDAMENTAIS NA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO NACIONAL, ACENTUANDO-SE A LITORALIZAÇÃO E URBANIZAÇÃO, O ABANDONO DOS CAMPOS, ENFIM INDO ACUMULAR DESIQUILÍBRIOS EM VEZ DE OS ELIMINAR OU MINORAR […]

COMUNICADO DE AC-INTERPRO: Apoio aos trabalhadores de Mercadona

Setembro 11, 2006 Sindicatos de professores ameaçam Governo com "rotura negocial" «Os 13 sindicatos de professores que estão a discutir com o Ministério da Educação a revisão do Estatuto da Carreira Docente admitem uma "rotura negocial", caso a tutela mantenha uma postura de intransigência e inflexibilidade»

Os trabalhadores filiados na Confederação Nacional do Trabalho/Associação Internacional dos Trabalhadores (CNT/AIT) no Centro Logístico de Barcelona do Supermercado MERCADONA, encontravam-se em greve desde 23 de Março deste ano e neste momento vão fazer greve todas as sextas-feiras pelas seguintes razões: - Readmissão dos 3 trabalhadores despedidos; […] - Pagamento da meia hora de descanso, que deixou de contar para efeitos de contagem de tempo efectivo; Setembro 07, 2006 - Cumprimento das normas de segurança e higiene no trabalho; Trabalhadores da Opel da - Fim das perseguições e intimidações dos trabalhadores; Azambuja: há dois dias em greve - Reconhecimento da CNT-AIT, assim como dos seus delegados; […] - Introdução de uma cláusula de garantia de trabalho (em caso de A fábrica irá despedir 1200 despedimento julgado sem justa causa, ser o trabalhador a decidir se trabalhadores, sendo porém uma regressa ou não ao seu posto de trabalho). das mais eficazes na produção. Cerca de vinte trabalhadores estiveram em greve durante quatro meses, Os gestores conseguiram que o governo aceitasse o fecho e graças à onda de SOLIDARIEDADE nacional e internacional, que manteve de agora estão dispostos a pé a luta acessa por melhores condições de vida e de trabalho. espremer até ao tutano os seus O exemplo destes trabalhadores deve ser tornado público e divulgado que operários, para depois nem ainda existe lutas laborais que exigem ser levadas até às últimas sequer cumprirem com as consequências quando se trata de defender os trabalhadores, coisa que as compensações que estavam (nossas) centrais sindicais portuguesas deixaram de fazer à muito tempo, por negociadas. É necessária solidariedade entre que estão no mesmo barco do governo e do patronato na política de trabalhadores do mesmo e de concertação social.
outros ramos. Mas onde estão os sindicatos, que deveriam promover e mobilizar para o efeito?

VIVA O EXEMPLO DOS TRABALHADORES DA MERCADONA! VIVA A CLASSE EXPLORADA! VIVAM OS TRABALHADORES DE TODO O MUNDO! ASSOCIAÇÃO DE CLASSE INTERPROFISSIONAL!

Setembro 04, 2006 A propósito do 5º aniversário do 11 de Set. de 2001 Ninguém saberá ao certo como ocorreu o 11 de Set. 2001.

Todas as pessoas que iam com os terroristas nos aviões estão mortas. O registo das conversas das caixas negras pode estar ou não manipulado. Ninguém saberá jamais todos os detalhes. Dirão uns que foi um grupo de Al Quaida, dirão outros que foi uma conspiração pela própria administração Bush. Mas o que importa é sobretudo o que daí adveio. […] Setembro 02, 2006 Fecho de Escolas em Portugal: números de um crime contra a educação e a cultura, a autonomia e a vida nas aldeias […] 239 Número de escolas EB 1 que podem fechar as portas só no distrito de Bragança. 179 Escolas básicas do 1.º ciclo do distrito da Guarda atingidas pelo encerramento. 153 Estabelecimentos de Ensino Básico do 1.º ciclo previstas para fechar no distrito de Viseu. 127 Escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico que se prevê sejam encerradas no distrito de Braga. 87% Percentagem de escolas básicas do primeiro ciclo existentes no concelho de Foz Côa que se espera que venham a fechar. […] Agosto 31, 2006 Pessoal não docente das ESCOLAS PÚBLICAS, a contrato temporário até ao fim da vida?

