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CENTRO UNIVERSITÁRIO ASSUNÇÃO PONTIFÍCIA FACULDADE DE TEOLOGIA NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO

PEDRO DONIZETI DE CAMPOS

UM ESTUDO HISTÓRICO - TEOLÓGICO DAS DIRETRIZES PASTORAIS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB) (1991-2002): UM PERFIL ECLESIOLÓGICO

SÃO PAULO – 2007

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CENTRO UNIVERSITÁRIO ASSUNÇÃO PONTIFÍCIA FACULDADE DE TEOLOGIA NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO

PEDRO DONIZETI DE CAMPOS

UM ESTUDO HISTÓRICO - TEOLÓGICO DAS DIRETRIZES PASTORAIS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB) (1991-2002): UM PERFIL ECLESIOLÓGICO

Dissertação apresentada como exigência parcial para obtenção do título e Mestre em Teologia Dogmática à Comissão julgadora da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, sob a orientação do Pe. Dr. Ney de Souza.

SÃO PAULO – 2007

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PÁGINA DE APROVAÇÃO

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Dedico esta Dissertação, de modo especial, a Deus, a Nossa Senhora e à Igreja, fazendo votos de que possa ajudá-la em sua missão

evangelizadora. Dedico ainda às minhas irmãs de comunidade, Irmã Ângela Maria de Moraes e Irmã Ceila Cristiane Nunes, que não mediram esforços para que pudesse ter tempo para minha pesquisa. Da mesma forma, dedico-a à

Comunidade Missionária Providência Santíssima, da qual faço parte, assim como a toda a minha família.

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Agradeço

a

todos,

sem

distinção,

que

colaboraram para a concretização desse trabalho. De modo especial, ao meu orientador, Pe. Ney de Souza por sua dedicação e honestidade. Da mesma forma, agradeço aos meus professores Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, Pe. Antonio Manzatto, Ilmo senhor Renold Blanck, a Irmã Maria Freire da Silva, Pe. Tarcisio Justino Loro, Pe. J. Adriano por todos os esforços a mim dispensados. Agradeço ainda a Adveniat pela doação semestral de meia bolsa que,

efetivamente, ajudou-me em meus gastos. A todos, o meu muito obrigado e minhas orações.

.1.......................................... 32 1......1.......1....1.............................................. 47 2............................................61 2...2...................................................................2.......62 2............................. A IGREJA: POVO DE DEUS...............................3.....................................................................................................................................1..................................................................................10 INTRODUÇÃO GERAL ..............................................5............................................................................... A SANTIDADE COMO HORIZONTE COMUM A TODO O POVO DE DEUS..............4..................78 ............................................................2........................1........2....................................................... O SEGUNDO PERÍODO DO CONCÍLIO (29/9 A 4/12 / 1963)...........2................................. 20 1.......................... 13 CAPÍTULO I: UM PERFIL ECLESIOLÓGICO A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II.. O MISTÉRIO DA TRINDADE COMO ORIGEM DA IGREJA....... A IGREJA POVO DE DEUS: SUA ESTRUTURA VISÍVEL ........ O TERCEIRO PERÍODO DO CONCÍLIO (14/9 A 21/11/ 1964)... A CONSTITUIÇÃO DE ECCLESIA: EIXO DO CONCÍLIO.................. 19 INTRODUÇÃO .................2............. 57 2....................... 50 2.................................................... OS TRABALHOS PÓS PRIMEIRA SESSÃO ... 61 2................................2.................6.......... 29 1.................................................... O PROCESSO HISTÓRICO DA CONSTITUTIO DE ECCLESIA ............ 31 1............... 42 1....................23 1.....6 ÍNDICE ABREVIAÇÕES............................. A IGREJA COMO SACRAMENTO .. 29 1..........................................................3...................... UMA ANÁLISE TEOLÓGICA DA CONSTITUTIO DE ECCLESIA .............. A TRANSIÇÃO PONTIFÍCIA ........................................2... O EIXO MINISTERIAL: A TRINDADE COMO IMAGEM ................................2................. A IGREJA COMO MISTÉRIO.....2......2................65 2........................ 22 1.2...... O CONCÍLIO VATICANO II: UM CONCÍLIO PASTORAL E ECLESIOLÓGICO............ O SEGUNDO PERÍODO INTERSESSIONAL DO CONCÍLIO – 1963-64 ................2..........2........................................................................................................................................................................................3......... O EIXO MISTÉRICO: A TRINDADE COMO ORIGEM .... UM PERFIL ECLESIOLÓGICO A PARTIR DA CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA SOBRE A IGREJA LUMEN GENTIUM....2................................................................... 67 2....... 43 1..................................................72 2.......2...........2..............67 2..1...... O PRIMEIRO PERÍODO INTERSESSIONAL DO CONCÍLIO – 1962-63.................1...... 49 2.....1............. O PRIMEIRO PERÍODO DO CONCÍLIO (11/10 A 08/12/1962)............2.2......

.....................................................2.............. O EIXO ESCATOLÓGICO: A TRINDADE COMO FIM ...........................................................1.......................................2...................... A ERA DAS DIRETRIZES E DA APLICAÇÃO DE MEDELLÍN............ O TERCEIRO PERÍODO: UM REPENSAR A SUA IDENTIDADE ..2.................................... A CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB .......... A DÉCADA DE 70: A AFIRMAÇÃO DE UMA IDENTIDADE ECLESIAL...................1................ 144 3..........................110 2............................2......1..... 89 CAPÍTULO II: A IGREJA DO BRASIL E SUA CONSTRUÇÃO PASTORAL A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II: UMA ANÁLISE HISTÓRICA ....... 96 1..1962-1979 ........... 106 1................ 107 2.............7 2. 109 2.................1........................ 141 3... A RELAÇÃO ENTRE IGREJA DO BRASIL E SANTA SÉ: CONFLITO DE PROJETOS .............................................. 148 ....................... OS PRIMÓRDIOS DO PLANEJAMENTO PASTORAL NO BRASIL: OS ANTECEDENTES DO PLANO DE EMERGÊNCIA -1899 ............................ ........................................... A DÉCADA DE 60: A FORMAÇÃO DE UMA IDENTIDADE ECLESIAL............. 102 1..................2.2..........4.2........... 133 3...... A IGREJA DO BRASIL E A SUA ATUAÇÃO PASTORAL .......... 90 INTRODUÇÃO ............2......2 O CONCÍLIO VATICANO II E PPC.................................................................... A PRIMEIRA METADE DA DÉCADA DE 90.............................. O PLANO DE EMERGÊNCIA: GÊNESE DA VIDA PASTORAL DA IGREJA NO BRASIL .......................................................................................................................1..................................... 119 2... 82 CONCLUSÃO ................. 80 2.................. 133 3.. COMUNHÃO E MISSÃO: UM PERFIL ECLESIOLÓGICO .....1............. PUEBLA: SINAL DE EQUILÍBRIO NA COMUNHÃO E NA PARTICIPAÇÃO.. 91 1....1.. A CONFERÊNCIA DE SANTO DOMINGO.................114 2.....................1980-1994 ... 121 2.......................... 129 3................................1962 ........................1..........4.........................2.................... O MOVIMENTO DE NATAL E O MOVIMENTO DE EDUCAÇÕ DE BASE.......................... A FORÇA DE MEDELLÍN: CEBs E TdL................. O MOVIMENTO POR UM MUNDO MELHOR........... 110 2..................... 121 2....1..1......2................... 132 3..........................................................1. 93 1.................... A DÉCADA DE 80: CONFLITO ENTRE MENTALIDADES ........................ O SEGUNDO PERÍODO: A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE ECLESIAL .......................3........................................................................ 144 3.3..........2...........3.... AS DGAP E A PRIMEIRA METADE DA DÉCADA DE 90 PARA A IGREJA DO BRASIL.. 100 1........1..........2........................................................................... A CONFERÊNCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL: CRB........................ AÇÃO CATÓLICA BRASILEIRA ......................................5...........................................

.......................169 1....... DA CONFERÊNCIA DE MEDELLÍN E DO SÍNODO SOBRE “A JUSTIÇA NO MUNDO” DE 1971.......................................... ...............3....................................... 164 1................................1....................... OS FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DAS DIRETRIZES DA AÇÃO PASTORAL DA IGREJA NO BRASIL: DOC 45 ................. ANÁLISE TEOLÓGICA DA EVOLUÇÃO ECLESIOLÓGICA INERENTE ÀS DIRETRIZES: (19912002) ....................................... AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA: UM NOVO ENFOQUE ECLESIAL................................1...................2........1......................................... MEDELLÍN E A EVANGELIZAÇÃO LIBERTADORA.....................................1..........................................................................1..........................5.....184 1....1.....................................................................................2........................................ QUARTO PERÍODO: A DEFINIÇÃO DE UM PERFIL ECLESIAL: COMUNHÃO E MISSÃO ...............2.................................217 ................... 172 1....................................... SANTO DOMINGO E O PROJETO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO ..............1........3.. A VOLTA DOS GRANDES PROJETOS: PRNM E SINM .............. OS FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DAS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL: DOC 54................................1.......3.1.2................................. 150 4...........................3........4........................................ SANTO DOMINGO E A NOVA EVANGELIZAÇÃO ......................................... O CONTEÚDO TEOLÓGICO DA REDEMPTORIS MISSIO..1...... O CONTEÚDO DA EVANGELLI NUNTIANDI..... 181 1. 196 1........5.......................... 165 1........................................................................................1............. 216 1...177 1.............................................................................................1....197 1....................... A CONFERÊNCIA DE PUEBLA....... 165 1.......1....2...........................1................. O CONCÍLIO VATICANO II: UM LEGADO DE COMUNHÃO E MISSÃO ............. A INFLUENCIA DA POPULORUM PROGRESSIO........3........................................................ A POPULORUM PROGRESSIO E O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRAL .................1..........................160 INTRODUÇÃO ........................204 1..............1.........................................1.................................. 161 1...................... 154 CONCLUSÃO ...........................174 1.. O CONCÍLIO E O PPC: UMA RECEPÇÃO ORIGINAL...............1.....................................................1...8 4.....................3......1.... A EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELLII NUNTIANDI E A EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL ................172 1..................2....... A CARTA ENCÍCLICA REDEMPTORIS MISSIO.......... AS DIRETRIZES DA AÇÃO PASTORAL: DOC 45: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA........................................................................................ 150 4.....................................................................1.........................1.............. O SÍNODO SOBRE A JUSTIÇA NO MUNDO E A QUESTÃO DA LIBERTAÇÃO INTEGRAL ....... 158 CAPÍTULO III UM PERFIL ECLESIOLÓGICO DAS DIRETRIZES DE 1991-2002: UMA IGREJA EVANGELIZADORA ........................ 191 1......................................................... 215 1............2...................................................

.........................1.....3......... A CARTA ENCÍCLICA TERTIO MILLENNIO ADVENIENT E A PREPARAÇÃO DO JUBILEU DO ANO 2000..............................................................5.........................................................................................257 CONCLUSÃO GERAL........................260 BIBLIOGRAFIA ........................................................... O PROJETO RUMO AO NOVO MILÊNIO: O RESGATE DE UMA ECLESIOLOGIA COMUNHÃO-MISSÃO ....................................2...............................1.. 255 CONCLUSÃO........ 232 1...............................1............. AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA: DOC 54: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA..............225 1................................................................... 263 ............. ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA A AÇÃO EVANGELIZADORA E PASTORAL.................................................9 1................ SANTO DOMINGO E O PROTAGONISMO DOS LEIGOS ................................................................4..3........................................1................. O PROJETO SER IGREJA NO NOVO MILÊNIO.......................... 229 1.......................................................................... SANTO DOMINGO E A CENTRALIDADE DE JESUS CRISTO COMO FUNDAMENTO PARA A ECLESIOLOGIA DE COMUNHÃO .............................................................234 1......................... 250 1...........4.....................4.....3............... AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA: DOC 61 E O PROJETO SER IGREJA NO NOVO MILÊNIO ..................................................................2............................. 247 1............5..........222 1..................................2..................................................................2...........................................................

Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi ES.Documento de Puebla DV.Decreto Apostolicam actuositatem sobre o apostolado dos leigos AAS.Ação Católica Brasileira AG.Comunidade Eclesial de Base CELAM.Constituição dogmática Dei verbum sobre a Revelação Divina EN.Constituição pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo de hoje .Declaração Gravissimum educationis sobre a educação cristã GS.Carta Encíclica Ecclesiam Suam GE.Conselho Episcopal de Pastoral CFL.Conferência Episcopal Latino-americana CEP.América Latina AS.Catecismo da Igreja Católica CM.Congresso Missionário Latino-americano CRB.Decreto Christus Dominus sobre a função pastoral dos bispos na Igreja CEBs.10 SIGLAS E ABREVIAÇÕES AA.Declaração Dignitatis humanae sobre a Liberdade Religiosa DSD.Comunicado Mensal CNBB.Conferência Nacional dos Bispos do Brasil COMLA.Decreto Ad gentes sobre a atividade missionária da Igreja AL.Acta Sinodali CD.Documento de Santo Domingo DP.Diretrizes Gerais da Ação Pastoral DH.Exortação Apostólica Christifidelis laici CIC.Acta Apostolicae Sedis ACB.Conferência dos Religiosos do Brasil DGAE.Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora DGAP.

mas com modificações (voto favorável.Instituto de Teologia e Ciências Religiosas JAC.Plano de Pastoral de Conjunto PRNM.Juventude Operária Católica JUC.Decreto Optatum totius sobre a formação sacerdotal PB.sim.Revista da Conferência dos Religiosos do Brasil RCRB.Juventude Independente Católica JOC.Movimento de Educação de Base MMM.Decreto Inter mirifica sobre os meios de Comunicação Social INP.Plano Bienal PB.não (voto contra) OE.Declaração Nostra Aetate sobre a relação da Igreja com as religiões não-cristãs Non placet.Juventude Universitária Católica LG.Juventude Agrária Católica JEC.Movimento por um Mundo Melhor NA.Decreto Perfectae Caritatis sobre a renovação da vida religiosa PE.11 IM.Projeto Rumo ao Novo Milênio RCRB.Constituição Dogmática Lumen gentium sobre a Igreja MCS. de acordo (voto favorável) PO. mas condicional) Placet.Decreto Orientalium Ecclesiarum sobre as Igrejas Orientais OT.Plano de Emergência Placet iuxta modum.Meios de Comunicação Social MEB.sim.Revista da Conferência dos Religiosos do Brasil .Decreto Presbyterorum Ordinis sobre o ministério e a vida sacerdotal PP.Encíclica Populorum Progressio PPC.Juventude Estudantil Católica JIC.Instituto Nacional de Pastoral ITCR.Puebla PC.

Secretariado Nacional de Educação SNOP.Serviço de Cooperação Apostólica Internacional SINM.Revisada e Aumentada RMi.Secretariado Nacional das Vocações SNED.Carta Apostólica Tertio Millennio Advenient TMI.Revisada e Ampliada rev.Decreto Unitatis redintegratio sobre o Ecumenismo V.Revue des Sciences Philosophiques et Théologiques SAR.Secretariado Nacional dos Religiosos SNAS.Secretariado Nacional das Prelazias SNAPES.Volume . .Secretariado Nacional dos Ministérios Hierárquicos SNAP.Secretariado Nacional dos Seminários SNAT.Ser Igreja no Novo Milênio SNAC.Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia SCAI.Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte UR.Secretariado Nacional da Ação Social SNASEM.Revista Eclesiástica Brasileira rev.Serviço do Assistente Rural SC. ampl.Secretariado Nacional de Liturgia SNALE.Secretariado Nacional de Pastoral Especial SNAR.Carta Encíclica Redemptoris Missio RSTP .Secretariado Nacional de Catequese SNAL. aum.Secretariado Nacional de Teologia SNAV.Secretariado Nacional de Opinião Pública TdL.Teologia da Libertação TMA..Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos SNAMHI.12 REB.

.. expor e explicar as verdades reveladas. São Paulo: Loyola. p.B. etapa por etapa. sem prejulgar as explicitações atuais do magistério” 2. por sua vez. Realiza de modo direto e explícito o programa estabelecido por Santo Anselmo: ´fides quaerens intellectum´ .) Procura retraçar autenticamente a história da revelação tal como se desenrolou no passado. como fruto de minhas pesquisas. Enfoques. Introdução à Teologia: Perfil. percebendo-lhes os pontos de semelhança e dessemelhança. 102. experiências e intuições acerca do perfil eclesiológico inerentes às mesmas. São Paulo: Herder.) Sua finalidade é declarar. 1969. Cf. explicitar o que está na revelação. J. (. Parte do dogma. História da Teologia Católica.) A estrutura fundamental dessa teologia consiste em sistematizar. Cf. 2 LATOURELLE. p. ou seja. R. Essa dissertação está construída a partir do método genético.´von oben´ ou ´katábasis´ (a partir de cima) -.. p. São Paulo: Paulinas. 1981. ao usar o método dedutivo.. 1996. (.. cuja forma argumentativa descendente fundada numa matriz dedutiva 1 nos possibilita apreender do universal ao particular. do Magistério até o locus eclesial analisado.. (. Também COMBLIM. 84. J. 163-168.13 INTRODUÇÃO GERAL Apresento a presente pesquisa intitulada “UM ESTUDO HISTÓRICOTEOLÓGICO DAS DIRETRIZES PASTORAIS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB) (1991-2002): UM PERFIL ECLESIOLÓGICO”. MURAD. 1 . A. está “mais de acordo com a dimensão histórica do homem e da economia da salvação.. Teologia: Ciência da Salvação.a fé que busca a inteligência”. Esse. LIBANIO. procurando trazer maior inteligência para a fé. o qual toma por ponto de partida a Revelação. Tarefas. definir. da própria formula da Revelação a fim de adquirir-lhe maior compreensão pela via da analogia com as realidades humanas. A Teologia Dedutiva “se caracteriza por ser uma ´teologia de cima´ ..

no intuito de descrever um perfil eclesiológico. o Concílio é o marco zero da vida pastoral da Igreja no Brasil. a partir da análise da evolução histórica da construção da identidade pastoral (segundo Capítulo). visto que. correlacionar os princípios basilares da eclesiologia conciliar com as Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil. eixo do Concílio. Num segundo momento. Os blocos aqui apresentados são conforme disposição própria. procurar-se-á fazer uma análise teológica sobre os grandes eixos da Constituição. sua dimensão eclesiológica. no primeiro Capítulo dissertar-se-á acerca do Concílio Ecumênico Vaticano II. escolhi abordálas de forma metodológica dividindo-as em quatro grandes blocos para melhor evidenciar tal evolução. O Capítulo está construído em dois momentos: no primeiro. haja vista que. discussão e aprovação da Constituição Dogmática Lumen gentium. Por isso. as etapas evolutivas inerentes ao processo de planejamento pastoral da Igreja no Brasil. traços que pudessem comprovar um perfil eclesiológico inerente às Diretrizes Gerais do Episcopado Brasileiro. partindo do Magistério Conciliar (primeiro Capítulo). procurei evidenciar. justifico a disposição dos Capítulos. Por fim. que se revelará como eclesiologia de comunhão e missão. Para tanto. dispensando um maior esforço de atenção sobre a elaboração. Destarte.14 Nesse ínterim. embora de forma indicativa. o presente Capítulo procurar-se-á. No segundo Capítulo procuro dissertar. de forma descritiva. procurar-se-á dissertar acerca da formação histórica da Constitutio De Ecclesia perpassando os três primeiros períodos do Concílio. a fim de delinear um entre os muitos possíveis perfis ou imagens da Igreja. O primeiro bloco procurará evidenciar os primórdios do planejamento pastoral da Igreja no Brasil. tomar-se-á o Mistério Trinitário como eixo hermenêutico e o método dedutivo para a sua análise teológica. principalmente. fatos e . percebendo sua incidência pastoral e.

tendo como objeto de estudo as Diretrizes Gerais referentes ao espaço de tempo entre 1991 a 2002. toca o centro polarizador deste conflito: a mudança de orientação de suas Diretrizes. Fala-se do Plano de Emergência e. nesse período. A opção metodológica em dividir por décadas tem como objetivo visibilizar a caminhada do Planejamento Pastoral à luz das grandes Conferências Episcopais de Medellín. como o Projeto Rumo ao Novo Milênio (PRNM) (1996-2000) e o Ser Igreja no Novo Milênio (SINM) (2000-2002). principalmente no que tange às CEBs e. assim como as abreviações estarão elencadas no inicio do texto. A Igreja do Brasil é profundamente marcada pela sua atuação social. O segundo concentrar-se-á mais na apreciação do que aqui é denominado como formação da Identidade eclesial. começou a ser instaurado pelo mundo todo. que a partir do pontificado de João Paulo II. Os dois últimos blocos dissertarão acerca da crise dessa identidade devido ao Projeto hegemônico. e de Puebla. do Plano de Pastoral de Conjunto (PPC) como aplicação clara e precisa do Concílio Vaticano II.15 movimentos que antecederam e prepararam o advento do Plano de Emergência (PE) 3. primeiramente estudar-se-á o documento 54. à Teologia da Libertação (TdL). Procurar-se-á no terceiro Capítulo. animada pelo impulso de preparar o novo milênio. a Igreja se lança novamente à confecção de Projetos também Hegemônicos. . O quarto bloco. na década de 70. após ter-se discorrido sobre a evolução das Diretrizes. analisar de forma teológica a evolução eclesiológica da Igreja no Brasil. a partir de suas Diretrizes Gerais. Nele está expresso todo esforço de adaptação e concretização de toda a evolução teológica no que se refere à eclesiologia iniciada com o evento Conciliar. Para tanto. conseqüentemente. de modo particular. a grande crise da Igreja do Brasil. referente ao quadriênio de 1991-1994. para todo o seu território eclesial. 3 A partir do primeiro Capítulo esta e outras siglas. Tem-se. na década de 60. passando de “Ação Pastoral” para “Ação Evangelizadora”. realizado entre os anos de 1962 a 1965. Nesse período.

no decorrer dos anos após o Concílio. a evangelização será entendida como o conjunto de serviço da Igreja frente ao mundo. A razão dessa escolha. . justifica-se pelo fato de que ela. A partir da Redemptoris Missio. daqui em diante.16 Antes de sua análise. há uma especificação do que é evangelização. as Conferências de Medellín e de Puebla. conseqüentemente. entre muitas outras possíveis. irá forjar. pastoral e missão ad gentes. o termo evangelização será oficialmente acolhido e aplicado a toda Igreja. enquanto que o Sínodo sobre a Justiça no mundo -1971. no Brasil. A partir do Vaticano II. Com o conceito de Desenvolvimento Integral exposto na Populorum Progressio. os documentos pontifícios de Paulo VI – Populorum Progressio e Evangelii Nuntiandi – e. dissertar-se-á acerca dos principais eventos teológico-pastorais ocorridos desde o Concílio Vaticano II. Esse documento foi capital para um primeiro aggiornamento da compreensão eclesiológica por parte da Igreja no Brasil. com o passar dos anos. esses eventos teológico-pastorais foram capitais para a formação do que é a Igreja na América Latina e. Com o advento da Evangelii Nuntiandi. a partir de suas Diretrizes. a Igreja no Brasil receberá essas contribuições e. tenha se tornado o princípio identificador de toda a realidade eclesial. Conseqüentemente. o termo evangelização vai se erigindo e ganhando espaço e predicações. Medellín assumirá o conceito de Evangelização Libertadora. principalmente a Redemptoris Missio e a Tertio Millennio Advenient de João Paulo II. um rosto definido e uma prática pastoral bem consciente. seja enquanto essência seja enquanto missão. A exposição desses eventos julga-se oportuna por se tratarem de eventos influenciadores tanto em âmbito teológico quanto em âmbito pastoral.falar-se-á de Libertação Integral. Todos eles serão abordados a partir da temática da evangelização. Neste ínterim. ou seja. os Sínodos.

a compreensão de sua identidade e de sua missão. fundamentalmente. por meio de uma postura de indiferentismo religioso. principalmente. Por essa exposição. dentre os quais merecem destaque o chamamento do Papa João Paulo II para uma nova evangelização. a Igreja no Brasil compreende que. muito embora não perceptivelmente. necessita mudar não só sua forma de ação pastoral. é possível perceber a evolução eclesiológica e o novo perfil eclesiológico que se forja a partir das Diretrizes da ação evangelizadora: uma Igreja mais . de ação pastoral para ação evangelizadora . a estes “sinais dos tempos”. conseqüentemente. A Evangelização deve ser inculturada e acompanhada de quatro exigências irrenunciáveis expressas pelo serviço. mas também sua estrutura e. o rosto. e de modo especial. o horizonte e a prática pastoral de toda a Igreja no Brasil. O Capítulo explicitará dois fatos que o autor julga principais na construção desta nova conjuntura: o primeiro diz respeito à evolução teológica precedente seguida de novos eventos teológicos. a diferença está no lugar proeminente e de destaque que a missão-evangelização ocupa. pelo diálogo. pelo anúncio e pelo testemunho de comunhão eclesial. O segundo refere-se ao grande êxodo de fiéis da Igreja Católica para as outras seitas ou o abandono completo da fé. É nesse período que os Bispos do Brasil promulgam o documento 54. principalmente. Sensível. com a temática da evangelização inculturada. A evangelização passa de uma dimensão da ação pastoral a ser o principio constitutivo de toda ação pastoral. em seus métodos e em suas expressões e a Confêrencia de Santo Domingo. renovada em seu ardor. em que mudam não só o título das Diretrizes. a ênfase que o referido Papa deu à preparação do grande Jubileu do ano 2000 com a Encíclica Tertio Millennio Adveniente.17 Esse aggiornamento é também acompanhado pela sensibilidade em ler os “sinais dos tempos” presentes neste contexto.mas também a sua estrutura e. Essas quatro exigências estão em consonância com as seis dimensões.

ao mesmo tempo. visto que. É certo que. muitos outros assuntos e temas poderão ser abordados para melhor completá-lo e avançar nessa compreensão eclesiológica. o presente trabalho. Contudo. a eficiência pastoral prescinde necessariamente de uma clara e objetiva compreensão eclesiológica. muito embora não a elimina. mas uma contribuição para essa própria Igreja. a partir desse estudo. a partir da exposição feita nesses três Capítulos. onde todos são sujeitos dessa ação evangelizadora. não quer ser um ponto final nessa discussão eclesiológica inerente às Diretrizes. uma Igreja verdadeiramente ministerial.18 evangelizadora que pastoral. fiel a sua realidade eclesial. . uma Igreja que evangeliza e que precisa ser constantemente evangelizada. que procura constantemente estar em sintonia com o Magistério Petrino e.

19 CAPÍTULO I UM PERFIL ECLESIOLÓGICO A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II .

20 INTRODUÇÃO O presente Capítulo tem por intenção dissertar acerca do Concílio Ecumênico Vaticano II. Nossa pesquisa se apresenta em dois momentos: no primeiro. tem suas raízes hermenêuticas justamente no modelo eclesiológico presentificado pelo Concílio Vaticano II. Num segundo momento. que se revelará como eclesiologia de comunhão e missão. a fim de que se possa entender os sucessivos planos pastorais das Igrejas locais. será apenas indicada uma bibliografia. discussão e aprovação da Constituição Dogmática Lumem gentium. principalmente. o que se justifica o seu estudo. no intuito de descrevermos um perfil eclesiológico. sua dimensão eclesiológica. Tendo em vista que toda a ação eclesial seja ela pastoral ou evangelizadora. e o Plano de Pastoral de Conjunto (PPC). perpassando os três primeiros períodos do Concílio. a fim de delinearmos um entre os muitos possíveis perfis ou imagens da Igreja. em qualquer Igreja local. percebendo sua incidência pastoral e. eixo do Concílio. procuraremos fazer uma análise teológica sobre os grandes eixos da Constituição. Para tanto. inclusive a do Brasil. aprovado às vésperas do Concílio (abril de 1962). Sobre os demais Documentos. dispensando um maior esforço de atenção sobre a elaboração. os seus dois primeiros planos de Pastoral: o Plano de Emergência (PE). O Concílio é o marco zero da vida pastoral da Igreja no Brasil. procurar-se-á dissertar acerca da formação histórica da Constitutio De Ecclesia. tomaremos o Mistério Trinitário como eixo hermenêutico e o método dedutivo para nossa análise teológica. discutido a aprovado ao final do Concílio .

entremeio às descrições históricas . de 1965) situam-se justamente no decurso do próprio Concílio e.teológicas do evento conciliar.21 (dez. o que o episcopado brasileiro elaborou a partir de suas Diretrizes. o Concílio foi o maior evento da vida da Igreja do Brasil. conseqüentemente. bebem de sua fonte. O texto que se segue procurará ser fiel a suas fontes e. introduzirá. . já de antemão. Nesse sentido.

. 1965-1989). como se segue: REB. por razões de delimitação. Assim. XXI. Petrópolis: Vozes. nem a fase preparatória que vai de 1960 a 1962. analisaremos. 1995. cf. documentos e subsídios afins. de forma concatenada. 2-3.22 1. XXII. n. 1960-1961. Para uma leitura mais analítica. G. por razões de delimitação da abordagem. KLOPPENBURG. elaboração. em 8 tomos (Cidade do Vaticano. p. A REB também é um grande celeiro de artigos sobre o assunto. ALBERICO. mas apenas na discussão da então referida Constituição. São Paulo: Paulus. 391-400. cf. o último dos quais é de índices. o processo de apresentação. (org. Porém. Da mesma forma. O PROCESSO HISTÓRICO DA CONSTITUTIO DE ECCLESIA Nesse primeiro momento de nosso trabalho. em 16 tomos. História dos Concílios Ecumênicos. as questões discutidas pelos Padres conciliares relativas aos outros Esquemas. contudo. B. 4 As fontes relativas aos trabalhos estão conservadas num arquivo próprio do Concílio Vaticano II. Foram editados até agora os pareceres enviados em resposta à consulta antepreparatória: Acta et Documenta Concílio oecumenico Vaticano II apparando. no Vaticano. n. não serão apresentadas.). discussão e promulgação da Constitutio De Ecclesia no desenrolar dos quatro períodos conciliares. no decurso de nosso trabalho. seguese uma bibliografia básica acerca do tema 4. Series I antepraeparatoria. Cidade do Vaticano. 1962. duas observações se fazem importantes: não abordaremos o período antepreparatório datado entre 1956 a 1960. v. Petrópolis. Para uma análise pormenorizada dos antecedentes do Concílio Vaticano II. À preparação foi dedicada uma Series II praeparatoria. [jun-set] 1961. que contém as atas da comissão central preparatória. 4 v. I: documentário Preconciliar. daremos uma bibliografia básica sobre esses debates não focados em nossa pesquisa. v. [março-jun-set] 1962. Concílio Vaticano II: v. que consta até agora de 3 v. assim como dos Documentos e dos Organismos e trabalhos Preconciliares. além de fornecer em suas cessões de Comunicações e Documentação. 1-3.

A. 2005. entre patriarcados. é mister afirmar que: todas as dioceses. Diante de uma somatória básica. Giuseppe (org. CATÃO F. São Paulo: Loyola. mas pode-se talvez dizer em toda a história.cebsuai. abadias isentas e vicariatos apostólicos. p.I. In: GONÇALVES. De forma probatória.1. v. Segundo cálculos fidedignos. Intitulado Concílio Vaticano II: abordagem pastoral ressalta três palavras decisivas neste discurso: pastoral. Acerca da sua preparação e o desenvolvimento de seus quatro períodos. São Paulo: Paulinas. Ele ressalta quatro eixos que norteiam tal discurso. Em um de seus artigos. Cf. O Pe. Disponível em: <http/www.000. São Paulo: Loyola.). Passim. V.br/Libanio_cont. (Org. também ALBERIGO. é o grande divisor de águas do Concílio. 6 MARTINA. exarcados.440. In: GONÇALVES. S. que a alocução ou discurso Inaugural do papa João XXIII foi programático e. IV: A era contemporânea. Giacomo. LOPES. estavam representadas e que cinco sextos de todo o episcopado mundial tinham respondido ao apelo do papa. prelaturas nullius.191 circunscrições territoriais. p. SOUZA. 290. Cf. considerando os bispos auxiliares.. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. sob a coordenação da Secretaria Geral do Concílio.I. com a presença de 2. Concílio Vaticano II. Análise e Prospectivas. não só na história da Igreja. 65-6.). V. LIBANIO. História da Igreja: de Lutero a nossos dias. Ney de. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade.). O perfil distintivo do Vaticano II: recepção e Interpretação. Concílio Vaticano II: em busca de uma primeira compreensão. no ano de 1961 havia cerca de 2. J. cf. BOMBONATO. 1966. 2004. 393. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. p. neste ínterim. ou quase. 2004.rog.htm> Acesso em: 25/04/2006. com a alocução do Papa João XXIII Gaudet Mater Ecclesia 5 dava-se a solene abertura do 21° Concílio Ecumênico intitulado Vaticano II. São Paulo: Loyola.23 1. L. São Paulo: Paulinas. p. História dos Concílios Ecumênicos. 17-67. 5 . Também I padri presenti al Concílio ecumênico Vaticano II. 1997. Jamais. P. 2000. os bispos chegavam em todo o mundo à cerca de 4. p.540 Padres conciliares. dioceses. ecumenismo e aggiornamento. além de sua contextualização no cenário mundial e teológico. cit. 99-102. Para uma análise da referida alocução cf. uma assembléia se apresentou tão numerosa e com caracteres tão universais 6. Op. P. (Org.B. João Batista Libanio ressalta. BOMBONATO. em sua obra. os diversos bispos da cúria vaticana. C. O PRIMEIRO PERÍODO DO CONCÍLIO (11/10 a 08 /12 / 1962) Em 11 de outubro do ano de 1962. S.

editadas pela Poliglota do Vaticano entre 1960-1961”. na terceira. Op. das Acta et Documenta Concílio oecumenico Vaticano II appurando. em julho do ano seguinte. 22. p. teve ao final das quatro sessões conciliares. As respostas do Brasil à consulta ocupam 216 páginas do volume II. deveriam ser agregados outros dois. 271-286. nomeados nos últimos dias do Concílio: Luís Gonzaga Fernandes (6/11/1965). Pars VII. 9 Para o transcurso natural do Concílio.5%). v. p. Concílio Vaticano II. Cf. para auxiliar de Vitória (ES). o Papa João XXIII. 1963. depois de nova carta de Tardini. p. e Ivo Lorscheiter (12/11/1965). e a porcentagem passa para 84. series I (antepraeparatoria). Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. somente 132 enviaram o seu “vota” 7 no que tange à fase Antepreparatória. 43. na quarta. p. In: REB. nem todos esses participaram tanto da fase antepreparatória como das sessões do Concílio.). Para uma leitura em vernáculo. considerados brasileiros pelo anuário Pontifício em 1959. p. o seu número acrescido em 55 novos bispos. B. 7 . Dos 167 bispos. 183 de 220 (83. um total de 229 bispos. já no dia 13 de outubro 9. decretou e promulgou em Motu Próprio Intitulado Appropinquante Concílio. [dezembro] 1962. 991-1004. cit.8%). ou seja. 8 Ib. Petrópolis: Vozes. urgindo a manifestação dos retardatários. Se incluirmos estes dois. v. 192 de 227 (84. Cf. sobre 229. com sua participação nos atos finais do Concílio. Em relação à participação nas sessões do Concílio. em 1965.2%). v. Petrópolis. cit. a Igreja do Brasil. também KLOPPENBURG. “As primeiras respostas chegaram em julho de 1959 e as últimas. o número sobe para 194 participantes. o Regulamento denominado Ordo Concilii Oecumenici Vaticani II Celebrand. KLOPPENBURG. Após as formalidades e orações de início.6%). 167 de 221 (75. 4. José Oscar. Concílio Vaticano II (19621965): a participação da Conferência Episcopal Brasileira. sendo 7 estrangeiros e 222 brasileiros. BEOZZO. contendo duas partes e 70 artigos. B. quando da Os “votas” foram dirigido aos bispos do Brasil pelo secretário de Estado. Contudo. que contava com 174 bispos. II: Primeira Sessão.24 Dentre esse universo de participantes de todo o mundo. cf. para auxiliar de Porto Alegre (RS). Op.7% 8. 73. segundo José Oscar Beozzo foi assim: Na primeira sessão do Concílio. Domenico Tardini. participaram 173 bispos dos 204 (84. no momento da consulta em 1959. 78. na segunda. II: Primeira Sessão (set-dez 1962). A Estes 227. Concílio Vaticano II. n. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org.

cit. p. v. As Congregações Gerais são propriamente as grandes sessões de trabalho do Concílio Ecumênico. [dezembro] 1962. Os dois Esquemas posteriores. Cada congregação é presidida. 904-936. v. . 22. KLOPPENBURG. 71-268. assim. evitando-se. v. p. por parte de alguns Cardeais europeus – Liénart e Frings-. por um dos dez Cardeais do Conselho de Presidência”. Op. De forma mais condensada. sobre os “Meios de Comunicação Social” e sobre a “Unidade da Igreja” tiveram ambos três Congregações Gerais. 22. II: Primeira Sessão. Concílio Vaticano II. História dos Concílios Ecumênicos. Petrópolis. ou seja. 908-9. p. Somente na terceira Congregação Geral é que foram pronunciados os nomes dos membros eleitos. 11 Neste ínterim. cit. 4. In: REB. A Primeira Sessão do Concílio Vaticano II. KLOPPENBURG.). desde o dia 14 ao dia 21 de novembro. n. discutem e votam os projetos ou textos (chamados também ‘Esquemas’) elaborados pelas Comissões Preconciliares. ou seja. Constantino. como bem lhes parecer diante do Senhor. p. Concílio Vaticano II. [dezembro] 1962. 13 Os Padres conciliares detiveram-se desde o dia 22 de outubro até o dia 13 de novembro. ou seja. KOSER. II: Primeira Sessão (set-dez 1962). debatendo acerca da reforma litúrgica. a primeira da 25ª até a 27ª e a segunda da 28ª à 30º Congregação Geral 14. 51-60 os nomes de todos os membros eleitos. v. 4. 73. assim como das votações em plenário pelos Padres conciliares nas Congregações Gerais realizadas na primeira sessão. Op. Op. tomando por base as listas emitidas pelas Conferências episcopais. cf. v. durante as quais os Padres conciliares. p. Op. (org. cit. na segunda Congregação Geral. é que as Comissões foram eleitas. n. o pedido de adiamento das eleições das Comissões. Constantino. v. a mera confirmação das Comissões preparatórias. somente no dia 16. B. a fim de que houvesse tempo para contatos. rompendo o rigorismo postulado pela Cúria Romana. 401. G. A Primeira Sessão do Concílio Vaticano II. 12 ALBERICO. da quarta até a décima oitava Congregação Geral. em nome e com autoridade do Papa. KLOPPENBURG. Essa postura foi o primeiro sinal da consciência conciliar que se estava nascendo. começaram as discussões sobre as “Fontes da Revelação” ocupando da 19ª até a 24ª Congregação Geral. cit. II: Primeira Sessão (set-dez 1962). Em seguida. louvando-os (‘placet’). Op. p. 13 KLOPPENBURG oferece em sua obra Concílio Vaticano II. 14 Para uma leitura aprofundada sobre as discussões destes Esquemas. cit. Petrópolis.25 primeira Congregação Geral10 houve. II: Primeira Sessão (set-dez 1962). 10 Entende-se por Congregação Geral “o nome oficialmente usado para designar a reunião plenária na Aula conciliar. p. 77-9. In: REB. emendando-os (‘placet iuxta modum’) ou rejeitando-os (‘non placet’). B. B. Concílio Vaticano II. Também KOSER. 11 Cf. “resultando daí uma nítida preferência pelos bispos centroeuropeus em prejuízo aos bispos latinos” 12 .

com maior riqueza que o primeiro. V – De Statibus evangelicae perfectionis acquirendae. Schema Constitutionis Dogmaticae De Ecclesiae. Cap. Apud NICOLAU. U. foi alvo de profundas críticas. Apud NICOLAU. XI – De relationibus Inter Ecclesiam et Statum. Ney de. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. o segundo. et al. cit. os Padres conciliares atribuíram ao Esquema apresentado excessivo “jurisdicismo e triunfalismo” (De Smedt. A Igreja do Vaticano II. Cap. cit. cf. Cap. III – De episcopatu ut supremo gradu sacramenti ordinis et de sacerdotio. O texto doutrinal reservado a este Esquema é relativamente breve (p. M. que propriamente não forma parte do texto. 16. Cap. foram reelaborados em outros decretos. P. 197. XI – De oecumenismo. p. Cap. 91-98). 1143. 16 15 . II – De mebris Ecclesiae militantis eiusdemque necessitate ad salutem. In: REB. et al. A Primeira Sessão do Concílio Vaticano II. Op. X – De necessitate Ecclesiae annuntiandi Evangelii omnibus gentibus et ubique. Cap. cit. cit. idéia dominante a partir de Roberto Belarmino. v. 930-1. cit. KLOPPENBURG. p. na vigésima quinta Congregação Geral. cit. VIII – De auctoritate et oboedientia In Eclésia. M. Cap. (Org. Op. p. v. Também. IV – De episcopis residentialibus. p.26 No dia 23 de novembro. Op. 19 SOUZA. Op. p. mas as notas que o declaram e confirmam ocupam as páginas 99-122.I. cit. 230-265.). 16. et al. embora louvado por alguns. Cap. V. que. p. com a concepção apresentada na encíclica sobre a Igreja de Pio XII” 19 . Cf. 40. BETTI. Petrópolis. fundava-se sobre a “natureza e a estrutura da Igreja” e. In: GONÇALVES. também KOSER. Concílio Vaticano II. Concílio Vaticano II. S. foi incorporado no tratado De Ecclesia. Cf. KLOPPENBURG. 20 NICOLAU. In: BARAÚNA. com a análise dos presentes. acerca de Maria. Mãe de Deus e Mãe dos homens” 17. p. 4. BOMBONATO. sua preocupação central. I – De Ecclesiae militantis natura. p. O presente Esquema. Cap. 18 Assim estão enunciados os onze Capítulos: Cap. 18. Op. a saber: “Esquema da Constituição dogmática sobre a Igreja” 16 e um segundo “Esquema da Constituição dogmática acerca da bem-aventurada Virgem Maria. B. G. o Esquema sobre a Igreja fora apresentado aos Padres conciliares15 sob dois moldes. VI – De laicis. [dezembro] 1962. II: Primeira Sessão (set-dez 1962). 16. Constantino. 22. v. Op. Cronistória da Constituição. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Para uma leitura aprofundada acerca das discussões dos Padres Conciliares. A Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. 17 Cf. p. Op. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. “ligava a visão da Igreja como instituição. p. 91-122. Bruges) “visão pouco profunda do poder episcopal e da função dos leigos” 20. haja vista que. 7-90. em seu bojo. LOPES. p. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Matre Dei et Matre Hominum. B. Schema Constitutionis Dogmaticae de Beata Maria Virgine. Cap. II: Primeira Sessão (set-dez 1962). VII – De Ecclesiae Magistério. A metade aproximadamente das páginas são notas explicativas ou citações da Sagrada Escritura e dos Santos Padres. n. nesse aspecto. Cf. Op. cit. O Esquema De Ecclesia era originariamente composto com onze Capítulos18. M.

um problema de fundo que residia no modo como se concebia a Igreja. O Esquema não foi submetido à votação. como demonstra dois testemunhos. sendo sua continuação no tempo e instrumento querido por Ele para a salvação dos homens 23. se examinar frente aos grandes problemas que agitam o mundo de hoje. 19. . p. para. no tempo aquela deve seguir” 21.27 Havia de fato. Ib. mas foi considerado pelos Padres inaceitável 21 22 Ib. como os relativos à pessoa humana e à sociedade nas suas exigências de justiça e paz 22. p. em segundo lugar. 18. Ao mesmo tempo. um do cardeal Suenens que recordou-se que se considerasse a Igreja em si mesma. perfazendo desde a trigésima primeira Congregação Geral até a trigésima sexta. p. 23 Ib. visto que. outros Padres conciliares declaravam a necessidade de reformulação do Esquema. na sua natureza e na sua missão de mãe e mestra. As discussões sobre o Esquema De Ecclesia duraram desde o dia primeiro até o dia sete de dezembro. O outro do então Cardeal Montini que chamava a atenção para a necessidade de aprofundar o texto e de realçar as relações entre Cristo e a Igreja. uma vez que a Igreja triunfante é meta e ilumina o caminho que. 19. o que os Padres da ala conservadora desejavam é que a discussão “não se limitasse à Igreja militante. de modo a aparecer com evidencia que a Igreja fundada por Cristo tudo recebe d´Ele.

24. LOPES. o que acontecera em todos os Concílios anteriores 26. 22. 24 . Após a Primeira Sessão do Concílio.).28 para as futuras discussões conciliares. P. Essa decisão foi frustrante. V. BOMBONATO. a fim de ser totalmente refeito24. aos oito dias de dezembro. Petrópolis. v... KLOPPENBURG. [dezembro] 1962. p. 26 SOUZA. Petrópolis. v. 27 KOSER. A Primeira Sessão do Concílio Vaticano II. Muitos católicos se escandalizaram com a discórdia dos Padres conciliares. 933.) Mas fechou também com a certeza inabalável de que o intervalo entre a primeira e a segunda fase será fecundo” 28. Op.I. Na alocução25 proferida. Petrópolis. Como afirma Frei Constantino Koser. S. Concílio Vaticano II. cit. 22. n. [dezembro] 1962. “a Primeira Sessão do Concílio não foi uma fase negativa. p. In: REB. Com o encerramento do primeiro período. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. 4. Ainda. p. por certo será avaliada como uma das grandes horas positivas na história da Igreja” 27 . 4. Constantino. In: REB. REB. v. assim como dos que estavam preocupados e até desiludidos. v. p. A opinião pública ficou desiludida por não serem apresentados resultados concretos. n. Constantino. Ney de. a “primeira fase do Concílio se encerrou empanada pela enfermidade do Papa (. o Papa Bom procurou confortar os Padres conciliares afirmando que era compreensível que para se chegar a um consenso seria necessário um tempo maior. 22. nenhum dos cinco Esquemas discutidos estava definido. 4. 28 KOSER. B. n. 1964. 25 Cf. (Org. p. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). [dezembro] 1962. 1028-103. Essa alocução do Pontífice procurou restituir a alegria e a esperança dos próprios Padres conciliares. 829. In: GONÇALVES. 41. Petrópolis: Vozes.

2. 31 São eles: Confalonieri. In: REB v. Com a mesma força. estes dois documentos constituem o elo de ligação entre a Primeira e a Segunda Sessão conciliar. que acompanharia o desenvolvimento do trabalho conciliar. porém com data de 6 de janeiro. O PRIMEIRO PERÍODO INTERSESSIONAL DO CONCÍLIO – 1962-63 1. História dos Concílios Ecumênicos.29 1. 23. G. procurando assim atender a todos os Padres no que se referia às suas intervenções. De 21 de fevereiro até 13 29 O título completo é: Ordo agendoroum tempore quod Inter conclusionem primae periodi concilii Oecumenici et initium circundai intercedit.). cit. Cf. [junho] 1963. “uma norma para a iminente pausa e ao mesmo tempo a decisão de criar uma comissão de coordenação. 406. 488-492. In: REB. p. B. 2. Referente ao Esquema De Ecclesia. cuja tarefa era de aperfeiçoar esses assuntos. 23. 30 ALBERICO. Liénart. G. criada aos dezessete dias de dezembro.2. 1034-1035. Petrópolis. a sua reelaboração foi encomendada a uma comissão Mista. pode-se também aludir a Carta emitida por sua Santidade o Papa João XXIII endereçada aos Bispos do mundo todo em data de 8 de fevereiro de 1963. 32 É notável esta percepção na Carta Pastoral Quaresmal do ano de 1963 do Cardeal Achile Lienar. p. In: KLOPPENBURG. Op. Essa Comissão de Coordenação. In: REB. muitas vezes com a colaboração de subcomissões e depois dirigi-las ao Papa para aprovação e encaminhamento aos Padres conciliares. Crônica dos trabalhos Intersessionais do Concílio. Inusitada ainda foi a decisão do Papa João XXIII em emitir um Ordo agendorum29. Spellman. Bispo de Lille. 423-431. Petrópolis. Segundo Guilherme Baraúna. . OS TRABALHOS PÓS-PRIMEIRA SESSÃO Já antes do término do primeiro período. p. Intitulada “A Igreja à luz do Concílio”. n.1. n. v. [março] 1962. Op. Concílio Vaticano II. que ia claramente designando como eixo do Concílio 32. foi distribuído entre os Padres um fascículo no qual as várias dezenas de Esquemas preparatórios foram sintetizadas em vinte assuntos. cit.2. [junho] 1963. era composta por seis cardeais 31 eleitos pelo Papa sobre a presidência do secretário de Estado A. ou seja. composta de Padres e Peritos da Comissão Teológica e do Secretariado do Cardeal Bea. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). (org. Cicognani. Suenens e Urbani. p. 344-351. v. sobretudo no período de suspensão da assembléia” 30. 1. Döpfner. Intitulada Mirabilis ille. n. p. 23. v.

ainda. e. A subcomissão. outro foi elaborado por Mons. Cf. optou pelo Esquema belga. p. Neste ínterim. analisando os seis Esquemas apresentados 33 . O Esquema foi votado em duas partes: os dois primeiros Capítulos no dia 28 de março de 1963 e os dois últimos. enviados aos Padres concomitantemente nos meses de maio e de agosto. conseqüentemente. elaborado por Mons. os dois últimos. dos quais o primeiro continha o Capítulo primeiro e o segundo e o outro. G. posteriormente. 24. cit. a saber: Capítulo I sobre o Mistério da Igreja. 34 BETTI. foi vivamente discutido em duas reuniões entre os dias 27 e 28 do mesmo mês e. In: BARAÚNA. Op. o Capítulo II sobre a Constituição Hierárquica da Igreja foi discutido entre os dias 15 a 28 de maio. estiveram reunidos. mas cinco Capítulos. outro do Chile. articulado em quatro Capítulos. discutido e aprovado durante a sessão em curso nas reuniões de 5 a 9 de março. sendo um que tratasse do Povo de Deus em Geral e um outro do Leigo. cujo encargo era “providenciar sobre a reelaboração do Esquema. valendo-se mesmo de representantes de outras Comissões em matéria afins às de sua competência 34 . o Capítulo III acerca dos Leigos foi aprovado sem grandes dificuldades e o Capítulo IV. . p. esperava a comissão doutrinal ter prestado um bom trabalho para uma melhor recepção e discussão nos trabalhos conciliares referentes ao segundo período. A Igreja do Vaticano II. Parente assessor do Santo Ofício. U. Propôs-se. O trabalho dela devia ser depois examinado pela Comissão Doutrinal inteira. professor na Universidade de Louvaina e senador do reino belga. O Esquema agora já possuía não mais quatro. Concílio Vaticano II. Philips. sobre o Estado de Perfeição. 141. no dia 4 de julho e. finalmente. Cronistória da Constituição. modificado completamente. cit. foi criada uma subcomissão. B. um terceiro veio da Alemanha. outro da Espanha”. In: KLOPPENBURG. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). v. de forma específica. que o Capítulo III sobre o Povo de Deus se dividisse em dois. Op.30 de março. reunida pela primeira vez a 25 de fevereiro. impressos em dois fascículos distintos. um quarto da França. 33 “Um veio da Bélgica. Para maior eficiência. para discusão posterior. transmitido à comissão de coordenação para lhe obter o ‘placet’”.

por revezamento. G. 410. conforme suas possibilidades. o Papa por meio do Secretário de Estado. esta seria dirigida. foi realizado um breve conclave. v. Cf. como fixou a data de 29 de setembro como a de abertura do novo período conciliar 36. veio a falecer. A TRANSIÇÃO PONTIFÍCIA No findar do primeiro período e. Carta de Paulo VI ao Card. o cardeal Montini. [dezembro] 1963.31 1. 37 ALBERICO. In: REB. (org. pelos membros desse Colégio” 37. 36 35 . Já no dia 27. p. p. Entretanto. um dia após sua eleição. v. quando disse que “a parte preeminente do Nosso Pontificado será ocupada pela continuação do Concílio Ecumênico Vaticano II. Petrópolis. Op. as condições de saúde do Papa João XXIII se agravaram de forma progressiva. de acompanhar os trabalhos conciliares e de ainda publicar a encíclica “Pacem in terris”. O fato de ter sido membro da comissão central preparatória e participante ativo da primeira sessão sugeriu o Papa Paulo VI a revisão do regulamento a fim de maior funcionalidade. 484-487. 23. isso não o atrapalhou. Tisserant sobre a II Sessão do Concílio. que assumiu o nome de Paulo VI.). p.2. Op. Uma pergunta pairava no o ar desde a morte de João XXIII: o Concílio vai continuar? A resposta veio na primeira Radiomensagem do novo Papa. principalmente. Concílio Vaticano II. cit. História dos Concílios Ecumênicos. 4. contudo. no qual estão fitos os olhos de todos os homens de boa vontade” 35. Após os funerais próprios. no dia 3 de junho do mesmo ano. em que se elegeu o novo Papa. que “formariam o elo de ligação entre o Papa e a assembléia. n. nos primeiros meses de 1963. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). de 19 a 21 de junho. além disso. cit. propôs a criação de um restrito Colégio de moderadores. KLOPPENBURG.2. B. não só confirmou a continuação.1054-1056.

primeiramente com a Celebração Eucarística. Cf. que denotou o tom dos trabalhos desse segundo período. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). In: REB. além de ser introduzido para estudo. Petrópolis.32 Ainda determinou que se criasse uma categoria de ouvintes do Concílio. cit. n. [dezembro] 1963. KLOPPENBURG. 38 . Em seu discurso. após. o Papa destaca que para se saber claramente em que bases se assentam este Concílio e quais são seus objetivos. por uma questão de clareza: a noção ou. 39 Neste período se fará também as votações finais acerca do Esquema sobre a Liturgia e sobre os meios de Comunicação Social. 303-408. v. fez-se com a Regimini ecclesiae. p.1057-1062. Documentos. Mais adiante continua: No dia 21 de setembro. B. Discurso de Paulo VI à Cúria Romana. por fim. a restauração da unidade entre todos os cristãos e o diálogo da Igreja com os homens de nosso tempo 40 . Op. São Paulo: Paulinas. sua renovação. A reforma propriamente dita. reuniu os oficiais maiores e menores da Cúria Romana para lhes comunicar desejos. 23. 1. o Esquema sobre o Ecumenismo. presidida pelo Cardeal Tisserant. 50. Discursos. e. melhor. p. 40 VATICANO II: Mensagens. O Papa Paulo VI. numa clara exposição de continuidade ao predecessor e de concentração de trabalhos acerca do tema eclesiológico. Cf. a consciência da Igreja. 4. Concílio Vaticano II. O SEGUNDO PERÍODO DO CONCÍLIO (29/9 a 4/12 / 1963) 39 A abertura da segunda Sessão Conciliar deu-se no dia 29 de setembro. v. tomou para si a responsabilidade de reformar a Cúria Romana 38. pelo discurso de Paulo VI. de 15 de agosto de 1967. p.3. aspirações e ordens quanto a uma próxima reforma e à necessária adequação aos novos tempos. de modo a poder introduzir alguns leigos na qualidade de participantes das sessões plenárias. que se podem resumir em quatro.

23. 943-988. M. Cf. Op. 1963. 44 NICOLAU. v. Cardeal Amleto J. cit. pois se tratava de um texto mais ecumênico e pastoral. estão reunidas em fascículo.29-359. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. do então Capítulo II (‘Sobre a Constituição Jerárquica da Igreja e. 505-507. Petrópolis. o Papa Paulo VI aprovou e mandou observar o texto com as modificações próprias para o bom funcionamento do Concílio. em particular. AS II/3. 9-913. p. v. no dia 13 de setembro de 1963. Uma publicação dos debates conciliares do segundo período encontra-se em: In: REB. cit. Op. mas. B. p. Em audiência com o Cardeal Cicognani. p. p. 4. em data de 22 de abril. as Intervenções em AS II/2. 215-281. 156 ao Capítulo I. e 372 observações ou emendas. p.33 O principal tema desta segunda sessão do Concílio Ecumênico será a Igreja. p. 9 à introdução. p. cit. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Indagar-se-á qual a sua natureza íntima e como exprimir sua definição na linguagem corrente. em Setembro de 1963. Apud NICOLAU. Após essas formalidades. Concílio Vaticano II. em particular do episcopado’)”. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). As Intervenções escritas: AS III/1. os Padres conciliares detiveram-se sobre o novo Esquema De Ecclesia43. ao e o Capítulo IV (‘Sobre a vocação à santidade na Ib. já entregue aos mesmos pelo Secretário de Estado. KLOPPENBURG. reunido o Concílio. o segundo. Cicognani em duas etapas: o primeiro. p. o Cardeal Ottaviani. n. 20. p. Sobre a parte I tem 47 p. (texto organizado por Boaventura Kloppenburg). em data de 19 de julho “contendo o então Capítulo III (‘Do Povo de Deus e. 19. p. Op. 42 41 . dos leigos’) Igreja’)” 44. et al. 43 O texto do Esquema encontra-se em AS II/1. et al.10674 e AS II/4. primeiramente com algumas palavras introdutórias do presidente da comissão doutrinal. que “continha o novo texto do Capítulo I (‘Do mistério da Igreja’). 51. das quais 1 se refere ao título. O novo Esquema foi acolhido com maior receptividade. O trabalho conciliar iniciou-se aos trinta dias de setembro. sem aquela fria rigidez proveniente do estilo jurisdicista. Typis polyglotis Vaticanis 1963. 206 ao Capítulo II. M. Intitulado Emmendationes a Concilii Patribus scripta exhibitar super schema Constitutiones Dogmatiacae de Ecclésia. de maneira a precisar o que realmente é e esclarecer seu múltiplo mandato em função da salvação 41. 467-801. As emendas ou observações que os Padres tinham enviado por escrito antes de se encontrar de novo. e da exposição dos novos regulamentos42 pelo então secretário Cardeal Browne.

45 NICOLAU. M. Arcebispo de Colônia que propunha uma descrição da Igreja como comunidade escatológica de santos. que constituem dois terços da humanidade e. Também propunha a idéia de fazer parte deste Esquema o relativo à Virgem Santíssima. sugeria já a transladação do Capítulo III (sobre o Povo de Deus. de modo que aparecesse por um lado. 20. a Igreja já perfeita nos seus santos. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. como a do Cardeal Frings. et al. et al. M. a seguir do Capítulo I sobre o mistério da Igreja. de modo que fosse o Capítulo II. 20. uma apresentação mais inteligível da Igreja para os não cristãos. enriquecido pelos recursos abundantes das imagens bíblicas. cit. p. à concebida como Povo de Deus. cit. uma passagem mais óbvia e natural do Corpo Místico ao Povo de Deus e da igualdade dos membros à distinção hierárquica. p. concebida como mistério e Corpo místico. que se encontrava noutro Esquema separado 45. no qual tratava dos leigos). Op. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Gargitter. 46 NICOLAU. a Igreja em tensão para a santidade. É nesse contexto que o Bispo de Bressanone. passando-se assim facilmente do conceito de igualdade de seus membros ao de jerarquia e dos bispos aos presbíteros e diáconos 46.34 contrário. Muitas foram as intervenções. Op. Desejava-se também um aprofundamento acerca da doutrina do Corpo Místico. neste sentido. G. Desta forma seria mais natural a passagem da Igreja. por outro. .

p. p.231 votos favoráveis e somente 43 votos contrários 47. foi proposto que o “Colégio episcopal agindo em estreita colaboração com o papa. Cf. Op. Diante dessa postura. “considerando esta teoria um prejuízo ao primado papal e contestavam que ela tivesse fundamento bíblico e na 47 48 KLOPPENBURG. p.I. era estabelecer dogmaticamente a posição do episcopado na estrutura eclesiástica querida por Cristo. BOMBONATO. III: Segunda Sessão (set-dez 1963).56-137. Tratava-se. e de maneira particular do episcopado. 51 BETTI. v. ocupando deste a 42ª Congregação Geral até a 49ª 49. B. no dia 1º de outubro. KLOPPENBURG. U. Originariamente. Cronistória da Constituição. 145. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). v. Duas foram as discussões dos Padres conciliares acerca desse Capítulo: a primeira. Op. In: GONÇALVES. Concílio Vaticano II. In: BARAÚNA. Ney de. 52 SOUZA. 2. S. Concílio Vaticano II. sem minimamente desfalcá-la. cit. cit. Cronistória da Constituição. 50 BETTI. (Org. foi feita uma votação sobre o Esquema no seu todo. Concílio Vaticano II. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). “espinha dorsal de todo o Concílio” 50. cit. A Igreja do Vaticano II. B. divide com este a responsabilidade e o poder nas relações com toda a Igreja” 52. U. discutiu-se o segundo Capítulo que tratava sobre a Constituição Hierárquica da Igreja. 30-37. KLOPPENBURG. muitos Padres posicionaram-se contra. cit. p. ao mesmo tempo. de fazer a doutrina sobre o episcopado sair de um certo estado de raquitismo. Op. 49 Cf. V. B.). ou seja. p. em suma. No decorrer do mês de outubro foi discutido cada um dos pontos do Esquema. Op. iniciando primeiramente pelo Capítulo I. 30-55. p. G. harmonizá-la. Op. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. que durou apenas três Congregações Gerais. cit. P. cit. . Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. Op. com a doutrina sobre o Pontífice Romano definida pelo Vaticano I 51. e de. v. constituindo a questão de fundo. 145. G.35 Contudo. tendo uma aprovação esmagadora. da 39ª a 41º 48. Do dia 4 até o dia 16. In: BARAÚNA. 45. LOPES. A Igreja do Vaticano II.

uma vez que. (Org. [dezembro] 1963. no dia 15 de outubro. o papa. 23. In: GONÇALVES. 4. o grupo da colegialidade. em meio às discussões. V. é. sem perder de vista a função do Primado da Igreja 55. quais entrariam para o texto e quais seriam rejeitadas? O Cardeal Suenens. v. S. V. anunciou na Congregação-Geral. membro do corpus episcoporum. Embora pouco discutido. Ney de. Op. a saber: 1: se a consagração episcopal tem caráter sacramental.36 tradição” 53 . sustentava “que o primado do papa havia sido colocado em evidência em numerosos pontos do Esquema segundo a definição do Vaticano I e que a doutrina do Colégio episcopal se sustentava na Sagrada Escritura. 56 Cf. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. 3: se o Colégio episcopal (corpus suum collegium episcoparum) é sucessor do Colégio dos apóstolos e. na missão dos doze e no fundamento da tradição dos textos da consagração episcopal e em outros testemunhos” 54 . Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. moderador. In: GONÇALVES. KLOPPENBURG.I. BOMBONATO. m. procurava definir o diaconato como grau estável. p. (Org. 45. B Os debates Conciliares da II sessão. BOMBONATO.). LOPES. 53 . 4. P. n. 55 Cf. 949-957. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. e SOUZA.I. 957-959. B Os debates Conciliares da II sessão. In: REB. Contudo. uma vez que era considerado como grau intermediário para o sacerdócio. LOPES. p. Muitas foram as intervenções acerca dos temas relativos ao episcopado e ao diaconato. uma pré-votação acerca de quatro quesitos. 23. Petrópolis. Ney de. [dezembro] 1963. já era uma questão fundante 56. 2: se na comunhão com o Papa e com os bispos. cit. p. a idéia da colegialidade episcopal eram cada vez mais precisadas através do debate. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. Nesse sentido. à medida que examinavam as vantagens que dele poderiam advir. S. cit. se junto com o seu chefe. Op.). legitimamente consagrado. Diferentemente. ipso facto. p. a escassez de sacerdotes. 46. KLOPPENBURG. In: REB. conforme as definições do Concílio de Trento. P. Petrópolis. Uma segunda questão era a da restauração do Diaconato Permanente. cada bispo. 54 SOUZA. v.

B. Op. 148. A Igreja do Vaticano II. dos leigos e dos membros dos institutos de perfeição” 60. 58 KLOPPENBURG. no dia 23 de outubro. 137-192. pôde-se clarificar a realidade do sacerdócio comum. acerca do Povo de Deus e dos leigos em particular. U. 46-7. cit. mas em cinco pontos. Cf. p. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. ou seja. restaurar o diaconato como grau de consagração distinto e permanente. O texto foi bem aceito. da 49ª à 56ª infundadas. p. que se acrescentasse a questão acerca do diaconato 5: se é oportuno. a proposta era sensata. A Igreja do Vaticano II. tem o poder supremo sobre toda a Igreja. 59 BETTI. Op. não foi votada no mesmo dia. 4: se este poder é de direito divino 57. In: BARAÚNA. que ocupou sete Congregações Gerais.37 nunca sem ele. 147. G. In: GONÇALVES. Op. BOMBONATO. G. sendo a primeira destinada à reflexão do Povo de Deus em geral. [dezembro] 1963. que constituiria o Capítulo IV. v. In: REB.959-962. 1964. o texto transpirava mais um “triunfalismo laical. constituindo o segundo Capítulo e um segundo. (Org. 4. com algumas ressalvas Contudo. p. A exigência maior desse Capítulo recaía sobre a proposta de dividi-lo em duas partes. 57 SOUZA. p. KLOPPENBURG. LOPES. Cronistória da Constituição.). n. p. Conforme os testemunhos. pôs-se fim à discussão sobre o Capítulo II e iniciou-se a discussão do Capítulo III. Op. . Petrópolis. em relação às necessidades locais das Igrejas. 23. foi solicitado que se revisse o texto não em quatro quesitos. cit. v. P. Também Cf. Ney de. V. A discussão acerca do até então Capítulo II continuou e. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). Concílio Vaticano II. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. 60 BETTI. uma vez que “o Povo de Deus compreende a todos: e. uma perspectiva demasiado otimista que considerava as coisas mais como deveriam ser do que como de fato são” 59. isto é. cit. Embora a votação fosse somente para esclarecer.I. No dia 16 de dezembro. In: BARAÚNA. em que se refletiria especificamente sobre o leigo. Nessas discussões. S. 58 . cit. Cronistória da Constituição. portanto o seu tratado seria pressuposto necessário daquilo que depois seria dito singularmente da hierarquia. B Os debates Conciliares da II sessão. U. devido a novas interpelações dos moderadores. próprio de todo batizado e sobre sua diferença essencial do sacerdócio ministerial.

