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A TEOLOGIA E O CAMINHO DA GRAÇA

Qual o entendimento no Caminho sobre Teologia?

...Os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os Meus caminhos! — diz o Senhor.
Isaías 55.8

Nos últimos dias, Deus é o assunto!

Deus. Este é o tema. Este é o assunto. Deus tema. Deus assunto. Deus criado. Deus pensado. Deus
explicado. Deus filosofado. Deus objeto. Deus de estudo. Deus de discussão. Deus de letras. Deus de
palavras. Deus de idéias. Deus segundo o homem. Deus conforme a nossa imagem. Deus de acordo
com os tempos. Deus segundo as Eras. Deus de doutores em Deus. Deus de divinos mestres em
Divindade. Deus esquadrinhado. Deus dividido em atributos. Deus feito uno pelo fragmentado
“homo-sistematikus”. Deus ora Livre, ora preso a si mesmo. Deus do não. Deus do sim.

Deus? Deus! Deus?!

Deus fora do interior do homem: Deus na “cabeça”. Deus na mesa de cirurgia de idéias. Cirurgiões de
Deus. Deus cadáver. Deus de ontem. Deus da vida oca. Deus morto. Deus que não é visto no que de Deus se
pode conhecer... Deus que não é visto onde disse Ser.

Deus sem Deus. Deus sem Mistério. Deus manco. Deus ajudado. Deus em perigo. Deus salvo por
Teologia. Deus “indegustável”. Deus cozido. Deus temperado. Deus servido em bandejas de
pensamentos. Deus preso ao tempo. Tempo no qual Deus tem que caber. Tempo no qual o Deus
segundo o homem existe. Deus disputado em batalhas. Deus perdido em disputas. Deus ganho em
querelas.

Deus assim... Deus me livre!

Esse Deus é à nossa imagem e semelhança. Ele está mesmo todo perdido como nós, que falamos, mas
não queremos de fato conhecer; que discursamos, mas não provamos; que buscamos sem a ânsia do
achar; um Deus que não é crido no que declara de Si mesmo, e que tem que ser objeto de nossa
especulação que apenas adia o dia de nossa conversão ao Mistério e à Sua Graça.

No Mistério encontramos o Conhecer que é. Em Sua Graça somos. Mas quem é suficiente para estas coisas?

Se não é suficiente nem mesmo para o que recebe e não discerne, como o será para entender ou
explicar Aquele que é Mistério?

Ora, eu só SEI em quem tenho crido! Nascer de novo faz a gente entrar e ver o Reino de Deus. Mas
quem entrou e viu desistiu de explicar. É Mistério. É Graça. É irreferível!

O meu justo viverá pela fé.

E assim me atrevo a falar da PESSOA a QUEM chamamos DEUS, só para, por fim, lhes dizer que
DEUS NÃO É TEOLOGIZÁVEL.

No Caminho da Graça, não se faz teologia tal qual a conhecemos. O Caminho não serve para isso. O
Caminho é sua Mensagem e sua Mensagem é o Evangelho, e o Evangelho é Experiência e não
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Conhecimento! Sim, o Evangelho de Jesus Cristo é para ser experimentado, e não “estudado” com
categorias mentais de absorção de uma verdade intelectual.

Teologia, no Caminho da Graça, é o exercício da Psicologia da Graça no trato humano. Portanto, o


nome nem deveria ser "teo-logia", pois se é acerca do cuidado com as pessoas, não se está falando de
nada que não seja antropológico e psicológico.

Então, nossa Teologia não estuda Deus, “estuda” o homem!

Cremos que tudo na vida é parte do trato de Deus para as pessoas, e que não há situação que não possa
se tornar em bem para a alma1.

Cremos que a Misericórdia cura2!

Cremos que nossos “teólogos” precisam ser honestos com sua própria condição humana, a fim de que
possam se condoer dos que sofrem; possuir um olhar sem julgamentos, pois o moralismo impede as
pessoas de se enxergarem e não tem o poder de libertar ninguém de coisa alguma.

