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Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Resumo de Direito Constitucional

Assunto:

DIREITO CONSTITUCIONAL

Autor:

GRAZIELA CARRARO

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Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

DIREITO CONSTITUCIONAL
Conceito: é o ramo do direito público interno que disciplina a organização do Estado, define e limita a competência de seus poderes, suas atividades e suas relações com os indivíduos, aos quais atribui e assegura direitos fundamentais de ordem pessoal e social. Do conceito, inferem-se suas metas: a) estabelecer a estrutura básica, a organização do Estado (forma do Estado e do Governo, o regime governamental, os poderes do Estado, etc). b) resguardar os direitos fundamentais da pessoa humana (não só os individuais, mas também os direitos sociais). - Direito Constitucional Positivo ou Particular: é o que tem por objeto o estudo dos princípios e normas de uma constituição concreta, de um Estado determinado; compreende a interpretação, sistematização e crítica das normas jurídico-constitucionais desse Estado, configuradas na constituição vigente, nos seus legados históricos e sua conexão com a realidade sócio-cultural. - Direito Constitucional Comparado: é o estudo teórico das normas jurídico-constitucionais positivas (não necessariamente vigentes) de vários Estados, preocupando-se em destacar as singularidades e os contrastes entre eles ou entre grupo deles. - Direito Constitucional Geral: delineia uma série de princípios, de conceitos e de instituições que se acham em vários direitos positivos ou em grupos deles para classificá-los e sistematizá-los numa visão unitária; é uma ciência, que visa generalizar os princípios teóricos do Direito Constitucional particular e, ao mesmo tempo, constatar pontos de contato e independência do Direito Constitucional Positivo dos vários Estados que adotam formas semelhantes do Governo. CONSTITUIÇÃO É um conjunto de normas, escritas ou costumeiras, que regem a organização política de um país. Objeto: estabelecer a estrutura do Estado, a organização de seus órgãos, o modo de aquisição do poder e a forma de seu exercício, limites de sua atuação, assegurar os direitos e garantias dos indivíduos, fixar o regime político e disciplinar os fins sócio-econômicos do Estado, bem como os fundamentos dos direitos econômicos, sociais e culturais. Elementos: por sua generalidade, revela em sua estrutura normativa as seguintes categorias: a) elementos orgânicos: que se contêm nas normas que regulam a estrutura do Estado e do poder; b) limitativos: que se manifestam nas normas que consubstanciam o elenco dos direitos e garantias fundamentais; limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do Estado de Direito (individuais e suas garantias, de nacionalidade, políticos); c) sócio-ideológicos: consubstanciados nas normas sócio-ideológicas, que revelam a caráter de compromisso das constituições modernas entre o Estado individualista e o social intervencionista; d) de estabilização constitucional: consagrados nas normas destinadas a assegurar a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da constituição, do Estado e das instituições democráticas; e) formais de aplicabilidade: são os que se acham consubstanciados nas normas que estatuem regras de aplicação das constituições, assim, o preâmbulo, o dispositivo que contém as claúsulas de promulgação e as disposições transitórias, assim, as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

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autônomos. sem distinção de qualquer natureza (Const. 1. extrai o seu ser. porém com certa dependência do PODER CENTRAL. de sua conformação fundamental. e o instrumento real. Os Estados regem-se por Constituições Estaduais e os Municípios e o Distrito Federal. DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES: O título versa sobre os três poderes: a) PODER LEGISLATIVO: Exercido pelo Congresso Nacional composto pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. b) Sentido Político: A Constituição. à segurança e à propriedade frente ao princípio de que todos são iguais perante a lei. 5. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: O título vem dividido em cinco capítulos e especifica em que consiste o direito à vida. 4. segundo esse entender. c) PODER JUDICIÁRIO: É ele que assegura a aplicação das leis que garantem os direitos individuais. I). 4. consubstanciado na efetiva detenção e exercício do poder. com mandato de oito anos havendo revezamento de quatro em quatro anos. DIVISÃO: A nossa Constituição se divide em nove títulos: 1. É constituído pelos: . art. Buscará suporte para a Constituição num plano puramente jurídico. auxiliado pelos Ministros de Estado. pelo Conselho da República e pelo Conselho de Defesa Nacional. Legalidade: ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma senão em virtude da lei (Const. 3. XXXVI). Em 34 itens registra os direitos do trabalhador. de uma decisão política que a antecede. ESTADOS. c) Sentido Jurídico: Aí. 5. DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS: O título estabelece que o Brasil é uma República Federativa e se define como estado democrático de direito. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (Const. diz que o jurista não precisa socorrer-se da Sociologia ou da Política para sustentar a Constituição. por LEI ORGÂNICA. Irretroatividade: as leis não podem retroagir alcançando o direito adquirido. à liberdade. 5. b) PODER EXECUTIVO: É exercido pelo Presidente. políticas e sociais na unidade múltipla da lei fundamental do Estado. Seu mandato é de quatro anos e pode ser reeleito uma vez. 2. Ampla defesa: aos implicados em algum litígio legal é assegurada a ampla defesa. 2. art. de seus alicerces.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Podem ter sentido: a) Sentido Sociológico: Os que vêem o Direito sob esse prisma sociológico distinguem o instrumento formal. O número de deputados é proporcional à população do Estado e o mandato é de quatro anos. art. cujo objetivo fundamental é a redução da desigualdade social. de sua estrutura básica. 4 . O número de senadores é de três. verifica-se a manifestação de um poder (o constituinte) que decida a respeito da forma de ser do Estado. 5. consubstanciado na Constituição. DISTRITO FEDERAL e MUNICÍPIOS. 3. Conteúdo: é variável no espaço e no tempo.Tribunais e Juízes dos Estados e Distrito Federal.. Não da forma jurídica. Isonomia: não deve haver desigualdade entre as unidades que compõe o Estado.. Tudo como fruto da decisão política que é tomada em certo momento.ResumosConcursos.. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS São idéias básicas que devem estar presidindo toda a Constituição. Aborda então o problema social. A sua sustentação encontra-se no plano jurídico. DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: O título traça as linhas básicas da FEDERAÇÃO: UNIÃO. Igualdade: todos são iguais perante a lei. integrando a multiplicidade no “uno”das instituições econômicas. jurídicas. Em dado instante. encontra seu fundamento de validade.www. II).

Tribunais Regionais e Tribunal Superior Eleitoral. a criação do Estado de Tocantis. . DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA: Refere-se às atividades econômicas. inseridas ou não num documento escrito. O Superior Tribunal de Justiça julga o que é conferido pelo item I do artigo 105 da Constituição. ao idoso. DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS: Trata inicialmente do “estado de defesa” que estabelece em locais determinados a ordem pública e o “estado de sítio” que toma medidas em que o estado de defesa é ineficaz. à ciência e tecnologia. Além dos nove títulos referidos a Constituição apresenta o ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS que trata do plebiscito de 7/9/93 que define o sistema de governo. da venda de combustíveis. 7. DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS: Abrange os artigos 233 a 245 e fala do empregador rural. representando empregados e empregadores.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro . 6. A JUSTIÇA ESPECIAL abrange os Tribunais: a) Militares. sendo 11 togados e 6 classistas não formados em Direito. Vêm especificados no Direito Tributário. OBS: A Constituição é material quando designa as normas escritas ou costumeiras. ao adolescente. quando está sob a forma de um documento. DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO: Divide-se em Sistema Tributário e Finanças Públicas. da defesa do consumidor.Tribunais e Juízes Eleitorais. Refere-se à seguridade social. ao lazer. 9. do plantio de vegetais psicotrópicos e do tráfico de drogas.Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os Tribunais Regionais Federais julgam as causas em que a União for interessada. Ressalta a responsabilidade do Estado pelas questões sociais.www. da fiscalização do comércio exterior. São o Tribunal Militar com seus juízes e o Superior Tribunal Militar.Superior Tribunal Federal (STF). urbanas.Tribunais Regionais e Juízes Federais. As Forças Armadas são regidas por lei complementar e as forças policiais encarregadas pela segurança pública estão definidas no artigo 144. da criação de novos estados. 8. à criança. Seus juízes são chamados de TOGADOS ou de DIREITO. na Justiça do Trabalho. c) Do Trabalho que possui as Juntas de Conciliação e Julgamento. . É composto de 33 Ministros. O de ALÇADA julga as causas de até certo limite estabelecido. 5. Define o que seja empresa brasileira e empresa de capital nacional. O mais importante é o Tribunal Eleitoral.Tribunais e Juízes Militares. ao desporto. à comunicação e ao ambiente. A Constituição é formal. da extinção dos Territórios Federais. b) Eleitorais que tratam das eleições. e que temporariamente atuam. A JUSTIÇA COMUM é composta pelo TRIBUNAIS DE JUSTIÇA e TRIBUNAIS DE ALÇADA subordinado ao primeiro.Tribunais e Juízes do Trabalho. . os Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho com sede em Brasília e composto de 17 juízes. Sua sede é em Brasília e é composto por onze Ministros. dos ex-combatentes da II Guerra Mundial. da política agrícola. 5 . ao índio. à cultura. Apresentam as Juntas Eleitorais. . que julgam os crimes militares. a revisão constitucional que deveria ter sido feita cinco anos após a promulgação da Constituição de 5/10/88. fundiárias e de consumo. à família.ResumosConcursos. . à educação. Ambos duram até 30 dias e são decretados pelo Presidente da República. agrícolas. da aposentadoria e outros. DA ORDEM SOCIAL: Trata da ordem social que tem por base a valorização do trabalho para atingir a justiça social.

procurando analisar o sentido das palavras e das frases pela aplicação das regras da linguagem. Ex: o estatuto Albertino.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro OBS1: A Constituição é dogmática quando é elaborada por um órgão constituinte e é histórica ou costumeira quando é resultante de lenta formação histórica. CLASSIFICAÇÃO: a) Quanto à forma: escritas ou costumeiras. Ex: a Constituição Brasileira.gramatical: se funda nas regras da lingüística. b) Quanto à consistência: rígidas ou flexíveis. de 1824. a) Quanto às fontes: . quando não existe essa norma explícita. . eleita pelo povo especialmente para esse fim. . Ex: a atual Constituição Brasileira. . Ex: a Constituição do Império. em sentido estrito.www. b) Quanto aos meios: . mediante exame da lei em seu conjunto orgânico. . no sistema jurídico em geral. OBS2: O art. INTERPRETAÇÃO É o processo lógico pelo qual se determina o sentido da lei. 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias estabeleceu a possibilidade de revisão constitucional após 5 anos contados da promulgação da Constituição.  Sentido Estrito (parte-se da lei existente): em síntese.rígidas – aquelas que só se alteram mediante processos especiais.ResumosConcursos. . recorre-se à integração. Ex: a Constituição da Inglaterra. às circunstâncias eventuais e contingentes que provocam a expedição da norma. após 5 de outubro de 1993. . Constituição do Reino da Itália.lógica: visa a reconstruir o pensamento e a vontade do legislador.flexíveis – aquelas que se alteram mais facilmente. . prevendo o caso.costumeiras – aquelas que vão se formando aos poucos. Ex: a Constituição Brasileira de 1946. .autêntica: se emanada do próprio poder que elaborou a norma. quando existe uma norma.promulgadas – são as elaboradas por uma Assembléia Constituinte. c) Quanto à origem: promulgadas ou outorgadas. pela reiterada prática de certos atos. mercê da reiteração uniforme de seus julgamentos. podemos dizer que há interpretação. Portanto. .histórica: se atém às necessidades jurídicas e emergentes no instante da elaboração da lei.escritas – são aquelas cujos dispositivos estão reunidos num instrumento. e que se caracterizam pela inexistência de qualquer hierarquia entre a Constituição e a lei ordinária.jurisprudencial: ministrada pelos tribunais. através de processo legislativo ordinário.doutrinária: a que provém dos doutrinadores. . caracterizando-se pela prevalência de seus preceitos aos das leis ordinárias. 6 .outorgadas – são as impostas à coletividade por determinada pessoa ou determinado grupo de pessoas. de molde a resultar perfeita harmonia e coerência.

Ex: arts. Por vezes o juiz se encontra face a um caso que a lei lhe impõe determinada decisão. . direta. c) Normas constitucionais de eficácia limitada: são aquelas que dependem “da emissão de uma normatividade futura. é aplicável juridicamente no sentido negativo antes apontado. da CF. mas que podem ter reduzido seu alcance pela atividade do legislador infraconstitucional. integrando-lhes a eficácia. quando a consciência lhe dita uma solução contrária. 5º. mas pode ser restringida. As últimas (programáticas) são as que estabelecem 7 . . ser efetivamente aplicada a casos concretos. plena. APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL São aplicáveis todas as normas constitucionais. integral.declarativa: quando a letra da lei corresponde precisamente ao pensamento do legislador. Ex: art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro . pois fatos semelhantes exigem regras disciplinadoras semelhantes. lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses visados”. com potencialidade para regular determinadas relações. . Eficácia jurídica. nos casos e na forma que a lei estabelecer.analogia: consiste em aplicar a um caso não previsto a norma que rege caso análogo. que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico. previstos na norma constitucional.  Integrativa (parte-se da inexistência da lei): o processo com o qual o magistrado recorre a critério de típica criação do Direito para o caso concreto. integral. independendo de legislação posterior para a sua inteira operatividade. Embora não aplicada a casos concretos. quer para sua aplicação e integração. Eficácia social se verifica na hipótese de a norma vigente. . vem a ser a justiça do caso concreto. Isto é: retira a eficácia da normatividade anterior. Ex: art. mediante lei ordinária. por sua vez. pois todas são dotadas de eficácia jurídica.restritiva: quando se afirma que a fórmula legislativa é mais ampla que o pensamento do legislador. XIII da CF. 18. embora não tenha sido aplicada concretamente. pessoas. b) Normas constitucionais de eficácia contida: são aquelas de aplicabilidade imediata. Normas constitucionais quanto à sua eficácia: a) Normas constitucionais de eficácia plena: são aquelas de aplicabilidade imediata. São divididas em normas de princípio institutivo e normas de princípio programático.princípios gerais do Direito: são enunciações normativas de valor genérico. § 3º.eqüidade: do latim aequitate.extensiva: quando se afirma que a fórmula legislativa é menos ampla que a vontade do legislador. de sorte a harmonizá-la com o sistema jurídico. órgão. 1º e 2º da CF. isto é. à falta de norma jurídica regulando a espécie. quer para a elaboração de novas normas. significa que a norma está apta a produzir efeitos na ocorrência de relações concretas. reduzida. confrontando-a com outros textos.sistemática: o intérprete compara a lei com a anterior que regulava a mesma matéria. Ex: no Direito do Trabalho o princípio dominante é a proteção ao empregado.ResumosConcursos.www. As primeiras são as que dependem de lei para dar corpo a instituições. É eficaz juridicamente. A aplicabilidade é plena. em que o legislador ordinário. . c) Quanto aos resultados: . São também chamadas normas constitucionais de eficácia redutível ou restringível. mas já produz efeitos jurídicos na medida em que a sua simples edição resulta na revogação de todas as normas anteriores que com ela conflitam.

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um programa constitucional a ser desenvolvido mediante legislação integrativa da vontade constituinte. Ex: art. 205. São normas dotadas de eficácia jurídica porque têm o efeito de impedir que o legislador comum edite normas em sentido oposto ao direito assegurado pelo constituinte, antes mesmo da possível legislação integrativa que lhes dê plena aplicabilidade. É interessante notar que as normas constitucionais de eficácia limitada de princípio programático trazem consigo, algumas, a idéia de instituição. Com efeito, não se pode pensar em educação senão mediante a instituição, a organização, a formação de organismos ou órgãos que realizem tais misteres. PODER CONSTITUINTE É aquele que tem por missão traçar as regras jurídicas fundamentais da nação, através da Constituição. Compete a esse poder dar um novo ordenamento jurídico-institucional ao país. É formado por representantes do povo, especialmente eleitos para editar uma nova Constituição, ou através da investidura de Poder Constituinte pleno nos deputados federais e senadores escolhidos pelo sufrágio do povo. Votada a Constituição, extingue-se o Poder Constituinte, ficando como seu remanescente o Poder Legislativo ordinário, que pode propor emendas à Constituição, segundo condições nela previstas. O Poder Constituinte será originário (quando edita Constituição nova em substituição à anterior) ou derivado (quando se destina à revisão da Constituição, modificando parcialmente o seu texto). O primeiro é original, na medida em que pertence ao povo e à Assembléia Constituinte, o segundo é derivado, porque constituído por determinação do primeiro e pertencente ao Congresso Nacional. EMENDA À CONSTITUIÇÃO Emenda é o processo formal de mudanças das constituições rígidas, por meio de atuação de certos órgãos, mediante determinadas formalidades, estabelecidas nas próprias constituições para o exercício do poder reformador; é a modificação de certos pontos, cuja estabilidade o legislador constituinte não considerou tão grande como outros mais valiosos, se bem que submetida a obstáculos e formalidades mais difíceis que os exigidos para a alteração das leis ordinárias; é o único sistema de mudança formal da Constituição. O Congresso Nacional é quem elabora emendas à Constituição. Localizamos três litações condicionadoras: procedimental, material e circunstancial. O procedimento de elaboração de Emenda à Constituição obedece aos seguintes pressupostos: a) a iniciativa é conferida ao Presidente da República ou a um terço de deputados federais, ou a um terço de senadores e, ainda, por proposta de mais da metade das Assembléias Legislativas estaduais (art. 60); b) a proposta é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois momentos distintos (chamados turnos de votação); discutida e aprovada em um turno, volta a sê-lo em outro turno de discussão e votação (art. 60, § 2º); c) sua aprovação demanda 3/5 dos membros de cada uma das Casas do Congresso Nacional (art. 60, § 2º); d) não há sanção; há promulgação efetivada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (art. 60, § 3º). Este procedimento deve ser rigorosamente obedecido, sob pena de inconstitucionalidade em razão de desobediência à forma. Há condicionantes relativos ao conteúdo, à matéria. São explícitas as que impedem a alteração da Federação; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; os direitos e garantias individuais. Não se permite nem mesmo a deliberação sobre proposta e emenda tendente a aboli-las. “Na verdade, qualquer proposta que indiretamente, remotamente ou por conseqüência tenda a abolir a Federação é igualmente proibida, inviável e insuscetível de sequer ser posta como objeto de deliberação.” São implícitas as vedações atinentes à supressão

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do próprio artigo que impõe expressamente aquelas proibições. Não teria sentido emenda que suprimisse o disposto no § 4º do art. 60 da CF. Outra vedação implícita é a impediente de reforma constitucional que reduza as competências dos Estados Federados. Também se veda, implicitamente, alteração constitucional que permita a perpetuidade de mandatos, dado que a temporariedade daqueles é assento do princípio republicano. Outro é que não pode o órgão a quem se atribui a competência reformadora modificar o critério de rigidez estabelecido pelo legislador constituinte. Há também as limitações circunstanciais onde, desde 1934 estatui-se um tipo de limitação ao poder de reforma, qual seja a de que não se procederá à reforma na vigência do estado de sítio; a CF vigente veda emendas na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou estado de sítio (art. 60, § 1º). Controle de constitucionalidade da reforma constitucional: toda modificação, feita com desrespeito de procedimento especial estabelecido ou de preceito que não possa ser objeto de emenda, padecerá de vício de inconstitucionalidade formal ou material, e assim ficará sujeita ao controle de constitucionalidade pelo Judiciário, tal como se dá com as leis ordinárias. OBS: - consultar art. 60 da CF. HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS Constituição Federal  leis complementares à Constituição Federal  leis Federais  Constituição Estadual  leis complementares à Constituição Estadual  leis Estaduais  leis Municipais. A Constituição Federal está no alto da hierarquia legislativa. Entretanto, cada uma das pessoas jurídicas de direito público interno é competente e tem legitimidade para legislar sobre determinadas matérias – as matérias de seu domínio privativo de competência. É o que ocorre, p.e., com a questão dos transportes coletivos urbanos, reservada à competência dos municípios pela Constituição Federal (art..30, V), que não pode sofrer interferência de qualquer outra lei, seja federal ou estadual. SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO Rigidez e supremacia constitucional: A rigidez decorre da maior dificuldade para sua modificação do que as demais; dela emana o princípio da supremacia da constituição, colocandoa no vértice do sistema jurídico. Supremacia da Constituição Federal: por ser rígida, toda autoridade só nela encontra fundamento e só ela confere poderes e competências governamentais; exerce, suas atribuições nos termos dela; sendo que todas as normas que integram a ordenação jurídica nacional só serão válidas se se conformarem com as normas constitucionais federais. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Toda lei deve ser conforme aos preceitos da Constituição, se é contra, diz-se que é inconstitucional, tem um vício que a anula e deve ser declarada tal pelo poder competente, que é o Judiciário. O efeito da inconstitucionalidade é, portanto, a não aplicação da lei ao caso concreto. Formas: - Por ação: ocorre com a produção de atos legislativos ou administrativos que contrariem normas ou princípios da constituição; seu fundamento resulta da compatibilidade vertical das normas (as inferiores só valem se compatíveis com as superiores); essa incompatibilidade é que se chama de inconstitucionalidades da lei ou dos atos do Poder Público; - Por omissão: verificase nos casos em que não sejam praticados atos requeridos para tornar plenamente aplicáveis normas constitucionais; não realizado um direito por omissão do legislador, caracteriza-se como

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inconstitucional; pressuposto para a propositura de uma ação de inconstitucionalidade por omissão. Sistema de controle de constitucionalidade: se estabelece, tecnicamente, para defender a supremacia constitucional contra as inconstitucionalidades. - Controle político: entrega a verificação de inconstitucionalidade a órgãos de natureza política; - Jurisdicional: é a faculdade qua as constituições outorga ao Judiciário de declarar a insconstitucionalidade de lei ou outros atos de Poder Público; Misto: realiza-se quando a constituição submete certas categorias de lei ao controle político e outras ao controle jurisdicional. Critérios e modos de exercício do controle jurisdicional: são conhecidos dois critérios de controle: Controle difuso: verifica-se quando se reconhece o seu exercício a todos os componentes do Judiciário, é aquele realizado pelo juiz incidentalmente no processo; controle concentrado: se só for deferido ao tribunal de cúpula do Judiciário; subordina-se ao princípio geral de que não há juízo sem autor, rigorosamente seguido no sistema brasileiro, como na maioria que possui controle difuso. controle misto: realiza-se quando a Constituição submete certas categorias de leis ao controle político e outras ao controle jurisdicional. Ex: Suíça.

Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: é jurisdicional introduzido com a Constituição de 1891, acolhendo o controle difuso por via de exceção ( cabe ao demandado argüir a inconstitucionalidade, apresentando sua defesa num caso concreto), perdurando até a vigente; em vista da atual constituição, temos a inconstitucionalidade por ação ou omissão; o controle é jurisdicional, combinando os critérios difuso e concentrado, este de competência do STF; portanto, temos o exercício do controle por via de exceção e por ação direta de insconstitucionalidade e ainda a ação declaratória de constitucionalidade; a ação direta de inconstitucionalidade compreende três modalidades: Interventiva, genérica e a supridora de omissão. A constituição mantém a regra segundo a qual somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a insconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. (art. 97) Efeitos da declaração de inconstitucionalidade: a declaração de insconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga; teoricamente a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade (art. 52, X). A declaração na via direta tem efeito diverso, importa suprimir a eficácia e aplicabilidade da lei ou ato; distinções a seguir: - Qual a eficácia da sentença que decide a inconstitucionalidade na via de exceção: há a simples verificação da existência ou do vício alegado; a sentença é declaratória; no entanto a lei contínua eficaz e aplicável, até que seja suspensa sua executoriedade pelo Senado; ato que não revoga nem anula a lei, apenas lhe retira a eficácia. - Qual a eficácia da sentença proferida no processo de ação direta de inconstitucionalidade genérica?: a declaração de insconstitucionalidade em tese visa precisamente atingir o efeito imediato de retirar a aplicabilidade da lei, a execução não acontece sob pena de arrostar a eficácia da coisa julgada. - Efeito da sentença proferida no processo de ação de inconstitucionalidade interventiva: visa não apenas obter a declaração de inconstitucionalidade, mas também restabelecer a ordem constitucional no Estado, ou Município, mediante a intervenção.

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com o mesmo objeto das contestações. poderão propô-la o Presidente da República. tem natureza de meio de impugnação antes que de ação. seu exercício gera um processo constitucional contencioso. paralisando-os com o desfazimento dos efeitos das decisões neles proferidas no primeiro caso ou a confirmação desses efeitos no segundo caso. mediante sua propositura por uma delas. O objeto da ação é a verificação da constitucionalidade da lei ou ato normativo federal impugnado em processos concretos. visa solucionar isso. terá como pressuposto fático a existência de decisões de constitucionalidade. culturais. o que é aferido diante da existência de um grande número de ações onde a constitucionalidade da lei é impugnada. porque visa desfazer decisões proferidas entre as partes. se estendendo a todos os feitos em andamento. para fazê-lo em 30 dias. 102. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. A competência para processar e julgar a ação declaratória de constitucionalidade é exclusivamente do STF. em processos concretos. 103. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE É uma ação que tem a característica de um meio paralisante de debates em torno de questões jurídicas fundamentais de interesse coletivo. nenhum juízo ou Tribunal poderá conhecer de ação ou processo em que se postule uma decisão contrária à declaração emitida no processo de ação declaratória de constitucionalidade pelo STF nem produzir validamente ato normativo em sentido contrário àquela decisão. sustentando a constitucionalidade da lei ou ato normativo.§ 4º. e o STF já decidiu que não cabe a intervenção do AdvogadoGeral da União no processo dessa ação. fixados em um território. sua finalidade imediata consiste na rápida solução dessas pendências. terá efeito erga omnes. o ato. pelo efeito vinculante à função jurisdicional dos demais órgãos do Judiciário. econômicos e lingüísticos. não há previsão dessa possibilidade.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro .www. são ligados por laços históricos. 103. sem possibilidade de qualquer outra declaração em contrário. art. Legitimação e competência para a ação: segundo o art.ResumosConcursos. em se tratando de órgão administrativo. contrárias à posição governamental. 103. § 2º da Constituição. que declara ou não a constitucionalidade da lei.Efeito da declaração de inconstitucionalidade por omissão: o efeito está no art. FINALIDADES DO ESTADO 11 . por via de coisa julgada vinculante. produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante aos demais órgãos do Judiciário e do Executivo. é constitucional. a Mesa do Senado Federal. (v. Nação: agrupamento humano cujos membros. CF) Finalidade o objeto da ação declaratória de constitucionalidade: essa ação pressupõe controvérsia a respeito da constitucionalidade da lei. Efeitos da decisão da ação declaratória de constitucionalidade: segundo a art. dali por diante. § 2º. as decisões definitivas de mérito nessas ações. ESTADO E NAÇÃO Estado: é a pessoa jurídica formada por uma sociedade que vive num determinado território e subordinada a uma autoridade soberana. de fato. a Mesa da Câmara dos Deputados e o Procurador-Geral da República. não tem por objeto a verificação da constitucionalidade de lei ou ato estadual ou municipal. É o conjunto de poderes políticos e administrativos de uma nação.

Antiga Legítimas – tem o bem geral como meta a ser alcançada. Federação – é formada pela união de várias unidades territoriais (Estados-membros). Itália e Portugal.www. Não é divisível internamente em partes que mereçam o nome de Estado. México. sobre a qual vigora a ordem jurídica do Estado. b) Território: é a parte delimitada da superfície terrestre. de modo que o Estado Federal é regulado pelo Direito Constitucional. Argentina.no plano interno – manter a ordem pública. etc. o governo nacional assume a direção exclusiva de todos os negócios públicos. Índia. FORMAS DE GOVERNO O governo.no plano externo – defender sua independência e o território nacional .ResumosConcursos. representa um dos elementos essenciais do estado. Confederação – é formada por Estados soberanos. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO a) Povo: é o conjunto dos nacionais. nenhum outro órgão existindo com atribuições de fazer leis nesta ou naquela parte do território. Na confederação os Estados estão ligados por um tratado internacional. compreendendo tanto os nacionais como ainda os estrangeiros e apátridas. Ainda se consideram território nacional os navios e aviões de guerra. Conhecem-se duas espécies de Estados Compostos: a Federação e a Confederação.617. que exprime um conceito aritmético.no plano social – promover o bem público. têm as confederações vida passageira. Espanha. EUA.1993). um Poder Legislativo e um Poder Judiciário. já que cada Estado dela pode retirar-se a qualquer momento. c) Poder soberano: É o poder que tem o Governo de efetivar a sua ordem jurídica. todos centrais. Por resultar de tratados internacionais. sem qualquer subordinação a outra ordem. Exemplos: França. Exemplos: Brasil. Canadá. O Poder Legislativo de um Estado Simples é único. Concluindo: na federação os estados-membros estão unidos não por um tratado. de 04. pois Estado algum tem jurisdição sobre ele. Todas as autoridades executivas ou judiciárias que existem no território são delegações do Poder Central. além de outras finalidades que podem ser pactuadas. tiram dele sua força. 1. Compreende o subsolo. do domínio do Direito Internacional. . com base em tratados internacionais. que perdem a soberania em favor da União Federal. com sede na capital. Não se confunde com população. dizer o direito e distribuir justiça. mas por uma Constituição.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro . sede das embaixadas e repartições diplomáticas. O alto-mar é de uso comum. de caráter quantitativo. o espaço aéreo correspondente à superfície (12 milhas marítimas – Divisão: A nossa Constituição lei 8. Vem a ser o conjunto de funções por meio das quais o Estado realiza os seus objetivos. Somente existe um Poder Executivo. FORMAS DE ESTADO a) Estado simples ou unitário: É o formado por um todo indivisível e soberano perante o povo e também em relação aos outros estados (no sentido de País ou Nação). tendo por objetivo defender o território e assegurar a paz interior. Nele. diante dos quais mantém a sua independência. É ele que as nomeia e lhes fixa as atribuições. são aqueles formados por dois ou mais Estados que se unem por motivos diversos.01. 12 . navios e aviões de passageiros ou carga (quando no mar territorial do Estado ou em alto-mar). b) Estado composto: Os Estados Compostos. como a própria expressão indica.

parlamentar: o governo é exercido por um conselho de ministros chefiado pelo PrimeiroMinistro. . . 2. .econômico – para que o indivíduo tenha lazer e instrução e não se preocupe só com o pão de cada dia. Bélgica. expressamente convocado. .oligarquia: governo de uma minoria poderosa.www. isto é.demagogia: governo com predomínio de facções populares. repelindo o predomínio de classes ou grupos. quer quando pune. Valores fundamentais: a liberdade. Ilegítimas – o bem da coletividade figura em plano secundário. Pressuposto e condições da democracia: . República .). . e tenha um mecanismo que receba e transmita sua vontade. onde a lei deve ser a mesma para todos.absoluta: condenada pelos povos civilizados. Moderna Monarquia – de acordo com a limitação dos poderes do rei. . o Parlamento fica juridicamente obrigado a discuti-la e votá-la). . .ResumosConcursos.sistema de partidos – a fim de que o povo seja orientado no que diz respeito a solução dos problemas do estado. AS FORMAS DE DEMOCRACIA a) Direta: é aquela em que as decisões são tomadas diretamente pelos cidadãos em assembléias. e que é repudiada por certo número de cidadãos.presidencial: o governo é exercido pelo presidente da República.informação abundante – para se evitar a doutrinação.amplas liberdades públicas – para que haja livre participação nos assuntos de interesse do povo.aristocracia: governo de uma classe. do povo. somente se torna obrigatória quando o corpo eleitoral. tem o poder de intervir. a aprova) e pelo veto popular (pressupõe uma lei já feita.monarquia: governo de um só. Em geral.limitada: plenamente aceita. 13 . quer quando protege. porque o povo.tirania: governo sem lei. . o direito de cada um fazer tudo o que não prejudique a liberdade dos outros. . . . . daí ser ela conhecida como democracia representativa. b) Indireta: é aquela onde o povo governa por intermédio de representantes. às vezes. em certas decisões.social – difusão da cultura.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro .colegiada: o governo é exercido por um grupo de pessoas. essa participação se dá pela iniciativa popular (quando determinado número de eleitores se manifesta pela necessidade de uma certa lei. pelo referendum (consiste em que a lei. embora não se governando diretamente. escolhidos livremente por ele. a igualdade. depois de elaborada. liberdade social. Ex: Inglaterra. para que o indivíduo julgue o que lhe pareça melhor.democracia: governo de todos. auxiliado pelos ministros. a constituição delimita o poder do soberano. DEMOCRACIA Conceito: é a forma de governo em que se reconhece que o poder emana do povo e em seu nome é exercido. c) Semidireta: trata-se de uma aproximação da democracia direta.