III: Segunda Sessão (set-dez 1963). O 1º quesito teve. (Org. . Op. O 4º. U. Op. tomou corpo um movimento. puderam ser votados aqueles cinco quesitos já expostos desde o dia 15 do mesmo mês. e que todo o resto concernente à vocação universal à santidade fosse transferido para o projetado e novo Capitulo II sobre o Povo de Deus” 62 . 47. 197-223. são diferentes quantos aos meios de consegui-la. 148. S. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. cit. 63 SOUZA. cit. percebeu-se também que no seio da Comissão Teológica havia a mesma realidade. In: BARAÚNA.I. Uma vez que os Padres conciliares estavam divididos quanto à questão. LOPES. P. obteve 2049 votos favoráveis e 104 não favoráveis e um voto nulo. cit. BOMBONATO. O 2º. Op. 2123 votos favoráveis e somente 34 não favoráveis. Enquanto se pensava que as discussões sobre o novo Esquema já estavam encerradas. em 2157 votantes. cuja intencionalidade era de introduzir ao Esquema sobre a Igreja o Esquema sobre Nossa Senhora. G. expuseram aos Padres os pontos favoráveis e os desfavoráveis acerca da questão. como de fato fora proposto. Cronistória da Constituição. p. a oposição não deu tréguas 63. Contudo. membros da mesma. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. O quesito 3º obteve 1808 votos favoráveis e 336 votos não favoráveis e quatro votos nulos num universo de 2148 Padres. Concílio Vaticano II. Ao final. p.).38 No mesmo dia. BETTI. somente no dia 30 de outubro. faltava ainda uma sessão acerca dos Padres diocesanos. V. Foi aceito pela maioria. Dois cardeais. Ney de. p. os Padres conciliares começaram a discutir sobre o então Capítulo IV sobre a vocação à santidade da Igreja 61. B. que embora também vocacionados à santidade. depois de muita tensão. constituindo um novo Capítulo. de modo que nele se tratasse só dos religiosos. No dia 29 de outubro. realizou-se votação com esmagadora vitória da inserção do texto sobre Nossa Senhora dentro do Esquema sobre a Igreja. embora alguns desejassem uma “mudança substancial da estrutura do Capítulo. Contudo. num universo de 2154 votantes. de 2138 votantes. In: GONÇALVES. como já constava no projeto primeiro da Comissão teológica preparatória. obteve 61 62 KLOPPENBURG. v. A Igreja do Vaticano II. como os religiosos e os leigos. Os três últimos quesitos tiveram forte baixa.

39 1717 votos favoráveis e 408 votos não favoráveis e 13 votos nulos. In: BARAÚNA. diferente daquele de outubro de 1962. p. G. preconizado para tal encargo pelo papel até então desempenhado no seio da Comissão” 66. et al. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Depois. A 8 de junho tudo estava convenientemente sistematizado. 154. Após os conflitos oriundos das discussões. os quais foram respectivamente o bispo de Namur. cit. Op. 525 não favoráveis e sete votos nulos 64. A. que se chegava ao numero de 2. elegendo um “segundo vice-presidente e um secretário-adjunto. formando uma subcomissão central. em 2120 votantes. 66 BETTI.000 páginas. ainda se formou uma nona subcomissão no NICOLAU. O 5º quesito. Cf. 65 Chegava à comissão como de surpresa o Capítulo sobre a Igreja peregrinante e Igreja celeste. Op. Procurou também aperfeiçoar a sua estrutura interna. p. A Igreja do Vaticano II. constituídas a 24 de outubro. Cronistória da Constituição. M. Após certos conflitos. o quesito sobre o Diaconato Permanente e sobre a colegialidade estava assegurado. ainda. U. constituída a 2 de outubro de 1963 com a missão de orientar todo o trabalho e mais oito subcomissões particulares. Para melhor desenvolver as intervenções dos Padres conciliares. M. o Esquema sobre a Igreja saía com uma estruturação quase precisa. U. Porém. um Capítulo sobre os religiosos e. p. a Congregação-geral do dia 30 de outubro de 1963 iniciou um novo caminho. Philips. BETTI. Quanto aos leigos. cit. as Comissões foram acrescidas de 4 membros escolhidos pelo Concílio e de um escolhido pelo Papa. a expectativa de acrescentar um novo Capítulo acerca da relação entre Igreja peregrina e Igreja celeste 65. Para um melhor aproveitamento do trabalho de reelaboração do Esquema e também para que se concluísse tal procedimento até antes do término do segundo período. Op. A crise de outubro de 1963 fora superada. a inserção do Capítulo sobre Nossa Senhora. foi criada uma subcomissão para analisá-lo e encontrar um lugar para o mesmo entre o Capítulo sobre a vocação à santidade e o Capítulo sobre Nossa Senhora. A Igreja do Vaticano II. G. 64 . obteve 1588 votos favoráveis. já era consenso a divisão em dois Capítulos. Charue e o perito G. In: BARAÚNA. subdividiuse a comissão em vários grupos de estudos. 149. cit. Depois de muitas discussões. Cronistória da Constituição. 24.

que seria definitiva. 25. Cronistória da Constituição. O Capítulo IV intitular-se-ia ‘dos leigos’. Op. essas Comissões trabalharam até o mês de junho de 1964. p. como era desejo de muitos Padres. cf. sobre o episcopado’ passava a formar o Capítulo III. ‘Sobre a vocação universal à santidade na Igreja ‘ ocupava-se o Capítulo V. poderia passar a ser um Capítulo à parte. cit. o Capítulo VI. cit. Após todas as análises dos peritos das subcomissões. U. M. 150. A parte destinada a falar ‘sobre a jerarquia e. deixando para o Capítulo II o comum ao Povo de Deus. A cada uma delas era confiado um Capítulo ou parte de um Capítulo para análise. Embora o segundo período terminasse no dia 04 de dezembro de 1963. Para uma análise de cada uma das subcomissões. conservava a estrutura principal do Esquema anterior. inclusive o de Nossa Senhora 67. logo confirmado em 30 de Setembro de 1964 pela maioria do Concílio 68. contendo o texto original e o texto emendado. Op. porque se previa que a secção B. 68 NICOLAU. Ainda no mesmo mês. cit. ao mesmo na sua secção A. o texto foi averiguado pela Comissão de coordenação entre os dias 17 e 18 de abril a 26 de junho. G. p. O Capítulo I continuava a ser ‘sobre o mistério da Igreja’. O Capítulo II já não era sobre a jerarquia. em particular. ‘sobre os religiosos’. mas ‘sobre o Povo de Deus’.40 dia 24 de novembro. o chamado fascículo verde do Esquema sobre a Igreja. atendendo aos desejos formulados na Aula. 150-154. Op. In: BARAÚNA. continha mais dois Capítulos. et al. 67 . Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Assim ficou o novo Esquema De Ecclesia: A nova divisão de Capítulos. a saber: o VII “sobre a índole escatológica da nossa vocação e união com a Igreja BETTI. p. Ainda. foi impresso e enviado aos Padres. A Igreja do Vaticano II. de tratar em primeiro lugar o que comum à jerarquia e ao laicato.

ambos de 4 de dezembro de 1963. Op. quem sabe. Mãe de Deus. Discursos. se possam fazer com maior rapidez 71. que se reunirá no outono do próximo ano e nos permitirá. a se abordar na terceira sessão. o Decreto sobre os meios de comunicação Inter Mirifica. 1964. Esses dois Capítulos serão. 64. Confiamos nas respectivas Comissões. pronunciado no dia 4 de dezembro de 1963. Para um aprofundamento acerca destes dois Capítulos cf. no terceiro período do Concílio. Ainda nesse discurso. O marco desse fato reside no encontro do Papa com o Patriarca Atenágoras. na esperança de que saberão tirar proveito das diversas intervenções dos Padres conciliares. chegar ao fim.41 celeste” e o VIII “sobre a bem-aventurada Virgem Maria. o Papa. 70 O Papa Paulo VI lembra estes frutos que consistem na promulgação da Constituição sobre a Liturgia Sacrosanctum Concilium. NICOLAU. de sorte que as próximas discussões. 25-27. No discurso de encerramento. M. 69 . Documentos. no mistério de Cristo. Op. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. cit. mantendo-se sempre a liberdade. e da Igreja” 69 . Não desagrada termos durante todo esse tempo o espírito fixo em problemas tão graves. especialmente nas assembléias gerais. expõe sua intenção de realizar uma peregrinação à Terra Santa. analisados e inseridos como parte constituinte do Esquema sobre a Igreja. colocá-las em ordem e abreviá-las. reatando novamente os laços entre as duas Igrejas. et al. p. mas que Ficaram ainda por serem discutidas muitas outras questões. Paulo VI lembra que “o Concílio já alcançou alguns dos objetivos que se havia proposto” 70. cit. para surpresa de todos. p. Essa viagem ocorreu entre os dias 4 e 6 de janeiro do ano seguinte. 71 VATICANO II: Mensagens.

KLOPPENBURG. In: Documentos de Paulo VI. promulgada no dia 6 de agosto de 1964. Petrópolis.). In: REB. [dezembro] 1964. n. B. A intenção básica dessa nova mudança consistia em diminuir o número das intervenções: uma modificação dava aos moderadores a faculdade de convocar os Padres inscritos para falar sobre o mesmo assunto a fim de delegarem um ou dois deles para intervir em nome de todo o grupo. formuladas novas mudanças no regulamento. 1997. cit. A III Sessão do Vaticano II. O SEGUNDO PERÍODO INTERSESSIONAL DO CONCÍLIO – 1963-64 O intervalo entre o Segundo para o Terceiro Período foi marcado por uma enorme sobrecarga de trabalhos. (org. G.4. A novidade central desse período transitório deu-se pela publicação da Encíclica Ecclesiam suam74. 73 ALBERICO. 72 . História dos Concílios Ecumênicos. 865. Cf. Foram também. São Paulo: Paulus. 4. Também o resumo de cada intervenção devia ser apresentado com 5 dias (e não mais 3) de antecedência.42 1. Op. 24. 417-8. a qual chamava a atenção para o grande problema eclesiológico. p. p. Carta Encíclica Ecclesiam Suam. v. para melhor desenvolvimento dos mesmos. e a essa norma sujeitavam-se também os cardeais. outra aumentava de 5 para 70 o número dos Padres dos quais era possível obter a palavra depois do encerramento do debate. 74 PAULO VI. o que era uma novidade 73. propostas pela Comissão de coordenação e comunicadas aos Padres em data de 7 de julho de 1964 e aprovadas pelo Pontífice no dia 11 do mesmo mês 72.

Op. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). p. In: Documentos de Paulo VI. B. Op. ocupando da 69ª à 79ª Congregação Geral. v. já se tinha iniciado no Primeiro Período e dois totalmente novos: acerca do apostolado dos leigos79 e sobre a Igreja no mundo contemporâneo 80. 78 Acerca da Primeira Sessão. v. Este Esquema foi Introduzido na Segunda Sessão conciliar no dia 5 de novembro de 1963. três já haviam sido abordados no segundo período. No Terceiro Período. v. o episcopado76 e o ecumenismo77 e outros três. No dia 15. p. Concílio Vaticano II. Discursos. mas.43 1. 79 Este Esquema foi introduzido na Terceira Sessão conciliar no dia 7 de outubro de 1964. cit. KLOPPENBURG. KLOPPENBURG. IV: Terceira Sessão (set-dez 1964).5. cit. Cf. enfatizou a importância de retomar os trabalhos. B. dos quais. sendo que um referente à Revelação78. Concílio Vaticano II. Cf. p. n. 18. já no início. este Esquema foi apresentado no dia 30 de novembro de 1964 ocupando desde a 91º até a 95ª Congregação Geral. v. KLOPPENBURG. . ocupando da 96ª à 100ª Congregação Geral. do Tratado sobre a Igreja a fim de que se pudesse “esclarecer e declarar a doutrina relativa à natureza e ao mandato da Igreja” 75. B. Op. Concílio Vaticano II. 93-123. cuja 75 76 VATICANO II: Mensagens. com a realização da primeira missa concelebrada. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). Cf. ocupando desde a 60ª à 68ª Congregação Geral. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). v. 1965. cit. IV: Terceira Sessão (set-dez 1964). III: Segunda Sessão (set-dez 1963). cit. ocupando da 105ª à 119ª Congregação Geral. 77 Este Esquema foi introduzido na Segunda Sessão conciliar no dia 18 de novembro de 1963. cf. B. 124-153. 5. a saber. Ecclesiam suam. Concílio Vaticano II. p. Carta Encíclica Ecclesiam Suam. O TERCEIRO PERÍODO DO CONCÍLIO (14/9 a 21/11/ 1964) O terceiro período foi iniciado no dia 14 de setembro.p. Cf. principalmente a nota de rodapé n. ainda incompletos. B. Op. B. Concílio Vaticano II. em um de seus Capítulos intitulado “O Diálogo”. Esse último tópico já fora abordado por Paulo VI na encíclica. Documentos. interroga-se dizendo: “Quais as relações que a Igreja deve hoje estabelecer com o mundo que a circunda e em que vive e trabalha?” 81 Essa relação consiste no diálogo. cit. Cf.226-301. cit. KLOPPENBURG. Petrópolis: Vozes. 194-328. KLOPPENBURG. 81 PAULO VI. o Papa Paulo VI. Concílio Vaticano II. fruto já do Concílio. 302-408. Op. 72. v. Op. em seu discurso de abertura. A comissão de trabalho apresentou aos Padres seis Esquemas. KLOPPENBURG. 80 Este Esquema foi introduzido na Terceira Sessão conciliar no dia 20 de outubro de 1964. p. sobre a Igreja.

5. estruturado agora em seis Capítulos e ainda outros dois para serem introduzidos. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. todos juntos. G.156. O Capítulo sobre Nossa Senhora foi mais demorado. porém. p. V. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. 53. e não teológica. quase diríamos vocação (. As emendas mais enfáticas dizem respeito “a mais ampla descrição da natureza escatológica da vocação da Igreja e à menção explícita dos novíssimos. Op. In: GONÇALVES. Op. n. Cronistória da Constituição. A Igreja do Vaticano II. e cumularam 81 páginas de pronunciamentos dos presentes. BETTI. . Contudo. Dois dias mais tarde de sua abertura. cabe ao Concílio. SOUZA. P. (Org. já era apresentado aos Padres o novo Esquema sobre a Igreja. se por um lado nos afligem. 84 Cf. julgarmos oportunas em matéria tão grave e complexa 82. U. sem dificuldade. para as discussões e deliberações que no Sínodo Ecumênico. As discussões duraram dois dias. Depois do quê. Acerca do Capítulo sobre a relação entre Igreja peregrinante e Igreja celeste.) Desejávamos propor este exame como preparação comum nossa. foi aprovado pela comissão doutrinal na reunião de 5 de outubro” 83. e a urgência do problema. In: BARAÚNA. Muitos criticaram a não atribuição a Nossa Senhora do título de “Mãe da Igreja” e de ter relegado à dimensão devocional. As intervenções dos Padres resultaram em 264 páginas.. BOMBONATO.I. o presente Capítulo fora aprovado sem muitas “modificações substanciais nem na revisão feita pela 82 83 Ib.. 16 e 17 de setembro. durando três dias. S.). cit. como também o esforço para resolver da melhor maneira possível A realidade. entre 16 a 18 de setembro. revelando as mesmas duas tendências já presentes na votação do dia 29 de outubro de 1963. cit. são-nos por outro estímulo. o referido título de “Medianeira” à Maria 84. LOPES. houve criticas de partidários que ensejavam ou a sua retirada ou a sua mudança no Esquema. p. na sua amplitude e complexidade. Ney de.44 apresentação.

com efeito.236 votantes. U. A Igreja do Vaticano II. O Esquema foi votado.152 placet. No mesmo dia. tendo 2. sobre o Mistério da Igreja. sendo 1. 11 non placet. Op.177 votantes. era a mais importante no que tange ao acabamento definitivo do texto. foi submetido a duas votações distintas a 30 de setembro: uma sobre os números concernentes ao episcopado em geral. sobre a Vocação universal à santidade. 12 non placet. foi votado no dia 18 de setembro. p. non placet e placet iuxta modum” Essa última resposta. tendo. ainda foi votado o Capítulo IV. O Capítulo I. cit. 572 placet iuxta modum e quatro votos nulos e outra acerca dos números concernentes aos ofícios dos bispos. Cronistória da Constituição. tendo 2.856 placet.189 votantes. Cronistória da Constituição. cit. segundo o método de votação aprovado no dia 16 de setembro. O Capítulo III. nem em razão de exame por parte da Comissão doutrinal a 14 e 15 de outubro” 85.242 votantes. tendo 2. foi votado no dia 16 de setembro. U. G. sobre os Religiosos. . p. dos presbíteros e dos diáconos. oito non placet e 76 placet iuxta modum. tendo 2. 438 placet iuxta modum e três votos nulos. sobre os leigos. sobre a Hierarquia em geral e sobre o episcopado em particular. 156. sendo 1. Op. 53 non placet.45 respectiva Subcomissão. 63 placet iuxta modum e um voto nulo. sendo 1. “um tríplice sufrágio: placet. porque previa o encaminhamento a ulteriores retoques no Capítulo 86. BETTI. O Capítulo II. tendo 2. A votação dos seis Capítulos deu-se em conjunto com essas discussões acerca dos dois Capítulos finais.190 votantes. 553 placet iuxta modum e três votos nulos. num universo de 2.704 placet. sendo 2. 19 non placet.144 placet. sendo 1. 17 non placet. sendo 1. sobre o Povo de Deus. 42 non placet. G.615 placet. 481 placet iuxta modum e 2 votos nulos. 302 placet iuxta modum e dois votos nulos e o Capítulo VI. Capítulo por Capítulo. 157. o Capítulo V. 85 86 BETTI.624 placet.240 votantes. In: BARAÚNA. In: BARAÚNA.736 placet. A Igreja do Vaticano II. obteve 2. e.189 votantes. tendo 2.

A Igreja do Vaticano II. o Papa Paulo VI. 233 placet iuxta modum e um voto nulo. no dia 29 de outubro foi votado o Capítulo VIII. p. fez-se uma votação sobre todo o Esquema. [dezembro] 1964. 87 BETTI. v. Petrópolis. v. Op. Entre os 2. 4. 521 placet iuxta modum e um voto nulo 87. G.091 votantes. Cf. 4. Cf. G. Op. 88 BETTI. A Igreja do Vaticano II. p. do mesmo autor. num universo de 2. 157. sobre a índole escatológica da Igreja peregrinante e sobre a sua união com a Igreja celeste. seguiu-se o mesmo critério: “um texto aprovado pela metade ou mais dos Padres não devia sofrer alterações notáveis. p. Após essa votação particularizada de cada Capítulo. Depois das votações sobre as emendas ou “modos” 89 aos Capítulos individualmente. levando em conta as emendas ou “modos” dos que votaram placet iuxta modum. U. cit. também. 2. em seu Discurso de encerramento do terceiro período. p. A Igreja do Vaticano II. M. B.921 placet. sobre a Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no Mistério de Cristo e da Igreja. A primeira avaliação foi feita por uma subcomissão restrita e após pela Comissão Doutrinal. As Vicissitudes da Lumen Gentium na Aula Conciliar. 241 ss. 24. n. In: BARAÚNA.229 emendas. KLOPPENBURG.145 votantes. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Sendo assim. 10 non placet e um voto nulo. cit.156 votantes.134 placet. NICOLAU. sendo 1. n. foi votado o Capítulo VII. et al. Op. In: BARAÚNA. In: REB. às 10h30min horas. Cronistória da Constituição. In: REB. 24. Finalmente. [dezembro] 1964. Petrópolis. Cronistória da Constituição. p.559 placet. teve-se a votação final do Esquema a fim de ser promulgado. 45-60. 89 A crônica destas emendas pode ser apreciada em KLOPPENBURG. G. . 921-940. só cinco votaram non placet. Em ambas.184 votantes. Discursos. tendo 2. cit. U. fez-se a revisão.46 No dia 20 de outubro. e portanto deviam afastar-se todas as emendas que tocassem a substancia do texto aprovado” 88. promulgou a referida Constituição Dogmática sobre a Igreja que se inicia com as solenes palavras: Lumen Gentium 90. cit. 29 non placet. que somaram ao todo 3. p. sendo 1. 10 non placet. Op. B. Documentos. em solene Sessão Pública. Essa ocorreu no dia 19 de novembro e teve. Op. p. 28-31 para obter uma visão mais pormenorizada das votações. também. cit. tendo 2. 90 VATICANO II: Mensagens. In: BARAÚNA. No dia 21 de novembro de 1964. Cf. 157-8. 940-949.

No dia 28 de outubro. uma acerca da educação. v. Leuven. U. Concílio Vaticano II. 159. Documentos. porém. foram promulgados ainda outros onze documentos. ao Capítulo III. Nostra Aetate. 92 Este Esquema foi debatido em Aula conciliar entre as 103ª a 105º congregações Gerais. Lê dossier de Gérald Philips sur la (LG III).47 Pouco antes. promulgaram-se os Decretos sobre o episcopado. Optatam Totius e duas Declarações. III: Segunda Sessão (set-dez 1963). cit. a saber: sobre as Igrejas orientais Orientalium Ecclesiarum 92 e sobre o ecumenismo Unitatis Redintegratio. o Soberano Pontífice pode a qualquer tempo exercer livremente o seu poder. conforme requisitado por seu próprio cargo” 91. A Igreja do Vaticano II. G. 93 BETTI. ela é a Carta Magna a que se deverá referir toda e qualquer reflexão eclesiológica posterior. CONGAR. Gravissimum Educationis. RSTP 66 (1982). Esse último era o Capítulo XI do primeiro Esquema sobre a Igreja proposta no Primeiro Período. Contudo. 179-194. In: BARAÚNA. Grootaers. “da parte da autoridade superior”. como reproduz o seu número 4: “Na qualidade de Pastor supremo da Igreja. de natureza tal que admite sempre novas e mais profundas explorações de si mesma.6. Foram promulgados também outros dois Decretos. Sobre esta nota. Y. cit. Op. cf. 91 A “nota explicativa previa” segue de ordinário o texto da constituição. Discursos. 1986. O Concílio não falou a última palavra sobre a Igreja 93 . 94-97. realizado entre os dias 14 de setembro e oito de dezembro de 1965. Primauté et collégialité. isto é. p. . por isso. haja vista que ela é um mistério. desse acontecimento. Op. Press. p. Cronistória da Constituição. Christus Dominus. apresentado por J. e a outra sobre as religiões não-cristãs. A CONSTITUIÇÃO DE ECCLESIA: EIXO DO CONCÍLIO Ainda no Quarto Período. referindo-se à questão do entendimento e do alcance do termo “Colégio”. p. 94 VATICANO II: Mensagens. P. Op. Perfectae Caritatis e sobre a formação sacerdotal. 1. cit. e. B. 45-60. KLOPPENBURG. uma realidade intimamente permeada pela presença de Deus. foi introduzida uma Nota Explicativa Prévia. Univers. sobre os religiosos. como bem delineou Paulo VI na abertura do segundo período 94.

cit. (Org. ou como complemento doutrinal ou explicitando-a. Acerca do procedimento e das discussões destes Esquemas neste quarto período. Do ponto de vista histórico. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. Ainda. B. O Capítulo IV. no qual se propõem os princípios teológicos acerca da Vida Religiosa o Concílio também promulgou um Decreto disciplinar sobre a renovação da Vida Religiosa. também explicita de forma disciplinar os princípios eclesiológicos inerentes na De Ecclesia. Ney de. p. 1966. Gaudium et spes. Também. SOUZA. se o Capítulo II revela a índole missionária do Povo de Deus. foi promulgada a Constituição sobre a Revelação Dei Verbum e o Decreto sobre o apostolado dos leigos. Op. Dignitatis Humanae.48 No dia 18 de novembro. cit. tais como o Decreto sobre os meios de comunicação e a Declaração sobre a educação cristã. Petrópolis: Vozes. V. 4. A referida Constituição constitui o “vértice e o centro das decisões conciliares. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. cf. 96 SOUZA. Concernente ao Capítulo VI. LOPES. tem seu correlato no Decreto sobre o apostolado dos leigos e outros ainda mais específicos. que trata sobre os leigos. In: GONÇALVES. (Org. foi promulgada a Declaração sobre a liberdade religiosa. e sobre os Padres. LOPES. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. promulgou-se também o Decreto sobre a atividade missionária da Igreja. V.I. Da mesma forma. Apostolicam Actuositatem. KLOPPENBURG. 95 Ib. percebe-se que a Constituição Litúrgica. Ao todo foram dezesseis documentos. BOMBONATO. Ad Gentes. v. S. concluía a procura da Igreja de sua própria natureza e de seu significado íntimo” 96 . e. nove Decretos e três Declarações 95.). por último. 59-64. e os Decretos sobre as missões. Presbiterorum Ordinis. In: GONÇALVES. Nesse contexto. sendo quatro Constituições. 58. no dia 7 de dezembro. V: Quarta Sessão (set-dez 1965). embora contendo um corpo doutrinal. a Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje. vemos outros três Decretos que explicitam cada qual a função de cada grau sacerdotal. Concílio Vaticano II. Todos os outros documentos giram em órbita de tal constituição. Op. p.). P. P. p.I. Ney de. No que se refere ao Capítulo III sobre a Hierarquia. S. . BOMBONATO.

analisaremos esses grandes blocos temáticos. depois. Op. que se dirige a todos os homens e revela-lhes sua mais profunda dignidade 97. porém. 36. uma vez que expõe sua doutrina acerca da unidade. 2. UMA ANÁLISE TEOLÓGICA DA CONSTITUTIO DE ECCLESIA Nesse segundo momento de nosso trabalho. cit. 1966. ao falarmos da Constituição Dogmática sobre a Revelação. NICOLAU. mas também muito conteúdo doutrinal. não é nosso objetivo desenvolver um Tratado teológico acerca destes temas. derivam não apenas normas disciplinares. 98 97 . O modo como a Igreja relaciona-se com o mundo foi expresso de forma peculiar na constituição sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et Spes. aprofundá-los de forma sintética. oferecendo ao leitor um dos muitos possíveis perfis cabíveis oriundos dessa Constituição. clarificando a sua dimensão eclesiológica. É mister também afirmar que. de todos estes Decretos. nossa intenção é dupla: primeiramente descrever acerca do Concílio Ecumênico Vaticano II. que encontram seu eixo nos Capítulos I e II da Lumen gentium. As Declarações sobre a liberdade religiosa e sobre a relação com as religiões não-cristãs “são como vozes que deste edifício da Igreja são enviadas para fora” 98. GS 22. temos ainda o Decreto sobre as Igrejas Orientais e sobre o Ecumenismo. percebemos que ela é o fundamento sobre a qual toda a doutrina aurida da Constituição Dogmática sobre a Igreja se assenta. M.49 Nesse sentido. Em nossa pesquisa. Por fim. à luz do Mistério Trinitário como eixo Hermenêutico de nossa pesquisa e a partir de uma leitura Teológica Cf. o intento de dissertar acerca dos principais temas da eclesiologia conciliar a partir da Constituição Dogmática Lumen gentium. Nesse ínterim. a fim de que todos conheçam o seu sentir. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. et al. p.

Enfoques. seja proposta de um modo novo. “não é o de discutir princípios doutrinais. (.. ao usar o método dedutivo. Ed. p. (. o mundo. ou seja.) A estrutura fundamental dessa teologia consiste em sistematizar. 100 Discurso Gaudete Mater Ecclesia de 11 de outubro de 1962. J. da própria fórmula da Revelação a fim de adquirir-lhe maior compreensão pela via da analogia com as realidades humanas. Realiza de modo direto e explícito o programa estabelecido por Santo Anselmo: ´fides quaerens intellectum´ . de 29 de junho de 1959: Sem dúvida [o Concílio] constituirá maravilhoso espetáculo de verdade. expor e explicar as verdades reveladas. 102.50 Dedutiva para o mesmo 99. sem nenhuma omissão. Exemplo disto é sua afirmação na sua Encíclica Ad Petri cathedram. São Paulo: Loyola. O seu objetivo. para o seu locus de missão. A. cit. MURAD. LIBANIO. Cf. de ser sinal e servidora de todos e para a sua particular originalidade. A partir dessas afirmações do Sumo Pontífice.) Sua finalidade é declarar. mas para “que toda a doutrina cristã.´von oben´ ou ´katábasis´ (a partir de cima) -. Tarefas. ao ser contemplado pelos que vivem separados desta Sé A Teologia Dedutiva “se caracteriza por ser uma ´teologia de cima´ . São Paulo. procurando trazer maior inteligência para a fé. 2. esperanças de estar abrindo de fato a Igreja para a sua própria vocação. J. Também COMBLIM. O CONCÍLIO VATICANO II: UM CONCÍLIO PASTORAL E ECLESIOLÓGICO Um Concílio tão universal não poderia se ater a questões insignificantes. explicitar o que está na revelação.. Parte do dogma. antigos e novos. retomando o que Padres e teólogos. é nítido o seu desejo de não estar dando início a mais um Concílio em que verdades dogmáticas serão proclamadas ex cadetra ou que alguém ou alguma instituição serão condenadas. p. Herder. 27. 1996.. definir.a fé que busca a inteligência”. In: VATICANO II: Mensagens. 163-168. espetáculo que..1. a fim de descrever um perfil eclesiológico fundado na Comunhão e na Missão. isto é. História da Teologia Católica. de fato..B. 1969. como forma concreta de vivência do sacramento batismal. Op. Discursos.. ensinaram”. unidade e caridade. 99 . integralmente. percebendo-lhes os pontos de semelhança e dessemelhança. p. Cf. tem. Introdução à Teologia: Perfil. diz o Papa Bom. com serenidade e tranqüilidade. Documentos. em vocabulário adequado e num texto cristalino” 100.

103 SOUZA. Encíclica Ad Petri cathedram. de 29 de junho de 1959. In: Medellín. Litúrgico. Acerca destes movimentos. v. cf. o fator aleatório foi dado pela personalidade surpreendente de João XXIII e a última JOÃO XXII. p. da Nova Teologia. p. BOMBONATO. Bogotá. Id. a buscar e conseguir a unidade pela qual Cristo dirigiu ao Pai do Céu a sua fervorosa oração 101. O Concílio Vaticano II e a Modernidade. 21-48. n.B. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. P. Social. Ney de. 18-23. Concílio Vaticano II: em busca de uma primeira compreensão.I. como os movimentos Bíblicos. já experienciando de forma antecipada os frutos que o Concílio propiciaria para toda a Igreja 103. Nesta perspectiva. LOPES. E a causa transcendental foi a ação do Espírito Santo em todos esses fatores e na mudança lenta de outros que antes eram adversos. 1996. Ney de.51 Apostólica. como esperamos. Ecumênicos. V. 2000. S. os convidará. interroga o teólogo Libanio: cabe perguntar por que foi possível que o Concílio Vaticano II se orientasse na direção oposta às mais previsíveis e prováveis? As razões históricas são os movimentos que já trabalhavam internamente a Igreja e cuja visibilidade dispersa alcança no Concílio uma concentração tal que lhe dá um poder muito maior de mudanças. Op. 2005. (Org. (Org. 23. In: GONÇALVES.). 86. SOUZA. In: GONÇALVES. São Paulo: Loyola. Op. de certa forma. São Paulo: Paulinas. V. a possibilidade veio dos movimentos eclesiais. mas de sua agucidade e sensibilidade em ler os sinais dos tempos presentes no mundo e também no próprio seio da Igreja. Portanto. 37-60. P. dos Leigos102. 22. LOPES. p. p. Esta postura pontifícia não nascera do nada. Para uma leitura destes movimentos dentro dos Pontificados vigentes e suas Inter-relações. Missionários. cf. Id. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. S.). LIBANIO. cit. BOMBONATO.cit. Estes movimentos. Patrísticos. p. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. 102 101 . 42-51. O aleatório foi a pessoa original de João XXIII.I. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. J. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. prepararam o ambiente e o diálogo com o mundo hodierno secularizado.

318. Para uma leitura mais aprofundada acerca desta temática. O Concílio Vaticano II e a Modernidade. São Paulo/Recife. p. 232. J. A Trinta anos do encerramento do Concílio Vaticano II: chaves teológicas de leitura. 86. E por meio deles.htm> Acesso em: 25/04/2006. p. Embarcou numa hermenêutica que.). [março] 1991. In: BARAÚNA. Deixou de lado uma ontologia abstrata. cit. G. 27. S. Porto Alegre. Bogotá.rog. Op. 115-134. 1996. 9. Teologia em diálogo. O evento conciliar abriu a Igreja para o mundo e colocou-o como o locus teológico107. ou seja. 106 LIBANIO. LOPES. ela entra no coração da Igreja. A Igreja católica e a modernidade. 109 LIBANIO. C. Acesso em: 25/04/2006. ZILLES. o Concílio Vaticano II procurou uma nova síntese entre ontologia e história. Neste sentido. A Igreja do Vaticano II. São Paulo: Loyola. p. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. Concílio Vaticano II.cebsuai. que oficialmente resistia impavidamente a seus ataques filosóficos e culturais” 106. Concílio Vaticano II: Análise e Prospectivas. ano XXVII. no relativismo historicista. 70. como o lugar de realização de sua missão originante e de sua catolicidade 108. ROSSEAU. In: Perspectiva Teológica. de Lima – J. n. V. n. v. PIÉ-NINOT. In: Medellín. 1998. Id. 108 Cf.htm>. cit.rog. 22. porém. 21. 35-67.br/Libanio_cont. Disponível em <http/www. Disponível em <http/www. Paulinas/UNICAP. Disponível em: <http/www. sem cair. BOMBONATO. J. N. 105 Cf.cebsuai. 297-332. cf.cebsuai. Acerca da Influencia destes movimentos na eclesiologia conciliar. A eclesiologia do Concílio Vaticano II e a Igreja no Brasil.br/Libanio_cont. Concílio Vaticano II: abordagem pastoral. In: Teocomunicação. cf. Salvador. In: GONÇALVES.52 causa foi a ação do Espírito Santo 104. Concílio Vaticano II. 1995. que se refletia numa linguagem inaccessível às pessoas de hoje. sem desconhecer a ontologia. Op.I.53-94. Urbano. todos estes movimentos “comungam em alguns aspectos fundamentais da modernidade105. A Constituição no quadro dos Movimentos Renovadores da Teologia Pastoral das últimas décadas. Belo Horizonte. Id. B. Crise atual e novos paradigmas para o pensar teológico e o agir cristãos. p.br/Libanio_cont.B.htm>. Op. insere-se no coração da história e que no coração da transitoriedade cultural se atém à invariante conceitual 109. v.rog. p.100. Segundo o mesmo teólogo. In: D. Id. p. n. J. 107 CALIMAM. LIBANIO. cit. 104 . Introdução à Eclesiologia. v. B. O. P. I Simpósio teológico Internacional da UNICAP. (Org. Trudel. 2002. p.

112 Cf. o homem. uma vez que ela não existe para si mesma. ALMEIDA. Croire et Interpréter. 111 Cf. São Paulo: Paulus. tem como máxima intenção a “de aprofundar o mistério da Igreja em sua natureza íntima e nas relações da Igreja com o mundo” 113 . . Lumen gentium: a transição necessária. a passagem da perspectiva dogmatista para um paradigma hermenêuticos no tratar os conteúdos teológicos 110. 21. a terceira fidelidade se concretiza na união entre os dois antecedentes. O dever para com o homem constitui para a Igreja o segundo princípio de fidelidade. mas sim para o serviço à humanidade. p. de Cristo com o Homem a partir do mistério da Aliança que é a própria Igreja. visto que é ela que une os homens a Deus. e a Igreja. o Concílio da eclesiologia em uma concentração tal de temas como nunca houvera até agora em nenhum outro Concílio. 66-7. em todos os seus documentos. A primeira funda-se na “perspectiva cristológica” e diz respeito à própria identidade da Igreja conferida pelo próprio Cristo Jesus. a partir da constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen gentium e da constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo Gaudium et spes112. A Igreja deve ser fiel ao seu fundador no que tange o seu agir histórico. já na primeira sessão. O futuro papa Paulo VI estabeleceu três perspectivas. 113 MONDIN. B. um dos Padres conciliares. LIBANIO. como seu princípio originante. tendo como referência a fidelidade a que a Igreja deveria manter.1151. ou seja. escreveu que o “Concílio foi um Concílio da igreja sobre a Igreja. o Concílio Vaticano II. o Concílio Vaticano II foi um Concílio Pastoral no que tange a inteligência da fé. Paris. caracterizando assim. p. Por fim. Antonio José de. Op cit. 2005. Lê tourmant herméneutique de la théologie. Concílio Vaticano II: em busca de uma primeira compreensão. João Batista.53 Neste ínterim. a “perspectiva sacramental” 111. Mantendo-se fiel a esta tríplice fidelidade. em vista de sua nova postura dialogal frente o mundo. Neste sentido. p. São Paulo: Paulinas. ou seja. As Novas Eclesiologias. Claude. Atento a esta realidade. que age continuamente. Karl Rahner. p. sua fonte de luz e criatividade. pois nele ocorre segundo Claude Geffré. talvez nem mesmo no 110 GEFFRÉ. Cristo. tendo em Cristo-pneuma. o Cardeal Montini fez uma intervenção fundamental quanto aos princípios norteadores do Concílio.16. 2001. 1984. Cerf.

a meu ver. p. 295 ss. São Paulo: Loyola. não exatamente uma “definição” 117 eclesiológica.. Cf. Lumen gentium: a transição necessária. simplesmente encontrar uma definição sistemática de Igreja nos textos do Concílio. B: TIHON. cit. o Concílio Vaticano II ofereceu por meio de seus Documentos promulgados. Antonio José de. 21. cit. portanto. 117 O termo está entre aspas justamente por não haver acordo entre os autores na possibilidade de extrair dos textos conciliares uma definição como o próprio termo delimita. P.15. B. foram formulados por KASPER. In: MONDIN. uma nova reviravolta na eclesiologia católica-romana (. As Novas Eclesiologias. imagética da Igreja a partir da Constituição dogmática Lumen gentium Esta descrição imagética. de uma concepção que via a Igreja principalmente como societas. Histórias dos Dogmas. W. Op. o seu caráter de mistério e. compreende-se a abundância de sínteses e estudos sobre a Igreja no pós-Concílio. p.. São Paulo: Loyola. 2005. 11-23. 3: os sinais da salvação. p. Vatikanische Honzil. BOURGEOIS. p. 115 114 . O teólogo Medard Kehl assim explicita esta questão: “Se forem aplicados esses princípios hermenêuticos.54 Vaticano I” 114 . o estudioso Georges Dejaifve assim escreveu: “Na história da Igreja o dia que marcou a promulgação da constituição Lumen gentium aparecerá no futuro certamente como o começo de uma nova época (. p. Op. 48. v. G. Partindo da natureza e do objetivo do Concílio Vaticano II. Histórias dos Dogmas. (séculos XII. Theologie und Kirche. mas sim. mas. de objeto de fé. em Id. bíblica elucida mais vivamente . DEJAIFVE. Zur Hermeneutik der Honzilsaussagen”. B. SESBOÜÉ. 22. embora sendo convocado sob o signo de Pastoral. com efeito. BOURGEOIS. Cf. de uma igreja-potência a uma igreja pobre e peregrina”. P. em “Die bleibende Herausforderung durch das II. cit.XX). foi-se tornando um Concílio eminentemente “Eclesiológico” 116 tendo os seus desdobramentos nas mais variadas formas de expressão sobre e a Igreja em seu relacionamento ad intra e ad extra. é lícito afirmar que. p. uma 118 descrição bíblica. em L’ ecclesiologia dal Vaticano. A. e que Ib. p. (direção). L’ ecclesiologia del Concílio Vaticano II. et al. São Paulo: Paulus. Conforme o Teólogo Paul Tihon. 1987. com efeito.. A Igreja: uma eclesiologia católica. Passa-se. p. 87-88. (direção). 48. Estes princípios hermenêuticos de que o autor fala. 434. cit. (séculos XII. Cf. B. B. em seu desenvolvimento. As Novas Eclesiologias. p.XX). Sob esta perspectiva. a partir deles.. como acontecia no Vaticano I. p. Cf. Vaticano II: 40 anos depois. como também MONDIN. 2005. “as opções metodológicas dos documentos 115 conciliares são características e ricas de implicações futuras” .) Pode-se dizer que passamos de uma igreja-instituição a uma igrejacomunidade. SESBOÜÉ. Op. Op. também ALMEIDA. 434. v. 118 Em relação a esta Constituição. não se permite. pode-se fundamentar uma ‘ formula breve’ eclesiológica que tente fazer justiça à tradição eclesial e aos novos enfoques da autocompreensão da Igreja”. No que se refere à Igreja. 3: os sinais da salvação. LORSCHEIDER. Mainz. 116 Muitas são as referências quanto a este sentido do Concílio Vaticano II entre os autores. B: TIHON.) A constituição Lumen gentium constitui inegavelmente. e ela não mais é apresentada diretamente como motivo de credibilidade.

122 B. Introdução à Eclesiologia. In: BARAÚNA. Op. as publicações eclesiológicas pós-conciliares conservam-se fiéis à orientação histórico-salvífica adotado pelo Vaticano II e apresentam uma eclesiologia mais Cf. Introdução à Eclesiologia. Vaticano: Bilancio e prospettive: venticinque anni dopo [1962 -1987]. “todos os grandes textos do Vaticano II abordam. ecumênico. cit. L’ ecclesiologia postconciliare: speranze. p.45. p. AAS 54 (1962). Op.5) fórmula que é a base das afirmações do Vaticano II 119. 22.59. numa procura dialógica com o mundo. G. 48. Histórias dos Dogmas. 5-13. TIHON. em que a Igreja é descrita como sacramentum salutis (LG 1. 123 Cf. PIÉ-NINOT. Cf. Cf Vaticano II: em busca de uma primeira compreensão. B. 124 Cf.) a tal ponto que se chegou a falar de um ‘pan-eclesiologismo’ dos documentos conciliares” 122. 22. AG 1. risultati e prospettive. p 67. provocou um profundo resgate de sua essência enquanto realidade mistérica123 . Béda: O Mistério da Igreja à Luz da Bíblia. SESBOÜÉ (direção). olhar para os mais diversos assuntos e problemas.26. 9. PIÉ-NINOT.55 teve reflexos muitos fortes no Vaticano I e nos tratados Eclesiológicos subseqüentes. P. seja de ordem temporal ou espiritual. BOURGEOIS. 121 Cf. e colocar-se em atitude de diálogo120 com os mesmos. 120 119 . também. Petrópolis: Vozes. Constitutio Apostolicae Humanae salutis. Esta realidade pôde ser percebida por meio dos outros documentos afins que o Concílio produziu 121. GS 42. cada um a sua maneira. Assisi. 1987. Salvador. cit.. O modo como o Concílio Ecumênico Vaticano II olhou para a Igreja. 316. JOÃO XXIII. Anton. p. A Igreja do Vaticano II. 1971. O Teólogo J. Cittadella Editrice. p. Assim descreve que “tratou-se de um Concílio pastoral. R. também KLOPPENBURG. Cf. que segundo o Padre Tihon. B. 20-25. Salvador.. do diálogo e do aggiornamento”. cit. v. Op. A. In: LATOURELLE. (séculos XII.XX). ecumênica e histórica. Segundo o teólogo A.espiritual e ao mesmo tempo de sua realidade histórica . com uma raiz litúrgica. p. Libanio recorre “a quatro termos para qualificar a natureza do Concílio” a fim de traduzir “as linhas fundamentais de compreensão” do mesmo. SC 5.temporal124. p. Esta nova forma de se olhar possibilitou em seu bojo. cit.cit. 3: os sinais da salvação. ANTON. p. 366. A Eclesiologia do Vaticano II. Op. atenta a uma visão missionária. dimensões fundamentais da Igreja (. H. a uma concepção mais bíblica. Op. 434-5. RIGAUX.

iuridice organizata. La Chiesa. 177. também KLOPPENBURG. no dia 3-12-1962. Madrid. 1998. Cf. 14-23. a forma de uma sociedade perfeita”. p. B. que estava adornada de todas as notas que convêm a qualquer sociedade perfeita [. bem mais perfeita. XLI. In: BARAÚNA. P. O Código de Direito Canônico de 1917 a definia assim: “foi de tal modo estabelecida por Cristo. Pio IX já tinha usado essa expressão na alocução Singulari quadam (1854). uma realidade corporativa plenamente perfeita. 127 Código de Direcho Canônico. Queriniana. As Novas Eclesiologias. A Igreja do Vaticano II. ouviu-se na aula conciliar. é uma sociedade perfeita. uma ruptura da até então concepção tridentina126. Petrópolis. ou seja. G. Surgimento e queda da “Societas Perfecta”. A Eclesiologia do Vaticano II. Béda: O Mistério da Igreja à Luz da Bíblia. A Igreja era comparada a um sistema de poder estatal.. p. dotada de tríplice poder. p. 20-25. 735-746. 1982. que deve conservar o depósito da fé imune RIGAUX. a seguinte afirmação: “Societas perfecta. em virtude de sua instituição divina. Também WERBICH. Brescia. Desta forma. ou seja. In: Concilium. Op. juridicamente organizada. triplici potestate aucta. Granfield. Op. seu Fundador. cit. No próprio Concílio. cf. que caracterizava a Igreja como “Societas Perfecta”. cit. BAC.56 aberta à dimensão histórica da Igreja e mais plenamente consciente do lugar que a Igreja ocupa na história da salvação125. como forma condenatória a aqueles que afirmavam que Ecclesia non est vera perfectaque societas. o Concílio Vaticano II constitui-se no que tange a eclesiologia. donde definia que a Igreja católica teria “recebido. 1951. B. p. Dom Blásio Musto. 316. 141-156 125 . a uma civitas.. quae depositum fidei ab errore immunem custodire et contra hostiles incursiones inconcussa auctoritate tutari debet”. um progetto ecclesiologico per lo studio e per la prassi. J. 126 Para uma visão panorâmica acerca da eclesiologia tridentina. porém. Op. p. p. possuindo um corpus perfectissimum. MONDIN. Cf. cit. da boca do Bispo de Aquino. Esta definição entrou como a proposição 19 do Syllabus (1864).]” 127. uma sociedade.

ela não é a última palavra sobre a eclesiologia132. Una eclesiología de comunión y reconciliación. os Padres procuraram responder a uma grande interrogação: “Igreja.57 do erro e com inabalável autoridade guardá-la contra os ataques inimigos Concílio a partir do novo “sujeito moderno na Igreja” 129 128 .” Disponível em <BIBLIOTECA ELECTRÓNICA CRISTIANA -BEC. p. sem que suas declarações KLOPPENBURG. Op. embora seja o primeiro e o mais amplo documento em que um Concílio ecumênico trata explicitamente “o tema eclesiológico no horizonte total em que no-lo oferece a Revelação. 45. p. Sobre la Constitución dogmática Lumen gentium. V. que dizes de ti mesma?” 130 Esta pergunta eclesial surgiu no final do primeiro período do Concílio e se estendeu pelos demais períodos. Para Compreender a Eclesiologia a partir da América Latina. Nas calorosas reflexões das aulas conciliares. na Constitutio Dogmática De Ecclesia. In: BARAÚNA. p. Fuente: 'Figari. cit. p. 297-98. 131 HERNÁNDEZ. 132 Ib. Cf. Luis Fernando. O. 21-48. sempre norteando as reflexões conciliares. Cf também CODINA. O padre LIBANIO delineia de forma objetiva a formação do novo sujeito moderno na Igreja. 267. Op. 2. G. B. expressa de maneira particular. cit. o formulou uma nova concepção eclesiológica. en Vigencia y Proyección del Concílio Vaticano II. en sí misma como Pueblo de Dios en marcha y de cara al mundo. p. p. Sendo a referida Constituição o coração do Concílio. 1993.VE MULTIMEDIOS™. A Eclesiologia do Vaticano II. A Igreja do Vaticano II. 1996. Lima. UM PERFIL ECLESIOLÓGICO A PARTIR DA CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA SOBRE A IGREJA LUMEN GENTIUM Como já se sabe um Concílio não é uma universidade e os Esquemas por ele elaborados não pretendem ser tratados teológicos 131. 130 “La preocupación central de los Papas del Concílio y de los Padres conciliares fue ciertamente la conciencia de la Iglesia sobre sí misma. Contudo. G.173-175. Concílio Vaticano II: em busca de uma primeira compreensão. nosso trabalho procurar-se-á delinear um perfil eclesiológico. conforme a Lumen gentium. São Paulo: Paulinas. 29-57 >. A Nova Consciência da Igreja e seus Pressupostos Histórico-Teológicos. Nas páginas seguintes.2. VE. Op. No para quedarse ensimismada sino para vivir más plenamente su misterio. 129 128 . cit.

VE. reconheceu-se melhor. passa-se de uma concepção predominantemente jurídica da ontologia da graça. Esta mudança possibilitou uma compreensão mais profunda do sacerdócio universal. 267. O próprio modo como a Constituição está estruturada revela-nos sua harmonia interna. no campo da santidade. ou seja. outorga para a posteridade o rompimento desta concepção eclesial piramidal e ao mesmo tempo. uma nova concepção eclesiológica fundante que elimina a forma piramidal. com ou sem a profissão pública dos conselhos evangélicos. Fuente: 'Figari. e sem que suas perspectivas estejam condicionadas por interesses apologéticos” 133. ou seja. Acesso em: 25/04/2006. No processo desta maturação percebe-se uma mudança radical acerca do novo modo de se conceber a Igreja. Disponível em <BIBLIOTECA ELECTRÓNICA CRISTIANA -BEC. binária em quatro grandes blocos.58 se limitem a expor verdades ameaçadas pela heresia. 133 134 Ib. 29-57 >. que concebia a estrutura eclesial como clero-religiosos-leigos. ao lado da monarquia romana. Una eclesiología de comunión y reconciliación. en Vigencia y Proyección del Concílio Vaticano II. Percebe-se desde já. Luis Fernando. Lima. Sobre la Constitución dogmática Lumen gentium. Por fim. . a saber: os Capítulos I e II que nos falam do mistério da Igreja. os Capítulos V e VI dissertam sobre a finalidade da Igreja. da predominância do sistema à afirmação do homem cristão. os Capítulos VII e VIII que abordam o tema da consumação da Igreja na escatologia 134. a hierarquia e o laicato. e quanto às estruturas de autoridade no Povo de Deus.VE MULTIMEDIOS™>. p. A inserção do Capítulo II sobre o Povo de Deus anterior ao Capítulo III sobre a hierarquia. tripartida. no qual todos são chamados. os Capítulos III e IV acerca da estrutura constituinte da Igreja. 1996. desloca o seu centro outrora fundado na hierarquia para o Povo de Deus. p.

houve grandes mudanças no modo de conceber a Igreja. In: BARAÚNA. Op. C.59 o lugar do Colégio universal dos bispos. O Fermento das Idéias na elaboração da Constituição. Op. da Constituição Dogmática Lumen gentium esparge três eixos Eclesiológicos. G. 135 . qual a “nova consciência da Igreja” a partir do Concílio? Segundo o Perito Conciliar Charles Moeller. cit. ou seja. Due ecclesiologie: ecclesiologia giuridica ed ecclesiologia di comunione nella Lumen gentium. estrutura carismática na Igreja. da Igreja comunidade 135. p. o eixo das estruturas hierárquicas da Igreja. ou seja: o leigo e o ministro encontram-se no mistério da colegialidade. G. o eixo da santidade. A partir destes três eixos eclesiológicos que podem ser caracterizados em três princípios. A Igreja do Vaticano II. A Igreja do Vaticano II. Afinal.190. Acerbi137 que. percebe-se segundo o pensamento de A. 1975. o de sua estrutura interna e de sua finalidade.160. p. o de sua origem. mas conforme o princípio teológico da continuidade na descontinuidade. sacramento primordial da unidade do mundo no Povo de Deus. ou seja. C. cuja consumação celeste revela a dimensão escatológica e pneumatológica da eclesiologia 136. embora o Concílio promovesse uma evolução na procura de uma eclesiologia mais comunional. Nesse sentido. a saber: O eixo da Igreja como Mistério. MOELLER. 136 MOELLER. In: BARAÚNA. o lugar dos organismos locais e a parte da Ecclesia. na presença ainda de uma eclesiologia centralizadora e jurídica. O Fermento das Idéias na elaboração da Constituição. o contrário também é percebido. A. Bologna: Dehoniane. cit. 137 ACERBI.

In: REB. n. A nova consciência da Igreja. isto é. Op. os Padres. ou seja. p. 4. A Natureza e a Missão da Igreja. Portanto. G. A Igreja do Vaticano II. Nisto consiste a grande novidade da eclesiologia presente na Lumen gentium. a Bíblia. também o serão no seu devir histórico. juntamente com a nova imagem que daí se extrai. O. B. 138 . o movimento de volta as Fontes. 271. a Liturgia e num profundo esforço de autocontemplação de si e de seu mistério fundante. v. a partir dos três eixos propostos por Charles Moeller. p. a sua estrutura temporal. salvo algumas transformações de ordem didática. KLOPPENBURG. e ela se realiza como Igreja nessa atuação consciente de sua fundamentação cristica 140. A tensão que daí se origina acerca da relação entre instituição e carisma. a relação colegiada entre os pertencentes a este Povo de Deus: a hierarquia e leigos. 29.60 A nova consciência eclesial proposta pelo Concílio. proporcionou à Igreja retomar as suas fontes próprias. 140 HERNANDEZ. consciência e existência foram para a Igreja uma mesma realidade. O Espírito continua conformando a Igreja enquanto continua conduzindo-a a Cristo. embora tendo ambos a Cf. procuraremos delinear a sua origem proveniente do Mistério Trinitário e conseqüentemente as suas dimensões Cristológica e Pneumatológica e Sacramental. em seu nascimento. ou seja. [dezembro] 1969. subtrair às máscaras e às estruturas enrijecidas inerentes a si oriundas de uma compreensão não tão conatural de sua fonte mistérica. 798-799. de recuperar a Igreja sua consciência mistérica. Neste sentido. própria da teologia patrística e ainda presente em Santo Tomás de Aquino. In: BARAÚNA. Se. p. cit. 799-801. Petrópolis. uma vez que em Cristo a Igreja tem sua existência e no Espírito a contínua renovação de sua consciência. nasce a partir da retomada de sua própria origem cristológica138 e pneumatológica139. 139 Ib.

.. como Mistério. como afirma Congar. 5. 1924.2.1. se da Trindade se origina. quis sublinhar o elo comum entre todas as outras afirmações até então existentes sobre a Igreja. In: BARAÚNA. é “uma redescoberta dos elementos sobrenaturais e CASEL. Friburgo/B. a adoção do Concílio pelo termo Mistério.61 mesma vocação à santidade. percebe-se que ela não quis oferecer mais uma afirmação acerca da Igreja. é uma iniciativa da misericórdia divina.1. O EIXO MISTÉRICO: A TRINDADE COMO ORIGEM 2. Nesse sentido. por fim. O. Esse encargo. procurando resgatar o fundamento original da igreja e interpretar o seu mistério a partir de si mesma. A Igreja do Vaticano II. ela o fez. 141 . saída do Verbo vindo ao mundo. 295. Herwgen 141 . O. A IGREJA COMO MISTÉRIO O termo Mistério foi introduzido na Teologia Católica contemporânea mediante o trabalho de dois autores: O. Die Liturgie als Mysterienfeier. com categorias elaboradas numa contemplação do plano de Deus sobre si mesma. Lumen Christi. mas. p.2. A Igreja. imita ela a existência e revive o destino do verbo encarnado 142.1. Op. Munich. e não deduzidas de estruturas humanas: (. Casel e I. enquanto percurso terreno. 142 HERNANDEZ. 1923. delinearemos a sua dimensão escatológica. uma vez que. Ao analisar a constituição De Ecclesia.) Antes de imitar a existência de uma sociedade humana. de modo peculiar. como que por infração e surpresa. I. 2. A nova consciência da Igreja. é para Ela que se dirige.. cit. G. HERWEGEN.

2. Teocomunicação. B. mas sim. A. O Mistério da Igreja à Luz da Bíblia. cit. todo o texto: pp. o mistério da Igreja só se torna inteligível à luz do Mistério Trinitário. 2. Op. 147. o Vaticano II foi induzido a abandonar o conceito puramente institucional da Igreja. p. no que tange a sua origem. [março] 2005. “Chronique de trente ans d’étuds ecclésiologiques” In: Sante Église. a Trindade. certo de que é nela que se encerra e que tudo se converge. a partir da realidade histórica na qual a Trindade manifesta o seu desígnio de amor 145 . a relação entre Igreja e Trindade tem CONGAR. 316. sobre a história da eclesiologia. L’Églesie de saint Augustin à l’ époque moderne. 514. Nessa configuração. mas sim acerca do seu “mistério”.2. n. In: BARAÚNA. 143 . de um esforço humilde e religioso para considerar o Mistério da Igreja em toda a sua divina profundidade” 143. v. Assim. Trindade e Igreja no Concílio Vaticano II. 144 RIGAUX. Porto Alegre. O emprego neotestamentário do termo mistério justifica o titulo do primeiro Capítulo do Constituição conciliar. do mesmo autor. 145 KUNRAT. Paris. G. études et approches ecclésiologiques. P. 1970. 445-696 e.62 místicos da Igreja. 1963. p. entre a estabilidade da instituição e o dinamismo do Espírito 144. p. ou seja. numa descrição não atemporal ou espiritualista. que tem sua origem e fundamento na Trindade. 35. 33-48. A índole mistérica da Igreja. Em adotando essa perspectiva. Mergulha seus olhares na própria Trindade e nas intenções profundas das palavras e dos atos de Jesus. provoca uma síntese entre a organização e o carisma. só tem consistência se estiver em referência ao Mistério dos Mistérios. Nesses termos. O MISTÉRIO DA TRINDADE COMO ORIGEM DA IGREJA O Capítulo primeiro da constituição não disserta sobre a sua “natureza”. Y. Cf. é o fundamento de todas as realidades.1. Paris. A Igreja do Vaticano II.

Cf. ao mesmo tempo. Jesus Cristo. que pregou o Reino de Deus. instituindo a Igreja como comunidade dos reconciliados e. ascender ao Pai. que está na base da história de Israel. 149 Cf. desde já misteriosamente presente no mundo. M. A Igreja do Vaticano II. PHILIPON. 150 Cf. A Santíssima Trindade e a Igreja.63 como escopo a economia da salvação 146 como chave de leitura. 363-4. cuja fase eterna é a Trindade e 146 147 Cf. cit. A Igreja é. Jesus Cristo. no Espírito e pelo Filho. A Igreja do Vaticano II. A Santíssima Trindade e a Igreja. Diz-se. LG 2. mas que só estará terminada no fim dos séculos” 147. LG 3. manifestada pelo dom do Espírito Santo. O movimento de descensão possibilita o de ascensão. cit. do qual a Igreja é o “germe e o início do Reino na terra” 148 . através do Filho. M. neste sentido. que a “Igreja foi esboçada desde as origens do mundo. descreve-se o desígnio maravilhoso do Pai no que refere à humanidade. In: BARAÚNA. ao mesmo tempo. sendo obra da Trindade. 363-4. No parágrafo 2 da Lumen gentium. O Mistério Pascal é a realidade histórica em que o Filho realiza plenamente a vontade do Pai. B. outorgando e. Op. veio ao homem no Espírito. Cf.34)” 149 . de ser participante da vida divina. p. O Espírito Santo é o coroamento da missão do Filho. Reino de Cristo. num circuito de unidade. A Igreja. p. In: BARAÚNA. A Igreja Ícone da Trindade: breve eclesiologia. ou seja. “Assim como o Pai. preparada de modo admirável pela aliança antiga. p. 19. possibilitando o acesso ao Pai. FORTE. LG 5. p. Op. o homem pode. por isso. cresce pela força de Deus. 364-6. o lugar onde o Pai quis congregar os que crêem em Cristo. por meio do Filho. torna-se manifesta ao mundo na Plenitude dos Tempos pela obra do Filho. doravante. PHILIPON. mantendo a Igreja a sua dimensão histórico-temporal. “A Igreja. Sua origem e desenvolvimento são simbolizados pelo sangue e pela água que jorraram do lado de Jesus crucificado (Jo 19. Esse desígnio tornou-se realidade. mediante a obra redentora de seu Filho. . não obstante o pecado. G. nutrindo-os e mantendo-os na unidade mediante a Eucaristia 150. São Paulo: Loyola. 1997. 148 Cf. G. constituída nesses últimos tempos.

Para um aprofundamento sobre estas imagens. Op. Cf. apresenta-se a Igreja como Corpo Místico de Cristo. santa católica e apostólica. LOPES. 366-9. concretizada FORTE. sem esgotar-se nela. Não existem duas Igrejas. A Igreja do Vaticano II. p.) a instrui. cf. a saber: como redil. Op. 12. n. M. As imagens simbólicas da Igreja no Novo Testamento. renovando-a continuamente e a conduz à união consumada com seu esposo” 152 . LG 4. esposa imaculada 154 . 152 151 . “o povo unido pela unidade mesma do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. ao mesmo tempo. M. A Santíssima Trindade e a Igreja. 21. a Igreja é manifestada em diversas imagens. p. rebanho. mas uma única presente no mistério trinitário. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. In: BARAÚNA. cit. PHILIPON./dez. 154 Cf. A Igreja Ícone da Trindade: breve eclesiologia. P. 153 Cf. cit. Revista de Cultura Teológica. B. construção de Deus. Rejuvenesce a Igreja com a força do Evangelho. Jerusalém celeste. família. lavoura de Deus. dirige e enriquece com seus frutos. conforme afirma São Cipriano 153. LG 4. São Paulo. a Igreja é uma. segundo o parágrafo 6. 49. Op. CERFAUX. o seu ser visível e espiritual. p. 61-79. L. 6187. v. Cf. Em sua realidade histórica. 1966. categoria à qual “é possível inferir o caráter ministerial de toda a Igreja e seu caráter profundamente sacramental” 155. M. a Igreja é. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. cit. A Igreja de Cristo é uma realidade complexa que se manifesta na Igreja católica. 155 GONÇALVES. p. 331ss.64 cuja fase temporal é a Igreja” 151 . Op. Templo Santo.. A Eclesiologia hoje: perspectivas eclesiológicas. S.. Desta forma. 17. Também NICOLAU. p.] 2004. Ele conduz a Igreja “à verdade plena e a unifica na comunhão e no ministério (. Cf. O Espírito Santo é para a Igreja “fonte perene de santificação”. 1997. No parágrafo 7. In: BARAÚNA. Op. Sendo assim. G. cit. Por ser mais ampla que suas formulações históricas. A dimensão mistérica da Igreja revela. p. [out. a Igreja é um mistério único em seus aspectos visível e invisível. pois. et al. cit. A Igreja do Vaticano II. G. et al. desdobrada na história para reunir toda a humanidade. LG 4. NICOLAU.

p. Embora “a Igreja revela fielmente ao mundo o mistério de Cristo”. p. para todos e para cada um dos homens em particular. 158 LG 1.65 como Povo de Deus inserido e peregrino na história para servir o Reino de Deus e dar testemunho da verdade 156. 2. 159 Cf. 160 LG 1. ela o é enquanto ontologicamente e historicamente. A descrição da Igreja como “sacramento” é elaborado pelos Padres conciliares sob duas óticas: uma cristológica e outra escatológica. ou seja. In: BARAÚNA. o princípio da unidade e que a “Igreja é assim. 247-265.1. No parágrafo nono. In: Cadernos de Teologia. HERNANDEZ. o Concílio afirma que Jesus é o autor da salvação. 1989. ela o revela de forma velada 161. cit. KASPER. A Igreja do Vaticano II. ligada à Trindade. GONÇALVES. p. A Igreja do Vaticano II. W. como o lugar de realização da obra redentora do Filho 159 . 161 LG 8. In: BARAÚNA. A Igreja como Sacramento. 157 Cf. ela o é enquanto servidora e portadora dos mistérios de Cristo. tendo-se em vista a própria história da incorporação desse conceito ao texto conciliar. expressa bem o Concílio ao afirmar que a “Igreja é em Cristo como que o sacramento ou o sinal e instrumento da união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” 160. o sacramento visível da unidade da salvação”. n. SMULDERS. “La Chiesa sacramento universale della salvezza” e “Chiesa come comunione”. Op. 284-301. Eclesiologia Ecumênica.3. Teologia e Chiesa. 43. 286. É a descrição mais significativa da Igreja. ano VI. [maio] 2000. O. p. Neste ínterim. Paulo Sérgio Lopes. O Concílio Vaticano II descreve a Igreja “como que sacramento ou sinal e instrumento da união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”158. Campinas. Op. In: ed. Também LG 8. Quando se fala da Igreja como Sacramento. Para uma leitura mais complementar. Brescia. cit. G. cf.2.. A nova consciência da Igreja. G. 07. P. A IGREJA COMO SACRAMENTO157 Sendo a Igreja descrita como Mistério. 156 . 396419.

Fonte de Tensão Permanente. As Novas Eclesiologias. 164 PIÉ-NINOT. a vida da Igreja também será divino-humana ou teândrica” 165 . SMULDERS. que se revela de modo visível. 30. que faz com que ela seja. é ao mesmo tempo santa e está em constante purificação. A descrição da Igreja. 165 JOURNET. ‘uma realidade complexa’ 164. A Igreja do Vaticano II. p. e em virtude da lei da encarnação pela qual o visível é mediação do invisível. entendendo-o não como algo incognoscível. como sugere o número 8 da LG. “tendo em seu seio pecadores. A Igreja como Sacramento. o Concílio é enfático ao dizer que a Igreja. uma vez que. p. O Concílio. Cf. MONDIN. a encarnação pode ser assumida como “módulo de compreensão e de interpretação do Mistério da Igreja. In: BARAÚNA. visível e invisível. B. quer exprimir a dupla dimensão da Igreja. C. visto que ela é uma realidade única e irrepetível. P. cit. empregando esse conceito de sacramento. empregado de forma analógica à Igreja. estão essencialmente presentes LG 8. não se pode atribuir à Igreja a mesma realidade extrínseca da Encarnação. A concepção sacramental da Igreja. p.66 Quanto à conotação escatológica. remonta ao termo bíblico Mistério. A fonte deste conceito. deve fornecer a chave de uma nova consciência eclesial. 163 162 . como na Encarnação. O caráter Teândrico da Igreja. A Igreja do Vaticano II. Op. não deixando jamais de fazer penitência e de buscar sua própria renovação” 162. LG 8. G. já em si mesma. Introdução à Eclesiologia. Op. fundada na Encarnação do Verbo e manifestada ao mundo por meio dos sete sacramentos. houve uma “espécie de ‘decentração da Igreja com relação a si mesma’. mas como uma realidade portadora de salvação. com esse termo. 396. cit. Para uma leitura complementar. humana e divina. porque está colocada inteiramente em relação a Cristo” 163. A. Contudo. 384 ss. Contudo. pois nela também. se “a vida de Cristo é divino-humana ou teândrica. cf. Op. Op.309-321. como Sacramento. cit. cit. p. revela a sua realidade Teândrica. G. Dessa forma. 14-51. In: BARAÚNA.