Na “nossa” Teologia, quem vai para o Divã é o homem, e não perdemos tempo construindo um Deus!
Deus É 3!

Por isso não sei o que dirão ao Eterno aqueles que, em Tempos do Fim, ainda passam a vida discutindo
idéias e pensamentos vãos — supostamente — sobre Deus, tanto em livros como em seminários,
grupos virtuais e palestras de reflexão.

O Apocalipse está às portas, mas os teólogos e eruditos não têm tempo para as calamidades da vida.
Preferem discutir se Deus sabe das calamidades, se Ele se assusta com elas ou se determina friamente se
elas acontecem ou não. Também querem continuar divagando sobre o livre-arbítrio humano em
contrapartida à Soberania Divina. Querem saber até onde vai a liberdade do homem num tempo em
que essa liberdade está acabando com a Terra.

O que se vê nesses dias se assemelha de modo patético ao que aconteceu durante o naufrágio do
Titanic. O navio naufragava, mas os homens ainda disputavam lugares, status, posições, paixões, bens,
pérolas e jóias; e, além de tudo, ainda tinham tempo para disputas pessoais e para a dedicação das
últimas energias ao espírito de vingança ou de prevalência sobre o próximo.

Assim, de modo semelhante, os teólogos discutem à beira do precipício.

O fato é que os temas que elegem, o tempo que gastam, os esforços intelectuais que dedicam e a
importância que atribuem a tais nulidades é algo tão grandemente insólito ante os fatos dos Tempos
que fica difícil entender como pessoas que crêem em Jesus e nas Escrituras conseguem se dar ao Nada
com tanta avidez. Só me é possível pensar que não sabem o que está acontecendo!

Teólogos filhos do Seminário Titanic de Reflexão Teológica, ACORDEM, O NAVIO ESTÁ


AFUNDANDO!

Na água gelada desse Naufrágio, terá razão quem tiver se ajudado e ajudado outros, e não quem,
morrendo de frio e congelando, disser: “Viu? Eu disse que o navio é que afundava e não o mar que

1
Romanos 8:28
2
Tiago 2:13
3
João 8:24:28, 58
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tragava o navio”! Isso enquanto o outro dirá: “Tolo! Eu falei que é o mar que traga o navio e não o
navio que se enche do mar!” E essa conversa continua até debaixo d’água!

***

Mas só tem uma coisa pior que o saber teológico de hoje: é o fazer teológico desses dias, que é
resultado da vaidade da “nobreza” do nosso labor sem Amor e sem Fé!

Aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus.


Jesus

A maior parte das coisas nobres que nos ocupam não tem valor diante de Deus, da vida como um todo,
e, no final, nem para nós mesmos. Nós, entretanto, cuidamos de nos dedicar a muitas tarefas da
vaidade disfarçando-as de piedade. As obras do homem são vaidades. Até mesmo as mais nobres são
eivadas de vazio de um real significado.

Jesus foi o único que viveu as obras de Deus e do homem, até a mais profunda plenitude, no limitado
ambiente da existência como a conhecemos.

Ele, entretanto, nada fez! Como assim? Ora, qualquer discípulo dirá: “Jesus curou. Jesus fez o bem.
Jesus tirou gente da morte. Jesus deu a alegria do perdão aos que o procuraram. Jesus amou. Jesus
morreu. Jesus ressuscitou e apareceu a alguns discípulos. Jesus ascendeu aos céus. Jesus é o meu Deus e
Salvador! Jesus voltará! Jesus é Senhor de tudo e todos”!

Todavia, quase nenhum desses discípulos — que confessam tais coisas como sendo a obra de Deus por
excelência — é capaz de celebrar as mesmas coisas em sua própria vida, a menos que elas se façam
acompanhar de outras obras.