 O presidente é legitimado pela votação direta do povo. executivo e judiciário). a Assembléia. ou Presidente da República. mas o executivo e legislativo são interdependentes. em casos de impasse. etc. legislativo e judiciário). com exceção do Judiciário. Todavia. Itália. EVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL DO BRASIL – CONSTITUIÇÕES DO BRASIL O Brasil teve oito Constituições. Em segundo lugar. O Legislativo pode depor o gabinete. Pedro I. a Presidência da República. Exemplo: Inglaterra. As outras quatro (Constituições de 1891. O Parlamento tem poderes de aprovar o Conselho ou Gabinete.  O Poder Executivo depende da confiança do Legislativo. sendo votadas e promulgadas por Asembléias Constituintes. em primeiro lugar.  O regime é essencialmente representativo.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro REGIMES DE GOVERNO a) Presidencialismo – Juridicamente. é o chefe de Estado. 1937. por ser um regime de separação de poderes (executivo. de cerimonial.  O Executivo é poder completamente autônomo com relação ao Legislativo. ou de o desfazer se obtiver um voto de desconfiança. o primeiro-ministro. É a primeira Constituição do Brasil.  A duração dos mandatos é flexível. Constituição de 1824 Outorgada pelo Imperador D. O único exemplo conhecido é o da Suíça. o conselho de ministros ou gabinete. com funções de representação. quatro foram de outorga (Constituições de 1824.  O presidente pode vetar leis aprovadas pelo Legislativo. mediante votação de moção de censura. Exemplo: Brasil. o executivo tem estrutura dualista. O rei. nas monarquias) e o chefe de governo é o primeiro-ministro.  A duração dos mandatos é fixa. verdadeiro chefe de governo. etc. Características:  O chefe de Estado (o representante da nação) e o chefe de governo (chefe do Poder Executivo) confundem-se na mesma pessoa.ResumosConcursos. Destas. por conferir a chefia do estado e do governo a um órgão unipessoal. b) Parlamentarismo – Também é um regime de divisão de poderes (legislativo. Não é obrigatório que tenha maioria no Congresso. certo que os chefes dos grandes departamentos da administração são meros auxiliares do Presidente. c) Governo de assembléia – Caracteriza-se pela inseparabilidade dos poderes. Em segundo lugar. Em contrapartida.www. enquanto o governo é exercido por um órgão coletivo. à testa do qual está um chefe. EUA. no caso. harmônicos e independentes. Permaneceu mais tempo em vigor. Características:  O chefe de Estado é o presidente (ou o rei. Este é independente e especializado. Foram impostas pelo chefe de Estado. as decisões sobre a elaboração das leis e sua aplicação estão concentradas nas mãos do mesmo órgão. que os escolhe e demite quando bem entende.  Os ministros são meros auxiliares do presidente e só responsáveis perante ele. 1946 e 1988) resultaram de um processo democrático. 1934. pois o governo depende para manter-se no poder do apoio da maioria parlamentar. o presidencialismo se caracteriza. 14 . o presidente pode dissolver o Parlamento. França. 1967 e 1969). Vale menos a legitimação direta pelo povo que as composições políticas obtidas no Parlamento.

. Instituiu a legislação trabalhista. .Promoveu uma maior centralização do poder político nas mãos do Executivo Federal. .Forma de Governo: República Federalista.Fortalece o poder do Executivo Federal.Estabelece leis econômicas e sociais.Diligencia a centralização dos poderes no Executivo Federal. Os Estados-Membros são governados por interventores nomeados pelo Presidente da República. 15 .ResumosConcursos. Constituição do Estado Novo.Institui o Estado Democrático de Direito. vida política e o pluripartidarismo.Assegura a livre participação dos cidadãos. . . . Executivo.Tem em vista as exigências do Movimento Militar de 1964.Institui as eleições indiretas para Presidente da República pelo Colégio Eleitoral.www. privilegiando a União em detrimento dos Estados-Membros e Municípios. . .Afasta as instituições autoritárias legadas pelo regime militar. Constituição de 1988 Votada. Constituição de 1969 Outorgada por três Ministros Militares. . Proclama os direitos humanos. limitando o poder do Estado ao cumprimento das leis que a todos subordinam.Três poderes: Executivo. mas limita a autonomia dos Estados-Membros. Constituição de 1934 Votada. 1ª Constituição do Brasil Republicano.Fortalece o federalismo. . Constituição de 1946 Votada. . conferindo maior autonomia aos Estados.Restaura o federalismo: autonomia aos Estados-Membros.Estado Unitário: sem autonomia para as províncias. Legislativo e Judiciário.Comprometeu o Federalismo. Legislativo e Judiciário. considerada uma emenda à Carta de 1967.Mantém a Federação. ao Distrito Federal e aos Municípios.Legaliza o pluralismo. . . Constituição de 1967 Outorgada pelo Marechal Castelo Branco. . embora formalmente votada pelo Congresso Nacional. .com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro . Constituição de 1937 Outorgada por Getúlio Vargas.Forma de Governo: monarquia constitucional. .Quatro poderes: Moderador. . . Constituição de 1891 Votada.

O Estado Federal também provém da participação das vontades parciais na vontade geral. competências e deveres públicos de natureza administrativa. Outra característica importantíssima é a circunstância de os Estados-membros se autoorganizarem por meio de Constituições próprias. de autoridade suprema. Face à descentralização política temos outro Estado ? Não. mediante a eletividade dos governantes. a quem cabe a administração do País. O Estado é uma unidade jurídica. Soberania: é fenômeno ligado à idéia de “poder”. o novo centro pode apenas executar o estabelecido por outro núcleo – grau mínimo de autonomia. o Executivo. e que. Fornece-a a soberania. 1º. parágrafo único.ResumosConcursos. CF). que constituem divisões dos Estados-Membros. Autonomia: jurídica. Senado Federal: cada unidade da federação elege o mesmo número de representantes. em alguns casos. o Distrito Federal. refletindo as propostas democráticas de exercício do poder. ou ao do número de eleitores.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS a) O Brasil é uma República: o País é dirigido por um Presidente. Câmara dos Deputados: são os representantes do povo e tem sua representação vinculada ao critério populacional. e. desfruta de autonomia em sentido amplo. Descentralização Administrativa: têm-se vários centros senhores de tais prerrogativas. representada pelo Senado Federal. com possibilidade de apenas uma reeleição. Centralização Política: um único centro tem capacidade legislativa. só que fortemente descentralizado. Devemos considerar ainda. encarregadode aplicar as leis aos casos concretos.www. Os membros dessa casa participam do processo de elaboração das leis (decisões da federação para o todo estatal). com funções especificadas: o Legislativo. que é a capital da União. os Estados-membros. Sobre os negócios locais há texto legal supremo no Estado (a Constituição Estadual) ao qual deve prestar obediência a legislação ordinária. eleito por período certo (4 anos). através da participação direta. Dizemos que o Estado é unitário. no regime democrático da representatividade popular. Três notas são essenciais à caracterização federal: 16 . admite o pressuposto de que o poder emana do povo e em seu nome é exercido (art. a descentralização política não é suficiente para mudar a fisionomia do Estado unitário. (ver anexo 2) c) O Brasil é um Estado Democrático de Direito: vale dizer. competências e deveres. O poder central atribui capacidade legislativa aos diferentes territórios. e o Judiciário. quando são capazes de inovar a ordem jurídica sobre aquela matéria – grau máximo de autonomia. como as demais entidades estatais. Administrativa. mas ainda é um Estado unitário. Descentralização Política: vários núcleos têm tal capacidade. Em síntese: a descentralização política fixada na Constituição é fator indicativo da existência de Estado Federal. O Poder é exercido por três órgãos distintos. (ver anexo 1) DIVISÃO ESPACIAL DO PODER ESTADO FEDERAL – CONCEITOS: Legislador Ordinário: nível constitucional Legislador Constituinte: nível infraconstitucional Centralização Administrativa: tem-se um só centro titular das prerrogativas. que são circunscrições regionais e os Municípios. que é incumbido de fazer as leis. b) O Brasil é uma Federação: temos a União que abrange todo o território nacional.

sob o império de uma única Constituição. A Confederação surge de convênio entre Estados soberanos que não abdicam de sua soberania. Elementos mantenedores da Federação: a) Rigidez constitucional – ver arts. b) a existência de um órgão constitucional incumbido do controle da constitucionalidade das leis – o Poder Judiciário. c) possibilidade da autoconstituição – ver art. Despojam-se da soberania. Municípios e Distrito Federal). representantes no órgão legislativo nacional (Senado Federal). 60 e 61. Da aliança destes. 30 ( I a IX ) da CF e arts. É fruto da união de Estados. repartição constitucional de competências). 59. 21. 22. ver arts. 22. 21. Origem da Federação Entende-se como federal o Estado em que a Constituição repartia as competências entre pessoas distintas (União e Estados ou Províncias). A UNIÃO A União é a pessoa jurídica de capacidade política e só cogitável em Estado do tipo federal. Residuais ou Remanescentes: Estados. 24. então. 25 § 1º. 23. 153. 45 e 46. b) participação da vontade das ordens jurídicas parciais na vontade criadora da ordem jurídica nacional. ver arts.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro a) descentralização política fixada na Constituição (ou. c) residual. 155 da CF (competências para tributos). 102). 17 . d) em comum (com Estados. 25. 1º da CF. A Federação Brasileira Elementos tipificadores: a) descentralização política ou repartição constitucional de competências.www.ResumosConcursos. Dois requisitos para a manutenção dos Estados: a) a rigidez constitucional. nasce a União – art. b) participação da vontade dos Estados (ordens jurídicas parciais) na vontade nacional (ordem jurídica central) – ver arts. b) expressas. estas. Competências da União a) expressas e enumeradas. e) concorrente (com Estados e Distrito Federal). A Federação leva os Estados contratantes a abrirem mão da soberania que lhes é peculiar. mantendo. 154 ( I e II ). existência de Constituições locais. mas conservam a autonomia política. b) A existência de um órgão constitucional incumbido do controle de constitucionalidade das leis. Entregam seu exercício à União. e c) possibilidade de autoconstituição. 153 e 154 da CF. Competências expressas e enumeradas: União. não enumeradas. O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Carta Magna (art.

representa a Federação quando mantém relações com Estados estrangeiros. Vencida esta. dos direitos da pessoa humana. direta e indireta (art. Se a coação for exercida contra o Poder Judiciário. da autonomia municipal. 34. Deve-se notar que a intervenção federal afasta. como pessoa jurídica de capacidade política. quando a União intervém em dado Estado. III). Não a titulariza. a soberania nacional. e da prestação de contas da Administração pública. De outro lado. pretende paz social e moralidade administrativa bem como o adequado cuidado com as finanças do Estado: é autorizada para pôr termo a grave perturbação da ordem (art. IV). Visa ainda a garantir a tripartição do poder no plano estadual (art. b) da execução de lei federal. Ora se manifesta por si. Compete ao Congresso Nacional examinar os aspectos formal e material do decreto interventivo. 34. reorganizar as finanças do Estado se este suspender o pagamento de sua dívida fundada durante dois anos consecutivos (art. V. Há de ser a prática de ato ou atos que ensejaram a ingerência da União nos negócios do Estado. Revela. por si e em nome da Federação A União age em nome próprio como em nome da Federação. temporariamente. Ver também arts. Cessados os motivos da intervenção.www. todos os Estados estão intervindo conjuntamente. dessa forma. do Tribunal Superior Eleitoral (se a matéria for dessa natureza). objetiva a proteção do território e da divisão territorial: é autorizada para manter a integridade nacional (art. revela a vontade da Federação quando edita leis nacionais e demonstra a sua vontade (da União) quando edita leis federais. 34. No plano interno. Um dos eventuais efeitos da intervenção é o afastamento de autoridades estaduais de seus cargos. o Poder Executivo e o Poder Judiciário. Intervenção Federal nos Estados A intervenção federal nos Estados é da essência do sistema federativo.ResumosConcursos. “a”). O processo da intervenção federal O Presidente da República decreta a intervenção. 34. deverão elas retornar a seus cargos. Quando se trate de prover à execução de lei federal. participa de convenções internacionais. Visa a manter a integridade dos princípios basilares da Constituição. Na verdade. De um lado. o processo interventivo tem seu início mediante representação do Procurador-Geral da República ao Superior Tribunal de Justiça. no caso. a autonomia estadual ou parcela desta. 18 . No plano internacional. II). 35 e 36 da CF. 34. § 4º). 34. É preliminar de conhecimento. De fato. “a” a “d”). Em outro passo garante a observância da forma republicana. Isso ocorre no plano interno como no internacional. O impedimento a que alude o constituinte há de estar relacionado com os motivos da intervenção. examinará o conteúdo (as razões. declara guerra e faz a paz. em nome da Federação. do sistema representativo e do regime democrático. mediante requisição do Supremo Tribunal Federal. dado que a soberania é nota tipificadora do Estado. Mas não nos seguintes casos: a) de coação exercida contra o Poder Legislativo. 36.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A União. Também quando se verifica descumprimento de ordem ou decisão judiciária o processo interventivo se inicia por meio de requisição do Supremo Tribunal Federal. tratando-se de coação contra o Poder Legislativo ou o Poder Executivo estaduais o processo se inicia mediante sua solicitação. I) e para repelir invasão estrangeira ou a de um Estado em outro (art. a União age. Examina a forma para verificar se foram preenchidos todos os requisitos procedimentais. VII. ou do Superior Tribunal de Justiça. os motivos) para aprová-lo ou não. ora em nome do Estado Federal. salvo impedimento legal (art. 34. Exerce-a. ordem ou decisão judiciária. que fizeram nascer a hipótese excepcional.

Explicitamente se lhes nega a possibilidade de organizar-se e reger-se por normas que vulnerem os princípios mencionados no inc. ao lado das residuais. Desse dispositivo se extrai a idéia de que as competências dos Estados não estão enumeradas no texto constitucional. 66. VII do art. a exercite com poderes ilimitados. 19 . Verifica-se que aos Estados compete. o Estado federado titulariza competências residuais. Em síntese. 125 e 155 da CF. Mas. residualmente. 34. § 1º. Também compete aos Estados a disposição sobre os seus agentes políticos (definição de responsabilidades. mediante a possibilidade de os Estados editarem suas próprias Constituições.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Se cometeu crime comum. competências concorrentes e competências suplementares. etc.www. Fossem desiguais. prazo (lapso temporal de sua duração) e condições de execução (limites de atuação do interventor ou. em comum. 19. CF. Bens da União art. como a do art. de grau político. também.ResumosConcursos. Entre essa matéria elenca-se a financeira. não se cogitaria de autorização constitucional expressa. 34. 155 (instituição de impostos sobre transmissão causa mortis e doação de bens ou direitos. 27. criar distinções entre brasileiros ou preferências em favor de uma das pessoas de direito público interno (art. 30). taxas e contribuição de melhoria) e as do art. A autonomia Estatal A necessidade de previsão constitucional para a União intervir significa a igualdade entre ela e os Estados. CC. concorrente e suplementar.). se não houver nomeação deste. daqueles que executarão o decreto). São expressamente conferidas aos Estados as competências tributárias. O princípio federativo recomenda estas afirmações. confere aos Estados “as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição”. Os Estados terão competência residual. competências em comum. existisse a subordinação dos Estados à União. 145 (instituição de impostos. o Estado ainda é senhor de competências expressas. só que o próprio Estado federado decidirá sobre ele e não eventual interventor. É o que dispõe implicitamente a Constituição. 25. art. III). estarão limitados pelo decreto aprovado pelo Congresso Nacional. também estará impedido legalmente. 21 e 22) e as dos Municípios (art. explicitamente. Nada podem dispor. a respeito das competências tributárias da União e dos Municípios. A intervenção não é carta branca conferida à União para que esta. dispor sobre matéria administrativa (seus servidores e a organização da Administração Pública local). por meio de seus agentes. A tais competências o Estado não tem acesso. expressas. Ainda se lhes proíbe. Não é sem razão que o constituinte determina a fixação de sua amplitude (âmbito territorial de sua abrangência). Ao contrário. Para identificá-las é preciso saber quais os poderes que explicitamente ou implicitamente não lhes são vedados. operações relativas ao ICMS e o IPVA). OS ESTADOS FEDERADOS Um dos pressupostos da Federação é a autonomia estadual. 25 ( § 1º ). Competência dos Estados O art. 20. 28. Em primeiro lugar fica-lhes proibido dispor sobre as competências da União (arts. Essa previsão constitucional é demonstração inequívoca da autonomia estadual – ver arts.

órgão do Poder Legislativo estadual. seja o ordinário. sempre. O processo interventivo é previsto na Constituição de cada Estado.1904. bem como garantir o respeito à tripartição do Poder (especialmente quando alude a execução de lei ou de ordem ou decisão judiciária). 24. Há de prestar obediência. ou. Centralização administrativa 20 . o que formulou o legislativo estadual. E. Autoridades próprias dos Estados Os deputados compõem a Assembléia Legislativa. naturalmente. que sobre ele dispõe da forma que o constituinte estadual entender. b) preservar a moralidade e a lisura na aplicação do dinheiro público e na condução dos negócios públicos. São representantes do povo domiciliado eleitoralmente naquele Estado. que essa lei crie tribunais de alçada em função do valor ou da natureza da causa. Diferentemente daquelas em comum.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Em comum são as competências que o Estado titulariza juntamente com a União. A natureza jurídica dos Territórios Federais Para responder a isso é preciso questionar sobre a concentração e desconcentração. É função do Judiciário local aplicar a lei para solucionar litígios. 23). Intervenção do Estado no Município Essa interferência do Estado nos negócios municipais. Concorrente é a competência do Estado exercida ao lado da União e do Distrito Federal. Somente não poderá deixar de submeter o ato veiculador da intervenção à Assembléia Legislativa. O Poder Constituinte dos Estados A atividade do constituinte estadual é subordinada e condicionada às limitações impostas pelo constituinte nacional.2. Sua função é satisfazer. a competência suplementar. no geral. Ver também art. administrar. TERRITÓRIOS FEDERAIS O Território do Acre foi o primeiro do Brasil – Lei 1. O órgão de cúpula do Judiciário estadual é o Tribunal de Justiça. 29 da CF. É competência que visa à edição de leis sobre as questões elaboradas no art. inexistindo lei federal sobre tais normas. uma vez que ali se encontram os representantes do povo do Estado. ainda. assim. destina-se a: a) manter intatos os princípios indicados na Constituição Estadual. São. o Distrito Federal e os Municípios (art. a ele cabendo a iniciativa da lei de organização judiciária local. ao princípio da representação popular. Finalmente. às suas peculiaridades locais – legislar sobre normas gerais nos claros deixados pelo legislador federal. validar uniões relativas ao matrimônio (como é o caso dos juízes de paz). compõem o Poder Judiciário estadual. administrativas e políticas. prevista no art. cujo objetivo é executar.www. tanto mais que a eles se refere o art. plenamente.181. de 24. III.ResumosConcursos. que podem cingir-se a atos concretos da Administração. o Estado as expedirá sem limitação. 1. O governador e o vice-governador compõem o Poder Executivo estadual. 35 da CF. Foi na constituição de 1934 que o Território ganhou estatura constitucional e assim se manteve nas constituições que se seguiram. que decorre da concorrente. dar. 93. integrantes de órgãos da Justiça estadual. O Estado pode – em atenção. c) prestigiar o ensino primário. as aspirações daquele povo. seja o constituinte. nos limites da competência do Estado federado. Nada impede. Os magistrados. bem como acerca de centralização. buscando soluções definidas. competências de natureza programática.

3. estadual ou municipal. Fica claro. Inserem-se. Não há.2. pois. Por isso que. ou seja. novos entes sujeitos de direitos e deveres. incumbindo-lhe aparelhar-se para tanto. que na administração desconcentrada os órgãos se manifestam em nome e por conta de um único centro de capacidades. o cumprimento da missão administrativa se verifica pela atuação de uma só pessoa. pois. 3. pois. É que a sua capacidade é meramente administrativa. Tem-se. Mas são atribuídas funções a órgãos subordinados. Nesta. ou seja. como confundir descentralização administrativa com desconcentração. Uma das formas de desempenho dessas atividades é a que se identifica com a maneira direta de prestar serviços. A descentralização pode-se operar tanto em nível de atividade política como em nível de atividade administrativa. impossível de encontrar. criando novos centros de capacidade. sem que a atividade se desloque para outro centro de capacidades. Descentralização política Em determinado sistema jurídico várias pessoas jurídicas podem estar investidas de funções políticas. Não podem legislar sobre aqueles interesses. isto é. operada a descentralização. Ser capaz. As pessoas assim nascidas são chamadas autarquias. Esta forma direta de administrar é denominada administração centralizada. interesses seus. o que lhes confere capacidade política. e não mais em nome do centro original. do Estado ou do Município. Desde que isto se verifique. Evidentemente. as quais haverão de atuar buscando cumprir a missão administrativa. Descentralização Descentralizar – já o dissemos – implica a retirada de competências de um centro para transferi-las a outro. na própria pessoa de capacidade política que os criou. Descentralização administrativa O Estado pode. a pessoa surgida será federal. 3. diante da crescente complexidade dos assuntos administrativos. Concentração e Desconcentração Concentração administrativa é quando toda a atividade é exercida por um só centro. Tem-se a centralização administrativa. um só centro que é titular das prerrogativas e competências administrativas. de um centro ao qual se imputam direitos e obrigações.1. um só centro. 3. em nome de uma pessoa jurídica. passando essas competências a ser próprias do novo centro. Este fenômeno é a centralização desconcentrada. Autarquias 21 . embora dotados de personalidade própria. a personalidade é seu elemento definidor. que age em nome próprio. Constituem expressão de descentralização política a Federação e a autonomia municipal.www. é ter a possibilidade de estabelecer comandos sobre assuntos de sua competência. não têm o poder de dizer sobre tais competências. 2.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro O Estado busca a satisfação do interesse público por meio do desempenho de funções administrativas. Examinemos tais formas. descentralizá-la. Há um único centro capaz de desenvolver a atividade administrativa. onde não se opera a distribuição do poder decisório. Naquela. tal forma de administrar é. competências e deveres públicos de natureza administrativa. Tem-se. Nesta não se verifica a criação de pessoas.1. agindo em nome próprio e não em nome de outrem. pois o organismo criado pode manifestar a sua vontade. estamos diante da centralização concentrada. na verdade. embora possuindo negócios próprios. novas pessoas.ResumosConcursos. ao invés de centralizar toda a atividade administrativa. Mas. na prática. em conseqüência.2. conforme a sua origem se deva à vontade da União. titular das prerrogativas. encontramo-nos diante da descentralização política. politicamente. diferem daqueles centros dotados de capacidade política.

33 da CF. é dirigido pelo Governador e pelo Vice-Governador (art. na segunda. Ver também art. são externos a ela. Com efeito. 155 alude aos impostos que podem ser instituídos para o Distrito Federal: o de transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos. § 1º). Conclusões O Território não é parte integrante da Federação. porque não possui capacidade de dispor regras sobre negócios seus por meio de autoridades próprias. c) critério do fator demarcatório da competência da autarquia. é a Capital Federal (art. 32. Pelo último dos critérios indicados (o do fator demarcatório da competência). É o centro político-administrativo. Titulariza competências próprias. o Distrito Federal tem uma Câmara Legislativa onde estão os deputados distritais (art. É centro para onde convergem direitos e obrigações. Tais tributos são: a) Estaduais. integra a administração descentralizada da União. São fruto da descentralização administrativa. tal como a União. As autarquias territoriais são aquelas que têm suas competências definidas em função de um território. É hoje. legisla sobre elas e as administra por meio de autoridades próprias. É ser personalizado.ResumosConcursos. De acordo com o segundo critério. quando instituídos e arrecadados no Estado e. as autarquias podem ser territoriais ou não-territoriais. Não sendo pessoas dotadas de autonomia política. com capacidade legislativa. tendo nesta a fonte de seu regime jurídico infraconstitucional. de capacidade administrativa e de nível constitucional. Como ser personalizado que é.www. Ao fazer-se esta diferenciação quer-se indagar do seu substrato para se saber se se trata de agremiação de indivíduos que se reúnem para atingir dada finalidade ou se se trata de patrimônio afetado a uma finalidade. os indivíduos que a compõem são internos à pessoa. a ele são atribuídas as competências legislativas nomeadas aos Estados e Municípios (art. 32. 32. § 1º). pelos Estados ou pelos Municípios. 18. a fundação. conforme tenham sido criadas pela União. Na primeira hipótese. § 2º da CF). ligada à União. o de operações relativas à circulação de mercadorias e serviços e sobre propriedade de veículos automotores. 22 . Os tributos no Distrito Federal O art. e as não-territoriais têm sua competência estabelecida em função de dada matéria. administrativa e judiciária. No primeiro caso encontramos a corporação. No art. Brasília. 145 da CF autoriza o Distrito Federal a criar taxas e contribuições de melhoria. Estados e Municípios. §§ 2º e 3º). O primeiro deles conduz à afirmação de que as autarquias serão federais. No nosso sistema. no segundo. estaduais ou municipais. além dos impostos nela previstos. a divisão é feita em corporações e fundações. que foi criado em 1961. distinção que é comum tanto ao direito privado como ao público. autônomo politicamente.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro São pessoas jurídicas de direito público de capacidade exclusivamente administrativa. DISTRITO FEDERAL É nesse local que são formuladas as diretrizes governamentais pertinentes à Federação. Classificam-se de acordo com os seguintes critérios: a) critério da pessoa jurídica criadora da autarquia. quando instituídos e arrecadados no Distrito Federal. no particular. É pessoa de direito público. 18. b) critério da estrutura jurídica da autarquia. que integra o Distrito Federal. ao sistema constitucional tributário. mero órgão da União. b) Distritais. Natureza jurídica do Distrito Federal O Distrito Federal é a pessoa jurídica de direito público. Não é o Território. § 2º). a existência ou não de territórios não implica na existência ou não da Federação ( ver art. Essa é a posição que melhor atende. contudo.

O constituinte de 1988 deixou clara a competência para o Município auto-organizar-se. I e II). 29. Entretanto. o que caracteriza os negócios seus. 29. escolhidos em eleições diretas (art. mas ainda acrescenta a previsão de Prefeito. a sua autonomia. só atuará se houver prévia legislação federal ou estadual.”. 23 . para a sua organização. na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:. privativa. c) por meio de autoridades próprias. e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal. aos servidores do município. suplementar a legislação federal ou estadual oriunda de qualquer competência. à sua organização política. De igual maneira. Examinemos. no que couber. será municipal a lei criadora dos distritos. o que indica. sendo algumas enumeradas. 30 da CF – é a competência suplementar). Fixou no art. no caso do Município. no que couber. No art.”. é realidade natural anterior à própria autonomia política dos Estados Federados. porém.. Organização política e administrativa A política diz respeito aos poderes municipais: prefeito. podem SUPLEMENTAR a lei federal ou estadual resultante da competência legislativa concorrente. Podemos dizer que as competências dos municípios são expressas.www. se se tratar de município no Território Federal.. c) o Município só poderá SUPLEMENTAR.ResumosConcursos. a Constituição refere-se à lei orgânica municipal.. tais como “legislar sobre assuntos de interesse local”. a) os Municípios não concorrem com a União e os Estados na regulação das matérias enumeradas no art. Competência dos Municípios Será de competência do município tudo o que for de seu interesse local (art. 29 do Texto Magno estabelece que o Município “reger-se-á por lei orgânica.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro O MUNICÍPIO – REGIÕES METROPOLITANAS A autonomia municipal no Brasil. a lei era estadual. votada em dois turnos. número de sessões. “suplementar a legislação federal e estadual no que couber” (ver art. comum ou concorrente). 24 da Constituição Federal. b) negócios seus. Ou federal. vereadores. Autonomia municipal Autonomia política é a capacidade conferida a certos entes para: a) legislarem sobre. seja exclusiva. b) os Municípios. etc. 29: “O Município reger-se-á por lei orgância. se a Constituição lhe atribui esse suporte caracterizador. à administração em geral. a lei é a municipal. para o atendimento de seus interesses locais (na verdade. atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. Competência para edição das leis orgânicas municipais Para a criação de municípios. pode o Município. uma espécie de Constituição municipal.. isto é. por si. que a promulgará. com o interstício mínimo de dez dias. Sobre tais negócios disporá a Câmara dos Vereadores (legislação própria). A administrativa toca aos serviços públicos locais. de competências próprias. vice-prefeito. 30 e seus incisos). O art. Vice-Prefeito e Vereadores (autoridades próprias).

taxas e contribuições de melhoria). como expressão das limitações do poder de tributos. o que deverá ser feito por meio de convênio ou consórcio. Tal como na intervenção federal no Estado. 145. a redução autonômica será menor: cinge-se à interferência no Executivo. Não é centro personalizado. da CF. 31 da CF As regiões metropolitanas. entre os Municípios. 25. com a respectiva justificação. Com a intervenção fica paralisada. o chefe do Executivo estadual decreta a intervenção mas é obrigado a submeter o seu ato. Somente a adesão voluntária dos Municípios poderá viabilizar o seu funcionamento. Seção II – estão os princípios constitucionais da tributação. 3º). tendo em vista a autonomia muncipal. que não constitua sanção de ato ilícito (CTN. aglomerações urbanas e microrregiões A idéia de Região Metropolitana deriva da conurbação. art. Tanto quanto foi dito aplica-se às aglomerações urbanas e às microrregiões. Por isso que só é possível a intervenção em casos expressamente previstos no texto constitucional. A agremiação municipal é feita pela lei complementar. figuras criadas pela Constituição de 1988. que dá provimento à representação. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL ver arts. área urbana única. Componentes do STN: . à apreciação da Assembléia Legislativa.ResumosConcursos. Embora composto por Municípios. com o afastamento de suas autoridades. então.www. Para encontrar a natureza desse órgão é preciso verificar qual a sua fonte criadora.toda prestação pecuniária compulsória instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa vinculada. 145 a 162 Seção I – estão descritas as disposições gerais sobre a tributação (art. a Câmara Municipal não for atingida na sua atividade legiferante. A fiscalização financeira e orçamentária art. É preciso. 24 . As áreas urbanas vão-se aglomerando em torno de um Município maior. o que passa a exigir a integração dos serviços municipais. § 1º). É a lei complementar estadual. A boa exegese do texto constitucional leva à convicção de que a Região Metropolitana nada mais é do que órgão de planejamento. Já dissemos que a regra é a não intervenção. eliminando as áreas rurais e fazendo surgir. a autonomia municipal. excepcional. A intervenção ocorre após a manifestação do Ministério Público. ainda. em 24 horas. examinar sua composição: é composto por Municípios. falar-se na ocorrência da autonomia limitada. Se. podendo. É orgão. sempre. as suas decisões não obrigam àqueles.Tributos (impostos. Tributos: . § 3º. e do Tribunal de Justiça. Não é organismo. Esta paralisação poderá ser em maior ou menor extensão.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Intervenção estadual nos Municípios A intervenção de uma pessoa política em outra é. momentaneamente. apesar da intervenção. Tudo dependerá das limitações impostas no decreto interventivo. di-lo o art. dele derivando a execução de funções públicas de interesse comum. Não é pessoa política nem administrativa.

com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Fato Gerador: . 239. (b) contribuições de intervenção no domínio econômico. São contribuições previdenciárias de competência dessas entidades. (3) estabelecer normas gerais de direito tributário sobre: (a) definição de tributos e de suas espécies. § 4º). Contudo. não. Taxas: . Temos aí. de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. como as da seguridade social e previdenciária (arts. lhes dá outro regime. I. cobrada de seus servidores. as contribuições sindicais previstas no final do inc. de sistema de previdência e assistência social. como o chamado confisco do café etc. 195. porém. ao princípio da reserva de lei e ao princípio da anualidade (lei prévia ao exercício em que serão cobradas). tributos cuja arrecadação é da competência de entidades paraestatais ou autárquicas. A doutrina entende que todas essas contribuições compulsórias têm natureza tributária. 195. prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição. (2) regular as limitações constitucionais do poder de tributar. ou seja. não é instituída pela União. 146). Estados. em benefício destes. Distrito Federal e Municípios a instituir contribuição. (4) instituir outros impostos da União. 155 e 156 da CF). I a III) não se subsumem ao disposto no art. Imposto: . porque o art.www. § 6º. entre a União. os Estados. bases de cálculo e contribuintes. (c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas (art. ao vedar sua cobrança no mesmo exercício de sua instituição. bem como em relação aos impostos discriminados na Constituição. função da lei complementar tributária: (1) dispor sobre conflitos de competência. Normas de prevenção de conflitos tributários É. crédito. não está sujeito a essa limitação. lançamento. I a III. Distrito Federal e Municípios. (b) obrigação. I e III). de serviços públicos específicos e divisíveis. as do seguro-desemprego (art. 239). Contribuição de Melhoria: é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador a valorização de imóveis do contribuinte em decorrência da execução de obras públicas pela União. por isso. 148. Contribuições Sociais Também é de competência exclusiva da União instituir contribuições sociais. 153. III. 148) – um dos requisitos de legitimidade deste empréstimo é a urgência do investimento que financiará. Significa dizer: não podem ser instituídas nem aumentadas senão por lei e não podem incidir senão sobre fatos geradores e exercício financeiro posteriores à sua instituição (arts. (c) contribuições de interesse das categorias profissionais. as contribuições da seguridade social (art. 8º.é a situação que faz nascer a obrigação de pagar a importância pecuniária correspondente. pois. b.é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica em favor do contribuinte ou relativa a ele (arts. mas a Constituição. para o custeio. aos respectivos fatos geradores. prescrição e decadência tributários. IV do art. como instrumento das respectivas áreas. III.ResumosConcursos. entre outras que a União poderá instituir por lei. em matéria tributária. prevendo que poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído. as do PIS-PASEP (art. Empréstimo Compulsório (art. O empréstimo para fins do art. Essas contribuições submetem-se ao regime das normas gerais tributárias. portanto: (a) contribuições sociais. A Constituição autoriza os Estados.são tributos cuja obrigação tem por fato gerador o exercício do poder de polícia ou a utilização efetiva ou potencial. e 201). a que cabe à assembléia geral para custeio do sistema confederativo da representação sindical referida no mesmo inciso que. desde que sejam não cumulativos e não tenham nem fato gerador nem base 25 . 150. Distrito Federal ou Município. 146. assim as contribuições às entidades dos profissionais liberais. impede sua arrecadação imediata. 195. e 150. reputadas como tributos parafiscais.

