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Um Estado dentro do Estado (1)

por Heitor De Paola em 31 de janeiro de 2007

O autor é escritor e comentarista político, membro da International


Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer House Foundation,
Berkeley, Califórnia, e Membro do Board of Directors da Drug Watch
International. Possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. E é ex-militante
da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

Resumo: Enquanto a “direita” nacional, liberais, conservadores e a classe média ficam


discutindo o sexo dos anjos, vai-se construindo o novo Estado brasileiro, um Estado
dentro do Estado que aos pouco vai assumindo o poder real e efetivo da Nação.

© 2007 MidiaSemMascara.org
O Boletim da Brigada Militar do Rio Grande do Sul referente às atividades do MST no Noroeste
gaúcho [1] mostra uma situação nitidamente revolucionária pré-insurrecional ocorrendo
naquela importante região:

Entre os municípios gaúchos de Palmeira das Missões, Iraí, Nonoaí, Encruzilhada Natalino,
Pontão e Passo Fundo (ver mapa), há 31 acampamentos do MST, articulados uns com os
outros como uma rede de vasos comunicantes. Com técnicas aprendidas da guerrilha
colombiana, há anos eles mantêm a população local sob a constante ameaça de roubos e
invasões, mas de há muito a coisa já passou da etapa das ações avulsas. Segundo a Brigada
Militar, "o arrojado plano estratégico do MST, sob a orientação de operadores estrangeiros, é
adotar nessa rica e produtiva região o método de controle territorial branco tão lucrativamente
usado pelas Farc na Colômbia". O primeiro passo seria dominar a zona entre as rodovias RS-
324 e BR-386, avançando depois até a fronteira com a Argentina e adquirindo o controle total
do tráfego rodoviário nessa área.

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MAPA DA REGIÃO. Para um mapa com maior detalhamento ver:
http://www.daer.rs.gov.br/daer_maparodoviario_4590_3638.jpg

Enquanto a “direita” nacional, que deveria se opor ativamente a um governo revolucionário


representante do Foro de São Paulo, esbraveja como baratas tontas contra pequenos crimes
de corrupção; enquanto liberais ficam a discutir filigranas tipo “cresceremos ou não
cresceremos?”, “vão desonerar a produção?” e “a taxa de juros deve baixar um pouco mais?”;
enquanto conservadores ficam alertando o Presidente do que ele está farto de saber porque é
profundo conhecedor, como a desordem no campo e a violência nas cidades; enquanto ficam
discutindo quando é que o governo vai começar a governar e não percebem que ele está firme
no leme; enquanto a classe média fica extasiada pela baixa inflação que lhe permite consumir
e só pensa na conta bancária; enquanto enfim, ficam discutindo o sexo dos anjos, vai-se
construindo o novo Estado brasileiro, um Estado dentro do Estado que aos pouco vai
assumindo o poder real e efetivo da Nação. Com o beneplácito da mídia corrupta que emudece
para dar tempo a que se consolide; com a apatia dos chefes militares que sabem que o
Exército oficial está sendo sucateado para ser substituído pelo futuro Exército Popular de
Libertação com o desvio de recursos que deixa o oficial à míngua, enquanto enriquece o outro;
com o mutismo dos partidos “de oposição” (faz-me rir!), o novo Estado permanecerá invisível
até que seja tarde demais para qualquer reação.

A opção revolucionária parece ser uma espécie de maoísmo, misturado com Vo Nguyen Giap e
requentado pelas FARC, priorizando o campo para cercar as cidades, enquanto nestas as
facções revolucionárias, mas tidas apenas como “criminosas”, vão minando o poder policial,
uma espécie de via campesina à la façon de samba. Em todo o território nacional focos mais
ou menos importantes deste futuro exército revolucionário – momentaneamente apelidado de
MST, pois assim passa por ser apenas um “movimento social” inimputável – estão em
constante expansão, totalmente afastados do Estado visível, pois contam com estrutura e
organização política próprias, como forças armadas, instituições de ensino com currículos
diferenciados, serviços de saúde e até representação diplomática independente do Itamaraty,
mantendo estreito contato com congêneres de outros países reunidas no Foro de São Paulo!
Ou mesmo de fora dele, como o Hamas, o Hezbollah e a Al Qaeda.

Meu intuito nesta série de artigos é 1. traçar uma linha de desenvolvimento histórico – da pré-
história à fundação do MST; 2. os possíveis desenvolvimentos estratégicos na região aludida;
e, se me restar fôlego e conhecimentos, 3. a estratégia de tomada do poder.

