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Apostila de Eletrotécnica

A – CONCEITOS ELEMENTARES:

Os dispositivos de Conversão de Energia se fundamenta, na atualidade, em


princípios originados, principalmente, no acoplamento eletromagnético. Em vista
disso, apresentamos, de forma simplificada, alguns conceitos físicos, cujo conhecimento
e visualização entendemos como indispensáveis para se começar a estudar Conversão.

β F
B – CAMPO MAGNÉTICO: (Símbolo H) – H = =
µ 

O conjunto de linhas orientadas do Pólo Norte para o Pólo Sul do imã são mais
serradas na vizinhança dos pólos e dispersam-se no espaço. Elas desenham o espectro
magnético do imã. O conjunto destas linhas, ditas linhas de força, formam o campo
magnético do imã.

Figura 1.1

Se colocarmos uma agulha imantada em diferentes pontos do campo do imã, ela


tomará uma posição tangente a uma linha de força e, para cada ponto, ficará submetida
a uma força que é proporcional às massas magnéticas e inversamente proporcional à
distância.
Este valor do campo em um dado ponto, chama-se intensidade de campo
magnético.
C – FLUXO MAGNÉTICO: (Símbolo φ) φ = µ.H.S = β.S

As linhas de força de uma imã saem do Pólo Norte, atravessam o espaço, em


volta do imã e entram pelo Pólo Sul se fechando no interior do imã. (Figura 1.1).

Constatamos que as linhas de força vão:


No Exterior: do Pólo Norte ao Pólo Sul.
No Interior: do Pólo Sul ao Pólo Norte.

Podemos constatar que o número de linhas de força, que passam através do imã,
depende da superfície dos pólos. Quanto maior for esta superfície, maior será o
número de linhas de força.
Consideremos a figura 1.2. Entre seus dois pólos temos um campo magnético
(H), formado por certo número de linhas de força. Tomemos, no interior deste campo
(H) uma pequena seção de superfície S. Constatamos que ela é atravessada por um
determinado número de linhas de força que formam o campo magnético. O fluxo
magnético é dado por φ = µ.H.S.

Figura 1.2

φ
D – INDUÇÃO MAGNÉTICA (Símbolo β) β = µ.H =
S

Retomemos a figura 1.2 e coloquemos no campo (H) uma peça de madeira de


seção igual à superfície S.
As linhas de força do campo (H) não serão modificadas.
Troquemos este pedaço de madeira por um pedaço de ferro de mesma seção.
Constatamos uma concentração das linhas de força que atravessam a seção do pedaço
de ferro. Para caracterizar este fenômeno, definimos indução magnética como sendo:

φ
β=
S
E – PERMEABILIDADE MAGNÉTICA (Símbolo µ)

Na experiência anterior, vimos que a concentração das linhas de força que


atravessam a peça de ferro é maior do que as concentrações das que atravessam o
pedaço de madeira. Deduzimos, portanto, que o ferro é mais permeável que a madeira
à passagem de linhas de força.

F – RELUTÂNCIA: (Símbolo R)

Representa para o circuito magnético o que a resistência representa para o


circuito elétrico. É, pois a oposição à passagem do fluxo magnético.


R =µ
A

G – FORÇA MAGNETOMOTRIZ: (Símbolo F) F = H. = Ni

É a força magnetizaste, de corrente elétrica, que produz o campo magnético.


Sua unidade é “Ampére – Espiras”.

F=φ .R

H – FORÇA ELETROMOTRIZ: (Símbolo f.e.m.) (e)

É a pressão que causa a corrente Elétrica. Esta pressão quando criada por um
gerador chama-se Força Eletromotriz (f.e.m.).
A diferença de pressão entre dois pontos, em um circuito, é chamada diferença
de potencial, tensão ou voltagem do circuito.

I – INDUTÂNCIA: (Símbolo L)

Representa o coeficiente de proporcionalidade entre a intensidade de corrente


que percorre um condutor e o fluxo magnético produzido.

φ
L=
i
J – LEI DE FARADAY: (INDUÇÃO)

Desde que haja, no interior de um condutor, uma variação do fluxo magnético,


ele será sede de uma força eletromotriz à variação do fluxo no tempo.


e=±
dt

K – LEI DE LENZ

Dá o sentido da f.e.m. induzida pela Lei de Faraday.


“O sentido da f.e.m. induzida é tal que, se aplicado a um circuito externo, dá
origem a uma corrente elétrica de sentido tal que o campo magnético por ela produzido,
atua de modo a contrariar a causa primária, ou seja, a variação do fluxo”.

LEI DE AMPÉRE:

A integral de linha da componente tangencial de H sobre um percurso fechado é


igual à corrente enlaçada por esse percurso.

∫ H.d = I int.

Lei de Ampére aplicada aos circuitos magnéticos ⇒ ∫ Hd = F = NI .

2 – FENÔMENOS FÍSICOS

A – Exposições das diversas partem de materiais componentes de


diferentes transdutores eletromecânicos.
Neste laboratório teremos a oportunidade de, em primeiro lugar, tomarmos
contato com diferentes componentes dos transdutores eletromecânicos.
Um transdutor eletromecânico, como sabemos, é um dispositivo que recebe
energia na forma elétrica e converte para a forma mecânica ou vice-versa.
Para que ocorra essa conversa, se faz necessário um acoplamento entre os dois
sistemas (elétrico e mecânico). Este acoplamento, na maioria das vezes é um
acoplamento eletromagnético, mas temos também o acoplamento eletrostático.
Você deve, nesta oportunidade, verificar com atenção, todos os componentes
disponíveis dos transdutores, isto o ajudará, em muito, a entender a sua constituição e
funcionamento, fazendo com que o curso de Conversão de Energia seja menos teórico e
mais gratificante.
A.1 – PROCEDIMENTOS
Verificar, IN-LOCO, todos os componentes disponíveis no laboratório, argüindo
o professor sobre sua função.

B – VERIFICAÇÃO EXPERIMENTAL DA LEI FARADAY (INDUÇÃO


ELETROMAGNÉTICA)

De acordo com a equação de campo de Maxwell, um campo elétrico é induzido


pela variação, no tempo, de um campo magnético. A Lei de Faraday, da indução
eletromagnética, que historicamente precede a generalização de Maxwell, baseada em
evidência experimentais, diz que uma força eletromotriz é induzida em um circuito
elétrico, sempre que o fluxo magnético, que atravessa esse circuito, varia.


e=
dt

B.1 – PROCEDIMENTOS
B.1.1 – Os condutores de uma bobina não são ligados a nenhuma fonte elétrica. No
entanto, uma corrente elétrica pode percorrê-los. Basta que sejam submetidos e uma
variação de imantada. Verifique.

Figura

B.1.2 – As variações de imantação podem ser produzidas, entre outras coisas, pelo
deslocamento de um eletroímã , cujo enrolamento é percorrido por uma
corrente contínua...
B.1.3 - ... ou ainda, pela rotação deste eletroímã . Verificaremos que a corrente
percorre a bobina ora em um sentido, ora em outro, sucessivamente, isto é varia a cada
instante. É uma corrente alternada.

Figura

B.1.4 – Uma corrente alternada, percorrendo a bobina produz uma imantação


variável. Comprove e explique o fenômeno.

Figura

B.1.5 – Curto-circuitar as extremidades das bobinas. Coloquemo-la, agora, próxima


à imantação variável produzida por um eletroímã percorrido por uma corrente
alternada. Verificar o que acontece. Explique.
Figura

B.1.6 – A rotação do eletroímã produz uma variação de imantação na bobina.


Verifique.

Figura

B.1.7 – Verificar que:

• A rotação do eletroímã produz uma imantação variável na bobina.


• Esta imantação variável gera na bobina uma corrente alternada.
• As duas imantações variáveis interagem entre si.
• A rotação do eletroímã provoca a rotação da bobina.
Figura

B.1.8 – Podemos melhorar a rotação da bobina, dando-lhe o feitio chamado “Gaiola


de Esquilo” e acrescentando-se no seu interior chapas magnéticas para concentrar as
imantações.

Figura
3 – BALANÇOS DE ENERGIA

1 – INTRODUÇÃO

O Princípio da Conservação da Energia, estabelece que a energia não é


criada nem destruída; ela meramente é mudada na forma, é a condição inicial para o
estudo dos transdutores de energia. Observando uma máquina elétrica acoplada a uma
carga mecânica, inicialmente com os seus circuitos elétricos desexcitados e o eixo em
repouso, e ligando-a como motor, a uma fonte elétrica, verificamos que nos instantes
iniciais certamente a energia absorvida será diferente da energia mecânica fornecida a
carga. Isso se deve ao fato de que, além das perdas existentes, temos ainda nesse
momento armazenamentos de energia. O primeiro armazenamento será no campo
magnético que está se estabelecendo no núcleo ferromagnético e nos entreferros. Haverá
também um armazenamento de energia mecânica cinética nos elementos de inércia que
estão sendo acelerados. Finalmente teremos ainda, energia armazenada nos campos
elétricos, que se estabelecem no conversor.

Figura 3.1

2 – OBJETIVO:

Verificar a existência e variação da força em um sistema de excitação única.

3 – PROCEDIMENTOS:

Num eletroímã que possa ser excitado tanto com corrente contínua como com
corrente alternada, podem ser feitas várias demonstrações qualitativas e quantitativas.
Convém que o eletroímã seja operado com correntes de que produzam baixas
densidades de fluxo no material magnético, para que se possa considerar toda f.m.m.
aplicada ao entreferro.
a) Inicialmente, com corrente contínua, num valor de corrente de excitação
compatível com o eletroímã em questão, pode-se verificar que essa
corrente (que em regime permanente é limitada somente pela resistência)
não depende da espessura do entreferro, mas o fluxo (devido a variação
da relutância) sim, e consequentemente, a força de atração
 1 φ2 
 F = −  será função do entreferro. Se tomarmos o eletroímã e
 2µ 0 S 
mantivermos a corrente de excitação e formos variando o entreferro, com
as próprias mãos teremos feito uma verificação qualitativa desse fato.

b) Se aplicarmos corrente alternada num valor compatível, poderemos


verificar que, para pequenas variações do entreferro o valor medido da
força de atração mantém-se aproximadamente constante, fluxo se
mantêm (para grandes variações, o espraiamento de fluxo altera e
invalida a demonstração).
O fato da amplitude do fluxo em corrente alternada (senoidal) independer da
relutância, está ligado ao fato de a impedância normalmente encontrada nos
eletroímãs sem praticamente igual à reatância do enrolamento nas freqüências
usuais. Assim sendo, é fácil de demonstrar que um aumento de entreferro implicará
uma diminuição de indutância e, consequentemente, uma elevação da corrente de
excitação, dada à constância do valor eficaz da tensão aplicada.
O aumento da corrente (e da f.m.m.) faz conservar a amplitude do fluxo que
é também senoidal no tempo.
c) Aplique-se novamente corrente contínua, num valor que não provoque
saturação do material do núcleo. Mantém-se a armadura fechada e
toma-se um sinal da corrente de excitação através de um osciloscópio,
ou, através do ponteiro de um amperímetro de baixa inércia. Abrindo-se
bruscamente o entreferro, pode-se observar o comportamento daquela
corrente. Procure determinar como será o comportamento dessa
variação transitória da corrente. Será um surto de acréscimo ou
decréscimo?
d) Medida da força em corrente contínua. Tomemos o eletroímã disponível.
Procure ajustar o entreferro com a determinada corrente de excitação,
observando a existência da força resultante. A partir desse ponto, é
possível variar a força externa e determinar as correntes correspondentes.
Podem ser traçadas as curvas força/corrente para vários calços
(espessuras de entreferro) e, daí podem ser obtidas as curvas força x
entreferro para cada corrente de excitação.
A verificação pode ser feita tanto em corrente contínua como em corrente
alternada, fazendo-se uma comparação entre as duas.
4 – CICLO DE HISTERESE E CORRENTE A VAZIO

A – INTRODUÇÃO:

Considere-se o transformador mostrado na figura 4.1, com o circuito


de secundário aberto e uma tensão alternada “V” aplicada aos terminais do
primário. Uma pequena corrente de regime iϕ, chamada “corrente de
excitação”, circula no primário e estabelece um fluxo alternado no circuito
magnético. Este fluxo induz uma f.e.m. (e1) no primário.

Figura 4.1

Pela Lei de Lenz “e1” é uma f.c.e.m, que junto com a queda de
tensão na resistência de primário r1, deve contrabalançar a tensão aplicada
“V”, assim: V = r1 iϕ + e1

Se a queda de tensão na resistência for desprezível, a f.c.e.m. será


igual à tensão aplicada. Nestas condições, se uma tensão senoidal for
aplicada a um enrolamento, deverá estabelecer-se um fluxo no núcleo
variando senoidalmente.
As propriedades magnéticas do núcleo determinam a corrente de
excitação. Ela deve ajustar-se de modo a produzir a f.m.m. exigida para
criar o fluxo requerido. Devido às propriedades magnéticas não lineares
do ferro, a forma de onda da corrente de excitação difere da forma de onda
de fluxo. A curva da corrente de excitação em função do tempo pode ser
determinada graficamente a partir das características magnéticas do núcleo,
na forma ilustrada na figura 4.2.

Figura 4.2

As ondas de tensão e1 e fluxo ϕ são senoidais e são mostradas na


figura 4.2-a. O ciclo fluxo-f.m.m. no núcleo é mostrado na figura 4.2-b.
Os valores da f.m.m. correspondentes aos vários valores do fluxo podem
ser determinados deste ciclo de histerese. Por exemplo, no instante t’ o
fluxo instantâneo é ϕ’, e está aumentando; o valor correspondente da
f.m.m. é F’, lido na parte relativa a fluxo crescente no ciclo de histerese.
O valor correspondente iϕ’ da corrente de excitação é marcado em
correspondência ao instante t’ na figura 4.2-a. No instante t” o fluxo
também tem o valor instantâneo ϕ’, mas está diminuindo, e os valores
correspondentes de f.m.m. e corrente são F” e iϕ”. Deste modo é possível
desenhar a curva completa da corrente de excitação iϕ mostrada na figura
4.2-a.
Se a corrente de excitação dor analisada por série de Fourier,
verifica-se que ela se compõe de uma fundamental e uma família de
harmônicas ímpares. A fundamental pode, por sua vez, ser separada em
duas componentes, uma em fase com a f.c.e.m. e outra atrasada em 90o em
relação à f.c.e.m. A componente em fase corresponde à potência absorvida
pela histerese e perdas por correntes de Foucault no núcleo é chamada a
componente de perdas no núcleo, da corrente de excitação. Quando esta
componente é subtraída da corrente de excitação total, a diferença é
chamada corrente de magnetização. Esta compreende uma componente
fundamental atrasada em 90o em relação a f.c.e.m., e mais todas as
harmônicas, cuja principal é a terceira pois usualmente é cerca de 40% de i
ϕ. É a componente responsável pela deformação da onda.

ENERGIA ARMAZENADA E CICLO DE HISTERESE

Na equação do balanço de energia, a energia associada ao


campo magnético é determinada pela f.m.m. da bobina e pela
configuração do material magnético e da bobina. O campo gera
forças mecânicas, mas se não houver movimento mecânico,
nenhum trabalho mecânico será realizado. Então:

dWele = dWcpo + 0

A energia do campo para uma configuração específica pode então


ser encontrada a partir da energia fornecida pela fonte ao estabelecer o
campo com configuração fixa.

Figura 4.3

A energia elétrica de entrada (1 dλ) associada a uma variação no


fluxo, é absorvida pelo campo. Esta energia absorvida é dada por:

λ ϕ
Wcpo = ∫o i(λ)dλ = ∫o F(ϕ)dϕ

Quando a fonte excita o circuito obtemos a característica (0 – a),


mostrada na figura 4.3. A região (0 – a – b) representa a energia
armazenada (Wcpo), pois pela própria definição de integral, a área
compreendida entre a característica (0 – a) e o eixo do fluxo é a energia
armazenada, o que é facilmente constatado pela equação.
A excitação é reduzida a zero. Espera-se que toda a energia
armazenada seja devolvida a fonte, ou seja, segundo a característica (0 – a).
Mas somente a quantidade representada pela área (a – b – c) é devolvida a
fonte. Isto se deve ao fato da presença das perdas de material
ferromagnético. Portanto, parte da energia fica retida no material
ferromagnético devido as suas propriedades magnéticas não lineares.

B – PROCEDIMENTO: (Visualização da Característica B x H)

E
Sabemos que E = 4,44 N1. B.S.f ⇒ B = (1)
4,44 N1fS
NI
Por outro lado H = (2) . Basta medir I.

O circuito será:

Figura 4.4

Para que a curva de histerese surja na tela do osciloscópio, é


preciso fazer com que a entrada horizontal receba um sinal proporcional a
H. Pela equação (2) observa-se que N e  são constantes, (transformador já
NI
construído), teremos então H = = KI . Portanto, basta introduzir no

canal horizontal um sinal proporcional a I, ou seja, a queda da tensão RI no
resistor R, de valor conhecido. Conhecendo-se o ganho horizontal do
osciloscópio, o valor de H estará perfeitamente determinado.
Na entrada vertical, necessita-se colocar um sinal proporcional a
B. Pela Lei de Faraday:

dφ d 1
e=N
dt
= N (BS) ⇒ B =
dt NS
∫ edt

Logo, é preciso tomar um sinal proporcional à integral de e no


tempo, o que é conseguido usando-se o circuito RC. Conhecendo-se as
constantes do circuito e o ganho vertical do osciloscópio, o valor
instantâneo de B ficará perfeitamente determinado.
A potência total entregue ao sistema é W = ei, onde i é a corrente
do primário e e é o valor tirado do secundário. Então, o wattímetro
indicará toda a potência magnética entregue ao sistema. Como a potência
de saída é praticamente nula (apenas consumida pelos instrumentos), a
potência entregue pela fonte será PHF.
Sabemos que: PH α f e PF α f2, assim, fazendo a medição em
duas freqüências f e f’, poderemos escrever:

PHF = Ks.Bm1, 6 f + 2,2f 2 Bm 2 .K desde que Bm = constante

PH 'F = Ks.Bm1, 6 f '+2.2f '2 Bm 2 .K

A área do ciclo obtida no osciloscópio deverá ser igual à leitura


do wattímetro, menos as perdas nos instrumentos, para o valor de corrente
considerado.

Corrente a Vazio (Forma de Onda)

Conforme vimos na introdução teórica, a forma de onda da


corrente de excitação difere da forma de onda do fluxo.
φ x Rmag
Sabemos que: iϕ = , onde o fluxo magnético é
N1
senoidal, o número de espiras é constante, mas a relutância varia devido a
diferentes estados de saturação que ocorrem no núcleo.
A curva da corrente de excitação em função do tempo, pode ser
visualizada na tela do osciloscópio, bastando para isso manter no mesmo,
em relação à experiência anterior, só o sinal da corrente (canal X).
C – BIBLIOGRAFIA:

FITZGERALD, A.E. – Máquinas Elétricas


KOSOW, Irving L. – Máquinas Elétricas e Transformadores
SLEMON, Gordon R. – Equipamentos Magnetelétricos.

D – QUESTIONÁRIO:

1) Por que PF é desprezível quando o tempo para a realização do ciclo for


elevado ?

2) Por que a forma de onda de iϕ é não senoidal ? Qual a sua composição


?

3) Como se determina a relação de transformação, para transformadores


trifásicos ?

4) Na característica fluxo x F.M.M., de um transdutor eletromecânico de


energia, acoplamento magnético, explique por que a área compreendida
pelo eixo das ordenadas (φ) e a curva, representa a energia armazenada ?

5) Por que a área do ciclo de histerese representa a perda por histerese, por
ciclo, de um transdutor eletromecânico, com acoplamento magnético ?

6) Defina perdas por histerese e perdas por correntes de Foucault e a


relação entre elas.