150. 153. isenções. relativamente à remessa para outro Estado e exportação para o exterior. pelos beneficiários (Estados. 150 a 152). objetivando promover o equilíbrio sócio-econômico entre Estados e entre Municípios. mas a Constituição admite a alteração. exportação. incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. estabelecido no art. respeito ao princípio da legalidade genérica. atendidas as condições e limites estabelecidos em lei (art. de serviços e mercadorias. 145 a 149): (a) as limitações constitucionais do poder de tributar (arts. 153 a 156). (c) disciplinar o regime de compensação do imposto. São expressos: a. 159. I). Elementos do Sistema Tributário Nacional Distinguem-se no sistema tributário nacional os seguintes elementos fundamentais. ainda. LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR Embora a Constituição diga que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais do poder de tributar (art. Princípios constitucionais da tributação e sua classificação a) Princípios Gerais: . 146. por fontes (arts. para o fim de fixar a quota dos Municípios. 26 . (b) dispor sobre a substituição tributária. II. a. na forma prevista no art. (b) estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. (7) definir serviços de qualquer natureza para efeito do imposto municipal respectivo. tendo em vista as operações tributadas nos respectivos territórios.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro de cálculo idênticos aos discriminados nos arts. segundo o qual é vedado à União. aos Estados.ResumosConcursos. (9) em relação à repartição de receitas tributárias: (a) definir valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços.www. 150. mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal. I. 158. ao Distrito Federal e aos Municípios instituir ou aumentar tributos sem que a lei o estabeleça (art. serviços e outros produtos além dos semi-elaborados mencionados no art. o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços. veda às referidas entidades tributantes instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. (5) definir produtos industrializados semi-elaborados a serem excluídos da não incidência do imposto de circulação de mercadorias e prestação de serviços: (a) definir seus contribuintes. 153. para efeito de sua cobrança e definição do estabelecimento responsável. do cáluclo das quotas e da liberação das participações previstas nos arts. além das disposições gerais (arts. (b) a discriminação da competência tributária. produtos industrializados e operações financeiras. (e) excluir da incidência do imposto. (8) fixar as alíquotas máximas do imposto municipal sobre serviços de qualquer natureza e excluir da incidência desse imposto exportações de serviços para o exterior. implica: (a) uma base impositiva que seja capaz de medir a capacidade para suportar o encargo. a.2 – princípio da igualdade tributária. nas exportações para o exterior. das alíquotas dos impostos sobre importação. parágrafo único. a. (d) fixar.são expressos ou decorrentes. o que vale dizer. discriminação pelo produto (arts.3 – princípio da personalizaçãp dos impostos e da capacidade contributiva. I. consubstanciadas nas disposições sobre a repartição das receitas tributárias. § 2º. 157. 158 e 159. (f) prever casos de manutenção de crédito. especialmente sobre os critérios de rateio dos fundos previstos em seu inc. 155 e 156. (b) alíquotas que igualem verdadeiramente esses ônus.1 – princípio da reserva de lei ou da legalidade estrita. (c) dispor sobre o acompanhamento. II). (g) regular a forma como. segundo o qual o ônus tributário deve ser distribuído na medida da capacidade econômica dos contribuintes. por decreto. 157 a 162). 155. ela própria já as estabelece mediante a enunciação de princípios constitucionais da tributação. X. Distrito Federal ou Municípios). § 1º). (c) as normas do federalismo cooperativo.

significa que o tributo ou seus aumentos somente incidem sobre fatos geradores que ocorrerem no exercício financeiro seguinte ao de sua instituição ou majoração. aplicável aos impostos sobre produtos industrializados e sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços (arts. referido expressamente ao imposto sobre a renda (art.ex. segundo o qual o lançamento dos tributos está vinculado a cada exercício financeiro (1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano). de acordo com o qual é vedado cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado (art. e 182. I) e ao imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (arts. que assim se discriminam: b. ao mesmo tempo em que debita todo o imposto incidente sobre as saídas dos produtos ou mercadorias do seu estabelecimento no mesmo período. II. que veda à União tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados. em razão de sua procedência ou destino (art.1 – princípio da uniformidade tributária. II. 153.5 – princípio da anualidade do lançamento do tributo. significa que todo aquele que praticar o fato gerador da obrigação tributária deverá pagar o tributo respectivo. significa que o tributo não deve subtrair mais do que uma parte razoável do patrimônio ou da renda do contribuinte. a. b) Princípios especiais. contido no art. 152). São princípios gerais decorrentes: a. no caso do IPI) ou mercadorias ou serviços (no caso do ICMS) em dado espaço de tempo (um mês. a. de qualquer natureza. constituem-se das vedações constantes dos arts. 151 e 152. 19. decorrente da norma do art. III. 153. ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer a diferença tributária entre bens e serviços. em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações. isso se faz mediante um sistema de crédito. 153. bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos. c) Princípios específicos. Imposto progressivo é aquele cuja alíquota aumenta à medida que aumenta o ingresso ou a base imponível. V).4 – princípio da não-diferenciação tributária.7 – princípio da ilimitabilidade do tráfego de pessoas ou bens.ResumosConcursos. a). 151. pelo qual o contribuinte se credita de todo o imposto que pagou ao adquirir os produtos (ou matéria-prima. I).1 – princípio da progressividade. praticamente seria dispensável a reafirmação do princípio ora em exame. e no momento de recolher os impostos do período é feita a compensação entre o 27 . e assim se apresentam: c.2 – princípio da não-cumulatividade do imposto. b. a. combinado com o princípio da anualidade comentado em seguida.2 – princípio da limitabilidade da tributação da renda das obrigações da dívida pública estadual ou municipal e dos proventos de agentes dos Estados e Municípios. 150.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro a. referem-se a determinados impostos especificamente.9 – princípio da destinação pública dos tributos ou princípio implícito. Com a regra de que o imposto sobre a renda há de atender os critérios da generalidade e da universalidade (art. III. segundo o qual quem tem o poder de impor determinado tributo é que tem o poder de estabelecer isenções. por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais.3 – princípio de que o poder de isentar é ínsito ao poder de tributar. Isso. não há tributo privado. § 2º. e 155. § 3º. e § 2º. III.4 – princípio da prévia definição legal do fato gerador ou princípio da irretroatividade tributária. segundo o qual será compensado o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. na verdade. c. § 2º. ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público (art. 150.8 – princípio da universalidade. I). regra que veda utilizar tributo com efeito de confisco. II). isso. segundo o qual é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo território nacional ou que implique distinção ou preferência.) fixado em lei. b. p.6 – princípio da proporcionalidade razoável. a. do Distrito Federal e dos Municípios. b. só o Estado tributa. IV. § 1º. salvo casos expressos de isenção fiscal outorgada em lei. 156. § 4º.www. de acordo com o qual é vedado aos Estados. Na prática.

157 a 162). inocorre fato gerador da obrigação tributária. III). É o imposto mais importante e mais rentável do sistema tributário nacional. DISCRIMINAÇÃO DAS RENDAS POR FONTES Competência tributária da União (a) Tributos de competência exclusiva da União. inclusive de suas fundações. (2) Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (art. do trabalho ou da combinação de ambos. VI. que. uns dos outros (é a chamada imunidade recíproca). renda ou serviços dos partidos políticos. ou. sem fins lucrativos. em seu art. (1) Impostos sobre o comércio exterior: (art. (b) competência nominalmente comum. c. III). 150. enquanto a discriminação pelo produto comporta as seguintes modalidades: (a) a participação em impostos de decretação de uma entidade e percepção por outras.3 – princípio da seletividade do imposto. renda ou serviços. pela qual umas entidades repartem sua receita com outras. estas participam na receita daquelas (arts. 155 e 156). das instituições de educação e de assistência social. haverá uma imunidade (arts. aplicável obrigatoriamente ao imposto sobre produtos industrializados. nos termos do art. Vale dizer. jornais. § 2º. de produtos nacionais ou nacionalizados. para o exterior. das entidades sindicais dos trabalhadores. (c) patrimônio. I e II). 155. Estados. I. Note-se que só existe imunidade quanto aos impostos. pela qual a Constituição indica o tributo que a cada entidade compete instituir (arts. Sistema discriminatório brasileiro Aí temos os dois aspectos da discriminação das rendas: a discriminação pela fonte. pois. integral e completa. que compreende o imposto sobre a importação de produtos estrangeiros e o imposto sobre a exportação. e § 3º. em cada operação o imposto incide efetivamente sobre o valor adicionado. nas hipóteses imunes de tributação. relativamente a estas. (b) a participação em impostos de receita partilhada segundo a capacidade da entidade beneficiada. as quatro entidades autônomas da Federação: União. 153.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro crédito e o débito. Distrito Federal e Municípios. dá-se o fato gerador da obrigação tributária. 153. Contemplou. d) Imunidades. Quando a Constituição diz “não incidirá”. e a discriminação pelo produto. periódicos e o papel destinado a sua impressão. 153. Estados. (c) competência residual. veda à União. Distrito Federal e Municípios instituir impostos sobre: (a) patrimônio. (c) participação em fundos. As imunidades configuram privilégios de natureza constitucional e não podem estender-se além das hipóteses expressamente previstas na Constituição. 153 e 156). assim como todo acréscimo ao patrimônio das pessoas físicas ou jurídicas. mas o contribuinte fica apenas isento do pagamento do tributo. 153. em função da essencialidade desses objetos (art.ResumosConcursos. rígida e taxativamente.www. A discriminação pela fonte realiza-se em três planos: (a) competência exclusiva. DISCRIMINAÇÃO CONSTITUCIONAL DAS RENDAS TRIBUTÁRIAS Natureza e Conceito A Constituição adotou. (b) templos de qualquer culto. vendo do outro lado. 28 . atendidos os requisitos da lei. na sua concepção entram toda disponibilidade econômica ou jurídica proveniente do rendimento do capital. segundo o qual esse imposto será seletivo em função da essencialidade do produto. (d) livros. IV. Nisso diferem imunidades e isenções. uma discriminação exaustiva. recolhendo ele a diferença a mais ou continuando com crédito para o período seguinte se o crédito or maior. sendo facultada a sua aplicação ao imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços. quer dizer que sempre aí. como nas anteriores.

outros impostos que não tenham fato gerador nem base de cálculo idênticos aos impostos expressamente discriminados na Constituição. 29 . consoante vimos antes. O imposto comporta dois tipos de progressividade: uma em relação ao monte da herança. operações de seguros e operações relativas a títulos e valores mobiliários. mediante lei complementar. nos termos da lei. (3) Imposto sobre produtos industrializados. definidas em lei. § 4º). III). quanto maior mais graduada a alíquota. I). Pertine. (5) Imposto sobre a propriedade territorial rural. O campo de incidência. quanto mais distante. Faculta-se ao Poder Executivo alterar suas alíquotas por decreto (art. e não podem ter base de cálculo própria de impostos. XXX). mas o é também sobre o consumo. É o agora conhecido ICMS. o proprietário que não possua outro imóvel (art. porque todas as entidades tributantes podem instituí-las e arrecadá-las: (a) em razão do exercício do poder de política. Taxas. 145. e não incidirá. exclusivamente. É um dos impostos sobre o patrimônio. Entram no conceito de tributo comum. (4) Imposto sobre operações financeiras. É garantido o direito de herança (art. Deles estão imunes ( porque nelas não incidirá) as pequenas glebas rurais. 155. 153. Contribuição de melhoria. previsto no art. como forma de transmissão da propriedade móvel ou imóvel inter vivos. nos termos e limites fixados em lei. pagos pela previdência social da União. VII. 155. (b) Tributos de competência comum à União. porque só alcança o produto no momento em que sai do estabelecimento industrial ou equiparado para integrar o processo consuntivo. II). 153. abrange: operações de crédito. de rendimentos do trabalho. daí por que também está prevista a faculdade de o Poder Executivo alterar suas alíquotas. (c) Tributos de competência residual. que depende de definição por lei complementar. 154. sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão.www. (6) Tributação de grandes fortunas. operações de câmbio. 145. Competência tributária dos Estados (a) Tributos de competência exclusiva dos Estados e do Distrito Federal. §1º). II. e (b) pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis. embora não seja o ato de consumo a situação geradora da obrigação tributária. (2) Tributação da circulação das mercadorias. da universalidade e da progressividade. (1) Tributos da herança e das doações (art. só ou com sua família. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. São dois os modos de transmissão da propriedade. 50. quando as explore. a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos. no sentido de que recai sobre o resultado do processo produtivo industrial. e não podem ser cumulativos (art. do Distrito Federal e dos Municípios. 153. I). prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição (art. mais gravosa a tributação. O segundo pela liberalidade do dono do bem que o transmite a outrem gratuitamente. O art. ao Distrito Federal e aos Municípios. à União instituir. outra em relação à distância das vocações hereditárias de modo que. O primeiro pela morte do titular do bem. Também é da competência da União instituí-la e cobrá-la em razão da valorização da propriedade imóvel decorrente de obras públicas por ela executadas (art. é tributação da produção industrial. ato que também sofre a tributação. dos Estados. aos Estados.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro É informado pelos critérios da generalidade. segundo o qual compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. cuja renda seja constituída. É um importante imposto de competência federal. é a transmissão causa mortis. com exclusividade. confere um imposto novo à competência exclusiva da União: o imposto sobre grandes fortunas. É de competência da União para funcionar como instrumento auxiliar da política agrária.ResumosConcursos. São utilizados como instrumentos de política monetária.

ainda se comete à lei complementar regular. localizada na zona urbana ou com destinação urbana. mediante os chamados impostos únicos. (c) o ouro. por natureza ou acessão física. a qualquer título. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência dos Municípios. que indicamos antes. (2) Tributação das transmissões de bens imóveis. e o imposto municipal sobre serviços. II e III). 37 30 . e faz a definição mediante uma lista de serviços. e energia elétrica. tal como a União e os Municípios (art. 157. São as taxas e contribuições de melhoria que. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento. exceto os de garantia (hipoteca). (1) Tributação da propriedade urbana. (b) Tributos comuns. (b) operações que destinem a outros Estados petróleo. mas que. 155. III. 145. de bens imóveis (terrenos. assim. que já existe. assim como poderá ter alíquota diferenciada de acordo com a localização e o imóvel. locação e bens imóveis ou arrendamento mercantil. objetos estes que só eram tributados. É o imposto que está previsto no art. assim como sobre serviço prestado no exterior. I). serviços de telecomunicações. (3) Tributação dos serviços. fixar. 156. nas hipóteses definidas no art. Competência tributária dos Municípios (a) Compete exclusivamente aos Municípios instituir os impostos adiante nomeados. § 2º X. (b) o valor total da operação. (3) Tributação de veículo automotor. excluir. incorporação. Trata-se aqui do ISS. que representa o gravame fiscal da propriedade imóvel. São as taxas e contribuições de melhoriam que os Municípios podem instituir e cobrar do mesmo que a União e os Estados (art. Discriminação das rendas pelo produto ver arts. (b) Tributos comuns. 158 e 159 da CF. tributadas pelos Estados).ResumosConcursos. § 5º. derivados de petróleo. possibilitando. se o serviço for compreendido na competência municipal. inclusive lubrificantes. O imposto sobre a propriedade urbana poderá ser progressivo em razão do valor do imóvel. (c) operações relativas a energia elétrica. bem como cessão de direitos a sua aquisição. sobre: (a) operações que destinem ao exterior produtos industrializados. no entanto. Finalmente.). prever. pela União. À lei complementar também é que cabe fixar suas alíquotas máximas e excluir de sua incidência as exportações de serviços para o exterior. dispor a respeito de situações relativas ao ICMS. cisão ou extinção de pessoa jurídica. no regime constitucional anterior. a aplicação de política fiscal e interesse urbanístico.www. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. resolver controvérsia que deu origem a uma jurisprudência distorcida contra o interesse dos Estados. 153. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – art. e de direitos reais sobre imóveis. definir. Além de tudo isso. 155. podem ser cobradas pelos Estados e Distrito Federal. salvo se. excluídos os semi-elaborados definidos em lei complementar. a Constituição remeteu à lei complementar. 145. por ato oneroso (o que exclui as doações. vêm as regras de não incidência. segundo o qual compete aos Estados instituir imposto sobre a propriedade de veículos automotores. com ou sem edificação. Temos o imposto sobre a transmissão de bens inter vivos. nesses casos. II e III). etc. não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. casas. que compete ao Município da situação do bem. fazendas. cabendo ao Estado onde estiver situado o estabelecimento destinatário da mercadoria ou do serviço. É o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (art. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão. combustíveis e minerais do País. o ICMS incide sobre a operação de circulação da mercadoria. por força do disposto no art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A Constituição determina que o ICMS incida sobre: (a) a entrada de mercadoria importada do exterior.

os despachos intermediários e finais. sem aproveitar os poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira favorecer. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem. Princípio da Eficiência É um conceito econômico que orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os melhores resultados com os meios escassos de que se dipõe e a menor custo. Princípio da Publicidade Todos os atos administrativos devem ser publicados. Distrito Federal e Municípios compete legislar suplementarmente sobre a matéria no que tange ao interesse peculiar de suas administrações. Constitui um princípio instrumental de realização dos princípios da moralidade administrativa e do tratamento isonômico dos eventuais contratantes com o Poder Público. ver também Emenda Constitucional 19/98.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Princípio da Legalidade e da Finalidade O ato administrativo só é válido quando atende o seu fim legal. Princípio da Licitação Pública Licitação é um procedimento administrativo destinado a provocar propostas e a escolher proponentes de contratos de execução de obras. há de ser excepcional. Princípio da moralidade e da probidade administrativas Pode-se estar cumprindo legalmente um ato e este estar cheio de imoralidade. Consiste na organização racional dos meios e recursos humanos. § 4º) e isto pode ser aplicado independentemente de um processo criminal. Portanto. Na probidade administrativa. O princípio da licitação significa que essas contratações ficam sujeitas. Ex: promoção com o intuito de favorecer alguém. O ímprobo perde os direitos constitucionais (art. os processos em andamento. 31 . XXI da CF. o que porém. 37. 37. o fim submetido à lei. bem como os comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes. ver art. Essa publicidade atinge. ao procedimento de seleção de propostas mais vantajosas para a Administração Pública. Tudo isto é papel ou documento público que pode ser examinado na repartição por qualquer interessado e dele obter certidão ou fotocópia autenticada para fins constitucionais. A publicidade se faz por divulgação em jornal oficial ou edital afixado no lugar da divulgação de atos públicos. aos Estados. como regra.ResumosConcursos. os atos concluídos e em formação. procedendo no exercício das suas funções. serviços. ou seja. Mas a própria Constituição admite informações “sigilosas imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado” (art. assim. os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos. compras ou de alienações do Poder Público.www. o funcionário deve servir à Administração com honestidade. A licitação é um procedimento formalmente regulado em lei. Os pareceres só se tornam públicos após sua aprovação final pela autoridade competente. sob pena de infringir o princípio que é o da publicidade. as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados. XXXIII). 5º. materiais e institucionais para a prestação de serviços públicos de qualidade em condições econômicas de igualdade dos consumidores. Princípio da Impessoalidade Significa que os atos e provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica mas ao órgão ou entidade administrativa em nome do qual age o funcionário.

Princípio da participação O princípio da participação do usuário na Administração Pública foi agora introduzido pela EC19/98. uma unidade jurídica. que vamos apenas reproduzir.. 37. O órgão é. pessoa e variável. (c) servidores admitidos em funções públicas (servidores públicos em sentido estrito) e (d) servidores contratados por tempo determinado (prestacionistas de serviço público temporário). que compreende seu titular (elemento subjetivo) e suas competências.www. atribuições e seus meios técnicos. abstrato. com o novo enunciado do § 3º do art. institucional e contínuo. III – a remuneração do pessoal. ver art. que é a pessoa ou conjunto de pessoas que. Distrito Federal ou Município). Agente público – 1) agente político e 2) agente administrativo. asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica. A lei outorga aos administradores dos órgãos públicos. § 5º da CF. orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da Administração direta e indireta [ diz o § 8º do art. (b) outro: objetivo. coativos. A obrigação de indenizar é da pessoa jurídica a que pertencer o agente. O prejudicado há que mover a ação de indenização contra a Fazenda Pública respectiva ou contra a pessoa jurídica privada prestadora de serviço público. que compreendem quatro categorias (art. III – a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo. mas não o direito da Administração ao ressarcimento. (2) 32 . regulando especialmente: I – as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral. Os agentes administrativos. emprego ou função na administração pública”. moral) que uma pessoa cause a outrem. que é um centro de competência ou complexo de atribuições. emprego ou função. do prejuízo causado ao erário. da qualidade dos serviços. § 6º da CF. obrigações e responsabilidade dos dirigentes. a ser firmado entre seus administradores e o poder público. Princípio da responsabilidade civil da Administração Responsabilidade civil significa a obrigação de reparar os danos ou prejuízos de natureza patrimonial (e. às vezes. não contra o agente causador do dano. 37. ver art. etc. 5º.ResumosConcursos. II – os controles e critérios de avaliação de desempenho. cabendo à lei dispor sobre: I – o prazo de duração do contrato. introduzido pela EC-19/98 ] poderá ser ampliada mediante contrato. que se repartem em dois grandes grupos: (1) os servidores públicos. O princípio da impessoalidade vale aqui também. (b) servidores públicos investidos em empregos (empregados públicos). informativos. 37. 37. competências especiais. X [ respeito à privacidade ] e XXXIII [ direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse ou de interesse coletivo ou geral ]. DOS SERVIDORES PÚBLICOS Agentes Administrativos Agentes públicos e administrativos Nele distinguem-se dois elementos: (a) um: subjetivo. direitos. porque a efetivação do princípio depende de lei. Princípio da autonomia gerencial A autonomia gerencial. à indenização. 37. assim. expressa a vontade da entidade pública (União. que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade. em última análise. externa e interna. que caracterizam o cargo.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Princípio da prescritibilidade dos ilícitos administrativos Prescrevem a apuração e a punição do ilícito. Diz o texto: “A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta. observado o disposto no art. Estados. II – o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo. I e IX): (a) servidores investidos em cargos (funcionários públicos).

§ 3º). com a criação do subsídio. 2) mandato de prefeito. a EC-19/98 modificou o sistema remuneratório dos agentes. mantendo-se certa diferença. observadas as seguintes condições: 33 . 142. assim como aos estrangeiros. na forma da lei (art. independem de concurso as nomeações para cargo em comissão (37. que compreende: o subsídio. 42) e os das Forças Armadas (art. XVI e XXVII). estar aprovado em concurso para ter direito à investidura. Investidura em cargo ou emprego: a exigência de aprovação prévia em concurso público implica a classificação dos candidatos e nomeação na ordem dessa classificação. considerando-os iguais para fins de lhes conferirem os mesmos vencimentos. necessária também é que esteja classificado e na posição correspondente às vagas existentes. não basta. que compreendem os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (art. Isonomia. I). seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais. será afastado do cargo. para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37. EC-20/98) se dará: por invalidez permanente. é igualdade de vencimentos a cargos e atribuições iguais ou assemelhadas pertencentes a quadros de poderes diferentes. Servidor investido em mandato eletivo: o exercerá observando as seguintes regras: 1) se se tratar de mandato eletivo federal. Acessibilidade à função administrativa: a CF estatui que os cargos. não é permitido a um mesmo servidor acumular dois ou mais cargos ou funções ou empregos. vincula-se um cargo inferior. Em qualquer das hipóteses.www. pois. os vencimentos e a remuneração. IX). havendo compatibilidade de horário. equiparação é a comparação de cargos de denominação e atribuições diversas. 40. Vedação de acumulações remuneradas: ressalvadas as exceções expressas. cf. Sistema remuneratório dos agentes públicos: Espécies. ficará afastado da sua atribuição (38. 3) mandato de vereador. aumenta-se o outro. EC-19/98). I. durante o período de validade do concurso. exercerá ambas. aumentando-se um. é usada a expressão espécie remuneratória como gênero. Contratação de pessoal temporário: será estabelecido por lei. voluntariamente (desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria. que é de 2 anos (37. para efeito de retribuição. pensão e seus proventos: a aposentadoria dos servidores abrangidos pelo regime previdenciário de caráter contributivo (art. como forma de remunerar agentes políticos e certas categorias de agentes administrativos civis e militares. empregos e funções são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei. com outro superior. seja da Administração direta ou indireta (37. paridade é um tipo especial de isonomia. vinculação é relação de comparação vertical. sendo-lhe facultado optar pela remuneração. cf. III). 37. exceto para promoção por merecimento. paridade.ResumosConcursos. SERVIDORES PÚBLICOS Aposentadoria. o afastamento é automático. vinculação e equiparação de vencimentos: isonomia é igualdade de espécies remuneratórias entre cargos de atribuições iguais ou assemelhados.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro os militares. o vencimento. o afastamento se verifica com a posse. II). estadual ou distrital. compulsoriamente aos 70 anos com provento proporcionais ao tempo de contribuição e.

40. sobre a pensão. é determinado que os benefícios da pensão por morte será igual ao valor dos proventos do falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito em atividade na data de seu falecimento. As casas podem reunir-se separadamente ou conjuntamente. 46). se mulher. São duas casas legislativas do Congresso Nacional. O Legislativo nacional é bicameral. se homem. isto é. o que. Vitaliciedade: é assegurada pela CF a magistrados. observado o disposto no § 3º do art. quanto à sindicalização. PODER LEGISLATIVO: SUA ESTRUTURA A forma de Estado é federal.” É que o poder é uma unidade. Legislatura: período de mandato do parlamentar. 1º. essa garantia não impede a perda do cargo pelo vitalício em 2 hipóteses: extinção do cargo. e sessenta anos de idade. Dentre as funções do Legislativo encontra-se a de ditar normas nacionais. na prática. TRIPARTIÇÃO DO PODER Poder: trata-se do conjunto de preceitos imperativos incidentes sobre certos seres fixados em determinado território. cargo de provimento efetivo é aquele que deve ser preenchido de caráter definitivo. c) poder enquanto função (arts. Como já vimos. da CF). o que só poderá ocorrer em virtude de sentença judicial. 2º. VI). se mulher. é atributo do Estado. cabível só aos civis. e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição. onde se encontram os representantes do povo brasileiro e. Equivocam-se os que utilizam a expressão “tripartição dos poderes. 41. cf. o texto constitucional estabelece que o direito de greve dos servidores será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Sindicalização e greve dos servidores públicos: é expressamente proibida aos militares.zip Efetividade e estabilidade: o art. 44.ResumosConcursos. órgão que desempenha a função legislativa:  Câmara dos Deputados (art.www. 76 e 92 da CF). e demissão.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição. membros do Tribunal de Contas e membros do MP. é quase o mesmo que recusar o direito prometido. 45). parágrafo único. ver o arquivo C:/Meus Documentos/Workgroup/Inss/Constituição Dispositivos. A distinção é entre os órgãos desempenhantes de funções. b) sessenta e cinco anos de idade. se homem. não há restrições (37. b) poder enquanto órgão do Estado (art. da CF). preceitos que obrigam a todos os que se achem no território nacional. 34 . quanto à greve. onde se encontram os representantes dos Estados e do Distrito Federal. caso em que o titular ficará em disponibilidade com vencimentos integrais. O sentido constitucional do poder é dados pelas três seguintes acepções: a) poder enquanto revelação da soberania (art.  Senado Federal (art. são requisitos para adquirir a estabilidade: a nomeação por concurso e o exercício efetivo após 3 anos. a EC-19/98 diz que são estáveis após 3 anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. com proventos proporcionais ao tempo de contribuição).

57. “c”). diante do Direito. Opiniões e palavras que. Câmara dos Deputados O número total de deputados será estabelecido por lei complementar. Senado Federal No Senado estão os representantes dos Estados e do Distrito Federal. Conferem-se a deputados e senadores prerrogativas com o objetivo de lhes permitir desempenho livre. 1 População equivale à soma de brasileiros. A paritariedade da representação visa a manter o equilíbrio das unidades federadas por força da participação parificada de todos os Estados nas decisões nacionais. havendo renovação de quatro em quatro anos. (art. tomou-se como referência a população1. 14. 45. VI. Daí as garantias constitucionais de inviolabilidade no exercício do mandato e imunidade processual. Para candidatar-se é preciso: a) ser brasileiro nato ou naturalizado (art. II).com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Sessão Legislativa: reuniões semestrais do Congresso Nacional. podem caracterizar atitude delituosa. da CF. c) estar no exercício dos direitos políticos (art. 46. 14. c) estar no exercício dos direitos políticos (art.sessão extraordinária – são as que se realizam fora daquele período (em caso de estado de sítio. palavras e votos proferidos sem nenhuma relação com o desempenho do mandato representativo não são alcançados pela inviolabilidade. Opiniões. § 3º. alternadamente. A legislatura é de quatro anos. § 3º. VI. b) ser maior de 21 anos de idade (art. 14. como se verifica no art. Os dirigentes das mesas não podem candidatar-se ao mesmo cargo na mesa. 35 . As Mesas Diretoras e as Comissões Temos as seguintes Mesas dirigentes: a) da Câmara dos Deputados. § 3º. mas que assim não se configuram quando pronunciados por parlamentar. Nenhum Estado terá mais de setenta ou menos de oito deputados. que o substituirão segundo a ordem em que foram eleitos. porém. A inviolabilidade diz respeito à emissão de opiniões. § 1º. 14. a Mesa dirigente dos trabalhos é a do Senado. O mandato de senador é de oito anos. tal como prescreve o art. “a”). em eleição imediatamente subseqüente. Agindo na primeira qualidade não é coberto pela inviolabilidade. b) ser maior de 35 anos de idade (art. Podem candidatar-se a outro cargo. Quando a convocação baseia-se na urgência ou interesse público relevante. da CF). I). 14. § 3º. ditas por qualquer pessoa. Garantias dos parlamentares Garante-se a atividade do parlamentar para garantir a instituição. . Sempre.ResumosConcursos. .sessão ordinária – são aquelas ocorrentes nos períodos já mencionados (art. quando tal pronunciamento se der no exercício do mandato. § 3º. II). findo o prazo de mandato de dois anos. c) do Congresso Nacional. pode agir como cidadão comum ou como titular de mandato. São condições para a candidatura ao Senado: a) ter nacionalidade brasileira (art. palavras e votos. ela pode ser feita pelo Presidente da República ou pelos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas.www. Quer dizer: o parlamentar. 14. § 3º. estrangeiros e apátridas. Cada senador será eleito com dois suplentes. 57. Nas hipóteses “b”e “c”. § § 1º e 2º. 57). estado de defesa ou intervenção federal e para o compromisso e a posse do Presidente e Vice-Presidente da República – pode ser feita pelo Presidente do Senado Federal). § 4º). I). b) do Senado Federal. Para estabelecer o número de deputados a serem eleitos por Estado. que se verificam de 15 de fevereiro a 30 de junho e de 1º de agosto a 15 de dezembro. de molde a assegurar a independência do Poder que integram. por um e por dois terços (art. A inviolabilidade está ligada à idéia de exercício de mandato.

o parlamentar. Ao decidir. senão que interrupção de exercício. dispensa-se a licença aqui referida. nem processados criminalmente. PODER LEGISLATIVO: SUAS FUNÇÕES Funções típicas: produzir normas infraconstitucionais geradores de direitos e obrigações. os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos.www. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o licenciado não está no exercício do mandato e. sem reeleição. física ou jurídica. arrecade. O que demonstra que. orçamentária. não se encontrava no exercício do mandato. 56 teve o efeito de fixar que o afastamento temporário não importa a cessação do mandato. Significa que. findo o mandato. O preceito do art. É certo. mas simplesmente decide sobre a prisão e sobre a oportunidade do processo-crime. gerencie ou administre dinheiros. Julga quando decide a respeito dos crimes de responsabilidade do Presidente da República. ou não. Tem-se discutido se continua inviolável o parlamentar que se licencia para exercer cargo executivo (Secretário de Estado. sim. A Casa legislativa. ao tomar conhecimento do flagrante de crime inafiançável. Se continua. (art. A ele compete exercer a fiscalização contábil. 70). que não perdeu o mandato. inclusive os da administração indireta. enquanto afastado. É competência derivada da idéia segundo a qual os atos da administração devem ser acompanhados e fiscalizados pelo povo. É o que se extrai do parágrafo único do art.ResumosConcursos. o parlamentar sujeita-se ao processo criminal. Harmoniza-se com a prescrição da impossibilidade de exercício simultâneo de funções em Poderes diversos. Cuida-se da fiscalização financeira e orçamentária. Este. exercendo o mandato. que lhe permite indagar e questionar a respeito de todos os atos do Poder Executivo. Funções atípicas: administrar e julgar. “Não perderá o mandato. Parece-nos que o art. financeira. Nesse mister o Congresso Nacional é auxiliado pelo Tribunal de Contas da União. 53 determina que. Ministro de Estado). Outra competência fiscalizadora é a prevista no art. a partir da expedição do diploma até a inauguração da legislatura seguinte. 56 da CF responde a essa indagação ao prescrever que: não perderá o mandato o deputado ou senador investido no cargo de Ministro de Estado. Secretário de Estado. que “utilize. porém.”. de Território.” Significa: quando cessarem suas funções executivas. não procede a julgamento técnico-jurídico. 59 da CF) – à exceção das medidas provisórias e leis delegadas. 36 . pública ou privada. etc. 70 do Texto Constitucional. Também deverá prestar contas qualquer pessoa. do Distrito Federal. dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Procurador-Geral da República.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Para viabilizar essa inviolabilidade o § 1º do art. sem prévia licença da Casa a que pertencerem. legislar (art. a Câmara estará implicitamente definindo se aquele ato concreto foi praticado como extensão ou implicação do exercício da função parlamentar. 70. Governador de Território. Assim a do Executivo. bens e valores públicos. ampla e geral. pode voltar a exercê-lo. a do Legislativo e a do Judiciário.. ou não.. que o indeferimento do pedido de licença ou mesmo a ausência de deliberação sobre a matéria suspende a prescrição enquanto não deixar o mandato. coberto pela imunidade. O Legislativo administra quando dispõe sobre sua organização. produzidas pelo Presidente da República sem aprovação posterior do Legislativo. operacional e patrimonial do poder executivo. guarde. bem como dos Ministros de Estado nos crimes de responsabilidade conexos com aqueles praticados pelo Chefe do Executivo. por isso. Esclareça-se que todas as unidades administrativas estão sujeitas a esse controle. A função fiscalizadora Duas competências fiscalizadoras são atribuídas ao Legislativo: uma. polícia e provimento de cargos de seus serviços. salvo em flagrante de crime inafiançável.