DA PRÉ HISTÓRIA À FUNDAÇÃO

O quadrante Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul tem uma importância fundamental por
ser o berço do MST e por possuir um histórico de lutas revolucionárias bastante significativas
para que nos detenhamos a examiná-la brevemente antes de prosseguir investigando as
possibilidades táticas e estratégicas que se apresentam na atualidade. Quatro movimentos de
monta convulsionaram a região no século passado, ou ao menos tiveram início lá. Dois quase
exclusivamente militares e dois populares.

A COLUNA PRESTES

O movimento com este nome fez parte do que se conhece como Tenentismo, nome dado ao
movimento político-militar e à série de rebeliões de jovens oficiais (na maioria, tenentes) do
Exército Brasileiro no início da década de 1920, descontentes com a situação política do Brasil.
Os primeiros foram a “Revolta dos 18 do Forte de Copacabana” em 1922 e a “Revolta Paulista”
de 1924.

O principal coordenador da conspiração militar iniciada no Rio Grande do Sul foi o tenente
Aníbal Benévolo, jovem oficial da Brigada de Cavalaria de São Borja. Também
desempenharam papel importante na deflagração do levante gaúcho o capitão Luiz Carlos
Prestes e o tenente Mário Portela Fagundes; ambos haviam servido no 1º Batalhão Ferroviário

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(1ºBF) de Santo Ângelo (a oeste de Cruz Alta pelo eixo da atual BR 285 - ver mapa) mantendo
contato estreito e permanente com a tropa. Na noite de 28 de outubro de 1924, levantou-se o
1º BF, sob o comando de Prestes e Portela e, na madrugada do dia 29, receberam o apoio de
outras unidades militares da região.

As forças governistas foram rapidamente mobilizadas e lançadas contra os rebeldes. Devido à


falta de coordenação entre as unidades rebeladas e à espontaneidade de suas ações, em
poucos dias os “revolucionários” do sul do estado estavam desbaratados. A “revolução”
conseguiu sobreviver apenas na região de São Luís Gonzaga (a 43 km a Oeste de Santo
Ângelo pelo mesmo eixo rodoviário), graças ao papel decisivo do capitão Prestes. Na prática,
Prestes passou a comandar não só o 1º BF, que viera com ele de Santo Ângelo, como também
os elementos militares e civis remanescentes dos diversos levantes ocorridos no estado.
Cortando as linhas de cerco governistas rumou ao norte até Foz do Iguaçu. No inicio de abril
de 1925, na região sudoeste do estado do Paraná o grupo se encontrou e juntou-se aos
paulistas, formando o contingente rebelde chamado de Coluna Prestes, com 1.500 homens,
que percorreu por dois anos e cinco meses 25.000 km. O restante da história não interessa
aqui. Foi um movimento puramente militar embora contasse com algum apoio popular no final.

O MOVIMENTO DE CAPÃO DA CASCAVEL E O PRECURSOR DO MST-MASTER

O estoque de terras devolutas usadas para colonização já se esgotara no começo dos anos
1940, quando se formaram as últimas frentes no interior das reservas indígenas –
especialmente de Serrinha, Nonoai (ver mapa) e Ventarra. Leonel Brizola e as bases do PTB
estimulavam o surgimento de abaixo-assinados. A região de Sarandí, uma das regiões do Rio
Grande do Sul com maior demanda por terras, deflagrou a campanha dos abaixo-assinados,
sob a coordenação da Diretoria de Terras de Nonoai. Lá por volta de 1960, surgiu o MASTER
(Movimento dos Agricultores Sem Terra – 1960-64), que ocupou essa fazenda em janeiro de
1962, no chamado “Movimento de Capão da Cascavel”, próximo a atual cidade de Ronda Alta
(ver mapa), então Distrito do Município de Sarandí, com aproximadamente 1.000 hectares, com
a alegada motivação de que era de uma família de uruguaios, que não morava e não tinha nem
boi lá, por servir para especulação imobiliária e pelo fato de ter muito pinheiro.

Brizola, governador do estado, de 1958 a 1962, fazia um governo “popular”, de esquerda,


tendo nacionalizado empresas estrangeiras como a ITT e a Light. Quando a fazenda foi
ocupada ele se dirigiu imediatamente para o local e, num violento discurso, se solidarizou com
os ocupantes. Depois utilizou a legislação estadual para desapropriá-la. Só que, como a
fazenda era muito grande, não deu tempo de fazer todo o procedimento de assentamento,
conseguindo assentar apenas na metade do território da propriedade.

