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PerCeBer

N° 194– 03.02.2011
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Informes da Revolução

Partido Comunista Brasileiro www.pcb.org.br

Para onde vão os 15 milhões?

Cascavel não pode seguir torrando dinheiro escasso com dívidas inexistentes

A inflação de 2010 foi a mais alta dos últimos seis anos, mas não chegou nem a 6%. Entretanto, o IPTU de Cascavel subiu quase 7% e vai proporcionar uma arrecadação de 15 milhões de reais. Os salários continuam sob arrocho e os preços em alta. Seria necessário que, apesar dessa alta inexplicável do IPTU, os recursos arrecadados fossem aplicados de acordo com a vontade da população. Governando sem qualquer oposição, o prefeito Bueno vai impondo suas soluções e mantendo a população alheia às decisões. A situação piora quando esse governo autocrático resolve “pagar” dívidas inexistentes, como o abuso milionário do Calçadão e a transação incompreensível em torno da praça Wilson Joffre, para a qual a Prefeitura sustentou durante décadas não haver nenhuma dívida com a família Saraiva, que nunca foi proprietária da quadra entre as ruas Sete de Setembro, Castro Alves, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Calçadão: uma dívida absurda e milionária

Fórum Nacional pela Reforma Agrária repudia manobras para mudar o Código Florestal

rimento de Urgência, apresentado pela Bancada Ruralista, para que o relatório do Código Florestal possa entrar na pauta de votação da Câmara dos Deputados. O FNRA avalia que o citado relatório prejudicará milhares de produtores familiares e campesinos, estimulará o desmatamento florestal, comprometerá as fontes de água doce, degradará ainda mais o solo brasileiro e anistiará as empresas madeireiras, as mineradoras, as empresas de celulose, os pecuaristas e os monocultores de soja, entre outras atividades predadoras dos recursos naturais.

O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) vem se posicionar contra a votação do Reque-

das encostas, pois estarão sempre ameaçados de desabamento. A anistia das multas por desmatamentos ilegais e degradações ambientais ocorridos até julho de 2008 é uma forma de premiar os que não cumpriram a lei, incentivando condutas ilegais e penalizar os que agiram de licitamente. Um governo que se comprometeu com a comunidade internacional em diminuir a emissão de gás de efeito estufa nunca poderia ser omisso ou conivente com suas bases parlamentares que insistem em apoiar tamanho atentado ao meio ambiente nacional e do planeta. Por esses motivos e pela falta de uma discussão democrática do relatório, que foi aprovado em uma Comissão Especial majoritariamente formada por membros da Bancada Ruralista, o FNRA vem a público manifestar o seu repúdio à proposta de votar um Requerimento de Urgência. Conclama aos Deputados Federais que votem contra o requerimento a fim de se alinharem à posição das organizações e dos movimentos sociais e sindicais. Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo ABRA, ABEEF, APR, ABONG, ASPTA, ANDES, CARITAS - Brasileira; COIABE, Centro de Justiça Global, CESE, CIMI, CMP, CNASI, COIABE, CNBB, CONDSEF, CONIC, CONTAG, CPT, CUT, CTB,Comissão de Justiça e PAZ, DESER, Empório do Cerrado, ESPLAR, FASE, FAZER, FEAB, FETRAF, FIAN - Brasil, FISENGE, Grito dos Excluídos, IBASE, IBRADES, IDACO, IECLB, IFAS, INESC, Jubileu Sul/Brasil, MAB, MLST, MMC, MNDH, MPA, MST, MTL, Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome; Pastorais Sociais, PJR, Rede Brasil, Rede Social de Justiça, RENAP, SINPAF, Terra de Direitos.