61 da CF. pode incidir sobre o direito individual. é remetido ao plenário para final discussão e votação. Senado Federal e Tribunais sobre a criação e extinção de cargos e fixação de vencimentos. que prevê a iniciativa geral. gerando direitos e deveres em nível imediatamente infraconstitucional.)”. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União (. Comissão da Câmara dos Deputados. em plenário.É órgão do Legislativo e desempenha funções administrativas de controle como instrumento auxiliar daquele Poder. à Câmara dos Deputados. pois. Deputado. as que concretizam em si mesmas o objetivo do legislador. foi. a qual exige. As comissões permanentes examinarão a constitucionalidade (aspecto formal) e o conteúdo (aspecto material).www. Já as leis de efeitos concretos são. Comissão do Congresso Nacional. na qualidade de órgão auxiliar. 58) como. Ver arts. se qualificam como atos administrativos. para exaurir-se.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Os Tribunais de Contas O controle de contas do Executivo por órgão distinto dele é da tradição do nosso direito constitucional. Esta se opera tanto nas comissões permanentes (a previsão das comissões encontrase no art. Senador. o Supremo Tribunal Federal. A Constituição de 1988 dispõe: Art. passa-se à sua discussão. É órgão auxiliar do Congresso Nacional e pratica somente atos de natureza administrativa. como o nome indica. posteriormente. em fase subseqüente à promulgação. b) Discussão: apresentado o projeto à Casa legislativa competente. de tal forma que. Tribunal de Contas: . 37 . publicada a lei. consubstanciando num só corpo e num só momento a norma e a sua execução. será apresentado à Câmara dos Deputados. É o disposto no art. “b”). As leis de efeitos concretos. se oferecido por Senador. desde o nascimento do Estado brasileiro. exercido pelo Poder Legislativo. II. Resulta do exposto que o Tribunal de Contas é parte componente do Poder Legislativo. Lei auto-executável é a que atinge o resultado desejado pelo legislador mediante dois procedimentos que se sucedem no tempo – a promulgação e o ato de execução. Ao lado desta.. “O controle externo. mediante ação fiscalizadora. realizando o efeito previsto e desejado pelo legislador. assim como se apresentado por Deputado. As outras leis estatuem um comando impessoal e abstrato. que se consumam no ato instantâneo da promulgação. a regulamentação e o ato de execução. 71. a cargo do Congresso Nacional. O controle de contas.ResumosConcursos. Comissão do Senado Federal. (art. 70 a 75. e os atos que pratica são de natureza administrativa. Se o projeto é de iniciativa do Presidente da República e dos Tribunais Federais. O PROCESSO DE CRIAÇÃO DA LEI Conceito de lei Lei é ato normativo produzido pelo Poder Legislativo segundo forma prescrita na Constituição. os Tribunais Superiores (quando tratar-se de normas atinentes ao Judiciário) e o Procurador-Geral da República (quando tratar-se de normas referentes ao Ministério Público Federal). a discussão se inicia no Senado Federal. Discutido o projeto nas comissões. Podem iniciar esse processo: o Presidente da República. que só mediante o ato de execução. nada mais resta fazer-se para a sua efetiva aplicação.. ao passo que a lei de efeito concreto é o próprio ato administrativo revestido da roupagem formal da lei. distinguindo-se por isso da lei que não é auto-executável. uma e outra aperfeiçoadas no mesmo e único instante da promulgação. três etapas sucessivas – a promulgação. 96. FASES DO PROCESSO DE CRIAÇÃO DA LEI a) Iniciativa: é o ato que deflagra o processo de criação da lei. Também os cidadãos (iniciativa popular). verifica-se a iniciativa reservada.

§ 2º). A sanção pode ser expressa ou tácita. importa a inclusão do projeto na ordem do dia. Presentes os 51. Se é de 27 membros. retorna ele à Câmara dos Deputados para sua apreciação no prazo de 10 dias. há quorum. aprovação por decurso de prazo. motivado. o Chefe do Executivo examina dois aspectos: constitucionalidade e interesse público. A sanção também pode ser total ou parcial conforme concorde. 64. Esta norma. Distrito Federal e Municípios não podem adotar o regime de aprovação de projetos por decurso de prazo.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Essa tramitação se opera tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. se por ambos os motivos. será arquivado (art. deverá devolvê-lo à Casa iniciadora para que aprecie a emenda. pois. § 1º. o Chefe do Executivo verifica se o projeto é consonante com a Constituição. sobrestando-se a deliberação dos demais assuntos até que se ultime a votação (art. sendo 45 em cada Câmara. Somados com os 90 dias.www. A votação. a forma e o mérito. em regime de urgência. (art. passa-se à votação. será enviado para sanção ou promulgação. a aprovação se verifica por maioria simples.Não serão aprovadas emendas aos projetos de lei. este. que aumentem as despesas previstas no projeto. com a totalidade do projeto. assim. É que o art. aprovar o projeto. examinará o mérito. até. ou não. Verifica. Tácita. É. concordando. da CF. incumbida de apreciar o projeto (chamada revisora do Texto Constitucional). mecanismo constitucional que acaba por obrigar as Casas legislativas a aprovarem projeto remetido com solicitação de urgência. a maioria absoluta é de 14 membros. permite a conclusão segundo a qual Estados. na significação constitucional. Se houver emenda ao projeto no Senado Federal. se não a vulnera. A matéria constante de projeto de lei arquivado ou não sancionado somente poderá constituir objeto de novo projeto na mesma sessão legislativa (refere-se à sessão anual) mediante proposta da maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A maioria simples equivale a 26 membros. como se vê. o veto há de ser. em certos casos. há de ser feita dentro do prazo fixado pelo Presidente da República. Por isso. quando silencia naquele prazo. Há. se referentes à inconstitucionalidade ou à falta de interesse público ou. Será expressa quando o Presidente manifestar-se. Se a segunda Câmara. Para tanto. delibera-se. mais um caso de iniciativa conferida à maioria absoluta das Casas do Congresso Nacional: só esta pode propor projeto de lei que abrigue matéria contida em anterior projeto rejeitado ou não sancionado. é discordar dos termos de um projeto de lei. I e II). d) Sanção ou veto: Sanção é a aquiescência do Presidente da República aos termos de um projeto de lei. O primeiro é prejudicial do segundo e. A inapreciação. 65 e parágrafo único). Só se instala a sessão deliberativa com a presença da maioria dos integrantes da Casa Legislativa. Concluindo pela conformidade. OBS: . Presente essa maioria. o primeiro número inteiro subseqüente ao número obtido da divisão. Assinale-se que o prazo de 90 dias pode dilatar-se para 100 dias. sempre. a maioria absoluta é a de 51 membros. por caracterizar-se como “princípio” atinente ao processo legislativo. Não há. por isso. É o que se extrai da leitura do art. Trata-se da maioria simples. ou seja. § 1º. no prazo de 15 dias. 38 . a fim de que se conheçam as razões que conduziram à discordância. autoriza o Presidente da República a remeter projetos de lei solicitando sua apreciação em prazo de 90 dias. isto sim.ResumosConcursos. b) com fixação de prazo. Aprova-se mediante voto favorável da maioria dos presentes à sessão. Temos. Antes de entrar no mérito. nesse prazo. o interesse público. 63. Tratando-se de lei ordinária. que os projetos de lei podem tramitar: a) sem fixação de prazo. Alerta-se para as hipóteses dos colegiados de números ímpares. 64. constitui preliminar de conhecimento do projeto. Exemplificadamente. c) Votação: discutido o projeto. fazem 100. sendo 100 os integrantes da Casa Legislativa. Esta é a maioria absoluta. Vetar. se o rejeitar. 66. se o emendar.

incisos ou alíneas suprimidos pelo Congresso Nacional. Busca. Nos locais onde não haja jornal oficial. Por tudo isto. no caso de sanção tácita. isto é. por parte de terceiros. o Chefe do Executivo era obrigado. no caso da lei orçamentária. derivada dos representantes do povo – que têm assento na Câmara dos Deputados – e dos Estados – que têm assento no Senado Federal. 59 da CF Emendas à Constituição 39 . muitas vezes. e) Promulgação: Promulgar é atestar que a ordem jurídica foi inovada. depois dessa providência. isto é. Mas. se o Presidente não promulgar a lei dentro de 48 horas. por exemplo). no sistema vigente. na hipótese de rejeição de veto e. marcar o momento em que o cumprimento da lei passa a ser exigido (mesmo quando a lei indique o início de sua vigência). fá-lo-á o Vice-Presidente do Senado Federal. É que o texto levado a conhecimento público retrata a decretação. far-se-á nova publicação do texto integral. 66. que os membros do Legislativo faziam aderir aos projetos de lei de interesse do Executivo. § 2º. A promulgação é o ato pelo qual o Executivo autentica a lei. atesta a sua existência. por meio de emendas.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro O mesmo juízo deverá ser feito para sancionar o projeto. também. Qual é. o momento principal da elaboração legislativa ocorre nas Casas do Congresso Nacional. O objetivo é suprir e não impedir a manifestação do Chefe do Executivo. Assim. os atos do Poder Público. Se o texto da lei for parcialmente publicado.ResumosConcursos. Não pode impressionar o argumento da iniciativa: o Presidente pode. o veto que adicione algo ao projeto de lei ou restabeleça artigos. o que Presidente da República recebe para sancionar ou vetar é um projeto de lei que ganhou forma no Poder competente: o Legislativo. considera-se publicado o ato governamental pelos meios em que rotineiramente se os veiculam no local (afixação de texto no quadro próprio da Câmara Municipal ou da Prefeitura. Visa a impedir que se alegue ignorância da lei. Respondemos afirmativamente. a sanção e a promulgação anteriormente feitas. indubitavelmente. o Presidente da República é quem promulga a lei. passadas as 48 horas. se este não promulgá-la no mesmo prazo. oficialmente. para aquiescer aos termos do projeto. com freqüência.www. o Presidente da República poderia promulgar o projeto de lei. também. mas autorizar outras autoridades a atestarem a existência da lei na omissão do Presidente. ordenando-lhe a aplicação e conseqüente cumprimento. Mas o que foi publicado parcialmente gera direitos e deveres ? A resposta é afirmativa. é impossível o veto aditivo ou restabelecedor. O que se poderia perguntar é se. Entretanto. A Constituição de 1988 dele cuida no art. Em regra. Há de ser publicada em órgão oficial. Acrescente-se – para reforçar – a idéia segundo a qual a manifestação constitucionalmente mais expressiva na formação da lei é a “vontade geral”. Subsistente apenas o veto total. mas quem dá corpo ao projeto é o Legislativo. ou seja. f) Publicação: a publicação visa a dar conhecimento a todos de que a ordem jurídica recebeu normação nova. O Presidente da República participa do projeto legislativo numa medida salutar e enriquecedora do princípio da independência e harmonia dos Poderes. a sancionar o projeto de lei com emendas indesejáveis. como visto. 66 não é transferir a competência. parágrafos. a competência passa ao Presidente do Senado Federal e. Naquele que veicula. O veto parcial surgiu para impedir o que a doutrina chama de riders. AS ESPÉCIES NORMATIVAS – art. centros auscultadores da opinião pública e filtros da fermentação social. de “caudas legais”. Ocorria. iniciar o procedimento de elaboração da lei. o seu alcance ? O Chefe do Executivo federal pode vetar palavras ? Há presentemente a impossibilidade do veto de palavras. pois o objetivo da prescrição do § 7º do art.

60. que exerce a representação popular e dos Estados.ResumosConcursos. ou em desobediência à forma determinada para sua produção. Há as vedações de natureza circunstancial e vedações de natureza material. Não se pode atribuir a qualquer espécie normativa o caráter de lei complementar. por sua vez. Convém notar que o texto constitucional abriga vedações explícitas e implícitas. Há de entender-se. Em outras palavras. os Deputados e Senadores. 60 encontramos a expressão: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado. a rigidez constitucional. Considera-se aprovada se obtiver. § 4º. Processo de criação da Emenda à Constituição Têm a iniciativa do projeto de emenda à Constituição: o Presidente da República (art. De outro lado. vulnerando princípios. I a III. Em outras palavras: o legislador reformador. um ato infraconstitucional: só ingressando no sistema normativo é que passa a ser preceito constitucional e. neste caso. o voto direto. Lei Complementar: Complementam a Constituição. Ex: A Lei Complementar 40 . São matérias intocáveis pelo legislador constituinte. em ambos. A emenda constitucional. 60. Lei Complementar e Lei Ordinária Não há hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária. e § § 2º e 3º. ocupa grau máximo. passa-se à promulgação. A decisão é. Evidentemente.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A emenda à Constituição é. ter assinatura de 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal (art. só pode ingressar no sistema se obedecer a processo determinado. § 2º). nessas matérias. 60. em dois turnos. no § 4º do art. Com efeito. do Congresso Nacional. submete-se àquilo que antes positivou o legislador constituinte ordinário. soberanamente. daí. no § 1º. Sobre a publicação o Texto Constitucional silencia. que tem assento no Congresso Nacional. 60. não se pode modificar a Constituição Federal. se uma emenda constitucional trouxer modificação. sim. 60. II). universal e periódico. A própria Constituição estabelece os casos em que deve haver a complementação. cada uma manifestando-se pela maioria relativa de seus membros (art. regulamentando assunto nela contido. na intervenção federal.www. 60. na reformulação da estrutura estatal. que essa competência é do Congresso Nacional. devendo a proposta. p. aquele que estabeleceu a Constituição. Se vier a introduzir-se. 3/5 dos votos dos membros de cada uma das Casas (art. secreto. A proposta de emenda é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional. a separação de Poderes e os direitos e garantias individuais”. As explícitas são aquelas já mencionadas. do sistema tributário. o qual vem arrolado no art. entretanto. III). aquele que criou o Estado. I) ou mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação. Na circunstância do estado de sítio ou na circunstância do estado de defesa ou. é passível de declaração de inconstitucionalidade. não se admite sua introdução na Constituição. As implícitas são as que dizem respeito à forma de criação de norma constitucional bem como as que impedem a pura e simples supressão dos dispositivos atinentes à intocabilidade dos temas já elencados (art. efetivada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.e. submete-se aos ditames constitucionais. Inexiste sanção no caso de Emendas Constitucionais. ainda. da mesma estatura daquelas normas anteriormente postas pelo constituinte.. O fundamento de validade destes tipos estão no próprio Texto Constitucional. Votado e aprovado o projeto. com o número de ordem seqüente a anteriores emendas. encontram-se as vedações circunstanciais. enquanto projeto. da CF).

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75/93 estabeleceu o ESTATUTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO, em obediência ao preceituado no art. 128, § 5º. Lei Ordinária: É o tipo mais freqüente e são assim denominadas para distinguirem-se das leis complementares ou delegadas. Na prática, recebem a denominação pura e simples de lei. As leis ordinárias são as leis reguladoras das relações comuns entre os homens, em sua vida cotidiana. São as leis que determinam o que é permitido e o que é proibido, em atenção às conjunturas de cada tempo, de cada lugar, de cada grupo social. Estas leis, sendo conjunturais, podem ser revogadas e substituídas por outras leis ordinárias, de acordo com as mutáveis exigências da vida. Diferença: as leis ordinárias distanciam-se das complementares no tocante ao quorum de sua aprovação. As leis complementares carecem da maioria absoluta dos votos dos membros das duas Casas do Congresso Nacional, enquanto as leis ordinárias, de acordo com o Texto Constitucional, estão sujeitas a aprovação por maioria simples, presente a maioria absoluta dos membros daquelas casas (art. 47 da CF). ver também arts. 61 a 69 da CF. Processo de criação da lei complementar e da lei ordinária Têm iniciativa dos projetos de lei complementar e de lei ordinária: o Deputado, o Senador, Comissão da Câmara dos Deputados, Comissão do Senado Federal, Comissão do Congresso Nacional, o Presidente da República, o Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores, o Procurador-Geral da República e os cidadãos (iniciativa popular) (art. 61). A discussão se opera na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (arts. 64 e 65). A votação, visando à aprovação, no caso da lei ordinária, se dá por maioria simples (art. 47); no caso de lei complementar, por maioria absoluta (art. 69). A sanção é da competência do Presidente da República (art. 66) tanto no caso da lei complementar como da lei ordinária. A promulgação cabe ao Presidente da República. Ressalva-se a hipótese em que haja veto com sua subseqüente rejeição. Nesse caso, se a lei não for promulgada dentro de 48 horas pelo Presidente da República, o Presidente do Senado a promulgará e, se este não o fizer no prazo de 48 horas (contadas a partir do escoamento do prazo de 48 horas conferido ao Presidente da República), a promulgação competirá ao Vice-Presidente do Senado (art. 66, § 7º). O mesmo procedimento será seguido no caso de sanção tácita, se, após 48 horas, o Presidente não promulgar a lei. A publicação, tanto da lei complementar quanto da lei ordinária, caberá a quem a tenha promulgado. Peculiaridades do processo de criação da lei ordinária São eles: a) leis de tramitação sem prazo; b) leis de tramitação com prazo, em regime de urgência. Quanto aos projetos de leis de tramitação sem prazo, o processo legislativo aplicável é aquele já escrito no tópico anterior. Quanto aos projetos de lei ordinária de tramitação com prazo a iniciativa é do Presidente da República, pois é este que pode enviar ao Congresso Nacional projetos de lei fixando prazo para sua apreciação: 45 dias pela Câmara dos Deputados mais 45 dias pelo Senado Federal. Estes os termos em que se processa a discussão, sendo certo que, se houver emendas no Senado, a sua apreciação se fará no prazo de 10 dias pela Câmara dos Deputados. Esse prazo de 10 dias significa que o prazo fixado em 90 dias pode dilatar-se a 100. Esses prazos, por sua vez, não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional. Significa que se interrompem para prosseguir a contagem após o recesso. Quando há fixação de prazo a votação há de ser feita naquele período. Caso contrário, o projeto será incluído na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais assuntos

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até que se ultime a votação. É fórmula coercitiva estabelecida para obrigar o Congresso a apreciar expressamente o projeto de lei. Leis delegadas Delegar atribuições, para o constituinte, significa retirar parcela de atribuições de um Poder para entregá-lo a outro Poder. Delegação de atribuição, segundo o Texto Constitucional, se verifica com o deslocamento de parcela de atribuição do Legislativo, por vontade deste, para outro Poder, o que se dá na delegação externa corporis. Na que autoriza o Presidente da República a editar lei. Delegação de atribuições é, efetivamente, a transferência de parte da atividade legislativa ao Presidente da República. A delegação ao Presidente da República se faz por meio de resolução do Congresso Nacional (art. 68, § 2º). Por outra parte, só é possível delegar ao Presidente da República se este solicitar. Em outras palavras: o Legislativo não pode obrigar o Presidente da República a legislar. Ainda são indelegáveis os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional (aqueles arrolados no art. 49); os de competência exclusiva da Câmara dos Deputados (arrolados no art. 51); os de competência exclusiva do Senado Federal (arrolados no art. 52) e as leis sobre organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a legislação sobre nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos, eleitoral e sobre planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamento. São indelegáveis, também, as matérias reservadas à lei complementar. Processo de criação da lei delegada Somente mediante a iniciativa solicitadora do Presidente da República é que se pode deflagrar o processo de criação da lei delegada mediante expedição de resolução autorizadora por parte do Congresso Nacional. Dependendo do estabelecido na resolução autorizadora, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício, haverá ou não apreciação do projeto pelo Congresso Nacional. Se a resolução não determinar essa apreciação, dispensa-se a sanção, passando-se à promulgação. Mesmo que a resolução determine a apreciação pelo Congresso Nacional, parece-nos dispensável a sanção, porque o conteúdo do projeto de lei delegada não se alterará, visto que se fará em votação única, vedada qualquer emenda (art. 68, § 3º). Não se veta, em conseqüência, projeto de lei delegada. É ilógico pensar-se que o Presidente vetaria aquilo que ele próprio elaborou. Medida Provisória Não é lei, porque não é ato nascido no Poder Legislativo, mas tem a força da lei, porque cria direitos e obrigações. É unipessoal. A medida provisória pouco difere do decreto-lei previsto na Constituição anterior. E com uma agravante: o decreto-lei somente poderia versar sobre matérias determinadas: segurança nacional, criação de cargos públicos, inclusive fixação de vencimentos, finanças públicas e normas tributárias. Para as medidas provisórias não há essa limitação. Podem versar, portanto, sobre todos os temas que possam ser objeto de lei, à exceção, naturalmente, das seguintes matérias: a) aquelas entregues à lei complementar; b) as que não podem ser objeto de delegação legislativa; c) a legislação em matéria penal; d) a legislação em matéria tributária. As medidas provisórias só podem ser editadas pelo Presidente da República. Não podem adotá-las os Estados e os Municípios. É que a medida provisória é exceção ao princípio segundo o qual legislar compete ao Poder Legislativo. Sendo exceção, a sua interpretação há de ser restritiva, nunca ampliativa.

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Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Questão interessante a ser enfrentada é a seguinte: o que ocorre com a lei anterior, que cuidava de matéria que venha a ser veiculada por medida provisória ? A edição da medida provisória paralisa temporariamente a eficácia da lei que versava a mesma matéria. Se a medida provisória for aprovada, se opera a revogação. Se, entretanto, a medida provisória for rejeitada, restaura-se a eficácia da norma anterior. Isto porque, com a rejeição, o Legislativo expediu ato volitivo consistente em repudiar o conteúdo daquela medida provisória, tornando subsistente anterior vontade manifestada de que resultou a lei antes editada. O processo de criação da medida provisória A medida provisória tem a particularidade de nascer como diploma normativo pela tão-só manifestação do Chefe do Executivo. A discussão é posterior. Já em vigor, produzindo efeitos, é submetida ao Congresso Nacional, que deverá apreciá-la para aprová-la ou rejeitá-la no prazo de 30 dias a contar de sua publicação. Se o Congresso Nacional estiver em recesso, deverá ser convocado extraordinariamente no prazo de cinco dias para o exame da medida provisória. A aprovação há de ser expressa, no prazo aludido. A aprovação converte medida provisória em lei. A não-apreciação importa rejeição. Rejeitada, o Congresso Nacional deve regulamentar as relações jurídicas que dela decorram. E o instrumento para essa regulamentação é a lei. Não há, pensamos, outra forma de corporificar a regulamentação. Não há sanção, visto que não há projeto. O diploma já nasce enformado. De igual maneira, não se cogita da promulgação. Cuida-se, apenas, de publicação, ato que, na verdade, dá nascimento à medida provisória, porque veicula a vontade do Presidente da República. E a conversão da medida em lei também dispensa a sanção. Decreto legislativo Essa espécie normativa tem como conteúdo, basicamente, as matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional (art. 49). A leitura do art. 49 evidencia que, por decreto legislativo, se referendam atos do Presidente da República, aprovam-se os que dependem de sua prévia autorização, que digam respeito aos seus itneresses, que apreciem contas do Presidente da República. O processo de criação do decreto legislativo Há hipóteses em que a deflagração do processo formativo depende do Presidente da República, em outras depende da iniciativa de membro ou comissão do Congresso Nacional. A discussão se passa no Congresso Nacional. A aprovação se dá por maioria simples (art. 47). Sendo de competência exclusiva do Congresso Nacional, não há sanção. A promulgação é feita pelo Presidente do Senado Federal, que o manda publicar. Resoluções Os atos normativos veiculados por resoluções são, em regra, definidos pelos regimentos das Casas Legislativas e pelo Regimento do Congresso Nacional. O constituinte não definiu quais os atos que serão veiculados por resoluções. Uma única menção: no caso da delegação ao Presidente da República para que elabore a lei. É o art. 68, § 2º, da CF: “A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.” Processo de criação das resoluções

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mas difere da lei por não importar modificação na ordem jurídica. Leis processuais. A obrigação.Chefe de Estado: o representa nas suas relações internacionais. elaborar atos com força de lei (medidas provisórias). A discussão das resoluções se dá no interior da Casa Legislativa que deve expedi-las. deriva. independem de regulamentação porque se destinam diretamente aos particulares e ao órgão judiciário que. o regulamento não altera. O Presidente da República poderia delegar a atribuição regulamentar ? Não as competências do art. portanto. ou não. interpretando-as. são chamados de execução. O art. O regulamento. pois o Chefe do Executivo é o comandante supremo de todos os agentes públicos. Os regulamentos expedidos por autorização do art. 84. Só serão regulamentáveis aquelas que hajam de ser executadas pelo Poder Executivo. demande-se atividade executiva. penais. É o regulamento também norma abstrata e geral. Tanto faz que a lei tenha determinado a regulamentação. ora do Congresso Nacional. veto e promulgação das leis. Todas as leis são regulamentáveis ? A resposta é negativa. quando se tratar de resolução do Congresso Nacional. para sua aplicação. IV. IV. como os de natureza eminentemente administrativa. Lei: o que fazer / Regulamento: como fazer.www. Por isso vincula toda a Administração. A lei depende da Constituição. por tratar-se de matéria privativa. é ato administrativo produzido pelo Chefe do Poder Executivo (tanto no plano federal. 84. irão aplicá-las. 84 da CF revela que o Presidente da República acumula as funções de: . Não há sanção. a figura do Parlamento. O regulamento depende da lei. sanção. Regulamento se prende ao texto legal e seu objetivo é facilitar o processo de execução da lei. como no estadual e municipal). O modo de cumprir a obrigação é que deriva do regulamento. 84. IV da CF.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A iniciativa cabe aos membros do Congresso Nacional. em razão do princípio hierárquico. Por meio desse instrumento é que o Chefe do Executivo exercita suas principais funções jurídicas. na forma estabelecida regimentalmente. O PODER EXECUTIVO Funções: administrar. . ora do Senado. para aprovação. manifestação favorável da maioria simples. civis. por sua vez. Verifica-se o deslocamento de uma parcela da atividade executiva para o Legislativo. participar do processo legislativo (pela iniciativa. Decreto e Regulamento ver art. bem como de deflagrador do processo de emenda à Constituição). Parlamentarismo: o Chefe de Estado é o Presidente ou Monarca e o Chefe de Governo é o Primeiro-Ministro. A lei inova a ordem jurídica infraconstitucional. da lei. As leis auto-executáveis inexigem regulamentação. Publica-a a Casa Legislativa de onde emanou. Parlamentarismo e Presidencialismo Presidencialismo: o Chefe de Estado e o Chefe de Governo é o Presidente. para o particular.Chefe de Governo: representa o Estado nos seus negócios internos. Importa que. nela encontra seu fundamento de validade. A promulgação é efetivada pela Mesa da Casa Legislativa que a expedir ou.ResumosConcursos. fortalecendo-se. nela encontra seu fundamento de validade. O veículo de manifestação do Presidente da República é o decreto. trabalhistas. tanto os de natureza política. São aqueles que se destinam a dar fiel cumprimento às leis. A votação levará em conta. 44 . assim. pela Mesa do Senado Federal.

5º. a eleição para os cargos de Presidente e Vice será feita 30 dias após a última vaga. escancara para o Executivo larga porta pela qual legisla inconstitucionalmente por via de regulamentos. dos Prefeitos ou de quem os haja sucedido ou substituído. que o Congresso Nacional pode “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. 12. Não deriva da vontade do Presidente da República. sustentando a conformidade do regulamento à lei. Registre-se. Compete-lhes: exercer a orientação. Eleição do Presidente e Vice-Presidente – A eleição é direta por sufrágio universal e secreto. V). O ato de sustação é de competência exclusiva do Congresso Nacional. O Presidente da República. expedir instruções para a execução das leis. finalmente. coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar atos e decretos assinados pelo Presidente. não o regulamento delegado. § 3º. O Presidente da República e os Ministros de Estado O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República auxiliado pelos Ministros de Estado. abrigado no conforto de dispositivos nulos. pode ser examinado pelo Judiciário. “a”).ResumosConcursos. eleito o candidato que obtiver maioria absoluta de votos. É permitida a reeleição do Presidente da República. sempre que por ele convocado para missões especiais.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A Constituição não acolhe os regulamentos delegados. 14. Se o maior dos litígios. serão nulos atos e decretos assinados 45 . Inadmite-se o regulamento delegado diante da vedação constitucional atinente à indelegabilidade de atribuições. Têm funções delimitadas pelo Texto Constitucional. Sua atribuição é constitucional. para que os eleitos completem os períodos de seus antecessores. 49. no caso de impedimento. XXXV). pela ordem: o Presidente da Câmara dos Deputados. A exceção ao princípio da indelegabilidade gera a lei delegada. que é derivado do confronto da lei com a Constituição. juntamente com o Vice. concorrendo apenas os dois candidatos mais votados na primeira. O Vice-Presidente auxilia o Presidente no desempenho de suas funções e ainda tem a missão de substituí-lo. é eleito para mandato de quatro anos (art.”(art. far-se-á nova eleição. I. Já. no caso de vaga. Em caso de impedimento de ambos ou de vacância dos respectivos cargos sucedem-nos. dos Governadores de Estado e do Distrito Federal.www. c/c art. dado que se fará eleição 90 dias depois de aberta a vaga de Vice-Presidente. apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério. será eleito o candidato que obtiver a maioria simples de votos. Também auxilia o Presidente da República o Vice-Presidente. 82). São normas com as mesmas características da lei (generalidade e abstração) editadas por força de autorização legal. o do Senado Federal e o do STF. agora. pelo Congresso Nacional. II e VI. Só podem candidatar-se os brasileiros natos maiores de 35 anos e no exercício dos direitos políticos (art. Nem poderia ser de outra forma. em atenção ao princípio da plenitude da jurisdição (art. e de sucedê-lo. Se o Executivo insurgir-se. 14. Por isso. não teria sentido dele subtrair a apreciação da legalidade de ato do Poder Executivo (o confronto do regulamento com a lei). Se na primeira votação nenhum candidato obtiver maioria absoluta. estabelece-se litígio que deve ser solucionado pelo Poder Judiciário. Mas essa delegação. Se a vacância verificar-se nos últimos dois anos de mandato presidencial. Exerce também o Vice-Presidente outras atribuições que lhe forem conferidas em lei complementar. decretos e regulamentos. por um único período subseqüente (art. Na hipótese de vacância a autoridade que estiver no exercício do cargo exercê-lo-á provisoriamente. § 5º). Os Ministros de Estado são auxiliares do Presidente da República. § 3º. Mas isto não significa que o Judiciário não possa examinar essa questão. I. e praticar os atos pertinentes às atribuições que lhes forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República.

então. Só poderão ser Ministros de Estado os brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos direitos políticos (art. pergunta-se: existindo regulamento daquela lei. seja regulamentada pelo Presidente da República. assim. que é gênero. Funcionário é espécie de servidor público. as quais se destinam a viabilizar a execução das leis. Algumas se destinam a promover a execução das leis. é desempenhada por servidores públicos. parágrafo único. mas ressalvamos que esta instrução limitar-se-á aos pontos deixados em claro pelo regulamento. As instruções são normas inferiores ao decreto e regulamento. Daí por que – mesmo na administração centralizada – desconcentra-se o poder decisório da administração. dado que são seus auxiliares. Nesta hipótese. Uns e outros têm como chefe supremo o Presidente da República. pode o Ministro expedir instrução para sua execução ? Respondemos afirmativamente. tendo. art. o Ministro expedirá instruções nos claros deixados pelo regulamento ou. sem quebra do vínculo hierárquico. Delegacias regionais se subordinam ao Ministro.. chefias de seção etc. IV. cujo conteúdo se refira à área de competência de um Ministério. 46 . Também lhes cabe expedir instruções para execução das leis. a instrução ministerial para execução das leis é permitida quando inexistir “instrução superior” (o regulamento).www. Se existir regulamento. divisões estão hierarquicamente ligadas às delegacias. Também não se pode deixar de levar em conta a idéia de subordinação dos Ministros ao Presidente da República. nem os regulamentares. Ao Conselho da República (ver sua composição no art. de que resultam a Administração centralizada e a descentralizada. 87. que lei.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro pelo Presidente da República. dos decretos e regulamentos atinentes à sua Pasta. Não expedem decretos. tal como se vê do art. 42) e os membros das Forças Armadas (capítulo II do Título V). II e XIII. do Distrito Federal e dos Territórios (seção III do capítulo VII do mesmo Título. assim como sobre “as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”. Quando a Administração descentraliza sua atividade criam-se pessoas (centros de imputação de direitos e deveres). são órgãos de consulta do Presidente da República o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. um único agente não consegue cumprir todos os misteres administrativos. Assemelham-se. âmbito de validade restrito ao Ministério. 84. Finalmente. Expedem instruções. 87 da CF). porém. 84. uma vez que fixa as normas básicas disciplinadoras dos direitos e deveres de todos os integrantes da administração direta ou indireta. segunda parte). 89 da CF) compete pronunciar-se sobre intervenção federal. A competência de cada Ministério. decretos e regulamentos. nesse caso. No desenvolvimento em forma de administração centralizada não se verifica surgimento de pessoas. na área de competência de um Ministro. por sua vez. que não tenham sido por ele referendados. Entretanto. estado de defesa e estado de sítio. para execução do próprio regulamento. diretorias. Nada impede. aos regulamentos. formando uma pirâmide em cujo ápice se encontra o Presidente da República. II) não pode ignorar a privatividade da competência conferida ao Presidente da República para expedir regulamentos para fiel execução das leis (art. Essa atividade pode ser desenvolvida pela via direta ou indireta. e. Os funcionários públicos e as Forças Armadas O Chefe do Executivo desenvolve suas atividades auxiliado pelos Ministros de Estado. A seção II do capítulo VII do Título III da CF traz a denominação “Dos Servidores Públicos”. A autorização para o Ministro expedir instruções para execução das leis (art. Ao lado dos servidores públicos estão os militares dos Estados.ResumosConcursos. porém. Assim.

