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Alunos!!

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Provisório. Falta correções

A origem da Vida
Introdução

A Vida na Terra terá surgido á cerca de 3400 M.a., como o


parecem demonstrar os fósseis de procariontes
encontrados na África do Sul. As células eucarióticas
terão surgido há cerca de 2000 a 1400 M.a., seguidas
dos organismos multicelulares há cerca de 700 M.a.
Neste espaço de tempo os fósseis são abundantes,
indicando um processo evolutivo rápido.

Todas as evidências parecem apontar para que os seres eucariontes tenham tido origem em
seres procariontes. A principal teoria atual considera que algumas organelas características das
células eucarióticas tiveram origem em procariontes que se adaptaram à vida intracelular por
endossimbiose.

Abiogênese

Até o século XIX considerava-se que todos os seres vivos existentes se apresentavam como
sempre tinham sido. Toda a Vida era obra de uma entidade toda poderosa, fato que servia para
mascarar o fato de não existirem conhecimentos suficientes para se criar uma explicação
racional.

Criacionismo

Esta explicação, o Criacionismo, no entanto, já no tempo da Grécia antiga não era satisfatória.
De modo a contornar a necessidade de intervenção divina na criação das espécies, surgem
várias teorias alternativas, baseadas na observação de fenômenos naturais, tanto quanto os
conhecimentos da época o permitiam.

Geração Espontânea

Aristóteles elaborou uma dessas teorias, cuja aceitação se manteve durante séculos, com a
ajuda da Igreja Católica, que a adotou. Esta teoria considerava que a Vida era o resultado da
ação de um princípio ativo sobre a matéria inanimada, a qual se tornava, então, animada. Deste
modo, não haveria intervenção sobrenatural no surgimento dos organismos vivos, apenas um
fenômeno natural, a geração espontânea.

Estas idéias perduraram até á era moderna, pois Van Helmont (1577 – 1644) ainda considerava
que os “cheiros dos pântanos geravam rãs e que a roupa suja gerava ratos, adultos e
completamente formados”.

Também era considerado acertado pelos naturalistas que os intestinos produzissem


espontaneamente vermes e que a carne putrefata gerasse moscas.
Todas estas teorias consideravam possível o surgimento de Vida a partir de matéria inanimada,
fosse qual fosse o agente catalisador dessa transformação, daí o estarem englobadas na
designação geral de Abiogênese.

Biogênese

No século XVII Francisco Redi, naturalista e poeta, pôs em causa as idéias de Aristóteles,
negando a existência do princípio ativo e defendendo que todos os organismos vivos surgiam a
partir de inseminação por ovos e nunca por geração espontânea.

Experiências de Redi

Para demonstrar a veracidade da sua teoria, Redi realizou uma experiência que se tornou
célebre pelo fato de ser a primeira, registrada, a utilizar um controle. Colocou carne em 8 frascos.
Selou 4 deles e deixou os restantes 4 abertos, em contacto com o ar.

Em poucos dias verificou que os frascos abertos estavam cheios de moscas e de outros vermes,
enquanto que os frascos selados se encontravam livres de contaminação.

Esta experiência parecia negar, inequivocamente a abiogênese de organismos macroscópicos,


tendo sido aceite pelos naturalistas da época.

No entanto, a descoberta do microscópio veio levantar a questão novamente. A teoria da


abiogênese foi parcialmente reabilitada pois parecia a única capaz de explicar o desenvolvimento
de microrganismos visíveis apenas ao microscópio.

Experiências de Needham e Spallanzani

Esta situação manteve-se até ao final do século XVIII, quando o assunto foi novamente debatido
por dois famosos cientistas da época, Needham e Spallanzani.

Needham utilizou várias infusões, que colocou em frascos. Esses frascos foram aquecidos e
deixados ao ar durante alguns dias. Observou que as infusões rapidamente eram invadidas por
uma multidão de microrganismos. Interpretou estes resultados pela geração espontânea de
microrganismos, por ação do princípio ativo de Aristóteles.