5 – POLARIDADE DE TRANSFORMADORES
A – INTRODUÇÃO:

A marcação da polaridade dos terminais dos enrolamentos de um


transformador monofásico indica quais são os terminais positivos e
negativos em um determinado instante, isto é, a relação entre os sentidos
momentâneos das f.e.m. nos enrolamentos primário e secundário. Esta
polaridade depende fundamentalmente de como são enroladas as espiras do
primário e do secundário (figura 5.1), que podem ter sentidos concordantes
ou discordantes como se vê na mesma figura.

Figura 5.1

a) enrolamentos concordantes b) enrolamentos discordantes

V2 = e1 – e2 V2 = e1 + e2
V1 = e1 V1 = e1

Caso a: Polaridade Subtrativa (mesmo sentido dos enrolamentos)


Caso b: Polaridade Aditiva (sentidos contrários dos enrolamentos)

Esses sentidos têm implicação direta quanto à polaridade da


f.c.e.m. e f.e.m.
Aplicando uma tensão V1 ao primário de ambos os
transformadores, com a polaridade indicada na (figura 5.1), haverá
circulação de correntes nesses enrolamentos, segundo o sentido mostrado.
Então os correspondentes fluxos serão produzidos e consequentemente
aparecerão f.e.m. nos enrolamentos secundários que, de acordo com a Lei
de Lenz contrariam a causa que as deu origem. Logo, no caso a, ter-se-á
uma f.e.m. induzida que tenderia a produzir a corrente i2 indicada.
Portanto seria induzida uma f.e.m. (e2) no sentido indicado, que irá ser
responsável por um fluxo contrário ao fluxo produzido devido a i 1. Já no
caso b, tal f.e.m. deverá ter sentido exatamente oposto ao anterior com o
propósito de continuar produzindo um fluxo contrário ao indutor.
Analogamente ao que acontece no secundário, estando o mesmo
fluxo cortando também o primário, tem-se uma tensão induzida no circuito
do primário, sendo, pois, denominada por f.c.e.m., tendo o sentido indicado
na figura 5.1 a e b. Uma vez que a tensão aplicada (V1) tem a mesma
polaridade para a f.c.e.m. e1 de modo que se tenha o efeito de queda de
tensão.
Ligando-se, agora, os terminais 1 e 1’ em curto, e colocando-se
um voltímetro entre 2 e 2’, verifica-se que as tensões induzidas (e 1 e e2)
irão subtrair-se (caso a) ou somar-se (caso b), originando daí a designação
para a polaridade de transformadores.

B – MARCAÇÃO DOS TERMINAIS

A ABNT recomenda que os terminais de tensão superior sejam


marcados com H1 e H2, e os de tensão inferior com X1 e X2, de tal modo
que os sentidos das f.e.m. momentâneas sejam sempre concordantes com
respeito aos índices.
Com isso, pode-se observar que, na polaridade subtrativa, os
terminais com índice 1 são adjacentes, o mesmo acontecendo com os
índices 2, e, na polaridade aditiva, esses índices são opostos entre si.

C – PROCEDIMENTOS

1) Equipamentos Necessários:
• Transformador monofásico
• Voltímetro CA
• Fonte CC
• Voltímetro CC
• Chave monofásica

2) Registrar para o transformador ensaiado:

VTI = VTS =
SN = I1N = I2N =

D – DETERMINAÇÃO DA POLARIDADE

D-1) – Método do Golpe Indutivo de Corrente Contínua

Ligam-se os lados de tensão superior a uma fonte CC. Instala-se


um voltímetro CC dos lados de alta e baixa do trafo. O positivo do
primeiro voltímetro será ligado em H1 e o positivo do segundo voltímetro
será ligado em X1. (marcados inicialmente com um giz).

Montagem:

Figura 5.2

V1 deflete ___________________ V2 deflete


___________________
Polaridade _______________________

Liga-se a fonte, observando-se a deflexão de V1. Logo em


seguida, desliga-se a fonte, observando-se a deflexão de V2:

- Se V1 e V2 defletirem em sentidos opostos ⇒ Polaridade Subtrativa.


- Se V1 e V2 defletem em sentidos opostos ⇒ Polaridade Aditiva.

D-2) – Método da Corrente Alternada

Neste caso, ligam-se entre si os lados adjacentes, um na tensão


superior, o outro na tensão inferior (H1 a X1). Associa-se um voltímetro
entre os lados de alta e baixa (entre H2 e X2), ligue também um voltímetro
na entrada (entre H1 e H2). Proceda a leitura dos instrumentos de medida
aplicando uma tensão apropriada entre H1 e H2.
Se a primeira leitura (V1) for maior que a segunda, a polaridade
será subtrativa; caso contrário, será aditiva.

Montagem:

Figura 5.3

OBS.: Este método se aplica bem para relações de espiras até 30:1.

D-3) – MÉTODO DO TRANSFORMADOR PADRÃO


Este método consiste em comparar o transformador a ensaiar
com um transformador-padrão de polaridade conhecida que tenha a mesma
relação do número de espiras.
Ligam-se em paralelo os enrolamentos de tensão superior dos
dois transformadores, tendo-se o cuidado de ligar entre si os terminais
marcados, isto é, os de igual polaridade.
Ligam-se entre si, na tensão inferior, os terminais da esquerda de
quem olha pelo lado da tensão inferior, deixando livres os da direita.
Aplica-se uma tensão reduzida no enrolamento de tensão
superior e mede-se o valor da tensão entre os dois terminais livres. Se este
valor for nulo, ou praticamente nulo, os dois transformadores terão a
mesma polaridade, ficando dessa forma conhecida a marcação dos
terminais do transformador em teste. Caso contrário, a marcação dos
terminais do segundo transformador será em seqüência oposta ao do
primeiro.

Montagem:

Figura 5.4

E – BIBLIOGRAFIA

OLIVEIRA, J.C. – Transformadores Teoria e Ensaios


KOSOW, I.L. – Máquinas Elétricas e Transformadores

F – QUESTIONÁRIO

1) Como efetuar o teste de C.A., (polaridade) para transformadores com


relação de espiras superior a 30:1 ?

2) Quais as vantagens da utilização quase que de apenas transformadores


subtrativos.

3) Justificar o método C.A., apresentando um caso em que V2 < V1.


Poderíamos usar um terceiro voltímetro para encontrar esta diferença
diretamente ? Onde ele seria conectado.

4) É possível conhecer a polaridade de um transformador, conhecendo-se


apenas os sentidos de enrolamento de suas bobinas ? Justifique.

6 – ENSAIO À VAZIO DE UM
TRANSFORMADOR

A – INTRODUÇÃO

O transformador embora não seja propriamente um dispositivo


de conversão eletromecânica de energia, é um dispositivo importante na
análise global de um sistema de energia. Sendo um componente que
transfere energia de um circuito elétrico à outro o transformador toma parte
nos sistemas elétricos e eletromecânicos, seja simplesmente para isolar
eletricamente os circuitos entre si, seja para ajustar a tensão de saída de um
estágio do sistema à tensão de entrada do seguinte, seja para ajustar a
impedância do estágio seguinte à impedância do anterior (casamento de
impedância), ou para todas essas finalidades ao mesmo tempo.
O transformador opera segundo o princípio da indução mútua
entre duas (ou mais) bobinas ou circuitos indutivamente acoplados.
Importante salientar que os circuitos não são ligados fisicamente, ou seja,
não há conexão condutiva entre eles.
O circuito ligado à fonte de tensão é chamado primário e o
circuito no qual a carga é conectada, é denominado secundário.

Circuito Equivalente = Nomenclatura e Símbolos

Figura 6.1

V1 = Tensão de suprimento aplicada ao primário (V)


r1 = Resistência do circuito primário (Ω)
x1 = Reatância do circuito primário (Ω)
I1 = Valor médio quadrático da corrente drenada da fonte pelo primário
(A)
E1 = Tensão induzida no enrolamento primário por todo o fluxo que
concatena a bobina 1 (V)
N1 = Número de espiras do enrolamento primário
Io = Corrente de magnetização (A)
Zm = Impedância do ramo magnetizante (Ω)
V2 = Tensão que aparece nos terminais do secundário (Ω)
r2 = Resistência do circuito secundário (Ω)
x2 = Reatância do circuito secundário (Ω)
I2 = Valor médio quadrático da corrente entregue pelo circuito secundário à
carga ligada a seus terminais (A)
E2 = Tensão induzida no enrolamento secundário por todo o fluxo que
concatena a bobina 2 (V)
N2 = Número de espiras do enrolamento secundário
Zc = Impedância da carga conectada nos terminais do circuito secundário
(Ω).
ENSAIO À VAZIO

B – OBJETIVO

O ensaio à vazio de transformadores tem como finalidade a


determinação de:

• Perdas no núcleo (PH + PF)


• Corrente à vazio (Io)
• Relação de transformação (KT)
• Impedância do ramo magnetizante (Zm)

PERDAS NO NÚCLEO (PO)

O fluxo principal estabelecido no circuito magnético é


acompanhado dos efeitos conhecidos por histerese e correntes parasitas de
Foucault.

OBS.: O fluxo magnético na condição de carga ou à vazio é praticamente o


mesmo.

As perdas por histerese são dadas por:

PH = Ks . B1,6 . f
Em que:

PH = perdas por histerese em watts por quilograma de núcleo


Ks = coeficiente de Steimmetz (depende do material)
f = freqüência em Hz
B = indução (valor máximo) no núcleo.

Estando o núcleo sujeito a um fluxo alternado, nele serão


induzidas forças eletromotrizes com o conseqüente aparecimento das
correntes de Foucault. O produto da resistência do circuito correspondente
pelo quadrado da corrente significa um consumo de potência.
As perdas por correntes parasitas de Foucault são dadas por:
PF = 2,2 f2 B2 d2 10-3

Em que:

PF = perdas por correntes parasitas em watts por quilograma de núcleo


f = freqüência em Hz
B = indução máxima em Wb/m2
d = espessura da chapa em mm

Somando as duas perdas analisadas, obtemos as perdas totais no


núcleo (Po)

Po = PF + PH

CORRENTE À VAZIO

É a corrente absorvida pelo primário para suprir as perdas e para


produzir o fluxo magnético. Sua ordem de grandeza é em torno de 5% da
corrente nominal de enrolamento.

RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO (KT)

É a proporção que existe entre tensão do primário e do


secundário.

E1 N1 V1
KT = = ≅
E 2 N 2 V2

IMPEDÂNCIA DO RAMO MAGNETIZANTE (Zm)

O ramo magnetizante é formado por uma resistência Rm


(relacionada com as perdas no núcleo) e por uma reatância Xm (relacionada
com a produção do fluxo principal).
Para o cálculo de Rm e Xm considera-se um dos circuitos a seguir:
Figura 6.2 Figura 6.3

Po E1
R ms = ; Z ms = ; X ms = Z 2ms − R 2ms
I o2 Io

 P 
θ o = cos −1  o  I op = I o cos θ o I oq = I o sen θ o
 Vo I o 

V1 V
R mp = ; X mp =
I op I oq

NOTA: O módulo da impedância do ramo magnetizante é muito maior


que o módulo da impedância dos enrolamentos primário ou
secundário.

Zm >> Z1 ; Zm >> Z2

C – EXECUÇÃO DO ENSAIO

I) Material Necessário:
• 1 transformador 1∅
• 1 varivolt 1∅
• 1 voltímetro
• 1 amperímetro
• 1 wattímetro
• cabos para conexões

II) Preparação

Registrar os dados de placa do transformador:

VN(BT) = ____________ (V) VN(AT) =


___________(V)
IN(BT) = ____________ (A) IN(AT) =
___________(A)
SN = ____________ (KVA) f =
__________(Hz)

III) Montagem:

Ligar o transformador a uma fonte de tensão, alimentando-o pelo


lado de baixa e deixando o lado de alta tensão em aberto, conforme a figura
a seguir:
Figura 6.4

Para a tensão e freqüência nominais anote:


V = ___________________(V)
Io = ___________________(A)
Po = ___________________(W)

D – ANÁLISE

I) Determinar a relação de transformação


a – com os valores de ensaio
b – com os dados de placa

II) Determinar a corrente à vazio em porcentagem da corrente nominal.

III) Determinar os parâmetros do ramo magnetizante utilizando as


representações série e paralela.

E – BIBLIOGRAFIA

FITZGERALD, A.E. – Máquinas Elétricas


KOSOW, Irving, L. – Máquinas Elétricas e Transformadores
FALCONE, A.G. – Eletromecânica
OLIVEIRA, J.C. – Transformadores Teoria em Ensaios

F – QUESTIONÁRIO

1) Qual enrolamento (AT ou BT) é normalmente utilizado para a execução


do ensaio à vazio ? Justifique.

2) Porque as perdas no cobre podem ser despresadas no ensaio à vazio ?

3) Analisar o problema das perdas se um trafo com freqüência nominal de


50 Hz trabalha com 60 Hz.
4) Caso o ensaio fosse realizado com um transformador trifásico que
alterações seriam necessárias ?

5) Porque a laminação do núcleo dos transformadores reduz as perdas por


correntes parasitas (Foucaut) ?

6) Pesquise informações sobre a corrente transitória de magnetização


(INRUSH).

7) Desenhe o circuito equivalente do transformador quando este opera à


vazio e justifique o desprezo da impedância primária para o cálculo da
impedância do ramo magnetizante.

7 – ENSAIO EM CURTO-CIRCUITO

A – INTRODUÇÃO

Seja o circuito equivalente de um trafo monofásico (referido


primário).
Figura 7.1

Caso apliquemos um curto-circuito no secundário serão nulos:


• A tensão terminal secundária (V2 = 0)
• A impedância de carga (Zcarga = 0)

Além disso, considerando que Vcc é baixo (da ordem de 10% de


Vn), a indução no núcleo reduz-se na mesma proporção, consequentemente
as perdas por histerese (PH α B1,6) e as perdas por corrente de Foucaut (PF
α B2) podem ser despresadas.
O circuito equivalente para o ensaio em curto então fica:

Figura 7.2
onde: R = r1 + r’2 X = x1 + x’2

Vcc = Tensão aplicada ao primário, quando o secundário está em curto-


circuito, e que faz circular a corrente nominal do enrolamento
primário.

Para a realização do ensaio faz-se necessário circular a corrente


nominal do transformador, portanto é aconselhável executar o ensaio no
enrolamento de AT que possui uma menor corrente nominal. Assim, os
instrumentos de medição serão ligados no enrolamento de AT e curto
circuitaremos o enrolamento de BT.

B – OBJETIVO

O ensaio em curto-circuito permite a determinação de:


• Perdas no cobre
• Queda de tensão interna
• Impedância, resistência e reatância percentuais

B.1 – PERDAS NO COBRE (Pj)

A corrente que circula no transformador depende da carga


alimentada pelo mesmo. As perdas nos enrolamentos, que são por efeito
joule, podem ser expressas por:

Pj = r1I12 + r2 I 22 = R 1I12 = R 2 I 22

onde: R 1 = r1 + r2′ R 2 = r1′ + r2

Como as perdas nos enrolamentos são proporcionais ao quadrado


da corrente circulante, torna-se necessário estabelecer um ponto de
operação a fim de caracterizar as perdas no cobre. Esse ponto de operação
corresponde à corrente nominal.

B.2 – QUEDA DE TENSÃO INTERNA (∆V)

A queda da tensão interna referida à AT, conforme o circuito


equivalente simplificado é dada por: ∆V = Z1 I1.
Pode-se afirmar que, ao fechar o secundário em curto-circuito, a tensão
aplicada ao primário será a própria queda de tensão procurada.
Naturalmente, sendo a queda de tensão função da corrente, isso força a
especificação do ponto de operação do transformador que, como
anteriormente, corresponderá ao nominal.

B.3 – IMPEDÂNCIA, RESISTÊNCIA E REATÂNCIA


PERCENTUAIS (Z%, R%, X%)
Um inconveniente do circuito equivalente do transformador
reside no fato de que as grandezas elétricas são numericamente diferentes
caso o circuito seja referido ao primário ou secundário. Tendo em vista o
grande número de transformadores presentes nas redes elétricas e
objetivando contornar as dificuldades de cálculo pode-se processar os
estudos através de uma alteração de unidades, que na verdade transforma
todas as grandezas em adimensionais conforme detalhado a seguir:

Pj
R=
I12cc

R1 I I
R% = .100 = R 1 . 1n .100 = R 2 . 2 n .100
Z base V1n V2 n

Se I1cc = I1n ⇒ R% = Pjm/sm . 100

V1cc
Z1 =
I1cc

Z1 I I
Z% = .100 = Z1 . 1n .100 = Z 2 . 2 n .100
Z base V1n V2 n

Se I1cc = I1n

V1cc
Z% = n
.100
V1n

X1 = Z12 − R 12 X% = Z% 2 − R % 2

Caso o teste tenha sido feito com I1cc ≠ I1n podemos obter a
seguinte correção:

V1cc V1ccn I 1n
Z1 = = ⇒ V1ccn = V1cc .
I1cc I 1n I1cc
P1cc = R 1I12cc [1]
2
I 
⇒ Pjn ≅ P1ccn = P1cc  1n 
 I1cc 
P1ccn = R 1 I12n [2]

C – CORREÇÃO DO VALOR DA RESISTÊNCIA

Durante o ensaio, os enrolamentos estão à temperatura ambiente


(θA), e não há tempo suficiente para o aquecimento do transformador.
Como se sabe a resistência varia com a temperatura. Torna-se necessário,
portanto, a correção do valor calculado de R.
Corrige-se para 75oC no caso de trafos de classe de temperatura
105o a 130oC.
Corrige-se para 115oC no caso de trafos de classe de temperatura
155o a 180oC.
A correção é feita através da seguinte fórmula:

R % θF = K.R% θA Z% θA = (R%θF) 2 + ( X%) 2

1 / α θF
K=
1/α θA

onde:

θF = temperatura final (oC)


θA = temperatura ambiente (oC)
1/α = 225 para o alumínio
1/α = 234, 5 para o cobre

D – PREPARAÇÃO DO ENSAIO

D.1 – REGISTRAR OS DADOS DE PLACA DO TRAFO A SER


ENSAIADO

SN = _______________ KVA f = ______________ Hz


V1 = _______________ V V2 = ______________ V
I1 = _______________ A I2 = ______________ A

D.2 – MATERIAL NECESSÁRIO

• 1 transformador monofásico
• 1 transformador variador de tensão monofásico (Varivolt)
• 1 amperímetro
• 1 voltímetro
• 1 wattímetro
• cabos para conexões

E – EXCUÇÃO DO ENSAIO

Ligar o trafo à fonte de tensão, alimentando o lado de AT e curto-


circuitando o lado de BT conforme o esquema a seguir:

Figura 7.3

Após conectar os equipamentos conforme o esquema acima,


fazemos circular corrente nominal no trafo. Para tal aumenta-se
cuidadosamente o nível de tensão até que Icc = I1n.
Caso não seja possível circular a corrente nominal do trafo, veja
a fórmula de correção apresentada no ítem B.3.
A potência medida pelo wattímetro (Pcc) corresponde
aproximadamente à potência dissipada nos enrolamentos.
A tensão medida pelo voltímetro (Vcc) corresponde
aproximadamente à queda de tensão interna.
F – ANÁLISE

1. Calcule R1, X1, Z1


2. Calcule R%, X%, Z%
3. Corrija a impedância para a temperatura de operação do transformador
ensaiado
4. Calcule Vcc%

G – BIBLIOGRAFIA

FITZGERALD, A.E. – Máquinas Elétricas


FALCONE, A.G. – Eletromecânica
KOSOW, Irving, L. – Máquinas Elétricas e Transformadores
OLIVEIRA, J.C. – Transformadores Teoria e Ensaios

H – QUESTIONÁRIO

1) Justifique porque normalmente se utiliza o enrolamento de AT para a


execução do ensaio em curto-circuito.

2) Qual a vantagem e desvantagem de um trafo que tenha grande Vcc em


sistemas elétricos ?

3) Durante o ensaio em curto-circuito, o que ocorre com a indução no


núcleo do transformador ? Justificar.

4) Durante a realização do ensaio em curto-circuito ocorrem as chamadas


perdas adicionais. Pesquise e apresente comentários sobre esse tipo de
perdas.