O parágrafo único do art. uma vez que aquele elenco é exemplificativo. poderá elencar outros além dos arrolados nos itens I a VII do referido artigo ? A resposta é afirmativa. a duplicidade de opiniões pode melhor auxiliar o Presidente a formar sua convicção em questões relevantíssimas. ainda. Quais as pessoas passíveis de responsabilização política ? São: a) o Presidente da República e o Vice-Presidente da República. e desde que defina. Se declarada procedente. dado que a tramitação inaugural da responsabilização política já se encontra no Texto Constitucional. tem. 85 da Constituição Federal. além de opinar sobre a decretação do estado de defesa. Na esfera estadual. – ver arts. nos crimes conexos com aqueles praticados pelo Presidente da República. 47 . dois eleitos pelo Senado e dois eleitos pela Câmara dos Deputados (art. titular do pessoal civil e militar. a possibilidade de praticar esse atentado. exemplifica com as seguintes hipóteses: I – a existência da União. I e seu parágrafo único. manifestarse. 91 da CF) compete. b) os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha. as atribuições desses Conselhos se superpõem em alguns temas. seis cidadãos brasileiros natos.ResumosConcursos. E praticáveis por pessoas investidas em certas funções. Precisamente nos seus arts. O processo de responsabilidade se inicia na Câmara dos Deputados para declarar a procedência ou improcedência da acusação. Aparentemente. etc. Crimes de Responsabilidade A Constituição alude a crimes de responsabilidade e a crimes comuns. serão aquelas fixadoras do procedimento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. 86 e § § 1º e 2º e 52. do Ministério Público e dos Poderes constitucionais dos Estados. Ao Conselho de Defesa Nacional (ver composição no art. IV – a segurança interna do País. Quanto às normas de processo e julgamento a serem prescritas por essa lei. como crimes. São de responsabilidade aqueles capitulados no art. Tratemos da responsabilidade do Presidente da República. far-se-á o julgamento pelo Senado Federal.www. 89. como se viu. Essa enumeração é exemplificativa. IV. que estabelecerá as normas de processo e julgamento. do Exército e da Aeronáutica. individuais e sociais. definindo os crimes. a Constituição local disciplina os crimes de responsabilidade. atos que atentem contra a Constituição Federal. V – a probidade na administração. I da CF. a respeito de assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado Democrático. As pessoas comuns não têm condições de atentar contra a existência da União. em seguida. do Poder Judiciário e dos Poderes constitucionais dos Estados. pois o Presidente poderá ser responsabilizado por todos os atos atentatórios à Constituição Federal. 85 estabelece que esses crimes serão definidos em lei especial. A Constituição define como tais os atos do Presidente que atentarem contra a Constituição Federal e. II – o livre exercício do Poder Legislativo. questões importantíssimas – é a participação dos líderes da maioria e da minoria (oposição) da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e. V e VII. VI – a lei orçamentária. III – o exercício dos direitos políticos. do Poder Judiciário. Que são ? Comuns são os crimes definidos na lei penal e cometíveis por qualquer pessoa. sob consulta presidencial. Pergunta-se: essa lei. Mas o Presidente da República. 52 e 85. c) os Ministros do Supremo Tribunal Federal. o livre exercício do Poder Legislativo. do estado de sítio e da intervenção federal. potencialmente. e VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais. De toda forma. sendo dois nomeados pelo Presidente da República. da CF).com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A novidade (democrática) desse Conselho – que examina. o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União.

É juízo de conveniência e oportunidade.www. mas de qualquer função pública. Foi para permitir esse juízo de valor que o constituinte conferiu essa missão à Câmara dos Deputados (que autoriza o processo) e ao Senado Federal. Assim. do brasileiro que tem o direito de participar dos negócios políticos. devendo ser arquivado ? O art. afastando. Não é julgamento. Pode ocorrer que o Senado Federal considere mais conveniente a manutenção do Presidente no seu cargo. porque responsabilizado. A renúncia. O objetivo foi o de impedir o prosseguimento no exercício das funções (perda do cargo) e o impedimento do exercício – já agora não das funções daquele cargo de que foi afastado. diante da circunstância. ao lado da perda do cargo. 48 . A inabilitação para o exercício de função pública não decorre de perda do cargo. Para autorizar. de o Presidente achar-se em final de mandato. o Senado haja de. para o exercício de função pública. que será remetido ao Senado Federal. Este se faz no Senado Federal. instruindo o processo. tornaria inócuo o dispositivo constitucional se fosse obstáculo ao prosseguimento da ação. participando dos negócios públicos dos quais o processo de responsabilização visava a afastá-lo. Decorre da própria responsabilização. parágrafo único. o processo de responsabilização deve prosseguir para condenar ou absolver. aqueles que a Constituição define como brasileiros (art. e só então poder a ela retornar.). por um prazo determinado. a deflagração de um conflito civil. em razão da instrução probatória. Para impedir desentendimentos internos. Não é pena acessória. pois o Presidente reassumirá suas funções se o Senado deixar de condená-lo. 52. próximo do final de seu mandato. Se o Presidente da República renunciar ao seu cargo quando estiver em curso processo de responsabilização política. É. tipificada a hipótese de responsabilização. Para evitar. por oito anos. Essa autorização significa a existência de fortes indícios da prática do delito gerador da acusação.ResumosConcursos. Renunciaria e. E devem estar no gozo dos seus direitos políticos. durante oito anos. Assim. Tanto que esta. ou não. o Presidente não só perde o cargo como deve afastar-se da vida pública. necessariamente. Somente a idéia de apuração pormenorizada dos fatos levaria o constituinte a determinar impedimento do Presidente.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Fala-se em acusação. etc. o Senado. Neste tema. Qualquer parlamentar poderá dar início ao processo de responsabilização. por exemplo. A acusação da prática do crime de reponsabilidade diz respeito às prerrogativas da cidadania. quando já iniciado o processo de responsabilização política. A Câmara dos Deputados haverá de autorizar a instauração do processo pela maioria qualificada de 2/3 de seus membros. em que há de assegurar-se ampla defesa. para impedir agitação interna. O processo já virá instruído da Câmara dos Deputados. pena principal. e b) inabilitação. Quem pode acusar o Presidente da República pela prática de crime de responsabilidade ? Todo cidadão no gozo de seus direitos políticos é parte legítima para oferecer a acusação à Câmara dos Deputados. poderia voltar a exercer função pública (Ministro de Estado. impor penas. verifica-se a imediata suspensão do Presidente do exercício de suas funções. havendo renúnica. É impedimento temporário. deverá ele prosseguir ou perde o seu objeto. apura os fatos que levam à autorização. a Câmara dos Deputados processará a acusação. que aplica a norma ao caso concreto. Somente os cidadãos. Secretário de Estado. Não ao Judiciário. pode entender que nào deva responsabilizá-lo. para “corrigir-se”. Este julgará. Instaurado o processo pelo Senado Federal. como à primeira leitura pode parecer. isto é. Essa a conseqüência para quem descumpriu deveres constitucionalmente fixados. por exemplo. meses depois. Basta supor a hipótese de um Chefe de Executivo que. 12). convém anotar que o julgamento do Senado Federal é de natureza política. Só quem deles goza pode exercê-los. segundo a tipificação legal. pressentisse a inevitabilidade da condenação. fixa duas penas: a) perda do cargo. sua participação da vida pública pelo prazo de oito anos. Não nos parece que.

Mas. portanto. a conseqüência inafastável é a perda do cargo. Em ambas as hipóteses. também. para o exercício de função pública. depois que a Câmara dos Deputados declarar procedente a acusação (art. Se houve o impedimento temporário. Suponhase uma contravenção (excesso de velocidade). Esta pena apenas se aplica no caso de crime de responsabilidade. anote-se que nos crimes comuns o Presidente da República é julgado pelo Supremo Tribunal Federal. 5º. mais tarde. De tudo fica claro que o Presidente perderá o cargo tanto em razão da prática de crime de responsabilidade como de crime comum. por sua vez. fique suspenso de suas funções. também podem levar à perda do cargo.www. crime comum. Há crimes de responsabilidade que caracterizam. julgar o delito. O Judiciário não examinará o mérito. a critério da Câmara dos Deputados autorizar o desencadeamento de procedimento que leve à vacância do cargo de Presidente da República. a Câmara deve autorizar o processo. a Câmara dos Deputados conclua que a infração não é tão grave ao ponto de ensejar o afastamento do Presidente da República. Tanto numa como noutra espécie de crime. 52. Esse juízo é feito. É função típica. abrindo espaço para o Senado Federal ou o Supremo Tribunal Federal. pelo órgão político. 86. prevalecente. para o País. o Presidente ficará suspenso de suas funções (art. é a inabilitação. 52. Crimes comuns. É para que esta emita juízo político. verificar-se-á mais tarde o impedimento definitivo. Por ato jurisdicional entende-se aquele capaz de produzir a coisa julgada (art. que se reporta aos itens I e II do mesmo dispositivo. parágrafo único. dispondo sobre a perda do cargo e a inabilitação para o exercício da função pública. A Constituição não distingue. Entretanto. a elas retorne. por sua vez. A sua apreciação levará em conta esses fatores e é muito provável que. É certo que há crimes comuns cuja gravidade não deveria ensejar a perda do cargo. por força da autorização e. 85. verifique a conveniência ou incoveniência. Daí por que o art. E aqui é que mais se explica a razão pela qual o constituinte determinou essa apreciação preliminar. Finalmente.ResumosConcursos. legislativa e jurisdicional. para tanto. examinará a forma procedimental. no caso de perda do cargo por crime comum. Fica.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A decisão condenatória tem a força própria da coisa julgada ? É irrevisável pelo Judiciário ? Responde-se da seguinte forma: o Judiciário não pode reexaminar o mérito da questão que levou o Senado a responsabilizar o Presidente. nada impede que o Presidente da República sirva-se de mandado de segurança contra a Mesa da Câmara e do Senado Federal. 86). Não tem sentido que o Presidente da República. impõe-se a manifestação da Câmara dos Deputados. do Poder Judiciário exercer a jurisdição. como deflui do art. para demonstrar – se for o caso – que houve irregularidade procedimental. no exemplo dantes formulado. quando o Supremo Tribunal Federal condená-lo. Se o Presidente vier a ser condenado por esse fato. em descumprimento ao Texto Constitucional e à lei especial referida no parágrafo único do art. conforme o caso. por oito anos. O que não há. parágrafo único. PODER JUDICIÁRIO Funções: a jurisdição O Judiciário pratica atos de natureza administrativa. § 1º). prescreve que a aplicação dessas penas se verifica “sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”. oportunidade ou inoportunidade. de se autorizar o julgamento e eventual condenação. única e exclusivamente. XXXVI). cuja declaração autoriza o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. consiste no poder de 49 . nos crimes comuns. Esta. autorizado e instaurado o processo (e no crime comum se verifica essa pronúncia).

Haverá de servir-se do Judiciário para atingir esse objetivo. II. 2. 4. 2. 111 a 117 da CF) 1. Exceção a essa capacidade de “dizer o direito” é a prevista para os crimes de responsabilidade (CF. 106. 3. c) Justiça do Trabalho (examinar arts. XXXV. art. A definitividade é traço marcante da jurisdição. 3. 52. deduzida processualmente em caráter definitivo e com a força institucional do Estado. da CF. 3. Superior Tribunal Militar. vendo improvido o seu requerimento. A Justiça estadual. 107 e 108 da CF). por sua vez. 109 e 110 da CF). a não fazer. Tribunal Militar (instituído por lei). Tribunais Regionais Eleitorais. 122 a 124 da CF) 1. Juízes do Trabalho. 2. Tribunal Superior do Trabalho. 118 a 121 da CF) 1. não fica a Administração autorizada a sacar do patrimônio do particular tantos bens quantos bastem para a cobertura de seu crédito. Tribunal Superior Eleitoral. Juízes eleitoriais. se o contribuinte deixou de pagar o tributo e peticionou à Administração. Só ao Judiciário se confere tal competência de compelir o particular a fazer. I e II). Deriva do preceito insculpido no art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro dizer o direito (juris dicere) aplicável a uma controvérsia. Assim. A força das instituições do Estado é colocada a seu serviço para o cumprimento de suas decisões. JUSTIÇA FEDERAL ESPECIALIZADA a) Justiça Militar (examinar arts. sem sucesso. Tribunais Regionais do Trabalho. Estrutura JUSTIÇA FEDERAL COMUM a) Justiça federal de primeiro grau de jurisdição (examinar competências e composições nos arts. a entregar ou a não entregar. também se biparte em comum e especial: JUSTIÇA ESTADUAL (examinar art.ResumosConcursos. Juntas Eleitorais. Juízes militares (instituídos por lei). 5º. b) Justiça Eleitoral (examinar arts. 125 da CF) 50 . segundo o qual “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.www. 125 da CF) a) Justiça estadual comum (art. Em síntese: a força das instituições estatais é colocada à disposição do Judiciário para fazer valer as suas decisões. b) Tribunais Regionais Federais – segundo grau de jurisdição (examinar composição e competências nos arts. a pagar. A definitividade das suas decisões e a possibilidade de utilizar toda a força institucional do Estado tipificam o exercício da função primordial do Poder Judiciário: a jurisdição.

Para tanto. quanto às jurisdicionais. 93. 96. 92). Ainda assim. em caráter definitivo e com a força institucional do Estado (art. significa: aplicar a lei a casos concretos. Administrar. Tribunal de Justiça ou Tribunal de Justiça Militar. por sua vez.099. b) conceder licença e férias a seus membros e aos juízes que lhes forem imediatamente vinculados (art.Justiça Militar estadual (art. Exercer a jurisdição. Escolha dos dirigentes dos Tribunais Importa saber o que se entende por administração e por jurisdição. que atribui ao órgão especial competência para o exercício.www. provendo-lhes os cargos (art. I). de atribuições administrativas e jurisdicionais do Tribunal Pleno. “d”). . a determinação feita à União. está usada no sentido de “função jurisdicional”.9. Por isso. b) Justiça estadual especializada . Identifiquemos. c) propor a criação de novas Varas judiciárias (art. Territórios e Estados para criarem Juizados Especiais com a função de conciliar. I. Destas funções. A eleição dos dirigentes do Tribunal não é matéria de natureza administrativa. poderá exercitá-las todas. “b” e “c”). Por isso. Distrito Federal. Diz respeito ao arcabouço constitucional de um Poder. não são exercitáveis. E. seu substrato é diverso: é função governativa. 96. b) declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. XI. julgar e promover a execução nas causas cíveis “de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo”. II). Este nos Estados em que o efetivo da Polícia Militar seja superior a vinte mil integrantes. 2. “f”). I). Uma e outra (a eleição de dirigentes e a formulação de normas regimentais) não são alcançadas pelo disposto no art. (art. decisões definitivas que serão cumpridas coercitivamente. 2. Juízos de primeiro grau de jurisdição. na medida em que tais dirigentes comandam um dos segmentos do Poder público. São jurisdicionais: a) dirimir litígios. 125. assim. 96. produzindo. da constituição e do funcionamento desses “Juizados Especiais” foi dada pela Lei 9. de 26. nesse artigo. I. inclusive juizados especiais (art. nem jurisdicional. Como é legislativa a prática da elaboração do regimento interno. I. A definição dessas causas. 98. A estrutura mesma do Poder Judiciário estadual.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro 1. e justiça de paz (art. todas as atividades administrativas. as jurisdicionais. 98. 98. fica a serviço do Judiciário toda a força das instituições estatais. Tribunal de Justiça ou de Alçada (tribunais de segundo grau de jurisdição). o “órgão especial” pode exercer aquelas administrativas.ResumosConcursos. tão-só.São órgãos do Judiciário também o Superior Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. no caso. § 3º.95. na Constituição e no que interessa aos Tribunais de Justiça. 51 . além da regração sobre o pessoal administrativo. na administração se inclui. Registre-se. significa fazer atuar o aparelho burocrático que permite o desempenho de outra função: a jurisdicional. São administrativas: a) organizar suas secretarias e serviços auxiliares. da CF) – 1. pelo órgão especial. quais são as funções administrativas e. como inovação do Texto Constitucional de 1988. Conselho de Justiça. pois a expressão “Poder Judiciário”. a aplicação de penas disciplinares a magistrados e a remoção destes. visando a dirimir litígios. em seguida.

exercer a função de guardião da Constituição. Integram o Supremo Tribunal Federal onze Ministros. I. 102. Juízes Federais Funcionam como juízo de primeira instância da Justiça Federal Comum. depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal. A Constituição alude “a notável saber jurídico”. É dotado de competências privativas. 7 juízes. III. Superior Tribunal de Justiça Em relação à anterior Constituição. Antecede a nomeação a aprovação. na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de 65 anos. de notável saber jurídico e reputação ilibada. Garantias da Magistratura 52 . na medida em que está ligada à idéia de representação. 33 Ministros. assim também o crime político. exceto as de falência. maiores de 35 anos e com menos de 65. Compete-lhe. algumas retiradas do STF e outras do extinto Tribunal Federal de Recursos. Tribunais Regionais Federais Funcionam como instância recursal às decisões proferidas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição. processar e julgar as causas e questões arroladas no art. 102. em recurso extraordinário – tal como prescrito no art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A atividade consistente na escolha do dirigente do Tribunal não é administrativa. A recursal em caráter ordinário e extraordinário.www. rés. é política. Só pode notabilizar-se na área jurídica aquele que nela desempenhar atividade durante certo período. pelo Senado Federal. assistentes ou oponentes. tendo jurisdição em todo território nacional. Compõe-se de.ResumosConcursos. nem jurisdicional. no mínimo. sim. “a” a “q”. Ademais. do nome indicado pelo Presidente da República. 105 da CF.Haverá de ser bacharel em Direito ? Indubitavelmente. se denegatória a decisão. recrutados. foi extinguido o Tribunal Federal de Recursos e criado o Superior Tribunal de Justiça e os Tribunais Regionais Federais. nomeados pelo Presidente da República. em audiência pública. Cabe-lhe finalmente. o presidente “preside” o Tribunal. no mínimo. Em recurso ordinário compete-lhe julgar o habeas corpus. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de. O STJ tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo Território Nacional. além das demais matérias enunciadas no art. o mandado de segurança. entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras. “a” a “c” –. as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores. enumeradas de forma exaustiva no art. Daí por que da eleição para os órgãos diretivos dos Tribunais todos os julgadores devem participar. quando possível. Têm por competência o processo e o julgamento das causas em que a União. O Supremo Tribunal Federal tem competência originária e recursal. Sua função é a de velar pela Constituição. originariamente. e não apenas o órgão especial. 109 da CF. São nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros natos. Supremo Tribunal Federal O Supremo Tribunal Federal é órgão de cúpula do Poder Judiciário. de notável saber jurídico e reputação ilibada. dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos de idade.

essencial à função jurisdicional do Estado. (art. o que não o libera da sujeição aos impostos gerais.garantia de permanência no cargo. O Ministério Público garante os direitos do trabalhador.. após dois anos de exercício do cargo. Não se imagine.ResumosConcursos. FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA Ministério Público Trata-se de uma instituição que atua junto ao Poder Judiciário. onde representa e defende os interesses do Estado e da sociedade. (ii) – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição. ainda que suas decisões venham contrariar interesses dos outros Poderes de Estado. a Constituição estabelece certas garantias à Magistratura. nos habeas corpus – onde se discute o cerceamento da liberdade de locomoção – e nas ações populares – utilizadas pelos particulares contra o mau uso do dinheiro público. contudo. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. promovendo as medidas necessárias a sua garantia. que a pessoa apontada como autor de um crime é inocente. e ao patrimônio histórico e cultural – recebem sempre o parecer do Ministério Público. o Ministério Público não o abandona à sua própria sorte. (iv) – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e 53 . Sua atuação verifica-se não só na área criminal. na forma da lei. inclusive o de renda e extraordinário. o juiz só a perderá por sentença judicial transitada em julgado. para promover a execução das leis e velar pelo seu exato cumprimento. editando constituir-se ele em “instituição permanente. para a proteção do patrimônio público e social. já que todo crime é um atentado contra um dos valores fundamentais protegidos pela Lei. É o agente ativo da Justiça. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. A Constituição Federal de 1988 deu ao Ministério Público plena autonomia em relação aos demais Poderes do Estado. Tem ele o dever de fiscalizar as condições do ambiente carcerário e o exato cumprimento da pena imposta. Na área extrapenal. Portanto. São elas: a) Vitaliciedade: . no exercício de um mister que mais destaca sua característica de promotor dos interesses globais da sociedade. a ação penal pública. separação e desfazimento através do divórcio.garante ao juiz a permanência em seu cargo. que o Promotor de Justiça é obrigado a acusar mesmo contra o seu convencimento. Defende ainda a exata aplicação da Lei em todos os processos referentes ao casamento – sobre o qual se assenta a nossa organização social – desde a sua realização até os casos de nulidade.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Objetivando impedir ingerência externa e assegurar o desempenho soberano da Justiça. b) Inamovibilidade: . (iii) – promover o inquérito civil e a ação civil pública. ao apurar os fatos. 127). anulabilidade. Condenado o réu. é para a defesa da própria sociedade que nos casos criminais o Promotor de Justiça tem a função de acusar todos os que praticam crimes. como na civil. E isto tanto num processo perante o Juiz de Direito como num julgamento perante o Tribunal do Júri. Adquirida a vitaliciedade. que vela pela estrita observância da Lei. é o Ministério Público quem defendo o crédito – instituição importantíssima no nosso sistema econômico-financeiro – nos processos de falência e concordata. Se ele entender. Foi reconhecendo essa vocação do Ministério Público para a defesa do interesse público que a nova Constituição estabeleceu como funções institucionais suas: (i) – promover. As matérias jurídicas relevantíssimas discutidas nos mandados de segurança – que cabe para a proteção de direito líquido e certo violado pelo Poder Público . contra os atos lesivos à moralidade administrativa. c) Irredutibilidade de Vencimentos: traço garantidor da independência do juiz na difícil missão de julgar.www. privativamente. ao meio ambiente. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. pode e deve pedir a sua absolvição. salvo por motivo de interesse público e através de decisão fundada no voto de 2/3 do tribunal a que estiver vinculado.

ESTRUTURA DOS ORÇAMENTOS PÚBLICOS Instrumentos normativos do sistema orçamentário: o sistema orçamentário encontra fundamento constitucional nos arts. eis que são carreiras distintas: o Ministério Público congregando os Promotores de Justiça. na forma da lei complementar respectiva. art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro dos Estados. caso não seja levado a um dos Tribunais. é preenchido por membros do Ministério Público e advogados. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação judicial e a consultoria Jurídica das respectivas unidades federadas. de Segunda e de Terceira Entrância Especial e Procurador de Justiça) e deverá se aposentar dentro dela. fiscalização das instituições financeiras. 129). O ingresso nas classes iniciais das carreiras da instituição de que trata este artigo far-se-á mediante concurso público de provas e títulos. 132). (v) – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas. garante a necessária coordenação entre a política fiscal e a política econômica. VII). operações de câmbio e compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União. mas elas são autônomas. Nem deve ser confundido com a Magistratura. cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas (art. (viii) – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial. Orçamento-programa: trata-se de planejamento estrutural. a lei do plano plurianual. Em todas as duas se ingressa mediante concurso público de títulos e provas. o primeiro desses dispositivos indica os instrumentos normativos do sistema: a lei complementar de caráter financeiro. cujo quinto dos cargos.ResumosConcursos. por dispositivo constitucional. aquela congregando os Juízes de Direito.www. (vii) – exercer o controle externo da atividade policial. Função do banco central: a competência da União para emitir moeda (21. requisitando informações e documentos para instruí-los. de notável saber jurídico e reputação ilibada (CF. DAS FINANÇAS PÚBLICAS E DO SISTEMA ORÇAMENTÁRIO Disciplina das instituições financeiras: o art. desde que compatíveis com sua finalidade. dívida pública externa e interna. Quem ingressa no Ministério Público percorrerá todos os degraus dessa carreira (Promotor de Justiça Substituto. A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União. 163 declara que a lei complementar disporá sobre: finanças públicas. O Ministério Público brasileiro não deve ser confundido com os modelos estrangeiros. será exercida exclusivamente pelo banco central (164). Promotor de Justiça de Primeira. art. emissão e resgate de títulos. organizados em carreira na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos (CF. (ix) – exercer outras funções que lhe forem conferidas. Advocacia Geral da União É a instituição que representa a União. judicial e extrajudicialmente. divulgados pela televisão e pelo cinema. de livre nomeação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de 35 anos. 131). nos casos previstos nesta Constituição. 54 . (vi) – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência. concessão de garantias da dívida pública. 165 a 169. a lei das diretrizes orçamentárias e a lei orçamentária. á a integração do orçamento público com o econômico.

A Constituição não contempla o princípio do equilíbrio orçamentário. A exigência de que o orçamento fosse uno. II. Não quer dizer que ele coincida com o ano civil. da anualidade. e é o adotado no Brasil desde a Constituição do Império. Formulação dos princípios orçamentários: foram elaborados pelas finanças clássicas. que implica. a formulação de objetivos e o estudo das alternativas da ação futura para alcançar os fins da atividade governamental. finalmente. na redução dessas alternativas de um número muito amplo a um pequeno e. que. mas a primeira é que se tinha (e se tem. 73 da Constituição de 1946 assentava-se em que todas as contas orçamentárias constassem de um só documento e de uma única caixa. tais como as que modificam ou ampliam. Consistia. e 166). Esse é o objetivo do princípio da exclusividade. que ele desapareceu.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS Conteúdo dos orçamentos: orçamento é o processo e o conjunto integrado de documentos pelos quais se elaboram. II. caso em que se tem superavit.www. § 4º da CF. Princípio do equilíbrio orçamentário: o desequilíbrio orçamentário verifica-se: (a) quando o montante da despesa autorizada for superior à receita estimada. portanto. por exemplo. como se vê do art. vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Está consagrado na Constituição vigente quando dá destaque e conteúdo específico à lei orçamentária anual (arts. Princípio da anualidade: O período anual tem sido preferido pela maioria das legislações estrangeiras. (b) quando a estimativa da receita supera a despesa autorizada. o Código Comercial e a legislação de pessoal. com estimativa de receita e fixação das despesas de cada exercício financeiro. um excedente de receita (superávit) ou um déficit. são os seguintes: princípio da exclusividade. Princípio da universalidade: O princípio da universalidade foi sempre considerado essencial a uma boa administração orçamentária. Princípio da programação: o orçamento moderno deve ter conteúdo e forma de programação. serviços e encargos governamentais. de acordo com a Lei 4. 48. No Brasil. em apresentar o orçamento de tal forma que fosse suficiente fazer duas somas para obterem-se o total das despesas e o total das receitas e uma subtração entre os dois totais para saber se o mesmo continha um equilíbrio. 165. ainda) como grave. aprovação e execução do orçamento. da unidade.ResumosConcursos. ver arts. Ambas as formas eram e ainda são condenadas. se executam e se avaliam os planos e programa de obras. como constava do art. se expressam. do equilíbrio orçamentário. que não pode significar impedimento de inclusão de conteúdo programático. orientar a elaboração. 165. II e IV.320/64. ano civil. o Código Civil. importa. se aprovam. atualmente. hoje. pois. Princípio da unidade: Este foi também um dos mais caros à concepção clássica do orçamento. em segundo lugar. I. Princípio da exclusividade: O princípio deve ser entendido hoje como meio de evitar que se incluam na lei orçamentária normas relativas a outros campos jurídicos. § 9º. cabe à lei complementar dispor sobre o exercício financeiro. na prossecução do curso da ação adotada através do programa de trabalho. destinados a reforçar a utilidade do orçamento como instrumento de controle parlamentar e democrático sobre a atividade financeira do Executivo e. da programação. da universalidade e da legalidade. pelo que até se pode dizer. de 55 . e 165. 48. e § 5º. A evolução das tarefas estatais tornou impossível cumprir esse princípio tal como era formulado. Ele se completa com a regra do orçamento bruto. em primeiro lugar. e certamente o mais violado. ocorrendo aí o déficit.

FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA Função da fiscalização: engloba os meios que se preordenam no sentido de impor à Administração o respeito à lei. estes são aqueles que integram a lei orçamentária anual. fundos . § 8º. o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos na Constituição. 165).Processo de formação das leis orçamentárias – será apreciada por uma Comissão mista permanente composta de Deputados e Senadores. terão que ser autorizadas prévia e especificadamente.www.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro acordo com a qual as parcelas da receita e das despesas devem figurar em bruto no orçamento. ao qual se adiciona o dever de boa administração. 57. As emendas aos projetos serão apreciadas na Comissão mista que sobre elas emitirá parecer. as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais (art. A Constituição dá a solução possível e plausível dentro da técnica do direito orçamentário: as despesas. Se as emendas se destinarem a modificar o projeto de lei de diretrizes orçamentárias. órgãos e entidades da administração direta e indireta sejam incluídas no orçamento anual geral. a saber: o orçamento fiscal. Constitui exigência constitucional expressa que leis de iniciativa do Presidente da República estabelecerão: o plano plurianual. . No art. admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa. 165. § 2º). ELABORAÇÃO DAS LEIS ORÇAMENTÁRIAS .ResumosConcursos. admite rejeição do projeto de lei orçamentária anual. ressalvado às emendas aos projetos de lei do orçamento anual e de diretrizes orçamentárias. 166.Rejeição do projeto de orçamento anual e suas conseqüências – a Constituição não admite a rejeição do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. que não podem efetivar-se senão devidamente autorizadas pelo Legislativo. § 5º).Leis orçamentárias (art. . o orçamento de investimento das empresas e o orçamento da seguridade social (art. (3) sejam relacionadas com a correção de erros ou omissões ou com os dispositivos do texto do mesmo projeto. sob pena de a sessão legislativa ser interrompida (art. No entanto. pois. Realiza-se. que não sejam de dotações para pessoal e seus encargos. caso a caso.Emendas ao projeto de lei do plano plurianual (art. A conseqüência mais séria da rejeição do projeto de lei orçamentária anual é que a Administração fica sem orçamento. e apreciadas no plenário das duas Casas do Congresso Nacional. 166). I) – não será admitido o aumento de despesa prevista nos projetos de iniciativa do Presidente. Princípio da legalidade: o princípio da legalidade em matéria orçamentária tem o mesmo fundamento do princípio da legalidade geral. 84 (XXIII) diz que COMPETE PRIVATIVAMENTE ao Presidente da República enviar ao Congresso Nacional o Plano Plurianual. sem qualquer dedução. tomar as providências necessárias à remessa do respectivo projeto (proposta) ao Congresso Nacional. 165) – são leis temporárias de INICIATIVA LEGISLATIVA VINCULADA. DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL.Propostas de emendas ao projeto de lei do orçamento anual – somente serão aprovadas caso: (1) sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. Não é possível elaborar orçamento para o mesmo exercício financeiro. 165 e 166). (2) indiquem os recursos necessários. . mediante leis de abertura de créditos especiais. que fica também sob a vigilância dos sistemas de controle. isto é. o princípio da universalidade na exigência de que todas as rendas e despesas dos Poderes. Os projetos de leis e as propostas de emendas serão votados pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional (art. serviço da dívida. . 56 . quando sua conduta contrasta com esse dever. pois não pode ser aprovado outro. transferências tributárias constitucionais para Estados. segundo art. só poderão ser aprovadas quando compatíveis com o plano plurianual. Distrito Federal e Municípios. cabendo ao Presidente da República (arts. 63. segundo o qual a Administração se subordina aos ditames da lei.

com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Formas de controle: quanto à forma. Tribunais de contas estaduais e municipais: a CF não prevê diretamente sua criação. qualquer cidadão. b) segundo à natureza dos fatos controlados. associação ou sindicato é parte legítima para. todos estão sujeitos à prestação e tomadas de contas pelo sistema interno. 31. suas atribuições estão nos termos do art. de cumprimento de programa de trabalhos e metas. admitindo-se diversas maneiras de proceder. 71. o mais seguro é o registro contábil. quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo território nacional. na forma da lei. e pelo sistema de controle externo. tem sede no DF. consiste na atuação da função fiscalizadora do povo. É incompreensível o Texto Constitucional. 31 e 75. nos respectivos âmbitos. Participação popular: o § 2º. é de natureza política. dispõe que. que é órgão eminentemente técnico. O sistema de controle interno: a CF estabelece que os 3 Poderes manterão de forma integrada.ResumosConcursos. o controle interno. VII.www. 74. através de seus representantes. federais. partido político. a Constituição reconhece os seguintes (70 e 74): a) controle de legalidade dos atos. as finalidades do controle interno estão constitucionalmente estabelecidas no art. depois. e) de resultados. d). do art. d) de fidelidade funcional. sobre a administração financeira e orçamentária. neste caso sem deixar dúvidas quanto à obrigatoriedade de sua instituição nos Estados (composto por 7 Conselheiros). DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS I . através do Tribunal de Contas (70 e 71). fá-lo indiretamente nos arts. a atuação varia. no município a fiscalização será exercida pela Câmara e pelos sistemas de controle interno do Executivo local. O sistema de controle externo: é função do Poder Legislativo.A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS 57 . na forma da lei e o controle externo será auxiliado pelos TC do Estado. § 1º e 4º). lhe é conferido a exercício das competências previstas para os Tribunais judiciários (96). seu teor político é amenizado pela participação do Tribunal de Contas. d) segundo a natureza dos organismos controladores. quando veda a criação de TC Municipais e depois os autoriza (art. denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o TCU. Prestação de contas: é um princípio fundamental da ordem constitucional (34. o controle orçamentário dinstingue-se: a) segundo a natureza das pessoas controladas. b) de legitimidade. trata-se de controle de natureza administrativa. c) de economicidade. Natureza do controle externo e do Tribunal de Contas: o controle externo é feito por um órgão político que é o Congresso Nacional. c) segundo o momento de seu exercício. em primeiro lugar. 74. quanto aos tipos. TRIBUNAIS DE CONTAS Organização a atribuições do Tribunal de Contas da União: é integrado por 9 Ministros. estaduais e municipais com o auxílio dos respectivos Tribunais de Contas. isso denota que o controle externo há de ser primordialmente de natureza técnica ou numérico-legal.

