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MAESTRO MARINHO FRANCO

Marinho de Oliveira Franco, 88 anos, nasceu na cidade de Lençóis, região das Lavras Diamantinas no estado da Bahia em 6 de março de 1912, faleceu na cidade de Cuiabá, Mato Grosso em 24 de março de 2000. Maestro Marinho Franco foi músico profissional durante 74 anos. Aprendeu e estudou música em sua infância, aos 14 anos já tocava na Filarmônica Lira Popular de Lençóis, aos 16 anos foi nomeado contramestre da mesma. Em 1933, aos 20 anos de idade, Marinho deixou a cidade de Lençóis, passando pela cidade de Bom Jesus da Lapa, onde tocou por algum tempo, de lá seguiu com destino a São Paulo, porém passou pelo Rio de Janeiro, onde permaneceu por algum tempo, seus colegas insistiram para que viesse para São Paulo e ficasse na cidade de Araçatuba. Como Marinho participava de um grupo de amigos, os mesmos com intenção de ficar rico de repente; seguiu com este grupo com destino a cidade de Aquidauana, hoje cidade do estado de Mato Grosso do Sul, atraído pela aventura, pois diziam seus amigos que se arrancasse uma touceira de capim, diamantes vinham junto às raízes; e chegando lá nada disso era verdade, e Marinho passou a trabalhar na sua profissão; a música − e executava com muita habilidade os instrumentos de

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palhetas, tais como: Requinta, Saxofone Alto, Saxofone Tenor e Saxofone Soprano, mas era no Saxofone Alto que fazia verdadeiro malabarismo e executava as gostas gargalhadas no instrumento. Em 1935, fora chamado para trabalhar como músico na cidade de Campo Grande, hoje capital do Mato Grosso do Sul, passou a tocar nas casas noturnas, nos cabarés locais e em alguns clubes na cidade. Logo um Coronel Galdino Carvalho, que ostentava esse título por ser um homem muito rico e poderoso no distrito de Cassununga, que pertencia à cidade de Lajeado, hoje Guiratinga, convidou para vir a sua cidade.

Marinho e companheiros da música (Alto Garças, 1948)

Marinho de Oliveira Franco, único filho de Marinho da Luz Franco, descendente de escravos africanos, embora fosse um homem de cor, era culto, respeitado, conceituado, e muito querido na cidade de Lençóis. Sua mãe era uma senhora que pertencia à classe média da sociedade de Lençóis, de origem portuguesa, apesar da grande objeção por parte dos nobres da cidade, por motivos raciais, Julinda de Oliveira Santos casou-se com Marinho da Luz Franco. Os recém-casados conceberam Marinho, sendo filho único que veio ao mundo após três meses da morte de seu pai. Em 1941, casou-se com Izabel Vicente Silva, com que teve 7 filhos, 12 netos e 5 bisnetos, a maioria dos filhos seguiram o caminho do pai, a música, sendo eles; Crisóstomo (Saxofonista), Crisália, Maria Conceição, Lassimi (Cantora), Marinho - Zito (Tecladista), Marileth (Cantora) e Mário Sérgio - Serginho (Guitarrista).

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Família Franco em 1951

Marinho e sua esposa Izabel (Anos 90)

