You are on page 1of 2

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Quando as chaminés das primeiras fábricas emitiram grandes jatos de fumaças, ainda no século XVIII na Inglaterra,
muitos foram os entusiastas a alimentar a crença no progresso. A ciência parecia em fim permitir o amplo domínio do homem
sobre a natureza e sobre o seu destino. As ameaças de escassez alimentar ou de qualquer outra natureza não mais impediria
o homem de atender em plenitude as suas supostas necessidades, muito além daquelas básicas comuns a qualquer outro
animal.
Todavia, o tempo não tardou em mostrar que a esperança infinita e ampla na ciência e no progresso eram apenas
ilusões. Primeiro porque as benesses do mundo moderno não chegaram a todos, a divisão se deu tanto na escala de países
ricos e países pobres como nas divisões em classes sociais. Portanto, a grande produção de alimentos e bens de consumo em
geral não são consumidas de forma minimamente semelhante entre todos os terráqueos, mas, sim de acordo com o país
onde o individuo está e a qual classes social ele pertence. Estudos recentes na FAO, agencia da ONU para agricultura e
alimentação, mostra que em pleno século XXI, 1 em cada 6 humanos estão subnutridos. Soma-se a essa desilusão
constatações ambientais terríveis verificadas na segunda metade do século XX, destaque para duas: a ação humana sobre os
recursos naturais esta causando intensa degradação ambiental de modo a comprometer visceralmente o equilíbrio natural da
Terra. E a segunda desalentadora constatação é a de que os recursos naturais disponíveis no planeta não são capazes de
satisfazer as necessidades humanas infinitamente reinventadas. Diante desse quadro, ainda na Conferência de Estocolmo em
1972, o progresso e a modernidade até então vistos como bens inquestionáveis da humanidade passaram a ser relativizados
ou negados, pois, se tornaram sinônimos de um mundo insustentável.
Daí emergiu uma série de tratados, conferências e acordos que visam construir um mundo sustentável, em melhor
equilíbrio ambiental, social, econômico e cultural. Passou a se perseguir um novo ideário: o do desenvolvimento sustentável,
baseado em novos paradigmas, quase que utópicos ou ilusórios para os mais críticos. A idéia central do desenvolvimento
sustentável é a de conciliar crescimento econômico para atender as necessidades do presente sem comprometer a saúde
ambiental do planeta para que ainda haja futuro para as próximas gerações e ao mesmo tempo erradicar a pobreza, a
exclusão social e toda forma de discriminação cultural. Esse novo paradigma certamente é um tremendo desafio
considerando o atual status quo, onde as diretrizes econômicas do sistema capitalista praticamente inviabilizam reais e
comprometidas preocupações ambientais, sociais e culturais, diante de uma competitividade avassaladora entre as grandes
corporações mundiais, ainda mais em uma economia globalizada onde o mercado é mundial.
A necessidade de um novo modelo econômico e mesmo de um outro mundo mais sustentável deve ser discutido, entre
outras esferas e locais, nas escolas. Dessa forma se faz necessário repensar a própria escola em seus conteúdos, currículos e
praticas pedagógicas. Assim emerge uma nova proposta de educação, uma educação voltada para o desenvolvimento
sustentável, ou como prefere outros uma educação para a sustentabilidade. Essa nova proposta de educação difere da já
consagrada expressão de educação ambiental, não que a descarte, na verdade engloba o termo e vai além. Uma vez, que a
educação ambiental restringe o seu campo de estudo basicamente para a questão ambiental, enquanto uma educação para a
sustentabilidade deve ampliar o leque e equacionar as possibilidades e dificuldades em uma escala holística, isto é, mais
global e abrangente, considerando elementos políticos, econômicos, sociais e culturais. Ao que tudo indica os desafios
enfrentados para a implementação desse novo modelo de educação encontra desafios tão tremendos como aqueles
encontrados quando se pensa no desenvolvimento sustentável. O que não é de se estranhar, haja vista que escola, economia
e meio ambiente estão inseridos dentro de uma mesma lógica de valores e produção em um dado espaço e tempo o que
obviamente os ligam de forma visceral.
Mesmo reconhecendo os desafios e as durezas da caminhada se faz necessário cada vez mais discutir e caminhar rumo
a valores e praticas que visem outras relações mais justas e sustentáveis que as atuais. É tempo de debater, propor e
experimentar novas possibilidades se serão suficientes para construir novos tempos nunca teremos a certeza, mas não custa
tentar, desde a pequena ação individual até ações mais comunitárias e globais, afinal, como já diz aquela velha máxima “é
caminhando que se faz o caminho”.

João Paulo