não atina com a necessidade de envolver nessa problemática também os direitos econômicos. fundada na insuficiente e restrita concepção das liberdades públicas. a forma de proclamações solenes.www. além de referir-se a princípios que resumem a concepção do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico. 141. pouca inovação de fundo. porque. sociais e culturais. atualmente. 72. nela inscrevendo não só os direitos e garantias individuais. subjetivando-se em direito particular de cada povo. natureza de suas normas e o art. um sobre a nacionalidade e a cidadania e outro sobre os direitos e garantias individuais. à segurança individual e à propriedade. basicamente. essa constituição durou pouco mais de 3 anos. A Constituição de 1946 trouxe o Título IV sobre as Declarações dos Direitos. nem mesmo sobrevive. outras fontes de inspiração dos direitos fundamentais são o Manifesto Comunista e as doutrinas marxistas. ela continha um título sob rubrica confusa Das Disposições Gerais. Já a Constituição de 1891 abria a Seção II do Título IV com uma Declaração de Direitos. nesse aspecto. 179. 151) e sua Emenda 1/69 (art. nos ordenamentos nacionais integram as constituições. assegurando os direitos concernentes à vida. matéria que nos ocupará a partir de agora. 58 . é a limitação imposta pela soberania popular aos poderes constituídos do Estado que dela dependem. Assim fixou o enunciado que se repetiria da Constituição de 1967 (art. com integral desrespeito aos direitos do homem. que tem conseqüência jurídica prática relevante. aos quais se chama brevemente direitos sociais. contém só os chamados direitos e garantias individuais. depois. mas concreta e materialmente efetivados. ainda que nos documentos internacionais assumam a forma das primeiras declarações. no nível do direito positivo. Conceito de direitos fundamentais: direitos fundamentais do homem constitui a expressão mais adequada a este estudo. Forma das declarações de direitos: assumiram. adquirindo o caráter concreto de normas jurídicas positivas constitucionais. livre e igual de todas as pessoas. sua reforma. incluindo no caput do art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro A declaração dos direitos nas constituições brasileiras: a Constituição do Império já os consignava quase integralmente. mas também os de nacionalidade e os políticos. inicialmente. A CF/88 adota técnica mais moderna. Essa metodologia modificou-se a partir da Constituição de 1934 que abriu um título especial para a Declaração de Direitos. salvo quanto à Constituição vigente que incorpora novidades de relevo. A ela sucedeu a Carta de 1937. não apenas formalmente reconhecidos. no conteúdo e na aplicação. com 35 incisos. aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em garantia de uma convivência digna. e Garantia dos Direitos Civis e Políticos dos cidadãos brasileiros. e logo introduz o Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais. dedicados aos direitos e garantias individuais especialmente. abre-se com um título sobre os princípios fundamentais. fundamentais do homem no sentido de que a todos. com 2 capítulos. devem ser. 153). a partir do Papa Leão XIII e o intervencionismo estatal. havendo. por isso. não convive e. com disposições sobre a aplicação da Constituição.ResumosConcursos. é reservada para designar. a doutrina social da Igreja. passaram a constituir o preâmbulo das constituições. ditatorial na forma. especialmente os concernentes às relações políticas. assegurando a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade. à liberdade. pelo que nem teve tempo de ter efetividade. à segurança e à propriedade nos termos dos 31 parágrafos do art. às vezes. TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO HOMEM Inspiração e fundamentação dos direitos fundamentais: a doutrina francesa indica o pensamento cristão e a concepção dos direitos naturais como as principais fontes de inspiração das declarações dos direitos. por igual. o direito à vida. no qualitativo fundamentais acha-se a indicação de que se trata de situações jurídicas sem as quais a pessoa humana não se realiza.

objetivas e subjetivas. 5 direitos políticos (arts. Destinatários dos direitos e garantias individuais: são os brasileiros e os estrangeiros residentes no País (art. II .com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Natureza e eficácia das normas sobre direitos fundamentais: a natureza desses direitos são situações jurídicas.direitos à nacionalidade (art. ao mesmo tempo. pois se trata de assunto que está em função do direito positivo. lhes quebra o formalismo e o sentido abstrato. positivas ou negativas. são de 2 tipos: gerais. impedem o arbítrio com o que constituem. 4 . em conjunto caracterizam-se como imposições. no caso de violação. as quais se referem à organização da comunidade política. limitativas de sua conduta. pois o artigo só menciona “brasileiros e estrangeiros residentes”. 3 . aos órgãos do Poder Público. garantindo a iniciativa e independência aos indivíduos diante dos demais membros da sociedade política e do próprio Estado. há certamente um desequilibro entre uma ordem social socializante e uma ordem econômica liberalizante. definidas no direito positivo. 14 a 17).www. protegem a eficácia. igualdade e liberdade da pessoa humana. culturais e políticas que favorecem o exercício dos direitos fundamentais. em caso de inobservância. transita-se de uma democracia de conteúdo basicamente político-formal para a democracia de conteúdo social.). assim. O conjunto das garantias forma o sistema de proteção deles: proteção social. quando estatui que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais. Classificação dos direitos fundamentais: em síntese. que são aqueles que reconhecem a autonomia aos particulares. a reintegração dos direitos fundamentais. destinadas a assegurar e existência e a efetividade (eficácia social) daqueles direitos. especiais. se não de tendência socializante. política e jurídica. e que poderíamos chamar condições econômico-sociais. a aplicabilidade e a inviolabilidade dos direitos fundamentais de modo especial.DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS Conceito de direito individual: são dos direitos fundamentais do homem-indivíduo. integram-se num todo harmônico.direitos sociais (arts. é difícil delinear sua posição. com base na CF/88. a eficácia e aplicabilidade das normas que contêm os direitos fundamentais dependem muito de seu enunciado. 2 – direitos coletivos (art. técnicas de garantia e respeito aos direitos fundamentais.garantias gerais. a CF/88 é expressa sobre o assunto. entre eles. com isso. 5º). mediante influências recíprocas. até porque os direitos individuais. têm aplicação imediata. . 12). estão contaminados de dimensão social. que distinguiremos em 2 grupos: .ResumosConcursos. 5º). podemos classificar os direitos fundamentais em 5 grupos: 1 . 59 . que são instituições constitucionais que se inserem no mecanismo de freios e contrapesos dos poderes e. Integração das categorias de direitos fundamentais: a Constituição fundamenta o entendimento de que as categorias de direitos humanos fundamentais. para assegurar a observância ou. 5º). determinações e procedimentos mediante os quais a própria Constituição tutela a observância ou. de tal sorte que a previsão dos direitos sociais. os direitos de nacionalidade e políticos. limitando a atuação dos órgãos estatais ou de particulares.garantias constitucionais que consistem nas instituições.direitos individuais (art. em prol da dignidade. 6º e 193 e ss. a reintegração dos direitos fundamentais. quanto aos estrangeiros não residentes. nela previstos. Direitos e garantias dos direitos: interessam-nos apenas as garantias dos direitos fundamentais. que são prescrições constitucionais estatuindo técnicas e mecanismos que.

§ 2º. como instituto de fiscalização financeira. a difamação e a injúria. II). 5º. 5º. como direito à identidade pessoal. VII. 5º. aqueles explicitamente enunciados nos incisos do art. 60 . mas nada mais diz a seu respeito. 5º. a Constituição preordena várias garantias penais apropriadas.ResumosConcursos. LXIV. como direito de resistência.. declara que ninguém será submetido à tortura ou tratamento desumano ou degradante (art. § 3º. a vida é intimidade conosco mesmo. mas especialmente às autoridades e detentores de poder. por isso é que o Direito Penal tutela a honra contra a calúnia. 5º. 14. a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre. 5º. é o direito de não ter interrompido o processo vital senão pela morte espontânea e inevitável. aqueles que estão subentendidos nas regras de garantias. do Título II anuncia uma especial categoria dos direitos fundamentais: os coletivos. 3) direitos individuais decorrentes do regime e de tratados internacionais subscritos pelo Brasil. fazer uma distinção em 3 grupos: 1) direitos individuais expressos. e etc. 8º e 37. à igualdade. de defender à própria vida. 29. o direito à atuação geral (art. de lutar pelo viver. entre outros de difícil caracterização a priori. saber-se e dar-se conta de si mesmo. nos incisos do art. 9º e 37. 5º. mas provêm ou podem vir a provir do regime adotado. um assistir a si mesmo e um tomar posição de si mesmo. à liberdade. tentou-se incluir na Constituição o direito a uma existência digna. apenas as liberdades de reunião e de associação. Direitos coletivos: a rubrica do Capítulo I. § 4º. integra-se de elementos materiais e imateriais. XLIX). V e X). XIII. 31. 10. do art. VI. esses direitos coletivos?. I. 5º. tornando-a um bem indenizável (art. por isso é que ela constitui a fonte primária de todos os outros bens jurídicos. onde estão. a inviolabilidade dos direitos assegurados impõe deveres a todos. imediatamente. 225) ou caracterizados como instituto de democracia direta nos arts. caracterizados. DO DIREITO À VIDA E DO DIREITO À PRIVACIDADE DIREITO À VIDA A vida como objeto do direito: a vida humana. LXIII.www. 5º. e 61. preferimos no entanto. ao juiz competente e à família ou pessoa indicada.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Classificação dos direitos individuais: a Constituição dá-nos um critério para a classificação dos direitos que ela anuncia no art. ou ainda. que é o objeto do direito assegurado no art. de permanecer vivo. como direitos sociais (arts. quando assegura a inviolabilidade do direito à vida. no art. como o dever de comunicar. o dever da autoridade policial informar ao preso seus direitos. têm como destinatários mais o Poder Público e seus agentes em qualquer nível do que os indivíduos em particular. certos desdobramentos do direito à vida. a fim de dotar essas normas de eficácia. LXII. aqueles que não são nem explícita nem implicitamente enumerados. à segurança e à propriedade. o direito de entidades associativas de representar seus filiados e os direitos de receber informação de interesse coletivo e de petição restaram subordinados à rubrica dos direitos coletivos. 11. 2) direitos individuais implícitos. muitos desses ditos interesses coletivos sobrevivem no texto constitucional. III). 27. Direito à existência: consiste no direito de estar vivo. à integridade moral do direito assume feição de direito fundamental. Direito à integridade física: a Constituição além de garantir o respeito à integridade física e moral (art. II e III. o direito do preso à identificação dos responsáveis por sua prisão e interrogatório policial. 5º. Deveres individuais e coletivos: os deveres que decorrem dos incisos do art. Ex: incisos XLIX. Direito à integridade moral: a Constituição realçou o valor da moral individual. na maior parte.

esses valores humanos à condição de direito individual. só é admitida no caso de guerra externa declarada. direito à indenização por dano material ou moral decorrente da violação do direito à privacidade. devendo o assunto ser decidido pela legislação ordinária. objeto de um direito. abrangendo nesse sentido à inviolabilidade do domicílio. podendo evitálo. da personalidade.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Pena de morte: é vedada. que será estudado mais adiante. 5º. considerando-o um direito conexo ao da vida. o desinteresse do indivíduo pela própria vida não exclui esta da tutela. DIREITO À PRIVACIDADE Conceito e conteúdo: A Constituição declara invioláveis a intimidade. os executores e os que. acolhendo um instituto típico e específico para a efetividade dessa tutela. 5º.ResumosConcursos. pois. sem distinção de qualquer natureza. Vida privada: a tutela constitucional visa proteger as pessoas de 2 atentados particulares: ao segredo da vida privada e à liberdade da vida privada. XLVII. a vida privada. especialmente a penal. mas parece inadmitir o abortamento. reforça o princípio com muitas outras normas sobre a igualdade ou buscando a igualização dos desiguais pela outorga de direitos sociais substanciais. a).www. o Estado continua a protegê-la como valor social e este interesse superior torna inválido o consentimento do particular para que dela o privem. a CF/88 abre o capítulo dos direitos individuais com o princípio que todos são iguais perante a lei. em algumas hipóteses. Honra e imagem das pessoas: o direito à preservação da honra e da imagem. expressamente. 5º. Intimidade: caracteriza-se como a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de evitar os demais. não caracteriza propriamente um direito à privacidade e menos à intimidade. Eutanásia: é vedado pela Constituição. a CF reputa-os valores humanos distintos. 84. DIREITO DE IGUALDADE Introdução ao tema: as Constituições só tem reconhecido a igualdade no seu sentido jurídico-formal (perante a lei). a CF foi explícita em assegurar ao lesado. segundo o qual ninguém será submetido à tortura ou a tratamento desumano e degradante. já constitui ilícito penal. erigiu. Aborto: a Constituição não enfrentou diretamente o tema. portanto. nos termos do art. 61 . Violação à privacidade e indenização: essa violação. o sigilo de correspondência e ao segredo profissional. a honra. X).455/97). Tortura: prática expressamente condenada pelo inciso III do art. que é o habeas data. a imagem constituem. a honra e a imagem das pessoas (art. se omitirem (Lei 9. Privacidade e informática: a Constituição tutela a privacidade das pessoas. independente. a condenação é tão incisiva que o inciso XLIII determina que a lei considerará a prática de tortura crime inafiançável e insuscetível de graça. por ele respondendo os mandantes. XIX (art.

Igualdade perante a lei penal: essa igualdade deve significar que a mesma lei penal e seus sistemas de sanções hão de se aplicar a todos quanto pratiquem o fato típico nela definido como crime. e 7º. na medida em que não delimitara ao simples enunciado da igualdade perante a lei. ao aplicar a lei. nos termos desta Constituição. distinguir.. idade. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. à legislação. como garantia constitucional indissoluvelmente ligada à democracia.ResumosConcursos. como interdição ao legislador de editar leis que possibilitem tratamento desigual a situações iguais ou tratamento igual a situações desiguais por parte da Justiça. raça. ao elaborar a lei. Ex: art. significa para o legislador que. as situações que sejam entre si distintas. Igualdade de homens e mulheres: essa igualdade já se contém na norma geral da igualdade perante a lei. as condições reais de desigualdade condicionam o tratamento desigual perante a lei penal. só valem as discriminações feitas pela própria Constituição e sempre em favor da mulher. da igualdade perante a lei. sendo destacada no inciso I. sem preconceitos de origem. XXX e XXXI. a aposentadoria da mulher com menor tempo de serviço e de idade que o homem (arts. por exemplo. deve reger. apesar do princípio da isonomia assegurado a todos pela Constituição (art. 3º. diferença de salários. cor. e outro. apresenta-se sob 2 prismas: como interdição do juiz de fazer distinção entre situações iguais. estado civil ou posse de deficiência (art. XXX e XXXI). 7º. as discriminações são proibidas expressamente no art. diz-se num deles que a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. também contemplada em todas as normas que vedam a discriminação de sexo (arts. e quaisquer outras formas de discriminação. mais 62 . IV. cor. diz respeito à repartição do ônus fiscal do modo mais justo possível. 3º. do art.. O princípio da igualdade jurisdicional: a igualdade jurisdicional ou igualdade perante o juiz decorre.www. na repartição de encargos e benefícios. e. III. 5º). buscando realizar o princípio da igualização. consistente no tratamento igual a situações iguais e tratamento desigual a situações desiguais. é vedado distinções de qualquer natureza. proíbe também. I a III). com iguais disposições situações idênticas. 7º. menciona também a igualdade entre homens e mulheres e acrescenta vedações a distinção de qualquer natureza e qualquer forma de discriminação. de sorte a quinhoá-las ou graválas em proporção às suas diversidades. a Constituição procura aproximar os 2 tipos de isonomia. idade. e 202. 5º que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. onde diz que:. 40. O princípio da não discriminação e sua tutela penal: a Constituição traz 2 dispositivos que fundamentam e exigem normas penais rigorosas contra discriminações. tutelar pessoas que se achem em posição econômica inferior. IV. XXX). fora disso a igualdade será puramente formal. a material são as regras que proíbem distinções fundadas em certos fatores. reciprocamente. Igualdade “sem distinção de qualquer natureza”: além da base geral em que assenta o princípio da igualdade perante a lei. isso é que permite.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Isonomia formal e isonomia material: isonomia formal é a igualdade perante a lei. Igualdade perante a tributação: o princípio da igualdade tributária relaciona-se com a justiça distributiva em matéria fiscal. promover o bem de todos. O sentido da expressão “igualdade perante a lei”: o princípio tem como destinatários tanto o legislador como os aplicadores da lei. pois. sexo. devido aos fatores econômicos.

A liberdade opõe-se ao autoritarismo. O assinalado o aspecto histórico denota que a liberdade consiste num processo dinâmico de liberação do homem de vários obstáculos que se antepõem à realização de sua personalidade: obstáculos naturais. não como forma dessa liberdade em si. de expressão cultural e de transmissão e recepção do conhecimento. sujeito à pena de reclusão. 4) liberdade de ação profissional. o que é válido afirmar é que a liberdade consiste na ausência de coação anormal. daí se conclui que toda a lei que limita a liberdade precisa ser lei normal. no sentido de que seja consentida por aqueles cuja liberdade restringe. religião. econômicos. segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Discriminações e inconstitucionalidade: são inconstitucionais as discriminações não autorizadas pela Constituição. 5) liberdade de conteúdo econômico. à medida que a atividade humana se alarga. 5º. 5º. arte. permaneceram em condições mais favoráveis. inclui as liberdades de opinião. à deformação da autoridade. discriminando-as em face de outros na mesma situação que. DIREITO DE LIBERDADE O problema da Liberdade: a liberdade tem um caráter histórico. Liberdade e liberdades: liberdades. (art. porque depende do poder do homem sobre a natureza. de comunicação. o que se pense em ciência. sanção ou qualquer sacrifício a pessoas ou grupos de pessoas. são formas de liberdade. quanto mais o processo de democratização avança. trata-se de liberdade de conteúdo intelectual e supõe contato com seus semelhantes. ônus. é hoje função do Estado promover a liberação do homem de todos esses obstáculos. a sociedade. mais liberdade conquista. que aqui. mencionando também o problema da segurança. e sobre si mesmo em cada momento histórico.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro específico porque destaca a forma mais comum de discriminação. mas como forma de garantir a efetividade destas. com todas as suas liberdades. e é aqui que a autoridade e liberdade se ligam. distingue-se em 5 grupos: 1) liberdade da pessoa física. II. por qualquer forma. de expressão intelectual. XLI e XLII). não porém. Cabe considerar aquela que constitui a liberdade-matriz. moral e legítima.www. sociais e políticos. como conceito podemos dizer que liberdade consiste na possibilidade de coordenação consciente dos meios necessários à realização da felicidade pessoal. assim. fortalece-se. 63 . de informação. que decorre do art. ilegítima e imoral. 3) liberdade de expressão coletiva. O regime democrático é uma garantia geral da realização dos direitos humanos fundamentais. religiosa. para nós as formas de expressão dessa liberdade se revelam apenas na liberdade de locomoção e na liberdade de circulação. Liberdade de pensamento: é o direito de exprimir. ou o que for. uma consiste em outorgar benefício legítimo a pessoas ou grupos. a outra forma revela-se em se impor obrigação. mais o homem se vai libertando dos obstáculos que o constrangem. estabelecendo que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. discriminando-os favoravelmente em detrimento de outras pessoas ou grupos em igual situação. Liberdade da pessoa física: é a possibilidade jurídica que se reconhece a todas as pessoas de serem senhoras de sua própria vontade e de locomoverem-se desembaraçadamente dentro do território nacional. em função do Direito Constitucional positivo. nos termos da lei. dever. que é a liberdade de ação em geral. o conteúdo da liberdade se amplia com a evolução da humanidade.ResumosConcursos. no plural. artística e científica e direitos conexos. há 2 formas de cometer essa inconstitucionalidade. 2) liberdade de pensamento. à autoridade legítima.

é a participação orgânica.ResumosConcursos. um é a participação direta dos cidadãos no processo político e decisório (arts. Coletivo. quando expressamente autorizadas. 12 § 3º. I e II). III). não mais se exige lei que determine os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade. DIREITOS COLETIVOS Direito à informação: o direito de informar. 5º. têm legitimidade para representar seus filiados em juízo ou fora dele (art. no mais têm as associações o direito de existir. 194. é a participação prevista no art. cabendo apenas um aviso à autoridade que terá o dever. no capítulo da comunicação (220 a 224). desenvolver-se e expandir-se livremente. do local de reunião. e 61. de ofício e de profissão. 10 e a representação assegurada no art. de acordo com as propensões de cada pessoa e na medida em que a sorte e o esforço próprio possam romper as barreiras que se antepõem à maioria do povo. e é aí que se encontra a sindicabilidade que autoriza a dissolução por via judicial. 5º. de natureza comunitária não-corporativa. só se reputa coletivo porque só pode ser exercido por um número razoável de eleitores: uma coletividade. beneficia brasileiros e estrangeiros residentes. VII e 198. 5º. XVI. 11. por esta. nem se autoriza mais a autoridade a intervir para manter a ordem. às vezes resvalando para uma forma de participação corporativa. Regime das Liberdades 64 . mas já contaminado no sentido coletivo. 14. em virtude das transformações dos meios de comunicação. de garantir a realização da reunião. na forma da lei. XXXII). ( art. Direito de participação: distinguiremos 2 tipos. 5º. Liberdade de associação: é reconhecida e garantida pelos incisos XVII a XXI do art. a liberdade anunciada no acima (art. § 2º). quanto à escolha e exercício de ofício ou profissão. revela-se um direito individual. Outro. 8. III). 5º. como aspecto da liberdade de manifestação de pensamento. preordena a liberdade de informar completada com a liberdade de manifestação do pensamento (5º. e 37. que especialmente se concretiza pelos meios de comunicação social ou de massa. a liberdade de reunião está plena e eficazmente assegurada. Liberdade de reunião: está prevista no art. XIII).www. 170. legitimidade essa também reconhecida aos sindicatos em termos até mais amplos e precisos. que ela fica sujeita à observância das qualificações profissionais que a lei exigir. enquanto a acessibilidade à função pública sofre restrições de nacionalidade (arts. A Constituição ressalva. a defesa do consumidor (art. que eleva a defesa do consumidor à condição de princípio da ordem econômica. inclusive em questões judiciais ou administrativas (art. Direito dos consumidores: estabelece que o Estado proverá. in verbis: ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. conjugando isso com a consideração do art. Direito de representação coletiva: estabelece que as entidades associativas. ainda que não organizada formalmente. permanecer. I e II. 22. a CF acolhe essa distinção. V. IV). de ofício.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Liberdade de ação profissional: confere liberdade de escolha de trabalho. bem como a designação. só podendo a lei federal definir as qualificações profissionais requeridas para o exercício das profissões. há duas restrições expressas à liberdade de associar-se: veda-se associação que não seja para fins lícitos ou de caráter paramilitar. as quais aparecem entre os direitos sociais. XXI). é o direito de participação da comunidade (arts. XVI).

§ 4º. mencionam uma lei limitadora (art. 185 e 186). gozar e dispor de bens (art. esta garante o direito de propriedade.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Eficácia das normas constitucionais sobre as liberdades: as normas constitucionais que definem as liberdades são. esbarram no princípio de que é liberdade. e assim o direito de propriedade se revela como um modo de imputação jurídica de uma coisa a um sujeito. Propriedade e propriedades: a Constituição consagra a tese de que a propriedade não constitui uma instituição única. no entanto. 177 e 178. não dependem de legislação nem de providência do Poder Público para serem aplicadas. 5º. 170.ao incluir entre os bens da União aqueles enumerados no art. mas em propriedades. 182. e 184. o direito. como pagamento mediante título. a própria Constituição dá conseqüência a isso quando autoriza a desapropriação. a Constituição assegura o direito de propriedade. 182. 184.ao autorizar 65 . 5º. desde que este atenda sua função social (art. 5º. XVI e XVII). 20 e. existem outras normas que interferem com a propriedade mediante provisões especiais (arts. outras limitações podem provir da incidência de normas constitucionais (art. mas tão-somente as relações civis e a ela referentes. de propriedade que não cumpra sua função social (arts. 524). 5º. algumas normas podem caracterizar-se como de eficácia contida (quando a lei restringe a plenitude desta. que as normas de Direito Privado sobre a propriedade hão de ser compreendidas de conformidade com a disciplina que a Constituição lhe impõe. só valem no âmbito das relações civis as disposições que estabelecem as faculdades de usar. a plenitude da propriedade (525). garante o direito de propriedade em geral (art. entre os dos Estados. XIII. vale dizer. 5º. algumas normas conferidoras de liberdade e garantias individuais. XXIV a XXX. os indicados no art. o exercício das liberdades não depende de normas reguladoras. de eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata. XVIII). XXII). sejam de eficácia plena ou eficácia contida. vale dizer. via de regra. não podendo ser extirpado por via da atuação do Poder Legislativo nem do poder de polícia. que deve prevalecer. sendo assim. etc. com seus regimes jurídicos próprios.185. ela foi explícita e precisa. mas distingue claramente a propriedade urbana (182. o qual tem o dever de respeitá-lo. de tal sorte que o Direito Civil não disciplina a propriedade. VI. XV. 176. de onde ser cabível falar não em propriedade. Sistemas de restrições das liberdades individuais: a característica de normas de eficácia contida tem extrema importância. Conceito e natureza: entende-se como uma relação entre um indivíduo (sujeito ativo) e um sujeito passivo universal integrado por todas as pessoas. § 2º) e a propriedade rural (arts. como foi dito. assim. . regulando os direitos subjetivos que delas decorrem).ResumosConcursos. II e III.www. porque. DIREITO DE PROPRIEDADE Direito de Propriedade em Geral Fundamento constitucional: O regime jurídico da propriedade tem seu fundamento na Constituição.. porque é daí que vêm os sistemas de restrições das liberdades públicas. 26. Regime jurídico da propriedade privada: em verdade. em correlação com os diversos tipos de bens e de titulares. 191 e 222). mas várias instituições diferenciadas. 186. XXII). VII. e 184). 183. as normas constitucionais que as reconhecem são de aplicabilidade direta e imediata. 5º. XXIV. abstraindo-se de violá-lo. estabelece seu regime fundamental. tudo isso constitui modos de restrições de liberdades que. Propriedade pública: a Constituição a reconhece: . não há como escapar ao sentido que só garante o direito de propriedade que atenda sua função social.

quando. e 20. Restrições: limitam. são transmissíveis por herança nos termos da lei. de marcas e indústrias e de nome de empresas: seu enunciado e conteúdo denotam. Propriedade de inventos. pois. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva. 5º. . 22. 173) e o monopólio (art. que contém 2 normas: a primeira confere aos autores o direito exclusivo de utilizar. 5º.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro desapropriação. pelo que era tido como direito absoluto (assegura a liberdade de dispor da coisa do modo que melhor lhe aprouver). salvo os de natureza personalíssima. XXV) ou por particular. XI. existem restrições à faculdade de fruição. quando a eficácia da norma fica dependendo de legislação ulterior: “que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. titular de direitos morais e de direitos patrimoniais sobre a obra intelectual que produzir. por exemplo. LIMITAÇÕES AO DIREITO DE PROPRIEDADE Conceito: consistem nos condicionamentos que atingem os caracteres tradicionais desse direito. mas tão-só em caso de iminente perigo e em tempo de guerra (art. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE 66 . que condicionam o uso e a ocupação da coisa. à alienabilidade da coisa. XXVI do art. XXIX). à faculdade de modificação coisa. a CF permite as requisições civis e militares. dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. a segunda declara que esse direito é transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. que consiste na transferência compulsória de bens privados para o domínio público. e 231 da CF. hoje. que importam apropriação pública de bens de produção. a pequena propriedade rural. porque é o meio pelo qual o Poder Público determina a transferência compulsória da propriedade particular especialmente para o seu patrimônio ou de seus delegados (arts. a lei. em qualquer de suas faculdades. desde que trabalhada pela família. constituem ônus impostos à coisa. vinculam 2 coisas: uma serviente e outra dominante. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. se estabelece direito de preferência em favor de alguma pessoa. são também indenizáveis. PROPRIEDADES ESPECIAIS Propriedade autoral: consta no art. 182 e 184). 5º. possui o interesse de proteger um patrimônio necessário à manutenção e sobrevivência da família. que substitui a Lei 5772/71. III). Servidões e utilização de propriedade alheia: são formas de limitação que lhe atinge o caráter exclusivo. publicar e reproduzir suas obras. o caráter absoluto da propriedade. 65 a 68 do CC. exclusivo e perpétuo (não desaparece com a vida do proprietário). já os patrimoniais são alienáveis por ele ou por seus sucessores. em princípio. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País” (art. 177). as servidões são indenizáveis. os direitos morais são inalienáveis e irrenunciáveis.ResumosConcursos. à propriedade das marcas. a utilização pode ser pelo Poder Público (decorrente do art. outra forma são as requisições do Poder Público. 5º XXIV. é a de nº 9279/96. XXVII. Desapropriação: é a limitação que afeta o caráter perpétuo.ao facultar a exploração direta de atividade econômica pelo Estado (art. mas. 5º. Propriedade-bem de família: segundo o inc.www. o autor é. *ver também os arts. bem como a proteção às criações industriais.

b) direitos coletivos dos trabalhadores (arts. c) relativos à educação e cultura. criança. e) relativos ao meio ambiente. 6º diz que são direitos sociais a educação.DIREITOS SOCIAIS FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS Ordem social e direitos sociais: a CF/88 traz um capítulo próprio dos direitos sociais e. na forma desta Constituição. pessoais ou grupais de caráter concreto. 7º e 193). não autoriza a suprimir por via legislativa. é de aplicabilidade imediata. o princípio transforma a propriedade capitalista. como se os direitos sociais não fossem algo ínsito na ordem social. Direitos sociais e direitos econômicos: a Constituição inclui o direito dos trabalhadores como espécie de direitos sociais. DIREITOS SOCIAIS RELATIVOS AOS TRABALHADORES Questão de Ordem Espécies de direitos relativos aos trabalhadores: são de duas ordens: a) os direitos em suas relações individuais de trabalho (art. a instituição da propriedade privada III . visando a organizá-los sob a inspiração dominante do interesse social. Classificação dos direitos sociais: à vista do Direito positivo. enquanto os sociais constituem forma de tutela pessoal. à previdência e assistência social. não ocorrendo uma separação radical.www. o art. estes dizem respeito ao exercício do direito ao proprietário. como a ordem pública ou a atividade de polícia.. não de limitações. que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos. adolescente e idoso. a saúde. Direitos dos Trabalhadores 67 . o lazer. aquela à estrutura do direito mesmo. o trabalho. e o trabalho como primado básico da ordem social (arts. um título especial sobre a ordem social. o direito econômico tem uma dimensão institucional. à propriedade. Conceito de direitos sociais: são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente. e com base nos arts.. b) relativos à seguridade.. constitui um princípio ordenador da propriedade privada. 7º).. a função social se modifica com as mudanças na relação de produção.. 6º a 11.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Conceito: não se confunde com os sistemas de limitação da propriedade. esta forma é dada precisamente no título da ordem social. 9º a 11). constitui o regime jurídico da propriedade. a segurança a previdência social . sem socializá-la.ResumosConcursos.. d) relativos à família. bem distanciado deste. onde trata dos mecanismos e aspectos organizacionais desses direitos. obrigações e ônus que podem apoiar-se em outros títulos de intervenção. são agrupados em 5 classes: a) direitos sociais relativos ao trabalhador. compreendendo os direitos à saúde. enunciadas em normas constitucionais. a norma que contém o princípio da função social incide imediatamente. os sociais disciplinam situações objetivas. o direito econômico é a disciplina jurídica de atividades desenvolvidas nos mercados. direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais. a própria jurisprudência já o reconhece. há porém uma classificação dos direitos sociais do homem como produtor e como consumidor.

a Constituição não é o lugar para se estabelecerem as condições das relações de trabalho.www. mas nem ele nem o art. do art. mas seu parágrafo único assegura à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos indicados nos incisos IV. XXI e XXIV. 6º define o trabalho como direito social. XXV. a primeira na ordem do art. a terceira do inciso XXVII. caso ocorra essa hipótese (art. e. determinação que a remuneração da hora extra seja superior no mínimo 50% a do trabalho normal. garantir o equilíbrio entre o trabalho e descanso (XIII a XV e XVII a XIX). 7º relaciona os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. 7º. possui 2 preceitos específicos: irredutibilidade do salário (inciso VI). salário nunca inferior ao mínimo. 7º. constituindo crime sua retenção dolosa (inciso X). Direitos relativos aos dependentes do trabalhador: o de maior importância social é o direito previsto no inc. temos assim direitos expressamente enumerados e direitos simplesmente previstos. 7º que aparece é a do inciso XX: proteção ao mercado de trabalho da mulher. Participação nos lucros e co-gestão: diz-se que é direito dos trabalhadores a participação nos lucros. forma de segurança do trabalho. cabe observar que os dispositivos que garantem a isonomia e não discriminação (XXX a XXXII) também possuem uma dimensão protetora do trabalhador. respeito ao princípio da isonomia salarial e o adicional de insalubridade. caput). o 170 estatui que a ordem econômica funda-se na valorização do trabalho.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Destinatários: o art. mas ela o faz. além de outros que visem à melhoria de sua condição social. o gozo de férias anuais. por meio delas é que eles alcançam a melhoria de sua condição social (art. Direitos relativos ao repouso e à inatividade do trabalhador: a Constituição assegura o repouso semanal remunerado. visando proteger o trabalhador. Direitos relativos ao salário: quanto à fixação. IV a X). a CF oferece várias regras e condições. excepcionalmente. e a proteção do salário na forma da lei. especialmente para assegurar a isonomia material (XXX a XXXII e XXXIV). XIX. IV. 7º. declara que o País tem como fundamento. quanto a valores mínimos e certas condições de salários (art. a participação na gestão da empresa. A garantia de emprego significa o direito de o trabalhador conservar sua relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa . a licença a gestante e a licençapaternidade (incisos XV e XVII a XIX). I). prevê a proteção em face da automação. 1º. remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. e. desvinculada da remuneração. XI). na forma da lei. Proteção dos trabalhadores: a CF ampliou as hipóteses de proteção. no art. o texto fala em participação nos lucros. décimo-terceiro salário. XVII. VI. tais como: salário mínimo.7º. Direitos sobre as condições de trabalho: as condições dignas de trabalho constituem objetivos dos direitos dos trabalhadores. o 193 dispõe que a ordem social tem como base o primado do trabalho. conforme definido em lei (art. salário-família.ResumosConcursos. a segunda é a do inciso XXII. pelo qual se assegura assistência gratuita aos filhos e dependentes do trabalhador desde o nascimento até 6 anos de idade em creches e pré-escolas. prevendo uma indenização compensatória. Direitos reconhecidos: são direitos dos trabalhadores os enumerados nos incisos do art. ou resultados. quanto à proteção do salário. 68 . que estabelece o seguro contra acidentes de trabalho. entre outros. 7º. VIII. a quarta é a do inciso XXVIII. Direito ao trabalho e garantia do emprego: o art. 7º. este ressai do conjunto de normas sobre o trabalho. os valores sociais do trabalho. XVIII. piso salarial. 7º trazem norma expressa conferindo o direito ao trabalho.