Spallanzani usou nas suas experiências 16 frascos. Ferveu durante uma hora diversas infusões e
colocou-as em frascos. Dos 16 frascos, 4 foram selados, 4 fortemente rolha dos, 4 tapados com
algodão e 4 deixados abertos ao ar. Verificou que a proliferação de microrganismos era
proporcional ao contacto com o ar. Interpretou estes resultados com o fato de o ar conter ovos
desses organismos, logo toda a Vida proviria de outra, preexistente.

No entanto, Needham não aceitou estes resultados, alegando que a excessiva fervura teria
destruído o principio ativo presente nas infusões.

Experiências de Pasteur

A polemica manteve-se até 1862, quando o francês Louis Pasteur, pôs definitivamente termo à
idéia de geração espontânea com uma série de experiências conservadas para a posteridade
pelos museus franceses.

Pasteur colocou diversas infusões em balões de vidro, em contacto com o ar. Alongou os
pescoços dos balões á chama, de modo a que fizessem várias curvas. Ferveu os líquidos até que
o vapor saísse livremente das extremidades estreitas dos balões. Verificou que, após o
arrefecimento dos líquidos, estes permaneciam inalterados , tanto em odor como em sabor. No
entanto, não se apresentavam contaminados por microrganismos.

Para eliminar o argumento de Needham, quebrou alguns pescoços de balões, verificando que
imediatamente os líquidos ficavam infestados de organismos. Concluiu, assim, que todos os
microrganismos se formavam a partir de um qualquer tipo de partícula sólida, transportada pelo
ar. Nos balões intactos, a entrada lenta do ar pelos pescoços estreitos e encurvados provocava a
deposição dessas partículas, impedindo a contaminação das infusões.

Ficou definitivamente provado que, nas condições atuais, a Vida surge sempre de outra Vida,
preexistente.

Mas, como surgiu a Vida pela primeira vez ?

Teoria Cosmozóica ou Panspermia

No final do século XIX vários cientistas alemães, nomeadamente Liebig, Richter e Helmholtz,
tentaram explicar o aparecimento da Vida na Terra com a hipótese de que esta tivesse sido
trazida de outro ponto do Universo sob a forma de esporos resistentes, nos meteoritos – teoria
Cosmozóica.

A presença de matéria orgânica em meteoritos encontrados na Terra tem sido usada como
argumento a favor desta teoria, o que não invalida a possibilidade de contaminação terrestre,
após a queda do meteorito.

Atualmente já foi comprovada a existência de moléculas orgânicas no espaço, como o


formaldeído, álcool etílico e alguns aminoácidos. No entanto, estas moléculas parecem formar-se
espontaneamente, sem intervenção biológica.

O físico sueco Arrhenius propôs uma teoria semelhante, segundo a qual a Vida se teria originado
em esporos impelidos por energia luminosa, vindos numa “onda” do espaço exterior. Chamou a
esta teoria Panspermia (sementes por todo o lado).

Atualmente estas idéias caíram em descrédito pois é difícil aceitar que qualquer esporo resista á
radiação do espaço, ao aquecimento da entrada na atmosfera, etc.

Apesar disso, na década de 80 deste século, Crick (um dos descobridores da estrutura do DNA)
e Orgel sugeriram uma teoria de Panspermia dirigida, em que o agente inicial da Vida na Terra
passaria a ser colônias de microrganismos, transportadas numa nave espacial não tripulada,
lançada por uma qualquer civilização muito avançada. A Vida na Terra teria surgido a partir da
multiplicação desses organismos no oceano primitivo.

Apesar de toda a boa vontade envolvida, nenhuma destas teorias avança verdadeiramente no
esclarecimento do problema pois apenas desloca a questão para outro local, não respondendo à
questão fundamental:

Como surgiu a Vida ?