5) Ao ensaiar transformadores trifásicos, que alterações são introduzidas


no procedimento de cálculo dos parâmetros de transformadores ?
(Parâmetros de excitação e dispersão).

6) Pesquise e apresente informações sobre a “Capabilidade” dos


transformadores.
8 – RENDIMENTO E REGULAÇÃO DE
TRANSFORMADORES
1 – INTRODUÇÃO

O grande número de transformadores presentes numa rede


elétrica (desde a geração até o ponto de utilização da energia elétrica)
determina que os mesmos devam, se possível, apresentar rendimentos
próximos ao valor 100%.
De fato, os esforços do passado tanto no que se refere a materiais
como projeto e construção, resultaram em dispositivos atuais que
apresentam rendimentos próximos a 98 ou 99%.
Adicionalmente, há ainda a se considerar dois tipos de
aplicações:

I – Trafo de Distribuição (potência nominal até em torno de 500 KVA)

Figura 8.1

Observamos que o transformador de distribuição opera a maior


parte do dia com aproximadamente 50% de sua potência nominal e
somente na faixa de tempo compreendida entre 17 e 22 horas opera à plena
carga.

II – Trafo de Força (potência nominal maior que 500 KVA)


Figura 8.2

O transformador de força opera 24 horas à plena carga.

Estas características operacionais distintas implicam diferentes


critérios de projeto para os dois tipos de transformadores. Enquanto que
para o primeiro é interessante que o rendimento máximo ocorra para,
talvez, 40% Sn; o caso do trafo de força impõe que o rendimento máximo
deve ocorrer em torno de Sn.
Um problema de grande importância operacional está vinculado
com a variação da tensão secundária (V2) com a carga. Esta variação
define a regulação de um trafo e mede a variação da tensão em relação a
tensão secundária à vazio (E2).
A regulação positiva determina um redução da magnitude de V2
em relação a E2, e o fenômeno está associado ao suprimento de cargas
indutivas ou fracamente capacitiva. No caso de uma carga fortemente
capacitiva podemos ter uma regulação negativa e neste caso V2 > E2.

2 – OBJETIVO

Este ensaio tem por finalidade verificar o rendimento e a


regulação de um transformador através da variação da carga conectada nos
terminais do secundário.
2.1 – RENDIMENTO:
Durante a operação de um transformador, a transferência de
energia elétrica do primário para o secundário se faz acompanhada de
perdas, ou seja, a potência útil no secundário é menor que no primário.
Essas perdas se manifestam sob a forma de calor e tem origem tanto nos
enrolamentos (Perdas Joule), como no material do núcleo magnético
(histerese e Foucault). Define-se rendimento como sendo a relação entre a
potência ativa de saída (secundário) e a potência ativa de entrada
(primário).

Matematicamente, o rendimento é expresso por:

P2 P2
η= η% = x 100
P1 P1

É importante determinar o ponto de operação do transformador


no qual ocorre o rendimento máximo. Tal ponto, estabelecido no projeto, é
função das perdas no trafo e é dado por:

1,2 Po
fc(η% max) =
Pjn

onde

I2
fc = = fator de carga; sendo I2n a corrente nominal para o secundário do
I 2n
transformador
Po = perdas no núcleo
Pjn = perda joule nominal

Graficamente, temos o seguinte:


Figura 8.3

De acordo com a ABNT, o rendimento nominal de um


transformador é calculado ou medido sob as seguintes condições:
• Tensão nominal (Vn)
• Corrente nominal (In)
• Fator de potência da carga unitário (cos φc = 1)

2.2 – REGULAÇÃO

Entendendo o transformador como uma impedância série entre


fonte e carga, verifica-se que a circulação de corrente sobre esta
impedância levará a uma queda de tensão (∆V). Define-se a regulação de
tensão para transformadores como sendo a variação da tensão nos terminais
do secundário, quando a este é conectada uma carga. Como
transformador à vazio, no secundário tem-se E2, que passa para um valor V2
ao se ligar uma carga. Se a variação é pequena diz-se que a regulação é
boa.
A regulação de tensão é expressa por:
E 2 − V2 E − V2
Re g = Reg% = 2 x 100
V2 V2
E pode também ser dada por:

Reg% = R% . cos φ c . fc + X% . sen φ c . fc

onde:

R% = resistência percentual
X% = reatância percentual
cos φc = fator de potência da carga
I2
fc = fator de carga =
I2n

3 – PREPARAÇÃO DO ENSAIO

3.1 – MATERIAL NECESSÁRIO

• 1 trafo monofásico
• 1 transformador variador de voltagem (Varivolt)
• 1 carga resistiva variável (Reostato)
• 2 amperímetros
• 2 voltímetros
• 2 wattímetros

3.2 – REGISTRAR OS SEGUINTES DADOS DE PLACA DO TRANSFORMADOR


A SER ENSAIADO

Sn = ________________ KVA I1n = _______________


A
V1n = ________________ V I2n = _______________
A
V2n = ________________ V f = _______________
Hz

Observe se os instrumentos são compatíveis com os valores a


serem medidos.
4 – EXECUÇÃO DO ENSAIO

Tanto o rendimento como a regulação de tensão são funções da


corrente de carga (I2). O objetivo é verificar o rendimento e a regulação
para diversos valores de corrente de carga. Para tanto, faça a seguinte
montagem:

Figura 8.4

Após conectar os equipamentos:

a) Aplicar tensão nominal no primário, e com o secundário aberto colher


os dados Po, Io e Vo.

b) Retornar o varivolt a zero, curto-circuitar o secundário e colher os dados


do ensaio em curto Pcc, Icc e Vcc.

c) Retirar o curto, aplicar tensão nominal no primário e preencher o quadro


a seguir:

I2(A) V2(V) P2(W) I1(A) V1(V) P1(W) η% Reg %


0,0
0,20
0,30
0,35
0,40
0,45
0,50
0,55
0,60
0,70
1,0
Nota: Nem sempre é possível realizar este ensaio para grandes transformadores face às dificuldades de obter-se cargas compatíveis
com sua potência nominal.

5 – ANÁLISE

6. Com os dados da tabela obtida no ítem 4, traçar a curva η% x fc.


7. Classifique o transformador ensaiado (força ou distribuição).
8. Calcule o fator de carga para o rendimento máximo.
9. Para corrente de carga I2 = 1,0 A, considerando os dados do ensaio à
vazio e em curto, e que V1 = 220 V calcular V2, o rendimento, a
regulação de tensão, e comparar com os valores obtidos na experiência.
6 – BIBLIOGRAFIA

OLIVEIRA, J.C. – Transformadores – Teoria e Ensaios – Editora Edgard Blucher,


1984.
KOSOW, I.L. – Máquinas Elétricas e Transformadores – Editora Globo,
1977.

7 – QUESTÕES

1) No ensaio, o fator de potência da carga foi unitário. O que aconteceria


com o rendimento se o fator de potência da carga fosse menor que 1 ?

2) Critique a afirmativa:
“Um bom transformador possui um alto rendimento e uma baixa
regulação”.

3) É possível que um transformador tenha uma regulação de tensão


negativa? Explique .

4) Pesquise e apresente informações sobre o rendimento diário de um


transformador.
9 – CAMPO MAGNÉTICO GIRANTE

A – INTRODUÇÃO

Para um perfeito entendimento da teoria das máquinas de


corrente alternada, devemos dar uma atenção especial ao conceito de
campo magnético girante, cujas condições para existência são:

1. Existência de um conjunto de enrolamento deslocados no espaço.

2. Alimentação desses enrolamentos por meio de correntes defasadas no


tempo.

Sabemos que o conjugado produzido pelas máquinas de C.A. é o


resultado da interação de campos magnético, no entreferro.

CAMPO GIRANTE PRODUZIDO POR UM SISTEMA TRIFÁSICO

1. OBJETIVOS

Mostrar através da utilização de 3 bobinas e da gaiola de esquilo


a existência no campo girante.

2. MATERIAL UTILIZADO:

• 3 bobinas -R= Imax =


-X= Z =
• 3 amperímetros
• 1 voltímetro
• 1 varivolt trifásico
3. REALIZAÇÃO PRÁTICA DO ENSAIO

Ligação das bobinas em Y


- conforme esquema:

Figura 9.1

4.1. Para uma tensão aplicada determinar os valores de i1, i2 e i3

V (V) (Linha) i1 (A) (Linha) i2 (A) Linha i3 (A) Linha

4.2. Para a mesma tensão aplicada anteriormente (4.1) e fazendo uma


das correntes igual a zero (por exemplo i1) – determinar i2 e i3.

V (V) Linha i1 (A) Linha i2 (A) Linha i3 (A) Linha


ZERO

4.3. Inverta a alimentação entre duas fases. Por exemplo faça a


corrente i1 circular pela fase b e a corrente i2 circular pela fase a e
verifique o sentido de giro da gaiola.
4.4. Afaste as três bobinas simultaneamente da gaiola e veja o que
ocorre com a velocidade de giro da mesma.

4.5. Para as mesmas bobinas anteriores faça a conexão em ∆ e alimente


com uma tensão de 1 / 3 da anteriormente aplicada e determine.

V (V) Linha i1 (A) Linha i2 (A) Linha i3 (A) Linha

4.6. Para a mesma tensão do item 4.5. e fazendo i1 igual a zero,

V (V) Linha i1 (A) Linha i2 (A) Linha i3 (A) Linha


ZERO

4.7. Repita o item 4.3.

4.8. Repita o item 4.4.

PERGUNTAS

1. Porque quando há a perda de uma fase (itens 4.2 e 4.6) as correntes nas
outras fases aumentam de intensidade.

2. Justificar os itens 4.3. e 4.7., ou seja, porque há a inversão do sentido de


giro da gaiola.

3. Justificar detalhadamente os itens 4.4. e 4.8.

4. Existe alteração na gaiola de esquilo quando as ligações das bobinas


passam de Y para ∆ ? Porque ?
5. Quais tensões (valores e corrente teríamos se os instrumentos de
medição fossem colocados como mostrado abaixo (ligação Y) para a
mesma tensão de alimentação do item 4.1.

Figura 9.2

10.Compare os resultados anteriores com os obtidos em 4.1. e analise o


ocorrido.

11. Quais valores de tensão e de corrente teríamos se os instrumentos de


medição fossem colocados como mostrado abaixo (ligação em ∆) para a
mesma tensão de alimentação do item 4.5.
Figura 9.3

Portanto, verificamos que um enrolamento polifásico excitado


por correntes polifásicas equilibradas, produz o mesmo efeito geral que é
produzido pela rotação de um imã permanente em torno de um eixo
perpendicular ao imã, ou pela rotação dos pólos de campo excitado por
corrente contínua.
Concluímos que ao aplicarmos um sistema trifásico de correntes
ao estator, produzimos um campo girante. O campo girante induz f.e.m.
nos condutores do rotor.
No motor síncrono a polaridade do campo é fixada pela corrente
contínua que circula o enrolamento dos pólos. O circuito da armadura e do
rotor são separados. Para que o conjugado tenha sempre o mesmo sentido
é necessário que o campo girante e os pólos se desloquem com a mesma
velocidade.
No motor de indução a corrente que circula no rotor é devido ao
fenômeno da indução. O campo girante induz no rotor a f.e.m. que
produz a corrente do rotor. Consequentemente, para que haja conjugado, é
necessário que o rotor tenha uma velocidade diferente da do campo girante,
pois se fossem iguais não haveria indução de f.e.m. no rotor. Portanto, só
teremos conjugado no motor de indução, para velocidades diferentes da
velocidade síncrona.
A velocidade síncrona do campo girante é dada por:

P Ns 120 f
f= ⇒ Ns =
2 60 p

A velocidade do rotor, para o motor de indução é dada por:


Ns − Nr
S= ⇒ Nr = (1 − S) Ns
Ns

onde:
f = freqüência
p = número de pólos
S = escorregamento

Finalmente podemos concluir que:

1) Se Nr < Ns, os condutores do rotor serão cortados pelo fluxo campo


girante do estator, produzindo um conjugado motor.
2) Se Nr = Ns, não haverá movimento relativo entre os condutores do rotor
e o campo girante, resultado no não funcionamento da máquina.
3) Se Nr > Ns, caso em que a máquina é acionada em uma velocidade
acima da síncrona, os condutores do rotor serão novamente cortados
pelo fluxo do campo girante, produzindo agora um conjugado resistente.
Funcionamento como gerador.

B – OBJETIVO

Utilizando dois motores de indução, verificar a presença do


campo magnético girante.

C – PROCEDIMENTO

1) Ligar os motores conforme a figura 9.4.


2) Tentar partir o motor número 1 (veja obs. 1 abaixo com a chave
monofásica) S3 aberta. Observar que assim ele não parte.
3) Fechar a chave S3 e tentar novamente partir o motor número 1. Agora
ele partirá e entrará em regime normal de funcionamento após retirar o
dispositivo auxiliar de partida (se houver).
4) Com o motor girando abrir a chave S3. Observar que ele continua
funcionando.
5) Ainda com S3 na posição aberta tentar partir no motor número 2.
Verificar que ele irá partir e que irá existir uma corrente na fase a do
motor. Por que?
6) Desligar ambos os motores e voltar a chave S3 para a posição fechada.
Observar os seguintes processos de partida para o motor de indução:
a) Partida com resistência inserida no circuito do rotor (somente para o motor de
rotor bobinado).
b) Partida com tensão reduzida com auto-transformadores (varivolt
trifásico no nosso caso).
c) Partida estrela-triângulo, sendo estrela na partida e triângulo em
funcionamento normal.
7) Responder as questões propostas.

Figura 9.4

OBSERVAÇÃO

1. Na partida do motor bobinado a resistência do rotor deve ser máxima.


Em funcionamento normal deve ser mínima.
2. Dos dois motores da figura 8.4, um deve ser o motor de rotor bobinado.
O outro pode ser o de rotor em gaiola.
QUESTÕES

1) O motor de indução parte se uma fase estiver em aberto ? Por que ?


2) O motor de indução continua funcionamento se abrir uma de suas
fases ?
3) Como reduzir a corrente de partida de motor de indução.
a – de rotor bobinado?
b – de rotor em gaiola?
4) Por que o motor de indução número 2 partiu com uma fase aberta mas
com o motor número 1 funcionamento ? (Ver figura 9.4)
5) Como podemos variar a velocidade de um motor de indução de rotor
bobinado ? Explicar apenas o processo mais usual.
6) Por que a máquina de indução é também chamada de máquina
assíncrona ?
7) No motor de indução trifásico em funcionamento normal temos dois
campos magnéticos, o de estator que gira à velocidade síncrona Ns e o
de rotor devidos às tensões e correntes induzidas que gira a uma certa
velocidade N, ambas em relação a um mesmo referencial parado.
Baseado nisto pergunta-se:
a – Como obter a velocidade N de função de Ns e Nr ?
b – Qual a velocidade relativa entre N e Ns ? Explique o por que dos
resultados encontrados.

10 – MÁQUINA DE INDUÇÃO

I) INTRODUÇÃO

Uma forma de excitar os enrolamentos do estator e do rotor


ocorre na máquina de indução, na qual há correntes alternadas nos dois
enrolamentos, do estator e do rotor.
A máquina de indução pode ser considerada como um
transformador generalizado, no qual ocorre transformação de potência
elétrica entre estator e rotor, com mudança de freqüência e com fluxo de
potência mecânica. Embora o motor de indução seja o mais comum de
todos os motores, a máquina de indução é raramente usada como gerador;
suas características de desempenho como gerador não são satisfatórias para
a maioria das aplicações. A máquina de indução pode ser empregada
também como conversor de freqüência.
No motor de indução, o enrolamento do estator é semelhante ao
da máquina síncrona e da mesma quando for excitado por uma fonte
polifásica simétrica, este produzirá no entreferro um campo magnético que
gira à velocidade síncrona (Ns) dada por:

120f
Ns = (1)
p

f = freqüência aplicada ao estator


p = número de polos do motor

O enrolamento de rotor pode ser de dois tipos;

a) Rotor bobinado ou enrolado: com enrolamento polifásico semelhante


ao estator e com o mesmo número de polos. Por ser ligado em estrela
ou triângulo. As fases são ligadas geralmente em estrela com as
extremidades ligadas à anéis coletores isolados montados sobre o eixo.
Por meio de escovas (de grafite ou carvão) os terminais são disponíveis
externamente. Neste tipo, o circuito do rotor pode se fechar através de
impedâncias externas.

Figura 10.1 - Rotor bobinado com Z1, Z2 e Z3 de impedâncias externas.

b) Rotor gaiola de esquilo ou em curto-circuito: Com um enrolamento


que consiste de barras condutoras (geralmente de alumínio) encaixadas
no ferro do rotor e curto-circuitados em cada extremidade por anéis
condutores. É o mais usado em aplicações gerais devido a sua extrema
simplicidade e robustez e principalmente o baixo custo de fabricação.
Neste caso, não podem ser introduzidas impedâncias no circuito do
rotor.

Figura 10.2 – Rotor gaiola de esquilo.

Funcionamento:

O funcionamento do motor de indução trifásico pode ser


resumido assim:

• O estator é ligado a uma fonte de tensão trifásica equilibrada dando


origem a um campo magnético girante cuja velocidade é dada pela
equação (1). Daí forma-se no rotor fem(s) induzida devido ao
movimento relativo existente entre o campo e os condutores do rotor.
Estas tensões originam, por sua vez, correntes no circuito fechado do
rotor produzindo um campo magnético do rotor. A tendência dos dois
campos de se alinharem é que produz o conjugado eletromagnético e a
rotação do motor (Nr). Para que as tensões e correntes continuem a ser
induzidas no rotor, a velocidade de funcionamento do motor nunca
poderá igualar a velocidade síncrona do campo girante de estator (Ns),
pois os condutores do rotor estariam imóveis com respeito ao campo do
estator, não haveria variação de fluxo e consequentemente nenhuma
tensão seria neles induzida.

Assim o rotor “escorrega” a cada instante em relação ao campo


girante do estator sendo à velocidade de escorregamento (ou recuo) dada
pela diferença (Ns – Nr). Daí define-se o escorregamento em
porcentagem da velocidade síncrona dado por:

Ns − Nr
S% = x 100% (2)
NS

Nr – velocidade mecânica do rotor


Ns – velocidade síncrona do campo estator

Nr = (1 – S) Ns (3)

S – escorregamento

Podemos, portanto, estabelecer as seguintes conclusões:

a) Se Nr < Ns, os condutores do rotor são cortados pelo campo girante do


estator produzindo um torque motor e o funcionamento como motor de
indução (S positivo).

b) Se Nr = Ns, não haverá movimento relativo entre os condutores do rotor


e o campo girante do estator e a máquina não funciona nem como
motor, nem como gerador; daí a razão de serem chamadas assíncronas
(S = 0).

c) Se Nr = Ns, caso em que a máquina de indução é acionada por um


órgão propulsor em uma velocidade acima da síncrona, temos o
funcionamento como gerador de indução, pois os condutores do rotor
são novamente cortados pelo campo girante do estator produzindo agora
um torque resistente (S negativo).

Partida dos Motores Trifásicos em Rotor em Gaiola

No momento em que se liga o estator à linha, desenvolve-se no


rotor um f.e.m. induzida, exatamente como no secundário de um
transformador; o rotor, está em curto-circuito a corrente que daí resulta é
muito intensa. Depois à medida que a rotação do motor aumenta, o rotor
passa a cortar menos linhas de força, dimuindo a f.e.m. induzida e
consequentemente a corrente.
O elevado valor que atinge a corrente induzida no rotor no
momento do arranque, provoca no estator, ou primário, o consumo de uma
grande corrente muito superior à absorvida a plena carga (4 a 7 vezes
maior) isto ocasiona uma queda de tensão na rede de alimentação. Por
esse motivo é preciso usar, exceto nos motores de pequena potência, um
dispositivo que reduza a corrente de arranque (partida).
Como não é possível intercalar resistências no rotor (curto-
circuitado), torna-se necessário reduzir a tensão aplicada ao estator. Para
isso, pode-se usar um compensador de partida ou uma chave estrela-
triângulo.

