You are on page 1of 18

Antônio

Luiz
Ferreira
Advocacia S/S
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ (A) DE DIREITO DO
JUIZADO ESPECIAL DECUIABÁ - MT

EUMAR ROBERTO NOVACKI, brasileiro, casado, oficial da


Polícia Militar, portador da cédula de identidade n. 878.972 PM/MT e inscrito no CPF/MF
sob o n. 781.595.981-49, residente e domiciliado na Rua dos Jasmins, 185, Residencial
Cuiabá, Condomínio Florais, nesta Capital, por seu advogado, abaixo assinado, ut
instrumento procuratório anexo, doe. 1. com escritório profissional situado no endereço
constante do rodapé, onde recebe as intimações e demais comunicações forenses de
estilo, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente

RECLAMAÇÃO

Av. Historiador Rubens de Mendonça,


917, 6° andar, salas 601/602, bairro Baú
Cuiabá - Mato Grosso, CEP: 78008-000
Fone/fax: (65) 3624-7133
e-mail: adva]ferreira(S),terra.com.br
Advocacia

em face do site MIDIANEWS - Credibilidade em tempo real, pessoa jurídica de direito


privado, com sede na Av. Lavapés, 212, sala 401, bairro Duque de Caxias, CEP 78043-
900, nesta Capital, pelas razões de fato e de direito que doravante passa a alinhavar:

l - DOS FATOS

No dia 24 de junho do corrente ano o empresário Pérsio


Briante prestou depoimento, de caráter sigiloso, ao Ministério Público Estadual,
conforme se infere do termo de oitiva em anexo, doe. 2.

Durante o seu depoimento, que foi tomado em procedimento


extrajudicial inquisitorial, ou seja, sem a participação dos acusados e/ou seus
defensores e sem a observância do contraditório e da ampla defesa, o referido
empresário fez declarações por meio das quais imputou fatos inverídicos e criminosos
ao reclamante, ao ex-governador do Estado e a alguns outros Secretários de Estado,
conforme se comprova dos seguintes trechos constantes no citado termo de oitiva, in
verbis:

"(..-) afirma, o declarante que desde o primeiro encontro ficou acertado


que era necessário um preço cheio em razão de que os fornecedores
deveriam devolver uma parte do pagamento que seria efetuado pela
compra em comento a integrantes do governo do estado, sendo que
estavam negociando se devolveriam cinco por cento ou dez por cento
(...)

"(...) que nessa ocasião VILCEU MARCHETI estava muito tranqüilo e


afirmou ao declarante que esse dinheiro estava sendo arrecadado por
si e que se destinava a subsidiar a campanha do então
GOVERNADOR BLAIRO MAGGI, sendo que estava solicitando tal
quantia, cinco por cento do contrato do declarante, em nome do então
governador BLAIRO MAGGI, bem como em nome do então
secretário EUMAR NOVACK; que VILCEU MARCHETI falou
abertamente que os cinco por cento deveriam ser entregues em
dinheiro vivo e qual tal quantia se destinava à campanha do então
governador BLAIRO MAGGI, que queria em dinheiro e que era para o
declarante se virar para pagar (...)" (grifo do reclamante)
Advocacia

" (...) Passado alguns dias a pessoa de VILCEU MARCHETI começou


a pressionar o declarante, cobrando insistentemente o valor dos
cinco por cento, sendo que o declarante começou a fugir do então
secretário, chegando a viajar para o exterior para evitar o seu
assédio (...)"(grifo do reclamante)

"(...) Afirma de forma categórica que realmente o pregão estava viciado


desde o seu início e, como a coisa é grande demais e não foi possível
manter o sigilo dos fatos, foram obrigados a fabricar documentos e
inventar versões no sentido de se encobrir a sujeira do governo e do
governador BLAIRO MAGGI (...)"

Faz-se necessário ressaltar que as assertivas acima


reproduzidas somente chegaram ao conhecimento do reclamante e do público porque
foram, irresponsavelmente, publicadas pela reclamada, por diversas vezes, conforme se
infere do conjunto de documentos em anexo, doe. 3.

