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Relatório de Aula Prática 2 de Toxicologia – VPT 316

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Intoxicação por plantas que contém glicosídeos cianogênicos (Holocalyx glaziovii),
teste do picrato e coleta de amostragem para avaliação de micotoxinas.

Autores: Cintia Maria Monteiro de Araújo, Jaqueline de Oliveira Sena, Mariana Ramos Queiroz e Thiago Luis Santos
Gonçalves

1. INTRODUÇÃO

Plantas cianogênicas são aquelas que contêm como princípio ativo o ácido cianídrico (HCN).
O HCN encontra-se ligado a carboidratos denominados glicosídeos cianogênicos, sendo liberado
sob a forma de cianeto (CNˉ) durante a mastigação ou processamento destas plantas; este
produto é muito volátil e é resultado da ação de enzimas liberadas de vesículas no momento do
rompimento celular (β-glicosidade e hidroxinitrila-liase). Os glicosídeos cianogênicos têm sido
constatados em plantas de muitas famílias, entre elas: as Rosaceae, Leguminoseae, Gramíneae,
Araceae, Passifloraceae e Euforbiceae. Além das plantas, o HCN também é encontrado em
cogumelos, fungos e bactérias.

Plantas cianogênicas

Dentre as plantas cianogênicas mais importantes do Brasil estão as do gênero Manihot
(Euphorbeaceae). A mais conhecida é Manihot esculenta - mandioca brava. Os tubérculos da M.
esculenta são comestíveis e a intoxicação ocorre quando administrados aos ruminantes
imediatamente após a colheita ou durante a fabricação da farinha e outros produtos. O
tratamento dos tubérculos mediante a moagem ou a ralação faz com que percam a toxicidade.

A intoxicação por essa espécie ocorre quando animais famintos invadem culturas, quando as
primeiras chuvas são seguidas de uma estiagem de vários dias e os animais ingerem as plantas
em brotação ou secas, também quando são alimentados com as folhas frescas e/ou tubérculos
sem os devidos cuidados quanto à eliminação do princípio ativo (CANELLA et al., 1968 apud
AMORIM, 2006). Experimentos realizados por AMORIM et al. só conseguiram reproduzir a
intoxicação em bovinos com M. glaziovii a partir de 5g/kg/PV. Já a intoxicação cianídrica em
caprinos com M. glaziovii foi obtida a partir de 6,7 g/kg/pv. A Holocalix glaziovii, uma árvore da
família Leguminoseae-Mimosoideae é, também, cianogênica, mas a intoxicação espontânea por
esta planta nunca foi descrita (ARMIEN et al. 1995 apud AMORIM, 2006).

Glicosídeos cianogênicos: características

O ácido cianídrico responsável pela toxicidade de tais plantas é resultante do
desdobramento dos glicosídeos cianogênicos. Os glicosídeos são produtos secundários do
metabolismo das plantas e fazem parte do sistema de defesa contra insetos, moluscos e
herbívoros. A concentração dos glicosídeos cianogênicos é variável nas diferentes espécies de
plantas, e dentro de uma mesma espécie varia dependendo do clima e outras condições que
influenciam o crescimento da planta como adubação nitrogenada, deficiência de água e idade da
planta, pois quanto mais nova e de crescimento rápido, maior será o seu teor em glicosídeos