eleger ou designar representantes da respectiva categoria. Direito de participação laboral: é direito coletivo de natureza social (art. A Constituição contempla e assegura amplamente a liberdade sindical em todos os seus aspectos. a liberdade de adesão sindical. em se tratando de categoria profissional. ao defini-la como “um conjunto de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade. cujos objetivos e princípios se aproximam bastante daqueles fundamentais. independente da contribuição prevista em lei. nas empresas de mais de 200 empregados. a diferença é que a sindical é uma associação profissional com prerrogativas especiais. por si ou por uma comissão. resultados. segundo o qual é assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão. DIREITOS SOCIAIS DO HOMEM CONSUMIDOR Direitos Sociais Relativos à Seguridade Seguridade social: A Constituição acolheu uma concepção de seguridade social. O inciso IV. participar das negociações coletivas. 11. defesa e coordenação dos interesses econômicos e profissionais de seus associados. já a associação profissional não sindical se limita a fins de estudo. 8º. um delegado ou um representante.www. 10). à previdência e à assistência social” (194). um conselho. conforme o art. não o subordinou a eventual previsão em lei. Direito de representação na empresa: está consubstanciado na art. do referido artigo autoriza a assembléia geral a fixar a contribuição sindical que. tais como: defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. por força do art. a CF adotou a unicidade. 8º. Sobre a pluralidade ou unicidade sindical. 578 a 610 da CLT). a participação na gestão da empresa só ocorrerá quando a coletividade trabalhadora da empresa.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro ou resultados.ResumosConcursos. Direito à saúde: a CF declara ser a saúde direito de todos e dever do Estado. garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros 69 . disponha de algum poder de co-decisão ou pelo menos de controle. greve é o exercício de um poder de fato dos trabalhadores com o fim de realizar uma abstenção coletiva do trabalho subordinado. 8º. A participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho é obrigatória. 2 tipos de associação: a profissional e a sindical. Direito de greve: a Constituição assegurou o direito de greve. fazendo parte ou não dos órgãos diretivos dela. segundo o qual. consistem na equação positiva ou negativa entre todos os ganhos e perdas. a liberdade de atuação e a liberdade de filiação. será descontada em folha. VI. Direito de substituição processual: consiste no poder que a Constituição conferiu aos sindicatos de ingressar em juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da categoria. II. impor contribuições. é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. são diferentes. lucro bruto é a diferença entre a receita líquida e custos de produção dos bens e serviços da empresa. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. (arts. 9º). DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES Liberdade de associação ou sindical: são mencionados no art. a liberdade sindical implica efetivamente: a liberdade de fundação de sindicato. por si própria (art.

eleva e educação ao nível dos direitos fundamentais do homem. proteção e recuperação. pluralismo. gestão democrática da escola e padrão de qualidade. 205 contém uma declaração fundamental. que. 6º. com a cláusula a educação é dever do Estado e da família (art. c) qualificação da pessoa para o trabalho. realçando-lhe o valor jurídico. como forma de propriedade de interesse público (215 e 216). 225 estatui que. 206: universalidade. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 203). que combinada com o art. VII a IX. 23. b) direito de acesso às fontes da cultura nacional. Direito ao meio ambiente: o art. Direitos Sociais Relativos à Educação e à Cultura Significação constitucional: a CF/88 deu relevante importância à cultura. (201 e 202). como visto.www. Direito à cultura: os direitos culturais são: a) direito de criação cultural. 30. onde 70 .com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro agravos a ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. f) direito-dever estatal de formação de patrimônio cultural e de proteção dos bens de cultura. ou constituição cultural. b) preparo da pessoa para o exercício da cidadania. liberdade. igualdade. aí se afirma que a educação é direito de todos. invalidez. 205 e 227). III a V. mas seu conteúdo há de ser buscado em mais de um dos capítulos da ordem social. 227. de sorte que os benefícios e serviços se destinam a cobrir eventos de doença. Objetivos e princípios informadores da educação: os objetivos estão previstos no art. 6º e faz ligeira referência no art. formando aquilo que se denomina ordem constitucional da cultura. serviços e ações que são de relevância pública (196 e 197). ficam sujeitos a um regime jurídico especial. 205: a) pleno desenvolvimento da pessoa. todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. apenas do segurado e seus dependentes. assim. e 205 a 2017). d) liberdade de formas de expressão cultural.ResumosConcursos. Direito à previdência social: funda-se no princípio do seguro social. Direito à educação: o art. (5º. Direito à assistência social: constitui a face universalizante da seguridade social. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. constituída pelo conjunto de normas que contêm referências culturais e disposições consubstanciadoras dos direitos sociais relativos à educação e à cultura. porque será prestada a quem dele necessitar. DIREITOS SOCIAIS DA CRIANÇA E DOS IDOSOS Proteção à maternidade e à infância: está prevista no art. independentemente de contribuição (art. os princípios estão acolhidos no art. IX. valorização dos respectivos profissionais. c) direito de difusão da cultura. morte. DIREITO AMBIENTAL Direito ao lazer: a Constituição menciona o lazer apenas no art. IX. 6º como espécie de direito social. ele está muito associado aos direitos dos trabalhadores relativos ao repouso. e) liberdade de manifestações culturais. gratuidade do ensino público. velhice e reclusão. 24. e nada mais diz sobre esse direito social.

tanto quanto possível a convivência em seu lar. têm sentido distinto. nacional é o brasileiro nato ou naturalizado. Os brasileiros natos: o art. defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. depois do nascimento. I). b) o critério de origem territorial. O polipátrida e o “heimatlos”: polipátrida é quem tem mais de uma nacionalidade. 71 . O sistema constitucional brasileiro. Heimatlos. II). geram um conflito de nacionalidade. do adolescente e do idoso (art. Modos de aquisição de nacionalidade: são 2 os critérios para a determinação da nacionalidade primária: a) critério de sangue. de assistência social e no capítulo da família. pelo qual se atribui a nacionalidade a quem nasce no território do Estado de que se trata. b) do Estado. oferece um mecanismo adequado para solucionar os conflitos de nacionalidade negativa em que se vejam envolvidos filhos de brasileiros (art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro aparece com aspectos do direito de previdência social. dá os critérios e pressupostos para que alguém seja considerado brasileiro nato. revelando 4 situações definidoras de nacionalidade primária no Brasil. que faz da pessoa um dos elementos componentes da dimensão pessoal do Estado. no Direito Constitucional vigente. o art.o nascimento -. I). 12 da Constituição. em boa parte. não se vincula a nenhum daqueles critérios. a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. com conseqüências jurídicas relevantes: os brasileiros natos (art. 12. com seu direito social. consiste na situação da pessoa que. os termos nacionalidade e cidadania. I. que lhe determinariam uma nacionalidade. e § 4º).ResumosConcursos. 12. distinguindo-se em 2 grupos. estatui que a família. que aliás coincide. sendo de ter cuidado para não confundir o direito individual da criança . I. b e c). 12. e os brasileiros naturalizados (art.DIREITO DE NACIONALIDADE Conceito de Nacionalidade: segundo Pontes de Miranda. assegurando a sua participação na comunidade. com o direito civil e com o direito tutelar do menos (art. dada a circunstância de nascimento. cidadão qualifica o nacional no gozo dos direitos políticos e os participantes da vida do Estado. 227. previdenciário (201. DIREITO DE NACIONALIDADE BRASILEIRA Fonte constitucional do direito de nacionalidade: estão previstos no art. 230. Natureza do direito de nacionalidade: os fundamentos sobre a aquisição da nacionalidade é matéria constitucional. Nacionalidade primária e nacionalidade secundária: a primária resulta de fato natural . ou nacional e cidadão. § 3º. IV a VII. bem como a gratuidade dos transportes coletivos urbanos e. com o de todas as pessoas. só esse dispositivo diz quais são os brasileiros. Os modos de aquisição da nacionalidade secundária dependem da vontade: a) do indivíduo. se confere a nacionalidade em função do vínculo de sangue reputando-se os nacionais ou dependentes de nacionais. nacionalidade é o vínculo jurídicopolítico de Direito Público interno. 12. a secundária é a que se adquire por fato voluntário. o que acontece quando sua situação de nascimento se vincula aos 2 critérios de determinação de nacionalidade primária. 227). I) e assintenciário (203. da criança. mesmo naqueles casos em que ela é considerada em textos de lei ordinária. IV . que pode ser positivo ou negativo. Direito dos idosos: além dos direitos.www.

XV). desde que requeiram a nacionalidade brasileira. que preencha os requisitos previstos na lei de naturalização. § 3º. b) extraordinária: é reconhecida aos estrangeiros. por sentença judicial. pela norma estrangeira. LI. se se ressalvam casos previstos. I. Reaquisição da nacionalidade brasileira: salvo se o cancelamento for feito em ação rescisória. b) adquirir outra nacionalidade (art. 5º. aquele que teve a naturalização cancelada nunca poderá recuperar a nacionalidade brasileira perdida. § 4º). § 2º). 12. de pai ou mãe brasileiros. art. Condição jurídica do brasileiro nato: essa condição dá algumas vantagens em relação ao naturalizado. Perda de nacionalidade brasileira: perde a nacionalidade o brasileiro que: a) tiver cancelado sua naturalização. ora. por qualquer forma prevista na Constituição. a). e compreende 2 classes: a) ordinária: é a concedida ao estrangeiro residente no país. como condição para permanência em seu território ou para exercício de direitos civis (redação da ECR-3/94). 2) os nascidos no exterior. registrados em repartição brasileira competente. salvo os casos previstos nesta Constituição. em qualquer tempo. desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil. exigida aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. as distinções são só aquelas consignadas na Constituição (art. só reconhecendo a naturalização expressa. não adquira a nacionalidade brasileira. aquela que depende de requerimento do naturalizando. 12. 3) os nascidos no exterior. se estiver domiciliado no Brasil (Lei 818/49. quem tenha nascido fora do território nacional que. 5º. em virtude de atividade nociva ao interesse nacional.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro são elas: 1) os nascidos no Brasil.www. a não ser que estejam em serviço oficial. se houver reciprocidade em favor de brasileiros. quer sejam filhos de pais brasileiros ou de pais estrangeiros. prevê o processo de naturalização. 222. Condição jurídica do brasileiro naturalizado: as limitações aos brasileiros naturalizados são as previstas nos arts. cumpre-se notar que a reaquisição da nacionalidade opera a partir do decreto que a conceder. 12. 89. observados os critérios para isso. apenas recupera a condição que perdera. 4) os nascidos no exterior. ao brasileiro residente no Estado estrangeiro. II. não tendo efeito retroativo. residente no Brasil há mais de 15 anos ininterruptos e sem condenação penal. desde que venham a residir no Brasil antes da maioridade e optem. e imposição de naturalização.ResumosConcursos. salvo nos casos de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira. CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO NO BRASIL O estrangeiro: reputa-se estrangeiro no Brasil. de pai ou mãe brasileiros. mas também ficam sujeitos aos deveres impostos a todos. o que a perdeu por naturalização voluntária poderá readquiri-la . serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro nato. a constituição não tem ressalva alguma aos direitos inerentes aos brasileiros natos.por decreto do Presidente. 12. a lei condiciona o direito de qualquer pessoa entrar 72 . Locomoção no território nacional: a liberdade de locomoção no território nacional é assegurada a qualquer pessoa (art. como a possibilidade de exercer todos os direitos conferidos no ordenamento pátrio. Especial condição jurídica dos portugueses no Brasil: a CF favorece os portugueses residentes no país. 12. quando declara que aos portugueses com residência permanente no País. pela nacionalidade brasileira. Os brasileiros naturalizados: o art. 36). apesar desse dispositivo ser muito defeituoso e incompreensível. VII.

4º.227.ResumosConcursos. cabe ao STF processar e julgar ordinariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro. a ordem política ou social. 172. a Constituição emprega a expressão direitos políticos. Não aquisição de direitos políticos: os estrangeiro não adquirem direitos políticos (art. § 5) Gozo dos direitos individuais e sociais: é assegurado aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. não o concedendo aos menores de 18 anos. 22. em seu sentido estrito. à igualdade. Asilo político: a Constituição prevê a concessão do asilo político sem restrições. sem os requisitos de ingresso. Entrada: satisfazendo as condições estabelecidas na lei. 5º. de qualquer forma. quanto aos sociais. 3º). conforme o caso. o visto não cria direito subjetivo.DIREITO DE CIDADANIA DIREITOS POLÍTICOS Conceito e abrangência: Os direitos políticos consistem na disciplina dos meios necessários ao exercício da soberania popular. só ou com seus bens ( Lei 6815/80. Extradição: compete a União legislar sobre extradição (art. 73 .www.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro no território nacional. nem a estrangeiros nas situações enumeradas no art. existem limitações aos estrangeiros estabelecidas na Constituição. atentar contra a segurança nacional. e de modo absoluto os brasileiros natos. consiste no recebimento de estrangeiros no território nacional. Expulsão: é passível de expulsão o estrangeiro que.§ 1º. entre outros casos previstos em lei. mas também não restringe. à segurança e à propriedade. 7º da referida lei. a seu pedido. porém. mas mera expectativa de direito. vetando os crimes políticos ou de opinião por estrangeiro. obtendo o visto de entrada. ela não assegura. Aquisição e gozo dos direitos civis: o princípio é o de que a lei não distingue entre nacionais e estrangeiros quanto à aquisição e ao gozo dos direitos civis (CC. Saída: pode deixar o território com o visto de saída. Exs: arts. art. XV). esse com restrições. para evitar punição ou perseguição no seu país por delito de natureza política ou ideológica. Deportação: fundamenta-se no fato de o estrangeiro entrar ou permanecer irregularmente no território nacional. 222. 190. 176. decorre do não cumprimento dos requisitos. § 2º). XXXI. a liberdade. alterada pela Lei 6964/81). como o conjunto de regras que regula os problemas eleitorais. V . a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia popular. assim que obtenha o visto para fixar-se definitivamente. 14. de sorte que podermos asseverar que eles só não gozam dos mesmos direitos assegurados aos brasileiros quando a própria Constituição autorize a distinção. mas a CF traça limites à possibilidade de extradição quanto à pessoa acusada e quando à natureza do delito. vigorando sobre ela os arts. X). ou cujo procedimento o torne nocivo à convivência e aos interesses nacionais. 76 a 94 da Lei 6815/80. nele permanecer ou dele sair. considerando como um dos princípios que regem as relações internacionais do Brasil (art. Permanência: estada sem limitação de tempo. fundamenta-se na necessidade de defesa e conservação da ordem interna ou das relações internacionais do Estado interessado.

com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Modalidades de direitos políticos: o núcleo fundamental dos direitos políticos consubstancia-se no direito de votar e ser votado. ninguém tem o direito de ser votado. ser eleito e de participar da organização e da atividade do poder estatal. sem restrições derivadas de condições de nascimento. o sufrágio restrito (quando só é conferido a indivíduos qualificados por condições econômicas ou de capacidade especiais) revela um regime elitista. pois. aquele caracteriza o eleitor. autocrático ou oligárquico. será universal (quando se outorga o direito de votar a todos os nacionais de um país. 74 . Natureza do sufrágio: é um direito público subjetivo democrático. que tem o cidadão de eleger. o elegível. fundamenta-se no princípio da soberania popular por meio de representantes. I e II).ResumosConcursos. 14 . pode-se dizer. de fortuna e de capacidade especial). no entanto. possibilitando-se falar em direitos políticos ativos e passivos. dá-lhes sentido diferentes. o primeiro é pressuposto do segundo. que é obrigatório para os maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos. Direito de Sufrágio Conceito e funções do sufrágio: as palavras sufrágio e voto são empregadas comumente como sinônimas. § 1º. a CF. e à capacidade eleitoral passiva. . atributo de quem preenche as condições do direito de ser votado (passivo). a qualidade de eleitor decorre do alistamento. que é a seleção e nomeação das pessoas que hão de exercer as atividades governamentais. sem que isso constitua divisão deles. no sentido de que cada eleitor de ambos os sexos tem direito a um voto em cada eleição e para cada tipo de mandato. nele consubstancia-se o consentimento do povo que legitima o exercício do poder.. que assenta na elegibilidade. que cabe ao povo nos limites técnicos do princípio da universalidade e da igualdade de voto e de elegibilidade. o regime. consubstanciada nas condições do direito de votar (ativo). então que a cidadania se adquire com a obtenção da qualidade de eleitor.art. o Direito Constitucional brasileiro respeita o princípio da igualdade do direito de voto. são apenas modalidades de seu exercício ligadas à capacidade eleitoral ativa. especialmente no seu art. as formas de sufrágio denunciam. adotando-se a regra de que a cada homem vale um voto. secreto e tem valor igual. se não for titular do direito de votar. Instituições: as instituições fundamentais são as que configuram o direito eleitoral. se este é democrático.www. por outras palavras. que documentalmente se manifesta na posse do título de eleitor válido. Forma de sufrágio: o regime político condiciona as formas de sufrágio ou. Aquisição de cidadania: os direitos de cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral na forma da lei. em princípio. DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS Conceito: consistem no conjunto de normas que asseguram o direito subjetivo de participação no processo político e nos órgãos governamentais. o outro. os maiores de 70 anos e maiores de 16 e menores de 18 (art. 14. 14. garantindo a participação do povo no poder de dominação política por meio das diversas modalidades de sufrágio. por onde se vê que sufrágio é universal e o voto é direto. aí estando sua função primordial. Titulares do direito de sufrágio: diz-se ativo (direito de votar) e passivo (direito de ser votado). o sufrágio é um direito público subjetivo de natureza política. tais como o direito de sufrágio e os sistemas e procedimentos eleitorais.

salvo autorização do TRE em casos excepcionais (art. as condições de elegibilidade. na medida em que traduz o instrumento de atuação desta. sim. o eleitorado está organizado segundo 3 tipos de divisão territorial. a liberdade de voto é fundamental para sua autenticidade e eficácia. 2) isolamento do eleitor em cabine indevassável. uma função social e um dever. é aceitável a sua imposição como um dever. de acordo com o direito eleitoral vigente. idade mínima de 16 anos. mas função de soberania popular. sinceridade e autenticidade são atributos que os sistemas eleitorais democráticos procuram conferir ao voto. as inelegibilidades constam nos §§ 4º a 7º e 9º do mesmo artigo. direito esse. no que tange sua função eleitoral. (art. se designa sistema eleitoral. § 3º. Caracteres do voto: eficácia.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Capacidade eleitoral ativa: depende das seguintes condições: nacionalidade brasileira. nesse sentido. para tanto. Elegibilidade e condições de elegibilidade: consiste no direito de postular a designação pelos eleitores a um mandado político no Legislativo ou no Executivo. 14. isso porque algumas das condições indicadas dependem de forma estabelecida em lei. nestas. posse de título eleitoral e não ser conscrito em serviço militar obrigatório. é a sua manifestação no plano prático. não se admitindo. além de outras que podem ser previstas em lei complementar.www. o sigilo do voto é assegurado mediante as seguintes providências: 1) uso de cédulas oficiais. o conjunto de técnicas e procedimentos que se empregam na realização das eleições. mas também pela faculdade de votar em branco ou de anular o voto. as condições de elegibilidade e as inelegibilidades variam em razão da natureza ou tipo de mandato pleiteado. SISTEMAS ELEITORAIS As eleições: a eleição não passa de um concurso de vontades juridicamente qualificadas visando operar a designação de um titular de mandato eletivo. hão de garantir-lhe 2 caracteres básicos: personalidade e liberdade. uma função ou um dever. Reeleição: significa a possibilidade que a Constituição reconhece ao titular de um mandato eletivo de pleitear sua própria eleição para um mandato sucessivo ao que está desempenhando. significando que o eleitor deverá estar presente e votar ele próprio. é. na forma da lei. nem menos de 50. não se admitindo que outro o faça. 3) verificação da autenticidade da cédula oficial. Lei 4737/65) Organização do eleitorado: o conjunto de todos aqueles detêm o direito de sufrágio forma o eleitorado. 117. que são as circunscrições eleitorais e zonas eleitorais e. ao mesmo tempo. uma função. Lei 4737/65).ResumosConcursos. os eleitores são agrupados em seções eleitorais que não tenham mais de 400 eleitores nas capitais e de 300 nas demais localidades. os votos por correspondência ou por procuração. 103.(art. Natureza do voto: a questão se oferece quanto a saber se o voto é um direito. a personalidade do voto é indispensável para a realização dos atributos da sinceridade e autenticidade. manifestando-se não apenas pela preferência a um ou outro candidato. daí se conclui que o voto é um direito público subjetivo. 75 . 14) Exercício do sufrágio: o voto: o voto é o ato fundamental do exercício do direito de sufrágio. 4) emprego de urna que assegure a inviolabilidade do sufrágio e seja suficientemente ampla para que não acumulem as cédulas na ordem em que forem introduzidas pelo próprio eleitor. destinados a organizar a representação do povo no território nacional. garantido pelo voto secreto. as eleições são procedimentos técnicos para a designação de pessoas para um cargo ou para a formação de assembléias. a CF arrola no art. que é um direito já o admitimos acima.

desprezada a fração. 135 a 157. o registro das candidaturas é feito após a escolha. c) Quociente partidário: é o número de lugares cabível a cada partido. isto é. e é nesse momento que devem concretizar-se as garantias eleitorais do sigilo e da liberdade de voto (arts. o Direito Constitucional brasileiro consagra o sistema majoritário: a) por maioria absoluta. art. haverá apenas um candidato por partido.ResumosConcursos. por ele. que se obtém dividindo-se o número de votos obtidos pela legenda pelo quociente eleitoral. o sistema suscita os problemas de saber quem é considerado eleito e qual o número de eleitos por partido. cabe ao candidato ou candidatos que obtiverem a maioria dos votos.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro O sistema majoritário: por esse sistema. O escrutínio: é o modo pelo qual se recolhem e apuram os votos nas eleições.www. que consiste no seguinte: adiciona-se mais 1 lugar aos o que foram obtidos por cada um dos partidos. a representação. conforme o caso. para a eleição de Senadores Federais. toma-se o número de votos válidos atribuídos a cada partido e divide-se por aquela soma. a fração superior a meio. repita-se a mesma operação tantas vezes quantos forem os lugares restantes que devem ser preenchidos. a EC 22/82 é o que previu. nos quais o eleitor há de escolher entre candidatos individuais em cada partido. há de começar pela apresentação dos candidatos ao eleitorado. ou na Câmara Municipal. que procura combinar o princípio decisório da eleição majoritária com o modelo representativo da eleição proporcional. Código Eleitoral). ou na Assembléia Legislativa estadual. arredondando-se para 1. necessário determinar: a) votos válidos: para a determinação do quociente eleitoral contam-se. até sua total distribuição entre os diversos partidos. os votos nulos e brancos não entram na contagem (77. o direito brasileiro adotou o método da maior média. dividindo-se o número de votos válidos pelo número de lugares a preencher na Câmara dos Deputados. cumpre ao partido providenciar-lhes o registro consoante. na forma que a lei dispusesse. desprezada a fração igual ou inferior a meio. se distribua em proporção às correntes ideológicas ou de interesse integrada nos partidos políticos concorrentes. PROCEDIMENTO ELEITORAL Apresentação de candidatos: o procedimento eleitoral visa selecionar e designar as autoridades governamentais. com maioria simples. com predomínio do sistema de maioria. b) por maioria relativa. portanto. Propaganda: é regulada pelos arts. do Governador (28) e do Prefeito (29. se estendendo às Assembléias Legislativas e às Câmaras de Vereadores. 87 a 102 do Código Eleitoral. O sistema proporcional: é acolhido para a eleição dos Deputados Federais (45). por isso. § 1º). primeiramente ele se conjuga com o sistema de eleições distritais. II). como válidos. e 158 a 233. 240 a 256 do Código Eleitoral. mas com um aumento da representação proporcional. b) Quociente eleitoral: determina-se o quociente eleitoral . cujo procedimento esta descrito nos arts. houve tentativa de implantar um chamado sistema misto majoritário e proporcional por distrito. organização e funcionamento (17. o primeiro lugar a preencher caberá ao partido que obtiver a maior média. pretende-se que a representação em determinado território. que busca conservar o sistema eleitoral misto. § 2º). denominado sistema de eleição proporcional “personalizado”. 76 . d) Distribuição de restos: para solucionar esse problema da distribuição dos restos ou das sobras. depois. como pode ser por maioria absoluta. em dado território. os votos dados à legenda partidária e os votos de todos os candidatos. No Brasil. segundo o processo por ele estabelecido. e o mexicano. para a eleição do Presidente (77). em segundo lugar pode ser simples. (Código Eleitoral. pois a CF garante-lhes autonomia para definir sua estrutura interna. a formação das candidaturas ocorre em cada partido. 109) O sistema misto: existem 2 tipos: o alemão. sendo.

40 da Lei 818/49). 118 a 121). que prevê essa reaquisição. assim. contudo. condenação criminal transitada em julgado. Perda dos direitos políticos: consistem na privação definitiva dos direitos políticos. a temporária é sua suspensão. enquanto as regras de privação e restrição hão de entender-se nos limites mais estreitos de sua expressão verbal. especialmente. porque não se pode admitir a aplicação de penas restritivas de direito fundamental por via que não seja a judiciária. seus direitos políticos. 15. enquanto durarem seus efeitos. e tem por objetivo fundamental assegurar a eficácia das normas e garantias eleitorais e. bem como daquelas regras que determinam restrições à elegibilidade do cidadão. com o que o indivíduo perde sua condição de eleitor e todos os direitos de cidadania nela fundados. DIREITOS POLÍTICOS NEGATIVOS Conceito: são àquelas determinações constitucionais que. deve dirigir-se ao favorecimento do direito de votar e de ser votado. não impossibilita a 77 . regularizar sua situação mediante cumprimento das obrigações devidas (art. só pode ocorrer por uma dessas três causas: incapacidade civil absoluta. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS Modos de privação dos direitos políticos: a privação definitiva denomina-se perda dos direitos políticos. segundo as boas regras de hermenêutica. buscando a verdade e a legitimidade eleitoral. reavendo. ficará obrigado a novo alistamento eleitoral. essa circunstância. 4º. improbidade administrativa. § 2º). Conteúdo: compõe-se das regras que privam o cidadão. Interpretação: a interpretação das normas constitucionais ou complementares relativas aos direitos políticos deve tender à maior compreensão do princípio. de uma forma ou de outra. Suspensão dos direitos políticos: consiste na sua privação temporária. o Poder Judiciário é o único que tem poder para dirimir a questão. quando a Constituição não indique outro meio. a regra é. quem os perdeu em razão da perda de nacionalidade brasileira. quando diz que o inadimplente poderá a qualquer tempo. da totalidade dos direitos políticos de votar e ser votado.ResumosConcursos. que continua em vigor sobre a matéria.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro O contencioso eleitoral: cabe a Justiça Eleitoral. Competência para decidir sobre a perda e suspensão de direitos políticos: decorre de decisão judicial. e só admite a perda e suspensão nos casos indicados no art. em processo suscitado pelas autoridades federais em face de caso concreto.www. admite-se uma analogia à Lei 8239/91. coibir a fraude. a Constituição veda a cassação de direitos políticos. REAQUISIÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS Reaquisição dos direitos políticos perdidos: é regulada no art. 40 da Lei 818/49. importem em privar o cidadão do direito de participação no processo político e nos órgãos governamentais. pela perda definitiva ou temporária. os perdidos em conseqüência da escusa de consciência (art. (arts. readquirida esta. Reaquisição dos direitos políticos suspensos: não há norma expressa que preveja os casos e condições dessa reaquisição.

considerada a vida pregressa do candidato. as relativas constituem restrições à elegibilidade para determinados mandatos em razão de situações especiais em que. ou multipartidário. no momento da eleição se encontre o cidadão. § 9º). ou unipartidário. INELEGIBILIDADES Conceito: Inelegibilidade revela impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado). denominado sistema pluripartidário. Institucionalização jurídico-constitucional dos partidos. neste último se inclui o sistema brasileiro nos termos do art. Objeto e fundamento: têm por objeto proteger a probidade administrativa. numa concepção minimalista. Desincompatibilização: dá-se também o nome de desincompatibilização ao ato pelo qual o candidato se desvencilha da inelegibilidade a tempo de concorrer à eleição cogitada. Inelegibilidades absolutas e relativas: as absolutas implicam impedimento eleitoral para qualquer cargo eletivo. sem controle quantitativo (embora o possibilite por lei ordinária). tanto serve para designar o ato. que só podem buscá-los em fontes estritamente indicadas. mantido o controle financeiro. 17. DOS PARTIDOS POLÍTICOS Noção de partido político: é uma forma de agremiação de um grupo social que se propõe organizar. a Constituição vigente liberou a criação. consiste no modo de organização partidária de um país. ou bipartidarismo. para incidirem. do art. 14. são de eficácia plena e aplicabilidade imediata. e a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função.ResumosConcursos. de parentesco ou de domicílio. sujeitando-se à fiscalização do Poder Público. que deu lugar a um sistema de controle. mediante o qual o eleito sai de uma situação de incompatibilidade para o exercício do mandato. b) o de dois partidos. Sistemas partidários: sistema de partido. os diferentes modos de organização possibilitam o surgimento de 3 tipos de sistema: a) o de partido único. tornando-se ilegítimas quando estabelecidas com fundamento político ou para assegurarem o domínio do poder por um grupo que o venha detendo. ou mais partidos. consoante se adote uma regulamentação maximalista (maior intervenção estatal) ou minimalista (menor).com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro recuperação desses direitos que se dará automaticamente com a cessação dos motivos que determinaram a suspensão. possuem um fundamento ético evidente. Eficácia das normas sobre inelegibilidades: as normas contidas nos §§ 4º a 7º. 78 . seu programa e suas atividades. o controle financeiro impõe limites à apropriação dos recursos financeiros dos partidos. mas com previsão de mecanismos de controle qualitativo (ideológico). Controle: a ordenação constitucional e legal dos partidos traduz-se num condicionamento de sua estrutura. como para o candidato desembaraçar-se da inelegibilidade. podem ser por motivos funcionais. organização e funcionamento de agremiações partidárias. a normalidade para o exercício do mandato.www. coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de governo. o mesmo termo. 14. c) o de 3. 4. independem de lei complementar referida no § 9º do mesmo artigo. cargo ou emprego na administração direta ou indireta (art.