Além da ação de Brizola e dos partidos políticos de esquerda há que salientar a da Igreja
Católica que então ensaiava o surgimento da Teologia da Libertação, as CEBs (Comunidades
Eclesiais de Base) e a radicalização das Pastorais da Terra, com base numa suposta
identidade própria da Igreja da América Latina e do Caribe, explicitada na primeira das várias
“Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano”, realizada no Rio de Janeiro em 1955.
O fato mais importante desta primeira Conferência foi a fundação do CELAM - Conselho
Episcopal Latino-americano. A realização do Concílio Ecumênico Vaticano II levou os bispos a
decidirem por uma espécie de “concílio latino-americano”, para adaptar a situação do
continente aos conteúdos dos documentos conciliares. Foi o que de fato veio a acontecer em
1968, com a realização da Conferência de Medellín, na Colômbia. Seu claro propósito foi
acolher as orientações do Concílio, inserindo-as de maneira prática e dinâmica nas
circunstâncias próprias da realidade de nosso continente. Já a Teologia da Libertação foi forte
durante as décadas de 60 e 70, quando se espalhou de forma especial na América Latina e
entre os Jesuítas, sendo uma das orientações para o movimento das CEBs.

Com a contra-revolução de 1964 o MASTER perdeu sua força, mas não desapareceu, pois
como apenas 450 famílias foram assentadas e outras 600 não chegaram a ser registradas, o
movimento foi progredindo e precipitou os acontecimentos conhecidos como “Acampamento da
Encruzilhada Natalino”, em 1981. Mas antes houve outra tentativa revolucionária de caráter
militar na região.

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A OPERAÇÃO TRÊS PASSOS

Leonel Brizola, exilado no Uruguai desde o início do governo Castelo Branco, instado por
vários outros brasileiros lá refugiados, principalmente o Ex-presidente João Goulart e Darcy
Ribeiro, resolveu desencadear mais um "plano revolucionário infalível". Na noite de 12 de
março de 1965, na sua residência, localizada na Praça Independência, em Montevidéu, uma
reunião do tipo "estado-maior" decidiu e traçou os detalhes da Operação. Sob a designação
genérica de "Esquema Geral", a "revolução" brizolista iniciar-se-ia com um movimento
sedicioso no Rio Grande do Sul que se juntaria com forças que iriam penetrar no Mato Grosso,
vindas da Bolívia, sob o comando do ex-Coronel da Aeronáutica, Emanoel Nicoll. Com a
estratégia em forma de pinça, Brizola pretendia que a junção das duas forças fosse realizada,
simbolicamente, em 31 de março de 1965, para "comemorar" o primeiro aniversário do
movimento militar que o levara ao exílio. Um manifesto a ser divulgado pela Rádio Difusora de
Três Passos (ver mapa), no dia 25 de março, seria a senha para a "revolução brasileira".

Para a invasão, dentre as várias opções, Brizola escolheu a "Operação Três Passos", de
autoria do ex-Sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Albery Vieira dos Santos
Júnior. Para comandá-la, foi escolhido o ex-Coronel de Artilharia do Exército, Jeffersom Cardim
de Alencar Osório. Na noite de 18 de março Cardim e mais dois aprendizes de guerrilheiro
partiram de Montevideo e usando táxis e carros emprestados chegaram a Campo Novo (ver
mapa). Na noite de 25 de março, partiram de Campo Novo rumo a Três Passos, onde
chegaram na madrugada do dia seguinte. Sem encontrar resistência, assaltaram o posto
policial da Brigada Militar, levando armamento, fardamento e munição, e o presídio, de onde
libertaram vários presos comuns. O diretor da Rádio Difusora, Benno Adelar Breitenbach, e sua
esposa Zilá Maria Breitenbach, acabaram seus reféns. Pela Difusora, os guerrilheiros leram um
manifesto de repúdio ao regime militar e pela primeira vez ouviu-se o nome Forças Armadas de
Libertação Nacional (FALN). Em seguida, o grupo rumou para Tenente Portela e Frederico
Westphalen (ver mapa), seguiram para Santa Catarina e acabaram detidos pelo Exército no
estado do Paraná, a 50 quilômetros da cidade Cascavel.

O BERÇO DO MST - O ACAMPAMENTO DA ENCRUZILHADA NATALINO

O acampamento da Encruzilhada Natalino, organizado de dezembro de 1980 a março de 1982,


é apontado por líderes sem-terra como o exemplo de mobilização adotado pelo MST, que veio
a ser criado em 1984. O nome "encruzilhada" vem do fato de estar no encontro das estradas
que levam a Passo Fundo, Ronda Alta e Sarandí (ver mapa), a uns 10 quilômetros da Fazenda
Sarandí, anteriormente ocupada (ver acima). Já Natalino vem de Natalino Verardi, primeiro
agricultor a erguer seu barraco no local. No auge, em junho de 1981, o acampamento tinha
cerca de 600 famílias. Os sem-terra acamparam fora da propriedade, na chamada área de
servidão pública, entre a cerca e o leito da estrada de terra. A experiência de acampar nessas
áreas de servidão tivera início espontaneamente em Goiás, sem interferência da Pastoral da
Terra ou de qualquer grupo sindical ou político: bóias-frias as ocupavam e cultivavam,
conseguindo ganho e sustento durante o período de vacância do emprego e trabalho agrícola.