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enquanto que o nitrito de sódio induz a formação de metahemoglobina. 2000. Além disso. 2008). O CNˉ reage com o ferro trivalente da citocromo oxidase e forma um complexo relativamente estável. 2008).o tiocianato (SPINOSA. Ele é composto por associação de tiossulfato de sódio (200 mg/mL) com nitrito de sódio (150 mg/mL). Para cada 45 kg de peso vivo.. Por outro lado. Em relação ao quadro respiratório. Sabe-se que cerca de 80% do cianeto absorvido é biotransformado pela rodanase (tiossulfato sulfurtransferase) a um metabólito atóxico . o citocromo-oxidase-CN. andar cambaleante a ponto de o animal cair. Quando o material vegetal é dilacerado. Nos casos mais graves.cianogênicos. 2008). o que dá tempo para a sua eliminação. que se encontram separadas dos glicosídeos no tecido vegetal intacto. o glicosídeo é hidrolisado por ß-glicosidases. que tem alta afinidade pelo cianeto. A administração de tiossulfato pode ser repetida posteriormente. o nitrito não deve ser associado. Glicosídeos cianogênicos: tratamento da intoxicação Se feito a tempo. Glicosídeos cianogênicos: intoxicação A intoxicação aguda por cianeto leva o animal a um quadro de hipóxia e anóxia citotóxica. os sinais de intoxicação cianídrica aparecem logo após ou mesmo durante a ingestão da planta e caracterizam-se por sialorréia. 2000). sendo amplamente distribuído no organismo. e convulsões do tipo tônico-clônicas. o tratamento é muito eficiente. podendo posteriormente sofrer parada respiratória (SPINOSA. A rodanase converte o íon cianeto em tiocianato na presença de cisteína. desse modo. deslocando-o da citocromo oxidase. o animal apresenta polipnéia e dispnéia. os casos de intoxicação ocorrem quando a quantidade ingerida e absorvida ultrapassa esta capacidade de metabolização do CNˉ. entretanto. As membranas apresentam-se. por via intravenosa. principalmente observada nas folhas e sementes em germinação (EGEKEZE & OEHME 1980 apud AMORIM. A absorção do cianeto é rápida. Como a oxihemoglobina não pode liberar o oxigênio para o transporte de elétrons. Essa situação não faz diferença para os ruminantes. paresia. o animal apresenta taquicardia. o sangue apresenta uma coloração vermelho-brilhante (RADOSTITS et al. inibindo. RADOSTITS et al. um aminoácido doador de enxofre.. deve-se administrar 3 mL de tiossulfato de sódio e 1 mL de nitrito de sódio. dispnéia cada vez mais acentuada e coma. Isto se deve a intensa atividade celular. CEREDA 2003 apud AMORIM. mediante a mastigação. Os glicosídeos cianogênicos são hidrosolúveis e potencialmente liberam CNˉ. sem alcançar a dose letal (TOKARNIA et al. 2006). depois cianóticas. espasmos musculares generalizados. inicialmente. interrompendo o transporte de elétrons ao longo da cadeia respiratória. 2006). Seu mecanismo primário de ação relaciona-se com a inibição da enzima citocromo-oxidase e seu local de ação é o ferro da metalo-porfirina. nistagmo e opistótono. uma vez que há a possibilidade de esta substância produzir doses 2 . uma vez que as bactérias ruminais podem hidrolisar os glicosídeos cianogênicos com rapidez. sendo este metabólito eliminado pela urina. por exemplo.. entretanto. o pH ácido do estômago nos monogástricos faz com que as ß-glicosidases não atuem e a liberação do cianeto seja lenta. O tiossulfato se combina com o CNˉ livre para formar o tiocianato. ocorre queda seguida de decúbito lateral. 2000. vermelho-vivas. a cadeia de fosforilação oxidativa (sistema de transporte de elétrons da cadeia respiratória) (SPINOSA. liberando o CNˉ.