Frise-se, inclusive, que o agropecuarista Vilceu Marcheti,


que teve o seu nome citado de forma irregular e irresponsável no depoimento prestado
por Pérsio Briante, declarou, perante o 6° Serviço Notarial e Registro de Imóveis de
Cuiabá, que as informações desse empresário são absolutamente inverossímeis, tendo
em vista que nunca falou em nome do reclamante e de Blairo Maggi, a fim de solicitar
qualquer valor em dinheiro para a campanha política e muito menos para tratar do
contrato de licitação de aquisição de máquinas para o Estado de Mato Grosso, conforme
se infere do instrumento público em anexo, doe. 4.

Salienta-se, ainda, que as declarações sigilosas e


inverídicas do empresário Pérsio Briante foram disponibilizadas de forma irresponsável
pela empresa reclamada, uma vez que são dados sigilos do inquérito do caso dos
maquinários, motivo pelo qual não poderiam, de forma alguma, serem publicados.

Desse modo, por não serem verdadeiras as citadas


reportagens, elas constituem, indiscutivelmente, ilícitos que devem ser apurados por
esse juízo, uma vez que, insofismavelmente, se tratam de calúnia, difamação e injúria
Advocacia

assacadas contra a pessoa do reclamante, homem público, probo, de reputação ilibada


e cumpridor de todas as suas obrigações profissionais e pessoais.

Destaca-se, também, que, tanto nas páginas onde foram


publicadas as matérias relativas ao depoimento do empresário Pérsio Briante quanto
naquelas onde foi divulgada a decisão que liminarmente anulou a promoção do
reclamante ao cargo de Coronel da Polícia Militar, foram feitos diversos comentários
anônimos, em espaço criado pela reclamada especialmente para esse fim, em sua
grande maioria com conteúdo depreciativo, humilhante e desagradável a respeito
do autor desta reclamação e da sua família.

Frise-se que essas mencionadas opiniões somente são


publicadas após passar pelo crivo da reclamada, ou seja, o site MidiaNews, que além de
veicular, de forma tendenciosa e irresponsável, trechos e informações sigilosas de
processo extrajudicial que sequer foi finalizado, permitiu, também, a publicação
anônima de inúmeros comentários que depreciaram e denegriram a pessoa do
reclamante, contrariando a finalidade de informar.

Observa-se, ainda, que a reclamada se valeu de ilações e


"tendencionismo" para manipular a opinião dos leitores e denegrir a imagem do
reclamante perante a sociedade.

Não se trata, pois, o caso em questão, de diversidade de


idéias, e sim de um posicionamento tendencioso, posto que da leitura das matérias ora
juntadas pode-se verificar o interesse da reclamada de querer manipular a opinião
pública, passando uma visão errônea à população. Isso certamente com o objetivo de
ver o reclamante punido implacavelmente pela sociedade, sem que tenha sido sequer
indiciado em procedimento policial, ou condenado pelo cometimento de algum crime.
Advocacia

Ademais, embora a reclamada tenha direito a liberdade de


imprensa e de expressão, conquanto direitos constitucionais fundamentais, estes não
são absolutos, tendo em vista que se esbarram noutros preceitos fundamentais: o direito
à intimidade e imagem.

Sendo assim, resta induvidosamente caracterizado que a


empresa reclamada se valeu das supostas e ainda não caracterizadas fraudes na
aquisição dos maquinários integrantes do Programa UMT 100% Equipado", para
impregnar ao reclamante a pecha de corrupto.

Destaca-se, inclusive, que a reclamada se esqueceu que


nada de conclusivo foi apurado até então, sendo, no mínimo, ato de irresponsabilidade e
leviandade utilizar depoimento sigiloso e afirmar categoricamente que houve
superfaturamento, corrupção e desvio de dinheiro para a campanha política.

Além disso, insta salientar novamente que o reclamante não


foi indiciado, tampouco incluído no pólo passivo do processo dos maquinários, tendo em
vista que não há qualquer indício de envolvimento dele no suposto esquema. Frise-se,
inclusive, que ele sequer foi ouvido pelo delegado e promotor de justiça responsáveis
pelo citado caso, tampouco foi demandado em juízo com relação a esses fatos, ou seja,
diferente do que afirma a reclamada, nada de concreto e absoluto há contra o
reclamante.