2. mas não único. 170 CONGAR. 171 MOELLER. 159. p. O. o Concílio denominou a Igreja como Povo de Deus. p. Op. 471 ss.2. Morcelliana. 12. 1967. A Igreja é a comunidade surgida pela vontade de Deus e da qual o próprio Deus faz parte. situa no interesse de mostrar primeiramente o que é comum a todas as denominações presentes em sua estrutura visível. LG 14. A inversão entre os Capítulos. sim.1. Nesse sentido. 311. G.M. [dezembro] 1969. A partir do desenrolar da dimensão histórico-humana da Igreja. v. o novo Povo de Deus. 29. ou seja. B. B. Brescia. 166 . Ministeri e comunione ecclesiale. segundo C. embora “de natureza singular. Cf. Moeller. p. cit. clérigos e leigos. Nesse aspecto. 1984. La teologia dopo il Vaticano II. “a primeira das revoluções copernicanas que marcaram a elaboração da constituição” 171. Bolonha. cit.). 823-825. A Natureza e a Missão da Igreja. 169 Cf. A Igreja. compreende-se a sua encarnação histórica. As Novas Eclesiologias. porque nela o homem opera. justamente porque não é um povo que se reúne por si mesmo. O EIXO MINISTERIAL: A TRINDADE COMO IMAGEM 2. In: MILLER. p. e sim como associado a um ‘partner’ divino. Petrópolis.3. In: REB.2. J. C. (org. “Storia della strutura e delle idee della LG”. A finalidade do Concílio em descrever a Igreja como Povo de Deus antes de sua estrutura. Op.67 os dois elementos (humano e divino) e estão unidos entre si de maneira análoga” 166. constitui. constituída como “sociedade” 167. In: BARAÚNA. de sua realidade visível. como já mencionado no item 1. Y. p. As Novas Eclesiologias. como agente principal.23. que assume para si a responsabilidade do início das grandes decisões que dizem respeito à Igreja” 168. 167 Cf. n. antes de dissertar MONDIN. SEMMELROTH. ou seja. 29. 168 MONDIN. são similares. 4. cit. Embora sendo distintos. 1973. também KLOPPENBURG. Op. p. 319. A IGREJA: POVO DE DEUS169 A visão eclesial de até então era marcada pelo que denominou Yves Congar de “Eclesiologia hierarcológica” 170. mas por causa do desígnio de Deus.2. A Igreja do Vaticano II. a Igreja aparece como uma comunidade de homens convocados por Deus e profundamente unidos a Cristo e à sua obra.2. B.

LG 9c. Nesse tempo intermediário. LG 12. mas integradora e totalizante. que se concretiza justamente no exercício de seu sacerdócio universal ou comum173. LG 17. Nesse aspecto. visto que ele é incorporado a Cristo. principalmente. há entre os batizados e crismados. a categoria Povo de Deus tem suas raízes na eleição de Abraão. Dentre a dignidade comum oriunda do batismo. Dessa categoria Povo de Deus. aqueles que são instituídos no sacerdócio ministerial. Se o Capítulo I falou do Mistério da Igreja em toda a sua amplitude e extensão. o Senhor constituiu esse novo povo para que seja entre “todo o gênero humano o mais firme germe de unidade. É graças ao batismo que o cristão é revestido desse sacerdócio comum. esse povo messiânico ou novo Israel. LG 9b. 176 Cf. Contudo. Conforme o Concílio. desde a Ascensão do Senhor até a sua Parusia. CONGAR. O Senhor o constitui como “povo messiânico”. no seu zelo missionário175. 19-20. 1 p. Cf. “que ainda caminha no tempo presente e se dirige para a futura e perene cidade” 177. situa-se a ação deste Povo de Deus. tendo como fundamento o sacramento do Batismo e a redescoberta do sacerdócio universal ou comum. 1965. 174 Cf. e não poucas vezes apareça como um pequeno rebanho”. o Capítulo II visa dissertar acerca de sua dimensão imanente. mas tem sua plenitude na aquisição do novo Povo de Deus que em Jesus Cristo se realizou. “La chiesa come popolo di Dio” In: Concilium. Sendo assim. é também denominado como Igreja de Cristo.68 acerca da diversidade de funções atribuídas e oriundas de cada estado 172 . de sua origem transcendente. eles não só 172 173 Cf. 177 Cf. que é o sumo e eterno Sacerdote. LG 10-11. muito embora “não abranja de fato todos os homens. culto e prática sacramental. de esperança e de salvação” 176. v. como se infere do parágrafo 10 e 31 da LG. ou seja. . Y. no uso dos carismas e do “sensus fidei” 174 e. irradia uma eclesiologia não fragmentária ou partidarista. Petrópolis. 175 Cf.

487 ss. s/d. Suas virtudes sãos as dos homens. mas somente análogo. A Igreja do Vaticano II. seus meios de santificação lhes são comuns com seus irmãos de fé. cit. Essa relação é proveniente do ato de crer de todo fiel. A Igreja do Vaticano II. Cf. que é Cristo. Contudo. 499 ss. J. se ele ‘representa’ no Corpo Místico a cabeça. O parágrafo 12 reporta-nos ao seu ofício profético180. p. G. visto que ele não crê a partir do nada. B. sua espiritualidade é a dos batizados. DE SMEDT. Van. numa vida de virtude. comum a todos os membros do Povo de Deus 178. que é o estado de fiel. In: BARAÚNA. os fiéis são também movidos pelo sensus fidei ou sentido da fé. esse serviço não o pode ‘separar’. cit. Se ele ‘preside’ sozinho à assembléia eucarística. A Nova Imagem da Igreja. p. um ‘fiel batizado e confirmado’ como os outros. Op. E. O Sacerdócio dos fiéis. embora tenham ambos a Cristo Sacerdote como origem. mas em essência. se ‘o serviço do Evangelho o distingue’ dos outros. A Participação no múnus profético de Cristo. . mas sim do que ele efetivamente recebe do “Magistério” 178 179 LAMBERT. Seus privilégios são os privilégios do serviço. que lhe é peculiar. o Povo de Deus exerce o ofício sacerdotal179. 180 Cf. G. proveniente do Espírito Santo e que conjuntamente com o Magistério da Igreja se tornam também Magistério infalível. O sacerdócio comum dos fiéis não é de forma alguma unívoco ao sacerdócio ministerial. Conforme o parágrafo 10 e 11. 94. Esse múnus deve ser traduzido mediante o testemunho vivo de Cristo. Bernard. In: BARAÚNA.69 diferem em grau. Nesse sentido. ‘Sua consagração e sua missão’ fazem dele um servidor dos outros. Op. LEEUWEN. por meio de uma vida de fé e de caridade. uma vez que participam desse múnus de Jesus. a diaconia. o Sacerdote é ‘um irmão entre seus irmãos’. mas também por meio dos sacramentos. p. Continuamente a teologia do sacerdócio é recolocada em seu contexto normal.

et al. Dessa forma. 107. próprio da Igreja. abre-se uma larga perspectiva de aproximação e de relação entre os cristãos e os outros cristãos e. G. NICOLAU. p. Nesse aspecto. necessariamente é verdadeiro e de fé. entendendo esta realidade. p. C. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. LG 13. ou seja. necessariamente é verdadeiro e de fé 182. 182 NICOLAU. entendemo-lo tanto da universalidade dos fiéis. et al. Op. cit. conseqüentemente. cit. muito embora seja uno183. 185 Cf. esse Povo é também descrito como sendo “uno e universal. Op. O Concílio relembra expressamente a necessidade de pertença à Igreja. 181 . tudo o que ensinam os bispos relativamente à fé. p. do ato de ensinar. 108. p. 184 NICOLAU. M. como necessidade de meio e não de preceito para a salvação 184. isto é. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. de universalidade como nota própria do Povo de Deus. cit. são interessantes as palavras de São Roberto Belarmino acrescentada ao primeiro Esquema De Ecclesia do Vaticano I: ‘Quando afirmamos que a Igreja não pode errar.70 enquanto “ensinamento e doutrina”. Op. porque é por ela que o fiel se torna presente a Cristo e também pela necessidade do batismo para a salvação. BUTLER. et al. M. Fala-se. O parágrafo 14 nos Cf. possuidor de dons e ministérios de acordo com a necessidade do bem comum. A Igreja do Vaticano II. de modo que o sentido da preposição ‘a Igreja não pode errar’ seja: aquilo que todos os fiéis têm como fé. constituindo assim o que se denomina a “infalibilidade ativa do Magistério” 181 . Os Cristãos não-católicos em relação à Igreja. B. de igual modo. 183 Cf. primeiramente. Op. como da universalidade dos bispos. 113-14. In: BARAÚNA. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. católico”. 686 ss. cit. M. portanto. com os não-cristãos 185. Sendo o Povo de Deus um povo carismático.

justamente entre aqueles que aceitam a estrutura íntegra da Igreja e recebem todos os meios de salvação nela estabelecidos. cit. está referindo-se aos protestantes. . a pertencer ao Povo de Deus”. ressaltando o papel dos leigos e a co-responsabilidade de todos. ainda que não para todos. 61). mesmo que receberam validamente o batismo. Praeclera gratulationis. os sacramentos e. 29c. M. a fé na Trindade. sem deixar de reconhecer e valorizar a vocação específica missionária ‘ad gentes’ 188. o que nos une aos não católicos. 188 CNBB. Quando o Concílio dirige-se aos “que não guardam a fé integral”. et al. Há igualmente aqueles que não possuem uma plena incorporação à Igreja. 186 187 Cf. encontra-se uma das grandes contribuições do Concílio à Igreja. São Paulo: Paulinas. 707. pastores e fiéis. Contudo. p. n. como algo conatural à sua origem. mas todo o Povo de Deus. A todos e a cada um dos homens chama à Igreja e para ela os encaminha por meio das suas graças”. 1999. como aqueles “que não conservam a comunhão sob o Sucessor de Pedro” 186 . p. A índole desse Povo de Deus manifesta-se na responsabilidade de evangelizar de forma permanente e universal. enquanto que se refere aos orientais ortodoxos. 20. LG 1. “contudo. Também LG 16. na ação pastoral e na missão evangelizadora. No que se refere aos não-cristãos. a devoção a Maria. todos estão destinados. Estas graças se concretizam nesta “posse e incorporação na Igreja” 187. uma tomada de consciência mais clara de que a Igreja não é só a hierarquia. NICOLAU. Aqui.6. embora ainda não tenham recebido o Evangelho. Op. que tem de aplicar-se depois e tornarse subjetiva em cada homem. Carta Apostólica. conforme os Bispos. 122.71 fala da incorporação plena e perfeita.1994: AAS 26 (1893-94). etc. DGAE 1999-2002. (Documentos da CNBB n. ou seja. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. Leão XIII. visto que Jesus Cristo “redimiu todos os homens com uma redenção objetiva. circunscreve-se na aceitação da Sagrada Escritura como divinamente revelada.

como doutrina em que se deve crer firmemente. essencialmente.2. 189 . cit. LG 32. 22-27. ocupa-se também no parágrafo 28 sobre os Presbíteros e no parágrafo 29 acerca dos Diáconos. 9. cit.2. assim como foi delineada a doutrina sobre o Papa no Concílio precedente. 190 Cf. uma vez que o desenvolverá de forma longa e aprofundada. segundo Pietro Parente 191. disserta. O Capítulo III acerca da “constituição hierárquica da Igreja: o episcopado”. Nessa mesma linha. Op. M. LE GUILLOU. o coração do Concílio. A Vocação Missionária da Igreja. M. Op. ou seja. G. a instituição. Petrópolis: Vozes. 191 Cf. PAULO VI. A Igreja do Vaticano II.2. p. sobre os fundamentos teológicos no que concerne aos Bispos. a perpetuidade. é clara essa postura: O Concílio reafirma junto a todos os fiéis e declara. Relatio prior. et al. p. 1987. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi. p.72 Nesse único parágrafo. Já no Proêmio. No mais. os ordenados e os não ordenados. de forma clara e profunda toda a doutrina sobre o episcopado. o episcopado. 7° ed. Relatio super Caput III textus emendati schematis Constitutionis De Ecclesia (1964). sob o ponto de vista doutrinal. 713 ss. no Decreto sobre a atividade missionária da Igreja Ad gentes. O Concílio. embora fale do Papa e do Primado do Romano Pontífice. número 17. a doutrina segundo a qual os bispos são sucessores dos Cf. professa e declara diante de todos. os leigos e os religiosos.-J. A IGREJA POVO DE DEUS: SUA ESTRUTURA VISÍVEL Os três próximos Capítulos da LG dissertam acerca dos membros que constituem visivelmente a Igreja. Também. a importância e a razão do primado do pontífice romano e de seu magistério infalível. ao nominar o Povo de Deus. constituindo. Apud NICOLAU. In: BARAÚNA.127. o faz em duas categorias. dessa forma. de nn. a Constituição visa apenas propor os fundamentos teológicos da ação missionária da Igreja189. O Concílio na esteira do Vaticano I procura agora delinear. Igreja do Concílio Vaticano II: comentário à Constituição Dogmática Lumen gentium. mas diferentes quanto aos ofícios. muito embora “todos são iguais em dignidade” 190. 2.

p. p. Cf. LG 20.. que dirigem a casa do Deus vivo. os Padres conciliares fundamentam o ofício hierárquico a partir de uma realidade mistérica. G. 1986. Conseqüentemente. a doutrina acerca da colegialidade episcopal 197 . 198 Além das duas que irá dissertar. Op. ou seja. LÉCUYER. n. por instituição divina. podemos auferir várias conseqüências para a Igreja do pós-Concílio198. A Igreja do Vaticano II. 197 Cf. LG 20. que os constituiu “em Colégio ou grupo estável” 194 . 2º ed. ponto II. LG 19. menos jurisdicista e mais amplamente ontológica. percebe-se o múnus episcopal sob uma nova ótica. LG 18. tendo sua origem na escolha dos doze por Jesus. abordaremos apenas duas. G. A partir dessa base sacramental. sobrenatural. O Episcopado como Sacramento. o Concílio recuperou e elaborou. p. J. 196 Cf. A Colegialidade dos Bispos: desenvolvimento teológico. J. afirma ainda que a Cf. a criação das Conferências Episcopais e dos Conselhos Presbiterais. In: BARAÚNA. o Concílio ensina que os bispos. A Igreja do Vaticano II. juntamente com o sucessor de Pedro. tem-se também criação por Paulo VI do Sínodo dos Bispos. 743 ss. letra c. São Paulo: Paulinas. Relatio Finalis. Contudo. 7-49. Cf. e sua transmissão pelos próprios apóstolos numa contínua sucessão195. possibilitando um tom maior de vitalidade sobrenatural. nesse Capítulo III. “Por isso. sacramental193. RATZINGER. sucedem aos apóstolos. Dessa doutrina. A primeira delas diz respeito à responsabilidade e à dignidade das Igrejas locais. Com afirma Ratzinger. Op. 5-6. vale apenas lembrarmos que. mas em pôr novamente em relevo e em atividade as ‘Ecclesiae’ na ‘Ecclesia’” 199. 195 Cf. o “sentido da colegialidade não pode estar de fato em colocar um parlamento em lugar de uma monarquia. p. como pastores da Igreja” 196 . 194 Cf. como conseqüência da Colegialidade Episcopal. No seu conjunto. 785. cit.73 apóstolos. cit. de forma teológica e disciplinar. Cf LG 21. 763 ss. 193 192 . vigário de Cristo e cabeça visível de toda a Igreja 192. ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS 1985. In: BARAÚNA. 199 Ib. De maneira especial.

de santificar e de reger 203. 800 ss. Neste aspecto. mesmo que não exerça sobre ela nenhum ato de jurisdição202. pastor de sua grei. p. consta das igrejas particulares cada uma das quais representa o todo da Igreja 200. A Igreja do Vaticano II. 877 ss. mais as igrejas particulares terão sua fisionomia própria. São Paulo: Vozes. Aspectos Horizontais da Colegialidade. una. o Cardeal Suenes diz que quanto mais o episcopado tiver papel ativo.74 Igreja realiza-se em primeiro lugar em cada uma das suas igrejas locais: estas não são postos administrativos duma organização central. 200 . 1965. J. das teologias. As implicações pastorais da doutrina sobre a colegialidade. cit. de tal maneira que a cada uma dessas células se deve chamar simplesmente e com direito ‘Ecclesia’. o múnus de ensinar. RATZINGER. 1. e mais o primado estará em condições de exercer plenamente seu papel específico. Cf. 1969. afirmar agora: a Igreja de Deus. O Tríplice encargo do Bispo. o de assegurar a unidade e a coesão fundamentais da Igreja 204. 201 Cf. p. GROOT. A Igreja do Vaticano II. A Co-responsabilidade na Igreja de hoje. In: BARAÚNA. que existe. Petrópolis. LÉCUYER. Jan Cornelis. 203 Cf. J. cit. 202 Cf. Op. G. que se apresentam sob tríplice forma. portanto. Op. LG 24-7. 33. mais o povo cristãos se expandirá na diversidade dos ritos. mas sim células vivas em cada uma das quais está presente todo o mistério da vida do corpo uno da Igreja. p. Podemos. das disciplinas e dos costumes. ele deve ter solicitude para com toda a Igreja. Cf. In: Concilium. LG 23b. ou seja. a saber. 204 SUENENS. In: BARAÚNA. p. n. o Concílio descreve os múnus próprios do ofício episcopal. Embora. 55. A esse respeito. G. A segunda diz respeito à redescoberta do bispo como pastor de sua Igreja local e de seu múnus pastoral em favor de seu povo 201 .

cuja estrutura e autoridade se entendem a partir da Revelação”. 28. a ser realizada com a participação de toda a comunidade eclesial. A reflexão acerca da Colegialidade Episcopal. o Papa e os Bispos. 1999. DGAE 1999-2002. Cf. pessoalmente. LG. com suas forças vivas e os diversos carismas que lhe foram concedidos. É mais um conjunto estável de pessoas. ele.75 No que tange ao exercício pastoral dos bispos. (Documentos da CNBB n. . seja testemunha do espírito evangélico e da tradição apostólica. CD. nessa mesma nota se explica que O paralelismo entre Pedro e os demais Apóstolos. 205 CNBB. com zelo. a tarefa de incentivar e coordenar a ação evangelizadora. de outro. que lhe está estritamente associado no governo da Diocese. Contudo. de um lado. O Bispo dedique particular empenho à animação do seu presbitério. Assuma. nem uma ‘igualdade’ entre a Cabeça e os membros do Colégio. 308. foi precisado por uma nota prévia que distinguia o termo “Colégio”. pois é elo de comunhão e sinal de unidade da sua Igreja diocesana. Antes de tudo. 61). sem deixar de exortar todos os seus fiéis à ação apostólica e missionária 205. por meio de suas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. assim se expressam: compete ao Bispo a responsabilidade principal pela articulação da tarefa evangelizadora. 28. não “num sentido estritamente jurídico. não implica a transmissão de um poder extraordinário dos Apóstolos a seus sucessores. a Igreja no Brasil. como um conjunto de pessoas iguais cujo poder provém daquele que preside. São Paulo: Paulinas. trouxe grandes benefícios para a Igreja como um todo. n. Ademais. acima de qualquer coisa.

ou seja. Discursos. 210 Cf. 966 ss. Op. In: BARAÚNA. no costume de convocar vários bispos para a elevação de um novo a esse Colégio 208. cf. LYONNET. G. mas são ordenados para exercerem juntamente com o seu bispo. 245. A Colegialidade Episcopal na Tradição Oriental. In: BARAÚNA. Umberto. G. os bispos são ajudados. Os Sacerdotes da Segunda Ordem. Op. Op. p. Elementos para uma Teologia do Diaconato. Op. Cf. G. em seu ofício pastoral. LG 23. A Colegialidade Episcopal e seus Fundamentos Escriturísticos. p. Op. A Igreja do Vaticano II. p. 208 Cf. A Igreja do Vaticano II. 213 Cf. é “ao presbitério como um todo e não aos presbíteros separadamente. LG 22-3. por meio daqueles que de seu sacerdócio se derivam. “Il primato di Pietro e l’unità della Chiesa”. Acerca do Diaconato Permanente. principalmente pela agregação dos mesmos em Concílios e. 209 Cf. O primeiro é participante do Sacerdócio de Cristo. Com a colegialidade. o múnus de reger. Tendo a estrutura colegial sua fundamentação na Escritura207. 789 ss. cit. percebe-se que esta doutrina não traz nenhum prejuízo à teologia do Romano Pontífice 209 . cit. obtém-se uma descentralização e. cit. ao mesmo tempo.76 senão simples ‘proporcionalidade’ entre a primeira relação (Pedro – Apóstolos) e a segunda (Papa – Bispos) 206. Relações entre o Papa e os outros membros do Colégio Episcopal. In: BARAÚNA. p. nem ao bispo isolado. O segundo é instituído para o serviço e é participante da hierarquia 213. G. Documentos. o Presbítero e o Diácono. 212 Cf. HAJJAR. Cf. Cf. A. BETTI. 839 ss. GIBLET. na prática disciplinar da Igreja antiga. A Igreja do Vaticano II. Op. Na Igreja Particular. Também DEJAIFVE. G. muito embora precisando que este não se sustenta senão em comunhão com o Pontífice Romano 211. em nome e como representante de seu episcopo 212. p. LG 22a. cit. P. WINNINGER. cit. uma vitalização do episcopado local210. 923 ss. 899 ss. 207 206 . Os Ministérios dos Diáconos na Igreja de Hoje Op. 1991. cit. Cf. RATZINGER. KERKVOORDE. p. J. 821 ss. p. santificar e de governar. por fim. G. que é confiado o pastoreio da Igreja VATICANO II: Mensagens. A Igreja do Vaticano II. Cinisello Balsamo. A Igreja do Vaticano II. In: BARAÚNA. Cf. A Igreja do Vaticano II. G. In: BARAÚNA. J. embora em grau inferior. S. Op. LG 29. LG 28. In: La Chiesa. cit. Conforme a compreensão eclesiológica conciliar. J. A Colegialidade Episcopal na Tradição Latina. p. In: BARAÚNA. 860 ss. 211 Cf. cit.

77

particular”. Em vista dessa compreensão, as DGAP afirmam que “o ministério ordenado necessita recuperar sua vivência colegial”, visto que a “forma individualista do exercício do ministério ordenado é um dos principais entraves à realização de uma Igreja toda ela responsável pela missão”. Essa advertência não se dirige a um bispo ou a um presbítero, mas sim a todos 214. Sendo o Papa o “princípio e fundamento visível da unidade, tanto dos bispos como do conjunto dos bispos”
215

, e se cada bispo, “por sua vez, é princípio e fundamento da

unidade, em suas respectivas Igrejas particulares”, eles o são em função do Povo de Deus, do qual, a sua maioria é formada por aqueles que foram incorporados em Cristo pelo Batismo e são denominados Leigos. O Capítulo IV aborda a especificidade dos leigos de forma ad intra e ad extra da Igreja e sua vocação secular própria, uma vez que o Capítulo II tratou do que é comum ao Povo de Deus. Muito embora tenha sido anteriormente definido de forma negativa, em contraposição aos clérigos, ele é aqui definido de forma positiva. O parágrafo 31 oferece uma descrição não ontológica acerca dos leigos, porém o faz sob a forma tipológica 216, segundo as funções próprias que o leigo realiza ou pode realizar dentro do Corpo Místico. Dessa descrição, haurem “os três elementos constitutivos do leigo: o fundamental, ou seja, a sua pertença à Igreja pelo batismo; o negativo (e quase exclusivo antes do Vaticano II), o fato de não ser ele clérigo; o positivo e descritivo, a sua relação peculiar com o mundo secular” 217. Tendo como índole própria a secularidade, tem também a missão específica de buscar o Reino de Deus nesse meio e fomentá-lo dentro das estruturas, como fermento na massa, mediante o seu testemunho de vida, pela profissão pública de sua fé, pela caridade,

CNBB. DGAP 1991-1994. (Documentos da CNBB n. 45). São Paulo: Paulinas, 1991. n. 276. Cf. CNBB. DGAE 1999-2002. (Documentos da CNBB n. 61). São Paulo: Paulinas, 1999. n. 326-335. 215 Cf. LG 23a. 216 Cf. SCHILLEBEECKX, E. A Definição Tipológica do Leigo Cristão conforme o Vaticano II. In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 981 ss. 217 PIÉ-NINOT, S. Introdução à Eclesiologia. Op. cit. p. 63.

214

78

pela esperança, a fim de santificá-lo

218

. No exercício dessa missão, unem de forma

“colegiada” à hierarquia219, a qual também tem a incumbência de evangelizar o mundo secular, e exercer, com eficácia e eficiência, o seu múnus sacerdotal 220. Tendo em vista a dimensão laical na ação missionária da Igreja, os Bispos do Brasil, atendendo aos apelos de João Paulo II 221, procuraram, de forma sistemática, formar os leigos. Neste aspecto, em 1991, foi criada a “Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus”, possibilitando a participação mais efetiva dos leigos na elaboração das novas Diretrizes (1991) 222. 2.2.2.3. A SANTIDADE COMO HORIZONTE COMUM A TODO O POVO DE DEUS O Capítulo V disserta acerca da Santidade como o horizonte comum de todos os membros da Igreja e fundamento da comum dignidade. A santidade é comum para todos, porque ela descende da própria Igreja que é Santa, seja na forma negativa da pureza e ausência de pecado (santidade ontológica), seja na forma positiva de excelência na ordem moral (santidade moral), haja vista o seu fundamento trinitário 223. A Igreja irradia a santidade de seu Autor por meio de si mesma para todos os seus filhos presentes nas “diversas profissões e formas de vida”
224

. Todos, de acordo com o

CHENU, M-D. Os Leigos e a “Consecratio Mundi” In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 1001ss. 219 KOSER, C. Cooperação dos Leigos com a Hierarquia no Apostolado. In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 1018ss. Também GOZZINI, M. As Relações entre os Leigos e a Hierarquia. In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 1036ss. 220 Cf. LG 31-8. 221 Mensagem ao Episcopado Brasileiro, 1986, n 3. João Paulo II dizia que “uma prioridade importante e inadiável seja a de formar leigos. Formar leigos significa favorecer-lhes a aquisição de verdadeira competência e habilitação no campo em que devem atuar; mas significa, sobretudo, educá-los na fé e no conhecimento da doutrina da Igreja naquele campo”. CNBB. DGAE 1991-1994. (Documentos da CNBB n. 45). São Paulo: Paulinas, 1999. n. 272. 222 CNBB. DGAE 1999-2002. (Documentos da CNBB n. 61). São Paulo: Paulinas, 1999. n. 55; 297-318. 223 Cf. LG 39. 224 Cf. LG 40-1.

218

79

Concílio, “são chamados e obrigados a buscar a perfeição do próprio estado de vida”

225

, em

vista de uma sociedade mais justa e fraterna, certos de que “a santidade promove uma crescente humanização” 226. Os Religiosos são, no mundo, a expressão salutar de busca de santidade. Por meio dos conselhos evangélicos de Pobreza, Obediência e Castidade, a Vida Religiosa é sinal antecipado do que todos serão na eternidade, uma vez que
227

imita e representa para sempre na Igreja, de maneira mais direta, a forma adotada pelo Filho de Deus quando veio ao mundo (...) Manifesta, de maneira toda especial, as supremas exigências do Reino de Deus, que está acima de todas as coisas terrestres. Demonstra, enfim, a todos os homens, a força superior do Reino de Cristo e o poder infinito do Espírito Santo, que atua admiravelmente na Igreja 228.

A Vida Religiosa não constitui um elo intermediário entre a hierarquia e os leigos. São fiéis de ambas as condições e, embora não se constituem como membros da estrutura hierárquica, assim como os leigos, fazem parte da sua vida e de sua estrutura
229

, e são

também co-responsáveis pela atividade missionária da Igreja como um todo. “No que se refere à evangelização, os religiosos e religiosas do Brasil, nos últimos anos, redescobrem sua

Cf. LG 42. Cf. LG 40. Cf. LABOURDETTE, Michel. A Santidade, Vocação de todos os membros da Igreja. In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 1057 ss. 227 Cf. SCHULTE, R. A Vida Religiosa como Sinal. In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 1085ss. 228 Cf. LG 44. 229 Cf. LG 44. Também DANIÉLOU, J. O Lugar dos Religiosos na Estrutura da Igreja. In: BARAÚNA, G. A Igreja do Vaticano II. Op. cit. p. 1117ss.
226

225

80

dimensão eclesial, através da inserção nas Igrejas particulares, num crescente compromisso com a pastoral de conjunto” 230.

2.2.3. O EIXO ESCATOLÓGICO: A TRINDADE COMO FIM

Sendo a Trindade a origem da Igreja, Ela o é também a sua meta, uma vez que no exercício terreno de sua missão, a Igreja a torna visível em sua estrutura visível por meio de seus membros, os quais constituem o Povo de Deus. Dessa forma, o Concílio expressa a tensão a que a Igreja vive em sua existência, ou seja, de ser portadora da plenitude da graça, muito embora caminhe para ela 231. A Igreja acolhe esse dom recebido, mas corre em direção de sua plenificação. É a tensão do “já”, mas “ainda não”, como se expressam os Padres conciliares:

A renovação prometida que esperamos já começou em Cristo. Continua na missão do Espírito Santo e, por seu intermédio, na Igreja em que apreendemos, na fé, o sentido de nossa vida temporal, nos fixamos na esperança dos bens futuros, construímos a obra que nos foi confiada pelo Pai neste mundo, alcançando nosso fim e realizando nossa salvação (Fl 2, 12) 232.

Conforme o teólogo Bruno Forte, desse “estar em tensão entre o ‘já’ e o ‘ainda não’ derivam três conseqüências para a representação e para a vida da Igreja”
233

. A primeira se

percebe pelo apelo à “Pátria”, a sua origem, ao seio novamente da Trindade que, “ainda não” contempla em plenitude. Nesse anseio da Igreja de volta para a “Casa do Pai”, ela percebe a frugalidade das coisas terrenas e se coloca nas esteiras de sua Cabeça, tendo como testemunho

CNBB. DGAP 1991-1994. (Documentos da CNBB n. 45). São Paulo: Paulinas, 1991. n. 283. Cf. Carta aos Religiosos e Religiosas da América Latina, 1990, 24-29. CNBB. DGAE 1999-2002. (Documentos da CNBB n. 61). São Paulo: Paulinas, 1999. n. 319-322. 231 Cf. DV 8. 232 Cf. LG 48. 233 FORTE, B. A Igreja Ícone da Trindade: breve eclesiologia. Op. cit. p. 66.

230

81

eloqüente para o mundo, a mesma Pobreza exercida e testemunhada pelo próprio Cristo 234. A própria Igreja “descobre que não é um absoluto, mas um instrumento; não um fim, mas um meio; não ‘domina’, mas serva”
235

. Ela se percebe como peregrina rumo à união celeste,

como o próprio título do Capítulo VII anuncia. Diante da Trindade, como horizonte, tudo é relativo. Uma vez que a Igreja se percebe como peregrina, não elimina o mundo de sua ação missional. Essa é a segunda conseqüência. Contrariamente, ela se coloca em marcha, como Povo de Deus, no firme propósito de instaurar o Reino de Deus, do qual é “germe e princípio” 236 neste mundo, tornando-se a sua consciência crítica, a fim de gerar novos céus e nova terra em meio às estruturas terrestres 237. Com a certeza de que caminha para o Pai, a Igreja se enche de alegria e de esperança 238, muito embora presencie tribulações e perseguições de toda ordem 239. Contudo, contempla o seu fim, na pessoa da Bem-Aventurada Virgem Maria, pois ela é membro “supereminente da Igreja e de todo singular” é o “tipo” da comunidade eclesial, virgem e mãe. Como ela, “crendo e obedecendo,... gerou na terra o próprio Filho do Pai, sem conhecer varão, coberta pela sombra do Espírito Santo”
240

, assim a Igreja, “mediante a Palavra de

Deus recebida na fé, torna-se também ela mãe. Pois pela pregação e pelo batismo, ela gera para a vida nova e imortal os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus. Ela é também a virgem que, íntegra e puramente, guarda a palavra dada pelo Esposo” 241. Como Maria, que “avançou em peregrinação de fé e manteve fielmente sua união com o Filho de Deus até a sua cruz”
242

, a Igreja, peregrina na fé e na esperança, eleva o seu

234 235

Cf. LG 8d. FORTE, B. A Igreja Ícone da Trindade: breve eclesiologia. Op. cit. p. 66. 236 Cf. LG 5. 237 Cf. LG 48. 238 Cf. GS 1. 239 Cf. LG 8. 240 Cf. LG 53. 241 Cf. LG 64. 242 Cf. LG 58.

82

cântico de louvor ao Senhor pelas maravilhas que ele “já” realizou nela (cf Lc 1,46ss). Na comunhão dos santos, em Cristo, Maria “cuida dos irmãos do seu Filho, que ainda peregrinam rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à feliz Pátria” 243. A Igreja, nascida da Trindade, manifesta-A ao mundo e já vive, de forma antecipada, o que na glória viverá em plenitude. A Igreja tem consciência de que não peregrina sozinha nesse mundo, mas está associada à Igreja Triunfante,

particularmente notável na sagrada liturgia, em que o Espírito Santo age sobre nós através dos sinais sacramentais; em que concelebramos com a Igreja do céu, glorificamos juntos a majestade divina e em que todos os remidos pelo sangue de Cristo, de todas as tribos, línguas e povos (cf. Ap 5,9), congregados numa única Igreja, cantam louvor a Deus Uno e Trino. Essa união com o culto da Igreja celestial atinge seu ponto máximo na celebração do sacrifício eucarístico em que comungamos com ela e veneramos a memória, em primeiro lugar, de Maria, sempre virgem, de São José, dos santos apóstolos, dos mártires e de todos os santos244.

2.2.4. COMUNHÃO E MISSÃO: UM PERFIL ECLESIOLÓGICO

Após a exposição das partes constituintes do Povo de Deus, ou seja, da Igreja, podemos nos interrogar: que perfil eclesiológico se pode auferir dessa estrutura visível, formada pela hierarquia e leigos e, conseqüentemente, pela vida religiosa pertencentes a ambas? No que concerne a sua índole mistérica, sacramental e Trinitária, podemos perfilar um perfil eclesiológico fundado na Comunhão e na Missão. Esses dois princípios não serão

243 244

Cf. LG 62. Cf. LG 50.

83

abordados como distintos, mas como complementares, constituindo, assim, uma só realidade, um único perfil, ou seja, uma eclesiologia de comunhão e missão. Contudo, por questão metodológica, serão apresentados separadamente. O primeiro é o princípio de comunhão245, no qual se torna visível ao mundo a presença da Igreja como “sacramento de salvação”. Esse princípio revela-se como chave para a compreensão da Igreja em relação a Cristo, “mostrando-se, igualmente, como o processo essencial de existência da Igreja e da existência na Igreja, enquanto sua missão de ser luz e alma do mundo se constitui em um verdadeiro programa permanente para os cristãos” 246. Em Carta aos Bispos, a Congregação para a Doutrina da fé explicita que:

O conceito de comunhão está ‘no coração da autoconsciência da Igreja’, enquanto Mistério da união pessoal de cada homem com a Trindade divina e com os outros homens, iniciada na fé, e orientada para a plenitude escatológica na Igreja celeste, embora sendo já desde o início uma realidade na Igreja sobre a terra. Para que o conceito de comunhão, que não é unívoco, possa servir como chave interpretativa da eclesiologia, deve ser entendido no contexto dos ensinamentos bíblicos e da tradição patrística, nos quais a comunhão implica sempre uma dupla dimensão: vertical (comunhão com Deus) e horizontal (comunhão entre os homens). É essencial à visão cristã da comunhão reconhecê-la, antes do mais, como dom de Deus, como fruto da iniciativa divina cumprida no mistério pascal. A nova relação entre o homem e Deus, estabelecida em Cristo e comunicada nos sacramentos, expande-se ainda a uma nova relação dos homens entre si. Conseqüentemente, o

245

Cf. MIRANDA, A. U. de. A Eclesiologia de comunhão em J.-R. Tilliard. Tese (doutorado). Belo Horizonte, Faculdade de Teologia do CES-ISI, 2002. Também RIGAL, J. L’ecclésiologie de communion: son évolution historique et sés fondemensts. Paris, Cerf, 1997.392. MONDIN, B. As Novas Eclesiologias. Op. cit. p. 68-94. CONGAR, Y. Esquisses du mystère de l´Église communion. Paris: Du Cerf, 1941. MInistères et communion ecclésiale, Paris: Du Cerf, 1971. Diversités et communion, Paris: Du Cerf, 1984. TILLARD, J-M. R., Église d´Églises. L´ecclésiologie de communion. Paris: Du Cerf, 1987. Chair de l´Église, chair du Christ. Aux sources de l´ecclésiologie de communion. Paris: Du Cerf,1992. L´Église locale. Ecclésiologie de communion et catholicité. Paris: Du Cerf, 1995. 246 HACKMANN, G. L.B. A Igreja, mistério de comunhão e as exigências da evangelização do mundo. In: Teocomunicação, Porto Alegre, v. 35, n. 147, p. 16, [março] 2005.

‘um povo congregado na unidade do Pai. Concretamente. GS 32. n. como demonstra o seu conteúdo 248 . Salvador Pie-Ninot percebe. 21. é tida em grande CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. 13. Op. fundada na Sagrada Escritura. 24. a conjugação entre a Eclesiologia de comunhão do primeiro milênio e a Eclesiologia jurídica da unidade do segundo milênio e bem explicitada na expressão communio hierarchia 249. 247 . uma comunidade organicamente estruturada. Salvador. Introdução à Eclesiologia.31. 22. 8. 248 Cf. concretamente com o Papa e o Colégio episcopal”250. 249 Cf. a eclesiologia de comunhão só foi priorizada como a mais característica e fundamental do Concílio Vaticano II. cit. 3. 15. 17-19. não é delineado. por ocasião do Sínodo Extraordinário dos Bispos. 1992. nessa afirmação conciliar.84 conceito de comunhão deve ser também capaz de exprimir a natureza sacramental da Igreja enquanto estamos ‘longe do Senhor’. Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão. os textos da LG 4. 18. assim como a peculiar unidade que faz dos fiéis os membros de um mesmo Corpo. 23a: “E os Bispos. 1992. são o princípio visível e o fundamento da unidade em suas Igrejas Particulares. ele pode ser abstraído na fórmula eclesiológica da Lumen gentium. A Eclesiologia de comunhão é a idéia central e fundamental dos documentos do Concílio. do Filho e do Espírito Santo’ e dotado ainda com os meios adequados à união visível e social 247. São Paulo: Paulinas. formadas à imagem da Igreja Universal una e única”. o princípio de comunhão. “com a qual se liga o ministério episcopal à Igreja Universal. também da DV 10. PIÉ-NINOT. p. Contudo. individualmente. somente a partir do ano 1985. Neste ínterim. UR 2-4. de forma explícita pelo Concílio. o Corpo místico de Cristo. koinonía-comunhão. 14s. 250 LG 22.

2º ed. p. letra c. embora distinto pela diversidade de carismas e ministérios e também pela própria vocação. todos nós nascemos Dela e viemos para Ela. n. 1. Dessa mesma forma. “o fundamento da ordem na Igreja e. todo o Povo de Deus é incumbido de realizar. em primeiro lugar. São Paulo: Paulinas. p. n. 254 AG 5. 2º ed. p.. Esta pluriformidade não pode ser confundida com o pluralismo.. 2º ed. antes de tudo. está ontologicamente unido pela mesma dignidade batismal e pelo mesmo Deus. 1986. a Missão como desmembramento da mesma e única missão do Filho e do Espírito Santo 254 . haja vista que. A Pluriformidade deve ser entendida como aquela “verdadeira riqueza -que. ponto II. n. leva à dissolução. ela é a verdadeira catolicidade” 253. 2. muito se tem feito desde o Concílio Vaticano II para que a Igreja como comunhão seja entendida de maneira mais clara e traduzida de modo mais concreto na vida 251. conforme o Sínodo dos Bispos. aquela comunhão própria da Trindade. nutre-se um saudável e legítimo relacionamento de todo o Povo de Deus que. 43-44. Ela é. ponto II. Por isso. 252 ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS -1985. ponto II. letra c. Para a Igreja. cada qual a ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS -1985. São Paulo: Paulinas. letra c. todos caminham para o mesmo fim expressando de forma visível no mundo.. Relatio Finalis. Da eclesiologia de Comunhão nasce. “de posições fundamentalmente opostas. 253 ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS -1985. 45. visto que este. “se reduzir a meras questões de organização ou a questões que se referem a meros poderes”. Assim. Relatio Finalis. 44. como conseqüência. 251 . à destruição e à perda de identidade”.85 honra na Igreja antiga e nas Igrejas orientais até nossos dias. 1986. da reta relação entre a unidade e pluriformidade na Igreja” 252 . São Paulo: Paulinas. na medida em que realiza a sua missão. A Igreja é missão. entendida como comunhão.traz consigo a plenitude. 1986. A eclesiologia de comunhão não pode. Relatio Finalis. 2. na medida em que se revela como comunhão e é comunhão.

aí se afirma que “convém que essas Igrejas novas. considere seriamente que também foi enviada”. A eclesiologia de comunhão é o escopo teológico para a definição da missão da Igreja. Faculdade de Teologia do CES-ISI. visto que. A relação entre Igreja e Missão é ontológica. 2001. Também. o fim da missão da Igreja é apresentado de forma relacional com a dimensão cristocêntrica. 258 AG 20. o princípio “commnio ecclesiarum” põe todas as Igrejas. ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS -1985. tanto que a famosa expressão “communio ecclesiarum” é utilizado pela primeira e única vez pelo Vaticano II no Decreto Ad gentes 257 . 1-8 e letra d. num mesmo plano. a missão da Igreja. n. Tese (doutorado). p. Em vista disso. CL. conforme o decreto Ad gentes “a Igreja peregrina é por sua natureza missionária” 256. Igreja. 1986. letra c. 255 . Da eclesiologia de comunhão abrem-se novas perspectivas no que se refere à missão e no que tange às igrejas particulares. sublinhado que a missão de uma Igreja local não termina quando esta está finalmente “implantada”. Belo Horizonte. eclesiológica e escatológica. num dos textos mais profundos do Cf. mesmo que sofram escassez de clero. São Paulo: Paulinas. Relatio Finalis. Essa comunhão de Igrejas é. 259 AG 19. pois elas “se revelam capazes de favorecer esse sentimento de comunhão com a Igreja universal”. CALIMAN. 256 AG 2.. o mais cedo possível cooperem com a missão universal da Igreja. mesmo as mais jovens. sujeito da comunhão e da missão. 43-56. povo de Deus.86 seu modo e segundo o seu ministério e carisma. levando em conta a comunhão com o centro de unidade que é a Igreja de Roma 260. do modo mais perfeito possível. a Igreja universal. 257 AG 38. uma vez que deve “permanecer íntima a comunhão das novéis Igrejas com a Igreja toda” 259 . 260 AG 22.1-7. confiada por Jesus Cristo 255. Destarte. enviando elas mesmas missionários que anunciem o Evangelho por toda a Terra” 258. pois “deve a Igreja particular representar. n. Antes. 2º ed. ponto II. Dessa forma. no seu Capítulo III.

Contudo. A Igreja: uma eclesiologia católica. pela missão” 261 . durante a última sessão do Concílio. ela pode entrar em comunhão com as diversas formas de cultura” (GS 58c). a nenhuma forma particular de costumes e a nenhum habito antigo ou recente. “Inserir-se na humanidade” (GS 11c) a fim de ajudar os homens no esforço de tornar mais humana a família dos homens e sua história. Fiel à própria Tradição e simultaneamente consciente de sua missão universal. A. 1-7.. p. como continuidade da ação Trinitária na economia da salvação. Assim. 45. em meio às diversidades do mundo. A partir desses dois princípios eclesiológicos. 9 da LG. das chamadas “seis dimensões” ou “seis linhas” que “constitui o quadro de referência geral da AG 9. cit. p. ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS 1985. Conforme o n. cit. a Igreja “entra na história dos homens e simultaneamente transcende os tempos e os limites dos povos”. Revela-se aqui a tensão entre Igreja imanente e transcendente. 1986. fica perceptível a funcionalidade da Igreja como Sacramento de Salvação e também de sua inserção histórica 262 no mundo a fim de que todos possam chegar ao conhecimento do Evangelho. Nesse aspecto. São Paulo: Paulinas. a eclesiologia dogmática presente na Lumen gentium faz necessário “coabitar-se” com os fundamentos práticos. de modo particular da patrística”. É nela que Deus realiza publicamente a história da salvação. Lumen gentium: a transição necessária. pastorais presentes na Gaudium et spes 264. Neste sentido. letra d.87 Concílio que diz: “A atividade missionária é nada mais nada menos que a manifestação ou epifania do plano divino e seu cumprimento no mundo e em sua história. Cf. ela deve ultrapassar os tempos e os limites dos povos (LG 9c).161-177. Relatio Finalis. J. 2º ed. O teólogo Medard Kehl descreve que a “imagem formulada neste Concílio (sobretudo nas grandes constituições Lumen gentium e Gaudium et spes) une de maneira autentica os conteúdos essenciais das afirmações bíblicas sobre a Igreja com o amplo leque de tradição interpretativa eclesial. pois. a Igreja no Brasil procurou aplicar de forma metodológica. p. uma vez que comunga da mesma sorte (GS 40c). 263 AG 7. por seu caráter Transcendente. poderemos constatar a melhor funcionalidade ministerial do Povo de Deus e de forma real. 264 ALMEIDA. A partir desta afirmação. Op. as exigências do Concílio por meio da elaboração. tornar a Igreja nascida da Trindade em Igreja que resplandece a comunhão e a missão da Trindade no mundo. a sua “atividade missionária hoje como sempre conserva íntegra sua força e necessidade” 263. ponto II. n. Loyola: op. 262 261 . “não esta ligada de maneira exclusiva e Indissolúvel a nenhuma raça ou nação. 50-56. Assim como Cristo “entrou na história humana” (AD 3a) a igreja também deve “encarnar-se”. a fim de que a Igreja realize a sua missão de ser germinadora do Reino de Deus.

1991. DGAP 1991-1994. CNBB. 265 . tanto a inserção da Igreja na diversidade de situações. quanto a unidade da missão na variedade das vocações e tarefas 267.linha 3) e da Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium – linha 4). (Documentos da CNBB n. (Documentos da CNBB n. Segundo o mesmo Concílio. São Paulo: Paulinas. 265 . DGAE 1995-1998. São Paulo: Paulinas. de maneira funcional e prática. na diversidade de vocações e ministérios (Lumen gentium linha 1). 37-8. Assim vivendo e se alimentado. n. desta forma. 266 “As seis linhas ou dimensões têm seu amplo quadro teológico de referencia no Concílio e na sua acolhida na Igreja do Brasil. um Esquema interpretativo dos vários aspectos da missão. (Documentos da CNBB n. (Documentos da CNBB n. 146. n. CNBB. (Documentos da CNBB n. n. 1995. a Igreja deve viver o mistério de Deus a nós revelado como ‘comunhão’. 45). ela acolhe a missão (Ad Gentes – linha 2).linha 6)”. 66. Estas “seis Dimensões” ou “seis constituem. Nostra Aetate – diálogo religioso: linha 5) e se coloca a serviço do mundo (Gaudium et Spes . 71. São Paulo: Paulinas. Deve alimentar-se da Palavra de Deus Dei Verbum . Cf. 45). 38). DGAE 1999-2002. n.88 Ação Pastoral da Igreja no Brasil em todos os níveis” Linhas” 266. 1987. São Paulo: Paulinas. ao mesmo tempo una e pluriforme. DGAP 1987-1990. 267 CNBB. busca uma comunhão cada vez mais ampla com os demais cristãos e com outras religiões (Unitatis Redintegratio – diálogo ecumênico. CNBB. 1999. 1991. São Paulo: Paulinas. DGAP 1991-1994. Exprimem. n. sem esgotar o mistério da Igreja. 61). CNBB. 68. 54).

a partir do Plano de Pastoral de Conjunto e das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. principalmente da constituição Lumen gentium. nossa tarefa se circunscreve a descrever de forma concatenada a caminhada eclesial da Igreja que está no Brasil. O perfil eclesiológico de comunhão e missão. seja em âmbito latino americano. refletida. O Concílio não definiu a Igreja. em toda a parte do mundo. do qual se pode extrair toda a riqueza de variedade para o agir pastoral. Na América Latina. as Conferências do Episcopado Latino-Americano – CELAM. pode-se perceber que o Concílio Ecumênico Vaticano II foi um Concílio eclesiológico. que de seus documentos podemos auferir. seja eclesiológica ou missiológica do Concílio. foi. ressaltando todo o seu esplendor. a fim de dinamizá-la e não estatizá-la numa roupagem fria e caduca. toda a riqueza. foi. a partir de Medellín. No próximo Capítulo.89 CONCLUSÃO Após essas páginas. tendo como substrato histórico. mas descreveu-a sob imagens bíblicas. estudada e amadurecida ao longo dos anos e codificada em planos. seja em âmbito nacional. perfazendo o seu itinerário histórico de aplicação das exigências do Concílio até a formulação de suas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (1999-2002). subseqüente ao seu término. . por meio das Conferências Episcopais. aplicado a fim de se conformar com a nova proposta eclesial.

90 CAPÍTULO II A IGREJA DO BRASIL E SUA CONSTRUÇÃO PASTORAL A PARTIR DO CONCÍLIO VATICANO II: UMA ANÁLISE HISTÓRICA .

por razões ainda metodológicas. Sendo assim. Ademais. de acordo com a realidade histórica vigente em cada período. este corte cessará e procurar-se-á aprofundá-los a partir das Atas das Assembléias Gerais para melhor compreensão das mudanças em nossas Diretrizes (doc. próprio de cada período. fatos e movimentos que antecederam e prepararam o advento do PE. ou seja. tem como objetivo visibilizar a caminhada do Planejamento Pastoral segundo a luz das grandes Conferências episcopais. os anos entre 1991 a 2002. de perfil eclesiológico. essa evolução abarcada em quatro grandes blocos. na .91 INTRODUÇÃO A vida e o planejamento pastoral da Igreja no Brasil estão marcados por tempos evolutivos. mas. A divisão por década daqui por diante. não nos prenderemos. Medellín. nosso trabalho abordará. uma vez que. O primeiro bloco visa discorrer sobre os primórdios do planejamento pastoral da Igreja no Brasil. no terceiro Capítulo de nossa dissertação. procurar-se-á analisar esta evolução elucidando o seu caráter eclesiológico. 45 para o 54). Fala-se do PE e conseqüentemente do PPC como aplicação clara e precisa do Concílio Vaticano II. que não são meramente de nomenclatura. Os blocos aqui apresentados o são conforme disposição própria. de forma metodológica. Contudo. nessa pesquisa. A análise que desses blocos se desprenderá será descritiva. a uma análise pormenorizada dos acontecimentos sociais próprios de cada período. quando da parte central de nosso trabalho. O segundo concentrou-se mais na apreciação do que aqui é denominado como formação da Identidade eclesial. antes de tudo.

a Igreja se lança novamente à confecção de Projetos também Hegemônicos para todo o seu território eclesial. após ter-se discorrido sobre a evolução das Diretrizes. principalmente no que tange às CEBs e.92 década de 60 e de Puebla. . de modo particular. animada pelo impulso de preparar o novo milênio. A Igreja do Brasil é profundamente marcada pela sua atuação social. Os dois últimos blocos dissertam acerca da crise desta identidade devido ao Projeto hegemônico que. Nesse período. Tem-se. a partir do pontificado de João Paulo II. passando de “Ação Pastoral” para “Ação Evangelizadora”. nesse período. No quarto bloco. começou a ser instaurado pelo mundo todo. como o Projeto Rumo ao Novo Milênio – PRNM (1996-2000) e o Projeto Ser Igreja no Novo Milênio – SINM (2000-2002). a grande crise da Igreja do Brasil. chega-se ao centro polarizador desse conflito: a mudança de orientação de suas Diretrizes. à Teologia da Libertação. na década de 70.

pelo acaso. historicamente. Notas para a sua história. p. conforme ele mesmo declarou. de per si. 269 Cf.93 1. ele não nasceu de repente. 1945. muito embora marcada pela improvisação e pela desarticulação no que tange a sua universalidade territorial 269. que nossa análise não visa ser um “processo condenatório de pessoas e instituições. 290s. 323. é importante ressaltar. p. rica e complexa experiência. Gervásio Fernandes de. A Igreja no Brasil. Até 1962. 270 O Texto-projeto do decreto n. Ib. constituiu-se um marco “por sua função pioneira e importância histórica na eclosão da fase criativamente mais rica de nossas Igrejas particulares. mas é fruto de uma longa. De certo. teológica e tecnicamente mais bem elaborados” 268. M. pois os aspectos que sublinharemos têm sua razão histórica de ser e seria anacronismo QUEIROGA. São Paulo: Paulinas. BARBOSA. em sintonia com Queiroga. a vida e a organização pastoral da Igreja no Brasil. 324. tendo sido rejeitado o do Ministro Demétrio Ribeiro. p.. 1977. podem ser demarcadas por meio de vários e importantes eventos os quais. colaboraram para a criação de um plano de pastoral mais articulado.1962 O germe da vida pastoral da Igreja no Brasil deve-se à elaboração do Plano de Emergência (PE) que. por ter sido ele o impulsionador da reforma da CNBB e a raiz dos planos pastorais sucessivos. OS PRIMÓRDIOS DO PLANEJAMENTO PASTORAL NO BRASIL: OS ANTECEDENTES DO PLANO DE EMERGÊNCIA -1899 . data do PE. 268 . CNBB: comunhão e corresponsabilidade. antes de nos atermos a eles. Contudo. propriamente iniciada com o fim do Padroado270. Cf. Rio de Janeiro: A Noite. 119A é de autoria de Rui Barbosa.

CNBB: comunhão e corresponsabilidade. p. 325. a realização do primeiro Concílio Nacional Brasileiro em 1939. apresentaremos apenas algumas por razão de serem estas. 325. p. Por isso seria ilegítimo imaginar que todos. conforme as tendências que podemos hoje discernir 272. e também nem poderiam ser atribuídos univocamente a todos e em todas as partes. queremos eliminar de nossa pesquisa toda e qualquer forma de subjetivismo e realçar concomitantemente o seu caráter objetivo. cit. segundo o nosso juízo. além de muitos 271 272 QUEIROGA. conseqüentemente. Com estas ressalvas. uma vez que nosso país não é no plano temporal nem no espiritual um todo homogêneo. fruto. as mais contundentes para a elaboração e amadurecimento de um plano de pastoral mais articulado e eficiente para a realidade eclesial brasileira. Muitas foram as iniciativas desse período. porém. Op. de nosso alicerce bibliográfico. . Gervásio Fernandes de. Ib. têm-se as Pastorais Coletivas. a Associação de Educação Católica em 1945. Esses acontecimentos podem ser divididos em dois blocos: O primeiro. De imediato. no passado.94 impiedoso julgar atitudes e fatos passados apenas com o gabarito do presente” porque esses acontecimentos não são exclusivos do Brasil e 271 . denominado período de transição entre o relacionamento da Igreja com o Estado que intercorre desde 1899 a 1945. pensavam ou agiam pastoralmente de modo exclusivo.

T. v. REB 19 (1959) 723-724. 1. REB 19 (1959) 643-647. p. reuniões ou congressos. Petrópolis. RCRB 7 (1961) 318. 273 . 1. Petrópolis. v. em 1932. n. Também em sua nota de rodapé n. fruto “desses encontros foi às vezes a união das forças apostólicas. Transição Republicana: Desafios e chance para a Igreja I. 275 Ibid. Para uma compreensão mais aprofundada desse período apresentamos dois artigos: BEOZZO. • Sociedade Brasileira de Arte Sacra: cf. 545-551. p. REB 17 (1957) 107. [março-junho] 1941. REB 14 (1954) 791-793. • Realizaram-se quatro semanas bíblicas nacionais: cf. • Semanas teológicas nacionais: realizadas oito. Petrópolis. REB 10 (1950) 749-752. “é marcado por uma tendência cada vez mais vasta de encontros de pessoas que trabalham num mesmo setor. O. 49. em 1949: cf. n. p. In: REB. REB 17 (1957) 220-221. CNBB. 3. REB 7 (1947) 212-214. 198. e nos dizeres do Pe. REB 21 (1961) 207-210. REB 18 (1958) 447-453. REB 22 (1962) 236-239. no que tange o Concílio Plenário Brasileiro. F.C. em 1956: cf. [setembro] 1989. 274 QUEIROGA. REB 7 (1947) 214-215. [setembro] 1941. REB 15 (1955) 220-221. v. Igreja no Brasil: Planejamento Pastoral em Questão. • Associação para Editores Católicos: cf. O Concílio Plenário Brasileiro. Também PIVA. p. Transição Republicana: Desafios e chance para a Igreja II. Destaca-se.g. o Movimento de Natal e o movimento de Educação de Cf. em nível nacional ou regional” 274 . 330. Proíbe o Concílio Plenário Brasileiro a missa dialogada? In: REB. em São Paulo. p. NABUCO. Pastoral coletiva do Episcopado Paulista. 15-33. cf. REB 17 (1957) 972-979. 42. cit. [setembro] 1982. que intercorre de 1946 a 1962. D. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. REB 11 (1951) 1-223. In: REB. • União Nacional Católica de Imprensa: cf. REB 9 (1949) 933-937. p. • Centro Catequético Nacional: cf. nesse período. O Direito Litúrgico no Concílio Plenário Brasileiro. v. C. n. oficialmente fundada em solo brasileiro. 8 os seguintes encontros e congressos havidos entre 1946 e 1962. v. REB 19 (1959) 202. REB 10 (1950) 1-296. afirma Queiroga.). Petrópolis. E. • Encontro de Diários e Seminários Católicos: cf. entre 1950 e 1961: cf. • Encontro de editores católicos: cf. n. 50. o nascimento da CNBB em 1952 e da CRB em 1954. p. BARROS. p. R. • Muitas reuniões ou cursos para superiores de seminários: cf. REB 20 (1960) 674-675. In: REB. cf. REB 14 (1954) 120-122. 195. In: REB.: • Liga de Estudos Bíblicos: cf. REB 7 (1947) 212-214. Op. 620-639. a partir de 1950. v. 299-306. RCRB 5 (1959) 315-317. o autor apresenta uma série de fundações deste período. Op.95 outros 273. cit. Ib. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. REB 19 (1959) 202. 1. n. REB 21 (1961) 497-498. É uma época de numerosos encontros. Da mesma forma. REB 8 (1948) 206-209. 1. REB 21 (1961) 499. J. Petrópolis. J. formando associações” 275. Petrópolis. Gênese e consolidação da CNBB no contexto de uma Igreja em plena renovação. In: REB. REB 21 (1961) 210-215. 465-472. 9. Gervásio Fernandes Queiroga. • Encontros nacionais sobre catequese: cf. 113-122. SANTINI. Em conseqüência desse contexto. 415-532. O autor elenca na nota de rodapé n. 1. 1. • Dois congressos nacionais de vocações sacerdotais: em Salvador. [março-junho] 1941. Um segundo bloco. v. especializada. N. REB 13 (1953) 237-238. REB 21 (1961) 497-498. e. Para uma compreensão do conteúdo da Pastoral Coletiva e sua eclesiologia de fundo. Petrópolis. G. p. v. • Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas: cf. [junho] 1990. REB 21 (1961) 499. KELLER. [março-junho] 1941. a implantação da Ação Católica Brasileira. Comunhão e corresponsabilidade. 13-25. RCRB 7 (1961) 317-318. In: REB. 167.

Por fim. ao mesmo tempo. cuja gênese em Roma deu-se no ano de 1954 e. com as delegações das associações que encerravam o primeiro congresso paroquial. o Movimento por um Mundo Melhor. Dissertaremos acerca desses quatro movimentos e dessas duas Conferências. v. 344. É um período de organização. Petrópolis. os seus representantes capitais. Nossa preferência por esses e não por outros. No Brasil. Antonio Maria Zacaria. a ACB tem-se sua inserção na realidade eclesial brasileira. quatro anos mais tarde. Pároco de S. antecipadores de muitas afirmações conciliares. ‘O que mais me satisfaz – disse o Papa – é ver a animação que reina na obra chamada Ação Católica. [junho] 1943. não queremos afirmar a sua infertilidade. Pio XI. 277 276 . aqui em Roma. e Amoroso Lima. são meramente por razões metodológicas e. LECOURIEUX. com idade de Ib. que se iniciou em 1922 e encerrou-se em 1939. AÇÃO CATÓLICA BRASILEIRA A Ação Católica tem sua origem na Itália. Carlos em Roma. 330. “’A 13 de novembro de 1927 recebia Pio XI o barnabita Felizari. no episcopado. pois eu vos afirmo que.96 Base ou as chamadas escolas radiofônicas em 1958. P. com isso.1. porém. com grande sabedoria e apostolicidade. para levar às famílias a sua palavra. M. estimulou a inserção dos católicos leigos nas realidades e ações sociais ligadas aos princípios Religiosos 277. inútil se tornava a sua pregação’”. Entre os anos de 1935 a 1945. p. p. Sebastião Leme. a “Ação Católica” conheceu vários momentos. In: REB. no Brasil. a saber: “homens da Ação Católica. Com vivo interesse acompanhou o Papa os trabalhos do Congresso. Algumas reflexões sobre a Ação Católica de S. nós. que se apresentava com quatro ramificações. no laicato. em 1960. a ACB se estruturou segundo o modelo italiano. como nos dizeres de Queiroga. 1. n. 3. se eles não encontrassem na capital do Império Romano mulheres generosas e cidadãos zelosos. durante o pontificado do Papa Pio XI. De 1932 a 1935. Por meio dela. por serem marcos na evolução da caminhada pastoral da Igreja no Brasil e. reproduzimos a obra de São Pedro. antes do PE” 276. “nos parecem decisivos nesta evolução. estes. 2. que tem em D.

J. cit. sacerdotes e bispos mais lúcidos” 279. estabelecem o programa de ação. isto é. . isto é. do mundo rural (JAC). de classes médias (JIC). os jovens da JEC e da JUC adquiriram e desenvolveram uma consciência aguda e lúcida de sua missão e fidelidade aos meios sociais a que pertencem. p. a ACB conheceu o seu momento mais crítico. 114. estudantil (JEC). por meio de seus setores. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. francês e canadense. de grave crise e de transição. tornando-se então a Ação Católica especializada. Superam assim a dilacerante dicotomia formação e ação 280.97 mais de 30 anos e casados.B. uma verdadeira inserção social. p. independente. na década de 1950 e início da de 1960. 115. Op. p. devido à incompatibilidade de sua atuação frente às exigências vigentes de nossa realidade. 280 Ib. Com essa intenção. desenvolveu-se. E dessa dupla reflexão. Libanio. Conforme o Pe. 115. o seu correspondente feminino na Liga Feminina da Ação Católica e dois ramos juvenis na idade entre 14 e 30 anos. a ACB reorganizou-se de acordo com o modelo belga. Conjugam em profundidade o estudo da realidade social com o papel do leigo na Igreja com todas as suas implicações teológicas mais amplas. foi responsável por um forte dinamismo da Igreja e por sua presença na sociedade mais ampla. A partir do ano de 1950 até 1960. principalmente de jovens. 278 279 LIBANIO. operário (JOC) e universitário (JUC). segundo o famoso método ver-julgar-agir. de evangelizar o próprio meio. assim como também “à consciência dos leigos. Posteriormente. entre os anos de 1946 a 1950. cuja finalidade básica permanece inalterada desde o princípio. Ib. Essa Ação Católica. masculino e feminino respectivamente” 278.

p. regional. p. Agir: Ensaio de metodologia pastoral. p.W. em tom sugestivo. facilitando a acolhida das experiências de planificação. 3.98 Ademais. cit. da postura da ACB em torno de seu método estruturado na trilogia verjulgar-agir281. WANDERLEY. outro legado da ACB à futura pastoral brasileira diz respeito ao seu estilo de reuniões. em torno de objetivos predefinidos. O Pe. v. 1990. Gervásio. fornecendo quadros dinâmicos para a educação popular. que se tornou “um pouco o patrimônio comum de todos os grupos e níveis da Igreja no Brasil” 282. principalmente no que tange à sua dimensão sócio-histórica e também a sua dimensão teologal. cf. F. foi Acerca deste método. Cf. diocesano. São Paulo: Ave Maria. entre 1959 e 1965. 1. [setembro] 1941. Comunhão e corresponsabilidade. 283 Ib. Metodologia da ação Católica. também. 282 QUEIROGA. CNBB. Ainda.E. Ver. depois adotadas oficialmente pelo episcopado 283. principalmente por causa de sua inserção político-social em meio à realidade vigente. A base dessa discordância tem seu fundamento na ação da Juventude Universitária Católica (JUC) que. 284 Cf. 96 p.). provincial. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. Logicamente. In: REB. G. Petrópolis. Os rumos que a ACB tomou no final dos anos 50 foram de grandes conflitos com a hierarquia. n. é possível inferir que toda a pastoral brasileira tenha sido influenciada fortemente. A. 462. 631655. 331. interroga até se a técnica de programação anual sistemática das atividades dos ramos ou movimentos especializados da ACB em todos os níveis (nacional. Conseqüentemente. Op. Desafios da igreja Católica e política no Brasil. F. L. PISO. MORLION. Julgar. 281 . In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. não teria também contribuído para criar uma mentalidade de planejamento pastoral. p. tomou parte intensamente da política universitária. se propôs em lançar a idéia de procurar um "ideal histórico" para o Brasil (1960) 284 . cit. 331. local). Op.

pelo advento do Concílio Vaticano II. a Ação Popular. 1974. Isso se deve a questões internas de disputas e também porque nessa nova época da Igreja não são mais os movimentos organizados e associações que formam a primeira zona do interesse pastoral. Paris: Cerf. influenciado pelo personalismo comunitário de Emmanuel Mounier 288. M. GALLEJONES. Comunhão e corresponsabilidade.. Rio de Janeiro: Centro de Informação Universitária. como grupo denominado Ação Popular 287 . 289 QUEIROGA. F. os quadros institucionais renovados ou inovados. quando da sua inauguração pelo PE e. Petrópolis: Vozes. mas. p. p.P. 285 . na raiz desta maravilhosa árvore. A JUC: os estudantes católicos e a política. embora tivesse contribuído efetivamente para a elaboração de um planejamento pastoral da Igreja no Brasil. conseqüentemente. 288 LIMA.. São Paulo: Loyola. 332. E. 286 Para esse movimento. o apostolado oficial e organizado do laicato deu lugar à multiplicidade impressionante de leigos engajados nas comunidades eclesiais e órgãos pastorais dos vários níveis. A. o próprio povo. perderia essas raízes e se tornaria um movimento marxista a mais. 82. G. 1979.99 atacada por setores tradicionais da Igreja285. Evolução política dos católicos e da Igreja no Brasil. surgiu. em que é principalmente sujeito dela. G. cit. Petrópolis: Vozes. A partir desse momento. ALVES. qual grão de trigo tombado. 1985. em 1962. o apostolado de elite deu lugar à pastoral popular. 125s. Não se pode contudo negar que. LUSTOSA. ver L. SEMERARO.] está vivendo uma hora plena e merece o apoio e o estímulo do exmo. L. em documento que enviou aos bispos: "A JUC [. as comunidades. Gómez de Souza. CNBB. grupo político de orientação socialista democrática. está também a ACB 289. Léglise et la politique du Brésil. M. sem originalidade. Contudo. quase que desapareceu. episcopado” 286 . foi defendida por Dom Hélder Câmara em 1960. já como um movimento não ligado à Igreja. O. A primavera dos anos sessenta: A geração de Betinho. Op. mas. F. na clandestinidade. Socialismo Brasileiro. de S. 287 Cf. 1965. A. a JUC. A Presença da Igreja no Brasil: história e problemas 1500-1968. 1977. São Paulo: Giro. 1994. G. p. a ACB. Cf. Depois. com a presença de cristãos e nãocristãos.