5g de ácido pícrico para 100 mL de solução. tais como moer ou secar a planta. 2008). mandioca brava (Manihot esculenta)e alecrim-de- campinas (Holocalyx glaziovii).1) Acompanhamento da progressão de uma intoxicação aguda experimental de bovinos por planta cianogênica. fixa-se uma tira de papel-reagente na tampa (não permitir contato com a amostra) e veda-se o frasco.1. por meio do teste do picrato. Após secas. fazendo-se uso de mistura de grãos de arroz (100 pintados de preto).2) Avaliação. Neste teste. 3. indicará grande quantidade de cianeto na amostra. Se a tira ficar vermelho-tijolo. que deve ser aquecido a 30-35°C por 5 minutos (Figura 1). MATERIAL E MÉTODOS 3. 2. o preparo do papel-reagente é feito molhando-se tiras de papel filtro em uma solução composta de 5g de carbonato de sódio e 0. Glicosídeos cianogênicos: prevenção da intoxicação Pode-se fazer a prevenção de intoxicação por plantas cianogênicas destinadas à alimentação animal por meio do teste do picrato. é necessário realizar procedimentos. 2008). as tiras de papel assim preparadas apresentam-se amarelas. o que acarreta um quadro de cianose – insuficiência de oxihemoglobina para o aporte de oxigênio (SPINOSA. Animais e Condições de Alojamento 3 .3) Simular coleta de amostragem para avaliação da presença de micotoxinas. 2. OBJETIVOS 2.excessivas de metahemoglobina. diminuindo assim a quantidade de glicosídeo cianogênico disponível ao animal (SPINOSA. com monitoramento da sintomatologia apresentada e verificação da eficácia do tratamento. dos níveis de cianeto presentes em amostras de mandioca mansa (Manihot utilissima). Figura 1 – Esquema do teste do picrato 2. O teste é feito a partir de uma amostra do vegetal a ser examinado acondicionada num pequeno frasco (30 a 50 mL). para promover a liberação do cianeto. Nesse caso.

cerca de dez minutos depois. Quando os alunos julgaram necessária a administração do tratamento. um em cada dia. 5 g de carbonato de sódio.1. Os animais foram mantidos em jejum antes da realização do experimento. planta cianogênica da família Leguminoseae-Mimosoideae. Delineamento Experimental 3. Intoxicação do Bezerros: Foi feita a mensuração das funções vitais dos bezerros (frequências cardíaca. Amostragem para avaliação de micotoxinas 4 .3.2. 3.1. 3. Três bezerros.2 g/kg de extrato de Holocalyx glaziovii.3.3. 75 Kg e 130 Kg.) ao final do experimento. Manihot utilissima (mandioca mansa) e Holocalyx glaziovii (alecrim-de-campinas). pesando 125 Kg. foram utilizados por três dias consecutivos.2. para eliminação dos gases.3. nova dose de tiossulfato de sódio. Intoxicação dos bezerros:  Extrato de Holocalyx glaziovii  Nitrito de sódio (250 mg/mL)  Tiossulfato de sódio (200 mg/mL)  Solução de 10 mL de Blotrol® e água 3. Tais amostras foram aquecidas a 33/35°C por 5 minutos. O tratamento foi feito com nitrito de sódio na concentração de 250 mg/mL e tiossulfato de sódio na concentração de 200 mg/mL para cada 45 Kg de peso vivo. 3. respiratória e de movimentos ruminais) antes do início da intoxicação experimental. novas avaliações desses mesmos parâmetros foram feitas a cada cinco minutos para o acompanhamento do quadro.5 g de ácido pícrico. Solução de 10 mL de Blotrol® em água foi administrada (V. fixando à tampa uma tira de papel-reagente preparado anteriormente (embebidos em solução de 50 mL de água. Teste do Picrato Avaliamos 3 amostras de plantas cianogênicas: Manihot esculenta (mandioca brava). Os animais receberam uma solução de 2. Para isso. colocamos amostras de cada uma delas em 3 frascos distintos. 0.2. 3. Soluções. Teste do Picrato:  50 mL de água  5 g de carbonato de sódio  0.3. Reagentes e Substâncias Utilizadas 3. observando-se a nova coloração da tira. esta foi feita por via intravenosa (veia jugular externa) e uma nova mensuração das funções vitais dos animais foi feita para constatação do restabelecimento da normalidade. Repetiu-se.2.5 g de ácido pícrico). Após a administração do extrato de Holocalyx glaziovii através de sonda esofágica (deposição direta no rúmen).O.2.