Já em Natalino a força moral e política do acampamento veio da Pastoral da Terra do Rio


Grande do Sul. Segundo Miguel Carter, do Centre for Brazilian Studies da Universidade de
Oxford [2], a história deste movimento social pela reforma agrária está intimamente ligada à
Igreja Católica e à teologia da libertação. Em nenhum outro lugar, na história das religiões, uma
instituição religiosa teve um papel tão significativo no apoio à reforma agrária como o da Igreja
Católica Romana (no Brasil). E compara este movimento ao boicote dos ônibus em
Montgomery, Alabama (1955-56) pelo fato de que ambos os episódios serviram para catalisar
movimentos sociais de dimensões nacionais. Lá, o movimento pelos direitos civis; aqui, o
movimento pela reforma agrária, que já dura mais de três décadas, e a fundação do MST em
dimensão nacional.

Nos anos que seguiram após a atuação do MASTER na região, particularmente na década de
70, a agricultura gaúcha experimentou um progresso acelerado de modernização agrícola. Na
região em estudo houve uma rápida difusão da cultura de soja. Com a introdução de
maquinários agrícolas modernos e controle das pragas com pesticidas químicos, o tradicional

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trabalho agrícola foi sendo abandonado, deixando um grande número de famílias de
trabalhadores rurais e pequenos arrendatários à margem da nova economia agrícola. Os
custos de produção aumentaram e o preço dos produtos caiu, tornando a agricultura familiar
impossível. Como resultado, um grande número de camponeses perdeu o acesso à terra.
Muitos migraram para as cidades, mas grande número permaneceu precariamente nas
comunidades de origem.

Em maio de 1978, 1.100 sem-teto foram expulsos da reserva indígena de Nonoai por hordas
de guerreiros Caicangues, os proprietários legais do território. Metade das famílias foi
assentada em programas governamentais de colonização no Estado de Amazonas, mas 128
famílias se recusaram a ir embora e acabaram sendo assentadas mais ao sul, perto da
fronteira uruguaia. Mais de 400 famílias, no entanto, permaneceram na região de Ronda Alta-
Nonoai. Entre junho e julho de 1978 cerca de 300 camponeses ocuparam duas fazendas de
propriedade estatal: Macali e Brilhante, ambas remanescentes da estatização da Fazenda
Sarandí.

Em maio de 1979 o Padre paroquiano de Ronda Alta, Arnildo Fritzen, junto com ativistas de
Porto Alegre, começou a organizar os sem-terra de Nonoai. Um destes ativistas chamava-se
João Pedro Stédile. O governo do Estado assentou 80 famílias nestas fazendas em maio de
1980, mas outras 100 permaneceram sem terra. Estas, em outubro, invadiram a Fazenda
Annoni mas foram expulsos pela polícia. Estes conflitos entre 79-80 serviram de ensaio para a
invasão da Encruzilhada Natalino.

O Padre Arnildo estava intimamente ligado à Teologia da Libertação, cujo principal centro de
difusão no estado era o Centro de Orientação Missionária (COM) da Diocese de Caxias do Sul,
e passou a aplicar os ensinamentos da Conferência de Medellín, tendo ativamente organizado
várias Comunidades Eclesiais de Base. Mas o grupo comandado por ele mantinha laços mais
amplos com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), criada originalmente em junho de 1975 em
Goiânia, mas já com expressão ecumênica nacional, com a finalidade de encontrar, organizar,
assistir e estimular cristãos leigos para servir entre camponeses. O capítulo gaúcho da CPT,
criado em 1977, ficava exatamente em Caxias do Sul, mantendo estreito relacionamento com o
COM.

Em 30 de julho de 1981 o governo do Presidente Figueiredo declarou Encruzilhada Natalino


Área de Segurança Nacional. Tropas do Exército, da Polícia Federal e agentes de inteligência
tomaram a região e fecharam a estrada. O acampamento, nesta época, consistia de uma fila
de barracas de aproximadamente 2 quilômetros de extensão. O Oficial chefe da equipe de
inteligência e comandante da operação, era o Coronel Sebastião Rodrigues Moura, o “Curió”,
que já possuía um respeitável currículo de ação em zonas de combate, tendo desbaratado em
meados da década de 70 as insurreições na Amazônia e comandado em 1980 a região caótica
do Garimpo de Serra Pelada com grande sucesso. Suas ordens eram claras: desmantelar o
acampamento e apagar seu exemplo de rebelião. Curió agiu de forma inteligente. Numa rápida
visita uma semana antes prometeu satisfazer o desejo de terras. Desafiado pelo ceticismo
reinante, reagiu com savoir-faire: arrancou um fio de seu bigode e entregou aos camponeses
como sinal de sua palavra de honra.

