CURSO DE PEDAGOGIA MÓDULO I – 2º SEMESTRE DE 2008

ATIVIDADE DE AVALIAÇÃO - MÓDULO 1 DISCIPLINA: Teoria do Conhecimento PROFESSOR: João Vicente Hadich Ferreira

ATIVIDADE: A partir do que foi trabalhado durante as aulas iniciais de Teoria do Conhecimento, do texto em anexo (“A importância do Professor”. Bárbara Freitag. In.: ARANHA, M. Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 2ª. Ed. rev. e amp. São Paulo: Moderna, 1996, p. 154-155) e do texto de fundamentação da disciplina, inclusive com as bibliografias referenciadas (módulo I de Pedagogia), desenvolva um texto dissertativo, conforme as orientações abaixo, de acordo com a seguinte questão: “Educação e Professor: o que é importante?”. Orientações: - Faça uma análise sobre o que afirma a professora Bárbara Freitag no ano de 1996 (doze anos atrás), o contexto atual da Educação no Brasil e suas perspectivas futuras. - Reflita: temos avanços, retrocessos ou nada mudou? - Analise a relação política, as questões éticas da questão levantada e a importância da Teoria do Conhecimento na formação do professor. - Crie um título e desenvolva o texto.

O texto deve conter: 1. Título compatível com a questão proposta; 2. Pelo menos duas páginas; 3. Referências de acordo com as normas da ABNT.

* O trabalho é individual e não serão aceitos trabalhos iguais ou cópias da internet. ** Leia ainda, os demais temas do módulo e outras leituras que julgar importante ou que contribuam para a elaboração do seu texto.

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TEXTO DE APOIO:

A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR

A tentativa de resolver problemas políticos e pedagógicos da escola mediante introdução de novas tecnologias constitui o velho e repetido erro de todas as iniciativas de reforma do ensino, promovidas em nível municipal, estadual e mesmo federal nas últimas décadas. Não é o satélite, a TV Educativa ou o computador que conseguirão alfabetizar os 20 milhões de brasileiros até agora excluídos de toda e qualquer educação formal. Não são eles que vão evitar as taxas de evasão e reprovação escolar nas primeiras séries. Não será através deles que o ensino de 3º. grau poderá voltar a ter níveis efetivamente “acadêmicos” de padrão qualitativo internacional. As soluções mais próximas, óbvias e corretas são em geral aquelas nas quais somente se pensará quando todas as outras, mais distantes e dispendiosas, já tiverem fracassado. Em todas as reformas de ensino dos últimos anos, pensou-se em reestruturar os níveis de ensino, passar do modelo francês ao americano, introduzir moderna tecnologia, alterar o sistema de avaliação, propor novas metodologias de ensino, sugerir novos métodos didáticos. Somente não se pensou na valorização do professor, pagando-lhe melhores salários, qualificando-o e reciclando-o. As professoras primárias ganham, via de regra, salários que não chegam ao de um auxiliar de construção, um lixeiro ou qualquer servente com salário mínimo. Este fato revela um desprezo profundo pela educação e possivelmente, por este trabalho remunerado da mulher. Assim como a dona-decasa trabalha “no lar”, educa os filhos e zela pelo bem estar de todos de graça, sem nenhuma recompensa ou facilidade financeira, assim também se espera que as professoras, vistas de certa forma como “substitutas da mãe” na escola, tenham dedicação semelhante, sem que lhe sejam oferecidos salários dignos e justos. Enquanto não houver uma reconsideração do Estado em sua avaliação do magistério, recompensando-o com salários justos, pouca utilidade têm as caríssimas campanhas publicitárias para convencer a população do valor da educação. No momento em que o Estado der o primeiro passo, valorizando, mediante salários

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adequados, o trabalho docente, a valorização da educação na sociedade será difundida pelo próprio professor na escola e pelo “produto” que dela sai: a criança efetivamente alfabetizada, informada, politizada, conscientizada do seu valor e de sua responsabilidade no mundo moderno, capaz de trabalhar e construir uma sociedade mais justa. As outras iniciativas poderão ser úteis, na medida em que complementarem e enriquecerem o trabalho do professor. Boas bibliotecas, laboratórios, computadores, livros didáticos, material escolar e mesmo a merenda escolar só farão sentido e servirão como elemento de transmissão de cultura, de formação de personalidade, de valor educacional, se forem competentemente usados e introduzidos pelo professor em sala de aula. Além da consideração do valor do professor e de sua qualificação, que constitui a única chance de melhorar também o nível de qualificação do aluno, considero de extrema importância, dando-lhe talvez prioridade número um (antes de qualquer inovação tecnológica), reintroduzir disciplinas humanísticas nos currículos de 1º. e 2º. Graus, reforçar o estudo de línguas estrangeiras e promover o

desenvolvimento artístico e a sensibilidade estética dos alunos. Nesse sentido, considero muito oportuna as iniciativas de certas Secretarias de Estado que reativaram o estudo da filosofia, propuseram-se a introduzir um currículo de sociologia e reforçaram o estudo das línguas estrangeiras, com suas respectivas literaturas, sem negligenciar o vernáculo. A educação moderna somente conservará ou conquistará traços humanísticos e preservará sua tradição emancipatória e de autonomia (Kant, Humboldt) se reforçar o estudo e aperfeiçoamento dessas áreas humanísticas. A experiência do nazismo na Alemanha e a vivência do risco atômico, criadas pelas super-potências, são referências suficientes para justificar essas medidas e alertar para o fato de que a tecnologia, pó si só, sem uma orientação política nobre, baseada nos princípios mais valiosos que a humanidade produziu, pode ser desvirtuada por qualquer aventureiro, tornando-se instrumento diabólico que ameaça a sobrevivência da humanidade.
Bárbara Freitag. In.: ARANHA, M. Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 2ª. Ed. rev. e amp. São Paulo: Moderna, 1996, p. 154-155.

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