Peso do bezerro: 125 kg. o bezerro apresentou fasciculações e recebeu o tratamento no minuto seguinte.8 g arroz (cerca de 1717 grãos). devolveu-se o conteúdo do recipiente aos 2 kg. homogeneizando- se bem antes de cada coleta e tomando-se o cuidado de fossem aleatórias (escolher pontos diferentes. RESULTADOS 4. sendo que a cada coleta foram contados os grãos pretos presentes. estimados pela pesagem de 100 grãos – 1.91 g). o bezerro apresentou convulsão tônico- 5 . sem olhar para dentro do pote. O recipiente de coleta tem capacidade de armazenar 32. utilizamos 2 kg de arroz (104712 grãos. glaziovii. Para observarmos a importância da coleta correta de amostras para avaliação de micotoxinas. Estes 100 grãos foram pintados de preto e misturados aos outros. Dia 2 (Grupo 1) Monitoramento das Funções Vitais e Avaliação de Mucosas Freqüência Freqüência Movimentos Mucosa Período Cardíaca (bpm) Respiratória (mpm) Ruminais (m/3’) s Antes da 90 48 3 ++ intoxicação Intoxicação por H. Foram coletadas 10 amostras de arroz. o animal colocou-se em decúbito esternal. Visto isso. tem-se que a proporção entre grãos pretos e brancos é de 1:1047. glaziovii. sendo que seguidos 3 minutos após o tratamento o animal já estava em estação.63 grãos pretos em cada amostra. sendo posicionado em decúbito lateral.: 10 minutos após a intoxicação por extrato de H. 4. Intoxicação dos bezerros Dia 1 (Grupo 3) – Monitoramento das Funções Vitais e Avaliação de Mucosas Freqüência Freqüência Movimentos Mucos Período Cardíaca (bpm) Respiratória (mpm) Ruminais (m/3’) a Antes da 92 50 1 ++ intoxicação Intoxicação por Holocalyx glaziovii (logo após mensurações) 5 min após 180 34 0 +++ intoxicação Tratamento – 6 min após a intoxicação 10 min após 81 24 1 ++ intoxicação OBS.1. via IV. em 11 minutos a contar da administração do extrato. glaziovii (logo após mensurações) 5 min após 148 24 0 + intoxicação 10 min após 130 26 0 + intoxicação Tratamento – 12 min após a intoxicação 17 min após 84 28 2 ++ intoxicação OBS.: Após 5 minutos da administração do extrato de H. o animal caiu em decúbito lateral. que era escuro justamente para evitar que o resultado fosse tendencioso). Passados 2 minutos da administração do nitrito de sódio + tiossulfato de sódio. sendo esperados 1. depois disso.

clônica. Os gráficos a seguir ilustram os parâmetros vitais mensurados ao longo dos experimentos. O tratamento foi feito 12 minutos após a intoxicação.3 ºC) e após o 2º tratamento (38. Frequência Cardíaca (bpm ) 220 200 196 180 180 160 160 148 140 130 FC (bpm) 120 108 100 92 90 81 84 80 80 60 40 20 0 antes da intoxicação 5' após intoxicação 10' após intoxicação ≈ 15' após intoxicação B ezerro 1t (min) Bezerro 2 B ezerro 3 6 . glaziovii (logo após mensurações) 5 min após 196 45 0 ++ intoxicação 1º Tratamento – 7 min após a intoxicação 10 min após 160 70 0 +++ intoxicação 2º Tratamento – em 8. ficando em estação 4. Peso do bezerro: 75 Kg Dia 3 (Grupo 2) Monitoramento das Funções Vitais e Avaliação de Mucosas Freqüência Freqüência Movimentos Mucosa Período Respiratória Cardíaca (bpm) Ruminais (m/3’) s (mpm) Antes Intoxicação 80 35 1 + Intoxicação por H.2 ºC). sendo que passado 1 minuto o animal estava em decúbito esternal.: O bezerro apresentou tremores depois de aproximados 4 minutos após a intoxicação.5 minutos após o tratamento. Peso do bezerro: 130 kg. Foi mensurada a temperatura antes da intoxicação (38.5 min 5 min após 2ª aplicação do 108 35 1 + tratamento OBS.