Sua promessa não foi em vão mas as terras prometidas eram as dos projetos de colonização
das regiões Norte e Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso. 202 famílias aceitaram e
foram para Lucas do Rio Verde recebendo um lote de 200 hectares cada. Uma delas era de
Aquilino Sirtoli, na época com 33 anos, recém casado e com um filho de colo, que hoje
acumula uma área de 1.500 hectares quase toda plantada de soja e, segundo ele, avaliada em
torno de R$ 12 milhões, sendo R$ 8.000 cada hectare. Sirtoli reserva 300 hectares da fazenda
para a plantação de milho. Possui casa moderna e carro importado. Numa entrevista à Folha
de São Paulo em 26/11/06, disse: "O Curió fez tudo para desmobilizar o acampamento. Era só
bla-bla-blá, mas não tive a menor dúvida em vir para cá. No acampamento ficaram amigos que
não queriam que a gente viesse. Nunca mais voltei, porque poderiam ficar bravos”.

Sirtoli, 58, lembra da pressão da Igreja Católica, representada por bispos da Pastoral da Terra,
e de alguns líderes sem-terra para que recusasse a oferta dos militares. A idéia da maioria dos

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acampados era pressionar os governos federal e estadual pela desapropriação de áreas no Rio
Grande do Sul.

Curió desmobilizou menos da metade. O restante foi levado em 1982 a uma área comprada no
estado com dinheiro recolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e pela Igreja
Evangélica de Confissão Luterana.

O acampamento da Encruzilhada Natalino é apontado por líderes sem-terra como o exemplo


de mobilização adotado pelo MST, criado em 1984.

Um Estado dentro do Estado - Parte II


por Heitor De Paola em 09 de fevereiro de 2007

Resumo: A estratégia do MST e movimentos assemelhados pode evoluir da tática das “Zonas
de Domínio” para o futuro estabelecimento de um Exército Popular, adepto de táticas maoístas
como o vietcong e os sandinistas.

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DESENVOLVIMENTOS E POSSÍVEIS ESTRATÉGIAS DO MST E ORGANIZAÇÕES


ALIADAS NA REGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL

“(...) nossos movimentos devem defender a soberania nacional

e o papel desse outro Estado, que é o único poder do povo que pode

fazer mudanças e ajudar a construir uma sociedade menos desigual.

E temos que juntarmo-nos para enfrentar os organismos internacionais

e os acordos que eles fazem e que representam os interesses do capital”.

JOÃO PEDRO STÉDILE

Terminei o primeiro artigo desta série pelo breve histórico do Acampamento da Encruzilhada
Natalino, considerado o berço do MST, e a participação de entidades ligadas à Teologia da
Libertação na gestação do movimento. É o próprio Stédile quem diz: “Sempre tivemos
vinculações com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e com outros setores progressistas das
chamadas igrejas cristãs históricas. A CPT teve um papel importante na fundação do
movimento e foi ela que fez o primeiro trabalho de conscientização dos camponeses. De certa
forma, o MST é filhote da CPT”. Pode-se notar, na continuação, que a CPT estava muito mais
interessada no trabalho político de doutrinação socialista e de ocupação de terras do que
propriamente no trabalho pastoral; dificilmente os camponeses teriam adquirido consciência se
a CPT não tivesse feito aquele trabalho. A CPT, lá nos primórdios de 1975 a 1984, ia para o
interior fazer o trabalho de base e dizia assim: "Deus só ajuda a quem se organiza, não
pensem que Deus vai ajudar vocês se ficarem só rezando..” [1]. Bem pouco Cristão, non é
vero?