Para nós a obra de Deus é visível em números, em prédios, em estatísticas, em prestígio, em fama santa,
em interesse social, em escolha das causas do bem, em esforço pela expansão da visibilidade do
“Evangelho”, em aparições de discípulos na grande mídia de modo “bom e digno”, em piedade visível
aos sentidos mediante a aparência do bem, em dedicação às chamadas “causas da igreja” como “reino”,
em serviço aos líderes ungidos, em planejamento evangelístico, em cursos teológicos, em belos templos,
em meiguice estereotipada, em vaidades de ser, de estar, de pertencer, de possuir, de aparecer, de
ambicionar, de conseguir, de morrer...

Todo mundo quer fazer alguma coisa, mas poucos querem fazer a obra de Deus.
A obra de Deus está em fazer a vontade de meu Pai — disse Jesus4.
Fazer a vontade do Pai é a obra de Deus. Claro! Realizar a Vontade é fazer a Obra.
Mas e a vontade do Pai? Quem a sabe?

Ora, essa é sempre a pergunta de quem não quer fazer a Vontade do Pai. É como a pergunta do jovem
rico: “O que farei para herdar a vida eterna5?” É como a pergunta do bom escriba: “Quem é o meu
próximo6”? É como a pergunta de Pilatos: “O que é a verdade7?”

A Sua Voz se faz ouvir em toda a Terra e as Suas palavras até os confins do mundo8!

4
João 4:34
5
Mateus 19:16-26
6
Lucas 10:25-37
7
João 18:28-40, 19:1
8
Salmo 19:4
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Até mesmo aquele que nada sabe da revelação de Deus, seja a escrita ou a encarnada em Jesus, quando
teme a Deus e busca o que é bom sabe qual é a Vontade de Deus9.

A Vontade de Deus se faz impulso operacional em todo aquele que o ama. Pois todo aquele (qualquer um)
que ama conhece a Deus, visto que Deus é amor10.

Assim, quem ama é nascido de Deus e, por isso, carrega a semente divina em si mesmo. E essa semente é
amor.

Por isso quem ama conhece a Deus, é nascido de Deus e, por tal razão, ama a todo aquele e a tudo
aquilo que por Deus foi gerado11.

Ora, quem quer que, em qualquer lugar ou mundo, tema a Deus e ame o seu próximo, esse conhece a
Deus, pois Deus é amor. Quem está em amor está em Deus, e Deus nele — simples assim, conforme o apóstolo
João12.

Desse modo, esse tal (sem nome, sem escola, sem revelação, sem instrução, sem ensino, sem filosofia,
sem teologia, sem religião, sem informação histórica e sem nada que julguemos essencial ao saber, ao
ser, ao edificar, ao alcançar, ao ambicionar e ao atingir) CONHECE a Deus mais do que teólogos,
mestres, educadores, pastores, sacerdotes, eruditos, etc. Se estes sabem, mas não vivem; se instruem,
mas não crêem; se confessam, mas não encarnam; labutam, mas na inércia; acumulam na “cabeça” mas
não conduzem nada ao coração13.

Para saber a vontade de Deus, basta amar de verdade. Quem ama sempre sabe o que fazer. (Mas amor
aqui é AMOR. É amor conforme Deus.).

Ninguém jamais viu um ser humano cheio de amor sem saber o que fazer!
O amor que não faz a Vontade de Deus é romance teológico!

No fim, somente no fim, é que a maioria quase absoluta descobre — já na virada, na passagem — que
labutou por importâncias que não importavam e que deu de si ao que não era, pois, não realizava a
vontade do Pai, mas apenas atendia às demandas das nobres ocupações dos que vivem para falar, dizer,
almejar, ensinar e lamentar, mas que nada fazem, pois o que fazem não enche o coração, posto que o
coração só se realiza na obra simples do amor.

O resto é a piedosa, vã e nobre vaidade orgulhando-se de sua nulidade!

Sem amor nada me aproveitará! Nada14!

Título:
A Teologia e o Caminho da Graça (este texto faz parte do livro “Um só Caminho”)

© Copyright:
Caio Fábio D’Araújo Filho

9
3 João 1:11
10
1 João 4:7-8
11
1 João 5:1
12
1 João 4:16
13
Eclesiastes 1:12-18
14
1 Coríntios 13:3