Chile: O outro 11 de Setembro

No passado 11 de Setembro tiveram lugar no Chile as tradicionais manifestações em memória das vítimas do regime fascista de Pinochet, tendo sido marcadas este ano por confrontos violentos entre a polícia de choque e jovens encapuçados hasteando a bandeira anarquista. O dia marcou os 33 anos do golpe de estado de Pinochet, quando forças militares cercaram e atacaram o palácio presidencial, La Moneda, matando o presidente democraticamente eleito, Salvador Allende e iniciando um sangrento regime fascista. Este dia tem-se tornado cada vez mais um dia de luta e revindicação no Chile, e este ano não foi diferente, com vários grupos saindo à rua não só para não deixar esquecer as atrocidades do regime Pinochet, mas também para criticar a actual situação do país. Ocorreram confrontos nas ruas de várias cidades, sobretudo entre os jovens encapuçados e a polícia, sendo várias sucursais de bancos e multinacionais destruídas e chegando a ser lançado um cocktail molotov contra o palácio presidencial, fazendo-se imediatamente ouvir as vozes da indignação por este acto. Infelizmente, os actos de violência policial nos meses passados, incluindo várias mortes, não levantaram a mesma indignação e burburinho. Os jovens queimaram também bandeiras do Chile, mostrando o seu desprezo pelo estado e pátria, símbolo omnipresente na capital onde todos os prédios da avenida principal são obrigados por lei a hastear a bandeira chilena nas comemorações da independência que começam nesta altura, sob pena de pagar uma multa de milhares de pesos. Nas televisões e telejornais iniciou-se imediatamente uma operação de propaganda, caracterizando os “anarquistas” como um bando de rufias que defendem o caos, a destruição e a desordem. Foram presas 202 pessoas, tendo sido praticamente todas libertadas neste momento, mas o governo promete já acções de repressão e vigia apertada contra todos os grupos anarquistas. Na imprensa pede-se retaliação dura contra os “vândalos”. O Chile é sem sombra de dúvidas o país da América do Sul mais desenvolvido, com um nível de vida que se começa a aproximar do europeu. Não obstante, a luta social tem-se intensificado, com os estudantes do ensino básico e secundário saindo à rua já há vários meses reivindicando mudanças profundas na política neoliberal de educação seguida pelo governo de Bachelet e seus precursores. No passado dia 12 os professores e estudantes fizeram uma greve de 24 horas, exigindo melhorias salariais e regularização da situação contratual. Mas as exigências deste movimento são mais abrangentes: o objectivo é a revogação da actual lei que rege a educação, promulgada durante o regime de Pinochet. Esta lei encara a educação como um serviço, relegando o papel do estado para simples garante da concorrência, ficando educação a cargo dos municípios, ou seja, só acede à educação de qualidade quem tem meios para tal. A situação do acesso ao ensino superior é igualmente injusta, com propinas proibitivas. A evolução da situação no Chile promete um desenvolvimento interessante com muitos grupos e movimentos activamente empenhados na luta social. Miguel Negrão

[…]

Os 9 mil não-docentes contratados são tão indispensáveis hoje, como no ano anterior, como antes... se os contratos vêm sendo renovados desde o ano escolar de 2002/2003, claramente existe um abuso por parte do Estado, pois este é o 4º ano de renovação […] Agosto 28, 2006 Quando a pretexto de combater a «discriminação etária» se ataca emprego com direitos e Segurança Social