A tão desejada organização chegou finalmente em 1984 com a fundação do MST e a CPT
refluiu depois do parto de seu dileto filho. Deve-se parabenizar o Padre Arnildo Fritzen pela
criatura que gerou e cresceu tão rápido e eficientemente. Se já desde o início o interesse da
CPT era “conscientizar” os camponeses, é muito estranho que setores empresariais brasileiros
e internacionais tenham engolido a tese comuno-petista de que o MST é apenas um
“movimento social” interessado no bem-estar dos camponeses e na reforma agrária. Stédile já
negava isto na sua entrevista em 1997 (op. cit.): “O mais importante, porém, era o processo de

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conscientização dos produtores, que começavam a se dar conta de quanto custava produzir e
de onde é que vinha o resultado do trabalho deles. Estavam tão anestesiados que não
acreditavam que se deveria colocar no custo o valor do trabalho, achavam que aquilo era uma
obrigação. Por isso é que foram tantos anos explorados”. Stédile estudou como se forma o
preço da terra em O Capital, de Karl Marx, segundo seu próprio depoimento. E, mesmo assim,
setores da direita (?) nacional continuam insistindo em que o MST é apenas um inofensivo
“movimento social” e não um movimento revolucionário que pretende, como diz Stédile,
construir um “novo Estado, Poder do Povo”, um Estado dentro do Estado.

Não é meu intuito aqui acompanhar a trajetória do MST da sua fundação e expansão nacional
até o presente, pois meu alvo continua sendo sua atuação na mesma região estudada no
primeiro artigo: o Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, onde se desenvolvem ações que
interessam investigar detidamente em separado.

AÇÕES REVOLUCIONÁRIAS DO “OUTRO ESTADO” NA REGIÃO

Na parte reproduzida em epígrafe de um extenso discurso de Stédile, além do “outro Estado do


Povo”, é de ressaltar que o orador fala no plural: nossos movimentos e temos que juntarmo-nos
(português sofrível, João Pedro!). O discurso foi pronunciado durante a II Conferência
Internacional da Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, um encontro da Via Campesina,
“um movimento internacional que coordena organizações camponesas, pequenos e médios
produtores, mulheres rurais, comunidades indígenas, gente sem terra, jovens rurais e
trabalhadores agrícolas migrantes. Diz-se um movimento autônomo, plural, independente, sem
nenhuma filiação política, econômica ou de outro tipo. É composta por 135 organizações de 56
países da Ásia, África, Europa e continente americano, organizadas em 8 regiões: Europa,
Leste e Sudeste da Ásia, América do Norte, América Central, Caribe, América do Sul e África”
[2].

Pois esta organização, segundo consta, está presente e ativa nos acontecimentos da região
em estudo coordenando o MST, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento
dos Atingidos pelas Barragens (MAB), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) [3] e
outros análogos que instalaram quatro acampamentos com cerca de 4.500 acampados, em
torno da Fazenda COQUEIROS. Uma das maiores propriedades rurais (cerca de 7.000 ha.)
existentes no trecho entre as Rodovias RS 324 (que vai de Passo Fundo a Nonoai e segue até
Santa Catarina) e BR 386 (de Carazinho a Frederico Westphalen e Irai, passando em Sarandí
e Coqueiros do Sul). A fazenda tem o formato aproximado de um triângulo, o lado Leste indo
de Pontão a Coqueiros do Sul, o sul até 6 quilômetros da cidade de Carazinho e o lado Oeste
paralelo à BR 386, dela separada por outras propriedades (ver mapa 1 adiante).

Os acampamentos funcionam como vasos comunicantes com intensa troca de acampados


entre eles, facilitando, assim, a impunidade por ações delituosas. As ações, de cunho político,
causam imensos danos patrimoniais e morais aos atingidos. A coordenação pela Via
Campesina e o financiamento internacional foram confirmados pela invasão policial de um
estabelecimento desta organização em Passo Fundo, onde foi encontrada grande soma de
dinheiro em moedas de diversos países. Outras fontes de financiamento são do Governo
Federal através do INCRA-RS remetendo toneladas de gêneros alimentícios do FOME ZERO,
adquiridos com recursos públicos da estatal CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento).

Fontes bem informadas referem que o serviço de inteligência da Brigada Militar teria também
provas da ação das FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) na região,
coordenando as ações, e que não seria inviável se o plano estratégico tivesse por alvo adotar o
mesmo modelo utilizado com sucesso naquele País: o controle através do domínio territorial
em zonas fechadas que afastam as autoridades locais, estaduais e federais, constituindo o que
se chama “Zonas de Domínio” onde impera a sua lei. O primeiro passo seria dominar a área
entre as rodovias RS-324 e BR-386, avançando depois até a fronteira com a Argentina e
adquirindo o controle total do tráfego rodoviário nessa área onde já se encontram 31
acampamentos entre os municípios de Palmeira das Missões, Iraí, Nonoai, Encruzilhada
Natalino, Pontão e Passo Fundo, como já foi divulgado no artigo anterior.