Ressalta-se, ainda, que o reclamante é possuidor de um


excelente histórico escolar e profissional, bem como de uma conduta e reputação
ilibadas, conforme se infere dos documentos ora jungidos, doe. 5. e dos trechos
extraídos da revista Academia de Polícia Militar - Escola de Líderes, cujo texto foi assim
redigido:
Advocacia

"(...j O CAP PM Eumar Roberto NOVACK1, fora eleito como


representante de uma nova geração de oficiais formado pela
Academia de Polícia Militar Costa Verde MT,
Um garoto que prestes a completar 17 anos de idade, teve convicção
de que seguiria a carreira militar, seria Oficial da PMMT. E assim o
fez. de maneira brilhante, formou-se na primeira turma do Curso de
Formação de Oficiais de nosso Estado (...)"

" (...) Tido pela sua turma como um bom amigo e pelos oficiais e
instrutores da época como um líder natural da turma pioneira,
buscava sempre mediar os conflitos que existiam de um complexo
convívio em internato (...)"

Ora, Excelência, diante de todo o exposto, é cristalino que


as notícias veiculadas pela empresa reclamada, Mídia News, não se limitaram ao
exercício do direito de informar, havendo uma verdadeira ilação e um direcionamento de
opinião a acerca dos fatos, caracterizando, portanto, um verdadeiro juízo de valor
negativo e depreciativo a respeito da boa conduta do autor desta reclamação.

Desse modo, não restou alternativa ao reclamante senão


propor a presente reclamação, a fim de proibir a requerida de publicar matérias e
comentários inverídicos e tendenciosos, frutos da ilação e do juízo de valor
negativo/depreciativo, bem como para ser ressarcido dos gigantescos prejuízos morais
que a empresa reclamada lhe causou.

É a síntese do necessário.

II - DO DESVIO DA FINALIDADE JORNALÍSTICA. DA


PUBLICAÇÃO DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS

Não se vê nas mencionadas reportagens o valor social que


se atribui, sem dificuldades, às outras notas circundantes da página. Nem ao menos há
uma mínima ligação com as matérias veiculadas nas demais notas da coluna desse site.
Advocacia

Portanto, é clarividente que as notícias em questão não se limitaram ao exercício do


direito de informar, havendo verdadeiro juízo de valor negativo e prévio a respeito do
autor e clara intenção de induzir a opinião pública, sem a necessária cautela, conforme
se infere dos trechos das matérias abaixo transcritos:

" (...) Os demais, que, em tese, participaram ativamente do


processo licitatório, inclusive, em reuniões com os empresários
citados e da definição das propinas, devem começar a aparecer
após o início dos depoimentos à justiça (...)" (grifo do reclamante)

" (...) mais nomes vinculados ao ex-governador Blairo Maggi (PR)


foram citados como participantes do esquema de superfaturamento

"(...) Entre os assessores de primeiro escalão do Governo que teriam


participado da condução do processo licitatório, mesmo que de
maneira informal, sem assinar documentos ou atas, estariam
Eder Moraes, atual secretário-chefe da Casa Civil, e que na
ocasião comandava a Secretaria de Fazenda Eumar Novacki, ex-
secretário da Casa Civil; e José Aparecido dos Santos, o Cidinho,
atual suplente do Senador eleito Blairo Maggi" (grifo do reclamante)

"O ex-governador e senador eleito Blairo Maggi (PR), em visita ao


Tribunal de Contas do Estado (TCE), na tarde de ontem (13), levou à
tiracolo, nada mais nada menos, que o seu, digamos, fiel escudeiro: o
major da PM, Eumar Novacki. O militar, rebaixado recentemente do
posto de coronel, criou uma amizade com Maggi desde a inserção do
empresário na política. Novacki teve uma projeção meteórica no staff,
chegando a controlar duas secretarias: Casa Civil e Comunicação.
Detalhe: Novacki ocupa cargo de confiança na Casa Civil. Será que
ontem não teve expediente na repartição?"

Seguindo esta esteira de pensamento, frise-se que embora


a empresa reclamada tenha liberdade de imprensa, ela não poderá se valer dessa
prerrogativa para atacar e ofender terceiros, uma vez que o atributo da veracidade é
central ao próprio conceito de liberdade de informação, compondo-a.