23. visto que. 21. [junho] 1961. p. se no Brasil aqueles que estão mais engajados na renovação da pastoral e do apostolado. Pio XII confiou-o ao Pe. ele foi uma das forças prioritárias que colaborou para o acolhimento e planificação das iniciativas que o PE trazia em seu bojo. Para a sua aplicabilidade. isto se deve em primeiro lugar ao trabalho sistemático do “Movimento do Mundo Melhor” 291. v. v. 291 CLOIN. Esse movimento é fundamental para entendermos a pastoral de conjunto no Brasil. em geral se destacam mais pelo sentido da corresponsabilidade pela Igreja no Brasil e estão mais compenetrados de um autentico espírito eclesial. 2. In: REB. As grandes linhas da renovação pastoral no Brasil. 400-403. Rio de Janeiro. 1965. .2. In: RCRB. DIDONET. p. O MOVIMENTO POR UM MUNDO MELHOR Esse movimento tem sua gênese na pessoa e no Pontificado de Pio XII.100 1. T. rival em parte alguma do mundo. n. A renovação da Pastoral no Brasil está 290 Cf. Movimento por um Mundo Melhor no Brasil. Ainda afirma que depois de tantos contatos com pessoas de todos os países das Américas e da Europa. neste particular. Ricardo Lombardi 290 . segundo o secretário da CRB da época. Petrópolis. que a influência do “Mundo Melhor” no Brasil não tem. F. Quase todas as dioceses o acolheram devido ao seu profundo vigor renovador que. 11.

consiste essencialmente em conferir à mesma do uma visão teológica dinâmica. Estabeleceu uma crítica ao mesmo tempo sincera e respeitosa das estruturas pastorais envelhecidas. RCRB. Gervásio. 1954. v. criou-se o secretariado do MMM. R. Petrópolis. 9. v. com sede em São Paulo tendo à frente do movimento o Pe. 1963. por meio dos seus cursos. por ocasião do VII Congresso Eucarístico Nacional. o MMM teve sua gênese com a vinda do Pe. v. 22. v. como foco. RCRB. Gervásio. 10. O MMM teve apoio efetivo da CRB. p. RCRB. v.440-444.101 inseparavelmente ligada à renovação do espírito eclesial.510-511. Rio de Janeiro. 293 Segundo o Pe. Ricardo Lombardi. o Brasil esteve em destaque. LOMBARDI. Ao final de dois anos de secretariado. como demonstra em sua história: In: RCRB. Roma. REB. “nos cursos de preparação de pessoal encarregado de difundir o MMM. p. conforme o Pe. Rio de Janeiro. 23. 513-517. 125-126. Cf. ocupando às vezes o primeiro lugar. os sacerdotes. 8. 11. Daí em diante. Inspirou ou ajudou a montagem de experiências de 292 Ib. Deu um forte sentido histórico-social à ação pastoral. que faz da caridade fraterna o cerne da vivência cristã e vê na unidade comunitária dos filhos de Deus a meta suprema. Ajudou a criar uma espiritualidade aberta. O MMM encontrou no Brasil o seu grande terreno fértil 293 e pôde ser acolhido por quase todo o território nacional. Rio de Janeiro. religiosos e leigos. p. 317-318. p. p. tendo. Transmitiu um sopro novo de entusiasmo apostólico. 27. 23. p. para pregar o retiro para todo o episcopado na cidade de Curitiba. 1962. Pio XII per um Mondo Migliore. 247. esta por sua vez ao “Movimento do Mundo Melhor” 292. José Marins. 1965. . 80-82. O maior fruto do MMM para a pastoral. 1962. No Brasil. 294 Cf. no centro Internacional do movimento”. 672-675. mostrando simultaneamente o enorme volume de mal e as imensas possibilidades de bem que nossa época comporta. já tinham sido ministrados 186 cursos em 50 Dioceses de 15 Estados Brasil 294. centralizada numa eclesiologia com base no Corpo Místico. em 1960. Rio de Janeiro. 1964. p.

p. LIBANIO. cerne e alma de toda Pastoral autêntica” 298. p. no que tange à renovação da paróquia. 337. o PE indica a realização dos cursos do MMM “para os que irão elaborar as linhas mestras da pastoral de conjunto e. O Pe. o PE sofrerá grande influencia do MMM.3. G. como em Campinas e Ribeirão Preto. T. CNBB. 297 PE. planejamento das atividades. [. valorização das religiosas e do laicato. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. Op. CLOIN. p. cit. Ademais. 94. essa experiência de pastoral foi QUEIROGA. J. sintetizando toda a sua força na elaboração do PE. No que tange à montagem da pastoral de conjunto. p. 296 PE.. Religiosos e Religiosas. Relatório anual da CRB. É a chama espiritual. 10. v.. iniciado em 1952. Cf. mas. leigos e leigas. do clero. colaboração entre clero religioso e diocesano 295. Colégios e dioceses.73.] É este o motivo por que a Jerarquia do Brasil está estimulando intensamente a multiplicação dos cursos do MMM pelo Brasil afora”. não só para criar. 94. e para criar o clima indispensável à execução do ‘Plano de Emergência’. para os que irão executá-las” 297. Op. (de maio de 1962 a outubro de 1963). entrosamento fraterno dos diversos membros da Igreja. também. 27. a disponibilidade e generosidade necessária ao trabalho em conjunto” 296.102 renovação de paróquias. 298 PE. O MOVIMENTO DE NATAL E O MOVIMENTO DE EDUCAÇÕ DE BASE O Movimento de Natal. Neste ínterim. para conservar e renovar o “clima comunitário. posteriormente. In: RCRB. 1. Cf. p. cit. da diocese. 1964. Rio de Janeiro. Comunhão e corresponsabilidade. 46.B. dos educandários. e liderado pelo até então Monsenhor Eugênio de Araújo Sales é o mais expressivo de muitas outras iniciativas pastorais desse período. na base da equipe de trabalho. F. p. 117. 295 . se tece este grande elogio: “O clima do MMM é utilíssimo à visão global e ao esforço planificado. Gervásio traz a seguinte notificação: “É o Movimento por um Mundo Melhor que no Brasil está contribuindo mais para a abertura pastoral do clero. Em Natal.

p. que juntamente com os seis sacerdotes fundadores. já. PINHEIRO. Ademais. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. REB. procurando dar não apenas alfabetização. 22. p. cit.). em setembro. v. F. 339. SALLES.É desse contexto. Op. social e religiosa 302. 1095-1096. também. a fundação do SAR. p. tendo no Brasil sua inauguração em agosto de 1958 e. ou seja. 18. Comunhão e corresponsabilidade. por meio de seus agentes. realizado pelo padre José Joaquim Salcedo. Cf. p. p. v. por sua expansão para outros Estados. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. sem escola” 303 . 1956. Petrópolis. 10. Op. Rapidamente. p. propiciaram o desenvolvimento da até então experiência colombiana de Sutatenza 301 299 . promovidas pela SAR. p. 1958. Durante três anos. Petrópolis. v. tem-se. 129-136.103 mais incisiva do que nas outras regiões. cit. 301 Trata-se do internacionalmente conhecido trabalho de Educação e alfabetização pelo rádio. CNBB. 254. cf. 302 QUEIROGA. as escolas radiofônicas se difundiram. as semanas ruralistas. o Serviço de Assistência Rural. o Movimento de Educação de Base. cit. v. Traços da presença da Igreja Católica no Nordeste. sem transporte. J. que efetivamente colaborou. Petrópolis. 1962. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. 1964. da educação camponesa por meio das escolas radiofônicas. p. Como fruto desse Movimento. para a formação e promoção do homem do campo. G. procuravam . Em sua gênese estão os militantes da ACB. de forma lapidar. REB. inclusive política. E.753. conseqüentemente. v. educação básica integral. 303 PINHEIRO. J. ampliando o raio de atividades para toda a redondeza.).A. em 1949. In: RCRB. 254. o inicio do Movimento de sindicalização rural que contou com o Cf. 15. Op. E. Uma experiência pastoral em região subdesenvolvida (Nordeste brasileiro). 408-414. 299 . Ver também REB. por meio de encontros semanais na praia de Ponta Negra soluções para os graves problemas sociais e religiosos da Igreja local 300. esse trabalho sucedeu de forma eficiente e. em parceria com o governo federal. 300 Para uma compreensão mais exata do contexto vigente neste período. Petrópolis. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. REB. O grande mérito desse Movimento consiste. fundou em 1961 o MEB. Rio de Janeiro. no desejo profundo de arrancar o homem “sertanejo do isolamento do interior – sem luz elétrica. 16. Traços da presença da Igreja Católica no Nordeste. devido a sua extensão e intensidade de sua influência. E. 1955. foi assumido pela CNBB que. 941-944. a Emissora de Educação Rural de Natal emitia a sua primeira aula. mas.

104 apoio da Igreja. • A presença da ACB e outras formas de apostolado dos leigos. E. Op. • O clima de abertura e de ajuda fraterna. como o valor e generosidade das pessoas nele engajadas – aos seguintes fatores”: • Valorização dos diversos membros do povo de Deus (sacerdotes. KADT. Reuniões de bispos do Rio Grande do Norte (1951). sem nós ou contra nós se fará a reforma rural. Cf. uma resistência às propostas de transformação 304. Catholic radicals In: Brazil. foi também o início de um tempo de polarizações ideológicas e políticas e isso repercutiu na instituição. o “êxito pastoral do Movimento de natal se deve – entre outras causas. quanto a conteúdo e método. cit. Petrópolis: Vozes. 1984. 1977. Contudo. São Paulo: Giro. se organizou. como foi dito acima. claramente. religiosos (as). Em 1956. no sentido oposto. Educar para transforma: educação. 87. corroborado pelo MMM. da Amazônia (1952 e 1957) e do Vale do São Francisco (1952). Minas Gerais. 9 diz: “Sob pretexto de comunizante. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. a catequese renovada. dividiria a Igreja. leigos) e sua união em torno do bispo. • Procura de atualização apostólica. esteve na origem da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A Presença da Igreja no Brasil: história e problemas 1500-1968. com o apoio de um grupo de bispos. Se. Cf. segundo testemunho do próprio presidente Kubitschek. J. na ação pastoral. p. p. da reforma agrária e das migrações. Luiz Eduardo. Gervásio afirma. O. LUSTOSA. Já em 1950. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. a cartilha do MEB. Em nota de rodapé n. sempre polêmico. de um lado. 304 . • Preocupação de formar lideranças e capacitar o pessoal não poupando para isso esforços nem meios. PINHEIRO. 1970. Emanuel de. O tema. realizou-se uma reunião no Nordeste. foi apreendida pela polícia do Rio a mando do governador Carlos Lacerda que teve o apoio do Cardeal Barros Câmara. Igreja Católica e política.). 156s. a qual. Viver é Lutar. a presença pública da Igreja através de alguns bispos e da própria CNBB. que lá encontrou ambiente favorável. promovendo os movimentos bíblicos e litúrgicos. Também WANDERLEY. por outra parte. Dom Inocêncio Engelke. – Era um sintoma das graves divergências que começavam a mostrar. p. 250-252. tinha lançado sua carta-pastoral: Conosco. o dualismo de mentalidade pastoral e política no episcopado”. Oxford University Press. Vale ainda averiguar nesses anos. • Feliz combinação. os jovens da Ação Católica e do MEB tinham uma atividade cada vez mais intensa. Traços da presença da Igreja Católica no Nordeste. London/New York. de sacerdotes e religiosos. trataram dos temas do desenvolvimento. Conforme o Pe. da dimensão estritamente religiosa com a social. num esforço de pastoral integral. ligado à Juventude Agrária Católica. com dirigentes da CNBB e do governo. o bispo de Campanha. F.

p. tornando-se objeto de visita e de especulação de muitos outros países 306. o Movimento de Natal. com sede na própria QUEIROGA. 1964. Op. DIDONET. 1963.A.E.380. É evidente também todo o apoio que a CRB dispensou para este movimento. 263-268. o Secretariado do Nordeste. Rio de Janeiro. 435-439. In: CM 7/1971. T. 456-457. (Natal. Ademais. 1965. v. 516-517. adequadamente sensibilizadas. J. 445. In: RCRB. estendendo sua influência por todo o Nordeste no que tange à renovação pastoral 307 . 307 CLOIN. RCRB. 22. Também. v. Critérios de novas fundações: Pré-requisitos para ajuda sistemática a regiões espiritualmente subdesenvolvidas. 132-134. cit. bem como da CRB 305. p. 241-244. p.105 • Adoção. p. em pessoal e meio. 10. Uma experiência pastoral em região subdesenvolvida (Nordeste brasileiro). n. v. p. 308 Cf. p. RCRB. RCRB. cit. Petrópolis. 201-214. O porquê das experiências de Nízia Floresta (mimeografado 5 p. v. como método de trabalho. G. Rio de Janeiro. TEPE. Vida religiosa e Igreja local. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. de outras Igrejas do exterior. 129-139. RCRB. CLOIN. 3. em 1962.28. p. transbordando para além de sua província eclesiástica. PINHEIRO. 11. O Apostolado dos religiosos e a pastoral da jerarquia. 8. Op.458461. De fato. O Encontro de Natal e o apostolado dos religiosos do N. Rio de Janeiro. Cf. Rio de Janeiro. T. v. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. Rio de Janeiro. 672-675. F. 1961. p. 7. Comunhão e corresponsabilidade. Natal tornou-se. p. E. 541. In: REB. 1964.29.31. In: RCRB. G. • Aproveitamento dos recursos locais limitados. In: RCRB. p. a primeira experiência de inserção das religiosas no que tange ao cuidado pastoral de comunidades carentes de sacerdotes 308. por assim dizer.446. Op. I. p. SALLES. 306 305 . BASTOS. v. E. 9. 260. p. 1964. 340. v. Rio de Janeiro. v. 241-244. do planejamento e coordenação das atividades. 1965. por seu desenvolvimento de uma pastoral planificada.10. CNBB. Ver também. 341. aCNBB). com a generosa colaboração. p. Id. V.). CNBB. porém. 11. • Emprego judicioso das modernas técnicas de comunicação de massa e de desenvolvimento comunitário. 26. mereceu sediar. superando uma pastoral de tarefas realizando uma pastoral de rumos. apud QUEIROGA. RCRB. 1962. foi de forma pioneira. 10 a 19-1-163). 10. o pólo irradiador de uma nova experiência pastoral. Movimento por um Mundo Melhor no Brasil. Rio de Janeiro. 78-81. 1963. p. In: RCRB. Comunhão e corresponsabilidade. reforçados. Traços da presença da Igreja Católica no Nordeste. F. Rio de Janeiro. F. Rio de Janeiro. cit. v. 9. v. 1962.

RCRB. 312 Cf. aos quais por sua eficiência. Petrópolis. T. Seguindo a sugestão da Sagrada Congregação dos Religiosos. ou seja. REB. F. como organismo coordenador. das regiões pastorais. J. F. Em sua gênese se encontra um período fértil. Op. 311 Cf. cit. A forma pastoral vivida pelo Movimento de Natal e conseqüentemente. v.106 capital. 3. Rio de Janeiro.000 Padres. O. Cf. o número de religiosos (as) no Brasil totalizava-se 40. também. sendo 7. 1956. CNBB. 14.). p. p. Traços da presença da Igreja Católica no Nordeste. o Movimento de Renovação Bíblica.000 irmãos e 30. a CRB foi fundada dois anos mais tarde do que a CNBB. 385-391. LUSTOSA. Comunhão e corresponsabilidade. Op. a sua experiência de irradiação.000 religiosas 311. sob o impulso do Ano Santo de 1950 e dos diversos movimentos de renovação da vida eclesial. v. o Movimento Litúrgico e Catequético e o Movimento por um Mundo Melhor. 21. Quando da sua fundação. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB.000.4. foram o grande legado para a elaboração e execução do PE 310. CLOIN. E. v. clérigos ou leigos de ambos os sexos. p. Op. 11. logo em abril de 1962. mereceu elogios da Congregação dos QUEIROGA. 2. Para tanto. Rio de Janeiro. cit. passou a ser o Secretariado Regional do Nordeste” 309. 555. organizou Departamentos e Serviços. 310 PINHEIRO. de organização e de atualização 312 . A CONFERÊNCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL: CRB Cronologicamente. a CRB foi estruturada com dois objetivos. como a Ação Católica. 85. p. In: RCRB. 341. em que a Igreja sentia a necessidade de renovação e de maior articulação. p. Natal. p. A Presença da Igreja no Brasil: história e problemas 1500-1968. “o qual – com a instituição pela CNBB. 309 . G. 1. cit. seja em nível provincial ou regional. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. 256. espaço de comunhão e cooperação de todos os religiosos do Brasil. 1954. 1965. As grandes linhas da renovação pastoral no Brasil.

A propósito de uma viagem. v. v. v. Id. já nos primeiros tempos. tornando-se modelo. p. Posteriormente. Rio de Janeiro. 24. 11. Presença da Igreja no Brasil: 1900-2000. p. 316 Para uma descrição mais detalhada da ação deste homem de Deus. Petrópolis. v. v. T. 178. Id. Rio de Janeiro. p.107 Religiosos e de outras autoridades. 315 Cf. a Nunciatura Apostólica com até então Núncio Carlos Chiarlo317 e com a Cúria 313 Cf. p. 53. Também CASTANHO. Jundiaí: Gráfica Jundiá. Relatório anual da CRB (de outubro de 1963 a dezembro de 1964). “critério e padrão de organizações nacionais de religiosos” 313. CNBB. v. REB. Comunhão e corresponsabilidade. salvo é claro. foi a partir de contatos firmes e de um efetivo relacionamento entre a pessoa do Monsenhor Helder Câmara316. T.. In: RCRB. 71-83. 12. F. CASTANHO. 25-31. REB. In: RCRB. Op cit. 10. CLOIN. A. Rio de Janeiro. p. p. 1965. Embora com identidades e finalidades próprias. p. Op. 2. p. 317 Cf. 25.QUEIROGA. unindo os esforços e alargando os horizontes. 515-530.572.. a coordenação entre as duas Conferências foi sempre mais se impondo e tendendo a se institucionalizar [. Jundiaí: Gráfica Jundiá. 1964. Petrópolis. A. Presença da Igreja no Brasil: 1900-2000.5. Comunhão e corresponsabilidade. 142.] Os desejos expressos no PE a respeito disso foram confirmados e superados pela experiência” 314. “a partir do PE. 1998. 167-170. VLOIN. o relacionamento entre as duas Conferências foi marcado. cit. alguns momentos críticos. Esses trabalhos. p. “É o princípio da coordenação intra-eclesial e intereclesial que. Presença e repercussão da CRB. 801-803. Rio de Janeiro. 1. cf. p. da colaboração efetiva entre CRB e CNBB. In: RCRB. 1966. 719-724. 1965. Relatório da Conferência – 1962 a 1965. será de tanta Influência na formação da nova linha pastoral”. 1964. F. 346. 314 Acerca da relação entre as duas Conferências. Op. QUEIROGA. A. desde o início. A CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB A idéia de gestar uma conferência dos bispos do Brasil é proveniente dos anos 50. . p.134. cit. 11. Relatório anual da CRB (de maio de 1962 a outubro de 1963). CASTANHO. cf. Neste ínterim. p. 1998. no que se refere a sua participação fora do país junto aos órgãos Internacionais e à Cúria Romana. Rio de Janeiro. Importante ressaltar aqui o seu papel de Intermediador entre os bispos do Brasil entre si e. propiciaram a eficiência da execução do PE. Contudo. In: RCRB. CNBB. G. Presença da Igreja no Brasil: 1900-2000. 1965. principalmente. v. RCRB. quando da realização do Congresso Mundial de Leigos em Roma 315 . em conjunto. Também. surgiram o Instituto Nacional de Catequese. por intensa colaboração e respeito mútuo. o Centro de Estatística Religiosa e Investigação Social (Ceris) e o Serviço de Cooperação Apostólica Internacional (Scai). 1956. G.

322 QUEIROGA. CNBB. Comunhão e corresponsabilidade. no Rio de Janeiro. da decisiva postura. cit. F. fruto. Op. cit. Gervásio pode ser consultado em sua própria obra. Montini. G. QUEIROGA. F. procurando somar forças com os movimentos afins. é claro. Acerca dos frutos destes primeiros dez anos. justamente por meio delas. p. 319 A integra da mesma pode ser consultada em CASTANHO. p. isto é. 167-170. 321 PE. de criar os Secretariados Nacionais e de forma Para um aprofundamento acerca da contribuição do Mons. da até estão esperada CNBB passou-se de sonho para realidade. p. é que o episcopado brasileiro se desenvolverá definitivamente no que tange à construção de um plano de pastoral efetivo e eficiente. Comunhão e corresponsabilidade. G. cit. F. A recepção por parte do episcopado foi de profunda esperança e otimismo320. Para tanto. QUEIROGA. G. cf. 143-144. 167-170. Op. p. já na reunião de instalação em 1952. p.108 Romana por meio do até então Monsenhor Montini318. CNBB. promovendo e apoiando com a sua autoridade iniciativa que tiveram resultados fecundos. Comunhão e corresponsabilidade. 318 . com efeito. Um dos fundamentais elementos de sua organização são as Assembléias e. o Cardeal Motta de São Paulo. que a criação em 1952. cit. p. 345. Op. Apesar da imensidão territorial do Brasil321 a CNBB foi propulsora do grande progresso pastoral realizado nos dez anos que precederam ao PE. 181-184. a presença da Igreja com a sua palavra e atuação muito mais se afirmou. 320 Cf. A. A partir da fundação da CNBB. escolhido para ser o seu primeiro presidente e o Cardeal Câmara. Presença da Igreja no Brasil: 1900-2000. como descreve o Pe. 179. econômica e social do País 322. numa reunião simples. Op. no meio da espantosa mutação e até convulsão política. não mediu esforços. 31. CNBB. Ib. os empreendimentos multiplicaram-se. A notificação de todos os bispos foi realizada por carta319 a cargo dos dois Cardeais do Brasil. no dia 14 de outubro numa sala do Palácio São Joaquim.

sob a orientação do Conselho Nacional de Apostolado dos Leigos e o outro em torno de programas comuns de trabalho. alicerçada de maneira especial em quatro acontecimentos eclesiais e um secular. bons prelúdios da fase decisiva que a 5ª inaugurará” 326. cit. 349.Pará. cuja finalidade era “coordenar todas as atividades de associações apostólicas do laicato” 323. p. No ano seguinte de sua fundação. Ib. cf. 2. tendo como pauta de discussão sobre o modo às quais as Paróquias devem se ajustar aos tempos hodiernos e sobre a formação da opinião pública através da publicidade. 326 Ib. A 4ª Assembléia realizou-se em Goiânia – GO entre os dias 03 a 11 de julho de 1958. Não se sabe por certo os seus frutos. Gervásio. 325 A 2ª Assembléia Geral ocorreu entre os dias 09 a 12 de setembro de 1954 em Aparecida. Nos dizeres do Pe. ocorreu a sua primeira Assembléia entre os dias 17 a 20 de agosto de 1953 na cidade de Belém. . a CNBB realizou ainda outras três Assembléias325. se revela como primeira tentativa de uma pastoral planejada e coordenada 324. do Secretariado Nacional de Apostolado dos Leigos. O SEGUNDO PERÍODO: A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE ECLESIAL 1962-1979 Esse período é marcado por uma profunda e efetiva construção pastoral. Foram abordados dois temas: a situação da Família e sobre a Ajuda Espiritual. Até a elaboração do PE. p. Para uma análise do conteúdo destas Assembléias. cultural e Econômica ao Clero. p. SP. A 3ª Assembléia realizou-se em Serra Negra. 347-350. abordando dois temas: acerca da renovação paroquial e da influencia das Estruturas sociais sobre a Vida Religiosa. na formação da Confederação Católica diocesana. 346-347. SP. 346-347. Op. p. entre os dias 10 a 12 de novembro. denominada Campanhas Gerais. O seu grande intento foi elaborar dois planos: um de atividades para o apostolado dos leigos. contudo. p.109 especial. 167-170. “as 3ª e a 4ª Assembléias são marcos na evolução pastoral. Os dois primeiros Ib. Ib. 324 323 .

O segundo. visto que foi um acontecimento Continental. São Paulo: Paulinas. faremos apenas breves menções. A. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. de natureza universal. DUSSEL. A DÉCADA DE 60: A FORMAÇÃO DE UMA IDENTIDADE ECLESIAL 2. e. Ademais. WANDERLEY. a caminhada pastoral da Igreja no Brasil ainda na década de 60. João XXIII manifestou sempre seu apreço pela América Latina e já. quando necessário. que tem. 459-479. cit. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. vemos florescer a segunda conferência realizada em Puebla.E. CASTANHO. . cuja riqueza teológica e pastoral foi aplicada na Igreja do Brasil em forma do PPC. E. contou com a riquíssima contribuição do CELAM. Cf. nos primórdios de seu 327 Para uma análise da Ditadura militar Iniciada em 1964. Desafios da Igreja Católica e política no Brasil. um por vez. conseqüentemente.1. como origem. Já. realizada em Medellím em 1968. 52-54. cit.110 situam-se na década de 60. Ainda nessa década. 1989. 2. Op. p. tem-se em 1964 o golpe militar327 ao qual aqui. p. Essas Conferências Episcopais propiciaram à Igreja do Brasil novas e eficazes forma de aplicação da Pastoral. O PLANO DE EMERGÊNCIA: GÊNESE DA VIDA PASTORAL DA IGREJA NO BRASIL A Santa Sé sempre manifestou grande interesse pela Igreja Latino – Americana. L. Op.). no que se refere às Conferências Episcopais. fato este que culminou na elaboração do PE. o incisivo apelo do Papa João XXIII em relação à construção de um plano pastoral para a AL. 152-154. no ano de 1979. além de ser o fermento e o alicerce mais fecundos para a já experiente e ousada forma de inserção social. Presença da Igreja no Brasil: 1900-2000. na década de 70. delinear a sua aplicação na e somente à Igreja do Brasil.1. Nosso trabalho limitar-se-á à descrição desses eventos. Também. foi a realização do Concílio Vaticano II. p. História da Igreja LatinoAmericana (1930-1985).1.

F. p. Petrópolis.). REB. 388. 786. surgem as iniciativas. 173-174. para eliminar do continente os perigos iminentes à fé católica” 331. 330 O conteúdo completo desta carta pode se ter de: In: REB. v. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. p. que crescia também em todos os recantos do Ocidente cristão 332. G. p. Petrópolis. p. 332 GODOY. a realidade interior da própria Igreja estava passando por séria crise. M. o Papa apontou passos a desenvolver para uma renovação espiritual do continente 329 . 1960. v. cit. QUEIROGA. Três anos mais tarde. 22. p. cit. REB. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. provocado pelas reflexões de Charles Darwin. v. p. p. v. Juntamente com estas questões externas. Petrópolis. 20. em carta330 direcionada aos bispos da AL. cit. projetou-se em constante ajuda material oriunda de outros episcopados e Congregações Religiosas 328 e na preocupação de que a América Latina se estruturasse pastoralmente. Ver também. Petrópolis. Op. Petrópolis. G. 343. 167. 328 . 1962. Op.O. quando da acolhida dos membros do CELAM. marcado pelo ‘evangelho segundo Allan Kardec’. 482-484.111 pontificado. mas permanecem Cf. 728-730.J. CNBB. 19. Op. sobre a origem das espécies. fruto do pensamento econômico de Karl Marx. QUEIROGA. REB. p. 1963. Onze dias após sua coroação. e o espiritismo. 42. 331 Cf. o pensamento liberal andava de mãos dadas com o pensamento protestante. PE. J. no dia 15 de novembro. n. como se nos apresenta o próprio PE: Somos mais homens de obras do que da obra indispensável a todas as demais: a estrutura administrativa. 470-473. que se repercutem em quatro esferas: o naturalismo. v. Comunhão e corresponsabilidade. o marxismo. F. voltou a urgir “uma ação imediata. Comunhão e corresponsabilidade. CNBB. 1962. Igreja no Brasil – o Planejamento Pastoral em Questão. 23. 329 Cf. 22. 461-463. In: REB. p. [Setembro] 1982. Somado a essas três correntes. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. Sem esse alicerce. 343. BEOZZO. no dia 8 de dezembro de 1961.

É a vivência do ‘non veni ministrari sed ministrare. portanto. tornando-os não meros executores de ordens.de Medellín a Santo Domingo. Assim. O grande tema era a Renovação. . provincial ou regional. Sabemos ver a ditadura do Estado marxista. 2º Renovação do Ministério Sacerdotal. Como resposta a esses apelos do Pastor maior. abrangendo todos os seus aspectos. Somente o 333 334 PE. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . e desenvolve-se o espírito de equipe. Petrópolis: Vozes. A organização da Diocese. 1994. o PE foi apresentado e aprovado. fracas. Cf. seis meses antes da abertura do Concílio Vaticano II 334. diocesana. mas nem sempre sentimos a ditadura esmagadora do econômico ou do egoísmo nas estruturas atuais que esterilizam nossos esforços de cristianização 333. religiosos e leigos. mas companheiros no bom combate. Para isso. é a condição básica de funcionamento deste plano de Emergência. O PE apresenta quatro eixos. p. faz-se mister uma revisão corajosa e cristã de nossas relações com nossos sacerdotes. Na 5ª Assembléia Geral. cuja finalidade própria era de unificar a ação eclesial do Brasil.112 isoladas. mas nem sempre assumimos a mesma atitude diante do capitalismo liberal. Os problemas sociais estão na ordem do dia. entre novembro de 1961 a março de 1962. 40. A missão dos Pastores pede dos Bispos uma atenção especial neste campo. elemento fundamental na Igreja de Cristo. elaborou o Plano de Emergência. A exigência de se renovar foi tão marcante que. os três primeiros Capítulos iniciam com a palavra programática: 1º Renovação das Paróquias. 22-23. realizada entre os dias 2 a 5 de abril de 1962. BEOZZO. flexível e eficiente. O. 3º Renovação dos Educandários Católicos. ou a exigirem grandes esforços por não estarem engajadas na realidade paroquial. p. conserva-se a hierarquia. Somos solícitos no combate ao Comunismo. J. a Igreja do Brasil.

Petrópolis. quando afirma: “trinta anos anteriores a Igreja havia tentado toda uma estratégica pastoral. 359. cit. suas diretrizes” 336. p. 42. mesmo com estas e outras deficiências340. Petrópolis. religiosos e leigos. de. 371-372. 336 BEOZZO. M. No PE.O. numa autêntica comunidade de Igreja” 341. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. como afirma Pe. 335 . 341 Ib. 361. Op. 337 GODOY. cit. CNBB. F.. p. visando a conquista espiritual e a presença da Igreja nos chamados ‘meios’ de vida: estudantil. conforme o mesmo autor. presbíteros. universitário. 492. J.). CNBB. é duro em sua análise. embora valorizada. Para um completo estudo sobre o PE. cit p. 338 O Pe. p. n. F.O. 167. 339 QUEIROGA. [Setembro] 1982. com isto. Igreja no Brasil – o Planejamento Pastoral em Questão. Gervásio: “também os leigos não tiveram documento especial. C. BEOZZO. provocou um “clima de comunhão fraternal entre bispos. p. elenca algumas deficiência do PE. ainda é marginal.J.” BEOZZO. J. o MMM foi o movimento escolhido para a sua execução e. 340 O Pe. Uma opção renovadora: A Igreja no Brasil e o planejamento pastoral. operário. 42. M. Beozzo foi a possibilidade criada pelo plano de que a CNBB. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. Op. Também. o PE. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB.. foi pedido que cada diocese criasse um secretariado para “servir de elo de ligação com as estruturas nacionais e de centro propulsor das diretrizes do pleno a nível local” 337. Contribuição importante do PE. CNBB. QUEIROGA. sem eliminar a autoridade. Op. Ademais.351-373. paróquias e Colégios. independente. “de uma estrutura até então quase que exclusivamente consultiva e afetando os arcebispos [. 492. cit.113 último capítulo se preza para o que de até então se denominou na Igreja do Brasil Pastoral de Conjunto: 4º Introdução a uma Pastoral de Conjunto 335. Esta estratégia é sacrificada no Plano de Emergência em favor de uma outra que coloca no centro a própria Igreja: os bispos e suas estruturas e atuação. Comunhão e corresponsabilidade. cf. v. unifica no amor a variedade dos membros e atuações. G. p. QUEIROGA em sua obra. Igreja no Brasil – o Planejamento Pastoral em Questão. a presença dos leigos. São Paulo: Loyola. 95-137. [Setembro] 1982.. 389. neste nível.. mas foram mais acentuados no PE que os religiosos. Comunhão e corresponsabilidade. é clara a marginalização no que se refere a ACB 338 . cit. In: REB. p. n. Op. a esse respeito. v. segundo o Pe. Comunhão e corresponsabilidade. o espírito de equipe co-responsável. Cf. Op. G. 167. FREITAS. Para melhor concretizar o Plano de Emergência. In: REB. camponês. centrada sobre o leigo e sobre sua atuação no mundo. p. que. com a criação de Regionais encarregados de executar. Contudo.] se descentralizava. sem confundir os ministérios. PE 35 confessa a necessidade de ser completado ‘com um plano para os leigos e para os religiosos’” 339 .

por ter se tornado “efetivamente. 2. alargando-se em conseqüência dos rumos tomados pelos Padres Conciliares. ao término dos trabalhos conciliares. p.. e. ao final da terceira sessão conciliar. assim como também por ter preparado a Igreja do Brasil para novas iniciativas pastorais. numa clara percepção de que dentro de algum tempo o pioneirismo desbravador do PE seria superado. uma bandeira e um roteiro de renovação paroquial”. Foi uma primeira tentativa de pastoral de conjunto. reconhecia-se ao mesmo tempo.2.. O CONCÍLIO VATICANO E O PPC O Concílio trouxe à Igreja os fermentos de renovação.]. 372-373. A presença da Igreja do Brasil no Concílio foi desde o encerramento do primeiro período.. Criou sobretudo uma mística e uma esperança de renovação 342. que a etapa do PE constituía-se em um passo fundamental para que. Esta tomada de consciência amadureceu e tomou corpo. quando já estavam suficientemente claros os grandes eixos de orientação que o Concílio imprimiria à Igreja. que era uma aspiração desde 1958. Segundo Caramuru. [. e limites.114 Apesar de suas carência. nestes diversos níveis. ..1. de acordo com a 342 Ib. o PE tem seu mérito.] renovou algumas estruturas diocesanas e possibilitou ao episcopado uma ação regional e nacional mais efetiva [. se chegasse à ambiciosa meta de um plano mais abrangente de Pastoral de Conjunto. e também de uma séria renovação do ministério sacerdotal. principalmente por ser o marco da vida pastoral. finalmente.

a Presidência da CNBB deu à Secretaria Geral sinal verde para desenvolver esta tarefa 343. Op.). cit. QUEIROGA. Beozzo. 49. Op. no processo de transformação da sociedade. da autoridade dos bispos reunidos em assembléia para aprová-lo e do direito que assistia à CNBB e aos seus secretariados para leválo adiante 346. CNBB.ppt. 228-229. cit. ocorrida entre os dias 26 a 27 de setembro de 1964. 343 . segundo o Pe. É momento de exercício de uma verdadeira pastoral de conjunto em prol da transformação de situações injustas e não cristãs. Um ano após.br/documento_geral/CFesuahistoria_nova. BARROS.). A recepção do Vaticano II na Igreja do Brasil. Op. não fosse minada por uma contestação. F. ganhou evidentemente legitimidade para que sua implementação. p.cnbb. ainda que laboriosa e conflituosa. a partir de problemas específicos.O. 344 Cf. para ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos. ao mesmo tempo. É precioso meio para a evangelização no tempo quaresmal. a partir de um problema específico. 441. p.115 visão profética de João XXIII. R. em 1965.C. provocando. A 6ª. em relação ao princípio do próprio planejamento pastoral. sem um único voto contrário e com apenas um voto em branco. realizou-se a 7ª Assembléia Geral. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. a Campanha da Fraternidade tem sido uma atividade ampla de evangelização. por ter sido aprovado.) cf.. O PPC. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. desenvolvida na Quaresma. na qual se tem a aprovação do PPC e a feliz iniciativa da Campanha da Fraternidade 345.> Acesso em 25/11/2006. tratados à luz do Projeto de Deus. A Campanha da Fraternidade passou por três fases sucessivas: 1ª FASE: EM BUSCA DA RENOVAÇÃO INTERNA DA IGREJA (1964-1972) 2ª FASE: A IGREJA SE PREOCUPA COM A REALIDADE SOCIAL DO POVO (1973-1984) 3ª FASE: A IGREJA SE VOLTA PARA SITUAÇÕES EXISTENCIAIS DO POVO BRASILEIRO (1985. É um grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão. cit. A Campanha da Fraternidade tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora. a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade. G. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. Neste ínterim. p. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. tinha como finalidade a avaliação do PE e a aprovação dos novos estatutos 344.. 346 BEOZZO. Nessa oportunidade. de renovação interior e de ação comunitária. 345 Desde 1963. Comunhão e corresponsabilidade. Gênese e consolidação da CNBB no contexto de uma Igreja em plena renovação. <http://www. duas Assembléias Gerais aconteceram em Roma.org. J.

A segunda diz respeito à ação Missionária. A sua base teológica fundamenta-se nos seguintes documentos conciliares: LG.116 O PPC está dividido em três partes. à inserção consciente e participante na comunidade visível. A primeira linha visa promover uma sempre mais plena unidade visível no seio da Igreja Católica. 349 PPC p. sendo a primeira. CNBB. ao aprofundamento doutrinal e a reflexão teológica. que é “a comunhão de vida dos homens com o Pai e entre si. A sua base teológica fundamenta-se no Decreto Conciliar sobre a Atividade Missionária da Igreja Ad Gentes. 31. G. acerca das Diretrizes fundamentais da ação pastoral e a terceira. 31. PO. Comunhão e corresponsabilidade. no dom do Espírito Santo. cujo objetivo é levar à conversão. com a Lumen gentium. o segundo tópico procura apresentar as bases sólidas mediante a aplicação dos documentos conciliares. 377. PPC p. Tendo em vista a dependência umbilical 347 do PPC com os documentos do Concílio Vaticano II e. cujo objetivo é levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida com Cristo através da palavra 347 348 QUEIROGA. cit. uma introdução geral ao Plano. . em Jesus Cristo. para uma cristalina adequação da Igreja do Brasil à nova mentalidade eclesial emanada do Concílio. PC. conectado com o objetivo geral que é “criar meios e condições para que a Igreja do Brasil se ajuste o mais rápido e plenamente possível. à adesão pessoal a Cristo. CD. nas chamadas seis Linhas ou Diretrizes fundamentais de ação. Op. de maneira especial. que constitui o coração do PPC. OT. através do anúncio missionário da palavra e do testemunho de vida evangélica. a segunda. A terceira refere-se à ação catequética. está subdividida em três tópicos. cujo objetivo é levar todos os homens à primeira adesão pessoal à Cristo. além de uma exposição sobre os seus objetivos específicos. comunicada e manifestada pela mediação da comunidade visível” 349. F. p. à imagem do Vaticano II” 348 assim como com o seu objetivo último. que explicita o Pano nacional das atividades da CNBB. AA. Cada uma dessas seis linhas funda-se sob um objetivo próprio. A segunda parte.

segundo os desígnios de Deus. 1964.O. 176-189. da época do PE. Petrópolis.J. Também. A quarta diz respeito à ação Litúrgica. Presença Pública da Igreja no Brasil (19522002): Jubileu de ouro da CNBB. A recepção do Vaticano II na Igreja do Brasil. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. que passa agora a ter não somente sete regionais. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. J. Nordeste II (R. mas sim 13 351. também em três: Sul I(São Paulo. com sede em Recife) e Nordeste III (Bahia e Sergipe. Sul II (Paraná. 16-17”apud BEOZZO. em dois: Centro-Oeste ) Província de Goiás) e extremo Oeste (Província de mato Grosso). PPC p. 146-147. GODOY. n. que iluminam e alimentam. A sua base teológica fundamenta-se na Constituição sobre a Sagrada Liturgia SC. O terceiro tópico visa apresentar a aplicação dessas diretrizes nos planos nacionais e regionais. Assim. A quinta linha refere-se à ação ecumênica. A sua base teológica fundamenta-se nos seguintes documentos conciliares: UR. DH 350. A sua base teológica fundamenta-se na Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina. com sede em Salvador). com sede na capital). através de uma autêntica ação ecumênica. v. BEOZZO. O. 351 “O aumento do número de Regionais foi alcançado pelo desdobramento de alguns dos já existentes em novas unidades. a sexta linha visa promover a melhor inserção do Povo de Deus. p. 42. Igreja no Brasil: Planejamento Pastoral em Questão. J.). A recepção do Vaticano II na Igreja do Brasil. mais ainda descentralizada da CNBB. IM. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. referentes a estes Regionais. O PPC oferece os dados estatísticos sobre a Igreja no Brasil. Grande do norte. “a CNBB potencializava seus instrumentos de ação em âmbito nacional. com suas cinco províncias eclesiásticas. com sede em Curitiba). o Centro-Oeste. Op.). [nov/dez. cujo objetivo primordial é levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo. através do culto litúrgico integral e das celebrações da Palavra. p. cit. Op. o antigo Sul. Neste ínterim. p. NA. Cf. [setembro] 1982. J. A sua base teológica fundamenta-se nos seguintes documentos conciliares: GS. 465-472. OE. M. Por fim. cujo objetivo central é levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo. Pernambuco e Alagoas. cit. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. 389-340. 443-44. como fermento de vida em Cristo. CM. Paraíba.O. pp. Cf. cit. CF. Op. p. Como fruto da descentralização. BEOZZO. GE.). 444. através de sua inserção como fermento na construção de um mundo. In: REB. 350 . A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. criou-se uma nova estrutura. n. o anterior Regional Nordeste foi dividido em três: Nordeste I (Maranhão. com sede em fortaleza). Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. Ata de 30 de setembro de 1964. Sul III (Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Piauí e Ceará. Dei Verbum. com sede em Porto Alegre).117 e do testemunho de vida evangélica. p.. 61-109. 167.

In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org.118 criando quatro novos secretariados que vinham somar-se aos oito anteriormente em ação” 352. 352 . Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. afirma também que em decorrência disto. Igreja no Brasil – o Planejamento Pastoral em Questão.O. cit.J. p. nesse período. O intento de comunhão explicitado por planos nacionais foi por muitos bispos visto como ingerência abusiva “na vida das dioceses. SNAC. o PPC apresenta roteiros gerais de programas que cada regional deve concretizar individualmente além de atividades inter-regionais 355. conseqüentemente. SNAR. 444. 496. Op. SNAMHI. cit. foi prorrogado até 1974 e substituído por outra forma de organização pastoral. In: REB. 167. Petrópolis. v. PPC P. SNOP. 355 Cf. Cf. 392. O PPC. [Setembro] 1982. SNAV. SNAPES. “ajudar a formar o povo de Deus e intensificar sua unidade em Cristo” e. 42. M. Por fim. p. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. A quarta parte diz respeito a sua aplicação em nível diocesano. Nesse sentido. 118-119. 112-113. BEOZZO. houve uma verdadeira inflação de siglas a fim de completar o quadro das dificuldades em nível da linguagem. tendo como objetivo último. computados 1 Secretaria Geral. J. Para uma visão mais detalhada do Plano nacional de atividades. houve a necessidade de “um grande aparato de assessoria e de órgãos técnicos de investigação e execução” 353 .). n. embora sendo pensado por apenas cinco anos (1966-1970). pouco a pouco renovar a Igreja particular “conforme a imagem da Igreja do Vaticano II” 356.). p. 132. 354 Cf. SNAP) e 11 Secretariados Regionais 354 . J. PPC p. Op. Beozzo. SNASEM. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. PPC P. A recepção do Vaticano II na Igreja do Brasil. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. SNAT. 13 Secretariados Nacionais (SNAL. ao afirmar que o PPC fora “elaborado por técnicos especialistas”. PPC p. reduzindo o poder do bispo local” 357. Ao todo foram. 356 Cf. SNED. SNALE. 136-175. 357 GODOY. 353 BEOZZO. O Pe.O. SNAS. tendo em vista que a realidade eclesial é diferente.

entre os dias 15 a 20 de julho de 1968 seus representantes 361 360 .php. Discurso de abertura da II conferência Geral do Episcopado Latino-Americano – Medellín. <http://www. 26 de agosto de 1969.> Acesso em 25/11/2006. Conferências dadas pelos teólogos e peritos e só depois. O. Em janeiro de 1968. BEOZZO. Petrópolis: Vozes. Cf. pelo bispo Manuel Larraín.3. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . Bogotá: Indo –American Press.1. Petrópolis. A Igreja do Brasil se preparou para essa Conferência. em reunião em Bogotá. Também. 661. HERNÁM. DUSSEL. São Paulo: Paulinas. 1994. realizada no Rio de Janeiro.com/portal/canais/especial/itaici2005/assegeral2. Dom Avelar Brandão Vilela.de Medellín a Santo Domingo. sendo os três primeiros dias.cancaonova. 1975. só em 2 de dezembro de 1966. 361 Para uma análise pormenorizada dos trâmites desta eleição. os trabalhos se encaminharam em Medellín.119 2. Esse Documento estava “distribuído em três partes distintas e complementares: visão integral das realidades latino-americanas. In: Sedoc. 359 VILELA. p. oficializando-o com o tema sugestivo para o contexto da AL: “A Igreja na atual transformação da América Latina. ocupando-se na 9ª Assembléia Geral. [novembro] 1968. Muitas dessas Comissões Para uma leitura mais geral dos trâmites da II Conferência. aprovou-o em sua estada na Capital do Peru. p. De Medellín a Puebla. 360 Beozzo. na página 154 da obra aqui citada faz referencia que foi na X e não na IX Assembléia Geral a eleição para os delegados para Medellín. Cf. em dezembro de 1967. da eleição dos .B. 154-159. J. v. cf. P. reflexão teológica sobre essas realidades e projeções pastorais para a ação da Igreja em nosso continente” 359 . A II Conferência Episcopal nasceu da preocupação de aplicar o Vaticano II à realidade da América Latina. E. Lima. à luz do Concílio Vaticano II” 358. divididos em nove Comissões. Após a abertura. Após as observações dos episcopados e dos Dicastérios Romanos. apresentou ao Santo Padre o referido projeto. Paulo VI acatou a proposta e. logo após o término do Concílio. o até então presidente do CELAM. começaram os trabalhos. foi redigido o Documento-Base Preliminar. A FORÇA DE MEDELLÍN: CEBs E TdL. em Bogotá. obteve-se o Documento-Base da Conferência. Contudo. Crônica de Medellín. A. 5.1. n. 358 .

não repete o Vaticano II. rompendo com a teoria desenvolvimentista até então dominante no mundo político-econômico e na mentalidade eclesiástica. Religiosos e Formação do Clero. p. em muitos pontos. Assim. desposando a recém-elaborada teoria da dependência com As Comissões foram assim divididas: Comissão Justiça e Paz. Medellín denunciou a injustiça institucionalizada. 117-118. Op. 364 Ib. p. de Paulo VI. Cf. cit. J. o Vaticano II e. Todos os trabalhos em Medellín foram discutidos tendo como substrato teológico as duas Encíclicas de João XXIII – Mater et Magistra e Pacem in Terris. principalmente referente a suas duas constituições acerca da Igreja. esboça-se a teologia da libertação. BEOZZO. dá um passo além: aí emerge pela primeira vez a importância das comunidades de base. O. conforme o Pe. Comissão Sacerdotes e Religiosos. julgar e agir. Comissão Pastoral. Pastoral das Elites. A partir do Método ver. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . subdividida em outras duas subcomissões: Colegialidade e meios de Comunicação Social. Medellín refaz. 121. Comissão Família e Demografia. Comissão Juventude. num certo sentido. Catequese e Liturgia. a LG e a GS 363. aprofunda-se a noção de justiça e de paz ligadas aos problemas da dependência econômica. Medellín. p. 118-120. 362 . subdividida em outras três: Sacerdotes.de Medellín a Santo Domingo. 363 Ib. que foi dividida em duas outras Subcomissões: a da paz e da Justiça. Comissão Educação. quem foi dividida em outras quatro subcomissões: Pastoral das Massas. além da Populorum Progressio. Comissão Pobreza na Igreja. coloca-se o pobre no centro da reflexão da Igreja no continente 364. Beozzo afirma.120 foram subdividas 362. comissão pastoral de Conjunto. juntamente com a notável riqueza do Concílio Vaticano II.

além de influenciar a temática do Sínodo dos Bispos realizado em 1971.B. p. como forma de acolhimento e inserção do pobre na realidade sócio-religiosa e a produção teológica sob o signo temático da Libertação. LIBANIO. o que Medellín fez para toda a América Latina de um redobrado empenho pela justiça e pela libertação integral da pessoa humana como dimensão constitutiva da evangelização. sendo esse para vigorarem entre os anos de 1971 a 1972. As Primeiras Conferências do CELAM. embora não excludente. aure a valorização da Política como meio de realizar a Macrocaridade 366 . de Medellín. 366 Pe. 127. criando o que se chamaria de Planos Bienais – PB. In: Vida Pastoral. três outros pontos originais se concluirão desta Conferência: a sua opção clara e exclusiva pelos pobres. 4.121 a conseqüente conclusão da necessidade de uma libertação de tal dependência e de toda as estruturas de opressão para alcançar verdadeiro desenvolvimento 365. A década de 70 foi inteiramente um período de aplicação de suas conclusões e ao mesmo tempo. já que por meio dela se podem estabelecer relações mais justas entres as pessoas. 365 . a Igreja do Brasil. J. cit.2. Cf. com a intenção de concretizar as Diretrizes Pastorais contidas no PPC. A. p. A ERA DAS DIRETRIZES E DA APLICAÇÃO DE MEDELLÍN No inicio dos anos 70. ano XLVII. A DÉCADA DE 70: A AFIRMAÇÃO DE UMA IDENTIDADE ECLESIAL 2.2. 2. também. de preparação para a III Conferência do CELAM. cujo tema foi tão pertinente: “A justiça no Mundo”. Nesse sentido. Manzatto. Mas não se trata de qualquer política. São Paulo. p. Op. tomou um outro rumo. afirma que “a política é a forma privilegiada de viver a macrocaridade. Dele se conclamava para o mundo. Em decorrência disso. [julho/agosto] 2006. em Puebla. 249. n. Ib. as Comunidades Eclesiais de Base.1. e sim daquela que quer pensar o bem comum com base no mais fraco. reconhecendo sua dignidade e protegendo seus direitos”. MANZATTO. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. 4.

as Diretrizes eram uma versão melhorada da primeira e da segunda parte do PPC e o 3º PB correspondia a sua terceira parte. o Conselho Episcopal de Pastoral e. 393403. Como diz o Pe. QUEIROGA. QUEIROGA. 394. cit. definir certas áreas prioritárias de ação pastoral da Igreja no Brasil e elaborar diretrizes para essas áreas 369 . foi criado o CEP. a CNBB deixava para os Regionais e as Dioceses o campo mais metodológico dos planejamentos. Op. somente “em agosto. o que mais penetrará na ação QUEIROGA. Em seqüência a ele. Fato relevante na caminhada pastoral da Igreja no Brasil é a opção tomada em 1974. cf. na reunião da Comissão representativa. Limitou-se. G.122 Para tanto. Gervásio. Comunhão e corresponsabilidade. Para uma análise destes PB. Comunhão e corresponsabilidade. dois anos mais tarde. é que se vota o 1º Plano Bienal” 367 . trataram do assunto. 369 Para uma análise destes PB. na 14º Assembléia Geral ocorrida em Itaici entre os dias 19 a 27: Conservar as atuais diretrizes. e optou por uma sistemática mais flexível em nível nacional. F. Dessa forma. isto é. Na verdade. G. ou seja. CNBB. portanto. 398. CNBB. além disso. na década de 70. em 1971. com uma estrutura básica composta de um Objetivo Geral e seis linhas ou dimensões pastorais. em 1969. o mesmo objetivo e os seis objetivos específicos com as conseqüentes seis linhas. p. Em 1975. G. Op. cf. a oferecer luzes para o agir eclesial. quando da sua 10º Assembléia Geral. p. se formularam outros quatro PB que vigoraram até o inicio dos anos 80 368. foram publicadas as Diretrizes Gerais da Ação Pastoral juntamente com o 3º PB. cit. Comunhão e corresponsabilidade. cit. F. 368 367 . F. Op. reunidos em agosto do mesmo ano com a Presidência. em sua 12º Assembléia Geral. CNBB. p. reformulando suas justificativas com documentos e dados posteriores ao Vaticano II e enriquecendo-as com elementos de reflexão teológica e da experiência pastoral dos últimos anos e. procurou eleger os seus componentes que. Dessa nova forma pastoral embasada nas Diretrizes.

N. CNBB. A Igreja Católica no Brasil República: cem anos de compromisso (1889-1989). p. No que se refere aos Planos Bienais. 1975). São Paulo: Paulinas. pela libertação integral do homem. 371 Acerca do Regime Militar. nacional e internacional. WANDERLEY. Iniciativas como essas. 370 .123 pastoral da Igreja será o objetivo geral. p. 1973). A ação do episcopado brasileiro se faz sentir pelos seus vários documentos regionais. DGAP 1975-1978. é o do Cardeal Arcebispo emérito de São Paulo. 15). a CPT. Op. irromperam-se grandes iniciativas de ações pastorais em solo eclesial brasileiro como forma de aplicação de suas conclusões. Embora fosse aperfeiçoando o seu Objetivo Geral de acordo com essas realidades acima mencionadas. Queiroz. como parece no Objetivo Geral: “Evangelizar a sociedade brasileira em transformação a partir da opção pelos pobres. ou Pastoral Operária. cf. anunciando assim o Reino definitivo”. tais como a Pastoral Indiginista criada em 1972. São Paulo: Paulinas. LUSTOSA. (Documentos da CNBB n. São Paulo: Paulinas. 1979.E. Nas DGAP posteriores – 1979-1982. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. 1975. de maneira especial em São Paulo. como: "Ouvi os clamores do meu povo" (Nordeste. L. iniciada na Amazônia. cuja índole é marcadamente profética junto aos marginalizados e empobrecidos. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. 1972). "Não oprimas teu irmão" (Episcopado paulista. As Diretrizes Gerais da Ação Pastoral foram de quatro em quatro anos revisionadas de acordo com os documentos publicados. DE CAMPOS. a Igreja do Brasil mantém essa prática até nos dias vigentes. DGAP 1979-1982. a PO. 1981. tem-se a gênese da Pastoral do Menor. Também se verifica a atuação do episcopado nacional pela criação da Comissão de Justiça e Paz. devido a grande contingência de meninos e meninas de rua. surgem também as Cf. Cf. Dom Paulo Evaristo Arns. 4). 372 Cf. como é o caso de Puebla e Santo Domingos. (Documentos da CNBB n. sejam eles de natureza Pontifícia ou Continental. Comissão Pastoral da Terra. Editor. A. aquele que deve morrer" (Amazônia. Cf. visando à construção de uma sociedade fraterna. mantiveram também as seis linhas ou dimensões pastorais 370 . São Paulo e pelo Sul do País. "O índio. Nordeste. CNBB. São Paulo: T. 1977).F.). ou seja. numa crescente participação e comunhão. O. denominada CIMI372. Desafios da Igreja Católica e política no Brasil. 166-174. mesmo sob o contexto ditatorial iniciado em 1964 e recrudescido nos anos 70371. é clara e incisiva a influencia da EN e de Puebla. órgão de defesa dos direitos humanos e de denúncia frente à violência. mas estendida para todo o CentroOeste. Foram muitas as iniciativas. As seis linhas permanecerão como estão até o ano de 1995. cit. "Marginalização de um povo" (Goiânia. p. 1991. Pelo final dos anos de 1977. além do contexto social vigente. 463-470. Brasil: uma Igreja diferente. J. 1985) e principalmente um em nível nacional: "Exigências cristãs de uma ordem política" (CNBB. 123-147. Nos anos em que se seguiram a Medellín. Um nome fundamental no diálogo com a sociedade civil. presente em quase todos os planos diocesanos do país e o Esquema das seis dimensões.

] É Interessante ver como ela. Sendo assim. os esforços de renovação pastoral do Movimento para um Mundo Melhor e dos Planos de pastoral da CNBB . registra-se a origem no começo dos anos 60. com eficiência. L. a Igreja desenvolveu o seu grande projeto de “evangelização libertadora”. 596-615.124 “Pastorais da Saúde. dos Povos Nômades. ou seja. 392. Cf. Petrópolis. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. cit. contudo. 373 . o momento exato do surgimento da primeira CEB no Brasil.). Também. ao se opor. 375 LIBANIO. As CEBs no Brasil: cidadania em processo. cresceu em testemunho e profecia”. após o golpe militar de 1964. ou ainda do Movimento de Educação de Base. a “opção preferencial pelos pobres”. que se tornou para Igreja a sua bandeira. num grande esforço para que eles assumissem “cada vez mais seu papel de sujeitos da história” 375 373 . Op. In: REB. 211. são. 57. p. com precisão. dos Encarcerados. de dureza.C. mas. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. dos Sem Teto” característica deste momento. n. Op. O objeto pastoral mais eficiente para essa abordagem deu-se na irradiação das comunidades eclesiais de Base. J. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. lentamente. que. quanto afirma que num “tempo de repressão. sob influxo da experiência de catequese popular na Barra do Piraí (1956) ou do Movimento da Diocese de Natal. foram as CEBs 374. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. como espaço de rebeldia. dos Afros-descendentes.). C. da Educação. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. p.Plano de Emergência e Plano de Pastoral de Conjunto . da Mulher Marginalizada. 374 Para uma compreensão de sua gênese. cit. p. Gênese e consolidação da CNBB no contexto de uma Igreja em plena renovação. R. ela –a Igreja– situou-se como resposta. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. embora não seja uma invenção de Medellín. v. p. cit. O contexto sócio-cultural e eclesial brasileiro contribuiu para a eclosão das CEBs. M.J.. Não se pode negar a influência do esforço da Ação Católica na questão da cidadania. em torno dessas pastorais sociais e organismo..B. É difícil estabelecer. Em geral. Contudo. 132. sua glória e seu martírio. a Igreja foi colocando “os pobres no centro de todas as suas preocupações pastorais e teológicas”. Todas estas iniciativas tinham em seu bojo a opção fundamental de Medellín. 53. o seu resultado mais polarizador em toda a Igreja do Brasil. desenvolvimento e desafios. cf. a grande marca . BARROS. TEIXEIRA. Op. Alguns falam da gênese GODOY.e também a rearticulação da pastoral popular. [. [setembro] 1993. O testemunho de Luis Alberto Gomes de Souza é muito contundente.

Op. postulando a imagem da Igreja como sendo o Povo de Deus a caminho. É ainda necessário mencionar os movimentos mais amplos de renovação eclesial. e sancionados pelo Concílio Vaticano II. R. Medellín preencheu o imaginário eclesial com a temática da Libertação e Puebla. Parece que o elemento detonador das CEBs no Brasil foi exatamente a experiência única e marcante do Vaticano II.125 remota das CEBs nas experiências de iniciativa leiga do catolicismo popular que teve a sua marca original até a segunda metade do século XIX. O patrimônio da ação Católica é assimilado pela CNBB e. fizeram na América Latina. iniciados no início do século XX. já não tinha condições de continuar. Gênese e consolidação da CNBB no contexto de uma Igreja em plena renovação. cit. as CEBs foram o grande instrumento. Raimundo Caramuru Barros diz que: Podemos afirmar que as CEBs vieram como um substituto da Ação Católica. e mais tarde. surge uma nova maneira de ser Igreja. BARROS. com a evangélica opção pelos pobres.). Esse Concílio revelou seu potencial pastoral em sua abertura para o mundo e para a história e. sua densidade de reflexão. uma vez que esta. C. ao mesmo tempo. elas até respondiam a um problema que a Ação Católica nunca chegou a resolver. p. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. 376 . As CEBs resgataram esses filões através da releitura que a Conferência de Medellín. com a decorrência do Concílio. com os avanços do Concílio. 57. que era o da inserção nas paróquias. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. Todas essas influências não explicam completamente a gênese das CEBs no Brasil. de Puebla. Inclusive. para que os leigos participassem. De fato. na qual as CEBs vão se inserir plenamente 376.

há alguns elementos que. por exemplo. 411-417. porém. p. Esse espírito desencadeou a emergência de ministérios leigos que foram se multiplicando a partir das exigências da comunidade: há ministros da Palavra. o tema é o desemprego. cit. Cf. podem ser detectados 377. A propósito de um Documento da Santa Sé. Muitos serviços englobam mulheres e homens em clubes e pequenas organizações: hortas comunitárias. isto é. [junho] 1989. 49. do trabalho. as pessoas de uma comunidade estão situadas num território geográfico específico. J. luz. A participação e a discussão dos problemas em forma de assembléia caracterizaram muitas Comunidades de Base. ARIOVALDO. etc e a reorganizar a vida do bairro. tem-se certa dificuldade em encontrar traços homogêneos e constantes em todas as CEBs. v. alfabetização de adultos e. como água. há no final um compromisso concreto. ministros da pastoral da moradia. As experiências históricas mostram que. A metodologia participativa inclui a colaboração de todos na discussão. B. In: REB. foram essas comunidades que ajudaram a reivindicar serviços básicos. em geral. muitas vezes. É muito fácil que se conheçam e que estabeleçam relações e contatos. "Base" significa propriamente essa concentração de pessoas num povoado ou num bairro. que é assumido por todos: preparam-se cestas com alimentos básicos que são distribuídas aos desempregados. Na medida em que a vida comunitária se organizava foi introduzido também o culto dominical ou a celebração da Eucaristia 378. muitas vezes. 135. Um elemento é a territorialidade. Celebrações dominicais na ausência do presbítero.126 Pelo fato de estar difundida em quase todo o território eclesial brasileiro. n. p. Esses serviços destacam o compromisso das CEBs com os mais pobres e a relação conseqüente entre fé professada e LIBANIO. do menor. 194. ministros da Eucaristia. na solução e no encaminhamento concreto do problema. grupos de sustentação dos movimentos populares. Se. Op. A leitura e a reflexão sobre a Palavra de Deus é outro traço característico das CEBs. Petrópolis. 378 377 . Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. J. Muitas comunidades começaram como reuniões bíblicas que iluminavam a vida das pessoas. clubes de mães.

Esse fato representa uma oportunidade de envolver as dioceses do País e representantes de outras igrejas. Por fim. cujo objetivo é avaliar a caminhada. compromisso e caminhada revelam. as CEBs ganharam reconhecimento oficial por parte do Pontífice e declaradas como “destinatárias especiais da evangelização e ao mesmo tempo evangelizadoras” 379. Termos como justiça. Com o passar da caminhada. Op. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . Estes são encontros em que se reúnem os representantes das CEBs vindos de todas as partes do Brasil. no que concerne aos seus desvios e no que tange à atividade partidária. solidariedade. as CEBs. BEOZZO. foram visivelmente contestadas pela Cúria Romana. principalmente nos anos 80. O pobre não é visto como problema. Além disso. o horizonte para o qual as CEBs se deslocam é a prática concreta de Jesus e o sonho de realizar o Reino de Deus. A forma organizativa das CEBs deu-se com os Intereclesiais. Desde 1975 até hoje. 130. J.de Medellín a Santo Domingo. a vontade de implantar concretamente o Reino de Deus. assim como. É propriamente o compromisso com as camadas mais desfavorecidas da população que tornaram as CEBs profundamente ativas no campo social. de um lado. cit. a acusação de se tornarem uma “igreja” paralela à EN 58. o seguimento de Jesus e. foram realizados onze Intereclesiais 380. Nesta. mas como solução no processo de construção de uma nova sociedade. Impulso importante para a caminhada das CEBs deu-se no ano de 1975 quando Paulo VI publicou a Exortação Apostólica EN. O.127 vida concreta. de outro. 380 379 . fraternidade. p. os Intereclesiais cumprem a finalidade de ser memória viva da caminhada da Igreja.