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As ligações entre MST-FARC já são do conhecimento das Forças Armadas há muito tempo.
Em entrevista realizada em 07 de novembro de 2003 por Paulo Diniz Zamboni para o
MidiaSemMáscara [4], esta aliança já era publicamente admitida e alvo de investigações dos
serviços militares de inteligência com a finalidade de impedir qualquer eventual penetração da
guerrilha em solo brasileiro. Tanto que já se preparava a transferência para a fronteira entre
Brasil e Colômbia de uma brigada do Exército, à época ainda sediada no Rio de Janeiro (ver
também [5]).

POSSÍVEIS ESTRATÉGIAS

O que se segue são minhas conjecturas sobre os possíveis alvos futuros. Minhas credenciais
para tanto são, no mínimo escassas, já que meus estudos de estratégia não são regulares e
sistematizados, o que não me impede de fazer conjecturas que leitores mais afeitos aos
estudos militares possam estudar.

A meu ver, a estratégia do MST e movimentos afins aqui citados visa evoluir da tática das
“Zonas de Domínio” para o futuro estabelecimento de um Exército Popular, aos moldes do
Vietmihn, do Vietcong e do Exército Sandinista. Seus objetivos são mais nitidamente políticos
do que os das FARC, nas quais o encontro entre ação guerrilheira e opção criminosa cria uma
zona de penumbra que não parece existir no MST. Por ser uma área de fronteira, podemos
dividir entre Objetivos Nacionais imediatos e Objetivos Internacionais.

OBJETIVOS NACIONAIS

MAPA 1:Para um mapa com maior detalhamento ver:


http://www.daer.rs.gov.br/daer_maparodoviario_4590_3638.jpg

A Brigada Militar estaria trabalhando com a possibilidade do movimento em primeiro lugar,


tomar a totalidade da fazenda COQUEIROS e propriedades vizinhas existentes na estreita
faixa de terra entre a fazenda e a BR 386, consolidando a posição entre as rodovias BR 386 e
RS 324, e aí estabelecer uma base segura, porque fora do alcance da lei, para futuras ações
mais arrojadas. É claro que para aquartelamento de quadros, munição e itens de
abastecimento, a noção de base numa Zona de Domínio é fundamental. Não se pode confundir
esta opção com a de “foco guerrilheiro” defendida na década de 60 por Régis Debray, pois os
focos seriam unidades mais ou menos independentes entre si que deveriam resistir localmente
até que a sua propagação permitisse a reunião de todos os focos de uma determinada região e

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assim por diante. No caso atual pode-se prever um incremento das ações para o Norte, através
dos eixos rodoviários citados, penetrando em Santa Catarina.

Uma das possibilidades seria seguir o eixo da RS 324, seguindo via Nonoai, através da ponte
Goio-En na fronteira com Santa Catarina, até Chapecó. Tanto em Goio-En [6] como em
Chapecó [7] o MST tem fortes bases de operações. Outra possibilidade seria tentar seguir o
exemplo dos movimentos anteriores (Coluna Prestes e Operação Três Passos), seguindo o
eixo da BR 386 até Frederico Westphalen, a 50 km a Oeste de Nonoai até São Miguel d’Oeste
em Santa Catarina, via Iraí, e seguindo até Cascavel, no Paraná. Com a diferença para as
operações anteriores que, enquanto aquelas careciam de bases de apoio, hoje o MST já é forte
nestas áreas [8], até mesmo participando de organismos oficiais da Prefeitura em São Miguel
d’Oeste [9].

OBJETIVOS INTERNACIONAIS

A suspeita de que haja intenção de avançar até a fronteira argentina parece correta. O avanço
pode se dar de Nonoai e Frederico Westphalen através de Três Passos até Esperança do Sul.
Ou, partindo de Carazinho, chegando a Palmeira das Missões, atingir Campo Novo e
Tiradentes do Sul, a pouco mais de 120 km. É interessante notar que, de qualquer das duas
alternativas, atinge-se a localidade de El Soberbio (mapas 1 e 2) na parte mais estreita da
Província argentina de Misiones, a pouco mais de 100 km do Paraguai. De El Soberbio pela
Ruta 13 chega-se à Ruta 14 através da qual, ou da variante Ruta 12, Puerto Iguazú, na Tríplice
Fronteira, fica a menos de 200 km.

MAPA 2: Detalhe da Província de Misiones, Argentina. Para o mapa completo


http://www.argentour.com/es/mapa/provincia/misiones.php

A Via Campesina está presente em Misiones através de várias iniciativas como a Liga Agraria
de Misiones, Chaco y Corrientes, as Comunidades do Povo Guarani, o Grupo de Trabalho
sobre Povos Originários, Amigos da Terra Paraguai. As comunidades Guaranis se dividem em
dois grupos: Mbyá-Guarani, a maior, com aproximadamente 5.000 indivíduos, e Ava Chiripá
[10]. As comunidades Mbyá de Tekoa Yma e Tekoa Kapi’i Yvate, localizadas na Reserva

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Yabotí, próxima a San Pedro e Eldorado (mapa 2) estão em luta com a madeireira Moconá
Forestal S.A. e tem recebido amplo apoio da Via Campesina e da Organización Internacional
de Derechos Humanos, no âmbito da Campanha Global pela Reforma Agrária [11].