A imprensa possui o direito de emitir opiniões acerca de


fatos que realmente ocorrem na sociedade. O que não é admitido é a veiculação de
informações falsas, deturpadas ou agressivas a determinadas pessoas, conforme
ocorreu no presente caso.
Advocacia

Nesse sentido, o egrégio Tribunal de Justiça do Estado do


Rio Grande do Sul decidiu da seguinte forma:

'APELAÇÃO CÍVEL RESPONSABILIDADE CIVIL PUBLICAÇÃO DE


REPORTAGEM JORNALÍSTICA DE CUNHO ACUSATÓRIO.
PRELIMINAR, NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA. (...) PUBLICAÇÃO DE NOTÍCIA. FATOS
RELATADOS OUE NÃO REFLETEM PERFEITAMENTE O
OCORRIDO. ATO ILÍCITO E DANOS MORAIS CONFIGURADOS.
PROCEDÊNCIA DO PLEITO. A liberdade de imprensa e de
expressão, conquanto direitos fundamentais, não são absolutas,
porquanto de forma recorrente esbarram noutros direitos
fundamentais: intimidade e imagem. (...) (Apelação Cível N°
70030759989, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Marilene Bonzanini Bernardi, Julgado em 02/09/2009)"

O princípio que aqui se defende é o de que quem reproduz


ofensa à honra responde por essa ofensa. Isso porque um meio de comunicação não
pode estar isento de responsabilidade quando serve de caixa de ressonância para as
ofensas praticadas.

O artigo 12 da lei n° 5.250/1967 (Lei de Imprensa), embora


tenha sido revogado, reforça toda a matéria ora debatida, in Htteris:

Ari. 12. Aqueles que, através dos meios de informação e divulgação,


praticarem abusos no exercício da liberdade de manifestação do
pensamento e informação ficarão sujeitos às penas desta Lei e
responderão pelos prejuízos que causarem", (destacamos)

0 art. 49 da citada Lei é clara no sentido da reparação civil


nos casos de injúria, difamação e calúnia. E o § 2° desse mesmo artigo estabelece que
responde pela reparação a empresa jurídica que explora o meio de informação,
consoante se infere da seguinte redação:

Art. 49. Aquele que no exercício da liberdade de manifestação de


pensamento e de informação, com dolo ou culpa, viola direito, ou
causa prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar:

1 - os danos morais e materiais, nos casos previstos no art. 16,

8
Advocacia

números II e IV, no art. 18 e de calúnia, difamação ou injúrias


(...)
§2° Se a violação de direito ou o prejuízo ocorre mediante publicação
ou transmissão em jornal, periódico, ou serviço de radiodifusão, ou de
agência noticiosa, responde pela reparação do dano a pessoa
natural ou jurídica que explora o meio de informação ou
divulgação (art, 50), (grifamos)

Ao analisar questão análoga a ora discutida, o egrégio


Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul assim se manifestou:

"RESPONSABILIDADE CIVIL DANO MORAL. NOTÍCIAS


VEICULADAS EM JORNAL. ABUSO DA LIBERDADE DE
INFORMAÇÃO, A liberdade de informação jornalística está
consagrada no caput do art. 220 da CF, porém, encontra limite em
seu próprio § 1°, devendo respeitar, entre outros direitos e
garantias fundamentais protegidos, a honra das pessoas, sob
pena de indenização pelo dano moral provocado. Notícias
veiculadas pelo jornal da ré que não se limitaram ao exercício do
direito de informar, havendo verdadeiro juízo de valor negativo e
prévio a respeito da conduta do autor. Intenção de induzir a opinião
pública, sem a necessária cautela. Dano moral caracterizado pelo
abuso do direito de informar, pela intenção contida nas matérias e
pela associação do nome do autor à prática de favorecimento de
amigos, como se provado estivesse, Denunciação da lide
improcedente. Apelo provido. (Apelação Cível N° 70027791003,
Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Leo Lima,
Julgado em 15/04/2009)"

Cabe salientar, ainda, que a gravidade da notícia toma


maiores proporções, a partir do momento em que se verifica a condição do demandante
no momento da ocorrência dos fatos, tendo em vista se tratar de pessoa ocupante de
cargo político, Secretário de Estado, cuja "nota informativa", indubitavelmente, repercutiu
negativamente em sua imagem perante os matogrossenses.