COMBLIN apresenta esta problemática acerca das CEBs em relação às Paróquias. explica os caminhos pastorais trilhados pela Igreja latino-americana na década de 70 a aponta para os compromissos assumidos em Puebla. Também. Discurso Inaugural pronunciado no seminário Palofoxiano de Puebla de Los Angeles. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. 72-74. cit. p. exigindo para a primeira. [julho/agosto] 2006. no final da década de 70. [setembro] 1993. O Direito de Associação na Igreja. além da proliferação das CEBs. p. o compromisso com os pobres. cit. GODOY. Como conseqüência imediata do desenvolvimento da TdL é a criação do conceito Igreja da Libertação ou Igreja Popular. 5. Na verdade. 381 . 383 MANZATTO. Tendo suas raízes em Medellín. p. ano XLVII. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil.261. 1987. M.630. DP n. Neste ínterim. J. estava sob o signo da Libertação. Op. São Paulo. entende-se a fantástica produção de inúmeras pastorais sociais. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. A. Petrópolis. N. cujas preocupações centrais são “as comunidades eclesiais de base e as pastorais sociais” 384. em 1971. J. 384 LIBANIO. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. 391. Essa maneira de fazer teologia. já tinha alertado 382. J. de sua obra intitulada Teologia da Libertação. Leonardo Boff. a liberdade. JOÃO PAULO II. p. releitura dos conteúdos da teologia. cit. p.128 Igreja 381. v.138. São Paulo: Paulinas.262. 382 Cf. n. Op. n.).543. In: Vida Pastoral. 18-23. As Primeiras Conferências do CELAM. 98. foi objetivada primeiramente pelo Teólogo Gustavo Gutiérrez. autonomia. fato que Puebla. p. privilegiando os pobres. sobretudo por meio das comunidades de base. Toda a Igreja da América Latina. A Teologia da Libertação trabalha os pontos afirmados em Medellín: a aproximação fé-vida como caminho para viver o cristianismo. que vai se sistematizando aos poucos. DE CAMPOS. 53. No Brasil teve como maior expoente. quando da publicação. In: REB. 211. O interessante artigo do Pe. Op. em 28 de janeiro de 1979. In: CONCLUSÕES DA CONFERÊNCIA DE PUEBLA: Evangelização no presente e no futuro da América latina – Texto Oficial. México. é esse pensamento que conduz a Igreja da América Latina de Medellín a Puebla 383. 515.J. Também. 249. a ação política como forma de superar as atuais injustiças sociais.B. Brasil: uma Igreja diferente.

J. Um segundo grupo defendia a continuação com as decisões tomadas em Medellín. p. estava em jogo a trajetória que a Igreja da América Latina vinha percorrendo desde depois do Concílio até Puebla 386. 148. México. CF. 49. 385 . F. Petrópolis. Como já se sabe. 127-128. considerava o processo desencadeado por Medellín e colocado sob sua égide contaminado pelo marxismo e por uma visão deturpada de Igreja. aprofundando-lhes ainda mais as conseqüências nos diferentes campos. 386 LIBANIO. sem. p. também teologicamente condenável.C. ROLIM. Petrópolis. devido à morte dos dois Papa antecessores. Segundo o Pe. Puebla foi convocada por Paulo VI. Neoconservadorismo Eclesiástico e uma Estratégica política. porém. realizada em Puebla de Los Angeles. Memorandum de Teólogos da Alemanha Federal sobre a Campanha contra a Teologia da Libertação. PUEBLA: SINAL DE EQUILÍBRIO NA COMUNHÃO E NA PARTICIPAÇÃO Puebla.B. In: REB. mas realizada por João Paulo II. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. Propugnava profunda correção de rota teológico-pastoral da Igreja da América Latina. cit. 259-281. v. [junho] 1989.129 Ao final da década de 70. [dezembro] 1977. negar-lhe a inspiração profunda. reconfirmada por João Paulo I. n. No fundo. propugnando certa matização das opções de Medellín. diante de toda essa nova consciência eclesial emitida por Medellín.2. E um terceiro grupo procurava situar-se no meio. por razões sociais e teológicas. 194. a III Conferência do episcopado latino-americano. 788-792. In: REB. 37. surgiram centros de oposição confrontavam: 385 . entre os dias 28 de janeiro a 15 de fevereiro de 1979. Libanio. 2. por isso mesmo. v.2. Op. é o resultado de dez anos de intensa procura de consolidação das conclusões de Medellín. n. p. três tendências se Um grupo conservador.

De outro lado. Libanio. mas sem ignorar as incorretas interpretações por 387 388 Ib. diz: Três fatores eclesiais marcaram as decisões da conferência de Puebla: a pujante vida eclesial da América latina. dos direitos inalienáveis da pessoa humana” 388. a presença do papa João Paulo II. pois. de continuidade com a herança de Medellín. é clara a dupla posição do novo Pontífice: a primeira. quando com insofismável clareza. . Ib. socialistas e da segurança nacional. um divisor de águas. tem-se também a eleição do Papa João Paulo II que será. às vezes frágil e conflituoso entre essa tríplice influência básica 387. O documento será um equilíbrio. para a Igreja Latinoamericana. Quanto à expectativa de continuidade de Medellín. Deverá. Assumiam a defesa. tomar como ponto de partida as conclusões de Medellín. com valentia e sem regateios. O Pe. e a linha dominante do secretariado organizador da assembléia. com tudo o que tem de positivo. quanto caminhou a Igreja. p. afirmava “a gravidade da problemática social do continente. Essa III Conferência não pode desconhecer esta realidade. 128. aludindo a isto. manifestando reservas críticas às ideologias vigentes: capitalistas. além da sucessiva morte dos Pontífices. 128. recém-eleito.130 Como marca característica dessa terceira Conferência. p. refletia seus temores e receios diante de posturas extremas: Nestes dez anos quanto caminhou a humanidade e com a humanidade e a seu serviço.

p. DP n. declara que o caminho da evangelização passa necessariamente pelo víeis da promoção da dignidade humana 390. 629. 393 Cf.131 vezes feitas e que exigem sereno discernimento. 1261-1262. oportuna crítica e claras tomadas de posição 389. México. 390 Cf. consiste em ser mais e não em ter mais: DP 339. Brasil: uma Igreja diferente. II Desígnio de Deus sobre a América Latina. O que é: DP n. 331. na esteira da EN. é constantemente violada: DP n. 261. em 28 de janeiro de 1979. pelos Pobres 393 . torna possível uma Intensa vivencia da Igreja como Família de Deus: DP n. 630. 156. Julgar e Agir. e outra. N. quando os olha como tipo dos anwin. amadureceu muito e se multiplicou: DP n. Discurso Inaugural pronunciado no seminário Palofoxiano de Puebla de Los Angeles. p. 87-92. 92-102. Também. 1135-1165. Puebla ratifica as CEBs pelos Jovens 392 391 e faz duas opções preferenciais: uma. III A Evangelização na Igreja da América Latina: comunhão e participação. 640. O tema desta Conferência – Evangelização no presente e no futuro da América Latina . J. DP n.está em profunda sintonia com a Encíclica EN de Paulo VI. para disseminar qualquer tipo de ideologia a seu respeito. 41. 373. É conhecida pela revelação: DP n. promulgada quatro anos antes.1166-1205. 391 Cf. In: CONCLUSÕES DA CONFERÊNCIA DE PUEBLA: Evangelização no presente e no futuro da América latina – Texto Oficial. Nesse sentido. também nas grandes cidades: DP n. já consagrado em Medellín. 392 Cf. ou na Igreja “Popular”: DP n. A partir dele. Como valor evangélico: DP n.263. 239. São Paulo: Paulinas. Todo o Documento está estruturado segundo o método Ver. 648. Op. ou degeneram para a anarquia organizativa ou para o elitismo fechado e sectário: DP n. Op. seus frutos positivos: DP n. 641-643. Brasil: uma Igreja diferente.262. 1254. começaram a produzir frutos: DP n. acrescenta-lhe uma roupagem mais teológica do que ideológica. V Opções Pastorais. orientadas e acompanhadas: DP n. 316. O Pobre aqui não é JOÃO PAULO II. 96. atropelada. O Documento se desdobra em cinco partes. DE CAMPOS. reconhece-se sua vitalidade: DP n. devem ser promovidas.319-320. Jesus a restaura: DP n. sua fé deve ser a da Igreja universal: DP n. cit. cit. IV A Igreja missionária a serviço da evangelização na América Latina. constata que a desgraça da injustiça social é um pecado a combater. N. 97. a saber: I visão pastoral da realidade da América Latina. DE CAMPOS. No que diz respeito à opção pelos pobres. em 1975. ou vão perdendo seu sentido eclesial: DP n. J. Para tanto. Também. 98. 1987. 389 . 16. p. DP n. 648. em alguns lugares são manipuladas por políticos: DP n.

o Documento apresenta esses rostos 394. a mulher. cit. 3. Embora sua postura social tenha sido forjada anteriormente à década de 60 e 70.19801994 Esse terceiro período de nossa caminhada pastoral terá como marca profunda a influência do novo Pontífice João Paulo II395 com suas novas orientações. Nos números 31 a 49. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . enquanto criação. J. camponeses sem terra. seja pela aplicação dos conceitos renovadores e provocadores de Medellín. não sendo eminentemente original. mas como aquele que é explorado. O. Para tanto. principalmente no que se refere à ala progressiva da Igreja. jovens frustrados socialmente e desorientados. Em outros textos. A Igreja no Brasil. desempregados e subdesempregados. foi profundamente explorado e aplicado com profundidade. principalmente. sustentação e multiplicação das CEBs e de um suporte teológico. que. oprimido. uma consciência eclesial. uma identidade. viveu o seu momento áureo de vitalidade e de formação de uma nova e original identidade. ainda acrescenta os migrantes e as prostitutas. operários. marginalizados e aglomerados urbanos. como princípios constitutivos para uma autêntica e verdadeira libertação. menores abandonados e carentes.de Medellín a Santo Domingo. 224-225. como já alertara o Documento São eles: os Indígenas e afros-descendentes. aos desvios das CEBs. 394 . Op. crianças golpeadas pela pobreza. segundo o contexto vital da época. Puebla propõe para toda ação eclesial o princípio da “Comunhão e da Participação”.132 entendido como o necessitado. 395 Cf. p. só com o advento do Concílio Vaticano II e com sua aplicação em Medellín é que essa postura passou de ser de um grupo progressista para uma mentalidade. BEOZZO. seja pelos progressivos passos na esfera Pastoral Orgânica ou de conjunto. na década de setenta. O TERCEIRO PERÍODO: UM REPENSAR A SUA IDENTIDADE .

como bem afirma Mainwaring: “Entretanto. por fim. na passagem da década de 70 a 80. In: Vozes.de Medellín a Santo Domingo. O. as pressões dos conservadores contra a Igreja brasileira aumentaram e ela começou a se movimentar num ritmo mais cauteloso e se tornou um agente político de menor importância” 396. em boa parte devido à atuação decidida da delegação brasileira. Esse período será de grande tensão. Op. A DÉCADA DE 80: CONFLITO ENTRE MENTALIDADES 3.1. no que concerne à construção ou manutenção da Identidade eclesial. p.1. A RELAÇÃO ENTRE IGREJA DO BRASIL E A SANTA SÉ: CONFLITO DE PROJETOS A relação entre a Igreja do Brasil e a Santa Sé. por volta de 1982. 3. E a viagem do papa. em suas grandes linhas. 21. Igreja do Brasil e Santa Sé. BEOZZO. p. Como ponto conflitante ainda se situa algumas MAINWARIN:G. São Paulo: Brasiliense. Op. reafirmou as pautas centrais de Medellín. Como bem afirma o Pe. cit. Igreja Católica e Política no Brasil (1916-1985). S. 265. como a opção preferencial pelos pobres. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . “Puebla. eminentemente. 213. a Igreja do Brasil já começava a sentir esse clima conflitante com Roma. foi sentida como um apoio ao trabalho da Igreja do Brasil” 398. 398 BEOZZO. Beozzo. J. Desde o final da década de 70. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . essa forma de contenção é fruto já de Puebla e da visita do Papa ao Brasil. Também do mesmo autor. 397 396 . cit. J. Contudo. a TdL. Isto se deve.1. p. [janeirofevereiro] 1981. passou de um apoio e estímulo à contenção e intervenção. p. 224-225. quando da sua não aceitação do projeto “Jornadas Internacionais por uma Sociedade superando as dominações”.133 de Puebla e. ano 75. pelo caminho difícil de conciliação no que concerne à postura eclesial a tomar 397. Petrópolis. 1989. O.de Medellín a Santo Domingo.

[outubro] 1990. 293. Geral. 399 . elucida esse clima de desarmonia. 293-294. In: CM. n. Op.1041-1045. 16/07/1977 – SG. p. [julho] 1977. <http://www. n. p. fevereiro 1977. Dr. eram incompatíveis para o momento 399. No ano de 1969.. N. [março] 1982. 626-634. [fevereiro] 1977. Carta da Sagrada Congregação para os Sacramentos e o culto Divino a D. proibindo os bispos de participarem do Congresso Internacional Ecumênico de Teologia. Cândito.472/77”. cit. 6.> Acesso em 25/11/2006.134 posturas tomadas pela Igreja do Brasil.. p. In: CM. “Votações pela continuidade do projeto na XV Assembléia Geral da CNBB (Itaici. CNBB. Cf. In: CM n. 286. 11) São Paulo: Paulinas.)” In: CM. 1977. 401 Importante o testemunho do Bispo Dom Valfredo Tepe. 229. “Lançamento das Jornadas Internacionais por uma sociedade superando as dominações”. sob a presidência do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e do bispo metodista. Cf. segundo Roma. O. durante o dia e a noite. Cf.. a CNBB propõem este projeto a fim de “facilitar uma penetração mais plena da liturgia no coração desta gente simples. 2 de março de 1982. n. 354.]”. p. [outubro] 1976. 3. (O CELAM recusa sua adesão para “não aparecer como uma pressão sobre as Conferências Episcopais”). “jornadas (. Id. Apud BEOZZO. ano 39. p. é a intervenção de Roma. 30/09-28/10 de 1990). através de uma forma de celebração que seja mais adequada à cultura e às circunstancias que lhe são próprias”. p. In: CM n. n. (Informando sobre o andamento do projeto e as adesões Internacionais).cancaonova. V. 142 favoráveis. Cf. Este foi realizado entre os dias 21 de fevereiro a 1º de março em São Paulo. (Documentos da CNBB n. [julho] 1976. ponto 1.5. PADIN. Cf. 21 contra e 31 abstenções”. reflete acerca dos ministérios e vota pela possibilidade da ordenação de homens casados e da prestação de alguns serviços pastorais por parte daqueles sacerdotes que outrora haviam deixado o ministério 401 . Geral a eleição para os delegados para Medellín. 1649/81. “Circular aos presidentes das Conferências Episcopais latino-americanas sobre as Jornadas Internacionais (Rio de Janeiro. p-c. 400 Beozzo. “Circular do Presidente da CNBB (24/07/1976. Esse evento fora promovido pela Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT). J. na PUC. p. Outro ponto tomado pela Igreja do Brasil é referente á inculturação da Liturgia em meios às camadas sociais menos prestigiadas. 293. quando da sua 10ª Assembléia Geral em São Paulo400. CNBB. 865-866. p. n. 258.. p. 391-397.php. Roma. a CNBB. n.2 e 1. 1. 289. D. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . que. por carta endereçada a todos os bispos pela pessoa do cardeal Baggio.de Medellín a Santo Domingo. Diretório para missas com grupos populares. In: CM. 1332-1333. p. Ivo Lorscheiter – Roma. realizada entre os dias 8 a 17 de fevereiro de 1977. também. 298. para um público de mais de duas mil pessoas das CEBs. 402 Durante a XV Assembléia. Acerca da tomada de posição de Roma. n. 1498/76) sobre as ‘jornadas [. Cf. Fato marcante do início da década de 80 que. 8 a 17 fevereiro 1977). diante do déficit de sacerdotes. na página 214 da obra aqui citada faz referencia que foi na IX e não na X A. explicitamente. In: CM.com/portal/canais/especial/itaici2005/assegeral2. como os negros e os índios 402.445. TEPE. 194 votantes. no Sínodo de 1990 a respeito “dos porquês” dessa tomada de posição da Igreja do Brasil. Identidade do Padre na situação atual (Intervenção no Sínodo dos Bispos.

v. Carta aos bispos do Brasil de 10. não deixou de expressar sua profunda preocupação quanto aos possíveis desvios doutrinários e de horizontes. Contudo. num segundo momento.. 405 Cf.289. Porém. Fato relevante foi a chegada da Carta. Nela. cf. recorrendo diretamente ao Papa. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . num primeiro momento. Para uma leitura crítica deste acontecimento. referente à Identidade eclesial. Cf. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . 807-812.de Medellín a Santo Domingo. tece grande elogio à Igreja do Brasil por seu espírito incisivo e atuante na realidade social do país.. p.135 Paulo Ayres Matos. n. O documento completo pode ser apreciado no seu todo In Sedoc. 139. cit. cit. “Esperanças pelas firmes posições que o papa vinha tomando na defesa dos direitos humanos. J. o Cardeal Arns. Diante de tantos entraves. [março] 1981. BEOZZO. sua visita foi um paradoxo para ambas as tendências vigentes na esfera eclesial 405. In: COLLANTES. p. 404 BEOZZO.. temores pela sua orientação mais conservadora no campo teológicopastoral” 404. mas a edificação do Reino que começa aqui. muito embora viesse ao conhecimento do episcopado brasileiro somente em janeiro do ano seguinte.. A Fé Católica: documentos do Magistério da Igreja – Das origens aos nossos dias.12. a visita do Papa João Paulo II foi aguardada entre esperanças e temores. p. O. Petrópolis. . Op. datada de 10 de dezembro. a sua credibilidade e a sua eficácia verdadeira em todos os campos –se sua legítima atenção às questões sociais a distraísse daquela missão essencialmente religiosa que não é primordialmente a construção de um mundo material perfeito. 229-232. Op.não é menos certo que a Igreja perderia sua identidade mais profunda –e. 228-229. N. J. O. cit. pediu-lhe a continuidade por se tratar de um encontro ecumênico 403. com a identidade. p. J.1980. J.de Medellín a Santo Domingo. 13. 156-163. 7. depois da visita ao Brasil do Papa João Paulo II. 229. Dom Paulo teve que retirar o seu patrocínio por pedido do cardeal Baggio. DE CAMPOS. Brasil: uma Igreja diferente. 406 JOÃO PAULO II. 403 . Op.406. Rio de Janeiro: Lumen Christi. Contudo. Ib. p. n.

A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . realizada entre os dias 17 a 26 de fevereiro. Nela expressa sua perplexidade e de toda a Igreja do Brasil 409. a Igreja se deixasse dominar por contingências políticas. p. no dia 19 de janeiro. Dom Agostinho Casaroli. In: CM. Carta aos bispos do Brasil de 10. Op. pôde resolver todo esse impasse da melhor forma.12. In: COLLANTES. 408 Adendo à Ata n. n. n. p. cit.290. 341.1980. o Presidente da CNBB. 69. Ademais. Carta de Dom. 410 Cf. seus movimentos e suas comunidades à disposição ou a serviço de organizações partidárias 407. em tom praticamente desaprovador da conduta até então seguida pela entidade” 408. em Itaici e Indaiatuba. respondeu ao Papa em Carta datada de 14 de janeiro de 1981. o Presidente Dom Ivo apresentou um telex recebido do Papa em que reiterava a sua unidade com os bispos do Brasil 410. 20-21.de Medellín a Santo Domingo. XIX ASEMBLÉIA DA CNBB. Quando da abertura da XIX Assembléia Geral. 1. entre os quais. muitos outros pontos desgastantes formaram a agenda conflituosa dos anos 80 entre a Igreja do Brasil e a Santa Sé. 341. J. à CNBB. Contudo. 340. se tornasse instrumento de grupos ou pusesse seus programas pastorais. 68-70. em audiência com o mesmo e com o cardeal Casaroli. cujo remetente era o até então Secretário de Estado. também BEOZZO. em visita mais tarde ao Santo Padre. Nela. como JOÃO PAULO II. agora. A Fé Católica: documentos do Magistério da Igreja – Das origens aos nossos dias. três merecem maior destaque. a pretexto de atuar na sociedade. Adendo à ata n. 1 acerca da Reunião Privativa que precedeu à solene sessão de abertura da XIX Assembléia Geral da CNBB – 17/02/1981. n. 409 Cf. p. Dom Ivo Lorscheiter. Como resposta. 232-234. [janeiro] 1981. In: CM. [Fevereiro] 1981. Posteriormente. 407 . pois dava “diretrizes muito duras para a pauta e funcionamento da próxima Assembléia da CNBB. 7. Ivo Lorscheiter a João Paulo II .Brasília 14 de janeiro de 1981. Rio de Janeiro: Lumen Christi. ainda continua: Mais grave seria a perda de identidade se. p. outro dado que suscitaria grande conflito.136 Nessa mesma Carta. no dia 29 de dezembro. O. foi ainda recebida uma outra Carta. [fevereiro] 1981. J. n. dirigida. Cf. In: CM.

GUTIÉRREZ. Censura romana: Teólogo observará silencio obsequioso. n. Rio de Janeiro: Lumen Christi. Op. 7401ss.1986. A. v. que encerra a década de 80. 756-763. Godoy. A Fé Católica: documentos do Magistério da Igreja – Das origens aos nossos dias. p. In: COLLANTES. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . Teologia e Ciência sociais. MADURO. p. Op. [setembro] 1985. 237-266. Também. 774-780. 764-767. Em vista do novo Documento Vaticano sobre a Teologia da Libertação. p. Petrópolis. A Fé Católica: documentos do Magistério da Igreja – Das origens aos nossos dias. não sem. R. In: REB. Avanços e recuos no Documento sobre a Teologia da Libertação. p. 744-748. CASTILLO. p. tem-se a alocução do Papa aos bispos do Peru por ocasião de sua visita Ad Limina. a formação sacerdotal 412 e a nomeação dos bispos 413. Instrução sobre a Teologia da Libertação. J. A Instrução sobre a Teologia da Libertação se dirige a um intelector errado. 279-289. 411 . 781-792. BOFF.M. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. O. 7327ss. Luzes e sombras no texto Vaticano sobre a Teologia da Libertação. 768-769. Os dois princípios básicos no documento da Santa Sé. v. Na parte de Crônica Eclesiástica. CAVAZZUTI. Instrução Libertatis conscientia sobre a liberdade cristã e a libertação. um crescente fosso entre as duas alas bem marcadas: uma que incentiva a participação da Igreja na construção da sociedade democrática e outra que concretamente se fechava nos assuntos internos” 414. O. In: REB. de L. 726-735. p. 413 Ib. realizou-se em Roma um Sínodo extraordinário dos Bispos. G. 700-708. p. A Igreja não precisa recorrer a ideologias estranhas à fé. Da polêmica ao debate teológico – A propósito do livro Igreja: carisma e poder. p. 6. n. p. SANTA ANA. p. cit. 45. apesar de todo esse cenário conflituoso. pode ser apreciado entre outros estes artigos publicado pela REB: PALACIO. Na parte de Documentação. Subsídios para o estudo da Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação” (ITL). por ocasião dos vinte anos do encerramento do Concílio Vaticano II. p. p. p. 749-755. Os Cristãos e o Marxismo: um problema com história. convocado por sua Santidade o Papa João Paulo II. LA VALLE. A conclusão é clara: há duas correntes de interpretação e de aplicação no pós-Concílio. [dezembro] 1984. cit. Conforme o Pe. tem-se o relato do frei Leonardo Boff para esclarecer acerca dos pontos doutrinários do livro Igreja: carisma e poder: BOFF.137 apresenta o Pe. p. 845-852. L. C. LORCHEIDER. F. 770-773. mais Cf. 22. M. 736-743. J.). G.J. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. SCHILLEBEECKX. RICHARD. Rio de Janeiro: Lumen Christi. p. Na metade da década de 80. Minha convocação à Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé: um testemunho pessoal.691-694. cit. No que se refere ao caso Boff. C. Petrópolis. J. p. 835-839. A verdadeira refutação do ateísmo pela Teologia da Libertação. P. J. p. incluindo de modo especial o caso do frade Leonardo Boff 411. J. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ: Instrução Libertatis nuntius sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”. R. Algumas distinções necessárias na leitura do Documento sobre a Teologia da Libertação. H. 695-699. 166. 266-278. Op. porém. A primeira. Reações da opinião pública ao Documento do Santo Ofício. In: REB. n. 595-604. 261-288. L.8. 393-394. J. a Igreja do Brasil ainda foi “bastante vibrante. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. 793-817. Observações acerca da “Instrução sobre alguns aspectos da ‘Teologia da Libertação’”. Também. Petrópolis. p.de Medellín a Santo Domingo.1984. p. 414 GODOY.de Medellín a Santo Domingo. Observações a respeito da “Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação”. Beozzo: a controvérsia em torno da TdL. 412 BEOZZO. p. BOFF. Da mesma edição são todos os outros artigos que se seguem: ALMEIDA. p.3. 176. BEOZZO. a fim de fazer um balanço retrospectivo. p. E. n. L. O. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II . MUÑOZ. 44. ZIZOLA. n. In: COLLANTES. Nota sobre o marxismo da Instrução Vaticana. 179. RATZINGER. 709725. p. T.. R. BRASIL.

Com esse propósito de restauração. V. 23. a começar pelos papas João XXIII e depois do papa Paulo VI. 1985. do materialismo. constata um crescimento. promover um projeto de restauração418 da própria identidade eclesial. chegou-se a um processo progressivo de decadência sob a bandeira de um suposto ‘espírito do Concílio’ e desse modo o desacreditaram 417. após estas constatações por parte da hierarquia curial. “neste período da secularização. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. A Fé em crise: o cardeal Ratzinger se Interroga. do ateísmo. a Igreja por meio de sua estrutura assim como da proposta ministerial do LIBANIO. Ib. São Paulo: EPU. 157-158.B. p. MESSORI. mais conservadora. J. da indiferença. 416 415 . A segunda. 156. além de tecer uma lista de males advinda não do Concílio. Esperava-se um salto para frente. 417 RATZINGER. Os resultados que se seguiram ao Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos. mas de sua má interpretação. Tempos antes. Esperava-se um novo entusiasmo e. em vez disso. sobretudo na incorreta maneira de compreender-lhe a missão espiritual e a ação temporal” 416. p. É incontestável que os últimos 20 anos foram nitidamente desfavoráveis para a Igreja católica. Urge necessariamente. p. produzindo efeitos negativos no interior da Igreja. demasiadas vezes. o próprio cardeal Ratzinger expressava claramente esse clima pessimista do pós-Concílio: O Concílio Vaticano II encontra-se hoje numa luz crepuscular. 418 Ib. J.138 progressista que crê “pôr-se na esteira daquele espírito que soprou no Concílio e animou a renovação dos anos pós-conciliares” 415 . cit. p. Op. 155. 16. da injustiça no mundo. terminou-se no tédio e no desencorajamento. O papa e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica e em vez disso foi-se a um dissenso que – para usar as palavras de Paulo VI – pareceu passar da autocrítica à autodestruição.

Petrópolis: Vozes. Desse pressuposto teológico cristocêntrico. JOÃO PAULO I. In: REB. elabora-se o Catecismo da Igreja Católica. em suas expressões 420. que sintetiza. em que a disciplina fosse novamente restaurada no interior da Igreja. 194.139 Pontífice vai viver nos anos vindouros a partir da década de 80 um neoconservadorismo 419 . p. estruturada no pontificado de João Paulo II 423. Outubro de 1978. F. impinge-se a esse primeiro movimento o caráter cristocêntrico. vida interna da Igreja de tal modo que ela possa CF.Nova Evangelização. ROLIM. Osservator Romano. seja para os fiéis. 1-2. p. [junho] 1989. ed port. setembro de 1978. Op. a disciplina. Discurso de abertura da IV Conferência Geral do CELAM. 422 Cf. 259-281. Nova em seu ardor. deduzem-se duas conseqüências básicas. Uma primeira para o interior da Igreja. em vista do ano 2000. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. v. Osservator Romano. LIBANIO. Sente-se a necessidade de organizar as estruturas. todo o ensinamento fundamental da fé católica em termos atualizados e aceitáveis. 10. mas sim a uma evangelização nova. p. A necessidade de um projeto centralizador.C.B. o Projeto “Nova Evangelização” foi lançado no Haiti na XIX Assembléia do CELAM. já fora sentida a sua necessidade no final do pontificado de Paulo VI 421. JOÃO PAULO II. p. perpassando o brevíssimo pontificado de João Paulo I 422 e. de cunho universal. em seus métodos. 421 Cf. Promoção Humana e Cultura Cristã. Sob o signo da fidelidade à luz do Concílio. de maneira clara e precisa. A preocupação doutrinal pede que se tenha clareza sobre as verdades a serem ensinadas no interior da Igreja e sobre a mensagem a ser anunciada a todas as pessoas. 27. é claro. In: SANTO DOMINGO: IV Conferência Geral do CELAM. seja para a sua hierarquia. ed port. 419 . Primeira radiomensagem. Petrópolis. o mais importante e fundamental. 3. 49. 423 Cf. busca-se um ponto dogmático central. 1992. Esse Projeto de Restauração traz em seu bojo três movimentos circulares: Num primeiro. em torno do qual tudo deve girar. Neoconservadorismo Eclesiástico e uma Estratégica política. 420 JOÃO PAULO II. Mais adiante. 6. cit. 163. que desembocará na arquitetura de um Projeto Hegemônico não visando a uma reevangelização. Oficialmente. Logo de início. n. p. J.

Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. são direitos derivados. cit. p. A novidade desse projeto é a estrita vinculação de tais direitos com a pessoa de Cristo. Cf. E o terceiro movimento dirige-se para fora da Igreja. a Igreja adota posição destemida e intransigente de defesa dos direitos humanos. n. Como é característico desse período. É o movimento da ‘volta à grande disciplina’. principalmente em meios latinos. abri as portas a Cristo” 426. Pois. 3. Toda a temática desenrolar-se-á na IV Conferência do CELAM.B. p. cit. 426 Cf. RMi. J. 174-181. na verdade. J. eclesiológico. houve a tentativa de um projeto alternativo. Op. Nas pegadas da constituição pastoral Gaudium et Spes e em continuidade com o ensinamento social do magistério. Até lá. LIBANIO. cit. Op. A convivência desses dois projetos foi ora entre tensões. 166-181. 427 Cf. que assumiu nossa humanidade e história 424.B. visto que só uma Igreja bem estruturada – movimento disciplinar – e coesa em torno da mensagem de Cristo – cristocentrismo – e aberta aos problemas humanos – movimento social – pode clamar em alto e bom som: “Povos todos.B. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade.140 coesamente revigorar a fé de seus membros e cumprir a missão evangelizadora. p. ora em execução paralela 427. o Projeto integrador não foi totalmente aceito entre os ciclos teológicos e eclesiais. J. da encarnação do Verbo. sobretudo pontifício. Contudo. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. ocorreram muitas oposições e controvérsias dos dois lados. Op. 165. LIBANIO. em Santo Domingo. 425 424 . Os três movimentos têm como horizonte maior a Nova Evangelização 425 . LIBANIO. Para uma explanação do seu aspecto cristocêntrico. em última análise.

A 20ª Assembléia Geral realizou-se entre os dias 09 a 18 de fevereiro de 1982 em Itaici. ocupou-se de três428 Assembléias Gerais. São Paulo: Paulinas. A IGREJA DO BRASIL E A SUA ATUAÇÃO PASTORAL Neste ínterim. 1983. (Documentos da CNBB n. para poder aplicá-los à realidade vigente. oficialmente denominadas como dimensões.1. CNBB. à luz da opção preferencial pelos pobres. Assembléia Geral. visando à construção de uma sociedade mais justa e fraterna. houve renovação quanto ao seu Objetivo Geral: Evangelizar o povo brasileiro em processo de transformação socioeconômica e cultural. anunciar assim o Reino definitivo 430. em Itaici. A 19ª Assembléia Geral realizou-se em Itaici. percebe-se que a evolução da caminhada pastoral da Igreja não parou. surgiu o documento Catequese Renovada429 Em sua 21ª. Indaiatuba-SP. Iniciando a década de 80. numa crescente participação e comunhão. a partir da verdade sobre Jesus Cristo. Catequese Renovada: orientações e conteúdo. Desta análise. 429 Cf. além de publicar esse documento. a CNBB. também publicou suas novas Diretrizes Pastorais da Ação Pastoral para o quadriênio 1983-1986. 6. 430 CNBB. Nela se ocupou do tema: Catequese: Educação Permanente da Fé. 26). abordando o tema: Catequese: Apresentação do Roteiro para "Catequese Renovada". Indaiatuba-SP entre os dias 17 a 26 de fevereiro de 1981.141 3. 1983. Mantendo-se fiel às seis linhas ou. 28). pela libertação integral do homem. a Igreja e o homem. seja no social. DGAP 1983-1986.2. Nela se ocupou do tema: Catequese: Aplicação da "Catechesi Tradendae". mesmo diante de tantos conflitos internos e externos. realizado em 1977. com o intuito de abordar e estudar as orientações trazidas pelo Sínodo da Catequese. (Documentos da CNBB n. p. 18ª Assembléia Geral realizada entre os dias 05 a 14 de fevereiro de 1980. agora. 428 . São Paulo: Paulinas. Indaiatuba-SP. seja no plano eclesial.

1987. em contexto social. também. (Documentos da CNBB n. à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres. Família. econômica. 38). é. pela libertação integral do homem. de 1989. DGAP 1987-1990. visando formar o povo de Deus e participar da construção de uma sociedade justa e fraterna. CNBB. São Paulo: Paulinas. como já nos referimos acima. Leigos e Mundo do trabalho431. p. são as opções pastorais ou destaques pastorais: jovens. CEBs. numa crescente participação e comunhão. em sua 25ª Assembléia Geral – 22/04 a 01/05 – foram ainda publicadas as suas novas Diretrizes Gerais da Ação Pastoral para o quadriênio de 1987 a 1990. . 106-258. n. nesse aspecto: “Por uma nova Ordem constitucional”. mantêm-se as seis linhas. Como eco desses dois documentos. de 1986. O primeiro foi estudado e elaborado na 24ª Assembléia Geral – 9 a 18 de abril – e o segundo. a Igreja e o homem. uma maior aplicação das conclusões de Puebla. Ib. É desse período. publicado pela CNBB em 1977 o documento: “Exigências cristãs de uma ordem Política”. ainda. a Igreja do Brasil procurou ser um sinal profético. Cf. Percebe-se também. No final dessa década. anunciando a plena verdade sobre Jesus Cristo. Como de praxe. uma vez que a sociedade brasileira estava passando por sua etapa de redemocratização. sinal do reino definitivo 432. 9. e “Exigências éticas da Ordem democrática”. Vocação e Ministérios.142 Fato interessante a partir desta. Desse período. Também. mas o Objetivo Geral é modificado: Evangelizar o povo brasileiro em processo de transformação social. política e cultural. dois documentos denotam à contribuição da Igreja. na 27ª Assembléia Geral de 5 a 14 de abril –. 431 432 Cf. toda a controvérsia acerca da Teologia da Libertação.

foi publicado o Documento 43 “Animação da vida Litúrgica no Brasil”. da política e da cultura. tais como: meios de Comunicação. organizados nas suas mais diversas instituições da sociedade civil. Godoy afirma: Com o fortalecimento do processo de abertura política somado às novas orientações eclesiais. nossos bispos tomaram como tema central a ser discutido. em 1987. e a publicação da Exortação “Christifidelis Laicis” de 1989. Os leigos. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. em sua 26ª Assembléia Geral. Cf. (Documentos da CNBB n. 1988. M. 40). Juventude e Família 433. em meados da década de 1980. 394. Nesse sentido. principalmente no que tange à compreensão da Igreja como Comunhão. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. preocupada com a aplicação litúrgica após os primeiros vinte anos da promulgação da Sacrosanctum Concilium. Este traz consigo grande influência do Sínodo Extraordinários dos Bispos. São Paulo: Paulinas. no mundo do trabalho.143 Da mesma forma como a anterior. 150-242. como fruto de suas reflexões como Documento 434 . n. cit. vão ganhar novo espaço. 435 GODOY. Ib. vai diminuindo sua missão social. Conscientes da abrangência do tema. garantirem os seus direitos 435. Cf.). a questão da “Igreja: Comunhão e Missão”. No ano seguinte. a Igreja no Brasil. p. mas com grande convicção de que ele poderia colaborar para o fortalecimento da comunhão eclesial e a renovação da experiência de fidelidade a Deus Trindade. Op. depois de grande pesquisa feita pela linha 4 – dimensão Litúrgica – em sua 27ª Assembléia Geral de 05 a 14 de abril de 1989. Igreja: Comunhão e Missão na evangelização dos povos. Encerrando a década de 80.J. principalmente. CNBB. têm-se aqui alguns destaques. dizendo que agora chegou a vez dos próprios leigos. é taxativo o que o Pe. de 13 a 22 de abril. 434 433 . Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. foi publicado. devido à realização do Sínodo sobre os Leigos. a partir deste choque de projetos e identidades.

450. 450. n. Ano 40. 59-67. n. Fato importante é a introdução do lema: “Jesus Cristo ontem. 6 de 15 de abril de 1991. p. 450.2. 60-61. por se tratar de sua última formulação das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral. 4-8. 524-526. Apesar do batismo e de certa Cf. 25-31.498. 515-518. In: CM. hoje e sempre”. 18-21. 121-129. 113-136. [abril] 1991. 9 de 18 de abril de 1991. n. In: CM. ressalta-se a importância e. n. 450. n. 3. Ata n. expressando a sintonia com a próxima Conferência Episcopal Latino-Americana em Santo Domingo. percebe-se também uma evolução nos contornos ideológicos em que a sociedade estava sendo moldada. a urgência da “nova evangelização” e a seguinte prioridade: “o trabalho evangelizador e missionário dirigido aos católicos não praticantes. marco decisivo na compreensão da Evangelização e Cultura.509514.1. 15. Ano 40. 83-95. como também por ser o período em que se realizaria a IV Conferência do CELAM em Santo Domingo. ao mesmo tempo. n.500. Nesse novo Documento. 10-40. Ata n.478-484. 436 . a fim de melhor explicitar a Verdade da Fé e penetrar numa sociedade pluralista e secularizada o Evangelho de Jesus Cristo. [abril] 1991. In: CM. A PRIMEIRA METADE DA DÉCADA DE 90 A primeira metade da década de 90 é para a Igreja do Brasil um marco. 118. [abril] 1991. 7 de 16 de abril de 1991. Esse contorno ideológico é fruto da modernidade. 34-41. 99-104. Ata n. 87. [abril] 1991. p. 42-46. assim.144 De toda essa evolução na pastoral eclesial. 132-144.492-493. n. 11-12. Ano 40. 8 de 17 de abril de 1991. 9. a maioria da população. 507. p. Ano 40. 43-44. realidade esta que será abordada a partir das próximas Diretrizes. AS DGAP E A PRIMEIRA METADE DA DÉCADA DE 90 PARA A IGREJA DO BRASIL As novas Diretrizes Pastorais elaboradas para o quadriênio 1991-1994 estudadas e publicadas na 29ª Assembléia Geral436 de 10 a 19 de abril em Itaici traz em seu bojo uma ampla consulta aos agentes e organismos de pastoral e às dioceses. In: CM. p. 80.2. Ata n. 3. n.

8º) a pastoral da juventude. In: CM. p. sou seja. p.8% responderam ao questionário. etc. As novas Diretrizes Pastorais estão situadas num vasto cenário doutrinal. 45). 2º) a pastoral social. Petrópolis. n. São Paulo: Paulinas. 5º) as vocações. n. 61. 438 437 . [abril] 1991. eles se acham. 200. a publicação da Encíclica missionária Redemptoris Missio de João Paulo II. em âmbito nacional destaca-se a criação da “Assembléia Nacional dos Organismos do Povo de Deus”. cuja insistência recaía sobre a temática da “Nova Evangelização” 439. Para os próximos anos. 440 CNBB. 469-472. PARKER. (Documentos da CNBB n. que teve como último prazo para a devolução o dia 20 de agosto de 1990. n. A. 450. Em nível continental. Ano 40. Para a sua preparação foi elaborado um documento de consulta440. 8. São Paulo: Paulinas. 151. 3º) a pastoral urbana. de fato. afastados da comunidade eclesial ou só ocasionalmente dela se aproximam” 437. em 1991. 1991. Os textos podem ser obtidos em sua Integra In: CM. v. Por fim. Desafios ao Cristianismo nos 500 anos de Evangelização na América Latina. no que tange ao cenário doutrinário. 59-61. 7º) a questão da terra. [dezembro] 1990. Ano 40. “Plano Collor (ou o Terceiro Cruzado)”. F. 4º) a formação de líderes/agentes de pastoral. ou seja. fizeram com que a Igreja repensasse sua postura evangelizadora 438. São Paulo: Paulinas. p. n.950-955. In: REB. 450. [abril] 1991. 45). 1991. Sociedade Brasileira e Desafios Pastorais. 616-637. Ata n. 50. Cf. (Documentos da CNBB n.145 religiosidade. 441 Na Assembléia Geral foram apresentados dois textos: o primeiro de IVERN. “Além da conjuntura: a missão profética da Igreja” e o segundo e ABREU. 439 Cf. facilitando a participação de membros de todos os segmentos na vida e na construção da Pastoral. segundo as respostas dadas e tabuladas. tem-se. 18-40. as realidades que estão merecendo maior preocupação são: 1º) o crescimento das seitas. cuja finalidade última era: avaliar o quadriênio passado441 com as respectivas contribuições das 244 circunscrições eclesiásticas. G. p. cujo tema seria a Evangelização. no ano de 1990. CNBB. DGAP 1991-1994. Destas. n. 6º) as CEBs. C. 4 de 13 de abril de 1991. 1990. enquanto Magistério Pontifício. Também foi retomada esta avaliação. a proximidade dos 500 anos de evangelização e a IV Conferência. DGAP 1991-1994. CNBB.

Estruturalmente. Não 3. Petrópolis. há apenas a mudança de nomenclatura de duas dimensões.146 Merecem maior atenção: 1º) a família. Com emendas 12. 70. Não 137. comunitária e social. 50. n. II As Dimensões da AMADO. n. In: CM. p. Em branco 31. [dezembro] 1990. o documento está dividido em duas partes. Participação na sociedade (linha 6) 2º. ou seja. Não 108. Acrescente-se nova dimensão: Sim: 9. 4º) fome e desemprego 442. Em branco 103. 45). W. [abril] 1991. 444 CNBB. Evangelizar: missão da Igreja. 2º) pastorais específicas. REB. 567. Não 16. Na Assembléia ficou assim determinado: permanecem as 6 atuais dimensões: Sim: 232. 957. O resultado foi surpreendente: as respostas pediam a seqüência das seis linhas da seguinte maneira: 1º. sendo a primeira direcionada a dissertar acerca dos “Horizontes da Evangelização”. p. Diálogo religioso e missionário (linha 2) 3º. (Documentos da CNBB n. a partir da perspectiva pessoal. A segunda parte está subdividida em cinco Capítulos: I. v. acerca do melhor modo de viabilizar as seis dimensões ou linhas pastorais. 958. 200. 1991. São Paulo: Paulinas. Com emendas 6. no documento em si. 3º) a catequese. DGAP 1991-1994. p. a linha 3 passava a ser denominada de “bíblico-catequética” e a linha 6 de “Sócio-transformadora” 444. Em branco 103. Reformule-se a ordem: Sim: 24. 450. Preparação das Diretrizes Gerais da ação Pastoral da Igreja no Brasil – 1991-1994. Com emendas 8. Liturgia (linha 4) 6º Comunhão eclesial (linha 1) 443 Contudo. Com emendas 11. Ano 40. Diálogo ecumênico-cristão (linha 5) 4º. Outro dado importante nessa preparação é o que se refere à pergunta do texto de consulta nos números 79 a 96. Catequese e formação cristã (linha 3) 5º. Em branco 4. Permaneça a atual ordem: Sim: 201. 443 Ib. 442 . cf. n.

em comunhão fraterna. A evolução deste Objetivo Geral pode ser consultada In: CM. o Pluralismo cultural e religioso 448 e as contradições sociais e suas causas estruturais. [abril] 1991. Na sociedade brasileira. como nos apresenta o seu Objetivo Geral. V Os Evangelizadores 445. 477-491. devido à mentalidade evangelizadora irradiada por todos os lados. a caminho do Reino definitivo 447. apresenta três pilares concomitantes entre si: Relatório dos grupos e propostas da Comissão: In: CM. ficando assim: A Assembléia definia destaques nacionais: Sim: 92. a fim de poder posicionar-se diante da modernidade como resposta evangélica. Com emendas 4. As Diretrizes falam da Modernidade a partir de três aspectos principais: o Individualismo. n. 567. seja em nível teológico-pontifício. n. a modernidade invadiu a vida urbana e também a rural por meio das mass mídia. ata n. n. In: CM. 680-682. 573-591. [abril] 1991. a serviço da vida e da esperança nas diferentes culturas. 446 445 . Cf. testemunhando Jesus Cristo. a retomada do ardor missionário. In: CM. p. p. 450. Durante a Assembléia Geral foi votado acerca desse tema. para formar o Povo de Deus e participar da construção de uma sociedade justa e solidária. p. O Documento 45. 1991. Como forma de atuação da Igreja. III Mudanças na sociedade e desafios à Evangelização. Ano 40. DGAP 1991-1994. seja em nível continental. 450. IV Novas acentuações na Evangelização. 448 Cf.147 Evangelização. 574-580. A apresentação de Dom Aloísio Sinesio Bohn durante a Assembléia Geral. (Documentos da CNBB n. Em branco 40. 450. Para tanto. [abril] 1991. afirma que é necessário. impulsionou a Igreja do Brasil a uma nova evangelização. Este tema foi abordado pelos bispos durante a Assembléia Geral: cf. à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres. Não 112. 450. 447 CNBB. n. 7 de 16 de abril de 1991 In: CM. 450. [abril] 1991. [abril] 1991. 3. p. p. 45). Ano 40. n. São Paulo: Paulinas. Diferentemente das antecessoras. Ano 40. não traz opções ou destaques pastorais446 emitindo apenas o seu Objetivo Geral: Evangelizar com renovado ardor missionário. n. Ano 40. uma maior e efusiva ênfase na centralidade da Pessoa de Jesus Cristo. Ano 40.

450. São Paulo: Paulinas. 450 Foi discutido na 31º Assembléia Geral realizada entre os dias 28 de abril a 07 de maio de 1993 em Itaici. Sócio-transformadora: votantes 227. 452 Cf. Indaiatuba. realizadas dentro de uma nova e envolvente metodologia. 9 de 18 de abril de 1991. Cf. n. Promoção Humana e Cultura Cristã” já era destaque nos documentos e em reuniões em todo o Brasil. que se realizaria em Santo Domingo. 46). p. DGAE 1995-1998. É desse momento também a publicação de dois documentos: Doc. (Documentos da CNBB n. 54). Igreja e Sociedade” 449 de 1992 e o Doc. a Igreja da América Latina encontrava-se num dilema: Foi discutido na 30º Assembléia Geral realizada entre os dias 29 de abril a 08 de maio de 1992 em Itaici. 525. até mesmo porque. Ademais. Nesta ocasião. Na Assembléia Geral ficou assim determinado: Bíblico-catequético: votantes 227. 3. Ata n. a favor 163. 47 .“Educação. 124. Ano 40. a vivência comunitária e a variação nas formas de expressão eclesial e a presença e atuação mais viva da Igreja na sociedade. acontecia a IV Conferência do Episcopado Latino-Americano. Todo esse investimento pastoral da Igreja do Brasil é devido às expectativas que a IV Conferência Episcopal. In: CM. 1991-1992. A CONFERÊNCIA DE SANTO DOMINGO Entre os dias 12 a 28 de outubro de 1992. [abril] 1991. 11º Plano Bienal dos Organismos nacionais. CNBB.148 valorização da pessoa e da experiência subjetiva. Diante dessa sociedade. são iniciadas as “Semanas Sociais Nacionais”. na Cidade de Santo Domingo. 451 Cf. n. Cf. n. seu tema “Nova Evangelização.2. CNBB. Ano 40. 525. 50 – “Ética. n. 58-61.2. dilacerada pelos efeitos da Modernidade. 450. Indaiatuba. 1995. [abril] 1991. n. Pessoa e Sociedade” 450 de 1993. o que parece ser um sinal da necessidade de uma preparação mais adequada para os novos desafios da evangelização 452. p. Ata n. percebe-se ainda uma profunda crise ética. (Documentos da CNBB n. São Paulo: Paulinas. 9 de 18 de abril de 1991. a favor 197. 127. 449 . In: CM. Importante também ressaltar que os PB de 91-94 451 deram especial atenção às dimensões comunitário-participativa e bíblico-catequética. estava suscitando.

275286. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. C. vinha alimentando um modelo de Igreja progressista e da libertação desde Medellín (1968 e Puebla (1979). J. em Santo Domingo. Se a influência da Santa Sé. 305-337. [julho/agosto] 2006. em Puebla. Op.p. a reafirmação da opção preferencial pelos pobres. Também.B. a esse respeito. 50. sem hesitações e contradições. p. Manteve muitos elementos do projeto LIBANIO. foi. 7. J. que a Conferência não encontrou “eco imediato nas Igrejas do continente – e Santo Domingo permanece como que apêndice na vida da Igreja Latino-americana não tendo a influência eclesial desempenhada pelas duas Conferências antecedentes” 454. 181-2. [junho] 1990. é perceptível. No que tange à abordagem sobre a cultura. BOFF. o Protagonismo dos leigos e a temática da cultura. MANZATTO. Para onde irá a Igreja da América Latina? In: REB. Como pontos importantes dessa Conferência. conforme afirma o Pe. v. 198. São Paulo. n. velada. p. O tema “Nova Evangelização. Op. In: Vida Pastoral. 455 Acerca das lacunas de Santo Domingo. cit. Manzatto. Diante de todo esse contexto conflituoso de projetos. europeus e norte-americanos com ressonância no próprio continente 453. BEOZZO. já era evidente. O. Petrópolis. o documento não leva em consideração a temática sobre a inculturação. haja vista que toda a preparação ficou a cargo de Roma. p. A. A Igreja do Brasil: De João XXIIII a João Paulo II .de Medellín a Santo Domingo. cit. cf. As Primeiras Conferências do CELAM. 249. n. destacam-se as questões a respeito da promoção humana. Promoção humana e Cultura Cristã” alinha-se a esse projeto hegemônico. percebe-se que Santo Domingo não significou um alinhamento da Igreja da América Latina ao projeto hegemônico da Nova Evangelização. ficando marginalizada mesmo após o seu término 455.149 De um lado. porém. Cf. ano XLVII . não. de certa forma. bem orquestrado e apoiado por amplos setores eclesiásticos romanos. Em conseqüência disso. percebia-se envolvida pelo projeto hegemônico da “Nova Evangelização’. 454 453 . De outro lado. M.

785-6. 10 de 19 de maio de 1995. Cf. Inicialmente. 41. conseqüentemente. 491. p. AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA: UM NOVO ENFOQUE ECLESIAL Como fato marcante e decisivo nessa segunda metade da década de 90 é a mudança de nomenclatura das Diretrizes Gerais. 456 457 LIBANIO. Ano 44. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. 4. nossos bispos. n. Ata n. cit. Talvez. colocando a sua caminhada pastoral em profunda sintonia com o projeto arquitetônico de Evangelização. já há muitos sinais de que a Igreja do continente se molda por uma tendência crescentemente conservadora e restauradora 456. dará um novo enfoque às suas Diretrizes. essa mudança foi sentida apenas como tom ortográfico. ao aprovarem tal mudança. a partir de 1995. In: CM. QUARTO PERÍODO: A DEFINIÇÃO DE UM PERFIL ECLESIAL: COMUNHÃO E MISSÃO 4. p. Op.1. de forma explícita na Carta apostólica Tertio Millennio Adveniente. não imaginavam a profundidade de tal evolução eclesial. de 10 de novembro de 1994. Essa influência é por demais sentida pela Igreja do Brasil que. . no conjunto. [maio] 1995.150 configurado em Medellín e Puebla. J. n. Essa mudança é conseqüência de três acontecimentos: o projeto “Nova Evangelização” com os sucessivos apelos Pontifícios. que se passa de Ação Pastoral para Ação Evangelizadora.B. a própria realidade eclesial vigente 457. 183. a realização do V COMLA no Brasil e. No entanto.

n. 460 CNBB. As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 459 foram aprovadas na 33º Assembléia Geral da CNBB. p. p. [maio] 1995. 29-36. 491. 491. entre os dias 10 a 19 de maio de 1995. 750. p. São Paulo: Paulinas. a caminho do Reino definitivo 460. 58-62. 15. HOJE E SEMPRE Em preparação ao seu Jubileu do ano 2000. 19-26. 7-31. sendo a primeira. 1995. (Documentos da CNBB n. 6 de 15 de maio de 1995. n. 6. testemunhando Jesus Cristo. 54). Ata n. Ano 44. n. à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres. Ata n. para formar o Povo de Deus e participar da construção de uma sociedade justa e solidária. n. 491. a serviço da vida e da esperança nas diferentes culturas. DGAE 1995-1998. 491. Ano 44. [maio] 1995. [maio] 1995. DGAE 1995-1998. 7. p. O enfoque maior dado à Evangelização é pertinente à constatação que o Pe. 64-70. 4 de 13 de maio de 1995. Ano 44. 10 de 19 de maio de 1995. 45-53. In: CM. p. 76-84. 1995. donde apenas 23% consideravam válidas as Diretrizes anteriores. Ano 44. 43-60. 8 de 17 de maio de 1995. Cf. 783-784. In: CM. Somente 3% pediam uma redefinição das mesmas 458. Ano 44. 778-781. n. CNBB. In: CM. 12. 33. n. contra 72% que afirmavam a continuidade. 7-8. Ata n. n. n. sob a proteção da Mãe de Deus e nossa. 54). 754-757. 491. Ata n. queremos: Evangelizar com renovado ardor missionário. 33-35. p. In: CM. na força do Espírito que o Pai nos enviou. n. n. 459 458 . explicitação do seu objetivo e a segunda parte apresenta os caminhos da Evangelização subdividida em cinco Capítulos. [maio] 1995. O Objetivo Geral permanece o mesmo. O documento é composto de duas partes. Antoniazzi fez quando de sua apresentação do texto sobre as Diretrizes: “percebe-se que 80% Cf. JESUS CRISTO ONTEM.151 As novas Diretrizes foram elaboradas diante do urgente apelo demonstrado pelas respostas de consulta de todas as dioceses. São Paulo: Paulinas. mas com reformulações. [maio] 1995. In: CM. (Documentos da CNBB n. 36-52. embora precedido por uma introdução que evidencia o horizonte da Igreja no que concerne à celebração do grande Jubileu. 768-775. n. 9 de 18 de maio de 1995. em comunhão fraterna. Ata n.

490. Mas salientou que as 6 dimensões estão sendo submetidas à crítica. 3 da 38ª Reunião da Presidência e do CEP de 27 de abril de 1995. 5. no “último censo. [abril/maio] 1995. p. De qualquer forma. Avaliação do Plano de Pastoral: Quadriênio 1991-1994. p. n. 465. 1995. n. Sendo assim. de agora em diante.152 das atividades se concentram nas dimensões 1 e 3. para uma visão de sua inserção em todas as estruturas e ações de evangelização 462. 489. Dos 75% que se declaram católicos. n. 465-466. 173-286. Dom Luciano. p. Ata n. p. 550. 25% da população declarou-se não católica. n. [abril/maio] 1995. A outra metade possue uma formação muito frágil que a deixa à mercê da influência da variada gama de seitas e movimentos religiosos” 463 . 3 da 38ª Reunião da Presidência e do CEP de 27 de abril de 1995. Ano 44. “concordou que o enfoque seja mais evangelizador que pastoral. n. diálogo. São Paulo: Paulinas. (Documentos da CNBB n. no que se refere à organização da Dimensão Missionária. 466. 490. DGAE 1995-1998. A essa constatação propõe-se. 54). Ata n. o próprio Presidente da CNBB. [março] 1995. Ano 44. a superação de uma mentalidade que a enxergava simplesmente como uma pastoral a mais. em 4 exigências irrenunciáveis para uma evangelização inculturada: serviço. 5. A dimensão missionária está fraca e a dimensão ecumênica encontra-se praticamente ausente” 461 . 228-283. realizada entre os dias 14 a 23 465 . 464 Ata n. fala-se. n. n. talvez menos da metade sejam praticantes. 465 CNBB. 490. 461 . 463 Cf. em sua 37º Assembléia Geral. A realidade do Brasil. 462 Cf. In: CM. n. conforme consta em ata da CNBB. por isso será preciso explicar a mudança e também elaborar uma pedagogia de transição que mostre a relação das 5 palavras com as seis dimensões” 464. In: CM. o texto publicado do documento 54 traz esta inovação: ao invés de seis Dimensões ou linhas. A Liturgia praticamente empata com a pastoral social. In: CM. Ano 44. 5. anúncio e testemunho da comunhão Esta nova nomenclatura mostra a incidência do Documento de Santo Domingo 466. Cf. 3 da 38ª Reunião da Presidência e do CEP de 27 de abril de 1995. [abril/maio] 1995. Ano 44. Quatro anos mais tarde. In: CM. 466 DSD n.

p. Ano 48. 658-673. São Paulo: Paulinas. n. 470 CM. Ano 48. 471. Como fruto ainda da referida Assembléia Geral. pode ser consultada no discorrer das 10 atas publicadas. São Paulo: Paulinas. anúncio e comunhão’. em Itaici. 1999. 530. aceitas pela Comissão de Redação’ (61/37 AG (sub)). A votação por Capítulo pode ser consultada In: CM. p. Ano 48. Indaiatuba.54. Justificou a aceitação ou não das emendas propostas” [. ou seja. In: CM. 467 . com autentica inspiração cristã. entre os dias 22 de abril a 1 de maio de 1998. In: CM. p. especialmente as conclusões do Sínodo para a América. porém enriquecidas com os últimos Documentos Pontifícios. de toda a ação evangelizadora. [abril] 1999. n. 530. fala-se de celebração. diálogo. In: CM. Cf. “Padre Antoniazzi comunicou o resultado da votação dos parágrafos das Diretrizes Gerais. [abril] 1999. foi publicado o Documento sobre a “Missão e Ministérios dos cristãos leigos e leigas” 470 . p. foi votada a permanência das mesmas Diretrizes 467 . mas também dos 500 anos de evangelização 469. 530.12-13. Votaram 241 bispos. 50. p. n. 387-459. (Documentos da CNBB n. Missão e Ministérios dos cristãos leigos e leigas. 62). A abordagem. sem jamais descuidar da presença no mundo.. o seu Objetivo foi alterado somente no que tange à sua introdução: em vez de preparação. p. 7. 8 de 21 de abril de 1999. 530. 445. Ademais. 445. Indaiatuba. 471 CNBB. e levando em conta sua própria experiência pastoral e a realidade social 468 . tendo como intuito celebrar os dez anos da Christifidelis Laici e de realizar o ensejo de maior engajamento e de Protagonismo dos Leigos como propõem as conclusões de Santo Domingo e as próprias DGAE. Alguns propuseram emendas. no coração dos dramas humanos. O seu objetivo maior é postular Diretrizes para que os leigos participem. 6. [abril] 1999. 530. Ano 48. por completo.] “Dom Raymundo Damasceno submeteu o texto das ‘Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil’ à votação que recebeu aprovação por unanimidade e muitos aplausos”. [abril] 1999. Esta exige ‘serviço. 469 Ib.. Ano 48. 61). Ata n. n. que o Papa propôs na Exortação Ecclesia in América. 468 CNBB. e sem nunca deixar de haurir o espírito de Cristo na palavra do Evangelho. n. n.153 de abril de 1999. realizada em Itaici. 1999. de toda a missão da Igreja. A abordagem por completa pode ser consultada no discorrer das 10 atas publicadas. na celebração da Liturgia e nos encontros com as pessoas humanas. fruto dos estudos realizados na 36ª Assembléia Geral. (Documentos da CNBB n. DGAE 1999-2002. [abril] 1999. n. especialmente dos pobres e sofredores. não somente do Jubileu. p. Comentou o texto ‘Emendas’ à última redação das Diretrizes Gerais. 387-459.

um sacramento. cit. 4-5. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. O quadro abaixo visibiliza o esquema catequético-litúrgico do PRNM 474: 1996 1997 ano B 1998 ano C 1999 ano A 2000 Santíssima Trindade Deus Pai Espírito Santo Jesus Cristo Evangelho de Marcos Evangelho de Lucas Evangelho de Mateus Evangelho de João ANO DA SENSIBILIZÇÃO Sacramento do Batismo Sacramento do Crisma Sacramento da Penitencia Sacramento da Eucaristia Virtude da Esperança Virtude da Caridade CF. p. na 34º Assembléia Geral – 17 a 26 de abril.4849. de forma especial.154 4. A execução do PRNM foi. p. 472 . sobre a Educação Virtude da fé CF. n. M. cuja finalidade era iluminar uma área de direitos humanos a ser resgatada. [abril] 1996. p. 500. Ver principalmente os n.). sobre o Trabalho CF. ou seja. 639-642. Ano 45. In: CM. foi lançado para todo o Brasil o Projeto de Evangelização da Igreja do Brasil – Rumo ao Novo Milênio472 – 1996-2000. ao apelo do Santo Padre para a preparação do Jubileu do ano 2000. de 1997 a 1999. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil.2. 564-624. sobre os excluídos A apresentação e discussões sobre o PRNM podem ser consultadas nas 11 atas desta 34º Assembléia Geral. uma das virtudes teologais. 474 Este quadro é uma forma resumida do quadro Sinótico que é apresentado pelo Documento 56 da CNBB. atendendo. p. n. uma atitude missionária e algumas atividades ecumênicas” 473. foram para a reflexão de cada uma das Pessoas Trinitárias. [abril] 1996. A sua votação está na Reunião Privativa dos Bispos. Cada Pessoa Trinitária “constituía-se o eixo em torno do qual se articulariam o Evangelho do ano. utilizando o ano de 1996 como ano de sensibilização. Ano 45. A VOLTA DOS GRANDES PROJETOS: PRNM E SINM Passado quase um ano de vivência das novas DGAE.J. Os três outros. Op. 500. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. 395. Ecumênica sobre a paz e a dignidade CF. 473 GODOY. primeiramente.

conseqüentemente. desde a formulação das primeiras Diretrizes em substituição ao PPC. n.] “Os dados estatísticos ainda inéditos do IBGE para o censo de 1991. arquitetou-se “um novo projeto que ajudaria a Igreja CNBB. Com a chegada do novo milênio.Para entender a força de penetração a que este projeto visa é muitíssimo interessante conferir os dados estatísticos apresentados quando da exposição da análise de conjuntura religioso-eclesial. uma experiência de verdadeira Comunhão e Missão 477 . na maioria das comunidades. 500. especialmente pelos jovens” 475. In: CM. Relatório do quadriênio 1995-1999 à luz das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil. capazes de criar novas expressões para que a mensagem salvífica de Jesus Cristo seja mais conhecida e. p. permitem constatar a entrada no cenário religioso brasileiro. n. Paróquias e Dioceses. 742-761. a avaliação do PRNM foi. São Paulo: Paulinas.. n. 478 A 38ª Assembléia Geral foi realizada entre os dias 26de abril a 03 de maio de 2000 em Porto Seguro-BA 475 . tendo para todos um cronograma a ser cumprido 476. de 4 mil novas denominações. 675-677. G. [. 56). levando em consideração as orientações da Carta Apostólica “Tertio Millennio Adveniente”. Ib.. Ano 45. numa assembléia atípica. as propostas missionárias do COMLA 5 e também das DGAE. 477 Avaliação do PRNM ao final do quadriênio pode ser consultada em sua íntegra na análise apresentada na Assembléia Geral pelo bispo ROCHA. 530. haja vista que o seu raio de penetração vai desde a Diocese até a sua realização em nível paroquial. Rumo ao Novo Milênio: Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil em preparação ao grande jubileu do ano 2000.155 Esse PRNM assume e prolonga os projetos anteriores e visa fazer do ano 2000 o momento da virada em direção a um cristianismo mais dinâmico e aberto. o que fazer? Continuar ou não? Pensou-se em algo necessariamente para dar continuidade ao processo evangelizador. isso porque mais fiel a Jesus Cristo. Aquela lacuna que. L. relativos à diversidade religiosa. p. “A migração dos fiéis oriundos da Igreja Católica para as Igrejas Evangélicas corresponde a 64% dos convertidos”. 199-217. [abril] 1996. Ano 48. não identificadas pelo IBGE no censo de 1980”. 5. Contudo. existia. p. em Porto Seguro478. o PRNM procurou sanar. (Documentos da CNBB n. iniciado com as DGAE e o PRNM e. In: CM. seguida com amor e generosidade. 476 Cf. O PRNM está dividido em cinco partes. O seu principal objetivo “é suscitar em todos novo ardor e coragem na missão de Evangelizar. [abril] 1999. 1996.

Ano 49. como referência bíblica principal. n. In: CM. cit.25. Ano 49. CM. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. Nesse contexto. 480 GODOY. toda ela partindo de Cristo 482. revela uma tomada de posição. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. Ano 51. 6. p. São Paulo: Loyola. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. Esse quarto período. M. Nesta foi votada a proposta de continuação do SINM. 479 . 396. Embora mais simples do que o anterior. M. Ano 51. p. entre os dias 10 a 19 de abril de 2002. p. Para tanto. levando em conta o ciclo litúrgico dos anos A-B-C. In: CM. em linhas gerais. o SINM teve sua reformulação na 40ª Assembléia Geral realizada em Itaici. n. A implantação do projeto coincidiu com a feliz publicação da Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte 481 de João Paulo II. o projeto ganhou um sub-tema: “Ser cristão no Novo Milênio” e. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. que. 540. Indaiatuba.156 no Brasil a viver o período pós-jubilar sem sofrer quebra do seu ritmo evangelizador. para não deixar um vácuo nesse ano. 546. 815-819. moldada sob os pilares da Comunhão e da Missão.Também PROJETO: Ser Igreja no Novo Milênio. 552. 540. 16 de 16 de abril de 2002. n. para o tema da missão. muito embora não termine aqui a sua caminhada. uma reafirmação da Identidade eclesial. Ano 50. Comentário da Equipe executiva do Projeto SINM. Op. Op. n.). Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte. Renovar a identidade e missão da Igreja constituiu-se. n. Dessa forma. O texto bíblico que mais poderia ajudar a alcançar tal objetivo pensou-se ser o livro dos Atos dos Apóstolos” 480. 2001. o SINM procurou como o seu antecessor.). 322. n. ainda mais. In: CM. [jan-fev] 2002. 558. [julho] 2001. mas sim um texto neotestamentário. no grande objetivo do SINM. nasce o Projeto Ser Igreja no Novo Milênio” 479. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. n. enquanto se aguardava a eleição de uma nova Presidência da CNBB483. p. 558. 4. p. In: CM. 394. Também PROJETO: Ser Igreja no Novo Milênio. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. o de “ajudar as comunidades a reassumirem sua identidade cristã e a se abrirem. moldes esses característicos do Projeto hegemônico que se foi GODOY.J. [abril] 2000. A finalidade desse novo projeto era. 481 JOÃO PAULO II. n. p. 396. Ata n. [jan-fev] 2002. foi indicada a I Carta de São Pedro. portanto. abril de 2000. quis ajudar a Igreja a se posicionar perante o mundo na aurora do terceiro milênio. durante o ano de 2003. 482 Cf. cit. p. 483 Cf.J. tomando não um Evangelho. 546. dar continuidade aos propósitos catequético-litúrgicos. em linhas gerais.