Teoria de Oparin

No entanto, um ponto de viragem fundamental ocorreu com o as teorias de Pasteur e de Darwin,


permitindo abordar o problema sob uma perspectiva diferente.
Dados obtidos a partir de diversos campos da ciência permitiram ao russo Oparin formular uma
teoria revolucionária, que tentava explicar a origem da Vida na Terra, sem recorrer a fenômenos
sobrenaturais ou extraterrestres:

Dados Astronômicos

• o Sol e os planetas do Sistema Solar formaram-se simultaneamente, a partir da mesma


nuvem de gás e poeiras cósmicas, á cerca de 4700 M.A.;
• a análise espectral de estrelas permitiu a conclusão de que as leis químicas são
universais. As estrelas têm vários estádios de desenvolvimento, encontrando-se o Sol
numa fase intermédia da sua “vida”. Estes fatos permitem deduzir que os constituintes dos
outros planetas e do Sol, dada a sua origem comum, devem ser os mesmos que a Terra
primitiva conteve. A atmosfera primitiva da Terra deve ter contido H2 , CH4 e NH3, como
Júpiter ou Saturno, cuja gravidade impediu a dissipação desses gases para o espaço.

Dados Geofísicos

• a Terra apresenta diversas superfícies de descontinuidade, separando zonas bem


definidas provavelmente devidas a, na formação do planeta, os elementos mais pesados
(Fe, Ni) se terem acumulado no centro, os intermédios (Al, Si) na crosta e os mais leves
(H, N, C) na camada gasosa externa;
• os vulcões lançam gases para a atmosfera;
• as rochas sedimentares com mais de 2300 M.a. em África e na América do Norte são
menos oxidadas que as mais recentes, revelando uma atmosfera pobre em oxigênio
molecular. Este fato observa-se pela presença de grande quantidade pechblenda, um
mineral de urânio facilmente oxidável. Por outro lado, o óxido de ferro apenas surge em
depósitos com menos de 2000 M.a., altura em que se considera que a quantidade de
oxigênio na atmosfera rondaria 1% da atual.

Estromatólitos em zonas quentes do mar


australiano
Dados Biológicos

• o mundo biológico reflete uma unidade de origem e constituição;


• os elementos fundamentais dos seres vivos são C, H, O, N, P e S, vulgarmente abreviado
para CHNOPS;

• os compostos orgânicos básicos são os aminoácidos, bases púricas e pirimídicas, gases e


ácidos graxos;
• as provas da evolução são irrefutáveis, demonstrando que as condições e os organismos
nem sempre foram o que são atualmente;
• muitos compostos orgânicos já foram sintetizados em laboratório, como a insulina e a
uréia;
• pode-se criar em laboratório agregados de moléculas sob a forma de coacervados;

• existem fósseis de organismos com 3000 M.A., os estromatólitos, estruturas resultantes da


deposição de CaCO3 , retido e segregado por comunidades de cianobactérias, presentes
em água doce e salgada;
• os raios U.V. podem promover reações entre compostos e degradar moléculas orgânicas;

• a Vida na Terra, como a conhecemos, só é possível devido à filtragem dos U.V. pela
camada de ozônio (O3) da atmosfera superior.

Modelo evolutivo de Oparin

Quando a comunidade científica aceitou, finalmente, a idéia da lenta evolução das espécies,
estava o terreno propício para o surgimento da primeira explicação racional para a origem da
Vida. Esta surgiu em 1924 pela mão do geneticista russo Alexander Oparin.

Oparin considerou que as condições para a origem da Vida surgiram como uma etapa natural,
incluída no constante movimento da matéria.

Tendo por base dados fornecidos por várias ciências, como anteriormente referido, Oparin
desenvolveu a sua teoria baseada no princípio: as condições existentes na Terra primitiva eram
diferentes das de hoje.

Particularmente, a atmosfera seria redutora, ou seja, sem oxigênio mas rica em hidrogênio. Este
fato teria como conseqüência direta a falta de ozônio nas camadas superiores da atmosfera e o
bombardeamento constante da superfície da Terra com raios U.V.

Nessa atmosfera, o H2, seu principal constituinte, tenderia a reduzir as outras moléculas. Seria,
também, uma atmosfera sem azoto e sem dióxido de carbono.