No dia 18 de Abril de 2006, 10 anos após o “massacre” de Eldorado dos Carajás, foi instituído
o Día Internacional de la Lucha Campesina. Entre os dias 3 e 7 de fevereiro de 2006 foi
realizado no município de São Gabriel, Rio Grande do Sul, a Assembléia Continental Guarani,
durante as comemorações dos 250 anos da morte do líder da resistência indígena contra os
exércitos espanhóis e portugueses, Sepé Tiarajú. E é neste ponto que se encontra a interseção
dos interesses da Via Campesina no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai: as
questões “sociais” comuns a todos estes países são a propriedade privada da terra, a
mecanização e a exploração capitalista da agricultura, a exploração madeireira e a construção
de hidrelétricas – em primeiríssimo lugar Itaipu. Segundo a missionária da Pastoral Indígena de
Argentina, Maria José Ramirez [12] “a propriedade privada, que rege a divisão das terras
nestes países se choca com a visão de mundo Guarani, baseada na concepção de que a terra
foi criada para uso coletivo - comunismo primitivo – de todos os seres que nela vivem”.

Pode-se ver o uso criminoso dos índios e suas tradições para a implantação de um regime
comunista nada primitivo, mas regido pela burocracia da Via Campesina e associações filiadas.
O Fórum da Tríplice Fonteira, realizado nos dias 25, 26 e 27 de junho de 2004 em Puerto
Iguazú, Argentina, reuniu-se sob o lema "Porque outra América Latina é possível, urgente e
necessária" e com as palavras de ordem “A dominação não começa pelo econômico, começa
pelo cultural”; “Rejeitar a ALCA em todas as suas forma”s;”Contra o livre comércio”; “Contra a
exploração madeireira” [13].

Além das relações diplomáticas normais exercidas pelo MST com seus congêneres da Via
Campesina, existe um ponto de contato e apoio físicos representado pela missionária do
Institut des Missions Etrangères de France, conhecido também na Argentina por Congregación
Hermanas de Misiones Extranjeras de Toulouse, Ivonne Pierron, que mantém um centro
educacional em Pueblo Presidente Arturo Illia, a Escuela 558 do Instituto Provincial de
Desarrollo Habitacional (IPRODHA), a 13 km da Ruta 14, no Município de Dos de Mayo (mapa
2), muito próxima da fronteira brasileira pela Ruta 13 que parte de El Soberbio.

Ivonne Pierron, conhecida como "La Monja Roja" (A Monja Vermelha), juntamente com Leonie
Duquet e Alice Domon foram enviadas em 1955 para fazer trabalho de campo comunista junto
aos camponeses argentinos. Durante o regime militar argentino entrou para a clandestinidade e
seu contato era Azucena Villaflor, considerada a fundadora da organização Madres de Plaza
de Mayo. Seu grupo de trabalho com desaparecidos foi infiltrado pelo Capitão de Corveta
Alfredo Astiz e desbaratado. Leonie e Alice desapareceram e Ivonne misteriosamente foi a
única a receber apoio da Embaixada francesa em Buenos Aires; em 1977 fugiu para a França
onde, com ajuda do Partido Comunista Francês se dedicou a auxiliar alguns exilados
argentinos selecionados da ala mais dura do Ejército Popular Revolucionário (ERP). A
organização por ela fundada foi a Comision de Solidarité des Famillies de Disparus et
Prisionners Politiques (COSOFAM). Posteriormente foi para a Nicarágua (1978), onde foi
dedicada agente Sandinista, e finalmente voltou à Argentina (1984), se estabelecendo em
Misiones, onde exerce a função de enlace com o MST. Foi até mesmo estrela cinematográfica
de um filme de propaganda e doutrinação comunista Missionaire, dirigido por Maria Cabrejas e
Fernando Nogueira exibido profusamente pelas Embaixadas Cubanas em todo o mundo.

Hoje, com 76 anos, permanece usando os textos da reforma agrária Sandinista na Nicarágua
para doutrinação dos movimentos locais e do MST. Recebeu em 2006 a Légion d’honneur por
serviços humanitários prestados no exterior. [14]

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La Monja Roja Ivonne Pierron. Foto de arquivo

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