A Bancada Ruralista está fazendo qualquer negócio para dar satisfações aos financiadores de campanha. Haviam prometido que votariam o malfadado relatório do Código Florestal do deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP) e como não conseguiram estão apelando para aprovar um Requerimento de Urgência. Pressionam, ameaçam não votar os projetos da pauta mínima do governo e prometem apoiar o Líder do Governo, deputado Vaccarezza para presidente da Câmara. Os ruralistas, espertamente, lançaram uma isca aos produtores e produtoras familiares e campesinas acenando com a dispensa de manter a área de Reserva Legal nas propriedades rurais com até quatro módulos fiscais. Esta proposta aposta na falta de informação do povo da terra, mas eles sabem que não é desmatando que se consegue maior produtividade. A agricultura familiar e camponesa produz mais por hectare que a patronal porque é diversificada, possui modo próprio de uso da terra e conserva os recursos naturais. Os e as agricultoras sabem que a exclusão das várzeas do conceito de área de preservação permanente é uma atitude irresponsável que causará fome em milhares de família que vive da caça de caranguejo; que a redução de 30 metros para 15 metros da área de preservação mínima para rios, vai acelerar a poluição e a falta de água potável, vai sobrecarregar as mulheres ribeirinhas e indígenas; que a liberar o desmatamento dos cimos dos morros colocará em risco a vida dos que vivem nos vales, nos pés

Rumo ao 1º Seminário

Nacional sobre
Universidade Popular!

O debate sobre Universidade Popular ainda é pouco trabalhado pelo movimento universitário, que vem sendo absorvido por disputas pequenas e que nem sempre acumulam para um horizonte de transformação. Para que possamos construir um projeto estratégico para a transformação da universidade, estamos convocando organizações, coletivos, partidos e indivíduos a se somarem na preparação e realização do I Seminário Nacional sobre Universidade Popular, no segundo semestre de 2011. Essa será uma grande oportunidade para potencializarmos e qualificarmos nossa atuação como força progressista na disputa por uma universidade transformadora, socialmente referenciada, democrática, pública e popular. Não é de hoje o avanço da privatização do ensino superior brasileiro. A contar da origem das primeiras universidades no país, passando pelos acordos MEC-USAID da ditadura civil-militar e o período pós constitu-

ição de 88, temos um direcionamento lento e gradual das instituições educacionais às necessidades de acumulação do capital, com uma aceleração na década de 90 e em especial no século XXI. Esse direcionamento se manifesta: na reestruturação políticopedagógica da maioria dos currículos dos cursos de graduação, subordinando as iniciativas da universidade às necessidades do mercado, em detrimento das demandas da população; na entrega da estrutura física e de recursos humanos públicos para a produção de ciência e tecnologia de acordo com as necessidades da iniciativa privada, o que compromete a autonomia didáticocientífica das universidades; uso do dinheiro público para salvar empreendimentos universitário privados; na diminuição dos recursos públicos relativos a quantidade de vagas abertas nas universidades públicas, que aumenta a precarização e intensificação do trabalho, diminui a qualidade de ensino, inviabiliza a manutenção do tripé ensino-pesquisaextensão voltado aos interesses populares e incentiva as instituições a buscar outras fontes de financiamento paralelas ao Estado; nos parcos mecanismos democráticos que permitam à co-

munidade universitária interferir nos rumos tomados pelas instituições; etc. A formalização deste conjunto de medidas tem aparecido em decretos, medidas provisórias, leis, todos aprovados paulatinamente, de modo a ofuscar o projeto estruturante do capital, que é a espinha dorsal de transformação de um direito em um mero serviço, a ser comprado e vendido. Exemplos desses projetos são o decreto das Fundações, o SINAES, a Lei de Inovação Tecnológica, a Universidade Aberta do Brasil, o PROUNI, o REUNI, e mais recentemente o chamado “Pacote da Autonomia”, composto por três decretos e uma medida provisória. Por isso, as entidades, movimentos e organizações políticas que assinam essa carta têm a compreensão de que a disputa da universidade hoje, passa pela elaboração de uma estratégia. É nítido que, do ponto de vista do capital, existe uma estratégia bem definida – com táticas pensadas em curto, médio e longo prazo, sendo implementadas de acordo com o espaço de acomodação entre os conflitos das forças políticas divergentes – que vai desde a formação ideológica até a técnica necessária para a sua reprodução ampliada.