LIMITES MÁXIMOS DE POTÊNCIA DE MOTORES

Tipo do Fornecimento Partida Rotor em Gaiola – Dispositivos Auxiliares de Partida


Motor Direta
Motor Tipo No Tensão Chave Chave Compensador de Partida Resistência ou Rotor
Monofásico de (V) Série Estrela Reatância Bobinado
Fios Paralelo Triângulo Primária
50% 65% 80% 70% 85%
Motor A 2 127 2CV xxxxxxx xxxxxxx Xxxxxx xxxxxx xxxxxx Xxxxxx xxxx xxxxxxxx
Monofásico B 3 220 5CV xxxxxxx xxxxxxx Xxxxxx xxxxxx xxxxxx Xxxxxx xxxx xxxxxxxx
Motor D 4 220 5CV 10CV 10CV 10CV 12,5CV 7,5CV 15CV 6CV 10CV
Trifásico
NOTA:
1) – Fonte: ED – 1.3

CARACTERÍSTICAS DOS DISPOSITIVOS DE PARTIDA

Valores em relação a partida direta (%)


Dispositivo Tensão Corrente e Aplicação Características
Aplicada ao Potência Conjugado
Enrolamento Aparente (1)
Motores para 4 tensões em que a Proporciona baixo
Chave série-paralelo 50 25 25 partida se faça praticamente a conjugado de partida.
vazio Necessita de motores para 4
tensões
Cargas que apresentam Proporciona baixo
Chave estrela-triângulo 58 33 33 conjugados resistentes de partida conjugado de partida
até aproximadamente 1/3 do (porém superior a chave
conjugado nominal do motor. série-paralelo)
50 25 25
Cargas com conjugados Proporciona um conjugado
Chave compensadora 65 42 42 resistentes de partida próximos de partida ajustável as
(auto-transformador) da metade do conjugado nominal necessidades da carga.
do motor.
80 64 64
Utilizado quando o
Cargas com conjugado conjugado resistente de
70 70 70 resistentes de partida maiores partida ou a inércia não
que 1/3 do conjugado nominal permitem a utilização da
Resistência ou reatância A A A do motor. chave Y∆. Proporciona
primária Cargas de elevada inércia. aceleração suave. Produz
85 85 85 Necessidade de aceleração suave perdas e aquecimento
quando utiliza resistência
primária
Permite controle do
conjugado na partida,
Cargas com conjugados permite controle da
Motor com rotor resistentes de partida elevados. velocidade de regime.
bobinado resistência 100 100 100 Cargas de elevada inércia. Apresenta melhor fator de
rotórica Cargas que necessitam de potência na partida
controle de velocidade (próximo a 70%). Produz
perdas e aquecimento na
resistência externa.
NOTAS:
1) – Potência aparente requerida do alimentador
2) – Fonte: ED – 1.3

• Compensador de Partida

A tensão é reduzida mediante um transformador que se intercala


entre o motor e a linha e se suprime logo que o motor atinge a sua
velocidade plena.
Os transformadores usados para esse fim são sempre
atutotransformadores ligados geralmente em V ou raramente em Y.
Nos autotransformadores consegue-se reduzir a corrente de
partida com o quadrado da relação de transformação, o que é uma redução
significante, já que são construídos para darem relações tais como 0,8; 0,65
e 0,5.

• Chave Estrela-Triângulo

Esta chave pode ser empregada para a partida de motores


destinados a funcionar em triângulo.
A tensão nos enrolamentos é reduzida no momento de partida
para V/ 3 mediante a ligação dos enrolamentos em estrela.

Partida dos Motores Trifásicos de Rotor Bobinado

Nos motores de rotor bobinado aumenta-se o conjugado de


arranque e reduz-se a corrente na partida por meio de um reostado aplicado
nos enrolamentos do rotor.
Para partir o motor, liga-se a chave de alimentação e manobra-se
lentamente a manivela do reostato de partida até que o motor atinja a
rotação de regime. No último ponto os braços da manivela põem em curto-
circuito as resistências e, por conseguinte, os enrolamentos do rotor.
Há motores que são munidos de dispositivo destinado a levantar
as escovas depois da partida, ao mesmo tempo que põe em curto-circuito os
anéis, passando o motor a trabalhar depois de levar a manivela do reostato
ao último ponto. Coloca-se por fim a manivela no ponto morto, para evitar
aquecimento no futuro arranque.
Quando o motor não tem dispositivo de levantar as escovas, é
necessário deixar a manivela do reostato no último ponto a fim de fechar o
rotor em curto-circuito.

Variação da Velocidade dos Motores Trifásicos

A variação da velocidade dos motores de rotor em curto-circuito


só pode ser obtida modificando-se a freqüência da corrente de alimentação
ou o número de pólos. A variação da freqüência não é normalmente
possível, e a variação do número de pólos do estator só se pode fazer em
motores de construção especial para esse fim, que duplicam ou triplicam a
velocidade, porém pequenas variações de velocidade não são possíveis.
No caso de motores de rotor bobinado a diminuição de
velocidade pode ser feita, dentro de certos limites, pelo reostato do rotor,
deste que as resistências tenham capacidade suficiente para poder ficar no
circuito. Esse processo tem o inconveniente de reduzir o rendimento do
motor, dada a perda de energia nas resistências do reostato.

II – PREPARAÇÃO

Equipamento: 1 unidade de motor de indução


1 unidade de máquina de corrente contínua
1 tacômetro

III – EXECUÇÃO: Modo de Operação

1. Acoplar o motor de indução à máquina de corrente contínua;


2. Fazer as conexões do motor de indução e da máquina de corrente
contínua conforme a figura 10.3.
3. Dar partida ao motor de CC, notar o sentido de rotação e ajustar o
reostato de campo de modo que a velocidade seja 95% da velocidade de
sincronismo do motor de indução e em seguida desligar a alimentação
do motor de CC.
4. Dar partida ao conjunto por meio do motor de indução, no mesmo
sentido observado no item anterior.
5. Enquanto o conjunto está sendo impulsionado pelo motor de indução,
dar partida ao motor de CC e ajustar a velocidade exatamente para a
velocidade de sincronismo. Tomar as medidas de: velocidade, tensão,
corrente e potência no motor de indução e tensão de linha, corrente de
campo no motor de CC.
6. Aumentar a potência fornecida pelo motor de indução à linha de
alimentação trifásica em 10 degraus, aumentando até 110% a
velocidade. Ler os valores de velocidade, corrente de linha e potência
do motor de indução.

NOTA: Durante esta experiência o wattímetro dará indicação invertida


(abaixo de zero) quando estiver sendo fornecida potência à linha.
Para efetuar as leituras, inverter as ligações da bobina de tensão do
mesmo.

Dos dados obtidos nos ítens 5 e 6, calcular:


a) Potência de saída do gerador de indução = Ps

Ps
b) Fator de potência cos φ =
1,73.E.I

Velocidade Sincroismo - Velocidade Rotor


c) Escorregamento x 100
Velocidade Sincronismo
Figura 10.3

IV – BIBLIOGRAFIA

FITZGERALD, A.E., KINGSLEY Jr. – Máquinas Elétricas, São Paulo, McGraw Hill
do Brasil, 1975.
SEPÚLVEDA, H.L. – Máquinas Elétricas – Guias de Aulas Práticas,
Edições Engenharia, 1969.
MARQUES, N.L. – Eletrotécnica, Escola Nacional de Engenharia da
Universidade do Brasil, Serviço de Publicações, 1965.
SILVA, H.R. – Eletrotécnica Geral I – II – Parte I, UFMG – Belo
Horizonte, Edições Engenharia, 1966.

V – QUESTIONÁRIO

1. Explicar como é possível excitar o estator e o rotor de uma máquina


com corrente alternada.
2. Mostre porque o rotor do motor de indução nunca pode atingir a
velocidade síncrona.
3. Mostre que os campos girantes do estator e do rotor do motor de
indução são estacionários, um em relação ao outro, desde a partida até a
velocidade máxima.
4. Por que cerca de 90% dos motores elétricos são de indução e de gaiola
de esquilo ?
5. Defina o que é escorregamento nos motores de indução.
6. Quais as vantagens do motor de indução de rotor bobinado em relação
ao de gaiola de esquilo ?
7. Como reduzir a corrente de partida de motor de indução:
a – de rotor bobinado ?
11 – ENSAIO COM O ROTOR LIVRE DE UM
MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO

1. OBJETIVOS:

1.1. Determinar as perdas no ferro do estator = WFe


1.2. Determinar as perdas no cobre do estator = Wenr
1.3. Determinar as perdas por atrito + ventilação.
1.4. Determinar os parâmetros do ramo magnetizante Rm, Xm, Zm.
1.5. Visualizar a forma de onda da corrente de magnetização.

2. RELAÇÃO DE MATERIAL UTILIZADO:


2.1. Motor de indução
2.2. Wattímetro
2.3. Amperímetros
2.4. Voltímetros
2.5. Medidor de r p m
2.6. Varivolt trifásico

3. CARACTERÍSTICAS DO MOTOR:

3.1. Pn =
3.2. Vn =
3.3. In =
3.4. Rotação =
3.5. Número de pólos =

4. MONTAGEM DA EXPERIÊNCIA:

Vide esquema da figura abaixo (Figura 11.1)

Figura 11.1

5. LEVANTAMENTO DOS DADOS DE ENSAIO:


5.1. Para um valor inicial de tensão igual a 120% do valor nominal, diminuí-la
gradativamente até que haja grandes variações na velocidade.

V(V) I0(A) W1(W) W2(W) W=W1+W2 rpm

5.2. Com um ohmímetro determinar r1 (resistência de uma das fases do


estator), observando se o estator está em ∆ ou Y, corrigindo para
75oC.

Figura 11.2
Figura 11.3

r lido (Ω) r1 (à temperatura ambiente) r1 (Ω) à 75oC

GUIA PARA ANÁLISE:

1. Utilizando os valores obtidos no item 5.1. construir as curvas W0 = f(V)


e I0 = f(V).
2. A partir das referidas curvas, determinar:

Won(W) WA+V(W) Wenr= r1 . Ion2 WFe=W0-W(A+V)-Wenr (W)

3. Calcular os parâmetros do ramo magnetizante considerando o circuito


paralelo.
Figura 11.4

A menos de um pequeno erro δ = 0

V1 = E1 + r12 + x 12 .I 0 ⇒ E1 = V1 − r12 + x 12 I 0

≡ V1 ≡ tensão nominal do ensaio (valor de fase) = (V)


≡ r1 ≡ resistência do estator por fase à temperatura do funcionamento
nominal do motor = (Ω)
≡ x1 ≡ obtido do ensaio com o rotor bloqueado = (Ω)
≡ I0 ≡ corrente de magnetização (valor de fase) = (A)

E1 =

R m = E12 / WFe Por fase Zm = E1/I0 Z m .R m


Xm =
R 2m .Z 2m

PERGUNTAS:

1. Porque no ensaio a vazio não existem perdas no ferro do rotor ?


2. Deduzir a expressão para o cálculo de Xm e Rm se o circuito escolhido
para o ramo magnetizante fosse o série.
3. Na curva I0 = f (V), qual o motivo do acréscimo da corrente para um
decréscimo de V, a partir de um certo valor da tensão para a qual a
rotação cai ?
4. Baseando no circuito equivalente do MIT, justificar a razão do baixo
fator de potência do mesmo, quando opera vazio.
12 - ENSAIO COM O ROTOR BLOQUEADO
DE UM MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO

1. OBJETIVOS
1.1. Determinar as perdas joule no estator e rotor Wjoule.
1.2. Determinar os parâmetros do circuito equivalente R1, X1, r’2, x1, x’2p, r2
e x2.

2. RELAÇÃO DE MATERIAL

2.1. Motor de indução


2.2. Wattímetro
2.3. Amperímetros
2.4. Voltímetros
2.5. Varivolt trifásico

3. CARACTERÍSTICAS DO MOTOR

Mesmo motor do ensaio com o rotor livre.

4. MONTAGEM DA EXPERIÊNCIA

Figura 12.1

5. LEVANTAMENTO DOS DADOS DE ENSAIOS

5.1. Mantendo o rotor bloqueado, aplica-se tensão gradativamente até que circule a
corrente nominal e anotar os valores abaixo.

Vicc(nom) I1 nom(A) W1(W) W2(W) Wjoule=W1+W2


5.2. Cálculo dos parâmetros

Figura 12.2

Wjoule / fase
R1 = - R1 =
I12n / fase

V1cc / fase
Z1 = - Z1 =
I1n / fase

X1 = Z12 − R 12 - X1 =

R1(Ω)tamb Z1(Ω)tamb X1(Ω) R1(Ω)75o Z1(Ω)75o

5.3. Cálculo de r’2

R1 = r1 + r’2 → r’2 = R1 – r1 ⇒ r’2 = 75oC

5.4. Cálculo de x1 e x’2p

x1 x 2p
= −
r1 r2′
Propriedade das proporções

x 1 r1 x1 r
= ⇒ = 1 -
x ′2 p r ′ x 1 + x ′2 p r1 + r2′

x1 r r
= 1 ⇒ x 1 = 1 .X1 ⇒ x1 =
X1 R 1 R1

X1 = x 1 + x ′2 p ⇒ x ′2 p = X1 − x 1 ⇒ x ′2p

5.5. Cálculo de r2 e x2p – Só possível para MIT com rotor em anéis.

5.5.1. Cálculo de E2p

Aplica-se tensão nominal ao estator, abrindo-se o circuito do rotor.

Vlido
E 2p =
3

E2p =

Figura 12.3
5.5.2. Cálculo de E1

E1 = V1 − r12 + x 12 .I 0

E1 = V
V1 ≡ tensão nominal (valor de fase)
I0 ≡ corrente de magnetizações (valor de fase)

5.5.3. Cálculo de r2

2
E 
r2 = r2′. 2 p  ⇒ r2 =
 E1 

5.5.4. Cálculo de x2p

2
E 
x 2 p = x ′2 p . 2 p  ⇒ x 2p =
 E1 

13 – MÁQUINA DE CORRENTE CONTÍNUA –


IDENTIFICAÇÃO DOS TERMINAIS

Identificação dos Terminais de uma Máquina de Corrente Contínua

1. OBJETIVO

Procedimento prático para o conhecimento de como identificar os terminais


de uma máquina de corrente contínua.

2. INTRODUÇÃO

Se a máquina de corrente contínua possuir uma placa com os bornes


terminais, o problema consiste na simples leitura. É o caso das máquinas do
laboratório, cuja placa é reproduzida a seguir.
Figura 13.1

Os bornes A e B correspondem aos terminais do circuito de armadura, de


onde é aplicada e/ou retirada a tensão terminal. Os pontos G e H são terminais dos
pólos de comutação. Sempre que o gerador/motor estiver operando em carga, B deve-
se estar “em curto” com G, e a carga recebendo alimentação entre A e H. Isto coloca o
enrolamento do polo de comutação em série com a carga para redução do efeito de
reação da armadura. Os bornes E, E1 e F pertencem ao campo série, que é dividida pelo
borne E em duas frações, podendo ser utilizada cada uma delas ou todo o campo. Os
bornes restantes são do campo shunt, ou para a máquina funcionar com excitação
independente, os bornes CD serão os terminas do campo. Como a máquina do
laboratório possui quatro pólos, os terminais CD1 D2D3, D4D5, D6D são as frações do
campo excitados sobre cada polo. Assim, para funcionamento do campo shunt ou do
campo independente excitado, os enrolamentos dos pólos devem ser ligados em série, o
que se consegue curto-circuitando D1 com D2, D3 com D4 e D5 com D6. A alimentação
do campo é então feita pelos terminais C e D. As ligações são facilitadas pelo uso de
plaquetas que se ajustam aos bornes.
Se, entretanto, a máquina não possuir uma placa de identificação dos
terminais, isto só poderá ser feito através da determinação dos bornes de cada circuito e
da comparação dos valores de resistência de cada um. Toda a operação pode ser feita
com auxílio de um ohmímetro comum e o procedimento para tal é justamente o objetivo
deste ensaio.

PROCEDIMENTO PRÁTICO PARA A IDENTIFICAÇÃO DOS TERMINAIS

3.2. Separar os bornes pertencentes a um mesmo circuito, usando para tal o


teste de continuidade. Se entre dois bornes a resistência não for infinita,
eles pertencem a um mesmo circuito.
3.2. Medir a resistência de cada circuito, o que apresentar maior resistência será o
circuito do campo shunt, nestas condições, anotar o valor destas resistências para a
máquina do laboratório.

RSH = Ω

3.3. Levantar as escovas do coletor e verificar qual dos circuitos perde a continuidade ,
este será o circuito de armadura, nestas condições, meça a resistência de armadura da
máquina do laboratório.

Ra = Ω

3.4. Colocando-se um dos pólos do ohmímetro ligado no próprio enrolamento do polo


de comutação, verificamos com quais bornes existe a continuidade no circuito, estes
bornes serão do polo de comutação, nestas condições, meça a resistência do polo de
comutação da máquina do laboratório.

Rpc = Ω

3.5. Os bornes restantes, por exclusão, pertencerão ao campo série, nestas condições,
medir a resistência do campo série, ou seja:

Rs = Ω

3.6. Fazer uma tabela comparativa entre os valores de resistência dos campos série,
shunt, armadura e pólos de comutação.

CONCLUSÕES

4.1. Justificar o item 3.2


4.2. Justificar os itens 3.3, 3.4 e 3.5
14 – MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA

1. INTRODUÇÃO

Uma característica destacada da máquina de corrente contínua (MCC) é sua


versatilidade. Por meio de várias combinações de enrolamentos campo série, derivação
e excitação independente, ela pode ter uma ampla variedade de características tensão-
corrente ou velocidade-conjugado, para operação dinâmica e em regime permanente.
Devido à facilidade com que pode ser controlado o motor de CC
é freqüentemente usado em aplicações que requerem uma ampla faixa de
velocidade ou controle preciso da saída do motor.
Quando funciona como gerador, embora o objetivo seja a geração
de tensão contínua, é evidente que uma tensão de velocidade gerada em
uma bobina da armadura é uma tensão alternada. A forma de onda
alternada precisa portanto se retificada. A retificação mecânica é provida
pelo comutador, que é um cilindro formado de lâmina de cobre isoladas
entre si e montadas sobre o eixo do rotor.
Se corrente contínua circular pelo circuito externo ligado às
escovas, será criado um conjugado pela interação dos campos magnéticos
do estator e rotor. Se a máquina estiver agindo como gerador, este
conjugado eletromagnético gira na direção de rotação.
O enrolamento de armadura de uma MCC está no rotor e a
corrente é conduzida ao enrolamento por meio de escovas. O enrolamento
de campo são os seguintes.
Os dois tipos básicos de enrolamento do rotor (armadura) da
MCC são os seguintes:
A – Imbricado ou Paralelo – A aparência é de folhas superpostas.
Caracteriza-se eletricamente pela ligação dos extremos de uma mesma
bobina à lâmina do comutador próximas entre si.
O número de escovas nas máquinas com enrolamento imbricado
deve ser obrigatoriamente igual ao número de pólos.
Os enrolamentos imbricados são normalmente usados em
máquinas de altas correntes.

Figura 14.1

B – Ondulado ou Série – A aparência é de uma onda. Caracteriza-se


eletricamente pela ligação dos extremos de uma mesma bobina a lâminas
distanciadas de aproximadamente 2 passos polares medidos em lâminas do
comutador.