A sua constituição segundo Oparin, resultante da reação dos gases provenientes da atividade
vulcânica, seria: hidrogênio (H2), metano (CH4), amoníaco (NH3) e vapor de água.

Estudos posteriores indicam que a atmosfera primitiva conteria ainda dióxido de carbono (CO2),
azoto (N2), monóxido de carbono (CO) e sulfureto de hidrogênio (H2S).

A temperatura à superfície seria superior ao ponto de fusão do gelo mas inferior ao seu ponto de
ebulição (0 - 100ºC). Parte da água terá sido decomposta, a quente, em hidrogênio, que se
escapou para o espaço, e oxigênio, que se incorporou nas rochas. O restante vapor de água ter-
se-á condensado, originando os oceanos, enquanto as chuvas intensas, correndo sobre os
continentes, lhes extraíam o cálcio. Este ter-se-á acumulado em espessas camadas de
sedimentos, que foram reincorporadas pelo manto. Este fato libertou a atmosfera de dióxido de
carbono, evitando o desenvolvimento do efeito de estufa que existe em Vênus.
Sopa primitiva, formada por compostos orgânicos simples em solução nos oceanos

Esta mistura de gases, sujeita á ação de U.V., do calor da crosta em fase de arrefecimento, da
radiatividade natural dos compostos recém formados e da atividade vulcânica, teria dado origem
a compostos orgânicos simples em solução - sopa primitiva.

Esta explicação permitia ultrapassar a dificuldade da formação das primeiras biomoléculas


(aminoácidos, bases azotadas e ácidos gordos) pois estas teriam tido uma origem em moléculas
inorgânicas.

A existência de certas rochas contendo minerais assimétricos, como as argilas, teriam facilitado a
estruturação desses monômeros em polímeros, funcionando como catalisadores inorgânicos.

Segundo Oparin, os conjuntos moleculares ter-se-iam agregado numa estrutura rodeada por uma
espécie de “membrana” de cadeias simples hidrocarbonadas, que a isolava do meio –
coacervado.

Os coacervados derivam de um processo natural nas soluções de polímeros fortemente


hidratados. Há uma separação espontânea de uma solução aquosa, inicialmente homogênea, em
duas fases, uma rica em polímeros e outra quase exclusivamente água. Esta situação deve-se à
atração entre moléculas polares e repulsão entre moléculas polares e apolares.

Proteinóides obtidos em laboratório, semelhantes em estrutura


aos coacervados

O coacervado é uma gotícula coloidal (formada por partículas muito pequenas mas maiores que
as moléculas com polaridade) rica em polímeros em suspensão num meio aquoso. A membrana
do coacervado é formada por moléculas de água dispostas em redor dos polímeros. O
coacervado pode interagir com o meio, incorporando moléculas na sua estrutura, crescer e
dividir-se. À medida que novas moléculas se iam agregando, se a nova combinação molecular
não

fosse estável, o coacervado destruía-se. Se fosse estável o coacervado aumentava de tamanho,


até que se dividia em dois.

No interior do coacervado, algumas moléculas catalisavam novas combinações, enquanto outras,


autoreplicáveis, começavam a controlar as reações metabólicas. Deste modo, este conjunto de
moléculas funcionaria como uma pré-célula, constituindo uma primeira manifestação de Vida.
Estudos recentes apontam para a importância dos ácidos nucléicos no processo inicial do
desenvolvimento da Vida.

O RNA terá sido a primeira molécula a surgir, já que este ácido nucléico forma curtas cadeias
espontaneamente em ambientes semelhantes aos propostos nesta teoria. Além disso, o RNA
liga-se temporariamente a locais específicos de outras moléculas, catalisando reações na célula
viva na ausência de enzimas, funcionando simultaneamente como DNA e proteína durante a
evolução celular.