[…]
É preciso ver que as políticas de emprego de Portugal e das «directivas» europeias, são ambas completamente erráticas, causando uma hecatombe em termos de emprego para todas as gerações. O motivo desta hecatombe não é «incompetência». […] Agosto 25, 2006 Salário mínimo de 385,90 euros «Em Portugal, existem pouco mais de cinco milhões de trabalhadores, a esmagadora maioria por conta de outrem. E de acordo com o Eurostat, 5,5% dessas pessoas recebem o salário mínimo, ou seja, quase 285 mil trabalhadores portugueses vivem com 385,90 euros por mês, aos quais ainda têm de fazer descontos para o IRS e a Segurança Social.» […]

No Ateneu de Madrid, pelas 19h. do dia 19 de Julho, realizou-se um acto singelo mas densamente simbólico e de grande significado político, com a inauguração da exposição montada pela CGT de Madrid – Castilla - La Mancha com a colaboração do Ateneu Libertário La Idea e da Fundação Salvador Seguí. Rafael Mestre, da Fundação Salvador Sagui, explicou que a preocupação principal subjacente a esta exposição foi a de mostrar a obra da Revolução Espanhola, as realizações nos diversos domínios da vida, desde a economia e as colectivizações até às ricas e diversificadas formas de promoção de uma arte, cultura e valores libertários e alternativos, que se expandiram no seio do proletariado agrícola e industrial muito antes do acontecimento do 19 de Julho de 1936, que explicam a atitude dos protagonistas nos dias de Julho e nos três anos de luta encarniçada contra o fascismo e contra os que, do lado governamental – a pretexto de disciplinar – quiseram sufocar revolução libertária. Seguiu-se Franck Mintz, da CNT-F, cuja intervenção sublinhou a importância da experiência de autogestão, de colectividades de Aragão e do Levante, das soluções adoptadas em diversos sectores da economia e da sociedade, também nas cidades catalãs e da sua actualidade como objecto de estudo, não por motivos saudosistas, mas porque consistiram num riquíssimo laboratório de experiência libertária, que foi tão longe na aplicação dos princípios a uma escala de uma sociedade inteira, que nunca foi superada desde então. […] A intervenção do professor universitário e militante da CGT Félix Garcia Moriyón chamou a atenção para todo o entorno de uma lei da “memória histórica” que está neste momento em discussão no parlamento, por iniciativa do governo do PSOE, que afinal vai num sentido contrário ao que seriam as nossas reivindicações fundamentais: nomeadamente que sejam revistas as sentenças de vítimas da “justiça” franquista, caso de Granado e Delgado, de Puig Antich e de muitos outros condenados à morte, que deveriam ser homenageados como vítimas e como resistentes, assim como uns largos milhares de sobreviventes dos cárceres franquistas a quem não foi feita a mínima restituição, nem foi limpo o registo criminal, gesto simbólico, que o poder hipócrita, resultante do pacto de Moncloa, não tem a grandeza nem honestidade de efectuar, temendo desagradar a uma nomenclatura franquista bem instalada no poder (basta pensar nas forças armadas, nos tribunais e até nos expoentes de partidos tais como Fraga Iribarne, presidindo ao governo autonómico da Galiza, ministro do Interior de Franco, directamente responsável pela morte de resistentes). A tal lei da memória está sendo encarada pelas forças do arco parlamentar como uma espécie de ponto final, para enterrar por uma segunda vez num mar de olvido os milhões de vítimas inocentes do franquismo. Eles são os dignos herdeiros políticos deste regime que começou com o olvido da chamada “transição”, o que nunca pode ser uma forma saudável de se resolver os dramas do passado. Homenagear sem fazer justiça, eis o “truque” do poder. Manuel Baptista

Agosto 25, 2006

Os poderes municipal e governamental consideram lícito destruir casas de habitação (na Amadora, Azinhaga dos Bezouros) sem sequer avisar os seus moradores, para que estes possam retirar os seus parcos haveres. […]

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