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Fundou a Filarmônica “13 de Maio”, atuando como maestro por vários anos e paralelo a música passou a trabalhar no garimpo, sendo bem sucedido, por encontrar vários diamantes valiosos e fazendo uma razoável fortuna, mas com o advento da 2ª Guerra Mundial, o diamante veio a perder o valor por não ser mais exportado para os Estados Unidos e Europa, Marinho viu sua fortuna ir de água a baixo e voltou a se dedicar a sua profissão original de músico, animando inúmeras festas nas cidades de Tesouro, Cassununga, Guiratinga, Monchão Dourado, Batuví, Alcantilado e General Carneiro. Em 1949, Maestro Marinho fora convidado para ir fixar residência na cidade de Alto Garças, pelo então subprefeito Aguinelo Leal de Araújo e passou a animar festas por toda a região tais como: Alto Garças, Alto Araguaia, Araguainha, Ponte Branca, Barra do Garças, Torixoréo, Itiquira, Pedro Gomes, Coxim entre outras cidades. Em 1950, Maestro Marinho partiu em excursão por todo o estado de Goiás, permaneceu por vários meses na capital Goiânia, retornando para Mato Grosso, foi convidado para ir a Cuiabá, onde cumpriu vários contratos musicais em locais como: Rádio Voz do Oeste, Clube Feminino que era da elite cuiabana, Centro Artístico Cuiabano, Clube Dom Bosco, recebeu propostas para se integrar como contramestre nas bandas da Polícia Militar e 16ª BC, recusou estes convites, mais permaneceu na capital do estado por quase um ano. A sua esposa Izabel da Silva Franco, incomodada com a demora do Maestro, resolveu ir a seu encontro, vinda de Alto Garças de caminhão atravessando o Rio Vermelho de balsa, pois não havia ponte, no dia 6 de agosto de 1951, às 8h da manhã, estava em Rondonópolis. Ao chegar encontrou o senhor Anísio Braga, que era conterrâneo amigo e compadre do Maestro Marinho e que residia neste distrito, pediu para a senhora Izabel que permanecesse em Rondonópolis, que ele iria telegrafar para o Maestro, pedindo que viesse a Rondonópolis, pois a sua esposa e filhos já estavam aqui a sua espera. Após três dias, o Maestro chegou a Rondonópolis e com intenção de ir com sua família residir na cidade do Rio de Janeiro, capital da República na época, onde já tinha local certo de trabalho e escola para os filhos, mais seu amigo Anísio, fez muita insistência para que Marinho ficasse em Rondonópolis, Marinho por ter muita consideração com o amigo resolveu passar alguns dias nesta cidade. O que seria por alguns dias acabou sendo a sua cidade de coração. Em 1951, Maestro Marinho reuniu alguns rapazes que tinham vocação musical, depois de várias aulas e ensaios, formou o primeiro conjunto musical da cidade de Rondonópolis e da região sul do estado de Mato Grosso, este conjunto musical denominou-se Jazz Band Marinho, que era composto por Marinho no sax alto, instrumento este que dominava com perfeição e muito talento, sendo o líder do grupo, composto por acordeom, banjo, violão, pandeiro e bateria. No mesmo ano, inaugurou o primeiro salão de danças da cidade de Rondonópolis, denominado Bar Clube Recreio, onde fora promovido os primeiros bailes e festas da cidade, importante dizer que as bebidas eram depositadas em um buraco, jogava-se palha de arroz em cima e colocava água para esfriar, no final da festa não sobrava uma garrafa se quer, a luz era de petromax, as moças eram apenas seis e que o Maestro tinha que levar em suas residências no final da festa, o público dançante era na maioria casais.

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Certo dia o Maestro promovendo uma matinê infantil e ao mesmo tempo organizando uma partida de futebol do seu time que fundara, denominado Comércio Esporte Clube, em um campo, onde hoje é a Escola Estadual Major Otávio Pitaluga (EEMOP), um grupo de índios bororos resolveu participar da matinê; os índios adentraram o salão do clube, despiram-se e passaram a dançar a seus modos, o público presente, assustado, chamaram o Maestro para retirar os índios; alguns índios muito exaltados não gostaram e prometeram retornar com arcos e flechas, liderados pelo índio rebelde Enrique Cury, mas foram contidos por outro índio muito popular no meio indígena e dos brancos, este índio chamava-se Malagueta, que era admirador do Maestro Marinho e o chamava de “O Tocador”. Na metade do século XX, Rondonópolis contava apenas com 140 casas de residência, o restante da população eram fazendeiros, sitiantes, lavradores e agregados, calculava-se na época um total de 3.500 habitantes e muitos índios bororos. A cidade era pequena, sem luz, sem água encanada, tinha apenas um posto de saúde, uma igreja católica, uma igreja presbiteriana, uma escola que se chamava Escola Reunidas Cândido Mariano da Silva Rondon, hoje Escola Estadual Sagrado Coração de Jesus. Tinha um delegado, cargo este que era exercido pelo chefe da C.E.R. (Companhia de Estrada de Rodagem, hoje D.V.O.P.), que também era oficial da Polícia Militar. Além do Bar Clube Recreio, as festas eram animadas nas pensões, residências e pátios ao ar livre.