Passo polar em lâminas do comutador + (No de lâminas)/(P)


O número de escovas nas máquinas com enrolamento ondulado
pode ser menor que o número de pólos. O número mínimo de escovas é 2.
Em máquinas que é impossível a colocação de um número de escovas igual
ao número de pólos o enrolamento ondulado é obrigatório.
Os enrolamentos ondulados são normalmente em máquinas de
baixas correntes.
Figura 14.2

Funcionamento

A MCC é uma máquina elétrica girante capaz de converter


energia mecânica em energia elétrica (gerador) ou energia elétrica em
energia mecânica (motor). Para o gerador, a rotação é suprida por uma
máquina primária (fonte de energia mecânica) para produzir o movimento
relativo entre os condutores e o campo magnético da MCC, para gerar
energia elétrica. Para o motor, a energia elétrica é suprida aos condutores e
ao campo magnético da MCC, a fim de produzir o movimento relativo
entre eles e, assim, obter energia mecânica. Em ambos os casos nós temos
movimento relativo entre um campo magnético e os condutores na MCC.

Funcionamento do Comutador

O propósito do comutador e suas lâminas associadas é:

1. No caso de cada gerador, mudar a corrente alternada gerada para


corrente contínua externa.
2. No caso de um motor, mudar a corrente contínua externa aplicada em
corrente alternada, à medida que os condutores se movem
alternativamente sob pólos opostos (para produzir rotação no mesmo
sentido).
3. Permitir a transferência de corrente entre uma armadura móvel e
escovas estacionárias.

Tipos de Geradores CC

Os geradores classificam-se quanto ao tipo de excitação em:

A) Geradores de excitação separada ou independente.


B) Geradores de excitação própria ou auto-excitado.

Geradores de excitação separada são aqueles em que o campo


(ou indutor) é alimentado por uma fonte de corrente contínua externa.
Quando o indutor é alimentado pela própria corrente gerada na
máquina, o gerador é chamado de excitação própria ou auto excitado. Os
geradores auto-excitados podem ser classificados em:

A) Gerador de excitação em derivação (Shunt)


B) Gerador de excitação série
C) Gerador de excitação composta

Motores de Corrente Contínua

Qualquer dos métodos de excitação empregados para geradores


pode também ser utilizado para motores. As características típicas de
regulação de velocidade em regime permanente são mostradas na figura
abaixo, na qual se supõe que os terminais do motor são alimentados por
uma fonte de tensão constante.

Figura 14.3

Uma destacada vantagem do motor derivação é a facilidade de controle de


velocidade. Com um reostato no circuito de campo em derivação, a corrente de campo
e o fluxo por pólo podem ser variados à vontade. Uma faixa máxima de velocidade de
cerca de 4 a 5 para 1 pode ser obtida por este método, com a liberação imposta pelas
condições de comutação.
No motor série, cada aumento na carga é acompanhada por um
aumento correspondente na corrente e fmm de armadura e no fluxo de
campo do estator (desde que o ferro não esteja completamente saturado).
Se uma carga mecânica relativamente pequena é aplicada ao eixo da
armadura de um motor série, a corrente de armadura IA é pequena
resultando numa elevada velocidade não usual. Por esta razão o motor
série nunca deve operar à vazio.
No motor composto, o campo série pode ser aditivo, de modo
que sua fmm se adiciona àquela do campo derivação; ou subtrativo de
modo que ela se opõe. A ligação subtrativa é raramente usada. Um motor
composto aditivo tem uma característica de velocidade-carga intermediária
entre as do motor derivação e do motor série.

Dispositivo de Partida para Motores de Corrente Contínua

A fcem no instante da partida é nula, pois esta é proporcional à velocidade que é


zero na partida. Assim a corrente de partida é limitada apenas pela resistência da
armadura e pela queda de tensão nos contatos das escovas:

I = (Va - ∆V)/Ra,

onde:
I = corrente de partida
Va = tensão de partida
∆V = queda nas escovas
Ra = resistência da armadura

O resultado é uma elevada corrente de partida. O que se requer então, é um


dispositivo cujo propósito é limitar a corrente durante o período de partida e cuja
resistência pode ser progressivamente reduzida à medida que o motor adquire
velocidade, usualmente um reostato contínuo ou com tapes.
A maneira pela qual o dispositivo de partida é usado junto com
os três tipos básicos de máquinas de CC, empregados como motores é
mostrada na figura abaixo.
(a) Dispositivo de partida de motor-shunt.

(b) Dispositivo de partida de motor-série.


(c) Dispositivo de partida de motor composto.

Figura 14.4 – Conexões esquemáticas de dispositivos de partida de


motores shunt, série e compostos.

Operações: Identificar a máquina de CC e dar a partida utilizando-se de


pelo menos duas opções de campo de excitação.

1. Dar partida ao motor observando-se que:


a) O reostado de campo de estar na posição de mínima resistência
b) A resistência do reostato de partida D deve estar toda inserida no
circuito no início da partida e deve ser gradualmente retirada do circuito
à medida que o motor adquire velocidade.

2. Ligar o gerador
a) Colocar o reostato de campo do gerador na posição de máxima
resistência.
b) Atuar no reostato de campo do gerador até que se obtenha a tensão
nominal.

3) Leituras
a) Atuar no reostato de campo do motor para variar a velocidade.
b) Para cada velocidade fazer a leitura de E correspondente ao voltímetro
V.

Segunda Parte: Medida da Resistência dos Enrolamentos da MCC

A) Campo Paralelo (RP)

Alimente os terminais do campo paralelo (F1 e F2) com CC (Imáx


= 2A) e registre o valor da tensão lida nos terminais, conforme figura
abaixo:
Figura 14.5

Faça 3 leituras de tensão e corrente e encontre a média para a determinação de


RP.

B) Campo Série (RS)

Alimente os terminais do campo série (S1 . S2) com CC (Imáx =


10A) e registre o valor da tensão lida nos terminais conforme a figura
abaixo:

Figura 14.6

Faça 3 leituras de tensão e corrente e encontre a média para a determinação de


RS.

C) Armadura (RA)

Alimente os terminais da armadura (A1 . A2) com CC (Imáx = 10A)


e registre o valor da tensão lida nos terminais conforme a figura abaixo:
Figura 14.7

Faça 3 leituras de tensão e corrente e encontre a média para a determinação de


RA.

QUESTIONÁRIO

1. Porque o enrolamento de armadura da MCC se localiza no rotor ?


2. Explique o funcionamento da MCC.
3. Descreva a comutação, detalhando cada etapa do processo.
4. Por que o motor série não pode partir à vazio ?
5. Que fatores levam à escolha de um motor CC ( e não de um motor de
indução, por exemplo) para determinado acionamento ?
6. É possível aumentar a velocidade do motor CC com controle pela
armadura ? Explique .
7. Por que é recomendável a retirada do dispositivo de partida após a
entrada do motor em regime permanente ?
8. Como é possível a obtenção de tensão contínua a partir da corrente
alternada gerada na armadura em um gerador CC ?

BIBLIOGRAFIA

FITZGERALD, A.E.; KINGSLEY, C. Jr.; KUSKO, A. – Máquinas Elétricas, São


Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1975.
KOSOW, I.L. – Máquinas Elétricas e Transformadores, Porto Alegre,
Editora Globo, 1979.
Catálogo WEG – Aplicação e Seleção de motores de corrente contínua.
Máquinas Elétricas – Guia de aulas práticas – UFMG.
15 – MÁQUINAS SÍNCRONAS

1. INTRODUÇÃO

Em uma máquina síncrona com raras exceções, o enrolamento de


armadura está no estator, e o enrolamento de campo está no rotor. O
enrolamento de campo é excitado por corrente contínua, levada até ele por
meio de escovas de carvão, apoiadas sobre anéis coletores. Usualmente,
os fatores estruturais ditam esta orientação; é vantajoso ter o enrolamento
do campo, de baixa potência, sobre o rotor.
É uma máquina de corrente alternada, cuja velocidade em
condições de regime permanente é proporcional à freqüência da corrente na
armadura. À velocidade síncrona, o campo magnético girante, criado pelas
correntes da armadura caminha à mesma velocidade que o campo criado
pela corrente de campo, e resulta um conjugado constante. A freqüência
em ciclos por segundo (Hertz) é igual à velocidade do rotor em rotações
por segundo; isto é, a freqüência elétrica esta sincronizada com a
velocidade mecânica, e esta é a razão para a designação de MÁQUINA
SÍNCRONA.
Quando uma máquina tem mais de que 2 pólos, é conveniente
concentrar a atenção sobre um único par de pólos, e reconhecer que as
condições elétricas, magnéticas e mecânicas associadas a qualquer outro
par de pólos são repetições daquelas para o par em consideração. Por esta
razão, é conveniente expressar ângulos em graus elétricos ou radianos
elétricos em lugar de unidades mecânicas:

P
θe = θm
2

onde:

θe = ângulo em unidades elétricas


θm = ângulo mecânico
P = número de pólos

A tensão de bobina de uma máquina de P pólos passa por um


ciclo completo toda vez que um par de pólos passa por ela, ou P/2 vezes
cada rotação. A freqüência da onda de tensão é, portanto,

P n
f= ;
2 60

n = velocidade mecânica em rpm


n/60 = velocidade em rotação por segundo
A freqüência angular W da onda de tensão é:

P
W= Wm
2

onde: Wm = velocidade mecânica em radianos por segundo.

Os rotores de uma máquina síncrona de pólos girantes, podem


ser:

a) De pólos salientes
b) De pólos lisos ou cilíndricos.

Uma construção de pólos salientes é característica de geradores


hidrelétricos porque as turbinas hidráulicas funcionam com velocidade
relativamente baixas, e um número relativamente grande de pólos é
necessário para produzir a freqüência desejada; a construção de pólos
salientes adapta-se mais, mecanicamente, a esta situação.
As turbinas a vapor e as turbinas a gás, por outro lado, funcionam
melhor com velocidades relativamente altas, e os alternadores acionados
por turbinas, ou turbogeradores, são comumente máquinas de 2 ou 4 pólos
com rotor cilíndrico.

GERADORES SÍNCRONOS E MOTORES SÍNCRONOS

Com poucas exceções, os geradores síncronos são máquinas


trifásicas, devido às vantagens dos sistemas trifásicos para a geração, a
transmissão e a utilização de grandes potências.
Quando um gerador síncrono supre potência elétrica a uma carga,
a corrente na armadura cria uma onda de fluxo no entreferro, que gira à
velocidade síncrona. Este fluxo reage com o fluxo criado pela corrente de
campo e resulta daí um conjugado eletromagnético, devido à tendência dos
dois campos magnéticos se alinharem. Em um gerador, este conjugado se
opõe à rotação, e a máquina motriz deve aplicar conjugado mecânico a fim
de sustentar a rotação.
Correspondente ao gerador síncrono, temos o motor síncrono. A
corrente alternada é fornecida ao enrolamento de armadura, (usualmente o
estator) e a excitação de corrente contínua é suprida ao enrolamento de
campo (usualmente o rotor). O campo magnético das correntes de
armadura gira à velocidade síncrona. Para produzir um conjugado
eletromagnético permanente, os campos magnéticos do estator e rotor
precisam ser constantes em amplitude e estacionários com respeito um ao
outro. Em um motor síncrono, a velocidade de regime permanente é
determinada pelo número de pólos e a freqüência da corrente de armadura.
Assim, um motor síncrono alimentado por uma fonte de CA de freqüência
constante precisa girar a uma velocidade constante em regime permanente.
Em um motor, o conjugado eletromagnético está na direção de
rotação e equilibra o conjugado oponente exigido para mover a carga
mecânica.

MÁQUINAS SÍNCRONAS EM PARALELO

Alternador: É um gerador síncrono de corrente alternada que por indução


eletromagnética transforma a energia mecânica em elétrica, sob a forma de
corrente alternada, cuja freqüência para uma dada máquina, depende
exclusivamente da rotação.

VANTAGENS DA LIGAÇÃO DOS ALTERNADORES EM PARALELO

1. Várias unidades pequenas permitem um serviço mais flexível que uma


única unidade, pois se uma unidade ficar, eventualmente, fora de
serviço, não se é obrigado a interromper todo o fornecimento de energia.
2. As unidades podem ser ligadas ou desligadas à medida que aumenta ou
diminui a solicitação. Assim todas as máquinas trabalharão próximo à
plena carga, o que aumenta o rendimento da operação.
3. A central geradora sendo constituída de mais de uma unidade, torna-se
possível a manutenção preventiva e de emergência sem grande
perturbação no sistema. A perturbação será tanto menor quanto maior
for o número de unidades.
4. A medida que a demanda do sistema aumenta, novas unidades podem
ser instaladas nas centrais, segundo etapas de construção previstas.

CONDIÇÕES PARA A LIGAÇÃO EM PARALELO


As condições que devem ser verificadas para a associação dos
alternadores em paralelo são:
1. A igualdade de tensões é verificada por meio de voltímetros.
2. A igualdade de freqüências é verificada por meio de frequencímetros.
3. Para verificar se as seqüências das fases estão na mesma ordem
poderemos adotar um dos seguintes processos:
a – Por meio de lâmpadas: ligam-se três lâmpadas L1, L2 e L3 como indica
a figura.

Figura 15.1- Verificação da seqüência de fases por meio de lâmpadas.

Depois de levar as tensões ao mesmo valor e as freqüências a


valores iguais ou próximos (velocidade de regime), as três lâmpadas devem
se acender e apagar ao mesmo tempo. Se as fases estão ligadas
incorretamente, as lâmpadas se apagam e acendem desencontradamente;
neste caso é necessário trocar a ligação de duas fases do alternador ao
barramento.

b – Por meio de um motor trifásico: Alimenta-se o motor com um


alternador e depois com outro. Se o sentido de rotação for o mesmo,
as fases estão na mesma ordem; se não for, deve-se trocar a ligação de
duas fases de um dos alternadores com o barramento.

c – Por meio de um indicador de seqüência de fase.


4. Para verificar se há concordância de fases, poderemos adotar um dos
seguintes processos:

a) Por meio de lâmpadas, (figura 15.2 e 15.3)

Figura 15.2 – Indicador de concordância de fases empregando duas


lâmpadas;
a) lâmpadas apagadas; b) lâmpadas acesas.

Ligam-se duas lâmpadas entre fases idênticas (figura 15.2a) ou


entre fases diferentes (figura 15.2b). No primeiro caso faz-se a associação
no momento em que as lâmpadas estão apagadas; no segundo caso, quando
acendem com o máximo brilho. Este último tem o inconveniente de não
se poder precisar o momento exato da concordância de fases, devido ao
ofuscamento.
Em vez de indicador monofásico, pode empregar-se o indicador
tipo fogo girante, que se compões de três lâmpadas. A lâmpada L1 é ligada
entre duas fases idênticas e as outras duas L2 e L3 são ligadas entre fases
diferentes.
Estas lâmpadas apagam e acendem uma após a outra, dando a
impressão de uma luz girante. Quando as máquinas estão longe do
sincronismo, as lâmpadas acendem e apagam com grande rapidez; é então
necessário regular a velocidade do alternador a associar, até se notar a
maior lentidão possível no acender e no apagador das lâmpadas. A
associação deve ser feita no momento em que a lâmpada L1 apagar.
Figura 15.3 – Indicador de concordância de fase tipo fogo girante (com 3 lâmpadas).

b) Por meio do sincroscópio: Aparelho que indica o momento exato de


oposições de fases bem como a igualdade de freqüências.

5. A verificação da semelhança das ondas de tensão é feita por meio de um


osciloscópio.

MÉTODOS DE PARTIDA

Os motores síncronos monofásicos não partem por si só, assim


como os trifásicos o que resulta ser necessário um órgão auxiliar de partida
para os motores síncronos

SEQÜÊNCIA DE OPERAÇÕES PARA A PARTIDA

1. Curto-circuita-se o campo do motor síncrono com uma resistência, afim


de reduzir o valor da tensão induzida.
2. Põe-se o motor síncrono a girar por um dos métodos abaixo
3. Quando um rotor atingir a velocidade de sincronismo, retira-se a
resistência do campo, estabelece-se a corrente contínua no indutor e
retira-se a máquina auxiliar.

O motor síncrono não tem conjugado de partida. Assim o motor


deve se acionado até a velocidade síncrona.
Há dois métodos

1. Por um motor auxiliar, acoplado ao eixo do motor síncrono que o aciona


a velocidade síncrona e aí é sincronizado com a rede. Para isto o motor
síncrono não deve ter carga na partida, senão o motor auxiliar teria que
ter uma potência elevada.
2. Usando um enrolamento amortecedor que funciona como enrolamento
em gaiola. O motor síncrono parte como se fosse um motor de
indução. Por esse processo ele atinge uma velocidade próxima da
síncrona (8 a 99%). Se então aplicarmos corrente no campo ele entrará
em sincronismo.

GERADOR SÍNCRONO

1. Objetivo: Analisar o princípio de funcionamento de um gerador


síncrono e de um motor síncrono.

2. Procedimento:
• Execução do Ensaio
• Montar o esquema da figura abaixo

Figura 15.4

Para uma rotação igual à velocidade síncrona a freqüência da


onda de tensão induzida será de 60 Hz. Excitando adequadamente o
alternador, teremos uma tensão induzida de módulo e freqüência bem
definidos.
Análise

1. Varie a velocidade da MCC (através do reostato de campo) e observe a


freqüência da onda de tensão.
2. Varie a excitação do GS e observe o que acontece.
3. Justifique as variações obtidas.

3. Material Utilizado

• 1 máquina síncrona
• 1 máquina de corrente contínua e seus acessórios
• 1 medidor de rpm
• 1 voltímetro
• 1 freqüencímetro
• Fonte DC para excitação da máquina síncrona

4. Bibliografia

FITZGERALD, A.E., KINGSLEY, Jr. – Máquinas Elétricas, São Paulo, McGraw-


Hill do Brasil, 1975.
MARQUES, Prof. Nédio Lopes – Máquinas Elétricas e Transformadores,
Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil – Serviço de
Publicações, 1965.
SEPULVEDA, Prof. Hugo Luiz – Máquinas Elétricas, UFMG – BH – MG,
Edições Engenharia, 1969.

5. Questões

1. Porque o enrolamento de campo de uma máquina síncrona geralmente é


no rotor ?
2. Porque a máquina síncrona é largamente utilizada como gerador e tem
um emprego relativamente baixo como motor ?
3. Quais as diferenças entre um rotor de pólos lisos e rotor de pólos
salientes? Porque os rotores de geradores hidrelétricos geralmente são
de pólos salientes ?
4. Quais são as vantagens do funcionamento de geradores síncronos em
paralelo ?
5. O que é e para que se usa enrolamento amortecedor na fase dos pólos
das máquinas síncronas ?
6. Explicar porque nas máquinas síncronas os campos do estator e do rotor
são estacionários um em relação ao outro.
7. O que é limite de estabilidade da máquina síncrona. Como se pode
verificar, praticamente, este limite funcionando a máquina como gerador
e como motor.
8. De quais maneiras é possível aumentar o limite de estabilidade de uma
máquina síncrona.
16 – MOTORES MONOFÁSICOS

A – INTRODUÇÃO

Uma grande aplicação para a conversão eletromecânica de


energia, diz respeito aos motores de corrente alternada de pequena
potência. São motores cuja potência é especificada em fração de cavalo-
vapor, que fornecem energia para todos os tipos de equipamentos na casa,
escritório, fábricas, etc. São motores projetados para uma aplicação
específica e utilizados, normalmente, em linhas monofásicas.
Embora de construção relativamente simples são
consideravelmente mais difíceis de analisar do que os motores trifásicos
maiores. Às vezes o seu projeto é desenvolvido a partir da construção e
ensaio de motores protótipos, até conseguir o desempenho desejado.
Programas de projeto por computador tem o objetivo de realizar, no papel,
projetos mais exatos reduzindo a quantidade de tentativas para obter o
desempenho desejado.
Um motor monofásico de indução é estruturalmente igual a um
motor polifásico, apenas possui um único enrolamento indutor.

B – PRINCÍPIO DO MOTOR MONOFÁSICO

Liguemos a uma fonte monofásica duas bobinas montadas em


série, como indica a figura 16.1. Entre estas duas bobinas, coloquemos
um rotor do tipo gaiola de esquilo. Constatamos que ele permanece
imóvel. Se giramos o rotor em um sentido, ou no outro, ele continua a
girar (Aplicação da Lei de Lenz). Podemos concluir que o motor
monofásico não parte sozinho mas gira no sentido em que se dá a primeira
rotação do rotor. Na prática estes motores se chamam motores assíncronos
monofásicos, de fase auxiliar. Eles são fabricados para potências inferiores
a 1 HP. São robustos, de baixo rendimento, e não suportam sobrecargas.