Desse modo, é cristalino que no caso em tela devem ser


sopesadas as garantias constitucionais do direito à livre expressão e à atividade de
comunicação (art. 5°, IX e 220, §§ 1° e 2°, da CF) e da inviolabilidade da intimidade, da
vida privada, da honra e da imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (art. 5°, X, da CF), em
consonância com o princípio da proporcionalidade.
9
Advocacia

III - DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO SITE COM RELAÇÃO AOS


COMENTÁRIOS PUBLICADOS POR TERCEIROS ANÔNIMOS

É importante ressaltar que a reclamada disponibiliza um


espaço a todos os seus leitores, para que estes se manifestem anonimamente acerca
de todas as matérias ali veiculadas. Isso implica asseverar que não há nenhum prévio
cadastramento ou modo de se identificar o autor dos comentários ali expendidos.

Observa-se que nas páginas nas quais foram publicadas as


matérias em discussão, houveram diversos comentários anônimos depreciativos,
humilhantes e desagradáveis a respeito do reclamante, conforme se infere dos trechos
abaixo transcritos:

"Mario do Rosário - 26/11/2010 - 10h52: é muito fácil o MP descobrir


o envolvimento desses secretários é só verificar aonde eles moravam
em 2002 e o carros que tinham e comparar com patrimônio atual e
verificar se os salários deles tem condições de possuir esta fortuna
que eles acumularam. O cidinho construiu um Frigorífico com dinheiro
de quem se sempre foi funcionário publico??? O Novack só a casa
do Florais vale mais que somar todos os salários que ele ganhou
na vida inteira. O Eder então é sem comentários." (grifo do
reclamante).

" Carlos - 27/11/2010 - 09h43: quero só ver, será que a justiça de


MT vai ter peito de prender essa quadrilha?" (grifo do reclamante).

" Edemar Antônio- 20/10/2010 - 15h02: Esse sujeitinho é igualzinho o


Yuri Bastos. Pensa que é único no mundo. Esse tipo tem é que ser
rebaixado mesmo. Se você ver ele em momento de lazer perto do
Blairo fica com náusea, de tanta bajulação. Chega até babar"

"Patrícia de Rondonópolis - 31.10.10 - 17h43: José farias, você diz


que a PM olha os requisitos e depois promove????? Então a PM
olhou os requisitos dos processados por formação de quadrilha,
grilagem de terras, sem curso, desvio de dinheiro, desvio de
combustível, máfia do combustível, pistolagem...???? olhou esses
requisitos????? Então por que que mesmo assim foram promovidos
por MERECIMENTO????DIZEM MUITO QUE QUEM NÃO TEM
NENHUM PROCESSO, AINDA NÃO FORAM PROMOVIDOS, SERÁ
QUE É VERDADE, O SILVAL PODERIA MANDAR INVESTIGAR
ISSO, totalmente contrário essa PM de MT".
Advocacia

Frise-se que essas mencionadas opiniões somente são


publicadas após passar pelo crivo da reclamada, ou seja, o site MidiaNews, que além de
veicular trechos e informações sigilosas de processo que sequer foi finalizado, permitiu,
também, a publicação de inúmeros comentários anônimos que depreciaram a pessoa do
reclamante, conforme se infere dos trechos já mencionados e do abaixo transcrito:

" araqueto - 09/10/2010 - 15h40: Desde que o Blairo Maggi assumiu


o governo, a única atividade de Novacki era a de papagaio de
pirata e de servir de Office-boy de Maggi. Enquanto outros militares
estavam na labuta do dia a dia da profissão não receberam nenhum
tipo de promoção, (.,.)"

Desta feita, como a reclamada manteve um espaço no qual


terceiros publicaram diversos comentários depreciativos a respeito do reclamante, é
clarividente que o site é responsável pelo dano causado por esse ato. Como é sabido, o
reclamante era na época dos fatos (e ainda é) um homem público e de bastante
prestígio perante a sociedade, repise-se.