2. Amostragem para avaliação de micotoxinas 7 . Figura 2 – Resultados das reações do teste do picrato (as fitas apresentam colorações menos intensas do que as citadas. a fita da mandioca brava apresentou-se alaranjada. visto que a reação cessa à medida que o tempo passa). Frequência Respiratória (m pm ) 80 70 60 50 48 FR (mpm) 45 40 34 35 35 26 28 24 24 20 0 antes da intoxicação 5' após intoxicação 10' após intoxicação ≈ 15' após intoxicação Bezerro 1 t (min) Bezerro 2 Bezerro 3 Movim entos Rum inais (m/3min) 4 3 3 MR (m/3min) 2 2 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 antes da intoxicação 5' após intoxicação 10' após intoxicação ≈ 15' após intoxicação Bezerro 1t (min) Bezerro 2 Bezerro 3 4. as colorações de cada fita foi observada (Figura 2): a fita correspondente à mandioca mansa apresentou-se amarela. com discreta tonalidade laranja. 4. tendendo ao marrom e a correspondente ao alecrim-de- campinas mostrou-se escurecida (vermelho/marrom tijolo). Teste do Picrato Após decorridos os 5 minutos necessários para a volatilização do cianeto e reação com a fita-reagente.3.

Essa resposta tão rápida se deve a dois fatores evidentes: 1) o jejum ao qual o bezerro foi submetido. O cianeto liberado quando a integridade da planta é quebrada se liga a essa enzima. espasmos musculares e membranas avermelhadas. colocando-se de pé e com funções vitais próximas do normal cerca de cinco minutos após. espasmos musculares. Taquicardia. Os demais sintomas também foram observados: taquicardia. Em todos os casos. sendo que um minuto depois o animal cambaleou e foi colocado em decúbito lateral e. o animal apresentou melhora no tempo de um a dois minutos. o que aumentou a velocidade de absorção do princípio ativo tóxico. e o tiossulfato de sódio se combinar ao cianeto livre. apenas cinco minutos após a exposição. portanto. ao receber o tratamento.6 Pretos Obtivemos. Tendo em vista o mecanismo de ação pelo qual ocorre a intoxicação por Holocalyx glaziovii.1. DISCUSSÃO 5. Intoxicação dos bezerros O primeiro animal apresentou o quadro de intoxicação apenas três minutos após a administração do extrato de Holocalyx glaziovii. atonia do rúmen. o tratamento feito com nitrato de sódio e tiossulfato foi eficiente pelo fato de o nitrato de sódio formar metahemoglobina. o que pode ser proveniente de uma variação individual ou de um erro no momento da captação do dado. 5. formando tiocianato. que retira o cianeto da citocromo-oxidase. O animal 2 apresentou. a média de 1. O tratamento foi feito antes que o animal apresentasse convulsão (cerca de sete minutos após a administração do agente tóxico). Isso confirma que a resposta é dose dependente. 8 .6 grãos pretos por amostra coletada. houve a necessidade de realização do tratamento para que o animal não apresentasse convulsões. os mesmos sinais de intoxicação vistos no animal 1 acrescidos de convulsões do tipo tônico-clônicas. atonia ruminal. Já o animal 3 apresentou aumento da frequência respiratória ao invés da queda observada nos demais. fazendo com que o sistema de transporte da cadeia de elétrons seja paralisado. formando cianometemeglobina. bradipnéia.8 g/amostra) 1 Médi Amostra 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 a Grãos 4 0 0 2 2 1 1 3 2 1 1. Pode-se supor duas razões para a ocorrência dessas convulsões: o reduzido peso do animal e a demora na realização do tratamento (cerca de doze minutos após a administração da planta). andar cambaleante e membranas avermelhadas apresentados pelo bezerro são devidos à maior ocorrência da enzima citocromo-oxidase estar nos tecidos que apresentam elevado metabolismo oxidativo. 2) a quantidade de extrato administrada ao animal. como o sistema nervoso central e a musculatura cardíaca. A contagem dos grãos pretos em cada amostra encontra-se na seguinte tabela: Amostragem de Arroz (32. num tempo parecido. causando hipóxia e anóxia citotóxica e ocasionando a sintomatologia apresentada.