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Rondonópolis (Anos 50)

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Em 1953, surgiu o Bar Vitória, do senhor Dário Matos, baiano, recém-chegado, este bar passou a oferecer certo conforto na época, tais como: bebidas geladas, luz elétrica gerada por motor e mesas de fórmica.

Marinho e seu Sax no Clube Caleg (Guiratinga, 1957)

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Em 1961, Rondonópolis já contava com alguns melhoramentos e conforto tais como, energia elétrica. Na mesma época, houve a inauguração do Rondonópolis Clube, Maestro Marinho resolveu reformular o conjunto adaptando o violão elétrico. Este conjunto passou a denominar-se Marinho & seu Conjunto, por influência da Bossa Nova, permanecendo com este nome até 1967. Com a grande revolução musical mundialmente conhecida que houve na época, com surgimento da banda inglesa The Beatles, aqui no Brasil a Jovem Guarda, liderada pelos cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos “O Tremendão” e Wanderléa. Maestro Marinho foi obrigado a reformular mais uma vez o seu conjunto musical, foi a São Paulo, adquiriu equipamentos de som e luz e instrumentos modernos da época. A banda passou a ser denominada Marinho & seus Beat Boys, em homenagem aos The Beatles, com esta banda então, Maestro Marinho alcançou estrondoso sucesso não só em Rondonópolis, como em todo o Mato Grosso e outros estados, gravando vários discos e tocando com músicos de renome nacional. Hoje a banda é liderada pelos seus filhos, e continua possuindo um grande prestígio e aceitação junto ao público. É uma banda eclética, desde 1967 em atuação, que atualmente é composta por oito integrantes, sendo três filhos: Crisóstomo, Mário Sérgio (Serginho) e Marinho (Zito), uma neta Mariana Franco e três contratados, são os seguintes integrantes: saxofonista Crisóstomo, tecladista Zito, baterista Paulo, contrabaixista Valtinho, guitarrista Serginho, percussionista Natal, cantor contratado e cantora Mariana Franco. Esta banda gravou 2 LPs, 2 CDs e 1 DVD e é sempre requisitada para animar bailes, festas, aniversários e casamentos em todo o estado.

Marinho & seu Conjunto em 1961

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Marinho & seus Beat Boys em 1967, atrás de Marinho estão seus filhos Lassimi e Zito

Marinho & seus Beat Boys em 1969 Crisóstomo e Marinho nos Saxofones

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Marinho & seus Beat Boys (Praça Brasil, 1972)

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Marinho & seus Beat Boys (Diretoria Eleita da ABR, 1973)

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Marinho & seus Beat Boys Tato, Serginho, Marileth Zé Pretin, Zito, Marinho e Perli (1974)

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Marinho & seus Beat Boys (Carnaval, 1977)

Marinho & seus Beat Boys (ABR, Carnaval 1978)

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Marinho & seus Beat Boys (Aparelhagem, 1978)

Marinho & seus Beat Boys Marinho, Zito, Ivan, Marileth, Serginho, Valtinho (1982)

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Marinho & seus Beat Boys (1983)

Marinho & seus Beat Boys (1986)

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Marinho & seus Beat Boys Valtinho, Ivan, Tato, Marinho, Serginho e Zito (1988)

Marinho & seus Beat Boys Marinho, Lassimi e Serginho (Show Tributo a um Grande Maestro, 1995)

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Marinho & seus Beat Boys (1997)

Capa da Fita K7 (Início dos Anos 90)

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Cartaz da Banda (Início dos Anos 90)

Zito e Marinho (Carnaval de Rua, Praça Brasil, 1980)