Figura 16.1

B.1 – Motor Assíncrono Monofásico com Condensador

Retomemos nosso pequeno motor e disponhamos em cruz com as


bobinas 1 e 2, duas outras bobinas 3 e 4, com um condensador e
alimentadas em paralelo com as bobinas 1 e 2. Constatamos que o motor
parte e sempre em um sentido. Podemos interromper o circuito das bobinas
3 e 4 e o motor continua a girar.
Figura 16.2

Porque o motor parte sozinho ?

O condensador defasa a corrente adiantando-o sobre a tensão no


circuito das bobinas 3 e 4, por conseguinte, os campos magnéticos das
bobinas 1 e 2 e as duas bobinas 3 e 4 ficam defasados de 1/4 de período,
um em relação ao outro. Estes dois campos magnéticos se compõem e sua
resultante produz um campo girante. No rotor aparecem correntes
induzidas e este passa a ser arrastado pelo campo do estator. As bobinas 1
e 2 se chamam fase principal. As bobinas 3 e 4 se chamam fase auxiliar.

B.2 – Na prática o estator é bobinado como o de um motor trifásico

Duas bobinas são ligadas em série com o circuito da fase auxiliar


e, quando o motor atinge sua velocidade normal, elas são eliminadas por
um interruptor normal, ou por um interruptor centrífugo, para um motor de
1/2 HP – 110 volts, a capacidade de condensador é de 130 microfarads
aproximadamente.

Figura 16.3
B.3 – Os motores monofásicos de potência compreendida entre 10 a
15 HP, são munidos de 2 condensadores. Um serve para a partida e
o outro permanece no circuito da fase auxiliar, durante o funcionamento
normal. O sentido de rotação pode ser invertido, trocando-se as
conexões da bobina auxiliar com as bobinas de trabalho.

Figura 16.4

B.4 – Motor Monofásico com Coletor

Estes são também chamados universais, por que funcionam


igualmente sob corrente alternada ou corrente contínua, desde que a tensão
de alimentação seja a mesma. Podem atingir grande velocidade (de 3.000
a 7.000 rotações por minuto), mas seu rendimento é péssimo. Eles são
construídos para pequenas potências. (Frações de HP). São utilizados
para equipar aparelhos eletrodomésticos, pequemos ventiladores,
aspiradores de pó, secadores de cabelos, etc...

C – MOTORES MONOFÁSICOS – PARTIDA


Como já foi dito os motores monofásicos não partem por si só,
uma vez que o campo produzido por uma só fase não é girante. É
necessário portanto um dispositivo auxiliar para a partida.
Um dos métodos usados para se obter um campo girante, com
uma só fase, acha-se representado na figura 16.5.

Figura 16.5

O motor é enrolado em forma bifásica sendo que os dois


enrolamentos apresentam características diferentes, de resistência e
reatância.
Na prática, faz-se um enrolamento com fio grosso (fio B
enrolamento principal), e o outro com fio (fio A enrolamento auxiliar ou de
partida). Devido às diferentes relações de resistência e reatância dos
enrolamentos, as correntes que nele circulam estarão defasadas de um
ângulo M. Ia pode ser decomposta em duas componentes, figura 16.6. Ia
sem M em avanço de 90o sobre Ib e Ia cosM em fase com Ib. Quando as
correntes nas duas bobinas A e B estão em fase, elas produzem um campo
resultante alternativo que não gira e, portanto não produz nenhum
conjugado de partida. Em conseqüência, a combinação de Ia.cosM e Ib,
não produz conjugado. Portanto o conjugado de partida é devido a I a senM
e Ib atuando conjuntamente.
Figura 16.6

Depois do rotor ter atingido a velocidade de regime podemos


desligar o campo auxiliar, que o motor continuará em funcionamento,
devido a seguinte razão:
Quando uma corrente alternada circula no enrolamento B,
produz-se um fluxo alternativo que equivale a dois campos magnéticos
girantes ϕx e ϕy que têm a mesma intensidade e giram em sentidos opostos
com a mesma velocidade. ( Teorema de Maurice Leblanc).
Suponhamos o motor girando no sentido de ϕx com a
velocidade n = (1 – s)ns. A freqüência da corrente induzida por ϕx será
então:

f' = p(ns – n)

onde:

ns – n é velocidade com que as barras cortam o campo nx.

Então,

(n s − n )
f ′ = p( n s − n ) = n s p = f .s
n

Como o valor de s é muito pequeno, a freqüência é muito


pequena e a reatância oferecida a essa corrente será x’ = 2π f’L, que tem
um valor baixo devido ao baixo valor de f’.
As barras cortarão o campo hy com a velocidade ns + n. A
freqüência da corrente induzida por ϕy será:

f" = p(ns + n)

Como n é muito pouco menor que ns podemos tomar n = ns o que


dá:

f" = 2Pns = 2f.

Sendo a freqüência dessa corrente igual ao dobro da freqüência f,


a reatância oferecida será:

X” = 2∏ f” L = 4∏ fL, que tem um valor elevado.

Então, o motor ficaria sujeito a dois torques: um Tx devido a


corrente Ix e outro Tg, atuando em sentido contrário. Como a reatância X’
é muito pequena e a reatância X” muito grande, o fator de potência da
corrente Tx será grande e o fator de potência de Ty será muito pequeno.
Portanto, o torque Tx terá um valor apreciável e o torque Ty um valor
desprezível. Nestas condições o rotor gira no sentido do torque Tx, devido
ao campo hx.

C.1 – Aumento do Conjugado de Partida

Pode-se obter melhores condições de partida intercalando-se uma


resistência, reatância ou capacitância em série com o enrolamento auxiliar.
Obtém-se assim um ângulo de defasamento maior entre as correntes I b e Ia,
ao que corresponde um aumento do conjugado de partida.

C.2 – Motores de Indução com Condensador de Partida

Na prática prefere-se usar um condensador em série com o


enrolamento de partida, pois com condensador pode-se obter maior
defasamento que com resistência ou reatância.
O ângulo de fase entre Ia e Ib depende do valor da capacitância e
pode ser feito praticamente igual a 90o na partida. Quando o motor
aumenta de velocidade, variam as correntes no rotor e no estator e o ângulo
M. Para se manter M igual a 90o seria necessário diminuir continuamente
a capacitância. Isto, entretanto, não é necessário, visto que com um
capacitor adequado consegue-se conjugado igual a cerca de 3,5 vezes o
conjugado de plena carga, para velocidades entre 0 e 70% da velocidade de
sincronismo. Quando o rotor atinge aproximadamente 75% desta
velocidade um dispositivo centrifugo desliga o enrolamento auxiliar. O
motor passa então a trabalhar como foi explicado anteriormente.

Figura 16.7

Há duas razões para se desligar o condensador quando o motor


adquire velocidade.
1. A capacitância que permite conjugado máximo na partida é muitas
vezes maior do que a que permite máximo conjugado em carga: como
exemplo, um motor de 1/2 HP, 110 volts, necessita de um capacitor de
230-280 µF para um elevado conjugado de partida. O mesmo motor,
para funcionamento normal como bifásico, necessita de um capacitor de
apenas 15 µF.
2. Desligando-se o condensador logo depois da partida pode-se usar dois
condensadores eletrolíticos ligados em oposição o que é mais
econômico do que usar outro tipo de condensador.

A característica principal do condensador eletrolítico é que para


uma polaridade da corrente ele funciona como condensador e para a outra
polaridade funciona como resistência. Assim, os dois condensadores
ligados em oposição funcionam de maneira que num semi-ciclo da corrente
um deles é condensador e o outro resistência, e no outro semi-ciclo inverte-
se o processo. Devido a essa característica de funcionamento o
condensador eletrolítico tem altas perdas. Então, caso fique ligado muito
tempo, ele se aquece exageradamente, produzindo gases e destruindo-se.
O condensador eletrolítico portanto, só serve para funcionamento
intermitente durante pequenos espaços de tempo, normalmente de um
minuto.

C.3 – Motores de Indução com Compensador de Partida e Condensador de Macha

Neste tipo de motor, o enrolamento auxiliar nunca, é desligado da


linha, e o motor funciona sempre como bifásico. Porém, a capacitância do
enrolamento auxiliar é proporcionada por dois condensadores em paralelo,
um de grande capacitância e o outro de pequena. Ao atingir a velocidade
que é aproximadamente 75% da de sincronismo, um dispositivo centrífugo
desliga o condensador maior. Para o funcionamento ideal seria necessário
uma redução contínua da capacitância, quando a velocidade varia de zero à
de plena carga porém uma variação da capacitância em duas etapas dá bons
resultados. O motor com condensador de marcha tem um rendimento e
um conjugado motor crítico mais elevados que o motor que utiliza a fase
dividida somente para a partida, e seu fator de potência é aproximadamente
100%.

C.4 – Motores com Condensadores Permanente

Nas aplicações em que o motor parte com uma carga


praticamente nula, é possível evitar a despesa com o interruptor centrífugo
e um dos condensadores do motor anteriormente ligado em série com o
enrolamento auxiliar, e tem uma capacitância pequena, pelas razões
anteriormente explicadas.
D – INVERSÃO DO SENTIDO DE ROTAÇÃO

Para se inverter o sentido de rotação dos motores monofásicos


invertem-se as ligações do enrolamento auxiliar ou do principal, pois o
sentido da rotação depende do sentido do campo girante produzido na
partida.

E – VARIAÇÃO DA VELOCIDADE

A variação de velocidade só pode ser obtida variando-se o


número de pólos do motor.
O enrolamento do estator de um motor de indução monofásico
pode ser facilmente disposto para dar duas velocidades, uma dupla da
outra. Na figura 16.8 as duas bobinas A e B se acham ligadas em série, e
seus campos se somam, resultando um motor bipolar.

Figura 16.8

Na figura 16.9 as duas bobinas ainda se acham ligadas em série,


porém as ligações da bobina B foram invertidas, de modo que os campos
das duas bobinas se acham em oposição, daí resultando a produção de
quatro pólos e a redução da velocidade para a metade. Analogamente, um
motor de quatro pólos pode ser religado, de modo a produzir oito pólos. A
mudança de uma velocidade para a outra é fácil e rapidamente realizada
por meio de uma chave bipolar de duas direções, figura 16.10. Os pólos
norte da figura 16.9 são comumente chamados pólos conseqüentes, e um
motor de duas velocidades que obtém sua velocidade mais baixa mediante
a produção de pólos conseqüentes se diz que possui um enrolamento de
pólos conseqüentes.

Figura 16.9 Figura 16.10

Para o motor trifásico existem também dispositivos que


permitem variar a velocidade por meio de religações, das bobinas,
variando-se o número de pólos da máquina.

F – MOTORES DE PÓLOS SOMBRADOS

Outro processo de partir os pequenos motores monofásicos de


indução, como os quais que se usam em ventiladores, toca-discos, etc...
consiste em montar num canto de cada peça polar uma bobina ou um anel
de cobre fechado em curto-circuito, figura 16.11. A corrente induzida
neste anel produz um fluxo que pela Lei de Lenz tende a contrariar aquele
que lhe deu origem. Portanto, o fluxo através do anel de cobre fica
sempre sem atraso em relação ao fluxo principal φ. Deste modo é
produzido um campo girante que arrasta o rotor e cujo sentido de
movimento é do núcleo principal para o anel.

Nota: Tais motores só têm um sentido de rotação, pois a troca dos fios de
alimentação acarreta a inversão simultânea dos fluxos principal e auxiliar.
Figura 16.11

G – MOTORES DE COMUTADOR

MOTORES TRIFÁSICOS DE COMUTADOR: Estes


motores são constituídos por um estator igual ao dos motores trifásicos de
indução e por um rotor como o induzido de uma máquina de corrente
contínua. Sobre o comutador se assentam três escovas montadas a 120o
umas das outras, no caso de uma máquina bipolar.
Os enrolamentos do estator e do rotor podem ser ligados em série
figura 16.12 ou em derivação.
Os motores trifásicos de comutador diferem, pois, dos motores de
indução, não só pela constituição, mas também porque tanto o estator como
o rotor são alimentados pela corrente da rede.
Figura 16.12

BIBLIOGRAFIA

FITZGERALD, A.E. KINGSLEY, Jr. – Máquinas Elétricas, São Paulo, McGraw-Hill


do Brasil, 1975
KOSOW, Irving, L. – Electric Machinery and Transformers, New Jersey,
Prentice Hall, INC.
BOFFI LUIZ V. – Conversão Eltromecânica de Energia, São Paulo,
Editora da Universidade de São Paulo, Brasil.
SEPULVEDA, Prof. Hugo Luiz – Máquinas Elétricas, UFMG – BH – MG
– Editora Engenharia, 1969.

17 – FUNCIONAMENTO DOS MOTORES DE


INDUÇÃO MONOFÁSICOS

ASSUNTO:

Estudos práticos relativos à ligação, partida e operação de um motor de


indução monofásico (MIM) de fase dividida

REFERÊNCIAS:

Kosow – Capítulo 10, ítens 10.1 a 10.8


Fitzgerald – Capítulo 11, ítens 11.1 e 11.2
Falcone – ítem 6.19

I – CONSTRUÇÃO:
Qualquer motor de indução monofásico possui o rotor semelhante ao usado nos
motores de indução polifásicos de rotor em gaiola de esquilo (ou em curto-circuito).
Nos motores de fase dividida, nosso objetivo, o estator é constituído de ranhuras
uniformemente distribuídas onde é inserido o enrolamento de estator que é dividido em
duas partes, ligadas em paralelo, cada uma delas deslocadas no espaço e no tempo. A
finalidade deste procedimento é a de produzir um campo magnético girante no estator e
também o torque de partida (figura 17.1), como será visto posteriormente.

Figura 17.1 – Posições relativas no estator entre os enrolamentos, principal


(m) e auxiliar (a), para um MIM de 2 pólos.

São os seguintes os dois enrolamentos do estator:


1. Enrolamento principal ou de funcionamento (“main” = m)

É formado por bobinas distribuído em ranhuras, uniformemente


espaçadas em volta do estator. Possui normalmente impedância apreciável
para manter baixa a corrente de funcionamento.

2. Enrolamento auxiliar ou de partida (“auxiliary” = a)

É também distribuído uniformemente na periferia do estator, mas


começando em ranhuras defasadas de 90 graus elétricos do início do
enrolamento principal, sendo ligado em paralelo com este enrolamento.
Sua corrente e impedância são normalmente ajustados em relação à tensão
de linha de modo que sua corrente esteja adiantada em relação à corrente
do enrolamento principal, não necessariamente de 90 graus, mais o
suficiente que haja um defasamento no tempo, uma vez que já há no
espaço. Sua finalidade essencial é produzir a rotação do rotor.

Figura 17.2 – Ligações de um MIM de fase dividida e capacitor


permanente para 2 tensões; (a) ligação paralelo 110 V; (b) ligação série
220 V.

FUNCIONAMENTO:

Na 10a aula de laboratório, foi mostrado que os motores de


indução trifásicos (MIT), precisam de um campo magnético girante no
estator para dar origem à rotação e à operação do motor. Como um MIM e
um MIT possuem enrolamentos de rotores idênticos (enrolamento em
gaiola), mas estatores diferentes (um é trifásico e o outro monofásico), faz-
se necessário à formação de um campo magnético no estator que se desloca
de posição no tempo para produção de um conjugado no rotor e assim girá-
lo. Uma das maneiras de conseguir um campo girante de estator
equivalente a, por exemplo, 2 pólos, é utilizar dois enrolamentos no estator
deslocados de 90 graus elétricos um de outro (figura 17.3) e fazer com que
as correntes que devem circular nos dois enrolamentos fiquem com uma
defasagem no tempo de, no mínimo, o suficiente para originar o
movimento do rotor (partida).
Os MIM’s que usam dois enrolamentos no estator alimentados
por uma única fonte CA, ligados em paralelo, são chamados de “motores
de indução monofásicos de fase dividida” e, de acordo com o artifício
utilizado para partir o motor (defasando as correntes) são ainda
subdivididos em vários tipos que são:

1. MIM de fase dividida de partida à resistência (ou, simplesmente, de


fase dividida).

(a) Diagrama de ligações


(b) Diagrama fasorial na partida

Figura 17.3

Neste caso, basta termos:

Ra Rm
>
Xa Xm

A figura 17.3a mostra uma maneira de conseguir isto, ou seja:

• Enrolamento auxiliar → menos espiras com condutor de


menor seção
• Enrolamento principal → mais espiras com condutor de maior seção.

R alta e X a baixa → Z a 
Assim obtemos (na partida)  a  Zm < Za
R m baixa e X m alta → Z m 

OBS.: Uma maneira de reduzir um pouco o valor de Xa é colocá-lo no


topo da ranhura do estator.

O enrolamento auxiliar é desligado após a partida, por uma chave


centrífuga, a cerca de 75% da velocidade síncrona. Razões:

a) O torque desenvolvido pelo enrolamento principal na condição nominal


é superior ao que seria desenvolvido por ambos os enrolamentos (figura
17.4).
b) Como vantagem adicional, as perdas são reduzidas com a eliminação do
enrolamento auxiliar e por causa disto este é também chamado de
enrolamento de partida e o outro de enrolamento de funcionamento.
Figura 17.4 – Características torque x velocidade

• Vantagens : custo baixo


• Desvantagens : Tp baixo (de 1,5 a 2,0 vezes Tnom)

Em cargas pesadas o escorregamento aumenta (reduz N), resultando um torque


elíptico e pulsante e maiores vibrações.

• Aplicações: Ventiladores, bombas centrífugas e cargas barulhentas tais como


esmeris, máquinas de lavar, etc.
• Potências típicas: 1/20 a ½ HP

2. MIM de fase dividida com partida a capacitor

(a) Diagrama de ligação

(b) Diagrama fasorial na partida


(c) Característica torque x velocidade

Figura 17.5

Neste tipo de motor, o torque de partida é melhorado com a


inclusão de um capacitor em série com o enrolamento auxiliar, figura
17.5a., dimensionado de tal maneira a produzir um defasamento entre Im e
Ia de quase 90 graus, figura 17.5b., (sendo 82 graus um bom compromisso
entre vários fatores como conjugado de partida, corrente de partida e
custo). O aumento do Tp pode ser entendido pela relação:

Tp = K Ia Im senα

Onde α = ângulo (defasamento) entre Ia e Im

Novamente o enrolamento auxiliar é desligado após o motor ter


partido, figura 17.5c., e consequentemente este e o capacitor são projetados
a mínimo custo para serviço intermitente.

• Vantagens: - Tp elevado (de 3,5 a 4,5 vezes Tmon)


- Ip reduzido
- Pode ser usado como “motor reversível”
• Desvantagens: - Aumento do custo
- Maiores danos pela falha nas chaves de partida em abrir o
circuito do enrolamento auxiliar devido ao capacitor.
• Aplicações: bombas, compressores, unidade de refrigeração e condicionamento de
ar e outras cargas de partida difícil ou que requeriam a inversão de rotação do motor.
3. MIM de fase dividida com capacitor permanente

(a) Diagrama de ligações

(b) Diagrama fasorial em funcionamento


(c) Característica torque x velocidade

Figura 17.6

Neste tipo, o capacitor e o enrolamento auxiliar não são desligados após a


partida e a construção pode ser simplificada pela omissão da chave centrífuga. A
capacitância C deve ser bem menor que Cp do caso anterior para não sobrecarregar o
enrolamento auxiliar durante o funcionamento.