sendo a planta que possui maior teor de glicosídeos cianogênicos dentre as amostras analisadas. a prevenção é a medida mais eficaz de se evitar perdas econômicas. deve-se tomar cuidado com a dose de nitrato de sódio administrada. 6. da moagem ou secagem das plantas que apresentarem níveis altos de cianeto e da exposição prévia dos animais a referido tipo de planta para induzir a produção da enzima rodanase. CONCLUSÃO Embora a intoxicação por plantas cianogênicas seja uma das poucas intoxicações que tem tratamento específico. 8 e 9) ou subestimar (amostras 2.2. esculenta) e pela mandioca mansa (M. Amostragem para avaliação de micotoxinas Comparando-se a média obtida pelo experimento (1. No entanto.6 grãos pretos por amostra) àquela calculada inicialmente (1. Teste do Picrato O teste do picrato permite a avaliação qualitativa da quantidade de cianeto presente em uma amostra de planta cianogênica. pode-se inferir que este experimento foi válido para constatar que a execução correta do método de coleta de amostras (numerosas e aleatórias) garante um resultado fidedigno para o laudo a ser dado numa avaliação de micotoxinas. dado a rapidez com que ocorre a morte.63 grãos pretos por amostra). aumentando a tolerância do animal à alimentação oferecida. que transforma o cianeto em tiocianato. Uma única amostra ou poucas podem superestimar (amostras 1. Visto isso.que é atóxico. 5. pois.3. 6. BIBLIOGRAFIA 9 . já que muitas plantas cianogênicas são utilizadas na alimentação animal. com recuperação imediata. pois a metemoglobina possui baixa afinidade por O2 e em altas concentrações pode levar o animal à morte num quadro de cianose. 6. por exemplo. seguido pela mandioca brava (M. 3. o método permite que uma amostragem seja coletada e analisada de modo mais fiel à condição real. para a identificação de plantas que possam colocar em risco a saúde dos animais. 7 e 10) o valor verdadeiro de micotoxinas presente num carregamento de cereais. pode-se concluir que é eficiente para o fim ao qual se destina. 5. o alecrim-de-campinas (Holocalyx glaziovii) causou a maior alteração de cor na fita. Essa prevenção de intoxicação por plantas cianogênicas pode ser feita realizando-se o teste do picrato. evitando as intoxicações por erro no manejo de tais plantas. 5. como visto. Assim. na maioria das vezes os animais acometidos são encontrados mortos. utilissima). esta última possui quantidades muito baixas de cianeto. 4. Como era esperado. temos que este teste é de essencial importância para a avaliação da necessidade de se tratar o vegetal antes de introduzi-lo na alimentação dos ruminantes. Quanto à técnica de coleta de amostras para avaliação de micotoxinas.

Intoxicações por Plantas Cianogênicas no Brasil. S. 16(1):17-26.. 10 . L.. RIETCORREA F. 2008. SPINOSA. S. 2006. J. Ciência Animal.L. M. MEDEIROS. R. T... Toxicologia Aplicada à Medicina Veterinária.AMORIM. Barueri: Manole. GÓRNIAK. H.S. PALERMO-NETO.