é que possibilitou a Igreja no Brasil ser uma resposta qualificada diante dos profundos e graves problemas que a humanidade hoje enfrenta. a Igreja do Brasil. Contudo. não deixou a sua tradição herdada de Medellín e de Puebla. A feliz síntese que nossos Bispos fizeram entre ambos os projetos.157 implantado desde o início dos anos 80. . mesmo em consonância com o mesmo.

sob o pontificado de João Paulo II e das conclusões da IV conferência do CELAM. sente-se também a inferência decisiva dos documentos Pontifícios ou Dicasteriais e. acolhendo-os e aplicando-os em sua prática eclesial. em suas três edições. seja em nível social. como os Pontificados de Paulo VI e principalmente de João Paulo II. conjugando a sua herança anterior à novidade e à exigência apresentada. com sabedoria e discernimento. com o passar dos anos. ouvir as vozes desses acontecimentos e sintetizá-los de forma positiva. principalmente. é claro. . A vida pastoral da Igreja no Brasil soube. a Igreja do Brasil foi sintetizando a nova forma de ser Igreja. a nova Identidade que se ia formando e conseguiu fazer uma síntese “completa”. Nesse sentido. mas com muita consciência do que se estava fazendo. O mais sensato é que. como a Ditadura e o processo de redemocratização. Contudo. não sem conflitos. das conclusões do CELAM. O planejamento Pastoral da Igreja no Brasil só se pode ser pensado a partir desse contexto mais amplo. seja em nível eclesial.158 CONCLUSÃO Percebe-se que a evolução histórica do processo de planejamento pastoral da Igreja do Brasil está intimamente conectada aos acontecimentos históricos. em vez de se despir da antiga identidade gestada na década de 70. Da mesma forma. percebe-se a influência marcante que Medellín e Puebla tiveram na construção de sua identidade eclesial e pastoral. soube alinhar-se à nova identidade eclesial que se ia formando a partir dos anos 80.

. Neste ínterim. um modo eclesial de atuação. pois as mudanças apresentadas nos documentos não são meramente de nomenclatura. de postura eclesiológica diante dos desafios vigentes. o próximo Capítulo se encarregará de analisar. revelam. acima de tudo. Os passos pastorais assumidos revelam mais do que planos e Diretrizes. essa evolução eclesiológica inerente a estas etapas. teologicamente.159 Cada etapa aqui apresentada representa um passo significativo dessa evolução. mas sim de perfil.

160 CAPÍTULO III UM PERFIL ECLESIOLÓGICO DAS DIRETRIZES DE 1991-2002: UMA IGREJA EVANGELIZADORA .

o termo evangelização vai se erigindo e ganhando espaço e predicações. a partir de suas Diretrizes Gerais. antes de analisá-lo. Serão objeto de nosso estudo as Diretrizes Gerais referentes ao espaço de tempo entre 1991 a 2002. o princípio identificador de toda a realidade eclesial. Com o conceito de desenvolvimento integral exposto na Populorum Progressio. seja enquanto essência seja enquanto missão. enquanto que o Sínodo sobre a Justiça no mundo -1971. Todos esses eventos teológicos foram capitais para a formação do que é a Igreja na América Latina e. iremos analisá-los a partir da temática da evangelização. no decorrer dos anos. O nosso estudo eclesiológico segue os seguintes passos: primeiramente. Ela é.161 INTRODUÇÃO O presente Capítulo propõe-se a analisar. principalmente. esboçaremos um panorama teológico dos principais eventos ocorridos desde o Concílio Vaticano II. De modo mais especial. Redemptoris Missio e Tertio Millernio Advenient de João Paulo II. pelos Sínodos e.falar-se-á de Libertação Integral. de forma teológica. estudaremos o documento 54. referente ao quadriênio de 1991-1994. Nele está expresso todo esforço de adaptação e concretização de toda a evolução teológica no que tange á eclesiologia iniciada com o evento Conciliar. Medellín desenvolverá o conceito de evangelização libertadora. pelos Documentos Pontifícios – Populorum Progressio e Evangelii Nuntiandi – de Paulo VI e. no Brasil. Com o advento da Evangelii . A partir do Vaticano II. realizado entre os anos de 1962 a 1965. Contudo. a evolução eclesiológica da Igreja no Brasil. conseqüentemente. perpassando pelas Conferências de Medellín e de Puebla.

mas também a sua estrutura. principalmente. destacam-se o chamamento do Papa João Paulo II para uma nova evangelização. Conseqüentemente. um rosto definido e uma prática pastoral bem consciente. a Igreja no Brasil compreende que. entendido como o conjunto de serviço da Igreja frente ao mundo. o horizonte e a prática pastoral de toda a Igreja no Brasil. muito embora não perceptivelmente. mas também sua estrutura e. Sensível. renovada em seu ardor. a partir de então. receberá essas contribuições e. principalmente a esses “sinais dos tempos”. e conseqüentemente. no qual mudam não só o título das Diretrizes. a compreensão de sua identidade e de sua missão. por meio de uma postura de indiferentismo religioso. em seus métodos e em suas expressões. irá forjando. há uma especificação do que é evangelização. A partir da Redemptoris Missio. O segundo refere-se ao grande êxodo de fiéis da Igreja católica para as outras seitas ou o abandono completo da fé. fundamentalmente. seguida de novos eventos teológicos. pastoral e missão ad gentes. o termo evangelização será oficialmente acolhido e aplicado. a Igreja no Brasil. o rosto. visto que é. a partir de suas Diretrizes. Dentre eles. Dois fatos são principais nesta conjuntura: o primeiro diz respeito à evolução teológica precedente. com o passar dos anos. É neste período que nossos Bispos promulgam o documento 54. a Conferência de Santo Domingo com a temática da evangelização inculturada e de modo especial a ênfase que o Papa João Paulo II deu no que tange à preparação do grande Jubileu do ano 2000 com a Encíclica Tertio Millennio Adveniente.162 Nuntiandi. de modo especial. Esse documento foi capital para um primeiro aggiornamento da compreensão eclesiológica por parte da Igreja no Brasil. de ação pastoral para ação evangelizadora . Esse aggiornamento é também acompanhado pela sensibilidade em ler os “sinais dos tempos” presentes neste contexto. . necessita mudar não só sua forma de ação pastoral.

163 A evangelização passa de uma dimensão da ação pastoral a ser o principio constitutivo de toda ação pastoral. Uma Igreja que evangeliza e que precisa ser constantemente evangelizada. muito embora não a elimina. em que todos são sujeitos dessa ação evangelizadora. . Essas quatro exigências estão em consonância com as seis dimensões. Uma Igreja verdadeiramente ministerial. o anúncio e o testemunho de comunhão eclesial. A diferença está no lugar proeminente e de destaque que a missão ocupa. A Evangelização deve ser inculturada e acompanhada de quatro exigências irrenunciáveis expressas pelo serviço. é possível perceber a evolução eclesiológica e o novo perfil eclesiológico que se forja a partir das Diretrizes da ação evangelizadora. A partir dessa exposição. Uma Igreja mais evangelizadora que pastoral. o diálogo.

Esse perfil eclesiológico pode ser apreendido em muitos lugares. 54 e 61. Antes de nos atermos a elas. pelos espectadores e pela prática pastoral. AS DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO PASTORAL E DA AÇÃO EVANGELIZADORA: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA No Capítulo anterior. sim. subjaz um perfil eclesiológico que. vimos o desenvolvimento do planejamento pastoral da Igreja do Brasil. a partir da análise teológica das Diretrizes. de forma especial. direta ou indiretamente. para cada estágio dessa evolução pastoral. Elucidaremos. naturalmente. eminentemente. Nosso trabalho nesse Capítulo não se submeterá a perfilar nas linhas que se seguem os perfis eclesiológicos subsistentes em cada período ou estágio apresentado no Capítulo anterior. esboçaremos um quadro dos principais eventos teológicos que. o perfil eclesiológico presente nas duas últimas etapas. Nossa análise seguirá os seguintes passos para ambas as partes: primeiramente faremos uma . persiste em permanecer neste novo estágio. correspondente. Nossa pesquisa prender-se-á em dois momentos de análise: um antes. naturalmente posterior.164 1. ora de forma inconsciente. se rompe com o novo e que. ora consciente. porém. assim como de nossa prática pastoral. Conseqüentemente. marcaram o desenvolvimento de nossa compreensão eclesial. nossa fonte de pesquisa limitar-se-á naquilo que. é claro. as Diretrizes Gerais nos fornecem. nas entrelinhas. que se desembocará no doc. contendo os doc. aos documentos 45-54 e 61. 45 e o outro.

OS FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DAS DIRETRIZES DA AÇÃO PASTORAL DA IGREJA NO BRASIL: DOC 45 Até chegarmos às Diretrizes da Ação Pastoral propostas para o quadriênio entre 1991 a 1994. de forma concatenada.1. a saber. analisaremos o Perfil Eclesiológico inerente às Diretrizes a partir da temática da evangelização. haja vista que as Diretrizes são propostas de trabalho justamente para que a Igreja que está no Brasil seja sinal do Reino junto a todas estas realidades conjunturais difíceis e desafiadoras. a CNBB. outras quatro Diretrizes. o Doc. 1. São também herdeiras do legado dos dois Pontificados. da influência de toda a realidade conjuntural em que a Igreja. por último. Neste ínterim. já publicara desde o ano de 1975. ano de sua gênese. o Documento 4-15-28-38. de Medellín e Puebla. depois. Esboçaremos a seguir. de Paulo VI e de João Paulo II. como já apresentamos no Capítulo anterior. tendo como elemento norteador a temática da evangelização. isto é. . viveu nesse período. 45 é depositário de uma profunda gama de influência teológica. de ser instrumento.1. O CONCÍLIO VATICANO II: UM LEGADO DE COMUNHÃO E MISSÃO A Igreja no Concílio Vaticano II foi redescoberta em sua verdadeira essência. no Brasil. os principais eventos teológicos que antecederam o Documento 45. é claro. emanada do Concílio Vaticano II e das duas Conferências Episcopais realizadas entre as décadas de 60 e 70. 1. ou seja. Sacramento de Salvação junto à humanidade para a Trindade. ou seja. analisaremos a Estrutura e o Conteúdo das Diretrizes e.165 exposição dos fundamentos Teológicos a partir dos principais eventos.1. e ainda. pelo seu organismo de Pastoral o INP.

herdada do seu próprio fundador. possibilitando uma valorização mais efetiva e objetiva dos leigos na e para si mesma. tanto a Teologia quanto as implicações do Concílio Vaticano II. o Concílio revitalizou algumas noções ou princípios básicos. HARRER. sua expressão de serviço em relação ao Reino. B. A Igreja. Jesus Cristo nosso Senhor. FORTE. tais como a categoria “Povo de Deus”. redescobrindo-a como Mistério de Comunhão. Internamente. O Principio de Subsidiariedade na Igreja. embora antigos. poder-se-ia afirmar que o Concílio operou uma espécie de “revolução copernicana” 484 no que se refere a eclesiologia. p. p. A Igreja do Vaticano II. G. 1986. quanto à sua existência. redescobrindo-lhe a sua vocação missionária. 623-649. 81.166 Notoriamente. 485 484 . Cf. Marietti. por privilegiar o seu caráter Mistérico- invisivel ante o institucional-visivel. Laicato e laicità. cit. Estes valores podem ser apresentados sob duas dimensões: um “ad intra” e outro “ad extra”. O Mundo passa a ser o locus de sua apostolicidade e conseqüentemente de sua missionariedade. embora não seja do mundo. destaca-se a temática do diálogo com o mundo em toda a sua profundidade. In: BARAÚNA. além do principio de colegialidade. É fato que. vive no mundo e no mundo deve exercer com fidelidade a sua missão. Conseqüentemente tem-se a valorização de cada Igreja Particular não como extensão. foram durante os séculos perdendo-se ou sendo ofuscados por uma variada gama de situações e vicissitudes temporais. muitas contribuições e inovações tanto no que se refere à sua essência. Op. O. fundamental no que se refere ao relacionamento entre o Papa e todos os Bispos e entre Igreja Universal e Igreja Particular. a redescoberta do sacerdócio comum dos fiéis. a co-responsabilidade de todos os bispos e fiéis por toda a Igreja. Cf. trouxeram à Igreja Universal e. Estes valores. de modo especial para a Igreja no Brasil. Torino. expresso pelo princípio de subsidiariedade 485. No que se refere aos valores “ad extra”. mas como verdadeira Igreja de Cristo e de forma apriori.

cit. podendo o Concílio ser lido sob vários ângulos. São Paulo: Paulinas. realça a sua dimensão histórica. parece-nos que o binômio ComunhãoMissão. a própria Igreja no Brasil também acolhia em caráter oficial essa herança conciliar em seu Documento 40. a sua essência de ser Comunhão e. A Igreja. da Política e da Cultura” 487. segundo a teologia de fundo que se tem ou da intenção do autor que o analisa. cujo serviço a ser prestado a todos. sob qualquer ótica. pode ser tomado como um verdadeiro eixo hermenêutico do qual se poderá. entendida como Mistério de Comunhão e Missão. (Documentos da CNBB n. ou seja. no mundo do Trabalho. Igreja: Comunhão e Missão na evangelização dos povos. porque oriunda em todas as suas funções da Trindade. como nos lembra a Gaudium et Spes: “Essa acomodação da pregação da palavra revelada é uma lei permanente da evangelização” 488. Este. de ser missionária. A Salvação é o grande serviço que a Igreja deve prestar ao mundo. ao mesmo tempo. aplicar suas conclusões sem maiores conflitos. a sua razão de ser. concretiza historicamente o ser ontológico. 488 GS 44. a Igreja conciliar. evoca-lhe sua dimensão transcendente e. revela ao mundo a sua existência. 40). CNBB. sem distinção. revela-se ao mundo e aos homens do mundo como Serva. no mundo do Trabalho. Anos mais tarde. da Política e da Cultura. ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS. redescoberta como Comunhão. por sua vez.167 Dentro do mundo. 487 486 . Destarte. transcendente da Igreja. ao mesmo tempo. como se pode deduzir das conclusões da Assembléia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. possibilitando-lhe aprofundar e explicitar em todas as novas situações a sua Missão diante dos Povos e Culturas. realizada no ano de 1985 486. a revela como “Sacramento de Salvação”. 1990. Op. ou seja. cujo título assim se expressa: “Igreja: Comunhão e Missão na evangelização dos povos. cuja fonte reveladora é o seu próprio ser e sua própria existência.

isto é. Estes eixos estão assim apresentados: eixo cristológico. embora vejamos claramente com diversos campos da pastoral. Relatio Finalis. 64. O debate teológico e eclesial (1952-1995). tudo na Igreja é evangelização. a Igreja pós-conciliar continuará a estender o sentido de evangelização”. de ser como que um “Sacramento”. 50-56. Dei Verbum. no sentido de ser em Cristo “sinal e instrumento da união O autor afirma que nos “documentos conciliares o conceito de evangelização mostra-se impreciso em seu significado. conforme o Sínodo. Salvador. deve ser vista a partir do contexto de todos os documentos conciliares. é preciso notar que A evangelização abrange o conjunto de atividades da Igreja. por meio de seus documentos. p. segundo as conclusões do Sínodo dos Bispos. conforme a leitura realizada a partir dos sinais dos tempos. não precise489 o termo evangelização como acontecerá com a EN. A evangelização dos pobres é um sinal de que continua a obra messiânica de Jesus 490. percebe-se uma profunda ligação com a apresentação da Igreja que o Concílio Vaticano II faz. posteriormente. Cf. 490 Ib. quatro eixos de sustentação da missão da Igreja no mundo contemporâneo. É interessante notar a afloração de questões que. n. eixo antropológico. 64-65. Roma: Editrice Pontifícia Universitá Gregorina. p. cit. eixo dialogal e eixo diaconal 491. 489 . a celebração da eucaristia e o apostolado em geral. Atingindo este ponto. A Missão. A. p. a pregação. a administração dos sacramentos.168 Embora o Concílio. Destes desprendem. 105-6. porque a Igreja cumpre sua missão em tudo o que realiza. ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS. Cf. p. Sacrosanctum Concilium e Gaudium et Spes. ponto II. 491 PIÉ-NINOT. letra d. Op. A partir desses quatro eixos fundamentais da missão elencados acima. quais sejam. principalmente das quatro constituições dogmáticas: Lumen Gentium. MELO. Noutras palavras. 1996. A Evangelização no Brasil: dimensões teológicas e desafios pastorais. 1s. ocupam o centro das preocupações como a inculturação e a opção preferencial pelos pobres. Introdução à Eclesiologia.

497 Toda a referencia neste Capítulo sobre a Constitutio De Ecclesia. A CNBB e o processo de evangelização do Brasil. M. Igreja no Brasil: Planejamento Pastoral em Questão. Petrópolis. Ib. realiza o mistério do amor de Deus ao ser humano” 494. de maneira toda especial. 29. adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições que estão sujeitas à mudança. O CONCÍLIO E O PPC: UMA RECEPÇÃO ORIGINAL Como se sabe. Presença Pública da Igreja no Brasil (1952-2002): Jubileu de ouro da CNBB. serviço (terceiro e quarto eixo). ao mesmo tempo. 494 GS. promover tudo o que possa contribuir à união dos que crêem em Jesus Cristo e fortalecer o que serve para convidar todas as pessoas para o seio da Igreja”. p. dos documentos do Concílio Vaticano II e. cit. 1. cit.1. 377. Cf. G. SC 1.169 com Deus e da unidade do gênero humano” 492 . 389-340. PPC p. CNBB. [setembro] 1982.J. n. v. toda a riqueza dos documentos conciliares foi acolhida e assumida pela Igreja do Brasil. 443-44. Op. a Igreja poderá se apresentar como “sinal levantado perante as nações” 493 . 493 492 . J. Op. por causa de Cristo. BEOZZO. Essas seis Diretrizes mantêm. “que manifesta e. 167. tanto em sua fundamentação quanto em sua execução. O. por meio da construção das seis Linhas ou Dimensões495 da Pastoral expressas pelo PPC.O. J. BEOZZO. 42. A recepção do Vaticano II na Igreja do Brasil. com a Constitutio De Ecclesia (LG) 497. p. p. GODOY. uma profunda e total relação de dependência umbilical 496 para ser mais preciso. Ainda a Constituição SC indica a finalidade do Concílio também nesta linha de renovação para a Missão: “Este sacrossanto Concílio propõe-se a fazer crescer dia após dia entre os fiéis à vida cristã. p.).). In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. É da íntima e profunda comunhão em Cristo (primeiro eixo) que a Igreja. Tanto é que prevalecerão até o ano de 1994. sinal de unidade. In: REB. 61-109. 495 CF. torna-se para os homens (segundo eixo) Sacramento.1. Essas seis Dimensões constituem para a vida e o Planejamento Pastoral da Igreja no Brasil a conseqüência imediata e original do Concílio Vaticano II. Op. SC 2. cit. In: INSTITUTO NACIONAL DE PASTORAL (Org. F. Também. iluminando toda a ação pastoral da Igreja no Brasil e. 465-472. Presença Pública da Igreja no Brasil (19522002): Jubileu de ouro da CNBB.1. p. 45. Deste modo. Comunhão e corresponsabilidade. conseqüentemente. todos os empreendimentos futuros. 496 QUEIROGA. deverá o leitor remeter-se à exposição da mesma no primeiro Capítulo.

as seis Linhas ou Dimensões que objetivamente refletem a acolhida do Concílio Vaticano II na vida pastoral da Igreja do Brasil podem ser estruturadas a partir deste binômio Comunhão . poder-se-ia agrupar as seis linhas em dois grupos afins segundo o binômio Comunhão-Missão. A Constituição Sacrosanctum Concilium afirma que a renovação litúrgica. cujo objetivo é levar todos os homens à primeira adesão pessoal a Cristo. através do anúncio 498 499 PPC p. SC 2. aos que estão fora. o mais rápida e plenamente possível. Referente ao eixo da “Missão” tem-se a Linha 2 que diz respeito à Ação Missionária. Neste ínterim. Por fim. CD. . até que haja um só rebanho e um só pastor”. à inserção consciente e participante na comunidade visível. A sua base teológica fundamenta-se nos seguintes documentos conciliares: UR. A sua base teológica fundamenta-se nos seguintes documentos conciliares: LG. como sinal levantado entre as nações.170 Nesse sentido. para que debaixo dele se congreguem na unidade dos filhos de Deus que estão dispersos. 29. querida pelo Concílio. OT. Cf. AA. PO. através de uma autêntica ação ecumênica. Concretamente. embora ainda velada. NA. isto é. A Linha 4 diz respeito à Ação Litúrgica. PC. cujo objetivo primordial é levar o Povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo. cujo objetivo central é levar o Povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo através do culto litúrgico integral e das celebrações da Palavra. em germe. à adesão pessoal a Cristo. conectado com o objetivo geral que é “criar meios e condições para que a Igreja no Brasil se ajuste. à imagem de Igreja do Vaticano II” 498. é fator decisivo para a evangelização: “a liturgia robustece também admiravelmente sua forças para pregar Cristo e apresenta assim a Igreja. de uma eclesiologia de Comunhão-Missão.Missão. cujo objetivo é levar à conversão. A sua base teológica fundamenta-se na Constituição sobre a Sagrada Liturgia SC 499. a saber: no que concerne ao eixo da “Comunhão” tem-se a Linha 1 que visa promover sempre mais a plena unidade visível no seio da Igreja Católica. OE. cada uma dessas seis linhas funda-se sob um objetivo próprio. a Linha 5 que se refere à Ação Ecumênica.

desde as comunidades mais bem estruturadas até as realidades mais difíceis de nossas comunidades eclesiais. como se observa no texto de BEOZZO. GE. pelo mistério da encarnação. Ainda referente ao eixo da missão. [Setembro] 1982. A sua base teológica fundamenta-se na Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina. In: REB. dimensão trinitária. foi grande impulsionador da missão em todos os níveis. A sua base teológica fundamenta-se nos seguintes documentos conciliares: GS. A sua base teológica fundamentase no Decreto conciliar sobre a atividade missionária da Igreja AG 500. Petrópolis. Igreja no Brasil – o Planejamento Pastoral em Questão. a Igreja sente-se solidária com toda a humanidade. ame”. Portanto. p. Cf. em Cristo. que se refere à ação catequética. sem diminuir a importância da vocação missionária específica e dos Institutos missionários. que foi dada por Deus para toda a humanidade. Gervásio: O Decreto AG enfoca que a Missão da Igreja é a mesma Missão de Cristo. espere. esperando. a organização da atividade (V) e a cooperação missionária (VI). haja vista que. Acentua-se a natureza missionária de toda a Igreja particular. Tem. 167. 494-505. DH 502. A partir desses princípios missionários (AG I) será possível passar facilmente às conseqüências práticas: a obra missionária (II). pneumatológica e eclesiológica. seja Diocesano. crendo. IM. cristológica. como se pode perceber durante os anos de sua vigência.171 missionário da palavra e do testemunho de vida evangélica. cujo objetivo é levar o Povo de Deus a uma maior comunhão de vida com Cristo. como fermento de vida. o PPC503 revelou-se como um grande colaborador e gestor da Comunhão em todo o território eclesial. pois. Por fim. como nos lembra o Pe. e que se realiza sob a ação do Espírito Santo. n. v. 42. J. através da palavra e do testemunho de vida evangélica. A Constituição Dei Verbum apresenta uma Igreja que guarda e garante a Revelação propriamente dita. DV 501. Da mesma forma. que iluminam e alimentam. o Concílio diz na DV que “quer propor a doutrina autêntica sobre a Revelação e sua transmissão para que todo o mundo o escute e creia. 503 Não entraremos nas questões de sua carência que proporcionaram críticas profundas. Regional ou Paroquial. ao aprofundamento doutrinal e à reflexão teológica. Efetivamente. a sexta linha visa promover a melhor inserção do Povo de Deus. os missionários (IV). as Igrejas particulares (III). que deriva da Trindade e dos planos salvíficos do Pai. DV 1. 502 501 500 . GS 1. Cf.O. tem-se a terceira linha. A Constituição Gaudium et Spes enfoca a inserção da Missão eclesial com relação às situações concretas da sociedade humana. Todo o documento transpira a urgência da evangelização universal. através de sua inserção como fermento na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus.

172 Mas é. p. A POPULORUM PROGRESSIO E O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRAL Os anos que se seguiram ao Concílio foram de grande tensão social em todo o orbe terrestre. a que o CV forneceu substância 504. 1. Op. na organização e na prática da vida eclesial. importante o processo de planejamento e pastoral orgânica desencadeado nas regiões e dioceses. p. DA CONFÊRENCIA DE MEDELLÍN E DO SÍNODO SOBRE “A JUSTIÇA NO MUNDO” DE 1971 1. a Encíclica Populorum Progressio. (Documentos da CNBB n. o levou a publicar. G.2. CNBB. ao mesmo tempo. cit. 6. . acerca do desenvolvimento dos povos. 392. São Paulo: Paulinas. a audácia profética do Papa Paulo VI. Diante do contexto segundo o qual a grande parte dos países colonizados tinham tido acesso à independência política. sobretudo. A INFLUÊNCIA DA POPULORUM PROGRESSIO. F.1. Tudo isso era fruto da participação dos seus autores no Concílio e do desejo de traduzir logo no Brasil. Como nos dizeres de Dom Odilo Pedro Sherer.1. A sensibilidade e. no dia 26 de março de 1967. suscitando quadros eclesiais e realizações que se caracterizam pela unidade na variedade (= comunhão) e pela participação (= corresponsabilidade). O PPC ampliou e fez irreversível o impulso renovador dado neste ponto pelo PE. 2004. mas se arriscavam a sofrer a herança do passado colonialista. 71). 504 505 QUEIROGA. o PPC “foi um Plano bem articulado e com uma clareza impressionante de metas e propostas. CNBB.1. Comunhão e corresponsabilidade. Plano de Pastoral de Conjunto. as lições colhidas no Concílio Vaticano II” 505.2.

I. PP 14.173 sobretudo. Como meio para se alcançar esse desenvolvimento integral. mais atento à realidade. deve ser integral. o Papa Paulo VI destaca a ação.. 509 PP 19. Tanto para os povos. mais preocupado com a ação. 510 PP 20. Segundo a análise de Camacho506. Doutrina Social da Igreja: abordagem histórica. o Papa.) é a passagem. que impede de olhar mais além 509 . isto é. a urgência e a solidariedade como elementos essenciais. . 508 PP 14. Todo crescimento é ambivalente. cit.. o desenvolvimento integral a que a Encíclica conclama. de condições de vida menos humanas a condições mais humanas 510. Op. encerra-o em uma espécie de prisão. desde o momento em que se transforma no bem supremo. até dotá-lo de um novo estilo e um novo aspecto. 323-325. e que se repetirão praticamente em cada página do texto. Sendo necessário para permitir ao homem ser mais. ter mais não é o fim último. ele. para cada um e para todos. Para ser autêntico. tornando-o mais direto e incisivo. pode ser expresso em quatro passos. segundo as próprias palavras do texto: O desenvolvimento não se reduz ao simples crescimento econômico 507 . como para as pessoas. Esse tríplice meio tornar-se-á a grande novidade deste documento. promover todos os homens e todo o homem 508. p. O verdadeiro desenvolvimento (. denuncia os erros do sistema internacional. Estas características complementam-se com a nova atitude que o papa: Paulo VI coloca-se 506 507 Cf. propondo o conceito inovador de desenvolvimento integral. CAMACHO. nas relações comerciais.

174

decididamente ao lado dos povos oprimidos. Renuncia, assim, à postura tradicional de seus predecessores, nos documentos sociais, ou seja, a de situar-se como árbitro neutro nos conflitos da sociedade industrial. Aqui, ao contrário, há uma clara opção de Paulo VI, que se converte no porta-voz dos povos mais atrasados da Terra” 511.

Conseqüentemente, segundo Camacho, esta ação urgente poder ser estruturada em quatro níveis:

uma reforma agrária (evitando que seja improvisada); uma industrialização (que não seja brusca nem leve à distorção das estruturas) (PP 29); um programa de progresso social (baseado no planejamento e alheio ao liberalismo), e um programa de promoção espiritual (que evite toda tentação materialista) (PP 33-42) 512.

1.1.2.2. MEDELLÍN E A EVANGELIZAÇÃO LIBERTADORA

Medellín situa-se como herdeira desse duplo legado: do Concílio e da Populorum Progressio. A partir desse eixo hermenêutico Comunhão-Missão, herdado do Concílio e do princípio do desenvolvimento integral tanto da pessoa humana como da sociedade em que vive herdado da Encíclica, Medellín tornar-se-á o grande acontecimento original e originante de toda a construção pastoral posterior, incidindo de forma direta no jeito de ser Igreja na América Latina e no Brasil.

511 512

CAMACHO, I. Doutrina Social da Igreja: abordagem histórica. Op. cit. p. 323-325. Ib. p. 326.

175

Em Medellín, temos, como legado para a Igreja do Brasil e propriamente como contribuição para a formulação de suas Diretrizes, três realidades: a “opção pelos Pobres”, a “Teologia da Libertação” e as “Comunidades Eclesiais de Base”. Essas três realidades ou opções em Medellín visavam à superação do caos gerado pelo pecado da injustiça513 e, naturalmente, foram propostas como princípios norteadores para o surgimento de uma nova sociedade capaz de gerar vida em abundância para todos. A partir de Medellín, os pobres tornam-se sujeitos e, ao mesmo tempo, o objeto da Teologia que, de agora em diante, procura meios para gerar a Libertação dos mesmos. As CEBs são a conseqüência natural da organização e estruturação dessa nova realidade utópica, de uma sociedade mais justa e igualitária, em que todos são reconhecidos como pessoas e não como números. De Medellín em diante, pode-se falar, de forma concreta, de protagonismo dos leigos514. Se a Populorum Progressio falou de desenvolvimento integral, a partir de Medellín falar-se-á de Libertação integral
515

. Essa se tornou como que o princípio unificador e

também norteador de toda a realidade eclesial e para toda a ação pastoral Latino-americana e, também, para a Igreja do Brasil. A Libertação, em seu sentido completo, será o conteúdo de toda a missão da Igreja, numa crescente proliferação das chamadas pastorais sociais em todo o continente e, principalmente, no Brasil. A missão da Igreja é daqui em diante entendida como libertação dos povos de todos os sistemas e estruturas de pecado, forjando a gênese de uma Igreja profética, que denuncia as
513

Camacho comenta que “O Vaticano não ignorou a realidade do pecado; Medellín descobre suas marcas na miséria e na marginalização de milhões de latino-americanos. A Europa ocidental e a América do Norte deixam de ocupar o centro de suas preocupações pelos perigos derivados da secularização; o que inquieta Medellín é a injustiça e a violência institucionalizada, das quais é vítima o homem latino-americano”. Cf. A Doutrina Social da Igreja na América Latina: Medellín e Puebla. p. 460.

Cf. CONCLUSÕES DE MEDELLÍN. Documento 1 sobre a Justiça. 4º ed. São Paulo: Paulinas. 1979. p. 12. Também, CAMACHO, I. A Doutrina Social da Igreja na América Latina: Medellín e Puebla. p. 462. 515 BOFF, C. A originalidade histórica de Medellín. In: Convergência, Petrópolis, Ano XXXIII, n. 317, p. 568575, [novembro] 1998. Também, FRAGOSO. A. Medellín, trinta anos depois. In: Convergência, Petrópolis, Ano XXXIII, n. 314, p. 327-329, [jul/ago] 1998.

514

176

injustiças e anuncia, por sua conduta, o Reino de Deus. Fala-se, a partir de Medellín, de forma oficial para a realidade eclesial latino-americana, de Evangelização Libertadora516. Esta compreensão da missão como evangelização libertadora caracteriza a radical mudança na compreensão do lugar e da ação em favor dos pobres pela Igreja: ele passa de assistido, de objeto, para se tornar o “locus” de toda a ação eclesial, tornando-se sujeito desta ação em consonância com a própria Igreja 517. O que é e qual é o conteúdo desta Evangelização Libertadora? documento ela Segundo o

deve orientar-se para a formação de uma fé pessoal, adulta, interiormente formada, operante e constantemente em confronto com os desafios da vida atual, nesta fase de transição; deve ser relacionada com os ‘sinais dos tempos’. Não pode ser atemporal nem a - histórica. Com efeito, os ‘sinais dos tempos’, observados em nosso continente, sobretudo na área social, constituem, um ‘dado teológico’ e interpelação de Deus; deve ser realizada através do testemunho pessoal e comunitário, que se expressará de forma especial no contexto do próprio compromisso temporal 518.

O Documento assim conclui:

Cf. MARIN:S, J. (org.) Realidade e práxis na Pastoral Latino-Americana. São Paulo: Paulinas. 1977. Col “Pastoral e Comunidade”. p. 37-42. 517 BIGO, P.; DE ÁVILA, F. B. Fé cristã e compromisso social: elementos para uma reflexão sobre a América Latina à luz da Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1983, 2º ed. rev. e aum. p. 422-423. 518 CONCLUSÕES DE MEDELLÍN. Documento 7 Pastoral das Elites. 4º ed. São Paulo: Paulinas. 1979. p. 78.

516

177

A evangelização de que estamos falando deve tornar explícitos os valores da justiça e fraternidade, contidos nas aspirações de nossos povos, numa perspectiva escatológica - para isto - precisa, como suporte, de uma Igreja-sinal 519.

Por fim, vale apenas ainda destacar que, de forma implícita, Medellín oferece uma concepção integral de evangelização da qual participa o anúncio do Evangelho, a resposta da fé, o pertencimento à Igreja, o compromisso em favor da justiça, da promoção humana e de uma autêntica Libertação. Toda ação pastoral, a partir de então, deverá conter estes princípios da evangelização.

1.1.2.3. O SÍNODO SOBRE A JUSTIÇA NO MUNDO E A QUESTÃO DA LIBERTAÇÃO INTEGRAL

Ao final do Sínodo de 1969, vários temas foram elencados para que, mais tarde, no próximo Sínodo tornassem tema para a discussão. Entre os inúmeros apresentados, fora acolhido o tema sobre o sacerdócio ministerial devido a toda situação pós-conciliar; mas, conforme afirma Camacho,

não pareceu conveniente que uma assembléia sinodal se ocupasse de questões internas da Igreja. Esta foi a razão pela qual foi escolhido um segundo tema,

CONCLUSÕES DE MEDELLÍN. Documento 7 Pastoral das Elites. Op. cit. p. 78. Cf. também MELO, A. A Evangelização no Brasil. Op. cit. p. 66.

519

178

correspondente a outro campo de inquietude em muitos ambientes eclesiais, em especial nos do Terceiro Mundo 520.

A escolha desse tema exemplifica a procura da Igreja em contribuir para a resolução dos problemas sociais. Diante da reflexão e dos fatos, conclui-se que a situação de injustiça e de sofrimento não é parte integrante da criação. Nesse aspecto, afirma-se:

Ouvindo o clamor daqueles que sofrem violências e se vêem oprimidos por sistemas e mecanismos injustos; e ouvindo também as interrogações de um mundo que, com sua perversidade, contradiz o plano Criador, temos consciência unânime da vocação da Igreja a estar presente no coração do mundo pregando a boa nova aos pobres, a libertação aos oprimidos e a alegria aos aflitos. (JM introd. e) 521.

Diante desta realidade antagônica e complexa, a Igreja deve se servir dos “sinais dos tempos” “que são fenômenos sociais e históricos. Mas não apenas isso. São, além do mais, veículos de comunicação de Deus, que deles se serve para nos interpelar sobre nossa função de crentes, no seio da sociedade” 522. É a partir da compreensão profunda de que é no mundo que se pode ler o querer de Deus para a Igreja e na certeza de que o agir salvífico do mesmo Deus se realiza neste mundo

520 521

CAMACHO, I. Doutrina Social da Igreja: abordagem histórica. Op. cit. p. 364. Ib. p. 372. 522 Ib. p. 372.

é que permite. p. 373. “compreender o lugar que a transformação deste mundo ocupa na missão que o próprio Cristo encomendou a sua Igreja” 523. p. é importante notar que. de modo mais concreto.] De acordo com a expressão ‘dimensão constitutiva’. Cf. daqui haure novamente aquela autoconsciência da Igreja. criando em nós a íntima consciência de seu verdadeiro sentido e de suas urgentes exigências 525. A relação entre missão e libertação integral é para a Igreja algo profundamente inovador. ou seja. [. Ib. enquanto Povo de Deus. não cabe pensar em uma autêntica evangelização sem atentar para a promoção da justiça e a transformação das estruturas sociais. da missão da Igreja para a redenção do gênero humano e da libertação de toda situação opressiva”. o próprio Sínodo diz que a “ação em favor da justiça e da participação na transformação do mundo mostra-se claramente a nós como uma dimensão constitutiva da pregação do evangelho. e uma vez aceita a importância que o Sínodo atribui a este aspecto da missão. embora seja certo que não se está falando da única dimensão. como observa Camacho: Jamais existira outra formulação tão contundente em todo o magistério da Igreja. 372-373. Ib. o Sínodo declara que a “situação atual do mundo. p. segundo Camacho. p. 524 Ib. pelo exato significado da palavra ‘constitutiva’ 524. 523 .. 372. Embora a relação entre evangelização e Libertação Integral ou Promoção Humana vai ser discutida e melhor aprofundada no Sínodo de 1974. convida a uma volta ao próprio núcleo da mensagem cristã. e da tomada de consciência do mais profundo de sua missão relacionada ao mundo. 525 Ib. mas de uma dimensão.. vista da fé.179 e não fora dele. Neste sentido. 372. A esse respeito. Ou. Não obstante. cabe perguntar pelo sentido preciso da relação entre justiça e evangelização.

374-5. ressalta-se que no Antigo Testamento “Deus nos revela a si mesmo como Libertador dos oprimidos e defensor dos pobres. “que a salvação oferecida nele não exclui o esforço de libertação das situações opressoras na terra. A relação entre libertação e salvação. se a mensagem cristã sobre o amor e a justiça não manifesta sua eficácia na ação pela justiça no mundo. Já na análise bíblica que o documento faz. De fato. . 374. conforme Camacho. 528 Ib. p. em sua existência terrena.180 Por fim. No Novo Testamento destacam-se dois sinais que caracterizam a mensagem salvífica que se comunica mediante Jesus Cristo. 374. Só na observação dos deveres de justiça é que se reconhece de fato o Deus libertador dos oprimidos” 526. “pretende-se destacar que ela deve ser entendida como ‘libertação integral’”. mas afirma que a Missão de pregar o Evangelho no tempo presente exige que nos empenhemos na libertação total do homem a partir de agora. vale ressaltar que desse Sínodo a palavra de ordem para a vida e a missão da Igreja frente ao mundo é “Libertação”. muito dificilmente obterá credibilidade entre os homens de nosso tempo 528. p. e que a relação com Deus só terá sentido se nos projetarmos numa atitude de amor e de entrega aos irmãos” 527. ou seja. p. O Sínodo as relaciona de forma um pouco tímida. 526 527 Ib. exigindo dos homens a fé e a justiça para com o próximo. Ib.

de 8 de dezembro de 1975 529 . concomitantemente. VII – O espírito da evangelização. propôs o tema da Evangelização contrariando todas as expectativas. VI – Os obreiros da evangelização. afirmando que O tema da evangelização toca de perto as graves dificuldades com que se defronta a Igreja no comprimento de sua missão. o largo horizonte de ação e de sujeitos da evangelização. 529 . Paulo VI. em sete Capítulos. os três últimos Capítulos constituem o “terminus ad quem”. Neste ínterim. aprouve Deus que os trabalhos conciliares fossem amadurecidos. em relação à Missão. Evangellii Nuntiandi. devidas às múltiplas e radicais transformações que afetam a sociedade civil e a própria Igreja: daí a necessidade de A presente Exortação Apostólica está dividida. cujos temas são os seguintes: I . V – Os destinatários da evangelização. IV – As vias da evangelização. além da profunda e objetiva compreensão da missão como evangelização e de suas muitas conexões. Doutrina Social da Igreja: abordagem histórica. assim como de sua própria atividade. além de um Prôemio e de uma Conclusão. A EN é fruto do amadurecimento das perspectivas assinaladas pelo Concílio Vaticano II referentes à Igreja e. o Papa Paulo VI publicou a Exortação Apostólica sobre a Evangelização no mundo contemporâneo. o eixo dogmático do desenvolvimento do tema. constituindo o eixo metodológico. ao convocar um novo Sínodo.3. Por fim. Esse documento merece uma explicitação maior por se tratar do documento captus para toda a compreensão eclesiológica posterior. Op. 382. a saber: a primeira parte dirige-se ao “terminus a quo” abrangendo os seus três primeiros Capítulos. constituindo assim. ou seja. 530 CAMACHO.De Cristo evangelizador a uma Igreja evangelizadora.O conteúdo da evangelização. cit. perfazendo o seu eixo pastoral. Também. O Papa justifica sua posição em sua carta dirigida a todas as Conferências episcopais. A EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELLII NUNTIANDI E A EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL De forma providencial. a presente Exortação pode ser dividida em três partes. I. p.O que é evangelizar? III . as preferências concentravam-se de forma bastante significativas na família” 530.181 1. A segunda parte é constituída pelo Capítulo IV que aborda os meios e os modos pelos quais a Igreja deve evangelizar.1. a partir dos dois aspectos anunciados no discurso de abertura do Sínodo. uma vez que “em todas as consultas feitas desde a conclusão do Sínodo anterior. II .

ao aspecto eclesial e humano da evangelização. Esta apresentação do Papa Paulo VI em seu discurso. o âmbito da evangelização” 535. Dessa forma. p. 1974. fala acerca dos diversos aspectos da Evangelização. exprime o que mais tarde aparecerá na Enclítica EN quanto à sua estrutura e à sua divisão. P. proveitosamente. no discurso de abertura. Para aprofundar o tema cf. Cf. Teologia: Ciência da Salvação. Col.). Trad. 930. São Paulo: Loyola. R.. 534 Ib. assim como aos temas e ao método a ser utilizado para a elaboração de sua argumentação. demonstrando que este tema é “importantíssimo.182 consultar sobre a forma como ela deve cumprir sua missão salvífica de anunciar o evangelho neste mundo novo em transformações e nas presentes circunstancias 531. São Paulo: Loyola. O primeiro refere-se ao aspecto originário. diz o papa. [Dezembro] 1974. P. 1981. de embaixadores. LATOURELLE. São Paulo: Paulinas. VIII Semana de Reflexão Teológica. p. tornaram constitutivos do próprio documento. na qual a Igreja vive” 533.C. G. p. conclui afirmando que estes “dois termos podem servir para delimitar. de Apóstolos e missionários” 534 . 535 Ib. O Sínodo de 1974: Evangelização no Mundo de Hoje. elucida o conceito de Evangelização a partir de dois aspectos: o “terminus a quo” e o “terminus ad quem”. eficiente e teológico do termo. Paulo VI. p. 95 – 108. por sua vez. 930. tendo como tema “A Evangelização no Mundo Contemporâneo”. o que mais tarde seria o nome da própria Exortação Apostólica. HORTAL (Org. 136. 531 532 Ib. v. Também. 34. apresentou alguns elementos que. p. A. QUEIROZ. p. Monges Beneditinos de Serra Clara. Teologia Hoje – 20. nos diz respeito à finalidade. M. 930. Da mesma forma. mas deve acrescentar-se imediatamente que ele é também audaz e severo porque nos obriga a procurar ver quais são.. o método genético. as reais condições sócio-culturais da humanidade. CARVALHEIRA. nestes anos tempestuosos. Evangelização no Brasil Hoje: Conteúdo e Linguagem. depois de discutidos. 86. . n. que “se estamos ainda no mundo. DUPONT. o Sumo Pontífice conclamou o IV Sínodo Mundial dos bispos e a III Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos 532 . No dia 27 de Setembro de 1974. In: REB. ou seja. J. Esse aspecto quer recordar. O segundo. Petrópolis. nele estamos sempre na qualidade de enviados. Primeiramente. 533 Discurso de abertura do Sínodo dos Bispos. 1976. 382.

o Papa diz que “Evangelizar. agora. Petrópolis.. Op. Discurso de abertura do Sínodo dos Bispos. p. no dia 26 de outubro. 136 p. tais como o seu aspecto de necessidade. o documento solene que muitos esperavam. C. Contudo. 537 Transcorridos exatos 29 dias da abertura do Sínodo. mas empenho vital e necessidade constitucional da Igreja” Cf. [Dezembro] 1974.318. Aqui o Papa disserta sobre as questões referentes à relação da Igreja Universal e as Igrejas Particulares. um trabalho ocasional ou temporário. o seu caráter Universal. 930-931. p.44. ambos os Sínodos são complementares. 136. nem tirar de forma completamente exaustiva as desejadas conclusões” Sínodo dos Bispos 539 538 . Como fazer Teologia Hoje: hermenêutica teológica. Op. 34. 941-942. não é arriscado pensar que a decisão do Papa visava também situar esta controvertida questão em seu verdadeiro quadro de compreensão: se em 1971 havia se estudado a justiça como parte da evangelização. o Papa leu e entregou a todos um documento com 13 parágrafos aos quais veio substituir. Cf. ainda que. fez um discurso no ato de encerramento do . para nós. matizados. Também GEFFRÉ. Doutrina Social da Igreja: abordagem histórica. convinha agora aprofundar esta última. p.183 O Papa em seu discurso apresenta. cit. 136 p. n. a sua finalidade536 e a co – relação entre evangelização e promoção humana. “pois a amplidão e a complexidade do tema não permitiam explicitá-lo. v. de algum modo. houve real convergência . (. 382. não é. não é. Ib. 540 Cf. n. um convite facultativo. 539 O discurso de encerramento encontra-se In: REB. In: REB. alguns eixos de reflexão acerca da Evangelização. n. 944-45. mas um dever premente. Por fim. aprofundados”. e que constitui o centro da missão da Igreja? Cf. sobre a justiça no mundo. por conseguinte. 937ss. da Pluralidade de Teologias e o Magistério e a questão da Libertação 541. 537 A este respeito diz Ildefonso Camacho: “Em vista das dificuldades que iam surgindo na interpretação e aplicação das conclusões do Sínodo anterior. Acerca destes três primeiros. Petrópolis. 311. 541 Ib. de forma esquemática. Mas a questão de fundo permanece a mesma: como harmonizar o esforço humano nestes campos com a salvação que Deus oferece como seu dom para o final dos tempos. In: REB.) Evangelizar. em pouco tempo. 942 . para iluminar a justiça. E vamos ver que esta perspectiva esteve presente em toda a preparação e desenvolvimento da assembléia de 1974. mais do que justiça. 536 . proferiu de forma clara os frutos do Sínodo e afirmou que. completados. [Dezembro] 1974. cit. em muitos 540 pontos importantes.. [Dezembro] 1974. deixou claro que alguns pontos ainda “precisam ser mais bem delimitados. falar-se-á de libertação e/ou promoção humana. p. Neste sentido. 538 Cf. p. Petrópolis.

O CONTEÚDO DA EVANGELLI NUNTIANDI O conteúdo principal da EN é a “Evangelização”. EN 3. de realçar a sua importância. e a estudar o modo de fazer chegar ao homem moderno a mensagem cristã. em diversas ocasiões. tal tarefa afigura-se-Nos ainda mais nobre e necessário quando se trata de reconfortar os nossos irmãos na missão de evangelizadores. na qual somente ele poderá encontrar resposta às suas interrogações e a força para a sua aplicação de solidariedade humana” 543. O primeiro elucida a realidade fundante a qual a Igreja não pode subtrair-se para a execução de seu ministério. a procurar. como nos afirma a EN: “Quanto a este tema da evangelização. zelo e alegria 542. Em muitas ocasiões. por todos os meios ao alcance. nestes tempos de incerteza e de desorientação.1. muito antes das jornadas do Sínodo”. princípio este que o Papa diz que “é absolutamente indispensável colocar-nos bem diante dos olhos”. Aqui se trata daquilo que a Teologia denomina de regula fidei. dada à importância de sua elucidação. mas de “rever os métodos.1. O tema é abordado a partir de dois princípios concomitantes. Nós tivemos oportunidade. a fim de que.3. o tema “Evangelização” foi proposto como conteúdo de reflexão. . Paulo VI disserta que “anunciar o Evangelho aos homens do nosso tempo” juntamente com a “a tarefa de confirmar os irmãos” configura um programa de vida e de atividade e um empenho fundamental do nosso Pontificado.184 1. eles a desempenhem cada vez com mais amor. “um 542 543 EN 1. Paulo VI insiste ainda na necessidade de não só refletir acerca do tema. ou seja.

1994. R. Como bem afirma Gianfranco Coffele. constituem o segundo princípio norteador pela qual a Evangelização é abordada. susceptível de impressionar profundamente a consciência dos homens. 545 544 . Trad. a importância da própria Exortação. (Org. Luiz João Baraúna. Missão. 548 COFFELE. R. 546 Estes problemas são assim formulados pela Exortação Apostólica: “O que é que é feito. tendo integrado bem a teologia do AG com a maior parte dos temas emergidos com rapidez incrível no pósConcílio” 548. 645. A partir deste “eixo central”. São Paulo: Vozes/Santuário. Dicionário de Teologia Fundamental. O Sumo Pontífice reafirma a importância do assunto legitimando. ou seja. FISICHELLA. “a partir das riquezas do Sínodo. ao mesmo tempo em que o deve também apresentar aos homens do nosso tempo. Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condições de transformar verdadeiramente o homem deste século? Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de molde a que a sua potência possa ser eficaz?”Cf. EN 4. EN 4.). percebem-se alguns problemas 546 daí decorrentes que. tanto quanto isto é possível.. A fidelidade à mensagem de Cristo e o dever de transmiti-la aos homens constituem “o eixo central da evangelização” 545. e vir a ser um impulso novo para todos” 547. Denota ainda o ensejo de que a reflexão acerca da Evangelização emergida da Exortação Apostólica. possa levar à mesma reflexão todo o Povo de Deus congregado na Igreja. 547 EN 5. em nossos dias. a realidade hodierna na qual o homem está circunscrito. num profundo desejo de “ajudar os nossos irmãos e filhos a responder a tais interpretações”.185 patrimônio de fé que a Igreja tem o dever de preservar na sua pureza intangível. daquela energia escondida da Boa-Nova. p. de maneira compreensível e persuasiva” 544. examinados. G. a “EN de Paulo VI pode ser considerada como um dos documentos mais significativos do pós-Concílio. ou ainda como delineou Faustino Teixeira em seu artigo “Entre o desafio do EN 3. In: LATOURELLE.

A decisão no Concílio Vaticano II de utilizar a palavra tarefa(s) em lugar de missio teve a vantagem de remover um paralelo exagerado entre as missões trinitárias e a missão eclesial. a não ser com o risco de a empobrecer e até mesmo de a mutilar”. Brasília. no decorrer da Exortação. Paulo Siepierski. FIORENZA. Este texto foi apresentado em versão preliminar no IV Encontro Nacional dos Organismos e Instituições Missionárias (ENOIM) . JOHN P. em lugar de apelarem para a missio da Igreja. Cf. Esse termo latino é comumente traduzido como tarefa (talvez melhor plural tarefas) e algumas vezes como papel. com freqüência. para expressar todo o rol de atividades da Igreja 550 . mas adverte que “este anúncio – querigma. (Org. em vista do COMLA 6 (Congresso Missionário Latino-Americano). Paulo VI não a define restritamente. p. n. porém. Col. Ano XXXIV. complexa e dinâmica que é a evangelização. Tema: Nova Evangelização. FRANCIS S.ocupa um tal lugar na evangelização que. Também. In: Convergência. Tomo II: perspectivas católico-romanas. as ´tarefas´ da Igreja são mais abrangentes do que a responsabilidade específica exercitada pelos formalmente envolvidos na pregação do evangelho a crentes e a crente em potencial”. Diálogo e Anúncio. foi do múnus dela que eles falaram: de munere ecclesiae in mundo hujus temporis. Mas. No entanto. Teologia Sistemática. pois “nenhuma definição parcial ou fragmentária.). GALVIN:. se tornou sinônimo dela. chegará a dar razão da realidade rica. pregação ou catequese . diz o Papa “é impossível captá-la se não se procurar abranger com uma visão de conjunto todos os seus elementos essenciais” 551 . rol. São Paulo: Paulus. de pregação. 520-529 [novembro] 1999. Contudo. de batismo e de outros sacramentos que hão de ser conferidos” 552 . Petrópolis. de catequese. preferido em relação à “missão”. p. 550 Esta distinção já é anterior ao Concílio e ele mesmo frisou como se segue: “Os participantes no Concílio Vaticano II optaram em descrever a Igreja a partir de dupla perspectiva: a vida interna da Igreja (ad Intra) e sua vida externa (ad extra). 549 . Tendo em vista a importância capital desse documento. Teologia Sistemática. a EN “constitui um marco decisivo para a nova compreensão de Evangelização”. refletindo as diversas responsabilidades que a Igreja é convocada a assumir.186 Diálogo e a Vocação do Anuncio” 549 .CNBB. 551 EN 17 552 EN 17 553 EN 22. é mister agora dissertar acerca de algumas contribuições que dele se desprendem para a reflexão teológica e magisterial da Igreja no pós-Concílio. Por ser uma realidade abrangente. no Concílio. 92-93. 1997. A primeira grande contribuição da EN diz respeito à adoção definitiva do termo “evangelização”. Trad. 327.. 05 a 08 de novembro de 1998. a define “em termos de anúncio de Cristo àqueles que o desconhecem. ele não é senão um aspecto da evangelização” 553.

Assim sendo. diz o papa. dar testemunho. a evangelização só cumprirá a sua tarefa se aquele que assim a tiver recebido. . 556 EN 24. acolhendo em sua vida as Verdades e o programa de vida que Cristo explicitou e vivenciando-a numa comunidade de fiéis evangeliza” 556 555 . Quanto ao conteúdo. adesão do coração. no Espírito Santo” 560 . EN 23. 559 EN 47. por tudo o que dissemos. “aquele que foi evangelizado. fizer uma “adesão do coração”.e a não se limitar a receber passivamente. de maneira simples e direta. como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus” 561. em que há variados elementos. A evangelização destina-se a “educar de tal modo para a fé. aceitação dos sinais e iniciativas de apostolado” 557. renovação da humanidade. É “uma proclamação clara que. Sendo assim. diz o Papa. ou a suportar – os sacramentos como eles realmente são. Ambos ocupam dois momentos da vida do fiel: o do encontro com o Senhor e a posse da sua graça. por sua vez. Desta forma. é uma diligência complexa. Assim. 560 EN 26. anúncio explícito. a atividade em que eles se aplicam.187 A Evangelização possuiu dupla finalidade. Desta forma. Paulo VI é enfático: “evangelizar é. testemunho. a “evangelização contém. 561 EN 27. conclui que a “evangelização. e a vida e o meio concreto que lhes são próprios” 554. 557 EN 24. “ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens. isto é. a salvação é oferecida a todos os homens. morto e ressuscitado. Filho de Deus feito homem. de Deus revelado por Jesus Cristo. 558 EN 47. em Jesus Cristo. pois. também a pregação 554 555 EN 18. verdadeiros sacramentos da fé” 558. não há contrariedade entre evangelização e sacramentalização. em primeiro lugar. a evangelização atingirá a sua meta: a vida natural e sobrenatural do homem 559. entrada na comunidade. . que esta depois leve cada um dos cristãos a viver . Finalmente.

a Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor. as promessas. EN 22. a qual não existe sem esta respiração. os Sacramentos e a Religiosidade Popular constituem vias indispensáveis para a evangelização. pois se não o fizer. como por exemplo. no que tange à Homilia. a totalidade da evangelização para além da pregação de uma mensagem consiste em implantar a Igreja. 568 EN 43. 566 EN 42. 564 EN 28. Ela será sempre uma oportunidade privilegiada para comunicar a palavra do Senhor” 568 . . Por último.27.3) a 562 563 EN 28. afirma que “não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome. É servindo-se deles que ela ‘apregoa sobre os terraços (cf. a doutrina. a pregação566. a Exortação é clara em afirmar que o primeiro e mais autêntico veículo de evangelização funda-se no testemunho de vida 565 . Da mesma forma. 565 EN 41. a Liturgia.188 da esperança nas promessas feitas por Deus na Nova Aliança em Jesus Cristo” 562 . Paulo VI coloca a necessidade da utilização dos meios de comunicação social. Esta deve ser proferida tanto na Celebração Eucarística como nas celebrações dos Sacramentos e nas “para-liturgias. o reino. o mistério de Jesus de Nazaré Filho de Deus não forem anunciados” 563 . pois “seria um erro não ver na homilia um instrumento valioso e muito adaptado para a evangelização” 567. a Catequese. De forma indispensável também. ou ainda por ocasião de certas assembléias de fiéis. se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. a define de forma clássica: “Efetivamente. Outras vias também são apresentadas. Mt 10. a vida. De forma categórica. Quanto à metodologia a ser aplicada nesta grande empreitada da Igreja. 567 EN 43. que é a vida sacramental a culminar na Eucaristia” 564. Lc 12.

Graças a eles ela consegue falar às multidões 569.. De igual modo. Ela existe para evangelizar. Neles ela encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. têm um dever fundamental de evangelizar 571. adverte que. em breve se demonstram desprovidos de valor 570. A relação entre Igreja e missão é fundamental no que concerne à definição de Igreja dada pela Instrução: “Evangelizar constitui. 573 EN 15... a graça e a vocação própria da Igreja. a dialética mais convincente. o mais imediato e o mais visível dessa evangelização” 573. Paulo VI. mas ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo. EN 75. . de uma nova presença de Jesus. as Técnicas da evangelização são boas. ainda. em virtude do batismo. sacramento de sua partida e de sua 569 570 EN 45. com simplicidade. todos os cristãos.189 mensagem de que ela é depositária. sem ele. AG 35 e EN 59. 571 Cf. obviamente. querido. seja ela praticante ou não praticante. de fato. ela é enviada ao mundo e se torna para o mundo “um sinal. E. a um tempo opaco e luminoso. Sendo assim. 572 EN 14.” 572. A legitimidade desta relação funda-se no fato de que a Igreja “nasce da ação evangelizadora de Jesus e dos Doze. sem ele permanece impotente em relação ao espírito dos homens. a sua mais profunda identidade. Ela é o fruto normal. A preparação mais apurada do evangelizador nada faz sem ele. A evangelização destina-se a todos os tipos de pessoas. os mais bem elaborados Esquema com base sociológica e psicológica. nascida da missão de Jesus. Da mesma forma. Destarte.

578 EN 20. Destarte. . A relação entre evangelização e promoção humana. Ela prolonga-o e continua-o” 574. A Igreja deve continuamente se purificar. “mas recusa-se a substituir o anúncio do reino pela proclamação das libertações puramente humanas e afirma mesmo que a sua contribuição para a libertação ficaria incompleta se ela negligenciasse anunciar a salvação em Jesus Cristo” 576. uma vez que é depositária da Boa Nova. mas sim suscetíveis de as impregnar a todas sem se escravizar a nenhuma delas” 578. condena toda e qualquer forma de violência. Em relação aos métodos. afirma que a Igreja não se desinteressa por estas realidades. propondo uma solução bem avançada 574 575 EN 15. Respondendo a essas questões. como: a igreja particular e suas relações com a universal. visto que. No tocante às Culturas. mas não são necessariamente incompatíveis.190 permanência. Como enviada. “de ordem teológica” e “laços daquela ordem eminentemente evangélica” 575 . reafirma que é importante não querer reduzir a mensagem e os esforços da Igreja a uma realidade meramente temporal. desenvolvimento e libertação é pela EN abordada de forma conciliadora. 576 EN 34. pois ela “não é nem cristã nem evangélica e que as mudanças bruscas ou violentas das estruturas seriam falazes e ineficazes em si mesmas e. há entre ambos. Por fim. 577 EN 38. Gianfranco Coffele diz que Paulo VI enfrentou temas particularmente sofridos na década de 70. Paulo VI diz que o “Evangelho e a evangelização são independentes em relação às culturas. não conformes à dignidade dos povos” 577. como afirma a Exortação. ela também envia. “laços de ordem antropológica”. EN 31. por certo. a fim de preservar íntegro aquilo que recebeu.

por abordar a problemática da evangelização.262. que recebe toda a sua força e atualidade do contexto histórico em que se desenvolve a América Latina. DP 1134. p. COFFELE. 1. a opção pelos jovens veio chamar atenção para esse grave problema da Igreja. 481. 583 DP 1166-1187. Puebla faz ainda opção pela defesa da dignidade da pessoa humana. Dicionário de Teologia Fundamental.. 579 . Depois da crise e do desaparecimento especialmente das JEC e JUC. pelas CEBs pelos jovens 582 581 . 584 Tema: “Evangelização no presente e no futuro da América Latina”. mas também. (. diante de uma sociedade turbulenta. O próprio título foi. segundo as vicissitudes de seu tempo.). A CONFÊRENCIA DE PUEBLA A Confêrencia de Puebla é caracterizada por sistematizar. faz ainda opção . Com essa opção. 646. Também cf. trouxe como grande contribuição um novo modo de compreender a pastoral e a própria Igreja por meio do princípio “Comunhão e Participação”.1. 580 Para Camacho. Puebla ao alcance de todos.. 581 DP 96. que ainda perdura até hoje. 1981. Puebla procurou incentivar a busca de novas formas de atuação no meio juvenil 583 .. herança específica da Exortação EN. G. em obediência a conveniência pastoral. No que se refere à pastoral. Prescindindo de qualquer interesse estratégico. acima de tudo. de forma objetiva. estes temas são enfrentados com clareza e equilíbrio – a. Puebla. p. Missão. R. 146-147.4. Trad.1309. FISICHELLA.) a relação entre história da salvação e história do mundo. pelas novas opções que faz. 1994. L. p. a pastoral da juventude mergulhou em tempos de incertezas. com êxito – no Capítulo terceiro da exortação apostólica 579. de tateios e busca. (Org.191 (EN 62 – 65).” A Doutrina Social da Igreja na América Latina: Medellín e Puebla. São Paulo: Vozes/Santuário. o próprio título já é bem significativo584. In: LATOURELLE. Ainda. CECHINATO. não “se trata de uma opção estratégica. Petrópolis: Vozes.269. R. 582 Cf. Luiz João Baraúna. a nosso ver. mas sim de um imperativo do seguimento de Jesus. Puebla além de reafirmar a opção pelos pobres580. as opções de Medellín. 2º ed.

Juntamente com esta nota característica. 1982. como . por assim dizer. com seus problemas e suas esperanças 591. n. “a verdade sobre Jesus Cristo” que anunciamos e a “verdade sobre o homem” 587. quer que a comunhão entre todos se prolifere por meio da participação efetiva e objetiva na construção do Reino de Deus. É Cf. 72. 586 585 . como bem exemplifica o Concílio Vaticano II e a EN. Notoriamente. mas conectada com a realidade ameríndia. formando. Op. Estas três verdades589 estão intimamente conectadas entre si. João Paulo II “vê na ortodoxia o fundamento e a condição da ortopraxis. A. no dia 28 de janeiro de 1979. sem dúvida.192 entre muitos sugeridos.. 591 Cf. uma eclesiologia e uma antropologia. Puebla transmite um conteúdo eclesiológico mais centralizador. In: PUEBLA: A Evangelização no presente e no futuro da América Latina. 588 MELO. DP 162-339. Com isso. DP 170-219. JOÃO PAULO II. uma volta à compreensão eclesiológica. Cf. de um único e mesmo discurso 590. três momentos de uma totalidade. DP 304-339. enquanto verdade vinda de Deus” 588 586 585 . É. Nesse sentido. 6. 590 Cf. Destarte. In: Cultura e Fé. Desta tríplice verdade haure de Puebla uma cristologia. DP 220-303. Petrópolis: Vozes. [julho/setembro] 1979. sinal e serviço de comunhão. mas afirma a primazia da verdade do Evangelho. fixado pelo papa Paulo VI. no dia 25 de março de 1977 como conseqüência natural de sua recente Exortação. o Salvador . Aspectos Doutrinários de Puebla. 05-16. cit. que procura a unidade e a comunhão. México. A Evangelização no Brasil. Ano II. 587 Cf. 17-34. 589 Cf. p. 4º ed. não importada. p. p. Petrópolis. não nega a interação dialética entre doutrina e práxis. centrada na verdade e dela parte toda a sua ação. Discurso inaugural pronunciado no Seminário Palafoxiano de Puebla de Los Angeles. o realizador dessa Confêrencia foi o Papa João Paulo II que propôs a tríplice verdade que forja o conteúdo da evangelização: “a verdade sobre a Igreja” Povo de Deus.