• Vantagens: - melhoria no fator de potência


- melhoria no rendimento
- melhoria nas pulsações de conjugado (se bem projetado teremos
um motor sem vibração)
- inversão de velocidade mais fácil
- não requer chave centrífuga
- possibilidade de corrente de velocidade pela variação da tensão
aplicada.
• Desvantagens: - Redução de Tp para C < Cp
- Tnom mais baixo

• Aplicações: ventiladores, exaustores, máquinas de escritório e unidades de


aquecimento.
• Potências típicas:

4. MIM de fase dividida a duplo capacitor


(a) Diagrama de ligações

(b) Característica torque x velocidade

Figura 17.7

Este tipo de motor combina as vantagens do MIM a capacitor (tais como


operação silenciosa e controle limitado da velocidade) com as vantagens do MIM com
partida a capacitor (torque de partida elevado e corrente de partida reduzida).
Os diagramas fasoriais para as condições de partida e funcionamento são iguais
à figura 17.5b e figura 17.6b respectivamente.
• Aplicações: em compressores de unidade domésticas de ar condicionado.

Notas sobre os capacitores usados no motores:

1. O capacitor empregado para a partida de MIM (Cp) é do tipo eletrolítico, seco, para
C.A., compacto especial de forma cilíndrica, feito especialmente para partida de
motores, isto é, para uso intermitente.
2. O capacitor utilizado permanentemente ligado (C) é do tipo a óleo, para C.A., para
uso contínuo.
3. Ambos são encontrados nas tensões de 110 e 220 volts.
4. Em geral, Cp >> C. Ex.: Num motor de ½ HP seria utilizado um capacitor de partida
de 250 µF e/ou um capacitor permanente de 25 µF, aproximadamente.

III – PRÁTICA

É dividida em 3 partes, devendo-se efetuá-las na seqüência apresentada.

1. Identificação dos enrolamentos de um MIM

Material: - 1 MIM, fase dividida, com os terminais disponíveis, sem quaisquer


ligações ou identificações.
- 1 ohmímetro
Com auxílio do ohmímetro, determinar para cada 2 terminais quais constituem
enrolamento e anotar o valor ôhmico medido na tabela abaixo. (Preencher apenas o
triângulo superior ou o inferior).

1. Roxo 2. Verde 3. Verm. 4. Marr. 5. Azul 6. Amar.


1. Roxo
2. Verd.
3. Verm.
4. Marr.
5. Azul
6. Amar.
Tabela 17.1

2. Determinação das polaridades dos enrolamentos

Método do Golpe Indutivo (com CC)

Material: - Motor anterior


- 1 fonte CC (baixa tensão)
- 1 amperímetro CC
- 1 voltímetro CC (escala central, se possível)
- 1 chave interruptora monopolar

Uma vez identificado e separado os terminais dos enrolamentos é necessário


conhecer as polaridades dos mesmos.
Relembrando, os terminais de mesma polaridade de duas bobinas são aqueles
por onde se deve entrar corrente para que os fluxos produzidos por elas se somem ou
tenham o mesmo sentido.
Figura 17.8

Importante:

E
I= ≤ I max do enrol. 1
R + R1

Procedimento:

a) Toma-se um enrolamento qualquer (Ex.: enrol. 1, figura 17.8), liga-se a uma fonte
CC de tensão E em série com uma resistência R para limitar a corrente na bobina
(caso seja necessário), um amperímetro e uma chave S conforme figura 17.8.
b) Toma-se outro enrolamento e conecta-se um voltímetro CC de escala central, se
possível.
c) Fecha-se a chave S e observa-se a deflexão do ponteiro do voltímetro CC ligado ao
segundo enrolamento.

Daí conclui-se:
• Se o ponteiro do voltímetro defletir no sentido positivo, os terminais dos
enrolamentos ligados aos bornes positivos da fonte e do voltímetro possuem a
mesma polaridade.
• Se o ponteiro do voltímetro defletir no sentido negativo ou inverso estes terminais
possuem polaridades opostas.

d) Marca-se os terminais de mesma polaridade (com ponto, asterisco, sinal +, ou outro


artifício qualquer). Caso haja mais enrolamentos, repete-se o procedimento
descrito acima.
OBS.: É necessário que os dois enrolamentos estejam acoplados magneticamente, isto
é, que um esteja submetido ao fluxo do outro.

Figura 17.9

Método com C.A.

Material: - Motor com terminais das bobinas identificadas


- 1 fonte C.A.
- 1 amperímetro C.A.
- 1 chave interruptora monopolar

Proceder as seguintes ligações anotando o valor de I1 e I2.

(a) I1 = ___________ A (b) I2 _____________ A

Figura 17.10

Pode ocorrer uma das seguintes situações:

1a) Se I1 < I2, a figura 16.10a representa uma ligação aditiva.


2a) Se I2 < I1, a figura 16.10b representa uma ligação aditiva.
3a) Se I1 = I2, não existe acoplamento magnético entre as duas bobinas (M = 0) ou seja,
os eixos magnéticos das duas bobinas forma um ângulo de 90 graus elétricos.

OBS.: Na 1a situação, tem-se:


V
I1 =
(R + R 2 ) + [ 2πf ( L1 + L 2 + M ) ]
2 2
1

Na 2a situação, tem-se:

V
I2 =
(R + R 2 ) + [ 2πf ( L1 + L 2 − M ) ]
2 2
1

3. Ligação e operação de um MIM, fase dividida

Material: - Motor anterior


- capacitores necessários para partida e funcionamento
- 2 chaves interruptoras monopolar
- 1 voltímetro CA
- 1 amperímetro CA

O motor a ser utilizado nesta experiência possui dois enrolamentos principais


que serão ligados em série para 220 volts e em paralelo para linhas de 110 volts.
Anote as características nominais do motor na tabela 17.2, abaixo:

Motor de Indução Monofásico Marca: No


Potência: Tensão:
Corrente: Velocidade:
Capacitor permanente do tipo ................................de ....................................µF
Capacitor de partida do tipo ...................................de ................................... µF

Tabela 17.2

Procedimento:

1. Ligar o motor monofásico para operação em linhas de 220 volts. Partir com o
capacitor inserido e observado seu desempenho na partida e no funcionamento.
Retirar o capacitor e o enrolamento auxiliar após a partida. O que acontece ?
2. Ligar o motor sem o capacitor, mas com todos os enrolamentos do motor. O motor
parte ? Por que ?
3. Tentar partir somente com o(s) enrolamento(s) de funcionamento (m). É possível ?
Por que ?
4. É possível aumentar o conjugado de partida deste motor ? Como ? No laboratório
existe meios para isto ? Se for afirmativa sua resposta tente comprovar suas
conclusões ligando novamente o motor com as modificações necessárias.
Questões

1. Se o enrolamento auxiliar de um MIM, partida a capacitor, é desligado após a


partida, ainda continuaremos a ter um campo magnético girante de estator ?
Justificar sua resposta.
2. Por que o capacitor de partida (Cp) deve ser muito maior do que o capacitor
permanente (C) para uma mesma potência e tensão (ordem de 10 a 15 vezes) ?
3. Qual o problema de se manter energizado, após a partida, o capacitor de um MIM de
partida a capacitor ?
4. Quais as vantagens e as desvantagens de um MIM, a duplo capacitor ?

Campos magnéticos:

Os elétrons giram em torno do núcleo dos átomos, mas também em torno de sí


mesmos (translação), isto é semelhante ao que ocorre com os planetas e o sol. Há
diversas camadas de elétrons, e em cada uma, os elétrons se distribuem em orbitais,
regiões onde executam a rotação, distribuídos aos pares.
Ao rodarem em torno de si, os elétrons da camada mais externa produzem um
campo magnético mínimo, mas dentro do orbital, o outro elétron do par gira também,
em sentido oposto, cancelando este campo, na maioria dos materiais.
Porém nos materiais imantados (ferromagnéticos) há regiões, chamadas domínios,
onde alguns dos pares de elétrons giram no mesmo sentido, e um campo magnético
resultante da soma de todos os pares e domínios é exercido em volta do material: são os
imãs.

O que é de fato um campo magnético?

A palavra campo significa, na Física, uma tendência de influenciar corpos ou


partículas no espaço que rodeia uma fonte.
Ex.: O campo gravitacional, próximo à superfície de um planeta, que atrai corpos,
produzindo uma força proporcional à massa destes, o peso.
Assim, o campo magnético é a tendência de atrair partículas carregadas, elétrons e
prótons, e corpos metálicos magnetizáveis (materiais ferromagnéticos, como o ferro, o
cobalto, o níquel e ligas como o alnico).
O campo pode ser produzido pôr imãs e eletroímãs, que aproveitam o efeito
magnético da corrente elétrica.
Correntes e eletromagnetismo:

A corrente elétrica num condutor produz campo magnético em torno dele, com
intensidade proporcional à corrente e inversamente à distância.

B = 4p10-7 I / r

Nesta equação, válida para um condutor muito longo, I é a corrente, r a distância ao


centro do condutor e B é a densidade de fluxo, ou indução magnética, que representa o
campo magnético. É medida em Tesla, T.
Se enrolarmos um condutor, formando um indutor ou bobina, em torno de uma
forma, o campo magnético no interior deste será a soma dos produzidos em cada espira,
e tanto maior quanto mais espiras e mais juntas estiverem

B = 4p10-7NI / L

L é o comprimento do enrolamento, e N o número de espiras, válida para núcleo de


ar.

Permeabilidade

Os materiais se comportam de várias maneiras, sob campos magnéticos.

• Os diamagnéticos, como o alumínio e o cobre, os repelem, afastando as linhas de


campo.
• Os paramagnéticos se comportam quase como o ar.
• Os ferromagnéticos concentram o campo, atuando como condutores magnéticos.
• A permeabilidade é a propriedade dos materiais de permitir a passagem do fluxo
magnético, que é a quantidade de campo que atravessa o material.

f = BA
A é a área transversal ao campo do material, em m2 . O fluxo é medido em Webers,
Wb.
Os materiais mais permeáveis são os ferromagnéticos. Eles tem permeabilidades
centenas a vários milhares de vezes a do ar, e são usados como núcleos de indutores,
transformadores, motores e geradores elétricos, sempre concentrando o fluxo,
possibilitando grandes campos (e indutâncias).
Os diamagnéticos são usados como blindagem magnética (ou às ondas
eletromagnéticas), pela permeabilidade menor que a do ar, mo.

mo = 4p10-7 Tm/A

• Indutância:

Vimos que os indutores produzem campo magnético ao conduzirem correntes. A


indutância é a relação entre o fluxo magnético e a corrente que o produz. É medida em
Henry, H.

L= f / I

Uma propriedade importante da indutância, e da qual deriva o nome, é o fato do


campo resultante da corrente induzir uma tensão no indutor que se opõe à corrente, esta
é chamada a Lei de Faraday.

E = N df / dt

N é o número de espiras do indutor, e df / dt é a velocidade de variação do fluxo,


que no caso de CA é proporcional à freqüência. E é a tensão induzida, em V.
É interessante observar como isto se relaciona ao conceito de reatância indutiva, a
oposição à passagem de corrente pelo indutor.

XL = 2 pfL

L é a indutância, e f a freqüência da corrente, em Hz.


A corrente alternada produz no indutor um campo, induzindo uma tensão
proporcional à freqüência, que se opõe à corrente, reduzindo-a, esta é a explicação da
reatância.
As bobinas nos circuitos elétricos são chamadas indutores. Quando usadas para
produzir campos magnéticos, chamam-se eletroímãs ou solenóides. Já dentro de
máquinas elétricas (motores e geradores), fala-se em enrolamentos.
Campos e forças

Um campo magnético produz uma força sobre cargas elétricas em movimento, que
tende a fazê-las girar. Quando estas cargas deslocam-se em um condutor, este sofre a
ação de uma força perpendicular ao plano que contém o condutor e o campo.

F = B I L senq

F é a força em Newtons, L o comprimento do condutor, em m, e q o ângulo entre o


condutor e as linhas do campo.

É esta força que permite a construção dos motores elétricos. Nestes o ângulo é de
90o, para máximo rendimento, B é produzido pelos enrolamentos, e há N espiras (nos
casos em que o rotor, parte rotativa central, é bobinado), somando-se as forças
produzidas em cada uma. O núcleo é de material ferromagnético, para que o campo seja
mais intenso, e envolve o rotor, com mínima folga, o entreferro, formando um circuito
magnético.
O processo é reversível: uma força aplicada a um condutor, movendo-o de modo a
“cortar” as linhas de um campo magnético (perpendicularmente), induz uma tensão
neste, conforme a Lei de Faraday, proporcional à velocidade e ao comprimento do
condutor, e ao campo, é o princípio do gerador elétrico e do microfone dinâmico.

E=BLv

E é a tensão em V, L o comprimento, em m, e v a velocidade do condutor, em m/s.


Além desta força, há a de atração exercida pôr um campo num material
ferromagnético, que age orientando os domínios (e os “spins”), podendo imantá-los
(conforme a intensidade e a duração). Esta é usada nos eletroímãs, nos relés e
contatores (relés de potência usados em painéis de comando de motores), etc.
É também usada na fabricação de imãs, usados entre outras aplicações nos auto-
falantes, microfones e pequenos motores C.C. (campo), como aqueles usados em toca -
discos e gravadores.
Transformadores

O campo magnético pode induzir uma tensão noutro indutor, se este for
enrolado sobre uma mesma forma ou núcleo. Pela Lei de Faraday, a tensão induzida
será proporcional à velocidade de variação do fluxo, e ao número de espiras deste
indutor.

E2 = N2 df/dt

Aplicando aos dois enrolamentos, a lei permite deduzir a relação básica do


transformador.

E1/E2 = N1/N2

A relação de correntes é oposta à de tensões.

I1/I2 = N2/N1

O índice um se refere ao indutor ao qual se aplica tensão, o primário, e dois,


àquele que sofre indução, o secundário.
O transformador é um conversor de energia elétrica, de alta eficiência (podendo
ultrapassar 99%), que altera tensões e correntes, e isola circuitos.

Perdas

Além das perdas no cobre dos enrolamentos (devidas à resistência), os


transformadores e bobinas apresentam perdas magnéticas no núcleo.

Histerese: Os materiais ferromagnéticos são passíveis de magnetização, através do


realinhamento dos domínios, o que ocorre ao se aplicar um campo (como o gerado por
um indutor ou o primário do transformador). Este processo consome energia, e ao se
aplicar um campo variável, o material tenta acompanhar este, sofrendo sucessivas
imantações num sentido e noutro, se aquecendo. Ao se interromper o campo, o material
geralmente mantém uma magnetização, chamada campo remanente.
Perdas por correntes parasitas ou de Foucault: São devidas à condutividade do
núcleo, que forma, no caminho fechado do núcleo, uma espira em curto, que consome
energia do campo. Para minimizá-las, usam-se materiais de baixa condutividade, como a
ferrite e chapas de aço-silício, isoladas uma das outras por verniz. Em vários casos, onde
não se requer grandes indutâncias, o núcleo contém um entreferro, uma separação ou
abertura no caminho do núcleo, que elimina esta perda.
Tipos de transformadores:

• Transformador de alimentação:

É usado em fontes, convertendo a tensão da rede na necessária aos circuitos


eletrônicos. Seu núcleo é feito com chapas de aço-silício, que tem baixas perdas, em
baixas freqüências, por isto é muito eficiente. Às vezes possuem blindagens, invólucros
metálicos.
• Transformador de áudio:
Usado em aparelhos de som a válvula e certas configurações a transistor, no
acoplamento entre etapas amplificadoras e saída ao auto-falante. Geralmente é
semelhante ao t. de alimentação em forma e no núcleo de aço-silício, embora também
se use a ferrite. Sua resposta de freqüência dentro da faixa de áudio, 20 a 20000 Hz,
não é perfeitamente plana, mesmo usando materiais de alta qualidade no núcleo, o que
limita seu uso.
• Transformador de distribuição:
Encontrado nos postes e entradas de força em alta tensão (industriais), são de
alta potência e projetados para ter alta eficiência (da ordem de 99%), de modo a
minimizar o desperdício de energia e o calor gerado. Possui refrigeração a óleo, que
circula pelo núcleo dentro de uma carapaça metálica com grande área de contato com o
ar exterior. Seu núcleo também é com chapas de aço-silício, e pode ser monofásico ou
trifásico (três pares de enrolamentos).
• Transformadores de potencial:
Encontra-se nas cabines de entrada de energia, fornecendo a tensão secundária
de 220V, em geral, para alimentar os dispositivos de controle da cabine - reles de
mínima e máxima tensão (que desarmam o disjuntor fora destes limites), iluminação e
medição. A tensão de primário é alta, 13.8Kv ou maior. O núcleo é de chapas de aço-
sílicio, envolvido por blindagem metálica, com terminais de alta tensão afastados por
cones salientes, adaptados a ligação às cabines. Podem ser mono ou trifásicos.
• Transformador de corrente:
Usado na medição de corrente, em cabines e painéis de controle de máquinas e
motores. Consiste num anel circular ou quadrado, com núcleo de chapas de aço-sílicio
e enrolamento com poucas espiras, que se instala passando o cabo dentro do furo, este
atua como o primário. A corrente é medida por um amperímetro ligado ao secundário
(terminais do TC). É especificado pela relação de transformação de corrente, com a do
medidor sendo padronizada em 5A, variando apenas a escala de leitura e o número de
espiras do TC.
• Transformador de RF:
Empregam-se em circuitos de radiofreqüência (RF, acima de 30 kHz), no
acoplamento entre etapas dos circuitos de rádio e TV. Sua potência em geral é baixa, e
os enrolamentos têm poucas espiras. O núcleo é de ferrite, material sintético composto
de óxido de ferro, níquel, zinco, cobalto e magnésio em pó, aglutinados por um
plastificante. Esta se caracteriza por ter alta permeabilidade, que se mantém em altas
freqüências (o que não acontece com chapas de aço-sílicio). Costumam ter blindagem
de alumínio, para dispersar interferências, inclusive de outras partes do circuito.

• Transformadores de pulso:
São usados no acoplamento, isolando o circuito de controle, de baixa tensão e
potência, dos tiristores, chaves semicondutores, além de isolarem um tiristor de outro
(vários secundários). Têm núcleo de ferrite e invólucro plástico, em geral.

Autotransformadores

Se aplicarmos uma tensão a uma parte de um enrolamento (uma derivação), o


campo induzirá uma tensão maior nos extremos do enrolamento. Este é o princípio do
autotransformador.
Uma característica importante dele é o menor tamanho, para certa potência, que
um transformador. Isto não se deve apenas ao uso de uma só bobina, mas ao fato da
corrente de saída ser parte fornecida pelo lado alimentada, parte induzida pelo campo, o
que reduz este, permitindo um núcleo menor, mais leve e mais barato. A desvantagem é
não ter isolação entre entrada e saída, limitando as aplicações.
São muito usados em chaves de partida compensadoras, para motores (circuitos
que alimentam motores com tensão reduzida fornecida pelo autotransformador, por
alguns segundos, reduzindo o pico de corrente durante a aceleração) e em
estabilizadores de tensão (autotransformador com várias derivações - taps -, acima e
abaixo do ponto de entrada, o circuito de controle seleciona uma delas como saída,
elevando ou reduzindo a tensão, conforme a entrada).
Definições

Corrente alternada: Se caracteriza pelo fato de que a tensão, em vez de


permanecer fixa, como em pólos de bateria, varia com o tempo, mudando de sentido
alternadamente, donde o seu nome. O número de vezes por segundo que a tensão muda
de sentido e volta à condição inicial é a freqüência do sistema expressa em “ciclos por
segundo” ou “Hertz”, simbolizada por Hz.
No sistema monofásico uma tensão alternada V (volts) é gerada e aplicada entre dois
fios, ao que se ligam a carga que absorve uma corrente (Ampéres).
Dimensionamento e normas

Os condutores são o elo de ligação entre a fonte geradora e o aparelho consumidor,


servindo de meio de transporte para a corrente elétrica.
O dimensionamento de um condutor tem como finalidade garantir o funcionamento
adequado das instalações,a segurança de pessoas, animais domésticos inclusive a
conservação dos bens.
A seção é dimensionada com base no máxima corrente permitida (limitada pela
classe de temperatura da isolação).

Queda de tensão máxima 4% Ex. 220v – 211,2 ; 127 = 121,92.