Nós, que nos identificamos com os interesses dos explorados e oprimidos, identificamos debilidades na ausência de formulação estratégica por parte de nosso campo de forças. Consideramos fundamental a construção de um seminário que aponte os princípios gerais de uma Universidade Popular, bem como as possibilidades de disputa real dentro dos diversos campos específicos que são abertos por entre as contradições da ordem universitária existente. Em outras palavras, para soerguer um movimento combativo, de massas, de caráter nacional, necessitamos a elaboração de um programa mínimo e de elementos de programa máximo, que nos permita disputar a hegemonia da universidade brasileira. Assim nos dias 4 e 5 de Dezembro de 2010, estivemos reunidos em Florianópolis, para iniciar um debate a cerca do seminário e possíveis encaminhamentos. Além de uma análise sobre a universidade hoje – resumida nos três primeiros parágrafos do texto – discutimos os objetivos do seminário em si, que são eles:

1) Seminário de massas; 2) Articular politicamente as entidades, movimentos e organizações políticas que vem debatendo universidade popular; 3) Articular professores, técnicoadministrativos, estudantes, movimentos sociais e trabalhadores organizados na luta pela universidade popular; 4) Socializar experiências que contribuam para a luta por uma Universidade Popular; 5) Sistematizar referenciais teóricos para a elaboração de um programa de Universidade Popular e seus meios de implementação. Para que o seminário seja o mais produtivo possível no sentido da elaboração política e teórica, sugerimos 5 eixos para serem trabalhados em contribuições escritas: 1) Eixo Geral: Universidade Popular (princípios, concepção, histórico, terminologia, etc) 2) Eixos Específicos: a. Ciência e Tecnologia b. Formação c. Autonomia e democracia d. Universidade e Sociedade Esse é apenas um primeiro passo, mas que consideramos imprescindível. É fundamental que o máximo de enti-

dades representativas do corpo docente, discente e de técnicoadministrativos, bem como movimentos sociais e organizações políticas que se identificam com esse debate, ou que estejam interessados em conhecê-lo, se somem nessa construção. Temos o indicativo de realização da próxima reunião de construção do seminário nos dias 12 e 13 de Março de 2011 em Porto Alegre. Por isso, fazemos esse convite de adesão à construção e participação no seminário. Vamos rumo a um novo projeto de universidade para o país! ** Assinam: UJC – União da Juventude Comunista FEAB - Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil ENESSO – Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social GTUP – Grupo de Trabalho Universidade Popular MUP – Movimento por uma Universidade Popular Levante Popular da Juventude Juventude LibRe – Liberdade e Revolução JCA – Juventude Comunista Avançando CCLCP – Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes

Um sábado de teatro e música
e ajudar os desabrigados do Rio de Janeiro as vítimas, o público ouvirá uma seleção das canções e poemas premiados de Miguel Joaquim das Neves. “Espero que o público venha prestigiar e traga água ou produtos de higiene, pois assim estaremos também colaborando com o bem estar daquelas pessoas que estão sofrendo com esta grande tragédia”. O grupo de teatro Arquétipos apresenta neste sábado às 20h, no Sesc/Cascavel, o espetáculo Sombras de um Passado, que vai participar em Curitiba do Festival Nacional de Teatro Fringe, entre 29 de março e 10 de abril. A promoção terá uma motivação adicional além de dar uma força para a cultura popular: o ingresso não será pago em dinheiro, mas com uma doação às vítimas da tragédia climática no Rio de Janeiro. De bônus, além de dar uma força para a cultura popular cascavelense O que: espetáculo teatral Sombras de um passado Onde: Sesc de Cascavel Quando: 12 de fevereiro de 2011. Horário: 20h Entrada: Água ou produtos de higiene e limpeza. Atores: Solange Esequiel e Miguel Joaquim das Neves Tecnico de som:Gilberto Pereira

A farra com o dinheiro do povo ou a podridão das instituições brasileiras

mos a seguir), embora tal notícia já tenha percorrido o país. É bom lembrar: "Bispo recusa comenda e impõe constrangimento ao Senado Federal" "Num plenário esvaziado, o bispo cearense de Limoeiro do Norte, Dom Manuel Edmilson Cruz, impôs ontem um espetacular constrangimento ao Senado Federal. Dom Manuel chegou a receber a placa de referência da Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara das mãos do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE). Mas, ao discursar, ele recusou a homenagem em protesto ao reajuste de 61,8% concedido pelos próprios deputados e senadores aos seus salários. "A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la’." (*) É preciso dizer mais? Agora nos chega outra notícia reveladora do compromisso prioritário do governo com os interesses do capital predador da natureza: o projeto para construção de dezenas de usinas nucelares no país. Outra vez me utilizo de um artigo - do Roberto Malvezzi - como ilustrador:

Waldemar Rossi* Os acontecimentos políticos do início deste ano de 2011 não poderiam ser mais reveladores do que vem ocorrendo no Brasil durante todos esses anos de vida republicana: um país marcado pela corrupção e podridão das suas instituições e descompromisso dos governantes com a vida do povo. A começar pelo aumento acintoso, descabido e criminoso dos salários de deputados, senadores, ministros, presidente, governadores, vereadores. Um assalto aos cofres públicos! Assalto amparado pelo Poder Judiciário porque seus ministros se locupletam com tal medida, ajudando a afanar o povo. Ante tal disparate, impossível ser mais contundente do que a atitude de um bispo (cujo teor publica-

Praça da Sé, São Paulo. A segunda na praia de Ipanema, Rio de Janeiro. E a terceira, evidentemente, na Praça dos Três Poderes, Brasília. Se ali for seguro, então é seguro para o resto do Brasil. Um final de artigo um tanto quanto irônico, mas contundente. É doloroso ver essa cambada vir a público fazendo de conta que defende os interesses dos trabalhadores, como no caso do bate-boca em torno de alguns pingados reais a serem acrescidos ao mísero salário mínimo. Salário mínimo que deveria garantir a sobrevivência de milhões de brasileiros. Brasileiros que trabalharam 35, 40 e até 50 anos construindo as riquezas deste país.

As Nucleares no São Francisco Roberto Malvezzi (Gogó) O governo Lula, agora Dilma, realmente decidiu arrancar dos porões da ditadura militar suas principais obras. Além da transposição do São Francisco, barragens e outras grandes obras de infra-estrutura, agora ressuscita o desenvolvimento da energia nuclear no Brasil. Combatida no mundo inteiro, recuou nos países da Europa, sobretudo depois do acidente de Chernobyl, onde a nuvem radioativa, além de causar uma tragédia na região, ameaçou pairar sobre a Europa. No Brasil tivemos a dimensão do que pode ser com o simples fato de uma família de recicladores se encantar com um objeto luminoso em Goiânia, contaminando a si mesma e a região ao seu redor. Temos ainda a experiência desastrosa das duas usinas atômicas de Angra dos Reis. Com muito custo, pouca utilização e ameaças constantes pela instabilidade da própria obra de engenharia, as usinas já serão desmontadas por esgotarem o prazo de validade de aproximadamente 40 anos. Os rejeitos, fruto do "descomissionamento" – desligamento, desmontagem e armazenamento -, continuarão radiativos por aproximadamente mil anos. As águas subterrâneas de Caetité, Bahia, onde estão nossas jazidas de urânio, estão contaminadas por radioatividade. Agora o governo fala em construir pelo menos 50 usinas atômicas no Brasil, claro, começando pelo rio São Francisco. Certamente, nosso Velho Chico é mesmo a lixeira do Brasil. O lugar ideal seria Belém do São Francisco, divisa do Sub-médio São Francisco com o Baixo, próximo às antigas cachoeiras de Paulo Afonso. O argumento é que ali vivem poucas pessoas (sic!), que já existe uma rede de distribuição de energia instalada e, claro, tem as águas do São Francisco. Além do mais, está próximo do Raso da Catarina, uma região pouco habitada, onde só Lampião sabia viver, considerada ideal como depósito de rejeitos. Particularmente sou favorável a construção de nucleares, desde que a primeira seja feita na

Aos que produzem riquezas e constroem o país, migalhas. Aos sanguessugas da nação, milhões de reais que são retirados do orçamento para engordar seus salários astronômicos ou para garantir muita grana para empreiteiras ávidas de lucro fácil e, por cima, colocando em risco a vida do povo. Se considerarmos as iniciativas do Legislativo, o apoio do Judiciário e os planos do Executivo podemos afirmar que realmente as instituições estão apodrecidas. Diante dessa situação de degradação ficam algumas reflexões: será que o movimento social vai majoritariamente permanecer na expectativa dos rumos do governo Dilma com seus braços cruzados, como se nada disso tivesse a ver com a vida do povo? Será que iremos conviver mais oito anos na passividade, na cumplicidade das centrais sindicais e de outros movimentos, como aconteceu durante todo o governo Lula? A saída está nas mãos do povo. Mas para isto é necessário que cada cidadão e cidadã consciente bote a boca no trombone, denuncie, explique, convoque à participação ao lado dos setores do movimento social que permanecem fiéis às lutas pelos direitos do povo. ____________ *Waldemar Rossi – Metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo

Tunísia: os trabalhadores podem transformar o mundo

Judith Orr* Revoluções muitas vezes parecem vir do nada. Pessoas que vivem sob um regime brutal por gerações. Que levam suas vidas cotidianas trabalhando, estudando, de repente se revoltam. Até pouco tempo, ninguém poderia prever qual seriam os desdobramentos das lutas de resistência popular na Tunísia. Uma revolução jamais é um evento isolado. É um processo que se desenvolve ao longo de semanas, meses, anos. Pode haver grandes avanços, mas também recuos dramáticos. O revolucionário Lênin escreveu que a revolução só é possível quando "os de baixo" não aceitam viver como vivem e "os de cima" já não conseguem viver da maneira que vivem. E que "a revolução é impossível sem uma crise nacional". A sociedade pode parecer tranqüila, mas isso não significa que as pessoas sejam felizes. Acontece com frequência que os governantes tenham a ilusão de que estão numa fortaleza de popularidade e segurança. Muitos deles vivem em uma bolha de riqueza e privilégios cercado por auxiliares e consultores que só dizem o que eles querem ouvir.

Mas quando o encanto é quebrado e a revolta popular explode as mudanças que poderiam ter levado anos em tempos ‘normais’ podem acontecer em questão de horas. O medo diante da polícia e do exército desaparece quando milhares de pessoas tornam-se politicamente ativas. Trabalhadores e estudantes de todo o mundo acompanham com entusiasmo os acontecimentos. O que vem acontecendo na Tunísia tem sido considerado ‘revolução do Twitter’, a exemplo do que aconteceu no Irã há dois anos. A capacidade de se comunicar instantaneamente em todo o país tem sido um recurso fantástico nas últimas lutas. Mas não devemos confundir um instrumento de luta com a luta em si. O Twitter não forçou Ben Ali a fugir do país que governou por 23 anos. Assim como não foram paredes pichadas ou folhetos que derrubaram o czar da Rússia em 1917. Em toda situação revolucionária é a ação real do ser humano que tomas as ruas. Desafiando a polícia e lutando com coragem e imaginação. Ao longo da história, a classe trabalhadora jamais conquistou nada sem travar lutas duras. Lutar pode mudar o mundo. Mas, lutar muda a nós também. À medida que lutamos ao lado de outros trabalhadores e ativistas deixamos de nos sentir como engrenagens isoladas em um sistema enorme e anônimo. Quando começamos a tomar o controle de nossas vidas, verdades sagradas sobre a sociedade são desafiadas. A polícia é neutra? Realmente não há dinheiro para hospitais e escolas? É melhor deixar as decisões importan-

tes para um punhado de pessoas no topo? Como este processo irá se desenvolver na Tunísia vai depender da política e das organizações que formam o movimento nas próximas semanas e meses. Por exemplo, os comitês de defesa local criados para proteger as comunidades das milícias que apóiam governo Ben Ali podem se transformar em formas mais amplas de autogoverno? Poderiam ser as sementes de uma organização política independente. Os movimentos revolucionários foram derrotados no passado, quando setores de oposição foram cooptados pelo governo e se afastaram da luta. Regimes ameaçados costumam aceitar pequenas mudanças para se manter no poder. Mas o exemplo da Tunísia mostra como as coisas podem mudar rápido quando anos de amargura chegam ao ponto de explodir. A crise econômica mundial leva pessoas comuns em todo o mundo a sofrer aflições parecidas e a se preocupar com o futuro. O movimento revolucionário na Tunísia tornou-se um farol para milhões delas. Pode levá-las a desafiar seus governantes. A situação está madura. Há potencial para que a luta vá além de uma simples mudança de governo. As pessoas comuns sentem que podem desafiar o capitalismo e construir um mundo socialista que possa satisfazer as necessidades de todos. _______________ *Judith Orr – Jornalista, editora de Socialist Worker, onde este artigo foi publicado

Cidade, emprego, ambiente, juventude: por um programa revolucionário

Nenhum direito a menos, só direitos a mais
Ajude um desempregado: reduza a jornada de trabalho para 40 horas

Lembre-se: em Cascavel, nós somos a Revolução!