1980. ao mesmo tempo em que as questiona e excede. A Evangelização no Brasil: dimensões teológicas e desafios pastorais. A este respeito Camacho afirma que “Para alguns. Op. conseqüentemente. O debate teológico e eclesial (1952-1995). a evangelização em Puebla é abordada como missão essencial da Igreja que se inspira em sinais e critérios fundamentais.] chega a nós hoje. Eclesiologia de Puebla. 592 . p. mediante a Igreja sob a ação do Espírito Santo” 594 . desenvolvimento e libertação”. p. a promoção humana e os modelos de vida social e política 593. como o da Palavra de Deus contida tanto na Sagrada Escritura como na Tradição codificada por meio da profissão de fé e dos dogmas. Cf. a geração da fé como conversão. 595 Cf. no período que transcorre Medellín e Puebla. F. TAMAYO. tinha de estar presente em Puebla”. A evangelização aqui tem como objetivo central as culturas antigas e novas do continente. Cf. o envio de evangelizadores 595. 593 A esse respeito é interessante a afirmação de Mello quando diz que “A evangelização anuncia uma salvação que dá sentido às aspirações e realizações humanas. de Puebla em diante. como evangelização. 596 Cf. o comprometimento eclesial e. cit.. 324. É por meio da evangelização que a salvação uma vez concretizada “no mistério pascal de Cristo [. Sendo assim. de forma oficial. o sensus fidei.193 a partir do binômio “comunhão e participação” que se entenderá à eclesiologia pós-Puebla 592. Bogotá. na fé do Povo de Deus atuante nas múltiplas comunidades etc 596. assim como no denominado sensus fidelium. 72. A Doutrina Social da Igreja na América Latina: Medellín e Puebla. Mas também teve seus detratores. são muito fortes os vínculos que unem salvação. promoção humana. In: Medellín. o paradigma baseado na comunhão e na participação oculta uma estratégia para substituir o que nasceu do calor a respeito da libertação. DP 356-361. a evangelização exige e comporta como elemento natural o testemunho dos evangelizadores. 478. 594 DP 479. que era vida e experiência histórica. Começando. Como herança da EN.. Contudo. quase sempre apoiados em certos desvios reducionistas da libertação. a salvação atinge a sua completa realização na eternidade. pois. Tudo isso. p. o anúncio da Boa Nova. É por isso que se pode afirmar que Cf. ninguém pode tampouco duvidar que o projeto de libertação estava arraigado na Igreja latinoamericana. Nesse sentido. Ainda que isso tenha de fato ocorrido em algum momento. como já se pudera verificar na EN. e servir como núcleo aglutinador do grande esforço evangelizador. 35. n. a Missão da Igreja na América Latina será entendida. ou seja. nesta vida. DP 362-384.

o Documento de Puebla entende por evangelização toda a atividade da Igreja pela qual suscita e alimenta a fé. Op. valoriza e purifica sua religiosidade.194 Encontramos no Documento de Puebla um conceito amplo e equilibrado de evangelização. as conclusões de todos esses eventos anteriores. A Evangelização no Brasil: dimensões teológicas e desafios pastorais. e se lhe oferece a possibilidade concreta de participação na tarefa eclesial e no compromisso de transformar o mundo” 598. A. encerra-se também outra dimensão. Pretende-se com esta palavra incluir. que é novidade em Puebla: a cultural. mas sim ao homem total que se conforma com o tecido sociocultural. Eis o objetivo geral: MELO. especialmente por meio dos mecanismos socioeconômico. 74. 480. Cf. Sem deixar-se enredar em conceitos unidimensionais. A Doutrina social da Igreja na América Latina: Medellín e Puebla. antes de mais nada. Este mistério é proclamado no Evangelho e realizado na Igreja pela existência cristã 597. as Conferências de Medellín e de Puebla. se em Medellín o horizonte da evangelização era a libertação. I. a dimensão transcendente da salvação. [. a Igreja e o homem. a é a libertação integral 599 que está condicionada àquela tríplice verdade: Jesus Cristo. p. No que tange à ação pastoral da Igreja no Brasil. Ao referir-se a elas. Por isso. reúnem. sejam concernentes ao Sínodo sobre a Justiça no Mundo. atrás do qualitativo integral. o documento afirma que elas “são expressão de amor preferencial da Igreja pelo povo simples. em seu Objetivo Geral. que dá seu sentido último ao processo de libertação na história.. sejam dos Documentos Magisteriais PP e EN. as Diretrizes promulgadas para os anos de 1979 a 1982. Portanto. p. 598 DP 643. provoca a conversão e conduz à participação no mistério de Cristo. em Puebla. nem às estruturas da sociedade. é que se insiste tantas vezes na libertação integral. O debate teológico e eclesial (1952-1995). que querem evitar todos os reducionismos. 597 . 599 A este respeito Camacho diz que a “libertação integral é elemento inspirador de Puebla e objeto das preocupações dos bispos ali reunidos. cit. Esta evangelização se concretiza de forma objetiva por meio das CEBs. CAMACHO.] a evangelização não se dirige apenas ao individuo isolado. Diante da inexistência de Medellín na libertação da opressão ao homem latino-americano sofre.. que deve ser transmitida de forma inalterável. Mas. nelas se expressa. Puebla pretende descobrir um nível mais profundo de dependência: o cultural”.

trata-se da ‘plena’ verdade. DGAP 1983-1986. A dimensão 600 601 CNBB. que exclui qualquer reducionismo. CNBB. Ao se referir à realidade vivida pelo povo brasileiro. O Objetivo Geral. As verdades que constituem o conteúdo fundamental da evangelização são agora introduzidas pela expressão ‘anunciando’. Dom Antonio Celso de Queiroz assim se expressa: A avaliação do quadriênio de 1983-1986 revelou que a Igreja foi conquistando novas experiências e aprofundando sua reflexão. explicitou-se o aspecto político por sua emergência sempre maior no horizonte da sociedade e conseqüências para a ação pastoral. incute o dado doutrinal expresso em Puebla acerca da Verdade sobre a Igreja. 7. 28). São Paulo: Paulinas. (Documentos da CNBB n. O mesmo Objetivo Geral foi novamente assumido pela CNBB na Assembléia Geral de 1987 com algumas alterações destacadas pela avaliação do quadriênio. 1983. em todo o processo. . DGAP 1979-1982. Jesus Cristo e o Homem 601 . p. (Documentos da CNBB n. 5. 15). Conseqüentemente. p. A opção preferencial pelos pobres recebe nova precisão com o termo ‘evangélica’. Além disso. São Paulo: Paulinas. 1979. que indica melhor sua presença permanente. Por sua vez o objetivo visado pela evangelização é agora explicitado numa dupla dimensão: ‘formar o povo de Deus’ e ‘participar da construção de uma sociedade justa e fraterna’. e não apenas inicial. contido nas Diretrizes propostas para o quadriênio de 1983-1986.195 Evangelizar a sociedade brasileira em transformação a partir da opção pelos pobres pela libertação integral do homem numa crescente participação e comunhão visando à construção de uma sociedade fraterna anunciando assim o Reino definitivo 600. acerca das Diretrizes seguintes propostas para o quadriênio de 1987-1990.

é que. cujos temas são os seguintes: I – Jesus Cristo. RMi 18). que não pode ser separado nem de Cristo nem da Igreja (cf. DGAP 1987-1990. A CARTA ENCÍCLICA REDEMPTORIS MISSIO 603 Dentre os muitos documentos Pontifícios publicados até então. VI – Os responsáveis e os agentes da Pastoral Missionária. RMi 91). 1987. Protagonista da Missão. além de dissertar acerca do seu conteúdo: o Reino de Deus. 38). IV – Os imensos Horizontes da Missão Ad Gentes. (Documentos da CNBB n. 6-7. constata duas coisas na atual conjectura tanto eclesial quanto mundial. único Salvador.O Reino de Deus III . V – Os caminhos da Missão. de descrever os efeitos da ação missionária sobre o fiel. ou seja. orientou a Igreja universal e. A Carta Encíclica RMi está divida além de uma introdução e uma conclusão em oito Capítulos. O Papa João Paulo II.196 escatológica é agora expressa pela palavra ‘sinal’. ou seja.5. Jesus Cristo e o Espírito Santo. II . a descrição dos seus efeitos. pois em consonância com a EN procurou resgatar à Igreja a sua verdadeira essencialidade ministerial. a RMi 604 merece total destaque. missão Ad gentes passou por um afrouxamento e que o presente 602 603 CNBB. a responsabilidade de todos os batizados pela missão.1. para novos rumos no que tange ao seu exercício missional entendido como evangelização. A Carta Encíclica Redemptoris Missio acerca da validade permanente do Mandato Missionário situa-se no conjunto de documentos de João Paulo II com maior repercussão para a Igreja e à sua vida Pastoral. 604 . VII – A Cooperação na atividade missionária. com toda a riqueza de conotações teológicas que ela carrega em si 602. nesta nova primavera do cristianismo a. além. a mútua colaboração neste exercício. Ela foi publicada no dia 7 de dezembro de 1990. na introdução. de forma contundente. p. VIII – A Espiritualidade Missionária. O que constata quanto à realidade eclesial. São Paulo: Paulinas.O Espírito Santo. que é de torná-lo santo (cf. Contudo. Os outros Capítulos versam sobre o “Locus” da missão. Os três primeiros Capítulos dissertam acerca dos fundamentos teológicos da missão. a sua missionariedade como horizonte último e irrenunciável. 1. é claro. para entendermos as Diretrizes propostas para o quadriênio de 1991 a 1994 é ainda necessário averiguarmos a influência capital da Encíclica de João Paulo II sobre a missão que. por ocasião do vigésimo quinto aniversário do Decreto conciliar Ad gentes e no décimo quinto da Exortação Apostólica de Paulo VI Evangellii Nuntiandi. principalmente a do Brasil.

608 Cf.1. desde o final do Concílio” e. nenhuma instituição da Igreja pode esquivar-se deste dever supremo: anunciar Cristo a todos os povos” 608. afirma que “é evidente a urgência da missão” 606. 4. Neste ínterim. . O CONTEÚDO TEOLÓGICO DA REDEMPTORIS MISSIO O Capítulo primeiro traz.5. 1. e não fazem parte da Igreja” e que este número. no mundo de hoje. apesar de conhecer realizações maravilhosas. parece ter perdido o sentido último das coisas e da sua própria existência 607.197 documento visa justamente a superá-lo 605 . o que me anima mais a proclamar a urgência da evangelização missionária é que ela constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira. “quase duplicou. Nenhum crente. uma questão crucial. o Papa alerta para o número crescente de pessoas que “ignoram Cristo. Cf. que. segundo o Pontífice.1. 607 Cf. fruto de uma profunda crise teológica: é ainda necessária a Missão entre os não católicos? Porque não substituí-la pelo Diálogo inter-religioso ou pela promoção humana? Outra questão é: se a salvação é 605 606 Cf. RMi 3. por isso. RMi 3. o Papa diz que é “chegado o momento de empenhar todas as forças eclesiais na nova evangelização e na missão ad gentes. RMi 2. Para João Paulo II. em seu bojo. Concomitantemente. RMi 2.

Contudo. A carta Encíclica retoma a postura da real necessidade da Igreja na ordem da salvação. conforme o Concílio. mas a Igreja é necessária para a exata salvação. tem também o dever moral. RMi 5. Nele é plenificada. A salvação é possível somente pela e na Pessoa de Jesus Cristo. porque é a primeira beneficiadora e porque é o instrumento privilegiado desta universal ação salvífica de Deus em Cristo. 611 Cf. Conforme o Papa. Assim. já desde o Concílio. e disso. mas não se pode separá-las do único e mesmo Deus que as distribuiu. em sua Providencia. não violaria a liberdade do homem? 609 A RMi reafirma a Unicidade e. é 609 610 Cf. RMi 4. RMi 7-8. e não podem ser entendidas como paralelas ou complementares desta 610. a unidade da mediação de Cristo para a salvação de todas e de cada pessoa humana. longe de ser obstáculo no caminho para Deus. a questão sobre a Liberdade do homem em relação a Cristo. por que a missão? A missão. Cristo tem plena consciência. de acolher a verdade sobre si e sobre a sua vida 611. Esta sua mediação única e universal. é a via estabelecida pelo próprio Deus. como proposta de conversão em Cristo. todavia elas recebem significado e valor unicamente da de Cristo. muito embora Deus. se o homem deve ser respeitado em sua liberdade e adesão livre. tenha dispensado sementes do Verbo entre os vários povos.198 universal. ao mesmo tempo. . Se não se excluem mediações particulares de diverso tipo e ordem. não é em nada tolhida. diz o Papa. ao contrário.

Este é personificado e revelado progressivamente em suas exigências em Jesus “por meio de suas palavras. é a medida exata de nossa fé em Cristo e no seu amor por nós”. por isso mesmo. Neste ínterim. e. e a necessidade da Igreja para essa salvação” 612. Assim. A Encíclica aborda a necessária relação entre Jesus Cristo e o Reino de Deus.199 “necessário manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens. . a ajudar-se mutuamente” 617.. à medida que estes aprendem a amar. e realizar-se progressivamente. destina-se para todos. 617 RMi 15. A missão. perante a pergunta por que a missão? Responde o Papa. O Reino de Deus. suas obras e sua pessoa” 614 . Cf. para além do mandato formal do Senhor.. de forma incisiva: “A missão é um problema de fé. 612 613 Cf. 614 RMi 14. 615 RMi 15. continua o Papa. deriva ainda da profunda exigência da vida de Deus em nós. RMi 9. assim como a salvação operada por Jesus Cristo. RMi 11. 616 RMi 14..613. mais comprometidos a testemunhar a vida cristã como serviço aos irmãos e resposta devida a Deus. incluindo a sociedade como um todo e o mundo inteiro 615 e a todas essas realidades. a perdoar. o “Reino pretende transformar as relações entre os homens. visa unicamente à “libertação e à salvação” que 616 “atingem a pessoa humana tanto em suas dimensões físicas como espirituais” . Aqueles que estão incorporados na Igreja Católica devem sentir-se privilegiados. indistintamente.

A relação entre Reino-Jesus-Igreja é ontológica. a Igreja não pode limitar-se somente aos que lhe acolhem. não pode ser separada da obra peculiar que ele desenvolve no corpo de Cristo. Sempre é o Espírito que atua. Como fundamentos da missão. portanto. conduzindo a Igreja à 618 619 RMi 17 RMi 18. . 621 RMi 20. acima de tudo. não pode ser separado da realidade da Igreja. GS 22. Neste sentido. 622 RMi 21. Não se pode querer. uma pessoa que tem o nome e o rosto de Jesus de Nazaré. o Reino de Deus.30. Não se pode dicotomizar a ação do Espírito nas culturas da mesma ação do mesmo Espírito na Igreja.200 Ademais. a Encíclica apresenta o Espírito Santo como o Protagonista da missão 622. Por ser Sacramento de Salvação. valorizar o mistério da criação em detrimento ou até mesmo da exclusão do mistério da redenção 618 . um programa sujeito a livre elaboração. “Ela é força atuante no caminho da humanidade rumo ao Reino escatológico. além de se relacionar com Jesus Cristo. impelindo-a anunciar Cristo. mas é. quer quando semeia e desenvolve seus dons em todos os homens e povos. a Igreja está a serviço do Reino e o serve primeiramente com o “anúncio que chame à conversão: este é o primeiro e fundamental serviço à vinda do Reino para cada pessoa e para a sociedade humana” 620 . em nome do diálogo inter-religioso. “não é um conceito. ou reino-cêntrica. caindo num teocentrismo. pois a ação universal do Espírito. quer quando dá a vida à Igreja. imagem do Deus invisível” 619. como afirma o papa. que é a Igreja. afirma a Encíclica. é sinal e promotora dos valores evangélicos entre os homens” 621. “O Reino de Deus”. uma doutrina. não podendo separá-las ou reduzi-las a uma dimensão antropocêntrica. 620 RMi 20.

Cristo deu o seu Espírito para a guiar até à verdade total (cf. A ela. DGAP 1991-1994. as quais desconhecem de forma total a pessoa de Jesus Cristo e seu Evangelho ou nas quais falta maturidade para poderem encarnar a fé e anunciá-la aos outros. aquela que se dirige às comunidades cristãs solidamente formadas e que vivem com fervor. mas compete à Igreja discerni-la. 45). Existe ainda uma intermediária. já nas Diretrizes de 1991-1994 já propor-se-á uma mudança e um aggionamento a toda sua ação Pastoral. p. A Igreja no Brasil baseada nessa tríplice análise da missão conjugada com a realidade religiosa em que estava o povo católico brasileiro. São nestas comunidades que se desenvolvem as pastorais. eles se acham. por meio do diálogo. Cf. que é a forma concreta de realizar a missão da Igreja. RMi 33. promoção e acolhimento desses dons. João Paulo II descreve três tipos de missão. São Paulo: Paulinas. cit. p. Aqui se fala de uma nova evangelização 624. (Documentos da CNBB n. 625 CNBB. Segundo o Papa.13) 623. nas quais se perdeu o sentido da fé e as exigências do Evangelho. Introdução à Eclesiologia: Op. a missão ad gentes”. propriamente. afastados da comunidade eclesial ou só ocasionalmente dela se aproximam” 625. 104. Após abordar esses fundamentos teológicos da missão. a maioria da população. ressaltando a “urgência da ‘nova evangelização’” e a imposição de uma nova prioridade: “o trabalho evangelizador e missionário dirigido aos católicos não-praticantes. que se situa nos países de longa tradição católica ou ainda nas Igrejas jovens.201 descoberta. Jo 16. ou seja. o 623 624 RMi 29. 1991. S. Também PIÉ-NINOT. Qualquer presença do Espírito deve ser acolhida com estima e gratidão. . pois todas elas são afins e têm como objetivo último. 8. a nova evangelização e a missão específica. Aqui o Papa diz que é “esta. Existem também comunidades. não há uma clara separação entre o cuidado pastoral. Apesar do batismo e de certa religiosidade. de fato.

A RMi abarca as CEBs como lugar para o autêntico testemunho cristão e também para o autêntico anúncio do Evangelho.202 anúncio da pessoa. a fim de que nela o cristão possa fazer “uma experiência comunitária. 628 RMi 42. o Evangelho é encarnado na Cultura. RMi 37. estimulado a dar a sua colaboração para o proveito de todos” 629. no entanto.5. Este testemunho pessoal deve ser crescente dentro de uma comunidade. 629 RMi 51. A missão deve ser precedida pelo testemunho de vida. não tem somente a finalidade de multiplicar o anúncio do Evangelho: trata-se de um fato muito mais profundo. cuja missão nós continuamos. porque a própria evangelização da cultura moderna depende. da doutrina de Jesus Cristo 626 . pois o “uso da mass-média. Sendo assim. onde ele próprio se sente um elemento ativo. racismos” 630. elas tornam-se instrumento de evangelização e de primeiro anúncio. da sua influência” 627. Diz o Papa: “Deste modo. RMi 34. O Papa aborda a questão da inculturação do evangelho como necessária. 630 RMi 51. “O testemunho da vida é a primeira e insubstituível forma de missão: Cristo. oferecem uma indicação sobre o modo de superar divisões. dois princípios 626 627 Cf. 631 RMi 52. enquanto. na evangelização da cultura. por meio dos novos areópagos. Pela inculturação. seus valores assumidos. embora seja um processo lento “que acompanha toda a vida missionária e que responsabiliza os vários agentes da missão Ad gentes” 631. pois o homem moderno acredita mais nas testemunhas do que nos mestres. bem como fonte de novos ministérios.3. Insiste-se. é a ‘testemunha’ por excelência (Ap 1. tribalismos. .14) e o modelo do testemunho cristão” 628. ainda. em grande parte. animadas pela caridade de Cristo. mas também corrigidos a partir de dentro.

são co-responsáveis pela missão da Igreja 636 além é claro. Embora o protagonista da missão seja o Espírito Santo. 635 Cf. pelo batismo também todo cristão é inserido nessa mesma e única missão de Jesus Cristo 638. principalmente a catequese 639. a RMI destaca os responsáveis pela execução desta missão. diocesanos ou não. que é da Igreja. na Comunidade Eclesial. 636 Cf. assim como a missão é universal e sendo a Igreja entendida como Povo de Deus. 634 RMi 55. essa missão. . afirma-se que ele “faz parte da missão evangelizadora da Igreja” 633 . RMi 71. econômica e social.203 são elencados para o correto desenvolvimento da inculturação: “‘a compatibilidade com o Evangelho e a comunhão com a Igreja Universal’” 632. RMi 55. juntamente com o Papa. Assim. junto à realidade política. no que refere ao exercício ministerial. mas que também não dispensa a afirmação de “que a salvação vem de Cristo” nem mesmo a necessidade da própria ação evangelizadora 634. LG 23. 638 Cf. 639 Cf. Embora sendo todos responsáveis pela missão. No que se refere ao diálogo inter-religioso. se pelo batismo todo homem e mulher se tornam Povo de Deus. RMi 67. é também missão de todo o seu Povo. como já nos afirmava o Vaticano II 635 . RMi 72-73. O número 72 indica os lugares onde os leigos devem exercer a sua vocação missional. na Sociedade. na evangelização propriamente dita e também pelos muitos serviços prestados à comunidade. dos inúmeros Institutos Missionários 637 . RMi 63. 640 Cf RMi 79. Juntamente com eles todos os Sacerdotes. 637 Cf. 632 633 RMi 54. RMi 66. no voluntariado. a saber. não se exclui a vocação especifica Ad gentes 640. Os primeiros responsáveis pela evangelização do mundo são os Bispos. Ademais.

uma profunda reflexão sobre o tema da evangelização como fio condutor de toda a vida eclesial. O corpo doutrinal. AS DIRETRIZES DA AÇÃO PASTORAL: DOC 45: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA As Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil propostas para o quadriênio de 1991-1994 encerram em si todas as contribuições teológicas anteriores. percebe-se no documento 45 uma profunda preocupação e. porém. 1991. CNBB. apresentado no Capítulo I. (Documentos da CNBB n. Aqui é importante ressaltar que. é. elas se interpenetram e se exigem mutuamente” 642. De fato. São Paulo: Paulinas. 45). na atual sociedade brasileira. 1991. São Paulo: Paulinas. Estas constituem o “quadro referencial da Ação Pastoral.204 Neste ínterim. Notoriamente. DGAP 1991-1994. 641 642 CNBB. dentro de uma estrutura pastoral baseada nas seis Dimensões ou Linhas. chegamos ao objetivo da nossa análise que são as Diretrizes propostas para o quadriênio de 1991-1994. em síntese. n. Há. nossa análise das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral exposta no documento 45. DGAP 1991-1994. 27. 1. 75. agora. um despertar da Igreja para a sua identidade e missão: “Olhando a urgência e os desafios da missão. como de costume. 45). ao mesmo tempo. Torna-se claro esta tendência pela não-proposta de destaques pastorais. todas as nossas Diretrizes já a mencionam. sentimos a necessidade de despertar ainda mais a consciência missionária da Igreja” 641. em quase todas as outras Diretrizes anteriores.2. principalmente no que tange à compreensão da missão como evangelização. n. No segundo Capítulo apresentam-se as dimensões da evangelização. uma retomada do conteúdo da RMi. Iniciamos. acerca da evangelização. sem esgotar o mistério da Igreja” e “têm a função de mostrar ao mesmo tempo a variedade de aspectos e a unidade dinâmica que deve existir entre eles. por decorrência de toda a reflexão anterior. . (Documentos da CNBB n.

assim como dos outros documentos pontifícios somados à realidade religiosa brasileira. 81. (Documentos da CNBB n. exigirá um entendimento do lugar da missãoevangelização que melhor ressalte a própria vocação da Igreja e. entendida na prática pastoral como um momento da pastoral que não influência as demais. nos últimos anos. 45). DGAP 1991-1994. n. (Documentos da CNBB n. A Linha dois sobre a dimensão missionária é. A missionariedade da Igreja ressaltada como Essência e Razão de ser da Igreja. é aprisionada numa linha ou dimensão da pastoral. nessas Diretrizes assim como nas anteriores. CNBB. tem manifestado seu dinamismo por um novo ardor missionário “ad gentes”. para despertar a fé nos não-cristãos. a sua essencialidade enquanto ação junto ao povo de Deus e à sociedade. Neste ínterim. 1991. um aspecto particular da única e abrangente missão da Igreja. DGAP 1991-1994. 45). apenas um aspecto da Pastoral e não o conteúdo. pois. a razão em si de ser de toda a ação da Igreja que se concretiza na pastoral. conseqüentemente. conseqüentemente. a proposta conciliar. integrando novos membros em sua comunhão visível 643. São Paulo: Paulinas. entre todas as outras cinco linhas ou dimensões. As Diretrizes apresentam os uma à análise das mudanças na sociedade e. . 1991. traça desafios evangelização a partir da influência da 643 644 CNBB. A Igreja no Brasil. São Paulo: Paulinas. não apenas se preocupando com as situações missionárias presentes no país. 84. n. como nos aponta o Concílio e também Paulo VI na EN. mas ampliando seu horizonte missionário para “além-fronteiras” 644. A dimensão missionária exprime. a missão é. correspondente à primeira evangelização.205 Embora se fale de interdependência.

cf. 45).B. 1991. se quisermos manter atualizada a nossa ação pastoral” 649 . 113. 1991. 45). 166. pelo documento. 648 CNBB. (Documentos da CNBB n. que questionam a nossa consciência de cristãos e oferecem desafios inéditos para a evangelização” 650 . DGAP 1991-1994. como a marca característica de seu legado e que representa a verdadeira depreciação dos grandes valores da fé com repercussão na decadência moral 647. 649 CNBB. 646 Cf. GS 36. 1991. DGAP 1991-1994. 645 . 236. como progresso de avaliação teológica diante dos valores do mundo. 45).A. nossos bispos lembram que “o fenômeno da modernidade deve ser estudado e acompanhado permanentemente. tornando o mundo mais desigual que nunca 648. São Paulo: Loyola. e ao mesmo tempo suas contradições e limites. difundindo a exploração e o empobrecimento. DE ÁVILA. (Documentos da CNBB n. favoreceu o surgimento e o crescimento do liberalismo econômico e do capitalismo liberal. As Diretrizes constatam “três aspectos. DGAP 1991-1994. A. aumentando o número de indivíduos e de povos inteiros desprovidos do mínimo necessário. 111. São Paulo: Paulinas. Esses desafios são. [março/abril] 1992. particularmente significativos. p.206 modernidade 645 . 299. n. com a modernidade tem-se o secularismo. 647 CF. A Pastoral em face da Modernidade e da Pós-Modernidade. In: Pequena enciclopédia de Doutrina Social da Igreja. 113. F. assim apresentados: “o Para um melhor entendido do que é a Modernidade. Se com o Concílio temos a secularização 646. A modernidade ressaltou ao máximo a autonomia do homem com a afirmação da subjetividade e. que adquiriu dimensões mundiais. (Documentos da CNBB n. É preciso reconhecer que essas transformações econômicas vieram agravar a questão social. 1991. Belo Horizonte. Modernidade. no campo social. São Paulo: Paulinas. In: Atualização. 650 CNBB. AA 7. DE MIRANDA. n. As Diretrizes assinalam que é nas grandes transformações econômicas que mais aparecem os frutos do progresso tecnológico. São Paulo: Paulinas. n. n. p. Contudo.

114-127. Por isso. do homem. n. Explicitemo-las de forma rápida. CNBB. 152-166. 1991. 45). a resposta aos apelos da fé será sempre. . e.] a salvação é oferecida a cada homem.. uma “experiência subjetiva” do homem sob o impulso do Espírito Santo. conforme os dizeres do Papa João Paulo II. Cf. como dom da graça e misericórdia do próprio Deus” 654. EN 20. (Documentos da CNBB n. ao mesmo tempo. 656 Cf. vértice do seu dinamismo . 655 RMi 45. 45). em Jesus Cristo. 654 RMi 44. (Documentos da CNBB n. do caminho que conduz à libertação do pecado e da morte 655. Quando se fala em “valorizar a pessoa e a experiência subjetiva”. mas se lhe aplica. CNBB.. “o pluralismo cultural e religioso” 652 e as “contradições sociais e causas estruturais” 653. não é evangelização. [. mas no encontro 651 652 Cf. pela ação do Espírito Santo.] o missionário está convencido de que existe já. 1991. um “verniz superficial” de informação evangélica 656 .. uma ânsia (mesmo se inconsciente) de reconhecer a verdade acerca de Deus. citando a EN: “a evangelização conterá sempre – como base.207 individualismo e a emergência da subjetividade” 651 .. CNBB. cumpre lembrar que o apelo evangélico é apelo. nas pessoas e nos povos. 653 Cf. n. quando muito. 45). as Diretrizes lembram que “a experiência religiosa cristã não se realiza em mera experiência subjetiva. primeiramente. DGAP 1991-1994. à dimensão pessoal e subjetiva como nos lembra a RMi. Neste ínterim. Ao anunciar Cristo [. De forma igual. (Documentos da CNBB n. São Paulo: Paulinas. São Paulo: Paulinas. São Paulo: Paulinas. DGAP 1991-1994. 128-151. n. DGAP 1991-1994. centro.uma proclamação clara de que. quando não se desce ao coração do homem e não se provoca nele a experiência de Deus. 1991. A este respeito.

45). [março/abril] 1992. é preciso distinguir dois pólos dessa presença: um teológico e outro prático. mediante o anúncio da Palavra (Evangelho). que lhe foi confiado até o fim dos tempos 658. que tem a responsabilidade de garantir a autenticidade dos laços que unem a comunidade de hoje com a Igreja apostólica e com o projeto missionário. (Documentos da CNBB n. A Igreja se constitui de homens incorporados em sociedades históricas e locais” 659 . A Pastoral em face da Modernidade e da Pós-Modernidade. CNBB. p. 658 657 . In: Atualização. 175. n. mas deverá lembrar sempre que sua missão implica no cuidado “de não se nivelar com forças políticas em busca CNBB. a celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos e ministérios. 45). evangelizador. entre os quais sobressai o ministério episcopal-presbiteral. acentuam a dimensão objetiva e concreta desta “vivência comunitária” quando diz: Conforme o próprio Concílio Vaticano II.A. 1991. n. 175. a Igreja é o ‘Sacramento da Salvação’.208 com a Palavra de Deus confiada ao Magistério e à Tradição da Igreja. 1991. Assim. a comunidade eclesial é edificada pelo Espírito Santo. São Paulo: Paulinas. nos sacramentos e na comunhão eclesial” 657. 196. DGAP 1991-1994. (Documentos da CNBB n. DGAP 1991-1994. 659 DE MIRANDA. 236. n. ela erguerá a sua voz profeticamente. as Diretrizes. sinal e instrumento que aponta para o destino de toda a humanidade (LG. São Paulo: Paulinas. No que se refere aos desafios sobre a “vivência comunitária e a diversificação das formas de expressão eclesial”. No que tange à questão da “presença mais significativa da Igreja na sociedade”. “Teologicamente. Belo Horizonte. 11). n. A. novamente.

1991. o sujeito. São Paulo: Paulinas. sobretudo dos mais pobres. mas descer às situações concretas e realidades específicas” 662. “na reflexão sobre a ética social. A Pastoral em face da Modernidade e da Pós-Modernidade. dizem as Diretrizes. 45). n. São Paulo: Paulinas. 662 CNBB. que estes problemas também são oriundos do que hoje se denomina de pós-modernidade: Depois das elaborações filosóficas de um humanismo profano. É o característico religioso da pós-modernidade 663. 45). e de uma supervalorização da razão e da técnica e a par de uma vivência de produção e consumo – heranças da modernidade – despontaram no coração do homem os frutos do amargor que talvez possam ser fonte de cura: a angustia e a busca de novos caminhos. 239. n.209 do poder. (Documentos da CNBB n. 130. Servidor da humanidade. no sentido de maior justiça e solidariedade” 661. O que é a pós-modernidade? O teólogo belga Johan Van Der Vloet afirma que de um lado. O bispo Antonio Afonso de Miranda constata. In: Atualização. “a Igreja continuará a elaborar e desenvolver sua doutrina ou ética social. n. Poder-se-ia falar não somente de uma crítica CNBB. 1991. 236. DGAP 1991-1994. p. Ou ainda. de um liberalismo absoluto.A. 238. São Paulo: Paulinas. (Documentos da CNBB n. todos os temas da ‘modernidade’ como a razão. No sentido prático. que veio para servir e não para ser servido” 660. tornando-a mais acessível à maioria do povo. n. [março/abril] 1992. 45). 663 DE MIRANDA. 661 660 . 1991. CNBB. (Documentos da CNBB n. em seu artigo. mas em refletir a imagem de Jesus Cristo. o progresso são postos em dúvida. a Igreja no Brasil procurará não se limitar apenas às grandes orientações gerais. 168. DGAP 1991-1994. Belo Horizonte. a autoridade. DGAP 1991-1994. A. de modo que possa inspirar uma efetiva ação transformadora da sociedade.

lei da secularização do mundo. 56.] De um lado. evidentemente não penetrou o espírito das grandes massas do Ocidente. se podemos permitir-nos esta palavra. O que quer dizer que o pensamento pós-moderno é caracterizado por uma desilusão fundamental sobre a evolução atual da modernidade. constatamos que as idéias da pós-modernidade não são invenções filosóficas 665. 666 Ib. esta massa se tornará – certamente no Ocidente – cada vez menor 666. 665 Ib. de uma abdicação diante destes termos. A pós-modernidade crê que a modernidade se tornou uma espécie de mito 664.. Prosseguindo. A ‘massa portadora’ da religião torna-se cada vez menor. É a triste. o estilo de vida pósmoderno deve fazer-nos ver que a religião em geral. [. mas.V. p.. 364. Rio de Janeiro. [out/nov/dez] 1991.210 destes termos. parecem-me influenciar de modo inquietante a vida das pessoas comuns. liberal e. 364. faz duas observações importantes. estão em grave perigo. indiferente. mas real. Se fizermos uma análise do modo de vida de nossos contemporâneos. DER VLOET. 163. ou melhor. e a fé cristã em particular. n. 664 . além disso. In: Communio. Se os cristãos não tiverem a coragem de engajar-se. Mas as conseqüências que ela tira de suas premissas. p. sobretudo. que nos ajudarão a entendermos melhor esses três fenômenos: a pós-modernidade como sistema. Tem-se a impressão que o mundo vai achar uma unidade interior no mesmo estilo de vida: individualista. A fé diante do desafio pós-moderno. J.

São Paulo: Paulinas. o número dos que se declaram católicos continua diminuindo lentamente. São Paulo: Paulinas. “Os evangélicos (protestantes tradicionais e pentecostais) subiram de 1% em 1890 para 2. DGAP 1991-1994. a “Igreja deve estimular os cristãos a assumir a realidade urbana em sua complexidade” 670. 138. 45). 91. 670 CNBB. como vem acontecendo há mais de um século. DGAP 1991-1994. (Documentos da CNBB n. 95% em 1940. Estimativas recentes fazem pensar que o número atual de católicos se aproxime de 85% da população 668. 194. Enquanto isso cresce o número de adeptos de outras religiões.6% em 1980. os católicos eram 98. 89. . 45). n. 139. 669 CNBB. São Paulo: Paulinas. como o Papa João Paulo II tem insistido tanto? Passo aqui a tentar descrever alguns aspetos da eclesiologia inerente às Diretrizes propostas para o quadriênio de 1991-1994.8% em 1970. DGAP 1991-1994. quando afirma que “a maior parte da população no Brasil de hoje mora na cidade” e. 667 668 CNBB.1% em 1980. 45). 1991. 5. n. como atuar nessa nova cultura hodierna que se instala e é agressiva aos valores evangélicos e nocivos aos homens? As Diretrizes acenam para esta realidade cultural.5% dos adultos” 667. podem ser estimados em cerca de 8% da população” 669. (Documentos da CNBB n. 45).2% em 1970. por isso. Diante desses fenômenos da modernidade e da pós-modernidade e dos agravantes sociais no que tange à religião e à miséria. Diante do modelo eclesial que as Diretrizes apresentam. (Documentos da CNBB n. Segundo os censos. n. embora o número dos que não acreditam em Deus “não passam de 1% a 1. n. na medida em que se difunde o pluralismo religioso. DGAP 1991-1994. 1991. 1991. 1991. 140. São Paulo: Paulinas. (Documentos da CNBB n. 6.211 As próprias Diretrizes constatam que. é possível responder aos apelos dos homens e das mulheres de hoje por meio de uma nova evangelização.6 em 1940. CNBB.9% em 1890. Hoje.

673 EN 28. a vida. a doutrina. o mistério de Jesus de Nazaré Filho de Deus não forem anunciados” 674. da valorização do fiel leigo. 675 EN 28. a totalidade da evangelização para além da pregação de uma mensagem consiste em implantar a Igreja. se falava da função salvadora e sacramental da Igreja” 671. a Igreja do Brasil é a Igreja do Vaticano II que procurou inserirse no mundo. por muito tempo. Assim. 674 EN 22. esqueceu que era preciso evangelizar como Paulo VI nos lembra: é “uma proclamação clara que. p. a salvação é oferecida a todos os homens. que é a vida sacramental a culminar na Eucaristia” 675. n. De forma categórica. por meio da diversidade das pastorais. Numa tentativa de construção do Reino de Deus. ou quase nada. 672 EN 27. 671 . a qual não existe sem esta respiração. 176. em Jesus Cristo. quase exclusivamente ao social. engajando-o na comunidade. A Pastoral em face da Modernidade e da Pós-Modernidade. “uma inclinação horizontalista. dialogar com ele. é necessário percebermos que a Igreja no Brasil viveu de forma unilateral. embrenhou-se em funções eminentemente sociais.212 Fundamentalmente. afirma que “não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome.A. pois. com acentuados apelos sociais. (CEBs) inserindo-se. In: Atualização. a “evangelização contém. o reino. e que não constituem a essencialidade de sua missão. também a pregação da esperança nas promessas feitas por Deus na Nova Aliança em Jesus Cristo” 673. 236. Por último. libertárias. A Igreja. A. DE MIRANDA. a define de forma clássica: “Efetivamente. [março/abril] 1992. que não carecem de valores evangélicos. A Igreja no Brasil foi se tornando um sinal unívoco no que se refere à sociedade. Belo Horizonte. Pouco. as promessas. Filho de Deus feito homem. em todos os âmbitos sociais. como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus” 672. Contudo. morto e ressuscitado.

assim como já Paulo VI na EN. AT 2. que fazem o crente transcender-se e. mas não é tudo.42-47). a catequese. ao mesmo tempo impulsionados por esta transcendência. de transcender-se. para ser cristã. a liturgia 676. que é louvável. a sacramentalização. representam uma verdadeira expressão de comunhão e um meio 676 EN 42-43. Por isso. na oração onde a Eucaristia ocupa o lugar central. perdemos fiéis para as outras religiões que estavam preocupadas em responder aos apelos de fé dos fiéis e não se ele tem ou não direitos. mesmo que isto seja relevante. o direito de expressar a sua religiosidade. conseqüentemente. não demos importância. deve fundar-se e viver em Cristo. ficamos em discursos e em ações eminentemente imanentes que não levam à transcendência o fiel. e pela partilha conforme as necessidades dos vários membros (cf. aquilo que nós. Toda a comunidade – recordava Paulo VI – deve viver em unidade com a Igreja Particular e Universal. por outro lado. esquecemos de dar-lhes também o pão da fé. Os protestantes preencheram nossa lacuna. empenhada na irradiação missionária e evitando fechar-se em si mesma ou deixar-se instrumentalizar ideologicamente. Quando se fala do protagonismo dos leigos e das CEBs.213 Neste ínterim. perdemos na qualidade de cristianismo e. as novas comunidades de base. na comunhão expressa pela unidade de coração e de alma. na comunhão sincera com os Pastores e o Magistério. católicos. engajar-se em sua vida concreta. Enquanto ficamos preocupados em dar assistência jurídica e reivindicar os direitos dos pobres. O Sínodo dos Bispos afirmou: ‘Uma vez que a Igreja é comunhão. temos que ressaltar alguns pontos importantes: João Paulo II na RMi. chamava a atenção para a eclesialidade das CEBs: De fato. cada comunidade. na escuta da Palavra de Deus. . como a pregação. se verdadeiramente vivem em unidade com a Igreja.

Anunciar o Reino de Deus é anunciar o Deus vivo e verdadeiro. Num contexto assim.. as CEBs em vez de se tornarem pólos de unidade eclesial. engajada na construção do Reino de Deus. pastoralista. nesse sentido. que preferiam um outro modo de ser Igreja. .. neste ínterim. devemos examinar as nossas consciências. Caso contrário. uma ruptura entre ser da pastoral e não ser da pastoral.214 eficaz para construir uma comunhão ainda mais profunda.] Se na evangelização devemos falar principalmente de Deus para pode falar do homem com verdade. Todos os outros fiéis leigos. se comunicou a nós e se une a nós para reinar em nós. enquanto só se podia afirmar ser leigo. eram denominados alienados. Grande parte da nossa catequese e da 677 RMi 51. nem uma estrutura do mundo que nós devemos idealizar realizar. na qual só se é engajado se fizer parte de uma pastoral. pontos de reivindicações sociais e eclesiais. mas não sobre o conteúdo da fé. Quem não conhece Deus. Historicamente. aquele que estivesse engajado na luta do e pelo povo. ignorando a sua verdadeira dignidade [. como afirma o Cardeal Ratzinger: O Reino de Deus não é um lugar ou um tempo. Criou-se. na maioria delas. Criou-se. não conhece o homem. Por isso. uma “ditadura da pastoral”. temos um perfil de Igreja horizontalista. são uns motivos de grande esperança para a vida da Igreja’ 677. muitos se tornaram insensíveis àqueles que não compartilhavam de suas ideologias. são todos alienados. salvo exceções. Os leigos foram cada vez mais conscientizados sobre seus direitos e deveres. segundo as suas forças e não segundo o Evangelho. O Reino de Deus é o próprio Deus que se fez próximo de nós. Todos os que não participavam eram considerados cristãos de segunda categoria. tornaramse.

215 nossa pregação parece ter sido determinada pela persuasão de que é necessário resolver primeiros os urgentes problemas econômicos. 53. da qual tudo depende. v. [março] 1993. Revista “30 DIAS”. o crescendo da violência no desemprego. p. 679 678 . In: REB. nos roubos. sócios e políticos. LORSCHEIDER. até aqui apresentada pelas Diretrizes. [janeiro] 1992. a corrupção nos serviços públicos. n. Será que faltou o anúncio do Evangelho? O que deveria ter sido feito e não se fez? 679 Cf. concreto. Ademais. A. a Pastoral é para uma Igreja que está toda evangelizada e não para uma Igreja que está em estado de evangelização. Petrópolis. E aí vem pertinente a pergunta: terá sido esse o resultado real. 209. A Igreja no Brasil deverá passar do adjetivo “Pastoral” para o de “evangelização”. col. 38. a discriminação. a desigualdade no exercício da cidadania. nós anunciamos uma sabedoria nossa e um reino humano e escondemos a luz verdadeira. Assim. mas de interesses particulares. a violação constante dos direitos humanos fundamentais. A IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano em Santo Domingo – República Dominicana. 1 e 2. sob o céu das nossas idéias e iniciativas 678. A evangelização. p. Roma. visto que a sua missão ainda está longe de se realizar e também neste período distanciada de seu verdadeiro itinerário. conforme o próprio Papa João Paulo II afirmou na RMi. é pervertida a verdade das coisas. nos assassinatos. não se tornou o verdadeiro conteúdo da Ação Pastoral. 20. É salutar e representativo o testemunho de Dom Aloísio Lorscheider: O povo simples e humilde é cada vez mais excluído da sociedade. de 500 anos de Evangelização? Que Evangelização foi essa? Foram os corações duros que se fecharam. ou foi a nossa Evangelização insuficiente? Onde está a falha? Constatamos a não eqüitativa distribuição dos bens da terra. nos seqüestros. As massas sobrantes aumentam. a busca não do bem comum. e depois poderemos também falar de Deus tranqüilamente e em paz. ano VII.

Porto Alegre. Importante ressaltar as contribuições imediatas para a sua formulação: Santo Domingo e a Carta Encíclica Tertio Millennio Advenient. 1992. In: SANTO DOMINGO: Nova Evangelização. primeiramente por parte dos bispos. 7-30. 23. Promoção humana. ou seja. percebe-se uma nova aurora. 23. Cultura Cristã e Inculturação. como já denota o próprio tema da Confêrencia e o discurso programático do Papa João Paulo II.3.1. DADEUS G. de ser nova em seu “ardor”. realizada em Santo Domingo. n. uma revolução copernicana na compreensão do lugar da Evangelização na Igreja. 680 . 681 Cf.3. [março] 1993. 1. Há um verdadeiro empenho. em seus “métodos” e em suas “expressões”. de forma objetiva. quando da sua abertura: “Nova Evangelização. em aplicar os princípios da nova evangelização proposta pelo Papa João Paulo II. Santo Domingo verbaliza. Cultura Cristã” 680 . SANTO DOMINGO E O PROJETO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO Santo Domingos ressaltou uma tríplice preocupação. Diferentemente do que acontecera nas outras três Conferências. v. OS FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DAS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL: DOC 54 Essas novas Diretrizes inauguram um novo tempo para a Igreja no Brasil. In: Teocomunicação. 99. Discurso de abertura da IV Conferência Geral do CELAM. p. desde o seu início até o seu fim. A partir delas. Petrópolis: Vozes. em consonância com a IV Confêrencia Episcopal. p. A Conferência de Santo Domingo. Ela passa de uma mera Dimensão da Pastoral para se tornar à razão de ser e de agir de toda ação pastoral da Igreja. e atendendo aos apelos do Papa para a preparação do Novo Milênio. que a sua única opção é por Jesus Cristo e que todos os trabalhos são decorrência dessa opção fundamental 681.216 1.

683 Cf. JOÃO PAULO II. A expressão Nova Evangelização já fora apresentada em Medellín. 4º ed. SANTO DOMINGO E A NOVA EVANGELIZAÇÃO O tema da nova evangelização foi. 682 . como abordagem própria para nossa reflexão. 1979. verbalizada pelo Papa João Paulo II. LIBANIO. aos oito dias do mês de março de 1983. 1988. 75: 778. durante a XIX Assembléia Geral do CELAM.217 Dentre os muitos outros enfoques que a essa Confêrencia se pode dar. desde 1983. em Santo Domingo. elucidaremos apenas três: o que tange à temática da nova evangelização. Exortação Apostólica Christifidelis laici. 5º ed. 1983. a 9 de março de 1983. Haiti. AAS. p. 1. 685 Cf. JOÃO PAULO II. o Papa lançava o desafio da nova evangelização com um discurso incisivo 682. em Porto Príncipe.154-174. CONCLUSÕES DE MEDELLÍN. n. Nessa ocasião. perpassando em suas encíclicas ou em seus De forma efusiva. São Paulo: Loyola. à centralidade de Jesus Cristo como fundamento da eclesiologia de comunhão e ao protagonismo dos leigos. Medellín falava de uma reevangelização. O Papa João Paulo II. Discurso ao CELAM em Porto Príncipe. Igreja Contemporânea: encontro com a modernidade. J. 684 DP 366. São Paulo: Paulinas.B. não parou mais de mencionar e de 685 inculcar esse projeto da nova evangelização discursos 686. Em Puebla fala-se das “situações novas (AG 6) que nascem de mudanças sócio-culturais e exigem uma outra evangelização” 684 .1. 686 Cf. 34. o Papa descreve o sentido da Nova Evangelização afirmando que Cf. São Paulo: Paulinas. . 4. Contudo. no Documento da Pastoral Popular 683. n. no Haiti. pela primeira vez.1. no discurso de abertura da IV Confêrencia do CELAM.3.

tais como os Meios de Comunicação Social. gere uma mística. 687 . e a salvação não se encontraria nele. DSD n. sob a ação do Espírito. 689 Cf. No que se refere aos métodos. 28-30. 1992. o homem das bem-aventuranças (cf. Cultura Cristã e Inculturação. Não é a cultura a medida do Evangelho. 6. merece atenção Discurso de abertura da IV Conferência Geral do CELAM. Petrópolis: Vozes. 1992. mas em seu ardor. temos uma variada gama de meios. In: SANTO DOMINGO: Nova Evangelização. Se Puebla colocou a tríplice verdade como conteúdo da evangelização. n. Petrópolis: Vozes. Segundo o Papa. não seria ‘evangelho’.218 A nova evangelização não consiste num ‘novo evangelho’. Em que consiste este ardor? O ardor apostólico da Nova Evangelização brota de uma radical conformação com Jesus Cristo. Discurso de abertura da IV Conferência Geral do CELAM. Dentre esses. Por isso. In: SANTO DOMINGO: Nova Evangelização. Cultura Cristã e Inculturação. em seus métodos e em sua expressão 689. Uma evangelização nova em seu ardor supõe uma fé sólida. o primeiro evangelizador assim o melhor evangelizador é o santo. que surgiria sempre de nós mesmos. 688 Cf. Santo Domingo coloca Jesus Cristo como o fundamento da nova evangelização 688. Nem mesmo consiste em retirar do Evangelho tudo aquilo que parece dificilmente assimilável. a nova evangelização deve ser “nova” não quanto ao seu conteúdo. 28. 6-7. um entusiasmo incontindo na tarefa de anunciar o Evangelho e capaz de despertar a credibilidade para acolher a BoaNova da Salvação 690. n. a família. a Pastoral do diálogo. 690 DSD n. mas Jesus Cristo é a medida de toda a cultura e de toda obra humana 687. que é sempre Jesus Cristo. uma caridade pastoral intensa e uma forte fidelidade que. da nossa cultura ou da nossa análise sobre a necessidade do homem. RMi 90-91). mas pura invenção humana.

696 DSD n. mas indicaremos algumas fontes para posteriores aprofundamentos. 30. de C. P. desafios e compromissos. não pode ser feita com teorias bem elaboradas. [julho] 1989. SUESS. 30DIAS. RANGEL. No que concerne à questão dos métodos para a nova evangelização.” 691 e. mas o fruto da verificação da fé que se tornou visível na vida dos cristãos e na comunidade da Igreja 693..). n. 1986. é comunicação. 140. AZEVEDO. da qual temos urgente necessidade. O insucesso catastrófico da catequese moderna é muito evidente. In: Atualização. Estamos como no início. 260. BOFF. DSD alerta a Igreja do seu pouco uso dos MCS enquanto que as outras denominações o usam até demais. Nova Evangelização: perspectiva dos oprimidos. O Documento de Santo Domingo aponta que a “nova evangelização tem de inculcar-se mais no modo de ser e de viver de nossas culturas. 693 Cf. sem jamais depositar neles toda nossa confiança” 692. São Paulo: Loyola. Santo Domingo relembra Puebla quando afirma que “a evangelização. usufruindo tudo o “que a técnica e a ciência nos proporcionam. M. p. (org. 1063. 691 DP n. Culturas e Evangelização: a unidade da razão evangélica na multiplicidade de suas vozes: Pressupostos. assim. Comunidades Eclesiais de Base. 1990. especialmente as indígenas e afro-americanas” 694 . Belo Horizonte. P. L. O Problema da Inculturação. n. “a Nova Evangelização continuará na linha da encarnação do Verbo” 696. A Evangelização deve ser nova quanto a sua expressão. 694 DSD n. São Paulo: Loyola. 99-110. 29. p.. .219 especial os MCS. 695 Não vamos aprofundar o assunto. São Paulo: Vozes. 30. Inculturar 695 o Evangelho é a máxima proposta para a nova Expressão da Nova Evangelização porque. 692 DSD n. 7. A conversão do mundo antigo ao cristianismo não foi resultado de uma atividade planejada da Igreja. levando em conta as particularidades das diversas culturas. é salutar as palavras do Cardeal J. [março/abril] 1996. anúncio do Reino. a Igreja deve ser mais audaz e criativa no uso desses meios. Ratzinger: A nova evangelização. por isso. 1991. n. 47. Cf. ano VI.

É preciso uma Nova Evangelização com o renovado ardor. concebida a partir dessa tríplice novidade. e o princípio de toda a cultura cristã autêntica” 702. É aqui. 697 DADEUS G. 25. A Conferência de Santo Domingo. a uma adesão pessoal a Jesus Cristo e à Igreja 700. 24. operativa e dinâmica. será decisiva para a formulação das novas Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil. atentas a esta nova concepção de evangelização. 701 DSD n. Ver também n. constituído por pessoas livres. 99. que se encontra “o primeiro anúncio e a raiz de toda a evangelização. In: Teocomunicação. levando as pessoas batizadas.220 Dessa forma. 23. nesse contexto de conversão e adesão à pessoa de Jesus Cristo. basta dizer que a Evangelização é. n. Neste ínterim. A grande finalidade da Nova Evangelização é formar pessoas e comunidades maduras na fé. Porto Alegre. 29. 699 DSD n. a nova Evangelização parte de Cristo e encontra Nele todo o seu conteúdo. 24. um novo método e um renovado ardor. Ela pode ser definida como “um novo ambiente vital” 697 . como afirmam os Bispos. afastadas da prática da fé. Santo Domingo define a Nova Evangelização como sendo o “conjunto de meios. um convite à conversão pessoal e comunitária por causa da adesão a Jesus Cristo. tanto para interpretá-los como para se deixar interpelar por eles. 24. onde “a acolhida do Espírito Santo faz surgir um povo renovado. . p. proporão para o quadriênio futuro uma nova expressão. DSD n. ações e atitudes aptas para colocar o Evangelho em diálogo ativo com a modernidade e o pósmoderno. que. conscientes de sua dignidade e capazes de fazer uma história verdadeiramente humana” 698. novos métodos e novas expressões para. v. [março] 1993. 700 Cf. 24. É o esforço de inculturar o Evangelho na situação atual das culturas de nosso continente” 699. “enfrentar a grandiosa tarefa de infundir energias ao cristianismo da América Latina” 701. 24. 698 DSD n. A Nova Evangelização. 702 DSD. o fundamento de toda promoção humana. n. pois.

243. e o reconhecimento de novos valores que coincidem com a mensagem de Cristo 706. meio e objetivo da Nova Evangelização’ (Discurso ao Conselho Internacional de Catequese. 26. são necessários para encarnar nessa mesma cultura a mensagem evangélica e a reflexão e práxis da Igreja 703. 230. que será capital para a formulação do documento 54. RMi n. introduz os povos. Assim. discernidos e assumidos pela fé. na sua própria comunidade”. 703 704 DSD n. manifesta-se no processo de inculturação. 706 DSD n.221 Outro aspecto da evangelização proposta em Santo Domingo. Santo Domingo propõe a discussão teológica acerca da inculturação a partir da “analogia entre Encarnação e a presença crista no contexto sócio-cultural e histórico dos povos”. 52. 705 DSD n. dá-se permanentemente no interior de todas as culturas” 704. Os autênticos valores culturais.92). através do seu Espírito. a Igreja encarna o Evangelho nas diversas culturas e. . haja vista que a “ação de Deus. Esta evangelização da cultura. com suas culturas. que João Paulo II chamou de ‘centro. que a invade até seu núcleo dinâmico. os aprecie e os mantenha como tais. a inculturação do Evangelho é um processo que supõe reconhecimento dos valores evangélicos que se têm mantido mais ou menos puros na atual cultura. DSD n. Neste ínterim. 243. Santo Domingo retoma a definição clássica já enunciada na RMi: “Pela Inculturação. Acima de tudo.9. Além disso. é o conceito de Evangelização inculturada. simultaneamente. 229. Santo Domingo afirma que essa “inculturação é um processo que vai do Evangelho ao coração de cada povo e comunidade com a mediação da linguagem e dos símbolos compreensíveis e apropriados segundo o juízo da Igreja” 705 . a inculturação do Evangelho busca e exige “que a sociedade descubra o caráter cristão desses valores.

243. ainda. que fortaleça sua identidade e confie em seu futuro específico. De maneira especial. especialmente dos oprimidos. 245. afirma. contrapondo-se aos poderes da morte. Por isso. ou porque se tenham obscurecido ou porque tenham chegado a desaparecer” 707. 243. da pobreza e da cruz redentora” 708. . Assim. DSD n. diante da força esmagadora das estruturas de pecado manifestas na sociedade moderna” 709 . destaca que uma meta da Evangelização inculturada será sempre a salvação e libertação integral de um determinado povo ou grupo humano. 712 DSD n. indefesos e marginalizados. a “América Latina e o Caribe configuram um continente multiétnico e pluricultural” 711 . A Igreja reconhece que estes valores e convicções “são fruto das ‘sementes do verbo’ que estavam já presentes e atuantes nos seus antepassados. que salvou a vida de todos partindo da fraqueza. 711 DSD n. 244. para que fossem descobrindo a presença do Criador em todas as suas criaturas: o sol. 230. 710 DSD n.222 pretende a incorporação de valores evangélicos que estão ausentes da cultura. a mãe terra etc” 710. 244. afro-americanos e mestiços a fim de poderem buscar “uma unidade a partir da identidade católica” 712. Desta forma. a lua. a Igreja latino-americana deve inculturar-se principalmente entre os indígenas. 707 708 DSD n. 709 DSD n. adotando a perspectiva de Jesus encarnado. “A Igreja defende os autênticos valores culturais de todos os povos.

[abril] 1992. de Puebla. Também. Geraldo L. 714 Discurso de abertura da IV Conferência Geral do CELAM. Belo Horizonte. Cultura Cristã e Inculturação. características indispensáveis para “uma verdadeira promoção humana e cultural cristã” 715. P. In: Theologica Xaveriana. p.1. No Sínodo dos Bispos de 1985. hoje e sempre! Conseqüências para a eclesiologia.223 1. da obra e da mensagem de Jesus Cristo. entre as muitas outras possíveis. 716 DSD n. Hackmann. no discurso inaugural.3. com o binômio Comunhão-Missão. Jesus Cristo é o mesmo: ontem. 715 DSD n. 717 DSD n.2. segundo o Pe. 153-159. Petrópolis: Vozes. A frase programática “Jesus Cristo. y lo será per siempre (Hb 13. Santo Domingo retrata. para dar graças a Deus por sua presença nestas terras americanas” 714. 1992. 32. hoje e sempre” 713. essa eclesiologia. Sendo a Igreja entendida como Povo de Deus. p. É a partir de Cristo que se pode falar de “homens e mulheres novos de que a América Latina e o Caribe necessitam” 716. ontem. 31. A. SANTO DOMINGO E A CENTRALIDADE DE JESUS CRISTO COMO FUNDAMENTO PARA A ECLESIOLOGIA DE COMUNHÃO Na esteira do Vaticano II. In: SANTO DOMINGO: Nova Evangelização. ORTIZ. para uma leitura exegética do trecho bíblico. n. foi priorizada como sendo a mais característica do Vaticano II. Já. “esta é uma Para uma leitura pastoral do trecho bíblico. cf. extraída da Carta aos Hebreus. A eclesiologia de Comunhão está radicada na relação ontológica entre a Igreja e a Trindade. n. 2. É mister afirmar. 236. cf. que “a Igreja. n. 32. de forma explícita. Jesucristo es el mismo ayer y hoy. como o documento. por isso. o Papa é enfático quando afirma que “a Confêrencia reúne-se para celebrar Jesus Cristo. com o princípio “Comunhão-Participação”. ANTONIAZZI. 104. essa eclesiologia e. Ela depende em tudo de Cristo para sua vivência. encontra sua fonte em Jesus Cristo” 717.8): Estudo exegético. 441-453. É a partir de Jesus Cristo que é possível à conversão e a santidade de vida. como mistério de unidade. de Comunhão. B. demonstra a intenção primária de toda a IV Confêrencia de postular à Igreja a centralidade da pessoa. a Confêrencia de Santo Domingo faz haurir de seu documento uma eclesiologia cristocêntrica e. 713 . [março/abril] 1992. In: Atualização.

O ‘em si’ e o ‘para nós’ da Igreja. Ano 9. onde a Igreja vem apresentada como mistério/sacramento de comunhão evangelizadora inculturada e promotora humana” 719. Porto Alegre.224 grande novidade da IV Confêrencia do episcopado da América Latina e do Caribe. foi em Puebla. 170-171. p.L. G. pode-se ver que esta dimensão mostra que existe uma continuidade entre Puebla e SD. ou seja. 719 Ib. In: Revista do Clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro. comprometida com a promoção humana e inculturando o Evangelho ao proclamar o Reino de Deus a todos” 722. 720 Cf. 170. [junho] 1993. ou seja. In: Teocomunicação. cujo objetivo primário é tornar-se “comunidade santa formada por comunidades vivas e dinâmicas. 2. 100. mas segundo alguns autores 720. da Igreja no Brasil. a Eclesiologia de Comunhão de Santo Domingo. [agosto] 1992. p. 44. Portanto. 23. p.B. G. também KLOPPENBURG. p. Cf. possa exercer sua missionariedade . J. 170. em comunhão pela unidade do Espírito com diversidade de ministérios e carismas. 100. p. Porto Alegre. “Por isso. de maneira especial. v. 718 .relação imanente . A Igreja entendida como comunhão. v. porque está radicado em Cristo e é a partir dele que vive e respira e procura a sua conversão para que. a primeira tentativa de acolhimento deste binômio Comunhão-Missão ou da eclesiologia de comunhão. B. Porto Alegre. n. o “teológico e o pastoral. a essência e a práxis. 169. HACKMANN. ano XXIX. 721 HACKMANN. será entendido como Comunhão. dessa relação ontológica. esta unidade entre estes dois aspectos – teológico – pastoral / comunhão – missão – não foi totalmente esclarecida e aprofundada. Nisto consiste a grande novidade de Santo Domingo. 722 Ib.concretizada no exercício da evangelização. [junho] 1993. [fevereiro] 1979. In: Teocomunicação.B. Em se tratando de América Latina. Significa uma consonância com a orientação que está sendo traçada por João Paulo II” 718. A eclesiologia de comunhão une dois aspectos. 17-19. embora esta última tenha tornado claro e aprofundado um tema já existente implicitamente naquela” 721. a Eclesiologia de Comunhão de Santo Domingo. p. 23. 194200. In: Teocomunicação. As eclesiologias de Puebla. o rosto da Igreja latino-americana e. n. n. a comunhão e a missão. v. por meio das suas novas Diretrizes.L. HORTAL.

de forma objetiva e positiva. hoje. DSD n. São Paulo: Loyola. Concílio Vaticano II: em busca de uma primeira compreensão. 728 Cf. 2005. p. Conseqüentemente. 724 723 . CFL n. dessa forma. LIBANIO. resgatou a eclesiologia de comunhão vivenciada no primeiro milênio. 113-120. 733 Cf. 732 Cf. Uma Igreja Comunhão e ministerial deve estar sempre pronta para o anúncio do Reino de Deus. 94-120. “Theologka”. em que todos. a Paróquia 724 .2. J. sem distinção. como a Diocese ou Igreja Particular principalmente a Família Cristã uma Igreja toda ela ministerial 726 723 . Padres e diáconos 728. bispos. 729 Cf. a figura e o papel do leigo na Igreja foram assumidos. 61-63. PB 224. 725 Cf. Ela deve tornar-se “sacramento de comunhão evangelizadora” 731 .1.2. A IGREJA POVO DE DEUS: SUA ESTRUTURA VISÍVEL. 64. DSD n. evangelizadora em todas as realidades humanas e dirigir-se ao encontro de todas as pessoas. DSD n. são muitos os esforços práticos e também por parte de Teólogos no sentido de valorização do papel e do lugar do leigo732 na Igreja. crentes ou não. 727 Cf.2.3.B. 85-93. 65-84. começando pelo ministério ordenado. 726 Cf. 58-60. 55-57. CFL n. O primeiro Capítulo no item 2.DSD n. Contudo. Col.225 A partir do documento de Santo Domingo. DSD n. 123. Esses centros de comunhão querem ressaltar a noção de 727 . possibilitando. SANTO DOMINGO E O PROTAGONISMO DOS LEIGOS Anteriormente ao Concílio Vaticano II. A. 731 Cf DSD n. tenham o seu espaço e seu serviço em prol da evangelização. Os ministérios na Igreja. em escala universal. ANTONIAZZI. 26. Neste sentido. DSD n. 1. 730 Cf. para melhor dialogar com o mundo. 20. o germe de uma Cf. é possível perceber alguns centros de comunhão. DSD n. somente a partir do evento Conciliar 733 que se propôs a dialogar com o mundo. 1977. 32. as CEBs 725 e . a Igreja deverá ser presença sacramental.3. São Paulo: Vozes. Cf. a vida religiosa 729 até chegar aos fiéis leigos 730.