Nesse sentido, o art. 927, parágrafo único, do Código Civil


consagrou a plena reparabilidade do dano, ainda que exclusivamente moral, conforme
se infere do texto legal abaixo reproduzido:

"Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem." (grifo do reclamante)

Seguindo o entendimento supramencionado, ao analisar


caso semelhante, o egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul decidiu:

n
Advocacia

"DANOS MORAIS. OFENSAS PUBLICADAS EM BLOG DE


JORNALISTA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO JORNALISTA
RESPONSÁVEL PELO BLOG, AINDA QUE ALGUMAS DAS
OFENSAS TENHAM SIDO VEICULADAS COMO PROVENIENTES
DE LEITOR ANÔNIMO. LIBERDADE DE CRÍTICA E DE
MANIFESTAÇÃO DE OPINIÃO QUE NÃO DEVE DISPENSAR O USO
DE LINGUAGEM ADEQUADA E DE EDUCAÇÃO. CRÍTICAS
CONTUNDENTES PODEM SER FEITAS DE FORMA CIVILIZADA.
IRONIA NÃO SE CONFUNDE COM DESNECESSÁRIO DEBOCHE.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO APENAS PARA MINORAR O
VALOR DA INDENIZAÇÃO. A liberdade de opinião e de crítica,
especialmente quando se refere a situações que envolvem interesse
público, é um esteio da democracia. Interessa aos cidadãos, que, com
seus impostos, custeiam toda a máquina pública, que eventuais
irregularidades sejam identificadas e trazidas à luz do sol. Todavia, é
perfeitamente possível combinar a liberdade de expressão com
urbanidade e civilidade, evitando-se expressões que
desnecessariamente denigram a personalidade da pessoa
atingida, ferindo-lhe a dignidade. Ainda que eventualmente imbuído
de espírito cívico, ao alertar para eventual prática de nepotismo, a
denúncia pode ser eficaz, sem ter de resvalar para o leito do ataque
miúdo que acaba por comprometer o próprio status da denúncia em si.
(Recurso Cível N° 71001948348, Terceira Turma Recursal Cível,
Turmas Recursais, Relator: Eugênio Facchini Neto, Julgado em
28/05/2009)" (grifo do reclamente)

Dessa forma, é de se concluir que a ré extrapolou o


exercício da liberdade de expressão assegurado constitucionalmente (CF/88, arte. 5°, IX
e 220, §§ 1° e 2°), visando unicamente denegrir a imagem do reclamante, de modo a
restar incontestável o animus caluniandi.

Sendo assim, diante de todo o exposto, resta devidamente


comprovada a responsabilidade pessoal da empresa reclamada, ainda que algumas das
ofensas tenham sido veiculadas por terceiros, devendo, portanto, o reclamante ser
ressarcido pelos danos que lhes foram causados.

12
Advocacia

IV - DO BEM JURÍDICO LESIONADO. DO DANO MORAL E DO


DIREITO À IMAGEM. ATO ILÍCITO. DEVER DE INDENIZAR

Diante da situação tática narrada, observa-se que o


reclamante sofreu graves acusações de corrupção, as quais prejudicaram a sua imagem
perante a sociedade matogrossense, causando-lhe, evidentemente, danos morais.

Antes de adentramos ao dano moral efetivamente causado,


faz-se necessário realizar algumas considerações iniciais e, dentre estas, conceituar o
que seja bem jurídico e dano moral.

O conceito jurídico de bem é o mais amplo possível e


encontra-se em constante evolução. A noção compreende, como é sabido, as coisas
materiais e imateriais. Assim, Agostinho Alvim, em obra clássica no direito brasileiro,
dizia que não são bens jurídicos apenas "os haveres, o patrimônio, mas a honra, a
saúde, a vida, bens esses aos quais os povos civilizados dispensam proteção" (DA
inexecução das Obrigações e suas Conseqüências, 4a edição, São Paulo, Saraiva, 1972, p. 155).,

Dano Moral é a lesão sofrida pelo sujeito físico ou pessoa


natural de direito em seu patrimônio ideal, entendendo-se por patrimônio ideal, em
contraposição ao patrimônio material, o conjunto de tudo aquilo que não seja suscetível
de valor econômico.