Autonomia e democracia partidária: a idéia que sai do texto constitucional (art. § 1º) é a de que os partidos hão que se organizar e funcionar em harmonia com o regime democrático e que sua estrutura interna também fica sujeita ao mesmo princípio. que poderão ir de simples advertência até a exclusão. faz-se por intermédio deles.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Função dos partidos e partido de oposição: a doutrina. Natureza jurídica dos partidos: se segundo o § 2º.www. a circunstância de ambos se voltarem para um 79 . realizar uma estrutura interna democrática. a necessidade e os fundamentos de partidos de oposição. que é função essencial à existência dos direitos fundamentais do homem. a prestarem contas à Justiça Eleitoral e a terem funcionamento parlamentar de acordo com a lei. § 3º. não se admitindo candidaturas avulsas. condicionados. o pluripartidarismo pressupõe maioria governante e minoria discordante. V). o direito da maioria pressupõe a existência do direito da minoria e da proteção desta. canais por onde se realiza a representação política do povo. a autonomia é conferida na suposição de que cada partido busque. decorrem. em essência. que o povo outorga a seus representantes. Sistema partidário e sistema eleitoral: ambos formam os dois mecanismos de expressão da vontade popular na escolha dos governantes. até o veda. Condicionamentos à liberdade partidária: ela é condicionada a vários princípios que confluem. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA Liberdade partidária: afirma-se no art. 17. o pluripartidarismo. não são uma determinante da lei. os estatutos dos partidos estão autorizados a prever sanções para os atos de indisciplina e de infidelidade.ResumosConcursos. de acordo com suas concepções. do texto constitucional (17). PARTIDOS E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA Partidos e elegibilidade: os partidos destinam-se a assegurar a autenticidade do sistema representativo. adquirem personalidade na forma da lei civil é porque são pessoas jurídicas de direito privado. do art. mas não no sentido de simples intermediários entre 2 pólos opostos ou alheios entre si. em geral. resguardados a soberania nacional¸ o regime democrático. a não receberem recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiro ou a subordinação a estes. organizar a vontade popular e exprimi-la na busca do poder. que. sendo assim. 17. desse modo. mas uma determinante estatutária. admite que os partidos têm por função fundamental. a serem de caráter nacional. fusão. mas a Constituição não permite a perda de mandato por infidelidade partidária. incorporação e extinção dos partidos políticos. mas como um instrumento por meio do qual o povo governa. estão de permeio entre o povo e o governo. Disciplina e fidelidade partidária: pela CF. no entanto. Partidos e exercício do mandato: uma das conseqüências da função representativa dos partidos é que o exercício do mandato político. para seu compromisso com o regime democrático. nos termos seguintes: é livre a criação. 17. os direitos fundamentais da pessoa humana. pois. pois ninguém pode concorrer a eleições se não for registrado num partido (14. visando à aplicação de seu programa de governo.

os quais se encontram ligados a estes entre os incisos do art. 3) dos direitos sociais. proteção judiciária. estabilidade dos direitos subjetivos. 80 . perfeitos e julgados.www. especialmente aos órgãos do Poder Público.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro mesmo objetivo imediato (a organização da vontade popular) revela a influência mútua entre eles. Confronto entre direitos e garantias: a lição de Ruy Barbosa: convém olhar os exemplos que estão nas páginas 414 e ss.GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DIREITOS E SUAS GARANTIAS Garantia dos direitos: os direitos são bens e vantagens conferidos pela norma. inobservância do direito violado. tem-se a reserva legal quando uma norma constitucional atribui determinada matéria exclusivamente à lei formal. para assegurar a observância ou. 4) dos direitos políticos. da proteção judiciária. a ponto de a doutrina definir condicionamentos específicos do sistema eleitoral sobre o de partidos. compreendendo: princípio da legalidade. sendo necessário olhar na íntegra. Classificação: apenas agruparemos em função de seu objeto em legalidade.ResumosConcursos. Legalidade e reserva de lei: o primeiro (genérica) significa a submissão e o respeito à lei. à disciplina de outras fontes. positivas ou negativas. VI . do art. e os remédios constitucionais. àquelas subordinadas. subtraindo-a. limitativas de sua conduta. 5º. Garantias constitucionais dos direitos: caracterizam-se como imposições. a estabilidade dos direitos subjetivos adquiridos. mas da lei que realize o princípio da igualdade e da justiça não pela sua generalidade. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS Conceito: usaremos a expressão para exprimir os meios. o segundo (legalidade específica) consiste em estatuir que a regulamentação de determinadas matérias há de fazer-se necessariamente por lei formal. procedimentos e instituições destinados a assegurar o respeito. com isso. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Conceito e fundamento constitucional: o princípio da legalidade sujeita-se ao império da lei. segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. o caso. segurança jurídica e remédios constitucionais.. enquanto as garantias são meios destinados a fazer valer esses direitos. Classificação das garantias constitucionais especiais: nos termos do Direito Constitucional positivo. instrumentos. para entender o assunto. que é muito extenso para resumir. está consagrado no inciso II. são instrumentos pelos quais se asseguram o exercício e gozo daqueles bens e vantagens. 5º. 2) garantias dos direitos coletivos. elas se agrupam: 1) Garantias constitucionais individuais. à segurança. a efetividade do gozo e a exigibilidade dos direitos individuais. mas pela busca da igualização das condições dos socialmente desiguais.

reconhecido pela doutrina como uma das garantias constitucionais. como proclama a Constituição (art. significa que se trata de poder limitado. LIV e LV) Monopólio do judiciário do controle jurisdicional: a primeira garantia que o texto revela (art. o legislativo e o jurisdicional. não é poder legislativo. Princípios complementares do princípio da legalidade: a proteção constitucional do direito adquirido.www. 37. a segunda consiste no direito de invocar a a atividade jurisdicional sempre que se tenha como lesado ou simplesmente ameaçado um direito. como a do art.ResumosConcursos. IV e VI). Controle de legalidade: a submissão da Administração à legalidade fica subordinada a 3 sistemas de controle: o administrativo. esta o princípio segundo o qual a Administração Pública obedecerá aos princípios da legalidade. 1º). XXXIX). junta-se aí uma constelação de garantias. Direito de ação e de defesa: garante-se plenitude de defesa. no art. em processo judicial e administrativo. na forma da lei (art. Legalidade tributária: esse princípio da estrita legalidade tributária compõe-se de 2 princípios que se complementam: o da reserva legal e o da anterioridade da lei tributária (art. junto com o da irretroatividade das leis que o complementa. o princípio é o de que o poder regulamentar consiste num poder administrativo no exercício de função normativa subordinada. até porque. 5º. individual ou não. 5º. (art.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Legalidade e legitimidade: o princípio da legalidade de um Estado Democrático de Direito assenta numa ordem jurídica emanada de um poder legítimo. impessoalidade. § 1º. a aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. 153. do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. assegurada no inciso LV: aos litigantes. constitui garantia de permanência e de estabilidade do princípio da legalidade. I e III). qualquer que seja seu objeto. o que prescreve a não ultratividade da lei penal (XL). o princípio da legalidade funda-se no princípio da legitimidade. Legalidade e atividade administrativa: Lembra Hely Lopes Meirelles que a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei. 5º. havendo exceções. 150. nem pena sem cominação legal (art. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO JUDICIÁRIA Fundamento: fundamenta-se no princípio da separação dos poderes. o princípio se contempla com outro. moralidade e publicidade. se o poder não for legítimo. 84. XXXV) é a que cabe ao Judiciário o monopólio da jurisdição. na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Legalidade e poder regulamentar: cabe ao Presidente da República o poder regulamentar para fiel execução da lei e para dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal. o Estado não será Democrático de Direito. com os meios e recursos a ela inerentes. Legalidade penal: não há crime sem lei anterior que o defina. só é permitido fazer o que a lei autoriza. 81 . XXXV.

da intimidade. de julgamento pelo tribunal do júri nos crimes dolosos contra a vida. ou condição preestabelecida inalterável. prevalece o império da lei velha. é aquela situação consumada ou direito consumado. 153. mas pode prever licitamente.ResumosConcursos. XI. se o direito subjetivo não foi exercido. consagra o direito do indivíduo ao aconchego do lar com sua família ou só. como o fez o art. denomina-se coisa julgada material a eficácia. § 3º (art. garantia do devido processo legal. XXXVI. combinado com o direito de acesso à justiça (XXXV) e o contraditório e a plenitude de defesa (LV). 5º. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 5) garantias da presunção de 82 . 5º.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Direito ao devido processo legal: ninguém será privado de liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo. fecha-se o ciclo das garantias processuais. consagrado na Constituição. Ato jurídico perfeito: nos termos do art. 6º. mais a hipótese do LXXV. 5º. 5º. do juiz competente. personalização da pena. XII). que entram no conceito mais amplo de liberdade de pensamento em geral (IV). proibição de determinadas penas. LIV). ou alguém por ele. figuram no art. proibição de extradição de brasileiro e de estrangeiro por crime político. revogando aquela sob cujo império se formara o direito subjetivo. visa impedir que estar invadam o lar. 485 do CPC. garantia da ação privada. 5º . proibição da prisão civil por dívida. vindo a lei nova. formas de manifestação do pensamento de pessoa a pessoa. podem ser consideradas em 2 grupos: 1) garantias jurisdicionais penais: da inexistência de juízo ou tribunal de exceção. a proteção dirige-se basicamente contra as autoridades. no art. quando define a casa como o asilo inviolável do indivíduo. não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário (art. que são meio de comunicação interindividual. refere-se a coisa julgada material. a lei não prejudicará o direito adquirido. é perfeito ainda que possa estar sujeito a termo ou condição. prevalecendo hoje o conceito do CPC. se vem lei nova. 2) garantias criminais preventivas: anterioridade da lei penal. sua rescindibilidade por meio de ação rescisória. § 2º). XXXVII a XLVII. Coisa julgada: a garantia. Segurança em matéria penal: visam tutelar a liberdade pessoal. XXXVI) é aquele que sob regime da lei antiga se tornou apto para produzir os seus efeitos pela verificação de todos os requisitos a isso indispensável. 467). 3) relativas à aplicação da pena: individualização da pena. irretroatividade da lei penal. a arbítrio de outrem (art. possa exercer. também o direito fundamental da privacidade. direito definitivamente exercido. Segurança das comunicações pessoais: visa assegurar o sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas e telefônicas (art. que torna imutável e indiscutível a sentença. 5º. ESTABILIDADE DOS DIREITOS SUBJETIVOS Segurança das relações jurídicas: a segurança jurídica consiste no conjunto de condições que tornam possível às pessoas o conhecimento antecipado e reflexivo das conseqüências diretas de seus atos e de seus fatos à luz da liberdade reconhecida. 4) garantias processuais penais: instrução penal contraditória. porque era direito exercitável e exigível à vontade de seu titular. transforma-se em direito adquirido.www. a lei não pode desfazer a coisa julgada. Direito adquirido: a LICC declara que se consideram adquiridos os direitos que o seu titular. DIREITO À SEGURANÇA Segurança do Domicílio: o art. de legalidade e da comunicabilidade da prisão.

em defesa dos interesses de seus membros ou associados. 5º. SOCIAIS E POLÍTICOS GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS Mandado de segurança coletivo: instituído no art. XXXIV). Direito a certidões: está assegurado a todos. parar e ficar. que é oponível contra qualquer autoridade pública ou contra agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas. Habeas corpus: é um remédio destinado a tutelar o direito de liberdade de locomoção. independentemente do pagamento de taxas. seja para solicitar uma modificação do direito em vigor do sentido mais favorável à liberdade (art. a obtenção de certidões em repartições públicas para defesa de direito e esclarecimentos de situações de interesse pessoal. 6) garantias da incolumidade física e moral: vedação do tratamento desumano e degradante. e pedir reorientação da situação. c) de que nenhum tributo será cobrado em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado nem no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. princípio da legalidade tributária. com o objetivo de corrigir ato ou omissão ilegal decorrente do abuso de poder. no art. introdução nesses registros de dados sensíveis (origem racial. etc) e conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei (art.www. LXXI). desleais e ilícitos. 5º.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro inocência: LVII. 8) garantia penal da ordem constitucional democrática: XLIV. tem natureza de ação constitucional penal. LXIX) Mandado de injunção: constitui um remédio ou ação constitucional posto à disposição de quem se considere titular de qualquer daqueles direitos. Habeas data: remédio que tem por objeto proteger a esfera íntima dos indivíduos contra usos abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos. quando o sindicato usá-lo na defesa do interesse coletivo de seus 83 . liberdade de ir e vir. o requisito do direito líquido e certo será sempre exigido quando a entidade impetra o mandado de segurança coletivo na defesa de direito subjetivo individual. inerte em virtude de ausência de regulamentação (art. LXXII). (art. d) de que não haverá tributo com efeito confiscatório. LXX. REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Direito de petição: define-se como direito que pertence a uma pessoa de invocar a atenção dos poderes públicos sobre uma questão ou situação. que pode ser impetrado por partido político ou organização sindical. só o próprio titular desse direito tem legitimidade para impetrá-lo. opinião política). sua finalidade consiste em conferir imediata aplicabilidade à norma constitucional portadora daqueles direitos e prerrogativas. 5º. 150: a) nenhum tributo será exigido nem aumentado senão em virtude de lei. LXVIII) Mandado de segurança individual: visa amparar direito pessoal líquido e certo. 5º. LVIII e LXXV. (art. XXXIV. vedação e punição da tortura.b) de que não se instituirá tratamento desigual entre contribuintes. seja para denunciar uma lesão concreta. GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS. 5º. liberdades ou prerrogativas inviáveis por falta de norma regulamentadora exigida ou suposta pela Constituição.ResumosConcursos. 5º. 7) garantias penais da não discriminação: XLI e XLII. entidade de classe ou associação legalmente constituída. Segurança em matéria tributária: realiza-se nas garantias consubstanciadas no art. 5º.

GARANTIA DOS DIREITOS SOCIAIS Sindicalização e direito de greve: são os 2 instrumentos mais eficazes para a efetividade dos direitos sociais dos trabalhadores. (114. os atos necessários ao exercício da cidadania. DIREITOS POLÍTICOS Definição do tema (remissão): são aquelas que possibilitam o livre exercício da cidadania. isto é. a igualdade de voto. a reserva de recursos orçamentários para a educação (212). e constitui manifestação direta da soberania popular consubstanciada no art. Decisões judiciais normativas: a importância dos sindicatos se revela na possibilidade de celebrarem convenções coletivas de trabalho e. 5º.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro membros e quando os partidos impetrarem-no na defesa do interesse coletivo difuso exigem-se ao menos a ilegalidade e a lesão do interesse que o fundamenta. da moralidade administrativa. do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural. 8º. inclui-se aí a determinação de que sejam gratuitos. LXXIII. da CF. outorgado a qualquer cidadão como garantia político-constitucional. já que pode ser impetrado por sindicato (art.www. Ação popular: consta no art. III) no interesse de Direito Constitucional de categorias de trabalhadores quando a falta de norma regulamentadora desses direitos inviabilize seu exercício. ao meio ambiente (225). Eficácia dos direitos fundamentais: a garantia das garantias consiste na eficácia e aplicabilidade imediata das normas constitucionais. conseqüentemente. podemos a definir como instituto processual civil.1º. caracterizados como direitos fundamentais. Mandado de injunção coletivo: pode também ser um remédio coletivo. aos direitos culturais (215). medidas utilizadas para tornar efetivo o exercício dos direitos constitucionais. só cumprem sua finalidade se as normas que os expressem tiverem efetividade. para a defesa do interesse da coletividade.ResumosConcursos. mediante a provocação do controle jurisdicional corretivo de atos lesivos do patrimônio público. visto que possibilita a instituição de sindicatos autônomos e livres e reconhece constitucionalmente o direito de greve (arts. com aplicação obrigatória nas ações e serviços de saúde e às prestações previdenciárias e assistenciais (194 e 195). na legitimação que têm para suscitar dissídio coletivo de trabalho. na forma da lei. os direitos. tais são o sigilo de voto. 8º e 9º). trata-se de um remédio constitucional pelo qual qualquer cidadão foca investido de legitimidade para o exercício de um poder de natureza essencialmente política. § 2º) Garantia de outros direitos sociais: fontes de recursos para a seguridade social. liberdades e prerrogativas consubstanciadas no título II. HABEAS CORPUS 84 . determinando que as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. INSTRUMENTOS ESPECIAIS PREVISTOS NA CF (REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS) São garantias constitucionais.

há mais prisões ilegais. a CF garante a liberdade de ir e vir com um remédio que se chama “habeas corpus”. não amparado por habeas corpus ou habeas data. do que legais. do ato impugnado. em seus limites. Tais outros direitos. prendem-nas – prostituição não é crime. definidos e reconhecidos sem maior questionamento). Enquanto no “habeas corpus” o procedimento é emergencial. O procedimento é emergencial. mas não se submete aos seus trâmites procedimentais. se recurso ou ação autônoma. embora rápido. pelo prejudicado. 142. seja porque pretendem prendê-lo. concessionários e permissionários de obras ou serviços. que pode ou não decorrer de um processo. salvo se se tratar de lei de efeito concreto. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL (art. apenas precisando de advogado. pelo interessado. sendo ele um pedido que se faz a um juiz noticiando-se a ele que o direito de liberdade de alguém está sofrendo constrangimento. no habeas corpus. domina o entendimento de que a impetração é verdadeira ação (são meios de provocar a atividade jurisdicional). “Habeas corpus” significa “tome seu corpo”. Como é do conhecimento geral. que está constrangendo a liberdade daquela pessoa. cometerá crime. ou seja. e prendem ilegal e abusivamente pessoas. LXVIII) – Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade (física) de locomoção (de ir e vir). em sua quantidade) e certos (indiscutíveis. ex: reitores. ilegal e abusivamente. podendo qualquer pessoa pedir em seu próprio nome ou de outrem. 5º. têm de ser líquidos (precisos em seus contornos. posta em liberdade. estaremos diante do “habeas corpus preventivo” (ex: prostitutas que fazem “trottoir” nas ruas e são “molestadas” por policiais que. que preste. logo não podem prendê-las). ainda que tenha por objeto impedir coação ilegal da própria autoridade judiciária. Quando a pessoa estiver apenas ameaçada em seu direito de liberdade. LXIX) – Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito (subjetivo) líquido e certo (ausência de dúvida quanto à situação de fato.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro (art. hoje. os serventuários. porém. Muitas requerem “habeas corpus preventivo” e obtêm uma ordem judicial (salvo conduto) para que não sejam presas por aquele motivo. determinará à autoridade. em seguida. para proteger o indivíduo contra “autoridades” que abusam de seu cargo e função.ResumosConcursos. os notários e oficiais de registro público). a pretensão do paciente é a correção da violência à liberdade. por ilegalidade ou abuso de poder praticado por autoridade. Não cabe “habeas corpus” para punições militares de caráter disciplinar (art. sabendo do fato. dentro de um processo. para os outros direitos previu o “mandado de segurança”. nem precisa de advogado. imediatamente. Não tem cabimento contra lei. diretores de estabelecimentos de ensino superior. seja porque já o prenderam ilegal e abusivamente. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (ou atua por delegação. Prazo para a impetração: 120 dias contados da ciência. urgentemente. É impetrado individualmente. determinará que a pessoa seja. confirmada a ilegalidade e abusividade da prisão. 85 . provada documentalmente). Discute-se a respeito de sua natureza jurídica. a CF. que no “habeas corpus” não precisa. isto é. 5º. recurso é um pedido de reexame de uma decisão. Por tal motivo. Como o “habeas corpus” é específico para a proteção da liberdade de locomoção. já não é tão urgente. O juiz. se o policial descumprir aquela ordem. É mais um “remédio” contra abusos de autoridades.www. no “mandado de segurança”. No mais é igual ao do “habeas corpus”. informações do que está acontecendo e. o pedido é autônomo e originário e se desenvolve em procedimento independente. § 2º). abusivas. sua liberdade. Não basta que a CF estabeleça que ninguém pode ser preso senão em flagrante delito ou por ordem de autoridade competente. pois o Promotor de Justiça deve sempre ser ouvido antes da decisão.

com tempo e rapidez necessários. sem necessidade de esperarmos a leizinha que será criada. XXXIV. seria muito mais simples que a Associação ou Sindicato dos funcionários públicos impetre um único “mandado de segurança coletivo”.ResumosConcursos. Os partidos políticos têm legitimidade para impetrar “mandado de segurança”. Impetraremos “mandado de injunção” para que o Judiciário declare esse nosso Direito e. rigorosamente. amparado no art. envolvia o direito à obtenção de certidão. Normalmente o “mandado de segurança” protege o direito líquido e certo de uma pessoa. 5º. que tutelará os interesses de todos os associados. assegurados na Constituição mas ainda não regulamentados. não ficaremos “chupando o dedo” à espera da boa vontade do legislativo. deverá ter representação no Congresso Nacional (pelo menos um deputado ou senador). haveria uma “enxurrada” de centenas de “mandados de segurança” para derrubar essa ordem inconstitucional. Ex: se o Governador do Estado dá ordem a seu Secretário da Fazenda para que não pague o 13º salário aos funcionários públicos estaduais. 5º. para ter essa capacidade. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (art. que estejam sendo prejudicados por ato ilegal ou abusivo de poder de uma autoridade pública (ou agente desta). b) organização sindical. LXXI) – Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. agindo por intermédio de uma associação ou sindicato. 86 . Só que. 5º. MANDADO DE INJUNÇÃO (art. o remédio contra a ilegalidade de recusa de fornecimento de certidão. é prejudicada pelo ato ilegal. É uma novidade constitucional. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. à soberania e à cidadania. Quando quisermos exercitar um desses nossos direitos constitucionais e alguém se recusar a reconhecer esse nosso direito. ou seja.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Qual o direito individual havia sido ferido. permite que pessoas jurídicas impetrem “mandado de segurança”. Existe o “mandado de injunção” coletivo. visando ao reconhecimento desse nosso direito. Também os sindicatos e as associações poderão impetrar “mandado de segurança coletivo”. Nem o judiciário “agüentaria” julgar todos eles. na defesa dos interesses coletivos. LXX) – O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. liberdade ou prerrogativa que postula em juízo”. Mas não é a qualquer partido político que se reconhece essa capacidade. a questão. e lhe fora negada? R. CF. para a obtenção de certidão é o “mandado de segurança” e não o “habeas-data”. possamos gozá-lo. São pressupostos insuperáveis ao cabimento do “mandado de injunção”: a) ser o impetrante beneficiário direto do direito. No “mandado de segurança” coletivo haverá o prejuízo de toda uma comunidade e essa coletividade poderá pôr um fim à ilegalidade ou abuso. e que para que possamos exercitá-lo desde já. que a CF nos dá. ou pelo abuso de poder da autoridade.www. desde já. o sindicato ou a associação deverá existir e funcionar há pelo menos um ano. Ação para obter a concretização de direitos. para que postulemos junto ao Judiciário. alegando que ainda depende de lei regulamentadora. diretamente. em defesa dos interesses de seus membros ou associados. Não se trata de um simples registro ou informação (“habeas data”) sobre uma pessoa. O “mandado de injunção” é um remédio. que. se um funcionário havia solicitado certidão sobre seu tempo de serviço.

somos donos do patrimônio público. mas a legitimação para propô-la. Se alguém tiver interesse em saber o que há registrado em seu nome. obrigando o órgão público a dar a informação à pessoa ou fazer a retificação. LXXII) – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. filiação partidária ou sindical. praticar ato que prejudique o patrimônio público (concorrência fajuta. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. DA ORDEM ECONÔMICA E DA ORDEM SOCIAL I . 5º. é restrita aos órgãos ou entidades referidas no art. desvio de verba. construção desnecessária e prejudicial a todos.. bem como a retificação desses dados. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE . Os administradores públicos agem em nosso nome. portanto. igualmente. caso seja negado. poderá impetrar “habeas-data”. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. inc. universidades). opinião política. à disposição de qualquer pessoa. precisaremos propor uma ação. b) para a retificação de dados. 5º. Só o Judiciário terá o poder de anular esse ato administrativo. Como cidadãos. ficando o autor. c) conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei. à moralidade administrativa. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público (ex: partidos.) é nosso dever de cidadão lutar para que a decisão seja anulada.DA ORDEM ECONÔMICA 87 . b) introdução nesses registros de dados sensíveis (de origem racial.www.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Ex: para você fazer uma greve é necessário que haja o “mandado de injunção” para ver o tempo que se pode fazer a greve. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso.ResumosConcursos. não se encontrando. etc. orientação sexual. que será cabível também quando o ato administrativo ferir o meio ambiente ou o patrimônio histórico-cultural. Ação que garante ao interessado o acesso a informações sobre a sua pessoa. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. se é legal ou não. desleais ou ilícitos. salvo comprovada má-fé. judicial ou administrativo. AÇÃO POPULAR (art. filosófica ou religiosa. HABEAS DATA (art. devem zelar pelo meio ambiente e preservar o patrimônio histórico-cultural. poderá requerer e. em qualquer órgão público. ou retificar dados lançados com erro para não nos prejudicar. etc. Quando qualquer governante tomar qualquer decisão. LXXII) – Conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. 103. O objeto do “habeas data” é proteger a esfera íntima dos indíviduos contra: a) usos abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos. quando gerenciam esses interesses. Significa que têm eles o dever de agir dentro dos parâmetros da moralidade e não causar qualquer prejuízo ao nosso patrimônio. Como qualquer cidadão (aquele que está no gozo de seus direitos políticos) pode promover essa ação denominada “ação popular”.também pode ser instrumento de tutela de liberdade. Para isso.

Exploração estatal da atividade econômica: existem 2 formas. o Estado aparece como agente normativo e regulador. Intervenção no domínio econômico: a participação com base nos arts. 88 . é a necessária. a intervenção fundada no art. consiste num processo de intervenção estatal no domínio econômico. os instrumentos de participação do Estado na economia são a empresa pública. caracteriza o Estado administrador de atividades econômicas. de natureza capitalista. caracterizando o Estado regulador. o promotor e o planejador da atividade econômica.www. uma é o Monopólio. se instrumente mediante a elaboração de plano ou planos. conforme os ditames da justiça social. 170. ATUAÇÃO ESTATAL NO DOMÍNIO ECONÔMICO Modos de atuação do Estado na economia: a CF reconhece duas formas de atuação do Estado na ordem econômica: a participação e a intervenção. da função social da propriedade. da livre concorrência. consagra uma economia de mercado. fala em exploração direta da atividade econômica pelo Estado e do Estado como agente normativo e regulador da atividade econômica. antes citado: da soberania nacional. da propriedade privada.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA Fundamento e natureza da ordem econômica instituída: ela é fundada na valorização do trabalho humano e na iniciativa privada. ou seja. com o fim de organizar atividades econômicas para obter resultados previamente colimados. Monopólios: é reservado só para as hipóteses estritamente indicadas no art. embora a Constituição não o diga. quem compreende as funções de fiscalização. incentivo e planejamento. da defesa do meio ambiente. como são as subsidiárias daquelas. Fim da ordem econômica: tem por fim assegurar a todos uma existência digna. a outra. da defesa do consumidor. 173 a 177. quando o exigir a segurança nacional ou o interesse coletivo relevante (173). 174. consubstanciam uma ordem capitalista. em essência. observados os princípios indicados no art. Planejamento econômico: é um processo técnico instrumentado para transformar a realidade existente no sentido de objetivos previamente estabelecidos. 170. Princípios da constituição econômica formal: estão relacionados no art. da redução das desigualdades regionais e sociais e da busca do pleno emprego. princípios estes que. significa que a ordem econômica dá prioridade aos valores do trabalho humano sobre todos os demais valores da economia de mercado. CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA E SEUS PRINCÍPIOS Idéia de Constituição econômica: a constituição econômica formal brasileira consubstanciase na parte da Constituição Federal que contém os direitos que legitimam a atuação dos sujeitos econômicos. 177. os conteúdo e limites desses direitos e a responsabilidade que comporta o exercício da atividade econômica.ResumosConcursos. a sociedade de economia mista e outras entidades estatais ou paraestatais.

Propriedade rural e reforma agrária: a propriedade rural. o sistema de apropriação privada tende a organizar-se em empresas. 225 e 216. ganha substancialidade precisamente quando aplicado à propriedade dos bens de produção.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro DAS PROPRIEDADES NA ORDEM ECONÔMICA O princípio da propriedade privada: a CF inscreveu a propriedade privada e a sua função social como princípios da ordem econômica (170. tem como utilidade natural a produção de bens necessários à sobrevivência humana. bens de produção são os que se aplicam na produção de outros bens ou rendas. sujeitas ao princípio da função social. inerente à utilidade e a valores que possuem. por isso são consignadas normas que servem de base à sua peculiar disciplina jurídica (184 a 191). IX e X). estamos a aludir à função social da empresa. ou seja. 69. com o 182. em benefício próprio e da comunidade em que vive. Política urbana e propriedade urbana: a concepção de política de desenvolvimento urbano da CF decorre da compatibilização do art. a CF estabelece que ele será estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da comunidade. o regime jurídico da terra fundamenta-se na doutrina da função social da propriedade.www. que dá competência a União para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano. sua alteração depende de lei formada nos termos do art. com sua natureza de bem de produção. são expressamente incluídos entre os bens da União (20. e quem a detém deve fazê-la frutificar. pela qual toda riqueza produtiva tem finalidade social e econômica. os recursos minerais. a propriedade do solo abrange a do subsolo em toda a profundidade útil ao seu exercício (CC. II e III). 89 . é a propriedade sobre a qual em maior intensidade refletem os efeitos do princípio. mediante pagamento da indenização em títulos da dívida agrária (84). a propriedade. VIII. 526). Propriedade do solo. a Lei 4595/64 o instituiu. DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Fundamento legal e objetivos do sistema financeiro nacional: será regulado em lei complementar. a sanção para imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social é a desapropriação por interesse social. conforme diretrizes gerais instituídas por lei. e os potenciais de energia hidráulica. é essencialmente vocacionada à apropriação privada. inclusive os do subsolo. são imprescindíveis à própria existência digna das pessoas. art.ResumosConcursos. do subsolo e de recursos naturais: por princípio. que estabelece que a política de desenvolvimento urbano tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes e é executada pelo Município. e não constituem nunca instrumentos de opressão. 21. aos nos referirmos à função social dos bens de produção em dinamismo. para fins de reforma agrária. Função social da empresa e condicionamento à livre iniciativa: o princípio da função social da propriedade. Propriedade dos meios de produção e propriedade socializada: a propriedade de bens de consumo e de uso pessoal. XX. na disciplina jurídica da propriedade de tais bens. implementada sob compromisso com a sua destinação. Propriedade de interesse público: são bens sujeitos a um regime jurídico especial e peculiar em virtude dos interesses públicos a serem tutelados. que prevalece na Constituição. pois satisfazem necessidades diretamente. exs: arts.

da igualdade. nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito. § 2º. da unidade de organização e da solidariedade financeira. II . mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer outra forma e. punido.ResumosConcursos. não poderão passar de 12% ao ano. os benefícios são prestações pecuniárias aos assegurados e a qualquer pessoa que contribua na forma dos planos previdenciários. pensão por morte e a aposentadoria. as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros títulos. do atendimento integral e da participação da comunidade. de previdência e de capitalização. assegura-se às instituições bancárias acesso a todos os instrumentos do mercado financeiro bancário. nos termos que a lei determinar. o outro consta do art. 192. um depende de lei complementar. Funcionamento das instituições financeiras: depende de autorização (192. 192 que as taxas de juros reais. salário família e auxílio reclusão. de responsabilidade da União. mercadorias ou dinheiro. 201. vedada a elas a participação em atividades não previstas na autorização. sendo. compreende prestações de 2 tipos: benefícios e serviços. DA SEGURIDADE SOCIAL Conteúdo. II. 90 . nos termos da lei. será financiada por toda a sociedade de forma direta ou indireta (195). porém. as bolsas de valores. à previdência e à assistência social. Tabelamento dos juros e crime de usura: está previsto no § 3º.www. do art. Saúde: por serem de relevância pública.DA ORDEM SOCIAL INTRODUÇÃO À ORDEM SOCIAL Base e objetivo da ordem social: tem por base o primado do trabalho. serão depositados em suas instituições regionais de crédito e por elas aplicados. rege-se pelos princípios da universalidade de cobertura e do atendimento. Regionalização financeira: 2 dispositivos se preocupam com a questão regional. as seguradoras. I a III). ainda. em todas as suas modalidades. segundo o qual os recursos financeiros relativos a programas e projetos de caráter regional. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. além das instituições financeiras. o SUS rege-se pelos princípios da descentralização. e são os seguintes: auxílios (201. princípios e financiamentos da seguridade social: compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade. assim como as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis. fiscalização e controle do Poder Público. de caráter contributivo e de filiação obrigatória. I). e como objetivo o bem-estar e a justiça social. e 239). a cobrança acima desse limite será conceituada como crime de usura. III. Previdência social: será organizada sob forma de regime geral. que deve estabelecer os critérios restritivos de transferência de poupança de regiões com renda inferior à média nacional para outras de maior desenvolvimento. as ações e serviços ficam inteiramente sujeitos à regulamentação.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Instituições do sistema financeiro: subordinam-se à sua disciplina. seguro-desemprego (7º.

225. além de outras fontes. que são: da igualdade. é reconhecida a união estável. DA FAMÍLIA. os benefícios e serviços serão prestados a quem deles necessitar.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro Assistência social: não depende de contribuição. Tutela da criança e do adolescente: a família tem o grave dever. I). 205 só se realizará num sistema educacional democrático. 217. DO ADOLESCENTE E DO IDOSO A família: é afirmada como base da sociedade. é financiada com recursos do orçamento da seguridade social.ResumosConcursos. acolhidos pela CF. Desporto: é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais. da liberdade. observadas as diretrizes do art. juntamente com a sociedade e o Estado. arrola as medidas e providências que incumbem ao Poder Público tomar para assegurar a efetividade do direito reconhecido no caput do próprio artigo. a pesquisa a capacitação tecnológica (219).www. DA CRIANÇA. a paternidade responsável é sugerida. Tutela de idosos: vários dispositivos mencionam a velhice como objeto de direitos específicos. mediante prestações estatais que garantam. administrativa e de gestão financeira das Universidades. do pluralismo. I). Autonomia universitária: a CF firmou a autonomia didático-científica. o casamento é civil e gratuita a sua celebração. o art. de assegurar com absoluta prioridade. da gratuidade. como o previdenciário (201. assistencial (203. DA ORDEM CONSTITUCIONAL DA CULTURA Educação: a Constituição declara que ela é um direito de todo e dever do Estado (205 a 214). Cultura e direitos culturais: a CF estatui que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacional. o ensino fundamental. Princípios básicos do ensino: a consecução prática de seus objetivos. consoante o art. a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. Ensino público: importa em que o Poder Público organize os sistemas de ensino de modo a cumprir o respectivo dever com a educação. o dever de se ajudar é recíproco entre pais e filhos. da gestão democrática e do padrão de qualidade (206). obrigatório e gratuito (208 a 210). pesquisa e extensão (207). como direito de cada um. Ciência e Tecnologia: é incumbência estatal promover e incentivar o desenvolvimento científico. o art. da valorização dos profissionais do ensino. Meio ambiente: a Constituição o define ecologicamente equilibrado como direito de todos e lhe dá a natureza de bem de uso comum do povo. 91 . 227. apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. tendo especial proteção do Estado. 230 estatui que a família. § 1º. no mínimo. os direitos fundamentais da criança e do adolescente enumerados no art. que obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino. informado pelos princípios.

do mesmo artigo. costumes e usos. que é de competência da Justiça Federal (109. 231 reconhece a organização social. como fonte primária e congênita da posse territorial. Defesa dos direitos e interesses dos índios: têm natureza de direito coletivo. costumes. especialmente de suas línguas.www. que assim. como direitos originários (231). Direitos sobre as terras indígenas: são terras da União vinculadas ao cumprimento dos direitos indígenas sobre elas.com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro DOS ÍNDIOS Fundamentos constitucionais dos direitos indígenas: as bases dos direitos dos índios estão estabelecida nos arts. reconhecidos pela Constituição. 231 e 232. Organização social: o art. línguas. XI e § 2º. intervindo o MP em todos os atos do processo. às suas comunidades e às organizações antropológicas e pró-indios. consubstanciada no § 2º. com o que reconhece a existência de minorias nacionais e institui normas de proteção de sua singularidade étnica. consagra uma relação jurídica fundada no instituto do indigenato. por isso é que a CF reconhece legitimação para defendê-los em juízo aos próprios índios. e 232). crenças e tradições dos índios. 92 .ResumosConcursos.

com Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro 93 .ResumosConcursos.www.