Este espaço está sempre aberto para artigos e manifestações da comunidade
Na Internet, acompanhe o blog do PCB de Cascavel: http://pcbcascavel.wordpress.com Vídeos revolucionários: Veja a emocionante homenagem a Che Guevara, pela cantora Nathalie Cardone: http://www.youtube.com/watch?v=NdRip7nmTTo Os Eremitas e a origem do trabalho: http://www.youtube.com/watch?v=QEfQhhHNEOE ORKUT: PCB de Cascavel http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=15747947519423185415 Comunidade: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=54058996 Twitter: PCB do Paraná: http://twitter.com/pcbparana Juventude Comunista de Cascavel: http://twitter.com/#!/j_comunista
A seguir, um dos capítulos da cartilha de Marxismo e uma página colecionável de O Capital em quadrinhos

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Curso Básico de Marxismo A saída para as crises será o Socialismo 16 O capitalista tem a urgência de estar sempre
aumentando a produção, para obter mais lucros. Ao contrário dos ganhos dos capitalistas, porém, os rendimentos da população não aumentam ou, se aumentam, é com muita lentidão e para pagar custos mais altos dos produtos e serviços. Isso causa uma crise de oferta e procura: a procura de mercadorias vai se tornando inferior à sua produção (oferta).
O capitalismo tem ânsia de provocar o consumo excessivo

Esse atraso da procura em acompanhar a oferta acarretará a acumulação de produtos que não terão procura. E isto leva à ruína os pequenos e médios produtores e, por vezes, aumenta vertiginosamente o desemprego e se reduzem os salários (achatamento ou arrocho). Após a II Guerra Mundial, provocada pela crise de 1929/30, o capitalismo foi atingido por uma nova e grave crise. Em 1975, a produção industrial nos países capitalistas foi forçada a se reduzir em mais de 11% em relação ao ano anterior. Todos os ramos da indústria foram afetados pela crise e, em maior grau, a indústria de automóveis e a fundição de aço, que retrocederam aos níveis de 1969 e 1970. Depois dessa, vieram muitas outras crises, como a de 2008, que causou uma pane financeira no mundo. As crises criam uma onda de desemprego e menor qualidade de vida da população: ambiente poluído, insegurança, violência, preços altos de comida, educação, remédios e transporte.
O “monstro” da superprodução gera crise e conflitos

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As crises econômicas, portanto, são um exemplo claríssimo do caráter antinatural da produção capitalista, que sentimos na própria pele. Como se vê, as diversas medidas anticrise adotadas pela burguesia não foram capazes de acabar com as causas profundas desse fenômeno, que tem origem nos próprios fundamentos do capitalismo, em que a produção não atende aos interesses dos homens, que são todos, mas à obtenção de lucros por uma pequena minoria de exploradores. Como resistir às crises e vencêlas? A consciência e o grau de organização do operariado fazem dele a classe mais revolucionária, ou seja, desejosa e capaz de promover mudanças. A outra parte da classe trabalhadora – o campesinato – também está submetida a uma cruel exploração. Mas como alguns camponeses têm o “seu” bocado de terra, chocam-se em sua consciência os pontos de vista de trabalhador e de proprietário. Os operários, em contrapartida, não têm nenhuma ilusão que os afaste da luta: de seu, só possuem a força de trabalho. I O operário só tem sua força de trabalho “O principal da doutrina de Marx,” escreveu Lênin, “é o esclarecimento do papel histórico mundial do proletariado como o criador da sociedade socialista”. Existindo em seu território nacional, o proletariado participa da criação e manutenção do idioma. Da cultura e das tradições históricas da Nação. Pertencendo à classe revolucionária, que reúne em torno de si a maioria do povo trabalhador, o operário é o principal porta-voz dos interesses e das aspirações da Nação. Ao mesmo tempo, as condições de vida dos operários os levam à compreensão de que só podem vencer o capitalismo com a ajuda mútua – comum a todos, e por isso ter o nome de comunista − em escala internacional. Eis porque a palavra de ordem principal do movimento operário se tornou a expressão final do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels: “Proletários de todos os países, uni-vos!” A seguir: Os inimigos da democracia

Lições de Comunismo número 73

A cada edição do PerCeBer você terá uma nova página colecionável de O Capital em quadrinhos