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Marinho e seu Sax (1986)

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Marinho e seu Sax (Show Tributo a um Grande Maestro, 1995)

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Marinho e seu Sax (1995)

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Marinho & seus Beat Boys Eugênides, Crisóstomo, Valtinho, Ivan, Paulinho, Serginho e Zito (2009)

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Serviços prestados pelo Maestro Marinho Franco à cidade de Rondonópolis. Um dos fundadores da ACIR (Associação Comercial e Industrial de Rondonópolis). Prestou serviços com sua banda para: a construção da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, do antigo Estádio Engenheiro Luthero Lopes no Centro, fundação da Santa Casa de Misericórdia, do Hospital Psiquiátrico, do Rondonópolis Atlético Clube, da ABR, hoje Canadá Country Club, e para animação do 1º Carnaval do Caiçara Tênis Clube, além de participar de várias outras entidades beneficentes com sua banda. Foi também oficial de justiça, suplente juiz de paz, por vezes, ocupando o cargo de titular onde realizou inúmeros casamentos, suplente vereador, não sendo titular por não querer assumir o cargo por suas atividades particulares, além disso, foi comerciante, garimpeiro, comerciante de diamantes, corretor de imóveis e professor de música, onde centenas de alunos obtiveram conhecimentos musicais através de seus ensinamentos e hoje atuando em vários locais do país. Maestro Marinho Franco, pela sua atividade profissional no Estado de Mato Grosso como músico, foi homenageado com os títulos de Cidadão Mato-Grossense, Cidadão Rondonopolitano e Cidadão Guiratinguense, Monção de Aplausos da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso e Monção de Aplausos da Ordem dos Músicos do Brasil Conselho Regional de Mato Grosso. Também foi homenageado por outros estados com os títulos de Mérito Cultural do Estado de Mato Grosso do Sul, Mérito Cultural da Cidade de Lençóis - Bahia e Medalha de Mérito do Clube Pinheiros de São Paulo. Recebeu centenas de diplomas e troféus de honra ao mérito pelo seu trabalho artístico instrumental. Depois de sua morte, foi homenageado pelo Governo do Estado de Mato Grosso que outorgou o nome de Maestro Marinho Franco ao novo Aeroporto de Rondonópolis, foi homenageado pela Assembleia Legislativa entre os 101 músicos e compositores fundamentais no desenvolvimento da produção musical no Mato Grosso do século XX e pela Câmara de Vereadores de Rondonópolis que homenageou o Maestro outorgando o nome de Marinho Franco a uma avenida no Jardim Primavera e também outorgou ao prédio do museu local Rosa Bororo, o nome de Palácio Maestro Marinho Franco, a banda de música criada pela Prefeitura de Rondonópolis, embora desativada, leva seu nome.

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Wilson Santos, Marinho e sua filha Lassimi Título de Cidadão Mato-grossense ao Maestro Marinho Franco Cuiabá, 1999

Crisóstomo Franco, Izabel Franco e Dante de Oliveira Inauguração do Aeroporto Maestro Marinho Franco Rondonópolis, 13 de setembro de 2000

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Blairo Maggi, Izabel Franco e Percival Muniz Placa em Homenagem ao Maestro Aeroporto Maestro Marinho Franco Rondonópolis, 2004

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Em homenagem a Rondonópolis, Maestro Marinho Franco, compôs a música RAINHA DO ALGODÃO.

RAINHA DO ALGODÃO Música e Letra composta por Maestro Marinho Franco, em 1951.

Trecho da Música

Encontraram em Mato Grosso A flor mais bela do sertão É Rondonópolis cidade colosso Rainha do Algodão

Seu povo é forte, trabalhador De fronte erguida para ao labor Marcha coeso e varonil Para a cultura e a grandeza do Brasil

____________________ Texto escrito por Crisóstomo da Silva Franco, saxofonista, professor de música, empresário da Banda Marinho & seus Beat Boys e filho do Maestro Marinho Franco. E-mail: bandamarinho@msn.com

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