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Lição 21

A CERTEZA DO JULGAMENTO
Por Ray Comfort
Tradução: Fernando Guarany Jr.

“Quando apenas nos dizemos maus, a ‘ira’ de Deus parece uma


doutrina bárbara; tão logo percebemos [o nível de nossa] maldade,
[tal ira] parece inevitável, um mero corolário da bondade de
Deus...”
C. S. Lewis
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Comentário de Kirk Cameron: Da mesma maneira que os seres humanos valorizam a


virtude da justiça e exigem que a justiça seja feita quando alguém erra, Deus valoriza
a justiça e promete executar o julgamento sobre a humanidade de acordo com seu
perfeito padrão. A criação inteira se regozijará quando o Juiz do Universo vier trazer a
verdade e a justiça sobre um mundo amante do pecado.

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Perguntas e Objeções

“Por que o Antigo Testamento mostra um Deus de ira e o


Novo Testamento um Deus de misericórdia?”

O Deus do Novo Testamento é mesmo que o Deus do Antigo Testamento. A Bíblia


diz que Ele nunca muda. Ele é tão misericordioso no Antigo quanto no Novo
Testamento. Leia Neemias 9 para um resumo de como Deus misericordiosamente
perdoou Israel, continuamente, após eles repetidamente pecarem contra Ele e
virarem-Lhe as costas. Os Salmos freqüentemente falam da misericórdia de Deus
derramada sobre os pecadores.
Por outro lado, Ele é tão cheio de ira no Novo Testamento quanto no Velho. O
Livro de Atos registra o fato de Ele ter matado um marido e sua esposa simplesmente
por terem contado uma mentira. Jesus alertou que deviam temê-Lo por que Ele tem o
poder de jogar tanto o corpo quanto a alma no inferno. O apóstolo Paulo disse que
persuadia as pessoas a irem ao Salvador porque conhecia o “terror do Senhor.” Leia
os terríveis julgamentos do Livro de Apocalipse que está no Novo Testamento. Isso
colocará o “temor do Senhor” em você, que incidentemente é “o princípio da
sabedoria.”
Talvez a demonstração mais assustadora da ira de Deus esteja na cruz de Jesus
Cristo. Sua fúria veio sobre o Messias que parece que Deus envolveu a face de Jesus
na escuridão de maneira que a criação não conseguia observar Sua inenarrável
agonia. Quer gostemos ou não, nosso Deus é um santo fogo consumidor (Hebreus
12:29). Ele não mudará. Assim, é melhor que nós mudemos – antes do Dia do
Julgamento. Se nos arrependermos, Deus, em Sua misericórdia, nos perdoará e
concederá a vida eterna no céu com Ele.

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O Profeta Jeremias alertou o Rei Zedequias repetidamente do vindouro Julgamento de


Deus sobre a tribo de Judá. Às vezes parecia que o rei realmente acreditava no
profeta, então no momento seguinte ele o mandava trancafiar na prisão.
Às vezes, os pecadores parecem acreditar no evangelho. Apreciam música
gospel, gostam de escutar as pregações de pastores da teologia da prosperidade e
pensamento positivo – mas procuram calar nossas bocas no momento em que
falamos do julgamento vindouro. João Batista pregava sobre o julgamento do pecado.
Disse a Herodes que havia transgredido a Lei de Deus ao tomar a esposa de seu
irmão, o que custou sua vida (Marcos 6:18). Aos olhos do mundo, não há nada de
popular ou positivo em pregar a realidade do Dia do Julgamento.
A mensagem de Jeremias também colocou sua vida em risco. Ele pregava
abertamente que Judá havia se desviado da Lei Moral e expôs claramente qual era o
alcance da Lei ao revelar seus pecados específicos (Jeremias 7:9). Haviam pregado o
Primeiro e Segundo Mandamentos ao seguirem outros deuses. Eles quebraram o
Sexto, Sétimo, Oitavo e Nono Mandamentos, e andaram em hipocrisia (v.10). E
permaneceram no pecado seguindo seus próprios conselhos e a imaginação de seus
corações.
O profeta também teve que contender com aqueles que pregavam uma
mensagem de melhoria de vida ao invés de pregarem o julgamento de Deus
(Jeremias 28:1-17). A Bíblia nos conta que, na verdade, essa mensagem era “uma
rebelião contra o Senhor” (v. 16). E continua sendo. Quando negligenciamos a
pregação do Dia do Julgamento, as pessoas não vêem a necessidade de arrepender-
se. Por que deveriam, se não são alertadas da terrível conseqüência do pecado? (Veja
Jeremias 23:14).
Quando Jeremias falou do julgamento de Deus sobre a nação, ele a descreveu
como total e absoluto. Sua mensagem não deixou brecha à duvida:

Porque assim diz o Senhor: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e
para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus
olhos o verão. Entregarei Judá todo na mão do rei de Babilônia; ele os
levará cativos para Babilônia, e matá-los-á à espada. Também entregarei
todas as riquezas desta cidade, todos os seus lucros, e todas as suas
coisas preciosas, sim, todos os tesouros dos reis de Judá na mão de seus
inimigos, que os saquearão e, tomando-os, os levarão a Babilônia.
Jeremias 20:4, 5

Nestes dois versículos, a palavra “todo” (e suas flexões: toda, todos, todas) é
mencionada seis vezes e nove verbos são usados no futuro, demonstrando algo que
indubitavelmente acontecerá.
Então, este é o cenário em que o rei de Judá questiona Jeremias por que ele
prega o julgamento de Deus:

Pois Zedequias, rei de Judá, o havia encarcerado, dizendo: Por que


profetizas , dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que entrego esta cidade na
mão do rei de Babilônia, e ele a tomará; e Zedequias, rei de Judá, não
escapará das mãos dos caldeus, mas certamente será entregue na mão
do rei de Babilônia, e com ele falará boca a boca, e os seus olhos verão os
olhos dele; e ele levará para Babilônia a Zedequias, que ali estará até que
eu o visite, diz o Senhor, e, ainda que pelejeis contra os caldeus, não
ganhareis? Jeremias 32:3-5

A resposta de Jeremias à pergunta do Rei sobre a razão pela qual e pregava o


julgamento de maneira tão contundente é bastante estranha. Ele dá uma parábola
que parece quase que sem relação à pergunta. Isto é o que ele diz:

Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Eis que Hanamel, filho de


Salum, teu tio, virá a ti, dizendo: Compra o meu campo que está em
Anatote, pois tens o direito de resgate; a ti compete comprá-lo. Veio,
pois, a mim Hanamel, filho de meu tio, segundo a palavra do Senhor, ao
pátio da guarda, e me disse: Compra o meu campo que está em Anatote,
na terra de Benjamim; porque teu é o direito de herança e teu é o de
resgate; compra-o para ti. Então entendi que isto era a palavra do
Senhor. Jeremias 32:6-8

A história parece não ter relação com a pergunta, até que entendamos os
significados dos nomes usados pelo profeta. O nome Hanamel significa “Deus tem
compaixão.” Salum significa “retribuição”. Hanamel e Salum eram pai e filho; ou seja,
eram parentes. A compaixão de Deus nunca poderia ser separada da retribuição de
Deus; são “parentes.” Por Ele ser um justo Deus de Retribuição e dever punir o
pecado, Deus estava em Cristo reconciliando o mundo Consigo mesmo por causa de
Sua grande compaixão. Não haveria cruz caso não houvesse ira contra o pecado.

Quando o mundo nos pergunta por que pregamos que haverá um terrível Dia do
Julgamento, poderíamos simplesmente dizer que é porque a Bíblia ensina isso. Mesmo
isso sendo verdade, essa não é a única razão por estarmos certos que o Dia do
Julgamento realmente ocorrerá. Nossa certeza vem do fato que Deus revelou Sua
retribuição e Sua compaixão no Evangelho, e agora oferece a humanidade perdão no
Salvador. É pelo poder do Evangelho que temos a segurança que o Dia do Julgamento
certamente ocorrerá.
Aqueles que buscarem segurança, a encontrarão no Salvador. Aquele que se
arrepende e confia no Salvador se torna uma nova criatura; nasce de novo. Nada
pode convencer um pecador da realidade das Santas Escrituras e do seu grande
alerta da ira vindoura como uma nova vida com um novo coração e novos desejos.
Então, qual é melhor maneira de conduzirmos as pessoas ao Salvador?
Pregando que o Deus da compaixão também é o Deus da retribuição. Abrindo-lhes a
espiritualidade da Lei Moral que [demonstra que] as pessoas foram feitas para
aperceber-se de sua culpa e ver o quanto necessitam refugiar-se da ira vindoura:

Portanto, diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma estas


escrituras de compra, tanto a selada, como a aberta, e mete-as num vaso
de barro, para que se possam conservar muitos dias.

Nós somos “as escrituras de compra.” Nos apresentamos como testemunho da


transação do Deus Todo-Poderoso. Fomos comprados pelo sangue de Jesus Cristo
(Atos 20:28), selados pelo Espírito Santo da promessa para o Dia da Redenção
(Efésios 1:13; 4:30), e agora temos as indescritíveis riquezas deste tesouro em vasos
de barro (2 Coríntios 4:7).
Se formos testemunhas fiéis, nosso testemunho consistirá tanto da compaixão
de Deus como de Sua retribuição, e alertaremos as pessoas quanto ao Dia do
Julgamento que está chegando.

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Perguntas
1. Por que João Batista foi aprisionado?
2. De acordo com Jeremias 28:1-9, o que disse o falso profeta? Por que aqueles
que não pregam sobre a punição vindoura estão, na verdade, ensinando
“rebelião contra o Senhor”?
3. Como você compararia esta falsa mensagem ao evangelismo moderno?
4. Por que Deus julgou a Judá?
5. Você acha que os Estados Unidos estão sob julgamento? Se sim, por quê?
6. Explique de que maneira a retribuição e a compaixão de Deus estão
relacionadas.
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Penas para Flechas


Um homem teve uma idéia brilhante para conseguir pintar as beiradas de sua casa cujo teto tinha a
forma triangular. Ele lançou uma corda por sobre o telhado e a amarrou com um nó bem seguro no pára-
choque de seu carro. Certificou-se ainda de puxar o freio-de-mão para que o não deslizasse com o seu peso.
Assim, deu a volta na casa, subiu no telhado e amarrou a corda firmemente em volta de sua cintura. Em
seguida, pendurou-se de costas, impressionado com sua própria genialidade.
Pouco tempo depois, sua esposa, sem sequer suspeitar do que seu inventivo marido havia feito, saiu
da casa com suas chaves do carro na mão. Entrou no veiculo e saiu dirigindo, puxando seu marido por cima
do teto e jogando-o no chão do outro lado. O homem ficou seriamente ferido.
A moral desta história verídica é que muitas vezes colocamos nossa segurança em algo ilusório. Se
nos fiarmos na crença de que boas obras nos salvarão no Dia do Julgamento, seremos surpreendidos por
uma eterna e trágica queda no inferno.
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Versículo para Memorização

“Em verdade, em verdade vos digo que se alguém não


nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino
de Deus.”
João 3:5

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Últimas Palavras

Cardeal Cesare Borgia (1476-1507):


“Durante minha vida, fiz provisão para tudo exceto para minha
morte,
e agora – ai de mim – estou morrendo despreparado.”
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Tradução: Fernando Guarany Jr.


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