Obter-se-iam assim, os pilares moleculares da Vida, os ácidos nucléicos e as proteínas: sem


ácidos nucléicos não há proteínas, ou seja, não há estrutura e controlo das reações (enzimas) e
sem proteínas (estruturais como as histonas e enzimáticas) não há replicação de DNA. Esta pré-
célula, provavelmente semelhante a uma bactéria, seria heterotrófica, alimentando-se do “caldo
orgânico” abiótico do meio. Nos milhões de anos seguintes, a seleção natural terá conduzido
esta evolução química, favorecendo conjuntos

moleculares bem adaptados e eliminando outros, devido à rarefação dos nutrientes nos oceanos.

Assim, para sobreviverem, estas células poderão ter evoluído para uma situação de autotrofia,
necessitando de grande quantidade de elétrons, como por exemplo o hidrogênio, dióxido de
carbono ou moléculas sulfurosas. Não parece coincidência que a grande maioria de bactérias
autotróficas atuais pertencerem ao grupo das bactérias sulfurosas.

Acumulação de Oxigênio molecular na atmosfera

Com o surgimento das cianobactérias fotossintéticas a acumulação de oxigênio molecular criou a


necessidade do surgimento de estruturas protetoras contra esse gás altamente agressivo.

O oxigênio molecular é um verdadeiro veneno para os organismos que não disponham de


mecanismos enzimáticos protetores (catalase ou peroxidase, por exemplo) capazes de reduzir os
subprodutos altamente nocivos do metabolismo oxidativo (peróxido e superóxido de
hidrogênio).Os dados geofísicos indicam que o oxigênio molecular surgiu gradualmente na
atmosfera há cerca de 2000 M.a.

O oxigênio teve um papel fundamental no desenvolvimento e complexificação das estruturas


biológicas, como se pode constatar pelos exemplos seguintes:

• capacidade de divisão celular depende da formação do complexo actina-


miosina, impossível sem oxigênio;
• síntese de esteróis, ácidos gordos e colágeno é impossível sem oxigênio;
• metabolismo aeróbio fornece mais de 15 vezes mais energia que o
anaeróbio;
• camada de ozônio permitiu a vida em terra.
Experiências de outros cientistas

Esta teoria explicativa do aparecimento do primeiro ser vivo necessitava, no entanto, de provas
factuais que a apoiasse.

Para isso, diversos cientistas simularam em laboratório as condições que o seu autor
considerava terem existido na Terra primitiva, entre eles Stanley Miller, cuja experiência se tornou
célebre.

Esquema da experiência de
Miller

Esta experiência foi concebida para testar a possibilidade da formação de monômeros


abioticamente, nas condições da teoria de Oparin.

Em 1953, Miller introduziu num balão uma mistura de metano, amoníaco, hidrogênio e água.

Essa mistura era constantemente bombardeada por descargas elétricas de 60000 V e mantida a
circular no aparelho pelo vapor de água criado pela ebulição da água.

Este procedimento foi mantido durante uma semana, após a qual se recolhem amostras que são
analisadas por cromatografia.
As análises mostraram que o líquido amarelado que se tinha formado continha vários tipos de
aminoácidos (alanina, ácido aspártico e glutamato) e ácidos orgânicos simples (fórmico, acético,
propiónico, láctico e succínico) usuais nos seres vivos.

Juan Oro, outro investigador, demonstrou que era possível obter abioticamente as bases púricas
e pirimídicas que compõem os ácidos nucléicos, aquecendo ácido cianídrico e amoníaco, por sua
vez obtidos abioticamente de hidrogênio, monóxido de carbono e azoto molecular.

Saliente-se que uma das bases, a adenina, não só faz parte dos ácidos nucléicos mas também é
fundamental para a formação de coenzimas como o NAD+ e o NADP+ e do ATP.

Sidney Fox testou a etapa seguinte, a formação abiótica de polímeros a partir dos monômeros.

Dado que a concentração de monômeros nos oceanos primitivos deveria ser baixa e que as
reações de polimerização e podiam

são reações de desidratação, estas não seriam fáceis de obter em condições naturais.

Assim, foi proposto que as polimerizações teriam ocorrido apenas em condições especiais, que
aumentavam artificialmente a concentração de monômeros e catalisavam as reações.