736 AG 21. através do batismo e da confirmação” 735. O Decreto Ad gentes diz que a “Igreja só está verdadeiramente fundada. diz enfaticamente que Os pastores sabem quanto os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. 737 AG 21. contem com o apoio dos leigos e com os seus carismas. A Lumen gentium expressa com precisão o locus do cristão leigo na Igreja. . Alguns documentos conciliares procuraram expressar os germes de uma possível e fecunda reflexão sobre os leigos. desde a implantação da Igreja” 737. quando afirma que o “apostolado dos leigos é a participação na própria missão salvífica da Igreja. só alcança a plenitude de sua vida e só constitui um sinal adequado de Cristo no meio dos seres humanos quando. A esse apostolado. tem-se o Capítulo IV da Lumen gentium que. no número 30. no exercício de sua função. permitindo que todos colaborem a seu modo na execução do trabalho comum 734. junto ao mundo.226 teologia do laicato. 734 735 LG 30. Por isso é preciso pensar em constituir logo um laicato cristão maduro. Assim diz: “O Evangelho não penetra em profundidade nas pessoas nem na vida e na atividade de um povo senão por intermédio da presença ativa dos leigos. É sumamente importante que. Sabem que não foram constituídos por Cristo para assumiram sozinhos a missão salvadora da Igreja em relação ao mundo. Primordialmente. Importante ressaltar aqui é que esse Decreto coloca a atuação dos leigos no exercício da missionariedade da Igreja. juntamente com a hierarquia. LG 33. todos são destinados pelo próprio Senhor. como que necessária e como garantia de sua eficácia. compõem-se de um laicato verdadeiro e ativo” 736 .

isto é. A.227 Importante ainda ressaltar a “índole secular como característica especialmente dos leigos” 738 . 55. Uma possível Conferência Nacional de Cristãos Leigos. mas falou com maior propriedade. LG 31. 519. apresentou uma reflexão doutrinal a respeito. conforme lhe atribui o Concílio como lhe sendo a sua identidade. “considerou diversas questões: ele fez uma análise da situação do laicato. Cf. o próprio ou especifico do cristão leigo é a secularidade. EN 70. a partir dela. concretizar. esquecendo-se do funcional. p. realizar. n. a reflexão sobre os leigos não parou no que tange aos Teólogos e evidentemente ao Magistério Pontifício. In: Instituto de Teologia e Ciências Religiosas: Cadernos de Teologia. da Promoção Humana e da Cultura Cristã” 741 . ano VI.C. v. 742 Medellín apresentou o laicato “a partir da sua participação nos movimentos leigos. S. Nela é afirmada e consolidada a dimensão secular do leigo. quando retoma a doutrina conciliar 739. p. Desta forma. cujo tema era “a missão dos leigos na Igreja e no mundo”. sinal característico. 219. Ela valorizava demais o aspecto territorial. exercer a sua ação evangelizadora. Puebla. é “esta nota de secularidade do cristão leigo que se fundamenta o seu protagonismo. 740 CFL 15. Progressivamente. é claro. que diz respeito ao mundo rural. [setembro] 2000. ou seja. Petrópolis. a exemplo das outras Conferenciais 742. 26. In: REB.D. refletiu sobre a pastoral do laicato organizado. mais presente na realidade urbana daquele contexto”. Santo Domingo. A Teologia do Laicato na América Latina. de sua situação intramundana e. Um ponto discutido foi à distinção entre o aspecto funcional e territorial na Igreja. 741 LORSCHEIDER. o cristão leigo deve partir de sua situação concreta e existencial. n. 8. SCOPINHO. falou sobre os movimentos apostólicos e os ministérios conferidos aos leigos. falou também dos leigos. [setembro] 1995. Cf. devido. Como bem afirma o Cardeal Lorscheider. por ocasião do Sínodo dos Bispos em 1987. A partir do Concílio Vaticano II. João Paulo II publicou como resultado dos trabalhos sinodais a Exortação Apostólica Christifidelis laici. como nos lembra Paulo VI na EN. ratificando o “mundo” como sendo o seu ambiente vital para o exercício de seu batismo 740. 739 738 . a toda evolução Magisterial e teológica sobre o tema. Todos os leigos devem ser protagonistas da Nova Evangelização. em seu documento conclusivo. de que fala com tanta força o documento de Santo Domingo. entre outros”.

em Santo Domingo. DSD n. a busca de santidade dos leigos e o exercício de sua missão 747. Como afirma o documento. Por isso. os bispos. 96. 97. 747 DSD n. para não prejuízo da função específica de cada um. urge um esforço de favorecer. como já ensinara o Magistério. 97. estes devem ser mais bem acompanhados por seus pastores a fim de melhor descobrirem e executarem sua missão junto à Igreja. 97. clérigos e inclusive leigos (Puebla 784). 746 DSD n. Neste ínterim. não apenas a serem católicos. mas de colaboração. assim como da própria ação evangelizadora da Igreja. 743 744 DSD n. livre de todo clericalismo e sem redução ao intra-eclesial 744. afirma os Bispos. privam-nos de dar respostas sociedade” 743. a partir de Santo Domingo. mas a Igreja 746. 745 DSD n. a dedicação preferencial de muitos leigos a tarefas intra-eclesiais e uma deficiente formação. 96. eficazes aos desafios atuais da só será efetivamente levada a cabo se os leigos. insistem que a “persistência de certa mentalidade clerical nos numerosos agentes de pastoral. a relação entre Clérigos e leigos não deve ser de fusão. . são todos chamados a serem “protagonistas da Nova Evangelização” a fim de que os “batizados não evangelizados” 745 voltem. responderem ao chamado de Cristo a que se convertam em protagonistas da Nova Evangelização. No marco da comunhão eclesial. é “necessária a constante promoção do laicato. Quanto ao papel dos leigos. conscientes de seu batismo.228 Sendo a maior parte do Povo de Deus constituído por fiéis leigos. Essa missão.

É desta relação que o Papa afirma que 748 Cf.. nasce o dever de o santificar” 750. convida a todos os católicos e homens e mulheres de boa vontade a voltarem os seus olhares para a Pessoa de Jesus Cristo. prescinde de Deus e está cada vez mais alicerçando sua confiança na Técnica. n. É neste mundo. o primeiro e o quinto abordam o mesmo tema extraído do texto da Carta aos Hebreus 13. Deus não só fala ao homem. mas não secularista.229 A Igreja situa-se num mundo que. o tempo tem uma importância fundamental. visto que. p. mas procura-o” 749. realidade esta que deve ser santificada. Cristo é o centro. no “cristianismo. A CARTA ENCÍCLICA TERTIO MILLENNIO ADVENIENT E A PREPARAÇÃO DO JUBILEU DO ANO 2000 Tendo em vista a aurora do novo milênio.] Em Jesus Cristo. 219. ou seja. por meio de sua Carta Apostólica Tertio Millennio Adviniente. .. [.] Em Jesus Cristo. constituindo por isso mesmo o seu único e definitivo ponto de chegada. In: REB. No segundo Capítulo. o tempo torna-se uma dimensão de Deus [. o Papa João Paulo II. é chamado em primeiro plano a ser uma viva presença evangélica 748.3. donde os dois Capítulos extremos. há uma exposição acerca do tempo. [setembro] 1995.. fruto desta mentalidade secularista dominante e estruturadora da realidade social como num todo. 520. “é o cumprimento do anélito de todas as religiões do mundo. A Carta está dividida em cinco Capítulos.] Desta relação de Deus com o tempo. 749 TMI 6-7. Petrópolis. por sua própria índole secular. em vista do Jubileu do ano 2000. hoje e sempre”. 750 TMI 10. hoje. A Uma possível Conferência Nacional de Cristãos Leigos. de 10 de novembro de 1994. LORSCHEIDER.8 “Jesus Cristo é o mesmo ontem. [.. secularizado e secularizante.2... que o cristão leigo. 1. Verbo encarnado.

TMI 15. é claro. . a preparação para o grande Jubileu. as suas múltiplas peregrinações 753. primeiramente a Redemptor Hominis. TMI 17-22. estruturada em duas fases. 755 TMI 31. Trazendo consigo a recordação do nascimento de Cristo. está intrinsecamente marcado por uma conotação cristológica 755. mas indiretamente para a humanidade inteira. mas principalmente para o cristianismo. já iniciada. Devido a sua importância mundial. 753 Cf. 751 752 TMI 11. de 18 de maio de 1986. pois. Desta forma. a saber: A primeira fase terá. 754 TMI 23.230 “todos os jubileus se referem a este ‘tempo’ e dizem respeito à missão messiânica de Cristo” 751. o Papa propôs nesta Carta Apostólica. pelo Concílio Vaticano II. pelas grandes Encíclicas sociais ou de cunho Evangelizador como a EN de Paulo VI. que abordou amplamente essa questão. mas ainda envolta em véus. além. pelos constantes encontros Sinodais. o Papa convida a uma grande preparação. dado o papel de primeiro plano que o cristianismo exerceu nestes dois milênios 752. de suas encíclicas. caráter antipeparatório: deverá servir para reavivar no povo cristãos a consciência do valor e do significado que o Jubileu do ano 2000 reveste na história humana. os dois mil anos do nascimento de Cristo (prescindindo da exatidão do cômputo cronológico) representam um jubileu extraordinariamente grande não somente para os cristãos. De forma imediata. que convidava a todos a viverem “o período de espera como ‘um novo advento’” 754 e depois a encíclica Dominum et vivificantem.

231 A primeira fase consiste. de tal modo que possamos apresentar-nos ao Grande Jubileu. de 1997 a 1999. Por fim. talvez. pelo menos mais perto de superar as divisões do segundo milênio” 757. TMI 34. O ano 2000. A estrutura ideal para este triênio. o ano de 1999. a grande chaga do cristianismo. Diante disso tudo. não pode ser senão teológica. a intolerância religiosa e. totalmente dedicado ao Filho. que. como a indiferença religiosa. se não totalmente unidos. na tentativa de sensibilizar a todos acerca dos grandes e graves males que afligem a fé e o mundo. TMI 34-36. Filho de Deus feito homem. como nos aponta o Concílio Vaticano II 759. isto é. dedicado à reflexão sobre o Pai. TMI 39-55. 760 TMI 58. A segunda fase é eminentemente preparatória e “desenvolver-se-á no arco de três anos. meditando acerca da virtude teologal da Esperança e do sacramento do Crisma. meditando a virtude teologal da Fé e do sacramento do Batismo. . o triênio de preparação ficou assim formulado: o ano de 1997. tendo como Sacramento próprio a Eucaristia. trinitária” 758. Para cada ano propôs-se também a meditação de um sacramento e de uma virtude teologal. no de 1998. vale a pena lembrar a convocação de toda a juventude para essa realização. como afirma o Papa. ano Jubilar. juntamente com a virtude teologal da Caridade e do sacramento da Reconciliação. o primeiro do novo milênio” 760 . nascidas neste século. 759 Cf. Sendo assim. será todo dedicado a Glorificação da Santíssima Trindade. 758 TMI 39. centrado em Cristo. a divisão 756 . dedicado ao Espírito Santo. o “futuro do mundo e da Igreja pertence às gerações jovens. serão maduras no próximo. Igual 756 757 Cf. sobretudo. a Igreja é convidada a um “exame de consciência e a oportunas iniciativas ecumênicas. fonte e Ápice da vida Eclesial. pois.

sob a proteção da Mãe de Deus e nossa. em Santo Domingo 761. testemunhando Jesus Cristo. 1. e. AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA: DOC 54: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA Estas Diretrizes possuem duas partes. DSD 111-120. sendo a primeira intitulada como “Horizontes da Evangelização” em que se tece um comentário ao Objetivo Geral. cf CNBB. na 33º Assembléia Geral. conseqüentemente. para formar o povo de Deus e participar da construção de uma sociedade justa e solidária. no entanto. Este é o mesmo das Diretrizes anterior. DGAE 1995-1998.15. DGAE 1995-1998. Para a sua explicitação particularizada. 1-27. (Documentos da CNBB n. Op cit n. 8. São Paulo: Paulinas. (Documentos da CNBB n. precedido de uma “breve introdução que o situa no horizonte do terceiro milênio cristão e da celebração do grande jubileu do ano 2000” Objetivo Geral assim se formula: 762 . CNBB. na força do Espírito que o Pai nos enviou. São Paulo: Paulinas. 1995. sendo.O JESUS CRISTO ONTEM. queremos: EVANGELIZAR com renovado ardor missionário. HOJE E SEMPRE: Em preparação ao seu Jubileu do ano 2000. 54).4. Cf. 1995. pela influência exercida pelas Cartas Encíclicas de João Paulo II Redemptoris Missio e Tertio Millennio Adveniente que se pode falar destas novas Diretrizes formuladas pelos nossos Bispos.232 convocatória foi feita em 1992. 762 761 . a caminho do Reino definitivo 763. quando da realização do IV Confêrencia do CELAM. p. 54). em comunhão fraterna. É a partir desse novo contexto fundante promovido pela IV Confêrencia do CELAM. 763 CNBB. p. em Santo Domingo. à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres. a serviço da vida e da esperança nas diferentes culturas.

1995. (Documentos da CNBB n. 1995. tendo em vista ser ele que contém a novidade dessas novas Diretrizes e. não disponíveis. daremos maior importância e aprofundamento ao Capítulo quarto. 54). conseqüentemente. procura explicitar as conseqüências das novas Diretrizes para os agentes da evangelização e da pastoral. à luz do Magistério eclesiástico recente. . São Paulo: Paulinas. 767 CNBB. cf. a exposição de uma nova forma de entender a Igreja e também de viver a 764 765 Para uma exposição mais abrangente. p. No que concerne a nossa exposição. 8. religiosos (as). p. CNBB. DGAE 1995-1998. a rever as prioridades do próprio trabalho em função dos desafios da hora presente 767. 9. O quarto Capítulo é o mais importante por organizar “as orientações práticas a partir de um esquema teológico que quer ser uma expressão da própria natureza da evangelização e de suas exigências” 766. ministros ordenados – a fazer frutificar a formação recebida. (Documentos da CNBB n. a tornar as comunidades eclesiais dinâmicas e acolhedoras. 8-9. segundo Dom Raymundo. São Paulo: Paulinas. Quer ajudar aos sujeitos da ação evangelizadora leigos (as). 54). particularmente as conclusões do Santo Domingo. p. (Documentos da CNBB n. DGAE 1995-1998. 766 CNBB. São Paulo: Paulinas. 1995. O quinto Capítulo. quando da elaboração das Diretrizes para 1991-1994” 765. O Capítulo segundo contém uma “teologia da evangelização. tendo como conteúdo uma análise da sociedade brasileira. DGAE 1995-1998. O terceiro Capítulo é o mesmo das Diretrizes anteriores. o segundo Capítulo desta dissertação.233 A segunda parte é composta de cinco Capítulos assim dispostos: o primeiro Capítulo é uma exposição histórica acerca da evolução da pastoral da Igreja do Brasil 764 . 54).

São Paulo: Paulinas. 54). eles já foram explicitados nos itens anteriores de nossa dissertação. 1. Essa noção de evangelização inculturada é desenvolvida a partir destas quatro exigências irrenunciáveis e denota uma tríplice busca da própria Igreja. 62. como bem explicita o número 173: “As orientações pastorais deste Capítulo têm como base a experiência pastoral da Igreja no Brasil (cap. mas complementares. apresentada nestas Diretrizes. a “evangelização. São Paulo: Paulinas. como mostra o documento de Santo Domingo. 173.1. (Documentos da CNBB n. os outros itens – serviço. 1995.4. só se compreende no horizonte do mistério da comunhão trinitária. ou seja. como obra da Igreja no mundo. n. conseqüentemente. As novas Diretrizes apresentam a evangelização a partir de cinco itens: a inculturação. diálogo. Ela se explica pela missão do 768 769 CNBB. 54). 1995. que representa o “critério geral da ação evangelizadora. A compreensão acerca da Evangelização. difere das noções já apresentadas pelas Diretrizes anteriores principalmente no que concerne à compreensão do seu autor. uma profunda renovação de suas estruturas e. DGAE 1995-1998. Os outros Capítulos não serão abordados por uma razão prática. 173. a busca de uma espiritualidade que possa conjugar essas duas realidades anteriores. de uma maior “compreensão de si mesma. mas também. I). 54).234 sua missionariedade. ou seja. II) e as recentes mudanças sócio-culturias (cap. a teologia da evangelização desenvolvida no âmbito de toda a Igreja (cap. prescinde desses três Capítulos anteriores. n. São Paulo: Paulinas. 1995. da própria ação evangelizadora e pastoral” 769. anúncio e testemunho da comunhão – são exigências ou aspectos distintos. ou seja. III)” 768. . e de sua consciência missionária” 770. porque a própria exposição do Capítulo IV. 770 CNBB. DGAE 1995-1998. n. (Documentos da CNBB n. DGAE 1995-1998. CNBB. (Documentos da CNBB n. ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA A AÇÃO EVANGELIZADORA E PASTORAL.

. DGAE 1995-1998. Podemos dizer 771 772 CNBB. Nela ele explicita que: O termo ‘aculturação’ ou ‘inculturação’. exprime muito bem uma das componentes do grande mistério da encarnação. n. Evangelizar é necessariamente um ato eclesial. 80. em 1979. 81. O Evangelizador deve possuir uma mentalidade diferente daquela muitas vezes presente nos agentes de pastoral. apesar de ser um neologismo.235 Filho e do Espírito como sinal do amor de Deus Pai para conosco” 771. imanentes e concretas. 54). Ele não é o centro da ação evangelizadora. n. Essa é uma exigência aguda e urgente. colocando a serviço do plano de Deus suas potencialidades humanas. ela é uma realidade conatural à própria Igreja. utilizou tal termo num documento oficial da Igreja. seus talentos. mas simples operário de Cristo e administrador dos mistérios de Deus. Ele deve ter a consciência de que ele é sujeito de um agir divino no mundo. Ele é chamado a realizar essa missão sublime em perfeita obediência e docilidade ao Espírito 772. 1995. pela primeira vez. As Diretrizes falam da evangelização a partir do critério fundamental da Inculturação. transcendente e espiritual. quando da publicação da Exortação Apostólica Catechesi Tradendae. mesmo que se destine às realidades humanas. DGAE 1995-1998. São Paulo: Paulinas. 1995. A evangelização é algo transcendente à realidade humana. Oficialmente foi João Paulo II que. São Paulo: Paulinas. CNBB. (Documentos da CNBB n. (Documentos da CNBB n. 54).

J. Os resultados do mesmo ajudaram para a consagração do termo. a um processo externo.br/Notícias/Eventos/promoçao. a especificidade e a integridade da fé cristã. apenas. Contudo. Com isso. O Odjango e a inculturação em África/Angola (Porto: UCP 1991). São Paulo: Paulinas. 68 e IDEM. P. em 1977.pom. A inculturação deve ser ainda compreendida dentro de um processo englobante. Mas. a legitimidade das atividades concretas. de modo nenhum. In: Vida Nueva 1103/4 (1977).rtf > acesso em 22/04/2007. Madrid: BAC [546]. Tudo o que está presente numa cultura tem de ser reconhecido. a utilização de instrumentos musicais na liturgia. Apud PAREDES. citado por J. no qual a mensagem cristã entra em diálogo com a cultura. para adaptar uma nova maneira de viver à luz de Jesus Cristo.236 da catequese. BOKA DI MPASI. Pequenas comunidades cristãs. 67-68. A conversão a Cristo recupera os valores humanos e toda a sua honra. 1985. NUNES. devendo entrar em diálogo de acordo com os critérios do Evangelho. Lettre à tous les Jésuites sur l’inculturation (14. 291. 53. n.org. ARRUPE. Daí. 775 Cf. Théologie Africaine: Inculturation de la Théologie (Abidjan: INADES 2001). ESQUERDA-BIFET. A verdadeira inculturação leva a uma mudança radical. torna-se possível a promoção humana no âmbito da inculturação 775. pois abrange todos os aspectos da realidade sócio-cultural. 2000. é também um processo difícil. Teología de la Evangelización.5. enquanto que inculturação é o processo interior e complexo. mesmo de origem JOÃO PAULO II.1978). a diferença entre adaptação. como por exemplo. A dimensão Transcultural do Evangelho. 2186-2187. porque não pode comprometer. T. Integra tanto a mensagem cristã. Disponível em: <http://www. In L. Daí. salvaguardando tudo de positivo. 774 Cf. p. 12 ed. Tres tareas urgentes de la catequesis. A Catequese Hoje: Exortação Apostólica Catechesi Tradendae. aculturação e inculturação. como da evangelização em geral. que ela é chamada a levar a força do Evangelho ao coração da cultura e das culturas 773. Adaptação e aculturação referem-se. que é transformada e enriquecida pelo Evangelho 774. 773 . o termo inculturação foi “fixado” no Sínodo Mundial sobre a Catequese. como a reflexão e a práxis da Igreja. que consiste em sair do passado.

nesse sentido. no âmbito da evangelização e.. . seria lógico sublinhar que o sujeito da inculturação é o próprio Jesus Cristo.] Não responderia também aos problemas que esse povo apresenta. pastoral). conseqüentemente. a essência da mensagem cristã não pode ser esvaziada. Ao encarnar na cultura de um povo. em todos os campos (liturgia. à luz da fé cristã. de uma forma crítica. o bem. Deve inserir-se na vida social e adaptar-se à cultura local. a justiça.. 105. torna-se relevante para a vida daqueles que entram em contato com Ele. A evangelização deve atingir o homem e a sociedade em todos os níveis da sua existência.. Aliás. hoje. Essa tarefa deve ser executada com discernimento. na linha da inculturação. 1992. teologia. Ainda nesse contexto. Nova Evangelização. Entretanto. nem atingiria a sua vida real” 776. Porém. catequese. a verdade. Em tudo isso. respeito e competência que a matéria exige. HORTELANO. o Evangelho deve ter em conta as características e as estruturas culturais do mundo moderno 777. etc. Porto: Perpétuo Socorro. purificando os seus valores 776 777 EN 63. Cf. A evangelização perderia algo da sua força e da sua eficácia se ela porventura não tomasse em consideração o povo concreto a que ela se dirige [. para a sua devida implantação. devem ser bem assimilados e bem digeridos. seriedade. no sentido de promover o homem. É assim que a cultura humana se abre ao infinito. como o sublinhou Paulo VI: “O problema é sem dúvida delicado. a liberdade. no âmbito da inculturação. em atividades diversas. a dignidade do homem. pois o Evangelho deve fecundar o que há de melhor na vida contemporânea. ansiedades e esperanças da sociedade a evangelizar. concretizando algo de especial: a vida nova em Cristo. a família.237 profana. p. o Evangelho deve enraizar-se no contexto próprio e partilhar as lutas. promove o homem. portanto. É neste quadro que podem ser consideradas as atividades que visam à promoção humana. que projetam. é de reconhecer que o processo é complexo. que se exprimem. É Ele que. Os valores do mundo moderno.

da própria ação evangelizadora e pastoral” 781. 781 CNBB. mas complementares. dizem os bispos. Estas são quatro: o serviço. Também Op. DGAE 1995-1998. surgindo como que o fermento que favorecerá a promoção humana. São Paulo: Paulinas. 1995. afro-americanos e mestiços como nos lembra Santo Domingo cultural moderno presente nos solos urbanos simultâneas. 243-251. (Documentos da CNBB n. 1995. considerando também a sua dimensão espiritual. 778 . 54). (Documentos da CNBB n. 252-262. 179. n. apostando no desenvolvimento que deve ser integral. Nestes casos. 54). DSD n. elas são . um elemento muito importante que o Evangelho propõe. 780 CNBB. 173. Embora sejam realidades distintas. (Documentos da CNBB n. 1995.780. 54). obedecem a uma ordem cronológica de inserção numa cultura ou grupo não evangelizado. embora não sejam as únicas possíveis 782 779 778 e no meio . DGAE 1995-1998. gradativamente pode encaminhar o diálogo religioso e. 779 DSD n. o anúncio e o testemunho da comunhão fraterna. São Paulo: Paulinas. 782 CNBB. São Paulo: Paulinas. 1995. na América Latina e no Brasil. DGAE 1995-1998. Cf. 180-185. A Igreja deve evangelizar de forma inculturada. n. As Diretrizes destacam dois locus donde a Igreja. Para que isso se torne cada vez mais possível. n. a escolha dessas quatro exigências. devem atuar. ou seja. O evangelizador começa pela presença e presta serviços de promoção humana. 54). a realidade cultural dos povos indígenas. o diálogo. 179. DGAE 1995-1998. cit. n. (Documentos da CNBB n. anuncia CNBB. Segundo nossos Bispos. São Paulo: Paulinas. a partir daí.238 e oferecendo-lhe condições de viver e reconhecer a sua dignidade. 174. a própria evangelização inculturada exige o que as Diretrizes denominam de exigências irrenunciáveis da evangelização. Estas são “exigências ou aspectos distintos. n.

São Paulo: Paulinas. n. 1995. (Documentos da CNBB n. a linha 5. 1995. conciliar. 176. CNBB. 783 784 CNBB. o diálogo se concretiza na dimensão ecumênica e do diálogo religioso. DGAE 1995-1998. O serviço. a Linha 6. Cf. 54). dimensão catequética – linha 3 – e da liturgia. 87. a colocar-se a serviço da causa dos direitos e da promoção da pessoa humana. São Paulo: Paulinas. 191-194. em vista de uma sociedade justa e solidária 785. 785 CNBB. n.. (Documentos da CNBB n. DGAE 1995-1998. Todas essas exigências têm primeiramente uma fundamentação neotestamentária e.] pelo serviço ao mundo. linha 1 e nutre-se das fontes da palavra. cit. O serviço se concretiza na dimensão sóciotransformadora. n. ela se solidariza com as aspirações e esperanças da humanidade. Por ele se reconhece a dignidade fundamental do ser humano [. especialmente dos mais pobres. 177. Cf. Também Op. o anúncio na dimensão missionária expressa pela linha 2 e o testemunho da comunhão concretiza-se na dimensão comunitário-participativa. como sendo a primeira exigência. (Documentos da CNBB n. São Paulo: Paulinas. evidentemente.239 explicitamente o Evangelho. levada pela ‘fome e sede de justiças’. dimensão litúrgica.. 1995. a linha 4784. Essas exigências estão em consonância com as seis dimensões ou Linhas da Pastoral propostas até o quadriênio de 1991-1994. DGAE 1995-1998. é entendido como testemunho de Deus para com cada pessoa humana. . 54). até criar condições plena de vivencia e comunhão crista 783. ou seja. n. 54).

240

O Concílio promoveu, em todos os sentidos, a consciência de que a Igreja está no mundo para servir
786

. Posteriormente, todo o Magistério pós-conciliar, os Sínodos, as

Conferências de Medellín e de Puebla e a própria Igreja no Brasil, abordaram o tema do serviço. Vale a pena lembrar a passagem célebre de Paulo VI que mostra os laços de ordem antropológica, teológica e evangélica que unem evangelização e promoção humana 787. No que tange ao serviço, vale destacar a “evangélica opção preferencial pelos pobres”, aludida pelo Vaticano, no número 8 da LG, e explicitada em Medellín, Puebla e confirmada em Santo Domingo e assumida pela Igreja no Brasil. Ela é exposta aqui sob dupla motivação. A primeira demonstra que “ela é condição necessária e irrenunciável do caráter evangélico da ação da Igreja”. A segunda afirma que “ela é condição necessária para discernir criticamente entre as políticas sociais, que se pretendem ao serviço de todos, mas freqüentemente beneficiam apenas os mais fortes e descuidam dos últimos e dos excluídos, os ‘preferidos de Deus’”
788

. Pede-se a todos que se empenhem “na luta contra a pobreza e a

exclusão e a contribuição para a criação de um novo sentido de responsabilidade na ética pública” 789. O diálogo é o que mais caracteriza o Concílio Vaticano II. A Igreja coloca-se em diálogo com todos, com o mundo secular e também com o vasto mundo religioso. Esse diálogo dirige-se a todos, pois a Igreja crê que o “Espírito mesmo prepara o anúncio do Evangelho e o reconhecimento de Cristo e da Igreja”
790

. Ele está direcionado em dupla

direção para um duplo público. Como diálogo inter-religioso, dirige-se a todas as religiões que não professam Cristo como Senhor e Salvador. Com o Diálogo Ecumênico, a todos os que professam a mesma fé em Cristo, muito embora estejam, por questões históricas, separados da Sé de Pedro.
786 787

Cf. GS 1. Cf. EN n. 31. 788 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 194. 789 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 196. 790 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 206.

241

As Diretrizes, no seguimento do Concílio, afirmam que a “premissa e o fundamento do diálogo é o reconhecimento da liberdade religiosa. [...] Ela não é exaltação de um subjetivismo sem limites, mas a condição mais conveniente à dignidade da pessoa humana na procura da verdade, procura que faz parte dos direitos e obrigações de todo ser humano” 791. No que concerne ao anúncio, as Diretrizes são enfáticas ao citar Paulo VI:

A evangelização há de conter sempre – ao mesmo tempo como base, centro e vértice do seu dinamismo – uma proclamação clara que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os homens, como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus 792.

Devem-se ressaltar dois aspectos importantes acerca do anúncio ou querigma. O primeiro é que, muito embora o anúncio seja essencialmente conatural aos Doze Apóstolos, não se restringe tão somente a eles. A missão de anunciar é também delegada a todos os discípulos de Cristo 793. O segundo é que o querigma ou o anúncio da salvação em Cristo

não se faz através de fórmulas repetidas, mas em diálogo com a compreensão e as expectativas dos destinatários da mensagem. Por isso, diálogo e anúncio são aspectos complementares da evangelização. Muitas vezes o diálogo ajudará a formular o anúncio da maneira mais adequada às circunstancias e à ação do Espírito 794.

CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 210. EN n. 27. CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 222. 793 Cf. CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 223. Também LG 33; AA 2; CIC 204; RMi 71-72. 794 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 226.
792

791

242

Referentes ao diálogo, as Diretrizes apontam três grandes urgências: a dos católicos não-praticantes – estes são quase 50% da população adulta -, a dos cidadãos que se declaram sem religião - 10%, nas grandes cidades, menos de 5% no conjunto da população adulta - têm sua vida marcada pelo indiferentismo religioso e pelo secularismo. Estes geralmente “pertencem muitas vezes a setores influentes da sociedade” 795. E a dos não-cristãos residentes em nosso território eclesial, como certas comunidades indígenas e orientais 796. A Igreja no Brasil, por sua Ação Evangelizadora, quer ser uma presença entre todos esses grupos através de algumas indicações práticas que as Diretrizes explanam no decorrer de seu corpo. A Igreja não quer deixar ninguém de fora do raio de sua missionariedade 797. Como lembra o Concílio, a Igreja deve ser um “sinal da presença divina no mundo” 798. Desta forma, a quarta exigência da evangelização, a comunhão eclesial, deve ser vivida em todos os seus níveis, seja na colegialidade entre os bispos, na colegialidade no Presbitério, na Paróquia, nas Comunidades eclesiais, entre os múltiplos movimentos, etc. Todos devem nutrir-se da Comunhão Trinitária pela oração, pelos sacramentos e pela fraternidade 799. Destarte, a comunhão interna não pode impedir a busca incessante da comunhão com as outras Igrejas, como bem nos lembra o Concílio, pelo documento sobre o ecumenismo Unitatis Redintegratio. Este ensina que “esta unidade consiste na profissão de uma só fé, na celebração comum do culto divino, na concórdia fraterna da família de Deus”. E mais, que essa unidade

exige uma plena comunhão visível de todos os cristãos (...) O Concílio afirma que esta unidade não pretende, de modo algum, sacrificar a rica diversidade de CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 229. CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 227. Cf. também Op. cit. n. 157-172. 797 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 230-249. 798 AG 19,22; RMi 49. 799 Cf. CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 94.
796 795

243

espiritualidade, de disciplina, de ritos litúrgicos e de elaboração da verdade revelada que se desenvolveram entre os cristãos, na medida em que essa diversidade se mantenha fiel à tradição apostólica 800.

Chamada importante neste quesito comunhão é a indicação prática que as Diretrizes fazem em relação as Paróquia a fim de que elas possam constituir “uma referência fundamental pela sua identidade teológica, pois ela é uma comunidade fundamentalmente eucarística. [...] reivindica-se a transformação da paróquia em comunidades de dimensões humanas, possibilitando relações pessoais fraternas”
801

. Todos, indistintamente, que fazem

parte desta comunidade paroquial são responsáveis pela promoção desta rica realidade, que é simultaneamente transcendente e imanente e que constitui o vértice de todo testemunho cristão 802. Diante desta realidade da Nova Evangelização, todos, pela “graça do batismo e da crisma”
803

sem distinção, se tornam seus protagonistas. O desafio consiste justamente em

“despertar cada batizado e cada comunidade eclesial para essa responsabilidade primeira e intransferível”
804

. A Igreja Local, ou seja, a Diocese, é entendida como o “principal sujeito

histórico da missão evangelizadora, como Igreja encarnada num espaço humano e concreto, atenta às ‘sementes do verbo’ presentes na realidade humana, nas culturas e na busca religiosa do povo no qual ela se insere como fermento evangélico” 805. Neste ínterim, as Diretrizes convocam a todos para uma nova evangelização, tendo em mente que a Igreja está “diante de novos contextos, num mundo plural tanto do ponto de vista cultural quanto religioso”, mas “não deve temer essas novas dificuldades, mas

CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS. Diretório para a Aplicação dos Princípios e Normas sobre o Ecumenismo. São Paulo: Paulinas, 1994, n. 20. 801 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 279-280. 802 Cf. CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 281-286. 803 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 105. 804 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 104. 805 CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 104.

800

244

reconhecer nelas novas chances para a obra evangelizadora, renovando o seu ardor, seus métodos e suas expressões, e empenhando com força particular a ação dos fiéis leigos” 806. Juntamente com esse dinamismo interior de toda a Igreja, as Diretrizes afirmam que

A evangelização nesses novos contextos exige, além da renovação das atuais estruturas pastorais e a criação de novas estruturas que correspondam às exigências de um a nova evangelização, novo ardor, novos métodos, novas expressões e, sobretudo, uma espiritualidade que torne a Igreja cada vez mais missionária 807.

Sendo assim, a partir dessa exposição, podemos traçar um perfil eclesial que as próprias Diretrizes nos apontam. Esse novo perfil eclesiológico funda-se nesta dupla realidade: renovação das estruturas e numa espiritualidade missionária. No tocante a nossa reflexão, vale a pena recordar que a evangelização sempre foi a temática de nossas Diretrizes. Contudo, quando no Documento 54, fala-se da necessidade de renovação das estruturas a fim de uma evangelização renovada, ou seja, uma nova evangelização sob os moldes que o Papa João Paulo II nos aponta, nova em seu ardor, em seus métodos e em sua expressão, é importante ressaltar o lugar que a mesma ocupa agora nessas novas Diretrizes. Embora as Diretrizes continuem falando de evangelização, elas se rompem, tornamse descontínuas quanto ao lugar que em ambas ela ocupa. Como já foi demonstrado anteriormente, a evangelização, antes do documento 54, ocupava um lugar entre as seis dimensões ou linhas; era uma linha dentro de uma realidade pastoral mais ampla. Nas Diretrizes propostas para o quadriênio de 1995-1998, a evangelização ocupa a centralidade da
806 807

CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 99. CNBB. DGAE 1995-1998. (Documentos da CNBB n. 54). São Paulo: Paulinas, 1995. n. 101.

por meio de suas sementes do Verbo. (Documentos da CNBB n. a centralidade da evangelização é conseqüência da centralidade transcendente e imanente da Pessoa de Jesus Cristo na construção do agir evangelizador da Igreja. na Pessoa de Jesus Cristo. CNBB. anuncia e testemunha. principalmente a RMi. ontem. As quatro exigências irrenunciáveis da evangelização inculturada têm. já soprou e já está presente em todas as pessoas e culturas de todos os tempos. “Jesus Cristo. A possibilidade de uma evangelização inculturada parte desse pressuposto. DGAE 1995-1998. as Diretrizes têm em Jesus Cristo o seu ponto de partida.245 vida da Igreja. e conseqüentemente. 1995. São Paulo: Paulinas. hoje e sempre”. uma vez praticadas pela Igreja. o seu centro e sua meta de convergência 808.340. por todos os batizados. o seu termo. ao mesmo tempo. ou seja. 54). como já nos pedia Santo Domingo e o Magistério Pontifício. falar da centralidade da pessoa de Jesus. Essas quatro exigências. vale a pena ressaltar que elas apenas evidenciam e corroboram para a concretização da evangelização. 71. naturalmente. forjarão em cada um e em ambos uma verdadeira 808 Cf. Desde o enunciado do Objetivo Geral. de antemão por seu Espírito. . A importância dada à evangelização inculturada deve-se necessariamente a um movimento trinitário. n. Quando falamos da centralidade da Evangelização. Embora elas sejam uma continuidade e. assim como se pode falar de uma centralidade da Pessoa de Jesus Cristo. que assume a natureza e a cultura de um povo sem deixar de ser Deus. É a partir de Jesus Cristo que se pode falar de evangelização e é a partir de sua postura evangelizadora que a Igreja deve forjar a sua. Isto é muito evidente nessas Diretrizes. bebem das seis linhas ou dimensões. mas se evidencia como realidade na Encarnação do Filho.333. visto que a evangelização é um ato da sua própria Pessoa. Elas evidenciam o agir do próprio Cristo. da certeza de que o Pai. dialoga. mas vivendo em profundidade a sua realidade humana. Desta forma. temos que. que serve.

mas imanente. hoje. concreta. algo conatural à vocação cristã e indispensável para o cumprimento da ação evangelizadora. Contudo. Poder-se-ia se perguntar: por que a Igreja no Brasil procurou repensar suas estruturas e seu perfil eclesial? Notoriamente. pois embora em todas as outras se falassem de mística. poderíamos dizer que é por causa de todo o problema da evasão dos católicos. De uma Igreja que reconhece sua fragilidade e que tem na espiritualidade. com o agir e a conduta do próprio Mestre Jesus. Todos devem evangelizar. cristológica e eclesial. A evangelização deve mover toda a estrutura eclesial. Esta afirmação evidencia-se com razão. desde os ministros ordenados até o último batizado. a força necessária para continuar no mundo a sua missão. vale a pena lembrar de todo o movimento da Igreja Universal e Continental nessa linha de renovação e a importância do legado do Papa João Paulo II nesse incentivo a uma nova Evangelização. como demonstra o Capítulo III.246 identidade não só ontológica. vivendo a mais radical forma de intimismo e secularização. Esse ponto é relevante. É claro que o problema de fundo para ambas as instâncias é. por isso evangelizadora. o perfil eclesiológico que se demonstra é este: de uma Igreja centrada em Jesus Cristo. o documento 54 é mais enfático e revela-a como sendo algo indispensável para todos. visto que já perdemos muitos fiéis e que todas essas mudanças estruturais querem forjar uma melhor ação evangelizadora a fim de estagnar esse êxodo religioso e o número crescente de pessoas indiferentes a qualquer tipo de religião. Neste ínterim. A Igreja do Brasil por meio dessas Diretrizes procurou adequar-se às exigências propostas por todo este movimento iniciado por Paulo VI com a EN e. Não haverá novo ardor sem uma verdadeira e profunda experiência com a Pessoa de Jesus Cristo. centrada no seu Senhor. continuado por João Paulo II. renovando-se interiormente por uma espiritualidade encarnada. .

Toda pastoral deve ser evangelizadora e toda ação evangelizadora deve levar o crente. na Igreja. tanto a Evangelização é necessária para acordar os católicos adormecidos pelo comodismo. Hoje. A Ação Evangelizadora está ordenada a um grupo específico de cristãos. justificando sua mudança.4. a um comprometimento pastoral com a comunidade eclesial. Contudo. por parte da Igreja do Brasil por meio de suas Diretrizes Gerais da Ação . Por fim. A Ação Pastoral. o êxodo de fiéis. uma questão: Pastoral ou Evangelização? A evangelização suprimiu a Pastoral? A resposta deve ser objetiva: não. O PROJETO RUMO AO NOVO MILÊNIO: O RESGATE DE UMA ECLESIOLOGIA COMUNHÃO-MISSÃO Esse projeto é fruto da iniciativa do Papa em celebrar o grande Jubileu do ano 2000 e do acolhimento. A pastoral que os alimenta não pode caminhar sozinha: ela tem que ser regada pela evangelização. eles precisam constantemente ser evangelizados. como a Pastoral para alimentar e formar os que já estão na comunidade eclesial.2. o alicerce da mesma. A evangelização não suprimiu ou suprime a Pastoral. Como. mas a fonte. esses dois grupos de pessoas subsistem concomitantemente. para um outro grupo de cristãos. 1. não se pode falar de pastoral sem prescindir da evangelização. assim como para alimentar e formar os que vão despertando pela ação evangelizadora.247 sem dúvida. a novidade desse novo jeito de ser Igreja consiste nisto: embora os destinatários da ação pastoral já estejam dentro das comunidades. mas também a preocupação de forjar um rosto eclesial compatível com as novas mudanças estruturais do mundo hodierno e de respondê-los com maior eficácia e eficiência. Ela não é um adendo da pastoral. conforme a RMi apresenta. o fiel.

conseqüentemente. por sua vez. O Binômio Comunhão-Missão é novamente resgatado. 811 CNBB. O projeto tornou-se. conseqüentemente. 59. a se colocarem em marcha para a preparação para o grande Jubileu do ano 2000. MG (Brasil). o COMLA 5 MOBILIZOU. 5. p. O Comla V foi celebrado em Belo Horizonte. uma vez que elas são as primeiras responsáveis pela evangelização. durante. Com o Lema: “Vinde. de 18 a 23 de julho de 1995. numa ação orgânica e continuada. alimentado pela Palavra de Deus e pela Sagrada Liturgia 811. Esse. em toda a Igreja do Brasil. resgatou à Igreja do Brasil uma dupla dinâmica: um esforço conjunto de todas as Igrejas Particulares. seguida com amor e generosidade. A MISSIONARIEDADE DE NOSSAS Igrejas conforme o Objetivo Geral de “aprofundar a responsabilidade missionária universal das nossas Igrejas particulares. 1996. 1-14. as próprias diretrizes no campo do serviço.248 Evangelizadora. p. (Documentos da CNBB n. 1999. O seu principal objetivo é “suscitar em todos novo ardor e coragem na missão de Evangelizar. O 5º Congresso Missionário Latino-americano – COMLA 5 – teve. São Paulo: Paulinas. cinco anos. mediante o intercâmbio de experiências e testemunhos do Evangelho nas diferentes culturas. DGAE 1999-2002. 61).org. especialmente pelos jovens” 810. uma “apresentação” organizada. cit. da América Latina e do Caribe. evidenciado e vivido por toda a Igreja no Brasil. p. Para uma abordagem histórica de todos os Comlas. 12. aproximadamente. 56).br/Notícias/Evantos/Cam/percurso. 809 .htm. (Documentos da CNBB n. do anúncio missionário e do testemunho da comunhão eclesial. a primeira experiência de orientações e subsídios comuns para todas as dioceses do Brasil. capazes de criar novas expressões para que a mensagem salvífica de Jesus Cristo seja mais conhecida e. In: <www. Esse projeto também resgatou à Igreja a interação e a comunhão de todas as dioceses num único objetivo e. intensa e criativa. ver O. colocou-as todas em marcha evangelizadora. Os Comlas na animação e formação missionária da América Latina: percurso histórico do Comla 1 ao Comla 4: Comla 5: O Evangelho nas culturas. visando expressar. para fortalecer o caminho de vida e esperança em todos os povos”. segundo o testemunho de nossos bispos. Vede e Anunciai” e o Tema “O Evangelho nas Culturas – caminho de vida e esperança”. e da realização do COMLA V aqui no Brasil 809. n. à luz da opção preferencial pelos pobres. São Paulo: Paulinas. PRNM 1996. do diálogo. 810 CNBB. Cf.pom.> Acesso em 24/02/2007.

Testemunho da comunhão eclesial NOVO TESTAMENTO Martyria Koinonia VATICANO II Lúmen Gentium Dei Verbum Sacrosanctum Concilium 2. muito mais numerosos. n. n. 1996. acessível e evangelizador. . Missionária 3. PRNM 1996. Serviço e Participação na sociedade Diakonia Gaudium et Spes 5. Litúrgica 6. que dedica o melhor de seus esforços para responder à demanda religiosa daqueles católicos que têm uma participação ativa na vida eclesial. por vários motivos. que nossas estruturas devem superar o Esquema pastoral predominante. 56). (Documentos da CNBB n. 64. É hora de transformar as estruturas de serviço para ir ao encontro daqueles católicos. 1996. desde o Vaticano II. Bíblico-catequética 4. São Paulo: Paulinas. 56). Sócio-transformadora 4 EXIGENCIAS 1. na prática.249 O projeto visa. se elaborou no intuito de melhor expressar um perfil eclesial dinâmico. Tendo como horizonte e meta a evangelização junto à sociedade e aos homens da mesma. (Documentos da CNBB n. a tornar a pastoral mais evangelizadora. que. Anuncio do Evangelho kerygma 812 813 CNBB. o projeto apresenta um quadro 813 de ambivalências entre o que. Ecumênica e de diálogo INTER-RELIGIOSO 2. CNBB. Diálogo Encontro do Evangelho com a cultura pagã (At 17) Unitatis Redintegratio Nostra Aetate Ad Gentes 4. 6 DIMENSÕES 1. PRNM 1996. Isso significa. 202. se encontram menos envolvidos na vida eclesial e mais expostos a outras influências 812. Comunitário-participativa 3. em consonância com as Diretrizes. São Paulo: Paulinas.

61. é importante ressaltar que todas continuam sendo válidas. a implementação do Projeto Rumo ao Novo Milênio tem comprovado que. sob a proteção da Mãe de Deus e nossa. segundo as seis linhas ou dimensões. CNBB. DGAE 1999-2002. A organização pastoral. como encontro com Jesus Cristo vivo. Repete aqui o conteúdo das Diretrizes anteriores. São Paulo: Paulinas. (Documentos da CNBB n. 1999. AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA: DOC 61 E O PROJETO SER IGREJA NO NOVO MILÊNIO Essas novas Diretrizes foram formuladas para o quadriênio de 1999-2002. 174. que o Pai nos enviou na força do Espírito. 814 815 CNBB. (Documentos da CNBB n.250 No que tange a essa evolução de nomenclatura. 6. com o perfil eclesial proposto pela Igreja Universal para adentrar. São Paulo: Paulinas. a proximidade do evento jubilar e embora mantendo o mesmo Objetivo Geral das Diretrizes precedentes. em seu Objetivo Geral. A Igreja no Brasil. dando prosseguimento a todo trabalho iniciado com as Diretrizes anteriores. 61). proposto pelo Papa João Paulo II e. a articulação entre as seis dimensões e as quatro exigências não têm causado problemas de continuidade pastoral. n. obviamente. por meio desse projeto. 1999. tem caráter mais prático e deve ser mantida onde continua funcional 814. 1. queremos” 815. expressa. n. . Como bem afirma o doc. na maioria das Dioceses e Regionais. alinhou-se ao projeto de Evangelização.5. De forma mais atual. acrescenta as seguintes palavras: “Celebrando o Jubileu do ano 2000 e os 500 anos da evangelização no Brasil. de forma renovada. 61). ao terceiro milênio da era cristã. DGAE 1999-2002.

JOÃO PAULO II. A primeira parte conserva-se quase que totalmente igual. CNBB. com uma apreciação significativa. 136138. a maior concentração em áreas urbanas e a diminuição significativa dos católicos são dados alarmantes que colocam a Igreja cada vez mais em estado de missão. O segundo Capítulo. Em relação às Diretrizes anteriores. São Paulo. acrescenta as ricas contribuições para o dinamismo evangelizador da Igreja no Brasil promovido pelo PRNM. 819 Cf. acrescenta apenas três números 819 sob a forma de comentários acerca das Diretrizes anteriores e sobre o Projeto Rumo ao Novo Milênio. de forma atual. Ut unum sint 817 e a Carta Apostólica Fides et Ratio 818 sobre a relação entre fé e razão. São Paulo: Paulinas. 61). 132. O parágrafo 107. também acrescenta três parágrafos. 1999. Carta Encíclica Fides et Ratio sobre as relações entre fé e razão. o primeiro Capítulo. No que refere à segunda parte. Cf. n.9% Cf. Loyola. CNBB. 61). Exortação pós-sinodal Ecclesia in América. 1998. São 17 números novos 820 e o 162. 818 Cf. Constata que dos 74. não há mudanças radicais quanto à compreensão teológica acerca da evangelização. 58-60. São Paulo: Paulinas. nessa mesma linha de centralidade e de experiência pessoal com Jesus. que contempla a “Evangelização hoje”. 1998. 1999. 817 816 . 121-129. expressas pelo documento 54. JOÃO PAULO II. DGAE 1999-2002.251 Nessas Diretrizes. 820 Cf. pessoal com ele. Sua maior diferença e novidade consistem no Capítulo III no que refere aos dados atualizados acerca da realidade brasileira. 1999. temos o grande contributo da Exortação Pós-sinodal Ecclesia in América 816 assim como do Documento sobre o Ecumenismo. 163-166. São Paulo: Paulinas. a realidade brasileira. Carta Encíclica Ut unum sint. O aumento da população nacional. (Documentos da CNBB n. São Paulo: Paulinas. O número 71 fala da importância de Jesus Cristo para a história humana e o número 72 cita a contribuição da Ecclesia in América quanto à centralidade da Pessoa de Jesus Cristo para a compreensão da evangelização e a necessidade de uma experiência singular. mudando apenas os dois primeiros números da introdução do Objetivo Geral. JOÃO PAULO II. DGAE 1999-2002. O terceiro Capítulo moldura. 1995. (Documentos da CNBB n. 1995. que apresenta o “Planejamento pastoral na Igreja do Brasil”.

192. 61). 823 Cf. 61). pelo CONIC e pelo setor de ecumenismo da CNBB. (Documentos da CNBB n. São Paulo: Paulinas. a sua grande maioria. O quarto Capítulo. 174. . 219-221. ou seja. 1999. sobretudo.219220. 121-168. desvinculada da cultura. n. n. DGAE 1999-2002. n 174. (Documentos da CNBB n. n. 61. Ainda acrescenta o apelo do Papa João Paulo II.239. 162. 1999. é desligada de qualquer movimento específico ou associação eclesial 821 . 824 CNBB.232. CNBB.252 dos católicos (censo de 1994). partindo dos subsídios já apresentados pelo Diretório para o Ecumenismo. São Paulo: Paulinas. São Paulo: Paulinas. Referente ao serviço acrescenta o parágrafo 192. n. 61). extraído da Ecclesia in América. afirma a necessidade de se aprofundar no estudo sobre o ecumenismo. No que concerne à compreensão da evangelização inculturada. as Diretrizes acrescentam ao parágrafo as seguintes considerações: “Muitos conservam a crença na doutrina católica tradicional. Quase todos buscam alguma forma de segurança” 822. explicita. 1999. o pobre. apresenta os trabalhos já realizados apontados pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. mesmo quando não praticam o culto ou dão à Igreja apenas uma ‘adesão parcial’. de forma que o Evangelho seja anunciado na linguagem e na cultura de quantos o ouvem” 824. 1999. São Paulo: Paulinas. 821 822 CNBB. (Documentos da CNBB n. que não há evangelização neutra. recusando seus ritos.4%. CNBB.261. intitulado “Orientações práticas para a ação evangelizadora e pastoral”. DGAE 1999-2002.222-223. (Documentos da CNBB n. apresenta apenas nove parágrafos 823 alterados e dois semi-alterados. No que tange ao diálogo. 1999. no parágrafo 174. para que os cristãos promovam conjuntamente com outras Igrejas elementos de comunhão 825. 61). citando a Ecclesia in América. (Documentos da CNBB n. 61). Cf. A estes. DGAE 1999-2002. DGAE 1999-2002. 825 CNBB. o número 18 recordando que o serviço da Igreja deve direcionar principalmente para aqueles que estão excluídos da sociedade. sua disciplina e. DGAE 1999-2002. Destaca também a importância do estudo e qualifica-o como “sério” da Encíclica de João Paulo II sobre o tema intitulado Ut Unam Sint. Ademais. suas normas éticas. São Paulo: Paulinas. Citando a Ecclesia in América afirma: “é necessário inculturar a pregação.

proporcionada pela sociedade secularizada. para ser autêntica. (Documentos da CNBB n. principalmente sob a forma 826 827 CNBB. Por fim. DGAE 1999-2002. foram de certa forma. Esses devem ser introduzidos no universo da Doutrina Social da Igreja que. excluídos. É a explicitação do valor teológico da pessoa humana expresso pela Revelação. lugar de encontro com a Pessoa de Jesus Cristo. 232. (Documentos da CNBB n. em detrimento do descaso com a mesma. destaca o grande impulso missionário que. 222-223. os lugares. assim como a Escritura e a Eucaristia. resgata e desperta a todos para uma espiritualidade comprometedora com o outro. 1999. Esse encontro ou essa mediação tem como locus privilegiado o “estudo e meditação da Sagrada Escritura. mas também a imanente. São Paulo: Paulinas. segundo a opção preferencial pelos pobres. mas. por excelência. São Paulo: Paulinas. acrescenta que a evangelização. com o próximo. 61). conseguiram despertar na maioria das dioceses. 61). em certos casos. eminentemente. A pessoa humana é. não só com Deus numa dimensão vertical. aqueles que. DGAE 1999-2002. especialmente os pobres com os quais Cristo se identifica’ A Escritura e a Eucaristia e as pessoas constituem. em que valoriza a relação não somente transcendente. numa dimensão horizontal. apresenta a necessidade da evangelização nos ambientes onde se situam os dirigentes da sociedade. precisa partir do encontro pessoal com Jesus Cristo. na vivência da dimensão celebrativa e nas ‘pessoas’. tanto as Diretrizes anteriores como o PRNM. O Papa lembra que esses são em grande número e podem ajudar os pastores a “enfrentarem a difícil tarefa da evangelização desses setores da sociedade com renovado fervor e uma metodologia atualizada”. Nessa afirmação situa o grande avanço dessas Diretrizes. n. assim. De forma intra-eclesial. do encontro com Cristo na história” que deve ser regado pela conversão” 826. n. CNBB. segundo o Papa. Ainda no que concerne ao anúncio. . de corrupção existente na estrutura política” 827. é “o melhor antídoto contra inúmeros casos de incoerência e. 1999.253 Sobre a exigência do anúncio.

[. de forma mais profunda. deve inserir-se cada vez mais no mundo hodierno encarnando os valores evangélicos. lembrando João Paulo II a rica realidade dos Movimentos Eclesiais. n. “que levem em conta as experiências bem sucedidas. dado à pessoa do fundador em circunstâncias e modos determinados 832. 300. 830 CNBB.254 das Santas Missões populares e da multiplicação de ações evangelizadoras empreendidas pelos leigos e leigas 828. São Paulo: Paulinas. por ser batizado. 239. 828 829 CNBB. . apresenta a teologia do leigo a partir do Vaticano II. modalidades e finalidades apostólicas. 1999. DGAE 1999-2002.] uma realidade eclesial de participação prevalentemente laical. de colaborar de forma objetiva com a própria Igreja por meios dos variados ministérios leigos. segundo o Papa são expressão de uma multiforme variedade de carismas. encerrando a sua participação efetiva na Igreja da América Latina. particularmente no campo bíblico-catequético e litúrgico” 830. n. a responsabilidade do futuro da Igreja” 831. 1999. 61). São Paulo: Paulinas. 61). CNBB. Cf. n. 315. (Documentos da CNBB n. DGAE 1999-2002. 61). 1999. São Paulo: Paulinas. expressão fecunda das novas formas de vida comunitária. um itinerário de fé e de testemunho cristão que funda seu próprio método pedagógico sobre um carisma preciso. Destaca ainda. (Documentos da CNBB n. DGAE 1999-2002. (Documentos da CNBB n. (Documentos da CNBB n. Por isso. afirma que todo esse trabalho preparatório para o grande Jubileu deverá ser continuado a partir de novos programas. 831 CNBB.. 309. São Paulo: Paulinas. DGAE 1999-2002. Enfaticamente. 1999. Diz o Papa: “A renovação da Igreja na América não será possível sem a presença ativa dos leigos. n. Realça novamente o seu estado secular e. São Paulo: Paulinas. Essas. Referente ao quinto Capítulo sobre “os evangelizadores” tem-se apenas cinco parágrafos novos e um alterado 829. 61). DGAE 1999-2002. compete-lhes. 1999. 309-312. por causa disto. 315. em grande parte. Realça também o seu dever. 309-312. n.. 61). 832 CNBB. (Documentos da CNBB n. Ademais. métodos educativos.

O Projeto 'Ser Igreja no Novo Milênio' explicado às comunidades". Ele o fez com a publicação da Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte 833. 2001. III Capítulo. Esse Projeto "Ser Igreja no Novo Milênio" tem por finalidade central renovar a consciência da identidade e da missão da Igreja no Brasil. 835 SINM. O título do novo projeto é "Olhando para frente. Carta Encíclica Novo Millennio Ineunte. São Paulo: Loyola. um projeto para os anos 2001 e 2002. fazendo. o Papa João Paulo II compreendeu. quis também iniciá-lo da mesma forma. JOÃO PAULO II. Sensível ao apelo dessa Carta de começar o novo milênio a partir de Cristo 834 . elaborado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).5. 836 SINM p. Tendo consciência de que não era “conveniente repetir simplesmente uma pregação ou catequese a partir dos Evangelhos. Ib. e conseqüentemente. 11. agora. talvez até profeticamente. 13. visto que o anterior.255 1. nos anos 2001-2002. contemplando o seu rosto para lançar-se ao largo. a Igreja no Brasil procurou engajar-se nesse processo. marcada por um contexto de mudanças rápidas e repletas de contradições. do novo milênio. Desde o início do seu pontificado. 833 834 Cf.p. . também para a Igreja. com ele. o projeto "Rumo ao Novo Milênio". O PROJETO SER IGREJA NO NOVO MILÊNIO A Igreja universal passou por um processo de preparação para a chegada do ano 2000. E essa se torna mais urgente por causa da complexidade da realidade brasileira. optou-se pela escolha dos Atos dos Apóstolos” 835. já estava concluído. Cf. Da mesma forma que João Paulo II quis preparar a chegada desse novo milênio numa linha cristológica e eclesiológica. além de questionar as formas de existir e de agir das comunidades eclesiais e de cada cristão 836. e. que essa data histórica tinha muito significado para a humanidade.1.

quando uma nova Assembléia da CNBB definirá as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para os quatro anos seguintes.256 Para concretizar o objetivo central. e. o projeto é. visando a acolher elementos de reflexão e planejamento para o futuro. pois ele se constitui em fonte inspiradora para hoje. evangelizadoras. a CNBB aponta o estudo do livro dos Atos dos Apóstolos como eixo central. será avaliada a caminhada pastoral da Igreja no Brasil desde 1996. em primeiro lugar. haverá possibilidade de refletir sobre a missão da Igreja e discernir os sinais do Espírito Santo. do diálogo. a exemplo dos Apóstolos e de tantos leigos e leigas comprometidos com o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado. hoje. depois. Desse modo. Assim. o período de abrangência vai da Páscoa de 2001 até a de 2003. metas alcançadas pelos primeiros evangelizadores da Igreja nascente e exemplos para nós. A partir da reflexão do livro dos Atos dos Apóstolos. viver uma evangelização inculturada por meio do serviço. a partir da revisão das atividades pastorais de cada comunidade. uma proposta de reflexão. fundamentalmente. para melhor desempenhar o seu serviço no contexto brasileiro. mantinham-se vivas e perseverantes ao Evangelho de Jesus Cristo. . Por isso. do anúncio e do testemunho de comunhão eclesial. procurar-se-á. em vista da tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja no Brasil. a fim de constatar como a Igreja se vê. que a guia. Enfim. visto que as primeiras comunidades cristãs eram.

abordado pela via da evangelização. com o Sínodo sobre a Justiça no Mundo. dinâmico e inesgotável. até as Diretrizes Gerais da Ação Pastoral – doc. foi. realces que. Com a Conferência de Puebla. em sintonia com a evolução teológica.257 CONCLUSÃO Chegamos aqui ao fim desse Capítulo. a evangelização era abordada como que uma realidade dentre muitas outras. a evangelização aqui ia ganhando novos destaques e complementações. presente nas Diretrizes. árduo. Na evolução das Diretrizes. ou seja. a ação missionária. seja com João Paulo II com a RMi. seja Pontifícia ou das Conferências Episcopais. ela é um processo rico. Pontifício. TMA e TMI. seja de Paulo VI com a PP e a EN. ela deve estar alicerçada sobre . conseqüentemente. de Puebla. por via de regra. A renovação da identidade e da missão da Igreja é um processo longo. realçou o seu conteúdo. nesse Capítulo. De acordo com os eventos Teológicos. proveniente da profunda riqueza do Magistério Conciliar. Como o próprio Papa Paulo VI a denomina. ela foi ganhando. Sendo assim. 45 –. concretizado na e pela vida pastoral. A partir da Encíclica PP e de Medellín. fazendo parte da linha ou dimensão 2. como o Sínodo sobre a justiça no mundo. O perfil eclesiológico. como evangelização integral. as Conferências de Medellín. Latino-americano e. mas foi a partir da EN que foi acolhida e entendida como o conjunto de atividades da missão da Igreja. foram denotando à Igreja um perfil único. ela foi entendida como evangelização libertadora. da própria Igreja local. ou seja. das Encíclicas papais.

prescindindo de quatro exigências irrenunciáveis. a partir da RMi foi possível distinguir algo fundamental para a compreensão eclesial das Diretrizes. com as Diretrizes da Ação Evangelizadora – doc. a Doutrina. o modo de abordá-la é totalmente descontínuo. a idéia de uma Igreja evangelizadora. entende-se que toda pastoral deve ser evangelizadora e que a evangelização deve nortear toda ação pastoral. pode-se falar de duas realidades. o anúncio e o testemunho de comunhão eclesial. aqui é a centralidade de toda a vida da Igreja. fato concreto é que. conjugando novamente o .258 a tríplice verdade. a salvação de Jesus. a Igreja e o Homem. Evangelização e pastoral não se tornaram realidades dicotômicas. Em vez de situá-la dentre de uma das seis linhas ou dimensões da pastoral. Notoriamente. haja vista que Evangelizar é tornar conhecida a Pessoa. Na compreensão de continuidade. agora a evangelização é entendida e colocada como o centro. Daqui em diante. hoje por meio desta nova forma de entender a evangelização e também a pastoral. ou seja. Em analogia com o mistério da Encarnação. a evangelização deve ser inculturada. 54 – mudou o seu enfoque: acolheu essas orientações e mudou sua estrutura para melhor responder à sua missão evangelizadora. ou seja. aos seus métodos e expressões. Não podemos determinar qual dos perfis é melhor. da mesma forma que Cristo é o centro de Tudo. a saber. vemos que o perfil eclesiológico presente no documento 45. Com a Conferência de Santo Domingo. pediu-se a renovação da evangelização quanto ao seu ardor. a Igreja do Brasil. Naturalmente. o serviço. Realidade. a Igreja tem podido melhor responder aos apelos e aos desafios da modernidade. não separadas. ou seja. mantém a mesma idéia do documento 54. lá era apenas uma parte de uma dimensão. sobre Jesus Cristo. a partir do documento 54. a distinção quanto aos destinatários da evangelização e da pastoral. Contudo. o diálogo. mas ordenadas ontologicamente. Porém.

continue renovando-se cada vez mais para melhor responder aos apelos que o Senhor lhe faz: de ir para águas mais profundas. Contudo. neste novo milênio. o segundo. o Projeto Rumo ao Novo Milênio e o Ser Igreja no Novo Milênio. por muito tempo esquecido. muito embora mencionado em alguns de seus documentos como. ou seja. por exemplo. para colocar a Igreja em marcha diante do novo milênio que se iniciava. espera-se que a Igreja. Esse binômio foi bem mais evidenciado nos dois projetos oriundos das Diretrizes da Ação Evangelizara. . O primeiro destinou-se a preparar o grande jubileu do ano 2000. o número 40: Igreja: comunhão e missão.259 binômio Comunhão-Missão.

exercendo o seu múnus profético. uma Igreja essencialmente missionária. cuja expressão foi. Toda a construção eclesiológica da América Latina. . Desta forma. partindo da reflexão sobre as Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil. dialogante e profética. com lucidez. de uma forma de compreensão ou de uma forma de se olhar para esta riqueza insondável que é o Concílio. destaca-se um perfil eclesiológico fundado na evangelização. ao longo dos anos.260 CONCLUSÃO GERAL Ao término dessa pesquisa. assim como da Igreja no Brasil. o perfil aqui evidenciado nada mais é do que um reflexo desta luz maior proveniente desse evento captus. ou seja. Sendo assim. o mais significativo do século passado. urge-nos a necessidade cada vez maior de um aprofundamento da teologia conciliar sobre a eclesiologia. que procurou evidenciar um entre os muitos perfis eclesiológicos inerentes as Diretrizes Gerais da CNBB. intuído e vivido por nossas comunidades eclesiais. Hoje. toda compreensão eclesiológica deriva deste patrimônio que ainda tem muito para ser evidenciado. podemos. bebe dessa fonte. foi de modo singular elucidado e aprofundado pela Igreja no Brasil sob a forma de uma eclesiologia aberta para o mundo. Quando falamos de perfil eclesiológico. falamos. pois. proveniente do Concílio. forjando aquilo que o Concílio procurou evidenciar. evidenciada a partir da temática da evangelização. na verdade. evidenciar que o binômio Comunhão-Missão.

que age por meio de mediações humanas. o perfil eclesiológico aqui apresentado é também herdeiro de um patrimônio latino-americano no que tange às conclusões das Conferências de Medellín.261 Contudo. na verdade. mas sem perder a sua característica central que é de ser sacramento de salvação e não meramente um instrumento de reivindicações. desde o Concílio. visto que acolhe essa riqueza e a aplica segundo sua realidade conjuntural que é diferente daquela em que o Concílio estava encerrado. Puebla e Santo Domingo. principalmente. a uma postura mais “conservadora”. perpassando por todos os acontecimentos teológicos posteriores. ele é fruto de um contexto de vicissitudes tanto teológicas quanto sociais que a Igreja no Brasil estava. não poderíamos deixar de citar as contribuições e influências dos pontificados de Paulo VI e. João Paulo II. deixando as motivações ideológicas ou políticas em segundo plano. a voltar às motivações evangélicas no que se refere ao seu agir. têm. Neste ínterim. Este último é de suma importância para o entendimento do desenvolvimento eclesiológico latino americano e principalmente da Igreja no Brasil. um legado dessa aplicação salutar dos princípios eclesiológicos oriundos do Concílio. de fato. aplicado essa riqueza e redescobrindo novos brilhos ainda escondidos nos recônditos do mesmo. voltada sim para o pobre. de João Paulo II referentes aos seus ensinamentos. não apenas reproduziu de forma inativa esse perfil. por meio de sua ação pontifícia procurou recentrar a Igreja. Ademais. Na trajetória eclesiológica traçada nesse trabalho. de modo especial a que está na América Latina. conclui-se que o perfil eclesiológico inerente às Diretrizes aqui apresentadas é de fato. nesse percurso de quatro décadas. Dessa forma. no que tange à aplicação dos princípios basilares provenientes do Concílio. Destarte. ela se torna fonte. E mais. e ainda está acometida em seu percurso terrestre. foi se tornando o princípio hermenêutico pelo qual se pôde construir e entender . com sublimidade e iluminação do Espírito Santo. evidencia-se claramente que a evangelização. a Igreja no Brasil.

conclui-se que a Igreja no Brasil não pode ser somente profética: ela tem que ser Evangelizadora. a Igreja no Brasil deve trilhar com maior profundidade os caminhos da evangelização. a fim de melhor efetuar sua presença entre os mais pobres sem se esquecer de que é Mãe e que tem o dever de também falar a todos os demais. numa perspectiva totalmente evangelizadora. Notavelmente.262 toda a postura eclesial da Igreja Universal e também da América Latina. contudo. É por meio da evangelização que a Igreja se torna profética. podemos falar de uma Igreja onde todos são. É por meio da Evangelização que ela pode se tornar um sinal escatológico para e em toda realidade secular. Progressivamente. quando da publicação do documento 54. A partir de então. devem. A postura da Igreja no Brasil tornou-se mais efusiva no que concerne à procura e ao engajamento do cristão leigo. passando de uma linha pastoral para ser a que de fato deve ser. a temática da evangelização só ganhou maior evidência. Os homens da Igreja. ser semelhantes àqueles que iniciaram a caminhada dessa mesma Igreja. a Igreja trilhou esses mesmos passos. que trilham os caminhos do novo milênio. . de fato. na prática e na tomada de consciência. convidados e convocados ao serviço evangelizador. No Brasil. somente em 1995. a razão de toda a Igreja.

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