Para melhor explicitar ressaltamos que: danos morais, pois,


seriam exemplificadamente, os decorrentes das ofensas à honra, ao decoro, à paz
interior de cada qual, às crenças intimas, à liberdade, à vida e à integridade física e
corporal.

Salienta-se, inclusive, que dano moral, à luz da Constituição


Federal vigente, nada mais é do que a violação do direito à dignidade.

13
Advocacia

Dito de outro modo, afirma-se que o dano moral é toda


agressão injusta àqueles bens imateriais, tanto de pessoa física quanto de pessoa
jurídica, insusceptível de quantificação pecuniária, porém indenizável com tríplice
finalidade: satisfativo para a vítima, dissuasório para o ofensor e de exemplaridade para
a sociedade.

Noutro turno, faz-se necessário ressaltar que a


personalidade do ser humano é formada por um conjunto de valores que compõem o
seu patrimônio, podendo ser objeto de lesões, em decorrência de atos ilícitos. Existem
circunstâncias em que o ato lesivo afeta a personalidade do indivíduo, sua honra, sua
integridade psíquica, seu bem-estar íntimo, suas virtudes, enfim, causando-lhe mal estar
ou uma indisposição de natureza espiritual. Dessarte, a reparação, em tais casos, reside
no pagamento de uma soma pecuniária, arbitrada pelo consenso do juiz, que possibilite
ao lesado um satisfação compensatória da sua dor íntima, dos dissabores sofridos pela
vítima em virtude da ação ilícita do lesionador.

As ofensas a esses bens imateriais redundam em dano


extrapatrimonial, suscetível de reparação. Observa-se que essas ofensas causam
sempre no seu titular aflições, desgostos e mágoas que interferem grandemente no
comportamento do indivíduo. A propósito, é fácil imaginar os dissabores, humilhações e
constrangimentos sofridos pelo reclamante em virtude de tal situação.

Portanto, todo mal infligido ao estado ideal das pessoas,


resultando mal-estar, desgostos, aflições, interrompendo-lhes o equilíbrio psíquico,
constitui causa suficiente para a obrigação de reparar o dano moral.

Foi exatamente esse bem jurídico imaterial, composto de


sentimento, de caráter e de dignidade, que veio a ser injustamente ofendido pela
empresa reclamada, ao fazer tais afirmações quanto à conduta do reclamante, apesar

14
Advocacia

de toda situação acima expendida. Daí o porquê do autor desta ação ter sido
amplamente atingido em seu patrimônio moral.

Ao tratar dos direitos dos cidadãos, a Constituição da


República de 1988 destaca a proteção à imagem de forma expressa e efetiva, conforme
se infere do seguinte dispositivo:

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem


das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação;"

Acerca do assunto em debate, o culto doutrinador De


Plácido e Silva muito bem expressa sobre a devida concepção de patrimônio ao
asseverar que:

" É que na concepção do patrimônio, onde se encontram todos os


bens que devam ser juridicamente protegidos, não se computam
somente aqueles de ordem material. Patrimônio não significa riqueza,
bem diz Mareei Paniol. E nele se computam, pois, todos os bens de
ordem material e moral, entre estes o direito à vida, à liberdade, à
honra, e à fama" ( comentários, vol. l, n. 6, p. 23)

A seu turno, ao dispor sobre a reparabilidade pelos danos


decorrentes de ato ilícito, como sói ser o caso em comento, o Código Civil disciplina que:

"Art. 186- Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência


ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito".