É sabido que as argilas são rochas formadas por camadas aluminossilicatos hidratados com
grande quantidade de cargas positivas e negativas. Por este motivo estas rochas captam
moléculas carregadas com grande facilidade pelo processo de adsorção. Este poderia ser um
meio de facilitar a polimerização, tal como a congelação, evaporação, calor, etc.

Fox testou esta possibilidade aquecendo a 200ºC misturas de aminoácidos obtidos abioticamente
sobre pedaços de rocha. Obteve cadeias polipeptídicas, que designou proteinóides, e que
podiam ser usadas como alimento por bactérias apresentar capacidade catalítica (uma pré-
enzima).

Com estes proteinóides, Fox obteve ainda o passo seguinte da teoria de Oparin, a formação de
coacervados, estruturas que Fox designou microsferas, por aquecimento á ebulição seguido de
arrefecimento.

As microsferas aparentavam ter propriedades osmóticas através da sua membrana de moléculas


de água, comportando-se como uma pré-célula.
Quadro-resumo da evolução das condições da Terra primitiva
Bilhões
de anos 4,5 3,5 2,5 1,5 0,5
atrás

bombardeame
bombardeame bombardeame bombardeame
bombardeame nto por U.V.
nto por U.V. nto por U.V. nto por U.V.
nto por U.V. fraco, calor da
Fontes elevado, calor elevado, calor elevado, calor
fraco, calor da Terra baixo,
energétic da Terra da Terra da Terra
Terra baixo, relâmpagos
as elevado, menor, baixo,
relâmpagos fracos
relâmpagos relâmpagos relâmpagos
fracos
intensos médios fracos

hidrogênio,
hidrogênio, hidrogênio, água,
amoníaco,
Gases na metano, metano, hidrogênio, oxigênio,
água, ozônio,
atmosfer amoníaco, amoníaco, amoníaco, ozônio, azoto,
oxigênio,
a água, dióxido água, dióxido água dióxido de
dióxido de
de carbono de carbono carbono
carbono

moléculas
moléculas
orgânicas
orgânicas moléculas
complexas
simples orgânicas moléculas moléculas
usadas pelos
sintetizadas complexas orgânicas orgânicas
Molécula protobiontes,
abioticamente, sintetizadas complexas complexas
s no início da
metano e abioticamente, obtidas obtidas
oceano síntese biótica
hidrocarbonet nucleotídeos, apenas por apenas por
de proteínas,
os, amônia, aminoácidos, síntese biótica síntese biótica
gorduras e
ácidos e açúcares
açúcares em
álcoois
células

era de
Tipo de surgimento
evolução organismos
formas procariontes procariontes dos
química, multicelulares
de Vida eucariontes
protobiontes

Críticas à Hipótese de Oparin


o hidrogênio é muito leve e escapa-se à gravidade da Terra com muita facilidade (quanto mais
elevada a temperatura da atmosfera superior, mais facilmente se escapa) logo talvez não tenha
predominado na atmosfera primitiva;

• .o oxigênio poderia existir em maior quantidade pois as enormes quantidades de vapor de


água produzidas podiam ser decompostas em hidrogênio e oxigênio pelos U.V., tendo-se
o hidrogênio escapado e o oxigênio acumulado na atmosfera. Se este processo fosse em
grande escala, a atmosfera ter-se-ia tornado rica em oxigênio;
• a atmosfera interage permanentemente com as rochas logo a análise destas poderia dar
uma idéia aproximada da constituição daquela. Algumas rochas sedimentares foram
formadas em condições redutoras, fator tido como argumento a favor da teoria de Oparin.
No entanto, atualmente ainda é possível a formação dessas rochas, apesar da atmosfera
rica em oxigênio, nomeadamente em pântanos. Essas rochas formam-se em condições de
decomposição anaeróbia de matéria orgânica no lodo.