Seções mínimas dos condutores, segundo estabelece a NB-3

Iluminação 1,5 mm².


Tomadas de corrente em quarto, salas e similares 2,5 mm².
Aquecedores de água (depende da potência) 2,5 mm².
Chuveiros elétricos (depende da potência) 4,0 mm².
Aparelhos de ar condicionados 2,5 mm².
Fogões elétricos 6,0 mm².

Nos circuitos de controle e sinalização (campainhas) a bitola pode ser reduzida até
0,5 mm².
Os circuitos deverão partir do quadro de distribuição onde serão instalados os
dispositivos de proteção (independente para cada circuito).

Cores de fios e cabos

Neutro Azul claro


Terra Verde verde amarelo
Fases Demais cores

Cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m – No mínimo uma


tomada
Cômodos ou dependências com mais de 6 m² - No mínimo 1tomada para cada 5 m
ou fração de perímetro espaçadas tão uniformes quanto possível.
Cozinhas, copas,e copas cozinha – 1 tomada para cada 3,5m ou fração de
perímetro, independente da área
Subsolos, varandas, garagens e sótãos – pelo menos uma tomada.
Banheiro – no mínimo 1 tomada junto ao lavatório com uma distância mínima de
60 cm do limite do Box.
Em função de queda de tensão:

A queda de tensão máxima do circuito deverá ser calculada através da formula:

QT = Fct x d x In x 100
Un
Onde:
QT = Queda de tensão em %
d = Distância em Km
I = Corrente nominal em A
Um = tensão nominal em V
Fct = Fator de correção de tensão

Eletroduto e calha
Eletroduto e calha fechada, bloco
fechada (material
alveolado (material não magnético)
Secção magnético)
nominal Fios e cabos Fios e cabos
em mm Circuito
Circuito
monofásico e Circuito trifásico
monofásico
trifásico
1,5 27,4 27,6 23,9
2,5 16,8 16,9 14,7
4 10,5 10,6 9,15
6 7 7,07 6,14
10 4,2 4,23 3,67
16 2,7 2,68 2,33
25 1,72 1,71 1,49
35 1,25 1,25 1,09
50 0,95 0,94 0,82
70 0,67 0,67 0,59
95 0,51 0,50 0,44
120 4,42 0,41 0,36
150 1,35 0,34 0,30
185 0,30 0,29 0,25
240 0,25 0,24 0,21
300 0,22 0,20 0,18
300 0,20 0,17 0,15
500 0,19 0,16 0,14
Em função de condução de corrente
Para que não haja superaquecimento na isolação
1ª etapa - calcular a corrente do circuito
I=P=A
U
2ª etapa - verificar e determinar o condutor

Tabela 1
Equivalência prática AWG/MCM x série métrica

Série
MM²
AWG/MCM métrica Àmperes
APROX
mm²
14 2,1 1,5 15,5
12 3,3 2,5 21
10 5,3 4 28
8 8,4 6 36
6 13 10 50
4 21 16 68
2 34 25 89
1 42 35 110

Tabela 02
Diferentes maneiras de instalar diferentes tipos de cabos
EXTINFLAN Braschumbo Braxnax
2 3 2 3 2 3
Maneiras de instalar
condutores condutores condutores condutores condutores condutores
carregados carregados carregados carregados carregados carregados
Eletroduto em
instalação aparente,
embutido em teto, parede ou
A B - - A B
piso, em canaleta aberta ou
ventilada, molduras rodapés
e alisares, calha.
Fixação direta à parede
- - C D C D
ou teto
Poço espaço de
- - A B A B
construção bloco alveolado
Eletroduto em canaleta
E F E F
fechada
Canaleta fechada - - A B A B
Canaleta aberta ou
- - C D C D
ventilada
Diretamente instalada - - G H G H
Eletroduto diretamente
- - - - G H
enterrados
Sobre isoladores linha Ver tabela
aérea 4
Bandejas ou prateleiras, Ver
suportes tabela 4
Tabela 03

Seção a b c d e f g H
Nominal
mm²
1,5 1 1 1 1 1 1 22 18
7,5 5,5 9,5 7,5 4,5 3,5
2,5 24 21 27 24 1 18 29 24
9,5
4 32 28 36 32 26 24 38 31
6 41 36 46 41 34 31 47 39
10 57 50 63 57 46 42 63 52
16 76 68 85 76 61 56 81 67
25 101 89 112 96 80 73 10 86
4
35 125 110 138 119 99 89 12 103
5
50 151 134 168 144 119 108 14 122
8
70 192 171 213 184 151 136 18 151
3
95 232 207 258 223 182 164 21 179
6
120 269 239 299 259 210 188 24 203
6
150 309 275 344 299 240 216 27 230
8
185 353 314 392 341 273 245 31 258
2
240 415 370 461 403 321 286 36 297
1
300 477 426 530 464 367 328 40 336
8
400 571 510 634 557 438 390 17 294
8
500 656 587 729 642 502 447 54 445
0

As colunas a utilizar de acordo com a maneira de instalar, o tipo de cabo e o número


de condutores são indicadas na tabela 1.
Temperatura do condutor:70º
Temperatura ambiente: 30º
Para cabos enterrados ou em eletrodutos diretamente enterrados:
Resistividade térmica do solo: 2,5 K.m/W
Profundidade da instalação: 0,70m
Tabela 04
Capacidade de condução de corrente (em ampéres) para cabos Extinfane Brasnax
Tipos de
cabos e Cabos Fios e cabos Fios e cabos unipolas
instalações
2
3
Seção condutor. Espaç Espaç
2 3 condutor.u Contí
nominal unipolare amento amento
condutor. condutor. nipolares nuos
(mm²) s horizontal vertical
em trifólio
contínuos
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (6)
1,5 22 18,5 22 17 18 24 21
2,5 30 25 31 24 25 34 29
4 40 34 41 33 34 45 39
6 51 43 53 43 45 59 51
10 70 60 73 60 63 81 71
16 94 80 99 82 85 110 97
25 119 101 131 110 114 146 130
35 148 126 162 137 143 181 162
50 180 153 196 167 174 219 197
70 232 196 251 216 225 281 254
95 282 238 304 264 275 341 311
120 328 276 352 308 321 396 362
150 379 319 406 356 372 456 419
185 434 364 463 409 427 521 480
240 514 430 546 185 507 615 569
300 593 497 629 561 587 709 659
400 - - 754 656 689 852 795
500 - - 868 749 789 982 920

Instalação ao ar livre
Temperatura do condutor: 70º
Temperatura do ambiente: 30º

3ª etapa - Corrigir o valor da capacidade de condução de corrente do condutor


encontrado pelo fator de agrupamento

Fatores de correção
Disposição dos Número de circuitos ou cabos multipolares
cabos 1 1 1 1
1 2 3 4 5 6 7 8 9
0 2 4 6
Agrupamento
sobre uma superfície 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
1
ou contidos em calha ,8 ,7 ,65 ,6 ,55 ,55 ,5 ,5 ,5 ,45 ,45 ,4
ou bloco alveolado
Exemplo de dimensionamento

Instalar um aquecedor 15.000W, 220 volts monofásico, em eletroduto de pvc


embutido na parede a uma distância de 54 metros.
1ª Capacidade de corrente
In= P = 15.000 = 68,18ª
Um 220
Maneira de instalar nº 2
De acordo com a tabela 1 para dois condutores carregados
Imax + 76A cabo de 16mm²

2ª Queda de tensão Onde


QT = fct x d x In x 100 QT: Queda de tensão em %
Um D: Distância em km
In: corrente nominal em A
Calculamos a queda de tensão para o cabo 16 mm² obtidos no item 1
QT = 2,68 x 0,054 x 68,18 x 100 = 4,48%
220
Logo para o cabo de 16mm² temos uma queda de tensão superior ao limite de 4%
devemos recalcular para uma cabo superior.
Para 25mm² temos:
QT = 1,71 x 0,054 x 68,18 x 100 = 2,86%
220
Logo o cabo a ser utilizado deve ser 25mm², definido pelo fator de queda de tensão.

Dimensionamento de fusíveis de força

IF≥1,2 X In

Dimensionamento de contatores de força

Partida direta = K1 = In x 1,15


Estrela triangulo = K1, K2 = (0,58 x In ) x 1,15
K3 = (0,33 x In) x 1,15
Compensadora = K1 = In x 1,15
K2 = (0,64 x In) x 1,15
K3 = (0,23 x In) x 1,15
Série paralelo = K1, K2, K3 = (0,5 x In ) x 1,15
K4 = (0,25x In) x 1,15

Relé térmico de sobre carga


Partida direta = FT1 = In
Estrela triangulo = FT1 = 0,58 x In
Compensadora = FT1 = In
Série paralelo = FT1 = 0,5 x In
Ft2 = 0,5 x In
Capacitores

Local de Instalação

Evitar a exposição ao sol ou proximidade de equipamentos com temperaturas


elevadas.
Não bloquear a entrada e saída de ar dos gabinetes
Os locais devem ser protegidos contra materiais sólidos e líquidos em
suspensão.
Não instalar os capacitores próximos ao teto.
No caso de ventilação forçada, a circulação do ar deverá ser de baixo para cima.

Recomendação para dimensionamento e instalação de capacitores

Utilizar resistor de descarga e respeitar tempo mínimo de descarga (de um a três


minutos).
Manter a corrente de surto sempre no máximo 100 vezes a corrente nominal.
Utilizar contatores com resistor de pré-carga ou indutores anti-surto.
Em bancos automáticos, a freqüência de ressonância não deverá coincidir com a
freqüência de nenhuma harmônica significativa na instalação.
Utilizar fusíveis de proteção para os capacitores.
Se a instalação possuir mais de 20% de “cargas não lineares” (ex. Inversores,
soft-tarters) medir os níveis de harmônicas.
Não fazer interligações entre os terminais dos capacitores em banco, respeitando
as correntes máximas dos terminais dos capacitores.
A secção dos cabos deve atender as condições de corrente do sistema.
Evitar soldar cabos nos terminais dos capacitores.
Fazer aterramento individual para as unidades banco capacitivo (as) e não aterrar
o neutro.
Medir (monitorar) efetivamente a tensão no secundário do transformador antes
de especificar a tensão dos capacitores, em carga e a vazio.
Utilizar contatos com resistores de pré-carga para manobra de capacitores.

Localização dos cabos de comando (Banco Automático)

Deverão ser utilizados cabos coaxiais ou dentro de tubulações independentes e


aterrados nas extremidades do controlador.
Instalar a uma distância mínima de 50 cm em relação ao barramento principal.
Cuidados com a instalação localizada

Cargas com alta inércia


Instalar contator para comutação dos capacitores instalados junto com motores
que operem com alto momento de inércia, a fim de evitar danos por sobretensão
nos terminais dos capacitores.

Fatores que podem ocasionar sobretensão nos terminais dos capacitores

Tap do trafo com valor de tensão superior ao do capacitor.


Fator de potência capacitivo.
Harmônicas na rede.
Descargas atmosféricas.
Aplicar tensões em capacitores já carregados.

Manutenção preventiva

Verifique visualmente em todos os capacitores se houve atuação do dispositivo


de segurança interno, indicado pela expansão da caneca de alumínio no sentido
vertical.
Verifique se à fusíveis queimados.
Verifique o funcionamento adequado das contatores.
Nos bancos com ventilação forçada, simular o funcionamento adequado do
termostato e do ventilador.
A temperatura externa do capacitor deverá ser menor de 45ºC.
Medir a tensão e a corrente em cada unidade com instrumento “TRUE RMS” na
primeira energização,e fazer o acompanhamento das mesmas. Se atingirem ao
longo do tempo valores menores do que 10% da nominal, os capacitores deverão
ser substituídos.
Manter o painel sempre limpo.
Verificar se os terminais dos capacitores estão em perfeita condições de contato.
Manter os parafusos dos contatos elétricos e mecânicos sempre “apertados”.
Manter a vedação em perfeitas condições evitando assim a entrada de insetos e
outros objetos.
Retirado do manual da weg
Motores

Noções fundamentais

Mor é a máquina destinada a transformar energia elétrica em energia mecânica. É o


mais usado em todos os tipos de motor, pois combina as vantagens de utilização de
energia elétrica, baixo custo, facilidade de transporte, limpeza e simplicidade de
comando.
Os tipos de motores mais comuns são:
Motores de corrente alternada: São os mais utilizados porque a distribuição de
energia elétrica é feia normalmente em corrente alternada.
Motor síncrono: Funciona em velocidade fixa; utilizadas somente para grandes
potências (devido ao seu alto custo em tamanhos menores) ou quando se necessita de
velocidade invariável.
Motor de indução: Funciona normalmente com uma velocidade constante, que varia
ligeiramente com a carga mecânica aplicada ao eixo, devido a sua grande simplicidade,
robustez e baixo custo, é o mais utilizado de todos, sendo adequado a quase todas as
máquinas acionadas, encontrados na prática.
Motores de corrente contínua: São motores de custo mais elevados e, além disso,
precisam de uma fonte de corrente contínua, ou de um dispositivo que converta corrente
alternada para corrente contínua. Podem funcionar em velocidades ajustáveis em
amplos limites e se prestam ao controle de grandes flexibilidade e precisão. Por isso,
seu uso é restrito a casos especiais em que estas exigências compensam o custo mais
alto na instalação.
Graus de Proteção em motores WEG
Motor

1º Algarismo 2 º Algarismo
Classe
Proteção
de Proteção contra
contra Proteção contra água
proteção corpos estranhos
contato
Motores abertos

IP00 Não tem Não tem Não tem


IP02 Não tem Não tem Pingos de água te a
inclinação vertical de 15º
IP11 Toque Corpos estranhos sólidos Pingos de água na
acidental com de dimensões acima de vertical
a mão 50mm
IP12 Pingos de água até uma
inclinação de 15º na vertical
IP13 Água da chuva até uma
inclinação de 60º na vertical
IP21 Toque com Corpos estranhos sólidos Pingos de água na
os dedos de dimensões acima de vertical
12mm
IP22 Pingos de água até uma
inclinação de 15º com a
vertical
IP23 Águas da chuva ate uma
inclinação de 60ºcom a
vertical
Motores fechados

IP44 Toque com Corpos estranhos e Respingos em todas as


ferramentas sólidos acima de 1mm direções
IP54 Proteção Proteção contra acúmulo Respingos em todas as
completa de poeiras nocivas direções
contra toques
IP55 Jatos de água em todas
as direções
IP(W)55 Proteção Proteção contra acúmulo Chuva maresia
completa de poeiras nocivas
contra toques
1º Algarismo: Indica o grau de proteção contra a penetração de corpos sólidos
estranhos e contato acidental.

1º algarismo
Algarismo Indicação
0 Sem proteção
1 Corpos estranhos de dimensões acima de 50mm
2 Corpos estranhos de dimensões acima de 12mm
3 Corpos estranhos de dimensões acima de 2,5mm
4 Corpos estranhos de dimensões acima de 1mm
5 Proteção contra o acúmulo de poeiras prejudiciais ao
motor
6 Totalmente protegido contra a poeira

2º Algarismo: Indica o grau de proteção contra penetração de água no interior do


motor.

2º algarismo
Algarismo Indicação
0 Sem proteção
1 Pingos de água vertical
2 Pingos de água até inclinação de 15º com a vertical
3 Água da chuva até a inclinação de 60º na vertical
4 Respingos de todas a s direções
5 Jatos de água de todas as direções
6 Água de vagalhões
7 Imersão temporária
8 Imersão permanente

C – BIBLIOGRAFIA:

FITZGERALD, A.E. – Máquinas Elétricas


KOSOW, Irving L. – Máquinas Elétricas e Transformadores
SLEMON, Gordon R. – Equipamentos Magnetelétricos.
BIBLIOGRAFIA:

EDMINISTER, Joseph A. – Eletromagnetismo


SLEMON, Gordon R. – Equipamentos Magnetelétricos
DEL TORO, Vincent. – Electromechanical Devices for Energy Conversion and
Control Systems.
BIBLIOGRAFIA:
DEL TORO, Vincent. – Electromechanical Devices for Energy Conversion and
Control Systems.
KOSOW, Irving L. – Electric Machinery and Transformers
FITZGERALD, A. E. – Máquinas Elétricas.

L – QUESTIONÁRIO

1) a – O que é campo magnético ? Quais são suas propriedades ?


b – Por que o ferro é magnético e o alumínio não ?
c – A permeabilidade relativa varia com a densidade de fluxo ? Por
que ?

2) O que se entende por fluxo de dispersão ?

3) Qual a diferença entre um campo produzido por corrente contínua e um


produzido por corrente alternada ?

4) Determinar o análogo entre circuitos elétricos e magnéticos

ELÉTRICO MAGNÉTICO
Densidade de corrente j
Corrente I
Intensidade de Campo Magnético – H
Força Magnetomotriz – F
Condutividade σ
Resistência R
Permeância – P

5) Descrever 5 (cinco) conversores eletromecânicos, com os quais já teve


contato.

6) Um transformador é um conversor eletromecânico ? Por que ?

7) Uma bobina consiste de 1000 espiras enroladas em um núcleo toroidal


de R = 6 cm e r = 1 cm. Para estabelecer um fluxo magnético total de
0,2 Wb em um núcleo não magnético qual será a corrente necessária ?
Repetir, para um núcleo de ferro com uma permeabilidade relativa de
2000.
8) Um solenoíde com núcleo de ar, com 2500 espiras, com espaçamento
uniforme, tem comprimento de 1,5 m e raio de 2 x 10-2 m. Calcule a
indutância L.

9) O circuito magnético da figura 1.3 é constituído de aço M-19, bitola 29,


com fator de empilhamento 0,94, com comprimento médio 1n = 0,44 m
e seção reta quadrada de 0,02 x 0,22 m. O entreferro tem comprimento
1e = 2 mm e o enrolamento contém 400 espiras. Desprezar o
espraiamento e a dispersão. Calcule a corrente necessária para gerar
um fluxo de 0,141 mWb no entreferro.

Figura 1.3

C - QUESTIONÁRIO:

1) Suponha que em um determinado processo de conversão de energia


houve uma melhoria dos meios de refrigeração. Isto implica em maior
parcela de elétrica convertida em mecânica ? Por que ? Faça uma
análise completa.

2) Um relé eletromagnético pode ser considerado como equivalente a um


elemento de ferro de 10 cm de comprimento, 1 cm2 de seção reta, µR =
1500; em série com um entreferro de 3 mm de comprimento, quando o
relé está aberto. Considere a área do entreferro igual a 1 cm2. A
bobina tem 3000 espiras e conduz uma corrente de 25 mA. Sabe-se que
β 2S
a força mecânica é dada por F = . Calcular a força mecânica da
2µ o
armadura, quando o entreferro for igual a 1 mm.

3) Em um processo de conversão eletromecânica de energia são envolvidos


fenômenos elétricos, magnéticos, mecânica Newtoniana e o princípio da
conservação de energia. Enuncie quais são esses fenômenos, dizendo
da sua importância.

4) Um transdutor eletromecânico, com núcleo de material magnético, uma


excitação, apresentou a seguinte relação, entre fluxo e F.m.m.

F = 5,73 φ1/2 A.E.


Determine a energia armazenada no transdutor quando o fluxo atingir o valor de 2,3 Wb, com a parte móvel bloqueada.

5) Considere a equação dWelet. = dWcpo + dWmec e aplique-a no seguinte


caso. Tem-se uma bobina de resistência R, com núcleo de ar e uma
fonte de tensão constante V.

a – A bobina é ligada a fonte;


b – É introduzido um núcleo ferromagnético na bobina;
c – O núcleo é retirado;
d – A bobina é desligada.

1o) Na primeira fase é possível determinar a energia armazenada no


campo, conhecendo-se apenas a energia elétrica fornecida ? Por
que ?

2o) A introdução do núcleo altera o estado energético do campo ? E a


energia elétrica absorvida ? Por que ?
o
3 ) E a retirada do núcleo ?

4o) O que acontece com a energia do campo quando a bobina é


desligada ?