" Art. 927 - Aquele que, por ato ilícito (arís. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo"

15
Advocacia

Destarte, os danos morais que se busca através da


presente demanda são, na definição do renomado civilista e Juiz do Primeiro Tribunal de
Alçada Civil de São Paulo, o professor Carlos Alberto Bittar:

"... tesões sofridas pelas pessoas físicas ou jurídicas, em certos


aspectos de personalidade. Em razão de investidas injustas de
outrem, São aquelas que atingem a moralidade e a afetividade da
pessoa, causando-lhe constrangimentos, vexames, dores, enfim,
sentimentos e sensações negativas" (Reparação Civil por Danos
Morais, artigo publicado na Revista do Advogado/AASP. Número 44,
1994, p. 24)"

No caso em comento, tem-se por certo que, através das


matérias veiculadas pela empresa reclamada e dos comentários publicados pelos
leitores, foram atingidas a imagem e a honra do reclamante. Imagem é toda dimensão
física e moral de um ser humano; honra é toda dimensão do ser humano quando se
volta para o mundo, para sociedade, e também, na elevação da auto-estima, na
consideração quer a pessoa tem de si própria, no sentimento de dignidade de cada qual
(Responsabilidade por Dano à imagem, AbeIBalbino Guimarães, Ed. Janina, p. 56, 2008).

In casu, atingiu-se, além da honra, a imagem subjetivo do


reclamante, que corresponde ao conjunto de atribuições e circunstâncias vinculado à
pessoa, ligado às qualidades morais e sociais do indivíduo, externados de sua conduta e
comportamento.

Forte em tais argumentos, a lesão ou ameaça à imagem


subjetiva de uma pessoa pode desencadear prejuízos de ordem moral ou material, e
conjuntamente, ferir outros direitos da personalidade, como a honra, a intimidade e a
vida privada. Em todos os casos, poderá exigir a medida judicial adequada, visando a
cessação do dano e a reparação cabível.

É de suma importância, portanto, para a fixação do dano


moral, estabelecer a real dimensão e os contornos da lesão, verificando-se, no caso
16 /
Advocacia

concreto, quais elementos foram atingidos pelo ato ilícito praticado pelo requerido, de
forma que, constatando-se a violação simultânea de um ou mais direitos, tanto maios
seja o importe da indenização.

Desta feita, a indenização pecuniária em razão do dano


extrapatrimonial apresenta-se como um lenitivo que atenua, em parte, as conseqüências
do prejuízo sofrido, superando o déficit acarretado pelo dano.

Assim, é clarividente que, a conduta indevida da ré restou


claramente demonstrada nos autos, uma vez que esta veiculou mensagem caluniosa
contra a autora, ocasionando-lhe danos à sua honra objetiva, porquanto expôs a público
o fato de esta ter contribuído para a ocorrência de crime contra a Administração Pública
sem que apontasse a fonte legítima para se assegurar acerca da veracidade das
informações.

Por fim, salienta-se que, uma vez que o valor da


condenação deverá ser arbitrado por esse r. juízo, levando em consideração as
circunstancias particulares do dano em comento, atribui-se à causa do valor de R$
21.600,00 (vinte e um mil e seiscentos reais).

POSTO ISSO, requer:

a) a citação da reclamada, via correio, para, querendo,


responder aos termos desta ação, no prazo legal, sob pena de revelia;

b) a procedência de todos os pedidos, para o fim de:

a) determinar à empresa reclamada que não mais publique


matérias cuja redação seja tendenciosa e/ou baseada em suposições ou ilações do seu

17
Advocacia

redator, de modo a depreciar ou formar uma opinião negativa à imagem do reclamante,


devendo, portanto, se ater somente à verdade dos fatos;

b) determinar à empresa reclamada que se abstenha de


publicar/apresentar os comentários indevidos de seus leitores anônimos, baseados nos
argumentos referidos no item anterior, analisando-os antes de autorizar a sua
veiculação;

c) condenar a empresa reclamada a indenizar, em seu grau


máximo, os danos morais amargados pelo reclamante, cujo valor deverá ser fixado por
Vossa Excelência, considerando-se as conseqüências do ocorrido e o incontornável dolo
da ré.

Protesta pela produção de todas as provas em direito


admitidas, notadamente a documental, pericial e testemunhai: depoimento pessoal do
representante legal da reclamada, sob pena de confissão; juntada de novos
documentos; e outras que se fizerem necessárias ao longo do processo.

Atribui-se à causa, para meros efeitos fiscais, o valor de R$


21.600,00 (vinte e um mil e seiscentos reais).

Termos emque,
pede deferimento.

Cuiabá, 21 de janeiro de 2011

LEANpRtíALVES DE OLIVEIRA JÚNIOR


OAB/MT n.6.949

18