Por este motivo considera-se que, se tomadas no seu conjunto, as rochas de um dado período
evidenciam que a atmosfera primitiva seria muito semelhante à de hoje. A dificuldade deste
argumento é o fato de apenas existirem rochas com 3200 M.a., logo a atmosfera dessa época
não ser redutora não invalida os pressupostos de Oparin pois considera-se que os primeiros
organismos fotossintéticos teriam surgido á cerca de 3600 M.a. Outro aspecto a considerar é
que, mesmo com atmosfera oxidante, tal como na atualidades, era possível a presença de locais
com condições redutoras (sob rochas ou no fundo de lagos ou oceanos) com elevadas
concentrações moleculares, permitindo a evolução química proposta por Oparin;

• como terão surgido as moléculas reguladoras e autoreplicáveis ?

Não foi possível esclarecer devidamente se foi a proteína ou o ácido nucléico a primeira molécula
a surgir na evolução química, ou se ambos surgiram simultaneamente. As proteínas e os ácidos
nucléicos são as moléculas básicas de todos os organismos vivos. As proteínas têm uma função
estrutural e enzimática e os ácidos nucléicos contêm a informação hereditária e os “programas”
que controlam, pelas enzimas, todas as reações dos seres vivos. Sem ácidos nucléicos não
existe um plano de formação das proteínas, e sem enzimas não se realiza a cópia dos ácidos
nucléicos.

Atualmente considera-se que o RNA terá sido a primeira molécula a surgir, seguido de uma
forma simplificada de síntese protéica. Os fosfatos e a ribose seriam moléculas comuns e a
adenina pode ter sido formada espontaneamente, tal como demonstrado por diversas
experiências. Obter-se-ia, assim, uma molécula capaz de replicação devido á facilidade de
emparelhamento de bases. No entanto, apesar de o RNA ser uma molécula mais reativa que o
DNA, tal não seria suficiente para catalisar reações mais complexas, daí a necessidade do
surgimento de uma outra molécula para realizar essas funções, as proteínas enzimáticas. As
enzimas primitivas devem ter sido pequenos péptidos não específicos. Fox demonstrou nas suas
experiências que alguns Proteinóides tinham atividade catalítica mas verdadeiras enzimas
apenas podem surgir após haver maneira de se conseguir reproduzir a sua seqüência
polipeptídica. Sabe-se que em condições pré-bióticas alguns polinucleótidos podem servir de
matriz para a síntese de não enzimática de polinucleótidos complementares.

Apesar destes fatos, facilmente se deduz que a grande maioria destas seqüências não teria
qualquer significado.

Estará a árvore da Vida de cabeça para baixo?

Ora aqui está uma pergunta com intrigantes respostas, segundo as mais recentes investigações
(1998).

Temos sempre referido que a chamada árvore da Vida tem na sua base os seres procariontes
(bactérias e arqueobactérias), organismos simples com uma única cópia de cromossomos
circulares, tendo os restantes grupos (eucariontes) surgido quando conjuntos dessas bactérias se
agruparam para formar células complexas, ditas eucarióticas.
Atualmente considera-se que o inverso tenha sido muito mais provável!! Os primeiros organismos
não teriam sido do tipo bactéria, não vivendo em fontes termais ou aberturas vulcânicas no fundo
do mar. Deverão, pelo contrário, ter sido muito mais semelhantes a protozoários, com genomas
fragmentados (em vários pequenos cromossomos lineares) e poliplóides (com várias cópias do
mesmo gene para impedir que "erros" na transcrição impedissem a sua sobrevivência). Teriam,
também, preferido os locais mais frios.

Tal como Patrick Forterre, entre outros cientistas, tem referido, as bactérias terão aparecido mais
tarde, não sendo primitivas mas altamente especializadas. Esta alteração tão radical no tipo
celular teria sido o resultado da adaptação a locais quentes, onde as temperaturas até 170ºC
tendem a causar mutações nos processos hereditários.

Assim "simplificadas", as bactérias tornaram-se altamente competitivas em nichos onde a


rapidez de reprodução é uma vantagem (parasitismo e necrofagia, por exemplo).

Os restantes organismos, pelos habitats ocupados, nunca sofreram uma tamanha pressão
seletiva para se tornarem simples e rápidos, pelo que retiveram o maior número de genes
possível, em vez da simplicidade de utilização.